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<p>1</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 2</p><p>2 ORIGEM DA PALAVRA HOSPITAL ..................................................................... 3</p><p>2.1 Hospitais no mundo ............................................................................................. 6</p><p>3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS HOSPITAIS NO BRASIL ................................... 11</p><p>4 EVOLUÇÃO DAS ESTRUTURAS HOSPITALARES E FOCO NO PACIENTE .. 13</p><p>5 RELAÇÃO DOS HOSPITAIS COM AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS E</p><p>MILITARES ............................................................................................................... 16</p><p>6 HOSPITAL COMO UMA UNIDADE INTEGRADA .............................................. 21</p><p>7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 26</p><p>2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um</p><p>aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é</p><p>que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora</p><p>que lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>3</p><p>2 ORIGEM DA PALAVRA HOSPITAL</p><p>Fonte: ojornaldailha.com</p><p>Ao analisarmos a história da humanidade, não é comum encontrarmos</p><p>referências à existência de instituições especializadas no cuidado e tratamento de</p><p>pessoas doentes, como vemos nos dias de hoje. No entanto, a prática da medicina é</p><p>relatada em escritos do antigo Egito e da Índia. A palavra hospital tem origem no latim</p><p>hospitalis, que significa "ser hospitaleiro" receptivo, acolhedor. Ela é derivada da</p><p>palavra hospes, que significa hóspede, visitante, de onde vem hospedale, que tem o</p><p>sentido de “aquele que hospeda”. Desse modo, os vocábulos hospital e hospedale</p><p>tiveram sua origem no latim primitivo e se propagaram por muitos países. No princípio</p><p>da era cristã, se usava mais a terminologia relacionada com o latim e o grego</p><p>(OLIVEIRA, 2019).</p><p>Diferente termo empregado era “nosocômio”, que denota abrigo para enfermos.</p><p>A hospitalidade, portanto, é prática antiga e se refere ao ato de receber ou acolher</p><p>bem o visitante, independentemente de conhecê-lo ou não (JULIÃO, 2020).</p><p>A palavra hospital, atualmente, é utilizada com o mesmo sentido de</p><p>nosocomium, que significa “o lugar dos doentes” ou o “lugar dos enfermos” e</p><p>nosodochium, que quer dizer “acolhimento de doentes” ou “recebimento de</p><p>enfermos” (ANTUNES, 1991 apud OLIVEIRA, 2019).</p><p>Segundo Almeida (1965), na história remota, aparecem, ainda, outras</p><p>terminologias que ressaltam outras concepções assistenciais. Nesse sentido,</p><p>destacam-se segundo Oliveira (2019):</p><p>4</p><p> Hospitium: local onde os hóspedes eram recepcionados.</p><p> Asylum: abrigo ou refúgio para os loucos.</p><p> Orphanotrophium: orfanato.</p><p> Potochotrophium e Ptochodochium: abrigo para os pobres.</p><p> Poedotrophium: abrigo para crianças.</p><p> Gerontokomium: abrigo para v</p><p> Arginaria: abrigo para os incuráveis.</p><p> Xenodochium e xenotrophium: abrigo pra estrangeiros e viajantes.</p><p> Gynetrophium: hospital para mulheres.</p><p>Do vocábulo hospitium, originou-se a palavra hospício, que denominava as</p><p>instituições que acolhiam ou eram habitadas de forma permanente por doentes</p><p>pobres, moribundos ou loucos. Nesse sentido, os estabelecimentos reservados para</p><p>o cuidado temporário das pessoas doentes eram chamados de hospital, enquanto o</p><p>local que abrigava pessoas que não estavam doentes era chamado de hotel</p><p>(OLIVEIRA, 2019).</p><p>Segundo Oliveira (2019) para que se possa analisar a amplitude do significado</p><p>do vocábulo “hospital”, é preciso fazê-lo à luz das práticas da medicina da antiguidade</p><p>e dos locais onde essas atividades eram realizadas. Os primórdios da existência de</p><p>locais de atendimento aos enfermos aparecem no Egito. O templo de Saturno foi</p><p>considerado como o princípio da escola médica, vários séculos antes de Cristo. Em</p><p>2.250 a.C., o Código de Hamurabi trouxe a regulamentação para o exercício de</p><p>atividades de medicina, estabelecendo os valores da remuneração a ser paga a quem</p><p>a exercesse. Além disso, O Código de Hamurabi estabelecia, ainda, os castigos para</p><p>o praticante de medicina que cometesse algum erro por imperícia. Contudo, não</p><p>existem registros sobre os locais onde estas atividades eram exercidas.</p><p>No Egito, os estudos de anatomia ocorreram principalmente por Herophilus e</p><p>Erisitrastus. Os dois estudiosos fizeram constatações como, por exemplo, as relações</p><p>entre o cérebro, a medula espinhal e os nervos. A preocupação do ser humano, a</p><p>princípio, era remetida ao bem-estar de seus familiares.</p><p>Contudo, ao longo do tempo, para sua própria proteção e defesa, foi obrigado</p><p>a se preocupar, também, com a saúde daqueles que o cercavam, pois, o</p><p>aumento populacional e o crescimento da circulação de pessoas</p><p>evidenciaram a imposição de proteger a coletividade. Na Índia, os mais</p><p>antigos documentos escritos encontrados foram textos médicos grafados em</p><p>sânscrito, como o Atharva Veda e o Rig Veda, que continha hinos litúrgicos.</p><p>5</p><p>Esses textos foram encontrados por volta de 1500 a. C. (ALMEIDA, 1965</p><p>apud OLIVEIRA, 2019).</p><p>De acordo com os registros encontrados, a medicina praticada na Índia era</p><p>semelhante à que era praticada por outros povos antigos. Era baseada em</p><p>encantamentos e feitiços contra os demônios que provocavam as enfermidades e</p><p>milagres quando conseguiam a cura. O elemento importante na arte médica hindu era</p><p>a cirurgia. Na realização das cirurgias, os médicos hindus da época já demonstravam</p><p>preocupação com a higiene, banhando-se antes do procedimento e cortando cabelos</p><p>e unhas. Percebe-se que, já nos primórdios das civilizações, despertou no ser humano</p><p>um interesse pelo cuidado e o tratamento das enfermidades. Contudo, a evolução de</p><p>um sistema de cuidado organizado em um só local, estabelecido para essa função, só</p><p>surgiu algum tempo depois (OLIVEIRA, 2019).</p><p>De acordo com Julião (2020) no caso dos hospitais, a hospitalidade é</p><p>fundamental, pois é um ambiente que ajuda as pessoas nas suas necessidades de</p><p>saúde mais urgentes. Cada sociedade em seus respectivos continentes desenvolveu</p><p>formas de hospitalidade para seu povo e para os viajantes que chegam. A procura</p><p>pela qualidade é o objetivo de todas as empresas, sejam elas do ramo de produtos ou</p><p>serviços e, para alcançá-la, utilizam recursos para melhorar e dinamizar seu processo,</p><p>sua produção e seu crescimento.