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<p>PREVENÇÃO E CONTROLE</p><p>DE RISCOS EM MÁQUINAS,</p><p>EQUIPAMENTOS E</p><p>INSTALAÇÕES</p><p>Autoria: Profª. Julia Grasiela Busarello Wolff</p><p>Indaial - 2021</p><p>UNIASSELVI-PÓS</p><p>2ª Edição</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI</p><p>Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito</p><p>Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC</p><p>Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090</p><p>Reitor: Prof. Hermínio Kloch</p><p>Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol</p><p>Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:</p><p>Carlos Fabiano Fistarol</p><p>Ilana Gunilda Gerber Cavichioli</p><p>Cristiane Lisandra Danna</p><p>Norberto Siegel</p><p>Camila Roczanski</p><p>Julia dos Santos</p><p>Ariana Monique Dalri</p><p>Bárbara Pricila Franz</p><p>Marcelo Bucci</p><p>Revisão de Conteúdo: Bárbara Pricila Franz</p><p>Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais</p><p>Diagramação e Capa:</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2021</p><p>Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri</p><p>UNIASSELVI – Indaial.</p><p>W855p</p><p>Wolff, Julia Grasiela Busarello</p><p>Prevenção e controle de riscos em máquinas, equipamentos e</p><p>instalações. / Julia Grasiela Busarello Wolff – Indaial: UNIASSELVI, 2021.</p><p>192 p.; il.</p><p>ISBN 978-65-5646-397-1</p><p>ISBN Digital 978-65-5646-396-4</p><p>1. Máquinas e equipamentos. - Brasil. II. Centro Universitário</p><p>Leonardo da Vinci.</p><p>CDD 620</p><p>Impresso por:</p><p>Sumário</p><p>APRESENTAÇÃO ............................................................................5</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Equipamentos de Processos Industriais e os Seus Riscos .... 7</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Dispositivos Elétricos e Equipamentos de Proteção</p><p>Individual ...................................................................................... 65</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Manutenção Preventiva e Engenharia de Segurança do</p><p>Trabalho em Atividades Laborais ............................................ 141</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>A segurança do trabalho é um conjunto de ciências e tecnologias que tem o</p><p>objetivo de promover a proteção do trabalhador em seu local de trabalho, visando</p><p>à redução de acidentes e de doenças ocupacionais. Ela já se tornou uma questão</p><p>importante para o sucesso de qualquer empresa. O setor industrial é um dos</p><p>que mais necessita preocupar-se com essas exigências. Isso acontece porque</p><p>existem vários equipamentos robustos e complexos atuando em uma planta</p><p>de produção. Nesses momentos, a falta de atenção coloca em risco a vida dos</p><p>trabalhadores e atrapalha o desempenho do processo de produto ou serviço.</p><p>Para isso, são desenvolvidas ações técnicas, administrativas e médicas. Equipes</p><p>são designadas na empresa, a fim de evitar acidentes de trabalho e garantir a</p><p>integridade física, moral e mental dos trabalhadores.</p><p>Através do mapeamento de riscos, a equipe elabora uma série de normas,</p><p>procedimentos e adaptações físicas no ambiente laboral para que haja a redução</p><p>dos riscos inerentes em cada atividade. A melhor maneira de minimizar os custos</p><p>da empresa com acidentes ocupacionais é investir na prevenção. O objetivo</p><p>principal deste livro é atuar na capacitação e no treinamento dos trabalhadores</p><p>da indústria, na análise e prevenção de riscos, a fim de garantir a saúde mental e</p><p>física.</p><p>Sugerimos a leitura e o estudo do livro didático e a realização dos exercícios</p><p>disponibilizados nas atividades de estudo, bem como as consultas sugeridas</p><p>a cada etapa. O assunto é abrangente e remete a um conteúdo repleto de</p><p>detalhamentos e diferenciações que devem ser interiorizadas pelo aluno. Cada</p><p>passo requer a consulta às obras consideradas básicas e nenhuma delas esgota</p><p>os temas abordados. Por essa razão, sugerimos consultar as referências e as</p><p>leituras complementares, que levarão a um maior domínio do assunto.</p><p>Desejo sucesso em sua vida profissional e vamos ao estudo do nosso livro!</p><p>Saudações,</p><p>Profª. Julia Grasiela Busarello Wolff.</p><p>Engenheira Eletricista (FURB), Mestre em Engenharia Elétrica (UDESC) e</p><p>Doutoranda em Engenharia Elétrica (UDESC).</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Equipamentos de Processos</p><p>Industriais e os Seus Riscos</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� entender o conceito de risco;</p><p>� identificar os elementos ativos e passivos dos riscos industriais;</p><p>� entender o conceito de prevenção;</p><p>� compreender o conceito de acidente ocupacional;</p><p>� compreender o conceito de instalação industrial;</p><p>� identificar as ferramentas manuais;</p><p>� identificar as ferramentas motorizadas;</p><p>� identificar demais equipamentos de uso industrial, bem como técnicas para</p><p>prevenção de acidentes;</p><p>� conhecer a NR-12;</p><p>� saber aplicar a NR-12 no ambiente industrial.</p><p>8</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>9</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>1 Contextualização</p><p>Caro pós-graduando, neste capítulo vamos aprender alguns conceitos, tais</p><p>como risco, gerenciamento de riscos, ferramentas da qualidade para prevenção</p><p>e controle de riscos, acidentes ocupacionais, equipamentos, ferramentas e</p><p>instalações industriais, entre outros.</p><p>A proteção da saúde e a preservação da segurança no ambiente</p><p>de trabalho estabelecem as principais bases para o desenvolvimento apropriado</p><p>da força de trabalho, sendo fundamental para se ter um ambiente de qualidade e</p><p>produtivo. Acidentes de trabalho com máquinas e equipamentos podem ocorrer</p><p>por falha humana, pela não utilização de equipamentos de proteção ou pela</p><p>ausência de proteção e adequação das máquinas e equipamentos às normas de</p><p>segurança. Para tanto, uma análise detalhada das causas mais frequentes de</p><p>acidentes, bem como de seus riscos, deve ser realizada.</p><p>A análise de risco, tanto de máquinas quanto de equipamentos, é baseada</p><p>no estudo realizado durante as fases de concepção e de desenvolvimento de um</p><p>projeto. A sua finalidade é determinar os prováveis riscos que poderão existir na</p><p>operação do maquinário, e assim, após serem identificadas as causas e efeitos</p><p>dos mesmos, permitir que a apreciação de risco apresente quais são as medidas</p><p>de segurança necessárias para a minimização ou remoção do risco.</p><p>Para avaliar os riscos é necessário identificar todos os perigos associados</p><p>às tarefas realizadas na instalação e manutenção dos equipamentos e determinar</p><p>os limites dos equipamentos, o que nos remete à seguinte pergunta: “Quais são</p><p>os riscos presentes nas atividades de manutenção e instalação de coletores</p><p>solares e caldeira à biomassa num hotel?” e “Quais as medidas que se podem</p><p>implementar para tentar eliminar esses riscos?”</p><p>A classificação de riscos também é um problema relevante no contexto</p><p>industrial, cuja complexidade é amplificada quando dados estatísticos não estão</p><p>disponíveis. Dentre os problemas presentes no contexto da Análise dos Riscos,</p><p>destaca-se o problema da classificação do risco. Para fazer uma análise de riscos,</p><p>deve-se:</p><p>• Determinar os limites de uso da máquina.</p><p>• Identificar os perigos e riscos: lista de perigos está no Anexo B da NBR</p><p>12100, sendo estes separados por tipos, origem, consequências e</p><p>referenciais para normas internacionais.</p><p>• Estimar os riscos.</p><p>10</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Como exemplos de acidentes de trabalho em indústrias, podemos citar os</p><p>extremos do período de 1983-1993, os quais estão assinalados por acidentes que</p><p>traduzem os problemas de desinformação e desassistência das populações nas</p><p>áreas de influência (FRANCO; DRUCK, 1998).</p><p>Em 1983, houve vazamento de amônia em planta industrial no Polo,</p><p>causando forte poluição atmosférica no bairro de Nova Dias D'Ávila, na sede do</p><p>município de Dias D'Ávila. A população entrou em pânico, muitos apresentando</p><p>sinais e sintomas de contaminação e vivenciando as dificuldades de assistência</p><p>médica sem a presença da empresa responsável ou das autoridades públicas no</p><p>local. Em 1993, outro grande acidente ocorreu no parque de esferas e tanques de</p><p>nafta, gasolina etc., na Copene, empresa que responde por 40%</p><p>a sola de um sapato velho para limpá-la.</p><p>2.10 RISCOS EM FURADEIRAS</p><p>Se não forem usadas corretamente, as furadeiras podem ser perigosas. Os</p><p>casos de acidentes são numerosos, nos quais os usuários de furadeira acabam</p><p>fazendo furos em si mesmos, geralmente, nas pernas. Isso acontece quando</p><p>alguém vira a furadeira momentaneamente para baixo e é atingido pressionando</p><p>o gatilho inadvertidamente. Mesmo se a ponta da broca estiver cega, os estragos</p><p>são muitos. As furadeiras elétricas causam ferimentos de outra forma. Lascas</p><p>de material que está sendo furado podem ser projetadas nos olhos do operador.</p><p>Ou, ainda, se a furadeira não for segura de forma correta, a broca pode quebrar</p><p>jogando um pedaço de metal ao encontro do operador.</p><p>Quando elas são tratadas sem cuidado, são deixadas cair ou quando batem</p><p>contra alguma coisa, ou são molhadas, o isolamento pode enfraquecer. Se você</p><p>usar uma furadeira com o isolamento danificado, você terá uma furadeira “viva”</p><p>nas mãos. Se você se posicionar num local molhado, estiver sentado numa</p><p>viga de aço ou numa chapa de piso, ou mesmo estiver muito suado, a furadeira</p><p>46</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>pode lhe dar um choque fatal. Mesmo sendo um choque pequeno, enquanto</p><p>estiver furando, pode causar problemas. Você pode deixar a furadeira cair, ou</p><p>cair para trás segurando-a. Antes de começar um trabalho de furação, observe</p><p>cuidadosamente. Descubra todos os riscos presentes e faça um plano de ação</p><p>seguro.</p><p>A furadeira deve estar limpa, se por acaso estiver suja ou enferrujada,</p><p>devolva-a para a manutenção. Puxe o gatilho para ver se está trabalhando</p><p>corretamente ou se está muito duro e se a energia é cortada imediatamente</p><p>quando o gatilho for solto. Certifique-se de que a velocidade da furadeira seja</p><p>correta para o trabalho a ser feito.</p><p>É expressamente proibido utilizar botão e/ou outro artifício de travamento do</p><p>gatilho de acionamento de ferramentas elétricas, isso impede que no momento</p><p>de um acidente a mesma pare de funcionar imediatamente. Entenda, mesmo</p><p>que exista esta trava vinda do fabricante, é proibido o travamento da mesma. O</p><p>acionamento só poderá ser feito enquanto o dedo estiver pressionando o botão.</p><p>Observe quanto à quebra que exponha fios e se fica frouxo na tomada.</p><p>Certifique-se de que a furadeira tenha duplo isolamento. Se não tiver, ela deve</p><p>ser aterrada com um adaptador de duas posições, com uma orelha rígida fixa</p><p>ao parafuso central na saída, além disso, verifique se o terceiro pino não foi</p><p>removido.</p><p>Posicione-os nos cabos de forma a não representar riscos de tropeços. Se</p><p>alguém ficar com o pé preso no cabo, os dois podem ficar feridos. Não é nada</p><p>engraçado sofrer um solavanco do cabo em suas mãos. Verifique os cabos de</p><p>extensão quanto a quebras que exponham fios. Se sua furadeira precisa ser</p><p>aterrada, certifique-se de usar um cabo de extensão para aterramento.</p><p>Certifique-se de que a broca fique reta quando encaixada. Segure a furadeira</p><p>para cima e gire-a por um momento. A broca deve girar corretamente. Se ela não</p><p>ficar reta, a broca está emperrada ou está bem presa no encaixe. Tire a chave de</p><p>aperto antes de dar a partida.</p><p>Para iniciar um furo em ângulo roto e mantê-lo roto, seja cuidadoso e</p><p>mantenha seu equilíbrio. Uma broca afiada fará o trabalho sem a necessidade de</p><p>muita pressão. Assim, economize sua força muscular para outras tarefas. Luvas,</p><p>naturalmente, nunca são usadas em volta de furadeiras.</p><p>Metais muito macios cortam com pouca pressão, por exemplo, o alumínio.</p><p>O aço necessita de um pouco mais de pressão e de brocas especiais. Use uma</p><p>punção de metal para iniciar a furação. Quando terminar a furação, guarde a</p><p>47</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>furadeira num local seguro. A melhor prática é instalar num gancho de forma que</p><p>fique guardada fora do caminho, podendo ser facilmente alcançada. A furadeira</p><p>elétrica está entre as ferramentas mais úteis que possuímos, mas vamos saber</p><p>utilizá-la com segurança. A Figura 22 mostra uma furadeira elétrica.</p><p>FONTE: <https://img.irroba.com.br/fit-in/600x600/filters:fill(fff):quality(95)/</p><p>ararense/catalog/2785920191218171138.JPG>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FIGURA 22 – FURADEIRA ELÉTRICA</p><p>CURIOSIDADE - Um trabalhador usava uma esmerilhadeira angular</p><p>de cinco polegadas, portátil, enquanto trabalhava no acabamento</p><p>de portão de ferro quando o disco quebrou e fragmentos voaram.</p><p>Um dos fragmentos cortou a coxa do trabalhador, atingindo a</p><p>artéria. O trabalhador perdeu muito sangue e veio falecer mais</p><p>tarde. A investigação de acidente constatou que o disco que</p><p>quebrou foi projetado para velocidade máxima de 6.110 rpm, mas</p><p>a esmerilhadeira angular era para 10.000 rpm. Também, o diâmetro</p><p>do disco era maior do que cinco polegadas, impedindo a instalação</p><p>da guarda de proteção fornecido com a esmerilhadeira (ZONA DE</p><p>RISCO, 2019).</p><p>48</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>2.11 RISCOS EM ESMERILHADEIRAS</p><p>MOTORIZADAS</p><p>Esmerilhadeiras são ferramentas de desbaste, corte e acabamento de</p><p>metal, indispensáveis nas metalúrgicas e na área metalmecânica, porém, é uma</p><p>ferramenta muito perigosa.</p><p>FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTQ8WHi2o-Pu</p><p>Xv25yrbcFiQIlEVHqmsCoFRIbcs9NMZJPAe9Yur_maGW09QRuNdTaZxOZS_</p><p>aC9w&usqp=CAc>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FIGURA 23 – ESMERILHADEIRA MOTORIZADA</p><p>Um disco usado nos trabalhos de desbaste ou corte é frágil e pode quebrar.</p><p>Evite batê-los contra o solo ou deixá-los em contato com umidade, fato este que</p><p>viria fragilizar ainda mais esse equipamento, diminuindo muito sua vida útil.</p><p>Um disco de 7 polegadas de diâmetro, por exemplo, caso esteja numa</p><p>velocidade de rotação muito grande, pode ultrapassar 200 Km/h. Isso significa</p><p>que, se de repente, esse disco se romper, imagine que ele sairá numa velocidade</p><p>muito grande e poderá atingir qualquer um que esteja próximo, ou seja sem o</p><p>mínimo de segurança no trabalho. Acidentes podem acontecer em qualquer</p><p>lugar e, por isso, todo cuidado acaba sendo pouco, principalmente se tratando</p><p>de empresas que lidam com maquinários que possuem grandes riscos.</p><p>Os riscos envolvidos na operação com esmerilhadeiras são:</p><p>• Projeção de partículas ou fragmentos.</p><p>• Choque elétrico.</p><p>• Ruído excessivo.</p><p>• Ferimentos nas mãos e olhos (torções, cortes, traumas, escoriações e</p><p>perfurações).</p><p>49</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>Portanto, as práticas seguras de trabalho com esmerilhadeira são:</p><p>• Usar somente discos recomendados que combinam o diâmetro e</p><p>velocidade (rpm) da esmerilhadeira.</p><p>• Antes de usar uma esmerilhadeira, certificar-se sempre de que o protetor</p><p>está instalado.</p><p>• Assegurar-se de que os trabalhadores estejam treinados adequadamente</p><p>no uso seguro das esmerilhadeiras e que sabem sobre limitações de</p><p>velocidade.</p><p>• Sempre usar EPIs, óculos de segurança e proteção facial durante a</p><p>utilização da esmerilhadeira. Protetor auricular e roupa resistente a</p><p>chamas devem também ser usadas (ZONA DE RISCO, 2019).</p><p>Certifique-se, ainda, de que o condutor profissional de lixadeira e</p><p>esmerilhadeira não está embriagado ou desatento. Não há como negar, mas</p><p>infelizmente alguns maus hábitos podem fazer com que um trabalhador não</p><p>consiga se controlar.</p><p>Assista ao vídeo sobre segurança na utilização de vasos de pressão</p><p>no sítio: https://www.youtube.com/watch?v=1FKgWe-n2JM.</p><p>Assista ao vídeo sobre a segurança na soldagem a arco elétrico:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=KHr76bAozWA.</p><p>Assista ao vídeo sobre a segurança na utilização de prensas</p><p>mecânicas no sítio: https://www.youtube.com/watch?v=vR5i-huj8Nc.</p><p>1 Como evitar os riscos oriundos do uso de ferramentas manuais?</p><p>2 Quais os riscos oriundos do uso de ferramentas motorizadas?</p><p>3 Quais são os riscos presentes no uso de prensas hidráulicas?</p><p>50</p><p>Prevenção/Controle</p><p>de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>3 PROJETO E PROTEÇÃO DE</p><p>MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E NR-12</p><p>A norma regulamentadora que trata da segurança no trabalho em máquinas e</p><p>equipamentos é a NR-12, elaborada pelo MTE Ministério do Trabalho e Emprego.</p><p>Ela serve para regular o quesito proteções de máquinas e ambiente seguro aos</p><p>trabalhadores, que é parte da CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas. A NR-</p><p>12 segue as diretivas da OIT – Organização Internacional do Trabalho, na qual o</p><p>Brasil é consignatário, ou seja, se comprometeu a cumprir. Um breve histórico da</p><p>criação dessa norma pode ser visto na sequência:</p><p>A NR 12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e</p><p>Equipamentos) também foi discutida nessa época [década</p><p>de 1990]. A instituição já havia sido procurada pelo sindicato</p><p>dos trabalhadores no caso das motosserras no início dos</p><p>anos 1990 e chamou os fabricantes, iniciando a discussão.</p><p>Uma comissão tripartite foi constituída em dezembro de 1993</p><p>para apresentar propostas para a melhora das condições de</p><p>trabalho com motosserra, o que culminou na alteração da NR</p><p>12. As alterações nessa norma vieram em outubro de 1994,</p><p>estabelecendo a obrigatoriedade de cinco dispositivos de</p><p>segurança no item referente a ruído e vibrações, a introdução</p><p>de apontamentos de segurança no manual de instruções,</p><p>o treinamento obrigatório para operadores profissionais de</p><p>motosserras e a rotulagem de advertência. Também houve a</p><p>assinatura de um termo de acordo na então Delegacia Regional</p><p>do Trabalho (DRT/SP), no mês anterior à publicação, em que</p><p>as partes se comprometiam a atingir os objetivos propostos</p><p>(FUNDACENTRO, 2019, p. 100).</p><p>Esse texto pode ser lido na íntegra no livro Meio século de segurança e</p><p>saúde no trabalho, da FUNDACENTRO. O livro também trouxe estatísticas</p><p>apresentadas, à época, ou seja, em 2016, pelas Centrais Sindicais, a partir de</p><p>dados da Previdência Social, que apontavam a ocorrência de 221.843 acidentes</p><p>com máquinas e equipamentos entre 2011 e 2013. Destes, 41.993 resultaram em</p><p>fraturas, 13.724 em amputações e 601 em óbitos. Tratava-se de um trabalhador</p><p>morto a cada um dia e meio, 270 trabalhadores fraturados por semana e uma</p><p>média de 12 trabalhadores amputados por dia.</p><p>51</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>Você pode baixar as normas regulamentadoras diretamente do</p><p>site do MTE, no menu legislação e Normas Regulamentadoras.</p><p>Lá, você encontrará a última versão da NR-12 e, quando houver</p><p>consulta pública, você poderá participar com sugestão de alterações.</p><p>Segue o sítio: http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/</p><p>normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-</p><p>12-seguranca-no-trabalho-em-maquinas-e-equipamentos.</p><p>IMPORTANTE</p><p>O link para as consultas públicas em andamento, do MTE, é</p><p>http://participa.br/profile/secretaria-de-trabalho.</p><p>A adequação à NR-12 pode e deve ser aplicada a cada componente de</p><p>uma máquina industrial, pois, todas, sem exceção, possuem seus próprios</p><p>riscos mecânicos e elétricos. Qualquer tipo de equipamento pode causar uma</p><p>variedade de lesões aos trabalhadores, abrangendo desde pequenos arranhões,</p><p>queimaduras ou cortes, até ferimentos graves, tais como, fraturas, lacerações,</p><p>lesões por esmagamento ou mesmo amputação e morte.</p><p>Além das empresas que compram e dos trabalhadores que operam com</p><p>as máquinas, nesta cadeia participam ainda os setores de fabricação e projeto,</p><p>de venda, dos serviços de instalação e de manutenção. Do ponto de vista da</p><p>segurança, os fabricantes e projetistas têm um papel privilegiado, pois podem</p><p>interferir neste ciclo, assegurando que a máquina tenha segurança desde o</p><p>seu projeto. A adaptação de proteções, com a máquina já em funcionamento,</p><p>é muito mais difícil e onerosa. Os trabalhadores usuários das máquinas, por</p><p>conhecer de perto o sistema de produção e a atividade a ser desenvolvida, têm</p><p>uma grande contribuição na escolha e no acompanhamento do funcionamento</p><p>dos mecanismos de segurança. Além dos riscos mecânicos, as máquinas podem</p><p>representar outros riscos aos trabalhadores, tais como ruído, calor, vibração,</p><p>radiação etc.</p><p>52</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Quando se trata de adequação à NR-12, fala-se em projetar e instalar</p><p>dispositivos no equipamento que diminuam ou eliminem os riscos de acidentes.</p><p>Alguns exemplos são a instalação de telas de proteções em polias e correias</p><p>acionadas de forma a evitar que alguém coloque a mão quando a máquina está</p><p>em operação. Em uma adequação NR-12, cada máquina deve possuir proteções</p><p>adequadas, de maneira a proteger os operadores e outros funcionários, na área</p><p>de trabalho, contra riscos criados por pontos de contato, peças giratórias, faíscas</p><p>e lançamentos de detritos.</p><p>Para levantamento em campo, o que é usual de se fazer é elaborar um</p><p>checklist contendo todos os itens da norma e fazer o trabalho de um auditor,</p><p>passar máquina a máquina, verificando cada um dos itens. Muitas vezes, somente</p><p>escrever pode dificultar a análise futura, então, detalhe cada item, se possível</p><p>registre uma evidência, na prática com fotos.</p><p>A NR-12 explana que:</p><p>O empregador deve adotar medidas de proteção para o trabalho</p><p>em máquinas e equipamentos, capazes de garantir a saúde e</p><p>a integridade física dos trabalhadores, e medidas apropriadas</p><p>sempre que houver pessoas com deficiência envolvidas direta</p><p>ou indiretamente no trabalho. São consideradas medidas</p><p>de proteção, a ser adotadas nessa ordem de prioridade: a)</p><p>medidas de proteção coletiva; b) medidas administrativas</p><p>ou de organização do trabalho; e c) medidas de proteção</p><p>individual (NR-12, 1978, p. 2).</p><p>Em 2016, a NR-12 apresenta “referências técnicas, princípios fundamentais</p><p>e medidas de proteção para garantir a saúde e a integridade física dos</p><p>trabalhadores”. Também “estabelece requisitos mínimos para a prevenção de</p><p>acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto e de utilização de máquinas</p><p>e equipamentos de todos os tipos” em todas as atividades econômicas. Essas</p><p>questões são retratadas em 12 anexos:</p><p>• I – Distâncias de Segurança e Requisitos para o Uso de Detectores de</p><p>Presença Optoeletrônicos;</p><p>• II – Conteúdo Programático da Capacitação;</p><p>• III – Meios de Acesso Permanentes;</p><p>• IV – Glossário;</p><p>• V – Motosserras;</p><p>• VI – Máquinas para Panificação e Confeitaria;</p><p>• VII – Máquinas para Açougue e Mercearia;</p><p>• VIII – Prensas e Similares;</p><p>• IX – Injetoras de Materiais Plásticos;</p><p>• X – Máquinas para Fabricação de Calçados e Afins;</p><p>53</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>• XI – Máquinas e Implementos para Uso Agrícola e Florestal; e,</p><p>• XII – Equipamentos de Guindar para Elevação de Pessoas e Realização</p><p>de Trabalho em Altura.</p><p>ADEQUAÇÃO DE PRENSA HIDRÁULICA VERTICAL</p><p>COMPACTADORA DE PAPELÃO A NR-12</p><p>Marco Aurélio Sarto Tibúrcio</p><p>[...] A Norma Regulamentadora 12 (BRASIL, 2018) e seus</p><p>anexos são utilizados como guia com medidas de proteção e</p><p>princípios fundamentais, a fim de adequar equipamentos mecânicos</p><p>de todos os tipos aos requisitos mínimos necessários para garantir</p><p>a segurança dos colaboradores durante o trabalho, bem como</p><p>sua saúde física, mental e ergonomia (adequação do trabalho ao</p><p>colaborador, não o contrário). Ela tem por finalidade proteger o</p><p>bem maior, a vida, diminuindo/ sanando totalmente qualquer risco</p><p>operacional oriundo das atividades realizadas dentro da indústria, por</p><p>meio de tecnologias e ferramentas como sensores, posicionamento</p><p>estratégico de acionamento, portinholas de segurança, comandos</p><p>bi manuais, que auxiliam na prevenção destes acidentes. Existe</p><p>uma prensa hidráulica vertical compactadora de papelão em uma</p><p>empresa de Reciclagem na cidade de Varginha (BRASIL, 2019),</p><p>que se encontra fora dos padrões estabelecidos pela NR- 12, este</p><p>estudo apresenta o que será necessário para converter a prensa</p><p>hidráulica vertical compactadora de papelão fora</p><p>dos padrões para</p><p>que o equipamento atenda aos quesitos relacionados à segurança</p><p>e ergonomia estabelecidas por esta norma. A pesquisa tem como</p><p>objetivo demonstrar o resultado da conversão de prensas hidráulicas</p><p>compactadora de papelão que estão operando em empresas que</p><p>coletam, beneficiam e destinam resíduos industriais, que ainda não</p><p>estão adequadas aos parâmetros regulamentados pela norma NR-12.</p><p>Segundo a organização Compromisso Empresarial para Reciclagem</p><p>(CEMPRE, 2020), pode-se visualizar a abordagem positiva em</p><p>vários quesitos, dentre eles: Financeiramente, tal investimento</p><p>como positivo é incontestável, levando em consideração todos</p><p>os custos de multas e interdições gerados a empresa em ocasião</p><p>de fiscalização por órgão responsável, quando encontrado tais</p><p>irregularidades. Custos com tratamento de doenças funcionais, bem</p><p>como indenizações nos casos de acidentes mais graves, também</p><p>54</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>devem ser contabilizados, custos estes que geralmente são altos,</p><p>e de total direito do colaborador. Tais adequações também geram</p><p>maior produtividade, com a implantação de tecnologias que auxiliam</p><p>o colaborador no trabalho, tornando sua jornada menos cansativa</p><p>e mais eficiente. Ecologicamente, está diretamente relacionado a</p><p>adequação de equipamentos do setor de reciclagem de resíduos,</p><p>ramo este que tem valor vital para população, diminuindo a extração</p><p>de materiais naturais, reaproveitando os já extraídos, preservando</p><p>a natureza e seus recursos, especificamente se tratando, neste</p><p>trabalho, do papelão. Socialmente, os empreendimentos geram</p><p>empregos em todo país, desde o catador de recicláveis autônomo</p><p>que vemos diariamente nas ruas, como o funcionário da reciclagem</p><p>que opera tais prensas na indústria, o engenheiro que é contratado</p><p>para projetar e validar a adequação a norma, as metalúrgicas que</p><p>executam as modificações estruturais do equipamento, o eletricista</p><p>que executa a ligação dos componentes elétricos. A atividade</p><p>também mantém as cidades mais limpas.</p><p>Para realizar a conversão eficaz de equipamentos denominados</p><p>prensa hidráulica que estão em operação de forma incorreta</p><p>ou desconformes aos atributos mínimos sugeridos pela NR-12,</p><p>sendo necessário aplicar os conteúdos normativos descritos no</p><p>desenvolvimento dessa pesquisa.</p><p>2.1 Papel Ondulado (Papelão)</p><p>Segundo a organização Compromisso Empresarial para</p><p>Reciclagem (CEMPRE, 2020), o papel ondulado (papelão) é um</p><p>dos materiais recicláveis mais populares devido a sua vasta gama</p><p>de utilização. Tem como característica principal ser reciclado em</p><p>processos relativamente simples e de baixo custo (proporcional</p><p>ao valor de venda após o processo). Este material é consumido</p><p>principalmente pelas indústrias de embalagens, responsáveis</p><p>por 64,5% das aparas recicladas no Brasil. O papel ondulado</p><p>é classificado em três categorias, dadas por sua resistência e</p><p>porcentagem mista com outros tipos de papel. A reciclagem é comum</p><p>no setor papeleiro, sendo as fábricas abastecidas por empresas que</p><p>coletam, beneficiam e realizam a triagem, dando novo destino ao</p><p>que anteriormente era considerado lixo. Essa rede de reciclagens</p><p>e sua ação produtiva gera empregos movimentando a economia</p><p>do país. Todo papel produzido no Brasil tem origem na celulose de</p><p>florestas plantadas, seja de eucalipto ou pinus, tornando o processo</p><p>de reciclagem desse material um importante passo no combate ao</p><p>desmatamento agressivo da natureza. Depois de utilizadas, as fibras</p><p>55</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>dessas árvores se transformam novamente em matéria-prima para</p><p>a fabricação de novos produtos. (CEMPRE, 2020) A reciclagem é</p><p>fundamental para um balanço ambiental positivo como resultado</p><p>da produção de celulose e papel. A recuperação do material pós</p><p>consumo diminui o volume de 13 matéria descartada em aterros</p><p>sanitários, podendo ainda, em sua última contribuição, ser utilizado</p><p>na reciclagem energética, característica que vem ganhando</p><p>importância atualmente, como fonte de calor, quando produzida</p><p>a queima (controlada, dentro dos parâmetros de emissão de</p><p>poluentes). Ainda segundo a organização Compromisso Empresarial</p><p>para Reciclagem (CEMPRE,2020), a meta é reduzir o desperdício de</p><p>papel e adotar hábitos para a separação do material reciclável nas</p><p>residências, facilitando assim a distinção do que se pode reaproveitar.</p><p>Tais atitudes contribuem positivamente para melhora da qualidade</p><p>de vida da sociedade, além de garantir pureza e homogeneidade</p><p>das fibras que voltam às indústrias, sem ter em si quaisquer tipos</p><p>de contaminação por matéria orgânica tais como restos de comida,</p><p>produtos de limpeza ou solventes.</p><p>2.2 Prensa Hidráulica</p><p>Prensas hidráulicas são equipamentos utilizados em diversos</p><p>setores da mecânica industrial, possuem uma variedade muito</p><p>grande de restrições de operação, tamanho e capacidade, podendo</p><p>ser utilizadas em operações de conformação de chapas metálicas</p><p>de grandes dimensões até dispositivos micro mecânicos, os quais</p><p>demandam alta exatidão com tolerâncias estreitas (GROCHE;</p><p>SCHNEIDER, 2007). Estes equipamentos têm como principal</p><p>característica utilizar de força mecânica rotativa proveniente,</p><p>geralmente, de um motor elétrico, sendo convertida em força</p><p>hidráulica pela rotação da bomba hidráulica de deslocamento positivo</p><p>nele acoplada, que por sua vez recalca o fluído, óleo hidráulico, que</p><p>é transportado por tubulações ou mangueiras com trama de aço</p><p>até o pistão hidráulico, responsável por receber esse fluído em alta</p><p>pressão, transferindo essa energia a finalidade de projeto ao qual foi</p><p>construído o equipamento.</p><p>2.3 Prensa Hidráulica Vertical Compactadora de Papelão</p><p>Segundo a Reciclagem Santa Maria (BRASIL, 2019) o papel</p><p>ondulado ocupa considerável espaço físico, também sendo</p><p>necessário grandes quantidades do material para se obter grandes</p><p>massas, que por sua vez é a unidade de medida para determinar</p><p>56</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>quanto vale uma carga. Sendo assim, as empresas de coleta,</p><p>beneficiamento e destino deste tipo de material encontram seu</p><p>primeiro problema, o espaço físico, dado que sem ser compactado,</p><p>o papelão ocupa muito espaço, demandando a empresa estrutura</p><p>física aumentada. Outro caso a se considerar deve ser a logística,</p><p>processo importante no setor de empresas de reciclagem.</p><p>A prensa hidráulica vertical compactadora de papelão entra</p><p>como uma solução para problemas relacionados a volume. Na parte</p><p>física do empreendimento, pois após ter sido compactado, o fardo</p><p>tem geometria de paralelepípedo, que facilita seu empilhamento</p><p>aproveitando também a altura disponível no setor de armazenamento,</p><p>e não somente o piso. No transporte do material, permitindo que seja</p><p>possível transportar maiores quantidades com menor volume.</p><p>2.4 Legislação</p><p>Em projetos de implantação da NR-12, verifica-se dificuldades</p><p>para iniciar ações efetivas, devido aos usuários que adquirem os</p><p>equipamentos e, igualmente os fabricantes 15 preferem lucrar</p><p>negociando equipamentos não conformes, sem interesse na</p><p>qualidade da segurança das prensas hidráulicas e seus operadores.</p><p>Segundo consta na NR-12 (BRASIL, 2018), as máquinas devem ser</p><p>construídas ou importadas, instaladas e utilizadas de forma a proteger</p><p>ou extinguir todas as partes perigosas, preservando a integridade</p><p>dos operários contra o risco de acidentes. Existem equipamentos</p><p>ultrapassados, com características físicas bem próximas das</p><p>modernas, muitas vezes sem dispositivos de segurança, mas que</p><p>podem ser facilmente adequadas às normas de segurança. (BRASIL,</p><p>2018)</p><p>Representantes dos sindicatos, empresas e o ministério</p><p>do trabalho formaram as comissões tripartites na década de 90,</p><p>com objetivo de melhorar as condições de saúde e segurança</p><p>dos trabalhadores, tendo sido incluso em pauta as proteções</p><p>das máquinas ou equipamentos caracterizados prensas.</p><p>Com a</p><p>publicação da Nota Técnica 37 (Programa de Prevenção de Risco</p><p>em Prensas e Similares – PPRPS) em 2004, e de sua revisão com</p><p>Nota Técnica 16, em 2005, se refere às interfaces colaborador versus</p><p>equipamento, foram estabelecidos princípios de proteção na zona de</p><p>prensagem e em partes perigosas das máquinas e equipamentos,</p><p>locais em que frequentemente as mutilações se processam</p><p>(ECHTERNACHT, 2009). Segundo Avanti Engenharia (BRASIL,</p><p>2020) na PPRPS, nenhum trabalhador deve executar suas atividades</p><p>expondo-se às zonas de risco desprotegidas e o enclausuramento</p><p>57</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>da zona de prensagem evita o trabalhador ter acesso à área de</p><p>risco, permitindo-se apenas o ingresso de materiais e de ferramentas</p><p>na área enclausurada. Essas são as primeiras opções de proteção</p><p>adequadas para garantir a integridade física daqueles que manejam</p><p>os equipamentos. Echternacht (2009) comenta que o acionamento</p><p>da prensa passaria a ser realizado mediante um comando bimanual,</p><p>com o aperto simultâneo das duas botoeiras pelos operadores</p><p>que trabalhassem na máquina. Se houver a impossibilidade de se</p><p>enclausurar a zona de prensagem ou de se fechar a ferramenta,</p><p>o dispositivo Optoeletrônico de Segurança atuará na válvula de</p><p>segurança previsto pelas normas internacionais (International</p><p>Electrothecnical Commission - IEC 61.496, European Standards - EN</p><p>692 e 999) e nacionais (Associação Brasileira de Normas Técnicas:</p><p>NBR 13.852, 13.853, 13.930 e 14.152). A Nota Técnica não tem</p><p>teor legal e as interdições dos maquinários e equipamentos novos</p><p>ou usados sempre são feitas pela NR-12, porém não comenta sobre</p><p>equipamentos de proteção individual, estes que também são de</p><p>suma importância a utilização. A NR-12 (BRASIL, 2018) especifica</p><p>que as máquinas devem possuir proteções adequadas e a Nota</p><p>Técnica 16 é o entendimento oficial do Ministério do Trabalho sobre</p><p>o que 16 é uma proteção adequada ao funcionamento seguro, e</p><p>nela são indicadas medidas de proteções para as máquinas. A NR-</p><p>12 estabelece também medidas preventivas de segurança e higiene</p><p>do trabalho que devem ser adotadas no espaço físico, de operação</p><p>e manutenção de máquinas e equipamentos, visando garantir a</p><p>prevenção de acidentes do trabalho, formalizada sua existência</p><p>jurídica por legislação ordinária, presente nos artigos 184 a 186 da</p><p>Consolidação das Leis do Trabalho (BRASIL, 2017 - 2018). Em 22</p><p>de dezembro de 1977, com a criação da Lei nº 6514, alterou-se o</p><p>Capítulo V da CLT, que trata da Segurança e Medicina do Trabalho, no</p><p>que diz respeito às regras para o uso de máquinas e equipamentos.</p><p>O novo texto legal, em sua seção XI, traz os seguintes artigos:</p><p>Art. 184.As máquinas e os equipamentos deverão ser dotados de</p><p>dispositivos de partida e parada e outros que se fizerem necessários</p><p>para a 20 prevenção de acidentes do trabalho, especialmente quanto</p><p>ao risco de acionamento acidental. Parágrafo único. É proibida a</p><p>fabricação, a importação, a venda, a locação e o uso de máquinas</p><p>e equipamentos que não atendam ao disposto neste artigo. (CLT,</p><p>2017- 2018. Pág. 38) Art. 185. Os reparos, limpeza e ajustes</p><p>somente poderão ser executados com as máquinas paradas, salvo</p><p>se o movimento for indispensável à realização do ajuste. (CLT, 2017-</p><p>2018. Pág. 39) Art. 186. O Ministério do Trabalho estabelecerá normas</p><p>adicionais sobre proteção e medidas de segurança na operação de</p><p>58</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>máquinas e equipamentos, especialmente quanto à proteção das</p><p>partes móveis, distância entre elas, vias de acesso às máquinas e</p><p>equipamentos de grandes dimensões, emprego de ferramentas, sua</p><p>adequação e medidas de proteção exigidas quando motorizadas</p><p>ou elétricas. (CLT, 2017- 2018. Pág. 39) O Ministério do Trabalho</p><p>(BRASIL, 2018) estabelece requisitos mínimos de segurança para</p><p>a prevenção de acidentes. A NR-12 foi implementada pela Portaria</p><p>GM nº 3.214 de 08 de junho de 1978, tratando exclusivamente de</p><p>Máquinas e Equipamentos. Sofreu alterações pela Portaria SIT 197,</p><p>de 17/12/2010. A reformulação da NR-12 criou medidas alternativas</p><p>de proteção coletiva, além de estabelecer distâncias de segurança</p><p>e barreiras físicas que impedem o acesso intencional por parte dos</p><p>trabalhadores A norma estabelece que máquinas que não estão</p><p>conformes a NR-12 deverão ser sucateadas e não poderão ser mais</p><p>comercializadas quando não for possível sua adequação à NR-12.</p><p>O seu proprietário, portanto, não poderá vender a máquina para ser</p><p>reutilizada no processo de produção de outra empresa (BRASIL,</p><p>2010). Segundo a NR-12, a operação, manutenção, inspeção</p><p>ou qualquer intervenção nas máquinas deve ser realizada por</p><p>trabalhadores habilitados, qualificados, capacitados ou autorizados.</p><p>Foram também contemplados dispositivos de controle de</p><p>processo, intertravamentos, botões de emergência, cortinas de luzes,</p><p>sensores ópticos, entre outros aspectos tecnológicos idealizados</p><p>para diminuir a possibilidade de ocorrência de falhas associadas a</p><p>atos de imperícia ou imprudência.</p><p>2.5 Projeto de Máquinas e Avaliação de Risco</p><p>A empresa de engenharia Banner (BRASIL, 2020) comenta</p><p>que a avaliação de risco deve ser realizada perante seus requisitos</p><p>essenciais de saúde e segurança relacionados ao projeto e</p><p>construção das máquinas, sendo de obrigatoriedade o fabricante</p><p>assegurar o mesmo, podendo os riscos serem classificados em</p><p>qualitativo e quantitativo. Qualitativo permite a identificação de</p><p>riscos através da observação, oferecendo um grau de objetividade</p><p>e facilidade para identificação do risco, quantitativo permite uma</p><p>resposta numérica ao avaliar o risco, sendo mais utilizado para casos</p><p>com riscos mais complexos, sendo baseado em dados estatísticos. A</p><p>norma harmonizada EN ISO 12100 define procedimentos importantes</p><p>para sistemas relevantes para a segurança ou componentes de</p><p>máquinas e comandos de instalações referidos à segurança. Com</p><p>base na norma básica, outras normas harmonizadas, tais como EN</p><p>ISO 13849-1/-2 bem como EN 61508 com sua norma setorial EN</p><p>59</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>62061 descrevem a configuração, estruturação e a integração de</p><p>peças de comandos e dispositivos de proteção referidos à segurança</p><p>(PILZ, 2020). Alguns riscos a serem considerados ao se projetar</p><p>máquinas e equipamentos:</p><p>a) Riscos mecânicos;</p><p>b) Riscos elétricos;</p><p>c) Riscos térmicos;</p><p>d) Riscos causados por ruídos;</p><p>e) Riscos causados por vibrações;</p><p>f) Ricos causados por radiações;</p><p>g) Riscos causados por materiais ou por substâncias;</p><p>h) Riscos causados por negligência no atendimento dos princípios</p><p>ergométricos na elaboração de projetos de máquinas.</p><p>Consta na norma NBR 14153 Segurança de máquinas, que o</p><p>sistema de comando relacionado à segurança no Brasil é dividido</p><p>em 5 categorias, B,1,2,3 e 4, verificadas na NR12/ 2010, (BRASIL,</p><p>2013):</p><p>Categoria B: Falha de segurança podendo levar a perda de</p><p>função de segurança. Categoria 1: Falha poderá levar a perda de</p><p>função de segurança, sendo a possibilidade mais baixa do que a</p><p>CAT B.</p><p>Categoria 2: A função de segurança será perdida por uma falha</p><p>única, como um curto-circuito no fio de entrada.</p><p>Categoria 3: A redundância a um acúmulo de falhas não</p><p>encontrada, podem levar à perda de função de segurança.</p><p>Categoria 4: A redundância e o auto teste, de um acúmulo de</p><p>falhas não irá levar à perda de função de segurança, falha isolada</p><p>detectada antes ou durante a próxima atuação.</p><p>FONTE: <http://repositorio.unis.edu.br/bitstream/prefix/1511/1/Marco%20</p><p>Aur%c3%a9lio%20Sarto%20Tib%c3%barcio.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2021.</p><p>60</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Assista ao vídeo sobre segurança nas instalações elétricas no</p><p>sítio: https://www.youtube.com/watch?v=-BPTlu8lGe8.</p><p>• Assista ao vídeo sobre trabalho com motosserras</p><p>no sítio: https://</p><p>www.youtube.com/watch?v=0XmGCGfFp4Y.</p><p>• Assista ao vídeo sobre dispositivos alternativos de</p><p>proteção de máquinas no sítio: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=HzkWg4vfSbA.</p><p>• Assista ao vídeo sobre instalações elétricas provisórias no sítio:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=rsQ5nIHyFxM.</p><p>1) Assista ao vídeo acessando o link a seguir - https://youtu.be/</p><p>I2bKwYxkIWk - sobre Documentação mínima para atendimento</p><p>à NR-12.</p><p>2) Explique a importância da NR-12.</p><p>3) O que é a Fundacentro?</p><p>4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Os riscos ocupacionais são os riscos de acidentes aos quais os trabalhadores</p><p>estão sujeitos em um ambiente de trabalho. Esses riscos são provenientes de</p><p>ruídos, vibrações, gases, vapores, iluminação inadequada, presença de máquinas,</p><p>calor, entre outros.</p><p>A NR-12 define as referências técnicas, os princípios fundamentais</p><p>e as medidas de proteção para resguardar a saúde e a integridade física dos</p><p>trabalhadores que atuam em máquinas e equipamentos. Ela estabelece os</p><p>requisitos mínimos para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho nas</p><p>fases de projeto e de utilização de máquinas e equipamentos. Ela também atua</p><p>na fabricação, importação, comercialização, exposição e cessão de máquinas</p><p>elétricas e equipamentos industriais nos quais os trabalhadores estão envolvidos.</p><p>61</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>Segundo a NR-12, nos locais de instalação de máquinas e equipamentos, as</p><p>áreas de circulação devem ser devidamente demarcadas em conformidade com</p><p>as normas técnicas. As áreas de circulação devem ser mantidas desobstruídas.