Prévia do material em texto
<p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>1</p><p>1ª FASE OAB | 40° EXAME</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>2</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>3</p><p>1ª FASE OAB | 42° EXAME</p><p>Ética</p><p>Prof. Leonardo Fetter</p><p>Sumário</p><p>1. Legislação da Ordem dos Advogados ..................................................................................... 5</p><p>1.1. Natureza jurídica da OAB ..................................................................................................... 5</p><p>2. Órgão de Gestão da OAB ........................................................................................................ 6</p><p>2.1. Conselho Federal (arts. 51 a 55 do Estatuto) ....................................................................... 7</p><p>2.2. Conselhos Seccionais (arts. 56 a 59 do Estatuto) ................................................................ 9</p><p>2.3. Subseção (arts. 60 e 61 do Estatuto) .................................................................................. 10</p><p>3. Eleições e Mandatos na OAB ................................................................................................ 12</p><p>3.1. Apontamentos gerais .......................................................................................................... 12</p><p>3.2. Dos requisitos para a candidatura ...................................................................................... 13</p><p>3.3. Vedação para votar ............................................................................................................. 13</p><p>3.4. Eleição do Conselho Federal .............................................................................................. 14</p><p>4. Inscrição na OAB ................................................................................................................... 14</p><p>4.1. Advogado estrangeiro ......................................................................................................... 16</p><p>5. Licenciamento e Cancelamento da Inscrição ......................................................................... 16</p><p>5.1. Licenciamento ..................................................................................................................... 16</p><p>5.2. Cancelamento da inscrição ................................................................................................. 17</p><p>6. Estagiário ............................................................................................................................... 17</p><p>7. Advogado Empregado ........................................................................................................... 19</p><p>8. Atividades Privativas do Advogado ........................................................................................ 20</p><p>9. Sociedade de Advogados ...................................................................................................... 21</p><p>9.1. Conceito e formação da sociedade de advogados ............................................................. 21</p><p>9.2. Advogado associado – art. 17-A do Estatuto ...................................................................... 23</p><p>10. Procuração e Mandato ......................................................................................................... 24</p><p>10.1. Disposições gerais ............................................................................................................ 24</p><p>10.2. Da renúncia ....................................................................................................................... 25</p><p>10.3. Da revogação .................................................................................................................... 25</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>4</p><p>10.4. Do substabelecimento ....................................................................................................... 26</p><p>11. Honorários Advocatícios ...................................................................................................... 26</p><p>11.1. Honorários contratados/convencionados .......................................................................... 26</p><p>11.2. Honorários arbitrados ........................................................................................................ 27</p><p>11.3. Honorários de sucumbência ............................................................................................. 29</p><p>12. Advocacia Pro Bono............................................................................................................. 32</p><p>13. Direitos e Prerrogativas do Advogado.................................................................................. 33</p><p>13.1. Deveres do advogado ....................................................................................................... 33</p><p>13.2. Prerrogativas do advogado ............................................................................................... 35</p><p>13.3. Inviolabilidade do escritório (local de trabalho) ................................................................. 37</p><p>13.4. Comunicação com o cliente .............................................................................................. 37</p><p>13.5. Prisão em flagrante do advogado ..................................................................................... 37</p><p>13.6. Local da prisão .................................................................................................................. 38</p><p>13.7. Relação com o magistrado ............................................................................................... 38</p><p>13.8. Exame de autos ................................................................................................................ 38</p><p>13.9. Exame de inquérito policial ............................................................................................... 39</p><p>13.10. Desagravo (arts. 18 e 19 do Regulamento Geral) .......................................................... 39</p><p>13.11. Sigilo profissional ............................................................................................................ 39</p><p>14. Direitos da Mulher Advogada ............................................................................................... 40</p><p>15. Publicidade Profissional ....................................................................................................... 42</p><p>16. Infrações e Sanções Disciplinares ....................................................................................... 47</p><p>16.1. Infrações disciplinares ....................................................................................................... 47</p><p>16.2. Sanções disciplinares ....................................................................................................... 47</p><p>17. Processo Disciplinar............................................................................................................. 49</p><p>17.1. Prescrição no processo disciplinar .................................................................................... 50</p><p>17.2. Reabilitação (art. 41 do Estatuto) ...................................................................................... 51</p><p>18. Incompatibilidade e Impedimento ........................................................................................ 51</p><p>18.1. Conceito ............................................................................................................................ 51</p><p>18.2. Causas que geram a incompatibilidade (art. 28 do Estatuto) ............................................ 52</p><p>18.3. Causas que geram o impedimento ................................................................................... 53</p><p>Olá, aluno(a)! Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para</p><p>a 1ª Fase OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso, reco-</p><p>menda-se que</p><p>ao exercício da advo-</p><p>cacia, ainda assim terá o advogado a prerrogativa de local especial para sua prisão).</p><p>Segundo decisões reiteradas do STF, a falta de instalações condignas para receber o</p><p>advogado lhe garante o direito de prisão domiciliar (sempre até o trânsito em julgado da decisão</p><p>condenatória).</p><p>13.7. Relação com o magistrado</p><p>Conforme o art. 6º do Estatuto, não existe hierarquia nem subordinação entre advogados</p><p>e magistrados. Ainda, conforme o art. 7º, inciso VI, do Estatuto, é direito do advogado ingressar</p><p>livremente nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte</p><p>reservada aos magistrados e tem direito de conversar com o juiz, ou seja, ser atendido pelo juiz,</p><p>independentemente de hora marcada, conforme inciso VIII do mesmo dispositivo legal.</p><p>13.8. Exame de autos</p><p>O advogado tem direito a vistas dos autos em andamento (ou arquivados), mesmo sem</p><p>procuração – este direito garante a possibilidade de tirar cópia e fazer apontamentos, conforme</p><p>incisos XIII, XIV e XV do art. 7º do Estatuto. Caso os autos estejam protegidos por sigilo, para</p><p>ter acesso será necessária a procuração.</p><p>Tem o advogado, ainda, o direito de retirar os autos em carga – para o exercício deste</p><p>direito será necessária a procuração. Excepcionalmente, será concedida carga de autos ar-</p><p>quivados sem procuração, conforme o art. 7º, inciso XVI do Estatuto, no entanto, estando prote-</p><p>gidos por sigilo, necessária também, neste caso, a procuração.</p><p>Resumindo:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>39</p><p>Sempre que os autos estiverem protegidos pelo sigilo (segredo de justiça), o acesso do</p><p>advogado, seja para vistas, seja para carga, dependerá da procuração.</p><p>13.9. Exame de inquérito policial</p><p>Tem direito o advogado de fazer cópias e apontamentos de autos de prisão em flagrante</p><p>ou inquérito policial, findo ou em andamento (ainda que concluso à autoridade), mesmo sem</p><p>procuração. Será necessária a procuração apenas quando o Inquérito Policial estiver sob sigilo</p><p>(segredo de justiça).</p><p>13.10. Desagravo (arts. 18 e 19 do Regulamento Geral)</p><p>O desagravo é a forma que a OAB tem, como instituição de classe, de responder a ofensas</p><p>exaradas contra advogados no exercício (ou em razão) da profissão. Como a ofensa atinge não só</p><p>o advogado, mas todos os advogados, o pedido pode ser feito por qualquer pessoa (e, também</p><p>nesta mesma linha, o desagravo não depende de concordância do ofendido, que não pode dis-</p><p>pensá-lo, devendo ser promovido a critério do Conselho).</p><p>Quem decide se haverá ou não o desagravo é o Conselho Seccional – no caso de urgên-</p><p>cia, poderá a diretoria do Conselho conceder imediatamente o desagravo, ad referendum do</p><p>órgão competente do Conselho. Não sendo caso de urgência, o pedido será analisado podendo</p><p>o relator solicitar informações da pessoa ou autoridade que proferiu as ofensas, no prazo de 15</p><p>dias, sem que isso configure condição para a concessão do desagravo, conforme o §2º do art.</p><p>18 do Regulamento Geral.</p><p>O pedido de desagravo deverá ser decidido no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, con-</p><p>forme o §5º do art. 18 do Regulamento Geral. Deferido o pedido de desagravo, a sessão deverá</p><p>ocorrer no prazo máximo de 30 (trinta) dias – no local da ofensa ou onde se encontre a autoridade</p><p>ofensora, na forma do §6º do art. 18 do Regulamento Geral.</p><p>13.11. Sigilo profissional</p><p>O sigilo profissional do advogado é inerente à profissão – não depende de cláusula de</p><p>confidencialidade. E, importante, abrange toda e qualquer comunicação entre cliente e advo-</p><p>gado. Caso seja o advogado arrolado como testemunha e as perguntas digam respeitos a fatos</p><p>que ele tomou conhecimento em decorrência do sigilo, ser-lhe-á autorizado e reconhecido o di-</p><p>reito de não depor. Exceções:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>40</p><p>Importante: de acordo com o art. 35 do Código de Ética e Disciplina da OAB, o advogado</p><p>tem o dever de guardar sigilo dos fatos de que tome conhecimento no exercício da profissão e,</p><p>conforme o inciso XIX do art. 7º do Estatuto da Advocacia e da OAB, é direito do advogado</p><p>recusar-se a depor como testemunha sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou foi</p><p>advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato que</p><p>constitua sigilo profissional.</p><p>14. Direitos da Mulher Advogada</p><p>Fixou o Estatuto, no art. 7º-A, uma série de direitos que a advogada mulher possui, espe-</p><p>cificamente aquela que for gestante, lactante, que der à luz ou adotar. Perceba-se, então:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>41</p><p>Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante aplicam-se enquanto perdurar, res-</p><p>pectivamente, o estado gravídico ou o período de amamentação.</p><p>Os direitos assegurados nos incisos II e III do art. 7º-A do Estatuto à advogada adotante</p><p>ou que der à luz serão concedidos pelo prazo previsto no art. 392 da CLT, ou seja, pelo prazo</p><p>de 120 (cento e vinte) dias.</p><p>II - lactante, adotante ou que der à luz, acesso a creche, onde houver, ou a local adequado</p><p>ao atendimento das necessidades do bebê;</p><p>III - gestante, lactante, adotante ou que der à luz, preferência na ordem das sustentações</p><p>orais e das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua</p><p>condição;</p><p>O direito assegurado no inciso IV do art. 7º-A do Estatuto à advogada adotante ou que der</p><p>à luz será concedido pelo prazo previsto no § 6º do art. 313 do CPC, ou seja, 30 (trinta) dias,</p><p>contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão</p><p>de nascimento ou documento similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial</p><p>que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente.</p><p>IV - adotante ou que der à luz, suspensão de prazos processuais quando for a única pa-</p><p>trona da causa, desde que haja notificação por escrito ao cliente.