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<p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>MÓDULO 6</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>MATERIAL DE APOIO</p><p>Profª Laís Ubaldo</p><p>MÓDULO 6 – CRIMINOLOGIA</p><p>Introdução à Criminologia</p><p>A Criminologia trata-se de uma ciência empírica, interdisciplinar e</p><p>heterogênea derivada da sociologia e antropologia que estuda as causas e</p><p>efeitos do crime/criminalidade, analisa o criminoso, a vítima e todos os</p><p>fenômenos que envolvem a criminalidade, assim como a rotulação de sujeitos</p><p>e a ideologia de controle (controle social).</p><p>Para se entender a Criminologia é importante que o aluno saiba que tal</p><p>ciência é antes de tudo histórica e conceitual. Portanto, se atente às datas, anos</p><p>e períodos históricos.</p><p>CRIMINO + LOGIA</p><p>A palavra criminologia tem sua origem híbrida, Greco-latino.</p><p>Embora o médico Cesare Lombroso seja conhecido como o pai desta</p><p>ciência a expressão foi utilizada pela primeira vez por Topinard (1830-1911) e</p><p>o conceito consolidado por Garófalo (Itália, 1851-1934).</p><p>A Criminologia desde o final do século XIX se tornou uma ciência</p><p>autônoma, que observa comportamento e personalidade dos sujeitos, assim</p><p>como a reação social da sociedade ao fato delituoso e o delinquente, visando</p><p>à prevenção, aplicação de medidas punitivas e ressocialização.</p><p>Para a UNESCO a criminologia se divide em Geral e Clínica.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>A criminologia geral se identifica pelo conceito já trabalhado, com o</p><p>intuito de se compreender o fenômeno delituoso e também o sujeito que o</p><p>pratica.</p><p>Já a criminologia clínica se aproxima de uma relação médico-paciente</p><p>onde se estabelece o estudo do sujeito com o devido diagnóstico e</p><p>prognóstico de tratamento.</p><p>Portanto, entende-se que a Criminologia tem tríplice alcance:</p><p>Explicação científica do fenômeno Criminal</p><p>Intervenção no homem delinquente</p><p>Prevenção do Delito</p><p>Esta ciência do Ser que tem como metodologia a indução, tendo como</p><p>base principal a sociologia e biologia.</p><p>Portanto a Criminologia trata-se de uma técnica científica que descreve a</p><p>realidade fundada na observação, empirismo, experimentação e experiência.</p><p>Como objeto de estudo temos elementos como:</p><p>Crime</p><p>Comportamento</p><p>Controle Social</p><p>Métodos de Prevenção</p><p>Criminoso</p><p>Lei</p><p>Vítima</p><p>Punição e Castigo</p><p>Conduta</p><p>Causas da Criminalidade</p><p>Seletividade Legal</p><p>Rotulação e Estigma</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Podemos resumir os objetos da criminologia como sendo o crime, o</p><p>criminoso, a vítima e o controle social.</p><p>A finalidade principal da criminologia é determinar a etiologia do crime e</p><p>do comportamento criminoso.</p><p>Determinar os motivos que impulsionam a formação de leis e também o</p><p>controle social.</p><p>Prevenção do crime, o entendimento do crime na perspectiva do rótulo e</p><p>estigma, crítica ao Direito Penal.</p><p>Evolução Histórica da Criminologia</p><p>O comportamento violento desperta a curiosidade desde os tempos mais</p><p>remotos. Desde De Cretona, na Grécia, no século VI A.E.C até à Europa do</p><p>século XVIII, época do Iluminismo.</p><p>Temos assim alguns principais expoentes na idade média sendo estes os</p><p>principais: Hipócrates, Sócrates, Platão, Santo Agostinho, São Tomas de</p><p>Aquino , entre outros.</p><p>Houve uma fase de transição entre os séculos XV e XVIII, onde foram</p><p>desenvolvidos os seguintes estudos:</p><p>A Astrologia (Estudo sobre os astros);</p><p>A Oftalmoscopia (Estudo sobre os olhos e suas características);</p><p>A Metoposcopia (Estudo sobre os traços do rosto, rugas faciais);</p><p>A Quiromancia (Estudo sobre os traços da mão);</p><p>A Fisiognomia (Estudo sobre os aspectos físicos e aparência do</p><p>indivíduo);</p><p>A Demonologia (Estudo sobre os demônios).</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Escolas da Criminologia</p><p>No quadro abaixo, seguem resumidamente, período, escola/teoria da</p><p>criminologia e, consecutivamente, seu principal expoente:</p><p>Teoria do Consenso:</p><p>Esta teoria se baseava em três principais conceitos:</p><p>A sociedade atinge sua finalidade quando há um perfeito</p><p>funcionamento de suas instituições.</p><p>Há uma universalidade de valores pautados na sociedade moderna</p><p>ocidental judaico/cristã.</p><p>Os indivíduos têm objetivos comuns e a sociedade é estável e bem</p><p>integrada e todos tem uma função.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Segundo RALF DAHRENDORF, a teoria do consenso se baseia:</p><p>Toda sociedade é uma estrutura de elementos relativamente</p><p>persistente e estável;</p><p>Toda sociedade é uma estrutura de elementos bem integrada;</p><p>Todo elemento em uma sociedade tem uma função, isto é,</p><p>contribui para sua manutenção como sistema;</p><p>Toda estrutura social em funcionamento é baseada em um</p><p>consenso entre seus membros sobre valores.</p><p>Teoria do Conflito:</p><p>Tal teoria afirma que a coesão e ordem na sociedade são fundadas na</p><p>força e na sujeição. A sociedade se edifica frente ao binômio DOMINAÇÃO X</p><p>SUJEIÇÃO.</p><p>Segundo RALF DAHRENDORF, a teoria do conflito se baseia:</p><p>Toda a sociedade está, a cada momento, sujeita a processos de</p><p>mudança;</p><p>A mudança social é ubíqua;</p><p>Toda sociedade exibe a cada momento dissensão e conflito e o</p><p>conflito social é ubíquo;</p><p>Todo elemento em uma sociedade contribui de certa forma para</p><p>sua desintegração e mudança;</p><p>Toda sociedade é baseada na coerção de alguns de seus membros</p><p>por OUTROS.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Escola Clássica</p><p>Em relação à escola Clássica pode-se afirmar que o período em que ela</p><p>floresceu ficou conhecido como século das luzes em oposição às trevas que</p><p>identificavam a idade média. O iluminismo atingiu todas as áreas do</p><p>conhecimento. Floresce a ideia de retribuição penal e pecado, estabelecendo</p><p>assim o método lógico-indutivo.</p><p>O fundamento da responsabilidade penal é o livre arbítrio e a liberdade</p><p>fundamental para todo o sistema positivo. O inimputável tem sua vontade</p><p>viciada e, portanto, não tem livre arbítrio assim é penalmente irresponsável,</p><p>ficando alheio ao sistema penal.</p><p>O crime é uma entidade jurídica, produto da vontade livre do agente, é a</p><p>manifestação livre do sujeito.</p><p>Escolas que antecederam o Positivismo</p><p>Teoria Correlacionalista: Conception Arenal (1820 - 1893), Carlos</p><p>Krouse e David Roeder. Dentre os assuntos tratados tal escola discorreu</p><p>sobre o Direito penal protetor dos criminosos.</p><p>Teoria Psico-Social: tem em Gabriel Tarde (1843 - 1909) o crime como</p><p>fato aprendido. Sendo a imitação uma das raízes do crime.</p><p>Criminologia Socialista: Zorli (por volta de 1888) O crime é uma</p><p>patologia social.</p><p>PRÉ-POSITIVISMO: Marquês de Moscardi (sec. XVIII) - Édito de Valério:</p><p>“quando se tem dúvida entre dois presumidos culpados, condena-se o</p><p>mais feio”</p><p>JUIZ NAPOLITANO: "ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa</p><p>e visto o rosto e a cabeça do acusado, condeno-o.“</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Escola Positivista</p><p>O positivismo criminológico surgiu objetivamente a partir de 1874, pelo</p><p>psiquiatra italiano Cesare Lombroso.</p><p>O momento histórico do surgimento do positivismo está ligado à</p><p>Revolução industrial, desigualdades sociais e êxodo. Neste momento (segunda</p><p>metade de século XIX) o crime deveria ser explicado frente a uma determinação</p><p>de condições intrínsecas do criminoso, ou seja, o sujeito criminoso estaria</p><p>fadado à delinquência.