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<p>1</p><p>2</p><p>Olá, Alunos!</p><p>Sejam bem-vindos!</p><p>Esse material foi elaborado com muito carinho para que você</p><p>possa absorver da melhor forma possível os conteúdos e se</p><p>preparar para a sua 2ª fase, e deve ser utilizado de forma</p><p>complementar junto com as aulas.</p><p>Qualquer dúvida ficamos à disposição via plataforma</p><p>“pergunte ao professor”.</p><p>Lembre-se: o seu sonho também é o nosso!</p><p>Bons estudos! Estamos com você até a sua aprovação!</p><p>Com carinho,</p><p>Equipe Ceisc ♥</p><p>3</p><p>2ª FASE OAB | PENAL | 41º EXAME</p><p>Direito Penal</p><p>SUMÁRIO</p><p>Lei de Execução Penal</p><p>1.1. Noções introdutórias.......................................................................................7</p><p>1.2. Princípio da Individualização da pena ............................................................8</p><p>1.3 Detração Penal ................................................................................................9</p><p>1.3.1. Conceito ......................................................................................................9</p><p>1.4. Regimes Prisionais e Modificação do Regime durante a execução da pena10</p><p>1.4.1 Considerações Gerais ................................................................................10</p><p>1.5. Unificação de Penas.....................................................................................11</p><p>1.5.1. Considerações gerais ................................................................................11</p><p>1.6. Regime disciplinar diferenciado ....................................................................12</p><p>1.6.1. Alterações significativas ocorreram em virtude (Pacote Anticrime) ...........12</p><p>1.7. Progressão de regime ..................................................................................14</p><p>1.7.1. Introdução .................................................................................................14</p><p>1.8. Requisitos para Progressão de Regime .......................................................14</p><p>1.9. Falta grave e Progressão de Regime ...........................................................18</p><p>1.10. Progressão de Regime especial para mulheres .........................................18</p><p>1.11. Progressão para o regime aberto ...............................................................19</p><p>1.12. Progressão de regime e crimes contra administração pública ...................19</p><p>1.13. Exame criminológico ..................................................................................20</p><p>1.14. Regressão de Regime ................................................................................20</p><p>1.14.1. Considerações Gerais .............................................................................20</p><p>1.15. Prisão domiciliar .........................................................................................22</p><p>1.15.1. Considerações Gerais .............................................................................22</p><p>1.16. Remição de pena .......................................................................................23</p><p>1.16.1. Considerações Gerais .............................................................................23</p><p>1.17. Permissão de saída e saída temporária .....................................................24</p><p>4</p><p>1.17.1. Considerações Gerais .............................................................................24</p><p>1.18. Monitoração eletrônica ...............................................................................25</p><p>1.18.1. Considerações Gerais .............................................................................25</p><p>1.19. Livramento Condicional ..............................................................................25</p><p>1.19.1. Introdução ...............................................................................................25</p><p>1.19.2. Requisitos ................................................................................................26</p><p>1.19.3. Requisitos Objetivos ................................................................................26</p><p>1.19.4. Requisitos Subjetivos ..............................................................................27</p><p>1.20. Hipóteses de Revogação do Livramento Condicional ................................28</p><p>1.21. Suspensão do Livramento Condicional ......................................................28</p><p>1.22. Extinção do Livramento Condicional ..........................................................29</p><p>1.23. Questões ....................................................................................................29</p><p>Padrão Resposta 33</p><p>Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para</p><p>a 2ª Fase do 41º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas.</p><p>Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente.</p><p>Bons estudos, Equipe Ceisc.</p><p>Atualizado em julho de 2024.</p><p>5</p><p>• Art. 32, CP;</p><p>• Art. 33, CP;</p><p>• Art. 42, CP;</p><p>• Art. 59, CP;</p><p>• Art. 70, CP;</p><p>• Art. 71, CP;</p><p>• Art. 75, CP;</p><p>• Art. 83, CP;</p><p>• Art. 84, CP;</p><p>• Art. 85 ao 90, CP;</p><p>• Art. 87, CP;</p><p>• Art. 96, CP;</p><p>•</p><p>• Art. 5º, XLVI, CF;</p><p>• Art. 5º, LV, CF;</p><p>• Súm. 192, do STJ;</p><p>• Súm. 439, do STJ;</p><p>• Súm. 441, do STJ;</p><p>• Súm. 471, do STJ;</p><p>• Súm. 491, do STJ;</p><p>• Súm. 493, do STJ;</p><p>• Súm. 520, do STJ;</p><p>• Súm. 526, do STJ;</p><p>• Súm. 533, do STJ;</p><p>• Súm. 534, do STJ;</p><p>• Súm. 617, do STJ;</p><p>• Súm. 660, do STJ;</p><p>• Súm. 661, do STJ;</p><p>• Súm. 715, do STF;</p><p>• Súm. 716, do STF;</p><p>• Súm. Vinculante 26, do STF;</p><p>• Súm. Vinculante 56, do STF;</p><p>• Art. 5º, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 8º, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 37, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 39, V, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 50 e 51, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 52, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 54, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 66, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 110, da Lei 7.210/84;</p><p>6</p><p>• Art. 111, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 112, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 114 e 115, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 117, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 118, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 122, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 124, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 126, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 128, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 131 à 146, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 146, da Lei 7.210/84;</p><p>• Art. 35, da Lei 11.343/06;</p><p>• Art. 2º, da Lei 12.850/13;</p><p>• Art. 44, da Lei 11.343/06;</p><p>7</p><p>Lei de Execução Penal</p><p>Prof.ª Letícia Neves</p><p>@prof.leticianeves</p><p>1.1. Noções introdutórias</p><p>A Lei nº 7.210/84, também conhecida com a Lei de Execução Penal, regula a execução</p><p>das penas e medidas de segurança no Brasil.</p><p>As penas, conforme o artigo 32 do Código Penal, dividem-se em: penas privativas de</p><p>liberdade, restritivas de direito e penas de multa. Já as medidas de segurança estão previstas</p><p>no artigo 96 do Código Penal, dividindo-se em: medidas de segurança de internação ou de</p><p>tratamento ambulatorial.</p><p>Em regra, quando se fala em execução penal, se pressupõe a existência de uma</p><p>sentença penal condenatória transitada em julgado. Assim sendo, a partir do esgotamento da via</p><p>recursal tem-se que será determinada a expedição / formação do processo de execução criminal,</p><p>denominado na praxe jurídica como P.E.C (Processo de Execução Criminal).</p><p>O trâmite do processo de execução se dará em Vara de Execução Criminal, quando</p><p>assim houver, conforme determinação das regras de organização judiciária de cada Estado.</p><p>Nesta fase, o Juiz responsável por este processo é denominado Juiz da Vara de Execução, cujo</p><p>rol exemplificativo de sua competência consta no artigo 66 da Lei nº 7.210/84.</p><p>É importante registrar que, excepcionalmente, é possível a formação do Processo de</p><p>Execução Provisório, ou seja, quando a pessoa estiver executando uma pena que ainda está</p><p>sob discussão perante o Poder Judiciário, ou seja, ainda não transitou em julgado a sentença.</p><p>Independentemente de ser preso em caráter definitivo ou provisório,</p><p>preenchia os demais requisitos previstos na legislação, seu</p><p>advogado deseja requerer a mudança para regime prisional menos severo. Responda de forma</p><p>fundamentada, de acordo com a jurisprudência sumulada dos Tribunais Superiores:</p><p>Qual Justiça é competente para processar e julgar o pedido de Jeremias? (Valor: 1,25)</p><p>Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação ou</p><p>transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.</p><p>Gabarito comentado</p><p>A Justiça competente para processar e julgar o pedido de Jeremias seria o da Justiça Estadual,</p><p>nos termos da Súmula 192 do Superior Tribunal de Justiça. Isso porque, não obstante Jeremias</p><p>37</p><p>ter sido condenado pela Justiça Federal, a competência para o processamento do pedido é da</p><p>Justiça Estadual, haja vista que Jeremias cumpre pena em estabelecimento sujeito à</p><p>administração estadual.