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LIVRO DE direitoadministrativonogueira

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de capacitação solicitados pela Administração.
Os pré-qualificados consideram-se habilitados a participar das concorrências 
previstas na pré-qualificação, para as quais serão convidados pessoalmente, dispensada a 
publicidade. 
Tomada de preços é a licitação realizada entre interessados previamente 
registrados, observada a necessária habilitação, convocados com antecedência mínima de quinze 
dias, por edital afixado na repartição e comunicação às entidades de classe que os representam.
A tomada de preços é admissível nas contratações de obras, serviços e 
compras dentro dos limites de valor estabelecidos no ato administrativo competente.
O procedimento da tomada de preços, inclusive quanto ao julgamento por 
Comissão de três membros no mínimo, é o mesmo da concorrência. O que a caracteriza e distingue 
da concorrência é a existência da habilitação prévia dos licitantes através dos registros cadastrais, de 
modo que a habilitação preliminar se resume na verificação dos dados constantes dos certificados de 
registro dos interessados e, se for o caso, se estes possuem a real capacidade operativa e financeira 
exigida no edital.
Registros cadastrais são assentamentos que se fazem nas repartições 
administrativas que realizam licitações, para fins de qualificação dos interessados em contratar com 
a Administração, no ramo de suas atividades.
A grande vantagem do registro cadastral é substituir toda a documentação 
comprobatória da personalidade jurídica, da capacidade técnica e da idoneidade financeira dos 
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licitantes em qualquer modalidade de licitação. Consequentemente, para a inscrição no registro 
cadastral os interessados deverão comprovar, perante a Comissão competente, a capacidade 
jurídica, a regularidade fiscal, a capacidade técnica e a idoneidade financeira.
O certificado de registro cadastral, por sua vez, deve refletir fielmente a 
situação do inscrito, trazendo, além dos dados identificadores do profissional ou empresa e do prazo 
de validade do registro, a categoria ou grupo a que pertence; a quantidade e qualidade do 
aparelhamento técnico; o nível da equipe técnica e administrativa; o montante do capital realizado; o 
faturamento do exercício anterior e o lucro líquido; a indicação do desempenho em contratos 
anteriores; e demais elementos esclarecedores que propiciem o pleno conhecimento do pretendente 
à contratação licitada.
Pelo Dec. 84.701, de 13.5.80, o Governo federal instituiu um registro 
simplificado, a que denominou Certificado de Regularidade Jurídico-Fiscal (CRJF), destinado a 
comprovar a capacidade jurídica e a situação fiscal regular dos interessados em licitações da União, 
de suas autarquias e entes paraestatais. Este Certificado substitui qualquer outra documentação 
relativa à capacidade jurídica e à quitação de tributos federais, estaduais e municipais e pode ser 
expedido por qualquer órgão ou entidade federal que mantenha serviço regular de cadastramento 
para fins de licitação. Embora instituído para a União, é de toda conveniência que os Estados e 
Municípios aceitem tal Certificado em suas licitações e de suas autarquias e entidades paraestatais, 
ficando dispensada a documentação básica para o cadastramento.
Convite é a modalidade de licitação mais simples, destinada às contratações 
de pequeno valor, consistindo na solicitação escrita a pelo menos três interessados do ramo, 
registrados ou não, para que apresentem suas propostas no prazo mínimo de três dias.
O convite não exige publicação, porque é feito diretamente aos escolhidos 
pela Administração através de carta-convite. Dada sua singeleza, dispensa a apresentação de 
documentos, mas, quando estes forem exigidos, a documentação, como nas demais modalidades de 
licitação, deverá ser apresentada em envelope distinto do da proposta.
O seu julgamento compete ao responsável pelo convite, mas nada impede 
que seja atribuído a uma Comissão, mormente nos órgãos que possuam Comissão permanente para 
o julgamento de todas as suas licitações. Julgadas as propostas, adjudica-se o objeto do convite ao 
vencedor, formalizando-se o ajuste por simples ordem de execução de serviço, nota de empenho da 
despesa, autorização de compra ou carta-contrato, e fazendo-se as publicações devidas no órgão 
oficial, em resumo ou na íntegra, para possibilitar os recursos cabíveis e tornar os ajustes 
exeqüíveis.
Concurso é a modalidade de licitação destinada à escolha de trabalho 
técnico ou artístico, predominantemente de criação intelectual. Normalmente, não há oferta de preço, 
mas a atribuição de prêmio aos classificados.
É modalidade especial de licitação que, embora sujeita aos princípios da 
publicidade, e da igualdade entre os participantes, objetivando a escolha do melhor trabalho, 
dispensa as formalidades específicas da concorrência.
Leilão é espécie de licitação utilizável na venda de bens móveis e 
semoventes da Administração.
A Administração poderá valer-se de dois tipos de leilão: o comum, privativo 
de leiloeiro oficial, onde houver; e o administrativo propriamente dito. O leilão comum é regido pela 
legislação federal pertinente, mas as condições de sua realização poderão ser estabelecidas pela 
Administração interessada; o leilão administrativo é o instituído para a venda de mercadorias 
apreendidas como contrabando, ou abandonadas nas alfândegas, nos armazéns ferroviários ou nas 
repartições públicas em geral, observadas as normas regulamentares da Administração interessada.
A legislação federal permite o leilão de semoventes pela própria 
Administração, onde não houver leiloeiro oficial, pelo quê se conclui, analogicamente, que ela 
também poderá utilizar o leilão administrativo para a venda de bens desnecessários, inservíveis ou 
imprestáveis para o serviço público, sempre que não houver leiloeiro oficial na localidade.
No leilão, o bem é apregoado, os lances são verbais, a venda é feita à vista 
ou a curto prazo e a entrega só se dará quando estiver completo o pagamento.
5. Domínio Público
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Administração, utilização e alienação dos bens públicos; Imprescritibilidade; 
impenhorabilidade;Não oneração dos bens públicos
O Estado, como Nação politicamente organizada, exerce poderes de 
Soberania sobre todas as coisas que se encontram em seu território. Alguns bens pertencem ao 
próprio Estado; outros, embora pertencentes a particulares, ficam sujeitos às limitações 
administrativas impostas pelo Estado; outros, finalmente, não pertencem a ninguém, por 
inapropriáveis, mas sua utilização subordina-se às normas estabelecidas pelo Estado. Este conjunto 
de bens sujeitos ou pertencentes ao Estado constitui o domínio público, em seus vários 
desdobramentos, como veremos a seguir.
O domínio público em sentido amplo é o poder de dominação ou de 
regulamentação que o Estado exerce sobre os bens do seu patrimônio (bens públicos), ou sobre os 
bens do patrimônio privado (bens particulares de interesse público), ou sobre as coisas 
inapropriáveis individualmente, mas de fruição geral da coletividade (res nullius). Neste sentido 
amplo e genérico o domínio público abrange não só os bens das pessoas jurídicas de Direito Público 
interno como as demais coisas que, por sua utilidade coletiva, merecem a proteção do Poder 
Público, tais como as águas, as jazidas, as florestas, a fauna, o espaço aéreo e as que interessam ao 
patrimônio histórico e artístico nacional.
Exterioriza-se, assim, o domínio público em poderes de soberania e em 
direitos de propriedade. Aqueles se exercem sobre todas as coisas de interesse público, sob a forma 
de domínio eminente; estes só incidem sobre os bens pertencentes às entidades públicas, sob a 
forma de domínio patrimonial.
Em suma, o domínio eminente