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<p>1</p><p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 A SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL ................................................................ 5</p><p>2 SURGIMENTO DO SUS ............................................................................. 7</p><p>2.1 Universalidade ...................................................................................... 9</p><p>2.2 Integralidade ....................................................................................... 10</p><p>2.3 Equidade ............................................................................................ 11</p><p>2.4 Princípios organizativos ...................................................................... 12</p><p>3 AVANÇOS E DESAFIOS DO SUS ........................................................... 15</p><p>3.1 Descentralização da gestão do SUS .................................................. 15</p><p>3.2 Arranjo institucional e processo decisório do SUS ............................. 16</p><p>3.3 Regionalização da assistência à saúde.............................................. 16</p><p>3.4 Espaços de governança do SUS ........................................................ 17</p><p>3.5 Recursos financeiros .......................................................................... 18</p><p>3.6 Responsabilidades dos entes que compõem o SUS .......................... 19</p><p>3.7 Estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) ..................................... 20</p><p>3.8 VIII Conferência Nacional de Saúde e o SUS .................................... 22</p><p>4 Legislação Básica do SUS ........................................................................ 23</p><p>4.1 Lei orgânica da saúde ........................................................................ 23</p><p>4.2 NOB — Normas Operacionais Básicas .............................................. 23</p><p>6 DIREITOS E DEVERES DOS USUÁRIOS DO SUS ................................ 25</p><p>6.1 Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde ......................................... 26</p><p>7 SERVIÇOS E ATENDIMENTOS DO SUS ................................................ 31</p><p>7.1 Estratégia Saúde da Família — ESF .................................................. 32</p><p>7.2 Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) .................................... 33</p><p>3</p><p>7.3 Programa Nacional de Imunização — PNI ......................................... 34</p><p>7.4 Humaniza SUS ................................................................................... 37</p><p>7.5 Serviço de atenção domiciliar — melhor em casa .............................. 39</p><p>7.6 Força Nacional do Sistema Único de Saúde ...................................... 40</p><p>7.7 Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção</p><p>Básica (PMAQ) ...................................................................................................... 41</p><p>7.8 Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB) ......................................... 42</p><p>7.9 Farmácia popular ............................................................................... 43</p><p>7.10 Programa Nacional de Segurança do paciente (PNSP) .................. 44</p><p>7.11 Rede cegonha ................................................................................. 47</p><p>7.12 Caderneta da gestante .................................................................... 48</p><p>8 Rede de Atenção Psicossocial — RAPS .................................................. 49</p><p>9 REDE DE BANCOS DE LEITE HUMANO .............................................. 51</p><p>10 Serviço de atendimento móvel de urgência (SAMU) ................................ 52</p><p>10.1 Rede de atenção às urgências e emergências ............................... 53</p><p>10.2 Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h).................................... 54</p><p>11 Programa Nacional de Controle do Tabagismo — PNCT ......................... 55</p><p>12 Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública ............................... 57</p><p>12.1 Biossegurança laboratorial .............................................................. 57</p><p>12.2 Sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL) ................... 58</p><p>13 Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) .................................................. 58</p><p>14 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE — SIS .................................. 59</p><p>14.1 DATASUS — Departamento de informática do SUS. ..................... 60</p><p>14.2 Principais sistemas do DATASUS ................................................... 61</p><p>14.3 Sistema de Informações de Nascidos Vivos — SINASC ................ 62</p><p>14.3.1 Benefícios ........................................................................................ 62</p><p>14.3.2 Funcionalidades ....................................................................... 62</p><p>4</p><p>14.4 Sistema de Informação de Agravos de Notificação — SINAN ........ 63</p><p>14.5 Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações -SI-</p><p>PNI 64</p><p>14.6 Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS — SIA .................. 65</p><p>14.7 Sistema de Informações Hospitalares do SUS — SIH .................... 66</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 67</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro — quase improvável — um</p><p>aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta, para ser esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse</p><p>aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta.</p><p>No espaço virtual, é o mesmo. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser</p><p>direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que</p><p>lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>5</p><p>1 A SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL</p><p>Durante o período colonial e imperial no Brasil, que abrangeu aproximadamente</p><p>389 anos, houve uma notável ausência de iniciativas relacionadas à saúde pública. A</p><p>inexistência de políticas públicas estruturadas e a ausência de estabelecimentos de</p><p>assistência médica eram evidentes. Além disso, o acesso ao tratamento e à</p><p>assistência médica estava fortemente condicionado à posição social: os nobres e</p><p>colonos brancos, que detinham propriedades e posses, desfrutavam de maior acesso</p><p>aos médicos e medicamentos da época, aumentaram suas chances de sobrevivência.</p><p>Enquanto isso, os menos privilegiados, como os pobres e escravos, enfrentavam</p><p>condições de vida extremamente precárias e tinham poucas chances de sobreviver</p><p>às doenças que assolavam a região (MERELES, 2018).</p><p>Nesse contexto colonial, os recursos alocados no Brasil foram direcionados</p><p>principalmente para melhorias estruturais mínimas, destinadas a facilitar o</p><p>escoamento da matéria-prima explorada na colônia. Não havia um interesse genuíno</p><p>em investir na melhoria das condições de vida da maioria da população, composta</p><p>majoritariamente por indígenas, senhores e escravos. Durante esse período,</p><p>epidemias de doenças transmissíveis, como malária (1549), varíola (1561),</p><p>hanseníase e febre-amarela (1680), que foram trazidas pelos colonizadores e</p><p>aventureiros envolvidos no comércio de escravos, eram recorrentes (ORDONEZ,</p><p>2017).</p><p>A chegada da Família Real portuguesa ao Brasil em 1808 marcou o início de</p><p>uma mudança significativa na paisagem da saúde pública. O objetivo da Família Real</p><p>era modernizar o Brasil, que o aproximou mais da realidade vívida em Portugal. Uma</p><p>das primeiras medidas tomadas foi a criação</p><p>destaca-se a falta de preparação dos</p><p>profissionais de saúde para adotar uma abordagem integral no atendimento,</p><p>considerar a pessoa na totalidade, abranger aspectos emocionais, sociais e</p><p>biológicos. Muitas vezes, os pacientes são atendidos sem que haja um olhar gentil por</p><p>parte dos profissionais. Isso levanta a questão de como é possível estabelecer um</p><p>vínculo quando o paciente não se sente realmente visto. Por outro lado, alguns</p><p>profissionais tendem a focar apenas nos aspectos sociais e psicológicos,</p><p>desconsidera a presença de doenças biológicas. Encontrar um equilíbrio entre essas</p><p>duas perspectivas é um desafio significativo, mas factível.</p><p>Para garantir que uma população seja reconhecida e valorizada como parte</p><p>ativa do processo de saúde-doença, é necessário promover uma maior</p><p>corresponsabilidade entre gestores, profissionais de saúde e a comunidade. Além</p><p>disso, é fundamental consideração e respeito à diversidade cultural do Brasil, entre</p><p>outras medidas.</p><p>Nesse contexto, a Política Nacional de Humanização (PNH) foi desenvolvida</p><p>não apenas para transformar a interação entre profissionais de saúde e a população,</p><p>mas também para promover uma abordagem humanizada entre os próprios</p><p>profissionais e serviços de saúde. A humanização deve ser um elemento presente em</p><p>toda a Rede de Atenção à Saúde (RAS), desde a gestão dos serviços até as situações</p><p>de cuidado prestado à população. Para esse objetivo, as diretrizes específicas da PNH</p><p>são:</p><p>➢ Clínica ampliada: uma estratégia de cuidado que foca a participação de</p><p>profissionais de diferentes áreas, colabora para a construção de uma</p><p>assistência integral, incorpora perspectivas e conhecimentos de diversas</p><p>profissões.</p><p>➢ Cogestão: envolve uma maior participação de trabalhadores e usuários nos</p><p>processos de gestão dos serviços de saúde, com tomada de decisões</p><p>compartilhadas, em vez de se concentrar apenas na figura do gestor ou</p><p>gerente.</p><p>37</p><p>➢ Acolhimento: a prática da escuta ativa, alinhada com as diretrizes da PNAB</p><p>(Política Nacional de Atenção Básica).</p><p>➢ Valorização do trabalho e do trabalhador da saúde.</p><p>➢ Promoção de grupos, coletivos e redes, incentiva a construção coletiva da</p><p>saúde e fortalece tanto as redes informais de apoio à comunidade quanto as</p><p>redes formais já existentes.</p><p>7.4 Humaniza SUS</p><p>A Política Nacional de Humanização (PNH), uma política abrangente do</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS) que abrange diversas ações, políticas públicas e</p><p>órgãos gestores, foi estabelecida em 2003 com o objetivo de efetivar os princípios do</p><p>SUS nas práticas de atenção e gestão, melhora assim a qualidade da saúde pública</p><p>no Brasil.</p><p>A PNH está ligada à Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde</p><p>(SAS) e dispõe de uma equipe técnica baseada em Brasília (DF), que oferece suporte</p><p>técnico para as áreas locais por meio das Secretarias Estaduais de Saúde, auxilia na</p><p>implementação dos projetos da PNH. Esses projetos incluem a análise de desafios e</p><p>problemas, para promover mudanças no modelo de atenção e gestão, sempre focar</p><p>nas necessidades dos cidadãos, na produção de saúde e nos processos de trabalho</p><p>em saúde. Isso envolve uma valorização dos profissionais de saúde e das relações</p><p>sociais no ambiente de trabalho.</p><p>A PNH enfatiza a valorização de todos os envolvidos no processo de produção</p><p>de saúde, inclui usuários, profissionais de saúde e gestores. Promover a autonomia e</p><p>o protagonismo desses atores e grupos, busca aumentar a corresponsabilidade,</p><p>humanizar a gestão e envolver os trabalhadores nos processos de tomada de decisão.</p><p>Além disso, a PNH incentiva o estabelecimento de vínculos solidários na produção de</p><p>saúde em rede.</p><p>Estrutura da PNH:</p><p>➢ Princípios</p><p>➢ Método</p><p>38</p><p>➢ Diretrizes</p><p>➢ Dispositivos</p><p>Princípios:</p><p>➢ Transversalidade: A Política Nacional de Humanização (PNH) deve se fazer</p><p>presente e estar inserida em todas as políticas e programas do SUS. A PNH</p><p>transformará as relações de trabalho a partir da ampliação do grau de contato</p><p>e da comunicação entre as pessoas e grupos, tiran-os do isolamento e das</p><p>relações de poder hierarquizadas. Transversalizar é reconhecer que as</p><p>diferentes especialidades e práticas de saúde estão conectadas na produção</p><p>do cuidado e podem conversar com a experiência daquele que é assistido.</p><p>Juntos, esses saberes podem produzir saúde de forma corresponsável. A</p><p>política é transversal porque se baseia em método e modo de fazer, assume</p><p>uma função meio para qualificação do SUS. Desta forma, se aplica às demais</p><p>políticas, práticas e espaços do SUS, uma vez que não se identifica</p><p>especificamente a nenhum objeto em si e sim a todo o SUS.</p><p>➢ Indissociabilidade entre atenção e gestão: As decisões da gestão interferem</p><p>diretamente na atenção à saúde. Por isso, trabalhadores e usuários devem</p><p>buscar conhecer como funciona a gestão dos serviços e da rede de saúde,</p><p>assim como participar ativamente do processo de tomada de decisão nas</p><p>organizações de saúde e nas ações de saúde coletiva. Ao mesmo tempo, o</p><p>cuidado e a assistência em saúde não se restringem às responsabilidades da</p><p>equipe de saúde. O usuário e sua rede sócio familiar devem também</p><p>corresponsabilizar-se pelo cuidado de si nos tratamentos, assumir posição</p><p>protagonista com relação a sua saúde e a daqueles que lhes são caros. A</p><p>gestão precisa estar em sintonia e coerência com a atenção, assim como a</p><p>atenção necessita corresponder na prática à proposta da gestão. De certa</p><p>forma, além da corresponsabilização implicada na prática de processos</p><p>cogeridos, todos devem fazer gestão de sua própria prática.</p><p>➢ Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e dos</p><p>coletivos: qualquer mudança na gestão e atenção é mais concreta se</p><p>construída com a vontade das pessoas envolvidas, as quais compartilham</p><p>39</p><p>responsabilidades. Os usuários dos serviços de saúde não são só pacientes,</p><p>os trabalhadores não só cumprem ordens: as mudanças acontecem com o</p><p>reconhecimento das diversas faces do papel de cada um. Um SUS humanizado</p><p>reconhece cada pessoa como legítima cidadã de direitos e valoriza e incentiva</p><p>sua atuação na produção de saúde.</p><p>7.5 Serviço de atenção domiciliar — melhor em casa</p><p>A atenção domiciliar (AD) constitui uma modalidade de assistência à saúde</p><p>prestada no próprio domicílio do paciente, caracterizada por um conjunto de</p><p>intervenções que engloba promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e</p><p>reabilitação. Essa forma de atendimento garante a continuidade dos cuidados de</p><p>saúde e está integrada à Rede de Atenção à Saúde. No âmbito do Sistema Único de</p><p>Saúde (SUS), a AD é oferecida conforme a necessidade de cada paciente e envolve</p><p>diferentes equipes de profissionais de saúde.</p><p>O serviço conhecido como “Melhor em Casa” destina-se a indivíduos que</p><p>enfrentam dificuldades temporárias ou permanentes para deslocar-se até uma</p><p>unidade de saúde, bem como aqueles que se encontram em situações em que a</p><p>atenção domiciliar é a opção mais adequada para o seu tratamento. A atenção</p><p>domiciliar procura proporcionar aos pacientes um cuidado que se aproxime da rotina</p><p>familiar, reduzir hospitalizações ocasionais, minimizar riscos de infecções e permitir</p><p>que o paciente permaneça no conforto de sua residência.</p><p>Para casos que exigem visitas regulares, equipes específicas de atenção</p><p>domiciliar, como os integrantes do Programa “Melhor em Casa”, são designadas para</p><p>prestar assistência. Essas equipes são multidisciplinares e, em sua maioria,</p><p>compostas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e profissionais de</p><p>fisioterapia ou assistentes sociais.</p><p>Benefícios do melhor em casa</p><p>➢ Aprimorar e ampliar os serviços de assistência do Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS) destinados a pacientes com problemas de saúde, possibilitar o acesso</p><p>40</p><p>a um cuidado humanizado no ambiente domiciliar, próximo à convivência</p><p>familiar.</p><p>➢ Pesquisas demonstram que o bem-estar,</p><p>o afeto e a atenção oferecidos pela</p><p>família, aliados a uma assistência de saúde adequada, são elementos</p><p>essenciais para a recuperação de enfermidades.</p><p>➢ Pacientes que passaram por procedimentos cirúrgicos e normais no período de</p><p>recuperação, quando recebem cuidados em seu próprio domicílio, apresentam</p><p>uma redução significativa dos riscos relacionados à contaminação e infecção.</p><p>➢ O programa “Melhor em Casa” representa um avanço na gestão do sistema</p><p>público de saúde todo, contribui para a desocupação de leitos hospitalares e,</p><p>consequentemente, melhora o atendimento e a regulação dos serviços de</p><p>urgência nos hospitais.</p><p>7.6 Força Nacional do Sistema Único de Saúde</p><p>O programa de cooperação conhecido como Força Nacional do Sistema Único</p><p>de Saúde (FN-SUS), previsto em novembro de 2011, tem como finalidade a execução</p><p>de ações preventivas, assistenciais e repressivas em cenários de emergências</p><p>epidemiológicas, desastres naturais ou situações de desamparo à população, quando</p><p>a capacidade de resposta das esferas estaduais ou municipais estiver esgotada.</p><p>Desde a sua criação, a Força Nacional do SUS já converteu mais de quatro</p><p>missões de apoio em diversas situações, tais como desastres naturais, eventos de</p><p>grande magnitude, assistência a migrantes haitianos e atendimento a comunidades</p><p>indígenas, além de atuar em situações de tragédias, como o incêndio ocorrido em um</p><p>barco em Santa Maria/RS.</p><p>A Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) refere-se a</p><p>uma situação que exige a aplicação imediata de medidas para prevenir, controlar e</p><p>conter riscos, danos e ameaças à saúde pública. Isso ocorre em situações como:</p><p>a) Situações epidemiológicas: Surtos e epidemias que:</p><p>➢ Apresentem risco de disseminação nacional;</p><p>➢ Sejam produzidos por agentes infecciosos inesperados</p><p>41</p><p>➢ Representem a reintrodução de doença erradicada;</p><p>➢ Apresentem gravidade elevada; ou</p><p>➢ Extrapolem a capacidade de resposta da direção estadual do Sistema Único</p><p>de Saúde;</p><p>b) Situação de desastre: evento que configure emergência ou estado de</p><p>calamidade pública reconhecido pelo Poder Executivo federal nos termos da Lei n.º</p><p>12.340, de 1º de dezembro de 2010, e que implique atuação direta na área de saúde</p><p>pública.</p><p>c) Situação de desassistência à população: evento que, devidamente</p><p>reconhecido mediante a decretação de emergência ou calamidade pública pelo ente</p><p>federado afetado, coloque em risco a saúde dos cidadãos por incapacidade ou</p><p>insuficiência de atendimento à demanda e que extrapolem a capacidade de resposta</p><p>das direções estadual, distrital e municipal do SUS. (BRASIL,2020).