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<p>Atuação do psicólogo hospitalar e as abordagens teóricas Prof. Rodrigo Moco Descrição Você vai entender a importância da psicologia hospitalar, com subsídios para a elaboração de documentos, a apresentação de perspectivas nas intervenções terapêuticas e o preparo para o trabalho em equipe multidisciplinar. Propósito A qualificação para lidar com questões emocionais relacionadas a doenças e o desenvolvimento de habilidades em equipes de saúde, em uma perspectiva integral, é essencial para os profissionais de psicologia, ajudando-os a compreender a dinâmica do trabalho no contexto hospitalar. Objetivos Módulo 1 A escuta psicológica nas diferentes abordagens teóricas</p><p>Reconhecer os princípios e as técnicas de escuta em diversas perspectivas e teses da psicologia. Módulo 2 Atendimento clínico e função da fala Identificar a função da fala no atendimento clínico, considerando dimensões como comunicação, expressão emocional e construção de significados. Módulo 3 Intervenções grupais no contexto hospitalar Descrever intervenções grupais para o aperfeiçoamento de habilidades, o suporte emocional e a troca de experiências entre os pacientes. Módulo 4 Documentos psicológicos e ética profissional Identificar a localização dos documentos psicológicos de forma clara, objetiva e ética no contexto hospitalar, garantindo a confidencialidade e o respeito aos direitos dos pacientes. Introdução A psicologia hospitalar é um campo que se dedica ao estudo e à prática do profissional da área no contexto hospitalar. Entre suas</p><p>particularidades, destacam-se a oferta de suporte emocional, a avaliação e o tratamento psicológico a pacientes, familiares e equipes de saúde. Nele, diversos aspectos são abordados, incluindo a escuta psicológica, o atendimento clínico, as intervenções grupais, a produção de documentos psicológicos e a ética profissional, cada um desempenhando um papel importante no cuidado integral ao paciente e aos demais envolvidos. A escuta psicológica é uma ferramenta essencial na prática clínica, aplicada nas diferentes bases teóricas da psicologia hospitalar. Nas abordagens psicanalítica, cognitivo- comportamental, humanista ou sistêmica, cada uma com suas características e técnicas, a escuta atenta e empática permite ao psicólogo compreender as demandas emocionais e psicológicas dos pacientes, facilitando a elaboração de intervenções adequadas e assertivas. No atendimento clínico, a função da fala tem um lugar preponderante, pois, por meio dela, os pacientes expressam sentimentos, medos, angústias e experiências relacionadas à doença e ao ambiente hospitalar. o psicólogo, ao promover um espaço acolhedor e seguro para a expressão desses conteúdos, contribui para o alívio do sofrimento psíquico e a promoção do bem-estar emocional - uma das principais finalidades de sua atuação. Além do atendimento individual, as intervenções grupais também são fundamentais na psicologia hospitalar. Os grupos terapêuticos oferecem um espaço de compartilhamento de vivências, trocas de apoio emocional e aprendizado de estratégias de enfrentamento, promovendo a construção de redes de suporte entre os participantes. Na produção de documentos, os psicólogos têm a responsabilidade de garantir que suas práticas estejam alinhadas com os mais altos padrões éticos. Isso inclui a obtenção de consentimento informado, a precisão em laudos e a proteção das informações sensíveis. Em síntese, a psicologia hospitalar engloba práticas e abordagens que objetivam a promoção da saúde mental e o bem- estar psíquico e emocional de indivíduos hospitalizados, familiares e profissionais de saúde, contribuindo para uma abordagem mais integrada e humanizada no contexto da saúde.</p><p>Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato Download material 1 - A escuta psicológica nas diferentes abordagens teóricas Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os princípios e as técnicas de escuta em diversas perspectivas e teses da psicologia Escuta psicológica na psicanálise Na perspectiva psicanalítica, a escuta é central para o processo terapêutico. Buscando compreender as camadas mais profundas da mente do paciente, o psicólogo utiliza técnicas como a associação livre, a análise dos sonhos, a interpretação dos lapsos e dos atos falhos para acessar conteúdos inconscientes, traumas passados e conflitos psíquicos que influenciam diretamente seu pensamento e comportamento.</p><p>A escuta atenta aliada à interpretação dos conteúdos manifestos e latentes permitem ao paciente realizar os insights sobre suas emoções reprimidas, padrões repetitivos e mecanismos de defesa, promovendo a elaboração e a resolução de questões psíquicas profundas. Trata-se de um caminho no qual o próprio paciente vai identificando suas questões, com o auxílio do analista que o conduz com as perguntas adequadas. A psicanálise é uma abordagem que valoriza a investigação das raízes psíquicas dos sintomas e dos comportamentos, enfatizando a importância do inconsciente na compreensão da vida emocional e na busca por transformações pessoais. A psicanálise aplicada ao contexto hospitalar pode contribuir para o entendimento das dinâmicas emocionais dos pacientes e para o desenvolvimento de intervenções terapêuticas significativas. 0 psicólogo, a psicanálise e 0 contexto hospitalar Neste vídeo, vamos abordar a importância da escuta psicológica segundo a perspectiva psicanalítica no trabalho do psicólogo hospitalar, destacando os conteúdos inconscientes, os insights e o desenvolvimento de intervenções terapêuticas. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. Escuta psicológica na terapia cognitivo-comportamental</p><p>Alguns dos aspectos observados na escuta psicológica da abordagem cognitivo-comportamental são: Identificação de pensamentos automáticos. Crenças disfuncionais. Padrões de comportamento mal-adaptativos dos pacientes. psicólogo busca promover a conscientização dos pensamentos e emoções, identificar distorções e desenvolver estratégias de reestruturação cognitiva e de modificação de comportamento para promover a adaptação saudável ao contexto hospitalar. Partindo de conceitos centrais como crenças, sistemas de valores, cognição e comportamento, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) envolve uma participação mais intervencionista do terapeuta, que assume o papel de auxiliar o paciente na identificação dos próprios pensamentos e sentimentos, contribuindo para que ele consiga nomear esses processos mentais, trabalhar em sua flexibilização e aliviar os sintomas. A TCC é especialmente recomendável para casos de depressão e ansiedade, conforme explicitado na literatura. Hunot et al. (2007), em um estudo de revisão sistemática sobre a efetividade das terapias psicológicas, divididas em TCC, psicoterapia psicodinâmica e terapia suportiva, constataram que indivíduos atendidos com TCC apresentaram maior probabilidade de redução dos sintomas de ansiedade quando comparados ao tratamento usual e à lista de espera. Reyes e Fermann (2017) destacam que estratégias comportamentais, como dessensibilização por autocontrole, automonitoramento e relaxamento muscular progressivo, utilizadas isoladamente ou em conjunto com o tratamento convencional para o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), demonstraram ser eficazes em comparação com o tratamento-padrão para o TAG.