Prévia do material em texto
<p>GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2</p><p>Pá</p><p>gi</p><p>na</p><p>1</p><p>APG 2 - LOMBALGIA</p><p>OBJETIVOS</p><p>- REVISAR MORFOFISIOLOGIA DA REGIÃO LOMBAR DA COLUNA VERTEBRAL.</p><p>- DESCREVER A DEFINIÇÃO, EPIDEMIOLOGIA, ETIOLOGIA (PRINCIPAIS PATOLOGIAS</p><p>RELACIONADAS), FATORES DE RISCO, FISIOPATOLOGIA, MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS,</p><p>DIAGNÓSTICO,TRATAMENTO E PREVENÇÃO DA LOMBALGIA.</p><p>- EXPLICAR COMO É FEITA A AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR.</p><p>RESUMO</p><p>- REVISAR MORFOFISIOLOGIA DA REGIÃO LOMBAR DA COLUNA VERTEBRAL.</p><p>FUNÇÃO</p><p>- Pode ser dividida em compartimentos: ANTERIOR (constituído pelos corpos vertebrais e pelo disco</p><p>intervertebral; é adaptado à absorção de choques e a suportar peso), MÉDIO (formado pelo canal</p><p>raquidiano e pelos pedículos) e POSTERIOR (protege posteriormente os elementos neurais e é o</p><p>responsável pelo direcionamento das unidades funcionais nos movimentos de flexão anterior e</p><p>extensão, flexão lateral e rotação), cada compartimento constitui uma unidade mecânica funcional.</p><p>- Estabilidade e Mobilidade e, a partir dessa base estável, permitir movimentos. Ela nos permite</p><p>torcer, curvar e balançar o tronco em praticamente qualquer direção.</p><p>- Suporte de Peso, suportam o peso do corpo e distribuem essa carga para as estruturas adjacentes.</p><p>- Proteção da medula espinhal e dos nervos que controlam a sensação e os movimentos das pernas</p><p>e pés.</p><p>- Ancoragem de músculos e ligamentos, contribuindo para a postura, estabilidade e movimento.</p><p>Estes incluem músculos grandes, como os músculos eretores da espinha e o músculo psoas.</p><p>- Flexibilidade notável, a coluna lombar permite uma flexibilidade significativa, permitindo movimentos</p><p>de torção e dobramento.</p><p>- Adaptação ao bipedalismo.</p><p>- Sensibilidade ao movimento, sensível a movimentos inadequados e posturas incorretas, o que pode</p><p>levar a condições dolorosas como lombalgia, uma das principais causas de incapacidade no mundo.</p><p>VERTEBRAS (CARACTERÍSTICA)</p><p>- As vértebras lombares são CINCO VÉRTEBRAS (L1 a L5)</p><p>localizadas na parte inferior da coluna vertebral, inferiormente às</p><p>vértebras torácicas e superiormente à pelve e ao sacro.</p><p>- Essa região possui um formato de “C”.</p><p>- São as maiores vértebras da coluna vertebral.</p><p>- Caracterizadas pela AUSÊNCIA de forames nos seus processos</p><p>transversos, bem como pela AUSÊNCIA de facetas nas faces</p><p>laterais de seus corpos.</p><p>- A distinção de outras vertebras (cervical/toráxica) é por : robustos</p><p>corpos vertebrais, seus processos espinhosos pontiagudos e</p><p>quadrilaterais e a orientação oblíqua dos seus processos</p><p>articulares (nas vértebras cervicais e torácicas os processos</p><p>articulares são orientados horizontalmente).</p><p>* Características básicas das vertebras:</p><p>- CORPO VERTEBRAL é grande, com largura maior do que altura.</p><p>Superfícies superior e inferior achatadas ou levemente côncavas.</p><p>Superfície posterior também côncava.</p><p>- ARCO VERTEBRAL é formado por um par de pedículos e um par</p><p>de lâminas que envolvem o forame vertebral.</p><p>GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2</p><p>Pá</p><p>gi</p><p>na</p><p>2</p><p>-PROCESSOS/FACETAS ARTICULARES SUPERIORES E INFERIORES processos superiores com</p><p>superfície côncava voltada medialmente e inferiores com superfície convexa voltada lateralmente.