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<p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>C TODOS OS DIREITOS RESERVADOS</p><p>FUNIBER ,</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA ISEROAMERICANA</p><p>Sumário</p><p>Apresentação</p><p>1. Sistema internacional</p><p>1.1.</p><p>1.2.</p><p>Introdução</p><p>Sistema internacional</p><p>5</p><p>6</p><p>1.2.1. 	Definição de sistema internacional 	 6</p><p>1.2.2. 	Definição de paradigma 	 7</p><p>1.2.3. 	Antecedentes históricos do sistema internacional 	 7</p><p>1.3. Paradigma realista 	 10</p><p>1.4. Paradigma idealista 	 13</p><p>1.5. Institucionalidade liberal 	 16</p><p>1.6. Organizações intergovernamentais e organizações não</p><p>governamentais 	 18</p><p>1.6.1. 	Organização intergovernamental 	 18</p><p>1.6.2. 	Organizações privadas ou não governamentais 	 18</p><p>1.6.3. 	Os regimes internacionais 	 18</p><p>1.6.4. 	Convenções 	 19</p><p>2. Direito público internacional e direitos humanos</p><p>2.1. Introdução 	 23</p><p>2.2. Conceito de direito internacional público 	 24</p><p>2.2.1. 	Abordagens filosóficas e históricas do direito internacional</p><p>público 	 24</p><p>2.2.2. 	Conceito de direito internacional público 	 25</p><p>2.2.3. 	0 desenvolvimento histórico do direito internacional público 	 27</p><p>2.2.4. 	Fontes do direito internacional público 	 28</p><p>2.2.4.1. 	Fontes reais 	 28</p><p>2.2.4.2. 	Fontes históricas 	 28</p><p>2.2.4.3. 	Fontes formais 	 29</p><p>o</p><p>2.2.5. Temas de direito internacional público 	33</p><p>2.2.5.1. 0 Estado 	33</p><p>2.2.5.2. Organizações internacionais 	34</p><p>2.2.5.3. Organizações estatais 	35</p><p>2.2.5.4. 0 indivíduo como sujeito de direito internacional 	36</p><p>2.2.5.5. Outros assuntos de direito internacional 	36</p><p>2.2.6. A Relação entre Direito Internacional e Direitos Humanos 	37</p><p>2.2.6.1. Criação de um tratado internacional 	38</p><p>3. Organização das Nações Unidas</p><p>3.1. Introdução 	45</p><p>3.2. Antecedentes históricos da Organização das Nações Unidas 	46</p><p>3.2.1. Principais consequências da Segunda Guerra Mundial 	47</p><p>3.2.1.1. Consequências demográficas 	47</p><p>3.2.1.2. Consequências ideológicas 	47</p><p>3.2.1.3. Consequências econômicas 	48</p><p>3.2.1.4. Implicações políticas 	48</p><p>3.3. A Carta das Nações Unidas 	49</p><p>3.4. Estrutura das Nações Unidas 	50</p><p>3.4.1. Estados membros da ONU 	 50</p><p>3.4.1.1. Membros fundadores 	50</p><p>3.4.1.2. No restante da década de 1940, os seguintes</p><p>!Daises aderiram à UE 	51</p><p>3.4.1.3. Os Estados-Membros nos anos 50 	51</p><p>3.4.1.4. Na década de 1960 	51</p><p>3.4.1.5. Na década de 1970 	52</p><p>3.4.1.6. Na década de 1980 	52</p><p>3.4.1.7. Nos anos 90 	52</p><p>3.4.1.8. A partir do ano 2000 	52</p><p>3.5. Principais órgãos da organização das Nações Unidas 	53</p><p>3.5.1. Assembléia Geral 	53</p><p>3.5.2. Funções da Assembléia Geral 	53</p><p>3.5.3. Sessões 	54</p><p>3.5.4. Conselhos de segurança 	54</p><p>3.5.4.1. Formação do Conselho de Segurança 	55</p><p>3.5.5. Conselho de Curadoria -CAF- 	55</p><p>3.5.6. Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) 	56</p><p>ti</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>3.5.7. Conselho Econômico Social 	 56</p><p>3.5.8. 0 secretariado 	57</p><p>4. Sistema regional de direito internacional público</p><p>4.1. Introdução 	61</p><p>4.2. A Organização dos Estados Americanos 	 62</p><p>4.2.1. Antecedentes históricos 	62</p><p>4.2.2. Estrutura legal e convencional 	64</p><p>4.2.2.1. Carta da Organização dos Estados Americanos 	 64</p><p>4.2.3. Estrutura Organizacional da Organização dos Estados</p><p>Americanos 	 68</p><p>4.2.3.1. Assembléia Geral 	68</p><p>4.2.3.2. Reunido de Consulta dos Ministros das Relações</p><p>Exteriores 	 69</p><p>4.2.3.3. Conselhos da Organização 	 70</p><p>4.2.3.4. Comitê Jurídico lnteramericano 	70</p><p>4.2.3.5. Comissão lnteramericana de Direitos Humanos 	 71</p><p>4.2.3.6. Secretaria Geral 	71</p><p>4.2.3.7. Conferências especializadas 	71</p><p>4.2.3.8. Agências especializadas 	71</p><p>4.3. Unido Africana 	72</p><p>4.3.1. Antecedentes históricos 	72</p><p>4.3.2. Unido Africana 	73</p><p>4.3.3. Assembleia da Unido Africana 	 73</p><p>4.3.4. Comitê Executivo 	74</p><p>4.3.5. Carta africana de Direitos humanos e dos Povos 	 75</p><p>4.3.6. Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos 	 76</p><p>4.3.6.1. Mandato 	76</p><p>4.3.6.2. Estrutura 	77</p><p>4.4. Sistema Asiático de Direitos Humanos 	 77</p><p>4.4.1. Instrumentos parciais 	78</p><p>4.4.1.1. Declaração de Banguecoque 1993 	 78</p><p>4.4.1.2. Seminário de Teerã 	79</p><p>4.4.1.3. Carta Asiática dos Direitos Humanos 1998 	79</p><p>4.4.1.4. Seminário Islambad 	80</p><p>4.4.2. Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) 	 80</p><p>4.4.2.1. Estrutura Organizacional da ASEAN 	81</p><p>In</p><p>4.4.3. Declaração de Direitos Humanos da Associação das Nações</p><p>do Sudeste Asiático 	 81</p><p>4.4.3.1. 	Antecedentes 	 81</p><p>4.4.3.2. 	Declaração de Direitos Humanos da ASEAN 	 81</p><p>4.5. Direitos humanos no direito internacional público 	 82</p><p>4.5.1. Os direitos humanos 	 83</p><p>4.5.2. As gerações dos direitos humanos 	 83</p><p>Bibliografia</p><p>iv</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>Apresentação</p><p>0 direito internacional dos direitos humanos é um ramo importante para a compreensão do</p><p>desenvolvimento histórico dos direitos humanos e seu estado atual de aplicabilidade no mundo.</p><p>Desde a assinatura e adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 10 de dezembro</p><p>de 1948, o movimento internacional de direitos humanos ganhou impulso, buscando um</p><p>entendimento comum entre os Estados de que todas as nações devem lutar para criar uma</p><p>cultura de paz, desenvolvimento e respeito aos direitos fundamentais.</p><p>0 direito internacional dos direitos humanos é o ramo do direito internacional que estabelece as</p><p>obrigações que os Estados devem respeitar como membros de um tratado internacionalmente</p><p>reconhecido para a proteção dos direitos humanos. Essas obrigações consistem basicamente em</p><p>os Estados se absterem de interferir no gozo dos direitos humanos fundamentais e assegurar que</p><p>esses direitos possam ser exercidos livremente e sem limitações.</p><p>Ao ratificar tratados internacionais de direitos humanos, os estados partes se comprometem a</p><p>adotar politicas públicas e leis nacionais voltadas para a proteção dos direitos humanos. Este</p><p>conjunto de politicas internacionais dá vida ao Sistema Internacional de Direitos Humanos, que ao</p><p>longo dos anos tem sido criado com o objetivo de alcançar a universalidade dos direitos humanos.</p><p>Neste curso o aluno poderá obter uma abordagem do Sistema Internacional de Direitos Humanos,</p><p>assim como os conceitos básicos do Direito Internacional que o profissional deve entender para</p><p>ter uma abordagem do funcionamento dos sistemas internacionais. Ela também procura reunir</p><p>informações sobre o funcionamento dos sistemas universais e regionais existentes no mundo, que</p><p>juntos adotam medidas destinadas à proteção e ao respeito dos direitos humanos.</p><p>Este é o primeiro assunto do módulo de Direitos Humanos, que tem como função principal</p><p>fornecer os conceitos básicos e gerais necessários para ir mais fundo no sistema de direitos</p><p>humanos e sua proteção. Ao final deste tema, o estudante terá as competências necessárias para</p><p>conhecer as correntes filosóficas que sustentam o sistema internacional, os conceitos gerais do</p><p>Direito Internacional Público, os antecedentes históricos e o funcionamento geral da Organização</p><p>das Nações Unidas como órgão universal no campo do Direito Internacional Público e os</p><p>antecedentes históricos e funcionamento geral dos outros sistemas em nivel regional existentes</p><p>no mundo.</p><p>Lista de objetivos específicos por capitulo:</p><p>1</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Objetivo particular</p><p>Identificar e caracterizar</p><p>o sistema internacional.</p><p>Estar familiarizado com</p><p>organizações</p><p>governamentais e não</p><p>governamentais.</p><p>Conhecer a definição do</p><p>regime internacional.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Resumo .</p><p>A definição e as</p><p>características do</p><p>sistema internacional</p><p>sã o expressas.</p><p>As características das</p><p>organizações</p><p>internacionais são</p><p>descritas,</p><p>As características do</p><p>regime internacional são</p><p>conhecidas.</p><p>as características das</p><p>•</p><p>•</p><p>Contribuição</p><p>São apresentados os</p><p>principais aspectos do</p><p>sistema internacional e</p><p>os principais</p><p>paradigmas, a forma e</p><p>organizações no campo</p><p>do direito internacional.</p><p>As características das</p><p>normas internacionais</p><p>são</p><p>as fontes do direito internacional, é importante voltar a um dos grandes</p><p>jurisconsultos da história do direito de origem romana; Francis Geny define as fontes do direito</p><p>como os imperativos de autoridades externas ao intérprete com virtualidade suficiente para reger</p><p>seu julgamento, quando seu objeto próprio e imediato é a revelação de uma regra destinada a dar</p><p>um rumo na vida jurídica. (Geny, 1902).</p><p>Em outras palavras, uma fonte é um evento ou ato que gera uma regra legal. Todo nosso sistema</p><p>jurídico está sujeito a algo que lhe deu origem, seja uma regra, um ato ou uma escritura. As</p><p>principais fontes do direito internacional público são o bom costume e o respeito entre os Estados.</p><p>As fontes primárias do direito internacional público podem ser definidas como a espinha dorsal do</p><p>direito internacional público, já que estas convenções ou tratados internacionais são assinados</p><p>com o objetivo de estabelecer costumes internacionais e também são regidos pelo principio de</p><p>que estes acordos devem ser respeitados pelos Estados.</p><p>A classificação geral das fontes do direito internacional público está dividida em três ramos</p><p>principais: real, histórico e formal.</p><p>2.2.4.1. Fontes reais</p><p>Estas são todas as circunstâncias politicas, sociais, econômicas, religiosas, etc. que devem ser</p><p>objeto de análise a fim de criar e desenvolver novas regras legais para regulamentá-las. Por</p><p>exemplo, as circunstâncias sociais de um Estado onde as taxas de exportação de produtos</p><p>agrícolas são mais altas, geram uma necessidade maior de criar regulamentações que rejam as</p><p>relações entre os Estados com os quais eles têm relações comerciais.</p><p>2.2.4.2. Fontes históricas</p><p>Estes são todos aqueles textos relacionados ao ramo do direito que estavam em vigor em algum</p><p>momento e contribuíram para a criação das regras atuais. Um exemplo perfeito de tal fonte seria a</p><p>carta da Declaração das Nações Unidas de janeiro de 1942, na qual os países aliados na Segunda</p><p>Guerra Mundial confirmam seu compromisso com a aliança de guerra. Este foi um dos principais</p><p>antecedentes para a criação da Organização das Nações Unidas e o documento acima</p><p>mencionado 6 uma fonte histórica da Carta das Nações Unidas, que deu vida jurídica a este</p><p>organismo internacional.</p><p>28</p><p>o</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>2.2.4.3. Fontes formais</p><p>São atos concretos que levam à criação de novas regras. 0 direito internacional refere-se a todos</p><p>aqueles atos que moldam o direito internacional público, tais como princípios gerais de direito,</p><p>costumes e tratados internacionais. É importante aprofundar as fontes formais do direito</p><p>internacional público, que são, afinal, aquelas que dão origem direta à ordem jurídica</p><p>internacional. Existem fontes diretas e auxiliares; fontes diretas são tratados, costumes e</p><p>princípios gerais do direito; e fontes auxiliares são a jurisprudência internacional e a doutrina</p><p>internacional. Estas fontes são oficialmente reconhecidas no artigo 38 do Estatuto do Tribunal</p><p>Internacional de Justiça, que reconhece tratados internacionais, costumes, princípios gerais do</p><p>direito e decisões judiciais neste campo como fontes de direito internacional público.</p><p>A seguir, as fontes formais do direito internacional público serão desenvolvidas uma a uma.</p><p>a) Princípios Gerais do Direito. Para definir os princípios gerais do direito, é ail citar Truyol,</p><p>que afirma que eles são "requisitos éticos imediatamente aplicáveis na ordem das</p><p>relações internacionais em cada época ou situação histórica" (Truyol, 1970).</p><p>Outra definição é dada por Gutiérrez Posse, que afirma que "os princípios gerais do direito</p><p>e, consequentemente, o principio da boa fé, encontram-se no direito positivo dos Estados,</p><p>e é a opinião geral de suas legislações que permite reconhecer sua existência,</p><p>particularmente no campo do direito civil ou do direito processual". Parece que os Estados</p><p>não poderiam argumentar que os princípios que consideram justos e úteis em suas leis</p><p>não teriam o mesmo caráter nas relações internacionais" (Gutierrez, 2015).</p><p>Portanto, podemos concluir que os princípios gerais da lei são aquelas diretrizes éticas que</p><p>devem estar de acordo em toda legislação para que a lei exista em harmonia.</p><p>Estes princípios são classificados da seguinte forma:</p><p>• Princípios derivados do direito interno, os quais, entre outros, consistem em:</p><p>— Proibição de abuso de direitos.</p><p>— Responsabilidade internacional por atos ilícitos.</p><p>— Indenização por danos.</p><p>• Princípios da esfera internacional, que consistem, entre outros, de:</p><p>— Primazia do tratado sobre o direito interno.</p><p>— A continuidade do Estado.</p><p>— Exaustão dos remédios domésticos para o recurso à jurisdição internacional.</p><p>— Não intervenção por Estados.</p><p>— Igualdade entre os estados.</p><p>— Solução pacifica de disputas.</p><p>A fim de abordar a questão dos princípios gerais do direito internacional público, é</p><p>importante analisar a Resolução 2625 da Assembléia Geral das Nações Unidas, realizada</p><p>em 24 de outubro de 1970, que consiste na Declaração de Princípios de Direito</p><p>29</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>Internacional sobre Relações Amistosas e Cooperação entre Estados, de acordo com a</p><p>Carta das Nações Unidas.</p><p>Esta carta surgiu do desejo de alguns Estados membros da ONU durante a Guerra Fria de</p><p>preservar a paz mundial e fazer avançar a cooperação internacional.</p><p>Nesta declaração, foram estabelecidos os quatro pilares do direito internacional, que até</p><p>agora têm sido progressivamente desenvolvidos:</p><p>1. Os Estados deverão abster-se em suas relações internacionais da ameaça ou uso da</p><p>força contra a integridade territorial ou a independência politica de qualquer Estado.</p><p>2. Os Estados resolverão suas disputas por meios pacíficos, sem pôr em perigo a paz, a</p><p>segurança internacional e a justiça.</p><p>3. A obrigação de não intervir na jurisdição nacional dos Estados.</p><p>4. Obrigação de cooperação entre os estados.1</p><p>b) Costume internacional. 0 costume é considerado uma das principais fontes formais do</p><p>direito internacional. Kevin Killian (Kilian, 2014) define-o como "a existência de uma</p><p>prática repetida e uniforme, realizada por sujeitos de direito internacional público, na</p><p>crença de que está sendo realizada em conformidade com uma norma legal".</p><p>Quando um ou mais estados se envolvem em uma conduta continua em relação a outros</p><p>estados, que não mostram nenhuma oposição, mas, ao contrário, também se envolvem</p><p>em tal conduta, esta conduta se torna parte das regras gerais do direito internacional.</p><p>Em outras palavras, o costume internacional constitui todas aquelas práticas que os</p><p>Estados aceitam como regras de direito obrigatórias, porque uma prática repetida tem sido</p><p>realizada nesse sentido. Para que o costume seja considerado como uma fonte direta de</p><p>direito internacional, as práticas consuetudinárias devem ser aceitas como lei pelos</p><p>estados individuais. 0 Tribunal Internacional de Justiça estabelece certas diretrizes para</p><p>que uma norma seja considerada como regra geral de direito internacional pelo costume,</p><p>afirmando que "mesmo que não tenha decorrido um longo período de tempo, há uma</p><p>ampla e representativa participação dos Estados partes (...), embora não seja necessário</p><p>que tenha decorrido um longo período de tempo para que uma nova regra de direito</p><p>internacional consuetudinário seja formada a partir de uma regra internacional</p><p>convencional"), embora não seja necessário um longo período de tempo para que uma</p><p>nova regra de direito internacional consuetudinário seja formada a partir de uma regra</p><p>internacional convencional, 6 indispensável que dentro desse período, por mais curto que</p><p>seja, a prática dos Estados, incluindo os particularmente interessados, tenha sido</p><p>frequente e praticamente uniforme no sentido da disposição invocada."2</p><p>1. Assembléia 	Geral 	das 	Nações 	Unidas. 	Resolução 	2625. 	Consultado 	em:</p><p>https://undocs.org/S/A/RES/2625%28XXV%29</p><p>2. Tribunal Internacional de Justiça.</p><p>Caso da Plataforma Continental do Mar do Norte, República Federal da Alemanha</p><p>v. Dinamarca e Holanda. Sentença de 20 de fevereiro de 1969.</p><p>304x</p><p>Uso continuo</p><p>no tempo</p><p>Comumente</p><p>aceita no</p><p>direito</p><p>Prática comum</p><p>entre vários</p><p>estados</p><p>Que seja</p><p>geral</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>Para que o costume internacional exista, quatro suposições legais essenciais devem ser</p><p>cumpridas:</p><p>o</p><p>Figura 2.2. Pressupostos do costume internacional.</p><p>Quando falamos de costume internacional, entendemos que ele tem três características</p><p>especificas.</p><p>— A necessidade de reciprocidade por parte dos Estados para esta prática continua, que</p><p>conhecemos como o elemento material do costume. Este elemento refere-se mais</p><p>uniformidade das ações do que ao tempo, já que, como mencionado acima, o Tribunal</p><p>Internacional de Justiça afirmou que não é o tempo que define uma prática como</p><p>costume internacional, mas o fato de que esta prática é uniforme e continua.</p><p>— Para que exista costume internacional, além do elemento material, deve haver um</p><p>elemento psicológico, que, segundo Kilian (Kilian, 2014), consiste na "existência de</p><p>uma prática de desempenho constante, que deve ser realizada com um nivel de</p><p>consciência que reflita a natureza obrigatória de seu desempenho" Assim, uma vez</p><p>reconhecida uma norma como costume internacional, o elemento psicológico age no</p><p>sentido de que os Estados, sem necessidade de regulamentá-la, já conhecem e</p><p>decidem governar todas as suas relações de acordo com esta norma.</p><p>— Finalmente, há o elemento evolutivo, que dá ao costume internacional a capacidade de</p><p>evoluir e se transformar ao longo do tempo, sempre levando em conta a realidade atual</p><p>dentro da esfera internacional. 0 costume internacional não poderia ser aperfeiçoado</p><p>sem esta característica, pois o que pode ser uma prática cotidiana pode, com o tempo,</p><p>deixar de funcionar para as relações internacionais.</p><p>c) Tratados internacionais. Sempre que falamos de direito internacional público, será sempre</p><p>da maior importância ter em mente os tratados internacionais. Eles desempenham um</p><p>papel decisivo na questão. Tratados internacionais são a manifestação mais pura da</p><p>soberania de um Estado, submetendo-se voluntariamente ao cumprimento das obrigações</p><p>estabelecidas nesse documento. Ao contrário da lei como fonte direta de direito, na qual</p><p>um órgão dotado de poderes suficientes emite regulamentos que beneficiam a maioria e</p><p>isto então se torna lei obrigatória para todos, os tratados internacionais são a vontade</p><p>expressa do Estado de se submeter ao cumprimento de certas regras acordadas por todos</p><p>aqueles que são partes neles. Um tratado internacional, em principio, nunca vincula os</p><p>Estados, mas somente aqueles que expressaram seu consentimento e decidiram</p><p>implementá-lo.</p><p>São um tipo de ato jurídico, uma manifestação dupla ou múltipla das vontades dos sujeitos</p><p>da comunidade internacional, com a intenção legal de criar, modificar, extinguir, transmitir,</p><p>31</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>conservar, esclarecer, respeitar, confirmar, certificar, detalhar direitos e obrigações.</p><p>(Arellano, 1980).</p><p>Os tratados são a fonte mais direta do direito internacional público, pois neste documento,</p><p>os Estados envolvidos são obrigados a cumprir as disposições do tratado.</p><p>Para fins didáticos (Larios Ochaita, 2013) define um tratado como um "acordo escrito</p><p>entre dois ou mais Estados que estabelece regras de conduta, cooperação e politica"</p><p>principal efeito da assinatura de um tratado é a criação de direitos e obrigações que</p><p>decorrem da natureza imperativa das convenções, uma vez ratificadas pelos Estados.</p><p>As características dos tratados internacionais são:</p><p>Eles só podem ser assinados por partes que tenham personalidade jurídica internacional.</p><p>Aqui paramos para definir personalidade jurídica internacional como aquele conjunto de</p><p>atributos concedidos a um sujeito para poder adquirir direitos e incorrer em obrigações na</p><p>esfera internacional. Vale a pena mencionar aqui os significados de Barberis que</p><p>justamente diferencia entre sujeitos que gozam de personalidade jurídica internacional e</p><p>sujeitos de direito internacional.</p><p>Para Barberis (Barberis, 2014), qualquer sujeito dotado de personalidade jurídica</p><p>internacional tem poder suficiente para assinar um tratado ou convenção internacional e</p><p>para vincular outros sujeitos ao seu cumprimento. Entretanto, pode haver sujeitos do</p><p>direito internacional que não têm capacidade suficiente para concluir um tratado, e ele cita</p><p>o caso de uma guerra como exemplo. No direito internacional, quando um Estado se</p><p>encontra em situação de guerra, há um aspecto normativo que irá reger as regras básicas</p><p>do conflito: Segundo o direito humanitário internacional, uma pessoa que é parte em um</p><p>conflito está sujeita As regras do direito humanitário internacional e, portanto, torna-se um</p><p>sujeito de direito internacional, mas não tem, portanto, o poder de celebrar um tratado</p><p>internacional com outro sujeito.</p><p>Outra característica é que a expressão da vontade é regida diretamente pelo direito</p><p>internacional. Esta característica é importante porque permite diferenciar entre o tratado</p><p>internacional e outras convenções ou acordos internacionais e este é seu caráter</p><p>vinculante. Todos os tratados internacionais são vinculativos para seus signatários. Em</p><p>nível internacional, Barberis continua a apontar que existe a possibilidade de dois Estados</p><p>poderem assumir reciprocamente determinada conduta sem que ela seja legalmente</p><p>exigível. No caso do tratado da Bacia do Prata assinado pela Argentina, Bolivia, Brasil,</p><p>Paraguai e Uruguai em 23 de abril de 1969, cujo principal objetivo era o desenvolvimento</p><p>harmonioso e a integração física da Bacia do Prata e suas áreas de influência, onde</p><p>concordaram em realizar estudos, programas e obras, bem como a formulação de</p><p>entendimentos operacionais ou instrumentos legais que considerassem necessários.</p><p>(Barberis, 2014). Isto não implica em obrigações especificas de fazer um estudo</p><p>especifico, ou de estabelecer um programa especifico, mas estabelece o compromisso ou</p><p>a vontade dos Estados de fazê-lo. Se um Estado deseja fazer uma reclamação</p><p>internacional perante os órgãos competentes, isso seria inadmissível. Isto não implica que</p><p>um diplomata que, diante de uma convenção ou acordo assinado, queira iniciar</p><p>negociações com outro para a assinatura de um tratado, não possa levantar o tratado e</p><p>apelar à boa fé e ao costume internacional para que o outro se sinta na obrigação de</p><p>fazê-lo.</p><p>32</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>0 voluntariado, que consiste em dois ou mais sujeitos de direito internacional expressando</p><p>sua vontade comum em um tratado. A vontade dos Estados determinará se é um tratado</p><p>vinculante ou um acordo não vinculante entre sujeitos internacionais.</p><p>Alguns autores argumentam que não há hierarquia entre as fontes do direito internacional</p><p>público, que todos eles têm a mesma hierarquia. Outros autores sustentam que as fontes</p><p>do direito internacional público seguem a hierarquia estabelecida pelo Estatuto do Tribunal</p><p>Internacional de Justiça, que estaria na seguinte ordem:</p><p>1. Convenções internacionais.</p><p>2. Costume internacional.</p><p>3. Princípios Gerais do Direito.</p><p>4. Decisões judiciais de tribunais internacionais.</p><p>5. Doutrina de Direito Internacional Público.</p><p>2.2.5. TEMAS DE DIREITO INTERNACIONAL PUBLICO</p><p>Durante o século XVIII, os estados foram os sujeitos internacionais por excelência. Naquela época,</p><p>não se pensava em incluir outros assuntos como parte do direito internacional público, pois se</p><p>limitava a regular as relações entre os diferentes estados. Foi no inicio do século XIX que surgiu a</p><p>primeira organização internacional conhecida; a Administration Générale de l'Octroi de Navigation</p><p>na França, constituída por tratado em agosto de 1804. Segundo Manuel Becerra, "este é o ponto</p><p>de partida para acabar com o</p><p>monopólio do Estado como sujeito de direito internacional". Hoje, a</p><p>gama de assuntos de direito internacional é ampla e crescente: estados, organizações</p><p>internacionais, organizações estatais (a Igreja Católica, a Ordem Militar Soberana de Malta), povos</p><p>lutando por sua libertação, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o indivíduo, e novos</p><p>assuntos sobre os quais a doutrina ainda não chegou a um consenso. (Becerra, 1991).</p><p>A partir do século XIX, são considerados sujeitos de direito internacional aqueles que, dotados de</p><p>personalidade jurídica internacional, têm a capacidade de adquirir direitos e obrigações</p><p>contratuais na esfera internacional e esta capacidade lhes dá o poder de apelar para os órgãos</p><p>internacionais que regulam o direito internacional público.</p><p>A seguir, analisaremos mais de perto cada um dos assuntos que gozam de personalidade jurídica</p><p>internacional.