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<p>FARMÁCIA</p><p>HOSPITALAR</p><p>E GESTÃO</p><p>EAD</p><p>DIRIGENTES</p><p>EDIÇÃO: JULHO/2021</p><p>| PRESIDÊNCIA</p><p>Prof. Dr. Clèmerson Merlin Clève</p><p>| REITORIA</p><p>Prof. Me. Alessandro Kinal</p><p>| DIRETORIA ACADÊMICA EAD</p><p>Prof.ª Me. Daniela Ferreira Correa</p><p>| DIRETORIA ACADÊMICA PRESENCIAL</p><p>Prof.ª Me. Márcia Maria Coelho</p><p>| DIRETORIA EXECUTIVA</p><p>Prof.ª Esp. Silmara Marchioretto</p><p>| COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DE GRADUAÇÃO EAD</p><p>Prof. Me. João Marcos Roncari Mari</p><p>| COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA DE PÓS-GRADUAÇÃO EAD</p><p>Prof. Me. Marcus Vinícius Roncari Mari</p><p>| AUTOR</p><p>Prof.ª Me. Mariana Martins Garcia</p><p>| COORDENAÇÃO DA PRODUÇÃO DE MATERIAIS EAD</p><p>Esp. Janaína de Sá Lorusso</p><p>| PROJETO GRÁFICO</p><p>Esp. Janaína de Sá Lorusso</p><p>Esp. Cinthia Durigan</p><p>| DIAGRAMAÇÃO</p><p>Marcelo Winck</p><p>| REVISÃO</p><p>Esp. Ísis C. D’Angelis</p><p>Esp. Idamara Lobo Dias</p><p>| PRODUÇÃO AUDIO VISUAL</p><p>Esp. Rafael de Farias Forte Canonico</p><p>Estúdio NEAD (Núcleo de Educação a Distância) -</p><p>UniBrasil</p><p>| ORGANIZAÇÃO</p><p>NEAD (Núcleo de Educação a Distância) -</p><p>UniBrasil</p><p>| IMAGENS</p><p>Shutterstock</p><p>FICHA TÉCNICA</p><p>EAD</p><p>SUMÁRIO</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>UNIDADE 01 - INTRODUÇÃO À FARMÁCIA HOSPITALAR E À ASSISTÊN-</p><p>CIA FARMACÊUTICA</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................06</p><p>INTRODUÇÃO ......................................................................................07</p><p>1. ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR .........................................................07</p><p>2. SERVIÇOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR ..........................................09</p><p>2.1 Ciclo da Assistência Farmacêutica .................................................09</p><p>3. CICLO LOGÍSTICO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA .......................11</p><p>3.1 Seleção .........................................................................................11</p><p>3.2 Programação e aquisição de medicamentos e materiais ...............13</p><p>3.3 Armazenamento ...........................................................................20</p><p>3.4 Distribuição ..................................................................................23</p><p>3.5 Dispensação .................................................................................26</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................26</p><p>UNIDADE 02 - FARMACOTÉCNICA HOSPITALAR</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................27</p><p>INTRODUÇÃO ......................................................................................28</p><p>1. FARMACOTÉCNICA HOSPITALAR DE MATERIAIS NÃO ESTÉREIS ......28</p><p>1.1 Fracionamento .............................................................................29</p><p>1.2 Implantação do setor de farmacotécnica ......................................30</p><p>2. CENTRAL DE MISTURAS INTRAVENOSAS (CMI) ..............................32</p><p>2.1 Medicamentos ..............................................................................33</p><p>2.2 Quimioterapia antineoplásica .......................................................36</p><p>2.3 Nutrição parenteral ......................................................................38</p><p>SUMÁRIO</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>3. CONTROLE DE INFECÇÕES HOSPITALARES .....................................40</p><p>3.1 Higienização e limpeza hospitalar .................................................40</p><p>3.2 Conceito de limpeza, desinfecção e esterilização ...........................41</p><p>3.3 Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) .....................44</p><p>3.4 Uso racional de antimicrobianos e escolha de saneantes ..............45</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................49</p><p>UNIDADE 03 - HUMANIZAÇÃO, QUALIDADE E ACREDITAÇÃO HOSPITALAR</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................50</p><p>INTRODUÇÃO ......................................................................................51</p><p>1. HISTÓRIA DA QUALIDADE DO ATENDIMENTO EM SAÚDE ..............51</p><p>2. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE ..........................................................52</p><p>2.1 Indicadores de qualidade ..............................................................54</p><p>3. ACREDITAÇÃO HOSPITALAR ..........................................................56</p><p>3.1 A acreditação na visão dos profissionais da saúde ........................57</p><p>3.2 A acreditação hospitalar na proteção ao paciente .........................58</p><p>4. O PROCESSO DE ACREDITAÇÃO HOSPITALAR .................................59</p><p>4.1 Acreditação: por onde começar? ..................................................60</p><p>4.2 Contratar a Instituição Acreditadora .............................................61</p><p>4.3 Primeira visita ..............................................................................62</p><p>4.4 Preparação ...................................................................................62</p><p>4.5 Visita e relatório da Equipe Avaliadora..........................................62</p><p>4.6 Hospital Acreditado: Qual o próximo passo? .................................64</p><p>5. AS PRINCIPAIS ORGANIZAÇÕES ACREDITADORAS NO BRASIL E SUAS</p><p>METODOLOGIAS ...........................................................................64</p><p>SUMÁRIO</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>5.1 Organização Nacional de Acreditação (ONA) .................................64</p><p>5.2 Joint Commission International (JCI) .............................................66</p><p>5.3 Accreditation Canada International (ACI) ......................................67</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................68</p><p>UNIDADE 04 - FARMACOLOGIA CLÍNICA, FARMACOVIGILÂNCIA E FAR-</p><p>MACOEPIDEMIOLOGIA</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM .........................................................70</p><p>INTRODUÇÃO ......................................................................................71</p><p>1. FARMACOLOGIA CLÍNICA ..............................................................71</p><p>1.1 Anamnese farmacêutica ...............................................................74</p><p>1.2 Interpretação de dados .................................................................74</p><p>1.3 Processo de orientação .................................................................75</p><p>1.4 Classificação de problemas relacionados à farmacoterapia ...........76</p><p>2. FARMACOCINÉTICA CLÍNICA .........................................................76</p><p>3. DESENVOLVIMENTO E ESTUDOS DOS FÁRMACOS..........................78</p><p>3.1 Fases de desenvolvimento dos fármacos .......................................79</p><p>4. FARMACOVIGILÂNCIA ...................................................................81</p><p>4.1 Notificação voluntária ..................................................................81</p><p>4.2 Vigilância ativa .............................................................................82</p><p>5. FARMACOEPIDEMIOLOGIA ...........................................................83</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................86</p><p>REFERÊNCIAS ......................................................................................87</p><p>UNIDADE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>VÍDEOS DA UNIDADE</p><p>https://bit.ly/3yuTS7K https://bit.ly/3hISVSb https://bit.ly/3hkVdIv</p><p>01</p><p>INTRODUÇÃO À FAR-</p><p>MÁCIA HOSPITALAR</p><p>E À ASSISTÊNCIA</p><p>FARMACÊUTICA</p><p>Conhecer a organização hospitalar e os serviços da farmácia hospitalar, o ciclo da</p><p>assistência farmacêutica, bem como a importância da Comissão de Farmácia e Te-</p><p>rapêutica (CFT).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>7</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Nesta Unidade vamos começar conhecendo a estrutura hospitalar e sua complexidade e de</p><p>seus diversos setores. Obviamente, vamos focar na organização e serviços realizados pela farmácia</p><p>a qual tem como insumo os medicamentos, os materiais médico-hospitalares e germicidas,</p><p>2 ml. No caso do envio direto</p><p>para a enfermaria (dose coletiva ou individualizada), se fosse prescrito para pacientes diferentes</p><p>500 mg de dipirona, seriam enviados 2 frascos, um para cada paciente, sendo utilizado metade e</p><p>descartado a outra, agora, com a manipulação em ambiente estéril uma ampola pode ser utilizada</p><p>para os dois pacientes. Consegue perceber a redução de custos? É claro que a dipirona em si é</p><p>um medicamento barato, mas seu uso em grande volume gera uma economia considerável, sem</p><p>contar os medicamentos que já são de custo mais elevado, essa possibilidade de economia se</p><p>sobrepõe ao custo de manter esse setor, você concorda?</p><p>REFLITA</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>33</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>2.1. MEDICAMENTOS</p><p>Os medicamentos podem ser administrados diretamente ao paciente ou adicionados a solu-</p><p>ções parenterais, para, então, serem administrados ao paciente. A esterilidade de todo esse pro-</p><p>cesso depende fundamentalmente:</p><p>• Da utilização de produtos e dispositivos previamente estéreis;</p><p>• Da técnica de manipulação;</p><p>• Treinamento e capacitação continuada dos profissionais;</p><p>• Do ambiente em que a manipulação será realizada.</p><p>É importante observar não apenas a esterilidade da solução, mas também seus aspectos físico-</p><p>-químicos para garantir a qualidade da manipulação desses medicamentos. Observando quais são</p><p>por reconstituição e quais são por diluição, além disso, no caso de administrar esses medicamen-</p><p>tos em grande, ou seja, inserir esse medicamento de bolsas de soro fisiológico ou glicosado, de-</p><p>ve-se observar a compatibilidade com a solução, bem como a estabilidade no volume pretendido.</p><p>Além disso, a compatibilidade entre os componentes da mistura, a técnica de preparo e as</p><p>condições de armazenamento devem ser avaliadas para que não ocorram problemas que compro-</p><p>metam a segurança do paciente.</p><p>As preparações de produtos estéreis é parte fundamental do sistema de controle de medica-</p><p>mentos, sendo a farmácia a responsável pelos medicamentos injetáveis dispensados e por assegu-</p><p>rar que todos estes produtos sejam:</p><p>• Terapêutica e farmacologicamente apropriados ao paciente;</p><p>• Livres de contaminantes microbiológicos;</p><p>• Livres de partículas e outros contaminantes tóxicos;</p><p>• Preparados com exatidão na composição;</p><p>• Identificados e dispensados adequadamente.</p><p>Para Storpirtis et al. (2008), centralizar esses procedimentos de manipulação de estéreis dentro</p><p>da farmácia é uma das melhores maneiras de atingir os objetivos citados. Além disso, a redução</p><p>do tempo gasto pela enfermagem com o preparo do medicamento, uma vez que, o mesmo chega</p><p>pronto para administração, devendo ser conferido todas as informações como, nome do pacien-</p><p>te, medicamento, concentração, horário da dose, entre outros, mas não se utiliza o tempo com a</p><p>preparação do medicamento em si, disponibilizando a equipe de enfermagem para se dedicar à</p><p>assistência ao paciente.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>34</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>2.1.1. ASPECTOS TÉCNICOS SOBRE AS MISTURAS INTRAVENOSAS</p><p>Para se elaborar uma mistura intravenosa com mais de um produto é necessário avaliar as ques-</p><p>tões de estabilidade e compatibilidade das misturas intravenosas, bem como, na administração</p><p>apropriada dos medicamentos aos pacientes, uma vez que alguns medicamentos não podem ser</p><p>administrados ao mesmo tempo no mesmo cateter.</p><p>Muitos fatores podem afetar adversamente as adequações terapêuticas, e o grande desafio é</p><p>utilizar os conhecimentos acumulados por décadas, em conjunto com os avanços na tecnologia</p><p>de administração de medicamentos, para assegurar uma terapia medicamentosa eficaz e segura.</p><p>Segundo Storpirtis et al. (2008), o termo instabilidade é normalmente aplicado a reações quí-</p><p>micas irreversíveis (hidrólise e oxidação) que podem resultar em compostos químicos nitidamente</p><p>diferentes (produtos de degradação), que tanto podem ser terapeuticamente inativos, quanto exi-</p><p>bir alguma toxicidade.</p><p>Dessa forma, uma mistura intravenosa é dita incompatível, quando os fármacos prescritos não</p><p>podem ser misturados com segurança. Essa incompatibilidade pode ocorrer entre dois medica-</p><p>mentos, bem como, um medicamento e a SPGV, ou ainda, um medicamento e o recipiente.</p><p>As incompatibilidades normalmente podem ser visíveis se as reações químicas resultarem em</p><p>mudanças físicas, como alterações de coloração, turvação, produção de gases e precipitados. Po-</p><p>rém, algumas incompatibilidades não são detectadas visualmente, mas podem ser verificadas por</p><p>meio de métodos analíticos.</p><p>Há dois problemas da incompatibilidade não detectava: o paciente poderá não receber os be-</p><p>nefícios totais esperados daquele medicamento, ou esta incompatibilidade pode desencadear um</p><p>efeito adverso no paciente.</p><p>Vale ressaltar que a mudança na coloração da solução e formação de gás, quando são visíveis,</p><p>normalmente são sinais de alerta para uma incompatibilidade potencial. Porém, algumas altera-</p><p>Soluções Parenterais</p><p>São soluções injetáveis (estéreis e apirogênicas) para serem administradas por via parenteral,</p><p>com a finalidade de promover reposição hidroeletrolítica, como fonte de energia ou veículo para</p><p>administração de aditivos. Em geral, são administradas a pacientes internados em instituições de</p><p>saúde, programas de atendimento domiciliar e veículos de transporte de emergência.</p><p>Soluções parenterais acondicionadas em recipientes de dose única, com capacidade inferior a</p><p>100 ml, são classificadas como soluções parenterais de pequeno volume (SPPV), e como soluções</p><p>parenterais de grande volume (SPGV) se os recipientes acondicionarem volumes iguais ou supe-</p><p>riores a 100 ml.</p><p>Quer compreender melhor sobre soluções parenterais? Storpirtis et al. (2008, p. 183) descrevem</p><p>a diferença entre solução de cloreto de sódio, solução de glicose e solução de Ringer, entre outras.</p><p>Quer compreender a diferença entre elas, vá até a biblioteca virtual que você encontrará este e</p><p>muitos outros livros para aumentar teu conhecimento sobre soluções.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>35</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>ções físicas podem ser esperadas e não constituem um problema. Como ocorre, por exemplo, na</p><p>reconstituição da ceftazidima, onde há a liberação de gás de dióxido de carbono, o que não afeta a</p><p>estabilidade do medicamento, apenas se desenvolve uma pressão positiva dentro do frasco.</p><p>Quando se vai realizar a adição de eletrólitos ou medicamentos a uma SPGV, se não houver ho-</p><p>mogeneização da solução entre a adição de um produto e outro, a alta concentração local de dois</p><p>ou mais aditivos pode propiciar a degradação de componentes, ou mesmo a formação de precipi-</p><p>tado. Por isso, no caso de medicamentos dificilmente há a adição de mais de um componente na</p><p>mesma solução parenteral (SP) seja de grande volume (GV) ou de pequeno volume (PV).</p><p>Para se realizar essa adição, deve-se ter certeza que são compatíveis e estáveis no mesmo meio,</p><p>não apenas no momento da manipulação, mas também durante o período de administração.</p><p>Para garantir a qualidade de uma solução injetável é de vital importância a inspeção visual (ma-</p><p>croscópica) para garantir a qualidade do produto a ser administrado no paciente. A solução deve</p><p>ser homogênea e livre de partículas (fibras, cacos ou partículas de borracha).</p><p>Medicamentos com alto índice terapêutico podem ser comumente manipulados em ambiente hos-</p><p>pitalar, conforme legislação vigente. Entretanto, medicamentos com de baixo índice terapêutico, aque-</p><p>les que apresentam estreita margem de segurança por sua dose terapêutica ser próxima da dose tóxica.</p><p>Segundo a RDC nº 67/2007, são considerados fármacos de baixo índice terapêutico “[...] ácido</p><p>valpróico, aminofilina, carbamazepina, ciclosporina, clindamicina, clonidina, clozapina, colchicina,</p><p>digitoxina, digoxina, disopiramida, fenitoína, lítio, minoxidil, oxcarbazepina, prazosina, primidona,</p><p>procainamida, quinidina, teofilina, varfarina,</p><p>verapamil (cloridrato)”. Antes da manipulação desses</p><p>medicamentos, a farmácia deve requerer a inspeção da vigilância sanitária local para que, somente</p><p>após a aprovação, esteja liberada para exercer a atividade.</p><p>Outro aspecto específico dessa resolução, que deve ser atendido, está relacionado com a ma-</p><p>nipulação de produtos que apresentam maior toxicidade e que podem levar a um maior risco ocu-</p><p>pacional e ambiental, como os antibióticos, os hormônios, os citostáticos e os radiofármacos. Por</p><p>isso há locais diferentes para sua manipulação, como veremos mais adiante.</p><p>2.1.2. CABINE DE FLUXO LAMINAR</p><p>Para preparação dos materiais estéreis, sejam medicamentos comuns, citotóxicos ou nutrição</p><p>parenteral, a parte mais importante da cabine de fluxo laminar é o filtro HEPA (High Efficiency Parti-</p><p>culate Air), mas o que é isso? É um filtro de alta eficiência que retém bactérias, além de conter um</p><p>pré-filtro para partículas maiores, como poeiras. Existem basicamente três as funções da cabine:</p><p>• Manter o ar da sala limpo;</p><p>• Manter um fluxo constante de ar;</p><p>• Manter o ar da sala de preparo livre dos contaminantes liberados pelos produtos manipulados.</p><p>Existem dois tipos de cabine de fluxo laminar: a vertical e a horizontal, sendo esta última a mais</p><p>utilizada para misturas intravenosas diversas e a primeira para misturas cuja manipulação possa</p><p>representar algum risco ao manipulador (FARIA, 2019; CAVALLINI, BISSON, 2010).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>36</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>É importante que as cabines fiquem continuamente ligadas, mas, caso sejam desligadas, há um</p><p>processo inicial que é ligá-las 30 minutos antes de as preparações serem iniciadas, e, quando pos-</p><p>sível, realizar a limpeza delas e esperar por mais 30 minutos. O funcionamento dessas cabines, ou</p><p>câmaras, como alguns autores chamam, deve ser inspecionado a cada período de seis meses, para</p><p>garantir a integridade do filtro HEPA e o seu funcionamento como um todo, além disso, o pré-filtro</p><p>deve ser trocado mensalmente (FARIA, 2019; CAVALLINI, BISSON, 2010).</p><p>2.2. QUIMIOTERAPIA ANTINEOPLÁSICA</p><p>A quimioterapia antineoplásica é um dos tratamentos mais promissores no combate ao câncer.</p><p>Esses agentes antineoplásicos são empregados com a finalidade de curar, aumentar a sobrevida do</p><p>paciente e/ou promover efeito paliativo.</p><p>São medicamentos que atuam de forma inespecífica, ou seja, atuam tanto nas células neoplási-</p><p>cas como nas células sadias, o que gera muitos dos efeitos adversos, bem como, o risco ocupacio-</p><p>nal para o profissional que vai manipular e aplicar essa medicação, caso aconteça algum acidente</p><p>e o medicamento toque na pele do profissional ou do próprio paciente, pode gerar desde irritação</p><p>e dermatite local até necrose tecidual.</p><p>Segundo Faria (2019), a contaminação dos profissionais pode ser direta ocorrendo ou pelo con-</p><p>tato com a pele e as mucosas ou por inalação do medicamento no momento da administração; ou</p><p>de forma indireta a qual ocorre por meio do contato com as secreções (suor, urina, fezes, sangue,</p><p>vômitos) de pacientes que tenham recebido o tratamento dentro das 72 horas anteriores, período</p><p>em que há a excreção do fármaco pelo organismo.</p><p>O Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio da Resolução nº 288/1996, estabeleceu que a</p><p>manipulação de medicamentos citotóxicos é uma atividade privativa do profissional farmacêutico.</p><p>Podemos encontrar no Artigo 1º da Resolução/CFF nº 640/2017 a qual reforça essa atividade me-</p><p>diante uma nova redação:</p><p>Essa resolução também estabelece a titulação mínima para a atuação do farmacêutico na onco-</p><p>logia, uma vez que, é um grupo de medicamentos de risco e os profissionais que vão manipulá-lo</p><p>devem ter conhecimento para isso, devendo atender a, pelo menos, um dos seguintes critérios:</p><p>a) Ser portador de título de especialista emitido pela Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em</p><p>Oncologia (Sobrafo);</p><p>b) Ter feito residência na área de Oncologia;</p><p>c) Ser egresso de programa de pós-graduação lato sensu reconhecido pelo Ministério da Educa-</p><p>ção (MEC) relacionado à farmácia oncológica;</p><p>[...] É ATRIBUIÇÃO PRIVATIVA DO FARMACÊUTICO O PREPARO DOS ANTINEOPLÁSICOS</p><p>E DEMAIS MEDICAMENTOS QUE POSSAM CAUSAR RISCO OCUPACIONAL AO MANI-</p><p>PULADOR (TERATOGENICIDADE, CARCINOGENICIDADE E/OU MUTAGENICIDADE) NOS</p><p>ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE PÚBLICOS OU PRIVADOS (BRASIL, 2017).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>37</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>d) Ter atuado por três anos ou mais na área de oncologia, o que deve ser comprovado por meio</p><p>de Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) ou de contrato e declaração do serviço, com</p><p>a devida descrição das atividades realizadas e do período de atuação.</p><p>Vale ressaltar que a centralização da manipulação da terapia antineoplásica tem por finalidade</p><p>assegurar um adequado nível de qualidade, uma manipulação segura, custo-efetiva, e o forneci-</p><p>mento do medicamento ao paciente no momento adequado para sua administração. Bem como,</p><p>deve estabelecer sistemas de medida de resultados e programas de melhoria contínua (GUIA).</p><p>O processo de manipulação acontece em uma central específica para evitar contaminação com</p><p>outros medicamentos, que não tem esse risco em potencial. Lembrando que o ambiente para</p><p>manipulação deve ser estéril, utiliza-se uma câmara de fluxo laminar vertical, de forma que o ar</p><p>que está dentro permanece dentro e o ar que está fora permanece fora, isso para evitar saída dos</p><p>produtos muitas vezes irritantes, bem como entrada de contaminantes, respectivamente.</p><p>Além disso, para o profissional que vai atuar manipulando esse medicamento tem todo um pro-</p><p>cesso e Equipamentos de Proteção Individuais (EPI) indispensáveis, principalmente para minimizar</p><p>danos em caso de acidentes, lembrando que a organização é responsável por implementar medi-</p><p>das de proteção à segurança e à saúde do trabalhador organização é responsável por implementar</p><p>medidas de proteção à segurança e à saúde do trabalhador. A estrutura dessa central deve seguir</p><p>a RDC nº 50/2002 que dispões sobre a infraestrutura mínima necessária nas instituições de saúde.</p><p>Dentre as atribuições do farmacêutico na oncologia está a manipulação dos antineoplásicos e a</p><p>sua dispensação conforme prescrição médica, mas inclui outras atividades, como a seleção e a pa-</p><p>dronização dos medicamentos e dos materiais para que esses atendam às exigências da legislação,</p><p>com a averiguação das boas práticas de fabricação pelo fornecedor.</p><p>Quando o farmacêutico faz a avaliação da prescrição é necessário observar as informações que</p><p>devem estar presentes como: conter os nomes genéricos dos antineoplásicos; dados como altura,</p><p>peso e superfície corporal do paciente para o cálculo das doses; velocidade de infusão e sequência</p><p>de administração; resultados de testes laboratoriais; e todos os dados do paciente (nome, ida-</p><p>de, número do prontuário, etc.), para se garantir a rastreabilidade. Além disso, também cabe ao</p><p>farmacêutico verificar se as prescrições incluem medicamentos de suporte, como antieméticos,</p><p>hidratação e protetores.</p><p>Antes de se manipularem citostáticos na farmácia hospitalar, a vigilância sanitária local deve ser</p><p>notificada, para que se realize uma inspeção para verificação da infraestrutura e dos demais re-</p><p>quisitos. Por isso, é importante conhecer a legislação que trata das “Boas práticas de manipulação</p><p>de medicamentos citostáticos”.</p><p>Atualmente é a Resolução nº 67, de 8 de outubro de 2007, a qual “Dispõe sobre Boas Práticas</p><p>de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias”. Vale a</p><p>pena a leitura da integra dessa legislação através do link: https://bit.ly/2QoiChx. Acesso em 17</p><p>de março de 2021</p><p>LEITURA</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>38</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>2.3. NUTRIÇÃO PARENTERAL</p><p>A nutrição parenteral vem como um suporte nutricional ao paciente que não consegue utilizar</p><p>o trato gastrointestinal para se alimentar</p><p>ou como um complemento a nutrição enteral. Dessa for-</p><p>ma, seu objetivo principal é melhorar o estado nutricional dos pacientes. Segundo Cavallini e Bisson</p><p>(2010), podemos conceituar nutrição parenteral (NP) como o método de alimentação através de flui-</p><p>dos que são administrados por via parenteral e que contêm elementos nutricionais para a manuten-</p><p>ção do metabolismo corporal normal, como glicose, lipídios, aminoácidos, eletrólitos, oligoelementos.</p><p>Perceba que o uso da via parenteral é recomendado quando o trato gastrintestinal está impos-</p><p>sibilitado de cumprir sua função ou quando a capacidade digestiva está comprometida a ponto de</p><p>não suprir todas as necessidades metabólicas básicas. Assim, indica-se a nutrição parenteral quando:</p><p>• A alimentação oral não é possível;</p><p>• A absorção de nutrientes é incompleta;</p><p>• Há situações associadas à desnutrição;</p><p>• Há condições especiais.</p><p>Vale ressaltar que o uso de nutrição parenteral total (NPT) não está isento de complicações,</p><p>sobretudo em pacientes previamente desnutridos. Os possíveis problemas podem ser a técnica de</p><p>colocação de cateteres venosos centrais a qual deve ser padronizada, o uso do cateter como via</p><p>exclusiva para administração de NPT e a monitorização metabólica e hídrica cuidadosa são impres-</p><p>cindíveis e diminuem a morbidade associada ao método de suporte nutricional.</p><p>O termo nutrição parenteral periférica (NPP) é utilizado para a administração parenteral através</p><p>de uma veia menor (geralmente na mão ou no antebraço do paciente), e nutrição parenteral total</p><p>(NPT) para as administradas em acesso central (CAVALLINI, BISSON, 2010).</p><p>É muito importante que o farmacêutico hospitalar e os gestores saibam avaliar a viabilidade</p><p>da implantação da manipulação de misturas parenterais no hospital onde atua. Iniciando com</p><p>um estudo da demanda de prescrições de nutrições parenterais, paralelamente às prioridades de</p><p>melhorias com a administração, sempre levando em conta o custo-benefício, tanto para o hospital</p><p>como para o paciente. Se a opção for pela terceirização do serviço, a equipe de suporte nutricional</p><p>deve escolher um fornecedor que manipule as misturas de modo idôneo, correto e seguro. Uma</p><p>visita ao laboratório terceirizado para verificar a qualidade, em diferentes locais (empresas), bem</p><p>como, realizar cotação de preços, analisar como serão transportadas as nutrições parenterais, ve-</p><p>rificar se o manipulador é um farmacêutico etc. (CAVALLINI, BISSON, 2010; FARIA, 2019).</p><p>Caso o hospital opte pela implantação da manipulação das nutrições parenterais em sua es-</p><p>trutura, é necessário ser feita uma adequação da área de misturas intravenosas, uma vez que não</p><p>pode ser feita no mesmo fluxo de medicamentos, além do investimento inicial de recursos huma-</p><p>nos, que deverão ser capacitados para esse fim. Pois o preparo e a manipulação das NPTs devem</p><p>ser executados por pessoal devidamente treinado, habilitado e com conhecimentos de assepsia,</p><p>de antissepsia e das múltiplas possibilidades de incompatibilidades e instabilidades físico-quími-</p><p>cas. Por isso, também é necessário que o farmacêutico faça uma avaliação previa da prescrição,</p><p>tanto dos aspectos técnicos como dos aspectos clínicos.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>39</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Para entrar na área limpa, o manipulador deve estar paramentado com gorro, máscara e aven-</p><p>tal, que não libere partículas ao ambiente, e com um pijama específico por baixo, devendo ter um</p><p>vestiário para que esse funcionário faça a troca de roupa pelo pijama antes de se paramentar com</p><p>os demais itens descritos (CAVALLINI, BISSON, 2010; FARIA, 2019).</p><p>Quando falamos das soluções de NTP ou NPP é imprescindível que as mesmas sejam devida-</p><p>mente conferidas e identificadas, para a garantia da qualidade do produto e a segurança do pa-</p><p>ciente. O ideal é estabelecer uma padronização para a rotulagem:</p><p>• Identificação do paciente (nome, número do quarto e do leito hospitalar);</p><p>• Nome e dosagem dos componentes;</p><p>• Volume da solução;</p><p>• Dia e horário do preparo;</p><p>• Dia e horário de administração;</p><p>• Data de expiração da solução;</p><p>• Identificação do manipulador (caso não seja o próprio farmacêutico, este deverá assinar</p><p>como supervisor);</p><p>• Etiquetas auxiliares com instruções complementares e precauções.