</p><p>4) QUESTÃO 4 – XII EXAME – 2013-03</p><p>Marcos, jovem inimputável conforme o Art. 26 do CP, foi denunciado pela prática de determinado</p><p>crime. Após o regular andamento do feito, o magistrado entendeu por bem aplicar medida de</p><p>segurança consistente em internação em hospital psiquiátrico por período mínimo de 03 (três)</p><p>anos. Após o cumprimento do período supramencionado, o advogado de Marcos requer ao juízo</p><p>de execução que seja realizado o exame de cessação de periculosidade, requerimento que foi</p><p>deferido. É realizada uma rigorosa perícia, e os experts atestam a cura do internado, opinando,</p><p>consequentemente, por sua desinternação. O magistrado então, baseando-se no exame pericial</p><p>realizado por médicos psiquiatras, exara sentença determinando a desinternação de Marcos. O</p><p>Parquet, devidamente intimado da sentença proferida pelo juízo da execução, interpõe o recurso</p><p>cabível na espécie. A partir do caso apresentado, responda, fundamentadamente, aos itens a</p><p>seguir.</p><p>A) Qual o recurso cabível da sentença proferida pelo magistrado determinando a</p><p>desinternação de Marcos? (Valor: 0,75)</p><p>B) Qual o prazo para interposição desse recurso? (Valor: 0,25)</p><p>C) A interposição desse recurso suspende ou não a eficácia da sentença proferida pelo</p><p>magistrado? (Valor: 0,25)</p><p>Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal</p><p>não confere pontuação.</p><p>Gabarito comentado</p><p>A) O recurso cabível seria agravo em execução, com base no artigo 197, da Lei de Execução</p><p>Penal - 7.210/84.</p><p>B) O prazo para a interposição do recurso é de 05 (cinco) dias, nos termos da Súmula 700 do</p><p>Supremo Tribunal Federal.</p><p>38</p><p>C) A interposição do recurso, nesse caso, suspende a eficácia da sentença proferida pelo</p><p>magistrado. Isso porque, embora, via de regra, o recurso de Agravo em Execução não tenha</p><p>efeito suspensivo, conforme previsão do Art. 197, da LEP, em relação à decisão que determina</p><p>a desinternação do sentenciado possui efeito suspensivo, nos termos do artigo 179 da LEP.</p><p>5) QUESTÃO 1 – XI EXAME – 2013-02</p><p>O Juiz da Vara de Execuções Penais da Comarca “Y” converteu a medida restritiva de direitos</p><p>(que fora imposta em substituição à pena privativa de liberdade) em cumprimento de pena</p><p>privativa de liberdade imposta no regime inicial aberto, sem fixar quaisquer outras condições. O</p><p>Ministério Público, inconformado, interpôs recurso alegando, em síntese, que a decisão do</p><p>referido Juiz da Vara de Execuções Penais acarretava o abrandamento da pena, estimulando o</p><p>descumprimento das penas alternativas ao cárcere. O recurso, devidamente contra-arrazoado,</p><p>foi submetido a julgamento pela Corte Estadual, a qual, de forma unânime, resolveu lhe dar</p><p>provimento. A referida Corte fixou como condição especial ao cumprimento de pena no regime</p><p>aberto, com base no Art. 115 da LEP, a prestação de serviços à comunidade, o que deveria</p><p>perdurar por todo o tempo da pena a ser cumprida no regime menos gravoso. Atento ao caso</p><p>narrado e considerando apenas os dados contidos no enunciado, responda,</p><p>fundamentadamente, aos itens a seguir.</p><p>A) Qual foi o recurso interposto pelo Ministério Público contra a decisão do Juiz da Vara</p><p>de Execuções Penais? (Valor: 0,50)</p><p>B) Está correta a decisão da Corte Estadual, levando-se em conta entendimento</p><p>jurisprudencial sumulado? (Valor: 0,75)</p><p>Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal</p><p>não confere pontuação.</p><p>Gabarito comentado</p><p>A) O recuso cabível seria o Agravo em Execução, com base no artigo 197 da Lei de Execução</p><p>Penal.</p><p>B) Não, não está correta a decisão da Corte Estadual, nos termos da Súmula 493 do Superior</p><p>Tribunal de Justiça. Isso porque é inadmissível a fixação de pena substitutiva como condição</p><p>especial ao regime aberto, diante da vedação do bis in idem.</p><p>39</p><p>a Lei de Execução</p><p>é aplicável no que couber.</p><p>Para fins da prova prático-profissional, registra-se que os pedidos ao Juiz da Vara de</p><p>Execução devem ser elaborados no formato de petições, por exemplo, o apenado pretende</p><p>progressão de regime, deverá ser postulado por meio de peticionamento um pedido</p><p>fundamentado ao Juiz, através de seu defensor (público ou privado/contratado).</p><p>Por fim, em sede de execução penal deverão ser observados todos os direitos e</p><p>garantias constitucionais, bem como aqueles previstos em Tratados e Convenções de Direitos</p><p>Humanos quando aplicáveis. Neste contexto, enfatiza-se a importância de observar o artigo 5º,</p><p>8</p><p>inciso LV, da Constituição Federal/88, que assegura o devido processo legal, exigindo a</p><p>observância do contraditório e ampla defesa, também durante a execução penal. Importante,</p><p>registrar que toda e qualquer interpretação deve se dar de forma restritiva, assegurando ao</p><p>máximo a implementação dos direitos em sede de execução penal, sendo, portanto, vedada a</p><p>analogia in mallam partem.</p><p>A Lei de Execução Penal é aplicável a todos que estiverem recolhidos a</p><p>estabelecimentos prisionais sujeitos à jurisdição ordinária (Justiça Estadual ou Federal),</p><p>independentemente da origem da condenação. Logo, o que se verifica na execução penal é o</p><p>local de cumprimento de pena, para determinar o Juízo Competente.</p><p>A título de exemplo, se um condenado pela Justiça Federal estiver recolhido num</p><p>estabelecimento sujeito à administração Estadual, o Juiz da Vara de Execução Criminal Estadual</p><p>será o competente para apreciar os pedidos e acompanhar a execução da pena.</p><p>OBSERVAÇÕES:</p><p>Vale destacar que o processo de execução criminal (PEC) tramita junto à Vara de</p><p>Execução Criminal da Comarca (VEC), cuja jurisdição pertença o estabelecimento prisional em</p><p>que o apenado cumpre pena. Nele constará toda e qualquer informação que gere alguma</p><p>modificação na pena ou na sua forma de cumprimento.</p><p>Súmula 192 do STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução</p><p>das penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos</p><p>a estabelecimentos sujeitos à administração estadual.</p><p>1.2. Princípio da Individualização da pena: Art. 5º, inciso XLVI, CF/88 –</p><p>Fase Executória</p><p>O princípio da individualização da pena na fase da execução manifesta-se inicialmente</p><p>com a classificação dos condenados segundo seus antecedentes e personalidade (Art. 5º da</p><p>LEP). A classificação será feita por uma Comissão Técnica de Classificação (CTC), que</p><p>elaborará o programa individualizador da Pena Privativa de Liberdade (PPL)ao condenado ou</p><p>preso provisório (Arts. 6 e 7, ambos da LEP).</p><p>A Comissão Técnica de Classificação será presidida pelo diretor e composta, no mínimo,</p><p>por dois chefes de serviço, um psiquiatra, um psicólogo e um assistente social.</p><p>9</p><p>Além da classificação, para auxiliar na obtenção de mais elementos para individualização</p><p>da pena, o condenado à pena privativa de liberdade em regime fechado será submetido ao</p><p>exame criminológico. Ainda, poderão ser submetidos o condenado à pena privativa de liberdade,</p><p>em regime semiaberto (Art.8° da LEP).</p><p>Frise-se, tais questões ocorrem no início da execução da pena, com a finalidade de</p><p>apenas obter mais dados, conhecer a pessoa que está recolhida no sistema penitenciário.</p><p>Todavia, convém informar que na maioria das vezes, isso não é cumprido durante a execução</p><p>da pena.</p><p>1.3 Detração Penal</p><p>1.3.1. Conceito</p><p>Conforme o art. 42 do Código Penal: “Computam-se, na pena privativa de liberdade e na</p><p>medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão</p><p>administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior.”</p><p>A partir da alteração legislativa provocada pela Lei nº 12.736/12, tem-se que a detração</p><p>penal deverá ser observada, desde logo, na sentença condenatória, conforme previsto no artigo</p><p>387 do Código de Processo Penal. Atualmente, a competência do Juiz da VEC é subsidiária, ou</p><p>seja, quando não for objeto na sentença, deverá ser observado pelo Juiz da Vara de Execução.</p><p>Tal entendimento decorre do artigo 111 da Lei de Execução Penal e do artigo 66, inciso III, alínea</p><p>“c”, da Lei de Execução Penal.</p><p>Conforme o art. 111 da Lei de Execução Penal: “Art. 111. Quando houver condenação</p><p>por mais de um crime, no mesmo processo ou em processos distintos, a determinação do regime</p><p>de cumprimento será feita pelo resultado da soma ou unificação das penas, observada, quando</p><p>for o caso, a detração ou remição. Parágrafo único. Sobrevindo condenação no curso da</p><p>execução, somar-se-á a pena ao restante da que está sendo cumprida, para determinação do</p><p>regime.</p><p>A consideração da detração não poderá caracterizar uma conta corrente do indivíduo</p><p>com o Estado1.</p><p>1 HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. DETRAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR AO FATO DELITUOSO.</p><p>IMPOSSIBILIDADE. 1. É assente a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de que o condenado não faz jus</p><p>à detração penal quando a conduta delituosa pela qual houve a condenação tenha sido praticada posteriormente ao crime</p><p>10</p><p>Exemplo 1: Pedro comete um crime e permanece preso durante 1 ano, após é absolvido.</p><p>Pedro não poderá reaver este período, buscando resgatá-lo.</p><p>Exemplo 2: Mário comete um delito de furto simples, na expectativa de não ficar preso,</p><p>pois teria direito à detração daquele 1 ano, dito acima, referente a outro delito. Caso seja</p><p>condenado, pela prática deste delito, não terá direito à detração anterior, pois geraria uma</p><p>contracorrente.</p><p>1.4. Regimes Prisionais e Modificação do Regime durante a</p><p>execução da pena</p><p>1.4.1 Considerações Gerais</p><p>Em regra, o regime a ser cumprido vem estabelecido na sentença penal condenatória</p><p>ou quando for aplicada a pena em um acórdão pelo Tribunal, pois a fixação do regime inclui</p><p>uma das fases da individualização da pena (Art. 59, inciso III, do CP e Art. 110 da LEP).</p><p>Inclusive, será estabelecido conforme as regras contidas no artigo 33, §2º e §3º e artigo 59,</p><p>ambos do Código Penal.