</p><p>7.7 Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção</p><p>Básica (PMAQ)</p><p>O Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-</p><p>AB) visa estimular os gestores e as equipes de saúde a melhorar a qualidade dos</p><p>serviços de saúde prestados à população de suas respectivas áreas de atuação. Para</p><p>atingir esse objetivo, o programa propõe um conjunto de estratégias destinadas a</p><p>aperfeiçoar, monitorar e avaliar o desempenho das equipes de saúde.</p><p>O PMAQ-AB prevê o aumento da alocação de recursos financeiros do governo</p><p>federal para os municípios participantes que demonstram melhorias no padrão de</p><p>qualidade da assistência prestada. Lançado em 2011, o programa entrou em seu</p><p>terceiro ciclo em 2015, envolveu todas as equipes de saúde que atuam na Atenção</p><p>Básica, incluiu aquelas relacionadas à Saúde da Família e à Saúde Bucal, bem como</p><p>os Núcleos de Apoio à Saúde da Família e os Centros de Especialidades</p><p>Odontológicas que atendem segundo as diretrizes do Programa Nacional de Atenção</p><p>Básica (PNAB).</p><p>42</p><p>7.8 Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB)</p><p>O acesso da população brasileira aos serviços de saúde bucal tem registrado</p><p>incremento desde o ano de 2003, quando foi instituído o Programa Brasil Sorridente.</p><p>Integrado a Política Nacional de Saúde Bucal, essa iniciativa do governo federal</p><p>engloba diversas medidas destinadas a garantir a execução de ações externas para</p><p>a promoção, prevenção e reabilitação da saúde bucal dos cidadãos do país, conforme</p><p>ilustrado na figura 2.</p><p>Figura 2 – Programa Brasil Sorridente</p><p>Fonte: https://brasilsorridente.com.br/</p><p>O Brasil Sorridente visa principal reestruturar a abordagem e aprimorar os</p><p>serviços e ações relacionadas à saúde bucal, engloba iniciativas direcionadas a</p><p>indivíduos de todas as faixas etárias. O programa visa ampliar o acesso gratuito ao</p><p>tratamento odontológico por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>Dentre as estratégias do Brasil Sorridente, destaca-se a reorganização da</p><p>Atenção Básica em Saúde Bucal, que envolve a implementação de equipes de Saúde</p><p>Bucal na Estratégia Saúde da Família, a melhoria e expansão dos serviços</p><p>especializados, insere a criação de Centros de Especialidades Odontológicas e</p><p>Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias, além da adição de flúor nas estações</p><p>43</p><p>de tratamento de água para abastecimento público. O programa também abrange o</p><p>Brasil Sorridente Indígena e está interligado com outras iniciativas do Ministério da</p><p>Saúde, o que contribui para compreender sua abrangência e impacto.</p><p>Como cuidar da saúde bucal no SUS</p><p>A entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) é feita por meio das Unidades</p><p>Básicas de Saúde (UBS) ou por meio das equipes de saúde. A Atenção Básica</p><p>assume a responsabilidade pelo atendimento inicial dos pacientes e pela referência</p><p>aos serviços especializados somente em situações de maior complexidade (BRASIL,</p><p>2020).</p><p>7.9 Farmácia popular</p><p>O Programa Farmácia Popular do Brasil tem como um de seus principais</p><p>objetivos ampliar o acesso da população a medicamentos básicos e essenciais,</p><p>reduzir o impacto dos preços dos remédios no orçamento das famílias. De acordo com</p><p>dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de instituições brasileiras, as</p><p>famílias de baixa renda destinam dois terços de seus gastos com saúde à compra de</p><p>medicamentos.</p><p>O Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais</p><p>de Saúde, trabalha constantemente para aumentar os recursos destinados à</p><p>aquisição de medicamentos distribuídos gratuitamente na rede pública de saúde.</p><p>Além disso, um levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Secretários</p><p>Estaduais de Saúde (Conass) revelou que mais de 50% dos brasileiros interromperam</p><p>seus tratamentos médicos devido à falta de recursos para adquirir os medicamentos</p><p>necessários.</p><p>O Programa Farmácia Popular estabelece parcerias com prefeituras, governos</p><p>estaduais e organizações públicas ou privadas sem fins lucrativos ligadas à</p><p>assistência à saúde. Seus objetivos específicos e como é implementado destacam a</p><p>importância da colaboração entre várias esferas de governo e diferentes atores da</p><p>sociedade para enfrentar o desafio do complexo social de garantir a assistência</p><p>farmacêutica a toda a população do país. A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ),</p><p>44</p><p>responsável pela operacionalização do programa, exerce na coordenação da</p><p>estruturação das unidades, aquisição de medicamentos, abastecimento das farmácias</p><p>e capacitação dos profissionais, garante sua integração contínua e segurança nos</p><p>sistemas de saúde locais.</p><p>A priorização da aquisição de medicamentos por meio de laboratórios</p><p>farmacêuticos públicos serve como estímulo à produção desses medicamentos. O</p><p>Programa Farmácia Popular do Brasil está alinhado com as prioridades do governo</p><p>em atender às necessidades de saúde da população brasileira.</p><p>7.10 Programa Nacional de Segurança do paciente (PNSP)</p><p>O Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), previsto por meio da</p><p>Portaria GM/MS n.º 529/2013, visa contribuir para a melhoria da qualidade dos</p><p>cuidados de saúde prestados em todos os estabelecimentos de saúde do país.</p><p>Os incidentes relacionados aos cuidados de saúde, particularmente os eventos</p><p>adversos, que são incidentes resultantes</p><p>em danos ao paciente, representam um</p><p>fardo significativo em termos de morbidade e mortalidade em sistemas de saúde. A</p><p>Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou preocupação com essa situação e</p><p>criou a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente com o intuito de unificar</p><p>conceitos e definições relacionadas à segurança do mesmo e propor medidas para</p><p>mitigar riscos e reduzir eventos adversos.</p><p>As ações do PNSP estão em consonância com os objetivos da Aliança Mundial</p><p>pela Segurança do Paciente e são alinhadas com outras políticas de saúde, buscam</p><p>fortalecer os cuidados em redes de atenção à saúde.</p><p>A RDC/Anvisa n.º 36/2013 estabelece medidas para a segurança do paciente</p><p>nos serviços de saúde, inclui a criação dos Núcleos de Segurança do Paciente, a</p><p>obrigatoriedade de notificação de eventos adversos e a elaboração de Planos de</p><p>Segurança do Paciente.</p><p>Para a implementação das ações de segurança do paciente, são utilizados</p><p>protocolos básicos, os quais são regulamentados pelas Portarias GM/MS n.º 1.377,</p><p>de 9 de julho de 2013, e n.º 2.095, de 24 de setembro de 2013. Programa Nacional</p><p>de Triagem Neonatal</p><p>45</p><p>O Programa Nacional de Triagem Neonatal é uma iniciativa que abrange</p><p>diversas áreas e políticas do sistema de saúde, como Sangue e Hemoderivados,</p><p>Saúde da Criança e Saúde da Pessoa com Deficiência, além de estar relacionado</p><p>com as Redes Temáticas do SUS, como a Rede Cegonha e a Rede de Cuidados à</p><p>Pessoa com Deficiência.</p><p>Conforme descrito na cartilha do Ministério da Saúde, a missão desse</p><p>programa é “promover, implementar e coordenar as ações de Triagem Neonatal no</p><p>âmbito do SUS, para garantir o acesso universal, integral e equitativo, concentrar</p><p>esforços na prevenção, detecção precoce e acompanhamento contínuo das pessoas</p><p>com as doenças abrangidas pelo Programa”.</p><p>O objetivo principal do programa é identificar precocemente distúrbios e</p><p>doenças em recém-nascidos, permitir instruções específicas e garantir tratamento e</p><p>acompanhamento contínuo para aqueles com diagnóstico positivo. Isso visa reduzir a</p><p>morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas por essas</p><p>condições.</p><p>Programa Saúde na Escola (PSE)</p><p>O Programa Saúde na Escola (PSE) tem como finalidade a integração</p><p>constante entre os setores da educação e saúde, com o intuito de melhorar a</p><p>qualidade de vida da população brasileira. Para concretizar essa abordagem nas</p><p>escolas, foi desenvolvida a metodologia das Agendas de Educação e Saúde,</p><p>aplicadas como projetos didáticos nas instituições de ensino.</p><p>O principal objetivo do PSE é contribuir para a formação completa dos</p><p>estudantes, por meio de ações que visam promover, prevenir e prestar assistência em</p><p>saúde. Isso é feito com o propósito de enfrentar as vulnerabilidades que afetam o</p><p>pleno desenvolvimento de crianças e jovens matriculados na rede pública de ensino.</p><p>Os beneficiários do PSE incluem estudantes da Educação Básica, gestores e</p><p>profissionais da educação e saúde, bem como a comunidade escolar. Além disso, o</p><p>programa tem um alcance mais amplo, abrange estudantes da Rede Federal de</p><p>Educação Profissional e Tecnológica e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).</p><p>As atividades relacionadas à educação e saúde promovidas pelo PSE são</p><p>realizadas em Territórios definidos conforme a área de abrangência da Estratégia</p><p>46</p><p>Saúde da Família, conforme definido pelo Ministério da Saúde. Isso possibilita a</p><p>criação de núcleos e conexões entre os recursos públicos de saúde e educação, como</p><p>escolas, centros de saúde e áreas de lazer, como praças e ginásios esportivos.</p><p>A definição dos Territórios Locais no PSE é resultado de estratégias acordadas</p><p>entre a escola, com base em seu projeto político-pedagógico, e a unidade básica de</p><p>saúde. O planejamento dessas ações do PSE considera o contexto escolar e social,</p><p>bem como o diagnóstico local e a capacidade operacional em saúde escolar.</p><p>A escola é o ambiente institucional central para a integração da educação e da</p><p>saúde e um espaço propício para a convivência social e o estabelecimento de relações</p><p>que favorecem a promoção da saúde por meio de uma abordagem de Educação</p><p>Integral.</p><p>Para atingir seus objetivos e obter sucesso, o PSE é composto por cinco</p><p>componentes essenciais:</p><p>➢ Avaliação das Condições de Saúde das crianças, adolescentes e jovens que</p><p>estão na escola pública;</p><p>➢ Promoção da Saúde e de atividades de Prevenção;</p><p>➢ Educação Permanente e Capacitação dos Profissionais da Educação e da</p><p>Saúde e de Jovens;</p><p>➢ Monitoramento e Avaliação da Saúde dos Estudantes;</p><p>➢ Monitoramento e Avaliação do Programa.</p><p>Mais do que uma estratégia de integração das políticas setoriais, o PSE se</p><p>propõe a ser um novo desenho da política de educação e saúde já que:</p><p>➢ Trata a saúde e educação integrais como parte de uma formação ampla para</p><p>a cidadania e o usufruto pleno dos direitos humanos;</p><p>➢ Permite a progressiva ampliação das ações executadas pelos sistemas de</p><p>saúde e educação com vistas à atenção integral à saúde de crianças e</p><p>adolescentes;</p><p>➢ Promove a articulação de saberes, a participação de estudantes, pais,</p><p>comunidade escolar e sociedade em geral na construção e controle social da</p><p>política pública.</p><p>47</p><p>7.11 Rede cegonha</p><p>O direito das mulheres ao planejamento reprodutivo e à assistência</p><p>humanizada durante a gravidez, parto e pós-parto, bem como o direito das crianças a</p><p>um nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudável, são</p><p>fundamentais e essenciais.</p><p>O Ministério da Saúde visa garantir esses direitos por meio da Rede Cegonha,</p><p>uma estratégia voltada para a organização e melhoria da assistência à saúde</p><p>materno-infantil em todo o país. A implementação desse programa ocorre</p><p>gradualmente em todo o território nacional, baseada em critérios epidemiológicos,</p><p>como taxas de mortalidade infantil, razões de mortalidade materna e densidade</p><p>populacional.</p><p>A Rede Cegonha é composta por diversos componentes, que incluem:</p><p>➢ Pré-natal;</p><p>➢ Parto e nascimento;</p><p>➢ Puerpério e atenção integral à saúde da criança;</p><p>➢ Sistema logístico (transporte sanitário e regulação).</p><p>A Rede Cegonha é uma estratégia lançada em 2011 pelo governo federal para</p><p>proporcionar às mulheres saúde, qualidade de vida e bem-estar durante a gestação,</p><p>parto, pós-parto e o desenvolvimento da criança até os dois primeiros anos de vida.</p><p>Tem o objetivo de reduzir a mortalidade materna e infantil e garantir os direitos sexuais</p><p>e reprodutivos de mulheres, homens, jovens e adolescentes. A proposta qualifica os</p><p>serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no planejamento familiar, na</p><p>confirmação da gravidez, no pré-natal, no parto e no puerpério (28 dias após o parto).</p><p>A Rede sistematiza e institucionaliza um modelo de atenção ao parto e ao</p><p>próximo nascimento sendo discutido e construído no País desde a década de 80, com</p><p>base no pioneirismo e na experiência de médicos e enfermeiras, obstetras e</p><p>neonatais, obstetrizes, parteiras, doulas, acadêmicos, antropólogos, sociólogos,</p><p>gestores, formuladores de políticas públicas, gestantes, grupos feministas, ativistas e</p><p>instituições de saúde, dentre outros.</p><p>48</p><p>7.12 Caderneta da gestante</p><p>A Caderneta da Gestante é essencial no registro das informações relacionadas</p><p>ao acompanhamento da gravidez e deve fazer parte integrante das atividades dos</p><p>profissionais de saúde, utilizada em todas as consultas do pré-natal. Trata-se de uma</p><p>ferramenta reconhecida e incorporada à rotina de atendimento às gestantes nos</p><p>serviços de saúde que oferecem acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS).</p><p>Os dados inseridos na caderneta auxiliam os profissionais no estabelecimento</p><p>de diálogo contínuo com a gestante, bem como nas ações de educação em saúde.</p><p>Além disso, ela fornece à gestante um meio de registrar informações, dúvidas claras,</p><p>preparar-se para o parto e amamentação, conhecer sinais de alerta e entender seus</p><p>direitos, entre outros benefícios. A caderneta é distribuída em todo o Brasil e passa</p><p>por revisões periódicas.</p><p>Com base nas necessidades atuais das gestantes e dos profissionais de saúde,</p><p>o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, procedeu com a atualização da</p><p>Caderneta da Gestante. A 6ª edição apresenta algumas novidades:</p><p>➢ Orientações apresentadas sobre os dez passos para uma alimentação</p><p>saudável durante a gravidez.</p><p>➢ Diretrizes para a saúde bucal e espaço para o registro de consultas</p><p>odontológicas no pré-natal.</p><p>➢ Informações atualizadas sobre o trabalho de parto, o parto em si e o período</p><p>pós-parto.</p><p>➢ Maior ênfase no pré-natal do pai ou parceiro da gestante.</p><p>➢ Atualização de conteúdo técnico e um layout mais moderno.</p><p>➢ As curvas de acompanhamento do ganho de peso durante a gravidez foram</p><p>atualizadas.</p><p>➢ Os espaços para registro de dados de exames e vacinas foram ajustados para</p><p>maior clareza e eficácia sem preenchimento.</p><p>49</p><p>8 REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL — RAPS</p><p>A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), instituída pela Portaria MS/GM n.º</p><p>3.088, de 23/12/2011, prevê a criação, a ampliação e a articulação de pontos de</p><p>atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com</p><p>necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas no âmbito do</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>A RAPS tem como objetivos gerais:</p><p>➢ Facilitar o acesso da população em geral aos serviços de atenção psicossocial.</p><p>➢ Fomentar a conexão entre indivíduos com transtorno mental e aqueles com</p><p>necessidades decorrentes do uso de substâncias como crack, álcool e outras</p><p>drogas, inclusive com suas famílias, em locais de atendimento.</p><p>➢ Garantir a coordenação e a integração dos diversos pontos de atenção nas</p><p>redes de saúde em cada área geográfica, melhorar a qualidade do cuidado por</p><p>meio do acolhimento, acompanhamento contínuo e atenção às situações de</p><p>urgência.</p><p>Além disso, destacam-se os seguintes objetivos específicos:</p><p>➢ Prestar assistência em saúde, com foco especial em grupos mais suscetíveis,</p><p>como crianças, adolescentes, jovens, pessoas em situação de rua e</p><p>comunidades indígenas.</p><p>➢ Prevenir o consumo excessivo e a dependência de substância como álcool e</p><p>outras drogas, bem como minimizar os danos resultantes do uso dessas</p><p>substâncias.</p><p>➢ Facilitar a reintegração e a reabilitação de indivíduos com transtornos mentais</p><p>e com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, por meio</p><p>do acesso a oportunidades de trabalho, renda e habitação solidária.</p><p>➢ Produzir e disponibilizar informações sobre os direitos das pessoas, estratégias</p><p>A RAPS encontra-se organizada nos seguintes componentes:</p><p>50</p><p>➢ Atenção Básica em Saúde;</p><p>➢ Unidade básica de saúde;</p><p>➢ Núcleo ampliado de saúde da família;</p><p>➢ Consultório na rua;</p><p>➢ Centros de convivência e cultura. Atenção Psicossocial Estratégica</p><p>➢ Centros de atenção psicossocial (nas suas diferentes modalidades);</p><p>➢ Equipe Multiprofissional de Atenção Especializada em Saúde Mental. Atenção</p><p>de Urgência e Emergência</p><p>➢ SAMU 192;</p><p>➢ Sala de Estabilização;</p><p>➢ UPA 24 horas e portas hospitalares de atenção à urgência/pronto-socorro,</p><p>unidades básicas de saúde;</p><p>➢ Atenção Residencial de Caráter Transitório</p><p>➢ Unidade de acolhimento;</p><p>➢ Serviço de atenção em regime residencial. Atenção Hospitalar</p><p>➢ Unidade Especializada em Hospital Geral;</p><p>➢ Hospitais Especializados;</p><p>➢ Estratégias de Desinstitucionalização</p><p>➢ Serviços residenciais terapêuticos;</p><p>➢ Programa “De Volta para Casa” Estratégias de Reabilitação Psicossocial;</p><p>➢ Iniciativas de geração de trabalho e renda (BRASIL,2020).</p><p>Ações de competência da Coordenação Estadual de Saúde:</p><p>➢ Coordenar e implementar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em Santa</p><p>Catarina, a partir das diretrizes do Ministério da Saúde;</p><p>➢ Suporte aos municípios para incentivar a implantação dos dispositivos e pontos</p><p>de atenção da RAPS, articulados com os outros pontos da rede, por meio de</p><p>análise de projetos dos municípios ou região de saúde, visitas, reuniões,</p><p>articulação entre os vários serviços e setores, vistorias e pareceres para</p><p>implantação dos pontos de atenção;</p><p>51</p><p>➢ Acompanhamento e avaliação dos pontos da Rede de Atenção Psicossocial</p><p>mediante supervisões dos serviços in loco; em parceria com as Equipes de</p><p>Controle, Avaliação e Auditoria e Vigilância Sanitária;</p><p>➢ Qualificação dos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial, em parceria</p><p>com outros setores da SES;</p><p>➢ Articulação com outros setores como Educação, Assistência Social, Ministério</p><p>Público, Poder Judiciário, Segurança Pública e outros;</p><p>➢ Coordenação e/ou participação de Comissões, Câmaras Técnicas, Conselhos</p><p>e outros relacionados à área de atenção em Saúde Mental no Estado;</p><p>➢ Participação na discussão e implantação de políticas direcionadas às</p><p>populações específicas como população indígena, população infanto-juvenil,</p><p>população privada de liberdade e população em situação de rua.