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Assédio Moral no Local de Trabalho - Estudo FGV

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freqüência nas pesquisas de alguns países, o que pode indicar algo 
ligado à cultura da região. 
 
 
 
 
 
 
 
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Tabela 3- Táticas de assédio moral 
Táticas empregadas Referência
Afetar a reputação Leymann, 1986; Zapf, 2005; OIT, 2002; Freitas, 
2001; Rayner & Hoel, 1997
Afetar a vida social/ isolar Leymann, 1986; Zapf, 2005; Rayner & Hoel, 1997; 
Alkimin, 2005; Martiningo, 2006; Hirigoyen, 2006; 
Namie, 2003
Ameaçar o trabalho Leymann, 1986, Zapf, 2005, OIT, 2002; Hoel & 
Copper, 2002; Salin, 2005; Fundação Andrea 
Adams, 2006
Assediar sexualmente Freitas, 2001, Barreto, 2005; Tokyo Managers 
Union in Meek, 2004; Hirigoyen, 2006
Castigar qualquer tomada de 
decisão ou iniciativa pessoal, 
como falta grave
Piñuel y Zabala, 2001; Ashforth, 1994
Críticar constantemente/ críticas 
exageradas ou injustas
Unison, 1996; Piñuel y Zabala, 2001; Martiningo, 
2006; Namie, 2003
Dar tarefas impossíveis/ Hoel & Copper, 2002, OIT, 2002; Unison, 1996; 
Piñuel y Zabala, 2001; Rayner & Hoel, 1997; 
Martiningo, 2006; Hirigoyen, 2006; Namie, 2003
Desqualificar a vítima, 
questionar a competência
Freitas, 2001; Luna, 2003; Hannabus, 1998; Piñuel 
y Zabala, 2001; Rayner & Hoel, 1997
Discriminar Luna, 2003
Excluir de áreas chaves dando 
tarefas muito fáceis ou nenhuma 
tarefa
Unison, 1996; Piñuel y Zabala, 2001; Tokyo 
Managers Union in Meek, 2004; Rayner & Hoel, 
1997; Hirigoyen, 2006
Fazer ameaças verbais Zapf, 2005; Luna, 2003; Unison, 1996; Rayner & 
Hoel, 1997
Fazer pedidos descabidos Hannabus, 1998
Gritar, xingar, subjugar ou 
insultar
Piñuel y Zabala, 2001; Tokyo Managers Union in 
Meek, 2004; Rayner & Hoel, 1997; Namie, 2003
Ignorar Salin, 2005; Freitas, 2001; Barreto, 2005; Piñuel y 
Zabala, 2001; Tokyo Managers Union in Meek, 
2004; Rayner & Hoel, 1997; Namie, 2003
Incentivar outros colegas a 
assediarem a vítima por 
persuasão ou coação
Piñuel y Zabala, 2001; Namie, 2003
Invadir a privacidade Piñuel y Zabala, 2001
Recusar a Comunicação Leymann, 1986; Salin, 2005; Freitas, 2001; Luna, 
2003; Martiningo, 2006
Reter informação essencial para 
o trabalho da pessoa
Piñuel y Zabala, 2001; Rayner & Hoel, 1997; 
Namie, 2003
Ridicularizar/espalhar rumores OIT, 2002; Piñuel y Zabala, 2001; Hirigoyen, 2006; 
Namie, 2003
Ser obrigado a trabalhar 
excessivamente
Tokyo Managers Union in Meek, 2004
Usar de violência física Zapf, 2005; Zapf, Knorz e Kulla, 1996
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
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Tabela 4- Táticas de assédio moral 
Categoria Exemplo
1. Ataques à vítima com medidas organizacionais
• O superior restringe as possibilidades de falar
• Trocar a posição da pessoa, separando-a de seus colegas
• Proibir aos companheiros que falen com a pessoa
• Obrigar alguém a executar tarefas contra a sua consciência
• Julgar o desempenho de alguém de maneira ofensiva
• Questionar as decisões de uma pessoa
• Não dar nenhuma tarefa
• Dar tarefas sem sentido
• Dar tarefas muito inferiores às capacidades
• Dar tarefas degradantes 
2. Ataques às relações sociais da vítima com isolamento social
• Restringir aos colegas que falem com a pessoa
• Recusar a comunicação através de olhares e gestos
• Recusar a comunicação através de não falar com a pessoa 
• Não dirigir a palavra à pessoa 
• Tratar a pessoa como se ela não existisse
3. Ataques à vida privada da vítima
• Críticas permanentes da vida privada 
• Terror telefônico
• Fazer a pessoa parecer estúpida 
• Dar a entender que a pessoa tem problemas psicológicos
• Fazer graça das incapacidades da pessoa 
• Imitar os gestos, vozes
• Fazer graça das vida privada da pessoa
4. Violência física
• Ofertas sexuais, violência sexual
• Ameaças de violência física
• Uso de violêcia indireta
• Maltrato físico
5. Ataques às atitudes da vítima
• Ataques às atitudes ou crenças políticas 
• Ataques às atitudes ou crenças religiosas
• Fazer graça da nacionalidade da vítima
6. Agressões+A1 verbais
• Gritar ou insultar
• Fazer críticas permanentes 
• Ameaças verbais
7. Espalhar rumores
• Falar mal por trás das costas
• Espalhar rumores
 