</p><p>Entretanto, pode ocorrer de existirem processos distintos, que ainda não iniciaram a</p><p>execução da pena, neste caso o resultado da soma das condenações determinará o novo</p><p>regime.</p><p>Por exemplo: Cross Fox possui uma condenação por um delito de roubo praticado em</p><p>Porto Alegre/RS, cuja pena aplicada foi de 5 anos, em regime semiaberto; em comarca</p><p>distinta, Caxias do Sul/RS, Cross Fox possui outra condenação à pena de 6 anos, em regime</p><p>semiaberto. Nesta situação quando Cross Fox começar a cumprir a pena, o Juiz da Vara de</p><p>Execução ao verificar a existência de duas condenações a serem cumpridas, determinará a</p><p>soma das penas, no caso totalizará 11 anos, consequentemente o regime prisional será o</p><p>fechado pelo resultado apontado.</p><p>De outro modo, caso sobrevenha nova condenação durante o cumprimento de uma</p><p>pena, a determinação do regime será feita através da soma do restante da pena que está</p><p>sendo cumprida com a nova condenação, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 111 da</p><p>que acarretou a prisão cautelar. 2. Ordem denegada. (HC 109599, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma,</p><p>julgado em 26/02/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-048 DIVULG 12-03- 2013 PUBLIC 13-03-2013).</p><p>11</p><p>Lei de Execução Penal, vejamos: “Sobrevindo condenação no curso da execução, somar-se-</p><p>á a pena ao restante da que está sendo cumprida, para determinação do regime”.</p><p>Imagine se Cross Fox estivesse executando uma pena de 10 anos de reclusão e no</p><p>momento faltasse 2 anos para terminar, caso sobrevenha nova condenação por outro crime a</p><p>8 anos de reclusão, para determinação do novo regime, deverá ser somada a nova</p><p>condenação (8 anos) + o restante da pena em execução (2 anos), o total do somatório, no</p><p>caso 10 anos, determinará o novo regime, que pela quantidade resultará na imposição de</p><p>regime fechado. Destaca-se que nessa situação ocorrerá</p><p>uma hipótese de regressão de</p><p>regime (Art. 118, inciso II, da LEP), que será estudada nos itens seguintes.</p><p>Em todas as situações, da mesma forma que ocorre na aplicação da pena, em que o</p><p>juiz se socorre da previsão contida no artigo 33, §2º, do Código Penal para a fixação de regime,</p><p>na execução penal o resultado da soma deverá ser enquadrado nas regras do artigo 33 do</p><p>Código Penal.</p><p>1.5. Unificação de Penas</p><p>1.5.1. Considerações gerais</p><p>O termo unificação, teoricamente, deveria ser utilizado nos casos em que se evidencia</p><p>alguma hipótese de crime continuado (Art. 71 do CP) ou de concurso formal perfeito (Art. 70,</p><p>caput, 1ª parte, do CP), pois nesses casos muito embora tenhamos mais de um crime, para</p><p>fins de aplicação de pena, considera-se a pena de um deles, se idênticas, ou a mais grave,</p><p>se diferentes, e aumenta-se de 1/6 a 2/3 (sistema da exasperação). Em outros termos, pode</p><p>transformar diversas penas em uma, por determinação legal.</p><p>Destaca-se que caso não tenha sido observada a ocorrência de crime continuado pelo</p><p>Juiz da condenação, pois geralmente essas hipóteses são apuradas no mesmo processo, se</p><p>isso for constatado na execução da pena, deverá o juiz fazer a unificação da pena, aplicando</p><p>a exasperação aqui na fase da execução. Veja o recente julgado exemplificando a questão.</p><p>Por fim, fala-se também em unificação de pena, no caso do artigo 75 do Código Penal,</p><p>para fins de delimitar o cumprimento da pena em 40 anos, ocasião em que para fins de cálculo</p><p>de progressão de regime, livramento condicional permanecerá o total da pena, como orienta</p><p>a súmula 715 do STF: “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento,</p><p>determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros</p><p>benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução”.</p><p>12</p><p>Chama-se atenção para o fato de que o termo unificação de penas é utilizado de</p><p>diversas formas na execução pena, muitas vezes gerando confusão com a hipótese de soma</p><p>de penas, pois o artigo 111 da Lei de Execução Penal não traz qualquer conceito a respeito</p><p>de cada expressão, somente refere que o regime prisional será fixado pelo resultado da soma</p><p>ou unificação das penas.</p><p>CONFERIR</p><p>AGRAVO EM EXECUÇÃO. UNIFICAÇÃO DE PENAS DECORRENTE DE</p><p>CONTINUIDADE DELITIVA. DECISÃO MANTIDA. As práticas delituosas atinentes aos</p><p>processos nºs 010/2.13.0002498-1 e 5006934-02.20034047107 aconteceram em intervalo de</p><p>tempo inferior a 30 dias (entre 22/01/2013 e 13/02/2013). Ademais, são da mesma espécie e se</p><p>perfectibilizaram de maneira muito semelhante, consistindo ambas em roubo majorado pelo uso</p><p>de arma de fogo e pelo concurso de pessoas. [...] Decisão mantida. AGRAVO MINISTERIAL</p><p>DESPROVIDO. UNÂNIME. (Agravo Nº 70076880152, Sexta Câmara Criminal, Tribunal de</p><p>Justiça do RS, Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório, Julgado em 10/05/2018).</p><p>1.6. Regime disciplinar diferenciado: art. 52, LEP</p><p>1.6.1. Alterações significativas ocorreram em virtude da aplicação da Lei nº</p><p>13.964/19 (Pacote Anticrime)</p><p>Redação Anterior Vigência da Lei nº 13.964/19</p><p>Art. 52: A prática de fato previsto como</p><p>crime doloso constitui falta grave e,</p><p>quando ocasione subversão da ordem</p><p>ou disciplina internas, sujeita o preso</p><p>provisório, ou condenado, sem prejuízo</p><p>da sanção penal, ao regime disciplinar</p><p>diferenciado, com as seguintes</p><p>características:</p><p>I - duração máxima de trezentos e</p><p>sessenta dias, sem prejuízo de repetição</p><p>da sanção por nova falta grave de</p><p>mesma espécie, até o limite de um sexto</p><p>da pena aplicada;</p><p>Art. 52: A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta</p><p>grave e, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina</p><p>internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou</p><p>estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar</p><p>diferenciado, com as seguintes características:</p><p>I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de</p><p>repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie;</p><p>II - recolhimento em cela individual;</p><p>III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem</p><p>realizadas em instalações equipadas para impedir o contato</p><p>físico e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso</p><p>de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2 (duas)</p><p>horas;</p><p>13</p><p>II - recolhimento em cela individual;</p><p>III - visitas semanais de duas pessoas,</p><p>sem contar as crianças, com duração de</p><p>duas horas;</p><p>IV - o preso terá direito à saída da cela</p><p>por 2 horas diárias para banho de sol.</p><p>IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias</p><p>para banho de sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde</p><p>que não haja contato com presos do mesmo grupo criminoso;</p><p>V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu</p><p>defensor, em instalações equipadas para impedir o contato físico</p><p>e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em</p><p>contrário;</p><p>VI - fiscalização do conteúdo da correspondência;</p><p>VII - participação em audiências judiciais preferencialmente por</p><p>videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no</p><p>mesmo ambiente do preso.</p><p>§ 1º O regime disciplinar diferenciado</p><p>também poderá abrigar presos</p><p>provisórios ou condenados, nacionais ou</p><p>estrangeiros, que apresentem alto risco</p><p>para a ordem e a segurança do</p><p>estabelecimento penal ou da sociedade.</p><p>§ 1º O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos</p><p>presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros:</p><p>I - que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do</p><p>estabelecimento penal ou da sociedade;</p><p>II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou</p><p>participação, a qualquer título, em organização criminosa,</p><p>associação criminosa ou milícia privada, independentemente da</p><p>prática de falta grave.</p><p>§ 2o Estará igualmente sujeito ao regime</p><p>disciplinar diferenciado o preso</p><p>provisório ou o condenado sob o qual</p><p>recaiam fundadas suspeitas de</p><p>envolvimento ou participação, a</p><p>qualquer título, em organizações</p><p>criminosas, quadrilha ou bando.</p><p>§ 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)</p><p>§ 3º Existindo indícios de que o preso exerce liderança em</p><p>organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada,</p><p>ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da</p><p>Federação, o regime disciplinar diferenciado será</p><p>obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal.</p><p>§ 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o regime disciplinar</p><p>diferenciado poderá ser prorrogado sucessivamente, por</p><p>períodos de 1 (um) ano, existindo indícios de que o preso:</p><p>I - continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança</p><p>do estabelecimento penal de origem ou da sociedade; (Incluído</p><p>pela Lei nº 13.964, de 2019)</p><p>II - mantém os vínculos com organização criminosa, associação</p><p>criminosa ou milícia privada, considerados também o perfil</p><p>criminal e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, a</p><p>operação duradoura do grupo, a superveniência de novos</p><p>processos criminais e os resultados do tratamento penitenciário.</p><p>§ 5º Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o regime disciplinar</p><p>diferenciado deverá contar com alta segurança interna e externa,</p><p>principalmente no que diz respeito à necessidade de se evitar</p><p>contato do preso com membros de sua organização criminosa,</p><p>associação criminosa ou milícia privada, ou de grupos rivais.</p><p>§ 6º A visita de que trata o inciso III do caput deste artigo será</p><p>gravada em sistema de áudio ou de áudio e vídeo e, com</p><p>autorização judicial, fiscalizada por agente penitenciário.