</p><p>Atendimento psicológico hospitalar. De maneira semelhante, os resultados da meta-análise conduzida por Mitte (2005) confirmaram que a TCC é um tratamento altamente efetivo para o TAG, reduzindo os sintomas de ansiedade, abordando os sintomas depressivos associados e promovendo melhorias na qualidade de vida. A TCC e pensamentos automáticos Neste vídeo, vamos refletir sobre o papel da escuta psicológica do psicólogo que segue o enfoque de TCC no contexto hospitalar com o objetivo de diminuir a ansiedade do paciente internado. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. Escuta psicológica na abordagem existencial humanista Nessa abordagem, o psicólogo busca estabelecer uma relação terapêutica baseada na aceitação incondicional, na congruência e na empatia, permitindo ao paciente analisar seus sentimentos, valores e necessidades pessoais de forma autêntica e livre de julgamentos.</p><p>A escuta psicológica enfatiza a compreensão empática e não julgadora das experiências subjetivas dos pacientes na abordagem existencial humanista. No contexto hospitalar, é comum que o paciente perca a esperança, desconecte-se do valor de estar vivo, ou mesmo de acreditar na possibilidade de se recuperar, dependendo da gravidade da sua enfermidade. Nesses casos, a abordagem existencial humanista mostra-se adequada, proporcionando, por meio da atuação do terapeuta, uma experiência de tomada de consciência do valor da própria vida, realizando um apelo à responsabilidade pessoal e à liberdade. Psicóloga oferecendo aceitação incondicional a paciente em contexto hospitalar. Sabe-se que o fato de acreditar em si e na própria vida é um elemento que pode contribuir significativamente para a recuperação dos pacientes, mesmo em casos mais graves. A esperança impulsiona o indivíduo a agir, mover-se e alcançar. A falta de esperança torna-o opaco, sem objetivos, aguardando a morte. Está relacionada ao bem-estar, à qualidade de vida e sobrevida. Provê força para resolver problemas e enfrentamentos como perda, tragédia, solidão e sofrimento. (Balsanelli; Grossi; Herth, 2011)</p><p>0 psicólogo existencial no hospital Neste vídeo, vamos dialogar sobre o papel da compreensão empática e não julgadora das experiências subjetivas dos pacientes no contexto hospitalar, com um estudo de caso. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. -0- Escuta psicológica na abordagem sistêmica Nessa abordagem, a escuta considera as interações e os padrões de comunicação dentro dos sistemas familiares e sociais dos pacientes. Psicólogo sistêmico atendendo à família como um todo. Na abordagem sistêmica, o psicólogo busca compreender as relações, os papéis e as influências mútuas entre os membros do sistema, identificando padrões disfuncionais e promovendo a mudança por meio da reorganização das dinâmicas relacionais e da promoção de novos padrões de interação.</p><p>Note que sistemas são processos nos quais tudo depende de todos. Essa abordagem tem a finalidade, portanto, de identificar como a interação entre todas as partes envolvidas no processo contribui para que o cenário se apresente como está e de que maneira pode ser trabalhado, a fim de favorecer o tratamento do paciente. A esse respeito, a autora Mariana Valls Atz afirma o seguinte: Nos momentos de crise, observamos que as famílias tendem a uma maior abertura - ou como chamamos, a baixar a guarda - proporcionando uma breve janela para intervenções poderosas. Nesse curto período em que os psicólogos hospitalares são convidados pelas famílias a participarem, nos deparamos com a oportunidade de ouro de estimular as famílias, isoladas em suas crenças, a acessar seus parentes e amigos de modo a criar um novo e mais amplo sistema de mitos, crenças e roteiros. (Atz, 2019) É evidente que o trabalho deve sempre ser conduzido com muita sensibilidade e embasamento, estando os profissionais cientes de que o espaço hospitalar já é marcado por uma situação de vulnerabilidade por parte dos pacientes e familiares envolvidos. A abordagem sistêmica e a atenção à família</p><p>Neste vídeo, vamos conversar sobre as particularidades do atendimento psicológico sistêmico no contexto hospitalar, destacando a importância de encarar a internação como uma oportunidade para mudanças significativas no sistema familiar. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. -0- Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Sabe-se que diferentes abordagens terapêuticas podem se aplicar ao contexto clínico. Na abordagem psicanalítica, pode-se afirmar que um dos principais objetivos terapêuticos é A identificar pensamentos automáticos. promover a reestruturação cognitiva. compreender dinâmicas inconscientes e conflitos C psíquicos. D estabelecer uma relação terapêutica empática. analisar os padrões de comunicação no sistema E familiar. Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>Entende-se, na psicanálise, que o conteúdo manifesto no consciente é uma pequena mostra do que se esconde no inconsciente. As técnicas psicanalíticas têm por finalidade fazer surgir o conteúdo inconsciente por meio dos insights, permitindo profissional e paciente conhecerem as dinâmicas e terem maior clareza sobre a origem dos conflitos psíquicos. Questão 2 Na psicologia humanista, a ênfase está na relação terapêutica autêntica e empática em que o profissional de psicologia busca criar um ambiente seguro e livre de julgamentos para que o paciente possa perceber suas emoções e experiências de forma genuína. Na abordagem humanista da escuta psicológica, o profissional busca estabelecer A a interpretação dos conteúdos latentes do paciente. uma relação terapêutica baseada na aceitação incondicional e na empatia. estratégias de reestruturação cognitiva para C modificar comportamentos. identificar padrões de comunicação disfuncionais D no sistema familiar. analisar os conflitos psíquicos do paciente de forma E profunda. Parabéns! A alternativa B está correta. A linha humanista enfatiza o reconhecimento da pessoa na plenitude de suas capacidades, entendimento esse que leva em conta a liberdade, a consciência e a responsabilidade. A relação terapêutica é um encontro existencial entre duas pessoas, no qual o</p><p>terapeuta contribui para o resgate da autoimagem do paciente, a capacidade de se enxergar e suas potências humanas. 