</p><p>- PROCESSOS TRANSVERSOS longos e delgados.</p><p>- PROCESSO ESPINHOSO único, com orientação posterior e inferior e forma quadrilátera.</p><p>* Existe uma vertebra que se distingue das outras, L5, corpo possui formato em cunha, mais alto</p><p>anteriormente do que posteriormente, permitindo articulação com as proeminências sacrovertebrais.</p><p>Além disso, seu processo espinhoso é mais curto, a distância entre os processos articulares</p><p>inferiores é maior e os processos transversos são mais espessos e curtos, o que também ocorre com</p><p>seus pedículos.</p><p>MÚSCULOS</p><p>- Desempenham um papel crucial na estabilidade,</p><p>mobilidade e suporte da coluna. Eles são divididos</p><p>em várias camadas e grupos:</p><p>- Músculos Superficiais</p><p>+ Músculo Latíssimo do Dorso: Extensão,</p><p>adução e rotação medial do braço.</p><p>+ Músculo Trapézio: Movimento da escápula</p><p>(elevação, retração e rotação).</p><p>- Músculos Intermédios</p><p>+ Músculo Eretor da Espinha (3 - Iliocostal</p><p>(lateral), Longuíssimo (intermediário) e</p><p>Espinhal (medial): Extensão e flexão lateral</p><p>da coluna vertebral.</p><p>- Músculos Profundos</p><p>+ Músculo Quadrado Lombar: Flexão lateral</p><p>da coluna vertebral e estabilização da pelve.</p><p>+ Músculos Multífidos: Estabilização das</p><p>vértebras individuais durante o movimento da</p><p>coluna vertebral.</p><p>+ Músculos Rotadores (Rotatores): Pequenos</p><p>movimentos rotacionais e estabilização da</p><p>coluna vertebral.</p><p>+ Músculo Psoas Maior: Flexão do quadril e</p><p>flexão lateral da coluna vertebral.</p><p>+ Músculo Psoas Menor: Pequena</p><p>contribuição para a flexão da coluna lombar.</p><p>RAÍZES NERVOSAS</p><p>- A medula espinal se estende até a vértebra L2.</p><p>Abaixo do nível de L2, o canal espinal envolve um</p><p>feixe de nervos conhecido como CAUDA EQUINA (</p><p>possui um CONE MEDULAR, sendo o ponto</p><p>terminal da medula espinhal -L1/L2- as RAÍZES</p><p>NERVOSAS, que fazem parte as lombares, sacrais</p><p>e coccígeas que emergem da medula espinhal e o</p><p>FILUM TERMINALE, um fino filamento de tecido</p><p>conjuntivo que se estende a partir do cone medular</p><p>e se insere no cóccix, ancorando a medula</p><p>espinhal), que chega inferiormente até os membros inferiores e os órgãos pélvicos.</p><p>GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2</p><p>Pá</p><p>gi</p><p>na</p><p>3</p><p>- Ao longo do segmento lombar da coluna, as raízes da cauda equina deixam o canal vertebral</p><p>através dos forames intervertebrais.</p><p>- As raízes de L1 deixam o canal vertebral nos forames intervertebrais entre L1 e L2, as raízes de L2</p><p>nos forames intervertebrais entre L2 e L3, e assim sucessivamente.</p><p>-Cada raiz nervosa é composta por dois ramos principais: uma raiz ventral (anterior) e uma raiz dorsal</p><p>(posterior).</p><p>+ Raiz Ventral: Contém fibras motoras que transmitem impulsos do cérebro e medula espinhal</p><p>para os músculos, controlando o movimento.</p><p>+ Raiz Dorsal: Contém fibras sensoriais que levam informações sobre sensação (como dor,</p><p>temperatura e toque) da pele e outros tecidos para a medula espinhal e o cérebro.