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<p>Problemáticas éticas na atuação profissional Profa. Clara Maria Matuque da Silva Rento Descrição Você vai conhecer questões importantes da prática profissional do psicólogo, tais como a atuação em situações de violação de direitos e a importância de uma reflexão pautada na ética e na proteção da dignidade humana. Propósito Compreender o fenômeno da violência e suas manifestações é algo necessário para o profissional da psicologia que, com esse conhecimento, pode discernir as melhores formas de intervenção, pautadas nas diretrizes do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP) e na reflexão sobre a dignidade da pessoa humana. Objetivos Módulo 1 Normativas éticas em situação de violência</p><p>Reconhecer o fenômeno da violência e o papel do profissional de psicologia diante das diversas caracterizações de violências. Módulo 2 0 atendimento de crianças e casos de denúncia Reconhecer aspectos fundamentais no atendimento de crianças e adolescentes em casos de violações de direitos. Módulo 3 0 atendimento simultâneo de familiares e conhecidos Identificar os aspectos éticos envolvidos nos atendimentos de familiares em diferentes contextos. Módulo 4 Questões éticas na prevenção e na promoção da saúde Reconhecer aspectos éticos relacionados ao campo da prevenção e da promoção da saúde. Introdução</p><p>o profissional de psicologia dispõe de um amplo campo de atuação, podendo agir nos âmbitos clínico, escolar, organizacional, jurídico e comunitário, entre outros. Além disso, as modalidades de atendimento são múltiplas, como individual, grupal, familiar, casal etc. Nesses diferentes espaços e modalidades, algumas vezes, o profissional pode se defrontar com situações de violação de direito das partes, destacando-se, em cada caso, diferentes tipos de violências que merecem uma atenção especial. Você vai refletir sobre o fenômeno da violência, suas diferentes manifestações e como o profissional de psicologia deve agir nesses contextos, levando em conta seu compromisso ético e humano. Também vai ter contato com as orientações técnicas do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP), que norteia as ações desse profissional, visando a orientar você no seu agir. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material</p><p>1- Normativas éticas em situação de violência Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer 0 fenômeno da violência e 0 papel do profissional de psicologia diante das diversas caracterizações de violências. Violência e as múltiplas facetas de um fenômeno complexo A violência é um fenômeno complexo que precisa ser encarado em suas múltiplas causas e consequências. Aproximações que buscam explicar a violência a partir de uma só perspectiva tendem a ser reducionistas, acabando por ignorar os diversos fatores que podem interferir nas diferentes situações de violência. Em nosso cotidiano, frequentemente somos rodeados por notícias envolvendo pessoas em situações de violência, como assaltos, brigas, tiroteios, guerras, enfim, um verdadeiro bombardeio de informações acerca de pessoas desoladas por essa realidade.</p><p>Representação de uma vítima de violência. Não raro ouvimos esses relatos até mesmo com certa anestesia, tamanha é a quantidade de notícias de violência. Chegamos a pensar se, em algum momento, isso terá um fim, chegando a tornarmo-nos insensíveis diante da recorrência de certos eventos. Muito mais do que perceben que a violência faz parte da história humana, ou até mesmo de refletir a respeito de quando a violência vai terminar, no exercício da profissão é necessário que você problematize o tema. É preciso refletir sobre que significa a violência, como e de que maneira ela se apresenta, a fim de contribuir para mobilizar e desconstruir ideias relacionadas ao conceito, que acaba se manifestando nas relações humanas. Veja a definição de violência proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 66 [...] o uso de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade que resulte ou possa resultar em sofrimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação. (OMS apud Dahlberg; Krug, 2007, p. 1165) A definição de violência da OMS nos apresenta características conhecidas, como o uso da força física em detrimento de outra pessoa ou de si mesmo. Além disso, dois pontos são muito importantes para a nossa reflexão: a intencionalidade e a utilização do poder Intencionalidade Utilização do poder</p><p>Na definição de Na definição de violência, o fator violência, o conceito de intencionalidade deve poder amplia considerar a existência consideravelmente sua de um propósito que natureza, está relacionado a uma transcendendo a mera vontade de querer ferir, força física e X ou seja, que está abrangendo ações que, relacionado à condição mesmo não utilizando de previsível e evitável. tal força, causam sofrimento ou danos em decorrência de relações hierárquicas ou coercitivas. Ameaças e intimidação são exemplos de como essa dinâmica se manifesta, expandindo o leque de comportamentos considerados violentos. Os pontos intencionalidade e utilização do poder são muito relevantes para que, em nossa prática profissional, possamos compreender o comportamento violento e suas consequências, a fim de promover ações preventivas e psicoeducativas. Violência como relação hierárquica de desigualdade Uma definição de violência estabelece que ela não é somente a violação ou a transgressão de normas, leis e regras, mas a conversão de uma diferença e de uma assimetria em uma relação hierárquica de desigualdade. A assimetria tem como objetivo dominar, explorar e oprimir, e se efetiva na passividade e no silêncio. Sendo assim, a violência se mostra ligada ao poder, pois, se existe alguém que domina de um lado, existe alguém que é dominado, violentado e oprimido de outro, em que fica estabelecida uma relação de forças: um polo se caracteriza pela dominação e o outro pela coisificação.</p><p>Representação de desigualdade de poder. A violência, nessa perspectiva, permite, além de problematizar as relações nas quais um detém o poder para subjugar, controlar e dominar aqueles que não o possuem, podendo ser implícita ou explícita, compreender que o comportamento violento é um caminho de negação da humanidade do Em outras palavras, a redução do outro à condição de coisa, em que se nega ao outro seus direitos, sua liberdade e sua autonomia, tratando-o como um objeto que pode ser manipulado, explorado ou destruído. Legislação Na legislação brasileira, existem diversos apontamentos que norteiam questões referentes à violência, suas manifestações e caminhos de proteção da vítima, assim como a culpabilização e a responsabilização do agressor. A Lei Maria da Penha (Lei n° 11.340, de 7 de agosto de 2006), legislação que versa sobre a violência contra a mulher, aponta algumas definições específicas e tipifica conceitualmente a violência. De acordo com a referida lei, existem algumas formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Conheça algumas. Violência física Qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher. Violência psicológica</p><p>Qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que prejudique e perturbe a mulher. Afeta o pleno desenvolvimento e visa degradar ou controlar comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de in e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. Violência sexual Qualquer conduta que constranja a mulher a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. Observa-se