</p><p>2.2.5.1. 0 Estado</p><p>A Real Academia Espanhola define um Estado como "um pais soberano, reconhecido como tal na</p><p>ordem internacional, estabelecido em um determinado território e dotado de seus próprios órgãos</p><p>de governo"3</p><p>3. Real Academia Espanhola. Dicionário da lingua espanhola. Consultado em: httos://dle.rae.es/?w=estadp</p><p>33</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>Os elementos de um Estado estão centrados na população, em um determinado território, sob um</p><p>poder soberano, e agora foi mencionado que o Estado deve ser governado por uma ordem jurídica</p><p>interna para ser considerado como tal.</p><p>Através deste sistema jurídico, o Estado exerce sua soberania; são os órgãos centralizados do</p><p>Estado que têm o poder de aplicar a lei em seu território, assim como de exercer a função</p><p>jurisdicional.</p><p>Com relação ao território, cada Estado exerce soberania sobre ele, sendo o território entendido por</p><p>Becerra como "visto num sentido amplo que inclui a superfície terrestre, o subsolo, o espaço</p><p>aéreo e o mar na extensão e nas modalidades estabelecidas pelo direito internacional" (Becerra,</p><p>1991). A definição deste território e sua delimitação é importante para o assunto em estudo</p><p>porque, ao estabelecer o território de cada Estado, é possível definir a extensão de seu poder</p><p>coercitivo na aplicação das normas internas e a partir de que momento o direito internacional se</p><p>aplica, pois a relação é da competência de mais de um sujeito de direito internacional (outro</p><p>Estado, neste caso).</p><p>0 elemento seguinte é a população, definida como o conjunto de indivíduos e entidades jurídicas</p><p>que se encontram para exercer a soberania de um Estado. Isto representa a dimensão pessoal</p><p>dos estados. Se não há população, não faz sentido reconhecer a existência de um Estado.</p><p>CO</p><p>Ui</p><p>Por soberania podemos entender que é o elemento fundamental que da estrutura ao direito</p><p>111</p><p>internacional, pois é através da soberania que o Estado se relaciona e se apresenta nas relações</p><p>internacionais, opondo-se a outros Estados, com os quais, segundo Becerra, mantém uma relação</p><p>de independência, igualdade e descentralização. "Um Estado não depende de nenhum outro</p><p>Estado, nem de nenhum outro assunto de direito internacional" (Becerra, 1991).</p><p>Soberania é o poder de um Estado de se organizar, de estabelecer seu próprio sistema jurídico, de</p><p>determinar seu próprio sistema politico e jurídico. Esta soberania não é exercida por funcionários</p><p>públicos, mas sim pelo povo, que delega este poder público através de seus funcionários públicos,</p><p>que se organizam para a busca do bem comum através da elaboração de políticas.</p><p>De tudo isso, podemos inferir que os Estados são os sujeitos do direito internacional por</p><p>excelência, já que são dotados de soberania e, como tal, têm todo o poder de se relacionar com</p><p>outros Estados. Como não há submissão as soberanias e cada uma tem seu próprio regulamento</p><p>interno, surge a primeira necessidade de se organizar em nivel internacional, para gerar um</p><p>conjunto de regras que regulem as relações entre as entidades soberanas e isto da origem a</p><p>existência do Direito Internacional Público.</p><p>2.2.5.2. Organizações internacionais</p><p>Eles são sujeitos independentes do direito internacional, cujas características são únicas de</p><p>outros sujeitos, pois são criados através de um tratado internacional. Algumas teorias</p><p>argumentam que as organizações internacionais não são assuntos independentes do direito</p><p>internacional porque são criadas pelos próprios Estados. No entanto, no momento de sua criação</p><p>através de um tratado internacional, os Estados concedem-lhes personalidade jurídica</p><p>34</p><p>8</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>internacional e é esta característica que os torna sujeitos. Esta personalidade jurídica lhes confere</p><p>a capacidade de manter relações diplomáticas com alguns estados. Por exemplo, as Nações</p><p>Unidas (ONU) têm escritórios localizados nas jurisdições nacionais de outros parses na maioria</p><p>das partes do mundo. A ONU é uma organização internacional criada por Estados que se tornaram</p><p>parte de um tratado e lhe conferiram plena personalidade jurídica para assumir direitos e</p><p>obrigações.</p><p>As principais características das organizações internacionais são:</p><p>• Eles têm sua própria personalidade jurídica.</p><p>• Eles são criados através de um tratado internacional.</p><p>• Eles têm uma estrutura organizacional interna.</p><p>As organizações internacionais podem ser universais (como as Nações Unidas, a Organização</p><p>Internacional do Trabalho, a Organização Mundial da Saúde) ou regionais (como a Organização</p><p>dos Estados Americanos, a União Européia, entre outras). No entanto, não nos aprofundaremos</p><p>nesta questão das organizações internacionais, pois é o tema de outro assunto, no qual será</p><p>tratado com mais profundidade.</p><p>2.2.5.3. Organizações estatais</p><p>Este tipo de assunto de direito internacional também é conhecido na comunidade como ESTADOS</p><p>SIU GENERIS, uma vez que eles têm uma organização muito semelhante à dos Estados, mas têm</p><p>características que os tornam únicos em seu gênero. É por isso que é utilizado o termo siu generis,</p><p>que em latim significa "único". Estas organizações incluem o seguinte</p><p>a) A Igreja Católica: Alguns doutrinários, como Sepúlveda (Sepúlveda, 2000): 487-489)</p><p>referem-se ao fato de que o detentor da subjetividade internacional não é a Igreja Católica,</p><p>mas a Santa Sé ou a Cidade do Vaticano. Entretanto, para os propósitos deste assunto,</p><p>levaremos em conta Julio A. Barberis (Barberis, 2014): 100), que afirma que "a Santa Se é</p><p>apenas o órgão de governo regular que representa a Igreja em nivel internacional e que</p><p>este último é o sujeito da lei das nações, também deve ser mencionado que</p><p>excepcionalmente a Igreja age através de outros órgãos".</p><p>b) A Ordem Militar Soberana de Malta: é uma ordem religiosa católica que foi fundada no</p><p>século XI e desempenhou um papel fundamental nas Cruzadas. Além de suas atividades</p><p>militares, ele também realizou atividades hospitalares e humanitárias. Atualmente é</p><p>reconhecido internacionalmente pelas NW-es Unidas como um assunto de direito</p><p>internacional. É talvez a quintessencial organização sui generis, uma vez que desfruta de</p><p>características que outras organizações estatais não desfrutam. Por exemplo, tem o poder</p><p>de ter seu próprio sistema jurídico, emitir passaportes e dar personalidade jurídica</p><p>autônoma a seus órgãos internos, tem a maioria das características de um Estado, exceto</p><p>para um determinado território. É por este motivo que não pode ser definido ou</p><p>reconhecido como um Estado.</p><p>35</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>C) 	Povos lutando por sua libertação: esta concepção de subjetividade internacional é produto</p><p>da evolução histórica do direito internacional público, pois no século passado, não teria</p><p>sido possível considerar que um povo que não foi reconhecido como Estado e luta por sua</p><p>independência pudesse gozar de personalidade jurídica internacional. Entretanto, segundo</p><p>Becerra, o direito internacional "reconhece como sujeitos certos grupos humanos que</p><p>surgem de uma</p><p>situação de beligerância, e que estão em processo de se tornarem</p><p>formações políticas mais definidas, como o Estado". Por esta razão, a doutrina As vezes os</p><p>considera como Estados em status nascendi. (Beccerra, 1991: 24). A este respeito, é</p><p>importante mencionar que sua subjetividade internacional é de natureza temporária e,</p><p>portanto, termina no momento em que uma das partes assume o controle total da</p><p>situação.</p><p>d) Comitê Internacional da Cruz Vermelha: é uma organização internacional, fundada em</p><p>1863 com o objetivo de fornecer assistência humanitária internacional. Não pode ser</p><p>categorizada como uma organização internacional como tal, já que não foi criada pelos</p><p>Estados através de um tratado internacional. Esta organização foi criada por iniciativa de</p><p>dois indivíduos, Gustave Moynier e Henry Dunant, para fornecer assistência humanitária a</p><p>'Daises em conflito ou em risco. Como resultado, a influência do Comitê começou a ser</p><p>reconhecida, na medida em que as Convenções de Genebra de 1949 deram poderes ao</p><p>Comitê Internacional da Cruz Vermelha para visitar e ajudar os prisioneiros de guerra. É</p><p>único na medida em que tem o poder de entrar em tratados com outros Estados, goza de</p><p>imunidade de jurisdição e também exerce funções semelhantes às dos cônsules.</p><p>2.2.5.4. 0 indivíduo como sujeito de direito internacional</p><p>Ao se referir a um ser humano como sujeito de direito internacional, há uma tênue linha entre</p><p>quando se aplicam as relações de direito internacional público e quando se aplicam as relações</p><p>de direito internacional privado. É por isso que a subjetividade legal dos seres humanos no direito</p><p>internacional público é bastante limitada. Tal subjetividade é limitada ao campo dos direitos</p><p>humanos e do direito humanitário internacional, que é onde o indivíduo encontra uma base de</p><p>representação perante a comunidade internacional. Beccerra assinala que "a Convenção sobre o</p><p>Genocídio de 9 de dezembro de 1948; a Convenção de 1951 relativa ao Estatuto dos Refugiados</p><p>e seu Protocolo de 1967; o Tratado de Londres de 8 de agosto de 1945, que criou o Tribunal</p><p>Militar Internacional para julgar criminosos de guerra; a Convenção de Roma sobre Direitos</p><p>Humanos de 4 de novembro de 1950 e a Convenção de San José da Costa Rica de 22 de</p><p>novembro de 1969 são, entre outros, documentos de direito internacional que tomam o indivíduo</p><p>como titular de direitos e obrigações internacionais" (Beccerra, 1991: 29). Em outras palavras,</p><p>uma pessoa só será considerada um sujeito de direito internacional quando tiver um direito que</p><p>possa ser reivindicado perante os órgãos de direito internacional público, como as Nações Unidas,</p><p>a Organização dos Estados Americanos, entre outros.</p><p>2.2.5.5. Outros assuntos de direito internacional</p><p>Esta classificação dos temas de direito internacional é uma função de nossa definição de direito</p><p>internacional público. Quando nos referimos A regulamentação das relações entre Estados e</p><p>36</p><p>rl;</p><p>o</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>"outros assuntos de direito internacional", queremos dizer, além dos já mencionados, todos</p><p>aqueles que a evolução da subjetividade internacional nos revela. Por exemplo, em certos casos</p><p>muito específicos, as empresas transnacionais podem gozar de subjetividade internacional para</p><p>fazer valer seus direitos perante organismos internacionais. A questão atual ainda está sujeita a</p><p>discussão por estudiosos importantes como Sepúlveda, que está inclinado a incluir as</p><p>corporações transnacionais como parte dos assuntos internacionais.</p><p>2.2.6. A RELAÇÃO ENTRE DIREITO INTERNACIONAL E DIREITOS HUMANOS</p><p>Como lembrete, e levando em consideração que o estudante já possui os conhecimentos básicos</p><p>sobre o assunto, definimos Direitos Humanos como todas aquelas garantias inerentes ao ser</p><p>humano, reconhecidas e protegidas pelos Estados para garantir o desenvolvimento da dignidade</p><p>do ser humano.</p><p>Mas qual é a importância dos direitos humanos na esfera internacional? Recordemos que uma</p><p>das principais características dos direitos humanos é sua universalidade. Entendido como aquela</p><p>característica dos direitos humanos que consiste no fato de que os direitos adquiridos por uma</p><p>pessoa são exigíveis em qualquer espaço territorial no qual o indivíduo está localizado. Portanto,</p><p>se um ser humano desde o momento do nascimento desfruta da proteção do direito à vida,</p><p>independentemente de sua origem ou localização atual, o direito à vida deve ser universalmente</p><p>respeitado.</p><p>Em vista desta relação, podemos rastrear os antecedentes da regulamentação internacional dos</p><p>direitos humanos até a Declaração Universal dos Direitos Humanos, decretada pela Assembléia</p><p>Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. Esta é uma declaração multilateral,</p><p>adotada pelos 58 Estados membros da ONU na época, com 48 votos a favor, 8 abstenções dos</p><p>Estados membros da União Soviética, Europa Oriental e Africa do Sul, assim como dos 2 países</p><p>que não participaram da votação.</p><p>A Declaração não é reconhecida como um documento obrigatório ou vinculativo para os Estados</p><p>Partes. Entretanto, foi a base fundamental para a Assembléia Geral da ONU assinar as duas</p><p>convenções internacionais que regulam os direitos humanos dentro do sistema universal: 0 Pacto</p><p>Internacional sobre Direitos Civis e Politicos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos,</p><p>Sociais e Culturais.</p><p>Após este importante evento, vários tratados internacionais de direitos humanos foram adotados</p><p>e ratificados pelos Estados membros das Nações Unidas. Este sistema convencional gerou</p><p>obrigações especificas para que os Estados Partes incluam em suas constituições ou sistemas</p><p>jurídicos nacionais, garantias de proteção dos direitos humanos e que, em caso de não</p><p>cumprimento, existam mecanismos de defesa nacionais a serem esgotados, antes de recorrer a</p><p>organismos internacionais.</p><p>0 direito internacional dos direitos humanos é definido como "o corpo de leis que visa proteger os</p><p>direitos humanos e as liberdades fundamentais em nivel internacional" (Gonzalez, 1998: 639).</p><p>37</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>De acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, "a</p><p>lei internacional dos direitos humanos estabelece as obrigações que os Estados devem respeitar.</p><p>Ao se tornarem partes de tratados internacionais, os Estados assumem obrigações e deveres sob</p><p>o direito internacional de respeitar, proteger e cumprir os direitos humanos"4 Esta obrigação</p><p>consiste em abster-se de atos que infrinjam ou limitem o livre exercício dos direitos humanos</p><p>reconhecidos nos tratados, ou no mínimo, o pleno gozo dos direitos humanos básicos (vida,</p><p>integridade, liberdade, etc.).</p><p>A fim de compreender adequadamente a influência do direito internacional sobre os direitos</p><p>humanos, vale a pena voltar e aprofundar a doutrina sobre os tratados internacionais, focalizando</p><p>especificamente aqueles cujo tema principal é o reconhecimento dos direitos humanos ou o</p><p>estabelecimento de mecanismos para sua proteção.</p><p>Tendo já definido um tratado internacional, vamos nos concentrar nos seguintes elementos:</p><p>2.2.6.1. Criação de um tratado internacional</p><p>Para que um tratado internacional seja plenamente válido e entre em vigor, todas as etapas de</p><p>sua criação devem ser concluídas, dependendo se se trata de um tratado bilateral ou multilateral.</p><p>Os tratados bilaterais são entendidos como tratados internacionais concluídos entre dois</p><p>assuntos de direito internacional; por outro lado, tratados multilaterais são aqueles que são</p><p>concluídos por mais de dois estados partes. As etapas gerais de conclusão de um tratado</p><p>internacional são 4; negociação, adoção do texto, autenticação, submissão do consentimento.</p><p>Negociação Adoção</p><p>do texto</p><p>Autenticação Consentimento</p><p>Figura 2.3. 0 processo de elaboração de um tratado internacional.</p><p>A negociaçãoé a etapa na qual os Estados que têm a primeira vontade de concluir um tratado</p><p>internacional</p><p>iniciam, através dos respectivos canais diplomáticos, negociações com os outros</p><p>Estados. Esta negociação ocorre no âmbito internacional e seu principal objetivo é que os</p><p>potenciais Estados partes cheguem a um acordo sobre o possível conteúdo do tratado. Uma</p><p>característica importante para que a negociação ocorra 6 que ela 6 realizada por membros que</p><p>têm poderes suficientes de representação dos Estados-Partes para poder assinar e poder tomar</p><p>essas decisões.</p><p>A adoção do texto ocorre quando a fase de negociação tiver sido concluída e, de acordo com o</p><p>artigo 9 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, a adoção do texto de um tratado</p><p>será efetuada pelo consentimento expresso de todos os Estados participantes em sua elaboração,</p><p>4. Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, acessado em:</p><p>https://www.ohchr.org/SP/ProfessionalInterest/Pages/InternationalLaw.as DX</p><p>38</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO L.I. NIVERSITAR14 IBEROAMERICANA</p><p>exceto no caso de uma conferência internacional, onde será efetuada pelo voto favorável de dois</p><p>terços dos Estados presentes e com direito a voto.5</p><p>A autenticação 6 realizada por qualquer procedimento que os próprios Estados concordem dentro</p><p>do texto. Isto é confirmado pela assinatura de cada um dos representantes dos Estados membros</p><p>do tratado, como uma manifestação de sua vontade de assinar o tratado. Nesta fase, é enfatizado</p><p>que os Estados Partes ainda não se obrigaram expressamente a cumprir suas disposições. Até</p><p>agora, tudo isso é uma manifestação de boa fé e vontade.</p><p>0 consentimento é a fase de vinculação do processo internacional de elaboração de tratados. É</p><p>através da manifestação de consentimento que um Estado expressa sua vontade de se submeter</p><p>às obrigações contidas em um tratado. Sem o consentimento, o Estado parte não estaria</p><p>vinculado ao tratado. De acordo com a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, as</p><p>formas de expressão do consentimento podem ser, além de quaisquer que tenham sido</p><p>acordadas, as seguintes</p><p>• Assinatura: que consistiria na rubrica imposta pelo representante legitimo de cada</p><p>estado.</p><p>(I)</p><p>0 • Troca de instrumentos: isto se aplica aos tratados bilaterais e consiste na troca, entre</p><p>os estados partes, de documentos contendo o texto negociado, como um símbolo da</p><p>manifestação de consentimento.</p><p>• Ratificação: é a manifestação de consentimento pela qual o Estado Parte, de acordo</p><p>com sua legislação interna, expressa novamente sua vontade de concluir o tratado, de</p><p>acordo com os procedimentos estabelecidos para seu próprio Estado.</p><p>• Adesão: é quando o tratado já existe e foi ratificado por outros Estados e um novo</p><p>Estado decide tornar-se parte dele a fim de incorporá-lo ao seu sistema jurídico.</p><p>a) Reservas dentro de um tratado internacional. Becerra define a reserva como "uma</p><p>declaração unilateral, qualquer que seja seu enunciado ou denominação, feita por um</p><p>estado ao assinar, ratificar, aceitar ou aprovar um tratado ou ao ser aderido a ele, com o</p><p>objetivo de excluir ou modificar os aspectos jurídicos de certas disposições do tratado em</p><p>sua aplicação a esse estado." (Becerra, 1991: 42)</p><p>Esta forma de reserva visa respeitar e buscar a permanência da soberania dos Estados. É</p><p>de suma importância porque permite a um Estado que deseja tornar-se parte de um</p><p>tratado internacional proteger seus interesses, sabendo que tem essa ferramenta à sua</p><p>disposição quando um tratado internacional regula algo que afeta seus próprios interesses</p><p>particulares. Esta reserva é eminentemente voluntária, é entendida mais como um direito</p><p>do Estado, de modo que nenhum outro Estado ou tratado pode obrigá-lo a fazer ou não</p><p>fazer uma reserva. Trata-se de uma declaração unilateral, de modo que se entende que é</p><p>necessária a participação apenas da pessoa que faz a declaração. Além disso, esta</p><p>unilateralidade inclui a possibilidade de se retirar do mesmo. Cada estado que faz uma</p><p>reserva é livre para liberá-la quando precisar ou julgar necessário.</p><p>5. Assembléia Nacional das Nações Unidas. convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, artigo 9. Austria, 1969.</p><p>Consultado em: httos://boe.es/buscar/doc.php?id=BOE-A-1980-11884</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>Entretanto, esta reserva é limitada pelo artigo 19 da Convenção de Viena sobre o Direito</p><p>dos Tratados, que estabelece três casos em que uma reserva pode ser feita:</p><p>• A reserva é proibida pelo próprio documento</p><p>• Que o mesmo tratado limita as possibilidades de fazer reservas e que a reserva não</p><p>está dentro delas.</p><p>• A reserva é incompatível com o objeto e a finalidade do tratado.</p><p>b) Pacta sunt servanda. Este é sem dúvida o principio mais importante do direito</p><p>internacional público, contido no artigo 26 da Convenção de Viena sobre o Direito dos</p><p>Tratados, que declara que "todos os tratados em vigor são vinculativos para as partes e</p><p>devem ser cumpridos por elas de boa fé"6 .</p><p>Sua tradução direta do latim é "o que é acordado é obrigatório" e é a maior manifestação</p><p>da boa fé que os Estados devem ter para cumprir os tratados internacionais. Sem a</p><p>existência deste principio, o direito internacional provavelmente não existiria, ou pelo</p><p>menos seria inútil.</p><p>c) 0 ius cogen. Becerra afirma que ius cogens "constitui a transformação da lei de tratados</p><p>de uma lei que reconhece normas supremas, em princípios não derrogáveis" (Becerra,</p><p>1991: 43).</p><p>Para este fim, o artigo 53 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados estabelece</p><p>que as normas do jus cogenssão aquelas normas peremptórias do direito internacional</p><p>geral que consistem em "uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional</p><p>de Estados como um todo como uma norma que não admite concordância em contrário e</p><p>que só pode ser modificada por uma norma subsequente de direito internacional geral</p><p>com o mesmo caráter7, portanto, qualquer tratado internacional destinado a ser concluído</p><p>ou concluído em contravenção a uma norma do jus cogensé nulo e sem efeito.</p><p>0 conhecimento sobre este conceito e sua relação com os direitos humanos é de suma</p><p>importância porque devemos nos perguntar: Todos os direitos humanos pertencem a ius</p><p>cogens? A natureza universal e inerente dos direitos humanos a torna parte de uma norma</p><p>peremptória do direito internacional geral?</p><p>Carlos Zelada, em seu ensaio sobre lus Cogens e Direitos Humanos, afirma que "há um</p><p>amplo acordo para considerar alguns dos direitos humanos como parte do grupo</p><p>normativo de jus cogens. Nesse grupo se encontra o que podemos considerar violações</p><p>particularmente odiosas para a comunidade internacional: proibição da escravidão,</p><p>discriminação racial, genocídio, etc., todas expressões de uma opinio iuris cogentis na qual</p><p>o consenso é maciço e generalizado" (Zelada, 2002: 23)</p><p>0 direito internacional dos direitos humanos existe como um ramo do direito internacional</p><p>público, encarregado de regular tudo relacionado a este ramo, incluindo os tratados que os</p><p>reconhecem e regulam, bem como a obrigação dos Estados de cumpri-los. E a</p><p>regulamentação dos tratados internacionais que os torna obrigatórios e não o fato de</p><p>serem jus cogens, segundo Zelada, pois ele afirma que a própria natureza da</p><p>universalidade dos direitos humanos não permite que alguns direitos humanos sejam</p><p>6. Assembléia Nacional das Nações Unidas. convenção de Viena sobre Tratados. Loc.cit. Artigo 26.</p><p>7. Op.cit. Art.53</p><p>40</p><p>FUNIBE</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>classificados como normas jus cogens e outros não, pois além de serem universais, são</p><p>também indivisíveis.</p><p>Entretanto, Zelada continua argumentando que o que se tornou parte do ius cogens é o</p><p>reconhecimento da dignidade humana como o quadro de referência para todas as normas</p><p>internacionais. Esta concepção de dignidade humana é a base fundamental dos direitos</p><p>humanos. Zelada afirma que "ao contrário dos direitos humanos, jus cogens sempre</p><p>cuidou de sua dimensão consensual". Ela nunca pretendeu se opor,</p><p>mas ganhou cada um</p><p>dos preceitos que agora são seus preceitos sobre as pretensões dos estados mais</p><p>poderosos" (Zelada, 2002): 27).</p><p>Em vista do exposto acima, a seguinte reflexão é colocada à consideração do estudante: Os</p><p>direitos humanos devidamente reconhecidos devem ser considerados como normas jus cogensou</p><p>não?</p><p>41</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>42</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>Resumo</p><p>43</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>CC</p><p>1-</p><p>0</p><p>44</p><p>FUNIB</p><p>FUNDACAO UNIVERSIVARIA IBEROAMERICANA</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>Objetivos</p><p>ta- Conhecer os antecedentes históricos para a criação das Nações Unidas.</p><p>11. Compreender a estrutura e organização da ONU, bem como a institucionalização da ONU.</p><p>Po- Reconhecer as agências especializadas, mecanismos e funções que pertencem ao Sistema</p><p>das Nações Unidas.</p><p>3.1. INTRODUÇÃO</p><p>A Organização das Nações Unidas, que de agora em diante chamaremos de ONU, foi criada em 24</p><p>de outubro de 1945, como um pedido inicial de 54 Estados, após a Segunda Guerra Mundial, e</p><p>com o objetivo de evitar um novo conflito que levaria a milhares de mortes humanas e a um</p><p>número infinito de violações dos Direitos Humanos, com os Estados tendo que observar e</p><p>assegurar que a paz seja mantida em todos os momentos, e segurança internacional, e que</p><p>prevaleça o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, com base no respeito pela</p><p>igualdade de direitos e autodeterminação dos povos, promoção da cooperação internacional em</p><p>matéria econômica, social e cultural, priorizando o respeito aos direitos humanos e às liberdades</p><p>fundamentais.</p><p>A ONU desempenha um papel central nas relações entre Estados no século XXI, abordando</p><p>diretamente questões como paz e segurança, mudança climática, desenvolvimento sustentável,</p><p>direitos humanos, desarmamento, terrorismo, emergências humanitárias e de saúde, igualdade</p><p>de gênero, governança, produção de alimentos e muito mais.