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<p>Norma culta e variação linguística</p><p>Prof. Luís Cláudio Dallier</p><p>Descrição</p><p>Vamos estudar o conceito, os tipos e as ocorrências de variação</p><p>linguística, além de compreender o que é a norma culta da língua e o</p><p>seu uso na comunicação.</p><p>Propósito</p><p>Ao compreender os diferentes casos de variação linguística e as</p><p>implicações do conceito de norma culta no uso adequado da língua</p><p>portuguesa, você vai ampliar suas habilidades de escrita e leitura.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Conceito e tipos de variação linguística</p><p>Reconhecer diferentes tipos e manifestações da variação linguística</p><p>no português.</p><p>Módulo 2</p><p>Conceito e usos da norma culta</p><p>Identificar o conceito de norma culta e suas implicações no uso da</p><p>língua portuguesa.</p><p>Introdução</p><p>Você já percebeu que, dependendo da localidade do falante, a</p><p>língua portuguesa apresenta variações em relação à pronúncia ou</p><p>ao significado de algumas palavras? Isso acontece porque a</p><p>língua é algo vivo e dinâmico, e seu uso no dia a dia implica</p><p>variações que estão relacionadas com a região, a profissão, o</p><p>grau de escolaridade e outros fatores do usuário da língua.</p><p>Reconhecer que a língua apresenta diversidades no seu uso é</p><p>importante para identificarmos em que situações de</p><p>comunicação uma variedade da língua é apropriada ou</p><p>inadequada. Na verdade, precisamos conhecer a norma culta da</p><p>língua para reconhecermos as diferentes manifestações das</p><p>variações em relação a essa norma ou padrão.</p><p>Por isso, vamos estudar alguns casos de variação linguística para</p><p>depois compreendermos o que é e como funciona a norma culta</p><p>da língua.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p></p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>1 - Conceito e tipos de variação linguística</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer diferentes tipos e manifestações da</p><p>variação linguística no português.</p><p>A língua varia!</p><p>Sabemos que o português é a nossa língua materna. Ainda bebês,</p><p>começamos a adquirir a língua portuguesa a partir de:</p><p>Complexa habilidade inata.</p><p>Estímulos externos que recebíamos, ouvindo nossos pais ou outros</p><p>familiares falarem.</p><p>Mais tarde, na escola, aprendemos a escrever a língua que já usávamos</p><p>para falar e interagir. Aprendemos também a usar o português além das</p><p>relações familiares e informais. Anos de aprendizado da língua</p><p>portuguesa na educação básica permitiram o estudo de diversas outras</p><p>matérias.</p><p>Você consegue se imaginar estudando ou trabalhando sem o uso</p><p>adequado e eficiente da língua materna? Certamente, não.</p><p>Em todas essas situações de comunicação por meio da língua, estamos</p><p>diante de uma variedade de usos do português. Isso mesmo! O</p><p>português não é um só. Assim como acontece com outras línguas, o</p><p>português não é uma língua uniforme. Ele varia!</p><p>Escrita e oralidade têm suas particularidades, e não falamos da mesma</p><p>maneira em todos os lugares e momentos.</p><p>Exemplo</p><p>Não falamos da mesma forma como escrevemos. Assim como não é</p><p>comum alguém conversar com a namorada ao celular da mesma</p><p>maneira como interage em uma entrevista de emprego.</p><p>A verdade é que a língua sofre variações, seja ao longo do tempo, seja</p><p>nos diferentes espaços geográficos em que é falada, seja em função da</p><p>estrutura ou condição social de seus falantes ou até mesmo em função</p><p>da situação ou do contexto de uso. Isso significa dizer que uma língua</p><p>está sujeita a passar por modificações no tempo e no espaço a fim de</p><p>satisfazer às necessidades de expressão e de comunicação, individual</p><p>ou coletiva, de seus usuários.</p><p>Isso é o que se chama variação linguística, um conceito que pode nos</p><p>ajudar a entender que, se a língua pode ser usada de diversas formas, há</p><p>situações em que teremos de usar a chamada norma culta. Vamos</p><p>aprender mais sobre a riqueza do nosso português e compreender esse</p><p>conceito.</p><p>Podemos abordar a variação linguística sob diversas perspectivas. Se</p><p>levarmos em conta uma situação de comunicação qualquer, teremos</p><p>alguns elementos que vão apontar para variedades no uso da língua.</p><p>Essas perguntas evidenciam que nossa fala pode variar de acordo com</p><p>a situação ou com o contexto, conforme o falante e as pessoas que</p><p>ouvem (interlocutores), o assunto tratado ou a intenção da mensagem.</p><p>Perceba que a variação linguística corresponde a diferentes ocorrências</p><p>de uma mesma língua.</p><p>A língua varia</p><p>Confira, neste vídeo, um bate-papo sobre nossa relação com a língua e</p><p>sua natureza variacionista.</p><p></p><p>Tipos de variações linguísticas</p><p>Sem nos preocuparmos muito com classificações técnicas e exaustivas,</p><p>próprias da Sociolinguística, podemos dizer que a variação linguística</p><p>pode ser de, pelo menos, três tipos:</p><p>Sociolinguística</p><p>Sociolinguística é uma área da Linguística que trata das relações entre</p><p>linguagem e sociedade, estudando a função social da linguagem e a</p><p>influência dos fatores sociais sobre a língua.