</p><p>O crime se aproximava de uma enfermidade, uma carga que o indivíduo</p><p>levaria por toda a vida. O aspecto social era apenas um GATILHO, um</p><p>desencadeador de uma prédisposição inata.</p><p>O ATAVISMO deriva da palavra “atavus” que significa ancestral. No</p><p>positivismo tal palavra remete ao aparecimento ou reaparecimento em um</p><p>descendente de certa característica comportamental ausente em seus</p><p>ascendentes imediatos, mas presente em seus ancestrais remotos. Ou seja, e a</p><p>volta ao comportamento e atitudes ancestrais e primitivas devido a influência</p><p>de Genes.</p><p>O foco agora não seria mais o crime como um ente jurídico, mas sim o</p><p>CRIMINOSO que estaria condenado a delinquência por fatores</p><p>biodeterministas. A experimentação se torna pressuposto de qualquer</p><p>conhecimento criminológico. O homem criminoso seria um ser atávico.</p><p>O marco inicial de tal escola foi o livro “O Homem Delinquente” de Cesare</p><p>Lombroso.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>As fases do Positivismo são divididas em três:</p><p>Fase Antropológica-criminal (Lombroso):</p><p>Estabeleceu o determinismo biológico e a relação entre o criminoso</p><p>atávico/epilético; e considerou o fator social como gatilho. Além disso,</p><p>sistematizou o método científico ao estudo do crime;</p><p>Popularizou o conhecimento científico (ou pseudo-científico) na</p><p>criminalidade e concluiu que homem delinquente é um tipo particular e distinto</p><p>de homo sapiens, e pode ser identificado por uma série de marcas, estigmas e</p><p>sinais anatômicos, neurológicos ou psíquicos.</p><p>Fase Jurídica (Garófalo):</p><p>Representado pelo Italiano Garófalo defendia a ideia de que, nos</p><p>criminosos, havia uma anomalia do sentimento moral. O delinquente típico não</p><p>tem sentimento social. Para este autor o fator social também influência no</p><p>desencadeamento da delinquência, embora de maneira limitada.</p><p>Garófalo dividia os criminosos em quatro categorias:</p><p>Assassinos;</p><p>Violentos ou Enérgicos;</p><p>Ladrões;</p><p>Criminosos Clínicos.</p><p>O expoente dividiu os delitos em legais ou naturais, sendo estes:</p><p>DELITOS LEGAIS: são modificáveis de país para país e não</p><p>ofendem o senso moral e nem revelam anomalias (as lombrosianas) assim as</p><p>penas também seriam variáveis.</p><p>DELITO NATURAL: "uma lesão daquela parte do sentido moral,</p><p>que consiste nos sentimentos altruístas fundamentais (piedade e probidade)</p><p>segundo o padrão médio em que se encontram as raças humanas superiores,</p><p>cuja medida é necessária para a adaptação do indivíduo à sociedade</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Fase Sociológica (Enrri Ferri).</p><p>Aqui se consolidou a ruptura entre os positivistas e clássicos ao criticar</p><p>diretamente o “livre arbítrio” frente ao “determinismo”.</p><p>Acredita-se que os fatores do crime possam ser de origem antropológica</p><p>(biológicos – herança e constituição) sendo este de fator endógeno, físico</p><p>(clima) e social (condições ambientais), sendo estes de fator exógeno.</p><p>Podemos resumir os pensamentos igualitários entre as Escolas Clássicas</p><p>e Positivistas em:</p><p>Mesma ideologia de defesa social.</p><p>Mesma ideologia a respeito dos valores a serem tutelados.</p><p>No que diz respeito a diferença entre elas, podemos listar:</p><p>Muda-se o olhar sobre o fenômeno da criminalidade.</p><p>Muda-se à explicação da criminalidade.</p><p>Em resumo, podemos classificar as diferenças, conforme a tabela abaixo.</p><p>POSITIVISMO CLÁSSICOS</p><p>Livre arbítrio Determinismo</p><p>Razão Experimentação</p><p>Viam o Fenômeno Viam o Autor</p><p>Românticos Realistas</p><p>Igualdade entre criminosos e não</p><p>criminosos</p><p>Diferença natural entre</p><p>criminosos e não criminosos</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Ideologia da Defesa Social</p><p>A ideologia da Defesa Social como frisamos é comum à Escola clássica e</p><p>positiva e se edifica pelos seguintes princípios:</p><p>Princípio da legitimidade: Estado legitimado para reprimir a</p><p>criminalidade; Instâncias oficiais detém o controle social; Alguns,</p><p>portanto detêm o poder de interpretar a legítima reação da sociedade;</p><p>Legitima a reação da sociedade.</p><p>Princípio da culpabilidade: O delito é expressão de uma atitude</p><p>reprovável pois contraria valores; O delito está presente na sociedade</p><p>antes mesmo de ser considerado ilícito pelo legislador.</p><p>Princípio da prevenção: A pena tem a função de retribuir e também</p><p>prevenir o crime, contra-motivação, já como sanção concreta</p><p>ressocializa; Contra motivação ao ato criminoso.</p><p>Princípio da igualdade: O crime é comportamento de uma minoria</p><p>desviante, a lei penal se aplica de maneira igual para todos.</p><p>Princípio do interesse social e do delito natural: É o alicerce da</p><p>justificação para a instituição e enquadramento de certas condutas como</p><p>crimes. Os delitos são ofensas a interesses fundamentais e de condições</p><p>essenciais a toda a sociedade.</p><p>As escolas sociológicas e a escola de Chicago</p><p>A escola de Chicago passou a existir em 1890. Na criminologia tal escola</p><p>foi responsável por mudar o paradigma biopsicológico no estudo do</p><p>fenômeno criminoso para um paradigma macrossociológico.</p><p>O crescimento urbano de Chicago, juntamente com o aumento da</p><p>criminalidade contribuíram para o surgimento da Escola no âmbito</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>criminológico. Vale lembrar que a escola de Chicago não representa uma linha</p><p>única de Estudo e Pensamento.</p><p>Na verdade, embora podemos identificar o viés sociológico no estudo do</p><p>Crime em tal escola ela abriga uma série de teorias que viram o fenômeno</p><p>crime e o criminoso de maneira diferente. Por isso as escolas que derivam de</p><p>Chicago são chamadas de escolas sociológicas.</p><p>Desta maneira, surgiram as escolas sociológicas em uma releitura do</p><p>comportamento criminógeno. Tais escolas foram desconstruindo cada</p><p>princípio da Defesa Social. Destacando que o crime não era mais considerado</p><p>uma realidade ontológica.</p><p>A Sociologia frente à criminologia surgiu em duas frentes teóricas. Uma</p><p>Europeia conhecida como teoria da Anomia com Emile Durkheim com um viés</p><p>acadêmico e outra Americana identificada como Escola de Chicago que se</p><p>desmembrou em várias teorias.</p><p>Hoje as escolas sociológicas são responsáveis por grande parte do</p><p>modelo de segurança pública e políticas criminais adotadas em todos os</p><p>países.</p><p>Teoria Estrutural Funcionalista</p><p>Esta Teoria baseia-se nas teorias do consenso de viés etiológico e trata da</p><p>normalidade e a funcionalidade do crime. O crime como um ingrediente</p><p>inerente ao tecido social.</p><p>O crime faz parte natural do funcionamento social. Cada indivíduo possui</p><p>suas próprias funções e trabalha em conjunto para promover a estabilidade</p><p>social.</p><p>Seus representantes mais</p><p>emblemáticos são Durkheim e Merton, embora</p><p>ainda tenhamos Cloward, e Ohlin.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Durkheim afirma: "o crime é normal porque uma sociedade isenta dele é</p><p>completamente impossível".</p><p>O indivíduo deve desempenhar funções peculiares e determinadas na</p><p>sociedade e caso não as cumpra haverá o desequilíbrio da sociedade.</p><p>Equilíbrio + funções específicas efetivadas</p><p>= Sistema Social estabilizado e conservado</p><p>O conflito cumpre seu papel funcional desde que seu efeito seja a</p><p>integração e posterior permanência e manutenção do grupo social.