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Apostila Civil III

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parte, do novo CC.
 
É possível a compensação entre a indenização penas benfeitorias e o valor do aluguel-pena.
 
REINTEGRAÇÃO DE POSSE. COMODATO. BENFEITORIAS. INDENIZAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. COMPENSAÇÃO DOS ALUGUERES PELA OCUPAÇÃO DO IMÓVEL. DIES A QUO.
- Inocorrência no caso de julgamento extra petita.
- A correção monetária não constitui um plus que se acrescenta, mas mero mecanismo de preservação no tempo do valor aquisitivo da moeda. Precedentes.
- Nos termos do disposto no art. 1.252 do Código Civil de 1916, constituído o comodatário em mora no momento em que notificado, a partir daí passam a ser devidos os alugueres ao comodante e não a contar da citação para os termos da causa.
Recursos especiais conhecidos, em parte, e providos. (STJ, REsp 111847 / MG)
 
Obs: usucapião e comodato.
 
Ação de reintegração de posse de imóvel. Sentença de procedência, para rescindir o contrato de comodato verbal celebrado entre as partes e reintegrar o Autor na posse do imóvel, rejeitado o pedido contraposto, ante a inocorrência de usucapião. Apelação dos Réus. Provas documental e oral que demonstraram a posse do Autor, adquirida através de escritura pública de cessão e o comodato verbal. Réus que, notificados para rescisão do comodato, não desocuparam o imóvel. Esbulho possessório configurado. Alegação de usucapião rejeitada. Ausência de animus domini, devido à condição de comodatários dos Réus. Direito à retenção das benfeitorias não reconhecido por não terem sido as mesmas comprovadas. Desprovimento da apelação. (TJRJ, APC 2007.001.67387)
 
CIVIL. USUCAPIÃO ESPECIAL. REQUISITOS. AUSÊNCIA DE ANIMUS DOMINI. MERA PERMISSÃO PARA EXPLORAÇÃO DA GLEBA. IMPROCEDÊNCIA. RECURSO DESPROVIDO. Não configuram a posse ad usucapionem os atos de simples permissão, tolerância ou ocupação anuída pelos proprietários. (TJSC, APC 2005.021228-4)
 
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE. CONTRATO DE COMODATO. USUCAPIÃO. INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS. ESBULHO. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA DE PROVA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL. MULTA. ARTIGO 557, § 2°, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INAPLICABILIDADE. PRECEDENTES.
I - Se o tribunal de origem, com base nos elementos de prova carreados aos autos, conclui pela impossibilidade do reconhecimento da posse, afasta o usucapião, e entende provada a existência do comodato e do esbulho imputado ao demandado, como comodatário, rever tais fundamentos demandaria o reexame de matéria probatória, inadmissível na via eleita, conforme preceitua a Súmula 7 desta Corte.
II - Configurada nas instâncias ordinárias a existência de comodato, aplica-se o artigo 1.252 do Código Civil de 1916.
III - Descabimento da multa do artigo 557, § 2º, do Código de Processo Civil, se o agravo interno visa a abertura da instância excepcional.
Recurso especial parcialmente provido.
(STJ, REsp, 765246)
 
B) Obrigação de não fazer: não desviar o uso do bem, conforme a finalidade convencionalmente estabelecida ou decorrente da natureza da coisa, também sob pena de responsabilidade por perdas e danos e possibilidade de resolução contratual por inadimplemento.
 
Duração
 
Art. 581. Se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-lhe-á o necessário para o uso concedido, não podendo o comodante, salvo necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz, suspender o uso e o gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo convencional, ou eu se determine pelo uso outorgado.
 
O comodato é um contrato temporário, podendo seu prazo de duração ser:
A) Determinado (mora ex re);
B) Indeterminado (mora ex persona). Uso concedido – prazo razoavelmente outorgado.
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. POSSE. IMÓVEL DADO EM COMODATO A EMPREGADO. CONTRATO DE TRABALHO RESCINDIDO. DESOCUPAÇÃO NÃO EFETIVADA. REINTEGRATÓRIA. PRESSUPOSTOS DELINEADOS. LIMINAR, ENTRETANTO, NEGADA. DECISÃO INSUBSISTENTE. RECLAMO RECURSAL ATENDIDO. Nas relações empregatícias, a ocupação, pelo empregado, de imóvel do empregador, tem seu prazo definido pelo próprio tempo de duração do contrato laboral que os vincula. Rescindido este, mediante aviso prévio, com a consignação em juízo das verbas rescisórias, por não aceitas pelo empregado demitido, inexiste qualquer fomento legal para a continuidade da posse, pelo empregado, de imóvel de propriedade do empregador. Nesse contexto, a renitência do ex-empregado à devolução espontânea do bem ocupado, estampa a prática de esbulho, legitimando a reintegração initio litis do ex-empregador na posse do mesmo bem. (TJSC, AI 99.008917-7)
 