</p><p>No hospital, investe-se cada vez mais em pesquisas científicas, modernização</p><p>dos processos e inovação tecnológica. São oferecidos equipamentos e instalações de</p><p>última geração, processos antes inimagináveis e especialistas altamente qualificados,</p><p>além de um atendimento voltado para o cliente que vive um momento de fragilidade</p><p>física e vulnerabilidade emocional e, portanto, necessita de respeito, atenção e</p><p>carinho (JULIÃO, 2020).</p><p>O uso inicial do hospital servia mais aos pobres e prestava conforto aos</p><p>doentes, o atendimento era realizado por sacerdotes ou através de ordens</p><p>religiosas, uma vez que os procedimentos</p><p>de caráter curativo eram pouco</p><p>praticados, a cura era mais como uma característica secundária ao serviço</p><p>religioso, apesar de sua origem anterior a era cristã (TOLEDO, 2006, p. 17</p><p>apud BADALOTTI et al, 2015).</p><p>Segundo Michelin (1992, p.27) apud Badalotti et al (2015) o objetivo do edifício</p><p>hospitalar era mais no sentido de proteção dos que estavam fora do que o atendimento</p><p>para os pacientes que estavam dentro da edificação.</p><p>6</p><p>Desta forma, vemos o hospital como um espaço pleno de simbolismo e sentido</p><p>que se desenvolveu ao longo dos séculos de construção e sentido, onde inicialmente</p><p>serviu como uma estrutura de separação e exclusão e evoluiu para um ambiente de</p><p>diagnóstico e cura. A produção projetual de hospitais apresenta importantes</p><p>exemplos, inclusive de renome internacional, mas os registros e documentos</p><p>bibliográficos sobre este patrimônio são pouco representativos. Portanto é através do</p><p>estudo, da observação e do conhecimento da história do edifício hospitalar no tempo</p><p>que podemos apontar melhores decisões projetuais para a implantação de novas</p><p>unidades de saúde.</p><p>[...] a arquitetura foi a primeira arte a ocupar-se do hospital. A idéia de que o</p><p>doente necessita de cuidados e abrigo é anterior à possibilidade de lhe</p><p>dispensar tratamento médico. E todas as cidades, em todas as épocas,</p><p>mobilizaram-se para prover esta necessidade. Templos, conventos e</p><p>mosteiros foram as primeiras instituições a recolher os doentes [...]</p><p>(ANTUNES, 1989 apud BADALOTTI et al, 2015).</p><p>A assistência médica (antiga e medieval) era oficialmente prestada por padres</p><p>religiosos ou informalmente por leigos, praticantes da dita medicina popular, que se</p><p>encontravam no mercado "ou onde a multidão se aglomerava para mostrar o</p><p>espetáculo" da extração de dentes à amputação de membros” BADALOTTI et al,</p><p>2015.</p><p>Também é importante mencionar as preocupações com a saúde neste contexto</p><p>histórico, cuja aplicação está tomando forma na construção da saúde graças aos</p><p>estudos de Louis Pasteur e da enfermeira Florence Nightingale, sugerindo que as</p><p>deficiências dos hospitais existentes se devem principalmente à falta de iluminação e</p><p>ventilação naturais adequadas, espaço mínimo por canteiro e na própria superlotação</p><p>(BADALOTTI et al, 2015).</p><p>2.1 Hospitais no mundo</p><p>As primeiras instalações hospitalares foram confundidas com santuários e</p><p>templos onde a medicina divina era praticada (JULIÃO, 2020).</p><p>Como resultado, hospitais foram construídos próximos às igrejas e foram</p><p>oferecidos cuidados e assistência hospitalar. As instituições hospitalares foram</p><p>consequência da evolução e do aprimoramento da medicina como ciência. Na Idade</p><p>Média, os hospitais representavam um lugar de caridade, caracterizado pela</p><p>7</p><p>religiosidade e assistência para atendimento à população carente e sobreviviam por</p><p>meio de doações (JULIÃO, 2020).</p><p>A partir do século XVII, por influência italiana, os hospitais foram</p><p>caracterizados como um centro de reclusão para pessoas enfermas</p><p>submetidas a terapêuticas realizadas por profissionais de saúde. Nesse</p><p>período, iniciou-se a preocupação com o isolamento de pessoas portadoras</p><p>de doenças infectocontagiosas e alguns hospitais foram construídos fora dos</p><p>limites das cidades para abrigar os leprosos, os loucos e os sifilíticos</p><p>(MALAGÓN-LONDOÑO; LAVERDE; LONDOÑO, 2018 apud JULIÃO, 2020).</p><p>No século seguinte, os médicos começaram a trabalhar nessas instalações,</p><p>que se tornaram conhecidas como um ambiente de busca de cura, em vez de um</p><p>ambiente de conforto espiritual. Nesse período, surgem os hospitais especializados</p><p>para a cura, acompanhados das tecnologias clínicas e do desenvolvimento da prática</p><p>cirúrgica. No século XVIII uma organização de saúde pública foi estabelecida na</p><p>França para combater epidemias e pragas. A partir do entendimento da relação entre</p><p>doença e meio ambiente, foram criados programas para o tratamento do lixo e das</p><p>águas paradas, bem como para a circulação de pessoas pela cidade, considerando</p><p>as áreas endêmicas e de maior propagação de doenças (JULIÃO, 2020).</p><p>De acordo com Julião (2020) diante dessa situação, o hospital foi essencial na</p><p>política sanitária e demográfica das cidades, pois oferecia equipamentos de</p><p>diagnóstico e tratamento, além de um corpo clínico capacitado. Em um período em</p><p>que o cuidado com a higiene ganhava força, a ação das autoridades teve papel</p><p>importante, principalmente nos ambientes sabidos como de maior risco para a</p><p>propagação de doença, como prisões, portos e hospitais gerais. Outra forma de ajuda</p><p>que surgiu nesse período foram os fundos de ajuda mútua, destinados a fornecer</p><p>assistência médica, financeira e jurídica à classe trabalhadora, entre outras coisas.</p><p>Após a Revolução Industrial inglesa, com a ascensão da classe burguesa, as práticas</p><p>sanitárias, a saúde pública, a modernização dos hospitais e as medidas de bem-estar,</p><p>tudo isso aumentou.</p><p>Com o passar dos anos, surgiram estabelecimentos específicos para o</p><p>cuidado de doentes, como o Hospital Hotel de Deus, em Paris, que tinha mais</p><p>de 1500 leitos, e a Santa Casa de Misericórdia de Santos, no Brasil. A partir</p><p>desse momento, os enfermos eram distanciados de seus familiares e da</p><p>sociedade para serem tratados nos hospitais. Nessa época, a preocupação</p><p>com as infecções já fazia parte do dia a dia das equipes de trabalho e</p><p>iniciaram-se debates sobre a permanência de pacientes incuráveis nas</p><p>instituições (COSTEIRA, 2014 apud JULIÃO, 2020).</p><p>8</p><p>A arquitetura das instalações hospitalares também mudou ao longo do tempo,</p><p>existindo no século XIX a maquete de um pavilhão. Após o término da Segunda</p><p>Guerra Mundial, com o crescimento das cidades no mundo todo, foram construídos</p><p>hospitais cada vez maiores e melhores. O hospital tornou-se referência em saúde e a</p><p>arquitetura dessa instalação estava mais de acordo com o padrão atual.