</p><p>Durkheim afirma: “o conflito e disputa pelo status quo é inerente ao tecido</p><p>social. A sociedade cria regras e automaticamente cria também a conduta fora</p><p>da regra.”</p><p>Esta sociedade regrada cria uma conduta anômica, ou seja, de total</p><p>ausência de adesão aos regramentos.</p><p>A ANOMIA então é fruto da sociedade industrializada onde o crime não</p><p>é doença e a pena satisfaz a consciência comum, a reação social equilibrada;</p><p>R. Merton vai além da anomia em Durkheim e afirma que tal fenômeno é</p><p>a sensação de impunidade e da total ausência da presença do Estado.</p><p>Desintegração das normas sociais quando mecanismos institucionais não</p><p>cumprem seu papel. É o descrédito na engrenagem estatal enquanto</p><p>representante e responsável pela segurança e bens estar aos indivíduos da</p><p>comunidade.</p><p>O crime então decorre da pressão da estrutura cultural. Neste sentido</p><p>algumas estruturas sociais exercem pressão sobre certos indivíduos para que</p><p>sigam condutas não conformistas.</p><p>Tais condutas e adaptações ao meio seguem a seguinte classificação para</p><p>Merton:</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Conformidade (objetivos institucionalizados) ;</p><p>Ritualismo (renuncia a objetivos sociais –servidor público);</p><p>Retraimento (mendigos – renuncia a objetivos sociais e normas);</p><p>Inovação (colarinho Branco);</p><p>Rebelião (instituição de novas metas).</p><p>Teoria Ecológica e Interrelacionalismo Simbolico</p><p>Fruto direto da Escola de Chicago fundada na experimentação e</p><p>empirismo, sua finalidade era pragmática. Voltada ao cenário urbano e as</p><p>interações sociais ocorridas neste ambiente.</p><p>Lembramos que Chicago foi a primeira a identificar grupos minoritários e</p><p>se atentar também para o ambiente como fator determinante ao</p><p>comportamento violento.</p><p>Teoria ecológica - Estuda a relação do indivíduo com o seu meio, no seu</p><p>habitat urbano, áreas naturais que criam uma ordem típica.</p><p>Interacionismo simbólico – Pessoas interagem por meio da linguagem,</p><p>entre seus grupos, e esta interação influencia na sua conduta e</p><p>personalidade.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Teoria Ecológica</p><p>Tal teoria parte da relação do ser Humano com o seu meio e pessoas. O</p><p>homem estudado na perspectiva do seu habitat natural.</p><p>Força Natural cria uma ordem típica e esta cria áreas naturais –</p><p>naturalmente violentas. Assim, a cidade produz delinquência.</p><p>Fenômeno dos imigrantes: Delinquem não pela interação, mas pela área</p><p>– quando mudam param de delinquir.</p><p>Assim, a desorganização do ambiente social é fator Importante para se</p><p>entender a criminalidade.</p><p>Áreas pobres e sem a presença efetiva do Estado, combinado com a</p><p>mobilidade da população e a presença de minorias levam ao aumento da</p><p>violência por total falta de laço social.</p><p>Para esta teoria as zonas urbanas violentas podem se manter, mesmo que</p><p>os indivíduos se mudem.</p><p>Isto porque alguns estudos demonstraram que os imigrantes e outros que</p><p>saíram das zonas não delinquiram, ou seja, o problema era mais do lugar, sua</p><p>desorganização e pobreza do que necessariamente do indivíduo.</p><p>Os autores proeminentes de tal escola foram Hernest Burguess e Clifford</p><p>Shaw. Tais autores trabalharam a delinquência ligada a fatores da vida urbana,</p><p>sendo que consideravam o locus (o ambiente físico) como causa da</p><p>criminalidade.</p><p>Teoria da Associação Diferencial</p><p>Tal escola tem como maior expoente Edwin Sutherland (1883 – 1950),</p><p>crítica às teorias de comportamento criminoso vinculadas a condições</p><p>econômicas, psicopatológicas e sociopatológicas.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Seu período histórico envolve Lei seca e o pós 1° guerra, assim como o</p><p>aumento da corrupção no seio social.</p><p>A Teoria do White-collar crime ou crime do colarinho Branco tenta</p><p>modificar a maneira de se ver a criminalidade, sempre ligado às classes sociais</p><p>menos favorecidas.</p><p>Cifras Negras (depois chamadas pela criminologia</p><p>contemporânea de “cifras douradas”).</p><p>Deficiência de se identificar os crimes cometidos pelas classes abastadas.</p><p>A delinquência de colarinho branco é aprendida em associação direta ou</p><p>indireta com os que já praticaram um comportamento criminoso.</p><p>A relação entre uma pessoa se tornar ou não um criminoso é a frequência</p><p>e intensidade de suas relações com os dois tipos de comportamento, essa</p><p>relação chamamos de associação diferencial.</p><p>Uma pessoa torna-se um criminoso quando as definições favoráveis a</p><p>violação das normas superam as desfavoráveis ou são mais atrativas que estas.</p><p>Teoria da Subcultura Criminal</p><p>Tal teoria tem total relação com as doutrinas funcionalistas. O maior</p><p>expoente desta escola foi Albert Cohen (1895 - 1991).</p><p>A formação de subculturas criminais representa a reação necessária de</p><p>algumas minorias altamente desfavorecidas diante da exigência de sobreviver</p><p>dentro de uma estrutura social hostil.</p><p>Dentro da sociedade formam-se grupos sociais minoritários, ou seja, uma</p><p>cultura dentro da cultura. Grupos não anômicos, mas apartados da sociedade</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>como um todo. Onde a distribuição das chances de acessos legítimos são</p><p>reduzidas a formação das subculturas se solidifica em uma reação das minorias</p><p>desfavorecidas.</p><p>Sykes (1922 - 2010) e Matza (1930 -) apontaram que as subculturas</p><p>funcionariam como uma importante excludente da responsabilidade, com a</p><p>negação da ilicitude da conduta pois os sujeitos envolvidos na subcultura</p><p>desaprovam a legitimidade em punir dos que condenam.</p><p>Não há reconhecimento da cultura majoritária e assim não há</p><p>reconhecimento de suas sanções, castigos e regras.</p><p>Conflito para Cohen admitem três respostas:</p><p>1. A adaptação;</p><p>2. A transação ou pacto;</p><p>3. A rebelião.</p><p>Teoria da Reação Social</p><p>Esta teoria também é conhecida como Labeling Approach,</p><p>Etiquetamento.</p><p>Décadas de 1960 e 1970. Auge da revolução cultural e surgimento da</p><p>contracultura. Pós 2° Guerra Mundial. Guerra fria e a coesão interna. Guerra do</p><p>Vietnã e o “American Way of Life” questionado.</p><p>Há uma mudança de paradigma, a sociedade de conflito é fundada na</p><p>força e coerção do mais forte sobre o mais fraco.</p><p>A análise não se faz mais sobre o crime e o criminoso e suas causas, mas</p><p>em relação a reação das instâncias oficiais de controle social sobre o indivíduo</p><p>acusado por crime.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Então há o abandono do paradigma</p><p>etiológico-determinista. A sociedade</p><p>não é um todo pacífico. A criminalidade constitui um bem negativo, distribuído</p><p>desigualmente, ainda que não de modo arbitrário.</p><p>Teoria Interacionismo Simbólico: o crime é uma função das interações</p><p>psicossociais do indivíduo e dos diversos processos da sociedade.</p><p>O Labelling Approach desloca o problema criminológico do plano da</p><p>ação para o da reação, para o controle social seletivo e discriminatório.</p><p>PERGUNTA MUDA:</p><p>Porque o criminoso comete crime?</p><p>X</p><p>Porque algumas pessoas são tratadas como criminosas, quais as</p><p>consequências disso e qual a legitimidade disso?</p><p>Hassemer (2011, p. 201) afirma: A possibilidade de escapar a uma</p><p>definição jurídico-penal cresce à medida que se sobe na hierarquia social.</p><p>Aqui não interessa as causas primárias da desviação. A reação é o mais</p><p>importante no fenômeno da criminalidade.