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Segurança e Saúde no Trabalho

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<p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 3</p><p>2 SEGURANÇA DO TRABALHO ............................................................................. 4</p><p>2.1 Engenharia de Segurança do Trabalho .............................................................. 12</p><p>3 SAÚDE E HIGIENE OCUPACIONAL ................................................................. 16</p><p>3.1 Saúde Ocupacional ............................................................................................. 16</p><p>3.2 Higiene Ocupacional ........................................................................................... 21</p><p>4 ACIDENTE DE TRABALHO ................................................................................ 26</p><p>4.1 Acidente de Trajeto ............................................................................................. 30</p><p>4.2 Incidente ............................................................................................................. 31</p><p>5 NORMAS REGULAMENTADORAS ................................................................... 37</p><p>5.1 NR 1: Disposições gerais .................................................................................... 39</p><p>5.2 NR 2: Inspeção prévia ........................................................................................ 41</p><p>5.3 NR 3: Embargo ou Interdição .............................................................................. 42</p><p>5.4 NR 4: Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do</p><p>Trabalho 44</p><p>5.5 NR 5: Comissão Interna de Prevenção de Acidentes ......................................... 46</p><p>5.6 NR 27: Registro Profissional do Técnico de Segurança do Trabalho ................. 49</p><p>5.7 NR 28: Fiscalização e Penalidades. ................................................................... 50</p><p>6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 51</p><p>3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável -</p><p>um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum</p><p>é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que</p><p>lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>2 SEGURANÇA DO TRABALHO</p><p>Para melhor entendimento das questões que permeiam a segurança do</p><p>trabalho, é necessário entender inicialmente alguns conceitos básicos: significados,</p><p>origens e benefícios. Ao longo deste capítulo chegaremos à estas conclusões.</p><p>Fonte: shre.ink/m5jv</p><p>Pelo passar da história, pode-se observar que humanidade e trabalho andaram</p><p>lado a lado, sendo ele (o trabalho) um dos responsáveis pelo avanço da nossa espécie</p><p>e sociedade. As grandes construções do mundo, as grandes fábricas e plantações,</p><p>têm algo em comum: esforço humano, potência de trabalho e disciplina. Observe o</p><p>Quadro 01, ele mostra de maneira resumida a evolução do trabalho:</p><p>Fonte: OLIVEIRA, 2017.</p><p>5</p><p>Partindo do já exposto, de acordo com o estudo da origem das palavras (a</p><p>etimologia), Trabalho vem do latim tripalium, que, segundo (ALBORNOZ, 1994, p.10)</p><p>era um “instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de</p><p>pontas de ferro, nas quais agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho, o linho,</p><p>para rasgá-los e esfiapá-los”. Sob esta perspectiva, entende-se o motivo de muitos</p><p>considerarem o trabalho como algo penoso e até mesmo um castigo divino,</p><p>pensamento este que era amplamente aceito na sociedade humana até o período do</p><p>renascimento, visto que trabalhavam apenas aqueles que não tinham posses, os</p><p>escravos ou prisioneiros de guerra, e buscando puramente a sobrevivência.</p><p>Fonte: shre.ink/m5jc</p><p>Na sociedade atual, porém, muitos trabalhadores não compartilham desta</p><p>visão, pois encaram as atividades laborais como forma de adquirir riquezas, ter</p><p>independência, poder de compra, dignidade e elevação da autoestima. Levam o</p><p>trabalho como uma missão, ou seja, a vocação de fazer a sua contribuição para o</p><p>mundo. Logo, tendo várias interpretações, em 2010 foi publicado um estudo</p><p>mostrando que:</p><p>O trabalho consiste de um esforço planejado – ainda que nem sempre formal</p><p>e sistemático – dirigido, de algum modo, a transformação da natureza.</p><p>Sincronia de esforços e coesão de objetivos específicos são imprescindíveis</p><p>para atingir o objetivo maior. Passou a representar o modo de produzir os</p><p>bens de consumo e os serviços necessários a sobrevivência. Para o</p><p>trabalhador, tornou-se o meio de ganhar um salário e a base da construção</p><p>de sua identidade. (ZANELLI, SILVA E SOARES, 2010)</p><p>6</p><p>É inegável a importância da pauta, contudo ainda fica o questionamento: como</p><p>o trabalho passou a precisar de regulamentação?