PLANEJAMENTO URBANO DO SÉCULO XXI
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PLANEJAMENTO URBANO DO SÉCULO XXI: 
CIDADE PARA O HOMEM OU PARA O VEÍCULO? 
 
 
Autor: BERTOLUCCI, Liana M. Mayer1 
Co-autor: MATHIAS, Allyne Lombardi2 
Orientador: DIAS, Solange Irene Smolarek3 
Faculdade Assis Gurgacz, Cascavel, PR. 
 
RESUMO 
 
Esse artigo tece considerações a respeito da grande valorização que se tem dado aos meios de 
transporte, principalmente aos veículos. As mudanças demográficas e físicas que ocorreram nas 
cidades com o fluxo rural-urbano resultaram num crescimento rápido e desordenado das cidades. 
A ordenação desse desenvolvimento tem sido um desafio a técnicos em planejamento e 
administradores públicos. Os meios de transporte sempre foram o componente dinâmico das 
cidades, sem o qual elas não se expandiriam em tamanho e produtividade. Não se pode discutir o 
futuro das cidades sem levar em conta o impacto causado pela demanda cada vez maior dos 
meios de transportes que trafegam por suas vias e os impactos que isso pode causar no 
desempenho da cidade e na vida das pessoas. 
PALAVRAS-CHAVE: Transporte. Mobilidade sustentável. Planejamento urbano. 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
O Brasil aumentou sua taxa de urbanização rapidamente nas ultimas décadas, passando 
assim de um país essencialmente rural para urbano. O crescimento acelerado das cidades levou a 
uma descentralização, em parte devido às grandes distâncias percorridas pelos habitantes e, em 
parte, porque esse crescimento trouxe novos costumes e necessidades à vida das pessoas. A falta 
de mercado de trabalho e o descontentamento dos usuários tornaram cada vez mais indispensável 
a presença dos meios de locomoção, seja em automóveis, ônibus coletivos ou transportes de 
 
1
 Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG, aluno de Planejamento Urbano e Regional III em 2006 
2
 Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG, aluno de Planejamento Urbano e Regional III em 2006 
3
 Arquiteta e Urbanismo, mestre em Letras, professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG, orientadora da 
presente pesquisa. 
massa. Pode-se dizer que o transporte individual motorizado é um dos principais meios de 
transportes da atualidade. 
Ao planejar as cidades deve-se levar em conta um aspecto fundamental: a mobilidade 
sustentável, com o objetivo de otimizar o deslocamento e a utilização do sistema por parte dos 
usuários. Considerando que a organização do espaço urbano constrói uma relação direta quanto 
ao transporte, é importante que haja um planejamento racional. 
 
 
1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
1.1. Breve História do Urbanismo 
 
 O pensamento urbanístico moderno é uma criação específica do espírito ocidental. É com 
a chegada da Revolução Industrial que ele se inicia, provocando uma rejeição efetiva das 
concepções tradicionais da cidade. Dentre as correntes do urbanismo moderno, uma se destaca 
mais: é a chamada corrente progressista. O modelo progressista baseia-se numa concepção de um 
indivíduo humano como tipo padronizado, independente do lugar, do nível político ou do tempo 
onde está inserido. Setoriza a vida dos seus habitantes em morar, trabalhar, divertir-se e 
locomover-se. 
 A preocupação com a estética caracteriza a cidade progressista como cidade espetáculo, 
porém não segue os padrões artísticos do passado, submetendo-a apenas às leis de uma geometria 
natural de inspiração cubista, onde o ortogonismo rege as relações dos edifícios entre si e com as 
vias de circulação. A idéia central era a de modernidade: a cidade deveria mostrar 
contemporaneidade em todos os sentidos. 
 Este planejamento trouxe como resultado um efeito desvitalizante e desurbanizador, já 
que o automóvel passou a ser mais valorizado, aparecendo como o modo de o homem se inserir 
nesse novo contexto \u201cmoderno\u201d. Projetos que desconheciam o real funcionamento das cidades 
foram promovidos, seguindo os princípios da Carta de Atenas. 
Dentro da doutrina da Carta de Atenas, muitas mudanças no contexto urbano foram 
impostas nas cidades: dividiram-se as cidades em zonas que priorizavam, cada uma delas, uma 
diferente função urbana (morar, trabalhar, recrear). Com isso os cidadãos necessitavam 
locomover-se de uma zona para outra, de casa ao trabalho. \u201cCom esta má interpretação da Carta 
de Atenas, deu-se importância acima do necessário às vias de circulação, especialmente para os 
automóveis\u201d. (DIAS,Caio. 2005.) 
Opondo-se ao modelo progressista da Carta de Atenas surge o modelo culturalista que tenta 
construir uma cidade mais humana, em sua escala e na forma de relacionar-se de seus moradores. 
\u201cDefende que o agrupamento urbano seja visto não mais a partir da idéia do progresso, mas da 
cultura e, ideologicamente, opondo-se ao industrialismo e à definição de necessidades-tipo para 
um homem-tipo imaginário.\u201d (CHOAY, 2003). 
Os partidários do modelo culturalista, inspirados nas cidades medievais, criticam o 
desaparecimento da antiga unidade orgânica da cidade e a idealizam onde, em seu interior, não 
haja nenhum traço de geometrismo. Contrapondo-se também aos conceitos da Carta de Atenas, 
temos o modelo do Novo Urbanismo, que tem as raízes de sua filosofia na história dos povoados 
humanos antes que o modernismo alcançasse hegemonia. 
 