</p><p>Deve-se conferir e avaliar as embalagens e a integridade da solução, observando eventuais pre-</p><p>senças de material particulado, formações de gases, turbidez, mudança de coloração etc.</p><p>2.3.1. ARMAZENAMENTO E CONSERVAÇÃO DAS SOLUÇÕES DE NUTRIÇÃO PARENTERAL</p><p>O período de armazenamento das soluções pode comprometer a integridade de acordo com</p><p>as condições de envasamento, as características dos aditivos e o local de armazenamento. As so-</p><p>luções completas de NPT podem ser rotineiramente armazenadas em temperatura de 2º a 4ºC,</p><p>por um período de 24 horas, podendo ser administradas por mais 24 horas (ou seja, um total de</p><p>48 horas de validade) ou, quando não houver adição de vitaminas, por até 72 horas, com mais 24</p><p>horas de administração.</p><p>Lembre-se que essas soluções possuem diversos aditivos que podem alterar alguns fatores,</p><p>principalmente em relação à estabilidade das vitaminas. O pH, os eletrólitos adicionados, o tempo</p><p>de armazenamento, a temperatura e exposição à luz são fatores que podem alterar a qualidade</p><p>das soluções, por isso o transporte deve ser realizado de forma correta e ágil.</p><p>É sempre bom reforçar a necessidade de se ficar atento à cor da solução, à presença de corpos</p><p>estranhos e à transparência das soluções parenterais, pois, como já mencionado aqui, podem</p><p>ocorrer durante o armazenamento reações de incompatibilidade, com formação de cristais, preci-</p><p>pitação e alteração na coloração (CAVALLINI, BISSON, 2010; FARIA, 2019).</p><p>Até aqui falamos sobre diversos fatores importantes, mas não falamos sobre a manipulação</p><p>propriamente dita. Para obter maior qualidade e segurança em todo o processo, deve-se estar</p><p>atento a determinados aspectos, como:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>40</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>• Manual de procedimento: deve-se elaborar um manual contendo a padronização da técnica</p><p>de preparo: como a importância e o uso correto da cabine de fluxo laminar e os cuidados</p><p>quanto ao transporte e ao armazenamento das misturas;</p><p>• Treinamento adequado do pessoal, utilizando como base o manual de procedimento e a</p><p>capacitação continuada, de forma que se mantenha o padrão de qualidade necessário, uma</p><p>vez que, ao entrar em uma rotina, é comum entrarmos no “piloto automático” o que é ex-</p><p>tremamente perigoso;</p><p>• Controle efetivo de qualidade: controle do ambiente, dos testes de esterilidade, da simula-</p><p>ção de procedimentos com meio de cultura, do credenciamento de fornecedores.</p><p>3. CONTROLE DE INFECÇÕES HOSPITALARES</p><p>A desinfecção e limpeza dos ambientes hospitalares trazem a sensação de bem-estar, segurança</p><p>e conforto não apenas dos pacientes, mas também dos familiares e profissionais dos serviços de</p><p>saúde. Além disso, a higiene é a melhor ferramenta para o controle das infecções hospitalares,</p><p>pela redução dos micro-organismos presentes no ambiente, bem como para a minimização do ris-</p><p>co de contaminação durante os procedimentos realizados com o paciente (MARCHIORATO, 2017).</p><p>A higienização consiste em técnicas adequadas que devem fazer parte dos protocolos das insti-</p><p>tuições de saúde para evitar a disseminação de infecção não apenas para os pacientes e usuários,</p><p>mas também para os profissionais que trabalham sendo considerada, então, uma medida de con-</p><p>trole para romper a cadeia epidemiológica das infecções.</p><p>3.1. HIGIENIZAÇÃO E LIMPEZA HOSPITALAR</p><p>A teoria de que a febre puerperal poderia ser contagiosa, e transmitida para as mulheres pe-</p><p>las mãos de médicos e parteiras, foi descrita, inicialmente, por Oliver Wendel Holmes, médico</p><p>americano, mas foi Ignaz Semmelweis quem a confirmou. Demonstrando que a incidência de</p><p>infecções puerperal era maior em parturientes assistidas por médicos e</p><p>residentes em hospitais</p><p>do que por parteiras.</p><p>No Hospital de Viena, em 1846, Semmelweis era assistente do Dr. Johann Klein que ensina seus</p><p>alunos na própria clínica utilizando as pacientes e seus filhos, bem como as pacientes e crianças</p><p>que iam a óbito. Nesse hospital havia duas clínicas, uma para parteiras, cujos óbitos rondavam</p><p>3,38%, enquanto na clínica destinada aos estudantes os óbitos chegavam a 9,92%. Conforme a</p><p>teoria de Semmelweis, isso ocorria porque os residentes circulavam entre a sala de autópsia e</p><p>a enfermaria. A partir dessa estatística e pela morte de um professor devido a uma septicemia</p><p>em decorrência a um pequeno ferimento com bisturi de dissecação, fez com que Semmelweis</p><p>iniciasse seus estudos concluindo que a causa da morte do professor e a febre puerperal tinham</p><p>a mesma origem “partículas cadavéricas introduzidas na corrente sanguínea” (FONTANA, 2006;</p><p>STORPIRTIS et al., 2008; CAVALLINI & BISSON, 2010).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>41</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>A partir desse achado, Semmelweis defendia a necessidade da antissepsia e higienização das</p><p>mãos antes dos profissionais realizarem o parto, constatando a gravidade da transmissão cruzada,</p><p>antes mesmo da descoberta dos micro-organismos.</p><p>Sua escolha foi o hipoclorito de cálcio para desinfecção das mãos por perceber que esse era</p><p>capaz de eliminar as “partículas cadavéricas” e instituiu, em 1847, que todos (médicos, residentes</p><p>e enfermagem) deveriam lavar as mãos com essa solução o que levou a uma diminuição conside-</p><p>rável no número de febre puerperal, rendendo-lhe um estudo que demonstrava a relação entre a</p><p>contaminação das mãos do pessoal médico com “partículas cadavéricas” e a transmissão da febre</p><p>puerperal (FONTANA, 2006).</p><p>Para falar sobre higiene e prevenção de infecção hospitalar devemos falar sobre Florence Nigh-</p><p>tingale! Enfermeira, avançada para sua época, popularizou o exercício da enfermagem, permitindo</p><p>o estabelecimento de uma nova profissão para as mulheres. Ela prestou cuidados aos doentes</p><p>durante a Guerra da Crimeia (1854-1856), acreditando que o ambiente tinha papel fundamental</p><p>na recuperação dos pacientes e que esse ambiente melhor poderia oferecer condições para a</p><p>“natureza exercer a sua cura”. Nightingale observou rapidamente que no hospital militar Britânico</p><p>havia uma série de dificuldades como: falta de recursos; ausência das mais elementares condições</p><p>de higiene; hostilidade dos médicos e demais oficiais militares; preconceitos do sexo masculino;</p><p>crescente número de feridos e doentes vindos da frente de batalha; indisciplina e falta de pre-</p><p>paração das suas enfermeiras. Além disso, não havia água corrente ou, quando dispunha, eram</p><p>contaminadas, lixos e dejetos eram jogados em poços, normalmente, aos fundos do terreno do</p><p>hospital (LOPES, SANTOS, 2010; FONTANA, 2006). Nesse cenário foram implementadas duas me-</p><p>didas estratégicas iniciais: submeteu suas enfermeiras às ordens dos médicos, para que eles se</p><p>aproximassem do processo de reforma e criou uma lavandeira no hospital.</p><p>Após um mês, com a lavanderia funcionando, os soldados receberam roupas para vestir lava-</p><p>das, bem como as roupas de camas limpas e trocadas com maior frequência, melhoria das dietas</p><p>hospitalares e manutenção das enfermarias. Posteriormente auxiliava os soldados a escreverem</p><p>cartas para seus familiares, bem como o envio de dinheiro, quarto para leitura e outras atividades</p><p>(LOPES, SANTOS, 2010; FONTANA, 2006). Perceba que, além da higiene, a preocupação com o</p><p>bem-estar do paciente estava em evidência.</p><p>3.2. CONCEITO DE LIMPEZA, DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO</p><p>As tarefas de limpeza e desinfecção de superfícies no ambiente hospitalar consistem em téc-</p><p>nicas adequadas que fazem parte dos protocolos da organização de saúde com a finalidade de</p><p>evitar a disseminação de micro-organismos existentes naquele local, principalmente os nocivos</p><p>à saúde de pacientes, usuários e profissionais (MARCHIORATO, 2017; FARIA, 2019; STORPIRTIS</p><p>et al., 2008).</p><p>Ambas são tarefas de enorme responsabilidade no ambiente hospitalar, pois um ambiente não</p><p>higienizado de forma adequada favorece a proliferação de germes que podem permanecer em</p><p>superfícies por um longo período. Essas tarefas favorecem o controle de contaminações e, conse-</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>42</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>quentemente, redução da transmissão de infecções, por isso os critérios devem ser estabelecidos</p><p>e seguidos de forma rigorosa pela equipe multidisciplinar da organização (MARCHIORATO, 2017;</p><p>FARIA, 2019; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>A limpeza tem como finalidade a remoção de sujidades e detritos, de acordo com o tipo de</p><p>superfícies e de matéria orgânica de serão limpos. Esse processo de remoção de sujidades é uma</p><p>ação física, feita pela aplicação de produtos químicos, temperatura específica e/ou combinação</p><p>desses processos.</p><p>O procedimento de limpeza diária de todas as áreas do hospital é chamado de limpeza concor-</p><p>rente e tem como objetivo a manutenção do asseio, abastecimento e reposição dos materiais de</p><p>consumo diário, como papel higiênico, sabonete líquido, entre outros, bem como a coleta dos re-</p><p>síduos gerados no cotidiano de acordo com sua classificação, dessa forma o ambiente se mantem</p><p>limpo e organizado.</p><p>Já o procedimento de limpeza terminal, é a limpeza e/ou desinfecção de todas as áreas com ob-</p><p>jetivo de reduzir a sujidade e, consequentemente, a população de micro-organismos o que reduz a</p><p>possibilidade de contaminação do ambiente. Esse procedimento deve ser realizado periodicamen-</p><p>te de acordo com o risco da área que pode ser crítica, semicrítica ou não crítica, com um cronogra-</p><p>ma estabelecido e estruturado de forma que consiga ser conferida a realização dos procedimentos</p><p>(MARCHIORATO, 2017; FARIA, 2019; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>As operações de limpeza são relativamente simples, compreendendo a fricção com água e sa-</p><p>bão, com auxílio de escova, esponja e/ou pano. É possível utilizar equipamentos automatizados</p><p>como jatos de água quente ou detergente, ou máquinas de ultrassom com produtos químicos que</p><p>retirem a sujidade existente. Porém, o uso de máquinas de lavar exige alguns cuidados como se-</p><p>guir as instruções de uso do equipamento, evitar que os produtos façam uma barreira impedindo</p><p>que outros utensílios tenham contato com a água e os produtos. Novamente vale reforçar que</p><p>é importante a adesão de protocolos de descontaminação (limpeza, desinfecção e esterilização)</p><p>(MARCHIORATO, 2017; FARIA, 2019; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>A desinfecção é um procedimento mais complexo na área da saúde, por isso há processos</p><p>que devem ser meticulosamente seguidos para que sejam eficientes e, para isso, são necessárias</p><p>conscientização e o conhecimento dos conceitos de limpeza hospitalar, como assepsia, antissep-</p><p>Você sabe a diferencia de assepsia e antissepsia? Antissepsia é a utilização de produtos para redu-</p><p>zir a presença de micro-organismos na pele, por exemplo, pela lavagem das mãos dos profissio-</p><p>nais, ou de uma área de pele do paciente que será feita uma cirurgia. Já a assepsia é o conjunto</p><p>de medidas para impedir a proliferação de doenças pela introdução de agentes patogênicos no</p><p>organismo, por exemplo, a desinfecção de ambientes hospitalares para minimizar os riscos de</p><p>infecção hospitalar. Podemos resumir dizendo que antissepsia é a limpeza de pele e a assepsia é a</p><p>limpeza do ambiente e equipamentos.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>43</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>sia, esterilização e desinfecção. Lembrando que a desinfecção é o procedimento de remoção de</p><p>sujidades e detritos com o objetivo de manter as áreas comuns e os equipamentos hospitalares</p><p>em boas condições de higiene.</p><p>A desinfecção é o processo de destruição dos agentes infecciosos existentes em superfícies</p><p>inertes, pela aplicação de métodos físicos e químicos, mas esse processo não atinge agentes bioló-</p><p>gicos na forma esporulada. A classificação mais usada atualmente foi a elaborada por Earle Spaul-</p><p>ding, com base na ação germicida, como descrito por Cardoso (2016), da seguinte forma:</p><p>• Desinfecção de alto nível: destrói a maioria dos agentes biológicos, incluindo micobactérias</p><p>e fungos, exceto números elevados de esporos bacterianos.</p><p>• Desinfecção em nível médio ou intermediário: inativa os micro-organismos patogênicos na</p><p>forma vegetativa, algumas micobactérias como o Mycobacterium tuberculosis, a maioria</p><p>dos vírus e a maioria dos fungos, mas não tem ação contra esporos bacterianos.</p><p>• Desinfecção de baixo nível: destrói a maioria das bactérias na forma vegetativa, alguns vírus e</p><p>alguns fungos, mas não age contra as micobactérias, vírus lipofílicos ou esporos bacterianos.</p><p>Por fim, a esterilização tem como característica a destruição ou eliminação total de todos os</p><p>agentes biológicos independentemente de estarem na forma vegetativa ou esporulada e pode ser</p><p>a partir do uso de agentes físicos ou químicos. Esse último compreende o uso de germicidas na</p><p>forma líquida ou gasosa, já os meios físicos são o calor, na forma seca ou úmida.</p><p>Marchiorato (2017) descreve os tipos de esterilização conforme classificação da ANVISA como</p><p>veremos a seguir:</p><p>A esterilização por calor seco é processo é lento e utiliza altas temperaturas e penetra em todas</p><p>as superfícies que nem sempre são alcançadas pelo vapor. Para esse processo é necessário estufa</p><p>ou forno de Pasteur e deve-se observar o tempo e temperatura máximos de cada tipo de material.</p><p>O calor seco destrói os micro-organismos pela dessecação e pela oxidação de proteínas. Para</p><p>que ele funcione é necessário manter espaços livres para circulação do ar entre os materiais.</p><p>Na esterilização química se utilizam substâncias químicas como formaldeído, óxido de etileno e</p><p>glutaraldeído. A escolha da substância vai de acordo com seu espectro de ação, do material a ser</p><p>esterilizado e do custo-benefício do procedimento.</p><p>O método de esterilização mais comum é a vapor realizada em autoclaves por meio de calor</p><p>úmido na forma de vapor sob pressão. Ele é atóxico e de baixo custo, por isso é muito utilizado</p><p>para esterilização de materiais médico-hospitalares que não sejam sensíveis ao calor e à umidade.</p><p>O equipamento que faz esse tipo de processo é a autoclave, na qual os agentes biológicos são</p><p>destruídos pela ação combinada do calor, da pressão e da umidade que levam a termocoagulação</p><p>e desnaturação das proteínas da estrutura celular destruindo todos os agentes biológicos, incluin-</p><p>do na forma vegetativa e esporulada.</p><p>O ciclo de esterilização varia de acordo com o material que será esterilizado, e a eficácia do pro-</p><p>cesso está relacionada com o calor, tempo, pressão e concentração do vapor. Vale ressaltar que a</p><p>embalagem também deve ser avaliada, pois ela pode influenciar no processo.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>44</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>É importante utilizar indicadores que podem ser químicos para identificar uma falha no proces-</p><p>so de esterilização, pela mudança da coloração, em todos os ciclos realizados, priorizando locais de</p><p>difícil acesso à penetração do vapor ou onde há menor movimentação de ar.</p><p>Há também indicadores biológicos que mostram de forma a eficácia do processo de esteriliza-</p><p>ção, pois consideram todos os parâmetros necessários para o procedimento. São utilizados espo-</p><p>ros de bactérias como Bacillus stearothermophilus, para autoclaves, e Bacillus subtilis var niger</p><p>para calor seco, óxido de etileno e plasma de peróxido de hidrogênio.</p><p>Após o processo de esterilização, o indicador biológico é incubado junto com um indicador</p><p>controle que não tenha sido esterilizado. Como é necessário esse tempo de incubação, em média</p><p>24 horas, mas pode levar até 7 dias, o material esterilizado deve ficar em quarentena até a confir-</p><p>mação do resultado com esse indicador. Mesmo que se preconize o uso de indicadores químicos</p><p>em cada processo de esterilização, é recomendado o uso de indicadores biológicos uma vez por</p><p>semana para acompanhamento e avaliação dos resultados.</p><p>3.3. COMISSÃO DE CONTROLE DE INFECÇÃO HOSPITALAR (CCIH)</p><p>No início dos anos 1960, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) americano reco-</p><p>mendou que os hospitais praticassem vigilância (observação e coleta de dados) da ocorrência de</p><p>infecções no âmbito dos hospitais, sendo que, em 1975, mais da metade dos hospitais americanos</p><p>havia organizado estas comissões, atualmente chamadas, no Brasil, de “Comissão de Controle de</p><p>Infecção Hospitalar (CCIH)” (STORPIRTIS et al., 2008; CAVALLINI, BISSON, 2010).</p><p>Essas comissões são criadas nos hospitais para se dedicar aos problemas relativos à infecção</p><p>hospitalar, tendo como objetivos reduzir as taxas de infecção hospitalar, a morbidade e mortalida-</p><p>de relacionadas a elas. Utilizando dados de monitoramento da instituição, é feita análise de dados,</p><p>interpretação e disseminação de informações para conseguirmos aprimorar atividades para com-</p><p>batê-las (STORPIRTIS et al., 2008; OLIVEIRA, PIRES, 2017).</p><p>Nessa comissão a presença do farmacêutico é imprescindível para desenvolver atividade como</p><p>(STORPIRTIS et al., 2008; OLIVEIRA, PIRES, 2017):</p><p>• Aconselhar na seleção e o uso de antissépticos, desinfetantes e esterilizantes, além dos pró-</p><p>prios antimicrobianos;</p><p>• Estabelecer normas e procedimentos de uso dos itens descritos acima;</p><p>• Participar das atividades de educação continuada intra-hospitalar e extra-hospitalar, entre outras.</p><p>São muitas atividades de uma comissão de controle de infecção hospitalar e de naturezas diver-</p><p>sas. Mas, é claro, todas as atividades têm como principal objetivo a redução nas taxas de infecção</p><p>e na morbidade e mortalidade. Há diversos tipos de infecções que podem ocorrer no âmbito hos-</p><p>pitalar, mas as quatro principais síndromes infecciosas são: pneumonia, infecção urinária, infecção</p><p>da corrente sanguínea e infecção do sítio cirúrgico. Storpirtis et al. (2008, p. 205) trazem como</p><p>funções da CCIH:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>45</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>• Vigilância com o desenvolvimento e implantação de políticas de controle de infecção, princi-</p><p>palmente para investigação de surtos;</p><p>• Educação dos profissionais em prevenção de infecção hospitalar;</p><p>• Cuidados com a saúde ocupacional, como a lavagem de mãos e desinfecção e o manejo de</p><p>lixo hospitalar;</p><p>• Controle de antibióticos e seu uso inadequado;</p><p>• Avaliação de novos produtos, bem como, avaliação de qualidade dos mesmos de forma continuada;</p><p>• Isolamento de pacientes com doenças infectocontagiosas;</p><p>• Interação com o laboratório de microbiologia;</p><p>• Atuação sobre aspectos legais.</p><p>Ainda hoje, a lavagem simples das mãos é considerada como o método mais eficaz e simples na</p><p>redução no nível de infecções hospitalares, já que as mãos dos profissionais de saúde são o princi-</p><p>pal veículo de transmissão de agentes infecciosos de um paciente para o outro (STORPIRTIS et al.,</p><p>2008; CAVALLINI, BISSON, 2010).</p><p>Infelizmente, a aderência dos profissionais de saúde ao hábito de lavar as mãos, antes e depois</p><p>do contato com pacientes, é universalmente baixa, devendo sempre ser encorajada pela CCIH, que</p><p>deve, em conjunto com a administração do hospital, oferecer facilidades, como grande disponibilida-</p><p>de de pias, sabão líquido, toalhas, ou álcool etílico em forma de gel, bastante utilizado atualmente.</p><p>Deve também oferecer e divulgar treinamento sobre as técnicas corretas de lavagem das mãos,</p><p>de modo a reduzir a quantidade de bactérias (flora transitória) das mãos (STORPIRTIS et al., 2008;</p><p>CAVALLINI, BISSON, 2010).</p><p>3.4. USO RACIONAL DE ANTIMICROBIANOS E ESCOLHA DE</p><p>SANEANTES</p><p>A participação de farmacêuticos passou, nos últimos anos, a ter um caráter mais clínico e não</p><p>apenas administrativo, devido à elaboração de protocolos para antibióticoprofilaxia e antibiotico-</p><p>terapia e protocolo de reação apirogênicas, em conjunto com a CCIH. Desde as atividades</p><p>de ma-</p><p>nipulação e supervisão, acompanhamento de visitas clínicas com participação de farmacêuticos,</p><p>além da participação ativa no controle de antimicrobianos (STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>A padronização dos antimicrobianos e os protocolos para seu uso se tornam de extrema impor-</p><p>tância para evitar resistência bacteriana. Você pode entender melhor sobre a atuação do farma-</p><p>cêutico na CCIH lendo o artigo “Atribuições do farmacêutico na comissão de controle de infecções</p><p>hospitalares” de autoria de Carneiro et al., 2019.</p><p>Para ler o texto na integra acesse: https://bit.ly/3fkrI7r. Acessado em 17 mar. 2021.</p><p>LEITURA</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>46</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Mas, afinal, o que são infecções? Define-se como infecção a presença de micro-organismo em</p><p>um hospedeiro com sinais de invasão no tecido acompanhada ou não de produção de toxinas. Há,</p><p>naturalmente, resposta imunológica e inflamatória do hospedeiro. Quando essa infecção está rela-</p><p>ciona ao internamento ou algum procedimento relacionado hospital, dizemos que é uma infecção</p><p>hospitalar, mesmo que seus sintomas apareçam após alta do paciente.</p><p>Os antimicrobianos correspondem a uma das classes de medicamentos mais consumida em</p><p>hospitais, ocupando o segundo lugar em alguns relatos. A diferença em relação às outras classes</p><p>de fármacos é que os antimicrobianos são os únicos agentes que não afetam somente os pacientes</p><p>que os utilizam, mas também afetam, de forma significativa, o ambiente hospitalar do ponto de</p><p>vista de ecologia microbiana.</p><p>As ações de intervenção realizadas pela CCIH para otimizar o uso de antimicrobianos em hospi-</p><p>tais deverão contemplar vários itens. Para isso, Storpirtis et al. (2008) descrevem, como veremos a</p><p>seguir, alguns desses itens relevantes para um programa de racionalização de antimicrobianos. O</p><p>controle de antimicrobianos e a racionalização de antimicrobianos são a base para o uso racional</p><p>e podem ser resumidas em três postos-chave:</p><p>• promoção a qualidade assistencial aos pacientes no que concerne à antibioticoterapia e à</p><p>antibióticoprofilaxia, melhorando a atenção dispensada aos mesmos;</p><p>• promoção do uso racional de antimicrobianos, de forma a reduzir a pressão seletiva de anti-</p><p>microbianos específicos, reduzindo, desta forma, a seleção de micro-organismos resistentes;</p><p>• minimizar custos hospitalares direta ou indiretamente ligados ao uso de antimicrobianos.</p><p>A qualidade assistencial aos pacientes refere-se, sobretudo, à indicação precisa do antimicrobia-</p><p>no da forma correta, lembrando que nem toda infecção é bacteriana, ela pode ser viral ou fúngica.</p><p>Dessa forma, Somente é necessário o uso de antimicrobianos quando houver um diagnóstico de</p><p>infecção bacteriana sendo baseado em dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. O uso de</p><p>antimicrobianos, principalmente de forma inadequada, é um fator associado e relevante de risco</p><p>para o desenvolvimento de resistência. Os custos com os medicamentos antimicrobianos também</p><p>devem ser levados em consideração; alguns itens podem minimizá-lós, como por exemplo:</p><p>• A padronização de medicamentos pelo princípio ativo, em vez da marca registrada;</p><p>• Preferir formulações via oral, em vez de formulações intravenosas;</p><p>• Auditar as durações dos tratamentos e das profilaxias.</p><p>Lembrando que as infecções causadas por micro-organismos multirresistentes levam a um au-</p><p>mento do tempo de internação hospitalar, podendo levar a mesmo a um aumento da mortalidade,</p><p>o que gera um aumento dos custos diretos e indiretos.</p><p>Um programa de racionalização de antimicrobianos em hospitais, para ser efetivo, precisa inicial-</p><p>mente de um grupo de trabalho de caráter técnico, administrativo e político. Para tal, é recomendável</p><p>que se estruture um comitê/comissão especifico que deverá conter, dentre outros profissionais, um</p><p>infectologista ou algum outro especialista que tenha conhecimento diferenciado e atualizado das in-</p><p>fecções adquiridas na comunidade e no hospital, bem como de sua epidemiologia e consequências.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>47</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Na grande maioria dos hospitais, este grupo é coordenado e gerenciado pela Comissão de Con-</p><p>trole de Infecção Hospitalar (CCIH), que é, de fato, uma comissão multidisciplinar a qual, no uso de</p><p>suas atribuições, dentre outras funções, é encarregada de:</p><p>• Implementar sistema de vigilância epidemiológica das Infecções Hospitalares, avaliar e com-</p><p>partilhar os dados disponibilizados por esse sistema;</p><p>• Adequar as normas operacionais (por exemplo, os procedimentos operacionais padrão) de</p><p>todos os setores, objetivando a prevenção e controle de IRAS;</p><p>• Capacitar o quadro de colaboradores sobre a prevenção e o controle de IRAS por meio de</p><p>treinamentos e outras ações de educação continuada;</p><p>• Promover o uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares;</p><p>• Padronizar, junto à comissão de farmácia e terapêutica (CFT), os antimicrobianos e germici-</p><p>das que atenderão de forma racional o perfil nosocômio da instituição;</p><p>• Criação e/ou atualização de protocolos de tratamento e de profilaxia cirúrgica com antimicrobianos;</p><p>• Criação e instrução sobre protocolos de medidas de precaução e isolamento.</p><p>Por meio da análise das atribuições da CCIH, listadas anteriormente, nota-se a complexidade</p><p>dos meios para controle e prevenção de IRAS. Logo, conclui-se que o trabalho multidisciplinar é,</p><p>de fato, imperativo. Nesse sentido, o profissional farmacêutico apresenta-se com valiosas contri-</p><p>buições a serem abordadas adiante.</p><p>O primeiro passo é elaborar um diagnóstico situacional do uso de antimicrobianos no hospital</p><p>(qualidade e quantidade), analisando dados de consumo, local, tempo, dose e prescritor. Depois</p><p>partimos para a revisão do formulário de antimicrobianos do hospital deve selecionar e limitar</p><p>estoques, proceder à substituição por genéricos, sendo revisado periodicamente.</p><p>A análise do perfil de sensibilidade das bactérias isoladas no hospital é fundamental para es-</p><p>tabelecer a estratégia e os métodos ativos de controle, bem como conduzir a implementação de</p><p>guias terapêuticos com finalidades educacionais de treinamento e reciclagem. A maior parte dos</p><p>programas de racionalização de antimicrobianos tem como pilares a educação, a restrição de uso</p><p>e o perfil de sensibilidade dos micro-organismos. A restrição de uso é o método mais utilizado para</p><p>o controle da prescrição e consiste na utilização de determinados antimicrobianos somente após</p><p>avaliação/liberação pela CCIH.</p><p>Os antimicrobianos de uso restrito são escolhidos de acordo com o custo ou com a taxa de sen-</p><p>sibilidade. Sendo assim, essas fichas de restrição são vistas como complementares dentro de um</p><p>programa de racionalização de antimicrobianos, e a avaliação da qualidade de prescrição é uma</p><p>oportunidade de realizar educação em serviço.</p><p>A participação da Farmácia na CFT é de fundamental importância, trabalhando-se com farma-</p><p>cêuticos e médicos que analisam os pedidos de inclusão e exclusão de medicamentos do Manual</p><p>de Medicamentos da Instituição Os antimicrobianos são incluídos e/ou excluídos através da soli-</p><p>citação da CCIH e do Serviço de Moléstias Infecciosas, solicitação será avaliada pela Comissão de</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>48</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Farmácia e Terapêutica (CFT), cujos membros selecionam os antimicrobianos considerando sua</p><p>eficácia, segurança, qualidade e custo, bem como elaborando protocolos para utilização de anti-</p><p>microbianos de uso profilático e de tratamento de acordo com os estudos de evidências científica.</p><p>O Laboratório de Microbiologia desempenha papel fundamental para o sucesso de um programa</p><p>de racionalização de antimicrobianos e de controle de infecção. Entre suas funções, podemos destacar:</p><p>• A divulgação do perfil de sensibilidade das bactérias;</p><p>• A notificação rápida das bactérias multirresistentes;</p><p>• O suporte microbiológico</p><p>na investigação de surtos</p><p>• A educação continuada em microbiologia para os especialistas em infecção hospitalar.</p><p>Além disso, o laboratório é responsável pela liberação do antibiograma, o qual mostra os re-</p><p>sultados chamados de “antibiograma escalonado”, mostrando para quais antibióticos esse me-</p><p>dicamento é sensível e para qual ele é resistente, auxiliando o corpo clínico para a prescrição do</p><p>antibiótico e posologias mais adequadas.</p><p>Vale ressaltar que o administrador hospitalar também tem papel fundamental no programa de</p><p>controle de antimicrobianos, pois proverá todo o suporte, desde os recursos materiais e humanos,</p><p>como o apoio administrativo.</p><p>O bom relacionamento com os demais profissionais da saúde sem dúvida contribui para melhor</p><p>desenvolvimento do trabalho do farmacêutico. Todos interagem em conjunto pela saúde do pa-</p><p>ciente, porém, em alguns hospitais, ainda faltam mecanismos e oportunidades.