</p><p>Abordaremos cada um desses tipos a seguir.</p><p>Variação regional</p><p>Variações da língua numa perspectiva geográfica, originando os</p><p>regionalismos. Manifestam-se, principalmente, pelo sotaque e por</p><p>palavras ou expressões utilizadas pelos falantes de determinada região.</p><p>Um exemplo desse tipo de variação são os falares ou dialetos.</p><p>Veja a diferença entre alguns falares no Brasil:</p><p>Dialetos</p><p>São variações faladas por comunidades geograficamente definidas.</p><p>Também denominados “falares” por alguns linguistas.</p><p>Êta que esse curso é bem arretado!</p><p>Caraca! Esse curso é muito maneiro!</p><p>Nossinhora! Esse curso é bom demais da conta, sô!</p><p>Bah, esse curso é tri!</p><p>As diferentes designações no Brasil para um mesmo referente ou</p><p>aspecto da realidade é outro exemplo de variação linguística na</p><p>dimensão geográfica: macaxeira no Nordeste, mandioca em São Paulo e</p><p>aipim no Rio de Janeiro correspondem à mesma raiz utilizada na</p><p>culinária nacional.</p><p>Rio de Janeiro X São Paulo</p><p>O professor Luís Cláudio Dallier explora mais essas diferenças entre as</p><p>cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.</p><p>Não podemos afirmar que determinada região do país fala “o português</p><p>mais correto”. Tal afirmação é falsa, pois o que há são variações da</p><p>língua portuguesa.</p><p>Exemplo</p><p>A pronúncia do cearense ou do carioca, por exemplo, não é errada ou</p><p>certa, mas, simplesmente, o modo próprio de articular os sons numa</p><p>determinada comunidade linguística.</p><p>Sendo o português uma língua falada por diversas nações, em</p><p>diferentes continentes, é interessante lembrar que a língua também</p><p>varia de um país para outro, tanto na fala quanto na escrita. Ainda que o</p><p>Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa procure padronizar a</p><p>grafia das palavras, há alguns aspectos na escrita que são peculiares</p><p>em Portugal e outros no Brasil.</p><p></p><p>Variação de Registro</p><p>Variações relacionadas com modalidades expressivas adotadas por um</p><p>mesmo falante ou segmento social em função do contexto, do</p><p>interlocutor e das expectativas sociais.</p><p>De acordo com Coseriu (1980, p. 110-111), os registros linguísticos, ou</p><p>estilos, são diferentes porque as situações e os interlocutores diferem</p><p>muito, bem como as expectativas sociais, influenciadas pela cultura.</p><p>Por isso, podemos perceber que, além dos registros individuais, há</p><p>aqueles que expressam a identidade de grupos profissionais ou</p><p>biológicos (homens, mulheres, jovens, crianças).</p><p>Os registros ou estilos se classificam em pelo menos três tipos:</p><p>Representa uma escala de formalidade no uso dos recursos da</p><p>língua. Podemos ir de um estilo muito informal e popular (troca</p><p>despretensiosa de mensagens no WhatsApp, por exemplo) até</p><p>um excessivo grau de formalidade no uso da língua (redação de</p><p>um ofício, por exemplo). Simplificando, podemos afirmar que há</p><p>pelo menos dois registros alusivos à</p><p>formalidade: formal e informal. Logo, os diferentes estilos</p><p>corresponderão ao grau de formalismo do contexto</p><p>comunicativo, determinando as diferentes maneiras de usar a</p><p>língua.</p><p>Representa as duas modalidades da língua: a oral e a escrita. A</p><p>língua falada pode usar recursos como entonação, ênfase de</p><p>termos ou sílabas, duração dos sons,</p><p>velocidade em que se</p><p>dizem as sequências linguísticas etc. Além disso, a oralidade se</p><p>caracteriza pelas hesitações, repetições, retomadas, correções e</p><p>outras marcas que não são comuns à escrita. A escrita tende a</p><p>ser mais formal e a fala mais informal, embora existam</p><p>exceções; há textos altamente formais na língua falada e outros</p><p>extremamente informais na língua escrita.</p><p>Representa o ajustamento na estruturação das mensagens do</p><p>falante, com base em informações específicas acerca do ouvinte</p><p>Grau de formalismo </p><p>Modo </p><p>Sintonia </p><p>ou leitor (status do interlocutor, tecnicidade do conteúdo da</p><p>mensagem, necessidade de cortesia no trato com o outro, norma</p><p>a ser seguida etc.).</p><p>Imagine que um profissional da saúde, ao preparar ou orientar</p><p>uma criança para determinado procedimento, usará um registro</p><p>ou estilo de linguagem distinto da linguagem usada com um</p><p>paciente adulto. Com a criança, por exemplo, o vocabulário será</p><p>mais simples, com algumas palavras no diminutivo, e o tom de</p><p>voz mais afetivo.</p><p>Pense em outra situação: você precisa recusar dois convites que</p><p>recebeu, um da pessoa que você namora e outro do diretor da</p><p>empresa em que trabalha. Faz sentido usar as mesmas</p><p>expressões ou estilo ao responder a pessoas com as quais você</p><p>tem diferentes graus de intimidade? Certamente vamos usar</p><p>estilos ou registros diferentes.