</p><p>§ 7º Após os primeiros 6 (seis) meses de regime disciplinar</p><p>diferenciado, o preso que não receber a visita de que trata o</p><p>inciso III do caput deste artigo poderá, após prévio agendamento,</p><p>14</p><p>ter contato telefônico, que será gravado, com uma pessoa da</p><p>família,</p><p>2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos.</p><p>Atenção!</p><p>A inclusão do preso no Regime Disciplinar Diferenciado, de acordo com o artigo 54 da</p><p>Lei de Execução Penal, dependerá de requerimento circunstanciado elaborado pelo diretor do</p><p>estabelecimento ou outra autoridade administrativa.</p><p>A decisão judicial que incluir o preso no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) será</p><p>precedida de manifestação do Ministério Público e da defesa e prolatada no prazo máximo de</p><p>15 dias, devendo ser fundamentada.</p><p>1.7. Progressão de regime</p><p>1.7.1. Introdução</p><p>A Lei de Execução Penal adotou o sistema progressivo para o cumprimento da pena, ou</p><p>seja, a transferência do regime mais rigoroso para um menos rigoroso mediante a observância</p><p>de alguns requisitos, sendo “inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional",</p><p>nos termos da Súmula 491 do STJ.</p><p>Para fins de progressão de regime, observa-se a pena total, nos termos da Súmula 715</p><p>do STF e não o limite máximo de cumprimento da pena, previsto no artigo 75 do Código Penal.</p><p>Desta forma, quem estiver executando pena, poderá progredir, ainda que esteja</p><p>aguardando definição de recurso (Súmula 716 do STF), bastando o preenchimento do requisito</p><p>objetivo (lapso temporal) e subjetivo (bom comportamento), observando as especificidades</p><p>referentes à natureza do delito, vejamos:</p><p>1.8. Requisitos para Progressão de Regime</p><p>A progressão de regime exige o preenchimento de dois requisitos, quais sejam: requisito</p><p>subjetivo e objetivo.</p><p>Em relação ao requisito subjetivo, foi mantido como requisito para concessão da</p><p>progressão o atestado de bom comportamento carcerário emitido pelo Diretor do</p><p>estabelecimento prisional, nos termos do artigo 112, § 1º, da LEP. Aliás, o parágrafo 7º do art.</p><p>15</p><p>112 da LEP dispõe que o bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do</p><p>fato, ou antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito.</p><p>Entretanto, no tocante ao lapso temporal, previamente estabelecido para o alcance da</p><p>progressão ao regime mais brando, o legislador optou por estabelecer uma exigência em</p><p>percentual de cumprimento de pena, não mais em formato de fração, excetuando a hipótese da</p><p>progressão especial para mulheres do parágrafo 3º do artigo em questão, restando a seguinte</p><p>previsão na nova redação:</p><p>Progressão de Regime: atual art. 112 da LEP</p><p>16%</p><p>da pena</p><p>Primário</p><p>crime cometido sem violência à pessoa ou grave</p><p>ameaça;</p><p>20%</p><p>da pena</p><p>Reincidente</p><p>específico em</p><p>25%</p><p>da pena</p><p>Primário</p><p>crime cometido com violência à pessoa ou grave</p><p>ameaça;</p><p>30%</p><p>da pena</p><p>Reincidente</p><p>específico em</p><p>40%</p><p>da pena</p><p>condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário;</p><p>50%</p><p>da pena</p><p>se o apenado for:</p><p>a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado</p><p>morte, se for primário, vedado o livramento condicional;</p><p>b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização</p><p>criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou</p><p>c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada;</p><p>60%</p><p>da pena</p><p>se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado</p><p>(reincidência específica);</p><p>16</p><p>70%</p><p>da pena</p><p>se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com</p><p>resultado morte, vedado o livramento condicional (reincidência específica).</p><p>Somente estarão sujeitos aos novos prazos – que eventualmente trouxerem um</p><p>tratamento mais gravoso à progressão de regime – aqueles que praticarem crimes a partir da</p><p>data da vigência do Pacote Anticrime (Lei 13.964/19), qual seja, dia 23 de janeiro de 2020.</p><p>Neste sentido, sempre que a nova lei trouxer algum benefício ao apenado deverá retroagir, nos</p><p>termos do artigo 5º, XL, da CF.</p><p>Dentro deste contexto, não se pode olvidar a Súmula 471 do STJ, que assegura a</p><p>aplicação do prazo de 1/6 para todos os crimes, inclusive os hediondos e equiparados, desde</p><p>que praticados antes do dia 29 de março de 2007, haja vista os efeitos atribuídos ao habeas</p><p>corpus n. 82.959-7/SP, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, em fevereiro de 2006.</p><p>Devemos ficar atentos às lacunas existentes na legislação atual, vejamos:</p><p>• Lacuna legislativa – Progressão de Regime nos casos de reincidência em crimes</p><p>comuns:</p><p>Em relação aos reincidentes não específicos em CRIMES COMUNS a legislação não</p><p>trouxe tratamento claro para alguns casos envolvendo apenados reincidentes, caracterizando</p><p>uma lacuna, omissão legislativa.</p><p>Portanto, quando não houver enquadramento na reincidência específica como a lei</p><p>exige, deverá ser adotada uma interpretação mais favorável, atenção aos exemplos:</p><p>a) Apenado está cumprindo pena por ROUBO, mas já possui SPCTJ por furto,</p><p>crime sem violência, o que fez caracterizar a sua reincidência, porém não específica em</p><p>crime com violência, neste caso progredirá incidindo sobre a pena do ROUBO o quantum de</p><p>25% (fração destinada aos primários, pois não podemos equipará-lo ao reincidente específico</p><p>em crime com violência e exigir 30% - seria uma interpretação mais gravosa da condição dele).</p><p>b) Apenado está cumprindo pena por FURTO (sem violência), porém já possuía</p><p>SPCTJ por ROUBO (com violência), neste caso progredirá incidindo sobre a pena de FURTO</p><p>o quantum de 20% (neste caso a interpretação não piora a condição do apenado, pois ele é</p><p>reincidente em com um crime mais grave, e está sendo tratado como reincidente em crime sem</p><p>violência).</p><p>• Lacuna legislativa – Progressão de Regime e Crime Hediondo/Equiparados.</p><p>Reincidente não específico:</p><p>17</p><p>O novo artigo 112, VII, da LEP prevê a aplicação do lapso temporal de 60% para os</p><p>casos de delitos hediondos ou equiparados quando reincidentes específicos nestes crimes. Na</p><p>legislação anterior não havia esta previsão e a jurisprudência entendia que bastava a</p><p>reincidência, não importando se comum ou específica, para permitir a incidência de 3/5 como</p><p>lapso temporal para progredir sobre a pena referente ao delito hediondo ou equiparado.</p><p>Atualmente, diante da lacuna legislativa se a pessoa tiver sido condenada por um crime</p><p>hediondo ou equiparado, e for reincidente em crime comum, deverá ser aplicado 40%, pois a</p><p>aplicação de 60% é destinada somente aos reincidentes específicos, resultando aqui uma lacuna</p><p>legislativa que conduz a uma situação melhor ao reincidente não específico que possui uma</p><p>condenação por crime hediondo ou equiparado.</p><p>Por exemplo, condenado por crime de estupro (crime hediondo), que já possui uma</p><p>condenação transitada em julgado por um crime de furto (crime comum), neste caso será</p><p>aplicado 40% sobre a pena do crime de estupro.</p><p>Segue julgado que demonstra o entendimento, vejamos:</p><p>PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.</p><p>EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME. ART. 112, VII, DA LEI DE</p><p>EXECUÇÃO PENAL (INCLUÍDO PELA LEI N. 13.964/2019). PACOTE ANTICRIME.</p><p>CÁLCULO PRISIONAL. PLEITO PELA APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 60% (OU 3/5)</p><p>DO CUMPRIMENTO DA PENA PARA PROGRESSÃO DE REGIME. RECORRIDO</p><p>REINCIDENTE NÃO ESPECÍFICO EM CRIME HEDIONDO OU EQUIPARADO. AGRAVO</p><p>REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. [...]</p><p>2. Com efeito, os incisos VII e VIII do art. 112 da LEP, introduzidos pela Lei n. 13.964/2019,</p><p>são taxativos e abarcam tão somente a hipótese de reincidência na prática de crime</p><p>hediondo ou equiparado. O apenado foi sentenciado por delito hediondo (art. 33, caput,</p><p>da Lei n. 11.343/2006), tendo sido reconhecida sua reincidência genérica, decorrente de</p><p>condenação anterior pela prática de crime comum (e-STJ fl. 52). Para tal hipótese -</p><p>condenado por crime hediondo, mas reincidente em razão da prática de crime comum -,</p><p>como bem ponderou o Tribunal a quo (e-STJ fl. 54), inexiste, na novatio legis, percentual</p><p>a disciplinar a progressão de regime ora pretendida, sendo certo que os percentuais de</p><p>60% (sessenta por cento) e 70% (setenta por cento) foram destinados aos reincidentes</p><p>específicos.3.</p><p>Assim, na espécie, considerando que o apenado, condenado por crime</p><p>hediondo (art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006), é reincidente em crime comum</p><p>(reincidência genérica), conforme se extrai dos presentes autos (e-STJ fl. 52), impõe-</p><p>se, ante a omissão legislativa, o uso da analogia in bonam partem, para aplicar o</p><p>percentual equivalente ao que é previsto para o primário (art. 112, inciso V, da LEP),</p><p>qual seja, o de 40% (quarenta por cento), para fins de cálculo da progressão de</p><p>regime prisional, em relação ao crime anterior praticado. 4. Agravo regimental</p><p>desprovido. (AgRg no REsp 1918050/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA</p><p>FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 04/05/2021, DJe 07/05/2021).</p><p>• Informativo n. 681/2020 do STJ: progressão de regime do reincidente não específico em</p><p>crime hediondo ou equiparado com resultado morte deve observar 50%.</p><p>18</p><p>Execução Penal. Progressão de regime. Crime hediondo. Reincidente não específico.</p><p>Requisito objetivo. Lei n. 13.964/2019 (Pacote anticrime). Lacuna na nova redação do art. 112</p><p>da LEP. Interpretação in bonam partem.