</p><p>Já a distância mínima entre máquinas, em conformidade com suas</p><p>características e aplicações, deve resguardar a segurança dos trabalhadores</p><p>durante sua operação, manutenção, ajuste, limpeza e inspeção, e permitir a</p><p>movimentação dos segmentos corporais, em face da natureza da tarefa.</p><p>Os riscos inerentes aos equipamentos elétricos, mecânicos e hidráulicos</p><p>foram descritos nesse Capítulo e devem ser seguidos sempre que possível a</p><p>fim de resguardar a segurança e integridade dos trabalhadores, sejam técnicos,</p><p>eletricistas ou de outras categorias.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BETAEQ. 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Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização</p><p>em Engenharia de Segurança do Trabalho) - Universidade Estadual de</p><p>Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2005. Disponível em: http://www.uepg.br/</p><p>denge/eng_seg_2004/TCC/TCC23.pdf. Acesso em: 21 dez. 2019.</p><p>TAQI. Serras: saiba as diferenças entre cinco tipos da ferramenta.</p><p>2019. Disponível em: http://blog.taqi.com.br/2015/03/15/serras-saiba-as-</p><p>diferencas-entre-cinco-tipos-da-ferramenta/. Acesso em: 1 ago. 2019.</p><p>ULTRA MÁQUINAS. Prensa Hidráulica. 2019. Disponível em:</p><p>https://www.ultramaquinas.com.br/prensa-hidraulica-para-30-</p><p>toneladas-mph-30-marcon-p5487/. Acesso em: 1 maio 2019.</p><p>WIKIPEDIA. Motor elétrico. 2019. Disponível em: https://pt.wikipedia.</p><p>org/wiki/Motor_el%C3%A9trico. Acesso em: 2 maio 2019.</p><p>ZONA DE RISCO. Disco abrasivo de esmerilhadeira quebra, mata</p><p>trabalhador. 2019. Disponível em: https://zonaderisco.blogspot.com/2007/07/</p><p>disco-abrasivo-de-esmerilhadeira-quebra.html. Acesso em: 1 ago. 2019.</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Dispositivos Elétricos e</p><p>Equipamentos de Proteção</p><p>Individual</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� entender o conceito de dispositivos elétricos;</p><p>� identificar os vários dispositivos elétricos industriais;</p><p>� distinguir os equipamentos de proteção individual e coletiva para cada atividade</p><p>ou setor industrial;</p><p>� conhecer e identificar os diversos equipamentos elétricos utilizados</p><p>industrialmente;</p><p>� saber calcular e dimensionar fusíveis;</p><p>� saber calcular e dimensionar disjuntores;</p><p>� conhecer o funcionamento das partidas de motores convencionais;</p><p>� conhecer o funcionamento das partidas de motores eletrônicos.</p><p>66</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>67</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>1 Contextualização</p><p>Os equipamentos e condutores componentes de uma instalação elétrica</p><p>são, frequentemente, solicitados por tensões e correntes diferentes dos valores</p><p>nominais. Essas solicitações aparecem normalmente como sobrecarga, curto-</p><p>circuito, sobretensões e subtensões. As condições anormais de operação podem</p><p>danificar as instalações, equipamentos e causar acidentes envolvendo indivíduos</p><p>presentes na instalação.</p><p>As condições anormais de operação devem ser limitadas no tempo de</p><p>duração e na amplitude. Os dispositivos de proteção nas instalações elétricas</p><p>devem desligar o circuito nas condições adversas. Os principais dispositivos</p><p>de proteção e segurança são os fusíveis, os disjuntores e os relés térmicos</p><p>(FRANCHI, 2008).</p><p>A proteção em uma instalação elétrica envolve várias etapas:</p><p>• estratégia de proteção;</p><p>• seleção dos dispositivos de atuação;</p><p>• determinação dos valores de calibração dos dispositivos.</p><p>Segundo a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da</p><p>Eletricidade (Abracopel), os curtos-circuitos foram responsáveis, em 2018, por</p><p>536 incêndios, sendo que a maior parte deles ocorreu em casas, onde resultaram</p><p>em 59 mortes. Infelizmente, uma fatia considerável das tragédias poderia ter sido</p><p>evitada se medidas preventivas fossem tomadas. A negligência e desconhecimento</p><p>sobre os riscos e suas soluções são tão letais quanto as consequências.</p><p>O improviso é o grande e mais famoso vilão das instalações elétricas, mas</p><p>diferente das chamadas “gambiarras”, alguns dos problemas podem não ser</p><p>identificados facilmente, o que requer o auxílio de dispositivos específicos de</p><p>proteção. Os dispositivos de proteção, tais como o disjuntor, o DR e o DPS são</p><p>componentes que atuam em conjunto para alertar e evitar que curtos circuitos,</p><p>fugas de correntes e surtos, danifiquem o patrimônio e atentem contra a vida das</p><p>pessoas.</p><p>68</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Gambiarra é uma palavra com vários significados, entre os quais,</p><p>os mais predominantes são “extensão de luz” e “improvisação”. Entre</p><p>outros significados, destacam-se “ramificação de luzes”, “ligação</p><p>fraudulenta”; “gato” (WIKIPEDIA, 2019).</p><p>A NBR 5410/2004 trata das instalações elétricas de baixa tensão e estabelece</p><p>as prescrições fundamentais destinadas a garantir a segurança de pessoas,</p><p>animais e bens, contra os danos que possam resultar da utilização das instalações</p><p>elétricas. Já a norma NBR 14039/2003 trata das instalações elétricas de média e</p><p>alta tensão.</p><p>A Norma Regulamentadora NR-10 estabelece as mínimas condições de</p><p>trabalho a trabalhadores que possam interagir com instalações elétricas e serviços</p><p>com eletricidade de alta tensão. Ela abrange qualquer trabalho dessa natureza em</p><p>todas as etapas de um projeto, construção, montagem, operação, manutenção</p><p>de instalações elétricas e outros trabalhos relacionados. A NR-10 assume</p><p>intervenções como medidas preventivas para controlar riscos elétricos, utilizando</p><p>medidas de análise de risco para garantir a segurança e saúde do trabalho. Entre</p><p>essas medidas, constam esquemas unifilares de instalações elétricas atualizados</p><p>com as especificações do sistema de aterramento e outros equipamentos.</p><p>Os acidentes por contato com eletricidade podem ocorrer tanto pela atuação</p><p>da energia produzida pelo homem como pela natureza. Os acidentes resultantes</p><p>dos choques podem ser fatais, principalmente, em pessoas idosas ou com</p><p>patologias. Nestas, até um choque fraco pode conduzir à morte. As quedas e</p><p>queimaduras provenientes de choques elétricos também podem provocar o óbito</p><p>do trabalhador. Uma estatística do IBGE, de 1978, demonstrou que a eletricidade</p><p>é a principal causadora de incêndios no Brasil.</p><p>Os riscos de acidentes em eletricidade são: choque elétrico, queimaduras,</p><p>radiações ionizantes, ultravioleta, infravermelho, micro-ondas, raios x, falhas</p><p>na isolação elétrica, contato do trabalhador com condutores energizados em</p><p>empresas ou obras, entre outros.</p><p>“O choque elétrico é uma perturbação de natureza e efeitos diversos, que</p><p>se manifesta no corpo humano quando percorrido por uma corrente elétrica,</p><p>normalmente, acima de 30 mA” (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006, p. 70).</p><p>69</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Vamos estudar mais sobre esses riscos no Capítulo 3, ok?</p><p>Caro pós-graduando! Você pode ler na íntegra os conteúdos dessas</p><p>normas acessando o link para a leitura da NBR 5410/2004 sobre</p><p>instalações de baixa tensão: https://www.iar.unicamp.br/lab/luz/ld/</p><p>normas%20e%20relat%F3rios/NRs/nbr_5410.pdf.</p><p>E o link para a leitura da NBR 14039/2003 sobre instalações de média</p><p>tensão: https://www.inesul.edu.br/site/documentos/instalacoes_</p><p>eletricas_residenciais/normas/nbr_14039_instalacoes_eletricas_</p><p>media_tensao.pdf.</p><p>Por fim, sugerimos o link para a leitura da NR-10: http://trabalho.gov.</p><p>br/images/Documentos/SST/NR/NR10.pdf</p><p>Nos trabalhos em instalações elétricas, os coordenadores de projeto e</p><p>engenheiros devem prever e adotar como prioridade medidas de proteção</p><p>coletiva. Essas medidas seguem diversos procedimentos, conforme indicam as</p><p>Normas Regulamentadoras, de forma a assegurar a segurança e a saúde dos</p><p>trabalhadores. As medidas de proteção coletiva compreendem a desenergização</p><p>elétrica, segundo estabelece a NR-10. Se isso não for possível, devem ser</p><p>utilizadas outras medidas de proteção coletiva, tais como:</p><p>• barreiras protetoras em máquinas, equipamentos e instalações;</p><p>• sinalização dos locais de risco;</p><p>• isolação das partes vivas;</p><p>• sistema de seccionamento automático de alimentação;</p><p>• bloqueio do religamento automático;</p><p>• obstáculos a fim de evitar que os</p><p>trabalhadores não se acidentem.</p><p>Altas tensões podem ocasionar arcos elétricos ou efeito corona, reduzindo</p><p>a resistência elétrica dos isolamentos. “O vácuo pode causar o desprendimento</p><p>de materiais voláteis de isolantes orgânicos reduzindo a resistividade desses</p><p>dielétricos” (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006, p. 89).</p><p>70</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>O aterramento das instalações elétricas deve ser executado conforme a NR-</p><p>10 e, na ausência desta, deve atender às normas internacionais vigentes.</p><p>Quando as medidas de proteção coletiva forem inviáveis ou insuficientes</p><p>para controlar os riscos em trabalhos com energia elétrica, devem ser adotados</p><p>equipamentos de proteção individuais específicos e adequados às atividades</p><p>desenvolvidas, de acordo com a NR6. As vestimentas de trabalho devem ser</p><p>adequadas aos serviços, devendo contemplar a condutibilidade, inflamabilidade e</p><p>influências eletromagnéticas.</p><p>Os dispositivos de proteção têm como finalidade a proteção de equipamentos,</p><p>circuitos elétricos, máquinas e instalações elétricas, contra alterações da tensão</p><p>de alimentação e intensidade da corrente elétrica, pois, em uma instalação</p><p>industrial, há várias máquinas e equipamentos. Os motores são equipamentos</p><p>fundamentais em indústrias dos mais variados portes e segmentos.</p><p>O acionamento convencional de motores, também conhecido como</p><p>partidas convencionais ou manuais utilizam-se de dispositivos eletromecânicos</p><p>para o acionamento (partida) do motor, como, por exemplo, os contatores</p><p>eletromecânicos, os interruptores mecânicos etc. Já o acionamento eletrônico,</p><p>conhecido como partida eletrônica de motores, utilizam-se de dispositivos</p><p>eletrônicos que realizam o acionamento do motor, como, por exemplo, as</p><p>softstarters, os inversores de frequência etc.</p><p>Há vários tipos de partidas convencionais, tais como: direta e estrela-</p><p>triângulo. Vamos entendê-las melhor? A partida direta é o método de partida de</p><p>motores na qual o motor é conectado diretamente à rede de disjuntores que</p><p>vêm da rede. Ela é considerada como recurso ideal quando se deseja usufruir</p><p>do desempenho máximo nominais de um motor elétrico trifásico. Umas das</p><p>características que deve ser aproveitada é o torque de partida, que é uma das</p><p>principais características do motor elétrico. No entanto, esse sistema de partida</p><p>é recomendado para motores que possuam no máximo 7,5 até10 cv de potência.</p><p>A partida direta implica diretamente na infraestrutura da rede de alimentação</p><p>onde este motor será instalado e, dependendo da aplicação, é recomendada que</p><p>seja aplicada a partida indireta.</p><p>As principais características da partida direta são:</p><p>• conjugado nominal na partida;</p><p>• corrente de partida pode chegar a oito vezes a corrente nominal;</p><p>• necessita de dispositivos de acionamento mais robustos;</p><p>• custo elevado de manutenção.</p><p>71</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>A Figura 1 mostra um esquema de partida direta.</p><p>FONTE: Pinheiro (2019, p. 2)</p><p>FIGURA 1 – PARTIDA DIRETA: (A) DIAGRAMA DE</p><p>FORÇA. (B) DIAGRAMA DE COMANDO</p><p>A partida estrela-triângulo é um método de partida usado em motores elétricos</p><p>trifásicos. Ela utiliza uma chave com o mesmo nome, manual ou automática, e é</p><p>interligada aos rolamentos do motor, devendo estar acessíveis em seis terminais.</p><p>Utilizando a partida estrela-triângulo, o motor parte em configuração estrela,</p><p>proporcionando maior impedância e menor tensão nas bobinas. Assim, a corrente</p><p>de partida é diminuída, ocasionando em uma perda perceptível do torque de</p><p>partida.</p><p>Com a partida estrela-triângulo, o motor realiza uma partida mais suave,</p><p>diminuindo sua corrente de partida a aproximadamente 1/3 do que seria, caso</p><p>acionado em partida direta.</p><p>A partida estrela-triângulo não pode ser utilizada em qualquer situação. O</p><p>motor precisa ter pelo menos seis terminais dos enrolamentos disponíveis, e a</p><p>tensão nominal deve ser igual à tensão de triângulo do motor. E um detalhe crucial</p><p>na partida estrela-triângulo em motores elétricos trifásicos é que o fechamento</p><p>para triângulo só deverá ser feito quando o motor atingir ao menos 90% da</p><p>72</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>rotação nominal. Então, o ajuste de tempo da mudança estrela-triângulo deve ser</p><p>baseado neste fato, sendo necessário o uso de um tacômetro na primeira vez que</p><p>testar o sistema com carga.</p><p>Com a partida estrela-triângulo, o motor parte em configuração estrela, de</p><p>maneira mais suave e com uso de menos corrente na partida. Quando o motor</p><p>atinge pelo menos 90% de rotação nominal, é feito o fechamento para triângulo. A</p><p>Figura 2 mostra um esquema de partida triângulo-estrela.</p><p>FONTE: Pinheiro (2019, p. 2)</p><p>FIGURA 2 – CHAVE DE PARTIDA TRIÂNGULO-ESTRELA: (A)</p><p>DIAGRAMA DE FORÇA. (B) DIAGRAMA DE COMANDO</p><p>A chave compensadora é usada para reduzir a elevada corrente de partida</p><p>em um motor de indução trifásico, aliviando a rede elétrica de alimentação. A</p><p>tensão do tap usada deverá ser de tal que permita a aceleração do conjunto motor-</p><p>carga até uma velocidade próxima a sua rotação nominal (90% ou mais), dentro</p><p>de um tempo de partida admissível para o motor.</p><p>A redução da corrente de partida depende do TAP em que estiver ligado o</p><p>autotransformador:</p><p>• tap 65% → redução para 42% do seu valor de partida direta;</p><p>• tap 80% → redução para 64% do seu valor de partida direta.</p><p>73</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>A chave de partida compensadora pode ser usada para motores que partem</p><p>sob carga. Entretanto, para que ela seja utilizada, algumas condições devem ser</p><p>satisfeitas:</p><p>• o autotransformador deverá ter potência igual ou superior a do motor;</p><p>• o conjugado resistente de partida da carga deve ser inferior à metade do</p><p>conjugado de partida do motor;</p><p>• é indicada para motores de potência elevada, que acionam cargas com</p><p>alto índice de atrito (FRANCHI, 2008).</p><p>FONTE: Franchi (2008, p. 58)</p><p>FIGURA 3 – PARTIDA POR CHAVE COMPENSADORA: (A)</p><p>DIAGRAMA DE FORÇA. (B) DIAGRAMA DE COMANDO</p><p>O Quadro 1 mostra um comparativo entre as partidas estrela-triângulo e</p><p>chave compensadora mostrando suas vantagens e desvantagens na escolha de</p><p>cada uma delas.</p><p>74</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FONTE: Pinheiro (2019, p. 8)</p><p>QUADRO 1 – COMPARAÇÃO ENTRE Y-∆ E CHAVE COMPENSADORA</p><p>Já as partidas eletrônicas utilizam o softstarter, que é um dispositivo</p><p>eletrônico composto por pontes de tiristores (SCR’s) acionadas por um circuito</p><p>eletrônico, com a finalidade de controlar a tensão de partida do motor, bem como</p><p>sua desernegização. Fazendo assim, com que a energização e desenergização</p><p>do motor sejam suavizadas. O softstarter pode substituir os tradicionais modos de</p><p>ligação estrela-triângulo, chave compensadora e partida direta. Com o softstarter é</p><p>possível também limitar a corrente de partida, evitando, assim, picos de corrente,</p><p>além de possibilitar a partida e parada suave, e também promover a proteção do</p><p>sistema.</p><p>Para se obter uma partida suave é necessário um torque de partida reduzido</p><p>no motor. Para atingir esse objetivo é necessário controlar a tensão aplicada no</p><p>motor, consequentemente, a corrente de partida. Portanto, é necessário o uso</p><p>de uma ponte de tiristores (SCR’s), regulador de tensão, unidades de controle</p><p>eletrônico, entre outras, então, faz-se necessário o uso do softstarter, que tem</p><p>todos esses componentes internamente. As aplicações de motores que mais</p><p>utilizam a chave compensadora são as britadoras e as máquinas acionadas por</p><p>correia (FRANCHI, 2008). A Figura 4 mostra um equipamento softstarter.</p><p>75</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>FONTE: WEG (2019c, s.p.)</p><p>FIGURA 4 – SOFTSTARTER</p><p>Os inversores de frequência variáveis são um tipo de controlador</p><p>que tem a</p><p>função de acionar um motor elétrico e ao mesmo tempo variar a frequência e a</p><p>tensão que é fornecida ao motor com o objetivo de controlar a sua velocidade e</p><p>potência consumida. Outros nomes para um inversor de frequência variável que</p><p>podemos encontrar no mercado são: drive de velocidade variável, drive ajustável</p><p>da velocidade, drive de frequência ajustável, drive c.a. (corrente alternada),</p><p>microdrive ou simplesmente inversor.</p><p>Uma característica importante do inversor é que à medida que os requisitos</p><p>de velocidade do motor em uma determinada aplicação mudam o inversor</p><p>de frequência pode simplesmente subir ou descer a velocidade do motor a fim</p><p>de atender às novas exigências de operação, o que não seria possível utilizando</p><p>apenas um redutor mecânico. A Figura 5 mostra um inversor de frequência.</p><p>FONTE: WEG (2019c, s.p.)</p><p>FIGURA 4 – SOFTSTARTER</p><p>76</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Com essa breve introdução, elencamos os dispositivos para proteção mais</p><p>comumente utilizados nas indústrias, são eles:</p><p>• fusíveis;</p><p>• rele térmico;</p><p>• disjuntores motores.</p><p>Os dispositivos de comando, sinalização e auxiliares dispostos nas bancadas</p><p>industriais são:</p><p>• botoeiras e chaves manuais;</p><p>• contatores;</p><p>• relés temporizadores;</p><p>• relés protetores;</p><p>• sinalizadores visuais e sonoros.</p><p>Vamos ao estudo desses componentes?</p><p>2 DISPOSITIVOS ELÉTRICOS</p><p>Os dispositivos elétricos são componentes de um sistema automatizado</p><p>que recebem os comandos do circuito elétrico, acionando as máquinas elétricas</p><p>(FRANCHI, 2008).</p><p>Os dispositivos de proteção têm como finalidade a proteção de equipamentos,</p><p>circuitos eletroeletrônicos, máquinas e instalações elétricas, contra alterações da</p><p>tensão de alimentação e intensidade da corrente elétrica (MATSUMI, 2005). O</p><p>uso de dispositivos para proteção de instalações elétricas prediais é necessário</p><p>para a segurança de pessoas e do patrimônio. A Figura 6 mostra uma variedade</p><p>de dispositivos elétricos industriais.</p><p>77</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>FONTE: Adaptada de Matsumi (2005)</p><p>FIGURA 6 – DISPOSITIVOS ELÉTRICOS</p><p>A ABNT NBR 5410 é a norma técnica brasileira que trata das instalações</p><p>elétricas de baixa tensão, ou seja, daquelas que têm até 1000 [V] em tensão</p><p>alternada e 1500 [V] em tensão contínua. A norma recomenda o uso desses</p><p>equipamentos que, a depender das condições da instalação, são obrigatórios.</p><p>São três os principais dispositivos de proteção aplicáveis a instalações</p><p>prediais: disjuntor termomagnético (DTM), diferencial residual (DR) e dispositivos</p><p>de proteção de surto ou sobretensões (DPS).</p><p>O disjuntor termomagnético é um dispositivo responsável por monitorar</p><p>e controlar a corrente elétrica, interrompendo o fluxo de energia sempre que</p><p>identificar um pico que ultrapasse o considerado adequado. Com isso, o disjuntor</p><p>protege a instalação elétrica de curto circuitos e outros problemas relacionados à</p><p>sobrecarga elétrica. A Figura 7 mostra um DTM.</p><p>78</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FIGURA 7 – DISJUNTOR TERMOMAGNÉTICO</p><p>FONTE: WEG (2019b, s.p.)</p><p>Quando ligamos muitos aparelhos elétricos em uma mesma tomada, a</p><p>intensidade da corrente de eletricidade que passa pelo circuito é aumentada.</p><p>Quando essa intensidade ultrapassa o previsto pelo projeto elétrico, há uma</p><p>sobrecarga elétrica, o que pode causar curto circuitos, “queima” dos aparelhos</p><p>e até incêndios. A ação do disjuntor é baseada justamente nessa intensidade</p><p>de corrente elétrica e, ao detectar uma sobrecarga, o dispositivo imediatamente</p><p>corta o fornecimento de energia para o local. Para isso, durante sua instalação,</p><p>o disjuntor é calibrado para permitir o uso de até determinado valor de corrente.</p><p>Antes da popularização dos disjuntores, era comum que casas e estabelecimentos</p><p>em geral utilizassem fusíveis. Este método, porém, não era tão seguro e exigia</p><p>que todos os fusíveis fossem trocados sempre que acontecia uma sobrecarga</p><p>elétrica.</p><p>O diferencial residual é um dispositivo de proteção utilizado em instalações</p><p>elétricas, permitindo desligar um circuito sempre que seja detectada uma corrente</p><p>de fuga superior ao valor nominal.</p><p>Essas fugas podem acontecer por diferentes razões: um toque acidental,</p><p>um fio desencapado, o uso de equipamentos elétricos em áreas molhadas ou até</p><p>mesmo um brinquedo que foi inserido na tomada por uma criança. Em situações</p><p>como estas, a corrente elétrica corre para a terra através do corpo humano,</p><p>causando acidentes com choque elétrico. A Figura 8 mostra um DR.</p><p>79</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>FIGURA 8 – DISPOSITIVO DIFERENCIAL RESIDUAL</p><p>FONTE: WEG (2019b, s.p.)</p><p>Um circuito inteiro não deve ser afetado caso outro apresente alguma falha.</p><p>Desse modo, o DR torna-se o meio mais eficaz na proteção de pessoas e animais</p><p>domésticos, evitando que ocorram acidentes. O dispositivo também possui uma</p><p>segunda função bastante importante: a proteção contra incêndios. Ele permanece</p><p>como um vigia da qualidade da instalação elétrica, evitando que aconteçam as</p><p>chamadas “fugas de corrente”, que podem gerar faíscas e causar incêndios. Ainda,</p><p>por se tratar de um dispositivo simples e pequeno, o DR pode ser instalado com</p><p>facilidade diretamente no quadro de distribuição de energia elétrica da sua casa.</p><p>Os dispositivos de proteção de surto ou sobretensões (DPS) são</p><p>equipamentos desenvolvidos com o objetivo de detectar sobretensões transitórias</p><p>na rede elétrica e desviar as correntes de surto. A Figura 9 mostra um DPS.</p><p>FIGURA 9 – DISPOSITIVO DE PROTEÇÃO CONTRA SURTO OU SOBRETENSÕES</p><p>FONTE: Viewtech (2019a)</p><p>80</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Esses distúrbios são mais comuns do que muitos imaginam, ocorrendo</p><p>diariamente em ambientes residenciais, comerciais e industriais. Surto elétrico é</p><p>uma onda transitória de tensão, corrente ou potência que tem como característica</p><p>uma elevada taxa de variação por um período curtíssimo de tempo. Ele se propaga</p><p>ao longo de sistemas elétricos e pode causar sérios danos aos equipamentos</p><p>eletroeletrônicos. Os surtos elétricos são normalmente causados por descargas</p><p>atmosféricas, manobras de rede e liga/desliga de grandes máquinas. Os motivos</p><p>são: descargas elétricas (raios), manobras de redes elétricas e a ligação ou o</p><p>desligamento inapropriado de máquinas ou equipamentos elétricos.</p><p>Quando ocorre uma descarga atmosférica, seja diretamente ou próximo a</p><p>uma instalação elétrica, são gerados surtos. Eles podem chegar até os aparelhos</p><p>conectados às redes elétricas, linhas de dados, como internet e TV a cabo e</p><p>linhas telefônicas. A maioria dos surtos gerados por raios são ocasionados por</p><p>descargas indiretas. Ou seja, mesmo que o raio caia a quilômetros de distância,</p><p>essa incidência gera um campo eletromagnético que se irradia pelo ambiente e</p><p>transfere uma parcela do raio ao encontrar condutores metálicos.</p><p>Outra origem bastante comum do surto elétrico se dá quando companhias</p><p>energéticas fazem chaveamentos ou manobras de redes, causando a interrupção</p><p>na distribuição de energia em determinados bairros ou ruas. Não apenas os</p><p>blecautes, conhecidos popularmente como apagões, mas também as tentativas</p><p>de religamento são grandes fontes de distúrbios eletromagnéticos, incluindo o</p><p>surto elétrico.</p><p>O que a maioria das pessoas não sabe é que os surtos elétricos acontecem</p><p>de maneira cotidiana devido também ao ligar e desligar de grandes motores.</p><p>Os surtos podem ser gerados tanto por elevadores em prédios comerciais e</p><p>residenciais quanto por equipamentos ainda mais comuns, como aparelhos de ar-</p><p>condicionado ou máquinas de lavar. Todas as vezes que são ligados e desligados,</p><p>estes motores geram sobretensões transitórias que podem causar danos</p><p>imediatos, em médio e longo prazo aos equipamentos conectados à mesma rede</p><p>de energia.</p><p>Por</p><p>esses motivos, recomenda-se o uso de DPS em instalações industriais.</p><p>Os dispositivos de proteção contra surtos podem ser utilizados em diversas</p><p>aplicações: em redes de distribuição de energia elétrica, para proteção de</p><p>transformadores e luminárias urbanas; linhas de telecomunicações; tubulações</p><p>de companhias de óleo e gás; painéis de energia solar fotovoltaica; quadros de</p><p>distribuição de edificações comerciais/residenciais e até mesmo conectados às</p><p>tomadas, acoplados aos equipamentos que desejamos proteger.</p><p>81</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Existem três classes de DPS:</p><p>• Classe I – Dispositivos com capacidade de corrente suficiente para</p><p>drenar correntes parciais de um raio. É a proteção primária, utilizada</p><p>em ambientes expostos a descargas atmosféricas diretas, como áreas</p><p>urbanas periféricas ou áreas rurais. Instalados nos quadros primários</p><p>(QGBT) de distribuição.</p><p>• Classe II – Dispositivos com capacidade para drenar correntes induzidas</p><p>que penetram nas edificações, ou seja, os efeitos indiretos de uma</p><p>descarga atmosférica. Utilizados em áreas urbanas e instalados nos</p><p>quadros secundários de distribuição.</p><p>• Classe III – Dispositivos destinados à proteção fina de equipamentos,</p><p>instalados próximos aos equipamentos. São utilizados para proteção</p><p>de equipamentos ligados à rede elétrica, à linha de dados e linhas</p><p>telefônicas.</p><p>Agora, vamos estudar os dispositivos de manobra, os dispositivos de</p><p>segurança.</p><p>2.1 DISPOSITIVOS DE MANOBRA</p><p>São componentes eletromecânicos ou eletrônicos que são responsáveis</p><p>por impedir ou permitir a passagem de corrente elétrica entre a fonte e a carga</p><p>através de manobras (ligar e desligar). São os responsáveis por desligar ou</p><p>acionar o funcionamento do circuito elétrico, como, por exemplo, os interruptores</p><p>e as chaves.</p><p>Nesse sentido, um dispositivo de manobra comum a todas as pessoas são</p><p>os interruptores, responsáveis por impedir ou permitir corrente elétrica da fonte</p><p>de energia, no caso, a concessionária, até as lâmpadas. Além dos interruptores,</p><p>outro componente comum que cumpre a função de manobra é o disjuntor, que</p><p>além de ligar e desligar circuitos, ainda acumula a função de proteger os mesmos.</p><p>Os dispositivos de manobra fazem parte do controle de um circuito, assim os</p><p>circuitos elaborados são constituídos de fonte, carga, condutores e controle.</p><p>82</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>2.2 DISPOSITIVOS DE SEGURANÇA</p><p>São os dispositivos responsáveis pela interrupção da passagem da corrente</p><p>elétrica, quando uma grande intensidade elétrica, maior que o suportável pelo</p><p>aparelho, é atravessada. Os dispositivos mais comuns são os fusíveis e os</p><p>disjuntores.</p><p>Os dispositivos de proteção e segurança para instalação elétrica residencial</p><p>são essenciais no nosso cotidiano, pois são eles que protegem as pessoas, bem</p><p>como os bens materiais. Portanto, aprender a dimensionar corretamente esses</p><p>equipamentos evita que os disjuntores desarmem sem necessidade devido a</p><p>falhas de projeto.</p><p>2.2.1 Fusível</p><p>Os fusíveis são dispositivos cuja principal característica é a proteção contra</p><p>curto-circuito, ou seja, um aumento brusco da intensidade da corrente elétrica</p><p>ocasionada por falha no sistema de energia ou pela operação inadequada de</p><p>uma máquina pelo operador. Há situações em que a intensidade da corrente</p><p>que passa em um circuito não deve superar um determinado valor, pois, se isso</p><p>acontecer, poderá haver danos. Para evitar que a corrente supere um certo valor</p><p>usa-se um fusível. Ele é constituído por um fio que se funde, quando a corrente</p><p>ultrapassa um valor previamente calculado. Os fusíveis podem ser classificados</p><p>quanto à velocidade de atuação em:</p><p>• Ultrarrápidos (ultra-fast acting): são utilizados para a proteção de</p><p>circuitos eletrônicos, para a proteção de componentes semicondutores</p><p>nos quais pequenas variações de corrente em um intervalo de tempo</p><p>muitíssimo curto fazem o fusível atuar.</p><p>• Rápidos (fast acting): são também utilizados para a proteção de circuitos</p><p>com semicondutores e sua atuação é rápida o suficiente para limitar o</p><p>aumento da corrente num curto intervalo de tempo.</p><p>• Normal (normal acting): a atuação desses fusíveis é mediana. Eles têm</p><p>como objetivo a proteção de circuito e são utilizados em situações nas</p><p>quais a proteção do circuito não necessita de um tempo muito curto de</p><p>atuação, tais como em circuitos de baixa indutância.</p><p>• Retardado (time-delay acting): são fusíveis de atuação lenta e são</p><p>utilizados para a proteção de circuitos elétricos, tendo como principal</p><p>objetivo a proteção de circuitos com cargas indutivas, como, por</p><p>exemplo, os motores. Essa característica permite que o fusível não atue</p><p>no pico de corrente provocado pela partida do motor (FRANCHI, 2008).</p><p>83</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>A Figura 10 mostra os vários tipos de fusíveis.</p><p>FIGURA 10 – TIPOS DE FUSÍVEIS</p><p>FONTE: Adaptada de Matsumi (2005)</p><p>Conforme as Normas DIN 57636 E VDE 0636, os fusíveis são componentes</p><p>cuja função principal é a proteção dos equipamentos e fiação (barramentos) contra</p><p>curto-circuito, atuando também como limitadores das correntes de curto-circuito.</p><p>Classe Funcional dos Fusíveis - A IEC utiliza a montagem com duas letras,</p><p>sendo que a primeira letra denomina a "faixa de interrupção", ou seja, que tipo de</p><p>sobrecorrente o fusível irá atuar, que são:</p><p>• g: atuação para sobrecarga e curto, fusíveis de capacidade de interrupção</p><p>em toda faixa;</p><p>• a: atuação apenas para curto-circuito, fusíveis de capacidade de</p><p>interrupção em faixa parcial.</p><p>A segunda letra denomina a "categoria de utilização", ou seja, que tipo de</p><p>equipamento o fusível irá proteger, que são:</p><p>• L/G: Cabos e Linhas/Proteção de uso geral;</p><p>• M: Equipamentos de manobra;</p><p>• R: Semicondutores;</p><p>• B: Instalações de minas;</p><p>• Tr: Transformadores.</p><p>Os principais fusíveis utilizados no mercado são:</p><p>84</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• gL/gG: fusível para proteção de cabos e uso geral (atuação para</p><p>sobrecarga e curto);</p><p>• aM: fusível para proteção de motores;</p><p>• aR: fusível para proteção de semicondutores.</p><p>Para os acionamentos de motores utilizamos os diodos tipos D e NH. É</p><p>recomendável utilizar fusíveis do tipo D para até 63 A e, acima deste valor, fusíveis</p><p>NH por questões econômicas.</p><p>• Fusível Tipo D – os fusíveis tipo D (Diazed) podem ser de ação rápida</p><p>ou retardada; eles são construídos para valores de no máximo 200 A. A</p><p>capacidade de ruptura é de 70 kA com uma tensão de 500 V (MATSUMI,</p><p>2005).</p><p>A Figura 11 mostra as partes do fusível D.</p><p>FIGURA 11 – FUSÍVEL D E SEUS COMPONENTES</p><p>FONTE: Adaptada de Matsumi (2005)</p><p>A curva característica para o fusível D é mostrada na Figura 12.</p><p>85</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>FIGURA 13 – COMPONENTES DO FUSÍVEL NH</p><p>FONTE: Adaptada de Matsumi (2005)</p><p>FIGURA 12 – CURVA DO FUSÍVEL D</p><p>FONTE: Adaptada de WEG (2019)</p><p>• Fusível Tipo NH - Podem ser de ação rápida ou retardada, sua</p><p>construção permite valores padronizados de corrente que variam de 6</p><p>a 1000 e sua capacidade de ruptura é sempre superior a 70 kA com</p><p>uma tensão máxima de 500 V (MATSUMI, 2005). A Figura 13 mostra os</p><p>componentes do fusível NH.</p><p>Os valores padrões de corrente nominais dos fusíveis são, para o tipo D, 2,</p><p>4, 6, 10, 16, 20, 25, 35, 50 e 63 [A] e, para o tipo NH são 6, 10, 16, 20, 25, 35, 50,</p><p>63, 80, 100, 125, 160, 200, 224, 250, 315, 355, 400, 500, 630, 800, 1000 e 1250</p><p>[A]. A curva característica para o fusível NH é mostrada na Figura 14.</p><p>86</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FIGURA 14 – CURVA DO FUSÍVEL NH</p><p>FONTE: Adaptada de WEG (2019)</p><p>Agora, vamos aprender sobre os disjuntores, certamente, você que trabalha</p><p>na área, já estudou</p><p>sobre eles.</p><p>2.2.2 Disjuntores</p><p>Um disjuntor é um dispositivo eletromecânico que funciona como</p><p>um interruptor automático, destinado a proteger uma determinada instalação</p><p>elétrica contra possíveis danos causados por curtos-circuitos e sobrecargas</p><p>elétricas. A sua função básica é a de detectar picos de corrente que ultrapassem</p><p>o adequado para o circuito, interrompendo-a imediatamente antes que os seus</p><p>efeitos térmicos e mecânicos possam causar danos à instalação elétrica protegida.</p><p>Uma das principais características dos disjuntores é a sua capacidade de</p><p>poder ser rearmados manualmente, depois de interromperem a corrente em</p><p>virtude da ocorrência de uma falha. Diferem assim dos fusíveis, que têm a mesma</p><p>função, mas que ficam inutilizados quando realizam a interrupção. Por outro lado,</p><p>além de dispositivos de proteção, os disjuntores servem também de dispositivos</p><p>de manobra, funcionando como interruptores normais que permitem interromper</p><p>manualmente a passagem de corrente elétrica.</p><p>87</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>FIGURA 15 – DISJUNTORES</p><p>FONTE: COPAFER (2019, s.p.)</p><p>Existem diversos tipos de disjuntores, que podem ser desde pequenos</p><p>dispositivos que protegem a instalação elétrica de uma única habitação até</p><p>grandes dispositivos que protegem os circuitos de alta tensão que alimentam</p><p>uma cidade inteira.</p><p>Anteriormente, o disjuntor era conhecidos como "fusível", existiam os de</p><p>rolha (rosqueados) em chaves de entrada e saída (chave faca) e, posteriormente,</p><p>os de "cartucho" (encaixados) em chaves de entrada e saída (chave faca) e que</p><p>funcionavam da mesma forma. Posteriormente, veio o disjuntor na cor preta e,</p><p>atualmente, o disjuntor conhecido como série DIN, na cor branca. A Figura 15</p><p>mostra um disjuntor bipolar de 20 A.</p><p>Os disjuntores motores são dispositivos que realizam a proteção contra</p><p>curto-circuito e sobrecarga (proteção térmica e magnética). Possuem knob para o</p><p>ajuste da proteção da intensidade de corrente (ajuste da proteção térmica).</p><p>Quando falamos de disjuntores parciais e disjuntor geral em uma instalação</p><p>precisamos entender a importância de dimensionarmos corretamente os</p><p>disjuntores, tanto parciais quanto o geral, e este correto dimensionamento tem a</p><p>função de garantir o que em elétrica chamamos de seletividade.</p><p>Seletividade é a propriedade que uma instalação possui de que em caso de</p><p>falta, somente abrir o dispositivo de proteção contra curto circuito, neste caso, o</p><p>disjuntor que estiver mais próximo do ponto de falta, isso garante que a parte do</p><p>circuito que ficará desligada e inoperante seja a menor possível.</p><p>88</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Para que ocorra a seletividade é necessário que os disjuntores estejam</p><p>corretamente dimensionados. O primeiro passo para dimensionar o disjuntor geral</p><p>do quadro de distribuição de uma instalação é ter as potências instaladas em cada</p><p>circuito e quais os tipos de cargas. Conhecendo os circuitos e as cargas necessita-</p><p>se calcular o fator de demanda da instalação. Em um circuito de tomadas de uso</p><p>geral, por exemplo, que tenha 1100 W de potência total e este circuito tenha dez</p><p>tomadas, entendemos que cada tomada tem 110 W para ser utilizada se todas as</p><p>tomadas forem utilizadas ao mesmo tempo na potência máxima, mas sabemos</p><p>que em uma instalação residencial dificilmente isso vai acontecer.</p><p>Nestes casos utilizamos o fator de demanda adequado para aproximar a</p><p>potência que realmente é utilizada de forma a dimensionar o disjuntor para uma</p><p>corrente mais próxima da média de utilização, garantindo assim uma melhor</p><p>proteção e seletividade. Os fatores de demanda são calculados e disponibilizados</p><p>em tabelas pelas concessionárias em suas normas de distribuição. Deve-se,</p><p>ainda, somar os valores de potência dos circuitos para cada tipo de fator de</p><p>demanda que será aplicado.</p><p>2.2.3 Relés</p><p>Os relés de proteção surgiram no início do século passado. Os primeiros</p><p>relés desenvolvidos foram os de sobrecorrentes, porém, com o aumento da</p><p>complexidade dos sistemas elétricos e com o desenvolvimento da tecnologia,</p><p>novos dispositivos de proteção foram criados para atender às necessidades dos</p><p>engenheiros para proteção (SILVA, 2012).</p><p>Os relés são dispositivos projetados com a característica de proteger os</p><p>equipamentos contra a sobrecarga, ou seja, contra um aumento da intensidade</p><p>da corrente elétrica de forma gradual. O objetivo dos relés é fazer operar o seu</p><p>sistema de manobra e não suspender o funcionamento do circuito principal.</p><p>Porém, quando os relés são ligados a uma instalação, sua função é possibilitar</p><p>o funcionamento de outros aparelhos conectados ao mesmo ou a outro circuito</p><p>elétrico.</p><p>O IEEE (Institute of Electrical and Electronic Engineers) define o relé</p><p>como “um dispositivo elétrico projetado para responder a condições de entrada</p><p>prescritas e que, após a ocorrência de condições específicas, causa operações</p><p>de contato elétrico ou mudança abrupta nos circuitos elétricos associados” (IEEE,</p><p>2020, s.p.).</p><p>89</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Relés de proteção são relés da terceira geração, geralmente</p><p>microprocessados, que efetuam medições de grandezas, como tensão,</p><p>corrente, isolamento, temperatura, frequência, sequência de fase, dentre outras.</p><p>Quando esses valores saem dos parâmetros pré-estabelecidos, ou comuta um</p><p>contato, emite um alerta ou toma automaticamente alguma outra ação. Dentro</p><p>desse escopo podemos ter milhares de relés que se enquadram na categoria</p><p>de relés de proteção, variando em fatores como a grandeza que monitoram a</p><p>aplicação para a qual são desenvolvidos, alimentação, limites de monitoramento</p><p>da grandeza, por exemplo, até que corrente são capazes de monitorar tarefas</p><p>que desempenham a partir dos dados recebidos, como, por exemplo, apenas</p><p>exibir valores, emitir alertas, armazenar ou exibir informações, comutar saídas</p><p>etc., além de outros recursos. Existem três tipos de relés, são eles:</p><p>• relés térmicos;</p><p>• relés temporizadores;</p><p>• relés de proteção.</p><p>Os relés podem ainda ser classificados como abertos, fechados ou selados e</p><p>a sua utilização pode ser definida por meio de suas características.</p><p>Os relés térmicos utilizam um princípio de proteção diferente dos relés</p><p>bimetálicos, para a proteção contra temperaturas elevadas.</p><p>Os relés temporizadores são dispositivos eletrônicos que permitem, em</p><p>função de tempos ajustados, comutar um sinal de saída de acordo com a sua</p><p>função. Muito utilizados em automação de máquinas e processos industriais</p><p>como partidas de motores, quadros de comando, fornos industriais, injetoras,</p><p>entre outros (ELETROPEÇAS, 2020).</p><p>O IEEE define um relé de proteção como “um relé cuja função é detectar</p><p>linhas ou equipamentos defeituosos ou outras condições anormais em sistemas</p><p>de potência, de natureza perigosa e que seja capaz de iniciar uma ação de</p><p>controle apropriada” (IEEE, 2020, s.p.).</p><p>Os relés de proteção são dispositivos eletromecânicos, analógicos ou digitais</p><p>que são conectados ao sistema elétrico de potência para detectar situações</p><p>intoleráveis ou indesejáveis de operação dentro de uma área designada. A Figura</p><p>16 mostra os relés de proteção em uma instalação elétrica.</p><p>90</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FIGURA 16 – RELÉS DE PROTEÇÃO</p><p>FONTE: Lorencini Brasil (2016, s.p.)</p><p>Em sistemas elétricos de potência há vários outros tipos de relés. Os relés</p><p>de monitoração verificam as condições do sistema de potência ou do sistema de</p><p>proteção. Estes relés incluem detectores de falta, unidades de alarmes, verificação</p><p>de sincronismo e detectores de fase. Condições do sistema que não envolvam a</p><p>abertura de disjuntores podem ser monitoradas por estes.</p><p>Os relés de regulação são ativados quando algum parâmetro do sistema</p><p>se desvia de um limite pré-determinado. Estes relés funcionam através</p><p>da produção de</p><p>petroquímicos básicos no país. Houve explosões seguidas de incêndio, debelado</p><p>após 15h de seu início. Os funcionários em regime administrativo foram evacuados,</p><p>tendo sido referido forte ruído, pânico de trabalhadores e das populações de</p><p>Camaçari e Dias D'ávila, além de abandono de casas pelas famílias. A autoridade</p><p>pública, desta vez presente, admitiu a necessidade de elaborar um plano de</p><p>evacuação e de ativar a unidade de Queimados e Toxicologia do Hospital Geral</p><p>de Camaçari.</p><p>Considerados em conjunto, os acidentes industriais que envolvem</p><p>o transporte de cargas químicas com derramamentos e vazamentos, eles</p><p>apresentam tendência crescente entre 1983 e 1993, dinâmica que, embora sofra</p><p>oscilações, traduz-se em resultante nitidamente ascendente, mantendo-se em</p><p>níveis superiores aos do início do período considerado.</p><p>Em vários acidentes ocorre o tombamento de carga perigosa com vazamentos</p><p>que atingem rios, causando a morte de peixes e outras espécies, nos quais se</p><p>constata transporte de carga perigosa sendo realizado em condições irregulares,</p><p>fugindo às normas de segurança e padrões de transporte de carga perigosa (ácido</p><p>sulfúrico, TDI, benzeno etc.). A rigor, esta é uma questão de gestão industrial, de</p><p>gestão da segurança industrial das empresas e de organização do trabalho.</p><p>São também frequentes os acidentes envolvendo o vazamento e o</p><p>derramamento de derivados de petróleo na Baía de Todos os Santos e no Litoral</p><p>Norte/Atlântico da RMS, com a formação de extensas manchas litorâneas,</p><p>atingindo ecossistemas frágeis e de importância, como os mangues.</p><p>Assim, deve-se questionar a terceirização como forma de gestão, em função</p><p>da recorrência de certo número de empresas contratantes e terceiras envolvidas</p><p>nos acidentes. Inúmeros casos permitem constatar precárias condições de</p><p>segurança do transporte realizado pelas terceiras.