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<p>GEOLOGIA E PEDOLOGIA</p><p>AULA 3</p><p>Profª Maria Carolina Stellfeld</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Depois de conhecermos sobre as rochas existentes e seu ciclo, agora</p><p>vamos ver alguns dos processos atuantes nestas rochas e os elementos</p><p>estruturais que são formados através das forças da natureza. A dinâmica externa</p><p>é representada pelo intemperismo e pela erosão, que transformam rochas em</p><p>sedimentos e carrega-os para partes baixas. A estratigrafia é a parte da geologia</p><p>que estuda as camadas de sedimentos e rochas sedimentares, suas relações</p><p>temporais e espaciais. Por fim, veremos as falhas e as dobras, elementos</p><p>estruturais fundamentais para compreender o relevo terrestre.</p><p>TEMA 1 – intemperismo</p><p>A superfície da terra foi formada pelo passar do tempo geológico, em que</p><p>continentes foram criados e consumidos pela tectônica de placas, criando</p><p>porções continentais. Essa superfície, hoje, está em contato com a atmosfera e</p><p>a consequência desta interação é a decomposição das rochas e de tudo o que</p><p>está exposto às intempéries – condições climáticas como sol, frio, chuva, calor,</p><p>ventos etc.</p><p>Saiba mais</p><p>Intemperismo: um conjunto de modificações de ordem física e química que</p><p>estão sujeitas às rochas aflorantes.</p><p>Portanto, a exposição das rochas dá início a um processo de</p><p>decomposição, no qual elas podem sofrer quebras e fraturas e seus minerais</p><p>sofrem mudanças na sua estrutura e composição química, formando</p><p>sedimentos. Esses processos, que são desencadeados pelos agentes externos,</p><p>chamam-se intemperismo.</p><p>Além do sedimento propriamente dito, o produto do intemperismo que</p><p>mais estamos acostumados é o solo. Falaremos mais adiante dos processos</p><p>formadores de solo, mas, em última análise, o solo é uma rocha decomposta e</p><p>suas características serão dependentes da rocha original e do clima</p><p>meteorológico ao qual estava exposta.</p><p>3</p><p>O intemperismo é controlado por fatores climáticos, como pela quantidade</p><p>de chuva, pela topografia – que controla a infiltração de águia na rocha –, pela</p><p>biota que interage no processo, pelo tipo de rocha que está exposta –</p><p>principalmente estrutura e composição química que está exposta – e pelo tempo</p><p>de exposição do material às intempéries.</p><p>Como mostra a definição do intemperismo, temos dois tipos de processos</p><p>intempéricos: os de ordem física, nos quais a matéria é fragmentada em pedaços</p><p>cada vez menores, e os de ordem química, nos quais a composição química dos</p><p>minerais é modificada.</p><p>1.1 Intemperismo físico</p><p>A rocha é um agregado de diferentes tipos de minerais. Sabemos que</p><p>cada rocha também tem tamanhos de minerais diferentes e distintas estruturas</p><p>de disposição desses minerais. Todas essas características estão no plano físico</p><p>da matéria e influenciam no processo de desagregação física da rocha.</p><p>Ao longo das estações climáticas, as rochas são expostas a diferentes</p><p>temperaturas, que esquentam e resfriam-nas, dilatando e contraindo o material,</p><p>causando fraturas nos cristais e, consequentemente, desagregando a rocha.</p><p>Além da variação da temperatura, quebras podem acontecer pela expansão</p><p>volumétrica da água alojada em fraturas (juntas) em função do seu</p><p>congelamento.</p><p>Do mesmo modo, a cristalização de sais também provoca expansão e</p><p>fraturamento nas rochas. Expansão volumétrica da rocha, principalmente por</p><p>resfriamento de magma na superfície, também provocam fraturas e é um tipo de</p><p>intemperismo físico. O alívio de pressão e a atividade biológica também</p><p>provocam fraturamentos na rocha, desagregando fisicamente os cristais e</p><p>criando sedimentos.