</p><p>Variação Social</p><p>As diferentes formas de falar marcam os grupos sociais ou, até mesmo,</p><p>a faixa etária de determinado conjunto de pessoas. Ao ouvir alguém</p><p>falando “percurá” (no lugar de procurar), “iorgute” (em vez de iogurte),</p><p>“os hôme” (e não os homens) ou “pra mim fazer” (no lugar de para eu</p><p>fazer), certamente você associará esse falante a um grupo social com</p><p>baixa ou nenhuma escolaridade.</p><p>A falta de domínio da língua padrão, prestigiada</p><p>socialmente, é um indicador de pertencimento a</p><p>determinado grupo social.</p><p>As gírias usadas por um falante podem revelar também a que grupo</p><p>social e à qual faixa etária ele pertence. Do mesmo modo, os jargões</p><p>técnicos podem indicar a atividade profissional de quem os utiliza.</p><p>Juridiquês</p><p>Juridiquês é uma palavra criada para designar o uso rebuscado e</p><p>exagerado de jargão e termos técnicos da área jurídica.</p><p>Economês</p><p>Economês designa os termos técnicos ou jargões utilizados pelos</p><p>economistas.</p><p>Jargões técnicos</p><p>Jargão é o modo de falar específico de um grupo, geralmente ligado à</p><p>profissão. Daí que podemos falar em jargão dos médicos, jargão dos</p><p>militares etc.</p><p>Saiba mais</p><p>Ao ouvir expressões típicas do juridiquês ou do economês, por exemplo,</p><p>você deve concluir que os falantes são adultos, com alta escolaridade e</p><p>pertencentes a determinado grupo profissional.</p><p>A variação em função do nível social e da escolaridade foi muito bem</p><p>retratada pelo poeta modernista Oswald de Andrade (1890-1954) no</p><p>poema sugestivamente intitulado Vício na fala:</p><p>Vício na fala</p><p>(Oswald de Andrade)</p><p></p><p>Vício na fala</p><p>(Oswald de Andrade)</p><p>Para dizerem milho dizem mio</p><p>Para melhor dizem mió</p><p>Para pior pió</p><p>Para telha dizem teia</p><p>Para telhado dizem teiado</p><p>E vão fazendo telhados</p><p>Note que o poema apresenta construções da língua portuguesa que são</p><p>típicas de falantes de classes sociais menos escolarizadas, revelando</p><p>pronúncias contrárias à ortoepia, ou seja, distintas do que a norma</p><p>gramatical determina. As pronúncias fora da norma gramatical, no</p><p>entanto, não impedem a comunicação e muito menos a construção dos</p><p>telhados.</p><p>Embora se trate de uma variedade linguística desprestigiada</p><p>socialmente, o poema não estigmatiza essa variante linguística, pois</p><p>sugere uma valorização do trabalho das pessoas mais simples com o</p><p>verso final: “E vão fazendo telhados”.</p><p>Ortoepia</p><p>Ortoepia é a parte da gramática que estabelece a pronúncia correta das</p><p>palavras, conforme a língua culta ou padrão.</p><p></p><p>Tipos de variação linguística</p><p>Acompanhe, neste vídeo, alguns tipos de variação linguística a partir de</p><p>exemplos.</p><p>A língua nas mídias digitais: o</p><p>internetês</p><p>Além das variações linguísticas que você acabou de conhecer, também</p><p>é importante prestar atenção às alterações que a língua portuguesa</p><p>apresenta nos meios digitais.</p><p>Com a Internet e os diversos recursos para escrever e falar usando um</p><p>computador ou celular, surge uma variedade linguística que recebeu o</p><p>nome de internetês.</p><p>Algumas características da variedade linguística na Internet são:</p><p>Abundância de siglas e abreviaturas não convencionais, dando</p><p>mais agilidade e velocidade à escrita.</p><p>Criação de palavras novas e uso de gírias, com mais liberdade</p><p>para expressar novos conceitos ou adaptar termos de outras</p><p>línguas.</p><p>Estrangeirismos, usando e incorporando termos de outra língua,</p><p>frequentemente do inglês.</p><p>Uso de caracteres especiais (@, #) e emoticons (ou emojis) para</p><p>adequação aos códigos utilizados em meios digitais ou como</p><p>alternativa para expressar emoções e intuitos.</p><p>Integração ou hibridismo entre escrita, sons, imagens e outras</p><p>linguagens (hipertexto, por exemplo) para maior expressividade.</p><p>A informalidade e a irreverência da linguagem na Internet acabam se</p><p>distanciando da formalidade da língua que utilizamos nos documentos,</p><p>nos livros, na escola ou nas relações mais formais no trabalho. Por isso</p><p>mesmo, haverá inadequação no uso da língua quando escrevermos um</p><p>trabalho acadêmico ou redigirmos um e-mail na empresa em que</p><p>trabalhamos com a informalidade ou alguma característica do</p><p>internetês.</p><p>Algumas pessoas acham que o uso despreocupado da língua</p><p>portuguesa na Internet, em relação às normas gramaticais, seria um tipo</p><p>de deformação que contribuiria para um empobrecimento linguístico e</p><p>cultural. Quer saber o motivo por trás desse pensamento?</p><p>Resposta</p><p>A invasão de palavras inglesas, ligadas à informática e à Internet, é vista</p><p>como ameaça à língua portuguesa, levando os usuários a incorporarem</p><p>expressões e valores culturais estrangeiros que redundariam em</p><p>prejuízo à cultura nacional e local.</p><p>Conforme diz Saldanha (2001, p. 35), deve-se ter o cuidado de não se</p><p>impor um único registro da língua, elegendo-se determinada variação ou</p><p>modalidade linguística padrão para a Internet, nem tampouco se fechar</p><p>temerariamente a qualquer tipo de contribuição linguística vinda de fora.</p><p>Valer-se criteriosamente da contribuição de outras línguas é, na verdade,</p><p>o recomendável nessa questão; reconhecendo-se, dessa forma, uma</p><p>prática histórica que ocorre no seio da língua portuguesa em relação a</p><p>línguas como o grego, o italiano, o francês e outras mais desde muito</p><p>tempo.</p><p>Sobre textos na Internet, Bechara fala:</p><p>A Internet, pela sua especificidade,</p><p>exige ou propicia um tipo de texto</p><p>especial. Também aqui a</p><p>inadequação consiste em querer</p><p>redigir um texto qualquer fora da</p><p>Internet como se fora para ela, ou</p><p>vice-versa. Todo texto – na Internet</p><p>ou não –, como toda expressão</p><p>linguística, deve estar adequado às</p><p>ideias, ao interlocutor e às</p><p>circunstâncias.</p><p>(BRECHARA, 2000, n. p.)</p><p>Constatar que a língua varia, seja em seu uso na Internet ou na</p><p>diversidade de espaços e situações comunicativas, deve nos levar a</p><p>reconhecer a legitimidade das diferentes linguagens e evitar o</p><p>preconceito ou a estigmatização de falares, dialetos ou qualquer</p><p>variedade linguística. Ao mesmo tempo, precisamos reconhecer que a</p><p>língua aprendida na escola constitui a norma para comunicação e</p><p>convívio no ambiente acadêmico e profissional, além daqueles espaços</p><p>e das interações sociais em que a língua padrão é a mais adequada.</p><p>No próximo módulo, você conhecerá algumas características da língua</p><p>padrão, também chamada norma culta, além de refletir sobre seu uso</p><p>nas situações em que ela é necessária.</p><p>A língua nas mídias digitais: o</p><p>internetês</p><p>Acompanhe neste vídeo as características e o uso da língua no contexto</p><p>das mídias digitais.</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Identifique a opção que apresenta um exemplo de variação</p><p>linguística do português em função do baixo grau de escolaridade</p><p>do falante.</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>A alternativa</p><p>C apresenta marcas da variedade linguística em</p><p>função da classe social e baixa escolaridade como: falta de</p><p>concordância nominal e verbal em “os dono pediu” e uso de “pra</p><p>mim fazer” no lugar de “para eu fazer”. As alternativas A e D</p><p>apresentam características do Internetês. A opção B retrata um</p><p>registro ou forma de falar ajustados ao interlocutor e à situação</p><p>A</p><p>Depois daquele post misterioso, resolvi estalquear o</p><p>Face dele.</p><p>B</p><p>Que menino lindinho, vamos abrir a boquinha para a</p><p>tia ver se o dentinho já está nascendo?</p><p>C Os dono pediu pra mim fazer a obra.</p><p>D</p><p>#sextou! Partiu encontrar os amigos da facul no</p><p>happy hour!</p><p>E Estou a esperar uma resposta tua.</p><p>(verificação da saúde bucal de uma criança). A opção E traz um</p><p>registro do português de Portugal.</p><p>Questão 2</p><p>Considere o texto a seguir:</p><p>Mandioca: mais um presente da Amazônia</p><p>Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As designações da</p><p>Manihot utilissima podem variar de região, no Brasil, mas uma delas</p><p>deve ser levada em conta em todo o território nacional: pão-de-</p><p>pobre – e por motivos óbvios. Rica em fécula, a mandioca – uma</p><p>planta rústica e nativa da Amazônia disseminada no mundo inteiro,</p><p>especialmente pelos colonizadores portugueses – é a base de</p><p>sustento de muitos brasileiros e o único alimento disponível para</p><p>mais de 600 milhões de pessoas em vários pontos do planeta, e em</p><p>particular em algumas regiões da África. (O melhor do Globo Rural,</p><p>fev. 2005).</p><p>De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de nomes para a</p><p>Manihot utilissima, nome científico da mandioca. Esse fenômeno</p><p>revela que</p><p>A</p><p>a planta é nomeada conforme as particularidades</p><p>que apresenta, recebendo diversos nomes porque</p><p>se trata de uma planta diferente em cada caso e,</p><p>ainda, porque não é comum uma língua possuir</p><p>mais de um nome para uma mesma planta ou</p><p>ingrediente.</p><p>B</p><p>existem variedades regionais para nomear uma</p><p>mesma espécie de planta, exemplificando a</p><p>ocorrência da variação linguística.</p><p>C</p><p>os nomes designam espécies diferentes da planta,</p><p>conforme a região, confirmando a uniformidade da</p><p>língua portuguesa.</p><p>D</p><p>a expressão “pão-de-pobre” confirma a</p><p>uniformidade da língua, demonstrando a unidade e</p><p>não variação da língua portuguesa.</p><p>E</p><p>mandioca é o nome específico para a planta que</p><p>existe somente na Amazônia, sendo os demais</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>A variedade de nomes para a mesma planta revela a existência da</p><p>variação linguística, mais especificamente, a variação produzida</p><p>pelos regionalismos.</p><p>2 - Conceito e usos da norma culta</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car o conceito de norma culta e suas</p><p>implicações no uso da língua portuguesa.</p><p>A relação entre a variação linguística</p><p>e a norma culta</p><p>Depois de compreendermos o que é variação linguística, podemos nos</p><p>perguntar:</p><p>Será que toda forma de usar a língua é válida, desde que as</p><p>pessoas se entendam?