CIVIL E PROCESSUAL. AÇÕES DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE E USUCAPIÃO. DOMÍNIO RECONHECIDO. COMODATO POR PRAZO INDETERMINADO EM PARTE DA ÁREA OBJETO DA REINTEGRATÓRIA. FALTA DE NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO DE DESOCUPAÇÃO SOBRE O TERRENO OBJETO DO COMODATO. MATÉRIA CONHECÍVEL DE OFÍCIO. VIABILIDADE DE SUA PROVOCAÇÃO EM APELAÇÃO APRESENTADA À CORTE ESTADUAL. JULGAMENTO EXTRA PETITA E REFORMATIO IN PEJUS INOCORRENTES. CC, ARTS. 960,
1.250 E 1.252, CPC, ART. 267, IV, VI E § 3º. PREQUESTIONAMENTO INSUFICIENTE. MATÉRIA DE FATO. SÚMULAS NS. 282 E 356-STF, E 211-STJ.
I. Firmado pelas instâncias ordinárias que a área de 5.000m2 onde reside o réu decorreu de ocupação autorizada pelos autores, é de se reconhecer a existência de comodato verbal, por prazo indeterminado, de sorte que para a reintegração na posse do bem exigível a prévia constituição em mora do comodatário, aqui inexistente, como condição imprescindível ao pedido reintegratório. (grifamos)
II. Tratando-se de condição para a reintegração, possível ao réu suscitá-la em apelação perante o Tribunal de 2o grau, que deveria, inclusive, conhecê-la de ofício, não podendo a tanto escusar-se ao argumento de que não fora aduzida na contestação a falta da notificação e estaria, assim, preclusa.
III. Pedido reintegratório procedente, todavia, em relação à área restante também alvo da mesma ação, de 15 hectares, fixado esse direito dos autores com base na prova dos autos, que não tem como ser revista em sede especial, ao teor da Súmula n. 7 do STJ.
IV. Reconhecimento, por igual, da titularidade dos autores sobre a área de 5.000m2 alvo do comodato, apenas que, para obter a posse, terão de promover a prévia notificação e intentar novo procedimento.
V. Não configura julgamento extra petita, nem reformatio in pejus, a explicitação do acórdão da apelação, em sede de embargos declaratórios, no tocante à definição das áreas compreendidas na decisão da Corte.
VI. Ausência de prequestionamento impeditiva do conhecimento do recurso especial em toda a extensão pretendida pela parte, em face dos óbices das Súmulas ns. 282 e 356 do C. STF e 211 do STJ. 
VII. Recurso especial conhecido em parte e parcialmente provido.
(STJ, REsp 97859 / MG)
 
Obs: Possibilidade de resilição antes do prazo em razão de motivo urgente e imprevisto: “o comodante pode faze-lo, contudo, por motivo de urgência e necessidade antes de findo o prazo convencional – comodato por prazo determinado – ou prazo razoavelmente concedido – comodato por prazo indeterminado. No entanto, esses motivos devem provar-se em juízo e somente após o reconhecimento pelo juiz da procedência da motivação do comodante é que haverá a suspensão do uso do bem pelo comodatário” (Gustavo Tepedino, et. al).
 
Comodato simultâneo
 
Art. 585. Se duas ou mais pessoas forem simultaneamente comodatárias de uma coisa, ficarão solidariamente responsáveis para com o comodante.
 
3. Mútuo (empréstimo de consumo)
 
Conceito e características
 
Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.
 
Roberto Senise Lisboa: contrato por meio do qual uma pessoa (o mutuário) obtém de outra (o mutuante) a transferência provisória de um bem fungível e consumível.
 
São características elementares do contrato de mútuo: