A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
282 pág.
IPEA_ Dialogos p o Desenvolvimento_ v3

Pré-visualização | Página 37 de 50

por.Carlos.Henrique.R..de.Siqueira.e.Natália.Orlandi.Silveira,.e.submetidos.aos.seus.autores.para.revisão.e.validação...
114 Complexidade e Desenvolvimento
Há quatro trabalhos em andamento a partir dessa abordagem. O primeiro é 
Inovação e empresas inovadoras na indústria brasileira, encomendado pela Agência 
Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), gestora da Política de Desen-
volvimento Produtivo (PDP). Essa pesquisa trabalha com os setores que a PDP 
considera prioritários. O Sondagem da inovação tecnológica, também encomen-
dado pela ABDI. A ideia aqui é de fato inovadora, e podemos discutir isso mais 
tarde. Mas a ideia é ter um survey trimestral da inovação tecnológica, que real-
mente ainda não existe no Brasil. Há muito survey sobre indústria. Há a Pesquisa 
de Inovação Tecnológica (PINTEC), que gostaríamos que fosse anual, mas ainda 
não é. Hoje ela é realizada de dois em dois anos, e houve muita descontinuidade. 
Sabemos que o desenho dela é bastante avançado, o que é um enorme ganho.
O que estamos pensando em fazer aqui é um acompanhamento da inovação 
que pretende captar um elemento que a PINTEC não capta, que é o elemento das 
expectativas do ponto de vista da inovação tecnológica. Uma pesquisa feita de dois 
em dois anos ou anual não capta expectativa. O mês zero dessa pesquisa é junho de 
2009, e o que se pretende é obter uma medida da expectativa. E seria, na verdade, 
complementar à PINTEC porque teríamos dados de fluxo da inovação tecnológica. 
Coisa que a PINTEC sozinha não consegue por conta da periodicidade.
Eu diria que nossa pesquisa é ousada. Tem risco, evidentemente, mas temos 
uma equipe bastante competente. Tanto no Cedeplar quanto no Ipea, há muita 
gente envolvida, e temos já um caminho percorrido que pode minimizar os riscos 
inerentes a esse tipo de pesquisa.
A terceira pesquisa é Empresas potenciais exportadoras da economia brasileira. 
O enfoque é a competitividade da indústria brasileira. Usamos a mesma metodo-
logia aplicada para a avaliação de impacto por parte de agências internacionais, 
como o Banco Mundial. 
A origem desse trabalho é a dissertação de mestrado do Bruno Araújo, um 
pesquisador do Ipea. A ideia já avançou desde o início até hoje porque aqui fize-
mos um tipo de exercício do ponto de vista setorial, que é o que importa em ter-
mos de promoção à exportação. Para a Agência Brasileira de Promoção de Expor-
tações e Investimentos (Apex), a questão fundamental para se usar os mecanismos 
corretos para a exportação é ter um mapeamento dessas potenciais empresas ex-
portadoras do ponto de vista setorial, algo que faz um diálogo direto com a PDP.
Finalmente, o quarto trabalho é uma Avaliação dos fundos setoriais da FINEP. 
Este é um estudo importante e o Ipea se empenhou muito para viabilizá-lo. O 
convênio com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) foi assinado este 
mês2 e a pesquisa está começando a fazer a primeira avaliação oficial dos fundos 
2..Nota.dos.organizadores:.refere-se.ao.mês.de.julho.de.2009.
115Estrutura tecnoprodutiva avançada e regionalmente integrada
setoriais no Brasil. E, como se sabe, esses fundos têm um papel extremamente 
relevante do ponto de vista do financiamento da inovação tecnológica no país.
Portanto, as quatro pesquisas estão muito articuladas. Há uma linha de co-
nexão entre elas, na qual a indústria é o foco principal, embora não exclusivamente. 
A ideia é que tanto a pesquisa de avaliação dos fundos, como a de potencialidades 
exportadoras se expanda para pesquisa sobre o setor de serviços, algo nada simples 
de se fazer. Apesar disso, há a intenção de que incluamos esse setor nas pesquisas, 
e não ficarmos exclusivamente centrados na indústria.