</p><p>9 REDE DE BANCOS DE LEITE HUMANO</p><p>O Ministério da Saúde em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz distribuiu a</p><p>Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH-BR) em 1998, para promover,</p><p>proteger e respaldar a amamentação materna, bem como coletar e distribuir leite</p><p>humano de qualidade certificada, contribuir para a redução da mortalidade infantil.</p><p>Integrada à Política Nacional de Aleitamento Materno, a RBLH-BR constitui</p><p>uma ação estratégica que, além de instalar, fornecer e entregar leite humano a bebês</p><p>prematuros e com baixo peso, fornece assistência de orientação e apoio à</p><p>amamentação.</p><p>Atualmente, a Rede engloba mais de 200 Bancos de Leite Humano distribuídos</p><p>por todos os estados do país, alguns deles oferece serviços de coleta em domicílio. A</p><p>RBLH-BR também inclui mais de 300 Postos de Coleta (PCs) de leite humano.</p><p>O modelo brasileiro é reconhecido internacionalmente devido ao seu avanço</p><p>tecnológico pioneiro, que alia custos baixos a altos padrões de qualidade. Além disso,</p><p>o leite humano é distribuído conforme as necessidades específicas de cada bebê,</p><p>aumenta a eficácia dessa iniciativa na redução da mortalidade neonatal. Em 2001, a</p><p>Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou a RBLH como uma das iniciativas</p><p>mais eficazes na redução da mortalidade infantil global durante a década de 1990. No</p><p>período de 1990 a 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil diminuiu em 70,5%.</p><p>52</p><p>10 SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÓVEL DE URGÊNCIA (SAMU)</p><p>O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) visa chegar de maneira</p><p>precoce a pessoas afetadas por situações de urgência ou emergência que resultem</p><p>em sofrimento, sequelas ou mesmo óbito. Essas situações abrangem uma variedade</p><p>de contextos, como problemas clínicos, cirúrgicos, traumáticos, obstétricos,</p><p>pediátricos, psiquiátricos e outros.</p><p>O Ministério da Saúde concentra esforços na implementação da Política</p><p>Nacional de Atenção às Urgências. Essa política prioriza os princípios do Sistema</p><p>Único de Saúde (SUS) e enfatiza a criação de redes de atenção integrais às urgências,</p><p>organizadas de forma regionalizada e hierarquizada. Isso visa garantir o acesso</p><p>universal, equidade na distribuição de recursos e integralidade na assistência</p><p>prestada.</p><p>O SAMU consegue prestar atendimento em qualquer local composto por</p><p>equipes multidisciplinares, inclui médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e</p><p>condutores socorristas.</p><p>➢ Residências;</p><p>➢ Locais de trabalho;</p><p>➢ Vias públicas</p><p>O SAMU funciona como um serviço gratuito e disponível 24 horas por dia,</p><p>oferece orientações e despacho de veículos equipados com equipes treinadas. Os</p><p>cidadãos podem acessá-lo através do número “192” e contatá-lo por meio de uma</p><p>Central de Regulação das Urgências.</p><p>O atendimento pelo SAMU tem início com uma chamada telefônica na qual são</p><p>fornecidas diretrizes iniciais. Essa conexão é gratuita tanto para telefones fixos quanto</p><p>móveis.</p><p>Os operadores de atendimento telefônico identificam a emergência e coletam</p><p>informações iniciais sobre as vítimas e seu local. Posteriormente, as chamadas são</p><p>encaminhadas a um Médico Regulador, que fornece orientações de assistência às</p><p>vítimas e mobilização de ambulâncias quando necessário.</p><p>As ambulâncias do SAMU estão estrategicamente posicionadas para otimizar</p><p>o tempo de resposta entre as chamadas da população e o transporte para serviços</p><p>53</p><p>hospitalares de referência. A prioridade é prestar atendimento às vítimas o mais rápido</p><p>possível, isso inclui o envio de médicos conforme a gravidade da situação. As</p><p>unidades móveis podem ser ambulâncias tradicionais, motolâncias, ambulanchas ou</p><p>aeronaves médicas, conforme a disponibilidade e as necessidades específicas de</p><p>cada situação, garantem uma ampla cobertura de atendimento.</p><p>10.1 Rede de atenção às urgências e emergências</p><p>A Rede de Atenção às Urgências tem como finalidade reestruturar a assistência</p><p>à saúde em situações de urgência e emergência, promovem uma coordenação entre</p><p>os diversos componentes que a compõem. Isso visa melhorar a organização do</p><p>atendimento, estabelecem fluxos e referências adequadas. A rede é composta por</p><p>vários elementos, incluem Promoção, Prevenção e Vigilância em Saúde; Atenção</p><p>Básica; SAMU 192; Sala de Estabilização; Força Nacional do SUS; UPA 24h;</p><p>Unidades Hospitalares e Atenção Domiciliar (BRASIL, 2020).</p><p>Sua complexidade decorre da necessidade de atendimento contínuo a uma</p><p>variedade de condições de saúde, sejam elas agudas ou crônicas, agudizadas,</p><p>abrange aspectos clínicos, cirúrgicos, traumatológicos e outros.</p><p>Para garantir que a Rede ofereça assistência de qualidade aos usuários, é</p><p>fundamental que seus componentes sejam de forma integrada e coordenada. Isso</p><p>requer investimento na capacitação profissional, no compartilhamento de</p><p>informações, na melhoria dos processos de acolhimento e no gerenciamento do</p><p>acesso aos serviços que a compõem.</p><p>Com base na avaliação do perfil epidemiológico e demográfico do Brasil, a</p><p>Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde destaca que os principais</p><p>desafios em urgência e emergência envolvem doenças do sistema circulatório, como</p><p>o Infarto Agudo do Miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral, além do aumento da</p><p>violência e dos acidentes de trânsito. Portanto, a Rede de Urgência e Emergência</p><p>concentra seus esforços na reorganização das linhas de cuidados prioritários</p><p>relacionados a traumatologia, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares no</p><p>contexto da assistência hospitalar, buscam uma integração eficaz com os demais</p><p>pontos de atenção à saúde (BRASIL, 2020).</p><p>54</p><p>Sistemas:</p><p>1) Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES)</p><p>O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde — CNES é a base para</p><p>operacionalizar os Sistemas de Informações em Saúde, estes são imprescindíveis a</p><p>um gerenciamento eficaz e eficiente do SUS. Informações sobre Unidades Móveis e</p><p>demais estabelecimentos de saúde em funcionamento podem ser encontradas neste</p><p>cadastro.</p><p>2) Sistema de Apoio à implementação de Políticas em Saúde (SAIPS)</p><p>O SAIPS foi desenvolvido para informatizar o processo de solicitação de</p><p>custeio, incentivos para implantação de unidades e serviços em saúde, bem como</p><p>habilitação ou credenciamento de equipes, unidades e serviços em saúde. Todas as</p><p>solicitações de habilitações em custeio do SAMU e as solicitações de novas unidades</p><p>móveis devem ser encaminhadas por meio do SAIPS.</p><p>3) Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS)</p><p>O SIASUS recebe a transcrição de produção nos documentos BPA e APAC,</p><p>faz consolidação, valida o pagamento contra parâmetros orçamentários estipulados</p><p>pelo próprio gestor de saúde, antes de aprovar o ordenado — para isto utiliza-se do</p><p>sistema FPO. Mensalmente os gestores, além de gerar os valores devidos a sua rede</p><p>de estabelecimentos, devem enviar uma base de dados que contêm a totalidade dos</p><p>procedimentos realizados em sua gestão. A produção de procedimentos do SAMU</p><p>deve ser inserida neste sistema, sob pena de suspensão de custeio.</p><p>10.2 Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h)</p><p>A Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) exerce um papel importante na</p><p>Rede de Atenção às Urgências onde concentra os atendimentos de saúde de alta</p><p>complexidade. Isso a insere em uma rede integrada juntamente com a atenção básica,</p><p>atenção hospitalar, atenção domiciliar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência</p><p>— SAMU.</p><p>55</p><p>Essa integração visa melhorar o acesso da população aos serviços de saúde e</p><p>aumentar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A UPA</p><p>24h oferece uma estrutura simplificada, inclui serviços como raio-x, eletrocardiografia,</p><p>atendimento pediátrico, laboratório de exames e leitos de observação. Quando</p><p>necessário, os pacientes podem ser encaminhados para hospitais da rede de saúde</p><p>para procedimentos de alta complexidade (BRASIL, 2020).</p><p>Essas unidades funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana e</p><p>conseguem atender uma ampla gama de urgências e emergências. Eles fornecem</p><p>atendimento de qualidade e solucionam problemas de saúde agudos ou agravados</p><p>de natureza clínica. Além disso, oferecem o primeiro atendimento para casos de</p><p>natureza cirúrgica e trauma, estabilizam os pacientes e realizam investigações</p><p>diagnósticas iniciais para definir o tratamento adequado. Quando necessário, garanta</p><p>o encaminhamento dos pacientes para outros serviços de saúde.</p><p>As UPAs também têm capacidade de manter pacientes em observação por até</p><p>24 horas, se necessário, para esclarecimento, diagnóstico ou estabilização clínica.</p><p>Caso as reclamações dos pacientes não sejam resolvidas ou para garantir a</p><p>continuidade do cuidado, eles são encaminhados para internação em hospitais, com</p><p>o apoio da regulação do acesso assistencial (BRASIL, 2020).</p><p>11 PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DO TABAGISMO — PNCT</p><p>O uso do tabaco passou a ser reconhecido como um fator de risco para várias</p><p>doenças a partir da década de 1950. No Brasil, movimentos de controle do tabagismo</p><p>liderados por profissionais de saúde e sociedades médicas surgiram na década de</p><p>1970. A atuação governamental, a nível federal, começou a se estruturar em 1985</p><p>com a formação do Grupo Assessor para o Controle do Tabagismo no Brasil e, em</p><p>1986, com a criação do Programa Nacional de Combate ao Fumo.</p><p>Desde o final da década de 1980, o Ministério da Saúde, por meio do Instituto</p><p>Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), articula a gestão e</p><p>governança do controle do tabagismo no Brasil. Isso envolve a implementação de um</p><p>conjunto de ações nacionais que compõem o Programa Nacional de Controle do</p><p>Tabagismo (PNCT).</p><p>56</p><p>O PNCT visa reduzir a prevalência de fumantes e a morbimortalidade</p><p>relacionada ao consumo de produtos derivados do tabaco no Brasil. Isso é feito por</p><p>meio de ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde e de apoio a medidas</p><p>legislativas e econômicas. O programa visa prevenir principalmente o início do</p><p>tabagismo entre crianças, adolescentes e jovens, promover o abandono do tabagismo</p><p>e proteger a população da exposição à fumaça ambiental do tabaco, reduzir os danos</p><p>individuais, sociais e ambientais causados por esses produtos (BRASIL, 2020).</p><p>O PNCT também coordena a Rede de Tratamento do Tabagismo no Sistema</p><p>Único de Saúde (SUS) e realiza campanhas educativas. Além disso, promove</p><p>ambientes livres de tabaco.</p><p>O Brasil ratificou a Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco</p><p>(CQCT/OMS) em novembro de 2005, tornou-se parte do primeiro tratado internacional</p><p>de saúde pública para conter a epidemia global do tabagismo. A implementação do</p><p>PNCT passou então a fazer parte da Política Nacional de Controle do Tabaco, que</p><p>cumprirá as medidas e diretrizes do CQCT/OMS.</p><p>O INCA desempenha um papel central nessa política, articula a internalização</p><p>das ações e medidas do</p><p>CQCT/OMS relacionadas à saúde. Ele também atua como</p><p>Secretaria-Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-</p><p>Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (CONICQ), coordena a participação e o</p><p>alinhamento de todos os setores do governo aos objetivos e medidas previstas no</p><p>tratado (BRASIL, 2020).</p><p>O Programa Nacional de Controle do Tabagismo se destaca na implementação,</p><p>que tratam de educação, comunicação, treinamento, conscientização do público e</p><p>medidas de redução de demanda relacionadas à dependência e ao abandono do</p><p>tabaco. Além disso, por meio de sua atuação na rede, contribui para a promoção de</p><p>um ambiente propício à implementação de todas as medidas de controle do tabaco</p><p>no país, mesmas aquelas fora da governabilidade do setor saúde.</p><p>Essa rede faz parte de um programa nacional que atua na governança da</p><p>Política Nacional de Controle do Tabaco, envolve outros setores do governo federal,</p><p>organizações não governamentais e, em alguns casos, governos estaduais que se</p><p>organizaram para essa especificamente. Essa estrutura de governança está alinhada</p><p>com as obrigações gerais previstas na CQCT/OMS, introduz o estabelecimento de</p><p>mecanismos de coordenação nacional para o controle do tabaco.</p><p>57</p><p>12 SISTEMA NACIONAL DE LABORATÓRIOS DE SAÚDE PÚBLICA</p><p>O Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (SISLAB) consiste em</p><p>redes nacionais de laboratórios que estão organizadas em sub-redes estruturadas</p><p>conforme a sua especialização e hierarquizadas com base na complexidade das</p><p>atividades relacionadas à vigilância em saúde. Isso abrange vigilância epidemiológica,</p><p>vigilância em saúde ambiental, vigilância sanitária e assistência médica.</p><p>A configuração das sub-redes do SISLAB é determinada consideração as</p><p>características específicas de cada uma. A classificação das unidades laboratoriais</p><p>dentro dessas sub-redes segue as diretrizes previstas na Portaria GM/MS Nº 2031,</p><p>de 23 de setembro de 2004:</p><p>➢ I — Centros Colaboradores — CC;</p><p>➢ II — Laboratórios de Referência Nacional — LRN;</p><p>➢ III — Laboratórios de Referência Regional — LRR;</p><p>➢ IV — Laboratórios de Referência Estadual — LRE;</p><p>➢ V — Laboratórios de Referência Municipal — LRM;</p><p>➢ VI — Laboratórios Locais — LL; e</p><p>➢ VII — Laboratórios de Fronteira — LF.</p><p>12.1 Biossegurança laboratorial</p><p>O Ministério da Saúde mantém atualmente 12 laboratórios localizados em</p><p>instituições de referência, construídos especificamente para realizar diagnósticos</p><p>laboratoriais em condições de nível de biossegurança 3 (NB3). Estes laboratórios de</p><p>contenção foram projetados com o propósito de aprimorar a capacidade tecnológica,</p><p>permitem uma maior autonomia na condução de ensaios diagnósticos que, devido à</p><p>sua complexidade, exigem condições especiais de segurança.</p><p>É relevante destacar que as atividades realizadas nos laboratórios de nível de</p><p>contenção 3 são baseadas em avaliações de risco. Essas consultas seguem os</p><p>parâmetros estabelecidos na classificação de agentes biológicos conforme a</p><p>legislação em vigor. Após a avaliação de risco, determine quais procedimentos devem</p><p>58</p><p>ser adotados ao lidar com amostras que possam exigir níveis mais elevados de</p><p>confinamento biológico.</p><p>12.2 Sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL)</p><p>O Sistema Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL) foi desenvolvido em</p><p>colaboração entre a Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública</p><p>(CGLAB/SVS/MS) e o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde</p><p>(DATASUS). O GAL é uma solução computadorizada projetada para Laboratórios de</p><p>Saúde Pública, projetada para realizar exames e ensaios em amostras de origem</p><p>humana, animal e ambiental, seguem os protocolos estabelecidos pelo Ministério da</p><p>Saúde. Suas principais funcionalidades compreendem a gestão e o acompanhamento</p><p>de análises laboratoriais, desde o momento da solicitação até a solicitação do laudo</p><p>final; a geração de relatórios de caráter gerencial e de produção de exames nas Redes</p><p>de Laboratórios de Saúde Pública; a transmissão de informações laboratoriais para</p><p>outros sistemas por meio de uma interface; e o fornecimento de dados para embasar</p><p>as decisões das autoridades de vigilância em níveis nacional, estadual e municipal.</p><p>13 CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (CAPS)</p><p>Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em suas diversas modalidades é</p><p>fundamental na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). São serviços de saúde</p><p>abertos à comunidade, compostos por equipes multiprofissionais que adotam uma</p><p>abordagem interdisciplinar. Sua principal missão é oferecer atendimento prioritário a</p><p>pessoas que enfrentam sofrimento ou transtorno mental, incluem aquelas com</p><p>necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, em uma determinada</p><p>área geográfica. Esses serviços atuam tanto em crises quanto em processos de</p><p>reabilitação psicossocial, e representam uma alternativa ao modelo asilar.</p><p>O Brasil é reconhecido como o único país do mundo com uma população de</p><p>mais de 100 milhões de habitantes que possui um sistema de saúde pública, gratuito,</p><p>universal, igualitário e abrangente para toda a sua população. Para garantir a</p><p>eficiência e a eficácia desse sistema, é essencial que ele seja organizado de forma</p><p>envolvida, considera a vasta extensão territorial do país. A Política Nacional de</p><p>59</p><p>Atenção Básica (PNAB) estabelece princípios e diretrizes fundamentais que orientam</p><p>o funcionamento de todo o sistema de saúde. As disposições contidas na definição de</p><p>atenção básica, conforme previsto no artigo 2º da Política Nacional de Atenção Básica</p><p>(PNAB), orienta e estrutura todas as ações desenvolvidas pela atenção primária à</p><p>saúde no Brasil:</p><p>A atenção básica é o conjunto de ações de saúde individuais, familiares e</p><p>coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico,</p><p>tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância</p><p>em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão</p><p>qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população em</p><p>território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade</p><p>sanitária (BRASIL, 2017).</p><p>Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) foram criados em 2008 pelo</p><p>Ministério da Saúde com o propósito de respaldar a consolidação da Atenção Básica</p><p>no Brasil, expandem os recursos de saúde disponíveis na rede de serviços e</p><p>aprimoram a eficácia, a amplitude e o alcance das ações.