</p><p>4</p><p>Figura 1 – Exemplos do resultado do intemperismo físico em diferentes tipos de</p><p>rocha</p><p>1.2 Intemperismo físico</p><p>O intemperismo químico é aquele que ocorre na composição química dos</p><p>minerais. Cada mineral possui uma composição química e reage de maneira</p><p>diferente à água e a outros fluidos. Um dos processos de intemperismo químico</p><p>mais importante é a hidrólise, responsável por transformar os cristais de</p><p>feldspato – o mineral mais abundante da crosta continental – em argilominerais</p><p>e, consequentemente, em sedimentos argilosos.</p><p>Figura 2 – Processo de Hidrólise em feldspatos, transformando-os em</p><p>argilomineral</p><p>5</p><p>Crédito: Elias Aleixo</p><p>Outro processo de intemperismo químico muito famoso é a oxidação. O</p><p>ferro (Fe2+), presente nos minerais ferromagnesianos, é liberado em contato com</p><p>a água, oxida-se transformando-se em Fe3+ e precipita como um novo mineral,</p><p>a Goethita – óxido de ferro hidratado. Este processo é bastante importante,</p><p>porque é através dele que se forma uma crosta dura de cor amarelo</p><p>avermelhado, muito comum, conhecida com Laterita.</p><p>A dissolução de rochas carbonáticas também é um processo de</p><p>intemperismo químico que consiste na solubilização completa do Carbonato e</p><p>Calcio (CaCO3) na água. O mesmo acontece com rochas com Halita – o NaCl</p><p>ou sal de cozinha, que, em contato com a água, solubiliza-se.</p><p>Figura 3 – Processo de Dissolução de carbonatos e de Oxidação, produzindo</p><p>laterita.</p><p>6</p><p>TEMA 2 – erosão</p><p>Depois de o intemperismo atuar sobre as rochas, desagregando os</p><p>minerais e produzindo sedimentos, os agentes externos continuam atuando.</p><p>Saiba mais</p><p>Erosão: processo de deslocamento e transporte dos sedimentos</p><p>desagregados pelo intemperismo.</p><p>O agente erosivo mais importante é a água em forma líquida. Outros</p><p>agentes erosivos de destaque são o vento e, porque não, o homem, com as</p><p>movimentações de massa, interferindo na paisagem. A água na forma de rios</p><p>provoca a erosão fluvial, responsável por escavar vales em montanhas e levar</p><p>os sedimentos que desloca para o mar. Este movimento da água também pode</p><p>ser chamado de escoamento superficial e é fundamental no clico hidrológico,</p><p>movimentando água e sedimentos, transformando o relevo terrestre.</p><p>Quando pensamos na água em forma de chuva, ela também é agente</p><p>erosivo, que deixa marcas nas rochas provocadas pelo atrito da água com a</p><p>rocha. O mar também pode provocar erosão, principalmente quando existem</p><p>ondas de maior energia, capazes de movimentar sedimentos presos nas rochas.</p><p>A água na forma de gelo também é importante agente erosivo. São comuns</p><p>ranhuras em rochas provocadas pela passagem de geleiras sobre</p><p>embasamento, como as conhecidas Estrias Glaciais de Witmarsum no Paraná.</p><p>Figura 4 – Exemplos de erosão: Fluvial e Pluvial</p><p>O transporte de sedimentos pela água normalmente se dá das porções</p><p>mais altas para as mais baixas, principalmente por gravidade. A água pode</p><p>7</p><p>carregar os sedimentos através de suspensão, quando o grão está no meio do</p><p>fluido, e isto acontece quando existe fluxo turbulento na água. Todos já vimos</p><p>um rio com águas barrentas, de cor marrom, sem transparência. Ele está nestas</p><p>condições porque existem sedimentos em suspensão naquela água, sendo</p><p>transportados. Se pegarmos uma amostra de água num rio assim e deixarmos</p><p>ela “descansar”, o sedimento ali em suspensão irá decantar, formando uma</p><p>camada de sedimento no fundo e a água ficará mais clara. A quantidade de</p><p>sedimentos em suspensão pode ser medida e é uma propriedade física chamada</p><p>“turbidez”. A água ainda pode transportar os sedimentos por arrasto e rolamento,</p><p>que juntos chamamos “transporte por tração”. Imagine um pedaço de rocha que</p><p>se desprende de um maciço e encontra um escoamento superficial que vai</p><p>arrastando-o. À medida que o pedaço se rocha se movimenta, também se</p><p>quebra e pode rolar sobre seu eixo, quebrando mais arestas, até ter um formado</p><p>arredondado, como os seixos de um rio.</p><p>O vento é responsável pela erosão eólica, que pode formar figuras</p><p>interessantes como no Parque Estadual de Vila Velha, no estado do Paraná. O</p><p>transporte de sedimentos pelo vento também é o responsável pela formação de</p><p>dunas de areia. O transporte dos grãos pelo vento normalmente se dá pela</p><p>saltação, que consiste em o grão literalmente</p><p>ir saltando enquanto se</p><p>movimenta. A trajetória é de ascensão e queda, e durante este deslocamento o</p><p>grão pode se quebrar, por causa do impacto de cada queda.</p><p>Figura 5 – Exemplos de erosão eólica</p><p>A ação do homem também pode provocar erosão. A retirada de vegetação</p><p>de encostas intensifica o carreamento dos sedimentos. Movimentações de terra</p><p>com escavações e a construção de taludes movimenta sedimentos e podem</p><p>8</p><p>provocar perda de solos, assoreamento de rios e ainda induzir movimentos de</p><p>massa como escorregamentos de encosta. A imagem a seguir mostra um</p><p>deslizamento de terra – movimentação de sedimentos – possivelmente</p><p>provocado pelo corte de talude feito no maciço para construção da estrada.</p><p>Figura 5 – Erosão antrópica e erosão marinha</p><p>É importante notar que a erosão é um processo natural e acontece na</p><p>superfície terrestre, dentro do tempo geológico. Assim, mesmo que as</p><p>montanhas sejam constantemente bombardeadas pelas intempéries, continuam</p><p>altas por milhões de anos. Porém, o homem pode acelerar os processos</p><p>erosivos, resultando em destruição de solo e agravamento de problemas</p><p>ambientais.</p><p>Nesse sentido, também podemos classificar a erosão conforme sua</p><p>atuação nos solos. A Erosão Laminar é um processo lento de carreamento de</p><p>sedimentos dos solos, retirando a camada mais superficial e, normalmente, mais</p><p>fértil dos solos. Quando a erosão do escoamento superficial é intensificada,</p><p>forma-se Ravinas no solo, que podem evoluir para Voçorocas, que acontecem</p><p>quando uma ravina atinge o lençol freático e torna-se um problema de difícil</p><p>solução.</p><p>TEMA 3 – estratigrafia</p><p>Os sedimentos criados pelo intemperismo e transportados pela erosão</p><p>vão para as partes mais baixas do relevo, as Bacias Sedimentares. Nestas</p><p>bacias, os deferentes sedimentos vão se acumulando e formando camadas</p><p>distintas e sobrepostas, que chamamos também de estratos. O estudo destas</p><p>9</p><p>sequências deposicionais e as relações temporais e espaciais entre si e outras</p><p>rochas intrusivas chama-se estratigrafia.</p><p>A estratigrafia procura descrever os processos e eventos para determinar</p><p>os ambientes de sedimentação destas camadas e as idades daquelas rochas,</p><p>principalmente as sedimentares. Os estudos estratigráficos são capazes de</p><p>estabelecer as relações temporais entre camadas e sua distribuição espacial,</p><p>organizando as rochas em unidades mapeáveis distintas segundo as</p><p>características encontradas nos estudos. O resultado da estratigrafia é</p><p>fundamental para interpretar e estabelecer as divisões do tempo geológico e a</p><p>história geológica de cada região.</p><p>Anteriormente, vimos que Nicolas Steno (1638 – 1686) foi o primeiro a</p><p>estabelecer os princípios geológicos que regem a deposição de sedimentos e os</p><p>estratos formados. Hoje, parece óbvio, mas, para a época, foi uma ideia</p><p>revolucionária, sendo usada até hoje, recebendo a alcunha de “Princípios de</p><p>Steno”. São estes:</p><p>• Superposição – afirma que os sedimentos se depositam em camadas,</p><p>sendo as superiores mais novas que as inferiores;</p><p>Figura 6 – Camadas de rocha e sua representação estratigráfica</p><p>Crédito: Jefferson Schnaider</p><p>10</p><p>• Horizontalidade original – afirma que as camadas sedimentares são</p><p>sucessivas e dispostas de modo horizontal, por força da gravidade; e</p><p>• Continuidade lateral – afirma que as camadas sedimentares têm</p><p>continuidade lateral porque são contínuas e estendem-se até a margem</p><p>dos locais de sedimentação, ficando mais finas nas bordas.</p><p>Essas observações são fundamentais para o entendimento da relação</p><p>temporal e espacial dos pacotes rochosos. Porém, vale ressaltar que, em áreas</p><p>afetadas pela tectônica, principalmente em estratos dobrados, nem sempre o</p><p>que está em cima é mais novo.</p><p>Como já vimos, os ambientes de sedimentação são bastante variados e,</p><p>nesse sentido, destacam-se as flutuações do nível do mar no tempo geológico.</p><p>O mar pode avançar (transgressão) ou recuar (regressão) nas bordas das bacias</p><p>sedimentares, movimento conhecido por eustasia e tem causas diferentes como</p><p>glaciações, subsidências e movimentação de placas tectônicas. Esta migração</p><p>do nível do mar produz diferentes fácies (ambientes de sedimentação),</p><p>marcando episódios de transgressões e regressões, e deixam um registro</p><p>geológico importante na interpretação estratigráfica de uma bacia sedimentar.</p><p>Outro fator importante na interpretação estratigráfica é o reconhecimento</p><p>de discordâncias, que podem ser definidas como uma superfície de erosão ou</p><p>não deposição, representando um hiato deposicional importante, e que também</p><p>é capaz de separar camadas mais antigas de mais novas. As discordâncias</p><p>podem ser classificadas como:</p><p>• discordância litológica ou não conformidade, em que rochas sedimentares</p><p>fazem contato com rochas ígneas ou metamórficas, muitas vezes</p><p>representa o início de deposição de uma bacia, depositando sedimentos</p><p>sobre o embasamento cristalino;</p><p>• discordância erosiva ou angular é aquela em que o sedimento é</p><p>sobreposto a outra camada que sofreu um basculamento ou foi erodida</p><p>bruscamente – como um canal de rio antigo, preenchido por sedimentos</p><p>recentes; e</p><p>• desconformidade, que, apesar de ser uma discordância, é quase</p><p>imperceptível, visto que os estratos continuam paralelos, podendo ser</p><p>distintos somente através de correlação granulométrica ou fossilífera.</p><p>11</p><p>A partir destas definições, podemos compreender melhor como</p><p>interpretamos as correlações geológicas – espaciais e temporais – das</p><p>diferentes camadas depositadas ao longo do tempo geológica e, eventualmente,</p><p>perturbadas por estruturas magmáticas. A figura a seguir mostra uma correlação</p><p>estratigráfica entre as camadas, segundo os princípios da estratigrafia.</p><p>Figura 7 – Relações cronológicas e geológicas de uma sessão geológica</p><p>hipotética</p><p>Crédito: Elias Aleixo</p><p>Na figura 7, é possível observar que os primeiros estratos, marcados com</p><p>os números de 1 a 18, representam deposições sedimentares passadas, que</p><p>sofreram basculamento por esforços tectônicos, por isso estão inclinadas e</p><p>apresentam uma importante falha, vista na lateral do bloco diagrama, que</p><p>desloca as camadas entre si. Após este basculamento e o fraturamento, este</p><p>conjunto de rochas sedimentares sofreu erosão, configurando um hiato</p><p>deposicional, e o resultado é o “corte” destas camadas por um plano horizonta.</p><p>12</p><p>Após este hiato, houveram novas deposições sedimentares, representadas</p><p>pelos números 19 a 22. Nesse exemplo, as intrusões graníticas (23 e 24) foram</p><p>as últimas a se alojarem neste espaço, cortando as camadas inclinadas mais</p><p>antigas e cortando também as camadas mais recentes e horizontais.</p><p>Os conjuntos de camadas podem ser divididos de acordo com suas</p><p>características. Quando falamos de unidades litoestratigráficas, os conjuntos têm</p><p>correlações baseadas nas suas características litológicas e mineralógicas, sem</p><p>considerar o tempo de deposição. A unidade litoestratigráfica é a formação</p><p>geológica e é a mais antiga divisão estratigráfica. Podemos dividir os pacotes</p><p>rochosos conforme suas idades, formando unidades cronoestratigráficas ou,</p><p>ainda, baseá-las em seu conteúdo fossilífero, formando unidades</p><p>bioestratigráficas.</p><p>A importância dos depósitos sedimentares para a exploração e produção</p><p>mineral na atualidade é indiscutível. Deste modo, hoje, um dos principais uso</p><p>dos princípios estratigráficos é o estudo de bacias sedimentares que abrigam</p><p>petróleo. Através dos estudos da estratigrafia local, é possível determinar onde</p><p>é mais provável existir petróleo ou outros combustíveis fósseis, como carvão e</p><p>gás, tornando-se uma matéria indispensável para o mundo contemporâneo.</p><p>TEMA 4 – dobras</p><p>Já vimos, nos nossos estudos, o quanto a terra é dinâmica. Entendemos</p><p>que a tectônica de placas é responsável por processos transformadores da</p><p>crosta, relacionados à química e à estrutura das rochas. Neste tema e no</p><p>próximo, vamos</p><p>compreender como se dão os processos que deformam a rocha,</p><p>criando estruturas geométricas que darão origem a diferentes tipos de relevo e</p><p>paisagens.</p><p>Quando falamos em deformação de rocha, é preciso ter em conta que</p><p>corpos rochosos estão sujeitos a mudanças em sua forma, volume e</p><p>posicionamento espacial e que estas deformações estão relacionadas com a</p><p>dinâmica interna do Planeta (calor e movimentação de placas). Estas</p><p>deformações são resultantes de forças compressivas, distensivas e cisalhantes,</p><p>que provocam dobramentos, falhamentos e fraturamentos, além de torções,</p><p>rotações e basculamentos nos corpos rochosos.</p><p>A deformação física se dá de dois modos. Ela pode ser elástica, isto é, o</p><p>corpo retorna a sua forma original quando o esforço cessa, ou pode ser uma</p><p>13</p><p>deformação elástica, na qual o corpo permanece deformado mesmo cessando o</p><p>esforço.</p><p>A deformação plástica pode ser dividida em rúptil – quando há ruptura do</p><p>corpo, ou dúctil, quando o corpo está mais maleável e não se quebra. Estes</p><p>domínios de deformação são influenciados pelos seguintes fatores.</p><p>• Tipo de rocha: rochas mais ricas em silicatos (rochas ígneas em geral, e</p><p>também arenitos e quartzitos) são mais rúpteis do que rochas</p><p>sedimentares ou metassedimentares, compostas por minerais como</p><p>argilas e micas (folhelhos, ardósias, xistos, calcários).</p><p>• Temperatura: aumenta com a profundidade e quanto maior, mais dúctil é</p><p>o domínio.</p><p>• Pressão Litostática: do mesmo modo que a temperatura, quanto maior o</p><p>peso das camadas sobrepostas, maior será a ductibilidade do meio.</p><p>• Tempo: normalmente, as deformações dúcteis são mais lentas, ou seja,</p><p>precisam de mais tempo para ocorrer.</p><p>• Taxa de velocidade da deformação: é uma relação entre o tamanho da</p><p>força e o tempo de ação sobre o corpo rochoso. Altas taxas geram</p><p>deformação rúptil, pois são mais rápidas e intensas; baixas taxas</p><p>significam baixas velocidades num esforço mais contínuo, gerando uma</p><p>deformação dúctil.</p><p>Assim, os Dobramentos têm a tendência de ocorrerem em maiores</p><p>profundidades, em regime dúctil, e os Falhamentos ou fraturamentos ocorrem</p><p>mais próximos à superfície, num regime rúptil.