</p><p>Além disso, a ONU também oferece espaço para que os membros da ONU expressem suas</p><p>opiniões na Assembléia Geral, no Conselho de Segurança, no Conselho Econômico e Social, assim</p><p>como em outros órgãos e comitês. Ao permitir o diálogo entre seus membros e a organização nas</p><p>negociações, a Organização se tornou um mecanismo para os governos encontrarem áreas de</p><p>acordo e resolverem problemas em conjunto.</p><p>45</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>3.2. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA ORGANIZAÇÃO DAS</p><p>NAÇÕES UNIDAS</p><p>Em 28 de junho de 1919, através do Tratado de Versalhes, foi criado um órgão internacional</p><p>chamado Liga das Nações com o objetivo de estabelecer as bases para a paz e reorganização das</p><p>relações internacionais após o fim da Primeira Guerra Mundial. Esta organização 6 o primeiro</p><p>antecedente histórico importante das Nações Unidas, pois embora não tenha conseguido resolver</p><p>os graves conflitos que surgiram após a Primeira Guerra Mundial, teve algumas conquistas</p><p>durante sua existência, como a entrada da Alemanha na Liga das Nações em 1926. Entretanto, a</p><p>depressão econômica de 1929 levou a conflitos internacionais que tornaram impossível para a</p><p>Liga das Nações manter a paz mundial.</p><p>Entre 1939 e 1945, ocorreu um dos eventos históricos mais importantes da história da</p><p>humanidade. A Segunda Guerra Mundial, uma guerra em escala internacional que resultou em</p><p>milhões de mortes. Foi no auge da guerra que o termo Nações Unidas foi usado pela primeira vez</p><p>pelo presidente americano Franklin Roosevelt. Este pronunciamento foi feito na Declaração das</p><p>Nações Unidas, que ocorreu em 1° de janeiro de 1942 e consistiu na união estratégica de 26</p><p>'Daises que se comprometeram a manter as disposições da famosa Carta Atlântica.1</p><p>Figura 3.1. Assinatura da Carta do Atlântico em 1941. Navio britânico Prince of Wales.</p><p>Fonte: http://hoyenhistoria.blogspot.com/2014/06/junio-26-la-carta-de-las-naciones 26.html</p><p>A Segunda Guerra Mundial envolveu mais de 100 países em todo o mundo e resultou em milhões</p><p>de mortes, que começaram quando a Alemanha invadiu a Polônia. Pouco tempo depois, o Reino</p><p>1. A Carta Atlântica foi um documento assinado em 1941 entre Winston Churchill, Primeiro Ministro da Inglaterra, e</p><p>Franklin D. Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos. É assim chamado porque foi assinado a bordo do USS</p><p>Augusta, em algum lugar do Oceano Atlântico. Esta carta foi assinada com o objetivo de unificar as políticas comuns</p><p>entre os dois parses para a melhoria da humanidade. Embora não tenha sido um tratado internacional entre os dois</p><p>parses, foi posteriormente utilizado para a declaração de princípios da Carta das Nações Unidas.</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROÃMERICANA</p><p>Unido e a Franga declararam guerra contra os alemães, e a eles se juntaram países como o</p><p>Canadá, a Nova Zelândia e a Austrália.</p><p>A força fascista mais conhecida da guerra era a Alemanha nazista sob o comando de Adolf Hitler,</p><p>mas também havia outras forças e 'Daises que se aliaram a ele no Pacto Tripartite ou Pacto do Eixo</p><p>em 1940.</p><p>Além da Alemanha nazista, a frente fascista incluiria a Itália sob Mussolini, e o Império do Japão</p><p>comandado pelo Imperador, cuja participação provocou a entrada dos Estados Unidos no conflito</p><p>após o ataque a Pearl Harbor, declarando guerra à Alemanha, Itália e Japão.</p><p>Esses três países se aliariam ao Pacto Tripartite ou Pacto do Eixo, mas outros estados como</p><p>Hungria, Iugoslávia, Romênia, Bulgária e Republica Eslovaca também acabariam por aderir.</p><p>Após a perda de milhões de vidas, a Itália se rendeu primeiro em 1943, depois na Alemanha em</p><p>1945, e finalmente, após os bombardeios das cidades de Hiroshima e Nagasaki, o Japão se</p><p>rendeu nesse mesmo ano.</p><p>3.2.1. PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL</p><p>3.2.1.1. Consequências demográficas</p><p>Foram estimados pelo menos 50 milhões de mortos, a maioria das vitimas eram civis, e suas</p><p>mortes não foram apenas devidas à ação direta dos exércitos (fogo cruzado, bombardeio,</p><p>holocausto ou perseguição), mas também resultaram da fome, perda de casas e pobreza que se</p><p>seguiu à guerra.</p><p>Deve ser feita menção às grandes perdas humanas causadas pela perseguição e eliminação</p><p>sistemática de grandes grupos populacionais através de campos de concentração e outras formas</p><p>de extermínio por parte dos nazistas. Seu principal alvo neste sentido era o povo judeu, com uma</p><p>estimativa de 6 milhões de pessoas mortas. Da mesma forma, homossexuais, ciganos e</p><p>comunistas foram perseguidos e mortos, assim como artistas, intelectuais e todos aqueles que o</p><p>governo considerava uma ameaça à sociedade, incluindo homens, mulheres e crianças de</p><p>qualquer idade. Deficientes e deficientes mentais também foram alvo de eliminação.</p><p>3.2.1.2. Consequências ideológicas</p><p>As ideologias do fascismo e do nazismo são desacreditadas e rotuladas como radicais e</p><p>intolerantes. Os julgamentos de Nuremberg foram uma série de julgamentos realizados em</p><p>Nuremberg, Alemanha, entre 1945 e 1946, nos quais lideres nazistas foram indiciados, julgados e</p><p>condenados por um Tribunal Militar Internacional. As quatro acusações pelas quais eles foram</p><p>indiciados foram as seguintes:</p><p>• Crimes contra a paz (planejar, instigar e travar guerras de agressão em violação a acordos e</p><p>tratados internacionais);</p><p>47</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>• Crimes contra a humanidade (extermínio, deportações e genocídio);</p><p>• Crimes de guerra (violação das leis de guerra), e</p><p>• Tendo planejado e conspirado para cometer os atos criminosos acima mencionados.</p><p>Os julgamentos e as declarações que vieram 6 luz trouxeram 6 atenção do mundo as ações</p><p>negativas do regime nazista. Posteriormente, duas ideologias conhecidas como capitalismo e</p><p>comunismo prevaleceram.</p><p>3.2.1.3. Consequências econômicas</p><p>No final da Segunda Guerra Mundial, a economia européia foi duramente atingida, pois o conflito</p><p>destruiu grande parte dos meios de comércio. 0 oposto era o caso dos Estados Unidos da</p><p>América, que</p><p>naquela época tinham mais de 50% (cinquenta por cento) do Produto Interno Bruto</p><p>mundial, bem como mais da metade das reservas mundiais de ouro, uma situação que lhes</p><p>permitiu envolver-se no projeto politico e econômico de uma nova era.</p><p>Em virtude da superioridade econômica dos Estados Unidos da América, foi implementado o</p><p>PLANO MARSHALL, que consistia em um programa que visava facilitar a reconstrução e</p><p>recuperação da Europa após a Segunda Guerra Mundial. Este plano foi desenvolvido entre 1948 e</p><p>1952. 0 plano era fornecer mais de 12 bilhões de dólares de ajuda aos 'Daises europeus que</p><p>sofreram com o conflito.</p><p>Os países ocidentais confiaram nos sistemas sociais acima dos modelos capitalistas, o que levou</p><p>,</p><p>a um nivel de bem-estar econômico sem precedentes.</p><p>3.2.1.4. Implicações políticas</p><p>A Rússia implementou regimes soviéticos nos 'Daises que eles libertaram, procurando assim</p><p>estendê-los.</p><p>Em virtude das ações da Rússia, o presidente americano Harry Truman implementou uma politica</p><p>externa chamada "TRUMAN DOCTRINE", oferecendo apoio a todos aqueles países que se sentiam</p><p>ameaçados pela ideologia e/ou sistema de governo da Rússia.</p><p>0 desejo de controlar a maior parte do território mundial levou a Rússia e os Estados Unidos da</p><p>América a se envolverem nas guerras civis na China e na Grécia.</p><p>A constante busca de poder por parte da Rússia e dos Estados Unidos da América levou ao inicio</p><p>da Guerra Fria, que durou de 1947 a 1991, com essas potências hegemônicas lutando por</p><p>influência sobre o resto dos países do mundo. 0 colapso econômico e as crises políticas internas</p><p>da União Soviética terminaram com sua dissolução em 1991 e, após 44 anos, a Guerra Fria</p><p>chegou ao fim.</p><p>48</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>Em 8 de maio de 1945, a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim, o que gerou uma necessidade</p><p>mundial de evitar a repetição de eventos como os que haviam ocorrido durante a guerra, que</p><p>levou à criação da Organização das Nações Unidas (ONU). A Organização surgiu em 24 de outubro</p><p>de 1945, com o acordo de 51 Estados membros signatários do documento fundador da</p><p>Organização. Atualmente, 193 Estados são membros das Nações Unidas, que estão</p><p>representados no órgão deliberativo, a Assembléia Geral. A ONU surgiu para substituir a falida</p><p>Liga das Nações criada após a Primeira Guerra Mundial.</p><p>3.3. A CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS</p><p>A Carta das Nações Unidas é o tratado internacional fundador da ONU, que contém a base sobre a</p><p>qual a Organização foi criada. Ela foi assinada em 26 de junho de 1945 em São Francisco,</p><p>Califórnia, o local da Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional.</p><p>documento foi assinado por 50 dos 51 estados na conferência, sendo a Polônia o estado que</p><p>assinou o documento dois meses depois. A Carta das Nações Unidas entrou em vigor em 24 de</p><p>outubro de 1945.</p><p>0 documento está dividido em um preâmbulo e 19 capítulos que tratam de diferentes tópicos.</p><p>Figura 3.2. Assinatura da Carta das Nações Unidas.</p><p>Fonte: https://eacnur.org/blog/carta-de-las-naciones-unidas-tc alt45664n o pstn o pst/</p><p>A Carta das Nações Unidas enumera uma série de princípios, que dão ao documento certeza e</p><p>certeza quanto aos propósitos da criação das Nações Unidas e vão além do pensamento de que a</p><p>ONU só busca a paz e a segurança internacionais.</p><p>Estes princípios são os seguintes:</p><p>• Os Estados membros da Organização cumprirão de boa fé as obrigações assumidas através</p><p>da ratificação da Carta.</p><p>49</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>• A Organização respeita e reconhece a igual soberania dos Estados membros.</p><p>• Os Estados membros da Organização resolverão suas disputas pacificamente, cuidando</p><p>sempre para não prejudicar a justiça, a paz e a segurança internacional.</p><p>• Os Estados membros da Organização devem abster-se de fazer ameaças e de usar a força</p><p>contra outros Estados.</p><p>• Os Estados-membros prestarão o apoio que possa ser exigido pela Organização, desde que</p><p>esteja de acordo com a Carta;</p><p>• A Carta não autoriza a Organização a interferir em casos que estejam eminentemente</p><p>dentro da jurisdição nacional dos Estados.</p><p>Os princípios apresentam pontos muito importantes, entre os quais vale destacar que a</p><p>Organização reconhece a igualdade jurídica de seus membros em termos de tomada de decisões</p><p>e políticas estatais, assim como a promoção da conciliação antes de iniciar conflitos de natureza</p><p>internacional.</p><p>As Nações Unidas têm atualmente 193 estados membros, sendo o último estado a aderir sendo o</p><p>Sul do Sudão.</p><p>3.4. ESTRUTURA DAS NAÇÕES UNIDAS</p><p>3.4.1. ESTADOS MEMBROS DA ONU</p><p>3.4.1.1. Membros fundadores</p><p>Arabia Saudita Argentina Austrália Bélgica Bolivia</p><p>Brasil Canadá Chile China Colômbia</p><p>Costa Rica Cuba Tchecoslováquia Dinamarca Equador</p><p>Egito El Salvador Etiópia Estados Unidos Filipinas</p><p>França Grécia Guatemala Haiti Honduras</p><p>Índia Iraque Ira' Líbano Libéria</p><p>Luxemburgo Mexico Nova Zelândia Nicarágua Noruega</p><p>!Daises Baixos Panamá Paraguai Peru Polônia</p><p>Reino Unido e</p><p>Irlanda do Norte</p><p>Stria República Dominicana Belarus Ex-lugoslávia</p><p>Africa do Sul Turquia Ucrânia Ex-URSS Uruguai</p><p>Venezuela</p><p>50</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>3.4.1.2. No restante da década de 1940, os seguintes países aderiram</p><p>UE</p><p>Países Baixos Honduras Uruguai Equador Bélgica</p><p>Afeganistão Suécia Tailândia Paquistão lêmen</p><p>Mianmar Israel</p><p>3.4.1.3. Os Estados-Membros nos anos 50</p><p>Indonesia Albânia Austria Bulgária Camboja</p><p>Espanha Finlândia Hungria Irlanda Italia</p><p>Jordânia Líbia Nepal Portugal Laos</p><p>Romênia Sri Lanka Marrocos Sudão Tunisia</p><p>Japão Gana Malásia Guiné</p><p>3.4.1.4. Na década de 1960</p><p>Benim Burka Faso Camarões Chade Chipre</p><p>Congo Costa do Marfim Gabão Madagascar Niger</p><p>República</p><p>Centro-Africana</p><p>República Democrática</p><p>do Congo</p><p>Somalia Togo Mali</p><p>Senegal Nigéria Serra Leoa Mauritania Mongólia</p><p>República Unida</p><p>da Tanzania Burundi Jamaica Ruanda Trinidad e Tobago</p><p>Argélia Uganda Kuwait Quênia Malaui</p><p>Malta Zambia Gambia Maldivas Singapura</p><p>Guiana Botsuana Lesoto Barbados Mauricio</p><p>Suazilândia Guiné Equatorial</p><p>51</p><p>Timor-Leste Sérvia Su Iça Montenegro Tuvalu</p><p>Sul do Sudão</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>3.4.1.5. Na década de 1970</p><p>Fiji Bahrein Butho Qatar OmA</p><p>Emirados</p><p>Arabes Unidos</p><p>Bahamas Alemanha Bangladesh Granada</p><p>Guiné Bissau Cabo Verde Moçambique</p><p>São Tomé e</p><p>Principe</p><p>Papua-Nova</p><p>Guiné</p><p>Comores Suriname Seicheles Angola Samoa</p><p>Djibuti Vietnam Ilhas Salomão</p><p>Dominica e Santa</p><p>Lúcia</p><p>3.4.1.6. Na década de 1980</p><p>Zimbabwe São Vicente e</p><p>Granadinas</p><p>Vanuatu Belize Antigua e Barbuda</p><p>São Cristóvão e Neves Brunei e Brunei</p><p>3.4.1.7. Nos anos 90</p><p>Namibia Liechtenstein Estônia Ilhas Marshall Letônia</p><p>Lituânia Micronésia</p><p>República da Rep</p><p>Coreia</p><p>República Popular</p><p>Democrática da</p><p>Coréia</p><p>Armênia</p><p>Azerbairdo Cazaquistão Turcomenistão Quirguizistão</p><p>República da</p><p>Moldávia</p><p>São Marino Tajiquistão Uzbequistdo Básnia e Herzegovina Croácia</p><p>Eslovênia Ge6rgia</p><p>República</p><p>Tcheca</p><p>Eslováquia</p><p>A ex-República</p><p>Iugoslava da</p><p>Maced6nia</p><p>Eritreia Mônaco Andorra Palau Kiribati</p><p>Nauru Tonga</p><p>3.4.1 .8. A partir do ano 2000</p><p>Ell</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>3.5. PRINCIPAIS ÓRGÃOS DA ORGANIZAÇÃO DAS</p><p>NAÇÕES UNIDAS</p><p>3.5.1. ASSEMBLÉIA GERAL</p><p>A Assembléia Geral das Nações Unidas, criada em 1945, é o principal órgão deliberativo da ONU.</p><p>Dentro da assembléia, todos os Estados membros estão representados e cada um tem o direito</p><p>de votar em questões importantes, por exemplo, as recomendações sobre segurança, paz e</p><p>assuntos orçamentários devem ser aprovadas por uma maioria de dois terços dos membros.</p><p>A Assembléia Geral é um dos seis principais órgãos da organização e é o único em que todos os</p><p>parses membros participam em igualdade de representação e participação.</p><p>A Assembléia Geral da ONU tem atualmente 193 membros com a adição da Santa Sé e da</p><p>Palestina</p><p>como Estados não membros. Também deve ser observado que a Assembléia pode</p><p>conceder o status de observador permanente a uma organização ou entidade internacional.</p><p>3.5.2. FUNÇÕES DA ASSEMBLÉIA GERAL</p><p>a) A Assembléia Geral tem o poder de fazer recomendações aos Estados membros da</p><p>organização sobre todos os assuntos dentro de sua competência em assuntos</p><p>internacionais.</p><p>b) Tomar medidas políticas, econômicas, humanitárias, legais e sociais para beneficiar as</p><p>vidas das pessoas do mundo.</p><p>c) Para providenciar a aprovação do orçamento da Organização.</p><p>d) Determinar as contribuições a serem feitas pelos 193 Estados-membros.</p><p>e) Fazer a seleção dos Estados membros da Organização, que formarão o Conselho de</p><p>Segurança (membros não permanentes), assim como os conselhos dos quais a</p><p>Assembléia é composta.</p><p>f) Nomear o Secretário-Geral das Nações Unidas.</p><p>g) Observar sempre os princípios de cooperação na manutenção da paz e segurança</p><p>internacionais, e fazer estudos e recomendações a esse respeito.</p><p>h) Conduzir discussões, se não perante o Conselho de Segurança, sobre questões</p><p>relacionadas à manutenção da paz.</p><p>i) Realizar debates sobre qualquer ponto estabelecido pela Carta das Nações Unidas, bem</p><p>como fazer as recomendações necessárias, quando surgirem situações da Carta que</p><p>possam comprometer as relações entre os Estados membros.</p><p>j) Recomendar ações e medidas para promover a resolução pacifica de disputas a fim de</p><p>garantir que as relações entre os Estados não sejam prejudicadas.</p><p>k) Conduzir revisões dos relatórios apresentados pelos órgãos das Nações Unidas,</p><p>especificamente o Conselho de Segurança.</p><p>53</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>I) Tomar medidas apropriadas nos casos em que houver uma séria ameaça à manutenção</p><p>da paz ou atos de agressão entre os Estados-Membros.</p><p>3.5.3. SEssitiEs</p><p>A Assembléia Geral da ONU se reúne todos os anos em sessão regular de setembro a dezembro, e</p><p>retomará seus trabalhos em janeiro.</p><p>Há 3 sessões:</p><p>• Sessão ordinária. Começa em setembro e se reúne às terças-feiras.</p><p>• Sessões Extraordinárias. Sempre que houver uma situação que justifique uma reunião da</p><p>assembléia, o Secretário Geral poderá convocar sessões extraordinárias.</p><p>• Sessão Especial Extraordinária de Emergência. É solicitado pelo Conselho de Segurança, tal</p><p>reunião deverá ocorrer no máximo 24 horas após a solicitação.</p><p>3.5.4. CONSELHOS DE SEGURANÇA</p><p>E uma das agências lideres das Nações Unidas, cujo objetivo principal é a segurança internacional</p><p>e a manutenção da paz. 0 Conselho de Segurança nasceu após várias conferências de natureza</p><p>prática envolvendo a China, Grã-Bretanha, União Soviética e Estados Unidos, datando de 1944 e</p><p>culminando na Conferência de São Francisco onde a Carta das Nações Unidas foi adotada e os</p><p>métodos de votação e organização do Conselho de Segurança foram estabelecidos.</p><p>Em 1963, foram adotadas mudanças nos artigos 23 e 27 da Carta da ONU na Assembléia,</p><p>aumentando o número de membros não permanentes de seis para dez e aumentando o número</p><p>de votos necessários para aprovar uma decisão de sete para nove. 2</p><p>A Carta das Nações Unidas confere quatro objetivos principais ao Conselho de Segurança:</p><p>• A manutenção da paz e da segurança internacionais.</p><p>• Promover relações amistosas entre as nações.</p><p>• Fornecendo apoio na solução de problemas internacionais.</p><p>• Ser um organismo no qual se concentra a harmonização dos esforços das nações.</p><p>0 Conselho de Segurança difere de outros órgãos das Nações Unidas na medida em que todas as</p><p>resoluções que dele emanam aceitam o compromisso das nações de assegurar o cumprimento</p><p>das resoluções do Conselho, ao contrário de outros órgãos que só têm o poder de fazer</p><p>recomendações sobre as questões que abordam.</p><p>2. Assembléia Geral. Dezembro 1963. Resolução 1991 (XVIII) Questão da representação equitativa no Conselho de</p><p>Segurança e no Conselho Econômico e Social.</p><p>54</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>3.5.4.1. Formação do Conselho de Segurança</p><p>0 Conselho de Segurança é composto por 15 Estados membros da Organização, dos quais 5 são</p><p>membros permanentes e 10 são membros temporários.</p><p>As decisões tomadas pelo Conselho de Segurança geralmente exigem o voto afirmativo de pelo</p><p>menos nove membros, cada um tendo um voto. Entretanto, os cinco membros permanentes têm o</p><p>direito de veto.</p><p>A presidência do Conselho gira mensalmente em ordem alfabética de acordo com seu nome em</p><p>inglês. 0 Conselho de Segurança está organizado para funcionar de forma permanente.</p><p>Um representante de cada um de seus membros deve estar presente a todo momento na sede do</p><p>Conselho nas Nações Unidas.</p><p>Funções:</p><p>• Investigar qualquer disputa ou situação que possa criar fricção internacional.</p><p>• Recomendar métodos de ajuste de tais disputas, ou termos de solução.</p><p>• Desenvolver pianos para a regulamentação de armamentos.</p><p>• Determinar se existe uma ameaça à paz ou um ato de agressão e recomendar que ação</p><p>deve ser tomada.</p><p>• Exortar os Membros a aplicar sanções econômicas e outras medidas que não envolvam o</p><p>uso da força, a fim de prevenir ou deter a agressão.</p><p>• Empreender ação militar contra um agressor; Centro de Documentação, Informação e</p><p>Análises Direção de Serviços de Investigação e Análises Subdireção de Politica Exterior.</p><p>• Recomendar novos membros para a adesão.</p><p>• Exercer as funções de fideicomissário das Nações Unidas em áreas especificas que</p><p>requerem intervenção.</p><p>• Recomendar à Assembléia Geral a nomeação do Secretário-Geral e, juntamente com a</p><p>Assembléia, eleger os membros do Tribunal Internacional de Justiça (CIA</p><p>• Sob o Capitulo VI da Carta da ONU, o Conselho pode investigar qualquer disputa ou situação</p><p>que possa levar a atritos internacionais e pode recomendar procedimentos ou métodos</p><p>apropriados de ajuste, se determinar que a situação pode ameaçar a paz e a segurança, as</p><p>recomendações emitidas não são vinculativas.</p><p>3.5.5. CONSELHO DE CURADORIA -CAF-</p><p>0 Conselho Fiduciário, um dos principais órgãos das Nações Unidas, foi estabelecido para</p><p>administrar territórios fiduciários e assegurar que os governos responsáveis por sua</p><p>administração cumpram com a Carta das Nações Unidas.</p><p>55</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>A Carta autoriza o Conselho Fiduciário a conduzir revisões dos relatórios apresentados pelos</p><p>Estados membros que estão registrados como fiduciários sobre o progresso politico, econômico,</p><p>social e educacional dos povos dos Territórios Fiduciários, a examinar petições dos territórios e a</p><p>conduzir missões especiais aos territórios.</p><p>Atualmente não há terras fiduciárias, pois todos eles alcançaram a independência, seja como</p><p>estados separados ou aderindo a !Daises vizinhos independentes. Como resultado, em 1994, o</p><p>Conselho de Segurança rescindiu o acordo fiduciário, que dizia respeito a 11 territórios originais</p><p>incluidos em seu programa: o território fiduciário das Ilhas do Pacifico (Palau), que era</p><p>administrado pelos Estados Unidos da América.</p><p>0 Conselho de Curadoria, em virtude das mudanças feitas em suas funções, se reunirá quando</p><p>sua intervenção for justificada.</p><p>3.5.6. TRIBUNAL INTERNACIONAL DE JUSTIÇA (CIJ)</p><p>É um órgão de justiça que pertence às Nações Unidas, que é criado com o objetivo de estabelecer</p><p>meios pacíficos para resolver disputas internacionais que podem, em algum momento, levar a</p><p>uma quebra da paz.</p><p>A Corte opera sob um Estatuto que faz parte da Carta e iniciou seus trabalhos em 1946.</p><p>Funções:</p><p>• Resolver disputas legais submetidas a ela pelos Estados com base no direito internacional;</p><p>e,</p><p>• Fornecer pareceres sobre questões jurídicas solicitadas pelos órgãos das Nações Unidas e</p><p>agências especializadas devidamente autorizadas a fazê-lo.</p><p>0 Tribunal é composto por 15 juizes, assistidos por um Registro e um órgão administrativo, e seus</p><p>idiomas oficiais são o inglês e o francês.</p><p>3.5.7. CONSELHO ECONÔMICO SOCIAL</p><p>É o órgão que coordena o trabalho econômico e social da ONU e de suas instituições membros</p><p>e</p><p>agências especializadas. Pode iniciar estudos e relatórios sobre questões educacionais, sociais,</p><p>econômicas, culturais, de saúde e afins e fazer recomendações aos Estados Membros através da</p><p>Assembléia Geral da ONU e seus órgãos.</p><p>Um dos principais objetivos do Conselho é promover o respeito e a observância dos direitos</p><p>humanos e a implementação prática desses princípios.</p><p>0 Conselho é composto por 54 membros eleitos pela Assembléia Geral, cada um dos quais com</p><p>direito a um voto. Eles são nomeados com base em uma representação geográfica equitativa.</p><p>56</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>3.5.8. 0 SECRETARIADO</p><p>Funciona como o órgão administrativo das Nações Unidas.</p><p>Suas funções incluem assistir os principais órgãos da ONU administrando as políticas e</p><p>programas que eles desenvolvem.</p><p>A Secretaria Geral tem a função última de representação diplomática das Nações Unidas.</p><p>57</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>58</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERIÇANA</p><p>Resumo</p><p>59</p><p>Organização das Nações Unidas</p><p>V)</p><p>60</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>Sistema regional de direito</p><p>internacional público</p><p>Objetivos</p><p>110- Para entender o funcionamento, o histórico, a estrutura convencional e a estrutura</p><p>organizacional da Organização dos Estados Americanos.</p><p>0- Para entender o funcionamento, o histórico, a estrutura convencional e a estrutura</p><p>organizacional da União Africana.</p><p>0- Para entender o funcionamento, o histórico, a estrutura convencional e a estrutura</p><p>organizacional da União Européia.</p><p>10- Para entender o funcionamento, o contexto histórico, a estrutura convencional e a estrutura a</p><p>organizacional da Associação das Nações do Sudeste Asiático.</p><p>0- Compreender o funcionamento, o contexto histórico, a estrutura convencional e a estrutura</p><p>organizacional da Comunidade do Pacifico.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Neste capitulo o estudante aprenderá sobre os diferentes sistemas regionais existentes no mundo</p><p>para a regulamentação do direito internacional. Apesar de a maioria dos países do mundo serem</p><p>membros das Nações Unidas, que é um sistema universal. Há uma necessidade de órgãos</p><p>regionais, que abordem mais de perto as diferentes realidades que ocorrem em cada região ou</p><p>continente.</p><p>Alguns desses sistemas foram criados mesmo antes das Nações Unidas. Por exemplo, a</p><p>Organização dos Estados Americanos data sua fundação um ano antes da criação da ONU.</p><p>As organizações regionais são um tipo de organização internacional na qual os membros se unem</p><p>com o objetivo de definir políticas internacionais para as relações entre os Estados e alcançar</p><p>objetivos específicos como a manutenção da paz, o desenvolvimento econômico, social e cultural,</p><p>entre outros.</p><p>61</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>A diferença entre uma organização internacional regional e uma universal é a limitação geográfica</p><p>ou geopolitica, já que as organizações regionais estão limitadas a um território especifico, assim</p><p>como a União Européia, que tem seus limites para todos os !Daises do continente europeu que</p><p>foram aceitos dentro dela.