</p><p>Escola Crítica</p><p>Década de 1970 tivemos a redefinição do próprio objeto da criminologia</p><p>com o grupo de Berkeley que ambicionam a abolição das desigualdades</p><p>Sociais e a eliminação da exploração econômica, assim como o fim da opressão</p><p>política de classe.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Crítica ferrenha a criminologia do consenso e vê o delito dependente do</p><p>modo de produção do capitalismo e o Direito Penal nada mais é que uma</p><p>superestrutura do sistema de produção capitalista.</p><p>Fatores condicionantes e desencadeantes da criminalidade</p><p>Fatores biológicos:</p><p>1. Antropometria (Ramo da Antropologia que analisa a medidas de</p><p>várias partes do corpo, inclusive o crânio).</p><p>2. Antropologia (Ciência que estuda o homem em todos os seus</p><p>aspectos, biológico, cultural, psicológicos, entre outros).</p><p>3. Biotipologia (Estudo da essência do ser humana inclusive os tipos</p><p>endomórfico, ectomórfico e mesomórfico).</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>4. Neurofisiologia (mapeamento cerebral e análise ligada as nossas</p><p>reações cerebrais frente ao ato criminoso).</p><p>5. Endocrinologia (Estuda os aspectos biológicos de forma geral e</p><p>como tais fatores influenciam no crime).</p><p>6. Genética (Estuda o mapeamento genético, analisando a relação</p><p>dos genes ao comportamento violento).</p><p>Fatores Psicológicos:</p><p>1. Ego Fraco – (abulomania – sem opinião).</p><p>2. Mimetismo – (Imitação).</p><p>3. Desejo de lucro imediato – (ambição).</p><p>4. Necessidade de Status – (poder, visibilidade, notoriedade).</p><p>5. Insensibilidade Moral – (ausência de empatia).</p><p>6. Espírito de Rebeldia – (repulsa frente às normas).</p><p>Fatores Psiquiátricos:</p><p>1. Esquizofrenia e Transtorno Psicótico</p><p>2. Transtorno de Ânimo e Humor</p><p>3. Transtorno de Ansiedade (Neuroses)</p><p>4. Transtorno Sexual</p><p>5. Transtorno no Controle de Impulso</p><p>Fatores Sociológicos:</p><p>1. Desestruturação Familiar</p><p>2. Reenculturação</p><p>3. Promiscuidade</p><p>4. Analfabetismo</p><p>5. Fator econômico</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SUGESTÕES DE LEITURA</p><p>Aandrade, MC. O novo Código Penal e a moderna criminologia. Jornadas</p><p>de Direito Criminal, Lisboa, p. 187 – 234, 1983</p><p>Baratta, A. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: Introdução à</p><p>sociologia do direito penal. 3. ed. Rio de Janeiro: Revan, Instituto Carioca de</p><p>Criminologia.</p><p>Becker, HS. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Tradução de</p><p>Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.</p><p>Franco, AS. Globalização e a criminalidade dos poderosos. Revista</p><p>Portuguesa de Ciência Criminal, ano 5, fasc. 3/4, p. 361-372, 1996.</p><p>Feldens, PF. Criminologia Forense. Disponível em:</p><p>https://priscilafeldens.files.wordpress.com/2009/11/escolas-</p><p>criminolc3b3gicas.doc. Acesso em: 03 de ago. 2016.</p><p>Ferreira, ABH. Novo dicionário da língua portuguesa. Nova Fronteira,</p><p>1986.</p><p>García-pablos de Molina, A. O que é Criminologia. São Paulo: Revista dos</p><p>Tribunais, 2013.</p><p>Habermann, JCA. A ciência criminologia. Revista de direito, v. 13, n. 17,</p><p>2015.</p><p>Hassemer, W & Conde, FJM. Introducción a la Criminología. Tirant lo</p><p>blanch, 2001.</p><p>Lombroso, C. O homem delinqüente. Porto Alegre: Ricardo Lenz, 2001.</p><p>Molina, AGP. Tratado de criminologia. Valencia, Tirant lo Blanch, 2. ed,</p><p>1999.</p><p>Molina, AGP & Gomes, LF. Criminologia. 4. ed. São Paulo: RT, 2002.</p><p>Molina, AGP. O que é criminologia? Tradução de Danilo Cymrot. São</p><p>Paulo: Revista dos Tribunais, 2013.</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profª Esp. Laís Ubaldo – Perita Judicial e Consultora Técnica</p><p>CRBio 109592/01-D</p><p>Prudente, NM. Introdução aos fundamentos da vitimologia. Editora Atlas,</p><p>2012.</p><p>Oliveira, OM. Problemática da vítima de crimes. Reflexos no sistema</p><p>jurídico português. Lisboa: Rei dos Livros, 1994.</p><p>Shecaria, S. Criminologia. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004.</p><p>VÍDEOS APRESENTADOS EM AULA</p><p>Um grupo de cinco macacos e dois cientistas -</p><p>https://youtu.be/ZAQtwFpkksw</p><p>O experimento de Stanford - https://youtu.be/hayz0nlS1bk</p><p>The wave - https://youtu.be/Sqi9NZfHgPA</p><p>mailto:lais.ubaldo.89@gmail.com</p><p>https://youtu.be/ZAQtwFpkksw</p><p>https://youtu.be/hayz0nlS1bk</p><p>https://youtu.be/Sqi9NZfHgPA</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>MATERIAL DE APOIO</p><p>Profº Matheus Oliveira</p><p>MÓDULO 6 – CRIMINOLOGIA</p><p>A CRIMINOLOGIA</p><p>O vocábulo Criminologia origina-se do latim crimino que significa crime</p><p>e do grego logos, que significa tratado ou estudo. Segundo Roberto Lyra e</p><p>João Marcelo de Araújo (1995, p. 3), “a palavra criminologia é hibridismo</p><p>composto de raiz latina e desinência grega”. Newton Fernandes (1995, p. 85)</p><p>menciona que: “Garófalo foi o criador do termo Criminologia. Imaginou-a com</p><p>a tríplice preocupação de torná-la uma pesquisa antropológica, sociológica e</p><p>jurídica”. Entretanto, há estudiosos que afirmam que o termo teria sido usado</p><p>pela primeira vez por Topinardi, um antropólogo francês em 1883 e</p><p>universalmente aplicada pelo jurista Rafael Garófalo, no ano de 1885 em sua</p><p>obra Criminologia. Cientificamente, a Criminologia tornou-se conhecida por</p><p>Cesare Lombroso. Ele foi o fundador da Antropologia Criminal. Era professor,</p><p>médico, antropólogo, político e psiquiatra que estudava e pesquisava o crime</p><p>sob o ponto de vista naturalista, porém sua tese principal era a do delinqüente</p><p>nato. O sociólogo Ferri, seguidor de Lombroso foi o fundador da Sociologia</p><p>Criminal, que também agregou em suas pesquisas os fatores antropológicos,</p><p>sociais e físicos. Desta forma, as três correntes interligadas de Lombroso, Ferri</p><p>e Garófalo direcionam a Criminologia, “[...] que somente foi reconhecida no</p><p>final do século XIX no Brasil” (ALVAREZ, 2007). Esta ciência origina-se do crime,</p><p>fato antigo pelo qual preocupa a sociedade. É considerada como ciência</p><p>porque cumpre as condições necessárias da teoria do conhecimento e porque</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>tem objeto próprio, que é o crime, o criminoso e a criminalidade, assim quando</p><p>a Escola Positiva generalizou este método de investigação, a Criminologia</p><p>consagrou-se como ciência. Alguns estudiosos entendem que a Criminologia</p><p>pode ser em sentido estrito porque estuda o crime e em sentido amplo porque</p><p>abrange a pena imposta ao delinqüente e os problemas de prevenção</p><p>do</p><p>delito através de medidas não punitivas. Para entender o crime e a</p><p>personalidade do criminoso, a Criminologia utiliza-se de outras ciências como</p><p>a História, a Sociologia, a Biologia, a Endocrinologia, a Ética, a Psicologia e</p><p>outras ciências humanas e sociais, visando solucionar os problemas da</p><p>criminalidade no decorrer da incidência e reincidência do crime. Muitos</p><p>autores que definem a Criminologia como uma ciência, porém há algumas</p><p>divergências quanto ao seu conceito, sendo que ao longo dos tempos</p><p>surgiram várias classificações de Criminologia como Criminologia Radical,</p><p>Clínica, Científica, Aplicada, Analítica, Organizacional, Dialética, Crítica, dentre</p><p>outras, assim o seu objeto será determinado de acordo com a Criminologia a</p><p>ser estudada, porém, seja qual for, será multi e interdisciplinar quanto ao</p><p>fenômeno da criminalidade. Esta ciência se apóia em investigações da</p><p>realidade, reunindo informações confiáveis em relação ao problema social,</p><p>buscando dados do delito e seu autor, comparando, analisando e classificando</p><p>os resultados de tal investigação. Desta forma, a Criminologia se interliga a</p><p>muitos outros temas relacionados às infrações cometidas por infratores,</p><p>investigando meios para ajudar a sociedade diante do crime e dos atos</p><p>desviantes, se preocupando com as vítimas e o bem estar social.