</p><p>As dobras são ondulações que as rochas apresentam, resultado de forças</p><p>tectônicas compressivas. São encurvamentos ou flexões das rochas que</p><p>ocorreram sob regime dúctil de deformação, sem ruptura da rocha. O tamanho</p><p>das dobras varia muito, podendo ser microscópicas, centimétricas, métricas e</p><p>até com alguns quilômetros de extensão. Todos os tipos de rocha podem se</p><p>dobrar, tudo vai depender do tempo, pressão em temperatura em que são</p><p>submetidas.</p><p>Figura 8 – Esquema mostrando como sedimentos que eram horizontais podem</p><p>se dobrar de diferentes formas</p><p>14</p><p>Crédito: Jefferson Schnaider</p><p>Uma dobra é composta por alguns elementos principais, que são</p><p>responsáveis por sua classificação espacial.</p><p>• Charneira: linha que une os pontos de máxima curvatura de uma dobra.</p><p>• Plano axial: plano de simetria da dobra, que a divide em duas partes.</p><p>• Eixo de dobra: intersecção do plano axial com o plano horizontal. É</p><p>também o limite de separação dos flancos da dobra e marca a sua direção</p><p>espacial.</p><p>• Flanco: superfície entre o plano axial da dobra até o próximo plano axial.</p><p>Sua inclinação marca o mergulho da dobra em relação a horizontal.</p><p>Figura 9 – Elementos que compõe uma dobra</p><p>Fonte: <https://colegiovascodagama.pt/ciencias3c/onze/geologia2.3.html>. Acesso em 18 set.</p><p>2021.</p><p>15</p><p>As dobras podem ser classificadas em função da relação das camadas de</p><p>rocha e suas idades com a posição da dobra. Será uma antiforme quando a</p><p>dobra fechar para baixo, e será sinforme quando a dobra fechar para cima. Se</p><p>as camadas internas da dobra forem mais recentes, ela é uma sinclinal; se forem</p><p>as camadas mais antigas, é uma anticlinal.</p><p>Figura 10 – Classificação de dobras segundo sua posição e idade das camadas</p><p>de rocha</p><p>Fonte: <http://www.ccvestremoz.uevora.pt/upload/pdf/dobras_conversas_da_terra.pdf>. Acesso</p><p>em 18 set. 2021.</p><p>As dobras também são classificadas conforme o ângulo de abertura de</p><p>seus flancos, variando de suaves, com mais de 120º de abertura, a apertadas,</p><p>com 30º ou menos. Quando os flancos são paralelos, denomina-se dobra</p><p>isoclinal.</p><p>As dobras são um importante fator de modelamento do relevo. Regiões</p><p>dobradas – com dobramentos regionais – dão origem a relevos movimentados,</p><p>com morros e montanhas.</p><p>16</p><p>Figura 11 – Exemplos de rochas com dobramentos</p><p>TEMA 5 – falhas</p><p>Continuando no tema sobre deformação de rochas, agora entramos no</p><p>regime rúptil de deformação provocadas por forças tectônicas. Se a rocha que</p><p>está sob estas forças for competente, ela não será maleável, fluida e, então, vai</p><p>quebrar. A estas quebras e descontinuidades, dá-se o nome de falhas. As falhas,</p><p>assim com as dobras, têm tamanhos variados e também podem ser desde</p><p>microscópicas, em escala de afloramento, até regionais, com dezenas de</p><p>quilômetros. É importante frisar que fraturas provocadas pelo resfriamento da</p><p>rocha não têm origem tectônica e podem ser consideradas um processo</p><p>intempérico.</p><p>Os elementos principais de uma falha os que se seguem.</p><p>• Plano de falha: superfície onde se dá o deslocamento dos blocos;</p><p>• Muro ou Lapa: bloco que apoia o outro bloco ou que está “por baixo” do</p><p>plano de falha.</p><p>• Teto ou Capa: bloco que se apoia no muro ou lapa ou que está “por cima”</p><p>do plano de falha.</p><p>• Rejeito: deslocamento reativo entre os blocos.</p><p>17</p><p>Figura 12 – Elementos de uma falha</p><p>Crédito: Elias Aleixo</p><p>Se as rupturas originadas na deformação rúptil não provocarem o</p><p>deslocamento relativo dos blocos, ela é chamada de junta ou diaclase. Caso haja</p><p>movimentação relativa entre os blocos, chama-se falha. As falhas podem ser</p><p>classificadas em relação ao tipo de deslocamento.</p><p>• Falha normal ou de gravidade: é aquela em que o teto desce em relação</p><p>ao muro. São formadas por esforços distensivos ou de tração.