</p><p>A partir do século XX, com o advento da tecnologia, esta foi incorporada às</p><p>ações e aos serviços dos hospitais, assim como a medicalização e as</p><p>especialidades médicas que ampliaram a resolutividade do corpo clínico</p><p>hospitalar. A medicalização teve papel fundamental para assegurar a ordem</p><p>social na época, pois era distribuída aos pobres junto com a visita médica</p><p>periódica nos abrigos onde eles recebiam sopa, pão e vestuário</p><p>(NASCIMENTO; DRAGANOV, 2015 apud JULIÃO, 2020).</p><p>A oferta de medicamentos e cuidados médicos gratuitos representava uma</p><p>estratégia para minimizar as pestes e as endemias. Os hospitais, ao longo dos</p><p>séculos, foram se transformando em espaço de terapêutica em detrimento da</p><p>caridade. Por muito tempo, eles atuaram como um mercado de demanda e não como</p><p>um mercado de abastecimento, com pacientes em busca de um local para prestar</p><p>atendimento médico. Contudo, as mudanças no contexto de se fazer saúde vêm</p><p>modificando essa prática para atender às exigências e às necessidades dos clientes</p><p>em saúde, que atualmente buscam, além do atendimento médico, por médicos</p><p>competentes, tecnologia de ponta, instalações e equipamentos adequados, além de</p><p>respeito, carinho, dedicação e conforto (JULIÃO, 2020).</p><p>3 CLASSES HOSPITALARES NO MUNDO</p><p>Fonte: hsc.com</p><p>9</p><p>Após a segunda metade do século XX, notou-se que países como Inglaterra,</p><p>Estados Unidos e o Canadá, os orfanatos, asilos e instituições para crianças</p><p>transgrediam aspectos básicos do desenvolvimento emocional destas e podiam leva-</p><p>las a categorias psiquiátricas bastantes sérias causando sequelas na vida adulta.</p><p>Pesquisas sobre Classes Hospitalares sugerem que as primeiras décadas do século</p><p>XX a Europa contemplou em hospitais algumas atividades educativas que podem ser</p><p>acatadas como início do que hoje admitimos como Classe Hospitalar (OLIVEIRA et al,</p><p>2013).</p><p>Na França, segundo Paula (2011), a primeira classe hospitalar foi introduzida</p><p>em 1929 por Marie Luoise Imbert. Porém, de acordo com Vasconcelos (2005), a</p><p>classe hospitalar também teve seu início</p><p>na França, ainda que em 1935. Nesse</p><p>momento, este texto não vai para o ano em que a primeira classe hospitalar foi</p><p>efetivamente criada. Esses dados foram incluídos neste estudo para informação.</p><p>Henri Sellier abriu sua primeira escola para forasteiros nos arredores de Paris em</p><p>1935.Seu exemplo foi seguido por outros países europeus, como a Alemanha, por</p><p>toda a França e até mesmo pelos Estados Unidos no cuidado de crianças com</p><p>tuberculose.</p><p>O Centro Nacional de Estudos e Formação de Crianças Inaptas (CNEFEI) em</p><p>Suresnes, nos arredores de Paris, foi criado em 1939 com o objetivo de formar</p><p>professores para o trabalho em estabelecimentos especializados e hospitais-escola</p><p>do Ministério da Educação da França. Esse Centro funciona até hoje A formação de</p><p>professores para as classes hospitalares no CNEFEI tem duração de dois anos. A</p><p>missão do centro até hoje é mostrar que a escola não é hermeticamente fechada. O</p><p>CNEFEI patrocina estágios em programa de estágio dirigido a professores e diretores</p><p>de escolas; Médicos escolares e assistentes sociais (OLIVEIRA et al, 2013).</p><p>Desde 1939, o CNEFEI formou mais de mil professores. Isso significa que todos</p><p>os hospitais públicos da França têm quatro professores: dois do ensino fundamental</p><p>e dois do ensino médio. Você trabalha em turnos diferentes de segunda a sexta-feira.</p><p>A associação Animation, Loisirs à L Hôpital (animação, tempos livres no hospital) foi</p><p>fundada nos anos 1940 e a Associação para a Melhoria das Condições Hospitalares</p><p>das Crianças (APACHE) foi fundada nos anos 1980, segundo (Paula 2011 apud</p><p>Oliveira et al, 2013) o European Associação de Crianças Hospitalares (European</p><p>10</p><p>Association of Children in Hospital), que reúne diversas instituições do país na defesa</p><p>dos direitos de crianças e adolescentes em hospitais.</p><p>Professores aposentados, professores da Educação Nacional e voluntários</p><p>fazem parte de diversas associações que tem como objetivo dar continuidade</p><p>à escolarização da criança e adolescente hospitalizado, para que</p><p>acompanhem as crianças nos hospitais e também na alta hospitalar, antes</p><p>do retorno a escola regular. Essa associação conta com mais de três mil</p><p>professores (PAULA, 2011 apud OLIVEIRA et al, 2013).</p><p>Na Espanha a preocupação com o atendimento pedagógico hospitalar é</p><p>relativamente recente segundo Gonzáles (2007). Mais precisamente, é a lei 13/1982</p><p>de 7 de abril que estabeleceu os alicerces que hoje são as classes hospitalares.</p><p>No seu artigo 29 dispõe “Todos os hospitais tanto infantis quanto de</p><p>reabilitação, e também aqueles que tiveram serviços pediátricos</p><p>permanentes, da administração do Estado, dos órgãos Autônomos dela</p><p>dependentes, da segurança social, das comunidades autônomas e das</p><p>corporações locais, assim como os hospitais particulares que regularmente</p><p>ocupem, no mínimo, a metade de suas camas com doentes cuja instancia e</p><p>atendimento médico dependam de recursos públicos, terão que contar com</p><p>uma seção pedagógica para prevenir e evitar a marginalização do processo</p><p>educacional dos alunos em idade escolar internados nesses</p><p>hospitais”(GONZÁLES, 2007, p.345 apud OLIVEIRA et al, 2013).</p><p>Seguindo essa lei, com o decreto no. 334/1985, de 6 de março, sobre a</p><p>organização e programação da educação especial, em seu segundo dispositivo</p><p>adicional, consta:</p><p>“As administrações educacionais poderão entrar em acordo com as</p><p>instituições de saúde públicas, tanto infantis como de reabilitação, e também</p><p>com aqueles que tenham serviços pediátricos permanentes, para o</p><p>estabelecimento das dotações pedagógicas necessárias para prevenir e</p><p>evitar a marginalização do processo educacional das crianças em idade</p><p>escolar que estão internadas nelas” (GONZÁLES, 2007, p.345 apud</p><p>OLIVEIRA et al, 2013).</p><p>A declaração dos direitos da criança hospitalizada de 1987</p><p>também trata do processo de ensino-aprendizagem de crianças doentes e / ou</p><p>hospitalizadas e / ou convalescentes e enfatiza, entre outras coisas, o direito de que</p><p>as crianças continuem sua vida escolar durante sua estada, no hospital e beneficiam</p><p>do ensino dos professores e do material didático disponibilizado pelas autoridades</p><p>escolares. A Carta Portuguesa da Criança Hospitalar de 2000, inspirada nos princípios</p><p>da Carta Europeia da Criança Hospitalar, aprovada pelo Parlamento Europeu em</p><p>11</p><p>1986, mostra a preocupação com os projetos de humanização nos hospitais, o bem-</p><p>estar da criança hospitalar e os aspectos educativos.</p><p>O princípio sete da Carta de Portugal propõe que o “Hospital deve oferecer</p><p>às crianças um ambiente que corresponda às suas necessidades físicas,</p><p>afetivas e educativas, quer no aspecto do equipamento, quer no de pessoal</p><p>e da segurança” (MOTA, 2000.p.60 apud OLIVEIRA et al, 2013).