</p><p>Dessa forma, a educação continuada se torna importante, com a Farmácia disponibilizando trei-</p><p>namentos para todos os profissionais da equipe, bem como aos profissionais que trabalham em</p><p>áreas especiais da farmácia, como manipulação de produtos estéreis e não estéreis. Importante</p><p>ter em mente que a discussão em grupo os erros, pois o importante não é sabe QUEM errou, mas</p><p>COMO e PORQUE ocorreu o erro.</p><p>Cabe ao farmacêutico, juntamente à CCIH e ao Serviço de Hotelaria Hospitalar, aconselhar so-</p><p>bre os critérios de escolha dos saneantes utilizados na instituição. Ademais, é importante super-</p><p>visionar o preparo desses agentes de modo a garantir a qualidade, a assepsia e as concentrações</p><p>indicadas com a padronização, em trabalho conjunto com a CFT e CCIH, dos antimicrobianos e</p><p>saneantes a serem utilizados na instituição. Lembrando a importância da elaboração e atualização</p><p>de protocolos, baseados em evidências científicas e em conjunto com comissões competentes, de</p><p>tratamento com antimicrobianos e antibióticoprofilaxia.</p><p>Alguns antissépticos, desinfetantes e esterilizantes são produzidos pelo Setor de Farmacotéc-</p><p>nica, em alguns hospitais, sendo comprados de forma concentrada e diluídos para serem usados,</p><p>cujo objetivo é desenvolver uma relação de poucos produtos que sejam eficazes, de baixa toxici-</p><p>dade e menor custo. A manipulação dos mesmos tem supervisão constante do farmacêutico, e as</p><p>principais informações e orientações sobre os produtos para os setores que os utilizam são:</p><p>Não utilizar os produtos para limpeza de equipamentos e material médico-hospitalar sem antes</p><p>saber onde, quando e como usar; observar se o produto necessita de diluição previa antes de utilizá-lo;</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>49</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Verificar se o rótulo possui lote e validade do produto; não utilizar o produto e devolvê-lo à</p><p>Farmácia se for verificada qualquer alteração no produto ou em sua embalagem; procurar o far-</p><p>macêutico responsável pelo setor.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Nesta Unidade conseguimos conhecer melhor sobre as atividades da farmacotécnica hospita-</p><p>lar como fracionamento, manipulação de materiais não estéreis e estéreis. Bem como conhecer</p><p>outras atividades tão importantes quando como a atuação na Comissão de Controle de Infecção</p><p>Hospitalar, na qual o farmacêutico se torna um dos pilares pelo seu conhecimento de mecanismos</p><p>de ação evitando duplicidade, bem como o conhecimento clínico que muitos têm.</p><p>É possível concluir que os profissionais farmacêuticos têm importantes atribuições no contexto</p><p>do controle e da prevenção das infecções hospitalares.</p><p>ANOTAÇÕES</p><p>UNIDADE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>VÍDEOS DA UNIDADE</p><p>https://bit.ly/3hhWRdI https://bit.ly/3hjhXsc https://bit.ly/3hJjTZY</p><p>03</p><p>HUMANIZAÇÃO,</p><p>QUALIDADE E</p><p>ACREDITAÇÃO</p><p>HOSPITALAR</p><p>Compreender sobre a qualidade dos serviços prestados nos hospitais, vamos co-</p><p>nhecer a acreditação de forma ampla compreendendo que, como essa avaliação</p><p>é feita no hospital como um todo, ela passa pela farmácia. Vamos compreender</p><p>também sobre qualidade e sua avaliação, entendendo que há diversas visões para</p><p>a mesma situação.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>51</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Quando pensamos em serviços hospitalares o primeiro pensamento é a melhora da saúde do</p><p>paciente e, de que forma, nossas atividades podem levar a essa melhora da saúde, porém, nem</p><p>sempre foi assim. Por isso, nesta Unidade vamos conhecer a história da qualidade e saúde, com-</p><p>preendendo como era no início da criação dos hospitais, passando pela observação das necessi-</p><p>dades mínimas de qualidades, o início do foco no paciente não na doença (humanização) e como</p><p>acontece hoje para os hospitais aprimorarem continuamente seus serviços.</p><p>Vamos conhecer também sobre a acreditação hospitalar, quais as principais instituições acredi-</p><p>tadoras, quais as vantagens de ser um hospital acreditado e algumas dificuldades desse processo.</p><p>Então, vamos começar!</p><p>1. HISTÓRIA DA QUALIDADE DO ATENDI-</p><p>MENTO EM SAÚDE</p><p>Baseado nos princípios éticos, os profissionais da saúde, até hoje, utilizam o Juramento de Hi-</p><p>pócrates para um atendimento voltado para o cuidado do paciente. Esse texto é longo, mas nele</p><p>se fala de “ajudar os doentes de acordo com a capacidade do profissional e nunca com vista de</p><p>ferimentos e erros”.</p><p>Vamos compreender esse ponto: “nunca com vista de ferimentos e erros” Hipócrates já descre-</p><p>via a importância do cuidado do paciente, buscando por serviços de qualidade se tornaram cada</p><p>vez mais urgente, porém essa visão demorou a surgir efetivamente nos hospitais (MARCHIORATO,</p><p>2017; POSSOLLI, 2017).</p><p>Um dos pioneiros nas mudanças de processos para melhoria da qualidade do paciente foi o Dr.</p><p>Ignaz Semmelweis o qual, em 1847, observou que em uma das alas da clínica obstétrica havia maior</p><p>índice de febre puerperal que a outra onde o procedimento era feito por parteiras. Esse fato cha-</p><p>mou-lhe a atenção, o que o fez observar mais dos processos e procedimentos realizados na rotina</p><p>dos funcionários, médicos residentes, com isso ele percebeu que os alunos que realizavam exames</p><p>obstétricos na ala com maior índice de febre vinham da sala de aula de dissecação de cadáveres,</p><p>onde estavam tendo aula. Lembre-se que naquela época não se falava sore lavagem das mãos. Já a</p><p>outra ala, cuidada por parteiras, não havia essa movimentação (com menor índice de febre).</p><p>A partir disso, ele levantou a hipótese de que as partículas dos cadáveres eram trazidas pelas</p><p>mãos dos alunos à sala de clínica obstétrica e era isso que levava ao índice maior de febre puer-</p><p>peral. Como mudança ele fixou um cartaz no Hospital de Viena, impondo a seguinte regra de que</p><p>todo médico, ou estudante, é obrigado a lavar as mãos antes de entrar nas salas de clínica obsté-</p><p>trica, com uma solução de ácido clórico presente em uma bacia próximo à porta, vigorando para</p><p>todos sem exceção (MARCHIORATO, 2017; STORPIRTIS et al., 2008; CAVALLINI, BISSON, 2010).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>52</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Você pode imaginar o caos que essa mudança gerou? Com essa ordem ele ganhou muitos ini-</p><p>migos, mas esse procedimento começou a ser realizado e levou a diminuição da febre puerperal</p><p>em ambas as alas.</p><p>Em 1913, George Crile e Charles Mayo, juntamente com seus colegas, fundaram o Colégio Ame-</p><p>ricano de Cirurgiões (American College of Surgeons) e implementaram o Programa de Padroniza-</p><p>ção nos Hospitais, o primeiro modelo de padronização nos serviços hospitalares com objetivo era</p><p>elevar o padrão de qualidade nos hospitais americanos por meio do sistema de acompanhamento</p><p>do resultado de tratamento em cada paciente atendido elaborando o primeiro manual de padro-</p><p>nização (FELDMAN et al., 2005; MARCHIORATO, 2017).</p><p>O sucesso do programa de padronização levou outras instituições a adotarem o programa o que</p><p>levou o Colégio Americano de Cirurgiões a se juntar a outras organizações surgindo a Joint Com-</p><p>mission on Accreditation of Hospitals (JCAH),</p><p>no ano de 1951 em Illinois, Chicago (FARIA, 2019;</p><p>MARCHIORATO, 2017).</p><p>Aqui inicia o processo de avaliação da qualidade dos hospitais e o início das instituições de Acre-</p><p>ditação Hospitalar, mas vamos deixar esse assunto para mais adiante, vamos entender um pouco</p><p>mais sobre qualidade.</p><p>2. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE</p><p>Não é de hoje que o ser humano se preocupa com o que é melhor e mais adequado as suas</p><p>necessidades. Ainda nos séculos XII e XIII surgiram as primeiras regras na busca da qualidade em</p><p>diferentes processos. Os artesãos da época controlavam a qualidade de seus produtos e estavam</p><p>em constante contato com seus clientes. Com o passar dos anos, o aumento da população mundial</p><p>e da demanda de mais produtos, tornou-se necessária à organização dos modos de aumentar a</p><p>produção. Assim começou a separação entre produção e controle de qualidade. A produção em</p><p>série a partir do século XIX levou a implementação dos primeiros procedimentos e especificações</p><p>de fabricação (FELDMAN et al., 2005; MARCHIORATO, 2017; POSSOLLI, 2017).</p><p>No século XX, Com a Segunda Guerra Mundial, várias técnicas foram desenvolvidas para com-</p><p>bater a ineficácia nos processos de inspeção. Logo após o término da guerra, em 1946, foi fundada</p><p>a Sociedade Americana para o Controle de Qualidade.</p><p>Este breve histórico nos mostra que, a partir da década de 1950, no período pós-guerra, surgiu</p><p>a preocupação com a gestão da qualidade na indústria, com a aplicação de conceitos e técnicas</p><p>mais adequados à nova realidade pra melhoria da qualidade (FELDMAN et al., 2005; MARCHIORA-</p><p>TO, 2017; POSSOLLI, 2017).</p><p>Contudo, a preocupação com a qualidade não foi algo restrito ao setor de produção. No início</p><p>do século passado, registrou-se a primeira iniciativa de uma sistematização dos procedimentos na</p><p>área da saúde. Em 1910, o cirurgião americano Ernest Amory Codman, de Boston, que fez grandes</p><p>contribuições na área médica, desenvolveu uma proposta que causou certa surpresa na época.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>53</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Tal proposta determinava que os hospitais deveriam acompanhar o paciente individualmente o</p><p>tempo suficiente para determinar se o tratamento surtiu o efeito esperado. Caso os hospitais fa-</p><p>lhassem, seria necessário definir porque isso ocorreu e então determinar um processo de correção</p><p>de tais falhas. Ou seja, a iniciativa deste médico americano tinha o objetivo de avaliar a qualidade</p><p>dos procedimentos realizados (FELDMAN et al., 2005; MARCHIORATO, 2017; POSSOLLI, 2017).</p><p>Em 1913, Ernest A. Codman apresentou uma dissertação à sociedade Médica da Filadélfia que</p><p>levava ao debate em torno da existência de uma padronização dos hospitais. Segundo Codman:</p><p>Infelizmente os hospitais não aderiram à ideia inicialmente, mas é inegável que a essência</p><p>de tal ideia começou a se espalhar pelo país. Em 1917, os hospitais americanos passaram a im-</p><p>plementar uma padronização mínima que incluía: a necessidade de um corpo clínico licenciado;</p><p>a exigência de registro de todos os atendimentos; a existência de instalações adequadas para</p><p>diagnóstico e tratamento.</p><p>A intensificação das iniciativas para implantação de sistemas de qualidade na saúde na América</p><p>Latina começou na década de 90. A organização Pan-americana de Saúde (Opas) foi a responsável</p><p>pelo estímulo ao desenvolvimento de processos de avaliação dos serviços em saúde, principal-</p><p>mente através da acreditação hospitalar. Mais especificamente no Brasil, o setor de saúde, desde</p><p>1970, passou a trabalhar com normas que visavam melhorar a qualidade da assistência à saúde.</p><p>Na acreditação hospitalar, o Programa de Controle de Qualidade do Atendimento Médico-Hos-</p><p>pitalar (CQH) foi uma das primeiras iniciativas tomadas no Brasil, surgindo em 1990, começando</p><p>no estado de São Paulo (em 1994), foi criado no Rio de Janeiro o Programa de Avaliação e Certifica-</p><p>ção de Qualidade em Saúde (Pacqs), o qual se transformou posteriormente no Consórcio Brasileiro</p><p>de Acreditação (CBA). Em 1995, surgiu no Rio Grande do Sul, o Instituto de Administração Hospita-</p><p>lar e Ciências da Saúde (Iahcs). No Paraná, em 1996, surgiu o Instituto Paranaense de Acreditação</p><p>em Serviços de Saúde (Ipass).</p><p>Em 1998, na tentativa de uma unificação das diferentes instituições que foram surgindo nos</p><p>estados brasileiros, o Ministério da Saúde nomeou um grupo responsável pelo Programa Brasileiro</p><p>de Acreditação.</p><p>A Organização Nacional de Acreditação (ONA) foi fundada em maio de 1999 com a finalidade de</p><p>estruturar o processo de avaliação dos hospitais brasileiros. No ano de 2001, a ONA obteve o reco-</p><p>nhecimento do Ministério da Saúde como instituição capaz de operacionalizar o desenvolvimento</p><p>da acreditação hospitalar no Brasil, sendo a sua metodologia a principal seguida pelas instituições</p><p>de saúde brasileiras. A ONA é responsável pelo desenvolvimento de padrões a serem aplicados,</p><p>DEVEMOS FORMULAR ALGUM MÉTODO PARA ELABORAR OS RELATÓRIOS DOS HOS-</p><p>PITAIS QUE NOS PERMITAM CONHECER, DA FORMA MAIS EXATA POSSÍVEL, OS RE-</p><p>SULTADOS OBTIDOS COM O TRATAMENTO DE PACIENTES NAS DIFERENTES INSTITUI-</p><p>ÇÕES. ESTE DOCUMENTO DEVE SER ELABORADO E PUBLICADO POR CADA HOSPITAL</p><p>SEGUNDO UM SISTEMA UNIFORME, PARA POSSIBILITAR COMPARAÇÕES. COM UM</p><p>RELATÓRIO DESTE TIPO COMO PONTO DE PARTIDA, QUEM ESTIVER INTERESSADO</p><p>PODERÁ COMEÇAR A FORMULAR PERGUNTAS SOBRE ADMINISTRAÇÃO E EFICIÊNCIA</p><p>(RODRIGUES, 2016, P. 95).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>54</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>enquanto a realização da acreditação propriamente dita fica a cargo das instituições acreditadoras</p><p>credenciadas (IACs), como o Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde (IBES) (FELDMAN et al.,</p><p>2005; LUONGO et al., 2011; MARCHIORATO, 2017; POSSOLLI, 2017).</p><p>A Portaria nº 1.970, de 25 de outubro de 2001, determinou que a ONA e as IACs utilizem, no</p><p>desenvolvimento do processo de acreditação hospitalar no Brasil, exclusivamente, os padrões e ní-</p><p>veis definidos pelo Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar. A revisão periódica desse manual</p><p>é realizada pela própria ONA.</p><p>Avaliar a qualidade de um serviço prestado nem sempre é uma tarefa fácil, a segurança do usuá-</p><p>rio e dos profissionais de saúde, a eficiência no uso dos recursos materiais, financeiros e humanos,</p><p>bem como a redução de desperdício, se configuram, também, como itens que contemplam uma</p><p>avaliação da qualidade. Para tanto, é necessária a implementação de ações em toda a organização</p><p>a fim de aumentar a eficiência e a efetividade das atividades e dos processos.</p><p>É pensando nessa necessidade que vem a Acreditação Hospitalar, que é uma metodologia de-</p><p>senvolvida para avaliar a qualidade da assistência à saúde tendo como base os padrões desejáveis,</p><p>de acordo com o manual do órgão acreditador.</p><p>Mas, de que forma avaliar a qualidade? Os gestores em saúde podem usar alguns recursos para</p><p>mensurar a qualidade, os quais são chamados de indicadores.</p><p>2.1. INDICADORES DE QUALIDADE</p><p>São ferramentas para determinar, analisar e medir o desempenho dos setores das instituições de</p><p>saúde avaliando os objetivos e as metas alcançadas baseando-se na conformidade dos padrões estabe-</p><p>lecidos monitorando os processos e resultados obtidos (MARCHIORATO, 2017; LUONGO et al., 2011).</p><p>Eles ajudam a definir e monitorar as ações gerenciais em um processo e, ao quantificarem</p><p>os resultados obtidos, revelam os resultados das ações em alcançar as metas e os objetivos das</p><p>instituições e se estamos no caminho certo, bem como orientam as melhorias necessárias, pois</p><p>diagnosticam o processo e auxiliam nas tomadas de decisões.</p><p>Acreditação e legislação</p><p>Quando falamos de normas jurídicas estamos falando das normas que estão na legislação, essas</p><p>têm caráter compulsório, ou seja, devem ser cumpridas para que a empresa possa atuar no país,</p><p>está relacionada com padrões mínimos de qualidade e com segurança da população. Já quando</p><p>falamos de normas de acreditação elas são voluntárias, não são obrigatórias que a empresa cum-</p><p>pra</p><p>para poder funcionar, mas estabelecem os requisitos mínimos para o processo de certificação</p><p>e acreditação dos produtos e serviços. Além disso, elas asseguram as características de qualidade</p><p>dos produtos e serviços atendendo as expectativas do cliente.</p><p>Com isso você consegue compreender que a acreditação vai colocar a instituição de saúde em</p><p>um “patamar” de qualidade acima dos estabelecimentos que não têm este “selo de qualidade”.</p><p>REFLITA</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>55</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Nascimento (2017) descreve indicadores como uma espécie de “GPS” que apontam qual a me-</p><p>lhor direção a seguir e direcionar os esforços da organização. O autor descreve três motivos prin-</p><p>cipais para que a instituição utilizar indicadores:</p><p>• Garantir o cumprimento dos objetivos propostos;</p><p>• Proteger os resultados alcançados;</p><p>• Identificar e eliminar os erros precocemente através de ações corretivas.</p><p>Para garantir adequadamente a qualidade do serviço devemos ter o cliente como foco, pois ele</p><p>é o grande ator no palco da prestação de serviços, sua avaliação e sua satisfação que nivelam os</p><p>graus de qualidade e de comparação no mercado (POSSOLLI, 2017; LUONGO et al., 2011; SERA-</p><p>PIONI, 2009).</p><p>Podemos entender, então, que a qualidade acontece quando as expectativas do cliente são</p><p>atendidas. Serapioni (2009) traz em seu artigo a definição de qualidade de outros pesquisadores,</p><p>concluindo que a qualidade nos serviços de saúde corresponde a três dimensões:</p><p>• Qualidade avaliada pelo usuário: o que o usuário do serviço e seus acompanhantes desejam</p><p>do serviço, desde expectativas individuais e de grupos;</p><p>• Qualidade profissional: satisfação das necessidades dos profissionais que prestam a atenção</p><p>e se os procedimentos e as técnicas estão sendo executadas da forma apropriada;</p><p>• Qualidade gerencial: uso produtivo e eficiente dos recursos para responder às necessidades</p><p>de todos os usuários dentro dos limites das legislações vigentes.</p><p>Perceba que os indicadores incluem categorias que englobam a qualidade e o desempenho de</p><p>todas as áreas como: atendimento, recepção, calibragem de equipamentos, capacitação e tecno-</p><p>logias empregadas. Por isso, é importante avaliar cada situação individualmente e entendendo a</p><p>melhor forma de conduzir os processos observando as prioridades e necessidades de melhorias.</p><p>Devemos conhecer os processos que acontecem na instituição, elencando um ou mais res-</p><p>ponsáveis por ele para identificar os pontos críticos ou as etapas críticas, pensando na melhor</p><p>execução e com metas que possam ser atingidas, bem como minimizar os erros, ou evitar que eles</p><p>passem para frente. Dessa forma conseguimos escolher o melhor, ou os melhores, indicadores a</p><p>serem utilizados.</p><p>Vale ressaltar que não se escolhe o indicador para verificar o desempenho, mas ao contrário, a</p><p>primeira pergunta que deve ser feita é: qual o desempenho que preciso avaliar? Após essa pergun-</p><p>ta respondida vamos para a segunda pergunta que é: como faço para medir esse desempenho?</p><p>Daí então vem a escolha do indicador ou indicadores normalmente escolhidos pelos gestores e</p><p>pelos administradores dos setores, mas é importante compreender que uma gestão estratégica</p><p>está relacionada com todos os atores envolvidos no processo, desde a gestão até a execução, por</p><p>isso é importante escutar os profissionais que estão na “linha de frente”, principalmente sobre a</p><p>possibilidade de colocar em prática.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>56</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>3. ACREDITAÇÃO HOSPITALAR</p><p>A Acreditação Hospitalar é um método de avaliação externa de qualidade dos serviços de</p><p>saúde a partir de um sistema de avaliação de certificação da qualidade dos serviços prestados</p><p>em saúde, sendo um processo da avaliação dos recursos da organização periódico, reservado e</p><p>voluntário, com a finalidade de garantir a qualidade da assistência e cuidado do paciente. Tem</p><p>seu início na avaliação dos procedimentos e da qualidade baseada em padrões internacionais</p><p>compostos por um conjunto de orientações para melhoria do desempenho (BONATO, 2011;</p><p>POSSOLLI, 2017).</p><p>Podemos dizer que o processo de acreditação tem por finalidade trazer parâmetros de confiabi-</p><p>lidade para as diversas categorias de prestação de serviços em saúde mensurando o nível de con-</p><p>formidade alcançado para se obter o reconhecimento da sociedade. A palavra “acreditado” passa</p><p>a ter o entendimento de algo ou alguém digno de confiança perante a comunidade (NASCIMENTO,</p><p>2017; POSSOLLI, 2017).</p><p>As Instituições Acreditadoras são empresas de direito privado, credenciadas pela ONA, cuja respon-</p><p>sabilidade é realizar a avaliação e a certificação da qualidade dos serviços de saúde em âmbito nacional.</p><p>Já a organização de saúde que decide aderir ao processo de acreditação assume a responsabi-</p><p>lidade e deve se comprometer com a segurança, com a ética profissional, com os procedimentos</p><p>que realiza e com a garantia da qualidade do atendimento à população. Perceba que deve ser</p><p>atestado pelas Instituições Acreditadoras que determinada organização de saúde se enquadra nos</p><p>padrões de qualidade descritos pela ONA, ou outro órgão de acreditação.</p><p>A acreditação não deve ser confundida com os procedimentos necessários para o licenciamen-</p><p>to da instituição. Segundo a ONA o processo de acreditação é baseado em três princípios:</p><p>• Voluntário: é escolha da organização de saúde;</p><p>• Periódico: a avaliação não é apenas no início, mas durante o período de validade dessa certificação;</p><p>• Reservado: as informações avaliadas durante o processo não são divulgadas.</p><p>A avaliação da estrutura organizacional é realizada por meio de entrevistas, análise de docu-</p><p>mentos e observação das atividades realizada por uma equipe de avaliadores que regista todas as</p><p>evidências de forma objetiva. As informações coletadas durante as entrevistas devem ser compro-</p><p>vadas pela observação e os documentos, além de confrontadas com as entrevistas realizadas com</p><p>os profissionais dos serviços (LUONGO et al., 2011; POSSOLLI, 2017).</p><p>Ao final a organização acreditadora elabora um parecer final sobre o processo de avaliação, caso a</p><p>organização não concorde com o documento ela pode interpor recurso junto à entidade acreditadora.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>57</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>3.1. A ACREDITAÇÃO NA VISÃO DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE</p><p>A preocupação de um gestor com o resultado obtido com a acreditação na visão dos profissionais</p><p>da saúde é um ponto fundamental dentro da gestão hospitalar. Quando se pergunta aos diferentes</p><p>profissionais da saúde: “O que você entende por acreditação hospitalar?”, a maioria demonstra a</p><p>preocupação em expressar seu conhecimento sobre o processo com uma definição pronta, sendo</p><p>que muito do que é declarado pelos entrevistados é bem semelhante a trechos que aparecem no</p><p>Manual Brasileiro de Acreditação, desenvolvido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA).</p><p>Poucos relatam prontamente sua vivência no processo e sua aplicabilidade no dia a dia do trabalho,</p><p>ou seja, poucos relatam de que maneira a acreditação está auxiliando em seu serviço.</p><p>Mas se pode afirmar que há sim o reconhecimento por esses profissionais de que a padroni-</p><p>zação traz benefícios e auxilia na busca contínua pela melhoria da qualidade. Na visão deles, o</p><p>hospital adquire vários benefícios com o processo, como status, referência e lucro. Em relação aos</p><p>pacientes, os profissionais da saúde entendem e reconhecem que a acreditação traz segurança</p><p>para eles e um atendimento de excelência.</p><p>Apesar do conhecimento dos benefícios que a acreditação traz para os hospitais e outras insti-</p><p>tuições, bem como, para os pacientes, os funcionários da saúde púbica parecem divergir quanto</p><p>à geração de benefício próprio com a implementação das metodologias de acreditação. Existem</p><p>relatos de desenvolvimento de estresse por profissionais da saúde, principalmente do setor de en-</p><p>Você pode ter se perguntado</p><p>o que difere a certificação do processo de acreditação. Tanto a acre-</p><p>ditação como a certificação são ferramentas essenciais para atestar e consolidar a qualidade dos</p><p>serviços em saúde. Apesar de ambas estarem relacionadas ao cumprimento de normas específi-</p><p>cas, podemos dizer que utilizam estratégias diferentes.</p><p>O processo de acreditação está diretamente relacionado com o conceito de qualidade. Ao se</p><p>pesquisar sobre mudanças estratégicas ocorridas na área da saúde nos últimos anos, encontra-</p><p>-se um grande enfoque na melhoria da qualidade. No contexto contemporâneo da avaliação da</p><p>qualidade em saúde, especialmente no âmbito hospitalar, tem-se dado destaque para o sistema</p><p>de acreditação.</p><p>A certificação pode ser definida como a emissão de um atestado por um órgão imparcial após um</p><p>processo de avaliação, garantindo, portanto, que determinado serviço prestado atende aos requi-</p><p>sitos estabelecidos. As certificações são genéricas, sendo aplicáveis a qualquer tipo de instituição e</p><p>o desígnio da avaliação é definido pela empresa, normalmente utilizada para certificar processos.</p><p>No caso da acreditação que também está ligada ao cumprimento de métodos prefixados. Porém,</p><p>além de avaliar a metodologia e a gestão da empresa, a acreditação também atesta a competên-</p><p>cia técnica da organização em exercer de forma segura e qualificada o serviço que oferece. Ou</p><p>seja, por realizar testes de capacidade técnica, a acreditação permite uma avaliação mais apro-</p><p>fundada e criteriosa.</p><p>Como saber quando optar pela certificação e quando optar pela acreditação? Isto dependerá do</p><p>objetivo e da área de atuação da instituição, já que, por seguir normas de acreditação específicas,</p><p>não são todos os setores do mercado que podem ser acreditados.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>58</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>fermagem, causado pela implementação da metodologia. Algumas publicações nacionais e inter-</p><p>nacionais trazem esses dados, mostrando problemas de saúde ocasionados pelo estresse durante</p><p>a realização da acreditação.</p><p>Outra questão que fica evidente é o descontentamento dos profissionais da saúde com a manu-</p><p>tenção do processo de acreditação, isto é, muitos apontam a necessidade de um aprimoramento</p><p>da educação continuada como principal estratégia para a busca das melhorias. Ou seja, de nada</p><p>adianta realizar as mudanças propostas pelas metodologias de acreditação se for apenas algo mo-</p><p>mentâneo, e a educação continuada garante a manutenção da qualidade.</p><p>É importante que as metodologias sejam executadas de forma progressiva, o que diminui a</p><p>cobrança e o estresse sobre os profissionais da saúde, principalmente sobre os enfermeiros, que</p><p>costumam estar à linha de frente desse processo.</p><p>3.2. A ACREDITAÇÃO HOSPITALAR NA PROTEÇÃO AO PACIENTE</p><p>Você já sabe que a acreditação traz mais confiabilidade ao paciente em determinada instituição</p><p>de saúde. Agora você irá entender por que a acreditação se faz necessária à segurança do paciente.</p><p>As questões referentes à segurança dos pacientes têm merecido atenção crescente de diferen-</p><p>tes profissionais da saúde e dos responsáveis pela gestão hospitalar. O objetivo é a busca por uma</p><p>assistência que assegure o mínimo de riscos ao paciente.</p><p>É fundamental lembrar que as atividades desenvolvidas nas organizações hospitalares carre-</p><p>gam consigo um grande potencial em causar danos, o que faz com que os profissionais envolvidos</p><p>busquem modelos de melhoria da qualidade do serviço prestado, seja nos procedimentos, na es-</p><p>colha dos materiais, ou na escolha dos medicamentos. Há um arsenal muito grande de fármacos e</p><p>medicamentos disponíveis para os profissionais da saúde, gerando uma preocupação sobre o que</p><p>fazer e o que utilizar em cada situação.</p><p>Por isso, instituições de saúde acreditadas, principalmente as mais complexas como os hospi-</p><p>tais, configuram não só maior confiança como também maior proteção ao paciente.</p><p>Nos hospitais há uma grande variedade de profissionais atuando de forma conjunta, além de</p><p>apresentarem diversas fontes de custeio. Tal diversidade torna a padronização dos serviços presta-</p><p>dos um grande desafio, o que ressalta a importância da execução de um programa de acreditação</p><p>nessas instituições.</p><p>Quer saber mais sobre a percepção dos profissionais da saúde em relação à implementação e aos</p><p>resultados obtidos com a acreditação? Acesse o link: https://bit.ly/3uYnTvm (acesso em 17 mar.</p><p>2021) e leia o artigo intitulado: “Acreditação em hospital público: percepções da equipe multi-</p><p>profissional”. Neste artigo, a acreditação é vista de forma bastante positiva pelos profissionais da</p><p>saúde que trabalham em hospitais públicos.</p><p>LEITURA</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>59</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>4. O PROCESSO DE ACREDITAÇÃO HOSPITALAR</p><p>Como já vimos anteriormente, a acreditação hospitalar é voluntária, por isso, para começar é</p><p>necessário querer ser acreditado! Geralmente essa decisão é feita pela alta gestão, nesse caso, a</p><p>parte mais difícil acaba sendo inserir a acreditação na cultura organizacional.