</p><p>POSITIVISMO CRIMINOLÓGICO</p><p>A Escola Positivista Italiana surgiu no final do século XIX. A obra “O</p><p>homem delinquente”, de Cesare Lombroso, pode ser considerada o marco</p><p>inicial do surgimento da Criminologia, bem como da Escola Positivista Italiana,</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>que teve como precursores Bentham (1748-1832), Romagnosi (1761-1865)</p><p>Feuerbach (1775-1883) (COSTA, 2005, p. 150). Todavia, como oportunamente</p><p>ressalta Shecaira (2012, p. 70), entre os doutrinadores, não há unanimidade no</p><p>tocante à conclusão sobre o momento histórico em que teve início o estudo</p><p>científico da Criminologia, embora seja inegável a importância da Escola</p><p>Positivista para o seu desenvolvimento enquanto ciência. O desenvolvimento</p><p>da Escola Italiana ocorreu em um momento em que a Antropologia e a</p><p>Sociologia estavam em período de notável desenvolvimento. O Positivismo</p><p>Criminológico surgiu com o intuito de proteger a sociedade de forma mais</p><p>efetiva contra os criminosos, dando um enfoque diferente ao crime, e</p><p>principalmente ao criminoso, em contraposição ao posicionamento adotado</p><p>até então pela Escola Liberal Clássica do Direito Penal. As características</p><p>principais da Escola Positivista são: i) o determinismo, em oposição ao livre-</p><p>arbítrio pregado pela Escola Clássica, ou seja, para a Escola Positivista, o</p><p>indivíduo criminoso não goza de livre-arbítrio escolhendo se pratica um ilícito</p><p>penal ou não, apenas segue sua natureza, previamente determinada por sua</p><p>genética; ii) ausência de responsabilidade moral, visto que o homem criminoso</p><p>carece de liberdade ao agir guiado por fatores que determinam sua conduta.</p><p>Logo, a função primordial da pena é a defesa da sociedade, e não a</p><p>ressocialização ou a punição do criminoso, ocorrendo esta última de forma</p><p>reflexa. O que importa não é a responsabilidade do agente, e sim sua</p><p>temibilidade, sua periculosidade. A pena tem função de higiene social</p><p>iii) a medida da pena é dada pelo delinquente, significando que os</p><p>delitos não devem tem penas fixas, estas devem variar de acordo com as</p><p>condições pessoais de cada delinquente (ESCOBAR, 1997, p. 99-100). A ideia</p><p>de que a pena deve ser determinada pela periculosidade do agente não é</p><p>possível no sistema penal brasileiro, pelo menos não da forma como</p><p>concebida pelos positivistas, posto que no Código Penal vigente as penas já</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>são previstas em abstrato, tendo o tempo mínimo e máximo definidos.</p><p>Entretanto, ao aplicar a pena, o magistrado valorará as chamadas</p><p>circunstâncias judiciais, previstas no artigo 59 do Código Penal. Este artigo</p><p>dispõe que o juiz, para a fixação da pena, levará em conta, entre outros fatores,</p><p>a personalidade do agente (BRASIL, 2014). Pode-se dizer que o Positivismo</p><p>criminológico teve três fases distintas: a fase antropológica, seguindo as ideias</p><p>de Cesare Lombroso, com destaque para sua obra “O homem delinquente”; a</p><p>fase jurídica, baseada no pensamento de Rafaele Garófalo e seu livro</p><p>“Criminologia”, e a fase sociológica, com base na doutrina de Enrico Ferri e a</p><p>publicação de sua “Sociologia Criminal” (BITENCOURT, 2012, p.102).</p><p>A INFLUÊNCIA DA ANTROPOLOGIA CRIMINAL NA ESCOLA</p><p>POSITIVISTA ITALIANA</p><p>A partir da Idade Média, começou-se a despertar na mente de alguns estudiosos a</p><p>ideia de estudar a morfologia e a anatomia humana, a fim de se tentar descobrir traços</p><p>característicos típicos de criminosos. Posteriormente, passou-se a analisar também a</p><p>estrutura craniana, sempre buscando “estigmas predisponentes da impulsividade</p><p>criminal”. Partindo desses objetivos, Juan Battista Della Porta Funda, durante a Idade</p><p>Média, desenvolveu a Fisiognomia, visando conhecer o caráter do homem,</p><p>principalmente do homem criminoso, estudando traços fisionômicos do rosto, do</p><p>crânio e a análise superficial do corpo (FARIAS JÚNIOR, 2005, p. 29). No século XVII,</p><p>Lavater, a fim de determinar a personalidade não só através dos traços físicos, mas</p><p>também através do estudo do cérebro e das protuberâncias cranianas, criou a</p><p>Frenelogia. Atribui-se ao anatomista austríaco Johan Franz Gall a realização dos</p><p>estudos frenológicos mais importantes. Gall é também reconhecido como o fundador</p><p>da Antropologia Criminal. (FARIAS JÚNIOR, 2005, p. 29). Como salienta Farias Júnior</p><p>(2005, p. 29), “Desses estudos foram surgindo as noções de criminosos por ímpeto,</p><p>por instintos inatos, por loucura moral ou criminoso louco, a noção também de</p><p>atavismo e de defeitos congênitos de criminosos”. Lombroso, no século XIX, ao iniciar</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>seus estudos sobre as características inatas dos delinquentes, foi influenciado pelas</p><p>ideias de Della Porta, Lavater e Gall, bem como por outros estudiosos, como se verá a</p><p>seguir.</p><p>CESARE LOMBROSO</p><p>Lombroso (1835-1909) é um dos nomes mais conhecidos da Criminologia,</p><p>principalmente no meio acadêmico. Suas ideias foram fundamentais para o</p><p>desenvolvimento da Criminologia, embora hoje sejam vistas com muitas ressalvas.</p><p>Cesare Lombroso estudou na Universidade de Pádua, em Viena, e também em Paris.</p><p>Foi professor da Universidade de Pavia, onde lecionou Psiquiatria e Medicina Forense</p><p>e Higiene. Na Universidade de Turim, lecionou Psiquiatria e Antropologia Criminal.</p><p>Lombroso foi ainda diretor de um asilo mental na Itália, além de médico do sistema</p><p>penal italiano. Foi influenciado pelas doutrinas evolucionista (Darwin e Lamarck);</p><p>materialista (Buchner,Haeckel e Molenschott); sociológica (Augusto Comte, Spencer,</p><p>Ardig e Wundt); frenológica (Gall) e fisionômica (Lavater) (CABRAL, 2004). Segundo</p><p>Costa (2005, p. 124), os estudos antropológicos realizados pela Escola Positivista</p><p>levaram Lombroso a desenvolver um estereótipo do criminoso, o criminoso-nato,</p><p>descrito em 1887 da seguinte forma: a) Psiquicamente tem pequena capacidade</p><p>craniana, mandíbula pesada e desenvolvida, protuberância occipital, órbitas grandes,</p><p>crânio frequentemente anormal (assimétrico), pouca ou nenhuma barba, lábios</p><p>grossos, cabelos abundantes, orelhas em forma de asa, lábios grossos, braços</p><p>excessivamente longos, anomalias dos órgãos sexuais, mãos grandes e fisionomia</p><p>ordinariamente feminina no homem e viril na mulher. b) Moralmente tem profunda</p><p>depressão moral, manifestações</p><p>desde a infância de vileza, inclinação para o roubo,</p><p>crueldade, vaidade excessiva, mentira, aversão por hábitos familiares, astúcia,</p><p>impulsividade, inveja, espírito vingativo, repúdio a qualquer forma de educação,</p><p>insensibilidade à dor, explosões de ira sem causa, tendência a tatuagem, cinismo,</p><p>preguiça excessiva, libertinagem e não é suscetível de remorsos. c) Intelectualmente,</p><p>quando sabe escrever, tem uma letra característica, assinatura adornada de arabescos.