</p><p>4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS HOSPITAIS NO BRASIL</p><p>Fonte: gauchazh.clicrbs.com</p><p>Com relação à história da assistência médica no Brasil, também podemos</p><p>ressaltar a assistência domiciliar de forma inicial, seguida pelos abrigos ou História</p><p>dos hospitais casas filantrópicas e evoluindo para as instituições construídas</p><p>especificamente para o fim de curar pessoas adoecidas, melhorando as técnicas,</p><p>aprimorando os conhecimentos e incorporando profissionais de diferentes áreas da</p><p>saúde, até chegar ao modelo assistencial que temos hoje. Uma das primeiras</p><p>instituições hospitalares do Brasil foi a Santa Casa de Misericórdia de Santos. A</p><p>organização dos serviços era precária e os conhecimentos científicos estavam</p><p>centrados na doença, e não no doente. As ações públicas eram direcionadas ao</p><p>espaço urbano, com relação à circulação do ar e à potabilidade da água (JULIÃO,</p><p>2020).</p><p>A população mais pobre recebia assistência em saúde, predominantemente,</p><p>por meio das instituições filantrópicas ligadas à igreja católica que</p><p>sobreviviam por meio de doações. O restante da população procurava</p><p>12</p><p>assistência por meio de consultas médicas particulares ou utilizava de outros</p><p>profissionais, como cirurgiões, barbeiros e curandeiros (TARABOULSI, 2003</p><p>apud JULIÃO, 2020).</p><p>Os hospitais mantinham em suas enfermarias: loucos, incuráveis e portadores</p><p>de doenças contagiosas sem separação ou qualquer controle de transmissão de</p><p>doenças entre os enfermos. No século XIX, com a propagação de epidemias de cólera</p><p>e febre amarela, o governo construiu os primeiros hospitais destinados História dos</p><p>hospitais 5 ao isolamento de enfermos com doenças infectocontagiosas. Nesse</p><p>período, iniciaram as discussões a respeito da importância da distinção entre</p><p>ambientes salubres e insalubres nas instituições (JULIÃO, 2020).</p><p>Segundo Julião (2020) a população, portanto, dispunha dos hospitais de</p><p>isolamento, das clínicas privadas — destinadas ao atendimento das pessoas com</p><p>maior poder aquisitivo e que podiam pagar pelo atendimento — e dos hospitais gerais</p><p>ou entidades filantrópicas para atender a população com menor poder aquisitivo.</p><p>Na década de 1920, o Estado e o governo federal pouco contribuíam com a</p><p>assistência à saúde ofertada à população. Isso mudou somente na década</p><p>de 1980, por meio do Art. 196 da Constituição da República Federativa do</p><p>Brasil. No final do século XIX, o número de instituições prestadoras de</p><p>assistência à saúde teve um aumento considerável, no entanto, a</p><p>precariedade das ações e das instalações ainda era uma realidade</p><p>(NASCIMENTO; DRAGANOV, 2015 apud JULIÃO, 2020).</p><p>No início do século XX, o Departamento Nacional de Saúde Pública ampliou as</p><p>ações de controle e monitoramento sanitário das doenças mais emergentes da época.</p><p>E a partir de então, o hospital esteve cada vez mais relacionado às ações da</p><p>Previdência Social. Esse foi um período marcado pela criação das Caixas e</p><p>Aposentadorias e Pensões (CAP’s), uma forma de plano assistencial, pensão e</p><p>aposentadoria para os trabalhadores do setor privado e seus dependentes, que evolui</p><p>para o que hoje conhecemos como Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). O CAP</p><p>foi financiado numa base tripartida,</p><p>ou seja, da responsabilidade do Estado, do</p><p>empregador e do trabalhador (COSTEIRA, 2014).</p><p>A chegada da corte portuguesa ao Brasil, no ano de 1808, deu início ao estudo</p><p>formal no nosso país. Com ele veio a primeira escola de ensino superior, denominada</p><p>Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro, posteriormente denominada</p><p>Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, que transformou o cenário de saúde do</p><p>Brasil. Mas como a faculdade ficava localizada na sede da Santa Casa de</p><p>13</p><p>Misericórdia, acabou por contribuir para vários conflitos entre a irmandade e o ensino</p><p>médico, uma vez que a administração dessas instituições era realizada pelas freiras.</p><p>Esses atritos também aconteceram em outras capitais brasileiras, como Porto Alegre,</p><p>São Paulo e Salvador (MALAGÓN-LONDOÑO; LAVERDE; LONDOÑO, 2018 apud</p><p>JULIÃO, 2020).</p><p>As freiras contribuíram para a organização e a eficiência das atividades</p><p>hospitalares, mas a sua relação com os médicos e os alunos foi permeada por atritos</p><p>devido à discordância com relação aos cuidados médicos assistenciais. A gestão do</p><p>hospital, pelos médicos, somente aconteceu, efetivamente, na década de 1920.</p><p>Contudo, no Rio de Janeiro, esses conflitos perduraram até a inauguração do campus</p><p>da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A Faculdade de Medicina, então, ganhou</p><p>um hospital próprio para as atividades de assistência e ensino, chamado Hospital</p><p>Universitário Clementino Fraga Filho. A assistência, antes considerada empírica,</p><p>passou a ser científica e pública. No final do século XIX, o hospital se tornou um</p><p>espaço de terapêutica medicalizada (JULIÃO, 2020).</p><p>Pauter, cientista francês, foi importante nesse processo, pois as suas</p><p>descobertas sobre as causas e a prevenção das doenças permitiram a</p><p>redução da mortalidade. Esses fatos mudaram consideravelmente a relação</p><p>da caridade com a medicina no Brasil e no mundo (MALAGÓN-LONDOÑO;</p><p>LAVERDE; LONDOÑO, 2018 apud JULIÃO, 2020).</p><p>5 EVOLUÇÃO DAS ESTRUTURAS HOSPITALARES E FOCO NO PACIENTE</p><p>Fonte: gov.br/ebserh</p><p>14</p><p>Essa cena de macas abarrotadas e clientes esperando, clima frio, cores vivas,</p><p>luz branca e cheiro de éter é coisa do passado. Hoje, mudanças arquitetônicas,</p><p>serviços de hotelaria, profissionais devidamente uniformizados, ambientes</p><p>acolhedores, com cores quentes, desenvolvidos por designer de interiores, iluminação</p><p>adequada, música ambiente e bom restaurante dão ao cliente a impressão de estar</p><p>adentrando em um hotel de luxo ao invés de um hospital. Com o passar dos anos e</p><p>as mudanças da sociedade, os gestores estão buscando para as instituições</p><p>hospitalares mudanças que minimizam o desconforto do adoecimento na vida das</p><p>pessoas, por meio da transformação dos ambientes frígidos em ambientes</p><p>agradáveis, mesmo que as pessoas não tenham prazer em estar em um hospital</p><p>(JULIÃO, 2020).</p><p>Essa tendência traz em sua essência a humanização do ambiente e do</p><p>atendimento prestado em saúde, uma vez que a receptividade do cliente ao</p><p>tratamento e a satisfação gerada facilitam a realização do serviço médico assistencial.