2 - Atendimento clínico e função da fala Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a função da fala no atendimento clínico, considerando dimensões como comunicação, expressão emocional e construção de significados. 0 papel da fala no processo clínico Neste vídeo, vamos discorrer sobre o papel da fala na psicoterapia, lembrando como Freud introduz essa compreensão com a associação livre para acessar o inconsciente. Também lembraremos a importância do ambiente terapêutico seguro e empático proposto por Rogers e a importância da fala para identificar e modificar padrões de pensamento disfuncionais. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. -0- A fala é muito importante no processo terapêutico, pois é por meio dela que os indivíduos expressam pensamentos, emoções, experiências e necessidades.</p><p>Freud foi um dos pioneiros ao reconhecer a importância da fala na psicoterapia. Ele desenvolveu o método da livre associação, no qual os pacientes são encorajados a falar livremente sobre seus pensamentos, sentimentos e memórias sem censura e tampouco interferência do terapeuta/analista. A fala livre permite ao paciente acessar conteúdos até então inconscientes, revelando aspectos de sua vida psíquica, traumas passados, desejos reprimidos e conflitos não resolvidos, permitindo que ele mesmo faça os insights - processo que pode ser traduzido como iluminação ou, como se diz, trazer à luz da consciência. No método, o ideal é que o terapeuta faça o mínimo possível de intervenções, possibilitando ao paciente o espaço adequado para que sua real expressão ocorra por meio da livre associação. A perspectiva humanista existencial enfatiza a importância do ambiente terapêutico seguro e empático para que o paciente possa falar abertamente sobre suas experiências. Paciente fazendo associação livre em sua terapia. Os autores afiliados se fundamentam na capacidade humana das pessoas de se autorregular e de procurar crescimento pessoal quando recebem condições facilitadoras, como a escuta ativa e o reflexo das emoções pelo terapeuta. A fala, nesse contexto, é vista como uma expressão autêntica do self e um caminho para a autorrealização. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) destaca a importância da fala para identificar e modificar padrões de pensamento disfuncionais. Na TCC, os terapeutas ajudam os pacientes a identificar pensamentos automáticos negativos e distorcidos que</p><p>contribuem para emoções problemáticas e comportamentos inadequados. Em sua maioria, pensamentos disfuncionais são a causa de patologias e transtornos e, nos casos em que não estão diretamente ligados ao quadro clínico do paciente, oferecem no mínimo uma dificuldade de elaboração emocional do que está se passando. Por meio da fala consciente e da análise crítica desses padrões cognitivos, o paciente pode desenvolver estratégias para mudar suas respostas emocionais e comportamentais. Comentário Nas diferentes abordagens psicológicas, o processo da fala está no centro do conteúdo, afinal de contas, é ela que permite ao profissional de saúde acessar a matéria a ser trabalhada, além do fato de que a própria fala possui em si um valor terapêutico, uma dimensão de cura, sobretudo no que diz respeito ao ambiente hospitalar, no qual a atenção ao paciente é um dos pré-requisitos indispensáveis para um bom atendimento. A importância da comunicação na psicologia hospitalar Neste vídeo, vamos entender o uso da comunicação como ferramenta terapêutica com atenção voltada para o paciente hospitalizado, bem como aspectos da comunicação interdisciplinar mantida pelo psicólogo. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. Esse é um tema central para uma boa atuação profissional no contexto hospitalar. A comunicação entre profissionais de saúde, pacientes e familiares tem um papel fundamental na promoção da saúde, no bem- estar emocional e na qualidade do atendimento prestado. É fundamental examinar a relevância da comunicação na psicologia hospitalar com base em alguns aspectos destacados a seguir</p><p>Comunicação como ferramenta terapêutica A psicologia hospitalar reconhece a comunicação como uma poderosa ferramenta terapêutica. De acordo com a teoria da comunicação humana, de Paul Watzlawick, comunicar não é apenas transmitir informações, mas influenciar sentimentos, percepções e comportamentos. 66 Todo o comportamento, e não somente o discurso, é comunicação, e toda comunicação - mesmo os signos que marcam a comunicação num contexto impessoal - afetam o comportamento. (Watzlawick; Beavin; Jackson, 1967, p. 16) No ambiente hospitalar, uma comunicação adequada pode reduzir a ansiedade do paciente, aumentar o entendimento sobre o tratamento e fortalecer o vínculo terapêutico. Isso se aplica tanto à relação com o paciente, quanto à relação com a família. Atenção centrada no paciente Desenvolvida por Carl Rogers, a abordagem centrada no paciente é aplicável à psicologia hospitalar. A comunicação empática e não diretiva do profissional de psicologia hospitalar permite que o paciente se sinta ouvido, compreendido e respeitado em suas necessidades emocionais. Isso contribui para um ambiente terapêutico mais acolhedor e facilita a expressão de preocupações e medos relacionados à hospitalização e ao tratamento.</p><p>Profissional exercendo uma comunicação empática. Essa abordagem exerce o papel de resgate da condição de pessoa humana, que, em alguns casos, pode passar por um processo de despersonalização, no qual o paciente aparenta esquecer quem é, limitando-se ao seu quadro. Uma boa comunicação auxilia paciente, família e demais profissionais de saúde a não perderem de vista que o indivíduo não se reduz ao diagnóstico recebido. Comunicação interdisciplinar Na psicologia hospitalar, a comunicação não se limita à interação psicólogo-paciente. Também engloba o diálogo entre os demais profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e assistentes Uma comunicação clara e colaborativa entre os profissionais da saúde é essencial para o planejamento integrado do cuidado, a troca de informações relevantes sobre o estado emocional/psíquico do paciente e as tomadas de decisão em equipe. Esse é um ponto essencial, pois não há abordagem psicológica adequada no contexto hospitalar sem consciência e abertura ao trabalho interdisciplinar. Educação em saúde e informação adequada A comunicação na psicologia hospitalar também está relacionada à educação em saúde e à transmissão de informações relevantes para o paciente e sua família.