</p><p>Os diferentes usos da língua seriam desvios e incorreções da</p><p>norma culta ou apenas o jeito legítimo de cada um se expressar</p><p>como bem quiser?</p><p>Questionamentos sobre o uso da língua são importantes porque todos</p><p>nós aprendemos na escola a chamada língua culta, mas convivemos</p><p>boa parte do tempo com usos da língua que podem eventualmente ser</p><p>diferentes da norma padrão, aquela que estudamos nos livros de</p><p>gramática.</p><p>nomes designações para outro tipo de planta.</p><p>É preciso entender o que é a norma culta e qual o objetivo da gramática</p><p>no aprendizado da língua para, então, respondermos sobre que tipo de</p><p>língua usar nas diversas situações de comunicação do dia a dia.</p><p>A norma culta é formada por um conjunto de</p><p>estruturas concebidas como corretas, que podem ser</p><p>usadas tanto para falar quanto para escrever. Trata-se</p><p>da chamada variante padrão ou norma padrão.</p><p>A norma culta é tão valorizada socialmente que, quando estão em um</p><p>ambiente mais formal, os indivíduos com alto nível de escolaridade</p><p>procuram monitorar sua fala.</p><p>Quando alguém fala ou escreve de modo muito distinto da norma culta</p><p>em qualquer situação de comunicação, temos uma determinada</p><p>característica de seu papel social como falante da língua.</p><p>Exemplo</p><p>Se o falante tem baixa escolaridade e pertence a uma comunidade</p><p>linguística que se comunica assim, seu uso da língua reflete seu grupo</p><p>social, e não se espera que use a língua padrão. Já se teve acesso à</p><p>educação formal e alta escolaridade, espera-se que utilize a norma culta</p><p>em situações formais. Caso isso não aconteça, ele frustrará a</p><p>expectativa em função da classe social e comunidade linguística às</p><p>quais pertence.</p><p>Agora, imagine um professor universitário em uma videoaula dizendo o</p><p>seguinte:</p><p>Embora o uso do pronome ela como objeto direto seja comum na fala</p><p>de muitas pessoas – mesmo escolarizadas –, ele não é prescrito pela</p><p>gramática.</p><p>Logo, a forma adequada, conforme a norma culta, é:</p><p>Usar o pronome oblíquo a substituindo um substantivo é algo formal,</p><p>mas, uma boa alternativa seria optar pelo uso de um termo equivalente</p><p>ou sinônimo: “A exposição foi encerrada, mas eu vi as obras de arte no</p><p>ano passado”.</p><p>A língua pode ser comparada a um guarda-roupa, com vestimentas para</p><p>diversas ocasiões e finalidades. A norma culta seria comparada a</p><p>vestuários convenientes em situações formais, com diferentes graus de</p><p>formalidade, como cerimônia de casamento, audiência num tribunal,</p><p>entrevista de emprego, ambiente de trabalho, ambiente acadêmico etc.</p><p>Terno, gravata, vestido longo, tailleur, terninho e alguns acessórios e</p><p>adereços seriam adequados a algumas dessas situações. Não é</p><p>adequado comparecer a esses ambientes ou participar dessas</p><p>situações como se fôssemos à praia, usando sunga ou biquíni, por</p><p>exemplo.</p><p>Essa imagem ou comparação da língua com o guarda-roupa nos ajuda a</p><p>compreender o conceito de adequação no uso da língua.</p><p>Quem faz uma analogia similar é o linguista brasileiro Marcos Bagno</p><p>(2005), que compara a língua padrão ao molde de um vestido.</p><p>De acordo com Bagno (2005), o molde não pode ser interpretado</p><p>como sendo o próprio vestido. Embora contenha as peças sobre</p><p>as quais o tecido será cortado, sequer de tecido o molde é feito.</p><p>Ele diz isso para ilustrar a diferença entre o ideal (as normas da</p><p>língua reunidas) e o real (os falantes em situação de uso).</p><p>As regras da gramática normativa e o ideal de língua padrão</p><p>teriam a função de ser um molde, mas o uso dessas normas</p><p>acabaria sendo "uma costura às avessas". Assim, em vez de o</p><p>molde servir para "cortar o tecido e depois montar o vestido",</p><p>aqueles que se apegam à língua padrão como única forma válida</p><p>e legítima de uso da língua consideram o "uso real e concreto da</p><p>língua (um vestido já pronto) e vão medir e avaliar esse uso para</p><p>ver se ele está de acordo com o molde pré-estabelecido"</p><p>(BAGNO, 2005, p. 160).</p><p>A norma culta ou norma padrão pode ser entendida, então, como</p><p>um modelo, uma medida, um conjunto sistematizado de</p><p>orientações, situando-se num contínuo de variações. Como</p><p>nenhum falante segue ou domina rigorosa e completamente as</p><p>regras da norma padrão, temos numa das extremidades o falante</p><p>que mais se aproxima do ideal linguístico, elaborando um</p><p>discurso mais culto; na outra ponta, encontramos os falantes</p><p>que mais se afastam do modelo de perfeição linguístico e que</p><p>produzem uma variedade menos culta.</p><p>A norma padrão acaba sendo uma abstração, um modelo, um</p><p>ideal a partir do qual se produzem diversos modos de uso da</p><p>língua. As variedades linguísticas seriam, então, mais concretas,</p><p>realizando-se por meio da fala que é ouvida, recolhida, registrada,</p><p>comparada e analisada pela Sociolinguística, por exemplo.