também a indução a comercializar ou a utilizar a sexualidade, de qualquer modo, impedindo a mulher de usar qualquer método contraceptivo, podendo forçar ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação, ou podendo limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos. Violência patrimonial Qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total dos objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos da mulher, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Violência moral</p><p>Qualquer conduta que ditamação ou injúria contra a mulher. Uma forma de violência que não é tão reconhecida, mas que é preciso identificar, é a negligência. Ela pode ser de três tipos. Conheça-os a seguir. Física Falta de alimentação e dos cuidados básicos de saúde. Emocional Falta do suporte e do afeto necessários ao desenvolvimento. Educacional Falta dos cuidados necessários ao desenvolvimento intelectual. A negligência é a forma de violência comumente praticada contra crianças e adolescentes, uma vez que são pessoas necessitando de cuidados por parte dos adultos e que nem sempre são atendidas, o que gera diversos prejuízos e consequências tanto físicos como emocionais. Proteção à criança.</p><p>Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 5°, afirma que "[...] nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão" (Brasil, 1990), colocando a negligência como uma forma de violência. o cuidado é um direito fundamental da pessoa, que, ao ser infringido, responsabiliza e penaliza quem comete a infração. A violência se apresenta de diversas maneiras e resultando em diversas consequências, que podem ser físicas, patrimoniais, emocionais etc. Compreender o contexto no qual a violência se manifesta, assim como o estabelecimento de uma cultura da prevenção e da promoção da dignidade da pessoa é o ponto de partida para que uma intervenção efetiva seja realizada, contribuindo para a diminuição dos comportamentos violentos. Formas de violência e suas implicações Neste vídeo, você vai ver a definição de violência segundo a OMS, apresentando suas diferentes formas. Destacamos ainda a importância do estabelecimento de uma cultura da prevenção e da promoção da dignidade da pessoa. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a o versão online deste conteúdo. 0 profissional de psicologia diante das violências: reflexões éticas</p><p>profissional de psicologia trabalha voltando-se diretamente para as relações humanas e suas diversas manifestações e contextos nos âmbitos de organizações, hospitais e instituições educativas, entre outros. Frente à realidade multifacetada e complexa do fenômeno da violência, o profissional assume um papel fundamental no sentido de contribuir para a compreensão de suas raízes, assim como na intervenção eficaz com as vítimas e os agressores, e também nas ações que visem à sua prevenção com a promoção de uma cultura de paz. Os princípios fundamentais do CEPP (CFP, 2005) apontam reflexões importantes que justificam e embasam essa atuação. Veja a seguir. I. psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. II. psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (CFP, 2005) Existe um compromisso ético do profissional de psicologia no combate direto à violência, no sentido de promover intervenções que possam desconstruir o ciclo de violência estabelecido nos diferentes tipos de relações, sempre visando à qualidade de vida e à valorização da dignidade do outro. A partir de seu conhecimento teórico e técnico, o profissional pode analisar os fatores individuais, sociais e culturais que contribuem para a</p><p>violência. Conheça alguns desses fatores. Histórico pessoal o profissional deve considerar aspectos do histórico pessoal que geram a reprodução da violência, tais como traumas vivenciados, experiências de abuso, negligência e outros eventos da vida da pessoa que podem influenciar seu comportamento violento. Contexto social o profissional deve levar em consideração aspectos do contexto social, como pobreza, desigualdade social, discriminação e falta de acesso à educação e aos serviços básicos, que podem ser fatores de risco para o desenvolvimento da violência. Valores e cultura o profissional também tem papel importante no enfrentamento da violência, o que inclui compreender a influência de valores, crenças e</p><p>culturais que perpetuam comportamentos violentos, como aqueles dirigidos à mulher. código de ética também norteia e orienta a respeito do que deve ser evitado no exercício da profissão. Devemos levar em conta que, ao agir em nome da psicologia, precisamos nos manifestar a partir do que a ciência psicológica estabelece e não a partir de nossas próprias opiniões e convicções. No art. 2° do CEPP (CFP, 2005), algumas ações são vedadas ao profissional de psicologia. Veja. a) Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão; b) Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais; c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer forma de violência; [...]e) Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais.</p><p>(CFP, 2005) Diante dos pontos destacados pelo CEPP no que diz respeito às ações do profissional de psicologia, observamos a recomendação para que psicólogos assumam um papel de proatividade, intervindo diante de qualquer circunstância na qual a violência esteja presente, direta ou indiretamente. Ao testemunhar ou tomar conhecimento de qualquer situação de violência que possa colocar em risco a vida da pessoa ou de terceiros envolvidos, o profissional de psicologia deve assumir o papel de comunicar e denunciar, quebrando, em alguns casos, até mesmo o sigilo profissional. No CEPP, nos artigos 9° e 10°, existem diretrizes acerca do sigilo e quando ele pode ser quebrado, notadamente quando mantê-lo se apresenta como contrário aos princípios norteadores do código de ética. Mulher cobrindo o rosto com as mãos. Dessa forma, um psicólogo clínico que atenda uma mulher vítima de violência doméstica deve considerar a denúncia quando a própria vítima não busca fazê-la. Isso se dá porque, em uma situação como essa, apresentam-se riscos à vida da pessoa, podendo-se quebrar o sigilo para que sejam tomadas medidas cabíveis para a proteção da vítima. psicólogo também pode ser obrigado a quebrar o sigilo por ordem judicial ou se o paciente confessar um crime, ajudando na investigação. Em todas as situações, o profissional deve buscar o menor prejuízo para o paciente. Isso significa que deve tomar todas as medidas possíveis</p><p>para apresentar somente o indispensável para proteger a vítima ou esclarecer um ponto por determinação judicial. Compromisso ético do profissional de psicologia no combate direto à violência Neste vídeo, você vai refletir sobre o CEPP e o papel do profissional de psicologia no enfrentamento da violência, considerando as diferentes variáveis, manifestações e impactos associados que devem ser reconhecidos e analisados pelo profissional com o objetivo de diminuir a incidência e o sofrimento associado, ilustrado com exemplos. Para assistir a um vídeo sobre assunto, acesse a versão online deste conteúdo. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência como "a utilização intencional da força física ou de um poder, sendo ele real ou ameaça, contra si próprio ou contra outra pessoa, um grupo ou uma comunidade, podendo resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação". Com base na definição da OMS, qual das alternativas a seguir se encaixa no conceito de violência?