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<p>AULA 1</p><p>NEUROCIÊNCIA DA</p><p>LINGUAGEM</p><p>Prof. Everton Adriano de Morais</p><p>2</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Desenvolvimento da linguagem e aprendizagem com ênfase nos distúrbios</p><p>relacionados ao desenvolvimento neurolinguístico</p><p>A partir de agora você iniciará uma jornada pelo conhecimento relacionado</p><p>à linguagem e ao funcionamento do sistema nervoso. Os conteúdos serão</p><p>voltados à filogênese e à ontogênese da linguagem, aos processos de</p><p>aprendizagem, aos aspectos biopsicossociais e aos distúrbios relacionados à</p><p>linguagem. A neurociência da linguagem apresenta um campo multidisciplinar que</p><p>traz inúmeras áreas profissionais e do conhecimento para levar uma compreensão</p><p>de como o sistema nervoso humano desenvolve o processamento da linguagem.</p><p>Durante os últimos anos, houve avanços relacionados à neurociência e à</p><p>linguagem e, mediante métodos de neuroimagem, foi possível compreender</p><p>funcionamentos neuronais interdependentes na construção dos circuitos de</p><p>linguagem.</p><p>Uma das características mais surpreendentes é que a linguagem não se</p><p>restringe a um componente comportamental, mas está intimamente ligada a</p><p>mecanismos e ativações do cérebro como um todo. Diferentes regiões do encéfalo</p><p>desenvolvem atividades específicas na linguagem. Por exemplo, algumas áreas</p><p>estão mais especialistas na oralização enquanto outras estão mais voltadas à</p><p>compreensão da linguagem.</p><p>O córtex pré-frontal e o córtex motor envolvem-se na construção da</p><p>linguagem enquanto estruturas como o giro temporal superior e áreas vizinhas</p><p>estão ligadas à compreensão sonora das palavras e frases. Com base nisso,</p><p>também é possível considerar e analisar que estruturas como o giro angular, o</p><p>giro supramarginal e o giro frontal inferior são essenciais para o desenvolvimento</p><p>compreensivo da semântica e da sintaxe, respectivamente.</p><p>Quando a pauta da discussão é a linguagem e a neurociência, isso não se</p><p>restringe ao processo de oralização. O objetivo é muito mais amplo e envolve</p><p>aspectos de leitura, escrita e gestos. Atualmente, há recursos que possibilitam</p><p>investigações dos circuitos interdependentes como, por exemplo, aprofundando a</p><p>relação da articulação da linguagem e estruturas de lobos frontais ou a</p><p>compreensão da linguagem e os lobos temporais e parietais.</p><p>3</p><p>Entender como o sistema nervoso se organiza e lida com o processo de</p><p>linguagem contribui também para que seja possível propor reabilitações efetivas</p><p>em casos de transtornos ou distúrbios que envolvem o funcionamento da</p><p>linguagem e suas ações práticas que impactam a rotina e as atividades diárias</p><p>dos pacientes que tiveram quadro clínico de alguma disfuncionalidade relacionada</p><p>à linguagem. Em suma, quando se fala de neurociência e linguagem é</p><p>extremamente importante compreender e entender toda essa organização</p><p>interdependente.</p><p>Após a apresentação da importância de saber os principais mecanismos</p><p>de funcionamento da linguagem e que esta envolve um grande e complexo</p><p>circuito, a seguir serão discutidos e aprofundados diversos temas sobre a</p><p>neurobiologia da linguagem, historicidade e evolução. Além disso, haverá pontos</p><p>que serão comentados sobre disfuncionalidades e como isso impacta o</p><p>desenvolvimento humano. Ótima leitura e aprofundamento do conhecimento.</p><p>TEMA 1 – LINGUAGEM: FILOGÊNESE E ONTOGÊNESE</p><p>1.1 Origem da linguagem e os mecanismos de recursos linguísticos</p><p>Os processos de desenvolvimento de linguagem trazem diversas formas</p><p>de expressões, estas com a finalidade de comunicação e registros de</p><p>características culturais, por exemplo. Esses aspectos promoveram alterações em</p><p>níveis sofisticados, complexos e interdependentes, e contribuíram para o avanço</p><p>da espécie humana em relação a tecnologias, construção das sociedades e</p><p>aprendizagens de modo geral. As modificações dos processos de linguagem</p><p>aconteceram por meio da utilização de recursos como escrita em rochas, em</p><p>papiros, manuscritos e outras ferramentas que possibilitavam os registros e a</p><p>propagação das informações de gerações a gerações (Ferreira et al., 2000).