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Questões de Português

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talvez eu fale de confraternização, abraço amigo sincero, acolhimento da família – amada 
apesar de diferenças, sabendo que ali a gente é aceito mesmo quando não é entendido, mais que isso: é 
respeitado e querido. 
Falo de uma tentativa real de recomeçar até onde é possível: com um olhar um pouco diferente para 
pessoas a quem a gente admira ou estima e normalmente não tem tempo de abordar (que pena, que 
desperdício). Gente que nos interessa pelo simples carinho, independentemente de status, grana, 
importância e possível utilidade. 
Falo de uma entrada em um novo ano abrindo as portas e janelas da casa e da alma. Sem frescura, 
sem afetação, sem mau humor, sem pressão nem formalidade. Pensando que a gente poderia ser mais 
irmão e mais amigo, mais filho e mais pai ou mãe, mais humano, mais simples, mais desejoso de ser e 
fazer feliz, seja lá o que isso signifique para cada um de nós. 
Não com planos mirabolantes que não se podem cumprir, mas inventando novos modos de querer 
bem, sobretudo a si mesmo, pois sem isso não tem jeito de gostar dos outros de verdade. 
O bom é entrar num novo ano sem nostalgia melancólica, sem suspiros patéticos e sem lamentações 
inoportunas, sem torrar a paciência dos que, ao redor, estão querendo começar o novo ano num clima 
positivo. 
Não falarei, nunca, de festas de passagem de ano tendo de encher a cara para agüentar o próprio 
deserto interior e a frivolidade de toda uma vida ou para enfrentar a loucura generalizada, o desamor dos 
parentes chatos, dos filhos idem, da mulher ou marido irônicos, da sogra carrancuda, do amigo 
interesseiro ou o prenúncio das contas que se acumularão porque a gente gastou o que não podia com 
coisas que não devia. 
Algumas pessoas saem da manada e se propõem a cada ano uma vida possível, mais amena e 
humana apesar de tudo. Na qual, independentemente de crença, ideologia e vivências, aqui e ali se 
consegue refletir e reavaliar algumas coisas. Com um pouco mais de aproximação, de reflexão, de algum 
otimismo, a gente sendo menos arrogante, menos fria, menos desinteressante, mais... gente. 
Adaptado do texto de Lya Luft (Revista Veja – 11de janeiro 2006) 
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01) O texto cita pontos sobre os quais a autora gostaria de comentar e outros que, ao contrário, são 
citados negativamente, em que a autora diz não ter desejo algum de falar sobre tal assunto. 
Classifique os itens abaixo como P(positivo) ou N(negativo) de acordo com a visão do texto: 
( ) Planos que se perdem pela impossibilidade de os cumprir. 
( ) Uso de artifícios para fugir ao vazio interior. 
( ) A simplicidade da vida. 
A classificação correta é: 
A) P, P, P 
B) N, P, P 
C) N, P, N 
D) N, N, P 
E) P, N, N 
 
 
 
 
 
02) Este é um tipo de texto: 
A) narrativo 
B) jornalístico 
C) científico 
D) humorístico 
E) impessoal 
 
03) A expressão “não falarei” se repete por algumas vezes, indicando: 
A) pessimismo 
B) egoísmo 
C) egocentrismo 
D) afirmação 
E) preocupação 
 
04) “Não falarei das comemorações dos escravos do consumismo,...”. O trecho destacado tem o seu 
sentido preservado em: 
A) Não falarei dos escravos das comemorações do consumismo. 
B) Falarei apenas das comemorações dos escravos do consumismo. 
C) Falarei das comemorações dos escravos, não do consumismo. 
D) Falarei dos escravos do consumismo, não das comemorações. 
E) Das comemorações dos escravos do consumismo não falarei. 
 