</p><p>Uma criança não ser humilhada e ridicularizada por A seus colegas de classe. Um homem ser acidentalmente atingido por um objeto que cai de um prédio durante uma briga familiar. Uma mulher ser obrigada a manter relações sexuais C com o marido contra a vontade dela. Uma criança presenciar a notícia de um assalto no D telejornal. Um professor utilizar a voz para controlar os E estudantes em sala de aula. Parabéns! A alternativa C está correta. A violência sexual é caracterizada pelo uso da força física ou coerção para obrigar uma pessoa a ter relações sexuais contra sua vontade. As demais alternativas não se encaixam na definição da OMS, manifestando outras situações, algumas que geram danos à pessoa, mas que não se apresentam como uma violência. Questão 2 A violência, além de ser uma violação de normas e leis, também pode ser caracterizada como a conversão de uma diferença em uma relação hierárquica de desigualdade, com o objetivo de dominar, explorar e oprimir. Qual das afirmativas a seguir pode ser configurada como uma forma de violência?</p><p>Ação que visa auxiliar e desenvolver o outro, A permitindo o acesso aos seus direitos e à autonomia. Atitude que impõe silêncio e passividade à vítima, por meio da intimidação e do medo. Comportamento que não busca manipular e C explorar o outro, tratando-o como sujeito de direitos. Ação que ocorre de forma consensual e com o D acordo de ambas as partes. Conduta que visa potencializar a autoestima da E vítima e evitar ações que prejudiquem seu desenvolvimento. Parabéns! A alternativa B está correta. A violência se caracteriza por uma relação de poder desigual, na qual um indivíduo busca dominar e subjugar o outro. Ações consensuais e acordadas entre as partes não se configuram como violência, pois não há a presença de coerção, manipulação ou imposição. As demais alternativas não representam formas de violência, pois caracterizam ações que visam auxiliar, possibilitar direitos e potencializar o desenvolvimento da pessoa.</p><p>- atendimento de crianças e casos de denúncia Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer aspectos fundamentais no atendimento de crianças e adolescentes em casos de violações de direitos. 0 profissional de psicologia no atendimento de crianças e adolescentes Crianças e adolescentes constituem um dos principais públicos que demandam atendimento psicológico em diferentes áreas, desde a clínica até a jurídica. Por isso, é preciso compreender as peculiaridades desse público e os cuidados ao atendê-lo. Questões fundamentais no atendimento a crianças Neste vídeo, vamos discorrer sobre as particularidades no atendimento psicológico a crianças e adolescentes, destacando as considerações gerais sobre crianças e adolescentes no contexto terapêutico e o atendimento de crianças em outros contextos, incluindo normas e estatutos relativos.</p><p>Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. -0- Crianças e adolescentes no contexto terapêutico atendimento de crianças e adolescentes é um grande desafio para profissionais de todas as áreas, em especial para os da psicologia. Esse acolhimento requer ferramentas e habilidades específicas para alcançar a linguagem das pessoas que estão nessa fase específica do desenvolvimento. objetivo é contribuir efetivamente para a elaboração e a reestruturação das demandas oriundas desse tipo de atendimento. Criança em uma sessão de terapia. Para adultos, a psicoterapia se baseia naturalmente na comunicação verbal. diálogo é a ferramenta principal, mas, com crianças, apenas conversar não funciona. É preciso usar outras formas de comunicação para criar um clima de confiança, exigindo criatividade do profissional para construir um vínculo empático e possibilitar o processo terapêutico. No atendimento de crianças e adolescentes, é necessário trabalhar com os pais e/ou familiares. contexto familiar precisa colaborar com os objetivos do tratamento, como se fosse uma equipe disposta a colaborar em conjunto para a melhora e a remissão das mais diversas situações que levam a criança ou o adolescente a iniciar um processo terapêutico. CEPP estabelece, em seu artigo 8°, que, na realização de atendimento não eventual com a criança, ou seja, um processo mais longo, o profissional deverá necessariamente obter autorização de um ou dos dois responsáveis.</p><p>Além disso, quando não há um responsável legal, as autoridades competentes devem ser comunicadas sobre os encaminhamentos realizados com o intuito de garantir a proteção integral da criança. Na Resolução n° 13, de 15 de junho de 2022, do Conselho Federal de Psicologia, novamente alguns princípios norteadores são definidos no que se refere ao atendimento de crianças e adolescentes. Veja o que foi estabelecido em seu art. 12. Art. 12. Ao prestar serviços de psicoterapia à criança e ao adolescente, a psicóloga e o psicólogo devem: - ter autorização, por escrito de, ao menos, um responsável legalmente constituído, antes do início do acompanhamento psicoterapêutico; - primar pela proteção integral e melhor interesse da criança e do adolescente, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente; e III propor a participação dos responsáveis no acompanhamento do processo psicoterapêutico da criança ou do adolescente e acioná- los sempre que se fizer necessário. (CFP, 2022) Os norteadores descritos no art. 12 da Resolução 13/2022 demarcam a importância de que o profissional tenha registrado o consentimento de ao menos um dos responsáveis para o início do processo psicoterapêutico. Na Resolução, existe um anexo com um formulário previamente estabelecido para que seja preenchido pelos responsáveis ao iniciar o atendimento (você pode conferir no Explore +). Outro ponto importante que a Resolução aponta no art. 12 versa sobre a atuação profissional no que se refere ao bem-estar da criança e do adolescente. Ela deve estar em consonância com o Estatuto da Criança</p><p>e do Adolescente (ECA), garantindo a proteção integral e o atendimento ao melhor interesse desse público. No atendimento a crianças e adolescentes, de modo geral, além dos aspectos éticos ponto de partida de toda a prática profissional -, é necessário compreender o universo da criança e do adolescente, além do papel do terapeuta nesse processo de construção do vínculo e da terapia. Imagine a mente de uma criança como um quebra-cabeça gigante. Cada pedacinho, desde a genética até as experiências vivenciadas, encaixa-se para formar quem ela é. Dizer que um único fator, como um trauma ou uma doença, é a causa de um problema psicológico na infância é como tentar explicar todo o quebra-cabeça apenas por uma peça. Representação da mente de uma criança como um quebra-cabeça. Na verdade, vários fatores se unem e se influenciam, criando uma teia complexa que molda o desenvolvimento da criança. Confira. Genética Aspectos como temperamento e predisposição a certos transtornos são influenciados pela genética, ou seja, é ela que define a base.</p><p>Ambiente/contexto As experiências vividas, desde o recebimento do amor dos pais até situações de abuso, moldam a forma como a criança lida com o mundo. + Fatores biológicos Doenças, desnutrição e até mesmo problemas no parto podem impactar o desenvolvimento da criança. Desenvolvimento social As relações com amigos, familiares e professores também são importantes para o bem- estar emocional da criança.</p><p>Em vez de buscar um único fator que pode ocasionar um modo disfuncional de ser na criança, é preciso entender como variados fatores se relacionam e influenciam sua saúde mental Desse modo, torna-se possível oferecer ajuda de forma mais completa e eficaz, considerando as necessidades individuais de cada criança, além de compreender o estágio de desenvolvimento em que ela está inserida, para que possam ser utilizadas ferramentas adequadas para rastreio e intervenção no atendimento. 0 atendimento de crianças em outros contextos Além do atendimento de caráter terapêutico, o profissional pode atender crianças e adolescentes em outras áreas, por exemplo, ao atuar na assistência social, na educação ou no campo da psicologia jurídica. Comentário No caso da psicologia jurídica, o profissional não vai realizar um atendimento psicoterapêutico, mas uma intervenção pontual e sistemática, atendendo, na maioria das vezes, a alguma solicitação ou determinação de algum órgão do sistema de garantias de direitos (Conselho Tutelar, Ministério Público, Poder Judiciário etc.). Atender uma criança nessa perspectiva impõe inúmeros desafios ao profissional que realiza o procedimento. Algumas demandas surgem para atendimento psicológico, e é necessário que o profissional considere que existem expectativas ao redor de sua atuação, as quais extrapolam suas atribuições. É necessário demarcar e compreender nossas possibilidades e limitações. Em casos complexos, como abuso sexual, é esperado que o profissional atenda a criança de forma a realizar uma avaliação psicológica visando dar uma resposta determinante acerca da possível ocorrência ou não do abuso. Muitas vezes, a justiça espera respostas objetivas, como se a psicologia fosse uma ciência exata capaz de dizer com certeza se o abuso ocorreu ou não, mas a verdade é que não é essa a possibilidade da ciência psicológica. A mente humana é complexa e os traumas podem deixar marcas profundas, dificultando a lembrança precisa dos fatos. Por isso, o profissional precisa usar diferentes ferramentas e técnicas para avaliar a situação da melhor forma possível, o que significa, em alguns casos, que a resposta não será um simples sim ou o profissional pode apresentar diferentes possibilidades, com base em sua análise e nos indícios disponíveis, contribuindo para elucidar</p><p>se ou O Imagem retratando o fim da violência e do abuso de profissional de psicologia precisa considerar alguns aspectos gerais relevantes no atendimento à criança. o objetivo é que ações não se sobreponham, gerando revitimizações e não garantindo a proteção e a escuta necessárias que a criança possa demandar em qualquer situação. Pontuamos duas questões fundamentais. Confira. Identificação da demanda/problema para 0 atendimento Entender que existe um encaminhamento prévio e, com ele, uma expectativa sobre o que o profissional deve observar na criança (comportamento, violência, sentimentos etc.). Nesse caso, refletir eticamente a respeito dos limites de atuação é fundamental, até mesmo para evitar a revitimização da criança e poder acolher de forma eficaz e não somente responder a uma determinação. Consideração de crenças e valores pessoais profissional precisa se questionar sobre as próprias opiniões, buscando uma postura imparcial, sem impor seus valores morais ou agir</p><p>de forma autoritária, podendo trazer grande prejuízo para a livre expressão da criança, interferindo na maneira como ela age. Situações de violência e denúncia infantojuvenil Atendimento e encaminhamento de violência e denúncias Neste vídeo, descreveremos, por meio de um estudo de caso, o papel de profissionais de psicologia diante de atendimentos e encaminhamentos em casos de crianças e adolescentes vítimas de abuso e/ou violência, destacando como o profissional deve comunicar-se de forma clara, objetiva e imparcial, focando os fatos e as observações profissionais. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. 0 profissional de psicologia no atendimento da violência A violência contra crianças e adolescentes é uma grave violação de direitos humanos que afeta milhões de jovens em todo o mundo. Essa realidade cruel assume diversas formas, causando danos físicos, psicológicos, emocionais e sociais que podem ter consequências devastadoras para o desenvolvimento e o futuro das vítimas. o profissional de psicologia, no exercício da profissão, desempenha um papel na luta contra a violência cometida contra crianças e adolescentes, atuando em diversas frentes para prevenir, identificar e auxiliar na superação dos traumas causados por essa realidade.</p><p>A atuação do profissional de psicologia, independentemente do contexto em que estiver inserido, deve ser estruturada de maneira articulada com outras áreas e campos do conhecimento, sempre integrada com a rede de proteção, possibilitando o fortalecimento das intervenções e um atendimento adequado à vítima. Legislação e 0 trabalho do profissional de psicologia profissional precisa conhecer a legislação referente à proteção da criança e do adolescente. Conheça duas das principais leis que atuam nesse segmento. Lei 8069, de 13 de julho de 1990 Trata-se do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no qual estão regulamentados os principais caminhos de proteção da infância, sendo o Conselho Tutelar um órgão com o dever de assistir crianças e adolescentes e atuar administrativa e judicialmente nos casos em que há riscos à proteção integral. Conselho Tutelar tem propriedade para solicitar acesso aos serviços de saúde, educação e assistência social, além de encaminhar ao Ministério Público e/ou autoridade competente notícias de casos de violências doméstica e sexual e deve ser obrigatoriamente comunicado sempre que surgir uma suspeita que necessite ser investigada, recebendo uma notificação compulsória (BRASIL, 1990). Essa obrigação de notificar situações de violência contra crianças e adolescentes é dever de todo cidadão e, especialmente, de profissionais como os psicólogos clínicos, da educação, da saúde e de outras áreas que, em seu cotidiano, mantêm contato com crianças e adolescentes. Lei 13.431, de 4 de abril de 2017 Trata-se de uma legislação que normatiza e organiza o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e cria mecanismos para prevenir e coibir a violência, além de estabelecer medidas de assistência e proteção à criança e ao adolescente em situação de violência.</p><p>Essa lei também define os diversos tipos de violência que podem ocorrer contra crianças e adolescentes (você pode acessá-la na íntegra por meio do Explore +), entre os quais podemos citar a violência física, a psicológica e a sexual, entre outras. No âmbito da violência psicológica, temos dois temas complexos: o primeiro é o bullying e o segundo é a alienação parental. Esta última é discutida no campo psicológico, havendo posicionamentos díspares tanto na psicologia como na relação com o direito. A atuação do profissional de psicologia diante da violência geralmente está em interface com o direito, pois a violência é uma realidade que invade a dignidade e a liberdade da pessoa, especialmente sendo criança/adolescente, que está em uma fase peculiar do desenvolvimento, necessitando de total cuidado e amparo. Escuta da psicóloga em um atendimento a uma jovem. Compreender de que forma a violência se apresenta é o primeiro passo para que a atuação profissional seja realizada de modo adequado. Isso significa que o profissional vai atuar tanto na escuta da criança/do adolescente quanto no encaminhamento para a rede de proteção. A escuta deve estar em consonância com seu papel de atuação, sem revitimizar e tendo a obrigatoriedade de