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LIVRO DE direitoadministrativonogueira

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e outros de repercussões econômicas efetivas 
e mensuráveis, pois é do confronto dessas vantagens e desvantagens que se extrai o menor preço e 
se conhece a proposta mais barata. 
Condições de pagamento são as que se referem a prazos, descontos, 
parcelamentos, financiamento, carência e outras vantagens correntes no comércio. São, pois, fatores 
altamente influenciáveis no preço e, consequentemente, ponderáveis no julgamento das propostas.
O adiantamento de parte do preço nos contratos de longa e dispendiosa 
execução parece-nos perfeitamente admissível desde que o edital consigne essa condição de 
pagamento. Aliás, essa condição é freqüente nos contratos internacionais de aquisição de 
equipamentos fabricados no Exterior, mas nada impede que tal praxe seja adotada nos ajustes 
internos realizados pela Administração.
Os prazos que podem constituir fatores ponderáveis no julgamento das 
propostas, consoante especificar o edital, são os de execução, de pagamento, de financiamento, de 
adiantamento, de carência e outros pertinentes ao objeto da licitação, cuja valoração é da exclusiva 
alçada da Administração, em face do interesse do serviço público. Por exemplo: normalmente, o 
menor prazo de entrega constitui vantagem econômica, mas para uma determinada contratação o 
prazo de pagamento pode representar vantagem maior, e assim por diante.
Outras vantagens, além dos fatores acima considerados, podem ser levadas 
em conta no julgamento. Tais vantagens são as peculiares a cada licitação e pertinentes ao seu 
objeto, podendo ser de natureza técnica, econômica e administrativa. Como geralmente refogem da 
rotina, devem ser claramente estabelecidas no edital ou convite, salvo se já constarem de normas 
superiores.
O julgamento, nas concorrências e tomadas de preços, é privativo de uma 
Comissão de Julgamento de pelo menos três membros (Estatuto, art. 41), de modo que as 
autoridades superiores poderão apenas anulá-lo, se irregular ou ilegal, determinando sua renovação 
pelo órgão competente. Já, nos convites, o julgamento compete ao responsável pelo convite, o que 
permite à autoridade superior, através de recurso ou ex officio, conhecer do mérito da decisão e, se 
for o caso, reformá-la.
A divisibilidade do julgamento é possível desde que o pedido no edital conste 
de itens ou subitens distintos e a proposta possa ser aceita por partes, caracterizando objeto 
divisível. Nesse caso, a adjudicação ou a homologação e a anulação do julgamento podem ser 
parciais, mantendo-se o que está correto e invalidando-se apenas o que está irregular ou ilegal.
O empate de propostas leva a Administração a decidir pelos fatores de 
preferência indicados no edital, e, se este for omisso, caberá à Comissão de Julgamento efetivar o 
desempate, justificando os motivos da escolha do vencedor com base na proposta e no interesse 
público, podendo até mesmo desempatar por sorteio em ato público. O que não se lhe permite é 
desempatar o certame valendo-se de fatores de preferência que caracterizem discriminação entre os 
licitantes, ou utilizando-se de elementos ou documentos da habilitação. Do julgamento das propostas 
caberá o recurso previsto no art. 75, I, "b", do Estatuto.
O Estatuto, mudando a sistemática anterior do julgamento, estabeleceu que 
a Comissão, após a classificação das propostas, deve enviar o resultado à autoridade superior, para 
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homologação e adjudicação do objeto da licitação ao vencedor, convocando-o para assinar o 
contrato. Havendo irregularidade no julgamento, a autoridade superior não o homologará, 
devolvendo o processo à Comissão, para novo julgamento em forma legal.
