A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
142 pág.
LIVRO DE direitoadministrativonogueira

Pré-visualização | Página 27 de 50

que nem 
sempre é exigida a habilitação legal. 
Contrato de fornecimento é o ajuste administrativo pelo qual a Administração 
adquire coisas móveis (materiais, produtos industrializados, gêneros alimentícios etc.) necessárias à 
realização de suas obras ou à manutenção de seus serviços.
Os contratos de fornecimento admitem três modalidades: fornecimento 
integral, fornecimento parcelado e fornecimento contínuo. No primeiro caso, que é o que mais se 
aproxima do contrato de compra e venda do Direito Privado (Civil ou Comercial), a entrega da coisa 
deve ser feita de uma só vez e na sua totalidade; no segundo, a prestação exaure-se com a entrega 
final da quantidade contratada; e, no terceiro, a entrega é sucessiva e perene, devendo ser realizada 
nas datas avençadas e pelo tempo que durar o contrato.
44
Contrato de concessão é o ajuste pelo qual a Administração delega ao 
particular a execução remunerada de serviço ou de obra pública ou lhe cede o uso de um bem 
público, para que o explore por sua conta e risco, pelo prazo e nas condições regulamentares e 
contratuais. Dai a tripartição da concessão em concessão de serviço público, concessão de obra 
pública e concessão de uso de bem público, consubstanciadas em contrato administrativo bilateral, 
comutativo, remunerado e realizado intuitu personae. A modalidade de licitação cabível para os 
contratos de concessão (de uso, de serviço ou de obra pública) é a concorrência.
Contrato de concessão de serviço público, ou, simplesmente, concessão de 
serviço público, é o que tem por objeto a transferencia da execução de um serviço do Poder Público 
ao particular, que se remunerará dos gastos com o empreendimento, ai incluídos os ganhos normais 
do negócio, através de uma tarifa cobrada aos usuários. É comum, ainda, nos contratos de 
concessão de serviço público a fixação de um preço, devido pelo concessionário ao concedente a 
título de remuneração dos serviços de supervisão, fiscalização e controle da execução do ajuste, a 
cargo deste último.
Contrato de concessão de obra pública, ou, simplesmente, concessão de 
obra pública, é o ajuste administrativo que tem por objeto a delegação a um particular da execução e 
exploração de uma obra pública ou de interesse público, para uso da coletividade, mediante 
remuneração ao concessionário, por tarifa.
Contrato de concessão de uso de bem público, concessão de uso de bem 
público ou, simplesmente, concessão de uso, é o destinado a outorgar ao particular a faculdade de 
utilizar um bem da Administração segundo a sua destinação específica, tal como um hotel, um 
restaurante, um logradouro turístico ou uma área de mercado pertencente ao Poder Público 
concedente. É um típico contrato de atribuição, pois visa mais ao interesse do concessionário que ao 
da coletividade, mas, como todo contrato administrativo, não pode contrapor-se às exigências do 
serviço público, o que permite à Administração alterá-lo unilateralmente e até mesmo rescindi-lo, e 
isto o distingue visceralmente das locações civis ou comerciais. Como contrato administrativo, 
sujeita-se também ao procedimento licitatório prévio, no caso, a concorrência, salvo na concessão 
gratuita, que equivale a doação.
A concessão de uso, que pode ser remunerada ou não, apresenta duas 
modalidades, a saber: a concessão administrativa de uso e a concessão de direito real de uso. A 
primeira, também denominada concessão comum de uso, apenas confere ao concessionário um 
direito pessoal, intransferível a terceiros. Já, a concessão de direito real de uso, instituída pelo Dec.-
lei 271, de 28.2.67 (arts. 7º e 8º), como o próprio nome indica, atribui o uso do bem público como 
direito real, transferível a terceiros por ato inter vivos ou por sucessão legítima ou testamenteira. E é 
isso que a distingue da concessão administrativa de uso, tornando-a um instrumento de grande 
utilidade para os empreendimentos de interesse social, em que o Poder Público fomenta 
determinado uso do bem público.
