Prévia do material em texto
<p>Manufatura</p><p>Enxuta</p><p>Professor Me. Felipe Delapria Dias dos Santos</p><p>Diretor Geral</p><p>Gilmar de Oliveira</p><p>Diretor de Ensino e Pós-graduação</p><p>Daniel de Lima</p><p>Diretor Administrativo</p><p>Renato Valença Correia</p><p>Coordenador NEAD - Núcleo</p><p>de Educação a Distância</p><p>Jorge Van Dal</p><p>Coordenador do Núcleo de Pesquisa</p><p>Victor Biazon</p><p>Secretário Acadêmico</p><p>Tiago Pereira da Silva</p><p>Projeto Gráfico e Editoração</p><p>André Dudatt</p><p>Revisão Textual</p><p>Beatriz Longen Rohling</p><p>Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante</p><p>Caroline da Silva Marques</p><p>Geovane Vinícius da Broi Maciel</p><p>Jéssica Eugênio de Azevedo</p><p>Kauê Berto</p><p>Web Designer</p><p>Thiago Azenha</p><p>UNIFATECIE Unidade 1</p><p>Rua Getúlio Vargas, 333,</p><p>Centro, Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 2</p><p>Rua Candido Berthier</p><p>Fortes, 2177, Centro</p><p>Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 3</p><p>Rua Pernambuco, 1.169,</p><p>Centro, Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 4</p><p>BR-376 , km 102,</p><p>Saída para Nova Londrina</p><p>Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>www.unifatecie.edu.br/site</p><p>As imagens utilizadas neste</p><p>livro foram obtidas a partir</p><p>do site ShutterStock</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>UNIFATECIE - CENTRO UNIVERSITÁRIO EAD.</p><p>Núcleo de Educação a Distância;</p><p>SANTOS, Felipe Delapria Dias dos.</p><p>Manufatura Enxuta.</p><p>Felipe. Delapria Dias dos Santos.</p><p>Paranavaí - PR.: Fatecie, 2020. 99 p.</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária</p><p>Zineide Pereira dos Santos.</p><p>AUTOR</p><p>Professor Me. Felipe Delapria Dias dos Santos</p><p>● Mestre em Engenharia Mecânica com ênfase em Materiais Poliméricos pela</p><p>UEM (Universidade Estadual de Maringá).</p><p>● Bacharel em Engenharia Mecânica (UTFPR - Universidade Tecnológica Federal</p><p>do Paraná).</p><p>● Bacharel em Administração (FAPAN - Faculdade de Paraíso do norte).</p><p>● Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho (UCAM - Universidade</p><p>Cândido Mendes).</p><p>● Especialista em Processos da Qualidade (UniFCV - Faculdade Cidade Verde).</p><p>● Professor Conteudista UniFatecie / Vg Educacional / Telesapiens / Dtcom.</p><p>● Engenheiro Mecânico - MEF.</p><p>Ampla experiência na área metalúrgica, com experiência em desenhos e projetos</p><p>mecânicos 2D e 3D via ferramentas de modelagem e simulação (SolidWorks). Experiência</p><p>com produção, supervisionamento e acompanhamento de processos e rotinas de empresas.</p><p>Além disso, possui ampla experiência também na docência EAD, com diversas produções</p><p>para instituições do Paraná e Região.</p><p>● Link do Currículo na Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/8500803864971377</p><p>APRESENTAÇÃO DO MATERIAL</p><p>Prezados(as) alunos(as), sejam bem vindo a nossa disciplina de Manufatura enxu-</p><p>ta, esperamos contribuir fortemente com seu aprendizado e participar com contribuições</p><p>positivas na sua jornada. Começaremos com a unidade I apresentando a origem e a his-</p><p>tória da manufatura enxuta para que possamos entender sua trajetória e como se tornou</p><p>o que é hoje. Ainda na unidade I aprenderemos sobre os diferentes tipos de desperdícios</p><p>existentes e como eliminá-los, aprenderemos sobre a base da manufatura enxuta, uma</p><p>técnica japonesa conhecida como Just-In-Time e encerraremos nossa primeira apostila</p><p>apresentando a importância do layout adequado dentro da manufatura enxuta.</p><p>Na unidade II iremos estudar juntos o sistema de avaliação e desempenho organi-</p><p>zacional, estudaremos também os diferentes sistemas modernos de gestão da produção</p><p>como Toyotismo, Fordismo, Taylorismo e Volvismo e encerraremos discutindo a respeito do</p><p>Lean Manufacturing.</p><p>Na unidade III aprenderemos ferramentas japonesas que são de fundamental</p><p>importância para a implantação e efetivação da manufatura enxuta. Além do Just-in-time</p><p>discutido na apostila I, veremos agora o Kaizen e o Jidoka que trabalham juntas para ga-</p><p>rantir a eficiência e qualidade na manufatura.</p><p>Concluiremos nossa disciplina abordando mais ferramentas japonesas, desta vez,</p><p>na unidade IV iremos discutir o Heijuka, o tempo takt e o kanbak. Finalizaremos nossa</p><p>apostila apresentando a importância da indústria 4.0 para o mundo.</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE I ...................................................................................................... 6</p><p>Introdução à Manufatura</p><p>UNIDADE II ................................................................................................... 28</p><p>Gestão da Produção</p><p>UNIDADE III .................................................................................................. 48</p><p>Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>UNIDADE IV .................................................................................................. 68</p><p>Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>6</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Introdução e conceitos</p><p>• A abordagem da produção enxuta - Histórias e categorias de desperdício</p><p>• Sistema JIT</p><p>• Mapeamento de fluxo de valor, fluxo de material e fluxo de informação.</p><p>• Arranjo físico na manufatura enxuta</p><p>• Indicadores de desempenho em manufatura enxuta</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Conceituar e contextualizar a manufatura enxuta no mundo</p><p>• Compreender os tipos de desperdício</p><p>• Estabelecer a importância dos indicadores de qualidade</p><p>• Compreender a importância do layout para a manufatura enxuta</p><p>UNIDADE I</p><p>Introdução à Manufatura</p><p>Professor Mestre Felipe Delapria Dias dos Santos</p><p>7UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Bem-vindos alunos a nossa primeira apostila da disciplina de Manufatura Enxuta.</p><p>Começaremos aprendendo um pouco da história da manufatura enxuta, como surgiu e</p><p>como ela cresceu, essa introdução é importante para entendermos o porquê de ter se</p><p>tornado uma filosofia tão grande e valiosa. Passaremos então para o próximo tópico, apren-</p><p>dendo sobre os diferentes tipos de desperdícios que existem dentro de uma empresa e por</p><p>que a manufatura enxuta deseja eliminá-los. Discutiremos um pouco sobre a técnica base</p><p>da manufatura enxuta, conhecida como Just-In-Time (JIT) e veremos também sobre uma</p><p>outra técnica muito difundida no meio, conhecida como Mapeamento de fluxo de valor que</p><p>envolve junto o fluxo de material e o fluxo de informação. Discutiremos a importância da</p><p>seleção e implantação de um bom arranjo físico e finalizaremos aprendendo alguns dos</p><p>principais e mais conhecidos indicadores de desempenho dentro da manufatura enxuta.</p><p>Preparados para mais essa jornada? Vamos lá!</p><p>8UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>1 INTRODUÇÃO E CONCEITOS</p><p>Um novo cenário mundial foi estabelecido em 1973 a partir da crise do petróleo,</p><p>esse cenário ficou conhecido pela inversão na relação oferta/demanda que existia na</p><p>época. Esse cenário se instalou pois o nível de oferta estava maior do que o nível de</p><p>demanda, sendo necessário novos princípios de produção. A crise teve impacto direto na</p><p>competitividade do mercado, fazendo com que as empresas e indústrias se adaptarem às</p><p>diferentes variações de demanda (CORIAT, 1988).</p><p>No contexto da crise, o sistema de Toyota Company destacou-se em relação aos</p><p>outros sistemas produtivos que surgiram na época. O sistema foi aderido de forma massiva</p><p>pois promovia produção flexível e de baixo custo com isso, houve a expansão e popula-</p><p>rização do sistema, passando a ser conhecido como Sistema Toyota de Produção (STP),</p><p>(GOMES, 2001)</p><p>De acordo os autores (Ohno, 1997, p. ix). Womack et al. (1992), a expansão do STP</p><p>se deu devido às diferentes necessidades que as empresas possuíam. Ou seja, algumas</p><p>indústrias necessitavam de sistemas que os possibilitasse produção para baixa demanda,</p><p>enquanto que outras empresas necessitavam sistemas para produção de alta demanda ou</p><p>alta variedade, e para todos os casos, o STP era eficiente. Os autores descrevem ainda</p><p>algumas dificuldades que o STP enfrentou antes de sua consolidação:</p><p>- Discreto mercado doméstico;</p><p>- Disputas trabalhistas;</p><p>9UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>- Leis trabalhistas introduzidas pela ocupação americana;</p><p>- A economia japonesa, devastada pela guerra, estava ávida por capitais e trocas</p><p>comerciais;</p><p>- A compra de tecnologia de produção ocidental era quase impossível;</p><p>- Ameaça de entrada de grandes fabricantes mundiais no mercado japonês;</p><p>Enxuta,</p><p>mas sim uma filosofia e que tal filosofia é muito aplicada na Produção Enxuta. A ferramenta</p><p>Kaizen auxilia na transformação de uma produção normal para uma produção enxuta (lean).</p><p>O autor diz ainda que para a implantação dessa ferramenta, faz-se necessário grande nível</p><p>de esforço por parte dos funcionários para ser implantada e para permanecer implantada.</p><p>O vem acontecendo é a implantação com sucesso de ferramentas da qualidade, no entanto</p><p>elas vem se perdendo durante o tempo, ou seja, não permanecem implantadas e isso deve</p><p>mudar com o auxílio da cultura de melhoria constante.</p><p>Ainda de acordo Knabben (2001), a palavra “Kaizen” possui sua origem do japonês,</p><p>“kai” significa mudança e “zen” significa “boa” no entanto não existe uma tradução própria</p><p>para a palavra “kaizen”, o que pode dificultar um pouco o entendimento. O conceito de</p><p>kaizen quer dizer que todas as pessoas devem estar melhorando todas as coisas o tempo</p><p>todo.</p><p>Os autores Rother e Shook (1999) escrevem que existem dois tipos de Kaizen:</p><p>● Kaizen de Fluxo ou de Sistema: Esse tipo de kaizen possui seu foco no fluxo de</p><p>valor, dirigido ao gerenciamento em específico;</p><p>● Kaizen de Processo: Possui seu foco em processos individuais, dirigido às</p><p>equipes de trabalho e líderes de equipe.</p><p>51UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>EVENTO KAIZEN (EK)</p><p>O “Evento Kaizen” nada mais é do que uma técnica com a funcionalidade de im-</p><p>plantação de melhoria contínua em processos produtivos e em processos administrativos.</p><p>O projeto representa em um curto período de tempo (geralmente de 1 dia à 7 dias) uma</p><p>grande mudança, é uma técnica de melhoria rápida, de baixo custo e de alta participação</p><p>do nível operacional (CHAVES, 2010).</p><p>Segundo Nazareno (2008) o conceito de Evento Kaizen vem se popularizando nas</p><p>empresas e isso é graças a mudança de prioridade na melhoria que as empresas estão</p><p>enxergando. Antigamente a melhoria era realizada apenas na própria função de cada fun-</p><p>cionário, dessa forma, os esforços os esforços para melhoria são grandes, já no sistema</p><p>EK (Evento Kaizen), diminui-se o esforço para provocar a melhoria. Ainda de acordo o</p><p>autor, o fracasso é praticamente certo neste contexto de melhoria desestruturada, longa e</p><p>com pouco recurso humano e/ou financeiro. Já uma mudança implementada com o auxílio</p><p>do Evento Kaizen acontece em um curto período de tempo com exclusiva dedicação dos</p><p>funcionários envolvidos e tendo como prioridade os recursos da fábrica e no acesso amplo</p><p>à informação.</p><p>Chaves (2010) explica que Eventos Kaizen são eventos altamente concentrados,</p><p>ou seja, o foco está em apenas uma máquina ou em um processo para que possa ter o</p><p>sucesso em curto espaço de tempo. O autor cita um exemplo de evento kaizen para a</p><p>redução de tempo de setup, geralmente nesse caso, tudo é voltado para uma máquina em</p><p>específico.</p><p>Nazareno (2008) descreve as características que um Evento Kaizen deve possuir:</p><p>● Formação de equipe de até 12 pessoas;</p><p>● Cumprir a missão em no máximo 5 dias;</p><p>● A equipe deve focar inteiramente em seu objetivo;</p><p>● Regime de dedicação exclusiva para que outras atividades não atrapalhem;</p><p>● Prioridade na utilização de recursos fabris e na obtenção de informações. Natu-</p><p>ralmente, por uma questão de bom senso e organização, recomenda-se alertar</p><p>a todos das áreas de suporte que essa ajuda possa vir a ser necessário.</p><p>Para facilitar o planejamento do Evento Kaizen, o Nazareno (2008) sugere a divisão</p><p>do mesmo em três etapas:</p><p>1. Pré Kaizen</p><p>2. Evento Kaizen</p><p>3. Pós Kaizen</p><p>52UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>A) PRÉ KAIZEN</p><p>As atividades de Pré Kaizen se consistem de várias atividades de concepção e pre-</p><p>paração de infra-estrutura, com o objetivo de facilitar a implantação, deixando tudo pronto</p><p>para o Evento Kaizen. É nesta etapa que deve acontecer a definição dos membros que irão</p><p>participar da equipe Kaizen. As atividades que acontecem no período de Pré Kaizen não</p><p>necessariamente devem ser realizadas pelos participantes do evento, podendo ser reali-</p><p>zado pelos idealizadores do processo, ou seja, pela equipe de melhoria CHAVES (2010).</p><p>Segundo Endere (2010), a equipe Kaizen deve ser formada por pessoas da área</p><p>que se deseja aplicar a melhoria além de pessoas de outras áreas que possam estar liga-</p><p>das e auxiliar. O líder da equipe deve possuir conhecimento e competência em gestão e</p><p>coordenação de atividades do time multifuncional.</p><p>Uliana (2010) descreve regras para a formação das equipes:</p><p>● O voto de todo participante deve ter o mesmo peso;</p><p>● Devem ser escolhidas para participar as pessoas que têm influência sobre os</p><p>outros de sua equipe de trabalho, que não participarão do Evento Kaizen;</p><p>● Não devem ser convocadas pessoas que sairão de férias após o Evento Kaizen;</p><p>● Não podem ser convocadas pessoa que em um curto período de tempo serão</p><p>dispensadas da companhia.</p><p>Algumas medidas e atitudes devem ser tomadas na fase Pré Kaizen, todos os</p><p>participantes da equipe devem estar cientes de seu papel, da finalidade e de suas impli-</p><p>cações. Além disso, é importante dizer também que antes de iniciar o projeto um estudo</p><p>aprofundado do fluxograma de processos deve ser realizado para que seja identificado</p><p>com clareza o gargalo da empresa para que desta forma, o processo seja ocorra da melhor</p><p>forma possível Uliana (2010).</p><p>B) EVENTO KAIZEN</p><p>Segundo Endere (2010), o Evento Kaizen é geralmente estruturado para 5 dias de</p><p>evento, dividido da seguinte forma:</p><p>● Segunda-feira: capacitação, alinhamento, validação do novo sistema; levanta-</p><p>mento e programação das atividades de implantação da semana;</p><p>53UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>● Terça-feira: realização de ações de implantação;</p><p>● Quarta-feira: realização de ações de implantação;</p><p>● Quinta-feira: simulações de trabalho na situação implantada; definição de medi-</p><p>das de acompanhamento; criação das novas instruções de trabalho juntamente</p><p>com a área de qualidade;</p><p>● Sexta-feira: realização da apresentação final do evento.</p><p>Chaves (2007) relata a importância do processo, pois além de gerar melhorias tem</p><p>como objetivo também o de desenvolver competências relacionadas a produção enxuta</p><p>e melhoria contínua dos trabalhadores. Por este motivo os colaboradores precisam ser</p><p>treinados, tanto nos conceitos de produção Lean e suas ferramentas, quanto nos conceitos</p><p>relativos ao processo de mudança.</p><p>C) PÓS-KAIZEN</p><p>Como nem tudo pode ser previsto, é comum que surjam imprevistos ou atividades</p><p>extras não programas na semana do Evento Kaizen, por essa razão, o líder deve estabele-</p><p>cer prazos para que as atividades sejam cumpridas. Se porventura, houver atividades que</p><p>não possam ser implementadas no tempo de 5 dias, então ela entrará para a categoria de</p><p>Atividades Kaizen de Trinta Dias, definido por Perin (2005).</p><p>Estas atividades bem como aquelas que não poderiam ser implementadas na se-</p><p>mana Kaizen devido ao seu curto tempo de implementação são as atividades do chamado</p><p>Kaizen de trinta dias, definido por Perin (2005).</p><p>O Pós-Kaizen consiste nas atividades de manutenção das melhorias implan-</p><p>tadas, que chamamos de sustentabilidade. Para que não se perca as melho-</p><p>rias implantadas via Evento Kaizen, é muito importante que as pessoas que</p><p>componham a equipe estejam diretamente envolvidas no processo foco do</p><p>evento em questão, pois dessa maneira estas pessoas se preocuparão mais</p><p>em manter o que foi feito” (CHAVES, 2010, p. 58).</p><p>Uliana (2010) relata a importância do acompanhamento das implementações reali-</p><p>zadas no Evento Kaizen, esse acompanhamento consiste em reuniões diárias ou semanais</p><p>com os líderes responsáveis e com seus respectivos gerentes que deve trazer informações</p><p>a reunião de como está o processo implantado, dúvidas e dificuldades.</p><p>54UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>Perin (2005) realça a importância da proatividade e do empenho que a equipe deve</p><p>ter manter as melhorias</p><p>implantadas, além de finalizar as ações pendentes e continuar o</p><p>processo de mudança sempre para melhor.</p><p>Endere (2010) escreve que é praticamente impossível que saia tudo perfeito em</p><p>apenas 5 dias de evento, portanto, é na fase do pós-kaizen deve-se ter uma atenção re-</p><p>dobrada aos efeitos e sinais que as alterações de processo irão mostrar, podendo ser</p><p>um evidenciando um desperdício por exemplo, sendo necessário sua correção. Logo, é</p><p>importante que a filosofia de melhoria continua do Kaizen não se perca, é fundamental para</p><p>que os processos continuam caminhando para melhor mesmo após o acontecimento do</p><p>Evento Kaizen.</p><p>55UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>2 REDUÇÃO DO TEMPO DE SETUP</p><p>Shingo (2005) relaciona altos tempos de setup com grandes lotes, explicando</p><p>que grandes lotes são necessários para aproveitar ao máximo a utilização da máquina e</p><p>diminuir custos (Sistema Ford de Produção em Massa). No entanto, para que não sejam</p><p>necessários grandes lotes e para que a empresa não fique presa a esse critério, a Toyota</p><p>resolveu reduzir o tempo de setup para poder produzir lotes pequenos e ter uma produção</p><p>sincronizada com a demanda.</p><p>Lotes pequenos também diminuem os ciclos de produção e aumentam a pre-</p><p>cisão da produção. Sob essas condições cria-se a possibilidade de produzir</p><p>de acordo com a demanda real (SHINGO, 2005. p. 127).</p><p>Enquanto que o sistema Ford trabalha com grandes lotes e como consequência</p><p>grandes estoques, o sistema Toyota trabalha com o conceito de estoque zero, produzindo</p><p>somente quando há demanda. Para chegar neste nível de qualidade utilizou-se do sistema</p><p>Kanban que é definido quando um processo posterior puxa o processo anterior (ENDERE,</p><p>2010). Ainda de acordo o autor, a sincronia da produção depende de lotes pequenos e de</p><p>uma troca rápida de ferramentas (curto período de setup).</p><p>Ohno (2006) afirma que uma troca rápida é um requisito fundamental para o sistema</p><p>Toyota de Produção. O autor explica que a troca rápida de ferramentas é possível por meio</p><p>de algumas técnicas e cita a Troca Rápida de Ferramentas (TRF) e a Troca De ferramentas</p><p>56UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>em um Único Toque (OTED – One Touch Exchange of Die) que podem gerar até 85% de</p><p>redução do tempo de Setup. Além disso, o autor define ainda dois tipos de setup:</p><p>● Setup Interno (SI) – são aquelas operações de setup que por questões de se-</p><p>gurança, só podem acontecer quando a máquina estiver parada e com a matriz/</p><p>ferramenta removida.</p><p>● Setup Externo (SE) – são aquelas operações de setup que podem ser realiza-</p><p>das com a máquina em funcionamento que não irá interferir no processo e nem</p><p>apresentar riscos de segurança ao operador, podemos citar como exemplo o</p><p>transporte de ferramentas e de matéria prima.</p><p>É necessário realizar um estudo minucioso e detalhado a partir da observação</p><p>do setup para uma determinada máquina e aproveitar ao máximo seu tempo. Existem</p><p>processos de setup que podem ser realizados mesmo com a máquina em funcionamento,</p><p>enquanto outros apenas com a máquina parada, para isso é necessário definir a ordem dos</p><p>processos do setup e aproveitar ao máximo seu tempo de funcionando para deixar ela o</p><p>menor tempo possível parada.