</p><p>Mas, com base nisso, o que se pode considerar como linguagem? Antes</p><p>de saber a que se refere o conceito de linguagem é importante entender uma das</p><p>áreas científicas que estuda os processos da linguagem, a linguística. Assim como</p><p>a biologia busca uma explicação para o que é a vida e a filosofia procura entender</p><p>o que é a razão, a linguística aprofunda-se a saber o que é e como funciona a</p><p>linguagem. Uma das quase unânimes afirmações na área da linguística é que a</p><p>linguagem humaniza o homem e o diferencia dos demais animais. Há uma</p><p>complexidade para esse processo devido à sistematização dos códigos, sendo</p><p>4</p><p>estes gramaticais, letras, caracteres, no que se refere à linguagem escrita. Em</p><p>relação à linguagem oral, em alguns momentos o idioma produz de forma oral um</p><p>mesmo som, mas se diferencia nos seus significados, o que gera outra função</p><p>social e impacta a construção do entendimento de cada cultura. Por exemplo, em</p><p>para, do verbo parar, e em para, preposição, apesar da sonoridade ser a mesma,</p><p>o significado é diferente (Lyons, 2013, p. 3).</p><p>1.2 O que é a linguagem?</p><p>Mas, afinal, o que é a linguagem? De acordo com Lyons (2013, p. 3), a</p><p>linguagem é caracterizada como um conjunto sistematizado que, com base em</p><p>um método humanizado, reproduz a comunicação de ideias, emoções,</p><p>pensamento e similares, e isso não ocorre de forma originalmente instintiva, mas</p><p>racional. Há também a ligação forte entre a linguagem oral e a escrita e os</p><p>processos do pensamento, pois os símbolos são limitadores arbitrários em uma</p><p>sociedade e estes são produzidos mediante o pensamento humano, que, por sua</p><p>vez, são determinados pelo ambiente. Ou seja, tanto a escrita forma os símbolos</p><p>quanto os determinantes sociais e qualquer outro signo são transcrições de</p><p>pensamento.</p><p>Outro ponto a ser comentado é a função transformadora que a linguagem</p><p>produz: aumento no vocabulário, manutenção e organização dos processos de</p><p>memória, interação e integração social, mediação de conflitos, entre outros. A</p><p>funcionalidade não fica apenas no âmbito cognitivo, como já foi comentado</p><p>anteriormente, mas estende-se ao social, ao familiar etc. O ato de comunicação,</p><p>em um viés humano, corresponde a uma gama de signos que são carregados de</p><p>questões culturais, sociais e laborais.</p><p>A linguagem tem uma relação direta com os processos comportamentais,</p><p>sendo considerada também, por algumas perspectivas da psicologia, como</p><p>comportamento ou atividades, estas em suas peculiaridades observáveis como</p><p>comportamento linguístico. De acordo com Chomsky (Lyons, 2013, p. 8), a</p><p>linguagem pode ser definida por meio de duas descrições: competência e</p><p>desempenho. A competência é caracterizada como o armazenamento das</p><p>informações memorizadas em relação à linguagem e o desempenho como a</p><p>aplicação funcional dessa habilidade para um determinado idioma. E, de acordo</p><p>com esse autor, o desempenho linguístico pressupõe a competência. Em outras</p><p>palavras, diz ser possível usar a linguagem de uma forma habitual, assim como</p><p>5</p><p>qualquer comportamento, e potencialmente pode-se exercitar um idioma, por</p><p>exemplo, tendo o entendimento de que há uma capacidade para isso.</p><p>Com base nos pontos abordados anteriormente, é importante frisar a inter-</p><p>relação que a linguagem tem com a fala. Sabe-se que esta não é a única forma</p><p>de linguagem e que a linguagem oral é, em determinado momento, mais básica</p><p>que a escrita. Uma das explicações para o fato de que a linguagem falada é mais</p><p>básica que a escrita é no sentido de prioridade histórica, por exemplo, pois durante</p><p>muito tempo as sociedades eram constituídas por indivíduos analfabetos (Lyons,</p><p>2013, p. 10).</p><p>Outros pontos importantes a serem trabalhados quanto à linguagem oral</p><p>são o sotaque e o dialeto. O primeiro é mais restrito que o segundo</p><p>e não traz</p><p>nenhuma regra ou implicação, a não ser a construção cultural por motivo da</p><p>pronúncia e sonoridade das palavras. Indivíduos podem falar o mesmo idioma,</p><p>viver em regiões diferentes de um mesmo país, por exemplo um mineiro e um</p><p>gaúcho, e pronunciar palavras de formas diferentes, por diversos fatores culturais</p><p>e sociais. Mas eles serão muito possivelmente identificados, quando fora de suas</p><p>regiões, pela fonética empregada em suas frases. Isso não diferencia o idioma,</p><p>não impõe outras regras no falar estruturalmente, mas há uma distinção que os</p><p>destaca, um dialeto alemão, francês, entre outros, que podem se diferenciar</p><p>foneticamente por causa do sotaque empregado (Lyons, 2013, p. 19).