Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

<p>VIOLÊNCIA E DIREITOS HUMANOS</p><p>FILOSOFIA III</p><p>PROF. DR.. WEKSLEY GAMA</p><p>IFES CAMPUS LINHARES</p><p>TIPOS DE VIOLÊNCIA</p><p>¡ Violência legítima do Estado: o Estado moderno, desde o século XVII, centralizou o poder e assumiu o controle do</p><p>aparelho repressivo constituído por tribunais, polícia, prisões e exército, tornando-se o único autorizado a usar a</p><p>violência legítima sem contornar a legalidade. Não se deve, portanto, “fazer justiça com as próprias mãos”. O ideal</p><p>civilizatório se estrutura a partir do estado de direito, onde todos os que transgridam devem se submeter aos</p><p>instrumentos legais. O direito ao uso da força repressiva não deve violar valores como justiça, liberdade e dignidade, que</p><p>são princípios democráticos.</p><p>¡ O problema do encarceramento de negros jovens, muitas vezes réus primários e de bons antecedentes, é uma</p><p>realidade no Brasil. As condições das instalações prisionais são péssimas, não fornecendo dignidade nem</p><p>favorecendo para a ressocialização. Há evidências de que muitos detentos entram no sistema prisional e saem dele</p><p>ainda mais perigosos do que entraram.</p><p>¡ Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) coletados em 2022 apontam que um preso custa, em média, R$ 1,8 mil</p><p>mensais aos cofres brasileiros. Já um aluno da educação básica – segundo informações do Fundo de Manutenção e</p><p>Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) – recebe um investimento</p><p>mínimo médio anual de R$ 5,6 mil – cerca de R$ 470,00 por mês, valor quatro vezes menor. A atualização mensal do custo</p><p>do preso no Brasil é recente, e surgiu após um estudo na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP</p><p>identificar a falta de transparência em relação a informações relacionadas aos presídios brasileiros.</p><p>https://jornal.usp.br/ciencias/brasil-gasta-quase-quatro-vezes-mais-com-sistema-prisional-em-comparacao-com-educacao-</p><p>basica/#:~:text=Dados%20do%20Conselho%20Nacional%20de,mil%20mensais%20aos%20cofres%20brasileiros.</p><p>https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/nao-ha-transparencia-sobre-gastos-com-presos-diz-pesquisador/</p><p>TIPOS DE VIOLÊNCIA</p><p>¡ Violência psicológica: este tipo de violência não recorre à força física, mas atua sobre a consciência</p><p>para obrigar alguém a agir de determinado modo. A chantagem, por exemplo, se enquadra neste tipo de</p><p>violência. Os preconceitos (racismo contra negros, indígenas e migrantes, judeus, etc.), são formas de</p><p>violentar psicologicamente o outro. Como ocorre com o sexismo, o elitismo e a homofobia. O preconceito</p><p>pode levar à intolerância e gerar violência física, como a violência doméstica e o assassinato de pessoas</p><p>LGBTQIA+. O bullying também violenta a integridade do outro.</p><p>¡ “Classificar como expressão de violência costumes vistos como ‘brincadeiras’ mostra que estas</p><p>práticas nunca são ingênuas, pois escondem, em graus diversos, a intenção de ferir o outro,</p><p>geralmente mais inseguro, frágil ou simplesmente diferente”.</p><p>¡ O clima humilhante e perverso gerado por estas práticas fere e causa diversos danos a quem as sofre. Por isso,</p><p>mesmo que parece algo irrelevante para nós, é preciso ter em conta que a medida do sofrimento do outro é</p><p>dada pelo outro, não por nós.</p><p>TIPOS DE VIOLÊNCIA</p><p>¡ Violência digital: Os diversos acessos digitais amplificaram a velocidade com a qual notícias, fofocas e imagens</p><p>circulam. Neste contexto, o cyberbulliyng ganha uma amplitude marcante. Muitas vezes motivadas por vingança, as</p><p>pessoas expõem ex namora@s e amig@as através de frases, imagens e de montagens. Além disso, comentários</p><p>caluniosos e que motivam o ódio e a intolerância são feitos por pessoas que presumem manter o anonimato e,</p><p>com isso, consideram possível alimentar estas práticas de maneira impune. Há medidas legais sendo tomadas pelo</p><p>Estado para enquadrar tais criminosos e coibir tais atos, a Polícia Federal dispõe de delegacias para investigar</p><p>crimes cibernéticos com um alto grau de efetividade. Contra o racismo, o Estatuto de Igualdade Racial,</p><p>instituído em 2010, reforça o artigo 20 da Lei n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, segundo a qual “praticar, induzir ou</p><p>incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” é crime com</p><p>pena de um a três anos e multa. Segundo a Constituição de 1988, racismo é crime inafiançável e imprescritível.</p><p>TIPOS DE VIOLÊNCIA</p><p>¡ Violência estrutural: em geral, há o autor e a vítima da prática violenta. No entanto, existem formas de</p><p>violência ocultadas pela naturalização de tal situação. Portanto, existe uma forma de violência que se perpetua</p><p>silenciosamente, não se evidenciando de modo explícito, mas condenando uma parcela significativa da</p><p>população mundial a condições degradantes. Esta violência, por óbvio, atinge marcadamente os mais pobres,</p><p>mantidos longe das garantias que possuem os membros dos extratos sociais mais favorecidos. Assim, a</p><p>violência estrutural se esconde atrás do fato de não podermos identificar diretamente aquele que</p><p>pratica a agressão. A vítima não sabe exatamente a quem atribuir responsabilidade, chegando a concordar</p><p>que todo o seu sofrimento faz parte da ordem natural das coisas. Com isso, sofrem com a ausência de</p><p>saneamento básico, a fome e diversos outros tipos de vulnerabilidade que, em geral, resultam em umamorte</p><p>precoce.</p>

Mais conteúdos dessa disciplina