</p><p>Profissional orientando uma família. Por meio de uma comunicação clara e acessível, o profissional pode ajudar o paciente e sua família a compreender a condição de saúde, o tratamento proposto, os cuidados necessários após a alta hospitalar e os recursos disponíveis para apoio psicológico e social Durante a hospitalização, os pacientes podem enfrentar situações de dor, sofrimento, incertezas e perdas. Nesse contexto, a comunicação é fundamental no suporte emocional oferecido pelo psicólogo hospitalar. Por meio do diálogo, da escuta ativa e da orientação psicológica, o paciente é auxiliado a lidar com suas emoções, a encontrar estratégias de enfrentamento e significado em sua experiência de saúde. Respeito à autonomia e à dignidade A comunicação na psicologia hospitalar também está ligada ao respeito à autonomia e à dignidade do paciente. Ao promover uma comunicação transparente, participativa e respeitosa, o profissional de psicologia hospitalar reconhece a importância da do paciente em seu processo de cuidado e decisões relacionadas ao tratamento. Isso contribui para uma relação terapêutica baseada na confiança e na parceria. A importância da comunicação na psicologia hospitalar vai além da transmissão de informações. Ela abrange a construção de vínculos terapêuticos, o suporte emocional, o fortalecimento da autonomia do paciente e a promoção de um ambiente de cuidado integral e humanizado. A partir de fundamentos teóricos e práticos, os profissionais de psicologia hospitalar têm o desafio e a responsabilidade de utilizar a</p><p>comunicação de forma ética e empática em benefício da saúde e do bem-estar dos pacientes. Estratégias de intervenção Neste vídeo, vamos apresentar métodos empregados por profissionais de psicologia hospitalar para facilitar a comunicação, também examinando práticas de comunicação alternativa e ressaltando a relevância de ajustar essas técnicas de acordo com as necessidades específicas de cada paciente. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. -0- A comunicação é fundamental no contexto hospitalar, em que os pacientes frequentemente enfrentam desafios emocionais e Profissionais de psicologia hospitalar desempenham um papel importante para a interação e a compreensão entre profissionais de saúde na dinâmica de multidisciplinariedade, pacientes e familiares. Vamos tratar das estratégias e das abordagens utilizadas pelos psicólogos hospitalares para promover a comunicação, discutindo também técnicas de comunicação alternativa e a importância da adaptação dessas estratégias às necessidades individuais dos pacientes. Estratégias e abordagens dos psicólogos hospitalares Apresentamos a seguir algumas abordagens aplicadas no atendimento hospitalar. Escuta ativa e empática Os profissionais de psicologia hospitalar são treinados para praticar a escuta ativa, demonstrando empatia e compreensão genuínas com as preocupações e os sentimentos dos pacientes. Essa abordagem promove um ambiente</p><p>de contiança e colaboração, essencial para uma boa comunicação. Linguagem acessível Os profissionais de psicologia hospitalar devem adaptar a linguagem no nível de compreensão dos pacientes. Isso é primordial, pois, além de evitar jargões médicos complexos, colabora para explicar termos técnicos de forma clara. Comunicação não verbal Os profissionais de psicologia hospitalar são treinados para interpretar e usar gestos, expressões faciais e postura corporal como elementos importantes na comunicação não verbal. Esses sinais têm a finalidade de melhorar a comunicação e a compreensão mútuas. Validação de sentimentos Os profissionais de psicologia hospitalar devem validar os sentimentos dos pacientes, mesmo que não estejam diretamente relacionados à condição médica. Essa atitude cria apoio emocional e fortalece a relação terapêutica. Vale destacar a importância da adaptação às individualidades. Cada paciente é único em suas necessidades e capacidades de comunicação. Portanto, a adaptação das estratégias de intervenção é fundamental. Psicólogos hospitalares e demais profissionais de saúde devem realizar avaliações para identificar as melhores abordagens, considerando as</p><p>capacidades cognitiva e linguística, a constituição física e o estado emocional. Dessa forma, além de diferentes abordagens, técnicas alternativas de comunicação podem ser necessárias. Veja como classificam-se essas ferramentas a seguir. Uso de símbolos e imagens No caso de comunicação verbal limitada, o uso de símbolos e imagens pode facilitar a expressão de necessidades e emoções por parte do paciente, sobretudo para aquele não verbal ou com dificuldade de expressão oral. Comunicação não verbal aprimorada No caso de limitação, sobretudo, é essencial recorrer a técnicas de comunicação não verbal adequadas à condição do paciente, sempre aliando as tecnologias disponíveis e o contexto emocional da pessoa hospitalizada, suas experiências anteriores e preferências. Tecnologias assistivas No caso de paciente com questões físicas ou cognitivas, o uso de dispositivos de comunicação aumentativa e alternativa (CAA), como aplicativos de fala, tablets com sistemas de símbolos ou texto, pode ser extremamente útil. A abordagem centrada no paciente contribui para melhorar a compreensão e a colaboração no ambiente hospitalar e para o seu bem- estar mental e emocional durante o processo de tratamento. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1 Ambiente hospitalar é o conjunto de espaços físicos, instalações, equipamentos e recursos humanos que compõem um hospital. Considerando a complexidade emocional desse ambiente, qual estratégia utilizada pelos profissionais de psicologia hospitalar contribui para a promoção de uma boa comunicação? A Prescrição de medicamentos. Uso de linguagem técnica complexa. C Escuta ativa e empática. D Desatenção às emoções do paciente. Minimização da importância da comunicação não E verbal. Parabéns! A alternativa C está correta. A escuta ativa e empática é uma estratégia utilizada pelos profissionais de psicologia hospitalar para promover a comunicação, demonstrando compreensão genuína com as preocupações e os sentimentos dos pacientes. Questão 2 Uma comunicação efetiva entre profissionais da saúde, pacientes e seus familiares é importante para promover a saúde, garantir o bem-estar emocional e proporcionar um atendimento de qualidade. Levando em conta o papel fundamental da comunicação, qual das alternativas configura uma das principais funções da comunicação na psicologia hospitalar? A</p><p>Aumentar a resistência do paciente ao tratamento. Reduzir a ansiedade e promover o entendimento B sobre o tratamento. C Ignorar as preocupações emocionais do paciente. D Minimizar a importância do vínculo terapêutico. Limitar a troca de informações entre profissionais E de saúde. Parabéns! A alternativa B está correta. A comunicação na psicologia hospitalar busca diminuir o nível de ansiedade dos pacientes e facilitar a compreensão do tratamento, contribuindo para um ambiente terapêutico mais acolhedor. 