A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
142 pág.
LIVRO DE direitoadministrativonogueira

Pré-visualização | Página 28 de 50

notadamente no procedimento 
da licitação, na formalização e execução dos contratos, nos prazos e nos recursos admissíveis.
Feitas essas considerações gerais sobre o Estatuto, vejamos os aspectos 
doutrinários da matéria por ele regida, a começar pelo conceito, finalidades, princípios e objeto da 
licitação.
Licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a Administração 
Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. Como procedimento, 
desenvolve-se através de uma sucessão ordenada de atos vinculantes para a Administração e para 
os licitantes, o que propicia igual oportunidade a todos os interessados e atua como fator de 
eficiência e moralidade nos negócios administrativos. 
Essa dupla finalidade - obtenção do contrato mais vantajoso e resguardo dos 
direitos de possíveis contratantes - é preocupação que vem desde a Idade Média e leva os Estados 
modernos a aprimorarem cada vez mais o procedimento licitatório, hoje sujeito a determinados 
princípios, cujo descumprimento descaracteriza o instituto e invalida seu resultado seletivo.
Os princípios que regem a licitação, qualquer que seja a sua modalidade, 
resumem-se nos seguintes preceitos: procedimento formal; publicidade de seus atos; igualdade entre 
os licitantes; sigilo na apresentação das propostas; vinculação ao edital ou convite; julgamento 
objetivo; adjudicação compulsória ao vencedor. O Estatuto acrescentou, agora, dentre os princípios 
básicos da licitação, o da probidade administrativa (art. 39).
O princípio do procedimento formal é o que impõe a vinculação da licitação 
às prescrições legais que a regem em todos os seus atos e fases. Essas prescrições decorrem não 
só da lei mas, também, do regulamento, do caderno de obrigações e até do próprio edital ou convite, 
que complementa as normas superiores, tendo em vista a licitação a que se refere.
A publicidade dos atos da licitação é princípio que abrange desde os avisos 
de sua abertura ate o conhecimento do edital e seus anexos, o exame da documentação e das 
propostas pelos interessados e o fornecimento de certidões de quaisquer peças, pareceres ou 
decisões com ela relacionadas. É em razão desse principio que se impõem a abertura dos envelopes 
da documentação e proposta em público e a publicação oficial das decisões dos órgãos julgadores e 
do respectivo contrato, ainda que resumidamente.
Não há confundir, entretanto, a abertura da documentação e das propostas 
com seu julgamento. Aquela será sempre em ato público; este poderá ser realizado em recinto 
fechado e sem a presença dos interessados, para que os julgadores tenham a necessária 
46
tranqüilidade na apreciação dos elementos em exame e possam discutir livremente as questões a 
decidir. O essencial é a divulgação do resultado do julgamento, de modo a propiciar aos interessados 
os recursos administrativos e as vias judiciais cabíveis.
A igualdade entre os licitantes é princípio impeditivo da discriminação entre 
os participantes do certame, quer através de cláusulas que, no edital ou convite, favoreçam uns em 
detrimento de outros, quer mediante julgamento faccioso, que desiguale os iguais ou iguale os 
desiguais.
O desatendimento a esse princípio constitui a forma mais insidiosa de desvio 
de poder, com que a Administração quebra a isonomia entre os licitantes, razão pela qual o Judiciário 
tem anulado editais e julgamentos em que se descobre a perseguição ou o favoritismo 
administrativo, sem nenhum objetivo ou vantagem de interesse público. Todavia, não configura 
atentado ao princípio da igualdade entre os licitantes o estabelecimento de requisitos mínimos de 
participação no edital ou convite, porque a Administração pode e deve fixá-los sempre que 
necessários à garantia da execução do contrato, à segurança e perfeição da obra ou serviço, à 
regularidade do fornecimento ou ao atendimento de qualquer outro interesse público.
O sigilo na apresentação das propostas é consectário da igualdade entre os 
licitantes, pois ficaria em posição vantajosa o proponente que viesse a conhecer a proposta de seu 
concorrente antes da apresentação da sua. Dai o necessário sigilo, que há de ser guardado 
relativamente a todas as propostas, até a data designada para a abertura dos envelopes ou 
invólucros que as contenham, após a habilitação dos proponentes.
A abertura da documentação ou das propostas ou a revelação de seu 
conteúdo antecipadamente, além de ensejar a anulação do procedimento, constitui ilícito punível até 
mesmo pela lei penal (CP, art. 326).
A vinculação ao edital é princípio básico de toda licitação. Nem se 
compreenderia que a Administração fixasse no edital a forma e o modo de participação dos licitantes 
e no decorrer do procedimento ou na realização do julgamento se afastasse do estabelecido, ou 
admitisse documentação e propostas em desacordo com o solicitado. O edital é a lei interna da 
licitação, e, como tal, vincula aos seus termos tanto os licitantes como a Administração que o 
expediu.
O julgamento objetivo é o que se baseia no critério indicado no edital e nos 
termos específicos das propostas. É princípio de toda licitação que seu julgamento se apoie em 
fatores concretos pedidos pela Administração, em confronto com o ofertado pelos proponentes 
dentro do permitido no edital ou convite. Visa a afastar o discricionarismo na escolha das propostas, 
obrigando os julgadores a aterem-se ao critério prefixado pela Administração, com o quê se reduz e 
se delimita a margem de valoração subjetiva, sempre presente em qualquer julgamento (Estatuto, 
art. 37).
A probidade administrativa é dever de todo administrador público, mas o 
Estatuto a incluiu dentre os princípios específicos da licitação (art. 3º), naturalmente como uma 
advertência às autoridades que a promovem ou a julgam. A probidade na Administração é 
mandamento constitucional, que pode conduzir a "suspensão dos direitos políticos, a perda da 
função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação 
prevista em lei, sem prejuízo da ação penal cabível".
O princípio da adjudicação compulsória ao vencedor impede que a 
Administração, concluído o procedimento licitatório, atribua seu objeto a outrem que não o legitimo 
vencedor.
A adjudicação ao vencedor é obrigatória, salvo se este desistir 
expressamente do contrato ou não o firmar no prazo prefixado, a menos que comprove justo motivo. 
A compulsoriedade veda também que se abra nova licitação enquanto válida a adjudicação anterior.
Advirta-se, porém, que o direito do vencedor limita-se à adjudicação, ou seja, 
à atribuição a ele do objeto da licitação, e não ao contrato imediato. E assim é porque a 
Administração pode, licitamente, revogar ou anular o procedimento ou, ainda, adiar o contrato, 
quando ocorram motivos para essas condutas. O que não se lhe permite é contratar com outrem 
enquanto válida a adjudicação, nem revogar o procedimento ou protelar indefinidamente a 
adjudicação ou a assinatura do contrato sem justa causa. Agindo com abuso ou desvio de poder na 
invalidação ou no adiamento, a Administração ficará sujeita a correção judicial de seu ato e a 
reparação dos prejuízos causados ao vencedor lesado em seus direitos, quando cabível.
Com a adjudicação homologada encerra-se o procedimento licitatório, 
passando-se ao contrato.
47
Objeto da licitação é a obra, o serviço, a compra, a alienação ou a concessão 
que, a final, será contratada com o particular.
Esse objeto deverá ser convenientemente definido no edital ou no convite, a 
fim de que os licitantes possam atender fielmente ao desejo do Poder Público. 
A definição do objeto, ou seja, sua descrição com todos os dados necessários 
ao seu