</p><p>Dessa forma, pode-se ver que a linguagem possui diversas estruturas,</p><p>condições, interações sociais e culturais para atender a inúmeras demandas e,</p><p>por isso, tem várias definições. Sua complexidade e evolução permeiam diversos</p><p>períodos e sociedades, cada uma com sua particularidade e atividade, partindo</p><p>de uma demanda específica para cada função, seja escrita, seja oral, por exemplo,</p><p>mas que, em si, tem uma responsabilidade de interação entre os indivíduos num</p><p>sentido de comunicação, troca de conhecimento, informações, entre outros.</p><p>TEMA 2 – PROCESSOS DE APRENDIZAGEM E A LINGUAGEM</p><p>2.1 Letramento, alfabetização e o processo do aprender</p><p>Quando se fala em aprender tem-se uma possível compreensão de</p><p>decodificar, interpretar e analisar algo que foi apresentado através de uma ideia,</p><p>seja isso um novo idioma, uma atividade motora, um comportamento motor, entre</p><p>outros. Mas quando falamos de uma aprendizagem relacionada à linguagem</p><p>6</p><p>deve-se levar em consideração o transformar símbolos, caracteres, letras, pontos</p><p>em uma organização gramatical, por exemplo, a qual contribui para o aprender de</p><p>um escolar. O que se faz quanto ao mecanismo da alfabetização é nada mais</p><p>nada menos que decodificar sinais e transformá-los em sons, partindo da leitura</p><p>e da escrita.</p><p>Com essa aprendizagem ganha-se na decodificação, aprende-se a separar</p><p>em sílabas, a construir palavras, a ler, a escrever e pode-se dizer que após essa</p><p>decodificação e transformação temos uma pessoa alfabetizada. Mas a pergunta</p><p>que fica é: para que serve? Uma importante reflexão está em pensar: toda pessoa</p><p>alfabetizada tem a compreensão e o entendimento do que fazer com as palavras</p><p>e os textos que lê? Ou apenas decodifica e não atribui sentido ao significado dessa</p><p>decodificação? Bem, se uma pessoa alfabetizada aprende letras e palavras</p><p>isoladas, mas não tem o entendimento de como aplicar, pode-se dizer que esta é</p><p>alfabetizada, mas possivelmente iletrada (Lotsch, 2016, p. 43).</p><p>Dessa forma, é necessário entender o que é, ou qual é, a definição de</p><p>letramento. Diversas teorias da aprendizagem quando relacionadas à linguagem</p><p>escrita e à leitura procuram compreender qual é o dinamismo e a relação entre a</p><p>habilidade de codificar e decodificar caracteres e o entendimento do mecanismo</p><p>ativo e funcional desse sistema. A explicação sobre o conceito de alfabetização</p><p>tem um viés que contribui para as vertentes social, familiar, cultural, econômica e</p><p>cognitiva, por exemplo, e isso faz com que uma pessoa alfabetizada também seja</p><p>letrada.</p><p>Todavia, define-se de uma forma objetiva o letramento como alfabetização</p><p>funcional. E essa descrição se embasa no sentido de que a decodificação amplia-</p><p>se para interação social e a contribuição de uma pessoa a outra. Quando se tem</p><p>um indivíduo que consegue identificar a descrição de sinais gráficos, mas não</p><p>consegue compreender sua funcionalidade, tem-se um analfabeto funcional, pois</p><p>não há uma utilização interacional com aquilo que se interpreta e sem</p><p>aplicabilidade, e isso o faz um indivíduo iletrado (Lotsch, 2016, p. 44).</p><p>No começo da alfabetização, quando uma criança aprende a ler e a</p><p>escrever, essa nova atividade possibilita a transformação de um mundo. Há uma</p><p>maturação de estruturas biológicas de memória e linguagem e existem contatos e</p><p>algumas mudanças de conceitos e esquemas em relação ao desenvolvimento</p><p>leitor. Mas quando o indivíduo busca apenas a leitura de palavras isoladas e não</p><p>a aplicação de um contexto, um sentido social, por exemplo, este não chega até</p><p>7</p><p>o objetivo de letrar-se. Por esse motivo, o educador deve apresentar os mais</p><p>diversos gêneros textuais e, com isso, mostrar desenvolver o alfabetizado também</p><p>em um letrado. Isso posto, é importante que o profissional da educação se importe</p><p>também em construir e desenvolver métodos de interpretação textual,</p><p>compreensão leitora e uma variabilidade de ferramentas para incentivo e estímulo</p><p>do aluno leitor que, muitas vezes, lê, mas não entende o que lê (Lotsch, 2016, p.