</p><p>11</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>No Brasil, a Legislação de Segurança do Trabalho compõe-se</p><p>de Normas Regulamentadoras, leis complementares, como portarias</p><p>e decretos e também as convenções Internacionais da Organização</p><p>Internacional do Trabalho (OIT), ratificadas pelo Brasil. Há, também,</p><p>o estudo de dados estatísticos sobre os acidentes e doenças visando</p><p>à adoção de medidas preventivas em cada área.</p><p>2 RISCOS NA INDÚSTRIA</p><p>ELÉTRICA, NA CONSTRUÇÃO</p><p>CIVIL, NA INDÚSTRIA METAL</p><p>MECÂNICA E NO MEIO AGRÍCOLA</p><p>Atualmente, muitas manchetes trazem o problema de mortes associadas</p><p>a graves acidentes de trabalhos, tais como o rompimento da barragem em</p><p>Brumadinho, a tragédia em Mariana, entre outras (EL PAÍS, 2019). Até mesmo</p><p>o antigo acidente em Chernobyl, que ocorreu em 26 de abril de 1986, quando o</p><p>reator 4 da usina nuclear de Chernobyl explodiu e lançou material radioativo na</p><p>atmosfera (BRASIL ESCOLA, 2019).</p><p>O acidente com césio-137 que ocorreu em Goiânia, no Brasil, em 1987</p><p>mostra o descaso de médicos e físicos com o descarte inapropriado de uma</p><p>célula contendo césio-137 em seu interior. Os catadores de lixo encontraram essa</p><p>peça de raios-x e a venderam para um dono de ferro-velho. Algumas das pessoas</p><p>expostas morreram por inalar, comer ou até mesmo esfregar o pó radioativo em</p><p>partes do corpo. O césio-137, ainda, foi levado por duas pessoas, dentro de</p><p>um ônibus, em Goiânia, até uma sede da Vigilância Sanitária, expondo demais</p><p>pessoas à contaminação da radiação (BRASIL ESCOLA, 2019).</p><p>Esses acidentes são fatos concisos de que as empresas falham e matam,</p><p>os seus colaboradores cometem erros grotescos e toda a população sofre as</p><p>consequências. Conclui-se, portanto, que não há desenvolvimento sem proteção</p><p>ambiental e que não há segurança sem prevenção de acidentes.</p><p>O Diálogo Diário de Segurança – DDS – é uma ferramenta muito importante</p><p>por ser uma medida preventiva utilizada no ambiente de trabalho, sendo cada</p><p>12</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>vez mais utilizada por técnicos de segurança. Principalmente, quando o trabalho</p><p>oferece riscos à integridade física dos trabalhadores, tais como em obras da</p><p>construção civil ou em brigadas de incêndio.</p><p>Diante desse contexto, podemos conceituar risco (hazard) como sendo:</p><p>[...] uma ou mais condições de uma variável com potencial</p><p>necessário para causar danos. Esses danos podem ser</p><p>entendidos como lesões a pessoas, danos a equipamentos</p><p>ou estruturas, perda de material em processo, ou redução da</p><p>capacidade de desempenho de uma função pré-determinada.</p><p>Havendo um risco, persistem as possibilidades de efeitos</p><p>adversos (SOUZA, 2015, s.p.).</p><p>Roxo (2003) considera que o risco enquanto estímulo externo apresenta</p><p>uma dimensão objetiva – risco objetivo – que procura conhecer os seus contornos</p><p>para o eliminar ou controlar, e uma dimensão subjetiva – risco subjetivo – que</p><p>caracteriza os mecanismos comportamentais da resposta dada pelas pessoas</p><p>perante esse risco. A variável de natureza individual que resulta na percepção do</p><p>risco de forma individual depende de valores, culturas e características pessoais</p><p>e influências grupais. Em nível individual, cada um se protegerá de acordo com</p><p>a forma como consegue avaliar as diferentes situações em que se encontra</p><p>envolvido (ROXO, 2003, p. 28).</p><p>O risco (risk) expressa uma probabilidade de possíveis danos dentro de</p><p>um período específico de tempo ou número de ciclos operacionais. O valor</p><p>quantitativo do risco de uma dada instalação ou processo industrial pode ser</p><p>conseguido multiplicando-se a probabilidade de ocorrência (taxa de falha) de um</p><p>acidente pela medida da consequência/dano (perda material ou humana) causada</p><p>por este acidente (SOUZA, 2015).</p><p>Lima (2004 apud SOARES, 2005) considera que o risco tem outras</p><p>dimensões, sociais e subjetivas. Assim, além da dimensão objetiva, que caracteriza</p><p>de forma técnica e quantitativa o risco e da dimensão subjetiva relacionada com</p><p>a percepção individual do risco, já referido anteriormente, é proposto também por</p><p>Soares et al. (2005), a dimensão social relativa à caracterização não quantitativa</p><p>dependente de valores e culturas.</p><p>Os riscos profissionais estão na origem dos acidentes de trabalho</p><p>(acontecimentos que violentam a integridade física) e/ou das doenças</p><p>profissionais, que são situações agressivas para o estado de saúde dos</p><p>trabalhadores.</p><p>13</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>Sell (1995, p. 67) conceitua acidente como “[...] uma colisão repentina e</p><p>involuntária entre pessoa e objeto, que ocasiona danos corporais e/ou materiais".</p><p>Um acidente pode, também, ser compreendido como uma perturbação no sistema</p><p>de trabalho, que prejudica ou impede o alcance dos objetivos desse sistema</p><p>Segundo Soto (1978, p. 34), um acidente de trabalho é “[...] uma ocorrência</p><p>inesperada, que interrompe ou interfere no processo normal de um a atividade,</p><p>ocasionando perda de tempo, lesões nos trabalhadores ou danos materiais”.</p><p>A segurança do trabalho trata da prevenção de acidentes do trabalho</p><p>decorrentes dos fatores de riscos ocupacionais, ou seja, das questões</p><p>relacionadas a acidentes de trabalho mais típicos, como quedas de altura, choque</p><p>elétrico, atropelamento, dentre outros.</p><p>Dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho 2017 (AEAT 2017),</p><p>elaborado pela Coordenação Geral de Estatística, Demografia e Atuária do MTPS,</p><p>mostram que, em 2017, foram registrados 549.405 acidentes de trabalho em todo</p><p>o Brasil. Embora esse número represente uma queda de 6,19% em relação a</p><p>2016, e o país apresente tendência de redução dos acidentes nos próximos anos,</p><p>os números sobre acidente de trabalho no Brasil são preocupantes.</p><p>Alguns acidentes de Segurança de Processo ficaram conhecidos na história</p><p>mundial, conforme mostra o quadro a seguir, pois causaram a morte de milhares</p><p>de pessoas e impactos de grandes dimensões ao meio ambiente (BETAEQ,</p><p>2015).</p><p>ANO PAÍS TIPO</p><p>de</p><p>equipamentos suplementares que efetivamente restauram as grandezas para</p><p>dentro dos limites determinados.</p><p>Os relés auxiliares operam abrindo ou fechando seus contatos em resposta</p><p>à operação de outro relé ou equipamento. Estes relés incluem temporizadores,</p><p>multiplicadores de contato etc.</p><p>Os relés de sincronização verificam as condições existentes para conectar</p><p>dois circuitos de potência.</p><p>Por fim, os relés de proteção digitais são gerenciados por microprocessadores</p><p>desenvolvidos especificamente para este fim. Nestes relés, os sinais de entrada</p><p>das grandezas elétricas e os parâmetros de ajustes são controlados por um</p><p>software que processa a lógica de proteção através de um algoritmo. O relé digital</p><p>funciona internamente associando várias lógicas de blocos (SILVA, 2012).</p><p>Para o correto funcionamento dos relés e demais componentes industriais</p><p>são utilizadas redes de comunicação e protocolos específicos para cada conjunto</p><p>de componentes, de modo que os circuitos elétricos não interfiram nem sofram</p><p>interferências de outras instalações elétricas. Vamos aprender sobre essas redes</p><p>industriais e seus canais de comunicação?</p><p>91</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>2.2.4 Canais de comunicação</p><p>Os canais de comunicação são compostos pelo meio físico de comunicação</p><p>e pelos equipamentos capazes de proporcionar a troca de informações entre</p><p>os relés de proteção, de modo a melhorar o desempenho global do sistema de</p><p>proteção como um todo.</p><p>Behrendt e Schweitzer (1996, p. 3) afirma que:</p><p>Efetivamente, todas as técnicas de esquemas de comunicação</p><p>lógica em serviço hoje foram desenvolvidas durante as eras</p><p>dos reles eletromecânicos e estáticos, algumas há mais de 40</p><p>anos. Os reles de proteção e os equipamentos de comunicação</p><p>são dispositivos separados e discretos que servem cada um a</p><p>objetivos únicos. Os dispositivos de proteção e de comunicação</p><p>são tipicamente interfaceados com contatos eletromecânicos,</p><p>apesar de que alguns sistemas de reles estáticos podem usar</p><p>chaves transistorizadas para interfacear eletronicamente os</p><p>dispositivos.</p><p>Com isso, podemos concluir que as indústrias, nos seus pátios fabris, utilizam</p><p>uma rede de comunicação automatizada entre os componentes e os pontos de</p><p>acesso, sejam computadores industriais de acesso remoto ou não, IHM’s, CNC’s</p><p>etc. Com a evolução da automação, as redes de comunicação industriais estão</p><p>evoluindo, porém são utilizadas desde antigamente.</p><p>Além dos canais de comunicação existem os dispositivos de controle, vamos</p><p>estudá-los?</p><p>2.3 DISPOSITIVOS DE CONTROLE</p><p>Os dispositivos de controle são ferramentas de medição de alta precisão</p><p>empregada nos serviços de inspeção de equipamentos e projetos. Trata-se</p><p>de um instrumento fundamental em ambientes de produção seriada, uma vez</p><p>que realiza o controle de qualidade do produto com agilidade. Além de serem</p><p>responsáveis pela medição em um setor produtivo, o produto é utilizado para o</p><p>controle de protótipos, ou seja, para validar os itens que serão fabricados em</p><p>série (RENNOVA FERRAMENTARIA, 2019).</p><p>92</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Os dispositivos de controle atuam como ferramentas de inspeção de</p><p>qualidade em processos de fabricação e retrabalho. Eles medem ou identificam a</p><p>corrente elétrica ou a diferença de potencial entre dois pontos. São exemplos de</p><p>dispositivos de controle: amperímetros, galvanômetros, voltímetros, ohmímetros,</p><p>multímetros etc.</p><p>Vamos iniciar o conhecimento de cada um desses equipamentos?</p><p>2.3.1 Amperímetro</p><p>O amperímetro mede a intensidade da corrente elétrica. É dispositivo</p><p>especial, graduado em ampères [A] e destinado a medir a intensidade de uma</p><p>corrente elétrica e deve sempre ser ligado em série no circuito o qual se quer medir</p><p>a corrente. É, também, chamado de amperômetro. O símbolo que representa o</p><p>amperímetro é um círculo simples que pode ou não vir acompanhado de uma</p><p>seta e a letra A em seu centro, conforme mostra a Figura 17.</p><p>FIGURA 17 – SÍMBOLO DO AMPERÍMETRO</p><p>FONTE: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/</p><p>amperimetro.htm>. Acesso em: 29 ago. 2021.</p><p>Quando o eletricista vai realizar a função de medição de corrente via alicate,</p><p>ele usa somente suas pinças. Quando um cabo elétrico está energizado, passa</p><p>por ele um fluxo de corrente elétrica e esse fluxo gera um campo magnético.</p><p>Quando um cabo energizado está entre as pinças do alicate amperímetro, o</p><p>campo magnético do cabo entra em contato com uma bobina que está nas pinças</p><p>e induz uma tensão elétrica. Essa tensão que é induzida pelo campo magnético</p><p>acaba gerando uma corrente elétrica no interior do dispositivo e essa corrente</p><p>é lida pelo aparelho, que calcula a corrente elétrica e a mostra no painel digital</p><p>do alicate amperímetro (MUNDO DA ELÉTRICA, 2019). A Figura 18 mostra um</p><p>alicate amperímetro.</p><p>93</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>FIGURA 19 – SÍMBOLO DO VOLTÍMETRO</p><p>FIGURA 18 – ALICATE AMPERÍMETRO</p><p>FONTE: Kuadro (2019, s.p.)</p><p>FONTE: <https://www.anhangueraferramentas.com.br/produto/alicate-amperimetro-</p><p>digital-categoria-iii-600v-et-3166a-94785>. Acesso em: 29 ago. 2021.</p><p>Os amperímetros podem ser digitais ou analógicos. Internamente, os</p><p>amperímetros são muito parecidos, pois são construídos a partir de um dispositivo</p><p>denominado galvanômetro. Estudaremos sobre ele adiante.</p><p>2.3.2 Voltímetro</p><p>O voltímetro mede a diferença de potencial (d.d.p.) entre dois pontos. Ele</p><p>deve sempre ser ligado em paralelo no circuito em que se quer medir a diferença</p><p>de potencial.</p><p>É também chamado de voltómetro ou voltômetro. A Figura 19 mostra o</p><p>símbolo de um voltímetro.</p><p>94</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>A resistência interna de um voltímetro deve ser muito alta (tendendo ao</p><p>infinito), pois desse modo praticamente não haverá alteração no valor de tensão</p><p>medida por tal aparelho. Há voltímetros analógicos e digitais no mercado.</p><p>Entretanto, na prática, sempre acabamos utilizando com maior frequência o</p><p>multímetro, por ser mais prático. A Figura 20 mostra um voltímetro analógico.</p><p>FIGURA 20 – VOLTÍMETRO ANALÓGICO</p><p>FONTE: Viewtech (2019b)</p><p>Ao utilizar o voltímetro nas medições deve-se evitar estar em contato</p><p>direto com o solo ou encostar em estruturas não aterradas. Tenha atenção ao</p><p>utilizar o aparelho, pois a eletricidade exige cuidados e sempre deve-se utilizar</p><p>equipamentos de proteção individual específicos.</p><p>2.3.3 Galvanômetro</p><p>O galvanômetro é um instrumento que identifica a passagem de corrente</p><p>elétrica de baixa intensidade ou a existência de d.d.p. A Figura 21 mostra o</p><p>símbolo de um galvanômetro.</p><p>FIGURA 21 – SÍMBOLO DO GALVANÔMETRO</p><p>FONTE: <https://www.studyblue.com/notes/note/n/chapter-6-schematic-</p><p>symbols/deck/6393165>. Acesso em: 29 ago. 2021.</p><p>95</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>FIGURA 23 – GALVANÔMETRO</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3Dv45Ul>. Acesso em: 29 ago. 2021.</p><p>O galvanômetro, quando usado para medir corrente elétrica em um circuito</p><p>elétrico, deve ter o fio do eletroímã conectado em série. Já para medir tensão</p><p>elétrica em um circuito, o galvanômetro deve ser conectado em paralelo. A Figura</p><p>22 mostra um símbolo alternativo para o galvanômetro.</p><p>FIGURA 22 – OUTRO SÍMBOLO DE GALVANÔMETRO</p><p>FONTE: <https://pt.depositphotos.com/vector-images/</p><p>galvan%C3%B4metro.html>. Acesso em: 29 ago. 2021.</p><p>O funcionamento do galvanômetro é bem descrito por Silva (2021, s.p.):</p><p>Um medidor eletromagnético (galvanômetro) funciona com base</p><p>no efeito de rotação que os campos magnéticos provocam nas</p><p>espiras, conduzindo corrente elétrica. Quando uma corrente</p><p>elétrica percorre um eletroímã, surge à sua volta um campo</p><p>magnético que interage com o campo magnético criado pelo</p><p>ímã na região. A força magnética que surge dessa interação,</p><p>entre o campo magnético do ímã e o campo magnético do</p><p>eletroímã, move o eletroímã que está fixo a um eixo móvel,</p><p>que por fim desloca consigo o ponteiro. A força magnética é</p><p>proporcional à corrente elétrica, podemos dizer que quanto</p><p>maior for a corrente elétrica mais o ponteiro girará. Quando</p><p>gira o eletroímã, comprime uma mola de formato espiral, assim</p><p>o ponteiro estabiliza-se quando as forças magnética e elástica</p><p>se equilibram. O galvanômetro é um aparelho de medida</p><p>eletromagnética bastante sensível.</p><p>A Figura 23 mostra um galvanômetro comercial.</p><p>96</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>O próximo equipamento a ser apresentado é o multímetro.</p><p>2.3.4 Multímetro</p><p>Um multímetro comum pode funcionar como voltímetro, como amperímetro</p><p>ou como ohmímetro (medidor de resistência). Já alguns multímetros mais</p><p>completos podem ter essas três funções básicas e ainda medir capacitância e</p><p>verificar os terminais de um transistor. A Figura 24 mostra um multímetro.</p><p>FIGURA 24 – MULTÍMETRO</p><p>FONTE: <https://www.foxlux.com.br/produto/multimetro-digital/>. Acesso em: 29 ago. 2021.</p><p>O multímetro é um equipamento muito versátil na área elétrica e industrial,</p><p>pois é capaz de medir:</p><p>• Corrente elétrica (contínua e alternada) – função amperímetro.</p><p>• Tensão elétrica (contínua e alternada) – função voltímetro.</p><p>• Resistência elétrica – função ohmímetro.</p><p>• Capacitância.</p><p>• Frequência de sinais alternados.</p><p>• Temperatura etc. (MUNDO EDUCAÇÃO, 2019b).</p><p>Existem dois tipos de multímetros, os analógicos e os digitais. Os multímetros</p><p>analógicos são baseados nos galvanômetros, cuja verificação da leitura acontece</p><p>por meio de força eletromagnética em seu ponteiro. Já os multímetros digitais são</p><p>fabricados com amplificadores operacionais.</p><p>97</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Deve-se tomar cuidado para não queimar o multímetro. Não se deve medir</p><p>tensões com o multímetro ajustado para a escala de correntes ou de resistências.</p><p>A tensão pode ser suficiente para causar danos ao instrumento. Não se deve</p><p>mudar a escala com as pontas de prova do multímetro no circuito. Desligue-as</p><p>sempre antes de escolher uma nova escala. Isso evitará danificar o equipamento.</p><p>FIGURA – CURIOSIDADE</p><p>FONTE: Braga (2020, s.p).</p><p>3 EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS</p><p>Os avanços tecnológicos na geração, na transmissão e no uso final de</p><p>energia elétrica permitem que ela chegue aos mais diversos lugares do planeta,</p><p>transformando regiões desocupadas ou pouco desenvolvidas em polos industriais</p><p>e grandes centros urbanos. No Brasil, a situação é menos crítica, mas ainda</p><p>muito preocupante. Apesar da grande extensão territorial do país e da abundância</p><p>de recursos energéticos, há uma grande diversidade regional e uma forte</p><p>concentração de pessoas e atividades econômicas em regiões com problemas</p><p>de suprimento energético. “Como revelado no último censo demográfico, mais de</p><p>80% da população brasileira vive na zona urbana” (FIGUEIREDO, 2009, p. 10).</p><p>As instalações elétricas são representadas, graficamente, por meio do projeto</p><p>elétrico. Um sistema elétrico compreende a entrada de energia da rua e sua</p><p>medição mediante o relógio; os quadros de distribuição de energia, constituídos</p><p>por disjuntores ou fusíveis para distribuição dos circuitos da sua escola; os fios,</p><p>que passam dentro dos eletrodutos, estão ligados aos pontos de utilização, como</p><p>os interruptores, as tomadas e os pontos de iluminação (FIGUEIREDO, 2009).</p><p>98</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>O projeto elétrico é representado por símbolos gráficos. Eles são utilizados</p><p>para facilitar sua execução e a identificação dos pontos de consumo. A simbologia</p><p>usual, consagrada nos projetos elétricos é mostrada no Quadro 2.</p><p>QUADRO 2 – SIMBOLOGIA DOS EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS</p><p>FONTE: Franchi (2008, p. 56)</p><p>Contudo, essa simbologia pode variar de um profissional para outro. Consulte</p><p>sempre a legenda para identificar o que foi usado no projeto.</p><p>Uma planta industrial grande, como uma grande refinaria de petróleo ou</p><p>uma grande usina siderúrgica, por exemplo, tem uma carga elétrica total que</p><p>pode chegar a 100 MVA. Uma carga dessa magnitude geralmente é atendida</p><p>por geradores próprios e também através da concessionária de energia elétrica</p><p>local, geralmente em tensões de 138 ou 230 kV ou superiores. É usual que os</p><p>geradores, quando existentes, sejam de potências nominais de algumas dezenas</p><p>de MVA, como, por exemplo, de 10 a 40 MVA.</p><p>Os geradores têm tensão nominal de 13,8 kV (a mais comum), podendo</p><p>chegar a 18 kV. Na maioria dos casos são máquinas acionadas por turbinas a</p><p>vapor ou turbinas a gás.</p><p>99</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>• Assistir ao vídeo sobre: Seminário “Revolução 4.0 e impactos</p><p>no mundo do trabalho: um debate inicial”, no link: https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=_ZQ1q--kaIk.</p><p>• Assistir ao vídeo: Segurança em Instalações Industriais, no link:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=-BPTlu8lGe8&t=2s.</p><p>• Assistir ao vídeo: Dispositivos Alternativos de Proteção</p><p>de Máquinas, no link: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=HzkWg4vfSbA&t=2s.</p><p>1) Disserte sobre os riscos de acidentes em eletricidade.</p><p>2) O que são equipamentos elétricos? Cite exemplos.</p><p>3) Sobre o que trata e qual a importância da NR-10? Explique.</p><p>4 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO</p><p>INDIVIDUAL – EPI’S</p><p>O Equipamento de Proteção Individual – EPI – é todo dispositivo ou produto</p><p>de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção contra riscos</p><p>capazes de ameaçar a sua segurança e a sua saúde.</p><p>O uso deste tipo de equipamento só deverá ser feito quando não for possível</p><p>tomar medidas que permitam eliminar os riscos do ambiente em que se desenvolve</p><p>a atividade, ou seja, quando as medidas de proteção coletiva não forem viáveis,</p><p>eficientes e suficientes para a atenuação dos riscos e não oferecerem completa</p><p>proteção contra os riscos de acidentes do trabalho e/ou de doenças profissionais</p><p>e do trabalho. A Figura 25 mostra alguns equipamentos de proteção utilizados</p><p>para segurança do trabalhador.</p><p>100</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FIGURA 25 – DIVERSOS TIPOS DE EPI</p><p>FONTE: <http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/epi.htm>. Acesso em: 29 ago. 2021.</p><p>Os equipamentos de proteção coletiva – EPC – são dispositivos utilizados</p><p>no ambiente de trabalho com o objetivo de proteger os trabalhadores dos riscos</p><p>inerentes aos processos, tais como o enclausuramento acústico de fontes</p><p>de ruído, a ventilação dos locais de trabalho, a proteção de partes móveis de</p><p>máquinas e equipamentos, a sinalização de segurança, dentre outros.</p><p>Como o EPC não depende da vontade do trabalhador para atender as suas</p><p>finalidades, este tem maior preferência pela utilização do EPI, já que colabora</p><p>no processo minimizando os efeitos negativos de um ambiente de trabalho</p><p>que apresenta diversos riscos ao trabalhador. Portanto, o EPI será obrigatório</p><p>somente se o EPC não atenuar os riscos completamente ou se oferecer proteção</p><p>parcialmente.</p><p>Conforme dispõe a Norma Regulamentadora 6, a empresa é obrigada a</p><p>fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito</p><p>estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:</p><p>(a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção</p><p>contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e</p><p>do trabalho;</p><p>(b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e</p><p>(c) para atender a situações de emergência.</p><p>Compete ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em</p><p>Medicina do Trabalho – SESMT –, ou a Comissão Interna de Prevenção de</p><p>Acidentes – CIPA – nas empresas desobrigadas de manter o SESMT, recomendar</p><p>ao empregador o EPI adequado ao risco existente em determinada atividade.</p><p>Os tipos de EPI utilizados podem variar dependendo do tipo de</p><p>atividade ou</p><p>de riscos que poderão ameaçar a segurança e a saúde do trabalhador e da parte</p><p>do corpo que se pretende proteger, tais como:</p><p>101</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>• Proteção auditiva: abafadores de ruídos ou protetores auriculares.</p><p>• Proteção respiratória: máscaras e filtro.</p><p>• Proteção visual e facial: óculos e viseiras.</p><p>• Proteção da cabeça: capacetes.</p><p>• Proteção de mãos e braços: luvas e mangotes.</p><p>• Proteção de pernas e pés: sapatos, botas e botinas.</p><p>• Proteção contra quedas: cintos de segurança e cinturões.</p><p>Os Equipamentos de Proteção Individual, além de essenciais à proteção</p><p>do trabalhador, visando à manutenção de sua saúde física e proteção contra</p><p>os riscos de acidentes do trabalho e/ou de doenças profissionais e do trabalho,</p><p>podem também proporcionar a redução de custos ao empregador.</p><p>É o caso de empresas que desenvolvem atividades insalubres e que o nível</p><p>de ruído, por exemplo, está acima dos limites de tolerância previstos na NR-15.</p><p>Neste caso, a empresa deveria pagar o adicional de insalubridade de acordo com</p><p>o grau de enquadramento de 20%.</p><p>O descumprimento da NR-6 colocaria a vida e a integridade física do</p><p>colaborador em risco, sem contar nos processos judiciais que a empresa estaria</p><p>propensa a pagar.</p><p>4.1 ESPAÇO FÍSICO: LAYOUT, ORDEM</p><p>E LIMPEZA</p><p>O arranjo físico ou layout é definido como a ciência que procura reconhecer,</p><p>avaliar e controlar os recursos de uma instalação, visando à melhor combinação</p><p>desses recursos e equipamentos (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006). É a maneira</p><p>de se obter o relacionamento mais eficiente e econômico entre os trabalhadores,</p><p>as máquinas e o mobiliário dentro de um volume disponível. É um processo que</p><p>visa à construção de um ambiente de trabalho mais produtivo, confortável e</p><p>seguro, de modo a garantir um melhor desempenho dos colaboradores (TUIUTI,</p><p>2020). O desafio dos profissionais de Segurança no Trabalho é escolher o local</p><p>mais econômico e com menor número de condições inseguras das várias áreas</p><p>da empresa. Consiste na melhor utilização do espaço disponível que resulta</p><p>em um processo mais efetivo, pela menor distância, em menor tempo e nas</p><p>condições mais seguras possíveis. As vantagens de organizar o arranjo físico</p><p>para a segurança no trabalho são:</p><p>102</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Maior conforto para os colaboradores.</p><p>• Ambientes mais iluminados, ventilados e confortáveis.</p><p>• Melhor acessibilidade.</p><p>• Maior e melhor aproveitamento de espaço.</p><p>• Flexibilidade de longo prazo nas alterações das medidas adotadas.</p><p>• Áreas bem sinalizadas.</p><p>• Melhor fluxo de informações e materiais.</p><p>• Fluxo de comunicação organizacional mais claro e prático para os</p><p>colaboradores (TUIUTI, 2020).</p><p>A razão de dizer que o arranjo físico tem um caráter dinâmico está em</p><p>sua constante mudança, que se deve a vários motivos, que são: variação na</p><p>quantidade de matéria-prima, variação na quantidade de mão de obra, variação</p><p>na quantidade de equipamentos, mudança de matéria-prima e melhoria das</p><p>condições ambientais. Essas variações podem ocorrer devido à conquista de</p><p>novos mercados, pelo aumento da demanda, ou pela mudança nos processos e</p><p>produtos.</p><p>Em várias ocasiões, os engenheiros de segurança e medicina do trabalho</p><p>ou mesmo ou técnicos de segurança, sugerem um estudo do layout da empresa</p><p>pelos seguintes motivos:</p><p>• Obsolescência das instalações: novos produtos a serem fabricados;</p><p>aquisição de máquinas, que exige ampliação de algumas áreas; avanço</p><p>da tecnologia, implicando novos processos de fabricação. Necessidade</p><p>de maior espaço para estocagem, instalação de novas seções etc.</p><p>• Redução dos custos de produção: transporte, inspeção e automação.</p><p>• Ambiente de trabalho inadequado: ruído, temperaturas anormais,</p><p>pouca ventilação, má iluminação.</p><p>• Variação na demanda: exige aumento ou decréscimo na produção.</p><p>• Excesso de estoques: é indício de que o fluxo do produto não está</p><p>bom.</p><p>• Manuseios excessivos: provocam estragos nos meios de produção, no</p><p>produto, atrasam a produção e aumentam a chance de acidentes.</p><p>• Instalação de nova fábrica: um layout bem planejado evita dissabores</p><p>futuros. O arranjo físico deve ser feito tendo em vista a finalidade da</p><p>fábrica, a quantidade a produzir, o tipo de trabalho, o espaço disponível</p><p>etc.</p><p>Acidentes de trabalho podem ser evitados com um melhor arranjo físico, com</p><p>isso, o número de condições inseguras cai.</p><p>103</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>O planejamento do arranjo físico é descrito na Norma Regulamentadora</p><p>de número 12 (NR-12), que determina as medidas de proteção mínimas para</p><p>preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores que lidam com</p><p>máquinas e equipamentos (TUIUTI, 2020).</p><p>Os princípios de segurança são válidos em qualquer situação, pois sua</p><p>obediência implica certeza de eliminar as condições inseguras no trabalho.</p><p>Na literatura, há quatro tipos de arranjos físicos, que são:</p><p>• Posicional: esse tipo de arranjo pode ser encontrado na construção</p><p>civil, naval e caracteriza-se por:</p><p>o Produto fabricado de grandes dimensões.</p><p>o Poucas unidades fabricadas.</p><p>o Produto fica fixo e os recursos produtivos dirigem-se a ele.</p><p>o Equipamentos de alta flexibilidade.</p><p>• Funcional: esse é o tipo mais comum de arranjo utilizado nas empresas</p><p>industriais, marcenarias, confecções e em outras empresas que possuem</p><p>sistemas de produção intermitente. Suas características são:</p><p>o Máquinas e equipamentos ficam fixos e o produto movimenta-se.</p><p>o Produtos rotineiros são muito variados.</p><p>o Máquinas e equipamentos são agrupados por função (soldagem,</p><p>montagem e usinagem).</p><p>o Equipamentos de média flexibilidade.</p><p>o Programação e controle da produção complexos.</p><p>o Problemas de qualidade detectados após a produção de um lote</p><p>inteiro.</p><p>o Formação de filas de lotes nas máquinas.</p><p>• Linear: esse tipo de arranjo é pouco utilizado, pois exige grandes</p><p>investimentos em máquinas e equipamentos. É encontrado em</p><p>montadoras de automóveis e em petroquímicas. Suas características</p><p>são:</p><p>o Produtos fabricados em grandes quantidades.</p><p>o Produtos semelhantes entre si.</p><p>o Equipamentos dedicados.</p><p>o Utilizado em sistemas de produção contínuos.</p><p>o Programação e controle da produção mais simplificados.</p><p>o Exige balanceamento da linha de produção.</p><p>o Equipamentos dispostos de acordo com a sequência de operações.</p><p>• Celular: o objetivo desse arranjo é montar minifábricas dentro da fábrica</p><p>para diferentes tipos de produtos que possuem semelhanças geométrica,</p><p>de processo etc. As características são:</p><p>104</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>o Lotes de tamanho médio.</p><p>o Produtos e roteiros variados.</p><p>o Ajusta-se ao just in time.</p><p>o Utilização de operários polivalentes (que realizam várias funções).</p><p>o Agrupamento na forma de U, das máquinas e equipamentos</p><p>necessários para a produção dos produtos.</p><p>Esse tipo de arranjo necessita das mesmas máquinas na mesma</p><p>sequência de processamento (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006).</p><p>4.2 CORES E SINALIZAÇÃO DE</p><p>SEGURANÇA</p><p>A NR-26 é a norma regulamentadora que remete ao uso de cores para</p><p>segurança, disposto nas demais normas técnicas oficiais. Essas outras</p><p>normas estabelecem as cores a serem utilizadas na prevenção de acidentes,</p><p>para identificar e advertir contra riscos, em conjunto com a NR-26, que trata</p><p>da Sinalização de Segurança. Com isso, devem ser adotadas as cores para</p><p>segurança em estabelecimentos ou locais de trabalho, a fim de indicar e advertir</p><p>acerca dos riscos existentes.</p><p>Sugerimos a leitura de: https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/</p><p>seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-26.pdf</p><p>A NR-26 tem como objetivo:</p><p>• Prevenir acidentes.</p><p>• Identificar os equipamentos de segurança.</p><p>• Delimitar áreas, para fins de identificação das canalizações empregadas</p><p>nas indústrias para a condução de líquidos e gases</p><p>e advertências contra</p><p>riscos.</p><p>• Deverão ser adotadas cores para segurança em estabelecimentos ou</p><p>locais de trabalho, a fim de indicar e advertir acerca dos riscos existentes,</p><p>o que não dispensa a utilização de outras formas de prevenção de</p><p>acidentes.</p><p>105</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Por estas e entre outras tantas razões a questão da sinalização como</p><p>ferramenta para a prevenção é de suma importância para o sucesso de qualquer</p><p>programa de segurança que tenha como objetivo alcançar melhores resultados.</p><p>A utilização de cores não dispensa o emprego de outras formas de prevenção</p><p>de acidentes. O uso de cores deve ser o mais reduzido possível, a fim de não</p><p>ocasionar distração, confusão e fadiga ao trabalhador.</p><p>Ela não se aplica aos resíduos de serviço de saúde. A indicação dos riscos</p><p>por meio de cores não dispensa a utilização em outras formas de prevenção de</p><p>acidentes. As cores aplicadas nessa norma são as seguintes: vermelha; laranja;</p><p>amarela; verde; azul; violeta e branca. A Figura 26 mostra uma legenda das cores</p><p>bem como sua correta destinação.</p><p>FIGURA 26 – LEGENDA DAS CORES DE SEGURANÇA E SUAS APLICAÇÕES</p><p>FONTE: <https://patisegnoticias.com.br/2018/07/25/as-cores-na-</p><p>prevencao-de-acidentes/>. Acesso em: 29 ago. 2021.</p><p>106</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Dentre as diversas cores previstas pela NR-26, citamos as de maior</p><p>incidência.</p><p>• VERMELHO</p><p>O vermelho deverá ser usado para distinguir e indicar equipamentos e</p><p>aparelhos de proteção e combate a incêndio. Não deverá ser usado na indústria</p><p>para assinalar perigo, por ser de pouca visibilidade em comparação com</p><p>o amarelo (de alta visibilidade) e o alaranjado (que significa Alerta). É empregado</p><p>para identificar:</p><p>• Caixa de alarme de incêndio.</p><p>• Hidrantes.</p><p>• Bombas de incêndio.</p><p>• Sirenes de alarme de incêndio.</p><p>• Caixas com cobertores para abafar chamas.</p><p>• Extintores e sua localização.</p><p>• Indicações de extintores (visível a distância, dentro da área de uso do</p><p>extintor).</p><p>• Localização de mangueiras de incêndio (a cor deve ser usada no carretel,</p><p>suporte, moldura da caixa ou nicho).</p><p>• Baldes de areia ou água, para extinção de incêndio.</p><p>• Tubulações, válvulas e hastes do sistema de aspersão de água.</p><p>• Transporte com equipamentos de combate a incêndio.</p><p>• Portas de saídas de emergência.</p><p>• Rede de água para incêndio (sprinklers).</p><p>• Mangueira de acetileno (solda oxiacetilênica).</p><p>A cor vermelha será usada, excepcionalmente, com sentido de advertência</p><p>de perigo, quando se tratar de:</p><p>• Luzes a serem colocadas em barricadas, tapumes de construções e</p><p>quaisquer outras obstruções temporárias.</p><p>• Botões interruptores de circuitos elétricos para paradas de emergência.</p><p>• AMARELO</p><p>O amarelo deverá ser empregado para indicar "Cuidado!", assinalando:</p><p>• Partes baixas de escadas móveis.</p><p>• Corrimões, parapeitos, pisos e partes inferiores de escadas que</p><p>apresentem riscos.</p><p>• Espelhos de degraus de escadas.</p><p>107</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>• Bordos desguarnecidos de aberturas no solo e de plataformas que não</p><p>possam ter corrimões.</p><p>• Bordas horizontais de portas de elevadores que se fecham verticalmente.</p><p>• Faixas no piso de entrada de elevadores e plataformas de carregamento.</p><p>• Meio-fio.</p><p>• Corredores sem saída.</p><p>• Vigas colocadas à baixa altura.</p><p>• Cabines, caçambas e gatos-de-pontes-rolantes, guindastes,</p><p>escavadeiras etc.</p><p>• Empilhadeiras, tratores, vagonetes, reboques etc.</p><p>• Fundos de letreiros e avisos de advertência.</p><p>• Bandeiras como sinal de advertência (combinado ao preto).</p><p>• BRANCO</p><p>O branco deverá ser empregado em:</p><p>• Passarelas e corredores de circulação por meio de faixas (localização e</p><p>largura).</p><p>• Direção e circulação por meio de sinais.</p><p>• Localização e coletores de resíduos.</p><p>• Localização de bebedouros.</p><p>• Áreas em torno dos equipamentos de socorro de urgência, de combate a</p><p>incêndio ou outros equipamentos de emergência.</p><p>• Área destinadas à armazenagem.</p><p>• Zonas de segurança.</p><p>O preto poderá ser usado em substituição ao branco, ou combinado a este,</p><p>quando condições especiais o exigirem.</p><p>• VERDE</p><p>O verde é a cor característica da Segurança do Trabalho e deverá ser</p><p>empregado em:</p><p>• Canalizações de água.</p><p>• Caixas de equipamento de socorro de urgência.</p><p>• Caixas contendo máscaras contra gases.</p><p>• Chuveiros de segurança.</p><p>• Macas.</p><p>• Fontes lavadoras de olhos.</p><p>• Quadros para exposição de cartazes, boletins, avisos de segurança etc.</p><p>• Porta de entrada de salas de curativos de urgência.</p><p>108</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Localização de EPI.</p><p>• Caixas contendo EPI.</p><p>• Emblemas de segurança.</p><p>• Dispositivos de segurança.</p><p>• Mangueiras de oxigênio (solda oxiacetilênica).</p><p>• AZUL MAR</p><p>O azul, utilizado em "cuidado" está limitado a avisos contra uso e</p><p>movimentação de equipamentos, que deverão permanecer fora de serviço.</p><p>Ainda poderá ser utilizado em canalizações de ar comprimido, prevenção na</p><p>movimentação acidental de equipamentos em manutenção ou avisos dispostos</p><p>nos pontos de arranque ou fontes de potência.</p><p>• PRETO</p><p>A cor preta indica as canalizações de coletores de lixos, resíduos ou descarte.</p><p>• Assistir ao vídeo: EPI na indústria da construção, no link: https://</p><p>www.youtube.com/watch?v=Z87kcvTF3iU.</p><p>• Assistir ao vídeo: EPI – Equipamento de proteção individual, no</p><p>link: https://www.youtube.com/watch?v=R7VpzTROE6s</p><p>• Assistir ao vídeo sobre EPC em: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=qI5QqcDrNjU</p><p>1) Disserte sobre o layout, ordem e limpeza de um espaço físico.</p><p>2) Explique as cores de sinalização de segurança em um pátio fabril</p><p>ou indústria.</p><p>3) Quais são as diferenças entre EPI e EPC?</p><p>109</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>5 EDIFICAÇÕES E OBRAS DE</p><p>CONSTRUÇÃO, DEMOLIÇÃO E</p><p>REFORMAS</p><p>A NR-18 talvez seja a norma regulamentadora mais importante para o</p><p>setor da construção civil. Ela estabelece diretrizes de ordem administrativa, de</p><p>planejamento e organização. Essas diretrizes objetivam a implementação de</p><p>medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas</p><p>condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Como</p><p>consta na NR-18, é vedado o ingresso ou a permanência de trabalhadores no</p><p>canteiro de obras, sem que estejam assegurados pelas medidas previstas nesta</p><p>NR e compatíveis com a fase da obra.</p><p>O Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da</p><p>Construção (PCMAT) pode ser definido como um conjunto de ações relativas</p><p>à segurança e à saúde no trabalho, ordenadamente dispostas, visando à</p><p>preservação da saúde e da integridade física de todos os trabalhadores da</p><p>construção civil, incluindo os terceirizados.</p><p>Além de outras exigências, o PCMAT deve:</p><p>• Contemplar as exigências contidas na NR-9.</p><p>• Ser mantido no estabelecimento a disposição do órgão regional do</p><p>Ministério do Trabalho.</p><p>• Ser elaborado e executado por profissional legalmente habilitado na área</p><p>de segurança no trabalho.</p><p>• Acesso direto NR-18: https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/</p><p>seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-18-</p><p>atualizada-2020.pdf</p><p>• Acesso ao sítio (ENIT): https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/</p><p>seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-18-</p><p>atualizada-2020.pdf</p><p>110</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>De acordo com a NR-18, é a norma do Ministério do Trabalho que trata das</p><p>Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. A elaboração</p><p>e o cumprimento desse programa são obrigatórios nos estabelecimentos com</p><p>mais de 20 trabalhadores ou mais, contemplando os aspectos dessa NR e outros</p><p>dispositivos complementares de segurança.</p><p>É importante salientar que a implementação do PCMAT nas obras ou</p><p>estabelecimentos é de responsabilidade</p><p>do empregador ou do condomínio. Trata-</p><p>se de um elenco de providências a serem executadas em virtude do cronograma</p><p>da obra.</p><p>A NR-18 do Ministério do Trabalho, em seu item 18.3.4 relata os documentos</p><p>que integram o PCMAT, que são:</p><p>• Memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades</p><p>e operações, levando-se em consideração riscos de acidentes e de</p><p>doenças do trabalho e suas respectivas medidas preventivas.</p><p>• Projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as</p><p>etapas de execução da obra.</p><p>• Especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem</p><p>utilizadas.</p><p>• Cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no</p><p>PCMAT.</p><p>• Layout inicial do canteiro de obras, contemplando a previsão de</p><p>dimensionamento das áreas de vivência.</p><p>• Programa educativo contendo a temática de prevenção de acidentes e</p><p>doenças do trabalho, com sua carga horária.</p><p>O PCMAT deve ser elaborado antes do início das atividades. Ele contempla</p><p>os riscos de todas as etapas da obra, e por isso não tem validade definida.</p><p>Periodicamente, o PCMAT deve passar por uma reavaliação global. Na</p><p>reavaliação, deve ser observado seu desenvolvimento, e também se ele está</p><p>atendendo plenamente ao objetivo para o qual foi elaborado.</p><p>O PCMAT é regulamentado pela Norma Regulamentadora 18</p><p>(NR-18) através da Portaria 3.214 de 1978. Você pode conferir a NR-</p><p>18 completa no site oficial do Ministério da Economia – Secretaria</p><p>de Trabalho: https://www.gov.br/trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-</p><p>saude-no-trabalho/ctpp-nrs/norma-regulamentadora-no-18-nr-18.</p><p>111</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>5.1 EDIFICAÇÕES E OBRAS DE</p><p>CONSTRUÇÃO</p><p>Um canteiro de obras é um local propício para os mais variados tipos de</p><p>acidentes, portanto, deve ser constantemente vigiado e controlado pelos mestres</p><p>de obra e engenheiros, no que diz respeito às normas de segurança. Para tanto,</p><p>foi elaborada e sancionada a NR-8.</p><p>A Norma Regulamentadora NR-8 trata das Edificações e estabelece</p><p>requisitos técnicos mínimos a serem observados para garantir a segurança e o</p><p>conforto dos trabalhadores. De acordo com esse texto, as coberturas dos locais</p><p>de trabalho devem proteger contra as chuvas e contra insolação excessiva.</p><p>Aberturas em pisos e paredes devem ser protegidas com guarda-corpo e rodapé</p><p>adequados para impedir queda de pessoas ou objeto.</p><p>Já a NR-18 trata das condições e meio ambiente de trabalho na indústria da</p><p>construção. A finalidade da NR-18 é implementar medidas de controle e sistemas</p><p>preventivos de segurança do trabalho em quaisquer que sejam os processos,</p><p>condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção civil. Os</p><p>principais riscos na construção civil são:</p><p>• Quedas de nível.</p><p>• Choques elétricos.</p><p>• Queda de materiais.</p><p>• Uso de máquinas e ferramentas sem proteção apropriada.</p><p>• Perda auditiva.</p><p>• Problemas respiratórios, alergias e dermatoses.</p><p>• Contato ou exposição a corpos estranhos.</p><p>As ferramentas e equipamentos mais comumente utilizados em obras são</p><p>mostradas na Figura 27.</p><p>112</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FIGURA 27 – FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS USADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL</p><p>FONTE: Peinado (2019, p. 166)</p><p>Confira na íntegra a NR-8 em: https://www.gov.br/trabalho/</p><p>pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/norma-</p><p>regulamentadora-no-8-nr-8</p><p>113</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>A NR-35 determina medidas de segurança para trabalhos em altura,</p><p>sabendo que os profissionais que realizam este tipo de trabalho, muitas vezes,</p><p>precisam realizar um curso de treinamento antes de iniciar os trabalhos em obras,</p><p>demolições e reformas. Compreende-se como trabalho em altura, segundo o item</p><p>– 35.1.2, da NR-35, “toda atividade executada acima de 2,00 m do nível inferior,</p><p>onde haja risco de queda” (NR-35, 2020, s.p.).