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<p>G</p><p>RU</p><p>PO</p><p>SER ED</p><p>U</p><p>CACIO</p><p>N</p><p>AL</p><p>BASES DE BIOLOGIA</p><p>CELULAR, MOLECULAR</p><p>E TECIDUAL</p><p>BASES D</p><p>E BIO</p><p>LO</p><p>G</p><p>IA CELU</p><p>LAR, M</p><p>O</p><p>LECU</p><p>LAR E TECID</p><p>U</p><p>AL</p><p>Autores: Débora Martins Paixão, Natália Fiorenza e</p><p>Thiely Rodrigues Ott</p><p>Organizador: Heytor Neco</p><p>Autores: Débora Martins Paixão, Natália Fiorenza e</p><p>Thiely Rodrigues Ott</p><p>Organizador: Heytor Neco</p><p>BASES DE BIOLOGIA</p><p>CELULAR, MOLECULAR</p><p>E TECIDUAL</p><p>Capa para impressão.indd 1,3Capa para impressão.indd 1,3 19/07/2022 15:57:1419/07/2022 15:57:14</p><p>Bases de Biologia</p><p>Celular, Molecular e</p><p>Tecidual</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 1BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 1 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>© by Ser Educacional</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser</p><p>reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio,</p><p>eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro</p><p>tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia</p><p>autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional.</p><p>Diretor de EAD: Enzo Moreira</p><p>Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato</p><p>Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa</p><p>Equipe de Designers Instrucionais:</p><p>Equipe de Revisores:</p><p>Designers gráficos:</p><p>Ilustradores:</p><p>Autores: Paixão, Débora Martins; Fiorenza, Natália; Ott, Thiely Rodrigues.</p><p>Organizador: Neco, Heytor.</p><p>Bases de Biologia Celular, Molecular e Tecidual</p><p>Recife: Editora - 2022.</p><p>XXX p.: pdf</p><p>ISBN: xxx-xx-xxxxx-xx-8</p><p>1. Citologia e Embriologia 2. Genética Humana 3. Histologia.</p><p>Grupo Ser Educacional</p><p>Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro</p><p>CEP: 50100-160, Recife - PE</p><p>PABX: (81) 3413-4611</p><p>E-mail: sereducacional@sereducacional.com</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 2BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 2 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Iconografia</p><p>Estes ícones irão aparecer ao longo de sua leitura:</p><p>ACESSE</p><p>Links que</p><p>complementam o</p><p>contéudo.</p><p>OBJETIVO</p><p>Descrição do conteúdo</p><p>abordado.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Informações importantes</p><p>que merecem atenção.</p><p>OBSERVAÇÃO</p><p>Nota sobre uma</p><p>informação.</p><p>PALAVRAS DO</p><p>PROFESSOR/AUTOR</p><p>Nota pessoal e particular</p><p>do autor.</p><p>PODCAST</p><p>Recomendação de</p><p>podcasts.</p><p>REFLITA</p><p>Convite a reflexão sobre</p><p>um determinado texto.</p><p>RESUMINDO</p><p>Um resumo sobre o que</p><p>foi visto no conteúdo.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Informações extras sobre</p><p>o conteúdo.</p><p>SINTETIZANDO</p><p>Uma síntese sobre o</p><p>conteúdo estudado.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Informações</p><p>complementares.</p><p>ASSISTA</p><p>Recomendação de vídeos</p><p>e videoaulas.</p><p>ATENÇÃO</p><p>Informações importantes</p><p>que merecem maior</p><p>atenção.</p><p>CURIOSIDADES</p><p>Informações</p><p>interessantes e</p><p>relevantes.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Contextualização sobre o</p><p>tema abordado.</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>Definição sobre o tema</p><p>abordado.</p><p>DICA</p><p>Dicas interessantes sobre</p><p>o tema abordado.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>Exemplos e explicações</p><p>para melhor absorção do</p><p>tema.</p><p>EXEMPLO</p><p>Exemplos sobre o tema</p><p>abordado.</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>Informações que</p><p>merecem relevância.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 3BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 3 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>SUMÁRIO</p><p>ASPECTOS GERAIS DA ESTRUTURA CELULAR.................................13</p><p>Organização estrutural e funcionamento das</p><p>células procarióticas e eucarióticas .....................................................13</p><p>A membrana celular ............................................................................17</p><p>Citoesqueleto.....................................................................................19</p><p>Núcleo................................................................................................20</p><p>Citoplasma e sistema de endomembranas.........................................22</p><p>Diversidade e semelhança entre as células.........................................24</p><p>CONCEITOS DE MICROSCOPIA......................................................28</p><p>Componentes do microscópio óptico e suas</p><p>funções...............................................................................................31</p><p>Definição de técnica histológica.........................................................36</p><p>Técnicas para análise do material histológico.....................................37</p><p>Técnica de espalhamento..............................................37</p><p>Técnica de estiraço........................................................37</p><p>Técnica de esmagamento..............................................37</p><p>Corte histológico...........................................................38</p><p>Decalque.......................................................................38</p><p>Montagem total............................................................39</p><p>Técnicas citoquímicas e histoquímicas.........................42</p><p>BIOMEMBRANAS........................................................................44</p><p>Estrutura das biomembranas ............................................................44</p><p>Transporte nas biomembranas..........................................................46</p><p>Composição lipídica e organização estrutural da membrana.............52</p><p>Fluidez e assimetria das bicamadas lipídicas......................................52</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 4BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 4 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Composição proteica..........................................................................54</p><p>Carboidratos da membrana................................................................56</p><p>Tipos de Junções Celulares..................................................................57</p><p>Interdigitações.............................................................58</p><p>Desmossomo................................................................59</p><p>Junção Aderente (zônula aderente)...............................59</p><p>Junção comunicante (GAP)...........................................59</p><p>Junção Compacta (Junção Ocludente)..........................60</p><p>Complexo Juncional ou Unitivo.....................................60</p><p>CITOESQUELETO: ESTUDO DA ESTRUTURA E DA ORGANIZAÇÃO DOS</p><p>SEUS PRINCIPAIS COMPONENTES...................................................61</p><p>Microtúbulos......................................................................................62</p><p>Filamentos Intermediários.................................................................63</p><p>Microfilamentos de actina .................................................................64</p><p>ORGANELAS ENVOLVIDAS NA SÍNTESE DE MOLÉCULAS................68</p><p>RIBOSSOMOS: ESTRUTURA, BIOGÊNESE E FUNÇÃO.......................69</p><p>Função dos ribossomos.......................................................................72</p><p>Sistema de Endomembranas: definição e descrição .....72</p><p>RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO: DEFINIÇÃO E ASPECTOS</p><p>FUNCIONAIS................................................................................74</p><p>Retículo endoplasmático liso.............................................................74</p><p>Retículo endoplasmático rugoso........................................................75</p><p>Métodos Empregados no Estudo do Retículo</p><p>Endoplasmático............................................................77</p><p>COMPLEXO DE GOLGI: ESTRUTURA E ULTRAESTRUTURA..............77</p><p>Aspectos funcionais do Complexo de Golgi ........................................80</p><p>Métodos empregados no estudo do Complexo de Golgi........................82</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 5BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 5 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>DIGESTÃO INTRACELULAR: DEFINIÇÃO, DESCRIÇÃO, TIPOS E</p><p>ENDOSSOMOS.............................................................................82</p><p>Endocitose....................................................................82</p><p>e nucleotídeos, sejam elas</p><p>polares ou não (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2016b).</p><p>Ainda assim, essas moléculas devem entrar na célula em vá-</p><p>rias situações e, por isso, o transporte dessas moléculas pela mem-</p><p>brana deve acontecer com a ajuda de proteínas transmembranas.</p><p>Esse transporte poderá acontecer com ou sem gasto de energia e é</p><p>graças a isso que conseguimos classificá-los como transporte pas-</p><p>sivo ou ativo, como ilustrado na Figura 10.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 50BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 50 19/07/2022 14:36:0719/07/2022 14:36:07</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>DICA</p><p>51</p><p>Figura 11 – Processos de transporte na membrana celular</p><p>Fonte: Adaptado de ALBERTS, Bruce et al. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2017.</p><p>Fique atento(a), pois, para entender a figura acima, é importan-</p><p>te perceber que o diagrama acima ilustra os tipos de processos de</p><p>transporte via membrana plasmática (transportadores e proteínas</p><p>de canal).</p><p>No transporte passivo não acontece gasto de energia, pois as</p><p>moléculas e íons transportados passam de uma região (comparti-</p><p>mento) onde estão mais concentrados (em maior quantidade) para</p><p>uma em que estejam menos concentrados (em menor quantidade),</p><p>ou seja, a favor do gradiente de concentração. Nesse tipo de trans-</p><p>porte, proteínas podem ou não auxiliar durante o processo.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 51BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 51 19/07/2022 14:36:0719/07/2022 14:36:07</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>52</p><p>No caso de o transporte ser realizado sem o auxílio de proteínas,</p><p>dizemos que está ocorrendo uma difusão simples. Porém, quando</p><p>uma proteína facilita a passagem desses íons e moléculas de onde</p><p>estão mais concentrados para onde estão menos concentrados, di-</p><p>zemos que está acontecendo o processo de difusão facilitada.</p><p>A difusão facilitada acontece com a ajuda de proteínas que</p><p>podem ser: canais iônicos (proteínas canais), que formam poros na</p><p>membrana, permitindo a passagem de íons de um compartimento a</p><p>outro; ou proteínas carreadoras, como a proteína GLUT-4, que é a</p><p>transportadora de glicose na membrana de células do tecido adipo-</p><p>so e muscular cardíaco e esquelético. No entanto, existem proteínas</p><p>carreadoras que também atuam no transporte ativo (MONTANARI,</p><p>2016).</p><p>Apesar de o transporte ser passivo, os canais iônicos e as</p><p>proteínas carreadoras são regulados. Canais iônicos, por exemplo,</p><p>sofrem regulação a partir da interação com ligantes extracelulares</p><p>ou intracelulares, de alterações na voltagem da membrana ou até</p><p>mesmo mecanicamente, pelo estiramento da membrana. Enquanto</p><p>isso, as características químicas da molécula a ser transportada são</p><p>determinantes na velocidade do transporte por difusão facilitada.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 52BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 52 19/07/2022 14:36:1019/07/2022 14:36:10</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>CURIOSIDADE</p><p>SAIBA MAIS</p><p>53</p><p>Para moléculas sem carga, a velocidade de transporte é proporcio-</p><p>nal ao gradiente de concentração, de modo que, quanto maior a di-</p><p>ferença na concentração da molécula entre dois compartimentos,</p><p>maior será a velocidade da difusão facilitada.</p><p>Porém, para íons ou moléculas que possuem carga positiva</p><p>ou negativa, devemos levar em consideração o gradiente eletro-</p><p>químico, que está relacionado tanto ao gradiente de concentração</p><p>quanto ao potencial de membrana (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2016b).</p><p>Desse modo, moléculas carregadas positivamente são atraídas com</p><p>uma maior velocidade para um compartimento mais negativo, ou</p><p>seja, com predomínio de cargas negativas.</p><p>O potencial de membrana é a diferença de potencial elétrico entre os</p><p>meios extra e intracelular. Além disso, o valor desse potencial varia</p><p>de acordo com o tipo celular e isso está relacionado às diferenças</p><p>de gradientes iônicos e na permeabilidade aos íons. Os eritrócitos,</p><p>por exemplo, possuem um potencial de membrana equivalente à -6</p><p>mV (milivolts), enquanto nos hepatócitos é de -28 mV e nas células</p><p>cardíacas é de -86 mV.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 53BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 53 19/07/2022 14:36:1019/07/2022 14:36:10</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>CURIOSIDADE</p><p>54</p><p>Dessa maneira, o transporte ativo é aquele em que ocorre</p><p>gasto de energia. Nesse caso, significa dizer que as moléculas ou</p><p>íons estão sendo transportados contra o seu gradiente de concen-</p><p>tração. Além disso, o gasto energético acontece porque nesse tipo de</p><p>transporte a entropia é reduzida, o que leva ao aumento da energia</p><p>livre do sistema.</p><p>Lembre-se que o transporte ativo pode ser classificado como:</p><p>Transporte Ativo Primário, quando utiliza diretamente uma mo-</p><p>lécula de energia química, como o ATP (adenosina trifosfato); ou</p><p>Transporte Ativo Secundário, quando o gradiente eletroquímico é</p><p>gerado a partir de um transporte ativo primário que dependeu de</p><p>ATP, ou seja, foi gerado da energia gasta por proteínas que realiza-</p><p>ram o transporte ativo primário.</p><p>Entropia é uma importante grandeza física da termodinâmica que</p><p>mede o grau de desordem de um sistema. Quanto maior for a varia-</p><p>ção de entropia em um sistema, significa que maior será sua desor-</p><p>dem. E, em casos como esse, menos energia estará disponível para</p><p>ser utilizada.</p><p>Já no transporte ativo primário, as proteínas que realizam o</p><p>processo são chamadas de ATPases de membrana ou Bombas, como</p><p>a conhecida bomba de Sódio (Na) e Potássio (K). Na bomba de Na e</p><p>K (Figura 11), para cada molécula de ATP hidrolisada, 3 íons de Na+</p><p>são transportados para o meio extracelular, enquanto 2 íons K+ são</p><p>direcionados para o interior da célula. A bomba de Ca2+ também é</p><p>outro exemplo de ATPase que se localiza tanto na membrana plas-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 54BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 54 19/07/2022 14:36:1219/07/2022 14:36:12</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>DICA</p><p>55</p><p>mática quanto na membrana do retículo sarcoplasmático (retículo</p><p>endoplasmático das células musculares) e serve para remover cál-</p><p>cio desses compartimentos, ajudando a regular mecanismos como a</p><p>contração muscular.</p><p>Figura 12 – Mecanismo da Bomba de Sódio e Potássio</p><p>Disponível em: http://184.105.177.41/b/7f02722f240d50cd7cafd116e0e0d3c02d17bd54</p><p>Caro(a) aluno(a), como você pode observar na figura acima, Na</p><p>bomba de Na e K, três íons Na são transportados para o meio extra-</p><p>celular e dois K para o meio intracelular. Assim, você deve saber que</p><p>isso requer a hidrólise (quebra) de um ATP.</p><p>No transporte ativo secundário, podemos citar como “tro-</p><p>cadores iônicos” algumas proteínas, como o co-transportador Gli-</p><p>cose-Na+, que são responsáveis pela absorção de glicose no trato</p><p>digestório, bem como os co-transportadores de aminoácidos e Na+.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 55BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 55 19/07/2022 14:36:1319/07/2022 14:36:13</p><p>EXEMPLO</p><p>56</p><p>Composição lipídica e organização estrutural da</p><p>membrana</p><p>Como já mencionado, as biomembranas são constituídas por</p><p>lipídios, proteínas e carboidratos. Os carboidratos são ligados de</p><p>maneira covalente às proteínas ou lipídios, formando as glicopro-</p><p>teínas ou proteoglicanos e os glicolipídios.</p><p>Os principais lipídios que formam a membrana são os fosfo-</p><p>lipídios. Eles são moléculas anfipáticas, o que significa que possuem</p><p>tanto caráter hidrofílico ou polar (possuem afinidade pela água),</p><p>quanto caráter hidrofóbico ou apolar (aversão à água). De acor-</p><p>do com o tipo celular ou compartimento intracelular delimitado, a</p><p>composição das biomembranas pode variar.</p><p>O colesterol, um</p><p>tipo de lipídio, está presente em células animais,</p><p>mas não em células vegetais e organismos procariotos, como as</p><p>bactérias.</p><p>Fluidez e assimetria das bicamadas lipídicas</p><p>A bicamada lipídica que compõe as membranas é assimétri-</p><p>ca. Isso quer dizer que as duas monocamadas (uma interna e outra</p><p>externa) possuem composições diferentes. No caso da membrana</p><p>plasmática, por exemplo, os lipídios da monocamada externa (face</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 56BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 56 19/07/2022 14:36:1519/07/2022 14:36:15</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>57</p><p>da superfície celular) são, principalmente, a fosfatidilcolina e a es-</p><p>fingomielina, enquanto aqueles localizados na monocamada inter-</p><p>na (face citosólica – voltada para o citosol) são, principalmente,</p><p>fosfatidiletanolamina e fosfatidilserina.</p><p>Como você pode perceber, a composição lipídica, bem como a</p><p>temperatura, são fatores que podem alterar a fluidez da membrana,</p><p>que pode estar em dois estados físicos: paracristalino (gel) ou fluido</p><p>(líquido). Dessa maneira, a mudança de um estado físico desse para</p><p>o outro é chamada de transição de fase. Além disso, a presença de</p><p>fosfolipídios com caudas insaturadas ou de cadeia curta, por exem-</p><p>plo, permite uma maior fluidez membranar.</p><p>O colesterol também é outra molécula lipídica importante para</p><p>manter a fluidez da membrana, como em situações de baixa tem-</p><p>peratura, pois ele imobiliza o local próximo à região polar do fos-</p><p>folipídio, o que reduz a permeabilidade. Ou seja, devido ao tamanho</p><p>menor e por ser mais rígido, o colesterol interage com os fosfolipí-</p><p>dios ao lado de maneira mais forte. Assim, quanto mais colesterol,</p><p>menos fluida é a membrana. Do mesmo modo, associando à tempe-</p><p>ratura, quanto mais elevada for a temperatura, por exemplo, mais</p><p>fluida será a biomembrana.</p><p>Lembre-se que a fluidez das biomembranas é essencial para</p><p>que processos celulares importantes, como transporte de molécu-</p><p>las e íons, bem como mecanismos de sinalização celular, funcionem</p><p>adequadamente.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 57BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 57 19/07/2022 14:36:1519/07/2022 14:36:15</p><p>CURIOSIDADE</p><p>58</p><p>Além disso, as balsas lipídicas, domínios da membrana ricos</p><p>em esfingolipídeos, colesterol e proteínas associadas, dependem da</p><p>fluidez da membrana para a sua participação em processos de sina-</p><p>lização e endocitose.</p><p>Sinalização celular é um sistema de comunicação entre as células.</p><p>Ele é complexo e está relacionado à transmissão de um sinal de uma</p><p>célula emissora para uma célula receptora, que receberá aquele si-</p><p>nal para realizar uma determina função. Os neurônios são bons</p><p>exemplos, pois um propagará um impulso nervoso se tiver recebido</p><p>sinais a partir da liberação de neurotransmissores em um neurônio</p><p>que os emitiu.</p><p>Composição proteica</p><p>As proteínas que constituem as biomembranas são classi-</p><p>ficadas em integrais (intrínsecas) ou periféricas (extrínsecas). As</p><p>proteínas integrais estão fortemente associadas com os lipídios da</p><p>membrana e atravessam a estrutura, sendo, portanto, chamadas de</p><p>proteínas transmembranas, enquanto as proteínas periféricas, por</p><p>sua vez, estão associadas à membrana por interações iônicas com os</p><p>fosfolipídios ou até mesmo com proteínas integrais.</p><p>As proteínas transmembranas (Figura 12) podem atravessar</p><p>a bicamada lipídica apenas uma vez (proteína integral unipasso) ou</p><p>diversas vezes (proteína integral multipasso). Por atravessarem a</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 58BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 58 19/07/2022 14:36:1719/07/2022 14:36:17</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>DICA</p><p>59</p><p>membrana, possuem domínios voltados para fora da célula (domí-</p><p>nio extracelular), dentro da célula (domínio citosólico) e um domí-</p><p>nio transmembrana, que fica inserido no meio da bicamada.</p><p>Figura 13 – Diferentes tipos de proteínas transmembranas</p><p>Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Prote%C3%ADna_transmembranar#/</p><p>media/Ficheiro:Polytopic_membrane_protein.png</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Na figura acima, o retângulo bege representa a membrana celular.</p><p>Dessa maneira, em 1 vemos uma proteína integral unipasso; e em</p><p>2 e 3, observamos proteínas integrais multipasso, organizadas em</p><p>alfa-hélice e folha-beta, respectivamente.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 59BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 59 19/07/2022 14:36:1719/07/2022 14:36:17</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>60</p><p>As proteínas integrais ainda podem ser ancoradas por lipí-</p><p>dios que funcionam como “âncoras”, como o glicosilfosfatidilino-</p><p>sitol (GPI), que só ancora proteínas no domínio extracelular, fazen-</p><p>do com que interajam com a membrana. Porém, além dos lipídios,</p><p>as proteínas também podem ser ancoradas por α-hélice, na qual os</p><p>fosfolipídios da membrana interagem com um domínio lateral hi-</p><p>drofóbico em α-hélice de uma proteína. Essas, por sua vez, são en-</p><p>contradas apenas na face citosólica da membrana celular.</p><p>As proteínas presentes na membrana celular são fundamen-</p><p>tais para que os processos biológicos das células aconteçam e os te-</p><p>cidos se formem e funcionem corretamente. Desde o transporte de</p><p>moléculas à atividade enzimática, bem como mecanismos de ade-</p><p>são celular, comunicação entre as células, reconhecimento celular,</p><p>formação das junções celulares e sinalização, as proteínas da mem-</p><p>brana são fundamentais, de modo que, sem elas, doenças podem</p><p>acontecer.</p><p>Carboidratos da membrana</p><p>Depois de lipídios e proteínas, os carboidratos são as biomo-</p><p>léculas mais abundantes na membrana plasmática. Em geral, estão</p><p>localizados na superfície externa das células, associados a proteínas</p><p>(formando as glicoproteínas) ou a lipídios (formando os glicolipí-</p><p>dios). Os carboidratos da membrana, junto às proteínas de mem-</p><p>brana, formam marcadores celulares que atuam no reconhecimento</p><p>e sinalização celular. Isso é fundamental para o sistema imunológi-</p><p>co, uma vez que permite que células desse sistema diferenciem uma</p><p>célula do corpo, que não deve ser atacada, de uma célula estranha,</p><p>que deve ser combatida (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2016b).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 60BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 60 19/07/2022 14:36:1819/07/2022 14:36:18</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>DICA</p><p>61</p><p>Carboidratos são importantes para a identificação e ligação de uma</p><p>célula a outra, inclusive no processo de fecundação. A zona pelúcida,</p><p>uma estrutura que rodeia o oócito e é formada por quatro glicopro-</p><p>teínas, é fundamental para que o espermatozoide reconheça o oóci-</p><p>to e, assim, se ligue a ele.</p><p>Tipos de Junções Celulares</p><p>Para formar os tecidos, as células se unem de modo a per-</p><p>mitir a comunicação e o trabalho em conjunto entre elas. Assim, as</p><p>células desenvolveram várias especializações em suas membranas</p><p>para se unirem e, a partir de vários tipos de junções, trocarem infor-</p><p>mações, se ancorarem, absorverem, secretarem, contraírem, entre</p><p>outros. Do mesmo modo, em processos fisiológicos de multiplicação</p><p>e morte celular programada, ou ainda processos patológicos, essas</p><p>junções também podem ser desfeitas.</p><p>Já em células animais, as junções celulares (Figura 13) são</p><p>classificadas em ancoradouras, comunicantes ou bloqueadoras.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 61BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 61 19/07/2022 14:36:1819/07/2022 14:36:18</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>62</p><p>Figura 14 – Tipos de junções intercelulares das células epiteliais</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cell_junctions_types_</p><p>shown_on_epithelial_cells_including_cell-cell_and_cell-matrix_junctions.jpeg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Vamos conhecer agora as principais junções celulares das cé-</p><p>lulas e tecidos.</p><p>Interdigitações</p><p>As interdigitações são junções laterais formadas pelas inva-</p><p>ginações e evaginações das membranas de duas células vizinhas.</p><p>Elas permitem uma maior aderência entre as células e estão rela-</p><p>cionadas ao aumento da área de contato entre elas.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 62BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 62 19/07/2022 14:36:1819/07/2022 14:36:18</p><p>63</p><p>Desmossomo</p><p>O desmossomo é uma junção ancoradoura que faz com que</p><p>uma célula esteja aderida à outra. Ele é formado por duas partes,</p><p>uma em cada célula, das quais partem filamentos que se associam,</p><p>juntando as células. A ancoragem dos desmossomos acontece nos</p><p>filamentos intermediários do citoesqueleto. Existe outra estrutura,</p><p>denominada hemidesmossomo, que é parecida com o desmossomo,</p><p>mas possui função diferente. O hemidesmossomo conecta a mem-</p><p>brana plasmática de células epiteliais à lâmina basal (matriz), na</p><p>qual os epitélios se localizam e não as células entre si.</p><p>Junção Aderente (zônula aderente)</p><p>A junção (ou zônula) aderente se assemelha ao desmosso-</p><p>mo devido à função de ancoragem. São muito frequentes em células</p><p>musculares cardíacas e em epitélios de revestimento. Essas junções</p><p>se ancoram em filamentos de actina.</p><p>Junção comunicante (GAP)</p><p>A junção comunicante pode se apresentar de diferentes for-</p><p>mas e tamanhos, pois pode ser feita e desfeita de acordo com a con-</p><p>centração ou dispersão de proteínas transmembranas, chamadas</p><p>conexinas. Como o nome sugere, essa junção conecta as células,</p><p>permitindo a sinalização celular por meio de íons ou pequenos pep-</p><p>tídeos sinalizadores que passam de uma célula para a outra pelos</p><p>canais formados pelas conexinas.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 63BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 63 19/07/2022 14:36:1819/07/2022 14:36:18</p><p>64</p><p>Junção Compacta (Junção Ocludente)</p><p>A junção compacta ou zônula de oclusão é classificada como</p><p>bloqueadora, pois bloqueia e impede a passagem de substância no</p><p>espaço entre duas células (espaço intercelular). Assim, as substân-</p><p>cias do meio extracelular não ultrapassam a zona de bloqueio sendo</p><p>transportadas obrigatoriamente pelo citoplasma das células unidas.</p><p>Essa junção ainda permite que a célula tenha polos apical (ápice)</p><p>e basal (base), pois impede a dispersão ou migração de elementos</p><p>da membrana plasmática, impossibilitando-os de fluir pela região</p><p>do cinturão de bloqueio. Lembre-se que os invertebrados possuem</p><p>uma junção similar à ocludente que é chamada de junção septada.</p><p>Complexo Juncional ou Unitivo</p><p>As junções celulares são importantes para os diferentes tipos</p><p>de tecidos e, por isso, as células de alguns tecidos podem possuir</p><p>mais de um tipo, formando os complexos juncionais (ou unitivos).</p><p>Por exemplo, o complexo juncional é o conjunto de junções celula-</p><p>res obrigatórias entre células epiteliais intestinais, os enterócitos.</p><p>Assim, no epitélio intestinal, do ápice para a base, os enterócitos</p><p>estão conectados por junções compactas, junções aderentes e des-</p><p>mossomos, obrigatoriamente nessa ordem.</p><p>Já os complexos juncionais de outros órgãos, no entanto, não</p><p>precisam estar nessa ordem e podem apresentar outros tipos de</p><p>junções. Os discos intercalares do tecido muscular estriado cardía-</p><p>co, inclusive, são exemplos de complexos juncionais formados por</p><p>desmossomos, junções aderentes e junções comunicantes.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 64BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 64 19/07/2022 14:36:1919/07/2022 14:36:19</p><p>65</p><p>CITOESQUELETO: ESTUDO DA ESTRUTURA</p><p>E DA ORGANIZAÇÃO DOS SEUS PRINCIPAIS</p><p>COMPONENTES</p><p>Caro(a) aluno(a),</p><p>As células possuem diferentes formatos, de cúbicas a pa-</p><p>vimentosas e algumas até mesmo apresentam prolongamentos.</p><p>Aprendemos que, em parte, isso está relacionado à função das célu-</p><p>las, mas você sabia que existe uma estrutura responsável por sus-</p><p>tentar os componentes celulares?</p><p>Pois é, sobre isto, estamos falando do citoesqueleto e já o vi-</p><p>mos na Figura 3 do início deste material. É ele quem desempenha</p><p>a função de suporte para a célula, mantendo o formato dela e cada</p><p>organela no lugar, mas, também, é graças a ele que temos mecâni-</p><p>ca celular, ou seja, que as células conseguem formar pseudópodes,</p><p>contrair-se, deslocar organelas e grânulos (MOGESSIE; ZENNER;</p><p>RENKAWITZ, 2019).</p><p>O citoesqueleto é formado por três tipos de filamentos pro-</p><p>teicos, em ordem de maior para menor diâmetro: os microtúbulos,</p><p>os filamentos intermediários e os microfilamentos de actina (Figura</p><p>14). Além deles, diversas macromoléculas se associam a esses fila-</p><p>mentos ajudando na dinâmica celular.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 65BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 65 19/07/2022 14:36:1919/07/2022 14:36:19</p><p>66</p><p>Figura 15 – Componentes do citoesqueleto</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:0317_Cytoskeletal_</p><p>Components.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Dito isto, vamos conhecer agora cada um dos principais tipos</p><p>de filamentos que compõem o citoesqueleto.</p><p>Microtúbulos</p><p>Os microtúbulos são estruturas cilíndricas grossas, com di-</p><p>âmetro de aproximadamente 24nm, e longas, mas ocas. Foram ob-</p><p>servados no citoplasma das células por microscopia eletrônica. Os</p><p>microtúbulos são formados a partir da associação de 13 protofila-</p><p>mentos formados por dímeros (moléculas formadas por duas uni-</p><p>dades similares unidas) de α e β-tubulina (alfa e beta tubulina) e,</p><p>além de ajudar na estrutura da célula, formam organelas microtu-</p><p>bulares estáveis, como os centríolos, que são organelas relaciona-</p><p>das ao processo de divisão celular, bem como cílios, flagelos e os</p><p>corpúsculos basais que existem na base deles.</p><p>Os microtúbulos sempre estão se organizando, sendo alon-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 66BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 66 19/07/2022 14:36:1919/07/2022 14:36:19</p><p>CURIOSIDADE</p><p>67</p><p>gados em uma das extremidades, a chamada extremidade +. Além</p><p>dela, existe a extremidade (-). As extremidades (-) dos microtúbu-</p><p>los são localizadas próximas ao centríolo e as (+) localizam-se na</p><p>outra ponta.</p><p>Falando no centríolo, o conjunto de duas dessas organelas, localiza-</p><p>das próximas ao núcleo, é chamado de centrossomo, que é o princi-</p><p>pal centro organizador de microtúbulos de uma célula.</p><p>Filamentos Intermediários</p><p>Os filamentos intermediários possuem essa denominação</p><p>porque seu diâmetro (8-10 nm) é menor do que o dos microtúbulos,</p><p>mas maior do que o dos filamentos de actina. Eles são considerados</p><p>os filamentos mais estáveis do citoesqueleto, pois não são formados</p><p>por monômeros ou dímeros, mas sim por estruturas filamentosas,</p><p>ou seja, por proteínas fibrosas, como queratina, vimentina entre</p><p>outras, dependendo do tecido. Isso significa que, em uma situação</p><p>em que a célula se rompesse, enquanto a maior parte dos microtú-</p><p>bulos se solubilizaria, os filamentos intermediários permaneceriam</p><p>intactos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 67BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 67 19/07/2022 14:36:2019/07/2022 14:36:20</p><p>CURIOSIDADE</p><p>68</p><p>Apesar de compor o citoesqueleto, os filamentos intermediários não</p><p>possuem participação direta em suas funções mecânicas, o que sig-</p><p>nifica que sua função é apenas estrutural.</p><p>Microfilamentos de actina</p><p>Os microfilamentos são fibrilas encontradas no citosol, for-</p><p>mados principalmente pela proteína actina e por proteínas associa-</p><p>das a ela, como a miosina, uma proteína motora. Os microfilamen-</p><p>tos de actina são os filamentos mais finos do citoesqueleto, com um</p><p>diâmetro de 5-7 nm. Entre as inúmeras funções desses microfila-</p><p>mentos, destacam-se o auxílio no movimento da célula, a adesão</p><p>celular, contração e formação do anel contrátil que divide as célu-</p><p>las durante a telófase, uma das fases da divisão celular (MOGESSIE;</p><p>ZENNER; RENKAWITZ, 2019).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 68BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 68 19/07/2022 14:36:2219/07/2022 14:36:22</p><p>SINTETIZANDO</p><p>69</p><p>Caro(a) aluno(a),</p><p>Chegamos ao fim do nosso material e espero que você tenha apro-</p><p>veitado! Já deu para perceber o quanto nossas mais de 37 trilhões</p><p>de células trabalham, não é mesmo? Antes de finalizarmos, vamos</p><p>relembrar os principais pontos desse arquivo?</p><p>Nós começamos conhecendo os aspectos gerais da estrutura celu-</p><p>lar. Você entendeu que, basicamente, as células são divididas em</p><p>membrana plasmática e citoplasma, mas em algumas células (célu-</p><p>las eucarióticas), o DNA está dentro de um compartimento nuclear.</p><p>Essas são as células que compõem o organismo humano. As que não</p><p>possuem o DNA dentro de um envoltório (células procarióticas) são</p><p>as bactérias.</p><p>Conhecendo a estrutura básica, pudemos conhecer os tipos de mi-</p><p>croscopia e detalhar bem mais as células. A partir do microscópio</p><p>óptico e as diversas técnicas que conhecemos, entendemos que as</p><p>células possuem compartimentos ácidos e básicos que se coram di-</p><p>ferentemente, ajudando na identificação de estruturas celulares.</p><p>Do mesmo modo, a microscopia eletrônica veio para ajudar ainda no</p><p>estudo das células e tecidos. Somente com a microscopia eletrônica</p><p>de transmissão que pudemos ver realmente uma membrana celular,</p><p>essa importante estrutura que delimita as células e compartimentos</p><p>celulares e que possuem, além de sua bicamada lipídica, proteínas</p><p>que auxiliam no transporte de íons e moléculas para dentro e fora da</p><p>célula ou compartimentos.</p><p>Após conhecer as diversas funções da membrana, vimos também</p><p>que as células são capazes de se juntar, formando os tecidos e com</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 69BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 69 19/07/2022 14:36:2219/07/2022 14:36:22</p><p>70</p><p>junções intercelulares ancorando as células, bloqueando passagem</p><p>de moléculas ou permitindo comunicação entre elas, o que permite</p><p>a um tecido funcionar corretamente.</p><p>Mas, você deve estar se perguntando: e o que dá suporte estrutural</p><p>às células e possui funções mecânicas? A resposta é o citoesqueleto,</p><p>aquela estrutura formada pelos microtúbulos, filamentos interme-</p><p>diários e microfilamentos de actina.</p><p>Agora você já consegue compreender a complexidade das células.</p><p>Espero que tenha gostado de nossa troca de conhecimentos. Bons</p><p>estudos!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 70BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 70 19/07/2022 14:36:2219/07/2022 14:36:22</p><p>UN</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>2</p><p>Objetivos</p><p>◼ compreender os aspectos gerais e o funcionamento das orga-</p><p>nelas envolvidas na síntese e no transporte de moléculas den-</p><p>tro da célula;</p><p>◼ reconhecer a estrutura das organelas e sua relação com suas</p><p>determinadas funções;</p><p>◼ entender a importância do metabolismo energético para o</p><p>funcionamento das células e do organismo como um todo.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 71BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 71 19/07/2022 14:36:2319/07/2022 14:36:23</p><p>72</p><p>Introdução</p><p>Olá, aluno(a)! Como vai?</p><p>Seja muito bem-vindo(a) a mais uma etapa de estudos. Ini-</p><p>cialmente, você deve estar atento(a) ao fato de que as células são</p><p>estruturas bastante complexas, apresentando diferentes formatos e</p><p>organizações que permitem a organização em tecidos e órgãos alta-</p><p>mente especializados. Graças a essa complexidade, em parte gerada</p><p>pelas organelas, as células conseguem desempenhar diversas fun-</p><p>ções como veremos a partir de agora.</p><p>Além disso, você aprenderá agora quais são e como funcio-</p><p>nam as organelas celulares. Conheceremos também aquelas que es-</p><p>tão envolvidas em mecanismos de síntese e transporte de moléculas</p><p>dentro das células (como os ribossomos, os retículos endoplasmá-</p><p>ticos liso e rugoso, o aparelho de Golgi e os lisossomos), bem como a</p><p>organela envolvida em metabolismo e bioenergética, a mitocôndria.</p><p>Bons estudos!</p><p>ORGANELAS ENVOLVIDAS NA SÍNTESE DE</p><p>MOLÉCULAS</p><p>As células produzem várias biomoléculas que estão associa-</p><p>das a funções estruturais, hormonais, energéticas entre outras. Por</p><p>exemplo, nossas células são capazes de produzir proteínas, lipídios</p><p>e, até mesmo, carboidratos em processos metabólicos complexos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 72BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 72 19/07/2022 14:36:2319/07/2022 14:36:23</p><p>73</p><p>Para produzir proteínas funcionais, por exemplo, várias or-</p><p>ganelas desempenham funções essenciais, que vão desde a “mon-</p><p>tagem” da proteína, as modificações e o envio para diferentes locais.</p><p>Algumas dessas organelas, no entanto, possuem um envolvimento</p><p>mais direto na síntese de proteínas, como é o caso dos ribossomos</p><p>que estão presentes tanto no citoplasma quanto aderidos no retículo</p><p>endoplasmático rugoso. Dito isso, convido você a conhecer as prin-</p><p>cipais características e particularidades dos ribossomos. Vamos lá!</p><p>RIBOSSOMOS: ESTRUTURA, BIOGÊNESE E</p><p>FUNÇÃO</p><p>Quando pensamos em ribossomos, lembramos logo de pro-</p><p>dução de proteínas, pois é nessa organela que acontece o processo</p><p>de síntese proteica (também chamada de tradução, na biologia mo-</p><p>lecular). Pensando nisso, neste material compreenderemos a estru-</p><p>tura e a função dos ribossomos. Vamos lá!</p><p>Os ribossomos são os locais onde ocorre a síntese proteica,</p><p>tanto nas células procarióticas quanto nas eucarióticas. Essas orga-</p><p>nelas são formadas principalmente por um tipo específico de ácido</p><p>ribonucleico (RNA), o RNA ribossômico (RNAr). Além do RNAr, os</p><p>ribossomos são constituídos ainda por proteínas ribossomais, que</p><p>garantem sua estabilidade.</p><p>Os ribossomos medem entre 20 e 30 nm, mas existem dife-</p><p>renças entre aqueles de organismos procariotos e eucariotos. Assim,</p><p>os ribossomos de células eucarióticas são denominados com base</p><p>em seu coeficiente de sedimentação, de 80S, e são formados por</p><p>duas subunidades, uma maior (60S) e uma menor (40S). Enquanto</p><p>isso, os ribossomos bacterianos são chamados de 70S e são consti-</p><p>tuídos por uma subunidade maior (50S) e uma menor (30S). Essas</p><p>subunidades são fundamentais para o processo de síntese protei-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 73BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 73 19/07/2022 14:36:2319/07/2022 14:36:23</p><p>74</p><p>ca. Na subunidade maior, por exemplo, existem sítios, denomina-</p><p>dos A, P e E, específicos para um tipo de RNA, o RNA transportador</p><p>(RNAt). Já a subunidade menor serve como plataforma para o RNA</p><p>que contém o código para a sequência de aminoácidos da proteína,</p><p>o chamado RNA mensageiro (RNAm). Observe a Figura 1 para com-</p><p>preender melhor.</p><p>Figura 1 – Estrutura de um ribossomo</p><p>Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:OSC_Microbio_11_04_TlnInit.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Como você pôde perceber na figura acima, os ribossomos são for-</p><p>mados por duas subunidades, uma maior e outra menor.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 74BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 74 19/07/2022 14:36:2619/07/2022 14:36:26</p><p>75</p><p>A classificação dos ribossomos em S é devido à unidade chamada</p><p>Svedberg, que oferece uma forma de medir o tamanho com base na</p><p>taxa de sedimentação de uma partícula sob aceleração, ou seja, o</p><p>quão rápido uma partícula de determinado tamanho e formato se-</p><p>dimenta (se estabelece no fundo de uma solução). Dessa maneira, o</p><p>svedberg não é baseado no sistema internacional de unidades (SI),</p><p>mas é, na verdade, uma medida</p><p>de tempo que equivale a exatamente</p><p>10-13 segundos (100 fentossegundos no Sistema Internacional).</p><p>Antes de darmos continuidade ao nosso material, é importante que</p><p>você entenda o que é Biogênese. Assim, você deve estar ciente de que</p><p>é o processo ou conjunto de processos envolvidos na produção de</p><p>uma organela. Além disso, estudos sobre a formação dos ribosso-</p><p>mos indicam que ela acontece no nucléolo, uma região arredondada</p><p>dentro do núcleo formada por macromoléculas que levam à forma-</p><p>ção de um RNAr de 45S, precursor dos RNAr 5,8S, 18S e 28S, que se</p><p>unem a um quarto tipo de RNAr, o 5S, formado em regiões extra-</p><p>nucleolares. Todos os componentes necessários para esse processo</p><p>migram até o nucléolo, onde se reúnem para formar as subunidades</p><p>ribossômicas que são transportadas para o citoplasma.</p><p>CURIOSIDADE</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 75BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 75 19/07/2022 14:36:2619/07/2022 14:36:26</p><p>EXEMPLO</p><p>76</p><p>Função dos ribossomos</p><p>Como já falado, os ribossomos são organelas fundamentais</p><p>para a síntese proteica. Esse processo funciona como uma “linha de</p><p>montagem” dentro de uma fábrica responsável pela produção. Ba-</p><p>sicamente, os ribossomos deslizam sobre uma molécula de RNAm.</p><p>Além disso, o RNAm contém a informação genética que determina</p><p>qual a ordem de aminoácidos que formará aquela proteína. Então,</p><p>no ribossomo, entram moléculas de RNAt carregadas com os ami-</p><p>noácidos corretos e os aminoácidos vão formando ligações peptídi-</p><p>cas à medida que o ribossomo vai deslizando no RNAm. Assim, na</p><p>biologia molecular e genética, esse processo é chamado de tradução.</p><p>Sistema de Endomembranas: definição e descrição</p><p>O sistema de endomembranas da célula é formado por mem-</p><p>branas e organelas que criam compartimentos celulares, ajudando a</p><p>modificar, empacotar e transportar moléculas lipídicas e proteicas.</p><p>São exemplos de componentes do sistema de endomembranas: o</p><p>retículo endoplasmático rugoso e liso, o aparelho de Golgi e os li-</p><p>sossomos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 76BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 76 19/07/2022 14:36:2819/07/2022 14:36:28</p><p>77</p><p>Figura 2 – Componentes do Sistema de Endomembranas</p><p>Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Endomembrane_system#/media/</p><p>File:Nucleus_ER_golgi.svg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Caro(a) aluno(a), na imagem acima, você pode identificar que o sis-</p><p>tema de endomembranas é formado basicamente pelo retículo en-</p><p>doplasmático rugoso (3) e liso (4), bem como pelo aparelho de Golgi</p><p>(10) e vesículas de transporte (7) e lisossomos.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 77BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 77 19/07/2022 14:36:2919/07/2022 14:36:29</p><p>78</p><p>RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO: DEFINIÇÃO E</p><p>ASPECTOS FUNCIONAIS</p><p>O Retículo Endoplasmático (RE) é encontrado na maioria</p><p>das células. Ocupando cerca de 10% do volume celular total, o re-</p><p>tículo endoplasmático é caracterizado, estruturalmente, como uma</p><p>rede de membranas interconectadas, formando tubos ou cisternas.</p><p>Diante das suas características morfológicas e funcionais, podemos</p><p>classificar o retículo endoplasmático em: retículo endoplasmático</p><p>liso (ou agranular, pois não apresenta grânulos) e retículo endo-</p><p>plasmático rugoso (ou granular, pois apresenta grânulos – os ri-</p><p>bossomos – aderidos em sua superfície) (KARNA et al., 2019). Dito</p><p>isso, vamos conhecê-los!</p><p>Retículo endoplasmático liso</p><p>O Retículo Endoplasmático Liso (REL), ou agranular, é assim</p><p>chamado porque não existem ribossomos aderidos a sua membrana,</p><p>conferindo-lhe um aspecto liso. À microscopia, é visto como uma</p><p>rede de túbulos que se reconectam entre si (CENTONZE; FARHAN,</p><p>2019). Essa organela é de fundamental importância para as células,</p><p>pois é nela que acontecem processos como síntese de hormônios</p><p>esteroides, armazenamento de Cálcio, síntese de lipídios, desinto-</p><p>xicação celular e conversão de substâncias nocivas em lipossolúveis</p><p>ou insolúveis em compostos hidrossolúveis (KARNA et al., 2019).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 78BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 78 19/07/2022 14:36:2919/07/2022 14:36:29</p><p>EXEMPLO</p><p>79</p><p>Por exemplo, álcool e drogas ingeridas são transformados em pro-</p><p>dutos não tóxicos no retículo endoplasmático liso.</p><p>Retículo endoplasmático rugoso</p><p>Já o Retículo Endoplasmático Rugoso (RER), ou granular, é</p><p>caracterizado pela presença dos polirribossomos (ribossomos e</p><p>RNAm) aderidos ao lado externo da membrana da estrutura. Por fa-</p><p>lar na membrana dele, ela é contínua à membrana externa do enve-</p><p>lope nuclear. O RER pode se apresentar em diversas formas, desde</p><p>túbulos achatados e longos a alguns bastante dilatados, e sua lo-</p><p>calização pode ser diversa, em locais específicos do citoplasma ou</p><p>outros locais (CENTONZE; FARHAN, 2019).</p><p>Além disso, o Retículo Endoplasmático Rugoso, associado aos</p><p>ribossomos, possui um papel relevante na síntese e exportação de</p><p>proteínas para as outras organelas. As proteínas produzidas pelos</p><p>ribossomos aderidos ao retículo podem ser secretadas pelas células,</p><p>podem ser direcionadas a outras organelas, podem permanecer na</p><p>membrana do próprio retículo, como proteína transmembranar, ou</p><p>até mesmo ser encaminhadas para compor a membrana de outras</p><p>organelas (GARRITY et al., 2016; KARNA et al., 2019).</p><p>Assim, para que você possa compreender esse cenário, abaixo</p><p>temos a Figura 3 que apresenta a diferença estrutural entre o RER e</p><p>o REL. Veja:</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 79BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 79 19/07/2022 14:36:3019/07/2022 14:36:30</p><p>80</p><p>Figura 3 – Representação e micrografia do retículo endoplasmático</p><p>Fonte: Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:0313_Endoplasmic_Reticulum.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>De acordo com a figura acima, em (a) é possível ver o Retículo En-</p><p>doplasmático Liso (REL) e Rugoso (RER) em representação gráfica.</p><p>Além disso, em (b) podemos observar uma micrografia eletrônica</p><p>na qual é possível visualizar o RER com inúmeros ribossomos ade-</p><p>ridos em sua membrana.</p><p>A insulina é produzida no retículo endoplasmático rugoso das célu-</p><p>las betapancreáticas. Logo, mecanismos de estresse no retículo po-</p><p>dem contribuir para a fisiopatologia de doenças como diabetes.</p><p>DICA</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 80BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 80 19/07/2022 14:36:3219/07/2022 14:36:32</p><p>81</p><p>Métodos Empregados no Estudo do Retículo Endoplas-</p><p>mático</p><p>O retículo endoplasmático pôde ser observado pela primei-</p><p>ra vez apenas com a utilização de um microscópio eletrônico, por</p><p>Albert Claude. No entanto, na microscopia de luz, o Retículo En-</p><p>doplasmático Rugoso pode ser visualizado em células com grandes</p><p>conjuntos de cisternas de RER. Esses aglomerados de cisternas são</p><p>chamados de ergastoplasma, que se cora por hematoxilina. Além</p><p>disso, a presença de RNAr nos ribossomos aderidos à membrana do</p><p>RER garante a basofilia da organela quando se utiliza coloração H&E</p><p>(Hematoxilina e Eosina), pois o ácido nucleico possui carga nega-</p><p>tiva.</p><p>COMPLEXO DE GOLGI: ESTRUTURA E</p><p>ULTRAESTRUTURA</p><p>O Aparelho de Golgi (ou Complexo de Golgi) foi uma das pri-</p><p>meiras organelas a serem descobertas, devido ao seu tamanho rela-</p><p>tivamente grande. O complexo de Golgi possui polaridade entre suas</p><p>membranas e estas se formam em pilhas com duas faces distintas:</p><p>uma face cis, conhecida como a face de entrada das moléculas e uma</p><p>face trans, conhecida como face de saída das moléculas. As duas fa-</p><p>ces apresentam-se intimamente associadas a compartimentos es-</p><p>peciais, que são formados por uma</p><p>rede conectada de estruturas tu-</p><p>bulares e de cisternas (KULKARNI‐GOSAVI; MAKHOUL; GLEESON,</p><p>2019).</p><p>As cisternas do aparelho de Golgi (Figura 4) são agrupadas</p><p>mediante a sua localização, morfologia e composição química. As-</p><p>sim, as cisternas que estão próximas do retículo endoplasmático e</p><p>com conformação convexa são chamadas de cisternas cis. Já as que</p><p>estão posicionadas na região central do complexo de Golgi são cha-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 81BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 81 19/07/2022 14:36:3219/07/2022 14:36:32</p><p>82</p><p>madas de cisternas médias. Por fim, as cisternas próximas da saída</p><p>da organela, são chamadas de cisternas trans (KULKARNI‐GOSAVI;</p><p>MAKHOUL; GLEESON, 2019).</p><p>Figura 4 – Representação e micrografia eletrônica do aparelho de Golgi</p><p>Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/</p><p>wiki/File:0314_Golgi_Apparatus.