</p><p>Por que é a parte mais difícil? Porque é o primeiro passo para a mudança, e é da natureza do</p><p>ser humano ser resistente a mudanças. Será necessário modificar processos que há anos são feitos</p><p>da mesma forma, o que demanda trabalho para reestruturação, além do receito de perceber que,</p><p>no fim, realmente será melhor.</p><p>Mas a mudança não está apenas nos processos, também está relacionado aos valores e crenças</p><p>sobre como funciona a organização. Por isso é de extrema importância que os gestores estejam</p><p>engajados no processo de acreditação e na modificação da cultura organizacional.</p><p>Isso deve ser destacado, principalmente quando a busca pela acreditação vem de uma “hie-</p><p>rarquia” menor, ou seja, os gestores dos setores, ou os próprios profissionais buscam inserir esse</p><p>ponto de vista para a alta gestão e, nesses casos, a mudança também entra como uma dificuldade.</p><p>A acreditação exige padrões de qualidade maiores e, por consequência, a cobrança dos profissio-</p><p>nais que atuam também aumenta, por isso é importante mostrar os benefícios que a acreditação traz</p><p>não apenas para o paciente e para a organização, mas também para os profissionais que ali atuam.</p><p>Nesse sentido, uma dificuldade encontrada na maioria das organizações é a cultura punitiva, ou</p><p>seja, quando um erro é encontra se busca punir o culpado, mas não é assim que a acreditação fun-</p><p>ciona! Quando se encontra o erro se deve entender o PORQUÊ ele aconteceu (MANZO et al., 2012).</p><p>Mas não se assuste, você não vai encontrar apenas resistência e dificuldades, muitos profissionais</p><p>se sentem satisfeitos e reconhecidos de trabalhar em uma organização acreditada principalmente</p><p>quando o hospital passa pela auditoria e é acreditado, surge a sensação de “dever cumprido”.</p><p>Perceba que a acreditação é um processo educacional, que leva instituições e profissionais de</p><p>saúde a adquirirem a cultura da qualidade buscando a implementação da gestão de excelência</p><p>como um processo de avaliação, analisando o grau de desempenho alcançado pela instituição de</p><p>acordo com padrões pré-definidos e sempre em busca da melhoria contínua.</p><p>“Influência da comunicação no processo de acreditação hospitalar”</p><p>O estudo “Influência da comunicação no processo de acreditação hospitalar” de Manzo, em 2013,</p><p>traz reflexão sobre as barreiras da comunicação no processo da acreditação hospitalar na pers-</p><p>pectiva dos profissionais de saúde. Com ele você porque a comunicação sobre o a acreditação</p><p>hospitalar é tão importante não apenas durante o processo de acreditação, mas entre as audito-</p><p>rias de avaliação. Vale a leitura desse artigo na íntegra!</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3omNNGD. Acesso em 02 abr. 2021.</p><p>LEITURA</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>60</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>4.1. ACREDITAÇÃO: POR ONDE COMEÇAR?</p><p>O ponto de partida é o planejamento, para isso deve-se eleger uma equipe interna para tomar</p><p>frente</p><p>por</p><p>isso, em muitos casos vamos usar o termo produto, ou até mesmo insumos, mas entenda que em</p><p>sua grande maioria estamos falando do medicamento.</p><p>Você conhecerá a Assistência Farmacêutica, que tem sua divisão em gestão logística, que vere-</p><p>mos nesta Unidade, e gestão clínica, a qual veremos em próximas Unidades.</p><p>Pronto para começar?</p><p>1. ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR</p><p>O termo “hospital” tem origem no latim e significa hospitaleiro, adaptando-se da palavra hós-</p><p>pede ou aquele que hospeda. Nesse sentido, a hospitalidade, portanto, é uma prática antiga e se</p><p>refere ao ato de receber ou acolher bem o visitante, independentemente de conhecê-lo ou não.</p><p>No caso dos hospitais, a hospitalidade é imprescindível, pois estamos tratando de um ambiente</p><p>que atende pessoas que estão com suas necessidades de saúde debilitadas e, muitas vezes, mais</p><p>urgentes. Cada sociedade, em seus respectivos continentes, foi desenvolvendo formas de hospi-</p><p>talidade para os seus povos e para os viajantes que chegavam. Infelizmente, nesse período não se</p><p>tinha o conhecimento que temos hoje, por isso, os hospitais eram mais utilizados para excluir os</p><p>doentes da “sociedade sadia” do que efetivamente tratá-los.</p><p>Com a evolução da medicina esse foco mudou e, então, começa-se a estudar as doenças e</p><p>suas causas, assim os hospitais passam a ser um local efetivo de cuidado do paciente. Além disso,</p><p>a qualidade do atendimento passa a ser uma prioridade, dessa forma, os hospitais começaram a</p><p>valorizar o conceito de humanização, de bem-estar, de qualidade para os pacientes-clientes, seu</p><p>foco não está apenas no tratamento, mas também no acolhimento desse indivíduo e seus fami-</p><p>liares que estão em uma situação delicada de anseios, medos, temores, fragilidade emocional,</p><p>fragilidade física, entre outros tantos sentimentos (SALU, 2013).</p><p>A estrutura hospitalar é complexa exigindo diversos detalhes isso porque há varias atribuições</p><p>(atividades) desenvolvidas em ambientes distintos, mas que se complementam para o bem do pa-</p><p>ciente. Essas atribuições estão relacionadas às atividades exercidas no hospital, nem sempre todas</p><p>estão presentes, mas fazem parte desse perfil de organização e por isso é importante conhecer-</p><p>mos e compreender como se relacionam.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>8</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>FIGURA 1 - ATRIBUIÇÕES-FIM E ATRIBUIÇÕES-MEIO</p><p>Fonte: Adaptado de Matia (2017).</p><p>Perceba na figura anterior que os itens centrais têm apoio dos itens de fora do quadro, ou seja,</p><p>os itens de 5 a 8 contribuem para que as estruturas centrais funcionem. Dessa forma os itens de</p><p>1 a 4 são atribuição-fim e os itens de 5 a 8 são atribuições-meio. Matia (2017) descreve os itens,</p><p>baseando-se na RDC 50 de 2002, da seguinte forma:</p><p>1) Assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospital dia: atenção à saúde incluindo</p><p>atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes</p><p>externos de forma programada e continuada;</p><p>2) Atendimento imediato: atendimento a pacientes externos em situação de sofrimento de</p><p>urgência (sem risco a vida) ou emergência (com risco a vida);</p><p>3) Atendimento em regime de internação: atendimento a pacientes internos, que necessitam</p><p>de assistência direta programada por um período superior a 24 horas;</p><p>4) Apoio ao diagnóstico e terapia: atendimento a todos os pacientes em ações de apoio direto</p><p>para o reconhecimento e recuperação do estado da saúde com o contato direto com o paciente;</p><p>5) Apoio técnico: atendimento à assistência à saúde em funções de apoio com contato indireto</p><p>ao paciente;</p><p>6) Ensino e pesquisa: é a formação e desenvolvimento de recursos humanos e de pesquisa po-</p><p>dendo ter atendimento direto ou indireto relacionado à assistência à saúde com função de ensino</p><p>e pesquisa;</p><p>7) Apoio administrativo: é a gestão e execução administrativa com atividades administrativas do</p><p>estabelecimento;</p><p>8) Apoio logístico: atendimento ao estabelecimento em funções de suporte operacional, geral-</p><p>mente, com contato indireto ao paciente.</p><p>Entendendo que as atribuições-fim são as atividades centrais que estão diretamente relacionadas</p><p>aos pacientes internos e externos, e as atribuições-meio são atividades dos serviços de apoio téc-</p><p>nico ao atendimento, em qual dessas atribuições à farmácia hospitalar se enquadra?</p><p>REFLITA</p><p>5 - APOIO</p><p>TÉCNICO</p><p>7 - APOIO</p><p>ADMINISTRATIVO</p><p>6 - ENSINO E</p><p>PESQUISA</p><p>8 - APOIO</p><p>LOGÍSTICO</p><p>1 - ASSISTÊNCIA À SAÚDE EM REGIME</p><p>AMBULATORIAL E DE HOSPITAL DIA;</p><p>2 - ATENDIMENTO IMEDIATO;</p><p>3 - ATENDIMENTO EM REGIME DE INTER-</p><p>NAÇÃO;</p><p>4 - APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA;</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>9</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>As atividades-meio incluem proporcionar condições de assistência alimentar aos pacientes e</p><p>acompanhantes, assistência farmacêutica, esterilização dos materiais, todas de vital importância</p><p>para a organização hospitalar, mas, como é possível observar, são atividades indiretas, e a farmácia</p><p>acaba se enquadrando no apoio logístico. Como nosso foco é a farmácia hospitalar vamos detalhar</p><p>sua estrutura e serviços a partir de agora.</p><p>2. SERVIÇOS DA FARMÁCIA HOSPITALAR</p><p>A farmácia hospitalar é uma parte fundamental para a prestação dos serviços hospitalares se-</p><p>jam de qualidade, Além disso, há diversas atividades de alta complexidade, por isso, a Sociedade</p><p>Brasileira de Farmácia Hospitalar desenvolveu os parâmetros mínimos para o seu estabelecimento</p><p>(SBRAFH, 2017).</p><p>Inicialmente a função do farmacêutico era entregar o medicamento através da dispensação e</p><p>da manutenção dos estoques. Com o tempo essas atividades foram aumentando.</p><p>O farmacêutico começou a prestar informações relacionadas aos medicamentos à equipe, foi</p><p>inserido em de comissões hospitalares importantes e, posteriormente, passou a exercer atividades</p><p>clínicas, auxiliando o médico em relação à terapia medicamentosa, bem como a atenção farma-</p><p>cêutica que é o atendimento do farmacêutico, tudo isso com foco no paciente (FERRACINI, BOR-</p><p>GES FILHO, 2011).</p><p>Atualmente há muitas atividades a serem desenvolvidas pela farmácia, dentre os exemplos</p><p>podemos citar: padronização de medicamentos e processos; armazenamento, conservação, di-</p><p>mensionamento e controle de estoques; administração de compras; sistemas de distribuição;</p><p>material médico-hospitalar; farmacotécnica hospitalar; central de misturas intravenosas; suporte</p><p>nutricional e quimioterapia antineoplásica; controle de infecções hospitalares e uso racional de</p><p>antimicrobianos. Essas atividades estão direta ou indiretamente ligadas ao Ciclo da Assistência</p><p>Farmacêutica, vamos compreender melhor esse ciclo e essas atividades?</p><p>2.1. CICLO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA</p><p>A assistência farmacêutica (AF) é uma parte essencial dos processos de atenção à saúde do</p><p>pacientem independentemente do nível de complexidade. Essas atividades devem ser realizadas</p><p>com efetividade e segurança em todo o seu processo com o objetivo de se obter os melhores re-</p><p>sultados clínicos, econômicos e relacionados à qualidade de vida dos usuários/paciente, por isso,</p><p>devem ser realizadas de maneira articulada e sincronizada, lembrando sempre que o paciente é o</p><p>nosso foco principal (CAVALLINI; BISSON, 2010).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>10</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Lembrando que a direção técnica da farmácia hospitalar está sob responsabilidade exclusiva do</p><p>farmacêutico, o que deve desenvolver a estrutura organizacional da unidade, conforme as norma-</p><p>tivas vigentes e em consonância com a missão, os valores e a visão de futuro do serviço de saúde</p><p>(hospital) onde se encontra.</p><p>Parte das atividades dessa responsabilidade técnica está na capacitação dos colaboradores, bem</p><p>como o aperfeiçoamento contínuo com treinamentos, capacitação e qualificação, além do uso de</p><p>indicadores para verificar a qualidade dos serviços prestados. Vale ressaltar que as instalações, os</p><p>móveis e os equipamentos devem ser compatíveis com o perfil do serviço farmacêutico</p><p>desse projeto. Essa equipe é responsável por iniciar o Diagnóstico Organizacional e estudar</p><p>o processo de auditoria em si de forma que consiga planejar e iniciar mudanças que serão impor-</p><p>tantes na avaliação.</p><p>Lembre-se que cada órgão acreditador tem sua metodologia e, consequentemente, seus proce-</p><p>dimentos, mas de modo geral o processo de acreditação é muito parecido, por isso, vamos tomar</p><p>como base o modelo de acreditação hospitalar da Organização Nacional de Acreditação (ONA).</p><p>A instituição acreditadora faz uma avaliação primária antes da visita de auditoria, mas o prazo</p><p>para as mudanças é, geralmente, muito curto por isso é necessário que a instituição de saúde já</p><p>esteja dentro de padrões de qualidade para que sejam necessários apenas ajustes e não mudanças</p><p>radicais. Lembre-se que mudanças já são difíceis, imagina de formar tão rápida.</p><p>4.1.1. DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL</p><p>A Organização Nacional de Acreditação (ONA) regula o processo de avaliação da situação or-</p><p>ganizacional de uma organização de saúde que solicita o processo de acreditação, por meio da</p><p>Norma 03 “Avaliações de Diagnóstico Organizacional”.</p><p>Essa norma estabelece que o Diagnóstico Organizacional é a atividade de avaliação das orga-</p><p>nizações, serviços e programas da saúde, sem fins de certificação, por meio da aplicação da me-</p><p>todologia do Sistema Brasileiro de Acreditação e do Manual Brasileiro de Acreditação específico.</p><p>Vale ressaltar que é uma atividade facultativa e independe da avaliação de certificação, por isso,</p><p>a organização de saúde pode decidir não realizar essa etapa por terceiro, mas sim com profissionais</p><p>internos. Porém, muitas vezes os profissionais que trabalham na organização não têm experiência</p><p>com acreditação hospitalar, por isso, a opção acaba sendo buscar uma empresa de consultoria que</p><p>pode fazer esse diagnóstico situacional de forma precisa e orientar nas modificações necessárias.</p><p>No caso da empresa de consultoria, essa atividade é desenvolvida por avaliadores qualificados</p><p>que compõem a equipe da Instituição Acreditadora Credenciada, que define o tempo de visita</p><p>conforme a organização. Outro ponto importante é que após essa visita a organização avaliada não</p><p>é obrigada a dar continuidade do processo de acreditação com a Instituição Acreditadora Creden-</p><p>ciada (ONA, 2019; ONA, 2014).</p><p>Não realizar o diagnóstico organizacional com a instituição acreditadora, com certeza, torna o</p><p>custo menor, uma vez que, todos os custos relacionados ao processo de acreditação são pagos</p><p>pela organização que busca ser acreditada, porém, existe um grande risco de ser observados não</p><p>conformidades que, por causa da rotina, a organização não percebe.</p><p>Independentemente de ser interno ou externo o diagnóstico organizacional, as organizações de</p><p>saúde criam comissões para conduzir e monitorar as ações de adequação da gestão do Hospital</p><p>durante e após o processo de acreditação.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>61</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Para conseguir a acreditação é necessário ter um Sistema de Gestão da Qualidade sólido, nas</p><p>organizações de saúde que não tem esse sistema é comum que optam por capacitar seus colabora-</p><p>dores com os cursos que as Instituições Acreditadoras fornecem. Esse sistema de gestão da quali-</p><p>dade tem como responsabilidade definir a política, missão, visão e valores da organização de saúde.</p><p>O diagnóstico organizacional fornece a organização de saúde seus os pontos fortes e fracos,</p><p>bem como as não conformidades que precisam ser modificadas. E, para isso, é necessário utilizar</p><p>as ferramentas certas, de acordo com o diagnóstico, e elaborar um Planejamento Estratégico para</p><p>realizar as modificações. Como o coelho diz para Alice no livro ‘Alice o país das Maravilhas’: - “Se</p><p>você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”.</p><p>Se a organização não está convicta da acreditação dificilmente conseguirá alcançá-la. Por isso</p><p>se a instituição sabe aonde se quer chegar é mais fácil escolher qual caminho seguir, mas se não</p><p>souber como ir também atrapalhar, por isso um bom planejamento fará toda a diferença.</p><p>Muitas vezes o primeiro passo é observar se missão, visão, valores e objetivos estão realmente</p><p>de acordo com a cultura organizacional e se são possíveis de se atingir a partir de planejamento</p><p>estratégico, tático e operacional, vamos compreender cada um deles:</p><p>• Planejamento estratégico: organização como um todo. Deve-se desenhar sua visão de longo</p><p>prazo (aproximadamente 6 anos) colocando o cumprimento do plano de futuro que é res-</p><p>ponsável pela sobrevivência da empresa;</p><p>• Planejamento tático: cada unidade, separadamente, elabora a visão de curto prazo (1 a 2</p><p>anos), relacionada com a visão geral, correspondendo ao período em que o plano estraté-</p><p>gico acontece e o foco é mais específico, com distribuição de tarefas para sua consolidação;</p><p>• Planejamento operacional: cada operação, separadamente, elabora uma visão de curto pra-</p><p>zo, e se manifesta na execução das ações dos planos cujas decisões são técnicas e tem abran-</p><p>gência político-social.</p><p>4.2. CONTRATAR A INSTITUIÇÃO ACREDITADORA</p><p>Como o processo de acreditação é voluntário, o primeiro passo, independentemente da meto-</p><p>dologia de acreditação é entrar em contato com uma Instituição Acreditadora Credenciada com a</p><p>metodologia escolhida.</p><p>Deve-se informar por que deseja passar pelo processo de acreditação e encaminhar todas as</p><p>informações e documentos necessários para essa instituição que avaliará e elaborar a proposta de</p><p>acreditação que será encaminhada para a organização de saúde. Vale ressaltar que a organização</p><p>de saúde pagará o valor do processo de acreditação que está relacionado com o custo das visitas,</p><p>e de todo o procedimento (LUONGO et al., 2011; BRASIL, 2002).</p><p>No caso da ONA, após o contato, a Instituição Acreditadora Credenciada coleta as informações</p><p>necessárias da organização, serviço ou programa da saúde para formular a proposta e, posterior-</p><p>mente, encaminha a proposta à organização de saúde. Essa proposta é avaliada pela organização</p><p>de saúde e, se concorda, iniciam o processo de acreditação junto a ONA, após outros procedimen-</p><p>tos, é realizada a visita para o diagnóstico organizacional (ONA, 2014; BRASIL, 2002).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>62</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>No caso da Joint Comission International, que aqui no Brasil é conveniada pelo Consórcio Brasi-</p><p>leiro de Acreditação, procede de uma forma um pouco diferente para iniciar junto com as organi-</p><p>zações de saúde que desejam participar do processo de acreditação (JCI, 2019).</p><p>Para a “Acreditação Canadense” (Accreditation Canada) também se deve entrar em contato</p><p>com a instituição credenciada que, no Brasil é apenas o IQG, que envia um formulário de preenchi-</p><p>mento com as informações da instituição é enviado para o IQG, que retorna posteriormente com</p><p>proposta e fluxo para implantação do processo (DNV-GL, 2019).</p><p>Vale ressaltar que as normas orientadoras da metodologia de cada órgão acreditador são in-</p><p>dividuais e trazem os padrões e requisitos para adequação dos serviços, normalmente na forma</p><p>de manuais. Lembrando que é muito importante investimento em educação e capacitação das</p><p>equipes para que compreendam os conceitos envolvidos na acreditação, só assim produzirão os</p><p>resultados necessários, por isso, é importante adquirir esse manual.</p><p>4.3. PRIMEIRA VISITA</p><p>É, basicamente, o diagnóstico organizacional, no qual a equipe de avaliadores realiza uma pri-</p><p>meira visita, chamada também de avaliação primária, com o objetivo de observa tudo dentro da</p><p>organização de saúde, como missão, filosofia, política interna, normas e procedimentos para iden-</p><p>tificar quais as mudanças devem ser feitas para que a organização consiga a acreditação.</p><p>Após análise, a instituição acreditadora elabora um relatório com o que observou. Essa avalia-</p><p>ção é praticamente a mesma realizada na auditoria para a acreditação, mas, nesse momento, não</p><p>tem caráter avaliativo, mas instrutivo,</p><p>ou seja, instruir a organização de saúde nas mudanças que</p><p>devem ser realizadas para que tenha potencial para ser acreditada. E, como já vimos, é opcional,</p><p>mas a grande maioria das organizações de saúde a faz através de Instituições Credenciadas.</p><p>4.4. PREPARAÇÃO</p><p>Com o relatório do diagnóstico organizacional é hora de “colocar a mão na massa”. A organi-</p><p>zação de saúde tem um prazo, geralmente de 90 dias, para se adaptar as normas de qualidade</p><p>estabelecidas pela instituição organizadora.</p><p>Nesse momento que se coloca em prática os seus conhecimentos sobre planejamento de ges-</p><p>tão de qualidade, sistemas de qualidade, critérios e indicadores de avaliação de qualidade, ferra-</p><p>mentas para elaborar normas e padronização de processos, entre outros relacionados à melhoria</p><p>da qualidade. Após as mudanças realizadas a instituição acreditadora faz uma nova visita, agora</p><p>com caráter avaliativo para acreditação, que chamamos de auditoria externa.</p><p>4.5. VISITA E RELATÓRIO DA EQUIPE AVALIADORA</p><p>Os avaliadores utilizam instrumentos de avaliação que consiste em avaliar seções e subseções</p><p>que se relacionam entre si e possuem níveis idênticos de importância. Nascimento (2017) des-</p><p>creve que essas seções avaliam a missão e filosofia da instituição, normas e desempenho atuais,</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>63</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>gerenciamento de processos, infraestrutura, análise dos dados registrados e elaboração de pro-</p><p>gramas. No Manual de Acreditação (2002) são descritas da seguinte forma:</p><p>• Liderança e administrativo: está relacionada com o sistema de governo da organização, ob-</p><p>servando os gestores, as diretrizes internas, planejamento e relacionamento com o cliente;</p><p>• Serviços profissionais e organização de assistência: são os serviços dos profissionais, direta-</p><p>mente com o paciente/cliente, subdivididos em serviços de atenção ao paciente/cliente, de</p><p>apoio ao diagnóstico, de apoio técnico e abastecimento, de apoio administrativo e de ensino</p><p>e pesquisa, configurando assim, o modelo e a filosofia assistencial e institucional.</p><p>Essa avaliação é composta por requisitos específicos de acordo com as dimensões da qualidade</p><p>e fundamentos de gestão em saúde que são pontuados individualmente e avaliados em conjunto.</p><p>O resultado da avaliação será pontuado como umas das opções a seguir:</p><p>• S: Supera: evidências apresentadas superam o espaço para o atendimento ao requisito;</p><p>• C: Conforme: evidências apresentadas atendem ao requisito;</p><p>• PC: Parcialmente conforme: evidências apresentadas atendem parcialmente ao requisito;</p><p>• NC: Não conforme: evidências apresentadas não atendem ao requisito;</p><p>• NA: Não se aplica: requisito não se aplica à característica da organização.</p><p>Da mesma forma, as não conformidades também são classificadas de duas formas:</p><p>• Não conformidade Pontual: não atendimento de um requisito de forma pontual sem com-</p><p>prometimento de um processo ou um sistema como um todo;</p><p>• Não conformidade Sistêmica: não atendimento de um requisito de forma sistêmica que leva</p><p>ao comprometimento de um processo ou um sistema como um todo.</p><p>O resultado da avaliação para a acreditação está baseado no atendimento do percentual dos</p><p>requisitos por subseções e por níveis, como pode ser observado na tabela a seguir:</p><p>TABELA 1 - PONTUAÇÃO APÓS AVALIAÇÃO PELA ONA</p><p>ACREDITAÇÃO % PARA N1 % PARA N2 % PARA N3</p><p>N1 – Acreditado ≥ 70% C e S</p><p>≤ 20% PC</p><p>≤ 10%NC*</p><p>N2 – Acreditado pleno ≥ 80% C e S</p><p>≤ 20% PC</p><p>0%NC</p><p>≥ 70% C e S</p><p>≤ 20% PC</p><p>≤ 10%NC*</p><p>N3 Acreditado com excelência ≥ 90% C e S</p><p>≤ 10% PC</p><p>0%NC</p><p>≥ 80% C e S</p><p>≤ 20% PC</p><p>0%NC</p><p>≥ 70% C</p><p>e S</p><p>≤ 20% PC</p><p>≤ 10%NC*</p><p>*Caso uma ou mais NC for considerada sistêmica,</p><p>automaticamente a avaliação resultará em uma nova</p><p>avaliação, independentemente do percentual atingido.</p><p>Fonte: Manual Brasileiro de Acreditação para OPSS 2018. (ONA, 2017, p.18).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>64</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Após a visita, a equipe de avaliadores divulga o relatório e emite o parecer estabelecendo o ní-</p><p>vel de acreditação da instituição conforme o preenchimento dos requisitos exigidos, que é encami-</p><p>nhado para a organização de saúde e para a ONA. Após análise a ONA faz a homologação, ou não,</p><p>da acreditação. Caso consiga a acreditação, a organização de saúde pode se enquadrar no nível 1</p><p>(acreditado), nível 2 (acreditado pleno) ou nível 3 (acreditado por excelência)</p><p>Caso a instituição de saúde não concorde com o relatório dos avaliadores, pode interpor recur-</p><p>so no prazo de 45 dias discutindo os pontos controversos entre a organização de saúde e o relató-</p><p>rio elaborado pela instituição acreditadora.</p><p>4.6. HOSPITAL ACREDITADO: QUAL O PRÓXIMO PASSO?</p><p>Acreditação não é um selo permanente, ele tem validade de acordo com o nível, no caso da</p><p>ONA o nível 1 e 2 são de dois anos e o nível 3 de três anos. Após esse prazo a organização de saúde</p><p>realiza novamente o processo de acreditação, por isso, é necessário manter os padrões para man-</p><p>ter a acreditação, ou ainda, realizar as melhorarias necessárias para subir de nível.</p><p>Dessa forma, a equipe deve ser estimulada a manter os padrões durante os anos para manter a qua-</p><p>lidade, por isso, os gestores devem sempre estimular a valorização dos profissionais que atuam na orga-</p><p>nização e busca estimular constantemente a equipe para manter e melhorar os padrões de qualidade.</p><p>5. AS PRINCIPAIS ORGANIZAÇÕES ACREDI-</p><p>TADORAS NO BRASIL E SUAS METODO-</p><p>LOGIAS</p><p>A evolução do processo de acreditação no Brasil levou ao estabelecimento de diferentes mo-</p><p>delos e lógicas de avaliação distintas. Mas, após a criação do Programa Brasileiro de Acreditação e</p><p>a fundação da ONA, a maioria das instituições que se credenciou para o processo de Acreditação</p><p>nacional adotou o manual da ONA, porém, existem outras organizações acreditadoras internacio-</p><p>nais também trabalham com instrumentos próprios de avaliação de qualidade.</p><p>Vamos conhecê-las!</p><p>5.1. ORGANIZAÇÃO NACIONAL DE ACREDITAÇÃO (ONA)</p><p>Atualmente a ONA é responsável pela implantação e implementação em nível nacional de um</p><p>processo permanente de melhoria da qualidade da assistência à saúde. É uma entidade não go-</p><p>vernamental e sem fins lucrativos cuja finalidade é certificar a qualidade de serviços de saúde no</p><p>Brasil, e o foco principal é a segurança do paciente. Sua função é coordenar o Sistema Brasileiro</p><p>de Acreditação (SBA) além de incentivar o setor de saúde a aprimorar seus processos de gestão e</p><p>qualidade da assistência (POSSOLLI, 2017; ONA, 2014).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>65</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>As Instituições Acreditadoras Credenciadas (IACs) são entidades privadas responsáveis por re-</p><p>alizar as avaliações para o diagnóstico organizacional, certificação, acreditação e manutenção da</p><p>certificação, de acordo com os procedimentos e padrões definidos nas Normas Orientadoras, Nor-</p><p>mas para os Processos de Avaliação e pelo Manual Brasileiro de Acreditação – ONA. Elas também</p><p>são responsáveis por explicar para as organizações de saúde sobre aplicação e cumprimento das</p><p>normas e diretrizes da ONA. Como suas atividades estão relacionadas com visitas técnicas de ava-</p><p>liação, outra função das IACs é tomar providências previstas nos casos de não conformidades ou</p><p>ocorrência de eventos sentinela.</p><p>Atualmente, existem seis Instituições Acreditadoras Credenciadas (IACs) junto a ONA, são elas:</p><p>• DNV GL Business Assurance Avaliações e Certificações Brasil Ltda.;</p><p>• IQG (Instituto Qualisa de Gestão);</p><p>• IPASS (Instituto Paranaense de Acreditação em Serviços de Saúde);</p><p>• IAHCS (Instituto de Acreditação Hospitalar e Certificação em Saúde);</p><p>• IBES (Instituto Brasileiro para Excelência em Saúde);</p><p>• Fundação Carlos Alberto Vanzolini.</p><p>Durante o processo de acreditação é uma dessas Instituições Acreditadoras Credenciadas que</p><p>são contratadas para realizar a auditoria externa. Inicialmente com uma avaliação de diagnóstico,</p><p>com possibilidade de ajustes pela organização</p><p>de saúde e, posteriormente, a avaliação propria-</p><p>mente dita, que dará, ou não, a acreditação hospitalar de acordo com o nível que a organização de</p><p>saúde se enquadra.</p><p>Vale lembrar que a acreditação hospitalar é pautada por três princípios fundamentais:</p><p>• Voluntário, feito por escolha da organização de saúde;</p><p>• Periódico, a acreditação das organizações de saúde possui de validade;</p><p>• Reservado, ou seja, as informações coletadas no processo de avaliação não são divulgadas</p><p>pela instituição acreditadora nem pela ONA.</p><p>Para entender o princípio periódico, podemos dizer que a organização de saúde não “É” acre-</p><p>ditada, mas “ESTA” acreditada, e durante o período de validade da acreditação a organização de</p><p>saúde precisa manter seu desempenho conforme identificado no processo de avaliação. E para</p><p>garantir a manutenção dos padrões de qualidade, a ONA e as Instituições Acreditadoras Creden-</p><p>ciadas utilizam visitas de avaliação de duas formas:</p><p>O Sistema Brasileiro de Acreditação (SBA) é o conjunto de estruturas, processos e entidades que</p><p>têm por finalidade fomentar e viabilizar a acreditação.