</p><p>A progressão de regime do reincidente não específico em crime hediondo ou equiparado</p><p>com resultado morte deve observar o que previsto no inciso VI, a, do artigo 112 da Lei de</p><p>Execução Penal.</p><p>No caso condenado por crime hediondo com resultado morte, reincidente não específico,</p><p>diante da lacuna na lei, deve ser observado o lapso temporal relativo ao primário. Impõe-</p><p>se, assim, a aplicação do contido no inciso VI, a, do referido artigo da Lei de Execução Penal,</p><p>exigindo-se, portanto, o cumprimento de 50% da pena para a progressão de regime.</p><p>Tal entendimento foi corroborado no item 2 da Edição 184 da Jurisprudência em Tese</p><p>do STJ vejamos: 2) Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime, o condenado por crime</p><p>hediondo ou equiparado com resultado morte, que seja reincidente genérico, deverá cumprir ao</p><p>menos 50% da pena para a progressão de regime prisional, pelo uso da analogia in bonam</p><p>partem.</p><p>1.9. Falta grave e Progressão de Regime</p><p>O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade</p><p>interrompe o prazo para a obtenção da progressão de regime, resultando no reinício da contagem</p><p>do requisito objetivo, que terá como base a pena remanescente, nos termos do artigo 112, §6º,</p><p>da LEP. Trata-se da incorporação do entendimento jurisprudencial, pois o novel parágrafo</p><p>incorporou o teor da Súmula 534 do STJ.</p><p>Súmula 534 do STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a</p><p>progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa</p><p>infração</p><p>1.10. Progressão de Regime especial para mulheres</p><p>Não houve alteração no artigo 112 da Lei de Execução Penal no tocante à progressão</p><p>de regime especial para mulheres gestantes ou que forem mães ou responsáveis por criança ou</p><p>pessoa com deficiência, prevalecendo a exigência dos seguintes requisitos de forma cumulativa,</p><p>que constam no respectivo §3º:</p><p>a) não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;</p><p>javascript:document.frmDoc1Item1.submit();</p><p>javascript:document.frmDoc1Item1.submit();</p><p>javascript:document.frmDoc1Item1.submit();</p><p>javascript:document.frmDoc1Item1.submit();</p><p>19</p><p>b) não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;</p><p>c) ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior;</p><p>d) ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do</p><p>estabelecimento;</p><p>e) não ter integrado organização criminosa.</p><p>Destaca-se que o cometimento de fato definido como crime doloso ou falta grave,</p><p>conforme dispõe a lei, implica na revogação da progressão de regime diferenciada (Art. 112, §4º,</p><p>da LEP).</p><p>Tratamento diferenciado para integrantes de organização criminosa –</p><p>reconhecidos expressamente em sentença – Art. 2º, § 9º, da Lei n° 12.850/2013</p><p>Atualmente, com o Pacote Anticrime em vigência (Lei 13.964/2019), foi introduzida na</p><p>legislação uma norma que assegura a vedação da progressão de regime ou do livramento</p><p>condicional, bem como de outros benefícios, para os casos de integrante de organização</p><p>criminosa, expressamente reconhecido em sentença, ou de condenado por crime praticado por</p><p>meio de organização criminosa, quando houver elementos probatórios que indiquem a</p><p>manutenção do vínculo associativo, conforme consta no artigo 2º, §9º, da Lei nº 12.850/2013.</p><p>1.11. Progressão para o regime aberto</p><p>Frise-se, a progressão para o regime aberto possui algumas condições específicas,</p><p>previstas nos artigos 114 e 115, ambos da Lei de Execução Penal, como por exemplo, estar</p><p>trabalhando ou possuir condições de trabalhar imediatamente. Neste caso, convém reforçar que</p><p>a inexistência, por exemplo, de vaga para trabalho, não autoriza o juiz a suprir essa condição</p><p>impondo uma pena restritiva de direito como a prestação de serviços à comunidade, pois</p><p>caracterizaria uma afronta à legalidade. Inclusive, há vedação expressa na Súmula 493 do STJ,</p><p>matéria já cobrada no exame da OAB.</p><p>1.12. Progressão de regime e crimes contra administração pública</p><p>Nos casos de condenados por crimes contra a administração pública, aplica-se, como</p><p>requisito para progressão, além do tempo e do comportamento, a reparação do prejuízo gerado</p><p>ao erário, conforme dispõe o artigo 33, §4º, do Código Penal.</p><p>20</p><p>1.13. Exame criminológico</p><p>Há entendimento sumulado sobre progressão de regime e a exigência de exame</p><p>criminológico no STF e STJ.</p><p>Os Tribunais Superiores têm entendido que, muito embora a nova redação do artigo 112</p><p>da Lei de Execução Penal tenha excluído a exigência de realização de exame criminológico para</p><p>obtenção de progressão de regime, não caracteriza constrangimento ilegal a submissão do</p><p>apenado à realização de exame, desde que devidamente fundamentada a necessidade pelo Juiz</p><p>da Vara de Execução Criminal. Neste sentido, temos as seguintes súmulas:</p><p>• Súmula Vinculante nº 26 do STF: Para efeito de progressão de regime no</p><p>cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a</p><p>inconstitucionalidade do artigo 2º da Lei nº 8.072/90, sem prejuízo de avaliar se o condenado</p><p>preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal</p><p>fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico.</p><p>• Súmula 439 do STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso,</p><p>desde que em decisão motivada.</p><p>1.14. Regressão de Regime</p><p>1.14.1. Considerações Gerais</p><p>A execução da pena está sujeita a forma regressiva quando o apenado praticar fato</p><p>definido como crime doloso ou falta grave (Art. 50 e 51, ambos da LEP).</p><p>Nesse caso, antes da regressão de regime deverá ser ouvido, previamente, o apenado</p><p>(Art. 118, § 2°, da LEP) audiência de justificativa, sob pena de nulidade. A regressão em caráter</p><p>definitivo, está prevista no artigo 118, inciso I, da Lei de Execução Penal exige a oitiva prévia. O</p><p>entendimento jurisprudência que afasta a oitiva refere-se à regressão cautelar.</p><p>Inclusive, atualmente, a Súmula 533 do STJ que exigia a instauração de PAD</p><p>(Procedimento Administrativo Disciplinar) para o reconhecimento de falta disciplinar está</p><p>prejudicada pelo seguinte entendimento:</p><p>HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO CABIMENTO.</p><p>EXECUÇÃO PENAL. FALTA GRAVE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO</p><p>DISCIPLINAR - PAD. NULIDADE. OITIVA JUDICIAL DO SENTENCIADO SOB DEFESA</p><p>REGULAR. TEMA DE RECURSO REPETITIVO NO STF - RE 972.598/RS.</p><p>INEXISTÊNCIA DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E</p><p>CONTRADITÓRIO. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO.</p><p>I [...]</p><p>II O col. Supremo Tribunal Federal já enfrentou a matéria aqui posta, em sede de recurso</p><p>repetitivo representativo da controvérsia, no RE n. 972.598/RS, assentando a seguinte</p><p>21</p><p>tese: A oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em audiência de justificação</p><p>realizada na presença do defensor e do Ministério Público, afasta a necessidade de prévio</p><p>Procedimento</p><p>Administrativo Disciplinar (PAD), assim como supre eventual ausência ou</p><p>insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática de falta grave</p><p>durante o cumprimento da pena? (RE n. 972.598, Tribunal Pleno, Rel. Min. Roberto</p><p>Barroso, DJe de 06/08/2020).</p><p>III- No mais, "Para afastar a conclusão do acórdão, absolver o agravado ou desclassificar</p><p>sua conduta, seria necessário reexaminar fatos e provas, providência incabível na via do</p><p>habeas corpus, de cognição limitada" (AgRg no HC n. 414.750/SP, Sexta Turma, Rel. Min.</p><p>Rogerio Schietti Cruz, DJe de 1º/08/2018). Habeas corpus não conhecido. (HC</p><p>620.019/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 09/12/2020, DJe</p><p>15/12/2020).</p><p>Em relação à exigência de sentença transitada em julgado para o reconhecimento</p><p>da falta grave pela prática de crime doloso, há entendimento sumulado vejamos:</p><p>Súmula 526 do STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento</p><p>de fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em</p><p>julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do</p><p>fato.</p><p>As faltas graves estão descritas no artigo 50, 51 e 52 (primeira parte), todos da Lei de</p><p>Execução Penal. O Pacote Anticrime introduziu uma nova hipótese de falta grave a recusa em</p><p>submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético (Art. 50, inciso VIII, da LEP):</p><p>• quando o apenado sofrer condenação, por crime anterior, cuja soma da pena restante</p><p>com a nova condenação torne impossível a manutenção do regime (Art.111).</p><p>• nos casos de violação com os deveres do monitoramento eletrônico, quando o Juiz</p><p>da Execução adotar essa opção, artigo 146, alínea “c”, parágrafo único, da Lei de Execução</p><p>Penal.</p><p>O STJ, recentemente, editou duas súmulas acerca da falta grave:</p><p>Súmula 660 do STJ – A posse, pelo apenado, de aparelho celular ou de seus</p><p>componentes essenciais constitui falta grave.</p><p>Súmula 661 do STJ – A falta grave prescinde da perícia do celular apreendido ou de</p><p>seus componentes essenciais.</p><p>OBSERVAÇÕES IMPORTANTES: posicionamento jurisprudencial retirado do</p><p>site do Superior Tribunal de Justiça:</p><p>22</p><p>(STJ - jurisprudência) Diante da inexistência de legislação específica quanto ao prazo</p><p>prescricional para apuração de falta grave, deve ser adotado o menor lapso prescricional</p><p>previsto no art. 109 do CP, ou seja, o de 3 anos para fatos ocorridos após a alteração dada</p><p>pela Lei n. 12.234, de 5 de maio de 2010, ou o de 2 anos se a falta tiver ocorrido até essa</p><p>data. Precedentes: AgRg nos EDcl no REsp 1248357/MS, Rel. Ministra REGINA HELENA</p><p>COSTA, QUINTA TURMA, julgado em 19/11/2013, DJe 25/11/2013; AgRg no REsp</p><p>1414267/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em</p><p>05/11/2013, DJe 25/11/2013;</p><p>A jurisprudência tem admitido a chamada regressão cautelar, que dispensa a oitiva</p><p>prévia do apenado (Art. 118, §2º, LEP), passando a exigir audiência somente nos casos de</p><p>regressão definitiva.