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<p>UNIVERSIDADE PITÁGORAS UNOPAR ANHANGUERA</p><p>Pedagogia</p><p>Cristiane Ferreira</p><p>Identidade Docente</p><p>Cidade Ano</p><p>Pinhas, 2024</p><p>Introdução</p><p>Refere-se a um conjunto de características, experiências e posições de sujeito atribuídas (e</p><p>autoatribuídas) por diferentes discursos e agentes sociais aos docentes no exercício de suas</p><p>funções, em instituições educacionais mais ou menos complexas e burocráticas. A identidade</p><p>docente é, ao mesmo tempo, um processo de identificação e diferenciação, não fixo e provisório, que</p><p>resulta de negociações de ordem simbólica que os professores realizam em meio a um conjunto de</p><p>variáveis como suas biografias, as relações e condições de trabalho, a história e a cultura que</p><p>caracteriza a docência enquanto atividade profissional, e representações colocadas em circulação</p><p>por discursos que disputam os modos de ser e agir dos docentes no exercício do ensino e do</p><p>trabalho docente.</p><p>A partir da sociologia das profissões e do interacionismo simbólico, a identidade docente refere-se</p><p>a um conjunto de “formas identitárias”, que resultam de uma variedade de processos de</p><p>socialização dos docentes, nos quais ocorrem transações entre uma “identidade para si” (que o</p><p>sujeito se atribui a si mesmo numa tensão entre o real e o ideal) e uma “identidade atribuída” (os</p><p>“mandatos” que os outros e a cultura atribuem ao sujeito). (DUBAR, 2005).</p><p>Sendo uma categoria heterogênea e perpassada por divisões internas (de formação profissional,</p><p>dos níveis de ensino e da jurisdição em que atuam, dos tipos de vínculo que estabelecem com seus</p><p>empregadores, das condições de trabalho e carreira, interesses, etc.), o estabelecimento de uma</p><p>identidade profissional para os docentes é uma questão problemática que tem implicações tanto do</p><p>ponto de vista da compreensão da profissionalidade docente. Entender o processo de constituição</p><p>identitária do professor exige pensá-lo como movimento relacionado à história de vida, mas também</p><p>com o contexto histórico, o mundo social e cultural e o conhecimento, aspectos que se encontram em</p><p>permanente mudança.</p><p>Desenvolvimento</p><p>O que é Identidade Docente?</p><p>A identidade docente é um conceito que se refere à construção e desenvolvimento da</p><p>identidade profissional de um professor. Ela engloba as características, valores, crenças e práticas</p><p>que definem a atuação do docente em sala de aula e fora dela. A identidade docente é influenciada</p><p>por diversos fatores, como formação acadêmica, experiências pessoais, contexto social e cultural, e</p><p>as expectativas da sociedade em relação ao papel do professor.O processo de identidade</p><p>profissional incorpora o habitus3 social; o status determinada a profissão dentro de um contexto</p><p>histórico e social. “Uma identidade profissional se constrói a partir da significação social da</p><p>profissão, da revisão constante dos significados sociais da profissão, da revisão das tradições.”</p><p>(PIMENTA, 2000, p. 19).</p><p>A cultura profissional assenta um código interno, criado através da interação social entre todos</p><p>os atores desse campo, permitindo desenvolver uma identidade própria do seu grupo. Essa</p><p>afirmação leva a refletir que a identidade profissional se constrói também pela experiência, na</p><p>interação no campo com outros profissionais. (SANTOS, 2015) A formação da identidade profissional</p><p>integra todas as identificações feitas sobre determinada profissão ao longo da vida. “A formação da</p><p>identidade ocupacional pertence a cada indivíduo inserido em sua história, e deverá continuar</p><p>pertencendo, enquanto projeto de vida ou de futuro.” (LEVENFUS, 1997, p. 122) Conforme Garcia,</p><p>Hypolito e Vieira (2005), entende-se por identidade profissional docente</p><p>Para Pimenta (1996) a identidade docente se constrói pelo significado que cada professor dá</p><p>para a sua profissão, enquanto autor e ator, conferindo à atividade docente, no seu cotidiano, a</p><p>partir de seus valores, de seu modo de situar-se no mundo, de sua história de vida, de suas</p><p>representações, de seus saberes, de suas angústias e de seus anseios. Akkari (2011) informa que</p><p>mais de 60 milhões de professores são contabilizados no mundo. Isso demonstra a magnitude e a</p><p>importância dessa classe de trabalhadores.