</p><p>A Estratégia Consultório na Rua foi instituída em 2011 pela Política Nacional</p><p>de Atenção Básica, ampliaram o acesso da população em situação de rua aos</p><p>cuidados de saúde, proporcionaram assistência abrangente e oportuna para esse</p><p>grupo vulnerável, esses laços familiares estão frequentemente rompidos ou</p><p>fragilizados.</p><p>O Brasil já realizou avanços inovadores na melhoria da atenção básica ao longo</p><p>dos anos desde a criação do SUS. No entanto, a estabilidade alcançada pelo SUS,</p><p>resultado do desenvolvimento de políticas e programas que expandem os serviços de</p><p>saúde para a população, agora enfrenta desafios e incertezas. É imprescindível</p><p>fortalecer o sistema, aumentando os investimentos em vez de reduzi-los, uma vez que</p><p>o SUS desempenha um papel vital na manutenção das ações e serviços de saúde no</p><p>país (OLIVEIRA, 2019).</p><p>14 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE — SIS</p><p>Os Sistemas de Informação da Saúde (SIS) são compostos por uma estrutura</p><p>capaz de garantir a obtenção e a transformação de dados em informação, em que há</p><p>profissionais envolvidos em processos de seleção, coleta, classificação,</p><p>armazenamento, análise, divulgação e recuperação de dados (FRANCO, 2003).</p><p>60</p><p>Para profissionais da saúde, o envolvimento na construção de instrumentos de</p><p>coletas, treinamentos para captação correta dos dados e o processamento dos</p><p>sistemas de informação em saúde representam ferramentas padronizadas para a</p><p>coleta e monitoramento de dados, fornecem informações que possam ser</p><p>comprovadas</p><p>para uma compreensão mais aprofundada dos principais problemas de</p><p>saúde da população. Isso, por sua vez, auxilia na tomada de decisões em níveis</p><p>municipal, estadual e federal.</p><p>No contexto brasileiro, o Departamento de Informática do SUS (DATASUS) tem</p><p>uma relevância fundamental no gerenciamento do processo de informação em saúde,</p><p>conforme indicado por FRANCO (2003).</p><p>➢ Fomentar, regulamentar e avaliar as ações de informatização do SUS,</p><p>direcionadas para a manutenção e o desenvolvimento do sistema de</p><p>informações em saúde e dos sistemas internos de gestão do Ministério;</p><p>➢ Desenvolver, pesquisar e incorporar tecnologias de informática que</p><p>possibilitem a implementação de sistemas e a disseminação de informações</p><p>necessárias às ações de saúde, em consonância com as diretrizes da Política</p><p>Nacional de Saúde;</p><p>➢ Manter o acervo das bases de dados necessárias ao sistema de informações</p><p>em saúde e aos sistemas internos de gestão institucional;</p><p>➢ Assegurar aos gestores do SUS e órgãos congêneres o acesso aos serviços</p><p>de informática e bases de dados, mantidos pelo Ministério;</p><p>➢ Definir programas de cooperação técnica com entidades de pesquisa e ensino</p><p>para prospecção e transferência de tecnologia e metodologia de informática em</p><p>saúde, sob a coordenação do Secretário-Executivo;</p><p>➢ Apoiar estados, municípios e o Distrito Federal na informatização das</p><p>atividades do SUS.</p><p>14.1 DATASUS — Departamento de informática do SUS.</p><p>O DATASUS, que surgiu em 1991 com a criação da Fundação Nacional de</p><p>Saúde (Funasa), teve sua origem na transferência da função de controle e</p><p>processamento das contas relacionados à saúde da Empresa de Tecnologia e</p><p>61</p><p>Informações da Previdência Social (DATAPREV) para a Funasa. A criação e</p><p>atribuições do DATASUS foram formalizadas na época, com a responsabilidade de</p><p>fornecer aos órgãos do SUS sistemas de informação e suporte de informática</p><p>essenciais para o planejamento, operação e controle do sistema de saúde (BRASIL,</p><p>2020).</p><p>Ao longo de quase 25 anos de existência, o DATASUS desenvolveu mais de</p><p>200 sistemas que auxilia o Ministério da Saúde na construção e fortalecimento do</p><p>SUS. Atualmente, o Departamento cumpre um papel significativo na oferta de</p><p>soluções de software para as secretarias estaduais e municipais de saúde, adapta</p><p>continuamente seus sistemas às necessidades dos gestores e incorporando novas</p><p>tecnologias, à medida que a descentralização da gestão se consolida (BRASIL, 2020).</p><p>O DATASUS opera duas salas-cofre, uma em Brasília e outra no Rio de</p><p>Janeiro, que abrigam servidores de rede que hospedam a maioria dos sistemas do</p><p>Ministério da Saúde. Além disso, a estrutura de armazenamento de dados</p><p>(STORAGE) do Departamento consegue armazenar informações de saúde de toda a</p><p>população brasileira. O DATASUS também disponibiliza links em várias cidades do</p><p>Brasil, com conexões a todos os Núcleos Estaduais do Ministério da Saúde, Funasa,</p><p>Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Casa do Índio e às 27 secretarias</p><p>estaduais de saúde (BRASIL, 2020).</p><p>14.2 Principais sistemas do DATASUS</p><p>Sistema de Informações sobre Mortalidade — SIM</p><p>O Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), criado pelo Ministério da</p><p>Saúde em 1975, resultou da unificação de mais de 40 modelos de instrumentos que</p><p>eram usados ao longo dos anos para coletar informações sobre mortalidade no país.</p><p>Este sistema inclui variáveis que possibilitam, a partir da causa de morte atestada por</p><p>médicos, criar indicadores e realizar análises epidemiológicas que afetam para uma</p><p>gestão mais eficaz da saúde.</p><p>Em 1979, o SIM foi informatizado. Posteriormente, com a implementação do</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS) e a descentralização das responsabilidades, a coleta</p><p>62</p><p>de dados passou a ser de competência dos estados e municípios, por meio de suas</p><p>Secretarias de Saúde locais.</p><p>O SIM é fundamental na obtenção de dados quantitativos e qualitativos sobre</p><p>óbitos em todo o Brasil, é uma ferramenta de gestão de saúde de grande importância.</p><p>No âmbito federal, sua gestão é atribuída à Secretaria de Vigilância à Saúde.</p><p>14.3 Sistema de Informações de Nascidos Vivos — SINASC</p><p>O DATASUS desenvolveu o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos</p><p>(SINASC) visa reunir informações epidemiológicas referentes aos nascimentos</p><p>informados em todo território nacional. Sua implantação ocorreu de forma lenta e</p><p>gradual em todas as Unidades da Federação.</p><p>14.3.1 Benefícios</p><p>➢ Subsidiar as intervenções relacionadas à saúde da mulher e da criança para</p><p>todos os níveis do Sistema Único de Saúde (SUS);</p><p>➢ Ações de atenção à gestante e ao recém-nascido;</p><p>➢ O acompanhamento da evolução das séries históricas do SINASC permite a</p><p>identificação de prioridades de intervenção, o que contribui para efetiva</p><p>melhoria do sistema.</p><p>14.3.2 Funcionalidades</p><p>➢ Declaração de nascimento informatizada;</p><p>➢ Geração de arquivos de dados em várias extensões para análises em outros</p><p>aplicativos;</p><p>➢ Retroalimentação das informações ocorridas em municípios diferentes da</p><p>residência do paciente;</p><p>➢ Controle de distribuição das declarações de nascimento (Municipal, Regional,</p><p>Estadual e Federal).</p><p>➢ Transmissão de dados automatizada utiliza a ferramenta SISNET gerando a</p><p>tramitação dos dados de forma ágil e segura entre os níveis municipal ></p><p>estadual > federal;</p><p>63</p><p>➢ Backup on-line dos níveis de instalação (Municipal, Regional e Estadual).</p><p>14.4 Sistema de Informação de Agravos de Notificação — SINAN</p><p>O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) é abastecido,</p><p>principalmente, por meio da notificação e investigação de casos de doenças e agravos</p><p>listados como compulsórios ao nível nacional. No entanto, estados e municípios têm</p><p>a opção de incluir outros problemas de saúde de relevância regional, como varicela</p><p>em Minas Gerais ou difilobotríase em São Paulo (BRASIL, 2017).</p><p>A utilização eficaz do SINAN possibilita a análise dinâmica da ocorrência de</p><p>eventos na população, fornece informações úteis para investigações das causas dos</p><p>agravos compulsórios, bem como identifica os riscos às quais as pessoas estão</p><p>expostas. Isso contribui para a compreensão da situação epidemiológica em uma</p><p>determinada área geográfica.</p><p>O SINAN pode ser operacionalizado em níveis administrativos locais, como nas</p><p>unidades de saúde, segue a descentralização preconizada pelo Sistema Único de</p><p>Saúde (SUS). A maioria das notificações é inserida nos sistemas pelas Secretarias</p><p>Municipais de Saúde. Caso um município não disponha de recursos computacionais,</p><p>os dados serão inseridos nas regionais de Saúde (BRASIL, 2017).</p><p>A Ficha Individual de Notificação (FIN) é preenchida pelas unidades de</p><p>assistência de saúde para cada paciente quando há suspeita de um agravo</p><p>compulsório ou de interesse nacional, estadual ou municipal. Essas fichas são então</p><p>enviadas aos serviços responsáveis pela vigilância epidemiológica das Secretarias</p><p>Municipais de Saúde, que, por sua vez, repassam os dados para as Secretarias</p><p>Estaduais de Saúde (SES) em intervalos regulares, conforme cronograma previsto</p><p>pela SVS.</p><p>Se não houver suspeita de doença, as unidades de saúde devem preencher</p><p>um formulário de notificação negativa, que deverá ser entregue dentro dos mesmos</p><p>prazos estabelecidos para uma notificação positiva. Isso ajuda a garantir que os</p><p>profissionais de saúde e o sistema de vigilância estejam atentos à ocorrência desses</p><p>eventos e evitem subnotificações. Caso os municípios não forneçam dados ao SINAN</p><p>por dois meses consecutivos, os recursos do Piso de Assistência Básica são</p><p>suspensos.</p><p>64</p><p>Além da Ficha Individual de Notificação (FIN) e da Notificação Negativa, o</p><p>sistema também disponibiliza a Ficha Individual de Investigação (FII), a qual é um guia</p><p>de investigação que ajuda a identificar a fonte de infecção, os modos de transmissão</p><p>da doença e a transmissão ou exclusão da suspeita. Além disso, planilhas de surtos</p><p>e boletins de acompanhamento de casos de hanseníase e tuberculose são usados</p><p>para coleta de dados (BRASIL, 2017).</p><p>A Portaria GM/MS n.º 47, de 3 de maio de 2016, estabelece os critérios para</p><p>monitoramento da regularidade na alimentação do Sistema de Informação de Agravos</p><p>de Notificação (SINAN), do Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC) e</p><p>do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), a fim de manter os repasses de</p><p>recursos do Piso Fixo de Vigilância em Saúde (PFVS) e do Piso Variável de Vigilância</p><p>em Saúde (PVVS) do Bloco de Vigilância em Saúde.</p><p>A Portaria GM/MS n.º 1.378, de 9 de julho de 2013, regulamenta as</p><p>responsabilidades e define diretrizes para a execução e financiamento das ações de</p><p>Vigilância em Saúde nos âmbitos federal, estadual, distrital e municipal, referente ao</p><p>Sistema Nacional de Vigilância em Saúde e Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.</p><p>O Manual de Normas e Rotinas visa estabelecer um padrão para a utilização</p><p>do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) em todas as esferas do</p><p>governo.</p><p>14.5 Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações -SI-PNI</p><p>O Programa Nacional de Imunizações (PNI) tem a responsabilidade de</p><p>centralizar as informações relacionadas à vacinação em todo o território nacional.</p><p>Para atender a esse propósito, são usados sistemas informatizados que simplificam o</p><p>monitoramento por parte dos gestores.</p><p>Desde 1994, o PNI adotava sistemas de informação com dados consolidados.</p><p>Isso fez com que os municípios realizassem suas atividades de imunização,</p><p>agregassem informações sobre as doses aplicadas e encaminhassem o total para o</p><p>Ministério da Saúde, inicialmente por meio do Sistema de Informação de Avaliação do</p><p>Programa de Imunização (API) e, posteriormente, por meio da versão web, o Sistema</p><p>de Informação de Avaliação do Programa de Imunizações (APIWEB).</p><p>65</p><p>Entretanto, esses dados, embora úteis para avaliar a cobertura vacinal,</p><p>quantidade de doses aplicadas e taxas de abandono, não permitem avaliar</p><p>informações previstas sobre as pessoas vacinadas, como sua localização geográfica</p><p>(uma vez que os dados enviados se referem às pessoas vacinadas em cada</p><p>município, e pode incluir indivíduos de outras localidades) ou a conformidade com os</p><p>esquemas de vacinação, entre outros aspectos.</p><p>Para solucionar essas limitações, o Departamento de Informática do Sistema</p><p>Único de Saúde (DATASUS-RJ) desenvolveu o Sistema de Informação Nominal do</p><p>Programa Nacional de Imunizações, conhecido como SIPNI. Este sistema permite o</p><p>registro de dados de forma individual e associados à procedência da pessoa vacinada.</p><p>Desta forma, possibilita acompanhar vacinados em diversas regiões do Brasil, bem</p><p>como a identificação da localização das pessoas a serem vacinadas com base em</p><p>seus dados cadastrais.</p><p>Embora o SIPNI tenha sido implantado em 2010, sua adoção mais ampla foi</p><p>limitada pela falta de equipamentos de informática em todas as salas de vacina do</p><p>país. Os principais objetivos do SIPNI incluem:</p><p>➢ Objetivo geral: Registrar individualmente dados de vacinação de todos os</p><p>residentes do Brasil.</p><p>➢ Objetivos específicos: Fornecer dados sobre pessoas vacinadas; fornecer</p><p>dados sobre movimentação de imunobiológicos nas salas de vacinação; reduzir</p><p>erros de imunização; ser o único meio de transmissão de dados de vacinação</p><p>para o Programa Nacional de Imunizações;</p><p>➢ Público-alvo: Salas de vacina de todo o Brasil onde serão vacinadas todas as</p><p>pessoas do país; qualquer interessado em dados de imunização poderá ter</p><p>acesso a relatórios consistentes sobre pessoas vacinadas para qualquer</p><p>vacina;</p><p>14.6 Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS — SIA</p><p>O SIASUS, Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS, teve seu início em</p><p>1992 e implantado a partir de julho de 1994 nas Secretarias Estaduais de Saúde, como</p><p>parte da substituição dos sistemas GAP e SICAPS para o financiamento de</p><p>66</p><p>atendimentos ambulatoriais. Em 1996, seu uso foi ampliado às Secretarias Municipais</p><p>de Saúde, então conhecido como gestão semiplena, conforme a Norma Operacional</p><p>Básica de 1996.</p><p>A partir de 1997, o SIASUS passou a processar não apenas os Boletins de</p><p>Produção Ambulatorial (BPA) tradicionais, mas também um documento numerado e</p><p>autorizado denominado Autorização de Procedimento de Alta Complexidade (APAC).</p><p>Entre as funcionalidades do SIASUS estão:</p><p>➢ Coleta, processa e valida dados apresentados pelas Unidades Prestadoras de</p><p>Serviço;</p><p>➢ Gera informações gerenciais às Secretarias de Saúde Municipais e Estaduais;</p><p>➢ Calcula o valor da produção aprovada para cada Unidade Prestadora de</p><p>Serviço;</p><p>➢ Auxilia o pagamento em função da programação físico-financeira;</p><p>➢ Gera mensalmente informações para o crédito bancário;</p><p>➢ Atualiza o banco de dados nacional do SUS (BD Nacional);</p><p>➢ Produz relatórios com informações detalhadas que auxiliam os processos de</p><p>Controle, Avaliação e Auditoria;</p><p>➢ Gera os arquivos compatíveis com diversos aplicativos como TABNet e</p><p>TABWin</p><p>14.7 Sistema de Informações Hospitalares do SUS — SIH</p><p>Criado em agosto de 1981, na cidade de Curitiba, como substituto do sistema</p><p>GIH (Guia de Internação Hospitalar), o amplamente conhecido “Sistema AIH” entrou</p><p>em operação em 1982 e posteriormente passou por várias plataformas em</p><p>mainframes UNISYS e ABC-BULL durante sua fase de processamento centralizado.</p><p>A finalidade da AIH, que faz parte do Sistema SIHSUS, é registrar todos os</p><p>atendimentos provenientes de internações hospitalares financiadas pelo SUS. A partir</p><p>desses registros, são gerados relatórios que permitem aos gestores efetuar os</p><p>pagamentos aos estabelecimentos de saúde. Dentre as principais funcionalidades do</p><p>AIH estão:</p><p>67</p><p>➢ Possibilita a avaliação do desempenho e condições sanitárias, através das</p><p>taxas de óbito e de infecção hospitalar informadas no sistema;</p><p>➢ Fornece informações para a programação do orçamento dos estabelecimentos;</p><p>➢ Criada funcionalidade de “Geração de Histórico” que permite ao Gestor diminuir</p><p>o volume do banco de produção, otimiza o processamento;</p><p>➢ Criada funcionalidade para gerar relatórios a partir do histórico.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ARCARI, J. Legislação do Sistema Único de Saúde, Porto Alegre: Sagah educação,</p><p>2020.</p><p>ARCARI.J. Saúde Coletiva. Porto Alegre: Sagah educação, 2018.</p><p>BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Carta dos Direitos e Deveres da Pessoa</p><p>Usuária da Saúde, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.Acesso:22</p><p>set. 2023.</p><p>BRASIL. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Reflexões aos</p><p>novos gestores municipais de saúde. Brasília, DF, 2009.Disponivel em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/reflexoes_novos_gestores_municipais.p</p><p>df. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Reflexões aos</p><p>novos gestores municipais de saúde. CONASEMS, Conselho Nacional de</p><p>Secretarias Municipais de Saúde Distrito, 2009. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/reflexoes_novos_gestores_municipais.p</p><p>df. Acesso: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, Disponível em:</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso: 22 set.</p><p>2023.</p><p>BRASIL. Decreto n.º 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei n.º 8.080,</p><p>de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de</p><p>Saúde — SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação</p><p>interfederativa, e dá outras providências. Disponível em:</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7508.htm.</p><p>Acesso 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei Complementar n.º 141, datada de 13 de janeiro de 2012. Regulamenta</p><p>o § 3.º do art. 198 da Constituição Federal para dispor sobre os valores mínimos a</p><p>serem aplicados anualmente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios em</p><p>ações e serviços públicos de saúde; estabelece os</p><p>critérios de rateio dos recursos de</p><p>transferências para a saúde e as normas de fiscalização, avaliação e controle das</p><p>despesas com saúde nas 3 (três) esferas de governo; revoga dispositivos das Leis</p><p>68</p><p>nos 8.080, de 19 de setembro de 1990, e 8.689, de 27 de julho de 1993; e dá outras</p><p>providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm.</p><p>Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para</p><p>a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos</p><p>serviços correspondentes, instituindo o Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial</p><p>da União, Brasília, DF, 28 de dezembro de 1990. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/lei-n-8080-30-anos-de-criacao-do-sistema-unico-de-</p><p>saude-sus/. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho nacional de saúde. 8ª Conferência Nacional</p><p>de Saúde: quando o SUS ganhou forma, 2020. Disponível:</p><p>https://conselho.saude.gov.br/conferencias-cns/2349-8-conferencia-nacional-de-</p><p>saude-1986. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção Básica. Disponível:</p><p>https://www.gov.br/saude/pt-br. Acesso: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS 2020.</p><p>Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Cronologia Histórica</p><p>da Saúde Pública, 2020. Disponível em: http://www.funasa.gov.br/cronologia-</p><p>historica-da-saude-publica. Acesso: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da saúde. Instituto Nacional do Câncer. Programa Nacional de</p><p>Controle do Tabagismo, 2020. Disponível em:https://www.gov.br/inca/pt-</p><p>br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/programa-nacional-de-controle-do-</p><p>tabagismo. Acesso: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n.º 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova</p><p>a política nacional de atenção básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas</p><p>para a organização da atenção básica, para a estratégia saúde da família (ESF) e o</p><p>programa de agentes comunitários de saúde (PACS). Disponível</p><p>em:https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2488_21_10_2011.html.</p><p>Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n.º 3124, de 28 de dezembro de 2012.</p><p>Redefine os parâmetros de vinculação dos núcleos de apoio à saúde da família</p><p>(NASF) modalidades 1 e 2 às equipes saúde da família e/ou equipes de atenção</p><p>básica para populações específicas, cria a modalidade NASF 3, e dá outras</p><p>providências. Disponível</p><p>em:https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt3124_28_122012.html.</p><p>Acesso em 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n.º 204, de 29 de janeiro de 2007. Brasília,</p><p>DF, 31 jan. 2007. Seção 1, p. 45 – 51.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de</p><p>Atenção Especializada e Temática. Triagem neonatal biológica: Manual técnico,</p><p>2016.</p><p>69</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção à saúde. Departamento de</p><p>atenção básica. Política nacional de atenção básica, Brasília: Ministério da Saúde,</p><p>2012. (Série E. Legislação em Saúde). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-</p><p>br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/estrategia-saude-da-</p><p>familia/legislacao/politica-nacional-atencao-basica-2012.pdf. Acesso em: 22 set.</p><p>2023.</p><p>BRASIL. Ministério da saúde. Sinan — Sistema Nacional de Informação, 2017.</p><p>Disponível em: https://portalsinan.saude.gov.br/. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Uma análise da situação de saúde com enfoque nas</p><p>doenças imunopreveníveis e na imunização, 2019. Disponível em:</p><p>https:/bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_brasil_2019_analise_situacao.pdf.</p><p>Acesso: 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Portaria GM/MS n.º 2031, de 23 de setembro de 2004. Dispõe sobre a</p><p>organização do Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública. Disponível</p><p>em:</p><p>http://www.castelo.fiocruz.br/vpplr/laboratorio_referencia/portarias/PORTARIA_2031.</p><p>pdf. Acesso 25 set. 2023.</p><p>BRASIL. Portaria n.º 1.377, de 9 de julho de 2013. Aprova os Protocolos de</p><p>Segurança do Paciente. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt1377_09_07_2013.html.</p><p>Acesso 25 set. 2023.</p><p>BRASIL. Portaria n.º 1.378, de 9 de julho de 2013. Regulamenta as</p><p>responsabilidades e define diretrizes para execução e financiamento das ações</p><p>de Vigilância em Saúde pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios,</p><p>relativos ao Sistema Nacional de Vigilância em Saúde e Sistema Nacional de</p><p>Vigilância Sanitária. Disponível em: https://encurtador.com.br/fwxOR. Acesso 25 set.</p><p>2023.</p><p>BRASIL. Portaria n.º 1.820, de 13 de agosto de 2009. Dispõe sobre os direitos e</p><p>deveres dos usuários da saúde. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt1820_13_08_2009.html.</p><p>Acesso 22 set. 2023.</p><p>BRASIL. Portaria n.º 2.095, de 24 de setembro de 2013. Aprova os Protocolos</p><p>Básicos de Segurança do Paciente. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt2095_24_09_2013.html#:~:te</p><p>xt=Aprova%20os%20Protocolos%20B%C3%A1sicos%20de%20Seguran%C3%A7a</p><p>%20do%20Paciente. Acesso 25 set. 2023.</p><p>BRASIL. Portaria n.º 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção</p><p>Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades</p><p>decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de</p><p>Saúde (SUS). Disponível em: https://encurtador.com.br/esY09. Acesso 25 set. 2023.</p><p>70</p><p>BRASIL. Portaria n.º 47, de 3 de maio de 2016. Define os parâmetros para</p><p>monitoramento da regularidade na alimentação do Sistema de Informação de Agravos</p><p>de Notificação (SINAN), do Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC) e</p><p>do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), para fins de manutenção do</p><p>repasse de recursos do Piso Fixo de Vigilância em Saúde (PFVS) e do Piso Variável</p><p>de Vigilância em Saúde (PVVS) do Bloco de Vigilância em Saúde. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/2016/prt0047_03_05_2016.html.</p><p>Acesso 25 set. 2023.</p><p>BRASIL. Portaria n.º 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de</p><p>Segurança do Paciente (PNSP). Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0529_01_04_2013.html.</p><p>Acesso 25 set. 2023.</p><p>BRASIL. Resolução n.º 36, de 25 de julho de 2013. Institui ações para a segurança</p><p>do paciente em serviços de saúde e dá outras providências. Disponível em:</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2013/rdc0036_25_07_2013.html.</p><p>Acesso 25 set. 2023.</p><p>BRASIL. Resolução n.º 553, de 09 de agosto de 2017. Dispõe sobre as diretrizes</p><p>dos Direitos e Deveres da Pessoa Usuária da Saúde. Disponível em:</p><p>https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2017/Reso553.pdf. Acesso 22 set. 2023.</p><p>CARVALHO, G. A saúde pública no Brasil, 2013. Disponível em:</p><p>https://www.gov.br/saude/pt-br. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>CARVALHO, T. Programas do SUS: Algumas Iniciativas do Governo Federal. 1ed.</p><p>Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível: https://www.gov.br/saude/pt-br.</p><p>Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>CMB — Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hosp. e Entidades</p><p>Filantrópicas. A história de misericórdia das Santas Casas, 2020. Disponível em:</p><p>https://www.cmb.org.br/cmb/ Acesso: 22 set. 2023.</p><p>FENAFAR — Federação Nacional dos Farmacêuticos. CNS apresenta nova carta</p><p>dos direitos e deveres da pessoa usuária do SUS, 2018. Disponível em:</p><p>https://fenafar.org.br/2022/05/11/cns-apresenta-nova-carta-dos-direitos-e-deveres-</p><p>da-pessoa-usuaria-do-sus/. Acesso em: 22 set. 2023.</p><p>FRANCO, J. L. F. Manual do Sistema de Informação de Atenção Básica. Ministério</p><p>da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. 1. ed.</p><p>Brasília: Ministério da Saúde, 2003.</p><p>HANNA SOBRINHO, M.I.A. Formação médica — evolução do curso de medicina</p><p>da UFPR, 2014. Disponível em: revistas.ufpr.br/. Acesso: 22 set. de 2023.</p><p>MATTA, G. C. Princípios e</p><p>Diretrizes do Sistema Único de Saúde, 2020. Disponível</p><p>em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/39223. Acesso: 22 set. 2023.</p><p>MERELES, C. A história da saúde pública no Brasil e a evolução do direito à</p><p>saúde. 2018. Disponível em:</p><p>https://www.passeidireto.com/arquivo/102008257/unidade-1-estudo-de-caso Acesso</p><p>em: 22 set. 2023.</p><p>71</p><p>ORDONEZ, A. M. Políticas públicas de alimentação e nutrição. 2 ed. Porto Alegre:</p><p>Sagah, 2017.</p><p>SOLHA, R. K. T. Sistema Único de Saúde — Componentes, Diretrizes e Políticas</p><p>Públicas. Editora Saraiva, 2014. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536513232/. Acesso em: 22</p><p>set. 2023.</p><p>de cursos universitários, isso inclui</p><p>cursos de Medicina, Cirurgia e Química. Logo levou à fundação de instituições</p><p>pioneiras, como a Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro e o Colégio Médico-Cirúrgico</p><p>no Real Hospital Militar de Salvador. Com o tempo, médicos brasileiros ou formados</p><p>no Brasil substituíram gradualmente os estrangeiros (MERELES, 2018).</p><p>Ao analisar a história da saúde pública brasileira, nota-se que o conceito</p><p>predominante é o da filantropia, mais especificamente, a filantropia de natureza</p><p>religiosa, baseada na caridade. As instituições e médicos filantropos exercem um</p><p>papel importante no atendimento à população. Paralelamente, o Estado realizou</p><p>6</p><p>intervenções esporádicas em saúde, especialmente em resposta a epidemias, como</p><p>campanhas de vacinação. Isso foi evidenciado no final do século XIX e no início do</p><p>século XX, durante o saneamento do Rio de Janeiro e a extensa campanha de</p><p>vacinação contra a varíola (CARVALHO, 2013).</p><p>A maioria da população, que não tinha recursos, buscava socorro na medicina</p><p>popular, recorreu aos serviços oferecidos pelas instituições conhecidas como Santas</p><p>Casas de Misericórdia. Estas instituições eram responsáveis por abrigar e tratar os</p><p>pobres e pessoas com problemas de saúde mental (ORDONEZ, 2017).</p><p>Durante muitas décadas, as Santas Casas foram a única alternativa de</p><p>assistência e tratamento disponível para aqueles sem recursos financeiros. Elas foram</p><p>implicações para instituições religiosas e, inicialmente, estavam ligadas ao conceito</p><p>de caridade, abrangeram o período que se estendeu do século XVIII até 1837</p><p>(MERELES, 2018).</p><p>Quanto ao financiamento para a construção e manutenção dessas instituições,</p><p>a Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades</p><p>Filantrópicas (CMB, 2020) afirma que “desde sua origem, até o início das relações</p><p>com os governos, as Santas Casas foram criadas e mantidas pelas doações das</p><p>comunidades, viveram períodos áureos, em que construíram seus patrimônios que</p><p>foram boa parte destes tombados como patrimônio histórico”.</p><p>No Brasil, a atuação das Santas Casas passou por duas fases distintas: a</p><p>primeira, que ocorreu aproximadamente do século XVIII até 1837, tinha um caráter</p><p>predominantemente caritativo; uma segunda fase, de 1838 a 1940, teve uma</p><p>abordagem mais filantrópica (CMB, 2020).</p><p>O cenário da saúde no Brasil antes da criação do Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS) era notavelmente diferente em comparação com a situação atual. Naquela</p><p>época, a saúde era conceituada como ausência de doença, com a assistência</p><p>centrada principalmente em instituições médicas e hospitalares. A promoção da saúde</p><p>era uma responsabilidade exclusiva do Ministério da Saúde (MS), e todas as ações</p><p>de saúde eram centralizadas no nível do governo federal, sem a participação ativa</p><p>dos estados e municípios.</p><p>7</p><p>2 SURGIMENTO DO SUS</p><p>O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição Federal de 1988</p><p>e regulamentado pelas leis 8.080/90 e 8.142/90, relativas à participação da população</p><p>nos serviços de saúde (BRASIL, 1990a, 1990b). A Constituição, em seus artigos 196,</p><p>197 e 198, criou o SUS com base nas seguintes considerações:</p><p>➢ A saúde é um direito de todos e um dever do Estado;</p><p>➢ O acesso às ações e serviços de promoção, prevenção e recuperação da</p><p>saúde é universal e igualitário, ou seja, todos têm direito.</p><p>E foi definido da seguinte maneira:</p><p>➢ Descentralização, com direção única em cada esfera de governo;</p><p>➢ Atendimento integral, com prioridade para as atividades de prevenção, sem</p><p>prejuízo dos serviços assistenciais;</p><p>➢ Participação da comunidade.</p><p>Após sua criação, houve a necessidade de regulamentação, que ocorreu em</p><p>1990, com a promulgação das duas Leis Orgânicas da Saúde: a Lei 8.142/90, que</p><p>dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre a transferência</p><p>intergovernamental de recursos financeiros no setor de saúde e outras medidas e a</p><p>Lei 8.080/90, que estabelece as diretrizes para a promoção, segurança e restauração</p><p>da saúde, a estruturação e operação dos serviços relacionados e a abordagem de</p><p>outras medidas convenientes (ARCARI, 2020).</p><p>Desde sua concepção o SUS visa oferecer à toda população brasileira acesso</p><p>universal, integral e gratuito aos serviços de saúde. Além dos procedimentos médicos</p><p>como consultas, exames, cirurgias, internações e reabilitação. O sistema é</p><p>responsável também pelas campanhas de vacinação, gerenciamento dos programas</p><p>de doação de órgãos e medula óssea, planejamento, organização, controle e</p><p>execução das ações do serviço de saúde em articulação com o conselho municipal</p><p>local e a esfera estadual para aprovar e implantar o plano municipal de saúde</p><p>(CARVALHO, 2020).</p><p>Apresenta também princípios fundamentados em valores éticos e solidários,</p><p>para orientar o sistema de saúde: inclusividade (garantia de que todos os cidadãos</p><p>brasileiros tenham o direito de utilizar os serviços do SUS); imparcialidade (a oferta</p><p>8</p><p>de serviços deve ser determinada com base nas necessidades individuais de cada</p><p>cidadão ou população, promove a justiça social); e abrangência (os serviços devem</p><p>abranger a prevenção de doenças, a promoção da saúde, a cura e a reabilitação,</p><p>atender de forma integral às necessidades de saúde da população em geral). Detalhes</p><p>adicionais sobre esses princípios serão considerados posteriormente (SOLHA, 2014).</p><p>A implantação do SUS foi realizada de forma gradual: primeiro o Sistema</p><p>Unificado e Descentralizado de Saúde — SUDS; depois, a incorporação do Instituto</p><p>Nacional de Assistência Médica da Previdência Social — INAMPS, ao Ministério da</p><p>Saúde; e pôr fim a Lei Orgânica da Saúde (Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990),</p><p>finalmente o SUS (HANNA SOBRINHO, 2014). A figura 1 relata os Princípios e</p><p>diretrizes do SUS:</p><p>Figura 1 – Princípios e diretrizes do SUS</p><p>Fonte: https://encurtador.com.br/aluEX</p><p>Os princípios e diretrizes do SUS estão na Constituição Federal de 1988,</p><p>regulamentados e confirmados no capítulo II, artigo 7º da lei 8.080/90:</p><p>Art. 7º. As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados</p><p>contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde — SUS</p><p>são desenvolvidos conforme as diretrizes previstas no artigo 198 da</p><p>Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios:</p><p>I — Universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de</p><p>assistência;</p><p>9</p><p>II — Integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e</p><p>contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos,</p><p>exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema;</p><p>III — preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade</p><p>física e moral;</p><p>IV — Igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de</p><p>qualquer espécie;</p><p>V — Direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde; VI —</p><p>divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a</p><p>sua utilização pelo usuário;</p><p>VII — utilizaç��o da epidemiologia para estabelecer prioridades, a alocação</p><p>de recursos e a orientação programática;</p><p>VIII — participação da comunidade;</p><p>IX — Descentralização político-administrativa, com direção única em cada</p><p>esfera de governo:</p><p>Ênfase na descentralização dos serviços para os municípios;</p><p>Regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde;</p><p>X — Integração ao nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e</p><p>saneamento básico;</p><p>XI — conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e</p><p>humanos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na</p><p>prestação de serviços de assistência à saúde da população;</p><p>XII — capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de</p><p>assistência;</p><p>XIII — organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de</p><p>meios para fins idênticos.</p><p>XIV — organização de atendimento público específico e especializado para</p><p>mulheres</p><p>e vítimas de violência doméstica em geral, que garanta, entre</p><p>outros, atendimento, acompanhamento psicológico e cirurgias plásticas</p><p>reparadoras, segundo a Lei n.º 12.845, de 1º de agosto de 2013.</p><p>(Redação dada pela Lei n.º 13.427, de 2017) (BRASIL, 1990).</p><p>No total 14 princípios/diretrizes, dos quais, dar-se-á destaque aos que julgam</p><p>mais importantes, tais como: universalidade, integralidade e equidade.</p><p>2.1 Universalidade</p><p>O princípio da universalidade estabelece que a saúde é um direito de todos os</p><p>cidadãos, conforme definido na Constituição Federal como uma obrigação do Estado.</p><p>Com a implementação desse princípio, todas as pessoas passaram a ter o direito de</p><p>utilizar os serviços de saúde, uma prerrogativa que anteriormente estava restrita aos</p><p>indivíduos segurados pela Previdência Social ou aqueles que buscavam atendimento</p><p>na rede privada (ARCARI, 2020).</p><p>Devido à história do sistema de saúde no Brasil e à prevalência da cultura de</p><p>consumo nas sociedades contemporâneas, muitos associam equivocadamente a</p><p>ideia de universalidade à gratuidade. No entanto, a universalidade implica a noção de</p><p>direito, torna inadequada qualquer referência a pagamento ou gratuidade. No Brasil,</p><p>10</p><p>o direito à saúde é um direito social, de caráter coletivo, e não um direito individual</p><p>condicionado ao pagamento (MATTA, 2020).</p><p>A saúde é reconhecida como um direito civil de todos os indivíduos, o Estado</p><p>deve garantir esse direito. O acesso aos serviços de saúde será assegurado a todas</p><p>as pessoas, independentemente de gênero, raça, ocupação ou outras características</p><p>sociais, ou pessoais (BRASIL, 2020).</p><p>A universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS) não representa apenas o</p><p>direito à saúde assegurado por meio de políticas públicas, mas também enfatiza o</p><p>direito à vida e à igualdade de acesso, sem discriminação com base em raça, gênero,</p><p>religião ou qualquer outra forma de diferenciação dos cidadãos brasileiros (MATTA,</p><p>2020).</p><p>Além disso, para garantir o acesso universal, é necessário levar em</p><p>consideração a gravidade do risco à saúde, considerar a vulnerabilidade da pessoa e</p><p>a classificação cronológica, com respeito às particularidades condicionais por lei para</p><p>pessoas com necessidades especiais.