</p><p>45).</p><p>TEMA 3 – DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM E ASPECTOS</p><p>BIOPSICOSSOCIAIS</p><p>3.1 O processo sócio-interativo da linguagem</p><p>De acordo com Eysenck e Keane (2017, p. 345), a vida humana seria</p><p>extremamente limitada sem a utilização da linguagem, pois é por meio dela que</p><p>ocorrem as interações sociais. Nos dias atuais há mais facilidade de acesso a</p><p>informações do que na antiguidade, uma vez que a transmissão de informações</p><p>ocorre por um meio tecnológico e a internet contribui muito para essa propagação</p><p>e interação. Discutimos anteriormente o que é a linguagem e apresentamos</p><p>alguns pontos de sua importância para os seres humanos e suas particularidades</p><p>que os diferem dos demais animais, como, por exemplo, a capacidade de</p><p>sociointeração. Especificamente essa composição não fica apenas na</p><p>decodificação de símbolos, e há autores (Eysenck; Keane, 2017) que enumeram</p><p>uma grande variabilidade de funções, como construções de pensamentos, registro</p><p>de informações, expressão de emoções, identificação com grupos e outras</p><p>questões mais.</p><p>Apesar de já discutido anteriormente em um determinado nível, traz-se a</p><p>necessidade de perguntar, neste momento: por que a linguagem é peculiar aos</p><p>seres humanos? E qual é a sua função no processo de humanização? Qual o</p><p>motivo de animais como o chimpanzé, o bonobo e o gorila, por exemplo, não</p><p>conseguirem desenvolver a linguagem como os seres humanos? Uma criança por</p><p>volta dos seis anos de idade apresenta um vocabulário de aproximadamente duas</p><p>mil e seiscentas palavras, com uma compreensão de mais de vinte mil (Malloy-</p><p>Diniz et al., 2010, p. 223). Entretanto, em uma pesquisa feita com macacos</p><p>primatas superiores foi realizado um acompanhamento de especificamente uma</p><p>bonobo fêmea durante quatorze anos em relação à aprendizagem da linguagem</p><p>8</p><p>por meio de símbolos que construíram frases, como “por favor, posso tomar um</p><p>café?”. Interessante? Com certeza. Outro ponto a ser comentado é que essa</p><p>macaca bonobo tinha capacidade também de se referir ao passado e de produzir</p><p>respostas a intenções futuras, isso até mesmo com maior habilidade que crianças</p><p>pequenas. O mais interessante é que isso era feito diversas vezes com</p><p>espontaneidade. Então, qual a diferença em relação aos seres humanos com</p><p>base nesse exemplo, uma vez que há capacidade espontânea de aprender a</p><p>linguagem?</p><p>Durante o acompanhamento dessa bonobo, percebeu-se que a construção</p><p>de frases ocorria de forma simples e não havia uma grande quantidade de novas</p><p>frases, existindo uma mínima compreensão em relação à gramática. Com base</p><p>nessa pesquisa, considera-se que a linguagem humana é algo peculiar e de difícil</p><p>atingimento pelos demais animais, devido à maturação biológica cerebral das</p><p>áreas da linguagem, criatividade, memória, entre outras funções cognitivas, e a</p><p>sua interatividade com o processo de socialização de forma interdependente</p><p>(Eysenck; Keane, 2017, p. 345-346).</p><p>TEMA 4 – AFASIA DE EXPRESSÃO</p><p>4.1 A linguagem e Broca</p><p>Durante o percurso histórico a linguagem teve inúmeros estudiosos e estes</p><p>procuraram compreender como organizamos e produzimos informações. Desde</p><p>tempos primordiais, com os gregos, até os tempos</p><p>atuais, o desafio foi mapear</p><p>como todo esse funcionamento acontece. Por exemplo, um aluno do famigerado</p><p>Pitágoras, Alcmeon, foi o primeiro entusiasta grego a sinalizar que existe uma</p><p>relação entre sensações e o cérebro, este órgão como sede da racionalidade</p><p>(Pimentel, 2020, p. 4).</p><p>Muitos séculos depois, em meados do século XIX, o médico francês Pierre</p><p>Paul Broca (1824-1880), em seus estudos voltados a aspectos neurológicos,</p><p>depara-se com um paciente que aparentemente compreendia bem a linguagem,</p><p>mas tinha incapacidade de expressar-se e, na maioria das vezes, a pronúncia era</p><p>tan, além de outras poucas palavras. Seus estudos com Laborgne, nome do</p><p>indivíduo atendido, geraram muitos conhecimentos a respeito da linguagem</p><p>expressiva e logo após a morte de Tan, como também era conhecido o paciente</p><p>atendido por Broca, este apresenta o caso à comunidade científica de Paris e</p><p>9</p><p>descreve o que havia ocorrido no cérebro de Laborgne. Foi uma lesão por</p><p>acidente vascular cerebral na região do giro frontal inferior esquerdo. E assim</p><p>surgiu a famosa máxima “falamos com o hemisfério esquerdo”, frase esta</p><p>pronunciada por Broca (Pimentel, 2020, p. 8; Kandel et al., 2023, p. 1.225-1.226).