</p><p>• Falha inversa ou de empurrão: é aquela em que o teto sobe em relação</p><p>ao muro. São formadas por esforços compressivos e notadamente</p><p>comuns em grandes cadeias de montanhas em função dos contatos</p><p>convergentes de placas tectônicas.</p><p>• Falhas de rejeito direcional: é quando existe uma movimentação lateral</p><p>dos blocos, e são formadas por esforços de cisalhamento simples.</p><p>Quando os planos de falha são verticais, são chamadas de falhas</p><p>transcorrentes e, quando atingem grandes profundidades (em margens</p><p>de placas), são chamadas de falhas transformantes.</p><p>Quando o plano de falha é curvo, denominam-se falhas lístricas e são</p><p>relacionadas a sistemas distensivos. Se as falhas não tiverem deslocamento,</p><p>são chamadas de diaclases ou juntas. Se uma falha é preenchida por material</p><p>ígneo ou outro tipo de intrusão, chama-se dique, e se for preenchido por</p><p>minerais, chamamos de veio. A variação do ângulo do plano de falha também é</p><p>importante, e temos as de alto ângulo, quando o mergulho é superior a 45º, e</p><p>falhas de baixo ângulo, quando menores de 45º. Falhas de baixo ângulo do tipo</p><p>de empurrão são chamadas de cavalgamentos.</p><p>18</p><p>Figura 13 – Exemplos de falhamentos: falha normal em três blocos e falha</p><p>preenchida por magma, formando um dique</p><p>As falhas ocorrem normalmente em conjunto, conjuntos estes que</p><p>chamamos de sistema de falhas. Dentre estes sistemas, destacam-se o Horsts</p><p>e Grabens, que são blocos altos e baixos separados por falhas. Estes sistemas</p><p>são formadores de serras e vales, como o Vale do Paraíba e a Serra do Mar, em</p><p>São Paulo. Estas paisagens são um registro do processo da separação do Brasil</p><p>e da África – ou seja, da abertura continental, limite de placa divergente, com</p><p>esforços distensivos.</p><p>Figura 14 – Bloco diagrama mostrando os principais tipos de falha</p><p>Crédito: Jefferson Schnaider</p><p>19</p><p>As falhas são um elemento importante na formação do relevo, porque</p><p>as</p><p>descontinuidades são zonas de fraqueza, facilitando a ação do intemperismo e</p><p>erosão criando, por exemplo, vales de rios.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta aula, vimos que a dinâmica externa é parte importante do ciclo das</p><p>rochas. Compreendemos, também, os processos de erosão e intemperismo.</p><p>Estudamos a estratigrafia, que organiza as relações espaciais e temporais dos</p><p>pacotes rochosos. Entendemos que dobras e falhas são produtos da dinâmica</p><p>interna, mas é a dinâmica externa que ressalta estas estruturas, formando o</p><p>relevo terrestre.</p><p>Além disso, vimos que a dinâmica externa é parte importante do ciclo das</p><p>rochas. Ela é responsável pela decomposição das rochas – o intemperismo –,</p><p>que, junto do transporte dos sedimentos formados – a erosão –, dará origem a</p><p>camadas, ou estratos, em bacias sedimentares. Estas bacias são estudadas</p><p>pela estratigrafia. Também aprendemos sobre dobras e falhas, de que maneira</p><p>se formam e suas classificações. Compreendemos, por fim, que estes elementos</p><p>estruturais são importantes formados do relevo terrestre.</p><p>20</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Conversas em torno da Terra. Centro Ciência Viva de Estremoz, set. 2016.</p><p>Disponível em:</p><p><http://www.ccvestremoz.uevora.pt/upload/pdf/dobras_conversas_da_terra.pdf</p><p>>. Acesso em 18 set. 2021.</p><p>Processos e materiais geológicos importantes em ambientes terrestres. Colégio</p><p>Vasco da Gama. Disponível em: <</p><p>https://colegiovascodagama.pt/ciencias3c/onze/geologia2.3.html>. Acesso em</p><p>18 set. 2021.</p><p>TEIXEIRA, W et al. Decifrando a Terra. 1. ed. São Paulo: Companhia Editora</p><p>Nacional, 2009.</p>

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