A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
142 pág.
LIVRO DE direitoadministrativonogueira

Pré-visualização | Página 29 de 50

perfeito entendimento, tais como o anteprojeto e as respectivas especificações, no caso de 
obra, é condição de legitimidade da licitação, salvo quanto aos objetos padronizados por normas 
técnicas, para os quais basta sua indicação oficial, porque nela se compreendem todas as 
características definidoras.
A licitação de obras, serviços, compras e alienações passou a ser uma 
exigência constitucional para toda a Administração Pública, direta, indireta e fundacional, 
ressalvados os casos especificados na legislação pertinente (CF, art. 37, XXI). Admite-se que as 
entidades paraestatais que tenham personalidade jurídica de Direito Privado (sociedades de 
economia mista, empresas públicas e outras entidades controladas direta ou indiretamente pelo 
Poder Público) possam ter regulamento próprio, dadas as suas características de entes 
colaboradores do Poder Público (Estatuto, art. 86).
A expressão obrigatoriedade de licitação tem um duplo sentido, significando 
não só a compulsoriedade da licitação em geral como, também, a da modalidade prevista em lei 
para a espécie, pois atenta contra os princípios de moralidade e eficiência da Administração o uso da 
modalidade mais singela quando se exige a mais complexa, ou o emprego desta, normalmente mais 
onerosa, quando o objeto do procedimento licitatório não a comporta. Somente a lei pode desobrigar 
a Administração, quer autorizando a dispensa de licitação, quando exigível, quer permitindo a 
substituição de uma modalidade por outra. Vejamos, a seguir, quais os casos legais de dispensa de 
licitação e aqueles em que esta é inexigível ou vedada.
O Estatuto diversificou os casos em que a Administração pode ou deve 
deixar de realizar licitação, tornando a dispensada, dispensável, inexigível e até mesmo vedada por 
lei.
Licitação dispensada é aquela em que a própria lei declarou-a como tal, nos 
casos de dação em pagamento, doação, permuta, investidura, venda de ações e de outros títulos 
negociados em Bolsa. A doação com encargo, todavia, é passível de licitação.
Licitação dispensável é toda aquela que a Administração pode dispensar se 
assim lhe convier. O Estatuto enumerou onze casos, na seguinte ordem:
I - Obras e serviços de Engenharia até determinado valor máximo.
II - Outros serviços e compras até determinado valor máximo e nas 
alienações previstas no decreto-lei (art. 15, I e II).
III - Guerra, grave perturbação da ordem ou calamidade pública são 
situações que admitem dispensa de licitação para os contratos relacionados com o evento.
Guerra é o estado de beligerância entre duas ou mais nações, devendo ser 
declarada, no Brasil, por ato do Presidente da República, na forma constitucional (CF, art. 84, XIX).
Grave perturbação da ordem é a comoção interna generalizada ou 
circunscrita a determinada região, provocada por atos humanos, tais como revolução, motim, greve 
que atinja atividades ou serviços essenciais à comunidade.
Calamidade pública é a situação de perigo e de anormalidade social 
decorrente de fatos da natureza, tais como inundações devastadoras, vendavais destruidores, 
epidemias letais, secas assoladoras e outros eventos físicos flagelantes que afetem profundamente a 
segurança ou a saúde públicas, os bens particulares, o transporte coletivo, a habitação ou o trabalho 
em geral. 
IV - Emergência também dispensa licitação e caracteriza-se pela urgência de 
atendimento de situação que possa ocasionar prejuízos ou comprometer a incolumidade ou a 
segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, 
exigindo rápidas providências da Administração para debelar ou minorar suas conseqüências lesivas 
à coletividade.
V - Complementação de obra, serviço ou fornecimento, em determinadas 
circunstâncias, autoriza a dispensa de licitação, ou seja, quando houver comprovada conveniência 
administrativa na contratação direta com o mesmo contratado anterior. Essa situação apresenta-se, 
48
geralmente, quando, além da contratação principal, são necessários serviços ou obras secundárias 
para operação do empreendimento principal, ou maior quantidade na compra precedente.
VI - Desinteresse pela licitação anterior é também motivo para a contratação 
direta, mantidas as condições preestabelecidas no edital ou no convite. Caracteriza-se o desinteresse 
quando não acode ao chamamento anterior nenhum licitante, ou todos são desqualificados ou 
nenhuma proposta classificada.
VII - Contratação com concessionário de serviço público pode também 
dispensar a licitação desde que o objeto do contrato seja pertinente ao da concessão e só haja um 
concessionário em condições de contratar. Se houver mais de um concessionário interessado, ou 
terceiro que também possa participar do certame, é necessária a licitação. A lei não diz, mas é de 
entender-se que a dispensa é viável não só entre o concedente e seu concessionário como o de 
qualquer outra entidade. Não se confunda concessionário com permissionário ou autorizatário, pois o 
Estatuto só admite a dispensa de licitação no contrato com aquele, e não com estes.
VIII - Intervenção no domínio econômico também autoriza a União - e 
somente a União - a dispensar licitação, para regular preços ou normalizar o abastecimento. Em tais 
casos não se fará licitação mas, sim, aquisição amigável ou mediante desapropriação, bem como 
requisição de serviços para atendimento público.
IX - Propostas com preços excessivos podem ser rejeitadas na licitação, para 
contratação direta do mesmo objeto, produto ou serviço com quem os venda por preço inferior. Essa 
disposição legal é altamente moralizadora das aquisições da Administração, pois evita conchavos de 
fornecedores para elevar, acima do mercado ou do preço tabelado, suas ofertas em licitação.
X - Entidades estatais, autárquicas, fundacionais e paraestatais. É 
dispensável a licitação quando a operação envolver exclusivamente pessoas jurídicas estatais, 
autárquicas ou paraestatais ou, ainda, aquelas sujeitas ao controle majoritário estatal, exceto se 
houver empresas privadas que possam prestar ou fornecer os mesmos bens ou serviços, hipótese 
em que todas ficarão sujeitas a licitação. E compreende-se esta restrição porque, havendo 
possibilidade de competição entre empresas, deverá haver, obrigatoriamente, licitação, na 
modalidade cabível.
XI - Produtos padronizados. A licitação também é dispensável para a 
aquisição de materiais, equipamentos ou gêneros padronizados ou uniformizados por órgão oficial, 
desde que não seja possível a fixação de critério objetivo para o julgamento das propostas.
Vejamos os casos em que a licitação é inexigível em razão da 
impossibilidade jurídica de se instaurar competição entre eventuais interessados, pois não se pode 
pretender melhor proposta quando apenas um é proprietário do bem desejado pelo Poder Público ou 
reconhecidamente capaz de atender às exigências da Administração no que concerne à realização 
do objeto do contrato.
Esses casos serão examinados a seguir, na ordem em que a lei os enuncia.
O Estatuto considera inexigível a licitação para a aquisição de materiais, 
equipamentos ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor ou vendedor exclusivo, porque 
seria inútil licitar o que não é passível de competição de preço ou de qualidade.
Há que distinguir, todavia, a exclusividade industrial da exclusividade 
comercial. Aquela é a do produtor privativo no País; esta é a dos vendedores e representantes na 
praça. Quando se trata de produtor, não há dúvida possível: se só ele produz um determinado 
material, equipamento ou gênero, só dele a Administração pode adquirir tais coisas. Quando se trata 
de vendedor ou representante comercial já ocorre a possibilidade de existirem vários no País, e,