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Na figura acima temos:</p><p>(a) aparelho de Golgi em representação gráfica;</p><p>(b) micrografia eletrônica de uma célula evidenciando o aparelho de</p><p>Golgi.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 82BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 82 19/07/2022 14:36:3319/07/2022 14:36:33</p><p>83</p><p>Além destes compartimentos, existem vários outros forma-</p><p>dos por estruturas membranosas tubulares conectadas por vesícu-</p><p>las, chamadas de rede cis de Golgi (CGN, de Cis Golgi Network) e rede</p><p>trans de Golgi (TGN, de Trans Golgi Network) (GOUD; LIU; STORRIE,</p><p>2018).</p><p>Assim, a rede cis de Golgi também pode ser chamada de com-</p><p>partimento intermediário entre o retículo endoplasmático e o com-</p><p>plexo de Golgi e está localizada entre o retículo endoplasmático e o</p><p>local de entrada do complexo de Golgi. Essa face de entrada, além de</p><p>receber as proteínas recém-sintetizadas do retículo endoplasmáti-</p><p>co, faz o transporte para as cisternas cis. Já na dinâmica de proces-</p><p>samento trans, o pensamento é o inverso, sendo o local de saída das</p><p>substâncias para outros compartimentos da célula ou, em alguns</p><p>casos, para o meio extracelular.</p><p>Dessa maneira, você precisa estar atento(a) ao fato de que as</p><p>membranas do complexo de Golgi diferem quanto a sua estrutura</p><p>entre a composição proteica e lipídica. Com relação a porção protei-</p><p>ca, as proteínas presentes no complexo de Golgi são enzimas, pro-</p><p>teínas estruturais e proteínas associadas à formação e direciona-</p><p>mento de vesículas. Diante desta diferença de conteúdo enzimático,</p><p>algumas enzimas podem ser consideradas “enzimas marcadoras”,</p><p>uma vez que são específicas daquele determinado compartimento</p><p>(KULKARNI‐ GOSAVI; MAKHOUL; GLEESON, 2019).</p><p>Enquanto isso, no complexo de Golgi ocorre a remodelação</p><p>lipídica, que desempenha um papel fundamental na regulação das</p><p>propriedades físico-químicas das membranas celulares e, conse-</p><p>quentemente, de suas funções.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 83BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 83 19/07/2022 14:36:3319/07/2022 14:36:33</p><p>84</p><p>O nome da organela “Complexo ou Aparelho de Golgi”, ou ainda</p><p>“Complexo Golgiense”, é uma homenagem ao nome do pesquisador</p><p>que descreveu a estrutura no século XIX, Camillo Golgi.</p><p>Aspectos funcionais do Complexo de Golgi</p><p>O complexo de Golgi é responsável por desempenhar papéis</p><p>importantes nas funções da célula. Essa organela é um dos princi-</p><p>pais sítios celulares onde ocorre a síntese de carboidratos, produ-</p><p>zindo a maioria dos polissacarídeos da célula. Além disso, sua posi-</p><p>ção na saída do retículo endoplasmático rugoso facilita a adição de</p><p>oligossacarídeos que são inclusos como cadeiras laterais das prote-</p><p>ínas e lipídeos transportados pelo Retículo Endoplasmático Rugoso</p><p>(KULKARNI‐GOSAVI; MAKHOUL; GLEESON, 2019).</p><p>Dessa maneira, o aparelho de Golgi possui ainda a função de</p><p>classificação e endereçamento dos produtos sintetizados no retí-</p><p>culo endoplasmático, encaminhando para a membrana plasmática</p><p>e outras organelas celulares. É responsável pela biogênese dos li-</p><p>sossomos, faz o acúmulo de Cálcio na célula e adição de açúcares</p><p>em proteínas e lipídeos durante o processo de glicosilação, sendo de</p><p>extrema importância para os processos celulares. Inclusive, a pre-</p><p>sença de açúcares em uma molécula confere menor flexibilidade e</p><p>carga negativa a ela, ajudando a manter a estabilidade da estrutura</p><p>quaternária das proteínas (POTHUKUCHI et al., 2019).</p><p>As modificações proteicas ocorrem nos diferentes compar-</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 84BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 84 19/07/2022 14:36:3519/07/2022 14:36:35</p><p>85</p><p>timentos do complexo de Golgi através do transporte vesicular.</p><p>Proteínas que auxiliam no direcionamento desse transporte fazem</p><p>parte de um complexo denominado complexo de proteínas de re-</p><p>vestimento do tipo II (COPII). O COPII gera vesículas que realizam</p><p>movimentos progressivos, carreando vesículas oriundas do retícu-</p><p>lo endoplasmático para o complexo de Golgi. De forma contrária,</p><p>o complexo de proteínas de revestimento tipo I (COPI), permite o</p><p>fluxo de membranas através de um transporte inverso de vesículas</p><p>que são provenientes do complexo de Golgi em direção do retículo</p><p>endoplasmático (BROWN, 2013).</p><p>As vesículas que são provenientes do complexo de Golgi fundem-se</p><p>com a primeira cisterna do Golgi, a cisterna cis, área caracterizada</p><p>por ser um local de fosforilação, ou seja, onde ocorre adição de um</p><p>grupo fosfato a uma proteína ou outra molécula (BROWN,2013).</p><p>A presença da modificação na estrutura das moléculas fun-</p><p>ciona como um sinal que, ao ser reconhecido por outros recepto-</p><p>res, permite que as moléculas sejam encaminhadas aos lisossomos.</p><p>Dessa maneira, as enzimas marcadoras dessa região são as mono-</p><p>sidases I e II. Nas cisternas da região medial, a enzima marcadora</p><p>é a manosidade III, restrita a este compartimento do complexo de</p><p>Golgi (POTHUKUCHI et al., 2019). Já na estrutura da cisterna trans,</p><p>observa-se que o lúmen (espaço interno, ou cavidade, que fica den-</p><p>tro de uma estrutura com o formato de tubo) é contínuo e, é neste</p><p>momento, que as proteínas são secretadas para dentro de pacotes</p><p>de transporte e endereçadas para seus destinos.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 85BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 85 19/07/2022 14:36:3519/07/2022 14:36:35</p><p>86</p><p>Métodos empregados no estudo do Complexo de</p><p>Golgi</p><p>O complexo de Golgi é seletivamente visualizado com im-</p><p>pregnação de prata, mas também pode ser observado por microsco-</p><p>pia de fluorescência com a utilização de proteínas marcadoras (em</p><p>geral anticorpos), que possuem propriedades de fluorescência para</p><p>marcar as proteínas da organela. Além disso, o aparelho de Golgi</p><p>também pode ser visualizado por microscopia eletrônica de trans-</p><p>missão.</p><p>DIGESTÃO INTRACELULAR: DEFINIÇÃO,</p><p>DESCRIÇÃO, TIPOS E ENDOSSOMOS</p><p>O processo de digestão intracelular é um processo catabóli-</p><p>co que acontece dentro das células para digerir partículas absorvi-</p><p>das. Esse processo é comumente associado às organelas conhecidas</p><p>como lisossomos que possuem uma grande quantidade de enzimas</p><p>hidrolíticas em seu interior ácido, permitindo que o processo acon-</p><p>teça.</p><p>Dessa forma, para darmos continuidade ao seu material,</p><p>convido você para, a partir de agora, conhecer os processos respon-</p><p>sáveis pela digestão intracelular e que estão relacionados nesse en-</p><p>vio de substâncias a serem digeridas nos lisossomos. São eles: en-</p><p>docitose, fagocitose, pinocitose e autofagia. Vamos lá!</p><p>Endocitose</p><p>A endocitose é a via mais estudada de degradação. Nesse pro-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 86BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 86 19/07/2022 14:36:3519/07/2022</p><p>14:36:35</p><p>87</p><p>cesso, a célula engloba partículas através da membrana, interna-</p><p>lizando-as para serem degradadas a seguir. A endocitose pode ser</p><p>dividida em diferentes tipos, como fagocitose e pinocitose, de acor-</p><p>do com a natureza sólida ou líquida da partícula a ser transportada</p><p>para o interior celular.</p><p>Fagocitose</p><p>A fagocitose é um processo realizado por células fagocíticas,</p><p>a exemplo dos macrófagos e neutrófilos. Nessa via, a célula fagocí-</p><p>tica emite pseudópodes (projeções temporárias da membrana ce-</p><p>lular) em direção a uma partícula sólida, normalmente grande, ou</p><p>até mesmo um microrganismo, para “engolfá-lo”, o que resulta na</p><p>formação de um fagossomo, uma estrutura vesicular formada pelo</p><p>material a ser digerido envolvido por um pequeno pedaço da mem-</p><p>brana.</p><p>Pinocitose (Micro e Macropinocitose)</p><p>Na via da pinocitose, a endocitose é de uma partícula líquida</p><p>e acontece a partir de invaginações na membrana, ou seja, parte da</p><p>membrana plasmática se dobra em direção ao interior da célula. De</p><p>acordo com o destino e tamanho da vesícula que transporta a par-</p><p>tícula, a pinocitose pode ser classificada como micro ou macropi-</p><p>nocitose.</p><p>Na micropinocitose pequenas quantidades de substâncias</p><p>extracelulares são internalizadas ou ainda componentes da mem-</p><p>brana plasmática podem ser translocados de um lugar a outro</p><p>(transcitose). A macropinocitose, por sua vez, captura grandes por-</p><p>ções fluidas do meio extracelular e forma uma grande vesícula que</p><p>não se associa com os lisossomos, sendo direcionada diretamente</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 87BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 87 19/07/2022 14:36:3519/07/2022 14:36:35</p><p>88</p><p>ao outro lado da célula para exocitose.</p><p>Autofagia</p><p>A autofagia é um processo fisiológico da célula. A partir dele,</p><p>organelas citoplasmáticas danificadas podem ser degradadas, as-</p><p>sim como os componentes do citoplasma podem ser reciclados,</p><p>auxiliando na manutenção da homeostase da célula em situações</p><p>adversas.</p><p>Observe a Figura 5 para compreender melhor a diferença en-</p><p>tre fagocitose e pinocitose.</p><p>Figura 5 – Processos de Endocitose</p><p>Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:0309_Three_Forms_of_Endocytosis.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 88BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 88 19/07/2022 14:36:3619/07/2022 14:36:36</p><p>89</p><p>Autofagia não deve ser confundida com heterofagia. Isso porque a</p><p>heterofagia é um processo no qual substâncias e partículas do ex-</p><p>terior da célula são digeridas, ou seja, as partículas endocitadas por</p><p>fagocitose ou pinocitose se fundem com lisossomos para haver di-</p><p>gestão.</p><p>Endossomos</p><p>As vesículas formadas durante o processo de endocitose são</p><p>membranares e podem apresentar uma grande diversidade de re-</p><p>ceptores com ligantes. Rapidamente, após sua formação, essas</p><p>vesículas perdem o revestimento de proteínas e se fundem com a</p><p>membrana de grandes compartimentos, os chamados endossomos</p><p>iniciais ou periféricos (JOHNSON et al., 2016).</p><p>Esses endossomos possuem uma região vesicular e outra tu-</p><p>bular, cujo interior é ácido, uma vez que existe um sistema de trans-</p><p>porte ativo de prótons (H+) na membrana endossômica. O meca-</p><p>nismo é interessante: em caso de baixo pH, muitos dos receptores</p><p>dos endossomos são “desligados”, ou seja, a afinidade diminui e os</p><p>ligantes desses receptores são liberados da membrana da organe-</p><p>la, ficando livre no interior do endossomo. Isso permite que esses</p><p>ligantes possam ser novamente reutilizados pela organela, sendo</p><p>reciclados.</p><p>Os endossomos também podem ser tardios, quando essas ve-</p><p>sículas formadas do endossomo inicial vão “amadurecendo” à me-</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 89BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 89 19/07/2022 14:36:3619/07/2022 14:36:36</p><p>90</p><p>dida em que são transportadas em direção ao núcleo da célula.</p><p>LISOSSOMOS: DESCRIÇÃO E ASPECTOS</p><p>INICIAIS</p><p>Os lisossomos são organelas membranosas classicamente co-</p><p>nhecidas pela função de digestão intracelular. O interior lisossomal</p><p>é ácido, com pH entre 4,5 e 5, e possui cerca de 40 enzimas hidrolí-</p><p>ticas, como proteases, nucleases, glicosidases, lipases, fosfolipases,</p><p>fosfatases e sulfatases, todas associadas à digestão de macromo-</p><p>léculas e funcionais em pH ácido. Porém, com novos estudos, hoje</p><p>se sabe que os lisossomos são verdadeiros centros de degradação e</p><p>sinalização nas células, desempenhando funções importantes para</p><p>a homeostase celular. As mudanças na função dos lisossomos são</p><p>fundamentais na adaptação celular a sinais e estímulos (YANG, C.</p><p>WANG, X, 2021).</p><p>É nos lisossomos que vias de diversas organelas se relacio-</p><p>nam.</p><p>Por exemplo, proteínas produzidas no retículo endoplasmático e</p><p>modificadas no complexo de Golgi entregam grande parte das enzi-</p><p>mas hidrolíticas presentes nos lisossomos. Os processos de endoci-</p><p>tose e autofagia podem direcionar substâncias para serem “digeri-</p><p>das” nessas organelas (HE et al., 2018). Desse modo, os lisossomos</p><p>ainda estão envolvidos na reciclagem de componentes celulares,</p><p>defesa, autofagia etc.</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 90BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 90 19/07/2022 14:36:3819/07/2022 14:36:38</p><p>91</p><p>Estruturalmente, os lisossomos possuem uma membrana</p><p>única, mas com a maioria das proteínas altamente glicosiladas, o</p><p>que a protege das proteases lisossomais (YAMBIRE et al., 2019). O</p><p>pH do interior deles, inclusive, é mantido ácido devido à H+-ATPa-</p><p>se (ATP-fosfohidrolase), uma proteína integral da membrana que</p><p>utiliza a energia liberada na hidrólise do ATP para bombear prótons</p><p>H+ para dentro do lisossomo.</p><p>O mal funcionamento de enzimas lisossomais pode levar às desor-</p><p>dens metabólicas. Por exemplo, as mucopolissacaridoses, causadas</p><p>por erros inatos do metabolismo, levam à deficiência funcional de</p><p>enzimas envolvidas na degradação de glicosaminoglicanos (GAGs)</p><p>que, por não serem metabolizados, ficam acumulados no interior</p><p>dos lisossomos de células de diversos tecidos e órgãos, levando a</p><p>um comprometimento ósseo, articular, respiratório, cardiovascular</p><p>entre outros.</p><p>BIOENERGÉTICA E METABOLISMO</p><p>O metabolismo energético envolve todos os processos bio-</p><p>químicos que levam à produção da energia necessária para o fun-</p><p>cionamento dos organismos vivos. Já a bioenergética, por sua vez,</p><p>estuda os processos de produção e transformação de energia nesses</p><p>organismos. Além disso, as mitocôndrias são organelas centrais na</p><p>produção de energia para as células. Dessa maneira, vamos conhe-</p><p>cê-las agora!</p><p>SAIBA MAIS</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 91BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 91 19/07/2022 14:36:3819/07/2022 14:36:38</p><p>92</p><p>Mitocôndrias: Definição e Morfologia</p><p>As mitocôndrias são organelas filamentosas de formato va-</p><p>riado, que vão de esféricas a alongadas. O tamanho delas também</p><p>varia, possuindo de 0,5 a 1µm de diâmetro e 1 a 10µm de compri-</p><p>mento. De acordo com a necessidade energética das células, as mi-</p><p>tocôndrias serão mais ou menos numerosas e estarão localizadas na</p><p>região celular que demande mais energia.</p><p>Elas podem ocupar até 25% do volume do citoplasma e são</p><p>formadas por duas membranas: uma membrana mitocondrial ex-</p><p>terna, na qual existem proteínas como as porinas, que tornam a</p><p>membrana interna permeável; e a membrana mitocondrial interna,</p><p>que forma pregas (invaginações em direção à matriz mitocondrial)</p><p>chamadas cristas mitocondriais (SMITH; GALLO, 2018).</p><p>Entre as duas membranas, há um espaço chamado espaço in-</p><p>termembranoso. Para entender esse espaço, observe os componen-</p><p>tes estruturais das mitocôndrias na Figura 6.</p><p>Figura 6 – Estrutura da Mitocôndria</p><p>Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mitoc%C3%B4ndria#/media/</p><p>Ficheiro:Animal_mitochondrion_diagram_pt.svg</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 92BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 92 19/07/2022 14:36:3919/07/2022 14:36:39</p><p>93</p><p>As mitocôndrias são organelas que possuem DNA próprio e, inclu-</p><p>sive, conseguem se autoduplicar. Em nossas células, só temos mi-</p><p>tocôndrias que vieram da nossa mãe, pois nos espermatozoides as</p><p>mitocôndrias localizam-se na cauda que fica de fora do ovócito no</p><p>processo de fertilização. Assim, o DNA mitocondrial é muito utiliza-</p><p>do para testes de maternidade.</p><p>Função das mitocôndrias</p><p>As mitocôndrias possuem função central na produção de</p><p>energia para a célula. Elas são responsáveis pela respiração celular</p><p>aeróbica, ou seja, aquela na qual há consumo de oxigênio. É por esse</p><p>motivo que células que consomem muita energia, como as células</p><p>musculares, normalmente, possuem muitas mitocôndrias. Além</p><p>disso, nas células, utilizamos a energia química chamada de ATP</p><p>(Adenosina Trifosfato), mas, para termos ATP, precisamos que vá-</p><p>rios processos metabólicos aconteçam antes. Dessa maneira, vamos</p><p>entender alguns deles.</p><p>As moléculas de energia mais utilizadas em nossas células</p><p>são a glicose e os ácidos graxos. Na respiração celular aeróbica, após</p><p>entrar na célula, ainda no citoplasma, a glicose passa por um pro-</p><p>cesso chamado glicólise, no qual é catabolizada em duas moléculas</p><p>de ácido pirúvico (ou piruvato). Em seguida, o ácido pirúvico é leva-</p><p>do para dentro da mitocôndria, onde é convertido em uma molécula</p><p>chamada acetil-CoA. Essa molécula, então, entra no Ciclo de Krebs,</p><p>também chamado de ciclo do Ácido Cítrico, um ciclo anfibólico, ou</p><p>seja, que possui reações catabólicas (quebra) e anabólicas (constru-</p><p>ção), que acontecem na matriz mitocondrial.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 93BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 93 19/07/2022 14:36:3919/07/2022 14:36:39</p><p>94</p><p>Estas duas primeiras etapas da respiração celular ainda não</p><p>utilizam oxigênio, mas já liberam algumas poucas moléculas de</p><p>ATP. No entanto, durante a ocorrência dessas reações, ocorre a li-</p><p>beração de elétrons suficientes para produzir mais 36 mols de ATP</p><p>na última etapa da respiração celular aeróbica. Isso porque a última</p><p>etapa é a cadeia transportadora de elétrons, que acontece nas cristas</p><p>mitocondriais (PICARD et al., 2018). Assim percebemos a importân-</p><p>cia da mitocôndria! A glicólise só geraria 2 mols de ATP por mol de</p><p>glicose, o que inviabilizaria a sobrevivência de células que compõem</p><p>tecidos específicos como o tecido muscular.</p><p>Origem e Biogênese das Mitocôndrias</p><p>Acredita-se que as mitocôndrias surgiram a partir de um</p><p>evento particular, há milhares de anos, quando uma célula eucari-</p><p>ótica primitiva teria fagocitado uma bactéria, vivendo em simbio-</p><p>se com ela. Essa teoria é conhecida como teoria endossimbiótica e</p><p>apresenta várias características em comum entre as mitocôndrias e</p><p>as bactérias que a sustentam.</p><p>O fato de a mitocôndria possuir duas membranas, uma inter-</p><p>na e outra externa, por exemplo, sustenta essa hipótese até os dias</p><p>atuais (YAMBIRE et al., 2019). Dessa maneira, a membrana interna,</p><p>provavelmente, teria se originando da membrana da bactéria origi-</p><p>nal, enquanto a membrana externa seria um vestígio da membrana</p><p>plasmática da dinâmica do evento. Além disso, as mitocôndrias têm</p><p>seu próprio DNA e o processo de produção das proteínas nessas or-</p><p>ganelas é muito semelhante à síntese proteica bacteriana.</p><p>Para que você possa ampliar seus conhecimentos e sanar to-</p><p>das as suas dúvidas, abaixo trago um infográfico que apresenta as</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 94BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 94 19/07/2022 14:36:3919/07/2022 14:36:39</p><p>95</p><p>evidências que sustentam a teoria endossimbiótica. Vamos anali-</p><p>sá-lo.</p><p>Figura 7 – Teoria Endossimbiótica</p><p>Fonte: NECO, H. (org.) (2022).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 95BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 95 19/07/2022 14:36:3919/07/2022 14:36:39</p><p>96</p><p>PEROXISSOMOS: ESTRUTURA E FUNÇÕES</p><p>Os peroxissomos são organelas membranosas, mas, diferen-</p><p>temente das mitocôndrias, estão envolvidos por uma única mem-</p><p>brana e não possuem DNA ou ribossomos. Assim, como não pos-</p><p>suem genoma próprio, todas as suas proteínas são codificadas pelo</p><p>DNA da célula (SHAI; SCHULDINER; ZALCKVAR, 2016). Quase todas</p><p>as células eucarióticas possuem peroxissomos, que contêm enzimas</p><p>oxidativas, como a catalase e urato oxidase. Assim como as mito-</p><p>côndrias, os peroxissomos são uma das principais organelas que</p><p>utilizam oxigênio (ISLINGER et al., 2018).</p><p>A enzima catalase é uma peroxidase, ou seja, possui a função</p><p>de degradação do peróxido de hidrogênio (H2O2) formado fisiolo-</p><p>gicamente após reações metabólicas. Assim, as reações oxidativas</p><p>realizadas pelos peroxissomos são de particular importância em</p><p>células de órgãos como fígado e rim, uma vez que os peroxissomos</p><p>atuam na desintoxicação celular.</p><p>Além disso, também é nessa organela que acontece a β-oxi-</p><p>dação (beta oxidação) dos ácidos graxos, na qual há a quebra dessas</p><p>moléculas, a partir do encurtamento de suas cadeias, convertendo-</p><p>-os em acetil-CoA, que é exportado para o citoplasma e poderá ser</p><p>utilizado em reações de biossíntese. Em mamíferos, a β-oxidação</p><p>ocorre em mitocôndrias também, mas nas leveduras e células vege-</p><p>tais só ocorre nos peroxissomos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 96BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 96 19/07/2022 14:36:4019/07/2022 14:36:40</p><p>SINTETIZANDO</p><p>EXEMPLO</p><p>97</p><p>A deficiência de uma proteína de membrana de peroxissomos pode</p><p>estar relacionada a doenças. É o caso da Adrenoleucodistrofia (ALD),</p><p>condição retratada no filme “O Óleo de Lorenzo”. Em pessoas com</p><p>ALD, a proteína de membrana responsável pelo transporte de ácidos</p><p>graxos de cadeia muito longa para serem degradados dentro dos pe-</p><p>roxissomos está ausente. Isso leva a uma diversidade de manifesta-</p><p>ções clínicas, desde alterações de comportamento, perda de função</p><p>das glândulas adrenais, à perda da capacidade de falar, de interagir</p><p>e dificuldades para engolir, alimentar-se entre outros.</p><p>Caro(a) aluno(a),</p><p>Neste material conhecemos o complexo de membranas reticulares</p><p>chamado retículo endoplasmático. Ao longo do nosso arquivo, você</p><p>percebeu que ele pode ser subdividido a partir de características</p><p>morfofuncionais em retículo endoplasmático liso, no qual lipídios</p><p>são sintetizados, e retículo endoplasmático rugoso, relacionado à</p><p>síntese e endereçamento de proteínas.</p><p>Além disso, você também percebeu que conhecemos uma das maio-</p><p>res organelas que a célula possui, o complexo de Golgi, que é for-</p><p>mado por cisternas empilhadas e interconectadas responsáveis pela</p><p>entrada (face cis) e saída (face trans) de moléculas, que são modifi-</p><p>cadas no percurso. Além disso, é o principal sítio de síntese de car-</p><p>boidratos na célula e o responsável por originar os lisossomos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 97BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 97 19/07/2022 14:36:4019/07/2022 14:36:40</p><p>98</p><p>Após a leitura de nosso material, você pôde entender que muitas or-</p><p>ganelas também estão associadas a processos digestivos e metabó-</p><p>licos nas células. Além disso, estão associadas ao processo de diges-</p><p>tão intracelular. Neste arquivo, você pôde conhecer os endossomos</p><p>e lisossomos, compartimentos membranares capazes de controlar</p><p>a acidez interna. Lembra que os lisossomos possuem cerca de 40</p><p>enzimas hidrolíticas que ajudam no processo de digestão dentro da</p><p>célula?</p><p>Mas, e as mitocôndrias? Você aprendeu que são organelas filamen-</p><p>tosas,</p><p>muito semelhantes a bactérias e, por isso, acredita-se que se</p><p>originaram a partir de procariotos. Além disso, essas organelas são</p><p>as grandes responsáveis pela produção de ATP nas nossas células</p><p>e é nelas que processos complexos da respiração celular aeróbica</p><p>acontecem. Finalizamos nosso material conhecendo os peroxisso-</p><p>mos, estruturas que participam do processo de desintoxicação das</p><p>nossas células.</p><p>Agora, parece que estamos entendendo como nossas células funcio-</p><p>nam! Espero que tenha gostado de nossa troca de conhecimentos.</p><p>Bons estudos!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 98BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 98 19/07/2022 14:36:4019/07/2022 14:36:40</p><p>UN</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>3</p><p>Objetivos</p><p>◼ compreender a estrutura e as funções do núcleo;</p><p>◼ conhecer a estrutura dos ácidos nucleicos e sua organização;</p><p>◼ entender os processos de replicação, transcrição e tradução;</p><p>◼ reconhecer a importância da genética na evolução e na saúde.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 99BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 99 19/07/2022 14:36:4119/07/2022 14:36:41</p><p>100</p><p>Introdução</p><p>Olá, aluno(a). Como vai?</p><p>Inicialmente, acredito que você já entendeu boa parte das</p><p>funções e características das organelas celulares. Mas, o que você</p><p>acha de conhecer aquele que é considerado o centro de controle das</p><p>atividades das células, o núcleo? Ele só está presente em organismos</p><p>eucariotos e entre suas principais funções temos os complexos pro-</p><p>cessos de divisão e controle celular.</p><p>Dito isto, a partir de agora mergulharemos mais fundo! Isso</p><p>porque, além do nível celular, vamos para o nível molecular e co-</p><p>nheceremos os processos genéticos como replicação, transcrição e</p><p>tradução, fundamentais para a divisão celular, controle das células e</p><p>síntese de proteínas. Do mesmo modo, aprenderemos como a gené-</p><p>tica influenciou na evolução das espécies e como mutações no DNA</p><p>estão associadas ao surgimento de doenças.</p><p>Vamos nessa!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 100BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 100 19/07/2022 14:36:4119/07/2022 14:36:41</p><p>101</p><p>NÚCLEO: COMPONENTES E ASPECTOS</p><p>ESTRUTURAIS</p><p>Caro(a) aluno(a), inicialmente, é importante que você saiba</p><p>que o núcleo é fundamental para as células eucarióticas, pois é nele</p><p>que se encontram os ácidos nucleicos, DNA e RNA, macromoléculas</p><p>formadas por nucleotídeos e que possuem o código genético prote-</p><p>gido pelo envoltório nuclear.</p><p>Além disso, é exatamente no interior do núcleo que aconte-</p><p>cem os processos de replicação (ou duplicação) do DNA (ácido de-</p><p>soxirribonucleico) e a transcrição do DNA em RNA (ácido ribonu-</p><p>cleico), para posterior síntese proteica (SKINNER; JOHNSON, 2017).</p><p>Normalmente, o núcleo se encontra no centro da célula e sua forma</p><p>pode variar de acordo com o tipo celular.</p><p>Dessa maneira, para começarmos nossos estudos, vamos</p><p>tratar agora do envoltório nuclear. Vamos lá!</p><p>Envoltório Nuclear</p><p>O envoltório nuclear só é possível de ser visualizado através</p><p>da microscopia eletrônica, pois sua espessura está abaixo do poder</p><p>de resolução do microscópio óptico. Através do estudo da ultraes-</p><p>trutura desse envoltório, foi possível observar que ele é constituído</p><p>por duas membranas, limitando um espaço que mede de 10 a 50 nm</p><p>(KUNZLER, 2018).</p><p>Assim, a membrana interna é voltada ao material genético,</p><p>enquanto a externa fica em volta da membrana interna, sendo con-</p><p>tínua com a membrana do Retículo Endoplasmático Rugoso (RER).</p><p>Você lembra que o RER participa da síntese de proteínas, já que tem</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 101BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 101 19/07/2022 14:36:4119/07/2022 14:36:41</p><p>102</p><p>vários ribossomos aderidos a sua membrana? Pois então, assim</p><p>como a membrana do RE, a membrana externa do núcleo apresen-</p><p>ta ribossomos que estão trabalhando constantemente na síntese de</p><p>proteínas.</p><p>Poros Nucleares</p><p>O envoltório nuclear apresenta pequenas interrupções na sua</p><p>estrutura, formando então os poros nucleares, estruturas impor-</p><p>tantes para o metabolismo celular e com número variável de acordo</p><p>com o tipo de célula (DICKINSON; NEELAM; LELE, 2015; KUNZLER,</p><p>2018).</p><p>Dessa maneira, os poros nucleares são uniformemente espa-</p><p>çados e estabelecem comunicação entre o núcleo e o citoplasma. Os</p><p>poros possuem formato circular e diâmetro variável, sendo consti-</p><p>tuídos por um complexo de monômeros proteicos que formam oito</p><p>unidades associadas, limitando um canal. Além disso, você deve</p><p>estar atento(a) ao fato de que os poros podem estar presentes em</p><p>cerca de 1,2 a 25% da área do envoltório nuclear, com a finalidade de</p><p>realizar essa troca de informações entre o núcleo e o citoplasma ou</p><p>vice-versa (PÉREZ-GARRASTACHU et al., 2017).</p><p>Para realizar suas funções, o núcleo precisa continuamente impor-</p><p>tar proteínas do citoplasma. Assim, as proteínas próprias do núcleo</p><p>são sintetizadas no citoplasma com um sinal nuclear específico,</p><p>formado por porções de 4-8 aminoácidos, com os predominantes</p><p>lisina e arginina, que são aminoácidos de carga elétrica positiva</p><p>(KUNZLER, 2018).</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 102BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 102 19/07/2022 14:36:4219/07/2022 14:36:42</p><p>103</p><p>Lembre-se que são os poros nucleares que reconhecem essas</p><p>proteínas e fixam-nas, transportando-as para dentro do núcleo,</p><p>por processo ativo, ou seja, este processo consome energia da cé-</p><p>lula. Inclusive, esse sinal não é removido e é possível que, depois</p><p>que a proteína entrar no núcleo, haja uma reintrodução quando o</p><p>envoltório nuclear se desfizer depois de uma divisão celular (KUN-</p><p>ZLER, 2018).</p><p>Dito isto, abaixo temos a Figura 1 que apresenta a estrutura</p><p>do núcleo, com detalhe para um poro nuclear. Veja!</p><p>Figura 1 – Estrutura do núcleo e poros nucleares</p><p>Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/File:NuclearPore.svg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 103BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 103 19/07/2022 14:36:4219/07/2022 14:36:42</p><p>104</p><p>Na imagem acima, é possível perceber que o poro nuclear é uma es-</p><p>trutura complexa formada por proteínas que permitem a passagem</p><p>de substâncias pelo envelope nuclear.Além disso, entre a membra-</p><p>na externa e interna, há o espaço ou cisterna perinuclear, que con-</p><p>tém as mesmas proteínas das cisternas do RE, o que evidencia que</p><p>o envoltório nuclear é uma porção especializada do RE (KUNZLER,</p><p>2018).</p><p>Matriz Nuclear</p><p>Chegando na membrana interna, observamos que ela apre-</p><p>senta, em sua face interna, um espessamento conhecido como lâ-</p><p>mina que é parte da chamada matriz nuclear (SKINNER; JOHNSON,</p><p>2017). Dessa maneira, a matriz nuclear, no interior do núcleo, é uma</p><p>rede de proteínas fibrogranulares, uma estrutura análoga ao citoes-</p><p>queleto, mas que, nesse caso, dá suporte ao núcleo, ou seja, é atra-</p><p>vés dela que os componentes do núcleo se organizam no espaço in-</p><p>terno se apoiando nas estruturas fibrilares da matriz (DICKINSON;</p><p>NEELAM; LELE, 2015).</p><p>Caro(a) aluno(a), nesse momento você deve estar se perguntando</p><p>“o que são estruturas análogas”? São aquelas que possuem morfo-</p><p>logia similar ou que possuem a mesma função. Na evolução, o termo</p><p>é empregado de maneira similar para definir adaptações semelhan-</p><p>tes em organismos com origens diferentes, por exemplo, a analogia</p><p>entre as asas dos insetos com as asas das aves.</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 104BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 104 19/07/2022 14:36:4419/07/2022 14:36:44</p><p>105</p><p>Conforme você deve ter percebido, os processos celulares de</p><p>um organismo</p><p>acontecem devido ao controle nuclear, pois é no nú-</p><p>cleo que as informações genéticas estão armazenadas. Assim, a par-</p><p>tir de uma informação ou sinal intra ou extracelular, uma proteína</p><p>pode ser produzida ou o DNA pode ser duplicado para a célula entrar</p><p>em divisão.</p><p>Lembre-se que as informações necessárias são hereditárias e se en-</p><p>contram no material genético, sendo passadas de uma célula para</p><p>todas as células-filhas durante o processo de divisão celular e estas</p><p>informações são essenciais para todas as células eucarióticas e pre-</p><p>cisam ser armazenadas de forma eficaz (KUNZLER, 2018).</p><p>Nucléolo</p><p>Dentro do núcleo ainda há estruturas esféricas chamadas</p><p>nucléolos, estruturas ricas em RNA. Eles possuem diâmetro de 1 a</p><p>3 µm e, embora possamos encontrar células com núcleo com dois</p><p>ou mais nucléolos, geralmente o nucléolo é único e está associado a</p><p>uma massa de cromatina em sua periferia (JUNQUEIRA & CARNEI-</p><p>RO, 2000).</p><p>Como veremos mais a frente, no núcleo, em seu período in-</p><p>terfásico, quando a célula está se preparando para se dividir, o DNA</p><p>pode ser visto na forma de cromatina compactada (heterocroma-</p><p>tina) ou frouxa (eucromatina), mas, antes mesmo de entendermos</p><p>qual a relação da cromatina com esses processos nucleares, preci-</p><p>samos conhecer melhor a estrutura química e molecular dos ácidos</p><p>nucleicos. Vamos lá?</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 105BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 105 19/07/2022 14:36:4419/07/2022 14:36:44</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>106</p><p>ESTRUTURA QUÍMICA E MOLECULAR DOS</p><p>ÁCIDOS NUCLÉICOS</p><p>Os detalhes sobre os ácidos nucleicos tiveram diferentes con-</p><p>tribuições. Enquanto os químicos descobriam a estrutura do DNA,</p><p>os biólogos tentavam identificar a fonte da informação genética.</p><p>Mas, muito antes disso, Gregor Mendel publicou as regras básicas</p><p>da hereditariedade, em 1866, mas ele não tinha ideia da estrutura</p><p>física da informação da hereditariedade. Logo depois, no início do</p><p>século 20, os biólogos concluíram que os genes se localizavam nos</p><p>cromossomos.</p><p>Quimicamente falando, a estrutura dos ácidos nucleicos é</p><p>simples e pouco varia entre os diferentes tipos de espécies. Essas</p><p>moléculas são formadas por:</p><p>a) nucleotídeos, que por sua vez são formados por: uma base</p><p>nitrogenada, que pode ser uma purina (adenina ou guanina) ou</p><p>uma pirimidina (timina ou citosina, no DNA; uracila ou citosi-</p><p>na, no RNA);</p><p>b) um açúcar chamado pentose (desoxirribose, no caso do DNA;</p><p>e ribose, no caso do RNA);</p><p>c) um grupo fosfato (PO4).</p><p>O conjunto de base + açúcar (pentose) denomina-se nucleosídeo. Já,</p><p>o nucleotídeo é o conjunto de base + açúcar + fosfato.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 106BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 106 19/07/2022 14:36:4519/07/2022 14:36:45</p><p>107</p><p>Para entender o que estamos tratando, peço que você observe a Fi-</p><p>gura 2, pois ela traz a estrutura química dos nucleotídeos. Veja:</p><p>Figura 2 – Estrutura dos nucleotídeos</p><p>Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:0322_DNA_Nucleotides.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>É importante lembrar, ainda, que os ácidos nucleicos DNA e</p><p>RNA podem ser diferenciados pela composição química e até estru-</p><p>tural. Por exemplo, como pentose, o DNA contém desoxirribose e o</p><p>RNA (ácido ribonucleico) contém ribose. É esse componente, inclu-</p><p>sive, que dá o nome ao ácido nucleico (desoxirribose= ácido deso-</p><p>xirribonucleico; ou ribose= ácido ribonucleico). Além disso, o RNA</p><p>não possui timina, mas sim uracila, que só está presente no RNA. O</p><p>grupo fosfato, no entanto, apresenta-se invariável, tanto no DNA</p><p>quanto no RNA. O DNA encontra-se, principalmente, nos cromos-</p><p>somos e o RNA é encontrado no nucléolo e no citoplasma, havendo</p><p>muito pouco nos cromossomos.</p><p>Além dessas diferenças na composição química, DNA e RNA</p><p>diferem quanto à estrutura molecular. Isso porque a estrutura do</p><p>DNA, por exemplo, só foi proposta em 1953, por James Watson e</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 107BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 107 19/07/2022 14:36:4519/07/2022 14:36:45</p><p>108</p><p>Francis Crick, com base em estudos de difração de raios X realizados</p><p>pela química britânica Rosalind Frankin. Esse estudo possibilitou</p><p>perceber que o DNA é uma molécula helicoidal (em forma de hélice)</p><p>e formado por duas fitas constituídas por vários nucleotídeos, que</p><p>se pareiam em espiral em torno de um mesmo eixo imaginário e de</p><p>polaridade oposta.</p><p>Dessa maneira, na Figura 3, podemos perceber que cada fita</p><p>de DNA tem sua polaridade determinada pela orientação dos com-</p><p>ponentes açúcar e fosfato. Veja:</p><p>Figura 3 – Estrutura do DNA</p><p>Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/</p><p>wiki/File:0322_DNA_Nucleotides.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Analisando a figura acima, perceba que uma fita termina no átomo</p><p>de carbono 5’ da molécula de desoxirribose, o que caracteriza a ex-</p><p>tremidade 5’; enquanto a fita oposta termina no carbono 3’ do açú-</p><p>car, constituindo a extremidade 3’ da fita. Por esse motivo, as fitas</p><p>são chamadas de “antiparalelas”.</p><p>REFLITA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 108BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 108 19/07/2022 14:36:4619/07/2022 14:36:46</p><p>109</p><p>A ligação entre as duas fitas de DNA, formando a dupla-hé-</p><p>lice, é estabilizada devido à interação entre as bases nitrogenadas.</p><p>Isso acontece porque, como o espaço de pareamento é pequeno,</p><p>uma base grande (púrica) deve parear com outra pequena (pirimí-</p><p>dica), por meio de pontes de hidrogênio.</p><p>Esse pareamento complementar ocorre entre bases específi-</p><p>cas: adenina e timina (A com T) e guanina e citosina (G com C), por</p><p>permitirem uma associação mais estável. Sabendo disso, as quan-</p><p>tidades de bases púricas e pirimídicas em uma molécula de DNA</p><p>são iguais, ou seja, A+G=C+T, uma vez que se pareiam. Do mesmo</p><p>modo, as quantidades de adenina e timina são iguais, assim como</p><p>as de guanina e citosina, ou seja, A=T e G=C. Essa característica dos</p><p>ácidos nucleicos nos permite saber qual seria uma fita complemen-</p><p>tar. Por exemplo, uma fita com a sequência nucleotídica 5’-ATGC-</p><p>GTCAG-3’, teria como fita complementar uma de sequência 3’-TA-</p><p>CGCAGTC-5’.</p><p>A estrutura do DNA proposta originalmente é a conformação</p><p>B, mas, além do DNA-B, também existem as conformações DNA-A</p><p>e DNA-Z. Essas formas dependem de fatores como nível de hidrata-</p><p>ção, modificações químicas em bases, concentração e tipos de íons</p><p>metálicos, sequência de nucleotídeos, direção e grau do superenro-</p><p>lamento entre outros.</p><p>As sequências de DNA são importantes porque nos ajudam a</p><p>estudar os genes, que são segmentos de DNA que codificam um RNA</p><p>mensageiro (RNAm) que pode ser traduzido em uma cadeia poli-</p><p>peptídica. No entanto, entre as sequências codificantes (éxons) dos</p><p>genes, existem sequências que não são traduzidas (íntrons), bem</p><p>como uma sequência codificadora é antecedida por regiões promo-</p><p>toras. Por falar em RNA, ele é um ácido nucleico menor do que o DNA</p><p>e, normalmente, é ilustrado como uma fita simples, como mostra a</p><p>Figura 4.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 109BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 109 19/07/2022 14:36:4619/07/2022 14:36:46</p><p>110</p><p>Figura 4 – Estrutura do RNA</p><p>Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/</p><p>wiki/File:Difference_DNA_RNA-EN.svg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Caro(a) aluno(a), agora que conhecemos a estrutura do DNA e</p><p>do RNA, vamos entender como essas moléculas se organizam den-</p><p>tro do núcleo? Antes de tudo precisamos compreender que, mesmo</p><p>dentro do núcleo, o DNA se associa a RNA e proteínas presentes na-</p><p>quele ambiente. Isso forma um complexo que chamamos de croma-</p><p>tina.</p><p>Existem proteínas</p><p>Fagocitose.....................................................................83</p><p>Pinocitose (Micro e Macropinocitose)...........................83</p><p>Autofagia......................................................................84</p><p>Endossomos.......................................................................................85</p><p>LISOSSOMOS: DESCRIÇÃO E ASPECTOS INICIAIS ..........................86</p><p>BIOENERGÉTICA E METABOLISMO................................................87</p><p>Mitocôndrias: Definição e Morfologia................................................88</p><p>Função das mitocôndrias....................................................................89</p><p>Origem e Biogênese das Mitocôndrias............................90</p><p>PEROXISSOMOS: ESTRUTURA E FUNÇÕES ....................................92</p><p>NÚCLEO: COMPONENTES E ASPECTOS ESTRUTURAIS...................97</p><p>Envoltório Nuclear..............................................................................97</p><p>Poros Nucleares..................................................................................98</p><p>Matriz Nuclear..................................................................................100</p><p>Nucléolo ...........................................................................................101</p><p>ESTRUTURA QUÍMICA E MOLECULAR DOS ÁCIDOS NUCLÉICOS....102</p><p>Cromossomos..................................................................................108</p><p>CICLO CELULAR E DIVISÃO CELULAR ............................................110</p><p>Intérfase ............................................................................................111</p><p>Fase G1.........................................................................112</p><p>Fase S............................................................................113</p><p>Replicação do DNA.......................................................113</p><p>Fase G2.........................................................................116</p><p>Divisão Celular...................................................................................117</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 6BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 6 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Mitose .........................................................................117</p><p>Prófase.........................................................................118</p><p>Metáfase.....................................................................119</p><p>Anáfase.......................................................................120</p><p>Telófase e Citocinese...................................................120</p><p>Meiose .........................................................................121</p><p>Meiose I........................................................................121</p><p>Prófase I.......................................................................122</p><p>Metáfase I....................................................................125</p><p>Anáfase I......................................................................125</p><p>Telófase I.....................................................................126</p><p>Meiose II......................................................................127</p><p>Prófase II......................................................................127</p><p>Metáfase II...................................................................127</p><p>Anáfase II.....................................................................128</p><p>Telófase II....................................................................128</p><p>Controle do Ciclo Celular..................................................................128</p><p>Transcrição........................................................................................131</p><p>Tradução...........................................................................................135</p><p>ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS ESTRUTURAIS E NUMÉRICAS....138</p><p>Alterações Cromossômicas Numéricas.............................................139</p><p>Alterações estruturais..................................................141</p><p>HERANÇA MONOGÊNICA................................................................144</p><p>Tipos de herança...............................................................................146</p><p>Herança autossômica - Herança autossômica</p><p>dominante..................................................................146</p><p>Herança autossômica recessiva..................................147</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 7BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 7 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Herança ligada ao sexo................................................148</p><p>Herança recessiva ligada ao sexo.................................149</p><p>Herança dominante ligada ao sexo..............................149</p><p>Tipos especiais de herança monogênica...........................................152</p><p>Alelos múltiplos e Codominância..................................152</p><p>Herança mitocondrial..................................................152</p><p>GENÉTICA DE POPULAÇÕES........................................................153</p><p>Estimativa das Frequências Alélicas e Genotípicas...........................155</p><p>A LEI DO EQUILÍBRIO DE HARDY-WEINBERG...............................157</p><p>Demonstração da Lei de Hardy-Weinberg........................................158</p><p>GENÉTICA E EVOLUÇÃO..............................................................160</p><p>Teoria da evolução.............................................................................160</p><p>Evolução no Brasil.............................................................................161</p><p>TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO........................................167</p><p>Componentes teciduais....................................................................167</p><p>Células epiteliais.........................................................167</p><p>Lâmina basal e membrana basal.................................168</p><p>Especializações................................................................................169</p><p>Tipos de epitélio de revestimento......................................................171</p><p>TECIDO EPITELIAL GLANDULAR...................................................174</p><p>Glândulas exócrinas..........................................................................175</p><p>Glândulas endócrinas........................................................................177</p><p>Glândulas mistas ou anfícrinas.........................................................178</p><p>TECIDO CONJUNTIVO.................................................................178</p><p>Células do tecido conjuntivo.............................................................179</p><p>Componentes fibrosos do tecido conjuntivo.....................................181</p><p>Colágenos...................................................................182</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 8BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 8 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Fibras reticulares.......................................................183</p><p>Fibras elásticas............................................................183</p><p>Substância fundamental..................................................................184</p><p>Classificação dos tecidos conjuntivos..............................................185</p><p>Tecido conjuntivo propriamente dito..........................186</p><p>TECIDO ÓSSEO ...........................................................................193</p><p>Células do tecido ósseo.....................................................................193</p><p>Matriz Óssea....................................................................................194</p><p>Tipos de tecidos ósseos.....................................................................195</p><p>Tipos de ossificação – osteogênese.................................................198</p><p>TECIDO</p><p>denominadas histonas que estão rela-</p><p>cionadas à compactação e descompactação do DNA, mas não são</p><p>as únicas na cromatina, pois existem as proteínas não-histônicas</p><p>também. Assim, o DNA vai se enrolando ao redor das histonas, for-</p><p>mando um nucleossomo. A partir do momento que temos vários nu-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 110BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 110 19/07/2022 14:36:4619/07/2022 14:36:46</p><p>111</p><p>cleossomos sendo formados, o DNA está bem compactado a ponto</p><p>de enxergarmos uma cromatina bem condensada, formando os cro-</p><p>mossomos, como ilustra a Figura 5.</p><p>Figura 5 – Níveis de organização molecular do DNA</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Figure_10_01_03.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 111BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 111 19/07/2022 14:36:4619/07/2022 14:36:46</p><p>112</p><p>Dito isto, agora sim podemos voltar a falar especificamente</p><p>do núcleo, principalmente daqueles de células em intérfase, ou seja,</p><p>que estão se preparando para se dividir. Nessas células, encontra-</p><p>mos a cromatina compactada/condensada (heterocromatina) ou</p><p>frouxa (eucromatina). O grau de condensação da cromatina varia de</p><p>um tipo celular para o outro ou, até mesmo, entre um mesmo tipo</p><p>celular e de acordo com o estado metabólico da célula (BAUMGART-</p><p>NER et al., 2018).</p><p>Quando a cromatina está no estado de heterocromatina, a</p><p>alta compactação impede que o DNA seja transcrito em RNA, já que</p><p>as regiões gênicas não estão expostas por estarem muito enroladas.</p><p>Inclusive, existem regiões da cromatina permanentemente conden-</p><p>sadas (heterocromatina constitutiva), presentes nas extremidades</p><p>dos cromossomos, perto do centrômero e regiões organizadoras de</p><p>nucléolos (KUNZLER, 2018).</p><p>Os centrômeros são regiões dos cromossomos onde há um “estran-</p><p>gulamento”. É também chamado de constrição primária e, nessa</p><p>região, existe um disco proteico, o cinetócoro, cuja função é prender</p><p>as fibras microtubulares durante a divisão celular.</p><p>Cromossomos</p><p>Inicialmente, é necessário que você saiba que, antes da divi-</p><p>são da célula, a cromatina se agrega para formar os cromossomos</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 112BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 112 19/07/2022 14:36:4819/07/2022 14:36:48</p><p>113</p><p>(FLORESCU; THERIZOLS; ROSA, 2016). Para que você entenda, a</p><p>descoberta dos cromossomos aconteceu no século XIX, quando es-</p><p>truturas em formato de cordão eram visualizadas no núcleo de cé-</p><p>lulas que começavam a se dividir. Assim, com o avanço da ciência,</p><p>os pesquisadores descobriram que os cromossomos eram formados</p><p>por DNA, mas continham proteínas. Hoje, sabemos que o DNA con-</p><p>tém a informação hereditária das células e que as proteínas relacio-</p><p>nadas aos cromossomos atuam, principalmente, na compactação e</p><p>no controle das moléculas de DNA (DIXON; GORKIN; REN, 2016).