</p><p>- AS RAÍZES NERVOSAS PARTEM DO PLEXO LOMBAR, sendo uma rede de nervos que se divide</p><p>em vários nervos periféricos importantes:</p><p>+ Nervo Femoral: Inerva a parte anterior da coxa e controla a extensão do joelho e a flexão</p><p>do quadril.</p><p>+ Nervo Obturador: Inerva os músculos adutores da coxa e controla a adução da perna.</p><p>+ Nervo Cutâneo Femoral Lateral: Inerva a pele da parte lateral da coxa.</p><p>+ Nervo Ilioinguinal e Nervo Iliohipogástrico: Inervam a pele da região inguinal e músculos</p><p>abdominais inferiores.</p><p>DERMÁTOMOS</p><p>- Lombares predominantemente suprem a parte anterior do membro</p><p>inferior.</p><p>- Nervo L1: Inerva a região inguinal e a parte superior do quadríceps.</p><p>- Nervo L2: Inerva a parte anterior da coxa.</p><p>- Nervo L3: Inerva a parte inferior da coxa e o joelho.</p><p>- Nervo L4: Inerva a parte anterior da coxa, joelho e parte medial da perna</p><p>e do pé.</p><p>- Nervo L5: Inerva a parte lateral da perna, dorso do pé e a maior parte</p><p>dos dedos dos pés.</p><p>- DESCREVER A DEFINIÇÃO, EPIDEMIOLOGIA, ETIOLOGIA (PRINCIPAIS PATOLOGIAS</p><p>RELACIONADAS), FATORES DE RISCO, FISIOPATOLOGIA, MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS,</p><p>DIAGNÓSTICO,TRATAMENTO E PREVENÇÃO DA:</p><p>LOMBALGIA</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>- Dor na região lombar, ou seja, na região mais baixa da coluna perto da bacia. É também conhecida</p><p>como “lumbago”, “dor nas costas”, “dor nos rins” ou “dor nos quartos”.</p><p>- É de origem músculo-esquelética, incluindo especialmente, as síndromes dolorosas miofasciais.</p><p>- Não é uma doença, será um sintoma, que pode ter várias etiologias.</p><p>- Algumas vezes a dor se irradia para as pernas com ou sem dormência.</p><p>- A lombociatalgia é a dor lombar que se irradia para uma ou ambas as nádegas e/ou para as pernas</p><p>na distribuição do nervo ciático.</p><p>- Pode ser aguda (duração menor que 3 semanas), subaguda (2 a 4 semanas), crônica (duração</p><p>maior que 3 meses) ou</p><p>recorrente ou reagudizada ( quando vai e volta).</p><p>- As lombalgias também podem ser classificadas como ESPECÍFICAS (resultantes de hérnias</p><p>discais, espondilolistese, estenose do canal raquidiano, instabilidade definida, fraturas vertebrais,</p><p>tumores, infecções e doenças inflamatórias da coluna lombar) e INESPECÍFICAS (a causa</p><p>anatômica ou neurofisiológica não é identificável).</p><p>- Em menos de 15% dos indivíduos a lombalgia é tipo específica.</p><p>GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2</p><p>Pá</p><p>gi</p><p>na</p><p>4</p><p>EPIDEMIOLOGIA</p><p>- 84% dos adultos podem apresentar dor lombar em algum momento de suas vidas.</p><p>- Em 2010, sintomas lombares foram a principal razão para 1,3% das consultas nos Estados Unidos</p><p>e os distúrbios vertebrais representaram 3,1% dos diagnósticos em ambulatórios.</p><p>- Em 2012, estimou-se que a prevalência pontual global de lombalgia limitadora de atividade com</p><p>duração de mais de um dia foi de 12% e a prevalência de um mês foi de 23%. Outras estimativas da</p><p>pesquisa sobre a prevalência de lombalgia variaram de 22 a 48%, dependendo da população.</p><p>- 50% a 90% dos indivíduos adultos apresenta lombalgia em algum momento de suas vidas.</p><p>- Em países industrializados, a lombalgia é a principal causa de incapacidade em indivíduos com</p><p>menos de 45 anos, perdendo apenas para os resfriados comuns.