</p><p>Na atualidade, o cliente não busca somente por tratamento e cura em um ambiente</p><p>hospitalar, mas também por um atendimento humanizado, com respeito às suas</p><p>necessidades, às de seus familiares e às de seus cuidadores. Um bom trabalho</p><p>desenvolvido pela equipe de saúde, desde a chegada do cliente e durante todo o</p><p>período de permanência dele na instituição, reduz o estresse e o desgaste de todos</p><p>os envolvidos no processo de melhora ou recuperação do paciente (JULIÃO, 2020).</p><p>De acordo com Julião (2020) é difícil imaginar um único profissional realizando</p><p>tudo o que é necessário para o restabelecimento do cliente sem a participação de</p><p>outras áreas, como: enfermagem, medicina, nutrição, farmácia, etc. A assistência à</p><p>saúde exige interação multiprofissional, que demanda que os trabalhadores atuem em</p><p>sintonia com os demais. O cenário é de interdependência, ou seja, um depende do</p><p>outro, porque uma atividade não existe sem a outra. A tarefa do administrador é</p><p>desenvolver mecanismos que estabeleçam conceitos de trabalho em equipe para</p><p>todas as pessoas que trabalham periodicamente no hospital.</p><p>A humanização do atendimento significa não o mecanizar com o uso apenas</p><p>de tecnologias, mas sim investir no relacionamento com o cliente com empatia,</p><p>respeito, escuta qualificada e comunicação assertiva, a fim de tornar a internação o</p><p>mínimo desconfortável possível. Portanto, todos na unidade têm um papel</p><p>fundamental a desempenhar no processo de cuidado centrado no paciente, desde a</p><p>15</p><p>área administrativa até a limpeza, a copa e os cuidados. A imagem do colaborador é</p><p>a imagem da instituição, sendo assim, o trabalho deve ser realizado em equipe, mas</p><p>com a consciência da função de cada um nesse processo de internação, de forma que</p><p>o cliente perceba o cuidado contínuo e qualificado desde a recepção até a alta</p><p>hospitalar (JULIÃO, 2020).</p><p>O objetivo é minimizar a possibilidade de colocar o paciente em risco,</p><p>avaliando individualmente qualquer situação que esteja diferente do processo</p><p>habitual, e respeitar ao máximo os costumes e as crenças, sem faltar com o</p><p>respeito que o cliente merece e sem infringir as normas de segurança do</p><p>paciente. Cada pessoa tem cultura, etnia e costumes diferentes e os</p><p>colaboradores devem respeitar as diferenças, mesmo que não as entendam</p><p>ou não concordem com elas (PEREIRA; PEREIRA, 2015 apud JULIÃO,</p><p>2020).</p><p>Como em qualquer lugar, no hospital, nenhuma pessoa é menos importante</p><p>que a outra, mas, na relação cliente e fornecedor de serviço, o paciente precisa se</p><p>sentir o centro das atenções. O entendimento da relação cliente e fornecedor de</p><p>serviço é fundamental, pois independentemente de o cliente estar internado pelo</p><p>Sistema Único de Saúde, pelo plano de saúde ou de forma particular, os</p><p>procedimentos e os materiais utilizados serão pagos para a instituição e esse valor</p><p>será revertido em salários, equipamentos ou manutenções prediais. Esse cenário</p><p>possibilitou que o cliente das instituições de saúde esteja ciente de que a tecnologia</p><p>e o conhecimento técnico-científico devem estar ao alcance de todos, sejam eles</p><p>oferecidos por instituição pública ou privada (JULIÃO, 2020).</p><p>Segundo Julião (2020) diante disso, o desempenho com a qualidade dos</p><p>serviços hospitalares durante todo o período de internação é determinante para o</p><p>sucesso das instituições de saúde, ao passo que a concorrência aumentou e a</p><p>exigência do cliente também. Como nos hotéis, no hospital o hóspede é o cliente, o</p><p>familiar, o amigo e o visitante, portanto, tudo deve ser tratado com cortesia, pois o</p><p>hospital é prestador de serviços. Contudo, esse cliente ainda é, por muitos,</p><p>denominado como paciente, palavra carregada pelo significado de conformismo, de</p><p>espera, daquele que sofre ou é objeto de uma ação.</p><p>Cabe aos gestores e profissionais reconhecer que o uso da expressão cliente</p><p>é mais adequado, bem como o entendimento desse como alguém ativo no</p><p>seu processo de cuidado (MALAGÓN-LONDOÑO; LAVERDE; LONDOÑO,</p><p>2018 apud JULIÃO, 2020).</p><p>16</p><p>Dessa forma, torna-se mais fácil adotar estratégias e desenvolver ações que</p><p>promovam a humanização e a qualidade dos serviços médico-hospitalares. O cliente</p><p>de saúde é toda e qualquer pessoa que entra em contato com o hospital para adquirir</p><p>serviços médico-hospitalares ou simplesmente solicitar uma informação. O</p><p>entendimento de que, a princípio, ele não gostaria de estar necessitando de</p><p>assistência à saúde é crucial para a empatia do profissional e a oferta de qualidade</p><p>no atendimento. O cliente em saúde é um ser humano que está vivenciando um</p><p>momento de instabilidade emocional e física, o que proporciona uma fragilidade e</p><p>vulnerabilidade que as pessoas não costumam gostar. Por isso, quando adentra em</p><p>um hospital, cria expectativas de acolhimento, eficácia e resolutividade para com o</p><p>seu estado de</p><p>saúde. Sendo assim, é preciso ter consciência de que o cliente de</p><p>saúde é o bem mais precioso da instituição, pois sem ele não haveria motivo do nosso</p><p>trabalho (JULIÃO, 2020).</p><p>6 RELAÇÃO DOS HOSPITAIS COM AS INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS E</p><p>MILITARES</p><p>Fonte: Wellcome Library Image,2020</p><p>O budismo teve papel importante na expansão nos estabelecimentos</p><p>hospitalares. Vários hospitais foram construídos por Sidartha Gautama (Buda), que</p><p>nomeou, ainda, um médico para cada 10 cidades (OLIVEIRA, 2019).</p><p>17</p><p>Os hospitais ficavam adjacentes aos mosteiros budistas, eram locais onde os</p><p>doentes recebiam cuidados, dieta adequada e medicamentos preparados pelos</p><p>médicos.</p><p>Os enfermos eram cuidados por estudantes de medicina, em funções que</p><p>lembram as dos enfermeiros. Na Índia, além de hospitais para prestar</p><p>tratamento às pessoas, existiam hospitais para os animais. Os hindus tiveram</p><p>como destaque o médico Chákara, especialista em anestésicos, e Susrata,</p><p>cirurgiã, que fazia cesáreas e cirurgias de catarata e hérnias (ALMEIDA,</p><p>1965; LISBOA, 2002 apud OLIVEIRA, 2019).</p><p>O profeta do povo hebreu, Moisés, além dos aspectos religiosos, preocupou- -</p><p>se com a higiene individual e coletiva de seu povo. A educação sanitária, cuidados</p><p>com a transmissão de doenças foram destaques na época. No entanto, não há</p><p>registros permanentes de hospitais em Israel. Os enfermos eram mantidos em abrigos</p><p>gratuitos para viajantes pobres e em suas próprias casas, onde recebiam visitantes</p><p>para atendimento. Além disso, nas hospedarias havia um local reservado aos</p><p>enfermos. Na China, os cuidados com a saúde são fundamentados na busca do</p><p>equilíbrio entre o princípio negativo (Ying) e o positivo (Yang) e na veneração aos</p><p>antepassados e aos cinco elementos (OLIVEIRA, 2019).