</p><p>A seguir, o estudante encontrará uma abordagem para cada uma das organizações regionais mais</p><p>importantes do mundo, cobrindo uma para cada continente.</p><p>4.2. A ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS</p><p>E uma organização internacional de caráter regional, que foi fundada com o objetivo de que os</p><p>Estados Partes desenvolvam conjuntamente uma politica internacional que consiste em "uma</p><p>ordem de paz e justiça, promover sua solidariedade, fortalecer sua colaboração e defender sua</p><p>soberania, integridade territorial e independência" 1 .</p><p>Atualmente é composto por 35 estados membros do continente americano e é o fórum mais</p><p>importante para as relações internacionais no continente. Os principais pilares do trabalho são a</p><p>democracia, a segurança, o desenvolvimento e os direitos humanos. Com base nestes pilares, a</p><p>Organização dos Estados Americanos organizou-se internamente, com o objetivo de criar espaços</p><p>que regulamentem, promovam e executem políticas internacionais, cada uma relacionada a suas</p><p>próprias questões.</p><p>4.2.1. ANTECEDENTES HISTÓRICOS</p><p>E conhecida como a mais antiga organização regional do mundo, pois suas origens remontam ao</p><p>final do século XIX em Washington, D.C., onde foi realizada uma conferência internacional na qual</p><p>vários Estados concordaram em criar uma União Internacional das Repúblicas Americanas,</p><p>começando assim a criar uma rede de instituições e provisões que no futuro ficariam conhecidas</p><p>como o Sistema Interamericano.</p><p>Alguns autores argumentam que o pano de fundo da Organização dos Estados Americanos deriva</p><p>do Panamericanismo como uma luta contra o Bolivarianismo. O bolivarianismo, baseado na tese</p><p>de Simón Bolivar, é uma corrente politica que lutou para estabelecer a unidade internacional entre</p><p>os parses latino-americanos. Em 1826, o líder venezuelano Simón Bolivar convocou uma</p><p>conferência no Panamá para criar uma confederação de estados americanos. Entretanto, os</p><p>resultados não foram positivos, pois nenhum dos países presentes mostrou interesse suficiente</p><p>para criar tal união. Portanto, embora esta conferência possa representar uma primeira</p><p>abordagem para a posterior criação de uma organização regional, ela não pode ser tomada como</p><p>um precedente preciso.</p><p>Posteriormente, surgiu a doutrina Monedero, dando origem ao Panamericanismo. Embora tivesse</p><p>semelhanças com o bolivarianismo na busca da união entre os estados americanos, a diferença</p><p>1. Organização dos Estados Americanos. Carta da Organização dos Estados Americanos. Bogotá, 1948. Artigo 1.</p><p>Consultado em: htto://www.oas.org/e isla/ddi/tratados multilaterales interamericanos A-41_carta_DEA.asp#Cao</p><p>%C3%Title I</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇA0 UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>era que defendia que os Estados Unidos deveriam ser incluídos neste sistema internacional.</p><p>"Quando os !Daises da América Latina conquistaram a independência, a antiga potência colonial, a</p><p>Espanha, e seus aliados europeus começaram a desenvolver planos para reconquistar os frágeis</p><p>novos estados. Assim, nesta primeira etapa, os Estados Unidos delinearam sua Doutrina Monroe,</p><p>com o objetivo principal de defender a liberdade americana"2 Nesta doutrina, o presidente</p><p>americano Monroe promoveu que a Europa não deveria intervir nos assuntos politicos das</p><p>Américas e que a criação de sistemas republicanos de governo seria o caminho para alcançar</p><p>uma união entre os países do continente americano para a defesa de sua independência e</p><p>desenvolvimento politico.</p><p>Em 2 de outubro de 1889, o governo dos Estados Unidos convocou uma conferência</p><p>internacional, conhecida como a Primeira Conferência Internacional Americana, em Washington,</p><p>D.C., com a participação de dezoito estados americanos para discutir a adoção de um plano de</p><p>arbitragem para resolver futuras disputas entre esses estados, aumentar o tráfego comercial e os</p><p>meios de comunicação direta entre esses estados, e fortalecer a independência econômica do</p><p>continente americano.</p><p>0 resultado final desta conferência foi a criação da União Internacional das Repúblicas</p><p>Americanas, composta pelos seguintes países: Brasil, Bolivia, Chile, Argentina, Costa Rica,</p><p>Equador, Cuba, Colômbia, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua,</p><p>Haiti, México, Panamá, Paraguai, Peru, Estados Unidos, Venezuela e Uruguai.</p><p>A União Internacional das Repúblicas Americanas funcionava principalmente através de sua</p><p>Secretaria, chamada de União Pan-Americana. Este órgão, que faz parte da União Internacional</p><p>das Repúblicas Americanas, foi criado em 1910 por uma resolução adotada na IV Conferência</p><p>lnteramericana realizada em Buenos Aires. Estava baseado em Washington, D.C. e sua principal</p><p>função era compilar e distribuir aos Estados Partes informações relacionadas ao comércio sobre</p><p>regulamentos, tratados, estatísticas e tarifas alfandegárias.</p><p>A maior importância de</p><p>estudar e aprender sobre as conferências interamericanas é que, a partir</p><p>da quinta conferência, os princípios nelas declarados dão origem aos pilares fundamentais do que</p><p>mais tarde se tornou a Organização dos Estados Americanos, especialmente a sétima, realizada</p><p>no Uruguai, que aprovou a Convenção sobre os Direitos e Deveres dos Estados e reconheceu e</p><p>reiterou o principio de que todos os Estados são legalmente iguais e, portanto, têm direitos iguais</p><p>e a mesma capacidade para exercê-los, e que nenhum Estado pode intervir nos assuntos internos</p><p>de outro, bem como na resolução pacifica de disputas.</p><p>Ainda existem instituições criadas pela União Internacional das Repúblicas Americanas que</p><p>funcionam no sistema regional e universal que usamos hoje. Que são as seguintes:</p><p>• Organização Pan-Americana da Saúde, agora o escritório regional da Organização Mundial</p><p>da Saúde.</p><p>• 0 Comitê Jurídico Interamericano, criado em 1906 e ainda hoje em funcionamento.</p><p>• 0 Instituto Interamericano da Criança, fundado em 1927.</p><p>2. Morales Manzur, Juan Carlos. A Doutrina Monroe e o Panamericanismo: Duas propostas e o mesmo objetivo</p><p>continental. Instituto de Filosofia do Direito, Universidade de Zulia. Venezuela, 2002. Página 1.</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>• Comissão Interamericana de Mulheres, fundada em 1928.</p><p>• 0 Instituto Pan-Americano de Geografia e História.</p><p>• Instituto Índio Interamericano.</p><p>• Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura e o Desenvolvimento Rural (IICA)</p><p>• Conselho Interamericano de Defesa.</p><p>Em 1945, os Estados americanos iniciaram um longo processo de negociação para a criação de</p><p>uma organização internacional regional. Finalmente, a conferência mais importante para o</p><p>desenvolvimento do sistema regional americano é a Nona Conferência Internacional das</p><p>Américas, da qual participaram 21 Estados e que foi realizada em Bogotá, Colômbia, em 1948.</p><p>Isto é o mais importante porque adotou a Carta da Organização dos Estados Americanos, assim</p><p>como a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e o Tratado Americano sobre</p><p>Assentamentos Pacíficos.</p><p>4.2.2. ESTRUTURA LEGAL E CONVENCIONAL</p><p>Segue uma breve análise da estrutura convencional que regula a organização e o funcionamento</p><p>da Organização dos Estados Americanos (OEA).</p><p>4.2.2.1. Carta da Organização dos Estados Americanos</p><p>Promulgada e adotada pela IX Conferência Internacional dos Estados Americanos, esta Carta é o</p><p>coração e a força motriz da Organização dos Estados Americanos, na qual os Estados Partes</p><p>expressam seu desejo de unir-se para a manutenção da paz, da democracia, da justiça, da</p><p>solidariedade, da cooperação e da proteção de sua soberania, bem como para a defesa de sua</p><p>integridade territorial e independência. Nessa conferência, 21 países a adotaram, e agora há 35</p><p>países que aderiram à Carta e fazem parte da OEA.</p><p>Ela é composta de 3 partes: 0 primeiro, que contém sete capítulos, trata da natureza, princípios,</p><p>filiação, direitos e deveres fundamentais dos Estados, resolução pacifica de disputas, segurança</p><p>coletiva e desenvolvimento integral dos Estados Partes.</p><p>A Parte Dois é composta de 11 capítulos e regula a estrutura organizacional e a organização da</p><p>OEA, estabelecendo os órgãos decisórios e aqueles que funcionam para executar as politicas</p><p>internacionais adotadas nas Assembléias Gerais, que estudaremos mais adiante neste capitulo.</p><p>Finalmente, a Parte Três da Carta é composta de quatro capítulos e regula principalmente o peso</p><p>que as disposições adotadas nesta Carta terão no sistema universal das Nações Unidas, assuntos</p><p>relacionados à sua ratificação e disposições transitórias. É importante mencionar que, de acordo</p><p>com o artigo 131 da Carta, "nada na presente Carta deverá ser interpretado como prejudicando</p><p>os direitos e obrigações dos Estados Membros nos termos da Carta das Nações Unidas"3 Pelo</p><p>contrário, a natureza tanto das Nações Unidas quanto da OEA deve ser sempre compatível, pois</p><p>3. Organização dos Estados Americanos. Carta da Organização dos Estados Americanos. Op. Cit. Artigo 131.</p><p>64</p><p>FUNIBE</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA I5EROAMERICANA</p><p>embora sejam sistemas internacionais diferentes, eles se complementam e perseguem os</p><p>mesmos objetivos, portanto não faria sentido que as disposições de um minassem as do outro.</p><p>Como a estrutura organizacional da Organização dos Estados Americanos será estudada mais</p><p>adiante neste capitulo, é apropriado neste momento examinar e analisar apenas a primeira parte</p><p>da Carta da OEA, a fim de examinar os princípios fundamentais nos quais todo o sistema</p><p>interamericano se baseia.</p><p>Como temos mencionado repetidamente, os principais objetivos da OEA são a manutenção da</p><p>paz, da justiça, da solidariedade, da independência e da soberania entre os Estados Partes.</p><p>Entretanto, é importante mencionar que o artigo 10 da Carta enfatiza que nada na Carta autoriza</p><p>qualquer Estado ou a Organização dos Estados Americanos a intervir na jurisdição interna dos</p><p>Estados membros.</p><p>Isto é importante, devido ao que foi mencionado no segundo capitulo deste assunto, que o direito</p><p>internacional não constitui um elo superior nos sistemas jurídicos de cada Estado e que a</p><p>manifestação de vontade na criação dos diferentes tratados internacionais é um elemento</p><p>fundamental, já que um Estado pode incluir em seu sistema jurídico interno uma disposição de</p><p>caráter internacional, mas sempre quando age com a mera vontade do Estado, nunca pode ser</p><p>imposta.</p><p>Além daqueles contidos no Artigo 1, a OEA estabelece 8 propósitos essenciais, que são os</p><p>seguintes:</p><p>1. Reforçar a paz e a segurança no continente;</p><p>2. Promover e consolidar a democracia representativa, respeitando o principio da não</p><p>intervenção.</p><p>3. Prevenir possíveis causas de dificuldades e assegurar a resolução pacifica de disputas</p><p>entre os Estados-Membros;</p><p>4. Organizar sua ação de solidariedade em caso de agressão;</p><p>5. Buscar soluções para os problemas politicos, jurídicos e econômicos que surgem entre</p><p>eles;</p><p>6. Promover, através da ação cooperativa, seu desenvolvimento econômico, social e cultural;</p><p>7. Erradicar a pobreza critica, que é um obstáculo ao pleno desenvolvimento democrático do</p><p>hemisfério, e</p><p>8. Conseguir um controle eficaz das armas convencionais, a fim de dedicar o maior número</p><p>possível de recursos ao desenvolvimento econômico e social dos Estados membros.4</p><p>Outro aspecto importante regulamentado e reconhecido na primeira parte da Carta da OEA é a</p><p>reafirmação dos princípios sobre os quais as ações dos Estados americanos devem se basear em</p><p>todos os momentos. Catorze princípios fundamentais são reconhecidos e estão contidos no artigo</p><p>três da carta e se concentram principalmente na manutenção da boa fé nas relações entre</p><p>4. Loc. Cit. Artigo 2.</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>Estados, no respeito à independência de cada Estado, na proibição expressa de agressão contra</p><p>Estados para a manutenção da paz, o respeito aos direitos humanos é essencial para a</p><p>manutenção de uma paz duradoura.</p><p>Para se tornar membro da Organização dos Estados Americanos, é estritamente necessário que</p><p>os Estados ratifiquem a Carta da OEA, respeitando os procedimentos estabelecidos nos artigos 4</p><p>a 9 da Carta. 0 processo para a inclusão de um Estado é o seguinte:</p><p>1. Manifestação de vontade: Um Estado independente que deseje tornar-se membro da</p><p>Organização dos Estados Americanos deverá declarar, por escrito dirigido ao Secretário</p><p>Geral, que deseja tornar-se membro da OEA e que está disposto a ratificar a Carta e a</p><p>aceitar todas as obrigações nela contidas.</p><p>2. Opinião do Conselho Permanente da Organização: 0 Conselho Permanente da Organização</p><p>fará uma recomendação à Assembléia Geral sobre se é apropriado autorizar a adesão de</p><p>um Estado independente à OEA.</p><p>3. Autorização da Assembléia Geral: A Assembléia Geral (composta por todos os Estados</p><p>membros) deve, por votação de 2/3rds, aprovar autorizando o Secretário</p><p>obtidas.</p><p>2</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Descrever os conceitos</p><p>de Direito Internacional</p><p>Público e ramos</p><p>relacionados,</p><p>Conceptualizar o Direito</p><p>Internacional Privado e</p><p>seus elementos.</p><p>Conhecimento das</p><p>fontes do direito</p><p>internacional,</p><p>Compreender os</p><p>costumes internacionais,</p><p>Conhecer os temas do</p><p>direito internacional.</p><p>Descrever o Estado</p><p>como um sujeito de</p><p>direito internacional,</p><p>Descrever a criação do</p><p>tratado internacional,</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Os conceitos de direito</p><p>internacional público e</p><p>privado em relação aos</p><p>direitos humanos são</p><p>explicados e descritos,</p><p>As fontes do direito</p><p>internacional são</p><p>explicadas, os sujeitos</p><p>do direito internacional,</p><p>suas características e</p><p>condições, o Estado</p><p>como sujeito do direito</p><p>internacional, a relação</p><p>entre direito</p><p>internacional e direitos</p><p>humanos são descritos.</p><p>Ela descreve a forma</p><p>como o tratado</p><p>internacional é criado,</p><p>as etapas que ocorrem</p><p>em nivel internacional.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Os aspectos essenciais</p><p>que identificam o direito</p><p>internacional público a</p><p>partir do direito</p><p>internacional privado</p><p>são resumidos.</p><p>As fontes e os</p><p>princípios do direito</p><p>internacional público</p><p>são conhecidos.</p><p>A forma como um</p><p>tratado internacional é</p><p>criado é conhecida.</p><p>43</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>Objetivo particular</p><p>..</p><p>Resumo 	7.=:; Contribuição</p><p>•</p><p>•</p><p>Descrever a</p><p>Organização das</p><p>Nações Unidas.</p><p>Conhecer a Carta das</p><p>Nações Unidas.</p><p>• São apresentados os</p><p>antecedentes históricos,</p><p>a organização</p><p>administrativa, as</p><p>funções dos órgãos da</p><p>• Conceptualizar a ONU.</p><p>Organização das</p><p>Nações Unidas, sua</p><p>• A criação das Nações</p><p>Unidas, sua história e</p><p>• Descreve os antecedentes históricos</p><p>3 criação, função,</p><p>estrutura,</p><p>funcionamento.</p><p>Diferenciar seus órgãos</p><p>especializados e</p><p>agências regionais. Seu</p><p>Conselho de Segurança</p><p>e seu papel na paz</p><p>internacional.</p><p>•</p><p>sua missão atual são</p><p>explicadas, com ênfase</p><p>nas diferentes etapas</p><p>históricas pelas quais a</p><p>organização passou.</p><p>0 procedimento para a</p><p>resolução pacifica de</p><p>disputas é explicado.</p><p>Sao dados exemplos.</p><p>e da ONU, a forma</p><p>administrativa e as</p><p>funções dos principais órgãos.</p><p>• Conhecer o sistema</p><p>regional de direito</p><p>internacional público</p><p>• Os órgãos</p><p>internacionais</p><p>relacionados aos</p><p>direitos humanos são</p><p>conhecidos.</p><p>relacionado aos direitos</p><p>humanos.</p><p>• As características das</p><p>organizações</p><p>• 0 sistema regional de</p><p>direito internacional</p><p>• Conhecer a estrutura e</p><p>as funções da OEA.</p><p>internacionais e</p><p>regionais são</p><p>público relacionado aos</p><p>direitos humanos é</p><p>4 •</p><p>•</p><p>•</p><p>Conhecer a estrutura e</p><p>as funções da UA e da</p><p>Carta dos Direitos</p><p>Humanos e dos Povos,</p><p>Conhecer o sistema</p><p>asiático de direitos</p><p>humanos.</p><p>Conhecer as gerações</p><p>dos direitos humanos.</p><p>•</p><p>explicadas, com ênfase</p><p>em seus órgãos,</p><p>estrutura e</p><p>características salientes,</p><p>É apresentado o</p><p>sistema de direitos</p><p>humanos e a</p><p>classificação de acordo</p><p>com o desenvolvimento</p><p>das gerações de direitos</p><p>humanos.</p><p>•</p><p>conhecido.</p><p>A estrutura</p><p>organizacional, os</p><p>principais órgãos e</p><p>funções das</p><p>organizações regionais</p><p>são conhecidos.</p><p>0 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS</p><p>) 	 ) 	 )</p><p>I</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSORIA IBEROAMERICANA</p><p>Sistema internacional</p><p>Objetivos</p><p>11, 0 funcionamento do Sistema Internacional e como ele tem evoluído ao longo do tempo com</p><p>base em teorias de relações internacionais.</p><p>PI- Compreender como os estados agem através do Paradigma Realista e como ele defende as</p><p>Guerras Mundiais e seu declínio.</p><p>IN- Identificar a postura idealista como base para a organização do atual sistema internacional e</p><p>a fundação de instituições internacionais.</p><p>1.1. INTRODUÇÃO</p><p>Este capitulo consiste em uma série de dados e fatos que nos permitirão compreender o sistema</p><p>internacional a partir de uma perspectiva histórica e teórica, na qual analisaremos as diferentes</p><p>posições do sistema internacional a fim de compreender os diferentes aspectos que existiram e</p><p>como eles afetaram as relações entre os Estados.</p><p>Historicamente, os principais atores do sistema internacional têm sido centrados nos Estados</p><p>como indivíduos. No entanto, ao longo dos anos, a forma como foi analisado mudou e novos</p><p>atores entraram no complexo universo do sistema internacional, que vieram a modificar todas as</p><p>formas de interação em nível global.</p><p>0 mundo evoluiu tanto nas relações de estado para estado que, para entender as complexidades</p><p>disto, teríamos que fazer um curso de um ano inteiro ou uma especialização sobre o assunto em</p><p>particular. Entretanto, tentaremos abordar os pontos e teorias mais específicos que se tornaram</p><p>conhecidos ao longo dos anos a fim de compreender o vasto universo do sistema internacional e</p><p>suas diferentes perspectivas ao longo dos anos.</p><p>Sistema internacional</p><p>1.2. SISTEMA INTERNACIONAL</p><p>1 .2.1 . DEFINIÇÃO DE SISTEMA INTERNACIONAL</p><p>Dentro deste assunto é importante estabelecer conceitos básicos que são da maior importância</p><p>para poder entender o assunto principal, muitos de nós acreditaríamos que por ser um assunto</p><p>tão geral conhecemos e entendemos os antecedentes do básico, como o significado do Sistema</p><p>Internacional.</p><p>Devemos entender em primeira mão que o Sistema Internacional é um objeto de estudo, não é</p><p>apenas um nome que alguns teóricos estabeleceram para se referir às relações entre estados, é</p><p>um campo de estudo real e formal no qual há atores com identidade própria, com raciocínio que</p><p>agem indiferentemente ao que é estabelecido ou convencional, dado que há atores internos</p><p>dentro de cada estado que agem em relação a um interesse politico estatal ou governamental.</p><p>Portanto, é necessário estabelecer que o Sistema Internacional é um campo da teoria das</p><p>Relações Internacionais, cujo objetivo principal é projetar, designar e compreender as relações</p><p>entre os Estados, as organizações internacionais e como elas afetam as politicas externas uns dos</p><p>outros. Podemos entender pelo exposto acima que tanto os Estados como as organizações</p><p>internacionais são sujeitos do direito internacional, ou seja, o Sistema Internacional forma o</p><p>campo de atuação dos atores, que é constituído pelos próprios atores.</p><p>Em 1962, Raymond Aron definiu o Sistema Internacional como "...um conjunto de unidades</p><p>politicas que têm relações regulares umas com as outras, e que eventualmente podem estar</p><p>envolvidas em uma guerra geral".1 Lembre-se que esta definição do sistema internacional foi</p><p>criada durante uma época de conflito histórico no mundo, e é por isso que ela menciona que eles</p><p>podem estar envolvidos em uma guerra. Podemos entender pela declaração de Aron que os</p><p>estados formaram a base do sistema internacional e que sua principal característica eram as</p><p>relações e a guerra.</p><p>Outros autores se referem ao Sistema Internacional como a Comunidade Internacional, como no</p><p>caso de Rafael Calduch, que definiu a Comunidade Internacional como "... uma sociedade de</p><p>sociedades, ou macro sociedade, dentro da qual os grupos humanos surgem e se desenvolvem,</p><p>desde a familia até as organizações intergovernamentais, incluindo os Estados".2</p><p>A definição de Calduch é muito mais ampla, visto que interrelaciona novos atores dentro do</p><p>sistema internacional, estabelecendo o homem e as sociedades locais de cada nação como parte</p><p>do sistema, aludindo a uma associação de pessoas com interesses comuns focalizada em um</p><p>interesse politico com o mesmo fim em mente, onde as instituições também interagem.</p><p>Para Laila Giselle, o Sistema Internacional "6 constituído por um conjunto de atores, cujas</p><p>relações geram uma configuração de Poder, dentro da qual é produzida uma rede completa de</p><p>1. Raymond Aron, Paix et guerre entre les nations, 1962, capitulo IV.1962, capitulo IV.</p><p>2. Calduch, Rafael. A Sociedade Internacional em Relações Internacionais. (pp. 63-79). 1991. Madri. Ediciones</p><p>Ciencias Sociales.</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>internacionalidades, de acordo com certas regras. (...) A sociedade internacional</p><p>Geral a permitir</p><p>que o Estado que deseja participar assine e ratifique a Carta.</p><p>4. Assinatura e ratificação: 0 Estado independente assina e ratifica a Carta da OEA e está</p><p>vinculado aos compromissos nela contidos.</p><p>Carta ao</p><p>secretário geral</p><p>Recomendação do</p><p>Conselho Permanente</p><p>Assembleia Geral</p><p>Assinatura e Ratificação</p><p>Figura 4.1. Processo de adesão de um Estado ã OEA.</p><p>Um Estado membro da Organização dos Estados Americanos não pode ser retirado da</p><p>Organização uma vez que tenha assinado e ratificado a carta. Entretanto, há a medida de</p><p>suspensão, regulamentada no Artigo 9, que estabelece que "um membro da organização cujo</p><p>governo democraticamente constituído seja derrubado pela força pode ser suspenso do exercício</p><p>do direito de participar das sessões da Assembléia Geral, da Reunião de Consulta, dos Conselhos</p><p>da Organização e das Conferências Especializadas, assim como das comissões, grupos de</p><p>trabalho e outros órgãos que tenham sido criados" 5</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITAF6A IBEROAMERICANA</p><p>A sanção acima deriva e se baseia nos princípios fundamentais da OEA, em garantir a</p><p>manutenção da democracia, mas mantém harmonia com o estabelecido no Capitulo IV, que são</p><p>os direitos e deveres fundamentais dos Estados, que o estudante poderá estudar em</p><p>profundidade nas leituras complementares deste assunto, e neste ponto enfatizaremos o fato de</p><p>que cada Estado tem o dever de respeitar os direitos desfrutados por outros Estados, e entre</p><p>estes está a não intervenção nos assuntos internos. Em outras palavras, esta medida de</p><p>suspensão é uma sanção para aqueles Estados que derrubaram seu governo democrático por</p><p>violar os princípios, mas não a retira da OEA, o que implica que suas obrigações permanecem em</p><p>vigor e que, enquanto a situação retornar a um estado de democracia, esta medida pode ser</p><p>levantada de acordo com os procedimentos estabelecidos na Carta.</p><p>Os artigos 28 a 52 da Carta da OEA estabelecem tudo relacionado à segurança coletiva e ao</p><p>desenvolvimento integral dos Estados membros, que é o principal mecanismo que dá vida e</p><p>fundamento aos organismos especializados e outros órgãos da OEA que lidam com questões</p><p>especificas (direitos humanos, crianças, desnutrição, educação, etc.) com o objetivo de cumprir</p><p>com essas disposições contidas na Carta e que a OEA trabalha sempre de acordo com os</p><p>princípios orientadores.</p><p>Para concluir esta primeira parte da Carta, há a resolução pacifica de disputas. Para este fim, é</p><p>importante mencionar que o Artigo 25 estabelece e reconhece o seguinte como procedimentos</p><p>pacíficos para a resolução de disputas que devem ser observados em todos os momentos durante</p><p>a existência de um conflito:</p><p>Nociagdo direta</p><p>Bons ofícios</p><p>Mediaço</p><p>InVOstiqa0o</p><p>Concipagão</p><p>Pi.ocedir'rento judj901</p><p>Arbitragem</p><p>Figura 4.2. Lista de procedimentos pacíficos para a solução de controvérsias.</p><p>5. Loc.cit. Artigo 9</p><p>Asamblea General</p><p>fitunión de Consuita de Ministros de</p><p>▪ Relacnnes Extedoces</p><p>ORGANIZACIÓN</p><p>DE LA 0EA</p><p>Los Consejos</p><p>Comitê Jurídico Interamericano</p><p>Comisión tfiterameticana de</p><p>tierechos Humanos</p><p>Secretaria General</p><p>Conferencias Especializadas</p><p>Orpnismos especlalizadõs</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>4.2.3. ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS</p><p>AMERICANOS</p><p>0 artigo 53 da Organização dos Estados Americanos regulamenta a existência de 8 órgãos através</p><p>dos quais os objetivos da OEA podem ser realizados.</p><p>1. A Assembléia Geral.</p><p>2. A Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores.</p><p>3. Os Conselhos.</p><p>4. 0 Comitê Jurídico Interamericano.</p><p>5. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos.</p><p>6. A Secretaria Geral.</p><p>7. Conferências Especializadas.</p><p>8. Agências especializadas.</p><p>Figura 4.3. Tabela de Órgãos da OEA.</p><p>Fonte: https://es.slideshare.net/darreguin2/oea-10018774</p><p>4.2.3.1. Assembléia Geral</p><p>É o órgão principal da Organização dos Estados Americanos. É composta pelos 35 Estados</p><p>membros da OEA e suas principais funções, entre outras, são as seguintes:</p><p>• Ela determina a estrutura organizacional, o funcionamento, a ação e as políticas da</p><p>Organização.</p><p>• Coordenar as atividades dos órgãos que compõem a OEA.</p><p>68</p><p>- Bt.v.,•%15 If4.-:ç</p><p>ArnEing</p><p>Grinada v,,,n0zuela tRes4:61</p><p>p.knriarla</p><p>nornir,t11141</p><p>Spni 	NeVit</p><p>Hcola-a5 	I I $an Vicer,p</p><p>Gra;134,5a$</p><p>ri ,13.,44a</p><p>pal Sanr.,Vni,</p><p>TnniOtj y Tohnq Sc'</p><p>Ar.</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>• Tomar providências para promover o desenvolvimento dos campos econômico, social e</p><p>cultural.</p><p>• Aprovar o orçamento da OEA.</p><p>• Estabelecer as bases para a fixação da cota de participação de cada um dos Estados para a</p><p>manutenção econômica da Organização.</p><p>A Assembléia Geral se reúne uma vez por ano no local selecionado para a finalidade (a OEA usa</p><p>um sistema de rotação para a seleção do local). Nesta Assembléia, cada Estado tem direito a um</p><p>voto e a fazer valer sua voz como Estado nas discussões dos assuntos em pauta.</p><p>Como e por quem são decididas as questões a serem discutidas na Assembléia? Existe um Comitê</p><p>Preparatório para a Assembléia Geral, que será composto por um representante de cada um dos</p><p>Estados membros, e eles serão responsáveis pela elaboração do projeto de agenda, examinando</p><p>o projeto de orçamento, o projeto de resolução de cotas e apresentando um relatório com</p><p>recomendações à Assembléia Geral, podendo ser-lhes atribuidas outras funções pela Assembléia</p><p>Geral. Cada um desses projetos pode ser apresentado aos governos dos Estados membros.</p><p>F3-</p><p>o</p><p>Figura 4.4. Bandeiras dos Estados membros da OEA.</p><p>Fonte: https://slideplayer.es/slide/15110942/</p><p>4.2.3.2. Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores</p><p>É o órgão encarregado de realizar uma reunião dos Ministros das Relações Exteriores de todos os</p><p>Estados-Membros, que são membros do mesmo e cuja função principal é ser um órgão consultivo.</p><p>Não tem uma sessão especifica designada, mas qualquer Estado parte pode solicitar que uma</p><p>consulta seja convocada e o Conselho Permanente decidirá, por maioria absoluta (metade dos</p><p>votos mais um), se deve realizar uma consulta.</p><p>69</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>Os Ministros das Relações Exteriores podem nomear um delegado para representá-los em casos</p><p>excepcionais, quando não puderem comparecer pessoalmente à reunião.</p><p>Sua função consultiva é dar um parecer técnico sobre os assuntos que lhe são apresentados. É</p><p>realizada quando existem problemas de natureza urgente e de interesse internacional para os</p><p>Estados americanos.</p><p>4.2.3.3. Conselhos da Organização</p><p>As principais funções dos Conselhos da OEA são tomar conhecimento dos assuntos que a</p><p>Assembléia Geral ordena e realizar as ações que lhe são confiadas. Os Conselhos regulamentados</p><p>pela Carta da OEA são os seguintes:</p><p>• Conselho Permanente da Organização: consiste de um representante de cada Estado Parte</p><p>com status de embaixador. Ela tomará conhecimento dos assuntos que lhe forem</p><p>encaminhados pela Assembléia Geral ou pela Reunião de Consulta dos Ministros das</p><p>Relações Exteriores e assegurará que as relações amistosas entre os Estados sejam</p><p>estabelecidas e mantidas. Atua como um órgão consultivo com respeito â resolução pacifica</p><p>de disputas, sendo o órgão responsável por recomendar aos Estados em disputa o</p><p>mecanismo ou solução, dentro dos limites da Carta da OEA, que recomenda a eles que</p><p>tomem. Este conselho tem o poder (sujeito â autorização da Assembléia Geral) de criar os</p><p>comitês de trabalho necessários para a execução de suas funções. Atualmente há o Comitê</p><p>Geral, o Comitê de Assuntos Administrativos, o Comitê de Gestão de Cúpulas</p><p>Interamericanas, o Comitê de Assuntos Jurídicos e Politicos, o Comitê de Segurança</p><p>Hemisférica, entre outros.</p><p>• Conselho Interamericano de Desenvolvimento Integral: é composto por um titular e um</p><p>representante suplente de cada um dos Estados membros da OEA. Seu principal objetivo é</p><p>promover e assegurar a cooperação</p><p>entre os Estados membros da Organização para o</p><p>desenvolvimento integral da Organização, nas questões que eles consideram importantes</p><p>de acordo com as necessidades de cada Estado. Assim como o Conselho Permanente, ele</p><p>está habilitado a criar, mediante autorização da Assembléia Geral, as comissões de trabalho</p><p>que julgar necessárias para cumprir seus objetivos e os objetivos da OEA.</p><p>4.2.3.4. Comitê Jurídico Interamericano</p><p>Comitê Jurídico Interamericano: o órgão consultivo da OEA para assuntos jurídicos. Seu objetivo é</p><p>promover o desenvolvimento e a codificação do direito internacional. Isto é da maior importância</p><p>para o tema em estudo, pois é o sistema interamericano que estuda os problemas legais reais que</p><p>surgem nas relações internacionais e tenta codificá-los através da unificação da legislação dos</p><p>Estados, na medida do possível e conveniente. É composto por 11 juristas que devem ser</p><p>nacionais dos Estados Partes e são eleitos para um mandato de quatro anos.</p><p>70</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>4.2.3.5. Comissão Interamericana de Direitos Humanos</p><p>Como parte do Sistema lnteramericano de Proteção dos Direitos Humanos, a Comissão foi criada</p><p>para ser um órgão que garante e promove a observância e a defesa dos direitos humanos. Além</p><p>de ser regulado pela Carta da OEA, é especificamente regido pela Convenção Americana de</p><p>Direitos Humanos, comumente conhecida como Pacto de São José. Sua sede é em Washington,</p><p>D.C. e é composta por 7 membros titulares que devem ter reconhecida competência no campo</p><p>dos direitos humanos e são eleitos pela Assembléia Geral da OEA a partir de uma lista proposta</p><p>por cada um dos Estados Membros.</p><p>4.2.3.6. Secretaria Geral</p><p>Este é o órgão permanente da Organização dos Estados Americanos. É o órgão central, uma vez</p><p>que é responsável pelas funções administrativas e executivas da OEA. Ela consiste do</p><p>Secretário-Geral e de outro pessoal de apoio que ele possa necessitar. 0 Secretário Geral da OEA</p><p>é o representante legal da Secretaria Geral e é responsável perante a Assembléia Geral pelo</p><p>desempenho de suas funções, funções e outras atribuições da Assembléia.</p><p>O Secretário-Geral tem o poder de participar de qualquer reunião da Organização com voz, mas</p><p>sem voto, e pode submeter qualquer assunto à consideração da Assembléia Geral ou do Conselho</p><p>Permanente. Suas competências especificas estão definidas nos artigos 112 e 113 da Carta da</p><p>Organização dos Estados Americanos.</p><p>4.2.3.7. Conferências especializadas</p><p>Essas conferências consistem em reuniões realizadas por representantes de diferentes governos</p><p>dos Estados-membros e "tratam de assuntos técnicos especiais ou para desenvolver certos</p><p>aspectos da cooperação interamericana, e são realizadas quando a Assembléia Geral ou a</p><p>Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores, por sua própria iniciativa ou a pedido</p><p>de um dos conselhos ou agências especializadas, assim o decidir" 6</p><p>4.2.3.8. Agências especializadas</p><p>Agências especializadas são aqueles órgãos criados entre governos que fazem parte dos Estados</p><p>membros da OEA para determinadas funções técnicas ou outras de interesse comum entre os</p><p>Estados americanos. Estes devem ser criados por acordos multilaterais. Um exemplo de uma</p><p>agência especializada é o Instituto Interamericano da Criança.</p><p>6. Loc. Cit. Artigo 122.</p><p>71</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>4.3. UNIÃO AFRICANA</p><p>0 sistema africano de proteção dos direitos humanos é o menos desenvolvido e o mais recente de</p><p>todos os sistemas regionais de proteção dos direitos humanos em operação no mundo. Este</p><p>sistema é característico porque é um reflexo das próprias características do continente africano.</p><p>Esta peculiaridade deste sistema se encaixa perfeitamente nos preceitos da universalização dos</p><p>direitos humanos, como assinala Benedek, "6 parte constituinte de um conceito universal de</p><p>direitos humanos" 7</p><p>0 principal instrumento no qual o sistema africano se baseia é a Carta Africana dos Direitos</p><p>Humanos e dos Povos, adotada em 1981 na Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da</p><p>Organização da Unidade Africana. Uma das maiores características desta carta é o</p><p>reconhecimento dos direitos humanos de terceira geração, especialmente o direito dos povos ao</p><p>desenvolvimento. A Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos é o único tratado</p><p>internacional de direitos humanos que reconhece explicitamente os direitos humanos, o que nos</p><p>faz compreender as prioridades dos direitos humanos deste continente. Estes direitos incluem o</p><p>direito à paz, interna e internacionalmente, o direito ao meio ambiente e o direito ao</p><p>desenvolvimento.</p><p>4.3.1. ANTECEDENTES HISTÓRICOS</p><p>Para entender um pouco mais o Sistema Africano, precisamos conhecer o histórico deste sistema</p><p>africano. Ao longo da história do continente africano, ele tem sido caracterizado como um</p><p>continente que sofreu muito devido a várias questões políticas, sociais e culturais. E por isso que,</p><p>ao longo dos anos, houve muitas tentativas de organização no continente com a intenção de</p><p>salvaguardar diferentes questões a nivel regional.</p><p>Para entender a história do Sistema Africano, devemos saber que a primeira tentativa real de</p><p>organização baseada na lei foi feita em 1958 com a assinatura de um acordo entre os estados de</p><p>Gana, Guiné e Mali. Infelizmente foi dissolvido em 1962 para dar lugar ao nascimento de uma</p><p>nova organização, maior e com uma presença regional mais forte.</p><p>Em 163, após a dissolução da União dos Estados Africanos, foi criada a Organização da Unidade</p><p>Africana a nivel regional, cujos objetivos eram promover a unidade e a solidariedade dos Estados</p><p>africanos e servir como uma só voz para o continente. Uma de suas principais funções era pôr fim</p><p>ao colonialismo no continente e promover a cooperação internacional e a ajuda humanitária a</p><p>todos os parses.</p><p>A Organização de Unidade Africana visava criar um equivalente à União Européia, mas composto</p><p>inteiramente de países africanos. Até 2002, esta organização regional tinha 53 estados membros.</p><p>Desde sua fundação até sua desintegração em 2002, a Organização da Unidade Africana teve um</p><p>total de sete secretários-gerais e sua capital sempre esteve baseada em Adis Abeba, Etiópia.</p><p>7. Benedek, W. (1983), "Human Rights in a Multi-Cultural Perspective: the African Charter and the Human Right to</p><p>Development", em Ginther, K. e W. Benedek, New perspectives and conceptions of International Law. Um diálogo</p><p>afro-europeu, Springer-Verlag, Viena.</p><p>72</p><p>a</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERIÇANA</p><p>Devido às constantes tentativas de diferentes lideres africanos de alcançar uma união africana</p><p>em nivel regional, diferentes propostas foram feitas para reformular a Organização de Unidade</p><p>Africana, uma delas durante a Declaração de Sirte, Líbia, onde os diferentes lideres estatais</p><p>brincaram com a ideia de formalizar uma organização baseada e imitando os princípios e</p><p>fundamentos da União Européia.</p><p>4.3.2. UNIA0 AFRICANA</p><p>Esta nova Organização foi criada como uma união politica formada por 55 Estados, com os</p><p>objetivos de promover a unidade e a solidariedade entre os Estados membros, eliminar o que</p><p>restava da era colonial, coordenar a cooperação para o desenvolvimento e salvaguardar a</p><p>soberania dos Estados através da promoção da cooperação internacional lado a lado com as</p><p>Nações Unidas.</p><p>Da mesma forma, durante a Declaração de Sirte, foi aprovado o Ato Constitutivo, uma carta</p><p>normativa, cujo objetivo é estabelecer o funcionamento da organização, estabelecendo os</p><p>princípios e objetivos a serem perseguidos pela organização, assim como sua organização e o</p><p>funcionamento de cada um de seus órgãos</p><p>A União Africana é considerada a mais recente organização de proteção dos direitos humanos</p><p>desde 30 anos após a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, os Estados</p><p>africanos se comprometeram regionalmente a assegurar a implementação dos direitos humanos</p><p>no continente</p><p>adotando a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos. Esta Carta é</p><p>oficialmente o primeiro instrumento internacional africano de direitos humanos, após um longo</p><p>processo de tentativas de integração e proteção ao longo da história.</p><p>4.3.3. ASSEMBLEIA DA UNIÃO AFRICANA</p><p>A Assembléia da União Africana, também conhecida como Assembléia da União Africana de</p><p>Chefes de Estado e de Governo, é o órgão supremo da União Africana, em termos de seu papel e</p><p>funções representativas. É um dos órgãos decisórios que fazem parte da União Africana, criada</p><p>como a União durante a mesma. A Assembléia é composta pelos 54 chefes de estado e de</p><p>governo dos diferentes estados membros e se reúne uma vez por ano durante a Cúpula da União</p><p>Africana para tomar decisões e eleger membros.</p><p>Todas as disposições adotadas pela Assembléia devem ser decisões por consenso e, caso a</p><p>primeira premissa não seja cumprida, deve ser feita por uma maioria de dois terços dos</p><p>Estados-Membros. Para que uma reunião da Assembléia seja válida, dois terços do total de</p><p>membros devem estar presentes para formar um quorum, e a Assembléia pode delegar as</p><p>funções de seus poderes a qualquer outro órgão da União.</p><p>0 artigo 9 da Carta Constitutiva da União Africana estabelece os poderes da Assembléia da</p><p>seguinte forma:</p><p>As funções da Assembléia não devem ser mais do que:</p><p>a) determinar as políticas comuns da União;</p><p>73</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>b) receber, considerar e tomar decisões sobre relatórios, considerações e recomendações</p><p>dos outros órgãos da União;</p><p>c) considerar as propostas dos Membros da União;</p><p>d) fundar e estabelecer qualquer órgão da União;</p><p>e) supervisão da implementação das políticas e decisões da União, assim como a garantia de</p><p>acomodação e acordo entre os Estados-Membros;</p><p>f) adotar o orçamento da União;</p><p>g) Dar orientações ao Conselho Executivo sobre a gestão de conflitos, guerras e outras</p><p>situações de emergência e sobre a restauração da paz;</p><p>h) identificar e determinar casos para julgamento pelo Tribunal de Justiça;</p><p>i) eleger o presidente da Comissão, o delegado e os delegados, e os comissários e</p><p>determinar suas funções e termos de mandato.</p><p>A Assembléia pode delegar suas funções, a seu critério, a outro órgão da União.8</p><p>4.3.4. Comirt EXECUTIVO</p><p>0 Conselho Executivo é a reunião dos Ministros das Relações Exteriores que, segundo a Carta</p><p>Constitutiva da União Africana, são responsáveis por representar o debate sobre questões de</p><p>interesse para as nações membros da União Africana. Os assuntos que são submetidos</p><p>discussão devem ter sempre a aprovação da Assembléia para serem apresentados à discussão.</p><p>0 artigo 10 da Carta Constitutiva da União Africana estabelece as qualificações para ser membro</p><p>do Conselho Executivo:</p><p>"0 Conselho Executivo será composto por Ministros das Relações Exteriores ou outros</p><p>Ministros designados como Ministros ou Autoridades competentes para esse fim,</p><p>previamente nomeados pelo Governo apropriado do pars membro.</p><p>0 Conselho Executivo se reunirá pelo menos duas vezes por ano em sessões ordinárias.</p><p>As reuniões do Conselho também podem ser convocadas e realizadas em sessão</p><p>especial a pedido de qualquer Estado Membro, sujeito, é claro, à aprovação de dois</p><p>terços de todos os Estados Membros"9.</p><p>Os membros do Conselho Executivo têm funções especificas que são descritas no artigo 13 do Ato</p><p>Constitutivo:</p><p>"1. 0 Conselho Executivo coordenará e tomará decisões políticas em áreas de grande</p><p>interesse comum para os Estados-membros, entre aquelas identificadas como sendo de</p><p>importância primordial:</p><p>a) Comércio Exterior;</p><p>8. Chefes de Estado e de Governo da Organização da Unidade Africana. 36a Conferência. Togo. 2000.</p><p>9. Ibid. Pag.10</p><p>74</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>b) Energia, indústria e reservas minerais;</p><p>C) Alimentos, reservas animais e agrícolas, produção pecuária e florestal;</p><p>d) Reservas de água e irrigação;</p><p>e) Proteção ambiental, ação humanitária e alivio e resposta a desastres;</p><p>f) Transporte e comunicações;</p><p>g) Seguros;</p><p>h) indices de educação, cultura, saúde e desenvolvimento humano;</p><p>i) Ciência e tecnologia;</p><p>j) Nacionalidade, residência e assuntos de imigração;</p><p>k) Previdência social, incluindo a formulação de políticas para o cuidado de mães e</p><p>crianças, assim como políticas relacionadas a deficientes e deficientes;</p><p>I) Estabelecimento de um sistema de prêmios, medalhas e reconhecimentos africanos.</p><p>2. 0 Comitê Executivo é responsável perante a Assembléia. Deve considerar os itens referidos</p><p>a esse propósito e monitorar a implementação das políticas formuladas pela Assembléia.</p><p>3. 0 Conselho Executivo pode delegar muitos de seus poderes e responsabilidades acima</p><p>mencionados aos Comitês Técnicos Especializados estabelecidos nos artigos</p><p>subsequentes"10 .</p><p>4.3.5. CARTA AFRICANA DE DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS</p><p>Na Carta, os Estados membros reconhecem a universalidade dos direitos humanos e, ao mesmo</p><p>tempo, reafirmam os temas culturais africanos que eles acreditam estar em perigo de serem</p><p>perdidos devido ao conceito de ocidentalização da sociedade. Essas características precisas são o</p><p>que torna a Carta muito especifica e diferente de todos os outros tratados de proteção dos direitos</p><p>humanos, pois essas peculiaridades lhe conferem a regionalização da universalidade dos direitos</p><p>humanos, tornando-a mais especifica aos povos africanos.</p><p>0 tema da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos é um assunto complexo e abrangente</p><p>que poderia ser tratado em todo um tema, e é por isso que, para os propósitos específicos deste</p><p>curso, vamos nos concentrar em aspectos gerais e específicos da proteção dos direitos humanos.</p><p>Este instrumento é muito semelhante a outros tratados regionais de direitos humanos, porém tem</p><p>características especiais que o tornam único devido ao momento histórico em que foi assinado,</p><p>bem como às condições históricas que o continente experimentou ao longo dos anos; na Carta</p><p>podemos notar a necessidade de destacar os tipos de direitos a serem garantidos e os</p><p>mecanismos de proteção previstos para eles, necessidades que são o resultado da situação</p><p>econômica e politica e dos problemas de subdesenvolvimento experimentados no continente.</p><p>10. Ibid. Pág. 11.</p><p>75</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>A carta contém muitos valores culturais africanos e os mistura com padrões universais de direitos</p><p>humanos para destacar os valores e necessidades básicas do continente. Sua principal</p><p>característica é que, ao contrário de outros instrumentos de proteção, ele se baseia</p><p>principalmente nos direitos de terceira geração e dá primazia aos direitos de terceira geração; é o</p><p>primeiro instrumento que coloca os direitos de primeira e segunda geração no mesmo ravel que os</p><p>dos povos.</p><p>Embora a Carta seja influenciada pelas Convenções Européias e pela Convenção Americana, ela</p><p>contém os direitos civis, politicos, econômicos, sociais, culturais e dos povos em um Calico</p><p>instrumento. A Carta também estabelece mecanismos de monitoramento de direitos e dá vida a</p><p>outros organismos internacionais como a Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos,</p><p>um órgão criado para regular as relações entre os Estados africanos no campo dos direitos</p><p>humanos, bem como para fazer recomendações e assegurar a provisão de reparações dignas</p><p>para remediar as violações dos direitos humanos. E importante ressaltar que a Carta não só</p><p>reconhece direitos, mas também estabelece uma série de obrigações, reafirmando a premissa de</p><p>que direitos e obrigações andam de mãos dadas dentro de uma estrutura de respeito e</p><p>cooperação. Essas obrigações incluem a familia, a sociedade, o Estado, a comunidade</p><p>internacional e as comunidades legalmente reconhecidas.</p><p>E por esta razão que a assinatura desta Carta reconhecendo os direitos humanos na região</p><p>africana abre o caminho para a criação da União Africana, uma organização criada segundo o</p><p>modelo</p><p>da Organização das Nações Unidas, com o único objetivo de assegurar a cooperação</p><p>entre os Estados, promover a unidade e a solidariedade e promover a proteção dos direitos</p><p>humanos em nivel regional.</p><p>4.3.6. COMISSÃO AFRICANA DE DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS</p><p>4.3.6.1. Mandato</p><p>Dentro da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, a Comissão Africana dos Direitos</p><p>Humanos e dos Povos é estabelecida como o órgão encarregado de promover a proteção dos</p><p>direitos humanos e dos povos e de assegurar a proteção dos direitos humanos e dos povos dentro</p><p>da região africana. A mesma carta estabelece a organização, o mandato e os procedimentos da</p><p>Comissão.</p><p>0 artigo 45 da Carta estabelece as funções da Comissão Africana de Direitos Humanos e dos</p><p>Povos, que são as seguintes:</p><p>"1. promover os direitos humanos e, em particular: a) compilar documentos, realizar estudos e</p><p>pesquisas sobre os problemas humanos e os direitos dos povos africanos, organizar</p><p>seminários, simpósios e conferências, divulgar informações, incentivar as instituições</p><p>nacionais e locais preocupadas com os direitos humanos e os direitos dos povos e, quando</p><p>apropriado, dar suas opiniões ou fazer recomendações aos governos e b) formular e</p><p>estabelecer princípios e normas destinadas a resolver problemas legais relacionados aos</p><p>76</p><p>FUNIBER 7:0 •</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>direitos humanos e dos povos e às liberdades fundamentais nos quais os governos</p><p>africanos possam basear sua legislação.</p><p>2. assegurar a proteção dos direitos humanos dos povos nas condições estabelecidas pela</p><p>Carta.</p><p>3. interpretar todas as disposições da Carta Africana a pedido de um Estado signatário, de</p><p>uma instituição da UA ou de uma organização africana reconhecida pela UA.</p><p>4. Para realizar qualquer outra tarefa que lhe seja confiada pela Assembléia de Chefes de</p><p>Estado e de Governo" 11 .</p><p>E por isso que, com base no artigo 45 da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos,</p><p>podemos definir as três principais funções ou deveres básicos: promoção, garantia e</p><p>interpretação. A primeira envolve a divulgação dos direitos humanos em todo o continente; a</p><p>segunda envolve garantir a implementação de mecanismos para verificar a situação dos direitos</p><p>humanos em cada Estado e implementar sistemas de acesso às reclamações; finalmente, a</p><p>terceira tem o dever de interpretar a análise a ser feita sobre a Carta Africana, quando um Estado</p><p>o exigir.</p><p>4.3.6.2. Estrutura</p><p>O Capitulo I da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos enfoca os detalhes da</p><p>composição da organização interna da Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos. De</p><p>acordo com a Carta, a Comissão é composta por onze membros escolhidos pela Assembleia de</p><p>Chefes de Estado e de Governo da Organização da União Africana12. Os Estados são convidados a</p><p>propor candidatos que atuem em sua capacidade pessoal e não na qualidade de Estado, com o</p><p>objetivo de criar independência entre os membros da Comissão e seus parses de origem. Estes</p><p>membros gozam dos mesmos privilégios diplomáticos e imunidades e são nomeados para um</p><p>mandato de seis anos com a opção de reeleição.</p><p>4.4. SISTEMA ASIÁTICO DE DIREITOS HUMANOS</p><p>Antes de ir um pouco mais fundo no sistema asiático, devemos começar declarando que ainda</p><p>não existe um sistema abrangente e regional no continente asiático, tal como na Europa, América</p><p>e Africa. A região asiática carece de convenções regionais especificas de direitos humanos entre</p><p>Estados. Esta parte do curso se concentrará nos esforços que alguns dos países têm feito através</p><p>de instrumentos internacionais parciais, que podem ser vistos como precedentes para o futuro</p><p>dos estados asiáticos de ter um sistema regional para a proteção dos direitos humanos.</p><p>11. Governo das Organizações de Unidade Africana. Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos. Resolução 115,</p><p>XVI datada de 27 de julho de 1981.</p><p>12. Ibid. Pág. 309.</p><p>ill</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>Precisamos entender que a falta de progresso em matéria de direitos humanos na região asiática</p><p>se deve principalmente, de acordo com Máximo Carvajal, a:</p><p>"a) Falta de vontade politica por parte dos governos que compõem os 'Daises deste continente.</p><p>b) A vastidão dos territórios e sua forma heterogênea torna a formulação de uma única</p><p>convenção que atinge o objetivo do Sistema Asiático extremamente complicada.</p><p>c) A ideia de soberania nacional do século XIX dificulta a elaboração da convenção regional,</p><p>pois é vista como interferência em seus assuntos internos, o que infringe sua soberania.