notificar os órgãos de proteção, avaliando o nível de sigilo que deverá manter na comunicação dos dados colhidos. Imagine que você está atuando em uma escola e, ao fazer um atendimento pontual, uma criança revela que foi vítima de abuso sexual. Possivelmente, a primeira dúvida pode ser relacionada à maneira de agir nessa situação. É necessário compreender o que a Lei n° 13.431/2017 define como abuso sexual e saber que o caso deve ser notificado ao Conselho Tutelar. Além disso, comunicar algum responsável de confiança ou o próprio profissional fazer esse encaminhamento. Diante do que foi</p><p>revelado, há o dever de quebrar o sigilo, realizando um encaminhamento contendo apenas o mínimo necessário para o entendimento da situação, visando o menor prejuízo para a criança. Atuação do profissional de psicologia no encaminhamento de denúncias No atendimento à criança, ao identificar alguma situação de violência em que a vida desta ou de alguém está em risco, o profissional tem o dever de denunciar. Essa notificação obrigatória não envolve problemas éticos para psicólogos, uma vez que a quebra de sigilo está prevista no código de ética profissional. Confira. 66 Art. 10° - Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrentes do disposto no art. 9° e as afirmações dos princípios fundamentais deste Código, excetuando-se os casos previstos em lei, o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo, baseando sua decisão na busca do menor prejuízo. Parágrafo único - Em caso de quebra de sigilo previsto no caput deste artigo, o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias. (CFP, 2005) Fundamentalmente, o profissional deve sempre priorizar o bem-estar da criança em todas as decisões, por isso a quebra do sigilo pode ocorrer quando a avaliação indicar que existe um risco contra a vida da criança. Confira alguns procedimentos e princípios éticos do profissional de psicologia na notificação de casos de violência infantil.</p><p>Contato com pessoa de confiança o profissional deve buscar e contatar uma pessoa de confiança da criança, como um familiar ou responsável legal, para que a revelação seja compartilhada e o acompanhamento necessário seja providenciado. Notificação às autoridades pelo familiar o familiar deve assumir a notificação às autoridades competentes, como o Conselho Tutelar, a Delegacia de Polícia ou o Ministério Público. A presença do familiar é fundamental para dar apoio à criança e acompanhá-la em todas as etapas do processo. Notificação pelo profissional de psicologia na ausência de familiar o profissional deve fazer a notificação caso não seja possível obter esse comprometimento de algum familiar. Nesse caso, o profissional poderá fornecer às autoridades competentes os dados que fundamentam sua denúncia, mas sempre buscando o menor prejuízo à criança e notificando apenas o estritamente necessário para garantir a proteção da vítima, de acordo com o que o CEPP regula. Importância do profissional de psicologia na denúncia profissional, ao realizar uma denúncia, torna-se peça fundamental na engrenagem da justiça, contribuindo para a proteção da criança e a busca</p><p>pela verdade. E importante ter em mente que sua convocação para prestar informações durante o inquérito ou o processo judicial, é um instrumento legal que visa esclarecer pontos importantes da denúncia e garantir que a justiça seja feita. Colaboração ética e profissional com as autoridades o profissional deve necessariamente colaborar com as autoridades, mas sempre nos limites éticos e profissionais da psicologia. Isso significa que deve comunicar-se de forma clara, objetiva e imparcial, focando os fatos e suas observações profissionais, evitando interpretações pessoais ou opiniões subjetivas. Ao seguir os princípios éticos, o profissional de psicologia garante que sua atuação na denúncia esteja pautada pela ética, pela responsabilidade profissional e pelo compromisso com a justiça e a proteção da criança. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 É sabido que existem diferenças de atendimento de acordo com a faixa etária do paciente. Dessa forma, uma das principais diferenças entre o atendimento psicoterapêutico de crianças e adolescentes em comparação com o de adultos é que o atendimento de crianças e adolescentes requer o uso de outras metodologias específicas que</p><p>A envolvam formas diferentes de comunicação além do diálogo verbal. o atendimento de crianças e adolescentes é B baseado principalmente na comunicação verbal assim como acontece com os adultos. a psicoterapia para crianças e adolescentes não C exige a participação dos pais ou de familiares no processo terapêutico. para crianças e adolescentes, o diálogo é a única D ferramenta necessária para criar um clima de confiança no processo terapêutico. a psicoterapia para crianças e adolescentes não E requer criatividade por parte do psicólogo para construir um vínculo empático. Parabéns! A alternativa A está correta. o atendimento psicoterapêutico de crianças e adolescentes requer ferramentas e habilidades específicas, além do diálogo verbal, para estabelecer um vínculo empático e eficaz. Isso ocorre porque apenas conversar pode não ser suficiente para alcançar essa faixa etária. Por isso, se torna importante utilizar outras formas de intervenção com o intuito de estabelecer um rapport, gerando um clima de confiança e contribuindo para o processo terapêutico. Questão 2 De acordo com o Código de Ética Profissional do Psicólogo e a Resolução n° 13/2022, do Conselho Federal de Psicologia, quais são os princípios norteadores estabelecidos para o atendimento psicoterapêutico de crianças e adolescentes? o profissional de psicologia deve realizar o atendimento psicoterapêutico de crianças e</p><p>A adolescentes sem a necessidade de obter autorização dos responsáveis legais. o profissional de psicologia pode iniciar o processo psicoterapêutico de crianças e adolescentes sem a obtenção de autorização por escrito dos responsáveis legais ou de autoridade legal. profissional de psicologia deve sempre acionar as autoridades competentes, em todos os casos, antes C de iniciar o processo psicoterapêutico de crianças e adolescentes. profissional de psicologia deve obter autorização, por escrito, de ao menos um responsável legal antes D do início do acompanhamento psicoterapêutico de criança e adolescente. profissional de psicologia não precisa considerar E o Estatuto da Criança e do Adolescente no processo psicoterapêutico de crianças e adolescentes. Parabéns! A alternativa D está correta. Para a realização do atendimento psicoterapêutico de crianças e adolescentes, é necessário solicitar autorização por escrito de um dos responsáveis legalmente constituído. Além disso, o profissional deve primar pela proteção integral e pelo melhor interesse da criança e do adolescente durante todo o processo terapêutico, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente.</p><p>3 - - 0 atendimento simultâneo de familiares e conhecidos Ao final deste módulo, você será capaz de identificar os aspectos éticos envolvidos nos atendimentos de familiares em diferentes contextos. 0 atendimento individual, familiar e grupal Família: atender ou não atender Neste vídeo, vamos refletir sobre as possibilidades e as impossibilidades do atendimento de família e conhecidos de um determinado paciente, destacando a importância de objetivar o bem- estar deste, assumindo responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado. Serão contempladas também algumas possibilidades de atendimento de vários membros de uma determinada família, como na terapia de casal e a área da psicologia jurídica.