</p><p>- A incidência parece ser igual nos homens e nas mulheres, sendo que as mulheres queixam mais</p><p>de dor lombar após 60 anos de idade, talvez em decorrência das consequências da osteoporose.</p><p>- 90 a 95% das Lombalgias Agudas são situações banais.</p><p>- 85% são Idiopáticas e Autolimitadas em 4-6 semanas.</p><p>- 5 a 10% estão associadas a patologias graves.</p><p>- Relevância socioeconômica, pois apresenta elevado índice de incapacidade e morbidade,</p><p>desencadeando prejuízos incalculáveis.</p><p>FATORES DE RISCO</p><p>- Tabagismo, obesidade, idade, sexo feminino (osteoporose e questões hormonais), trabalho</p><p>fisicamente extenuante, trabalho sedentário, trabalho psicologicamente extenuante, baixa</p><p>escolaridade, seguro de acidentes de trabalho, insatisfação no trabalho e fatores psicológicos, como</p><p>desordem de somatização, ansiedade e depressão.</p><p>- Transtornos psicossociais como depressão, hipocondríase, histeria, alcoolismo, divórcio,</p><p>descontentamento, desmotivação com as atividades ocupacionais, entre outros.</p><p>- História prévia de lombalgia representa forte indicador de riscos futuros, especialmente quando os</p><p>episódios prévios foram graves, frequentes e houve necessidade de tratamento operatório.</p><p>ETIOLOGIA</p><p>- Embora existam muitas etiologias da dor lombar, a maioria dos pacientes atendidos na atenção</p><p>primária apresentará dor lombar inespecífica (> 85%, sem causa provável identificável, ou apenas</p><p>sugestiva).</p><p>- Existem basicamente 6 tipos de classificações para as lombalgias, temos: MECÂNICA</p><p>(degenerativa, hérnia de disco, síndrome facetaria, estenose espinhal e espondilolistese), NÃO</p><p>MECÂNICA (inflamatória, infecciosa, neoplásica, metabólica), REFERIDA (visceral e miofascial),</p><p>PSICOGÊNICA (stress e ansiedade), TRAUMÁTICA (fraturas e lesões musculares e ligamentares)</p><p>e POSTURAL (ergonomia e a postura propriamente dita).</p><p>- As principais são as Mecânicas e Não Mecânicas.</p><p>- Nas MECÂNICAS, temos algo virado para dor lombar decorrente de esforço físico e que é aliviada</p><p>com o repouso no leito, é dada por um equilíbrio mecânico entre o segmento anterior dos corpos</p><p>vertebrais e disco e o segmento posterior das articulações interapofisárias ou zigoapofisárias). Assim,</p><p>quando ocorre a ação de forças mecânicas sobre essas estruturas, pode haver um desequilíbrio levando</p><p>à dor por estimulação direta de terminações nervosas aí existentes, ou pela liberação de substâncias do</p><p>núcleo pulposo que desencadeiam dor e processo inflamatório pela degeneração do disco</p><p>intervertebral.</p><p>-ESPONDILÓLISE: é uma ruptura na pars interarticularis, é uma anormalidade</p><p>estrutural comum, e geralmente são assintomáticos (5% são sintomáticos).</p><p>* sinal do Scotch Dog e quebra do corpo.</p><p>GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2</p><p>Pá</p><p>gi</p><p>na</p><p>5</p><p>-ESPONDILOLISTESE: deslocamento anterior de uma vértebra em relação à vértebra</p><p>inferior. Pode ser degenerativa, derivada de um desgaste das articulações interfacetárias,</p><p>ou ístmica, derivada de um defeito congênito do pars interarticularis que, associado ao</p><p>estresse mecânico (geralmente levantamento de peso, entre outras atividades físicas),</p><p>leva à fratura do pars. O deslizamento ocorre habitualmente entre 10 a 18 anos e,</p><p>raramente progride a partir dos 20 anos. A localização mais frequente é entre L5-S1.</p><p>*Sem quebra.