</p><p>d) Há uma preeminência do desenvolvimento dos aspectos econômicos e sociais sobre os</p><p>aspectos civis e politicos. e) Pensa-se que a proteção dos direitos humanos é uma</p><p>invenção dos povos ocidentais e que para eles, os asiáticos, existem valores semelhantes</p><p>ou superiores aos padrões ocidentais.</p><p>f) 	0 direito ao desenvolvimento tem precedência sobre os direitos humanos ocidentalizados,</p><p>o que impede a possibilidade de crescimento" 13 .</p><p>Sabendo o que Carvajal disse, podemos basicamente entender porque não existe um tratado</p><p>regional voltado para a promoção e proteção dos direitos humanos na região da Asia-Pacifico. No</p><p>entanto, isto não quer dizer que não haja progresso em direção a este objetivo; embora não exista</p><p>um sistema como tal, neste capitulo abordaremos os tratados e convenções existentes que</p><p>servirão de base para uma organização regional no futuro. V.1</p><p>o</p><p>Dentro da região, muitos seminários e fóruns foram realizados pelo Alto Comissariado da</p><p>Organização dos Direitos Humanos, relacionados aos Direitos Humanos, onde tentaram</p><p>sensibilizar e conscientizar os Estados sobre a universalização dos Direitos Humanos e como eles</p><p>beneficiam o desenvolvimento dos Estados e a proteção da integridade física e da vida dos seres</p><p>humanos. Isto deu origem à necessidade de criar instrumentos internacionais parciais na região</p><p>para garantir o cumprimento dos direitos humanos.</p><p>4.4.1. INSTRUMENTOS PARCIAIS</p><p>4.4.1.1. Declaração de Banguecoque 1993</p><p>Nesta Declaração, 110 organizações da sociedade civil se reuniram com o objetivo de aumentar a</p><p>consciência da importância da promoção e do reconhecimento dos direitos humanos na região</p><p>asiática. Essas organizações também promoveram a universalização dos direitos humanos</p><p>reconhecidos e buscaram a suspensão das práticas culturais que não permitem o</p><p>reconhecimento desses direitos dentro dos Estados.</p><p>13. Carvajal Contreras, Máximo. Sistemas Internacionais de Proteção dos Direitos Humanos. Revista de Derechos de</p><p>México Volume D(VI, número 265. 2016.</p><p>78</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>4.4.1.2. Seminário de Teerã</p><p>O Seminário de Teerã foi realizado sob os auspícios do Escritório do Alto Comissariado das Nações</p><p>Unidas para os Direitos Humanos em 1998. Durante este seminário, foi acordado e aprovado um</p><p>quadro geral e um programa de ação para a região asiática, identificando 4 áreas especificas</p><p>onde os [Daises devem concentrar suas prioridades para alcançar progressos em relação aos</p><p>direitos humanos:</p><p>"a) Para realizar planos de ação nacionais de direitos humanos.</p><p>b) Promover os currículos de direitos humanos em nivel nacional.</p><p>c) Estabelecimento, em nivel nacional, de instituições para a proteção dos direitos humanos.</p><p>d) Realização dos direitos humanos civis, politicos, econômicos, sociais e culturais e do</p><p>direito ao desenvolvimento". 14</p><p>• Implementar planos de ação nacionais de direitos humanos.</p><p>• Implementar pianos sobre educação em direitos humanos.</p><p>• Estabelecer instituições nacionais de direitos humanos.</p><p>• Reconhecimento dos direitos econômicos, sociais e culturais, tais como o direito ao</p><p>desenvolvimento.</p><p>4.4.1.3. Carta Asiática dos Direitos Humanos 1998</p><p>Esta foi criada em 1998 na Coréia do Sul, assinada por mais de 200 organizações não</p><p>governamentais que desenvolveram a iniciativa de direitos humanos em nivel da sociedade civil.</p><p>Este impulso</p><p>resultou na Carta dos Direitos Humanos da Asia não governamental. Esta Carta</p><p>reforça as garantias de direitos humanos nas constituições nacionais, a ratificação dos primeiros</p><p>tratados internacionais de direitos humanos, o estabelecimento de comissões nacionais de</p><p>direitos humanos e a possibilidade de organizações não governamentais participarem de ações</p><p>em nome das vitimas de violações de direitos humanos.</p><p>"...o fortalecimento das garantias dos direitos humanos nas constituições nacionais, b) a</p><p>ratificação dos principais tratados internacionais de direitos humanos, c) a criação de</p><p>órgãos nacionais de proteção dos direitos humanos, e d) a possibilidade de organizações</p><p>não governamentais representarem as vitimas na defesa e proteção de seus direitos</p><p>humanos"15 A Carta reflete a determinação do movimento de direitos humanos na região</p><p>e a contribuição para o debate internacional sobre o assunto.</p><p>14. Ibid. Página 407.</p><p>15. Ibid. Página408.</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>4.4.1.4. Seminário Islambad</p><p>Este Seminário estabeleceu uma abordagem regional comum para a promoção e proteção dos</p><p>direitos humanos dentro do continente asiático. Este Seminário levou a um aumento nos !Daises</p><p>da região que ratificaram tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção sobre</p><p>os Direitos da Criança e um aumento nos Estados asiáticos que assinaram o Estatuto de Roma do</p><p>Tribunal Penal Internacional.</p><p>4.4.2. ASSOCIAÇÃO DAS NAÇÕES DO SUDESTE ASIÁTICO (ASEAN)</p><p>Uma das principais realizações no avanço do reconhecimento, implementação e proteção dos</p><p>direitos humanos na região asiática foi a criação da Organização das Nações do Sudeste Asiático,</p><p>embora seja verdade que o objetivo principal desta organização e seu nascimento não estejam</p><p>relacionados ao assunto, ela chegou a fazer importantes mudanças dentro do sistema asiático</p><p>permitindo alcançar o ponto atual onde os direitos humanos estão começando a ser reconhecidos</p><p>e promovidos em todo o continente asiático com a intenção de culminar em um instrumento</p><p>regional de proteção que dê vida a uma organização especifica que cuida dos direitos humanos</p><p>dentro da região.</p><p>A organização nasceu em 1987 com a assinatura da Declaração de Bancoc por apenas 5</p><p>membros:</p><p>1. Indonésia.</p><p>2. Malásia.</p><p>3. Filipinas.</p><p>4. Singapura.</p><p>5. Tailândia.</p><p>0 nascimento desta Organização ocorreu no contexto da Guerra Fria, com o objetivo principal de</p><p>impedir a propagação do comunismo para os [Daises vizinhos a partir do Vietnã. Também foi</p><p>estabelecido como objetivo garantir o uso de métodos pacíficos para a resolução de conflitos</p><p>territoriais que ainda existem hoje.</p><p>Em 1992, os Chefes de Estado da ASEAN decidiram dar uma nova direção à organização,</p><p>incluindo questões de segurança coletiva e cooperação regional na estrutura de visão regional da</p><p>organização, o que levou â criação do Fórum Regional da ASEAN, que reúne um total de 23</p><p>Estados e tem como objetivo mover o diálogo regional para uma estrutura regional. Esta</p><p>Organização tem servido como base para questões de segurança no continente, bem como com o</p><p>Tratado de Zona Livre de Armas Nucleares do Sul da Asia.</p><p>A ASEAN tenta simular os modelos de integração da União Européia e se concentra, como</p><p>mencionado acima, mais em questões econômicas, culturais e de segurança, razão pela qual a</p><p>questão dos direitos humanos e das liberdades políticas tem sido muito tênue dentro da</p><p>organização.</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>4.4.2.1. Estrutura Organizacional da ASEAN</p><p>O órgão supremo da ASEAn é a cúpula de Chefes de Estado e de Governo dos parses membros,</p><p>que é realizada duas vezes por ano. 0 Conselho Coordenador, que é composto pelos Ministros das</p><p>Relações Exteriores de cada um dos Estados Membros, convoca reuniões regulares e</p><p>extraordinárias juntamente com diferentes Ministros de cada Estado, dependendo do assunto a</p><p>ser discutido na reunião.</p><p>A Secretaria está sediada em Jacarta e tem um Secretário-Geral que é responsável pelos assuntos</p><p>administrativos e da sede da ASEAN, tem um mandato de 5 anos e também é responsável por</p><p>iniciar, coordenar e implementar as atividades da organização. Sua hierarquia não tem o mesmo</p><p>nivel de representação e tomada de decisões que em outras organizações internacionais, uma vez</p><p>que se reporta aos Chefes de Governo. A presidência da presidência rotativa é entregue</p><p>anualmente em ordem alfabética de pars para pars de acordo com seus nomes no idioma inglês.</p><p>"Existem 29 comitês de altos funcionários e 122 grupos de trabalho técnicos que auxiliam esses</p><p>órgãos ministeriais".16</p><p>4.4.3. DECLARAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DA ASSOCIAÇÃO DAS NAÇÕES DO</p><p>SUDESTE ASIÁTICO</p><p>4.4.3.1. Antecedentes</p><p>Em 2009, com o progresso da ASEAN em questões de integração regional, tanto econômica,</p><p>social e politicamente, e a pressão da sociedade civil através da Carta Asiática dos Direitos</p><p>Humanos na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo, foi criado o primeiro órgão consultivo da</p><p>Associação das Nações do Sudeste Asiático sobre Direitos Humanos.</p><p>Esta organização intergovernamental tem a função de promover e proteger os direitos humanos e</p><p>gerenciar a cooperação na região no campo dos direitos humanos dentro dos Estados membros. A</p><p>Comissão é presidida por um representante de cada um dos Estados, que é nomeado pelos</p><p>Estados para um mandato de 3 anos, renovável uma vez.</p><p>4.4.3.2. Declaração de Direitos Humanos da ASEAN</p><p>Em novembro de 2012, os Chefes de Estado dos parses membros da ASEAN assinaram a</p><p>Declaração sobre Direitos Humanos. Esta Carta é um documento de 40 artigos que reconhece</p><p>"...seis seções sobre princípios gerais, direitos civis e politicos, direitos econômicos, sociais e</p><p>culturais, desenvolvimento, paz e cooperação internacional para a promoção e proteção dos</p><p>direitos humanos" 17. Vale notar que este é o primeiro documento intergovernamental na região a</p><p>ter personalidade jurídica em relação aos direitos humanos.</p><p>16. A Secretaria da ASEAN. Associação das Nações do Sudoeste de Jacarta.</p><p>17. Villa Nueva Kevin. A Carta Magna da ASEAN universaliza os direitos humanos. El Pais. 2013. Veja em:</p><p>httos://eloais.com/elpais/2013/01/09/oDinion/1357735296 602028. html</p><p>81</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>Isto marca o fim do conflito entre os valores culturais asiáticos e a universalização dos direitos</p><p>humanos. Entretanto, a Declaração mantém os valores da tradição asiática sob a premissa de</p><p>igualdade de condições na politica internacional.</p><p>Esta Declaração foi o resultado de mais de 10 reuniões durante 2012 entre os membros da</p><p>Comissão de Direitos Humanos da ASEAN. Uma das principals características desta Declaração</p><p>são as ideias do direito à paz e ao desenvolvimento, assim como o apelo à proteção e ao respeito</p><p>soberania e à cooperação internacional.</p><p>A Declaração tem sido alvo de muitas criticas por parte de organizações não governamentais por</p><p>não estar em conformidade com as normas internacionais de direitos humanos existentes.</p><p>Algumas organizações até mesmo pediram à ASEAN que adiasse a assinatura da carta até que</p><p>pudessem fazer alterações e verificar se ela atende aos padrões internacionais para o</p><p>cumprimento dos direitos humanos universais. Dentro da declaração é aceito que os princípios</p><p>dos direitos humanos universalizados são distorcidos e nacionalizados e regionalizados de acordo</p><p>com as origens culturais, religiosas e históricas da região.</p><p>Apesar das posições da sociedade civil e dos pedidos de adiamento, a Carta entrou em vigor em</p><p>novembro de 2012, tornando-se o primeiro instrumento intergovernamental vinculante de direitos</p><p>humanos em nivel regional que inicia a etapa de abertura do continente à promulgação e proteção</p><p>dos direitos humanos.</p><p>4.5. DIREITOS HUMANOS NO DIREITO INTERNACIONAL</p><p>PUBLICO</p><p>Resolução 2017 A (Ill), de 10 de dezembro de 1948, proclamada em Paris, Franga, pela</p><p>Assembléia</p><p>Geral da ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, no primeiro parágrafo</p><p>preambular, "Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente e dos direitos iguais e</p><p>inalienáveis de todos os membros da familia humana 6 o fundamento da liberdade, da justiça e da</p><p>paz no mundo"; o recital em questão é influenciado, naquele momento recente, pelo fim da</p><p>Segunda Guerra Mundial, no quinto recital da Declaração é declarado: "Considerando que os</p><p>povos das Nações Unidas reafirmaram na Carta sua fé nos direitos humanos fundamentais, na</p><p>dignidade e valor da pessoa humana e na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e</p><p>declararam sua determinação em promover o progresso social e melhores padrões de vida em</p><p>maior liberdade;" como resultado da consideração dos direitos fundamentais inerentes ao ser</p><p>humano, a Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece os direitos humanos universais</p><p>em trinta artigos.</p><p>Na proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembléia Geral da ONU,</p><p>ela menciona como ideal a promoção, o ensino e o reconhecimento progressivo dos direitos</p><p>humanos pelos povos nos territórios de cada Estado. Outros tratados relacionados aos direitos</p><p>humanos incluem a Convenção Européia de Direitos Humanos e a Convenção lnteramericana de</p><p>Direitos Humanos.</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA ISEROAMERICANA</p><p>4.5.1. OS DIREITOS HUMANOS</p><p>A Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama os direitos do homem, os direitos</p><p>humanos para Otero Para, Milagros e Puy Mufioz, Francisco. (2016), são poderes "que</p><p>acompanham todo ser humano porque pertencem à sua própria natureza, e que devem ser</p><p>respeitados por outros e protegidos pelo Estado para que seu gozo seja normalmente garantido",</p><p>outros nomes pelos quais os direitos humanos são conhecidos, segundo os autores mencionados,</p><p>são: direitos naturais, direitos fundamentais ou liberdades públicas.</p><p>Para Rojas Amandi, Victor Manuel (2010, p. 128) "o direito à vida e à integridade física, a</p><p>proibição da tortura, a proibição da escravidão e a proibição de ataques contra os direitos</p><p>humanos" são direitos humanos considerados "dentro do padrão humanitário mínimo...", a</p><p>violação destes direitos pode causar represálias contra o Estado responsável.</p><p>De acordo com Rojas Amandi, Victor Manuel (2010, pp 129-130) no direito internacional público,</p><p>eles são considerados em relação ao indivíduo: "direitos humanos, os direitos dos estrangeiros, a</p><p>proteção diplomática e o direito humanitário de guerra".</p><p>4.5.2. AS GERAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS</p><p>Para Rojas Amandi, Victor Manuel (2010, p.127) os direitos humanos são "Os direitos humanos</p><p>são os direitos a que toda pessoa natural tem direito pelo simples fato de sua essência humana"</p><p>Os direitos humanos são classificados em gerações.</p><p>Segundo Rojas Amandi, Victor Manuel (2010, pp. 127-128) a primeira geração refere-se</p><p>liberdade individual, direitos que o Estado deve respeitar; os direitos da segunda geração são de</p><p>natureza coletiva na sociedade, que são considerados uma obrigação do Estado, como o direito</p><p>saúde e o direito à cultura; os direitos da terceira geração referem-se àqueles que são</p><p>considerados como objetivos da sociedade internacional, como direitos fundamentais na</p><p>comunidade internacional, entre os quais se menciona o direito a um ambiente saudável.</p><p>A quarta geração de direitos humanos diz respeito aos seguintes direitos: ao "desenvolvimento, ao</p><p>progresso, à autodeterminação, à paz, a um ambiente saudável, à liberdade de informação, à</p><p>identidade, alguns autores os chamam de direitos solidários.</p><p>Os direitos de quarta geração incluem: 1) aqueles relacionados ao meio ambiente, cultura e</p><p>autonomia dos povos, 2) aqueles resultantes dos avanços da bioética, relacionados às normas</p><p>relativas à vida, e 3) os direitos decorrentes das tecnologias de comunicação e informação.</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>Ef</p><p>FUNIBER</p><p>Fungiko UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>Resumo</p><p>o</p><p>85</p><p>Sistema regional de direito internacional público</p><p>86</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÃRIA IBEROAMERICANA</p><p>Bibliografia</p><p>ARELLANO GARCIA, CARLOS. Derecho Internacional Privado. Editorial Porrúa. México,</p><p>1980.</p><p>BARBERIS, JULIO A. El concepto de Tratado Internacional. Corte lnteramericana de</p><p>Derechos Humanos. Costa Rica, 2014.</p><p>BECERRA RAMIREZ, MANUEL. Derecho Internacional Ktli co. Universidad Nacional</p><p>Autónoma de México. Ciudad de México, 1991.</p><p>CATTAFI, CARMELO (2013). Derecho Internacional Público. Volumen 1. Editorial Digital,</p><p>Tecnológico de Monterrey. México, 2013.</p><p>GENY, FRANCISCO, Método de Interpretación y Fuentes del Derecho Privado Positivo.</p><p>Madrid, 1902.</p><p>GONZALES CAMPOS, JULIO. Curso de Derecho Internacional Público. Madrid: 1998.</p><p>Editorial civitas.</p><p>GUTIERREZ POSE, HORTENCIA, Los procesos de creación del derecho internacional y los</p><p>actos unilaterales de los Estados". Consejo Argentino para las Relaciones</p><p>Internacionales. Buenos Aires, 2015.</p><p>KILIAN, KEVIN. La costumbre en el derecho internacional. Lecciones y Ensayos,</p><p>No.93-2014. Argentina, 2014.</p><p>PANIAGUA REDONDO, RAMÓN. (2005). Aroximación ceonceptual al derecho</p><p>internacional público. Anuario Espahol de Derecho Internacional.</p><p>ROJAS AMANDI, VICTOR MANUEL (2010). Derecho internacional Público. UNAM. México.</p><p>SEPULVEDA, CESAR (2000). Las fuentes del derecho internacional americano. Editorial</p><p>Porrúa, S.A., México, 2000.</p><p>TRUYOL Y SERRA, ANTONIO. Fundamentos de derecho internacional público. Madrid,</p><p>Tecnos, 1970.</p><p>ZELADA, CARLOS. lus Cogens y Derechos Humanos. Agenda Internacional, Mio VIII,</p><p>No17, 	2002. 	Pp 	129.156. 	Consultado 	en</p><p>file:///DialnetlusCogensYDerechosHumanos-6302527.pdf</p><p>Eml</p><p>0 TODOS OS DIFSTOS RESERVADOS</p><p>Impreso en Espaha</p><p>« No está permitida la reproducción total o parcial de este libro, ni su tratamiento</p><p>informático, ni la transmisión de ninguna forma o por cualquier medio, ya sea</p><p>electrónico, mecánico, por registro u otros métodos, sin permiso previo y por</p><p>escrito de los titulares».</p><p>Impresso em Espanha</p><p>« Não está permitida a reprodução total ou parcial deste livro, nem seu tratamento</p><p>informático, nem a transmissão de nenhuma forma ou por qualquer meio, seja</p><p>eletrônico, mecânico, por registro ou outros métodos, sem permissão prévia e por</p><p>escrito dos titulares ».</p><p>Printed in Spain</p><p>« It is forbidden the total or partial reproduction of this book, including computer</p><p>processing and reproduction in any form or by any means, electronic, mechanical,</p><p>recording, or otherwise, without the prior and written consent of its holders ».</p><p>Imprimé en Espagne</p><p>« La reproduction totale ou partielle de ce manuel, son traitement informatique, sa</p><p>transmission sous n'importe quelle forme ou moyen de communication que ce</p><p>soit - électronique, rinécanique, par enregistrement ou autres méthodes-, sont</p><p>interdits sauf autorisation préalable et écrite de ses titulaires ».</p><p>ISBN: 978-84-9079-854-6</p><p>Page 1</p><p>Page 2</p><p>Page 3</p><p>Page 4</p><p>Page 5</p><p>Page 6</p><p>Page 7</p><p>Page 8</p><p>Page 9</p><p>Page 10</p><p>Page 11</p><p>Page 12</p><p>Page 13</p><p>Page 14</p><p>Page 15</p><p>Page 16</p><p>Page 17</p><p>Page 18</p><p>Page 19</p><p>Page 20</p><p>Page 21</p><p>Page 22</p><p>Page 23</p><p>Page 24</p><p>Page 25</p><p>Page 26</p><p>Page 27</p><p>Page 28</p><p>Page 29</p><p>Page 30</p><p>Page 31</p><p>Page 32</p><p>Page 33</p><p>Page 34</p><p>Page 35</p><p>Page 36</p><p>Page 37</p><p>Page 38</p><p>Page 39</p><p>Page 40</p><p>Page 41</p><p>Page 42</p><p>Page 43</p><p>Page 44</p><p>Page 45</p><p>Page 46</p><p>Page 47</p><p>Page 48</p><p>Page 49</p><p>Page 50</p><p>Page 51</p><p>Page 52</p><p>Page 53</p><p>Page 54</p><p>Page 55</p><p>Page 56</p><p>Page 57</p><p>Page 58</p><p>Page 59</p><p>Page 60</p><p>Page 61</p><p>Page 62</p><p>Page 63</p><p>Page 64</p><p>Page 65</p><p>Page 66</p><p>Page 67</p><p>Page 68</p><p>Page 69</p><p>Page 70</p><p>Page 71</p><p>Page 72</p><p>Page 73</p><p>Page 74</p><p>Page 75</p><p>Page 76</p><p>Page 77</p><p>Page 78</p><p>Page 79</p><p>Page 80</p><p>Page 81</p><p>Page 82</p><p>Page 83</p><p>Page 84</p><p>Page 85</p><p>Page 86</p><p>Page 87</p><p>Page 88</p><p>Page 89</p><p>Page 90</p><p>Page 91</p><p>Page 92</p><p>Page 93</p><p>Page 94</p><p>Page 95</p><p>Page 96</p><p>é formada por</p><p>atores politicamente autônomos, mas necessariamente e cada vez mais interdependentes...</p><p>esses atores têm múltiplas relações de caráter estável, que podem ser cooperativas ou opostas".3</p><p>Do exposto acima podemos entender que o Sistema Internacional é um conjunto de atores</p><p>internacionais, unidos por interesses semelhantes, que governam e aceitam mutuamente um</p><p>conjunto de regras e instituições para a organização e controle das mesmas relações. É por isso</p><p>que as Relações Internacionais, como campo de estudo, dependem do Direito Internacional</p><p>Público para estudá-lo, visto que este ramo do direito os considera como sujeitos de direito</p><p>internacional que é regulado por normas e tratados internacionais.</p><p>Após entender o conceito básico do sistema internacional, é importante entender os antecedentes</p><p>do sistema internacional e como ele evoluiu ao longo da história e como a forma como foi</p><p>estudado e compreendido mudou para entender as situações históricas e, ao mesmo tempo,</p><p>analisar a posição dos estados em cada um deles.</p><p>Também entenderemos a evolução da forma como o Sistema Internacional é analisado e como</p><p>isto levou os Estados a fazer mudanças em suas políticas internacionais e como o jogo de poder é</p><p>estruturado em ravel internacional entre cada um dos Estados dentro do Sistema Internacional.</p><p>1.2.2. DEFINIÇÃO DE PARADIGMA</p><p>Para entender a evolução do sistema internacional ao longo da história, é necessário definir</p><p>previamente o que é um paradigma, já que se trata de uma palavra muito ampla que se aplica em</p><p>diferentes ramos científicos. Entretanto, para a compreensão deste assunto é necessário</p><p>concentrar-se na definição das ciências sociais.</p><p>De acordo com Thomas Kuhn, "... refere-se aos valores hegemônicos ou dominantes ou sistemas</p><p>de pensamento em uma sociedade em um determinado momento. Os paradigmas são</p><p>compartilhados pelos antecedentes culturais da comunidade e pelo contexto histórico da época".4</p><p>Podemos compreender os paradigmas das ciências sociais como o conjunto de experiências, que</p><p>afetam a forma como o homem percebe a realidade e responde a essa percepção. Estabelecer</p><p>maneiras de como o homem interpreta a realidade dá lugar à construção de diferentes modelos</p><p>teóricos para interpretá-la e abre a opção de propor diferentes maneiras de analisar as ações da</p><p>sociedade em um determinado momento.</p><p>1.2.3. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO SISTEMA INTERNACIONAL</p><p>0 nascimento do direito internacional dos direitos humanos como campo de estudo está ligado</p><p>preocupação com a existência de conflitos armados generalizados entre Estados, que neste</p><p>3. Giselle, Abecasis Laila, Análisis del Sistema Internacional Actual. 2014. Universidade Nacional de San Juan:</p><p>Faculdade de Filosofia, Humanidades e Artes. Argentina.</p><p>4. Kuhn, Thomas S.; The Structure of Scientific Revolutions, 2nd Ed., Univ. of Chicago Press, Chicago & London, 1970.</p><p>Sistema internacional</p><p>século atingiu um alto nivel após a experiência das duas guerras mundiais e o surgimento das</p><p>armas nucleares.</p><p>uma questão que anos atrás não era vista com tanta preocupação, levando em conta que</p><p>sabíamos da existência dos direitos humanos, porém, nunca foi vista como um campo de estudo e</p><p>muito menos havia instituições preocupadas com o cumprimento destes ou qualquer acordo entre</p><p>Estados para fazer dos direitos humanos um valor.</p><p>Isto resultou em estados abusando do uso da força, julgando prisioneiros sem o devido processo,</p><p>não protegendo o direito à vida, e muitos parses tinham sistemas autoritários que negavam</p><p>qualquer acesso a direitos dentro da estrutura legal dos estados, uma vez que a vontade do</p><p>ditador da época foi realizada.</p><p>Hoffman define o direito internacional dos direitos humanos como "um estudo sistemático de</p><p>fenômenos observáveis que tenta descobrir variáveis-chave, explicar comportamentos e revelar</p><p>tipos característicos de relações entre unidades internacionais". 5</p><p>Durante muitos anos, não houve nenhuma base teórica para analisar as relações estatais dentro</p><p>do sistema internacional. Nos tempos antigos, a relação entre estados era a união de reinos</p><p>através de alianças matrimoniais entre os filhos e filhas dos monarcas de cada região.</p><p>As relações entre os estados evoluíram ao longo dos anos e essas práticas deixaram de existir e</p><p>os próprios estados estão em constante mudança e expansão, forçando o sistema internacional a</p><p>mudar a forma como é analisado. Anteriormente, nos anos 50, o sistema internacional era</p><p>entendido como um grande tabuleiro de xadrez onde cada estado tinha diferentes estratégias e</p><p>formas de jogar suas peças com um único objetivo principal em mente, e as intenções de cada um</p><p>não eram claras.</p><p>Após a Primeira Guerra Mundial, os primeiros sinais de uma mudança de pensamento sobre a</p><p>gestão das relações entre os Estados foram vistos com o nascimento da Liga das Nações, uma</p><p>organização que surgiu em 1919 com o objetivo de estabelecer as bases para a paz e a</p><p>reorganização das relações internacionais.</p><p>Com o inicio da Segunda Guerra Mundial, este pensamento estatal nacionalista foi reforçado,</p><p>destruindo completamente o ideal de 14 pontos do Woodrow Wilson de paz duradoura e tornando</p><p>ineficaz o trabalho da Liga das Nações; permitindo a um Estado como a Alemanha a capacidade</p><p>de conquistar mais da metade da Europa com a única premissa de criar um Estado ariano no</p><p>interesse exclusivo do indivíduo e não no interesse coletivo.