</p><p>É adequado usar a norma culta quando essa é a expectativa da</p><p>sociedade ou da comunidade linguística em função do nosso status,</p><p>classe social, formação acadêmica ou atividade profissional. Também é</p><p>adequado o seu uso nas situações de comunicação formais, oficiais,</p><p>nas atividades escolares e acadêmicas, na atividade profissional etc.</p><p>Em situações mais informais ou quando a expectativa</p><p>da comunidade linguística em que interagimos</p><p>for de</p><p>uma comunicação coloquial, então usaremos a língua</p><p>num registro menos formal, ainda que não</p><p>inteiramente distante da norma culta.</p><p>Língua padrão como molde de um vestido </p><p>É preciso cuidado com as escolhas linguísticas que fazemos para que</p><p>nosso interlocutor não as interprete como erro ou grosseria. Também</p><p>devemos atentar para a escrita, pois algumas liberdades ou licenças</p><p>numa fala mais informal podem ser inadequadas na escrita. Por</p><p>exemplo, não fica bem escrever nas redes sociais ou num e-mail</p><p>expressões ou incorreções gramaticais muito comuns na fala coloquial</p><p>ou descuidada.</p><p>A seguir, reunimos dois jeitos de comunicar a mesma coisa: de acordo</p><p>com o registro culto (ou seja, a norma culta da língua) e de acordo com</p><p>o registro coloquial, que representa os usos mais comuns na oralidade,</p><p>mas que têm que ser evitados – principalmente em textos escritos.</p><p>Registro coloquial</p><p></p><p>Registro coloquial</p><p>Registro culto</p><p>Eu a vi ontem.</p><p>Registro coloquial</p><p></p><p>Registro coloquial</p><p>Registro culto</p><p>Isso é muito bom para nós.</p><p>Registro coloquial</p><p></p><p>Registro coloquial</p><p>Registro culto</p><p>Tire a carrapeta da torneira e conserte-a.</p><p>Registro coloquial</p><p></p><p>Registro coloquial</p><p>Registro culto</p><p>Todos têm conhecimento dessa questão.</p><p>Registro coloquial</p><p></p><p>Registro coloquial</p><p>Registro culto</p><p>Retire-se daqui.</p><p>Registro coloquial</p><p></p><p>Registro coloquial</p><p>Registro culto</p><p>O homem interpelou-me aos gritos.</p><p>Registro coloquial</p><p></p><p>Registro coloquial</p><p>Registro culto</p><p>Faltam cinco minutos para acabar a aula.</p><p>Registro coloquial</p><p></p><p>Registro coloquial</p><p>Registro culto</p><p>O diretor pediu para eu vir aqui.</p><p>A relação entre a variação linguística</p><p>e a norma culta</p><p>Confira um bate-papo sobre alguns usos da língua e sua relação com a</p><p>norma culta.</p><p></p><p>Norma culta e gramática</p><p>O que de�ne a norma culta da língua?</p><p>De acordo com o professor e linguista Luiz Travaglia (2001, p. 25-26), os</p><p>argumentos ou as justificativas para o estabelecimento da norma culta</p><p>são os seguintes:</p><p>Uso de critérios como elegância, colorido, beleza, finura,</p><p>expressividade. Rejeição de vícios como a cacofonia, colisão,</p><p>eco, pleonasmo etc.</p><p>Opção pelo uso da língua pertencente à classe de prestígio em</p><p>detrimento do uso das classes populares.</p><p>Critério de purismo e vernaculidade. Rejeição de estrangeirismo</p><p>ou qualquer aspecto que “ameace” a identidade ou soberania da</p><p>nação ou da cultura nacional.</p><p>Critérios relacionados com a facilidade de comunicação e</p><p>compreensão. As construções e o léxico devem resultar na</p><p>“expressão do pensamento”.</p><p>Estéticos </p><p>Elitistas ou aristocráticos </p><p>Políticos </p><p>Comunicacionais </p><p>Históricos </p><p>Recorre-se à tradição para critérios de exclusão e permanência</p><p>de usos da língua.</p><p>A norma culta ou língua padrão é dependente da observância e uso das</p><p>regras estabelecidas pela gramática normativa. Por isso, vale entender</p><p>um pouco melhor o que é e como ela funciona.</p><p>Gramática normativa</p><p>É a gramática da escola, por meio da qual você aprendeu as principais</p><p>regras ou normas da língua padrão, principalmente da modalidade</p><p>escrita. Ela prescreve o que é considerado correto e reprova o que é</p><p>errado de acordo com a norma culta, a única considerada como válida.</p><p>Por isso mesmo, a gramática normativa também é denominada</p><p>“gramática prescritiva”.</p><p>A gramática normativa tende a</p><p>considerar apenas os fatos da</p><p>língua escrita, tomando a variedade</p><p>oral da norma culta como idêntica à</p><p>escrita. Apresenta uma descrição do</p><p>padrão culto da língua e dita normas</p><p>de bem falar e escrever, valorizando</p><p>a correção gramatical.</p><p>(TRAVAGLIA, 2001, p. 30-31)</p><p>Oswald de Andrade (1890-1954), no poema Pronominais, publicado em</p><p>1925, já retratava de forma irreverente e provocativa a imposição das</p><p>regras da gramática normativa e a dificuldade de seu uso na fala das</p><p>pessoas despreocupadas com a norma culta ou mesmo sem o seu</p><p>domínio. Vamos ler o poema a seguir:</p><p>Pronominais</p><p>(Oswald de Andrade)</p><p></p><p>Pronominais</p><p>(Oswald de Andrade)</p><p>Dê-me um cigarro</p><p>Diz a gramática</p><p>Do professor e do aluno</p><p>E do mulato sabido</p><p>Mas o bom negro e o bom branco</p><p>Da Nação Brasileira</p><p>Dizem todos os dias</p><p>Deixa disso camarada</p><p>Me dá um cigarro</p><p>O poema é um interessante registro literário da variação linguística em</p><p>função de diferentes modalidades (escrita e oralidade) e diferentes</p><p>grupos ou classes sociais (letrados e não letrados).