</p><p>Shingo (2005) diz que o tempo de Setup normalmente envolve 4 funções:</p><p>I. Preparação da matéria-prima, preparação de dispositivos de montagem, aces-</p><p>sórios, etc. – 30%</p><p>II. Fixação e remoção de matrizes e ferramentas – 5%</p><p>III. Centragem e determinação das dimensões das ferramentas – 15%</p><p>IV. Processamentos iniciais e ajustes – 50%</p><p>AS OITO TÉCNICAS DE REDUÇÃO DE SETUP</p><p>Em 1970 enquanto Shingo trabalhava prestando consultoria para a Toyota, o autor</p><p>desenvolveu 8 técnicas de redução de Setup que veremos a seguir:</p><p>1. Separação das atividades de Setup interno e externo: deve-se identificar de</p><p>forma clara quais as atividades de setup podem ser realizadas com a máquina</p><p>em funcionamento (Setup Interno) e quais devem ser realizadas com a máquina</p><p>parada (Setup externo). Por exemplo, a preparação de gabarito, calibragem</p><p>de ferramentas que serão utilizadas, transporte de peças são atividades que</p><p>57UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>podem e devem serem realizadas com a máquina em funcionamento. Setup</p><p>interno deve ser apenas a troca remoção da matriz/ferramenta e o encaixe da</p><p>nova. Só neste item, pode-se reduzir de 30% a 50% do tempo de setup.</p><p>2. Converter Setup interno em Setup externo: consiste em realizar uma re-análise</p><p>das operações e verificar se de fato houve a conversão de todas as atividades</p><p>possíveis para setup externos, se não houve, é a hora de alterar para diminuir</p><p>ainda mais o tempo de setup com máquina parada.</p><p>3. Padronizar a função, não a forma: se possível padronizar forma e tamanho</p><p>do matiz/ferramenta para facilitar a troca na hora do setup. A padronização da</p><p>forma, no entanto pode ser considerado uma perda em algumas situações uma</p><p>vez que a menor matriz/ferramenta teria que se adaptar ao maior tamanho,</p><p>provocando um consumo maior de material. Por outro lado, a padronização</p><p>da função necessita apenas de uma uniformidade nas peças necessárias à</p><p>operação de setup, por exemplo, adicionar um bloco na borda de fixação da</p><p>ferramenta possibilitando seu encaixe na nova matriz é uma adaptação rápida</p><p>de ser feita.</p><p>4. Utilizar grampos funcionais ou eliminar os grampos: aqui trabalha-se com a efi-</p><p>ciência máxima dos fixadores. Ao utilizar parafusos, há uma perda muito grande</p><p>de tempo uma vez que exige uma série de movimentos para rosqueá-lo sendo</p><p>que apenas a última rosca que segura ele, o mesmo processo para libertar o</p><p>parafuso, apenas a primeira rosca liberta o objeto enquanto o restante é des-</p><p>necessário, devido a isso, o interessante seria utilizar parafusos e fixadores</p><p>de giro único ou outras formas de fixação que não demandam tanto trabalho</p><p>desnecessário.</p><p>5. Usar dispositivos intermediários: dependendo da peça e da máquina, não é ne-</p><p>cessário retirar a peça, que está esperando para ser processada, para realizar</p><p>o setup. Em alguns casos é possível realizar o setup com a máquina já fixada</p><p>na máquina e pronta para sofrer seu processo de alteração, eliminando assim o</p><p>tempo de troca de peça e o tempo de fixá-la novamente.</p><p>58UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>6. Adotar operações paralelas: para operações que envolvem o setup em duas ou</p><p>mais partes diferentes da máquina, como por exemplo um setup que envolve</p><p>a parte da frente e a parte de trás da máquina. apenas um operário realizando</p><p>todo o setup irá demandar maior tempo de setup, por isso a indicação é colocar</p><p>pelo menos dois operários para reduzir tempo não produtivo. Quando esse tipo</p><p>de estratégia é aplicar, o número de horas-homem empregadas na preparação é</p><p>igual ou menos do que o número de horas-homem com apenas um trabalhador.</p><p>7. Eliminar ajustes: ajustes e testes piloto podem ocupar até 70% do tempo de</p><p>setup interno de uma máquina. Por exemplo, a preparação que acontece na</p><p>mudança de posição de um interruptor de fim de curso. Neste caso, o ajuste</p><p>deve ocorrer no momento de testagem do interruptor de fim de curso, geral-</p><p>mente essa testagem acontecem diversas vezes até que a posição ideal seja</p><p>encontrada. No entanto, é possível eliminar os ajustes com uma simples adoção</p><p>de padrão de localização do interruptor do interruptor de fim de curso. Por con-</p><p>sequência, elimina-se a testagem e o tempo desnecessário.</p><p>8. Mecanização: a mecanização pode diminuir o tempo de Setup em um primeiro</p><p>momento, no entanto não irá resolver as ineficiências básicas recorrentes de</p><p>um processo de Setup mal planejado. É recomendado que a mecanização</p><p>aconteça após a realização das7 etapas anteriores já discutidas.</p><p>59UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>3 CONTROLE DE QUALIDADE INTEGRADO JIDOKA</p><p>A supervisão simultânea de várias máquinas surgiu em 1926 quando Sakichi</p><p>Toyoda criou um tear</p><p>que parava de forma automática ao identificar fio rompido ou limite</p><p>de produção atingido. Desta forma, a supervisão de mais de uma máquina pelo mesmo</p><p>operador tornou-se possível uma vez que o mesmo não precisava ficar mais em apenas um</p><p>posto de trabalho (Ghinato, 1996).</p><p>Com a evolução do conceito, expandiu-se para a aplicação nas linhas manuais de</p><p>montagem e não somente apenas às máquinas, ou seja, o operar, ao identificar qualquer</p><p>tipo de anomalia ou erro de produção pela linha de montagem ele tem livre autonomia</p><p>para parar a linha, sinalizando por meio de um sistema de informação visual a parada e</p><p>requisitando o conserto, a sinalização é realizada por meio de uma, geralmente amarela,</p><p>podendo ou não estar acompanhada de algum tipo de sinal (Qian et al., 2011).</p><p>Surge então o termo “jidoka” com o objetivo inicial de prevenir a geração e a pro-</p><p>pagação de erros, tanto para máquinas quanto para operadores, pela produção. O Jidoka</p><p>é portanto um mecanismo/ferramenta de controle de erros do processo possibilitando a</p><p>investigação da causa de forma imediata (MONDEN 1984).</p><p>Grout e Toussaint (2010) definem os passos básicos do jidoka da seguinte forma:</p><p>1. Detectar o problema;</p><p>2. Parar o processo;</p><p>60UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>3. Restaurar o processo para funcionamento adequado;</p><p>4. Investigar a causa raiz do problema;</p><p>5. Tomar as medidas para solucionar o problema.</p><p>Da Silva (2010) escreve que em sua percepção o conceito de Jidoka está mais</p><p>relacionado à autonomia que o funcionário ganha do que à automação das máquinas uma</p><p>vez que a autonomia possibilita ao operar o bloqueio imediato de toda a linha de produção</p><p>de uma empresa e sua participação é fundamental para a aplicação da ferramenta.</p><p>Sugimori et. al. (1997) destaca os importantes efeitos que o jidoka possibilita al-</p><p>cançar, entre eles os autores citam: a redução de custo através da redução da força de</p><p>trabalho; flexibilidade na produção para alterações na demanda; qualidade assegurada;</p><p>aumento do respeito à condição humana.</p><p>Jidoka e a eliminação de perdas</p><p>A multifuncionalidade surgiu com a automatização das máquinas com um toque</p><p>humana uma vez que deu liberdade ao homem de poder trabalhar de forma simultânea</p><p>acompanhando mais de uma máquina ao mesmo tempo minimizando a demanda de fun-</p><p>cionários e poupando gastos (Ohno, 1997).</p><p>Os conceitos “multifuncionalidade” e “jidoka” estão relacionados e possuem influen-</p><p>cia de forma direta no que diz respeito a flexibilidade e na força de trabalho da empresa</p><p>possuindo também impacto na redução de gastos e do custo de fabricação. Guinato (1996)</p><p>classifica a multifuncionalidade em duas categorias:</p><p>● Sistema de operação com múltiplas máquinas;</p><p>● Sistema de operação com múltiplos processos.</p><p>Ainda de acordo o autor, o sistema de operação com múltiplos processos oferece</p><p>maior número de vantagens como melhores fluxos de processo, elevação da produtividade</p><p>do trabalhador, economia de espaço uma vez que você terá uma única máquina para fazer</p><p>tudo, ou poucas máquinas para realizar todas as funções.</p><p>Da Silva (2013) relata que no sistema Toyota de Produção o Jidoka está relacio-</p><p>nado e focado principalmente na eliminação da alta produção e na redução de produtos</p><p>defeituosos. Para a eliminação da produção excessiva é necessário eliminar por meio da</p><p>61UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>produção planejando, evitando que seja produzido estoque. Já a eliminação de produtos</p><p>com defeito é realizada por meio da interrupção da linha de produção defeituosa.</p><p>Antunes et al., 2008 e Passos Júnior, 2004 relacionam o Jidoka com a segurança</p><p>afirmando que o processo de implantação do mesmo pode ocasionar perdas à segurança.</p><p>É necessário tentar ao máximo separar o homem da máquina para diminuir as chances de</p><p>ocorrência de acidente de trabalho durante um processo uma vez que as perdas ligadas</p><p>aos acidentes de trabalho afetam de forma direta a rotina dos trabalhadores, a moral dos</p><p>funcionários além de ser uma perda social para a empresa.</p><p>Ribeiro e Fogliatto (2009) sugiram o uso do mecanismo conhecido como TPM - Total</p><p>Productive Maintenance (Manutenção Produtiva Total) como forma de detectar problemas</p><p>e interromper processos para auxiliar no Jidoka e aumentar a segurança dos operadores,</p><p>segundo os autores, o TPM é elemento central para o alcance e sustentação da quebra</p><p>zero, tornando a produtividade dos equipamentos mais efetiva.</p><p>Deve-se levar em consideração, no entanto, que a TPM é uma técnica utilizada ge-</p><p>ralmente em equipamentos maduros e que não se deve aplicar em casos de equipamentos</p><p>que apresenta um baixo índice de mortalidade infantil, nessas situações, outros métodos</p><p>devem ser estudos (SELLITTO, 2005).</p><p>Passos Júnior (2004) destaca uma importante vantagem dos sistemas autonômicas</p><p>que é a redução de diversos tipos de desperdícios que existem no meio de produção. Por</p><p>exemplo, o sistema autônomo pode desligar de forma automática a máquina ao acabar a</p><p>produção estabelecida, evitando que a mesma fique ligada gastando energia ou esperando</p><p>que o operador se dirija até ela para desligar.</p><p>Jidoka e o Controle da Qualidade Zero Defeitos (CQZD)</p><p>Pettersen (2009) explica que a qualidade do produto não deve ser confiada 100%</p><p>aos operadores e que a garantia da qualidade do produto ao longo do processo produtivo</p><p>se dará pela combinação entre o Jidoka e o Controle de Qualidade Zero Defeitos – CQZD.</p><p>Abaixo encontram-se os quatro pontos de sustentação do CQZD relacionados por Shingo,</p><p>1986</p><p>● Aplicação direta na causa do defeito e não no resultado (efeito);</p><p>● Utilização de inspeção 100%;</p><p>62UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>● Redução do intervalo de tempo entre a detecção de um erro ou uma falha e a</p><p>resposta corretiva desse erro.</p><p>● Reconhecimento do potencial de falha dos trabalhadores para atender a função</p><p>de controle juntamente com a função de execução.</p><p>Womack et. al. estabelece a relação que existe entre o procedimento de parada</p><p>de uma máquina e o procedimento chave para achar o motivo da parada para poder eli-</p><p>minar essa perda, o autor afirmar que possuir paradas numa linha de produção é normal</p><p>e necessário para que haja um estudo de eliminação. Ohno (1997) afirma que uma linha</p><p>de produção funcionando de forma contínua pode significar tanto um processo produtivo</p><p>perfeito como também uma linha problemática e que cabe ao CQZD garantir a capacidade</p><p>de produção sem defeitos</p><p>Os circuitos do Jidoka</p><p>Passos Júnior (2004) e Da Silva (2013) relacionam o que ele chama de “circuito do</p><p>Jidoka” que nada mais é que uma análise crítica que surgiu a partir da separação entre o</p><p>homem e a máquina:</p><p>● Circuito 1 – refere-se especificamente às máquinas, com a mensuração através</p><p>do conceito relacionados a Manutenção Produtiva Total (TPM)</p><p>● Circuito 2 – refere-se à medição do Índice de Multifuncionalidade do sistema</p><p>considerado e da eficiência específica de utilização da mão de obra;</p><p>● Circuito 3 – relacionado com a diminuição/eliminação dos defeitos e retrabalhos</p><p>do sistema produtivo por meio da implantação de poka-yoke;</p><p>● Circuito 4 – envolve a questão da segurança do operador em ambiente de tra-</p><p>balho como por exemplo sistemas de desligamento automático e travamento de</p><p>portas;</p><p>● Circuito 5 – relacionado com a redução dos desperdícios energéticos como</p><p>portas automáticas e luzes acesas a todo momento;</p><p>63UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>Passos Júnior (2014) e Da Silva (2013) explicam que os circuitos do Jidoka estão</p><p>interligados com os resultados da empresa, veja:</p><p>O circuito 1 está relacionado com as melhorias das máquinas críticas quando tra-</p><p>tamos de gargalo. Além de também estar relacionado com as melhorias das máquinas não</p><p>críticas porém focando na redução de desperdícios operacionais.</p><p>Já o circuito 2 com o aumento do grau de multifuncionalidade das máquinas e dos</p><p>operadores sempre visando à redução</p><p>de despesa.</p><p>No circuito 3 é abordada a minimização/eliminação dos defeitos e retrabalhos, tanto</p><p>nas operações gargalos, quanto em outras etapas do processo produtivo que podem ajudar</p><p>a reduzir gastos.</p><p>No circuito 4 as ações são relacionadas à segurança industrial e afetam diretamente</p><p>e de forma positiva os ganhos gerados nos circuitos 1 e 3, além do mais, como consequên-</p><p>cia, ajudam a minimizar custos operacionais relacionadas a acidentes de trabalho.</p><p>Para finalizar, o circuito 5 tem relação direta com a redução das despesas associa-</p><p>das a custos energéticos em toda a empresa.</p><p>REFLITA</p><p>“Dificuldades preparam pessoas comuns para destinos extraordinários. ” – Frase fora</p><p>de Contexto.</p><p>C. S. Lewis</p><p>64UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>SAIBA MAIS</p><p>[...] Programas de produção enxuta estão sendo colocados em prática nas empresas.</p><p>No Brasil, segundo pesquisa elaborada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria),</p><p>34% das 2.338 indústrias de transformação ouvidas usam de 10 a 15 ferramentas da</p><p>manufatura enxuta. Outras 39% usam de quatro a nove técnicas e 27% aplicam até três</p><p>das 15 principais técnicas de manufatura enxuta. Dessas, 8% não utilizam nenhuma das</p><p>ferramentas e 19% aplicam de uma a três técnicas. Do número total, 913 são pequenas,</p><p>883 são médias e 542 são de grande porte.</p><p>Entre as principais técnicas de manufatura enxuta, conhecida também como Sistema</p><p>Toyota de Produção, estão o Programa 5s, Kaizen, Kanban e TPM (Manutenção Produ-</p><p>tiva Total). Segundo a pesquisa, os setores de veículos automotores, equipamentos de</p><p>informática e metalurgia são os que mais aplicam essas ferramentas [...].</p><p>Trechos retirados de:</p><p>TERRA. Produção enxuta aumenta produtividade e é o ponto inicial da Indústria 4.0. Disponível em:</p><p><https://www.terra.com.br/noticias/dino/producao-enxuta-aumenta-produtividade-e-e-o-ponto-inicial-da-</p><p>-industria-40,c4cd9ea1af951515bdf92f6a3b0eb0393qypfqqr.html> Acessado em 24 de Março de 2020.</p><p>65UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Chegando ao fim de mais uma apostila da nossa disciplina de Manufatura Enxuta.</p><p>Tivemos a oportunidade de aprendermos sobre a técnica de melhoria contínua conhecida</p><p>como “Kaizen”. Aprendemos as etapas de implantação da técnica (Pré Kaizen, Evento Kai-</p><p>zen e Pós Kaizen bem como sua vantagem de utilização. Em seguida, no segundo tópico,</p><p>aprendemos sobre a redução do tempo de setup que é uma das bases para a Manufatura</p><p>Lean, uma vez que se baseia em produção de lotes pequenos para que não haja formação</p><p>de estoque. A redução de tempo de setup depende de alguns fatores como a preparação</p><p>da matéria prima, fixação/remoção da matriz/ferramenta e os processos iniciais de ajuste,</p><p>finalizamos nosso conteúdo de redução de tempo de setup apresentando oito técnicas</p><p>de redução. Finalmente concluímos nossa apostila abordando o assunto de qualidade</p><p>integrada – Jidoka. Vimos que a ferramenta japonesa possui passos bem definidos para</p><p>sua utilização e encerramos nossa apostila relacionando os conceitos do Jidoka com as</p><p>funções e processos de uma empresa real.</p><p>Nos vemos na próxima unidade!</p><p>66UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Como leitura complementar, indico o artigo intitulado “Aplicação da metodologia</p><p>Kaizen: um estudo de caso em uma indústria têxtil do centro oeste do Brasil” que relata</p><p>um estudo de caso de sucesso da implantação da ferramenta Kaizen e seus objetivos.</p><p>O estudo se deu com um levantamento do problema, mapeamento do estado atual da</p><p>empresa, objetivos a serem alcançados, elaboração de planos de ação, implantação dos</p><p>planos elaborados, treinamento dos funcionários e acompanhamento pós implantação.</p><p>Abaixo segue trechos retirados da conclusão do artigo:</p><p>[...] Através deste estudo de caso, comprovou-se que a metodologia Kaizen é efi-</p><p>caz como forma de implantar melhorias contínuas baseadas na Manufatura Enxuta, e traz</p><p>resultados satisfatórios em um curto espaço de tempo e com baixo custo de investimento,</p><p>visto que são necessárias apenas boas ideias, principalmente de quem conhece o processo</p><p>e desejo de mudar para melhor.</p><p>O fator principal para se obter sucesso da ferramenta está associado à equipe. Esta</p><p>ferramenta trabalha a interação e a colaboração dos envolvidos. É necessário disciplina,</p><p>atitude e responsabilidade.</p><p>Com este artigo percebeu-se que o comprometimento da equipe envolvida é funda-</p><p>mental para o sucesso do trabalho, e sem o comprometimento não seria possível alcançar</p><p>os objetivos propostos.</p><p>Os benefícios alcançados por um Kaizen, quando bem trabalhados, são inúme-</p><p>ros, como: aproximação e interação dos membros da equipe; aumento da qualidade dos</p><p>produtos; redução dos oito desperdícios do lean; aumento da produtividade; rapidez nas</p><p>respostas e principalmente aumento da satisfação dos clientes.</p><p>Fonte: FONTES, E. G.; LOSS, M. J. Aplicação da metodologia Kaizen: um estudo de caso em uma indús-</p><p>tria têxtil do centro oeste do Brasil. Revista Espacios, p. 6-18, vol. 38, n°21, 2017.</p><p>67UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• Título: Gemba Kaizen</p><p>• Autor: Masaaki Imai</p><p>• Editora: Bookman</p><p>• Sinopse: Escrito por Masaaki Imai, pioneiro da excelência ope-</p><p>racional moderna e fundador do Kaizen Institute, esta nova edição</p><p>de Gemba Kaizen faz uma revisão profunda de seu livro mais</p><p>importante. O texto mostra como implementar melhorias incremen-</p><p>tais e eficientes em custo nos mais críticos processos de negócio.</p><p>Estudos de caso do mundo inteiro e de uma grande variedade de</p><p>indústrias mostram como o gemba kaizen foi usado em diversos</p><p>países para transformar processos e mudar culturas.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: O Primeiro Homem</p><p>• Ano: 2018</p><p>• Sinopse: A vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong</p><p>(Ryan Gosling) e sua jornada para se tornar o primeiro homem a</p><p>andar na Lua. Os sacrifícios e custos de Neil e toda uma nação</p><p>durante uma das mais perigosas missões na história das viagens</p><p>espaciais.</p><p>68</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Nivelamento e balanceamento – Heijunka;</p><p>• Tempo Takt;</p><p>• Interligação de células via kanban;</p><p>• Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Conceituar a filosofia japonesa conhecida como heijunka;</p><p>• Contextualizar a ferramenta chamada de Tempo Takt;</p><p>• Compreender a ferramenta conhecida como Kanban;</p><p>• Estabelecer a importância da indústria 4.0.</p><p>UNIDADE IV</p><p>Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>Professor Mestre Felipe Delapria Dias dos Santos</p><p>69UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Bem-vindos alunos a nossa quarta e última apostila da disciplina de Manufatura</p><p>Enxuta. Foi uma longa jornada até aqui, mas não desanime pois ainda temos muitos as-</p><p>suntos interessantes a serem discutidos. No primeiro tópico desta apostila iremos abordar</p><p>o tema “Heijunka” que é um dos pilares do Sistema Toyota de Produção, veremos que o</p><p>conceito se relaciona com as ideias de nivelamento e balanceamento de produção para</p><p>que não haja produção desproporcional ao longo dos dias, semanas e meses. Veremos sua</p><p>importância, as vantagens de sua implementação e quais seus desafios. Em um segundo</p><p>momento veremos o Tempo Takt, que apesar de ser uma palavra alemã, possui sua base</p><p>de surgimento no Japão. É uma ferramenta que remete ao ritmo de produção, de forma</p><p>simples, número de peças/período de tempo. Veremos como realizar esse cálculo e quais</p><p>as vantagens produtivas que essa simples informação pode trazer. Outra ferramenta que</p><p>iremos aprender é o Kanban, sistema de cartão que puxa a produção e ajuda a eliminar</p><p>estoques, sendo este um dos pilares do Just In time (conceito aprendido em apostilas</p><p>passadas). Finalizaremos discutindo a importância da Indústria 4.0 para o mundo.