</p><p>Isto desencadeou uma desconfiança global na capacidade dos Estados de se inter-relacionarem e</p><p>criarem instituições capazes de controlar as ações dos Estados em nivel internacional. Embora a</p><p>instituição existisse, os países não viam o nível de importância ou seriedade que ela merecia e as</p><p>sanções que ela impunha aos Estados-partes.</p><p>5. G. Palomares Lerma e R Garcia Picazo, Adenda de Relaciones Internacionales, Madri, UNED, 1994.</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>Durante todos esses anos houve pensadores de diferentes perspectivas que analisaram o sistema</p><p>internacional, razão pela qual durante os anos 40 a 60 houve um grupo de pensadores que</p><p>considerou o sistema internacional como um ambiente anárquico sem controle, sem capacidade</p><p>de funcionar, onde a principal posição dos Estados era o poder baseado no interesse nacional de</p><p>cada pais e eles não viam a possibilidade de qualquer poder internacional que pudesse controlar</p><p>o sistema ou estabelecer regulamentos ou diretrizes para a relação entre os Estados.</p><p>Estes pensadores desenvolveram o Paradigma Realista, baseado na posição de um Estado que se</p><p>concentra no interesse nacional e vê o sistema internacional como uma luta de poder onde a</p><p>guerra e a guerra eram a (mica forma de manter o equilíbrio internacional e a única forma de se</p><p>relacionar entre si.</p><p>Com o fim da Segunda Guerra Mundial, momentos importantes foram vividos em nivel</p><p>internacional com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), uma organização criada</p><p>com o objetivo de manter a paz e a segurança internacionais, promover relações amistosas e</p><p>apoio entre os Estados, conseguir cooperação para a solução dos problemas mundiais e funcionar</p><p>como um lugar para incentivar a criação de diretrizes internacionais após a tentativa fracassada</p><p>da Liga das Nações.</p><p>Com a assinatura da Carta das Nações Unidas em 1945, os Estados se comprometeram a</p><p>assegurar o cumprimento do direito internacional, promover e proteger os direitos humanos,</p><p>promover a manutenção da paz e alcançar o desenvolvimento sustentável das nações através da</p><p>cooperação internacional em questões sociais, culturais, econômicas e humanitárias.</p><p>No entanto, esta nova organização internacional não pôde impedir a polarização do mundo e a</p><p>explosão da Guerra Fria. Apesar de todos os esforços a nivel interno, eles não puderam evitar as</p><p>situações de tensão que ocorreram durante os anos seguintes, mas muitos analistas consideram</p><p>que graças à ONU a Guerra Fria não levou a uma guerra.</p><p>Nos anos 60, após o fim da Segunda Guerra Mundial, houve momentos de conflito politico</p><p>intensificado a nivel internacional, reforçando a posição de interesse nacional durante a Guerra</p><p>Fria entre os blocos formados pelos Estados Unidos e a União Soviética. Houve momentos de</p><p>grande tensão internacional após a queda do avião espião norte-americano em território soviético</p><p>e a famosa crise dos mísseis cubanos.</p><p>Este período é caracterizado por conflitos internacionais e protestos de cidadãos contra as</p><p>posições desinteressadas de seus governantes; a guerra dos EUA no Vietnã e a invasão da</p><p>Tchecoslováquia pela União Soviética foram exemplos claros de movimentos internacionais</p><p>guiados pelo interesse nacional das duas grandes potências que procuram expandir seu poder e</p><p>sua economia em todo o mundo.</p><p>Estas são algumas das situações que ocorreram durante os anos 60, uma década que muitos</p><p>chamaram de década de transição em nivel internacional, onde as posições dos Estados foram</p><p>fielmente estabelecidas, o mundo inteiro se polarizou, com alianças entre os Estados que</p><p>apoiavam os Estados Unidos e aqueles que eram aliados à União Soviética. Isto desencadeou em</p><p>muitos países conflitos internos e a polarização de suas sociedades, resultando em mudanças</p><p>nas formas de governo na maioria dos !Daises.</p><p>Sistema internacional</p><p>Durante a Guerra Fria, os Estados perceberam a necessidade de regular suas relações entre si e</p><p>de criar normas e diretrizes que permitissem a coexistência em nivel global, pois tínhamos dois</p><p>países com grande poder armamentista capazes de explodir o mundo inteiro com bombas</p><p>nucleares e pequenos países que estavam desenvolvendo seus programas nucleares.</p><p>E por isso que nasceu a ideia da necessidade de criar instituições em nivel internacional e a</p><p>maioria dos pensadores se concentrou no Paradigma Idealista, que vê as relações entre Estados</p><p>de forma pacifica e ordenada, sob um sistema internacional com diretrizes e instituições capazes</p><p>de assegurar relações harmoniosas e fomentar o desenvolvimento e a paz mundial.</p><p>A fim de entender o que motiva o mundo em todos os pontos acima, devemos entender que houve</p><p>muitas teorias para a análise do sistema internacional, mas cada uma delas são vertentes de dois</p><p>grandes paradigmas que foram utilizados em diferentes pontos da história, de acordo com as</p><p>ações dos Estados e o momento politico e histórico.</p><p>Estas duas abordagens principais para o estudo e compreensão deste assunto são o Paradigma</p><p>Idealista e o Paradigma Realista. Estes dois paradigmas tentaram analisar e explicar o</p><p>comportamento dos estados e dos sujeitos internacionais dentro do sistema internacional a partir</p><p>de diferentes pontos de vista, cada um a partir de posições diferentes e antagônicas.</p><p>0 realismo se baseia no pressuposto de que o sistema internacional é anárquico, onde não há</p><p>autoridade superior aos Estados que possam regular as relações entre eles, e assume que os</p><p>Estados são os únicos atores que têm participação e poder de decisão dentro do sistema</p><p>internacional. Por outro lado, o Idealismo estabelece que a relação entre os Estados pode ser</p><p>regulada através de regras estabelecidas e baseadas no direito internacional, e que deve haver a</p><p>criação do direito internacional com o objetivo de maximizar e estabelecer a ordem e o controle</p><p>entre as relações pacificas entre os Estados.</p><p>1.3. PARADIGMA REALISTA</p><p>Para entender a teoria realista, devemos considerar que é a mais antiga teoria utilizada para</p><p>analisar as relações entre os atores internacionais, datada dos tempos atuais, quando a guerra e</p><p>a demonstração de poder era o caminho para estabelecer a supremacia dos reinos, estados,</p><p>países e impérios em diferentes épocas da história.</p><p>Nos tempos antigos, a forma de demonstrar a supremacia era através de invasões, ataques,</p><p>guerras e conquistas entre os atores para determinar o poder, e a capacidade de armamento era</p><p>a principal ferramenta. Da mesma forma, todas as decisões foram tomadas por uma pessoa</p><p>representando o Estado e sempre se originaram de um interesse pessoal que se traduziu em um</p><p>interesse nacional.</p><p>por isso que devemos primeiro entender que para os realistas não há outro ator no sistema</p><p>internacional que não seja o Estado. Este é o ator por excelência, com base no poder, interesse</p><p>nacional e equilíbrio de poder. 0 único ator capaz de estabelecer relações e ser capaz de</p><p>empreender campanhas internacionais e tomar decisões que poderiam beneficiá-lo ou afetá-lo.</p><p>10</p><p>FUN1BER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IDERQAMERICANA</p><p>Os realistas não vêem mais ninguém como ator porque não têm representação no sistema</p><p>internacional e qualquer outra pessoa que tente participar no nível internacional e que não tenha</p><p>representação legitima como Estado não pode interceder ou estabelecer formas de</p><p>relacionamento porque não são atores legitimos e, portanto, os realistas não consideram as</p><p>instituições internacionais como atores, nem as consideram como órgãos capazes de estabelecer</p><p>ordem ou regulamentos, porque não têm legitimidade porque não representam os interesses de</p><p>um Estado-nação.</p><p>As principais premissas deste paradigma concentram-se no equilíbrio de poder e no interesse</p><p>nacional, razão pela qual Morgenthau descreveu o equilíbrio de poder como "o desejo no qual</p><p>muitas nações participam, cada uma procurando manter ou destruir o status quo, levando</p><p>necessariamente à formação do equilíbrio". Também abordou o interesse nacional como o modo</p><p>prioritário de caráter de sobrevivência.6</p><p>Segundo Morgenthau, "todos os Estados têm um interesse especifico e uma estratégia a nivel</p><p>internacional, seja para continuar com a configuração atual ou para modificá-la de acordo com um</p><p>interesse nacional que responda a uma politica governamental, dai a definição de Politica"7 .</p><p>Todos os Estados têm um interesse nacional, seja econômico, social, politico ou militar, é por isso</p><p>que os Realistas se concentram no equilíbrio de poder, mudando a configuração internacional ou</p><p>modificando-a e este equilíbrio de interesse de poder responde ao interesse nacional e somente</p><p>os Estados têm a capacidade de ter interesses nacionais, é por isso que os únicos atores no</p><p>sistema são os Estados.</p><p>Portanto, podemos definir o Estado como um ator racional, já que o interesse nacional é</p><p>acrescentado às ações do Estado no sistema internacional, e este interesse nacional decorre de</p><p>uma politica governamental ditada por uma autoridade em cada Estado e de um raciocínio interno</p><p>que se concentra nesta posição. É a partir desta premissa que os realistas definem que as</p><p>políticas governamentais para o mundo exterior devem ser criadas a partir das necessidades do</p><p>governo em casa, uma vez que estas serão definidas como politicas estatais e estabelecerão</p><p>ações internacionais e posições de orientação no Sistema Internacional.</p><p>É importante notar que para os realistas a gestão do sistema internacional se baseia em uma</p><p>natureza conflituosa, os realistas apresentam as relações entre os Estados, pois não pode haver</p><p>uma ordem politica estável, uma paz permanente e nenhuma ordem jurídica em nível</p><p>internacional. Os realistas mostram que, na ausência de tal ordem internacional e que os países</p><p>respondem aos interesses nacionais, não pode haver um mundo harmoniosamente organizado</p><p>porque todos buscam o interesse pessoal e não o interesse coletivo.</p><p>Historicamente durante os tempos das Guerras Mundiais, o Paradigma Realista estava em seu</p><p>auge porque todas as características de um sistema anárquico e de estados que tomavam</p><p>decisões baseadas em interesses nacionais foram cumpridas e todo o sistema internacional foi</p><p>estabelecido como um jogo de xadrez onde todos os estados faziam movimentos de guerra com</p><p>um único objetivo, seja defensivo ou na forma de um ataque com um ideal.</p><p>6. Morgenthau, Hans. "A politica entre as Nações: La lucha por el poder y la Paz", editorial Grupo Latinoamericano,</p><p>coleção de Estudos Internacionais.</p><p>Buenos Aires. 1985.</p><p>7. Idem.</p><p>11</p><p>Sistema internacional</p><p>É por isso que Morgenthau, em sua análise das relações realistas, salientou a importância de</p><p>entender a diferença entre uma politica doméstica e uma politica internacional "...já que esta foi a</p><p>base para definir o Estado como um Estado racional e todas as políticas internacionais devem ser</p><p>acompanhadas por um acompanhamento das políticas domésticas, a fim de criar um apoio para o</p><p>interesse nacional que o Estado estabeleceu"8 . Isto deu sustentabilidade e credibilidade As</p><p>politicas internacionais e os Estados puderam estabelecer que sua postura, ao mesmo tempo em</p><p>que apoiavam o caráter anárquico das relações de estado para estado, nasceu da necessidade de</p><p>um pais, um interesse especifico na sobrevivência do estado.</p><p>Em seu livro Politica entre Nações, Morgenthau discute a seguinte premissa: "As sociedades</p><p>nacionais devem sua ordem e paz A existência de um Estado que, dotado de poder supremo</p><p>dentro de seu território nacional, mantém a paz e a ordem. Esta era certamente a doutrina de</p><p>Hobbes, que afirmava que sem um tal estado as sociedades nacionais se assemelhariam ao</p><p>cenário internacional e que a guerra de cada homem contra cada homem seria a condição</p><p>universal da humanidade". 9</p><p>Podemos entender que para os realistas, os Estados são a entidade suprema que não pode tomar</p><p>decisões internas e externas e que não têm um sistema de contrapesos no qual o Estado é o único</p><p>que tem a capacidade e a obrigação de regular tanto as relações dentro da sociedade quanto as</p><p>ações em nivel internacional, e que cada decisão tomada responde a uma necessidade</p><p>governamental e isto é entendido como uma necessidade da sociedade.</p><p>W</p><p>Os realistas argumentam que se não houvesse um Estado autoritário para manter a ordem interna</p><p>e estabelecer as regras de convivência, as sociedades seriam dirigidas da mesma forma que o</p><p>sistema internacional, todos os homens em guerra contra todos os homens, a fim de estabelecer</p><p>relações sociais.</p><p>É por isso que o Estado é por excelência o único capaz de regular e manter o equilíbrio interno</p><p>baseado em um interesse nacional e políticas criadas para este fim, o que lhe confere autoridade</p><p>e responsabilidade para representar a sociedade em nivel internacional a fim de lutar pelo</p><p>interesse nacional e pode, portanto, manter ou destruir o status quo do sistema internacional.</p><p>Como podemos ver acima, demonstramos a necessidade do sistema Realista de uma figura</p><p>autoritária para ditar o funcionamento do nivel internacional da mesma forma que um Estado</p><p>determina sua ordem interna. Para os realistas, não há figura no nivel internacional com as</p><p>qualidades ou capacidades corretas além do Estado que seja representativo das sociedades</p><p>nacionais.</p><p>Durante as primeiras épocas da história e durante as Guerras Mundiais, este foi o Paradigma mais</p><p>utilizado para analisar as relações entre os Estados e para poder emitir critérios internacionais</p><p>sob a perspectiva da anarquia e do Estado como o único ator internacional. Entretanto, o conflito e</p><p>a visão de que o poder das armas era a única forma de determinar o poder e a hegemonia não era</p><p>a única forma correta de olhar para o sistema internacional.</p><p>8. Padilla, Luis Alberto. (2009). Paz e conflito no século XXI. (Segunda edição). Guatemala: IRIPAZ.</p><p>9. Morgenthau, Hans. Politica entre Nações, Nova Iorque. 1942.</p><p>12</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERIÇANA</p><p>Devido á revolta das sociedades durante os anos 60 e aos constantes protestos em diferentes</p><p>parses, a teoria de que as posições internacionais dos Estados eram baseadas no interesse</p><p>nacional estava longe da realidade, o que fez com que analistas e autores começassem a olhar</p><p>para diferentes posições internacionais e teorias novas e diferentes sobre a composição do</p><p>Sistema Internacional e seu funcionamento.</p><p>por isso que o Paradigma Idealista começou a ganhar impulso no mundo e começou a ser</p><p>utilizado para a conformação de novos sujeitos de autoridade em nivel internacional e para</p><p>começar a acreditar que o Sistema Internacional não precisava ser anárquico, onde o poder e o</p><p>desenvolvimento bélico eram a (mica forma de os países se relacionarem entre si.</p><p>t4. PARADIGMA IDEALISTA</p><p>Nem todos os pensadores ao longo da história consideraram o Paradigma Realista como a única</p><p>maneira de ver e analisar o sistema internacional, nem todos os pensadores e filósofos</p><p>consideraram a guerra como o único meio de atingir objetivos, nem consideraram os exércitos ou</p><p>campanhas de invasão como o meio de assegurar as relações entre os Estados, muito menos a</p><p>maneira de se relacionar uns com os outros.</p><p>Muitos dos grandes pensadores da história, como Immanuel Kant, consideraram que para</p><p>conhecer as coisas é preciso levar em conta a consciência, as ideias e o pensamento; portanto,</p><p>consideraram que o idealismo pressupõe que os objetos não podem existir sem que haja uma</p><p>mente, uma pessoa, um pensamento, um raciocínio que esteja consciente de todos os atributos</p><p>do objeto.</p><p>Em relação ao acima exposto, muitos consideraram que as ações dos Estados nem sempre eram</p><p>baseadas no interesse nacional, mas estavam focalizadas no pensamento do indivíduo como tal,</p><p>o decisor, e nem sempre eram benéficas para o reino, pais ou estado. Este pensamento estava</p><p>muito focado em quantos dos reis ao longo da história tinham conselheiros que nem sempre viam</p><p>o bem comum ou o bem do povo como tal. É por isso que os idealistas repensaram a forma como</p><p>o estado atual deveria ser analisado. 0 Estado não deve ser estudado ou analisado como um ator,</p><p>mas como um tomador de decisões.</p><p>Ao longo dos anos, com o fim da Primeira Guerra Mundial, uma revolução paradigmática se</p><p>desenvolveu em relação ao estudo da Politica Mundial e novos pensadores retomaram as ideias</p><p>do Idealismo Filosófico e as reformularam para os usos politicos da época.</p><p>Havia a necessidade de estabelecer a ordem em nível internacional e definir as ações dos</p><p>Estados, que na época não tinham controle, nenhuma estrutura estabelecida que especificasse</p><p>como os Estados poderiam participar em nivel internacional.</p><p>Muitas vertentes do idealismo começaram a se desenvolver e a se concentrar em todo o mundo,</p><p>sempre argumentando que a forma Realista não era a forma correta de comportamento</p><p>internacional e não era a forma correta de estudar as relações entre os estados, dados os</p><p>fracassos do passado.</p><p>13</p><p>Sistema internacional</p><p>Entre todas as vertentes do idealismo, sempre existiram perspectivas sobre o mundo e as ações</p><p>do homem que se basearam em certas crenças. Os idealistas sempre argumentaram que o</p><p>homem é naturalmente bom e que seu maior interesse é o bem comum, estimulando o</p><p>desenvolvimento através da cooperação entre indivíduos e instituições. Eles também</p><p>consideraram que a natureza anárquica do sistema internacional não é permanente, pois pode</p><p>ser modificada ou eliminada através do estabelecimento de organizações e do direito</p><p>internacional. Eles sempre consideraram a necessidade de garantir a liberdade individual e de</p><p>proteger o homem contra abusos de poder por parte de outros com alguma autoridade em nome</p><p>de instituições ou interesses gerais.</p><p>Os idealistas viam a guerra como um conflito que poderia ser evitado, não como o único meio</p><p>como os realistas faziam. Para os idealistas, o Sistema Internacional deveria se reorganizar para</p><p>que a guerra fosse considerada um problema internacional e sempre defender e vigiar para</p><p>preveni-la e eliminá-la, assim como erradicar as instituições que impedem a guerra e criam</p><p>aquelas que promovem a paz mundial coletiva.</p><p>A implementação do idealismo como tal foi subdividida em três programas de reforma a serem</p><p>implementados em nivel internacional para que a paz coletiva exista. 0 primeiro grupo solicitou a</p><p>criação de instituições internacionais a fim de criar equilíbrio em nível internacional e pôr fim</p><p>crença em um sistema anárquico, baseado na segurança coletiva.</p><p>0 segundo grupo estabeleceu</p><p>um controle legal da guerra, o poder de resolver conflitos internacionais através de mecanismos</p><p>legais internacionais e de impedi-los de caminhar para a guerra desta forma. Entre as maiores</p><p>realizações deste grupo estavam o Pacto Kellogg-Briand de 1928, que proibiu a guerra como</p><p>instrumento de politica, e a criação do Tribunal Permanente de Justiça Internacional. 0 terceiro</p><p>grupo concentrou-se na ideia de reduzir os investimentos dos Estados em programas de guerra e</p><p>armamento através de acordos de controle estatal para garantir que ninguém estivesse na corrida</p><p>armamentista ou em busca de um projeto de guerra de alto impacto.</p><p>Todos estes pontos foram impulsionados e começaram a ser gradualmente implementados com o</p><p>discurso de 14 pontos do Presidente dos EUA Woodrow Wilson, que pode ser traduzido como uma</p><p>proposta de 14 pontos para o que deveria ser uma nova ordem mundial "para uma paz firme e</p><p>duradoura". Vale notar que o ponto 14 do discurso indicou que as nações desenvolvidas deveriam</p><p>ser integradas em uma associação internacional que deveria garantir a integridade territorial e a</p><p>independência politica e soberana dos países. Isto deu origem à Liga das Nações.</p><p>Portanto, podemos dizer que esta teoria remonta às primeiras fontes do direito internacional,</p><p>estabelecendo uma visão de um mundo diferente de como era considerado nos tempos antigos,</p><p>quebrando completamente o Status Quo da ação politica e jurídica em um sistema internacional</p><p>que tinha sido considerado anárquico até aquela época.</p><p>Após a Segunda Guerra Mundial e a entrada de programas idealistas implementados em todo o</p><p>mundo, juntamente com o precedente estabelecido pelo discurso do Presidente Wilson, a ideia de</p><p>uma ordem internacional regulada por instituições internacionais e a criação de acordos de</p><p>controle para a criação de armas ou campanhas militares, a visão de um Sistema Internacional</p><p>Regulado não parecia tão rebuscada ou tão distante da realidade.</p><p>FUN1BER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>É por isso que a necessidade de criar um mundo no qual as relações entre Estados possam ser</p><p>reguladas através do desenvolvimento de disposições legais que os Estados, apesar da natureza</p><p>anárquica de suas relações, possam se comprometer a respeitar e cumprir uma disposição de um</p><p>organismo internacional que regule as relações, vemos como uma realidade e uma possibilidade</p><p>com vontade politica e o desejo de cada Estado.</p><p>Do exposto acima podemos ver como o idealismo toma a postura do realismo do sistema</p><p>anárquico e implica que, apesar disso, os estados são capazes de se relacionar uns com os outros</p><p>em um ambiente regulado sob pressupostos legais, onde conflito e guerra não são a (mica</p><p>maneira de se inter-relacionarem. É por isso que podemos entender a posição de Manuel</p><p>Rodriguez U. na qual ele afirma que "No Idealismo, o direito internacional se refere aos princípios</p><p>e regras de conduta que os diferentes estados devem considerar obrigatórios".10 As citações</p><p>devem estar no mesmo formato.</p><p>De acordo com esta visão, podemos entender a abordagem que Woodrow Wilson expôs no ponto</p><p>14 de seu discurso, com a criação da Liga das Nações, uma comunidade de nações na qual cada</p><p>uma tem a capacidade e a obrigação de zelar e trabalhar para a resolução de conflitos</p><p>internacionais e sempre para garantir uma paz firme e duradoura.</p><p>A Liga das Nações é a primeira tentativa em nivel internacional de criar uma instituição de caráter</p><p>internacional capaz de unir os Estados a fim de alcançar a manutenção da segurança coletiva e</p><p>da paz, criando regras e regulamentos para o comportamento de interação entre os Estados em</p><p>nivel internacional, sob a supervisão dos Estados membros, sempre com a perspectiva idealista</p><p>de ser capaz de criar uma ordem em nivel internacional de relações internacionais.</p><p>(.5</p><p>Essas normas e sistemas legais nascem da necessidade de estabelecer um sistema de direito em</p><p>nivel internacional, uma ordem jurídica para a coexistência pacifica e integração dos Estados</p><p>através do respeito às instituições internacionais e às posições e acordos que delas emanam.</p><p>Este sistema jurídico torna-se a espinha dorsal do sistema internacional, regulando todas as</p><p>decisões e estabelecendo o controle sobre o funcionamento das relações entre estados e entre</p><p>indivíduos e estados.</p><p>Também modificou a visão de que somente os estados eram capazes de interagir no sistema</p><p>internacional, e começou a considerar o homem como um sujeito de direito em nivel internacional,</p><p>capaz de interagir com os estados e outros sujeitos. Esta mudança na análise politica</p><p>internacional levou à criação de instituições especificas para cuidar dos direitos humanos em</p><p>nivel internacional.</p><p>Entretanto, havia a necessidade de criar uma instituição ou aparelho que pudesse regular as</p><p>ações dos estados e indivíduos capazes de estabelecer as normas e regras do jogo internacional,</p><p>de acordo com a lei, razão pela qual havia a necessidade de institucionalizar o sistema a fim de</p><p>criar este modelo de regulamentação internacional.</p><p>10. Rodriguez U., Manuel (2008). Planet-System: Introdução ao Estudo das Relações Internacionais. Material de Estudo</p><p>para o Exame da Academia Diplomática Andrés Bello. Chile.</p><p>15</p><p>r/</p><p>(1)</p><p>• Eles não reconhecem os problemas</p><p>decorrentes do dilema de segurança e poder.</p><p>• A fé em progresso.</p><p>• Crença na eficácia da mudança através da</p><p>ação humana.</p><p>• Ela acredita que os Estados são capazes de</p><p>se comportar uns com os outros de forma</p><p>racional e moral.</p><p>• Ela entende os interesses dos Estados como</p><p>complementares e não antagônicos.</p><p>• Ele rejeita que o poder politico seja um</p><p>fenômeno natural.</p><p>• Nenhum padrão de comportamento é</p><p>imutável, pois o homem tem a capacidade de</p><p>aprender, de mudar e de controlar seu</p><p>comportamento.</p><p>• Ela expressa uma visão otimista da natureza</p><p>humana e a possibilidade de resolução</p><p>pacifica de conflitos politicos.</p><p>• Ele considera o realismo como uma</p><p>tendência reacionária, cínica e pessimista.</p><p>• É uma forma de pensar que leva em</p><p>consideração os fatores de segurança e poder</p><p>que são inerentes à sociedade humana.</p><p>• Dado seu pessimismo antropológico, ele nega</p><p>a possibilidade de progresso.</p><p>• Eles vêem a politica como uma luta pelo poder.</p><p>• Tentativas de aperfeiçoar o sistema estão</p><p>condenadas ao fracasso.</p><p>• Ela tem uma visão mais determinista do</p><p>processo histórico e, portanto, reconhece</p><p>menos espaço para a ação humana. Pode-se</p><p>tentar entender o processo de mudança</p><p>histórica, mas não controlá-lo.</p><p>• Não existe uma harmonia natural de interesses</p><p>entre os estados. Eles são vistos como estando</p><p>em um estado de competição constante.</p><p>• Há uma clara distinção entre os códigos morais</p><p>do indivíduo e do Estado.</p><p>• Somente a prudência e a conveniência devem</p><p>atuar como limites para a ação.