05) O texto diz que “nesta época do ano”, as pessoas se endividam para dar presentes caros a 
pessoas que não amam. Esta atitude do ser humano demonstra: 
A) compaixão e carinho 
B) afeto e solidariedade 
C) hipocrisia e interesse 
D) ironia e sarcasmo 
E) má-formação e desonestidade 
 
06) No texto transcrito, a palavra “ano” é registrada com três características diferentes, relacione -
as aos seus significados, de acordo com o texto: 
( 1 ) ano amargo 
( 2 ) ano mais simples 
( 3 ) novo ano 
( ) Atitude quotidianas, nas quais a sinceridade é fator relevante. 
( ) Atitudes de caráter de descrença. 
( ) Atitudes de informalidade descomprometidas com todo tipo 
de pressão. 
A relação correta é: 
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A) 2, 3, 1 
B) 2, 1, 3 
C) 1, 3, 2 
D) 3, 2, 1 
E) 3, 1, 2 
 
07) “... talvez eu fale de confraternização abraço amigo sincero, acolhimento da família ...”. A 
palavra sublinhada no trecho destacado indica: 
A) A “dúvida” da autora em uma reflexão a respeito do que ela vai escrever. 
B) A afirmação de uma idéia que foi dita anteriormente. 
C) Uma proposta de leitura crítica. 
D) A finalidade do texto. 
E) A conseqüência da sua fala. 
 
 
 
 
 
08) “... porque não foi antecedido por um daqueles Natais de religiosidade fingida,...”. A palavra 
grifada pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, pelas alternativas abaixo, EXCETO: 
A) pois que 
B) já que 
C) uma vez que 
D) desde que 
E) visto que 
 
09) “... sabendo que ali a gente é aceito mesmo quando não é entendido...”. No trecho em destaque 
estão duas situações que “deveriam” se opor, mas não se opõem. O mesmo ocorre em: 
A) “Falo de uma tentativa real de recomeçar...” 
B) “... e se propõem a cada ano uma vida possível, mais amena e humana apesar de tudo.” 
C) “O bom é entrar num novo ano sem nostalgia melancólica,...” 
D) “Falo de uma tentativa real de recomeçar até onde é possível...” 
E) “Gente que nos interessa pelo simples carinho,...” 
 
10) Ao final do texto transcrito, a autora usa as reticências como recurso demonstrando haver 
neste ponto: 
A) Um erro de correção. 
B) Pausa para que a leitura fique melhor. 
C) Pausa para uma reflexão para a conclusão da idéia que virá a seguir. 
D) Dúvida ao concluir a idéia. 
E) Incerteza do que foi dito anteriormente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GABARITO 
 
01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 
D A D E C B A D B C 
P R E F E I T U R A M U N I C I P A L D E T O B I A S B A R R R E T O - S E 
 
TEXTO I 
Faxina nos mitos II 
 
Falo dos mitos inventados por nós mesmos, pela mídia, pela cultura, pelos que pretendem governar 
nossas mentes. Eles têm a ver com fantasias, preconceitos e medos, com hipocrisia. 
Um deles, o mito da competência, antes aflição tipicamente masculina, hoje atormenta muitas 
mulheres. A chamada liberação feminina foi também assunção de um monte de responsabilidades, 
dilemas e trapalhadas viris. Está certo que este é um mundo altamente competitivo. É verdade que todos 
precisamos ganhar o pão nosso com o velho suor – ou o mais moderno stress. Mas, com o passar do 
tempo, uma vez que depois dos 40 anos é que as coisas e as cabeças começam a ficar interessantes, o 
mito da competência poderia ser substituído pelo desejo de sabedoria. Ambicionar algo mais e melhor 
do que prestígio e dinheiro. 
Temos gravado a fogo, na testa e no peito, uma cruel tatuagem: “Eu tenho de”. A gente tem de 
estar à frente, ainda que na fila do INSS. A gente tem de ser, como escrevi tantas vezes, belo, jovem, 
desejado, bom de cama (e de computador, é claro). A gente tem de aproveitar o mais que puder, explorar 
o outro sem piedade ou bancar o forte e ajudar meio mundo, mas não deve contar com ninguém para 
escutar nossas dores. 
A maioria das pessoas de classe média na metade da vida poderia correr menos e viver mais. Não 
viver adoidado, mas assimilando o mundo, os afetos, a arte, a beleza inventada ou natural que nos 
rodeia. Celebrando a vida