</p><p>70UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>1 NIVELAMENTO E BALANCEAMENTO – HEIJUNKA</p><p>A maioria das empresas buscam a implementação de ferramentas enxutas com o</p><p>objetivo de identificar e eliminar perdas,</p><p>no entanto, a maioria não é capaz de estabilizar o</p><p>sistema e criar uniformidade em seu fluxo de produção. Para isso surge o princípio conhe-</p><p>cido como heijunka, princípio do qual ajuda a eliminar desnivelamento (LIKER, 2005)</p><p>Ao lado da padronização do trabalho e do Kaizen, o Heijunka é um dos pilares do</p><p>Sistema Toyota de Produção. O heijunka surgiu em meados dos anos 50 com o aumento</p><p>de vendas de caminhão que o Japão estava tendo para os EUA usarem na guerra contra</p><p>a Coréia. A produção, no entanto, era altamente confusa devido a falta de matérias-primas</p><p>e peças uma vez que não havia a previsão de pedidos e como consequência, não havia a</p><p>previsão do que deveria ser comprado. Devido a isso, a produção só era concluída após</p><p>semanas com muita pressão e sobrecarga de trabalho (NIIMI, 2004).</p><p>Juntamente ao problema da falta de capacidade de planejamento de peças Niimi</p><p>(2004, p. 3) descreve: “se a produção estiver exatamente de acordo com os pedidos dos</p><p>clientes, a produção de alguns dias seria muito alta e alguns dias seria muito baixa”.</p><p>Surgiu então a prática do cálculo de demanda dos produtos a longo prazo, deixan-</p><p>do a produção mais nivelada e constante Jones (2006). Segundo Liker (2005) é possível,</p><p>portanto elaborar operações enxutas com melhor atendimento aos clientes por meio do</p><p>nivelamento do plano de produção, sem haver a necessidade de sempre se produzir so-</p><p>mente por pedido.</p><p>71UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>O nivelamento de produção</p><p>Com o intuito de diminuir a diferença de tempo consumido de recursos/máquinas</p><p>no dia a dia da produção, surge o nivelamento de produção que consiste na distribuição</p><p>da carga a ser produzida de forma constante no período de trabalho (semana, dias, turnos,</p><p>etc) (ARAÚJO, 2009).</p><p>Niimi (2004) propõe como solução para o caso do nivelamento de volume a junção</p><p>de todos os pedidos de um período, podendo este ser no mês, na semana, no semestre, e</p><p>assim por diante, e dividir esses pedidos de forma igual de acordo com o tempo que se tem</p><p>para produzir, como podemos observar na Figura 1 a seguir em que o tempo de distribuição</p><p>é de 5 dias.</p><p>Figura 1- Nivelamento de volume de produção</p><p>Fonte: Retirado de Araújo, 2009.</p><p>O nivelamento de produto</p><p>Furmans (2005) explica que o heijunka é também um organizador de sequência</p><p>que serve para nivelar a produção de diferentes itens de forma igual em um período de</p><p>tempo previamente estabelecido. “O objetivo é alcançar um fluxo constante de partes num</p><p>modelo mixado de produção que fornece para um ou mais clientes num fluxo constante</p><p>de diferentes partes.” (Furmans 2005, p. 243). Em outras palavras, deve-se produzir as</p><p>mesmas quantidades semanais dos itens em questão por dia/por semana, etc. A Figura 2</p><p>ilustra esse nivelamento a partir da exemplificação da produção de três itens em quantida-</p><p>des diferentes.</p><p>72UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>Figura 2 – Nivelamento de mix de produção.</p><p>Fonte: Retirado de Araújo, 2009.</p><p>Vantagens do nivelamento</p><p>De acordo Araújo (2009), a vantagem mais visível é a do fluxo estabilizado de pro-</p><p>dução alcançado por meio da do nivelamento da produção e da consideração de demanda</p><p>do cliente ao longo prazo.</p><p>Mcbride (2004) considera que o maior ganho do nivelamento do volume por meio</p><p>de heijunka é o nivelamento de mão de obra, nivelamento de equipamento e nivelamento</p><p>de fornecedores que acontecem como consequência durante o processo. Jones (2006)</p><p>explica que o ganho de flexibilidade implica no nivelamento das compras de matéria prima,</p><p>insumos e componentes de tal forma que reflete nos outros setores já citados como em</p><p>equipamentos e mão de obra.</p><p>Araújo (2009) apresenta em sua obra um levantamento das principais vantagens</p><p>do nivelamento, veja a seguir no Quadro 1:</p><p>73UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>Quadro 1 – Benefícios do Nivelamento de Produção</p><p>NIVELAMENTO BENEFÍCIO JUSTIFICATIVA</p><p>MAIOR</p><p>VOLUME</p><p>MENOR</p><p>VOLUME</p><p>- Diminuição do tamanho dos lotes e</p><p>menores estoques;</p><p>- Pela diminuição dos tempos de set-ups e a</p><p>produção mais variada em termos de volume;</p><p>- Melhor ambiente para trabalhadores</p><p>(maior motivação para o trabalho);</p><p>- Evita-se a sobrecarga de trabalho e perío-</p><p>dos de ociosidade;</p><p>- Melhor situação para fabricantes/ mi-</p><p>nimização dos custos;</p><p>- Melhor aproveitamento de recursos finan-</p><p>ceiros pela redução dos desperdícios;</p><p>- Redução do “efeito chicoteamento” ao</p><p>longo da cadeia produtiva/absorção da</p><p>instabilidade do sistema;</p><p>- Maior alinhamento com fornecedores e</p><p>clientes devido à previsibilidade da produção</p><p>pelo planejamento de longo prazo;</p><p>- Alocação dos recursos (equipamen-</p><p>tos, mão-de-obra, etc.) de forma mais</p><p>balanceada e maximizada;</p><p>- Melhor dimensionamento da produção aten-</p><p>dendo ao tempo takt, num planejamento de</p><p>longo prazo;</p><p>- Maior satisfação dos clientes; - Obtenção do produto na data desejada;</p><p>- Diminuição do risco de manter itens</p><p>que não serão vendidos;</p><p>- A diminuição do tamanho dos lotes e dis-</p><p>tribuição melhor do mix acumula menores</p><p>quantidades de um mesmo item;</p><p>- Maior flexibilidade;</p><p>- Com distribuição mais frequente dos itens</p><p>nos períodos;</p><p>Fonte: Retirado de Araújo, 2009.</p><p>Desafios para o alcance do nivelamento</p><p>Niimi (2004) estabelece alguns desafios já tidos como corriqueiros na implantação</p><p>do processo de nivelamento de produção, entre os desafios, o autor cita: a necessidade de</p><p>repensar como comprar dos fornecedores, como projetar máquinas e ferramentas, como</p><p>desenvolver os processos de trabalho e ainda como planejar as equipes. No entanto, ainda</p><p>de acordo o autor, esses desafios já são mais conhecidos e fáceis de lidar. Para Reyner e</p><p>Fleming (2004) há outros desafios mais complicados que devem ser enfrentados também,</p><p>os autores dividem os desafios em desafios técnicos e desafios sociais:</p><p>74UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>Desafios técnicos:</p><p>● Falta de ferramentas para aplicação do nivelamento em produção de larga</p><p>escala com altos tempos de troca e altíssima variedade de produtos;</p><p>● Necessidade de manutenção de maiores estoques de produto acabado;</p><p>● Obsolescência das partes acabadas;</p><p>● Necessidade de trabalhar com qualidade;</p><p>● Demora na implementação, e;</p><p>● Dificuldade de previsão da demanda.</p><p>Desafios sociais:</p><p>● Necessidade de contato direto com clientes;</p><p>● Necessidade do trabalho padronizado;</p><p>● Redução da flexibilidade operacional,</p><p>● Muita disciplina e planejamento.</p><p>75UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>2 TEMPO TAKT</p><p>A palavra “takt”, que no alemão é utilizada para fornecer o compasso de uma com-</p><p>posição musical, foi introduzida aos japoneses por volta dos anos 30 com o sentido de</p><p>“ritmo de produção”. Desde então o takt-time passou a ser definido como sendo a demanda</p><p>do mercado e do tempo disponível para produção, é também definido como sendo o ritmo</p><p>necessário de produção que irá atender a toda a demanda, em equação matemática é</p><p>definido como sendo o tempo disponível para produção dividido pela quantidade (número</p><p>de unidades) que devem ser produzidos (SHOOK, 1998).</p><p>Desde então, com as grandes guerras mundiais como cenário de avanço das tec-</p><p>nologias foi necessário a ampliação do conceito de takt-time, passando a ser o ritmo de</p><p>produção necessário que irá atender a um determinado nível de demanda considerando os</p><p>limites e restrições da capacidade da linha de produção. Ou seja, passa-se a ter o conhe-</p><p>cimento de que o ritmo requisitado para a produção nem sempre será um ritmo suportado</p><p>pela sua linha de fabricação IWAYAMA (1997).</p><p>De acordo Alvarez (2001), é necessário possuir esse entendimento para que não</p><p>haja o sobrecarregamento das máquinas nem dos funcionários durante a produção. Além</p><p>disso, os autores explicam ainda que o tempo disponível para produção nem sempre será</p><p>igual ao tempo disponível de produção durante o expediente, para situações reais e re-</p><p>sultados exatos, deve-se levar em conta a desconsideração de tempos de paradas como</p><p>76UNIDADE IV Fundamentos</p><p>da Indústria 4.0</p><p>manutenção ou setup, logo, o tempo disponível para produção será dado pelo período de</p><p>trabalho menos as paradas realizadas.</p><p>É recomendado a determinação da unidade por tempo em uma linha de produção.</p><p>Por exemplo, na produção de automóveis, a demanda diária é de 200 unidades e o tempo</p><p>hábil para produção é de 10 horas (600 minutos), logo o takt-time dessa linha de produção</p><p>deverá ser de 3 minutos. Ou seja, a cada 3 minutos, um automóvel deverá estar pronto</p><p>(ALVAREZ, 2001).</p><p>Tempo de Ciclo</p><p>Define-se tempo de ciclo o tempo que transcorre de repetição entre o evento de</p><p>início e fim do processo. O tempo de ciclo em um sistema de produção é fornecido pelas</p><p>condições operativas da célula ou linha sendo que o mesmo, de acordo Shook, (1998), é</p><p>definido em função de dois elementos:</p><p>a) Tempos unitários de processamento em cada máquina/posto (tempo-padrão);</p><p>b) Número de trabalhadores na célula ou linha.</p><p>Como já visto, tempo de ciclo é o tempo necessário para a conclusão do trabalho,</p><p>em termos técnicos, é o tempo percorrido entre o início da produção de uma peça e o fim</p><p>da produção da mesma peça de um mesmo modelo, nas mesmas condições. No entanto,</p><p>cada máquina e/ou equipamento possui seu tempo de ciclo próprio de acordo com a opera-</p><p>ção que realiza. Há casos que é possível a identificação desse tempo de forma muito fácil,</p><p>quando a produção é automatizada por exemplo, no entanto, há casos de produção manual</p><p>que se torna difícil a identificação desse tempo IWAYAMA (1997).</p><p>Ghinato (1995) apresenta duas situações diferentes, com diferentes níveis de de-</p><p>manda para ilustrar a limitação da capacidade:</p><p>● No primeiro caso, considera uma demanda de 120 unidades/dia da produção</p><p>de um automóvel, sabe-se que a empresa demora 3 minutos para produzir cada</p><p>automóvel e que o período de trabalho real é de 8 horas por dia. Ao realizar o</p><p>cálculo de tempo de produção disponível dividido pelo número de unidades a</p><p>ser produzido, obtemos que o ideal seria uma produção de 1 automóvel a cada</p><p>4 minutos. Ao final dessa produção de 120 unidades considerando um tempo de</p><p>3 minutos, haverá tempo sobrando no final do dia.</p><p>77UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>● No segundo caso, imagine que a demanda é de 240 unidades por dia, com um</p><p>takt-time calculado de 2 minutos. No entanto, 2 minutos está abaixo do tempo</p><p>de ciclo (3 minutos), portanto o takt-time efetivo será de 3 minutos (ritmo de</p><p>produção real da linha). Perceba que a capacidade de produção não será sufi-</p><p>ciente para atender a demanda estabelecida pois as máquinas não possuem a</p><p>capacidade necessária.</p><p>SHOOK, (1998) diz que se o tempo de ciclo de uma determinada célula ou de uma</p><p>determinada linha de produção representa o ritmo máximo possível então por conclusão, o</p><p>tempo de ciclo da linha ou da célula é o fator que limita o takt-time.</p><p>Ghinato (1995), propõe como solução da variação na demanda a realocação dos</p><p>funcionários nas linhas de produção ou até mesmo considerar a contratação de novos</p><p>funcionários em épocas de pico.</p><p>SHINGO (1996a) propõe como solução para reduzir o tempo de ciclo a realização</p><p>de melhorias nas atividades relacionadas a produção, diminuindo tempos de operação.</p><p>Essa solução, de acordo o autor, é tomada principalmente quando a empresa já contratou</p><p>mais funcionários e mesmo assim ainda não é suficiente.</p><p>Tipicamente, em uma linha programada com base no takt-time, existem an-</p><p>dons e dispositivos sonoros que indicam o progresso do trabalho. Quando um</p><p>posto ultrapassa o limite de tempo estipulado para a operação (ou conjunto</p><p>de operações) na rotina de operação-padrão, são acionados alarmes visuais</p><p>e sonoros (ALVAREZ, 2001, p. 11).</p><p>Considerações quanto à Flexibilidade</p><p>Shingo (1996b) explica que a ferramenta que objetiva a ganha de tempo implica</p><p>em algumas vantagens competitivas uma vez que o tempo de resposta a fatores externos</p><p>é menor. Abaixo encontram-se algumas das vantagens citadas e destacadas pelo autor:</p><p>● Custos: pela redução de perdas e aumento da ‘taxa de valor agregado’;</p><p>● Qualidade: pela redução dos lapsos de tempo entre o surgimento e a detecção</p><p>de defeitos e, especialmente, da exigência de qualidade assegurada;</p><p>● Tempo de entrega: pela redução do tempo desde o início da produção até a</p><p>entrega;</p><p>● Confiabilidade como fornecedor: a capacidade de ‘manter datas’ se aprimora</p><p>na medida em que o lead-time é reduzido comparativamente ao “intervalo</p><p>admissível de compra”</p><p>78UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>Com base em tudo que foi apresentado e discutido até aqui, vemos que a alteração</p><p>do takt-time em uma determinada linha de produção não é algo trivial e possui forte impacto</p><p>em toda a fábrica, principalmente em seu faturamento final. Podemos concluir que sistemas</p><p>de produção que possuem o takt-time como um dos seus pilares, irão possuir maiores</p><p>condições de responderem de forma mais rápida e flexível às mudanças que o mercado</p><p>oferece.</p><p>79UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>3 INTERLIGAÇÃO DE CÉLULAS VIA KANBAN</p><p>O STP (Sistema Toyota de Produção), segundo Ohno (1997), teve como base de</p><p>sua formação a ferramenta de qualidade conhecida como os “5 Porquês” em que basi-</p><p>camente é elegido um problema, e a partir deste problema é feito a pergunta “por que?”</p><p>cinco vezes até chegar na raiz real do problema para que se possa corrigi-lo de forma</p><p>eficaz. No sistema Toyota, ainda de acordo Ohno (1997), a resposta obtida foi “não há</p><p>uma maneira de reduzir ou manter a superprodução baixa”. Segundo Muris Junior (2007),</p><p>a resposta obtida levou a utilização de cartões sinalizadores que acabou dando origem ao</p><p>sistema Kanban. O sistema Kanban é um sistema pensado e planejado de tal forma que</p><p>se assegure que seja produzido apenas a quantidade de peças necessárias por meio da</p><p>alimentação puxada do processo. É um sistema informal, relativamente simples e que não</p><p>apresenta dificuldades para compreensão dos funcionários. Para o bom funcionamento</p><p>dessa ferramenta, é necessário do comprometimento da empresa e dos funcionários, de</p><p>um ambiente participativo e cooperativo (MURIS JUNIOR, 2007).</p><p>Kanban pode ser traduzido de forma literal como sendo “anotação visível” ou “sinal”</p><p>no entanto, é utilizado ao redor do mundo com o significado de ‘cartão’ uma vez que essa</p><p>é a principal característica do sistema. Ou seja, kanban utiliza de cartões para informar a</p><p>necessidade de entregar ou de produzir certa quantidade de itens, de peças ou até mes-</p><p>mo de matéria prima. As empresas utilizam o sistema kanban juntamente com ordens de</p><p>80UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>serviço, folhas de roteiro, cartão de produção ou similares para informar a quantidade a ser</p><p>produzida/entregue (MURIS JUNIOR, 2007).</p><p>Para Moura (1992), a implantação do Kanban não irá implicar necessariamente</p><p>na resolução de problemas mas sim na aparição dos problemas já existentes, ou seja, o</p><p>kanban irá possibilitar aos gestores a visualizações de estoques, gargalos, falta de qualida-</p><p>de, alto tempo de manutenção e setup, entre outros problemas que deverão ser resolvidos.</p><p>O sistema Kanban passou por algumas adaptações até chegar no sistema utilizado</p><p>nos dias de hoje, Ohno (1992) descreve a adaptação mais marcante que houve relacionado</p><p>com o fluxo de produção, transporte e entrega das peças/materiais. No sistema inicial, o</p><p>abastecimento era realizado com alta produção deixada como estoque, com a reforma do</p><p>sistema, o abastecimento passou a ser feito de forma puxada, ou seja, o processo subse-</p><p>quente alerta ao processo anterior quantos itens são necessários e a partir daí acontece a</p><p>produção. Ohno notou que para que esse processo funcionasse da melhor forma possível,</p><p>seria necessário manter uma quantidade mínima de estoques para que não houvesse o</p><p>tempo de espera de produção, desta forma, quando o processo subsequente alertar a ne-</p><p>cessidade de determinado item, esse item é retirado do estoque e imediatamente</p><p>produzido</p><p>e reposto para que não falte. Desta forma, nunca haverá uma produção maior do que a</p><p>quantidade mínima de estoque estabelecido.</p><p>Monden (1981) afirma que o kanban é um sistema de organização que controla</p><p>a produção dos itens na quantidade necessária e no momento oportuno, o autor afirma</p><p>ainda que é através do Kanban que uma empresa atinge as metas estabelecidas pelo JIT</p><p>(Just-In-Time).</p><p>Como já dito anteriormente, dentre os sinalizadores mais conhecidos, temos o car-</p><p>tão. Ohno (1997), destaca os dois tipos de cartões que são utilizados de forma simultânea,</p><p>veja a seguir as principais características dos mesmos:</p><p>● Cartão de requisição, movimentação ou retirada: esse cartão serve para au-</p><p>torizar a movimentação dos itens da estação de alimentação até a estação de</p><p>uso. Ele tem sua funcionalidade comparada a um passaporte que informa o</p><p>que deve ser reposto e deve circular apenas entre dois postos. Um cartão de</p><p>requisição geralmente apresenta as seguintes informações:</p><p>9 Descrição da peça (número, nome etc.);</p><p>9 Tamanho do contentor (quantas peças estão no contenedor);</p><p>9 Número de liberação do kanban (total de contenedores em uso);</p><p>81UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>9 Centro anterior de trabalho (nome, local de armazenagem etc.);</p><p>9 Processo seguinte ou estação subseqüente.</p><p>● Cartão de ordem de produção: a função deste cartão é autorizar a produção de</p><p>peças que irão repor as requisitadas para uso em estações subsequentes.</p><p>9 Descrição da peça,</p><p>9 Tamanho do contenedor,</p><p>9 Descrição do centro de trabalho,</p><p>9 Local de estocagem,</p><p>9 Necessidades de materiais (itens ou número de componentes necessários para</p><p>fazer a peça) e</p><p>9 De onde os componentes necessários devem vir.</p><p>A principal diferença entre ambos os cartões é que enquanto o cartão de ordem de</p><p>produção é utilizado para controle dentro do processo, o cartão de requisição é utilizado</p><p>para se obter um controle entre os processos.</p><p>Com base em tudo que foi apresentado, as principais características de funciona-</p><p>mento do sistema kanban:</p><p>1. Puxar a produção;</p><p>2. Manter a produção de forma descentralizada;</p><p>3. Limitar o nível máximo de estoque;</p><p>4. Usar dois sinalizadores diferentes: um como ordem de produção e outro como</p><p>autorização de transferência de materiais.</p><p>82UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>4 FUNDAMENTOS DA INDÚSTRIA 4.0</p><p>A indústria 4.0 de acordo Hermann (2015) surgiu primeiramente na Alemanha para</p><p>tratar de alto nível de tecnologia implantada em fábricas inteligentes diante de diversos</p><p>processos.</p><p>Santos (2015) define indústria 4.0 como sendo um projeto estratégico com início</p><p>no governo alemão envolvendo alto nível de tecnologia para promover a informatização da</p><p>manufatura com o objetivo de chegar ao que é chamado de Smart Manufacturing (Produ-</p><p>ção Inteligente), caracterizada pela alta capacidade de adaptação e aproveitamento dos</p><p>recursos disponíveis.</p><p>Heber (2014) escreve que a indústria 4.0 apresenta um novo modelo de fabricação</p><p>que faz a ponte entre processos físicos e digitais, buscando aumentar o protagonismo das</p><p>máquinas sem a interferência do homem.</p><p>Hofmann e Rusch (2017) descrevem a revolução industrial como sendo a uma</p><p>mudança na lógica de fabricação com embasamento em conceitos e tecnologias como</p><p>CPS, loT, IOS, computação em nuvem, manufatura aditiva, fábricas inteligentes, big data</p><p>entre outras.</p><p>Oesterreich e Teuteberg (2016) relatam que mesmo com todo o avanço tecnológico</p><p>presente e a facilidade que os mesmos apresentam e se encontram disponíveis, os resulta-</p><p>dos de sua utilização ainda não são os melhores e maiores possíveis. Os autores escrevem</p><p>que a adoção de tecnologia e industrialização da manufatura depende de fatores políticos,</p><p>83UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>econômicos, sociais e ambientais, tornando um grande obstáculo para a maior parte das</p><p>empresas.