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<p>1</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>2</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>3</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Núcleo de Educação a Distância</p><p>GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO</p><p>Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino</p><p>Revisão Ortográfica: Bruna Carolina de Almeida Salles</p><p>PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira.</p><p>O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para</p><p>a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.</p><p>O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por</p><p>fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.</p><p>4</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Prezado(a) Pós-Graduando(a),</p><p>Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!</p><p>Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança</p><p>em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se</p><p>decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as</p><p>suas expectativas.</p><p>A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma</p><p>nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra-</p><p>dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a</p><p>ascensão social e econômica da população de um país.</p><p>Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-</p><p>de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos.</p><p>Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas</p><p>pessoais e profissionais.</p><p>Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são</p><p>outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-</p><p>ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver</p><p>um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu-</p><p>ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo</p><p>importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-</p><p>rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de</p><p>ensino.</p><p>E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a)</p><p>nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial.</p><p>Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos</p><p>conhecimentos.</p><p>Um abraço,</p><p>Grupo Prominas - Educação e Tecnologia</p><p>5</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>6</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas!</p><p>É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha</p><p>é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-</p><p>sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é</p><p>você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-</p><p>rança, disciplina e organização.</p><p>Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como</p><p>as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua</p><p>preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo</p><p>foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de</p><p>qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.</p><p>Estude bastante e um grande abraço!</p><p>Professora: Mirene Ferreira Marianno Abrão Marques</p><p>7</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao</p><p>longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-</p><p>nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela</p><p>conhecimento.</p><p>Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes</p><p>importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-</p><p>formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao</p><p>seu sucesso profisisional.</p><p>8</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>No decorrer deste módulo serão estudadas, de maneira bre-</p><p>ve, as origens históricas da Psicologia como ciência e a metodologia</p><p>científica que ela utiliza em suas investigações. Também são anali-</p><p>sados o cenário mundial da avaliação psicológica e, então, o cenário</p><p>brasileiro de avaliação e testagem psicológica, observando-se a sua</p><p>evolução e as dificuldades que enfrentou ao longo dos anos, abor-</p><p>dando desde os primeiros institutos que visavam realizar testagens</p><p>psicológicas de uma maneira mais organizada até o advento de leis</p><p>e regulamentações para a profissão e eventuais órgãos especializa-</p><p>dos, o Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais de</p><p>Psicologia, que funcionam como geradores de diretrizes, orientações</p><p>e regulamentações para o trabalho do psicólogo, analisando a evolu-</p><p>ção da formação das regras e as mudanças que foram feitas com o</p><p>passar das décadas após sua fundação, focalizando-se desde normas</p><p>técnicas até princípios de como são avaliados os testes psicológicos e</p><p>questões éticas no desempenho das atividades psicológicas.</p><p>Avaliação Psicológica. Testagem Psicológica. História da Avaliação</p><p>Psicológica.</p><p>9</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>CAPÍTULO 01</p><p>HISTÓRIA E FUNDAMENTOS DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA</p><p>Apresentação do Módulo ______________________________________ 11</p><p>12</p><p>16</p><p>História Geral da Psicologia Científica e da Avaliação Psicológica _</p><p>História Brasileira da Psicologia Científica e da Avaliação Psicoló-</p><p>gica _____________________________________________________________</p><p>CAPÍTULO 02</p><p>ATUALIDADES DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E BASES PARA TES-</p><p>TES</p><p>O Estado Atual da Avaliação Psicológica e dos Testes Psicológicos _ 31</p><p>27Recapitulando ________________________________________________</p><p>20</p><p>A Transformação do Processo de Avaliação Psicológica e Testa-</p><p>gem ___________________________________________________________</p><p>35Do Processo de Avaliação e da Utilização dos Testes Psicológicos _</p><p>Recapitulando _________________________________________________ 46</p><p>CAPÍTULO 03</p><p>DO FUNCIONAMENTO DA ENTREVISTA PSICOLÓGICA, AVALIAÇÃO</p><p>PSICOLÓGICA E DOS TESTES PSICOLÓGICOS</p><p>Características Técnicas da Avaliação Psicológica ______________ 51</p><p>Testagem Psicológica __________________________________________</p><p>Tipos de Testes Psicológicos ___________________________________</p><p>57</p><p>58</p><p>10</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Psicometria _____________________________________________________</p><p>Recapitulando __________________________________________________</p><p>60</p><p>72</p><p>Da Ética na Avaliação Psicológica e Testagem Psicológica ________</p><p>Fechando a Unidade ____________________________________________</p><p>68</p><p>76</p><p>Referências _____________________________________________________ 80</p><p>11</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Ao longo deste módulo, veremos conceitos básicos sobre o</p><p>que caracteriza um processo de avaliação psicológica, bem como suas</p><p>peculiaridades e situações adversas que podem surgir em meio a esse</p><p>processo. De maneira simplificada, avaliação psicológica é o nome que</p><p>se dá ao processo cujo objetivo é, como nome sugere, averiguar o psi-</p><p>cológico – ou a psique – de indivíduos. Sendo essa uma característica</p><p>fundamental do processo psicológico de praticamente todas as áreas</p><p>de atuação do(a) psicólogo(a), seu delineamento se dá de maneira pra-</p><p>ticamente uniforme, havendo apenas algumas exceções, sendo todo o</p><p>processo necessariamente documentado de maneira adequada.</p><p>O porquê de fazermos esse processo varia de acordo com a</p><p>intenção motivadora do início do processo, bem como das opções que se</p><p>encontram disponíveis a nós. A sua motivação se dá, por exemplo, quan-</p><p>do se pretende descobrir as capacidades cognitivas de nossos clientes</p><p>e/ou pacientes, ou avaliarmos se seu estado mental está de acordo com</p><p>as características requeridas para uma determinada vaga de emprego.</p><p>Começaremos a caminhada seguindo o processo</p><p>da validade dos testes, foi elaborado um</p><p>fluxograma no site do SATEPSI dedicado à apresentação do processo</p><p>dos profissionais ao cogitar a utilização de algum dos instrumentos dis-</p><p>poníveis apresentados na Figura 1.</p><p>Figura 1 – Fluxo de utilização do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos</p><p>Fonte: Conselho Federal de Psicologia, 2018</p><p>Durante o processo de avaliação psicológica devemos sempre</p><p>registrar o processo e seguir todos os regulamentos delineados pelo</p><p>Conselho Federal de Psicologia e legislação relevante; além disso, de-</p><p>vemos lembrar que a devida manutenção dos documentos deve ser</p><p>realizada e, seguindo os estatutos dos CFP, estes podendo ser consul-</p><p>tados na Resolução CFP 01/2009. Esta resolução tem por finalidade</p><p>estabelecer todas as diretrizes relevantes no que diz respeito à fabri-</p><p>cação e à manutenção de registros que devem ocorrer ao longo dos</p><p>atendimentos psicológicos e, como estipulado, valem também para o</p><p>38</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>processo de avaliação psicológica.</p><p>O registro documental dos serviços psicológicos tem caráter</p><p>obrigatório e se dá para qualquer registro que não seja possível de ser</p><p>armazenado sob a forma, ou em conjunto, com o prontuário psicológico,</p><p>normalmente em função de limitar o compartilhamento de informação</p><p>com o indivíduo ou para quem estamos prestando o serviço. Sendo</p><p>assim, toda e qualquer informação à qual obtivermos acesso, e que não</p><p>gostaríamos que fosse compartilhada – seja com o cliente que estamos</p><p>averiguando diretamente ou com aquele para quem estamos oferecen-</p><p>do nossos serviços (como para uma empresa que está avaliando seus</p><p>funcionários) – deve ser armazenada.</p><p>Todo registro que realizamos tem um caráter confidencial e</p><p>deve conter, de maneira condensada, a descrição dos trabalhos que</p><p>estão sendo prestados, com sua descrição e toda a evolução das ati-</p><p>vidades e dos procedimentos técnico-científicos que forem adotados,</p><p>devendo ser constantemente atualizado e organizado.</p><p>O artigo 5⁰ tem por intuito estabelecer algumas diretrizes para</p><p>o caso da documentação se enquadrar no modelo prontuário, destacan-</p><p>do que:</p><p>I – as informações a ser registradas pelo psicólogo são as previstas nos inci-</p><p>sos I a V do art. 2º desta Resolução;</p><p>II – fica garantido ao usuário ou representante legal o acesso integral às in-</p><p>formações registradas, pelo psicólogo, em seu prontuário;</p><p>III – para atendimento em grupo não eventual, o psicólogo deve manter,</p><p>além dos registros dos atendimentos, a documentação individual referente</p><p>a cada usuário;</p><p>IV – a guarda dos registros de atendimento individual ou de grupo é de res-</p><p>ponsabilidade do profissional psicólogo ou responsável técnico e obedece</p><p>ao disposto no Código de Ética Profissional e à Resolução CFP nº 07/2003,</p><p>que institui o Manual de Documentos Escritos, produzidos pelo psicólogo,</p><p>decorrente de avaliação psicológica.</p><p>Dentro do registro documental que é realizado, seja em papel</p><p>ou de maneira digital, devemos nos atentar para todos os itens que</p><p>devemos contemplar ao realizarmos os registros. No registro devemos</p><p>nos atentar para os fatores estabelecidos pelo artigo 2⁰, que englobam,</p><p>entre outras coisas, a identificação do indivíduo que se utiliza da ava-</p><p>liação, bem como da instituição, a avaliação de quem deve ser aten-</p><p>dido, com o estabelecimento dos procedimentos a serem realizados.</p><p>Outro item importante é o registro do progresso do atendimento, com</p><p>as técnicas abordadas; quando houver um encaminhamento para outro</p><p>profissional também deve estar anotado, bem como todas as cópias de</p><p>39</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>documentos referentes ao atendimento. Quando forem realizados em</p><p>serviço multiprofissional, deve-se registrar apenas as informações que</p><p>sejam necessárias para o comprimento, sem perda de qualidade, dos</p><p>trabalhos e a execução dos objetivos, e em um prontuário único.</p><p>A resolução prevê ainda que, para casos de serviços psicoló-</p><p>gicos que sejam prestados em estágios ou em serviços-escola, como</p><p>é o caso de universidades por exemplo, o registro deve ser feito de</p><p>maneira a conter a identificação do responsável, do estagiário e suas</p><p>assinaturas. Fica incumbido o supervisor técnico da cobrança de regis-</p><p>tro documental do processo realizado pelo estagiário, incluindo todas as</p><p>atividades e acontecimentos durante a atuação.</p><p>Para o armazenamento dos documentos gerados, fica estabe-</p><p>lecido que toda a responsabilidade é do profissional e/ou da instituição</p><p>onde os serviços foram prestados. Todos os documentos devem ser</p><p>armazenados por no mínimo 5 anos e, dependendo do caso, esse perí-</p><p>odo pode ser estendido em alguns casos que estão estipulados em le-</p><p>gislação, por motivos de determinação judicial, e em casos em que está</p><p>estipulado que o armazenamento deve ocorrer por um período maior.</p><p>As documentações devem ser mantidas em algum local que</p><p>possibilite o sigilo e a privacidade dos dados, além de serem mantidas</p><p>ao dispor do Conselho Federal de Psicologia para fiscalização, avalia-</p><p>ção e orientação, para que, desta maneira, possa servir como prova</p><p>de competência profissional para questões de processos investigativos,</p><p>disciplinares e para defesa legal.</p><p>Então, a partir do que já foi apresentado acerca dos princípios</p><p>documentais e das bases atuais do funcionamento da avaliação psico-</p><p>lógica, passamos o foco para as questões referentes aos testes psicoló-</p><p>gicos e suas características descritas na Resolução CFP 09/2018.</p><p>Para seguir adiante, precisamos partir da definição do Conse-</p><p>lho Federal de Psicologia no que concerne à classificação de um tes-</p><p>te psicológico. O CFP categoriza um teste psicológico com o objetivo</p><p>identificar, descrever, qualificar e mensurar características psicológicas,</p><p>por meio de procedimentos sistemáticos de observação e descrição do</p><p>comportamento humano, nas suas diversas formas de expressão, acor-</p><p>dados pela comunidade científica.</p><p>Essa definição, para ser determinada, se pauta em diversos</p><p>documentos de caráter nacional e internacional. Dentre os documentos</p><p>de referência, encontramos a:</p><p>1. International Testing Comission (2005);</p><p>2. The ITC Guidelines on the Security of Tests, Examinations,</p><p>and Other Assessments. (http://www.intestcom.org);</p><p>3. International Testing Comission (2005);</p><p>40</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>4. ITC Guidelines on Computer-Based and Internet Delivered</p><p>Testing. (http://www.intestcom.org); CFP (2013);</p><p>5. Cartilha de Avaliação Psicológica. (http://site.cfp.org.br/pu-</p><p>blicacao/cartilha-avaliacao-psicologica-2013/); entre outros, a maioria</p><p>com renome internacional.</p><p>6. ITC Guidelines for Translating and Adaptating Tests. (http://</p><p>www.intestcom.org); International Testing Comission (2014);</p><p>No que diz respeito à aprovação ou não dos testes psicológi-</p><p>cos, encontramos no artigo 6⁰ todas as diretrizes que são pertinentes</p><p>ao processo de reconhecimento dos testes psicológicos para utilização</p><p>dos profissionais, lembrando sempre da necessidade de consistência</p><p>científica e os seguintes requisitos:</p><p>I -apresentação de fundamentação teórica, com especial ênfase na definição</p><p>do(s) construto(s), descrevendo seus aspectos constitutivo e operacional;</p><p>II -definição dos objetivos do teste e contexto de aplicação, detalhando a</p><p>população-alvo;</p><p>III -pertinência teórica e qualidade técnica dos estímulos utilizados nos testes;</p><p>IV -apresentação de evidências empíricas sobre as características técnicas</p><p>dos itens do teste, exceto para os métodos projetivos/expressivos;</p><p>V -apresentação de evidências empíricas de validade e estimativas de preci-</p><p>são das interpretações para os resultados do teste, caracterizando os proce-</p><p>dimentos e os critérios adotados na investigação;</p><p>VI -apresentação do sistema de correção e interpretação dos escores, expli-</p><p>citando a lógica que fundamenta o procedimento, em função do sistema de</p><p>interpretação adotado, que pode ser:</p><p>a) Referenciada</p><p>à norma, devendo, nesse caso, relatar as características da</p><p>amostra de normatização de maneira explícita e exaustiva, preferencialmen-</p><p>te comparando com estimativas nacionais, possibilitando o julgamento do</p><p>nível de representatividade do grupo de referência usado para a transforma-</p><p>ção dos escores.</p><p>b) Diferente da interpretação referenciada à norma, devendo, nesse caso,</p><p>explicar o embasamento teórico e justificar a lógica do procedimento de in-</p><p>terpretação utilizado.</p><p>VII -apresentação explícita da aplicação e correção para que haja a garantia</p><p>da uniformidade dos procedimentos. Parágrafo único -Testes psicológicos es-</p><p>trangeiros adaptados para o Brasil devem atender aos incisos supracitados.</p><p>VIII -Atenção aos requisitos explicitados nos artigos 30, 31, 32 e 33. (Conse-</p><p>lho Federal de Psicologia, 2018).</p><p>Por este artigo podemos entender então que, para serem apro-</p><p>vados, os testes submetidos precisam ter uma fundamentação teórica</p><p>que tenha um foco naquele traço que se propõe a avaliar, explicando</p><p>como esse traço é definido e como funciona. Em seguida, deve apre-</p><p>sentar a descrição dos objetivos do teste, além de especificar o contexto</p><p>41</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>da aplicação do teste e para qual população ele deve ser utilizado.</p><p>Logo após, deve ter a demonstração da relevância teórica e</p><p>a qualidade do sistema dos estímulos que são usados no teste e as</p><p>evidências empíricas dos procedimentos e das características que cada</p><p>item do teste apresenta, a não ser que se trate de uma metodologia</p><p>projetiva. Além disso, é preciso que estejam apresentados, de maneira</p><p>evidente, todos os indícios de validade e os cálculos de precisão das</p><p>perspectivas dos resultados do teste, e que fique definido qual foi a</p><p>metodologia empregada para que se chegue aos resultados. Junto aos</p><p>demais itens, deve apresentar a metodologia de correção dos escores,</p><p>indicando a lógica que está sendo utilizada de base para o processo, e</p><p>a valência do conjunto de interpretações que está sendo utilizado.</p><p>Dois sistemas de interpretação podem ser utilizados para esta</p><p>base, o primeiro se aplica às normas, e, portanto, deve-se descrever de</p><p>modo explícito e detalhado as particularidades da amostra que foi uti-</p><p>lizada para se estabelecer o padrão. De maneira geral, prefere-se que</p><p>a amostragem seja feita com a população nacional, a fim de facilitar a</p><p>demonstração da relevância da amostragem no meio da sua população</p><p>para fins de transformar os escores na hora da correção.</p><p>A outra forma de interpretação possível é empregada quando</p><p>foge à normal, ou seja, quando não se enquadra no padrão. Quando</p><p>isto ocorre, deve-se justificar e explicar, com base na teoria, a lógica que</p><p>está sendo empregada para o mecanismo de interpretação que está</p><p>sendo usado. A apresentação de como se dá o processo de aplicação</p><p>e correção deve ser feita de modo explícito, pois, assim, garante-se a</p><p>consistência do processo. Todos os requisitos citados dentro desse ar-</p><p>tigo e seus incisos também são aplicáveis para testes estrangeiros que</p><p>estejam passando pelo processo de validação no país.</p><p>O manual do teste deve conter todas as informações e respon-</p><p>der a todos os incisos do artigo 6⁰, pertinentes aos testes psicológicos,</p><p>e conter também uma caderneta com o resumo do teste, contendo seu</p><p>público-alvo, seu objetivo, o material, a metodologia de aplicação e corre-</p><p>ção; tendo exemplos de seu uso e demonstração de como utilizar, admi-</p><p>nistrar, contabilizar, analisar e interpretar os resultados. Os artigos men-</p><p>cionados ao final do último inciso dizem respeito à proteção dos direitos</p><p>humanos, e serão detalhados mais adiante, juntamente com os princípios</p><p>éticos pertinentes à avaliação psicológica e os testes psicológicos.</p><p>Os requisitos que estabelecem a base na qual o teste será julga-</p><p>do pela Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica foram compilados</p><p>de maneira a produzir um formulário denominado Formulário de Avalia-</p><p>ção da Qualidade de Testes Psicológicos, e se encontra em anexo da Re-</p><p>solução CFP 09/2018. Nesse formulário, encontram-se questões que têm</p><p>42</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>por finalidade esmiuçar todas as características do teste a ser avaliado,</p><p>a fim de determinar se este atende os requisitos mínimos de aprovação,</p><p>processo que se dá em decorrência da média de notas que são atribuídas</p><p>às características do teste, como a maneira como a apresentação gráfica</p><p>do teste é feita; se está bem redigido; a conclusão da qualidade geral do</p><p>manual do teste; avaliação da fundamentação teórica; avaliação dos es-</p><p>tudos de precisão; dos estudos de validade; dos estudos de precisão etc.</p><p>Esse formulário totaliza treze páginas, que somam mais de trinta e cinco</p><p>questões pertinentes à avaliação e aprovação do teste.</p><p>Quando submetido ao Sistema de Avaliação de Testes Psicológi-</p><p>cos, este será avaliado pela Comissão Consultiva em Avaliação Psicológi-</p><p>ca, a qual tem sua constituição de acordo com a Resolução CFP 03/2017.</p><p>No início do processo, o teste será submetido ao SATEPSI de maneira</p><p>on-line; em seguida, dois pareceristas serão apontados ad hoc para anali-</p><p>sar o teste; então, um membro da CCAP irá analisar o parecer gerado pelo</p><p>parecerista e formulará um relatório, o qual será analisado posteriormente</p><p>pelo colegiado da CCAP; então o plenário do CFP irá decidir, com base no</p><p>relatório da CCAP, elaborar e enviar um parecer final para o querente, o</p><p>qual poderá recorrer. O responsável técnico pelo teste psicológico poderá</p><p>pedir informações e explicações adicionais ao CCAP, caso queira, e o CFP</p><p>enviará ao requerente a conclusão da apreciação do teste. Os testes que</p><p>apresentarem sua classificação como favorável terão um prazo de valida-</p><p>de de quinze anos, no que diz respeito aos seus estudos de validade, pre-</p><p>cisão e normas, e deverão ser refeitos após esse período, a fim de garantir</p><p>sua relevância e atualização técnica e científica. Os testes que foram apro-</p><p>vados antes dessa resolução tinham um prazo de 20 anos nesse quesito,</p><p>e isto fora parcialmente mantido. Os testes que foram aprovados antes do</p><p>ano de 2018 não precisarão revalidar seus estudos de validade e precisão</p><p>após 15 anos, apenas após 20 anos; mas, em compensação, as normas</p><p>precisarão passar por uma revisão após 15 anos.</p><p>Por conta da pandemia de Covid-19 que se alastra pelo Bra-</p><p>sil de maneira complexa, o Conselho Regional de Psicologia publi-</p><p>cou no dia 15 de julho, a Resolução 09/2020. Esta resolução tem por</p><p>finalidade estender os prazos, de maneira temporária, para inscrição</p><p>de título de especialista em Avaliação Psicológica até 31 de dezem-</p><p>bro; e os prazos de validade de alguns testes psicológicos. Os pra-</p><p>zos para os estudos de validade, precisão e normas, para testes que</p><p>43</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>seriam descontinuados no período de março de 2020 e dezembro de</p><p>2021, foram estendidos até 31 de dezembro de 2021.