</p><p>No século XVI, na Europa, teve início o processo de abertura das escolas elementares para as</p><p>classes populares. O objetivo dessas escolas era o ensino da leitura de textos religiosos para a</p><p>manutenção da influência da Igreja sobre a grande massa da população. Nessa época, as escolas</p><p>normalmente funcionavam em igrejas ou conventos, e os docentes eram membros do clero. A</p><p>atividade docente era tida como um sacerdócio, influenciada por razões religiosas, mantida através</p><p>de práticas conservadoras e autoritárias.</p><p>As posições de sujeito que são atribuídas, por diferentes discursos e agentes sociais, aos</p><p>professores e às professoras no exercício de suas funções em contextos laborais concretos.</p><p>Refere-se ainda ao conjunto das representações colocadas em circulação pelos discursos</p><p>relativos aos modos de ser e agir dos professores e professoras no exercício de suas funções</p><p>em instituições educacionais, mais ou menos complexas e burocráticas. (p. 48).</p><p>Para escolarizar grande massa da população, foi necessária a abertura da docência para</p><p>professores leigos visto que somente os membros do clero não dariam conta de tal tarefa.</p><p>Entretanto, os professores leigos assim como os sacerdotes deveriam guiar suas práticas segundo</p><p>concepções religiosas. “Deveriam fazer previamente um juramento de fidelidade aos princípios da</p><p>igreja.” (KREUTZ, 1986, p. 13</p><p>Aspectos históricos da formação e da construção da</p><p>identidade do professor</p><p>A origem da profissão do professor se deu no mundo antigo, mais precisamente no Antigo Egito,</p><p>onde se encontrava ligado ao discurso, pois falar bem consistia no conteúdo e no objetivo principal</p><p>do ensino. A educação tinha como ofício preparar os dirigentes para serem os futuros membros dos</p><p>conselhos constituídos pelos nobres. Um trabalho realizado por prisioneiros na condição de escravos</p><p>que, para escaparem da morte, ensinavam a ler e a escrever as primeiras letras. A condição básica</p><p>do ensino para os egípcios estava na arte de usar a palavra e na composição do discurso.</p><p>Na Grécia Antiga, a educação baseava-se na formação do homem culto. Por isso, os primeiros</p><p>mestres ensinavam música e ginástica. O ensino era iniciado com o aprendizado do bê-á-bá, que</p><p>alfabetizava o cidadão. Na sequência, estudavam a gramática e a retórica. Para Gadotti (2006, p.</p><p>30), “a Grécia atingiu o ideal mais avançado da educação na antiguidade: a Paidéia, uma educação</p><p>integral, que consistia na integração entre a cultura e da sociedade e a criação individual de outra</p><p>cultura numa influência recíproca”. Os gregos criaram a pedagogia da eficiência individual. Tanto os</p><p>mestres gregos como os mestres romanos, egípcios e hebreus, recorriam às varas e aos chicotes</p><p>para ensinar o aprendiz. O pedagogo era um escravo.</p><p>Com as mudanças ocorridas no século XVI e a propagação da fé cristã, ocorreu uma renovação</p><p>ainda mais fundamental no ensino. A Contrarreforma provocou o aparecimento de novas ordens</p><p>religiosas cristãs. Os jesuítas, então, passaram a catequizar e a propagar o catolicismo, a partir de</p><p>um sistema de regras criado e adotado por todas as escolas e missões jesuíticas: o Ratio Studiorum.</p><p>O sistema consistia em um conjunto de regras de conduta em sala de aula, que descrevia ainda a</p><p>regulamentação sobre as relações e os procedimentos dos dirigentes, professores e alunos dentro</p><p>da instituição. Joana Paulin Romanowski (2003) acrescenta que “a orientação do ensino se</p><p>caracterizava por uma sólida formação humanista-cristã. Esse sistema de educação identificou as</p><p>missões jesuítas que se instalaram no período de colonização no Brasil”.