</p><p>Daremos destaque, portanto a quatro das tecnologias consideradas mais importan-</p><p>tes por muitos autores: Smart Factory, Big Data, loT e CPS.</p><p>SmartFactory</p><p>Segundo Kang (2016), entende-se por Smart Factory como sendo a indústria equi-</p><p>pada por sensores e dispositivos interligados que controlam e computadorizam dados da</p><p>produção em tempo real.</p><p>Radziwon et al (2014) apresenta sua definição de Smart Factory:</p><p>Uma solução de fabricação que fornece flexibilidade e processos de produ-</p><p>ção adaptativos que resolverão os problemas em uma instalação de produ-</p><p>ção com dinâmica e rápida mudança condições de fronteira em um mundo de</p><p>crescente complexidade (Radziwon et. al. 2014, p. 33).</p><p>Liu e Xu (2017) definem o modelo de fábrica inteligente relacionando os processos</p><p>tecnológicos com a redução de erros na produção fazendo que haja menores perdas duran-</p><p>te as atividades realizadas. Ainda de acordo os autores, essa tecnologia traz flexibilidade</p><p>para as empresas uma vez que permite maior otimização dos processos.</p><p>Segundo Freitas (2009), as fábricas que apresentarem as características da Smart</p><p>Factory terão capacidade para rápidas mudanças caso seja necessária mudança de estra-</p><p>tégia ou caso haja mudança no modelo de negócio das organizações.</p><p>IoT — Internet of Things</p><p>Kang (2016) define a tecnologia ioT (Internet of things) como sendo uma rede de</p><p>eletricidade, sensores e softwares que realizam a ligação entre o que é material e o que é</p><p>digital.</p><p>Liu e Xun (2017) destacam a agilidade que essa ferramenta fornece aos produtos</p><p>uma vez que possibilita a otimização nos processos produtivos de uma organização por</p><p>meio da ligação entre o que é natural e o que é virtual. Bagheri (2015) escreve que a Inter-</p><p>net of Things é a responsável pela coleta de dados e informações do meio físico, fazendo</p><p>a leitura e transportando os mesmos para o meio virtual, conectando as máquinas entre si.</p><p>Big Data</p><p>84UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>Liu e Xun (2017) afirmam que a Big Data possui um importante e relevante papel</p><p>no contexto da industrialização e otimização de processo e qualidade nas atividades que</p><p>envolvem a indústria 4.0.</p><p>Wang (2016) relata que a tecnologia Big Data é um sistema de armazenamento de</p><p>dados com parâmetros de análise muito específicos como: volume, veracidade, velocidade,</p><p>variedade e valor.</p><p>Sabo (2015) descreve que o sistema Big Data, dentre outras funções, serve para</p><p>armazenar os dados coletados com a ferramenta loT. É uma alternativa para o processa-</p><p>mento e organização de dados para compartilhamento, transferência e analisar dados nos</p><p>mais diferentes cenários e situações que uma empresa pode vir a se encontrar.</p><p>CPS – Cyber Physical Systems</p><p>Wang (2016) define CPS como sendo uma tecnologia de gerenciamento entre</p><p>as características informativas e os parâmetros físicos de produção, tal gerenciamento é</p><p>obtido através de uma infraestrutura de dados que fornece maior controle e segurança para</p><p>a tomada de decisões.</p><p>Cyber Physical Systems pode ser entendido como uma tecnologia compostas por</p><p>computadores e redes que ao englobarem os processos físicos existentes em uma fábrica,</p><p>se tornam responsáveis pela conectividade do ambiente físico ao tecnológico, mas, ao</p><p>contrário do Big Data que permite a análise de dados, o CPS realiza o controle da produção</p><p>por meio dos dados obtidos (Liu e Xun, 2017).</p><p>Kang (2016) explica que CPS é uma tecnologia que apresenta grande conexão</p><p>entre o mundo físico de uma organização e o mundo virtual que serve para promover o</p><p>processamento de dados por meio de tecnologias como a internet. O autor cita ainda di-</p><p>versas áreas de aplicação entre elas temos setores de energia, químico, automotivo e de</p><p>transportes.</p><p>Sustentabilidade no contexto da indústria 4.0</p><p>A produção industrial define o valor agregado do produto que consumimos, esta</p><p>carrega diversos efeitos colaterais considerados ruins e que de certa forma prejudicam o</p><p>consumidor final, entre os efeitos podemos citar: alto consumo de recursos naturais, alto</p><p>gasto de energia, emissão</p><p>de poluentes, entre outros. Como alternativa para eliminar ou</p><p>pelo menos para reduzir esses efeitos, têm-se diversos tratados internacionais de respon-</p><p>85UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>sabilização de poluição ambiental que acabam influenciando de forma ainda mais forte na</p><p>competitividade das grandes empresas (Gabriel e Pessi, 2016).</p><p>Portanto, a preocupação ambiente quanto ao uso de recursos naturais e emissão</p><p>de poluentes é um fator decisivo para a competitividade das empresas e tendo em vista</p><p>esse fator foi necessário a criação de mecanismos para gerir uma indústria da forma mais</p><p>eficiente possível. Neste contexto, utiliza-se a indústria 4.0 que busca na tecnologia e na</p><p>automatização dos processos a redução de perdas energéticas, perdas de recursos e</p><p>como consequência, ganhos ambientais (MORENO, 2014). Como exemplo podemos citar</p><p>a impressora 3D, ideal para pequenas produções ou para produção de peças exclusivas.</p><p>A impressão 3D é tida como uma produção ecologicamente correta pois utiliza menos</p><p>recursos e aproveitando ao máximo o recurso utilizado além de possuir uma logística de</p><p>transporte descentralizada (GABRIEL E PESSL, 2016).</p><p>REFLITA</p><p>“Temos que parar de encarar a transformação digital como um tema de PowerPoint,</p><p>ela tem que ir para a prática.”</p><p>Edson Giegel - Gerente de Manufatura e Supply Chain da Renault – Frase fora de contexto.</p><p>86UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Como sugestão de leitura, deixo o texto escrito por Rafael Romer do site “CanalTech”.</p><p>Em seu texto, Rafael traz as principais dificuldades que a Alemanha vem enfrentando</p><p>para a implantação da Indústria 4.0 além de apresentar também as principais dificul-</p><p>dades que o Brasil terá para a implantação da mesma. Abaixo segue alguns trechos</p><p>retirados da notícia.</p><p>Para a implementação do modelo, o setor empresarial do país começou a trabalhar em</p><p>conjunto para criar uma série de recomendações de melhores práticas, promovendo</p><p>ideais como interoperabilidade, transparência da informação e tomada descentralizada</p><p>de decisões.</p><p>“É um modelo extremamente adequado para a Alemanha, mas o chão de fábrica na</p><p>Alemanha é completamente diferente do brasileiro”.</p><p>Segundo o diretor, questões como o ensino básico de baixa qualidade do Brasil ainda</p><p>não garantem a implementação de uma mão-de-obra com capacitação técnica do mes-</p><p>mo nível exigido pelo modelo alemão - onde a boa interação entre pessoas e máquinas</p><p>é essencial para a automação da Indústria 4.0.</p><p>Já para o consultor da indústria automobilística, Ricardo Takahira, a principal barreira</p><p>para o formato no Brasil ainda pode ser a econômica.</p><p>Fonte: ROMER, R. Indústria 4.0: desafios da aplicação do “modelo alemão” no Brasil. Disponível em: <ht-</p><p>tps://canaltech.com.br/negocios/industria-40-desafios-da-aplicacao-do-modelo-alemao-no-brasil-80017/></p><p>Acessado em: 01 de Abril de 2020.</p><p>87UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Finalizamos nossa quarta apostila da disciplina de Manufatura Enxuta. Nessa</p><p>apostila aprendemos conceitos importantes e fundamentais que devem ser aplicados nas</p><p>empresas que desejam se tornar competitivas a nível global. O primeiro conceito discutido</p><p>foi o Heijunka que permite a empresa a nivelar sua produção, não deixando máquinas</p><p>paradas ou com excesso de produção, aprendemos também o conceito de nivelamento</p><p>de produto e então seguimos para o Tempo Takt. Nesse tópico, aprendemos a calcular o</p><p>ritmo de fabricação de máquinas ou linhas de produção, aprendemos como utilizar essa</p><p>ferramenta como vantagem competitiva e então entramos no terceiro tópico, discutindo</p><p>o Kanban. Além de apresentarmos o conceito do Kanban, foi apresentado também suas</p><p>principais vantagens que não envolve a solução de problemas, mas sim o surgimento de</p><p>problemas que antes estavam ocultado ou disfarçados. Por fim, finalizamos nosso conteúdo</p><p>programático com a Indústria 4.0, que nada mais é que o futuro da indústria no mundo. Para</p><p>uma empresa ser considerada nível 4.0 ela deve ser altamente tecnológica, com processos</p><p>computadorizados e utilizando diversas ferramentas como o Big Data, a Internet of Things</p><p>e o Cyber Physical Systems.</p><p>88UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Como sugestão de leitura complementar, deixo disponível um estudo de caso</p><p>intitulado “HEIJUNKA: Introdução do Sistema Puxado e Nivelado de Produção em uma</p><p>fábrica de reatores, módulos e drives de LED” apresentado no XV SEGET – 2018 no Rio de</p><p>janeiro. Abaixo segue um breve resumo do artigo apresentado pelos autores.</p><p>Este trabalho descreve a implantação do Heijunka (sistema puxado e nivelado de</p><p>produção) em uma empresa do ramo de eletrônicos, apresentando o processo de introdu-</p><p>ção, bem como seus impactos. O objetivo deste artigo é, com base em um estudo de caso,</p><p>detalhar o processo de introdução da ferramenta, avaliando seus benefícios e desafios</p><p>para a produção, tal como o aumento da flexibilidade e o nivelamento entre demanda sobre</p><p>os processos e fornecedores. A pesquisa evidenciou que a implantação do Heijunka foi de</p><p>grande importância para o desenvolvimento e sucesso da empresa, pois foi possível se</p><p>manter à frente da concorrência, oferecendo produtos de qualidade e flexíveis em meio às</p><p>variações de demanda.</p><p>Fonte: LUCINDA, A. P., OLIVEIRA, F. F. GARCIA, G. F. R. et. al. HEIJUNKA: Introdução do Sistema Puxado</p><p>e Nivelado de Produção em uma fábrica de reatores, módulos e drives de LED. Disponível em: <https://</p><p>www.aedb.br/seget/arquivos/artigos18/18626196.pdf> Acessado em: 01 de abril de 2020.</p><p>89UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• Título: A quarta revolução industrial</p><p>• Autor: Klaus Schwab</p><p>• Editora: Edipro</p><p>• Sinopse: A Quarta Revolução Industrial é diferente de tudo o que</p><p>a humanidade já experimentou. Novas tecnologias estão fundin-</p><p>do os mundos físico, digital e biológico de forma a criar grandes</p><p>promessas e possíveis perigos. A velocidade, a amplitude e a pro-</p><p>fundidade desta revolução estão nos forçando a repensar como</p><p>os países se desenvolvem, como as organizações criam valor e o</p><p>que significa ser humano. Como fundador e presidente executivo</p><p>do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab esteve no centro dos</p><p>assuntos globais por mais de 40 anos. Após observar em primeira</p><p>mão como os líderes mundiais navegaram pela revolução digital,</p><p>Schwab está convencido de que estamos no início de um perío-</p><p>do ainda mais emocionante e desafiador. Esta obra descreve as</p><p>principais características da nova revolução tecnológica e destaca</p><p>as oportunidades e os dilemas que ela representa. E o mais impor-</p><p>tante, o autor explica por que a Quarta Revolução Industrial é algo</p><p>fabricado por nós mesmos e está sob nosso controle, e como as</p><p>novas formas de colaboração e governança, acompanhadas por</p><p>uma narrativa positiva e compartilhada, podem dar forma à nova</p><p>Revolução Industrial para o benefício de todos. Se aceitarmos a</p><p>responsabilidade coletiva para a criação de um futuro em que a</p><p>inovação e a tecnologia servem às pessoas, elevaremos a huma-</p><p>nidade a novos níveis de consciência moral. […] Em janeiro, a</p><p>“quarta revolução industrial” foi o tema do mais recente Fórum Eco-</p><p>nômico Mundial […] realizado em Davos (Suíça). Klaus Schwab,</p><p>o fundador e CEO do Fórum, lançou um livro intitulado A Quarta</p><p>Revolução Industrial, que logo virou um best-seller. […] Schwab</p><p>[…] defende que as mudanças tecnológicas são tão amplas que</p><p>significam, sim, uma nova revolução. Não necessariamente uma</p><p>revolução das fábricas, mas do sistema inteiro. “Estamos no auge</p><p>de uma onda de descobertas ligadas à conectividade: robôs, dro-</p><p>nes, cidades inteligentes, inteligência artificial, pesquisas sobre o</p><p>cérebro. Pouca gente está enxergando as implicações de longo</p><p>prazo disso”, afirmou ele, em entrevista recente à revista Time.</p><p>Revista Época Negócios, maio de 2016“[…] uma síntese excelente</p><p>e oportuna sobre a mais extensa e profunda</p><p>transformação da</p><p>paisagem tecnológica em mais de dois séculos, desde a (primeira)</p><p>Revolução Industrial. […] O professor Schwab registra três objeti-</p><p>vos: conscientizar as pessoas sobre o tamanho, a velocidade e os</p><p>impactos da revolução; delinear as questões centrais e destacar</p><p>as possíveis respostas, bem como oferecer uma plataforma para</p><p>que as parcerias público-privadas enfrentem os desafios e des-</p><p>bloqueiem as oportunidades. […] A oportuna publicação do livro</p><p>do professor Schwab destaca uma das partes mais importantes</p><p>desse desafio, que irá gerar uma discussão robusta na reunião</p><p>90UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>anual do Fórum Econômico Mundial em 2016 e além. Deve ser</p><p>lido com cuidado por todos que se interessam pelo futuro da</p><p>humanidade.”Seán Cleary, Vice-Presidente Executivo, Fundação</p><p>FutureWorld“Schwab não é um evangelizador tecnológico […]; na</p><p>verdade, ele é um humanista, tentando fazer que as tecnologias</p><p>emergentes funcionem e trabalhem para as pessoas. Ele deseja</p><p>garantir que as pessoas façam escolhas explícitas […] e que as</p><p>tecnologias sejam aproveitadas pelos seres humanos. Seu livro</p><p>é uma chamada para definirmos a utilização dessas tecnologias</p><p>emergentes.”Daniel Runde – Foreign Policy“Jack Welch uma vez</p><p>afirmou que ‘se a mudança no lado de fora de sua empresa for</p><p>mais rápida que a do lado de dentro, o fim está próximo’. O livro</p><p>do professor Schwab é uma contribuição valiosa na busca de uma</p><p>melhor compreensão desse processo [quarta revolução industrial].</p><p>Você pode concordar com seus argumentos ou discordar deles.</p><p>A única coisa que não pode fazer é ignorá-los.”Artur Wichmann,</p><p>Gestor de Estratégia Internacional da Verde Asset Management</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: Sunspring</p><p>• Ano: 2016</p><p>• Sinopse: Após a vitória da inteligência artificial do Google no</p><p>jogo de tabuleiro Go, o cineasta Oscar Sharp recorreu a seu co-</p><p>laborador tecnólogo Ross Goodwin para construir uma máquina</p><p>que pudesse escrever roteiros. Eles o chamaram de “Jetson” e o</p><p>alimentaram com centenas de roteiros de séries de TV e filmes</p><p>de ficção científica. Chamando uma equipe que incluía Thomas</p><p>Middleditch, estrela de Silicon Valley da HBO, eles deram a si mes-</p><p>mos 48 horas para filmar e editar o que quer que Jetson decidisse</p><p>escrever.</p><p>91UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALBERTIN, M. R., PONTES, H. L. J. Gestão de Processos e técnicas de Produção Enxuta.</p><p>Curitiba: InterSaberes, 2016.</p><p>ALVAREZ, R. R., JOSÉ JUNIOR, A. V. A. TAKT-TIME: CONCEITOS E CONTEXTUALIZAÇÃO DEN-</p><p>TRO DO SISTEMA TOYOTA DE PRODUÇÃO. Revista Gestão & Produção. V. 8, n°1, p. 1-18,</p><p>2001.</p><p>ALVES, L. O. As mudanças na gestão da produção e organização do trabalho e seus impactos nas</p><p>relações de trabalho: um estudo de caso na indústria do vestuário capixaba. XVII SEGeT - Simpósio</p><p>de Excelência em Gestão e Tecnologia. Resende, 2005.</p><p>APARICIO, I. C. S., MELO, K. S e CALVOSA, M. V. D. Relações de Trabalho a Contribuição dos</p><p>Modelos de Gestão. SEGET - Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. Rezende, 2009.</p><p>ARAÚJO, L. E. D. Nivelamento de Capacidade de Produção utilizando Quadros Heijunka em</p><p>Sistemas Híbridos de Coordenação de Ordens de Produção. Universidade de São Paulo (USP),</p><p>Dissertação de Mestrado. São Paulo, 2009.</p><p>BIRCK, A. F. R. PRODUÇÃO ENXUTA: MAPEAMENTO DE FLUXO DE VALOR EM UMA AGROIN-</p><p>DÚSTRIA DO SETOR ORIZÍCOLA DE SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA. Universidade Federal</p><p>do Rio grande, Trabalho de Conclusão de curso. Santo Antônio da Patrulha, 2014.</p><p>BRITO, F. F. S. A INFLUÊNCIA DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO PARA O DESENVOLVIMENTO</p><p>PROFISSIONAL DOS COLABORADORES: UM ESTUDO DE MULTICASOS NA AMAZÔNIA. Re-</p><p>vista de Administração de Roraima. Vol 1, n°1, p. 67-83, 2011.</p><p>CAMAROTTO, J.A Estudo das Relações entre o Projeto de Edifícios Industriais e a gestão da</p><p>Produção. 1998, 246p. Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade</p><p>de São Paulo, São Paulo.</p><p>CECIERJ. MUNDO DO TRABALHO: FORDISMO/TAYLORISMO E ACUMULAÇÃO FLEXÍVEL.</p><p>Projeto Seeduc. Rio de Janeiro, (201?)</p><p>CHAVES FILHO, J. G. B. Aplicação da padronização do método de trabalho segundo uma</p><p>metodologia baseada na Produção Enxuta: um estudo de caso. Trabalho de Graduação (Enge-</p><p>nharia de Produção) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, p. 63. 2007.</p><p>CHAVES FILHO, J. G. B. Melhores práticas para a garantia de sustentabilidade de melhorias</p><p>obtidas através de eventos kaizen. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Escola</p><p>de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2010.</p><p>CITTATINI, C. GHISINI, J. A. S. HILSDORF, W. C. APLICAÇÃO DE FERRAMENTAS DO LEAN</p><p>MANUFACTURING: ESTUDO DE CASO EM UMA INDÚSTRIA DE REMANUFATURA. XXXVII EN-</p><p>CONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. Joinville, 2017.</p><p>CORIAT, Benjamin. Automação programável; novas formas e conceitos de organização da</p><p>produção, In: Schmitz, H. &.; Quadros, R. Automação, Competitividade e Trabalho; a experiência</p><p>internacional. São Paulo: Hucitec, 1988.</p><p>Da Silva, M. G. Jidoka - Conceitos e aplicação da autonomação em uma empresa da indústria</p><p>eletrônica. Espacios. Vol. 37, n°2. 2016.</p><p>ENDERE, G. IMPLANTAÇÃO DE TÉCNICA DE REDUÇÃO DO TEMPO DE SETUP E DE SUS-</p><p>TENTABILIDADE DAS MELHORIAS OBTIDAS: UM ESTUDO DE APLICAÇÃO. Universidade Fe-</p><p>deral de São Carlos (UFSCar). São Carlos, 2012.</p><p>92UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>FILHO, S. R. e PEIXE, BB. C. S. Custos e avaliação de desempenho no setor público: um levan-</p><p>tamento bibliométrico das edições do congresso brasileiro de custos. XXII Congresso Brasileiro de</p><p>Custos, Foz do Iguaçu, 2015.</p><p>FLORA, M. O. ANÁLISE DO DESEMPENHO DE ENTREGA DE UM OPERADOR LOGÍSTICO:</p><p>CASO RAPIDÃO COMETA. Universidade Federal de Juiz de Fora, Trabalho de Conclusão de Cur-</p><p>so. Juiz de Fora, 2007.</p><p>FONTES, E. G.; LOSS, M. J. Aplicação da metodologia Kaizen: um estudo de caso em uma</p><p>indústria têxtil do centro oeste do Brasil. Revista Espacios, p. 6-18, vol. 38, n°21, 2017.</p><p>FORK, D. A avaliação de desempenho nas organizações. Disponível em: <https://www.rhportal.com.</p><p>br/artigos-rh/a-avaliao-de-desempenho-nas-organizaes/> Acessado em: 18 de marços de 2020.</p><p>FREITAS, A. P. P. ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE INDÚSTRIA</p><p>4.0. Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Trabalho de Conclusão de Curso. Uberlândia, 2009.</p><p>FURMANS, K. (2005). Models of Heijunka-levelled Kanban-Systems. In: C.T. Papadopoulos</p><p>(Ed.): 5th International Conference on Analysis of Manufacturing Systems - Production and</p><p>Management, Zakynthos Island: Greece, p. 243- 248.</p><p>GABRIEL, Magdalena; PESSL, Ernst. ANNALS of Faculty Engineering Hunedoara. International</p><p>Journal of Engineering, 2016.</p><p>GHINATO, P. Sistema Toyota de Produção: mais do que simplesmente just-in-time. Caxias do</p><p>Sul: EDUCS, 1996.</p><p>GOMES, L. C. AVALIAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DAS TÉCNICAS DO SISTEMA TOYOTA DE</p><p>PRODUÇÃO PARA OS OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DAS EMPRESAS. Universidade Federal</p><p>do Rio Grande do Sul (UFRGS), Dissertação de Mestrado. Porto Alegre, 2001.</p><p>GORRERI, B. R. ARRANJO FÍSICO NA MONTAGEM COM FLUXO CONTÍNUO NAS SUPERFÍ-</p><p>CIES DE COMANDO COMPOSTO. Universidade Estadual Paulista (UNESP), Trabalho de Conclu-</p><p>são de Curso. Guaratinguetá, 2012.</p><p>GROUT, J. R.; TOUSSAINT, J. S.Mistake-proofing healthcare: why stopping processes may be</p><p>a good start. Business Horizons, v. 53, n. 2, p. 149-156, March-April, 2010.</p><p>HEBER, A. Business Insider. São Paulo, 2015.</p><p>HERMANN, M.; PENTEK, T.; OTTO, B. Design principles for Industrie 4.0 Scenarios: a literature</p><p>review. Working Paper. n.01/2015, Technische Universität Dortmund, 15p, 2015.</p><p>HILLEBRAND, L. H. PROPOSTA DE MODELOS PARA GESTÃO DE ESTOQUES DAS PRINCI-</p><p>PAIS MATÉRIAS-PRIMAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO DE CONDIMENTOS ALI-</p><p>MENTÍCIOS. Centro Universitário UNIVATES, Trabalho de Conclusão de Curso. Lajeado, 2016.