</p><p>- HERNIA DE DISCO: extravasamento do núcleo pulposo através do anel fibroso</p><p>do disco intervertebral. Elas podem criar tensão e sensibilizar o ligamento</p><p>longitudinal posterior causando dor. Dependendo da posição da hérnia, ela pode</p><p>ser assintomática, ou pode provocar lombalgia e radiculopatia, que pode evoluir</p><p>com perda funcional. Os agravados são com posições sentada, em pé e inclinada</p><p>para a frente prolongadas, e muitas vezes são aliviados com caminhada e</p><p>mudanças frequentes de posição.</p><p>- ESPONDILOARTROPATIAS: envolvem o esqueleto axial e o apendicular. As espondiloartropatias são</p><p>mais conhecidas como artropatias soronegativas. A mais importante do ponto de vista da coluna</p><p>vertebral é a espondilite anquilosante. É de 2 a 3 vezes mais comum em homens do que em mulheres.</p><p>- SÍNDROME DA ARTICULAÇÃO ZIGAPOFISÁRIA (FACETÁRIA): A degeneração articular com esclerose</p><p>da articulação zigapofisária pode estar associada à dor lombar. Os pacientes com síndrome da</p><p>articulação facetária muitas vezes podem ter dor nas costas e nas nádegas que piora ao ficar em pé e</p><p>caminhar ou com extensão lombar e é aliviada com a flexão. O diagnóstico da síndrome facetária</p><p>sintomática requer anestesia da articulação por meio de um bloqueio intra-articular ou de um bloqueio</p><p>da inervação da articulação.</p><p>- ESTENOSE DO CANAL RAQUIDIANO OU ESTENOSE ESPINHAL LOMBAR: definida como o</p><p>estreitamento do canal espinhal secundário às alterações degenerativas que</p><p>ocorrem no canal da coluna vertebral com o tempo. Qualquer movimento do</p><p>segmento lombar pode gerar sintomatologia de compressão radicular ou da</p><p>cauda equina. r pode manifestar-se como uma simples lombalgia ou como</p><p>ciatalgia semelhante à causada pelas hérnias discais, distingue-se desta pela</p><p>história de claudicação neurogênica intermitente, condição em que a dor é</p><p>desencadeada ou intensificada progressivamente com a marcha o que obriga</p><p>o doente a parar e sentar-se intermitentemente durante 10 a 20 minutos.</p><p>- COMPRESSÃO DA CAUDA EQUINA: sintomas que podem ser dor lombar, dor ciática bilateral, anestesia</p><p>em sela, ou incontinência vesical e intestinal. As causas mais comuns de compressão da cauda equina</p><p>são grandes hérnias centrais de disco, abscesso epidural, hematoma e tumor. A ressonância magnética</p><p>é o método diagnóstico mais sensível para detectar essas lesões. Os pacientes com a síndrome da</p><p>cauda equina têm a melhor oportunidade para o retorno da função neurológica se a causa da</p><p>compressão puder ser eliminada dentro de 48 horas.</p><p>- ANEURISMA DA AORTA ABDOMINAL: Um paciente idoso com histórico de doença vascular e que se</p><p>queixa de dor lombar “dilacerante” ou “latejante” com tontura aguda pode ter um aneurisma abdominal</p><p>em expansão. Se os pacientes se queixam de síncope ou se estão hipotensos, eles devem ser avaliados</p><p>em caráter de emergência para um aneurisma. O exame físico do abdome pode revelar uma massa</p><p>pulsátil, sopros abdominais e diminuição dos pulsos nas extremidades inferiores.</p><p>GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2</p><p>Pá</p><p>gi</p><p>na</p><p>6</p><p>MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS</p><p>- Variam amplamente dependendo da causa subjacente e da gravidade da condição.