</p><p>Com o advento das grandes revoluções do século XVII, fortalecida na Revolução Francesa, a</p><p>institucionalização da educação</p><p>como função do Estado é voltada para a formação do cidadão e</p><p>caracterizada na ideia de criação de uma escola para a formação de professores laicos. Desse</p><p>modo, os professores passam a ser considerados como profissionais a serviço do Estado. Assim</p><p>Durante a Idade Média, a educação tinha como finalidade formar o cristão. Os mestres desse</p><p>período histórico eram os clérigos, os padres das paróquias e dos mosteiros. Muitos desses</p><p>também precisavam aprender as letras, pois predominava o analfabetismo. De acordo com</p><p>Gadotti (2006), o pensamento pedagógico estava baseado no teocentrismo e Cristo era</p><p>reconhecido como um grande educador, popular e bem sucedido, pois a Pedagogia era</p><p>fundamentada em parábolas inventadas no calor dos fatos e motivadas por suas andanças.</p><p>sendo, a educação passa a ser uma solicitação de toda população, aumentando consideravelmente</p><p>a necessidade de um maior número de professores. A primeira escola normal no Brasil foi criada na</p><p>Província do Rio de Janeiro, em 1835. A partir daí foram surgindo outras escolas e necessariamente</p><p>os professores precisavam receber uma formação.</p><p>A formação oferecida por essas escolas priorizava um currículo centrado nos conteúdos da escola</p><p>elementar e compreendia a formação pedagógica em uma disciplina (Pedagogia ou Métodos de</p><p>Ensino). O curso tinha duração de dois anos e era ministrado por um ou dois professores para todas</p><p>as disciplinas propostas. No final do império a maioria das províncias tinha mais de uma escola</p><p>normal.</p><p>Nessa época, a formação do professor não era considerada vital para o exercício do magistério.</p><p>Joana Paulin Romanowski (2003, p. 14) afirma que “o exercício da atividade docente se resumia na</p><p>conclusão das tarefas propostas pelo livro didático, tornando as aulas rotineiras, predeterminadas,</p><p>fragmentadas e descontextualizadas”. Destaca-se ainda que as primeiras escolas normais eram</p><p>destinadas exclusivamente para alunos do sexo masculino. Portanto, as mulheres não tinham acesso</p><p>à educação formal, visto que a educação estava voltada somente para o lar e para a educação</p><p>familiar, pois a mulher era vista como objeto de procriação, sem a necessidade de uma formação</p><p>intelectual.</p><p>Desafios enfrentados pelo docente nos dias atuais</p><p>A finalidade dessa temática é um convite à reflexão a partir dos desafios encontrados pelos</p><p>docentes, para que o professor possa pensar sobre a sua formação numa perspectiva</p><p>humanizadora, pois não é ensinar por ensinar, mas fazer valer o que foi aprendido nos bancos da</p><p>Faculdade, tanto com as teorias como com as vivências cotidianas entre colegas e pares.</p><p>Segundo Romanowski (2008), a concretização da ação docente realiza-se no cotidiano da sua sala</p><p>de aula. Ou seja, a partir da práxis pedagógica, do planejamento e do grupo de estudos, a prática</p><p>educacional é inserida na tessitura social e configurada na interação entre os sujeitos para a</p><p>concretização da intencionalidade educacional como uma intervenção social, contextualizada</p><p>historicamente e efetivada processualmente.</p><p>Os desafios são muitos e a complexidade da profissão de professor está intrinsecamente envolvida</p><p>no espaço público da palavra e da ação. Nesse contexto, é possível identificar profissionais</p><p>eficientes em suas ações. Porém, ineficientes quando parte para a questão do ensino, visto que se</p><p>ensina bem o conteúdo, mas por vezes contribui pouco para a formação do aluno. Para Luck (2011,</p><p>p. 76), “o processo educacional só se transforma e só se torna competente na medida em que seus</p><p>participantes obtiverem consciência de que são corresponsáveis pelo desenvolvimento e resultados</p><p>de uma aprendizagem crítico reflexiva”.