</p><p>Linguagem peculiar e uso frequente de arcaísmos. Ponto fundamental da doutrina de</p><p>Lombroso é o atavismo, que segundo Torraza (1999), são as “características físicas</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>correspondientes a estadios primitivos de la evolución”. Atavismo é o conjunto de</p><p>caracteres indicativos de retrocesso evolucionário. São resquícios do processo</p><p>evolutivo e, segundo Lombroso, as pessoas portadoras de tais caracteres teriam</p><p>tendências de delinquir (itálico nosso). No decorrer de seus estudos, Lombroso</p><p>modificou várias vezes a sua teoria, partindo da ideia de que o criminoso nato era um</p><p>ser atávico, passando para a ideia de epilepsia, e por fim, de loucura moral.</p><p>Em 1869, aproveitando-se do fato de ser médico do sistema penitenciário da Itália,</p><p>Lombroso teve a ideia de comparar os exames necroscópicos realizados em</p><p>cadáveres, traçando um paralelo entre o homem alienado, o homem pré-histórico, o</p><p>homem selvagem e o homem normal. Em 1870, teve a oportunidade de examinar o</p><p>cadáver de Milanês Vilela, um homem que já havia sido condenado três vezes por</p><p>furtos e incêndios. Ao dissecar o cadáver de Vilela, Lombroso deparou-se com um</p><p>traço atávico: constatou que o crânio de Vilela tinha a presença da fosseta occipital</p><p>média, uma característica do homem primitivo. Diante deste fato, Lombroso concluiu</p><p>que havia uma relação entre o instinto sanguinário do criminoso e a regressão atávica</p><p>(COSTA, 2005; FARIAS JÚNIOR, 2005). Ao lançar seu principal livro (1876), Lombroso</p><p>classificava os delinquentes em quatro tipos: nato; louco; por paixão; e por ocasião.</p><p>Em decorrência dessa classificação, admitia basicamente quatro hipóteses: a) o</p><p>homem criminoso propriamente dito é nato; b) é idêntico ao louco moral; c) apresenta</p><p>base epiléptica; e d) por ser portador de um conjunto de anomalias biológicas,</p><p>constitui um tipo especial, chamado de tipo lombrosiano (FARIAS JÚNIOR, 2005, p.</p><p>30). Cesare Lombroso afirmava que os loucos natos são a maioria. Já nascem</p><p>criminosos, e as características genéticas anômalas são hereditárias. É portador de</p><p>resquícios do homem selvagem, é uma espécie de ser degenerado. O criminoso</p><p>louco, também chamado de alienado, louco moral e perverso constitucional, é o</p><p>criminoso portador de uma perturbação mental associada ao comportamento</p><p>delinquente. Atualmente é o que chamaríamos de psicopata e sociopata. Lombroso</p><p>(2007, p. 217) diz que eles são dominados por uma força irresistível, e “Desta</p><p>pervertida afetividade, deste ódio excessivo e sem causa, desta falta ou insuficiência</p><p>de freios, desta tendência hereditária múltipla deriva a irresistibilidade dos atos dos</p><p>dementes morais”</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>O delinquente por paixão é vítima de um comportamento instável, humor exaltado e</p><p>sensibilidade exagerada, é nervoso e explosivo, o que por vezes o leva a cometer atos</p><p>criminosos e violentos. Finalmente, o criminoso ocasional, também denominado</p><p>primário, é o que comete um delito por força de um conjunto de fatores exógenos,</p><p>mas não tende à reincidência.</p><p>ENRICO FERRI</p><p>Enrico Ferri (1856-1929) foi sociólogo e jurista. É considerado o sociólogo da Escola</p><p>Positivista e o criador da Sociologia Criminal e da Criminologia moderna. Em 1887</p><p>apresentou o resultado de uma investigação na Universidade de Bolonha, seu primeiro</p><p>trabalho importante, onde sustentou a teoria sobre a inexistência do livre-arbítrio,</p><p>considerando que a pena não se impunha pela capacidade de autodeterminação da</p><p>pessoa, e sim pelo fato de ser ela membro da sociedade. Assim como Lombroso, Ferri</p><p>adota a Teoria da Defesa Social. Mais tarde, quando publica a terceira edição de sua</p><p>“Sociologia Criminal”, Ferri adere às ideias de Rafaele Garófalo e à contribuição de</p><p>Lombroso no estudo da Antropologia Criminal, criando assim o conteúdo da doutrina</p><p>que se consubstanciou nos princípios fundamentais da Escola Positiva: a Defesa Social</p><p>(BITENCOURT, 2012, p. 104). Apesar de seguir as orientações de Lombroso e Garófalo</p><p>no que concerne à doutrina da Defesa Social, deixando em segundo plano a função</p><p>ressocializadora da pena, Enrico Ferri assumiu uma postura diferente em relação à</p><p>recuperação de criminosos, pois acreditava que a maioria dos delinquentes era</p><p>readaptável, contrariando assim as ideias de Lombroso e Garófalo. Para Ferri, apenas</p><p>os criminosos habituais seriam incorrigíveis, e mesmo assim, ele ainda considerava a</p><p>possível correção de uma pequena minoria dentro deste grupo. Ferri estabeleceu a</p><p>“Lei da saturação criminal”, que pregava que “de la misma forma que un líquido</p><p>determinado sometido a un calor prefijado diluirá una cierta cantidad de sustância (ni</p><p>una molécula derramada más ni una menos), en ciertas condiciones sociales se</p><p>producirá un determinado número de delitos, ni uno más ni uno menos (ESCOBAR,</p><p>1997, p. 100, itálico no original). Ele classificou as causas do delito em três fatores: d)</p><p>Fatores biológicos, também chamados de antropológicos, seriam a constituição</p><p>orgânica, psíquica e as características pessoais do indivíduo; e) Fatores físicos seriam</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>os fatores exógenos ao indivíduo, os fatores naturais, tais como o meio ambiente, o</p><p>clima, a umidade, etc. f) Fatores sociais, como o costume, a família, a religião e o</p><p>alcoolismo. Com base na sua Lei da saturação criminal, Ferri defendia que se fossem</p><p>desde logo conhecidos tais fatores, poder-se-ia estabelecer com exatidão o número</p><p>concreto de delitos que seriam cometidos. Aqui é possível perceber certo exagero por</p><p>parte do Autor. A polêmica em voga na época da Escola Positivista residia em saber se</p><p>o criminoso nasce delinquente, ou se assim se faz no decorrer de sua vida. Ferri,</p><p>juntamente com Garófalo e Lombroso, acreditava na primeira hipótese. Segundo</p><p>Escobar (1997, p. 100), Ferri combatia a ideia clássica de pena como um castigo,</p><p>pregada por Beccaria e pela Escola Clássica, opondo a esta ideia a noção de pena</p><p>como “defesa social”, afirmando que os indivíduos são sempre responsáveis perante</p><p>a sociedade, sendo que a sanção penal é a reação social contra os delitos. Para ele, a</p><p>pena deve ser aplicada em razão da periculosidade dos criminosos, e sua natureza e</p><p>extensão devem ser determinadas com o objetivo de neutralizar esta periculosidade,</p><p>desaparecendo as considerações sobre culpabilidade (TORRAZA, 1999).</p><p>RAFAELE GARÓFALO</p><p>Rafaele Garófalo (1852-1934) representa a vertente jurídica da Escola Positivista. Foi</p><p>ministro da Corte de Apelações de Nápoles e a sua doutrina partia da existência do</p><p>criminoso nato descrito por Lombroso. Ele achava que deveria existir um crime</p><p>universal, que sempre houvesse existido, em qualquer lugar e em qualquer época.</p><p>Entendia que se provasse a existência desse delito natural, a teoria do criminoso nato</p><p>estaria provada (ESCOBAR, 1997, p. 102). Ele observou diversos grupos sociais de</p><p>diferentes épocas, e percebeu que o conceito de crime mudava de um povo para</p><p>outro, da mesma forma que muda dentro de uma mesma sociedade com o passar do</p><p>tempo. Ou seja, ocorre a descriminalização de certas condutas conforme as</p><p>mudanças</p><p>sociais. Garófalo então percebeu que mesmo o homicídio já havia sido uma conduta</p><p>socialmente aceita. Assim, se a morte de pessoas em determinados países e sob certas</p><p>circunstâncias não era delito, ele deu-se conta de que o crime natural não se justificava.