</p><p>+ Dor: localizada ou irradiada para as nádegas, coxas e pernas. Uma dor aguda, maçante,</p><p>em queimação ou em forma de pontadas, sendo constante ou não e pode ir de uma leve dor</p><p>a incapacitante.</p><p>+ Rigidez: dificultar movimentos,</p><p>como dobrar-se ou torcer o tronco, piora pela manhã ou fim</p><p>de tarde após esforços físicos.</p><p>+ Irradiação da Dor: pode ser ciática ( no trajeto do nervo ciático, descendo pela perna,</p><p>normalmente causada por compressão nervosa, como em casos de hérnia de disco).</p><p>+ Sinais Neurológicos: com parestesia, fraqueza muscular, reflexos alterados.</p><p>+ Postura Alterada: antálgica (posição adotada para evitar dor), como inclinação do tronco</p><p>para um lado ou Escoliose (Curvatura anormal da coluna).</p><p>+ Sintomas Específicos Associados a Causas Subjacentes: como uma dor que piora com</p><p>movimentos e melhora com repouso. Podendo estar associada a movimentos específicos ou</p><p>atividades. A Infecciosa com febre, perda de peso inexplicada, sudorese noturna e sensação</p><p>de mal-estar geral. A Neoplásica com Dor noturna, perda de peso, fadiga e sintomas</p><p>neurológicos progressivos. E a Visceral com Sintomas adicionais como disfunção urinária ou</p><p>intestinal, dor abdominal ou pélvica associada.</p><p>+ Sintomas Psicossomáticos: Stress, Ansiedade, Depressão.</p><p>+ Sinais de Alarme: Perda de Controle Esfincteriano, Perda de Peso Inexplicada, Dor Noturna</p><p>Severa e Deficiência Neurológica Progressiva.</p><p>DIAGNÓSTICO</p><p>- A Anamnese ver às CARACTERÍSTICAS DA DOR (intensidade e o horário de seu aparecimento;</p><p>relação entre a dor e a atividade corporal e/ou o repouso; associação com queixas sistêmicas, “sinais</p><p>de alerta”; irradiação da dor; origem raquidiana ou extra; e caracteres psicossomáticas da dor).</p><p>+ dor aparece de manhã ou no decorrer do dia (hérnias discais e lombalgias), dor aparece de</p><p>madrugada (osteoma osteóide), dor é matinal, projeta-se nas nádegas, melhora ao longo do dia, e</p><p>às vezes desaparece à tarde (espondiloartropatias)</p><p>+ dor aparece com os movimentos, no fim da tarde após o trabalho e se relaciona com estresse</p><p>físico e emocional (mecânico-degenerativa)</p><p>+ surgem acompanhadas de “sinais de alerta” (queixas sistêmicas), é necessário fazer</p><p>anamnese de outros órgãos e sistemas.</p><p>+ dor raquidiana tem relação com os movimentos da coluna; a extra-raquidiana não tem (p.ex.,</p><p>cólica renal).</p><p>+ compressões radiculares, a dor obedece quase sempre um trajeto dermatomérico.</p><p>* IDADE DO PACIENTE poderá indicar a causa de sua dor, pois a incidência de certas doenças</p><p>varia de acordo com a idade e com o sexo. Trabalho e lazer, isto é, esportes praticados, também são</p><p>importantes para o diagnóstico, pois com base nos achados de Nachemson ( Ex.: Quando uma</p><p>pessoa de 70kg, com um peso de 20kg nas mãos, curva para a frente somente 20 graus, a pressão</p><p>no disco aumenta de 150kg para 210kg na posição ereta e para 275kg na posição sentada).</p><p>- O Exame Físico, examinado levando-se em conta que a pressão intradiscal varia em função dos</p><p>movimentos e das posições do corpo. Por isso, sempre observar:</p><p>+ INSPEÇÃO: paciente caminhando, tipo de marcha e se existe posição antálgica; assimetrias</p><p>(desnível dos ombros, pregas subcostais, cristas ilíacas, pregas glúteas, alteração nas</p><p>curvaturas da coluna lombar como retificação da lordose, acentuação da cifose torácica ou</p><p>escoliose); exame espinhal (curvaturas e deformidades posturais); traumas ou cirurgia</p><p>anterior.