3 - Intervenções grupais no contexto hospitalar Ao final deste módulo, você será capaz de descrever intervenções grupais para 0 aperfeiçoamento de habilidades, 0 suporte emocional e a troca de experiências entre os pacientes.</p><p>Fundamentos das intervenções grupais no contexto hospitalar Neste vídeo, vamos refletir sobre a relevância de definir um contrato, os objetivos terapêuticos, e a liderança e o papel dos integrantes nas intervenções grupais. Destacaremos também a função das sessões grupais no contexto hospitalar. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. Um dos pilares das intervenções terapêuticas grupais é a definição clara de sua estrutura e seu contrato, que são as normas internas de convivência. Esse acordo inclui horários, regras de participação, confidencialidade e respeito mútuo entre os membros. Proporciona segurança e previsibilidade aos participantes, criando um ambiente propício para a expressão de sentimentos e pensamentos. Atenção! termo contrato não possui valor jurídico, isto é, não se trata da assinatura de documentos a serem reconhecidos em cartório, mas de um trato verbal entre as partes, cuja responsabilidade de fazê-lo ser cumprido é de todos os envolvidos. As intervenções grupais precisam ter objetivos terapêuticos claros e específicos. Eles podem variar de acordo com as necessidades dos participantes, como o desenvolvimento de habilidades sociais, a gestão do estresse, o enfrentamento de traumas ou a promoção da autoestima. No caso do trabalho no contexto hospitalar, as metas serão estabelecidas conforme a realidade específica. Uma vez estabelecidas entre psicoterapeuta e participantes do grupo, devem ser formalmente comunicadas para que todos compartilhem as mesmas premissas em relação às sessões. Outra importante combinação de aspectos se dá por meio da liderança e do papel de facilitador nas intervenções grupais. o profissional de</p><p>psicologia é um ator central que conduz as atividades, promove um ambiente acolhedor e facilita as interações entre os participantes. É importante que o líder da intervenção grupal tenha formação e experiência em psicologia de grupo e esteja capacitado para lidar com as diferentes dinâmicas e os desafios que possam surgir. No contexto hospitalar, os grupos proporcionam um espaço para a socialização e a identificação entre os participantes. Esse processo ocorre por meio da troca de experiências e da percepção de que não estão sozinhos em suas dificuldades. A partir do estabelecimento dessa dinâmica e do estreitamento dos laços entre o grupo, os pacientes podem sentir-se mais compreendidos e apoiados. A identificação é uma poderosa ferramenta para o êxito no processo terapêutico. Sessão de psicoterapia em grupo. As terapias de grupo permitem a expressão e a elaboração de emoções de forma segura e apoiada. Os participantes são encorajados a compartilhar seus sentimentos, medos e angústias, o que contribui para o processo de autoconhecimento e autorreflexão. grupo funciona como um espelho social em que os participantes podem descobrir as próprias histórias de vida e encontrar novos significados para suas experiências. o feedback construtivo entre os membros e o terapeuta é um elemento- chave nas intervenções terapêuticas. Ele ajuda os participantes a reconhecerem padrões comportamentais, pensamentos disfuncionais ou crenças limitantes, estimulando um processo de mudança e crescimento pessoal.</p><p>grupo oferece ainda um contexto seguro para a adoção das devidas estratégias de enfrentamento. Atenção! É indispensável que todo o processo na intervenção grupal esteja interligado ao tratamento médico e multidisciplinar. Para tal, é necessário haver comunicação e colaboração entre os profissionais de possibilitando uma abordagem integrada. Tipos de intervenções grupais Neste vídeo, você vai entender os diferentes tipos de grupo e a forma como eles podem ser usados no contexto hospitalar, com exemplos. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. São diversas as propostas de intervenções grupais que podem ser aplicadas no contexto hospitalar. A escolha do tipo de intervenção deve levar em conta o perfil dos participantes, os objetivos terapêuticos e a dinâmica do grupo. A seguir, apresentamos algumas possibilidades. Grupos de apoio psicológico Visam à oferta de suporte emocional e ao compartilhamento de experiências entre os participantes. Podem ser temáticos (por exemplo, grupo de apoio a pacientes com câncer, grupo para familiares etc.) e seu foco é proporcionar um espaço seguro para que os participantes expressem emoções, recebam suporte mútuo e desenvolvam estratégias de enfrentamento adequadas.</p><p>Grupos de psicoeducação Têm a finalidade de informar e formar os participantes sobre temas relacionados à saúde mental, como gestão do estresse, comunicação e resolução de conflitos, entre outros. Nas sessões, são trabalhadas atividades educativas, discussões e práticas de habilidades, visando capacitar os pacientes para lidar melhor com seus desafios de saúde e promover o autocuidado. Grupos terapêuticos de expressão criativa Exploram a expressão emocional por meio da criatividade, estimulando a reflexão, a autoexpressão e o processo de cura emocional, ao utilizar diferentes formas de expressão artística (arteterapia, musicoterapia, dança, escrita criativa e pintura, entre outras) como ferramentas terapêuticas. Aplicam-se a qualquer realidade, mas são especialmente úteis para pacientes que têm dificuldade/impossibilidade de expressar suas emoções verbalmente. Grupos de mindfulness e relaxamento Têm a finalidade de ajudar os participantes a reduzir os níveis de estresse e ansiedade e também podem melhorar a concentração, pelo uso de técnicas de cultivo da atenção plena envolvendo meditação. As sessões incluem práticas guiadas de respiração, mindfulness, relaxamento muscular progressivo e outras técnicas de gestão do estresse.