</p><p>HOFMANN, E.; RÜSCH, M. Industry 4.0 and the current status as well as future prospects on logis-</p><p>tics. Computers in Industry, v. 89, p. 23-34, 2017.</p><p>IWAYAMA, H.: Basic Concept of Just-in-time System, mimeo, IBQP-PR, Curitiba, PR, 1997.</p><p>JONES, D. T. (2006). Heijunka: leveling production. Manufacturing Engineering, v.137, n. 2.</p><p>JOSÉ JUNIOR, C. C. E CUNHA, A. S. PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS</p><p>- Pensamento estratégico, planejamento governamental e desenvolvimento no Brasil Contemporâ-</p><p>neo - Livro 1. Brasília: IPEA, 2015.</p><p>JUNQUEIRA, L. A. P. e PADULA, R. S. Gestão de Organizações da sociedade civil. Tiki Books:</p><p>PUC-SP/PIPEq, 2019.</p><p>93UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>KANG, H. S. Smart manufacturing: Past research, present findings, and future directions. Interna-</p><p>tional Journal of Precision Engineering and Manufacturing-Green Technology, v.3, n. 1, p.</p><p>111-128, 2016.</p><p>KNABBEN, B. C. Gestão do Conhecimento: O Kaizen como ferramenta para organização de</p><p>aprendizagem. p.97. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal</p><p>de Santa Catarina, Santa Catarina, 2001.</p><p>KUBOTA, C. T. O PAPEL DO BANCO TOYOTA NA ESTRATÉGIA DA MONTADORA TOYOTA. Fun-</p><p>dação Getulio Vargas (FGV), Dissertação de mestrado. São Paulo, 2012.</p><p>LEAN. Indicadores Lean: saiba quais são e como analisar. Diponível em: <https://lean.blog.br/</p><p>indicadores-lean-quais-sao-como-analisar/> Acessado em: 10 de fevereiro de 2020.</p><p>LERNER, D. F. UM ESTUDO SOBRE DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO OPERACIONAL E DE</p><p>GESTORES NO RESULTADO DAS EMPRESAS. Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Disserta-</p><p>ção de Mestrado. São Leopoldo, 2007.</p><p>LIKER, J. K.(2005). O modelo Toyota: 14 princípios de gestão do maior fabricante do mundo.</p><p>Porto Alegre: Bookman.</p><p>LIMA, D. F. S., ALCANTARA, P. G. F., SANTOS, L. C. S, et. al. MAPEAMENTO DE FLUXO DE</p><p>VALOR E SIMULAÇÃO PARA IMPLEMENTAÇÃO DE PRÁTICAS LEAN EM UMA EMPRESA</p><p>CALÇADISTA. Revista Científica Eletrônica de Engenharia de Produção. v.16, n°1, p. 366-392.</p><p>ABEPRO: Florianópolis, 2016.</p><p>LIU, Y.; XU, X. Industry 4.0 and cloud manufacturing: A comparative analysis. Journal of Manufac-</p><p>turing Science and Engineering, v. 139, n. 3, p. 034701, 2017.</p><p>LOPES, I. F. e BEUREN, I. M. Avaliação de desempenho do controller em empresa com sistema de</p><p>remuneração variável. Revista mineira de contabilidade. Ano 15, n° 55, p. 14-20, 2014.</p><p>LUCINDA, A. P., OLIVEIRA, F. F. GARCIA, G. F. R. et. al. HEIJUNKA: Introdução do Sistema</p><p>Puxado e Nivelado de Produção em uma fábrica de reatores, módulos e drives de LED. Dispo-</p><p>nível em: <https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos18/18626196.pdf> Acessado em: 01 de abril</p><p>de 2020.</p><p>MACHADO, S. S., GESTÃO DA QUALIDADE. e-Tec Brasil. Universidade Federal de Santa Maria.</p><p>Inhumas, 2012.</p><p>MACHLINE, C. PLANEJAMENTO E CONTROLE DE PRODUÇÃO NA INDÚSTRIA NACIONAL</p><p>DE BENS DE EQUIPAMENTO. Revista de Administração de Empresas. Vol. 25, n° 2, https://doi.</p><p>org/10.1590/S0034-75901985000200001. São Paulo, 1985.</p><p>MAGALHÃES, B. HENRIQUE, L. LOURENÇO, T. MORAIS, L. M. IMPLANTAÇÃO DE FERRAMEN-</p><p>TA 5S EM UMA EMPRESA DE VIDRO TEMPERADO. Cadernos UniFOA, Volta Redonda, 2014.</p><p>MALAGUTI, M. L A ideologia do modelo japonês de gestão. Revista Ensaios FEE. v. 17, n°1. Porto</p><p>Alegre, 1996.</p><p>MCBRIDE, D. (2004). Heijunka: Leveling the Load. Disponível em: <http://www.emsstrategies.</p><p>com/dm090804article.html>. Acesso em: 01 de abril de 2020.</p><p>MEIRIM, H. A IMPORTÂNCIA DOS SISTEMAS DE GESTÃO DE PRODUÇÃO. Disponível em; ht-</p><p>tps://administradores.com.br/artigos/a-importancia-dos-sistemas-de-gestao-de-producao> Acessa-</p><p>do em: 18 de março de 2020.</p><p>MILESKI JUNIOR, A. Gestão de Processos Produtivos. e-Tec Brasil. Instituto Federal do Paraná,</p><p>Curitiba, 2011.</p><p>94UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>MIRANDA, L. C., SILVA, J. D. G. Medição de desempenho. In: SCHMIDT, Paulo (Org.). Controlado-</p><p>ria: agregando valor para a empresa. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>MISOCZKY, M. C. A. e GUEDES, P. Planejamento e Programação na administração Pública. Pro-</p><p>grama Nacional de Formação em Administração Pública. Universidade Federal de Santa Catarina,</p><p>(UFSC): CAPES, Santa Catarina, 2016.</p><p>MONDEN, Y. Adaptable Kanban System Helps Toyota Maintain Just in time Production. Industrial</p><p>Engineering, Vol. 13, n. 5, 1981, p. 29-46.</p><p>MONDEN, Y. Sistema Toyota de Produção. São Paulo: IMAM, 1984.</p><p>MOORE, J.M. Computer Program Evaluates Plant Layout Alternatives, Journal of Industrial</p><p>Engineering, Vol.3, No. 8, 1971, pp. 19-25.</p><p>MORÉ, R. P. O. Capacidades absortiva e de inovação de empresas na perspectiva da estrutura de</p><p>governança: um estudo em habitats de inovação de Santa Catarina. Universidade do Vale do Itajaí,</p><p>Tese de Doutorado. Biguaçu, 2016.</p><p>MOREIRA, S. P. S. APLICAÇÃO DAS FERRAMENTAS LEAN - CASO DE ESTUDO. Instituto supe-</p><p>rior de engenharia de Lisboa, Dissertação de Mestrado. Lisboa, 2011.</p><p>MORENO, M. How can we tackle energy efficiency in IOT based smart buildings? Sensors, v. 14,</p><p>n. 6, p. 9582-9614, 2014.</p><p>MORÓZ, Guilherme. Avaliação da aplicação da Manufatura Enxuta para a indústria moveleira.</p><p>Ponta Grossa: UTFPR, 2009. 107 p. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em</p><p>Engenharia de Produção, Área de Concentração: Gestão Industrial, do Departamento de Pesquisa</p><p>e Pós-Graduação Engenharia de Produção, Ponta Grossa, Universidade Tecnológica Federal do</p><p>Paraná, 2009.</p><p>MOURA, R. A. Kanban : A Simplicidade do Controle da Produção. São Paulo: Imam, 1992.</p><p>MUCHA, J. T., BENCKE, G. M. ESTUDO DO SISTEMA VOLVO DE PRODUÇÃO COMO PROPOS-</p><p>TA DE GERENCIAMENTO DE UM PROCESSO PRODUTIVO. Revista de Administração e Conta-</p><p>bilidade. vol. 15, n° 29, p. 128 - 140. 2016</p><p>MURIS JUNIOR, L. EVOLUÇÃO E AVALIAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DO SISTEMA KANBAN E DE</p><p>SUAS ADAPTAÇÕES: SURVEY E ESTUDOS DE CASO. Universidade Federal de São Carlos</p><p>(UFSCar), Dissertação de Mestrado. São Carlos, 2007.</p><p>NASCIMENTO, A. M. LERNER, D. F., REGINATO, L. A avaliação de desempenho e os seus efeitos</p><p>no resultado econômico da empresa. XIV CONGRESSO BRASILEIRO DE CUSTOS. João Pessoa,</p><p>2007.</p><p>NASCIMENTO, A. M., REGINATO, L E. CONTROLADORIA: Um enfoque na eficácia organizacio-</p><p>nal. 3° ed. São Paulo: Atlas, 2013.</p><p>NASCIMENTO, A. M., REGINATO, L. E LERNER, D. F. UM ESTUDO SOBRE O EFEITO DA AVA-</p><p>LIAÇÃO DE DESEMPENHO OPERACIONAL E DE GESTORES NO RESULTADO ECONÔMICO</p><p>DA EMPRESA. Revista de Informação Contábil. Vol. 2, n° 2, p; 19-42, 2008.</p><p>NAZARENO, R. R. Desenvolvimento de sistemas híbridos de planejamento e controle da pro-</p><p>dução com foto na implantação da manufatura enxuta. 2008. 319p. Tese (Doutorado em En-</p><p>genharia de Produção) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São</p><p>Carlos, 2008.</p><p>NIIMI, A. (2004) Sobre o Nivelamento (heijunka). Disponível em: <http://www.lean.org.br/down-</p><p>load/artigo_32.pdf>. Acesso em: Acesso em: 01 de abril de 2020.</p><p>95UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>OHNO, T. O sistema Toyota de produção: Além da produção em larga escala. Porto Alegre,</p><p>Bookman, 1997.</p><p>OHNO, T. O sistema Toyota de Produção: além da produção em larga escala. Trad. Cristina</p><p>Shumacher – Porto Alegre: Artes Médicas. Editora Bookman, 2006.</p><p>OLIVEIRA, P. M. S. APLICAÇÃO DO LEAN MANUFACTURING NA INDÚSTRIA DAS EMBALA-</p><p>GENS PLÁSTICAS - ESTUDO DE CASO. Universidade Fernando Pessoa, Dissertação de Mestra-</p><p>do. Porto, 2011.</p><p>OLIVÉRIO, J.L. Projeto de Fábrica:Produtos, Processos e Instalações Industriais. São Paulo:</p><p>Instituto Brasileiro do Livro Científico Ltda, 1985.</p><p>ÖSTERREICH, T. D.; TEUTEBERG, F. Understanding the implications of digitisation and automa-</p><p>tion in the context of Industry 4.0: A triangulation approach and elements of a research agenda for</p><p>the construction industry. Computers in Industry, v. 83, p. 121-139, 2016.</p><p>PAIVA, M. A. O. CURSO TÉCNICO EM LOGÍSTICA - GESTÃO DA QUALIDADE E PROCESSOS.</p><p>Secretária da Educação. Fortaleza, 2018.</p><p>PASSOS JÚNIOR, A.A. Os circuitos da autonomação – uma abordagem técnico-econômica.</p><p>São Leopoldo: UNISINOS, 2004. 96 p. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade do</p><p>Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2004.</p><p>PEREIRA, CRISTINA ALVES DOS SANTOS. LEAN MANUFACTURING - APLICAÇÕES DO CON-</p><p>CEITO A CÉLULA</p><p>- Dificuldade de exportações japonesas.</p><p>De acordo Gomes (2001) o STM é um sistema de gerenciamento de custos e de</p><p>produção que permite o aumento do lucro pela redução de perdas, ou seja, redução de</p><p>atividades e processos que não agregam valor ao produto.</p><p>10UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>2 A ABORDAGEM DA PRODUÇÃO ENXUTA – HISTÓRIA E CATEGORIAS DE DESPER-</p><p>DÍCIOS.</p><p>Albertin e Pontes (2016) destacam que o sistema Toyota de produção (STP), tam-</p><p>bém conhecido como Manufatura Enxuta criado por Toyota Spinning e Weaving Sakichi</p><p>Toyoda surgiu logo após a segunda guerra mundial fundando a Toyota Motor Company.</p><p>Com o passar do tempo, o sistema vem sendo estudado e otimizado sempre com o objetivo</p><p>de reduzir custos. O estudo da redução de perdas gerou um conceito chamado lógica de</p><p>perdas, que veremos a seguir:</p><p>LÓGICA DAS PERDAS</p><p>Gomes (2001) em sua obra afirma que a movimentação do trabalho é dividido em</p><p>atividades que agregam valor e em atividades que não agregam valor ao produto final, este</p><p>último sendo considerado um tipo de perda. O autor cita alguns exemplos de trabalhos</p><p>que agregam valor: forjar, usinar, pintar, soldar, polir, entre outros. Em contrapartida, as</p><p>perdas são atividades e processos que geram custos e que não adicionam valor nenhum</p><p>ao produto final, sendo fundamental que seja eliminada. Como exemplo de trabalhos que</p><p>não agregam valores, temos: fabricação de produtos com defeito, retrabalho, estocagem de</p><p>material, transporte do produto a ser estocado, entre outros.</p><p>Ohno (1997) e Shingo (1996) propõem a classificação de sete diferentes tipos de</p><p>perdas para sustentar o processo sistemático de identificação e eliminação de perdas.</p><p>11UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>PERDA POR SUPERPRODUÇÃO</p><p>Segundo Ohno (1997), a superprodução é uma das perdas mais perigosas para a</p><p>empresa devido ao alto valor envolvido além de possuir a capacidade de ocultar ou disfar-</p><p>çar outros tipos de perdas (falta de material, produto defeituoso, quebra de equipamento,</p><p>desbalanceamento da linha da produção, entre inúmeros outros). Além disso, o autor clas-</p><p>sifica ainda a perda por superprodução em duas diferentes categorias, as qualitativas e as</p><p>quantitativas:</p><p>- Quantitativa: esse tipo de perda acontece geralmente quando a fábrica se preo-</p><p>cupa em produzir um maior número de peças como forma de prevenção contra</p><p>produtos defeituosos que possam vir a surgir.</p><p>- Antecipada: Esse tipo de perda acontece quando a fábrica não possui um con-</p><p>trole exato do seu processo e acaba produzindo maior número de peças do que</p><p>é necessário, deixando-as estocadas para serem consumidas futuramente.</p><p>PERDA POR TRANSPORTE</p><p>A movimentação de materiais é um custo que, segundo Gomes (2001), deve ser</p><p>evitado por não agregar valor ao produto. O autor afirma ainda que as melhorias relaciona-</p><p>das ao transporte são alcançadas por meio da alteração do layout de produção, por meio</p><p>da introdução de esteiras, calhas, pontes rolantes, entre outros equipamentos.</p><p>Shingo (1996) explica que a melhoria de transporte tem como objetivo o aumento</p><p>de eficiência da produção que deve ser conseguida por meio da eliminação da função</p><p>processo que por sua vez é alcançada com a otimização do layout fabril. O autor explica</p><p>que na maioria das empresas o processo é constituído por: 45% de processamento, 5%</p><p>de inspeção, 5% de espera e o restante (45%) é o transporte, sendo este um custo muito</p><p>elevado que pode ser reduzido.</p><p>PERDA POR PROCESSAMENTO EM SI</p><p>O processo muitas vezes pode estar inadequado, errado ou apresentar falhas ao</p><p>longo de sua linha, gerando o aumento do custo e causando o que é chamado de perda</p><p>por processamento. Existe uma técnica chamada de “Engenharia e análise de valor (EAV)</p><p>que pode ser utilizada para determinar as as características de cada parte do processo de</p><p>12UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>produção, sendo extremamente recomendável para encontrar falhas e otimizar processo,</p><p>além disso, a técnicas questiona custos de produto e de processo. Ao final, a técnica irá</p><p>demonstrar a necessidade ou não de determinadas etapas com o intuito de eliminar as</p><p>etapas desnecessárias, simplificando a produção, otimizando o tempo e poupando custos</p><p>(SHINGO, 1996).</p><p>PERDA POR FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DEFEITUOSOS</p><p>Esta é uma perda bastante visível pois é uma perda física e acontece quando uma</p><p>peça ou produto é confeccionado fora das normas, parâmetros ou diretrizes que ele deveria</p><p>seguir. Como consequência, tem-se o retrabalho e o sucateamento do produto com defeito</p><p>(GHINATO, 1996).</p><p>Para evitar este tipo de perda, tem-se um estudo de qualidade envolvido com a im-</p><p>plantação de técnicas de controle, instrumentos modernos e capacitação dos funcionários.</p><p>Esta perda pode ser evitada ou reduzida com um controle rígido no sistema de inspeção e</p><p>com a adoção de técnicas e ferramentas da qualidade como a técnicas CQZD – Controle</p><p>de Qualidade Zero Defeitos, adotada pela Toyota (GOMES, 2001). O autor diz ainda que</p><p>um produto com defeito pode acarretar na reputação da empresa, em brigas internas e até</p><p>mesmo desencadear outras perdas como por espera e por transporte.</p><p>PERDA POR MOVIMENTAÇÃO</p><p>É todo movimento desnecessário realizado pelo operador para carregar peças,</p><p>equipamentos ou ferramentas. Esta perda vem acompanhada com a perda de tempo.</p><p>Segundo Ghinato (1996) um bom estudo de redução de movimento pode aumentar de 10</p><p>a 20% a eficiência do processo. Além trabalhar em cima da redução de movimentos dos</p><p>funcionários, pode-se também trabalhar em cima da automatização das tarefas, fazendo</p><p>com que haja um desperdício ainda menor de movimento e de tempo</p><p>PERDA POR ESPERA</p><p>Essa perda é devido aquele tempo de espera que a peça sofre até seguir em sua</p><p>linha de produção para uma próxima etapa, neste meio tempo, a peça fica absolutamente</p><p>parada, sem receber nenhum processo. Shingo (1996) classifica a perda por espera em</p><p>duas categorias:</p><p>13UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>Espera do trabalhador enquanto a máquina trabalha: ocorre quando o operador</p><p>deve observar o funcionamento da máquina (durante a confecção de um produto, por</p><p>exemplo);</p><p>Espera da máquina: acontece quando a máquina está quebrada, a linha está para-</p><p>da ou não há material a ser processado.</p><p>PERDA POR ESTOQUE</p><p>Guinato (1996) classifica a perda por estoque em:</p><p>- Depois do processamento em si, imagine um lote de 1000 peças a ser proces-</p><p>sado, a primeira peça a ser processada irá ter que esperar as outras 999 peças</p><p>serem processadas para então seguir para a próxima etapa.</p><p>- Antes do processamento em si, imagine novamente um lote de 1000 peças</p><p>que está passando por um processamento, a segunda peça deve aguardar o</p><p>processamento da primeira peça, a centésima peça deve aguardar o processa-</p><p>mento das outras 99 peças em sua frente e assim por diante. Se assumirmos um</p><p>tempo de processamento de 10 segundos, a milésima peça terá que aguardar</p><p>cerca de 2 horas e 50 minutos para ser processada.</p><p>Como solução, o autor propõe o fluxo unitário de peças, metodologia adotada pela</p><p>linha de produção da Toyota.</p><p>Shingo (1996), explica que algumas empresas mantém o estoque como forma de</p><p>reduzir o impacto causado por problemas no processo produtivo, como:</p><p>Problemas de paradas de máquinas;</p><p>Problemas de paradas de máquinas;</p><p>Demandas não previstas;</p><p>Problemas de paradas de máquinas;</p><p>Defeitos ocasionais;</p><p>Absenteísmo;</p><p>Elevado tempo de Setup das máquinas. Ao aumentar o estoque, o número de</p><p>Set-up será menor;</p><p>O autor explica que é necessário minimizar os estoques para que se possa enxer-</p><p>gar com clareza as ineficiências que o sistema produtivo possui, uma vez que a ausência</p><p>de estoque irá fazer com que os verdadeiros problemas apareçam.</p><p>14UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>3 SISTEMAS JIT</p><p>O Sistema Just-In-Time (JIT), segundo Slack (2006), foi desenvolvido na Toyota no</p><p>Japão objetivando o combate ao desperdício, para o autor, toda atividade que que demanda</p><p>tempo e recurso sem</p><p>DE TRABALHO. Universidade da Beira Interior, (Dissertação de Mestrado). Co-</p><p>vilhã. 2010.</p><p>PERIN, P. C. Metodologia de padronização de uma célula de fabricação de montagem, inte-</p><p>grando ferramentas de Produção Enxuta. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção)</p><p>– Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2005.</p><p>PETRÔNIO G. M. e LAUGENI, F. R. Administração da Produção. São Paulo. Editora Saraiva,</p><p>2005.</p><p>PETTERSEN, J. (2009) Defining lean production: some conceptual and practical issues. The</p><p>TQM Journal, v. 21, n. 2, p. 127-142.</p><p>PINTO, J. P. LEAN THINKING - INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO MAGRO. Comunidade Lean</p><p>Thinking, 2008.</p><p>QIAN, C.; CHAN, C.Y.; TANG, C.S.; YUNG, K.L. System monitoring through element flow reaso-</p><p>ning. Robotics and Computer-Integrated Manufacturing, v. 27, p. 221-233, 2001.</p><p>RADZIWON, A.; BILBERG, A.; BOGERS, M.; MADSEN, E. S. The Smart Factory: Exploring</p><p>Adaptive and Flexible Manufacturing Solutions, 2014.</p><p>REYNER, A.; FLEMING, K. (2004). Heijunka Product & Production Leveling. Disponível em: <http://</p><p>ocw.mit.edu/NR/rdonlyres/Engineering-SystemsDivision/ESD-60Summer-004/924D69 DB-ADA-</p><p>4-402A-8CEB3508FFA53724/0/9_3product_level .pdf.>. Acesso em: 01 de abril de 2020.</p><p>RIBEIRO, A. F. Taylorismo, fordismo e toyotismo. Lutas Sociais (PUCSP) , v. v.19, p. 65, 2015.</p><p>RIBEIRO, J.; FOGLIATTO, F. Manutenção e confiabilidade. Rio de Janeiro: Campus Elsevier,</p><p>2009.</p><p>ROMER, R. Indústria 4.0: desafios da aplicação do “modelo alemão” no Brasil. Disponível em:</p><p><https://canaltech.com.br/negocios/industria-40-desafios-da-aplicacao-do-modelo-alemao-no-bra-</p><p>sil-80017/> Acessado em: 01 de Abril de 2020.</p><p>96UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>ROTHER, M.; SHOOK, J. Aprendendo a Enxergar. São Paulo: Lean Institute Brasil. 1999.</p><p>ROTHER, Mike; SHOOK, John. Aprendendo a Enxergar: mapeando o Fluxo de Valor para agre-</p><p>gar valor e eliminar o desperdício. São Paulo: Lean Institute Brasil (Shingo Prize for excellence</p><p>in Manufacturing), 2003.</p><p>SABO, F. Industry 4.0 - a comparison of the status in Europe and the USA. Austrian Marshall Plan</p><p>Foundation, 33p., 2015.</p><p>Sander, C. 7 empresas que aplicam o Lean Manufacturing com sucesso. Disponível em: <https://</p><p>caetreinamentos.com.br/blog/lean-manufacturing/empresas-que-aplicam-lean-manufacturing/></p><p>Acessado em: 18 de março de 2020.</p><p>SANTOS, P. Tecnologia Você está preparado para viver a revolução da indústria 4.0? 2015.</p><p>Sarkar, Jayati e Sarkar, Subrata (2008). ―Debt and corporate governance is emerging economies:</p><p>Evidence from Índia‖. Vol. 16, issue 2, p. 293-334, April 2008. Cedido em www.onlinelibrary.willey.</p><p>com/ a 18 de Novembro de 2009;</p><p>SELLITTO, M.A. Formulação estratégica da manutenção industrial com base na confiabilida-</p><p>de dos equipamentos. Produção, v. 15, n. 1, p. 44-59, 2005.</p><p>SHINGO, S.: O Sistema Toyota de Produção do Ponto de Vista da Engenharia de Produção.</p><p>Bookman, Porto Alegre, RS, 1996a.</p><p>SHINGO, S.: Sistemas de Produção com Estoque Zero: O Sistema Shingo para Melhorias</p><p>Contínuas. Bookman, Porto Alegre, RS, 1996b.</p><p>SHINGO, Shigeo. O Sistema Toyota de Produção; do ponto de vista da engenharia de produ-</p><p>ção. Porto Alegre: Bookman, 1996</p><p>SHOOK, Y: “Bringing the Toyota Production System to the United States: A Personal Pers-</p><p>pective”, in LIKER, J. (org.): Becoming Lean: Inside Stories of U.S. Manufacturers. Productivity,</p><p>Portland, EUA, 1998.</p><p>SILVA, B. M. S. R., MEDINA, F., ROCHA, H. V. A. et. al. USO DO INDICADOR DE EFICÁCIA GLO-</p><p>BAL DE EQUIPAMENTOS COMO FERRAMENTA PARA MELHORIA CONTÍNUA: ESTUDO DE</p><p>CASO APLICADO À PRODUÇÃO FARMACÊUTICA. Disponível em: <revistasg.uff.br/index.php/</p><p>sg/article/view/788/409> Acessado em: 9 de fevereiro de 2020.