</p><p>Atenção: o direito de suspensão de prazos processuais – sendo o único procurador e</p><p>notificando o cliente, foi estendido ao advogado que adotar ou cuja esposa der à luz (art. 313, X,</p><p>do CPC) – ressalte-se que, para o advogado homem, o prazo de suspensão será de 8 (oito) dias</p><p>(art. 313, § 7°, do CPC). Para a mulher, tal suspensão será de 30 (trinta) dias, conforme o art.</p><p>313, § 6°, do CPC.</p><p>Lembrar!</p><p>São direitos da advogada gestante:</p><p>• entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de metais e aparelhos de</p><p>raios X;</p><p>• reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais;</p><p>• preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas</p><p>a cada dia, mediante comprovação de sua condição;</p><p>São direitos da advogada lactante:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>42</p><p>• acesso a creche, onde houver, ou a local adequado ao atendimento das necessi-</p><p>dades do bebê;</p><p>• preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas</p><p>a cada dia, mediante comprovação de sua condição;</p><p>São direitos da advogada adotante</p><p>• acesso a creche, onde houver, ou a local adequado ao atendimento das necessi-</p><p>dades do bebê (será concedido pelo prazo 120 dias);</p><p>• suspensão de prazos processuais quando for a única patrona da causa, desde que</p><p>haja notificação por escrito ao cliente 30 dias, contado a partir da data do parto ou</p><p>da concessão da adoção).</p><p>São direitos da advogada que der à luz</p><p>• acesso a creche, onde houver, ou a local adequado ao atendimento das necessi-</p><p>dades do bebê (será concedido pelo prazo 120 dias);</p><p>• preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas</p><p>a cada dia, mediante comprovação de sua condição (será concedido pelo prazo</p><p>120 dias);</p><p>• suspensão de prazos processuais quando for a única patrona da causa, desde que</p><p>haja notificação por escrito ao cliente 30 dias, contado a partir da data do parto ou</p><p>da concessão da adoção).</p><p>Importante: Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante aplicam-se enquanto</p><p>perdurar, respectivamente, o estado gravídico ou o período de amamentação.</p><p>15. Publicidade Profissional</p><p>A palavra-chave nas regras referentes à publicidade é a moderação. Não pode a publici-</p><p>dade ter um viés Mercantilista, Empresarial, Industrial ou Comercial.</p><p>Não pode o advogado fazer propaganda de seus serviços ou atividades, pois propaganda</p><p>visa à captação de clientela e tal conduta é vedada, faz-se necessário uma leitura atenta dos</p><p>arts. 40 e 42 do CED.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>43</p><p>Art. 40. Os meios utilizados para a publicidade profissional hão de ser compatíveis</p><p>com a diretriz estabelecida no artigo anterior, sendo vedados:</p><p>I – a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão;</p><p>II – o uso de outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de publicidade;</p><p>III – as inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço pú-</p><p>blico;</p><p>IV – a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades ou a</p><p>indicação de vínculos entre uns e outras;</p><p>V – o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos</p><p>literários, culturais, acadêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando</p><p>de eventual participação em programas de rádio ou televisão, ou em</p><p>veiculação de matérias pela internet, sendo permitida a referência a e-mail;</p><p>VI – a utilização de mala direta, a distribuição de panfletos ou formas assemelhadas de</p><p>publicidade, com o intuito de captação de clientela.</p><p>Parágrafo único. Exclusivamente para fins de identificação dos escritórios de advocacia, é</p><p>permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, desde</p><p>que respeitadas as diretrizes previstas no artigo 39.</p><p>Art. 42. É vedado ao advogado:</p><p>I – responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comuni-</p><p>cação social;</p><p>II – debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advo-</p><p>gado;</p><p>III – abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que o</p><p>congrega;</p><p>IV – divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas;</p><p>V – insinuar-se para reportagens e declarações públicas.</p><p>Ainda, são admissíveis como formas de publicidade o patrocínio de eventos ou publica-</p><p>ções de caráter científico ou cultural, assim como a divulgação de boletins, por meio físico ou</p><p>eletrônico, sobre matéria cultural de interesse dos advogados, desde que sua circulação fique</p><p>adstrita a clientes e a interessados do meio jurídico, conforme o art. 45 do CED.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>44</p><p>Além do CED, é importante se atentar ao Provimento CFOAB n° 205/2021, o qual veio</p><p>para modernizar a publicidade, principalmente a publicidade na internet.</p><p>O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, no uso das atribuições que lhe</p><p>são conferidas pelo art. 54, V, da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, e considerando as</p><p>normas sobre publicidade e informação da advocacia constantes no Código de Ética e</p><p>Disciplina, no Provimento n° 94/2000, em resoluções e em assentos dos Tribunais de Ética</p><p>e Disciplina dos diversos Conselhos Seccionais; considerando a necessidade de ordená-</p><p>las de forma sistemática e de especificar adequadamente sua compreensão; e conside-</p><p>rando o decidido nos autos da Proposição n. 49.0000.2021.001737-6/COP, resolve:</p><p>Art. 1° É permitido o marketing jurídico, desde que exercido de forma compatível com os</p><p>preceitos éticos e respeitadas as limitações impostas pelo Estatuto da Advocacia, Regu-</p><p>lamento Geral, Código de Ética e Disciplina e por este Provimento.</p><p>§ 1° As informações veiculadas deverão ser objetivas e verdadeiras e são de exclusiva</p><p>responsabilidade das pessoas físicas identificadas e, quando envolver pessoa jurídica,</p><p>dos sócios administradores da sociedade de advocacia que responderão pelos excessos</p><p>perante a Ordem dos Advogados do Brasil, sem excluir a participação de outros inscritos</p><p>que para ela tenham concorrido.</p><p>§ 2° Sempre que solicitado pelos órgãos competentes para a fiscalização da Ordem dos</p><p>Advogados do Brasil, as pessoas indicadas no parágrafo anterior deverão comprovar a</p><p>veracidade das informações veiculadas, sob pena de incidir na infração disciplinar prevista</p><p>no art. 34, inciso XVI, do Estatuto da Advocacia e da OAB, entre outras eventualmente</p><p>apuradas.</p><p>Art. 2° Para fins deste provimento devem ser observados os seguintes conceitos:</p><p>I – Marketing jurídico: Especialização do marketing destinada aos profissionais da área</p><p>jurídica, consistente na utilização de estratégias planejadas para alcançar objetivos do</p><p>exercício da advocacia;</p><p>II – Marketing de conteúdos jurídicos: estratégia de marketing que se utiliza da criação e</p><p>da divulgação de conteúdos jurídicos, disponibilizados por meio de ferramentas de comu-</p><p>nicação, voltada para informar o público e para a consolidação profissional do(a) advo-</p><p>gado(a) ou escritório de advocacia;</p><p>III – Publicidade: meio pelo qual se tornam públicas as informações a respeito de pessoas,</p><p>ideias, serviços ou produtos, utilizando os meios de comunicação disponíveis, desde que</p><p>não vedados pelo Código de Ética e Disciplina da Advocacia;</p><p>IV – Publicidade profissional: meio utilizado para tornar pública as informações atinentes</p><p>ao exercício profissional, bem como os dados do perfil da pessoa física ou jurídica inscrita</p><p>na Ordem dos Advogados do Brasil, utilizando os meios de comunicação disponíveis,</p><p>desde que não vedados pelo Código de Ética e Disciplina da Advocacia;</p><p>V – Publicidade de conteúdos jurídicos: divulgação destinada a levar ao conhecimento do</p><p>público conteúdos jurídicos;</p><p>VI – Publicidade ativa: divulgação capaz de atingir número indeterminado de pessoas,</p><p>mesmo que elas não tenham buscado informações acerca do anunciante ou dos temas</p><p>anunciados;</p><p>VII – Publicidade passiva: divulgação capaz de atingir somente público certo que tenha</p><p>buscado informações acerca do anunciante ou dos temas anunciados, bem como por</p><p>aqueles que concordem previamente com o recebimento do anúncio;</p><p>VIII – Captação de clientela: para fins deste provimento, é a utilização de mecanismos de</p><p>marketing que, de forma ativa, independentemente do resultado obtido, se destinam a</p><p>angariar clientes pela indução à contratação dos serviços ou estímulo do litígio, sem pre-</p><p>juízo do estabelecido no Código de Ética e Disciplina e regramentos próprios.</p><p>Art. 3° A publicidade profissional deve ter caráter meramente informativo e primar pela</p><p>discrição e sobriedade, não podendo configurar captação de clientela ou mercantilização</p><p>da profissão, sendo vedadas as seguintes condutas:</p><p>I – referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade</p><p>ou descontos e reduções de preços como forma de captação de clientes;</p><p>II – divulgação de informações que possam induzir a erro ou causar dano a clientes, a</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>45</p><p>outros(as) advogados(as) ou à sociedade;</p><p>III – anúncio de especialidades para as quais não possua título certificado ou notória es-</p><p>pecialização, nos termos do parágrafo único do art. 3º-A do Estatuto da Advocacia;</p><p>IV – utilização de orações ou expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de</p><p>comparação;</p><p>V – distribuição de brindes, cartões de visita, material impresso e digital, apresentações</p><p>dos serviços ou afins de maneira indiscriminada em locais públicos, presenciais ou virtuais,</p><p>salvo em eventos de interesse jurídico.</p><p>§ 1° Entende-se por publicidade profissional sóbria, discreta e informativa a divulgação</p><p>que, sem ostentação, torna público o perfil profissional e as informações atinentes ao exer-</p><p>cício profissional, conforme estabelecido pelo § 1°, do art. 44, do Código de Ética e Disci-</p><p>plina, sem incitar diretamente ao litígio judicial, administrativo ou à contratação de serviços,</p><p>sendo vedada a promoção pessoal.</p><p>§ 2° Os consultores e as sociedades de consultores em direito estrangeiro devidamente</p><p>autorizadas</p><p>pela Ordem dos Advogados do Brasil, nos termos do Provimento nº 91/2000,</p><p>somente poderão realizar o marketing jurídico com relação às suas atividades de consul-</p><p>toria em direito estrangeiro correspondente ao país ou Estado de origem do profissional</p><p>interessado. Para esse fim, nas peças de caráter publicitário a sociedade acrescentará</p><p>obrigatoriamente ao nome ou razão social que internacionalmente adote a expressão</p><p>“Consultores em direito estrangeiro” (art. 4º do Provimento 91/2000).</p><p>Art. 4° No marketing de conteúdos jurídicos poderá ser utilizada a publicidade ativa ou</p><p>passiva, desde que não esteja incutida a mercantilização, a captação de clientela ou o</p><p>emprego excessivo de recursos financeiros, sendo admitida a utilização de anúncios, pa-</p><p>gos ou não, nos meios de comunicação, exceto nos meios vedados pelo art. 40 do Código</p><p>de Ética e Disciplina e desde que respeitados os limites impostos pelo inciso V do mesmo</p><p>artigo e pelo Anexo Único deste provimento.</p><p>§ 1° Admite-se, na publicidade de conteúdos jurídicos, a identificação profissional com</p><p>qualificação e títulos, desde que verdadeiros e comprováveis quando solicitados pela Or-</p><p>dem dos Advogados do Brasil, bem como com a indicação da sociedade da qual faz parte.</p><p>§ 2° Na divulgação de imagem, vídeo ou áudio contendo atuação profissional, inclusive</p><p>em audiências e sustentações orais, em processos judiciais ou administrativos, não alcan-</p><p>çados por segredo de justiça, serão respeitados o sigilo e a dignidade profissional e ve-</p><p>dada a referência ou menção a decisões judiciais e resultados de qualquer natureza obti-</p><p>dos em procedimentos que patrocina ou participa de alguma forma, ressalvada a hipótese</p><p>de manifestação espontânea em caso coberto pela mídia.</p><p>§ 3° Para os fins do previsto no inciso V do art. 40 do Código de Ética e Disciplina, equi-</p><p>param-se ao e-mail, todos os dados de contato e meios de comunicação do escritório ou</p><p>advogado(a), inclusive os endereços dos sites, das redes sociais e os aplicativos de men-</p><p>sagens instantâneas, podendo também constar o logotipo, desde que em caráter informa-</p><p>tivo, respeitados os critérios de sobriedade e discrição.</p><p>§ 4° Quando se tratar de venda de bens e eventos (livros, cursos, seminários ou congres-</p><p>sos), cujo público-alvo sejam advogados(as), estagiários(as) ou estudantes de direito, po-</p><p>derá ser utilizada a publicidade ativa, observadas as limitações do caput deste artigo.</p><p>§ 5° É vedada a publicidade a que se refere o caput mediante uso de meios ou ferramentas</p><p>que influam de forma fraudulenta no seu impulsionamento ou alcance.</p><p>Art. 5° A publicidade profissional permite a utilização de anúncios, pagos ou não, nos</p><p>meios de comunicação não vedados pelo art. 40 do Código de Ética e Disciplina.</p><p>§ 1° É vedado o pagamento, patrocínio ou efetivação de qualquer outra despesa para</p><p>viabilizar aparição em rankings, prêmios ou qualquer tipo de recebimento de honrarias em</p><p>eventos ou publicações, em qualquer mídia, que vise destacar ou eleger profissionais</p><p>como detentores de destaque.</p><p>§ 2° É permitida a utilização de logomarca e imagens, inclusive fotos dos(as) advoga-</p><p>dos(as) e do escritório, assim como a identidade visual nos meios de comunicação profis-</p><p>sional, sendo vedada a utilização de logomarca e símbolos oficiais da Ordem dos Advo-</p><p>gados do Brasil.</p><p>§ 3° É permitida a participação do advogado ou da advogada em vídeos ao vivo ou grava-</p><p>dos, na internet ou nas redes sociais, assim como em debates e palestras virtuais, desde</p><p>que observadas as regras dos arts. 42 e 43 do CED, sendo vedada a utilização de casos</p><p>concretos ou apresentação de resultados.