</p><p>A expansão da escolarização dá-se durante o século XX, quando a escola se concretiza como</p><p>agente de propagação do conhecimento e do desenvolvimento social e cultural da humanidade.</p><p>A exigência da criação de escolas para todas as crianças passa a vigorar e a integrar todas as</p><p>propostas de organização para o bem-estar social. Anos se passaram, mas o que se percebe é</p><p>que a educação andou a passos lentos e ainda não temos todas as crianças nas escolas e nem</p><p>escolas apropriadas para atender as nossas crianças como elas merecem.</p><p>Formação Acadêmica e Identidade Docente</p><p>A formação acadêmica desempenha um papel fundamental na construção da identidade docente.</p><p>Durante o curso de licenciatura, os futuros professores têm a oportunidade de adquirir</p><p>conhecimentos teóricos e práticos sobre a educação e desenvolver habilidades pedagógicas. Essa</p><p>formação contribui para a construção da identidade profissional, pois permite aos professores</p><p>refletirem sobre sua prática e desenvolverem uma visão própria sobre o ensino e a aprendizagem.</p><p>Contexto Social e Cultural e Identidade Docente</p><p>O contexto social e cultural em que os professores estão inseridos também influencia a construção</p><p>de sua identidade docente. Cada sociedade e cultura têm suas próprias expectativas em relação ao</p><p>papel do professor e às práticas educacionais. Por exemplo, em algumas culturas, espera-se que os</p><p>professores sejam autoritários e transmitam conhecimento de forma tradicional, enquanto em outras</p><p>culturas, valoriza-se uma abordagem mais participativa e centrada no aluno. Os professores</p><p>precisam lidar com essas expectativas e encontrar um equilíbrio entre suas próprias convicções e as</p><p>demandas do contexto em que atuam.</p><p>Desenvolvimento da Identidade Docente</p><p>O desenvolvimento da identidade docente é um processo contínuo que envolve reflexão,</p><p>aprendizado e adaptação. Os professores precisam estar abertos a novas experiências e desafios,</p><p>buscando constantemente aprimorar suas práticas e conhecimentos. A formação continuada, por</p><p>meio de cursos, workshops e trocas de experiências com outros profissionais, é fundamental para o</p><p>desenvolvimento da identidade docente. Além disso, o apoio e reconhecimento por parte da escola e</p><p>da comunidade também são essenciais para fortalecer a identidade profissional dos professores.</p><p>Considerações Finas</p><p>A identidade docente é um conceito complexo e multifacetado, que envolve a construção e</p><p>desenvolvimento da identidade profissional dos professores. Ela é influenciada por diversos fatores,</p><p>como formação acadêmica, experiências pessoais, contexto social e cultural, e as expectativas da</p><p>sociedade. A construção da identidade docente enfrenta desafios, como conciliar as expectativas da</p><p>sociedade com as próprias convicções e valores dos professores. No entanto, uma identidade</p><p>docente bem construída é de extrema importância, pois influencia diretamente a forma como os</p><p>professores atuam em sala de aula e o impacto que têm sobre os alunos. Portanto, é fundamental</p><p>investir no desenvolvimento da identidade docente, por meio de formação continuada e apoio da</p><p>escola e da comunidade.Embora poucos estudos tenham centrado suas análises na influência das</p><p>experiências de vida ou, mais especificamente, das experiências socioeducativas dos professores</p><p>antes do ingresso na formação inicial, há o reconhecimento de que estas vivências interferem e são</p><p>cruciais para o entendimento dos papéis da docência e da elaboração identitária de ser professor.</p><p>Os instrumentos frequentemente empregados nos estudos foram as entrevistas e os diários de</p><p>campo. Ao serem ouvidas as percepções de professores da educação básica e do ensino superior, e</p><p>serem retratadas as falas de estudantes sobre o ser professor, os estudos qualificaram suas análises</p><p>no realismo das rotinas dos contextos por eles vividos e transformados</p>

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