</p><p>Segundo Oliveira (2019) no século III, com a influência do budismo e do médico</p><p>hindu Susruta, surgiram muitos hospitais, onde os doentes eram cuidados por</p><p>sacerdotes de Buda. Além de hospitais para o tratamento de enfermos em geral,</p><p>surgiram instituições semelhantes com parteiras, alguns hospitais que mantinham</p><p>pacientes com doenças contagiosas em regime de isolamento e locais de repouso</p><p>para aqueles enfermos que já estavam se recuperando.</p><p>O Japão tinha profissionais de medicina separados em categorias, em</p><p>decorrência da dura estratificação da sua sociedade. Os hospitais, no Japão,</p><p>utilizavam-se muito de águas termais e a prática da eutanásia foi muito</p><p>estimulada. As guerras civis no Japão fizeram com que seu sistema de</p><p>assistência hospitalar decaísse (LISBOA, 2002 apud OLIVEIRA, 2019).</p><p>Na Grécia, medicina e religião se misturavam, pois, a adoração aos deuses era</p><p>a base para cuidar dos enfermos. Os sacerdotes do templo ajudaram aqueles que</p><p>originalmente iam aos templos para orar aos deuses e pedir cura. Roma, fundada por</p><p>volta de 373 d.C. tinha como característica seu povo guerreiro, configurando-se em</p><p>uma civilização que buscava, constantemente, poder e conquista. Desta forma, o</p><p>18</p><p>estado se preocupou com os cidadãos que seriam bons guerreiros. Nesse sentido,</p><p>não se evidencia a preocupação com a condição humana ou social (OLIVEIRA, 2019).</p><p>Os atendimentos eram realizados nas medicatrinas e nos valetudinários. Os</p><p>valetudinários militares eram grandes hospitais de campanha que cuidavam de feridos</p><p>e soldados em recuperação de guerras. Foram, inicialmente, agregados aos exércitos,</p><p>onde tinham médicos militares que prestavam cuidados aos soldados feridos em</p><p>batalha ou àqueles que ficavam doentes durante as guerras. Os casos de menor</p><p>gravidade eram tratados a céu aberto, enquanto os mais graves eram atendidos em</p><p>locais maiores e com melhor estrutura (OLIVEIRA, 2019).</p><p>Na Idade Média, o surgimento do Cristianismo aponta uma nova perspectiva</p><p>humanística, modificando a sociedade e fomentando as responsabilidades individuais</p><p>na busca pela eternidade. Os necessitados, como idosos, órfãos, viúvas, doentes,</p><p>peregrinos e viajantes, são apoiados pelo auxílio dos cristãos.</p><p>Nesse sentido, a proclamação do Decreto de Milão, em 313 d.C, pelo</p><p>Imperador Constantino, e o Concílio de Nicéia, em 325 d.C, foram</p><p>fundamentais para o crescimento dos hospitais. As diaconias foram os</p><p>primeiros estabelecimentos eclesiásticos, de caráter assistencial, prestando</p><p>atendimento aos doentes e miseráveis, nas cidades onde os cristãos se</p><p>estabeleciam (ALMEIDA, 1965; LISBOA, 2002 apud OLIVEIRA, 2019).</p><p>Naquela época, a prática da medicina foi incorporada à atividade religiosa,</p><p>hospitais que se confundiam com santuários, que eram construídos perto dos</p><p>mosteiros, sob a direção de religiosos. Estes determinavam que, ao lado das moradias</p><p>dos religiosos e das igrejas, fossem erguidas enfermarias ou locais de assistência aos</p><p>doentes. Assim, formou-se a medicina conventual ou monástica, onde o corpo, por</p><p>ser a imagem e semelhança de Deus, não devia ser aberto, o que configurava</p><p>sacrilégio. Nesse sentido, a preocupação maior era com o tratamento da alma, não</p><p>do corpo (OLIVEIRA, 2019).</p><p>De acordo com Oliveira (2019) as Cruzadas deram uma importante contribuição</p><p>para o surgimento da religião nas enfermarias e para o crescimento dos hospitais. A</p><p>locomoção de numerosas pessoas impunha a necessidade de construção de locais</p><p>que servissem de abrigo e onde essas pessoas pudessem receber tratamento. Depois</p><p>veio a Ordem dos Templários de São João, Santo Antônio e o Espírito Santo. O</p><p>Hospital de São João da Inglaterra foi criado pelos Cruzados da Ordem de São João</p><p>e tinha 2.000 leitos. O Espírito Santo esteve muito ativo na Europa, tendo construído</p><p>cerca de 900 hospitais em dois séculos.</p><p>19</p><p>O aumento do número de leprosos exigiu a expansão dos hospitais, em</p><p>decorrência da imposição de medidas para a defesa sanitária. Nesse sentido, as</p><p>ordens religiosas foram de fundamental importância para o tratamento dos enfermos.</p><p>Surge, então, o conceito de quarentena, para o isolamento e segregação dos</p><p>leprosos, e um tipo bem singular de edificação hospitalar: o lazareto ou leprosário.</p><p>Apenas na Alemanha são construídas casas com o objetivo de oferecer tratamento</p><p>aos doentes de lepra e não apenas segregá-los (OLIVEIRA, 2019).</p><p>Os Beneditinos fundaram enfermarias na Inglaterra, França, Itália e Alemanha,</p><p>onde atendiam outros religiosos. Posteriormente, o auxílio estendeu-se aos leigos,</p><p>com a criação de hospitais contíguos a esses serviços.</p><p>De acordo com Lisboa (2002), o crescimento das cidades da Europa e a</p><p>ampliação das riquezas da burguesia serviram de incentivo às autoridades a,</p><p>inicialmente, complementar e logo após assumir as atribuições das atividades da</p><p>Igreja em relação aos enfermos. Nesse sentido, diferentes fatores contribuíram para</p><p>esse cenário segundo Oliveira (2019):</p><p> a concepção medieval de que os doentes, necessitados e indigentes</p><p>são necessários para que os que pratiquem a caridade consigam a salvação da</p><p>alma deixa de ser considerada verdadeira;</p><p> asilos e hospitais religiosos começam a ser considerados inadequados</p><p>diante da nova concepção de saúde/doença;</p><p> entre os séculos XIII e XVI, a restrição das terras de cultivo, o alto</p><p>desemprego e as condições sociais e econômicas levaram a um aumento</p><p>desordenado do número de pobres e miseráveis, importunando a classe</p><p>burguesa;</p><p> sem meios para se sustentar, os miseráveis simulavam ser aleijados ou</p><p>enfermos para que pudessem ser admitidos nos hospitais, aumentando os</p><p>custos assistenciais;</p><p> os hospitais eram mantidos pelo dízimo, cobrado nas igrejas, e pela</p><p>caridade da população.</p><p>O volume de recursos gerou cobiça nos administradores. Posteriormente à</p><p>decadência do sistema hospitalar cristão, muitas mudanças ocorreram, fazendo com</p><p>que os hospitais, sob o domínio das municipalidades, se desenvolvessem no decurso</p><p>20</p><p>da Idade Moderna. Nesse sentido, os hospitais passaram a ter uma organização</p><p>diferente daquela conferida pela caridade (OLIVEIRA,</p><p>2019).