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>46</p><p>Art. 6° Fica vedada, na publicidade ativa, qualquer informação relativa às dimensões, qua-</p><p>lidades ou estrutura física do escritório, assim como a menção à promessa de resultados</p><p>ou a utilização de casos concretos para oferta de atuação profissional.</p><p>Parágrafo único. Fica vedada em qualquer publicidade a ostentação de bens relativos ao</p><p>exercício ou não da profissão, como uso de veículos, viagens, hospedagens e bens de</p><p>consumo, bem como a menção à promessa de resultados ou a utilização de casos con-</p><p>cretos para oferta de atuação profissional.</p><p>Art. 7° Considerando que é indispensável a preservação do prestígio da advocacia, as</p><p>normas estabelecidas neste provimento também se aplicam à divulgação de conteúdos</p><p>que, apesar de não se relacionarem com o exercício da advocacia, possam atingir a repu-</p><p>tação da classe à qual o profissional pertence.</p><p>Art. 8° Não é permitido vincular os serviços advocatícios com outras atividades ou divul-</p><p>gação conjunta de tais atividades, salvo a de magistério, ainda que complementares ou</p><p>afins.</p><p>Parágrafo único. Não caracteriza infração ético-disciplinar o exercício da advocacia em</p><p>locais compartilhados (coworking), sendo vedada a divulgação da atividade de advocacia</p><p>em conjunto com qualquer outra atividade ou empresa que compartilhem o mesmo es-</p><p>paço, ressalvada a possibilidade de afixação de placa indicativa no espaço físico em que</p><p>se desenvolve a advocacia e a veiculação da informação de que a atividade profissional é</p><p>desenvolvida em local de coworking.</p><p>Art. 9° Fica criado o Comitê Regulador do Marketing Jurídico, de caráter consultivo, vin-</p><p>culado à Diretoria do Conselho Federal, que nomeará seus membros, com mandato con-</p><p>comitante ao da gestão, e será composto por:</p><p>I – 05 (cinco) Conselheiros(as) Federais, um(a) de cada região do país, indicados(as) pela</p><p>Diretoria do CFOAB;</p><p>II – 01 (um) representante do Colégio de Presidentes de Seccionais.</p><p>III – 01 (um) representante indicado pelo Colégio de Presidentes dos Tribunais de Ética e</p><p>Disciplina;</p><p>IV – 01 (um) representante indicado pela Coordenação Nacional de Fiscalização da Ativi-</p><p>dade Profissional da Advocacia; e</p><p>V – 01 (um) representante indicado pelo Colégio de Presidentes das Comissões da Jovem</p><p>Advocacia.</p><p>§ 1° O Comitê Regulador do Marketing Jurídico se reunirá periodicamente para acompa-</p><p>nhar a evolução dos critérios específicos sobre marketing, publicidade e informação na</p><p>advocacia constantes do Anexo Único deste provimento, podendo propor ao Conselho</p><p>Federal a alteração, a supressão ou a inclusão de novos critérios e propostas de alteração</p><p>do provimento.</p><p>§ 2° Com a finalidade de pacificar e unificar a interpretação dos temas pertinentes perante</p><p>os Tribunais de Ética e Disciplina e Comissões de Fiscalização das Seccionais, o Comitê</p><p>poderá propor ao Órgão Especial, com base nas disposições do Código de Ética e Disci-</p><p>plina e pelas demais disposições previstas neste provimento, sugestões de interpretação</p><p>dos dispositivos sobre publicidade e informação.</p><p>Art. 10. As Seccionais poderão conceder poderes coercitivos à respectiva Comissão de</p><p>Fiscalização, permitindo a expedição de notificações com a finalidade de dar efetividade</p><p>às disposições deste provimento.</p><p>Art. 11. Faz parte integrante do presente provimento o Anexo Único, que estabelece os</p><p>critérios específicos sobre a publicidade e informação da advocacia.</p><p>Art. 12. Fica revogado o Provimento n° 94, de 05 de setembro de 2000, bem como as</p><p>demais disposições em contrário.</p><p>Parágrafo único. Este provimento não se aplica às eleições do sistema OAB, que possui</p><p>regras próprias quanto à campanha e à publicidade.</p><p>Art. 13. Este Provimento entra em vigor no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de</p><p>sua publicação no Diário Eletrônico da OAB.</p><p>Cabeção, importante! Ler os arts. 39 a 47-A do CED.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>47</p><p>16. Infrações e Sanções Disciplinares</p><p>16.1. Infrações disciplinares</p><p>Previsão legal: art. 34 do Estatuto da Advocacia e a OAB.</p><p>As infrações são condutas negativas ou comportamentos indesejados do advogado, defi-</p><p>nidas e tipificadas pelo Estatuto (e não podem ser objeto de interpretação extensiva ou analó-</p><p>gica). Apenas os inscritos na OAB podem cometer infração disciplinar, pois não há como res-</p><p>ponsabilizar terceiro, não inscrito na OAB.</p><p>Na forma</p><p>do art. 34, XXX, é infração disciplinar praticar assédio moral, assédio sexual ou</p><p>discriminação.</p><p>E o Estatuto conceituou tais infrações da seguinte forma:</p><p>I - assédio moral: a conduta praticada no exercício profissional ou em razão dele, por meio</p><p>da repetição deliberada de gestos, palavras faladas ou escritas ou comportamentos que</p><p>exponham o estagiário, o advogado ou qualquer outro profissional que esteja prestando</p><p>seus serviços a situações humilhantes e constrangedoras, capazes de lhes causar ofensa</p><p>à personalidade, à dignidade e à integridade psíquica ou física, com o objetivo de excluí-</p><p>los das suas funções ou de desestabilizá-los emocionalmente, deteriorando o ambiente</p><p>profissional;</p><p>II - assédio sexual: a conduta de conotação sexual praticada no exercício profissional ou</p><p>em razão dele, manifestada fisicamente ou por palavras, gestos ou outros meios, proposta</p><p>ou imposta à pessoa contra sua vontade, causando-lhe constrangimento e violando a sua</p><p>liberdade sexual;</p><p>III - discriminação: a conduta comissiva ou omissiva que dispense tratamento constrange-</p><p>dor ou humilhante a pessoa ou grupo de pessoas, em razão de sua deficiência, pertença</p><p>a determinada raça, cor ou sexo, procedência nacional ou regional, origem étnica, condi-</p><p>ção de gestante, lactante ou nutriz, faixa etária, religião ou outro fator.</p><p>Importante: tais infrações, caso emerja decisão condenatório, serão punidas com a penas</p><p>de suspensão, na forma do art. 37, I do Estatuto.</p><p>16.2. Sanções disciplinares</p><p>Previsão legal: arts. 35 a 43 do Estatuto.</p><p>Já as sanções disciplinares, para serem aplicadas, exigem devido processo legal (contra-</p><p>ditório e ampla defesa) – ou seja, processo disciplinar válido. Dividem-se em censura (existindo</p><p>atenuantes, pode ser substituída por advertência), suspensão e exclusão.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>48</p><p>16.2.1. Censura (art. 36 do Estatuto)</p><p>A censura é aplicada, quando o advogado comete atos contrários ao Código de Ética</p><p>e Disciplina da OAB. Não é pública e consiste em registrar no prontuário do advogado a pena.</p><p>A censura poderá ser convertida em advertência, situação em que será apenas remetido</p><p>um ofício reservado ao advogado, sem qualquer registro no prontuário.</p><p>Existindo circunstâncias atenuantes, previstas no art. 40 do Estatuto.</p><p>Art. 40. Na aplicação das sanções disciplinares, são consideradas, para fins de atenua-</p><p>ção, as seguintes circunstâncias, entre outras:</p><p>I - falta cometida na defesa de prerrogativa profissional;</p><p>II - ausência de punição disciplinar anterior;</p><p>III - exercício assíduo e proficiente de mandato ou cargo em qualquer órgão da OAB;</p><p>IV - prestação de relevantes serviços à advocacia ou à causa pública.</p><p>Parágrafo único. Os antecedentes profissionais do inscrito, as atenuantes, o grau de culpa</p><p>por ele revelada, as circunstâncias e as consequências da infração são considerados para</p><p>o fim de decidir:</p><p>a) sobre a conveniência da aplicação cumulativa da multa e de outra sanção disciplinar;</p><p>b) sobre o tempo de suspensão e o valor da multa aplicáveis.</p><p>16.2.2. Suspensão (art. 37 do Estatuto)</p><p>Aplicada a pena de suspensão, ficará o advogado proibido de exercer a advocacia em</p><p>todo o território nacional (embora tenha que continuar pagando anuidade da OAB). Infrações</p><p>disciplinares que podem resultar na pena de suspensão:</p><p>• Todas que envolvam dinheiro (podendo ser aplicada e mantida até que devolva o</p><p>dinheiro do cliente);</p><p>• Erros reiterados, configurando inépcia (somente erro é censura);</p><p>• Retenção abusiva de autos;</p><p>• Conduta inadequada (ex.: envolvimento com drogas, álcool, escândalos, improbi-</p><p>dade etc.).</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>49</p><p>Importante! As penas somente poderão ser aplicadas após o trânsito em julgado da de-</p><p>cisão condenatória. No entanto, existe uma exceção: a suspensão preventiva prevista no art.</p><p>70, § 3º, do Estatuto (havendo repercussão prejudicial à dignidade da advocacia), o Tribunal de</p><p>Ética e Disciplina poderá notificar o acusado para uma sessão especial, em que será analisada</p><p>a aplicação ou não da suspensão preventiva (o acusado terá direito de apresentar sua defesa</p><p>nesta sessão, pelo prazo de 15 minutos).</p><p>Caso aplicada a suspensão preventiva, o julgamento do processo disciplinar deve acon-</p><p>tecer em 90 (noventa) dias, sob pena de constrangimento ilegal.</p><p>Existe, ainda, uma sanção acessória: a multa. É uma espécie de agravante, não existe</p><p>sozinha, apenas aplicada em conjunto com a censura ou a suspensão (na exclusão, não existe</p><p>multa).</p><p>16.2.3. Exclusão (art. 38 do Estatuto)</p><p>A exclusão é a pena mais grave, será pública e gerará o cancelamento da inscrição. Será</p><p>aplicada nas seguintes infrações:</p><p>• Prova falsa de requisito da inscrição;</p><p>• Falta de idoneidade moral para o exercício da advocacia;</p><p>• Prática de crime infamante;</p><p>• Produzir/acertar delação premiada contra cliente ou ex-cliente;</p><p>• Terceira suspensão.</p><p>Para aplicação da exclusão, será necessária a manifestação de dois terços do Conselho</p><p>Seccional de forma favorável.</p><p>17. Processo Disciplinar</p><p>Será instaurado de ofício ou mediante representação, contudo, essa representação não</p><p>pode ser anônima. A atribuição para conduzir o processo, na primeira instância, será do Tribunal</p><p>de Ética e Disciplina, órgão subordinado ao Conselho Seccional. Será garantido o sigilo do pro-</p><p>cesso até a decisão final, proporcionando-se ao acusado a mais ampla e constitucional defesa.</p><p>O julgamento do TED, apesar de ser a primeira instância, será colegiado (não existe de-</p><p>cisão monocrática).</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>50</p><p>O recurso contra decisão do TED será de competência do Conselho Seccional, por uma</p><p>de suas Câmaras Julgadoras. Os recursos terão, como regra, o duplo efeito (devolutivo e sus-</p><p>pensivo).</p><p>Excepcionalmente, o recurso terá apenas efeito devolutivo nos seguintes casos:</p><p>• Processo/recurso referente à eleição da OAB;</p><p>• Exclusão de advogado que produziu prova falsa para inscrição nos quadros da</p><p>OAB;</p><p>• Suspensão preventiva.</p><p>Importante! Alteração no § 1° do art. 69 do Estatuto. Foi alterada a forma de contagem</p><p>de prazos, especificamente nos casos de comunicação por ofício reservado ou de notificação</p><p>pessoal, considerando-se o dia do começo do prazo o primeiro dia útil imediato ao da juntada</p><p>aos autos do respectivo aviso de recebimento.</p><p>Art. 69. Todos os prazos necessários à manifestação de advogados, estagiários e tercei-</p><p>ros, nos processos em geral da OAB, são de quinze dias, inclusive para interposição de</p><p>recursos.</p><p>§ 1° Nos casos de comunicação por ofício reservado ou de notificação pessoal, considera-</p><p>se dia do começo do prazo o primeiro dia útil imediato ao da juntada aos autos do respec-</p><p>tivo aviso de recebimento.</p><p>§ 2° No caso de atos, notificações e decisões divulgados por meio do Diário Eletrônico da</p><p>Ordem dos Advogados do Brasil, o prazo terá início no primeiro dia útil seguinte à publica-</p><p>ção, assim considerada o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação</p><p>no Diário.</p><p>17.1. Prescrição no processo disciplinar</p><p>A prescrição da pretensão punitiva ocorre após 5 (cinco) anos da ciência oficial dos atos</p><p>que poderia gerar a abertura de um processo disciplinar.</p><p>Este prazo será interrompido nas seguintes circunstâncias:</p><p>• Instauração do processo disciplinar;</p><p>• Notificação regular do acusado;</p><p>• Decisão condenatória recorrível.</p><p>No decorrer do processo, é possível acontecer a prescrição intercorrente, a qual é iden-</p><p>tificada pela paralização do processo disciplinar por mais de três anos.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>51</p><p>17.2. Reabilitação (art. 41 do Estatuto)</p><p>Tem direito o advogado punido de pretender a reabilitação, uma forma de, ultrapassado de-</p><p>terminado prazo, afastar dos seus registros a referência sobre a punição sofrida (maneira de “limpar</p><p>a ficha”). O Estatuto prevê, de forma expressa, que será permitido requerer a reabilitação após</p><p>um ano do cumprimento da pena.</p><p>Atenção: quando a pena disciplinar decorrer de condenação criminal, a reabilitação pe-</p><p>rante a OAB exigirá, primeiro, a reabilitação criminal.</p><p>Importante!</p><p>Súmula nº 12/2022/OEP</p><p>O Órgão Especial do Conselho Pleno do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do</p><p>Brasil, no uso das suas atribuições conferidas no art. 86 do Regulamento Geral da Lei nº</p><p>8.906/94, considerando o julgamento do Recurso nº 49.0000.2018.010646-4/OEP, deci-</p><p>diu, por unanimidade de votos, em sessão ordinária realizada no dia 20 de setembro de</p><p>2022, editar a Súmula nº 12/2022, com o seguinte enunciado: “A AUSÊNCIA DO PARE-</p><p>CER PRELIMINAR PREVISTO NO ART. 59, §7°, DO CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA</p><p>DA OAB, GERA NULIDADE RELATIVA, A SER RECONHECIDA SE COMPROVADO O</p><p>PREJUÍZO CAUSADO”.