</p><p>GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2</p><p>Pá</p><p>gi</p><p>na</p><p>7</p><p>+ PALPAÇÃO: hipertonia muscular e pontos dolorosos; palpar as articulações sacrilíacas;</p><p>flexão e extensão (com dor ou não; com irradiação ou não); TESTE DE SHOBER (mobilidade</p><p>da coluna com medição, se for +5cm é positivo e tem rigidez); rotação e inclinação.</p><p>+ TESTES ESPECÍFICOS: MANOBRA DE VALSALVA; MANOBRA DE LASÈGUE OU TESTE</p><p>DA PERNA ESTENDIDA (positivo se houver irradiação ou exacerbação da dor no dermátomo</p><p>de L4-L5 ou L5-S1 em um ângulo de 35° a 70° e dor acima de 70° resulta em teste é negativo,</p><p>isto é, não existe compressão radicular); SINAL DO ARCO DA CORDA (MANOBRA DE</p><p>BRAGARD - proceder como na manobra de Lasègue: ao iniciar a dor, dobra-se o joelho</p><p>(flexão); se a dor diminuir ou desaparecer significa que o teste é positivo); TESTE</p><p>MUSCULAR; EXAME NEUROLÓGICO (sinais de Babinski e Hoffman); EXAME SENSORIAL,</p><p>REFLEXOS DE TENDÃO PROFUNDOS (patelar e aquileu);</p><p>+ MANOBRAS PROVOCATIVAS: TESTE DE PATRICK ou “FABER” (flexão, abdução, rotação</p><p>externa); SINAIS DE TENSÃO DA RAIZ (teste de elevação da perna reta detecta irritação do</p><p>nervo ciático).</p><p>+ DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR: RADIOGRAFIA (até quatro semanas, sem “sinais de</p><p>alerta”, NÃO recomendado), TOMOGRAFIA AXIAL COMPUTADORIZADA (TC -</p><p>comprometimentos), RESSONÂNCIA MAGNÉTICA (RM -melhor visualização dos tecidos</p><p>moles e usa-se em casos sugestivos de Infecção, Câncer ou Comprometimento neurológico),</p><p>MIELOGRAFIA (método invasivo, casos de dúvidas de compressão radicular), DISCOGRAFIA</p><p>( método invasivo, casos de hérnia de disco)</p><p>+ EXAMES LABORATORIAIS: Deverão ser solicitadas as provas de atividade inflamatória e</p><p>outros exames específicos de acordo com a hipótese diagnóstica e da presença de “sinais de</p><p>alerta” apresentados pelo paciente.</p><p>- Basicamente:</p><p>EXPLICAR COMO É FEITA A AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR</p><p>- Nos membros, inspeciona-se a fraqueza (um membro fraco estendido move-se para baixo), o</p><p>tremor e outros movimentos involuntários. A força de grupos musculares específicos é testada contra</p><p>resistência, comparando-se um lado do corpo com o outro. No entanto, a dor pode impedir um</p><p>esforço total durante o teste de força.</p><p>- A força deve ser graduada. A escala a seguir, originalmente desenvolvida pelo Medical Research</p><p>Council of The United Kingdom, atualmente é utilizada de forma universal:</p><p>0: contração muscular não visível</p><p>1: contração muscular visível com ou sem indício de movimento</p><p>2: movimentos dos membros, mas não em relação à gravidade</p><p>3: movimento do membro contra a gravidade, mas sem resistência</p><p>4: movimento do membro em relação a pelo menos alguma resistência imposta pelo examinador</p><p>5: força normal</p><p>• A dificuldade com essa e outras escalas similares é a grande variação de força possível entre os</p><p>graus 4 e 5 (a força distal pode ser medida de forma semiquantitativa com um ergômetro de</p><p>preensão manual ou com um manguito de medidor de pressão arterial inflado apertado pelo</p><p>paciente).