</p><p>Diante disso, passou a buscar pelos sentimentos indispensáveis para a convivência</p><p>social, que atuariam como “forças centrípetas”, unindo os indivíduos em uma</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>sociedade, em oposição às “forças centrífugas individuais”. Não falou em patriotismo,</p><p>pudor ou religiosidade, visto que tais sentimentos, por sua própria natureza, mudam</p><p>conforme a cultura. Chegou à ideia de sintetizar os sentimentos altruístas, que são</p><p>indispensáveis para a convivência social, concluindo que a honestidade e a compaixão</p><p>seriam os sentimentos responsáveis por unir os indivíduos em sociedade (ESCOBAR,</p><p>1997, p. 102-03, itálico nosso).</p><p>Com base nesses sentimentos, concluiu que o delito natural seria aquele que</p><p>ofendesse os sentimentos altruístas fundamentais de compaixão e honestidade de</p><p>uma sociedade. (ESCOBAR, 1997, p. 103). Garófalo, assim como Lombroso (e os</p><p>demais autores positivistas), foi influenciado pelas ideias de Darwin e Spencer. A</p><p>contribuição de Garófalo para a Escola Positivista foi menos expressiva do que a</p><p>contribuição de Ferri e Lombroso, mas mesmo assim, foi de grande importância,</p><p>principalmente pela sua definição de crime natural. Pode-se dizer que ele foi o mais</p><p>radical dos autores positivistas. Garófalo era cético quanto à possibilidade de</p><p>reabilitação do criminoso, e por esse motivo era defensor da pena de morte como</p><p>forma de defesa social contra os delinquentes. Partindo das idéias Darwinianas,</p><p>defendia o que chamaríamos de “seleção natural social”, ou seja, a aplicação da pena</p><p>de morte aos criminosos seria uma forma de excluir aqueles que não tiveram</p><p>capacidade de se adaptar ao convívio em sociedade, que seria o caso dos criminosos</p><p>natos. É importante ressaltar que no tratante à política criminal, Garófalo entendia que</p><p>os criminosos deveriam ser classificados em dois tipos, e punidos conforme tal</p><p>classificação. Os criminosos se dividiriam da seguinte forma: os que cometiam delitos</p><p>legais e os que cometiam delitos naturais. Os primeiros deveriam ser punidos com</p><p>simples admoestação e obrigação de reparar o dano, já os que cometessem delitos</p><p>naturais seriam apenados com a exclusão do meio social ou pena de morte (ESCOBAR,</p><p>1997, p. 103). Na esteira da Teoria da Defesa Social, Garófalo afirma que a sociedade</p><p>é um organismo determinado a se defender de suas células cancerosas de duas</p><p>formas: eliminando-as ou reeducando-as, sendo que quando não se é possível a</p><p>reeducação, é necessário matá-las. Partindo dessa premissa, ele não admitia a prisão</p><p>perpétua, preferindo a pena de morte.</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>O EFEITO LÚCIFER</p><p>Philip Zimbardo a partir das análises do seu famoso estudo sobre a “Prisão de</p><p>Standford”, que mais tarde foi descrito minuciosamente no livro O Efeito Lúcifer, nos</p><p>mostra até que ponto um ser humano comum pode transformar‐ se, adotando um</p><p>comportamento vil e até mesmo desumano. O experimento de Standford foi um</p><p>estudo psicológico onde indivíduos teriam seu comportamento analisado pelas</p><p>relações, interações e pressões do grupo onde estivessem inseridos. A equipe de</p><p>Zimbardo ofereceu através de anúncio em jornal de grande circulação o valor de U$</p><p>15,00/dia para que candidatos se sujeitassem a duas semanas vivendo em um</p><p>ambiente que simulava uma prisão real. Foram selecionados 24 indivíduos, maioria</p><p>branca, estudantes, de classe média, considerados pela triagem com as melhores</p><p>condições psicológicas e legais (sem problemas aparentes, sem passagens pela</p><p>prisão). Uma vez separados em dois grupos, assumiram papéis de guardas e</p><p>prisioneiros tendo seus pertences recolhidos e em substituição a estes recebidas novas</p><p>vestimentas. Para os guardas roupas padrão, cassetetes e óculos escuros espelhados.</p><p>Os “prisioneiros” por sua vez receberam roupas próprias de prisão e seus nomes foram</p><p>substituídos por números que foram costurados em suas roupas. Os guardas foram</p><p>proibidos de utilizar agressão física direta, mas liberados para o uso de quaisquer</p><p>outros artifícios que viessem a ser necessários para obtenção da ordem. Logo após o</p><p>início do experimento surgiram comportamentos sádicos por parte dos guardas. Atos</p><p>de humilhação física, moral, violência psicológica e até sexual obrigaram o</p><p>experimento, que anteriormente deveria durar por duas semanas, a ser interrompido</p><p>ao final da primeira. A surpresa por parte dos pesquisadores envolvidos estava no fato</p><p>de que os escolhidos não tinham nenhuma tendência violenta detectada durante a</p><p>seleção. Os mesmos não tinham histórico de sadismo ou crueldade. Então, como</p><p>pessoas ditas como comuns, de “bem”, a partir de um simples “teatro” tornaram‐se</p><p>malignas, capazes de crueldades desproporcionais? Assim, o que define como será o</p><p>comportamento do homem: A sua escolha, o sistema onde está inserido ou a situação?</p><p>Uma situação por si só justifica qualquer tipo de comportamento? É impossível resistir</p><p>as tentações? Como este conhecimento poderia ser utilizado na educação das</p><p>crianças? Para Zimbardo (2012), alguns processos psicológicos influenciam nessa</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>transformação dos indivíduos dentro do aspecto situacional. Por primeiro a</p><p>desumanização, que seria central em seu estudo, é um estado onde o indivíduo não</p><p>vê mais o sujeito como um igual humano. Algumas pessoas acabam percebendo que</p><p>o indivíduo a sua frente nada mais é que um ser inferior, merecedor de castigo, dor e</p><p>aniquilação. Esse fato é exemplificado no livro O Efeito Lúcifer com o depoimento do</p><p>autor acerca de uma investigação de uso de tortura na prisão americana de Abu</p><p>Ghraib. Com o trabalho do autor podemos perceber que todos são passíveis de</p><p>mudanças de caráter se colocados num ambiente propício a isso. Na tentativa de se</p><p>adaptar ao local ou pelo instinto de sobrevivência alguns tendem a concordar com as</p><p>ações do grupo no qual estão inseridos. Estas ações e suas variáveis, por mais sutis</p><p>que sejam, podem levar uma boa pessoa a cometer atrocidades. Porém, a maioria dos</p><p>sujeitos pensa que atitudes assim nunca lhes ocorreria, a isso Zimbardo (2012) explica:</p><p>“A maioria de nós se esconde por trás de inclinações egocêntricas que provocam</p><p>ilusões de que somos especiais. Esse escudo autoprotetor nos permite pensar que</p><p>todos nós estaríamos acima da média em um teste de integridade.” (ZIMBARDO, 2012,</p><p>p.24). É possível afirmar que alguns homens, devido a forma que vivem em sociedade,</p><p>nunca encontrarão situações onde essa integridade será realmente testada. Mas, se</p><p>percebermos os ideais transmitidos através dos meios midiáticos atuais os ajustes</p><p>comportamentais condiciondos ao grupo que Zimbardo fala, não parecem distantes.</p><p>Exemplo disso é a propaganda americana da guerra ao terror que justifica a invasão,</p><p>morte e atrocidades a milhares de outras pessoas. O preconceito de classe, gênero,</p><p>cor e sexualidade presentes na sociedade atual, também são exemplos que nos</p><p>mostram que nossa falsa integridade sempre está à mercê de influências, e</p><p>eventualmente com a pressão certa, mesmo seu vizinho poderá se tornar seu inimigo</p><p>mortal, batendo à sua porta durante a noite para cometer contra sua família, as mesmas</p><p>atrocidades que comodamente você ignora quando ocorrem em locais distantes de</p><p>sua vida, perdidas em algum um país distante. Tudo depende da pressão do grupo e</p><p>das circunstâncias.