</p><p>Súmula nº 13/2022/OEP</p><p>O Órgão Especial do Conselho Pleno do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do</p><p>Brasil, no uso das suas atribuições conferidas no art. 86 do Regulamento Geral da Lei nº</p><p>8.906/94, considerando o julgamento do Recurso nº 49.0000.2016.006052-7/OEP, deci-</p><p>diu, por unanimidade de votos, em sessão ordinária realizada no dia 20 de setembro de</p><p>2022, editar a Súmula nº 13/2022, com o seguinte enunciado: “Interrompem a prescrição</p><p>as decisões do Conselho Federal da OAB que inadmitam recursos interpostos contra acór-</p><p>dão condenatório ou mantenham a sua inadmissibilidade por ausência de violação à Lei</p><p>nº 8.906/94, ausência de contrariedade à decisão do Conselho Federal ou de outro Con-</p><p>selho Seccional e, ainda, ausência de violação ao Regulamento Geral, ao Código de Ética</p><p>e Disciplina e aos Provimentos (art. 75, da Lei 8.906/94), por ostentarem caráter condena-</p><p>tório, nos termos do art. 43, § 2°, II, do Estatuto da Advocacia e da OAB.”.</p><p>18. Incompatibilidade e Impedimento</p><p>18.1. Conceito</p><p>Impedimento é a proibição parcial (limitação) do exercício da advocacia e incompati-</p><p>bilidade é a proibição total do exercício da advocacia.</p><p>A incompatibilidade pode ser definitiva (gerará o cancelamento da inscrição) ou poderá</p><p>ser temporária (circunstância que acarretará o licenciamento da inscrição). Já o impedimento</p><p>não gera licenciamento ou cancelamento; o advogado impedido pode advogar, tem carteira da</p><p>OAB, mas exercerá a advocacia com algumas limitações.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>52</p><p>18.2. Causas que geram a incompatibilidade (art. 28 do Estatuto)</p><p>Conforme o art. 28 do Estatuto, a advocacia é incompatível, mesmo em causa própria,</p><p>com as seguintes atividades:</p><p>A incompatibilidade não cessa quando o ocupante deixa de exercer o cargo que a gerou</p><p>temporariamente.</p><p>Estatuto da Advocacia e a OAB</p><p>Art. 28. (...)</p><p>§ 2º Não se incluem nas hipóteses do inciso III os que não detenham poder de decisão</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>53</p><p>relevante sobre interesses de terceiro, a juízo do conselho competente da OAB, bem</p><p>como a administração acadêmica diretamente relacionada ao magistério jurídico.</p><p>Ou seja, não têm incompatibilidade Diretor ou Coordenador de Curso/Faculdade de Direito</p><p>de Universidade Pública.</p><p>Gerente de banco (público ou privado) não pode advogar; no entanto, o Gerente Jurídico</p><p>de banco pode, exclusivamente para o banco.</p><p>18.3. Causas que geram o impedimento</p><p>Na forma do art. 30 do Estatuto, são impedidos de exercer a advocacia:</p><p>Atenção, cabeçones! Membro do Poder Legislativo que faz parte da mesa diretora</p><p>exerce atividade incompatível com a advocacia (não poder advogar). Então, e em resumo,</p><p>quanto ao Poder Legislativo: a) faz parte da mesa – incompatível; b) não faz parte da mesa –</p><p>impedimento.</p><p>Vale recordar que o impedimento aparece na carteira da OAB.</p><p>Gerente de banco (público ou privado) não pode advogar; no entanto, o Gerente Jurídico</p><p>de banco pode, exclusivamente para o banco.</p><p>Por fim, destaca-se que existem alguns cargos públicos com poder de mando (p. ex.: Pro-</p><p>curador-Geral do Estados, Defensor Público Geral, Advogado Geral da União, entre outros) que</p><p>são habilitados a exercer a advocacia nos limites do seu cargo (não podem exercer em causa</p><p>própria).</p><p>O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade de dispositivos do</p><p>Estatuto da Advocacia que autorizavam policiais e militares na ativa a advogar em causa própria.</p><p>A decisão unânime foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7227.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>54</p><p>Seguindo o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, foi julgado procedente o pedido for-</p><p>mulado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra os parágrafos</p><p>3º e 4º do artigo 28 do Estatuto (Lei nº 8.906/1994). Os dispositivos, incluídos em 2022 pela Lei</p><p>nº 14.365, permitiam a atuação "estritamente para fins de defesa e tutela de direitos pessoais",</p><p>mediante inscrição especial na OAB.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>55</p><p>o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente.</p><p>Bons estudos, Equipe Ceisc.</p><p>Atualizado em agosto de 2024.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>5</p><p>1. Legislação da Ordem dos Advogados</p><p>Prof. Leonardo Fetter</p><p>@prof.fetter</p><p>Inicialmente é importante ressaltar que é necessário estudar ética através de três normas,</p><p>sendo elas:</p><p>Atenção: a legislação para o estudo deve estar atualizada até a data do edital.</p><p>1.1. Natureza jurídica da OAB</p><p>Os advogados que compõem os órgãos de gestão da OAB não são remunerados. Con-</p><p>tudo, as pessoas contratadas para trabalharem na OAB, de acordo com a CLT, são remunera-</p><p>das.</p><p>Não há dúvida de que a OAB presta serviço público, com personalidade jurídica e forma</p><p>federativa. A OAB tem natureza jurídica especial e única, sui generis, sendo pessoa jurídica de</p><p>direito público interno, que executa serviço público federal, porém não equiparável à autarquia</p><p>nem à entidade paraestatal, conforme definição do STF exarada na ADI nº 3.026/DF (rel. Min.</p><p>Eros Grau – Tribunal Pleno – j. 8-6-2006 – publicado em 29-9-2006).</p><p>Dentro dessa natureza jurídica diferenciada da OAB, ela tem imunidade quanto a tributos,</p><p>contudo, atente-se, isso não quer dizer isenção. Dessa forma, a OAB tem uma qualidade/di-</p><p>reito/prerrogativa das pessoas jurídicas de direito público, qual seja, a imunidade.</p><p>Ainda, o contrato particular de honorários não exige duas testemunhas, nos termos do</p><p>artigo 784, inciso III do CPC, para ser considerado título executivo extrajudicial, e isso quer dizer</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>6</p><p>que o contrato de honorários é uma exceção, pois é sim possível ser executado como título</p><p>executivo extrajudicial, ainda que não cumpra os requisitos de CPC.</p><p>Por fim, o advogado, em uma condição de gestor da OAB, tem recebido legitimidade de</p><p>interferir em processos que não são “seus”, mas que neles está ocorrendo violação de prerroga-</p><p>tivas do advogado atuante.</p><p>2. Órgão de Gestão da OAB</p><p>A partir da identificação dos órgãos de gestão da OAB, é possível perceber como a OAB</p><p>se organiza, como a OAB é gerida e, após, entender as eleições, pois todos os órgãos de gestão</p><p>são alcançados através de eleições.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>7</p><p>2.1. Conselho Federal (arts. 51 a 55 do Estatuto)</p><p>O Conselho Federal é integrado por três Conselheiros Federais (a chamada delegação)</p><p>oriundos dos Conselhos Seccionais (equivocadamente chamados de OAB Estadual), que são</p><p>eleitos (compõem a chapa do Conselho Seccional) e têm mandato de três anos.</p><p>Também são considerados membros do Conselho Federal, na forma do art. 51, inciso II</p><p>do Estatuto, seus ex-presidentes (na qualidade de membros honorários vitalícios). Nas delibe-</p><p>rações, os ex-presidentes têm apenas direito de manifestação (voz), não de voto (decisão).</p><p>O voto no Conselho Federal é por delegação, entretanto, na escolha da Diretoria, cada</p><p>membro da delegação tem um voto, na forma do art. 53, §3º do Estatuto. Para os votos, vale a</p><p>maioria da delegação (se houver empate, o voto vai ser invalidado – art. 77 do Regulamento</p><p>Geral).</p><p>Importante! A competência do Conselho Federal está instituída nos incisos do art. 54 do</p><p>Estatuto da OAB:</p><p>Art. 54. Compete ao Conselho Federal:</p><p>I – dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB;</p><p>II – representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos advoga-</p><p>dos;</p><p>III – velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia;</p><p>IV – representar, com exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e eventos inter-</p><p>nacionais da advocacia;</p><p>V – editar e alterar o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina, e os Provimentos</p><p>que julgar necessários;</p><p>VI – adotar medidas para assegurar o regular funcionamento dos Conselhos Seccionais;</p><p>VII – intervir nos Conselhos Seccionais, onde e quando constatar grave violação desta lei</p><p>ou do regulamento geral;</p><p>VIII – cassar ou modificar, de ofício ou mediante representação, qualquer ato, de órgão ou</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>8</p><p>autoridade da OAB, contrário a esta lei, ao regulamento geral, ao Código de Ética e Disci-</p><p>plina, e aos Provimentos, ouvida a autoridade ou o órgão em causa;</p><p>IX – julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos Conselhos Seccionais, nos</p><p>casos previstos neste estatuto e no regulamento geral;</p><p>X – dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos</p><p>privativos;</p><p>XI – apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua diretoria;</p><p>XII – homologar ou mandar suprir relatório anual, o balanço e as contas dos Conselhos</p><p>Seccionais;</p><p>XIII – elaborar as listas constitucionalmente previstas, para o preenchimento dos cargos</p><p>nos tribunais judiciários de âmbito nacional ou interestadual, com advogados que estejam</p><p>em pleno exercício da profissão, vedada a inclusão de nome de membro do próprio Con-</p><p>selho ou de outro órgão da OAB;</p><p>XIV – ajuizar ação direta de inconstitucionalidade de normas legais e atos normativos,</p><p>ação civil pública, mandado de segurança coletivo, mandado de injunção e demais ações</p><p>cuja legitimação lhe seja outorgada por lei;</p><p>XV – colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos jurídicos, e opinar, previamente, nos</p><p>pedidos apresentados aos órgãos competentes para criação, reconhecimento ou creden-</p><p>ciamento desses cursos;</p><p>XVI – autorizar, pela maioria absoluta das delegações, a oneração ou alienação de seus</p><p>bens imóveis;</p><p>XVII – participar de concursos públicos, nos casos previstos na Constituição e na lei, em</p><p>todas as suas fases, quando tiverem abrangência nacional ou interestadual;</p><p>XVIII – resolver os casos omissos neste estatuto.</p><p>XIX – fiscalizar, acompanhar e definir parâmetros e diretrizes da relação jurídica mantida</p><p>entre advogados e sociedades de advogados ou entre escritório de advogados sócios e</p><p>advogado associado, inclusive no que se refere ao cumprimento dos requisitos norteado-</p><p>res da associação sem vínculo empregatício;</p><p>XX – promover, por intermédio da Câmara de Mediação e Arbitragem, a solução sobre</p><p>questões atinentes à relação entre advogados sócios ou associados e homologar, caso</p><p>necessário, quitações de honorários entre advogados e sociedades de advogados, obser-</p><p>vado o disposto no inciso XXXV do caput do art. 5º da Constituição Federal.</p><p>Parágrafo único. A intervenção referida no inciso VII deste artigo depende de prévia apro-</p><p>vação por dois terços das delegações, garantido o amplo direito de defesa do Conselho</p><p>Seccional respectivo, nomeando-se diretoria provisória para o prazo que se fixar.</p><p>A eleição dos membros de todos os órgãos da OAB, conforme o art. 63 do Estatuto, acon-</p><p>tecerá na segunda quinzena do mês de novembro, do último ano do mandato, mediante cé-</p><p>dula única e votação direta, de comparecimento obrigatório, para todos os advogados regu-</p><p>larmente inscritos na OAB.</p><p>Veja o esquema na página a seguir...</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>9</p><p>Importante! Com exceção do candidato a Presidente, os demais integrantes da chapa</p><p>deverão ser conselheiros federais eleitos, conforme o art. 67, parágrafo único, do Estatuto.</p><p>2.2. Conselhos Seccionais (arts. 56 a 59 do Estatuto)</p><p>Há um Conselho Seccional por Estado e o Conselho Seccional é composto pelo Presi-</p><p>dente, sua Diretoria e pelos Conselheiros Estaduais (estes têm direito de votar, de decidir e</p><p>deliberar – e o voto é unipessoal, diferente do Conselho Federal, que é por delegação).</p><p>Também podem participar das reuniões do Conselho Seccional o presidente da Caixa de</p><p>Assistência dos Advogados (CAA), os conselheiros federais, o presidente do Conselho Federal,</p><p>presidentes das subseções, presidente do Instituto dos Advogados e ex-presidentes do próprio</p><p>Conselho. Estes últimos podem participar das reuniões e têm o direito de manifestação (voz –</p><p>de emitir opinião), mas não poderão participar das deliberações, ou seja, não terão o direito de</p><p>votar (este</p><p>será exercido apenas pelos conselheiros e diretoria).</p><p>2.2.1. Caixa de Assistência dos Advogados (art. 62 do Estatuto)</p><p>A Caixa de Assistência dos Advogados (CAA) é vinculada ao Conselho Seccional e tem</p><p>como objetivo prestar assistência aos advogados inscritos no Conselho Seccional a que se vin-</p><p>cule (órgão assistencial), conforme o art. 62 do Estatuto. Adquire personalidade jurídica quando</p><p>seu Estatuto for aprovado e registrado junto ao Conselho Seccional e pode possuir patrimônio</p><p>próprio, que será incorporado ao Conselho Seccional respectivo no caso de extinção da CAA.</p><p>Na forma do §7º do art. 62 do Estatuto, o Conselho Seccional, mediante voto de dois</p><p>terços de seus membros, pode intervir na Caixa de Assistência dos Advogados, no caso de</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>10</p><p>descumprimento de suas finalidades, designando diretoria provisória, enquanto durar a interven-</p><p>ção.</p><p>2.2.2. Tribunal de Ética e Disciplina (TED)</p><p>A atribuição do Tribunal de Ética e Disciplina está definida no art. 71 do Código de Ética</p><p>e Disciplina:</p><p>a) Julgar, em primeiro grau, os processos ético-disciplinares;</p><p>b) Responder a consultas formuladas, em tese, sobre matéria ético-disciplinar;</p><p>c) Exercer as competências que lhe sejam conferidas pelo Regimento Interno da Sec-</p><p>cional ou por este Código para a instauração, instrução e julgamento de processos</p><p>ético-disciplinares;</p><p>d) Suspender, preventivamente, o acusado, em caso de conduta suscetível de acarre-</p><p>tar repercussão prejudicial à advocacia, nos termos do Estatuto da Advocacia e da</p><p>Ordem dos Advogados do Brasil;</p><p>e) Organizar, promover e ministrar cursos, palestras, seminários e outros eventos da</p><p>mesma natureza acerca da ética profissional do advogado ou estabelecer parcerias</p><p>com as Escolas de Advocacia, com o mesmo objetivo;</p><p>f) Atuar como órgão mediador ou conciliador nas questões que envolvam: dúvidas e</p><p>pendências entre advogados; partilha de honorários contratados em conjunto ou</p><p>decorrentes de substabelecimento, bem como os que resultem de sucumbência,</p><p>nas mesmas hipóteses; e controvérsias surgidas quando da dissolução de socie-</p><p>dade de advogados.