</p><p>O poema opõe os usos do pronome “me”:</p><p>Dê-me um cigarro</p><p>Registro formal</p><p>Ênclise</p><p>Norma culta: não se</p><p>inicia frase com</p><p>pronome átono antes</p><p>do verbo (próclise), pois</p><p>o correto é o pronome</p><p>átono após o verbo</p><p>(ênclise).</p><p>Me dá um cigarro</p><p>Registro informal</p><p>Próclise</p><p>Forma coloquial:</p><p>inadequação</p><p>gramatical, a gramática</p><p>prescreve a ênclise.</p><p>Ênclise</p><p>Quando o pronome é colocado após o verbo.</p><p>Próclise</p><p>Quando o pronome é colocado antes do verbo.</p><p>Segundo Travaglia (2001, p. 24), a gramática normativa pode ser</p><p>entendida, também, como “um manual com regras de uso da língua a</p><p>serem seguidas por aqueles que querem se expressar</p><p>adequadamente”. Assim, somente é abonado ou aceito pela gramática o</p><p>que obedece às normas do bom uso da língua, configurando o falar e o</p><p>escrever corretamente. Por isso, todas as outras formas de uso da</p><p>língua são consideradas desvios, erros, deformações ou degenerações.</p><p>Para encerrarmos os estudos deste módulo, observe os exemplos de</p><p>como a gramática normativa indica a formalidade de uso da língua:</p><p></p><p>Regência do verbo “gostar” </p><p>Frequentemente, ouvimos na fala do indivíduo considerado culto</p><p>a seguinte frase:</p><p>O livro que eu gosto já está esgotado.</p><p>No entanto, a gramática normativa prescreve uma construção</p><p>diferente:</p><p>O livro de que eu gosto já está esgotado.</p><p>Essa prescrição é baseada no fato de que, de acordo com a</p><p>norma culta, a regência do verbo gostar exige a preposição de.</p><p>Exemplo:</p><p>Eu gosto disso.</p><p>Como você deve ter aprendido na escola, eu é pronome pessoal</p><p>do caso reto e só pode ser usado na função de sujeito:</p><p>Com verbo no infinitivo: Não há nada entre eu sair e você</p><p>ficar em casa.</p><p>Sem verbo no infinitivo: Não há nada entre mim e você.</p><p>Vamos a outro exemplo de uso da norma culta em relação ao</p><p>uso ou não da fusão da preposição “de” com o pronome “ele”:</p><p>1) Dele quando corresponde a um pronome possessivo.</p><p>Exemplo:</p><p>A paciência dele acabou, e ele saiu da sala.</p><p>2) Dele quando corresponde à combinação da preposição de</p><p>com o pronome pessoal oblíquo tônico ele, na função de objeto</p><p>indireto.</p><p>Exemplo:</p><p>Ana gosta muito dele, e ele saiu da sala.</p><p>3) De ele como preposição de mais o pronome pessoal ele. Essa</p><p>combinação só pode ser usada quando ele for sujeito de uma</p><p>oração reduzida de infinitivo.</p><p>Exemplos:</p><p>Conversamos sobre isso de ele sair. (= de que ele saísse)</p><p>Apesar de ele ter comprado o carro, foi de táxi à festa.</p><p>Uso de “entre eu” e “entre mim” </p><p>Fusão da preposição “de” com o pronome “ele” </p><p>O segredo é o verbo no infinitivo. Só podemos usar de ele</p><p>quando houver esse verbo.</p><p>Exemplo:</p><p>Fizemos a surpresa antes de ele chegar ao curso.</p><p>Veja ainda outra ocorrência na língua coloquial distinta do que</p><p>estabelece a gramática normativa:</p><p>Para mim ou para eu?</p><p>1) Eu é um pronome pessoal do caso reto e exerce a função de</p><p>sujeito.</p><p>2) Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico, nunca exerce a</p><p>função de sujeito e, obrigatoriamente, deve ser usado com</p><p>preposição: “a mim”, “de mim”, “entre mim”, “para mim”, “por</p><p>mim” etc.</p><p>Exemplos:</p><p>Ana trouxe o livro para eu ler. (= sujeito)</p><p>Ana trouxe o livro para mim. (= não é sujeito)</p><p>Exemplos:</p><p>Minha irmã saiu da festa antes de mim.</p><p>Ela voltou para o escritório antes de eu chegar.</p><p>Nossos professores fizeram isso por mim.</p><p>Mariana fez isso por eu estar cansada.</p><p>Observe, no entanto, a mudança no significado trazida pelo uso</p><p>da vírgula:</p><p>Para eu sair de casa, foi preciso organizar minhas finanças.</p><p>Para mim, vender meu primeiro imóvel foi uma grande conquista.</p><p>Na primeira frase, o pronome pessoal reto (eu) é o sujeito do</p><p>infinitivo (sair). Já na segunda frase, a vírgula indica que para</p><p>mim está deslocado. Nesse caso, devemos usar o pronome</p><p>oblíquo (mim), pois ele não é o sujeito do verbo vender.</p><p>Norma culta e gramática</p><p>Conheça, neste vídeo, os critérios de estabelecimento da norma culta e</p><p>acompanhe, a partir de exemplos, o uso da gramática normativa na fala</p><p>e na escrita.</p><p>Uso de “para mim” e “para eu” </p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Nem todo uso que se faz da língua está adequado à norma culta.</p><p>Qual opção apresenta o uso da língua portuguesa conforme a</p><p>gramática normativa?</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>A opção D deve ser assinalada porque o uso do pronome pessoal</p><p>“nós” e da forma verbal “vamos” é aceito pela gramática normativa.