</p><p>Os riscos individuais e coletivos deverão sempre prevalecer sobre quaisquer</p><p>outros critérios. Por exemplo, se um indivíduo for aguardar um determinado exame</p><p>devido a uma condição específica, como uma endoscopia para investigar uma</p><p>gastrite, e outra pessoa para ser adicionada à lista depois dele para o mesmo exame,</p><p>mas para investigar um câncer de estômago, esta última terá prioridade na fila devido</p><p>à gravidade do caso (SOLHA, 2014).</p><p>2.2 Integralidade</p><p>O princípio de integralidade fundamenta-se no entendimento de que as</p><p>pessoas têm o direito de serem atendidas no conjunto de suas necessidades,</p><p>individuais e coletivas, e que os serviços de saúde devem estar organizados de modo</p><p>a oferecer todas as ações requeridas por essa atenção integral. Dessa forma, o SUS</p><p>deve desenvolver ações, em relação ao ambiente e às pessoas, destinadas à</p><p>promoção, à proteção e à recuperação da saúde, bem como à reabilitação (ARCARI,</p><p>2018).</p><p>A integralidade fundamenta-se no entendimento de que as pessoas têm o</p><p>direito de serem atendidas no conjunto de suas necessidades, individuais e coletivas,</p><p>11</p><p>e que, os serviços de saúde devem estar organizados de modo a oferecer todas as</p><p>ações requeridas por essa atenção integral.</p><p>Sobre esse princípio:</p><p>Este princípio considera as pessoas na totalidade, atendendo a todas as suas</p><p>necessidades. Para isso, é importante a integração de ações, incluindo a</p><p>promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a reabilitação.</p><p>Juntamente, o princípio de integralidade pressupõe a articulação da saúde</p><p>com outras políticas públicas, para assegurar uma atuação intersetorial entre</p><p>as diferentes áreas que tenham repercussão na saúde e qualidade de vida</p><p>do indivíduo (ARCARI, 2018, documento online).</p><p>É fundamental que os profissionais de saúde adotem uma abordagem integral</p><p>no cuidado, que envolva a atenção de todas as necessidades dos usuários. Os</p><p>gestores de saúde têm a responsabilidade de organizar os serviços para fornecer</p><p>espaços adequados para uma escuta atenta, gerenciamento e solução dos problemas</p><p>apresentados pelos usuários, que muitas vezes não se limitam à saúde, mas exercem</p><p>uma influência significativa sobre ela (SOLHA, 2014).</p><p>Essa perspectiva da integralidade representa uma mudança substancial na</p><p>maneira como a saúde é percebida, afasta-se das questões puramente biomédicas</p><p>centradas no modelo médico-hospitalar. Ela busca uma compreensão mais ampla e</p><p>complexa das questões de saúde, com um foco no ser humano inserido em seu</p><p>contexto social em constante evolução. Isso requer adaptações por parte do sistema</p><p>de saúde e dos profissionais para atender às novas demandas de forma mais flexível</p><p>e alinhada com a realidade do momento.</p><p>2.3 Equidade</p><p>O princípio da equidade surge como uma resposta aos profundos problemas</p><p>históricos do país, que incluem as disparidades sociais e econômicas. Essas</p><p>disparidades resultam em desigualdades no acesso aos serviços de saúde, na sua</p><p>gestão e produção. O propósito desse princípio é reduzir essas desigualdades.</p><p>Embora todos tenham direito aos serviços, as pessoas não são iguais e, portanto,</p><p>possuem necessidades específicas. Em termos simples, a equidade envolve tratar de</p><p>maneira diferenciada aqueles que estão em situações desiguais, redirecionar maior</p><p>quantidade de recursos para áreas onde a carência é mais acentuada. (BRASIL,</p><p>2020).</p><p>12</p><p>As orientações do novo sistema de saúde serviram como base para</p><p>implementar as mudanças permitidas, fortalecer o processo de descentralização,</p><p>permitir que cada município passasse a gerenciar as ações de saúde conforme as</p><p>necessidades locais.</p><p>Esse conceito implica em buscar a equidade, em vez de tratar todas as pessoas</p><p>de maneira idêntica, visa agir com justiça, diminui as disparidades sociais. Dada a</p><p>extensão dos graves problemas civis no país, muitos indivíduos enfrentam</p><p>dificuldades para atender necessidades básicas que garantem uma vida saudável,</p><p>como a educação. Isso limita o acesso a informações e a capacidade de empreender</p><p>ações para preservar sua saúde, colocar-se em uma posição de maior vulnerabilidade</p><p>(SOLHA, 2014).</p><p>2.4 Princípios organizativos</p><p>Regionalização e hierarquização</p><p>Os serviços devem ser estruturados com uma progressão em sua</p><p>complexidade, delimitam-se a uma região geográfica específica, orientados por</p><p>critérios epidemiológicos e estabelecem definições de serviços e informações. A</p><p>regionalização representa o processo de coordenação dos serviços já existentes para</p><p>sua gestão unificada (BRASIL, 2020).</p><p>Em contrapartida, a hierarquização distribuirá os níveis de atenção e garantir a</p><p>disponibilidade dos serviços necessários para atender aos diferentes níveis de</p><p>complexidade em uma determinada área, considerar os recursos disponíveis</p><p>(BRASIL, 2020).</p><p>Apesar de ser uma medida estrutural fundamental para o Sistema Único de</p><p>Saúde (SUS), a regionalização enfrenta desafios significativos. Isso inclui a dificuldade</p><p>de integrar e coordenar atividades e serviços em diversas áreas geográficas, sob</p><p>diferentes administrações, para atender às necessidades de saúde da população de</p><p>forma abrangente, com qualidade e eficiência.</p><p>O sistema se organiza por meio da integração das atividades e serviços de</p><p>saúde entre as unidades governamentais, forma as redes de saúde, como destacado</p><p>por Arcari (2018, p. 94).</p><p>13</p><p>O princípio de Descentralização estabelece a descentralização da gestão e</p><p>das políticas da saúde no país. Nesse princípio, o poder e a responsabilidade</p><p>sobre a saúde são distribuídos entre os três níveis de governo, objetivando</p><p>uma prestação de serviços com mais eficiência e qualidade e também a</p><p>fiscalização</p><p>e o controle por parte da sociedade. Os municípios passam a ser</p><p>os responsáveis pela organização da oferta de todas as ações e serviços de</p><p>saúde e por estabelecer as políticas locais de saúde.</p><p>O princípio de Hierarquização é uma forma de organização dos serviços e</p><p>ações que visa atender as diferentes necessidades de saúde da população,</p><p>sendo a atenção básica a responsável pela resolubilidade da maioria das</p><p>necessidades em saúde da população e a ordenadora da rede de atenção à</p><p>saúde.</p><p>Descentralização e comando único</p><p>A descentralização implica na redistribuição de autoridade e obrigação entre os</p><p>três níveis de governo. No contexto da saúde, o seu propósito é melhorar a qualidade</p><p>dos serviços e garantir o controle e a supervisão pelos cidadãos. No âmbito do</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS), a responsabilidade pela saúde deve ser detalhada</p><p>para o município, visto que este cumpre os requisitos econômicos, técnicos,</p><p>administrativos e financeiros necessários para desenvolver essa função. Para que o</p><p>princípio da descentralização seja eficaz, existe uma concepção constitucional de uma</p><p>norma única, na qual cada instância de poder é autônoma e soberana em suas</p><p>decisões e atividades, respeita os princípios gerais e a participação da sociedade</p><p>(BRASIL, 2020).</p><p>No contexto do SUS, a política de descentralização envolve a transferência de</p><p>autoridade política, responsabilidades e recursos da esfera federal para o estadual e</p><p>municipal. Em resumo, ocorre uma 'desconcentração' do poder da União em direção</p><p>aos estados e municípios, para consolidar os princípios e diretrizes do Sistema</p><p>Brasileiro de Saúde (MATTA, 2020).</p><p>Participação Popular</p><p>A participação popular e o controle social em saúde, entre os princípios do</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS), destacam-se como elementos de importância</p><p>significativa, social e política, pois garantir que a população exerça um papel ativo na</p><p>elaboração e fiscalização das políticas de saúde públicas.</p><p>Para efetivar esse princípio, é fundamental estabelecer conselhos e</p><p>conferências de saúde específicas para a formulação de estratégias, bem como para</p><p>14</p><p>o monitoramento e avaliação da implementação das políticas de saúde (BRASIL,</p><p>2020).</p><p>Esse princípio envolve a organização e a participação da comunidade na</p><p>administração do SUS, regulamentado legalmente por meio de conselhos e</p><p>conferências de saúde no âmbito nacional, estadual e municipal (ARCARI, 2018).</p><p>A participação não ocorre sem possibilidade de conflitos. É importante</p><p>considerar que as necessidades da população nem sempre coincidem com as</p><p>respostas dadas pelo Estado em relação à oferta e a estrutura dos serviços de saúde.</p><p>Além disso, essas necessidades podem diferir das percepções dos profissionais de</p><p>saúde e dos interesses privados, que frequentemente experimentam influências na</p><p>opinião pública contra o Sistema Único de Saúde (SUS) em vários benefícios. Isso é</p><p>evidenciado pela cobertura midiática que muitas vezes destaca apenas as</p><p>dificuldades e falhas do sistema (basta observar as notícias e programas de televisão</p><p>que se concentram predominantemente nessas questões) (SOLHA, 2014).</p><p>A Lei n.º 8.142, de 28 de dezembro de 1990, estabelece as diretrizes para a</p><p>participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e aborda</p><p>as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde, além</p><p>de tratar de outras questões relacionadas.</p><p>O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional</p><p>decreta e eu sanciono a seguinte lei:</p><p>Art. 1° O Sistema Único de Saúde (SUS), de que trata a Lei n.° 8.080, de 19</p><p>de setembro de 1990, contará, em cada esfera de governo, sem prejuízo das</p><p>funções do Poder Legislativo, com as seguintes instâncias colegiadas:</p><p>I — A Conferência de Saúde; e</p><p>II — o Conselho de Saúde.</p><p>§ 1.º A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada quatro anos com a</p><p>representação dos vários segmentos sociais, para avaliar a situação de</p><p>saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis</p><p>correspondentes, convocada pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente,</p><p>por esta ou pelo Conselho de Saúde.</p><p>§ 2.º O Conselho de Saúde, em caráter permanente e deliberativo, órgão</p><p>colegiado composto por representantes do governo, prestadores de serviço,</p><p>profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de estratégias e no</p><p>controle da execução da política de saúde na instância correspondente,</p><p>inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão</p><p>homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera do</p><p>governo.</p><p>§ 3.º O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho</p><p>Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) terão</p><p>representação no Conselho Nacional de Saúde.</p><p>§ 4.º A representação dos usuários nos Conselhos de Saúde e Conferências</p><p>será paritária em relação ao conjunto dos demais segmentos.</p><p>15</p><p>§ 5.º As Conferências de Saúde e os Conselhos de Saúde terão sua</p><p>organização e normas de funcionamento definidas em regimento próprio,</p><p>aprovadas pelo respectivo conselho.</p><p>Art. 2° Os recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) serão alocados como:</p><p>I — Despesas de custeio e de capital do Ministério da Saúde, seus órgãos e</p><p>entidades, da administração direta e indireta;</p><p>II — Investimentos previstos em lei orçamentária, de iniciativa do Poder</p><p>Legislativo e aprovados pelo Congresso Nacional;</p><p>III — investimentos previstos no Plano Quinquenal do Ministério da Saúde;</p><p>IV — Cobertura das ações e serviços de saúde a serem implementados pelos</p><p>Municípios, Estados e Distrito Federal.</p><p>Parágrafo único. Os recursos referidos no inciso IV deste artigo destinar-se-</p><p>ão a investimentos na rede de serviços, à cobertura assistencial ambulatorial</p><p>e hospitalar e às demais ações de saúde.</p><p>Art. 3° Os recursos referidos no inciso IV do art. 2° desta lei serão repassados</p><p>de forma regular e automática para os Municípios, Estados e Distrito Federal,</p><p>segundo os critérios previstos no art. 35 da Lei n.° 8.080, de 19 de setembro</p><p>de 1990.</p><p>§ 1.º Enquanto não for regulamentada a aplicação dos critérios previstos no</p><p>art. 35 da Lei n.° 8.080, de 19 de setembro de 1990, será utilizado, para o</p><p>repasse de recursos, exclusivamente o critério estabelecido no § 1.º do</p><p>mesmo artigo.</p><p>§ 2.º Os recursos referidos neste artigo serão destinados, pelo menos setenta</p><p>por cento, aos Municípios, afetando-se o restante aos Estados.</p><p>§ 3.º Os Municípios poderão estabelecer consórcio para execução de ações</p><p>e serviços de saúde, remanejando, entre si, parcelas de recursos previstos</p><p>no inciso IV do art. 2° desta lei.</p><p>Art. 4° Para receberem os recursos, de que trata o art. 3° desta lei, os</p><p>Municípios, os Estados e o Distrito Federal deverão contar com:</p><p>I — Fundo de Saúde;</p><p>II — Conselho de Saúde, com composição paritária conforme o Decreto n.°</p><p>99.438, de 7 de agosto de 1990;</p><p>III — plano de saúde;</p><p>IV — Relatórios de gestão que permitam o controle de que trata o § 4.º do art.</p><p>33 da Lei n.° 8.080, de 19 de setembro de 1990;</p><p>V — Contrapartida de recursos para a saúde no respectivo orçamento;</p><p>VI — Comissão de elaboração do Plano de Carreira, Cargos e Salários</p><p>(PCCS), previsto o prazo de dois anos para sua implantação.</p><p>Parágrafo único. O não atendimento pelos Municípios, ou pelos Estados, ou</p><p>pelo Distrito Federal, dos requisitos estabelecidos neste artigo, implicará em</p><p>que os recursos concernentes sejam administrados, respectivamente, pelos</p><p>Estados ou pela União.</p><p>Art. 5° É o Ministério da Saúde, mediante portaria do Ministro de Estado,</p><p>autorizado a estabelecer condições para aplicação desta lei.</p><p>Art. 6° Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.</p><p>Art. 7° Revogam-se as disposições em contrário.</p><p>Brasília, 28 de dezembro de 1990; 169° da Independência e 102.º da</p><p>República (BRASIL, 1990).</p><p>3 AVANÇOS E DESAFIOS DO SUS</p><p>3.1 Descentralização da gestão do SUS</p><p>A descentralização político-administrativa, por meio da municipalização,</p><p>resultou</p><p>na reestruturação dos serviços e iniciativas de saúde, na redistribuição de</p><p>16</p><p>autoridade e competências, e na responsabilização dos municípios por promover</p><p>alterações no modelo de atendimento, no planejamento, na organização, no controle,</p><p>na avaliação e na administração dos serviços de saúde públicos em suas áreas</p><p>geográficas. Essa estratégia foi adotada para reduzir as disparidades regionais. No</p><p>cenário nacional, os municípios assumiram a função principal na gestão da rede de</p><p>serviços de saúde e na prestação direta da maioria das ações e programas de saúde</p><p>(ARCARI, 2020).</p><p>As Conferências e os Conselhos de Saúde são compostos por gestores,</p><p>profissionais de saúde, usuários do sistema (representando 50% do total) e outras</p><p>entidades ou indivíduos representativos, em uma composição paritária. Eles</p><p>desempenham várias funções, isso inclui a formulação de diretrizes para a política de</p><p>saúde e o acompanhamento de sua implementação, entre outras responsabilidades.</p><p>3.2 Arranjo institucional e processo decisório do SUS</p><p>O sistema é estruturado por meio da colaboração e coordenação das ações e</p><p>dos serviços de saúde entre os diferentes níveis de governo, resulta na formação de</p><p>uma rede abrangente de cuidados de saúde, conhecida como redes de atenção à</p><p>saúde. Ao examinar o SUS em termos de sua organização, competências e prestação</p><p>de serviços, inclui a estruturação em regiões de saúde, a hierarquização com base na</p><p>complexidade dos serviços, as responsabilidades constitucionais e as disparidades</p><p>entre as entidades federativas e as instâncias de tomada de decisão, fica evidente</p><p>uma interdependência dentro do SUS. Essa interdependência implica que os serviços</p><p>de saúde devem ser integrados entre si nas regiões de saúde (ARCARI, 2020).</p><p>3.3 Regionalização da assistência à saúde</p><p>A regionalização no Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma estratégia</p><p>prioritária destinada a garantir o direito à saúde, reduzir disparidades sociais e</p><p>territoriais, promover a equidade e a integralidade da assistência, bem como otimizar</p><p>os recursos financeiros e melhorar a descentralização. Ela oferece os meios</p><p>necessários para aprimorar de forma progressiva e a integração dos serviços de</p><p>17</p><p>saúde, controlar os custos e envolver mais os cidadãos no processo de tomada de</p><p>decisões (ARCARI, 2020).</p><p>Apesar de ser uma medida essencial para a estruturação do SUS, a</p><p>regionalização apresenta desafios importantes, introduz dificuldades na cooperação e</p><p>integração das ações e serviços em diferentes regiões geográficas, sob gestões</p><p>diversas, para atender adequadamente às necessidades e demandas de saúde da</p><p>população em termos de escala, qualidade e custos. O sistema é organizado por meio</p><p>da integração das ações e dos serviços de saúde entre os diferentes níveis de</p><p>governo, resulta na formação das redes de atenção à saúde.</p><p>3.4 Espaços de governança do SUS</p><p>As Comissões Intergestores foram condicionantes como uma inovação de</p><p>gestão na política de saúde e representam espaços permanentes de negociação,</p><p>planejamento e tomada de decisões relacionadas a questões operacionais,</p><p>descentralização e acordos nacionais, estaduais e regionais no âmbito do SUS. Eles</p><p>oferecem uma oportunidade para fortalecer a governança nesses contextos e</p><p>enfatizar a responsabilização dos entes envolvidos, garantem que as decisões de</p><p>gestão sejam transparentes e busquem a promoção do acesso integral à assistência</p><p>à saúde.</p><p>No contexto brasileiro a partir da década de 1990, houve um esforço</p><p>significativo na construção de um modelo de saúde e na definição de papéis para cada</p><p>esfera de governo. Durante esse período, foram construídas estruturas, tecnologias e</p><p>mecanismos institucionais de interação entre os gestores no SUS, bem como entre</p><p>eles e a sociedade. Isso resultou na determinação dos papéis de cada entidade e sua</p><p>função na gestão do sistema de saúde (ARCARI, 2020).