</p><p>A administração dos hospitais era feita por representantes administrativos,</p><p>enquanto os religiosos permaneciam nas atividades de conforto espiritual aos</p><p>enfermos. Em Portugal, é fundada a primeira Santa Casa da Misericórdia de Lisboa,</p><p>pelo Frei Miguel Contreiras, apoiado pela Rainha D. Leonor. A instituição oferecia</p><p>abrigo e cuidado aos doentes, prisioneiros, pobres, órfãos e desvalidos. As mudanças</p><p>sociais e econômicas do Renascimento mudaram o estado dos hospitais urbanos. Era</p><p>fundamental que os hospitais passassem a prestar atendimento a um número maior</p><p>de pessoas em um tempo menor. Nesse sentido, os hospitais deixam de oferecer asilo</p><p>aos necessitados e passam a tratar os enfermos. Conforme Lisboa (2002) apud</p><p>Oliveira (2019), essa remodelação fez surgir o hospital moderno, com vistas ao</p><p>tratamento de doenças, através de quatro princípios elementares:</p><p> utilização racional dos recursos disponíveis;</p><p> delimitação de seu perfil como instituição;</p><p> inserção da medicina profissional;</p><p> caracterização de suas funções terapêuticas.</p><p>Os religiosos asseguravam a rotina hospitalar, prestando cuidados e</p><p>assistência alimentar aos que ali estavam internados. A figura do médico apareceu</p><p>em visitas esporádicas, não mais do que uma vez por dia, para ver centenas de</p><p>pacientes. O perfil do exército também se modificou. No passado, qualquer pessoa</p><p>podia ser recrutada por dinheiro; agora, com a chegada do fuzil, o treinamento era</p><p>necessário, o que aumentava os custos de desenho. Dessa forma, era preciso impedir</p><p>a morte de um soldado por motivos de doença, epidemias ou ferimentos que não o</p><p>incapacitariam para o futuro (OLIVEIRA, 2019).</p><p>No século XIX, o progresso da medicina, as descobertas dos métodos</p><p>assépticos, que diminuíram o número de infecções, e a descoberta de</p><p>anestésicos, que viabilizavam intervenções sem dor e maior chance de</p><p>sucesso, fizeram com que os hospitais tivessem sua concepção modificada.</p><p>Agora, o hospital deixava de ser um lugar onde os desvalidos iam morrer,</p><p>passava a ser um lugar onde os enfermos buscavam a cura (LISBOA, 2002</p><p>apud OLIVEIRA, 2019).</p><p>A natureza da enfermagem mudou, a medicina e a enfermagem tornaram-se</p><p>ativas na enfermagem. Em 1860, Florence Nightingale consolidou o papel da</p><p>enfermagem como parte integrante do processo de enfermagem.</p><p>21</p><p>O progresso da tecnologia e da ciência foi fazendo com que os hospitais se</p><p>desenvolvessem cada vez mais. Com melhores instalações e o progresso da</p><p>medicina, as técnicas cirúrgicas foram sendo aperfeiçoadas. Começaram a</p><p>surgir os médicos especializados. A Primeira Guerra Mundial, de 1914 a</p><p>1918, serviu como um grande campo experimental para o desenvolvimento</p><p>da cirurgia. O custo das instalações cirúrgicas tornou-se vultoso (LISBOA,</p><p>2002 apud OLIVEIRA, 2019).</p><p>De acordo com Oliveira (2019) o avanço tecnológico exigia investimentos,</p><p>portanto, os setores tinham que oferecer retorno financeiro. Na Segunda Guerra</p><p>Mundial, 1939 a 1945, novos antibióticos foram introduzidos, reduzindo o número de</p><p>mortes. Os hospitais de campanha realizavam a maior parte dos atendimentos dos</p><p>soldados e feridos da guerra.</p><p>O crescimento e o desenvolvimento das instituições hospitalares</p><p>acompanharam o progresso e o desenvolvimento do mundo de uma forma geral.</p><p>Ciência e tecnologia avançam em direção a novas descobertas, novos medicamentos,</p><p>novos procedimentos. O hospital contemporâneo é local de tratamento na busca</p><p>incessante pela cura, de estudos e pesquisas cada vez mais intensos, no sentido de</p><p>encontrar respostas que ajudem a curar as enfermidades (OLIVEIRA, 2019).</p><p>7 HOSPITAL COMO UMA UNIDADE INTEGRADA</p><p>Fonte: unimedvs.com</p><p>Os hospitais, na atualidade, cumulam um conjunto de funções que fazem com</p><p>que sejam caracterizados como organizações extremamente complexas. Suas</p><p>22</p><p>atribuições passaram, ao longo do tempo, por diferentes mudanças, envolvendo</p><p>aspectos assistenciais, de suporte ao sistema de saúde, questões sociais, emprego,</p><p>ensino e pesquisa (OLIVEIRA, 2020).</p><p>O Brasil conta atualmente com uma rede de hospitais construída ao longo de</p><p>sua história que atuam no contexto atual da saúde, a partir das diretrizes gerais do</p><p>sistema de saúde que visam a uma maior integração à rede de saúde. Para</p><p>compreensão da complexidade do funcionamento do sistema hospitalar no Brasil, é</p><p>necessário distinguir as extensões que abarcam o funcionamento de um hospital.</p><p>As diferentes dimensões da área hospitalar contribuem para que a</p><p>organização se configure em uma organização financeira multifacetada, que</p><p>exige de seus administradores competências diversas, tornando essa uma</p><p>função desafiadora e complexa (BRASIL, 2011 apud OLIVEIRA, 2020).</p><p>Dimensão organizacional: é a definição da função do hospital na rede</p><p>assistencial do sistema de saúde. Esse tema tem sido discutido com frequência</p><p>porque precisa levar em consideração os princípios do SUS. Nesse sentido, é preciso</p><p>que seja realizada a articulação entre os diferentes níveis de complexidade e os</p><p>sistemas de referência e contrarreferência dos usuários, de modo a atender a</p><p>prerrogativa da integralidade no cuidado (BRASIL, 2011).</p><p>Dimensão assistencial: refere-se ao modelo clínico e suas segmentações na</p><p>medicina e tecnologia, diante de seu propósito de trabalho (doentes e doença) e a</p><p>fragmentação do cuidado em especialidades e subespecialidades. O grande desafio,</p><p>na atualidade, consiste no resgate da integralidade na assistência ao paciente,</p><p>rearticulando o trabalho fragmentado em uma abordagem resolutiva e humana.</p><p>Nesse sentido, faz-se necessária uma renovação no relacionamento das</p><p>equipes multiprofissionais, integrando e articulando saberes e ações no</p><p>sentido de qualificar a assistência, tendo como eixo norteador o respeito às</p><p>características individuais dos clientes e o respeito aos seus direitos</p><p>fundamentais (BRASIL, 2011 apud OLIVEIRA, 2020).</p><p>Dimensão financeira: é relacionada às formas de custeios das instituições</p><p>hospitalares. Trata, ainda, de fatores relacionados aos investimentos indispensáveis</p><p>à construção de novas unidades e à reforma e ampliação dos hospitais já existentes</p><p>(BRASIL, 2011; 2013).</p><p>Dimensão social: configura-se no modo como as políticas assistenciais</p><p>adotadas pelos gestores impactam na vida das pessoas. As dificuldades de acesso</p><p>23</p><p>aos serviços de assistência hospitalar da rede pública são evidentes. Além disso,</p><p>muitas vezes os serviços hospitalares oferecidos na rede pública (principalmente no</p><p>atendimento de urgências e emergências) são insuficientes em relação à demanda e</p><p>de baixa qualidade. Nesse sentido, o planejamento e a adoção de medidas de</p><p>reformulação da atenção hospitalar no SUS são urgentes e imprescindíveis</p><p>(OLIVEIRA, 2020).