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>66</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>• Visitas de avaliação de manutenção ordinárias: são visitas periódicas e obrigatórias, que a</p><p>própria equipe de avaliadores realiza na instituição acreditada. Para a Acreditação nos níveis</p><p>1 e 2, é realizada a cada 8 meses após a certificação. E, no caso, de Acreditação no Nível 3,</p><p>ocorre a cada um ano, ambas com o objetivo de verificar a continuidade do atendimento aos</p><p>padrões estabelecidos;</p><p>• Visitas de manutenção extraordinárias: esse perfil de visita pode ser realizada a qualquer</p><p>tempo, geralmente acontece nos casos de mudanças dentro da organização de saúde que</p><p>interfiram diretamente no escopo da avaliação que resultou na certificação, como alteração</p><p>de endereço, titularidade do proprietário ou responsável. Mas também pode ser motivada</p><p>por denúncia ou irregularidade, por exemplo, a constatação de não conformidade durante</p><p>uma visita ordinária, ou ainda pela ocorrência de evento sentinela.</p><p>Essa visita de manutenção da acreditação tem caráter avaliativo, de acordo com a nova avalia-</p><p>ção a organização de saúde poderá manter a certificação no mesmo nível, sofrer um rebaixamento</p><p>ou, ainda, perder o certificado caso sejam verificadas não conformidades que comprometam o</p><p>funcionamento do sistema ou mesmo ausência de plano de ação para tratamento de uma não</p><p>conformidade pontual, principalmente em processos críticos (BRASIL, 2014).</p><p>Após o término do período de validade da acreditação e para dar continuidade à condição de</p><p>acreditado é realizado um novo processo de acreditação, com os mesmos passos e mesmos itens</p><p>avaliados. Vale ressaltar que esse novo resultado independe da certificação anterior. Nesse momen-</p><p>to a organização de saúde pode optar pela recertificação e manter o nível em que está, ou pode</p><p>pedir por um processo de avaliação para aumento de nível, como um “Upgrade”. Para que a organi-</p><p>zação possa fazer esse pedido ela deve estar, no mínimo, há um ano no nível de acreditação atual.</p><p>Outro ponto que vale ressaltar é que para subir para o próximo nível de acreditação, o nível</p><p>anterior deve estar bem estabelecido. Para que você entenda melhor vou exemplificar: Para a</p><p>organização conseguir a acreditação em nível 1 ela deve ter ≥ 70% dos requisitos avaliados como</p><p>C (conforme), porém para seguir para o nível dois, esse padrão deve passar para ≥ 80%. Isso de-</p><p>monstra que a busca pela melhoria não deve ser apenas no momento da acreditação, mas todos</p><p>os dias de forma contínua.</p><p>5.2. JOINT COMMISSION INTERNATIONAL (JCI)</p><p>A Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organization, original dos Estados Unidos,</p><p>criou em 1999 um ramo para atuar fora do país, a Joint Commission Internacional (JCI). A primei-</p><p>ra organização de saúde acredita pela JCI, fora dos Estados Unidos, foi o Hospital Israelita Albert</p><p>Einstein, em São Paulo. O representante da metodologia da JCI no Brasil é o Consórcio Brasileiro</p><p>de Acreditação (CBA), com sede no Rio de Janeiro.</p><p>O CBA, que também é uma organização sem fins lucrativos, surgiu em 1998 e desde então tem</p><p>como objeto promover a melhoria da qualidade e da segurança dos serviços prestados aos pacien-</p><p>tes. O CBA é acreditado pela Coordenação Geral de Acreditação do INMETRO como certificadora</p><p>de operadora de planos de saúde e, assim como a ONA, é membro da International Society for</p><p>Quality in Healthcare (ISQua).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>67</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>O instrumento de avaliação do CBA é o manual de padrões para Acreditação internacional da</p><p>JCI, o qual apresenta uma lógica de avaliação baseada nos macroprocessos do hospital. O manual</p><p>é dividido principalmente em capítulos voltados aos cuidados com o paciente e capítulos voltados</p><p>à gestão da organização, e é o mesmo para o mundo todo. Os capítulos voltados aos cuidados com</p><p>o paciente englobam:</p><p>• Acesso ao cuidado e continuidade do cuidado;</p><p>• Anestesia e cirurgia;</p><p>• Avaliação dos pacientes;</p><p>• Cuidado aos pacientes;</p><p>• Direitos dos pacientes e familiares;</p><p>• Educação de pacientes e familiares;</p><p>• Gerenciamento e uso de medicamentos.</p><p>• Nos capítulos relacionados à gestão da organização se têm:</p><p>• Educação e qualificação dos profissionais;</p><p>• Gerenciamento da comunicação e da informação;</p><p>• Gerenciamento e segurança das instalações;</p><p>• Governo, liderança e direção;</p><p>• Melhoria da qualidade e segurança do paciente;</p><p>• Prevenção e controle de infecções.</p><p>Após a avaliação com a utilização do manual, a instituição avaliada recebe como resultado: acredi-</p><p>tada ou não acredita. Ou seja, a JCI, diferentemente da ONA, não trabalha com níveis de acreditação.</p><p>Assim como site da ONA, também é possível encontrar quais instituições são acreditadas pela</p><p>metodologia JCI no site do CBA.</p><p>O número de instituições de saúde acreditadas pela JCI no Brasil é muito inferior quando com-</p><p>parado às instituições acreditadas pela ONA, mesmo com o fato de a metodologia JCI ter chegado</p><p>ao Brasil na mesma época da criação do Programa Brasileiro de Acreditação. A maioria das ins-</p><p>tituições prefere a metodologia nacional de acreditação e, também, o fato de não haver níveis</p><p>intermediários de acreditação pode contribuir para a menor adesão aos padrões internacionais.</p><p>A maior parte dos serviços de saúde que utilizam a metodologia JCI está nos estados do Rio de</p><p>Janeiro e São Paulo. Na Região Sul são apenas cinco, sendo uma no Paraná, uma em Santa Catarina</p><p>e três no Rio Grande do Sul.</p><p>5.3. ACCREDITATION CANADA INTERNATIONAL (ACI)</p><p>No ano 2000, o Conselho Canadense de Acreditação, que na época tinha o nome de Canadian</p><p>Council on Health Services Accreditation (CCHSA), lançou um programa visando estender a sua</p><p>ação em outros países. No ano 2008 a CCHSA passou a se chamar Accreditation Canada, e a acre-</p><p>ditação em instituição de saúde que estão fora do Canadá se dá pela Accreditation Canada Inter-</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>68</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>national (ACI). O responsável por implementar a metodologia ACI no Brasil é o Instituto Qualisa de</p><p>Gestão (IQG), o qual, assim como a ONA e o CBA, é certificado pela ISQua. A metodologia aplicada</p><p>pela IQG chama-se QMentum International e o nível diamante é considerado o mais elevado den-</p><p>tro desta metodologia. O Hospital Estadual Sumaré foi o primeiro hospital do interior do país a</p><p>conquistar a ACI nível diamante (LUCILIUS, 2019).</p><p>O manual da ACI avalia dois principais padrões: clínicos e administrativos, conforme demons-</p><p>trado a seguir:</p><p>• Padrões clínicos: Atenção ambulatorial; Cuidado ao paciente com câncer; Cuidados continu-</p><p>ados e especializados em geriatria; Serviços comunitários de saúde; Serviços de emergência</p><p>e atendimento ao trauma; Atenção domiciliar; Atenção materno-infantil; Cuidado em saúde</p><p>mental; Reabilitação; Cuidados Intensivos e</p><p>Serviços de atenção ao paciente cirúrgico;</p><p>• Padrões administrativos: Liderança e parcerias; Recursos humanos; Ambiente; Gestão</p><p>da informação;</p><p>• Outros: Farmácia; Laboratório biomédico; diagnóstico por imagem.</p><p>Diferente do manual da JCI, o manual da ACI não é o mesmo para todos os países que utilizam</p><p>as suas metodologias, pois acredita que o processo de Acreditação deve ser personalizado de acor-</p><p>do com as necessidades do cliente. Muitas instituições que possuem Acreditação da ONA, quando</p><p>optam também por uma metodologia internacional, procuram a ACI. A justificativa para isso pode</p><p>ser o fato de a IQG, a responsável por implementar a metodologia ACI no Brasil, ser também uma</p><p>instituição acreditadora credenciada pela ONA. No site da IQG é possível encontrar quais as insti-</p><p>tuições são acreditadas com a metodologia QMentum.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Nesta Unidade vimos sobre a qualidade dos serviços de saúde, desde sua história, até o concei-</p><p>to de Acreditação Hospitalar. Compreendemos, pela história, que não foi fácil inserir os conceitos</p><p>de qualidade na área hospitalar, mas foi possível, chegando ao ponto de comissões de médicos</p><p>desenvolverem estudos mostrando os erros e a necessidade desse cuidado.</p><p>A partir dessas comissões começam a surgir as Instituições acreditadoras e, no Brasil por incen-</p><p>tivo da Organização Pan-Americana, acontece a criação da ONA, a qual usamos seu processo como</p><p>base para compreender como acontece a acreditação hospitalar.</p><p>Espero que você tenha gostado e até a próxima!</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>3</p><p>69</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>ANOTAÇÕES</p><p>UNIDADE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>VÍDEOS DA UNIDADE</p><p>https://bit.ly/2V8GWWt https://bit.ly/3xlJSxr https://bit.ly/3qPFTGM</p><p>04</p><p>FARMACOLOGIA</p><p>CLÍNICA, FARMACO-</p><p>VIGILÂNCIA E FARMA-</p><p>COEPIDEMIOLOGIA</p><p>Abordar farmácia e farmacocinética clínicas, bem como sobre os estudos e ensaios</p><p>clínicos para colocação dos fármacos no mercado e a forma de avaliação durante</p><p>seu uso pela população com a farmacoepidemiologia e a farmacovigilância.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>71</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>É fato que nos hospitais o uso de medicamento acontece, muitas vezes, mais de um medica-</p><p>mento por paciente. Por isso o conhecimento da farmacologia clínica é necessário para o profissio-</p><p>nal que quer atuar em instituições de saúde. Usando esse e outros conhecimentos o farmacêutico</p><p>atua com a farmácia clínica, em conjunto com os demais profissionais da saúde, constituindo uma</p><p>equipe multidisciplinar na qual, cada profissional, atua em sua especialidade de forma que o pa-</p><p>ciente seja visto e acompanhado.</p><p>Durante o uso pelo paciente é importante garantir segurança e eficácia, dessa forma os estudos</p><p>de farmacocinética clínica, durante o tratamento, torna-se um diferencial nessa garantia da quali-</p><p>dade do uso dos medicamentos.</p><p>Porém, essa utilização de medicamentos deve acontecer de forma segura, começando pela</p><p>qualidade do próprio produto, por isso, antes de ser lançado no mercado o medicamento passa</p><p>por ensaios clínicos com diversas fases garantindo, a cada passo, segurança e eficácia. Além disso,</p><p>durante o uso do medicamento pela população, este continua sendo acompanhado para garantir</p><p>o bem-estar do usuário através de estudos de farmacovigilância e farmacoepidemiologia.</p><p>1. FARMACOLOGIA CLÍNICA</p><p>A profissão farmacêutica é uma das mais antigas da humanidade. Conhecidos na antiguidade</p><p>como curandeiros, os detentores do conhecimento sobre os medicamentos cuidavam dos inte-</p><p>grantes de sua comunidade utilizando o saber popular e, nos últimos anos, vem retomando seu</p><p>espaço no cuidado ao paciente.</p><p>A farmacologia clínica é a área que estuda as atividades do farmacêutico em relação, principal-</p><p>mente, ao acompanhamento farmacoterapêutico, mas, como veremos no decorrer desta Unida-</p><p>de, esse conhecimento tem um amplo campo de atuação como na farmacoepidemiologia, farma-</p><p>covigilância, bem como a participação do farmacêutico em ensaios clínicos.</p><p>No Consenso, escrito em 2002, “Atenção Farmacêutica: trilhando caminhos”, está descrito o se-</p><p>guimento farmacoterapêutico da seguinte forma:</p><p>“É um componente da Atenção Farmacêutica e configura um processo no qual o farmacêutico</p><p>se responsabiliza pelas necessidades do usuário relacionadas ao medicamento, por meio da de-</p><p>tecção, prevenção e resolução de Problemas Relacionados aos Medicamentos (PRM), de forma</p><p>sistemática, contínua e documentada, com o objetivo de alcançar resultados definidos, buscando</p><p>a melhoria da qualidade de vida do usuário. A promoção da saúde também é componente da</p><p>Atenção Farmacêutica, e, ao se fazer o acompanhamento, é imprescindível que se faça também</p><p>essa promoção. Entende-se por resultado definido a cura, o controle ou o retardamento de uma</p><p>enfermidade, compreendendo os aspectos referentes à efetividade e à segurança” (OPAS, 2002).</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>72</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>O processo de seguimento farmacoterapêutico do paciente é uma das principais atividades do</p><p>farmacêutico, principalmente em ambiente hospitalar, nesse caso, deixamos de chamar de aten-</p><p>ção farmacêutica e passamos a chamar de farmácia clínica, utilizando os conhecimentos da farma-</p><p>cologia clínica. Para isso, é necessário que o farmacêutico tenha conhecimentos e habilidades para</p><p>sua execução, pois, corresponde a uma atividade em busca de um resultado ideal de efetividade e</p><p>segurança no uso adequado dos medicamentos utilizados pelo paciente.</p><p>É importante que o farmacêutico saiba trabalhar em equipe uma vez que ele participara de</p><p>reuniões multidisciplinares, nas quais profissionais de diversos campos se reúnem para discutir os</p><p>casos mais complexos para realização do seguimento/acompanhamento desse paciente, no caso</p><p>do uso do medicamento chamamos de seguimento farmacoterapêutico dos pacientes hospitaliza-</p><p>dos (BISSON, 2007; CORRER, OTUKI, 2013)</p><p>De acordo com o tempo que o farmacêutico e a equipe multidisciplinar tenham, talvez seja</p><p>necessário realizar uma seleção prévia dos pacientes cujos casos serão discutidos (BISSON, 2007;</p><p>FARIA, 2019).</p><p>Para isso o farmacêutico pode analisar os medicamentos consumidos pelo paciente que pos-</p><p>sam exigir um acompanhamento, os resultados clínicos, bem como evolução do quadro do pa-</p><p>ciente como sinais e sintomas que sugerem problemas relacionados com os medicamentos como</p><p>reações adversas ou resposta terapêutica inadequada. Outra opção são pacientes que utilizam</p><p>medicamentos cuja margem terapêutica e tóxica é muito estreita, ou ainda pacientes polimedica-</p><p>dos (BISSON, 2007; CORRER, OTUKI, 2013).</p><p>Cada profissional da saúde tem, muitas vezes, um protocolo de seguimento preestabelecido</p><p>que aprende durante a graduação e nas especializações que faz. No caso dos médicos, o mais co-</p><p>mum é o SOAP (Subjetivos, Objetivos, Avaliação e Plano), no qual cada termo se refere a uma parte</p><p>do processo de atendimento do paciente, com atividades específicas a serem realizadas.</p><p>• Subjetivas (informações): nesta etapa são registradas informações que o paciente, ou cui-</p><p>dador, relata. É necessário ter uma abordagem focada durante a consulta, direcionando a</p><p>conversa para informações pertinentes a problemas relacionados à saúde e, principalmente,</p><p>aos medicamentos;</p><p>• Objetivas (informações): são dados objetivos, como sinais vitais, resultados de exames de</p><p>patologia clínica, achados de testes laboratoriais e de exame físico realizado pelo profissional</p><p>habilitado para tal;</p><p>• Avaliação dos dados: Com base nas informações coletadas, objetivas e subjetivas, o farma-</p><p>cêutico identifica possíveis problemas relacionados ao medicamento. E, a partir daí, verifica</p><p>quais as intervenções farmacêuticas podem ser realizadas;</p><p>• Plano: Com a avaliação em mãos, e considerando o perfil do paciente, o farmacêutico traça</p><p>um plano de ação. Em alguns casos, esse plano deve ser avaliado também pelo prescritor.</p><p>Nesse plano de ação deve estar descritas formas de monitorização dos resultados, que serão</p><p>trazidos na próxima consulta, na qual será aplicado, novamente o SOAP.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>73</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>No caso da farmácia, há diversos estudos e métodos desenvolvidos em vários países, de acordo</p><p>com as funções do profissional no país. Vamos usar como exemplo a metodologia brasileira desen-</p><p>volvida, em 2013, pelos autores Correr e Otuki, os quais propuseram um método clínico utilizando</p><p>a semiologia farmacêutica para coletar e organizar dados, chamada de Método clínico do cuidado</p><p>farmacêutico o qual é realizado em quatro etapas:</p><p>• Coletar e organizar dados do paciente: Identificar perfil do paciente, história clínica, história</p><p>farmacoterapêutica, estado situacional;</p><p>• Identificar problemas relacionados à farmacoterapia: análise situacional, revisão da farma-</p><p>coterapia, identificação de problemas e fatores de risco;</p><p>• Elaboração de um plano de cuidado: deve ser feito junto com o paciente, no qual são defini-</p><p>dos metas terapêuticas, intervenções e agendamento de retorno;</p><p>• Seguimento individual do paciente: resultados e progressos do paciente, alcance das metas</p><p>terapêuticas, novos problemas.</p><p>Perceba como esse método é semelhante ao método SOAP, o que facilita, durante as reuniões</p><p>multidisciplinares cuja conversa tenha o mesmo foco, basicamente “fale a mesma língua” e os</p><p>profissionais possam atuar da forma mais eficaz possível.</p><p>No caso de pacientes não hospitalizados, ou em hospitais que o farmacêutico tem liberdade de</p><p>ir até o paciente para atuar efetivamente, a comunicação e a educação sanitária são de extrema</p><p>importância, mostrando ao paciente a necessidade de seus cuidados, e sua responsabilidade pelo</p><p>tratamento, ou de seu cuidador, ao sair do hospital.</p><p>Em muitos hospitais a conciliação cujo processo consiste em identificar e comparar todos os</p><p>medicamentos utilizados em domicílio, ou na unidade de saúde de origem, antes da internação</p><p>hospitalar, com aqueles prescritos durante a internação, nela o farmacêutico conversa com o pa-</p><p>ciente e um responsável sobre os cuidados pós-internamento, quando pode ser necessário voltar,</p><p>explicar sobre a medicação que será utilizada, e qual a melhor forma de utilização. É importan-</p><p>te fazer, previamente, a avaliação das prescrições para buscar possíveis problemas relacionados</p><p>aos medicamentos como duplicidade terapêutica, interação medicamentosa, entre outros, pre-</p><p>ferencialmente buscando a farmacoterapia baseada em evidências científicas, principalmente, se</p><p>houver a necessidade de realizar a troca ou retirada de algum medicamento e isso tenha que ser</p><p>exposto na reunião multidisciplinar.</p><p>Após seleção pela equipe dos pacientes a serem acompanhados, podemos iniciar o processo de</p><p>seguimento farmacoterapêutico o qual é composto por três fases principais:</p><p>• Anamnese farmacêutica;</p><p>• Interpretação de dados; e</p><p>• Processo de orientação.</p><p>Essas fases têm que ser bem desenvolvidas individualmente para que possam ter um resultado</p><p>satisfatório. Elas estão em todos os métodos de atenção farmacêutica e farmácia clínica, porém</p><p>descritas de forma diferente. Vamos discutir cada uma delas a seguir.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>74</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>1.1. ANAMNESE FARMACÊUTICA</p><p>É a primeira etapa do processo, nela que vamos conhecer melhor o paciente e o paciente nos</p><p>conhecer, quando é possível fazer visitas, já no caso de estudo de caso, é o momento da coleta de</p><p>informações relevantes. No caso da visita ao leito, inicia-se com a apresentação do farmacêutico e</p><p>os motivos do acompanhamento. Importante ressaltar para o paciente que essa consulta não tem</p><p>caráter de diagnóstico, e sim investigar possíveis reações adversas para garantir eficácia e seguran-</p><p>ça dos tratamentos farmacológicos. A linguagem deve ser clara e adaptada ao perfil do paciente,</p><p>nível cultural e educacional.</p><p>1.2. INTERPRETAÇÃO DE DADOS</p><p>Esse é o centro do processo de tomada de decisão do farmacêutico, quando sozinho, ou em con-</p><p>junto com a equipe multidisciplinar. A partir dos dados coletados podemos planejar, de forma eficaz,</p><p>a seleção do medicamento correto, sua dosagem e posologia, estruturar a monitoração do paciente</p><p>em relação à resposta terapêutica. O sucesso desse planejamento requer dos profissionais conheci-</p><p>mentos de farmacoterapia, patologia humana, avaliação física e exames laboratoriais e diagnósticos.</p><p>Nesse momento conseguimos identificar os problemas reais e potenciais do paciente através</p><p>dos parâmetros objetivos (peso, sinais vitais, hemograma, etc.) e parâmetros subjetivos (ansieda-</p><p>de, depressão, fadiga, náusea, etc.). A partir de todos os dados podemos avaliar e determinar os</p><p>problemas específicos do paciente, ou problemas com potencial de aparecerem futuramente. Cor-</p><p>rer e Otuki (2013) falam que a farmacoterapia ocorre por meio de seis processos fundamentais:</p><p>• Seleção do medicamento;</p><p>• Administração do medicamento;</p><p>• Biofarmacêutico;</p><p>• Farmacocinético;</p><p>• Farmacodinâmico;</p><p>• Avaliação dos resultados terapêuticos.</p><p>Os problemas de farmacoterapia podem ocorrer em qualquer um desses processos. A seguir</p><p>está uma tabela com cada processo com alguns de seus possíveis problemas.</p><p>Durante a conversa com o paciente é necessário que a linguagem seja clara e adaptada ao perfil</p><p>do paciente, nível cultural e educacional. Nesse momento de conversa, chamar por senhor/se-</p><p>nhora ou pelo nome estabelece uma relação de cordialidade e educação, facilitando o processo</p><p>de confiança. Além disso, não “julgue o livro pela capa” pessoas com baixa escolaridade podem</p><p>entender melhor o que estamos falando do que um pós-doutor de uma área completamente di-</p><p>ferente. Lembre-se: conhecimento e escolaridade são coisas completamente diferentes. Escolari-</p><p>dade é o grau de instrução educacional, mas conhecimento vem com a viva, com as experiências.</p><p>REFLITA</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>75</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>TABELA 1 - ALGUNS PROBLEMAS RELACIONADOS À FARMACOTERAPIA</p><p>Seleção do medicamento</p><p>Subdoses, superdoses, indicação clínica</p><p>não identificada, duplicidade terapêutica.</p><p>Administração do medica-</p><p>mento</p><p>Falta de adesão, abando do tratamento,</p><p>falta de orientação adequada, problemas</p><p>funcionais ou cognitivos do paciente.</p><p>Biofarmacêutico</p><p>Desvio de qualidade, interações medica-</p><p>mentosas.</p><p>Farmacocinético</p><p>Influência de nutrientes ou outros medi-</p><p>camentos na distribuição e eliminação do</p><p>fármaco (modificação do comportamento</p><p>farmacocinético)</p><p>Farmacodinâmico</p><p>Influência de outros medicamentos ou a</p><p>própria condição de saúde do paciente na</p><p>ação do fármaco.</p><p>Avaliação dos resultados</p><p>terapêuticos</p><p>Através de exames laboratoriais, equipa-</p><p>mentos, avaliação clínica do paciente, re-</p><p>sultados relatados pelo próprio paciente.</p><p>Fonte: Adaptado de Correr e Otuki (2013).</p><p>1.3. PROCESSO DE ORIENTAÇÃO</p><p>Tendo identificado problemas reais e potenciais, a equipe elabora um plano de cuidado do</p><p>paciente, com ações estratégicas direcionadas. É a partir de orientações adequadas que consegui-</p><p>mos produzir verdadeiros benefícios para a saúde e a experiência do paciente com seu tratamen-</p><p>to. Podem ser geradas hipóteses que serão testadas e aplicadas nesse processo de orientação,</p><p>normalmente realizado pela enfermagem ou pelo próprio farmacêutico.</p><p>Com todas as informações coletadas no início da entrevista clínica, fazemos a revisão dos medi-</p><p>camentos, revisão da adesão ao tratamento e revisão clínica.</p><p>Para cada medicamento utilizado o farmacêutico deve conhecer a indicação clínica, o objetivo</p><p>terapêutico, o regime terapêutico e o tempo de utilização. Os problemas mais encontrados são:</p><p>• Falta de efetividade: importante conhecer o objetivo terapêutico de cada tratamento e veri-</p><p>ficar os desfechos que serão indicadores de efetividade;</p><p>• Insegurança da farmacoterapia: o farmacêutico busca sinais e sintomas que podem se en-</p><p>quadrar</p><p>como reação adversa ao medicamento.</p><p>O processo de avaliação sistemática e raciocínio clínico que levam a identificação dos problemas</p><p>relacionados à farmacoterapia também é chamado de revisão da farmacoterapia.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>76</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>1.4. CLASSIFICAÇÃO DE PROBLEMAS RELACIONADOS À</p><p>FARMACOTERAPIA</p><p>Na classificação de problemas relacionados à farmacoterapia deve ser criada uma lista com os</p><p>problemas reais e potenciais, e os riscos existentes que são os resultados negativos do tratamento.</p><p>Com base nas informações coletadas, e utilizando evidências científicas, o farmacêutico elabo-</p><p>ra, em conjunto com a equipe multidisciplinar, o plano de cuidado do paciente.</p><p>2. FARMACOCINÉTICA CLÍNICA</p><p>A Farmacocinética trata-se da disciplina que estuda a ação do organismo sobre o medicamento</p><p>e ajuda a esclarecer questões como quantidade de medicamento que chega à circulação, distribui-</p><p>ção do medicamento nos órgãos e tecidos e como o medicamento é eliminado. Para tornar esses</p><p>aspectos mais claros, a farmacocinética incorpora conceitos importantes como absorção, biodis-</p><p>ponibilidade, distribuição, ligação proteica, metabolismo e eliminação da droga.</p><p>Em cada uma dessas fases pode ocorrer interações medicamentosas, por isso o estudo da far-</p><p>macocinética faz-se necessário em diversos casos, principalmente para compreender a falta de</p><p>efeito, ou alguma reação adversa ao medicamento.</p><p>Efetividade é a expressão dos efeitos benéficos do tratamento do paciente e segurança é a expres-</p><p>são dos efeitos prejudiciais do tratamento sobre o paciente.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>No III Consenso de Granada foi modificado o termo “problemas relacionados aos medicamentos”</p><p>para “resultados negativos da medicação”, por isso você pode encontrar esses dois termos nos</p><p>estudos que você fará.</p><p>Os problemas relacionados à farmacoterapia podem estar relacionados com:</p><p>• Necessidade: todos os medicamentos prescritos são necessários? Existem condições de saúde</p><p>que não estão sendo tratadas?</p><p>• Adesão terapêutica: o paciente está usando o medicamento da forma correta? Qual a frequên-</p><p>cia que o paciente se esquece de utilizar o medicamento?</p><p>• Efetividade: O paciente está tendo bons resultados com a utilização do medicamento?</p><p>• Segurança: O paciente está apresentando alguma reação adversa ao medicamento?</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>77</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Mais do que escolher o fármaco para o tratamento ou prevenção de um determinado processo</p><p>patológico, o clínico, ao prescrever, deve selecionar o medicamento mais adequado às caracterís-</p><p>ticas fisiopatológicas, idade, sexo, peso corporal e etnia do paciente. Lembre-se que a intensidade</p><p>dos efeitos dos medicamentos depende da concentração alcançada em seu sítio de ação.</p><p>Sendo, então, necessário garantir que o medicamento escolhido alcance, em concentrações</p><p>adequadas, órgão ou sistema suscetível ao efeito benéfico requerido. Para isso, é necessário esco-</p><p>lher doses que garantam a chegada e a manutenção das concentrações terapêuticas junto aos sí-</p><p>tios moleculares de reconhecimento no organismo, também denominados sítios receptores. Lem-</p><p>brando que em menor concentração não há efeito benéfico e em altas concentrações a chance de</p><p>resultados negativos ao tratamento, reações adversar são mais prováveis. Devido a esses fatos que</p><p>hoje se consideram cada vez mais importantes os conhecimentos de farmacocinética e farmacodi-</p><p>nâmica para terapia medicamentosa.</p><p>Ao monitoramento do conjunto de processos farmacocinéticos, envolvendo a liberação do prin-</p><p>cípio ativo do medicamento até sua eliminação do organismo, dá-se o nome de disposição cinéti-</p><p>ca, área da farmacologia que investiga a transferência do fármaco no organismo. A aplicação desse</p><p>conhecimento teórico na prática é chamada de farmacocinética clínica, a qual, prevê a aplicação</p><p>desses princípios, possibilitando o ajuste de dose do medicamento a ser administrado para o pa-</p><p>ciente substituindo o empirismo pela individualização da terapia.</p><p>Como já vimos, os fármacos se encontram em um estado dinâmico no organismo com diversos</p><p>processos (como absorção, distribuição, metabolismo e excreção) que alteram as concentrações</p><p>dos fármacos nos tecidos e fluidos corporais.</p><p>Vários modelos matemáticos podem ser utilizados para simular a velocidade ou a taxa desses</p><p>processos, sendo denominados modelos farmacocinéticos. O tipo de modelo básico em farma-</p><p>cocinética é o compartimental. Ele é descrito pelo número de compartimentos necessários para</p><p>descrever o comportamento do fármaco no organismo.</p><p>O conceito de compartimento foi desenvolvido para fornecer as bases para a quantificação dos</p><p>processos farmacocinéticos. O modelo compartimental representa, de uma maneira simplificada,</p><p>os processos farmacocinéticos no organismo humano. Esse modelo se baseia em hipóteses line-</p><p>ares, usando equações diferenciais. Considera-se que os fármacos se movem para dentro e para</p><p>fora dos compartimentos e constantemente são usados para representar a velocidade total do</p><p>processo de entrada e saída do fármaco.</p><p>A monitoração terapêutica de fármacos é uma das atividades desenvolvidas pelo farmacêutico</p><p>clínico. Sua implementação promove a qualidade de vida do paciente e, simultaneamente, uma</p><p>otimização do custo-benefício associado à intervenção medicamentosa. Os principais candidatos à</p><p>monitoração terapêutica incluem pacientes com as seguintes características:</p><p>• insuficiência renal;</p><p>• idade superior a 65 anos (pela sua deterioração orgânica e politerapia);</p><p>• medicados com fármacos com estreita margem terapêutica (monitoração farmacocinética clínica);</p><p>• sonda nasogástrica (adequar o medicamento à via);</p><p>• antibioticoterapia com mais de 10 dias de tratamento;</p><p>• terapia parenteral em doentes que toleram a via oral (passagem para via oral).