</p><p>Sistema internacional</p><p>Para Michael Akehurst, o direito internacional 6 "o sistema jurídico que regula as relações entre os</p><p>Estados"11 0 direito internacional não tem nenhum aparato para regulamentá-lo, para fazer</p><p>cumprir as disposições dos tratados ou para aplicar regras de sanção em casos de não</p><p>cumprimento "...portanto, a eficácia de suas regras se baseia no consentimento, que as partes</p><p>expressam quando convenções ou tratados internacionais são assinados".12</p><p>Diferenças entre idealismo e realismo. https://slideblayeres/slide/5399009/</p><p>1.5. INSTITUCIONALIDADE LIBERAL</p><p>Como podemos entender, o mundo foi forçado a aceitar que precisava de uma maneira de</p><p>estabelecer controles internacionais e, ao mesmo tempo, um sistema de regulamentação do</p><p>estado atual a nível internacional. Compreendendo os programas do Idealismo e as ideias do</p><p>Presidente Wilson, precisamos criar um sistema internacional institucionalizado de diretrizes</p><p>liberais para estabelecer tal estrutura jurídica internacional, a fim de promover e assegurar uma</p><p>paz firme e duradoura através de mecanismos internacionais capazes de</p><p>regular e trazer ordem</p><p>ao Sistema Internacional.</p><p>É por isso que uma parte do liberalismo estava preocupada em desenvolver uma abordagem para</p><p>atingir este objetivo, a ideia do institucionalismo liberal tomou forma a fim de explicar como uma</p><p>11. Akenhurst, Michael (1975). Introdução ao Direito Internacional. ALIANÇA. Volume 34 da Alianza Universidad. Madri</p><p>12. Padilla, Luis Alberto. (2009). Paz e conflito no século XXI. (Segunda edição). Guatemala: IRIPAZ</p><p>16</p><p>8</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UN IYEIPTARIA I BEROAMERICANA</p><p>ordem internacional deste tipo poderia ser estabelecida. Para entender a politica internacional a</p><p>partir da perspectiva do Institucionalismo Liberal, 6 necessário considerar a declaração de</p><p>Kenneth Waltz de que "a politica mundial, embora não esteja formalmente organizada, não está</p><p>inteiramente sem instituições e procedimentos ordenados".13</p><p>Tomando os argumentos de Waltz, podemos dizer que a politica mundial, embora não tenha um</p><p>governo formal, estruturado e estabelecido, está de certa forma institucionalizada e existem</p><p>procedimentos para agir dentro do próprio sistema, e estes são reconhecidos pelos diferentes</p><p>estados. Nas palavras de Robert Keohane "...muito do comportamento é reconhecido pelos</p><p>participantes como um reflexo de regras, normas e convenções. Todos são regidos por</p><p>entendimentos formais ou informais".14</p><p>Tomando o que Keohane disse, podemos entender que embora não exista uma entidade</p><p>reguladora em nível internacional, o sistema já tem comportamentos reconhecidos por parte dos</p><p>Estados que são considerados um reflexo de normas ou regras; no entanto, estas não são</p><p>reguladas mas já são respeitadas e têm peso no intercâmbio internacional entre as nações.</p><p>Seguindo a linha de Keohane, entendemos que um sistema internacional que não pode ser</p><p>rf)</p><p>institucionalizado continuaria a funcionar sob costumes, mas os costumes não podem ser aceitos</p><p>como norma para todos, de modo que alguns estados estariam em desvantagem em suas</p><p>relações com outros. Este pensamento nos concentra em uma realidade onde alguns Estados não</p><p>teriam meios de negociar e as relações internacionais não teriam controle ou forma de se</p><p>a 	estabelecer. Mesmo que houvesse interesses comuns entre os Estados, seria impossível negociar</p><p>ou acordar qualquer coisa entre eles, pois estas regras ou costumes não são universais.</p><p>Partindo do exposto acima, tomamos a definição de instituições de Keohane, ele define</p><p>instituições como "conjuntos de regras (formais e informais) persistentes e conectadas que</p><p>percebem papéis de comportamento, restringem a atividade e moldam as expectativas".15</p><p>Entendemos que, de acordo com o preceito de Keohane, precisamos apenas dar um sentido de</p><p>formalidade ao ambiente internacional das relações entre os Estados, e estas tomarão três</p><p>formas de instituições internacionais que operarão dentro do sistema.</p><p>13. Waltz, Kenneth N.(1979), Theory of International Politics (Reading, Mass., Addison-Wesley). Edição em espanhol</p><p>disponível, GEL, Buenos Aires, 1989</p><p>14. Keohane, Robert (1993). Instituições Internacionais e Poder do Estado. Grupo Editor Latinoamericano. Buenos Aires.</p><p>Coleção de Estudos Internacionais</p><p>15. Keohane, Robert (1993). Instituições Internacionais e Poder do Estado. Grupo Editor Latinoamerica no. Buenos Aires.</p><p>Coleção de Estudos Internacionais</p><p>17</p><p>Sistema internacional</p><p>1.6. ORGANIZAÇÕES INTERGOVERNAMENTAIS E</p><p>ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS</p><p>1.6.1. ORGANIZAÇÃO INTERGOVERNAMENTAL</p><p>Segundo Calduch, "Uma Organização Intergovernamental é uma associação de Estados,</p><p>estabelecida por acordo entre seus membros e dotada de um aparelho permanente de órgãos,</p><p>encarregada de perseguir objetivos de interesse comum através da cooperação entre eles".16</p><p>Entendemos que as Organizações Intergovernamentais são capazes de controlar e reagir</p><p>atividade internacional, elas são devidamente estabelecidas e projetadas pelos Estados. São</p><p>organizações burocráticas, com regras explicitas e atribuições especificas de regras.</p><p>Das principais características dessas organizações, podemos destacar que elas têm caráter</p><p>interespacial, são estabelecidas por tratados voluntariamente, têm um sistema permanente de</p><p>órgãos com valor politico, têm uma vontade autônoma com livre decisão por parte de seus órgãos</p><p>que lhes permite expressar uma vontade legal diferente da dos Estados membros, têm</p><p>competência própria e constituem um instrumento para alcançar um fim que é de plena</p><p>satisfação comum entre os Estados membros.</p><p>1.6.2. ORGANIZAÇÕES PRIVADAS OU NM) GOVERNAMENTAIS</p><p>Estas são organizações que não fazem parte dos sistemas governamentais ou são empresas cujo</p><p>objetivo não é o lucro como tal. Muitas vezes estas organizações são dirigidas por cidadãos dos</p><p>estados onde são constituídas, que compartilham uma visão e uma missão comuns. Estas</p><p>organizações têm a característica de poderem ser financiadas pelo governo de um ou vários</p><p>estados para poder cumprir os objetivos de cada organização.</p><p>Embora existam muitos tipos diferentes de organizações não governamentais em todo o mundo,</p><p>há características especificas que todas elas devem atender. Estas organizações são constituídas</p><p>e de associação voluntária, não têm fins lucrativos, são entidades formadas ou registradas sob</p><p>leis especiais e devem ser legalmente formadas e registradas no pais onde exercem suas funções.</p><p>1.6.3. OS REGIMES INTERNACIONAIS</p><p>0 conceito de regime internacional responde a um interesse em estudos internacionais dos</p><p>problemas e fenômenos da realidade mundial, das ações dos Estados e de seu comportamento</p><p>no sistema internacional, e 6 uma análise interdisciplinar e normativa da realidade.</p><p>Segundo S. Krasner, os regimes internacionais são considerados, "um conjunto de princípios,</p><p>normas, regras e procedimentos em torno dos quais convergem em uma área de relações</p><p>internacionais".17 Estas são ferramentas porque permitem elucidar quão eficazes e quão fortes as</p><p>16. Calduch, R. Relações Internacionais. Editar. Ediciones Ciencias Sociales. Madri. 1991.</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>normas internacionais podem se tornar dentro de estados ou instituições internacionais, bem</p><p>como ter uma estrutura teórica para elucidar o comportamento nacional de um estado sob certas</p><p>pressões internacionais reguladas por normas.</p><p>Jack Donnelly também define regimes internacionais como "... um conjunto de princípios, normas,</p><p>regras e procedimentos de tomada de decisão que os Estados ou outros atores internacionais</p><p>aceitam como autoritários em uma determinada área".18 De acordo com o acima exposto,</p><p>podemos entender que regimes internacionais são instituições com regras especificas, nas quais</p><p>os Estados concordam sobre questões especificas das relações entre os Estados em nivel</p><p>internacional. Exemplos incluem o Regime Econômico de Bretton Woods e o Regime da Lei do Mar.</p><p>1.6.4. CONVENÇÕES</p><p>As convenções são instituições intertiacionais informais porque não precisam de uma instituição</p><p>como tal para serem válidas, mas têm regras e entendimentos implícitos que estabelecem as</p><p>expectativas dos Estados signatários. Eles permitem que os Estados se entendam e estabeleçam</p><p>seu comportamento sem uma entidade validadora, mas têm todas as características necessárias</p><p>para serem aplicáveis em uma área jurídica. As convenções são úteis principalmente para</p><p>situações de coordenação, onde o interesse de todos os membros é coletivo e não particular.</p><p>Após compreender as formas de instituição que existem nas quais os Estados podem se envolver</p><p>e fazer parte, podemos entender como o desenvolvimento do institucionalismo começou a se</p><p>desenvolver no sistema internacional, entendendo a necessidade das nações estabelecerem um</p><p>meio de controle e um meio de dar validade aos programas estabelecidos pelos idealistas a fim de</p><p>pôr fim à guerra como o único meio de equilibrar o tabuleiro de jogo do sistema internacional.</p><p>A necessidade</p><p>de um sistema jurídico e a necessidade de institucionalização do sistema</p><p>internacional resultaram na criação de instituições internacionais que lidam com diferentes</p><p>questões entre os Estados, sempre buscando cumprir os ideais do idealismo, o bem comum,</p><p>estimulando o desenvolvimento através da cooperação entre indivíduos e Estados,</p><p>salvaguardando a integridade da pessoa como seu principio mais elevado e o direito à vida.</p><p>Este capitulo nos permite compreender os vários acontecimentos históricos ao longo dos anos</p><p>que marcaram o inicio e o fim de muitas maneiras de analisar o sistema internacional e assim</p><p>detalhar a situação das Relações Internacionais dentro do sistema internacional. Deve-se</p><p>ressaltar que as linhas de análise global apresentadas neste capitulo são os paradigmas mais</p><p>amplamente aceitos da análise internacional que foram capazes de explicar e compreender o</p><p>comportamento dos estados ao longo da história para definir suas Wes dentro do complexo</p><p>universo do Sistema Internacional.</p><p>É importante poder entender estes momentos históricos, assim como a forma de análise, para</p><p>que possamos aceitar a mudança no mundo na forma de analisar as Wes de cada Estado e</p><p>17. Krasner, Stephen 1983 Causas Estruturais e Consequências do Regime: Regimes como Variável de Intervenção, em</p><p>Regimes Internacionais, Krasner (ed.). Cornell University Press, Nova York: 3-4.</p><p>18. Donnelly, Jack. Direitos Humanos Internacionais. México. 2015.</p><p>19</p><p>Sistema internacional</p><p>como estas foram alinhadas para a institucionalização do sistema e como surgiram os diferentes</p><p>modelos de organizações que hoje, junto com os Estados, compõem o novo Sistema Internacional.</p><p>Quando entendemos esta parte, de acordo com os aspectos teóricos e as formas das</p><p>organizações internacionais, é mais fácil abordar diretamente o tema do direito internacional, e o</p><p>direito internacional dos direitos humanos nasceu da necessidade de proteger os direitos</p><p>humanos através de organizações que estabelecessem diretrizes internacionais e que também</p><p>oferecessem proteção e impusessem sanções àqueles que violassem os acordos.</p><p>cf</p><p>CI</p><p>20</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA IBEROAMERICANA</p><p>Resumo</p><p>21</p><p>l e</p><p>U</p><p>0</p><p>I 0</p><p>e</p><p>U</p><p>J8</p><p>I U</p><p>! U</p><p>U</p><p>JO</p><p>I S</p><p>,IS</p><p>C TWOS OS DIREITOS RESERVADOS</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>Direito público internacional e</p><p>direitos humanos</p><p>Objetivos</p><p>II. Conhecer a definição de Direito Internacional Público, Direitos Humanos e sua relação entre si.</p><p>110- Compreender o funcionamento dos Estados como sujeitos do direito internacional público e o</p><p>papel que eles desempenham na proteção internacional dos direitos humanos.</p><p>2.1. INTRODUÇÃO</p><p>0 Direito Internacional Público, que surgiu no final do século XX, estabelece a necessidade de</p><p>abordar as relações entre os Estados através do multilateralismo, tudo com base na Carta das</p><p>Nações Unidas de 1945, quando a Segunda Guerra Mundial terminou e os Estados signatários</p><p>reconheceram a necessidade de regular as relações internacionais através de um organismo</p><p>internacional que daria origem a um conjunto de regulamentações que gerariam direitos e</p><p>obrigações para os Estados.</p><p>Este conjunto de obrigações e direitos não emanam apenas de tratados internacionais. Há uma</p><p>variedade de fontes de direito internacional público.</p><p>Os direitos humanos são, entre outros, uma das regulamentações mais importantes do direito</p><p>público internacional. E através do reconhecimento internacional dos direitos humanos que os</p><p>Estados adquirem obrigações de proteção e garantia dos mesmos, gerando diferentes</p><p>mecanismos para sua proteção.</p><p>Este capitulo oferecerá uma abordagem conceitual do direito internacional público, suas</p><p>principals fontes e órgãos reguladores, assim como sua relação direta com os direitos humanos.</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>2.2. CONCEITO DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO</p><p>2.2.1. ABORDAGENS FILOSÓFICAS E HISTÓRICAS DO DIREITO INTERNACIONAL</p><p>PÚBLICO</p><p>Antes de se envolver em uma definição de Direito Internacional Público, vale a pena mencionar</p><p>um pouco sobre a metodologia legal através da qual as concepções são estabelecidas.</p><p>Entendemos a metodologia jurídica do ponto de vista de Ram6n Paniagua Redondo (Paniagua,</p><p>2005) que a define como "a filosofia dos procedimentos a serem seguidos ou as formas de operar</p><p>intelectualmente em relação ao conhecimento do jurídico, isto 6, da matéria constitutiva do objeto</p><p>da ciência do direito e de sua aplicação à realidade social na qual o jurídico é chamado a</p><p>funcionar" Neste caso, nosso ponto de interesse está focado na ciência jurídica, em como o</p><p>conhecimento sobre seu objeto foi obtido e elaborado, e qual foi o processo intelectual seguido</p><p>para alcançá-lo.</p><p>Ha duas principais correntes metodológicas no campo das ciências jurídicas: lusnaturalismo e</p><p>iuspositivismo.</p><p>A doutrina iusnaturalista foi proposta pela escola hispânica de direito das nações, indicando que a</p><p>Comunidade Internacional, entendida como um grupo de povos politicamente organizados, sera</p><p>governada pela lei das nações. Para os iusnaturalistas existe uma ordem jurídica natural, que é</p><p>superior aos povos individuais, colocando a justiça acima dos interesses do Estado. Esta</p><p>comunidade superior aos povos politicamente organizados é chamada de Comunidade</p><p>Internacional e a ordem jurídica é chamada de Lei das Nações (ius gentium) para os</p><p>iusnaturalistas. Entre os principais defensores desta doutrina está Christian Wolff, que, segundo</p><p>Carmelo Cattafi (Cattafi, 2013), privilegia a comunidade humana que existe independentemente</p><p>da existência do Estado-nação.</p><p>o luspositivismo surgiu como um contraponto a teoria naturalista da escola hispânica. Para</p><p>Cattafi, a ligação entre a escola de direito natural e a escola positivista é Richard Zouch, na</p><p>Inglaterra, que em meados do século XVII escreveu sua doutrina sobre os direitos de um</p><p>diplomata criminoso. Depois de Zouch, surgiram autores como Emerich de Vattel, que se revelou</p><p>uma das figuras mais predominantes no positivismo clássico. De Vattel reconhece que, além da</p><p>existência da lei das nações, existem três elementos-chave para justificar sua força vinculante: o</p><p>consentimento das nações quando este é implícito, o consentimento explicito através de uma</p><p>convenção e o consentimento tácito através do costume.</p><p>24</p><p>FUN1BER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITARIA IBEROAMERICANA</p><p>Introdução ao ambiente</p><p>do Direito Internacional</p><p>Público</p><p>Conceito</p><p>Os jusnaturalistas</p><p>Doutrina</p><p>Os positivistas</p><p>Princípios do Direito</p><p>Internacional Publico:</p><p>Interpretação da Resolução</p><p>2625 da Assembleia Geral das</p><p>Nações Unidas (AGNU)</p><p>Monismo e dualismo</p><p>Aplicação do Direito</p><p>Internacional Público e</p><p>Privado</p><p>Soberania e Direito</p><p>Internacional Público</p><p>Figura 2.1. Doutrina de Direito Internacional Público. Imagem tirada de</p><p>http://prod77ms.itesm.mx/podcast/EDTM/ID262.pdf</p><p>2.2.2. CONCEITO DE DIREITO INTERNACIONAL PUBLICO</p><p>Portanto, no direito internacional existe um elemento siu generis como ramo independente da</p><p>ciência do direito como tal, e é a aplicabilidade de um caráter obrigatório que não emana de uma</p><p>regra contida em um sistema jurídico doméstico como tal, mas sim, os Estados assinam outro</p><p>documento de caráter internacional no qual expressam a vontade de cumprir tais regras e até</p><p>mesmo introduzi-la em seu sistema jurídico doméstico de acordo com seus próprios</p><p>procedimentos e disposições legais. 0 imperativo hierárquico das disposições normativas</p><p>internacionais é imposto por cada Estado signatário dentro de suas disposições legais nacionais.</p><p>Desta forma, vários Estados reconhecem a preeminência do direito internacional sobre o direito</p><p>interno, geralmente em matéria de direitos humanos, mas é importante ressaltar que esta não é</p><p>uma disposição aceita internacionalmente como tal pelas Nações Unidas, mas sim que cada</p><p>Estado, dentro de seu sistema jurídico interno,</p><p>reconhece esta hierarquia de normas.</p><p>A classificação do direito internacional pode ser feita do ponto de vista macro, o que a divide em:</p><p>Direito Internacional Privado e Direito Internacional Publico; o primeiro constitui um conjunto de</p><p>regras, instituições e procedimentos que permitem a aplicação de disposições legais internas de</p><p>um Estado em outro Estado, em casos específicos e no interesse de indivíduos e não de outros</p><p>Estados; por outro lado, o Direito Internacional Público constitui o conjunto de regras, princípios e</p><p>instituições que regulam as relações entre sujeitos internacionais.</p><p>25</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>Desta forma, podemos identificar dois elementos essenciais que diferenciam o direito</p><p>internacional público do direito internacional privado. 0 primeiro elemento é o sujeito ao qual se</p><p>aplica: no direito internacional privado o sujeito é uma pessoa física que, em um caso especifico,</p><p>busca a aplicação deste ramo do direito internacional; caso contrário, no direito internacional</p><p>público o sujeito é um Estado ou qualquer outra entidade com personalidade jurídica internacional</p><p>reconhecida, que busca a aplicação de regras padronizadas internacionalmente. 0 segundo</p><p>elemento é o assunto ou objeto. No direito internacional privado, o assunto ou objeto é a aplicação</p><p>de regras internas de um Estado na jurisdição de outro, em casos particulares e específicos.</p><p>Quanto ao Direito Internacional Público, seu tema ou objeto é a regulamentação das relações</p><p>políticas internacionais através da criação de regulamentos que estabelecem as diretrizes entre</p><p>os Estados para suas relações bilaterais ou multilaterais.</p><p>A ideia do direito internacional baseia-se na coexistência pacifica dos Estados no mundo, razão</p><p>pela qual Carlos Lirios Ochaita apresenta o direito internacional como "um conjunto de regras e</p><p>princípios que regulam as relações amistosas dos Estados e a cooperação entre eles" (Larios</p><p>Ochaita 2013).</p><p>Quando estudamos o Direito Internacional Público, a primeira abordagem que devemos ter em</p><p>mente é que ele consiste no conjunto de regras que regulam as relações existentes entre países</p><p>ou estados. Entretanto, há outros assuntos que podem fazer parte desta relação fora dos</p><p>sistemas jurídicos nacionais de cada pais, que são reconhecidos como tendo personalidade</p><p>jurídica internacional. Para este fim, Maldonado define o direito internacional (Maldonado, 2014)</p><p>como o "conjunto de normas, princípios e disposições que, embora não tenham emanado do</p><p>sistema jurídico ordinário dos Estados, são obrigatórias para eles, seja porque expressaram</p><p>expressamente sua vontade de cumpri-las ou, em casos excepcionais, porque sua observância é</p><p>imperativa" Trata-se de uma conceituação um pouco mais precisa do direito internacional, pois</p><p>abrange, além dos Estados, outros temas que, por sua natureza jurídica, podem participar destas</p><p>relações internacionais, que discutiremos mais adiante neste capitulo.</p><p>Em relação ao Direito Internacional Público, a prática e o estudo doutrinário do mesmo gerou a</p><p>necessidade de dividi-lo em sub-categorias, devido ao fato de que existem numerosos tipos de</p><p>relações internacionais que devem ser regulamentadas entre os sujeitos do Direito Internacional.</p><p>Algumas destas subcategorias são: Direito Marítimo, Direito Internacional Humanitário, Direito dos</p><p>Refugiados e Direito Internacional dos Direitos Humanos, sobre as quais o desenvolvimento deste</p><p>tema será focado.</p><p>0 Direito Internacional Público tem uma dupla função, que é regular as relações entre os sujeitos</p><p>internacionais e também a organização e o funcionamento da comunidade internacional. 0 direito</p><p>internacional tem evoluído ao longo da história junto com os Estados. Como os Estados mudaram,</p><p>o sistema internacional também mudou, e as organizações internacionais agora desempenham</p><p>um papel importante e são consideradas sujeitos do direito internacional porque têm os poderes</p><p>necessários para se relacionar com outros sujeitos que têm o mesmo status dentro da esfera</p><p>internacional.</p><p>26</p><p>FUNIBER</p><p>FUNDAÇÃO UNIVERSITÃRIA IBEROAMERICANA</p><p>2.2.3. 0 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO</p><p>Seus antecedentes históricos remontam ao século XVII com a consolidação dos Estados-nação na</p><p>Europa Ocidental. Um Estado-nação é um sistema de organização politica caracterizado por uma</p><p>população constante governada por um governo e constituída em um território claramente</p><p>definido. Eles surgiram em 1648 com o Tratado de Vestefália, que pôs um fim ao feudalismo na</p><p>Europa Ocidental e introduziu uma organização politica territorial governada por um governo com</p><p>fronteiras claramente definidas.</p><p>Foi durante o século XVII que se desenvolveram os principais fundamentos do direito internacional</p><p>público como um ramo do direito que regula as relações políticas entre os Estados. Esta primeira</p><p>fase da origem do direito internacional público durou até o final da Segunda Guerra Mundial.</p><p>Nesta fase, os principais expoentes da existência do direito internacional público são destacados:</p><p>Francis de Vittoria, que promoveu a existência de uma comunidade internacional, e Emerich de</p><p>Vattel, que promoveu a ideia de uma Liga das Nações, cujo conceito seria utilizado dois séculos</p><p>depois para a criação de um organismo internacional estabelecido para lançar as bases para a</p><p>paz após a Primeira Guerra Mundial.</p><p>A maior influência na origem do Direito Internacional Público é atribuída a Hugo Groot e sua obra</p><p>"A Lei de Guerra e Paz: Três Livros", que ele publicou em 1625, que é considerado o primeiro a</p><p>reconhecer que existe um novo sistema de direito entre Estados que não se limita apenas ao</p><p>continente europeu, mas se estende a todos os Estados do mundo.</p><p>Hugo Grotius foi o primeiro autor a promover o principio da observância e respeito aos pactos</p><p>entre Estados como base do direito internacional, promovendo uma cultura pacifica nas relações</p><p>entre os Estados baseada no respeito e nos bons costumes.</p><p>Esta etapa do Direito Internacional Público é doutrinariamente conhecida como o Clássico,</p><p>distinguindo-se por seu foco na distribuição de competências entre os Estados, principalmente</p><p>aqueles de grandes potências que tiveram que defender seus interesses particulares em termos</p><p>de expansão colonial na América, Asia e continente africano. A principal fonte do Direito</p><p>Internacional Público Clássico era o direito consuetudinário.</p><p>A Revolução Francesa de 1789, a independência dos Estados Unidos em 1776, e os processos de</p><p>emancipação na América Latina, provocaram uma importante alteração no Direito Internacional</p><p>Público; os Estados chegaram a acordos que foram incorporados em instrumentos, gerando assim</p><p>as primeiras regulamentações que regem o Direito Internacional Público.</p><p>Finalmente, no final da Segunda Guerra Mundial em 1945, as diretrizes regulamentares para as</p><p>relações internacionais e sua estrutura jurídica normativa foram reconsideradas. Neste momento</p><p>histórico, foi estabelecido um novo Direito Internacional Público, que procura regular uma parceria</p><p>internacional entre sujeitos de direito internacional que têm sua personalidade jurídica</p><p>reconhecida. E neste momento, com a assinatura da Carta das Nações Unidas, que começou o</p><p>Direito Internacional Público que conhecemos hoje, que examinaremos em profundidade durante</p><p>o curso deste assunto.</p><p>27</p><p>Direito público internacional e direitos humanos</p><p>Sepúlveda explica (Sepúlveda, 2000) que o direito internacional surgiu simultaneamente com a</p><p>formação dos grandes estados europeus no século XVI: Espanha, França, Inglaterra, Austria,</p><p>Escandinávia. As raizes do direito internacional certamente se encontram no inicio da Idade</p><p>Média, mas este ramo não se manifestou com suas características peculiares até o</p><p>desmembramento do Santo Império Romano e a descoberta da América, com todos os seus</p><p>efeitos.</p><p>2.2.4. FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PUBLICO</p><p>Para compreender</p>

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