</p><p>Grupos de terapia cognitivo- comportamental Seguem os princípios da terapia cognitivo- comportamental (TCC) aplicados ao formato de grupo. Os participantes aprendem a identificar padrões de pensamentos disfuncionais, desenvolvem habilidades de autorregulação emocional, modificam crenças limitantes e adotam comportamentos mais adaptativos. Nas sessões são aplicadas atividades estruturadas e técnicas de reestruturação cognitiva. Grupos de promoção da autoestima e da autoimagem Voltam-se ao trabalho de questões relacionadas à autoestima, à autoimagem e à autoconfiança dos participantes. Essa proposta é recomendável para quadros terapêuticos em que há prejuízo à autoimagem e à autopercepção dos pacientes, tendo em vista o objetivo da recuperação de uma identidade Ao escolher intervenções grupais hospitalares, considere as necessidades dos participantes, os objetivos terapêuticos e a dinâmica. Os grupos de apoio psicológico oferecem suporte emocional, enquanto os de psicoeducação capacitam. Por sua vez, os grupos terapêuticos de expressão criativa, mindfulness, relaxamento e TCC promovem bem- estar emocional e Benefícios da intervenção grupal Neste vídeo, vamos tratar dos diferentes benefícios da terapia de grupo no contexto hospitalar.</p><p>Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. -0 Os grupos terapêuticos têm se mostrado uma ferramenta útil no campo da psicologia e da saúde, oferecendo uma série de vantagens para os profissionais envolvidos e para os participantes de uma forma geral. Destacam-se benefícios de ordem emocional, social e cognitiva, contribuindo para a promoção da saúde mental e integral dos pacientes, levando em consideração todas as suas dimensões. Listamos a seguir alguns deles. Suporte social A experiência de grupo proporciona suporte social aos participantes, pois fornece um ambiente de acolhimento, no qual os membros podem dividir experiências, expressar suas emoções e receber apoio mútuo. Segundo o psiquiatra americano Irvin Yalom (1995), o suporte social em um grupo terapêutico é fundamental para a redução do isolamento emocional e para a promoção do senso de pertencimento. Validação e normalização das experiências A participação em um grupo terapêutico permite aos pacientes a validação de suas experiências ao perceberem que não estão sozinhos em seus desafios. De acordo com Corey e Corey (2016), a normalização das experiências é um processo terapêutico importante, pois permite que os participantes entendam que seus sentimentos e reações são compreensíveis e compartilhados por outros membros do grupo, permitindo assim a autoaceitação necessária ao avanço no processo de cura. Aprendizado e desenvolvimento de habilidades A terapia em grupo proporciona oportunidades de aprendizado e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Por meio</p><p>de atividades estruturadas e interações grupais, os participantes podem aprender novas estratégias de enfrentamento, comunicação assertiva, resolução de conflitos e habilidades de autocontrole Desenvolvimento de relacionamentos A participação em um grupo terapêutico pode levar ao estreitamento de laços em relacionamentos relevantes e de apoio, de modo que permaneçam mesmo após a hospitalização. Melhoria da adesão ao tratamento As terapias de grupo podem contribuir para uma maior adesão ao tratamento e melhores resultados no processo de cura dos pacientes, conforme visto na literatura acadêmica. Para Delgadillo et al. (2017), a sensação de pertencimento a um grupo e o suporte recebido dos colegas e do terapeuta podem motivar os participantes a seguir as orientações terapêuticas e a se manter esperançosos no processo de cuidado. As intervenções grupais promovem o bem-estar integral ao oferecer suporte social, validar experiências e facilitar o aprendizado de habilidades socioemocionais. Essas abordagens fortalecem a adesão ao tratamento e impulsionam o crescimento pessoal. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Em psicologia, o feedback refere-se à informação fornecida a um indivíduo sobre seu desempenho, comportamento ou experiência, com o objetivo de promover a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal ou a mudança de comportamento.</p><p>No contexto das intervenções grupais, é possível falar em feedback? Por quê? Não, pois limitaria o crescimento pessoal dos A participantes. Sim, pois promove a reflexão e o aprendizado a B partir das interações grupais. Não, pois haveria o risco de ignorar as experiências C individuais dos participantes. Sim, pois vem reforçar os estigmas relacionados à D saúde mental. E Sim, para reduzir o isolamento social. Parabéns! A alternativa B está correta. o feedback em um grupo terapêutico é importante para promover a reflexão, o aprendizado e o crescimento pessoal dos participantes a partir das interações e experiências compartilhadas no grupo. Questão 2 Estudar grupos em psicologia envolve compreender dinâmicas, liderança, comunicação interpessoal, resolução de conflitos e outros aspectos que afetam o funcionamento e o desempenho do grupo e de seus membros. Qual é a principal diferença entre grupos de apoio psicológico e grupos de terapia cognitivo-comportamental? Os grupos de apoio psicológico não têm objetivos A terapêuticos.</p><p>B Os grupos de TCC não proporcionam suporte emocional. Os grupos de TCC são mais estruturados em C técnicas específicas. Os grupos de TCC não permitem a expressão D emocional dos participantes. Não há diferença significativa entre esses tipos de E grupos. Parabéns! A alternativa C está correta. A principal diferença entre grupos de apoio psicológico e grupos de TCC é que os grupos de apoio têm mais foco em oferecer suporte emocional enquanto os de TCC são estruturados em técnicas terapêuticas específicas. 4 - Documentos psicológicos e ética profissional Ao final deste módulo, você será capaz de identificar a localização de documentos psicológicos de forma clara, objetiva e ética no contexto hospitalar, garantindo a confidencialidade e 0 respeito aos direitos dos pacientes.</p><p>Documentação psicológica no contexto hospitalar É indispensável ao profissional de psicologia conhecer o tema da documentação para um bom desempenho em qualquer contexto, mas, no caso do hospital, trata-se de uma ferramenta essencial para registro e acompanhamento do estado psicológico dos pacientes ao longo do tempo. Profissional lendo um documento psicológico. Ao falar em documentação psicológica, estamos nos referindo à elaboração de relatórios, notas de evolução, avaliações psicológicas e outros registros que demonstram as intervenções e o progresso dos pacientes durante o tratamento hospitalar. Esse processo envolve aspectos éticos, técnicos e legais que precisam ser considerados para garantir a qualidade e a confiabilidade das informações. Um dos objetivos da documentação psicológica no contexto hospitalar é fornecer informações detalhadas sobre o estado emocional, cognitivo e comportamental do paciente, incluindo a descrição da anamnese, a avaliação de riscos e recursos, a análise dos contextos familiar e social, entre outros aspectos relevantes para o processo de tratamento. Para isso, é fundamental que o profissional utilize instrumentos e técnicas de avaliação adequadas, como as apresentadas a seguir. ? Entrevistas clínicas ?