Contrato de gerenciamento é aquele em que o contratante, no caso, o 
Governo, comete ao gerenciador a condução de um empreendimento, reservando para si a 
competência decisória final e responsabilizando-se pelos encargos financeiros da execução das 
obras e serviços projetados, com os respectivos equipamentos para sua implantação e operação. 
Nessa moderna modalidade contratual todas as atividades necessárias à implantação do 
empreendimento são transferidas ao gerenciador (empresa ou profissional habilitado) pela entidade 
ou órgão interessado, que apenas retém o poder de decisão sobre os trabalhos e propostas 
apresentados, e, uma vez aprovados, passa a responsabilizar-se pelo seu custo, nas condições 
ajustadas com seus elaboradores e executores.
O gerenciamento é, pois, atividade técnica de mediação entre o patrocinador 
da obra e seus executores, visto que o profissional ou a empresa gerenciadora não executa 
materialmente o empreendimento, mas propicia sua execução, indicando os meios mais eficientes e 
econômicos para sua realização. E, após a celebração dos contratos necessários com os respectivos 
executores, firmados diretamente pelo dono da obra, o gerenciador passe a programar, 
supervisionar, controlar e fiscalizar todos os serviços contratados.
No gerenciamento, o gerenciador não representa e entidade ou órgão que o 
contratou, nem age em nome dele, mas atua para ele. Realmente, o gerenciador presta um serviço 
técnico especializado, em seu próprio nome e sob sua inteire responsabilidade, nos termos do 
ajustado com o dono da obra e sempre sujeito ao seu controle. Não representando o dono da obra, o 
prestador do serviço de gerenciamento (que denominamos o gerenciador para diferençá-lo do 
gerente comercial) não dispõe de poderes pare firmar contratos com terceiros, nem pare desfazer 
ajustes celebrados entre estes e o dono da obra, nem para impor penalidades aos contratados 
inadimplentes.
45
4. licitação
Vimos anteriormente que o contrato administrativo exige licitação prévia, só 
dispensável, inexigível ou vedada nos casos expressamente previstos em lei, e que constitui uma de 
suas peculiaridades, de caráter externo. Assim, a licitação é o antecedente necessário do contrato 
administrativo; o contrato é o conseqüente lógico da licitação. Mas esta, observa-se, é apenas um 
procedimento administrativo preparatório do futuro ajuste, de modo que não confere ao vencedor 
nenhum direito ao contrato, apenas uma expectativa de direito. Realmente, concluída a licitação, não 
fica a Administração obrigada a celebrar o contrato, mas, se o fizer, há de ser com o proponente 
vencedor.
O Dec.-lei 2.300, de 21.11.86, instituiu o Estatuto Jurídico das Licitações e 
Contratos Administrativos, editando disposições específicas para a União e suas autarquias e normas 
gerais para os Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios como, também, para suas entidades 
paraestatais. É o que consta de seus arts. 1º e 2º, c/c os arts. 85 e 86. Essas normas gerais agora 
encontram embasamento na CF, art. 22, XXVII.
Por normas gerais devem entender-se todas as disposições da lei aplicáveis 
indistintamente às licitações e contratos da União, Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios, 
bem como de seus desmembramentos autárquicos e paraestatais. Continua com os Estados, 
Municípios, Distrito Federal e Territórios a faculdade de editar normas peculiares para suas licitações 
e contratos administrativos de obras, serviços, compras e alienações, como o fizeram na vigência do 
Dec.-lei 200/67 e da Lei 5.456/68, que estendeu as normas gerais sobre a matéria a todas as 
entidades estatais e autárquicas de todos os níveis de governo, orientação que continua mantida 
pelo Dec.-lei 2.300/86 em tudo que não contrariar suas normas gerais,