</p><p>Sobre a ampliação dos prazos prevista na Resolução 09/2020,</p><p>Izabel Hazin, uma das conselheiras do Conselho Federal de Psicolo-</p><p>gia e coordenadora da Comissão Consultiva em Avaliação Psicológi-</p><p>ca destacou que essas demandas foram surgindo ao longo do tempo</p><p>nos Conselhos Regionais de Psicologia e, eventualmente, chegaram ao</p><p>CFP, pois havia um número crescente de profissionais que gostariam</p><p>de se inscrever para o título de especialista, de maneira a continuarem</p><p>desempenhando sua função com excelência, além do que, as edito-</p><p>ras responsáveis pelos estudos de atualização de normas não estavam</p><p>conseguindo realizá-los por conta da pandemia.</p><p>Conforme o Conselho Federal de Psicologia (2020), Katya de</p><p>Oliveira, conselheira do CFP e coordenadora do CCAP, reitera a rele-</p><p>vância desta prorrogação, comentando como a pandemia afeta diferen-</p><p>tes regiões do país de maneira diferente, e que, portanto, esta medida</p><p>seria positiva para a categoria.</p><p>Ainda em relação aos testes, Katya</p><p>afirma que a extensão do</p><p>prazo também se deu por conta da limitação de atuação dos profissio-</p><p>nais, principalmente nos campos das pesquisas, já que muitos deles</p><p>envolvem áreas hospitalares, clínicas, escolas e outros contextos que</p><p>estão sendo afetados de maneira significativa. Assim, essa mudança</p><p>permite que muitos instrumentos tenham seus status de favorável es-</p><p>tendido o suficiente, para que tenhamos a possibilidade de mudança do</p><p>cenário (como a vacina), e que até lá não haja o comprometimento de</p><p>diversos processos de avaliação que seriam invalidados por conta da</p><p>expiração de validade de vários instrumentos psicológicos.</p><p>O CFP publicou ainda uma nota orientativa (2020c) durante a</p><p>pandemia de Covid-19, com relação ao ensino da avaliação psicológica,</p><p>em particular, os testes psicológicos, já que estes são de uso privativo, no</p><p>que diz respeito à modalidade de ensino a distância, na qual ficam deli-</p><p>neadas todas as permissões e proibições de conteúdo a distância, dando</p><p>sugestões de conteúdos e temas relevantes a testes psicológicos que po-</p><p>dem ser abordados, mas, proibindo o ensino de qualquer um dos testes</p><p>psicológicos, seja sobre sua aplicação, correção, interpretação, tabelas</p><p>de normativa ou partes dos manuais dos mesmos. A justificativa é de que</p><p>seu ensino via EAD pode facilitar a utilização ilegal da profissão e dos</p><p>instrumentos, uma vez que não se pode garantir o sigilo das informações</p><p>a partir do momento em que forem compartilhadas de maneira digital.</p><p>A Atualização de Normas é definida pelo Conselho Federal de</p><p>Psicologia conforme o próprio Conselho Federal de Psicologia (2018) es-</p><p>44</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>tabelece no processo de elaboração de novos estudos normativos para</p><p>testes psicológicos aprovados e com evidências de validade vigentes, não</p><p>sendo consideradas amostras que possuam características demográficas</p><p>e sociais que sejam divergentes das características apresentadas como</p><p>normativa no manual do teste aprovado. Ou seja, ao atualizar o padrão</p><p>normativo dos testes, é preciso que seja utilizada uma amostragem que</p><p>apresente as mesmas características citadas. Os dados que serão utiliza-</p><p>dos devem ser coletados de uma amostra nova de indivíduos, de maneira</p><p>a caracterizar um estudo emancipado da versão que atualmente consta</p><p>como aprovada pelo SATEPSI e, preferivelmente, deve conter uma repre-</p><p>sentação demográfica que englobe regiões geopolíticas diferentes.</p><p>Caso seja feita uma amostragem que apresente características</p><p>sociodemográficas diferentes daquelas ostentadas no manual, não será</p><p>categorizada como uma Atualização de Normas, e deverá ser enviada</p><p>ao SATEPSI novamente, incluindo estudos de validade e precisão, para</p><p>que o instrumento seja revalidado.</p><p>A Resolução CFP 09/2018 ainda estipula que os manuais dos</p><p>testes psicológicos favoráveis devem conter explicitamente que a co-</p><p>mercialização e utilização dos testes psicológicos são de uso privativo</p><p>da(o) psicóloga(o) que tenham seu registro em dia junto a um Conselho</p><p>Regional de Psicologia.</p><p>Todos os testes devem apresentar um sistema de controle rigoroso</p><p>por parte das editoras, nos quais deverá constar o nome do(a) psicólogo(a)</p><p>que adquiriu o teste, o número de inscrição no CRP e o número de série</p><p>dos testes que foram comprados. AO processo de elaboração dos testes</p><p>fica sob a responsabilidade dos CRPs, agindo dentro de suas jurisprudên-</p><p>cias, devem orientar, supervisionar e deliberar acerca do cumprimento da</p><p>Resolução CFP 09/2018, devendo avisar os profissionais acerca de suas</p><p>regularidades e estabelecendo prazos para a normalização destas.</p><p>O psicólogo que realiza o teste deve também notificar as au-</p><p>toridades relevantes em situações que se faça necessário, bem como o</p><p>Conselho deve ainda atuar contra o profissional ou a pessoa jurídica em</p><p>casos de falta disciplinar e ética. Os CRPs ficam ainda responsáveis por</p><p>registrar todas as pessoas físicas e jurídicas que, dentro da sua região</p><p>de jurisprudência, realizam o comércio de testes psicológicos.</p><p>Caso tenha curiosidade de aprender mais sobre os prazos</p><p>pertinentes ao processo de apreciação dos testes psicológicos en-</p><p>45</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>viados ao CCAP, além do Formulário de Avaliação de Qualidade de</p><p>Testes Psicológicos e do sistema de aprovação dos testes, ou ain-</p><p>da, se gostaria de submeter um teste para avaliação ou revalidação,</p><p>consulte seu Conselho Regional de Psicologia para submeter jun-</p><p>to à Comissão Consultiva de Avaliação Psicológica e o Sistema de</p><p>Avaliação de Testes Psicológicos. Para ler a resolução e o anexo na</p><p>íntegra, acesse: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/04/</p><p>Resolu%C3%A7%C3%A3o-CFP-n%C2%BA-09-2018-com-anexo.pdf</p><p>46</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO 01</p><p>Ano: 2019 Banca: IDHTEC Prova: Psicólogo Nível: Fácil</p><p>“A Resolução CFP nº 002/2003, no artigo 11, orienta que 'as con-</p><p>dições de uso dos instrumentos devem ser consideradas apenas</p><p>para os contextos e propósitos para os quais os estudos empíricos</p><p>indicaram resultados favoráveis'. O que esse artigo quer dizer é que</p><p>a simples aprovação no SATEPSI não significa que o teste possa</p><p>ser usado em qualquer contexto, ou para qualquer propósito. A re-</p><p>comendação para um uso específico deve ser buscada nos estudos</p><p>que foram feitos com o instrumento, principalmente nos estudos de</p><p>validade e nos de precisão e de padronização. Assim, os requisitos</p><p>básicos para uma determinada utilização são os resultados favorá-</p><p>veis de estudos orientados para os problemas específicos relacio-</p><p>nados às exigências de cada área e propósito". (CFP, 2007). No novo</p><p>formulário de avaliação dos testes psicológicos foram apresenta-</p><p>dos alguns desses propósitos. Julgue-os abaixo:</p><p>I. Classificação diagnóstica;</p><p>II. Descrição;</p><p>III. Predição;</p><p>IV. Planejamento das intervenções;</p><p>V. Acompanhamento.</p><p>Estão corretos:</p><p>a) Os itens I, II e III;</p><p>b) Os itens II, III e IV;</p><p>c) Os itens I, IV e V;</p><p>d) Os itens II, IV e V.</p><p>e) Todos os itens estão corretos.</p><p>QUESTÃO 02</p><p>Ano: 2019 Banca: INSTITUTO PRÓ-MUNICÍPIO CRP 11 Prova: Psi-</p><p>cólogo Nível: Fácil</p><p>Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o processo de</p><p>avaliação psicológica deve considerar que os objetos deste pro-</p><p>cedimento (as questões de ordem psicológica) têm determinações</p><p>históricas, sociais, econômicas e políticas, sendo as mesmas ele-</p><p>mentos constitutivos no processo de subjetivação. O documento,</p><p>portanto, deve considerar a natureza dinâmica, não definitiva e não</p><p>cristalizada do seu objeto de estudo. A colocação anterior diz res-</p><p>peito aos princípios norteadores na elaboração de documentos.</p><p>Nesse sentido, assinale a opção que consta o princípio que corres-</p><p>47</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>ponde ao enunciado:</p><p>a) Princípio da linguagem escrita;</p><p>b) Princípios éticos;</p><p>c) Princípios técnicos;</p><p>d) Princípio da estrutura de declaração.</p><p>QUESTÃO 03</p><p>Ano: 2019 Banca: IADES AL-GO Prova: Psicólogo Organizacional</p><p>Nível: Médio</p><p>Os testes são instrumentos comumente utilizados na avaliação</p><p>psicológica, especialmente quando a finalidade é avaliar candida-</p><p>tos em um processo seletivo. Nem todos os testes utilizados em</p><p>seleção de pessoas são de uso privativo do psicólogo. De acordo</p><p>com o Conselho Federal de Psicologia, os “instrumentos não pri-</p><p>vativos do psicólogo” são aqueles que não correspondem à defini-</p><p>ção de teste psicológico e...</p><p>a) que podem ser utilizados por psicólogos na própria atividade profis-</p><p>sional, como procedimentos e recursos auxiliares, sem a preocupação</p><p>de seguir a legislação profissional.</p><p>b) que, por isso, não podem ser utilizados por psicólogos na própria ativida-</p><p>de profissional, pois configura-se como falta ética na atuação profissional.</p><p>c) que podem ser utilizados por psicólogos, desde que seja para com-</p><p>plementar fonte(s) fundamental(is) de informação e com uso</p><p>amparado</p><p>na ética e na legislação profissional.</p><p>d) que devem ser evitados por psicólogos na própria atividade profissio-</p><p>nal, porque são frágeis recursos auxiliares ainda que o respectivo uso</p><p>não seja considerado falta de ética.</p><p>e) que podem ser utilizados por psicólogos e outros profissionais como</p><p>recursos auxiliares, porque o respectivo uso não precisa ser pautado</p><p>em qualquer legislação profissional.</p><p>QUESTÃO 04</p><p>Ano: 2019 Banca NC-UFPR – Prova: ITAIPU BINACIONAL – Psicó-</p><p>logo Nível: Médio</p><p>A Avaliação Psicológica foi definida na Resolução CFP nº 09/2018</p><p>como “um processo estruturado de investigação de fenômenos</p><p>psicológicos, composto de métodos, técnicas e instrumentos, com</p><p>o objetivo de prover informações à tomada de decisão, no âmbito</p><p>individual, grupal ou institucional, com base em demandas, condi-</p><p>ções e finalidades específicas". Com relação ao assunto, identifi-</p><p>que como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:</p><p>( ) Decorre dessa definição que processos de Avaliação Psicológi-</p><p>48</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>ca devem incluir o uso de testes, sem os quais o rigor técnico-cien-</p><p>tífico de tais processos é prejudicado.</p><p>( ) Decorre dessa definição que a entrevista e a observação são</p><p>recursos pertinentes em processos de Avaliação Psicológica, en-</p><p>quanto dinâmicas de grupo não o são.</p><p>( ) Decorre dessa definição que a escolha dos métodos, técnicas</p><p>e instrumentos para realizar processos de Avaliação Psicológica</p><p>deve levar em conta o objetivo de tal avaliação.</p><p>( ) Decorre dessa definição que processos de Avaliação Psicológi-</p><p>ca abordam variados tipos de características psicológicas, assim</p><p>como os contextos nos quais esses processos se apresentam.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima</p><p>para baixo.</p><p>a) F – F – V – V.</p><p>b) V – V – V – F.</p><p>c) V – V – F – V.</p><p>d) V – F – V – F.</p><p>e) F – V – F – V.</p><p>QUESTÃO 05</p><p>Ano: 2019 – Banca: Instituto AOCP Prova: Perito Oficial Criminal -</p><p>Área 8 - Ciências Econômicas, Direito ou Psicologia Nível: Médio</p><p>Uma das funções do profissional da Psicologia, nos diversos âm-</p><p>bitos em que está inserido, é a da Avaliação Psicológica. De acordo</p><p>com a Resolução CFP nº 009/2018, que estabelece diretrizes para a</p><p>realização da Avaliação Psicológica, é correto afirmar que a avalia-</p><p>ção psicológica tem como objetivo:</p><p>a) avaliar fenômenos psicológicos.</p><p>b) prover informações para a tomada de decisões.</p><p>c) classificar os diversos graus de inteligência.</p><p>d) produzir um laudo psicológico.</p><p>e) produzir um relatório psicológico.</p><p>QUESTÃO 06</p><p>Ano: 2018 Banca: FCC TRT - 14ª Região (RO e AC) Prova: Analista</p><p>Judiciário – Psicologia Nível Médio</p><p>Na bateria de testes, utilizada em um psicodiagnóstico:</p><p>a) não é necessário o emprego de mais de um teste para buscar uma</p><p>validação de interesses dos dados obtidos.</p><p>b) nenhum teste, isoladamente, pode proporcionar uma avaliação</p><p>abrangente da pessoa como um todo.</p><p>c) para se chegar a inferências clínicas não é necessário preocupar-se</p><p>49</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>com margem de erro em testes de personalidade.</p><p>d) toda avaliação psicológica deve incluir, pelo menos, a aplicação de</p><p>quatro testes psicológicos.</p><p>e) está designada a aplicação de um teste psicológico.</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE</p><p>Descreva como se dá o processo de submissão e a avaliação de testes</p><p>psicológicos pelo SATEPSI.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Dentro das diretrizes estabelecidas pelo Conselho Federal de Psi-</p><p>cologia no que diz respeito ao armazenamento de documentos que</p><p>venham de um processo de avaliação psicológica, é correto afir-</p><p>mar que:</p><p>a) Não se deve identificar o indivíduo ou a instituição na documentação,</p><p>a fim de preservar o sigilo previsto pelo código de ética.</p><p>b) Não há necessidade de arquivar cópias que forem emitidas a tercei-</p><p>ros, nem sua finalidade.</p><p>c) O registro dos procedimentos deve conter a demanda que visa ser</p><p>atendida e o estabelecimento dos objetivos dos trabalhos psicológicos</p><p>que forem realizados, devendo ser armazenados em documentação</p><p>pelo psicólogo, por um período mínimo de 15 anos.</p><p>d) Devem ser elaborados de maneira tal, que seja facilmente identificá-</p><p>veis os procedimentos e as técnicas científicas que foram utilizados ao</p><p>longo do processo.</p><p>e) Ao realizar uma intervenção de caráter multidisciplinar, o psicólogo</p><p>deverá compartilhar todas as informações que obtiver ao longo do pro-</p><p>cesso com toda a equipe, registrando-as em documentos relevantes</p><p>como prontuário.</p><p>NA MÍDIA</p><p>Na notícia “Revista PCP publica contexto da COVID-19 como tema de</p><p>dossiê”, o Conselho Federal de Psicologia apresenta, de maneira resu-</p><p>mida, alguns pontos principais do que é abordado na revista, com rela-</p><p>ção a relatos de atuação pelos profissionais no meio desta pandemia,</p><p>lidando com áreas diversas de exemplificação, do Luto e Saúde Mental,</p><p>até racismo e questões sociais que foram impactadas.</p><p>Título: Revista PCP publica contexto da COVID-19 como tema de dossiê</p><p>Data de publicação: 22/12/2020</p><p>Fonte: < https://site.cfp.org.br/revista-pcp-publica-contexto-da-covid-</p><p>-19-como-tema-de-dossie/></p><p>50</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>NA PRÁTICA</p><p>O acompanhamento constante das atualizações das informações acer-</p><p>ca dos procedimentos da avaliação psicológica é realizado pelo Conse-</p><p>lho Federal de Psicologia. O processo de geração de novas regulamen-</p><p>tações, tem a participação do próprio grupo de psicólogos registrados</p><p>no Conselho, na formação do processo de geração de normas e de</p><p>novos testes psicológicos, com a finalidade de que os profissionais de</p><p>psicologia exerçam um trabalho com maior grau de qualidade.</p><p>Ao compreendermos os procedimentos que são realizados, podemos</p><p>alcançar um entendimento muito maior sobre as diretrizes que são ge-</p><p>radas e, assim, aplicá-las com maior qualidade e rigor, permitindo que</p><p>o desempenho dos profissionais da área se mantenha elevado e, even-</p><p>tualmente, motive novas mudanças positivas para o contínuo desenvol-</p><p>vimento do campo de atuação.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>Título: Nota Orientativa sobre o ensino da Avaliação Psicológico em mo-</p><p>dalidade remota no contexto da pandemia de covid-19</p><p>Data: 30/03/2020</p><p>Fonte: < https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2020/11/Nota-Orien-</p><p>tativa-sobre-ensino-da-Avalia%C3%A7%C3%A3o-Psicol%C3%B3gica-</p><p>-em-modalidade-remota-no-contexto-da-pandemia-de-Covid.pdf></p><p>Título: Teoria de Resposta ao Item: Teoria, Procedimento e Aplicações</p><p>PASQUALI, Luiz. TRI – Teoria de Resposta ao Item: Teoria, Procedi-</p><p>mento e aplicações. Brasília, 2007</p><p>Título: Resolução CFP 09/2018</p><p>Data: 25/04/2018</p><p>Fonte: <https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/04/Resolu%-</p><p>C3%A7%C3%A3o-CFP-n%C2%BA-09-2018-com-anexo.pdf></p><p>51</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>SCARACTERÍSTICAS TÉCNICAS DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA</p><p>O Conselho Federal de Psicologia, em sua publicação da Re-</p><p>solução 07/2009, em virtude de mudanças no Código de Trânsito Bra-</p><p>sileiro e das Resoluções pertinentes do Conselho Nacional de Trânsito,</p><p>decidiu atualizar os procedimentos de Avaliação Psicológica, e para tal,</p><p>o conceito de avaliação psicológica passou a ser o seguinte:</p><p>A avaliação psicológica é entendida como o processo técnico-científico de co-</p><p>leta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenôme-</p><p>nos psicológicos, que são resultantes da relação do indivíduo com a socieda-</p><p>de, utilizando-se, para tanto, de estratégias psicológicas – métodos, técnicas</p><p>e instrumentos. Os resultados das avaliações devem considerar e analisar os</p><p>condicionantes históricos e sociais e seus efeitos no psiquismo, com a finalida-</p><p>DO FUNCIONAMENTO DA ENTREVISTA</p><p>PSICOLÓGICA, AVALIAÇÃO PSICOLÓGI-</p><p>CA E DOS TESTES PSICOLÓGICOS</p><p>51</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>52</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>de de servirem como instrumentos</p><p>para atuar não somente sobre o indivíduo,</p><p>mas na modificação desses condicionantes que operam desde a formulação</p><p>da demanda até a conclusão do processo de avaliação psicológica</p><p>A avaliação psicológica é uma função privativa do psicólogo e, como tal, se</p><p>encontra definida na Lei N.º 4.119 de 27/08/62 (alínea "a", do parágrafo 1°</p><p>do artigo 13.</p><p>Nesse documento ficam ainda delineados alguns conceitos, os</p><p>quais podem ser extrapolados para além da avaliação psicológica voltada</p><p>ao contexto da emissão da Carteira Nacional de Habilitação, como a entre-</p><p>vista psicológica, por exemplo. De acordo com Almeida (2004), a quantida-</p><p>de de pesquisadores que falam acerca do que classificaria uma entrevista</p><p>psicológica é tamanha, e com variadas definições, que se torna difícil uma</p><p>única definição que englobe todas as nuances dos diversos autores.</p><p>A intenção que é presente na maioria, no entanto, seria algo pró-</p><p>ximo ao estabelecimento de uma relação, algum tipo de comunicação ou</p><p>encontro, cujo objetivo é solucionar algum impasse ou problema dentro</p><p>do escopo psicológico, e na atuação do psicólogo, como pesquisas psi-</p><p>cológicas, análises de personalidade, seleção e orientação profissional,</p><p>entre outros. Almeida aponta uma das definições clássicas de entrevista</p><p>psicológica, indicando que a visão pertinente sobre o que a caracteriza</p><p>está pautada no fator investigativo da entrevista, ou seja, no diagnóstico</p><p>de algo, sempre se valendo do conhecimento técnico-científico.</p><p>Algumas das características que são importantes e que o en-</p><p>trevistador deve possuir incluem questões que devem ser feitas desde</p><p>o começo do processo psicológico que o profissional se realize, partindo</p><p>de coisas como conseguir estabelecer um bom raport com o indivíduo,</p><p>conseguir esclarecer eventuais dúvidas que este possa ter, utilizando,</p><p>sempre que cabível, de uma base científica.</p><p>A entrevista psicológica pode ter variadas finalidades, desde</p><p>um propósito psicoterápico, como postulado em várias linhas teóricas,</p><p>a exemplo das linhas de pensamento freudiana, junguiana, logoterapia</p><p>entre outras, que tentam estimular a descoberta de si mesmo no indiví-</p><p>duo; chegando a temas como pesquisas científicas, encaminhamento</p><p>de pacientes para outros serviços psicológicos ou até mesmo de outros</p><p>profissionais, em virtude de qual seja o problema que aflige o indivíduo.</p><p>Quando vamos receber um indivíduo para a realização de al-</p><p>gum processo, no caso, de avaliação psicológica, o contexto no qual o</p><p>profissional está inserido já denotará o objetivo da(s) entrevista(s) que</p><p>será(ão) realizada(s). Ao ser contratado por uma empresa para realizar</p><p>a avaliação psicológica de candidatos para uma vaga de emprego, por</p><p>exemplo, o objetivo fica claro, sendo este a averiguação dos candidatos</p><p>para determinar se eles estão aptos para trabalhar naquele cargo, seja</p><p>53</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>a nível de cognição ou em nível de personalidade e, assim sendo, tem-</p><p>-se por objetivo um diagnóstico.</p><p>Quanto à duração processo, em questão de número de en-</p><p>trevistas psicológicas a serem realizadas, esta varia de acordo com a</p><p>premissa do processo de avaliação psicológica e, conforme a necessi-</p><p>dade do processo e a averiguação do profissional de entrevista inicial,</p><p>de maneira geral, busca explorar em direção ao objetivo estabelecido e,</p><p>portanto, sua estruturação é variável.</p><p>Se o objetivo da avaliação psicológica é identificar capacidade</p><p>ou incapacidade por parte do indivíduo para ocupar algum cargo, esta</p><p>entrevista inicial deve consistir em sondagem pertinente às competên-</p><p>cias pré-estabelecidas para o cargo. Se o objetivo consiste em algo</p><p>mais amplo, pode-se estabelecer parâmetros diferenciados para avaliar.</p><p>O delineamento da avaliação psicológica se dá como um pro-</p><p>cesso de troca e um processo de aprendizagem. O profissional irá, ao</p><p>longo da investigação, conhecer aqueles fenômenos e suas característi-</p><p>cas, a fim de atender a algum objetivo. Em torno desse objetivo se enqua-</p><p>dra a atividade do psicólogo, como apresentado pelo Conselho Regional</p><p>de Psicologia no seu Caderno de Avaliação Psicológica (2016, p. 32):</p><p>É em torno do objetivo visado e o campo da prática que se delineia a atividade</p><p>profissional, integrada à necessidade de proceder a compreensão do objeto de</p><p>estudo, por meio das condições teórico-metodológicas geradas nesse proces-</p><p>so, isto é, construídas pelos próprios motivadores do ato de querer conhecer.</p><p>Basicamente, fica explicitada aqui a responsabilidade do pro-</p><p>fissional em buscar a compreensão total daquilo que está investigando,</p><p>analisando os fatores que estão por traz dessa busca, a fim de utilizar a</p><p>teoria e as técnicas que sejam pertinentes para que haja o bom anda-</p><p>mento dos trabalhos.</p><p>Para que se possa ter uma postura adequada no contexto em</p><p>que se realizam seus trabalhos, o psicólogo deve buscar, além de co-</p><p>nhecimentos teóricos e técnicos, um desenvolvimento das habilidades</p><p>que serão utilizadas, e tenham como base a premissa de que o ser hu-</p><p>mano tem um potencial de crescimento e de mudança.</p><p>Por excelência, a avaliação psicológica implica em uma posi-</p><p>ção de fragilidade por parte da pessoa que está sendo investigada e,</p><p>aqui, o profissional deve se atentar para que não acabe querendo atuar</p><p>de maneira a desenvolver apenas uma busca pela descoberta de algu-</p><p>ma coisa em relação ao sujeito que o torne ainda mais vulnerável, ou</p><p>que expresse essa delicadeza, de uma maneira que se estabeleça uma</p><p>relação de poder. A relação que é estabelecida durante um processo de</p><p>54</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>avaliação psicológica será, por definição, uma relação desigual, assi-</p><p>métrica, uma vez que o psicólogo partirá sempre de uma posição de co-</p><p>nhecimento teórico-técnico para a investigação de dados que possam</p><p>levar o sujeito a demonstrar sua dinâmica verdadeira, para que, assim,</p><p>o psicólogo possa ter conhecimento sobre o indivíduo.</p><p>Esse processo de abertura gerará um campo de relacionamen-</p><p>to que se transfora em uma das principais ferramentas à disposição do</p><p>psicólogo. Esse campo gera uma confiança que, ao longo do tempo, se</p><p>demonstra como um vínculo saudável. As maneiras de aproveitamento</p><p>desse campo, por parte do indivíduo, incluem os comportamentos e as</p><p>atitudes que ele apresenta para com o psicólogo, os quais o profissional</p><p>deve estar atento e observar, para que possa compreender e interpretar</p><p>a gama de significados e valores que estão ali atribuídos.</p><p>O Conselho Regional de Psicologia do Paraná ressalta a im-</p><p>portância do acolhimento do participante e suas particularidades durante</p><p>todo o processo, mas sem perder a posição de terapeuta, isto é, se man-</p><p>tendo distante no que diz respeito a perceber nele mesmo sentimentos</p><p>de contratransferência que possam prejudicar e nebular seu julgamento</p><p>quanto aos procedimentos que devem ser realizados e os resultados ob-</p><p>tidos dos processos psicológicos, e ainda constata que o potencial tera-</p><p>pêutico dos processos tem ligação direta com a qualidade do vínculo que</p><p>o profissional consegue estabelecer com o indivíduo durante sua prática.</p><p>Seguindo a Resolução CFP 07/2009, podemos encontrar a en-</p><p>trevista psicológica como uma conversa que se dirige a um propósito</p><p>bem definido de avaliação. No início do processo, antes da testagem,</p><p>tem-se por padrão o estabelecimento do rapport, além de tirar eventuais</p><p>dúvidas e esclarecer o propósito e os objetivos do(s) teste(s).</p><p>O propósito básico da entrevista é gerar ao avaliador diversos</p><p>subsídios técnicos com relação aos comportamentos, opiniões, valores</p><p>etc. acerca do entrevistado, a fim de complementar dados que sejam ob-</p><p>tidos através dos outros instrumentos. A entrevista deve ser usada como</p><p>algo inicial e faz parte integrante do processo de avaliação psicológica.</p><p>Durante a entrevista, o profissional poderá discernir particularidades que</p><p>possam impactar o processo de avaliação, e assim poderá escolher em</p><p>prosseguir</p><p>ou não com a testagem, a fim de não prejudicar o candidato.</p><p>Quando isso ocorrer, o candidato deverá retornar posteriormen-</p><p>te. Sendo assim, o psicólogo deverá ter um sistema de organização para</p><p>a sequência da entrevista que seja pautado em critérios objetivos de ava-</p><p>liação que sejam relevantes àquilo que se deseja qualificar. O profissional</p><p>deve se manter atento constantemente para as condições do entrevista-</p><p>do, tanto psíquicas quanto físicas, identificando critérios como se apre-</p><p>senta deficiências, se toma algum tipo de medicamento, se está bem</p><p>55</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>descansado, e outros semelhantes que possam imiscuir no desempenho.</p><p>Além disso, deve estar atento a circunstâncias situacionais que</p><p>possam vir a interferir no processo, alterando coisas como comportamento,</p><p>uma vez que podem impactar e alterar a coleta de dados para o processo.</p><p>De uma maneira geral, a avaliação psicológica é conectada ao trabalho do</p><p>psicólogo de maneira tão profunda que se tem uma visão errônea quanto à</p><p>sua complexidade no sentido de ser vista como uma tarefa fácil de ser rea-</p><p>lizada, sendo que, na realidade, isto não poderia ser mais distante da rea-</p><p>lidade, tendo em vista a dificuldade que existe em conseguirmos construir</p><p>um compilado de conhecimentos acerca de uma área de atuação privativa.</p><p>Classifica-se a avaliação psicológica como algo intrínseco ao</p><p>desempenho do psicólogo, uma vez que qualquer prática interventiva</p><p>deve partir de algum grau de conhecimento investigativo quanto ao que</p><p>consiste em seus fenômenos e processos psicológicos, referentes ao</p><p>ponto de intervenção.</p><p>Ao analisar os trabalhos sobre psicodiagnóstico de Tavares, na</p><p>visão de Almeida (2004), destacam-se algumas técnicas que auxiliam</p><p>a evidenciar as questões e características sui generis do indivíduo e,</p><p>assim, permitem:</p><p>Acesso amplo e profundo ao outro, a seu modo de se estruturar e de se relacio-</p><p>nar, mais do que qualquer outro método de coleta de informações. Por exemplo,</p><p>a entrevista é a técnica de avaliação que pode mais facilmente se adaptar às</p><p>variações individuais e de contexto, para atender às necessidades colocadas</p><p>por uma grande diversidade de situações clínicas e para tornar explícitas parti-</p><p>cularidades que escapam a outros procedimentos. Por meio dela, pode-se testar</p><p>limites, confrontar, contrapor e buscar esclarecimentos, exemplos e contextos</p><p>para as respostas do sujeito. Esta adaptabilidade coloca a entrevista clínica em</p><p>um lugar de destaque inigualável entre as técnicas de avaliação.</p><p>A visão de Almeida (2002) é de que se pode dizer que o objeto</p><p>da entrevista psicológica é a relação entre entrevistador (a quem se pede</p><p>ajuda) e o entrevistado (aquele que pede ajuda, e que, portanto, a entre-</p><p>vista psicológica é cardinal, já que neste contexto analisaria característi-</p><p>cas psicológicas da personalidade. A entrevista permite uma análise e um</p><p>enriquecimento da leitura da personalidade da pessoa que está sendo</p><p>entrevistada, e que diferentes estilos de entrevista, aberta e fechada por</p><p>exemplo, apesentam características e vantagens particulares.</p><p>A entrevista aberta, por exemplo, justamente por não apresentar</p><p>uma estrutura firme e robusta, permite que a personalidade do entrevistado</p><p>se expresse livremente e, assim, possibilita que tenhamos um conheci-</p><p>mento mais amplo daquela psique, quando comparada à entrevista fecha-</p><p>da. Porém, a entrevista fechada apresenta uma qualidade que a aberta</p><p>56</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>não tem. Por conta da maneira como é formulada, ela possibilita um di-</p><p>recionamento intenso no que diz respeito à sondagem e investigação de</p><p>algum constructo e, por conta disso, estabelece um nível de profundidade</p><p>excelente, uma vez que pode ser facilmente padronizada e sistematizada,</p><p>permitindo uma maior comparação estatística dos resultados.</p><p>Ao observarmos o Caderno de Avaliação Psicológica produ-</p><p>zido pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná (2016), temos a</p><p>entrevista psicológica como uma ferramenta versátil, que pode ser uti-</p><p>lizada em diversos contextos, mas que, de maneira geral, proporciona</p><p>entendimento mais detalhado da história da pessoa ou do ambiente.</p><p>Ressaltando novamente a necessidade de o profissional man-</p><p>ter-se atualizado, diferentes contextos e públicos de entrevista, como</p><p>crianças, adolescentes ou adultos implicam em diferentes abordagens te-</p><p>órico-técnicas; mas, de maneira geral, irão investigar as questões acima</p><p>mencionadas, além de auxiliar no entendimento de outras questões, como</p><p>contexto familiar, como este indivíduo se avalia, se critica, como é seu meio</p><p>familiar e social etc. Esse momento da entrevista é algo dinâmico, mutável,</p><p>que deve ser constantemente reavaliado pelo profissional ao longo da sua</p><p>duração, a fim de garantir a melhor procedência ao processo.</p><p>No que diz respeito à observação, esta pode ser considerada</p><p>algo essencial que se faz presente em qualquer processo no qual o psi-</p><p>cólogo atua, sendo uma estratégia complexa e que demanda uma ex-</p><p>pertise do profissional para que seja utilizada de maneira que facilite a</p><p>padronização dos dados que forem colhidos. Existem alguns contextos</p><p>em que a observação não pode ser substituída por outros instrumentos</p><p>à disposição do psicólogo, como por testes psicológicos ou entrevistas,</p><p>como dentro de hospitais e em escolas, onde apenas a observação po-</p><p>derá revelar alguns dados.</p><p>Durante a aplicação de testes, ou da entrevista, a observação</p><p>pode ser algo a acrescentar nesses processos e deve-se prestar atenção</p><p>para algumas coisas em particular durante o processo avaliativo, para</p><p>que se possa coletar dados importantes. Dentro dessa gama estão: a</p><p>comunicação do indivíduo, as expressões faciais e corporais, a atenção</p><p>que é dedicada à tarefa etc. Tais observações auxiliam a dedução de al-</p><p>gumas questões do indivíduo que são pertinentes ao processo de avalia-</p><p>ção, como o humor da pessoa entrevistada, por exemplo, e que, portanto,</p><p>podem ser complementares no que diz respeito à avaliação e à dinâmica</p><p>que ocorre na avaliação. Cabe ao profissional identificar quais técnicas</p><p>ele utilizara, podendo se valer de uma gama enorme de compilações teó-</p><p>rico-técnicas que sejam pertinentes, como dinâmicas e pesquisas.</p><p>57</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>TESTAGEM PSICOLÓGICA</p><p>Ao realizar o processo de avaliação, o profissional pode optar</p><p>pelo uso do instrumento chamado teste psicológico e, para tal, deverá</p><p>seguir as considerações e diretrizes determinadas pelo Conselho Fede-</p><p>ral de Psicologia em suas resoluções regulamentares. Ao falar sobre</p><p>condições de aplicação de testes na Resolução 07/2009, o CFP reforça</p><p>que o profissional deve apenas aplicar aqueles testes para os quais</p><p>tenha competência técnica para tal.</p><p>A maneira de aplicação dos testes faz parte do seu processo</p><p>de sistematização e, assim, contribuem para a normatização e todos os</p><p>processos de validação. Quaisquer coisas que saiam do que está es-</p><p>tabelecido como padrão na aplicação do teste, como a baixa qualidade</p><p>do material na hora da aplicação, podem comprometer a validade dos</p><p>testes, e, portanto, seu objetivo seria deturpado. Assim sendo, a aplica-</p><p>ção de testes deve seguir algumas indicações centrais.</p><p>A aplicação dos testes deve ser realizada de maneira clara e ob-</p><p>jetiva, expressando serenidade e, assim, diminuir os níveis de ansiedade</p><p>que já estão presentes pelo contexto em si da aplicação de um teste. As</p><p>instruções que são apresentadas pelo manual do teste devem ser segui-</p><p>das de maneira diacrônica; porém, sem ser algo estereotipado, o que evi-</p><p>dencia a necessidade do domínio das normativas de aplicação do teste</p><p>por parte do profissional. Isso tudo sem contar, ainda, com o ambiente de</p><p>aplicação dos testes, que deve ser controlado de maneira precisa para</p><p>apresentar boa luminosidade, boa circulação de ar e ventilação, todas as</p><p>características</p><p>afins, para que se possa manter um ambiente estável e</p><p>que não acarrete prejuízos de qualquer natureza aos participantes.</p><p>Quando o profissional for realizar a correção de algum teste, de-</p><p>ve-se seguir as indicações apresentadas no manual. É preciso que o pro-</p><p>fissional esteja constantemente se atualizando no que diz respeito à téc-</p><p>nica e ao arcabouço teórico, investigando novas pesquisas e publicações</p><p>científicas, a fim de estar a par das normas e habilidades pertinentes que</p><p>serão investigadas e discutidas nos meios científicos e, por vezes, sociais.</p><p>O psicólogo que atua nessa área também deve se manter aten-</p><p>to para que a coleta dos dados e a interpretação dos resultados obtidos</p><p>ao longo do processo de avaliação e testagem psicológicos estejam</p><p>de acordo com o compilado teórico que permitiu formatação e norma-</p><p>tização do teste. Quando se avalia o resultado de um teste, sempre</p><p>deve-se ter mente as recomendações do manual para que as escalas</p><p>pertinentes sejam seguidas e para que não haja variações na avaliação</p><p>e, assim, não se comprometa os dados.</p><p>58</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Uma questão de extrema importância que o Conselho Federal</p><p>de Psicologia ressalta ainda é que também cabe ao psicólogo verificar,</p><p>ainda, as normas relativas ao grupo de referência ao qual pertencem</p><p>os sujeitos avaliados. Qualquer norma é restrita à população da qual foi</p><p>derivada. Elas não são absolutas, universais ou permanentes.</p><p>Por conta disso, pesquisas e atualizações devem ser feitas de</p><p>maneira constante, mas levando em conta que, em função da população</p><p>na qual baseou a normatização do teste, elas podem acabar por estabele-</p><p>cer um nível regional, local ou nacional de população. Ainda, quando cor-</p><p>rigimos e avaliamos os resultados para somá-los ao laudo, este deve ser</p><p>arquivado em conjunto com todos os resultados de todos os testes que fo-</p><p>ram utilizados para fabricá-lo, a fim de gerar um documento próprio e único.</p><p>O laudo necessita apenas das informações que sejam relevan-</p><p>tes para o cliente ou a instituição, com base na demanda, para que,</p><p>assim, se possa garantir a individualidade do participante. O resultado</p><p>da análise no laudo, a sua conclusão, é uma das questões mais impor-</p><p>tantes, deixando explícito e clara a conclusão do processo de maneira a</p><p>não deixar dúvidas (Conselho Federal de Psicologia, 2009).</p><p>TIPOS DE TESTES PSICOLÓGICOS</p><p>Dentro da categoria denominada de testes psicométricos, en-</p><p>contramos alguns tipos de testes diferentes. Em suma, são os testes</p><p>psicométricos e os testes ditos projetivos. Dentro da categoria de testes</p><p>psicométricos encontramos três modelos principais de padronização de</p><p>testes, que variam basicamente na sua formatação de indagação do</p><p>construto ou do traço que ele se pretende a observar ou avaliar.</p><p>As escalas, por exemplo, tendem a realizar sua sondagem,</p><p>apresentando um compilado de afirmativas ou constatações com os</p><p>quais o indivíduo irá ou não concordar, mas que são expressas de uma</p><p>maneira organizada, com respostas que se dão pelas palavras do tipo</p><p>nunca, quase nunca, neutro, frequente, sempre, por exemplo, ou ainda</p><p>por intensidade ou dificuldade.</p><p>Quando falamos de algo como um inventário, estamos falando</p><p>de uma lista de denotação de objetos que, no contexto da saúde mental</p><p>pode se referir a atitudes, ações, comportamentos, entre outros constru-</p><p>tos; mas, geralmente, são atrelados à personalidade.</p><p>Geralmente, seu uso se dá em cenários clínicos investigativos,</p><p>ao tentarmos entender melhor algum problema, dificuldade ou patologia</p><p>de indivíduos. Por fim, temos o questionário, que expressa um conjunto</p><p>de questões que busca investigar um aspecto do indivíduo, algo como</p><p>59</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>personalidade, apresentando alternativas binárias como meio de sonda-</p><p>gem, sendo geralmente algo como “concordo, não concordo”, “sim, não”,</p><p>“verdadeiro, falso”. Os questionários e os inventários acabam sendo am-</p><p>plamente confundidos por terem uma estruturação extremamente similar.</p><p>Quando passamos para os testes projetivos, temos as principais</p><p>diferenças no que diz respeito às medidas e ao contexto de coleta e consis-</p><p>tência das respostas que são apresentadas pelos indivíduos, uma vez que,</p><p>para testes de projeção dificilmente o mesmo apresentará o mesmo padrão</p><p>de funcionamento no momento da realização do teste e da coleta de da-</p><p>dos, já que este mesmo indivíduo se apresentará em contexto diferenciado</p><p>daquele da primeira apresentação e, portanto, os seus comportamentos e</p><p>as suas manifestações se darão de maneira diferente, não importando qual</p><p>o grau de diferença no contexto; a menor mudança neste já será suficiente</p><p>para que haja uma mudança significativa na expressão do traço latente e,</p><p>portanto, a resultante de um mesmo teste será diferente. Villemor-Amaral</p><p>e Pasqualini-Casado (2006) apresentam algumas das diferenças entre os</p><p>testes psicométricos e os testes de teor projetivo em seu texto A cientifici-</p><p>dade das técnicas projetivas em debate, ao afirmarem:</p><p>Como necessidades explícitas estão mais relacionadas àquelas motivações</p><p>que as pessoas reconhecem como características de seus funcionamentos</p><p>rotineiros, estas podem ser acessadas via medidas objetivas. Assim, esco-</p><p>res de medidas auto-atribuídas devem predizer respostas mais intencionais,</p><p>dadas quase exclusivamente em circunstâncias nas quais as implicações</p><p>de um motivo ou necessidade especial são claras para quem as relata. Em</p><p>contraste, espera-se que os escores de medidas projetivas prognostiquem</p><p>comportamento de tendências espontâneas, subjetivas, motivadas por ne-</p><p>cessidades implícitas e mais passíveis de tornarem-se manifestas em certos</p><p>contextos. (Villemor-Amaral, Pasqualini-Casado, 2006)</p><p>Ou seja, uma das principais diferenças presentes se dá no rigor</p><p>de aprovação dos testes, algo que se critica muito nos testes projetivos,</p><p>mas também na interpretação dos resultados dos testes. Os manuais</p><p>nos permitem realizar a correção dos testes e entender melhor aquilo</p><p>que estávamos procurando, mas, os testes objetivos têm a característi-</p><p>ca de apresentarem resultados constantes independentemente do con-</p><p>texto no qual estão sendo aplicados, e essa é tanto uma das suas forças</p><p>como limitações, ao passo que os testes de caráter projetivo sempre</p><p>terão respostas diferentes se pautando no contexto do indivíduo e, por</p><p>isso, também têm nisso uma fraqueza que pode se tornar força, depen-</p><p>dendo da situação em que o profissional o aplica, já que, apesar da in-</p><p>terpretação e correção desses resultados se torna muito mais complexo</p><p>e trabalhoso do que um teste objetivo. A especificidade do resultado em</p><p>60</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>relação às particularidades do indivíduo que se testa se faz aparente,</p><p>podendo ser aproveitada de infinitas maneiras.</p><p>PSICOMETRIA</p><p>Origem e Modelos de métrica</p><p>No que diz respeito à testagem psicológica, encontramos dois</p><p>tipos de testes principais, os que são classificados como psicométricos</p><p>e os testes ditos projetivos. A sistematização das formas de aplicação e</p><p>mensuração desses instrumentos fazem parte integral do conjunto de</p><p>exigências para que haja normatização e validação, avaliando, assim,</p><p>seus níveis de fidedignidade, precisão e validade.</p><p>De maneira geral, os instrumentos psicométricos têm sua ori-</p><p>gem em medidas estatísticas que denotam a sua sensibilidade para</p><p>com suas características principais para avaliação: “...sensibilidade (ou</p><p>adaptabilidade do teste ao grupo examinado), sua precisão (fidedigni-</p><p>dade nos valores quanto à confiabilidade e estabilidade dos resultados)</p><p>e validade (segurança de que o teste mede o que se deseja medir).”.</p><p>(Conselho Federal de Psicologia, 2009).</p><p>Ao falar sobre o que é a psicometria, deve-se, primeiramente, en-</p><p>tender o contexto histórico da avaliação psicológica, bem como os proces-</p><p>sos que foram descritos no primeiro capítulo desta</p><p>apostila, para que se</p><p>tenha um entendimento da progressão dos instrumentos gerados ao longo</p><p>dos anos, em tentativas de mensurar, de maneira relevante, confiável, pa-</p><p>dronizada e funcional, características e aspectos psicológicos e mentais.</p><p>Em essência, a psicometria é isso: a mensuração do domínio psicológico.</p><p>Ao analisarmos as obras de Pasquailli, um dos maiores influen-</p><p>ciadores dessa área no Brasil, encontramos uma breve apresentação</p><p>da origem da psicometria, quando Pasqualli, em 2009, nomeia os estu-</p><p>dos psicofísicos dos notórios psicólogos alemães: Ernst Heinrich Weber</p><p>e Gustav Fechner. O inglês Francis Galton também contribuiu para o</p><p>desenvolvimento da psicometria criando testes para medir processos</p><p>mentais; inclusive, ele é considerado o criador da psicometria.</p><p>No texto Psicometria, Pasqualli (2009) apresenta que a defini-</p><p>ção que se deu na época de Galton fora a de capacidade de mensurar</p><p>algum processo que fosse diretamente observável, sendo assim, ca-</p><p>racterizava algo como estímulo e resposta. Existem desacordos entre</p><p>cientistas, com ênfase nos cientistas sociais, no que concerne à clas-</p><p>sificação da psicometria. Contudo, há um consenso de que a definição</p><p>61</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>de Stanley Smith, de 1946, é tomada como referência, sendo definida</p><p>por assinalar números, objetos e eventos de acordo com alguma regra.</p><p>A psicometria moderna tem duas principais divisões, a chamada</p><p>Teoria Clássica dos Testes (TCT), montada por Gulliksen (1950); e a Teoria</p><p>de Resposta ao Item, que foi construída por Lord e Rasch em 1952 e 1960,</p><p>e, eventualmente, foi expandida e reformada por Lord e Birnbaum em 1968</p><p>e 1980. De maneira geral, a fundamentação da TCT se dá para a análise</p><p>do resultado daquela testagem. Ou seja, se formos utilizar de um teste que</p><p>consiste em 50 questões, em que cada item possui o valor de 1 ponto, e</p><p>o erro concede 0 pontos; se, neste caso, um indivíduo responder corre-</p><p>tamente 40, errando 10 destas questões, ele terá um total de 40 pontos.</p><p>Dizemos então que o escore total (T) deste indivíduo é de 40. A partir disso,</p><p>utilizando a TCT, partiríamos para questões interpretativas acerca deste</p><p>escore, nos perguntando o que este valor significa para nosso indivíduo.</p><p>Por outro lado, se formos analisar pela vertente da TRI, o foco</p><p>estaria não no resultado total expressado; mas, sim, nas respostas indi-</p><p>viduais, querendo analisar e entender cada resposta individual, buscando</p><p>compreender qual a probabilidade de respostas para os itens, acertos e er-</p><p>ros (para testes de aptidão); e aceitação ou rejeição das respostas (testes</p><p>de preferência, como testes de personalidade). Sendo assim, podemos en-</p><p>tender que a principal diferença entre as abordagens de formulação seria</p><p>que a TCT acaba por querer gerar testes com qualidade, enquanto a TRI</p><p>acaba dando um enfoque maior para gerar itens de qualidade.</p><p>Pasqualli (2006, p. 55) apresenta, ainda, uma equação para a</p><p>expressão do funcionamento da TCT, como se vê abaixo:</p><p>O modelo da TCT foi elaborado por Spearman e detalhado por Gulliksen(3), o</p><p>modelo é o seguinte:</p><p>T = V + E</p><p>Onde,</p><p>T = escore bruto ou empírico do sujeito, que é a soma dos pontos obtidos</p><p>no teste;</p><p>V = escore verdadeiro, que seria a magnitude real daquilo que o teste quer</p><p>medir no sujeito e que seria o próprio T se não houvesse o erro de medida;</p><p>E = o erro cometido nesta medida.</p><p>Dessa forma, o escore empírico é a soma do escore verdadeiro e do erro e,</p><p>consequentemente, E = T - V, bem como, V = T - E.</p><p>Seguindo essa linha de raciocínio, podemos entender que o</p><p>escore total do indivíduo difere do escore verdadeiro na medida em que</p><p>este é formado pelo escore verdadeiro do indivíduo somado ao erro;</p><p>portanto, o erro faz parte integral da análise.</p><p>Ao explicar o conceito do modelo TRI, Pasqualli (2006) apre-</p><p>62</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>senta dois traços fundamentais para o processo. Primeiramente, se es-</p><p>tabelece que o desempenho do indivíduo ao responder um teste se dá</p><p>a partir da função de traços latentes dele (como aptidões e habilidades</p><p>próprias); e ainda se define o desempenho como o efeito criado pela</p><p>causa, que são os traços latentes. É possível descrever uma equação</p><p>que apresenta a relação entre o desempenho e os traços latentes, que</p><p>se chama Curva Característica do Item (CCI).</p><p>Ao analisar como essas relações se dão e como a CCI de-</p><p>monstra a relação geral apresentada por entre os elementos do escore</p><p>(Figura 1), e, com base nisso, monta-se uma equação (Figura 2), possi-</p><p>bilitando o entendimento de que quanto mais apto for um sujeito, maior</p><p>será a probabilidade de que ele responda de maneira correta aos itens</p><p>pertinentes, e o inverso também é verdade, quanto menos apto ele for,</p><p>menor a probabilidade de que acerte. Na Figura 2, θi é a aptidão e Pi(θ),</p><p>a probabilidade de resposta correta dada ao item.</p><p>Figura 1 - Curva Característica do Item</p><p>Fonte: Pasqualli, 2006</p><p>Figura 2 - Curva Característica do Item</p><p>63</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Fonte: Pasqualli, 2006</p><p>Compreende-se, então, que a Teoria de Resposta ao Item par-</p><p>te das respostas que o indivíduo apresenta ao(s) item(ns) do(s) teste(s)</p><p>para induzir traços dele e, assim, criar ideias acerca da relação entre os</p><p>níveis dos traços do indivíduo e suas respostas. Devido ao grande nú-</p><p>mero de expressões matemáticas possíveis no que diz respeito às rela-</p><p>ções da TRI, este modelo se diferencia do modelo clássico, pois permite</p><p>a confirmação. Esta teoria tem como passo fundamental a demonstra-</p><p>ção da constituição do modelo para com os dados e, para trabalhar</p><p>como ela, é necessário um compilado de estatísticas especializadas.</p><p>Parâmetros de Testagem</p><p>Ambos os modelos apresentados anteriormente seguem parâme-</p><p>tros de suma importância para o estabelecimento de sua validade. Essa</p><p>discussão da validade é algo que ocorre com frequência em alguns campos</p><p>da ciência, principalmente no campo das ciências psicológicas e sociais, e</p><p>acaba sendo algo escasso no campo físico, por exemplo. Os ambientes</p><p>científicos como a física têm um enfoque maior no que corresponde à pre-</p><p>cisão da medida e dos dados, na regulagem do instrumento. Claramente,</p><p>isso também é algo de grande importância nas ciências psicossociais, po-</p><p>rém, isto não é englobado pelo conceito de validade para esse campo.</p><p>Aqui, a validade refere-se a magnitude da mensuração do ob-</p><p>jeto, e não com o nível de acerto com o qual se consegue mensurar; ou</p><p>seja, se tem um enfoque na congruência da medida e da característica</p><p>que se quer medir, e não tanto em quão bem essa mensuração é feita.</p><p>Uma das principais diferenças que geram essa disparidade se dá no</p><p>próprio campo de atuação e observação.</p><p>No campo físico, por exemplo, ao parar para analisarmos uma</p><p>propriedade, como o comprimento de algum objeto, o instrumento para</p><p>tal se baseia na própria característica do comprimento, o metrô. Ao ana-</p><p>lisarmos um segundo objeto a fim de qualificar seu comprimento, com</p><p>o mesmo instrumento que o primeiro objeto foi analisado, encontramos</p><p>a mesma propriedade, comprimento que está aqui congruente, e não</p><p>precisamos provar novamente que a unidade do comprimento metro se</p><p>destina ao comprimento, já que estamos analisando comprimento com</p><p>base no próprio comprimento.</p><p>A situação perde um pouco desta clareza quando passamos a</p><p>analisar casos mais complexos como, por exemplo, um astrônomo a medir</p><p>a velocidade de um corpo celeste, como uma galáxia, através do chamado</p><p>64</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>efeito Doppler. Apesar de aparentemente ser algo tangencial ao assunto,</p><p>esse exercício mental é algo que engloba com precisão o princípio das</p><p>diferenças e dos axiomas que estamos falando. O Efeito Doppler consiste</p><p>em uma distorção de ondas com base na sua aproximação ou no seu dis-</p><p>tanciamento, como apresentado por Garcia,</p><p>Moreno e Sumi (2003, p. 58):</p><p>O Efeito Doppler é um fenômeno observado nas ondas quando emitidas ou re-</p><p>fletidas por um objeto que está em movimento com relação ao observador. Se</p><p>uma fonte sonora e um receptor estão se movendo, um em relação ao outro, a</p><p>frequência recebida não é a mesma frequência da fonte. Se eles estão se apro-</p><p>ximando, a frequência recebida é maior do que a frequência da fonte; se eles</p><p>estão se afastando, a frequência recebida é menor do que a frequência da fonte.</p><p>Um exemplo típico é o da sirene da ambulância: o som que se ouve quando está</p><p>longe e perto do receptor é diferente. Neste caso, a onda se propaga num meio.</p><p>Esse fenômeno também pode ser visto em ondas eletromagnéticas, que não</p><p>precisam de um meio para se propagarem, e então é feita uma análise relativísti-</p><p>ca nesses casos. De acordo com a teoria da relatividade, o movimento absoluto</p><p>não pode ser detectado, e todos os observadores medem a mesma rapidez c</p><p>para a luz, independente do seu movimento em relação a fonte.</p><p>Como podemos observar, já se trata de uma medida com uma</p><p>complexidade mais elevada, e temos, na realidade, uma questão quanto à</p><p>validade dos instrumentos de medição. Ao medir a velocidade da galáxia</p><p>em nosso exemplo, o astrônomo se valeria das linhas do espectro de luz</p><p>que advêm da galáxia. Como que se pode basear tal cálculo de velocidade</p><p>nas linhas desse espectro? Aqui, encontra-se uma questão pertinente, pois</p><p>pode-se realizar suposições e teorizar a respeito, todavia, alerta-se que se</p><p>deve provar todas as teorias e suposições feitas de maneira empírica.</p><p>O problema da precisão de medida se dá com relação à exati-</p><p>dão com a qual pode-se medir as linhas espectrais, mas, independente-</p><p>mente de quão precisa essa medição possa ser, a questão da validade</p><p>deve ser analisada o quão relevante é essa mensuração no que diz</p><p>respeito à velocidade da galáxia. Essa metáfora comparativa demonstra</p><p>cenários típicos encontrados no campo das ciências psicossociais, no</p><p>qual a validade é algo essencial para a qualidade dos instrumentos. A</p><p>prova da validade dos instrumentos nestas ciências é algo fundamental</p><p>e crucial, ou seja, é uma condição sine qua non.</p><p>Extrapolando para o contexto da psicologia, podemos entender</p><p>aqui como a problemática da validade passou a ser algo tão primordial nas</p><p>discussões de mensuração, já que o enfoque particular se dá na relação</p><p>entres os traços que investigamos, e suas manifestações, ou seja, os com-</p><p>portamentos apresentados. Quando olhamos dentro dos manuais dos tes-</p><p>tes, como apresentado por Pasqualli, a definição de validade se apresenta,</p><p>conforme Pasquali (2006) como sendo o grau de eficiência do teste, logo,</p><p>65</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>do grau de eficiência do que esse este teste mede o que supostamente</p><p>deve medir. Embora esta definição pareça uma tautologia, na verdade, ela</p><p>não é considerada a teoria psicométrica que admite o traço latente.</p><p>Ao discorrer sobre o que esta definição significa, Pasqualli (2006)</p><p>explica que, na verdade, quando se mede os comportamentos através dos</p><p>itens, já que estes serão a representação física das características e traços</p><p>que se deseja analisar, mede-se assim o próprio traço. Consequentemen-</p><p>te, verifica-se se é algo legítimo. Para determinar esta legitimidade, se faz</p><p>necessário analisar teorias prévias, que estabeleçam a relação existente</p><p>entre traços e comportamentos através de alguma dedução implicada na</p><p>própria teoria. A partir disto, a hipótese deduzida (a validade do teste) será</p><p>então testada e estabelecida através da testagem empírica, para que se</p><p>verifique ou refute a hipótese seguindo o modelo científico.</p><p>Ao analisar o processo de validação dos testes, percebemos que</p><p>temos algumas dificuldades no que diz respeito a esse processo. Um dos</p><p>fatores contribuintes para essa questão se dá pela variedade de bases</p><p>teóricas que podem ser utilizadas quando formamos os testes e, por conta</p><p>dessas diferenças nos arcabouços teóricos, acabamos encontrando pro-</p><p>blemas no que diz respeito a como os testes acabam utilizando essa teoria</p><p>e quais as implicações no que convém à formulação dos itens e o quanto</p><p>estes correspondem de fato aos traços que se propõem a investigar.</p><p>Mesmo quando estamos testando nossas hipóteses para norma-</p><p>lização dos testes, acabamos nos deparando com o problema de todas as</p><p>definições do que constitui o construto que estamos coletando e o quanto</p><p>essa coleta condiz realmente com ele, ou seja, a relação entre o item e o</p><p>construto. Soluções como o padrão de análise como a análise fatorial per-</p><p>mitem que possamos lidar melhor com estas questões, mas, ainda assim,</p><p>enfrentamos dificuldades no momento da validação dos nossos instrumen-</p><p>tos, como uma das fraquezas da análise fatorial, que é a presunção de uma</p><p>função linear entre traço e a apresentação física dele.</p><p>Com o intuito de contornar este problema criou-se a teoria tri-</p><p>na, pela qual analisamos a validade do conteúdo, dos critérios e do</p><p>construto em si. Seguindo pela via da validade do construto, inicial-</p><p>mente, uma vez que esta é considerada a mais primordial, ela tem por</p><p>objetivo analisar de maneira mais direta e qualificar a hipótese que foi</p><p>estabelecida, no sentido da relação traço x manifestação física.</p><p>Passando para dois dos integrantes do dito aspecto trino, a</p><p>validade de critério e o processo de definição de critérios, maneira ge-</p><p>ral, utilizam-se de um ou mais critérios dentre 6 principais. O primeiro</p><p>principal se trata de Desempenho Acadêmico, sendo um dos critérios</p><p>mais presentes no que diz respeito à validação em testes de inteligên-</p><p>cia. Quando falamos nesse critério, nós estamos falando da análise e</p><p>66</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>averiguação do desempenho acadêmico do indivíduo, independente de</p><p>pôr qual meio este seja obtido, seja por notas dadas por professores</p><p>ou histórico acadêmico geral, ou pelo nível escolar que essa pessoa se</p><p>encontra, atrasadas ou avançadas, em relação ao que é esperado da</p><p>população como um todo, por exemplo.</p><p>A principal crítica que advém desse meio é a tendenciosidade</p><p>por parte dos docentes, no momento de avaliarem os alunos com base</p><p>em outros critérios que não são exatamente pertinentes à nota, como afi-</p><p>nidade pessoal com o indivíduo. Ao passarmos para o segundo critério,</p><p>encontramos o Desempenho Profissional, que consiste, em essência, na</p><p>justaposição da resultante dos testes aplicados com a performance pro-</p><p>fissional em termos de sucesso/fracasso ou em qualidade de sucesso.</p><p>O terceiro critério consiste no chamado Desempenho em Trei-</p><p>namento Especializado, que lida com o desempenho do indivíduo no</p><p>contexto de alguma situação de especificidade, como no caso de mú-</p><p>sicos ou de alguma técnica precisa, o que se dá, geralmente, ao final</p><p>do processo com alguma medida avaliativa, como por exemplo provas.</p><p>Neste tipo de situação, encontramos as mesmas dificuldades que estão</p><p>presentes no Desempenho Acadêmico.</p><p>A quarta entrada dessa lista consiste no chamado Diagnóstico</p><p>Psiquiátrico, que é extremamente utilizado para validação de testes que</p><p>avaliam características psiquiátricas e testes de personalidade. Aqui se</p><p>caracterizam os grupos de critério com base nas qualificações e ava-</p><p>liações psiquiátricas, e, portanto, estão sujeitas às mesmas fraquezas.</p><p>Esse critério tem como parâmetro a relação/comparação entre grupos</p><p>como, por exemplo, normais x depressivos; normais x psicopatas.</p><p>A quinta possibilidade de critério se denomina Diagnóstico sub-</p><p>jetivo, por meio do qual qualificações e avaliações realizadas por pessoas</p><p>próximas, como por exemplo amigos e família, caracterizam as fundações</p><p>como grupo critério, sendo principalmente empregada para instrumentos</p><p>que visam sondar e/ou qualificar personalidade. Essa categoria lida com</p><p>a quantificação por parte dos colegas de alguns traços de personalidade.</p><p>Esse tipo de processo acaba implicando em diversos proble-</p><p>mas para os participantes, porém uma das maneiras pelas quais podem</p><p>os conflitos que se derivam deste processo é a utilização de vários juí-</p><p>zes para a avaliação, aumentando, o grau de imparcialidade.</p><p>A última posição da lista é tomada por outros testes que já estão</p><p>disponíveis. O que se quer dizer com isso é que outros testes validados po-</p><p>dem ser utilizados como uma base para montar o novo instrumento, desde</p><p>que este busque o mesmo desempenho de análise. Quanto a esse aspec-</p><p>to, Pasqualli (2006) levanta o questionamento: Por quê, então, haveria um</p><p>interesse em validar um teste que avalie o mesmo princípio sendo validado</p><p>67</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>pelo mesmo desempenho, a ponderação que ele mesmo responde, apre-</p><p>sentando a questão econômica destas situações, onde há um interesse em</p><p>gerar testes que levem menos tempo para serem aplicados?</p><p>Passando ao terceiro e último conceito trino, para a validade de</p><p>conteúdo, Pasqualli (2006, p. 85) apresenta este conceito de maneira</p><p>sucinta e prática no seu texto Psicometria, na passagem:</p><p>A validade de conteúdo de um teste consiste em verificar se o teste constitui</p><p>uma amostra representativa de um universo finito de comportamentos (domí-</p><p>nio). É aplicável quando se pode delimitar a priori e com clareza um universo</p><p>de comportamentos, como é o caso em testes de desempenho, que preten-</p><p>dem cobrir um conteúdo delimitado por um curso programático específico.</p><p>Quando se fala em validade do construto, temos três pontos</p><p>de vista a partir do qual podemos trabalhar, os quais se referem à aná-</p><p>lise quanto ao comportamento que representa o construto, a curva que</p><p>podemos equacionar por conta pela TRI e a análise através das hipó-</p><p>teses. Quando se passa para validade de critério, refere-se a eficácia</p><p>do critério que preveja o desempenho do indivíduo, ou seja, o próprio</p><p>desempenho passa a ser o fator qualitativo.</p><p>Para se avaliar tal fator, geralmente acaba-se por dividi-lo em</p><p>dois, sendo a validade preditiva, que tem por característica os dados do</p><p>critério sendo obtidos depois das informações sobre o instrumento; ao</p><p>passo que a validade dita concorrente, tem as suas coletas de maneira</p><p>concomitante, isto é, ao mesmo tempo.</p><p>Por si só, a maneira de coleta dos dados não impacta de ma-</p><p>neira significativa no teor técnico do teste, mas o que acaba tendo um</p><p>impacto significativo é como se dá a determinação de um critério válido.</p><p>O quesito central desses testes passa a ter duas qualidades, a primeira</p><p>é a adequação desse critério, saber identificar um critério corretamente;</p><p>saber quantificar, mensurar este critério de maneira separada do teste,</p><p>ou seja, de maneira independente.</p><p>Transitando para a problemática da precisão dos testes, a qual</p><p>pode ser chamada de precisão, de fidedignidade etc., a nomenclatura</p><p>tende a variar um pouco com base na fundamentação teórica que está</p><p>sendo usada na coleta dos dados, mas ela tem por objetivo, basica-</p><p>mente, definir o quão bem aquele instrumento mensura o que ele se</p><p>propõe a mensurar. A maneira de analisarmos se dá pela qualidade</p><p>que esses instrumentos devem possuir de conseguir avaliar de maneira</p><p>idêntica, um dado grupo de indivíduos em um contexto diferente e obter</p><p>resultantes iguais às primeiras; ou ainda, testes equivalentes avaliando</p><p>os mesmos indivíduos em contexto igual, devendo ter resultante igual.</p><p>Esta medição deve ser algo constante, e, portanto, sem erros.</p><p>68</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Porém, como os instrumentos sempre serão falhos, por excelência, es-</p><p>tabelecemos que o padrão ideal se dá pela correlação 1, ao passo que,</p><p>conforme a margem de erro do instrumento aumenta, esta correlação 1</p><p>diminui. Desta maneira, quanto mais próximo de 1 for esta característica</p><p>de um teste, mais preciso ele é.</p><p>Para se chegar nesse valor, podemos seguir as seguintes dire-</p><p>trizes, usando a base da TCT: o valor coeficiente de fidedignidade (rtt) é</p><p>definido de maneira estatística, como a correlação dos escores de um</p><p>mesmo indivíduo, ou grupo de indivíduos, em formas paralelas de tes-</p><p>tes, denominadas T1 e T2. Então, podemos, a partir disso, deduzir que</p><p>o coeficiente de fidedignidade “se define como função da covariância</p><p>[Cov(T1,T2)] entre as formas do teste pelas variâncias ( e ) das mes-</p><p>mas, isto é, rtt = , onde, rtt: coeficiente de fidedignidade : Variância</p><p>verdadeira do teste : Variância total do teste.” (Pasqualli, 2006).</p><p>Esta fórmula de correlação é principalmente utilizada para a medi-</p><p>ção de casos como testagem e retestagem, como para validação do teste</p><p>e/ou testes similares. Neste tipo de testagem, o que se está analisando são</p><p>as respostas geradas pelos mesmos indivíduos em contextos distintos, ou</p><p>respondendo de maneira paralela o mesmo teste, fazendo, assim, que se</p><p>trate de uma correlação bivariada, ou seja, com duas variações.</p><p>Há uma outra análise que pode ser feita para avaliar a consis-</p><p>tência interna do teste, ou seja, dele com ele mesmo, normalmente é</p><p>dividida em secções/metades. Conforme Pasqualli (2006) para que se</p><p>faça essa avaliação deve fazer a correção da fórmula de predição de</p><p>Spearman-Brown. Todavia, exixtem outras técnicas do coeficiente alfa,</p><p>sendo o mais conhecido o alfa de Cronbach. O princípio aqui é verificar</p><p>se, em uma aplicação única (geralmente), os itens covariam; pois, se</p><p>eles covariam uma vez, irão covariar em todas as aplicações do instru-</p><p>mento, sendo, assim, uma estimativa da fidedignidade.</p><p>DA ÉTICA NA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E TESTAGEM PSICOLÓ-</p><p>GICA</p><p>Ao falarmos de ética na atuação do(a) psicólogo(a), é necessário</p><p>que levemos em conta o seu Código de Ética Profissional (Conselho Fede-</p><p>ral de Psicologia, 2005), em todos os trabalhos que estão sendo realizados.</p><p>Aqui serão destacados alguns dos princípios e diretrizes apresentados no</p><p>Código de Ética Profissional do Psicólogo que são mais evidentes durante</p><p>o processo de avaliação psicológica e de testagem psicológica.</p><p>No primeiro artigo, ficam delineados os deveres fundamentais</p><p>69</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>do(a) psicólogo(a), no qual se destaca que o profissional deve assumir</p><p>apenas as responsabilidades para as quais esteja devidamente preparado</p><p>técnica, teórica e pessoalmente. Fica como dever do profissional notificar e</p><p>explicar os resultados decorrentes da prestação de qualquer serviço psico-</p><p>lógico, de modo a informar apenas o que for necessário para que o usuário</p><p>ou beneficiário possa realizar a tomada de decisão que o afete.</p><p>Caso o profissional se julgue como incapacitado para realizar</p><p>aquele tipo de serviço psicológico, deve indicar outro profissional, com-</p><p>partilhando com ele as informações que sejam relevantes para que se</p><p>dê a continuação do processo. Cabe, ainda, ao psicólogo garantir que</p><p>todas as informações e materiais que são de uso privativo do psicólogo,</p><p>como é o caso dos testes psicológicos, devem ser fiscalizados pelos</p><p>profissionais no que diz respeito ao seu uso, sua comercialização, di-</p><p>vulgação, arquivamento etc., para que sigam os princípios do Código de</p><p>Ética Profissional do Psicólogo.</p><p>Fique sempre atento e se mantenha atualizado aos prin-</p><p>cípios éticos e às diretrizes que pautam o trabalho do psicólogo,</p><p>devendo, sempre que houver alguma dúvida, consultar o Código</p><p>de Ética Profissional do Psicólogo, disponível em https://site.cfp.</p><p>org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf,</p><p>ou entre em contato com o seu Conselho Regional de Psicologia</p><p>caso tenha alguma dúvida específica ao seu contexto atual.</p><p>Alguns dos fatores que são extremamente importantes em</p><p>meio ao processo de avaliação psicológica estão delineados conforme</p><p>o artigo 2º, citado abaixo:</p><p>Art. 2º – Ao psicólogo é vedado:</p><p>a) Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizam negligên-</p><p>cia, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão; b) Induzir a</p><p>convicções políticas,</p><p>histórico da</p><p>avaliação psicológica e seu desenrolar ao longo do tempo partindo de</p><p>fundamentos e marcos significativos e chegando, então, às perspectivas</p><p>atuais. Abordaremos, além do processo, alguns instrumentos para com-</p><p>plementar e suplementar nossas avaliações, desde seu início e maqui-</p><p>nações iniciais até como funcionam e como são produzidos e validados.</p><p>Assim como outras classes trabalhadoras, possuímos um ór-</p><p>gão responsável por regulamentações e normativas de trabalho, o Con-</p><p>selho Federal de Psicologia (CFP) e suas subdivisões estaduais, os</p><p>Conselhos Regionais de Psicologia. As regulamentações e diretrizes a</p><p>serem utilizadas nesse tipo de processo devem ser realizadas seguin-</p><p>do-se as resoluções e notas técnicas que podem ser encontradas no</p><p>site do CFP sob a URL: https://site.cfp.org.br/.</p><p>12</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S HISTÓRIA GERAL DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA E DA AVALIAÇÃO</p><p>PSICOLÓGICA</p><p>Voltando às bases da Psicologia, desde seus primórdios e an-</p><p>tes de seu nascimento como categoria própria, na Alemanha, por volta</p><p>de 1824, com as reformas alemãs no que se refere ao sistema de ensi-</p><p>no superior – principalmente acerca da filosofia – e a exigência de que</p><p>profissionais educadores tivessem conhecimentos acerca dos proces-</p><p>sos e ações da via ensino-aprendizagem, faziam que os professores</p><p>fossem conhecimentos como psicológicos.</p><p>Assim como expressado por Araujo (2009), é indispensável,</p><p>que se traga a disciplina de Psicologia como obrigatória, pensada como</p><p>fundamento para a ação pedagógica dos novos professores. Ou seja,</p><p>HISTÓRIA E FUNDAMENTOS DA</p><p>AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA</p><p>12</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>13</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>podemos compreender as bases da Psicologia como advindas de um</p><p>processo de institucionalização em um primeiro momento, sem neces-</p><p>sariamente passar por um rigor empírico.</p><p>Seguindo esta base, as universidades lentamente começaram</p><p>a aderir também a centros de pesquisas empíricas no campo da filoso-</p><p>fia e da medicina fisiológica, fator que culminou em fundamentos que</p><p>se uniriam dentro do meio acadêmico, levando, eventualmente, ao iní-</p><p>cio de pensamentos que dariam origem ao que é hoje conceitualizado</p><p>como Psicologia experimental.</p><p>Entre os diversos centros de pesquisa criados no século XIX, dois merecem</p><p>destaque, devido à sua contribuição para o desenvolvimento da psicologia: o</p><p>de Johannes Muller (1801-1858), na Universidade de Berlim, e o de Hermann</p><p>von Helmholtz (1821-1894), na Universidade de Heidelberg. Ambos tornaram-</p><p>-se não só modelos da nova fisiologia que começava a surgir, mas também um</p><p>dos principais estímulos para a expansão das pesquisas sobre a percepção</p><p>sensorial, atraindo um enorme número de pesquisadores de várias partes da</p><p>Alemanha e do mundo, e culminando na formação de uma "psicologia experi-</p><p>mental" como área de investigação própria. (ARAUJO a, 2009, p. 55).</p><p>Conforme Araujo (2009), nos anos que se seguiram, Wilhelm</p><p>Wundt fundou o primeiro laboratório de Psicologia experimental em</p><p>1862, alcançando um notável destaque e reconhecimento dentro de seu</p><p>campo, bem como por sua investigação pelo objeto livre de ponderações</p><p>pré-estabelecidas de cunho metafísico; ou seja, seguindo estritamente</p><p>o processo empírico de investigação. Seu objetivo era demonstrar tal</p><p>processo como complementar às ciências naturais, principalmente no</p><p>que diz respeito ao processo de acontecimentos, e que ele fosse utiliza-</p><p>do ao lado de outros processos de investigação.</p><p>Seguindo a linha de raciocínio na qual Wundt se encontrava, ou</p><p>seja, partindo de um ponto de vista teórico-filosófico, influenciado pela</p><p>academia alemã, e sua associação pessoal à ciência fenomenológica,</p><p>conseguimos um ponto de partida que nos permite melhor entender o</p><p>pensamento Wundt ao estabelecer tal divisão.</p><p>A partir disso, pode-se seguir a linha de raciocínio de Wundt de</p><p>que, apesar de as ciências naturais e a psicologia serem artefatos distin-</p><p>tos, com uma clara cisão entre elas, uma vez que se fez questão de sepa-</p><p>rá-las, conseguimos inferir que há uma diferença importante na maneira</p><p>de pensar de Wundt, ou seja, que há princípios que diferem de maneira</p><p>significativa, e que, portanto, devem ser avaliados de maneiras distintas.</p><p>Os princípios divergentes que podem ser considerados os</p><p>mais relevantes são acerca do ponto de vista de análise no estudo de</p><p>algum fenômeno. Conforme Leonardi (2011), Wundt estabelece que as</p><p>14</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Ciências Naturais têm como ponto de partida de análise o princípio de</p><p>que os objetos de experiência possuem uma verdade que independe</p><p>do sujeito que interage, seja da maneira que for; enquanto a Psicologia</p><p>parte do ponto de investigação na sua interação com o sujeito (o objeto,</p><p>fenômeno), ao expressar de maneira condensada os escritos de Wundt.</p><p>Destaca ainda, que a competência das ciências naturais, na visão de</p><p>Wundt se constituem pela experiência mediata (de forma indireta – que</p><p>passa por uma coisa intermediária) , encontrapartida a Psicologia estu-</p><p>da a experiência imediata (de forma direta).</p><p>Um dos muitos fatores essenciais para a nossa análise é que,</p><p>em suma, o cerne de trabalho de Wundt se dava em cunho filosófico,</p><p>pareado com experimentos empíricos. Assim sendo, muitas das relações</p><p>que ele estabelecia possuíam um caráter idealista, uma vez que, ele bus-</p><p>cava uma complementariedade entre as Ciências Naturais e a Psicologia.</p><p>Para entender um pouco mais sobre a visão de Psicologia de</p><p>Wundt, podemos recorrer à análise de Araujo (2009), ao afirmar que a</p><p>definição de Psicologia em conformidade com Wundt pode ser entendi-</p><p>da, de forma sucinta, como uma ciência empírica cujo objeto de estudo</p><p>é a experiência interna ou imediata.</p><p>Ao postular suas ideias e determinar que existem dois tipos de</p><p>experiências, aquelas ditas imediatas e as mediatas, ou seja, aquelas</p><p>experiências que possuem algum tipo de mediador e aquelas que po-</p><p>dem ser consideradas sem mediação, Wundt estabelece a linha base</p><p>com a qual começa a trabalhar.</p><p>Cada experiência concreta imediatamente se divide em dois fatores: em um</p><p>conteúdo que nos é apresentado, e nossa apreensão desse conteúdo. Cha-</p><p>mamos o primeiro desses fatores de objetos da experiência e o segundo de</p><p>sujeito que experiência. Essa divisão indica dois modos de tratamento da</p><p>experiência. Um é o modo das ciências naturais, que se interessam pelos</p><p>objetos da experiência, vistos como independentes do sujeito. O outro é o</p><p>modo da Psicologia, que investiga o conteúdo global da experiência em suas</p><p>relações com o sujeito e também com relação aos atributos que esse conte-</p><p>údo deriva diretamente do sujeito. O ponto de vista da ciência natural pode,</p><p>por isso, ser considerado como o da experiência mediata, pois só se torna</p><p>possível depois da abstração do fator subjetivo que está presente em toda</p><p>experiência real; o ponto de vista da Psicologia pode, ao contrário, ser consi-</p><p>derado como o da experiência imediata, pois propositadamente afasta essa</p><p>abstração e todas as suas consequências (WUNDT, 1896, p.25).</p><p>Partindo desse ponto, pode-se entender que, é mais fácil anali-</p><p>sar um objeto, ou uma alguma experiência, quando essa investigação é</p><p>de forma direta, ou seja, mais pura, por ser mais fácil ver o objeto como</p><p>ele é. A visão acerca das Ciências Naturais como mediatas se dá a partir</p><p>15</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>do momento no qual se olha para algum objeto ou experiência, partindo</p><p>de algum ponto teórico, logo, sendo filtrado por pressupostos e conceitos</p><p>e, portanto, consiste em um processo indireto de vivência. Quanto ao que</p><p>diz respeito à parte da Psicologia, é imediata, porque sua experiência é</p><p>direta; ou seja, a experiência, quando ocorre, é o ponto de partida.</p><p>Ainda sobre tais diferenças,</p><p>filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação</p><p>sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções</p><p>profissionais; c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de</p><p>práticas psicológicas como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer forma</p><p>de violência; d) Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou</p><p>favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra</p><p>atividade profissional; e) Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de di-</p><p>reitos, crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação</p><p>70</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>de serviços profissionais; f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo</p><p>a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos, técnicas e meios</p><p>não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão; g) Emitir docu-</p><p>mentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica; h) Interferir na va-</p><p>lidade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas, adulterar seus</p><p>resultados ou fazer declarações falsas; i) Induzir qualquer pessoa ou organiza-</p><p>ção a recorrer a seus serviços; j) Estabelecer com a pessoa atendida, familiar</p><p>ou terceiro, que tenha vínculo com o atendido, relação que possa interferir</p><p>negativamente nos objetivos do serviço prestado; k) Ser perito, avaliador ou</p><p>parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais,</p><p>atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou</p><p>a fidelidade aos resultados da avaliação; l) Desviar para serviço particular ou</p><p>de outra instituição, visando benefício próprio, pessoas ou organizações aten-</p><p>didas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional;</p><p>m) Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que</p><p>possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas, decorrentes de infor-</p><p>mações privilegiadas; n) Prolongar, desnecessariamente, a prestação de servi-</p><p>ços profissionais; o) Pleitear ou receber comissões, empréstimos, doações ou</p><p>vantagens outras de qualquer espécie, além dos honorários contratados, as-</p><p>sim como intermediar transações financeiras; p) Receber, pagar remuneração</p><p>ou porcentagem por encaminhamentos de serviços; q) Realizar diagnósticos,</p><p>divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em</p><p>meios de comunicação, de forma a expor pessoas, grupos ou organizações.</p><p>(Conselho Federal de Psicologia, 2005)</p><p>Apenas com este pequeno recorte já se pode perceber que, de</p><p>maneira geral, os fatores éticos apresentados pelos códigos pertinentes</p><p>não diferem vitualmente em nada o que profissional já deve ter em men-</p><p>te em todos os momentos. Sendo assim, o profissional deve se manter</p><p>extremamente atento ao processo que ocorre, bem com às pressões</p><p>externas que podem advir nesse meio com objetivos e motivos alternos</p><p>aos do profissional e o que é dever dele realizar, como situações em</p><p>que a adulteração dos resultados seria benéfica para um empregador, e</p><p>cabe ao psicólogo se manter ético e não ceder a qualquer tipo de pres-</p><p>são que possa ser realizada em meio aos processos.</p><p>Questões pertinentes ao sigilo profissional, como a disposta</p><p>no artigo 9⁰ do mencionado código de ética é um dos quesitos funda-</p><p>mentais ao processo de avaliação psicológica e da testagem psicoló-</p><p>gica, sendo previstas algumas exceções a ela no artigo 10⁰, no caso</p><p>de aplicações de testes para terceiros, como é o caso de processos de</p><p>avaliação de emprego, por exemplo, onde o profissional deverá relatar</p><p>algumas informações para a empresa e, quando o fizer, deverá relatar</p><p>apenas o que é essencial para a continuação do processo.</p><p>Outro exemplo em que isso pode ocorrer com maior frequência se</p><p>dá no meio hospitalar, quando o profissional ................................................</p><p>71</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>às vezes se vê na necessidade de compartilhar informações sigilosas para</p><p>a continuação do atendimento de determinado paciente sem que incorra</p><p>em prejuízos por falta de informações pertinentes, como expresso no artigo</p><p>12⁰. O profissional, ainda, não poderá divulgar conhecimentos e qualifica-</p><p>ções do psicólogo e seus instrumentos, como expressado no artigo 18⁰.</p><p>Um dos principais aspectos de ética a serem estudados por to-</p><p>dos os profissionais são as páginas referentes à proteção dos direitos</p><p>humanos, parte fundamental na formulação da Resolução 09/2018 como</p><p>um todo, mas que se apresentam nos artigos 30º a 36º, tendo como intui-</p><p>to reforçar os aspectos pertinentes no código de ética profissional.</p><p>72</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO 01</p><p>Ano: 2018 Banca: STJ Prova: Analista Judiciário - Conhecimentos</p><p>Específicos - Cargo 6 Nível: Fácil</p><p>A respeito de avaliação psicológica e dos instrumentos de avalia-</p><p>ção, julgue o item seguinte.</p><p>Considerando-se os limites da avaliação psicológica e o comporta-</p><p>mento humano, resultado de uma complexa teia de dimensões inter-</p><p>-relacionadas que interagem para produzi-lo, as avaliações psicoló-</p><p>gicas têm um limite em relação ao que é possível entender e prever,</p><p>mesmo baseando-se em métodos cientificamente comprovados.</p><p>( ) Errado</p><p>( ) Certo</p><p>QUESTÃO 02</p><p>Ano 2018 Banca: CESPE Prova: EBSERH - Psicólogo - Área: Orga-</p><p>nizacional Nível: Fácil</p><p>Julgue o item que se segue acerca da avaliação psicológica.</p><p>A avaliação psicológica e a testagem psicológica são processos si-</p><p>milares, pois consistem na aplicação de testes psicológicos de dife-</p><p>rentes tipos para diagnóstico de características comportamentais.</p><p>( ) Errado</p><p>( ) Certo</p><p>QUESTÃO 03</p><p>Ano: 2018 Banca: FCC Prova: TRT - 15ª Região - Analista Judiciário</p><p>– Psicologia Nível: Fácil</p><p>Os testes projetivos proporcionam obter informações sobre dife-</p><p>rentes níveis de funcionamento da personalidade e, para isso, são</p><p>oferecidos ao examinando estímulos:</p><p>a) ordenados de tal modo que o examinando discorra sobre os temas</p><p>oferecidos, mantendo-se engajado na tarefa, sem dispersar-se.</p><p>b) estruturados, com o objetivo de conseguir informações sobre temas</p><p>específicos do mundo objetivo do examinando.</p><p>c) convencionais, a partir dos quais o indivíduo informa sobre suas pre-</p><p>ferências em relação a temáticas específicas.</p><p>d) pouco estruturados, que ele organizará em conformidade com aspec-</p><p>tos de seu mundo interno.</p><p>e) sequenciais que induzem o examinando a expressar conteúdos rela-</p><p>tivos aos temas propostos, de modo estruturado.</p><p>73</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>QUESTÃO 04</p><p>Ano: 2018 Banca: CESPE Prova: EBSERH - Psicólogo - Área: Orga-</p><p>nizacional Nível: Fácil</p><p>Profissionais de diferentes áreas podem atuar com avaliação psi-</p><p>cológica, desde que possuam conhecimentos da área de psico-</p><p>metria para julgar as questões de validade, precisão e normas dos</p><p>testes psicológicos.</p><p>( ) Errado</p><p>( ) Certo</p><p>QUESTÃO 05</p><p>Ano: 2017 Banca: TJ-PR Prova: TJ-PR - Analista Judiciário - Psico-</p><p>logia Nível: Médio</p><p>Sobre as propriedades psicométricas dos instrumentos de avalia-</p><p>ção psicológica, assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) A fidedignidade de um teste refere-se a quanto o resultado obtido</p><p>pelo indivíduo se aproxima do resultado verdadeiro do sujeito num traço</p><p>qualquer. Ela tem sido analisada à luz da quantidade de erros presente</p><p>nos resultados do teste, de forma que, apenas quando não existem er-</p><p>ros, considera-se a medida confiável.</p><p>b) Os dois parâmetros mais importantes de legitimidade de uma medida</p><p>ou teste são a utilidade e a precisão.</p><p>c) A validade de uma medida pode ser verificada sob diferentes pers-</p><p>pectivas, entre elas, encontram-se a validade de construto, a validade</p><p>de conteúdo e a validade de critério.</p><p>d) Um instrumento é considerado válido quando a sua padronização</p><p>inclui normas de idade e de gênero.</p><p>e) O processo de padronização de um teste ocorre por meio da tra-</p><p>dução de um instrumento reconhecido</p><p>internacionalmente. A tradução</p><p>integral é a garantia da legitimidade do instrumento.</p><p>QUESTÃO 06</p><p>Ano: 2017 Banca: FCC Prova: TRE-SP - Analista Judiciário - Área</p><p>Apoio Especializado – Psicologia Nível: Difícil</p><p>Em relação ao uso dos testes psicológicos:</p><p>a) o psicólogo poderá utilizar qualquer teste psicológico que seja reco-</p><p>nhecido por ele como atendendo à complexidade do motivo que deter-</p><p>minou a avaliação psicológica.</p><p>b) as técnicas projetivas, por apresentarem tarefas estruturadas, favore-</p><p>cem uma grande variedade de respostas.</p><p>c) os testes projetivos, embora muito utilizados, são considerados limi-</p><p>tados em função da subjetividade do examinando, uma vez que o con-</p><p>74</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>teúdo manifesto se altera frente às expectativas dos resultados.</p><p>d) a fidedignidade de um teste é a consistência dos escores obtidos</p><p>quando submetidos novamente ao mesmo teste, ou a uma forma equi-</p><p>valente dele.</p><p>e) a validade de um teste refere-se àquilo que ele mensura e ao seu</p><p>alcance de predição temporal.</p><p>QUESTÃO 07</p><p>Ano: 2017 Banca: CESPE Prova: TRE-BA - Analista Judiciário –</p><p>Psicologia Nível: Médio</p><p>No que se refere à avaliação e testagem psicológica, julgue os se-</p><p>guintes itens.</p><p>I. Fidedignidade ou padronização refere-se ao sistema de interpre-</p><p>tação dos escores obtidos em um teste.</p><p>II. A validade de um teste reside na sua capacidade de medir aquilo</p><p>que se propõe a avaliar.</p><p>III. A precisão é uma característica necessária e suficiente para ga-</p><p>rantir a validade de um instrumento.</p><p>Assinale a opção correta.</p><p>a) Apenas o item I está certo.</p><p>b) Apenas o item II está certo.</p><p>c) Apenas o item III está certo.</p><p>d) Apenas os itens I e II estão certos.</p><p>e) Apenas os itens II e III estão certos.</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE</p><p>Apresente e descreva dois dos princípios que constituem a validade de</p><p>critério no processo de avaliação dos testes psicológicos.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>No que diz respeito à avaliação psicológica, conforme apontado</p><p>pela Resolução CFP 07/2009, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I - O profissional poderá aplicar todo e qualquer teste psicológico,</p><p>desde que este esteja qualificado no SATEPSI.</p><p>II - Para a aplicação do teste basta apenas que o profissional tenha</p><p>lido o manual, podendo ser aplicado em qualquer ambiente, desde</p><p>que por um psicólogo.</p><p>III - As indicações de aplicação presentes no manual consistem de</p><p>sugestões do procedimento de aplicação, cabendo ao profissional</p><p>agir como acreditar melhor durante a aplicação.</p><p>a) Estão corretas as afirmações I e III</p><p>b) Está errada a afirmação I</p><p>75</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>c) Estão erradas as afirmações II e III</p><p>d) Todas as afirmações estão corretas</p><p>e) Todas as afirmações estão erradas</p><p>NA MÍDIA</p><p>O Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica apresenta nesta matéria</p><p>uma breve introdução ao “Compêndio de Avaliação Psicologia”, em uma</p><p>parceria com a Editora Vozes, realizando uma compilação de diretrizes</p><p>e princípios.</p><p>Título: Compêndio reúne referências teóricas sobre avaliação psicológica</p><p>Data de publicação: 09/07/2019</p><p>Fonte: < HTTP://WWW.IBAPNET.ORG.BR/NOTICIAS/205/COMPEN-</p><p>DIO-REUNE-REFERENCIAS-TEORICAS-SOBRE-AVALIACAO-PSI-</p><p>COLOGICA.></p><p>NA PRÁTICA</p><p>Quando se utiliza instrumentos psicológicos dentro de um processo de</p><p>avaliação psicológica, a maneira de aprovação desses instrumentos tem</p><p>um impacto significativo no funcionamento do teste e do próprio processo</p><p>de avaliação psicológica. Ao saber os passos de análise de critérios de</p><p>aprovação e quais as características por trás deles, é possível adaptar a</p><p>sua aplicação para que se encaixe aos objetivos estabelecidos.</p><p>Conseguir avaliar os níveis de precisão de algum teste, por exemplo,</p><p>pode ajudar a contornar algumas das críticas que foram apresentadas</p><p>anteriormente, como a questão de um teste apresentar-se como favo-</p><p>rável estando apenas de acordo com os requisitos mínimos, e um outro</p><p>teste que também está favorável, mas que apresenta um critério de</p><p>aprovação mais elevado, mostrando-se um instrumento mais eficiente</p><p>que o primeiro e, ao saber disso, o psicólogo poderá realizar a seleção</p><p>dos seus instrumentos de maneira mais informada, e, portanto, tendo</p><p>uma qualidade mais elevada no processo de avaliação psicológica.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>Título: Psychological Testing: Principles, Applications and Issues</p><p>Fonte: KAPLAN, Robert; SACCUZZO, Dennis. Psychological Testing: Prin-</p><p>ciples, Applications and Issues. Cengage Learning, oitava edição, 2012.</p><p>Título: Psicometria</p><p>Data:12/2009</p><p>Fonte: < https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0080-62342009000500002></p><p>76</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>GABARITOS</p><p>CAPÍTULO 01</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO</p><p>DE RESPOSTA</p><p>Dentre as principais mudanças, cita-se: A mobilização de profissionais da</p><p>área com o intuito de se manifestar e trabalhar para um melhor desenvol-</p><p>vimento da avaliação psicológica como um todo – sem contar com even-</p><p>tual criação de instituições dedicadas à causa, como foi o caso do Instituto</p><p>Brasileiro de Avaliação Psicológica IBAP – é o tipo de ação que auxilia,</p><p>eventualmente, no advento de um marco fundamental para o processo de</p><p>avaliação psicológica, a criação do Sistema de Avaliação de Testes Psico-</p><p>lógicos SATEPSI, Essas mudanças citadas estão elencados na Resolução</p><p>CFP 02/2003 pelo Conselho Federal de Psicologia que, por muitos anos,</p><p>serviu como uma fundamentação essencial para o trabalho do psicólogo.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Gabarito: B</p><p>77</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>CAPÍTULO 02</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO</p><p>DE RESPOSTA</p><p>A resposta deve conter um panorama geral dos procedimentos mínimos</p><p>de montagem dos testes e manuais, bem como se dá o protocolamento</p><p>ao CCAP E SATEPSI, como exemplificado abaixo.</p><p>O procedimento de aplicação dos testes psicológicos, deve ter uma fun-</p><p>damentação teórica que tenha um foco naquele traço que se propõe a</p><p>avaliar, explicando como este traço é definido e como funciona. Em se-</p><p>guida, deve apresentar descrição dos objetivos do teste, além de especi-</p><p>ficar o contexto da aplicação do teste, e para qual população ele deve ser</p><p>utilizado. Logo após, deve ter a demonstração da relevância teórica e a</p><p>qualidade do sistema dos estímulos que são usados no teste e as evidên-</p><p>cias empíricas dos procedimentos e das características que cada item</p><p>do teste apresenta, a não ser que se trate de uma metodologia projetiva.</p><p>É preciso que estejam apresentados de maneira evidente todos os indí-</p><p>cios de validade e os cálculos de precisão das perspectivas dos resulta-</p><p>dos do teste, e que fique definida qual fora a metodologia empregada para</p><p>que se chegasse aos resultados. A outra forma de interpretação possível,</p><p>e quando o resultado não se enquadra no padrão. Quando isto ocorre,</p><p>deve-se justificar e explicar, com base na teoria, a lógica que está sendo</p><p>empregada para o mecanismo de interpretação que está sendo usado.</p><p>A apresentação de como se dá o processo de aplicação e correção deve</p><p>ser feita de modo explícito, pois, assim, ajuda a garantir a consistência</p><p>do processo; deve conter também uma caderneta com o resumo do tes-</p><p>te, contendo seu público-alvo, seu objetivo, o material, a metodologia de</p><p>aplicação e correção; tendo exemplos de seu uso e demonstrando como</p><p>utilizar, administrar, contabilizar, analisar e interpretar os resultados.</p><p>Os requisitos que estabelecem a base na qual o teste será julgado pela</p><p>Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica foram compilados de</p><p>maneira a produzir um formulário denominado Formulário de Avaliação</p><p>da Qualidade de Testes Psicológicos, o qual se encontra em anexo na</p><p>Resolução CFP 09/2018.</p><p>Quando submetido ao Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos, este</p><p>78</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>será avaliado pela Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, a qual</p><p>tem sua constituição de acordo com a Resolução CFP 03/2017. No iní-</p><p>cio do processo, o teste será submetido ao SATEPSI on-line; em seguida,</p><p>dois pareceristas serão apontados ad hoc para analisar o teste; então, um</p><p>membro da CCAP irá analisar o parecer gerado pelo parecerista e formu-</p><p>lará um relatório, o qual será analisado posteriormente pelo colegiado da</p><p>CCAP; então, o plenário do CFP irá decidir, com base no relatório da CCAP,</p><p>elaborar e enviar um parecer final para o querente, o qual poderá recorrer.</p><p>O responsável técnico pelo teste psicológico poderá pedir informações</p><p>e explicações adicionais ao CCAP, caso queira, e o CFP enviará ao</p><p>requerente a conclusão da apreciação do teste. Os testes que apresen-</p><p>tarem sua classificação como favorável terão um prazo de validade de</p><p>quinze anos, no que diz respeito aos seus estudos de validade, precisão</p><p>e normas, e deverão ser refeitos após esse período a fim de garantir</p><p>sua relevância e atualização técnica e científica. Os testes que foram</p><p>aprovados antes dessa resolução tinham um prazo de 20 anos nesse</p><p>quesito, e isto fora parcialmente mantido. Os testes que foram aprova-</p><p>dos antes do ano de 2018 não precisarão revalidar seus estudos de</p><p>validade e precisão após 15 anos, apenas após 20 anos; mas, em com-</p><p>pensação, as normas precisarão passar por uma revisão após 15 anos.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Gabarito: D</p><p>79</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>CAPÍTULO 03</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO</p><p>DE RESPOSTA</p><p>– Desempenho Profissional, que consiste, em essência, na justaposi-</p><p>ção da resultante dos testes aplicados com a performance profissional</p><p>em termos de sucesso/fracasso ou em qualidade de sucesso.</p><p>– Desempenho em Treinamento Especializado, o qual lida-se com o</p><p>desempenho do indivíduo no contexto de alguma situação de especifi-</p><p>cidade, como no caso de músicos ou de alguma técnica precisa, o que</p><p>ocorre geralmente ao final do processo com alguma medida avaliativa,</p><p>como por exemplo provas. Neste tipo de situação encontramos as mes-</p><p>mas dificuldades que estão presentes no Desempenho Acadêmico.</p><p>– Diagnóstico Psiquiátrico, que é extremamente utilizado para validação</p><p>de testes que avaliam características psiquiátricas e testes de persona-</p><p>lidade. Aqui se caracterizam os grupos de critério com base nas qualifi-</p><p>cações e avaliações psiquiátricas, e, portanto, estão sujeitas às mesmas</p><p>fraquezas. Esse critério tem como parâmetro a relação/comparação entre</p><p>grupos, como por exemplo, normais x depressivos; normais x psicopatas.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Gabarito: E</p><p>80</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>ABAD, et al. Medicíon en Ciencias Sociales y de la Salud. Editora Sin-</p><p>tesis, Madrid, 2011.</p><p>AMERICAN PSHYCOLOGICAL ASSOCIATION. Thechnical Recom-</p><p>mendations for Psychological Tests and Diagnostics Techniques.</p><p>Whashington, 1954.</p><p>ARAUJO, Saulo de Freitas. Wilhelm Wundt e a fundação do primeiro</p><p>centro internacional de formação de psicólogos. Temas psicol., Ribeirão</p><p>Preto, v. 17, n. 1, p. 09-14, 2009 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.</p><p>org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413389X2009000100002&ln-</p><p>g=pt&nrm=iso>. Acesso em 19 dez. 2020.</p><p>ARAUJO, Saulo de Freitas. Uma visão panorâmica da psicologia científi-</p><p>ca de Wilhelm Wundt. Sci. stud., São Paulo , v. 7, n. 2, p. 209-220, June</p><p>2009 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art-</p><p>text&pid=S167831662009000200003&lng=en&nrm=iso>. access on 21</p><p>Dec. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S1678-31662009000200003.</p><p>BUENO, José Maurício Haas; PEIXOTO, Evandro Morais. Avaliação</p><p>Psicológica no Brasil e no Mundo. Psicol. cienc. prof., Brasília , v.</p><p>38, n. spe, p. 108-121, 2018 . Disponível em <http://www.scielo.br/</p><p>scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141498932018000400108&lng=p-</p><p>t&nrm=iso>. Acesso em 02 jan. 2021. https://doi.org/10.1590/1982-</p><p>3703000208878.</p><p>BOLAÑOS-MEDINA, A.; GONZÁLEZ-RUIZ, V. Deconstructing the</p><p>Translation of Psychological Tests. Meta, v. 57, n. 3, setembro 2012</p><p>disponível em < https://www.erudit.org/fr/revues/meta/2012-v57-n3-me-</p><p>ta0694/1017088ar/> Acessado em 01 jan. 2021.</p><p>Congresso Brasileiro de Avaliação Psicológica, oitavo congresso <http://</p><p>www.ibapnet.org.br/congresso2017/> acessado em 22 dez. 2020.</p><p>Conselho federal de psicologia Resolução 02/2003 disponível em http://</p><p>site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2003/03/resolucao2003_02_Anexo.</p><p>pdf acessado em 28 dez. 2020.</p><p>Conselho Federal de Psicologia Resolução 07/2003, 2003. Dispo-</p><p>nível em <https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2009/08/resolu-</p><p>cao2009_07.pdf> acessado em 29 dez. 2020.</p><p>81</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional. 2005.</p><p>Disponível em < https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/co-</p><p>digo-de-etica-psicologia.pdf> acessado em 29 dez. 2020.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Conheça o conselho federal</p><p>de psicologia 200- <https://site.cfp.org.br/cfp/conheca-o-cfp> acessado</p><p>em 25 dez. 2020.</p><p>Conselho Federal de Psicologia. resolução 01/2009. 2009 <https://site.</p><p>cfp.org.br/wp-content/uploads/2009/04/resolucao2009_01.pdf> acesso</p><p>em 26 dez. 2020.</p><p>Conselho federal de psicologia sistema de avaliação de testes psicoló-</p><p>gicos 2018 <https://satepsi.cfp.org.br/> acessado em 23 dez. 2020.</p><p>Conselho Regional de Psicologia Paraná. Avaliação Psicológica Dimen-</p><p>sões, campos de atuação e pesquisa. 2016. Disponível em <https://</p><p>crppr.org.br/wp-content/uploads/2019/05/AF_CRP_Caderno_Avalia-</p><p>caoPsicologica_pdf.pdf> acessado em 29 dez. 2020</p><p>Conselho Federal de Psicologia Resolução CFP 09/2018. 2018. Dispo-</p><p>nível em <https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/04/Resolu%-</p><p>C3%A7%C3%A3o-CFP-n%C2%BA-09-2018-com-anexo.pdf> . Acesso</p><p>em 23 dez. 2020.</p><p>Conselho Federal de Psicologia, CPF publica resolução que torna a</p><p>Avaliação Psicológica especialidade da Psicologia. 2019. <https://site.</p><p>cfp.org.br/cfp-publica-resolucao-que-torna-a-avaliacao-psicologica-es-</p><p>pecialidade-da-psicologia/> . Acesso em 25 dez. 2020.</p><p>Conselho Federal de Psicologia. CFP publica Resolução sobre prorro-</p><p>gação de prazos referentes à Avaliação Psicológica. 2020a. Disponível</p><p>em <https://site.cfp.org.br/cfp-publica-resolucao-09-2020-sobre-prazos-</p><p>-da-avaliacao-psicologica/> acessado em 27 dez. 2020.</p><p>Conselho Federal de Psicologia. Resolução 09/2020. 2020b. Disponível</p><p>em <https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-9-de-15-de-julho-</p><p>-de-2020-267508062> acessado em 27 dez. 2020.</p><p>Conselho Federal de Psicologia. Nota Orientativa sobre o ensino da</p><p>Avaliação Psicológica em modalidade remota no contexto da pandemia</p><p>de Covid-19. 2020c. Disponível em <https://site.cfp.org.br/wp-content/</p><p>82</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>uploads/2020/11/Nota-Orientativa-sobre-ensino-da-Avalia%C3%A7%-</p><p>C3%A3o-Psicol%C3%B3gica-em-modalidade-remota-no-contexto-da-</p><p>-pandemia-de-Covid.pdf> acessado em 27 dez. 2020.</p><p>DE ALMEIDA, Nemésio Vieira. A entrevista psicológica como um pro-</p><p>cesso dinâmico e criativo. Psic, São Paulo , v. 5, n. 1, p. 34-39, jun.</p><p>2004 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=s-</p><p>ci_arttext&pid=S1676-73142004000100005&lng=pt&nrm=iso>. acesso</p><p>em 27 dez. 2020.</p><p>GARCIA, MORENO e SUMI. Física II Efeito Doppler. 2013. Disponí-</p><p>vel em <http://www.ifsc.usp.br/~strontium/Teaching/Material20132%20</p><p>FCM0102%20Fisica%20II-EESC/Exercicio%20T15.73.pdf> . Acessado</p><p>em 31 dez. 2020.</p><p>HOGAN, Thomas. Psychological testing: A practical Introduction. Wiley,</p><p>December, quarta edição, 2018.</p><p>KAPLAN, Robert; SACCUZZO, Dennis. Psychological Testing: Princi-</p><p>ples, Applications and Issues. Cengage Learning, oitava edição, 2012.</p><p>LEONARDI, Jan Luiz. Breves considerações sobre a concepção do ob-</p><p>jeto de estudo da Psicologia para Wundt e para</p><p>Brentano. Psicol. rev.</p><p>(Belo Horizonte), Belo Horizonte, v. 17, n. 1, p. 1-15, abr. 2011 . Dis-</p><p>ponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S167711682011000100002&lng=pt&nrm=iso>. acesso em 20 dez. 2020.</p><p>MORALES, Pedro. El Análisis Factorial en la Construcción e Interpreta-</p><p>ción de tests, escalas y cuestionários. Universidade Pontifícia Comillas,</p><p>Madrid, 2011 disponível em < http://www.eio.uva.es/~valentin/ad3d/</p><p>anadat/afc/comillas_AnalisisFactorial.pdf> acessado em 31 dez. 2020></p><p>PASQUALI, Luiz. Psicometria. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo , v. 43, n.</p><p>spe, p. 992-999, Dec. 2009 . Available from <http://www.scielo.br/scie-</p><p>lo.php?script=sci_arttext&pid=S008062342009000500002>. access on</p><p>25 Dec. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342009000500002.</p><p>PASQUALI, Luiz. Instrumentos Psicológicos. Brasília, 1999.</p><p>PASQUALI, Luiz. Psicometria: Teoria dos Testes na Psicologia e na</p><p>Educação. Petrópolis, 2004.</p><p>83</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>PASQUALI, Luiz. Análise Fatorial para Pesquisadores. Porto Alegre, 2005.</p><p>PASQUALI, Luiz. TRI – Teoria de Resposta ao Item: Teoria, Procedi-</p><p>mento e aplicações. Brasília, 2007.</p><p>PROFESSOR EMÉRITO Luiz Pasquali. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília</p><p>, v. 23, n. spe, p. 97-98, 2007 . Available from <http://www.scielo.</p><p>br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010237722007000500018&ln-</p><p>g=en&nrm=iso>. access on 22 Dec. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/</p><p>S0102-37722007000500018.</p><p>URBINA, Susana. Essencials of Psychological Testing. Wiley, segunda</p><p>edição, 2014.</p><p>VENTURA-LEÓN, José. Escalas, inventários y cuestionarios, son lo mis-</p><p>mo? Carta ao diretor, Perú, Educacíon Médica mayo - junio 2020. Dispo-</p><p>nível em <https://www.elsevier.es/es-revista-educacion-medica-71-ar-</p><p>ticulo-escalas-inventarios-cuestionarios-son-lo-S157518131930097X></p><p>acessado em 1 jan. 2021.</p><p>VILLEMOR-AMARAL, Anna Elisa de; PASQUALINI-CASA-</p><p>DO, Lílian. A cientificidade das técnicas projetivas em deba-</p><p>te. Psico-USF (Impr.), Itatiba , v. 11, n. 2, p. 185-193, Dec. 2006.</p><p>Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1413-82712006000200007&lng=en&nrm=iso>. access on 02 Jan.</p><p>2021. https://doi.org/10.1590/S1413-82712006000200007.</p><p>WECHSLER, Solange Muglia; HUTZ, Claudio Simon; PRIMI, Ricardo.</p><p>O desenvolvimento da avaliação psicológica no Brasil: Avanços histó-</p><p>ricos e desafios. Aval. psicol., Itatiba , v. 18, n. 2, p. 121-128, 2019 .</p><p>Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttex-</p><p>t&pid=S167704712019000200003&lng=pt&nrm=iso>. acesso em 23</p><p>dez. 2020. http://dx.doi.org/10.15689/ap.2019.1802.15466.02.</p><p>Wundt, W. M. Outlines of Psychology. (C. H. Judd, Trad.). New Delhi:</p><p>Cosmo Publications. 2004 (Trabalho original publicado em 1896) dispo-</p><p>nível em <http://94.200.75.214/DL/outlines_of_psychology.pdf> acessa-</p><p>do em 31 dez. 2020.</p><p>84</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>podemos entender, então, que o ob-</p><p>jeto de análise do(a) psicólogo(a) é algo de acesso extremamente difícil, já</p><p>que um cientista natural pode simplesmente retornar ao seu objeto a qual-</p><p>quer momento, enquanto a Psicologia se encontra em um impasse, tendo</p><p>seu objeto como algo passageiro e, uma vez experienciado, jamais aconte-</p><p>cerá novamente mantendo a sua integridade; mas, será uma revivescência</p><p>e, portanto, será sujeita a interpretações, conceitos, ponderações etc.</p><p>Para Araujo (2009), apesar dos experimentos mais tardios de</p><p>Wundt e de todo seu legado filosófico terem sido largamente deixados de</p><p>lado nos anos que seguiram a sua morte e seu ápice de influência, muitos</p><p>de seus instrumentos de medição, formatações laboratoriais, métodos e</p><p>técnicas foram tomados como base e adaptados para diversas situações,</p><p>sem que houvesse propriamente uma continuação de seus estudos.</p><p>No período que se seguiu, e com o fortalecimento inicial da Psi-</p><p>cologia como ciência própria, a crença dos estudiosos haverem desenvol-</p><p>vido um modelo imparcial ao subjetivo e, portanto, constante de análise</p><p>da psique, levou à ideia de que este era o método de avaliação padrão,</p><p>como Bueno e Peixoto (2018) estabelecem em sua revisão, a ideia de</p><p>que os testes permitiam avaliar aspectos psicológicos de forma compará-</p><p>vel ao modelo médico de atendimento, utilizando procedimentos padroni-</p><p>zados de diagnóstico (exames), que ficam isentos de subjetividade.</p><p>No momento da criação do laboratório experimental de</p><p>Wundt deu-se início ao que chamamos de Psicologia Moderna, a</p><p>qual continuou se desenvolvendo através de inúmeros outros la-</p><p>boratórios em diversos países nos anos que se seguiram. E, vale</p><p>destacar, os laboratórios americanos atualmente passaram a se-</p><p>guir o modelo que deu origem às ideias behavioristas. Novas esco-</p><p>las e pontos de partida filosóficos para novos instrumentos foram</p><p>surgindo com o progresso da psicologia, notadamente a partir de</p><p>achados como os de Freud e Pavlov. Cada escola tende a seguir</p><p>um modelo próprio com suas próprias regras e formatações para</p><p>análise e validação de processos, o que levou, após as grandes</p><p>16</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>guerras, ao indagar questões sobre a validade metodologia e téc-</p><p>nica no âmbito internacional, colocando em xeque a sua eficácia.</p><p>HISTÓRIA BRASILEIRA DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA E DA AVALIA-</p><p>ÇÃO PSICOLÓGICA</p><p>Seguindo a tendência internacional, o Brasil também seguiu</p><p>inicialmente com laboratórios experimentais voltados ao processo de</p><p>aprendizagem e desenvolvimento mental, ambos fundados em São</p><p>Paulo, segundo Wechsler, Hutz e Primi (2019), nos anos de 1906 e</p><p>1914, e tinham o objetivo de, principalmente, realizar pesquisas sobre</p><p>aprendizagem, utilizando testes de desenvolvimento mental e de apren-</p><p>dizagem para leitura e escrita.</p><p>No que diz respeito à testagem brasileira, na visão de Wechs-</p><p>ler, Hutz e Primi (2019), a influência internacional claramente se faz</p><p>presente, como as conferências de Henri Pierón em 1921, quando veio</p><p>ao Rio de Janeiro e o seu impacto sobre José Medeiros e Albuquer-</p><p>que. Tem-se como primeiro teste brasileiro o Teste de ABC de Prontidão</p><p>Escolar, que visava analisar de uma maneira mais completa o proces-</p><p>samento de informações dos alunos, principalmente no quesito apren-</p><p>dizagem, analisando coordenação motora; atenção; coordenação entre</p><p>visão e a parte motora; memória lógica; memória motora etc.</p><p>Nos anos que se seguiram, alguns outros estados desenvol-</p><p>veram trabalhos de renome e destaque, contribuindo para uma melhor</p><p>formação, bem como uma condição mais concreta no cenário de ava-</p><p>liação psicológica no Brasil, como o trabalho de Helena Antipoff, em</p><p>Minas Gerais, feito com crianças consideradas excepcionais e que, con-</p><p>forme Wechsler, Hutz Primi (2019), “tinham dificuldades de adaptação</p><p>nas escolas, utilizando os testes de inteligência do Binet além de fichas</p><p>comportamentais para classificar o seu nível intelectual, culminando na</p><p>fundação da Sociedade Pestalozzi em 1932.”</p><p>Ao falar da história brasileira da Psicologia científica, podemos</p><p>voltar até um de seus marcos históricos: a criação do Instituto de Sele-</p><p>ção e Orientação Profissional (ISOP), no Rio de Janeiro, em 1947, que,</p><p>conforme Bueno E Peixoto (2018), tinha como finalidade realizar pro-</p><p>cessos de seleção de pessoas baseados na ciência; logo, baseando-se</p><p>nos resultados de testes psicológicos.</p><p>Durante as décadas que se seguiram ao final dos conflitos</p><p>mundiais, mais notadamente de 1950 e 1960, pesquisadores brasileiros</p><p>demonstraram mais interesses no estudo, desenvolvimento e validação</p><p>de testes mais adequados para a realidade do país. Tivemos o desen-</p><p>17</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>volvimento de testes mais voltados para a análise de inteligências dife-</p><p>rentes, como inteligência não verbal e inteligência geral etc. Weschsler,</p><p>Hutz e Primi (2009) apontam em sua análise e revisão de literatura acer-</p><p>ca do tema que:</p><p>A década de 1950-1960 foi muito produtiva para os pesquisadores brasileiros</p><p>interessados na construção de testes para a nossa realidade. Investimentos de</p><p>agências federais ou estaduais para a seleção e orientação profissional colabo-</p><p>raram, decisivamente, destacando-se o impulso nesta área dado pelo Serviço</p><p>Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em 1942, e Serviço Nacional de</p><p>Aprendizagem Comercial (SENAC) em 1946 (Pasquali, 2016; Scheeffer, 1970).</p><p>No campo educacional, pesquisas de desenvolvimento de testes e medidas fo-</p><p>ram impulsionadas por organizações particulares, como a Sociedade Pestalozzi</p><p>do Brasil (Campos, 2001) ou por instituições de ensino e pesquisa, tais como</p><p>o Instituto Nacional de Educação Pública (INEP) (Pfromm Netto, 1981, p. 55).</p><p>De maneira geral, o cenário internacional da Psicologia utilizou</p><p>o criticismo inicial dos anos 30 e 40 como um ponto de partida, definindo</p><p>questões a serem resolvidas ou superadas. O desenvolvimento de no-</p><p>vos instrumentos de análise; novas técnicas de validação e aprovação;</p><p>técnicas matemáticas e estatísticas de análise de variantes e resultados</p><p>etc., sendo esta a base fundamental para o desenvolvimento posterior</p><p>de teorias acerca da inteligência e da personalidade. Nesse período,</p><p>foram criados também alguns centros de estudo específicos e dedica-</p><p>dos à Psicometria, o conjunto de métodos quantitativos em Psicologia,</p><p>como a Psychometric Society, e periódicos dedicados, como o Psycho-</p><p>metrika. Ambos persistem até os dias de hoje.</p><p>No entanto, dentro do cenário brasileiro, esta crise progrediu</p><p>de maneira mais vagarosa. Quanto ao processo de avaliação psico-</p><p>lógica, pareado com a falta de profissionais devidamente capacitados</p><p>para formar outros profissionais e associado a um número elevado na</p><p>demanda e criação de cursos de formação na área, acarretou segundo</p><p>Bueno E Peixoto (2018), em uma atenuação do desenvolvimento psi-</p><p>cométrico dos testes, o que gerou uma comercialização de um rol de</p><p>testes com propriedades psicométricas desconhecidas.</p><p>O Brasil, de maneira geral, segue a tendência estadunidense para</p><p>a maioria das situações, como padrões de consumo e cultura, principal-</p><p>mente durante o período Vargas de gestão, e, portanto, não é de surpre-</p><p>ender que a Psicologia brasileira siga o mesmo caminho do resto do país,</p><p>tendo como sua principalmente escola de influência a estadunidense.</p><p>Em meio a esse contexto, como a imagem da avaliação psico-</p><p>lógica estava se deteriorando, acompanhada do surgimento de novas</p><p>linhas teóricas, como sócio-histórica e a humanista, houve um fortale-</p><p>18</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>cimento das críticas que sobrevieram ao fim da guerra, bem como uma</p><p>renovação de pensamentos e ideias em decorrência dos fatores acima</p><p>mencionados, fazendo com que os próprios psicólogos não tivessem</p><p>mais um consenso sobre a maneira correta de atuação, como apresen-</p><p>tado em algumas das críticas que</p><p>diziam, conforme Bueno e Peixoto</p><p>(2018), que os testes prestam para rotular e estigmatizar os indivíduos</p><p>mais do que para ajudá-los, logo, esses foram abandonados por serem</p><p>considerados um infortúnio para a imagem da Psicologia.</p><p>Além de que, seguindo com padrões próprios de medidas sem</p><p>uma fiscalização adequada, além da contribuição favorável à avaliação psi-</p><p>cológica, infelizmente também houve contribuição negativas que acabaram</p><p>por fortalecer as críticas à psicologia como ciência, demonstrando o forte</p><p>direcionamento individualista e desarmonizado quanto à forma e normativa</p><p>na produção científica da época, criando outros testes e baterias de análise</p><p>de aptidão que, conforme Wechsler, Hutz e Primi (2019), por vários anos</p><p>foram utilizados sem nenhuma preocupação com atualização de normas,</p><p>tais como a Bateria Fatorial do SENAC e a Bateria Fatorial do CEPA.</p><p>O Brasil chegou a reconhecer a Psicologia como categoria profis-</p><p>sional à parte apenas com a aprovação da lei federal n⁰ 4.119, cuja publi-</p><p>cação se deu em 1962 e foi responsável por regulamentar e determinar a</p><p>Psicologia como profissão. Além disso, também tinha como função estabe-</p><p>lecer funções privativas da categoria, como técnicas, instrumentos e mé-</p><p>todos psicológicos de orientação e seleção profissional, psicopedagógica</p><p>e para solucionar problemas de ajustamento, sendo acompanhada de de-</p><p>cretos que regulamentaram e estabeleceram os testes psicológicos como</p><p>privativos da atuação do psicólogo, conforme demonstrado no trecho:</p><p>O ano de 1962 pode ser considerado como um dos períodos de maior im-</p><p>pacto na Psicologia brasileira com a regularização legal da profissão de psi-</p><p>cólogos (Lei nº 4.119/62), na qual o uso de testes psicológicos foi declarado</p><p>privativo do psicólogo (Decreto No.53.464/64). Também nesta época passou</p><p>a ser exigido pelo Conselho Nacional de Trânsito (COTRAN) a obrigatorieda-</p><p>de do "exame psicotécnico", assim denominado para todas as pessoas que</p><p>requisitassem uma carteira de motorista, o que já tinha sido proposto pelo</p><p>ISOP em 1951.Embora tenha existido um veto presidencial em 1997, extin-</p><p>guindo este exame da avaliação de motoristas, houve uma grande mobiliza-</p><p>ção dos psicológicos e este veto foi derrubado posteriormente, mantendo-se</p><p>esta exigência até os dias de hoje (Conselho Federal de Psicologia, 2010,</p><p>apud WECHSLER, HUTZE PRIMI, 2019, p. 57)</p><p>Com finalidade de regular, fiscalizar e disciplinar o exercício da</p><p>Psicologia no Brasil, em 1971 foi fundado o Conselho Federal de Psi-</p><p>cologia (CFP) e os Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs), como</p><p>19</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>previsto na lei nº 5.766/1971 e cuja efetiva atuação começou em 1973</p><p>e em 1974, respectivamente. Alguns anos depois, a lei 5766/1971 foi</p><p>regulamentada pelo Decreto 79.822, em 1977, alterando algumas parti-</p><p>cularidades na função e atuação das entidades.</p><p>A partir desses marcos, temos uma atuação mais unificada do</p><p>psicólogo, uma vez que, agora possuímos um conjunto centralizado de</p><p>ideias, metodologia e fiscalização. Mesmo assim, as questões acerca</p><p>da avaliação psicológica continuaram por mais tempo no Brasil, com</p><p>diversos processos éticos ocorrendo em função dos instrumentos e tes-</p><p>tes com procedência duvidosa, sendo utilizados de maneira corriqueira.</p><p>Vale ainda ressaltar a atuação de alguns profissionais que con-</p><p>tribuíram de maneira importante para o desenvolvimento da avaliação</p><p>psicológica no Brasil. Começando no estado de São Paulo, a atuação de</p><p>Odette Lourenção Van Kolck, que organizou e permitiu acesso à primei-</p><p>ra compilação de testes disponíveis no país, trabalhando com questões</p><p>de validade e precisão dos mesmos, além de desenvolver e publicar</p><p>diversos trabalhos com testes do tipo projetivo. No quesito formação de</p><p>profissionais capacitados para a avaliação psicológica, temos Jurema</p><p>Alcides Cunha, que organizou diversos materiais e livros básicos para</p><p>formação, além de padronizar o Inventário de Inteligência Não Verbal, o</p><p>teste Hotltzman Inkbolt Technique e a validação da Escala de Depres-</p><p>são Beck para que se adequasse e pudesse ser utilizada no Brasil.</p><p>Seguindo esse movimento de profissionais que criticam e tra-</p><p>balham de maneira séria a fim de alcançarem um processo de criação</p><p>e validação científico de qualidade para testes psicológicos, contribuin-</p><p>do, portanto, para o processo de avaliação psicológica como um todo</p><p>no Brasil, precisamos reconhecer o trabalho fundamental do professor</p><p>emérito Luiz Pasquali que, ao longo de sua carreira, desenvolveu diver-</p><p>sos trabalhos influentes na área.</p><p>Pasquali iniciou sua carreira no Rio Grande do Sul, graduando-</p><p>-se em Pedagogia, Teologia, Filosofia e Psicologia; continuou seu proces-</p><p>so de formação em Nápoles e depois realizou seu doutorado na Bélgica,</p><p>na Universidade Católica de Louvain, em 1970. Encontrou dificuldade em</p><p>trabalhar na área e voltar para o Brasil, conseguindo fazê-lo apenas em</p><p>1975, quando foi convidado a fazer parte do corpo docente do Depar-</p><p>tamento de Psicologia da Universidade de Brasília. Iniciou, então, seu</p><p>trabalho, voltando-se para o desenvolvimento de instrumentos de avalia-</p><p>ção e testagem, bem como fundando instituições voltadas ao seu estudo,</p><p>conforme Scielo (2007), o Laboratório de Psicologia, Avaliação e Medidas</p><p>– LABPAM, foi equipado para executar procedimentos de análise fatorial</p><p>e validação do primeiro de uma série de testes psicológicos validados</p><p>pelo LABPAM: o IFP – Inventário Fatorial de Personalidade.</p><p>20</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Ao fundar esse laboratório, Pasquali não só contribuiu para</p><p>uma formação de qualidade para profissionais na área de Brasília, como</p><p>também para a validação do IFP, que ficou conhecido na área por ser</p><p>um dos primeiros testes psicológicos validados para o país; e depois,</p><p>em 1989, criou o Laboratório de Ensino de Psicologia – LEP, também</p><p>no IP, por meio do Programa de Informatização da Graduação do MEC,</p><p>com o objetivo central de utilizar a informática para subsidiar a formação</p><p>de alunos de Psicologia.</p><p>A TRANSFORMAÇÃO DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGI-</p><p>CA E TESTAGEM</p><p>Uma movimentação profissional de peso em relação ao estado</p><p>da categoria e em um sentido de mudança acerca do que estava acon-</p><p>tecendo só foi ocorrer nos anos após a ditatura, tendo uma força maior</p><p>a partir de meados dos anos 80 e início dos anos 90, quando começam</p><p>a ocorrer com mais intensidade reuniões de profissionais que têm por</p><p>objetivo debater as circunstâncias da avaliação psicológica, como apre-</p><p>sentado por Bueno e Peixoto (2008, p. 77):</p><p>...professores e pesquisadores descontentes com a situação da avaliação psico-</p><p>lógica, tanto no âmbito da formação quanto da pesquisa. Por isso, organizaram</p><p>uma série de eventos, nos quais invariavelmente se discutia, além dos resulta-</p><p>dos de pesquisas, o papel das disciplinas de avaliação psicológica na forma-</p><p>ção, políticas para o desenvolvimento da área no Brasil, entre outros temas. São</p><p>exemplos de eventos realizados naquele período o I e o II Encontro de Técnicas</p><p>do Exame Psicológico: Ensino, Pesquisa e Aplicações, na Universidade de São</p><p>Paulo, o I Encontro Nacional sobre Testes Psicológicos (Porto Alegre, UFRGS /</p><p>PUC-RS), o Encontro Mineiro de Avaliação Psicológica (Belo Horizonte, UFMG</p><p>/ PUC-MG / Centro Universitário Newton Paiva / Fumec) e o Encontro da So-</p><p>ciedade Brasileira de Rorschach e outros Métodos Projetivos (Ribeirão Preto,</p><p>USP-RP) (Primi, 2010). Dois importantes resultados desses encontros foram</p><p>a criação da Sociedade Brasileira de Rorschach e Outros Métodos Projetivos</p><p>(SBRo)1 (http://www.asbro.org.br/), em 1993, e do Instituto Brasileiro de Avalia-</p><p>ção Psicológica (IBAP) (http://www.ibapnet.org.br/), em 1997</p><p>A partir desse momento, os Conselhos de Psicologia começa-</p><p>ram a demonstrar um interesse nas produções de testes, no que diz res-</p><p>peito ao seu processo científico, qualidade e validação. Começou, nes-</p><p>sa época, a organização de</p><p>reuniões a fim de discutir tais temáticas e</p><p>delinear uma política de abordagem quanto aos problemas da de então.</p><p>A necessidade de mais pesquisas na área se demonstrava</p><p>evidente e, em reunião em São Paulo, foi realizada uma proposta de</p><p>21</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>montar um grupo que se dedicaria a trabalhar nessa área e eventual-</p><p>mente fundar um instituto dedicado a esse tipo de pesquisas, o qual</p><p>deu origem ao Instituto Nacional de Avaliação e Pesquisa em Psicologia</p><p>(INAP), posteriormente tendo seu nome modificado para Instituto Brasi-</p><p>leiro de Avaliação e Pesquisa em Psicologia (IBAPP).</p><p>O IBAPP foi oficialmente fundando em 1997, tendo por pre-</p><p>sidente Luiz Pasquali, que se manteve em sua presidência até 2001,</p><p>quando o nome da instituição fora novamente alterado, desta vez para</p><p>Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP). Pasquali passa en-</p><p>tão à organização da diretoria e a presidente passa a ser Solange Wes-</p><p>chsler, tendo como presidente futuro Claudio Hutz e primeiro tesoureiro</p><p>Ricardo Primi. Aqui temos uma demarcação importante, uma vez que</p><p>ocorre uma estrutura mais formal, formada pelo próprio interesse pro-</p><p>fissional em estabelecer uma estrutura e planejar o desenvolvimento de</p><p>uma normativa de qualidade para produção de conhecimento científico</p><p>no que diz respeito aos testes psicológicos, sua qualidade e validação.</p><p>O Instituto passa a contribuir de maneira vultosa para o pro-</p><p>cesso de avaliação psicológica e testagem, organizando diversos even-</p><p>tos voltados para a temática, como o Congresso Nacional de Avaliação</p><p>Psicológica, e realizando a publicação da revista Avaliação Psicológica,</p><p>além de publicar livros como Temas em Avaliação Psicológica. Sua</p><p>influência e qualidade de trabalho se tornam extremamente robustas à</p><p>medida que os profissionais desenvolvem seu aprimoramento, sendo a</p><p>revista Avaliação Psicológica reconhecida como nível de qualidade A2,</p><p>sem contar, conforme Wechsler, Hutz e Primi (2019), que a presença</p><p>política do IBAP no Fórum de Entidades em Psicologia foi reforçada</p><p>por essas diretorias, que exercem grande importância para o reconhe-</p><p>cimento da área, na medida em que o IBAP passou a ser solicitado a</p><p>colaborar nos eventos da Psicologia, ou seja, o Instituto se transformou</p><p>em um pilar de referência dentro da área, sendo inclusive parceiro do</p><p>Conselho Federal de Psicologia no que diz respeito a publicações ofi-</p><p>ciais sobre a temática de avaliação psicológica.</p><p>Dentro do quadro de melhorias, o Conselho Federal de Psi-</p><p>cologia, em razão do crescente número de reclamações e problemas</p><p>éticos que vinham acontecendo a partir do uso indevido de testes psi-</p><p>cológicos, criou uma comissão que, conforme Wechsler, Hutz e Primi</p><p>(2019), está ativa até os dias atuais, sendo constituída por pesquisado-</p><p>res e profissionais da área, cuja incumbência é debater e propor diretri-</p><p>zes, normas e resoluções no âmbito da avaliação psicológica, que ficou</p><p>conhecida inicialmente como Comissão Interinstitucional de Avaliação</p><p>Psicológica e, posteriormente, teve seu nome alterado para Comissão</p><p>Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP).</p><p>22</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>Alguns centros de estudos importantes foram estabelecidos den-</p><p>tro de universidades, a fim de seguirem as linhas de pesquisas que já ha-</p><p>viam sido pavimentadas previamente por profissionais como Pasquali em</p><p>Brasília, como por exemplo, na visão de Wechsler, Hutz e Primi (2019),</p><p>pode-se citar o Laboratório de Mensuração (LAM), da Universidade Fede-</p><p>ral do Rio Grande do Sul; o Laboratório Interdepartamental de Técnicas de</p><p>Exame Psicológico (LITEP), da Universidade de São Paulo; o Laboratório</p><p>de Avaliação e Medidas Psicológicas (LAMP) além de mais quarenta ou-</p><p>tras instituições com a mesma finalidade, a maioria agindo até os dias hoje.</p><p>Uma outra instituição que cooperou para com os esforços vol-</p><p>tados ao processo científico da avaliação psicológica foi a Associação</p><p>Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP), re-</p><p>gistrando-se aumento significativo no número de grupos de trabalhos</p><p>dedicados à avaliação psicológica. O primeiro grupo a ser formado com</p><p>este intuito foi o grupo de nome Perspectivas em Avaliação e Diagnós-</p><p>tico em Psicologia, que se reunia com frequência em congressos da</p><p>ANPEPP, demonstrando o crescente interesse dos psicólogos em pro-</p><p>duzir artigos e livros dedicados à avaliação psicológica.</p><p>Devido ao número crescente de pesquisadores e profissionais</p><p>participantes, o grupo eventualmente precisou ser subdividido em cinco</p><p>grupos, sendo eles: Pesquisa em Avaliação Psicológica; Avaliação em</p><p>Psicologia Positiva e Criatividade; Avaliação Psicológica: Personalidade</p><p>Psicopatologia; Avaliação Cognitiva e Neuropsicológica; e Métodos Pro-</p><p>jetivos nos contextos de Avaliação Psicológica.</p><p>O Conselho Federal de Psicologia buscou ainda, no início dos</p><p>anos 2000, publicar documentações voltadas para os profissionais, a fim</p><p>de orientar e regular o processo de avaliação, publicando algumas resolu-</p><p>ções importantes como a 25/2001, que estabelecia os critérios de testagem</p><p>e aprovação dos testes psicológicos que poderiam ser utilizados pelos pro-</p><p>fissionais. Como referência para essa resolução, foram utilizados parâme-</p><p>tros de qualidade internacional, derivados de pesquisas e com base em</p><p>publicações de revistas reconhecidas na época, como a American Psycho-</p><p>logy Association, National Council of Measurement (1999), American Edu-</p><p>cational Research Association e a International Test Commission (2000).</p><p>Uma revisão desta resolução foi publicada em 2003, quando</p><p>foram determinados os critérios de caráter obrigatório para a produção</p><p>dos instrumentos psicológicos. Para testes de cunho quantitativo ou</p><p>qualitativo (estilo “acerto e erro”, escalas e inventários; por exemplo),</p><p>sendo atribuídos seis critérios centrais no artigo 4⁰; e os cinco critérios</p><p>para testes projetivos descritos no artigo 5⁰:</p><p>Art. 4o - Para efeito do disposto no artigo anterior, são requisitos mínimos</p><p>23</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>e obrigatórios para os instrumentos de avaliação psicológica que utilizam</p><p>questões de múltipla escolha e outros similares, tais como "acerto e erro",</p><p>"inventários" e "escalas": I - apresentação da fundamentação teórica do ins-</p><p>trumento, com especial ênfase na definição do construto, sendo o instrumen-</p><p>to descrito em seu aspecto constitutivo e operacional, incluindo a definição</p><p>dos seus possíveis propósitos e os contextos principais para os quais ele</p><p>foi desenvolvido; II - apresentação de evidências empíricas de validade e</p><p>precisão das interpretações propostas para os escores do teste, justificando</p><p>os procedimentos específicos adotados na investigação; III - apresentação</p><p>de dados empíricos sobre as propriedades psicométricas dos itens do ins-</p><p>trumento; IV - apresentação do sistema de correção e interpretação dos es-</p><p>cores, explicitando a lógica que fundamenta o procedimento, em função do</p><p>sistema de interpretação adotado, que pode ser: a) referenciada à norma,</p><p>devendo, nesse caso, relatar as características da amostra de padronização</p><p>de maneira clara e exaustiva, preferencialmente comparando com estimati-</p><p>vas nacionais, possibilitando o julgamento do nível de representatividade do</p><p>grupo de referência usados para a transformação dos escores. b) diferen-</p><p>te da interpretação referenciada à norma, devendo, nesse caso, explicar o</p><p>embasamento teórico e justificar a lógica do procedimento de interpretação</p><p>utilizado. V - apresentação clara dos procedimentos de aplicação e correção,</p><p>bem como as condições nas quais o teste deve ser aplicado, para que haja</p><p>a garantia da uniformidade dos procedimentos envolvidos na sua aplicação</p><p>; VI - compilação das informações indicadas acima, bem como outras que</p><p>forem importantes, em um manual contendo, pelo menos, informações so-</p><p>bre: a) o aspecto técnico-científico, relatando</p><p>a fundamentação e os estudos</p><p>empíricos sobre o instrumento; b) o aspecto prático, explicando a aplicação,</p><p>correção e interpretação dos resultados do teste ; c) a literatura científica</p><p>relacionada ao instrumento, indicando os meios para a sua obtenção.</p><p>Art. 5º - São requisitos mínimos obrigatórios para os instrumentos de ava-</p><p>liação psicológica classificados como "testes projetivos": 4 I - apresentação</p><p>da fundamentação teórica do instrumento com especial ênfase na definição</p><p>do construto a ser avaliado e dos possíveis propósitos do instrumento e os</p><p>contextos principais para os quais ele foi desenvolvido; II - apresentação de</p><p>evidências empíricas de validade e precisão das interpretações propostas</p><p>para os escores do teste, com justificativas para os procedimentos especí-</p><p>ficos adotados na investigação, com especial ênfase na precisão de avalia-</p><p>dores, quando o processo de correção for complexo; III - apresentação do</p><p>sistema de correção e interpretação dos escores, explicitando a lógica que</p><p>fundamenta o procedimento, em função do sistema de interpretação adota-</p><p>do, que pode ser: a) referenciada à norma, devendo , nesse caso , relatar as</p><p>características da amostra de padronização de maneira clara e exaustiva,</p><p>preferencialmente comparando com estimativas nacionais, possibilitando o</p><p>julgamento do nível de representatividade do grupo de referência usados</p><p>para a transformação dos escores; b) diferente da interpretação referenciada</p><p>à norma, devendo , nesse caso , explicar o embasamento teórico e justificar</p><p>a lógica do procedimento de interpretação utilizado; IV - apresentação cla-</p><p>ra dos procedimentos de aplicação e correção e das condições nas quais</p><p>24</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>o teste deve ser aplicado para garantir a uniformidade dos procedimentos</p><p>envolvidos na sua aplicação; V - compilação das informações indicadas aci-</p><p>ma, bem como outras que forem importantes, em um manual contendo, pelo</p><p>menos, informações sobre: a) o aspecto técnico-científico, relatando a funda-</p><p>mentação e os estudos empíricos sobre o instrumento; b) o aspecto prático,</p><p>explicando a aplicação, correção e interpretação dos resultados do teste e c)</p><p>a literatura científica relacionada ao instrumento, indicando os meios para a</p><p>sua obtenção (Conselho Federal de Psicologia, 2003, s/p)</p><p>A Resolução CFP 02/2003 chegou a ser revisada novamente em</p><p>2018, com a publicação da Resolução CFP 09/2018. Quanto aos artigos</p><p>acima citados, eles foram reescritos de maneira a se enquadrar sob um</p><p>artigo único, mas mantendo, as mesmas diretrizes e normativas apresen-</p><p>tadas pela Resolução CFP 02/2003. Acrescentou-se à esta base da reso-</p><p>lução novas fontes informativas, como a Cartilha de Avaliação psicológi-</p><p>ca, publicada em 2013 pelo Conselho Federal de Psicologia que definiu</p><p>como objetivo “oferecer aos profissionais do sistema dos conselhos infor-</p><p>mações de natureza ética, teórica e metodológica sobre a avaliação psi-</p><p>cológica, visando a aprimorar a qualidade dos serviços psicológicos ofe-</p><p>recidos à sociedade brasileira”. (Conselho Federal de Psicologia, 2013).</p><p>A Resolução CFP mais atual referente ao tema, 09/2018,</p><p>não apenas redefiniu questões referentes ao processo de avalia-</p><p>ção psicológica, mas também reitera e revoga diversas questões</p><p>anteriores de outras resoluções, além de algumas notas técnicas</p><p>publicadas pelo Conselho Federal de Psicologia.</p><p>Uma questão que é importante de ser ressaltada é o desenvol-</p><p>vimento de um sistema para a avaliação dos testes psicológicos, que</p><p>foi proposto pelo Conselho Federal de Psicologia em 2001, chamado</p><p>SATEPSI, Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos. As revisões via</p><p>resoluções 02/2003 e 09/2018 alteraram também o seu funcionamento,</p><p>adicionando, entre outras coisas, um sistema para submissão de ava-</p><p>liações via um formulário que está presente no anexo 1 da resolução,</p><p>estabelecendo que os manuais dos testes devem seguir seis pontos,</p><p>conforme BUENO E PEIXOTO (2018):</p><p>1) qualidade do manual;</p><p>2) fundamentação teórica,</p><p>3) análise de itens;</p><p>25</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>4) precisão;</p><p>5) validade; e</p><p>6) sistema de correção e interpretação dos resultados.</p><p>Seguindo o processo de avaliação, um avaliador recebe o ma-</p><p>terial e, através da lista de itens descritos, emite o resultado pertinente</p><p>àquele teste, sendo favorável ou desfavorável, encaminhando-o à Comis-</p><p>são Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP) a fim de realizar uma</p><p>votação para determinar se pode ou não ser utilizado no processo de</p><p>avaliação psicológica. Tal sequência de procedimentos advém de inicia-</p><p>tivas internacionais de caráter parecido com o Consensus-based Stan-</p><p>darts for the Selection of Health Measurment Instruments (COSMIN), que</p><p>teve sua fundação em 2005, devido ao trabalho conjunto de profissionais</p><p>especialistas. Estes profissionais visaram determinar princípios e bases</p><p>para os procedimentos, como um padrão de terminologias e parâmetros,</p><p>que deveria ser seguido na elaboração de instrumentos e testes que ti-</p><p>nham por finalidade determinar, mensurar e quantificar medidas dentro</p><p>do campo das ciências da saúde, buscando entre especialistas um con-</p><p>senso no que dizia respeito àquela área em específico, gerando, assim,</p><p>uma lista de medidas e paradigmas ponderados.</p><p>Esse processo notou a expressão de três quesitos a serem</p><p>avaliados nos instrumentos de medição: Responsividade, que consis-</p><p>te na habilidade de um instrumento de entender e captar mudanças a</p><p>longo prazo no que diz respeito a um determinado constructo ou traço;</p><p>Fidedignidade, que tem por finalidade qualificar a precisão dos níveis de</p><p>medida que estão sendo utilizados, avaliando o quão isento de erros tal</p><p>instrumento ou teste é; e a Validade, que é concebida como o nível de</p><p>como esse teste ou instrumento mensura o que ele se oferece a medir.</p><p>Após sua implementação, o Sistema de Avaliação de Testes</p><p>Psicológicos (SATEPSI) passou a ser adotado pela Psicologia, sendo</p><p>um grande pilar de fundamentação e orientação aos psicólogos que en-</p><p>gajam no processo de avaliação psicológica. Possuindo um sistema cla-</p><p>ro e padronizado, ele foi rapidamente adotado e contribuiu imensamen-</p><p>te para o processo, como por exemplo através da ferramenta de busca</p><p>on-line de testes psicológicos, demonstrando quais são considerados</p><p>favoráveis e quais estão desfavoráveis, de acordo com a Comissão de</p><p>Consultiva em Avaliação Psicológica (CCAP).</p><p>A qualidade do SATEPSI é devida ao seu embasamento científi-</p><p>co e seu rigor metodológico que trouxeram o interesse de entidades inter-</p><p>nacionais, conforme Wechsler, Hutz e Primi (2019), sendo que resultado</p><p>foi descrito em uma seção especial do International Journal of Testing</p><p>dedicada à avaliação dos sistemas internacionais de revisão de testes.</p><p>Os impactos desses processos dos anos 90 e início dos anos</p><p>26</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>2000 acarretaram diversas circunstâncias que favoreceram o desen-</p><p>volvimento e a pesquisa na área da avaliação psicológica oferecendo</p><p>possibilidades de retificação, principalmente no que diz respeito à re-</p><p>solução de problemáticas presentes há bastante tempo, como práticas</p><p>de procedência duvidosa e testagens sem padronização e revalidação</p><p>para o público brasileiro.</p><p>A criação de instituições como o Instituto Brasileiro de Avalia-</p><p>ção Psicológica e programas de pós-graduação, além dos diversos la-</p><p>boratórios de pesquisa que foram fundados, todos dedicados à pesqui-</p><p>sa e avaliação psicológica, gerou um aumento significativo na produção</p><p>de conteúdos relacionados.</p><p>Esse fator associado a um rigor cada vez maior ao longo dos</p><p>anos, principalmente após a fundação do Conselho Federal de Psicolo-</p><p>gia e a aplicação subsequente dos padrões desenvolvidos em conjunto</p><p>com o novo Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos, levou a um</p><p>desempenho superior na produção de conhecimento relevante à área.</p><p>Alguns estudos constatam</p><p>um aumento expressivo de resu-</p><p>mos, dissertações, artigos e teses apresentados em congressos no iní-</p><p>cio dos anos 2000. Concomitante a isso, o número de testes registrados</p><p>no Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos praticamente duplicou,</p><p>sugerindo que nesse período houve um maior investimento nesse cam-</p><p>po, levando, então, a um refinamento na qualidade técnica e no cres-</p><p>cimento de mercado e da expansão dos padrões de qualidade psico-</p><p>métrica. Dessa maneira, é possível identificar que tivemos uma grande</p><p>melhora dentro do contexto da avaliação psicológica, principalmente no</p><p>que se diz respeito à produção de pesquisas científicas e quanto à for-</p><p>mação de profissionais a nível de Pós-Graduação.</p><p>27</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>QUESTÕES DE CONCURSOS</p><p>QUESTÃO 01</p><p>Ano 2017 Banca: IBAM Prova: Prefeitura de Cândido de Abreu - PR</p><p>- Psicólogo II Nível: Difícil</p><p>O SATEPSI é o sistema de avaliação de testes psicológicos desen-</p><p>volvido pelo Conselho Federal de Psicologia para divulgar informa-</p><p>ções sobre os testes psicológicos à comunidade e aos psicólogos.</p><p>Segundo o art. 13, §1º da Lei nº 4.119/62, o psicólogo poderá utilizar</p><p>métodos e técnicas psicológicas com os seguintes objetivos:</p><p>a) diagnóstico situacional, aconselhamento psicológico, avaliação de</p><p>qualidade e implantação de medidas avaliativas para a orientação pes-</p><p>soal e profissional.</p><p>b) análise e estudo dos processos de avaliação, levantamento das po-</p><p>tencialidades psicopedagógicas, orientação vocacional.</p><p>c) diagnóstico psicológico, orientação e seleção profissional, orientação</p><p>psicopedagógica e solução de problemas de ajustamento.</p><p>d) levantamento dos objetivos da avaliação, coleta de informações pe-</p><p>los meios escolhidos, integração das informações e indicação das res-</p><p>postas que motivaram o processo de avaliação.</p><p>QUESTÃO 02</p><p>Ano 2016: Banca: CESPE Prova: DPU – Psicólogo Nível: Fácil</p><p>Os testes psicológicos, instrumentos de avaliação ou mensuração</p><p>de características psicológicas, podem ser utilizados livremente</p><p>por todos os profissionais que trabalhem com gestão de pessoas.</p><p>( ) Errado</p><p>( ) Certo</p><p>QUESTÃO 03</p><p>Ano: 2016 Banca: MS CONCURSOS Prova: Prefeitura de Itapema -</p><p>SC – Psicólogo Nível: Difícil</p><p>Wilhelm Wundt é considerado o pai da Psicologia moderna. Consi-</p><p>dere as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.</p><p>I. Wundt utilizava métodos experimentais das ciências naturais,</p><p>principalmente as técnicas empregadas pelos fisiologistas.</p><p>II. O objeto de estudo de Wundt consistia, para definir em uma úni-</p><p>ca palavra, na consciência.</p><p>III. Em sua maneira de estudar a aprendizagem, Wundt tinha como</p><p>enfoque começar a análise com a formação inicial das associa-</p><p>ções. Dessa forma, era possível controlar as condições sob as</p><p>quais a cadeia de ideias se formava, o que tornava o estudo da</p><p>28</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>aprendizagem mais objetivo.</p><p>IV. Para a medição básica da aprendizagem, Wundt adaptou uma téc-</p><p>nica adotada pelos associacionistas, cuja proposta afirma ser a fre-</p><p>quência de associações uma condição necessária para a lembrança.</p><p>a) I e II, apenas, são verdadeiras.</p><p>b) III, apenas, é verdadeira.</p><p>c) II e IV, apenas, são verdadeiras.</p><p>d) III e IV, apenas, são verdadeiras.</p><p>QUESTÃO 04</p><p>Ano 2014 Banca: CONSULPLAN Prova: MAPA – Psicólogo Nível:</p><p>Médio</p><p>“Embora Wilhelm Wundt seja considerado o fundador da psicologia,</p><p>ele não foi o seu criador. A psicologia é o resultado de uma longa se-</p><p>quência de esforços criativos." (Duane Schultz & Schultz, 2006). De</p><p>acordo com a história da Psicologia, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. A contribuição de Wundt para a fundação da Psicologia moderna</p><p>deve-se tanto à única descoberta científica quanto à promoção vi-</p><p>gorosa da experimentação sistemática realizada por ele.</p><p>II. Em relação à história da Psicologia, não é correto afirmar que</p><p>Wundt foi um agente poderoso do que já estava em andamento, um</p><p>promotor talentoso do inevitável.</p><p>III. Pode-se afirmar que após o falecimento de Fechner, um dos co-</p><p>laboradores da história da Psicologia, seus papéis foram doados</p><p>a Wundt, que proferiu palavras honrosas em sua memória durante</p><p>o funeral.</p><p>Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)</p><p>a) I, II e III.</p><p>b) I, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>QUESTÃO 05</p><p>Ano: 2018 Banca: Quadrix Prova: CRP 2ª Região PE - Psicólogo</p><p>Orientador Nível: Médio</p><p>Segundo o art. 13 da Lei n.º 4.119/1962, constitui função privativa</p><p>do psicólogo a utilização de métodos e técnicas psicológicas com</p><p>os seguintes objetivos:</p><p>a) diagnóstico psicológico; orientação e seleção profissional; orientação</p><p>psicopedagógica; e solução de problemas de ajustamento.</p><p>b) avaliação psicológica; testes psicológicos; orientação profissional;</p><p>consultoria; e assessoria.</p><p>29</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>c) orientação psicopedagógica; avaliação psicológica; recursos huma-</p><p>nos; e avaliação de motoristas.</p><p>d) orientação e seleção profissional; orientação psicopedagógica; solu-</p><p>ção de problemas de ajustamento; e avaliação psicológica.</p><p>e) avaliação psicológica; testes psicológicos; orientação profissional; e</p><p>colaboração em assuntos psicológicos ligados a outras ciências.</p><p>QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE</p><p>Em algumas linhas, apresente 3 das principais mudanças no cenário</p><p>brasileiro que contribuíram para o avanço da Avaliação Psicológica de-</p><p>pois das mudanças de rumo acadêmico após os anos 80.</p><p>TREINO INÉDITO</p><p>Sobre as características que Wundt estabelece sobre a ciência natu-</p><p>ral e a Psicologia, no que se refere aos fundamentos, as suas teorias</p><p>e o laboratório experimental em Leipzig, analise as alternativas:</p><p>I - As ciências naturais e a psicologia são essencialmente a mesma</p><p>coisa, diferenciando-se apenas naquilo que elas consideram como</p><p>objeto. As ciências sendo o objeto a partir do sujeito, e a psicologia</p><p>estudando o objeto como algo fora do sujeito.</p><p>II - Wundt considerava que a psicologia era a ciência na qual não</p><p>havia mediação entre fenômeno e observador, pois o momento da</p><p>experiência não expressa outros filtros de análise, como é o caso</p><p>das ciências naturais.</p><p>III - Os experimentos de Wundt foram continuados por seus estu-</p><p>dantes de maneira a preservar suas ideias, e transformaram-se no</p><p>padrão de avaliação da época.</p><p>a) Somente a alternativa I está correta.</p><p>b) Somente a alternativa II está correta.</p><p>c) Somente a alternativa III está correta.</p><p>d) Nenhuma das alternativas está correta.</p><p>e) Todas as alternativas então corretas.</p><p>NA MÍDIA</p><p>Aqui pode-se ler, de maneira sucinta, parte da história que influenciou</p><p>a Avaliação Psicológica no Brasil, e em um de seus principais cenários</p><p>iniciais, a avaliação no campo do trânsito, um dos principais campos até</p><p>hoje, e um dos iniciais do processo.</p><p>Título: A História da Avaliação Psicológica no Detran/PR</p><p>Data de Publicação: 05/03/2020</p><p>Fonte: http://www.saudetransito.pr.gov.br/Noticia/historia-da-Avaliacao-</p><p>-Psicologica-no-DetranPR</p><p>30</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Ao nos dedicarmos ao conhecimento, para a origem de nossas bases em-</p><p>píricas atuais, principalmente no que diz respeito a trabalhos como aqueles</p><p>do primórdio da Psicologia, com o advento da Psicologia moderna nos la-</p><p>boratórios experimentais. A razão disto se dá pelos princípios que funda-</p><p>mentaram todos os crescimentos e avanços que vieram depois e permeiam</p><p>os processos até hoje, além do modo como compreendemos o que se</p><p>dá como base para os trabalhos psicológicos que exercemos hoje. Esses</p><p>mesmos princípios geraram as bases do que se transformaria, eventual-</p><p>mente, nas diretrizes dos conselhos Federais e Regionais de Psicologia</p><p>no que diz respeito ao processo de avaliação psicológica e as fundamenta-</p><p>ções que levaram à testagem psicológica como a conhecemos hoje.</p><p>PARA SABER MAIS</p><p>Título: Avaliação Psicológica no Brasil e no Mundo</p><p>Data: 2018</p><p>Fonte:http:/ /www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S141498932018000400108&lng=pt&nrm=iso e https://doi.</p><p>org/10.1590/1982-3703000208878 acessos em 02 jan. 2021</p><p>Título: Uma visão panorâmica da psicologia científica de Wilhelm Wundt</p><p>Data: 06/2009</p><p>Fonte: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S167831662009000200003&lng=en&nrm=iso>.</p><p>Título: Thechnical Recommendations for Psychological Tests and Diag-</p><p>nostics Techniques</p><p>Fonte: AMERICAN PSHYCOLOGICAL ASSOCIATION. Thechnical Re-</p><p>commendations for Psychological Tests and Diagnostics Techniques.</p><p>Whashington, 1954.</p><p>31</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>SO ESTADO ATUAL DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E DOS TESTES</p><p>PSICOLÓGICOS</p><p>Apesar dos inegáveis esforços bem-sucedidos realizados pe-</p><p>los profissionais da psicologia nestes anos, alguns quesitos permane-</p><p>cem criticados no cenário da avaliação psicológica. Como apresentado</p><p>na revisão de 2019 por Weschsler, Hutz e Primi (2019), ainda há muito</p><p>a ser feito para se atingir os níveis de países desenvolvidos no que se</p><p>refere às características dos instrumentos, à formação de docentes e</p><p>pesquisadores na área, e à preparação de psicólogos para melhoria dos</p><p>serviços para a sociedade, tendo como fator central o intuito de incen-</p><p>tivar e manter o desenvolvimento do campo, como exemplificado e su-</p><p>gerido por Bueno e Peixoto (2018), pelo fortalecimento do compromisso</p><p>ATUALIDADES DA AVALIAÇÃO</p><p>PSICOLÓGICA E BASES PARA TES-</p><p>TES</p><p>31</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>32</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>das práticas de avaliação com a inclusão social e o respeito aos direitos</p><p>humanos e pela utilização de recursos informáticos, especialmente para</p><p>o desenvolvimento da testagem adaptativa computadorizada.</p><p>Dentro desse conjunto de críticas, temos duas que se fazem</p><p>mais presentes: a qualidade da formação em avaliação psicológica e a</p><p>melhoria do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI).</p><p>Uma das particularidades atuais do SATEPSI é que se tem criticado</p><p>os critérios mínimos de aprovação que são pouco exigentes, impactan-</p><p>do, assim, na qualidade dos instrumentos gerados. A perspectiva desse</p><p>problema vem da questão de que, independentemente dos números</p><p>contidos nos manuais e da qualidade dos estudos, desde que o instru-</p><p>mento apresente os requisitos mínimos, ele será aprovado.</p><p>Uma das propostas para resolução desse problema vem, por</p><p>exemplo, da adoção de um sistema de categorias de aprovação, consi-</p><p>derando o número e a qualidade dos estudos apresentados nos manuais,</p><p>principalmente no que diz respeito à fidedignidade; validade e padroniza-</p><p>ção, determinando, assim, o nível de aprovação de tal instrumento, poden-</p><p>do-se atribuir, por exemplo, nível excelente ou mínimo para aprovação.</p><p>Nota-se que a maioria dos instrumentos demonstra um conjun-</p><p>to de estudos de validade que tomam por fator central a base da estru-</p><p>tura interna, principalmente a validade fatorial, e que pouco utilizam-se</p><p>das pesquisas de validade de critério, que visam demonstrar o compor-</p><p>tamento do traço analisado em relação a outras variáveis.</p><p>Os estudos de validade de critério são tidos como de alta im-</p><p>portância para o sustento dos resultados que atingem de maneira signi-</p><p>ficativa as vidas dos indivíduos avaliados, por exemplo, em entrevistas</p><p>de emprego ou processos de avaliação judiciais. Em contextos como</p><p>os exemplificados, é de suma importância o embasamento teórico em</p><p>evidências empíricas robustas. Tais mudanças não foram abordadas na</p><p>nova Resolução CFP 09/2018, mas são sugeridas como uma alternativa</p><p>ao modelo atual, e apresentam o potencial de estimular um aperfeiçoa-</p><p>mento do processo de criação dos instrumentos de cunho psicológico.</p><p>Outras críticas que são feitas ao SATEPSI incluem, segundo</p><p>Bueno e Peixoto (2018, p. 77):</p><p>Outra limitação do Satepsi é que ele atinge principalmente qualidade psicométri-</p><p>ca dos instrumentos de medida e a organização dessas informações num manu-</p><p>al coerente e útil para os usuários. No entanto, ele atinge apenas indiretamente</p><p>o problema da qualidade da formação em avaliação psicológica, uma das princi-</p><p>pais preocupações da área desde há muito tempo e que ainda permanece (No-</p><p>ronha, & Reppold, 2010; Pereira, & Carellos, 1995). De fato, a falha na formação</p><p>implica em problemas graves e frequentes na opinião de profissionais que atuam</p><p>com avaliação psicológica, como o mau uso e a má qualidade dos instrumentos,</p><p>33</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>problemas éticos e epistemológicos (Noronha, 2002). Os próprios alunos tam-</p><p>bém consideram sua formação em avaliação psicológica como insuficiente e</p><p>boa parte deles sequer conhecia o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos</p><p>do CFP (Paula, Pereira, & Nascimento, 2007).</p><p>Esses estudos sugerem a necessidade de aprimoramento do ensino de ava-</p><p>liação psicológica nas universidades brasileiras. Alguns estudos têm identifi-</p><p>cado os problemas que dificultam a melhoria da qualidade da formação: 1) a</p><p>permanência de uma visão limitada e preconceituosa em relação à avaliação</p><p>psicológica (Alchieri, & Bandeira, 2002; Hutz ,& Bandeira, 2003); 2) a falta de</p><p>qualificação dos professores (Noronha, Barros, Nunes, & Santos, 2014); 3) a</p><p>carga horária reduzida das disciplinas de avaliação psicológica (Noronha, &</p><p>Reppold, 2010; Reppold, & Serafini, 2010) e 4) o ensino descontextualizado</p><p>e ape-nas procedimentais de testes psicológicos (Alchieri, & Bandeira, 2002).</p><p>(BUENO E PEIXOTO, 2018).</p><p>Houve tentativas de retificar algumas dessas questões, prin-</p><p>cipalmente no que diz respeito à formação do psicólogo em avaliação</p><p>psicológica. O assunto foi largamente abordado e discutido em reuniões</p><p>e congressos como, por exemplo, o 8⁰ Congresso Brasileiro de Ava-</p><p>liação Psicológica realizado em 2017, no qual houve debates, mesas</p><p>redondas e cursos relacionados ao tema. Porém, ainda considera-se</p><p>que nenhuma iniciativa mais concreta de articulação ocorreu entre os</p><p>professores para realização de pesquisas sobre o assunto ou mesmo</p><p>troca de experiências de sala de aula.</p><p>Predominam críticas quanto às abrangências dos cursos de</p><p>formação na área terem como base a módica quantidade de horas de-</p><p>dicadas aos cursos. Em relação ao conteúdo, predominam técnicas e</p><p>fundamentos teóricos dos testes nas disciplinas de avaliação psicológi-</p><p>ca, ao passo que outros conteúdos, tais como princípios de elaboração</p><p>de testes e de psicometria são praticamente deixados sem discussão.</p><p>Ainda sobre os cursos de formação, uma proposta para a rees-</p><p>truturação do currículo de avaliação psicológica feita por Nunes et al., e</p><p>detalhada por Bueno e Peixoto (2018), sugere um rol de disciplinas para</p><p>integrar o currículo de cursos de Psicologia e apresenta os elementos</p><p>considerados importantes para o bom desenvolvimento do ensino de</p><p>avaliação psicológica, como a infraestrutura.</p><p>Referente à melhoria da qualidade dos instrumentos, entende-</p><p>-se que mais testes passaram a utilizar a análise confirmatória e a Teoria</p><p>de Resposta ao Item (TRI) com o intuito de verificar a qualidade dos itens</p><p>e a sua validade interna. Mas, instrumentos que se valem de testagens</p><p>adaptativas, querendo se referir ao processo se adequando ao nível de</p><p>dificuldade dos indivíduos acabam por ficar de lado no cenário do país.</p><p>Tem-se a visão de que os estudos de cunho projetivo neces-</p><p>sitam de maiores investigações e pesquisas, tendo em vista que eles</p><p>34</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>possuem muitas características únicas, que variam em relação aos es-</p><p>tudos de validade, consequentemente, gera dúvida quanto à eficácia</p><p>das intervenções que se valem de tais instrumentos. Acompanhando</p><p>tais críticas, temos ainda uma questão da disponibilidade, ou falta dela,</p><p>para pessoas com necessidades especiais.</p><p>A padronização geral da maioria dos testes acaba por englobar</p><p>crianças, adolescentes e adultos tidos como “normais”</p><p>e, por consequ-</p><p>ência, acaba por excluir pessoas com deficiências visuais, por exemplo,</p><p>além de superdotados. A maior parte desses testes tende a ser instru-</p><p>mentos e inventários voltados para a identificação e análise de inteli-</p><p>gência e atenção e, por conta dessa grande concentração em uma área</p><p>específica, outras funções mentais acabam não tendo o mesmo grau de</p><p>atenção dos profissionais, como a personalidade.</p><p>Há uma pressão crescente por parte dos psicólogos com sen-</p><p>tido voltado para a melhoria do processo de avaliação psicológica, dan-</p><p>do-se ênfase no aspecto político e administrativo, para que o Conselho</p><p>Federal de Psicologia tome as devidas medidas, como a reformulação</p><p>estrutural de ensino. Uma das sugestões consistia na criação de um</p><p>título de especialista em avaliação psicológica, havendo, assim, um in-</p><p>centivo para estudos contínuos por parte dos profissionais, tendendo a</p><p>elevar a qualidade de todas as características da avaliação psicológica</p><p>e seus instrumentos de maneira notável.</p><p>Algumas instituições dedicadas a esse campo, como o Instituto</p><p>Brasileiro de Avaliação Psicológica e a Comissão Consultiva em Avaliação</p><p>Psicológica chegaram a assinar e publicar um documento a favor dessas</p><p>mudanças, levantando uma série de préstimos que seriam delas oriun-</p><p>dos. De início, levanta-se a questão do reconhecimento dos profissionais</p><p>atuantes na área; a valorização das matérias de avaliação psicológica</p><p>dentro do contexto da graduação; acoroçoar dentre os profissionais a for-</p><p>mação continuada e, assim, condecorar os profissionais que se mantêm</p><p>em busca de qualificação no campo, promovendo, assim, carreiras; o</p><p>incentivo para o aumento em números de cursos em formação especia-</p><p>lizada; e a diminuição de situações de má conduta ética, aumentando a</p><p>qualidade do serviço prestado à sociedade pela categoria. No começo do</p><p>movimento, o CFP rejeitava a maioria dessas propostas, arrazoando que</p><p>a avaliação psicológica se trata apenas de um nível de formação básica</p><p>e comum a todos os psicólogos, não sendo uma área de especialidade.</p><p>No ano seguinte já tivemos uma mudança nesse quesito com</p><p>a publicação da Resolução CFP n⁰ 18/2019, pela qual tivemos o re-</p><p>conhecimento da Avaliação Psicológica como uma categoria de espe-</p><p>cialização do profissional. Determinou-se que o processo de avaliação</p><p>psicológica exige muito domínio técnico e teórico para ser realizado,</p><p>35</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>conforme o Conselho Federal de Psicologia (2019), “determinando</p><p>quais os instrumentos mais adequados ao contexto específico que pre-</p><p>tende avaliar; reunir as informações obtidas; e integrá-las de forma a</p><p>contribuir para a compreensão do funcionamento do indivíduo.”.</p><p>DO PROCESSO DE AVALIAÇÃO E DA UTILIZAÇÃO DOS TESTES</p><p>PSICOLÓGICOS</p><p>Ao iniciar um processo de avaliação psicológica, independente</p><p>de qual área de atuação nos encontrarmos, seja hospitalar ou clínica,</p><p>deve-se levar como parâmetro fundamental a Resolução CFP de n⁰</p><p>09/2018, que estipula todas as diretrizes mínimas para a condução do</p><p>processo e regulamenta questões referentes ao Sistema de Avaliação</p><p>de Testes Psicológicos.</p><p>De início, devemos estabelecer o conceito de avaliação psico-</p><p>lógica no qual pautamos os trabalhos atualmente. Esta definição pode</p><p>ser encontrada no artigo 1⁰ da resolução:</p><p>Art. 1º -Avaliação Psicológica é definida como um processo estruturado de</p><p>investigação de fenômenos psicológicos, composto de métodos, técnicas e</p><p>instrumentos, com o objetivo de prover informações à tomada de decisão, no</p><p>âmbito individual, grupal ou institucional, com base em demandas, condições</p><p>e finalidades específicas.</p><p>§1 -Os testes psicológicos abarcam também os seguintes instrumentos: es-</p><p>calas, inventários, questionários e métodos projetivos/expressivos, para fins</p><p>de padronização desta Resolução e do SATEPSI.</p><p>§2 -A psicóloga e o psicólogo têm a prerrogativa de decidir quais são os mé-</p><p>todos, técnicas e instrumentos empregados na Avaliação Psicológica, desde</p><p>que devidamente fundamentados na literatura científica psicológica e nas</p><p>normativas vigentes do Conselho Federal de Psicologia (CFP). (Conselho</p><p>Federal de Psicologia, 2018)</p><p>Ou seja, qualquer sucessão de técnicas investigativas, instru-</p><p>mentos e técnicas que tenham, dentro de um contexto de fenomenolo-</p><p>gia psíquica, por objetivo gerar informações para uma tomada de deci-</p><p>são de um indivíduo ou um grupo/instituição, como a averiguação de</p><p>funções cognitivas para poder tirar carteira de motorista, por exemplo,</p><p>se enquadraria como um processo de Avaliação Psicológica.</p><p>O primeiro parágrafo tem apenas a função de estabelecer a</p><p>própria resolução em conjunto com o Sistema de Avaliação de Testes</p><p>Psicológicos como os documentos padrões a serem seguidos, no que</p><p>diz respeito a uniformizá-los.</p><p>E, por fim, o segundo parágrafo tem por compromisso estabe-</p><p>36</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>lecer que cabe ao profissional decidir quais técnicas e quais testes são</p><p>mais adequados para determinado indivíduo, em determinado contexto e</p><p>momento; sendo que todo e qualquer instrumento, técnica ou método deve</p><p>ser fundamentado na literatura relevante, além de seguir as normas atuais</p><p>do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Todos os instrumentos, bases</p><p>teóricas e métodos nos quais o profissional baseará sua decisão devem ter</p><p>o devido reconhecimento científico para o uso por profissionais psicólogos.</p><p>Tem-se uma divisão entre as fontes que o profissional utiliza</p><p>para realizar o processo, sendo nomeadas como Fontes Fundamentais</p><p>e Fontes Complementares. Dentre as Fontes Fundamentais, temos as</p><p>entrevistas psicológicas e anamneses; protocolos e registros oriundos</p><p>de observação de comportamentos, sejam eles obtidos individualmente</p><p>ou por processos de grupo; e testes psicológicos que estejam aprova-</p><p>dos pelo CFP para uso dos profissionais psicólogos. Ao falarmos de</p><p>Fontes Complementares, estamos nos referindo às técnicas e aos ins-</p><p>trumentos que não são vistos como psicológicos, mas, que ainda assim</p><p>possuem embasamento teórico considerado científico, e que respeitem</p><p>o Código de Ética e as normativas de conduta da profissão (psicólo-</p><p>gos); ou ainda documentos de caráter técnico produzidos de maneira</p><p>multidisciplinar, como o prontuário de um paciente, que tem aporte da</p><p>enfermagem, psicologia, nutrição, medicina etc.</p><p>O Conselho Federal de Psicologia acrescenta, ainda, que a</p><p>utilização dos testes é de responsabilidade do profissional, e, portanto,</p><p>recai sobre ele quaisquer falhas de aplicação e testagem, sendo consi-</p><p>derada falha ética a utilização de testes que estejam classificados como</p><p>desfavoráveis pelo Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos, ou</p><p>que se encontrem na lista de testes não avaliados pelo sistema, a me-</p><p>nos que se trate de realização de pesquisa. Basicamente, o profissional</p><p>deve sempre estar atento ao procedimento que está utilizando e sempre</p><p>lembrar de verificar a validade dos instrumentos que pretende utilizar.</p><p>Fica definido também, que caso haja incerteza quanto à classi-</p><p>ficação de um teste, seja ele psicológico ou não, é dever dos Conselhos</p><p>Regionais de Psicologia submeterem o instrumento à Comissão Con-</p><p>sultiva em Avaliação Psicológica junto ao CFP para que ele seja devida-</p><p>mente avaliado. Os profissionais que desejarem poderão diligenciar a</p><p>avaliação de um instrumento ao CCAP.</p><p>A verificação do status dos testes a serem utilizados deve</p><p>37</p><p>A</p><p>V</p><p>A</p><p>LI</p><p>A</p><p>Ç</p><p>Ã</p><p>O</p><p>P</p><p>SI</p><p>C</p><p>O</p><p>LÓ</p><p>G</p><p>IC</p><p>A</p><p>-</p><p>G</p><p>R</p><p>U</p><p>P</p><p>O</p><p>P</p><p>R</p><p>O</p><p>M</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>sempre ser realizada com atenção e frequência. É comum que, de</p><p>um ano para o outro, testes que são considerados favoráveis há</p><p>anos percam a sua validade, assim como testes que antes não ha-</p><p>viam sido testados ou tinham a classificação desfavorável, pas-</p><p>sem a ser alternativas viáveis para a utilização no processo de ava-</p><p>liação psicológica.</p><p>Seguindo as recomendações do Conselho Federal de Psico-</p><p>logia em relação à verificação</p>

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