</p><p>Além disso, essas moléculas de DNA cabem facilmente no núcleo da</p><p>célula, mas, depois do seu processo de replicação, são divididas en-</p><p>tre as duas células-filhas a cada divisão celular.</p><p>Nos organismos eucarióticos, o DNA está distribuído em gru-</p><p>pos diferentes de cromossomos. E, no caso de células humanas, por</p><p>exemplo, o DNA está distribuído em 46 cromossomos, 23 herda-</p><p>dos do pai e 23 herdados da mãe. Assim, os 46 cromossomos estão</p><p>relacionados à quantidade de cromossomos que nossos gametas</p><p>possuem. Como espermatozoides e oócitos possuem apenas 23 cro-</p><p>mossomos, ou seja, são haploides, nós possuímos 46 cromossomos</p><p>resultantes desse processo de fertilização, portanto somos diploi-</p><p>des. Desse modo, alterações nos números de cromossomos ou em</p><p>sua morfologia podem acarretar o aparecimento de doenças, como</p><p>veremos ainda neste material.</p><p>É importante destacarmos que, além das proteínas envolvi-</p><p>das no processo de compactação do DNA, os cromossomos estão as-</p><p>sociados com diversas proteínas envolvidas na replicação do DNA,</p><p>reparo e expressão gênica (DIXON; GORKIN; REN, 2016).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 113BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 113 19/07/2022 14:36:4819/07/2022 14:36:48</p><p>114</p><p>Os eritrócitos (hemácias) não possuem núcleo e, assim, também</p><p>não possuem cromossomos. Isso significa que não possuem a capa-</p><p>cidade de se dividir e duram 120 dias. No entanto, a falta do núcleo</p><p>os tornou mais eficientes no transporte de oxigênio no corpo.</p><p>CICLO CELULAR E DIVISÃO CELULAR</p><p>Você já parou para pensar como as células se reproduzem?</p><p>Antes de mesmo de entender esse processo, você precisa saber que</p><p>a reprodução de uma célula é chamada de divisão celular. Isso sig-</p><p>nifica dizer que, quando uma célula está se dividindo, na verdade,</p><p>mais células estão sendo geradas, ou seja, estão se multiplicando.</p><p>No processo de divisão, e até mesmo antes dele, acontece uma série</p><p>de eventos sequenciais nos quais a célula vai duplicar seu conteúdo</p><p>para se dividir em duas. É exatamente esta série de ações coordena-</p><p>das e organizadas em que a célula duplica e se divide que chamamos</p><p>de ciclo celular.</p><p>Na divisão das células eucarióticas é preciso que muitos cro-</p><p>mossomos sejam duplicados e distribuídos em mesma quantidade,</p><p>entre as células-filhas. Além disso, as organelas, como mitocôn-</p><p>drias, retículo endoplasmático, complexo de Golgi entre outros,</p><p>também precisam ser distribuídas entre as células-filhas. Contudo,</p><p>enquanto as mitocôndrias são distribuídas aleatoriamente entre as</p><p>células-filhas, o retículo endoplasmático e o complexo de Golgi são</p><p>fragmentados por ocasião de divisão e, mais tarde, reconstituídos</p><p>nas células-filhas.</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 114BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 114 19/07/2022 14:36:4919/07/2022 14:36:49</p><p>115</p><p>De forma geral, o ciclo celular apresenta-se em duas etapas</p><p>principais: intérfase e divisão celular. A intérfase e o tipo de divi-</p><p>são (mitose ou meiose) são divididas em várias fases, e algumas até</p><p>possuem subfases, que aprenderemos a seguir.</p><p>Intérfase</p><p>Antes de tudo, precisamos entender que, para uma célula se</p><p>dividir, ela precisará aumentar de volume, bem como duplicar seu</p><p>conteúdo citoplasmático. Por esse motivo, existe a intérfase, o perí-</p><p>odo do ciclo celular em que há uma intensa atividade metabólica e</p><p>DNA e organelas são duplicados, consequentemente, aumentando</p><p>o tamanho da célula. Como veremos na Figura 6, a interfase é orga-</p><p>nizada em três fases: G1, S e G2 (MONTANARI, 2010).</p><p>Figura 6 – Esquema do ciclo celular de uma mitose</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cell_cycle_simple.png</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 115BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 115 19/07/2022 14:36:4919/07/2022 14:36:49</p><p>116</p><p>A intérfase é dividida nos períodos G1 (do inglês gap, interva-</p><p>lo, que é o intervalo 1, o período de pré-síntese do DNA), S (período</p><p>de síntese do DNA) e G2 (período de pós-síntese do DNA). Mas, você</p><p>deve estar se perguntando: o que acontece em cada um deles? Para</p><p>sanar essa e outras perguntas que você possa ter, a partir de agora</p><p>vamos detalhar os períodos citados. Veja!</p><p>Fase G1</p><p>Durante o período G1, a célula duplica suas organelas e mate-</p><p>riais do citosol, inclusive é nela que inicia a replicação dos centros-</p><p>somos, estruturas formadas por centríolos e que são essenciais para</p><p>regular a organização dos microtúbulos durante a futura divisão.</p><p>Assim, é nesse período que se produzem as proteínas, lipídios e car-</p><p>boidratos que serão utilizados inclusive para formar as membranas</p><p>das “células-filha” que se formarão a partir da divisão da célula-</p><p>-mãe. Além disso, esse é o período do ciclo celular mais</p><p>variável em</p><p>duração, de acordo com o tipo celular.</p><p>Hepatócitos, as células do fígado, possuem um crescimento lento e</p><p>podem permanecer em G1 por vários anos, enquanto células da me-</p><p>dula óssea, para se dividirem mais rápido, permanecem nessa fase</p><p>apenas por 16 a 24 horas.</p><p>Lembre-se que a fase G1 corresponde ao intervalo entre a di-</p><p>visão mitótica (mitose) anterior e a próxima fase da intérfase, a fase</p><p>S (KUNZLER, 2018).</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 116BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 116 19/07/2022 14:36:5019/07/2022 14:36:50</p><p>117</p><p>Fase S</p><p>A fase S (do inglês synthesis, ou seja, síntese) acontece entre</p><p>as fases G1 e G2 e dura, em média, 8 horas. É nessa fase que ocorre a</p><p>duplicação do DNA que resulta na formação de duas moléculas de</p><p>DNA idênticas que serão divididas entre as células-filhas (KUN-</p><p>ZLER, 2018). É importante destacarmos que, na biologia molecular,</p><p>o processo de duplicação do DNA também é chamado de replicação,</p><p>um processo complexo e indispensável, pelo qual uma célula dupli-</p><p>ca seu DNA antes da divisão.</p><p>Replicação do DNA</p><p>A replicação do DNA é semiconservativa, o que significa que</p><p>cada fita de DNA da célula-mãe servirá como molde para a síntese</p><p>de uma nova molécula de DNA, que irá para as células-filhas.</p><p>Lembrando que a molécula de DNA é formada por duas fitas, as-</p><p>sim as moléculas das células-filhas serão formadas por uma fita que</p><p>veio da molécula original da célula-mãe e outra que foi recém-sin-</p><p>tetizada.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 117BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 117 19/07/2022 14:36:5119/07/2022 14:36:51</p><p>118</p><p>A replicação do DNA acontece simultaneamente em várias</p><p>regiões da dupla fita do DNA, podendo ser uni ou bidirecional, no</p><p>sentido 5’-3’. A partir de uma região de origem de replicação, o DNA</p><p>começa a ser aberto, formando a estrutura chamada “forquilha de</p><p>replicação”. Como você pode perceber, o processo é complexo e en-</p><p>volve várias enzimas, como veremos a seguir.</p><p>O processo replicativo inicia com uma enzima chamada he-</p><p>licase, que reconhece a origem de replicação e rompe as pontes de</p><p>hidrogênio, gerando duas fitas de DNA antiparalelas. Para impedir</p><p>que essas fitas voltem a ter as bases pareadas, proteínas chamadas</p><p>SSBPs (Proteínas de Ligação à Fita Simples) ligam-se às fitas-mol-</p><p>des de DNA, mantendo a estabilidade da forquilha. Além disso, a</p><p>enzima topoisomerase também é importante nesse processo, pois</p><p>evita que a dupla hélice de DNA se enrole muito, enquanto o DNA vai</p><p>sendo aberto.</p><p>Com a estabilidade garantida, a enzima primase produz uma</p><p>sequência de nucleotídeos de RNA complementar (primer). Dessa</p><p>maneira, o primer também é chamado de sequência iniciadora ou</p><p>desencadeadora e é inserido na fita molde, no local onde a repli-</p><p>cação de cada nova fita iniciará. Esse iniciador de RNA é necessário</p><p>para que a enzima DNA polimerase III o reconheça e comece a pro-</p><p>duzir a nova fita de DNA.</p><p>Dito isso, sugiro que você observe a Figura 7 abaixo e con-</p><p>tinue lendo o texto para entender a replicação da melhor maneira.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 118BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 118 19/07/2022 14:36:5219/07/2022 14:36:52</p><p>119</p><p>Figura 7 – Forquilha da replicação de DNA em organismos eucariotos</p><p>Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fragmento_de_Okazaki#/media/</p><p>Ficheiro:DNA_replication_en.svg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Com o reconhecimento do primer, a DNA polimerase III vai</p><p>“polimerizando” uma nova fita, inserindo os nucleotídeos corres-</p><p>pondentes e complementares às bases da fita-molde de DNA.</p><p>Por exemplo, se tem Adenina na fita-molde, a DNA polimerase co-</p><p>locará uma Timina na nova fita. Do mesmo modo, se houver uma</p><p>Guanina na fita-molde, a enzima colocará na nova uma Citosina.</p><p>Assim, a nova fita de DNA vai sendo alongada à medida que se for-</p><p>mam as pontes de hidrogênio entre as bases complementares. De-</p><p>pois desse processo, o primer é removido com o auxílio da DNA po-</p><p>limerase I, que o substitui por bases de DNA complementares.</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 119BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 119 19/07/2022 14:36:5219/07/2022 14:36:52</p><p>120</p><p>Você lembra que as duas fitas que compõem a molécula de</p><p>DNA são antiparalelas? Isso é importante no processo de replica-</p><p>ção também, pois haverá uma das fitas, a de sentido 5’-3’, em que a</p><p>replicação será contínua e acontecerá sem interrupções e essa fita é</p><p>chamada de fita líder. Já na fita de sentido 3’-5’, no entanto, a sínte-</p><p>se é descontínua, com a primase inserindo vários primers ao longo</p><p>dela. Assim, vários fragmentos de DNA vão sendo produzidos e pre-</p><p>cisarão ser ligados para compor a nova fita. Esses são os chamados</p><p>“fragmentos de Okazaki”, que são ligados entre si com a ajuda da</p><p>DNA ligase.</p><p>Durante esse processo, há um mecanismo complexo de re-</p><p>paro, inclusive com as remoções de bases incorporadas de modo</p><p>incorreto e inserções de bases corretas. A DNA polimerase II está</p><p>envolvida nesse processo.</p><p>Após entendermos a complexidade de um dos processos que</p><p>acontecem na fase S podemos seguir conhecendo a outra fase da in-</p><p>térfase. Vamos lá!”.</p><p>Fase G2</p><p>Dando continuidade ao nosso material, vamos a partir de</p><p>agora tratar da Fase G2 que corresponde ao intervalo entre a fase</p><p>S e a fase mitótica e dura em torno de 4 a 6 horas. Nessa fase, a cé-</p><p>lula continua a crescer, enquanto proteínas vão sendo sintetizadas</p><p>para a divisão celular e finalização da replicação dos centrossomas</p><p>(KUNZLER, 2018).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 120BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 120 19/07/2022 14:36:5219/07/2022 14:36:52</p><p>SAIBA MAIS</p><p>121</p><p>Além das três fases clássicas, alguns autores relatam a existência</p><p>de uma fase G0 (G-zero), na qual células altamente especializadas,</p><p>como neurônios, permanecem em intérfase. No entanto, dependen-</p><p>do do tipo celular, alguns podem ser estimulados e a célula voltar a</p><p>se dividir, retornando no ciclo celular.</p><p>Divisão Celular</p><p>Caro(a) aluno(a),</p><p>Percebeu como se preparar para se dividir é importante para</p><p>a célula? São muitos processos envolvidos no ciclo celular para que</p><p>a divisão celular de fato ocorra. Assim, continuando nossas expla-</p><p>nações, vamos conhecer agora os tipos de divisão celular: mitose e</p><p>meiose. Vamos lá!</p><p>Mitose</p><p>A mitose é o tipo de divisão celular que acontece nas células</p><p>somáticas e leva ao crescimento dos organismos e à reposição das</p><p>células mortas. Portanto, o material genético, constituído de DNA</p><p>“empacotado” nos cromossomos, é transmitido de modo constante</p><p>de uma célula para suas descendentes, ou seja, mantendo o número</p><p>cromossômico.</p><p>Além disso, a mitose é um processo contínuo, mas, para ser</p><p>facilmente compreendido, costuma-se dividi-lo nas fases prófase,</p><p>metáfase, anáfase e telófase, conforme a Figura 8.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 121BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 121 19/07/2022 14:36:5219/07/2022 14:36:52</p><p>122</p><p>Figura 8 – Fases da mitose</p><p>Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mitosis_Stages_-_Numerical_version.</p><p>svg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Dessa maneira, vamos entender cada uma das fases da mi-</p><p>tose.</p><p>Prófase</p><p>Após a intérfase, os cromossomos já estão duplicados. A pró-</p><p>fase então é iniciada pela condensação da cromatina dos cromos-</p><p>somos dos eucariotos. Dessa maneira, os cromossomos tornam-se</p><p>gradativamente mais curtos e espessos, sendo visíveis com o final</p><p>da prófase. Além disso, os filamentos de DNA formados após a du-</p><p>plicação do DNA, agora condensados e unidos pelo centrômero, for-</p><p>mam o que chamamos</p><p>de cromátides-irmãs.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 122BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 122 19/07/2022 14:36:5319/07/2022 14:36:53</p><p>123</p><p>Assim, na prófase, a membrana nuclear dissolve-se, os nu-</p><p>cléolos desaparecem, os cromossomos espalham-se e se inicia a</p><p>formação do fuso acromático ou fuso mitótico. Esse fuso consiste</p><p>em microtúbulos e ligam o cinetócoro (estrutura situada junto ao</p><p>centrômero dos cromossomos) aos centríolos (estruturas que cons-</p><p>tituem o ponto de origem do fuso acromático).</p><p>Metáfase</p><p>É na metáfase que os cromossomos atingem o máximo de</p><p>condensação e, depois que as fibras do fuso se fixam nos cinetócoros</p><p>dos cromossomos, cada cromossomo move-se aleatoriamente para</p><p>a zona equatorial da célula. Assim, os cromossomos ficam alinhados</p><p>no meio da célula formando a chamada placa metafásica (ou placa</p><p>equatorial).</p><p>Lembre-se que o alinhamento cromossômico adequado é um im-</p><p>portante ponto de controle do ciclo celular, tanto na mitose quanto</p><p>na meiose.</p><p>Assim, o alinhamento cromossômico correto é de natureza</p><p>química: a desfosforilação de algumas proteínas associadas ao ci-</p><p>netócoro. Ao fim da metáfase, as cromátides-irmãs de cada cro-</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 123BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 123 19/07/2022 14:36:5319/07/2022 14:36:53</p><p>124</p><p>mossomo iniciam sua separação até ficarem unidas somente pelos</p><p>centrômeros (assemelhando-se à letra X).</p><p>Anáfase</p><p>Na anáfase mitótica, o centrômero de cada cromossomo di-</p><p>vide-se longitudinalmente e as cromátides-irmãs, agora chamadas</p><p>de cromossomos-filhos, vão se separando e se dirigindo para os po-</p><p>los opostos da célula em divisão, visto que as proteínas que uniam as</p><p>cromátides são dissolvidas.</p><p>Assim, vão 2n cromossomos para cada polo. Nesse cenário, o</p><p>papel dos centrômeros aqui é muito importante, pois estes orien-</p><p>tam cada cromossomo-filho para um dos polos. Além disso, o papel</p><p>dos microtúbulos do fuso também é importante, pois seu encurta-</p><p>mento progressivo puxa os cromossomos em direções opostas para</p><p>os polos. Assim, os cromossomos sem centrômeros não têm como</p><p>se orientar na direção dos polos celulares.</p><p>Telófase e Citocinese</p><p>Na última fase da mitose, após os dois conjuntos cromossô-</p><p>micos atingirem os polos opostos da célula, os cromossomos so-</p><p>frem descondensação progressiva, as fibras do fuso se desintegram</p><p>e a tubulina fica armazenada na célula. Dessa maneira, formam-se</p><p>novas membranas nucleares e as organelas também se distribuem</p><p>para o citoplasma das duas novas células. Assim, a citocinese, que</p><p>é a divisão do citoplasma, ocorre e a divisão celular por mitose está</p><p>terminada.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 124BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 124 19/07/2022 14:36:5319/07/2022 14:36:53</p><p>125</p><p>Meiose</p><p>A meiose é o processo de divisão celular que as espécies de</p><p>reprodução sexuada utilizam para formar os seus gametas. No caso</p><p>da espécie humana, espermatozoides e oócitos são formados por</p><p>esse tipo de divisão. Por intermédio desse processo, o material ge-</p><p>nético é reduzido à metade nos gametas para garantir a manutenção</p><p>da quantidade de DNA necessária para cada espécie. E, além disso,</p><p>nesse processo ocorre a troca de material genético entre os cromos-</p><p>somos de origens diferentes (materno e paterno), aumentando a</p><p>variabilidade genética na espécie, o que é de grande interesse evo-</p><p>lutivo.</p><p>Nas células que vão sofrer meiose, a síntese de DNA ocor-</p><p>re na intérfase, antes dessa divisão. Além disso, na meiose, ocorre</p><p>uma divisão cromossômica para duas divisões celulares: a meiose I</p><p>ou meiose reducional (na qual há a redução do número de cromos-</p><p>somos à metade) e a meiose II ou meiose equacional, que é mui-</p><p>to semelhante à mitose, porém com os cromossomos em número</p><p>haploide. Mesmo havendo duas divisões consecutivas, o processo</p><p>meiótico é precedido apenas por uma única duplicação do DNA.</p><p>Dito isto, vamos agora conhecer as particularidades das</p><p>Meioses I e II.</p><p>Meiose I</p><p>Quando essa divisão se inicia, o DNA já está replicado de modo</p><p>semelhante ao que ocorre na mitose e, como a mesma, o processo se</p><p>subdivide em quatro fases: prófase I, metáfase I, anáfase I e telófase</p><p>I. Vamos conhecê-las!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 125BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 125 19/07/2022 14:36:5319/07/2022 14:36:53</p><p>126</p><p>Prófase I</p><p>É a fase mais longa da meiose e na qual ocorrem fenômenos</p><p>de grande importância biológica. Essa fase está subdividida em cin-</p><p>co subfases ou estágios: leptóteno, zigóteno, paquíteno, diplóteno e</p><p>diacinese. Vamos conhecer essas subfases?</p><p>Leptóteno</p><p>Nessa subfase, os cromossomos, já replicados, iniciam sua</p><p>condensação meiótica e aparecem como filamentos longos e del-</p><p>gados. Ao longo dos filamentos, existem regiões mais espessas</p><p>(cromômeros) e menos espessas alternadas e fortemente coradas,</p><p>apresentando um padrão típico para cada cromossomo.</p><p>Assim, esses são cromossomos homólogos, que formam pa-</p><p>res com outros cromossomos, pois possuem o mesmo tamanho,</p><p>além de centrômeros e genes posicionados na mesma região. À me-</p><p>dida que os cromossomos se condensam mais, os cromômeros ad-</p><p>jacentes fusionam-se em estruturas maiores.</p><p>Zigóteno</p><p>No zigóteno os membros de cada par homólogo aproximam-</p><p>se, até ficarem lado a lado, ao longo do seu comprimento. Esse é o</p><p>chamado pareamento dos cromossomos homólogos. Dessa manei-</p><p>ra, os pares de homólogos correspondem aos pares cromossômicos</p><p>que vieram dos pais.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 126BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 126 19/07/2022 14:36:5419/07/2022 14:36:54</p><p>127</p><p>Lembre-se que células diploides (2n) humanas possuem 46 cro-</p><p>mossomos, 23 vieram do pai e 23 vieram da mãe. Assim, existem 23</p><p>pares de homólogos.</p><p>Nesse cenário, o pareamento iniciado nas extremidades cro-</p><p>mossômicas é denominado sinapse e envolve a formação do com-</p><p>plexo sinaptonêmico, importante para que aconteça uma troca</p><p>entre as cromátides cromossômicas (crossing over) entre os homó-</p><p>logos, na etapa seguinte.</p><p>Paquíteno</p><p>Durante a fase do paquíteno, os cromossomos parecem mais</p><p>curtos e mais condensados, e cada homólogo pode ser identificado</p><p>duplicado. Assim, cada par de homólogos pareado é chamado biva-</p><p>lente. Lembre-se que os homólogos permanecem unidos por meio</p><p>do complexo sinaptonêmico. Além disso, cada bivalente é formado</p><p>por dois cromossomos homólogos ou quatro cromátides, por isso</p><p>ele é chamado, também, de tétrade.</p><p>Durante o paquíteno, quando os cromossomos homólogos</p><p>estão pareados, pode ocorrer um fenômeno importante, que gera</p><p>variabilidade genética, o crossing over (permuta). Nesse processo,</p><p>como ilustra a Figura 9, acontece a troca de segmentos gênicos en-</p><p>tre cromátides homólogas, o que gera consequências muito impor-</p><p>tantes na reprodução sexuada.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 127BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 127 19/07/2022 14:36:5419/07/2022 14:36:54</p><p>128</p><p>Figura 9 – Representação do Crossing over</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Synapsis_and_Crossing_</p><p>Over_with_Labels.png</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Diplóteno</p><p>No diplóteno os cromossomos homólogos começam a se</p><p>afastar, contudo esse afastamento não é completo. Isso porque eles</p><p>permanecem unidos em algumas regiões ao longo das cromáti-</p><p>des, formando os quiasmas, que indicam que houve permutações</p><p>cromossômicas. No processo de terminalização dos quiasmas, eles</p><p>tendem a se mover para as extremidades cromossômicas. A recom-</p><p>binação e formação de quiasmas não são raras, mas a frequência va-</p><p>ria com a espécie e tamanho dos cromossomos.</p><p>Diacinese</p><p>Na</p><p>diacinese os cromossomos continuam encurtando e con-</p><p>densando, enquanto os quiasmas completam seu movimento de</p><p>terminalização (com exceção dos cromossomos maiores, que com-</p><p>pletam sua terminalização apenas na anáfase I). Dessa maneira, o</p><p>complexo sinaptonêmico desaparece e os bivalentes começam a se</p><p>organizar na zona equatorial da célula, formando a metáfase I.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 128BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 128 19/07/2022 14:36:5519/07/2022 14:36:55</p><p>129</p><p>Tanto na linhagem germinativa feminina quanto na masculina, a</p><p>diacinese marca o fim da prófase I. Na linhagem germinativa femi-</p><p>nina, porém, observa-se que o diplóteno é muito mais longo, cons-</p><p>tituindo o dictióteno, estágio de prófase suspensa, no qual as células</p><p>podem permanecer por vários anos.</p><p>Metáfase I</p><p>Na primeira metáfase, ou seja, a da meiose I, os cromossomos</p><p>homólogos, cada um composto por duas cromátides-irmãs unidas,</p><p>estão ancorados ao fuso meiótico pelos cinetócoros, apresentando-</p><p>se alinhados pelos centrômeros na placa metafásica.</p><p>Anáfase I</p><p>Já na anáfase I, acontece a separação dos cromossomos ho-</p><p>mólogos, com cada um (o de origem paterna e materna) se dirigindo</p><p>para os polos opostos da célula. A principal diferença entre a aná-</p><p>fase da mitose e a anáfase I da meiose é que, na primeira anáfase</p><p>da meiose, não há divisão dos centrômeros, somente a separação</p><p>dos homólogos.</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 129BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 129 19/07/2022 14:36:5519/07/2022 14:36:55</p><p>130</p><p>Telófase I</p><p>Quando os cromossomos chegam aos polos da célula, a mem-</p><p>brana nuclear é reconstituída. Dessa maneira, os cromossomos</p><p>espiralizados não se descondensam completamente, estando em</p><p>número haploide (n) em cada extremidade da célula. Cada cromos-</p><p>somo, porém, continua constituído por duas cromátides. Observe,</p><p>na Figura 10, o esquema representativo da meiose.</p><p>Figura 10 – Representação da meiose</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Meiosis_Stages_-_</p><p>Numerical_Version.svg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Caro(a) aluno(a), para que você possa compreender a figura 10 aí</p><p>vai uma dica: considere que do número 1 ao 4 é possível observar as</p><p>fases da Meiose I e do 5 ao 8, as fases da Meiose II.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 130BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 130 19/07/2022 14:36:5619/07/2022 14:36:56</p><p>131</p><p>Meiose II</p><p>As duas células resultantes da meiose I passam imediata-</p><p>mente para a meiose II, sem que haja uma nova intérfase típica.</p><p>Dessa maneira, não ocorre replicação dos cromossomos entre essas</p><p>duas divisões e os cromossomos presentes no início da meiose II são</p><p>idênticos aos que estavam presentes no fim da meiose I.</p><p>Prófase II</p><p>Essa etapa praticamente inexiste, pois os cromossomos não</p><p>se descondensaram. Assim, com a formação do fuso e o desapare-</p><p>cimento da membrana nuclear, as células resultantes da telófase I</p><p>entram logo em metáfase II.</p><p>Metáfase II</p><p>Na metáfase II, cada cromossomo, formado por duas cromá-</p><p>tides-irmãs unidas pelo centrômero, está disposto no plano equa-</p><p>torial da célula, preso ao fuso pelo centrômero. A principal diferença</p><p>entre as metáfases I e II é que, na II, os cromossomos estão duplica-</p><p>dos, mas em número haploide, enquanto na metáfase I eles também</p><p>estão duplicados, mas dispostos aos pares, na placa equatorial da</p><p>célula.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 131BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 131 19/07/2022 14:36:5619/07/2022 14:36:56</p><p>132</p><p>Anáfase II</p><p>Na anáfase II, como não há mais cromossomos homólogos</p><p>pareados, as cromátides-irmãs dos cromossomos duplicados serão</p><p>separadas.</p><p>Telófase II</p><p>A telófase II é marcada pela presença dos cromossomos já nos</p><p>polos celulares, com uma membrana nuclear sendo formada ao re-</p><p>dor de cada conjunto haploide (n). Ao fim da telófase II, a meiose</p><p>está completa, resultando, teoricamente, em quatro novas células</p><p>haploides (gametas). Isso significa que o núcleo de cada célula con-</p><p>tém 1/4 da quantidade de DNA presente no início do processo mei-</p><p>ótico.</p><p>Controle do Ciclo Celular</p><p>Todos os processos envolvidos no ciclo celular são contro-</p><p>lados a partir de uma rede complexa de proteínas reguladoras, o</p><p>que garante que mecanismos-chaves do ciclo, como replicação do</p><p>DNA e mitose, aconteçam de maneira correta. É por isto que existem</p><p>pontos de checagem.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 132BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 132 19/07/2022 14:36:5719/07/2022 14:36:57</p><p>133</p><p>Na transição da fase G1 da intérfase para a fase S, há um checkpoint</p><p>(ponto de checagem) para checar se todas as proteínas necessárias à</p><p>replicação do DNA foram produzidas, ou seja, antes da fase S acon-</p><p>tecer.</p><p>Do mesmo modo, há um segundo ponto de checagem entre a</p><p>fase G2 e M (Mitose) para avaliar se o DNA foi totalmente replicado</p><p>e se está sem danos. Além disso, durante a divisão celular, na metá-</p><p>fase, há um terceiro ponto de checagem que serve para verificar se</p><p>todos os cromossomos duplicados estão ligados ao fuso mitótico,</p><p>antes de acontecer uma anáfase.</p><p>Todo esse incrível sistema de checkpoints acontece através de</p><p>ativação e inibição cíclicas de proteínas envolvidas nos processos</p><p>por enzimas que realizam fosforilação (proteínas-quinases) e des-</p><p>fosforilação (proteínas-fosfatases). Esses são sinais de controle in-</p><p>terno das células. Na verdade, são dois tipos de proteínas: as ciclinas</p><p>e as quinases (CDK, quinase dependente de ciclina), que levam à ati-</p><p>vação de genes responsáveis por fazer uma célula entrar em divisão.</p><p>Perceba que todos os eucariotos regulam a progressão do ci-</p><p>clo celular por meio do complexo ciclina-CDK, embora os detalhes</p><p>de sua estrutura e seu mecanismo de ação possam diferir entre os</p><p>organismos. Além dos sinais internos, sinais externos, como hor-</p><p>mônios, que agem à distância, e fatores de crescimento, que atuam</p><p>mais localmente, por exemplo, também atuam regulando processos</p><p>de multiplicação celular. Porém, sobre os checkpoints, a falha neles</p><p>resulta em instabilidade genética.</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 133BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 133 19/07/2022 14:36:5719/07/2022 14:36:57</p><p>134</p><p>Caso o controle do fuso não funcione, isso levará a aneuploidias</p><p>(erros no número de cromossomos das células). Do mesmo modo,</p><p>problemas no ponto de checagem de danos do DNA podem levar a</p><p>alterações cromossômicas estruturais, como translocações, dele-</p><p>ções entre outras.</p><p>A divisão celular é incrível mesmo, mas, não pense que as cé-</p><p>lulas “se dividem para sempre”. Isso porque elas podem sofrer ape-</p><p>nas um certo número de divisões, o que está relacionado ao “relógio</p><p>da vida celular”, chamado telômero.</p><p>Os telômeros são as regiões finais (extremidades) dos cromossomos</p><p>e, após cada divisão celular, perdem certa quantidade de nucleotí-</p><p>deos, o que faz com que os cromossomos sejam encurtados.</p><p>Se levarmos em conta que, a cada replicação do DNA, os cro-</p><p>mossomos perdem cerca de 8 a 12 nucleotídeos nos telômeros, 50</p><p>divisões depois, uma grande quantidade de DNA telomérico terá</p><p>sido perdida, o que já é um sinal para que a célula não mais se divida.</p><p>Assim, ela pode até continuar viva, mas sem se dividir novamente,</p><p>ou poderá morrer, dependendo do ciclo.</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 134BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 134 19/07/2022 14:36:5919/07/2022 14:36:59</p><p>135</p><p>Agora que vimos como acontece o processo de preparo para</p><p>se dividir e a própria divisão celular, precisamos entender</p><p>como as</p><p>proteínas, que regulam e possuem funções primordiais nesses pro-</p><p>cessos, são produzidas e qual a relação com as informações que es-</p><p>tão na sequência do nosso DNA. É hora de conhecer os processos de</p><p>transcrição e tradução!</p><p>Transcrição</p><p>A transcrição é o processo genético pelo qual ocorre a sínte-</p><p>se de RNA. Em eucariotos, ocorre no núcleo. O mecanismo é seme-</p><p>lhante ao da síntese de DNA (replicação), embora não possua tantas</p><p>enzimas envolvidas. As principais enzimas que atuam no processo</p><p>de transcrição são as RNA polimerases. Elas se ligam em sequências</p><p>nucleotídicas específicas denominadas regiões promotoras. Com a</p><p>ajuda de proteínas chamadas fatores de transcrição, iniciam então a</p><p>síntese de moléculas de RNA nos sítios de início da transcrição perto</p><p>dos promotores.</p><p>As células humanas possuem três tipos de RNA polimerases</p><p>no núcleo. Além disso, um quarto tipo é usado pelas mitocôndrias</p><p>para transcrever genes do DNA mitocondrial. Dessa maneira, cada</p><p>RNA polimerase que fica no núcleo possui funções distintas e reco-</p><p>nhece diferentes tipos de promotores. Assim, os tipos de RNA clas-</p><p>sicamente envolvidos são:</p><p>◼ RNA polimerase I (pol I) - transcreve especificamente os ge-</p><p>nes de RNA ribossômico, com exceção do RNAr 5S.</p><p>◼ RNA polimerase II (pol II) - transcreve todos os genes codifi-</p><p>cadores de proteínas (RNAm, RNA mensageiro) e muitos dos</p><p>genes que codificam RNAs funcionais, incluindo o snoRNAs</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 135BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 135 19/07/2022 14:36:5919/07/2022 14:36:59</p><p>136</p><p>(pequeno RNAs nucleolares), que modificam o RNA ribossô-</p><p>mico e os microRNAs que regulam a tradução.</p><p>◼ RNA polimerase III (pol III) - transcreve os genes de RNAt</p><p>(RNA transportador) e o RNA ribossômico 5S, junto com al-</p><p>guns outros pequenos RNAs.</p><p>A síntese de RNA ocorre em uma região específica reconhe-</p><p>cida por fatores de transcrição. Diferentemente das DNA polimera-</p><p>ses, as RNA polimerases não precisam de um primer para iniciar a</p><p>polimerização. Porém, no processo de transcrição em organismos</p><p>eucariotos, os fatores de transcrição se ligam na região promotora,</p><p>ajudando a RNA polimerase a se ligar nela. Nessa região, para que</p><p>o gene comece a ser transcrito, a dupla hélice se separa, abrindo o</p><p>DNA e com uma das cadeias servindo de molde para que a molécula</p><p>de RNA seja polimerizada.</p><p>A sequência nucleotídica de uma molécula de RNA é comple-</p><p>mentar à da fita-molde de DNA (a que possui sentido 3’-5’), mas,</p><p>como o RNA não possui o nucleotídeo com a base nitrogenada timi-</p><p>na, ela é substituída por uracila. Ou seja, quando houver Adenina na</p><p>fita-molde, a RNA polimerase colocará como base complementar a</p><p>uracila.</p><p>Dessa maneira, uma das regiões promotoras mais conhecidas</p><p>no DNA de eucariotos é a região que possui uma sequência conhe-</p><p>cida como TATA box. Isso porque, por ser uma região rica em T e A,</p><p>bases que se pareiam com apenas duas pontes de hidrogênio, é mais</p><p>fácil rompê-las. Esse local é reconhecido por fatores de transcrição</p><p>gerais, que possibilitam a ligação de outros fatores de transcrição,</p><p>bem como da RNA polimerase II. Essa etapa é conhecida como ini-</p><p>ciação.</p><p>À medida que a RNA polimerase III se move ao longo do DNA,</p><p>ela vai desenovelando a dupla-hélice, expondo um novo segmento</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 136BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 136 19/07/2022 14:36:5919/07/2022 14:36:59</p><p>137</p><p>da fita-molde, com o qual nucleotídeos da fita de RNA em cresci-</p><p>mento vão sendo pareados. Nesse processo, após a passagem da en-</p><p>zima por um segmento, a dupla-hélice vai sendo reestabelecida. A</p><p>etapa é conhecida como alongamento.</p><p>A finalização do processo, chamada de terminação, acontece</p><p>com o reconhecimento de uma sequência de nucleotídeo caracterís-</p><p>tica, a partir da qual nenhuma outra base é adicionada à fita de RNA.</p><p>Assim, com a última base adicionada, a RNA polimerase II e a fita de</p><p>RNA recém-produzida são liberadas, formando o RNA nuclear he-</p><p>terogêneo (RNAhn) ou pré-RNAm no núcleo. Observe como ocorre a</p><p>transcrição na Figura 11.</p><p>Figura 11 – Esquema da transcrição</p><p>Fonte: Adaptado por Heytor (2022). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/</p><p>wiki/File:Process_of_transcription_(13080846733).jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Como você deve ter percebido, o pré-RNAm produzido não</p><p>está pronto para sair do núcleo e, para ser encaminhado ao citoplas-</p><p>ma, onde pode ser traduzido, precisa sofrer processamento pós-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 137BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 137 19/07/2022 14:36:5919/07/2022 14:36:59</p><p>138</p><p>-transcricional. Esse processamento inclui algumas modificações,</p><p>como a adição de alguns grupamentos químicos para protegê-lo e</p><p>torná-lo mais estável. No início (extremidade 5’), é inserida uma</p><p>guanina modificada, formando o chamado cap 5’. Já na terminação</p><p>(extremidade 3’) é inserida uma estrutura com diversos nucleotíde-</p><p>os de adenina, formando a denominada cauda poli-A.</p><p>Em acréscimo, como o pré-RNAm é muito mais longo do que</p><p>a informação que codifica, pois é formado por regiões codificadoras</p><p>que são transcritas e traduzidas (éxons) e regiões não codificadoras</p><p>que são transcritas, mas que não são traduzidas (íntrons), ele pre-</p><p>cisa ser reduzido. Isso se dá com a remoção dos íntorns, uma vez</p><p>que não são traduzidos. Dessa maneira, só após todo esse processo</p><p>teremos RNAm maduro.</p><p>A remoção dos íntrons é realizada por um processo denomi-</p><p>nado splicing, que ocorre em um complexo formado por pequenas</p><p>ribonucleoproteínas nucleares (U1, U2, U4, U5 e U6) e outras prote-</p><p>ínas. Esse complexo é o spliceossomo e nele acontecem diversas rea-</p><p>ções nas quais os íntrons são removidos e descartados, enquanto os</p><p>éxons remanescentes são unidos em uma única sequência de RNAm.</p><p>O processamento de RNAs é muito importante. O gene distrofina,</p><p>um dos maiores genes humanos já identificados, possui 79 éxons e,</p><p>ao menos, sete promotores diferentes. Dessa maneira, mutações de</p><p>splicing nesse gene, inclusive, já foram associadas à mutações que</p><p>levam à distrofia muscular de Duchenne (DMD), uma condição de</p><p>herança recessiva ligada ao cromossomo X e que acomete meninos,</p><p>afetando os músculos estriados e o miocárdio.</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 138BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 138 19/07/2022 14:37:0119/07/2022 14:37:01</p><p>139</p><p>Com o transcrito pronto e processado, agora o RNA pode ser</p><p>transferido para o citoplasma, onde ser ligará aos ribossomos para</p><p>iniciar a tradução e síntese do polipeptídeo.</p><p>Tradução</p><p>A tradução é o processo no qual as informações genéticas ar-</p><p>mazenadas em “trincas” de nucleotídeos no RNAm são “traduzi-</p><p>das” em sequências de aminoácidos que irão compor as proteínas.</p><p>Os nucleotídeos com as bases nitrogenadas A, U, C e G no RNAm for-</p><p>mam, de 3 a 3, ou seja, em trincas, o que denominamos códons que,</p><p>de acordo com a combinação de bases, determinará aminoácidos</p><p>específicos. São 64 possíveis combinações que podemos ver abaixo,</p><p>na Figura 12, que contém o nosso código genético.</p><p>Figura 12 – O código genético</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Genetic_Code.png</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 139BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 139 19/07/2022 14:37:0119/07/2022 14:37:01</p><p>140</p><p>Como você deve ter percebido, se em um RNAm tivermos a</p><p>sequência AUG, ela codificará o aminoácido metionina.</p><p>A tradução do RNAm em polipeptídeo vai acontecer com a</p><p>ajuda dos ribossomos, grandes complexos formados por RNA ribos-</p><p>sômico e proteínas, mas que conta com a participação do RNAt, os</p><p>aminoácidos carregados por eles entre outros.</p><p>No processo</p><p>de iniciação (primeira etapa) da tradução o ri-</p><p>bossomo se une ao RNAm e ao primeiro RNAt. Em detalhe, a cap 5’</p><p>do RNAm é reconhecida por proteínas-chave que se ligam à subu-</p><p>nidade menor do ribossomo. O ribossomo então percorre a extremi-</p><p>dade 5’ UTR do RNAm na direção 5’→3’ com o objetivo de encontrar</p><p>um códon de iniciação compatível (AUG, que se traduz em metio-</p><p>nina). Enquanto no RNAm temos vários códons, cada RNAt possui</p><p>um anticódon, exatamente complementar ao códon. Desse modo, o</p><p>RNAt compatível com o códon AUG no RNAm, será aquele que pos-</p><p>sui o anticódon UAC. Com o RNAt inicial transportando o amino-</p><p>ácido correto até o complexo de iniciação, a subunidade maior do</p><p>ribossomo se liga ao complexo.</p><p>É, então, que começa a segunda etapa da tradução, o alon-</p><p>gamento. Agora, o RNAt que transporta o segundo aminoácido for-</p><p>ma pontes de hidrogênio entre seu anticódon e o segundo códon do</p><p>RNAm. Em seguida, é formada a primeira ligação peptídica entre os</p><p>dois primeiros aminoácidos, com o auxílio de uma enzima chama-</p><p>da ribozima. Nesse momento, você deve estar se perguntando como</p><p>acontece esse processo. Para acabar com sua dúvida, vamos enten-</p><p>der melhor o que estamos falando observando a Figura 13.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 140BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 140 19/07/2022 14:37:0119/07/2022 14:37:01</p><p>141</p><p>Figura 13 – O processo de tradução (síntese proteica)</p><p>Disponível em: https://simple.wikipedia.org/wiki/File:Ribosome_mRNA_</p><p>translation_en.svg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Após observar a figura acima, você deve ter percebido que a</p><p>parte do ribossomo que mantém juntos o RNAm e o RNAt tem dois</p><p>sítios: o sítio P (de peptidil), que mantém a cadeia polipeptídica</p><p>crescente; e o sítio A (de aminoacil), que mantém o próximo ami-</p><p>noácido a ser adicionado à cadeia. Assim, a tradução continua com</p><p>a cadeia sendo alongada até que a mensagem seja lida por inteiro.</p><p>Mas, fique atento(a), pois o término do processo (termina-</p><p>ção) se dá́ quando é encontrado um dos códons finalizadores (UAG,</p><p>UAA ou UGA) no RNAm. O polipeptídeo completo irá então sofrer um</p><p>processamento que pode incluir clivagem e modificação das cadeias</p><p>laterais.</p><p>.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 141BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 141 19/07/2022 14:37:0119/07/2022 14:37:01</p><p>142</p><p>Cinco tipos de RNA (RNAm, RNAt, RNAr, snRNA e miRNA) são pro-</p><p>duzidos por transcrição. Porém, ao contrário dos RNAm, que geram</p><p>polipeptídeos, os produtos dos genes de RNAt, RNAr, snRNA e miR-</p><p>NA são moléculas de RNA que não são traduzidas.</p><p>Percebeu a relação que existe entre a sequência de nossos nu-</p><p>cleotídeos no DNA? Se a sequência de aminoácidos em uma proteína</p><p>muda, isso pode alterar a conformação dela e até mesmo fazer com</p><p>que ela nem seja produzida. Em outras palavras, uma pequena troca</p><p>na sequência de DNA, pode fazer com que o transcrito de RNA este-</p><p>ja incorreto e isso pode levar a consequências. Então, imagine só o</p><p>que acontece no caso de alterações cromossômicas. Vamos conhecer</p><p>algumas?</p><p>ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS</p><p>ESTRUTURAIS E NUMÉRICAS</p><p>O conjunto de cromossomos na célula de um organismo é de-</p><p>finido como cariótiopo. Como você já deve saber de cor, os humanos,</p><p>por exemplo, devem possuir 46 cromossomos, 23 herdados da mãe</p><p>e 23 herdados do pai. Esse número cromossômico é mantido porque</p><p>espermatozoides e oócitos possuem, cada um, apenas 23 cromosso-</p><p>mos. Então, quando há a fertilização e fecundação, o zigoto gerado</p><p>possui 46 cromossomos. Desses cromossomos, 44 (ou 22 pares, do</p><p>par 1 ao par 22) são chamados de cromossomos autossômicos e são</p><p>homólogos na espécie humana. O último par, no entanto, é formado</p><p>por aqueles que denominamos cromossomos sexuais, que são o X e</p><p>o Y, não homólogos no homem, mas sim nas mulheres, pois, gene-</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 142BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 142 19/07/2022 14:37:0219/07/2022 14:37:02</p><p>143</p><p>ticamente, mulheres possuem dois cromossomos X (XX), enquanto</p><p>homens possuem um X e um Y.</p><p>As alterações numéricas e estruturais dos cromossomos, as-</p><p>sim como as mutações que ocorrem nos genes, consistem em uma</p><p>fonte de variação importante para a evolução das espécies. As al-</p><p>terações cromossômicas podem ser classificadas em dois grupos:</p><p>numéricas e estruturais.</p><p>Alterações Cromossômicas Numéricas</p><p>As alterações cromossômicas numéricas são aquelas em que</p><p>o número de cromossomos está alterado, para mais ou para menos.</p><p>Podem ser de dois tipos euploidia e aneuploidia.</p><p>A euploidia está relacionada à alteração numérica que acon-</p><p>tece em múltiplos exatos do número haploide (n) do genoma da-</p><p>quela espécie.</p><p>O número haploide de um ser humano é 23 cromossomos, mas nos-</p><p>sas células, com exceção dos gametas, são diploides (46 cromosso-</p><p>mos).</p><p>Na espécie humana, a euploidia é completamente incompa-</p><p>tível com a vida, ou seja, no caso de um zigoto formado ser triploide</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 143BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 143 19/07/2022 14:37:0319/07/2022 14:37:03</p><p>144</p><p>(3n, ou seja, 69 cromossomos) haverá abortamento espontâneo ou</p><p>morte neonatal. Nesse caso, houve uma poliploidia, quando o cari-</p><p>ótipo é representado por três ou mais genomas. Do mesmo modo,</p><p>a haploidia também é incompatível com a vida humana, pois, com</p><p>exceção dos nossos gametas, todas nossas células somáticas são di-</p><p>ploides.</p><p>As aneuploidias, por sua vez, acontecem com um ou mais pa-</p><p>res de cromossomos, sem a necessidade de ser em múltiplos exatos.</p><p>Elas podem acontecer devido à não disjunção de um ou mais cro-</p><p>mossomos durante a anáfase I e/ou II da meiose ou na anáfase da(s)</p><p>mitose(s) do zigoto. Esse fenômeno de não disjunção acontece com</p><p>maior frequência durante a meiose. Se ocorrer na primeira divisão</p><p>em um dos pares de cromossomos, um gameta terá um cromos-</p><p>somo em excesso, em vez de ter apenas um, como acontece após a</p><p>anáfase I, sendo um de origem materna e o outro de origem paterna.</p><p>Do mesmo modo, o outro gameta não terá a cópia de um dos cro-</p><p>mossomos, pois ela ficou na outra célula em divisão.</p><p>Se a não disjunção acontecer na segunda anáfase, os cromos-</p><p>somos de um mesmo par (no gameta que ficou com as duas cópias)</p><p>serão de origem idêntica, materna ou paterna. Também é possível</p><p>que a não disjunção aconteça nas primeiras divisões mitóticas após</p><p>a formação do zigoto, o que pode levar à presença de duas ou mais</p><p>linhagens celulares diferentes no mesmo indivíduo, o conhecido</p><p>mosaicismo. Os principais grupos de aneuploidias e exemplos estão</p><p>abaixo:</p><p>◼ nulissomia - quando há́ perda dos dois membros de um par</p><p>cromossômico (2n-2) e são, geralmente, letais.</p><p>◼ monossomia - quando há́ perda de um dos cromossomos</p><p>do par (2n-1). As perdas de cromossomos ou de segmentos</p><p>cromossômicos têm-se mostrado mais deletérias do que a</p><p>adição. Com exceção da monossomia do x (síndrome de tur-</p><p>ner), os indivíduos com monossomias completas de qualquer</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 144BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 144 19/07/2022 14:37:0319/07/2022 14:37:03</p><p>145</p><p>autossomo são geralmente inviáveis. A síndrome de turner é</p><p>uma das anomalias cromossômicas mais comuns em huma-</p><p>nos, afeta 1 a cada 2000 a 2500 mulheres, e é uma importante</p><p>causa de baixa estatura e insuficiência ovariana em mulheres.</p><p>◼ trissomia - quando um mesmo cromossomo se apresenta re-</p><p>petido três vezes (2n+1). As trissomias são as alterações nu-</p><p>méricas mais importantes sob o ponto de vista clínico. Como</p><p>a maioria das alterações cromossômicas na espécie humana,</p><p>elas estão, em geral, associadas a malformações congênitas</p><p>múltiplas e deficiência intelectual. Como exemplo,</p><p>podemos</p><p>citar a trissomia do cromossomo 21, conhecida como síndro-</p><p>me de down.</p><p>◼ tetrassomia - quando um mesmo cromossomo está repetido</p><p>quatro vezes (2n+2). São mais raras. Exemplo: tetrassomia do</p><p>x ou síndrome do tetra x (44 + xxxx ou 48, xxxx). Sintomas</p><p>variam de leves a incapacitantes, incluindo dificuldades na</p><p>fala e na aprendizagem.</p><p>◼ trissomia dupla - corresponde à trissomia de dois cromosso-</p><p>mos pertencentes a pares diferentes (2n+1+1). Exemplo: tris-</p><p>somia do 21 e do par sexual (44 + xxy + 21 ou 48, xxy, + 21).</p><p>Alterações estruturais</p><p>Os cromossomos também podem apresentar alterações em</p><p>sua estrutura, resultando em ganhos ou perdas de material gené-</p><p>tico.</p><p>As alterações cromossômicas estruturais podem ser rela-</p><p>cionadas às alterações no número de genes (deleção, duplicação</p><p>e cromossomo em anel) ou de mudanças na localização dos genes</p><p>(inversão e translocação). Veja abaixo o que acontece em cada uma</p><p>delas:</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 145BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 145 19/07/2022 14:37:0319/07/2022 14:37:03</p><p>146</p><p>◼ deleção - acontece quando segmentos cromossômicos são</p><p>perdidos, levando a perda de genes. Quanto maior for a quan-</p><p>tidade de material genético perdido, maior a consequência.</p><p>Podemos citar como exemplo a síndrome de cri-du-chat ou</p><p>“miado-do-gato”, que é causada pela deleção parcial do bra-</p><p>ço curto do cromossomo 5.</p><p>◼ duplicação - acontece quando um mesmo segmento cromos-</p><p>sômico se encontra repetido, o que leva ao aumento no nú-</p><p>mero de genes. A maioria das duplicações acontece devido ao</p><p>crossing over desigual entre as cromátides homólogas, duran-</p><p>te a meiose. As duplicações são mais comuns e menos preju-</p><p>diciais do que as deleções, ou seja, é melhor haver mais cópias</p><p>de um gene do que a falta dele.</p><p>◼ cromossomo em anel - acontece quando um cromossomo</p><p>com duas deleções terminais tem suas extremidades reuni-</p><p>das, formando um cromossomo estruturalmente similar a um</p><p>anel. Normalmente há instabilidade durante a divisão celular.</p><p>◼ Inversão - ocorre quando há uma mudança de 180º na direção</p><p>de um segmento cromossômico. A inversão resulta da quebra</p><p>de duas regiões cromossômicas, seguida pela ligação do seg-</p><p>mento invertido. Ela pode ser pericêntrica (quando envolve a</p><p>região do centrômero) ou paracêntrica (quando não envolve o</p><p>centrômero). Raramente causam problemas nos portadores, a</p><p>menos que um dos pontos de quebra esteja em um gene fun-</p><p>cional importante.</p><p>◼ translocação - nessa alteração acontece a transferência de</p><p>segmentos de um cromossomo para outro que não é seu ho-</p><p>mólogo. Ela ocorre quando há quebra em dois cromossomos e,</p><p>em seguida, troca dos segmentos quebrados. Essa transloca-</p><p>ção pode ser recíproca, quando a troca é entre os dois cromos-</p><p>somos que sofreram as quebras; ou não recíprocas, quando o</p><p>segmento de um cromossomo se liga a outro, sem haver troca.</p><p>Muita informação, não é verdade? Mas, fique tranquilo(a)!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 146BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 146 19/07/2022 14:37:0419/07/2022 14:37:04</p><p>EXEMPLO</p><p>147</p><p>Abaixo temos a Figura 14 que vai lhe ajudar a visualizar, de manei-</p><p>ra mais simples, algumas alterações cromossômicas estruturais. E,</p><p>para entender essa explicação, considere:</p><p>1) deleção;</p><p>2) duplicação;</p><p>3) inversão.</p><p>Figura 14 – Alterações cromossômicas estruturais</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Single_Chromosome_</p><p>Mutations.svg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Um exemplo de translocação não recíproca acontece em pessoas</p><p>com leucemia mieloide crônica. Nelas, os leucócitos apresentam</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 147BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 147 19/07/2022 14:37:0419/07/2022 14:37:04</p><p>148</p><p>um segmento do braço longo do cromossomo 22 translocado para o</p><p>cromossomo 9, ficando o 22 com uma deleção em seu braço longo e,</p><p>assim, formando o chamado cromossomo Philadelphia.</p><p>Agora que conhecemos algumas alterações cromossômicas,</p><p>vamos falar sobre herança monogênica, aquela controlada por ale-</p><p>los de um locus particular. Vamos lá!</p><p>HERANÇA MONOGÊNICA</p><p>A herança monogênica é o tipo de herança em que uma carac-</p><p>terística é determinada pela expressão de um único gene ou alelo,</p><p>diferentemente da herança poligênica, na qual vários genes estão</p><p>relacionados a uma mesma característica. Dessa maneira, a herança</p><p>monogênica é considerada uma forma de herança mendeliana, ou</p><p>seja, o tipo de herança que se baseia no conjunto de princípios pro-</p><p>postos por Gregor Mendel, que é conhecido como pai da Genética.</p><p>Se o gene relacionado à herança monogênica em questão está</p><p>localizado em cromossomos autossômicos, a herança é denominada</p><p>autossômica, assim como o gene é autossômico. Do mesmo modo,</p><p>se o gene está localizado em cromossomos sexuais, a herança é dita</p><p>ligada ao sexo e o gene é ligado ao sexo.</p><p>Os cromossomos homólogos, um que herdamos do nosso pai</p><p>e um que herdamos da nossa mãe, possuem genes localizados em</p><p>uma mesma posição que chamamos de lócus. Esses genes são os</p><p>alelos, formas alternativas de um gene em um dado lócus. O con-</p><p>junto de alelos herdados do pai e da mãe é conhecido como genótipo.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 148BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 148 19/07/2022 14:37:0519/07/2022 14:37:05</p><p>149</p><p>Em um determinado gene, dois alelos são possíveis: A e a. Quando</p><p>os dois membros de um par de alelos são iguais, o genótipo daquela</p><p>pessoa é homozigoto (AA=homozigoto dominante; ou aa=homo-</p><p>zigoto recessivo), o que significa que ela herdou o mesmo alelo da</p><p>mãe e do pai. No entanto, quando os alelos são diferentes, o indiví-</p><p>duo é heterozigoto (Aa), o que significa que herdou A ou a de cada</p><p>um dos pais, dependendo da análise.</p><p>Esse genótipo é a composição genética. O fenótipo, no entan-</p><p>to, é o conjunto das características físicas, bioquímicas e fisiológicas</p><p>determinadas por esses genes, e que podem ou não ser influencia-</p><p>dos pelo ambiente.</p><p>Para compreender a herança monogênica, é importante en-</p><p>tender alguns conceitos gerais, como os de dominância e recessivi-</p><p>dade. Dessa maneira, uma característica dominante é aquela que,</p><p>para se manifestar, basta que um alelo dominante (A) esteja em</p><p>dose simples, ou seja, um indivíduo heterozigoto (Aa) ou homozi-</p><p>goto dominante (AA), para esse gene, manifestaria a característica.</p><p>A contraponto, a característica recessiva é a que, para se manifestar,</p><p>o indivíduo deve possuir apenas alelos recessivos do gene (aa), ou</p><p>seja, o indivíduo é homozigoto recessivo.</p><p>Os estudos afirmam que existem de 5.000 a 8.000 doenças</p><p>monogênicas, ou seja, condições hereditárias que obedecem a pa-</p><p>drões de heranças relacionadas a um único gene. O estudo desse tipo</p><p>de herança é feito a partir dos estudos genealógicos, a partir de he-</p><p>redogramas, que ajudam a entender a transmissão das característi-</p><p>cas dominantes e recessivas entre as famílias.</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 149BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 149 19/07/2022 14:37:0519/07/2022 14:37:05</p><p>150</p><p>Tipos de herança</p><p>Os tipos de genealogias apresentadas para essas caracterís-</p><p>ticas dependem de dois fatores: se o gene está em um cromosso-</p><p>mo autossomo ou em um cromossomo sexual e se a característica é</p><p>dominante ou recessiva, existindo quatro tipos básicos de herança:</p><p>autossômica dominante, autossômica recessiva, dominante ligada</p><p>ao sexo e recessiva ligada ao sexo.</p><p>Herança autossômica - Herança autossômica dominan-</p><p>te</p><p>A característica autossômica dominante é determinada por</p><p>um dos alelos localizados em um cromossomo autossômico e se</p><p>manifesta mesmo em dose simples. Assim, pais afetados heterozi-</p><p>gotos (Aa) podem ter filhos normais</p><p>(aa), e pais normais não devem</p><p>ter filhos afetados, a não ser que aconteça mutação gênica específi-</p><p>ca na gametogênese.</p><p>Mas, existe uma condição chamada Doença de Huntington,</p><p>uma doença no sistema nervoso central, caracterizada pela perda</p><p>celular marcante na parte do cérebro denominada de gânglios da</p><p>base, o que leva a problemas motores, cognitivos e psiquiátricos.</p><p>Essa doença é rara e associada a uma herança autossômica domi-</p><p>nante. No caso, existe uma mutação no gene que codifica uma pro-</p><p>teína chamada huntingtina (Htt), que é produzida de forma altera-</p><p>da, levando à morte dos neurônios. Nesse caso, uma pessoa com o</p><p>genótipo AA ou Aa desenvolveria a condição.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 150BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 150 19/07/2022 14:37:0619/07/2022 14:37:06</p><p>151</p><p>A acondroplasia é um tipo de nanismo determinado por um gene au-</p><p>tossômico dominante que afeta o crescimento de ossos longos como</p><p>os das pernas, braços e dedos. Ressalta-se que não existem indiví-</p><p>duos homozigotos dominantes, pois a ausência do alelo recessivo é</p><p>letal, ou seja, o indivíduo com nanismo deve ser heterozigoto (Aa).</p><p>Herança autossômica recessiva</p><p>A característica autossômica recessiva é aquela que se mani-</p><p>festa apenas quando os alelos recessivos de um cromossomo autos-</p><p>sômico aparecem em dose dupla no genótipo, ou seja, o indivíduo é</p><p>homozigoto recessivo (aa).</p><p>O albinismo é um exemplo de condição autossômica recessiva, re-</p><p>sultando na falta de produção da melanina na pele, pelos e olhos.</p><p>A distrofia miotônica também é um exemplo, sendo a forma mais</p><p>comum de distrofia muscular em adultos.</p><p>EXEMPLO</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 151BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 151 19/07/2022 14:37:0719/07/2022 14:37:07</p><p>152</p><p>Herança ligada ao sexo</p><p>A herança ligada ao sexo corresponde àquela relacionada a</p><p>genes localizados nos cromossomos sexuais X e Y. Sabe-se, no en-</p><p>tanto, que os cromossomos X e Y, no sexo masculino, apresentam</p><p>poucas regiões homólogas (pareiam-se apenas pelas pontas dos</p><p>braços curtos), motivo pelo qual a maioria dos genes situados no X</p><p>não tem lócus correspondentes no Y.</p><p>Além disso, o cromossomo Y apresenta poucos genes, entre</p><p>os quais estão os relacionados com a determinação do sexo mas-</p><p>culino, genes para estatura, tamanho dentário e fertilidade. Entre</p><p>os primeiros, há o gene HYS, que se relaciona com a produção de</p><p>um antígeno de membrana, denominado antígeno H-Y (histocom-</p><p>patibilidade Y), e o gene SRY, que desempenha um papel crítico na</p><p>determinação do sexo gonadal.</p><p>Além disso, a herança relacionada ao cromossomo Y é deno-</p><p>minada herança holândrica, isto é, a transmissão se dá́ apenas de</p><p>homem para homem. Visto que o número de genes situados no cro-</p><p>mossomo Y é pequeno em relação ao número de genes que se lo-</p><p>caliza no X, assim, a herança ligada ao sexo pode ser denominada</p><p>também de herança ligada ao X.</p><p>Nas mulheres, as relações de dominância e recessividade dos</p><p>genes situados no X são semelhantes às dos autossomos, pois elas</p><p>possuem dois cromossomos X. Assim, as mulheres podem ser ho-</p><p>mozigotas dominantes para o alelo A (XAXA), heterozigotas (XAXa)</p><p>ou homozigotas recessivas para o alelo (XaXa). Já nos homens, que</p><p>são hemizigotos para os genes situados no cromossomo X, já que</p><p>só possuem um cromossomo X, qualquer gene se manifesta no seu</p><p>fenótipo.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 152BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 152 19/07/2022 14:37:0819/07/2022 14:37:08</p><p>153</p><p>Herança recessiva ligada ao sexo</p><p>Existem doenças recessivas ligadas ao sexo. A displasia ec-</p><p>todérmica anidrótica, a mais frequente das displasias ectodérmi-</p><p>cas, é caracterizada pela ausência de pelos e defeitos ou ausência</p><p>de glândulas sudoríparas, sebáceas e mucosas. Devido à redução na</p><p>sudorese (hipoidrose), há incapacidade de suportar temperaturas</p><p>elevadas. É importante que você saiba que o gene para a displasia</p><p>ectodérmica anidrótica está localizado no braço longo do cromos-</p><p>somo X, na região Xq12-q13.1.</p><p>A distrofia muscular de Duchenne, por sua vez, é uma mio-</p><p>patia progressiva que resulta em degeneração progressiva e fra-</p><p>queza muscular. A maioria dos meninos afetados passa a precisar</p><p>de cadeira de rodas em torno dos 11 anos, devido à grave fraqueza</p><p>muscular proximal nos membros inferiores. Nas mulheres, a data</p><p>de início e a gravidade da doença dependem do grau de inativação</p><p>do cromossomo X.</p><p>Outras doenças relacionadas a genes localizados no cromossomo X</p><p>com herança recessiva são: cegueira para a cor verde e vermelha;</p><p>Doença de Norrie; Megalocórnea; Retinite pigmenta; Retinosquise;</p><p>Síndrome do X frágil entre outras.</p><p>Herança dominante ligada ao sexo</p><p>A característica é ligada ao sexo (ou ligada ao X) quando não</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 153BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 153 19/07/2022 14:37:0819/07/2022 14:37:08</p><p>154</p><p>se distribui igualmente nos dois sexos e não há transmissão direta</p><p>de homem para homem. Dessa maneira, a característica é ligada ao</p><p>sexo e dominante quando existem mais mulheres afetadas do que</p><p>homens afetados e os homens afetados têm 100% de suas filhas</p><p>também afetadas, enquanto 100% de seus filhos do sexo masculino</p><p>são normais.</p><p>A herança dominante ligada ao X pode ser confundida com</p><p>a herança autossômica dominante, ao exame dos descendentes das</p><p>mulheres afetadas. Ela se distingue, no entanto, pela descendência</p><p>dos homens afetados, onde todas as filhas são afetadas, mas ne-</p><p>nhum dos filhos é.</p><p>A distrofia muscular de Becker é um exemplo. Esta doença é cau-</p><p>sada por uma mutação no gene da distrofina. É clinicamente muito</p><p>semelhante à distrofia muscular de Duchenne, mas com curso bem</p><p>mais suave, pelo fato de que as deleções do gene DMB alteram a se-</p><p>quência de aminoácidos apenas de parte da proteína. A idade mé-</p><p>dia de início da doença é de 11 anos e muitos pacientes continuam</p><p>caminhando até a idade adulta. A expectativa de vida é um pouco</p><p>reduzida e alguns pacientes continuam assintomáticos até a quinta</p><p>ou sexta década de vida. A localização cromossômica da mutação é</p><p>no Xp21.2.</p><p>Outro exemplo que podemos citar é a incontinência pigmentar,</p><p>também conhecida como síndrome de Bloch-Sulzberger ou incon-</p><p>tinência pigmentar tipo II. Nela as meninas afetadas, em geral, são</p><p>heterozigotas e apresentam lesões de pele vesiculares eritematosas</p><p>inflamatórias ao nascer. Mais tarde, aparecem as pigmentações se-</p><p>melhantes a “bolo- mármore”. Essa doença é causada por mutações</p><p>no gene IKBKG, relacionado com o sistema imune e localizado em</p><p>Xq28.</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 154BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 154 19/07/2022 14:37:0919/07/2022 14:37:09</p><p>155</p><p>Para que você possa ampliar seus conhecimentos e sanar to-</p><p>das as suas dúvidas, abaixo trago um infográfico que exibe algumas</p><p>dicas de análises de heredogramas de doenças monogênicas. Veja:</p><p>Figura 15 – Dicas de análises de heredogramas de doenças monogênicas</p><p>Fonte: NECO, H. (org.) (2022).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 155BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 155 19/07/2022 14:37:0919/07/2022 14:37:09</p><p>156</p><p>Tipos especiais de herança monogênica</p><p>Alelos múltiplos e Codominância</p><p>Existem características que apresentam mais de dois alelos</p><p>diferentes para o mesmo lócus. Esses alelos são chamados de ale-</p><p>los múltiplos e mutações no gene normal produzem diferentes ale-</p><p>los que possuem dominância ou recessividade em relação ao alelo</p><p>original. Um exemplo disso é o que acontece no sistema sanguíneo</p><p>ABO. Existem, no mínimo, três alelos (IA, IB, i). Um indivíduo pode</p><p>possuir qualquer combinação dos alelos, determinando diferentes</p><p>genótipos e tipos sanguíneos, veja: IAIA ou IAi, para sangue tipo A;</p><p>IBIB ou IBi para sangue tipo B; IAIB, para sangue tipo AB ou ii, para</p><p>sangue tipo O.</p><p>É possível ainda que os alelos de um par de genes se expres-</p><p>sem de maneira independente em um indivíduo heterozigoto, que</p><p>apresenta ambos os fenótipos. É o caso de pessoas com tipo sanguí-</p><p>neo AB, cujos alelos IA e IB manifestam suas características, levando</p><p>à produção dos antígenos A e B na superfície dos eritrócitos. Nesse</p><p>caso, diz-se que ocorreu codominância.</p><p>Herança mitocondrial</p><p>As mitocôndrias possuem DNA próprio e são herdadas apenas</p><p>das nossas mães. Isso quer dizer que, em casos de doenças mito-</p><p>condriais, aquelas ocasionadas por mutações em genes do DNA mi-</p><p>tocondrial (mtDNA), elas foram herdadas exclusivamente da mãe.</p><p>Assim, apenas as mulheres podem transmitir as doenças mitocon-</p><p>driais, passando as mutações para toda a sua prole de ambos os se-</p><p>xos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 156BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 156 19/07/2022 14:37:0919/07/2022 14:37:09</p><p>157</p><p>Contudo, essa transmissão não parece ser tão simples, pois a</p><p>expressão de alguns genes mitocondriais depende da interação com</p><p>genes nucleares, cujo mecanismo ainda não está totalmente elu-</p><p>cidado. Lembre-se que as doenças mitocondriais se caracterizam,</p><p>mais frequentemente, por miopatias e encefalopatias, condições</p><p>dos músculos e do encéfalo, respectivamente.</p><p>Conhecendo os alelos, agora podemos entender como as fre-</p><p>quências deles e dos genótipos podem ser importantes para o estu-</p><p>do de um importante campo da genética, a genética de populações!</p><p>Vamos nessa!</p><p>GENÉTICA DE POPULAÇÕES</p><p>A genética de populações estuda as frequências alélicas, ge-</p><p>notípicas e fenotípicas de uma população, bem como a distribuição</p><p>desses alelos nas populações sob influência das quatro forças evolu-</p><p>tivas: seleção natural, deriva gênica, mutação e fluxo gênico.</p><p>A teoria da genética populacional se fundamenta em estudos</p><p>de frequências alélicas. Isso porque cada gene possui alelos em di-</p><p>ferentes frequências na população e, para analisar suas frequências,</p><p>devemos saber quantos indivíduos são homozigotos (dominantes</p><p>ou recessivos) ou heterozigotos. Dessa maneira, os cálculos das fre-</p><p>quências são a base da teoria da genética de populações.</p><p>Estudando a genética das populações humanas, consegui-</p><p>mos entender melhor os aspectos das doenças hereditárias, agentes</p><p>mutagênicos entre outros. Para melhor compreensão da genética de</p><p>populações, algumas definições são necessárias:</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 157BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 157 19/07/2022 14:37:0919/07/2022 14:37:09</p><p>158</p><p>◼ população - qualquer conjunto de indivíduos que podem se</p><p>entrecruzar; pessoas de uma comunidade, de uma cidade, es-</p><p>tado ou nação entre outras.</p><p>◼ conjunto gênico ou pool gênico - envolve todos os alelos con-</p><p>tidos no conjunto dos indivíduos que se cruzam de uma popu-</p><p>lação, em um dado instante.</p><p>◼ frequência alélica - é a frequência de um alelo em relação aos</p><p>outros alelos de um gene, em uma determinada população, ou</p><p>seja, a proporção dos alelos na população.</p><p>◼ frequência genotípica - é a frequência de um genótipo em re-</p><p>lação aos outros genótipos, em uma dada população, ou seja,</p><p>a proporção dos genótipos na população.</p><p>◼ frequência fenotípica - refere-se ao percentual de determi-</p><p>nado fenótipo em uma dada população.</p><p>A genética de populações tem importantes influências nas</p><p>ciências da saúde, agricultura, zoologia entre outras. Entre elas, po-</p><p>demos citar:</p><p>◼ aconselhamento genético em relação a doenças hereditárias;</p><p>◼ programas de rastreamento populacional de doenças genéti-</p><p>ca em alguns grupos populacionais do que em outros, entre</p><p>outros;</p><p>◼ determinar a probabilidade de ocorrência de uma determina-</p><p>da doença hereditária em um indivíduo, quando não há histó-</p><p>ria familiar da doença;</p><p>◼ dos testes de DNA e a interpretação estatística dos seus resul-</p><p>tados;</p><p>◼ importante no diagnóstico clínico e na identificação das fre-</p><p>quências de diferentes distúrbios. Por meio da genética de po-</p><p>pulações conseguimos determinar as diferenças nas frequên-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 158BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 158 19/07/2022 14:37:0919/07/2022 14:37:09</p><p>159</p><p>cias de doenças gênicas entre os membros de grupos isolados</p><p>geneticamente e os indivíduos da população originaria;</p><p>◼ usada no delineamento de estudos de amostragem, conheci-</p><p>mento e preservação da variação genética entre as populações</p><p>humanas distribuídas por todo o mundo.</p><p>Estimativa das Frequências Alélicas e Genotípicas</p><p>Inicialmente, é importante destacarmos que frequências são</p><p>proporções ou porcentagens, geralmente expressas em fração de-</p><p>cimal. As frequências genotípicas e alélicas da amostra são, então,</p><p>usadas para representar o pool de genes da população. Além disso, a</p><p>soma de todas as frequências genotípicas é sempre igual a 1.</p><p>Para exemplificar, o Quadro 1 apresenta dados hipotéticos de</p><p>uma amostra de pessoas submetidas à genotipagem para identifi-</p><p>cação do genótipo relacionado a presença de sardas. Veja:</p><p>Quadro 1 - Frequência dos genótipos e fenótipos relacionados</p><p>Fonte: NECO, H. (org.) (2022).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 159BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 159 19/07/2022 14:37:0919/07/2022 14:37:09</p><p>160</p><p>A frequência genotípica pode ser calculada de maneira sim-</p><p>ples, dividindo o número de pessoas com o genótipo que se quer</p><p>descobrir a frequência pelo total de pessoas na amostra.</p><p>Pelos dados presentes no Quadro 1 - Frequência dos genó-</p><p>tipos e fenótipos relacionados, a frequência genotípica do</p><p>genótipo AA pode ser calculada dividindo o número de pessoas com</p><p>o genótipo AA (35) pelo total de pessoas da amostra (100). Assim,</p><p>a frequência genotípica seria de 35/100, que daria 0,35. Do mesmo</p><p>modo, a frequência do genótipo Aa seria de 40/100 (0,4) e a frequ-</p><p>ência do genótipo aa seria de 25/100, ou seja, 0,25. Perceba que, so-</p><p>mando todas as frequências genotípicas, o resultado será 1, como</p><p>informado anteriormente.</p><p>Já para calcular a frequência alélica, a ideia é parecida, mas</p><p>como cada indivíduo da amostra possui dois alelos, o número total</p><p>de alelos na amostra é o dobro do tamanho da amostra. Como só</p><p>temos dois alelos (A e a), só podemos calcular duas frequências alé-</p><p>licas. Vamos lá!</p><p>Também considerando o Quadro 1 - Frequência dos genótipos e fe-</p><p>nótipos relacionados, se temos 100 pessoas e cada pessoa possui</p><p>dois alelos, significa que temos um total de 200 alelos na amostra.</p><p>Continuando, na amostra do quadro, existem 35 indivíduos com ge-</p><p>EXEMPLO</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 160BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 160 19/07/2022 14:37:1219/07/2022 14:37:12</p><p>161</p><p>nótipo AA. Isso significa que cada indivíduo desse possui dois ale-</p><p>los A. Assim percebemos que, contando só esses 35 indivíduos, eles</p><p>possuem 70 alelos A. Em seguida, existem 40 indivíduos com ge-</p><p>nótipo Aa. Nesse caso, eles possuem 40 alelos A e 40 alelos a. Com</p><p>esses dados, já conseguimos calcular a frequência alélica para o ale-</p><p>lo A, que é o total de alelos A, sobre o total de alelos da amostra, ou</p><p>seja, o total de alelos A é 70+40 (110), que dividindo por 200, dá 0,55</p><p>(ou 55%).</p><p>Podemos descobrir a frequência alélica do alelo a do mesmo</p><p>modo. Como já vimos, os 40 indivíduos com genótipo Aa possuem</p><p>40 alelos A e 40 alelos a. Porém, temos 25 indivíduos com genóti-</p><p>po aa, o que significa que possuem dois alelos a, ou seja, em total,</p><p>50 alelos a. Somando a quantidade de alelos a dos homozigotos re-</p><p>cessivos (50)</p><p>com a quantidade dos alelos a dos heterozigotos (40),</p><p>obtemos um total de 90 que, dividido pelo total de alelos da amostra</p><p>(200), nos dá 0,45 (ou 45%).</p><p>Desse modo, se p representa a frequência do alelo A e q re-</p><p>presenta a frequência do alelo a, estimamos que na população da</p><p>qual a amostra foi retirada p=0,55 e q=0,45. Além disso, como A e a</p><p>representam 100% dos alelos desse gene específico, p+q= 1.</p><p>A LEI DO EQUILÍBRIO DE HARDY-WEINBERG</p><p>Em 1980, de maneira independente, os pesquisadores Hardy</p><p>e Weinberg publicaram artigos descrevendo a relação matemática</p><p>entre frequências alélicas e as frequências genotípicas. O princípio</p><p>publicado por eles ficou conhecido como Lei do Equilíbrio de Hardy-</p><p>-Weinberg e possui a premissa de que em qualquer lócus gênico as</p><p>frequências relativas dos genótipos, em populações de cruzamentos</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 161BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 161 19/07/2022 14:37:1219/07/2022 14:37:12</p><p>162</p><p>ao acaso (panmíticas), vão permanecer constantes, de geração a ge-</p><p>ração, a menos que certos fatores perturbem esse equilíbrio. Esses</p><p>fatores citados seriam a mutação, a seleção natural, a deriva gené-</p><p>tica e a migração (ou fluxo gênico), que causariam desequilíbrio nas</p><p>frequências.</p><p>O modelo proposto por Hardy-Weinberg parece não se apli-</p><p>car às populações humanas, pois elas não atendem à todas as pre-</p><p>missas mencionadas acima. Porém, a lei é importante porque nos</p><p>ajuda a descrever a composição de uma população em termos de</p><p>frequências alélicas, bem como conhecer as frequências genotípicas</p><p>e avaliar os possíveis efeitos dos fatores evolutivos (mutação, se-</p><p>leção, migração e deriva genética) na constituição genética de uma</p><p>população.</p><p>Demonstração da Lei de Hardy-Weinberg</p><p>Para demonstrar a Lei de Hardy-Weinberg, vamos imagi-</p><p>nar um conjunto gênico (uma mistura de genes) que dará origem</p><p>à próxima geração. Nesse conjunto, qualquer gameta masculino</p><p>tem a mesma probabilidade de se unir a qualquer gameta feminino.</p><p>Isso significa que as frequências genotípicas esperadas no zigoto da</p><p>próxima geração podem ser previstas, bastando que conhecemos as</p><p>frequências dos alelos A e a. Além disso, assuma que p é a frequência</p><p>do alelo A e q a frequência do alelo a.</p><p>Agora vamos cruzar dois indivíduos heterozigotos para esse</p><p>locus (Aa x Aa) e, dessa forma, será obtida a distribuição genotípica</p><p>mostrada no Quadro 2.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 162BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 162 19/07/2022 14:37:1219/07/2022 14:37:12</p><p>163</p><p>Quadro 2 – Cruzamento dos indivíduos Aa</p><p>Fonte: NECO, H. (org.) (2022).</p><p>Desse modo, percebemos que as frequências genotípicas es-</p><p>peradas para a geração seguinte são:</p><p>p2= frequência esperada de AA</p><p>2pq= frequência esperada de Aa</p><p>q2= frequência esperada de aa</p><p>Obedecendo-se às premissas que garantam o equilíbrio de</p><p>Hardy-Weinberg, as frequências gênicas se mantêm constantes de</p><p>geração a geração. Se as frequências genotípicas (e consequente-</p><p>mente as alélicas) permanecessem em equilíbrio, não haveria evo-</p><p>lução. Portanto, os fatores evolutivos são indispensáveis para a so-</p><p>brevivência das populações.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 163BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 163 19/07/2022 14:37:1219/07/2022 14:37:12</p><p>164</p><p>GENÉTICA E EVOLUÇÃO</p><p>Quando Charles Darwin postulou sua teoria, em 1859, não</p><p>havia ideia alguma sobre genética. O conhecimento molecular re-</p><p>força a ideia de que praticamente todas as espécies usam o mesmo</p><p>código genético para a síntese de proteínas, assim, poderiam ter</p><p>evoluído de um ancestral comum.</p><p>Teoria da evolução</p><p>Com o acúmulo de mutações no DNA ao longo de várias gera-</p><p>ções, efeitos fenotípicos significativos ocorrem nos organismos. As</p><p>pesquisas de Darwin e Alfred Wallace revolucionaram os conceitos</p><p>científicos da época em que viveram, pois introduziram uma nova</p><p>perspectiva na Biologia: a de que haveria um parentesco entre todos</p><p>os seres vivos, em razão da descendência de um ancestral comum.</p><p>Entretanto, quando essas ideias foram propostas, o trabalho</p><p>de Mendel sobre hereditariedade ainda estava em percurso e o novo</p><p>ramo da ciência, a genética, ainda não estava estabelecido. De fato,</p><p>pesquisas sobre evolução biológica só passaram a ser mais realiza-</p><p>das após a redescoberta dos trabalhos de Mendel.</p><p>Dessa maneira, a genética mendeliana, genética de popu-</p><p>lações, junto com outras ciências, como botânica, citologia, em-</p><p>briologia e paleontologia, resultou na teoria sintética da evolução</p><p>(síntese moderna ou neodarwinismo), que parte da ideia de que as</p><p>variações hereditárias, geradas a partir de pequenas mutações, es-</p><p>tão sob a ação da seleção natural nas populações. Isso é capaz de</p><p>modificar as frequências dos alelos nessas populações, o que leva à</p><p>maior adaptação dos organismos a seus ambientes.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 164BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 164 19/07/2022 14:37:1219/07/2022 14:37:12</p><p>165</p><p>Por meio das técnicas de genética molecular podemos obser-</p><p>var as semelhanças e as diferenças entre os materiais genéticos de</p><p>diversos organismos e acompanhar a herança genética de marcas</p><p>de DNA ao longo de processos históricos no tempo. Organismos com</p><p>sequências de DNA muito semelhantes descendem de um ancestral</p><p>comum recente, ao passo que organismos com sequências de DNA</p><p>menos semelhantes têm um ancestral comum mais remoto. Por-</p><p>tanto, assim, consegue-se estabelecer as relações históricas entre</p><p>os organismos. Essas relações são chamadas de árvore filogenética,</p><p>ou estudo de filogenia, palavra derivada das palavras gregas phylon</p><p>= tribo e genesis = origem, que significa “a origem das tribos”, uma</p><p>ferramenta importante do estudo da evolução.</p><p>Evolução no Brasil</p><p>No Brasil, foi demonstrada a presença dos humanos na flo-</p><p>resta amazônica desde 11,3 mil anos atrás, mediante estudos de um</p><p>sítio arqueológico em Monte Alegre (Pará). Em Minas Gerais (nas</p><p>localidades de Lapa do Boquête, Vale do Peruaçu; e Lapa Vermelha e</p><p>Santana do Riacho, Lagoa Santa) e no Piauí́ (no Boqueirão da Pedra</p><p>Furada, São Raimundo Nonato) foram encontradas evidências re-</p><p>motas, anteriores a 10 mil anos. Datações feitas a partir de carvões</p><p>originados de fogueiras e pedras lascadas indicam uma ocupação</p><p>humana que remonta a 60 mil anos. No entanto, entre os arqueólo-</p><p>gos, existem divergências.</p><p>A entrada das populações migrantes no continente americano</p><p>provavelmente ocorreu pelo estreito de Bering, vindos da Mongólia</p><p>ou da Sibéria, em uma ou mais rotas de migração terrestres, interio-</p><p>res, costeiras ou marítimas. Pesquisadores, com base em estudos do</p><p>DNA mitocondrial, sugerem uma entrada única no continente, em</p><p>torno de 16 mil a 20 mil anos atrás.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 165BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 165 19/07/2022 14:37:1219/07/2022 14:37:12</p><p>166</p><p>Os estudos de DNA que investigam genomas de humanos</p><p>atuais e hominídeos do passado indicam que a espécie Homo sapiens</p><p>passou por uma ampla mistura genética desde sua formação e que</p><p>seu índice evolutivo aumentou.</p><p>Em várias partes do mundo, as etnias humanas vêm se tor-</p><p>nando cada vez menos distintas. Os grupos humanos que viviam</p><p>em locais diferentes mantiveram contatos suficientes para evitar</p><p>que evoluíssem para uma espécie separada. Com a inexistência de</p><p>barreiras geográficas, reprodutivas e sociais, seria de se supor que o</p><p>tempo da evolução estivesse esgotado. No entanto, isso não aconte-</p><p>ce. Por meio do projeto HapMap, sabe-se que cerca de 7% dos genes</p><p>humanos sofreram evolução relativamente recente, em torno de 5</p><p>mil anos atrás.</p><p>Por muito tempo, a raça humana foi conceituada como grupo</p><p>de indivíduos de</p><p>SANGUÍNEO...................................................................199</p><p>Plasma..............................................................................................201</p><p>Eritrócitos........................................................................................202</p><p>Leucócitos........................................................................................203</p><p>Neutrófilos.......................................................................................204</p><p>Eosinófilos.......................................................................................204</p><p>Basófilos..........................................................................................205</p><p>Linfócitos.........................................................................................205</p><p>Monócitos.......................................................................................206</p><p>Plaquetas.........................................................................................206</p><p>TECIDO MUSCULAR....................................................................207</p><p>Tecido muscular liso.........................................................................208</p><p>Tecido estriado esquelético e cardíaco.............................................210</p><p>Tecido estriado esquelético..........................................211</p><p>Músculo estriado cardíaco...........................................215</p><p>TECIDO NERVOSO E SEUS CONSTITUINTES..................................217</p><p>Neurônios.........................................................................................218</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 9BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 9 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Classificação dos neurônios..............................................................219</p><p>Células gliais................................................................221</p><p>SISTEMA NERVOSO CENTRAL E SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO..225</p><p>Sistema nervoso central (SNC).........................................................225</p><p>Sistema Nervoso Periférico...............................................................225</p><p>SISTEMA TEGUMENTAR.............................................................226</p><p>Epiderme.........................................................................................228</p><p>Células epidérmicas....................................................229</p><p>Derme..............................................................................................230</p><p>Anexos cutâneos...............................................................................231</p><p>Pelos............................................................................231</p><p>Unhas..........................................................................232</p><p>Glândulas sebáceas....................................................232</p><p>Glândulas sudoríparas................................................233</p><p>Sistema circulatório...................................................234</p><p>Sistema vascular.........................................................234</p><p>Coração.......................................................................235</p><p>Artérias e veias...........................................................236</p><p>Capilares.....................................................................239</p><p>Sistema linfático.........................................................241</p><p>Sistema digestório......................................................242</p><p>Sistema urinário..........................................................251</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 10BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 10 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Apresentação</p><p>Olá, estudante! Como vai?</p><p>Para começarmos, gostaria de saber se você consegue ler o</p><p>número a seguir? Veja: 37.000.000.000.000. Se você falou “37 tri-</p><p>lhões”, parabéns, você acertou! Mas, é provável que você esteja se</p><p>perguntando de onde vem esse numeral. E a resposta para essa per-</p><p>gunta é que esse é o número aproximado de células que temos no</p><p>corpo humano de um adulto de 70Kg.</p><p>Pensando nisso, você deve saber que, muito antes de termos</p><p>condições de estimar a quantidade de células dos organismos, a in-</p><p>venção e o aperfeiçoamento do microscópio permitiram que con-</p><p>seguíssemos enxergar estruturas nunca vistas antes e que formam</p><p>todos os organismos vivos, as estruturas microscópicas.</p><p>Assim, neste material você irá conhecer as bases da biologia</p><p>celular, molecular e tecidual, conhecendo as estruturas e funções</p><p>das células e sua relação com a genética e a histologia.</p><p>Preparado(a)? Vamos em frente!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 11BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 11 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Autoria</p><p>Débora Martins Paixão</p><p>Olá. Meu nome é Débora Martins Paixão. Sou Doutora em</p><p>Zootecnia e com uma experiência técnico-profissional na área de</p><p>Educação a distância de mais de 3 anos. Passei por empresas como</p><p>o Instituto de Pesquisas e Educação Continuada Economia e Gestão</p><p>de Empresas-PECEGE, Briwet Consulteria, @agronomiaconcursos</p><p>e Aprova Concurso. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir</p><p>minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas pro-</p><p>fissões e estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito</p><p>estudo e trabalho. Conte comigo!</p><p>Lattes: http://lattes.cnpq.br/5726401257775561</p><p>Natália Fiorenza</p><p>Olá. Meu nome é Natália Fiorenza.</p><p>Sou formada em Ciências Biológicas, com</p><p>mestrado e doutorado na área de Ciências</p><p>da Saúde. Passei por diferentes labora-</p><p>tórios de pesquisa, publicando traba-</p><p>lhos científicos e participando de muitos</p><p>Congressos e Cursos em diferentes áreas</p><p>de saúde e educação. Fui professora uni-</p><p>versitária e tutora durante 4 anos do curso de medicina, onde me</p><p>conectei com minha paixão pela docência e por metodologias ativas</p><p>de ensino. Sou ávida por aprender e ensinar e, além disso, por trocar</p><p>conhecimentos quer na área científico-acadêmica, quer na área de</p><p>desenvolvimento humano e autoconhecimento. Tenho como pro-</p><p>pósito transmitir aquilo que sei e auxiliar outras pessoas no início de</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 12BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 12 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>sua jornada profissional, por isso estarei com você nessa caminhada</p><p>de muito estudo e trabalho. Conte comigo!</p><p>Lattes: http://lattes.cnpq.br/7011592935958198</p><p>Thiely Rodrigues Ott</p><p>Olá. Meu nome é Thiely Rodrigues</p><p>Ott. Sou formada em Biomedicina, com</p><p>uma experiência técnico-profissional na</p><p>área de Citopatologia e Patologia Humana</p><p>de mais de 8 anos. Além disso, sou especia-</p><p>lista em Citopatologia e Mestre em Saúde,</p><p>Medicina Laboratorial e Tecnologia Foren-</p><p>se. Atualmente desenvolvo minha tese de</p><p>doutorado em análise de tecnologias para a saúde. Ao longo da mi-</p><p>nha vida profissional, tive a oportunidade de trabalhar em hospitais</p><p>de grande, médio e pequeno porte e participei de projetos de pes-</p><p>quisa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade</p><p>Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro e</p><p>Fiocruz, onde mantenho vínculos profissionais até hoje. Sou apai-</p><p>xonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida</p><p>àqueles que estão iniciando em suas profissões. Estou muito feliz</p><p>em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte</p><p>comigo!</p><p>Lattes: http://lattes.cnpq.br/4058554197484983</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 13BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 13 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>Organizador</p><p>Heytor Neco</p><p>Sou Heytor Neco, biólogo com ênfa-</p><p>se em biologia parasitária, especialista em</p><p>metodologias ativas e um grande</p><p>uma espécie cujas diferentes frequências alélicas</p><p>o distinguem, porém esse conceito não é mais utilizado. Uma vez</p><p>que, barreiras geográficas, reprodutivas, políticas e culturais hoje</p><p>praticamente inexistem e isso proporciona um maior fluxo gênico</p><p>entre as populações.</p><p>O âmbito de variação genética entre duas populações é ligei-</p><p>ramente distinto do observado entre indivíduos da mesma popu-</p><p>lação. Nesse sentido, os estudos de polimorfismos de nucleotídeo</p><p>único (SNPs) e de sequências Alu (elementos móveis mais abundan-</p><p>tes no genoma humano), bem como o rastreamento do DNA mito-</p><p>condrial, abrem caminhos para o conhecimento das relações entre</p><p>as variações genéticas e seus efeitos bons ou nocivos sobre a vida</p><p>humana; e contribuem significativamente para o conhecimento de</p><p>sua evolução.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 166BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 166 19/07/2022 14:37:1319/07/2022 14:37:13</p><p>167</p><p>Caro(a) aluno(a),</p><p>Chegamos ao fim do nosso material e nele pudemos conhecer o nú-</p><p>cleo das células e vários processos que ocorrem dentro e fora dele,</p><p>sendo todos processos genéticos. Assim, você entendeu que estru-</p><p>tura nuclear, desde o envoltório formado por duas membranas, aos</p><p>poros nucleares e matriz nuclear, possui muita importância para o</p><p>suporte e função da organela. Vimos também que é dentro dele que</p><p>o DNA é condensado com a ajuda de proteínas chamadas histonas e</p><p>que o grau máximo de condensação forma os cromossomos.</p><p>Aprendemos que a divisão celular é controlada molecularmente e,</p><p>ainda antes da célula se dividir, ela precisa produzir proteínas, du-</p><p>plicar DNA entre outros em uma fase chamada intérfase.</p><p>Como você deve ter entendido, a intérfase é formada pelas fases G1,</p><p>S e G2. Em que a fase G1 é aquela na qual as células começam a du-</p><p>plicar as organelas e os materiais citoplasmáticos, enquanto na fase</p><p>S acontece o incrível processo de replicação do DNA. Nesse processo,</p><p>o DNA é duplicado com a ajuda de diversas enzimas, como helicase,</p><p>topoisomerase, primase, DNA polimerase e DNA ligase. Já na fase</p><p>G2 observamos que a célula continua seu processo de crescimento</p><p>para, após ele, entrar em divisão celular.</p><p>Falando em divisão, conseguimos diferenciar os processos de mito-</p><p>se e meiose, em que a mitose acontece em células somáticas e não</p><p>envolve diminuição no número de cromossomos. Já a meiose, en-</p><p>volvida na divisão dos gametas, possui duas divisões consecutivas,</p><p>as meioses I e II, e é o tipo de divisão que garante a variabilidade</p><p>genética. Em geral, mitose e meiose são divididas em Prófase, Me-</p><p>táfase, Anáfase e Telófase, mas, na Prófase I da Meiose I, acontece o</p><p>SINTETIZANDO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 167BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 167 19/07/2022 14:37:1319/07/2022 14:37:13</p><p>168</p><p>processo de crossing over (ou recombinação gênica).</p><p>Problemas de separação de cromossomos podem acontecer na</p><p>meiose e isso leva a alterações cromossômicas numéricas que po-</p><p>dem acarretar monossomias, trissomias ou tetrassomias, com con-</p><p>sequências clínicas. Alterações cromossômicas também podem ser</p><p>estruturais, envolvendo deleção, translocação, inversão, cromosso-</p><p>mos em anel entre outros.</p><p>Inclusive, podemos estudar a herança de várias condições a partir</p><p>de heredogramas que permitem compreender a transmissão nas</p><p>gerações de condições autossômicas ou ligadas aos cromossomos</p><p>sexuais. Condições que podem ser recessivas ou dominantes e que</p><p>são objetos para compreender como evoluímos, o que conseguimos</p><p>com a genética de populações e evolução.</p><p>Espero que, neste momento, você já consiga compreender a impor-</p><p>tância da biologia molecular para as células. Bons estudos!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 168BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 168 19/07/2022 14:37:1319/07/2022 14:37:13</p><p>UN</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>4</p><p>Objetivos</p><p>◼ conhecer as características dos tecidos epitelial, conjunti-</p><p>vo propriamente dito, cartilaginoso, ósseo, hematopoiético,</p><p>muscular e nervoso;</p><p>◼ compreender a organização dos tecidos nos órgãos;</p><p>◼ relacionar as características dos tecidos com as funções nos</p><p>órgãos e sistemas;</p><p>◼ entender a constituição histológica dos sistemas tegumentar,</p><p>circulatório, digestório e urinário.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 169BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 169 19/07/2022 14:37:1419/07/2022 14:37:14</p><p>170</p><p>Introdução</p><p>Olá aluno(a), tudo bem?</p><p>Inicialmente, destaco que você já deve conhecer as células, já</p><p>sabe como elas funcionam e como acontecem seus processos a nível</p><p>molecular. Isso é importante par a sua caminhada acadêmica, pois,</p><p>a partir de agora, vamos começar a estudar como os tecidos, for-</p><p>mados por inúmeras células, funcionam. Dessa maneira, estamos</p><p>começando a conhecer a biologia tecidual, também conhecida como</p><p>histologia.</p><p>Para que seu aprendizado seja completo, você precisa saber</p><p>que, durante o desenvolvimento dos vertebrados, o embrião cons-</p><p>ta de três camadas celulares: a endoderme, a mesoderme e a ec-</p><p>toderme. Nestas três camadas germinativas as células continuam</p><p>a dividir-se e a se especializar em sua forma e função. Além disso,</p><p>essas células formam agrupamentos, estruturalmente e metaboli-</p><p>camente semelhantes entre si, denominados de tecidos. Assim, os</p><p>órgãos são formados por estes tecidos e, de modo geral, podemos</p><p>encontrar os quatros tecidos básicos num mesmo órgão. Lembrese</p><p>também que, por sua vez, denominamos sistema o conjunto de ór-</p><p>gãos com funções semelhantes, mas amplamente distribuídos em</p><p>diversas regiões anatômicas.</p><p>Dito isto, aqui, manteremos nosso foco no estudo dos teci-</p><p>dos originários de uma das três camadas germinativas, conhecidos</p><p>como tecidos primários ou básicos. Assim, fique atento(a), pois,</p><p>para além das células especializadas, os tecidos primários também</p><p>são constituídos de elementos intercelulares, como a matriz extra-</p><p>celular (MEC). Não se esqueça que os quatros tecidos básicos, ou</p><p>primários, são: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso.</p><p>Seguindo com nossa explanação, prepare-se para mais um</p><p>material de muito aprendizado!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 170BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 170 19/07/2022 14:37:1419/07/2022 14:37:14</p><p>171</p><p>TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO</p><p>Inicialmente, você deve estar atento(a) ao fato de que o tecido</p><p>epitelial de revestimento, ou simplesmente epitélio de revestimen-</p><p>to, tem como principal característica a justaposição celular, com</p><p>quantidade reduzida de matriz extracelular associada.</p><p>Em geral, é formado por células poliédricas que apresentam</p><p>grande quantidade de junções intercelulares, o que garante a grande</p><p>aderência entre elas. Está localizado acima do tecido conjuntivo e</p><p>tem como uma de suas principais funções a de revestimento.</p><p>O tecido epitelial recobre a superfície do corpo, de órgãos,</p><p>como os que compõem os tratos digestório, urogenital e respirató-</p><p>rio, de vasos sanguíneos e linfáticos e de cavidades, como a pleura.</p><p>Além disso, desempenha função importante de absorção (p.e. intes-</p><p>tinos), excreção (p.e. túbulos renais), percepção de estímulos (p.e.</p><p>neuroepitélio olfatório e gustativo), função germinativa (p.e. testí-</p><p>culos) e contração (células mioepiteliais).</p><p>Dito isto, vamos conhecer um pouco mais a respeito dos</p><p>componentes teciduais e suas células epiteliais. Veja!</p><p>Componentes teciduais</p><p>Células epiteliais</p><p>As células que constituem o tecido epitelial de revestimen-</p><p>to são poliédricas (vários lados), justapostas (unidas lado a lado),</p><p>com formas distintas, abundante citoplasma e citoesqueleto desen-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 171BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd</p><p>171 19/07/2022 14:37:1419/07/2022 14:37:14</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>172</p><p>volvido, incluindo filamentos intermediários. A forma celular varia</p><p>desde colunares até pavimentosas achatadas. São células polariza-</p><p>das, devido à diferença de composição da membrana plasmática e a</p><p>posição das organelas citosólicas.</p><p>O núcleo das células epiteliais geralmente varia de acordo</p><p>com a forma celular: células cuboides costumam ter núcleos esfé-</p><p>ricos e células pavimentosas tendem a ter núcleos achatados. Além</p><p>disso, devido à dificuldade em visualizar os limites celulares na mi-</p><p>croscopia de luz, a forma nuclear nos auxilia a identificar a organi-</p><p>zação e a estrutura das células epiteliais.</p><p>Caro(a) aluno(a), você sabia que a citoqueratina é uma proteína que</p><p>forma os filamentos intermediários característicos e exclusivos das</p><p>células epiteliais? Além disso, a identificação de citoqueratina por</p><p>métodos imunocitoquímicos na biópsia de tumores malignos per-</p><p>mite o diagnóstico de sua origem epitelial.</p><p>Lâmina basal e membrana basal</p><p>Também chamada de lâmina própria, a Lâmina Basal é uma</p><p>camada de glicoproteínas (laminina, colágeno do tipo IV e entacti-</p><p>na) e proteoglicanos secretada pelas células epiteliais que, como o</p><p>nome diz, situa-se na base do tecido, entre as células epiteliais e o</p><p>tecido conjuntivo adjacente. Ela tem de 40 a 120 nm de espessura,</p><p>sendo visível apenas ao microscópio eletrônico.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 172BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 172 19/07/2022 14:37:1619/07/2022 14:37:16</p><p>CURIOSIDADE</p><p>173</p><p>São inúmeras as funções dessa estrutura. Dentre elas, po-</p><p>demos citar filtragem seletiva de substâncias, a regulação da pro-</p><p>liferação, diferenciação e metabolismo celular, influência na pola-</p><p>ridade da célula, migração celular e interações célula a célula. Sua</p><p>presença é tão importante que, quando as células perdem o contato</p><p>com a LM, entram em apoptose celular.</p><p>A Membrana Basal (MB) representa uma camada formada</p><p>pela fusão de duas lâminas basais ou de uma LM e uma camada reti-</p><p>cular – camada de fibras reticulares, formada por colágeno tipo III.</p><p>Por ser mais espessa, a MB pode ser visualizada no microscópio de</p><p>luz, após coloração pela técnica de ácido periódico-reativo de Schiff</p><p>(PAS) ou de impregnação com prata.</p><p>Durante o diabetes e o processo de envelhecimento normal, há um</p><p>espessamento da lâmina basal dos pequenos vasos sanguíneos, de-</p><p>vido ao aumento na deposição de colágeno tipo IV e laminina. Porém</p><p>a lâmina torna-se mais permeável, devido à diminuição da síntese</p><p>de proteoglicanos, podendo ocorrer alteração na pressão oncótica</p><p>do capilar.</p><p>Especializações</p><p>As células epiteliais apresentam diferentes tipos de especia-</p><p>lizações em sua porção apical e basal. Abaixo vamos descrever algu-</p><p>mas delas e suas respectivas funções.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 173BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 173 19/07/2022 14:37:1719/07/2022 14:37:17</p><p>174</p><p>◼ Microvilos ou microvilosidades: são evaginações da mem-</p><p>brana apical da célula que aumentam sua superfície de ab-</p><p>sorção. Essa estrutura pode ser encontrada na maioria das</p><p>células, porém está mais desenvolvida nas células absortivas,</p><p>tais como aquelas dos túbulos renais e do intestino delgado.</p><p>Os microvilos são sustentados por filamentos de actina dis-</p><p>postos paralelamente e conectados por diferentes proteínas</p><p>acessórias.</p><p>◼ Cílios e flagelos: os cílios são prolongamentos maiores que os</p><p>microvilos, móveis, formados por uma complexa estrutura de</p><p>microtúbulos em seu interior. No aparelho vestibular da ore-</p><p>lha interna, nos túbulos renais e nos testículos, encontram-se</p><p>células monociliadas, ou seja, que apresentam um único cílio,</p><p>que tem a função de captar estímulos mecânicos, químicos,</p><p>osmóticos e luminosos. O flagelo possui estrutura semelhante</p><p>a do cílio, porém é mais longo e único na célula. São encon-</p><p>trados exclusivamente nos espermatozoides, no organismo</p><p>humano.</p><p>◼ Estereocílios: são cílios imóveis (do grego stereo - fixos); são</p><p>prolongamentos alongados e ramificados, formados por fi-</p><p>lamentos de actina em seu interior. Com estrutura e função</p><p>similar aos microvilos, estão presentes no epidídimo e ducto</p><p>deferente, ambas estruturas do sistema reprodutor masculi-</p><p>no. Também estão presentes nas células pilosas da orelha in-</p><p>terna, atuando como mecanorreceptores.</p><p>◼ Pregas basolaterais (invaginações ou interdigitações): são</p><p>invaginações das porções basal e lateral das células envolvidas</p><p>no transporte iônico e de líquidos, que aumentam a superfície</p><p>para inserção de proteínas transportadoras.</p><p>Embora não sejam propriamente especializações da mem-</p><p>brana plasmática, as junções celulares são componentes importan-</p><p>tes do tecido epitelial, pois promovem a coesão entre células vizi-</p><p>nhas e dessas com a matriz, além de atuar na troca de informações</p><p>entre as células. A integridade dessas estruturas é tão importante</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 174BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 174 19/07/2022 14:37:1719/07/2022 14:37:17</p><p>175</p><p>que a ausência de um de seus componentes pode levar ao compro-</p><p>metimento da função tecidual (tissular).</p><p>Isso pode ser observado no Pênfigo, uma doença autoimune carac-</p><p>terizada pela produção de anticorpos contra desmogleínas, proteí-</p><p>nas que compõem os desmossomos. Nesse caso, há a formação de</p><p>bolhas nas mucosas e na pele e perda do líquido tecidual, podendo</p><p>levar a morte. O tratamento se baseia na administração de corticoi-</p><p>des e outros imunossupressores.</p><p>Lembre-se que, além dos desmossomos, outras junções pre-</p><p>sentes no tecido de revestimento são: junções de oclusão, junções</p><p>aderentes, junções comunicantes, interdigitações e hemidesmos-</p><p>somos.</p><p>Tipos de epitélio de revestimento</p><p>O epitélio de revestimento é classificado de acordo com o</p><p>número de camadas de células e as características morfocelulares</p><p>da camada superficial. Essa está relacionada à função celular e é de-</p><p>terminada por fatores intrínsecos, como arquitetura do citoesque-</p><p>leto e quantidade de citoplasma, e extrínsecos, como pressões ex-</p><p>ternas. Vamos agora descrever cada um dos tipos de epitélio, quanto</p><p>ao número de camadas.</p><p>◼ Simples: apresenta uma única camada.</p><p>◼ Pseudoestratificado: é um tipo especial de epitélio simples no</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 175BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 175 19/07/2022 14:37:1819/07/2022 14:37:18</p><p>176</p><p>qual as células possuem núcleos posicionados em diferentes</p><p>alturas, o que dá a ideia de se tratar de um epitélio estratifi-</p><p>cado.</p><p>◼ Estratificado: apresenta mais de uma camada de células.</p><p>Com relação à morfologia, as células podem ser:</p><p>◼ cúbicas - altura, largura e comprimento têm as mesmas di-</p><p>mensões, lembrando um cubo. Apresentam muitas organelas</p><p>intracelulares, com núcleo central e são geralmente secreto-</p><p>ras.</p><p>◼ cilíndricas, colunar ou prismática - a altura é maior que a</p><p>largura e o comprimento. São células mais alongadas e que,</p><p>geralmente, atuam na absorção e transporte iônico. Apresen-</p><p>tam maior número de organelas e são encontradas glândulas</p><p>unicelulares associadas a elas.</p><p>◼ pavimentosas - largura e o comprimento são maiores que a</p><p>altura. São células achatadas, formando algo similar a um pa-</p><p>vimento mesmo. Esse formato facilita a passagem de subs-</p><p>tâncias de um meio ao outro, porém são pouco resistentes à</p><p>estímulos mecânicos.</p><p>Como já foi dito anteriormente, com frequência não conse-</p><p>guimos identificar os limites celulares através da microscopia de</p><p>luz, tornando-se imprescindível a análise nuclear para definir-se</p><p>a forma e a função das células. Isso só é possível, pois o maior eixo</p><p>do núcleo é paralelo ao eixo longitudinal da célula. Porém, isso não</p><p>acontece nas células que retêm internamente seus produtos</p><p>de se-</p><p>creção, visto que o núcleo fica comprimido nessa situação. É o caso</p><p>das células caliciformes, produtoras de glicoproteínas, um tipo de</p><p>célula epitelial colunar.</p><p>Juntando as duas características, podemos diferenciar os ti-</p><p>pos de epitélio de revestimento. O Quadro 1 nos mostra as principais</p><p>características desses tecidos, assim como exemplos de onde são</p><p>encontrados.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 176BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 176 19/07/2022 14:37:1819/07/2022 14:37:18</p><p>177</p><p>Quadro 1 – Descrição dos diferentes tipos de epitélio de revestimento</p><p>Fonte: adaptada de Natália Gindri Fiorenza (2020).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 177BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 177 19/07/2022 14:37:1819/07/2022 14:37:18</p><p>178</p><p>Na epiderme, à medida que as células basais se deslocam para</p><p>a porção superior do epitélio, elas passam a produzir as proteínas</p><p>de citoqueratina, que são moléculas maiores e interagem com os</p><p>filamentos de citoqueratina, formando a queratina. Essa camada</p><p>de células mortas queratinizadas tem maior resistência ao atrito e</p><p>confere proteção extra à entrada de microrganismos. Outra especia-</p><p>lização desse tecido é a presença de fosfolipídeos no espaço interce-</p><p>lular, que formam uma barreira impermeável à água, prevenindo a</p><p>desidratação tecidual.</p><p>TECIDO EPITELIAL GLANDULAR</p><p>As células caliciformes, presentes em alguns epitélios, como</p><p>o do intestino e o da traqueia, apesar de serem células isoladas, são</p><p>consideradas glândulas unicelulares. Já as glândulas pluricelula-</p><p>res (ou multicelulares) são formadas pela invaginação do epitélio</p><p>de revestimento que, após proliferação celular, sofrem invasão do</p><p>tecido conjuntivo proximal e posterior de diferenciação em células</p><p>secretórias.</p><p>As células secretórias apresentam grânulos em seu citoplas-</p><p>ma e podem permanecer conectadas à superfície epitelial, onde um</p><p>ducto é formado. Quando a secreção é liberada na superfície do cor-</p><p>po ou em uma cavidade através desse ducto, a glândula é dita exó-</p><p>crina. Por outro lado, quando as células perdem essa conexão, a se-</p><p>creção é liberada para dentro dos vasos sanguíneos, e ela é chamada</p><p>de endócrina. Dentre as substâncias liberadas pelo epitélio glandu-</p><p>lar, podemos citar: proteínas, enzimas digestivas, leite, lipídeos,</p><p>carboidratos, hormônios, lágrimas e suor.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 178BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 178 19/07/2022 14:37:1919/07/2022 14:37:19</p><p>179</p><p>Existem tumores epiteliais benignos de dois tipos: papilomas, que</p><p>surgem na superfície epitelial; e adenomas, oriundos do epitélio</p><p>glandular. Os tumores epiteliais malignos são carcinomas, que re-</p><p>sultam do epitélio superficial, e adenocarcinomas, que se originam</p><p>de um epitélio glandular.</p><p>Glândulas exócrinas</p><p>São glândulas que liberam suas secreções dentro de uma ca-</p><p>vidade corpórea ou na superfície do corpo. Exemplos são as glându-</p><p>las sudoríparas e as salivares. Elas podem ser classificadas de acordo</p><p>com diferentes aspectos que serão descritos a seguir.</p><p>1. Ramificação da porção ductal (ducto secretor)</p><p>◼ Simples: tem apenas 1 ducto não ramificado. Por exemplo, as</p><p>glândulas sudoríparas.</p><p>◼ Composta: quando há ramificação do ducto principal em duc-</p><p>tos menores. Um exemplo são as glândulas de Brünner, en-</p><p>contradas na camada submucosa do duodeno.</p><p>2. Forma da porção secretora</p><p>◼ Tubular: em forma de tubo reto, como no caso da glândula in-</p><p>testinal de Lieberkühn ou em tubo enovelado, como as glân-</p><p>dulas sudoríparas.</p><p>◼ Acinosa ou alveolar: em forma esférica ou arredondada. Como</p><p>exemplo podemos citar as glândulas sebáceas.</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 179BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 179 19/07/2022 14:37:1919/07/2022 14:37:19</p><p>180</p><p>◼ Tubuloacinosa: quando há tanto porção tubular, quanto aci-</p><p>nosa. Um exemplo desse tipo é a glândula submandibular.</p><p>3. Tipo de secreção</p><p>◼ Serosa: secreta um fluido aquoso, rico em enzimas. Na análise</p><p>histológica, suas células aparecem em formato de pirâmide,</p><p>citoplasma e basófilo, rico em RER, núcleo basal, eucromá-</p><p>tico, com 1 ou 2 nucléolos. Um bom exemplo são as glândulas</p><p>parótidas.</p><p>◼ Mucosa: secreta o muco, fluido viscoso, rico em glicoprote-</p><p>ínas. Na análise histológica, o citoplasma das células é claro,</p><p>vacuolizado (a coloração de He dissolve os grânulos de glico-</p><p>proteínas), núcleo achatado e comprimido. Exemplos dessa</p><p>são as glândulas duodenais.</p><p>◼ Seromucosa (ou mista): apresenta células serosas e mucosas.</p><p>Por exemplo, as glândulas sublinguais.</p><p>4. Liberação da secreção</p><p>◼ Merócrina ou écrina: a secreção é liberada através do proces-</p><p>so de exocitose, sem prejuízo celular, como ocorre na maioria</p><p>das glândulas. Exemplo: pâncreas exócrino.</p><p>◼ Apócrina: a secreção é liberada juntamente com parte da por-</p><p>ção apical do citoplasma. Exemplos: glândulas mamárias e</p><p>glândulas de Moll da pálpebra.</p><p>◼ Holócrina: a secreção é liberada juntamente com toda a célula</p><p>– destruição celular. Exemplo: glândulas sebáceas.</p><p>Ao redor das glândulas exócrinas, existem células mioepiteliais, de</p><p>função contrátil. A presença de citoqueratina nelas confirma a ori-</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 180BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 180 19/07/2022 14:37:2119/07/2022 14:37:21</p><p>181</p><p>gem epitelial, apesar de sua capacidade de contração. Essas células</p><p>ficam entre as epiteliais e a lâmina basal, são fusiformes ou estre-</p><p>ladas e ricas em desmossomos. A contração dessas células ocorre</p><p>através da interação de filamento de actina com a miosina (como</p><p>nas células musculares típicas) e sua função é a de comprimir as</p><p>glândulas vizinhas, facilitando a liberação de suas moléculas secre-</p><p>tórias.</p><p>Glândulas endócrinas</p><p>De acordo com o arranjo das células epiteliais, as glândulas</p><p>endócrinas podem ser:</p><p>◼ foliculares - formam folículos ou vesículas preenchidas por</p><p>material secretado. Um exemplo são as glândulas tireoidia-</p><p>nas, que apresentam um folículo central.</p><p>◼ cordonais - as células formam cordões ou fileiras em anasto-</p><p>mose ao redor dos capilares. Como exemplo, temos as glându-</p><p>las paratireoide e suprarrenais.</p><p>Anastomose é o termo técnico utilizado nas ciências biológicas para</p><p>definir a comunicação, natural ou resultante de processo cirúrgico,</p><p>entre tubos, vasos sanguíneos ou nervos da mesma natureza.</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 181BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 181 19/07/2022 14:37:2119/07/2022 14:37:21</p><p>182</p><p>Glândulas mistas ou anfícrinas</p><p>São glândulas que apresentam função endócrina e exócrina. O</p><p>pâncreas, por exemplo, apresenta os ácidos pancreáticos, que pro-</p><p>duzem o suco pancreático liberado no duodeno durante a digestão</p><p>– secreção exócrina – e as ilhotas de Langerhans, glândulas endó-</p><p>crinas cordonais que produzem e liberam os hormônios insulina e</p><p>glucagon na circulação sanguínea. Outros exemplos incluem as gô-</p><p>nadas e o fígado.</p><p>TECIDO CONJUNTIVO</p><p>Os tecidos conjuntivos possuem origem mesodérmica e de-</p><p>sempenham uma função estrutural, mecânica, dando forma ao cor-</p><p>po. São formados por alguns tipos celulares característicos, porém</p><p>seu principal constituinte é a matriz extracelular, formada por dife-</p><p>rentes combinações de proteínas fibrosas e substância fundamen-</p><p>tal. Mais adiante detalharemos a substância fundamental, mas, já</p><p>adianto que se trata de uma substância formada por carboidratos</p><p>complexos, como glicosaminoglicanos e proteoglicanos, e glico-</p><p>proteínas. Assim, dentre as suas funções estão sustentação, pre-</p><p>enchimento, conexão e regulação dos tecidos adjacentes, atuando</p><p>como um reservatório</p><p>de fatores de crescimento celular.</p><p>Lembre-se que a presença de fibras colágenas confere resis-</p><p>tência ao tecido. Isso porque essas são mais abundantes em tendões,</p><p>na cápsula de órgãos e nas meninges. Além disso, as fibras elásticas,</p><p>por suas características morfofuncionais, podem oferecer resis-</p><p>tência e elasticidade. Além de seus componentes fibrosos, a matriz</p><p>extracelular também apresenta um líquido viscoso altamente hi-</p><p>drofílico, além de carboidratos complexos e glicoproteínas, que se</p><p>conectam a proteínas presentes na superfície das células proximais.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 182BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 182 19/07/2022 14:37:2119/07/2022 14:37:21</p><p>183</p><p>Células do tecido conjuntivo</p><p>As células do tecido conjuntivo propriamente dito são: as cé-</p><p>lulas mesenquimais, os fibroblastos, os plasmócitos, os macrófa-</p><p>gos, os mastócitos, as células adiposas e os leucócitos.</p><p>Células mesenquimais</p><p>São células-tronco pluripotentes, que dão origem a diferen-</p><p>tes tipos celulares desse tecido. Apresentam um aspecto estrelado,</p><p>devido à presença de prolongamentos que se conectam a células vi-</p><p>zinhas através de junções comunicantes. Sua quantidade é reduzida</p><p>no tecido adulto, concentrando-se principalmente na polpa dentá-</p><p>ria e ao redor de pequenos vasos sanguíneos.</p><p>Durante uma lesão tecidual, podem transformar-se em fi-</p><p>broblastos ou miofibroblastos contribuindo, assim, para o reparo</p><p>do tecido, além de influenciar na diferenciação das células epite-</p><p>liais e musculares adjacentes, pela produção de citocinas e fatores</p><p>de crescimento.</p><p>Fibroblastos</p><p>São as células mais abundantes do tecido conjuntivo. Apre-</p><p>sentam longos prolongamentos em formato estrelado, núcleo</p><p>grande eucromático, com um ou dois nucléolos proeminentes; cito-</p><p>plasma basófilo e retículo endoplasmático e complexo de Golgi bem</p><p>desenvolvidos.</p><p>São responsáveis pela síntese de componentes da matriz ex-</p><p>tracelular, tais como colágenos, fibras reticulares e elásticas, gli-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 183BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 183 19/07/2022 14:37:2119/07/2022 14:37:21</p><p>184</p><p>cosaminoglicanos e proteoglicanos. Também sintetizam fatores de</p><p>crescimento que controlam a proliferação e diferenciação celular.</p><p>Apresentam, ainda, a capacidade de regular seu metabolismo, po-</p><p>dendo tornar-se inativos – fibrócitos – quando são fusformes, com</p><p>núcleo menor, heterocromático e menor quantidade de retículo en-</p><p>doplasmático.</p><p>Macrófagos</p><p>São células fagocíticas, de morfologia variável, com nú-</p><p>cleo excêntrico em forma de rim. Originam-se dos monócitos que</p><p>migraram a partir do sangue até o tecido conjuntivo. São capazes</p><p>de fagocitar e digerir bactérias, restos celulares e substâncias es-</p><p>tranhas. Também atuam na regulação dos componentes da matriz</p><p>extracelular, liberando colagenases, elastases e enzimas que degra-</p><p>dam glicosaminoglicanos.</p><p>Plasmócitos</p><p>São células grandes, ovoides, com retículo endoplasmático</p><p>abundante e citoplasma basófilo. Seu núcleo é arredondado, excên-</p><p>trico com grumos de cromatina que se alternam em hetero e eucro-</p><p>matina e nucléolo bem evidente. Os plasmócitos derivam dos linfó-</p><p>citos B e são mais abundantes no tecido conjuntivo de regiões mais</p><p>propensas a invasões bacterianas, como a mucosa intestinal, sendo</p><p>abundantes também durante a inflamação crônica. São as células</p><p>responsáveis pela síntese dos anticorpos.</p><p>Mastócitos</p><p>São células grandes, globosas, com núcleo pequeno, esférico</p><p>e central e citoplasma rico em grânulos basófilos heterogêneos, que</p><p>contêm mediadores químicos inflamatórios e alergênicos, como a</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 184BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 184 19/07/2022 14:37:2119/07/2022 14:37:21</p><p>185</p><p>histamina e glicosaminoglicanos. A presença de integrinas em sua</p><p>membrana, promove adesão, migração e diferenciação dessas cé-</p><p>lulas. Além disso, em sua superfície constam receptores para as IgE</p><p>secretadas pelos plasmócitos. A ligação desses ao seu receptor gera</p><p>a exocitose da histamina e outras substâncias contidas nos grânu-</p><p>los, como leucotrienos e prostaglandinas, desencadeando a respos-</p><p>ta alergênica conhecida como reação de sensibilidade imediata ou</p><p>anafiláticas.</p><p>Leucócitos</p><p>São as células de defesa do nosso corpo. Também chamados</p><p>de glóbulos brancos, estão presentes no tecido conjuntivo, onde</p><p>chegaram através do processo conhecido por diapedese – migração</p><p>a partir do sangue. Sua concentração é maior em locais propensos</p><p>à entrada de patógenos e substâncias estranhas, como é o caso dos</p><p>tratos respiratório e digestório.</p><p>Adipócitos (Células adiposas)</p><p>São células grandes, esféricas e com função de armazenar</p><p>gordura. Seu tamanho varia de acordo com o peso corporal. Apre-</p><p>sentam núcleo prensado na periferia da célula devido a presença de</p><p>uma vesícula lipídica (gota lipídica) que ocupa a maior parte do di-</p><p>âmetro celular. Estão em pequena quantidade no tecido conjuntivo</p><p>como um todo, porém se acumulam em um tipo especial de tecido</p><p>conjuntivo, o tecido adiposo.</p><p>Componentes fibrosos do tecido conjuntivo</p><p>Inicialmente, é importante que você saiba que os componen-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 185BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 185 19/07/2022 14:37:2119/07/2022 14:37:21</p><p>186</p><p>tes fibrosos do tecido conjuntivo são formados por proteínas que se</p><p>polimerizam, formando uma estrutura alongada de funções distin-</p><p>tas, a depender das propriedades da proteína em questão. Dito isso,</p><p>vamos conhecer essas proteínas?</p><p>Colágenos</p><p>Os colágenos são formados pela associação da glicoproteína</p><p>colágeno presente na matriz extracelular. Além disso, é importante</p><p>destacar que o colágeno é a proteína mais abundante do organis-</p><p>mo e apresenta 3 cadeias polipeptídicas enroladas, que podem estar</p><p>presentes como moléculas individuais ou associadas em redes, fi-</p><p>brilas ou fibras. É sintetizado no interior dos fibroblastos, condróci-</p><p>tos, osteoblastos e células epiteliais e musculares. Sua sequência de</p><p>aminoácidos apresenta 28 variações, o que representa 28 moléculas</p><p>diferentes de colágeno na matriz extracelular.</p><p>As fibrilas de colágeno tipo I se agregam, por meio das prote-</p><p>oglicanos e dos colágenos tipo XII e XIV, a fibras colágenas maiores.</p><p>Essas fibras podem estar agrupadas em feixes e são mais resistentes</p><p>que fios de aço de mesmo diâmetro. Estão presentes na derme, nos</p><p>tendões, na cápsula dos órgãos, na cartilagem fibrosa e no osso. O</p><p>acúmulo exagerado de colágeno nos tecidos leva a várias condições</p><p>diferentes.</p><p>A esclerose sistêmica progressiva, por exemplo, caracteriza-se</p><p>pelo acúmulo de colágeno em quase todos os órgãos, gerando um</p><p>processo fibrótico, que compromete a função desses. Outro tipo de</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 186BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 186 19/07/2022 14:37:2219/07/2022 14:37:22</p><p>187</p><p>fibrose é um espessamento localizado na pele, devido à deposição</p><p>excessiva de colágeno durante a cicatrização, formando as famosas</p><p>queloides.</p><p>Fibras reticulares</p><p>Já as fibras reticulares são predominantemente formadas</p><p>pela polimerização do colágeno tipo III que se associa a glicopro-</p><p>teínas e proteoglicanos. As fibrilas são bastante finas e formam um</p><p>padrão de bandas semelhante às fibrilas de colágeno. Aparecem dis-</p><p>postas em forma de redes em alguns órgãos e são sintetizadas por</p><p>fibroblastos, adipócitos, células de Schwann (no sistema nervoso</p><p>periférico) e por células musculares.</p><p>Fique atento(a), pois as fibrilas não se coram pelo método</p><p>convencional com HE (Hematoxilina e Eosina), porém a visualiza-</p><p>ção é possível através da impregnação com sais de prata, pela qual</p><p>se coram de preto, e da coloração</p><p>com PAS (Ácido Periódico de Schi-</p><p>ff), pela qual ficam coradas de rosa. São abundantes no músculo liso</p><p>e órgãos hematopoiéticos e linfoides, como medula, baço e linfo-</p><p>nodos. Formam ainda a membrana basal, juntamente com a lâmina</p><p>basal e uma fina camada em torno das células adiposas, dos vasos</p><p>sanguíneos e das fibras nervosas.</p><p>Fibras elásticas</p><p>Não podemos esquecer que as fibras elásticas são formadas</p><p>pela proteína elastina – periférica - e pelas microfibrilas, consti-</p><p>tuídas da glicoproteína fibrilina – central. São produzidas simulta-</p><p>neamente com o colágeno, pelos fibroblastos e células musculares</p><p>lisas da parede dos vasos. Além disso, estão presentes no mesenté-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 187BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 187 19/07/2022 14:37:2219/07/2022 14:37:22</p><p>188</p><p>rio, derme, ligamentos elásticos, nas artérias, cartilagem elástica,</p><p>pulmões e na bexiga. Na coloração de HE aparecem retráteis e eosi-</p><p>nófilas e com fucsina-resorcina coram-se em violeta escuro.</p><p>Substância fundamental</p><p>Como dito anteriormente, a substância fundamental é uma</p><p>mistura de carboidratos complexos – glicosaminoglicanos e prote-</p><p>oglicanos – e glicoproteínas. Ela preenche o espaço entre as células</p><p>e as fibras do tecido conjuntivo e, além disso, atua como lubrifican-</p><p>te e como barreira aos microrganismos. Quando fixada para análise</p><p>histológica, seus componentes se agregam e precipitam, formando</p><p>grânulos visíveis através da microscopia eletrônica.</p><p>Dentre os glicosaminoglicanos encontrados estão: ácido</p><p>hialurônico, sulfato de condroitina, sulfato de dermatana, sulfato</p><p>de queratana e sulfato de heparana (ou heparina). Com exceção do</p><p>ácido hialunônico, todos podem se associar a proteínas para cons-</p><p>tituir os proteoglicanos. A presença desses carboidratos complexos,</p><p>dotados de cargas negativas, é fundamental para a difusão do oxi-</p><p>gênio, nutrientes e resistência a compressão. Isso porque as cargas</p><p>negativas atraem cátions como o Na+ para a região, os quais atraem</p><p>a água, a qual se liga aos glicosaminoglicanos, dando uma consis-</p><p>tência de gel ao tecido.</p><p>Com relação aos proteoglicanos, é importante destacar sua</p><p>participação na sinalização celular. Eles são capazes de se ligar a fa-</p><p>tores de crescimento, aumentando ou inibindo sua ação na super-</p><p>fície das células. Já as glicoproteínas multiadesivas estão relaciona-</p><p>das à adesão dos componentes da matriz entre si e com as células</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 188BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 188 19/07/2022 14:37:2319/07/2022 14:37:23</p><p>189</p><p>proximais, sendo a fibronectina a glicoproteína mais abundante</p><p>desse tecido.</p><p>Durante os processos histológicos, é comum que a substância</p><p>fundamental seja perdida, devido as técnicas de fixação e desidrata-</p><p>ção. Para que ocorra sua visualização, os cortes histológicos devem</p><p>ser realizados sob congelamento. Para glicosaminoglicanos e preo-</p><p>teoglicanos, é indicado o uso de corantes catiônicos, como a hema-</p><p>toxilina, o azul de Alcian e o azul de toluidina. Já as glicoproteínas</p><p>são coradas em magenta pelo PAS.</p><p>A interação do ácido hialurônico com a água confere viscosidade ao</p><p>tecido, dificultando o movimento de microrganismos e metástases</p><p>celulares. Algumas bactérias, como o Staphylococcus aureus, secre-</p><p>tam hialuronidase, que degrada esse glicosaminoglicano, possibili-</p><p>tando, assim, que ocorra a infecção.</p><p>Classificação dos tecidos conjuntivos</p><p>Segundo a composição celular e da matriz extracelular, o te-</p><p>cido conjuntivo está classificado em tecido conjuntivo propriamente</p><p>dito, tecido conjuntivo de suporte e tecido conjuntivo de proprieda-</p><p>des especiais. Observe o infográfico abaixo que apresenta um mapa</p><p>mental com os tipos de tecido conjuntivo.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 189BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 189 19/07/2022 14:37:2419/07/2022 14:37:24</p><p>190</p><p>Figura 1 – Tipos de Tecido Conjuntivo</p><p>Fonte: NECO, H. (org.) (2022).</p><p>Agora que você está familiarizado(a) com as principais carac-</p><p>terísticas do tecido conjuntivo, chamo a sua atenção para as subdi-</p><p>visões presentes em cada uma das classificações citadas. Veja!</p><p>Tecido conjuntivo propriamente dito</p><p>Agora conheceremos apenas as características básicas do</p><p>tecido conjuntivo propriamente dito e suas subdivisões. Vejamos</p><p>abaixo:</p><p>◼ tecido conjuntivo frouxo: apresenta células mesenquimais,</p><p>fibroblastos, macrófagos, mastócitos, plasmócitos, leucóci-</p><p>tos e células adiposas, além de abundante matriz extracelu-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 190BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 190 19/07/2022 14:37:2419/07/2022 14:37:24</p><p>191</p><p>lar. Não há predominância de nenhum dos constituintes e está</p><p>presente subjacente ao epitélio. Suas fibras estão frouxamente</p><p>dispostas, conferindo flexibilidade ao tecido. Além disso, têm</p><p>função de suporte ao epitélio, preenchimento de espaço entre</p><p>os órgãos e tecidos, nutrição de tecidos avasculares, armaze-</p><p>namento de água e eletrólitos e função de defesa contra inva-</p><p>sores patogênicos.</p><p>◼ tecido conjuntivo denso: oferece resistência e proteção para</p><p>os tecidos, sendo menos flexível e mais resistente a lesão do</p><p>que o tecido frouxo. A quantidade de fibras colágenas é muito</p><p>maior do que dos outros componentes do tecido conjuntivo.</p><p>Apresenta número reduzido de células, sendo os fibroblas-</p><p>tos as mais abundantes. O tecido é dito denso não modelado</p><p>quando suas fibras se organizam em feixes dispostos sem</p><p>orientação definida, permitindo resistência à tração em qual-</p><p>quer direção. Já o denso modulado apresenta feixes de colá-</p><p>genos paralelos e alinhados com os fibroblastos, resistindo à</p><p>tração exercida num determinado sentido. Um exemplo desse</p><p>tecido são os tendões.</p><p>Depois de conhecer o tecido conjuntivo propriamente dito,</p><p>vamos conhecer os tecidos conjuntivos de suporte, começando pelo</p><p>cartilaginoso. Vamos lá!</p><p>Tecido cartilaginoso</p><p>O tecido cartilaginoso é uma especialização do tecido con-</p><p>juntivo encontrado nas articulações, onde desempenha a função de</p><p>suporte dos tecidos moles e facilita o deslizamento dos ossos. Ela</p><p>também é importante para a formação e durante o crescimento de</p><p>ossos longos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 191BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 191 19/07/2022 14:37:2419/07/2022 14:37:24</p><p>192</p><p>Geralmente, as cartilagens são envolvidas por uma camada</p><p>de tecido conjuntivo que recebe o nome de pericôndrio, com exce-</p><p>ção das cartilagens articulares e fibrosas. O tecido cartilaginoso não</p><p>apresenta vasos sanguíneos, recebendo seu aporte de nutrientes do</p><p>pericôndrio, nos ossos ou do líquido sinovial, nas cartilagens arti-</p><p>culares. Também não encontramos vasos linfáticos e nervos neste</p><p>tecido. É importante destacarmos também que esse tecido contém</p><p>células especializadas e abundante matriz extracelular. Os compo-</p><p>nentes das cartilagens estão descritos abaixo.</p><p>◼ Condroblastos: são células alongadas, com pequenas proje-</p><p>ções que aumentam a superfície de troca com o meio. Possuem</p><p>núcleo grande, com nucléolo proeminente, abundante retícu-</p><p>lo endoplasmático rugoso, o que torna o citoplasma basófilo,</p><p>e presença de vacúolos que contêm glicogênio e lipídeos. São</p><p>importantes para a produção dos componentes da matriz ex-</p><p>tracelular e dão origem aos condrócitos.</p><p>◼ Condrócitos: são células esféricas, com superfície bastante</p><p>irregular. Apresentam núcleo ovoide, eucromático, com retí-</p><p>culo endoplasmático rugoso e complexo de Golgi abundantes,</p><p>poucas mitocôndrias e gotículas lipídicas. As protuberâncias</p><p>de sua superfície aumentam a área de contato com o meio,</p><p>facilitando sua nutrição. Os condrócitos sintetizam os com-</p><p>ponentes da matriz extracelular, tais como</p><p>colágenos, prin-</p><p>cipalmente o tipo II, proteoglicanos e glicoproteínas como a</p><p>condronectina. Sua atividade depende da atuação de vários</p><p>hormônios, como tiroxina, testosterona, estradiol, cortisona</p><p>e hormônio do crescimento.</p><p>◼ Matriz cartilaginosa: consiste em fibrilas de colágeno do tipo</p><p>II, fibras elásticas, e/ou fibras colágenas do tipo I, proteogli-</p><p>canos, ácido hialurônico e glicoproteínas de adesão, como a</p><p>condronectina, que liga os componentes da matriz à mem-</p><p>brana das células. As proteoglicanos são formadas por gli-</p><p>cosaminoglicanos sulfatadas e se ligam às fibrilas colágenas</p><p>formando macromoléculas que conferem rigidez à matriz.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 192BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 192 19/07/2022 14:37:2419/07/2022 14:37:24</p><p>193</p><p>Classificação do Tecido Cartilaginoso</p><p>As cartilagens se diferenciam em três tipos: cartilagem hia-</p><p>lina, cartilagem elástica e cartilagem fibrosa (ou fibrocartilagem).</p><p>Vamos conhecê-las!</p><p>Cartilagem hialina</p><p>É o tipo mais frequente de cartilagem presente no corpo hu-</p><p>mano. No tecido vivo, apresenta colocação branco-perolada, quase</p><p>transparente e representa o primeiro esqueleto do embrião, sendo</p><p>gradativamente substituída por tecido ósseo.</p><p>É um tecido firme, resistente, com bastante resistência ao</p><p>desgaste. Caracteriza-se por uma matriz homogênea, composta de</p><p>fibrilas de colágeno tipo II extremamente finas, não estando visí-</p><p>veis à microscopia de luz. Essas se associam ao ácido hialurônico,</p><p>proteoglicanos e glicoproteínas. Constam ainda colágenos do tipo</p><p>VI, IX, X e XI.</p><p>Durante a fase do desenvolvimento, está presente entre a</p><p>diáfise e epífise de ossos longos, formando o disco epifisário. No</p><p>adulto, pode ser encontrada na parede das fossas nasais, traqueia,</p><p>brônquios, extremidade ventral das costelas e recobrindo as super-</p><p>fícies articulares dos ossos longos. Nessas, seu papel é o de diminuir</p><p>a fricção entre os ossos e amortecer impactos. Em algumas regiões,</p><p>está em contato direto com a superfície ou o osso, porém boa parte</p><p>dela é envolvida pelo pericôndrio, de quem recebe nutrientes.</p><p>Em torno dos condrócitos existem zonas estreitas com pou-</p><p>co colágeno e abundante proteoglicanos, que são conhecidas como</p><p>cápsulas ou matriz capsulares. É uma região basófila e metacromá-</p><p>tica ao microscópio de luz.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 193BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 193 19/07/2022 14:37:2419/07/2022 14:37:24</p><p>CURIOSIDADE</p><p>194</p><p>Cartilagem elástica</p><p>Já a cartilagem elástica é encontrada no sistema auditivo (pa-</p><p>vilhão, conduto externo e tuba auditiva), na epiglote e na laringe.</p><p>Sua estrutura é semelhante à cartilagem hialina, porém apresenta</p><p>uma abundante rede de fibras elásticas que lhe conferem maior fle-</p><p>xibilidade. É revestida pelo pericôndrio e está menos sujeita a pro-</p><p>cessos degenerativos e de calcificação do que a cartilagem hialina.</p><p>A presença da elastina confere uma coloração amarelada ao tecido</p><p>vivo. Com HE, as fibras são eosinófilas e retráteis; com fucsina-re-</p><p>sorcina coram-se em vermelho escuro e com orceína adquirem a</p><p>coloração marrom-avermelhada.</p><p>Muitas pessoas acreditam que, pelo fato de serem formados por te-</p><p>cido cartilaginoso não calcificado, as orelhas e o nariz continuam</p><p>crescendo durante toda a vida. Porém, estudos comprovam que o</p><p>crescimento da cartilagem elástica, que forma essas duas estrutu-</p><p>ras, é insignificante após os 18 anos de idade. Além disso, um estudo</p><p>concluiu que, com o passar dos anos, o nariz e as orelhas sofrem</p><p>uma frouxidão da associação entre a gordura subcutânea e a matriz</p><p>extracelular. Isso torna a pele mais flácida e, devido à ação da gravi-</p><p>dade, essas estruturas se alongam, causando o suposto aumento de</p><p>tamanho (ISAMU, I. et al. 2001).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 194BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 194 19/07/2022 14:37:2519/07/2022 14:37:25</p><p>195</p><p>Cartilagem fibrosa</p><p>É um tecido com características de cartilagem hialina e teci-</p><p>do conjuntivo denso, estando intimamente associado a esse último.</p><p>Não apresenta pericôndrio e está presente nos discos interverte-</p><p>brais, nos pontos de inserção dos ligamentos e tendões aos ossos,</p><p>na sínfise pública, nos meniscos dos joelhos e nas articulações tem-</p><p>poromandibulares, esternoclaviculares e dos ombros. A matriz é</p><p>composta de fibras colágenas – tipo I –, fibrilas de colágeno – tipo</p><p>II e escassa substância fundamental. Os condrócitos nela presentes</p><p>se originam de fibroblastos e aparecem enfileirados entre as fibras</p><p>colágenas.</p><p>Devido à presença de fibras colágenas, a matriz é acidófila</p><p>e a sua constituição em feixes torna o tecido bastante resistente à</p><p>tração e às deformações. Dessa maneira, os discos intercalares ou</p><p>intervertebrais ficam entre os corpos das vértebras, unidos por liga-</p><p>mentos. Atuam como membranas lubrificadas que previnem o des-</p><p>gaste das vértebras durante o movimento da coluna espinhal. São</p><p>formados por duas estruturas, sendo elas:</p><p>◼ anel fibroso: é formado de camadas concêntricas de feixe de</p><p>colágeno (cartilagem fibrosa) e na periferia apresenta tecido</p><p>conjuntivo denso;</p><p>◼ núcleo pulposo: ocupa a porção central do anel fibroso. Além</p><p>disso, é constituído de células arredondadas, imersas em lí-</p><p>quido extracelular rico em ácido hialurônico. Por ser bastante</p><p>hidratada, essa estrutura funciona como uma almofada, ab-</p><p>sorvendo o impacto da coluna. Com o avanço da idade, o nú-</p><p>cleo pulposo é parcialmente substituído por fibrocartilagem.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 195BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 195 19/07/2022 14:37:2519/07/2022 14:37:25</p><p>EXEMPLO</p><p>196</p><p>Para que você compreenda a importância dos discos intercalares,</p><p>vamos ver o que acontece durante a formação de uma hérnia de dis-</p><p>co. À medida em que envelhecemos, os ligamentos que conectam os</p><p>discos intercalares se tornam mais frágeis e ocorre a perda de elas-</p><p>ticidade e de flexibilidade dos discos, tornando-os mais propensos</p><p>à ruptura do anel fibroso. Quando isso acontece, o núcleo pulposo</p><p>é perdido, levando ao achatamento do disco e a aproximação das</p><p>vértebras proximais a esse. O deslocamento do disco de sua posição</p><p>normal ocasionado pela movimentação desse pode comprimir ner-</p><p>vos, produzindo fortes dores e distúrbios neurológicos. Para enten-</p><p>der o que estamos falando, sugiro que observe a Figura 1.</p><p>Figura 1 – Esquema mostrando a estrutura dos discos intervertebrais</p><p>Fonte: adaptada por Heytor (2022). Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:ACDF_oblique_annotated_spanish.svg</p><p>Licença: Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 196BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 196 19/07/2022 14:37:2619/07/2022 14:37:26</p><p>197</p><p>TECIDO ÓSSEO</p><p>O tecido ósseo é um tipo especializado de tecido conjuntivo</p><p>que constitui o esqueleto humano. É um tecido rígido, porém adap-</p><p>ta-se às mudanças vividas pelo organismo durante o seu desenvol-</p><p>vimento. Tem função importante de suporte para os tecidos moles</p><p>e proteção de órgão vitais, além de atuar como uma alavanca para o</p><p>movimento voluntário, devido a sua íntima associação com a mus-</p><p>culatura esquelética.</p><p>Também é uma importante reserva de cálcio, fosfato e outros</p><p>íons para o corpo, atuando como um sistema regulatório da concen-</p><p>tração dessas moléculas no sangue. E, por fim, é capaz de absorver</p><p>toxinas e metais pesados, minimizando seus efeitos adversos no or-</p><p>ganismo. Como relação aos seus constituintes, é formado de células</p><p>diferenciadas e pela matriz óssea.</p><p>Células do tecido ósseo</p><p>◼ Células osteoprogenitoras: são derivadas das células mesen-</p><p>quimais e dão origem aos osteoblastos. São fusiformes, com</p><p>núcleo ovoide, eucromático e nucléolos</p><p>proeminentes. En-</p><p>contram-se na superfície da matriz óssea.</p><p>◼ Osteoblastos: são células cuboides ou poligonais quando ati-</p><p>vas e alongadas quando inativas. O núcleo é central, eucro-</p><p>mático, com nucléolo proeminente, apresenta citoplasma</p><p>basófilo pela grande quantidade de retículo endoplasmático</p><p>rugoso. Aparecem, ainda, vesículas carregadas de glicoprote-</p><p>ínas que conferem aparência vacuolizada ao citoplasma. São</p><p>responsáveis pela produção da matriz óssea, sintetizando o</p><p>osteoide, que consiste em fibras colágenas tipo I, proteogli-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 197BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 197 19/07/2022 14:37:2619/07/2022 14:37:26</p><p>198</p><p>canos, glicosaminoglicanos e glicoproteínas multiadesivas, e</p><p>participam de sua mineralização. Estão organizados de forma</p><p>enfileirada, recobrindo a superfície da matriz e, uma vez “en-</p><p>globados” pela matriz recém-sintetizada, passa a ser chama-</p><p>do de osteócito.</p><p>◼ Osteócitos: São células achatadas, com pequena quantidade</p><p>de retículo endoplasmático, complexo de Golgi pouco de-</p><p>senvolvido e cromatina condensada; características que in-</p><p>dicam baixa atividade celular. Essas células são encontradas</p><p>em lacunas presentes na matriz. Cada lacuna contém apenas 1</p><p>osteócito. Dentro dos canalículos que seguem a partir das la-</p><p>cunas, seus prolongamentos se conectam através de junções</p><p>comunicantes, por onde trocam pequenas moléculas e íons.</p><p>Os osteócitos participam da síntese e degradação da matriz</p><p>óssea, atuam na homeostase do cálcio e sua morte resulta em</p><p>reabsorção óssea.</p><p>◼ Osteoclastos: células móveis, gigantes, multinucleadas (po-</p><p>dem conter 100 núcleos), que apresentam ramificações. O</p><p>citoplasma é granuloso, com abundância de mitocôndrias e</p><p>lisossomos, fracamente basófilo nos osteoclastos jovens e</p><p>acidófilo nos maduros. Porções dilatadas dos osteoclastos po-</p><p>dem estar presentes em áreas de reabsorção óssea; sua ativi-</p><p>dade nessas regiões formam as lacunas de Howship. A ativi-</p><p>dade dos osteoclastos leva a liberação de cálcio para o sangue e</p><p>remodela o osso, fazendo com que os componentes da matriz</p><p>se alinhem para resistir ao estiramento e a compressão. Após</p><p>a reabsorção ser concluída esses entram em apoptose celular.</p><p>Matriz Óssea</p><p>É constituída de uma porção orgânica, o osteoide e uma por-</p><p>ção inorgânica, formada pelos íons cálcio, fosfato, bicarbonato,</p><p>magnésio, sódio e potássio e pequenas concentrações de citrato. O</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 198BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 198 19/07/2022 14:37:2619/07/2022 14:37:26</p><p>199</p><p>cálcio e o fósforo são os mais abundantes e formam cristais com es-</p><p>trutura de hidroxiapatita, que apresenta uma camada de água e íons</p><p>ao seu redor, conhecida como capa de hidratação.</p><p>A maior parte do colágeno presente neste tecido é do tipo I,</p><p>mas existem ainda os tipos III, V, XI e XIII. As fibras colágenas se</p><p>associam a hidroxiapatita conferindo dureza e resistência ao tecido</p><p>ósseo. As proteoglicanos e glicosaminoglicanos suportam à com-</p><p>pressão e regulam a mineralização. Já as glicoproteínas de adesão se</p><p>associam às células e a matriz extracelular.</p><p>O tecido ósseo armazena cerca de 99% do cálcio do corpo.</p><p>Esse íon é importante para vários processos biológicos, como per-</p><p>meabilidade da membrana, adesão celular, coagulação sanguínea,</p><p>transmissão do impulso nervoso e contração muscular. Após a re-</p><p>moção do cálcio, os ossos mantêm sua forma, porém tornam-se tão</p><p>flexíveis quanto os tendões. Já a destruição do colágeno, que pode</p><p>ser feita por elevação da temperatura, torna o osso tão quebradiço</p><p>que, dificilmente, pode ser manuseado sem se partir.</p><p>Tipos de tecidos ósseos</p><p>Existem dois tipos de tecido ósseo: o imaturo, ou primário, e</p><p>o maduro, ou secundário. Ambos contêm os mesmos tipos celula-</p><p>res e mesmos constituintes de matriz, porém são diferentes no que</p><p>diz respeito à disposição das fibras colágenas, como entenderemos</p><p>abaixo.</p><p>◼ Tecido Primário ou imaturo: é o primeiro que se forma nos</p><p>ossos, sendo substituído gradualmente pelo tecido secundá-</p><p>rio. É também conhecido como não lamelar, devido à disposi-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 199BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 199 19/07/2022 14:37:2619/07/2022 14:37:26</p><p>200</p><p>ção sem orientação definida, das fibras colágenas. Apresenta</p><p>ainda menor quantidade de minerais e de osteócitos do que</p><p>o tecido secundário. É escasso no adulto, persistindo apenas</p><p>próximo às suturas dos ossos do crânio, nos alvéolos dentá-</p><p>rios e em pontos de inserção dos tendões.</p><p>◼ Tecido secundário ou maduro: também chamado de lamelar,</p><p>por conta da organização das fibras colágenas paralelas umas</p><p>às outras, em camadas concêntricas a partir da periferia, até</p><p>os vasos sanguíneos, formando o sistema de Havers. O Siste-</p><p>ma de Havers ou ósteon compreende uma estrutura em forma</p><p>de cilindro, formado por várias lamelas ósseas concêntricas</p><p>que circundam um canal central, o canal de Havers. Seu di-</p><p>âmetro é bastante variável, visto que o tecido ósseo está em</p><p>constante remodelação. Os canais de Havers são longitudinais</p><p>com relação ao osso por onde cruzam os capilares sanguíneos</p><p>e nervos. Eles se comunicam entre si e com a cavidade me-</p><p>dular e superfície do osso através de canalículos transversais</p><p>ou oblíquos, conhecidos como canais de Volkmann, que não</p><p>apresentam lamelas concêntricas ao seu redor.</p><p>Por conta de sua maior quantidade de substância fundamen-</p><p>tal, o tecido primário cora-se mais com hematoxilina, enquanto o</p><p>tecido secundário, mais calcificado e com maior quantidade de co-</p><p>lágeno, cora-se com a eosina. O tecido ósseo é formado por regiões</p><p>de osso compacto e outras de osso esponjoso, que apresenta muitas</p><p>cavidades intercomunicadas.</p><p>◼ Osso compacto: também chamado de cortical, encontra-se</p><p>na periferia dos ossos e tem capacidade de resistir a deforma-</p><p>ções. Apresenta sistemas de Havers e canais de Havers, assim</p><p>como canais de Volkmann. Possuem, ainda, lacunas entre as</p><p>lamelas, que foram deixadas pelos osteócitos. As lamelas cir-</p><p>cunferenciais internas ficam na porção interna do osso, junto</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 200BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 200 19/07/2022 14:37:2619/07/2022 14:37:26</p><p>201</p><p>ao canal medular, enquanto as circunferenciais externas fi-</p><p>cam na periferia.</p><p>◼ Osso esponjoso: também chamado de trabecular, fica na por-</p><p>ção interna dos ossos. É formado por trabéculas – hastes fi-</p><p>nas – de matriz óssea, que formam cavidades centrais e são</p><p>importantes para resistir às tensões físicas aplicadas sobre o</p><p>osso.</p><p>Os ossos longos apresentam as epífises (extremidades), for-</p><p>madas por osso esponjoso e a diáfise (haste) quase totalmente com-</p><p>pacta, com pequena quantidade de osso esponjoso a porção mais</p><p>central, delimitando o canal da medula. Já os ossos curtos têm o</p><p>centro esponjoso e em seu redor fica o osso compacto.</p><p>As cavidades do osso esponjoso e o canal medular da diáfi-</p><p>se dos ossos longos apresentam a medula óssea, estrutura respon-</p><p>sável pela produção de células do sangue. No recém-nascido, essa</p><p>região tem coloração avermelhada, devido à alta concentração de</p><p>hemácias. Com a idade, a atividade hematogênica reduz e o tecido</p><p>vai sendo infiltrado por células adiposas, adquirindo a coloração</p><p>amarela.</p><p>Apesar de ser um tecido duro, é possível produzir lâminas</p><p>histológicas de osso, através de dois processos: descalcificação e</p><p>desgaste. Na descalcificação, o osso é colocado em uma solução áci-</p><p>da para retirar os sais de cálcio. O osso fica mole o que permite que,</p><p>após inclusão em parafina, seja cortada no micrótomo. Após, pode</p><p>ser feita a coloração com HE. Para a observação das células, utiliza-</p><p>-se o método de desgaste (Método de Schmorl), no qual pedaços de</p><p>osso compacto são lixados</p><p>até uma espessura bastante fina que per-</p><p>mita a passagem da luz do microscópio para a formação da imagem.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 201BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 201 19/07/2022 14:37:2619/07/2022 14:37:26</p><p>202</p><p>Tipos de ossificação – osteogênese</p><p>São dois os processos de ossificação: intramembranosa ou</p><p>endocondral. Veja abaixo a diferença entre elas.</p><p>◼ Ossificação intramembranosa: as células mesenquimais di-</p><p>ferenciam-se em células osteoprogenitoras, que dão origem</p><p>aos osteoblastos, produtores da matriz óssea. As células os-</p><p>teoprogenitoras e os osteoblastos dispostos na superfície da</p><p>matriz compõem a porção chamada de endósteo, região res-</p><p>ponsável pela manutenção e reparo do tecido. A parte do me-</p><p>sênquima que não sofre ossificação constitui o periósteo, cuja</p><p>porção externa é formada de tecido conjuntivo denso não mo-</p><p>delado, e a interna contém as células osteoprogenitoras, que</p><p>se diferenciam em osteoblastos e atuam no crescimento e re-</p><p>paro ósseo. Esse tipo de ossificação ocorre nos ossos chatos do</p><p>crânio, clavícula, e parede dos ossos longos e curtos.</p><p>◼ Ossificação endocondral: ocorre sobre um molde de cartila-</p><p>gem hialina, que se origina do mesênquima e assume a forma</p><p>do futuro osso, porém de tamanho menor. É o tipo de ossifica-</p><p>ção que ocorre em ossos curtos e longos. A formação dos ossos</p><p>longos é mais complexa. Na diáfise (haste do osso) a ossifi-</p><p>cação é primeiramente intramembranosa, com a formação de</p><p>um colar ósseo externo, pela ação dos osteoblastos. Esse im-</p><p>pede a difusão de nutrientes para o interior da cartilagem hia-</p><p>lina, levando a morte dos condrócitos e formação de cavidades</p><p>medulares. Os osteoclastos perfuram o colar ósseo e os vasos</p><p>sanguíneos e, além disso, os nervos entram na diáfise. As cé-</p><p>lulas osteoprogenitoras vindas da circulação, estabelecem o</p><p>centro primário de ossificação, com a substituição do tecido</p><p>cartilaginoso pelo ósseo. A diáfise aumenta em diâmetro pela</p><p>deposição de matriz óssea na porção externa e reabsorção na</p><p>parte interna.</p><p>Posteriormente, em cada uma das epífises ósseas, irão se for-</p><p>mar os centros secundários de ossificação. Esses apresentam cres-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 202BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 202 19/07/2022 14:37:2619/07/2022 14:37:26</p><p>203</p><p>cimento radial, diferente do crescimento longitudinal apresentado</p><p>pelo centro primário e sua presença reduz o tecido cartilaginoso a</p><p>dois locais: cartilagem articular e disco epifisário (cartilagem de</p><p>conjugação).</p><p>A cartilagem articular é o tecido cartilaginoso que “reveste”</p><p>as articulações do corpo. Já o disco epifisário fica entre o tecido ós-</p><p>seo da epífise e o da diáfise e é responsável pelo crescimento longi-</p><p>tudinal do osso até a sua completa ossificação, por volta dos 20 anos</p><p>de idade. Essa cartilagem apresenta 5 regiões distinguíveis:</p><p>1. zona de repouso, onde há cartilagem hialina sem alterações</p><p>morfológicas;</p><p>2. zona de cartilagem seriada ou de proliferação, na qual os</p><p>condrócitos estão se dividindo formando “fileiras” de células</p><p>empilhadas;</p><p>3. zona de cartilagem hipertrófica, na qual os condrócitos au-</p><p>mentam de volume;</p><p>4. zona de cartilagem calcificada, na qual, após a morte dos</p><p>condrócitos por apoptose, ocorre mineralização; e,</p><p>5. zona de ossificação, na qual aparece tecido ósseo, uma vez</p><p>que células osteoprogenitoras invadem as cavidades nas</p><p>quais os condrócitos se localizavam.</p><p>TECIDO SANGUÍNEO</p><p>O sangue é um tipo bem especial de tecido conjuntivo, sendo</p><p>considerado um “tecido líquido”. Está contido em compartimentos</p><p>fechados, vasos sanguíneos e coração, que formam o sistema cir-</p><p>culatório. Seu movimento é regular e unidirecional e apresenta, em</p><p>média, um volume de 5 L num indivíduo adulto. Esse tecido está di-</p><p>vidido em duas partes: o plasma, parte líquida onde estão suspen-</p><p>sos os componentes celulares, representados por glóbulos brancos,</p><p>glóbulos vermelhos e plaquetas. Todos eles são derivados de células</p><p>hematopoiéticas que constituem a medula óssea.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 203BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 203 19/07/2022 14:37:2619/07/2022 14:37:26</p><p>204</p><p>Após ser tratado com um anticoagulante, como a heparina</p><p>e ser centrifugado, o sangue se separa em camadas sedimentadas,</p><p>o hematócrito. Nesse, podemos visualizar o plasma como uma ca-</p><p>mada superior translúcida e amarelada. Além disso, os glóbulos</p><p>brancos e plaquetas ocupam a camada intermediária, de cor acin-</p><p>zentada; enquanto os glóbulos vermelhos, mais densos, ocupam</p><p>a camada inferior, de coloração vermelha e que representa de 35 a</p><p>50% do conteúdo total de sangue.</p><p>A principal função do sangue é a de transportar células de</p><p>defesa, nutrientes, metabólitos e moléculas, conectando células</p><p>ou sistemas que realizam a absorção e/ou síntese com aqueles que</p><p>farão a recepção e/ou excreção. Entre as substâncias transportadas</p><p>pelo sangue, podemos citar o oxigênio e gás carbônico, hormônios,</p><p>aminoácidos e proteínas, lipídeos e açúcares. Além disso, o sangue</p><p>atua como um regulador da distribuição de calor e no equilíbrio</p><p>ácido-base e osmótico dos tecidos. A Figura 2 ilustra os principais</p><p>componentes do sangue.</p><p>Figura 2 – Principais componentes do sangue</p><p>Fonte: adaptada por Heytor (2022). Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Components_of_blood.png</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 204BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 204 19/07/2022 14:37:2719/07/2022 14:37:27</p><p>205</p><p>Plasma</p><p>É a porção aquosa do sangue, onde estão imersas proteí-</p><p>nas plasmáticas, sais inorgânicos e compostos orgânicos diversos,</p><p>como hormônios, vesículas lipídicas, aminoácidos, vitaminas e</p><p>glicose. Íons e compostos de baixo peso molecular transitam mais</p><p>facilmente entre o plasma e o líquido intersticial que compõe os te-</p><p>cidos, permitindo que ambos estejam osmoticamente em equilíbrio.</p><p>As proteínas presentes em maior quantidade são: albuminas, alfa,</p><p>beta e gamaglobulinas, lipoproteínas e as proteínas de coagulação</p><p>protrombina e fibrinogênio.</p><p>Lembre-se que as albuminas são importantes para a manu-</p><p>tenção da pressão osmótica do sangue e uma redução na sua con-</p><p>centração sanguínea gera edema generalizado.</p><p>Em 1891, o médico russo Dmitri Leonidovich Romanowsky usou</p><p>uma mistura dos corantes eosina e azul de metileno em uma amos-</p><p>tra de sangue. A combinação permitiu alcançar melhores resultados</p><p>na visualização do que o uso dos corantes separadamente. Na oca-</p><p>sião, ele conseguiu visualizar os parasitos da malária (Plasmodium</p><p>sp) nos eritrócitos, feito importante para o diagnóstico dessa do-</p><p>ença. Parte do parasito foi corada com uma tonalidade violeta que</p><p>não podia ser atribuída diretamente à eosina ou ao azul de metileno,</p><p>mas devia ser resultante da formação de um novo corante. Esse mé-</p><p>todo de coloração foi batizado de Coloração de Romanowsky em sua</p><p>homenagem.</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 205BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 205 19/07/2022 14:37:2819/07/2022 14:37:28</p><p>206</p><p>Eritrócitos</p><p>Também conhecidos como hemácias ou glóbulos vermelhos,</p><p>são células anucleadas, com grande quantidade de hemoglobina,</p><p>proteína com alfa afinidade ao O2, responsável pelo seu transporte</p><p>no plasma. Possuem formato de disco bicôncavo, que lhes propor-</p><p>ciona uma relação favorável de área/ volume para as trocas gasosas.</p><p>São células flexíveis devido à intensa polarização e despolarização</p><p>dos filamentos de actina do citoesqueleto, porém, em condições</p><p>normais, não deixam o sistema circulatório, como os leucócitos.</p><p>A concentração normal dessas células no sangue varia entre</p><p>4 e 5,4 milhões por µL na mulher</p><p>e 4,6 a 6 milhões por µL no ho-</p><p>mem. Devido à hemoglobina, os eritrócitos são acidófilos, coran-</p><p>do-se pela eosina. A ausência de mitocôndrias é uma característica</p><p>dessas células que obtém a maior parte de sua energia da glicólise</p><p>anaeróbica.</p><p>São originados a partir de células hematopoiéticas da medula</p><p>óssea. Durante seu desenvolvimento na medula, perdem o núcleo e</p><p>outras organelas, o que restringe seu tempo de vida a 120 dias, em</p><p>média. Depois desse tempo, são digeridos por macrófagos, princi-</p><p>palmente no baço.</p><p>A porção externa da membrana dos eritrócitos contém ca-</p><p>deias de carboidratos que são especificamente herdadas e atuam</p><p>como antígenos. A presença (ou ausência) dos antígenos A e B de-</p><p>terminam os quatro grupos sanguíneos principais: A, B, AB e O. Há</p><p>ainda o fator sanguíneo Rh, assim denominado porque foi identifi-</p><p>cado no macaco do gênero Rhesus. Ele comporta vários antígenos,</p><p>sendo três (C, D e E), bastante comuns na população humana, e o</p><p>indivíduo que possui um deles é considerado Rh+.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 206BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 206 19/07/2022 14:37:2819/07/2022 14:37:28</p><p>207</p><p>Leucócitos</p><p>Também conhecidos como glóbulos brancos, os leucócitos</p><p>são células esféricas, incolores, com função de defesa contra infec-</p><p>ções por microrganismos. Assim como os eritrócitos, são produzi-</p><p>dos a partir das células hematopoiéticas pluripotentes da medula</p><p>óssea, sendo também produzidos em tecidos linfoides. São trans-</p><p>portados no sangue até seu local de ação, onde sofrem diapedese</p><p>– passagem através das paredes dos capilares.</p><p>Estão divididos em dois grandes grupos: granulócitos e agra-</p><p>nulócitos. Os granulócitos apresentam núcleo irregular e grânulos</p><p>citoplasmáticos. São eles os neutrófilos, eosinófilos e basófilos. Já os</p><p>agranulócitos tem forma nuclear regular e ausência de grânulos no</p><p>citoplasma. São eles os linfócitos e monócitos.</p><p>O número de leucócitos na circulação normal de um adulto varia de</p><p>4.500 a 11.500 µL. Em caso de redução nesse número, temos uma</p><p>leucopenia e, se houver um aumento, uma leucocitose.</p><p>As células do sangue, geralmente, são estudadas pela técnica</p><p>de esfregaço, onde uma gota de sangue é espalhada sobre uma lâ-</p><p>mina. A coloração é feita com misturas especiais que contêm eosina</p><p>(corante ácido), azul de metileno (corante básico) e azures (coran-</p><p>tes básicos de cor púrpura). Com essas misturas de corantes, as es-</p><p>truturas acidófilas ficam coradas de rosa, as basófilas de azul e as</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 207BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 207 19/07/2022 14:37:2919/07/2022 14:37:29</p><p>208</p><p>azurófilas na cor púrpura. As misturas de corantes mais utilizadas</p><p>são de Leishman, Wright e Giemsa.</p><p>Neutrófilos</p><p>Conhecidos como polimorfonucleares, apresentam núcleo</p><p>formado por dois a cinco lóbulos unidos por finas pontes de cro-</p><p>matina. Os polimorfonucleares imaturos apresentam núcleo não</p><p>segmentado, em forma de bastão curvo, por isso são conhecidos</p><p>como bastonetes. Já os neutrófilos maduros apresentam quantidade</p><p>reduzida de retículo endoplasmático rugoso, ribossomos, mitocôn-</p><p>drias e complexo de Golgi. Sua principal função é a degranulação de</p><p>seu conteúdo em locais de infecção, no combate à microrganismos</p><p>invasores.</p><p>Os grânulos presentes no citoplasma são de dois tipos: azu-</p><p>rófilos, maiores e representam os lisossomos; e grânulos específi-</p><p>cos, que contêm distintas moléculas, como enzimas, componentes</p><p>de membrana e moléculas antioxidantes.</p><p>Nos neutrófilos de mulheres, há uma pequena estrutura em</p><p>forma de baqueta de tambor no núcleo. Essa consiste em um dos</p><p>cromossomos X bastante condensado e, consequentemente, inativo</p><p>e é conhecido como cromatina sexual ou corpúsculo de Barr.</p><p>Eosinófilos</p><p>São menos abundantes que os neutrófilos. Apresentam nú-</p><p>cleo bilobulado, com retículo endoplasmático, mitocôndrias e com-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 208BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 208 19/07/2022 14:37:2919/07/2022 14:37:29</p><p>209</p><p>plexo de Golgi pouco desenvolvidos. Suas granulações ovoides se</p><p>coram pela eosina sendo, portanto, acidófilas. Entre as substâncias</p><p>secretadas pelos grânulos estão citocinas, leucotrienos, peroxida-</p><p>se e neurotoxina. Além de atuarem no ataque a microrganismos,</p><p>os eosinófilos induzem a degranulação de mastócitos e basófilos e,</p><p>além disso, apresentam antígenos contra os linfócitos, modulando</p><p>negativamente a atividade dessas células.</p><p>Basófilos</p><p>Apresentam núcleo volumoso, irregular, semelhante à letra</p><p>“S”. Além disso, os grânulos são grandes e abundantes, podendo</p><p>obscurecer o núcleo durante análise histológica. Esses grânulos são</p><p>bastante eletrodensos e metacromáticos. Contém histamina, fatores</p><p>quimiotáticos para eosinófilos e neutrófilos e heparina. Represen-</p><p>tam cerca de 2% do total de leucócitos no sangue, sendo, portanto,</p><p>de difícil visualização. Apresentam receptores para a Imunoglobuli-</p><p>na-E (IgE) e liberam mediadores inflamatórios, como leucotrienos</p><p>e citocinas.</p><p>Linfócitos</p><p>Constituem uma família de células esféricas, de tamanho va-</p><p>riável, com núcleos esféricos, cromatina em grumos grosseiros e</p><p>nucléolo pouco visível. O citoplasma é escasso, pobre em organelas,</p><p>com discreta basofilia, corando-se de azul-claro. Pode haver grâ-</p><p>nulos azurófilos.</p><p>São responsáveis pela defesa imunológica do organismo,</p><p>através da síntese e liberação de imunoglobulinas (linfócitos B) e</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 209BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 209 19/07/2022 14:37:2919/07/2022 14:37:29</p><p>210</p><p>da resposta citotóxica ou auxiliar mediada por células (linfócitos T).</p><p>Diferentemente dos outros leucócitos, os linfócitos voltam dos teci-</p><p>dos para o sangue, recirculando continuamente.</p><p>Monócitos</p><p>São as maiores células do sangue. Apresentam núcleo excên-</p><p>trico, em forma de rim ou ferradura, conforme seu amadurecimen-</p><p>to. Contém dois ou três nucléolos, que podem ser visualizados no</p><p>esfregaço comum. O citoplasma é vacuolizado, basófilo, corando-se</p><p>de azul-acinzentado devido à presença de grânulos azurófilos bas-</p><p>tante finos e dispersos por todo o citoplasma. A superfície da célula</p><p>contém muitas microvilosidades e vesículas de pinocitose. Origi-</p><p>nam-se das células mononucleares fagocitárias da medula óssea e</p><p>dão origem aos macrófagos, células fagocíticas mais desenvolvidas.</p><p>Plaquetas</p><p>Resultam da fragmentação do citoplasma dos megacarióci-</p><p>tos, células poliploides presentes na medula óssea. Apresentam for-</p><p>ma de disco e são anucleadas. Promovem a coagulação do sangue a</p><p>auxiliam na reparação da parede de vasos sanguíneos. Nos esfrega-</p><p>ços de sangue, as plaquetas tendem a aparecer em grupos (agluti-</p><p>nação).</p><p>Em sua superfície, as plaquetas possuem glicocálix espesso,</p><p>com moléculas adesivas e invaginações que aumentam a área e oti-</p><p>mizam a liberação de substâncias contidas em seus grânulos. Dentre</p><p>essas substâncias estão ADP, ATP, cálcio, histamina, fatores de coa-</p><p>gulação, fatores de crescimento derivado de plaquetas e serotonina.</p><p>Dito isto, vamos agora conhecer os tecidos musculares?</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 210BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 210 19/07/2022 14:37:2919/07/2022 14:37:29</p><p>211</p><p>TECIDO MUSCULAR</p><p>O tecido muscular é caracterizado por células alongadas es-</p><p>pecializadas na atividade contrátil. Elas são ricas em filamentos de</p><p>proteínas que interagem entre si e realizam a contração de forma</p><p>dependente de ATP. Alguns de seus constituintes recebem nomes</p><p>especiais: a membrana celular é chamada de sarcolema, o citosol é o</p><p>sarcoplasma e o retículo endoplasmático liso, especializado no ar-</p><p>mazenamento de cálcio, é o retículo sarcoplasmático.</p><p>Com relação a sua função, podemos citar as seguintes:</p><p>◼ movimento do corpo, através dos ossos e das articulações;</p><p>◼ movimento de substâncias e de líquidos no interior de órgãos</p><p>e vasos;</p><p>◼ regulação da posição e do volume de órgãos;</p><p>◼ produção de calor.</p><p>As células musculares, também chamadas de miócitos ou fi-</p><p>bras musculares, possuem origem mesodérmica e são classificadas,</p><p>de acordo com suas características morfológicas, em estriadas es-</p><p>queléticas, estriadas cardíacas e lisas. As características de cada um</p><p>dos tecidos musculares estão resumidas no Quadro 2.</p><p>Quadro 2 – Características dos diferentes tipos de músculos</p><p>Características Muscular liso Estriado Cardíaco Estriado Esquelético</p><p>Contração Lenta involuntária Rápida involuntária Rápida voluntária</p><p>Tempo de</p><p>contração Lento Rápido Rápido</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 211BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 211 19/07/2022 14:37:2919/07/2022 14:37:29</p><p>212</p><p>Estrias</p><p>transversais Não há Há Há</p><p>Núcleo e Posição 1 / central 1 ou 2 / central Mais de um núcleo /</p><p>periféricos</p><p>Forma celular Fusiforme Filamentar Filamentar</p><p>ramificada</p><p>Forma do músculo Camadas envolvendo</p><p>órgãos</p><p>Formam 1 camada -</p><p>miocárdio Feixes bem definidos</p><p>Fonte: FIORENZA, N. (org.) (2020).</p><p>Como você deve saber, os miócitos são constituídos de fila-</p><p>mentos de actina e miosina – contração, além de filamentos inter-</p><p>mediários de desmina. Apresentam lâmina basal associada e fibras</p><p>reticulares compondo a matriz extracelular, cujos componentes são</p><p>secretados pelas próprias células musculares e auxiliam na adesão</p><p>entre elas.</p><p>O grau de contração muscular depende de dois fatores: a in-</p><p>tensidade do estímulo e a quantidade de fibras estimuladas. Dessa</p><p>forma, somente ocorrerá contração quando o estímulo nervoso</p><p>tiver intensidade suficiente para desencadear em um número sig-</p><p>nificativo de fibras.</p><p>Tecido muscular liso</p><p>É formado pela associação entre miócitos fusiformes, de</p><p>comprimento variado, com núcleo central alongado, como pode ser</p><p>observado na Figura 3. Além disso, possui citoplasma perinuclear</p><p>rico em ribossomos, RER, complexo de Golgi, mitocôndrias e glico-</p><p>gênio. Apresenta vesículas endocíticas e cavéolas, devido à intensa</p><p>atividade pinocítica para a entrada de cálcio.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 212BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 212 19/07/2022 14:37:2919/07/2022 14:37:29</p><p>213</p><p>Os miócitos contém pouco REL, o qual não armazena cálcio</p><p>neste tecido. Suas miofibrilas (filamentos contráteis) estão dispos-</p><p>tas em diferentes planos e, por isso, não são visualizadas aqui as es-</p><p>triações características do tecido muscular estriado. Os corpos den-</p><p>sos são especializações desse tecido que sustentam as miofibrilas de</p><p>actina e miosina, em forma de redes no citoplasma e no sarcolema.</p><p>Figura 3 – Estrutura e exemplos dos tipos de músculo</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Types_Of_Muscle.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>As características desse tecido são bastante variáveis, de-</p><p>pendendo do órgão ao qual está associado, do tipo de resposta aos</p><p>estímulos e da inervação à que é exposto. As miofibrilas finas e</p><p>grossas do músculo liso são diferentes daquelas do tecido estriado,</p><p>tanto na sua composição, quanto na sua estrutura. Os filamentos</p><p>finos são formados pela actina, caldesmona e calponina, enquan-</p><p>to os filamentos grossos são constituídos de moléculas de miosina</p><p>II, as quais se orientam de forma a que os filamentos finos sejam</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 213BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 213 19/07/2022 14:37:2919/07/2022 14:37:29</p><p>214</p><p>tracionados por toda a sua extensão. Caldesmona e calponina de-</p><p>sempenham o papel da troponina do músculo estriado, bloqueando</p><p>o local de ligação da actina com a miosina, de forma independente</p><p>de cálcio.</p><p>O músculo liso pode ser dividido em multiunitário e unitário. O mul-</p><p>tiunitário é composto por fibras musculares separadas e discretas,</p><p>o que garante que cada fibra contraia de forma independente, sendo</p><p>cada uma delas inervada por uma única terminação nervosa. Como</p><p>exemplo, podemos citar o músculo ciliar do olho, a íris, músculos</p><p>eretores dos pelos, entre outros. Enquanto isso, o músculo liso uni-</p><p>tário é formado por centenas ou milhares de fibras musculares que</p><p>contraem como uma única estrutura. Pode ser encontrado na parede</p><p>da maioria dos órgãos, como intestino, útero e ductos biliares. Já na</p><p>coloração com HE, o citoplasma dessas células fica cora-se de rosa,</p><p>visto que actina e miosina estão presentes e interagem com a eosina.</p><p>Essa coloração de hematoxilina férrica permite a visualização dos</p><p>corpos densos.</p><p>Tecido estriado esquelético e cardíaco</p><p>O tecido muscular estriado é formado por fibras musculares</p><p>cilíndricas, alongadas, que apresentam estrias transversais e que</p><p>são resultado do arranjo entre os filamentos finos de actina e os</p><p>filamentos grossos de miosina em uma estrutura conhecida como</p><p>sarcômero. Ele está dividido em tecido estriado esquelético e tecido</p><p>estriado cardíaco, que vamos conhecer a partir de agora!</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 214BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 214 19/07/2022 14:37:3019/07/2022 14:37:30</p><p>215</p><p>Tecido estriado esquelético</p><p>O termo “esquelético” se deve à sua localização, associada ao</p><p>esqueleto ósseo. Este tecido apresenta células grandes, alongadas</p><p>e cilíndricas, multinucleadas, com núcleos periféricos e abundan-</p><p>tes miofibrilas. A multinucleação se deve à fusão de centenas de</p><p>mioblastos – células precursoras – durante a formação dos mió-</p><p>citos.</p><p>O músculo esquelético possui células com pequena quan-</p><p>tidade de RER e ribossomos, porém o retículo sarcoplasmático é</p><p>bastante desenvolvido e especializado no armazenamento de íons</p><p>Ca+2. As mitocôndrias são abundantes e, no citoplasma, podemos</p><p>identificar gotículas lipídicas, glicogênio e pigmentos de mioglobi-</p><p>na. O glicogênio serve de reserva energética para a célula, enquanto</p><p>a mioglobina, uma proteína que confere a coloração vermelho escu-</p><p>ra de algumas fibras musculares, serve de depósito de oxigênio. Os</p><p>filamentos de actina e miosina encontram-se envoltos por invagi-</p><p>nações do sarcolema, cisternas do retículo sarcoplasmático e pelas</p><p>mitocôndrias.</p><p>Dessa maneira, as fibras estriadas esqueléticas apresentam</p><p>um diâmetro que varia de 10 a 100 µm. Seu diâmetro depende de</p><p>uma série de fatores, como localização, idade, sexo, estado nutri-</p><p>cional e treinamento físico. O aumento da musculatura em função</p><p>do exercício físico se deve à formação de novas miofibrilas, com</p><p>consequente aumento do diâmetro das fibras – hipertrofia. Observe</p><p>o músculo estriado esquelético detalhado na Figura 4.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 215BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 215 19/07/2022 14:37:3019/07/2022 14:37:30</p><p>216</p><p>Figura 4 – Músculo estriado esquelético</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Figura_3_-</p><p>_M%C3%BAsculo_Esquel%C3%A9tico.JPG</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Na imagem acima você pode observar:</p><p>1. fibra vista longitudinalmente;</p><p>2. tecido conjuntivo (endomísio);</p><p>3. fibra vista transversalmente;</p><p>4. núcleo da fibra muscular.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 216BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 216 19/07/2022 14:37:3119/07/2022 14:37:31</p><p>217</p><p>Organização do tecido muscular estriado esquelético</p><p>As fibras musculares estão organizadas em feixes, sendo o</p><p>conjunto de feixes envolvidos por tecido conjuntivo denso não mo-</p><p>delado, conhecido como epimísio. Dessa camada partem inúmeros</p><p>septos formados por tecido conjuntivo frouxo que separam</p><p>entusias-</p><p>ta em entender como nosso corpo funciona</p><p>nos processos de saúde e doença. Sou Mes-</p><p>tre em Ciências pela Fiocruz Pernambuco e</p><p>foi nessa mesma instituição que realizei o</p><p>doutorado em Biociências e Biotecnologia em Saúde. Minhas pes-</p><p>quisas envolvem células do sistema imunológico, infecções virais e</p><p>imunogenética, sem esquecer das pesquisas em educação e divulga-</p><p>ção científica. Espero contribuir com a sua aprendizagem, falando</p><p>sobre as bases da biologia celular, molecular e tecidual. Desejo su-</p><p>cesso em sua caminhada!</p><p>Lattes: http://lattes.cnpq.br/0986631071030804</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 14BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 14 19/07/2022 14:35:5219/07/2022 14:35:52</p><p>UN</p><p>ID</p><p>AD</p><p>E</p><p>1</p><p>Objetivos</p><p>◼ Reconhecer os aspectos gerais, organização das células pro-</p><p>carióticas e eucarióticas e os mecanismos envolvidos no seu</p><p>funcionamento;</p><p>◼ Compreender a estrutura do microscópio, seu funcionamento</p><p>e as diferentes técnicas de microscopia;</p><p>◼ Entender os métodos empregados no estudo das células e te-</p><p>cidos;</p><p>◼ Conhecer as funções da biomembrana e do citoesqueleto.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 15BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 15 19/07/2022 14:35:5319/07/2022 14:35:53</p><p>16</p><p>Introdução</p><p>Caro(a) aluno(a),</p><p>A partir de agora vamos começar a estudar o incrível mundo</p><p>microscópico, formado por estruturas que só conseguimos ver com</p><p>o auxílio de um microscópio. Nesse universo, é importante desta-</p><p>carmos que o aperfeiçoamento desse equipamento ao longo dos</p><p>anos possibilitou que as células pudessem ser estudadas em detalhe,</p><p>a ponto de hoje conhecermos suas estruturas e funções. Além disso,</p><p>o estudo das células, chamado biologia celular, foi se desenvolvendo</p><p>junto a outras ciências como a biologia molecular e tecidual.</p><p>Pensando nisso, neste material você conhecerá como uma</p><p>célula funciona, a partir dos aspectos gerais da estrutura celular.</p><p>Você também aprenderá sobre microscopia, conhecendo como os</p><p>microscópios funcionam, quais os tipos de equipamentos e técnicas.</p><p>A unidade ainda informará sobre os métodos empregados no estudo</p><p>das células, bem como sobre a importância das biomembranas e do</p><p>citoesqueleto para o funcionamento celular. Prepare-se para uma</p><p>viagem de aprendizado na qual você entenderá como as menores</p><p>estruturas do seu corpo funcionam.</p><p>Bons estudos!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 16BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 16 19/07/2022 14:35:5319/07/2022 14:35:53</p><p>17</p><p>ASPECTOS GERAIS DA ESTRUTURA CELULAR</p><p>Organização estrutural e funcionamento das</p><p>células procarióticas e eucarióticas</p><p>Em 1838, os cientistas Matthias Schleiden e Theodor Schwa-</p><p>nn, após pesquisas com tecidos animais e vegetais, concluíram que</p><p>os componentes fundamentais de animais e plantas eram os mes-</p><p>mos e formularam aquela que é até hoje uma das principais teorias</p><p>da biologia, a Teoria Celular. Essa teoria trouxe uma das definições</p><p>mais clássicas das células, apresentando-as como as unidades mi-</p><p>croscópicas morfofuncionais dos seres vivos. Além disso, trouxe o</p><p>conceito de que essas células podem se associar, formando organis-</p><p>mos mais complexos.</p><p>Tradicionalmente, diz-se que as células possuem núcleo, ci-</p><p>toplasma e membrana. Porém, a estrutura e o funcionamento das</p><p>células podem variar muito entre os diversos tipos. Existem células</p><p>cujo material genético, o ácido desoxirribonucleico (DNA), é encon-</p><p>trado disperso no citoplasma, a região onde são encontradas as or-</p><p>ganelas, estruturas envolvidas no funcionamento celular.</p><p>Estas que possuem o DNA “espalhado” no citoplasma são</p><p>mais primitivas e chamadas de células procarióticas (do grego pro,</p><p>primeiro; e karyon, noz, núcleo), como as bactérias, que pertencem</p><p>ao reino Monera. Para que você possa entender o que falamos até</p><p>agora, sugiro que veja abaixo, na Figura 1, a organização estrutural</p><p>de uma célula procariótica.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 17BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 17 19/07/2022 14:35:5319/07/2022 14:35:53</p><p>DICA</p><p>18</p><p>Figura 1 – Estrutura de uma célula procariótica</p><p>Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/de/Prokaryote_</p><p>cell-es.svg Licença: criative.commons</p><p>Como você pôde observar na figura acima, a bactéria é um organis-</p><p>mo unicelular e a única célula que a forma não tem núcleo. Dessa</p><p>maneira, o DNA está espalhado no citoplasma.</p><p>Em outras células, o DNA é envolvido por um envoltório nu-</p><p>clear, a carioteca. Essas são mais complexas e chamadas de células</p><p>eucarióticas (do grego eu, verdadeiro; e karyon, noz, núcleo), como</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 18BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 18 19/07/2022 14:35:5419/07/2022 14:35:54</p><p>DICA</p><p>19</p><p>os protozoários e as células dos fungos, plantas e animais, como as</p><p>células dos humanos (Figura 2).</p><p>Figura 2 – Estrutura de uma célula eucariótica</p><p>Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/ef/Celula2.</p><p>png?20161003201602 Licença: criative.commons</p><p>Ao analisar a figura acima, você deve perceber que as células euca-</p><p>rióticas são muito complexas. Isso porque elas possuem uma grande</p><p>variedade de organelas e seu DNA está envolvido por um envoltório</p><p>nuclear, chamado carioteca.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 19BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 19 19/07/2022 14:35:5419/07/2022 14:35:54</p><p>20</p><p>Essa primeira classificação é devido à própria organização</p><p>interna das células, mas existem diversas outras diferenças entre</p><p>as células procarióticas e eucarióticas, como exibe o quadro abaixo:</p><p>Tabela 1 - Classificação celular</p><p>Fonte: Adaptado de ALBERTS, Bruce et al. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2017.</p><p>A maioria das células procarióticas é pequena e simples na</p><p>sua aparência externa. Elas podem viver isoladas ou em colônias,</p><p>como as bactérias, que formam comunidades organizadas de forma</p><p>livre. Essas células possuem, normalmente, formato esférico ou em</p><p>forma de bastonete e medem poucos micrômetros em dimensão li-</p><p>near. Frequentemente apresentam uma capa protetora resistente,</p><p>chamada de parede celular, abaixo da qual se encontra a membra-</p><p>na plasmática envolvendo um único compartimento citoplasmático</p><p>contendo DNA, RNA, proteínas e ribossomos como única organela.</p><p>Além disso, é importante destacar que as células procarióti-</p><p>cas vivem em uma grande variedade de locais e suas capacidades</p><p>metabólicas são muito diversas, mais até do que as das células eu-</p><p>carióticas.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 20BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 20 19/07/2022 14:35:5419/07/2022 14:35:54</p><p>EXEMPLO</p><p>21</p><p>Dentro das células procarióticas, existem bactérias organotróficas,</p><p>que podem utilizar praticamente qualquer tipo de molécula orgâ-</p><p>nica como alimento, de açúcares e aminoácidos a hidrocarbonetos</p><p>e gás metano. Existem também espécies fototróficas, que captam</p><p>energia luminosa de diferentes maneiras, podendo ou não gerar</p><p>oxigênio como produto secundário, entre outros tipos de bactérias</p><p>(BROWN, 2013).</p><p>Já as células eucarióticas têm uma característica muito mar-</p><p>cante que é a presença de compartimentos no citoplasma, como o</p><p>núcleo, que protege o DNA, a partir do envoltório nuclear, prote-</p><p>gendo o material genético até do próprio movimento dentro da cé-</p><p>lula. A presença desses compartimentos citoplasmáticos, chamados</p><p>de organelas, aumenta a eficiência metabólica e energética celular,</p><p>permitindo que atinja um amplo tamanho sem prejuízo ou altera-</p><p>ções das suas funções.</p><p>A membrana celular</p><p>A membrana plasmática, também chamada</p><p>os fei-</p><p>xes no interior do músculo. Esses septos compreendem o perimísio,</p><p>que envolve cada feixe. Dentro do feixe, cada fibra é recoberta pelo</p><p>endomísio, formado pela lâmina basal, fibras reticulares e poucos</p><p>fibroblastos.</p><p>O endomísio une e ancora as fibras musculares e contém va-</p><p>sos linfáticos e sanguíneos e axônios, sendo importante para a nu-</p><p>trição e inervação dessas células. Sua função também é fundamental</p><p>para permitir que a contração gerada em células individuais se pro-</p><p>pague para todo o músculo e seja transmitida a outras estruturas,</p><p>como ligamentos, tendões e ossos. Na região de transição entre o</p><p>músculo e o tendão, ocorre o afinamento das fibras musculares e o</p><p>colágeno avança inserindo-se em dobras do sarcolema.</p><p>A Figura 5 ilustra, de maneira completa e didática a organiza-</p><p>ção estrutural de um músculo estriado esquelético.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 217BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 217 19/07/2022 14:37:3119/07/2022 14:37:31</p><p>218</p><p>Figura 5 – Estrutura do músculo estriado esquelético</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:1007_Muscle_Fibes_</p><p>(large)_esp.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 218BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 218 19/07/2022 14:37:3119/07/2022 14:37:31</p><p>219</p><p>Músculo estriado cardíaco</p><p>A musculatura cardíaca é formada por células alongadas, ra-</p><p>mificadas e cilíndricas, conhecidas como cardiomiócitos. Apresen-</p><p>tam um ou dois núcleos em posição central e, assim como as fibras</p><p>musculares esqueléticas, também apresentam estriações transver-</p><p>sais, devido à presença dos sarcômeros.</p><p>As fibras se fixam umas às outras por meio de junções celu-</p><p>lares complexas e são circundadas por uma fina camada de tecido</p><p>conjuntivo – o endomísio – rico em vasos sanguíneos. Já o sarco-</p><p>plasma apresenta um grande número de mitocôndrias e de mioglo-</p><p>binas, que estão justificadas pelo alto consumo de oxigênio molecu-</p><p>lar. Há ainda gotículas de gordura e depósitos de glicogênio. Durante</p><p>o envelhecimento, podemos encontrar depósitos de lipofuscina</p><p>próximos ao núcleo celular.</p><p>As fibras musculares dos átrios são menores do que a dos</p><p>ventrículos e atuam no controle da pressão arterial. Elas armaze-</p><p>nam grânulos contendo o peptídeo natriurético atrial, o apresenta</p><p>em ação hormonal, reduzindo a reabsorção de sódio e água nos tú-</p><p>bulos renais.</p><p>Ao microscópio de luz, podemos identificar linhas transver-</p><p>sais retas ou em forma de escada, fortemente coráveis, em inter-</p><p>valos regulares ao longo da fibra. Essas estruturas são conhecidas</p><p>como discos intercalares e são exclusivas desse tecido (Figura 6).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 219BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 219 19/07/2022 14:37:3119/07/2022 14:37:31</p><p>220</p><p>Figura 6 – Estrutura da fibra muscular cardíaca</p><p>Fonte: adaptada por Heytor (2022). Disponível em:</p><p>https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cardiac_Muscle.png</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Os discos intercalares representam complexos formados por</p><p>vários tipos de junções celulares, como desmossomos, junções de</p><p>adesão e interdigitações que impedem a separação das células du-</p><p>rante o batimento cardíaco e junções comunicantes que transferem</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 220BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 220 19/07/2022 14:37:3119/07/2022 14:37:31</p><p>221</p><p>íons e pequenas moléculas entre células adjacentes. A presença de</p><p>junções comunicantes é vital para a propagação intercelular da des-</p><p>polarização, que ocorre em forma de sincício e consequente sincro-</p><p>nização da contração. As junções de adesão estão presentes também</p><p>na membrana lateral das fibras, ancorando os filamentos de actina.</p><p>A contração é involuntária, regulada pelo sistema nervoso</p><p>autônomo (SNA) simpático e parassimpático. Porém, além do estí-</p><p>mulo neural, existem células musculares modificadas, as células de</p><p>Purkinje, especializadas na geração e na condução da despolariza-</p><p>ção, localizadas no nodo sinoatrial e no nodo paraventricular. Elas</p><p>estão conectadas por muitas junções comunicantes e sua atuação</p><p>permite que as contrações dos átrios e ventrículos ocorram em uma</p><p>sequência específica, permitindo que o coração exerça sua função.</p><p>Vamos conhecer outro tecido? Esse é formado por células bem</p><p>características e que são capazes de transmitir impulsos nervosos.</p><p>TECIDO NERVOSO E SEUS CONSTITUINTES</p><p>O tecido nervoso é um tecido de comunicação, sensível a es-</p><p>tímulos que se originam fora ou dentro do organismo. Tem origem</p><p>ectodérmica, encontra-se espalhado pelo corpo, porém em algumas</p><p>regiões forma estruturas, como o encéfalo e a medula espinal. Esses</p><p>dois órgãos, juntamente com o sistema fotorreceptor, compreen-</p><p>dem o Sistema Nervoso Central (SNC), enquanto gânglios e nervos</p><p>formam o Sistema Nervoso Periférico (SNP). Ele é constituído de</p><p>dois tipos celulares: os neurônios, que emitem longos prolonga-</p><p>mentos, e as células gliais ou neuroglia, que apresentam diferentes</p><p>funções.</p><p>Na análise microscópica do SNC, podemos identificar uma</p><p>porção de coloração cinza, formada pelos corpos celulares dos</p><p>neurônios e células gliais, conhecida como substância cinzenta. É</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 221BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 221 19/07/2022 14:37:3219/07/2022 14:37:32</p><p>222</p><p>também possível identificar a substância branca, constituída pelo</p><p>prolongamento dessas células. Seu nome deve-se a presença de</p><p>grande quantidade de mielina (de coloração esbranquiçada) reves-</p><p>tindo esses prolongamentos.</p><p>É importante destacarmos que o tecido nervoso recebe infor-</p><p>mações do meio externo, através dos sentidos, e do meio interno, os</p><p>chamados estímulos. Processa essas informações, inicia e controla</p><p>uma resposta. Dentre as suas funções estão organizar e coordenar</p><p>direta ou indiretamente o funcionamento de quase todas as funções</p><p>do organismo, tais como funções motoras, intelectuais, viscerais,</p><p>endócrinas e reprodutivas e as condições internas do corpo. Tra-</p><p>taremos agora da morfofisiologia de seu principal constituinte, o</p><p>neurônio.</p><p>Neurônios</p><p>São as células responsáveis pela transmissão da informa-</p><p>ção, através da geração de potenciais de ação e liberação de neuro-</p><p>transmissores e neuromoduladores, ou seja, conseguem converter</p><p>um estímulo elétrico em estímulo químico. A estrutura dessa célula</p><p>pode ser bastante variável (Figura 7), porém apresentam-se dividi-</p><p>das da seguinte forma:</p><p>◼ corpo celular, soma ou pericário: porção central esférica,</p><p>alongada ou piriforme que contém o núcleo e um sistema</p><p>de organelas. É daí que partem os prolongamentos e, assim,</p><p>como os dendritos, pode receber estímulos.</p><p>◼ dendritos: prolongamentos bastante ramificados, especiali-</p><p>zados na recepção dos estímulos do meio externo, de células</p><p>sensoriais ou de outros neurônios.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 222BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 222 19/07/2022 14:37:3219/07/2022 14:37:32</p><p>223</p><p>◼ axônio: prolongamento único, ramificado na porção terminal</p><p>e especializado na condução do estímulo para outras células</p><p>(nervosas, glandulares ou musculares).</p><p>Figura 7 – Estrutura do neurônio</p><p>Fonte: adaptada por Heytor (2022).</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:1206_The_Neuron.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Classificação dos neurônios</p><p>De acordo com o número de prolongamentos, os neurônios</p><p>podem ser classificados em:</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 223BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 223 19/07/2022 14:37:3219/07/2022 14:37:32</p><p>224</p><p>◼ pseudounipolar: são</p><p>dois prolongamentos que se fundem</p><p>próximo ao corpo do neurônio. As ramificações terminais da</p><p>periferia recebem os estímulos que passam ao prolongamento</p><p>superior, sem passar pelo pericário, que farão sinapse no SNC.</p><p>Exemplos desses são os neurônios sensoriais.</p><p>◼ bipolares: apresentam um dendrito e um axônio. Ocorrem,</p><p>por exemplo, na retina e na mucosa olfatória.</p><p>◼ multipolares: apresentam mais de dois prolongamentos. Re-</p><p>presentam a maioria dos neurônios.</p><p>Com relação à sua função, os neurônios são divididos em:</p><p>◼ sensoriais ou aferentes: recebem o estímulo e o conduzem ao</p><p>SNC;</p><p>◼ interneurônios: são menores e estabelecem conexões entre</p><p>os neurônios. Podem ser bi ou multipolares;</p><p>◼ motores ou eferentes: conduzem o estímulo para os efetores.</p><p>Originam-se no SNC e são do tipo multipolares.</p><p>Algumas regiões do cérebro, como o bulbo olfatório e o giro dentea-</p><p>do do hipocampo, apresentam células-tronco onipotentes, capazes</p><p>de se dividir e de gerar novos neurônios, repondo células danifica-</p><p>das. Essas células expressam a nestina, um filamento intermediário</p><p>que serve de marcador histoquímico na identificação dessas.</p><p>EXEMPLO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 224BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 224 19/07/2022 14:37:3319/07/2022 14:37:33</p><p>225</p><p>Além dos neurônios, no sistema nervoso encontramos as cé-</p><p>lulas da glia (neuroglia), também chamadas de células gliais. Vamos</p><p>conhecê-las.</p><p>Células gliais</p><p>A neuróglia ou células gliais compreendem células especia-</p><p>lizadas em diferentes funções, que atuam na manutenção de um</p><p>microambiente favorável a atividade neuronal, além de proteção e</p><p>defesa contra microrganismos. Estima-se que, no SNC, para cada</p><p>neurônio existam 10 células gliais. Elas são de difícil visualização em</p><p>lâminas do tecido nervoso, devendo-se utilizar métodos de impreg-</p><p>nação pela prata ou pelo ouro para identificação de sua morfologia.</p><p>Adiante, falaremos de cada uma dessas células e suas principais ca-</p><p>racterísticas.</p><p>Astrócitos</p><p>São as maiores e mais numerosas células gliais. Apresentam</p><p>múltiplos prolongamentos, núcleo grande, ovoide, cromatina frou-</p><p>xa e nucléolo central. O citoplasma é rico em filamentos interme-</p><p>diários exclusivos dessas células, constituídos pela proteína fibrilar</p><p>ácida glial (GFAP do inglês glial fibrillary acidic protein).</p><p>De acordo com o comprimento de seus prolongamentos, po-</p><p>dem ser do tipo fibroso ou protoplasmático. Os fibrosos têm pro-</p><p>longamentos menos abundantes, mais longos e ricos em GFAP e são</p><p>encontrados na substância branca, enquanto os protoplasmáticos</p><p>são mais abundantes e curtos e, além disso, localizam-se na subs-</p><p>tância cinzenta.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 225BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 225 19/07/2022 14:37:3319/07/2022 14:37:33</p><p>226</p><p>Os astrócitos apresentam uma lâmina basal e oferecem su-</p><p>porte físico e metabólico aos neurônios. Seus prolongamentos cir-</p><p>cundam vasos sanguíneos e a pia-máter, uma camada fina de tecido</p><p>conjuntivo que reveste o SNC. Através dessa conexão, os astrócitos</p><p>captam e enviam os nutrientes sanguíneos para os neurônios, en-</p><p>quanto retiram íons e neurotransmissores em excesso no fluído ex-</p><p>tracelular. Além disso, esse revestimento vascular, juntamente com</p><p>a existência de uma lâmina basal contínua, reduz a permeabilidade</p><p>do endotélio dos vasos, formando uma barreira hematoencefálica.</p><p>Quando ocorre a morte de neurônios no SNC, os espaços dei-</p><p>xados por esses são ocupados pela proliferação e pelo aumento de</p><p>volume dos astrócitos, num processo conhecido como gliose. Na</p><p>superfície do cérebro, os prolongamentos dos astrócitos protoplas-</p><p>máticos formam uma camada, a glia limitante, uma barreira rela-</p><p>tivamente impermeável. Já a glândula pineal, a hipófise posterior e</p><p>partes do hipotálamo não apresentam a barreira hematoencefálica,</p><p>o que torna os capilares bastante permeáveis.</p><p>Oligodendrócitos</p><p>Presentes na substância cinzenta e substância branca do SNC,</p><p>os oligodendrócitos apresentam soma mais arredondado, com pou-</p><p>cos prolongamentos, núcleo heterocromático, organelas citoplas-</p><p>máticas abundantes e ausência de filamentos intermediários e lâ-</p><p>mina basal. Na substância cinzenta estão próximos ao pericário dos</p><p>neurônios, sendo afetados por suas alterações químicas e ajudam a</p><p>controlar o pH do meio extracelular proximal. Na substância bran-</p><p>ca, seus prolongamentos envolvem segmentos axonais de vários</p><p>neurônios que constituem a bainha de mielina. Essa estrutura não é</p><p>contínua, formando regiões entre dois segmentos em que o axônio</p><p>está exposto – os nódulos de Ranvier.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 226BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 226 19/07/2022 14:37:3419/07/2022 14:37:34</p><p>227</p><p>Para uma melhor identificação dos oligodendrócitos, deve-se uti-</p><p>lizar a coloração imunocitoquímica para proteínas relacionadas a</p><p>bainha de mielina, que são exclusivas dessas células, como a prote-</p><p>ína básica da mielina. Já para a visualização da bainha de mielina no</p><p>tecido nervoso, é necessário fixar o material biológico com tetróxi-</p><p>do de ósmio, antes da desidratação.</p><p>Micróglia</p><p>São as menores células presentes na substância cinzenta e</p><p>na substância branca. Apresentam prolongamentos curtos e irre-</p><p>gulares, com espículas na extremidade. Com HE o núcleo aparece</p><p>alongado e escuro, devido à cromatina condensada. São células fa-</p><p>gocíticas, apresentadoras de antígenos, que liberam citocinas infla-</p><p>matórias e limpam os restos celulares após uma lesão no SNC. Ori-</p><p>ginam-se de precursores provenientes da medula hematopoiética.</p><p>Sua identificação histológica é possível através da coloração imu-</p><p>nocitoquímica para a proteína vimentina, que forma os filamentos</p><p>intermediários dessa célula.</p><p>Células Ependimárias</p><p>São células epiteliais cúbicas ou colunares, dispostas em fi-</p><p>leira, que revestem os ventrículos do cérebro - plexo coroide - e o</p><p>canal central da medula espinal. Apresentam microvilos e podem</p><p>ser ciliadas, contribuindo para síntese e movimentação do líquido</p><p>cefalorraquidiano. O núcleo é ovoide, basal, com cromatina con-</p><p>densada. Apresentam desmossomos, mas não lâmina basal. Seus</p><p>prolongamentos invadem o tecido nervoso, misturando-se com os</p><p>prolongamentos astrocíticos.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 227BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 227 19/07/2022 14:37:3419/07/2022 14:37:34</p><p>228</p><p>Células satélites e células de Schwann</p><p>Estão presentes no SNP. As células satélites localizam-se ao</p><p>redor dos neurônios que constituem os gânglios nervosos. São cé-</p><p>lulas achatadas, pequenas, com núcleo escuro e heterocromático e,</p><p>além disso, possuem GFAP e lâmina basal na face externa. Apresen-</p><p>tam funções semelhantes aos astrócitos do SNC, mantendo um mi-</p><p>croambiente favorável ao redor nos neurônios, promovendo trocas</p><p>metabólicas e isolamento elétrico. No sistema digestório, podem</p><p>atuar na neurotransmissão e na regulação do sistema imune.</p><p>As células de Schwann são alongadas, com poucas mito-</p><p>côndrias e complexo de Golgi pouco desenvolvido. Contém GFAP</p><p>e apresentam lâmina basal externa. Possuem a mesma função dos</p><p>oligodendrócitos do SNC, porém cada célula se enrola totalmente</p><p>em um segmento ao redor de um único axônio, compondo a bainha</p><p>de mielina desse (que você poderá observar mais a frente, na figura</p><p>8). As incisuras de Schmidt-Lanterman são fendas oblíquas presen-</p><p>tes em cada segmento da bainha de mielina, formadas pela deposi-</p><p>ção do citoplasma da célula de Schwann. Os nódulos de Ranvier são</p><p>parcialmente revestidos por projeções do citoplasma dessas células.</p><p>Enquanto lesões no corpo celular causam a morte do neurônio, da-</p><p>nos aos seus prolongamentos podem ser reparados. As redes neu-</p><p>ronais são capazes de se reorganizar após uma lesão, num processo</p><p>conhecido</p><p>como plasticidade sináptica. Novas sinapses são estabe-</p><p>lecidas com o crescimento de novos prolongamentos. Com relação</p><p>aos oligodendrócitos, sua sobrevivência irá depender de sinal en-</p><p>viado pelos axônios. Isso porque, se perdem essa comunicação, os</p><p>oligodendrócitos entram em apoptose celular.</p><p>DICA</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 228BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 228 19/07/2022 14:37:3519/07/2022 14:37:35</p><p>229</p><p>SISTEMA NERVOSO CENTRAL E SISTEMA</p><p>NERVOSO PERIFÉRICO</p><p>Sistema nervoso central (SNC)</p><p>É constituído pelo cérebro, cerebelo e medula espinal. Como</p><p>não tem tecido conjuntivo associado, o SNC tem a consistência de</p><p>uma massa mole. Como já foi dito anteriormente, é possível iden-</p><p>tificar duas porções bem definidas no SNC: a substância branca,</p><p>que corresponde aos axônios mielinizados, oligodendrócitos, e ou-</p><p>tras células gliais; e a substância cinzenta, formada pelo corpo dos</p><p>neurônios, dendritos, porção inicial dos axônios e células gliais. A</p><p>substância branca ocupa a porção mais central dessas estruturas,</p><p>onde existem alguns grupos de neurônios isolados, que formam os</p><p>núcleos, como o núcleo do trato solitário e o núcleo accumbens. No</p><p>cerebelo e cérebro, a substância cinzenta forma, superficialmente,</p><p>o córtex cerebelar e cerebral, respectivamente.</p><p>Sistema Nervoso Periférico</p><p>É formado por nervos, gânglios e terminações nervosas. Os</p><p>nervos são feixes de fibras nervosas, envoltas em tecido conjuntivo.</p><p>Já as fibras nervosas são formadas pelos axônios do tecido nervo-</p><p>so. Esses são envolvidos por dobras das células de Schwann (no SNC</p><p>são os oligodendrócitos). Além disso, as fibras amielínicas são com-</p><p>postas de axônios de pequeno calibre e apresentam uma única do-</p><p>bra; nesse caso, o impulso nervoso é conduzido lentamente através</p><p>da fibra. Uma única célula de Schwann pode envolver várias fibras</p><p>amielínicas.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 229BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 229 19/07/2022 14:37:3519/07/2022 14:37:35</p><p>230</p><p>Enquanto isso, nervos são agrupamentos de fibras em fei-</p><p>xes. Devido à mielina e aos colágenos, são esbranquiçados, exceto</p><p>aqueles que só contêm fibras amielínicas. Isso porque eles fazem</p><p>conexão entre os centros nervosos, os órgãos de sensibilidade e as</p><p>células efetoras, presentes em músculos e glândulas.</p><p>Fora do SNC existem agrupamentos de neurônios, os gân-</p><p>glios. São normalmente órgãos esféricos, protegidos por uma cáp-</p><p>sula de tecido conjuntivo e associados aso nervos. Podem ser senso-</p><p>riais, quando recebem fibras aferentes que se deslocam em direção</p><p>ao SNC; cranianos, quando estão associados aos nervos cranianos;</p><p>ou espinhais, quando presentes nas raízes dorsais dos nervos espi-</p><p>nhais.</p><p>Agora vamos entender como os tecidos que estudamos se re-</p><p>lacionam e se organizam para formar os órgãos e sistemas. Come-</p><p>çaremos pelo sistema tegumentar, no qual conheceremos a histolo-</p><p>gia da pele e anexos.</p><p>SISTEMA TEGUMENTAR</p><p>A pele é uma estrutura formada pela epiderme, de origem ec-</p><p>todérmica, a derme, de origem mesodérmica e seus anexos, como</p><p>unhas, pelos, glândulas sebáceas, glândulas sudoríparas e glându-</p><p>las mamárias. Esses elementos, juntos, constituem o sistema tegu-</p><p>mentar (Figura 8).</p><p>A epiderme constitui-se de um epitélio estratificado pavi-</p><p>mentoso queratinizado, enquanto a derme é formada por tecido</p><p>conjuntivo. Sendo o maior órgão do corpo humano – pode repre-</p><p>sentar 16% do peso corporal –, a pele não é uma estrutura homogê-</p><p>nea, apresentando diferenças de acordo com sua localização. Locais</p><p>que sofrem maior impacto, como a palma das mãos, planta dos pés e</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 230BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 230 19/07/2022 14:37:3519/07/2022 14:37:35</p><p>231</p><p>algumas regiões de articulação, possuem várias camadas de células</p><p>epidérmicas e camada superficial de queratina mais espessa, sendo</p><p>chamada de pele grossa. Essa região não possui pelos, nem glându-</p><p>las sebáceas, porém é rica em glândulas sudoríparas. O restante do</p><p>corpo é revestido pela pele fina, que apresenta epiderme com pou-</p><p>cas camadas de células e delgada camada de queratina.</p><p>Figura 8 – Esquema do sistema tegumentar</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:DiagramaPeleHumana.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 231BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 231 19/07/2022 14:37:3519/07/2022 14:37:35</p><p>232</p><p>São inúmeras as funções dessa estrutura, dentre as quais po-</p><p>demos citar: proteção contra a desidratação e o atrito, percepção</p><p>do meio, através de suas terminações nervosas, termorregulação,</p><p>excreção de substâncias, produção da vitamina D e barreira física e</p><p>imunológica contra microrganismos.</p><p>Epiderme</p><p>Esse epitélio estratificado apresenta cinco camadas de células</p><p>na pele grossa: camada basal, espinhosa, granulosa, lúcida e córnea.</p><p>Já na pele fina, as camadas granulosa e lúcida geralmente estão au-</p><p>sentes e a córnea é bastante reduzida. Cada uma das camadas está</p><p>descrita a seguir.</p><p>◼ Camada basal: é também chamada de camada germinativa</p><p>devido à grande quantidade de células-tronco da epiderme.</p><p>São células colunares ou cuboides, basófilas, conectadas à</p><p>membrana basal. Apresentam intensa divisão celular sendo,</p><p>portanto, responsáveis pela renovação do tecido. Sintetizam</p><p>os tonofilamentos (filamentos intermediários que constituem</p><p>a queratina), que vão se tornando mais numerosos à medida</p><p>que a célula se desloca para a superfície.</p><p>◼ Camada espinhosa: células cuboides ou levemente achata-</p><p>das, núcleo central, citoplasma rico em tonofilamentos, que</p><p>mantêm as células unidas entre si através dos desmossomos.</p><p>A interação entre essas duas estruturas permite maior coesão</p><p>entre as células e resistência ao atrito.</p><p>◼ Camada granulosa: células poligonais achatadas, com núcleo</p><p>central e citoplasma rico em grânulos basófilos e grânulos la-</p><p>melares – compostos de discos lamelares que se fundem com</p><p>a membrana plasmática para liberar seu conteúdo lipídico no</p><p>meio intercelular. Os lipídios se depositam entre as células,</p><p>formando uma barreira contra a penetração de substância e à</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 232BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 232 19/07/2022 14:37:3519/07/2022 14:37:35</p><p>233</p><p>perda de água. Na camada granulosa encontram-se termina-</p><p>ções nervosas livres de fibras amielínicas, associadas a noci-</p><p>cepção (dor).</p><p>◼ Camada lúcida: é mais evidente na pele grossa. Apresen-</p><p>ta uma camada de células achatadas, eosinófilas, com cito-</p><p>plasma e organelas digeridos por enzimas lisossomais – zona</p><p>translúcida.</p><p>◼ Camada córnea: constituída por células achatadas, mortas</p><p>e sem núcleo. De espessura variável, é quase que totalmente</p><p>composta de queratina. Aqui não há presença de desmosso-</p><p>mos e as células descamam continuamente.</p><p>Células epidérmicas</p><p>As diferentes camadas epidérmicas apresentam composições</p><p>celulares distintas. As características de cada célula estão detalha-</p><p>das abaixo.</p><p>◼ Melanócitos: encontram-se na junção da epiderme com a</p><p>derme, na camada basal. São células que apresentam longos</p><p>prolongamentos, citoplasma claro e núcleo ovoide. Apesen-</p><p>tam melanossomas que são vesículas em que ocorre a produ-</p><p>ção da Melanina a partir do aminoácido tirosina, pela ação da</p><p>enzima tirosinase. Lembre-se que a melanina é um pigmento</p><p>de coloração marrom-escuro que se concentra sobre o núcleo</p><p>da célula, protegendo o material genético da radiação ultra-</p><p>violeta. Uma vez formados, os grânulos de melanina migram</p><p>pelos prolongamentos dos melanócitos e a melanina é trans-</p><p>ferida para os queratinócitos.</p><p>◼ Queratinócitos: encontram-se na porção superior da cama-</p><p>da espinhosa. São células pavimentosas</p><p>que contém grânulos</p><p>de querato-hialina, que sintetizam e armazenam proteínas</p><p>envolvidas na queratinização, além de serem responsáveis</p><p>pelo aspecto granuloso do seu citoplasma. Os queratinóci-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 233BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 233 19/07/2022 14:37:3519/07/2022 14:37:35</p><p>234</p><p>tos funcionam como depósitos de melanina e contêm maior</p><p>quantidade desse pigmento do que os melanócitos. São, ainda,</p><p>responsáveis pela síntese de colesterol, ácidos graxos livres e</p><p>de lipídeos complexos que são exocitados para os espaços in-</p><p>tercelulares, formando uma barreira impermeável à perda de</p><p>água.</p><p>◼ Células de Langerhans: localizam-se em toda a epiderme,</p><p>entre os queratinócitos, sendo mais frequentes na camada es-</p><p>pinhosa. São células muito ramificadas, com prolongamentos</p><p>dendríticos, citoplasma claro e núcleo ovoide. As células de</p><p>Langerhans, captam, processam e apresentam os antígenos</p><p>estranhos da pele, para os linfócitos T na própria epiderme</p><p>ou em linfonodos regionais. Por seu papel imunológico, estão</p><p>envolvidas nas reações imunitárias, como dermatites e na re-</p><p>jeição de transplantes cutâneos.</p><p>◼ Células de Merkel: Localizam-se na parte profunda da epi-</p><p>derme, na camada basal e aparecem presas aos queratinócitos</p><p>através dos desmossomos. São semelhantes aos melanócitos</p><p>em sua morfologia, porém mais escassas e de difícil visuali-</p><p>zação. Apresentam núcleo volumoso, filamentos de queratina</p><p>e citoplasma rico em vesículas neuroendócrinas. Na sua base,</p><p>encontram-se junções sinápticas, com terminações nervosas</p><p>responsivas a estímulos mecânicos sendo, portanto, consi-</p><p>deradas células mecanorreceptoras. São mais abundantes na</p><p>pele grossa, principalmente nas pontas dos dedos, e na base</p><p>dos folículos pilosos.</p><p>Derme</p><p>Representa o tecido conjuntivo entre a epiderme e o tecido</p><p>subcutâneo ou hipoderme. É bastante irregular, principalmente na</p><p>pele grossa, devido à presença das papilas dérmicas (projeções da</p><p>derme para a epiderme), e das cristas epidérmicas (projeções da</p><p>epiderme para a derme). Apresenta duas camadas de limites pouco</p><p>distinguíveis: a camada papilar, mais superficial e a reticular, mais</p><p>profunda. Vamos entender essas camadas.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 234BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 234 19/07/2022 14:37:3519/07/2022 14:37:35</p><p>235</p><p>◼ Camada papilar: camada mais fina, constituída de tecido con-</p><p>juntivo frouxo e corresponde às papilas dérmicas. Apresenta</p><p>fibrilas de colágeno, dispostas em diferentes sentidos, res-</p><p>ponsáveis por prender a derme à epiderme e pequenos vasos</p><p>sanguíneos responsáveis pela nutrição e oxigenação da epi-</p><p>derme.</p><p>◼ Camada reticular: mais espessa, constituída de tecido con-</p><p>juntivo denso.</p><p>Ambas as camadas da derme são compostas de fibras elásticas</p><p>que conferem a elasticidade da pele, assim como vasos sanguíneos</p><p>e linfáticos, terminações nervosas sensoriais, glândulas sebáceas e</p><p>sudoríparas e anexos epidérmicos. Algumas regiões da derme con-</p><p>têm células musculares lisas, como é o caso das aréolas mamárias e</p><p>do escroto, e fibras musculares esqueléticas, como ocorre na face.</p><p>Anexos cutâneos</p><p>Pelos</p><p>São estruturas finas e queratinizadas que se desenvolvem nos</p><p>folículos pilosos, invaginações da epiderme que alcançam a hipo-</p><p>derme. Sua cor, tamanho e disposição variam nas diferentes etnias</p><p>e de acordo com a região do corpo. São abundantes na pele fina do</p><p>couro cabeludo e ausentes nos lábios, glande, pequenos lábios, nas</p><p>porções laterais das mãos e dos pés e na pele grossa. São estrutu-</p><p>ras que crescem descontinuamente, intercalando fase de repouso e</p><p>fase de crescimento. As características dos pelos e regiões do corpo,</p><p>como a face e o púbis, são influenciadas pelos hormônios sexuais.</p><p>O folículo piloso apresenta uma região terminal dilatada que</p><p>constitui o bulbo piloso, cuja proliferação de suas células centrais</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 235BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 235 19/07/2022 14:37:3519/07/2022 14:37:35</p><p>236</p><p>dá origem a raiz do pelo. Em certos tipos de pelos grossos as células</p><p>centrais da raiz dão origem a células grandes, vacuolizadas e que</p><p>formam a medula do pelo. Ao redor dessas, diferenciam-se célu-</p><p>las mais queratinizadas e compactas, que formam o córtex do pelo.</p><p>Externo ao córtex está a cutícula do pelo, formada por células mais</p><p>fortemente queratinizadas em forma de escamas.</p><p>Unhas</p><p>São placas de células queratinizadas, localizadas na porção</p><p>dorsal das falanges terminais dos dedos. Sua porção mais proximal</p><p>é a raiz da unha, onde ocorre sua formação. As células epiteliais lo-</p><p>calizadas na região da raiz se proliferam e se queratinizam gradati-</p><p>vamente, dando origem a uma placa córnea. Essas placas tornam-</p><p>-se compactas e se aderem fortemente umas às outras, formando a</p><p>unha. A cutícula da unha é formada por células epiteliais convencio-</p><p>nais que se tornam mais queratinizadas.</p><p>Glândulas sebáceas</p><p>São glândulas presentes na derme, cujo ducto excretor geral-</p><p>mente desemboca no folículo piloso, podendo excretar diretamen-</p><p>te na superfície epidémica, em regiões sem pelos. Sua distribuição</p><p>acompanha a dos pelos, ou seja, abundante no couro cabeludo e au-</p><p>sente nas palmas das mãos e plantas dos pés.</p><p>É importante que você saiba que são glândulas exócrinas,</p><p>acinosas e holócrinas. Seus ácinos são formados por células epite-</p><p>liais que se tornam mais arredondadas e o núcleo, gradualmente,</p><p>desaparece à medida que acumulam o sebo em seu interior. Lem-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 236BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 236 19/07/2022 14:37:3619/07/2022 14:37:36</p><p>CURIOSIDADE</p><p>237</p><p>bro a você que o sebo é uma secreção oleosa, rica em ácidos graxos,</p><p>triglicerídeos e ésteres que contêm, ainda, os restos celulares das</p><p>células centrais da glândula que se romperam. Ele é responsável por</p><p>lubrificar a superfície da pele e do pelo, protegendo-os e reduzindo</p><p>a perda de água.</p><p>A secreção sebácea é grandemente aumentada durante a puberdade,</p><p>em função da produção acelerada dos hormônios sexuais. Qualquer</p><p>obstrução no fluxo de sua secreção para a superfície pode causar</p><p>uma inflamação crônica, conhecida como acne.</p><p>Glândulas sudoríparas</p><p>Estão distribuídas pela superfície do corpo, exceto nos lábios,</p><p>clitóris, pequenos lábios, glande e superfície interna do prepúcio.</p><p>São abundantes nas palmas das mãos e plantas dos pés e sua porção</p><p>secretora situa-se profundamente abaixo da derme – na hipoder-</p><p>me. As glândulas sudoríparas são do tipo exócrinas, tubulares sim-</p><p>ples enoveladas e merócrinas.</p><p>Além disso, a parte secretora é composta de células escuras,</p><p>produtoras de glicoproteínas, e células claras responsáveis pela se-</p><p>creção aquosa do suor. Lembre-se que as células mioepiteliais au-</p><p>xiliam na liberação de seu conteúdo. O ducto da glândula abre-se</p><p>na superfície da pele e é constituído de epitélio cúbico estratificado</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 237BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 237 19/07/2022 14:37:3719/07/2022 14:37:37</p><p>238</p><p>que reabsorve a maior parte dos íons e excretam substâncias como</p><p>a ureia e o ácido lático.</p><p>Sistema circulatório</p><p>O sistema circulatório é composto pelos sistemas vascular,</p><p>formado pelo coração, artérias, veias e capilares, e o sistema linfá-</p><p>tico, composto de capilares linfáticos, que desembocam em grandes</p><p>veias próximas ao coração.</p><p>Sistema vascular</p><p>A função primordial do sistema vascular é o transporte de</p><p>nutrientes e de oxigênio a todas às células do corpo. Além disso, o</p><p>sangue é responsável pelo transporte de hormônios, fatores de co-</p><p>agulação, metabólitos, células de defesa, dissipação do calor e con-</p><p>tribui, também,</p><p>para a manutenção da homeostase do organismo.</p><p>Fique atento(a), pois o coração funciona como uma câmara</p><p>contrátil que bombeia e impulsiona o sangue através das artérias.</p><p>Essas são vasos ocos que conduzem o sangue, na grande circulação,</p><p>para órgãos e tecidos, entregando às células os nutrientes e o oxigê-</p><p>nio necessários ao seu metabolismo.</p><p>As artérias também são responsáveis pelo transporte de san-</p><p>gue desoxigenado do coração até os pulmões, na pequena circula-</p><p>ção. Já as veias são vasos aferentes, ou seja, trazem o sangue a par-</p><p>tir do corpo, de volta ao coração; junto com as artérias compõem a</p><p>macrocirculação. Além disso, os capilares formam uma rede com-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 238BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 238 19/07/2022 14:37:3719/07/2022 14:37:37</p><p>239</p><p>plexa de vasos de diâmetro reduzido que se aproximam das células</p><p>teciduais e realizam o intercâmbio de moléculas com essas, através</p><p>de paredes mais permeáveis. Não se esqueça que os capilares são</p><p>estruturas microscópicas e constituem a microcirculação.</p><p>Coração</p><p>O coração é um órgão muscular, de capacidade contrátil, de-</p><p>vido à presença dos cardiomiócitos. Apresenta-se dividido em 4 câ-</p><p>maras: 2 átrios e 2 ventrículos. Suas paredes são formadas por três</p><p>túnicas: endocárdio, miocárdio e pericárdio. Além disso, há uma</p><p>região central, fibrosa, onde se inserem as fibras musculares e as</p><p>válvulas que separam os átrios dos ventrículos.</p><p>Dito isto, vamos conhecer as três túnicas que compõem as</p><p>paredes do coração.</p><p>◼ Endocárdio: é a camada mais interna, formada pelo endotélio.</p><p>Está associada ao tecido conjuntivo frouxo, que se divide em</p><p>duas camadas: a subendotelial, que contém fibras elásticas e</p><p>células musculares lisas, e a subendocárdica, onde se encon-</p><p>tram pequenos vasos sanguíneos e nervos.</p><p>◼ Miocárdio: camada intermediária, mais espessa, formada</p><p>pelo músculo estriado cardíaco e responsável pelo bombea-</p><p>mento do sangue. As fibras musculares encontram-se orien-</p><p>tadas em muitas direções. Nesta camada, encontra-se o nodo</p><p>sinoatrial e o marcapasso cardíaco, com células diferenciadas,</p><p>especializadas na geração do impulso elétrico. São, em média,</p><p>70 despolarizações por minuto que se propagam por feixes es-</p><p>pecíficos até o nodo atrioventricular e daí para os ventrículos.</p><p>◼ Pericárdio: camada serosa que reveste externamente o co-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 239BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 239 19/07/2022 14:37:3719/07/2022 14:37:37</p><p>240</p><p>ração. Composta de tecido conjuntivo frouxo, o epicárdio, e</p><p>epitélio simples pavimentoso, o mesotélio. O ínfimo espaço</p><p>entre as duas camadas contém pequena quantidade de líquido</p><p>de consistência serosa, que possibilita o movimento de con-</p><p>tração/distensão do coração. A camada subepicardial contém</p><p>vasos sanguíneos e linfáticos e fibras nervosas.</p><p>Nos átrios, por causa do fluxo turbulento do sangue, o endo-</p><p>cárdio é espesso, enquanto nos ventrículos o miocárdio é mais de-</p><p>senvolvido para a propulsão do sangue para fora do coração.</p><p>É importante destacarmos que no endocárdio a porção cen-</p><p>tral, constituída de tecido conjuntivo denso não modelado, forma</p><p>um esqueleto fibroso que atua na sustentação dos tecidos e como</p><p>um isolante elétrico entre as fibras que compõem os átrios e os ven-</p><p>trículos. Além disso, as válvulas são extensões desse esqueleto fi-</p><p>broso e contêm fibras elásticas e colágenas, que impedem o retorno</p><p>do sangue para os átrios durante a contração ventricular e para os</p><p>ventrículos após sua saída do coração.</p><p>Artérias e veias</p><p>Assim como o coração, os vasos sanguíneos, de forma geral,</p><p>também são formados por três camadas ou túnicas: íntima, média</p><p>e adventícia. Alguns componentes podem estar ausentes ou variar</p><p>em sua estrutura, de acordo com o diâmetro do vaso ou se são veias</p><p>ou artérias.</p><p>Dito isto, vamos conhecer as túnicas que formam os vasos</p><p>sanguíneos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 240BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 240 19/07/2022 14:37:3719/07/2022 14:37:37</p><p>241</p><p>◼ Túnica íntima: formada pelas células endoteliais, pela ca-</p><p>mada subendotelial de tecido conjuntivo frouxo e pela lâmi-</p><p>na elástica interna. Essa última só está presente nas artérias</p><p>e apresenta fenestras que permitem que tornem o tecido</p><p>mais permeável à molécula, possibilitando assim a nutrição</p><p>das camadas mais profundas da parede do vaso. As veias que</p><p>transportam o sangue, a partir dos membros superiores e in-</p><p>feriores, apresentam pregas na túnica íntima que funcionam</p><p>como válvulas que impedem o refluxo do sangue. A presença</p><p>dessas válvulas é fundamental, visto que esse retorno sanguí-</p><p>neo ocorre contra a gravidade.</p><p>◼ Túnica média: constituída por células musculares lisas, orga-</p><p>nizadas concentricamente, em espiral. Entre as células, pode-</p><p>mos observar uma quantidade variável de MEC, composta de</p><p>fibras e lamelas elásticas fenestradas, fibras reticulares, pro-</p><p>teoglicanos e glicoproteínas. Além disso, nas artérias há uma</p><p>camada mais delgada de fibras elásticas que separa a túnica</p><p>média da adventícia.</p><p>◼ Túnica adventícia: formada por tecido conjuntivo denso não</p><p>modelado e tecido conjuntivo frouxo. Seus principais cons-</p><p>tituintes são colágeno tipo I e fibras elásticas, sintetizados</p><p>por fibroblastos. Ela torna-se contínua ao tecido conjuntivo</p><p>do órgão em que o vaso está inserido e pode apresentar feixes</p><p>musculares longitudinais. Apesenta nervos, vasos linfáticos e</p><p>vasa vasorum, pequenos vasos que nutrem os tecidos adjacen-</p><p>tes.</p><p>Nessa perspectiva, a Figura 9 apresenta a representação es-</p><p>quemática da estrutura das camadas que constituem os vasos san-</p><p>guíneos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 241BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 241 19/07/2022 14:37:3719/07/2022 14:37:37</p><p>242</p><p>Figura 9 - Esquemática da estrutura dos vasos sanguíneos</p><p>Fonte: adaptada por Heytor (2022). Disponível em: https://upload.wikimedia.</p><p>org/wikipedia/commons/thumb/f/f2/2106_Large_Medium_Vein_Venule.</p><p>jpg/1200px-2106_Large_Medium_Vein_Venule.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>As grandes veias, que formam o tronco venoso, próximo</p><p>ao coração, possuem a camada adventícia mais espessa e bastan-</p><p>te desenvolvida, com feixes longitudinais de músculo liso. A túni-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 242BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 242 19/07/2022 14:37:3819/07/2022 14:37:38</p><p>243</p><p>ca média é fina, com poucos miócitos e maior quantidade de tecido</p><p>conjuntivo. As válvulas presentes nas grandes veias são dobras da</p><p>túnica íntima, compostas de tecido conjuntivo rico em fibras elásti-</p><p>cas e revestida pelo endotélio.</p><p>Capilares</p><p>Os capilares consistem em artérias e veias de menor diâmetro</p><p>(de 7 a 9 mm) e que estão mais intimamente associados aos órgãos e</p><p>tecidos. São formados por uma camada de células endoteliais (epi-</p><p>télio simples pavimentoso). Essas células apresentam núcleos que</p><p>se projetam para a luz do capilar e contém abundante complexo de</p><p>Golgi, ribossomos e mitocôndrias.</p><p>As junções de oclusão que conectam uma célula a outra, de-</p><p>sempenham um papel importante na regulação da permeabilidade</p><p>do tecido. Associado ao endotélio está a lâmina basal, cujos compo-</p><p>nentes são secretados pelas próprias células endoteliais.</p><p>Os capilares são conhecidos como vasos de troca, pois é neles que</p><p>ocorre a troca de oxigênio e gás carbônico, água e solutos, além de</p><p>nutrientes e metabólitos entre o sangue e os tecidos.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 243BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 243 19/07/2022 14:37:3819/07/2022 14:37:38</p><p>244</p><p>Em algumas regiões de vênulas – capilares venosos</p><p>– encon-</p><p>tramos células de origem mesenquimal, localizadas ao redor das</p><p>células endoteliais. Os pericitos, como são chamados, comunicam-</p><p>-se com essas através de junções comunicantes, apresentam longos</p><p>prolongamentos citoplasmáticos e miofibrilas de actina e miosina</p><p>que corroboram com sua função contrátil. Durante a lesão tecidual,</p><p>os pericitos podem se diferenciar e formar novos vasos sanguíneos.</p><p>De acordo com a continuidade do endotélio, os capilares podem ser</p><p>classificados em 3 tipos: contínuo, fenestrado e sinusóide.</p><p>Contínuo: as junções de oclusão são abundantes e não há</p><p>espaço intercelular, além de as moléculas serem absorvidas por</p><p>pinocitose. Estão presentes nas glândulas exócrinas e nos teci-</p><p>dos muscular, conjuntivo e nervoso (barreira hematoencefálica). O</p><p>transporte de substâncias ocorre em ambas as direções.</p><p>Fenestrados: como o próprio nome sugere, são formados por</p><p>fenestras nas paredes das células endoteliais, recobertas por uma</p><p>membrana delgada, o diafragma, que permite a passagem de mo-</p><p>léculas. Apresenta lâmina basal contínua. São encontrados nos rins,</p><p>glândulas endócrinas, intestinos e algumas regiões do SNC onde a</p><p>troca de substâncias com o sangue é rápida e intensa, tais como hi-</p><p>potálamo, hipófise, glândula pineal e plexo coroide. Nos glomérulos</p><p>renais encontramos capilares fenestrados destituídos de diafragma,</p><p>contando apenas com a lâmina basal, mais espessa, na região das</p><p>fenestras.</p><p>Sinusóide: apresentam maior calibre, com circulação san-</p><p>guínea mais lenta, devido ao trajeto tortuoso desses vasos. A lâmina</p><p>basal é descontínua, há amplos espaços intercelulares e ausência de</p><p>diafragma nas fenestras citoplasmáticas. A estrutura desses vasos</p><p>permite a intensa troca de moléculas e a entrada e saída de células</p><p>sanguíneas no tecido. Existem macrófagos localizados entre as cé-</p><p>lulas endoteliais, importantes para a defesa contra microrganismos.</p><p>Estão presentes no baço, fígado e na medula óssea.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 244BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 244 19/07/2022 14:37:3819/07/2022 14:37:38</p><p>245</p><p>Os capilares se anastomosam formando redes de conexão</p><p>entre arteríolas e vênulas pós-capilares. As arteríolas se ramificam</p><p>em metarteríolas (pequenos vasos recobertos por músculo liso),</p><p>que culminam nos capilares. A contração das metarteríolas regula</p><p>a entrada de sangue nos capilares. Tecidos metabolicamente mais</p><p>ativos apresentam uma rede de capilares mais abundante, enquanto</p><p>o número de capilares é reduzido em tecidos menos ativos, como o</p><p>músculo liso e tecido conjuntivo denso. A circulação do sangue tam-</p><p>bém é controlada por estimulação nervosa e através de hormônios.</p><p>Vasa vasorum</p><p>São arteríolas, capilares e vênulas que se ramificam na ca-</p><p>mada adventícia e porção externa da média dos grandes vasos san-</p><p>guíneos, com o objetivo de nutri-los. São mais frequentes em veias</p><p>do que em artérias, visto que a concentração de O2 é reduzida no</p><p>sangue venoso, presente no lúmen das veias.</p><p>Sistema linfático</p><p>O sistema linfático constitui-se de um conjunto de vasos que</p><p>recolhem o líquido, ou linfa, presente no espaço intercelular e o de-</p><p>volve para o sangue. A linfa é incolor, devido à ausência de hemá-</p><p>cias, e circula unidirecionalmente dentro dos capilares linfáticos</p><p>que desembocam nas grandes veias e chegam ao coração. Nela estão</p><p>presentes linfócitos e imunoglobulinas, proteínas diversas e vesí-</p><p>culas lipídicas, como os quilomícrons.</p><p>Os capilares linfáticos são vasos de paredes finas e fundo cego</p><p>que se originam no tecido conjuntivo. Apresentam uma única cama-</p><p>da de células endoteliais e lâmina basal descontínua. São ancora-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 245BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 245 19/07/2022 14:37:3819/07/2022 14:37:38</p><p>246</p><p>dos no tecido conjuntivo adjacente por microfibrilas elásticas, que</p><p>mantém a abertura do vaso. Esses, gradativamente, formam vasos</p><p>de maior calibre, os vasos linfáticos, que culminam em 2 ductos lin-</p><p>fáticos: o ducto torácico e o ducto linfático direito. O ducto torácico</p><p>se estende do abdome até o pescoço e é o grande responsável por co-</p><p>letar a maior parte da linfa. Já o ducto linfático direito, por sua vez,</p><p>faz a drenagem do quadrante superior direito do corpo (lado direito</p><p>da cabeça, pescoço, tórax e membro superior do lado direito).</p><p>Os vasos linfáticos são histologicamente semelhantes às veias</p><p>de médio calibre com válvulas que impedem o refluxo da linfa, finas</p><p>paredes e clara separação entre as túnicas. Na região das válvulas,</p><p>esses se apresentam dilatados, formando uma estrutura semelhan-</p><p>te a um colar de contas. Estão presentes na maioria dos órgãos, com</p><p>exceção do SNC e da medula óssea. Os vasos passam por linfonodos</p><p>que filtram a linfa e adicionam linfócitos ao líquido.</p><p>Sistema digestório</p><p>O sistema digestório é formado pela cavidade oral, faringe,</p><p>tubo digestivo, que vai desde o esôfago até o canal anal, além das</p><p>glândulas exócrinas acessórias. Sua função é a de obter os nutrien-</p><p>tes necessários ao bom funcionamento do organismo, através de</p><p>um processo prévio de digestão. Já a digestão consiste na quebra de</p><p>macromoléculas, como lipídeos, proteínas, ácidos nucléicos e car-</p><p>boidratos complexos em moléculas menores, que podem ser facil-</p><p>mente transportadas ou absorvidas pelas células intestinais.</p><p>Além da capacidade absortiva, o revestimento do trato diges-</p><p>tivo tem propriedade secretória e funciona como uma barreira de</p><p>proteção contra substâncias tóxicas e microrganismos patogênicos.</p><p>A seguir trataremos das características histológicas de cada um de</p><p>seus constituintes.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 246BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 246 19/07/2022 14:37:3819/07/2022 14:37:38</p><p>247</p><p>Lembre-se que o trato digestivo é um tubo oco de diâmetro</p><p>variável, cuja parede é composta de quatro camadas: mucosa, sub-</p><p>mucosa, muscular e serosa.</p><p>◼ Camada ou membrana mucosa: é a camada exposta ao lúmen</p><p>do vaso. Apresenta um epitélio que varia de acordo com sua</p><p>localização e com a lâmina basal, de tecido conjuntivo frouxo,</p><p>que contém células musculares lisas e macrófagos, podendo</p><p>tecido linfoide. Entre essa e a submucosa encontramos a mus-</p><p>cular da mucosa, duas camadas de células musculares, sendo</p><p>uma circular e a outra longitudinal. A função dessa muscula-</p><p>tura é permitir o movimento da camada mucosa, independen-</p><p>te das outras camadas e aumentar seu contato com o alimento.</p><p>◼ Camada submucosa: formada por tecido conjuntivo, contém</p><p>o plexo de Meissner ou plexo submucoso – gânglio parassim-</p><p>pático - e pode conter glândulas e tecido linfoide.</p><p>◼ Camada muscular: apresenta células musculares lisas orien-</p><p>tadas de forma circular, camada interna, e longitudinal, ca-</p><p>mada externa. Entre essas encontra-se o plexo de Auerbach</p><p>ou plexo mioentérico, outro gânglio parassimpático.</p><p>◼ Camada serosa: é formada por tecido conjuntivo frouxo e pelo</p><p>mesotélio, epitélio simples pavimentoso.</p><p>Cavidade oral</p><p>A cavidade oral é onde a digestão inicia, através da ação dos</p><p>dentes e da saliva. É revestida por epitélio pavimentoso estratifica-</p><p>do queratinizado na região do palato duro e da gengiva e não que-</p><p>ratinizado no restante da cavidade, que compreende o palato mole,</p><p>lábios, bochechas e assoalho da boca.</p><p>Nas regiões do palato duro e gengivas, a lâmina própria apre-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 247BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 247 19/07/2022 14:37:3819/07/2022 14:37:38</p><p>248</p><p>senta papilas e a ela se segue o periósteo. No tecido conjuntivo,</p><p>abaixo do epitélio, encontram-se as glândulas salivares difusamen-</p><p>te distribuídas, que secretam fluidos seroso e mucoso. Já o centro</p><p>do palato mole é formado por músculo estirado esquelético, que</p><p>permite a movimentação</p><p>do alimento, glândulas mucosas e nódulos</p><p>linfoides.</p><p>Língua</p><p>A língua é uma estrutura formada de abundantes feixes mus-</p><p>culares esqueléticos orientados em três planos e imersos em tecido</p><p>conjuntivo. O epitélio de revestimento é pavimentoso estratificado</p><p>queratinizado, na sua porção dorsal, e não queratinizado, na ven-</p><p>tral. Na parte dorsal encontramos uma grande quantidade de papi-</p><p>las – elevações do epitélio e lâmina própria orais, que apresentam</p><p>diferentes formas e funções.</p><p>As papilas filiformes ocupam a superfície anterior da boca,</p><p>possuem forma de cone, são queratinizadas e têm papel mecânico</p><p>na alimentação. As fungiformes têm forma de cogumelo, ficam en-</p><p>tre as filiformes, são menos queratinizadas e ricamente vasculari-</p><p>zadas. Por último, as circunvaladas são papilas grandes que se avo-</p><p>lumam acima das outras papilas na porção posterior da língua. São</p><p>circundadas por invaginações do epitélio, que forma sulcos onde</p><p>desembocam os ductos de glândulas salivares serosas.</p><p>Além disso, os corpúsculos gustativos são estruturas ovoides,</p><p>constituídas pelas células neuroepiteliais, células de sustentação e</p><p>células basais. As duas primeiras apresentam, em sua superfície,</p><p>microvilos e um pequeno orifício no epitélio, o poro gustativo. As</p><p>células neuroepiteliais são receptoras do paladar e, nos humanos,</p><p>distinguem 5 sabores: doce, salgado, amargo, azedo e umami. As</p><p>células basais são células-tronco e originam as demais.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 248BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 248 19/07/2022 14:37:3919/07/2022 14:37:39</p><p>249</p><p>A renovação das células do corpúsculo gustativo é de cerca de 10</p><p>dias.</p><p>Dentes</p><p>Os 32 dentes permanentes estão inseridos em fileira nos os-</p><p>sos maxilar e mandibular e estão divididos em: 8 incisivos, 4 cani-</p><p>nos, 8 pré-molares e 12 molares. Os dentes apresentam uma porção</p><p>externa, que fica acima da gengiva, conhecida como coroa, a qual</p><p>está dividida em 3 partes: o esmalte, camada mais externa e dura,</p><p>mineralizada; a dentina, camada intermediária, também minerali-</p><p>zada, que recobre a polpa; e uma região mais interna composta de</p><p>tecido conjuntivo frouxo, rica em vasos sanguíneos e terminações</p><p>nervosas.</p><p>A raiz do dente se refere à porção inserida no interior da gen-</p><p>giva. É formada externamente pelo cemento, tecido mineralizado</p><p>que se une ao esmalte, pela dentina e pela polpa. O ligamento pe-</p><p>riodontal é formado por tecido conjuntivo rico em feixes de fibras</p><p>colágenas, que se insere no cemento e no osso alveolar, fixando o</p><p>dente ao osso. O esmalte é a estrutura mais dura do corpo humano.</p><p>É formado por 96% de minerais, 1 % de matéria orgânica e 3% de</p><p>água. Entre a porção mineral estão os cristais de hidroxiapatita que</p><p>também formam os ossos.</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 249BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 249 19/07/2022 14:37:3919/07/2022 14:37:39</p><p>250</p><p>Faringe</p><p>É uma região de transição entre a cavidade oral e o tubo di-</p><p>gestório, sendo comum aos sistemas digestivo e respiratório. Na</p><p>camada mucosa temos epitélio estratificado pavimentoso não que-</p><p>ratinizado na sua porção oral e epitélio pseudoestratificado ciliado,</p><p>com células caliciformes na região nasal. O tecido conjuntivo, que</p><p>também compõe essa camada, apresenta pequenas glândulas sali-</p><p>vares que produzem um muco lubrificante e as tonsilas faríngeas e</p><p>palatinas. Apresenta músculos estriados esqueléticos longitudinais</p><p>e constritores que promovem a deglutição dos alimentos.</p><p>Tonsilas são órgãos formados por tecido linfoide, rico em glóbulos</p><p>brancos. As tonsilas faríngeas são também conhecidas como ade-</p><p>noides, enquanto as palatinas são chamadas amídalas.</p><p>Esôfago</p><p>O esôfago é um tubo oco que transporta o alimento da fa-</p><p>ringe ao estômago. É formado pela mucosa esofágica, com epité-</p><p>lio estratificado pavimentoso não queratinizado e lâmina própria.</p><p>Na submucosa encontram-se glândulas esofágicas tubuloacinosas,</p><p>que secretam muco lubrificante. Existem pregas longitudinais da</p><p>mucosa e submucosa formadas pela contração da camada muscular</p><p>circular. Durante a passagem do alimento, o esôfago se distende e as</p><p>pregas desaparecem. Já a musculatura esofágica consiste em fibras</p><p>estriadas esqueléticas na parte superior, as quais estão misturadas</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 250BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 250 19/07/2022 14:37:4019/07/2022 14:37:40</p><p>251</p><p>com fibras musculares lisas na porção medial. Além disso, a por-</p><p>ção inferior é formada pela musculatura lisa. A região do esôfago</p><p>inserida na cavidade peritoneal apresenta um revestimento externo</p><p>formado por uma membrana serosa.</p><p>Estômago</p><p>O estômago é uma porção dilatada do tubo digestivo e está</p><p>histologicamente dividido em três porções: cárdia, fundo e corpo e</p><p>piloro, que detalharemos um pouco mais adiante. Sua função é a de</p><p>converter o bolo alimentar triturado em quimo, realizar a digestão</p><p>de proteínas e promover a separação dos alimentos em camadas,</p><p>de acordo com a sua densidade, o que facilitará a digestão total,</p><p>no duodeno. É responsável também pela produção de alguns hor-</p><p>mônios digestivos e do fator intrínseco, necessário para a absorção</p><p>de vitamina B12. Na ausência de alimentos, as camadas mucosa e</p><p>submucosa formam pregas longitudinais que se distende quando o</p><p>alimento chega ao estômago e ocorre a distensão de suas paredes.</p><p>O epitélio de revestimento é simples colunar e apresenta cé-</p><p>lulas mucosas, produtoras de muco viscoso, rico em bicarbonato de</p><p>sódio, que se aderem ao glicocálix. Essas células apresentam cito-</p><p>plasma apical, com vesículas de glicoproteínas e núcleo oval e basal.</p><p>São preferencialmente coradas com PAS.</p><p>Há invaginações do epitélio que formam as fossetas gástri-</p><p>cas, onde desembocam as glândulas características de cada porção</p><p>do estômago. A lâmina própria é formada por tecido conjuntivo</p><p>frouxo, por onde circulam vasos sanguíneos e por células muscu-</p><p>lares e linfoides. Já a camada serosa delimita o estômago, exceto na</p><p>região da cárdia, que é revestida pela adventícia. A Figura 10, que</p><p>veremos adiante, esquematiza a histologia do estômago. Mas antes,</p><p>a seguir, descreveremos as principais características de cada porção</p><p>do estômago.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 251BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 251 19/07/2022 14:37:4019/07/2022 14:37:40</p><p>252</p><p>◼ Cárdia: estende-se de 2 a 3 cm a partir da junção gastroesofá-</p><p>gica. Apresenta fossetas mais rasas, com glândulas tubulares</p><p>simples ou ramificadas. Apresentam muitas células mucosas e</p><p>poucas parietais produtoras de H+ e Cl-.</p><p>◼ Fundo e corpo: as duas estruturas são semelhantes histologi-</p><p>camente e, por isso, agrupadas aqui. As glândulas fúndicas são</p><p>tubulares ramificadas e estão divididas em três porções que</p><p>variam em sua distribuição celular: istmo com células mu-</p><p>cosas, células-tronco e parietais; colo, com células-tronco,</p><p>mucosas do colo, enteroendócrinas e parietais e; base, com</p><p>células parietais, enteroendócrinas e zimogênicas.</p><p>◼ Piloro: apresenta fossetas profundas, com glândulas pilóricas</p><p>simples ou ramificadas. Apresentam muitas células enteroen-</p><p>dócrinas do tipo G, produtoras de gastrina, intercaladas com</p><p>células mucosas.</p><p>Figura 10 – Esquema histológico do estômago</p><p>Fonte: adaptada por Heytor (2022).</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2415_Histology_of_</p><p>StomachN.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 252BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 252 19/07/2022 14:37:4019/07/2022 14:37:40</p><p>253</p><p>Intestino delgado</p><p>Tubo longo dividido em três partes: duodeno, jejuno e íleo.</p><p>Sua função é a de finalizar a digestão e absorver nutrientes</p><p>e água.</p><p>As camadas mucosa e submucosa formam pregas, o epitélio e teci-</p><p>do conjuntivo formam vilos e as células epiteliais apresentam mi-</p><p>crovilosidades. Todas essas adaptações têm a função de aumentar</p><p>a superfície de contato e facilitar a absorção. As pregas são mais</p><p>abundantes no jejuno, enquanto no duodeno os vilos são mais de-</p><p>senvolvidos, assumindo uma forma de folha. Entre esses encon-</p><p>tram-se as aberturas ou criptas de glândulas tubulares do intestino,</p><p>conhecidas como glândulas de Lieberkühn.</p><p>O epitélio do intestino é simples colunar; a porção dos vi-</p><p>los é composta de enterócitos e células caliciformes, enquanto as</p><p>criptas contêm também células de Paneth, enteroendócrinas e cé-</p><p>lulas-tronco. Os enterócitos, conhecidos também como células ab-</p><p>sortivas devido a sua função, têm forma colunar, apresentam mi-</p><p>crovilosidades, núcleo ovoide e basal e o glicocálix é composto de</p><p>enzimas digestivas.</p><p>As células caliciformes, que estão entre os enterócitos, tor-</p><p>nam-se mais abundantes na região do íleo. Elas produzem mucina,</p><p>uma glicoproteína que compõem o muco que protege e lubrifica o</p><p>intestino. As células de Paneth produzem substâncias bactericidas</p><p>e são exócrinas, com grânulos de secreção eosinofílicos na porção</p><p>apical do citoplasma e núcleo basal.</p><p>Já as enteroendócrinas são células semelhantes às do estô-</p><p>mago, que secretam vários hormônios, enquanto as células M são</p><p>enterócitos modificados que recobrem as placas de Peyer, com for-</p><p>ma cuboide, micropregas na superfície apical e invaginações na ba-</p><p>sal, que capturam antígenos por endocitose e transportam-no para</p><p>os macrófagos e linfócitos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 253BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 253 19/07/2022 14:37:4019/07/2022 14:37:40</p><p>254</p><p>Estima-se que cada enterócito contenha cerca de 3000 microvilosi-</p><p>dades. Juntamente com os vilos e pregas intestinais essas estruturas</p><p>são responsáveis por aumentar em até 600 vezes a superfície intes-</p><p>tinal, resultando em uma área de aproximadamente 200m².</p><p>A lâmina própria é formada por tecido conjuntivo frouxo,</p><p>com capilares fenestrados, fibras nervosas, vasos linfáticos e fibras</p><p>musculares lisas. Contém ainda células de defesa que, em algumas</p><p>regiões, formam nódulos linfáticos, conhecidos como placas de</p><p>Peyer, visíveis a olho nu.</p><p>Já a submucosa é composta de tecido conjuntivo denso não</p><p>modelado. Apresenta vasos sanguíneos e linfáticos e o plexo de</p><p>Meissner. Contém ainda as glândulas de Brünner, glândulas tubula-</p><p>res ramificadas presentes no duodeno, cujos ductos se abrem entre</p><p>as vilosidades, com a função de secretar um muco alcalino. O pe-</p><p>ristaltismo é controlado pelo plexo de Auerbach, entre as camadas</p><p>musculares interna e externa. A adventicia reveste parte do duode-</p><p>no, enquanto a serosa reveste o restante do intestino delgado.</p><p>Intestino grosso e canal anal</p><p>Assim como o intestino delgado, o grosso também está di-</p><p>vidido em porções: ceco, apêndice (divertículo), cólon ascendente,</p><p>cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmoide, reto e ânus.</p><p>Não há pregas, exceto no reto, nem vilosidades, mas apresenta</p><p>criptas intestinais, com células caliciformes e absortivas colunares</p><p>com microvilosidades irregulares.</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 254BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 254 19/07/2022 14:37:4119/07/2022 14:37:41</p><p>255</p><p>Na região do ceco e apêndice, podemos encontrar ainda as cé-</p><p>lulas de Paneth. A lâmina própria contém muitas células e nódulos</p><p>linfoides, que são mais abundantes no apêndice de crianças. A ca-</p><p>mada muscular é formada pelas subcamadas circular e longitudinal,</p><p>sendo que fibras longitudinais se unem na região do ceco e do cólon</p><p>para formar feixes espessos, conhecidos como tênias do colo. Essas</p><p>tênias apresentam um tônus constante, responsável pela formação</p><p>de pregas na região. A porção inicial do intestino grosso é revestida</p><p>pela camada serosa, enquanto a final é revestida pela adventícia.</p><p>O canal anal transporta os resíduos alimentares do reto até o</p><p>exterior. Sua porção superior apresenta as mesmas características</p><p>do reto, porém, a porção mais distal apresenta epitélio estratificado</p><p>pavimentoso, com glândulas anais, que se abrem na região de tran-</p><p>sição entre o reto e o canal anal. A lâmina própria apresenta dois</p><p>plexos de veias grandes: o hemorroidário interno e o externo que,</p><p>quando dilatados e varicosos podem geram as hemorroidas. Lem-</p><p>bre-se que o canal anal é delimitado pela adventícia e constituído de</p><p>tecido muscular liso, na sua porção superior e estriado esquelético,</p><p>na inferior.</p><p>Estruturas anexas</p><p>As glândulas salivares, o pâncreas exócrino, a vesícula biliar</p><p>e o fígado representam estruturas associadas ao sistema digestório,</p><p>pois sintetizam e secretam moléculas e enzimas que atuam no pro-</p><p>cesso digestivo. Devido à complexidade de suas estruturas, a histo-</p><p>logia desses órgãos não será abordada aqui.</p><p>Sistema urinário</p><p>O sistema urinário tem a função de filtrar o sangue, retirando</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 255BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 255 19/07/2022 14:37:4219/07/2022 14:37:42</p><p>256</p><p>as substâncias que estão em excesso e os metabólitos do organismo,</p><p>que são excretados na forma de urina. É constituído por dois rins,</p><p>dois ureteres, bexiga e uretra que vamos conhecer agora.</p><p>Rins</p><p>Os rins são responsáveis pela manutenção da homeostase in-</p><p>terna, através da regulação da excreção de metabólitos, eletrólitos,</p><p>não eletrólitos e água. Diferentes porções renais são responsáveis</p><p>pelas funções de filtragem, absorção ativa, absorção passiva e se-</p><p>creção. Além disso, produzem hormônios que atuam na regulação</p><p>da pressão arterial, como a renina e que estimulam a hematopoiese,</p><p>como a eritropoietina, além de ativar a vitamina D3.</p><p>Estão localizados na parede abdominal posterior, um em cada</p><p>lado da coluna vertebral, sendo o rim direito um pouco mais infe-</p><p>rior, devido à posição do fígado. Estão envolvidos por uma camada</p><p>de tecido adiposo que lhes confere proteção. Abaixo dessa, encon-</p><p>tra-se uma cápsula de tecido conjuntivo denso, com miofibroblas-</p><p>tos na região interna, o córtex e a medula. Na sua porção côncava,</p><p>situa-se o hilo, por onde entram e saem vasos sanguíneos e linfáti-</p><p>cos, nervos e a pélvis renal.</p><p>Os primeiros estudos sobre os rins foram do histologista Marcello</p><p>Malpighi (1628-1694), o qual desvendou a estrutura dos corpúscu-</p><p>los, que recebem seu nome, e dos túbulos renais. Mais tarde o ana-</p><p>tomista Friederich Gustav Henle (1809-1885) descreveu um novo</p><p>segmento do néfron, que também foi batizado com seu nome: a alça</p><p>de Henle. Já a cápsula de Bowman foi descrita pelo histologista Wi-</p><p>liam Bowman (1816-1892).</p><p>CURIOSIDADE</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 256BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 256 19/07/2022 14:37:4319/07/2022 14:37:43</p><p>257</p><p>Corpúsculo renal</p><p>É formado pelo glomérulo renal e pela cápsula de Bowman.</p><p>O glomérulo constitui-se de um emaranhado de capilares arteriais</p><p>fenestrados, enquanto a cápsula que o circunda contém uma cama-</p><p>da externa de epitélio simples pavimentoso e outra interna formada</p><p>por células epiteliais especializadas, os podócitos. Entre as duas ca-</p><p>madas encontram-se os espaços capsulares, que recebem o líquido</p><p>filtrado da parede dos capilares e da camada interna – visceral. Cada</p><p>corpúsculo tem um polo vascular, por onde entram e saem as ar-</p><p>teríolas e um polo urinário, que dá sequência ao túbulo contorcido</p><p>proximal.</p><p>Na porção glomerular, o epitélio vascular fenestrado repousa</p><p>em uma lâmina basal espessa, que se une a fibras reticulares para</p><p>constituir a membrana basal. Os podócitos que formam a cama-</p><p>da externa, apresentam grandes corpos celulares, de onde partem</p><p>prolongamentos que se ancoram na</p><p>lâmina basal, formando espaço</p><p>denominados de fendas de filtração. A união entre as células endo-</p><p>teliais, a membrana basal e os podócitos forma uma barreira física e</p><p>eletroquímica que filtra o sangue, formando um líquido de compo-</p><p>sição semelhante ao do plasma, conhecido como filtrado glomeru-</p><p>lar.</p><p>Entre os capilares encontramos células mesangiais que sin-</p><p>tetizam dão suporte e regulam o fluxo sanguíneo através desses e</p><p>sintetizam a matriz mesangial – matriz extracelular local. São cé-</p><p>lulas contráteis, responsivas a angiotensina II; são irregulares, com</p><p>prolongamentos, núcleo esférico ou ovoide e contém filamentos de</p><p>miosina em seu citoplasma.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 257BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 257 19/07/2022 14:37:4319/07/2022 14:37:43</p><p>258</p><p>Túbulo Contorcido Proximal - TCP</p><p>É a porção mais longa do néfron, contínua ao polo urinário</p><p>do corpúsculo renal. Constitui-se de um tubo incialmente tortuoso,</p><p>com epitélio simples cúbico ou colunar, com microvilos. O citoplas-</p><p>ma basal é acidófilo, há numerosas mitocôndrias e interdigitações</p><p>entre as células.</p><p>Na porção apical encontramos canalículos que partes dos mi-</p><p>crovilos e aumentam a capacidade absortiva das células. Os túbulos</p><p>proximais são circundados por muito capilares sanguíneos e tem a</p><p>função e absorver proteínas, aminoácidos, glicose, íons e água do</p><p>filtrado. Também secreta íons H+ e substâncias tóxicas no filtrado.</p><p>Alça de Henle</p><p>Contínua ao TCP está a alça de Henle, uma estrutura em for-</p><p>ma de U, com dois segmentos delgados, a porção descendente e a</p><p>ascendente, interpostos a um segmento espesso. Na região descen-</p><p>dente o epitélio é simples pavimentoso, enquanto na porção mais</p><p>espessa ele torna-se simples cúbico baixo. A parte ascendente tem</p><p>estrutura semelhante à do túbulo contorcido distal. Os néfrons jus-</p><p>taglomerulares têm alça de Henle bastante longas, estendendo- se</p><p>até a medula renal, enquanto os corticais têm alças curtas.</p><p>A maior parte dessa estrutura fica na região medular e é im-</p><p>portante para a retenção da água no corpo, gerando um filtrado</p><p>primeiramente hipertônico. A porção descendente é bastante per-</p><p>meável a água, enquanto a ascendente é impermeável. A saída de</p><p>íons Cl- e Na+ e de ureia na porção ascendente torna o filtrado hi-</p><p>potônico.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 258BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 258 19/07/2022 14:37:4319/07/2022 14:37:43</p><p>259</p><p>Em cortes de parafina, a parte delgada da alça de Henle asse-</p><p>melha-se a capilares sanguíneos, podendo ser distinguida por suas</p><p>células serem ligeiramente mais espessas, com núcleo menos cora-</p><p>do e ausência de células sanguíneas na luz do tubo.</p><p>Túbulo Contorcido Distal - TCD</p><p>A porção distal da alça de Henle dá origem ao túbulo contor-</p><p>cido distal, revestido por epitélio simples cúbico, sem microvilos.</p><p>Essa porção também é impermeável à água, apresenta pregas ba-</p><p>solaterais e abundantes mitocôndrias. Diferentemente do TCP, esse</p><p>apresenta luz tubular ampla, suas células são menores, com núcleos</p><p>maiores e menos acidófilas.</p><p>Em certa altura, o TCD se aproxima do corpúsculo renal e sua</p><p>parede se modifica: o epitélio se torna colunar com células mais</p><p>finas e núcleos centrais e alongados. Essa aparece como uma por-</p><p>ção mais escura do néfron nos cortes histológicos e corresponde a</p><p>mácula densa. A mácula densa é sensível a alterações no volume de</p><p>líquido do filtrado tubular e libera substâncias que atuam parácri-</p><p>namente para a produção de renina pelas células justaglomerulares.</p><p>A mácula densa, as células justaglomerulares e as células me-</p><p>sangiais extraglomerulares constituem o aparelho justaglomerular,</p><p>o qual é importante para o controle hídrico e o equilíbrio iônico do</p><p>organismo. As células justaglomerulares, são células musculares li-</p><p>sas modificadas, que contém aglomerados de grânulos de secreção</p><p>em seu citoplasma. Secretam a renina, um hormônio que atua na</p><p>regulação da pressão arterial.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 259BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 259 19/07/2022 14:37:4319/07/2022 14:37:43</p><p>260</p><p>Ducto coletor</p><p>O TCD desemboca no ducto coletor através do túbulo cole-</p><p>tor. Ambos seguem um trajeto retilíneo. O epitélio é cúbico e contém</p><p>células principais (claras), mais abundantes, e células intercaladas</p><p>(escuras). As células claras são fracamente coradas com eosina, de-</p><p>vido à pouca quantidade de organelas. Apresentam microvilosida-</p><p>des curtas e um cílio que atua como mecanorreceptor. As células es-</p><p>curas contêm muitas mitocôndrias e participam do transporte ativo</p><p>de H+. Os ductos abrem-se na extremidade da papila – região do</p><p>ápice das pirâmides medulares, voltadas para o hilo – formando a</p><p>área crivosa. Cada papila desemboca em um cálice renal que, por sua</p><p>vez, culminam na pelve renal.</p><p>Bexiga e vias urinárias</p><p>A pelve renal representa a porção expandida do ureter e apre-</p><p>senta a mesma estrutura histológica básica desse e da bexiga. A mu-</p><p>cosa é formada por epitélio de transição, lâmina própria de tecido</p><p>conjuntivo que se intercala entre frouxo e denso. As células variam</p><p>de poliédricas a pavimentosas e as mais superficiais apresentam</p><p>membrana plasmática especializada, composta de placas espessas,</p><p>compostas de abundantes glicolipídeos, intercaladas com camadas</p><p>delgadas da membrana. A presença dessas placas, aliada às junções</p><p>de oclusão entre as células superficiais, tornam o tecido pratica-</p><p>mente impermeável e resistente à osmolaridade acentuada da uri-</p><p>na. Quando a bexiga está vazia, a membrana se dobra e as placas</p><p>se invaginam, formando vesículas fusiformes próximas à superfície</p><p>celular. Quando está cheia, sua parede se distende e as placas voltam</p><p>a aparecer.</p><p>A camada muscular lisa é composta de uma porção longitudi-</p><p>nal, interna, e uma circular, externa, na região superior do ureter e</p><p>mais uma camada longitudinal externa, na região inferior dos ure-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 260BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 260 19/07/2022 14:37:4319/07/2022 14:37:43</p><p>261</p><p>teres e da bexiga. O ureter entra obliquamente na bexiga, formando</p><p>uma válvula que impede o refluxo da urina. O revestimento externo</p><p>é feito pela adventícia na bexiga e na parte retroperitoneal do ureter.</p><p>Na junção entre a bexiga e a uretra há um esfíncter formado pelo es-</p><p>pessamento da musculatura lisa. Quando esse relaxa, a urina entra</p><p>na uretra e ocorre o reflexo da micção. Observa na Figura 11 como é</p><p>a histologia da bexiga.</p><p>Figura 11 – Esquema histológico da bexiga</p><p>Fonte: adaptada por Heytor (2022).</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2605_The_Bladder.jpg</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Como você pôde observar, a uretra é um tubo que direciona</p><p>a urina da bexiga para o exterior. A masculina é dividida em porção</p><p>prostática, membranosa e peniana ou cavernosa. A prostática situ-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 261BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 261 19/07/2022 14:37:4319/07/2022 14:37:43</p><p>262</p><p>a-se próxima à bexiga e no interior da próstata e apresenta epitélio</p><p>de transição. A membranosa é a mais curta e é revestida por epité-</p><p>lio pseudoestratificado, onde situa-se o esfíncter externo da urina,</p><p>formado por musculatura estriada esquelética.</p><p>A uretra cavernosa encontra-se no corpo cavernoso do pênis</p><p>e apresenta regiões de epitélio estratificado pavimentoso. Glândulas</p><p>mucosas são encontradas em toda a extensão da uretra e são conhe-</p><p>cidas como glândulas de Littré. Já a uretra feminina é revestida por</p><p>epitélio estratificado, com regiões de epitélio pseudoestratificado.</p><p>Próximo ao orifício uretral encontra-se o esfíncter externo da ure-</p><p>tra.</p><p>Olá, aluno(a). Chegamos ao final dessa etapa</p><p>de estudos. Muito</p><p>aprendizado, não é verdade? Depois de tudo que vimos nesse mate-</p><p>rial, é inevitável não admirar nossas células e como formam tecidos</p><p>tão especializados.</p><p>Lembro a você que iniciamos este material vendo o tecido epitelial,</p><p>cujas células podem ser pavimentosas, cúbicas ou colunares e são</p><p>polarizadas, o que permite um melhor desempenho de suas funções.</p><p>Você aprendeu também que, com relação à forma celular e ao nú-</p><p>mero de camadas, os epitélios de revestimento podem ser classifi-</p><p>cados em: simples pavimentoso, simples cúbico, simples colunar,</p><p>pseudoestratificado, de transição, estratificado pavimentoso que-</p><p>ratinizado ou não, estratificado cúbico e estratificado colunar, cada</p><p>um com características, localização e funções distintas.</p><p>SINTETIZANDO</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 262BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 262 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>263</p><p>E as glândulas? Discutimos que o tecido epitelial glandular é, na</p><p>verdade, uma diferenciação do epitélio de revestimento, que se in-</p><p>vagina em associação com o tecido conjuntivo proximal. As glându-</p><p>las são classificadas em exócrinas, quando secretam para a superfí-</p><p>cie corpórea ou no interior de uma cavidade, ou endócrinas, quando</p><p>secretam no interior de vasos sanguíneos; ou mistas, que são ao</p><p>mesmo tempo exócrinas e endócrinas.</p><p>Quando estudamos o tecido conjuntivo, vimos o quanto ele é com-</p><p>plexo. As funções são diversas: sustentação, preenchimento, cone-</p><p>xão e regulação da proliferação e diferenciação celular. Aprendemos</p><p>que o tecido conjuntivo está subdividido em três grandes classes:</p><p>tecido conjuntivo propriamente dito – frouxo e denso –, tecido</p><p>conjuntivo de propriedades especiais e tecido conjuntivo de suporte.</p><p>Falando no tecido conjuntivo de suporte, conhecemos aquele que é</p><p>importante para a formação e crescimento dos ossos longos, oferece</p><p>suporte aos tecidos moles e constitui as articulações. Estamos fa-</p><p>lando do tecido cartilaginoso, formado pelos condroblastos, células</p><p>alongadas que dão origem aos condrócitos, células especializadas</p><p>na produção da matriz extracelular das cartilagens. Quanto à sua</p><p>classificação, o tecido cartilaginoso pode ser de vários tipos: carti-</p><p>lagem hialina, cartilagem elástica e cartilagem fibrosa.</p><p>Conhecemos também o tecido ósseo. Ele serve como suporte para</p><p>os tecidos moles, proteção de órgãos vitais, movimento e reserva</p><p>de íons para o corpo. Com relação às células que formam os tecidos</p><p>ósseos temos: osteoprogenitoras, que dão origem aos osteoblastos;</p><p>osteoblastos, que produzem a matriz óssea e participam de sua mi-</p><p>neralização; osteócitos, que participam da síntese e degradação da</p><p>matriz, atuando na homeostase do cálcio; e osteoclastos, que atuam</p><p>no remodelamento ósseo.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 263BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 263 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>264</p><p>Um tipo de tecido conjuntivo incrível que também entendemos foi o</p><p>tecido sanguíneo. Vimos que o plasma, porção líquida do sangue, é</p><p>composto basicamente de proteínas plasmáticas, aminoácidos, gli-</p><p>cose, lipídeos, vitaminas e hormônios. Após ele, estudamos os mús-</p><p>culos. Começamos abordando as características e funções gerais do</p><p>tecido muscular. Depois aprendemos que o tecido muscular liso é</p><p>constituído de células fusiformes que não apresentam a estrutura</p><p>do sarcômero, mas sim corpos densos espalhados pelo sarcoplasma</p><p>e sarcolema. A musculatura estriada, por sua vez, é assim chamada</p><p>pelas estriações originadas pela sequência de unidades de sarcôme-</p><p>ro que se repetem por toda a fibra.</p><p>Você aprendeu também que as fibras esqueléticas são multinucle-</p><p>adas, com retículo sarcoplasmático abundante e apresentam inva-</p><p>ginações do sarcolema que atuam na despolarização e entrada de</p><p>cálcio no citoplasma. Também viu que os feixes e fibras são recober-</p><p>tos por camadas de tecido conjuntivo, sendo que o epimísio recobre</p><p>vários feixes, o perimísio recobre um feixe e o endomísio recobre</p><p>cada fibra.</p><p>O último tipo de tecido que vimos foi o tecido nervoso. Nós começa-</p><p>mos falando que o tecido nervoso forma o sistema nervoso central,</p><p>que compreende encéfalo e medula espinal e sistema nervoso peri-</p><p>férico, com gânglios e nervos.</p><p>Conhecendo os tecidos básicos entendemos como eles estão inter-</p><p>ligados nos diferentes sistemas do nosso organismo. Que viagem</p><p>incrível! Até uma próxima!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 264BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 264 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>265</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>Unidade 1</p><p>ALBERTS, Bruce et al. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2017.</p><p>BROWN, R. A Célula - Biologia Celular e Molecular. Rio de Janeiro.</p><p>Guanabara Koogan p. 14–15, 2013.</p><p>CAPUTO, L. F. G.; GITIRANA, L. DE B.; MANSO, P. P. DE A. Capítulo</p><p>3 - Técnicas histológicas: conceitos e Métodos para a formação de</p><p>Profissionais em Laboratórios de Saúde - Técnicas histológicas, v.</p><p>3, p. 89–188, 2017.</p><p>JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia Celular e Molecular. 9.ed.</p><p>Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Tecnologia da Biologia Celu-</p><p>lar e Molecular: Alguns Exemplos- Biologia Celular e Molecular,</p><p>2016a.</p><p>JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Biologia e Fisiologia Celulares.</p><p>Biologia e Fisiologia Celular. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan p.</p><p>21–31, 2016b.</p><p>MOGESSIE, B.; ZENNER, H.; RENKAWITZ, J. Meeting report – Cell</p><p>dynamics: organelle–cytoskeleton interface. Journal of Cell Scien-</p><p>ce, v. 132, n. 16, p. jcs236679, 2019.</p><p>MONTANARI, T. Histologia: texto, atlas e roteiro de aulas práticas,</p><p>2016. Disponível em:http://www.ufrgs.br/livrodehisto/ pdfs/livro-</p><p>dehisto.pdf.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 265BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 265 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>266</p><p>PICULO, F. Metodologia e equipamentos. 2014.</p><p>TANG, Z. MING. Field and radiation of an accelerating charge</p><p>obtained by GR. Kexue tongbao, Scientia, v. 34, n. 11, p. 964–965,</p><p>2017.</p><p>Unidade 2</p><p>BROWN, R. A Célula - Biologia Celular e Molecular. Rio de Janeiro.</p><p>Guanabara Koogan p. 14–15, 2013.</p><p>CENTONZE, F. G.; FARHAN, H. Crosstalk of Endoplasmic</p><p>Reticulum Exit Sites ERES and Cellular Signaling. FEBS Letters, p.</p><p>1873- 3468.13569, 2019.</p><p>GARRITY, A. G. et al. The endoplasmic reticulum, not the pH</p><p>gradient, drives calcium refilling of lysosomes. eLife, v. 5, n.</p><p>MAY2016, p. 1–18, 2016.</p><p>GOUD, B.; LIU, S.; STORRIE, B. Rab proteins as major determi-</p><p>nants of the Golgi complex structure. Small GTPases, v. 9, n. 1–2,</p><p>p. 66–75, 2018.</p><p>HE, C. et al. Phagocytic intracellular digestion in amphioxus</p><p>(Branchiostoma). Proceedings of the Royal Society B: Biological</p><p>Sciences, v. 285, n. 1880, 2018.</p><p>ISLINGER, M. et al. The peroxisome: an update on mysteries 2.0.</p><p>Histochemistry and Cell Biology, v. 150, n. 5, p. 443–471, 2018.</p><p>JOHNSON, D. E. et al. The position of lysosomes within the cell</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 266BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 266 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>267</p><p>determines their luminal pH. Journal of Cell Biology, v. 212, n. 6, p.</p><p>677–692, 2016.</p><p>KARNA, K. K. et al. The Role of Endoplasmic Reticulum Stress</p><p>Response in Male Reproductive Physiology and Pathology: A Re-</p><p>view. The World Journal of Men’s Health, v. 37, p. 1–11, 2019.</p><p>KULKARNI‐GOSAVI, P.; MAKHOUL, C.; GLEESON, P. A. Form and</p><p>function of the Golgi apparatus: scaffolds, cytoskeleton and sig-</p><p>nalling. FEBS Letters, p. 1–17, 2019.</p><p>MOGESSIE, B.; ZENNER, H.; RENKAWITZ, J. Meeting report – Cell</p><p>dynamics: organelle–cytoskeleton interface. Journal of Cell Scien-</p><p>ce, v. 132, n. 16, p. jcs236679, 2019.</p><p>PICARD, M. et al. An energetic view of</p><p>de membrana</p><p>celular, é a estrutura que delimita a célula, separando o meio exter-</p><p>no do meio interno. Além disso, ajuda no transporte de substância</p><p>entre os meios.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 21BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 21 19/07/2022 14:35:5519/07/2022 14:35:55</p><p>REFLITA</p><p>22</p><p>Imagine a membrana celular como as paredes de uma casa. Elas</p><p>servem para proteger, mas, além disso, possuem estruturas (como</p><p>as portas) por onde substâncias podem passar de dentro (meio in-</p><p>terno) para fora (meio externo) e vice-versa.</p><p>É importante lembrarmos também que a membrana celular é</p><p>formada por uma bicamada lipídica (duas camadas de fosfolipídios)</p><p>e nela podemos encontrar proteínas integrais e periféricas, associa-</p><p>das ou não a carboidratos (glicoproteínas e proteoglicanos), e in-</p><p>seridas entre diferentes tipos de fosfolipídios e colesterol (BROWN,</p><p>2013).</p><p>Além disso, a espessura média é de 9 a 10nm, o que faz com</p><p>que não consigamos visualizá-la nem mesmo com um microscópio</p><p>de luz (microscópio óptico). Porém, com um microscópio eletrôni-</p><p>co, é possível identificar 3 camadas ou lâminas: 2 linhas externas</p><p>mais escuras e uma linha central mais clara que, juntas, compreen-</p><p>dem a unidade de membrana.</p><p>Dessa maneira, a membrana atua como uma barreira sele-</p><p>tiva para íons e moléculas diversas, regulando a entrada e saída de</p><p>substâncias, através do seu sistema de poros, canais, carreadores</p><p>e “bombas”, proteínas que atravessam a membrana. Além disso, a</p><p>membrana ainda ajuda a determinar a forma e a estrutura celular,</p><p>uma vez que está associada ao citoesqueleto, do lado interno, e à</p><p>matriz extracelular, do lado externo.</p><p>Como você pôde perceber, são muitas funções. E, além do que</p><p>já foi dito, a membrana também atua no controle da função celular,</p><p>pois recebe e transmite sinais de mediadores químicos extracelula-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 22BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 22 19/07/2022 14:35:5519/07/2022 14:35:55</p><p>23</p><p>res (de fora da célula) e possibilita a ativação sincrônica de grupos</p><p>de células proximais.</p><p>Citoesqueleto</p><p>Caro(a) aluno(a), como você pode observar abaixo, o citoes-</p><p>queleto (Figura 3) é uma estrutura formada por microtúbulos, fila-</p><p>mentos de actina e filamentos intermediários e é responsável por</p><p>estabelecer, modificar e manter a estrutura da célula. Além disso,</p><p>é o responsável pelo movimento da célula e pelo deslocamento das</p><p>suas organelas internas (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2016a). A mem-</p><p>brana celular e o citoesqueleto são tão importantes para a célula</p><p>que, ainda nesse material, detalharemos mais essas estruturas.</p><p>Figura 3 – Estrutura do Citoesqueleto</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cytoskeleton_Components.</p><p>png Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 23BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 23 19/07/2022 14:35:5519/07/2022 14:35:55</p><p>24</p><p>Núcleo</p><p>O núcleo é o centro de controle da célula e está presente ape-</p><p>nas em células eucarióticas, uma vez que nelas o material genético</p><p>está envolvido pelo envoltório nuclear, também chamado de cario-</p><p>teca. De acordo com tipo celular, o núcleo poderá se apresentar em</p><p>diferentes tamanhos e formas. Geralmente, o tamanho dessa estru-</p><p>tura está entre 5 e 10µm e seu formato varia de esférico a alongado</p><p>ou até mesmo se apresentando dividido em lóbulos.</p><p>Estruturalmente, o envoltório que forma o núcleo é constitu-</p><p>ído por duas membranas separadas e um espaço entre elas. A mem-</p><p>brana externa é associada ao retículo endoplasmático rugoso, que</p><p>possui vários ribossomos. É importante citar que o núcleo possui</p><p>poros que permitem que substâncias sejam transportadas entre o</p><p>núcleo e o citoplasma (BROWN, 2013).</p><p>É dentro do núcleo que encontramos o ácido desoxirribonu-</p><p>cleico (DNA). Como você deve saber, o DNA é o material que contém</p><p>nossa informação genética e é encontrado enrolado em proteínas</p><p>chamada histonas, formando a cromatina (JUNQUEIRA; CARNEI-</p><p>RO, 2016a). No núcleo ainda podemos encontrar uma estrutura em</p><p>forma de corpúsculo onde ocorre a produção dos ribossomos: o nu-</p><p>cléolo (BROWN, 2013).</p><p>Dessa maneira, abaixo temos a Figura 4 que nos mostra com</p><p>grande detalhamento a estrutura do núcleo. Veja:</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 24BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 24 19/07/2022 14:35:5519/07/2022 14:35:55</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>25</p><p>Figura 4 – Organização estrutural do núcleo</p><p>Fonte: Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Diagram_human_</p><p>cell_nucleus_es.svg Licença: criative.commons</p><p>Dentro de cada núcleo das nossas células temos aproximadamente</p><p>dois metros de DNA superenrolados. Pensando nisso, se conside-</p><p>rarmos a estimativa mais precisa que fala que temos 37,2 trilhões</p><p>de células no corpo, chegaremos a conclusão de que temos 74,4 tri-</p><p>lhões de quilômetros de material genético em nosso organismo.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 25BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 25 19/07/2022 14:35:5519/07/2022 14:35:55</p><p>DICA</p><p>26</p><p>Citoplasma e sistema de endomembranas</p><p>Como já comentado, o citoplasma das células eucarióticas é</p><p>compartimentalizado, o que cria microambientes internos distintos</p><p>e aumenta o rendimento das atividades celulares. A seguir, temos</p><p>uma breve explicação das características de cada componente cito-</p><p>plasmático.</p><p>Sugiro que você realize a leitura do texto e volte a observar a Figura</p><p>2 para compreender melhor à medida que for conhecendo as orga-</p><p>nelas. Vamos lá!</p><p>• Citosol ou matriz citoplasmática: a matriz citoplasmá-</p><p>tica é uma solução líquida que preenche o interior do ci-</p><p>toplasma. Compreende subunidades proteicas do citoes-</p><p>queleto, proteínas motoras, enzimas e outras moléculas,</p><p>como glicose, aminoácidos e vitaminas.</p><p>• Mitocôndrias: organelas que, segundo a teoria da En-</p><p>dossimbiose, surgiram a partir de bactérias que teriam</p><p>sido engolfadas por células eucarióticas primitivas.</p><p>Apresentam-se em quantidades variáveis e são respon-</p><p>sáveis pela obtenção de energia para as células, a partir</p><p>da quebra de moléculas. São organelas formadas por duas</p><p>membranas e sua função também pode ser mencionada</p><p>nos livros como respiração celular.</p><p>• Complexo de Golgi: é uma organela formada por um</p><p>conjunto de 3 a 10 cisternas achatadas e vesículas. A cis-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 26BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 26 19/07/2022 14:35:5619/07/2022 14:35:56</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>27</p><p>terna mais próxima ao núcleo e ao retículo endoplasmá-</p><p>tico é designada face cis (do latim cis, deste lado), en-</p><p>quanto a que se localiza na região oposta, voltada para</p><p>o exterior, é a face trans (do latim trans, do outro lado).</p><p>É responsável pelo processamento de proteínas, após o</p><p>processo genético da tradução, e pela glicosilação e sul-</p><p>fatação de lipídios.</p><p>• Ribossomos: os ribossomos são pequenas partículas</p><p>(12nm de largura e 25nm de comprimento), compostas</p><p>de proteínas e RNAr. Cada ribossomo é composto por</p><p>uma subunidade maior e uma subunidade menor, refe-</p><p>ridas como 60S e 40S, respectivamente. Estão envolvi-</p><p>dos na síntese de proteínas, participando do processo de</p><p>tradução.</p><p>• Retículo endoplasmático: apresenta um sistema de</p><p>membranas em forma de túbulos, vesículas e cisternas</p><p>e está dividido em retículo endoplasmático liso (REL) e</p><p>rugoso (RER). O RER, também chamado de retículo en-</p><p>doplasmático granular, está associado a inúmeros ribos-</p><p>somos, estruturas responsáveis pela síntese proteica; já</p><p>o REL apresenta diversas enzimas responsáveis pela sín-</p><p>tese de lipídios.</p><p>• Peroxissomos: são encontrados em quase todos os ti-</p><p>pos celulares, mas são mais comuns nas</p><p>stress: Focus on mitochon-</p><p>dria. Frontiers in Neuroendocrinology, v. 49, n. 1833, p. 72–85,</p><p>2018.</p><p>POTHUKUCHI, P. et al. Translation of genome to glycome: role of</p><p>the Golgi apparatus. FEBS Letters, p. 1–22, 2019.</p><p>SHAI, N.; SCHULDINER, M.; ZALCKVAR, E. Europe PMC Funders</p><p>Group No peroxisome is an island — Peroxisome contact sites. v.</p><p>1863, n. 5, p. 1061–1069, 2016.</p><p>SMITH, G. M.; GALLO, G. The role of mitochondria in axon deve-</p><p>lopment and regeneration. Developmental Neurobiology, v. 78, n.</p><p>3, p. 221–237, 2018.</p><p>YAMBIRE, K. F. et al. Mitochondrial biogenesis is transcriptio-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 267BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 267 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>268</p><p>nally repressed in lysosomal lipid storage diseases. eLIFE, p.</p><p>1–29, 2019.</p><p>YANG, C. WANG, X. Lysosome biogenesis: Regulation and func-</p><p>tions. Journal of Cell Biology, v.220, n.6, 2021.</p><p>Unidade 3</p><p>BAUMGARTNER, A. et al. Full Karyotype Interphase Cell Analy-</p><p>sis. Journal of Histochemistry and Cytochemistry. v. 66, n. 8, p.</p><p>595–606, 2018.</p><p>DICKINSON, R. B.; NEELAM, S.; LELE, T. P. Physics Meets Biology.</p><p>Nucleus, v. 6, n. 5, p. 360–365, 2015.</p><p>DIXON, J. R.; GORKIN, D. U.; REN, B. Chromatin Domains: The</p><p>Unit of Chromosome Organization. Molecular Cell, v. 62, n. 5, p.</p><p>668–680, 2016.</p><p>FLORESCU, A. M.; THERIZOLS, P.; ROSA, A. Large Scale Chro-</p><p>mosome Folding Is Stable against Local Changes in Chromatin</p><p>Structure. PLoS Computational Biology, v. 12, n. 6, p. 1–21, 2016.</p><p>JUNQUEIRA, L.C.U. & CARNEIRO, J. Biologia Celular e Molecular. 7</p><p>ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan - 339p, 2000.</p><p>KUNZLER, A et al. Citologia, histologia e genética [recurso ele-</p><p>trônico]. [revisão técnica: Lucimar Filot da Silva Brum, Mônica</p><p>Magdalena Descalzo Kuplich, Letícia Hoerbe Andrighetti]. – Porto</p><p>Alegre: SAGAH, 2018.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 268BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 268 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>269</p><p>MONTANARI, D. T. Embriologia - Transporte dos gametas e</p><p>Fertilização. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, p. 35–48,</p><p>2010.</p><p>PÉREZ-GARRASTACHU, M. et al. Nucleoporins redistribute inside</p><p>the nucleus after cell cycle arrest induced by histone deacetylases</p><p>inhibition. Nucleus, v. 8, n. 5, p. 515–533, 2017.</p><p>SKINNER, B.M.; JOHNSON, E. E. P. Nuclear morphologies: their</p><p>diversity and functional relevance. Chromosoma, v. 126, n. 2, p.</p><p>195–212, 2017.</p><p>Unidade 4</p><p>BRANCALHÃO, R.M.C.; RIBEIRO, L.F.C.; LIMA, B.; KUNZ, R.I.; CA-</p><p>VÉQUIA, M.C. Tecido muscular, 2016. Disponível em: <http://bit.</p><p>ly/35TAjr1>. Acesso em: 16 de jul. 2016.</p><p>BRYAN, Anderson E. Sistema Tegumentar. 2 ed. Rio de Janeiro,</p><p>Elsevier, 2014.</p><p>CRUZ, Ivana. Histologia do Tecido e Sistema Nervoso. Disponível</p><p>em: <http://bit.ly/2RgpxFZ>. Acesso em:16/01/2020.</p><p>FONSECA, Marcus. Fisiopatologia do córtex cerebral. Disponível</p><p>em: <http://bit.ly/38cSTvP>. Acesso em:16/01/2020.</p><p>GARTNER, Leslie P; HIATT, James. Atlas colorido de histologia. 4.</p><p>ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 432 p. 3.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 269BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 269 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>270</p><p>Histologia Interativa. Disponível em: <http://bit.ly/2FRG3XG>.</p><p>Acesso em:16/01/2020.</p><p>Isamu Ito, MD; Masato Imada, MD, PhD; Minoru Ikeda, MD, PhD;</p><p>Kouhei Sueno, MD, PhD;Tomio Arikuni, MD, PhD; Akinori Kida,</p><p>MD, PhD. A Morphological Study of Age Changes in Adult Human</p><p>Auricular Cartilage With Special Emphasis on Elastic Fibers. The</p><p>Laryngoscope Lippincott Williams & Wilkins, Inc., Philadelphia ©</p><p>2001.</p><p>JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 11 ed. Rio de</p><p>Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.</p><p>MONTANARI, Tatiana. Histologia: texto, atlas e roteiro de aulas</p><p>práticas [recurso eletrônico] / 3. ed. Porto Alegre: Edição do Autor,</p><p>2016.</p><p>STEVENS, Alan; LOWE, James. Histologia humana. 2. ed. São Pau-</p><p>lo: Manole, 2001. 408 p.</p><p>Tecido Muscular. Disponível em: <http://bit.ly/36WGHiy>. Acesso</p><p>em:16/01/2020.</p><p>Tecido Muscular. Disponível em: <http://bit.ly/30lbgMd>. Acesso</p><p>em:16/01/2020.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 270BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 270 19/07/2022 14:37:4419/07/2022 14:37:44</p><p>Capa_BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL(IMPRESSÃO)</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER_(IMPRESSÃO)</p><p>células do fíga-</p><p>do e do rim. Essas organelas membranosas esféricas ou</p><p>ovoides apresentam enzimas responsáveis pela β-oxida-</p><p>ção dos ácidos graxos de cadeias longas e muito longas,</p><p>processo no qual os ácidos graxos são degradados. Além</p><p>disso, atuam na síntese de colesterol e de ácidos biliares.</p><p>• Lisossomos: são pequenas organelas com enzimas hi-</p><p>drolíticas, como fosfatases, proteases, nucleases, glico-</p><p>sidases, lipases, fosfolipases e sulfatases. Essas enzimas</p><p>são responsáveis pela digestão de organelas e moléculas</p><p>intra e extracelulares endocitadas pela célula. Pode-se</p><p>dizer que os lisossomos são os responsáveis pela diges-</p><p>tão intracelular.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 27BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 27 19/07/2022 14:35:5619/07/2022 14:35:56</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>SAIBA MAIS</p><p>28</p><p>Diversidade e semelhança entre as células</p><p>A diversidade das células, bem como sua organização estru-</p><p>tural e funções, são essenciais para a vida, uma vez que permitem a</p><p>construção, manutenção e regulação dos seres vivos.</p><p>Em outras palavras, é a diversidade celular que garante o correto</p><p>funcionamento do organismo, com células usando diferentes vias</p><p>metabólicas, apresentando estruturas celulares diferentes e se lo-</p><p>calizando em regiões específicas do corpo.</p><p>O agrupamento de várias células forma os tecidos, que são</p><p>estruturas formadas pela união de células que possuem formas e</p><p>funções semelhantes. Lembre-se que os tecidos humanos são clas-</p><p>sificados basicamente em quatro tipos fundamentais: epitelial, con-</p><p>juntivo, muscular e nervoso. Além disso, a organização dos tecidos,</p><p>por sua vez, forma órgãos que vão fazer parte dos sistemas do corpo.</p><p>Pensando nisso, veja a seguir as características dos tecidos</p><p>primários.</p><p>• Tecido epitelial: reveste a superfície externa do corpo</p><p>(pele), dos órgãos e glândulas e das cavidades e canais</p><p>corporais internos.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 28BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 28 19/07/2022 14:35:5719/07/2022 14:35:57</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>EXEMPLO</p><p>29</p><p>• Tecido conjuntivo: é formado por células que variam de</p><p>acordo com o subtipo e abundância de matriz extrace-</p><p>lular (uma substância que fica fora das células). Possui</p><p>função de preenchimento, sustentação e transporte de</p><p>substâncias.</p><p>• Tecido muscular: formado por células alongadas capazes</p><p>de realizar contração.</p><p>• Tecido nervoso: formado por células com prolongamen-</p><p>tos citoplasmáticos que podem agrupar-se em massas ou</p><p>feixes. Forma o sistema nervoso central e periférico.</p><p>Caro(a) aluno(a), após conhecermos os tecidos primários,</p><p>percebemos que o tamanho e o formato da célula variam porque</p><p>estão relacionados à função. Assim, número de organelas, pressão</p><p>externa sobre a célula, organização do citoesqueleto, quantidade de</p><p>citoplasma e até mesmo o acúmulo de substâncias de reserva ou se-</p><p>creção podem afetar o tamanho e a forma delas.</p><p>Como exemplo, podemos citar a diversidade de formas e tamanhos</p><p>das células que compõem nossos tecidos epiteliais, que revestem</p><p>nosso organismo interna e externamente.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 29BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 29 19/07/2022 14:35:5819/07/2022 14:35:58</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>CURIOSIDADE</p><p>30</p><p>Para que você possa entender, sugiro que observe a figura</p><p>abaixo:</p><p>Figura 5 – Diversidade de formas das células epiteliais</p><p>Fonte: adaptada por Heytor (2022). Disponível em: https://commons.wikimedia.org/</p><p>wiki/File:403_Epithelial_Tissue.jpg Licença: criative.commons</p><p>Como a Figura 5 ilustra células epiteliais, quando observadas</p><p>ao microscópio, são geralmente poliédricas, ou seja, possuem vá-</p><p>rios lados. Essa é uma das características desse tipo celular. Se uma</p><p>célula epitelial possui a largura e o comprimento das células maio-</p><p>res que a sua altura, ela é classificada como pavimentosa.</p><p>Quando a altura é igual à largura e ao comprimento, é denominada</p><p>cúbica. Já quando a altura da célula é maior que a sua largura e o seu</p><p>comprimento, a célula é chamada de colunar (cilíndrica ou prismá-</p><p>tica).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 30BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 30 19/07/2022 14:35:5919/07/2022 14:35:59</p><p>EXEMPLO</p><p>31</p><p>É importante destacarmos que as células pavimentosas estão</p><p>presentes em locais que facilitam a passagem de substâncias, como</p><p>ocorre com as células que formam o epitélio dos vasos sanguíneos</p><p>(endotélio). Enquanto isso, células cúbicas e colunares são mais al-</p><p>tas porque apresentam organelas mais desenvolvidas para exercer a</p><p>atividade de secreção, absorção ou transporte de íons. E, ainda ob-</p><p>servando a Figura 5 com mais atenção, você perceberá que o núcleo,</p><p>geralmente, reflete a morfologia da célula.</p><p>Células pavimentosas e colunares possuem núcleo achatado, acom-</p><p>panhando seu formato, enquanto células cúbicas possuem núcleo</p><p>circular.</p><p>Essa característica é bastante importante porque, como não</p><p>se observa a membrana celular na microscopia óptica, por ser muito</p><p>fina, o formato do núcleo pode ser utilizado como parâmetro para</p><p>se ter uma ideia da forma da célula. Porém, essa dica não pode ser</p><p>utilizada para todos os tipos celulares, pois existem células que re-</p><p>têm seus produtos de secreção ou de reserva e, dessa maneira, a</p><p>visualização do núcleo acaba ficando comprometida pela presença</p><p>dessas substâncias. Os outros tecidos também possuem células com</p><p>formatos diferentes.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 31BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 31 19/07/2022 14:35:5919/07/2022 14:35:59</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>EXEMPLO</p><p>32</p><p>No tecido conjuntivo, por exemplo, as mudanças na morfologia</p><p>das células acontecem devido às mudanças no estado fisiológico do</p><p>organismo. Já as células adiposas, por exemplo, inicialmente, são</p><p>fusiformes, mas adquirem um formato esférico com o armazena-</p><p>mento de lipídios e, no tecido adiposo, por causa da compactação,</p><p>podem ser poliédricas. Além disso, as células musculares têm uma</p><p>maior constância na morfologia. São fusiformes ou cilíndricas e</p><p>adaptadas à atividade contrátil.</p><p>Agora que você já conhece os aspectos gerais, a diversidade</p><p>das células e como elas se organizam, chegou o momento de conhe-</p><p>cer como essas estruturas microscópicas são estudadas. Vamos em</p><p>frente!</p><p>CONCEITOS DE MICROSCOPIA</p><p>Todas as estruturas que estudamos até agora só foram iden-</p><p>tificadas com a criação e o aperfeiçoamento do microscópio. Esse</p><p>equipamento foi criado no final do século XVI por dois holandeses</p><p>fabricantes de óculos, Hans e Zacharias Janssen. O microscópio de-</p><p>les era formado por duas lentes de aumento e ampliava a imagem</p><p>entre 10 e 30 vezes, mas ainda não havia sido utilizado para fins</p><p>científicos (PICULO, 2014).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 32BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 32 19/07/2022 14:36:0019/07/2022 14:36:00</p><p>33</p><p>O microscópio só foi utilizado de fato para fins científicos</p><p>por Antonie Von Leeuwenhoek (1632-1723) que foi o primeiro a ob-</p><p>servar bactérias, protozoários e leveduras em materiais biológicos.</p><p>Após isso, em 1665, o físico e biólogo Robert Hooke analisou fatias</p><p>de cortiça em um microscópio composto construído por ele. Este</p><p>aparelho já conferia um aumento de 270 vezes. Além disso, Hooke</p><p>observou compartimentos, os quais designou de células (cell em in-</p><p>glês, do latim cella, que significa câmara, pequeno cômodo).</p><p>Após o avanço da microscopia óptica, o desenvolvimento do</p><p>microscópio eletrônico, em 1931, gerou um grande</p><p>avanço para os</p><p>estudos das células e tecidos. Essa técnica foi desenvolvida pelo</p><p>russo Ernst Ruska, permitindo uma resolução e um aumento mui-</p><p>to maior e, posteriormente, em 1935, Max Knoll desenvolveu o mi-</p><p>croscópio eletrônico de varredura, que possibilita a análise da su-</p><p>perfície da amostra com a ampliação de até 100.000 vezes.</p><p>Caro(a) aluno(a), para que você possa entender a evolução da</p><p>microscopia, convido você a observar a linha do tempo abaixo que</p><p>traz os principais marcos históricos dessa mudança.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 33BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 33 19/07/2022 14:36:0019/07/2022 14:36:00</p><p>34</p><p>Figura 6 – Marcos históricos da microscopia</p><p>Fonte: NECO, H. (org.) (2022).</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 34BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 34 19/07/2022 14:36:0019/07/2022 14:36:00</p><p>35</p><p>Componentes do microscópio óptico e suas</p><p>funções</p><p>Os microscópios permitem a observação da célula e da sua</p><p>estrutura pelo aumento proporcionado através das suas lentes.</p><p>O microscópio de luz, também chamado de microscópio óptico, é</p><p>formado por uma parte mecânica, que serve de base, garantindo a</p><p>estabilidade do microscópio e, além disso, possui uma parte óptica,</p><p>formada por luz e conjunto de lentes, com a função de ampliar o que</p><p>está sendo visualizado.</p><p>Abaixo, a Figura 6 apresenta as principais partes do micros-</p><p>cópio óptico. Veja:</p><p>Figura 7 – Partes do microscópio</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Parts_of_a_Microscope_</p><p>(english).png</p><p>Licença: criative.commons</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 35BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 35 19/07/2022 14:36:0019/07/2022 14:36:00</p><p>36</p><p>Dessa maneira, após conhecermos a estrutura do microscó-</p><p>pio, vamos agora entender a função de cada componente. Vamos</p><p>nessa!</p><p>1. Lentes Oculares: posicionam-se à frente dos olhos do obser-</p><p>vador e ampliam a imagem formada pelas lentes objetivas. Os</p><p>materiais a serem observados no microscópio são dispostos em</p><p>uma lâmina de vidro, coberta por uma lamínula (Figura 7).</p><p>2. Tubo ou canhão (Cabeçote binocular): suporte das oculares.</p><p>Possui um parafuso que o fixa para não deslizar ou ficar frouxo.</p><p>3. Braço: interliga a base ao conjunto de lentes do microscópio. É</p><p>utilizado quando se quer mudar o equipamento de lugar.</p><p>4. Controle de intensidade de iluminação: O botão regula a inten-</p><p>sidade da luz.</p><p>5. Parafuso macrométrico: move a platina para cima e para baixo,</p><p>para o ajuste do foco na objetiva de 4x.</p><p>6. Parafuso micrométrico: utilizado para ajuste fino do foco, a</p><p>partir da objetiva de 10x.</p><p>7. Presilha/Pinça e Parafusos do charriot: não representado na</p><p>imagem acima, ele serve para prender e auxiliar na função de</p><p>movimentação lateral e anteroposterior do charriot, que prende</p><p>a lâmina na platina.</p><p>8. Condensador e Diafragma do campo luminoso: concentra e</p><p>controla a intensidade da luz projetada sobre a lâmina. O dia-</p><p>fragma possui uma alavanca que permite regular a intensidade</p><p>da luz que incide no campo de visão do microscópio.</p><p>9. Platina (ou mesa): é uma plataforma que suporta a lâmina.</p><p>10. Lentes Objetivas: ampliam a imagem formada pela luz que</p><p>atravessa o material corado interposto entre lâmina e a lamí-</p><p>nula. Ampliam as estruturas 4, 10, 40 e 100x. Localizam-se em</p><p>uma estrutura que gira, chamada revólver.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 36BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 36 19/07/2022 14:36:0119/07/2022 14:36:01</p><p>DICA</p><p>37</p><p>Figura 8 – Lâmina e lamínula</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Microscope_slide_and_</p><p>cover_slip.JPG</p><p>Licença: criative.commons</p><p>Como você pôde observar na imagem acima, a lamínula é uma peça</p><p>de vidro que cobre a amostra sobre uma lâmina.</p><p>Como vimos anteriormente no infográfico, os microscópios</p><p>continuaram em aprimoramento para permitir uma visualização</p><p>mais clara e reveladora. Isso tornou os microscópios mais poten-</p><p>tes e precisos, a ponto de possibilitar que um feixe de elétrons atra-</p><p>vessasse o espécime analisado. Esse tipo de microscopia que utiliza</p><p>feixe de elétrons ao invés de uma luz comum é chamado de micros-</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 37BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 37 19/07/2022 14:36:0119/07/2022 14:36:01</p><p>38</p><p>copia eletrônica, que pode ser dividida em microscopia eletrônica de</p><p>transmissão e a microscopia eletrônica de varredura. Conheça abai-</p><p>xo as principais características delas.</p><p>• Microscopia Eletrônica de Transmissão (MET): a MET per-</p><p>mite observar o tamanho e a forma de estruturas cristalinas e</p><p>amorfas, inorgânicas e biológicas. Em outras palavras, permite</p><p>visualizar cortes e estruturas internas das células. A resolução</p><p>é muito maior quando comparada com os microscópios ópti-</p><p>cos devidos porque elétrons possuem menor comprimento de</p><p>onda. Nesse tipo de microscopia a imagem é bidimensional e,</p><p>com a visualização, é possível encontrar defeitos estruturais no</p><p>objeto analisado. Assim, ao invés das lentes do condensador do</p><p>microscópio óptico, na MET há eletromagnetos que direcionam</p><p>o feixe de elétrons no material a ser analisado. Esses materiais,</p><p>normalmente, são corados com metais pesados, como urânio e</p><p>chumbo. Além disso, o feixe de elétrons interage com a amos-</p><p>tra enquanto passa através dela, o que leva à formação de uma</p><p>imagem que é ampliada várias vezes e está focada em um dis-</p><p>positivo de imagem, como uma placa fluorescente ou até detec-</p><p>tada por sensores.</p><p>• Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV): na MEV, que</p><p>também utiliza um feixe de elétrons, a imagem formada é tri-</p><p>dimensional, pois o feixe de elétrons é usado para realizar uma</p><p>varredura da superfície da amostra. Ou seja, essa técnica é utili-</p><p>zada para uma melhor observação da estrutura externa das cé-</p><p>lulas. O material analisado passa por um preparo no qual é de-</p><p>positada uma camada de metal pesado, como ouro ou paládio,</p><p>na superfície.</p><p>Para que você possa diferenciar os itens detalhados, a Figura</p><p>8 traz uma comparação de imagens produzidas com MET (à esquer-</p><p>da) e MEV (à direita). Veja:</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 38BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 38 19/07/2022 14:36:0119/07/2022 14:36:01</p><p>DICA</p><p>39</p><p>Figura 9 – Micrografias obtidas em microscopia eletrônica de transmissão e varredura</p><p>Para ambas: Licença: criative.commons</p><p>Caro(a) aluno(a), na imagem acima é possível perceber à esquer-</p><p>da (A) a bactéria Bacilus subtilis, vista à microscopia eletrônica de</p><p>transmissão. Já à direita (B), o protista marinho traz o Thraustochy-</p><p>trid observado à microscopia eletrônica de varredura.</p><p>Nesse cenário, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento das</p><p>técnicas de investigação das células, bem como dos métodos de co-</p><p>loração foram determinantes para o conhecimento não só da bio-</p><p>logia celular, mas também da histologia (biologia tecidual). Essa</p><p>ciência, também denominada anatomia microscópica ou biologia</p><p>tecidual, estuda a estrutura e o funcionamento de células de tecidos</p><p>e órgãos que formam os organismos vegetais e animais.</p><p>Fonte: Imagem A: https://pt.wikipedia.</p><p>org/wiki/Microsc%C3%B3pio_</p><p>eletr%C3%B4nico_de_</p><p>transmiss%C3%A3o#/media/</p><p>Ficheiro:Bacillus_subtilis.jpg</p><p>Fonte: Imagem B: https://</p><p>commons.wikimedia.org/wiki/</p><p>File:Thraustochytrid_Binary_Division.</p><p>jpg</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 39BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 39 19/07/2022 14:36:0119/07/2022 14:36:01</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>CURIOSIDADE</p><p>40</p><p>Existem outros tipos de microscópios eletrônicos. O microscópio</p><p>eletrônico de varredura por transmissão (MEVT),</p><p>por exemplo, per-</p><p>mite a visualização de átomos. Para isso, até as salas onde se locali-</p><p>zam devem ser bastante estáveis, com pouca vibração, mudança de</p><p>temperatura e ondas elétricas e acústicas.</p><p>Dando continuidade ao seu aprendizado, a partir de agora</p><p>conheceremos as principais características das diferentes técnicas</p><p>histológicas utilizadas, assim como as formas básicas de coleta e</p><p>coloração do material histológico.</p><p>Definição de técnica histológica</p><p>Caro(a) aluno(a), inicialmente, é preciso entender que:</p><p>a técnica histológica tem o objetivo de</p><p>preparar um tecido para ser estudado por</p><p>microscopia óptica, aquele tipo de mi-</p><p>croscopia na qual a luz atravessa uma lâ-</p><p>mina de vidro contendo o material a ser</p><p>observado (TANG, 2017).</p><p>Mas, para que a luz atravesse esse material, ele deve ser frag-</p><p>mentado e “cortado” em fatias bem finas e que podem ser coradas</p><p>para facilitar a visualização das estruturas. Assim, existem algumas</p><p>técnicas que você conhecerá a partir de agora.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 40BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 40 19/07/2022 14:36:0219/07/2022 14:36:02</p><p>41</p><p>Técnicas para análise do material histológico</p><p>Antes de analisar o material biológico, ele precisa passar por</p><p>diferentes técnicas de análises prévias: espalhamento, estiraço, es-</p><p>magamento, corte histológico, decalque e montagem total. Vamos</p><p>conhecê-las?</p><p>Técnica de espalhamento</p><p>Técnica simples que consiste em espalhar o material bioló-</p><p>gico a ser observado em uma lâmina de vidro. Em algumas vezes, o</p><p>material na lâmina poderá ser corado com um corante temporário e</p><p>será coberto com uma lamínula para ser levado à observação.</p><p>Técnica de estiraço</p><p>O estiraço, também denominado de técnica de extensão, é</p><p>bastante utilizado para análise de sangue. Nessa técnica, uma fina</p><p>camada de sangue é estendida sobre uma lâmina. Após isso, o ma-</p><p>terial é corado e levado para observação ao microscópio.</p><p>Técnica de esmagamento</p><p>O esmagamento é normalmente utilizado para materiais que</p><p>possuem tecidos com células muito unidas. Nessa técnica, o mate-</p><p>rial pode ser colocado sobre uma lâmina e, após colocar uma lamí-</p><p>nula, poderá ser esmagado, com o próprio polegar, por exemplo. Em</p><p>variações da técnica, o material pode ser ligeiramente fervido para</p><p>facilitar a separação das células.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 41BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 41 19/07/2022 14:36:0219/07/2022 14:36:02</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>CURIOSIDADE</p><p>42</p><p>Corte histológico</p><p>Quando o material a ser estudado é formado por células fir-</p><p>memente unidas entre si, como os órgãos, é preciso cortá-lo em fa-</p><p>tias muito finas, de modo a permitir que a luz do microscópio consi-</p><p>ga atravessar o material. Tecidos vegetais, que são firmes e rígidos,</p><p>a exemplo de caules e raízes, podem ser cortados com uma lâmina,</p><p>manualmente, por exemplo. Isso possibilita que observemos o ma-</p><p>terial ainda vivo. Porém, materiais de origem animal e vários outros</p><p>de origem vegetal, normalmente, são muito moles não sendo pos-</p><p>sível cortá-los manualmente de modo que a observação a fresco é</p><p>dificultada.</p><p>Os cortes histológicos são fragmentos de tecidos e órgãos obtidos a</p><p>partir de um equipamento chamado micrótomo, que fatia os mate-</p><p>riais em fatias muito finas, permitindo que passem por várias eta-</p><p>pas.</p><p>Decalque</p><p>O decalque é uma técnica na qual um órgão de consistência</p><p>mole, como fígado, baço e rins, é pressionado sobre uma lâmina re-</p><p>petidas vezes com o auxílio de uma pinça, como se fosse um “ca-</p><p>rimbo”. Essa lâmina é tratada com soluções fixadoras e corantes,</p><p>o que permite que os núcleos das células fiquem impressos na peça</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 42BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 42 19/07/2022 14:36:0319/07/2022 14:36:03</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>43</p><p>de vidro. Com essa técnica é possível estudar a quantidade de DNA,</p><p>interações moleculares, fenótipos nucleares entre outros.</p><p>Montagem total</p><p>Na montagem total, o material precisa ser cortado, pois deve</p><p>ser fino ou transparente o suficiente para ser observado à microsco-</p><p>pia. No entanto, nessa técnica, o corte deve ser lavado, conservado,</p><p>corado e montado. Ou seja, o processamento do tecido deve seguir</p><p>uma sequência de procedimentos, de forma cautelosa, para manter,</p><p>ao máximo, a estrutura original e reduzir a possibilidade de artefa-</p><p>tos na amostra.</p><p>Resumidamente, o processo envolve: coleta do material, fi-</p><p>xação, desidratação e clarificação, inclusão, microtomia (corte em</p><p>fatias finas), coloração e montagem das lâminas, respectivamente.</p><p>Dito isso, vamos conhecer agora essas etapas!</p><p>◼ Coleta: é a remoção de amostras de tecido de um organismo.</p><p>A coleta pode ser feita com o organismo ainda vivo, através de</p><p>uma biópsia ou cirurgia, por exemplo, ou ainda post mortem,</p><p>após realização de necropsia dos organismos.</p><p>◼ Fixação: a fixação paralisa o metabolismo celular e preser-</p><p>va a morfologia do tecido, evitando autólise e proliferação de</p><p>microrganismos. Ela também é importante para a penetração</p><p>de outras substâncias utilizadas nos passos subsequentes à</p><p>fixação. A escolha adequada da solução fixadora irá variar de</p><p>acordo com o material examinado e as substâncias utilizadas</p><p>para a inclusão. Entre os fixadores mais utilizados pode-se ci-</p><p>tar o glutaraldeído 2,5% em tampão fosfato (0,1M, pH 7,4) e</p><p>a solução “formalina neutra tamponada” (NBF). A fixação dos</p><p>tecidos pode ocorrer através dos processos de perfusão, após</p><p>lavagem, ou de imersão.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 43BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 43 19/07/2022 14:36:0319/07/2022 14:36:03</p><p>44</p><p>◼ Desidratação e clarificação: a desidratação é feita através da</p><p>imersão do material em soluções de álcool etílico com dife-</p><p>rentes concentrações graduais e crescentes. A graduação pode</p><p>ser iniciada, se necessário, a partir de 50% e terminar com a</p><p>imersão e retirada em álcool absoluto. Esse processo permite</p><p>que a desidratação seja homogênea, o que evita danos na es-</p><p>trutura do tecido. Após a imersão em álcool absoluto, a amos-</p><p>tra passa pelo processo de clarificação com xilol, no intuito de</p><p>remover todo o álcool presente na amostra (a parafina não se</p><p>mistura com o álcool). Nessa etapa, a amostra torna-se mais</p><p>clara e transparente, por isso o nome clarificação. A desi-</p><p>dratação acontece para permitir a penetração de substâncias</p><p>apolares como parafina e resinas utilizadas na próxima etapa</p><p>(inclusão).</p><p>◼ Inclusão: a inclusão é realizada utilizando-se parafina ou re-</p><p>sinas plásticas, como glicol metacrilato. Se a inclusão for feita</p><p>com parafina, é necessário que o processo de clarificação te-</p><p>nha sido realizado. Dessa maneira, a amostra passa por uma</p><p>infiltração em parafina e é transferida para um molde conten-</p><p>do parafina líquida. Em poucos minutos a parafina endurecerá</p><p>e um “bloco” contendo o fragmento do tecido em seu interior</p><p>será gerado. No entanto, na inclusão com glicol metacrilato,</p><p>o tecido é infiltrado com glicol metacrilato por uma noite e,</p><p>então, incluído no molde contendo a resina ainda líquida, mas</p><p>que endurece após algumas horas.</p><p>◼ Microtomia: para que os tecidos sejam observados ao mi-</p><p>croscópio de luz, eles precisam ser seccionados em fatias bem</p><p>finas e uniformes e, de acordo com o objetivo do estudo, a es-</p><p>pessura do material pode variar. Normalmente, as fatias pos-</p><p>suem espessura que varia entre 4 e 6 µm. O equipamento que</p><p>confecciona essas fatias finas precisamente é o micrótomo,</p><p>que pode ser de dois tipos: o rotativo, para aqueles tecidos que</p><p>passaram por inclusão em parafina; e o criostato, para os te-</p><p>cidos que foram congelados. As secções obtidas de fragmentos</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 44BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook</p><p>completo_SER.indd 44 19/07/2022 14:36:0319/07/2022 14:36:03</p><p>45</p><p>incluídos em parafina são coletadas em lâminas de vidro e o</p><p>tecido é tratado com xilol novamente, para remover a parafina</p><p>e ser reidratado, para que passe pela coloração.</p><p>◼ Coloração: para visualizar bem os tecidos na microscopia</p><p>óptica, utilizar corantes para corar o material é essencial. A</p><p>maioria dos corantes cora estruturas celulares com base na</p><p>interação de elementos químicos deles com estruturas ácidas</p><p>ou básicas das células. Por exemplo, como corantes ácidos te-</p><p>mos a eosina, fucsina ácida, azul de anilina entre outros. Já</p><p>como exemplo dos básicos, temos hematoxilina, azul de me-</p><p>tileno, verde metil e azul de toluidina.</p><p>A hematoxilina e eosina são dois corantes bem utilizados</p><p>nas rotinas histológicas. Por ter caráter básico, a hematoxilina rea-</p><p>ge com estruturas ácidas (como o núcleo da célula) e confere a elas</p><p>uma coloração azul-arroxeada. Essas estruturas e tecidos que co-</p><p>ram com esses corantes básicos apresentam essa coloração e se diz</p><p>que possuem uma coloração basófila. De modo similar, por ter ca-</p><p>ráter ácido, a eosina cora estruturas básicas (como o citoplasma) de</p><p>vermelho ou rosa.</p><p>Os corantes citados acima ajudam a diferenciar os compo-</p><p>nentes ácidos e básicos das células, porém existem outros tipos de</p><p>corantes que são específicos para diferenciar estruturas fibrosas da</p><p>matriz extracelular e sais metálicos que se precipitam nos tecidos,</p><p>conferindo uma visualização diferente às células e tecidos. Esses</p><p>corantes permitem que identifiquemos e diferenciemos diferentes</p><p>tipos de células, tecidos e seus componentes, como veremos a se-</p><p>guir.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 45BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 45 19/07/2022 14:36:0319/07/2022 14:36:03</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>leand</p><p>Destacar</p><p>EXEMPLO</p><p>46</p><p>Na hematologia, a técnica de esfregaço é bastante utilizada. Isso</p><p>porque, a partir de esfregaços sanguíneos, é possível avaliar células</p><p>como leucócitos, eritrócitos e outros elementos figurados do san-</p><p>gue, como as plaquetas. Para corar as células do sangue, uma mis-</p><p>tura especial de corantes é utilizada. Entre eles, podemos citar as</p><p>colorações de Leishman, Giemsa, Wright ou May-Grünwald, todas</p><p>desenvolvidas a partir de modificações da coloração a base de co-</p><p>rantes Romanovsky que, basicamente, é formada por um corante</p><p>básico e um corante ácido.</p><p>Técnicas citoquímicas e histoquímicas</p><p>Inicialmente, é importante que você saiba que:</p><p>As técnicas citoquímicas podem ser em-</p><p>pregadas tanto na microscopia óptica</p><p>quanto na eletrônica e ajudam a localizar</p><p>as substâncias no ambiente intracelular.</p><p>Algumas reações citoquímicas, inclusive,</p><p>coram as estruturas celulares proporcio-</p><p>nalmente à concentração das substâncias</p><p>nas estruturas. Com essas técnicas con-</p><p>seguimos realizar a análise de proteínas e</p><p>enzimas, DNA, ácido ribonucleico (RNA),</p><p>catecolaminas, polissacarídeos entre ou-</p><p>tros (CAPUTO; GITIRANA; MANSO, 2017).</p><p>Assim, diferentes tipos de microscopia também ajudam na</p><p>pesquisa citoquímica. A microscopia de fluorescência, por exemplo,</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 46BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 46 19/07/2022 14:36:0419/07/2022 14:36:04</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>47</p><p>na qual o microscópio possui uma lâmpada capaz de gerar luz ul-</p><p>travioleta, estimula a fluorescência de moléculas nas células, como</p><p>riboflavina (vitamina B2), a vitamina A e as porfirinas, permitindo</p><p>sua identificação e localização.</p><p>Outra técnica, a imunocitoquímica, permite que proteínas</p><p>específicas sejam localizadas precisamente dentro da célula, ex-</p><p>cluindo a possibilidade de ser alguma outra. Aplicada ao estudo dos</p><p>tecidos, temos a imunohistoquímica, igualmente baseada na reação</p><p>de moléculas presentes na amostra com anticorpos primários e se-</p><p>cundários biomarcados.</p><p>Técnicas imunohistoquímicas são aplicadas diariamente para diag-</p><p>nóstico e acompanhamento de várias doenças. Por exemplo, é pos-</p><p>sível classificar adequadamente um linfoma com essa técnica, o que</p><p>permite um tratamento personalizado e mais eficaz.</p><p>Os anticorpos, ao reconhecerem especificamente uma pro-</p><p>teína-alvo, possibilitam sua identificação molecular, através de</p><p>reações enzimáticas, nos elementos teciduais onde ela se insere.</p><p>A análise da biomarcação é realizada com auxílio do microscópio.</p><p>Essa técnica pode ser utilizada em células em cultura ou em cortes</p><p>histológicos de tecidos processados segundo a técnica de inclusão</p><p>em parafina, em cortes obtidos pelo método de congelamento ou,</p><p>ainda, incluído em resina.</p><p>Agora você já consegue reconhecer os aspectos gerais dos</p><p>métodos empregados no estudo das células e tecidos. Nossa viagem</p><p>pela célula vai continuar, mas, dessa vez, conhecendo componentes</p><p>celulares e suas funções de maneira mais detalhada. Vamos lá!</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 47BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 47 19/07/2022 14:36:0519/07/2022 14:36:05</p><p>48</p><p>BIOMEMBRANAS</p><p>Estrutura das biomembranas</p><p>Todas as células precisam ser delimitadas, separando o meio</p><p>externo do meio interno. A estrutura celular responsável por isso é</p><p>a membrana plasmática. Além da membrana que envolve a célula,</p><p>algumas organelas também são revestidas por membrana. Por esse</p><p>motivo, as membranas que delimitam estruturas nos seres vivos são</p><p>chamadas de biomembranas. Assim, além da membrana plasmáti-</p><p>ca delimitar a estrutura celular, outras biomembranas (as endo-</p><p>membranas presentes em organelas como retículo endoplasmático,</p><p>aparelho de Golgi, lisossomos e vacúolos) ajudam no processo de</p><p>compartimentalização celular, de modo que processos celulares es-</p><p>pecíficos ocorrem nas organelas.</p><p>Assim, a membrana plasmática é formada por uma bicamada</p><p>lipídica (duas camadas de lipídios, uma voltada para o meio inter-</p><p>no e outra voltada para o meio externo), com proteínas, lipídios e</p><p>carboidratos associados a ela. De acordo com o modelo do mosaico</p><p>fluido, essa bicamada lipídica, de aproximadamente 5nm de espes-</p><p>sura, possui moléculas de proteína associadas. E é verdade! Cerca</p><p>de 50% da membrana é formada por lipídios e estima-se que 30%</p><p>sejam de proteínas associadas a ela. Para que você entenda o que es-</p><p>tamos tratando, sugiro que você observe a Figura 9, que representa</p><p>a estrutura de uma membrana celular.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 48BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 48 19/07/2022 14:36:0519/07/2022 14:36:05</p><p>49</p><p>Figura 10 – Estrutura detalhada de uma membrana celular</p><p>Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Detalle_de_la_</p><p>membrana_celular.svg Licença: criative.commons</p><p>Uma das principais propriedades das biomembranas é a per-</p><p>meabilidade seletiva, ou seja, elas podem ser permeáveis ou não às</p><p>moléculas, selecionando a partir das características bioquímicas</p><p>quais irão entrar ou sair da célula.</p><p>BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 49BASES DE BIOLOGIA CELULAR_MOLECULAR E TECIDUAL_Ebook completo_SER.indd 49 19/07/2022 14:36:0519/07/2022 14:36:05</p><p>CURIOSIDADE</p><p>50</p><p>Somente pequenas moléculas sem carga podem se difundir livre-</p><p>mente pela bicamada lipídica.</p><p>Isso porque, de modo geral, a membrana é permeável a gases</p><p>como dióxido de carbono (CO2), óxido nítrico (NO) e oxigênio (O2).</p><p>Hormônios esteroides, que são pequenos e hidrofóbicos também</p><p>conseguem passar pela membrana, do mesmo modo que pequenas</p><p>moléculas polares, como etanol, também a atravessam.</p><p>Transporte nas biomembranas</p><p>A membrana celular é pouco permeável à água, devido à na-</p><p>tureza apolar das caudas dos fosfolipídios presentes na membrana,</p><p>como mostrado anteriormente na Figura 9. Além disso, a membra-</p><p>na é praticamente impermeável a íons e moléculas maiores, como</p><p>glicose, lactose, frutose, aminoácidos</p>