Todas as quatro pesquisas que apresentei são de duração relativamente longa. 
A média geral é de dois anos para cada uma, e de fato é um desafio grande que 
estamos enfrentando nesse momento.
A temática comum presente nas pesquisas está inserida num contexto mais 
geral de preocupações. Primeiro, como acumular desenvolvimento tecnológico e 
acumular conhecimento nas empresas. O nosso enfoque é a empresa, não num 
setor stricto sensu. Claro que o ambiente de atuação dela é o setor, mas nossa uni-
dade de análise em todas as quatro pesquisas é a empresa. Ou, no caso do trabalho 
sobre fundos setoriais, instituições de pesquisa e pesquisadores, como os líderes 
de grupos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico (CNPq), que estão em nossa amostra. 
Há algumas hipóteses subentendidas nessas pesquisas. A primeira é a tese 
clássica relacionada à indústria de substituição de importações. Ou seja, a inovação 
tecnológica se realizava via aquisição de bens de capital. A inovação se dava através 
de capital fixo, de um bem tangível e através da entrada de grupos nacionais em 
alguns setores importantes da economia brasileira. 
O que estamos nos propondo a fazer nesses estudos é pensar o outro lado da 
história, que é o investimento em geração de conhecimento. Esse é o ponto que 
une de fato todas essas pesquisas.
O centro da política industrial dos países que desejam mudar de posição está 
concentrado na acumulação de conhecimento e no investimento necessário para 
isso. Sabemos que nenhum país mudou de posição relativa sem que esse aspecto 
fosse considerado como o elemento principal da política industrial.
É claro que subliminarmente já estamos considerando como um dado que 
é necessário uma política industrial num país com as condições de desenvolvi-
mento que temos. Isso para nós é um suposto teórico. Não estamos discutindo a 
necessidade ou não de uma política industrial. Esse é um dado do qual partimos. 
Podemos voltar a essa questão se houver algum interesse nesse debate, mas esse já 
é um suposto do estudo.
116 Complexidade e Desenvolvimento
A PINTEC nos ajudou demais a fazer isso que estamos fazendo. Eram ne-
cessárias duas coisas: ter uma pesquisa nacional de inovação tecnológica, e um 
esforço de consolidar isso nas bases de dados existentes no Brasil. Inicialmente 
isso foi feito na tese de doutorado do João Alberto De Negri, que originalmente 
fez a integração das bases de dados. Depois houve uma integração feita pelo Ipea e o 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E é sobre essa base de dados in-
tegrada que estamos desenvolvendo essas pesquisas. Sem isso as pesquisas fundamen-
tadas em microdados não seriam possíveis. E esse é um mérito do Ipea. Dificilmente 
uma universidade sozinha conseguiria fazer, pois há uma dificuldade institucional de 
se conseguir transitar em todos os espaços necessários para colher os dados.
Ressaltar isso é importante, porque damos como certa a existência das fon-
tes de informação. Mas não é nada dado. E isso fica mais claro quando vemos a 
situação dos nossos países vizinhos da América do Sul, nos quais a consolidação 
dessas informações está longe de ser alcançada, sobretudo a sofisticação que tem 
as bases consolidadas pelo Ipea.
A ideia, portanto, é trabalhar a partir dessas bases de dados. Vamos tentar 
trabalhar na perspectiva setorial. A ideia de setor é repensada a partir da unidade 
de análise empresa, e a partir de uma base integrada que nos forneça um conjunto 
de informações que vai muito além das características produtivas da empresa, 
como, por exemplo, os dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA). Há uma série 
de outros elementos que, ao longo do tempo de pesquisa, notamos que são extre-
mamente importantes. Por exemplo, os dados de emprego que a Relação Anual 
de Informações Sociais (Rais) fornece e que a gente consegue integrar com os 
dados da empresa são extremamente importantes para uma série de resultados 
das firmas e dos setores.
Quem conhece essas pesquisas sabe bem qual é o contexto. Um deles é o da 
inovação das empresas na economia brasileira, com base na diversidade e ampli-
tude dos