</p><p>• Verá fraqueza, simetria e progressão.</p><p>GUSTAVO MENDES SARMENTO – 5º PERÍODO- 2024.2</p><p>Pá</p><p>gi</p><p>na</p><p>8</p><p>- Em Membros Inferiores:</p><p>Quadril: Flexão: Músculo iliopsoas. / Extensão: Músculo glúteo máximo.</p><p>Joelho: Flexão: Músculos isquiotibiais. / Extensão: Músculo quadríceps.</p><p>Tornozelo: Dorsiflexão: Músculo tibial anterior. / Flexão plantar: Músculo gastrocnêmio e sóleo.</p><p>TRATAMENTO</p><p>- Teremos os 3 tipos básicos de tratamento: FARMACOLÓGICO, NÃO FARMACOLÓGICO e o</p><p>CIRÚRGICO.</p><p>+ REPOUSO: Posição: decúbito supino, joelhos fletidos e pés apoiados</p><p>sobre o leito e/ou com flexão das pernas num ângulo de 90° com as coxas e</p><p>destas com a bacia. Com o objetivo de retificar a coluna lombar (posição de</p><p>Zassirchon), durante 3 a 4 dias, máximo 5 a 6 dias, não deve ser prolongado,</p><p>pois a inatividade tem ação deletéria sobre o parelho locomotor. O retorno às</p><p>atividades habituais deve ser feito o mais rápido possível.</p><p>+ MEDICAMENTOS:</p><p>* Analgésicos Não Opióides: Paracetamol (dores leves a</p><p>moderada - não associar a anti- inflamatório não hormonal) e</p><p>Dipirona.</p><p>* Analgésicos Opióides: lombalgia aguda e lombociatalgia por hérnias discais. Fosfato de</p><p>codeína , Cloridrato de tramadol, Oxicodona, Sulfato de morfina (indicação restrita a casos</p><p>graves).</p><p>* Anti-inflamatórios Não Hormonais (AINH- São utilizados freqüentemente, pois apresentam</p><p>efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e antipiréticos associados, são efetivos no controle dos</p><p>sintomas em curto prazo): Inibidores da atividade das cicloxigenases (COX 1/COX 2) e das</p><p>prostaglandinas, Inibidores da cicloxigenases II (COX 2- risco para complicações</p><p>gastrointestinais e idosos). EX: Valdecoxibe, Rofecoxibe, Celecoxibe.</p><p>* Glicocorticóides</p><p>* Relaxantes</p><p>Musculares (Podem ser associados aos AINHs mostrando melhor resultado do</p><p>que quando usados isoladamente). EX: Ciclobenzaprina, Carisoprodol.</p><p>*Antidepressivos: Indicados nas lombalgias crônicas com componente psicossomático e nas</p><p>fibromialgias.</p><p>+ INFILTRAÇÃO: Apenas as infiltrações epidurais com glicocorticóides, anestésicos e opióides</p><p>podem ser utilizadas nos casos de lombociatalgia aguda após falha com o tratamento</p><p>medicamentoso e medidas físicas</p><p>+REABILITAÇÃO, baseada em cinco pilares: Controle da dor e do processo inflamatório ,</p><p>Restauração da amplitude dos movimentos , Coordenação motora, Melhora do condicionamento</p><p>físico, Manutenção de programas de exercícios.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>- K. L. Moore, A. D. Dalley II, A. M. R. Agur: Clinically Oriented ANATOMY, 7th edition, Lippincott Williams &</p><p>Wilkins (2014), p. 440-447, 456-507, 721-731, 982-996.</p><p>- NETTER, Frank H. Netter: Atlas de Anatomia Humana. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2018. E-book. ISBN</p><p>9788595150553.</p><p>- HOCHBERG, Marc C. Reumatologia. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2016. E-book. ISBN 9788595155664.</p><p>- GIANINI, Reinaldo J. SOS ortopedia 2a ed. . Barueri: Editora Manole, 2020. E-book. ISBN 9786555760231.</p><p>- Rev. Med. (São Paulo), 80(ed. esp. pt.2):375-90, 2001.</p><p>- Coluna Vertebral – Conhecimentos Básicos- NATOUR, Jamil. 2004 -</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ColunaVertebral.pdf.</p>