</p><p>1.15. Prisão domiciliar: art. 117, LEP</p><p>1.15.1. Considerações Gerais</p><p>Para cumprir a pena em residência particular o preso deverá estar em regime aberto e</p><p>se enquadrar em uma das quatro hipóteses do artigo 117 da Lei de Execução Penal, quais sejam:</p><p>• condenado maior de setenta anos;</p><p>• condenado acometido de doença grave;</p><p>• condenada com filho menor ou deficiente físico ou metal;</p><p>• condenada gestante.</p><p>Atentar para a Súmula Vinculante nº 56 do STF, vejamos: “A falta de estabelecimento</p><p>penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso,</p><p>devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE641.320/RS.</p><p>Precedente representativo da Súmula Vinculante nº 56 do STF:</p><p>"3. Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos</p><p>regimes semiaberto e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis</p><p>estabelecimentos que não se qualifiquem como 'colônia agrícola, industrial' (regime semiaberto)</p><p>ou 'casa de albergado ou estabelecimento adequado' (regime aberto) (art.33, §1º, alíneas "b" e</p><p>"c"). No entanto, não deverá haver alojamento conjunto de presos dos regimes semiaberto e</p><p>aberto com presos do regime fechado. 4. Havendo déficit de vagas, deverão ser determinados:</p><p>23</p><p>(i) a saída antecipa da de sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade</p><p>eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão</p><p>domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao</p><p>sentenciado que progride ao regime aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas</p><p>propostas, poderá ser deferida a prisão domiciliar ao sentenciado." (RE 641320, Relator Ministro</p><p>Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgamento em 11.5.2016, DJe de8.8.2016).</p><p>1.16. Remição de pena</p><p>1.16.1. Considerações Gerais</p><p>A remição é o computo do período trabalhado ou estudado com o tem pode pena</p><p>cumprida, nos termos do artigo 128 da Lei de Execução Penal.</p><p>É possível remir tanto pelo trabalho como pelo estudo, inclusive, cumulando as duas</p><p>possibilidades.</p><p>Todavia, é importante se ater nas regras contidas nos artigos 126 e seguintes da Lei de</p><p>Execução Penal.</p><p>Por exemplo, remição por trabalho, somente nos casos de regime fechado e semiaberto,</p><p>a Lei de Execução Penal omitiu a possibilidade de remição no caso de regime aberto. Os</p><p>Tribunais superiores entendem que como não há previsão legal e o trabalho é requisito para</p><p>ingressar no regime aberto, não há direito a remição neste caso.</p><p>Já a remição por estudo, é possível em todos os regimes prisionais, inclusive, na última</p><p>etapa do cumprimento de pena, ou seja, quando o apenado estiver em livramento condicional.</p><p>• Trabalho prisional</p><p>Espécies de Trabalho Prisional:</p><p>a) Serviço interno: qualquer regime poderá trabalhar internamente e a qualquer</p><p>momento, desde que existam vagas.</p><p>b) Serviço externo:</p><p>Em relação ao serviço externo, é importante observar que o artigo 37 da Lei de Execução</p><p>Penal atribui ao Diretor do Estabelecimento Prisional a concessão da autorização. Todavia, é</p><p>importante registrar que há forte posicionamento doutrinário e deu só prático no cotidiano forense</p><p>de que o trabalho prisional no âmbito externo deverá ser autorizado pelo Juiz da VEC (Neste</p><p>sentido: Sídio Rosa de Mesquita Júnior, Norberto Avena, entre outros).</p><p>24</p><p>1.17. Permissão de saída e saída temporária</p><p>1.17.1. Considerações Gerais</p><p>Podem obter permissão de saída, os apenados que cumprem pena em regime fechado,</p><p>semiaberto e provisórios, mediante escolta, em duas hipóteses:</p><p>• falecimento ou doença grave CCADI (cônjuge, companheiro, ascendente,</p><p>descendente ou irmão);</p><p>• necessidade de tratamento médico.</p><p>Já a saída temporária, sem vigilância, poderá ser concedida a pena dos que cumprem</p><p>pena em regime semiaberto.</p><p>Vale destacar que foi introduzida em 2010 a possibilidade da utilização de monitoramento</p><p>eletrônico, no artigo 122, parágrafo único, da Lei de Execução Penal (redação dada pela Lei nº</p><p>12.258/10).</p><p>Em outras palavras, a ausência de vigilância direta não impede que o juiz determine a</p><p>monitoração eletrônica. Constitui uma faculdade do Juiz, não uma obrigação legal.</p><p>Para obtenção da saída temporária, os apenados em regime aberto, deverão preencher</p><p>os seguintes requisitos:</p><p>• comportamento adequado;</p><p>• cumprimento mínimo de 1/6 para apenado primário e de, no mínimo, ¼ para</p><p>reincidentes;</p><p>• compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.</p><p>O período de duração conforme a lei não poderá ser superior a 7 dias, podendo ser</p><p>renovadas por mais 4 vezes, logo faz jus a 35 dias de saída. Com intervalo de 45 dias entre as</p><p>saídas. Quando se tratar de saída para fins de estudo o tempo será o necessário para a</p><p>realização das atividades discentes.</p><p>A Lei nº 12.258/10 também inovou ao estabelecer que o juiz imporá condições ao</p><p>apenado, para obtenção das saídas</p><p>temporárias, permitindo que além das previstas em lei outras</p><p>poderão ser estabelecidas, vejamos a nova redação do §1º do artigo 124 da Lei de Execução</p><p>Penal:</p><p>Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá ao beneficiário as seguintes condições,</p><p>entre outras que entender compatíveis com as circunstâncias do caso e a situação pessoal do</p><p>condenado:</p><p>25</p><p>I - fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá ser encontrado durante</p><p>o gozo do benefício;</p><p>II - recolhimento à residência visitada, no período noturno;</p><p>III - proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres.</p><p>O Pacote Anticrime inseriu o § 2º, no artigo 122 da Lei de Execução Penal e dispõe que</p><p>não terá direito à saída temporária o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo</p><p>com resultado morte. Infere-se que a lei foi restritiva ao impedir o instituto aos delitos hediondos,</p><p>ou seja, aqueles previstos no artigo 1º da Lei nº 8.072/90.</p><p>Súmula 520 do STJ: O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é</p><p>ato jurisdicional insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento</p><p>prisional.</p><p>1.18. Monitoração eletrônica</p><p>1.18.1. Considerações Gerais</p><p>O monitoramento eletrônico é uma faculdade judicial, pois, de acordo com a lei, poderá</p><p>ser definido pelo juiz nos casos definidos em lei, desde que seja necessário.</p><p>A lei admite a monitoração eletrônica em duas situações: prisão domiciliar e saída</p><p>temporária no regime semiaberto.</p><p>O instituto está previsto a partir do artigo 146 – B da Lei de Execução Penal.</p><p>A edição em tese de jurisprudência, n. 146, do Superior Tribunal de Justiça traz algumas</p><p>decisões envolvendo o monitoramento eletrônico, por exemplo: A inobservância do perímetro</p><p>estabelecido para monitoramento de tornozeleira eletrônica configura falta disciplinar de</p><p>natureza grave, nos termos dos art. 50, VI, e art. 39, V, da LEP.</p><p>1.19. Livramento Condicional</p><p>1.19.1. Introdução</p><p>O livramento condicional como o próprio nome permite concluir é a liberdade mediante</p><p>condições. Trata-se da última etapa do cumprimento de pena, não se confundido com progressão</p><p>de regime, pois o livramento condicional não integra o sistema progressivo.</p><p>O instituto é regulado pelos artigos 83 a 90, todos do Código Penal e artigos 131 a 146,</p><p>todos da Lei de Execução Penal, a análise é conjunta dos dois dispositivos legais.</p><p>26</p><p>Nesta hipótese, o apenado é liberado do estabelecimento prisional, ficando submetido</p><p>as condições previstas no artigo 132 da Lei de Execução Penal, condições obrigatórias e</p><p>condições facultativas, que dependerão de cada caso.</p><p>Os requisitos a serem preenchidos estão expostos no artigo 83 do Código Penal.</p><p>Importante destacar que o lapso temporal exigido para fins de preenchimento do requisito</p><p>objetivo não é interrompido pela prática de falta grave, nos termos da súmula 441 do STJ: “A</p><p>falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional”.</p><p>1.19.2. Requisitos</p><p>Os requisitos do livramento condicional, de ordem objetiva e subjetiva, encontram-se no</p><p>artigo 83 do Código Penal.</p><p>1.19.3. Requisitos Objetivos</p><p>a) Natureza e quantidade da pena: art. 83, caput, CP:</p><p>Tal como ocorre com a suspensão condicional, somente a pena privativa de liberdade</p><p>pode ser objeto do livramento condicional. Esse instituto poderá ser concedido à pena privativa</p><p>de liberdade igual ou superior a dois anos (Art. 83 do CP). A soma das penas é permitida para</p><p>atingir esse limite mínimo, mesmo que tenham sido aplicadas em processos distintos.</p><p>a) Cumprimento de parte da pena: art. 83, incisos I, II e IV, CP:</p><p>Nos termos do artigo 83, incisos I e II, do Código Penal, o criminoso primário deve cumprir</p><p>mais de 1/3 da pena privativa de liberdade.</p><p>Assim também o reincidente, desde que não o seja em crime doloso. Para tanto, é</p><p>necessário que apresentem bons antecedentes.</p><p>Quando o condenado é reincidente em crime doloso, deve cumprir mais da metade da</p><p>pena. Por ausência de previsão legal, o agente primário portador de maus antecedentes deverá</p><p>cumprir 1/3 para o livramento condicional, já que o inciso restringe somente à hipótese de</p><p>reincidente em crime doloso (não é possível analogia in malam partem).