</p><p>Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. o processo psicoterapêutico é um caminho construído entre paciente e psicoterapeuta, possibilitando a transformação de situações muitas vezes dolorosas e difíceis de mudar, e também de reconhecimento de potencialidades e possibilidades de crescimento. psicoterapeuta atua de forma a contribuir para essa transformação, sempre se embasando cientificamente e buscando atuar conforme o que rege a ética profissional. Atendimento individual Atendimento familiar Em um primeiro Em alguns momentos, o momento, geralmente, a atendimento individual pessoa busca o pode ser limitado atendimento individual, devido a dificuldades do quando é estabelecido paciente em se abrir ou um contrato terapêutico quando o de sigilo, gerando uma X psicoterapeuta aliança terapêutica - identifica a necessidade um dos fatores de que algum familiar fundamentais no também deva ser processo de atendido, a fim de permanência da pessoa contribuir para a no tratamento melhora da pessoa já psicoterapêutico. em acompanhamento. Quando há a necessidade de atender um familiar do paciente, surge um grande dilema: é possível atender simultaneamente familiares? Para melhor respondermos a essa pergunta, precisamos recorrer ao CEPP, pois existem diversos apontamentos no que se refere a essa realidade. art. 2° do CEPP ressalta que é vedado ao psicólogo, no exercício de sua profissão, estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, que tenha vínculo com o atendido, relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado (CFP, 2005). o código de ética deixa claro, portanto, que</p><p>é vedado estabelecer vínculos com pessoas próximas ao paciente que está sendo atendido se essa relação vier a ter uma interferência negativa para ele. Existe uma parcela subjetiva, ou seja, o psicólogo é convidado a refletir sobre os impactos da vinculação com um familiar do paciente. Se for temporária e voltada para o atendimento deste, provavelmente será bem-vinda. No entanto, se significar uma forma de atrapalhar o processo terapêutico em curso, não deve ser explorada. CEPP também aponta que o profissional precisa atuar de forma a garantir a qualidade de vida do paciente, além de ter como um de seus deveres fundamentais assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente. No caso de surgir a possibilidade de atender simultaneamente familiares, o profissional poderá encaminhar o outro familiar para um colega de Também existe a possibilidade de atender pessoas de uma mesma família, mas em um contexto específico, que seria o de uma psicoterapia familiar. Psicoterapia familiar atendimento psicoterapêutico às famílias considera que o ocorrido na vida de um paciente que vive em uma família não decorre apenas de condições internas a ele. Há o entendimento de que há um intenso intercâmbio com o contexto mais amplo em que está inserido, de modo que ele recebe a interferência desse ambiente sobre ele e também o influencia. Família em atendimento psicológico. A demanda terapêutica é específica para esse contexto, sendo o profissional de psicologia quem atua visando facilitar a comunicação entre os membros da família. Além disso, explora dinâmicas familiares e</p><p>identifica padrões disfuncionais de interação, utilizando técnicas e abordagens específicas que auxiliam a compreensão individual e a superação de desafios, visando ao fortalecimento dos laços familiares e aprimorando os relacionamentos. Psicoterapia de casal No que se refere ao atendimento de pessoas de uma mesma família, outra possibilidade existente é a psicoterapia de casal. Nesse contexto, o profissional de psicologia adquire uma especialização específica para essa abordagem e trabalha de forma a contribuir para a melhora da dinâmica do casal, que também pode realizar psicoterapia individual, contanto que seja com outro profissional. Casal em terapia. A terapia de casal tem dois objetivos principais. Conheça-os. Objetivo 1 Trabalhar as dificuldades conjugais e auxiliar as partes a lidar com as diferenças existentes entre eles, buscando alguns eixos de intervenções. Nesse caso, busca-se a reestruturação de comportamentos reforçadores, aumentando as condutas desejáveis e diminuindo as indesejáveis. Objetivo 2 Desenvolver habilidades de comunicação e o treinamento de solução de problemas entre os pares. o profissional vai atender agindo como um intermediador entre o casal, visando ampliar o diálogo e a visão de mundo de ambos, que pode estar permeada de padrões disfuncionais que prejudicam a relação.</p><p>Tanto na terapia familiar como na terapia de casal a abordagem não é individual, mas a partir de uma perspectiva referente a uma dinâmica estabelecida nas relações, sejam familiares, sejam conjugais. Em ambos os casos, o atendimento passa por uma realidade em comum e, no caso de haver atendimento individual, deverá ser realizado por outro profissional diferente do que atende a família ou o Psicologia jurídica Outro contexto em que pode ser realizado o atendimento simultâneo a familiares e a criança é a área da psicologia jurídica. Nessa perspectiva, geralmente a demanda é oriunda do sistema de garantias de direitos, e o profissional tem o papel de realizar uma intervenção pontual e específica, visando subsidiar a tomada de decisão por parte do órgão demandante. Representação de legislação e família. Existe o estabelecimento de um contrato, formal ou não, em que as partes tomam ciência de que serão atendidas. sigilo é algo que deve ser demarcado e definido, de modo que compreendam que será elaborado um relatório que conterá informações importantes sobre a situação específica, sempre visando informar o mínimo possível para o bom andamento dos processos. profissional, nesse contexto, vai exercer o papel de perito, ou seja, de profissional de confiança do juiz capacitado a responder a uma demanda específica. Código de Ética e relação terapêutica</p><p>Cuidados éticos na relação terapêutica Neste vídeo, você vai aprender a identificar os principais elementos que caracterizam o cuidado ético de profissionais de psicologia durante os atendimentos psicoterapêuticos em relação ao vínculo estabelecido com o paciente/cliente, destacando a postura isenta de julgamentos pessoais e de criticismos, o sigilo profissional e a neutralidade. Para assistir a um vídeo sobre assunto, acesse a o versão online deste conteúdo. Muitas vezes, diante da angústia ou da vivência de alguma situação difícil, temos necessidade de buscar um auxílio, uma palavra amiga de uma pessoa de confiança, de um amigo, de um religioso ou de uma pessoa que possa escutar e aconselhar, no intuito de nossos sintomas. De fato, ter alguém com quem seja possível receber um direcionamento de uma forma empática certamente produz ganhos terapêuticos. Não podemos dizer, entretanto, que uma boa conversa com um amigo é como uma psicoterapia, porque a relação que se estabelece entre paciente e psicoterapeuta é única e contém elementos que não são possíveis em outro tipo de relacionamento. A psicoterapia é uma realidade completamente diferente: primordialmente, é estabelecida uma relação terapêutica. A relação terapêutica é elemento mais distintivo e essencial da psicoterapia. psicoterapeuta se interessa genuinamente pelo paciente, porém em uma dimensão muito distinta da que ocorre nos outros relacionamentos interpessoais da vida do paciente. A construção da relação terapêutica perpassa uma ética. Existem possibilidades e limites na atuação profissional, especialmente no que se refere ao sigilo e à imparcialidade do profissional de psicologia.