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>78</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Entende-se por monitoração sérica de fármacos, então, a utilização conjunta de concentrações</p><p>séricas e critérios farmacocinéticos e farmacodinâmicos com o objetivo de otimizar os regimes</p><p>farmacoterapêuticos com o objetivo de individualização posológica.</p><p>De forma geral, a monitoração das concentrações séricas de um fármaco e a respectiva indivi-</p><p>dualização posológica é utilizada quando existem fatores que dificultam enormemente a uniformi-</p><p>zação dos regimes farmacoterapêuticos, como a existência de uma estreita margem terapêutica,</p><p>elevada variabilidade Inter e/ou intraindividual nos processos de disposição e condições fisiopatoló-</p><p>gicas que possam estar na origem de alterações farmacocinéticas e/ou da resposta farmacológica.</p><p>Obviamente que a utilização de regimes posológicos uniformizados preestabelecidos para to-</p><p>dos os pacientes, independentemente das características demográficas e clínicas dos pacientes,</p><p>constituiria a situação ideal do ponto de vista prático, facilitando todo o processo.</p><p>Porém, cada indivíduo tem suas características, por isso, na prática clínica, um determinado re-</p><p>gime posológico que origina uma resposta adequada em um grupo importante de pacientes pode</p><p>não ser suficiente em alguns casos, podendo levar a reações adversas, intoxicação, entre outros.</p><p>Por esse motivo, para que se possa garantir a eficácia e a segurança de qualquer regime farmaco-</p><p>terapêutico, é fundamental o desenvolvimento do conceito de individualização posológica.</p><p>Considerando que a concentração sérica de um fármaco reflete a sua presença no local de</p><p>ação, uma vez conhecida essa relação, facilmente se compreende como a utilização de critérios</p><p>farmacocinéticos capazes de caracterizar os processos de absorção, distribuição e eliminação dos</p><p>fármacos pode contribuir para uma individualização terapêutica.</p><p>Adicionalmente, a monitoração sérica de fármacos, além de permitir uma melhor definição de</p><p>regimes posológicos adaptados às especificidades de cada paciente, contribui</p><p>para uma mais cor-</p><p>reta documentação de alterações fisiopatológicas inerentes ao próprio tratamento de forma mais</p><p>segura tornando a mudança de posologia, quando necessária, mais segura e eficaz.</p><p>3. DESENVOLVIMENTO E ESTUDOS DOS FÁRMACOS</p><p>A Resolução RDC nº 136/2003, que estabelece o Regulamento Técnico para registro de todos os</p><p>medicamentos novos ou inovadores, com exceção dos regidos por legislação específica, os crité-</p><p>rios e a documentação necessária para:</p><p>» Registro de Medicamentos Novos com princípios ativos sintéticos ou semissintéticos associados ou não;</p><p>» Registro de novas formas farmacêuticas, concentrações, nova via de administração e indicações</p><p>no país com princípios ativos sintéticos ou semissintéticos por parte de empresas não detento-</p><p>ras de registro inicial daquele(s) princípio(s) ativo(s);</p><p>» Registro de produto resultante de:</p><p>• alteração de propriedades farmacocinéticas;</p><p>• retirada de componente ativo de produto já registrado;</p><p>• sais novos, isômeros, embora a entidade molecular correspondente já tenha sido autorizada.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>79</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Vale destacar que todo medicamento novo é registrado com base em resultados de estudos</p><p>pré-clínicos e clínicos, o que demanda muitas vezes mais de 10 anos de pesquisa e altos inves-</p><p>timentos, e que justifica o período de proteção patentária e exclusividade no mercado. Vamos</p><p>entender como acontece esse processo.</p><p>3.1. FASES DE DESENVOLVIMENTO DOS FÁRMACOS</p><p>O primeiro passo é selecionar a substância a ser estudada, que é um composto químico que</p><p>pode ser obtido através de plantas, tecidos animais, culturas de micro-organismos, reações quí-</p><p>micas em laboratório, células humanas ou por meio de tecnologia de genes (LÜLLMANN, MOHR,</p><p>HEIN, 2017).</p><p>Após essa escolha existem diversas fases que vamos conhecer a partir de agora.</p><p>3.1.1. FASE PRÉ-CLÍNICA</p><p>Os primeiros testes são chamados de pré-clínicos, os quais fornecem informações importantes</p><p>sobre os efeitos das substâncias, podendo ser realizado a partir de uma triagem com pesquisas</p><p>bioquímico-farmacológicas ou experimentos em modelos vivos como cultura de células, células</p><p>isoladas e órgãos isolados.</p><p>Esses modelos não reproduzem a complexidade das inter-relações de um organismo vivo, mas</p><p>é um início importante, principalmente, nesse momento muitas substâncias já podem ser descar-</p><p>tadas de acordo com os resultados encontrados. Passando por essa parte, iniciam-se testes em</p><p>animais, nesse caso que é possível observar de forma mais efetiva a toxicidade.</p><p>Nesse estudo avaliamos os efeitos toxicológicos buscando compreender se há toxicidade a</p><p>curto e longo prazo, e qual potencial dessa toxicidade para verificar se vale continuar estudan-</p><p>do essa substância. Durante os estudos de toxicidade são observados quais os problemas, ou</p><p>danos, que essa substância pode causar no organismo, dentre os possíveis danos que são estu-</p><p>dados podemos destacar:</p><p>• Mutagenicidade: danos genéticos;</p><p>• Carcinogenicidade: desenvolvimento de tumores;</p><p>• Teratogenicidade: malformação fetal;</p><p>• Toxicidade a um órgão ou sistema: quando gera algum dado a um órgão ou sistema.</p><p>Lembrando que a segurança do paciente está diretamente relacionada à possibilidade e po-</p><p>tencialidade da toxicidade da substância. Além disso, no modelo animal começamos a estudar a</p><p>farmacocinética da substância, avaliando a absorção, a distribuição, a biotransformação e a eli-</p><p>minação. Também são avaliados os efeitos terapêuticos, ou seja, a farmacodinâmica, tentando</p><p>compreender o mecanismo de ação da substância estudada.</p><p>Nesse momento muitas substâncias já são descartadas pela sua toxicidade, uma pequena fra-</p><p>ção se mostra adequada para uso em seres humanos. Assim, iniciam-se os estudos de Fase 1.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>80</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>3.1.2. FASE 1</p><p>Nesse momento há dois pontos a serem avaliados, o clínico e o técnico. Com a tecnologia far-</p><p>macêutica são estudadas quais as possíveis formas farmacêuticas estáveis para essa substância de</p><p>modo que se mantenha a eficácia e segurança necessárias para aprovação.</p><p>Nesta fase, voluntários sadios utilizam o medicamento observando se os efeitos encontrados</p><p>nos animais experimentais também ocorrem em seres humanos e é possível determinar a relação</p><p>dosagem-efeito de forma mais clara, bem como as doses de segurança. Após se observar dose, far-</p><p>macocinética, e segurança efetiva da substância em seres humanos passamos, então, para a Fase 2.</p><p>3.1.3. FASE 2</p><p>Nesta fase que o fármaco é testado pela primeira vez em pacientes portadores da condição</p><p>de saúde que essa substância está sendo desenvolvida, ou seja, começa-se a estudar eficácia,</p><p>mantendo os estudos de segurança. Se o efeito benéfico for significativo e a incidência de efeitos</p><p>adversos for aceitável, inicia-se a Fase 3.</p><p>3.1.4. FASE 3</p><p>Esta fase envolve um grupo maior de pacientes para dar robustez aos resultados encontrados e</p><p>os resultados terapêuticos são comparados aos tratamentos já conhecidos.</p><p>Com esse grupo maior de pacientes utilizando o medicamento e obtendo resultados positivos, a in-</p><p>dústria pode pedir a autorização para comercializar um novo medicamento que é autorizada por um</p><p>órgão regulador nacional. O fabricante envia o requerimento de registro e o pedido de licença de fabri-</p><p>cação e comercialização com os resultados experimentais que comprovam a eficácia e a segurança e que</p><p>a forma farmacêutica atende aos padrões gerais de qualidade (BRUNTON, LAZO, PARKER, GILMA, 2016).</p><p>3.1.5. FASE 4</p><p>Após aprovação, esse novo medicamento passa a ser comercializado e disponibilizado para</p><p>prescrição e venda nas farmácias. Nesse período, chamado de Fase 4, o medicamento ainda está</p><p>em avaliação, por isso, a importância da farmacovigilância, que centraliza as informações de efei-</p><p>tos adversos relatados pelos profissionais da saúde e pode, se observados efeitos graves, suspen-</p><p>der a comercialização do mesmo (BRUNTON, LAZO, PARKER, GILMA, 2016).</p><p>Vale ressaltar que apenas após muitos anos de uso do medicamento na população é que se</p><p>torna possível ter certeza da sua segurança, da relação risco-benefício e custo-benefício.</p><p>Mesmo durante a Fase 3 que o medicamento é utilizado por diversos pacientes, geralmente</p><p>milhares, e em cidades, ou até países diferentes, ainda é uma amostragem pequena em relação a</p><p>população, por isso, o uso durante a comercialização esse medicamento ainda está em análise, ou</p><p>seja, ainda está sendo avaliado seus resultados de eficácia e de segurança.</p><p>Por isso a farmacovigilância se torna tão importante durante a Fase 4 e todo o período de uso</p><p>do medicamento, sendo um trabalho a princípio isolado, mas caso se observe eventos adversos</p><p>não encontrados nas fases anteriores, ou sua incidência muito maior do que observado em estu-</p><p>dos, problemas do uso em longo prazo, entre outras situações, esse medicamento pode ser retira-</p><p>do do mercado para otimizar seus estudos pela indústria ou a retirada dessa substância das opções</p><p>terapêuticas existentes e da comercialização para sempre.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>81</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>4. FARMACOVIGILÂNCIA</p><p>Bisson (2007) descreve a farmacovigilância como: o conjunto de métodos, observações e ins-</p><p>truções que permitem, durante a etapa de comercialização ou uso amplo do medicamento, detec-</p><p>tar RAM e efeitos imprevistos na etapa prévia, de controle e avaliação.</p><p>Já Storpirtis et al. (2008) dizem que a farmacovigilância pode ser definida como:</p><p>Um dos principais objetivos da farmacovigilância, em qualquer nível de atuação, é detecção</p><p>precoce de sinais com relação ao risco de saúde pública, por reações adversas novas ou pouco des-</p><p>critas na literatura. Essa tarefa terá mais êxito quando comparados os dados nacionais (combina-</p><p>ção de dados estaduais) em relação a potencialidades dos dados de apenas um estado ou região.</p><p>Um sinal pode ser fortalecido, ainda, pela combinação</p><p>de experiências relatadas em vários países</p><p>(STORPIRTIS et al., 2008; BISSON, 2007).</p><p>Perceba que um efeito adverso aparentemente isolado quando observado em outros pacientes</p><p>ele deixa de ser algo aleatório e irrelevante e passa a ser um fator de avaliação do risco-benefício do</p><p>uso desse medicamento. Por isso a necessidade de notificar todo e qualquer tipo de efeito adverso.</p><p>4.1. NOTIFICAÇÃO VOLUNTÁRIA</p><p>A notificação voluntária, também conhecida como vigilância passiva, segundo Storpirtis et al.</p><p>(2008), pode ser definida como as suspeitas de reações adversar a um dado medicamento que</p><p>são, espontaneamente, transmitidas pelos profissionais de saúde para as empresas farmacêuticas</p><p>ou centro de farmacovigilância.</p><p>Essas suspeitas nos saltam aos olhos na rotina do trabalho, em conjunto com o conhecimento</p><p>e a experiência na área, quando começamos a perceber relatos semelhantes entre os pacientes</p><p>que utilizam o mesmo medicamento. Num primeiro momento pode parecer eventos aleatórios,</p><p>mesmo assim é importante relatar para gerar dados mais robustos para o fabricante e, assim, con-</p><p>firmar, ou não, essas suspeitas.</p><p>Porém, vale ressaltar a dificuldade desse tipo de notificação na análise dos dados, principalmen-</p><p>te na comparação dos dados entre os diversos medicamentos comercializados. Uma das maiores</p><p>UM CONJUNTO DE NOTIFICAÇÕES SOBRE UMA POSSÍVEL RELAÇÃO CAUSAL ENTRE</p><p>UM EVENTO ADVERSO E UM MEDICAMENTO, ATÉ ENTÃO DESCONHECIDA OU DOCU-</p><p>MENTADA DE MODO INCOMPLETO, SENDO FREQUENTEMENTE NECESSÁRIA MAIS DE</p><p>UMA NOTIFICAÇÃO, DEPENDENDO DA GRAVIDADE DO EVENTO E DA QUALIDADE DA</p><p>INFORMAÇÃO. É NECESSÁRIO ESTABELECER A FORÇA DE ASSOCIAÇÃO, IMPORTÂNCIA</p><p>CLÍNICA (GRAVIDADE, SEVERIDADE E IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA) E O POTENCIAL</p><p>PARA A ADOÇÃO DE MEDIDAS PREVENTIVAS.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>82</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>limitações é decorrente da subnotificação. Além disso, outras limitações podem ser citadas:</p><p>• dificuldade para detectar reações retardadas;</p><p>• número de pacientes expostos desconhecido;</p><p>• apresentação de vieses;</p><p>• o fato de não testar hipóteses de relacionamento causal.</p><p>Esse, também, é um método que apresenta taxas de notificação variáveis ao longo do tempo</p><p>devido à gravidade da reação, tempo de comercialização do medicamento, apelos promocionais,</p><p>desenvolvimento e promoção do sistema de notificação e a publicidade de uma reação específica.</p><p>As notificações apenas representam taxas de notificação e não incidências das reações adversas</p><p>(BISSON, 2007; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Vale ressaltar que, apesar das grandes limitações, a notificação voluntária é um dos métodos</p><p>mais tradicionais da farmacovigilância, de fácil implementação.</p><p>4.2. VIGILÂNCIA ATIVA</p><p>Diferente a notificação passiva, na vigilância ativa busca determinar o número de suspeitas de</p><p>reações adversar a medicamentos. Para fazer essa atividade, monitoramos pacientes tratados com</p><p>um determinado medicamento, geralmente, dentro de um programa de gerenciamento de risco</p><p>(STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Esse método também permite executar uma vigilância não somente por meio de um medica-</p><p>mento de interesse, mas também por reações adversas ou subgrupos da população (mulheres</p><p>grávidas, neonatos, idosos, pacientes com insuficiência renal ou insuficiência hepática etc.) que</p><p>poderão fazer parte de um programa de monitoração.</p><p>Para isso pode ser realizada por revisão ativa de prontuários médicos ou em entrevistas com</p><p>pacientes, em Instituições Sentinela, essas instituições selecionadas podem prover informações,</p><p>tais como dados de um subgrupo de pacientes, que não estão disponíveis pelo sistema de vigilân-</p><p>cia passiva. Além disso, informações sobre o uso do medicamento, como o potencial de abuso, por</p><p>exemplo, podem ser um alvo de avaliação. Mas uma das limitações desse método é o acesso aos</p><p>pacientes mais específicos como hospitais, atenção domiciliar, centros de hemodiálise etc. Além</p><p>dessa busca, a promoção de informações ao paciente e às equipes para que elas fiquem atentas</p><p>para quaisquer situações fora do comum (STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Para uma vigilância ativa do uso comunitário desse medicamento o processo de execução da</p><p>coleta de informações, seleção das instituições sentinela, poucos pacientes na amostragem e au-</p><p>mento de custo. Sendo muitas vezes não realizados e necessitando do auxílio dos profissionais</p><p>com as notificações voluntárias.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>83</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>5. FARMACOEPIDEMIOLOGIA</p><p>A pesquisa e a introdução de novos medicamentos têm permitido importantes avanços na te-</p><p>rapia de doenças, entretanto, não é incomum que esses mesmos medicamentos produzam efeitos</p><p>não desejados.</p><p>Partindo dessa perspectiva particular, na qual o medicamento é estudado como determinante</p><p>de saúde ou de doença em uma população ou grupo específico, é o objeto de estudo da Farma-</p><p>coepidemiologia.</p><p>Em consonância com essa visão, Storpirtis et al. (2008, p. 37) trazem várias propostas de defini-</p><p>ção para este ramo da ciência:</p><p>• Tognoni e Laporte (1989) estabelecem que a epidemiologia dos medicamentos e dos trata-</p><p>mentos é o estudo do uso e dos efeitos desses insumos.</p><p>• Strom (1994) define de forma mais específica, propondo a Farmacoepidemiologia como o</p><p>“estudo do uso e dos efeitos dos medicamentos em um grande número de pessoas”. Para</p><p>esse autor, trata-se de um campo de conhecimento que faz uma ponte entre a Farmacologia</p><p>Clínica e a Epidemiologia, utilizando os métodos desta última na área da primeira.</p><p>• Porta, Hartzema e Tilson (1998), por sua vez, conceituam essa disciplina como a “aplicação</p><p>de raciocínio, conhecimento e métodos epidemiológicos ao estudo do uso dos medicamen-</p><p>tos e de seus efeitos, quer sejam eles benéficos ou adversos, em populações humanas”. Com</p><p>os fundamentos teóricos da Epidemiologia, afirmam que a Farmacoepidemiologia pode co-</p><p>laborar no processo de desenvolvimento, prescrição e uso de novos medicamentos.</p><p>O interesse em estudos farmacoepidemiológicos está ligado diretamente à responsabilidade</p><p>dos governos em assegurar que apenas medicamentos seguros e eficazes sejam comercializados.</p><p>De modo geral, seu objetivo é fornecer as orientações técnicas para os envolvidos que tenham</p><p>a responsabilidade por decidir sobre as execuções e ações que visem o controle das doenças e</p><p>agravos, e com a função de coleta e processamento dos dados, a sua análise e interpretação bem</p><p>como sua divulgação.</p><p>Nos tempos atuais, em decorrência da crescente demanda por novos fármacos, concebidos</p><p>muitas vezes sob intensa pressão comercial, a Farmacoepidemiologia, com suas contribuições,</p><p>passa a ter importância estratégica na operação de sistemas de saúde em quase todos os países do</p><p>mundo. De maneira geral, os estudos farmacoepidemiológicos prestam-se a garantir a segurança</p><p>de um medicamento. A responsabilidade dessa tarefa cabe aos produtores dos medicamentos e,</p><p>também, da agência reguladora do país (BISSON, 2007; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>A Farmacoepidemiologia se propõe, portanto, como uma forma de abordagem capaz de ultra-</p><p>passar essas limitações usualmente observadas nos estudos das ações dos fármacos. Para tanto,</p><p>essa ciência, fazendo uso de duas grandes áreas de conhecimento (Farmacologia e Epidemiologia),</p><p>se organiza em dois grandes grupos de ações: a farmacovigilância, de onde vem as notificações, e</p><p>os Estudos de Utilização de Medicamentos, quando realizados por pesquisadores.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>84</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>A Farmacoepidemiologia tenta responder diversas questões relacionadas ao uso de determi-</p><p>nado medicamento, a partir do estudo de fenômenos relativos à utilização de medicamentos e</p><p>suas consequências, sejam elas sociais, econômicas e/ou sanitárias, para as populações humanas,</p><p>oferecendo uma metodologia e um corpo de conhecimento potencialmente úteis para aumentar</p><p>os benefícios dos medicamentos e reduzir</p><p>os seus riscos.</p><p>Os seus métodos têm sido importados e adaptados de outros campos, tais como economia e ci-</p><p>ências humanas, além da própria Epidemiologia. Dessa maneira vem se constituindo como campo</p><p>de estudo complexo, cuja tendência é se desmembrar em subcampos específicos (BISSON, 2007;</p><p>STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Compreendendo um pouco da história, até́ os primeiros anos da década de 1960, as autori-</p><p>dades sanitárias e os pesquisadores do campo da saúde não conheciam a extensão e as caracte-</p><p>rísticas do uso de medicamentos como um fenômeno populacional. Essa década coincide com o</p><p>grande boom do registro e comercialização de medicamentos industrializados.</p><p>Dentro dessa percepção, a tragédia da Talidomida pode ser considerada a “bomba atômica” da</p><p>área terapêutica, cujos efeitos, reconhecidos efetivamente em 1961, deixaram o mundo perple-</p><p>xo. A partir desse acontecimento os pesquisadores do campo da Saúde tornaram-se obrigados a</p><p>aprofundar seus estudos sobre a utilização de medicamentos em populações e riscos associados,</p><p>aplicando os conhecimentos existentes, bem como desenvolvendo novos métodos.</p><p>Motivados pela crise da talidomida, já no final da década de 1960, começaram a divulgar resulta-</p><p>dos de estudos de utilização de medicamentos importantes, e a atividade de farmacovigilância pas-</p><p>sou a ser organizada em centros nacionais vinculados a um programa internacional coordenado pela</p><p>Organização Mundial da Saúde (OMS). O advento da Informática facilitou a estruturação e análise</p><p>de grandes bancos de dados, ampliando as possibilidades de identificação e quantificação precoce</p><p>de riscos, associando o acúmulo de eventos suspeitos aos dados sobre consumo de medicamentos.</p><p>A criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 1999, pela Lei nº 9.782, e</p><p>a promulgação da lei da política nacional de medicamentos (Portaria nº 3.916, de 30 de outubro</p><p>de 1998) legitimaram a farmacoepidemiologia e a farmacovigilância como instrumentos para a</p><p>promoção do uso racional de medicamentos no país e sua normatização no campo da assistência</p><p>farmacêutica e das ações de vigilância sanitária.</p><p>Embora o desastre da talidomida seja reconhecido como ponto principal para a criação da Farma-</p><p>coepidemiologia, 10 anos antes já havia sido evidenciada a associação entre exposição ao cloran-</p><p>fenicol e ocorrência de anemia aplásica. Em 1952, também havia sido publicado o primeiro livro</p><p>de reações adversas a medicamentos, o Meyler’s Side Effects of Drugs.</p><p>Um evento ainda mais antigo: a morte de mais de 100 pessoas com insuficiência renal aguda devi-</p><p>do ao uso de um xarope de sulfanilamida dissolvida em dietilenoglicol, ocorrido nos EUA em 1937,</p><p>motivou a primeira regulação exigindo testes pré-clínicos de toxicidade, pavimentando o caminho</p><p>para a criação da agência reguladora americana, Food and Drug Administration, ainda antes da</p><p>Segunda Guerra Mundial e do próprio problema com a Talidomida.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>85</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>No Brasil, a farmacoepidemiologia está se desenvolvendo e utilizada muito mais como instru-</p><p>mento ou ferramenta para o desenvolvimento de políticas do que como ciência. A produção far-</p><p>macoepidemiológicos no país foi dificultada inicialmente por limitações no conhecimento e domí-</p><p>nio da metodologia pelos próprios pesquisadores, bem como pela carência de recursos à pesquisa</p><p>e dificuldades de aceitação do novo campo nas revistas científicas nacionais. Outro ponto que</p><p>dificultou foi a inexistência de registros públicos informatizados na área de Saúde, particularmente</p><p>sobre consumo de medicamentos, retardando o desenvolvimento científico do campo uma vez</p><p>que não havia dados concentrados e/ou de fácil acesso. Mas, essas dificuldades vêm sendo supe-</p><p>radas de modo lento, mas consistente (BISSON, 2007; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Para a coleta e avaliação dos dados existe a necessidade de utilizar métodos e estudos, dentre os</p><p>mais comuns utilizados pela farmacoepidemiologia estão os estudos transversais (também deno-</p><p>minados estudos de prevalência), estudos de caso-controle, muito utilizado para investigar reações</p><p>adversas a medicamentos (RAM) em especial, eventos com incidência baixa, e estudos de coorte.</p><p>Grandes bancos de dados baseados em informações demográficas, ocorrência de doenças e</p><p>informações de prescrições encontram-se agora disponíveis em muitos países para serem usados</p><p>por pesquisadores treinados e competentes. Populações, cada vez maiores, são cobertas por esses</p><p>sistemas informatizados, que constituem ferramentas poderosas quando utilizados com compe-</p><p>tência e habilidade para investigar a associação entre fármacos e eventos.</p><p>Desse modo, a farmacoepidemiologia e a farmacovigilância vêm avançando na identificação</p><p>precoce de riscos relacionados com medicamentos comercializados, partindo do pressuposto que</p><p>eles são pouco conhecidos na pre ́-comercialização e que, continuamente, novas informações po-</p><p>dem ser obtidas devido a seu uso pela população em geral, ou seja, um maior grupo de pessoas,</p><p>consequentemente aumentando os dados para as análises estatísticas. Por outro lado, a compre-</p><p>ensão de que os padrões de prescrição e uso de medicamentos são variáveis, e influenciados por</p><p>diversos fatores, têm levado ao reconhecimento da importância dos aspectos educativos e de</p><p>informação nessa área, tanto para a população quando para os próprios profissionais da saúde</p><p>(BISSON, 2007; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>No Brasil, todos esses caminhos começam a ser trilhados, porém ainda de modo incipiente, sen-</p><p>do necessário grande investimento na formação de recursos humanos e financiamento de pesquisa</p><p>nessas áreas, porém sabemos da dificuldade em relação à divisão dos recursos financeiros no Brasil.</p><p>A própria introdução da disciplina ou de seus conteúdos em cursos da área da saúde, inclusive</p><p>na pós-graduação, vem se ampliando, mas, infelizmente, com menor impacto na educação médi-</p><p>ca, onde seria ainda mais necessária. Editais com financiamento de linhas de pesquisa específicas</p><p>têm contribuído para o aumento progressivo da produção científica no setor, mas ainda sem gran-</p><p>de visibilidade (BISSON, 2007; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Finalmente, o papel da ANVISA tem sido fundamental, com a criação do programa de hospitais</p><p>sentinela e das farmácias notificadoras, bem como ações regulatórias impactantes que confron-</p><p>tam a irracionalidade na produção, na comercialização e no uso de medicamentos. É necessário,</p><p>no entanto, maior integração local dessas atividades, com a participação das universidades e dos</p><p>serviços, integrando a pesquisa e as intervenções realizadas, enfatizando ações educativas e infor-</p><p>mativas que promovam a cultura do uso adequado de medicamentos.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>4</p><p>86</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Nesta Unidade vimos diversos conceitos voltados à farmacologia, uso dos medicamentos seus</p><p>efeitos tanto positivos quanto negativos. Dessa forma conhecemos os conceitos de farmacologia e</p><p>farmacocinética clínica, as quais mostram a importância e necessidade do acompanhamento dos</p><p>pacientes, principalmente quando entramos nos conceitos de estudos de novos medicamentos,</p><p>farmacovigilância e farmacoepidemiologia.</p><p>ANOTAÇÕES</p><p>87</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BONATO, V. L. Gestão de qualidade em saúde: melhorando assistência ao cliente. O Mundo da Saú-</p><p>de, 35(5), pp. 319-331, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/gestao_quali-</p><p>dade_saude_melhorando_assistencia_cliente.pdf. Acesso em 03 abr. 2021.</p><p>BRASIL. Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014. Brasília: 2014. Disponível em https://www2.cama-</p><p>ra.leg.br/legin/fed/lei/2014/lei-13021-8-agosto-2014-779151-normaatualizada-pl.pdf. Acesso em</p><p>28 de 02 de 2021.</p><p>_________. Resolução nº 67, de 8 de outubro de 2007. Brasília: 2007. Disponível em https://</p><p>bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2007/rdc0067_08_10_2007.html.</p><p>Acesso em 17 de 03</p><p>de 2021.</p><p>______. Ministério da Saúde. Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar. Brasília: Ministério da</p><p>Saúde, 2002. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acreditacao_hospitalar.</p><p>pdf. Acesso em 03 abr. 2021.</p><p>BISSON, M. Farmácia clínica & atenção farmacêutica. 2 ed. São Paulo: Manole, 2007.</p><p>CARDOSO, T. Biossegurança e qualidade dos serviços de saúde. Curitiba: InterSaberes, 2016.</p><p>CARNEIRO, L. et al. Atribuição do Farmacêutico na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar</p><p>Quanto ao uso de Antimicrobianos. Revista Referências em Saúde da Faculdade Estácio de Sá de</p><p>Goiás, Vol. 02, n. 3, pp. 69-74, Ago./Dez. 2019. Disponível em: http://periodicos.estacio.br/index.</p><p>php/rrsfesgo/article/viewFile/7185/47966157. Acesso em 12 de 03 de 2021.</p><p>CAVALLINI, M. E.; BISSON, M. P. Farmácia Hospitalar: um Enfoque em Sistemas de Saúde. São</p><p>Paulo: Editora Manole, 2010.</p><p>CORRER, C.; OTUKI, M. A prática farmacêutica na farmácia comunitária. 1 ed. Porto Alegre: Art-</p><p>med, 2013.</p><p>DNV-GL. (2019). DNV.GL. Disponível em https://www.dnvgl.com.br/services/dias-niaho-74666.</p><p>Acesso em 03 abr. 2021.</p><p>FARIA, C. O. Farmácia Hospitalar. Porto Alegre: Sagah, 2019.</p><p>FELDMAN, L. et al. História da evolução da qualidade hospitalar: dos padrões a acreditação. Acta</p><p>Paul Enferm, pp. 213-219, 2005. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/ape/v18n2/a15v18n2.</p><p>pdf. Acesso em 03 abr. 2021.</p><p>FERRACINI, F. BORGES FILHO, Wladimir Mendes. Farmácia Clínica. 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Gestão hospitalar e qualidade do atendimento. São Paulo: Pearson Educa-</p><p>tion de Brasil, 2017.</p><p>OLIVEIRA, B.; PIRES, E. Atribuições do farmacêutico na Comissão de Controle de Infecção Hospita-</p><p>lar. Revista Brasileira de Ciências da Vida, v. 5 n. 1, 2017. Disponível em: http://jornalold.faculda-</p><p>decienciasdavida.com.br/index.php/RBCV/article/view/524. Acesso em 03 de 04 de 2019.</p><p>ONA. Organização Nacional de Acreditação. Disponível em: https://www.ona.org.br/acreditado-</p><p>ras/instituicoes-acreditadoras-credenciadas. Acesso em 03 abr. 2021.</p><p>______. Manual das Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde. 4 ed. Brasília: ONA, 2014. Dis-</p><p>ponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/MH_completo.pdf. Acesso em 03 abr. 2021.