</p><p>Dimensão política: refere-se ao modo como as políticas públicas são</p><p>planejadas e implementadas, direcionando o funcionamento do sistema de saúde. A</p><p>adoção de medidas que reforcem a atenção primária como porta de entrada do</p><p>sistema, além da promoção de saúde e prevenção de doenças, pode levar ao</p><p>descongestionamento das urgências e emergências dos hospitais. Nesse sentido, faz-</p><p>se necessário que as políticas públicas sejam planejadas a partir de dados</p><p>epidemiológicos, demográficos e sociais de cada região, adequando-se à realidade</p><p>regional (BRASIL, 2011; 2013).</p><p>Dimensão de ensino e pesquisa: a dimensão do ensino e pesquisa está</p><p>relacionada à formação dos diferentes profissionais de saúde, na medida em que o</p><p>hospital configura-se em espaço de ensino e aprendizagem. Além disso, muitos</p><p>estudos e pesquisas são realizados no ambiente hospitalar.</p><p>A rede de serviços hospitalares no Brasil é organizada de modo a tentar suprir</p><p>as necessidades da população, em atendimento aos princípios ideológicos</p><p>do SUS. Nesse sentido, ações estratégicas, como a garantia de acesso, a</p><p>humanização no atendimento, a integração na rede assistencial a e</p><p>contratualização</p><p>hospitalar, são exemplos de recursos utilizados na busca de</p><p>maior eficiência e eficácia nos serviços oferecidos pelos hospitais (BRASIL,</p><p>2011; 2013 apud OLIVEIRA, 2020).</p><p>Para a realização do planejamento e da definição das estratégias a serem</p><p>adotadas, alguns aspectos precisam ser levados em consideração segundo Oliveira</p><p>(2020):</p><p> envelhecimento da população, ocasionado pelo aumento da expectativa de</p><p>vida e pela diminuição das taxas de natalidade;</p><p> aumento de casos de doenças crônicas;</p><p> aumento na incidência de doenças emergentes e reemergentes;</p><p> aumento da morbimortalidade em decorrência de causas externas;</p><p> urbanização crescente e desordenada;</p><p> aumento dos custos hospitalares;</p><p>24</p><p> inovações nos modelos assistenciais e nos tipos de gestão.</p><p>A morbimortalidade refere-se à taxa de mortes causadas por uma</p><p>enfermidade específica em um dado grupo populacional, num determinado</p><p>local, em um período de tempo (FONSECA, 2015 apud OLIVEIRA, 2020).</p><p>Diante da necessidade da regulação do setor hospitalar, o Ministério da Saúde</p><p>publicou normativas nos anos de 2013 e 2014, organizando as atividades dessas</p><p>instituições no Brasil, a saber:</p><p> Portaria nº 3.390/GM/MS, de 30 de dezembro de 2013: estabelece a Política</p><p>Nacional da Atenção Hospitalar (PNHOSP), no âmbito do SUS.</p><p> Portaria nº 3.410/GM/MS, de 30 de dezembro de 2013: fixa as diretrizes para</p><p>a contratualização de hospitais no contexto do SUS, em concordância com a</p><p>PNHOSP.</p><p>A PNHOSP estabelece as regras para a organização da Atenção Hospitalar</p><p>no SUS, com vistas a reforçar as condutas assistenciais e de gestão a nível</p><p>estratégico. Além disso, busca regular a utilização racional dos recursos e a</p><p>inclusão de novas tecnologias em saúde, além de qualificar as equipes, de</p><p>modo a proporcionar aos usuários o cuidado integral e resolutivo, através da</p><p>atuação em rede, da participação social e da transparência na gestão</p><p>(BRASIL, 2013 apud OLIVEIRA, 2020).</p><p>Nesse sentido, a PNHOSP estabeleceu os princípios e diretrizes da Atenção</p><p>Hospitalar no Brasil segundo Oliveira (2020):</p><p> modelo assistencial centralizado no usuário;</p><p> universalidade no acesso, regionalização e continuidade do cuidado;</p><p> regulação do acesso;</p><p> gestão da tecnologia;</p><p> humanização da assistência;</p><p> efetividade e eficiência na realização dos serviços;</p><p> financiamento tripartite;</p><p> transparência na gestão;</p><p> supervisão e avaliação contínua da PNHOSP.</p><p>Na busca de consolidar um modelo assistencial que seja equânime, humano e</p><p>eficiente, a PNHOSP foi instituída. Nesse sentido, a rede hospitalar enfrenta o desafio</p><p>de exercer a cooperação dentro da rede assistencial, superando a</p><p>25</p><p>departamentalização excessiva e a fragmentação do cuidado, de modo a oferecer o</p><p>atendimento integral e resolutivo aos usuários do sistema de saúde (OLIVEIRA, 2020).</p><p>26</p><p>8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ACTAS CIBA. Santa Casa de Santos, 1881. 1941. 1 fotografia.</p><p>ALMEIDA, T. História e evolução dos hospitais. Rio de Janeiro: Ministério da</p><p>Saúde, 1965.</p><p>ALMEIDA, T. História e evolução dos hospitais. Rio de Janeiro: Ministério da</p><p>Saúde, 1965.</p><p>ANTUNES, J. F. L. Por uma geografia hospitalar. Tempo Social: Revista de</p><p>Sociologia da USP, v. 1, n. 1, p. 227-234, 1989.</p><p>ANTUNES, J. L. F. Hospital: instituição e história social. São Paulo: Letras e</p><p>Letras, 1991.</p><p>BADALOTTI, C. M. BARBISAN, A. O. Uma breve história do edifício hospitalar –</p><p>da antiguidade ao hospital tecnológico. Tecnológica. Vº3, 2015.</p><p>BARROS, Alessandra. Notas Sócio Históricas e Antropológicas sobre a</p><p>escolarização em Hospitais. In. SCHILKE, Ana Lúcia, NUNES, Lauane Baroncelli,</p><p>AROSA, Armando C.(Orgs). Atendimento Escolar Hospitalar: saberes e fazeres.</p><p>Niterói Ed Intertexto, 2011. P.19-29</p><p>BITENCOURT, Fábio. Arquitetura do ambiente de nascer. Rio de Janeiro: Editora</p><p>Grupo Rio, 2008.</p><p>BRASIL, Casa Civil. Estatuto da Criança e do adolescente. Brasília, 1990</p><p>BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Diretrizes Nacionais para a educação</p><p>especial na educação básica. Brasília, MEC, 2001.</p><p>27</p><p>BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Lei de Diretrizes e bases da</p><p>Educação Brasileira. Brasília, MEC, 1996.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Politica Nacional da Educação</p><p>Especial. Brasilia, MEC, 1994.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. 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Portaria nº 3.410, de 30 de dezembro de 2013.</p><p>Estabelece as diretrizes para a contratualização de hospitais no âmbito do Sistema</p><p>Único de Saúde (SUS) em consonância com a Política Nacional de Atenção Hospitalar</p><p>(PNHOSP). Brasília, DF, 2013.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Implantação das Redes</p><p>de Atenção à Saúde e outras estratégias da SAS. Brasília, DF: Ministério da Saúde,</p><p>2014.</p><p>28</p><p>CAIADO, Kátia R.M. O trabalho pedagógico no ambiente hospitalar: um espaço</p><p>em construção. In: RIBEIRO, Maria Luisa Sprovieri; BAUMEL, Roseli Cecília Rocha</p><p>de 27696 Carvalho (Orgs). Educação Especial: do querer ao fazer. São Paulo Ed..</p><p>Avercamp, 2003. p. 71-78.</p><p>CAMARU, Talita; GOLDANI, Marcelo. Os direitos da criança hospitalizada no</p><p>Hospital de Clinicas de Porto Alegre. Revista do Hospital de Clinicas de Porto</p><p>Alegre. 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