</p><p>Testes psicológicos Observações diretas o tema da documentação psicológica está também relacionado à construção de relações colaborativas com a equipe de saúde. Toda abordagem inserida no contexto hospitalar deve ser multidisciplinar, pois as partes não caminham sozinhas. Assim, os registros psicológicos devem ser claros, objetivos e acessíveis a outros membros da equipe, permitindo uma compreensão geral do caso e facilitando a tomada de decisão em conjunto. Atenção! É necessário observar os aspectos éticos. Compete ao profissional de psicologia resguardar a confidencialidade das informações do paciente, garantindo que apenas pessoas autorizadas tenham acesso aos registros. Mesmo na permissão para as pessoas autorizadas, é indispensável a obtenção do consentimento informado do paciente ou de seu representante legal para a realização de avaliações e o registro de informações relevantes. Ainda nesse tópico, é de responsabilidade do profissional de psicologia estar ciente do que o Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) orientam quanto ao uso responsável das informações, visando proteger a privacidade e os direitos dos pacientes. Em termos práticos, a documentação psicológica é um conjunto de instrumentos que auxilia a elaboração de planos de intervenção, a avaliação da eficácia do tratamento e a comunicação interprofissional. Ela permite acompanhar a evolução do paciente ao longo do tempo, identificar padrões de comportamento, avaliar a resposta aos cuidados prestados e realizar ajustes nas estratégias de intervenção conforme necessário. Lei Geral de Proteção de Dados A Lei n° 13.709, de 14 de agosto de 2018, conhecida pela sigla LGPD, de Lei Geral de Proteção de Dados, dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, em meios digitais ou não, por pessoa natural ou por pessoa jurídica. Visa</p><p>proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade de todo cidadão. Documentos psicológicos, ética e hospitais Neste vídeo, vamos entender a importância da documentação psicológica no contexto hospitalar. Serão também discutidos o Código de Ética Profissional do Psicólogo e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) nesse contexto. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. Ética profissional na produção de documentos psicológicos Fundamental na produção de documentos psicológicos, a ética profissional orienta psicólogos a agir de acordo com princípios e normas que garantem o respeito aos direitos dos pacientes, a confidencialidade das informações e a qualidade técnica dos registros. Nesse contexto, a produção ética de documentos psicológicos envolve uma série de considerações teóricas e práticas que orientam o trabalho dos profissionais de psicologia. o Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP) é um documento elaborado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e sua leitura é obrigatória por estudantes e profissionais que atuam na área. CEPP é uma referência norteadora para nossa conduta. o princípio da responsabilidade, por exemplo, destaca a importância de zelar pela</p><p>qualidade técnica dos serviços prestados, garantindo que os documentos reflitam de forma precisa e objetiva as informações obtidas durante a prática profissional. Um dos aspectos éticos mais relevantes na produção de documentos psicológicos é a confidencialidade das informações. Paciente agradecendo à sua psicóloga pelo atendimento. o CEPP estabelece que o profissional deve resguardar o sigilo em todas as situações, mantendo a privacidade dos pacientes e garantindo que as informações compartilhadas durante o atendimento não sejam divulgadas sem o consentimento expresso da pessoa atendida. Essa questão é fundamental para proteger a privacidade e a dignidade dos indivíduos e para manter a confiança no trabalho psicológico. Um ponto importante a ser considerado sobre a produção de documentos está relacionado à honestidade e transparência na comunicação. o profissional deve ser claro e objetivo ao registrar informações, evitando distorções ou omissões que possam prejudicar a compreensão do caso por outros profissionais envolvidos no tratamento. Isso inclui uma boa descrição das observações clínicas, os resultados obtidos nas avaliações psicológicas e as intervenções realizadas, sem exageros ou interferências que comprometam os registros. Os profissionais devem fazer um uso responsável das informações contidas nos documentos psicológicos. o profissional de psicologia deve utilizar os registros exclusivamente para fins profissionais, respeitando os limites éticos e legais de sua</p><p>atuação. Isso significa que as informações não devem ser compartilhadas ou utilizadas de maneira inadequada, como para benefício pessoal ou para prejudicar terceiros, seguindo os quatro princípios éticos norteadores da elaboração de documentos psicológicos (CFP, 2005) - que são, em resumo: 1. Respeito à autonomia 2. Beneficência 3. Não maleficência 4. Justiça profissional de psicologia contribui para a qualidade e a credibilidade de sua prática profissional, promovendo o bem-estar e a segurança dos indivíduos atendidos. Aspectos éticos nos documentos psicológicos Neste vídeo, vamos apresentar os diferentes aspectos éticos que devem ser considerados na documentação psicológica em contexto hospitalar. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. -0- Padronização e normas na documentação psicológica hospitalar A definição de normas é um aspecto essencial à garantia da qualidade e à eficácia dos registros clínicos. A prática se fundamenta em diretrizes éticas, técnicas e legais que orientam o trabalho dos profissionais de psicologia no contexto hospitalar.</p><p>De acordo com as diretrizes do CFP, a documentação psicológica deve seguir os seguintes princípios Respeito à autonomia e à dignidade dos pacientes Garantia de confidencialidade das informações Uso responsável do conhecimento técnico- científico Os princípios éticos estão detalhados no Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005). Além das normas éticas, a padronização na documentação psicológica hospitalar também se baseia em referenciais teóricos sólidos. A abordagem sistêmica é talvez a mais amplamente utilizada no contexto da psicologia hospitalar, justo por levar em conta essa relação sistêmica paciente-familiares-ambiente Nos atendimentos com múltiplas partes, o profissional deve manter sempre uma postura ética e ter cuidado com a forma como lida com as diversas informações e os conflitos de interesses dos envolvidos. No que diz respeito à qualidade técnica, é fundamental que o profissional utilize instrumentos de avaliação validados e reconhecidos pela comunidade científica. Exemplo Escalas de avaliação de sintomas psicológicos, como o Inventário de Depressão de Beck (BDI-II) (Beck; Steer; Brown, 1996), podem fornecer dados objetivos e comparáveis ao longo do tempo, contribuindo para uma documentação mais precisa e embasada. A padronização e as normas na documentação psicológica hospitalar são fundamentadas em bases éticas, teóricas e técnicas sólidas, que visam garantir a qualidade, a confiabilidade e a ética dos registros clínicos no ambiente hospitalar.