</p><p>OPAS. Atenção Farmacêutica: trilhando caminhos. Brasília: Organização Pan-Americana da Saú-</p><p>de, 2002. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/PropostaConsensoAtenfar.</p><p>pdf. 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Rio de</p><p>Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.</p><p>EAD</p><p>prestado e,</p><p>atualmente, de grande importância a implantação de um sistema de gestão informatizado, para faci-</p><p>litar as atividades, controle de estoque, bem como, redução dos erros de medicação (FARIA, 2019).</p><p>Por ser um serviço de apoio, a assistência farmacêutica deve garantir a adequada gestão téc-</p><p>nica, sendo então o suporte logístico ao processo do uso de medicamento, possibilitando desde</p><p>a aquisição até o uso adequado com eficácia e segurança. Correr e Otuki (2013) ampliam o foco</p><p>da assistência farmacêutica separando, didaticamente o ciclo logístico do medicamento da gestão</p><p>clínica do medicamento, denominada por eles “gestão da farmacoterapia”. Para compreender me-</p><p>lhor vamos observar a figura a seguir.</p><p>FIGURA 2 - ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA INTEGRADA</p><p>Fonte: Correr e Otuki (2013, p. 229).</p><p>A assistência farmacêutica, conforme Lei nº 13.021/2014, em seu artigo 2, é definida como: “o</p><p>conjunto de ações e de serviços que visem a assegurar a assistência terapêutica integral e a pro-</p><p>moção, a proteção e a recuperação da saúde nos estabelecimentos públicos e privados que de-</p><p>sempenhem atividades farmacêuticas, tendo o medicamento como insumo essencial e visando</p><p>ao seu acesso e ao seu uso racional” (BRASIL, 2014).</p><p>Para compreender melhor, vale a leitura na integra dessa Legislação!</p><p>Através do Link: https://bit.ly/2QlcjLs. Acesso em 28 de fevereiro de 2021.</p><p>LEITURA</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>11</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Perceba que o ciclo logístico está diretamente relacionado ao medicamento, enquanto a gestão</p><p>clínica tem ações voltadas para a melhoria dos resultados terapêuticos do paciente. Nesta Unidade</p><p>vamos focar no ciclo logístico, em uma próxima oportunidade voltaremos à gestão da farmacoterapia.</p><p>3. CICLO LOGÍSTICO DA ASSISTÊNCIA FAR-</p><p>MACÊUTICA</p><p>Acredito estar claro que é de responsabilidade da farmácia o armazenamento, a distribuição,</p><p>a dispensação e o controle de todos os medicamentos utilizados no âmbito hospitalar, mas, em</p><p>muitos casos, os materiais médico-hospitalares, bem como os germicidas, também estão sob res-</p><p>ponsabilidade da farmácia. Na prática, esses materiais entram no ciclo logístico como um produto</p><p>necessitando dos mesmos cuidados e procedimentos que os medicamentos. Como vimos na fi-</p><p>gura 2, o ciclo logístico se resume à seleção, programação, aquisição, distribuição e dispensação.</p><p>Vamos compreender melhor cada um deles?</p><p>3.1. SELEÇÃO</p><p>A seleção também é chamada de “padronização dos medicamentos”, a qual é um processo con-</p><p>tínuo, multidisciplinar cuja finalidade está em assegurar o acesso dos pacientes aos medicamentos</p><p>de forma eficácia, segura, com qualidade e custos adequados.</p><p>Segundo Storpirtis et al. (2008), o objetivo principal da seleção de medicamentos é escolher,</p><p>dentre os medicamentos disponíveis no mercado, aqueles que atenderam com eficácia e segu-</p><p>rança às necessidades dos pacientes. O autor ainda descreve a importância de um planejamento</p><p>de compra baseado nas condições de saúde tratadas, garantindo terapêuticas medicamentosas</p><p>racionais com um custo adequado.</p><p>Por esse motivo a escolha do elenco de medicamentos disponíveis deve sempre ter como base</p><p>em critérios científicos rigorosos e com informações para sua prescrição em protocolos clínicos</p><p>previamente padronizados (STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Segundo Storpirtis et al. (2008), seleção de medicamentos proporciona vantagens para o de-</p><p>senvolvimento de atividades administrativas e assistenciais da instituição. Dentre as vantagens</p><p>citadas pelo autor, relacionadas ao ciclo logístico farmacêutico, estão:</p><p>• A possibilitar maior eficiência do Ciclo de Assistência Farmacêutica por reduzir o número de</p><p>produtos farmacêuticos que serão adquiridos, armazenados e distribuídos;</p><p>• Possibilidade de promover o uso racional de medicamentos e assegurar o acesso a fármacos</p><p>seguros, efetivos e com qualidade, necessários para prevenção, diagnóstico e/ou tratamento</p><p>dos pacientes;</p><p>• A racionalização dos gastos, pois acaba otimizando os recursos disponíveis ao restringir o uso</p><p>de medicamentos ineficazes e desnecessários ou ainda em duplicidade terapêutica;</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>12</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>• Auxilia na gestão de aquisição, manutenção de estoque e controle de custos ao restringir o</p><p>número de fármacos a ser controlado;</p><p>• A padronização de condutas terapêuticas com base em evidências científicas, tornando im-</p><p>pessoal a escolha da farmacoterapia e facilitando a comunicação entre os membros das</p><p>equipes de saúde, bem como facilitar a atualização da equipe de saúde em relação ao uso</p><p>apropriado dos medicamentos por meio de informações objetivas e científicas sobre os me-</p><p>dicamentos selecionados e publicados em guias farmacoterapêuticos;</p><p>• Propiciar condições para o desenvolvimento da Farmacovigilância por restringir o número de</p><p>medicamentos em uso, o que facilita o conhecimento dos fármacos e de suas reações adversas;</p><p>A formação da Comissão de Farmácia e Terapêutica deve ser multidisciplinar, contendo médi-</p><p>cos, farmacêuticos, enfermeiros e dentistas, levando em consideração a complexidade dos servi-</p><p>ços a serem realizados, devendo ser a responsável pela condução técnica, política e administra-</p><p>tiva de todo o processo, tendo sua composição, atribuições e responsabilidades bem definidas,</p><p>principalmente quando falamos em critérios de inclusão e exclusão de medicamentos e produtos</p><p>médico-hospitalares.</p><p>Dessa forma a criação da CFT é um dos requisitos imprescindíveis para a seleção e padroniza-</p><p>ção dos medicamentos. Além dela podemos o acesso a fontes de informações técnico-científicas</p><p>atualizadas para subsidiar a execução dos trabalhos com a definição de política para compra</p><p>desses medicamentos, tanto para os incluídos na lista/formulário de padronização, como para</p><p>aqueles produtos que, sendo eventualmente necessários, não estão incluídos, bem como a ex-</p><p>clusão ou substituição sempre que necessário. Por isso, essa comissão atua de forma constante</p><p>atualizando periodicamente a lista/formulário de padronização (FARIA, 2019; SBRAFH, 2017;</p><p>STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Vale ressaltar que, em determinadas situações pode ser necessária a compra de medicamentos</p><p>não padronizados, por isso, os critérios para compra desses também deve estar bem estabelecida.</p><p>A assessoria de um profissional farmacêutico capacitado para desenvolver o Formulário ou Guia</p><p>Farmacoterapêutico, bem como a implantação do Centro de Informação de Medicamentos, sob</p><p>responsabilidade do farmacêutico, para sanar possíveis dúvidas da equipe ou do próprio paciente</p><p>(FARIA, 2019; SBRAFH, 2017; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Com a seleção realizada fica mais fácil que o restante do ciclo funcione, mas, como realizar essa</p><p>seleção? É necessário buscar critérios científicos, por isso é necessária a formação de uma “Co-</p><p>missão de Farmácia e Terapêutica”. Storpirtis et al. (2008) traz a definição do Ministério da Saúde</p><p>a respeito da Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT)</p><p>“Como a instância colegiada, de carácter consultivo e deliberativo, que tem por finalidade asses-</p><p>sorar o administrador e a equipe de saúde em assuntos referentes a medicamentos, selecionando</p><p>os medicamentos da instituição e elaborando o Formulário ou Guia Farmacoterapêutico”.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>13</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Após, então, a elaboração dessa lista/formulário de padronização, temos a finalização da sele-</p><p>ção dos medicamentos, podendo, então, partir para a próxima etapa.</p><p>3.2. PROGRAMAÇÃO E AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS E MA-</p><p>TERIAIS</p><p>Dentre as atividades relacionadas ao ciclo da assistência farmacêutica, a programação e a aqui-</p><p>sição merecem destaque em razão da sua importância na garantia do acesso aos produtos para</p><p>saúde que serão utilizados pelos demais setores do hospital durante o cuidado ao paciente. Mas o</p><p>que é programação e o que é aquisição?</p><p>A aquisição de produtos para</p><p>saúde é o processo técnico-administrativo que provê o abasteci-</p><p>mento do serviço de saúde de acordo com a sua demanda, baseado na lista/formulário de padro-</p><p>nização. Vale ressaltar que a aquisição também pode acontecer através de doação, permuta entre</p><p>instituições de saúde, ou empréstimo.</p><p>No caso das doações, deve-se avaliar criteriosamente a qualidade e segurança do produto, en-</p><p>quanto a permuta é comum para evitar perdas de produtos que tem baixa saída podendo vencer</p><p>antes de sua utilização, ela pode ser pelo mesmo produto com validade maior ou por outro pro-</p><p>duto levando em consideração, nesse tipo de troca, os valores. Lembre-se que cada medicamento</p><p>tem um preço, então, nesse caso não necessariamente se troca pela mesma quantidade, mas sim</p><p>pelo mesmo valor final. Além dessas temos também o empréstimo, quando há falta de produto ou</p><p>aumento repentino de demanda, pede-se emprestado para outra instituição e, assim que normali-</p><p>zado o estoque a mesma quantidade é devolvida. Mas a forma mais comum de aquisição é através</p><p>da compra (FARIA, 2019; SBRAFH, 2017; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Mesmo parecendo uma atividade simples é uma atividade burocrática e repetitiva, devendo ser</p><p>realizada de forma estratégica com gerenciamento dos recursos institucionais, especialmente em ra-</p><p>zão do volume de itens a serem adquiridos e dos altos valores dispensados. Além dos aspectos finan-</p><p>ceiros e quantitativos, deve haver considerações sobre a qualidade e a segurança dos produtos ad-</p><p>quiridos devem nortear as tomadas de decisões (FARIA, 2019; STORPIRTIS et al., 2008; SALU, 2013).</p><p>Esta atividade está diretamente relaciona com a execução do ato de abastecimento hospitalar</p><p>sendo pré-requisito para o cumprimento das demais ações de cuidado do paciente. Segundo Faria</p><p>(2019), os objetivos específicos da aquisição de produtos para assistência hospitalar são:</p><p>• Obtenção de produtos e serviços na quantidade requerida e necessária;</p><p>• Abastecimento com relação custo-benefício favorável, ou seja, buscando o menor preço,</p><p>mas com a melhor qualidade possível;</p><p>• Garantia de entrega e recebimento dos produtos de forma correta e no prazo adequado e</p><p>previamente determinado;</p><p>• Desenvolvimento e manutenção de boas relações com os fornecedores de qualidade e con-</p><p>fiança, principalmente para situações emergenciais.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>14</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Para uma aquisição adequada é necessária a descrição das especificações técnicas do produto</p><p>para que a compra seja assertiva, havendo um menor risco de confusão entre os itens e de com-</p><p>pras inadequadas, ou seja, a necessidade de um produto mas, ao final, o recebimento de outro.</p><p>Ainda, tomando como base os dizeres de Faria (2019), no que diz respeito aos medicamentos, a</p><p>especificação técnica deve conter:</p><p>• Nome do medicamento por ordem alfabética e pela Denominação Comum Brasileira;</p><p>• Forma farmacêutica;</p><p>• Concentração;</p><p>• Apresentação da embalagem quanto à quantidade de unidades;</p><p>• Código institucional;</p><p>• Especificações de qualidade requerida em termos de farmacopeia.</p><p>Há uma grande quantidade de fornecedores no mercado, por isso, devemos buscar os que</p><p>consideramos mais adequados às nossas necessidades, seja em relação a tempo de entrega,</p><p>formas de pagamento, entre outros. Por isso, é importante a avaliação constante desses forne-</p><p>cedores observando:</p><p>• Qualidade do produto fornecido: incluindo se as características dos produtos se mantêm</p><p>após entrega;</p><p>• Sistemas de suporte pós-venda eficientes: principalmente quando se observa falhas, que</p><p>podem ser desde entrega em quantidade divergente até má qualidade do produto propria-</p><p>mente dito;</p><p>• Preços são competitivos: dentro ou abaixo da faixa do mercado como um todo;</p><p>• Cumprimento do prazo de entrega é satisfatório: sendo possível manter o estoque adequan-</p><p>do até recebimento, bem como o cumprimento dos prazos estipulados. Nesse sentido bus-</p><p>car fornecedores que sejam mais próximos à instituição é uma opção muito utilizada.</p><p>Por isso é importante pesquisar não apenas preços, mas também a reputação, idoneidade e</p><p>solidez no mercado farmacêutico desse fornecedor, bem como sua estrutura organizacional e ha-</p><p>bilidade técnica que sejam capazes de atender às demandas do hospital (FARIA, 2019; STORPIRTIS</p><p>et al., 2008; SALU, 2013).</p><p>É comum nos hospitais ter um cadastro atualizado e detalhado dos fornecedores para facilitar</p><p>as atividades. Nesse caso é importante a avaliação contínua dos mesmos, pois as primeiras en-</p><p>tregas podem ser de acordo e depois a qualidade dos serviços cair bruscamente, seja durante a</p><p>compra, o recebimento ou, ainda, diretamente na qualidade dos produtos e serviços prestados.</p><p>Por isso é importante ter indicadores que avaliem dois pontos importantes: a taxa de não confor-</p><p>midades no recebimento dos produtos e a taxa de produtos entregues fora do prazo estipulado</p><p>(FARIA, 2019; STORPIRTIS et al., 2008; SALU, 2013).</p><p>No momento do recebimento dos produtos é importante fazer um checklist observando pontos</p><p>importantes como:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>15</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>• Condição do produto na entrega (por exemplo, danificação);</p><p>• Dados da nota fiscal;</p><p>• Identificação e legibilidade da embalagem;</p><p>• Destinatário e prazo da entrega;</p><p>• Quantidade do material (comparar o número entregue e o solicitado);</p><p>• Condições de armazenamento de acordo com o produto (por exemplo, produtos termolá-</p><p>beis, produtos fotossensíveis);</p><p>• Validade do produto;</p><p>• Presença de laudo técnico de qualidade.</p><p>A programação consiste no planejamento do abastecimento do estoque, ou seja, é a definição</p><p>de quando comprar e quanto comprar de cada produto. O “quando” comprar deve levar em conta</p><p>aspectos como a modalidade de compra, a disponibilidade do fornecedor, a definição dos níveis de</p><p>estoque, a capacidade de armazenamento institucional e a disponibilidade de recursos financeiros.</p><p>Perceba que estamos falando de gerenciamento de estoque, uma vez que, a compra em excesso</p><p>equivale a recursos financeiros parados, enquanto a compra em menor quantidade que a necessária</p><p>pode levar a falta do produto ou a necessidade de compra a um preço maior pela urgência.</p><p>Para realizar uma programação adequada é importante conhecer o consumo de cada medica-</p><p>mento e materiais do hospital e a o custo da gestão de estoque. O consumo deve ser avaliado em</p><p>um determinado período de tempo, de acordo com o tipo de produto e tipo de classificação que</p><p>se enquadra. Dentre os tipos de consumo, Cavallini e Bisson (2010), descrevem:</p><p>• Consumo horizontal ou regular: caracterizado por ter um consumo constante, com peque-</p><p>nas variações, mas com um comportamento regular para o período de tempo analisado;</p><p>• Consumo crescente: caracterizado pelo aumento do consumo, de forma crescente e ordena-</p><p>da dentro do período de tempo analisado;</p><p>• Consumo decrescente: caracterizado pelo consumo decrescente, apresentando uma ten-</p><p>dência de diminuição dentro do período de tempo analisado;</p><p>• Consumo aleatório ou irregular: caracterizado pelo consumo com grandes oscilações dentro</p><p>do período de tempo analisado, demonstrando consumo irregular, perceba que essa oscilação</p><p>e grande o suficiente para não se enquadrar no primeiro tipo que pode ter pequenas variações;</p><p>• Consumo sazonal: caracterizado pelas oscilações regulares, tanto positivas como negativas,</p><p>devido a fatores externos como estação do ano, epidemias, surtos, entre outros. É denomi-</p><p>nada sazonal nos casos em que o desvio é, no mínimo, 25% do consumo médio.</p><p>Entendemos o que é consumo e os tipos que existem, mas como fazer a avaliação dessa de-</p><p>manda? É necessário fazer uma projeção e previsão avaliando os consumos médios passados para</p><p>determinar o consumo médio futuro, ou observar o consumo mês a mês e projetar para o próximo</p><p>ano. O tempo a ser avaliado depende do tipo de consumo, por exemplo, o regular se pode avaliar</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>16</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>a cada três a quatro meses, pois sua variação é pequena, já o sazonal se deve observar a variação</p><p>de pelo menos um ano. Mas veremos isso mais adiante.</p><p>É muito importante observar constantemente os dados, recalculando a base para a previsão de</p><p>aquisição, observando também a opinião dos gestores, compradores e pesquisa de mercado, por</p><p>isso a necessidade de uma gestão de estoque eficaz (STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>3.2.1. GESTÃO DE ESTOQUE</p><p>No que se diz respeito à logística hospitalar, você encontrará autores que indicam uma defini-</p><p>ção particular para a “gestão da cadeia de suprimentos em assistência à saúde” (healthcare supply</p><p>chain management), relacionando diversas informações como, os suprimentos e as finanças en-</p><p>volvidas na aquisição, no movimento das mercadorias e nos serviços que vão desde o fornecedor</p><p>até o usuário final, o paciente, sempre buscando a melhoria de resultados clínicos ao mesmo tem-</p><p>po em que se considera o controle financeiro.</p><p>É comum os hospitais utilizarem ferramentas logísticas para garantir que todos os materiais ne-</p><p>cessários estejam disponíveis no local certo e no momento certo. Por isso é cada vez mais comum</p><p>o uso de sistemas eficientes de planejamento da aquisição, de armazenamento, de gerenciamento</p><p>de estoque e de distribuição dos materiais.</p><p>Para que os serviços hospitalares aconteçam de forma rápida e eficaz é necessário um acom-</p><p>panhamento desses estoques uma vez que as demandas não podem ser previstas com exatidão,</p><p>bem como, o tempo envolvido no transporte desses produtos e a necessidade de urgência de seu</p><p>uso. Para você compreender como realizar essa manutenção de estoque é importante conhecer</p><p>algumas variáveis necessárias para os cálculos de níveis de estoque.</p><p>• Consumo mensal médio (CMM): é a média aritmética referente aos consumos mensais do</p><p>estoque de determinado item;</p><p>• Estoque mínimo ou estoque de segurança (ES): é a quantidade mínima de determinado item</p><p>que deve ser mantida em estoque para cobrir atrasos da entrega de fornecedores, aumento</p><p>rápido de demanda e/ou outras eventualidades, minimizando o risco de falhas. O ES é aque-</p><p>le “estoque reserva” no caso de rupturas de estoque, evitando estoques zerados;</p><p>• Estoque máximo (Emáx): corresponde ao somatório do estoque mínimo e do lote de compra</p><p>e está relacionado à capacidade máxima de estocagem para cada item;</p><p>• Lote de compra (LC): quantidade do item a ser adquirida em certo processo de aquisição</p><p>para determinado período de tempo;</p><p>• Tempo de reposição (TR): intervalo de tempo compreendido desde a constatação da neces-</p><p>sidade de se reporem estoques até a efetiva estocagem apropriada do item. Nesse caso está</p><p>relacionado à observação do farmacêutico de seus estoques, bem como o tempo médio que</p><p>o fornecedor leva para entregar o pedido, normalmente contato em dias;</p><p>• Ponto de pedido (PP): ponto quantitativo que determina a necessidade de uma nova emis-</p><p>são de pedido de aquisição.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>17</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Vamos começar entendendo sobre o “consumo médio mensal” (CMM) no qual o resultado é</p><p>produto da soma dos dados de utilização de um determinado produto dividido pelo número de</p><p>períodos (por exemplo: meses ou quinzenas) nos quais houve consumo. A Figura 3 traz um exem-</p><p>plo de como se faz esse cálculo:</p><p>FIGURA 3 - CÁLCULO DO CONSUMO MÉDIO</p><p>Fonte: Storpirtis et al. (2008, p.147).</p><p>Primeiramente, trata-se de um valor provável de consumo para os próximos períodos, acredi-</p><p>tando que não existirão flutuações de demanda, nem alterações do consumo médio, sendo ideal</p><p>que o período de tempo esteja entre 3 a 12, lembrando que quanto maior o período de coleta dos</p><p>dados, maior a segurança dos resultados.</p><p>O Estoque de segurança (ES) ou Estoque mínimo (Emín) lembrando que é a quantidade mínima</p><p>capaz de suportar o aumento do tempo de ressurgimento programado ou o aumento do consumo</p><p>e também tem uma forma de cálculo para nortear nossas escolhas, como veremos na figura 4:</p><p>FIGURA 4 - CÁLCULO DO ESTOQUE DE SEGURANÇA</p><p>Fonte: Storpirtis et al. (2008, p. 148).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>18</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Para o cálculo do estoque máximo é necessário ter um conhecimento da estrutura na qual se-</p><p>rão armazenados esses produtos, pois não adianta fazer uma grande compra se não há local para</p><p>guardar, e também tem uma forma de cálculo como veremos na figura a seguir:</p><p>FIGURA 5 - CÁLCULO DO ESTOQUE DE SEGURANÇA</p><p>Fonte: Storpirtis et al. (2008, p. 148).</p><p>O lote de compra está relacionado com o Emáx, o estoque atual e o tempo de reposição. Poden-</p><p>do ser calculado conforme a fórmula a seguinte:</p><p>FIGURA 6 - LOTE DE COMPRA</p><p>Fonte: adaptado de Storpirtis et al. (2008, p. 148).</p><p>O Ponto de pedido é o momento chave para manter os estoques e, consequentemente, todos</p><p>os setores do hospital funcionando. Lembrando que é função do farmacêutico observar se de-</p><p>terminado produto está nesse PP. Lembre-se que o estoque mínimo é o mesmo que estoque de</p><p>segurança isso é importante, pois, como os demais, o PP também tem uma base de ser calculado.</p><p>FIGURA 7 - PONTO DE PEDIDO</p><p>Fonte: Storpirtis et al. (2008, p. 148).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>19</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>3.3.2. MÉTODOS DE CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS</p><p>Este é um ponto chave no momento do pedido de compra, uma vez que os recursos financeiros</p><p>são finitos e, geralmente, bem estabelecidos pela instituição, sendo necessária, muitas vezes, a</p><p>prestação de contas do farmacêutico em relação à sua escolha.</p><p>Por isso há dois sistemas de revisão, deve ser seguido um deles que é o sistema de revisão con-</p><p>tínua no qual é possível controlar a quantidade em estoque de forma constante, facilmente obser-</p><p>vando quando a quantidade chega ao ponto de ressuprimento. Já o sistema de revisão periódico</p><p>a revisão é realizada em um período regular, onde geralmente se adota o controle semanal, quin-</p><p>zenal ou mensal. Facilitando a gestão de estoque, comparação entre físico e sistema, bem como a</p><p>proximidade do momento de compra (FARIA, 2019; SBRAFH, 2017; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Um dos principais sistemas adotados é a classificação pela curva ABC, a qual classifica os produ-</p><p>tos de acordo com sua importância financeira, sendo uma ferramenta orientadora para o gestor,</p><p>pois estabelece prioridades para a programação de aquisição e controle, observando a quantidade</p><p>consumida de um determinado produto e o seu custo em relação aos demais itens para um perí-</p><p>odo. Em resumo, o objetivo dessa classificação é identificar aqueles poucos itens que consomem</p><p>grandes cifras do orçamento sendo dividida da seguinte forma:</p><p>• Classe A: representa a menor quantidade de itens com o maior custo financeiro, que de-</p><p>vem ser gerenciados com atenção especial;</p><p>• Classe B: representa os itens com valor intermediário de quantidade e de custo financeiro;</p><p>• Classe C: representa o grupo de maior quantidade de itens com o menor custo financeiro,</p><p>que podem justificar menor atenção no momento do gerenciamento.</p><p>FIGURA 8 - GRÁFICO DA CURVA ABC</p><p>Fonte: Faria (2019, p. 83).</p><p>Nota-se que os itens A correspondem a 20% dos materiais, mas a 60% dos valores envolvidos,</p><p>Já os itens B correspondem a 30% tanto dos materiais quanto dos custos e, por fim, os itens C re-</p><p>presentam metade dos materiais e apenas 10% dos custos envolvidos.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>20</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Outro sistema de classificação importante, e que objetiva facilitar a gestão de estoques de ma-</p><p>teriais e medicamentos, é o sistema XYZ, o qual se orienta pela criticidade da falta do produto,</p><p>independentemente de seu valor monetário. Conforme descrito por Faria (2019, p. 84), essa clas-</p><p>sificação acontece da seguinte forma:</p><p>• Classe X: produtos para saúde de baixa criticidade que, quando estão em falta, não interrom-</p><p>pem as atividades</p><p>assistenciais ou causam risco de morbimortalidade aos pacientes hospitali-</p><p>zados. Ainda, podem ser facilmente obtidos ou substituídos por outros produtos em estoque;</p><p>• Classe Y: produtos para saúde de média criticidade que são vitais para a realização das ativi-</p><p>dades assistenciais; todavia, podem ser substituídos com relativa facilidade;</p><p>• Classe Z: produtos para saúde de alta criticidade que, quando estão em falta, interrompem as</p><p>atividades ou causam risco de morbimortalidade para os pacientes hospitalizados. Além disso,</p><p>não podem ser facilmente substituídos ou seus equivalentes são difíceis de difícil obtenção.</p><p>Perceba que os produtos de classe Z são se tornam prioridade. Vale ressaltar que uma curva</p><p>não substitui a outra, pelo contrário, ambas são ferramentas de grande valia para a administração</p><p>dos materiais contribuindo tanto para a segurança do paciente quanto para a sustentabilidade</p><p>financeira da instituição.</p><p>3.3. ARMAZENAMENTO</p><p>De forma simples, é armazenar e disponibilizar o item de forma organizada e com conhecimen-</p><p>tos técnicos, em uma área específica. A estocagem de medicamentos é definida como a atividade</p><p>que visa sua conservação racional. Por isso, existe a “Central de Abastecimento Farmacêutico”</p><p>(CAF), lembrando que os medicamentos se diferenciam de outros produtos devido as suas carac-</p><p>terísticas singulares.</p><p>Normalmente o CAF fica em um local estratégico do hospital, de forma a facilitar o recebimen-</p><p>to, a conferência, a estocagem e a distribuição dos produtos. Lembrando que essa área de arma-</p><p>zenamento deve ter capacidade para estocar adequadamente e de forma organizada todos os</p><p>produtos, havendo um espaço suficiente para o fluxo racional de pessoal e materiais, bem como,</p><p>possibilidade de pequenos espaços entre blocos de produtos bem como não ser armazenado dire-</p><p>tamente no chão, nem encostado em paredes e teto.</p><p>O dimensionamento desse espaço físico é muito relativo, pois depende de diversos fatores,</p><p>como volume do estoque máximo de todos os produtos, o tempo entre as compras e o tempo de</p><p>entrega do fornecedor, estrutura do hospital em si. Vale ressaltar que, para a atividade de distri-</p><p>buição aconteça de forma segura e eficaz, é necessário que o armazenamento seja organizado,</p><p>seguindo uma lógica, e observando as necessidades de cada produto (FARIA, 2019; SBRAFH, 2017;</p><p>STORPIRTIS, 2008).</p><p>Além disso, devem existir áreas separadas para determinadas atividades, como Storpirtis et al.</p><p>(2008, p. 154) citam:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>21</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>» Área de Recepção e Conferência – Local para inspeção física do material e conferência da res-</p><p>pectiva documentação fiscal que o acompanha;</p><p>» Área de Armazenagem – Local distinto e separado dos citados anteriormente. Pode ser subdivi-</p><p>dido em várias áreas, de acordo com as atividades desenvolvidas pela Farmácia e os materiais</p><p>a serem estocados, tais como:</p><p>• Matéria-prima, com áreas separadas para produtos inflamáveis e não inflamáveis;</p><p>• Material de embalagem e envase;</p><p>• Medicamentos: termolábeis, imunobiológicos, controlados; (entorpecentes e psicotrópicos),</p><p>contrastes radiológicos, citotóxicos, soluções parenterais de grande volume, entre outros;</p><p>• Materiais e artigos médicos descartáveis;</p><p>• Germicidas;</p><p>• Correlatos;</p><p>• Quarentena para a segregação física dos materiais rejeitados, vencidos, recolhidos ou devolvidos.</p><p>» Área de Separação e Conferência – Local para separação e conferência do material requisitado</p><p>antes do envio para a unidade solicitante;</p><p>» Área de Expedição – Local de onde são enviados os materiais solicitados.