</p><p>A trajetória dos povos encontra‐se permeada por momentos</p><p>históricos de transição de aspectos de comportamento social, porém é inerente ao</p><p>sujeito componente que se contrapõe, como o amor e o ódio, o bem e o mal, a</p><p>bondade e a crueldade. Desde a ascensão do cristianismo, onde na maioria mulheres</p><p>e em minoria homens, deficientes físicos e com pouca influência social, eram</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>queimados vivos em fogueiras, ou na idade média em que eram comuns execuções</p><p>em praça pública, até as execuções em massa na atualidade, a crueldade dos povos</p><p>segue a perpetuar o domínio pelo medo. Das modificações sociais onde o espetáculo</p><p>de crueldade ocupava espaço público às instituições totais, a crueldade parece</p><p>amadurecer‐se requintada em suas formas e métodos. Seriam, desta forma, as</p><p>instituições totais ferramentas políticas de instrumentalização da crueldade? Seriam os</p><p>massacres em massa expressão socialmente aceitável, em que a crueldade do eu</p><p>ganha forma na manifestação do grupo, e desta forma torna‐se socialmente tolerável?</p><p>Ou é apenas uma questão da situação momentânea? Nem mesmo as modificações</p><p>sociais que ocorreram neste espaço temporal, tornam o sujeito menos cruel, ou mune</p><p>às influencias da crueldade social, que é refletida na atualidade.</p><p>O experimento de Zimbardo, de certo modo, já ocasiona um desconforto, porém,</p><p>pode-se dizer que todo um grupo fora influenciado. Ou seja, se a experiência fosse</p><p>individual, seriam esperados resultados diferentes. Entretanto, a inspiração para o</p><p>“Efeito Lúcifer” veio de um trabalho cujo foco era o individual. Stanley Milgram,</p><p>psicólogo norte-americano, é responsável pela Experiência de Milgram, que tinha</p><p>como objetivo o estudo das reações individuais face a indicações concretas de outros</p><p>(PSICOLOGIA, 2011). No ano de 1963, Milgram recrutou 40 voluntários na</p><p>Universidade de Yale (BLUMAU, 2015) para um estudo aparentemente simples e que,</p><p>para muitos, estava fadado ao fracasso. O experimento foi feito da seguinte forma: um</p><p>ator, ligado a fios elétricos, que reagiria aos falsos choques. Ao ator, seriam realizadas</p><p>perguntas de conhecimento geral. Propositalmente, suas respostas estariam</p><p>incorretas; a cada resposta errada, o voluntário deveria apertar o botão que daria os</p><p>choques, cada vez mais fortes. A princípio, cogitasse que nenhum dos voluntários</p><p>aceitaria infligir “dor” e “sofrimento” ao seu próximo, mas os resultados mostram o</p><p>contrário. Ao final do experimento, 65% deles havia prosseguido até o choque "letal"</p><p>(450 volts). Quando a pessoa demonstrava sinais de que iria desistir, Milgram dizia para</p><p>continuarem, pois não tinham outra escolha. Mesmo os que se recusaram</p><p>(porcentagem ínfima), ao deixarem o local, não tentaram ajudar a “vítima" ou</p><p>denunciar o que estava ocorrendo. Como se quisessem restaurar sua fé na</p><p>humanidade, esta experiência foi executada novamente anos mais tarde. Porém, a taxa</p><p>de 65% se manteve.</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>EFEITO DO ESPECTADOR</p><p>Infelizmente, este estudo surgiu após um acontecimento triste. Catherine Susan</p><p>Genovese foi assassinada em 1964 por Winston Moseley, mas a maneira como isso</p><p>aconteceu foi o que desencadeou as pesquisas de Bibb Latané e John Darley. Num</p><p>primeiro momento, Moseley apunhalou Kitty (como era conhecida) duas vezes, pelas</p><p>costas. Com os gritos da vítima, o agressor se assustou por um momento e chegou a</p><p>ir embora em seu carro. Ainda ferida, Kitty tentou chegar em casa, mas minutos depois</p><p>Moseley retornou e voltou a esfaqueá-la e a estuprou. Após 2 minutos de ter sido</p><p>chamada, a polícia chegou, mas Kitty morreu à caminho do hospital. Durante</p><p>agonizantes 35 minutos, Kitty lutou por sua vida (estimou-se segundo ferimentos em</p><p>suas mãos). E, durante todo esse tempo, ela gritou por socorro em frente a diversos</p><p>prédios residenciais (inclusive o dela). Então, ao menos 38 pessoas ouviram, em algum</p><p>momento, seus gritos, como confirmado por elas próprias em depoimento. Porém,</p><p>nenhuma delas chamou a polícia. Foi essa situação que instigou os psicólogos e</p><p>pesquisadores Latané e Darley, pois acreditavam na influência do momento do que na</p><p>própria personalidade da pessoa. Eles buscaram entender qual o conjunto de fatores</p><p>que faz com que o lado samaritano das pessoas fique adormecido. A esse conjunto,</p><p>convencionou-se chamar “Efeito do Espectador” ou “Apatia do Espectador” (ARAÚJO,</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>2009). Para avaliar esses fatores, a dupla elaborou um enredo básico e simples:</p><p>simulariam situações de emergência em ambientes controlados. Com isso,</p><p>observariam as reações das pessoas, estando isoladas ou em grupos. Há duas</p><p>variações de um mesmo experimento, envolvendo o “aluno epilético”. O objetivo do</p><p>experimento é avaliar a adaptação dos estudantes à vida universitária, segundo os</p><p>pesquisadores. Para isso, os alunos são colocados em salas diferentes e devem relatar</p><p>suas experiências. As comunicações seriam feitas através de microfones e auto-falantes</p><p>instalados nas salas. Contudo, apenas um dos alunos é real, trata-se da pessoa que</p><p>será realmente testada. Os demais são apenas gravações de voz. Enquanto um dos</p><p>"alunos" faz seu relato, ele revela sofrer ataques de epilepsia, mais frequentes em</p><p>véspera de provas. Passa-se um tempo e, após todos terem dito sua experiência, o</p><p>“aluno epilético" retoma sua fala. Mas ele começa a gaguejar e, com dificuldade, faz</p><p>um pedido de ajuda, pois está sofrendo um ataque. A crise dura 6 minutos, e o real</p><p>voluntário não sabe o que fazer no decorrer desse tempo. Ou seja, ele não toma</p><p>atitude nenhuma, pois, para ele, há outras pessoas participando do estudo e alguém</p><p>iria ajudar. Na variação desse experimento, o voluntário sabe que só ele e mais um</p><p>“aluno”, no caso, o epilético, participam do estudo. Os resultados são discrepantes.</p><p>Em grupos, apenas 31% dos voluntários buscaram ajuda para o companheiro,</p><p>enquanto que, estando sozinho com o aluno, 85% tentaram ajudar. Todavia, até</p><p>mesmo quando as possíveis vítimas são os próprios voluntários, um grupo pode</p><p>influenciar na sua tomada de decisão. Para confirmar isto, os psicólogos</p><p>desenvolveram o seguinte teste: ainda usando a pesquisa sobre a universidade como</p><p>pano de fundo, a pessoa é levada há uma sala com outros dois alunos (que são atores)</p><p>para reapoderem um questionário sobre o assunto. Após um tempo, uma densa</p><p>fumaça começa a penetrar a sala através dos dutos de ventilação. O voluntário nota a</p><p>fumaça, entretanto, diante da impassividade dos demais, ele se recusa a fazer algo e</p><p>retorna para o questionário, indiferente. Somente 38% reportaram o problema.</p><p>Estando sozinho, 75% dos voluntários deram o alarme. Concluíram que, quando há</p><p>um grande número de pessoas, a responsabilidade parece diluir-se entre o grupo e</p><p>ninguém se sente obrigado a tomar alguma atitude.</p><p>matheuspsicologoforense@gmail.com</p><p>CURSO DE EXTENSÃO EM CIÊNCIAS FORENSES - ANALYSIS</p><p>Profº Matheus Oliveira - Psicólogo</p><p>CRP 06/ 145151</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SUGESTÕES DE LEITURA</p><p>Maurício, JLR. Positivismo criminológico: as ideias de Lombroso, Ferri e Garófalo.</p><p>Olhares Plurais – Revista Eletrônica Multidisciplinar, Vol. 1, nº 12, 2015.</p><p>Salles, LHC. Você não é tão com quanto pensa. Dissertação: Universidade de são</p><p>Paulo. 2015.</p><p>Piangers, LA; Zancanaro, JR; Barazetti PC. X Anped Sul, o Aspecto Situacional da</p><p>Maldade Humana a Influência do Ambiente Sobre o Homem e o Papel da Educação.</p><p>Florianópolis, 2014.</p><p>Zimbardo, P. O Efeito Lúcifer: como pessoas boas se tornam más. Rio de Janeiro:</p><p>Record,</p><p>2013.</p>