</p><p>SILVA, T. V. A COMPENSAÇÃO DAS HORAS EXTRAORDINÁRIAS DA JORNADA DE TRABA-</p><p>LHO SOB PRISMA DO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO. Universidade Federal de uber-</p><p>lândia, Trabalho de Conclusão de Curso. Uberlândia, 2019.</p><p>SLACK, N.; CHAMBERS, S. HARLAND, C. HARRISON, A., JOHNSTON, R.. Administração da</p><p>Produção. São Paulo. Editora Atlas, 2006.</p><p>SUGIMORI, Y.; KUSUNOKI, K.; CHO, F.; UCHIKAWA, S. Toyota production system and kanban</p><p>system - Materialization of just-in-time and respect-for-human system. International Journal of</p><p>Production Research, v. 15, n. 6, p. 553-564, 1977.</p><p>TEIXEIRA, D. L. P., DE SOUZA, M. . A. F. ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO NA</p><p>EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO. Revista de administração de Empresas. Vol 25, n° 4. São Paulo,</p><p>1985.</p><p>TUBINO, D. F. Planejamento e Controle da Produção. São Paulo. Editora Atlas S.A., 2007.</p><p>VIEIRA, M. M. F., KNOPP, G. D., ROLIM, H. L. et. al. TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO. 1° Ed.</p><p>Editora FGV: Rio de Janeiro, 2012.</p><p>97UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>VIEIRA, S. L. GESTÃO, AVALIAÇÃO E SUCESSO ESCOLAR: RECORTES DA TRAJETÓRIA CEA-</p><p>RENSE. Estudos Avançados. Vol. 21. n°60. https://doi.org/10.1590/S0103-40142007000200004.</p><p>São Paulo, 2007.</p><p>WANG, L.; WANG, G. Big data in cyber-physical systems, digital manufacturing and Industry 4.0.</p><p>International Journal of Engineering and Manufacturing (IJEM), v. 6, n. 4, p. 1-8, 2016.</p><p>Womack, James P. e Jones, Daniel T. (2003) ―Lean thinking: banish waste and create wealth in</p><p>your corporation. Free Press, New York, 2003;</p><p>98UNIDADE IV Fundamentos da Indústria 4.0</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Chegamos ao fim de mais uma disciplina no nosso curso e agora você está um pas-</p><p>so mais perto da realização dos seus objetivos. Esperamos que tenha sido uma disciplina</p><p>com alto aproveitamento, faremos agora uma retomada do conteúdo estudado.</p><p>Na primeira apostila abordamos o papel da empresa japonesa Toyota na criação do</p><p>conceito de manufatura enxuta. Aprendemos os sete tipos diferentes de perda que existem</p><p>e como lidar para desperdiçar menos. Introduzimos o just-in-time para vocês, apresenta-</p><p>mos seu funcionamento, seus conceitos e sua implantação sendo essa ferramenta um dos</p><p>pilares para a manufatura enxuta. Ainda na primeira apostila, discutimos o mapeamento de</p><p>fluxo de valor e o arranjo físico de layout, por fim, encerramos aprendendo sobre alguns</p><p>indicadores de qualidade adotados pela manufatura enxuta tais como OEE e TEEP.</p><p>Na apostila de número dois aprendemos como é realizado uma avaliação de</p><p>desempenho organizacional, aprendemos parâmetros importantes para o desempenho</p><p>além de estudarmos como cada membro da organização deve ser avaliado. Discutimos os</p><p>diferentes sistemas modernos de produção começando pelo Taylorismo e finalizando com</p><p>o Volvismo, modelo mais atual e eficiente.</p><p>Já na quarta e quinta apostila o foco foi nas diferentes ferramentas japonesas uti-</p><p>lizadas para garantir o bom funcionamento dos conceitos Lean de produção. Aprendemos</p><p>que o Kaizen é uma técnica de melhoria contínua, vimos que o Jidoka é uma ferramenta</p><p>de qualidade integrada que trabalha juntamente ao Kaizen. Aprendemos também sobre o</p><p>Heijunka que é uma ferramenta de nivelamento de produção que novamente, ao trabalhar</p><p>de forma integrada com o kaizen e o just-in-time, ajudam a garantir a manufatura enxuta.</p><p>Aprendemos sobre a definição de tempo de ciclo de uma linha de produção ou de uma má-</p><p>quina, conhecido como Tempo Takt e concluímos nossa apostila apresentando o conceito</p><p>de indústria 4.0, seus objetivos, seus desafios e suas principais características.</p><p>A partir de agora acreditamos que você já está mais do que pronto para seguir sua</p><p>caminhada e encarar novos desafios para que desta forma sua jornada profissional seja</p><p>repleta de sucessos.</p><p>Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!</p><p>agrega valor ao produto final, é tida como desperdício. Dessa forma</p><p>Slack (2006) cita que grandes estoques, transporte interno excessivo e desnecessário,</p><p>paradas intermediárias – decorrentes das esperas do processo e longos set ups –, refugos</p><p>e retrabalhos são formas de desperdício.</p><p>O conceito de JIT se popularizou e expandiu, e de acordo Tubino (2007), hoje é</p><p>tido como uma filosofia gerencial, que visa não apenas na eliminação do desperdício, mas</p><p>também colocar o componente certo, no lugar certo e na hora certa. Tubino (2007) diz ainda</p><p>que a filosofia do JIT carrega estoque menores, apresenta custos minimizados e melhor</p><p>qualidade do que os sistemas convencionais.</p><p>Para Petrônio (2005), o JIT, além de eliminar desperdícios, procura utilizar total</p><p>capacidade de seus colaboradores, pois nesta filosofia, os encarregados ganham a au-</p><p>toridade para produzir itens de qualidade para atender, em tempo, o próximo passo do</p><p>processo produtivo. Em outras palavras no sistema JIT, em que a qualidade é essencial, o</p><p>colaborador possui a autoridade de parar um processo produtivo, caso ele identifique algo</p><p>que não esteja dentro do previsto. O autor diz que o funcionário deverá estar preparado</p><p>para corrigir a falha ou, então, pedir ajuda aos colegas de trabalho. Atitude do qual seria</p><p>15UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>condenada no sistema de produção em massa, sistema do qual a linha de produção jamais</p><p>seria parada.</p><p>Um sistema JIT possui algumas ferramentas consideradas pilares de sustentação.</p><p>Esses pilares são elementos básicos que aumenta as chances de sucesso. Por exemplo:</p><p>Programa mestre; Kanban; Tempos de preparação; Colaborador multifuncional; layout;</p><p>qualidade; fornecedores (TUBINO, 2007). Como se pode ver, o JIT, afeta praticamente to-</p><p>dos os aspectos da operação de uma fábrica: tamanho dos lotes, programação, qualidade,</p><p>layout, fornecedores, relações trabalhistas e muitos outros.</p><p>Magalhães et. al. (2014) informa que dificilmente irá ser encontrado uma definição</p><p>de JIT que englobará todas as implicações para a operação e que é devido a isso, que</p><p>existem tantas definições de diversos autores</p><p>Mileski Junior (2011) afirma que a melhor maneira de entender a diferença entre as</p><p>abordagens do sistema tradicional de manufatura para o sistema de manufatura enxuta é</p><p>comparando ambos por meio da Figura 1 apresentado. O autor diz que o Just In Time vê o</p><p>estoque como um manto que cobre os problemas existentes no sistema de manufatura, por</p><p>isso deve ser evitado.</p><p>Figura 1 - Sistemas de produção simplificado</p><p>Fonte: Retirado de Mileski Junior, 2011.</p><p>16UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>4 MAPEAMENTO DE FLUXO DE VALOR, FLUXO DE MATERIAL E DE INFORMAÇÃO</p><p>BIRCK (2014)</p><p>Birck (2014) afirma que o mapeamento de fluxo de valor é uma das principais</p><p>ferramentas utilizadas na produção enxuta e foi proposta por Rother e Shook. Segundo o</p><p>autor, o mapeamento de fluxo de valor é baseado no levantamento de todas as atividades</p><p>realizadas ao longo do processo produtivo de cada produto, desta forma, com todas as</p><p>informações em mãos, é possível desenhar o estado atual e projetar o estado futuro.</p><p>Ainda de acordo Birck (2014), o mapa do estado atual, como o próprio nome sugere,</p><p>é utilizado para expor as atuais condições do processo, enquanto que o mapa do estado</p><p>futuro é utilizado para representar as melhorias a serem alcançadas. Após o mapeamento</p><p>dos estados atual e futuro, o próximo passo é realizar a elaboração de um plano de ação</p><p>com táticas claras para que os objetivos possam ser atingidos, na Figura 2 estão represen-</p><p>tadas as etapas que constituem o mapeamento de fluxo de valor.</p><p>17UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>Figura 2 – Etapas do mapeamento do fluxo de valor.</p><p>Fonte: adaptado de Birck, 2014.</p><p>Fluxo de Valor é toda ação (agregando valor ou não) necessária para trazer</p><p>um produto por todos os fluxos essenciais a cada produto: (1) o fluxo de</p><p>produção desde a matéria-prima até os “braços” do consumidor, e (2) o fluxo</p><p>do projeto do produto, da concepção até o lançamento. (ROTHER; SHOOK,</p><p>2003, p.14)</p><p>Com o mapeamento, se torna mais fácil e visível a leitura dos processos envolvi-</p><p>dos, facilitando a busca pelas atividades que não agregam valor além de tornar a discussão</p><p>a respeito do processo mais fácil uma vez que estará visível e de fácil acesso a todos</p><p>(ROTHER e SHOOK, 2003).</p><p>Birck (2014) destaca que o fluxograma é uma das técnicas mais aplicadas no ma-</p><p>peamento do Fluxo de valor pois a mesma permite visualizar todos o processo de maneira</p><p>simples, além de apresentar as seguintes vantagens: identificação das relações e as co-</p><p>nexões entre os componentes do processo, localização e identificação das deficiências do</p><p>sistema e a percepção real da dimensão que qualquer alteração no sistema possa causar.</p><p>Além de apresentar as vantagens da técnica, o autor apresenta ainda algumas</p><p>dicas para o mapeamento de fluxo e valor do estado atual, elas:</p><p>a) Mapear o processo como um todo, desde a entrada da matéria-prima até a saída</p><p>do produto final para o cliente;</p><p>b) Iniciar o mapeamento pelo setor final do processo, dessa forma, o mais próximo</p><p>do cliente final e não pelo início do processo;</p><p>c) Realizar você mesmo o mapeamento, medindo se os tempos com cronômetros,</p><p>caso seja necessário;</p><p>d) Desenhar o mapa de forma simples, utilizando apenas lápis e papel, para ser</p><p>alterado facilmente.</p><p>18UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>5 ARRANJO FÍSICOS EM MANUFATURA ENXUTA</p><p>Segundo Gorreri (2012), o layout/arranjo físico/leiaute possui importante papel no</p><p>processo de flexibilização da manufatura das empresas. Segundo o autor, uma definição</p><p>aceitável de layout é: a forma de como os recursos estão agrupados e dispostos na planta</p><p>de uma indústria em sua área de manufatura. Ainda de acordo Gorreri, o arranjo físico, de-</p><p>pendendo do tipo de distribuição, irá garantir maior fluência na linha de produção, diminuição</p><p>de movimentos desnecessários tanto de produtos quanto de ferramentas, racionalização</p><p>de tempo, entre diversas outras vantagens.</p><p>Olivério (1985) e Gorreri (2012) apresentam vantagens que podem ser obtidas a</p><p>partir da otimização de um layout:</p><p>● Eliminação do estoque central,</p><p>● Transferindo a responsabilidade pela estocagem para as células onde são fabri-</p><p>cadas, através da criação de estoques entre as células;</p><p>● Melhor utilização dos equipamentos, mão-de-obra e serviços, através da redu-</p><p>ção das distâncias e dos tempos improdutivos;</p><p>● Maior qualidade através do melhor posicionamento de equipamentos;</p><p>● Agregação dos processos dedicados a família de produtos em torno do proces-</p><p>so final, para minimizar a distância de transporte dos componentes dentro da</p><p>fábrica;</p><p>19UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>● Economia de espaço, minimizando o nível de material em processo, diminuindo</p><p>distâncias e dispondo as seções de maneira racional;</p><p>● Maximização da área de contato entre os diversos processos de forma que a</p><p>recepção e expedição de materiais se deem o mais próximo possível de cada</p><p>setor;</p><p>● Facilitar o balanceamento da produção;</p><p>● Organizar o trabalho do operário, em conjunto com a utilização dos princípios</p><p>de tempos e métodos, de forma a intensificar a utilização da força de trabalho.</p><p>Ainda com base na obra de Olivério (1985), encontramos os princípios itens a serem</p><p>levados em conta nas etapas de desenvolvimento de um novo arranjo físico:</p><p>● Princípio da integração: é considerado como objetivo fazer com que todas as</p><p>partes de uma planta industrial trabalhem de forma cooperativa e simultânea</p><p>para que um processo puxe o outro;</p><p>● Princípio da mínima distância: como o próprio nome sugere, o objetivo é reduzir</p><p>a movimentação de produtos e ferramentas dentro da planta;</p><p>● Princípio de obediência ao fluxo de operações: o objetivo deste princípio é fazer</p><p>com que a peça siga seu fluxo sem ter que voltar para trás ou cruzar a linha de</p><p>produção por qualquer que seja o</p><p>motivo;</p><p>● Princípio do uso das três dimensões: tentar ao máximo aproveitar todo o espaço</p><p>que a empresa oferece, não apenas o espaço planar como também o espaço</p><p>vertical.</p><p>● Princípio da satisfação e segurança: esse princípio possui seu foco na minimi-</p><p>zação de potenciais riscos de trabalho;</p><p>● Princípio da flexibilidade: tornar a linha mais dinâmica e flexível para que em</p><p>casos de inserção de um novo produto, a empresa não irá sofrer com a implan-</p><p>tação de um novo processo.</p><p>Camarotto (1998) lista ações que enfatizam a importância da maneira de posicionar</p><p>as máquinas dentro do ambiente industrial de tal forma que seja obtido a máxima eficiência,</p><p>a mínima movimentação e a obtenção do menor tempo possível de processo. Segue as</p><p>ações listadas pelo autor:</p><p>● Identificação dos processos de manufatura;</p><p>● Considerar alterações futuras;</p><p>20UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>● Preparar notas de planejamento para o arranjo físico;</p><p>● Estabelecer pontos de movimentação como corredores;</p><p>● Determinação dos postos de trabalho;</p><p>● Análise do produto;</p><p>● Identificar os serviços de apoio: manutenção e serviços;</p><p>● Análise do espaço destinado ao estoque;</p><p>● Pesquisar os serviços utilizados;</p><p>Moore (1962), ainda complementa o estudo acerca do arranjo físico levantando</p><p>pontos importantes para a discussão do layout a ser escolhido, dentre eles, destacam-se:</p><p>● Determinação dos equipamentos necessários;</p><p>● Especificação das rotas e fluxos;</p><p>● Determinação da necessidade de espaço;</p><p>● Avaliação do arranjo físico proposto;</p><p>● O planejamento e determinação do volume de produção;</p><p>● Caracterização da edificação;</p><p>● Implantação da solução escolhida.</p><p>21UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>6 INDICADORES DE DESEMPENHO EM MANUFATURA ENXUTA</p><p>Indicadores de qualidade e melhoria continua são dois assuntos que estão direta-</p><p>mente relacionados. Os indicadores possuem a função de indicar o desempenho de cada</p><p>processo/etapa/setor que tenha trabalho envolvido. Os indicadores são utilizados para</p><p>descrever diferentes situações, para realizar comparativos com antes e depois, avaliar a</p><p>execução de determinadas ações, mensurar ganhos, entre diversas outras funções. De</p><p>forma resumida, os indicadores são os verdadeiros responsáveis pelo controle do processo</p><p>(LEAN, 2008)</p><p>De acordo Vieira (2007) é a partir dos indicadores que as empresas conseguem</p><p>estabelecer metas e quantificar resultados. O autor explica ainda que a dificuldade de apli-</p><p>car os indicadores não está na parte de entender sua importância, mas sim na ausência</p><p>de conhecimento dos indicadores existentes e a funcionalidade de cada um. Abaixo segue</p><p>uma lista com alguns dos principais indicadores e uma rápida explicação dos mesmos.</p><p>● OEE</p><p>Overall Equipment Efficiency (OEE) ou Eficiência Global do Equipamento tem como</p><p>objetivo acompanhar as melhorias dos processos de manufatura. A ferramenta é utilizada</p><p>como uma medidora do programa de Manufatura Enxuta, é uma técnica que utiliza indica-</p><p>dores práticos como qualidade, disponibilidade e produtividade, que aponta com precisão o</p><p>que pode ser melhorado (SILVA, 2016).</p><p>22UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>● TEEP</p><p>Total Effective Equipment Productivity (TEEP) ou Efetividade total produzida por</p><p>um equipamento nos informa a real capacidade produtiva de uma determinada máquina. A</p><p>produtividade é em relação da hora de trabalho e é utilizado principalmente como indicador</p><p>estratégico, ou seja, quando é necessário investimento, aumento de turno ou de funcioná-</p><p>rios, troca de máquinas entre outras medidas relacionadas (LEAN, 2008).</p><p>● Índice de entrega ao cliente</p><p>Como o próprio nome sugere, o indicador fornece uma porcentagem do número</p><p>de entregas dentro do prazo com relação ao número de entradas totais, a partir dessa</p><p>informação cabe a empresa pensar em estratégias novas caso essa porcentagem seja</p><p>baixa ou caso queira aumentar a eficiência da entrega (LEAN, 2008).</p><p>● Índice de atrasos do fornecedor</p><p>Funciona da mesma forma que o item anterior (índice de entrega ao cliente). A</p><p>relação aqui é feita com o número de entregas atrasadas do fornecedor dividido pelo nú-</p><p>mero total de mercadorias entregues. A partir desta resposta, caberá à empresa tomar uma</p><p>decisão, como a troca de fornecedor (LEAN, 2008).</p><p>● Causa das paradas na linha de produção</p><p>Esse indicador fornece quais são os reais motivos de parada e quando elas ocorrem,</p><p>analisando questões como a frequência que uma máquina para por determinado motivos</p><p>(MACHLINE, 1985).</p><p>● Lead time de fabricação</p><p>Essa ferramenta mede o tempo total de produção ou de realização de determinada</p><p>função. No caso da produção de uma peça, contabiliza desde a sua solicitação até a sua</p><p>entrega ao cliente (HILLEBRAND, 2016).</p><p>23UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>• Utilização de horas extras</p><p>Importante indicativo que fornece ao R.H. dados do por que está sendo necessário</p><p>horas extras dos funcionários, qual a frequência, motivo e quantidade. Com estas informa-</p><p>ções, medidas podem ser estudadas para diminuir esse gasto (SILVA, 2019).</p><p>● Produtos produzidos em atraso</p><p>A técnica mostra com exatidão quais são e quantos são as peças, serviços e produ-</p><p>tos entregues com atraso para o cliente. A partir dessa informação faz-se necessário uma</p><p>investigação detalhada do por que esse serviço atrasou. (FLORA, 2007).</p><p>● Monitoramento da operação gargalo</p><p>A ferramenta contabiliza o tempo que uma anormalidade acontece durante um</p><p>processo produtivo. Serve para que os gestores possam analisar o real impacto de uma</p><p>determinada parada ou anomalia (LEAN, 2008).</p><p>24UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Durante a apostila apresentamos a importância de um arranjo físico bem selecionado</p><p>para que se possa ter um fluxo visível e com o mínimo de perdas possíveis. Agora apre-</p><p>sentaremos alguns dos tipos mais conhecidos de arranjo físico e onde eles são usual-</p><p>mente implantados.</p><p>Arranjo físico celular: praças de alimentação e maternidade.</p><p>Arranjo físico posicional: utilizado geralmente na produção de grandes máquinas como</p><p>aviões e navios.</p><p>Arranjo físico por processo: utilizado geralmente em hospitais ou fábricas com muitas</p><p>divisões e processos distintos.</p><p>Arranjo físico por produto: indústria química, automobilística e de eletrodoméstico.</p><p>Fonte: O autor.</p><p>REFLITA</p><p>“Não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas, ao contrário, seu ser</p><p>social que determina sua consciência.”</p><p>Karl Marx – Frase fora de Contexto.</p><p>25UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Chegamos ao fim da nossa primeira apostila da disciplina de Manufatura enxuta.</p><p>Nessa primeira parte você aprendeu um pouco sobre a origem e a história da manufatura</p><p>e a importância que o Japão e em especial a empresa Toyota teve para a criação e difusão</p><p>dessa importante filosofia. Aprendemos também que existem diversos tipos de perdas</p><p>que a manufatura enxuta deseja eliminar, como a perda por superprodução, a perda por</p><p>movimentação, a perda de tempo entre diversos outras. Discutimos sobre o Just-In-Time,</p><p>filosofia de produção de estoque mínimo, um dos requisitos principais para a implementa-</p><p>ção da Manufatura Enxuta em uma indústria. Discutimos também sobre o mapeamento de</p><p>fluxo de valor, aprendemos qual a importância de fazer um levantamento do estado atual</p><p>e do estado futuro para a efetivação dessa técnica. Aprendemos um pouco a respeito do</p><p>grande universo que é o arranjo físico, vimos a sua importância para a manufatura enxuta</p><p>e no que implica a escolha certa do layout. Por fim, finalizamos a nossa primeira unidade</p><p>falando a respeito dos diversos indicadores de qualidade que a manufatura enxuta adotou,</p><p>como o OEE, TEEP e o índice de entrega ao cliente.</p><p>26UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Como sugestão de leitura complementar indica a busca pelo artigo intitulado: Ma-</p><p>peamento de fluxo de valor e simulação para implementação de práticas lean em uma em-</p><p>presa calçadista.