</p><p>Confira na íntegra o texto da NR-35 em: https://www.gov.br/</p><p>trabalho/pt-br/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/</p><p>norma-regulamentadora-no-35-nr-35</p><p>5.2 DEMOLIÇÃO</p><p>Os materiais e equipamentos a serem utilizados na execução dos serviços de</p><p>demolições e remoções devem atender às especificações do projeto, bem como</p><p>às prescrições da NBR 5682. A demolição pode ser realizada de forma manual ou</p><p>com explosivos. Para tanto, utilizamos escavadeiras, carregadeiras, robotizada,</p><p>com rompedores elétricos.</p><p>Os materiais da demolição deverão ser cuidadosamente armazenados, em</p><p>local seco e protegido. O manuseio e armazenamento dos materiais explosivos</p><p>obedecerão à regulamentação dos órgãos de segurança pública. O projeto</p><p>de demolição deve ser elaborado de acordo com cada tipo de edificação e</p><p>seus procedimentos, seguindo a norma Regulamentadora 18, a qual define os</p><p>procedimentos de segurança para a execução de demolições. Segundo a NR-18:</p><p>Antes de se iniciar a demolição, as linhas de fornecimento de</p><p>energia elétrica, água, inflamáveis líquidos e gasosos liquefeitos,</p><p>substâncias tóxicas, canalizações de esgoto e de escoamento</p><p>de água devem ser desligadas, retiradas, protegidas ou</p><p>isoladas, respeitando-se as normas e determinações em vigor</p><p>(GUIA TRABALHISTA, 2020, s.p.).</p><p>Os riscos mais comuns na demolição são:</p><p>• Soterramentos.</p><p>• Danos causados às edificações vizinhas.</p><p>• Queda de pessoas.</p><p>114</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Queda de objetos.</p><p>• Poluição do ar por causa de poeira.</p><p>• Acidentes no momento de mover os entulhos (SEGURANÇA NO</p><p>TRABALHO NWN, 2020).</p><p>Sobre Canteiros de Obra e NR-18, acesse: https://cbic.org.br/</p><p>wp-content/uploads/2019/07/Seguranca_Saude_do_Trabalho_na_</p><p>Industria_da_Construcao_Civil.pdf</p><p>• Assistir ao vídeo: ART para atendimento da NR-12, no link: https://</p><p>www.youtube.com/watch?v=zJnJi7OcdpU.</p><p>• Assistir ao vídeo: Construção Pesada, no link: https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=E2ljUy66lUI.</p><p>• Assistir ao vídeo: Transporte de trabalhadores na indústria</p><p>da Construção, no link: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=6oHwUeNOv-s</p><p>A NR-18, ainda, afirma que:</p><p>As ferramentas para demolição, caso não sejam utilizados</p><p>explosivos, são marretas, martelos demolidores e martelos</p><p>rompedores. As construções vizinhas à obra de demolição</p><p>devem ser examinadas anteriormente, no sentido de ser</p><p>preservada sua estabilidade e a integridade física de terceiros.</p><p>Toda demolição deve ser programada e dirigida por profissional</p><p>legalmente habilitado. Antes de se iniciar a demolição, devem</p><p>ser removidos os vidros e outros elementos frágeis. Antes de</p><p>se iniciar a demolição de um pavimento, devem ser fechadas</p><p>todas as aberturas existentes no piso, salvo as que forem</p><p>utilizadas para escoamento de materiais, ficando proibida</p><p>a permanência de pessoas nos pavimentos que possam ter</p><p>sua estabilidade comprometida no processo de demolição.</p><p>As escadas devem ser mantidas desimpedidas e livres para</p><p>a circulação de emergência e somente serão demolidas</p><p>à medida em que forem sendo retirados os materiais dos</p><p>pavimentos superiores. Objetos pesados ou volumosos devem</p><p>ser removidos mediante o emprego de dispositivos mecânicos,</p><p>ficando proibido o lançamento em queda livre de qualquer</p><p>material (GUIA TRABALHISTA, 2020, s.p.).</p><p>115</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>1) Disserte sobre a NR-18.</p><p>2) O que é e para que serve o PCMAT?</p><p>3) Disserte sobre os riscos e a segurança dos trabalhadores na</p><p>construção civil.</p><p>6 ELETRICIDADE: CABINES DE</p><p>TRANSFORMAÇÃO, ATERRAMENTO</p><p>ELÉTRICO E PARA-RAIOS,</p><p>INSTALAÇÕES ELÉTRICAS</p><p>PROVISÓRIAS</p><p>A eletricidade constitui um fator importantíssimo na atualidade, ela pode ser</p><p>considerada uma necessidade primária essencial à vida humana e animal, pois</p><p>sem eletricidade não seria possível as comunicações, a higiene, o cozimento</p><p>de alimentos em panelas elétricas, micro-ondas, fornos</p><p>elétricos etc. Devido a</p><p>sua alta importância na sociedade moderna, foram desenvolvidas e aprimoradas</p><p>técnicas de instalação de circuitos elétricos em indústrias, seja de máquinas,</p><p>equipamentos etc. e, também, as instalações elétricas provisórias em canteiros de</p><p>obras. Por esse motivo, os eletricistas, engenheiros, técnicos, auxiliares e demais</p><p>profissionais da área de eletricidade e construção estão correndo riscos, quando</p><p>submetidos aos trabalhos com energia elétrica.</p><p>Os riscos aos trabalhadores das redes elétricas são constantes e estão</p><p>regulamentados pela NR-10, conforme já foi explicado neste livro. A NR-10 trata</p><p>das Instalações e Serviços em Eletricidade e a partir de 2019/2020 integra a</p><p>Secretaria do Trabalho no Ministério da Economia, ou seja, não faz mais parte</p><p>do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Esse Ministério foi extinto segundo</p><p>a Medida Provisória 870/2019. A NR-10 estabelece as condições que garantem a</p><p>segurança e a saúde dos trabalhadores que direta ou indiretamente interajam em</p><p>instalações elétricas e serviços com eletricidade, seja em obras, em indústrias ou,</p><p>ainda, em concessionárias de energia. Ela estabelece os requisitos e condições</p><p>mínimas para a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos,</p><p>116</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores expostos aos</p><p>fatores de riscos decorrentes do emprego da energia elétrica, observando as</p><p>prescrições do Programa de Gerenciamento de Riscos – PGR. Ela se aplica às</p><p>fases de geração, transmissão, distribuição e consumo das diversas fontes de</p><p>energia elétrica, incluindo as etapas de projeto, construção, montagem, operação</p><p>e manutenção de instalações elétricas de baixa, média e/ou alta tensão, em</p><p>corrente alternada e/ou contínua, de caráter permanente ou temporário.</p><p>Confira o novo texto da NR-10, modificado em 2020 no sítio:</p><p>http://participa.br/secretaria-de-trabalho/secretaria-de-trabalho-nr-10-</p><p>seguranca-em-instalacoes-eletricas-e-servicos-em-eletricidade</p><p>Lembrando que esta NR também estabelece que todos trabalhadores que</p><p>intervenham em instalações elétricas energizadas com alta tensão, como os</p><p>trabalhadores de concessionárias de energia, que lidam com as chamadas “linhas</p><p>vivas”, devem receber também o treinamento de segurança complementar da NR-</p><p>10, Sistema Elétrico de Potência.</p><p>O trabalho com eletricidade possui alta periculosidade, onde o funcionário se</p><p>submete a riscos como choques, explosões e queimaduras de até terceiro grau</p><p>que podem gerar graves lesões como coagulação do sangue, lesões nos nervos</p><p>e músculos e até levar à morte. O Quadro 3 mostra as consequências do choque</p><p>elétrico.</p><p>O QUADRO 3 – INTENSIDADE E PERTURBAÇÕES</p><p>PROVENIENTES DE CHOQUE ELÉTRICO</p><p>FONTE: Faecpr (2020, s.p.)</p><p>117</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Além disso, reação nervosa ao receber um choque elétrico pode causar</p><p>outros tipos de acidentes com o indivíduo, uma vez que ele pode cair de uma</p><p>escada, por exemplo. Por isso, muitas vezes podem ser exigidos outros cursos</p><p>de segurança do trabalho que complementam a questão da eletricidade, como o</p><p>curso de NR-35.</p><p>Vários equipamentos mecânicos, elétricos e industriais compõem o trabalho</p><p>com eletricidade, são eles: as cabines de transformação, também conhecidas</p><p>como subestações, aterramentos físicos, para-raios, caldeiras, serras elétricas,</p><p>esmerilhos, motobombas etc. Algumas dessas ferramentas/equipamentos já</p><p>foram abordadas no Capítulo 1. As demais serão vistas agora. Vamos estudá-las?</p><p>6.1 CABINES DE TRANSFORMAÇÃO</p><p>As cabines de transformação também são conhecidas como subestações e</p><p>são, geralmente, compostas por: entrada de serviço, ponto de ligação, ramal de</p><p>ligação, ponto de entrega, ramal de entrada e transformadores.</p><p>“A cabine primária destina-se ao consumidor industrial, comercial,</p><p>condomínios ou qualquer outro estabelecimento que necessite ligar cargas acima</p><p>de 75 kVA ou 99 cv” (ADMINISTRADORES, 2019, s.p.).</p><p>Segundo Mamede Filho (2017, p. 534), subestação é definida como:</p><p>• Subestação de instalação interior: em alvenaria, modular</p><p>metálica (esta possui quatro subtipos, de acordo com sua</p><p>construção);</p><p>• Subestação de instalação exterior: aérea em plano elevado</p><p>e instalação no nível do solo.</p><p>Em algumas indústrias é necessário manter um sistema de geração próprio</p><p>para suprir uma parte da carga quando houver corte eventual do sistema de</p><p>suprimento da concessionária. Dado o elevado custo desse sistema, os geradores</p><p>devem ser dimensionados para suprir somente os circuitos previamente</p><p>selecionados e indispensáveis ao funcionamento de determinadas máquinas cuja</p><p>paralisação proporcionará prejuízos.</p><p>Os geradores são interligados ao barramento do quadro geral de força, onde</p><p>uma chave de manobra, manual ou automática, completará a ligação durante a</p><p>falta de energia. Essa interligação deverá ser feita de forma que evite o paralelismo</p><p>do gerador com o fornecimento de energia da concessionária. É somente para</p><p>casos de falta de energia. A instalação das estações de geração deve seguir as</p><p>seguintes recomendações:</p><p>118</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Os condutores de saída dos terminais do gerador devem ter capacidade</p><p>de condução de corrente não inferior a 115% da corrente nominal. O</p><p>condutor neutro deve ter a mesma seção transversal que os condutores</p><p>fase.</p><p>• As carcaças dos geradores devem permanecer continuamente aterradas.</p><p>Alguns dos riscos associados às atividades com energia elétrica são:</p><p>• Choque elétrico, seus efeitos diretos são contrações musculares, tetania,</p><p>queimaduras (internas e externas), parada respiratória, parada cardíaca,</p><p>eletrólise de tecidos, fibrilação cardíaca e óbito (eletroplessão) e seus</p><p>efeitos indiretos quedas, batidas e queimaduras indiretas (externas).</p><p>• Quedas, batidas, queimaduras.</p><p>• Arco voltaico, se for trabalho com altas tensões (em cabines de industrias</p><p>ou em concessionárias de energia). Ele pode provocar queimaduras de</p><p>segundo e terceiro graus, além de incêndios e explosões de grandes</p><p>magnitudes. E pode, ainda, emitir vapores de material ionizado e raios</p><p>ultravioleta.</p><p>• Ocorrências de curtos circuitos ou mau funcionamento do sistema</p><p>elétrico originando incêndios, explosões ou acidentes maiores.</p><p>• A linha estar desenergizada não elimina o risco elétrico, pois a mesma</p><p>pode ser energizada acidentalmente por outro trabalhador a qualquer</p><p>momento. Os EPI e EPC devem ser usados constantemente nos</p><p>trabalhos em eletricidade. Nunca se deve deixar o trabalhador acessar</p><p>linhas energizadas ou equipamentos energizados sem a devida proteção.</p><p>Deve-se dar especial atenção aos trabalhadores expostos a essas condições</p><p>e que possuam em seu corpo próteses metálicas (pinos, encaixes, articulações),</p><p>pois a radiação promove aquecimento intenso nos elementos metálicos podendo</p><p>provocar as necroses ósseas, assim como aos trabalhadores portadores de</p><p>aparelhos e equipamentos eletrônicos (marca-passo, auditivos, dosadores de</p><p>insulina, entre outros), pois a radiação interfere nos circuitos elétricos e poderão</p><p>criar disfunções e mau funcionamento desses.</p><p>Constitui-se numa das principais causas de acidentes nos setores elétrico</p><p>e de telefonia, sendo característico de diversos ramos de atividade, mas</p><p>muito representativo nas atividades de construção e manutenção do setor de</p><p>transmissão e distribuição de energia elétrica e de construção e manutenção de</p><p>redes telefônicas. As quedas ocorrem em consequência de choques elétricos,</p><p>de inadequação de equipamentos de elevação (escadas, cestos, plataformas),</p><p>inadequação de EPI, falta de treinamento dos trabalhadores, falta de delimitação</p><p>e sinalização do canteiro do serviço nas vias públicas e ataque de insetos.</p><p>119</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>As formas de prevenção a serem realizadas são:</p><p>• Usar constantemente os EPI e EPC no ambiente de trabalho.</p><p>• Certificar-se de desenergizar os circuitos e linhas de transmissão da</p><p>área em obra, reforma, demolição ou manutenção e avisar todos os</p><p>envolvidos.</p><p>• Atentar para o correto dimensionamento e instalação de transformadores</p><p>nas cabines de transformação.</p><p>• Cuidar com falhas na isolação elétrica de máquinas, equipamentos e</p><p>instalações.</p><p>• Evitar calor e temperatura elevados em instalações, máquinas e</p><p>equipamentos, pois podem derreter fios, fusíveis, DR’s, disjuntores entre</p><p>outros.</p><p>• Cuidar com a umidade para evitar oxidação de peças, equipamentos,</p><p>máquinas e circuitos elétricos; bem como cuidar para não haver</p><p>oxidação em ferramentas das obras e nos EPI e EPC. Os fungos que se</p><p>desenvolvem na umidade também podem degradar o isolamento elétrico</p><p>e os circuitos envolvidos.</p><p>• Evitar que os produtos químicos utilizados nas obras caiam em</p><p>instalações, máquinas etc., pois os isolantes elétricos degradam-se na</p><p>presença de substâncias como ácidos, lubrificantes e sais.</p><p>• O emprego inadequado dos condutores pode danificar seus isolamentos,</p><p>por esse motivo deve haver uma pessoa responsável na obra a fim de</p><p>verificar os condutores e tomar as medidas necessárias.</p><p>• Os ratos, baratas e outros insetos ou animais podem corroer os</p><p>isolamentos elétricos dos condutores, comprometendo a isolação dos</p><p>circuitos e instalações. Deve-se sempre que possível dedetizar o local</p><p>da obra, reforma, instalação e da cabine de transformação.</p><p>• É importante que a obra tenha placas de sinalização de advertência</p><p>alertando os trabalhadores sobre os riscos presentes naquele local.</p><p>6.2 ATERRAMENTO ELÉTRICO</p><p>O aterramento pode ser considerado uma ligação elétrica e de baixa</p><p>resistência à terra. Ele tem como objetivo conduzir as correntes elétricas</p><p>indesejáveis para a terra e estabelecer o mesmo potencial entre massas para</p><p>evitar choque elétrico. É usado para escoar as descargas elétricas atmosféricas</p><p>para a terra. A terra ou o solo podem ser considerados condutores através dos</p><p>quais a corrente elétrica pode fluir e o seu potencial elétrico é considerado</p><p>nulo. Os solos são constituídos por misturas de materiais isolantes, tais como</p><p>silicatos óxidos, com sais minerais, água e carbono (resíduo da decomposição de</p><p>vegetais). A condução de corrente se dá pela ionização dos sais.</p><p>120</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>A resistividade do solo depende de sua composição, temperatura e umidade.</p><p>Os solos que apresentam resistividade mais baixa são os que contêm resíduos</p><p>vegetais, os pantanosos e os situados nos fundos dos vales e nas margens dos</p><p>rios. Os de maior resistividade são os arenosos e os situados em locais altos e</p><p>desprovidos de vegetação.</p><p>O aterramento é definido como a ligação intencional com a terra de parte</p><p>específica de circuitos elétricos ou materiais que possam ficar energizados por</p><p>qualquer falha elétrica, através de condutores elétricos. Os aterramentos podem</p><p>ser de três tipos:</p><p>• Aterramento funcional: é a ligação à terra de um dos condutores do</p><p>sistema, geralmente, o neutro.</p><p>• Aterramento de proteção: é a ligação à terra de massas, isto é, partes</p><p>metálicas de equipamentos ou instalações que não fazem parte dos</p><p>circuitos elétricos, visando à proteção contra choques elétricos por</p><p>contato indireto.</p><p>• Aterramento temporário: é a ligação provisória à terra de circuitos</p><p>elétricos desernegizados visando a ações seguras de manutenção em</p><p>partes das instalações sob tensão, postas fora de serviços (CAMPOS;</p><p>TAVARES; LIMA, 2006).</p><p>Os componentes de um aterramento são:</p><p>• Condutor de proteção: interliga massas, partes condutoras estranhas,</p><p>terminal de aterramento, eletrodos de aterramento, pontos de</p><p>alimentação aterrados ou ligados ao neutro. Normalmente é identificado</p><p>pela cor verde ou azul.</p><p>• Condutor de proteção principal: interliga o terminal de aterramento</p><p>principal aos terminais de aterramentos dos diversos condutores de</p><p>proteção.</p><p>• Ligação equipotencial: iguala ou aproxima os potenciais de massas ou</p><p>partes metálicas da instalação, não destinada à condução de corrente.</p><p>• Terminal de aterramento: é a barra ou terminal destinado a interligar ao</p><p>dispositivo de aterramento, condutores de proteção e condutores de</p><p>equipotencialidade (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006).</p><p>121</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Os esquemas de aterramento são classificados conforme</p><p>a NBR nº 5410/2004, em aterramento IT, aterramento TN e</p><p>aterramento TT e podem ser vistos resumidamente em: http://</p><p>www.eletricistaconsciente.com.br/pontue/fasciculos/guia-nbr-5410-</p><p>fasciculo-4/guia-nbr-5410-fasciculo-4/.</p><p>6.3 PARA-RAIOS</p><p>O raio é uma descarga elétrica de grande intensidade. O fenômeno ocorre</p><p>entre as nuvens e o solo em momentos de tempestades. Um raio possui a</p><p>intensidade média de 30 mil ampères. Isso quer dizer que um único relâmpago</p><p>tem cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico (INFOENEM, 2019).</p><p>As descargas atmosféricas podem causar os seguintes problemas:</p><p>• Queima de aparelhos elétricos.</p><p>• Danos à estrutura do edifício.</p><p>• Queimaduras.</p><p>• Perda de consciência.</p><p>• Parada cardíaca e respiratória.</p><p>• Lesões cerebrais.</p><p>• Risco de morte (TOWNSQ, 2018).</p><p>O para-raios é instalado em diversos edifícios e tem a finalidade de proteger</p><p>a redondeza dos perigos de uma descarga elétrica (raio) durante tempestades.</p><p>Seu trabalho é bastante simples. Uma haste metálica, ou seja, boa condutora,</p><p>posicionada numa região elevada e ligada por um fio condutor diretamente na</p><p>terra.</p><p>O poder das pontas é a característica que as cargas elétricas em excesso</p><p>têm de se concentrarem na superfície mais pontiaguda (ou de menor raio) de</p><p>corpos condutores. Com um acúmulo de cargas, essas pontas formam um campo</p><p>elétrico mais intenso. A Figura 28 mostra um para-raio em um edifício.</p><p>122</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FIGURA 28 – PARA-RAIO</p><p>FONTE: Infoenem (2019, s.p.)</p><p>Apesar da norma nacional, alguns estados brasileiros contam com a própria</p><p>legislação sobre o assunto. Isso quer dizer que os condomínios precisam respeitar</p><p>a NBR 5419 e ainda adequar-se às especificidades das regras da região onde se</p><p>encontram.</p><p>Por exemplo, no Rio Grande do Sul, a lei obriga que todos os edifícios</p><p>com mais de três andares ou com área total construída superior a 750 metros</p><p>quadrados tenham SPDA. Enquanto que em São Paulo, a regra é que qualquer</p><p>edifício com mais de um andar conte com o equipamento.</p><p>Além disso, é importante destacar que os equipamentos e a manutenção de</p><p>para-raios fazem parte do Plano de Prevenção e Combate de Incêndios (PPCI).</p><p>Para adquirir um Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), o condomínio</p><p>precisa entregar documentos sobre o para-raio da construção. Nessas</p><p>situações, é exigida a entrega do ART (Anotações de Responsabilidade Técnica)</p><p>assinada por um engenheiro eletricista. Se o condomínio não estiver seguindo</p><p>as regulamentações propostas pela NBR 5419 e pela legislação da região, é</p><p>necessário fazer a adequação de para-raio. Para isso, deve-se contratar uma</p><p>empresa responsável que respeite as exigências vigentes.</p><p>Parte do para-raio industrial é colocada no ponto mais alto da estrutura,</p><p>como no topo dos edifícios e antenas de transmissão de rádio e TV. Isso porque os</p><p>123</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>raios tendem a atingir essas áreas e, assim, o sistema de captação de descargas</p><p>elétricas atmosféricas e aterramento é mais eficiente, quando instalado nesses</p><p>pontos.</p><p>O sistema de para-raio industrial possui uma haste de metal, conectada</p><p>a cabos metálicos e ao solo. O funcionamento é bastante simples: através dos</p><p>dispositivos, cria-se um caminho condutor das nuvens até o solo, pelo qual as</p><p>descargas se dispersam de</p><p>maneira inofensiva. Contudo, para a assertividade</p><p>do para-raio industrial, é indispensável que o sistema seja instalado conforme as</p><p>normas técnicas, incluindo a NR-10 e a NR-5419. Além disso, é obrigatório que</p><p>todas as indústrias e locais de carga instalada superior a 75 kW possuam o sistema</p><p>de para-raio industrial, de acordo com as determinações que regulamentam a</p><p>instalação dos dispositivos e leis municipais, que podem divergir de um município</p><p>para outro.</p><p>6.4 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS</p><p>PROVISÓRIAS</p><p>Em qualquer obra de construção civil ou reforma é necessário que o</p><p>trabalhador realize uma ou mais instalações elétricas temporárias. Para que essas</p><p>instalações não apresentem qualquer risco aos trabalhadores e ao seu entorno,</p><p>deve-se executar os trabalhos segundo as especificações do projeto elétrico. O</p><p>projeto elétrico sempre deverá atender às disposições exigidas na NR-10, que</p><p>trata sobre a segurança em instalações e serviços em eletricidade. Já a norma</p><p>regulamentadora NR-18 visa às condições e o meio de trabalho na indústria</p><p>da construção civil. Essa norma também deve ser consultada e seguida à risca</p><p>quando são necessárias instalações elétricas provisórias em canteiros de obra.</p><p>Os acidentes de trabalho em canteiros de obras ou em reformas e demolições</p><p>ainda são muito comuns no Brasil, infelizmente.</p><p>Em todo o país, foram registrados 13.387 acidentes de trabalho envolvendo</p><p>profissionais da construção em 2015. Os números são do Anuário Estatístico de</p><p>Acidentes de Trabalho (AET) disponibilizado pelo Instituto Nacional de Seguro</p><p>Social (INSS) em junho de 2017 (ABRASFE, 2020). Por outro lado, uma queda</p><p>de 38,11% de acidentes de trabalho foi registrada no período em todo o país,</p><p>inclusive no Paraná, cuja diminuição foi progressiva:</p><p>• em 2013 tivemos 1.452 acidentes de trabalho;</p><p>• em 2014 tivemos 1.216 acidentes de trabalho;</p><p>• em 2015 tivemos 1.005 acidentes de trabalho.</p><p>124</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Mas, ainda que o segmento apresente queda de mais de oito mil casos</p><p>registrados nos últimos anos, ele permanece como o terceiro no ranking dos</p><p>setores com os maiores índices de acidentes de trabalho. Segundo estudo da</p><p>Organização Internacional do Trabalho (OIT) realizado em 2012, o Brasil ocupa o</p><p>4º lugar em relação ao número de mortes, com 2.503 óbitos. O país perde apenas</p><p>para China (14.924), Estados Unidos (5.764) e Rússia (3.090) (ABRASFE, 2020).</p><p>Mesmo que os acidentes estejam em ritmo diminuto desde 2013, segundo</p><p>dados da Abracopel (2014), os índices na construção civil são altos se comparados</p><p>com outros setores. No ranking de lesões, as quedas e ferimentos nas mãos são</p><p>as mais frequentes entre os trabalhadores e, nos casos de óbitos, os registros</p><p>mostram o descaso com a eletricidade como um dos principais motivos, segundo</p><p>o Ministério Público do Trabalho (MPT). Foram 599 mortes por choque elétrico</p><p>no Brasil inteiro envolvendo profissionais que atuam em obras, só em 2016.</p><p>Cerca de 91 incêndios na Região Sul foram ocasionados por curtos circuitos</p><p>(documentados) no mesmo ano, representando cerca de 20% do total no país</p><p>(ENGEREY, 2018).</p><p>Dados gerais preliminares de 2017 sobre a realidade da energia elétrica no</p><p>Brasil apontam 98 casos na Região Sul, 16% do total no país, e 627 óbitos no</p><p>ano. Mas esses números refletem somente uma parcela dos acidentes de origem</p><p>elétrica que aconteceram e estima-se que o número possa ser de quatro a cinco</p><p>vezes maior do que o apresentado, de acordo com a Abracopel (ENGEREY,</p><p>2018).</p><p>Os profissionais que devem compor a equipe de segurança e trabalho no</p><p>canteiro de obras, bem como suas atribuições seguem:</p><p>(1) Gerentes de Obras: têm a responsabilidade pela execução da obra e</p><p>devem seguir as NR’s vigentes.</p><p>(2) Coordenadores e Engenheiros de Segurança no Trabalho: são as</p><p>pessoas responsáveis pelo planejamento, aplicação e supervisão das</p><p>medidas preventivas para a implantação do PCMAT nas obras.</p><p>(3) Mestres e Encarregados: são os trabalhadores responsáveis pela</p><p>implantação e controle das medidas preventivas adotadas pelas equipes</p><p>de trabalho, de forma a evitar os acidentes nas obas.</p><p>(4) Serviços especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do</p><p>Trabalho (SESMT): são responsáveis pela determinação e elaboração</p><p>do PCMAT da obra, e pelo assessoramento às equipes.</p><p>(5) Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA): tem como</p><p>objetivo divulgar e tirar as dúvidas sobre as normas de segurança e</p><p>saúde no trabalho e propor medidas preventivas entre os trabalhadores</p><p>da obra (ALLPROJECT, 2019).</p><p>125</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>No ranking de acidentes em canteiros de obras, aqueles decorrentes</p><p>das instalações elétricas provisórias ocupam a terceira posição, superados</p><p>apenas pelos casos de queda de altura e soterramento. E não é por falta de</p><p>normatização, de manuais e de empenho por parte das entidades setoriais. As</p><p>melhores práticas para execução e manutenção do sistema são objeto de um</p><p>capítulo detalhado da Norma Regulamentadora (NR) 18, que prega a exclusividade</p><p>de mão de obra qualificada para esse tipo de trabalho. A norma complementa a</p><p>NR-10, que é mais abrangente, tratando da segurança em instalações e serviços</p><p>de eletricidade. Ambas são publicadas e fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho.</p><p>Em boa parte das empresas informais e até mesmo nas demais, não há</p><p>eletricista nessa fase da obra, o que torna o risco elevado. As “gambiarras” são</p><p>proibidas, mas ocorrem com frequência.</p><p>O profissional qualificado sabe, por exemplo, que, para executar qualquer</p><p>serviço, as instalações não podem estar energizadas. Ou seja, é preciso desligar</p><p>as chaves do circuito elétrico e isolar a área em questão, além de evitar emendas</p><p>nos fios. A NR-18 vai além e diz que, na impossibilidade de desligar o circuito</p><p>elétrico, “o serviço somente poderá ser executado após terem sido adotadas as</p><p>medidas de proteção complementares, sendo obrigatório o uso de ferramentas</p><p>apropriadas e equipamentos de proteção individual” (GUIA TRABALHISTA, 2020,</p><p>s.p.).</p><p>A construção do quadro elétrico provisório segue algumas regras. Ele pode</p><p>ser um quadro principal de distribuição, intermediário ou terminal fixo e/ou móvel.</p><p>Deve ser construído com materiais incombustíveis e resistentes à corrosão, e</p><p>de maneira a proteger os componentes elétricos de elementos externos, como</p><p>poeira e umidade. Uma regra importante é a exibição, no quadro, do diagrama do</p><p>circuito elétrico. Sinalizado e de fácil acesso, o elemento não deve ficar no trajeto</p><p>dos trabalhadores e de materiais e equipamentos.</p><p>De queimaduras à morte, os choques elétricos ocorrem em situações</p><p>inesperadas e em outras bem conhecidas pelas equipes de canteiro. Entre as</p><p>mais recorrentes, Ishikawa (2019) cita a do fio de 220 V desencapado que entra</p><p>em contato com a armação no momento da concretagem da laje e a do trabalhador</p><p>que esbarra no condutor exposto em dia de chuva. Uma medida recomendada</p><p>para evitar esse tipo de acidente é a instalação dos condutores energizados em</p><p>altura ou distância afastadas do trabalhador, das máquinas e dos equipamentos.</p><p>O QTCO mostra-se prático para a distribuição de eletricidade, e pode</p><p>minimizar consideravelmente riscos de acidentes elétricos, servindo para utilização</p><p>em diversos locais de trabalho. Também podem ser utilizados vários quadros</p><p>ao mesmo tempo, e os profissionais podem fazer adaptações e customizações</p><p>126</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>no produto. Segundo o engenheiro que desenvolveu, “os quadros podem ser</p><p>levados para todos os lugares e utilizados em pequenas reformas residenciais até</p><p>grandes obras industriais, transformando-se em uma verdadeira ferramenta de</p><p>trabalho” (ENGEREY, 2018, s.p.). Ainda, pontua que as proteções individuais de</p><p>cada circuito e o sistema de fecho com chave que impedem a abertura do quadro</p><p>por pessoas não autorizadas. Mesmo que consigam</p><p>abri-lo, não terão acesso às</p><p>partes energizadas a não ser com o uso de ferramentas (ENGEREY, 2018).</p><p>Não só é a favor do Quadro de Tomadas para Canteiros de Obras, como</p><p>destaca o produto como um dos equipamentos necessários para o sistema de</p><p>gestão de segurança que defende. Mas insiste no princípio de que se deve dar</p><p>atenção a todos os outros pontos das instalações elétricas, porque às vezes,</p><p>mesmo tendo o quadro adequado, podem existir gambiarras em outros pontos se</p><p>não foram feitos planejamento e nem adaptações adequadas durante a execução.</p><p>Os painéis foram desenvolvidos para proteger a ligação de máquinas e</p><p>equipamentos diversos e os trabalhadores. Estes produtos evitam que fios</p><p>fiquem dispersos nas construções gerando menos riscos de choques, queima</p><p>de equipamentos e até acidentes mais graves. A proteção dos painéis acontece</p><p>por disjuntores, e de modo opcional por dispositivos de proteção contrafuga de</p><p>corrente elétrica (DDRs), que além de protegerem a ligação de máquinas, são</p><p>proteções à vida. É importante que as empresas planejem e analisem os riscos</p><p>nas obras para a prevenção de acidentes, com o objetivo principal de evitar perda</p><p>de vidas, danos à saúde do trabalhador, além de prejuízos ambientais e materiais.</p><p>ATENÇÃO - A NR-18 poderá incluir a exigência de projeto</p><p>e do dispositivo DR (Diferencial Residual) nos sistemas elétricos</p><p>temporários.</p><p>A seguir, listamos alguns materiais considerados essenciais para executar as</p><p>instalações elétricas no canteiro de obras, são eles:</p><p>• Dispositivo diferencial residual (DR): ele é responsável pela proteção</p><p>dos seres humanos e dos animais contra choques elétricos, mais</p><p>diretamente, contra correntes elétricas de fuga.</p><p>127</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>• Aterramentos temporários e permanentes: todas as instalações, circuitos,</p><p>máquinas ou peças que não façam parte dos circuitos elétricos, mas que</p><p>terão tensão elétrica fluindo, deverão ser aterrados.</p><p>• Conexões dos eletrodos: podem ser instalados quando necessários,</p><p>mas deve-se verificar se os mesmos não irão provocar corrosão e afetar</p><p>a resistência de contato.</p><p>• Quadros de distribuição: garantem a proteção dos componentes elétricos</p><p>contra poeira, umidade e impactos.</p><p>• Itens gerais: devem ser instalados eletrodos e calhas para proteger os</p><p>condutores, entre outros.</p><p>• Itens complementares: detectores de tensão do tipo chave de fenda; fitas</p><p>isolantes e ferramentas isoladas para atuação em campo, com tensão</p><p>até 1500 V e, corrente contínua.</p><p>• Barreiras, invólucros, tapetes, luvas isolantes, banquetas isoladas,</p><p>bastão de resgate e detectores, entre outros.</p><p>• Extintores de incêndio: para equipamentos e instalações elétricas</p><p>energizadas não podem ser de espuma, nem água, portanto, deve-se ter</p><p>disponível extintores de pó químico ou gás carbônico.</p><p>• EPI: capacete, bota (sem biqueira de aço), luvas isolantes com luva de</p><p>vaqueta e óculos de segurança.</p><p>Os trabalhadores de obras civil e eletricidade devem ser treinados segundo</p><p>sugerem as NRs, pois em uma instalação provisória podemos ter muitos riscos,</p><p>acidentes e até óbitos. Como exemplo, citam-se acidentes quando o eletricista</p><p>ou técnico não conhece a simbologia descrita nos projetos, ou não atenta para</p><p>as cores de plugs e tomadas. Em uma instalação de iluminação provisória no</p><p>canteiro de obras, quando a mesma é realizada com condutores emendados</p><p>e não isolados, pode causar acidentes, caso um trabalhador encoste uma escada</p><p>metálica. Na sequência, mostraremos alguns procedimentos de segurança que</p><p>devem ser seguidos em canteiros de obra, segundo o Manual de Procedimentos</p><p>para instalações Elétricas Provisórias (ALLPROJECT, 2019). Vamos aprendê-los?</p><p>6.4.1 Proteção contra contatos diretos</p><p>Os trabalhadores devem ser protegidos contra os perigos que possam</p><p>resultar de um contato com partes vivas da instalação, tais como condutores nus</p><p>ou descobertos, terminais de equipamentos elétricos etc.</p><p>A proteção contra contatos diretos deve ser assegurada por meio de:</p><p>128</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Isolação das partes vivas.</p><p>• Barreiras ou invólucros.</p><p>• Obstáculos.</p><p>• Colocação fora de alcance.</p><p>6.4.2 Isolação das partes vivas</p><p>É destinada a impedir todos os contatos com as partes vivas da instalação</p><p>elétrica através do recobrimento total por uma isolação que somente possa</p><p>ser removida através de sua destruição. As isolações dos componentes de</p><p>uma instalação elétrica têm um papel fundamental na proteção contra choques</p><p>elétricos. Há dois tipos de isolações:</p><p>• Básica: é aplicada às partes vivas para assegurar um mínimo de</p><p>proteção.</p><p>• Barreiras ou invólucros: são destinados a impedir todos os contatos com</p><p>as partes vivas da instalação elétrica, sendo que as partes vivas devem</p><p>estar no interior de invólucros ou atrás de barreiras. Para instalação de</p><p>barreiras ou invólucros, a rede elétrica deverá ser desligada.</p><p>• Obstáculos: são destinados a impedir os contatos diretos acidentais</p><p>com partes vivas, sendo instalados em compartimentos cujo acesso é</p><p>permitido somente a pessoas autorizadas.</p><p>• Colocação fora de alcance: é destinada a impedir os contatos acidentais,</p><p>consistindo em instalar os condutores energizados a uma altura/</p><p>distância que fique fora do alcance do trabalhador, das máquinas e dos</p><p>equipamentos.</p><p>6.4.3 Quadros de distribuição</p><p>Nos canteiros de obras da indústria da construção, a distribuição de energia</p><p>elétrica deve ser feita através dos quadros elétricos de distribuição que, conforme</p><p>suas características, podem ser: quadro principal de distribuição, quadro</p><p>intermediário de distribuição e quadro terminal de distribuição fixo e/ou móvel.</p><p>Os quadros de distribuição devem ser construídos de forma a garantir a</p><p>proteção dos componentes elétricos contra poeira, umidade, impactos etc., e ter</p><p>no seu interior o diagrama unifilar do circuito elétrico.</p><p>129</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Serão instalados em locais visíveis, sinalizados e de fácil acesso, não</p><p>devendo, todavia, localizarem-se em pontos de passagem de pessoas, materiais</p><p>e equipamentos. Os materiais empregados na construção dos quadros devem ser</p><p>incombustíveis e resistentes à corrosão.</p><p>Quando as carcaças dos quadros de distribuição forem condutoras, devem</p><p>ser devidamente aterradas, conforme recomendação do item 3.2.2.1 desta</p><p>recomendação técnica de procedimentos.</p><p>Os quadros de distribuição devem ter sinalização de advertência, alertando</p><p>sobre os riscos presentes naquele local, conforme mostra a Figura 29.</p><p>FONTE: Adaptada de Allproject (2019)</p><p>FIGURA 29 – SINALIZAÇÃO DE ADVERTÊNCIA DE PERIGO PARA</p><p>QUADROS DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA</p><p>6.4.4 Quadro principal de distribuição</p><p>É destinado a receber energia elétrica alimentada pela rede pública da</p><p>concessionária. A área do quadro principal de distribuição deve ser isolada por</p><p>anteparos rígidos, devidamente sinalizados, de forma a garantir somente o acesso</p><p>de trabalhadores autorizados. Essa área deve estar permanentemente limpa, não</p><p>sendo permitido o depósito de materiais no seu interior.</p><p>6.4.5 Quadros terminais: fixos ou móveis</p><p>São aqueles destinados a alimentar exclusivamente circuitos terminais, isto</p><p>é, diretamente máquinas e equipamentos. As ligações nos quadros de distribuição</p><p>devem ser feitas por trás, dotando-os ainda de fundo falso, de modo que a fiação</p><p>fique embutida.</p><p>130</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>A distribuição de energia nos diversos pavimentos da edificação deve ser feita</p><p>através de prumadas, sendo a fiação protegida por eletrodutos, que devem estar</p><p>localizados de forma a garantir uma perfeita disposição dos quadros elétricos.</p><p>Quando da manutenção das instalações elétricas, deve ser impedida a</p><p>energização acidental do circuito através de dispositivos de segurança adequados.</p><p>É recomendável dotar os quadros de distribuição de cadeados, estando a chave</p><p>sob responsabilidade do eletricista que realiza o reparo na instalação, bem como</p><p>a utilização de sinalização indicativa da execução do trabalho.</p><p>6.4.6 Chaves elétricas</p><p>As chaves elétricas mais utilizadas nos canteiros de obras da indústria</p><p>da construção são as chaves elétricas blindadas, os disjuntores e as chaves</p><p>magnéticas. As chaves elétricas blindadas e os disjuntores devem ser dotados</p><p>de cadeados ou dispositivos que permitam o acesso somente de trabalhadores</p><p>autorizados.</p><p>6.4.7 Instalações elétricas aéreas e</p><p>subterrâneas</p><p>As instalações elétricas temporárias devem ser dispostas em locais</p><p>onde não haja possibilidade de sofrerem choques mecânicos provenientes da</p><p>movimentação de materiais e máquinas ou possibilidade de contatos acidentais</p><p>com os trabalhadores. As instalações elétricas temporárias devem constar</p><p>do PCMAT. Não é permitida a queima de qualquer material embaixo de redes</p><p>elétricas, pois o calor gerado poderá danificar a fiação e ionizar o ar, possibilitando</p><p>a formação de arcos elétricos que poderão se constituir em causas de acidentes.</p><p>Não é recomendável dispor os condutores elétricos sobre superfícies ou locais</p><p>que possam provocar desgaste ou ruptura do seu isolamento, assim como</p><p>em locais encharcados ou úmidos. Quando houver riscos de contato, a fiação</p><p>deverá estar devidamente isolada por eletrodutos, fixados de forma adequada</p><p>na edificação e corretamente dimensionados em função do número de fios e</p><p>cabos no seu interior. As derivações do circuito principal destinadas a alimentar</p><p>interruptores e tomadas devem estar protegidas por eletrodutos ou calhas. Os</p><p>condutores de ligação dos equipamentos elétricos não devem ser tracionados,</p><p>principalmente para movimentá-los, transportá-los, pendurá-los ou desligá-los. As</p><p>extensões devem ser feitas com condutores de dupla isolação.</p><p>131</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>Se a instalação elétrica for subterrânea, deverá ser protegida por calhas</p><p>ou eletrodutos. Nos locais da passagem da fiação subterrânea, deve haver</p><p>sinalização indicativa.</p><p>Nos trabalhos de escavação, as redes elétricas subterrâneas devem ser</p><p>devidamente sinalizadas, o serviço, supervisionado por profissional legalmente</p><p>habilitado e deve ser garantido um espaçamento mínimo de segurança de 1,5 m</p><p>entre o local escavado e a rede.</p><p>6.4.8 Plugs e tomadas</p><p>Os plugs e as tomadas devem ser protegidos contra penetração de</p><p>umidade ou água. É obrigatório o uso do conjunto plug ou tomada para a ligação</p><p>dos equipamentos elétricos ao circuito de alimentação. Não ligar mais de um</p><p>equipamento à mesma tomada, a menos que o circuito de derivação tenha sido</p><p>projetado para tal.</p><p>Nas ligações com plug ou tomada, a parte energizada deve ser a tomada, a</p><p>fim de se evitar a exposição de trabalhadores as partes vivas.</p><p>• Assistir ao vídeo: Projeto de SPDA ou “para-raio”- Padrão</p><p>RW Engenharia, no link: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=IOVAq5Q8DtU.</p><p>• Assistir ao vídeo: A-76 aula 01 NBR 5419/2015 : SPDA</p><p>externo e definições, no link: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=IfhiKVnXt3s.</p><p>NR-26: sinalização com cores para a</p><p>segurança nos locais de trabalho</p><p>Mauricio Ferraz de Paiva</p><p>Uma boa informação é a forma como a mensagem está</p><p>estruturada, ou seja, ela é um conjunto de elementos e normas</p><p>132</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>combinados na formação da mensagem. E, importante, só ocorre</p><p>a comunicação quando quem recebe a informação reage e altera</p><p>momentaneamente o seu comportamento. Atrair a atenção sobre</p><p>lugares, objetos e situações, a fim de sinalizar ou alertar, em face de</p><p>uma situação de risco, de perigo, quando bem planejada e executada,</p><p>é uma forma eficiente de prevenir acidentes no ambiente de trabalho.</p><p>Esse tipo de orientação precisa ter uma tipologia de fácil leitura e</p><p>compreensão; incluir painéis informativos em todos os locais de risco</p><p>com visualidade e localização de fácil acesso; ter cores, letra/fundo,</p><p>possibilitando contraste adequado. Os sinais devem ser claramente</p><p>vistos sob quaisquer condições de iluminação e ser claramente</p><p>distinguidos de outros sinais e associar um significado específico de</p><p>comunicação. Quando houver a necessidade de uma identificação</p><p>mais detalhada (concentração, temperatura, pressões, pureza, etc.),</p><p>a diferenciação deve ser feita por meio de faixas de cores diferentes,</p><p>aplicadas sobre a cor básica. A NR-26 – Sinalização de Segurança</p><p>objetiva fixar as cores que devem ser usadas nos locais de trabalho</p><p>para prevenção de acidentes.</p><p>A saúde e a segurança dos trabalhadores no Brasil ainda</p><p>são preocupantes. Muitas foram as conquistas nas melhorias das</p><p>condições de trabalho, mas os riscos, as doenças ocupacionais, o</p><p>assédio moral e o alto ritmo de produção imposto pelas organizações,</p><p>levam milhões de trabalhadores ao adoecimento, afastamento do</p><p>trabalho e mortes.</p><p>A busca por ambientes de trabalho mais seguros está fazendo</p><p>com que os trabalhadores adotem cada vez mais a prevenção de</p><p>acidentes. Ela deixou de ser algo a ser feito apenas a partir da</p><p>conscientização e passou a ser algo que pode chegar às pessoas</p><p>por mais de um sentido e diga-se de passagem, o mais poderoso</p><p>deles – a visão.</p><p>Dos cincos sentidos, a visão humana é a que provê o maior</p><p>número de informações a serem processadas pelo cérebro. Estima-</p><p>se que metade do potencial de processamento cerebral humano seja</p><p>utilizada para lidar com informações visuais e sabe-se também que o</p><p>ser humano é um animal predominantemente visual.</p><p>Esse processo ocorre de forma extremamente rápida e em</p><p>condições bastante favoráveis, por exemplo, uma pessoa com</p><p>acuidade visual normal é capaz de identificar uma letra a uma</p><p>distância 700 vezes maior que a altura da mesma (860 vezes a</p><p>distâncias muito pequenas). Ou seja, uma letra de um centímetro a</p><p>uma distância de 7 m, ou letras de 2 mm a uma distância de 1,40 m.