Adjudicação é o ato pelo qual se atribui ao vencedor o objeto da licitação 
para a subsequente efetivação do contrato. São efeitos jurídicos da adjudicação: a) a aquisição do 
direito de contratar com a Administração nos termos em que o adjudicatário venceu a licitação; b) a 
vinculação do adjudicatário a todos os encargos estabelecidos no edital e aos prometidos na 
proposta; c) a sujeição do adjudicatário às penalidades previstas no edital e normas legais 
pertinentes se não assinar o contrato no prazo e condições estabelecidas; d) o impedimento de a 
Administração contratar o objeto licitado com outrem; e) a liberação dos licitantes vencidos de todos 
os encargos da licitação e o direito de retirarem os documentos e levantarem as garantias 
oferecidas, salvo se obrigados a aguardar a efetivação do contrato por disposição do edital ou norma 
legal.
Homologação é o ato de controle pelo qual a autoridade superior confirma o 
julgamento das propostas e, consequentemente, confere eficácia à adjudicação. A homologação é 
feita, geralmente, pela autoridade competente para autorizar a despesa, mas poderá sê-lo por 
qualquer outra indicada no edital, no regulamento ou na lei, após o transcurso do prazo para recurso 
(contra a adjudicação ou a classificação) e a decisão dos que forem interpostos.
A autoridade incumbida da homologação terá diante de si três alternativas: 
confirmar o julgamento, homologando-o; ordenar a retificação da classificação, no todo ou em parte, 
se verificar irregularidade corrigível; anular o julgamento ou todo o procedimento licitatório, se 
deparar ilegalidade insanável e prejudicial a licitante ou à Administração, em qualquer fase da 
licitação. Daí por que o recurso administrativo contra o julgamento deve ser recebido sempre com 
efeito suspensivo, evitando-se homologações apressadas e sujeitas a invalidação pelo provimento 
do apelo hierárquico.
Com a homologação a autoridade homologante passa a responder por todos 
os efeitos e conseqüências da adjudicação, isto porque a decisão inferior é superada pela superior, 
elevando-se, assim, a instância administrativa. Havendo, p. ex., mandado de segurança contra a 
adjudicação homologada, a autoridade impetrada há de ser a que homologou o ato impugnado.
O despacho homologatório, sendo de efeitos externos, deve ser 
obrigatoriamente publicado na imprensa oficial, com a convocação do adjudicatário para firmar o 
contrato nas condições e prazos estabelecidos. Com este ato encerra-se o procedimento da licitação, 
passando-se ao contrato com o vencedor e, na sua recusa ou impedimento, com o segundo 
classificado, e assim por diante, se a Administração o desejar.
A licitação, como todo ato administrativo, é suscetível de anulação e de 
revogação (Estatuto, art. 39).
Anulação é a invalidação da licitação ou do julgamento por motivo de 
ilegalidade; revogação é a invalidação da licitação por interesse público. Anula-se o que é ilegítimo; 
revoga-se o que é legítimo mas inoportuno e inconveniente à Administração. Em ambos os casos a 
decisão deve ser justificada, para demonstrar a ocorrência do motivo e a lisura do Poder Público, 
sem o quê o ato anulatório ou revocatório será inoperante.
A competência para anular ou revogar é, em princípio, da autoridade superior 
que autorizou ou determinou a licitação, mas, tratando-se de ilegalidade no julgamento, a Comissão 
que o proferiu poderá anulá-lo no recurso próprio, ao reexaminar sua decisão.
A anulação da licitação, por basear-se em ilegalidade no seu procedimento, 
pode ser feita em qualquer fase e a qualquer tempo, antes da assinatura do contrato, desde que a 
Administração ou o Judiciário verifique e aponte a infringência à lei ou ao edital. O essencial é que 
seja claramente demonstrada a ilegalidade, pois anulação sem justa causa é absolutamente inválida.
A anulação opera efeitos ex tunc, isto é, retroage às origens do ato anulado.
Observamos que a anulação da licitação acarreta a nulidade do contrato 
(Estatuto, art. 39, § 2º).
A revogação da licitação assenta em motivos de oportunidade e 
conveniência administrativa. Por essa razão, ao contrário da anulação,