Fonte (Zapf, Knorz y Kulla, 1996). 
 
 
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Convém notar que uma pesquisa citou o impedimento a cursos e eventos (ARCHER, 1999) 
como uma das formas de assédio moral, o que prejudica não só o trabalhador, mas 
especialmente a organização. 
 
De qualquer modo vemos pelas táticas descritas acima que a violência usada é velada e de 
difícil constatação o que dificulta a sua prova perante um tribunal. 
 
 
1.5 Sobre a lei do silêncio 
 
Um aspecto bastante relatado nas situações de assédio moral é o isolamento da vítima. 
Ainda que geralmente as táticas usadas sejam dissimuladas e não necessariamente sejam 
percebidas por todo o grupo, com o passar do tempo é fácil perceber que a maioria do grupo 
estava ciente do que acontecia. Dejours, por exemplo, descreve esta patologia como a 
patologia da solidão ou da desolação, no sentido de Hanna Arendt. (DEJOURS, 2001) 
 
Para Guedes (2003) no terror psicológico distinguem-se três espécies de sujeito: agressor, 
vítima e espectador. Para Dejours (2001), a solidariedade não é dissolvida espontaneamente, 
mas pelo efeito de estratégias precisas e, o assédio não visa somente a vítima, mas também 
as testemunhas. Na opinião de Hirigoyen (2001), o agressor isola a pessoa para que ela não 
possa queixar-se ou buscar consolo e apoio entre os colegas. Aludimos no início deste 
trabalho que o silêncio pode multiplicar os efeitos aterradores deste tipo de violência, de 
fato, poder falar sobre este assunto, ter pessoas que acreditam que a vítima realmente está 
passando por uma situação terrível pode de certa maneira atenuar o trauma. Prieto-Orzanco 
(2005) explica que as vítimas tendem a se culparem pela situação e, aqueles que estão à sua 
volta, colocam em ação um mecanismo de defesa chamado de “erro de atribuição”: 
consideram que a vítima deve ter feito alguma coisa para merecer tal situação, isolando-a 
ainda mais. 
 
Para Hirigoyen (2001, p. 27, tradução nossa) “cada um sofre em seu canto sem poder 
repartir as dificuldades com o grupo solidário. Os assalariados já não têm a sensação de 
pertencer a um grupo profissional que poderia permitir uma busca coletiva de 
reconhecimento. As coletividades sociais desaparecem progressivamente..” 
 
 
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A solidão foi muito bem detalhada por Barreto (2000) ao descrever o adoecimento dos 
trabalhadores. Esta pesquisadora notou que as falas são marcadas pelo “antes”, a fase de 
solidariedade, companheirismo e onde o trabalho é fonte de vida, e o “depois”, fase marcada 
pelo adoecimento, desligamento e desamparo. A pesquisadora explica que ao perder a 
identidade de trabalhador, perde-se, ao mesmo tempo, a dignidade ante o olhar do outro e 
sente-se sem valor, restando a depressão. (BARRETO, 2000) E que aqueles que sofrem por 
testemunhar a tortura psicológica mantêm-se em silêncio, resistindo por medo de também 
serem ofendidos ou demitidos. (BARRETO, 2005) 
 
Grenier-Peze (2007b) analisa o comportamento do grupo em face às mudanças ocorridas no 
mundo do trabalho, ela diz que 
 
 A precariedade tende a neutralizar a mobilização coletiva, a produzir o silêncio e o "cada 
um por si". O medo de perder seu emprego induz as condutas de dominação e de submissão. 
É necessário constatar que a manipulação deliberada da ameaça, da chantagem, do assédio 
tem sido utilizada como um método de gerenciamento para desestabilizar, incitar o erro e 
permitir o afastamento por uma falta ou incitar a demissão. Alguns se queixam do assédio 
que alguns meses antes eles viram ser exercido sobre outro sem intervir ou, muito pior, para 
guardar seu lugar e contribuindo para que isso acontecesse. Nestas situações, o sofrimento 
ético resulta, de um lado, da pulverização