</p><p>Segundo a NR-26 (Sinalização de Segurança) devem ser</p><p>adotadas as cores para segurança em estabelecimentos ou locais</p><p>133</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>de trabalho, a fim de indicar e advertir acerca dos riscos existentes.</p><p>Por estas entre outras tantas razões a questão da sinalização como</p><p>ferramenta para a prevenção é de suma importância para o sucesso</p><p>de qualquer programa de segurança que tenha como objetivo</p><p>alcançar melhores resultados.</p><p>Assim, devem ser adotadas cores para segurança em</p><p>estabelecimentos ou locais de trabalho, a fim de indicar e advertir</p><p>acerca dos riscos existentes. As cores utilizadas nos locais de</p><p>trabalho para identificar os equipamentos de segurança, delimitar</p><p>áreas, identificar tubulações empregadas para a condução de</p><p>líquidos e gases e advertir contra riscos, devem atender ao disposto</p><p>nas normas técnicas oficiais.</p><p>A utilização de cores não dispensa o emprego de outras formas</p><p>de prevenção de acidentes. O uso de cores deve ser o mais reduzido</p><p>possível, a fim de não ocasionar distração, confusão e fadiga ao</p><p>trabalhador.</p><p>O produto químico utilizado no local de trabalho deve ser</p><p>classificado quanto aos perigos para a segurança e a saúde dos</p><p>trabalhadores de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema</p><p>Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de</p><p>Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas. A</p><p>classificação de substâncias perigosas deve ser baseada em lista de</p><p>classificação harmonizada ou com a realização de ensaios exigidos</p><p>pelo processo de classificação.</p><p>Na ausência de lista nacional de classificação harmonizada</p><p>de substâncias perigosas pode ser utilizada lista internacional. Os</p><p>aspectos relativos à classificação devem atender ao disposto em</p><p>norma técnica oficial vigente.</p><p>A rotulagem preventiva é um conjunto de elementos com</p><p>informações escritas, impressas ou gráficas,</p><p>DE ACI-</p><p>DENTE</p><p>SUBSTÂNCIA MORTES</p><p>1921 Alemanha Explosão de fábri-</p><p>ca de anilina</p><p>Sulfato de nitrato</p><p>e amônia</p><p>>500</p><p>1926 EUA Explosão de de-</p><p>pósito de munição</p><p>Trinitrotoluol 21</p><p>1930 Bélgica Gases tóxicos na</p><p>atmosfera</p><p>Ácido fluorídrico,</p><p>ácido sulfúrico e</p><p>dióxido de enx-</p><p>ofre</p><p>63</p><p>1942 Bélgica Explosão Nitrato de amônia >100</p><p>1950 México Escapamento em</p><p>fábrica</p><p>Sulfureto de hi-</p><p>drogênio</p><p>22</p><p>1960 Coreia do Sul Incêndio em fábri-</p><p>ca química</p><p>Desconhecida 63</p><p>1970 Indonésia Incêndio em refi-</p><p>naria</p><p>Líquidos in-</p><p>flamáveis</p><p>50</p><p>QUADRO 1 – ACIDENTES QUÍMICOS POR FALTA DE</p><p>SEGURANÇA MAIS CONHECIDOS NO MUNDO</p><p>14</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>1980 Irã Explosão em de-</p><p>pósito de explo-</p><p>sivos</p><p>Nitroglicerina 80</p><p>1998 Brasil Incêndio RE-</p><p>GAP-Betim</p><p>6</p><p>2001 Brasil Plataforma de</p><p>Petróleo – P31</p><p>Bacia de Campos</p><p>Petróleo 11</p><p>FONTE: Adaptado de BETAEQ (2015)</p><p>Para evitar um acidente, a atitude mais importante a fazer é analisar os</p><p>riscos envolvidos, usando as habilidades de um profissional, usando critérios</p><p>normatizados e incluindo na análise possibilidades reais.</p><p>Sell (1995) classifica os riscos puros em grandes, médios e pequenos. Um</p><p>risco grande é aquele que, caso ocorra, ameaça a existência da empresa. Um</p><p>risco médio é aquele que o seu acontecimento impede o alcance dos objetivos da</p><p>empresa. E um risco pequeno é aquele que obriga a adoção de outros meios para</p><p>o alcance dos objetivos da empresa (SELL, 1995).</p><p>Os riscos profissionais estão na origem dos acidentes de trabalho</p><p>(acontecimentos que violentam a integridade física) e/ou das doenças profissionais</p><p>(situações agressivas para o estado de saúde dos trabalhadores).</p><p>As doenças profissionais são definidas como: “são todos os males aos quais</p><p>a saúde humana está exposta, devido às atividades profissionais desenvolvidas.</p><p>Estas doenças são causadas principalmente pela exposição crônica a</p><p>determinados agentes físicos, químicos ou biológicos” (SOUZA, 2015, s.p.).</p><p>Nesse sentido, é fundamental que seja encarada de forma sistemática pelas</p><p>organizações uma filosofia de prevenção através do conhecimento dos perigos</p><p>associados aos processos organizativos e de desenvolver maneiras de controlar</p><p>as situações de risco, aplicando o processo da gestão de risco.</p><p>Analisar um risco é identificar, discutir e avaliar as possibilidades de</p><p>ocorrência de acidentes, na tentativa de se evitar que estes aconteçam e, caso</p><p>ocorram, identificar as alternativas que tornam mínimos os danos subsequentes a</p><p>estes acontecimentos.</p><p>15</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>CURIOSIDADE – No Desastre de Bhopal “Em 3 de dezembro</p><p>de 1984, numa fábrica da Union Carbidé, em Bhopal, ocorreu,</p><p>uma grande, liberação, para a atmosfera, de isocianato de metila,</p><p>proveniente de um reservatório de estocagem. O gás tóxico acabou</p><p>atingindo toda uma favela que se havia formado nos arredores</p><p>da fábrica. De acordo com os relatos, houve contaminação do</p><p>reservatório de isocianato com água e clorofórmio. Os contaminantes</p><p>reagiram com parte do isocianato do reservatório, provocando a</p><p>elevação da temperatura do seu conteúdo. O sistema de refrigeração</p><p>do reservatório não estava funcionando. A válvula de segurança</p><p>do reservatório se abriu, mas o sistema de lavagem de gases, que</p><p>deveria absorver os vapores de isocianato liberados pela válvula,</p><p>em subdimensionado, e o sistema deflare, que deveria ter queimado</p><p>qualquer vapor residual que atravessasse o sistema de lavagem,</p><p>estava fora de serviço. Neste acidente foram mortas cerca de 2500</p><p>pessoas, com um número de feridos talvez 10 vezes maior. Uma das</p><p>causas mais importantes, geradoras do desastre de Bhopal, foi a</p><p>falha em se manter equipamentos de segurança em boas condições</p><p>de operação (KLETZ, s.d., p. 30).</p><p>1) Assista ao vídeo sobre o acidente em Chenobyl (Rússia), no sítio:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=DiGqjYkRQ6o.</p><p>2) Assista ao vídeo sobre o acidente com o Césio-137 (Brasil), no</p><p>sítio: https://www.youtube.com/watch?v=VUHLS1WL6FM.</p><p>3) Assista ao vídeo sobre o acidente em Angra I, no sítio:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=QBYwJvb2e6U.</p><p>4) Assista ao vídeo sobre prevenção de grandes acidentes químicos,</p><p>no sítio: https://www.youtube.com/watch?v=NehENU60t0w.</p><p>16</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>1) O que você entende por risco?</p><p>2) O que é acidente de trabalho?</p><p>3) Quais são os riscos presentes na indústria elétrica?</p><p>2.1 RISCOS EM FERRAMENTAS</p><p>MANUAIS</p><p>Ferramenta manual é a ferramenta que exige a força braçal humana para</p><p>o seu perfeito funcionamento, por exemplo, martelo, torquês, alicate, alicate</p><p>prensa cabos, torquímetro, grampeador, entre outras. Essas ferramentas</p><p>são indispensáveis em alguns processos industriais, por isso não podem ser</p><p>substituídas. A Figura 1 mostra algumas ferramentas manuais de uso industrial.</p><p>FONTE: <http://comercialadriano.com.br/index.php/ferramentas/</p><p>ferramentas-manuais>. Acesso em: 17 jun. 2019.</p><p>FIGURA 1 – FERRAMENTAS MANUAIS</p><p>Também são consideradas ferramentas manuais: chaves de fenda,</p><p>tenazes, chaves, cortadores, escopros, limas, punções, buril, descascador de</p><p>fios, descascador de mangueiras, prensa-terminais, vira-machos com catraca,</p><p>tesouras etc.</p><p>Um grande número de acidentes ocorre todos os dias nas indústrias, pois</p><p>não há pessoal preparado para manuseá-las ou treinamentos apropriados</p><p>sendo fornecidos pela empresa aos trabalhadores. “O uso inadequado dessas</p><p>ferramentas por parte dos trabalhadores gera em torno de 10% de acidentes de</p><p>trabalho nas organizações” (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006, p. 17).</p><p>17</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>FONTE: <https://pt.scribd.com/doc/61460277/Check-List-</p><p>Ferramentas-Manuais>. Acesso em: 20 abr. 2021.</p><p>QUADRO 2 – FORMULÁRIO PARA ORGANIZAÇÃO E</p><p>CHECKLIST DAS FERRAMENTAS MANUAIS</p><p>Esse tipo de ferramenta opera como uma extensão da mão humana e por</p><p>não se conectarem à rede elétrica, passam a falsa impressão de não oferecer</p><p>riscos. Mas, sua utilização inadequada pode provocar sérios danos ao operador,</p><p>principalmente às mãos, como cortes e bolhas.</p><p>As principais causas de acidentes são o uso inadequado das ferramentas, usar</p><p>ferramenta incorreta para determinado trabalho, local inapropriado para alocar as</p><p>ferramentas causando desgastes das mesmas, falta de manutenção, desorganização,</p><p>entre outras. Indica-se, nesses casos, iniciar um programa de ferramentas manuais,</p><p>a fim de instruir os trabalhadores ao correto uso e armazenamento delas (CAMPOS;</p><p>TAVARES; LIMA, 2006), conforme mostra o Quadro 2.</p><p>18</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Para evitar acidentes com ferramentas manuais, nunca improvise uma tarefa</p><p>com uma ferramenta imprópria para a função. Não confeccione ferramentas. As</p><p>ferramentas industrializadas passam por rigorosos controles de qualidade. Utilize</p><p>sempre os equipamentos de proteção individual e coletiva, necessários para a</p><p>tarefa, como: luvas de proteção, óculos e máscaras. Para trabalhos em altura,</p><p>utilize cinto de proteção tipo paraquedista e cinto porta-ferramentas.</p><p>Antes de utilizar qualquer ferramenta, verifique cuidadosamente se o</p><p>equipamento contém algum defeito ou avaria. Caso encontre algo, descarte-a</p><p>imediatamente e a substitua por uma peça nova. Sempre que precisar deslocar</p><p>a ferramenta de local, nunca utilize os bolsos, pois muitas possuem cortes e</p><p>pontas. Utilize os cintos apropriados. Limpe-as sempre após o uso. Conserve</p><p>seus cabos sempre sem óleo, graxas e outros materiais que podem provocar</p><p>o deslizamento da ferramenta. Para aqueles que trabalham em equipe,</p><p>nunca jogue uma ferramenta para o colega, o certo é entregar nas mãos.</p><p>Sempre que for utilizar a ferramenta em locais que conduzem energia, utilize</p><p>as ferramentas isoladas, próprias para esse tipo de trabalho. Ferramentas</p><p>jogadas no chão podem</p><p>relativas a um produto</p><p>químico, que deve ser afixada, impressa ou anexada à embalagem</p><p>que contém o produto. Ela deve conter os seguintes elementos:</p><p>identificação e composição do produto químico; pictograma(s)</p><p>de perigo; palavra de advertência; frase(s) de perigo; frase(s) de</p><p>precaução; e informações suplementares.</p><p>O produto químico não classificado como perigoso a segurança</p><p>e saúde dos trabalhadores conforme o GHS deve dispor de rotulagem</p><p>preventiva simplificada que contenha, no mínimo, a indicação do</p><p>nome, a informação de que se trata de produto não classificado como</p><p>perigoso e recomendações de precaução. Os produtos notificados</p><p>ou registrados como saneantes na Anvisa estão dispensados do</p><p>cumprimento das obrigações de rotulagem preventiva.</p><p>134</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>O fabricante ou, no caso de importação, o fornecedor no</p><p>mercado nacional deve elaborar e tornar disponível ficha com</p><p>dados de segurança do produto químico para todo produto químico</p><p>classificado como perigoso. O formato e conteúdo da ficha com dados</p><p>de segurança do produto químico devem seguir o estabelecido pelo</p><p>Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem</p><p>de Produtos Químicos (GHS), da ONU (Organização das Nações</p><p>Unidas).</p><p>No caso de mistura deve ser explicitado na ficha com dados</p><p>de segurança o nome e a concentração, ou faixa de concentração,</p><p>das substâncias que: representam perigo para a saúde dos</p><p>trabalhadores, se estiverem presentes em concentração igual ou</p><p>superior aos valores de corte/limites de concentração estabelecidos</p><p>pelo GHS para cada classe/categoria de perigo; e possuam limite de</p><p>exposição ocupacional estabelecidos.</p><p>Os aspectos relativos à ficha com dados de segurança devem</p><p>atender ao disposto em norma técnica oficial vigente. Isso se aplica</p><p>também a produto químico não classificado como perigoso, mas</p><p>cujos usos previstos ou recomendados derem origem a riscos a</p><p>segurança e saúde dos trabalhadores.</p><p>O empregador deve assegurar o acesso dos trabalhadores às</p><p>fichas com dados de segurança dos produtos químicos que utilizam</p><p>no local de trabalho. Os trabalhadores devem receber treinamento:</p><p>para compreender a rotulagem preventiva e a ficha com dados de</p><p>segurança do produto químico; e sobre os perigos, riscos, medidas</p><p>preventivas para o uso seguro e procedimentos para atuação em</p><p>situações de emergência com o produto químico.</p><p>As cores e suas principais utilizações:</p><p>Vermelho</p><p>Utilização – Para distinguir e indicar equipamentos e aparelhos</p><p>de proteção e combate a incêndio. Usada excepcionalmente com</p><p>sentido de advertência de perigo nas luzes a serem colocadas em</p><p>barricadas, tapumes de construções e quaisquer outras obstruções</p><p>temporárias; em botões interruptores de circuitos elétricos para</p><p>paradas de emergência. Não deve ser usado na indústria para</p><p>assinalar perigo, por ser de pouca visibilidade em comparação com</p><p>o amarelo (de alta visibilidade) e o alaranjado (que significa alerta).</p><p>Amarelo</p><p>Utilização – O amarelo deverá ser empregado para indicar cuidado.</p><p>Usado para sinalizar locais onde as pessoas possam bater contra,</p><p>tropeçar, etc. ou ainda em equipamentos que se desloquem como</p><p>os veículos industriais. Em canalizações, deve-se utilizar o amarelo</p><p>135</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>para identificar gases não liquefeitos. Listras (verticais ou inclinadas)</p><p>e quadrados pretos serão usados sobre o amarelo quando houver</p><p>necessidade de melhorar a visibilidade da sinalização.</p><p>Branco</p><p>Utilização – Passarelas e corredores de circulação, por meio de</p><p>faixas, direção e circulação, localização e coletores de resíduos;</p><p>localização de bebedouros; áreas em torno dos equipamentos de</p><p>socorro de urgência, de combate a incêndio ou outros equipamentos</p><p>de emergência; áreas destinadas à armazenagem e zonas de</p><p>segurança.</p><p>Preto</p><p>Utilização – O preto será empregado para indicar as canalizações de</p><p>inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade (ex: óleo lubrificante,</p><p>asfalto, óleo combustível, alcatrão, piche, etc.).</p><p>Verde</p><p>Utilização – O verde é a cor da segurança e deve ser utilizado</p><p>para canalizações de água; caixas de equipamento de socorro</p><p>de urgência; caixas contendo máscaras contra gases; chuveiros</p><p>de segurança; macas; lava-olhos; dispositivos de segurança;</p><p>mangueiras de oxigênio (solda oxiacetilênica), etc.</p><p>Laranja</p><p>Utilização – Deve ser empregado para canalizações contendo</p><p>ácidos; partes móveis de máquinas e equipamentos; partes internas</p><p>das guardas de máquinas que possam ser removidas ou abertas;</p><p>faces internas de caixas protetoras de dispositivos elétricos; faces</p><p>externas de polias e engrenagens; botões de arranque de segurança;</p><p>dispositivos de corte, borda de serras e prensas.</p><p>Púrpura</p><p>Utilização – Usada para indicar os perigos provenientes das</p><p>radiações eletromagnéticas penetrantes de partículas nucleares.</p><p>Cinza</p><p>Utilização – Cinza claro – usado para identificar canalizações em</p><p>vácuo; Cinza escuro – usado para identificar eletrodutos.</p><p>Enfim, o uso das cores é essencial por permitir a rápida</p><p>identificação de determinados produtos químicos em tubulações</p><p>possibilitando assim reações em tempo hábil diante de emergências.</p><p>Igualmente, a sua utilização é uma forma bastante eficaz de trabalhar</p><p>com grupos de trabalhadores com dificuldades para leitura – sendo a</p><p>identificação e compreensão da situação quase que imediata nestes</p><p>casos.</p><p>136</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Usar cores como meio para prevenção deve ser algo criterioso.</p><p>O uso sem critérios pode criar mais confusão do que prevenção.</p><p>Além disso, deve haver preocupação e cuidados com as questões</p><p>da fadiga visual ou outras situações que causem desconforto ou</p><p>confusão aos trabalhadores.</p><p>FONTE: <https://revistacipa.com.br/nr-26-sinalizacao-com-cores-para-</p><p>a-seguranca-nos-locais-de-trabalho/>. Acesso em: 28 abr. 2021.</p><p>1) Explique quais são as necessidades de uso de para-raios em</p><p>instalações.</p><p>2) Disserte sobre a NR-26.</p><p>3) Disserte sobre a NR-8.</p><p>7 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>O SPDA é obrigatório em estabelecimentos com potência elétrica acima dos</p><p>75 KW. Segundo o Corpo de Bombeiros, a instalação desse mecanismo também</p><p>é necessária nos edifícios com mais de 30 metros de altura. Ele funciona como</p><p>um escudo no momento em que raios atingem um prédio. Dessa forma, anula ou</p><p>minimiza o impacto provocado e conduz as correntes elétricas de um raio para a</p><p>Terra graças a condutores.</p><p>O recurso é uma proteção fundamental para diversas companhias e é</p><p>regulamentado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio</p><p>da Norma 5419/2015. Não é possível anular a incidência de raios, mas o SPDA</p><p>ajuda a evitar os efeitos nocivos nas construções e instalações, além de proteger</p><p>os cidadãos que estão em um prédio.</p><p>A norma NR-26 trata sobre as regras de sinalização de segurança em</p><p>locais de trabalho. O objetivo da sinalização de segurança no trabalho é garantir</p><p>a segurança dos trabalhadores. A empresa deve apresentar a sinalização</p><p>de segurança aos seus trabalhadores para que estes a conheçam e possam</p><p>137</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>respeitar. Ao utilizar símbolos universais e cores padronizadas, a sinalização de</p><p>segurança comunica mensagens claras sobre perigos de um local ou informações</p><p>adicionais sobre os mesmos.</p><p>Em uma situação de emergência, a sinalização de segurança oferece</p><p>orientações específicas e seguras, exatamente o que é preciso em momentos de</p><p>algum pânico e de agitação. A sinalização de segurança deve estar em todos os</p><p>locais de trabalho, abrangendo não só os trabalhadores, mas também as pessoas</p><p>que se encontrem temporariamente no local, como fornecedores, clientes,</p><p>prestadores de serviços externos etc.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410</p><p>– Instalações Elétricas</p><p>de Baixa Tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.</p><p>ABRASFE. Notícias. 2020. Disponível em: http://abrasfe.org.br/acidentes-</p><p>na-construcao-diminuem-38-no-brasil/. Acesso em: 30 ago. 2021.</p><p>ADMINISTRADORES. O que é Cabine Primária e quando</p><p>devo usar na minha empresa. 2019. Disponível em: https://</p><p>administradores.com.br/artigos/o-que-e-cabine-primaria-e-quando-</p><p>devo-usar-na-minha-empresa. Acesso em: 12 nov. 2020.</p><p>ALLPROJECT. Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional:</p><p>procedimento para instalações elétricas provisórias. 2019. Disponível</p><p>em: http://www.allproject.com.br/gproj/gproj283/270/proseg-11---</p><p>instalacoes-eletricas-provisorias.pdf. Acesso em: 14 set. 2019.</p><p>BORDIGNON, A. L. Equipamentos elétricos industriais. Juiz</p><p>de Fora. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2014.</p><p>BRAGA, N. C. Erros comuns no uso do multímetro (INS052).</p><p>2019. Disponível em: http://newtoncbraga.com.br/index.php/</p><p>instrumentacao/108-artigos-diversos/1848-. Acesso em: 22 dez. 2019.</p><p>CAMPOS, A.; TAVARES, J. C.; LIMA, V. Prevenção e controle de risco em</p><p>máquinas, equipamentos e instalações. 5. ed. São Paulo: Senac, 2006.</p><p>COPAFER. Disjuntor. 2019. Disponível em: https://www.copafer.com.br/</p><p>disjuntor-din-bipolar-20a-sdd62c20-steck-p1107952. Acesso em: 21 set. 2019.</p><p>138</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>ELETROPEÇAS. Reles Temporizadores RTW WEG. 2020.</p><p>Disponível em: https://www.eletropecas.com/_uploads/</p><p>ProdutoDownload/produto_5899.pdf. Acesso em: 26 fev. 2020.</p><p>ENGEREY. Confira a reportagem sobre Instalações Elétricas em</p><p>Canteiros de Obras feita pela Revista do CREA-PR com a Engerey.</p><p>2018. Disponível em: http://www.engerey.com.br/blog/confira-a-</p><p>reportagem-sobre-instalacoes-eletricas-em-canteiros-de-obras-feita-</p><p>pela-revista-do-crea-pr-com-a-engerey. Acesso em: 30 ago. 2021.</p><p>FAECPR. Segurança em Eletricidade. 2020. Disponível em: https://</p><p>www.faecpr.edu.br/site/documentos/eletricidade_basica/curso_de_</p><p>seguranca_em_eletricidade.pdf. Acesso em: 12 nov. 2020.</p><p>FIGUEIREDO, C. R. Equipamentos elétricos e eletrônicos.</p><p>Brasília: Universidade de Brasília, 2009. 102p.</p><p>FRANCHI, M. C. Acionamentos elétricos. 3. ed. São Paulo: Érica, 2008.</p><p>GUIA TRABALHISTA. Norma Regulamentadora 18 - NR 18. Condições e</p><p>meio ambiente de trabalho na indústria da construção. 2020. Disponível</p><p>em: http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr18.htm#18.1._Objetivo_e_</p><p>campo_de_aplica%C3%A7%C3%A3o.__. Acesso em: 2 out. 2020.</p><p>IEEE. Power System Relaying Committee. IEEE Standart</p><p>for Relays and Relay Systems, 2020.</p><p>INFOENEM. O poder das pontas e o funcionamento do para-raios.</p><p>2019. Disponível em: https://www.infoenem.com.br/o-poder-das-</p><p>pontas-e-o-funcionamento-do-para-raios/. Acesso em: 8 set. 2019.</p><p>ISHIKAWA, H. Instalações elétricas provisórias no canteiro</p><p>pedem cuidado. 2019. Disponível em: https://www.aecweb.</p><p>com.br/revista/materias/instalacoes-eletricas-provisorias-no-</p><p>canteiro-pedem-cuidado/14769. Acesso em: 11 ago. 2020.</p><p>KUADRO. Resumo de Física: instrumentos de medida. 2019. Disponível em:</p><p>https://www.kuadro.com.br/resumos-enem-vestibulares/fisica/eletrodinamica/</p><p>instrumentos-de-medida?id=208&topicId=4040. Acesso em: 12 nov. 2019.</p><p>LORENCINI BRASIL. Reles. 2016. Disponível em: http://</p><p>www.lorencini.com.br/blog/conheca-os-principais-tipos-de-</p><p>reles-e-suas-funcoes/. Acesso em: 22 set. 2019.</p><p>139</p><p>Dispositivos Elétricos e E. de Proteção IndividualDispositivos Elétricos e E. de Proteção Individual Capítulo 2</p><p>MAMEDE FILHO, J. Instalações Elétricas</p><p>Industriais. 9. ed. São Paulo: LTC, 2017.</p><p>MATSUMI, C. Comandos elétricos. Joinville: IFSC, 2005. Disponível</p><p>em: http://www.joinville.ifsc.edu.br/~matsumi/geral/Comandos_Eletricos/</p><p>Aula_Comandos_Eletricos_Industriais.pdf. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>MUNDO DA ELÉTRICA. Alicate amperímetro! O que é e como funciona?</p><p>2019. Disponível em: https://www.mundodaeletrica.com.br/alicate-</p><p>amperimetro-o-que-e-e-como-funciona/. Acesso em: 22 nov. 2019.</p><p>MUNDO EDUCAÇÃO. Amperímetro. 2019a. Disponível em: https://</p><p>mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/amperimetro.htm. Acesso em: 21 nov. 2019.</p><p>MUNDO EDUCAÇÃO. Multímetro. 2019b. Disponível em: https://</p><p>mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/o-multimetro.htm. Acesso em: 23 nov. 2019.</p><p>PEINADO, H. S. (org.) Segurança e Saúde do Trabalho na Indústria</p><p>da Construção Civil. São Carlos: Editora Scienza, 2019. 432p.</p><p>PINHEIRO, H. Máquinas e acionamentos elétricos. 2019. Disponível em:</p><p>https://docente.ifrn.edu.br/heliopinheiro/Disciplinas/maquinas-acionamentos-</p><p>eletricos/apostila-de-chaves-de-partida. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>RENNOVA FERRAMENTARIA. Dispositivos de controle.</p><p>2019. Disponível em: https://www.rennovaferramentaria.com.</p><p>br/dispositivos-controle. Acesso em: 12 dez. 2020.</p><p>SEGURANÇA NO TRABALHO NWN. Segurança no trabalho de</p><p>demolição. 2020. Disponível em: https://segurancadotrabalhonwn.com/</p><p>seguranca-no-trabalho-de-demolicao/Acesso em: 2 out. 2020.</p><p>SILVA, D. C. M. da. Galvanômetro. Brasil Escola. 2021. Disponível em: https://</p><p>brasilescola.uol.com.br/fisica/galvanometro.htm. Acesso em: 30 ago. 2021.</p><p>SILVA, M. G. M. Avaliação de Desempenho de Reles de</p><p>Proteção Digitais. Rio de Janeiro: UFRJ, 2012.</p><p>TOWNSQ. Manutenção de para-raios: como funciona e qual é</p><p>sua importância? 2018. Disponível em: https://blog.townsq.com.</p><p>br/manutencao-de-para-raios/. Acesso em: 8 set. 2019.</p><p>140</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>TUIUTI. Entenda a importância do arranjo físico para segurança no ambiente</p><p>de trabalho. 2020. Disponível em: https://www.epi-tuiuti.com.br/blog/</p><p>seguranca-do-trabalho/entenda-importancia-arranjo-fisico-para-seguranca-</p><p>ambiente-de-trabalho/#:~:text=Entenda%20a%20import%C3%A2ncia%20</p><p>do%20arranjo%20f%C3%ADsico%20para%20seguran%C3%A7a%20no%20</p><p>ambiente%20de%20trabalho,-%C2%A9%20Depositphotos.com&text=O%20</p><p>arranjo%20f%C3%ADsico%20pode%20ser,%2C%20pessoas%2C%20</p><p>departamentos%20ou%20mobili%C3%A1rio. Acesso em: 2 ago. 2020.</p><p>VIANA, M. J. (Coord.) et al. Instalações elétricas temporárias</p><p>em canteiros de obras. São Paulo: Fundacentro, 2007. 44 p.:</p><p>il. (Recomendação técnica de procedimentos. RTP; 05).</p><p>VIEWTECH. DPS. 2019a. https://bit.ly/3CBSVfy.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2019.</p><p>VIEWTECH. Voltímetro. 2019b. Disponível em: https://</p><p>www.viewtech.ind.br/voltimetro-analogico-0-300vca-72x72-</p><p>mm?utm_source=Site&utm_medium=GoogleMerchant&utm_</p><p>campaign=GoogleMerchant&gclid=Cj0KCQjw9tbzBRDVARIsAMBplx_</p><p>X87mVrRA8AS_t2ysDC-ON42zUQ7UTjpfpOJzltEOI55Luo4</p><p>SJmDgaAh0YEALw_wcB. Acesso em: 22 nov. 2019.</p><p>WEG. Inversor de Frequência CFW10. 2019a. Disponível em:</p><p>https://www.weg.net/catalog/weg/BR/pt/Automa%C3%A7%C3%A3o-</p><p>e-Controle-Industrial/Drives/Inversores-de-Frequ%C3%AAncia/</p><p>Micro-e-Mini-Drives/Inversor-de-Frequ%C3%AAncia-CFW10/</p><p>Inversor-de-Frequ%C3%AAncia-CFW10/p/MKT_WDC_BRAZIL_FREQUENCY_</p><p>INVERTER_EASY_DRIVE_CFW10. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>WEG. Você sabe o que é um dispositivo diferencial residual? 2019b.</p><p>Disponível em: https://www.weg.net/tomadas/blog/papo-profissional/voce-</p><p>saber-o-que-e-um-dispositivo-diferencial-residual/. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>WEG. Softstarter. 2019c. Disponível em: https://www.weg.net/</p><p>catalog/weg/BR/pt/Automa%C3%A7%C3%A3o-e-Controle-Industrial/</p><p>Drives/Soft-Starters/Uso-geral/Soft-Starter-SSW07/SOFT-STARTER-</p><p>SSW070171T5SZ/p/10233130. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>WIKIPEDIA. Gambiarra. 2019. Disponível em: https://</p><p>pt.wikipedia.org/wiki/Gambiarra. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Manutenção Preventiva e</p><p>Engenharia de Segurança do</p><p>Trabalho em Atividades Laborais</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� compreender o conceito de manutenção preventiva e</p><p>diferenciar dos demais tipos de manutenção;</p><p>� compreender o conceito de atividade laboral e saber quais</p><p>são os tipos de atividades laborais na indústria;</p><p>� entender o conceito de choque elétrico, seus</p><p>tipos, riscos e formas de prevenção;</p><p>� estudar a legislação e as normas relativas à proteção contra instalações</p><p>elétricas</p><p>realizadas de forma inadequada e perigosa (NR-10);</p><p>� capacitar o aluno à aplicação correta de transporte,</p><p>armazenagem, manuseio e rotulagem de materiais;</p><p>� saber as atribuições de um engenheiro de segurança do trabalho.</p><p>142</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>143</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>1 Contextualização</p><p>Todo trabalho que envolve eletricidade deve ser feito com os cuidados e</p><p>equipamentos adequados. Um dos maiores perigos quando se fala de segurança</p><p>em eletricidade são os choques elétricos. Há diversas maneiras de minimizar</p><p>ou até mesmo eliminar as causas de acidentes dentro do ambiente de trabalho.</p><p>Eliminar todas as causas de ocorrências de acidentes por choques elétricos não</p><p>é tarefa fácil. Por isso, é fundamental às empresas que necessitam de mão de</p><p>obra para execução de trabalhos em sistemas de eletricidade, muita atenção às</p><p>exigências previstas na norma regulamentadora (NR-10) vigente. A NR-10, que</p><p>aborda sobre as instalações e serviços em eletricidade, determina as condições</p><p>adequadas para garantir a segurança e a integridade física de trabalhadores, que</p><p>executam tarefas relacionadas a instalações elétricas.</p><p>O corpo humano é condutor de eletricidade. Quando o corpo entra em contato</p><p>com a corrente elétrica, esta é conduzida para a terra ou para outro elemento</p><p>condutor. Isso é o choque elétrico, que causa calor e contrações musculares. As</p><p>consequências do contato com a corrente elétrica dependem da intensidade da</p><p>corrente e do tempo de exposição. De qualquer maneira, podem variar desde</p><p>queimaduras até paradas cardíacas. Tal desorganização do arranjo fisiológico</p><p>dos elementos químicos das células provocada pelo choque elétrico pode levar à</p><p>morte.</p><p>O choque elétrico é uma perturbação de natureza e efeitos diversos que se</p><p>manifesta no organismo humano ou animal quando este é percorrido por uma</p><p>corrente elétrica (COTRIM; GROMONI; MORENO, 2010). O choque elétrico pode</p><p>ocorrer pelo contato com um circuito energizado, por meio de um corpo carregado</p><p>eletricamente ou por uma descarga atmosférica. Na prevenção de choques</p><p>elétricos, deve-se considerar: as fontes de choques elétricos e o contato, que</p><p>pode ser direto e indireto.</p><p>Os choques elétricos podem causar contrações musculares e, dependendo</p><p>de certos fatores, como corrente e tempo de exposição, podem levar a paradas</p><p>cardíacas e respiratórias. As queimaduras também são consequências comuns</p><p>desse tipo de acidente, além do perigo de incêndio devido à pane elétrica</p><p>(HENRIQUES, 2019).</p><p>As principais fontes de choques elétricos são:</p><p>• terminais de equipamentos não isolados;</p><p>• condutores ou cabos com isolação danificada ou deteriorada;</p><p>• equipamentos de utilização velhos e/ou malcuidados.</p><p>144</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Os tipos de contato são:</p><p>(a) Contato direto: ocorre quando o trabalhador toca, inadvertidamente ou</p><p>não, nos condutores energizados (fios, cabos elétricos, dentre outros) de</p><p>instalação elétrica ou de parte de equipamentos elétricos com falhas no</p><p>material isolante.</p><p>(b) Contato indireto: é o contato de trabalhadores com massas (partes e</p><p>peças de equipamentos) que possam ficar energizados devido a uma</p><p>falha de isolamento (VIANA; FERREIRA, 2018).</p><p>Segundo Campos, Tavares e Lima (2006), os acidentes de contato com a</p><p>eletricidade podem acontecer em todas as quatro fases, em toda parte; tanto nas</p><p>instalações de alta tensão como nas de baixa tensão. Na sequência, abordaremos</p><p>o choque elétrico e suas consequências, vamos lá?</p><p>2 CHOQUE ELÉTRICO</p><p>O conceito de choque elétrico, por definição, é uma perturbação de natureza</p><p>e efeitos diversos, que se manifesta no organismo humano quando percorrido,</p><p>em certas condições, pela corrente elétrica. É um estímulo rápido e acidental</p><p>do sistema nervoso central do corpo humano, pela passagem de uma corrente</p><p>que circulará quando ele se tornar parte de um circuito elétrico que possua uma</p><p>diferença de potencial suficiente para vencer sua resistência elétrica (CAMPOS;</p><p>TAVARES; LIMA, 2006).</p><p>O corpo humano é considerado um condutor de eletricidade, pois nosso</p><p>organismo é composto por mais de 60% de água. Entretanto, a água pura não</p><p>é considerada condutora, mas sim, os compostos salinos que estão misturados</p><p>a ela favorecem essa condução, portanto, estamos mais propensos a receber</p><p>choques elétricos. A eletricidade sempre representou grave risco à vida humana</p><p>e animal. Por esse motivo, a EngeHall (2020) elencou oito assertivas sobre como</p><p>prevenir os choques elétricos:</p><p>• Manter os equipamentos elétricos longe de qualquer fonte de água.</p><p>• Estar sempre com calçado isolante no contato com equipamentos</p><p>elétricos.</p><p>• Nunca tocar em equipamentos elétricos com a mão ou corpo úmido.</p><p>• Tomar cuidado para não sobrecarregar uma tomada ligando vários</p><p>aparelhos nela.</p><p>• Quando for realizar a limpeza de um equipamento elétrico, verificar se o</p><p>mesmo está desligado.</p><p>145</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>• Realizar revisões periódicas das instalações elétricas da casa.</p><p>• Ler sempre as instruções antes de instalar qualquer eletrodoméstico.</p><p>• Desligar os aparelhos sempre puxando pelo plugue, nunca pelo fio.</p><p>A Figura 1 mostra como a corrente elétrica proveniente de um choque elétrico</p><p>se comporta ao atravessar o corpo humano.</p><p>FONTE: <http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.</p><p>php?a=28&Cod=1550>. Acesso em: 31 ago. 2021.</p><p>FONTE: Adaptado de <http://www.forumdaconstrucao.com.br/</p><p>conteudo.php?a=28&Cod=1550>. Acesso em: 31 ago. 2021.</p><p>FIGURA 1 – CAMINHOS POSSÍVEIS PARA O FLUXO DE CORRENTE</p><p>QUADRO 1 – CASOS DE PASSAGEM DE CORRENTE PELO CORAÇÃO</p><p>O percentual de corrente que flui pelo coração em cada caso é mostrado no</p><p>quadro a seguir:</p><p>Percentuais de corrente elétrica no coração humano</p><p>Caso Percurso da corrente Percentual</p><p>A da cabeça para o pé direito 9,7%</p><p>B da mão direita para o pé esquerdo 7,9%</p><p>C da mão direita para a mão esquerda 2,9%</p><p>D da cabeça para a mão esquerda 1,8%</p><p>E nenhum 0%</p><p>3 LEGISLAÇÃO E NORMAS</p><p>RELATIVAS AO CHOQUE ELÉTRICO</p><p>A NBR 5410/2004 fixa as condições a que devem satisfazer às instalações</p><p>elétricas, até uma tensão igual ou inferior a 1000 Vac (frequência inferior a 400</p><p>146</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Hz) ou 1500 Vcc, a fim de garantir o seu funcionamento adequado, a segurança</p><p>de pessoas e animais e a conservação dos bens (CAMPOS; TAVARES; LIMA,</p><p>2006).</p><p>Essas normas indicam as condições básicas destinadas a garantir a</p><p>segurança das pessoas, dos animais e de bens, contra os perigos e danos que</p><p>possam resultar da utilização das instalações elétricas em condições que possam</p><p>ser previstas.</p><p>Com o objetivo de salvar vidas, essa norma prescreve as condições das</p><p>instalações elétricas para proteção contra choques elétricos e contra os efeitos</p><p>térmicos, conforme será explicado na sequência.</p><p>A proteção contra choques elétricos compreende dois tipos, que são:</p><p>a proteção básica e a proteção supletiva. A proteção básica consiste de</p><p>isolação ou separação básica, barreira ou invólucro e limitação da tensão. Já</p><p>a proteção supletiva consiste de isolação suplementar, separação elétrica,</p><p>equipotencialização e seccionamento automático da alimentação.</p><p>A isolação básica na proteção básica consiste na isolação das partes vivas</p><p>da instalação. Ela se destina a impedir qualquer contato com essas partes por</p><p>meio do seu recobrimento com material isolante, capaz de suportar as solicitações</p><p>mecânicas, químicas, elétricas e térmicas, e só pode ser removida por meio de</p><p>sua destruição.</p><p>As tintas, vernizes, lacas e produtos análogos não são considerados para</p><p>uma proteção efetiva. As partes vivas devem estar no interior de invólucros ou</p><p>através de barreiras ou obstáculos que impeçam todo o contato com essas partes.</p><p>As barreiras e invólucros</p><p>devem ser fixados de forma segura e ser apropriados</p><p>para separar as partes vivas das instalações nas condições normais de serviço.</p><p>A retirada das barreiras e invólucros só devem ser feitas após a desenergização</p><p>das partes vivas protegidas por essas coberturas, com a utilização de chaves ou</p><p>ferramentas apropriadas.</p><p>Os obstáculos devem impedir a aproximação física não intencional das partes</p><p>vivas, por exemplo, corrimãos e telas de arames, e os contatos não intencionais</p><p>com partes vivas por ocasião de equipamentos sob tensão, tais como: coberturas</p><p>e painéis sobre seccionadores.</p><p>Os obstáculos podem ser removidos sem a ajuda de chaves ou ferramentas.</p><p>Nesse caso, sua fixação deve ter sido feita de forma a impedir qualquer remoção</p><p>involuntária.</p><p>147</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Os invólucros dos equipamentos elétricos são classificados pelos graus de</p><p>proteção indicados pelas letras IP, que significa International Protection Code,</p><p>seguidas de dois algarismos e, conforme o caso, por mais uma ou duas letras.</p><p>O primeiro algarismo, variável de 0 a 6, indica a proteção contra a penetração de</p><p>corpos sólidos estranhos e contatos acidentais. Já o segundo algarismo, variável</p><p>de 0 a 8, indica a proteção contra a penetração de líquidos. Por exemplo, o IP 54</p><p>indica a proteção contra depósitos prejudiciais de pó (nº 5) e a proteção contra</p><p>respingos indicada pelo número 4).</p><p>A Norma IEC nº 60.529 define os graus de proteção promovidos por</p><p>invólucros. A segurança de um Sistema de Extra Baixa Tensão (SELV) deriva</p><p>da baixa tensão apresentada por ele, um sistema PELV (Protected extra-</p><p>low voltage), o Sistema de Extra Baixa Tensão Protegido tem as mesmas</p><p>características, diferenciado somente por não ser eletricamente separado da</p><p>terra. A limitação de tensão na norma IEC nº 60.529 é garantida pelo uso de extra</p><p>baixa tensão dos sistemas SELV ou PELV (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006).</p><p>Para que a corrente elétrica passe através do corpo humano é necessário</p><p>que haja uma diferença de potencial entre duas partes desse corpo. No sistema</p><p>de proteção denominado “equipotencialização” não há diferença de potencial</p><p>entre essas partes, ou seja, elas são equipotenciais.</p><p>Na prática, isso significa ligar eletricamente a condutores de proteção todas</p><p>as partes metálicas, que não façam parte do circuito energizado, que o corpo</p><p>possa tocar, mantendo, assim, o mesmo potencial.</p><p>O seccionamento automático da alimentação destina-se a evitar que uma</p><p>tensão de contato superior à tensão de contato limite se mantenha por um</p><p>tempo tal que possa resultar em risco de efeito fisiológico adverso para pessoas</p><p>e animais. Um dispositivo de proteção, seja ele um disjuntor, um fusível, um</p><p>diferencial residual, atuará durante determinado tempo, quando atingir a tensão</p><p>de contato limite, desligando o circuito.</p><p>Para uma boa eficiência dessa proteção, a instalação deverá possuir um</p><p>sistema de aterramento de proteção constituído pelos condutores de proteção das</p><p>massas principais, pelo condutor de aterramento e pelos condutores das ligações</p><p>equipotenciais, todos ligados ao terminal de aterramento principal. A Figura 2</p><p>mostra esse esquema que é chamado de aterramento TT.</p><p>148</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FONTE: <https://www.desterroeletricidade.com.br/blog/eletrica/3-</p><p>tipos-de-aterramento-que-voce-precisa-saber-e-qual-e-o-mais-</p><p>indicado-pela-nbr-5410/>. Acesso em: 31 ago. 2021.</p><p>FONTE: Adaptada de ABNT (2004)</p><p>TABELA 1 – VALORES PARA TENSÃO DE CONTATO LIMITE</p><p>FIGURA 2 – ATERRAMENTO DE ALIMENTAÇÃO</p><p>Os valores para a tensão de contato limite são indicados na Tabela 1:</p><p>Natureza da corrente Situação 1 Situação 2 Situação 3</p><p>Alternada até 1000 [V] 50 25 12</p><p>Contínua 120 60 30</p><p>A situação 1 diz respeito a condições secas e úmidas nas quais a pele está</p><p>seca ou úmida de suor. A situação 2 diz respeito a condições molhadas, estando</p><p>as pessoas com os pés molhados a ponto de se desprezar a resistência da pele e</p><p>dos pés. Já a situação 3 refere-se a condições imersas, com pessoas imersas na</p><p>água, por exemplo, em banheiras ou piscinas (ABNT, 2004).</p><p>A isolação suplementar é uma isolação adicional e independente da isolação</p><p>básica, destinada a assegurar proteção contra choques elétricos no caso de falha</p><p>da isolação básica. Na prática, em equipamentos e ferramentas, pode-se utilizar</p><p>isolação dupla ou reforçada de origem. São exemplos dessa proteção:</p><p>• linhas elétricas constituídas por condutores isolados contidos em</p><p>eletrodutos isolantes;</p><p>149</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>FONTE: Campos, Tavares e Lima (2006, p. 99)</p><p>FIGURA 3 – ZONA DE ALCANCE NORMAL</p><p>• dispositivos de comando e de proteção contidos em caixas isolantes;</p><p>• furadeiras com invólucros isolantes envolvendo a isolação básica.</p><p>A separação elétrica é assegurada por:</p><p>• isolação das partes vivas;</p><p>• barreiras ou invólucros;</p><p>• isolação dupla ou reforçada;</p><p>• fonte de separação (transformador de separação ou equivalente).</p><p>A proteção contra choques elétricos pode, ainda, dar-se por:</p><p>• Colocação fora de alcance: destina-se a impedir contatos fortuitos com</p><p>as partes vivas. Quando a superfície sobre a qual pessoas se postam ou</p><p>circulam habitualmente for limitada por um obstáculo, as distâncias que</p><p>limitam a zona de alcance normalmente devem ser determinadas a partir</p><p>desse obstáculo. No sentido vertical, a zona de alcance é limitada a 2,50</p><p>m a partir da superfície sobre a qual se postam ou circulam pessoas</p><p>e, a 1,25 m no sentido horizontal e inferior a essa superfície, conforma</p><p>mostra a Figura 3.</p><p>150</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Essas dimensões devem ser ampliadas em função das dimensões de objetos</p><p>condutores de grande comprimento ou volumosos, que possam ser manipulados</p><p>nos locais considerados.</p><p>• Dispositivo diferencial residual (DR): é um dispositivo de</p><p>seccionamento mecânico ou a associação de dispositivos. Destina-se a</p><p>provocar a abertura de contatos quando a corrente diferencial-residual</p><p>atinge um valor dado em condições específicas. Esse dispositivo</p><p>constitui um meio eficaz de proteção das pessoas e dos animais contra</p><p>o choque elétrico. É o único meio ativo de proteção contra contatos</p><p>diretos e o mais adequado para proteção contra contatos indiretos.</p><p>Exerce proteção eficaz contra incêndios. O DR possui um disjuntor, um</p><p>transformador diferencial e um circuito eletrônico. Ele interrompe, em</p><p>determinado prazo de tempo, a corrente fornecida a uma carga, por</p><p>exemplo, aquecedor, lâmpada, motor, bomba etc., quando uma corrente</p><p>que flui para a terra excede um valor predeterminado, a qual é menor que</p><p>a corrente requerida para operar a proteção de sobrecorrente do circuito</p><p>de alimentação. Esse dispositivo deve interromper o circuito quando a</p><p>corrente de fuga for igual ou superior a 30 mA em 0,04 s, de modo que</p><p>um eventual choque elétrico não represente perigo de vida nem grande</p><p>incômodo para quem o recebe.</p><p>ATENÇÃO: A NBR 5410 não reconhece o DR como uma medida</p><p>de proteção completa e não dispensa o emprego de outras medidas</p><p>de proteção.</p><p>As pessoas, bem como os equipamentos e materiais fixos adjacentes a</p><p>componentes da instalação elétrica, devem ser protegidas contra os efeitos</p><p>térmicos prejudiciais que possam ser produzidos por esses componentes, tais</p><p>como:</p><p>• risco de queimaduras;</p><p>• combustão ou degradação dos materiais;</p><p>• comprometimento da segurança de funcionamento dos componentes</p><p>elétricos.