</p><p>As condições ambientais, como temperatura e umidade, são de extrema importância para man-</p><p>ter a qualidade e estabilidade do medicamento e demais produtos. Normalmente, recomenda-se</p><p>estocar os medicamentos em local fresco, ventilado, longe de fontes de calor e umidade, evitando</p><p>exposição solar direta, em temperatura ambiente até 25°C e, dependendo das condições climá-</p><p>ticas locais e das características do medicamento, até 30°C é aceitável, mas lembre-se que varia</p><p>de acordo com o medicamento e o fabricante deve deixar essa informação de fácil acesso, seja na</p><p>própria embalagem, seja no relatório, ou na própria bula.</p><p>Alguns medicamentos devem ser estocados em locais com temperatura controlada, entre 2</p><p>e 8°C ou –20°C, como vacinas e imunobiológicos, respectivamente. Para isso, recorre-se à utili-</p><p>zação de refrigeradores, congeladores e câmaras frias com monitoramento da temperatura por</p><p>meio de termômetros.</p><p>É necessário que se faça manutenção constante e programada desses equipamentos para evi-</p><p>tar seu desgaste, excesso de gelo, sobrecarga e, consequentemente, evitar que ele estrague e o</p><p>material guardado acabe sendo perdido. Deve haver um espaço entre as paredes e os medica-</p><p>mentos e também entre eles, é possível fazer pequenos blocos de forma que todos os produtos</p><p>tenham acesso à circulação de ar.</p><p>Para o monitoramento das temperaturas do ambiente e dos equipamentos são utilizados</p><p>os termômetros, de preferência com leitura de máxima e mínima, bem como da umidade. Os</p><p>valores devem ser registrados no mínimo duas vezes ao dia para verificação se estão dentro dos</p><p>valores aceitáveis.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>22</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>A umidade pode alterar as características físico-químicas e afetar a estabilidade dos medica-</p><p>mentos, além disso, pode danificar ou comprometer a embalagem de forma que seja inviável sua</p><p>utilização. Deve-se ter como parâmetro a umidade máxima em 70%, nos ambientes que ultrapas-</p><p>sam esses valores, é recomendado o uso de desumidificadores, assim como, o ar condicionado</p><p>para manutenção da temperatura. Em muitos casos há equipamentos que funcionam para as duas</p><p>funções (FARIA, 2019; SBRAFH, 2017; STORPIRTIS, 2008).</p><p>Existem duas classes de produtos que são mais específicas e, por isso, merecem destaque: pro-</p><p>dutos controlados e produtos inflamáveis.</p><p>Os medicamentos controlados, podem ser psicotrópicos, entorpecentes e outros classificados</p><p>na Portaria nº 344/1998 do Ministério da Saúde, devem ser armazenados em locais seguros, com</p><p>instalações trancadas e acesso restrito, seguindo a regulamentação em vigor, sendo de acesso res-</p><p>trito ao farmacêutico responsável ou a outra pessoa designada por ele como confiável.</p><p>No caso de produtos inflamáveis as instalações devem ser específicas, construídas com venti-</p><p>lação e proteção contra incêndio. Normalmente fica em local separado do prédio principal para</p><p>evitar que, em caso de explosão, todo o prédio seja afetado. Devem ter sistema de alarme de in-</p><p>cêndio, alagamento automático e portas corta-fogo. Muitos desses produtos constam na lista de</p><p>produtos químicos controlados pela Polícia Federal, devendo seguir a legislação em vigor para sua</p><p>aquisição, estocagem e dispensação.</p><p>Voltando para os produtos mais comuns, eles devem estar de fácil acesso, seguros e protegido</p><p>de danos, devendo ser estocados de forma ordenada em prateleiras, armários, estrados ou outro</p><p>acessório adequado para armazenamento, lembrando-se da distância adequada das paredes e</p><p>teto, bem como permitir a circulação de ar entre os blocos de medicamentos (FARIA, 2019; SBRA-</p><p>FH, 2017; STORPIRTIS, 2008).</p><p>Segundo Storpirtis et al. (2008, p. 158), medicamentos devem ser facilmente organizados e</p><p>identificareis pela denominação comum brasileira (DCB) ou internacional (DCI), ou seja, princípio</p><p>ativo, lote e data de vencimento. Facilitando, assim, que a sua dispensação aconteça de forma fácil</p><p>e rápida. Existem diversas maneiras de classificação:</p><p>• Categoria farmacêutica ou terapêutica;</p><p>• Indicação clínica;</p><p>• Ordem alfabética de nome genérico ou nome comercial;</p><p>• Por nível de utilização;</p><p>• Por apresentação farmacêutica;</p><p>• Por endereçamento ou código de localização.</p><p>De forma geral, recomenda-se organizar os medicamentos primeiramente por ordem alfabética</p><p>de nome genérico ou princípio ativo, a seguir por</p><p>forma farmacêutica, seguindo o fluxo da esquer-</p><p>da para a direita e de cima para baixo, com os prazos de validade mais próximos (que vencem</p><p>primeiro) à frente.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>23</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Além disso, deve-se ordenar por validade, essa forma de organização de PVPS (Primeiro que</p><p>Vence, Primeiro que Sai). Por isso, é importante avaliar os produtos que chegam se sua validade for</p><p>posterior ao que já existe, deve ser armazenado atrás. Porém, há casos que o produto chega com</p><p>um vencimento mais próximo, nesse caso ele deve ser colocado na frente.</p><p>Por fim, é importante observar as características do produto assim que ele chega ao CAF, obser-</p><p>vando a qualidade desde a embalagem até do produto propriamente dito. Caso haja algum pro-</p><p>blema esse produto deve ficar em quarentena em um local separado para a segregação física dos</p><p>materiais rejeitados, vencidos, recolhidos ou devolvidos. Esses materiais devem ser manipulados</p><p>de forma a evitar misturas ou que sejam dispensados inadvertidamente.</p><p>O medicamento está guardado na farmácia, mas ele precisa chegar até o paciente, para isso</p><p>é necessária a distribuição e dispensação dos mesmos. Vamos começar entendendo os tipos de</p><p>distribuição existentes.</p><p>3.4. DISTRIBUIÇÃO</p><p>Existem diversos tipos de sistemas de distribuição de medicamentos, os quais são divididos em</p><p>dois grandes grupos: o tradicional e o moderno, sendo que o primeiro inclui o coletivo, o individu-</p><p>alizado e o misto, e o último, o por Dose Unitária.</p><p>Nos sistemas tradicionais, 15 a 25% das atividades da equipe de enfermagem ficam voltadas</p><p>aos medicamentos. Além da responsabilidade pelo seu armazenamento, essa equipe realiza ou-</p><p>tras atividades, como:</p><p>• Transcrever as ordens médicas;</p><p>• Requisitar os medicamentos à Farmácia ou Almoxarifado;</p><p>• Manter e revisar os estoques existentes no andar;</p><p>• Preparar as doses a serem administradas;</p><p>• Estabelecer o cronograma de administração;</p><p>• Administrar e registrar as doses.</p><p>Esse sistema tradicional pode ser classificado, como descrito anteriormente da seguinte forma:</p><p>• Coletivo: os medicamentos são armazenados nas unidades de internação, sob a responsabi-</p><p>lidade da enfermeira encarregada, formando miniestoques espalhados por todo o hospital.</p><p>A reposição dos medicamentos é feita periodicamente, em nome da unidade, por meio de</p><p>requisição enviada à Farmácia ou Almoxarifado. Muitas vezes a requisição está baseada em</p><p>cotas preestabelecidas entre a unidade requisitante e a fornecedora dos produtos;</p><p>• Individualizado: os medicamentos são requisitados e dispensados as unidades de internação</p><p>em nome do paciente, de acordo com a prescrição médica, sua cópia direta ou sua transcri-</p><p>ção, para determinado período. Quando a prescrição é transcrita, o sistema é denominado</p><p>Individualizado Indireto, e quando o documento original ou sua cópia direta é enviada à</p><p>Farmácia para análise e posterior dispensação dos produtos, o sistema é denominado Indi-</p><p>vidualizado Direto;</p><p>• Misto: para dispensar os medicamentos e, muitas vezes, produtos médico-hospitalares são</p><p>utilizados os sistemas anteriormente descritos em um mesmo hospital.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>24</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Já o sistema considerado moderno, chamado de Dose Unitária, o farmacêutico recebe a pres-</p><p>crição médica do paciente ou sua cópia direta; elabora o registro farmacoterapêutico do paciente</p><p>(documento utilizado pelo farmacêutico para avaliar a terapêutica medicamentosa); analisa as in-</p><p>formações da prescrição; quando necessário, faz intervenções na terapêutica medicamentosa e</p><p>dispensa os medicamentos em embalagens de dose unitária.</p><p>Os medicamentos são enviados para os setores em embalagens de dose unitária a qual contém</p><p>a quantidade do medicamento que um médico prescreve a um determinado paciente, para de-</p><p>terminada hora, estando prontas para serem administradas, não requerendo manipulação prévia</p><p>da enfermagem. Aqui estão incluídos, também, os medicamentos para administração parenteral.</p><p>Dessa forma, a enfermagem não utiliza seu tempo de trabalho com os cuidados com os medi-</p><p>camentos, apenas com a sua administração no paciente, bem como não há estoques nas unidades</p><p>o que minimiza perdas e furtos. Infelizmente existe muita relutância em implantar o Sistema por</p><p>Dose Unitária, mesmo os profissionais que reconhecem a segurança oferecida por esse modelo,</p><p>sendo a justificativa, na maioria das vezes, o aumento do custo para o hospital principalmente para</p><p>a implantação, mas em todo seu processo.</p><p>3.4.1. FARMÁCIA SATÉLITE</p><p>Como vimos anteriormente, a “Central de Abastecimento Farmacêutico” (CAF) é o local onde</p><p>acontece a maior parte do ciclo logístico da assistência farmacêutica. Porém sua localização aca-</p><p>ba sem mais próximo do local de recebimento do que das unidades que utilizarão os insumos.</p><p>Por isso, em muitos hospitais existem as Farmácias Satélites, as quais têm um estoque reduzido</p><p>de acordo com a necessidade das unidades que ela supre, e é reabastecida pelo CAF sempre</p><p>que necessário.</p><p>Esse tipo de farmácia também é importante, pois no hospital existem setores diferenciados,</p><p>com características específicas e necessidades próprias de um sistema de dispensação de ma-</p><p>teriais e medicamentos. Alguns exemplos que podemos citar: centro cirúrgico (CC), unidade de</p><p>terapia intensiva (UTI), ambulatório e pronto-socorro. Normalmente, em cada um desses setores,</p><p>os pacientes devem receber materiais e medicamentos de forma diferenciada e mais específica.</p><p>Segundo Cavallini e Bisson (2010, p. 159), podemos conceituar farmácia satélite como a farmá-</p><p>cia localizada no próprio setor da dispensação com a finalidade de estocar adequadamente mate-</p><p>riais e medicamentos e de proporcionar assistência farmacêutica efetiva e direta.</p><p>Talvez você compreenda melhor com um exemplo, então vamos utilizar o exemplo dos autores</p><p>já citados, mostrando os passos de implantação de uma farmácia satélite em um centro cirúrgico.</p><p>O centro cirúrgico é o setor no qual os pacientes permanecem apenas o tempo necessário para</p><p>a intervenção cirúrgica, deve estar localizado preferencialmente em área isolada no hospital, onde</p><p>se tenha bom planejamento de circulação dos recursos humanos que exercerão as técnicas cirúr-</p><p>gicas e assépticas e também de aprimoramento das diferentes clínicas do hospital.</p><p>Para a implantação de uma farmácia satélite no centro cirúrgico é importante conhecer suas</p><p>características principais, como:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>25</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>• Número de salas no centro cirúrgico;</p><p>• Número de salas no centro obstétrico;</p><p>• Se as salas citadas acima são próximas podendo ter apenas uma farmácia para suprir ambas</p><p>as unidades;</p><p>• Número de cirurgias e números de partos por mês;</p><p>• Analisar a planta física do setor junto com um engenheiro.</p><p>É importante uma análise pelo farmacêutico dos critérios de escolha desse setor, pois geral-</p><p>mente esse setor apresenta estoque periférico elevado de fios, agulhas, seringas, soros etc., bem</p><p>como consumo excessivo de materiais o que leva a um alto custo unitário de válvulas, cateteres,</p><p>clips de aneurisma, entre outros materiais médico-hospitalares, assim como o próprio medica-</p><p>mento que devem ser armazenados de forma adequada, por isso a necessidade de assistência</p><p>farmacêutica efetiva (CAVALLINI, BISSON, 2010).</p><p>Compreendendo os principais procedimentos do setor O próximo passo é a elaboração dos</p><p>kits, em conjunto com as equipes médicas. Essa etapa é concluída em médio ou longo prazo e,</p><p>portanto, o ideal é que seja iniciada junto com a elaboração do planejamento da área física. A</p><p>elaboração desses kits segue um padrão muito parecido com o da padronização de medicamen-</p><p>tos. Assim, deve ser montada uma equipe multidisciplinar responsável pela análise dos kits com a</p><p>presença do farmacêutico é imprescindível. De acordo com a clínica cirúrgica à qual se destinam</p><p>os</p><p>kits, estes devem receber uma denominação, como por exemplo: kit postectomia (Cirurgia Infan-</p><p>til); kit laparotomia exploradora (Cirurgia Geral); kit histerectomia (Ginecologia); kit safenectomia</p><p>(Cirurgia Vascular); kit fêmur (Ortopedia); kit facectomia (Cirurgia Oftalmológica); kit correção de</p><p>cicatriz (Cirurgia Plástica); kit parto normal (Ginecologia e Obstetrícia); kit cesariana (Ginecologia e</p><p>Obstetrícia); kit anestesia geral (Clínica de Anestesiologia); kit anestesia peridural (Clínica de Anes-</p><p>tesiologia); kit psicotrópicos (FARIA, 2019; SBRAFH, 2017; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>Vale ressaltar que não é o nome do kit em si que faz a diferença, mas sim sua composição. Cada</p><p>tipo de procedimento exige determinados tipos de materiais médico-hospitalares, em quantida-</p><p>des diferentes, bem como os medicamentos. Além disso, os kits de urgência são importantes, tam-</p><p>bém de acordo com as necessidades. Normalmente primeiro são utilizados, depois de devolvidos</p><p>se observa o que efetivamente foi usado para dar baixa no estoque e preparar um novo kit.</p><p>Outro ponto importante para a determinação da rotina da farmácia satélite é a elaboração de</p><p>um mapa cirúrgico contendo os dados importantes, para que os kits sejam montados pela equipe</p><p>de farmácia, sendo importante que ele seja encaminhado para farmácia satélite, pelo menos, um</p><p>dia antes, para garantir a elaboração do kit, isso no caso das cirurgias programadas, mas é impor-</p><p>tante ter kits já prontos em casos de emergência (FARIA, 2019; SBRAFH, 2017; STORPIRTIS et al.,</p><p>2008). Esse mapa deverá conter: horário da cirurgia, nome do paciente, número da sala cirúrgica,</p><p>nome da clínica, nome do kit, espaço para a circulante assinar a retirada e devolução do kit. Assim</p><p>facilita a rotina na farmácia, tanto do farmacêutico quanto dos auxiliares.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>1</p><p>26</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Em outras unidades, como unidade de internamento e enfermaria, não são necessários esses</p><p>kits, mas deve haver um carrinho de emergência para atendimento do paciente caso necessário,</p><p>quando se precisa de um atendimento rápido no qual primeiro chega o medicamento e depois é</p><p>feita a prescrição e reposição do mesmo (FARIA, 2019; SBRAFH, 2017; STORPIRTIS et al., 2008).</p><p>3.5. DISPENSAÇÃO</p><p>A dispensação consiste na entrega do medicamento. Seu conceito fora do hospital é a entrega</p><p>com orientação de uso, já entro do hospital a dispensação vem logo após a distribuição, sendo</p><p>administrada pelo enfermeiro.</p><p>Entenda, então, a dispensação como a “chegada” do medicamento até o paciente e seu uso de</p><p>forma adequada, seja por ele mesmo (farmácia comunitária), seja para a administração da enfer-</p><p>magem (hospitais e clínicas).</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Nesta Unidade conhecemos sobre a instituição hospital e sua complexidade, bem como a es-</p><p>trutura e os serviços realizados na farmácia. Compreendemos o ciclo logístico da assistência far-</p><p>macêutica que inicia com a seleção, programação, armazenamento, distribuição e dispensação, de</p><p>forma a compreender cada uma dessas fases individualmente.</p><p>Espero que você tenha compreendido e até a próxima Unidade!</p><p>ANOTAÇÕES</p><p>UNIDADE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>VÍDEOS DA UNIDADE</p><p>https://bit.ly/3hiy1dS https://bit.ly/2UnuVfA https://bit.ly/2TGTt39</p><p>02</p><p>FARMACOTÉCNICA</p><p>HOSPITALAR</p><p>Conhecer sobre a Farmacotécnica Hospitalar, brevemente sobre sua história, com-</p><p>preendendo os diversos setores como fracionamento, manipulação e central de</p><p>manipulação de misturas intravenosas.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>28</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O uso de medicamentos acaba sendo parte integrante do processo de cuidado nos hospitais,</p><p>por isso, cada instituição deve observar a melhor forma de se obter esse insumo. A forma que</p><p>veremos nesta Unidade é a Farmacotécnica que é a manipulação dos medicamentos, seja através</p><p>do fracionamento de medicamentos industrializados, da manipulação de sólidos e líquidos não</p><p>estéreis, e a manipulação de misturas intravenosas que devem ser estéreis.</p><p>Por fim, vamos compreender sobre o controle de infecção hospitalar, assunto de extrema im-</p><p>portância quando se fala tanto do cuidado do paciente quanto dos custos para o hospital. Pronto</p><p>para encarar de frente esse novo conhecimento?</p><p>Então, vamos lá!</p><p>1. FARMACOTÉCNICA HOSPITALAR DE MA-</p><p>TERIAIS NÃO ESTÉREIS</p><p>No início da história dos hospitais, a farmacotécnica hospitalar era um ponto central e primor-</p><p>dial, uma vez que era a parti desse processo que se supria as demandas de medicamentos. Porém</p><p>com a industrialização esse processo passou a ser inviável, sendo mais rentável ao hospital com-</p><p>prar o medicamento pronto.</p><p>A farmacotécnica hospitalar volta a ter importância nesse momento em que se estruturou como</p><p>farmacotécnica adaptativa para atender às demandas do sistema de distribuição de medicamen-</p><p>tos por dose unitária ou individualizada, visando reduzir gastos e erros de medicação (STORPIRTIS</p><p>et al., 2008).</p><p>Devemos ressaltar que a Farmacotécnica Hospitalar contribui significativamente com a qua-</p><p>lidade do cuidado farmacêutico prestado aos pacientes. Para isso, é necessário estruturar suas</p><p>atividades de modo a atender às necessidades individuais juntamente com a Farmácia Clínica e em</p><p>cumprimento com as normas de Boas Práticas de Manipulação em Farmácia, incluindo ações para</p><p>a garantia da qualidade e estratégias de prevenção de erros de medicação (FARIA, 2019; STORPIR-</p><p>TIS et al., 2008).</p><p>A manipulação de medicamentos no hospital tem como objetivo atender as necessidades do</p><p>paciente de forma individualizada. Além disso, com ela é possível fornecer produtos de interesse</p><p>não apenas estratégico, mas também econômico, uma vez que, com a manipulação, é possível</p><p>tanto fracionar e diluir os medicamentos industrializados quanto preparar ou diluir germicidas</p><p>utilizados na limpeza, na desinfecção, na antissepsia e na esterilização (FARIA, 2019; STORPIRTIS</p><p>et al., 2008).</p><p>Segundo Faria (2019, p. 106):</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>29</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>1.1. FRACIONAMENTO</p><p>O fracionamento de doses compreende na unitarização de medicamentos de diversas formas</p><p>como o fracionamento dos medicamentos líquidos em copos dosadores ou seringas dosadoras</p><p>orais; a unitarização de doses a partir da pesagem de princípios ativos apresentados na forma de</p><p>pó, como pó de papaína comumente utilizado em curativos; a pesagem do pó obtido da abertura</p><p>de cápsulas ou da trituração de comprimidos para fracionamento de doses pediátricas, quando</p><p>tecnicamente possível; a maceração de comprimidos inteiros ou frações de comprimidos, tam-</p><p>bém quando tecnicamente possível, para administração via sonda ou no caso de pacientes que</p><p>não conseguem engolir comprimidos; a reembalagem de medicamentos sólidos orais como, por</p><p>exemplo, comprimidos inteiros e fracionados, drágeas e cápsulas, de forma a manter suas proprie-</p><p>dades inalteradas para a dispensação pelo Sistema de Dose Unitária, quando os mesmos já não</p><p>são comercializados industrialmente em embalagens que facilitam a unitarização.</p><p>É importante observar que os métodos manuais de rotulagem e embalagem dos medicamen-</p><p>tos fracionados por recorte do blister estão frequentemente relacionados a problemas, como,</p><p>por exemplo, a troca de um medicamento prescrito por outro e a dificuldade para se rastrear um</p><p>medicamento caso haja algum problema com o lote utilizado.</p><p>Por isso, no momento do fracionamento do medicamento é realizado de apenas um produto e</p><p>do mesmo lote, para facilitar a rastreabilidade. Caso haja espaço físico para fracionamento de mais</p><p>de um medicamento é possível, desde que seja bem delimitada a separação e cada funcionário</p><p>responsável por um medicamento.</p><p>Vale ressaltar que o processo de fracionamento também pode comprometer a estabilidade e</p><p>a validade dos medicamentos. Para o fracionamento sem retirar os medicamentos do invólucro</p><p>original, a individualização</p><p>se procede através de:</p><p>• Cortes com tesoura;</p><p>• Reembalagem em sacos plásticos;</p><p>• Selagem individual;</p><p>• Identificação com etiquetas autocolantes;</p><p>• Acondicionamento em quantidades padrão.</p><p>A retirada dos comprimidos e das demais formas sólidas dos blisters e a sua transferência à em-</p><p>balagem secundária expõem o fármaco ao material de embalagem utilizado, o que pode resultar</p><p>em umidade e aumento da temperatura.</p><p>A SOCIEDADE BRASILEIRA DE FARMÁCIA HOSPITALAR (SBRAFH) AFIRMA SER NE-</p><p>CESSÁRIA, EM UMA UNIDADE DE FARMÁCIA QUE CONTA COM AS SEGUINTES ATI-</p><p>VIDADES, A EXISTÊNCIA DE AMBIENTES ESPECÍFICOS PARA O EXERCÍCIO DE CADA</p><p>UMA DELAS: MANIPULAÇÃO DE NUTRIÇÃO PARENTERAL (NP); MANIPULAÇÃO; FRA-</p><p>CIONAMENTO E RECONSTITUIÇÃO DE CITOSTÁTICOS; MISTURAS ENDOVENOSAS; E</p><p>MANIPULAÇÃO DE RADIOFÁRMACOS.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>30</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Dessa forma é calculada uma nova validade para esses produtos quando retirados da embala-</p><p>gem original. No caso de apenas recorte do blister não há modificação, porém a retirada do mes-</p><p>mo da sua embalagem reduz sua validade.</p><p>O Federal Drug Administration (FDA) recomenda que um medicamento fracionado possua um</p><p>prazo de validade não superior a 25% do tempo entre a data do fracionamento e a data do venci-</p><p>mento original, observando-se que este prazo não exceda 06 (seis) meses. Assim, faz-se o cálculo</p><p>a partir da data de validade original se der um valor inferior a seis meses, por exemplo, quatro me-</p><p>ses, essa é a nova validade. Agora se após o cálculo o valor der superior a seis, por exemplo, oito,</p><p>trabalhamos com a validade de seis meses.</p><p>Vale ressaltar que manter esse setor não é barato, sendo necessário avaliar a real necessidade</p><p>e o custo-benefício, por isso, pequenos hospitais têm dificuldade em trabalhar com Dose Unitária</p><p>e fracionamento, enquanto grandes hospitais chegam a ter farmácia de manipulação própria para</p><p>minimizar os custos com medicamentos industrializados que, posteriormente, serão fracionados.</p><p>Mas a grande maioria dos hospitais, que trabalha com esse modelo de distribuição, utiliza-se prin-</p><p>cipalmente do fracionamento, nem sempre da manipulação própria.</p><p>1.2. IMPLANTAÇÃO DO SETOR DE FARMACOTÉCNICA</p><p>Para a implantação desse setor são necessários um bom planejamento e um conhecimento</p><p>estratégico do hospital como um todo, por isso, Storpirtis et al. (2008, p. 172) recomendam:</p><p>Quando o hospital tem porte para implantar esse setor, geralmente é realizado de forma com-</p><p>pleta, tendo tanto o setor de produtos não ésteres quanto de produtos estéreis, mas a escolha</p><p>de quais áreas são realmente úteis é observada no planejamento da implantação desses setores,</p><p>avaliando quais são viáveis ou não, principalmente através da avaliação econômica e de qualidade</p><p>no cuidado do paciente. Storpirtis et al. (2008) trazem a organização da farmacotécnica hospitalar</p><p>como veremos na figura a seguir:</p><p>VERIFICAR A CARACTERIZAÇÃO DO HOSPITAL (PARTICULAR, PÚBLICO OU DE ENSINO,</p><p>POR EXEMPLO), A COMPLEXIDADE DE ATENDIMENTO (VERIFICAR SE HÁ ESPECIALIDA-</p><p>DES COMO ONCOLOGIA, INFECTOLOGIA, NEONATOLOGIA, PEDIATRIA E ATENDIMENTO</p><p>A PACIENTES QUEIMADOS OU TRANSPLANTADOS), O NÚMERO DE LEITOS E OS TIPOS</p><p>DE UNIDADES DE INTERNAÇÃO (ENFERMARIAS E UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA).</p><p>OUTRO PASSO IMPORTANTE É A VERIFICAÇÃO DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DE ME-</p><p>DICAMENTOS E O HORÁRIO DE ATENDIMENTO DA FARMÁCIA. IDEALMENTE, DEVE-SE</p><p>TRABALHAR COM O SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS POR DOSE UNI-</p><p>TÁRIA OU POR DOSE INDIVIDUALIZADA COM ATENDIMENTO 24 HORAS POR DIA. AS</p><p>ATIVIDADES DA FARMACOTÉCNICA TORNAM-SE PRATICAMENTE NULAS COM A UTILI-</p><p>ZAÇÃO DO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO COLETIVO.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>31</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>FIGURA 1 - ESQUEMA GERAL DE UM SETOR DE FARMACOTÉCNICA HOSPITALAR</p><p>Fonte: Storpirtis et al. (2008, p. 172).</p><p>Claro que para a implantação desses setores existem legislações importantes, por isso é im-</p><p>prescindível ao farmacêutico estar sempre atualizado sobre as legislações vigentes, as quais re-</p><p>gulamentam as atividades desenvolvidas no Setor de Farmacotécnica. Como exemplo principal,</p><p>podemos citar as Boas Práticas de Manipulação (BPM) e Fracionamento de Medicamentos.</p><p>Mas onde encontrar essas legislações atualizadas? Recomenda-se que sejam consultados os</p><p>sites da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Conselhos Regionais e Federal de Far-</p><p>mácia e Secretarias de Saúde municipais e estaduais, buscando sempre estar dentro dos padrões</p><p>exigidos por tais legislações. Dentre essas legislações podemos encontras conceitos macro como</p><p>as características estruturais, as boas práticas, por exemplo, a Resolução MS/ANVISA nº 80, de 11</p><p>de maio de 2006, que “Estabelece critérios que devem ser obedecidos para o fracionamento de</p><p>medicamentos”, como conceitos específicos, por exemplo, Resolução MS/ANVISA nº 46, de 20 de</p><p>fevereiro de 2002, a qual “Aprova o Regulamento Técnico para álcool etílico hidratado em todas as</p><p>graduações e álcool etílico anidro, comercializados por atacadistas e varejistas”.</p><p>Atualmente a RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, que “Dispõe sobre o Regulamento Técnico</p><p>para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos</p><p>assistenciais de saúde”. Dessa forma, ela é uma das legislações que devem ser consultadas no mo-</p><p>mento do planejamento da implantação do serviço de farmacotécnica hospitalar.</p><p>Outro fator que não podemos deixar de citar são os recursos humanos desse setor. Primeira-</p><p>mente, todas as atividades devem ser exclusivamente realizadas sob a supervisão direta de um</p><p>farmacêutico. Além disso, deve contar com técnicos de farmácia de nível médio, em quantidade</p><p>suficiente para garantir a qualidade do atendimento por excesso de atividades, e auxiliares de far-</p><p>mácia de nível básico, quando possível e/ou necessário.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>0</p><p>2</p><p>32</p><p>UN</p><p>IB</p><p>RA</p><p>SI</p><p>L</p><p>EA</p><p>D</p><p>| F</p><p>AR</p><p>M</p><p>ÁC</p><p>IA</p><p>H</p><p>OS</p><p>PI</p><p>TA</p><p>LA</p><p>R</p><p>E</p><p>GE</p><p>ST</p><p>ÃO</p><p>Lembrando que esses colaboradores devem ser treinados adquirindo capacidades requeridas</p><p>para o trabalho no Setor de Farmacotécnica. Dentre eles podemos citar o senso de responsabili-</p><p>dade, organização do trabalho, iniciativa, resolutividade, trabalho em equipe e conhecimento das</p><p>responsabilidades e tarefas que lhes são atribuídas. Por isso, a capacitação e avaliação continuada</p><p>desses colaboradores é de extrema importância e responsabilidade do farmacêutico.</p><p>2. CENTRAL DE MISTURAS INTRAVENOSAS</p><p>(CMI)</p><p>A administração de medicamentos diretamente na corrente sanguínea é chamada de adminis-</p><p>tração intravenosa, ou endovenosa, chamamos essa via de via parenteral, pois não utiliza o trato</p><p>gastrointestinal (entero) como via.</p><p>Para o uso dessa via é necessária a manipulação de produtos farmacêuticos estéreis, sendo o</p><p>fator esterilidade determinante para a segurança do paciente. Esse processo requer a diluição ou</p><p>a reconstituição desses produtos, com posterior transferência das soluções (ou suspensões) para</p><p>dispositivos de administração parenteral estéreis, como seringa e agulha.</p><p>Esse sistema de preparo dos produtos intravenosos CMI melhora a qualidade do produto final,</p><p>bem como, insere mais passos de controle entre o medicamento prescrito pelo médico e a admi-</p><p>nistração deste pela enfermagem.</p><p>Dessa forma a farmácia centraliza a responsabilidade pelo preparo, controle e dispensação des-</p><p>sas misturas parenterais, padronizando a rotulagem das soluções preparadas e garante uma con-</p><p>dição ambiental mais adequada ao processo de manipulação.</p><p>Lembrando que para cada tipo de produto é necessário, muitas vezes uma sala ou, pelo menos,</p><p>uma câmara de proteção específica, o que encarece a implantação dessa central, porém, com a</p><p>manipulação de forma a enviar ao paciente exatamente a quantidade que ele precisa, pode reduzir</p><p>custos posteriores.</p><p>Vamos pensar em um exemplo, talvez fique mais claro:</p><p>A solução de dipirona EV é 500 mg/ml e vem em uma ampola de</p>