</p><p>Os gestores de saúde desempenham funções em dois domínios interligados: o</p><p>domínio político e o domínio técnico. No domínio político, o compromisso principal é</p><p>com a população, e os gestores atuam como agentes de gestão de saúde voltados</p><p>para o interesse público, em oposição a interesses particulares ou privados. Nesse</p><p>sentido, é relevante destacar a participação e a contribuição dos conselhos nacionais</p><p>de representação dos gestores estaduais (CONASS) e municipais (CONASEMS), que</p><p>constituem espaços formais na relação entre os entes federados e sua participação</p><p>18</p><p>nas Comissões Intergestores Tripartites (CITs), Comissões Intergestores Bipartidas</p><p>(CIBs) e Comissões Intergestores Regionais (CIRs). Além disso, os conselhos de</p><p>saúde permanentes e deliberativos, que fazem parte da estrutura decisória do SUS,</p><p>(BRASIL, 2009).</p><p>3.5 Recursos financeiros</p><p>Os percentuais de investimento financeiro destinados ao SUS pelos municípios,</p><p>estados e União são atualmente previstos pela Lei Complementar n.º 141, datada de</p><p>13 de janeiro de 2012, resultante da aprovação da Emenda Constitucional 29</p><p>(BRASIL, 2012). De acordo com essa lei, os municípios e o Distrito Federal são</p><p>obrigados a aplicar, no mínimo, 15% da arrecadação dos impostos anuais em ações</p><p>e serviços públicos de saúde, enquanto aos estados cabe o compromisso de destinar</p><p>12% desses recursos. No caso da União, o montante aplicado deve corresponder ao</p><p>valor empenhado no exercício financeiro anterior, acrescido do percentual relativo à</p><p>variação do Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior à aprovação da lei</p><p>orçamentária anual (ARCARI, 2020).</p><p>A diminuição da participação dos recursos federais no financiamento da saúde</p><p>pública implica na redução do papel desempenhado pelo governo federal na</p><p>formulação da política de saúde, com uma ênfase crescente nos municípios. Isso</p><p>levou a uma preocupação crescente dos gestores municipais, situação que tende a</p><p>se agravar e considerar a promulgação da Emenda Constitucional n.º 95, de 15 de</p><p>dezembro de 2016, que atribuiu um teto para os gastos com saúde pelos próximos 20</p><p>anos, com limitações desfavoráveis na correção dos investimentos na área da saúde</p><p>(BRASIL, 2016). Em relação às mudanças no financiamento do SUS, em 28 de</p><p>dezembro de 2017, uma edição extraordinária do Diário Oficial da União publicou a</p><p>Portaria n.º 3.992, que dinamiza um novo modelo de financiamento para o SUS.</p><p>Desde a publicação da Portaria n.º 204/2007, os blocos de financiamento foram</p><p>incluídos como blocos financeiros, cada um com uma conta-corrente vinculada,</p><p>abrangendo os cinco blocos de custeio: atenção básica, média e alta complexidade</p><p>ambulatorial e hospitalar, assistência farmacêutica, vigilância em saúde e gestão do</p><p>SUS, além do Bloco de Investimento (BRASIL, 2007). A nova Portaria trouxe</p><p>mudanças significativas, cuja inclusão da fusão dos antigos blocos de financiamento</p><p>19</p><p>de custeio em um único bloco, mantiveram grupos de ações dentro desse Bloco de</p><p>Custeio. Esses grupos de ações devem refletir a destinação dos recursos no final de</p><p>cada exercício, bem como o que foi previsto no Plano de Saúde e na Programação</p><p>Anual de Saúde dos entes envolvidos.</p><p>3.6 Responsabilidades dos entes que compõem o SUS</p><p>➢ União: a gestão federal da saúde é realizada por meio do Ministério da Saúde.</p><p>O governo federal é o principal patrocinador da rede pública de saúde.</p><p>Anteriormente, o Ministério da Saúde destinava metade dos recursos de gastos</p><p>no país em saúde pública em todo o Brasil, e estados e municípios, em geral,</p><p>contribuem com o restante dos recursos. O Ministério da Saúde formula</p><p>políticas nacionais de saúde, mas não realiza as ações. Para a execução dos</p><p>projetos, depende de seus parceiros (estados, municípios, ONGs, fundações,</p><p>empresas, etc.). Possui funções de planejamento, desenvolvimento de normas,</p><p>avaliação e utilização de ferramentas de controle do SUS (BRASIL, 2020).</p><p>➢ Estados e Distrito Federal: os estados possuem secretarias específicas</p><p>para</p><p>a gestão de saúde. O gestor estadual deve aplicar recursos próprios, inclusive</p><p>nos municípios, e os repassados pela União. Além de ser um dos parceiros na</p><p>aplicação de políticas nacionais de saúde, o estado formula suas próprias</p><p>políticas de saúde. Ele coordena e planeja o SUS ao nível estadual, conforme</p><p>as normas federais. Os gestores estaduais são responsáveis pela organização</p><p>do atendimento à saúde em seu território (BRASIL, 2020).</p><p>➢ Municípios: São responsáveis pela execução das ações e serviços de saúde</p><p>no âmbito do seu território. O gestor municipal deve aplicar recursos próprios e</p><p>os repassados pela União e pelo estado. O município desenvolve suas próprias</p><p>políticas de saúde e também é um dos parceiros na adoção de políticas</p><p>nacionais e estaduais de saúde. Coordena e planeja o SUS ao nível municipal,</p><p>segundo as normas federais. Pode estabelecer parcerias com outros</p><p>municípios para garantir o atendimento pleno de sua população, para</p><p>procedimentos de complexidade que estejam acima daqueles que pode</p><p>oferecer (BRASIL,2020).</p><p>20</p><p>3.7 Estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS)</p><p>O Sistema Único de Saúde (SUS) é composto pelo Ministério da Saúde,</p><p>Estados e Municípios, conforme determina a Constituição Federal. Cada ente tem</p><p>suas corresponsabilidades (BRASIL, 2020):</p><p>Quadro 1-Estrutura do SUS</p><p>Ministério da Saúde</p><p>Gestor nacional do SUS, formula, normatiza,</p><p>fiscaliza, monitora e avalia políticas e ações, em</p><p>articulação com o Conselho Nacional de Saúde. Atua</p><p>no âmbito da Comissão Intergestores Tripartite (CIT)</p><p>para pactuar o Plano Nacional de Saúde. Integram</p><p>sua estrutura: Fiocruz, Funasa, Anvisa, ANS,</p><p>Hemobrás, Inca, Into e oito hospitais federais.</p><p>Secretaria Estadual</p><p>de Saúde (SES)</p><p>Participa da formulação das políticas e ações de</p><p>saúde, presta apoio aos municípios em articulação</p><p>com o conselho estadual e participa da Comissão</p><p>Intergestores Bipartite (CIB) para aprovar e</p><p>implementar o plano estadual de saúde.</p><p>Secretaria Municipal</p><p>de Saúde (SMS)</p><p>Planeja, organiza, controla, avalia e executa as</p><p>ações e serviços de saúde em articulação com o</p><p>conselho municipal e a esfera estadual para aprovar</p><p>e implantar o plano municipal de saúde</p><p>21</p><p>Conselhos de Saúde</p><p>O Conselho de Saúde, no âmbito de atuação</p><p>(Nacional, estadual ou Municipal), em caráter</p><p>permanente e deliberativo, órgão colegiado</p><p>composto por representantes do governo,</p><p>prestadores de serviço, profissionais de saúde e</p><p>usuários, atua na formulação de estratégias e no</p><p>controle da execução da política de saúde na</p><p>instância correspondente, inclusive nos aspectos</p><p>econômicos e financeiros, cujas decisões serão</p><p>homologadas pelo chefe do poder legalmente</p><p>constituído em cada esfera do governo.</p><p>Cabe a cada Conselho de Saúde definir o número</p><p>de membros, que obedecerá a seguinte composição:</p><p>50% de entidades e movimentos representativos de</p><p>usuários; 25% de entidades representativas dos</p><p>trabalhadores da área de saúde e 25% de</p><p>representação de governo e prestadores de serviços</p><p>privados conveniados, ou sem fins lucrativos.</p><p>Comissão</p><p>Intergestores</p><p>Tripartite (CIT)</p><p>Foro de negociação e pactuação entre gestores</p><p>federal, estadual e municipal, quanto aos aspectos</p><p>operacionais do SUS</p><p>Comissão</p><p>Intergestores</p><p>Bipartite (CIB)</p><p>Foro de negociação e pactuação entre gestores</p><p>estadual e municipais, quanto aos aspectos</p><p>operacionais do SUS</p><p>Conselho Nacional</p><p>de Secretário da</p><p>Saúde (Conass)</p><p>Entidade representativa dos entes estaduais e do</p><p>Distrito Federal na CIT para tratar de matérias</p><p>referentes à saúde</p><p>Conselho Nacional</p><p>de Secretarias</p><p>Municipais de Saúde</p><p>(Conasems)</p><p>Entidade representativa dos entes municipais na CIT</p><p>para tratar de matérias referentes à saúde.</p><p>22</p><p>Conselhos de</p><p>Secretarias</p><p>Municipais de Saúde</p><p>(Cosems)</p><p>São reconhecidos como entidades que representam</p><p>os entes municipais, no âmbito estadual, para tratar</p><p>de matérias referentes à saúde, desde que</p><p>vinculados institucionalmente ao Conasems, na</p><p>forma que dispuserem seus estatutos.</p><p>Fonte: BRASIL, 2020.</p><p>3.8 VIII Conferência Nacional de Saúde e o SUS</p><p>A 8ª Conferência Nacional de Saúde, que ocorreu de 17 a 21 de março de 1986,</p><p>representou um momento crucial na definição do Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>Durante esse evento, foram discutidos três temas principais: “A saúde como dever do</p><p>Estado e direito do cidadão”, “A reformulação do Sistema Nacional de Saúde” e “O</p><p>financiamento setorial”.</p><p>Essa conferência marcou um ponto de viragem na história do SUS ao ser a</p><p>primeira a ser aberta à participação da sociedade. Desempenhou um papel</p><p>fundamental na divulgação dos ideais da Reforma Sanitária e culminou na criação do</p><p>Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), que foi realizado de um</p><p>convênio entre o INAMPS e os governos estaduais. Além disso, foram lançadas as</p><p>bases para que a seção “Da Saúde” fosse incorporada à Constituição Brasileira de</p><p>1988 (ORDENEZ, 2017).</p><p>A nova ordem jurídica estabelecida na Constituição consagrou o Brasil como</p><p>um Estado Democrático de Direito, registrada a saúde como um direito de todos e um</p><p>dever do Estado. Ela distribuiu mecanismos e canais de controle e participação social</p><p>para garantir a efetivação dos princípios constitucionais que protegem tanto os direitos</p><p>individuais quanto os direitos sociais (BRASIL, 2020).</p><p>A proposta da VIII Conferência Nacional de Saúde foi aprovada na Constituição</p><p>de 1988, seção II, art. 196, capítulo 1:</p><p>A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas</p><p>sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros</p><p>agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua</p><p>promoção o, proteção o e recuperação (BRASIL, 1988 documento on-line).</p><p>23</p><p>4 LEGISLAÇÃO BÁSICA DO SUS</p><p>A legislação básica do SUS consiste na Constituição Federal (artigos 196 a</p><p>200), na Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990), nas Normas Operacionais Básicas</p><p>(NOB) e no Decreto 7.508/2011 que regulamenta a Lei 8.080/1990 e a Lei 8.142/1990</p><p>(ARCARI, 2018).</p><p>4.1 Lei orgânica da saúde</p><p>A Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, mais conhecida como Lei Orgânica</p><p>da Saúde, estabelece as diretrizes para o funcionamento e a organização do SUS.</p><p>Em seu primeiro artigo, a lei define que ela regulamenta todas as ações e serviços de</p><p>saúde realizados em todo o território nacional, seja de forma permanente ou eventual,</p><p>por pessoas naturais ou jurídicas de direito público, ou privado (BRASIL, 1990).</p><p>Por outro lado, a Lei n.º 8.142, de 28 de dezembro de 1990, trata da</p><p>participação da comunidade na gestão do SUS e das transferências</p><p>intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde (BRASIL, 1990b).</p><p>Essas leis solidificaram o papel central dos municípios como principais executores das</p><p>ações de saúde, o que representa uma expansão do processo de descentralização.</p><p>4.2 NOB — Normas Operacionais Básicas</p><p>Diversas portarias do MS regulamentaram o SUS, especialmente as que</p><p>originaram as NOBs de 1991, 1993 e 1996. A implantação do SUS no conjunto do</p><p>país passa a acontecer de forma gradual ao longo dos anos 1990. As NOB-SUS são</p><p>os principais instrumentos normalizadores do processo de descentralização das ações</p><p>e serviços de saúde no Brasil, um dos pilares de sustentação do SUS, conforme</p><p>demonstra o quadro 1 (ARCARI, 2018).</p><p>Quadro 1 – Normas Operacionais Básicas</p><p>24</p><p>Fonte: Arcari, 2018</p><p>25</p><p>6 DIREITOS E DEVERES DOS USUÁRIOS DO SUS</p><p>Toda pessoa tem o direito de acessar bens e serviços organizados e</p><p>estruturados para garantir a promoção, prevenção, proteção, tratamento e</p><p>recuperação da saúde (FENAFAR, 2018).</p><p>A entrada no sistema de saúde deve ser preferencialmente pela atenção básica</p><p>(postos de saúde, centros de saúde, Unidades de Saúde da Família, etc.). A partir</p><p>desse primeiro atendimento,</p><p>o indivíduo será encaminhado para outros serviços de</p><p>saúde pública de maior complexidade (hospitais e clínicas especializadas) (BRASIL,</p><p>2013).</p><p>O Conselho Nacional de Saúde (CNS) criou a Carta dos Direitos e Deveres da</p><p>Pessoa Usuária da Saúde para garantir que toda a população conheça seus direitos</p><p>e deveres em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS), uma das maiores políticas</p><p>públicas do mundo (FENAFAR, 2018).</p><p>A primeira versão da Carta foi elaborada em junho de 2009 e passou por</p><p>revisões posteriores para aprimorar a linguagem e contemplar a diversidade das</p><p>pessoas que utilizam o SUS (FENAFAR, 2018).</p><p>Na versão inicial, havia seis princípios fundamentais que garantem aos</p><p>cidadãos brasileiros um acesso digno aos sistemas de saúde, sejam eles públicos ou</p><p>privados (BRASIL, 2020):</p><p>➢ Todo cidadão tem direito a um acesso organizado e estruturado aos sistemas</p><p>de saúde.</p><p>➢ Todo cidadão tem direito a um tratamento adequado e eficaz para sua</p><p>condição.</p><p>➢ Todo cidadão tem direito a um atendimento humanizado, acolhedor e sem</p><p>discriminação.</p><p>➢ Todo cidadão tem direito a um atendimento que respeite sua pessoa, valores e</p><p>direitos.</p><p>➢ Todo cidadão também tem responsabilidades de garantir que seu tratamento</p><p>ocorra de maneira adequada.</p><p>➢ Todo cidadão tem direito ao comprometimento dos gestores de saúde para</p><p>garantir o cumprimento dos princípios anteriores (BRASIL, 2020).</p><p>26</p><p>Em 2017, o CNS formou um Grupo de Trabalho encarregado de revisar e</p><p>atualizar a Portaria n.º 1.820, de 13 de agosto de 2009, que trata dos direitos e deveres</p><p>dos usuários da saúde. Além disso, o CNS lançou uma consulta pública à sociedade</p><p>em abril de 2017 para ampliar a participação social no processo (FENAFAR, 2018).</p><p>O documento foi apresentado e aprovado pelo plenário durante a 61ª Reunião</p><p>Extraordinária do CNS em 9 de agosto de 2017, quando os conselheiros nacionais de</p><p>saúde aprovaram a Resolução n.º 553, que estabelece as diretrizes dos Direitos e</p><p>Deveres da Pessoa Usuária da Saúde.</p><p>6.1 Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde</p><p>I. Direito a saúde</p><p>Cada indivíduo tem o direito de ser recebido no serviço de saúde no momento</p><p>de sua chegada, considerar suas necessidades de saúde e características</p><p>específicas, sem a necessidade de senhas ou procedimentos burocráticos e respeitar</p><p>as prioridades determinadas pela lei.</p><p>A promoção e proteção da saúde devem estar relacionadas com as condições</p><p>sociais, culturais e econômicas das pessoas, abrangem aspectos como:</p><p>➢ Garantia de segurança alimentar e nutricional.</p><p>➢ Melhorias no saneamento básico e ambiental.</p><p>➢ Tratamento adequado para doenças negligenciadas, adaptado a cada região</p><p>do país.</p><p>➢ Iniciativas para o combate às endemias e doenças transmissíveis.</p><p>➢ Combater todas as formas de violência e discriminação.</p><p>➢ Educação fundamentada nos princípios dos Direitos Humanos.</p><p>➢ Promoção de empregos dignos.</p><p>➢ Acesso à moradia, transporte, atividades de lazer, segurança pública e</p><p>previdência social.</p><p>27</p><p>II. Tratamento adequado</p><p>Cada indivíduo tem direito a um atendimento integral que inclua procedimentos</p><p>adequados e oportunos para solucionar seus problemas de saúde, segue os princípios</p><p>orientadores que envolvem:</p><p>➢ Atendimento rápido, com estratégias para prevenir o agravamento, utiliza</p><p>tecnologia adequada, fornecida por uma equipe multiprofissional de</p><p>gerenciamento e em condições adequadas.</p><p>➢ Acesso contínuo e disponibilidade de vacinas conforme o calendário e</p><p>necessidades regionais.</p><p>➢ Estabelecimento de espaços de comunicação entre pacientes, profissionais de</p><p>saúde, gestores e serviços de assistência jurídica para discutir as diversas</p><p>opções de tratamento possíveis.</p><p>➢ Fornecimento de informações claras e respeitosas sobre o estado de saúde do</p><p>indivíduo, em uma linguagem adequada para atender às suas necessidades.</p><p>III. Atendimento humanizado</p><p>Cada indivíduo tem o direito de ser atendido de forma inclusiva, calorosa e</p><p>receptiva, prolongada por profissionais capacitados, em um espaço limpo, agradável</p><p>e de fácil acesso. As informações a seguir sana orientação de uma abordagem</p><p>renovada de atendimento humanizado:</p><p>➢ Nos serviços de saúde haverá igual visibilidade aos direitos e deveres das</p><p>pessoas usuárias e das pessoas que trabalham no serviço.</p><p>➢ A rede de Serviços do SUS utilizará as tecnologias disponíveis para facilitar o</p><p>agendamento de procedimentos nos serviços em todos os níveis de</p><p>complexidade.</p><p>➢ Os serviços de saúde serão organizados segundo a demanda da população, e</p><p>não limitados por produção ou quantidades de atendimento pré-determinados.</p><p>➢ A utilização de tecnologias e procedimentos nos serviços deverá proporcionar</p><p>celeridade na realização de exames e diagnósticos e na disponibilização dos</p><p>resultados.</p><p>28</p><p>➢ Haverá regulamentação do tempo de espera em filas de procedimentos.</p><p>➢ A lista de espera de média e alta complexidade deve considerar a agilidade e</p><p>transparência.</p><p>➢ As medidas para garantir o atendimento incluem o cumprimento da carga</p><p>horária de trabalho dos profissionais de saúde.</p><p>➢ Nas situações em que ocorrer a interrupção temporária da oferta de</p><p>procedimentos como consultas e exames, os serviços devem providenciar a</p><p>remarcação destes procedimentos e comunicar aos usuários.</p><p>➢ As redes de serviço do SUS devem se organizar e pactuar no território a oferta</p><p>de plantão de atendimento 24 horas, inclusive nos finais de semana.</p><p>➢ Cada serviço deverá adotar medidas de manutenção permanente dos</p><p>equipamentos, bens e serviços para prevenir interrupções no atendimento.</p><p>➢ É direito das pessoas, na rede de serviços da saúde, ter atendimento</p><p>humanizado, acolhedor, livre de qualquer discriminação, restrição ou negação</p><p>em virtude de idade, raça, cor, etnia, religião, orientação sexual, identidade de</p><p>gênero, condições econômicas ou sociais, estado de saúde, de anomalia,</p><p>patologia ou deficiência.