</p><p>A Figura 4 mostra os tipos de queimaduras provenientes de choques elétricos</p><p>e/ou efeitos térmicos.</p><p>151</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>FONTE: <https://leiautdicas.wordpress.com/tag/choque-</p><p>eletrico/>. Acesso em: 19 fev. 2021.</p><p>FIGURA 4 – CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS</p><p>As</p><p>queimaduras podem ser classificadas em três níveis, de acordo com a</p><p>gravidade, ou seja: queimadura de primeiro grau, queimadura de segundo grau</p><p>e queimadura de terceiro grau. As queimaduras de primeiro grau não possuem</p><p>formação de bolhas, e sua diferença para as queimaduras de segundo grau é que</p><p>essas últimas apresentam a formação de bolhas, sendo mais perigosas que as</p><p>primeiras. Para as queimaduras elétricas deve-se seguir os passos:</p><p>• desligar o interruptor ou chave;</p><p>• afastar a vítima da corrente elétrica;</p><p>• remover a vítima do condutor utilizando para isso um material isolante:</p><p>cabo de vassoura, tapete ou borracha;</p><p>• verificar se a vítima está respirando e se esta possui pulso;</p><p>• se a vítima estiver em parada cardiorrespiratória inicie as manobras de</p><p>ressuscitação, solicite ajuda;</p><p>• resfrie as lesões com água em temperatura ambiente.</p><p>Após isso, recomenda-se colocar um bolsa de gelo e procurar um médico ou</p><p>chamar o serviço de emergência. Não se deve estourar a bolha, pois poderá haver</p><p>a infecção por microrganismos, e isso dificultará a cicatrização da queimadura.</p><p>As características da queimadura de segundo grau são: dor local, formação</p><p>de bolhas na camada superficial e posterior descamação da pele.</p><p>A queimadura de terceiro grau é mais perigosa, pois ela pode atingir todas</p><p>as camadas da pele, ou seja, ela pode atingir vasos, músculos, órgãos e até os</p><p>ossos do paciente. É importante destacar que a pele fica de cor acinzentada, pois</p><p>está necrosada. O que definirá se as queimaduras poderão ou não ocasionar a</p><p>morte do trabalhador é o tamanho das queimaduras, ou seja, o percentual de pele</p><p>que foi atingido.</p><p>152</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Sugerimos ler o livro: Adequação das exigências normativas de</p><p>proteção contra choques elétricos às características funcionais dos</p><p>canteiros de obras, do autor Sérgio Silva Braga de Souza. Disponível</p><p>em: http://livros01.livrosgratis.com.br/cp102242.pdf</p><p>As partes acessíveis de componentes de instalações posicionados dentro</p><p>da zona de alcance normal não devem atingir temperaturas que possam causar</p><p>queimaduras em pessoas, respeitando os valores máximos mostrados no Quadro</p><p>2.</p><p>Partes acessíveis Material das partes</p><p>acessíveis</p><p>Temperaturas máxi-</p><p>mas, em ºC</p><p>Alavancas, volantes ou pun-</p><p>hos de dispositivos de mano-</p><p>bra</p><p>Metálico</p><p>Não metálico</p><p>55</p><p>65</p><p>Previstas para ser tocadas,</p><p>mas não empunhadas</p><p>Metálico</p><p>Não metálico</p><p>70</p><p>80</p><p>Não destinadas a ser tocadas</p><p>em serviço normal</p><p>Metálico</p><p>Não metálico</p><p>80</p><p>90</p><p>FONTE: Creder (2016, p. 289)</p><p>QUADRO 2 – TEMPERATURAS MÁXIMAS DE PARTES</p><p>ACESSÍVEIS DE COMPONENTES</p><p>A seguir, mostramos os valores aproximados de corrente elétrica que circulam</p><p>pelo corpo humano durante um choque elétrico e os danos que a corrente causam</p><p>nos acidentados:</p><p>• 1 mA a 10 mA – apenas formigamento;</p><p>• 10 mA a 20 mA – dor e forte formigamento;</p><p>• 20 mA a 100 mA – convulsões e parada respiratória;</p><p>• 100 mA a 200 mA – fibrilação;</p><p>• Acima de 200 mA – queimaduras e parada cardíaca.</p><p>153</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Leia mais sobre choques elétricos em: http://www.wdz.eng.br/</p><p>WDK/MateriaisEletricos.pdf</p><p>Sugerimos a leitura atenta do seguinte livro: Segurança do</p><p>Trabalho na Construção Civil, desenvolvido por Hugo Sefrian</p><p>Peinado eLuci Mercedes De Mori, disponível em: https://www.amazon.</p><p>com.br/Seguran%C3%A7a-Trabalho-Constru%C3%A7%C3%A3o-</p><p>Sefrian-Peinado-ebook/dp/B07KZPS5WD/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=</p><p>%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywor</p><p>ds=seguran%C3%A7a+do+trabalho+na+constru%C3%A7%C3%A3</p><p>o+civil&qid=1602896583&s=digital-text&sr=1-1</p><p>Confira o vídeo sobre choques elétricos em: https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=vgJHet3io6I.</p><p>1) Descreva o que é choque elétrico e como ele se comporta no</p><p>corpo humano.</p><p>2) Quais são as causas do choque elétrico?</p><p>3) Disserte sobre os tipos de contatos provenientes do choque</p><p>elétrico.</p><p>154</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>4 MANUTENÇÃO PREVENTIVA DE</p><p>MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS</p><p>A manutenção industrial é definida como “o conjunto de práticas aplicadas</p><p>nas linhas de produção de uma empresa, visando alongar, o máximo possível, a</p><p>vida útil das máquinas, equipamentos e instalações” (KALATEC AUTOMAÇÃO,</p><p>2020, s.p.).</p><p>A manutenção industrial é classificada em vários tipos, que são:</p><p>• Manutenção Preventiva.</p><p>• Manutenção Preditiva.</p><p>• Manutenção Corretiva.</p><p>O objetivo da NR-10 é justamente garantir segurança e saúde aos</p><p>trabalhadores que realizam instalações e serviços em eletricidade. A NR-10</p><p>estabelece, por exemplo, medidas de controle para trabalhos em eletricidade.</p><p>São três as principais medidas de controle de risco em instalações elétricas</p><p>(LOTURCO, 2019):</p><p>1. Medidas de proteção coletiva.</p><p>2. Medidas de proteção individual.</p><p>3. Procedimentos de trabalho.</p><p>As principais etapas para a aplicação de uma gestão de segurança nas</p><p>atividades de construção elétrica:</p><p>• Geração.</p><p>• Transmissão.</p><p>• Distribuição.</p><p>• Consumo.</p><p>Incluem nestas etapas:</p><p>• Projeto.</p><p>• Montagem.</p><p>• Operação de manutenção das instalações elétricas.</p><p>• Trabalhos realizados nas suas proximidades (LIMA, 2019).</p><p>As medidas de segurança em instalações e em serviços de eletricidade são:</p><p>155</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>• Proteção contra risco de contato: as partes de instalações a serem</p><p>operadas, ajustadas ou examinadas devem ser dispostas de modo a</p><p>permitir um espaço suficiente para trabalho seguro. Toda instalação ou</p><p>peça que não faça parte dos circuitos elétricos, mas que eventualmente</p><p>possa ficar sob tensão deve ser aterrada, desde que esteja em locais</p><p>acessíveis a contatos.</p><p>• Proteção contra risco de incêndio e explosão: todas as partes das</p><p>instalações elétricas devem prevenir, por meios seguros, os riscos de</p><p>incêndios e explosão. As instalações elétricas sujeitas a maior risco de</p><p>incêndio e explosão devem possuir dispositivos automáticos de proteção</p><p>contra sobrecorrente e sobretensão, além de outros dispositivos</p><p>auxiliares (CREDER, 2016).</p><p>Segundo Campos, Tavares e Lima (2006), sobre os componentes das</p><p>instalações:</p><p>• Os transformadores e capacitores localizados no interior de edificações</p><p>ou em espaços confinados devem ser instalados em locais bem</p><p>ventilados, construídos com materiais que não peguem fogo, e ainda,</p><p>com portas corta-fogo de fechamento automático.</p><p>• Todas as edificações devem ser protegidas contra descargas elétricas</p><p>atmosféricas de acordo com a NBR 5419.</p><p>• Os condutores e suas conexões devem ser instalados considerando as</p><p>prescrições referentes a isolamento, dimensionamento, identificação e</p><p>aterramento.</p><p>• Os circuitos elétricos com finalidades diferentes, como telefonia,</p><p>sinalização, controle e tração elétrica devem ser instalados, observando-</p><p>se os circuitos especiais quanto a sua separação física e identificação.</p><p>• As baterias fixas de acumuladores devem ser instaladas em locais</p><p>providos de piso de material resistente a ácidos e com equipamentos e</p><p>instalações que permitam a exaustão de gases.</p><p>Os equipamentos de utilização de energia elétrica são:</p><p>• As instalações elétricas e de ferramentas elétricas portáteis, nos locais de</p><p>trabalho, devem possuir dispositivos especiais que façam a blindagem,</p><p>isolamento ou estanquem a entrada de água.</p><p>• É proibida a ligação simultânea de mais de um aparelho em uma única</p><p>tomada de corrente, com o emprego de acessórios que aumentem o</p><p>número de saídas, tais como benjamins, linhas de tomadas, extensões</p><p>etc.</p><p>156</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Todos os motores elétricos devem possuir dispositivos que os desliguem</p><p>automaticamente, toda vez que apresente risco de acidente, devido ao</p><p>seu mau uso ou funcionamento.</p><p>• As lâmpadas e demais equipamentos de iluminação devem ser</p><p>especificados e mantidos durante sua vida útil, de forma a garantir</p><p>os</p><p>níveis de iluminância contidos na NBR 5413 e devem ser posicionados</p><p>de maneira que permitam a manutenção segura dos mesmos.</p><p>• As lâmpadas portáteis serão usadas onde não possa ser conseguida</p><p>uma iluminação direta dentro dos níveis de iluminância previstos na</p><p>NBR 5413. Elas deverão possuir punho isolante cobrindo os fios de</p><p>chegada de corrente e o punho oco, e um protetor, que fixado ao cabo,</p><p>protegerá o usuário contra eventual explosão da ampola, resultante de</p><p>uma energização sob tensão muito elevada.</p><p>• A instalação de equipamentos elétricos somente deve ser realizada por</p><p>profissionais capacitados e deve estar de acordo com as prescrições da</p><p>NBR 5410.</p><p>Com vistas à proteção dos trabalhadores que realizam os serviços de</p><p>eletricidade e de manutenção de máquinas, podemos citar:</p><p>• No desenvolvimento de serviços em instalações elétricas devem ser</p><p>previstos sistemas de proteção coletivos, com o isolamento físico de</p><p>áreas, sinalizações, aterramento provisório e outros, nos trechos onde</p><p>os serviços estão sendo desenvolvidos.</p><p>• Para alertar as pessoas contra o risco elétrico, os avisos devem ser</p><p>em número adequado, confeccionados em material plástico, cartolina,</p><p>compensado, ou outro material resistente. Esses avisos podem ter como</p><p>dizeres: “Perigo”, “Atenção”, “Em manutenção” etc. Outros sistemas de</p><p>proteção coletivos poderão ser utilizados, tais como:</p><p>o Cordas ou correntes isoladas.</p><p>o Cones de sinalização com faixas zebradas e refletivas.</p><p>o Faixas de sinalização zebradas.</p><p>o Bandeiras de sinalização.</p><p>• Quando, no desenvolvimento dos serviços, os sistemas de proteção</p><p>coletiva forem insuficientes para o controle de todos os riscos de</p><p>acidentes pessoais, devem ser utilizados equipamentos de proteção</p><p>coletiva e equipamentos de proteção individual.</p><p>São indicados os seguintes equipamentos de proteção coletiva:</p><p>• Protetor isolante de borracha tipo mangueira.</p><p>• Capuz isolante de borracha.</p><p>• Manta isolante de borracha.</p><p>157</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>• Detector de tensão para alta e baixa tensão.</p><p>• Conjunto de aterramento temporário.</p><p>Já os EPI indicados são:</p><p>• Botas de segurança sem implementos metálicos.</p><p>• Luvas de borracha isolante.</p><p>• Manga de borracha isolante.</p><p>• Luva protetora da luva de borracha isolante.</p><p>• Luva de raspa.</p><p>• Capacete de segurança.</p><p>• Cinto de segurança para trabalhos em altura.</p><p>• Óculos escuros para proteção da radiação e contra impactos.</p><p>O autor Joubert Rodrigues dos Santos Júnior (2007) sugere aplicar</p><p>um formulário sobre a NR-10 em obras e reformas. Vamos conhecer esse</p><p>questionário?</p><p> FORMULÁRIO DE PESQUISA – PESQUISA NR-10</p><p>1 - Dados Empresa Empresa:</p><p>Local:</p><p>N° Eletricistas:</p><p>Receita Bruta:</p><p>( ) Inferior a 10.500.000,00</p><p>( ) Acima de 10.500.000,00 até 60.000.000,00</p><p>( ) Superior a 60.000.000,00</p><p>2 – Diagrama Unifilar</p><p>Possui o diagrama Unifilar:</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>Caso Positivo: Atualizado</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>Cálculo de Curto Circuito:</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>3 – Laudo das Instalações Elétricas</p><p>Possui Laudo das Inst. Elétricas:</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>158</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>4 – Laudo SPDA</p><p>Possui Laudo SPDA:</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>5 – Laudo de Isolação do Ferramental</p><p>Possui Laudo Isolação:</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>6 – Procedimentos (Para trabalho com eletricidade)</p><p>Possui Procedimentos:</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>Quais?_______________________________________________ ___________</p><p>_________________________________________</p><p>Estão assinados por profissional com Crea?___________</p><p>7 – EPI, EPC</p><p>Estão especificados?</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>8 – Eletricistas</p><p>Todos possuem o curso NR-10?</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>Quantos são qualificados (Curso Técnico)______</p><p>Quantos são habilitados (Registro no Crea)________</p><p>Quantos são apenas capacitados_____________</p><p>9 – Prontuário das Instalações Elétricas</p><p>Está implantado fisicamente?</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>Caso afirmativo: Está disponível para todos?</p><p>( ) Sim ( ) Não</p><p>Todos os documentos acima estão no Prontuário?</p><p>( )Sim ( )Não</p><p>159</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Observações: (informação adicional):</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>_________________________________________________________________</p><p>____________</p><p>ATENÇÃO - Aluno: Para seu conhecimento, foi publicada uma</p><p>portaria que altera para o dia 02/ago/2021 o início da vigência das</p><p>novas NRs 01, 07, 09 e 18: PORTARIA SEPRT/ME Nº 1.295, DE 2</p><p>DE FEVEREIRO DE 2021 - PORTARIA SEPRT/ME Nº 1.295, DE 2</p><p>DE FEVEREIRO DE 2021 - DOU - Imprensa Nacional (in.gov.br)</p><p>A Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12) trata sobre a Segurança no</p><p>Trabalho em Máquinas e Equipamentos. Ela foi aprovada em 8 de julho de</p><p>1978, através da Portaria nº 3.214, norma Sumário Introdução à Engenharia de</p><p>Segurança do Trabalho específica para máquina e equipamentos. Ela trata da</p><p>fabricação, importação, comercialização, exposição e cessão a qualquer título,</p><p>em todas as atividades econômicas (MTE, 2019). No ano de 2010, a NR-12</p><p>passou por uma grande reformulação, alcançada de forma tripartite, sempre com</p><p>o objetivo de:</p><p>• Orientar sobre práticas de segurança de máquinas.</p><p>• Fazer com que a fabricação de novas máquinas já tenha intrínseca a</p><p>segurança na sua concepção.</p><p>• Adequar às máquinas existentes para a segurança.</p><p>• Reduzir as assimetrias regionais quanto à proteção dos trabalhadores.</p><p>• Reduzir os acidentes relacionados às máquinas e equipamentos.</p><p>• Prevenção de acidentes (BRISTOT, 2019).</p><p>160</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Sua última alteração foi:</p><p>A Portaria SEPRT nº 916, de 30 de julho de 2019, realizou</p><p>a última alteração substancial da NR-12, reordenando sua</p><p>estrutura de modo a facilitar seu entendimento e aplicação,</p><p>incorporando cortes temporais específicos para máquinas</p><p>novas e usadas, simplificando obrigações para micro e</p><p>pequenas empresas e recepcionando as normas técnicas</p><p>europeias harmonizadas do tipo C, quando inexistentes as</p><p>respectivas normas técnicas nacionais ou internacionais (SIT,</p><p>2021, s.p.).</p><p>A NR-12, atualmente, possui 12 anexos, a saber:</p><p>• Anexo I: Distâncias de segurança e requisitos para o uso de detectores</p><p>de presença optoeletrônicos.</p><p>• Anexo II: conteúdo programático da capacitação.</p><p>• Anexo III: meios de acesso permanentes.</p><p>• Anexo IV: glossário.</p><p>• Anexo V: motosserras.</p><p>• Anexo VI: máquinas para panificação e confeitaria.</p><p>• Anexo VII: máquinas para açougue e mercearia.</p><p>• Anexo VIII: prensas e similares.</p><p>• Anexo IX: injetoras de materiais plásticos.</p><p>• Anexo X: máquinas para calçados e afins.</p><p>• Anexo XI: máquinas e implementos para uso agrícola e florestal.</p><p>• Anexo XII: equipamentos de guindar para elevação de pessoas e</p><p>realização de trabalho em alturas.</p><p>O setor industrial brasileiro é composto por maquinários e equipamentos</p><p>antigos e obsoletos, fabricados a mais de três décadas e que continuam em plena</p><p>atividade (BRISTOT, 2019). Para tanto, os trabalhadores necessitam de diretrizes</p><p>para sua segurança, EPI e EPC, a fim de garantir que o trabalho seja executado</p><p>com eficiência e sem acidentes de trabalho.</p><p>O Quadro 3 mostra o número de acidentes de trabalho ocorridos entre 2011</p><p>e 2013 com máquinas e equipamentos.</p><p>161</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Ordem Agente causador do acidente</p><p>Número de comuni-</p><p>cações de acidentes</p><p>de trabalho</p><p>1 Ferramenta, máquina, equipamento, veículo,</p><p>não identificado ou classificado</p><p>49.125</p><p>2 Máquina, não identificado ou classificado 40.396</p><p>3 Serra - máquina 14.130</p><p>4 Presa - máquina 12.583</p><p>5 Furadeira, brocadeira, torno, fresa - máquina 8.339</p><p>6 Máquina de embalar ou empacotar 6.041</p><p>7 Máquina agrícola 5.686</p><p>8 Máquina têxtil 4.869</p><p>9 Laminadora, calandra</p><p>- máquina 4.630</p><p>10 Politriz, lixadora, esmeril - máquina 4.456</p><p>11 Cortadeira, guilhotina – ferramenta portátil</p><p>com força motriz ou manual</p><p>4.391</p><p>12 Correia – dispositivo de transmissão de ener-</p><p>gia</p><p>4.195</p><p>13 Esmeril – ferramenta portátil com força motriz</p><p>ou manual</p><p>3.429</p><p>14 Serra -– ferramenta portátil com força motriz</p><p>ou manual</p><p>3.323</p><p>15 Equipamento de guindar, não identificado ou</p><p>classificado</p><p>3.260</p><p>16 Elevador – equipamento de guindar 3.238</p><p>17 Corrente, corda, cabo – dispositivo de trans-</p><p>missão de força</p><p>3.214</p><p>18 Misturador, batedeira, agitador - máquina 3.151</p><p>19 Engrenagem – dispositivo de transmissão de</p><p>energia</p><p>3.112</p><p>20 Máquina de costurar e pespontar 3.055</p><p>21 Tesoura, guilhotina, máquina de cortar -</p><p>máquina</p><p>3.014</p><p>22 Britador, moinho - máquina 2.773</p><p>23 Máquina de fundir, de forjar e de soldar 2.587</p><p>24 Tambor, polia e roldana – dispositivo de trans-</p><p>missão de força</p><p>2.479</p><p>25 Dispositivo de transmissão de energia mecâni-</p><p>ca, não identificado ou classificado</p><p>2.377</p><p>26 Motor, bomba, turbina, não identificado ou</p><p>classificado</p><p>2.184</p><p>27 Macaco - equipamento 1.963</p><p>28 Transportador com força motriz 1.823</p><p>29 Máquina de imprimir 1.526</p><p>QUADRO 3 – ACIDENTES DE 2011 A 2013</p><p>162</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>30 Motor elétrico 1.507</p><p>31 Plaina, tupia 1.490</p><p>32 Máquina de aparafusar 1.421</p><p>33 Máquina de terraplanagem e construção de</p><p>estradas</p><p>1.344</p><p>34 Ponte rolante – equipamento de guindar 1.156</p><p>35 Martelete, socador 1.072</p><p>36 Talha - equipamento de guindar 1.014</p><p>37 Ferramenta acionada por explosivo 899</p><p>38 Maçarico 889</p><p>39 Guindaste 882</p><p>40 Punção ponteiro, vazador 725</p><p>41 Motor (combustão interna, vapor) 501</p><p>42 Máquina de mineração e perfuração 484</p><p>43 Perfuratriz 441</p><p>44 Guincho elétrico 435</p><p>45 Guincho pneumático 416</p><p>46 Peneira mecânica, máquina separadora 405</p><p>47 Politriz, enceradeira 320</p><p>48 Embreagem de fricção 270</p><p>49 Pá mecânica, draga 240</p><p>50 Rebitadeira 223</p><p>51 Talhadeira 183</p><p>52 Elevador de caçamba para mineração 177</p><p>TOTAL 221.843</p><p>FONTE: Pinto e Campos (2020, p. 4)</p><p>As máquinas que compõem os textos da NR-12 são:</p><p>• No setor de açougue e mercearia: fatiador de bifes, amaciador de bife,</p><p>moedor de carne e fatiador de frios, serra fita.</p><p>• No agronegócio: colhedora de café, colhedora de cana-de-açúcar,</p><p>colhedora de forragem, colhedora de grãos, escavadeira hidráulica,</p><p>forrageira, harvester, trator agrícola, transportadoras.</p><p>• Na construção civil: betoneiras, autobetoneiras, compactadores,</p><p>cortadores de asfalto e concreto, elevadores de obra, escavadeiras,</p><p>geradores, gruas, guindastes, minigruas, rompedores hidráulicos,</p><p>rompedores pneumáticos, serra circular.</p><p>• Gráficas: dobradeira e coladeira, guilhotinas digitais, guilhotinas para</p><p>papel, impressoras offset, tipográfica automática.</p><p>• Na indústria da madeira: serra fita, tupia.</p><p>163</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>• Na indústria em geral: martelos de queda, martelos pneumáticos,</p><p>marteletes, dobradeiras, recalcadoras, guilhotinas, tesouras e</p><p>cisalhadoras, pensas de compactação e de moldagem, dispositivos</p><p>hidráulicos e pneumáticos, endireitadeiras, pensas enfardadeiras, outras</p><p>máquinas similares não relacionadas.</p><p>• Na área metalúrgica: dobradeiras, fresas, furadeiras, lixadeiras, prensas,</p><p>tornos.</p><p>• Na área de mineração: britadores, carregadeiras, carretas de perfuração</p><p>pneumática e hidráulica, dumpers, empilhadeiras, escavadeiras,</p><p>miniescavadeiras, rompedores hidráulicos, torres de perfuração.</p><p>• Na área de panificação e confeitaria: amassadeiras, batedeiras, cilindros,</p><p>modeladoras, laminadoras, fatiadoras para pães e moinho para farinha</p><p>de rosca.</p><p>Indicamos assistir à playlist sobre</p><p>NR-12 em: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=lIsOjMSYX4c&list=PLDu320nxfbnIvY133wIBslIz62NuIe95a</p><p>O livro de Pinto e Campos (2020) apresenta aspetos da NR-</p><p>12 atualizada, com comentários e exemplos de questionários</p><p>e inventários de máquinas. Ele pode ser lido em: https://play.</p><p>google.com/books/reader?id=XvfcDwAAQBAJ&hl=pt&pg=GBS.</p><p>PT34.w.6.0.12.0.1</p><p>1) Descreva o que é manutenção industrial. Cite exemplos.</p><p>2) Quais são os tipos de manutenção industrial?</p><p>3) Disserte sobre a NR-12 e a manutenção preventiva em máquinas.</p><p>164</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>5 ESTRUTURAS E SUPERFÍCIES</p><p>DE TRABALHO – TRANSPORTE,</p><p>ARMAZENAGEM, MANUSEIO E</p><p>ROTULAGEM DE MATERIAIS</p><p>A maioria dos trabalhadores efetua, com frequência, movimentos e esforços</p><p>físicos variáveis. Todas essas ações são geradoras em potencial de lesões e</p><p>acidentes. Sempre existirão riscos de acidentes do trabalho para os colaboradores</p><p>envolvidos na movimentação, manuseio, transporte e armazenagem de materiais</p><p>(CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006).</p><p>As lesões que resultam desse tipo de atividade localizam-se, em sua maioria,</p><p>nos membros inferiores e superiores, que são as partes do corpo humano mais</p><p>exigidas nas operações. Todo estudo sobre o assunto deve abordar dois objetivos,</p><p>que são:</p><p>• Conhecimento dos dados físicos com a finalidade de suprimir aqueles</p><p>que não fornecem as melhores condições técnicas de trabalho.</p><p>• Estudos das técnicas de comportamento físico com o objetivo de ensinar</p><p>a cada colaborador como ele deve utilizar seu potencial humano para o</p><p>trabalho.</p><p>Não se busca melhorar as qualidades físicas do colaborador, embora isso</p><p>seja importante para a sua preparação física contra as lesões. De um modo mais</p><p>fácil diminui-se o consumo de energia e os riscos inerentes à função exercida pelo</p><p>colaborador. A movimentação, o transporte e o manuseio e o armazenamento de</p><p>materiais são responsáveis por grande parte das lesões ocorrida no ambiente de</p><p>trabalho e elas podem ocorrer em qualquer parte de uma operação e não apenas</p><p>no almoxarifado ou no depósito.</p><p>Os danos causados pelos acidentes são esmagamento por prensagem,</p><p>entorses, fraturas expostas ou não, contusões etc. e são os danos mais</p><p>frequentemente encontrados na indústria e se devem a atos e condições</p><p>inseguras de trabalho, como elevação de forma errônea de cargas além do limite</p><p>estabelecido e o uso de equipamentos e EPI de forma inadequada.</p><p>Para adquirir melhor conhecimento sobre os problemas envolvidos</p><p>na movimentação de materiais, os profissionais que atuam nos serviços</p><p>especializados em engenharia de segurança e medicina do trabalho (SESMT)</p><p>165</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>devem ter as respostas para algumas questões sobre s práticas seguras</p><p>desenvolvidas na movimentação de materiais:</p><p>• O serviço pode ser executado de modo a ser eliminada a movimentação</p><p>manual?</p><p>• Quais e quantos são os acidentes-tipo?</p><p>• Existe um equipamento capaz de fornecer maior segurança aos</p><p>serviços?</p><p>• Roupas adequadas e outros EPI ajudariam a prevenir acidentes?</p><p>5.1 LEIS E PORTARIAS</p><p>A legislação referente à segurança do trabalhador nas operações de</p><p>transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais, máquinas</p><p>equipamentos é contemplada nos textos a seguir:</p><p>(i) Lei nº 6514: seções X e XI;</p><p>(ii) Portaria nº 3.214:</p><p>• NR-8;</p><p>• NR-11;</p><p>• NR-12;</p><p>• NR-15;</p><p>• NR-16;</p><p>• NR-17;</p><p>• NR-18;</p><p>• NR-20;</p><p>• NR-22;</p><p>• NR-26;</p><p>• NR-29.</p><p>Além dessas, devem ser observadas também as normas da ABNT.</p><p>5.2 MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS</p><p>Segundo Campos, Tavares e Lima (2006), o manuseio de cargas</p><p>manualmente tem sido uma das causas mais frequentes de lesões dos</p><p>trabalhadores, e isso tem ocorrido, principalmente, devido a operações de causa</p><p>errada ou por sobrecarga destes trabalhadores. A NR-17 trata da ergonomia e</p><p>no tocante ao levantamento de cargas estabelece algumas obrigações. Já a NR-</p><p>166</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>11 trata de transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais e</p><p>estabelece algumas obrigações para as empresas. Nesse ponto da disciplina,</p><p>você pode ler as normas, caso tenha esquecido de alguns aspectos. Além</p><p>dessas</p><p>normas regulamentadoras, há ainda, o Método de NIOSH.</p><p>Sugestão: https://mundoergonomia.com.br/como-evitar-lesoes-</p><p>de-coluna-na-industria-2/</p><p>O método NIOSH foi desenvolvido com o intuito de determinar a carga</p><p>máxima a ser manuseada e movimentada manualmente numa atividade de</p><p>trabalho, sendo criada uma equação que inclui fatores como: a manipulação</p><p>assimétrica de cargas, a duração da tarefa, a frequência dos levantamentos e</p><p>a qualidade da pega. NIOSH, um importante instituto de pesquisa, desenvolveu</p><p>em 1981 uma equação para avaliar a manipulação de cargas no trabalho, sendo</p><p>criada uma ferramenta para diagnosticar os riscos de distúrbios osteomusculares</p><p>associados à carga física que o trabalhador está submetido e indicar um limite</p><p>de peso apropriado para cada ocupação, de maneira que uma determinada</p><p>porcentagem da população pudesse realizar sua tarefa sem risco de desenvolver</p><p>distúrbios osteomusculares.</p><p>Sugestão de Leitura sobre o Método de NIOSH: https://bit.</p><p>ly/3CrH1EQ</p><p>A Figura 5 mostra o método para levantamento de cargas que estão no chão</p><p>ou um pouco acima dele.</p><p>167</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>FONTE: Campos, Tavares e Lima (2006, p. 319)</p><p>FIGURA 5 – LEVANTAMENTO DE CARGAS DEPOSITADAS</p><p>NO CHÃO OU UM POUCO ACIMA</p><p>“O Diagrama das Áreas Dolorosas é um método psicofísico que limita a carga</p><p>de trabalho baseado na percepção que os trabalhadores têm em sua capacidade</p><p>de levantamento” (LIDA, 1990, p. 85). A Figura 6 mostra o diagrama das áreas</p><p>dolorosas, segundo LIDA (1990).</p><p>FONTE: LIDA (1990, p. 85)</p><p>FIGURA 6 – ÁREAS DOLOROSAS NO CORPO HUMANO</p><p>168</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>A Figura 7 mostra algumas posturas certas e erradas quando o colaborador</p><p>for levantar as cargas.</p><p>FONTE: Campos, Tavares e Lima (2006, p. 318)</p><p>FIGURA 7 – POSTURAS CORRETAS E ERRÔNEAS NO LEVANTAMENTO DE CARGA</p><p>O transporte manual de cargas é uma das formas de trabalho</p><p>mais antigas e comuns, sendo responsável por um grande número</p><p>de lesões e acidentes do trabalho. Essas lesões, em sua maioria, afetam</p><p>a coluna vertebral, mas também podem causar outros males, como,</p><p>por exemplo, a hérnia escrotal (SEGURANÇA DO TRABALHO ST, 2016).</p><p>Portanto, a seguir são dadas dicas pertinentes ao levantamento de cargas:</p><p>• O joelho deve ficar adiantado em ângulo de 90 graus.</p><p>• Braços esticados entre as pernas.</p><p>• Dorso plano.</p><p>• Queixo não dirigido para baixo.</p><p>169</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>• Pernas distanciadas entre si lateralmente.</p><p>• Carga próxima ao eixo vertical do corpo.</p><p>• Tronco em mínima flexão.</p><p>A Figura 8 mostra a forma correta de levantar uma carga.</p><p>A Figura 9 mostra a forma certa de movimentação lateral de carga.</p><p>A Figura 10 mostra como os colaboradores podem transportar as cargas no</p><p>trabalho de forma errônea e de forma adequada.</p><p>FIGURA 8 – FORMA CORRETA NO LEVANTAMENTO DE CARGA</p><p>FIGURA 9 – MOVIMENTAÇÃO LATERAL DE CARGA</p><p>FONTE: Segurança do Trabalho ST (2016, s.p.)</p><p>FONTE: Segurança do Trabalho ST (2016, s.p.)</p><p>170</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FIGURA 10 – TRANSPORTE DE CARGAS</p><p>FONTE: Segurança do Trabalho ST (2016, s.p.)</p><p>A capacidade individual de levantamento de carga manual permitida é de:</p><p>• Menores de 16 anos: Proibido.</p><p>• De 16 a 18 anos: 16 kg para homens e 8 kg para mulheres.</p><p>• Acima de 18 anos: 40 kg para homens e 20 kg para mulheres.</p><p>5.3 CATEGORIAS DO MANEJO DE</p><p>MATERIAIS: LEVANTAMENTO</p><p>Em segurança do trabalho deve-se observar a movimentação de</p><p>materiais, tanto através de empilhadeiras e de outros equipamentos, quanto na</p><p>movimentação manual, mantendo os seguintes cuidados:</p><p>• As empilhadeiras exigem atenção especial, em razão de oferecem mais</p><p>riscos, devendo ser dirigidas em baixa velocidade e por profissionais</p><p>habilitados.</p><p>• É necessário ter cuidado com o acondicionamento da carga.</p><p>• Operadores circulando em armazéns devem ter atenção para não</p><p>sofrerem qualquer acidente por parte das empilhadeiras.</p><p>• Qualquer outro tipo de equipamento deve ser usado de forma a não</p><p>provocar desequilíbrio ou impedir a visibilidade do seu operador.</p><p>• A movimentação de materiais manualmente deve obedecer à capacidade</p><p>do operador para evitar lesões musculares.</p><p>• Produtos químicos e inflamáveis devem obedecer às regras estabelecidas</p><p>pelos fabricantes para evitar o risco de explosões ou incêndio.</p><p>• As áreas de circulação dentro do armazém devem estar identificadas,</p><p>com as devidas separações entre áreas de circulação de equipamentos</p><p>e de pessoas.</p><p>171</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Leia mais sobre esse assunto em: https://fetz.com.br/seguranca-</p><p>do-trabalho-transporte-manual-de-material/</p><p>5.4 CATEGORIAS DO MANEJO DE</p><p>MATERIAIS: ARMAZENAMENTO</p><p>O armazenamento adequado de materiais é fundamental na prevenção</p><p>dos riscos nos locais de trabalho. Sendo assim, as normas técnicas pertinentes</p><p>estabelecem diversas regras de segurança sobre o armazenamento de vários</p><p>materiais:</p><p>• O peso do material armazenado não poderá exceder a capacidade de</p><p>carga calculada para o piso.</p><p>• O material armazenado deve ser disposto de forma a evitar a obstrução</p><p>de portas, equipamentos contra incêndio, saídas de emergência etc.</p><p>• O material empilhado deverá ficar afastado das estruturas laterais do</p><p>prédio a uma distância de pelo menos 0,50 m (cinquenta centímetros).</p><p>• A disposição da carga não deverá obedecer aos requisitos de segurança</p><p>especiais a cada tipo de material.</p><p>De forma específica, o armazenamento de substâncias perigosas (inflamáveis</p><p>e explosivos) merecem cuidados especiais no tocante às normas de segurança.</p><p>1) A maioria dos trabalhadores efetua, com frequência, movimentos</p><p>e esforços físicos variáveis. Todas essas ações são geradoras</p><p>em potencial de lesões e acidentes. Sempre existirão riscos</p><p>de acidentes do trabalho para os colaboradores envolvidos</p><p>na movimentação, manuseio, transporte e armazenagem de</p><p>materiais. Quais são esses riscos?</p><p>2) O que é o método de NIOSH?</p><p>3) Quais são as portarias que tratam sobre a segurança do trabalhador</p><p>nas operações de transporte, movimentação, armazenagem e</p><p>manuseio de materiais, máquinas e equipamentos?</p><p>172</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>6 ATRIBUIÇÕES DA ENGENHARIA</p><p>E SEGURANÇA DO TRABALHO NO</p><p>ÂMBITO INDUSTRIAL</p><p>O engenheiro de segurança do trabalho é o profissional tentando reduzir o</p><p>número de acidentes e doenças ocupacionais, oferecendo qualidade de vida aos</p><p>colaboradores de uma determinada empresa/indústria.</p><p>As entidades nacionais de classe e organizações profissionais que</p><p>representam os engenheiros e os Engenheiros de Segurança no Trabalho e</p><p>técnicos são o CONFEA e o CREA. O CONFEA surgiu com objetivo de apoiar</p><p>a estruturação institucional com a implementação de um processo sustentável</p><p>para sua atuação, em comprometimento com seus associados, para o efetivo</p><p>desempenho de suas atividades e fortalecimento da entidade.</p><p>O curso de graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho é bem</p><p>recente, com reconhecimento e aprovação do MEC no ano de 2014 (Portaria nº</p><p>546, de 12 de setembro de 2014), contudo, a especialização nessa área já se faz</p><p>presente há muito tempo. Inicialmente, antes do reconhecimento da graduação,</p><p>o título de engenheiro de segurança do trabalho, inclusive aceitos pelo CREA,</p><p>era advindo de uma especialização (pós-graduação) feita após a conclusão</p><p>de algum curso de Engenharia ou Arquitetura. Ou seja, para assinar projetos e</p><p>realizar laudos como engenheiro de segurança do trabalho é obrigatório que,</p><p>antes da especialização, você seja graduado em Engenharia ou Arquitetura</p><p>(qualquer modalidade). Caso contrário, sendo graduado em outra área, torna-se</p><p>especialista em segurança do trabalho, não possuindo embasamento</p><p>legal para</p><p>elaborar laudos, o que torna a formação sem finalidade, porque o profissional não</p><p>pode atuar na área.</p><p>Caro aluno, você sabia que o engenheiro de segurança do trabalho tem</p><p>atribuições e principais funções exercidas na prática outorgadas pela legislação</p><p>do CREA e do antigo TEM?</p><p>6.1 CONFEA</p><p>O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA – e os</p><p>Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia – CREA – são autarquias</p><p>que surgiram a partir do Decreto nº 23.569, de 11 de dezembro de 1933, e são</p><p>responsáveis pela verificação, fiscalização e aperfeiçoamento do exercício e</p><p>173</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>das atividades das áreas profissionais da engenharia, agronomia e geociências.</p><p>As competências do Federal e dos Regionais estão na Lei nº 5.194, de 24 de</p><p>dezembro de 1966.</p><p>O sistema CONFEA/CREA é o conjunto formado pelo CONFEA e pelos</p><p>CREA atuando de forma associada e coesa em prol de um objetivo comum: zelar</p><p>pela defesa da sociedade e do desenvolvimento sustentável do país, observados</p><p>os princípios éticos profissionais. A intenção de buscar essa unidade de ação é</p><p>que tais órgãos fiscalizadores – que possuem, cada um, personalidade jurídica</p><p>própria – trabalhem de forma sinérgica, de modo a potencializar suas entregas</p><p>aos cidadãos (CONFEA, 2021).</p><p>6.2 CREA</p><p>CREA significa Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, possui</p><p>entidades em cada estado do Brasil e constitui a incorporação regional</p><p>do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA.</p><p>As principais funções do CREA são verificar, orientar e fiscalizar os exercícios</p><p>profissionais com o objetivo de defender a sociedade das práticas ilegais dos</p><p>ofícios que são abrangidos pelo sistema CONFEA/CREA, além de promover</p><p>a valorização profissional e garantir a primazia dos exercícios das atividades</p><p>profissionais.</p><p>Cada Estado possui sua própria entidade do CREA e conta com os</p><p>agentes fiscais distribuídos através das regionais administrativas, onde realizam</p><p>pesquisas externas e internas e as fiscalizações de rotina pelas ruas da</p><p>cidade onde atuam. A fiscalização se baseia em visitas dos agentes fiscais às</p><p>obras, tanto de empresas privadas como de órgãos públicos, para averiguar o</p><p>cumprimento das responsabilidades técnicas dos serviços efetuados nas áreas</p><p>de Engenharia, Agronomia, Engenharia e Segurança no Trabalho e outras.</p><p>De acordo com a legislação vigente, a responsabilidade técnica sobre as</p><p>obras e serviços nas áreas citadas só pode ser conferida por profissionais que</p><p>são habilitados com registro no CREA. Quando a obra não possui o responsável</p><p>técnico, ou quando o responsável não é certificado pelo CREA é feita uma ação</p><p>mais objetiva. Se for constatada a irregularidade na obra é executada a lavratura</p><p>da Notificação e, caso seja necessário, é conferido Auto de Infração.</p><p>174</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Caso o Auto de Infração não seja atendido dentro das exigências da Lei,</p><p>o CREA abre um processo administrativo, conforme a classificação pertinente à</p><p>atividade ou irregularidade encontrada.</p><p>O CREA, por meio da Resolução nº 325, de 27 de novembro de 1987, dispõe</p><p>como atribuições do Engenheiro de Segurança do Trabalho:</p><p>• Supervisionar, coordenar e orientar serviços da área.</p><p>• Realizar estudos no ambiente de trabalho para identificar e controlar os</p><p>riscos.</p><p>• Implantar técnicas de gerenciamento e controle de risco.</p><p>• Realizar perícias e emitir pareceres para controle sobre o grau de</p><p>exposição aos riscos físicos, químicos e biológicos etc.</p><p>• Propor medidas preventivas e corretivas e orientar trabalhos estatísticos.</p><p>• Propor normas e políticas de segurança do trabalho, fiscalizando o seu</p><p>cumprimento.</p><p>• Elaborar projetos de sistema de segurança do trabalho e assessorar a</p><p>elaboração de projetos e obras para garantir a segurança.</p><p>• Analisar instalações, máquinas e equipamentos, projetando dispositivos</p><p>de segurança.</p><p>• Atuar em projetos de proteção contra incêndios.</p><p>• Delimitar as áreas de periculosidade.</p><p>• Fiscalizar os sistemas de proteção coletiva e os EPI.</p><p>• Acompanhar a aquisição de substâncias e equipamentos que ofereçam</p><p>riscos.</p><p>• Elaborar planos para prevenir acidentes.</p><p>• Realizar treinamentos.</p><p>• Emitir Anotação de Responsabilidade Técnica – ART.</p><p>6.3 ATRIBUIÇÕES DO ENGENHEIRO</p><p>DE SEGURANÇA DO TRABALHO NO</p><p>SESMT</p><p>Os Serviços Especializados em Engenharia e em Medicina do</p><p>Trabalho (SESMT) consistem num conjunto de funcionários estabelecido com</p><p>a finalidade de atuar nas questões de saúde e segurança do trabalho dentro</p><p>da empresa, cuja composição é obrigatória para toda instituição que contrate</p><p>trabalhadores como empregados, segundo previsão da NR-04, do MTE.</p><p>175</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Nos termos da mencionada norma, o SESMT será constituído pelos</p><p>seguintes profissionais: engenheiro de segurança do trabalho, médico do</p><p>trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho e auxiliar de</p><p>enfermagem do trabalho. As principais atribuições do Engenheiro de Segurança</p><p>do Trabalho no SESMT são:</p><p>• Elaborar projetos do âmbito da segurança e saúde do trabalho.</p><p>• Elaborar laudos.</p><p>• Realizar perícias.</p><p>• Confeccionar pareceres técnicos.</p><p>• Gerenciar o controle de riscos.</p><p>• Estudar as condições de segurança no ambiente de trabalho.</p><p>• Analisar os riscos de acidentes.</p><p>• Propor regulamentos internos para a prevenção de acidentes e doenças</p><p>ocupacionais.</p><p>• Acompanhar a execução de obras e serviços no sentido de promover a</p><p>segurança.</p><p>• Coordenar as comissões internas, como a CIPA.</p><p>• Atuar na área de higiene do trabalho.</p><p>• Elaborar ou colaborar com os programas de segurança do trabalho,</p><p>como PPRA, PCMAT, PGR).</p><p>• Promover a realização de atividades de conscientização, educação e</p><p>orientação dos trabalhadores.</p><p>6.4 RESOLUÇÕES CONFEA</p><p>A seguir, apresentamos duas resoluções importantes para os profissionais</p><p>de Engenharia do Trabalho.</p><p>Confira na íntegra o texto da Resolução nº 325 do CONFEA, que</p><p>dispõe sobre as atribuições da engenharia e segurança do trabalho</p><p>no âmbito industrial:</p><p>RESOLUÇÃO Nº 325, DE 27 NOV 1987</p><p>“Dispõe sobre o exercício profissional, o registro e as atividades do</p><p>Engenheiro de Segurança do Trabalho, e dá outras providências”.</p><p>176</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>O CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA</p><p>E AGRONOMIA, usando das atribuições que lhe conferem a</p><p>letra “f”, do artigo 27 da Lei n.º 5.194, de 24 de dezembro de</p><p>1966 e o art. 4º do Decreto nº 92.530 de 09 de abril de 1966;</p><p>CONSIDERANDO, que a Lei nº 7.410/85 veio excepcionar a</p><p>legislação anterior que regulou os cursos de especialização e</p><p>seus objetivos, tanto que o seu art. 6º revogou as disposições em</p><p>contrário;</p><p>CONSIDERANDO a aprovação, pelo Conselho Federal de Educação</p><p>do currículo básico do curso de Engenheiro de Segurança do</p><p>Trabalho – Parecer nº 19/87;</p><p>CONSIDERANDO, ainda, que tal Parecer nº 19/87 é expresso em</p><p>ressaltar “dever a Engenharia de Segurança do Trabalho voltar-</p><p>se precipuamente para a proteção do trabalhador em todas as</p><p>unidades laborais no que se refere a questões de segurança,</p><p>inclusive higiene do trabalho, sem interferência específica</p><p>nas competências legais e técnicas estabelecidas para as</p><p>diversas modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia”;</p><p>CONSIDERANDO, ainda, que o mesmo Parecer concluiu por fixar</p><p>um currículo básico único e uniforme para a pós-graduação em</p><p>Engenharia de Segurança do Trabalho, independentemente da</p><p>modalidade do curso de graduação concluído pelos profissionais</p><p>engenheiros e arquitetos;</p><p>CONSIDERANDO que a Lei nº 7.410 faculta a todos os</p><p>titulados como Engenheiro a faculdade de se habilitar como</p><p>Engenheiros de Segurança de Trabalho, estando portanto,</p><p>amparados inclusive os Engenheiros da área de Agronomia;</p><p>CONSIDERANDO, por fim,</p><p>a manifestação da Secretaria de</p><p>Segurança e Medicina do Trabalho, prevista no art. 4º do Decreto nº</p><p>92.530/86, pelo qual “a Engenharia de Segurança do Trabalho visa à</p><p>prevenção de riscos nas atividades de trabalho com vistas à defesa</p><p>da integridade da pessoa humana”.</p><p>RESOLVE:</p><p>Art. 1º - O exercício da especialização de Engenheiro de Segurança</p><p>do Trabalho é permitido, exclusivamente:</p><p>177</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>I – ao Engenheiro ou Arquiteto, portador de certificado de conclusão</p><p>de curso de especialização a nível de pós-graduação, em Engenharia</p><p>de Segurança do Trabalho;</p><p>II – ao portador de certificado de curso de especialização em</p><p>Engenharia de Segurança do Trabalho, realizado em caráter</p><p>prioritário, pelo Ministério do Trabalho;</p><p>III – ao possuidor de registro de Engenheiro de Segurança do</p><p>Trabalho, expedido pelo Ministério do Trabalho, dentro de 180 (cento</p><p>de oitenta) dias da extinção do curso referido no item anterior.