</p><p>Nele, os autores mapearam o estado atual de uma empresa de calçados</p><p>e via simulação computacional, criaram o estado futuro da empresa, caso se adequassem</p><p>as melhorias sugeridas. Abaixo segue parte do resultado descrito pelos autores:</p><p>Após a simulação, o cenário que apresentou melhores resultados proporcio-</p><p>nou um aumento de produtividade de 19% em relação ao estado atual, além</p><p>de melhoria em todas as outras variáveis que foram comparadas. A aplicação</p><p>da simulação como um elemento adicional do MFV ajudou a identificar as</p><p>vantagens da abordagem conjunta, uma vez que a mesma possibilita testar</p><p>diferentes alternativas e definir melhor o estado futuro e suas estratégias de</p><p>implementação (Lima et. al, 2016, p. 366).</p><p>Fonte: LIMA, D. F. S., ALCANTARA, P. G. F., SANTOS, L. C. S, et. al. MAPEAMENTO DE FLUXO DE VALOR</p><p>E SIMULAÇÃO PARA IMPLEMENTAÇÃO DE PRÁTICAS LEAN EM UMA EMPRESA CALÇADISTA. Re-</p><p>vista Científica Eletrônica de Engenharia de Produção. v.16, n°1, p. 366-392. ABEPRO: Florianópolis, 2016.</p><p>27UNIDADE I Introdução à Manufatura</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• Título: O Modelo Lean de Melhoria Contínua. Uma Crônica de</p><p>Transformação Enxuta em Um Ambiente Administrativo</p><p>• Autor: Carlos Fernando Martins</p><p>• Editora: CRV</p><p>• Sinopse: Este livro tratar de uma narrativa sobre uma empresa</p><p>fictícia que deseja melhorar o desempenho dos processos admi-</p><p>nistrativos. A alta diretoria dá a Carlos Patel, um sênior em Lean</p><p>(produção enxuta) este desafio. Para tal, Patel conta com uma</p><p>equipe estratégica a fim de iniciar a jornada Lean. A equipe se</p><p>desdobra em esforços contínuos para entender o que é o pen-</p><p>samento enxuto, mostrando duas características fundamentais:</p><p>engajamento e alinhamento aos objetivos da empresa. Trata-se,</p><p>portanto, de uma reflexão sobre o que entendemos ser melhoria</p><p>contínua. O caso pretende mostrar como Carlos Patel passa para</p><p>sua equipe o verdadeiro pensamento enxuto, como sua equipe</p><p>absorve os princípios da melhoria contínua, descobre os desperdí-</p><p>cios e criar valor para seus clientes. A história passa pelo desenho</p><p>e redesenho de um processo administrativo. Por trás de todo o</p><p>texto está os ensinamentos de um verdadeiro ciclo PDCA: com</p><p>base numa necessidade de negócio, a equipe concebe o estado</p><p>atual do processo de compras (mapa de fluxo de valor do estado</p><p>atual), traça um desafio (mapa de fluxo de valor do estado futuro)</p><p>e estabelece alvos em direção ao desafio estabelecido. Para cada</p><p>alvo, a equipe experimenta ações com base em ciclos curtos de</p><p>PDCA. Toda a construção da parte do P (planejamento do PDCA)</p><p>é feita por meio do relatório A3.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: DAENS - UM GRITO DE JUSTIÇA</p><p>• Ano: 1993</p><p>• Sinopse: Na década de 1890, o padre Adolf Daens (Jan Decleir)</p><p>vai a Aalst uma cidade têxtil onde as condições de trabalho são</p><p>deploráveis. Ele publica textos defendendo os trabalhadores,</p><p>desafiando a Igreja, que apoia os burgueses. Como voz dos su-</p><p>bordinados, ele precisa escolher entre a Igreja católica e seu novo</p><p>posto como representante dessa classe.</p><p>28</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Sistema de avaliação de desempenho organizacional;</p><p>• Sistemas modernos de gestão da produção;</p><p>• Lean Manufacturing,</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Conceituar e contextualizar .os diferentes tipos de sistemas de avaliação</p><p>• Compreender os tipos de sistemas de gestão de produção (Toyotismo, Taylorismo, For-</p><p>dismo e Volvismo);</p><p>• Estabelecer a importância do Lean Manufacturing (Produção enxuta).</p><p>UNIDADE II</p><p>Gestão da Produção</p><p>Professor Mestre Felipe Delapria Dias dos Santos</p><p>29UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Bem-vindos alunos a nossa segunda unidade da disciplina de manufatura enxuta.</p><p>Nesta unidade estudaremos o sistema de avaliação e desempenho organizacional, o que</p><p>é, para que serve, quais suas metas e objetivos e quem ele deve avaliar para garantir</p><p>um bom desempenho organizacional. Já no segundo tópico da apostila estudaremos os</p><p>diferentes sistemas modernos de gestão da produção, começaremos abordado por ordem</p><p>cronológica de criação, começando pelo Taylorismo, Fordismo, Toyotismo até chegarmos</p><p>ao Volvismo, considerado por muitos como sendo o mais moderno e eficiente atualmente.</p><p>Para encerrar nosso conteúdo da segunda apostila estudaremos os conceitos do Lean</p><p>Manufacturing, também conhecido como Manufatura Enxuta, conceito muito conhecido e</p><p>aplicado nas indústrias nos dias atuais.</p><p>30UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>1 SISTEMA DE AVALIAÇÃO E DESEMPENHO ORGANIZACIONAL</p><p>Utilizamos como instrumento de controle a avaliação de desempenho organiza-</p><p>cional, desenvolvida pelas empresas. A avaliação de desempenho organização é uma</p><p>ferramenta que permite a verificação do alcance dos objetivos das empresas, permitindo a</p><p>avaliação da mudança de planos ou se está ocorrendo conforme planejado (NASCIMENTO</p><p>E REGINATO. 2013).</p><p>O sistema de uma empresa é monitorado e controlado por pessoas, cada uma com</p><p>sua devida função e responsabilidade. A administração é influenciada pelo viés particular</p><p>de cada funcionário e sua forma de gerenciar, embora a essência do gerenciamento de</p><p>todos deve ir de encontro com o estilo e a cultura de gerenciamento que a empresa como</p><p>um todo presa (NASCIMENTO E REGINATO. 2013).</p><p>Portanto, as variáveis que determinam e caracterizam um sistema de gestão de</p><p>uma determinada empresa são estabelecidas de acordo a forma que os gestores respon-</p><p>sáveis administram, mas não somente por isto como também seus respectivos líderes,</p><p>acionistas e assim por diante sempre levando em conta o desempenho e a capacidade de</p><p>contribuição de cada um na ordem e administração (JUNQUEIRA, 2019).</p><p>Embora, na teoria, sabemos que o desempenho dos gestores é sempre acompa-</p><p>nhado por seus líderes, nem isso ocorre na prática. A forma de avaliação de desempenho</p><p>pode variar muito de cada pessoa e devido a isso, tem regras das quais as atuações de</p><p>31UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>funcionários são avaliadas com o devido rigor de tal forma que seja mantido um nível de</p><p>contribuição e exigência (NASCIMENTO et. al., 2008).</p><p>Desta forma, será considerado aspectos que contenham relação com a centraliza-</p><p>ção ou não do processo, aspectos a respeito do desempenho proativo ou não dos líderes e</p><p>gestores, aspectos considerando a capacidade ou a ausência da capacidade de empreen-</p><p>der entre outros, serão estímulos determinantes para o tipo de avaliação de desempenho</p><p>que lhes serão aplicados e o grau de responsabilidade pelo resultado de suas ações. Todos</p><p>os aspectos citados também servem como norte para o formato do processo de gestão de</p><p>uma empresa ou até mesmo o nível de formalização exigido dos membros organizacionais</p><p>na elaboração e execução de atividades de planejamento, execução e controle dos resul-</p><p>tados inerentes aos processos citados (MORÉ, 2016).</p><p>Destaca-se que o grau de formalização do processo de gestão de uma empresa é</p><p>o elemento base que irá formar a base para o monitoramento e a avaliação dos resultados,</p><p>devido a isso, esse parâmetro pode ser tido como como o núcleo do desempenho organi-</p><p>zacional (NASCIMENTO; REGINATO, 2013).</p><p>Misoczky e Guedes (2016) afirmam que o processo de gestão começa a ganhar sua</p><p>devida importância e seu bom entendimento passa pela análise de seu escopo que contém</p><p>o planejamento do negócio e seus componentes. De acordo os autores, o planejamento do</p><p>negócio pode ser classificado em duas etapas:</p><p>a) planejamento estratégico: onde o resultado depende da escolha de diretrizes</p><p>estratégicas que irão permitir a criação de novos objetivos a serem atingidos pela empresa</p><p>sendo o mesmo com forte viés qualitativo.</p><p>b) planejamento operacional: é elaborado um plano operacional para curto, mé-</p><p>dio e longo prazo onde são destrinchados os detalhes, ações, medidas, objetivos e metas</p><p>quantitativas que levarão ao resultado desejado.</p><p>Se o plano for formar, a operação terá início logo após sua aprovação, ou seja, as</p><p>ações levantadas serão colocadas em prática desta forma transações serão realizadas</p><p>e</p><p>recursos serão consumidos (NASCIMENTO; REGINATO, 2013).</p><p>Não adianta nada planejar se não houver controle sobre a execução do planeja-</p><p>mento. É nessa fase que os resultados obtidos são comparados com aqueles esperados,</p><p>possibilitando assim o replanejamento se necessário, a identificação de erros, causas e</p><p>correções sendo essa atividade uma das principais atividades da controladoria (JOSÉ</p><p>JUNIOR, 2015).</p><p>32UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>É nesse contexto, portanto que o processamento dos dados referentes a avaliação</p><p>de desempenho da empresa assume importante papel na avaliação do desempenho dos</p><p>gestores uma vez que os resultados alcançados dependem fortemente do desempenho de</p><p>seus gestores. Desta forma, assumir o monitoramento das ações dos gestores e estabele-</p><p>cer recompensas ou punições pelo alcance ou não das metas desejadas e estabelecidas se</p><p>torna uma medida de proteção sistêmica para a organização (NASCIMENTO et. al., 2007).</p><p>A avaliação implica no julgamento de atividades de forma qualitativa podendo esse</p><p>julgamento estar embasado em dados e informações quantitativas de cunho econômico ou</p><p>financeiro por exemplo (NASCIMENTO; REGINATO, 2013).</p><p>A avaliação de desempenho, tanto da empresa quanto de seus gestores, é um</p><p>processo muito dinâmico uma vez que normalmente está associado a fase de execução e</p><p>planejamento, processos que geram informação nova a cada instante, essas informações</p><p>quando bem analisadas pela avaliação de desempenho permitem a correção de eventuais</p><p>erros e deslizes (LOPES; BEUREN, 2014).</p><p>Todo o processo de avaliação e desempenho seja de gestores ou de empresa se</p><p>torna um processo ineficiente se não existir um monitoramento eficaz por meio de acompa-</p><p>nhamento das atividades realizadas e das que estão sendo realizadas (NASCIMENTO et</p><p>al. 2008).</p><p>Por que avaliar?</p><p>É necessário que a organização realize avaliações de desempenho para garantir</p><p>que a relação sistema-empresa esteja funcionando da melhor forma possível em outras</p><p>palavras, para que se tenha um controle de que os recursos estejam sendo consumidos</p><p>sem desperdício, justificando seu consumo com o resultado e relacionado diretamente com</p><p>o objetivo alcançado (FORK, 2015)</p><p>Para Lerner (2007), uma empresa é composta por diversos sistemas que devem</p><p>estar funcionando em plena harmonia para que se possa atingir seu objetivo maior, logo,</p><p>se um dos subsistemas não estiver com bom desempenho, pode acabar prejudicando a</p><p>empresa como um todo.</p><p>Ainda de acordo Lerner (2007) o resultado atingido por uma empresa é o somatório</p><p>do resultado atingido individualmente por cada subsistema que a empresa possui. Implica-</p><p>ções como bons resultados obtidos em determinada área não irão significar que o resultado</p><p>de toda a empresa será bom. Ajustes em áreas/sistemas com baixo desempenho podem</p><p>33UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>ser necessários para que o mesmo atinja seu objetivo, logo, a avaliação do resultado de</p><p>cada subsistema é um fator importante para que a empresa como um todo atinja seus</p><p>objetivos.</p><p>O processo de avaliação e desempenho operacional regido pelas empresas garan-</p><p>tem aos gestores conhecimento suficientemente detalhado das operações que de outras</p><p>formas poderiam passar despercebido, a partir desse conhecimento fornecido é possível a</p><p>adoção de medidas e ações corretivas. Em uma outra ponta dessa ferramenta, é possível</p><p>avaliar os gestores, permitindo a administração a correção de postura dos mesmos cobran-</p><p>do habilidades competentes e coerentes com relação àquilo que é exigido</p><p>Miranda e Silva (2002) citaram as principais razões para as empresas investirem</p><p>em instrumentos de avaliação de desempenho:</p><p>a) controlar as atividades operacionais da empresa;</p><p>b) alimentar os sistemas de incentivo dos funcionários;</p><p>c) controlar o planejamento;</p><p>d) criar, implantar e conduzir estratégias competitivas;</p><p>e) identificar problemas que necessitem de intervenção dos gestores; e</p><p>f) verificar se a missão da empresa está́ sendo alcançada.</p><p>Brito (2011) destaca que é necessário a apresentação do programa de avaliação por</p><p>parte da empresa aos seus funcionários e gestores para que todos possam se empenhar</p><p>no objetivo. Ainda de acordo o autor, aqueles que são avaliados podem não concordar com</p><p>o resultado de suas avaliações, no entanto, com certeza irão se sentir melhor se julgarem</p><p>justo o processo segundo o qual ela se realizou.</p><p>Para Filho e Peixe (2015), a implantação ou a remodelagem de um sistema de</p><p>avaliação, seja ele relacionado às próprias operações ou aos gestores, deve ter como base</p><p>princípios sólidos e bem definidos. Os autores citam:</p><p>a) critérios de avaliação: quando é criado a avaliação de desempenho, é ne-</p><p>cessário saber exatamente o que será́ avaliado, a forma que se dará a avaliação e qual o</p><p>objetivo a ser alcançado;</p><p>b) entendimento dos critérios de avaliação pelos avaliados: não basta apenas</p><p>que os criadores do método de avaliação de desempenho conheçam os critérios usados.</p><p>34UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>É importante, justo e necessário que os critérios de avaliação sejam de conhecimento de</p><p>todos, inclusive e principalmente de quem está sendo avaliado;</p><p>c) medidas justas de mensuração: as formas de mensuração do desempenho,</p><p>ou seja, a forma e avaliação, tanto do resultado final quanto dos gestores, deve ser entendi-</p><p>do como justas por todas as partes envolvidas no processo, sendo que os gestores devem</p><p>responder apenas por ações que estejam sob o seu controle e que sejam sua função;</p><p>d) comportamento dos gestores: a empresa deve estabelecer um padrão de com-</p><p>portamento que espera dos seus gestores servindo não apenas como exemplo aos mesmo,</p><p>mas também para utilizar como parâmetro avaliativo;</p><p>e) prestação de contas: a avaliação de desempenho serve para que o próprio</p><p>gestor mostre para seus diretos como o seu trabalho contribuiu para a formação do resul-</p><p>tado organizacional;</p><p>f) disponibilização de recursos: os recursos necessários para a execução das</p><p>metas propostas devem ser disponibilizados para os responsáveis pela sua realização para</p><p>que desta forma possa ser feito a cobrança do retorno futuramente;</p><p>g) recompensas e punições: é fundamental estabelecer princípios claros de</p><p>recompensa e punição para os casos de boas ou más atuações;</p><p>h) interação entre as áreas: a inclusão de fatores que estimulem a interação</p><p>justa e positiva entre áreas deve ser um dos itens constantes do modelo de avaliação. Uma</p><p>boa interação e comunicação entre setores só tem a agregar no resultado final da empresa.</p><p>i) coerência da avaliação: a coerência da avaliação deve ser discutida entre o</p><p>avaliador e uma pessoa neutra em relação ao avaliado, normalmente essa pessoa neutra</p><p>é algum profissional da área de recursos humanos da organização.</p><p>Os princípios citados são alguns dos principais que devem estar presentes na</p><p>elaboração das regras que serão utilizadas para elaborar o desempenho dos gestores e da</p><p>empresa como um todo. Não se pode dizer que os princípios por si só garantem um bom</p><p>procedimento e uma boa avaliação, para isso faz-se necessário também comprometimento</p><p>por parte dos avaliadores.</p><p>35UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>2 SISTEMAS MODERNOS DE GESTÃO DE PRODUÇÃO</p><p>Os métodos de produção sofreram grande transformação com a mecanização do</p><p>trabalho, não apenas quando tratamos em termos quantitativos, no aumento da produção,</p><p>mas também em termos qualitativos, no aumento da qualidade e uniformização. A partir da</p><p>mecanização, o homem passou a ser usado então como acessório da máquina, devendo,</p><p>portanto, o homem obedecer ao ritmo da máquina, seus horários de parada, suas manuten-</p><p>ções, e assim por diante e não o contrário (TEIXEIRA, 1985).</p><p>De acordo Machado (2012), o processo de mecanização do trabalho trouxe consigo</p><p>diversas consequências não se restringindo apenas a linha de trabalho no que se refere a</p><p>acidentes de trabalho, manutenção entre outros problemas, mas também consequências</p><p>para a sociedades. Os</p><p>problemas da mecanização chegaram na administração das</p><p>empresas, causando problemas com a burocratização, divisão rígida de tarefas, hierarquia</p><p>e elaboração de novas regras e regulamentos.</p><p>Ainda de acordo o autor, a produção tem como papel principal atender ao cliente,</p><p>entregando no prazo certo, o produto certo e no lugar correto. Logo, o sistema de gestão da</p><p>produção tem fundamental papel no que diz respeito a satisfação do cliente, uma vez que</p><p>é a gestão que fará toda a organização de produção.</p><p>A função essencial da produção é entregar o produto certo, no local certo, no tempo</p><p>desejado pelo cliente e a um custo adequado. Sendo assim, o aspecto do sistema de</p><p>36UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>gestão de produção empregado pela organização é primordial, pois dele dependerá uma</p><p>boa parte do nível de serviço ofertado aos clientes.</p><p>Meirim (2006) descreve que a revolução da gestão de produção é um processo que</p><p>vem ocorrendo ao longo dos anos, é um processo que não para nunca e que tende a ser</p><p>maior com o aumento da tecnologia, informação, automação de processos, globalização,</p><p>mudanças políticas, mudança de cultura, entre outros fatores. Ainda de acordo Meirim,</p><p>ao longo das últimas décadas, o sistema de gestão de produção utilizados possuem suas</p><p>bases nos modelo Taylorismo-fordismo, Toyotismo e o Volvismo.</p><p>Alves (2005) explica que quando lidamos com processos artesanais ou de pouca</p><p>industrialização, não se faz necessário a utilização de sofisticados sistemas de gestão da</p><p>produção uma vez que os volumes serão pequenos e muito provavelmente em baixa escala</p><p>de nível de exigência dos clientes.</p><p>Taylorismo-fordismo</p><p>Machado (2012) explica que o modelo de gestão da produção conhecido como</p><p>Taylorismo-fordismo é um modelo que implica em ritmos intensos de produção, crescimen-</p><p>to sem controle, centralização e especialização do trabalho. O mesmo é um modelo muito</p><p>criticado uma vez que apresenta problemas de motivação dos funcionários, comprometi-</p><p>mento, criatividade e burocracia. Macho afirma que esse modelo não é mais tão utilizado</p><p>nos dias de uso, justamente pelos pontos negativos que o modelo apresenta, e segundo o</p><p>autor, os principais motivos que levaram a queda do modelo na organização de produção</p><p>foram elencados por Machado:</p><p>a) Aumento do poder dos sindicatos, uma vez que os mesmos estavam questionan-</p><p>do aspectos e pontos básicos de organização e gestão de produção, como por exemplo: o</p><p>tempo padrão, os ritmos de linha de montagem, os horários de trabalho.</p><p>b) Recusa dos operários a determinadas formas de organização do trabalho, em</p><p>especial aquelas com forte pressão de tempo.</p><p>c) Elevação do nível de instrução, uma vez que a sociedade estava se desenvol-</p><p>vendo, as pessoas passaram a exigir vagas com base em seu nível de qualificação.</p><p>d) Excessiva rigidez do sistema baseado na produção maciça, face à necessidade</p><p>de soluções de maior flexibilidade para atender à crescente diversificação e sofisticação da</p><p>demanda.</p><p>37UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>Toyotismo ou modelo japonês</p><p>De acordo Ribeiro (2015), o modelo taylorista-fordista começou a repensar em</p><p>seus princípios e objetivos após a segunda guerra mundial com o surgimento da escassez</p><p>de recursos e espaço, com isso, surgiu propostas de adaptação do modelo com foco em</p><p>resultados sustentáveis que garantam o crescimento das empresas. A adaptação a novos</p><p>moldes de gestão trouxe também a participação de agentes externos como sindicatos. A</p><p>produção japonesa passou de um modelo de produção em massa (taylorista-fordista) para</p><p>um modelo de produção flexível e enxuta (pós-fordista).</p><p>CECIERJ (201?) explica que o Toyotismo seguiu nas montadoras japonesas da</p><p>Toyota e só foi consolidado e aceito como filosofia de gerenciamento na década de 70.</p><p>Essa filosofia funcionava muito bem para a época que o Japão estava vivendo, que era</p><p>bem diferente dos Estados Unidos e da Europa. Ao contrário do modelo Taylorista-Fordista,</p><p>o Toyotismo visava a flexibilização das produções sem a estocagem de produtos, dessa</p><p>forma, era produzido apenas o necessário. Desta forma, ao trabalhar-se com pequenos</p><p>lotes, a máxima qualidade era aplicada em cada um deles.