</p><p>Tratando-se de condenado por prática de tortura, crime hediondo, tráfico ilícito de</p><p>entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, desde que não seja reincidente</p><p>específico em tais delitos, deve cumprir mais de 2/3 da pena (Art. 83, inciso V, do CP). Assim,</p><p>sendo reincidente específico não é admissível o livramento condicional. Há reincidência</p><p>específica, para efeito da disposição, quando o sujeito, já tendo sido condenado por qualquer</p><p>27</p><p>dos delitos hediondos ou demais por sentença transitada em julgado, vem novamente a cometer</p><p>um deles.</p><p>O Pacote Anticrime trouxe uma nova vedação para o livramento condicional no caso de</p><p>crimes hediondos ou equiparado com resultado morte não terá direito ao livramento condicional</p><p>(Art. 112, LEP). Registra-se que a restrição somente será aplicada para quem praticar delitos</p><p>desta natureza a partir da vigência do pacote. Do contrário estaríamos violando o artigo 5º, inciso</p><p>XL, da CF/88.</p><p>Há também a previsão do artigo 2º, §9º, da Lei nº 12.850/13 que em caso de manutenção</p><p>de vínculos com organização criminosa reconhecida expressamente na sentença como</p><p>integrante, não terá direito ao livramento condicional.</p><p>O artigo 84 do Código Penal reza que “as penas que correspondem a infrações diversas</p><p>devem somar-se para efeito do livramento”.</p><p>ATENÇÃO: Artigo 44 da Lei nº 11.343/06: Prazo para Livramento condicional –</p><p>Associação ao Tráfico não é delito equiparado a crime hediondo, porém conforme a lei de drogas</p><p>o prazo para obtenção de livramento condicional é de mais de 2/3.</p><p>1.19.4. Requisitos Subjetivos</p><p>Os requisitos subjetivos estão no artigo 83, incisos III e IV, sendo exigido o bom</p><p>comportamento carcerário atestado pelo diretor, por força do artigo 112, §1º, da Lei de Execução</p><p>Penal. Ressalta-se que com o pacote anticrime foi inserida a exigência de ausência de prática</p><p>de falta grave nos últimos 12 meses.</p><p>O exame criminológico poderá ser exigido, desde que devidamente fundamentada a</p><p>decisão que o determina (Súmula 439 do STJ: “Admite-se o exame criminológico pelas</p><p>peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada”).</p><p>No tocante ao requisito previsto no art. 83, III, b, do CP o STJ tem entendimento que se</p><p>trata de “pressuposto objetivo para a concessão de livramento condicional, e não limita a</p><p>valoração do requisito subjetivo, inclusive quanto a fatos anteriores à vigência do Pacote</p><p>Anticrime, de forma que somente haverá fundamento inválido quando consideradas faltas</p><p>disciplinares muito antigas” (Jurisprudência em Tese n. 184 – item 3).</p><p>28</p><p>1.20. Hipóteses de Revogação do Livramento Condicional</p><p>O livramento condicional poderá ser revogado por imposição legal ou por faculdade</p><p>judicial. Assim sendo, são duas hipóteses: a) revogação obrigatória; e b) revogação facultativa.</p><p>a) Revogação Obrigatória (art. 86 do CP): Ocorre quando o liberado vem a ser</p><p>condenado irrecorrivelmente à pena privativa de liberdade por crime praticado antes ou durante</p><p>o livramento condicional.</p><p>b) Revogação Facultativa (art. 87 do CP): O juiz poderá revogar o livramento condicional</p><p>se o liberado descumprir as condições do artigo 132 da Lei de Execução Penal ou vier a ser</p><p>condenado irrecorrivelmente por contravenção penal ou por crime cuja pena não seja privativa</p><p>de liberdade.</p><p>Os efeitos da revogação dependerão se o motivo ocorreu antes ou durante o período de</p><p>provas, ou seja, o período do livramento condicional, conforme os artigos 88 do Código Penal e</p><p>artigos 141 e 142, ambos da Lei de Execução Penal.</p><p>Frise-se: nos casos de revogação obrigatória em razão da superveniência de sentença</p><p>penal condenatória irrecorrível por crime praticado durante o</p><p>livramento condicional, a revogação</p><p>resulta na perda do período de provas e na perda do direito ao livramento condicional em relação</p><p>à condenação em que violou as regras da liberdade condicional. Caso o crime que gerou a</p><p>sentença irrecorrível tenha sido praticado antes do livramento condicional, computa-se na pena</p><p>o período de prova, período que esteve livre, podendo ser concedido novo livramento com a</p><p>soma das condenações.</p><p>1.21. Suspensão do Livramento Condicional</p><p>Conforme consta expresso no artigo 86 do Código Penal, somente revoga-se o</p><p>livramento condicional se sobrevier sentença penal condenatória transitada em julgado por crime</p><p>durante o período de prova, logo atente-se ao fato de ocorrer a suposta prática de crime durante</p><p>a liberdade condicional. Neste caso, não poderá haver revogação, e sim a suspensão do</p><p>livramento, nos termos do artigo 145 da Lei de Execução Penal.</p><p>A decisão sobre a revogação em si, bem como seus efeitos, ficará sujeita ao trânsito em</p><p>julgado referente ao novo fato.</p><p>29</p><p>1.22. Extinção do Livramento Condicional</p><p>O cumprimento do período de prova sem que haja a revogação resulta na extinção da</p><p>pena, nos termos do artigo 90 do Código Penal.</p><p>Em 2018, foi publicada a Súmula 617 do STJ que refere: “A ausência de suspensão ou</p><p>revogação do livramento condicional antes do término do período de prova enseja a extinção da</p><p>punibilidade pelo integral cumprimento da pena”.</p><p>1.23. Questões</p><p>1) QUESTÃO 3 – XXIX EXAME – 2019-02</p><p>Em patrulhamento de rotina, policiais militares receberam uma informação não identificada de</p><p>que Wesley, que estava parado em frente à padaria naquele momento, estaria envolvido com o</p><p>tráfico de drogas da localidade. Diante disso, os policiais identificaram e realizaram a abordagem</p><p>de Wesley, não sendo, em um primeiro momento, encontrado qualquer material ilícito com ele.</p><p>Diante da notícia recebida momentos antes da abordagem, porém, e considerando que o crime</p><p>de associação para o tráfico seria de natureza permanente, os policiais apreenderam o celular</p><p>de Wesley e, sem autorização, passaram a ter acesso às fotografias e conversas no WhatsApp,</p><p>sendo verificado que existiam fotos armazenadas de Wesley portando suposta arma de fogo,</p><p>bem como conversas sobre compra e venda de material entorpecente. Entendendo pela</p><p>existência de flagrante em relação ao crime permanente de associação para o tráfico, Wesley foi</p><p>encaminhado para a Delegacia, sendo lavrado auto de prisão em flagrante. Após liberdade</p><p>concedida em audiência de custódia, Wesley é denunciado como incurso nas sanções do Art.</p><p>35 da Lei nº 11.343/06. No curso da instrução, foram acostadas imagens das conversas de</p><p>Wesley via aplicativo a que os agentes da lei tiveram acesso, assim como das fotografias. Os</p><p>policiais foram ouvidos em audiência, ocasião em que confirmaram as circunstâncias do</p><p>flagrante. O réu exerceu seu direito ao silêncio. Com base nas fotografias acostadas, o juiz</p><p>competente julgou a pretensão punitiva do estado procedente, aplicando a pena mínima de 03</p><p>anos de reclusão, além de multa, e fixando o regime inicial fechado, já que o crime imputado</p><p>seria equiparado a hediondo. Ainda assim, substituiu a pena privativa de liberdade por restritiva</p><p>de direitos. Considerando as informações narradas, responda, na condição de advogado(a) de</p><p>Wesley, intimado(a) para apresentação de recurso de apelação.</p><p>30</p><p>A) Existe argumento a ser apresentado para questionar as provas utilizadas pelo</p><p>magistrado como fundamento para condenação? Justifique. (Valor: 0,65)</p><p>B) Mantida a condenação, qual o argumento a ser apresentado para questionar a sanção</p><p>penal aplicada? Justifique. (Valor: 0,60)</p><p>Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo</p><p>legal não confere pontuação.</p><p>2) QUESTÃO 2 – XVI EXAME – 2015-02</p><p>No dia 03/05/2008, Luan foi condenado à pena privativa de liberdade de 12 anos de reclusão</p><p>pela prática dos crimes previstos nos artigos 213 e 214 do Código Penal, na forma do Art. 69 do</p><p>mesmo diploma legal, pois, no dia 11/07/2007, por volta das 19h, constrangeu Carla, mediante</p><p>grave ameaça, a com ele praticar conjunção carnal e ato libidinoso diverso. Ainda cumprindo</p><p>pena em razão dessa sentença condenatória, Luan, conversando com outro preso, veio a saber</p><p>que ele havia sido condenado por fatos extremamente semelhantes a uma pena de 07 anos de</p><p>reclusão. Luan, então, pergunta o nome do advogado do colega de cela, que lhe fornece a</p><p>informação. Luan entra em contato pelo telefone indicado e pergunta se algo pode ser feito para</p><p>reduzir sua pena, apesar de sua decisão ter transitado em julgado. Diante dessa situação,</p><p>responda aos itens a seguir.</p><p>A) Qual a tese de direito material que poderia ser suscitada pelo novo advogado em favor</p><p>de Luan? (Valor: 0,65)</p><p>B) A pretensão deverá ser manejada perante qual órgão? (Valor: 0,60)</p><p>Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo</p><p>legal não confere pontuação</p><p>3) QUESTÃO 2 – XIII EXAME – 2015-02</p><p>Jeremias foi preso em flagrante, no Aeroporto Internacional de Arroizinhos, quando tentava viajar</p><p>para Madri, Espanha, transportando três tabletes de cocaína. Quando já havia embarcado na</p><p>aeronave, foi "convidado" por Agentes da Polícia Federal a se retirar do avião e acompanhá-los</p><p>até o local onde se encontravam as bagagens. Lá chegando, foi solicitado a Jeremias que</p><p>reconhecesse e abrisse sua bagagem, na qual foram encontrados, dentro da capa que</p><p>acondicionava suas pranchas de surf, três tabletes de cocaína. Por essa razão, Jeremias foi</p><p>processado e, ao final, condenado pela Justiça Federal de Arroizinhos por tráfico internacional</p><p>31</p><p>de entorpecentes. Após o trânsito em julgado da sentença condenatória, foi expedido o mandado</p><p>de prisão e Jeremias foi recolhido ao estabelecimento prisional sujeito à administração estadual,</p><p>já que em Arroizinhos não há estabelecimento prisional federal. Transcorrido o prazo legal e,</p><p>tendo em vista que Jeremias preenchia os demais requisitos previstos na legislação, seu</p><p>advogado deseja requerer a mudança para regime prisional menos severo. Responda de forma</p><p>fundamentada, de acordo com a jurisprudência sumulada dos Tribunais Superiores:</p><p>Qual Justiça é competente para processar e julgar o pedido de Jeremias? (Valor: 1,25)</p><p>Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação ou</p><p>transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.