</p><p>Art. 2º - Os Conselhos Regionais concederão o registro</p><p>dos Engenheiros de Segurança do Trabalho procedendo</p><p>à anotação nas carteiras profissionais já expedidas.</p><p>Art. 3º - Para o registro só serão aceitos certificados de cursos de</p><p>pós-graduação credenciados pelo Conselho Federal de Educação,</p><p>ressalvadas as hipóteses contempladas nos incisos II e III do art. 1º.</p><p>Art. 4º - As atividades dos Engenheiros e Arquitetos na especialidade</p><p>de Engenharia de Segurança do Trabalho são as seguintes:</p><p>1- Supervisionar, coordenar e orientar tecnicamente os serviços de</p><p>Engenharia de Segurança Trabalho;</p><p>2- Estudar as condições de segurança dos locais de trabalho e</p><p>das instalações e equipamentos, com vistas especialmente aos</p><p>problemas de controle de risco, controle de poluição, higiene do</p><p>trabalho, ergonomia, proteção contra incêndio e saneamento;</p><p>3- Planejar e desenvolver a implantação de técnicas relativas a</p><p>gerenciamento e controle de riscos;</p><p>4- Vistoriar, avaliar, realizar perícias, arbitrar, emitir parecer, laudos</p><p>técnicos e indicar medidas de controle sobre grau de exposição e</p><p>agentes agressivos de riscos físicos, químicos e biológicos, tais</p><p>como: poluentes atmosféricos, ruídos, calor radiação em geral e</p><p>pressões anormais, caracterizando as atividades, operações e locais</p><p>insalubres e perigosos;</p><p>5- Analisar riscos, acidentes e falhas, investigando causas,</p><p>propondo medidas preventivas e corretivas e orientando</p><p>trabalhos estatísticos, inclusive com respeito a custos;</p><p>6- Propor políticas, programas, normas e regulamentos de Segurança</p><p>do Trabalho, zelando pela sua observância;</p><p>7- Elaborar projetos de sistemas de segurança e assessorar a</p><p>elaboração de projetos de obras, instalações e equipamentos,</p><p>opinando do ponto de vista da Engenharia de Segurança;</p><p>8- Estudar instalações, máquinas e equipamentos, identificando seus</p><p>pontos de risco e projetando dispositivos de Segurança;</p><p>178</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>9- Projetar sistemas de proteção contra incêndio, coordenar</p><p>atividades de combate a incêndio e de salvamento</p><p>e elaborar planos para emergência e catástrofes;</p><p>10- Inspecionar locais de trabalho no que se relaciona com a</p><p>Segurança do Trabalho, delimitando áreas de periculosidade;</p><p>11- Especificar, controlar e fiscalizar sistemas de proteção coletiva</p><p>e equipamentos de segurança, inclusive os de proteção individual e</p><p>os de proteção contra incêndio, assegurando-se de sua qualidade e</p><p>eficiência;</p><p>12- Opinar e participar da especificação para aquisição de</p><p>substâncias e equipamentos cuja manipulação, armazenamento,</p><p>transporte ou funcionamento possam apresentar riscos,</p><p>acompanhando o controle do recebimento e da expedição;</p><p>13- Elaborar planos destinados a criar e desenvolver</p><p>a prevenção de acidentes, promovendo a instalação</p><p>de comissões e assessorando-lhes o funcionamento;</p><p>14- Orientar o treinamento específico de segurança do trabalho</p><p>e assessorar a elaboração de programas de treinamento</p><p>geral, no que diz respeito à Segurança do Trabalho;</p><p>15- Acompanhar a execução de obras e serviços</p><p>decorrentes da adoção de medidas de segurança, quando</p><p>a complexidade dos trabalhos a executar assim o exigir;</p><p>16- Colaborar na fixação de requisitos de aptidão para o exercício de</p><p>funções, apontando os riscos decorrentes desses exercícios;</p><p>17- Propor medidas preventivas no campo de Segurança do</p><p>Trabalho, em face do conhecimento da natureza e gravidade das</p><p>lesões provenientes do Acidente de Trabalho, incluídas as doenças</p><p>do trabalho;</p><p>18- Informar aos trabalhadores e à comunidade, diretamente</p><p>ou por meio de seus representantes, as condições que</p><p>possam trazer danos à sua integridade e as medidas que</p><p>eliminam ou atenuam estes riscos e que deverão ser tomadas.</p><p>Art. 5º - A presente Resolução entrará em vigor na data de sua</p><p>publicação.</p><p>Art. 6º - Revogam-se as disposições em contrário.</p><p>Brasília, 27 de novembro de 1987.</p><p>Luís Carlos dos Santos Mário Varela Amorim</p><p>PRESIDENTE 1º SECRETÁRIO</p><p>Publicada no D.O.U. de 08 de dezembro de 1987 – Seção I – Pág.</p><p>21.117.</p><p>179</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Confira na íntegra o texto da Resolução nº 437 do CONFEA, que</p><p>dispõem sobre as ART’s dos especialistas em Segurança do</p><p>Trabalho:</p><p>RESOLUÇÃO Nº 437, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1999</p><p>“Dispõe sobre a Anotação de Responsabilidade</p><p>Técnica – ART relativa às atividades dos Engenheiros</p><p>e Arquitetos, especialistas em Engenharia de</p><p>Segurança do Trabalho e dá outras providências”.</p><p>O CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E</p><p>AGRONOMIA – CONFEA, no uso das atribuições que lhe confere</p><p>a alínea “f” do Art. 27 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966;</p><p>Considerando que, de acordo com o art. 1º da Lei nº 6.496,</p><p>de 05 de dezembro de 1977, todo contrato para a execução</p><p>de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais</p><p>referentes à Engenharia, Arquitetura e Agronomia, fica</p><p>sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica – ART;</p><p>Considerando que a Engenharia de Segurança do Trabalho</p><p>constitui uma especialização de engenheiros e arquitetos, ao nível</p><p>de pós-graduação “latu sensu”, que gera atribuições profissionais;</p><p>Considerando que somente a ART poderá definir quem,</p><p>para os efeitos legais, são os responsáveis técnicos</p><p>pelos serviços de Engenharia de Segurança do Trabalho;</p><p>Considerando que, de acordo com o art. 4º do Decreto</p><p>nº 92.530, de 09 de abril de 1986, as atividades dos</p><p>Engenheiros e Arquitetos, especializados em Engenharia</p><p>de Segurança do Trabalho serão definidas pelo CONFEA;</p><p>Considerando que as atividades dos Engenheiros e</p><p>Arquitetos especializados em Engenharia de Segurança</p><p>do Trabalho, foram definidas pelo CONFEA no art.</p><p>4º da Resolução nº 359, de 31 de julho de 1991;</p><p>180</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Considerando o disposto na Resolução nº 425, de 18 de</p><p>dezembro de 1998, do CONFEA, que “dispõe sobre a Anotação</p><p>de Responsabilidade Técnica e dá outras providências”;</p><p>RESOLVE:</p><p>Art. 1º As atividades relativas à Engenharia de Segurança</p><p>do Trabalho ficam sujeitas à Anotação de Responsabilidade</p><p>Técnica – ART, definida pela Lei nº 6.496, de 1977.</p><p>§ 1º Os estudos, projetos, planos, relatórios, laudos e quaisquer</p><p>outros trabalhos ou atividades relativas à Engenharia de Segurança</p><p>do Trabalho, quer público, quer particular, somente poderão</p><p>ser submetidos ao julgamento das autoridades competentes,</p><p>administrativas e judiciárias, e só terão valor jurídico quando seus</p><p>autores forem Engenheiros ou Arquitetos, especializados em</p><p>Engenharia de Segurança do Trabalho e registrados no Conselho</p><p>Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA.</p><p>../..</p><p>§ 2º Os estudos, projetos, planos, relatórios, laudos e quaisquer outros</p><p>trabalhos ou atividades de Engenharia de Segurança do Trabalho</p><p>referidos no parágrafo anterior, somente serão reconhecidos como</p><p>provocar cortes e escorregões. Após o uso, mantenha as</p><p>ferramentas guardadas de maneira correta.</p><p>Caro aluno, agora que você já conhece os riscos associados às ferramentas</p><p>manuais, é uma boa hora para você substituir, na sua empresa, as ferramentas</p><p>velhas e impróprias para o uso e, também, adquirir os EPIs necessários para a</p><p>sua segurança!</p><p>2.2 RISCOS EM FERRAMENTAS</p><p>MOTORIZADAS</p><p>As ferramentas elétricas são ferramentas portáteis acionadas por energia</p><p>elétrica e cujo uso é frequente em trabalhos de montagem elétrica. São exemplos</p><p>de ferramentas elétricas: amoladoras (radial), berbequim perfurador, serras</p><p>elétricas e berbequim parafusador. A Figura 2 mostra algumas ferramentas</p><p>motorizadas.</p><p>19</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>FONTE: <http://blogsegvida.blogspot.com/2010/09/ferramentas-</p><p>eletricas-campanha-setembro.html>. Acesso em: 17 jun. 2021.</p><p>FIGURA 2 – FERRAMENTAS MOTORIZADAS</p><p>As ferramentas manuais portáteis que são mecânicas ou motorizadas, como</p><p>as motosserras, já causaram até mortes. Por isso, requerem atenção maior para</p><p>evitar avarias e transtornos.</p><p>Os acidentes de trabalho mais comuns são dilacerações, cortes e contusões.</p><p>Se tratados rapidamente, esses ferimentos são simples de serem solucionados.</p><p>Porém, caso os procedimentos sejam ignorados, pode haver infecção e</p><p>agravamento do quadro.</p><p>Os riscos mais importantes oriundos de ferramentas motorizadas são:</p><p>• Contatos elétricos.</p><p>• Pancadas e cortes nas mãos ou outras partes do corpo.</p><p>• Lesões oculares por projeção de fragmentos ou partículas.</p><p>• Entorses por movimentos ou esforços violentos.</p><p>• Ruído.</p><p>• Incêndios.</p><p>Já as causas principais de acidentes no uso de ferramentas motorizadas são:</p><p>• Utilização inadequada das ferramentas.</p><p>• Utilização de ferramentas defeituosas.</p><p>• Utilização de ferramentas de baixa qualidade.</p><p>• Não utilização de equipamentos de proteção individual.</p><p>• Posturas forçadas.</p><p>20</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Utilização com presença de substâncias combustíveis.</p><p>Toda ferramenta deve ser cuidadosamente inspecionada antes de ser usada,</p><p>sendo uma responsabilidade do agente de mestria, do encarregado do depósito</p><p>de ferramentas e do trabalhador (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006). Em todas</p><p>as indústrias deve haver um programa de controle de ferramentas, para que as</p><p>ferramentas defeituosas não possam ser colocadas para o uso no trabalho, mas</p><p>devem ser consertadas antes de serem disponibilizadas novamente para o uso.</p><p>Devem constar no programa de controle de ferramentas: inspeções, reparações</p><p>e ensaios.</p><p>A inspeção deverá ser periódica: diária, semanal ou mensal. As inspeções</p><p>podem ser internas ou externas, recomenda-se realizar as duas. A inspeção</p><p>externa consiste em detectar todas as falhas ou defeitos visíveis externamente.</p><p>Já a inspeção interna é realizada por setor ou pessoa competente da empresa, no</p><p>mínimo, uma vez por mês, quando são detectadas todas as falhas ou defeitos nos</p><p>componentes da ferramenta (CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006).</p><p>Como medidas preventivas no uso das ferramentas motorizadas recomenda-</p><p>se:</p><p>• Utilizar ferramentas de qualidade, adequadas ao tipo de trabalho a</p><p>realizar e com marcação CE.</p><p>• Os trabalhadores devem estar autorizados pela empresa para utilizar as</p><p>ferramentas.</p><p>• Treinar adequadamente os trabalhadores para a utilização de cada tipo</p><p>de ferramenta.</p><p>• Verificar se as ferramentas apresentam bom estado da carcaça exterior</p><p>e se dispõem dos elementos de proteção ou de uso adequados que</p><p>nunca devem ser desmontados, salvo expressamente autorizado pelo</p><p>Chefe de Trabalhos.</p><p>• Verificar o estado do cabo de alimentação (não deve haver fios de cobre</p><p>descascados, nem emendas com fita isolante) e da ficha de ligação (não</p><p>ligar os cabos diretamente). Não transportar as ferramentas segurando-</p><p>as pelo cabo de alimentação.</p><p>• Escolher o acessório adequado à ferramenta (disco, broca etc.) e ao</p><p>trabalho a realizar. Este acessório deverá estar em bom estado (disco</p><p>não desgastado, broca afiada etc.).</p><p>• Desligar a ferramenta da rede para efetuar a troca do acessório e quando</p><p>não seja utilizada.</p><p>• Utilizar a chave apropriada para trocar o acessório.</p><p>• Utilizar ferramentas dotadas de duplo isolamento de proteção e ligá-las a</p><p>um quadro protegido com interruptor diferencial.</p><p>21</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>• Evitar os trabalhos nas proximidades de materiais combustíveis. Se</p><p>necessário, cobrir esses materiais com algum elemento incombustível</p><p>(telas, chapas, mantas ignífugas, lonas molhadas etc.), devendo ter,</p><p>ainda, extintores disponíveis no posto de trabalho.</p><p>• Fixar os materiais de pequenas dimensões por meio de grampos</p><p>adequados, antes de trabalhar sobre eles.</p><p>• Segurar as ferramentas com as duas mãos. Não adotar posturas</p><p>forçadas nem exercer pressão excessiva sobre a ferramenta.</p><p>• Utilizar calçado de segurança para evitar o risco de pancadas nos pés</p><p>por queda das ferramentas durante o manuseamento das mesmas.</p><p>• Utilizar óculos de proteção e viseira facial (para a amoladora),</p><p>especialmente quando houver risco de projeção de partículas.</p><p>• Utilizar protetores auditivos quando o trabalho com as ferramentas ocupe</p><p>uma parte importante do horário de trabalho e sempre que o nível de</p><p>ruído ultrapasse os 80 dB (A) legalmente exigidos (ISASTUR, 2019).</p><p>As ferramentas motorizadas devem ser guardadas em prateleiras,</p><p>gavetas ou em estojos apropriados. Essas ferramentas nunca devem estar</p><p>desnecessariamente sobre as mesas ou bancadas de trabalho, sob o piso etc.</p><p>(CAMPOS; TAVARES; LIMA, 2006).</p><p>2.3 RISCOS EM MOTORES</p><p>O motor elétrico é qualquer dispositivo que transforma energia</p><p>elétrica em mecânica. É o mais usado de todos os tipos de motores, pois combina</p><p>as vantagens da energia elétrica – baixo custo, facilidade de transporte, limpeza</p><p>e simplicidade de comando – com sua construção simples, custo reduzido,</p><p>grande versatilidade de adaptação às cargas dos mais diversos tipos e melhores</p><p>rendimentos (WIKIPEDIA, 2019).</p><p>Especificamente, a energia rotacional é produzida a partir da força de</p><p>campos magnéticos induzidos pela corrente alternada que flui através de bobinas</p><p>elétricas. O motor de corrente alternada é usado para fornecer energia para uma</p><p>grande variedade de sistemas, variando desde pequenos servomecanismos</p><p>até grandes máquinas industriais. A maioria dos motores de corrente alternada</p><p>consiste em dois componentes principais: um estator e um rotor. O estator é um</p><p>anel de metal com fendas que prendem as bobinas de fio isolado em um núcleo</p><p>de aço. A corrente alternada passa então por esses fios para produzir um campo</p><p>magnético rotativo (CITISYSTEMS AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL, 2019). A Figura</p><p>3 mostra a carcaça e a parte interna de um motor elétrico.</p><p>22</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Motor_el%C3%A9trico>. Acesso em: 2 maio 2019.</p><p>FIGURA 3 – MOTOR ELÉTRICO</p><p>O rotor é uma haste com uma pilha de barras condutoras uniformemente</p><p>espaçadas no seu núcleo. Durante a operação, o núcleo do rotor interage com</p><p>o campo magnético gerado pelos enrolamentos do estator, fazendo com que o</p><p>rotor gire e produza torque. Todos esses componentes são normalmente alojados</p><p>dentro de uma caixa ou invólucro projetado para proteger o motor e controlar a</p><p>geração de calor. A Figura 4 mostra algumas partes internas de um motor elétrico.</p><p>FONTE: <https://www.citisystems.com.br/motor-eletrico/>. Acesso em: 2 maio 2019.</p><p>FIGURA 4 – PARTES INTERNAS DO MOTOR ELÉTRICO</p><p>A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) realizou pesquisas de</p><p>mercado que mostraram que a prática de recondicionamento de motores antigos</p><p>vem se tornando cada vez mais comum no setor industrial (LEONARDO ENERGY,</p><p>2017).</p><p>23</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais</p><p>tendo valor legal se tiverem sido objeto de ART no CREA competente.</p><p>Art. 2º Para os efeitos desta Resolução, entende-</p><p>se como Engenharia de Segurança do Trabalho:</p><p>I- a prevenção de riscos nas atividades de trabalho com vistas</p><p>à preservação da saúde e integridade da pessoa humana; e</p><p>II- a proteção do trabalhador em todas as unidades laborais,</p><p>no que se refere à questão de segurança, inclusive higiene</p><p>do trabalho, sem interferência específica nas competências</p><p>legais e técnicas estabelecidas para as diversas modalidades</p><p>da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, conforme o</p><p>Parecer nº 19/87 do Conselho Federal de Educação.</p><p>Art. 3º Em consonância com o disposto no artigo anterior,</p><p>as atividades de Engenharia de Segurança do Trabalho que</p><p>serão objeto de ART, são aquelas previstas nos itens 1 a</p><p>18 do art. 4º da Resolução nº 359, de 1991, do CONFEA.</p><p>181</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Parágrafo único. O profissional, ao preencher o formulário de</p><p>ART, especificará em qual item do art. 4º da Resolução nº 359,</p><p>de 1991, do CONFEA, se enquadra o documento técnico e/ou</p><p>atividade técnica objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica.</p><p>Art. 4º Incluem-se entre as atividades de Engenharia de Segurança</p><p>do Trabalho, referidas no art. 4º da Resolução nº 359, de 1991, a</p><p>elaboração e os seguintes documentos técnicos, previstos na</p><p>Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, que regulamentou</p><p>a Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que alterou o</p><p>Capítulo V, Título II da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT:</p><p>I- programa de condições e meio ambiente do trabalho na indústria</p><p>da construção - PCMAT, previsto na NR-18;</p><p>II- programa de prevenção de riscos ambientais – PPRA, previsto na</p><p>NR-09;</p><p>III- programa de conservação auditiva;</p><p>IV- laudo de avaliação ergonômica, previsto na NR-17;</p><p>V- programa de proteção respiratória, previsto na NR-06; e</p><p>VI- programa de prevenção da exposição ocupacional ao benzeno –</p><p>PPEOB, previsto na NR-15.</p><p>§ 1º Os documentos técnicos referidos nos incisos do “caput” deste</p><p>artigo somente terão valor legal e só poderão ser submetidos às</p><p>autoridades competentes, se acompanhados das devidas ARTs.</p><p>§ 2º As ART´s referidas no parágrafo anterior, terão</p><p>validade durante os prazos nelas obrigatoriamente fixados.</p><p>Art. 5º Todo empreendimento econômico dos setores, industrial,</p><p>comercial e agrícola fica sujeito a ter, nos termos da legislação</p><p>vigente, um Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA,</p><p>conforme o nível de risco que apresenta para os seus trabalhadores,</p><p>que deve ser objeto de ART no CREA de jurisdição em que se localiza.</p><p>§ 1º No caso da indústria da construção civil, com 20</p><p>(vinte) trabalhadores ou mais, será obrigatória a existência</p><p>unicamente do Programa de Condições e Meio Ambiente</p><p>de Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT, anotado</p><p>no CREA de jurisdição da localização do empreendimento.</p><p>§ 2º O PPRA ou o PCMAT, previstos no “caput” e no</p><p>§ 1º deste artigo, somente serão dispensados nos</p><p>casos em que a legislação específica assim dispuzer.</p><p>§ 3º Em cada caso específico, os documentos técnicos</p><p>182</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>previstos no art. 4º desta Resolução deverão permanecer no</p><p>empreendimento referido no “caput” deste artigo, à disposição</p><p>dos CREAs, com os seus relatórios de fiscalização fazendo,</p><p>obrigatoriamente, menção quanto às suas existências ou não</p><p>e, em caso negativo, deverão autuar o seu empreendedor,</p><p>por infração à alínea “a”, do art. 6º da Lei nº 5.194, de 1966.</p><p>§ 4º As execuções dos planos e programas referidos no</p><p>art. 4º desta Resolução serão objeto de ART´s específicas.</p><p>§ 5º Os CREAs definirão os tipos de empreendimentos econômicos</p><p>cujos PPRAs e PCMATs poderão ser elaborados por Técnico de</p><p>Segurança do Trabalho em função das características de seu</p><p>currículo escolar, considerados, em cada caso, os conteúdos</p><p>das disciplinas que contribuem para sua formação profissional.</p><p>Art. 6º As atividades de Engenharia de Segurança do Trabalho</p><p>que não tiverem sido objeto de ART, até a data de publicação</p><p>desta Resolução, poderão ser anotadas se atenderem o disposto</p><p>na Resolução nº 394, de 17 de março de 1995, do CONFEA.</p><p>Art. 7º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.</p><p>Art. 8º Revogam-se as disposições em contrário.</p><p>HENRIQUE LUDUVICE</p><p>Presidente</p><p>LUIS ABÍLIO DE SOUSA NETO</p><p>Vice-Presidente</p><p>Publicada no D.O.U. de 20 DEZ 1999 - Seção I – Pág. 108/109</p><p>Sugerimos a leitura do seguinte livro: Guia de segurança</p><p>e saúde no trabalho (medicina do trabalho, escrito pelo autor:</p><p>Gustavo Coutinho Bacellar. Disponível em: https://www.</p><p>amazon.com.br /L i%C3%A7%C3%B5es-Cante i ro -Obras-</p><p>Constru%C3%A7%C3%A3o-Civ i l -ebook/dp/B00ILU0N9E/</p><p>ref=sr_1_8?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95</p><p>%C3%91&dchild=1&keywords=seguran%C3%A7a+do+trabalho+</p><p>na+constru%C3%A7%C3%A3o+civil&qid=1602896583&s=digital-</p><p>text&sr=1-8</p><p>183</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>A IMPORTÂNCIA DO CUMPRIMENTO DO</p><p>PCMAT EM UMA OBRA CIVIL</p><p>Clodoaldo Leônidas Vieira do Carmo</p><p>O ramo da Construção Civil é um dos segmentos mais</p><p>importante da economia de um país, por gerar grande volume</p><p>de riquezas e empregos diretos e indiretos para todas as classes</p><p>sociais, especialmente para os mais pobres. A fatia da construção</p><p>civil na economia de um país é ainda maior se for considerada a toda</p><p>a sua cadeia produtiva direta e indireta, que vai desde a produção de</p><p>materiais de construção, de máquinas e equipamentos, serviços, e o</p><p>comércio de materiais, o que confirma o impacto social e econômico</p><p>desta atividade dentro de um país (FIRJAN, 2014). Ainda conforme</p><p>a FIRJAN (2014) a expansão da construção civil dentro do Brasil,</p><p>visto os grandes eventos que foram realizados nos últimos anos</p><p>como a copa do mundo, olimpíadas, programas de aceleração de</p><p>crescimento o PAC e o aumento de obras de grande porte, tornou</p><p>se canteiro de obras em um sistema amplo e complexo e com</p><p>isso, faz-se necessário que, além do planejamento efetivo das</p><p>atividades que serão desenvolvidas, haja o controle de acordo com</p><p>a legislação e normas no que diz respeito à Saúde e Segurança do</p><p>Trabalho (SST) em toda a obra. Conforme a última divulgação do</p><p>anuário estatístico de 2014, da Previdência Social (MTPS, 2014), os</p><p>números de acidentes de trabalho no Brasil na construção civil são</p><p>negativos tanto para as empresas quanto para as vítimas, o mesmo</p><p>informou que, no período de 2007 a 2014, 45% dos acidentes de</p><p>trabalho ocasionaram morte, invalidez permanente ou, no mínimo,</p><p>afastamento do trabalho por período temporário, onde a maioria dos</p><p>acidentes fatais ocorreram no ramo da construção civil. O total de</p><p>indenização pago nesse mesmo período alcançou a casa de R$ 58</p><p>bilhões de reais. De acordo com o Art. 19 da Lei 8.213/91 (BRASIL,</p><p>1991), acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho</p><p>a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho, provocando lesão</p><p>corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou</p><p>redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.</p><p>A norma NBR 14280 (ABNT. NBR 14280, 2001) define acidente de</p><p>trabalho como a ocorrência imprevista e indesejável, instantânea</p><p>ou não, relacionada com o exercício do trabalho, de que resulte ou</p><p>possa resultar lesão pessoal. No Brasil, segundo dados oficiais do</p><p>184</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Ministério do trabalho e Previdência Social em 2013 (MTPS, 2013),</p><p>os acidentes registrados em canteiros de obras eram mais de 60 mil</p><p>ao 14 ano, com mais de 400 mortes. As principais causas destes</p><p>acidentes na construção civil (CÔRTES e SILVA, 2011) são: baixa</p><p>escolaridade dos operários, baixos salários, falta de conscientização</p><p>e treinamento, péssimas condições de trabalho, alimentação</p><p>inadequada, alta rotatividade,</p><p>e muitas vezes os operários vivem</p><p>longe das famílias. No Brasil, as NR´s (Normas Regulamentadoras)</p><p>descritas na Portaria 3214/78 do MTE (Ministério do Trabalho e</p><p>Emprego) determinam normas especificas referente a segurança e</p><p>a saúde do trabalho, e uma das normas (BRASIL, 2015), a NR-18</p><p>(Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção)</p><p>estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de</p><p>organização, que objetivam a implementação de medidas de controle</p><p>e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições</p><p>e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção, e a</p><p>mesma ainda determina que seja elaborado o PCMAT (Programa de</p><p>Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção).</p><p>A elaboração deste programa e do seu cumprimento são obrigatórios</p><p>nos estabelecimentos com 20 ou mais trabalhadores, devendo ser</p><p>mantido conforme descrito na NR, disposta no canteiro de obras a</p><p>que se refere à disposição dos órgãos de fiscalização. [...]</p><p>EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO CIVIL NO BRASIL</p><p>Não se pode estabelecer ao certo quando se iniciou as atividades</p><p>da construção civil no Brasil, mas como afirma Bazzo e Pereira (2000)</p><p>a construção civil efetivamente começou com as primeiras casas</p><p>construídas pelos colonizadores portugueses, e posteriormente</p><p>vieram as primeiras obras tidas como obras de engenharia militar</p><p>de defesa, muros e fortins. Mas a construção civil se desenvolveu</p><p>civil no Brasil através das atividades dos oficiais-engenheiros e dos</p><p>mestres construtores de edificações civis e religiosas ao longo do</p><p>tempo. E ao longo das últimas décadas a construção civil no Brasil,</p><p>se desenvolveu de acordo com a evolução política dentro do país, o</p><p>artigo de MIKAIL (2013), da ênfase da seguinte forma:</p><p>• Década de 1940 – a construção civil está em seu auge, com</p><p>Getúlio na Presidência do Brasil, o país era um importante</p><p>conhecedor de tecnologia de concreto, tanto para atividade militar</p><p>quanto para civil.</p><p>• Década de 1950 – a construção civil passou a receber menos</p><p>incentivo do Estado e ficando sob o domínio mais da iniciativa</p><p>privada;</p><p>185</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>• Década de 1970 – retomou a iniciativa estatal e as construtoras</p><p>passaram unicamente a edificar prédios, financiados pelo regime</p><p>militar com o intuito de diminuir o déficit de moradia no país;</p><p>• Década de 1980 – O regime militar inicia uma redução gradativa</p><p>aos financiamentos, motivo pelo qual as construtoras voltam a</p><p>comercializar suas unidades;</p><p>• Década 1990 – com um mercado mais exigente, as construtoras</p><p>se obrigam a qualificar sua mão de obra, a fim de aprimorar o</p><p>produto final;</p><p>• Nos anos 2000 até hoje – o foco vem mudando agregando outros</p><p>tipos de valor, que é a preocupação com a preservação do meio</p><p>ambiente, e a inquietação com o impacto ocasionado pelos</p><p>resíduos provenientes da construção, fazendo com que novas</p><p>leis surjam. Com esta evolução da construção civil, cada vez</p><p>mais dando ênfase na gestão da produção, foi elevado o patamar</p><p>de exigência de maior produtividade e qualidade do produto,</p><p>exigindo que as empresas se modernizassem e tivessem maior</p><p>preocupação com os 17 funcionários, no sentido de treiná-</p><p>los, capacitá-los e fazê-los criar vínculos de fidelidade com as</p><p>empresas (CORDEIRO e MACHADO, 2002). E conforme a</p><p>FIRJAN (2014) nos últimos anos o segmento da construção civil</p><p>passou por um significativo processo de expansão no Brasil, visto</p><p>todos os últimos acontecimentos dentro do pais e os programas</p><p>do governo de incentivo a construção civil, tendo um crescimento</p><p>do Produto Interno Bruto (PIB) do setor, superando o do país.</p><p>A FIRJAN (2014) ainda afirma que mesmo considerando os</p><p>efeitos da crise internacional, o dinamismo do setor vem criando</p><p>bases sustentáveis, com à inovação, tecnologia, qualificação</p><p>profissional e ao estabelecimento de ambientes de negócios que</p><p>favoreçam a produtividade, a competitividade empresarial e o</p><p>desenvolvimento da construção civil no país. [...]</p><p>EVOLUÇÃO DOS ACIDENTES NA CONSTRUÇÃO CIVIL</p><p>Conforme Gomes (2011), o crescimento ao longo dos anos</p><p>no setor da construção civil, não correspondeu à uma melhor</p><p>qualificação dos trabalhadores deste setor, sobretudo devido ao fato</p><p>de que muitos trabalhadores são terceirizados e tantos outros por</p><p>vezes nem são contratados, mas apenas prestadores de serviços,</p><p>o que faz com que sua saúde não seja objeto de interesse direto</p><p>das empresas. Além que de acordo com o mesmo autor, essa</p><p>rotatividade dos funcionários de obra em obra, sem uma durabilidade</p><p>ou estabilidade maior, em muitos casos, o leva a não aos mesmo a</p><p>186</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>não ter condições de exigir que seus direitos em relação à saúde e à</p><p>segurança sejam cumpridos, o que favoreceu o aumento do número</p><p>de acidentes dentro da construção civil. Em entrevista para rádio</p><p>câmara em 2011, o presidente da Abraest, Associação Brasiliense</p><p>de Engenharia de Segurança do Trabalho da época Delfino Lima,</p><p>disse que a construção civil é o setor que menos avançou no uso de</p><p>novas tecnologias, o que explica o grande número de acidentes. No</p><p>caso específico do Brasil, a grande incidência ainda é na construção</p><p>civil. e a construção civil está sendo aperfeiçoada lentamente.</p><p>Então muitas atividades ainda são feitas de forma bem tradicional,</p><p>o que necessita ainda de muito equipamento de proteção individual,</p><p>e, na maioria das vezes, as empresas ou não fornecem, ou não</p><p>22 treinam ou não fiscalizam seus próprios empregados para que</p><p>usem corretamente os equipamentos de proteção. Ou então, não se</p><p>adequaram com novas tecnologias, de modo a fazer uma prevenção</p><p>para evitar o uso do equipamento.</p><p>Porque o uso do equipamento é quando não há ainda uma</p><p>solução definitiva, uma proteção coletiva (LIMA, 2011). Os Anuários</p><p>Estatísticos da Previdência Social, mostrou ao longo dos últimos</p><p>anos uma evolução nos acidentes de trabalho ocorridos e registrados</p><p>no Brasil, em 2006 o número total foi em torno de 512 mil acidentes</p><p>de trabalho e no ultimo anuário de 2014 o número saltou para 704</p><p>mil ocorrências. Onde a Construção civil em 2014 registrou cerca 70</p><p>mil acidentes (MTPS, 2014). No documento elaborado e divulgado</p><p>pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE, 2015), chamado de</p><p>Estratégia Nacional para Redução dos Acidentes do Trabalho 2015-</p><p>2016, demonstrou uma oscilação de 1997 até 2013 no número de</p><p>acidentes do trabalho fatais no Brasil, conforme pode ser visto na</p><p>Tabela 1 abaixo. Tabela 1 – Óbitos por acidentes do trabalho no</p><p>Brasil, 1997 a 2013 Fonte: Ministério do Trabalho e Previdência</p><p>Social (MTE, 2015).</p><p>Segundo este mesmo documento (MTE, 2015) a construção</p><p>civil é o quinto setor econômico em número de acidentes e o</p><p>segundo que mais mata trabalhadores no Brasil. A participação do</p><p>setor no total de acidentes fatais no país passou de 10%, em 2006,</p><p>para os atuais 16% e hoje responde por 450 mortes todos os anos.</p><p>Os dados consideram apenas os 23 empregados formais vinculados</p><p>aos CNAE (Classificação Nacional de Atividade Econômica) e</p><p>os anuários estatísticos de acidentes de trabalho do INSS. A taxa</p><p>de mortalidade de 6,53 a cada 100.000 segurados no país. Além</p><p>disso, o mesmo relatório destaca que a Organização Internacional</p><p>do Trabalho (OIT) faz a estimativa de que 2,34 milhões de pessoas</p><p>morrem todos os anos no mundo devido a acidentes de trabalho,</p><p>187</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>sendo que destas menos 60 mil por ano ocorrem em obra civil (LIMA</p><p>JÚNIOR e LÓPEZ-VALCÁRCEL e DIAS, 2005). E nos últimos anos</p><p>no Brasil devido aos diversas eventos que ocorreram no país como</p><p>olimpíadas e copa do mundo, as atividades da construção civil no</p><p>Brasil teve um aumento considerado, o que elevou proporcionalmente</p><p>o a exposição de trabalhadores</p><p>ao risco de acidentes durante a</p><p>realização de seu trabalho, o que expos mais o problema, tanto nos</p><p>aspectos econômico quanto no social.</p><p>SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO CIVIL</p><p>A segurança do trabalho pode ser definida conforme o</p><p>autor Salim (2001) como um conjunto de ciências e tecnologias</p><p>que buscam promover a proteção do trabalhador no seu local</p><p>de trabalho, com o objetivo básico de prevenção de riscos e de</p><p>acidentes de trabalho, visando à defesa da integridade da pessoa</p><p>humana. No ramo da construção civil a diversos fatores que</p><p>podem intervir nas condições de segurança dos trabalhadores:</p><p>A construção civil é uma indústria de alto risco à integridade física</p><p>do trabalhador, pois compreende um vasto leque de atividades que</p><p>envolvem a construção, alteração e/ou reparação de edificações</p><p>residenciais, industriais, construção de pontes, a pavimentação das</p><p>rodovias, escavações, demolições, trabalhos de pintura em grande</p><p>escala. Trabalhadores da construção civil se envolvem em muitas</p><p>atividades que os expõem a riscos graves, como queda de altura,</p><p>máquinas sem proteção, sendo atingidos por quedas de materiais e</p><p>por equipamentos de construção pesada, eletrocução, pó de sílica e</p><p>cimento, dentre outros (SANT´ANNA JUNIOR, 2013). Tendo em vista</p><p>todos os riscos e perigos das atividades de uma obra civil, dentre</p><p>as Normas Regulamentadores vigentes no Brasil, temos à NR 18 -</p><p>Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção,</p><p>que atende em especifico obras e atividades da construção civil,</p><p>onde a mesma visa cobrir diversos aspectos e fatores de forma</p><p>preventiva, controlando os riscos à segurança dos funcionários do</p><p>ramo da construção civil (BRASIL, 2015).</p><p>NR 18 - CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA</p><p>INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO</p><p>A NR18 abrange conforme descrito na própria norma um campo</p><p>de aplicação que não se dirigem exclusivamente aos empregadores</p><p>cujo objeto social é a construção civil e que, portanto, enquadram-</p><p>se nos Códigos de Atividade Específica constantes do Quadro I da</p><p>188</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Norma Regulamentadora - NR 4. As obrigações se estendem aos</p><p>empregadores que realizem atividades ou serviços de demolição,</p><p>reparo, pintura, limpeza e manutenção de edifícios em geral,</p><p>de qualquer número de pavimentos ou tipo de construção, de</p><p>urbanização e paisagismo, independentemente de seu objeto</p><p>social (BRASIL, 2015). E a mesma tem como objetivo principal,</p><p>conforme descrito no item 18.1.1, estabelecer diretrizes de ordem</p><p>administrativa, de planejamento e de organização, que objetivam a</p><p>implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de</p><p>segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de</p><p>trabalho na Indústria da Construção.</p><p>PCMAT - PROGRAMA DE CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DE</p><p>TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO</p><p>Dentro da NR18, no item 18.3 é apresenta à ferramenta mais</p><p>importante desta norma o PCMAT que é um programa voltado à</p><p>segurança e saúde dos trabalhadores da indústria da construção</p><p>onde o mesmo serve como ponto de partida para que se implemente</p><p>um Sistema de Gestão da Segurança do Trabalho em uma obra civil.</p><p>Sampaio (1998) destaca ainda alguns objetivos do PCMAT:</p><p>- Garantir a saúde e a integridade dos trabalhadores;</p><p>- Definir atribuições, responsabilidades e autoridade ao pessoal</p><p>que administra, desempenha e verifica atividades que influem na</p><p>segurança e que intervêm no processo produtivo;</p><p>- Fazer a previsão dos riscos que derivam do processo de</p><p>execução da obra;</p><p>- Determinar as medidas de proteção e prevenção que evitem</p><p>ações e situações de risco;</p><p>- Aplicar técnicas de execução que reduzam ao máximo possível</p><p>esses riscos de acidentes e doenças.</p><p>Conforme o item 18.3.1 é obrigatório a elaboração e o</p><p>cumprimento do PCMAT nos estabelecimentos com 20 (vinte)</p><p>trabalhadores ou mais e o mesmo deve contemplar as exigências</p><p>contidas na NR 9 – Programa de Prevenção e Riscos Ambientais o</p><p>PPRA.</p><p>O item 18.2.1 define algumas informações que é obrigatória</p><p>e que devem conter na comunicação à Delegacia Regional do</p><p>Trabalho, antes do início das atividades dentro de uma obra civil, que</p><p>são:</p><p>189</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>(a) endereço correto da obra;</p><p>(b) endereço correto e qualificação (CEI, CGC ou CPF) do contratante,</p><p>empregador ou condomínio;</p><p>(c) tipo de obra;</p><p>(d) datas previstas do início e conclusão da obra;</p><p>(e) número máximo previsto de trabalhadores na obra.</p><p>O PCMAT conforme item 18.3.1.2 indica que o mesmo deve</p><p>ser elaborado por profissional habilitado na área de segurança do</p><p>trabalho elaborado, que em geral é elaborado pelo próprio Serviço</p><p>Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho - SESMT</p><p>da empresa ou instituição. Embora a Norma Regulamentadora</p><p>não especifique as atribuições estabelecidas para a gerência do</p><p>PCMAT nos mostram que ele deverá estar sob a coordenação de</p><p>um Engenheiro de Segurança do Trabalho (CONFEA, 1991). A NR18</p><p>ainda define através do item 18.3.4. o que deve conter no PCMAT</p><p>sendo: a) memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho</p><p>nas atividades e operações, levando-se em consideração riscos de</p><p>acidentes e de doenças do trabalho e suas respectivas medidas</p><p>preventivas; b) projeto de execução das proteções coletivas em</p><p>conformidade com as etapas de execução da obra; c) especificação</p><p>técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas; d)</p><p>cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no</p><p>PCMAT em conformidade com as etapas de execução da obra;</p><p>e) layout inicial e atualizado do canteiro de obras e/ou frente de</p><p>trabalho, contemplando, inclusive, previsão de dimensionamento das</p><p>áreas de vivência; f) programa educativo contemplando a temática</p><p>de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, com sua carga</p><p>horária. (BRASIL, 2015).</p><p>FONTE: CARMO, Clodoaldo Leônidas Vieira do. A importância do</p><p>cumprimento do PCMAT em uma obra civil. Curitiba: UTFPR, 2017.</p><p>1) Do que trata o CONFEA?</p><p>2) O que é o CREA?</p><p>3) Quais são as atribuições do Engenheiro de Segurança do Trabalho</p><p>segundo o CREA?</p><p>190</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>7 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>O trabalho de levantamento, transporte e deposição de cargas deve estar</p><p>em conformidade com as regras que definem as condições, a infraestrutura e os</p><p>equipamentos adequados para este tipo de trabalho. A norma regulamentadora</p><p>NR-17 é responsável por essa pauta e utiliza os conceitos ergonômicos para</p><p>determinar os parâmetros do transporte manual de cargas. É imprescindível que</p><p>todos os empregadores, engenheiros, técnicos e trabalhadores estejam atentos</p><p>às normas regulamentadoras vigentes.</p><p>O peso máximo para o transporte manual de cargas não poderá comprometer,</p><p>em hipótese alguma, a saúde ou a segurança de um trabalhador, e no caso de</p><p>mulheres e de trabalhadores jovens (menores de 18 anos), quando designados</p><p>para este serviço, o peso deverá ser, consideravelmente, inferior ao admitido para</p><p>os homens.</p><p>A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabeleceu 60 quilos como o</p><p>peso máximo que um trabalhador pode remover individualmente, considerando</p><p>que é vedado que mulheres e jovens menores de 18 anos sejam designados</p><p>aos serviços que demandam uma força muscular superior a 20 quilos, para</p><p>trabalhos contínuos, ou 25 quilos para as funções que exigirem, ocasionalmente,</p><p>o transporte manual de cargas.</p><p>O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA – e os Conselhos</p><p>Regionais de Engenharia e Agronomia – CREA – são autarquias que surgiram a</p><p>partir de 1933, e são responsáveis pela verificação, fiscalização e aperfeiçoamento</p><p>do exercício e das atividades das áreas profissionais da engenharia, agronomia e</p><p>geociências.</p><p>A Anotação de Responsabilidade Técnica, conhecida também como ART, é</p><p>um documento que deve ser emitido por profissionais das áreas de Engenharia,</p><p>Agronomia, Geologia, Geografia ou Meteorologia,</p><p>em todos os contratos de</p><p>execução de serviços ou obras.</p><p>Ela tem como objetivo identificar e responsabilizar um profissional ou</p><p>empresa diretamente por obras ou serviços prestados. Sua emissão garante às</p><p>partes envolvidas a segurança de que o trabalho está sendo realizado por um</p><p>profissional devidamente formado e qualificado.</p><p>191</p><p>M. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. LaboraisM. P. e Engenharia de Seg.do T. em Ativ. Laborais Capítulo 3</p><p>Através da ART, o profissional que projeta, executa e acompanha um dado</p><p>serviço pode ser responsabilizado ao agir contra a ética profissional, bem como</p><p>os erros cometidos. Nela, os técnicos e engenheiros especificam os serviços</p><p>que estão prestando em contrato, e estabelecem os limites legais a possíveis</p><p>responsabilizações injustas por parte de quem recebe o serviço.</p><p>A Anotação de Responsabilidade Técnica é um documento que protege</p><p>profissionais e clientes durante o projeto, execução e acompanhamento de obras</p><p>e serviços que exigem conhecimento técnico específico e regulamentado no país.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410</p><p>– Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.</p><p>BLOG OCUPACIONAL. Proteção contra choque elétrico no trabalho.</p><p>2014. Disponível em: https://www.ocupacional.com.br/ocupacional/</p><p>protecao-contra-choque-eletrico-no-trabalho/. Acesso em: 20 jan. 2019.</p><p>BRISTOT, V. M. Introdução à engenharia de segurança do</p><p>trabalho. [Recurso eletrônico]. Criciúma: UNESC, 2019. 259 p.</p><p>CAMPOS, A.; TAVARES, J. da C.; LIMA, V. Prevenção e controle de risco</p><p>em máquinas, equipamentos e instalações. São Paulo: Senac, 2006.</p><p>CARMO, C. L. V. do. A importância do cumprimento do</p><p>PCMAT em uma obra civil. Curitiba: UTFPR, 2017.</p><p>CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. O sistema.</p><p>2021. Disponível em: https://www.confea.org.br/sistema-profissional/o-</p><p>sistema#:~:text=O%20Conselho%20Federal%20de%20Engenharia,das%20</p><p>atividades%20das%20%C3%A1reas%20profissionais. Acesso em: 21 fev. 2021.</p><p>COTRIM, A. M. B.; GROMONI; J. A. B.; MORENO, H. Instalações elétricas.</p><p>Revisão e adaptação técnica. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.