</p><p>Os japoneses tiveram que se adaptar em diversos aspectos para a implantação</p><p>do modelo Toyotista. Seus principais obstáculos eram: seu mercado doméstico, sua mão</p><p>de obra que não se adaptaria ao esquema taylorista, busca por tecnologia e a dificuldade</p><p>de exportar. Como solução e resposta para esses desafios foi desenvolvido uma série de</p><p>inovações que auxiliaram na transição de um modelo para outro (PAIVA, 2018).</p><p>Malaguti (1996) destaca que como consequência da demissão em massa após a</p><p>mecanização que aconteceu no período pós segunda guerra mundial criou-se nas empre-</p><p>sas de forma espontânea regras que passaram a ser características do sistema japonês:</p><p>emprego vitalício, promoções por critérios de antiguidade e participação nos lucros. O autor</p><p>informa que o sistema possui como ponto forte a rápida captação das necessidades do</p><p>mercado e a fácil adaptação a grande mudança tecnológica que acontece. O autor diz ainda</p><p>que com a crise do petróleo, empresas que possuíam o toyotismo implantada, destacou-se</p><p>e ganhou vantagens isso por que o modelo consome menor energia e matéria prima, ao</p><p>contrário do modelo fordistas.</p><p>Volvismo</p><p>Para Aparicio et al (2009) o Volvismo é entendido como sendo uma expressão do</p><p>modelo sueco de gestão, caracterizada pelo elevado nível de informatização e automação,</p><p>38UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>com um alto grau de experimentalismo. O volvismo está plenamente focado no emprego e</p><p>no desenvolvimento de um corpo de funcionários criativos, multifuncionais e flexíveis.</p><p>Vieira (2012) descreve que o Volvismo se caracteriza pela alta flexibilização funcio-</p><p>nal, de produto e de processo, pelo alto grau de automação e informatização que implicam</p><p>numa produção altamente diversificada de qualidade, internacionalizada no âmbito de</p><p>produção, democrática em questões de vida do trabalho, com excesso de treinamento pelo</p><p>alto grau de automação, uma produção com elevada produtividade e com baixo custo.</p><p>No volvismo, a produção é um processo de informação que possui capacidade de</p><p>auto regulação, como consequência apresenta descentralização das decisões, maior au-</p><p>tonomia às etapas dos processos e elevada flexibilidade. Essas características fazem com</p><p>que o Volvismo seja conhecido como um cérebro em que cada neurônio está conectado a</p><p>outro, aumentando a troca de informações e otimizando o processo (MUCHA, 2016).</p><p>O operário tem um papel completamente diferente daquele que tem no fordismo</p><p>e ainda mais importante que no toyotismo (APARICIO, 2009). No volvismo, é o operário</p><p>que irá ditar o ritmo das máquinas e não mais a máquina, como era nos outros modelos de</p><p>gestão. O operário deve conhecer todas as etapas da produção, deve também participar,</p><p>por meio dos sindicatos, de decisões que influencia no processo de fabricação (MACHADO,</p><p>2012).</p><p>39UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>3 LEAN MANUFACTURING</p><p>Muitos afirmar que o conceito Lean surgiu graças a marca Toyota pós segunda</p><p>guerra mundial e de fato, não podemos tirar o crédito da Toyota pois possui sim grande</p><p>participação, no entanto, de acordo Pereira (2010), a base do conceito Lean surgiu antes</p><p>da criação da empresa em 1937. Com o fim da guerra, o Japão era um país destruído e</p><p>com a economia arrasada, surge então os 7 tipos de desperdícios, já estudados na apostila</p><p>anterior, elaborados por Toyota com respectivas estratégias de eliminação dos mesmos.</p><p>O conceito tornou-se a base do Sistema Toyota de Produção e disseminado pelo ocidente</p><p>como Lean Manufacturing (Manufatura Enxuta), (MOREIRA, 2011).</p><p>De acordo Kubota (2012) a chave para o sucesso é ser Lean, ou seja, as empresas</p><p>precisam ter alta flexibilidade de produção e mínimo custo associado para que sua compe-</p><p>titividade seja alta.</p><p>Definição de Lean Manufacturing</p><p>O conceito Lean inicialmente era usado apenas em indústrias, por esse motivo</p><p>ficou conhecido como Lean Manufacturing ou Lean Production, no entanto, o conceito pode</p><p>ser aplicado a diversas áreas como escritórios e empresas de prestação de serviço. O</p><p>conceito envolve um sistema de gestão com ferramentas da qualidade que foca em eliminar</p><p>40UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>desperdícios e agregar valor ao produto final para que no final ambos os lados (cliente e</p><p>empresa) possam sair satisfeitos (ARUMANI, 2015).</p><p>Pinto (2008) define o pensamento lean, como sendo uma orientação às ações das</p><p>atividades práticas de gestão para eliminar de forma gradual as fontes de desperdícios</p><p>por meio da aplicação de ferramentas e procedimentos simples sempre com o objetivo de</p><p>alcançar a perfeição baseado sempre no conceito de melhoria contínua e do alto nível de</p><p>competitividade do mercado.</p><p>Evolução do Lean – Dos cinco aos sete princípios</p><p>A eliminação dos 7 desperdícios faz com que haja a eliminação de custos, se isso</p><p>não acontecer então o desperdício não foi eliminado. O pensamento Lean demanda a</p><p>agregação de valor do produto por meio da eliminação de desperdício (OLIVEIRA, 2011)</p><p>Womack et al (2003) estabelece e descreve cinco etapas para implementação da</p><p>filosofia Lean numa organização:</p><p>1. Criar valor: a criação do valor é considerada a base para gestão empresarial.</p><p>Não é a empresa que determina o valor mais sim o cliente com base em sua satisfação e</p><p>necessidade. A necessidade gera demanda, a demanda gera produção, a produção gera</p><p>custo. Cabe às empresas gerenciar esse fluxo de necessidade para satisfazer da melhor</p><p>forma possível seu cliente e cobrar um preço justo pelo serviço prestado para conseguir se</p><p>manter no mercado e obter lucros.</p><p>2. Definir a cadeia de valor: A organização deve identificar a cadeia produtiva nessa</p><p>segunda etapa e dividir o processo em três tipos:</p><p>● Processos que geram valor;</p><p>● Processos que não geral valor, porém são necessários;</p><p>● Processos que não geram valor e não são necessários.</p><p>O foco nessa segunda etapa deve ser na terceira divisão, em eliminar processos</p><p>que não geram valor e nem são necessários, para isso, é preciso ter um processo bem</p><p>definido do produto ou da linha de produção para que se possa analisar minimamente,</p><p>etapa por etapa.</p><p>3. Otimização do fluxo: É necessário que o processo tenha fluidez que é obtido por</p><p>meio de otimização de processo. Para que um processo possa ser otimizado, é necessária</p><p>41UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>mudança de cultura da empresa e na mentalidade da organização. Consequências ime-</p><p>diatas na obtenção de fluxos fluidos e contínuos podem ser facilmente observados como</p><p>redução de tempo na produção, redução do tempo do processamento de pedidos, redução</p><p>de estoques. O aumento da flexibilidade da empresa em criar novos produtos, a alta capa-</p><p>cidade de produção e a estabilidade que o processo fornece faz com que a empresa tenha</p><p>vantagens econômicas em casos de flutuação de mercado.</p><p>4. Pull System: Essa etapa permite a inversão do fluxo produtivo, ou seja, torna a</p><p>produção de empurrada para produção puxada. A produção não deve acontecer sem que</p><p>haja demanda de consumo, se isso ocorrer, então a produção estará sendo empurrada</p><p>para o consumidor sem garantia de consumo. O fluxo correto é o cliente puxar a produção</p><p>conforme ele vai consumindo o produto.</p><p>5. Perfeição: Essa última etapa deve ser constante estar presente em todas as</p><p>etapas de um processo produtivo. A busca pela melhoria contínua deve estar sempre pre-</p><p>sente no pensamento da produção, a melhoria contínua consiste em eliminar gastos e no</p><p>aumento da qualidade</p><p>Estes cinco princípios, nessa ordem, servem como orientação de manufatura da</p><p>filosofia Lean nas organizações.</p><p>Constatou-se, no entanto, que seguir essas etapas rigorosamente, colocava em</p><p>risco princípios e ideais da organização uma vez que a constante busca pela eliminação</p><p>de custos acabou levando algumas empresas a ignorar processos fundamentais para uma</p><p>organização como a inovação de produtos, serviços e processos. Outro erro embutido nes-</p><p>sas etapas é que era considerado a criação do valor apenas pela visão do cliente, quando</p><p>se deve considerar outras visões como as dos investidores, por exemplo (SARKAR, 2008).</p><p>Existem várias cadeias de valor em uma organização, basicamente uma para cada</p><p>stakeholder, em outras palavras, existe um valor para cada parte interessada no produto</p><p>(clientes, fornecedores, patrocinadores, governo, entre outros). Muitas vezes as ações</p><p>falham, pois, nem todas as partes interessadas estão envolvidas na mudança. Identificar</p><p>os stakeholders, é fundamental para implementar uma transformação Lean em uma orga-</p><p>nização (Sarkar, 2008).</p><p>42UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>Pinto (2008) descreve que a deve sempre haver uma troca vantagem de ambas as</p><p>partes (empresa-stakeholder). Todo mundo quer sair ganhando e para que uma empresa</p><p>continua sendo apoiada pela sociedade em que está inserida, a mesma deve ganhar tam-</p><p>bém, por exemplo. O autor explica ainda que é necessário ter conhecimento do que gera e</p><p>o que não gera valor para as partes interessadas para que se possa elaborar estratégias de</p><p>como satisfazer o mesmo. Por este motivo, os princípios deixaram de ser cinco e passaram</p><p>a ser sete, definidos a seguir:</p><p>1. Conhecer bem os stakeholders: Focar no cliente continua sendo fundamental,</p><p>no entanto não deve ser o único foco. A empresa deve concentrar seus esforços em todas</p><p>as condições externas que influenciam diretamente ou indiretamente seu produto final. Em</p><p>outras palavras, um dos focos continua sendo o cliente final uma vez que será ele que</p><p>irá consumir e avaliar positivamente ou negativamente o produto, no entanto a cadeia de</p><p>valor não começa e termina no cliente, ou seja, no meio do caminho deve-se dar atenção</p><p>a outros fatores também.</p><p>2. Definição de valores: Empresas devem definir seus valores no que é ético e</p><p>moralmente aceito. Empresas que ultrapassam as barreiras ambientais ou que possuem</p><p>regimes de maus tratos aos seus funcionários não são empresas competitivas e estão</p><p>sujeito a quedas a qualquer momento.</p><p>3. Definição das cadeias de valor: Por terem valores diferentes, dentro da organi-</p><p>zação, deverá ser definido para cada um dos interessados (Stakeholder) sua respectiva</p><p>cadeia de valor;</p><p>4. Otimizar o fluxo: Deve-se buscar a máxima sincronização de pessoas, materiais,</p><p>informação e capital para que desta forma a empresa possa obter lucro por meio da agre-</p><p>gação de valores em seus processos sem prejudicar o cliente final e satisfazendo ambas</p><p>as partes.</p><p>5. Sistema Pull – A implantação do sistema pull (sistema puxado) em todas os pro-</p><p>cessos, fará com que seja o cliente (e de forma indireta, os outros stakeholders) a liderarem</p><p>os processos produtivos. O cliente irá puxar o pedido e esperará da empresa uma resposta</p><p>rápida de produção, evitando dessa forma o estoque excessivo sem necessidade.</p><p>43UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>6. Procura da perfeição: A melhoria contínua deve ser incentivada de forma cons-</p><p>tante em todos os setores de uma empresa visando sempre a satisfação de todas as partes</p><p>envolvidas em um processo de produção para que desta forma se possa atender a todas</p><p>as expectativas criadas, principalmente as do cliente.</p><p>7. Inovar: Novos processos e novos produtos podem ajudar uma empresa a faturar</p><p>mais, a inovação por tanto, pode ser/é um dos meios de crescimento de uma empresa.</p><p>Na atualidade, o cliente está se tornando cada vez mais o centro e a razão de todas</p><p>as movimentações dentro das organizações e é por isso que o conceito Lean está baseado</p><p>em um conjunto de princípios que ajudam a reduzir ou até mesmo a eliminar desperdícios</p><p>visando a simplificação da forma de produção porém produzindo bem e com a qualidade</p><p>esperada e desejada pelo cliente final.</p><p>REFLITA</p><p>“Custos não existem para serem calculados. Custos existem para serem</p><p>reduzidos.”</p><p>Taiichi Ohno – Frase fora de Contexto.</p><p>44UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Veja a seguir 7 empresas que aplicaram o Lean Manufacturing com sucesso:</p><p>1. Toyota: Não fosse o pioneirismo da Toyota talvez a indústria automobilística não</p><p>tivesse evoluído com tanta rapidez e qualidade como vimos ao longo do anos.</p><p>2. Nike: Do setor automobilístico para o de calçados e vestuário, a Nike é outra</p><p>das empresas que aplicam o lean manufacturing com sucesso. O lean manufacturing re-</p><p>duziu em 15% as práticas de trabalho ruins nas fábricas da empresa localizadas no</p><p>exterior. A implantação do lean manufacturing valorizou mais o esforço das equipes de</p><p>trabalho. Essa motivação do time, por sua vez, influenciou positivamente a performance</p><p>da empresa como um todo. Algumas das iniciativas de destaque foram:</p><p>-Fair Labor Association com quem a Nike criou indicadores de desempenho e</p><p>fornecimento sustentável;</p><p>-Sustainable Apparel Coalition em parceria com a Agência de Proteção Ambiental</p><p>dos EUA e outros fabricantes para economizar dinheiro em energia e materiais residuais.</p><p>3. John Deere: A multinacional John Deere é outra das empresas que aplicam lean</p><p>manufacturing com sucesso no setor de produção de equipamento industriais, máqui-</p><p>nas e implementos agrícolas. Para alinhar sua produção com os princípios lean, a em-</p><p>presa que é a maior fabricante de produtos agrícolas do mundo, investiu um orçamento</p><p>de US$ 100 milhões.</p><p>4. Intel: A Intel é a maior fabricante de soluções e produtos de informática do</p><p>mundo. Das gerações de processadores, passando por softwares até computador e</p><p>notebooks, a Intel é uma das empresas que aplicam o lean manufacturing para fornecer</p><p>soluções de qualidade.</p><p>5. Ford: Henry Ford foi o fundador da empresa automobilística Ford e um visionário</p><p>que lançou as primeiras discussões sobre resíduos nos anos 1910. O que torna a</p><p>companhia outra das empresas que aplicam lean manufacturing com sucesso até hoje.</p><p>6. Textron: A Textron Systems não só é uma das empresas que aplicam lean ma-</p><p>nufacturing como tem seus próprios ‘Padrões Lean Six Sigma Textron’. O manual é um</p><p>conjunto de ferramentas e técnicas aplicadas em todas as áreas funcionais da empresa</p><p>para eliminar desperdícios, reduzir variações e impulsionar o crescimento e a inovação</p><p>no negócio.</p><p>7. Kimberly-Clark Corporation: A Kimberly-Clark é outra das empresas que</p><p>aplicam o Lean Manufacturing com sucesso. A implementação da metodologia lean veio</p><p>com a ajuda de uma consultoria terceirizada que revisou todo o processo de logística</p><p>da empresa. Antes disso, os funcionários da fábrica estavam insatisfeitos com os longos</p><p>turnos e as horas extras e o absenteísmo estava em 10%. O lean manufacturing fez com</p><p>que a Kimberly-Clark gastasse mais em envolvimento e desenvolvimento da equipe, o</p><p>que significou uma redução no absenteísmo e uma melhoria na eficiência trazida pela</p><p>elevação da moral de todos.</p><p>Fonte: Sander, C. 7 empresas que aplicam o Lean Manufacturing com sucesso. Disponível em: <https://caetreinamen-</p><p>tos.com.br/blog/lean-manufacturing/empresas-que-aplicam-lean-manufacturing/> Acessado em: 18 de março de 2020.</p><p>45UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Encerramos mais uma unidade da nossa disciplina. Na apostila dois aprendemos</p><p>como deve ser realizado a avaliação de desempenho organizacional. É necessário avaliar</p><p>não apenas o desempenho da indústria como um tudo e seus resultados, mas também os</p><p>gestores que cuidam de cada um dos processos e para isso são fundamentais a participação</p><p>dos líderes. Aprendemos também alguns parâmetros a serem levados em conta na elabo-</p><p>ração do sistema de avaliação do desempenho organizacional. Em um segundo momento</p><p>da nossa apostila, introduzimos conceitos relacionados aos diferentes sistemas modernos</p><p>de produção, começamos do mais antigo, conhecido como Taylorismo e chegamos ao mais</p><p>atual, conhecido como Volvismo além de ser apresentado vantagens e desvantagens de</p><p>cada um dos sistemas. Por fim, concluímos e encerramos nossos estudos com a introdução</p><p>dos conceitos de Manufatura Enxuta (Lean Manufacturing), conceito do qual é base para o</p><p>aumento de lucro e a diminuição de gastos e desperdícios.</p><p>46UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Como sugestão de leitura complementar, sugiro o artigo intitulado “APLICAÇÃO DE</p><p>FERRAMENTAS DO LEAN MANUFACTURING: ESTUDO DE CASO EM UMA INDÚSTRIA</p><p>DE REMANUFATURA”. O trabalho tem como objetivo verificar se as ferramentas do Lean</p><p>Manufacturing podem contribuir positivamente para processo de remanufatura, e como</p><p>impactam na redução de desperdícios.</p><p>Como resultado os autores obtiveram que o tempo de estoque entre os processos</p><p>foi reduzido em 55% através do agrupamento de operações, implantação do fluxo contínuo</p><p>e sistema puxado. O tempo de processamento foi reduzido em 10% com melhorias no</p><p>tempo de ciclo e eliminação de etapas, permitindo uma redução do lead time em 75%.</p><p>Estas ações acarretaram na diminuição da mão de obra em 41%.</p><p>Fonte: CITTATINI, C. GHISINI, J. A. S. HILSDORF, W. C. APLICAÇÃO DE FERRAMENTAS DO LEAN MA-</p><p>NUFACTURING: ESTUDO DE CASO EM UMA INDÚSTRIA DE REMANUFATURA. XXXVII ENCONTRO NA-</p><p>CIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. Joinville, 2017.</p><p>47UNIDADE II Gestão da Produção</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>• Título: Princípios de Administração Científica</p><p>• Autor: Frederick Taylor</p><p>• Editora: LTC</p><p>• Sinopse: Fundamental e clássico da Administração Científica.</p><p>Referência para quem planeja, executa ou é gestor em depar-</p><p>tamentos e empresas, este livro, de Frederick Taylor, apresenta</p><p>exemplos e situações reais extraídas da experiência do autor no</p><p>ambiente fabril. Taylor foi um homem à frente de seu tempo, por</p><p>sempre analisar e testar suas teorias, verificando se eram ou não</p><p>aplicáveis para a ampliação da produção com o menor custo, e é</p><p>considerado o pai da Administração Científica.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: Tempos Modernos</p><p>• Ano:1936</p><p>• Sinopse: O icónico Vagabundo está empregado em uma fábrica,</p><p>onde as máquinas inevitável e completamente o dominam e vá-</p><p>rios percalços o levam para a prisão. Entre suas passagens pela</p><p>prisão, ele conhece e faz amizade com uma garota órfã. Ambos,</p><p>juntos e separados, tentam lidar com as dificuldades da vida mo-</p><p>derna, o Vagabundo trabalhando como garçom e, eventualmente,</p><p>um artista.</p><p>48</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Melhoria contínua-kaizen;</p><p>• Redução do tempo de setup;</p><p>• Controle de qualidade integrado jidoka.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Contextualizar as etapas do Kaizen;</p><p>• Compreender a implantação de técnicas de redução do tempo de setup;</p><p>• Estabelecer a importância da ferramenta japonesa de qualidade conhecida como Jidoka</p><p>e como ela auxilia para a manufatura Lean.</p><p>UNIDADE III</p><p>Linha de Produção e a Melhoria</p><p>Contínua</p><p>Professor Mestre Felipe Delapria Dias dos Santos</p><p>49UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Sejam bem-vindos a nossa terceira apostila da disciplina de Manufatura Enxuta,</p><p>aproveitaremos a base dada pelas apostilas anteriores da disciplina para introduzir concei-</p><p>tos que em conjunto com o que já foi discutido, nos ajudará a obter sucesso na implantação</p><p>de uma manufatura Lean. Nessa apostila iremos aprender sobre a ferramenta japonesa</p><p>de melhoria contínua conhecida como Kaizen, discutiremos sua origem e suas fases de</p><p>implementação. Posteriormente veremos também como ocorre redução do tempo de setup,</p><p>onde devemos focar para que o tempo seja reduzido, além de trabalhamos com dicas e</p><p>etapas de redução. Por fim, para finalizar nossa terceira apostila, aprenderemos mais uma</p><p>ferramenta japonesa, dessa vez será o “Jidoka”, que nada mais é que uma ferramenta de</p><p>controle de qualidade integrada que junto ao Kaizen e outras ferramentas como a TPM,</p><p>proporcionam alta qualidade de produção, produção enxuta e desperdício tendendo a zero.</p><p>50UNIDADE III Linha de Produção e a Melhoria Contínua</p><p>1 MELHORIA CONTÍNUA - KAIZEN</p><p>Knabben (2001) explica que “Kaizen” não é uma ferramenta da Produção</p>