Os projetistas do Novo Urbanismo, ou Urbanismo Sustentável, estão a favor de 
comunidades pequenas e densas, com limites definidos e onde exista uma adequada 
mescla de funções que incorporem espaços de recreação, comerciais, institucionais e de 
serviço, em estreita vinculação com residências de vários tipos. As viagens para fora da 
vizinhança são minimizadas, reduzindo a dependência do carro e a contaminação e o 
consumo de energia que esta gera. As distâncias de um lugar a outro poderiam ser 
percorridas a pé, e se podia chegar caminhando até às estações de transporte público 
(ônibus, trens, metrôs e outros, segundo o caso), que conectem com outras comunidades 
similares. Todas estas características propiciariam o caráter único do lugar e a sensação 
de pertencimento à comunidade do grupo de habitantes que ali convivem. 
(IRAZÁBAL, 2006). 
 
1.2.Transportes e Mobilidade Urbana 
 Só se pode compreender o fenômeno da valorização dos meios de transportes na nossa 
sociedade, se levarmos em conta não só o processo de expansão urbana, mas os fatores que 
proporcionaram esse processo. 
 De acordo com Ferraz e Espinosa (2004), o planejamento do sistema de transporte deve 
ser realizado em conjunto com o planejamento urbano, pois é necessário contemplar no 
planejamento das cidades dois aspectos que afetam diretamente a qualidade de vida da 
população: a acessibilidade e a mobilidade sustentável. 
 O Ministério das Cidades define mobilidade sustentável como: o resultado de um 
conjunto de políticas de transporte e circulação, que visa proporcionar o acesso amplo e 
democrático ao espaço urbano, através da priorização dos modos não-motorizados e coletivos de 
transporte de forma efetiva, que não gere segregações espaciais, socialmente inclusivas e 
ecologicamente sustentáveis. Ou seja: baseado nas pessoas, e não nos veículos. 
 Segundo Solange Dias (2005), planejamento urbano pode ser entendido como a busca do 
desenvolvimento urbano por meio de ações da administração pública e da iniciativa privada, 
lidando com os processos de produção, estruturação e apropriação do espaço urbano. \u201cO primeiro 
componente, portanto, do mecanismo ou do fenômeno que denominamos desenvolvimento é o 
espaço\u201d (LINDGREN, 1978 apud DIAS, 2005). 
 
 A história do desenvolvimento das cidades está diretamente relacionada à evolução dos 
meios de transportes que sempre foram, segundo Mumford (1982), o componente dinâmico da 
cidade, sem o qual ela não poderia ter se expandido em tamanho e produtividade, influenciando 
tanto na sua localização quanto nas suas características. Isso pode ser percebido no fato de as 
primeiras cidades terem surgido à beira do mar, pois as embarcações