</p><p>A opção A deveria trazer “Eu a vi” no lugar de “Eu vi ela”. A</p><p>alternativa B deveria ser, de acordo com a norma culta, “Nós sempre</p><p>vamos àquele barzinho”. A opção C deveria trazer “Empresta-me”</p><p>em vez de “Me empresta”. A opção E deveria trazer “eu vir aqui” no</p><p>lugar de “eu vim aqui”.</p><p>Questão 2</p><p>A Eu vi ela ontem na biblioteca.</p><p>B A gente sempre vamos naquele barzinho.</p><p>C Me empresta o carregador de celular.</p><p>D Nós vamos ao cinema.</p><p>E A diretora pediu para eu vim aqui.</p><p>Leia o fragmento a seguir.</p><p>“[...] no mundo real da escrita, não existe apenas um português</p><p>correto, que valeria para todas as ocasiões: o estilo dos contratos</p><p>não é o mesmo dos manuais de instrução; o dos juízes do Supremo</p><p>não é o mesmo dos cordelistas; o dos editoriais dos jornais não é o</p><p>mesmo dos cadernos de cultura dos mesmos jornais. Ou do de</p><p>seus colunistas.” (POSSENTI, S. Gramática na cabeça. Língua</p><p>Portuguesa, a. 5, n. 67, maio 2011).</p><p>O autor do texto argumenta que não existe um único “português</p><p>correto”. Ao aceitarmos esse argumento, devemos concluir que</p><p>dominar a língua portuguesa significa, entre outros aspectos,</p><p>reconhecer que</p><p>Parabéns! A alternativa E está correta.</p><p>Embora a língua apresente variações linguísticas e haja a</p><p>possibilidade de uso de variedades mais informais, o usuário da</p><p>língua deve dominar também a norma culta a fim de poder adequar</p><p>a escrita ou a fala às diferentes situações de comunicação. Desse</p><p>modo, as legítimas formas de se expressar por meio da língua com</p><p>mais liberdade ou informalidade não devem ser motivo para</p><p>desprezar ou não dominar a língua padrão.</p><p>A</p><p>os textos não devem ter marcas de informalidade</p><p>seja qual for o contexto de comunicação.</p><p>B</p><p>o uso da norma padrão deve estar reservado apenas</p><p>aos textos de grande circulação.</p><p>C</p><p>a linguagem jornalística é que deve moldar e definir</p><p>a norma culta do português.</p><p>D</p><p>a norma culta da língua deve ser descartada nas</p><p>situações de comunicação oral, ficando reservada à</p><p>escrita.</p><p>E</p><p>os diferentes tipos de texto e de situações de</p><p>comunicação exigem adequação do uso da língua.</p><p>Considerações �nais</p><p>Como temos visto, a gramática normativa está mais voltada para a</p><p>variedade escrita da língua e se ocupa com a manutenção de regras</p><p>consideradas próprias da língua culta ou de prestígio.</p><p>Há, sem dúvida, a tradição de se prestigiar a língua escrita.</p><p>Possivelmente por ter características mais conservadoras, ela se</p><p>transformar mais lentamente e está sob a proteção da ortografia.</p><p>A escrita manifesta-se sempre em descompasso com as</p><p>transformações da fala, cuja dinâmica do uso lhe traz alterações</p><p>contínuas, naturais e bem mais velozes. Mas, como você aprendeu aqui,</p><p>tanto a escrita quanto a fala de uma língua apresentam variações e</p><p>mudam com o tempo e os inúmeros estímulos que recebem.</p><p>Estudar a língua portuguesa, levando em conta o fenômeno da variação</p><p>linguística e o entendimento do que vêm a ser a norma culta e a</p><p>gramática normativa, certamente, ajudará você a se apropriar cada vez</p><p>mais dos recursos da língua para um uso adequado às diversas</p><p>situações comunicativas.</p><p>Podcast</p><p>Neste podcast, os professores Luís Cláudio Dallier, Fábio Simas e</p><p>Guilherme Cardoso falam sobre norma culta e variação linguística.</p><p></p><p>Explore +</p><p>Confira as indicações que separamos para você!</p><p>Leia o artigo O que é gramática normativa? Entenda seus conceitos</p><p>e tire todas as suas dúvidas!, publicado e disponibilizado pela Rock</p><p>Content, para refletir sobre o uso que você faz da língua</p><p>portuguesa. Aproveite para conferir alguns desvios da norma</p><p>padrão que devem ser evitados.</p><p>Confira o texto Língua sem extremismos, de Arnaldo Niskier,</p><p>disponível no site da Academia Brasileira de Letras (ABL), para se</p><p>inteirar de uma discussão sobre erros gramaticais e norma da</p><p>língua.</p><p>Assista ao vídeo Norma culta e variedade linguística, disponível no</p><p>canal da UNIVESP no YouTube, para acompanhar um debate</p><p>ocorrido anos atrás sobre o certo e o errado no uso da língua</p><p>portuguesa.</p><p>Sobre variação linguística regional, leia: Português do Brasil e</p><p>português de Portugal.</p><p>Referências</p><p>BAGNO, M. A língua de Eulália: novela sociolinguística. São Paulo:</p><p>Contexto, 2005.</p><p>BECHARA, E. 3 questões sobre língua portuguesa. Folha de S. Paulo,</p><p>São Paulo, 2 jul. 2000. Mais!, p. 3.</p><p>COSERIU, E. Lições de Linguística Geral. Rio de Janeiro: Ao livro técnico,</p><p>1980.</p><p>SALDANHA, L. C. D. Bibliotecas imaginárias e o livro eletrônico:</p><p>possiblidades do texto no ciberespaço. Revista Philologus, v. 21, p. 26-</p><p>37, 2001.</p><p>TRAVAGLIA, L. C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de</p><p>gramática. 9. ed. rev. São Paulo: Cortez, 2001.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00227/docs/2_explore.pdf</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00227/docs/2_explore.pdf</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p>