</p><p>Atenção: a principal atribuição será de julgar, em primeiro grau, o processo disciplinar –</p><p>seria a primeira instância (a segunda instância seria uma das Câmaras vinculadas ao Conselho</p><p>Seccional, ou seja, o recurso contra decisão do TED).</p><p>2.3. Subseção (arts. 60 e 61 do Estatuto)</p><p>A Subseção é parte autônoma do Conselho Seccional, abrange um ou mais municí-</p><p>pios, desde que possua, pelo menos, 15 advogados a ela vinculados, de acordo com o art. 60</p><p>do Estatuto. Quando tiver mais de cem advogados inscritos e vinculados, a subseção pode criar</p><p>seu Conselho, conforme o §3o do art. 60 do Estatuto.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>11</p><p>Conforme o parágrafo único do art. 61 do Estatuto, ao Conselho da Subseção, quando</p><p>houver, compete exercer as funções e atribuições do Conselho Seccional, na forma do regimento</p><p>interno deste, e ainda: a) editar seu regimento interno, a ser referendado pelo Conselho Seccio-</p><p>nal; b) editar resoluções, no âmbito de sua competência; c) instaurar e instruir processos disci-</p><p>plinares, para julgamento pelo Tribunal de Ética e Disciplina; d) receber pedido de inscrição nos</p><p>quadros de advogado e estagiário, instruindo e emitindo parecer prévio, para decisão do Conse-</p><p>lho Seccional.</p><p>2.3.1. Conferência Nacional dos Advogados (arts. 145 a 149 do Regula-</p><p>mento Geral)</p><p>A Conferência Nacional da Advocacia Brasileira é órgão consultivo máximo do Conselho</p><p>Federal, reunindo-se trienalmente, no segundo ano do mandato, tendo por objetivo o estudo e o</p><p>debate das questões e problemas que digam respeito às finalidades da OAB e ao congraçamento</p><p>da advocacia, conforme art. 145 do Regulamento Geral.</p><p>Ainda, na forma do §1º do art. 145 do Regulamento Geral, as Conferências da Advocacia</p><p>dos Estados e do Distrito Federal são órgãos consultivos dos Conselhos Seccionais, reunindo-</p><p>se também trienalmente, no segundo ano do mandato.</p><p>Veja o esquema na página a seguir...</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>12</p><p>Atenção: os convidados, expositores e membros dos órgãos da OAB têm identificação</p><p>especial durante a Conferência. Os estudantes de direito, mesmo inscritos como estagiários na</p><p>OAB, são membros ouvintes, escolhendo um porta-voz entre os presentes em cada sessão da</p><p>Conferência.</p><p>3. Eleições e Mandatos na OAB</p><p>3.1. Apontamentos gerais</p><p>Os advogados votarão em chapas regularmente inscritas para o Conselho Seccional (Di-</p><p>retoria, Conselheiros Seccionais, Três Conselheiros Federais e Diretoria da CAA) e Subseção</p><p>(Diretoria e Conselho da Subseção – se existir).</p><p>Nas eleições diretas, o voto será obrigatório para os advogados regularmente inscritos</p><p>– inscrição principal (não votar representa multa – 20% sobre o valor da anuidade). O voto será</p><p>facultativo para os advogados com inscrição suplementar (para votar deve avisar com ante-</p><p>cedência).</p><p>Cabeção, importante!</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>13</p><p>3.2. Dos requisitos para a candidatura</p><p>São requisitos para a candidatura (cargos de gestão na OAB) aqueles previstos nos arts.</p><p>63, § 2o, do Estatuto e 131, §6º, do Regulamento Geral:</p><p>Estatuto da Advocacia e da OAB</p><p>Art. 63. A eleição dos membros de todos os órgãos da OAB será realizada na segunda</p><p>quinzena do mês de novembro, do último ano do mandato, mediante cédula única e vota-</p><p>ção direta dos advogados regularmente inscritos. (...)</p><p>§ 2º O candidato deve comprovar situação regular perante a OAB, não ocupar cargo exo-</p><p>nerável ad nutum, não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação, e</p><p>exercer efetivamente a profissão há mais de 3 (três) anos, nas eleições para os cargos de</p><p>Conselheiro Seccional e das Subseções, quando houver, e há mais de 5 (cinco) anos, nas</p><p>eleições para os demais cargos.</p><p>Regulamento Geral</p><p>Art. 131. São admitidas a registro apenas chapas completas, que deverão atender ao</p><p>percentual de 50% para candidaturas de cada gênero e, ao mínimo, de 30% (trinta por</p><p>cento) de advogados negros e de advogadas negras, assim considerados os(as) inscri-</p><p>tos(as) na Ordem dos Advogados do Brasil que se classificam (autodeclaração) como ne-</p><p>gros(as), ou seja, pretos(as) ou pardos(as), ou definição análoga (critérios subsidiários de</p><p>heteroidentificação).</p><p>§ 6º Fica delegada à Comissão Eleitoral, de cada Seccional, analisar e deliberar os casos</p><p>onde as chapas das Subseções informarem a inexistência ou insuficiência de advogados</p><p>negros (pretos e pardos) e advogadas negras (pretas e pardas), com condições de elegi-</p><p>bilidade a concorrer nas chapas, no percentual aprovado em 30% (trinta por cento) referido</p><p>no caput deste artigo.</p><p>Atenção: também não poderá ser candidato o advogado que exercer cargo público de-</p><p>missível ad nutum, ou seja, que não tem estabilidade – o fato de não ter estabilidade retira a</p><p>necessária independência do advogado, não permitindo sua candidatura.</p><p>3.3. Vedação para votar</p><p>São proibidos de votar os advogados na condição de inadimplentes (devendo anuidade)</p><p>e os estagiários (inscritos na OAB – estagiário paga anuidade, mas não tem direito de votar).</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>14</p><p>3.4. Eleição do Conselho Federal</p><p>A eleição no Conselho Federal é indireta; quem vai eleger a diretoria são os três Conse-</p><p>lheiros Federais (integrantes das delegações de cada unidade federativa e eleitos junto com a</p><p>chapa do Conselho Seccional).</p><p>Cuidado, cabeçones! O presidente do Conselho Federal não precisa ser Conselheiro Fe-</p><p>deral (art. 67, par. ún., do Estatuto da OAB).</p><p>Importante: os três Conselheiros Federais de cada Estado, que assumem no Conselho</p><p>Federal, são chamados de delegação. Nas decisões de competência do Conselho Federal, es-</p><p>ses Conselheiros Federais apresentarão um voto por delegação. Para a eleição de Diretoria</p><p>do Conselho Federal, o voto é individual</p><p>de cada Conselheiro, não há voto por delegação.</p><p>Ainda, sobre as decisões dentro de cada órgão de gestão, é importante atentar-se para</p><p>os seguintes questionamentos:</p><p>4. Inscrição na OAB</p><p>Inicialmente, é necessário recordar que a condição de Advogado se adquire com a inscri-</p><p>ção na OAB (e não com a aprovação no Exame da OAB – este é apenas um dos requisitos para</p><p>postular a inscrição). Dessa forma, os requisitos para inscrição junto a OAB estão definidos no</p><p>art. 8º do Estatuto:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>15</p><p>Atenção: as atividades incompatíveis com a advocacia estão definidas no art. 28 do Es-</p><p>tatuto e geram a proibição absoluta do exercício da advocacia.</p><p>O bacharel em direito, quando não graduado no Brasil, além de atender os requisitos do</p><p>art. 8º do Estatuto, ainda deve fazer prova do título de graduação, obtido em instituição estran-</p><p>geira, devidamente revalidado.</p><p>A falta de idoneidade moral deve ser analisada pelo Conselho Seccional (por decisão de</p><p>dois terços de seus membros), a fim de impedir a inscrição (sendo concedido ao interessado</p><p>o direito ao contraditório).</p><p>Exemplo: o Conselho Federal já definiu que, a prática de violência contra a mulher, assim</p><p>definida na Convenção Interamericana de Belém do Pará, constitui fator apto a demonstrar a</p><p>ausência de idoneidade moral para a inscrição de bacharel em Direito nos quadros da OAB,</p><p>independentemente da instância criminal. Assim, cada Conselho Seccional tem liberdade de</p><p>analisar, caso a caso, a idoneidade – ou ausência dela – para fins de deferimento ou indeferi-</p><p>mento da inscrição.</p><p>Deferida e autorizada a inscrição, o advogado somente receberá sua carteira profissional</p><p>depois de prestar compromisso perante o Conselho Seccional (juramento previsto no art. 20</p><p>do Regulamento Geral). Tal compromisso é solene, formal e personalíssimo, ou seja, não</p><p>pode ser feito por procuração.</p><p>A inscrição deverá ser feita perante o Conselho Seccional onde o advogado exercerá</p><p>a advocacia com habitualidade. Será denominada inscrição principal. Ainda, poderá o</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>16</p><p>advogado, facultativamente, buscar inscrição em outro Conselho Seccional, a denominada ins-</p><p>crição suplementar.</p><p>O advogado deverá possuir uma inscrição principal e poderá ter quantas inscrição suple-</p><p>mentares quiser, contudo, apenas uma por Conselho Seccional).</p><p>Importante! A inscrição suplementar será obrigatória quando:</p><p>• 1ª situação: quando o advogado estiver atuando em mais de cinco causas em</p><p>Conselho Seccional onde ele não tenha a inscrição principal. Exemplo: advogado</p><p>com inscrição principal no Rio Grande do Sul pode atuar – exercer a advocacia –</p><p>em qualquer Estado; mas se possuir mais de cinco ações num Estado, deverá pro-</p><p>videnciar a inscrição suplementar naquele Conselho Seccional correspondente.</p><p>• 2ª situação: quando o advogado for sócio de Sociedade de Advogados, deverá</p><p>obrigatoriamente possuir inscrição (principal ou suplementar) perante o Conselho</p><p>Seccional onde a sociedade foi registrada.</p><p>Não será exigido um novo exame de ordem para cada inscrição suplementar, mas é</p><p>importante lembrar que, para cada inscrição (principal ou suplementar) haverá a incidência de</p><p>uma anuidade (ex.: dez inscrições, dez anuidades).</p><p>Importante! Para atuar nos Tribunais Superiores não haverá necessidade de Inscrição</p><p>Suplementar.</p><p>4.1. Advogado estrangeiro</p><p>Para advogar no Brasil, o advogado deve se inscrever na OAB, submetendo-se aos mes-</p><p>mos requisitos do advogado brasileiro (terá, no entanto, que revalidar seu diploma, circunstância</p><p>que não é de competência da OAB).</p><p>Ainda, o advogado estrangeiro, pode receber uma autorização (precária), mediante re-</p><p>querimento ao Conselho Seccional, para dar Consultoria em direito estrangeiro.</p><p>5. Licenciamento e Cancelamento da Inscrição</p><p>5.1. Licenciamento</p><p>Licenciamento é forma de interrupção temporária da inscrição, ou seja, é uma forma</p><p>de o advogado suspender sua capacidade postulatória, considerando que, durante o período</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>17</p><p>de licenciamento ele não pode advogar. Ainda, durante o período que o advogado estiver licen-</p><p>ciado, ele não pagará a anuidade.</p><p>Atenção: o advogado licenciado não perde o número da sua inscrição, tampouco sua</p><p>inscrição é cancelada.</p><p>5.2. Cancelamento da inscrição</p><p>O cancelamento da inscrição configura interrupção definitiva do exercício da advoca-</p><p>cia. Com o cancelamento, a pessoa deixa de ser advogada, perde sua capacidade postulató-</p><p>ria. Pode acontecer em cinco hipóteses:</p><p>1) A pedido (personalíssimo): não precisa ser fundamentado, mas deve ser assinado</p><p>pelo advogado postulante;</p><p>2) Exclusão (pena mais grave do Estatuto): a punição com a exclusão vai gerar o</p><p>cancelamento da inscrição;</p><p>3) O exercício de atividade incompatível (forma definitiva);</p><p>4) Perda dos requisitos da inscrição (art. 8º do Estatuto);</p><p>5) Falecimento do advogado.</p><p>Importante! Se a pessoa já possui atividade incompatível no ato da inscrição, haverá o</p><p>seu indeferimento (art. 8º do Estatuto). A aplicação, por três vezes, da pena de suspensão ge-</p><p>rará a pena de exclusão, que acarretará o cancelamento da inscrição.</p><p>6. Estagiário</p><p>Para obter a inscrição como estagiário, devem ser obedecidos os requisitos do art. 9° do</p><p>Estatuto, quais sejam:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>18</p><p>O Estagiário com inscrição na OAB paga anuidade, mas não pode votar. Além disso, o</p><p>estagiário tem direito de praticar todos os atos privativos da advocacia, desde que em conjunto</p><p>com o advogado e sob a responsabilidade deste.</p><p>Na forma do art. 29, §1º do Regulamento Geral, o estagiário inscrito na OAB pode praticar</p><p>isoladamente os seguintes atos, sob a responsabilidade do advogado:</p><p>O Estagiário, para atuar no processo, deve ter poderes, ou seja, ele deve aparecer na</p><p>procuração ou no substabelecimento.</p><p>Importante! Estagiário não pode fazer publicidade, nem mesmo em conjunto com o ad-</p><p>vogado.</p><p>É permitido ao bacharel em direito buscar inscrição como estagiário, na forma do art. 9º,</p><p>§ 4º, do Estatuto.</p><p>Alteração singela, mas relevante, diz respeito à possibilidade de o estágio profissional ser</p><p>feito no regime de teletrabalho, fixando-se algumas exigências quanto a requisitos do termo de</p><p>convênio e de estágio (art. 9º, §§ 5° e 6°, do Estatuto).</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>19</p><p>7. Advogado Empregado</p><p>Conforme o art. 18 do Estatuto, o advogado empregado é um profissional assalariado,</p><p>mas esta relação de emprego não pode retirar sua independência profissional.</p><p>Além disso, na forma do §1º do art. 18, o advogado empregado não estará obrigado à</p><p>prestação de serviços profissionais de interesse pessoal dos empregadores, desde que fora da</p><p>relação de emprego.</p><p>O advogado empregado tem jornada de trabalho de 8 horas diárias e 40 semanais, con-</p><p>forme o art. 20 do Estatuto.</p><p>Será considerado período de trabalho o tempo que o advogado estiver à disposição do</p><p>empregador, aguardando ou executando ordens, seja no escritório, seja em atividades externas.