</p><p>IV. Direitos</p><p>A carta de direitos do Ministério da Saúde tem em vista informar os direitos dos</p><p>usuários do Sistema Único de Saúde, garante sua proteção e garantia:</p><p>Toda pessoa deve ter seus valores, culturais e direitos respeitados na relação</p><p>com os serviços de saúde.</p><p>Escolha o tipo de plano de saúde que melhor lhe convier, segundo as</p><p>exigências mínimas constantes da legislação e a informação pela operadora</p><p>sobre a cobertura, custos e condições que está adquirindo.</p><p>Sigilo e a confidencialidade de todas as informações pessoais, mesmo após</p><p>a morte, salvo nos casos de risco à saúde pública.</p><p>Acesso da pessoa ao conteúdo do seu prontuário ou de pessoa por ele</p><p>autorizada e a garantia de envio e fornecimento de cópia, em caso de</p><p>encaminhamento a outro serviço ou mudança de domicílio. Obtenção de</p><p>laudo, relatório e atestado sempre que justificado por sua situação.</p><p>Obtenção de laudo, relatório e atestado sempre que justificado por sua</p><p>situação de saúde.</p><p>Consentimento livre, voluntário e esclarecido, a quaisquer procedimentos</p><p>diagnósticos, preventivos ou terapêuticos, salvo nos casos acarretem risco à</p><p>saúde pública, considerando que o consentimento anteriormente dado</p><p>poderá ser revogado a qualquer instante, por decisão livre e esclarecida, sem</p><p>que sejam imputadas à pessoa sanções morais, financeiras ou legais.</p><p>Pleno conhecimento de todo e qualquer exame de saúde admissional,</p><p>periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de função, ou demissional</p><p>realizado e seus resultados.</p><p>29</p><p>A indicação de sua livre escolha, a quem confiará a tomada de decisões par</p><p>a eventualidade de tornar-se incapaz de exercer sua autonomia.</p><p>O recebimento ou a recusa à assistência religiosa, espiritual, psicológica e</p><p>social.</p><p>A liberdade, em qualquer fase do tratamento, de procurar segunda opinião ou</p><p>parecer de outro profissional, ou serviço sobre seu estado de saúde, ou sobre</p><p>procedimentos recomendados.</p><p>A não-participação em pesquisa que envolva ou não tratamento experimental</p><p>sem</p><p>que tenha garantias claras de sua liberdade de escolha e, no caso de</p><p>recusa em participar ou continuar na pesquisa, não poderá sofrer</p><p>constrangimentos, punições ou sanções pelos serviços de saúde.</p><p>O direito de se expressar e ser ouvido nas suas queixas, denúncias,</p><p>necessidades, sugestões e outras manifestações por meio das ouvidorias,</p><p>urnas e qualquer outro mecanismo existente, sendo sempre respeitado na</p><p>privacidade, no sigilo e na confidencialidade.</p><p>A participação nos processos de indicação e eleição de seus representantes</p><p>nas conferências, nos conselhos de saúde e nos conselhos gestores da rede</p><p>SUS (BRASIL, 2011, p.3-4).</p><p>V. Corresponsabilidade</p><p>Cada indivíduo possui obrigações e prerrogativas que garantem a integridade</p><p>e continuidade do seu tratamento e recuperação, segundo os princípios estabelecidos</p><p>na carta de direitos dos usuários da saúde:</p><p>Prestar informações apropriadas nos atendimentos, nas consultas e nas</p><p>internações.</p><p>Expressar se compreendeu as informações e orientações recebidas e, caso</p><p>ainda tenha dúvidas, solicitar esclarecimentos sobre elas.</p><p>Seguir o plano de tratamento proposto pelo profissional ou pela equipe de</p><p>saúde responsável pelo seu cuidado, que deve ser compreendido e aceito</p><p>pela pessoa que também é responsável pelo seu tratamento.</p><p>Informar ao profissional de saúde ou à equipe responsável sobre qualquer</p><p>fato que ocorra em relação a sua condição de saúde.</p><p>Assumir a responsabilidade formal pela recusa a procedimentos, exames ou</p><p>tratamentos recomendados e pelo descumprimento das orientações do</p><p>profissional ou da equipe de saúde.</p><p>Contribuir para o bem-estar de todas e todos nos serviços de saúde, evitar</p><p>ruídos, uso de fumo e derivados do tabaco e bebidas alcoólicas, colaborar</p><p>com a segurança e a limpeza do ambiente.</p><p>Adotar comportamento respeitoso e cordial com as demais pessoas que</p><p>usam ou trabalham no estabelecimento de saúde.</p><p>Realizar exames solicitados, buscar os resultados e apresentá-los aos</p><p>profissionais dos serviços de saúde.</p><p>Tem em mão seus documentos e, quando solicitados, os resultados de</p><p>exames que estejam em seu poder.</p><p>Adotar medidas preventivas para situações de sua vida cotidiana que</p><p>coloquem em risco a sua saúde e de sua comunidade.</p><p>Comunicar aos serviços de saúde, às ouvidorias ou à vigilância sanitária</p><p>irregularidades relacionadas ao uso e à oferta de produtos e serviços que</p><p>afetem a saúde em ambientes públicos e privados.</p><p>Desenvolver hábitos, práticas e atividades que melhorem a sua saúde e</p><p>qualidade de vida.</p><p>30</p><p>Comunicar à autoridade sanitária local a ocorrência de caso de doença</p><p>transmissível, quando a situação requerer o isolamento ou quarentena da</p><p>pessoa, ou quando a doença constar da relação do Ministério da Saúde.</p><p>Não dificultar a aplicação de medidas sanitárias, bem como as ações de</p><p>fiscalização sanitárias, bem como as ações de fiscalização sanitária (BRASIL,</p><p>2011, p.5-7).</p><p>VI. Direito a informação</p><p>Cada indivíduo possui o direito de receber informações sobre os serviços de</p><p>saúde e ter acesso aos vários meios de participação disponíveis.</p><p>A educação permanente em saúde e a educação permanente para o controle</p><p>social devem estar incluídas em todas as instâncias do SUS, e evolver a</p><p>comunidade.</p><p>As unidades básicas de saúde devem constituir conselhos locais de saúde</p><p>com participação da comunidade.</p><p>As ouvidorias, Ministério Público, audiências públicas e outras formas</p><p>institucionais de exercício da democracia garantida em lei, são espaços de</p><p>participação cidadã.</p><p>As instâncias de controle social e o poder público devem promover a</p><p>comunicação dos aspectos positivos do SUS.</p><p>Devem ser estabelecidos espações para as pessoas usuárias manifestarem</p><p>suas posições favoráveis ao SUS e promovidas estratégias para defender o</p><p>SUS como patrimônio brasileiro.</p><p>As informações prestadas à população devem ser claras, para propiciar a</p><p>compreensão por toda e qualquer pessoa. (BRASIL, 2011, p.6).</p><p>Os conselhos de saúde deverão informar à população sobre:</p><p>a) Formas de participação</p><p>b) Composição do conselho de saúde</p><p>c) Regimento interno dos conselhos</p><p>d) Conferências de Saúde</p><p>e) Data, local e pauta das reuniões</p><p>f) Deliberações e ações desencadeadas.</p><p>VII. Participação</p><p>Todas as pessoas têm o direito de participar em conselhos e conferências de</p><p>saúde, além do poder exigido que os gestores sigam os princípios indicados</p><p>anteriormente. As conferências municipais e estaduais de saúde representam locais</p><p>de participação aberta e ampla da comunidade, complementadas por conferências</p><p>livres, distritais e locais, bem como plenárias de segmentos.</p><p>31</p><p>De acordo com a estrutura democrática do Brasil, qualquer indivíduo possui o</p><p>direito de acompanhar os órgãos de controle social como forma de participação</p><p>cidadã, observado o regulamento interno de cada instância. Os gestores do Sistema</p><p>Único de Saúde (SUS), nas três esferas de governo, comprometem-se a cumprir</p><p>essas diretrizes.</p><p>Promover o respeito e o cumprimento desses direitos e deveres, com a</p><p>adoção de medidas progressivas, para sua efetivação.</p><p>Adotar as providências necessárias para subsidiar a divulgação desta</p><p>Resolução, inserindo em suas ações as diretrizes relativas aos direitos e</p><p>deveres das pessoas.</p><p>Incentivar e implementar formas de participação dos trabalhadores e usuários</p><p>nas instâncias e participação de controle social do SUS.</p><p>Promover atualizações necessárias nos regimentos e estatutos dos serviços</p><p>de saúde, adequando-os a esta Resolução.</p><p>Aditar estratégias para o cumprimento efetivo da legislação e das</p><p>normatizações do SUS.</p><p>Promover melhorias contínuas, na rede SUS, como a informatização para</p><p>implantar o Cartão SUS e o Prontuário Eletrônico. (BRASIL, 2011, p.7).</p><p>7 SERVIÇOS E ATENDIMENTOS DO SUS</p><p>O atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), um direito assegurado a</p><p>todos os cidadãos brasileiros, segue um modelo de organização que classifica os</p><p>serviços de saúde em diferentes níveis de complexidade. A ideia é que situações</p><p>menos urgentes possam ser tratadas em instâncias que não exigem acesso a centros</p><p>especializados de alta complexidade, o que contribui para aprimorar a eficiência e a</p><p>eficácia do sistema de saúde (MATA, 2020).</p><p>Dessa forma, o atendimento pelo SUS é estruturado em três níveis de atenção:</p><p>➢ Unidades Básicas de Saúde e os Postos de Saúde, que servem como uma</p><p>“porta de entrada” para o sistema, oferece consultas, exames e procedimentos</p><p>básicos, como curativos e imunizações.</p><p>➢ Ambulatórios, unidades de pronto atendimento e hospitais de ensino, que lidam</p><p>com procedimentos de média complexidade, além de casos clínicos e agudos.</p><p>➢ Hospitais de grande porte, onde são realizadas intervenções mais invasivas e</p><p>procedimentos de alto risco à vida (MATTA, 2020).</p><p>32</p><p>7.1 Estratégia Saúde da Família — ESF</p><p>A Estratégia Saúde da Família (ESF) visa promover a qualidade de vida da</p><p>população brasileira e intervir nos fatores que ameaçam a saúde, como inatividade</p><p>física, alimentação econômica e tabagismo, entre outros. Mediante uma abordagem</p><p>de atenção integral, equitativa e contínua, a ESF se consolida como a principal porta</p><p>de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>A proximidade entre a equipe de saúde e o indivíduo permite um conhecimento</p><p>mais profundo da pessoa, sua família e comunidade, o que aumenta a adesão do</p><p>paciente aos tratamentos e intervenções sugeridos pela equipe de saúde. Isso, por</p><p>sua vez, resulta na resolução de mais problemas de saúde na atenção primária, evita</p><p>a necessidade de recorrer a serviços de mídia ou de alta complexidade, como</p><p>unidades de pronto atendimento (UPA 24h) ou hospitais.</p><p>A Equipe de Saúde da Família está associada à Unidade Básica de Saúde</p><p>(UBS) local, com capacidade de resolver cerca de 80% dos problemas de saúde da</p><p>população. No entanto, se uma pessoa necessitar de cuidados mais específicos, o</p><p>ESF fará o encaminhamento adequado.</p><p>Composição da ESF:</p><p>A Estratégia Saúde da</p><p>Família (ESF) é oferecida por uma equipe</p><p>multiprofissional que inclui pelo menos um médico generalista ou especialista em</p><p>saúde da família, um enfermeiro generalista ou especialista em saúde da família, um</p><p>auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde (ACS). Além</p><p>disso, há uma equipe de Saúde Bucal composta por um cirurgião-dentista generalista</p><p>ou especialista em saúde da família, bem como auxiliares e/ou técnicos em Saúde</p><p>Bucal.</p><p>A quantidade de ACS deve ser suficiente para cobrir integralmente a população</p><p>cadastrada, com um limite máximo de 750 pessoas pela gente e de 12 ACS por equipe</p><p>de Saúde da Família, respeita o limite recomendado de pessoas por equipe. Cada</p><p>equipe de Saúde da Família é responsável por um máximo de 4.000 pessoas em uma</p><p>área específica, esses indivíduos compartilham a responsabilidade pelo cuidado com</p><p>sua saúde. As atividades essenciais de uma equipe de Saúde da Família incluem:</p><p>33</p><p>➢ Conhecer a realidade das famílias sob sua responsabilidade e identificar os</p><p>problemas de saúde mais comuns e situações de risco enfrentadas pela</p><p>população.</p><p>➢ Executar procedimentos de vigilância à saúde e vigilância epidemiológica nas</p><p>diferentes fases da vida, segundo a qualificação de cada profissional.</p><p>➢ Garantir a continuidade do tratamento, faz referência adequada quando</p><p>necessário.</p><p>➢ Prestar assistência integral, atende de maneira contínua e racionalizada às</p><p>demandas, promove a saúde por meio da educação sanitária.</p><p>➢ Promover ações colaborativas com organizações formais e informais na</p><p>comunidade para enfrentar conjuntamente os problemas de saúde.</p><p>➢ Fomentar discussões contínuas sobre cidadania com a equipe e a comunidade,</p><p>enfatiza os direitos de saúde e suas bases legais.</p><p>➢ Estimular a formação e/ou participação ativa nos conselhos locais de saúde e</p><p>no Conselho Municipal de Saúde.</p><p>7.2 Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)</p><p>Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) foram estabelecidos pelo</p><p>Ministério da Saúde em 2008 com o propósito de apoiar a consolidação da Atenção</p><p>Primária no Brasil, expandir as opções de assistência à saúde na rede de serviços,</p><p>bem como melhorar a capacidade de resolução, alcance e abordagem das disciplinas.</p><p>A regulamentação desses núcleos ocorreu por meio da Portaria GM/MS n.º</p><p>635, datada de 22 de maio de 2023. Esta portaria institui incentivos financeiros</p><p>federais para a implementação e manutenção das equipes Multiprofissionais na</p><p>Atenção Primária à Saúde, chamadas de eMulti. As equipes eMulti consistem em</p><p>profissionais de saúde de diferentes áreas de especialização que colaboram de</p><p>maneira complementar e integrada com as demais equipes da Atenção Primária à</p><p>Saúde — APS, assumiram responsabilidades compartilhadas em relação à população</p><p>e ao território, em cooperação com outros setores e a Rede de Atenção à Saúde —</p><p>RAS (BRASIL, 2023).</p><p>Essa abordagem integrada viabiliza a discussão de casos clínicos, possibilita</p><p>atendimentos colaborativos entre profissionais, tanto em unidades de saúde quanto</p><p>34</p><p>em visitas domiciliares, e permite uma elaboração conjunta de planos terapêuticos, o</p><p>que amplia e aprimora as intervenções no território e na saúde de grupos</p><p>populacionais. Essas ações de saúde também podem envolver a cooperação com</p><p>outros setores, com ênfase especial na prevenção e promoção da saúde.</p><p>7.3 Programa Nacional de Imunização — PNI</p><p>O Programa Nacional de Imunizações (PNI) tem evoluído progressivamente ao</p><p>longo dos anos, melhorou a qualidade de vida da população por meio da prevenção</p><p>de doenças. O Calendário Nacional de Vacinação do Brasil, semelhante aos países</p><p>desenvolvidos, abrange não apenas crianças, mas também adolescentes, adultos,</p><p>idosos, gestantes e povos indígenas. Em sua rotina de imunização, são</p><p>disponibilizadas 19 vacinas que iniciam a proteção desde o nascimento, estende-se</p><p>ao longo da vida (BRASIL, 2020).</p><p>O PNI foi elaborado em 1973 por iniciativa do Ministério da Saúde, com o</p><p>propósito de coordenar as ações de imunização que foram anteriormente descritas</p><p>pela descontinuidade, natureza episódica e cobertura limitada. A concepção do</p><p>Programa, elaborado por especialistas do Departamento Nacional de Profilaxia e</p><p>Controle de Doenças do Ministério da Saúde e da Central de Medicamentos (CEME</p><p>— Presidência da República), foi aprovada em reunião realizada em Brasília em 18</p><p>de setembro de 1973, com a participação de renomados profissionais da saúde e</p><p>infectologistas, além de representantes de diversas instituições (BRASIL, 2020).</p><p>O PNI do Brasil é um dos maiores do mundo, oferece 45 imunobiológicos</p><p>diferentes para todas as faixas etárias da população. Campanhas anuais de</p><p>atualização da caderneta de vacinação são realizadas (BRASIL, 2020).</p><p>As vacinas são seguras e estimulam o sistema imunológico e protegem contra</p><p>doenças infecciosas. Quando utilizados como estratégia de saúde pública, são</p><p>considerados um dos melhores investimentos em saúde, devido ao seu custo-</p><p>benefício.</p><p>A bem-sucedida Campanha de Vacinação contra a varíola na década de 1960</p><p>declarou que a vacinação em massa pode erradicar doenças. O último caso de varíola</p><p>registrado no Brasil foi em 1971, e no mundo, em 1977, na Somália (BRASIL, 2018).</p><p>35</p><p>Em 1975, o PNI foi institucionalizado, consolidado a utilização de imunizantes</p><p>no país. Este plano passou a coordenar as atividades de imunização realizadas</p><p>rotineiramente na rede de serviços e elaborou diretrizes baseadas na experiência da</p><p>Fundação de Serviços de Saúde Pública (FSESP), que oferece serviços abrangentes</p><p>de saúde por meio de sua própria rede. A legislação específica sobre imunizações e</p><p>vigilância epidemiológica (Lei 6.259 de 30/10/1975 e Decreto 78.231 de 30/12/76)</p><p>destacou as atividades permanentes de vacinação e fortaleceu institucionalmente o</p><p>Programa (BRASIL, 2020).</p><p>A partir de 1980, após a erradicação da varíola, iniciou-se a 1ª Campanha</p><p>Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, para vacinar todas as crianças menores</p><p>de 5 anos em um único dia. O último caso de poliomielite no Brasil ocorreu na Paraíba</p><p>em março de 1989, conforme o Ministério da Saúde (2018). Em setembro de 1994, o</p><p>Brasil e os países das Américas receberam o certificado da Comissão Internacional</p><p>para a Certificação da Ausência de Circulação Autóctone do Poliovírus Selvagem nas</p><p>Américas, atestaram a eliminação da doença e do vírus no continente.</p><p>De 1990 a 2003, o PNI fez parte da Fundação Nacional de Saúde. A partir de</p><p>2003, passou a fazer parte da DEVEP/SVS — Secretaria de Vigilância em Saúde,</p><p>integrada na Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações (CGPNI).</p><p>Ao longo do tempo, o PNI alcançou avanços importantes na consolidação da</p><p>estratégia de vacinação nacional. As metas atuais incluem a eliminação do sarampo</p><p>e do tétano neonatal, além do controle de outras doenças imunopreveníveis, como</p><p>difteria, coqueluche, tétano acidental, hepatite B, meningite, febre-amarela, formas</p><p>graves da tuberculose, rubéola e caxumba em alguns estados.</p><p>O PNI adquire, distribui e estabelece diretrizes para o uso de imunobiológicos</p><p>especiais destinados a situações e grupos populacionais específicos, atendidos nos</p><p>Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). A cooperação também</p><p>é responsável pela implantação do Sistema de Informação e pela consolidação dos</p><p>dados de cobertura vacinal em todo o país (BRASIL, 2020).</p><p>O objetivo principal do Programa é oferecer vacinas de qualidade a todas as</p><p>crianças nascidas anualmente no país, busca alcançar coberturas vacinais de 100%</p><p>de forma subterrânea em todos os municípios e bairros. Atualmente, o PNI faz parte</p><p>do programa da Organização Mundial da Saúde, com apoio técnico, operacional e</p><p>36</p><p>financeiro da UNICEF, além de contribuições do Rotary Internacional e do Programa</p><p>das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).</p><p>Dentre os desafios enfrentados pelo SUS,</p>

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