</p><p>Imparcialidade No que se refere ao caráter de imparcialidade, é necessário compreender que a relação terapêutica possui um caráter científico, profissional, que por si só já indica essa postura isenta de julgamentos pessoais e de criticismos por parte do psicoterapeuta. Um contrato é estabelecido, seja formal ou informal, e o paciente toma ciência de que pode contar totalmente com um profissional habilitado, com a única intenção de auxiliá-lo a reduzir seu sofrimento, eliminar comportamentos disfuncionais e promover sua qualidade de vida. A neutralidade científica do psicoterapeuta é garantia de que as concepções morais, religiosas, políticas, preferências e gostos pessoais do profissional não poderão interferir e influenciar o paciente, pois o psicoterapeuta é norteado e respaldado eticamente. Por isso, é importante o registro profissional e uma formação específica para exercer o ofício. A psicoterapia é uma atribuição para psicólogos que possuem expertise e um preparo para atuar. Sigilo sigilo é outro ponto específico dessa relação terapêutica. psicólogo deve manter a confidencialidade das informações fornecidas pelo paciente durante a terapia, a menos que haja uma obrigação legal de divulgar essas informações, como em casos de violência. Além da confidencialidade, o atendimento deve ser realizado em um ambiente reservado, livre de distrações externas, possibilitando segurança para que o paciente possa falar livremente. Esse direcionamento ético está intrinsecamente ligado à relação terapêutica, começando com a criação de um ambiente ético e acolhedor que promova uma comunicação aberta e compreendendo que existem diretrizes propostas para uma atuação adequada. Conduta do profissional</p><p>A atuação profissional é regida por condutas que devem ser observadas, incluindo o que o profissional deve ou não fazer. Essas diretrizes estão contidas, em sua maioria, no CEPP. Existem pessoas que buscam o profissional devido a sua orientação religiosa ou política, e há profissionais que se apresentam dessa maneira, quase se intitulando "psicólogo ateu", "psicólogo cristão", "psicólogo budista" etc. Essa forma de se apresentar é questionável, pois o profissional de psicologia não deve intitular a própria opinião e denominação religiosa a fim de angariar pacientes e construir uma relação terapêutica. o artigo 2° do CEPP, na alínea b, estabelece que é vedado ao psicólogo: 66 [...] induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais. (CFP, 2005) o profissional precisa estar atento e deve construir a relação terapêutica com o paciente a partir dessas diretrizes, sendo norteado por uma abordagem e modelo teórico específico, e não por suas próprias Em cada abordagem psicoterapêutica, a relação terapêutica possui uma perspectiva diferente, tais como o nível de postura do terapeuta, a forma de explicitar o contrato terapêutico e as tarefas propostas ao paciente. Conheça alguns exemplos de abordagens terapêuticas. Terapia cognitivo-comportamental Existe uma relação colaborativa entre paciente e terapeuta, que o incentiva e propõe tarefas direcionadas, visando motivar o paciente. Psicoterapia centrada na pessoa</p><p>A motivação para a mudança parte do pressuposto de uma postura de aceitação incondicional, autenticidade e consideração positiva por parte do terapeuta. Embora cada modelo teórico defina uma forma de construir uma relação terapêutica, no que se refere a uma perspectiva ética, alguns aspectos são comuns, como a aliança, os objetivos e as tarefas terapêuticas. Esses três aspectos denotam que o profissional deverá adotar uma postura ética, respeitando os limites de sua atuação e agindo de acordo com o que é previsto no principal instrumento norteador da profissão, que é o código de ética. Desse modo, assegurará o paciente de que receberá um atendimento adequado para suas demandas e responsabilizará o profissional por suas atitudes. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 processo psicoterapêutico é um caminho de transformação em que a relação entre paciente e psicoterapeuta é construída, possibilitando a elaboração de situações muitas vezes dolorosas para a vida da pessoa que procura por ajuda. Com relação ao processo terapêutico, indique um dos fatores que pode ser considerado fundamental no processo de permanência da pessoa no tratamento psicoterapêutico. A Intervenções imediatas B Aliança terapêutica C Comprometimento pessoal baixo D Pressão social</p><p>E Uso de medicamentos Parabéns! A alternativa B está correta. No atendimento psicoterapêutico, é estabelecido um contrato terapêutico de sigilo, gerando uma aliança terapêutica, que é um dos fatores fundamentais no processo de permanência da pessoa no tratamento. Questão 2 Em que contexto o profissional de psicologia exerce o papel de perito, auxiliando a tomada de decisão por parte do órgão demandante? A Terapia individual B Terapia de grupo C Terapia de casal D Terapia infantil E Psicologia jurídica Parabéns! A alternativa E está correta. No contexto da psicologia jurídica, o profissional de psicologia exerce o papel de perito, auxiliando a tomada de decisão por parte do órgão demandante, o que envolve realizar uma intervenção pontual e específica para subsidiar essa tomada de decisão.</p><p>4 - Questões éticas na prevenção e na promoção da saúde Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer aspectos éticos relacionados ao campo da prevenção e da promoção da saúde. Prevenção e promoção da saúde: clarificando conceitos Podemos dizer que prevenção e promoção da saúde são duas terminologias naturais no nosso tempo. No campo da medicina ou no campo da psicologia, as intervenções atuais deixaram de ter um caráter eminentemente curativo, focado na doença e na sua etiologia, para pensar caminhos a fim de alcançar a saúde física ou o bem-estar subjetivo. No entanto, nem sempre foi assim. o caminho até se chegar à ideia de prevenção e promoção da saúde foi longo, sendo ainda uma jornada que se atravessa nas diversas práxis cotidianas.</p><p>Laço verde, símbolo da saúde mental. Compreender o que seja prevenção e promoção da saúde, especificamente da saúde mental, passa por entender um pouco do desenvolvimento das áreas médica e psicológica ao longo do século XX, principalmente por ter sido nesse contexto que tais conceitos ganharam espaço, tanto para a discussão quanto para a implementação. Schneider (2015) desenvolve um interessante percurso para refletir sobre a temática da saúde mental e, posteriormente, sobre as questões de prevenção e promoção. Confira o que ele afirma: o termo saúde mental e a conformação de seu campo de atuação foram definidos a partir da proposta da psiquiatria preventiva e comunitária, surgida nos Estados Unidos nos anos de 1960. (Schneider, 2015, p. 35) A questão da saúde mental é uma discussão recente, muito posterior ao surgimento da psicologia como ciência moderna. Anteriormente, o modelo influente no campo das ciências da mente, como a psicologia e a psiquiatria, era o da psiquiatria tradicional. Nesse modelo, o foco principal era o indivíduo doente, e os que sofriam de grave enfermidade mental, muitas vezes, eram isolados da sociedade. Conheça alguns marcos importantes envolvendo as mudanças ocorridas. Perspectiva negativa do ser humano na primeira metade do século XX A imagem do ser humano era marcada por uma perspectiva negativa, se pensarmos nos modelos das principais perspectivas psicológicas da primeira metade do século XX.