</p><p>Ao advogado empregado será reembolsadas as despesas feitas com transporte, hospe-</p><p>dagem e alimentação.</p><p>Importante! Conforme o §2º do art. 20 do Estatuto, as horas trabalhadas que excederem</p><p>a jornada normal de trabalho, são remuneradas por um adicional não inferior a cem por cento</p><p>sobre o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito. Além disso, na forma do</p><p>§3º do art. 20 do Estatuto, as horas trabalhadas no período das vinte horas de um dia até as</p><p>cinco horas do dia seguinte, são remuneradas como noturnas, acrescidas do adicional de</p><p>vinte e cinco por cento.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>20</p><p>O salário-mínimo profissional do advogado empregado será fixado em sentença norma-</p><p>tiva, salvo se ajustado em acordo ou convenção coletiva de trabalho, conforme o art. 19 do</p><p>Estatuto. Ainda, o</p><p>advogado empregado tem direito aos honorários de sucumbência, con-</p><p>forme o art. 21 do Estatuto, entretanto, poderá acertar com o empregador, contratualmente ou</p><p>em convenção coletiva, forma de partilha de tais honorários ou até renunciá-los.</p><p>8. Atividades Privativas do Advogado</p><p>Bacharel em Direito e Estagiário inscrito na OAB não são considerados advogados, ou</p><p>seja, não podem agir ou atuar naquelas atividades definidas como privativas da advocacia. Con-</p><p>tudo, de acordo com o §2º do art. 3º do Estatuto, o estagiário inscrito na OAB, pode praticar os</p><p>atos previstos no art. 1º do Estatuto, em conjunto com advogado e sob responsabilidade</p><p>deste.</p><p>Atenção: postular em juíz é atividade privativa da advocacia, mas com exceções de ha-</p><p>beas corpus em qualquer instância, jus postulandi trabalhista, JEC (limitação de valor),</p><p>JEF/JEFP, e revisão criminal. Contudo, no JEC criminal, a presença do advogado do acusado é</p><p>obrigatória.</p><p>Ainda, microempresa e empresa de pequeno porte não precisam de visto de advogado</p><p>para os seus atos constitutivos. Nestes casos, das exceções, será possível postular em juízo</p><p>sem a presença do advogado.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>21</p><p>9. Sociedade de Advogados</p><p>9.1. Conceito e formação da sociedade de advogados</p><p>Pessoa jurídica, formada única e exclusivamente por advogados, com o objetivo de</p><p>atuar em atividades privativas da advocacia. Adquire personalidade jurídica, isso quer dizer que,</p><p>passa a ser titular de direitos e obrigações, com o registro de seus atos constitutivos junto ao</p><p>Conselho Seccional competente. Não é registrada na Junta Comercial ou em outro Cartório</p><p>Extrajudicial.</p><p>O sócio deve ter inscrição, seja principal, seja suplementar, no Conselho Seccional onde</p><p>a sociedade de advogados foi registrada. A sociedade de advogados pode ter filial, desde que</p><p>seja em outro Conselho Seccional, pois não poderá a sociedade ter filial no mesmo Conselho</p><p>Seccional onde está a sociedade registrada. O advogado somente pode ser sócio de uma soci-</p><p>edade de advogados por Conselho Seccional.</p><p>Modificação do § 2º do art. 16: o advogado impedido ou incompatibilizado com o exer-</p><p>cício da advocacia de forma temporária não é considerado excluído da sociedade (devendo ser</p><p>tal circunstância averbada no registro da Sociedade). Todavia, traz importante situação: o fato</p><p>de que não pode ser usado o nome ou imagem do advogado temporariamente afastado.</p><p>Conforme a inclusão do art. 17-A do Estatuto, o advogado poderá se associar a uma ou</p><p>mais sociedades de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia para prestação de</p><p>serviços, e, ainda, a presente associação dar-se-á por meio de pactuação de contrato próprio,</p><p>que poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou trabalho.</p><p>Conforme o art. 17-B do Estatuto, a associação de que trata o art. 17-A deverá ser regis-</p><p>trado no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede a sociedade de advoga-</p><p>dos que dele tomar parte.</p><p>O contrato de associação deve conter no mínimo:</p><p>Veja o esquema na página a seguir...</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>22</p><p>Importante ficar atento nas seguintes situações:</p><p>a) Nas sociedades de advogados, a escolha do sócio-administrador poderá recair sobre</p><p>advogado que atue como servidor da administração direta, indireta e fundacional, desde que não</p><p>esteja sujeito ao regime de dedicação exclusiva.</p><p>b) A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia deverão recolher</p><p>seus tributos sobre a parcela da receita que efetivamente lhes couber, com a exclusão da receita</p><p>que for transferida a outros advogados ou a sociedades que atuem em forma de parceria para o</p><p>atendimento do cliente.</p><p>Essa situação tem o intuito admitir que, mesmo que a sociedade de advogados receba</p><p>honorários de outros advogados que com ela tenham firmado parceria (e tenha ocorrido transfe-</p><p>rência de valores em decorrência dessa parceria), a sociedade de advogados não precisa reco-</p><p>lher tributo sobre esta parcela de receita que não teve nela, sociedade, seu destino final (pois foi</p><p>repassada ao parceiro). Assim, recolherá tributos apenas e tão somente sobre a parcela que</p><p>efetivamente lhe couber.</p><p>c) Cabem ao Conselho Federal da OAB a fiscalização, o acompanhamento e a definição</p><p>de parâmetros e de diretrizes da relação jurídica mantida entre advogados e sociedades de ad-</p><p>vogados ou entre escritório de advogados sócios e advogado associado, inclusive no que se</p><p>refere ao cumprimento dos requisitos norteadores da associação sem vínculo empregatício au-</p><p>torizada expressamente neste artigo).</p><p>d) A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal de advocacia podem ter como</p><p>sede, filial ou local de trabalho espaço de uso individual ou compartilhado com outros escritórios</p><p>de advocacia ou empresas, desde que respeitadas as hipóteses de sigilo.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>23</p><p>e) O impedimento ou a incompatibilidade em caráter temporário do advogado não o exclui</p><p>da sociedade de advogados à qual pertença e deve ser averbado no registro da sociedade - é</p><p>proibida, em qualquer hipótese, a exploração de seu nome e de sua imagem em favor da socie-</p><p>dade.</p><p>9.2. Advogado associado – art. 17-A do Estatuto</p><p>O advogado pode associar-se a uma ou mais sociedades de advogados ou a sociedades</p><p>unipessoais de advocacia, sem vínculo empregatício, para prestação de serviços e participação</p><p>nos resultados. Dessa forma, tem uma relação sem vínculo empregatício e sem ser sócio de</p><p>uma sociedade de advogados – dessa forma, para ela (a sociedade) presta serviço e participa</p><p>limitadamente dos seus resultados.</p><p>Em resumo: o advogado associado não se confunde com o advogado empregado das</p><p>sociedades de advogados – e também não se confunde com sócio da sociedade.</p><p>Importante:</p><p>a) Não será admitida a averbação do contrato de associação que contenha, em con-</p><p>junto, os elementos caracterizadores de relação de emprego previstos na Consoli-</p><p>dação das Leis Trabalhistas (CLT);</p><p>b) A associação de que trata o art. 17-A dar-se-á por meio de pactuação de contrato</p><p>próprio, que poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou</p><p>trabalho e que deverá ser registrado no Conselho Seccional da OAB em cuja base</p><p>territorial tiver sede a sociedade de advogados que dele tomar parte.</p><p>Veja-se: o dispositivo legal exige a “pactuação de contrato próprio” para a associação de</p><p>advogado, podendo ser de caráter geral ou específico a determinada causa, a ser registrado no</p><p>respectivo Conselho Seccional da OAB.</p><p>Cuidado – o conteúdo (cláusulas) obrigatório do Contrato de Associação: no contrato de</p><p>associação, o advogado sócio ou associado e a sociedade pactuarão as condições para o de-</p><p>sempenho da atividade advocatícia e estipularão livremente os critérios para a partilha dos re-</p><p>sultados dela decorrentes, devendo o contrato conter, no mínimo:</p><p>I – qualificação das partes, com referência expressa à inscrição no Conselho Seccional da</p><p>OAB competente;</p><p>II – especificação e delimitação do serviço a ser prestado;</p><p>III – forma de repartição dos riscos e das receitas entre as partes, vedada a atribuição da</p><p>totalidade dos riscos ou das receitas exclusivamente a uma delas;</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>24</p><p>IV – responsabilidade pelo fornecimento de condições materiais e pelo custeio das despe-</p><p>sas necessárias à execução dos serviços;</p><p>V – prazo de duração do contrato.</p><p>Dica olhos de tigre – não existe limites de associação; o advogado pode, então, associar-</p><p>se há mais de uma sociedade dentro do mesmo Conselho Seccional.</p><p>10. Procuração e Mandato</p><p>10.1. Disposições gerais</p><p>Para que o advogado atue em nome de seu cliente, é necessário que ele receba poderes</p><p>para tanto. A forma processual é a outorga da procuração. A procuração, como todo contrato,</p><p>pode ter prazo determinado, contudo, se não contiver prazo, presume-se que ela tem eficácia</p><p>até a conclusão</p><p>da causa, conforme o art. 13 do CED.</p><p>A procuração não se extingue ou perde valor/eficácia pelo decurso do tempo. O ad-</p><p>vogado tem o direito de atuar sem procuração em casos de urgência – por exemplo, os direitos</p><p>de seu cliente estão em perigo - mas, o advogado deve juntar a procuração no prazo de 15 dias,</p><p>podendo ser prorrogado por mais 15 dias, conforme prevê o art. 104 do CPC e o art. 5º, §1º do</p><p>Estatuto.</p><p>Conforme o art. 11 do CED o advogado, atua como patrono da parte, quando no exercício</p><p>do mandato, cumprindo-lhe, por isso, imprimir à causa orientação que lhe pareça mais adequada,</p><p>sem se subordinar a intenções contrárias do cliente, mas, antes, procurando esclarecê-lo quanto</p><p>à estratégia traçada.</p><p>Atenção! O advogado não pode aceitar procuração de quem já tenha patrono cons-</p><p>tituído, sem prévio conhecimento deste, conforme o art. 14 do CED. Contudo, por motivo ple-</p><p>namente justificável ou para adoção de medidas judiciais urgentes e inadiáveis o advogado</p><p>pode aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído.</p><p>Dica olhos de tigre - as atividades de consultoria e assessoria jurídicas podem ser exer-</p><p>cidas de modo verbal ou por escrito, a critério do advogado e do cliente, e independem de outorga</p><p>de mandato ou de formalização por contrato de honorários.</p><p>Dicas importantes:</p><p>1. No processo administrativo, o advogado contribui com a postulação de decisão fa-</p><p>vorável ao seu constituinte, e os seus atos constituem múnus público.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>25</p><p>2. É garantido ao advogado a prerrogativa de, no processo administrativo, contribuir</p><p>com a postulação de decisão favorável ao seu constituinte.</p><p>3. O advogado pode contribuir com o processo legislativo e com a elaboração de nor-</p><p>mas jurídicas, no âmbito dos Poderes da República.</p><p>4. As atividades de consultoria e assessoria jurídicas podem ser exercidas de modo</p><p>verbal ou por escrito, a critério do advogado e do cliente, e independem de outorga</p><p>de mandato ou de formalização por contrato de honorários.</p><p>Importante: conforme o art. 24 do Código de Ética e Disciplina da OAB, o advogado não</p><p>se sujeita à imposição do cliente que pretenda ver com ele atuando outros advogados, nem fica</p><p>na contingência de aceitar a indicação de outro profissional para com ele trabalhar no processo</p><p>e, ainda, conforme o caput do art. 26 do Código de Ética e Disciplina da OAB, o substabeleci-</p><p>mento do mandato, com reserva de poderes, é ato pessoal do advogado da causa, apenas o</p><p>substabelecimento do mandato sem reserva de poderes exige o prévio e inequívoco conheci-</p><p>mento do cliente (art. 26, §1º do Código de Ética e Disciplina da OAB).</p><p>10.2. Da renúncia</p><p>Nos termos do art. 16 do CED, a renúncia cessa a responsabilidade profissional, e isso</p><p>quer dizer que a renúncia é a forma de extinção da procuração e dos poderes nela outorgados</p><p>e, é requerida pelo advogado. Notificado o cliente, o advogado ainda é responsável pelos atos</p><p>processuais por dez dias, salvo se um novo profissional se habilite antes de terminado tal prazo,</p><p>na forma do §3º do art. 5º do Estatuto. Ainda, não há necessidade de a renúncia ser motivada.</p><p>10.3. Da revogação</p><p>Revogação do mandado judicial é uma forma de extinção da procuração e dos poderes</p><p>nela outorgados por iniciativa do cliente, conforme o art. 17 do CED. Na revogação, não existe</p><p>o prazo de responsabilização por dez dias.</p><p>Importante! A renúncia ou a revogação da procuração não desobriga o cliente ao paga-</p><p>mento dos honorários advocatícios (inclusive verba de sucumbência – neste caso, de forma pro-</p><p>porcional ao trabalho desenvolvido).</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>26</p><p>10.4. Do substabelecimento</p><p>O substabelecimento é a forma de o advogado transferir poderes recebidos na procuração</p><p>para outro advogado (relação advogado com advogado). O substabelecimento pode ser com ou</p><p>sem reserva de poderes.</p><p>11. Honorários Advocatícios</p><p>Previsão legal: arts. 22 a 26 da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e a Ordem dos</p><p>Advogados do Brasil).</p><p>Os honorários advocatícios correspondem à remuneração ao profissional da advocacia</p><p>pelos serviços prestados. São divididos em três tipos:</p><p>11.1. Honorários contratados/convencionados</p><p>Contratados e fixados entre o advogado e o cliente, sendo, como regra, uma obrigação</p><p>de meio, ou seja, não depende de resultado, ainda que, excepcionalmente, possa depender de</p><p>resultado, quando, por exemplo, o advogado for contratado para elaborar uma minuta de con-</p><p>trato.