</p><p>CREDER, H. Instalações elétricas. São Paulo: LTC, 2016.</p><p>ENGEHALL. Choque elétrico: [Tudo que você precisa</p><p>saber]. 2020. Disponível em: https://www.cursonr10.com/</p><p>choque-eletrico-curso-nr10. Acesso em: 16 out. 2020.</p><p>192</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>HENRIQUES, P. A importância dos equipamentos e medidas de proteção</p><p>para a segurança em eletricidade. Marluvas. 2019. Disponível em: https://</p><p>www.marluvas.com.br/a-importancia-dos-equipamentos-e-medidas-de-</p><p>protecao-para-a-seguranca-em-eletricidade/. Acesso em: 20 jan. 2020.</p><p>JÚNIOR, J. R. dos S. Segurança do trabalho em sistemas elétricos</p><p>industriais. Campinas: Universidade Federal de Campinas, 2007.</p><p>KALATEC AUTOMAÇÃO. O que é manutenção industrial? 2020. Disponível</p><p>em: https://blog.kalatec.com.br/manutencao-industrial/#:~:text=Em%20</p><p>outras%20palavras%2C%20manuten%C3%A7%C3%A3o%20</p><p>industrial,das%20m%C3%A1quinas%2C%20equipamentos%20</p><p>e%20instala%C3%A7%C3%B5es. Acesso em: 19 fev. 2021.</p><p>LIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgard Blucher, 1990.</p><p>LIMA, T. O que é NR 10 – Segurança em Instalações e serviços em</p><p>eletricidade. 2019. Disponível em: https://www.sienge.com.br/blog/o-</p><p>que-e-nr-10-seguranca-em-eletricidade. Acesso em: 20 jan. 2019.</p><p>LOTURCO. Normas regulamentadoras (nr): segurança do</p><p>trabalho. 2019. Disponível em: https://www.buildin.com.br/</p><p>nr-seguranca-do-trabalho/. Acesso em: 20 jan. 2019.</p><p>MTE – MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Portaria nº 916, de</p><p>30 de julho de 2019. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/</p><p>portaria-n-916-de-30-de-julho-de-2019-208028740. Acesso em: 9 set. 2021.</p><p>PINTO, J. B. B.; CAMPOS, A. NR 12 – Segurança no trabalho em máquinas</p><p>e equipamentos: gerenciando riscos. São Paulo: SENAC, 2020.</p><p>SEGURANÇA DO TRABALHO ST. Transporte manual de</p><p>cargas. 2016. Disponível em: http://www.ufrrj.br/institutos/it/</p><p>de/acidentes/ergo2.htm. Acesso em: 21 fev. 2021.</p><p>SIT. NR-12. 2021. Disponível em: https://sit.trabalho.gov.br/portal/</p><p>index.php/ctpp-nrs/nr-12?view=default. Acesso em: 2 set. 2021.</p><p>VIANA, M. J.; FERREIRA, S. dos S. Proteção contra choques</p><p>elétricos em canteiros de obras. São Paulo: Fundacentro, 2018.</p><p>e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>Os motores elétricos apresentam os seguintes riscos em indústrias:</p><p>• Risco de explosão e incêndio: o tempo de vida operacional do</p><p>enrolamento de um motor elétrico depende de vários fatores, dentre</p><p>eles, a especificação correta — tensão, frequência, potência, fixação,</p><p>dimensionamento, número de polos e grau de proteção. E para quem</p><p>mantém motores antigos em funcionamento, são vários os riscos,</p><p>inclusive de desencadear desgastes elétricos e gerar queimas. São</p><p>vários os tipos de queimas de enrolamento, que podem ser ocasionados</p><p>devido ao tempo de vida do motor e gerar explosões ou até mesmo</p><p>incêndio em sua indústria:</p><p>o Falta de fase: a falta de fase pode acontecer devido à queima de um</p><p>fusível, ao rompimento de um cabo alimentador, à queima de uma fase</p><p>do transformador de alimentação, ao mau contato nos terminais de uma</p><p>fase do transformador, ao mau contato em conexões, em chave, contator</p><p>ou disjuntor.</p><p>o Sobreaquecimento: pode ocorrer devido ao excesso de carga na ponta</p><p>do eixo permanente ou eventual, ou ainda por causa da sobretensão ou</p><p>subtensão na rede de alimentação. Outros motivos que podem gerar o</p><p>sobreaquecimento são os cabos de alimentação muito longos ou muito</p><p>finos, o excessivo número de partidas em tempo curto, a conexão</p><p>incorreta dos cabos de ligação do motor e ainda a ventilação deficiente</p><p>— tampa defletora danificada ou obstruída, sujeira sobre a carcaça,</p><p>temperatura ambiente elevada, entre outros.</p><p>o Rotor travado: o travamento do rotor pode acontecer devido ao bloqueio</p><p>do eixo da carga, à excessiva dificuldade na partida do motor, à elevada</p><p>queda de tensão, à inércia ou ao torque de carga muito elevado.</p><p>o Pico de tensão: as possíveis causas do pico de tensão, também gerado</p><p>pelo desgaste elétrico do motor, são a oscilação violenta na tensão</p><p>devido a descargas atmosféricas, o surto de manobras de banco de</p><p>capacitores, ou ainda o motor acionado por inversor de frequência com</p><p>alguns parâmetros incorretos, como a amplitude do pulso de tensão, rise</p><p>time, dV/dt, distância entre pulsos e frequência de chaveamento.</p><p>• Risco de curto-circuito elétrico: o curto-circuito é um fenômeno que</p><p>se deve ao momento em que a corrente elétrica mais forte passa por</p><p>um circuito que sofre uma queda e cria uma descarga elétrica, que</p><p>pode danificar o mesmo circuito. Normalmente, ocorre devido à falta ou</p><p>à queda de tensão gerando uma sobrecarga elétrica no motor, criando</p><p>um contato entre as fases do circuito. Quanto mais antigo for o motor</p><p>elétrico, maiores as chances de ele perder a isolação elétrica ao longo</p><p>do tempo, o que vai ocasionar o superaquecimento dos fios e permitir o</p><p>encontro do cobre, ou seja, o curto circuito.</p><p>24</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>o Curto na saída ou interior da ranhura: as possíveis causas do curto-</p><p>circuito na saída da ranhura são a falha do esmalte de isolação do fio,</p><p>do verniz de impregnação ou do material isolante, que impede que a</p><p>corrente elétrica flua desordenadamente pelos enrolamentos. Já o curto-</p><p>circuito no interior da ranhura pode acontecer devido à contaminação</p><p>interna do motor, às rápidas oscilações na tensão de alimentação e à</p><p>degradação do material isolante por ressecamento devido ao motor</p><p>operar com alta temperatura.</p><p>o Curto entre fases: já o curto-circuito entre fases pode acontecer por uma</p><p>contaminação interna do motor, pela degradação do material isolante por</p><p>ressecamento, ocasionada por excesso de temperatura ou mesmo pela</p><p>falha do material isolante. Tudo isso provocado pelo grande tempo de</p><p>uso do motor que desencadeia os desgastes.</p><p>o Curto entre as espiras: o curto-circuito entre as espiras ocorre devido à</p><p>contaminação interna do motor, à falha do esmalte de isolação do fio, à</p><p>falha do verniz de impregnação ou até mesmo às rápidas oscilações na</p><p>tensão de alimentação.</p><p>• Risco de contato: outro risco de manter motores elétricos antigos</p><p>em funcionamento é para os operários da indústria que operam</p><p>os equipamentos. Motores sem a devida proteção, arranjo físico</p><p>inadequado, ambientes de calor excessivo, com probabilidade de</p><p>incêndio, explosão e choques devido a curtos-circuitos são alguns dos</p><p>riscos de contato entre o funcionário da indústria e os motores com vida</p><p>útil vencida.</p><p>• Maior custo em longo prazo: são bem altos os custos da energia</p><p>elétrica no Brasil. Tendo em vista essa realidade, as empresas têm</p><p>de se esforçar para poupar eletricidade e reduzir gastos. Diminuir o</p><p>consumo de energia e consequentemente pagar menos por isso sempre</p><p>foi uma grande preocupação dos países desenvolvidos e um grande</p><p>desafio para os subdesenvolvidos. Os empresários precisam agir e</p><p>priorizar a substituição de motores elétricos antigos por novos. Se toda</p><p>a indústria passa a consumir menos energia, o setor gastará menos e</p><p>as companhias energéticas não precisarão acionar as termelétricas para</p><p>suprir a alta demanda.</p><p>A Lei nº 10.295/2001, complementada pela Portaria 553/2005, determina a</p><p>obrigatoriedade de níveis mínimos de rendimento para motores elétricos trifásicos</p><p>de 1 a 250 CV — a maioria do parque industrial brasileiro — fabricados a partir</p><p>de dezembro de 2009 ou comercializados a partir de junho de 2010. A legislação</p><p>serve apenas para novas aquisições e não vale para o parque industrial já</p><p>instalado. Ainda assim, a indústria deve se conscientizar de que a prática de</p><p>reparar continuamente motores antigos e queimados, e usá-los sem pensar na</p><p>substituição por novos, só faz aumentar os gastos com o consumo de energia.</p><p>25</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>• Menor eficiência energética: a eficiência energética está diretamente</p><p>ligada à economia de energia e pode ser atingida por meio da troca</p><p>de motores elétricos antigos e recondicionados por novos. De acordo</p><p>com a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a</p><p>idade média das máquinas do nosso parque industrial é de 20 anos.</p><p>Praticamente, o quádruplo de países desenvolvidos, como a Alemanha,</p><p>que tem média de 5 anos. O brasileiro tem a cultura de ajustar e tentar</p><p>recuperar os equipamentos, e isso só diminui a eficiência energética dos</p><p>processos.</p><p>Os desgastes mecânico e elétrico fazem os motores perderem fator de</p><p>serviço — potência que o motor entrega. Em média, o fator de serviço de um motor</p><p>novo é 25% maior do que o antigo. Lembrando que quanto mais manutenções</p><p>forem feitas, menor será o rendimento do motor, que perde 5% de potência cada</p><p>vez que é rebobinado, em caso de queima, por exemplo. Além disso, um motor</p><p>elétrico novo é menor, mais leve e tem uma mecânica mais eficiente que um</p><p>antigo. Substituir os motores elétricos antigos é garantia de maior eficiência e</p><p>incremento da lucratividade.</p><p>Os programas de incentivo à troca de motores elétricos antigos são feitos</p><p>por meio de um sistema de bônus, com o objetivo de reduzir os gastos com</p><p>energia. Esses equipamentos têm uma média de vida útil superior a 15 anos, mas</p><p>se os motores elétricos antigos não forem substituídos podem comprometer a</p><p>produtividade e competitividade das indústrias.</p><p>2.4 RISCOS EM BOMBAS</p><p>O golpe de aríete é um fenômeno que ocorre no interior das tubulações</p><p>que conduzem tanto água fria quanto água quente, sob pressão, quando</p><p>essa mesma água, ao escoar pelos tubos em alta velocidade, é bruscamente</p><p>interrompida. Tal processo acaba gerando sobrepressões nas conexões e</p><p>equipamentos da instalação hidráulica. É o líquido em escoamento que se choca</p><p>devido ao fechamento rápido de um registro ou de uma válvula. Em casos mais</p><p>severos, é possível até escutar o impacto devido a ele nos encanamentos (GSD</p><p>ENGENHARIA, 2018). A Figura 5 mostra os danos causados em tubulações</p><p>industriais devido ao golpe de aríete.</p><p>26</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FONTE: <http://www.gsdengenharia.com.br/wp-content/</p><p>uploads/2017/06/golpe-ariete.jpg>. Acesso</p><p>em: 19 ago. 2021.</p><p>FIGURA 5 – DANOS EM TUBULAÇÕES CAUSADOS PELO GOLPE DE ARÍETE</p><p>As bombas operam, por algum período de tempo, com a sucção da bomba e</p><p>as válvulas de descarga fechadas (operação em shut off). Como a água não pode</p><p>fluir através da bomba, toda a energia que, normalmente, iria para o bombeamento</p><p>é convertida em calor. Quando a água é aquecida, ela se expande gerando uma</p><p>pressão hidrostática no interior da bomba. Isso pode gerar pressão suficiente</p><p>para causar a quebra da bomba – talvez o selo mecânico falhe, ou a carcaça</p><p>da bomba possa se romper. Essas explosões podem causar danos significativos</p><p>ou lesões em pessoas devido à energia acumulada. No entanto, se a água no</p><p>interior da bomba for aquecida acima do seu ponto de ebulição, antes da bomba</p><p>falhar, uma explosão ainda maior poderá ocorrer porque a água superaquecida</p><p>liberada ferverá e se expandirá rapidamente (uma explosão por expansão de</p><p>vapor resultante de líquido em ebulição).</p><p>A explosão será semelhante a uma explosão de uma caldeira de vapor, em</p><p>severidade e danos. Esse tipo de explosão pode acontecer com qualquer fluido</p><p>se uma bomba for operada com válvulas de sucção e descarga fechadas. Se o</p><p>líquido fosse inflamável, o material liberado poderia incendiar a indústria. Se o</p><p>fluido for tóxico ou corrosivo, pessoas perto da bomba poderão ser gravemente</p><p>feridas em decorrência do material liberado (INSPEÇÃO DE EQUIPAMENTOS,</p><p>2019). A Figura 6 mostra uma bomba d’água que explodiu.</p><p>27</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>FONTE: <http://inspecaoequipto.blogspot.com/2013/08/caso-030-</p><p>explosao-em-bombas-centrifugas.html>. Acesso em: 19 ago. 2021.</p><p>FIGURA 6 – ACIDENTE EM UMA BOMBA CENTRÍFUGA</p><p>A fim de evitar possíveis acidentes em bombas centrífugas, recomenda-se:</p><p>• Antes de pôr qualquer bomba em operação, verifique se todas as válvulas</p><p>estão na posição correta. Certifique-se se as válvulas do alinhamento</p><p>destinado para o escoamento estão abertas e, se outras válvulas, tais</p><p>como drenos e ventos, estão fechadas.</p><p>• Se você está partindo uma bomba a partir de um local remoto, como</p><p>uma sala de controle, certifique-se se a bomba está pronta para operar.</p><p>Se você não tiver certeza, vá até a bomba e verifique, ou peça a alguém</p><p>para verificar.</p><p>• Certifique-se de que as etapas-chave importantes para a operação</p><p>segura de bombas, incluindo todas as posições de válvulas, foram</p><p>incluídas nos procedimentos de operação e em listas de verificação.</p><p>• Algumas bombas possuem partida automática, por exemplo, a partir</p><p>de um computador de controle de processo, ou de um instrumento de</p><p>nível, com a finalidade de esvaziar automaticamente um tanque após</p><p>atingido determinado nível. Certifique-se se todas as válvulas estão nas</p><p>posições corretas ao colocar essas bombas em operação automática,</p><p>por exemplo, após uma manutenção.</p><p>• Algumas bombas possuem instrumentação para bloquear determinadas</p><p>operações, por exemplo, por baixa vazão, alta temperatura, ou alta</p><p>pressão. Certifique-se de que esses sistemas de segurança sejam</p><p>adequadamente testados.</p><p>28</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>• Se você se deparar com uma bomba em operação “isolada”, aja com</p><p>extrema precaução. Interrompa a operação da bomba a distância;</p><p>mantenha as pessoas afastadas até que ela esfrie.</p><p>• Seja prudente na partida de bombas. A comunicação para saber qual</p><p>bomba está preparada para operar tem de ser muito clara.</p><p>• Algumas unidades procuram ter uma pessoa próxima à bomba no</p><p>momento da partida. Isso pode não ser possível em todas as situações,</p><p>mas poderá eliminar muitos problemas.</p><p>• Se possível, abra a válvula de drenagem da carcaça de uma bomba</p><p>que ficará fora de serviço por um longo período. Mas, verifique para</p><p>se certificar de que não estará criando um outro problema (ambiental,</p><p>financeiro etc.).</p><p>• Uma ronda de rotina na área industrial poderá revelar muitas coisas</p><p>– uma bomba isolada (bloqueada) em operação é apenas um dos</p><p>exemplos.</p><p>2.5 RISCOS EM PRENSAS</p><p>Prensas são equipamentos utilizados na conformação e corte de materiais</p><p>diversos, onde o movimento do martelo (punção) é proveniente de um sistema</p><p>hidráulico (cilindro hidráulico) ou de um sistema mecânico (o movimento rotativo é</p><p>transformado em linear através de sistemas de bielas, manivelas ou fusos).</p><p>As prensas são uns dos equipamentos que mais causaram acidentes de</p><p>trabalho nas indústrias nas últimas décadas, o que foi constatado pelo governo</p><p>por meio de fiscalizações:</p><p>A necessidade de se reduzirem os custos com o tratamento</p><p>de acidentados e as aposentadorias precoces fez com</p><p>que o governo buscasse as causas do grande número de</p><p>acidentados no país. Dentre elas, houve a identificação de</p><p>algumas máquinas como sendo as maiores causadoras do</p><p>número de acidentes (prensas injetoras e prensas mecânicas).</p><p>O governo, através da fiscalização, deparou-se com a total</p><p>falta de preparo das empresas em aplicar dispositivos de</p><p>segurança. Também a falta de conscientização de todas as</p><p>pessoas envolvidas dificultou o progresso da prevenção no</p><p>país (STUMPF et al., 2005, p. 5).</p><p>O trabalho com prensas hidráulicas apresenta um alto grau de risco de</p><p>acidentes, principalmente amputações dos membros superiores. No início da</p><p>década de 1980, entidades representativas de trabalhadores começavam a</p><p>externalizar para a sociedade o sofrimento das vítimas de acidentes de trabalho.</p><p>29</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>É significativa a defasagem de muitas empresas no Brasil quanto à segurança</p><p>nesses tipos de equipamentos, já que, segundo Stumpf et al. (2005, p. 16),</p><p>“[...] a grande maioria das máquinas vendidas até o ano de 2000 não possuía</p><p>sequer o mais básico dos sistemas de segurança, um botão de emergência, que</p><p>estivesse dentro das normas brasileiras”. A Figura 7 mostra um exemplo de pensa</p><p>hidráulica.</p><p>FONTE: Ultramáquinas (2019, s.p.)</p><p>FIGURA 7 – PRENSA HIDRÁULICA</p><p>Alguns tipos de prensas são:</p><p>• Prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta.</p><p>• Prensas mecânicas excêntricas com freio/embreagem.</p><p>• Prensas de fricção com acionamento por fuso.</p><p>• Prensas hidráulicas etc.</p><p>As instalações elétricas das máquinas e equipamentos devem ser projetadas</p><p>e mantidas de modo a prevenir, por meios seguros, os perigos de choque elétrico,</p><p>incêndio, explosão e outros tipos de acidentes, conforme previsto na NR-10.</p><p>Quando a alimentação elétrica possibilitar a inversão de fases de máquina que</p><p>possa provocar acidentes de trabalho, deve haver dispositivo monitorado de</p><p>detecção de sequência de fases ou outra medida de proteção de mesma eficácia.</p><p>São proibidas nas máquinas e equipamentos:</p><p>(a) a utilização de chave geral como dispositivo de partida e parada;</p><p>(b) a utilização de chaves tipo faca nos circuitos elétricos, e;</p><p>(c) a existência de partes energizadas expostas de circuitos que utilizam</p><p>energia elétrica.</p><p>30</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>O espaço entre o martelo e a mesa da prensa onde se coloca o ferramental</p><p>é chamado zona de prensagem, sendo a área onde o martelo aplica a força.</p><p>Nesse espaço encontra-se a maior área de risco, visto que a exposição do</p><p>operador pode ocorrer a cada ciclo, repetindo-se várias vezes ao longo da</p><p>jornada. Diferentemente das prensas mecânicas excêntricas com engate de</p><p>chaveta, a zona de prensagem poderá dispor de variados recursos para proteção</p><p>(NASCIMENTO, 2010).</p><p>Os dispositivos de proteção atuam no sentido de prevenir acidentes em caso</p><p>de possíveis falhas da máquina ou ingresso acidental de membros na zona de</p><p>prensagem. Para se evitarem acidentes provenientes de falhas, existem recursos</p><p>como a válvula ou bloco de segurança hidráulico, conforme mostra a Figura 8.</p><p>Os dispositivos eletromecânicos especiais instalados em sistemas hidráulicos têm</p><p>a finalidade de controle seguro contra</p><p>acionamentos involuntários ou falhos de</p><p>componentes comandados que acionem partes de máquinas que coloquem em</p><p>risco o indivíduo (PEREIRA; SILVA, 2014).</p><p>FONTE: Adaptada de Nascimento (2010)</p><p>FIGURA 8 – DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO PARA PRENSAS</p><p>Além das proteções físicas é possível dispor de proteções com detecção</p><p>através da aproximação, tais como cortinas de luz e dispositivos de comando</p><p>bimanual, que atenda a NBR-14152:1998 tipo IIIC. O número de comandos</p><p>bimanuais deve corresponder ao número de operadores na máquina.</p><p>As cortinas de luz deverão ser adequadamente selecionadas e instaladas,</p><p>com redundância e autoteste, classificadas como tipo ou categoria 4, conforme</p><p>a IEC EM 61496:2004 e a NBR 14009:1997. Havendo possibilidade de acesso a</p><p>áreas de risco não monitoradas pela(s) cortina(s), devem existir proteções fixas ou</p><p>móveis dotadas de intertravamento por meio de chaves de segurança, garantindo</p><p>a pronta paralisação da máquina sempre que forem movimentadas, removidas ou</p><p>abertas, conforme a NBRNM 272:2002 e NBR 273:2002.</p><p>31</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>FONTE: Adaptada de Nascimento (2010)</p><p>FIGURA 9 – PRENSAS HIDRÁULICAS DESPROTEGIDA E PROTEGIDA</p><p>Os pedais de acionamento devem ser evitados; porém, em casos onde</p><p>tecnicamente não é possível a utilização de acionamento através de controle</p><p>bimanual, poderá ser admitido o uso de pedais com atuação elétrica, pneumática</p><p>ou hidráulica desde que instalados em uma caixa de proteção contra acionamento</p><p>acidental e somente com a zona de prensagem protegida através de barreira</p><p>física, cortina de luz ou utilização de ferramenta fechada. O número de pedais</p><p>deverá corresponder ao número de operadores na prensa, com chave seletora</p><p>de posições tipo yale ou outro sistema com função similar, de forma a impedir o</p><p>funcionamento acidental da prensa sem que todos os pedais sejam acionados.</p><p>Para manutenção e troca de ferramenta, a máquina deverá ter suas energias</p><p>zeradas e bloqueadas, além do uso de dispositivo de retenção mecânica. A</p><p>Figura 9 mostra uma prensa hidráulica sem proteção e uma prensa hidráulica</p><p>com cortina de proteção.</p><p>A válvula de retenção é outro recurso que, em caso de falha do sistema</p><p>hidráulico da máquina, impede a queda do martelo na mesa de prensa.</p><p>2.6 RISCOS EM MÁQUINAS</p><p>AGRÍCOLAS</p><p>A manutenção das máquinas e dos implementos agrícolas é essencial para</p><p>prevenir acidentes e garantir a segurança do trabalhador. O profissional deve</p><p>ser habilitado para operar o instrumento, além de participar de treinamentos</p><p>e capacitações para extrair o potencial máximo dos equipamentos. No entanto,</p><p>também é necessário assegurar boas condições de funcionamento.</p><p>32</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>Para isso, é preciso fazer a manutenção. Esse é o processo que garante</p><p>segurança e confiabilidade. Afinal, equipamentos em dia têm probabilidade</p><p>menor de se comportar de forma imprevisível ou fora de padrão. A diminuição</p><p>de falhas também é significativa. Existem quatro tipos de manutenção, que são:</p><p>manutenção corretiva, preventiva, preditiva e produtiva total.</p><p>Os riscos de reviramento e de empinamento são os mais comuns e</p><p>perigosos quando se trata de utilizar os tratores nas diversas tarefas agrícolas.</p><p>Essas situações ocorrem principalmente devido a falhas humanas. A fadiga, o</p><p>desconhecimento ou o excesso de confiança levam a que os acidentes com</p><p>tratores se repitam.</p><p>As principais condições perigosas que podem conduzir a essas situações de</p><p>risco são:</p><p>• Velocidade e carga excessivas para determinada tarefa ou situação.</p><p>• Conduzir/trabalhar em encostas (rebocar cargas, mudar de direção,</p><p>circular com equipamento montado, entre outras situações).</p><p>• Travões inadequados.</p><p>• Parqueamento, nomeadamente em declives e com cargas.</p><p>• Conduzir/trabalhar perto de valas ou bermas de declives acentuados.</p><p>• Compactação de silagem.</p><p>• Conduzir em zonas com eventuais obstáculos encobertos (ex.: erva</p><p>alta).</p><p>• Embraiar subitamente pode provocar o empinamento do trator.</p><p>• Trator com carregador frontal em posição elevada e com carga.</p><p>• Cisternas vazias ou pouco cheias e reboques com carga em excesso,</p><p>mal distribuída ou solta.</p><p>• Trabalhar com guincho montado e não alinhado com o trator.</p><p>Um dispositivo especialmente perigoso é o Veio Telescópico de Cardans, que</p><p>serve para fazer a ligação do trator aos diversos equipamentos a si acoplados.</p><p>A finalidade desse dispositivo é o acionamento dos equipamentos através da</p><p>transmissão de potência pela tomada de força do trator (TDF). A Figura 10 mostra</p><p>um defeito em uma máquina agrícola.</p><p>33</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>FONTE: Maia Inova (2005, s.p.)</p><p>FIGURA 10 – VEIO TELESCÓPICO DE CARDANS</p><p>2.6.1 Manutenção Corretiva</p><p>Sua função é corrigir ou restaurar o funcionamento do equipamento após sua</p><p>falha ou quebra. A manutenção corretiva pode ser classificada em: manutenção</p><p>planejada ou manutenção não planejada. São elas:</p><p>• Manutenção planejada, ao verificar que a máquina deixou de trabalhar</p><p>como deveria.</p><p>• Manutenção não planejada, depois da interrupção das atividades.</p><p>Ambas envolvem custos elevados e geram prejuízos à empresa por paralisar</p><p>o ritmo produtivo e causar acidentes ou problemas com a qualidade.</p><p>2.6.2 Manutenção Preventiva</p><p>O propósito é diminuir ou impedir a falha ou a quebra da máquina. É a</p><p>manutenção mais barata e a que reduz os riscos de acidentes. Além disso, evita</p><p>desperdícios e problemas com a qualidade.</p><p>34</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>2.6.3 Manutenção Preditiva</p><p>A finalidade é assinalar as condições atuais de funcionamento dos</p><p>equipamentos, a partir de dados que comprovem seu desgaste ou degradação.</p><p>As correções ocorrem somente quando necessário, a partir das indicações</p><p>do fabricante ou devido a danos nas máquinas. É um modelo aliado com a</p><p>manutenção planejada.</p><p>2.6.4 Manutenção Produtiva Total</p><p>Nesse formato, os colaboradores precisam tratar do assunto conjuntamente.</p><p>É uma evolução da manutenção corretiva para a preventiva, e está embasada</p><p>nos 5S. Por isso, tem como metas:</p><p>• aperfeiçoar a eficácia dos equipamentos;</p><p>• fomentar a manutenção autônoma;</p><p>• planejar as manutenções;</p><p>• capacitar os colaboradores habilitados a manusear as máquinas;</p><p>• gerenciar os equipamentos.</p><p>2.7 RISCOS EM FERRAMENTAS</p><p>PNEUMÁTICAS</p><p>As ferramentas pneumáticas são aquelas que funcionam por meio de ar</p><p>comprimido, que é gerado por compressores que coletam o ar do ambiente de</p><p>forma mecânica e aumentam sua pressão, transformando o ar em energia. Como</p><p>o ar comprimido é oriundo do ar atmosférico, ele não emite poluentes quando</p><p>retorna ao meio ambiente.</p><p>A utilização das ferramentas pneumáticas acontece, com maior frequência,</p><p>nas indústrias, mas elas também podem ser usadas em trabalhos manuais simples,</p><p>como reparos em residências, automóveis, produtos eletrônicos e maquinários</p><p>em geral. As ferramentas pneumáticas substituem a força humana em casos</p><p>onde é necessária grande quantidade de pressão e energia, ou em casos de</p><p>repetição contínua de movimento. As ferramentas pneumáticas são boas opções</p><p>para quem precisa realizar serviços de perfuração, rebitamento e polimento em</p><p>ambientes com riscos de incêndio ou embaixo da água. Elas possuem motores</p><p>que não são movidos à eletricidade ou combustão, mas através do ar comprimido,</p><p>35</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>sendo perfeitos para atividades submersas. Isso evita qualquer tipo de acidente</p><p>elétrico ou risco de incêndio em qualquer local. Eles são alimentados por uma</p><p>mangueira de borracha responsável por levar o ar gerado em um compressor até</p><p>a ponta da ferramenta, onde ele irá girar os mecanismos dando início ao serviço.</p><p>São exemplos de ferramentas pneumáticas:</p><p>politrizes, furadeiras, rebitadoras,</p><p>chaves de impacto, serras circulares, lixadeiras e parafusadeiras pneumáticas.</p><p>Todas elas precisam de um compressor para funcionar. As politrizes são mais</p><p>indicadas para o uso em marmorarias. Elas devem ser utilizadas com a ajuda de</p><p>água para diminuir a quantidade de pó gerado durante o trabalho com o mármore.</p><p>As furadeiras pneumáticas são utilizadas para perfuração com brocas até 1/2”</p><p>ou 13 mm em metais, plásticos, madeiras, fiberglass, batimento de tintas em</p><p>tambores de até 200 litros.</p><p>Uma vantagem das furadeiras pneumáticas para os modelos normais é o</p><p>tamanho. Ao contrário dos modelos elétricos, que possuem motores robustos e</p><p>pesados, as furadeiras pneumáticas têm seu corpo reduzido sem comprometer</p><p>a potência, que é a mesma das ferramentas elétricas. Por não terem um motor</p><p>elétrico, as ferramentas pneumáticas não correm nenhum risco de sobrecarga ou</p><p>incêndio por superaquecimento se forem forçadas para perfurar materiais mais</p><p>rígidos, desde que se utilize as brocas corretas. Para terem o funcionamento</p><p>correto, é preciso que as ferramentas pneumáticas sejam utilizadas com os</p><p>acessórios corretos. A lista inclui as mangueiras de transmissão, os calibradores</p><p>de pressão e engates, que conectam a mangueira à ferramenta e ao compressor.</p><p>Os compressores podem ser divididos em três categorias: os caseiros, os</p><p>profissionais e os industriais. Os modelos de utilização em casa são ideais para</p><p>quem quer realizar pinturas com pistolas de ar, encher pneus de bicicletas e carros</p><p>ou boias. Eles conseguem obter até 250 pascais com pressão. Os compressores</p><p>profissionais são mais potentes que os domésticos. Eles possuem motores com</p><p>potência de até 3725 W, ideais para usos em oficinas de marcenaria, pintura</p><p>de carros e ateliês de arte. Já os modelos industriais são utilizados em linhas</p><p>de produção. Mesmo com o uso contínuo, eles conseguem trabalhar por mais</p><p>de oito horas. Muito utilizado também em hospitais e indústria farmacêutica,</p><p>o compressor de ar industrial se difere dos profissionais pela capacidade do</p><p>tanque e pela pressão que ele exerce. Enquanto os industriais têm uma pressão</p><p>de 175 libras, os profissionais alcançam apenas 120 libras. A Figura 11 mostra</p><p>algumas ferramentas pneumáticas industriais.</p><p>36</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FONTE: Gison Ferramentas Pneumáticas (2013, s.p.)</p><p>FIGURA 11 – FERRAMENTAS PNEUMÁTICAS</p><p>As vantagens que uma ferramenta pneumática apresentam em comparação</p><p>às ferramentas manuais ou elétricas são inúmeras, mas podemos destacar:</p><p>simplicidade, já que as ferramentas pneumáticas têm estrutura física mais</p><p>simples do que as elétricas; durabilidade e vida útil maior, pois as ferramentas</p><p>pneumáticas são mais robustas e apresentam menos falhas; custo-benefício,</p><p>pelo serviço pesado que as ferramentas pneumáticas realizam e pelo tempo que</p><p>duram; confiabilidade operacional, pois funcionam sob grandes variações de</p><p>temperatura, temperaturas extremas (altas ou baixas), ambiente molhado e mesmo</p><p>com vazamentos no produto; segurança, pois as vedações das ferramentas</p><p>pneumáticas permitem o uso seguro mesmo em ambientes sujeitos a acidentes</p><p>elétricos, incêndios, explosões e até debaixo d'água; proteção contra sobrecarga,</p><p>já que as ferramentas pneumáticas têm seu funcionamento bloqueado nestes</p><p>casos, ou se a pressão cair demais.</p><p>Os riscos na utilização de ferramentas pneumáticas são:</p><p>• O ar comprimido pode causar ferimentos graves. Não dirija o jato de ar</p><p>comprimido contra si próprio ou contra terceiros.</p><p>• As fugas de ar em mangueiras e tubagens são potenciais fontes de</p><p>perigo para pessoas. Verifique periodicamente se os tubos e ligações</p><p>estão desapertados ou danificados.</p><p>• As chicotadas de tubos flexíveis poderão estar na origem de graves</p><p>acidentes.</p><p>• Antes de efetuar qualquer operação de manutenção ou reparação,</p><p>deverá fechar previamente o sistema de ar comprimido, descarregar o</p><p>ar residual existente na linha e destacar a máquina somente após a sua</p><p>completa imobilização.</p><p>37</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>• Nunca ultrapassar a pressão máxima de 6,2 bar (medidos na entrada de</p><p>ar comprimido da máquina enquanto esta estiver em funcionamento) ou</p><p>o valor indicado nas características da máquina (LEONE, 2019).</p><p>Os seguintes cuidados devem ser tomados no uso de ferramentas</p><p>pneumáticas:</p><p>• Não dirigir o jato de ar comprimido contra outra pessoa, nem brincar com</p><p>ele.</p><p>• Não utilizar ar comprimido para limpar roupas, partes do corpo ou o piso.</p><p>• Não utilizar o ar comprimido de outras formas indevidas.</p><p>• Conectar devidamente os engates da mangueira para impedir a saída de</p><p>ar e nunca improvisar uma amarração com arame.</p><p>• Utilizar sempre óculos de segurança ao trabalhar com ar comprimido.</p><p>• Utilizar dispositivos apropriados na extremidade da mangueira para</p><p>controlar a saída do ar; nunca utilizar o dedo (CAMPOS; TAVARES;</p><p>LIMA, 2006).</p><p>2.8 RISCOS EM FERRAMENTAS</p><p>ELÉTRICAS</p><p>Elas são uma das peças-chave e facilitam muito o trabalho em uma obra,</p><p>tanto profissional como doméstica. Não importa a função, é preciso ter em mãos</p><p>um material de qualidade. Por exemplo, para perfurar superfícies mais rígidas</p><p>como paredes e lajes, uma furadeira de impacto é o que você precisa. Para</p><p>aqueles que não necessitam de um material tão potente, podem optar para uma</p><p>opção dois em um, ou seja, as furadeiras parafusadeiras, que têm a função de</p><p>fixar, apertar e desenroscar parafusos e rebites, de forma muito mais eficiente</p><p>que uma chave de fenda. Além de também poder furar superfícies menos duras e</p><p>com precisão.</p><p>Elas tornam os trabalhos manuais muito mais rápidos e práticos. Por isso,</p><p>as lixadeiras elétricas substituem o lixamento manual e alguns modelos até</p><p>acompanham um coletor de pó, facilitando a limpeza. Os pregadores, assim como</p><p>a lixadeira, tornam uma função desgastante em um trabalho rápido e de execução</p><p>prática. A Figura 12 mostra algumas ferramentas elétricas.</p><p>38</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FONTE: <https://www.solucoesindustriais.com.br/images/produtos/imagens_290/</p><p>thumbnails/220/p_erramentas-eletricas_2.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2021.</p><p>FIGURA 12 – FERRAMENTAS ELÉTRICAS</p><p>2.9 RISCOS EM SERRAS E</p><p>LIXADEIRAS</p><p>Os riscos no manuseio de ferramentas elétricas são:</p><p>2.9.1 Serras Elétricas</p><p>Existem diferentes tipos de serras elétricas, cada uma desenvolvida para um</p><p>tipo de trabalho. Elas podem até possuir aparência semelhante e cortar os mesmos</p><p>materiais, mas cada modelo tem suas variações e detalhes técnicos específicos</p><p>que as diferenciam uma da outra. A Figura 13 mostra uma serra elétrica.</p><p>39</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>FONTE: <https://www.makitastore.com.br/serra-circular-a-bateria-</p><p>makita-drs780z-p22147512/>. Acesso em: 2 maio 2019.</p><p>FIGURA 13 – SERRA ELÉTRICA</p><p>Há vários tipos de serras elétricas, dentre os quais, destacam-se:</p><p>• Serra circular: ideal para cortes retos em madeira, o “circular” em seu</p><p>nome se refere ao disco de corte. Há no mínimo quatro tipos de serras</p><p>circulares: a manual, a de bancada, a esquadrejadeira e a esquadria.</p><p>A serra circular manual é portátil; a de bancada é fixada em uma</p><p>mesa; a serra circular esquadrejadeira, que também fica fixa em uma</p><p>mesa, tem mais variação de ângulo de corte; e, por fim, a serra circular</p><p>esquadria pode ser usada para cortes longitudinais e transversais.</p><p>• Serra mármore: possui discos menores e diamantados que são mais</p><p>resistentes e hábeis a cortar pisos, azulejos, pedras, paredes e tijolos.</p><p>O fato de o motor ficar à frente da lâmina ajuda na tarefa de enxergar</p><p>melhor onde está sendo feito o corte. Pode ser utilizada no corte de</p><p>madeiras: basta trocar o disco para uma dessas finalidades.</p><p>• Serra Tico-Tico: é uma ferramenta elétrica que possui pequenas serras</p><p>e trabalha</p><p>em movimentos de vaivém, o que proporciona condições de</p><p>realizar cortes detalhados e em curva. Esse tipo de serra faz cortes em</p><p>até 45º em linha reta ou curva, inclinadas ou perpendiculares. Serve para</p><p>cortar materiais diversos como madeira, plástico ou metais – alumínio,</p><p>chapas de aço –, pisos, azulejos cerâmicos entre outros. A profundidade</p><p>de corte varia de acordo com a função e comprimento das lâminas.</p><p>• Serra esquadrejadeira: serra robusta, com a vantagem de poder</p><p>ser utilizada com alcance variável de 5 x 2,5 metros dependendo da</p><p>ferramenta. Possui recursos que permitem cortes com maior precisão</p><p>para deixar a peça no esquadro – ao contrário de outras serras. É usada</p><p>40</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>com intuito de cortar peças de tamanho médio a pequeno, no sentido</p><p>transversal, normalmente após a mesma ter sido cortada com uma</p><p>margem de segurança na serra circular.</p><p>• Serra fita: é uma máquina que possui uma fita de serra (lâmina)</p><p>movimentada continuamente pela rotação de volantes e polias. Essa</p><p>movimentação serve para quaisquer tipos de cortes retos ou irregulares,</p><p>assim como círculos ou ondulações. Construída por chapas soldadas,</p><p>a mesa e os volantes são de ferro fundido e, as demais partes, de aço</p><p>carbono. Esta é uma ferramenta altamente durável e muito utilizada no</p><p>setor moveleiro. Pode ser usada no corte de materiais muito espessos,</p><p>difíceis de serem cortados na serra circular (TAQI, 2019).</p><p>Os EPIs para quem trabalha com ferramentas e equipamentos de corte são:</p><p>• Uniforme: embora não pareça ser um EPI, o uso de um uniforme grosso</p><p>e com mangas compridas garante segurança em caso de desatenção no</p><p>uso das ferramentas de corte.</p><p>• Luvas de proteção: o funcionário que trabalha com ferramentas de</p><p>corte deve sempre estar com as luvas adequadas durante o manuseio</p><p>do equipamento. As mãos ficam bem próximas à lâmina e, por isso, o</p><p>uso de luvas de proteção é fundamental para evitar cortes e amputações.</p><p>• Óculos de proteção: estes EPIs são fundamentais para proteger o</p><p>trabalhador de estilhaços de metal, pedra, vidro, madeira e qualquer</p><p>outro que possa atingir os olhos durante o corte.</p><p>• Capacete de proteção individual: assim como os óculos, o capacete</p><p>protege o trabalhador contra pedaços de materiais.</p><p>• Protetor auricular: por se tratar de ferramentas que exercem grande</p><p>força contra materiais resistentes, o barulho provocado pelo atrito</p><p>da lâmina com a superfície do objeto é muito alto, podendo inclusive</p><p>prejudicar a audição da pessoa com o passar dos anos.</p><p>• Cinto de materiais: carregar outras ferramentas junto ao corpo pode</p><p>deixar o dia mais produtivo e evitar que o trabalhador se desloque para</p><p>buscar outros objetos. Dessa forma, sua concentração se mantém</p><p>intacta e o risco de contato com a lâmina do equipamento de corte é</p><p>reduzido.</p><p>2.9.2 Lixadeiras Elétricas</p><p>A lixadeira elétrica é uma ferramenta utilizada para diversas finalidades,</p><p>dentre elas destacamos desbastes e acabamentos em várias superfícies. Na</p><p>verdade, ela é a maneira mais rápida e prática de deixar qualquer área pronta</p><p>41</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>para receber a camada de tinta, cera ou outros produtos utilizados para protegê-</p><p>la — garantindo, assim, um perfeito retoque ou acabamento. Existem no</p><p>mercado alguns tipos de lixadeira elétrica que podem variar muito no preço. Por</p><p>exemplo, podemos citar o modelo orbital, que conta com um custo mais baixo,</p><p>isso ajuda a popularizar esse aparelho tão útil para quem deseja fazer pequenos</p><p>reparos em objetos, espaços e regiões da casa. No entanto, tudo vai depender</p><p>da necessidade de cada um e para qual uso e superfície que se pretenda lixar.</p><p>A lixadeira é uma ferramenta que tem por finalidade precípua desbastar áreas</p><p>que necessitam de um acabamento fino. Considerando que o trabalho manual,</p><p>além de ser mais cansativo, leva muito mais tempo para ser executado, esse</p><p>instrumento é de extrema necessidade. Ela pode lixar diversos materiais, como</p><p>metal, madeira, aço, paredes, plásticos, entre outros. Mas devemos ressaltar que</p><p>você se informe sobre o tipo ideal para o trabalho que pretende realizar e nunca</p><p>se esqueça de usar óculos de proteção. A Figura 14 mostra uma lixadeira elétrica.</p><p>FONTE: <https://cdn.awsli.com.br/600x450/1740/1740629/</p><p>produto/77093472/17624afdec.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FIGURA 14 – LIXADEIRA ELÉTRICA</p><p>Sendo assim, vamos citar alguns tipos mais comuns de lixadeira, bem como</p><p>suas aplicações:</p><p>• Lixadeira de parede: ideal para lixar paredes ou tetos que receberão a</p><p>pintura. Recomendada para quem busca um trabalho sem realizar muito</p><p>esforço.</p><p>42</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcToR-oWZuoD</p><p>r23bm0RLuHQdtp0LHLoTC7O3QQ&usqp=CAU>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQ6lwwIh23</p><p>1XwtBHqg7Jpi9ABkUZ-6J5fO_Rg&usqp=CAU>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FIGURA 15 – LIXADEIRA DE PAREDE</p><p>FIGURA 16 – LIXADEIRA ANGULAR</p><p>• Lixadeira angular: utilizada para desbastar áreas abauladas de forma</p><p>circular. Não é aplicada para efetuar acabamentos.</p><p>• Lixadeira de cinta: da mesma forma que ocorre com a lixadeira angular,</p><p>esta é administrada apenas para desbastar algumas superfícies. Seu</p><p>formato permite a retirada de grandes desníveis. Por isso, seu uso é</p><p>indicado para trabalhos mais complexos.</p><p>43</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>FONTE: <https://carrefourbr.vtexassets.com/arquivos/ids/10980668-800-au</p><p>to?width=800&height=auto&aspect=true>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/</p><p>images?q=tbn:ANd9GcTGBsx8Pu7Pkdmb6IeNS8EO4z52S8HxqRZd4w&usqp=CAU>.</p><p>Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FIGURA 17 – LIXADEIRA DE CINTA</p><p>FIGURA 18 – LIXADEIRA COMBINADA</p><p>• Lixadeira combinada: esse tipo é mais aplicado em trabalhos leves,</p><p>geralmente nas peças de madeira. Com ela é possível lixar horizontal e</p><p>verticalmente.</p><p>• Lixadeira excêntrica: com essa lixadeira você pode polir materiais</p><p>diversos como metal, madeira, plástico, massa de aparelhar e até verniz.</p><p>As superfícies podem ser planas ou curvadas.</p><p>44</p><p>Prevenção/Controle de Riscos em Máquinas, E. e I.</p><p>FONTE: <https://a-static.mlcdn.com.br/210x210/lixadeira-orbital-1-4-black-decker-</p><p>200w-bs200-220v/ddmaquinas/59381/5174e8248a1519530e01fc163f57137f.</p><p>jpg>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/</p><p>images?q=tbn:ANd9GcSM4wI7Gm5of5qjVYKOT_WyTR7X1D8nPye5eVu-</p><p>mx7zIAHi6kLzdmAaf-EPbuq1KblzToiXE9bN&usqp=CAc>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FIGURA 19 – LIXADEIRA EXCÊNTRICA</p><p>FIGURA 20 – LIXADEIRA ORBITAL</p><p>• Lixadeira orbital: ideal para lixar áreas de metal e aço. É uma ferramenta</p><p>mais leve e pode ser encontrada em formato retangular ou quadrado.</p><p>• Lixadeira roto orbital: esse modelo junta dois movimentos, o orbital e</p><p>o giratório, garantindo um acabamento mais primoroso em peças planas</p><p>de madeira ou aço.</p><p>45</p><p>Equipamentos de Proc. Industriais e os Seus RiscosEquipamentos de Proc. Industriais e os Seus Riscos Capítulo 1</p><p>FONTE: <https://d2figssdufzycg.cloudfront.net/Custom/Content/</p><p>Products/10/62/10625378_lixadeira-roto-orbital-pneumatica-10-000-rpm-lp-610-</p><p>vonder-64575_m2_637183989145070253.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2021.</p><p>FIGURA 21 – LIXADEIRA ROTO ORBITAL</p><p>• Lixadeira roto orbital pneumática: a única diferença desse equipamento</p><p>para o anterior é o fato de este ser pneumático (administra ar comprimido</p><p>para funcionar). É simples de ser manuseada e menos suscetível a</p><p>falhas.</p><p>Sempre que trabalhar com a lixadeira, utilize óculos de proteção, protetor</p><p>auricular e máscara. Quando escolher sua lixadeira, prefira as que acompanham</p><p>um saco coletor. Jamais encoste na lixa quando a ferramenta estiver ligada. Se a</p><p>lixa estiver muito suja, use</p>