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LIVRO DE direitoadministrativonogueira

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casos em que, se o interesse público o exigir, impõe-se 
a servidão administrativa ou a desapropriação, conforme a amplitude do impedimento imposto ao 
proprietário. 
Limitações administrativas são, p. ex., o recuo de alguns metros das 
construções em terrenos urbanos e a proibição de desmatamento de parte da área florestada em 
cada propriedade rural. Mas, se o impedimento de construção ou de desmatamento atingir a maior 
parte da propriedade ou a sua totalidade, deixará de ser limitação para ser interdição de uso da 
propriedade, e, neste caso, o Poder Público ficará obrigado a indenizar a restrição que aniquilou o 
direito dominial e suprimiu o valor econômico do bem. Pois ninguém adquire terreno urbano em que 
seja vedada a construção, como, também, nenhum particular adquire terras ou matas que não 
possam ser utilizadas economicamente, segundo sua destinação normal. Se o Poder Público retira 
do bem particular seu valor econômico, há de indenizar o prejuízo causado ao proprietário. Essa 
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regra, que deflui do princípio da solidariedade social, segundo o qual só é legitimo o ônus suportado 
por todos, em favor de todos, não tem exceção no Direito pátrio, nem nas legislações estrangeiras.
7. Serviço público
Formas e meios de prestação; Entidades estatais da administração direta e indireta; Serviços 
delegados, concedidos, autorizados e permitidos
A Constituição Federal dispõe expressamente que incumbe ao Poder 
Público, na forma da lei, a prestação de serviços públicos. Dessa forma, a lei disporá sobre o regime 
de delegação, os direitos dos usuários, a política tarifária, a obrigação de manter serviço adequado e 
as reclamações relativas à prestação (arts. 175, parágrafo único, e 37, § 3º). A Constituição insere, 
ainda, o conceito de serviço relevante, como o de saúde (art. 197). Atendendo a essa orientação, o 
Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) considera como direito básico do usuário a 
adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral (art. 6º) e, em complemento, obriga o 
Poder Público ou seus delegados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e contínuos, 
dispondo sobre os meios para o cumprimento daquelas obrigações e a reparação dos danos (art. 22 
e parágrafo único).
A atribuição primordial da Administração Pública é oferecer utilidades aos 
administrados, não se justificando sua presença senão para prestar serviços à coletividade. Esses 
serviços podem ser essenciais ou apenas úteis à comunidade, daí a necessária distinção entre 
serviços públicos e serviços de utilidade pública; mas, em sentido amplo e genérico, quando 
aludimos a serviço público, abrangemos ambas as categorias.
Serviço público é todo aquele prestado pela Administração ou por seus 
delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias 
da coletividade ou simples conveniências do Estado.
Levando-se em conta a essencialidade, a adequação, a finalidade e os 
destinatários dos serviços, podemos classificá-los em: públicos e de utilidade pública; próprios e 
impróprios do Estado; administrativos e industriais; "uti universi" e "uti singuli", como veremos a 
seguir.
Serviços públicos propriamente ditos, são os que a Administração presta 
diretamente à comunidade, por reconhecer sua essencialidade e necessidade para a sobrevivência 
do grupo social e do próprio Estado. Por isso mesmo, tais serviços são considerados privativos do 
Poder Público, no sentido de que só a Administração deve prestá-los, sem delegação a terceiros, 
mesmo porque geralmente exigem atos de império e medidas compulsórias em relação aos 
administrados. Exemplos desses serviços são os de defesa nacional, os de polícia, os de 
preservação da saúde pública.
Serviços de utilidade pública são os que a Administração, reconhecendo sua 
conveniência (não essencialidade, nem necessidade) para os membros da coletividade, presta-os 
diretamente ou aquiesce em que sejam prestados por terceiros (concessionários, permissionários ou 
autorizatários), nas condições regulamentadas e sob seu controle, mas por conta e risco dos 
prestadores, mediante remuneração dos usuários. São exemplos dessa modalidade os serviços de 
transporte coletivo, energia elétrica, gás, telefone.
Serviços próprios do Estado são aqueles que se relacionam intimamente 
com as atribuições do Poder Público (segurança, polícia, higiene e saúde públicas etc.) e para a 
execução dos quais a Administração usa da sua supremacia sobre os administrados. Por esta razão, 
só devem ser prestados por órgãos ou entidades públicas, sem delegação a particulares. Tais 
serviços, por sua essencialidade, geralmente são gratuitos ou de baixa remuneração, para que 
fiquem ao alcance de todos os membros da coletividade.
Serviços impróprios do Estado são os que não afetam substancialmente as 
necessidades da comunidade, mas satisfazem interesses comuns de seus membros, e, por isso, a 
Administração os presta remuneradamente, por seus órgãos ou entidades descentralizadas 
(autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações governamentais), ou 
delega sua prestação a concessionários, permissionários ou autorizatários. Esses serviços, 
normalmente, são rentáveis e podem ser realizados com ou sem privilégio (não confundir com 
monopólio), mas sempre sob regulamentação e controle do Poder Público competente.
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Serviços administrativos são os que a Administração executa para atender a 
suas necessidades internas ou preparar outros serviços que serão prestados ao público, tais como os 
da imprensa oficial, das estações experimentais e outros dessa natureza.
Serviços industriais são os que produzem renda para quem os presta, 
mediante a remuneração da utilidade usada ou consumida, remuneração, esta, que, tecnicamente, 
se denomina tarifa ou preço público, por ser sempre fixada pelo Poder Público, quer quando o 
serviço é prestado por seus órgãos ou entidades, quer quando por concessionários, permissionários 
ou autorizatários. Os serviços industriais são impróprios do Estado, por consubstanciarem atividade 
econômica que só poderá ser explorada diretamente pelo Poder Público quando "necessária aos 
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei" (CF, 
art. 173).
Serviços "uti universi" ou gerais são aqueles que a Administração presta sem 
ter usuários determinados, para atender à coletividade no seu todo, como os de polícia, iluminação 
pública, calçamento e outros dessa espécie. Esses serviços satisfazem indiscriminadamente a 
população, sem que se erijam em direito subjetivo de qualquer administrado à sua obtenção para seu 
domicílio, para sua rua ou para seu bairro. Estes serviços são indivisíveis, isto é, não mensuráveis 
na sua utilização. Daí por que, normalmente, os serviços uti universi devem ser mantidos por 
imposto (tributo geral), e não por taxa ou tarifa, que é remuneração mensurável e proporcional ao 
uso individual do serviço.
Serviços “uti singuli” ou individuais são os que têm usuários determinados e 
utilização particular e mensurável para cada destinatário, como ocorre com o telefone, a água e a 
energia elétrica domiciliares. Esses serviços, desde que implantados, geram direito subjetivo à sua 
obtenção para todos os administrados que se encontrem na área de sua prestação ou fornecimento e 
satisfaçam as exigências regulamentares. São sempre serviços de utilização individual, facultativa e 
mensurável, pelo quê devem ser remunerados por taxa (tributo) ou tarifa (preço público), e não por 
imposto.
A regulamentação e controle do serviço público e de utilidade pública 
caberão sempre e sempre ao Poder Público, qualquer que seja a modalidade de sua prestação aos 
usuários. O fato de tais serviços