</p><p>Diante dessa descoberta, os estudos sobre a linguagem expressiva avançaram</p><p>significativamente, além de haver uma compreensão maior a respeito da</p><p>concepção de afasia, distúrbio ligado à linguagem.</p><p>Broca era conhecido por suas pesquisas a respeito da afasia, uma</p><p>disfuncionalidade da linguagem em consequência de comprometimentos</p><p>cerebrais. Suas identificações relacionadas à linguagem e a regiões específicas</p><p>do cérebro contribuíram para inúmeras descobertas sobre processos de</p><p>linguagem expressiva. Até os dias de hoje, os circuitos especializados desse</p><p>funcionamento, mais especificamente com coordenação da região frontal inferior,</p><p>são conhecidos como "área de Broca". Suas pesquisas, como mencionamos</p><p>anteriormente, foram importantes para o tratamento de pacientes com lesões</p><p>cerebrais e que tinham, como consequência, um comprometimento na articulação</p><p>da linguagem (Pimentel, 2020).</p><p>Suas pesquisas revolucionaram estudos científicos voltados a processos</p><p>cognitivos, intimamente ligados à linguagem e suas funcionalidades no cérebro,</p><p>apresentando um sistema complexo interdependente e integrador, o qual não</p><p>envolve apenas uma circuitaria, mas diversas. A região conhecida como área de</p><p>Broca promoveu uma transformação na perspectiva das neurociências devido à</p><p>identificação de não apenas um local, ou um circuito responsável pela linguagem,</p><p>mas, como mencionamos anteriormente, inúmeras funções, estruturas, circuitos</p><p>e processos que envolvem cognição, emoção, vocabulário e cultura.</p><p>A partir disso, Broca contribuiu para a compreensão da inter-relação</p><p>hemisférica do cérebro com inúmeras e diferentes funções cerebrais que são</p><p>especializadas e funcionam de forma assimétrica em ambos os hemisférios</p><p>cerebrais. Sua pesquisa sobre a afasia também ajudou a estabelecer</p><p>direcionamentos e estudos para entendimento da base moderna para avanços</p><p>dos mapeamentos em relação à cognição, à neurofisiologia e à neuroanatomia do</p><p>sistema nervoso (Kandel et al., 2023, p. 1.225-1.226)</p><p>Os ensinamentos de Broca foram mais adiante da identificação da área</p><p>descrita com seu nome. Suas atenções à pesquisa foram pioneiras a respeito da</p><p>linguagem e do sistema nervoso e trouxeram contribuições para pesquisas</p><p>10</p><p>posteriores que proporcionaram aprofundamento na nossa compreensão da</p><p>linguagem humana e de suas bases neurobiológicas.</p><p>4.2 Expressão em ação</p><p>O processo de desenvolvimento de linguagem expressiva refere-se a como</p><p>construímos a troca de informação de forma executiva, ou seja, de que maneira a</p><p>linguagem chega às pessoas por meio das pessoas. Numa conversa, temos o</p><p>envolvimento de conteúdos culturais, vivências e experiências, conteúdo</p><p>coloquial, conteúdo formal, memórias em diversas definições (Santos; Júnior,</p><p>2021, p. 4-5; Vasconcelos; Leitão, 2012, p. 148-168). E qual o objetivo dessa</p><p>troca? Comunicação? Parece algo óbvio, mas nem sempre a linguagem tem por</p><p>objetivo comunicar.</p><p>Em alguns momentos, o propósito é expressar um sentimento ou uma</p><p>emoção que não necessariamente tenham uma função de comunicar algo,</p><p>apenas expressar-se. Mas toda expressão de linguagem traz como funcionalidade</p><p>a comunicação ou quer comunicar algo? A resposta é não. Por exemplo, alguém</p><p>está sentado em um banco, olhando para o horizonte, e diz “nossa, que bonito!”.</p><p>Quando essa pessoa é questionada sobre o que havia falado, devolve o</p><p>argumento “nada, não”. Entretanto, apesar de ter conteúdo de palavras, não há</p><p>comunicação como finalidade. Outro exemplo: um indivíduo brasileiro, falante</p><p>apenas de língua portuguesa, faz uma viagem para o exterior, um local</p><p>desconhecido a princípio, no qual os falantes têm como língua original o holandês.</p><p>Esse indivíduo chega em um restaurante e tenta produzir diversas palavras para</p><p>fazer seu pedido, mas não é compreendido e sai do local. Nesse caso, a</p><p>linguagem foi produzida, porém não houve comunicação. Por esse motivo,</p><p>compreende-se que nem toda linguagem expressiva produz conteúdo significativo</p><p>e passível de compreensão (Santos; Júnior, 2021, p. 10-11; Zeigelboim et al.,</p><p>2010, p. 143-148).