</p><p>A documentação psicológica hospitalar Neste vídeo, você vai entender as diferentes normas e a padronização necessária na documentação psicológica produzida no contexto hospitalar. Para assistir a um vídeo sobre assunto, acesse a versão online deste conteúdo. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Documentação psicológica é o registro sistemático e organizado de informações relevantes relacionadas a avaliações, intervenções, tratamentos e outros aspectos do trabalho psicológico. Como a documentação psicológica contribui para o processo terapêutico e a gestão de cuidados em saúde mental? Trata-se apenas de uma formalidade burocrática A sem impacto no tratamento do paciente. Registra informações básicas do paciente, como nome e idade.</p><p>Contribui para a elaboração de diagnósticos C médicos precisos e definitivos. Permite acompanhar a evolução do paciente, identificar padrões de comportamento, avaliar a D resposta aos cuidados e ajustar as estratégias de intervenção como necessário. Reduz a comunicação interprofissional, tornando o E tratamento menos integrado. Parabéns! A alternativa D está correta. A documentação psicológica tem papel fundamental na prática clínica, oferecendo subsídios valiosos para a tomada de decisões clínicas, para a avaliação do progresso terapêutico e para a promoção da eficácia dos cuidados em saúde mental. Questão 2 A documentação psicológica é fundamental para a prestação de cuidados de saúde mental de qualidade, fornecendo um registro preciso e detalhado das informações relevantes para o tratamento de pacientes bem como para a comunicação e a coordenação de cuidados entre profissionais de saúde. Qual é a importância da padronização e das normas na documentação psicológica hospitalar? Facilitar a comunicação entre profissionais de A Assegurar a uniformidade e a qualidade dos B documentos. C Reduzir a confidencialidade dos pacientes.</p><p>D Atender às demandas burocráticas dos hospitais. Servir como base para possíveis pesquisas E acadêmicas posteriormente. Parabéns! A alternativa B está correta. A padronização e as normas na documentação psicológica hospitalar são importantes para garantir a uniformidade e a qualidade dos documentos, facilitando a comunicação entre os profissionais de saúde e a precisão das informações registradas. Considerações finais A atuação do profissional de psicologia hospitalar é de grande importância, pois envolve o suporte emocional aos pacientes hospitalizados, familiares e profissionais de saúde envolvidos nesse processo. o campo de atuação tem como finalidade oferecer apoio às pessoas afetadas pelo contexto da hospitalização, seja diretamente no tratamento do paciente, seja na orientação e no suporte emocional aos familiares que enfrentam a situação da internação de um ente querido, seja ainda no auxílio aos próprios profissionais de saúde que lidam todos os dias com questões emocionais complexas. As abordagens teóricas utilizadas pelo profissional de psicologia hospitalar fornecem um arcabouço conceitual e técnico para a intervenção nesse contexto específico. A abordagem sistêmica se destaca nesse campo por considerar todos os envolvidos como parte, reconhecendo as interações e os impactos mútuos entre paciente, familiares e equipe de saúde. Isso se alinha perfeitamente com a dinâmica hospitalar, em que as relações e influências são intensas e interdependentes. Além disso, a comunicação e a fala são ferramentas fundamentais para o profissional de psicologia hospitalar, pois permitem estabelecer</p><p>vínculos, compreender necessidades emocionais e ajudar na elaboração de sentimentos e pensamentos relacionados à experiência hospitalar. As técnicas de grupo também são úteis nesse contexto, pois possibilitam a troca de experiências entre os participantes, o compartilhamento de dificuldades e a construção de estratégias de enfrentamento coletivas. Por fim, as questões éticas são fundamentais e balizam toda a prática profissional, inclusive na atuação hospitalar. respeito à autonomia, à confidencialidade e à integridade dos indivíduos atendidos é essencial em qualquer contexto de intervenção psicológica. Explore + Como material de apoio, sugere-se o estudo do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP), que pode ser acessado no site do Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão de competência nacional que regulamenta, orienta e fiscaliza o exercício profissional. Outra leitura importante é o Ethical principles of psychologists and code of conduct, código de conduta da American Psychological Association (APA). A última atualização no documento, referência mundial, é de 2017. Referências ATZ, M.V.O uso de conceitos de abordagem sistêmica em um hospital referência em trauma. Revista Fronteiras em Psicologia, V. 2, n. 1, p. 25- 37, 2019. Consultado na internet em: 20 maio 2024. BALSANELLI, A. C. S.; GROSSI, S. A. A.; HERTH, K. Avaliação da esperança em pacientes com doença crônica e em familiares ou cuidadores. Acta Paulista de Enfermagem, V. 24, n. 3, p. 354-358, 2011. Consultado na internet em: 20 maio 2024. BECK, A. STEER, R. A.; BROWN, G. K. Beck Depression Inventory (BDI-II). San Antonio, TX: Psychological Corporation, 1996.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. CFP. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Resolução n. 10/2005. Brasília, DF: CFP, 2005. COREY, G.; COREY, M. S. Group psychotherapy. In: NORCROSS, J.C. et al. (eds.). APA handbook of clinical psychology: applications and methods. American Psychological Association, 2016. p. 289-306. DELGADILLO, J. et al. The influence of self-help group attendance and the use of smartphones on treatment compliance and patient's psychological distress. Computers in Human Behavior, 74, p. 57-63, 2017. ELLIS, G. et al. Comprehensive geriatric assessment for older adults admitted to hospital. Cochrane Database of Systematic Reviews, V. 9, n. 9, 2017. Consultado na internet em:: 20 maio 2024. HUNOT, V. et al. Psychological therapies for generalised anxiety disorder. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 1, 2007. Consultado na internet em: 20 maio 2024. MITTE, K. 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