</p><p>4) QUESTÃO 4 – XII EXAME – 2013-03</p><p>Marcos, jovem inimputável conforme o Art. 26 do CP, foi denunciado pela prática de determinado</p><p>crime. Após o regular andamento do feito, o magistrado entendeu por bem aplicar medida de</p><p>segurança consistente em internação em hospital psiquiátrico por período mínimo de 03 (três)</p><p>anos. Após o cumprimento do período supramencionado, o advogado de Marcos requer ao juízo</p><p>de execução que seja realizado o exame de cessação de periculosidade, requerimento que foi</p><p>deferido. É realizada uma rigorosa perícia, e os experts atestam a cura do internado, opinando,</p><p>consequentemente, por sua desinternação. O magistrado então, baseando-se no exame pericial</p><p>realizado por médicos psiquiatras, exara sentença determinando a desinternação de Marcos. O</p><p>Parquet, devidamente intimado da sentença proferida pelo juízo da execução, interpõe o recurso</p><p>cabível na espécie. A partir do caso apresentado, responda, fundamentadamente, aos itens a</p><p>seguir.</p><p>A) Qual o recurso cabível da sentença proferida pelo magistrado determinando a</p><p>desinternação de Marcos? (Valor: 0,75)</p><p>B) Qual o prazo para interposição desse recurso? (Valor: 0,25)</p><p>C) A interposição desse recurso suspende ou não a eficácia da sentença proferida pelo</p><p>magistrado? (Valor: 0,25)</p><p>Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal</p><p>não confere pontuação</p><p>32</p><p>5) QUESTÃO 1 – XI EXAME – 2013-02</p><p>O Juiz da Vara</p><p>de Execuções Penais da Comarca “Y” converteu a medida restritiva de direitos</p><p>(que fora imposta em substituição à pena privativa de liberdade) em cumprimento de pena</p><p>privativa de liberdade imposta no regime inicial aberto, sem fixar quaisquer outras condições. O</p><p>Ministério Público, inconformado, interpôs recurso alegando, em síntese, que a decisão do</p><p>referido Juiz da Vara de Execuções Penais acarretava o abrandamento da pena, estimulando o</p><p>descumprimento das penas alternativas ao cárcere. O recurso, devidamente contra-arrazoado,</p><p>foi submetido a julgamento pela Corte Estadual, a qual, de forma unânime, resolveu lhe dar</p><p>provimento. A referida Corte fixou como condição especial ao cumprimento de pena no regime</p><p>aberto, com base no Art. 115 da LEP, a prestação de serviços à comunidade, o que deveria</p><p>perdurar por todo o tempo da pena a ser cumprida no regime menos gravoso. Atento ao caso</p><p>narrado e considerando apenas os dados contidos no enunciado, responda,</p><p>fundamentadamente, aos itens a seguir.</p><p>A) Qual foi o recurso interposto pelo Ministério Público contra a decisão do Juiz da Vara</p><p>de Execuções Penais? (Valor: 0,50)</p><p>B) Está correta a decisão da Corte Estadual, levando-se em conta entendimento</p><p>jurisprudencial sumulado? (Valor: 0,75)</p><p>Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal</p><p>não confere pontuação</p><p>33</p><p>Padrão Resposta</p><p>34</p><p>1) QUESTÃO 3 – XXIX EXAME – 2019-02</p><p>Em patrulhamento de rotina, policiais militares receberam uma informação não identificada de</p><p>que Wesley, que estava parado em frente à padaria naquele momento, estaria envolvido com o</p><p>tráfico de drogas da localidade. Diante disso, os policiais identificaram e realizaram a abordagem</p><p>de Wesley, não sendo, em um primeiro momento, encontrado qualquer material ilícito com ele.</p><p>Diante da notícia recebida momentos antes da abordagem, porém, e considerando que o crime</p><p>de associação para o tráfico seria de natureza permanente, os policiais apreenderam o celular</p><p>de Wesley e, sem autorização, passaram a ter acesso às fotografias e conversas no WhatsApp,</p><p>sendo verificado que existiam fotos armazenadas de Wesley portando suposta arma de fogo,</p><p>bem como conversas sobre compra e venda de material entorpecente. Entendendo pela</p><p>existência de flagrante em relação ao crime permanente de associação para o tráfico, Wesley foi</p><p>encaminhado para a Delegacia, sendo lavrado auto de prisão em flagrante. Após liberdade</p><p>concedida em audiência de custódia, Wesley é denunciado como incurso nas sanções do Art.</p><p>35 da Lei nº 11.343/06. No curso da instrução, foram acostadas imagens das conversas de</p><p>Wesley via aplicativo a que os agentes da lei tiveram acesso, assim como das fotografias. Os</p><p>policiais foram ouvidos em audiência, ocasião em que confirmaram as circunstâncias do</p><p>flagrante. O réu exerceu seu direito ao silêncio. Com base nas fotografias acostadas, o juiz</p><p>competente julgou a pretensão punitiva do estado procedente, aplicando a pena mínima de 03</p><p>anos de reclusão, além de multa, e fixando o regime inicial fechado, já que o crime imputado</p><p>seria equiparado a hediondo. Ainda assim, substituiu a pena privativa de liberdade por restritiva</p><p>de direitos. Considerando as informações narradas, responda, na condição de advogado(a) de</p><p>Wesley, intimado(a) para apresentação de recurso de apelação.</p><p>A) Existe argumento a ser apresentado para questionar as provas utilizadas pelo</p><p>magistrado como fundamento para condenação? Justifique. (Valor: 0,65)</p><p>B) Mantida a condenação, qual o argumento a ser apresentado para questionar a sanção</p><p>penal aplicada? Justifique. (Valor: 0,60)</p><p>Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo</p><p>legal não confere pontuação.</p><p>Gabarito comentado</p><p>A) Sim, o argumento a ser apresentado para questionar as provas utilizados pelo Magistrado é</p><p>de que se trata de provas ilícitas. Isso porque foram obtidas sem autorização judicial para quebra</p><p>35</p><p>de sigilo de dados e sem autorização de Wesley para acesso ao conteúdo de seu celular,</p><p>violando ao direito à intimidade, privacidade e vida privada, previsto no artigo 5º, inciso X, da</p><p>CRFB. Logo, as provas ilícitas devem ser desentranhadas dos autos, nos termos do artigo 157</p><p>do CPP.</p><p>B) O argumento a ser prestado para questionar a sanção penal aplicada é de que o crime de</p><p>associação para o tráfico não é delito equiparado ao hediondo, pois não está previsto no rol</p><p>taxativo do artigo 1º da Lei 8.072/90, não cabendo analogia in malam partem, em respeito ao</p><p>princípio da legalidade.</p><p>Além disso, o artigo 2º, § 1º, da Lei 8072/90 foi declarado inconstitucional pelo STF, por violação</p><p>ao princípio da individualização da pena, previsto no artigo 5º, XLVI, da CRFB;</p><p>Assim, poderá ser aplicado o regime aberto.</p><p>2) QUESTÃO 2 – XVI EXAME – 2015-02</p><p>No dia 03/05/2008, Luan foi condenado à pena privativa de liberdade de 12 anos de reclusão</p><p>pela prática dos crimes previstos nos artigos 213 e 214 do Código Penal, na forma do Art. 69 do</p><p>mesmo diploma legal, pois, no dia 11/07/2007, por volta das 19h, constrangeu Carla, mediante</p><p>grave ameaça, a com ele praticar conjunção carnal e ato libidinoso diverso. Ainda cumprindo</p><p>pena em razão dessa sentença condenatória, Luan, conversando com outro preso, veio a saber</p><p>que ele havia sido condenado por fatos extremamente semelhantes a uma pena de 07 anos de</p><p>reclusão. Luan, então, pergunta o nome do advogado do colega de cela, que lhe fornece a</p><p>informação. Luan entra em contato pelo telefone indicado e pergunta se algo pode ser feito para</p><p>reduzir sua pena, apesar de sua decisão ter transitado em julgado. Diante dessa situação,</p><p>responda aos itens a seguir.</p><p>A) Qual a tese de direito material que poderia ser suscitada pelo novo advogado em favor</p><p>de Luan? (Valor: 0,65)</p><p>B) A pretensão deverá ser manejada perante qual órgão? (Valor: 0,60)</p><p>Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo</p><p>legal não confere pontuação.</p><p>Gabarito comentado</p><p>36</p><p>A) A tese de direito material que poderia ser suscitada pelo novo advogado em favor de Luan</p><p>seria a aplicação do princípio da retroatividade da lei mais benéfica, previsto no artigo 2º,</p><p>parágrafo único, do Código Penal. Isso porque a Lei 12015/2009 passou a prever que a conduta</p><p>prevista no artigo 214 do Código Penal passou a integrar o artigo 213 do Código Penal,</p><p>passando, portanto, ser crime único, devendo ser redimensionada a pena.</p><p>B) O órgão competente perante o qual deverá ser formulado o pedido de aplicação da lei mais</p><p>benigna e, consequentemente, da redução da pena é o juízo da Vara de Execuções Penais,</p><p>considerando que já ocorreu o trânsito em julgado da sentença condenatória, na forma da</p><p>Súmula 611 do STF ou do Art. 66, inciso I, da LEP.</p><p>3) QUESTÃO 2 – XIII EXAME – 2015-02</p><p>Jeremias foi preso em flagrante, no Aeroporto Internacional de Arroizinhos, quando tentava viajar</p><p>para Madri, Espanha, transportando três tabletes de cocaína. Quando já havia embarcado na</p><p>aeronave, foi "convidado" por Agentes da Polícia Federal a se retirar do avião e acompanhá-los</p><p>até o local onde se encontravam as bagagens. Lá chegando, foi solicitado a Jeremias que</p><p>reconhecesse e abrisse sua bagagem, na qual foram encontrados, dentro da capa que</p><p>acondicionava suas pranchas de surf, três tabletes de cocaína. Por essa razão, Jeremias foi</p><p>processado e, ao final, condenado pela Justiça Federal de Arroizinhos por tráfico internacional</p><p>de entorpecentes. Após o trânsito em julgado da sentença condenatória, foi expedido o mandado</p><p>de prisão e Jeremias foi recolhido ao estabelecimento prisional sujeito à administração estadual,</p><p>já que em Arroizinhos não há estabelecimento prisional federal. Transcorrido o prazo legal e,</p><p>tendo em vista que Jeremias</p>

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