</p><p>A linguagem possui um sistema complexo e interdependente e, por esse</p><p>motivo, traz inúmeras condições em seu processamento. Mediante os trabalhos</p><p>de Broca e Wernicke foi possível compreender o funcionamento de expressão e</p><p>compreensão, respectivamente, estudados pelos autores. Neste momento o</p><p>enfoque será dado à linguagem expressiva e suas principais características. De</p><p>acordo com Broca, a ativação relacionada à linguagem expressiva ocorria devido</p><p>a um local específico no cérebro. Essa consideração era decorrente de pacientes</p><p>11</p><p>que eram atendidos por ele e que apresentavam uma lesão na terceira</p><p>circunvolução na região frontal esquerda do cérebro e que, por disso, tinham</p><p>problemas com a articulação dos processos cognitivos ligados à expressão</p><p>(Santos; Júnior, 2021, p. 3-5). A Figura 1 mostra lesões cerebrais na área</p><p>conhecida como área de Broca.</p><p>Figura 1 – Imagens cerebrais com lesões na área de Broca, região predominante</p><p>no funcionamento da linguagem expressiva</p><p>Crédito: Wasteresley Lima.</p><p>A disfuncionalidade da linguagem expressiva, ou distúrbio da construção</p><p>da fala, foi identificada por Broca em pacientes que apresentavam uma dificuldade</p><p>imensa para integração de processos como entonação melódica e produção</p><p>fluente, diferentemente do exemplo de dificuldade de comunicação entre</p><p>indivíduos de origem e nacionalidade distintas, nos quais não há problemas</p><p>neurobiológicos, mas uma dificuldade de fluência e vocabulário devido à falta de</p><p>experiência (Kandel et al., 2023, p. 1.224-1.226). Nos casos de lesão ou disfunção</p><p>anatômica ou fisiológica no cérebro no circuito de expressão da linguagem, isso</p><p>acarreta uma alteração patológica intitulada afasia de Broca ou afasia de</p><p>expressão.</p><p>Mas o que seria especificamente afasia? Trata-se de uma condição clínica</p><p>na qual há um distúrbio de produção e articulação da linguagem. Isso inclui</p><p>12</p><p>deficiências em nível gramatical, armazenamento, aspectos motores,</p><p>funcionamento sensorial, lentidão, entonação e lentidão da fala. Os casos de</p><p>afasia de expressão trazem como consequência situações como falar palavras</p><p>faltando letras e uma incapacidade de repetição integral de frases. Por exemplo,</p><p>na pronúncia “... ‘ma moça, ve’o ontem casa” (uma moça veio ontem aqui em</p><p>casa), há dificuldade de organizar a frase devido a omissões e erros,</p><p>principalmente com verbos e conjunções (Kandel et al., 2023, p. 1.224).</p><p>TEMA 5 – AFASIA DE COMPREENSÃO</p><p>5.1 O conceito de compreensão da linguagem de Wernicke</p><p>O processo de linguagem compreensiva exige um alto nível de</p><p>complexidade. Por exemplo, vocabulário, interpretação</p><p>e compreensão são</p><p>alguns componentes desse funcionamento. Uma disfuncionalidade nesse nível é</p><p>nomeada como afasia de expressão, que afeta a construção de um indivíduo</p><p>produzir e organizar seus pensamentos. Uma das causas está relacionada a</p><p>comprometimentos no encéfalo, como os causados por lesões cerebrais</p><p>adquiridas de diversas ordens (Kandel et al., 2023, p. 14, 1.221). O processo de</p><p>linguagem é afetado na via compreensiva, porém, quando se exige repetição,</p><p>aparentemente a linguagem oral é preservada. Pense em um indivíduo que está</p><p>com dificuldade de organizar as palavras, que parece estar extremamente perdido</p><p>e sem rumo. A disfunção da compreensão de linguagem em nível de afasia</p><p>caracteriza-se por pensamentos e organização de ideias totalmente sem nexo ou</p><p>conexão entre si e, por isso, dificuldade de repetição ou de acesso a sentenças</p><p>até mesmo simples do dia a dia. Para o indivíduo que apresenta afasia de</p><p>expressão, a linguagem torna-se um conjunto de blocos e estes não se encaixam,</p><p>mesmo com qualquer tentativa ou esforço.</p><p>A linguagem tem uma ligação organizada, assim como um time de qualquer</p><p>esporte coletivo bem-sucedido. Porém, quando a compreensão é afetada além</p><p>das características cognitivas, há consequências emocionais e o indivíduo pode</p><p>demonstrar ansiedade, frustração e uma angústia intensa em função do</p><p>comprometimento. Todas as tentativas de esforço são afetadas como</p><p>consequência de resultados não efetivos para encontrar as palavras adequadas.