</p><p>Quando o contrato de honorários fixados entre advogado e cliente não estabelecer ou fixar</p><p>forma de pagamento, o §3º do art. 22 do Estatuto orienta/sugere a seguinte forma:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>27</p><p>Atenção: a inclusão do art. 22-A no Estatuto fixa e define que será permitida a dedução</p><p>de honorários advocatícios contratuais dos valores acrescidos, a título de juros de mora, ao mon-</p><p>tante repassado aos Estados e aos Municípios na forma de precatórios, como complementação</p><p>de fundos constitucionais.</p><p>Importante: de acordo com o §4º do art. 22 do Estatuto da Advocacia e da OAB, se o</p><p>advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de honorários antes de expedir-se o mandado de</p><p>levantamento ou precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam pagos diretamente, por dedu-</p><p>ção da quantia a ser recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou.</p><p>11.1.1. Honorários cota litis (parte na lide)</p><p>Os honorários cota litis são a maneira de contratar honorários com o cliente, assim, é</p><p>fixado um percentual no resultado, ou seja, no benefício que o cliente vier a receber. O advogado</p><p>deve receber em pecúnia/dinheiro e não em bens (para receber em bens, deve existir cláusula</p><p>contratual declarando que o cliente não tem como pagar em dinheiro).</p><p>Não existe disposição definindo o percentual adequado dos honorários cota litis, todavia,</p><p>o art. 50 do CED prevê que, quando acrescidos dos honorários da sucumbência, isso quer dizer</p><p>que, os honorários cota litis somados aos de sucumbência, não podem ser superiores às vanta-</p><p>gens advindas a favor do cliente.</p><p>11.2. Honorários arbitrados</p><p>Os honorários fixados por arbitramento judicial, serão fixados pelo Poder Judiciário, me-</p><p>diante postulação, ou seja, ação do advogado contra o cliente, pois não foram convencionados</p><p>previamente. Assim, diante da ausência de contrato escrito entre cliente e advogado e negando-</p><p>se o cliente a efetuar o pagamento de honorários, a alternativa do profissional da advocacia será</p><p>entrar com uma ação contra o cliente, pedindo que o juiz arbitre os honorários.</p><p>O §2º do art. 22 do Estatuto fixa critérios para o arbitramento de honorários advocatícios,</p><p>na falta de estipulação ou de acordo, fixando que, obrigatoriamente, devam ser observadas as</p><p>disposições nos §§ 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 6º-A, 8º, 8º-A, 9º e 10 do art. 85 do Código de Processo</p><p>Civil:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>28</p><p>Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.</p><p>§ 2º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento</p><p>sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível men-</p><p>surá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:</p><p>I - o grau de zelo do profissional;</p><p>II - o lugar de prestação do serviço;</p><p>III - a natureza e a importância da causa;</p><p>IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.</p><p>§ 3º Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará</p><p>os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2º e os seguintes percentuais:</p><p>I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito</p><p>econômico obtido até 200 (duzentos) salários-mínimos;</p><p>II - mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito</p><p>econômico obtido acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários-</p><p>mínimos;</p><p>III - mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do pro-</p><p>veito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000 (vinte mil)</p><p>salários-mínimos;</p><p>IV - mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do</p><p>proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem</p><p>mil) salários-mínimos;</p><p>V - mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito</p><p>econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.</p><p>§ 4º Em qualquer das hipóteses do § 3º:</p><p>I - os percentuais previstos nos incisos I a V devem ser aplicados desde logo, quando for</p><p>líquida a sentença;</p><p>II - não sendo líquida a sentença, a definição do percentual, nos termos previstos nos</p><p>incisos I a V, somente ocorrerá quando liquidado o julgado;</p><p>III - não havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito econô-</p><p>mico obtido, a condenação em honorários dar-se-á sobre o valor atualizado da causa;</p><p>IV - será considerado o salário-mínimo vigente quando prolatada sentença líquida ou o</p><p>que estiver em vigor na data da decisão de liquidação.</p><p>§ 5º Quando, conforme o caso, a condenação contra a Fazenda Pública ou o benefício</p><p>econômico obtido pelo vencedor ou o valor da causa for superior ao valor previsto no inciso</p><p>I do § 3º, a fixação do percentual de honorários deve observar a faixa inicial e, naquilo que</p><p>a exceder, a faixa subsequente, e assim sucessivamente.</p><p>§ 6º Os limites e critérios previstos nos §§ 2º e 3º aplicam-se independentemente de qual</p><p>seja o conteúdo da decisão, inclusive aos casos de improcedência ou de sentença sem</p><p>resolução de mérito.</p><p>§ 6º-A. Quando o valor da condenação ou do proveito econômico obtido ou o valor atuali-</p><p>zado da causa for líquido ou liquidável, para fins de fixação dos honorários advocatícios,</p><p>nos termos dos §§ 2º e 3º, é proibida a apreciação equitativa, salvo nas hipóteses expres-</p><p>samente previstas no § 8º deste artigo.</p><p>§ 8º Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando</p><p>o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equi-</p><p>tativa, observando o disposto nos incisos do § 2º.</p><p>§ 8º-A. Na hipótese do § 8º deste artigo, para fins de fixação equitativa de honorários</p><p>sucumbenciais, o juiz deverá observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional</p><p>da Ordem dos Advogados do Brasil a título de honorários advocatícios ou o limite mínimo</p><p>de 10% (dez por cento) estabelecido no § 2º deste artigo, aplicando-se o que for maior.</p><p>§ 9º Na ação de indenização por ato ilícito contra pessoa, o percentual de honorários inci-</p><p>dirá sobre a soma das prestações vencidas acrescida de 12 (doze) prestações vincendas.</p><p>§ 10. Nos casos de perda do objeto, os honorários serão devidos por quem deu causa ao</p><p>processo.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>29</p><p>11.3. Honorários de sucumbência</p><p>Os honorários de sucumbência são verbas honorárias fixada pelo Poder Judiciário, em</p><p>processo judicial, em que condena a parte vencida (a parte que perdeu no processo) ao paga-</p><p>mento de honorários em favor do advogado da parte vencedora. O percentual deverá obedecer</p><p>ao disposto no art. 85, §2°, do CPC, assim, os honorários serão fixados entre 10% e 20% sobre</p><p>o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre</p><p>o valor atualizado da causa, atendidos:</p><p>11.3.1. Honorários assistenciais</p><p>Em 2018, os honorários assistenciais foram criados e, podem ser definidos como aqueles</p><p>honorários pagos a um advogado contratado por entidade sindical para prestar assistência jurí-</p><p>dica ao trabalhador sem condições financeiras de arcar com os custos de um defensor.</p><p>Na forma do art. 22, §6º, do Estatuto, os honorários assistenciais são aqueles fixados em</p><p>ações coletivas propostas por entidades de classe em substituição processual, sem prejuízo aos</p><p>honorários convencionais.</p><p>Simplificando, seriam honorários de sucumbência, fixados na Justiça do Trabalho, em be-</p><p>nefício dos advogados contratados pelos sindicatos para defesa de direitos coletivos.</p><p>11.3.2. Prescrição dos honorários</p><p>A pretensão de cobrar os honorários prescreverão em 5 (cinco) anos, nos termos do art.</p><p>25 do Estatuto e, tal prazo é contado:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>30</p><p>Dicas!</p><p>• O advogado pode executar os honorários de sucumbência em seu nome;</p><p>• Crédito de honorários não autoriza ao advogado o saque de duplicatas ou qualquer</p><p>outro título de crédito;</p><p>• O advogado pode emitir fatura contra o cliente para pagamento dos honorários</p><p>– se o cliente pedir ou autorizar, mas esta fatura não poderá ser levada a protesto;</p><p>• Cheque ou nota promissória emitidos pelo cliente para pagamento dos honorários</p><p>podem ser levados a protesto, desde que antes o advogado tenha tentado amiga-</p><p>velmente o recebimento do crédito;</p><p>• É autorizado o uso de cartão de crédito para o recebimento de honorários.</p><p>A inclusão do art. 24-A ao Estatuto trouxe, em benefício do advogado, o privilégio con-</p><p>sistente na garantia do recebimento de seus honorários contratuais, mesmo sob bloqueio univer-</p><p>sal do patrimônio do cliente, até o montante de 20% dos bens bloqueados.</p><p>Importante ressaltar que essa possibilidade de desbloqueio não atinge os bloqueios de-</p><p>terminados em decorrência do crime de tráfico de drogas.</p><p>Os §§ 1º a 5º dispõem sobre o pedido de desbloqueio; a ordem preferencial de pagamento</p><p>dos honorários sobre os bens do cliente; a maneira como deve ser transferido esse pagamento</p><p>diretamente para a conta do advogado ou do seu escritório; e a opção do advogado pela adjudi-</p><p>cação de bem ou venda em hasta pública.</p><p>A inclusão do § 3º-A ao art. 24 do Estatuto, prevê que somente sejam consideradas válidas</p><p>as disposições, as cláusulas, os regulamentos ou as convenções individuais ou coletivas que</p><p>retirem do sócio o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência “nos casos judiciais e</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>31</p><p>administrativos”, após o protocolo de petição que revogue os poderes que lhe foram outor-</p><p>gados ou que noticie a renúncia a eles. Ainda assim, os honorários serão devidos proporcio-</p><p>nalmente ao trabalho realizado.</p><p>Conforme o §4º do art. 24 do Estatuto da Advocacia e da OAB, o acordo feito pelo cliente</p><p>do advogado e a parte contrária, salvo aquiescência (anuência) do profissional, não lhe preju-</p><p>dica os honorários, quer os convencionados, quer os concedidos por sentença.</p><p>A inclusão do § 5º ao art. 24 do Estatuto, assegura o direito aos honorários proporcionais</p><p>ao trabalho realizado nos processos judiciais e administrativos em que tenha atuado, na hipótese</p><p>de encerramento da relação contratual com o cliente.</p><p>A inclusão do § 6º ao art. 24 do Estatuto, deixa claro e definitivo, sem qualquer dúvida,</p><p>que distrato e a rescisão do contrato de prestação de serviços advocatícios, mesmo que formal-</p><p>mente celebrados, não configuram renúncia expressa aos honorários pactuados.</p><p>A inclusão do § 7º ao art. 24 do Estatuto, estipula que, na ausência de contrato de prestação</p><p>de serviços advocatícios e fixação de honorários, estes devem ser arbitrados conforme as dispo-</p><p>sições contidas no art. 22 do Estatuto.</p><p>A inclusão do parágrafo único ao art. 26 do Estatuto trouxe uma exceção à regra</p><p>contida no caput, qual seja: “O advogado substabelecido, com reserva de poderes, não pode</p><p>cobrar honorários sem a intervenção daquele que lhe conferiu o substabelecimento”. No pará-</p><p>grafo único foi criada uma exceção, permitindo que o advogado substabelecido com reserva</p><p>de poderes cobre diretamente o cliente, sem a participação do advogado que substabeleceu,</p><p>desde que tenha, o advogado substabelecido, contrato celebrado com o cliente.</p><p>Importante: De acordo com o art. 21 do Estatuto da Advocacia e da OAB, os honorários</p><p>de sucumbência são devidos aos advogados empregados, mas o STF, na ADIN 1.194, em seu</p><p>item 4, entendeu que os</p><p>honorários de sucumbência podem ser tanto do advogado quanto da</p><p>sociedade ou de ambos, dependendo de disposição contratual.</p><p>Estatuto da Advocacia e da OAB</p><p>Art. 21. Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa por este representada, os</p><p>honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados.</p><p>Parágrafo único. Os honorários de sucumbência, percebidos por advogado empregado de</p><p>sociedade de advogados são partilhados entre ele e a empregadora, na forma estabele-</p><p>cida em acordo.</p><p>ADI n. 1194</p><p>4. O art. 21 e seu parágrafo único da Lei n. 8.906/1994 deve ser interpretado no sentido</p><p>da preservação da liberdade contratual quanto à destinação dos honorários de sucumbên-</p><p>cia fixados judicialmente.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>32</p><p>5. Pela interpretação conforme conferida ao art. 21 e seu parágrafo único, declara-se in-</p><p>constitucional o § 3º do art. 24 da Lei n. 8.906/1994, segundo o qual "é nula qualquer</p><p>disposição, cláusula, regulamento ou convenção individual ou coletiva que retire do advo-</p><p>gado o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência".</p><p>12. Advocacia Pro Bono</p><p>Durante determinado período, entendeu-se que o advogado não poderia trabalhar sem</p><p>cobrar honorários, que tal atitude poderia configurar forma de aviltamento de honorários. Com o</p><p>intuito de regular essa atividade, foi adotado no sistema brasileiro a possibilidade do exercício</p><p>da advocacia pro bono.</p><p>Considera-se advocacia pro bono a prestação gratuita, eventual e voluntária (G E V) de</p><p>serviços jurídicos – essas são as características principais. Este tipo de atuação pode acontecer</p><p>em favor de instituições sociais sem fins econômicos e aos seus assistidos, sempre que os bene-</p><p>ficiários não dispuserem de recursos para a contratação de profissional. Ainda, a advocacia pro</p><p>bono, pode ser exercida para pessoas naturais hipossuficientes. Entretanto, não poderá o advo-</p><p>gado atuar como pro bono com objetivos político-partidários ou eleitorais, nem beneficiar institui-</p><p>ções que visem a tais objetivos, ou como instrumento de publicidade para captação de clientela.</p><p>Segundo o Provimento nº 166/2015 do Conselho Federal da OAB, os advogados que de-</p><p>sempenharem a advocacia pro bono estão impedidos de exercer a advocacia remunerada, em</p><p>qualquer esfera, para a pessoa natural ou jurídica que se utilize de seus serviços pro bono (art.</p><p>4º e § 1º).