</p><p>Alem disso, o toco inicial era sobretudo a doença mental e a terapêutica voltada para a cura. A própria noção de psicoterapia remete a essa Movimento de mudança na década de 1950 nos Estados Unidos o modelo do ser humano que busca a autorrealização, o desenvolvimento e com capacidade para estabelecer vínculos saudáveis começou a surgir com um movimento no campo da práxis psicoterapêutica, na década de 1950, nos Estados Unidos, que questionava a ideia de um ser humano doente, egoísta e movido por pulsões. Esse movimento veio a ser conhecido como psicologia humanista e, mais tarde, como psicologia humanista existencial, com a vinda de muitos teóricos da psicologia da Europa para os Estados Unidos. Perceba que a ideia de saúde mental surge nesse contexto.</p><p>Mudança de paradigma para 0 foco na saúde mental A lógica do foco na saúde mental modificou um paradigma de práticas manicomiais, em que o doente mental era, muitas vezes, visto como um alienado e, não poucas vezes, marginalizado na sociedade. Essa luta perdura até os dias atuais e, no contexto brasileiro, foi bem retratado pelo livro Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex. Essa lógica impactou a práxis das ciências médicas e psicológicas que passaram a buscar os determinantes da saúde, ou seja, o que contribui para o bem-estar subjetivo, assim como os aspectos associados à resiliência, aos estilos de vida saudáveis, às habilidades sociais e de vida, além de outros temas. Podemos dizer que as ideias de prevenção e promoção começaram a ganhar forma e lugar para seu desenvolvimento, deixando a questão de doença em segundo plano e se voltando para a saúde. No entanto, prevenção e promoção não são a mesma coisa, embora possam se tocar e, para alguns, estar intimamente ligadas. Segundo Czeresnia (2009), a ideia de promoção se insere no nível primário de atenção no âmbito da medicina preventiva. A promoção, de acordo com a autora, busca enfatizar a autonomia dos sujeitos e dos grupos sociais. Confira as palavras de Dina Czeresnia. 66 Promover a saúde alcança, dessa maneira, uma abrangência muito maior do que a que circunscreve o campo específico da saúde, incluindo o ambiente em sentido amplo, atravessando a perspectiva local e global, além de incorporar</p><p>elementos físicos, psicológicos e sociais. (Czeresnia, 2009, p. 72) A questão da promoção ganha ainda mais importância diante de dois outros aspectos. Vamos conhecê-los! Promoção Relaciona-se ao custo social da doença. Os impactos do tratamento de pessoas doentes vêm sendo algo cada vez mais oneroso para os Estados, gerando impasses e dificuldades, ao ponto da violação de direitos da pessoa humana, como o acesso à saúde de qualidade. Além disso, há que se considerar o moderno da busca pela felicidade, gerando uma tentativa de se afastar da doença e alcançar os mais altos graus de saúde. A promoção se volta, de certa forma, para os aspectos da vida saudável, seja em nível biológico, seja psicológico. Prevenção Mantém algum nível de contato com a doença, já que as intervenções preventivas, em síntese, buscam evitar o aparecimento de determinadas patologias. Podemos pensar, por exemplo, em como a prevenção é importante para um processo de envelhecimento saudável, contribuindo para se evitar o aparecimento de doenças crônicas, como a demência. Olhando para as duas amplas concepções sobre a promoção e a prevenção, percebemos que a promoção tem um sentido que pode englobar aspectos preventivos, mas não se limitam a eles. Veja. Promoção Prevenção Direcionada para o Direcionada para uma alcance de metas forma de proteção relacionadas à saúde. contra uma doença.</p><p>Esse direcionamento Praticar exercícios possui uma relação físicos para se proteger direta: a pessoa pratica de doenças exercícios físicos com o X cardiovasculares, objetivo de ter uma sobretudo em função melhor experiência do histórico familiar subjetiva de bem-estar. dessas doenças. A prática é a mesma, mas os objetivos são diferentes, assim como os estudos que embasam essas práticas. Agora que você já compreende um pouco o que sejam prevenção e promoção, vamos tratar da ética na prevenção e na promoção da saúde. Acompanhe. A saúde em primeiro plano Neste vídeo vamos discorrer sobre como a prevenção e a promoção da saúde procuram estimular a autonomia dos sujeitos e dos grupos sociais, apresentando a busca por um processo de envelhecimento saudável, a diminuição do custo social da doença e o foco em melhorar a experiência subjetiva de bem-estar. Para assistir a um vídeo sobre o assunto, acesse a versão online deste conteúdo. Ética na prevenção e na promoção da saúde</p><p>A palavra ética não é unívoca, ou seja, não possui um significado único. Essa realidade pode ser confirmada quando observamos as diferentes perspectivas éticas que fizeram parte da história da filosofia. Em termos gerais, a ética se preocupa com a questão como devo agir?, conforme aponta Kruger (2011). Para além disso, poderíamos dizer que, em termos técnicos, a ética busca responder como devo orientar minha vida em prol daquilo que é bom. Dessa forma, uma grande questão da ética é responder o que é o bem. Perceba que essa questão é bem complexa, sendo redundante na palavra bem de forma proposital. Isso porque o bem pode ter diferentes concepções, tanto de um indivíduo para o outro, como de uma cultura para outra. Para alguns, o bem é algo transcendental, relacionado a Deus. Para outros, bem é aquilo que gera a experiência de prazer ou agradabilidade ou, ainda, o bem estará associado a tudo aquilo que é facilmente executado, ao pragmatismo. Na história da ética, diferentes correntes éticas adotaram a noção de bem de forma diversa. Veja a concepção de bem para dois importantes filósofos da Antiguidade. Aristóteles maior bem possível para o ser humano é a felicidade, e ela pode ser alcançada por meio das virtudes. Dessa forma, o filósofo grego fundou a chamada ética da Epicuro o bem é alcançado pela maximização do prazer e pela minimização do sofrimento, ou seja, deve-se buscar obter o máximo de prazer e o mínimo de dor nas ações. Epicuro foi o fundador do epicurismo. Diferentes perspectivas éticas geraram diversas respostas à pergunta como devo agir? Além disso, trouxeram diferentes aproximações à questão do que é o bem. No contexto do século XX e, portanto, no terreno da prevenção e da promoção da saúde, podemos pensar que um dos principais contributos do pensar ético se deu na construção do que se considera como valores universais do ser humano. Esses valores se concretizam na Declaração</p><p>Universal dos Direitos Humanos, adotada em dezembro de 1948 pelas Nações Unidas. Bandeira da Organização das Nações Unidas. A declaração torna mais palpável o ideal de uma igualdade entre as pessoas. Surgida após duas grandes guerras, a declaração tinha o intuito de demarcar uma nova etapa na relação entre as pessoas de diferentes locais e culturas. Ainda que possamos discutir o quanto essa declaração teve sucesso em seu objetivo, notadamente em um momento da história em que a ameaça de grandes guerras e conflitos volta a assombrar a humanidade, é necessário pontuar o quanto colocou a saúde como um direito. Confira o que a Declaração Universal dos Direitos Humanos defende em seu artigo 25. 66 Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e</p>

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