</p><p>Com isso, a condição clínica fica como se fosse um jogo de caça-palavras no qual</p><p>o indivíduo não consegue avançar em seus objetivos. No desenvolvimento da</p><p>13</p><p>rotina desses indivíduos, o impacto acontece quando precisam de comunicações</p><p>assertivas, por exemplo descrever uma ideia ou repetir algum recado. As ideias e</p><p>as condições socioemocionais tornam-se um grande desafio, pois mesmo com</p><p>grande esforço e a fala fluente a comunicação não é efetiva (Kandel et al., 2023,</p><p>p. 1.223). Quando um indivíduo apresenta essas características relacionadas à</p><p>linguagem expressiva é de extrema importância a participação de uma rede de</p><p>apoio com grande empatia, pois o fato de não conseguir repetir um recado simples</p><p>ou até mesmo um comando para efetuar uma tarefa pode trazer frustração,</p><p>impactar o paciente de forma emocional e desencadear alterações de</p><p>comportamento.</p><p>Contemporâneo de Broca, o neurologista alemão Karl Wernicke (1848-</p><p>1905) trouxe diversos estudos relacionados ao funcionamento de linguagem em</p><p>uma via de ligação entre articulação e compreensão. Por exemplo, recursos</p><p>cognitivos ativados para a produção da fala estão intimamente ligados a circuitos</p><p>relacionados a vocabulário e aspectos de memória, além de outras condições de</p><p>funcionamento sensório-motor (Pimentel, 2020, p. 10-11).</p><p>Para Wernicke a linguagem tem um complexo circuito que envolve o</p><p>funcionamento de diversas estruturas cerebrais e inúmeras funções, estas</p><p>interconectadas e com objetivos comuns. A compreensão não se limita a uma</p><p>função de receber e decodificar sons, mas, além disso, traz ativação de histórias,</p><p>memória de vivências e conceitos. Diante disso, os estudos de Wernicke</p><p>exploraram a relação da linguagem com a disfuncionalidade da compreensão,</p><p>pois muitos dos pacientes atendidos formavam palavras e frases em nível</p><p>gramaticalmente correto, porém sem sentido conceitual e semântico (Kandel et</p><p>al., 2023, p. 4).</p><p>Nesse circuito de funcionamento de compreensão, há estruturas cerebrais</p><p>que são ativadas para identificação de sons, formas, melodias da fala e</p><p>processamento sensorial. Isso não envolve apenas identificação ou decodificação</p><p>sensorial, mas uma organização de múltiplas áreas e execuções de mecanismos</p><p>corticais e subcorticais. Quando ouve-se uma voz humana, não há uma única</p><p>ativação ou processo, mas criam-se imagens de rosto, tom de voz, um momento</p><p>vivenciado e outras características particulares que podem envolver muitas</p><p>histórias de vida. A Figura 2 apresenta informações sobre esse circuito posterior</p><p>cortical de funcionamento da linguagem compreensiva ligada à linguagem</p><p>expressiva e outras ativações sensoriais (Kandel et al., 2023, p. 14).</p><p>14</p><p>Figura 2 – Imagens cerebrais acerca do processamento de linguagem em via de</p><p>compreensão e expressão</p><p>Crédito: Jefferson Schnaider.</p><p>Dessa forma Wernicke, com outros autores, por exemplo Broca, traz</p><p>inquietações quanto ao real funcionamento da linguagem e ao fato de que esta é</p><p>processada com a participação de um circuito de alto nível de complexidade e não</p><p>restringe-se a um local ou funcionamento. Por esse motivo, quando há uma lesão</p><p>ou falha no sistema de identificação, é necessário compreender todos os</p><p>mecanismos envolvidos e não somente reduzir a uma visão topográfica ou um</p><p>local específico, uma vez que este faz parte de um todo que é essencial para que</p><p>o processo tenha seu funcionamento adequado (Kandel et al., 2023, p. 14).</p><p>15</p><p>5.2 A compreensão e organização das palavras</p><p>Já imaginou uma conversa em que a maior parte do discurso não seja</p><p>coerente ou a maioria das frases não faça sentido nenhum? Vamos construir um</p><p>contexto no qual é necessário passar um recado sobre a visita de um familiar no</p><p>final de semana. Um indivíduo sadio possivelmente falaria: “este final de semana</p><p>o titio virá e ficará até domingo...”. Agora, pense: se esse recado fosse “titio</p><p>domingo ficará virá semana final”, haveria a necessidade de ter praticamente um</p><p>tradutor para compreender a mensagem. Casos como esse podem ocorrer por</p><p>desatenção, dificuldade de vocabulário, falta de manejo em relação à conversa ou</p><p>até mesmo déficit intelectual.