</p><p>Provimento CFOAB nº 166/2015</p><p>Art. 4º Os advogados e os integrantes das sociedades de advogados e dos departamentos</p><p>jurídicos de empresas que desempenharem a advocacia pro bono definida no art. 1º deste</p><p>Provimento estão impedidos de exercer a advocacia remunerada, em qualquer esfera,</p><p>para a pessoa natural ou jurídica que se utilize de seus serviços pro bono.</p><p>§ 1° O impedimento de que trará este artigo cessará uma vez decorridos 3 (três) anos do</p><p>encerramento da prestação do serviço pro bono.</p><p>§ 2° É igualmente vedado vincular ou condicionar a prestação de serviços pro bono à</p><p>contratação de serviços remunerados, em qualquer circunstância.</p><p>Dicas relevantes:</p><p>1. Na falta de estipulação ou de acordo, os honorários são fixados por arbitramento judi-</p><p>cial, em remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da questão, ou seja, devam</p><p>ser observadas as disposições do CPC que regulam os honorários de sucumbência.</p><p>2. Consideram-se também honorários convencionados aqueles decorrentes da indicação</p><p>de cliente entre advogados ou sociedade de advogados.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>33</p><p>3. Fica permitida a dedução de honorários advocatícios contratuais dos valores acresci-</p><p>dos, a título de juros de mora, ao montante repassado aos Estados e aos Municípios na forma</p><p>de precatórios, como complementação de fundos constitucionais.</p><p>Cuidado: essa dedução não será permitida aos advogados nas causas que decorram da</p><p>execução de título judicial constituído em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Fe-</p><p>deral.</p><p>4. Somente sejam consideradas válidas as disposições, as cláusulas, os regulamentos ou</p><p>as convenções individuais ou coletivas que retirem do sócio o direito ao recebimento dos hono-</p><p>rários de sucumbência “nos casos judiciais e administrativos”, após o protocolo de petição que</p><p>revogue os poderes que lhe foram outorgados ou que noticie a renúncia a eles.</p><p>Vale lembrar que mesmo nessa situação, os honorários serão devidos proporcionalmente</p><p>ao trabalho realizado.</p><p>5. O advogado tem direito aos honorários proporcionais ao trabalho realizado nos proces-</p><p>sos judiciais e administrativos em que tenha atuado, na hipótese de encerramento da relação</p><p>contratual com o cliente (seja por renúncia ou revogação).</p><p>6. No caso de bloqueio universal do patrimônio do cliente por decisão judicial, será garan-</p><p>tido ao advogado a liberação de até 20% (vinte por cento) dos bens bloqueados para fins de</p><p>recebimento de honorários e reembolso de gastos com a defesa.</p><p>Dica olhos de tigre: quando o advogado substabelecido, com reservas de poderes, pos-</p><p>suir contrato celebrado diretamente com o cliente emerge uma situação especial – este advo-</p><p>gado substabelecido poderá cobrar esses honorários do cliente sem a participação do advogado</p><p>que substabeleceu (art. 26, parágrafo único do Estatuto).</p><p>Importante: não pode ocorrer a condenação cumulativa em honorários assistenciais e em</p><p>honorários de sucumbência, pois ambos visam remunerar o trabalho prestado pelo advogado no</p><p>processo trabalhista</p><p>13. Direitos e Prerrogativas do Advogado</p><p>13.1. Deveres do advogado</p><p>São deveres do advogado, de acordo com o art. 2º do CED:</p><p>Art. 2° O advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado De-</p><p>mocrático de Direito, dos direitos humanos e garantias fundamentais, da cidadania, da</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>34</p><p>moralidade, da Justiça e da paz social, cumprindo-lhe exercer o seu ministério em conso-</p><p>nância com a sua elevada função pública e com os valores que lhe são inerentes. Pará-</p><p>grafo único. São deveres do advogado:</p><p>I – preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, zelando</p><p>pelo caráter de essencialidade e indispensabilidade da advocacia;</p><p>II – atuar com destemor, independência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dig-</p><p>nidade e boa-fé;</p><p>III – velar por sua reputação pessoal e profissional;</p><p>IV – empenhar-se, permanentemente, no aperfeiçoamento pessoal e profissional;</p><p>V – contribuir para o aprimoramento das instituições, do Direito e das leis;</p><p>VI – estimular, a qualquer tempo, a conciliação e a mediação entre os litigantes, preve-</p><p>nindo, sempre que possível, a instauração de litígios;</p><p>VII – desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de viabilidade jurídica;</p><p>VIII – abster-se de:</p><p>a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente;</p><p>b) vincular seu nome ou nome social a empreendimentos sabidamente escusos;</p><p>c) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade e a digni-</p><p>dade da pessoa humana;</p><p>d) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído, sem o</p><p>assentimento deste;</p><p>e) ingressar ou atuar em pleitos administrativos ou judiciais perante autoridades com as</p><p>quais tenha vínculos negociais ou familiares;</p><p>f) contratar honorários advocatícios em valores aviltantes.</p><p>IX – pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetivação dos direitos indi-</p><p>viduais, coletivos e difusos;</p><p>X – adotar conduta consentânea com o papel de elemento indispensável à administração</p><p>da Justiça;</p><p>XI – cumprir os encargos assumidos no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil ou na</p><p>representação da classe;</p><p>XII – zelar pelos valores institucionais da OAB e da advocacia;</p><p>XIII – ater-se, quando no exercício da função de defensor público, à defesa dos necessi-</p><p>tados.</p><p>O advogado deve zelar por sua liberdade e independência, assim, nos termos do pará-</p><p>grafo único do art. 4º do CED, é legítima a recusa, pelo advogado, do patrocínio de causa e de</p><p>manifestação, no</p><p>âmbito consultivo, de pretensão concernente a direito que também lhe seja</p><p>aplicável ou contrarie orientação que tenha manifestado anteriormente.</p><p>Importante!</p><p>• Art. 5º do CED: o exercício da advocacia é incompatível com qualquer procedi-</p><p>mento de mercantilização;</p><p>• Art. 6º do CED: é defeso (proibido) ao advogado expor os fatos em Juízo ou na via</p><p>administrativa falseando deliberadamente a verdade e utilizando de má-fé;</p><p>• Art. 7º do CED: é vedado o oferecimento de serviços profissionais que implique,</p><p>direta ou indiretamente, angariar ou captar clientela.</p><p>Importante: a condição do advogado:</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>35</p><p>a) Segundo o art. 2º do Estatuto, o advogado é indispensável à administração da jus-</p><p>tiça;</p><p>b) O advogado presta serviço público e exerce função social;</p><p>c) No processo judicial, o advogado contribui, na postulação de decisão favorável ao</p><p>seu constituinte, ao convencimento do julgador, e seus atos constituem múnus pú-</p><p>blico;</p><p>d) No processo administrativo, o advogado contribui com a postulação de decisão fa-</p><p>vorável ao seu constituinte, e os seus atos constituem múnus público;</p><p>e) No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações,</p><p>nos limites desta Lei;</p><p>f) O advogado pode contribuir com o processo legislativo e com a elaboração de nor-</p><p>mas jurídicas, no âmbito dos Poderes da República.</p><p>13.2. Prerrogativas do advogado</p><p>O parágrafo único do art. 6º do Estatuto fixou o rol daqueles que devem dispensar ao</p><p>advogado, quando no exercício da profissão, tratamento compatível com a dignidade da advo-</p><p>cacia – devendo ser respeitada a imagem, a reputação e a integridade do advogado. Referida</p><p>alteração vai no sentido positivo de reforçar a dignidade da atuação do advogado, como também</p><p>corrobora as condições necessárias para o bom desempenho desse múnus público – e, impor-</p><p>tante, atualiza a orientação legal em harmonia com a Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº</p><p>13.869/2019).</p><p>O inciso X do art. 7º do Estatuto garante ao advogado o uso da palavra, pela ordem, não</p><p>só em juízo (como já previa o texto anterior), mas também em “tribunais administrativos”, órgãos</p><p>de deliberação coletiva da administração pública ou Comissão Parlamentar de Inquérito, medi-</p><p>ante intervenção pontual e sumária. A intenção do uso da palavra pela ordem é esclarecer equí-</p><p>vocos ou dúvidas em relação a fatos, documentos ou, ainda, afirmações que influam na decisão.</p><p>Importante! O § 2°-B do art. 7° do Estatuto, fixou as situações de cabimento da susten-</p><p>tação oral pelos advogados nos recursos contra decisões monocráticas do relator que julgar o</p><p>mérito ou não conhecer da apelação, recurso ordinário, recurso especial, recurso extraordinário,</p><p>embargos de divergência, ação rescisória, mandado de segurança, reclamação, habeas corpus</p><p>e outras ações de competência originária.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>36</p><p>A realidade é que com essa regulamentação de hipóteses mais precisas de sustentação</p><p>oral fica superado, ao menos parcialmente, o entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado</p><p>na ADI nº 1.105-7.</p><p>O § 6º-D do art. 7° do Estatuto traz a ideia de preservação do sigilo do conteúdo dos</p><p>documentos (mídia e objetos) não relacionados com a investigação (mesmo quando for impos-</p><p>sível que eles sejam separados daqueles que forem/devam ser apreendidos).</p><p>O § 6º-E do art. 7° do Estatuto traz a previsão no sentido de que, uma vez não observado</p><p>o sigilo das informações apreendidas e não relacionadas à investigação, o representante da OAB</p><p>deverá informar (via relatório), a fim de que a OAB tome as providências que entender adequa-</p><p>das, podendo inclusive apresentar notícia-crime contra os envolvidos, os quais deverão ser no-</p><p>minados e identificados no relato apresentado pelo representante.</p><p>O § 6º-I do art. 7º do Estatuto definiu a proibição para o advogado efetuar colaboração</p><p>premiada contra quem seja ou tenha sido seu cliente, fixando que tal situação pode ser punida</p><p>com a sanção de exclusão, prevista no inciso III do caput do art. 35 do Estatuto, bem como às</p><p>penas do crime de violação de segredo profissional, previstas no art. 154 do CP.</p><p>Vale recordar, aqui, que as hipóteses de exclusão estão previstas no art. 38 do Estatuto:</p><p>Art. 38. A exclusão é aplicável nos casos de:</p><p>I – aplicação, por três vezes, de suspensão;</p><p>II – infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34.</p><p>Art. 34. (...)</p><p>XXVI – fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB;</p><p>XXVII – tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia;</p><p>XXVIII – praticar crime infamante;</p><p>Ou seja, como não ocorreu a inserção ou modificação em tais dispositivos, presume-se</p><p>que o legislador esteja definindo que o advogado que fizer a colaboração premiada se tornará</p><p>moralmente inidôneo.</p><p>Nos §§ 14, 15 e 16 do art. 7º do Estatuto, foi atribuída competência privativa do Conselho</p><p>Federal da OAB, dentro de processo disciplinar próprio, para dispor, analisar e decidir sobre a</p><p>prestação efetiva do serviço jurídico realizado pelo advogado.</p><p>Importante! Fez-se a previsão de nulidade do “ato praticado com violação da competên-</p><p>cia privativa do Conselho Federal da OAB”. Na mesma linha e intenção, também foi fixada a</p><p>competência privativa do Conselho Federal para analisar e decidir sobre “os honorários advoca-</p><p>tícios dos serviços jurídicos realizados pelo advogado”. Verdadeiramente, tal dispositivo</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>37</p><p>aprofunda o caráter da OAB como entidade singular de serviço público independente, na exata</p><p>definição do STF, na ADI nº 3.026.</p><p>No art. 7°-B do Estatuto, foi apenas incrementada a pena nele cominada, para o crime de</p><p>violação das prerrogativas do advogado, aumentando-a de 3 (três) meses a 1 (um) ano de de-</p><p>tenção, e multa, para 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa. É vedado ao advogado efetuar colabo-</p><p>ração premiada contra quem seja ou tenha sido seu cliente.</p><p>O descumprimento desse dever importará em processo disciplinar – caso condenado a</p><p>pena prevista será de exclusão (prevista no inciso III do caput do art. 35 do Estatuto), bem como</p><p>às penas do crime de violação de segredo profissional, previstas no art. 154 do Código Penal.</p><p>13.3. Inviolabilidade do escritório (local de trabalho)</p><p>Nos termos do art. 7º, inciso II do Estatuto, é garantida ao advogado a inviolabilidade dos</p><p>seus instrumentos de trabalho – aí incluídos todos os documentos relativos ao serviço da advo-</p><p>cacia.</p><p>Contudo, na forma do §6º do art. 7º do Estatuto, esta inviolabilidade pode, excepcional-</p><p>mente, ser quebrada, existindo indícios de autoria e materialidade contra o advogado, mediante</p><p>ordem judicial, específica e fundamentada, a ser cumprida na presença de representante da</p><p>OAB.</p><p>13.4. Comunicação com o cliente</p><p>Nos termos do inciso II, do art. 7º do Estatuto, tem direito o advogado a comunicar-se</p><p>pessoal e reservadamente com seu cliente (mesmo sem procuração), ainda que o cliente esteja</p><p>recolhido na condição de incomunicável.</p><p>13.5. Prisão em flagrante do advogado</p><p>Nos termos do art. 7º, §3º do Estatuto, o advogado somente poderá ser preso em fla-</p><p>grante, por motivo de exercício da profissão, em caso de crime inafiançável, e, o advogado tem</p><p>direito de, quando for preso em decorrência do exercício da profissão (da advocacia), ter a pre-</p><p>sença de representante na OAB na lavratura do flagrante, sob pena de nulidade e, nos demais</p><p>casos, a comunicação expressa à seccional da OAB, conforme o inciso IV do art. 7º do Estatuto.</p><p>1ª Fase | 42° Exame da OAB</p><p>Ética</p><p>38</p><p>13.6. Local da prisão</p><p>Tem direito o advogado, antes de sentença condenatória transitada em julgado, de ser</p><p>recolhido preso em sala de Estado Maior (com instalação e comodidade condigna), conforme o</p><p>inciso V do art. 7º do Estatuto. Neste caso, para o reconhecimento deste direito, a motivação não</p><p>importa (ou seja, mesmo que a prisão tenha origem em crime não ligado</p>