</p><p>Como mencionamos no tópico anterior a respeito da afasia, há uma</p><p>disfuncionalidade de linguagem em nível de processamento de compreensão na</p><p>qual os indivíduos têm um desenvolvimento de oralidade em geral preservado,</p><p>porém há uma disfuncionalidade de entendimento e interpretação (Marcolino,</p><p>2010, p.109-124). A esse aspecto clínico dá-se o nome de afasia de Wernicke ou</p><p>afasia de compreensão.</p><p>Essa é uma condição em que o indivíduo tem dificuldade de compreender</p><p>discursos e frases de outras pessoas. Isso é decorrente de lesões cerebrais em</p><p>áreas relacionadas a questões gramaticais e principalmente ao significado das</p><p>palavras. Em nível anatômico, o circuito está ligado a regiões do córtex posterior</p><p>e está associado a audição e interpretação (Pimentel, 2020, p. 1-18; Arruda; Reis;</p><p>Fonseca, 2014, p. 853-862; Pinto; Santana, 2009, p. 413-421). O córtex posterior</p><p>tem, entre seus principais objetivos, o processamento de informações em nível</p><p>receptivo. Cada repartição, intitulada lobo cerebral, tem sua responsabilidade</p><p>quanto às funções de armazenar, organizar e processar informações. Um</p><p>exemplo básico é quando recebemos um estímulo auditivo, como o som de uma</p><p>música. As áreas primárias do córtex auditivo fazem o processo de sensação</p><p>(identificação do estímulo) e as áreas secundárias promovem a interpretação do</p><p>estímulo, funcionamento conhecido como percepção. Por último, a cognição vai</p><p>integrar as características do estímulo recebido. Por esse motivo, é importante</p><p>entender que a compreensão não funciona sozinha, mas que há muitos</p><p>mecanismos que trabalham em conjunto (Pimentel, 2020, p. 1-18). A Figura 3</p><p>apresenta cérebros com lesões nas áreas de Wernicke.</p><p>16</p><p>Figura 3 – Imagens cerebrais com de lesões nas áreas de Wernicke</p><p>Crédito: Elias Aleixo.</p><p>Inicialmente Wernicke deu a essas disfuncionalidades o nome de afasia</p><p>sensorial. Após diversos estudos em nível de investigação biológica, foram</p><p>identificadas alterações cerebrais e estas associadas a dificuldade de</p><p>compreensão de linguagem. Com base nos estudos de Broca, Wernicke inferiu</p><p>que as áreas de funcionamento da articulação e compreensão da linguagem eram</p><p>conectadas e qualquer lesão poderia produzir uma inabilidade ou incapacidade</p><p>no</p><p>funcionamento adequado (Pimentel, 2020, p. 1-18). Além da identificação de</p><p>conectividade das áreas frontais e temporais do cérebro, o autor alemão, também</p><p>inferiu que o rompimento do fascículo arqueado em uma lesão pode gerar o que</p><p>ele nomeou de afasia de condução, devido à interconexão das estruturas</p><p>anteriores e posteriores relacionadas à linguagem, sendo linguagem expressiva e</p><p>compreensiva, respectivamente, não estarem mais ligadas entre si.</p><p>17</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ARRUDA, J. S.; REIS, F. P.; FONSECA, V. Avaliação da linguagem após acidente</p><p>vascular cerebral em adultos no estado de Sergipe. Revista Cefac, v. 16, p. 853-</p><p>862, 2014.</p><p>FERREIRA, R. G. F. et al. A filogênese da linguagem: novas abordagens de</p><p>antigas questões. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 58, p. 188-194, 2000.</p><p>KANDEL, E. et al. Princípios de neurociências. 6. ed. AMGH, 2023.</p><p>LOTSCH, V. de O. Alfabetização e letramento I [recurso eletrônico]. São</p><p>Paulo: Cengage, 2016.</p><p>LYONS, J. Linguagem e linguística: uma introdução. LTC, 2013.</p><p>MARCOLINO, J. F. As categorias" fluente" e" não fluente" na afasia. Revista l@</p><p>el em (dis-) curso, v. 2, n. 1, p. 109-124, 2010.</p><p>PIMENTEL, B. N. Afasia: da Antiguidade ao século XX. Research, Society and</p><p>Development, v. 9, n. 6, p. 1-18, 2020.</p><p>PINTO, R. do C. N.; SANTANA, A. P. Semiologia das afasias: uma discussão</p><p>crítica. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 22, p. 413-421, 2009.</p><p>SANTOS, L. C. dos; JUNIOR, A. M. Afasia pragmática: cérebro, linguagem e</p><p>comunicação. Muitas Vozes, v. 10, p. 3-5;10-11, 2021.</p><p>VASCONCELOS, M. L.; LEITÃO, M. M. Processamento correferencial de</p><p>pronomes e nomes repetidos em pacientes com afasia de Broca. Revista Virtual</p><p>de Estudos da Linguagem, v. 10, p. 148-168, 2012.</p><p>ZEIGELBOIM, B. S. et al. Avaliação neurofisiológica das vias auditivas e do</p><p>equilíbrio na afasia de Broca: apresentação de um caso ilustrativo. Journal of</p><p>Epilepsy and Clinical Neurophysiology, v. 16, p. 143-148, 2010.</p>