</p><p>O exercício das funções laborais sempre ofereceram certo grau de risco ao ser</p><p>humano, seja à sua integridade física ou mental. Porém, o agravo significativo foi</p><p>notado com o advento da Revolução Industrial no séc. XVIII, onde, devido condições</p><p>precárias de higiene, uso de maquinários e exaustivas jornadas de trabalho (de 14 a</p><p>18 horas diárias), gerou inúmeros acidentes, aumento da proliferação de doenças,</p><p>incapacitação permanente e mortalidade dos trabalhadores. Entre os quais estavam</p><p>inclusos homens, mulheres e crianças. Veja na imagem a seguir, alguns dos</p><p>trabalhadores da época que sofreram acidentes no trabalho (crianças):</p><p>Fonte: shre.ink/m5jp</p><p>Em um cenário em que a relação entre saúde e bem estar humano ainda não</p><p>era prioridade, mobilizações foram feitas pelos trabalhores em busca de melhores</p><p>condições. Assim, foram surgindo as regulamentações para os empregadores, pois</p><p>mostrou-se que: “[...] é antieconômico buscar o desenvolvimento industrial de um país,</p><p>sem resolver as consequências sanitárias e sociais que este traz consigo.”</p><p>(YAMAKAMI, 2013).</p><p>Já existiam alguns estudos de outras sociedades sobre as doenças dos</p><p>trabalhadores, contudo, após este período da Primeira Revolução Industrial, as</p><p>7</p><p>legislações de apoio à melhoria de vida dos trabalhadores (ainda que a passos lentos),</p><p>não pararam mais de evoluir.</p><p>Foram registradas primeiramente na Europa: na Itália, Alemanha, França e</p><p>Inglaterra. Acompanhe a linha do tempo abaixo, para melhor compreenção:</p><p>Fonte: Adaptado de BRISTOT, 2019.</p><p>8</p><p>Aconteceram mudanças importantes relacionadas ao trabalho em outros</p><p>países do mundo, como mostrado na linha do tempo abaixo:</p><p>Fonte: Valor Crucial, 2022.</p><p>Com base nestes conceitos, nos fatos históricos sobre o trabalho e os motivos</p><p>pelo qual ele é regulamentado, pode-se entender a importância da segurança do</p><p>trabalho no mundo. A definição desta especialidade remonta um conceito abrangente</p><p>e multidisciplinar, envolvendo assim, várias áreas do conhecimento. Segundo Abraão</p><p>e Andrade (2012):</p><p>A Segurança do Trabalho é um conjunto de ciências e tecnologias que visam</p><p>promover a proteção do trabalhador no seu local de trabalho, com a redução</p><p>de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. [...] objetiva prevenir,</p><p>através de medidas antecipadas, a integridade física do trabalhador,</p><p>englobando além da prevenção de acidentes a mitigação e o gerenciamento</p><p>das consequências de acidentes que porventura venham a ocorrer. (ABRAÃP</p><p>e ANDRADE, p. 187, 2012)</p><p>9</p><p>Já em solo brasileiro, as questões relacionadas à ela são explícitas desde o</p><p>período colonial até a atualidade, veja as datas mais importantes (YAMAKAMI, 2013):</p><p>10</p><p>11</p><p>Fonte: YAMAKAMI, 2013.</p><p>Conhecendo agora os conceitos e evolução histórica da segurança do Trabalho</p><p>no país, é possível a identificação do seu avanço ao longo dos anos. Pois como é</p><p>observado acima, antes mesmo da regulamentação da profissão de Engenheiros e</p><p>Arquitetos em Engenharia de Segurança em 1985 (no governo de Tancredo Neves),</p><p>foram implementadas leis corretivas. Elas foram consideradas apropriadas, pois o</p><p>Brasil era um dos campeões em acidentes do trabalho quando passou a ser um dos</p><p>membros fundadores da OIT (Organização Internacional do Trabalho) em 1919.</p><p>Percebe-se também que de 1941 em diante vieram as leis preventivas, e</p><p>algumas receberam o nome de normas regulamentadoras, somente a partir de então</p><p>o cenário começou a mudar de fato. Desde 1943, com a criação da CLT no Governo</p><p>de Getúlio Vargas e passando para a atualidade, sabe-se que ano após ano a</p><p>Legislação vem sendo debatida e modificada, seja por solicitação dos sindicatos que</p><p>representam os trabalhadores ou por intervenção govenamental.</p><p>No ano de 2021, o Brasil foi considerado o segundo país do grupo G2O com</p><p>maior índice de morte dos trabalhadores por acidente de trabalho. Ainda, de acordo</p><p>com Basílio (2021), “De 2002 a 2020, o país registrou taxa de 6 óbitos a cada 100 mil</p><p>empregos formais, aponta relatório do Ministério Público do Trabalho e da</p><p>Organização Internacional do Trabalho. ”</p><p>Logo, observando os fatos e tendo ciência das melhorias já feitas, pode-se</p><p>inferir que o trabalho dos profissionais de Segurança do Trabalho ainda está em</p><p>desenvolvimento. Existe uma grande necessidade de melhorias a serem adicionadas</p><p>12</p><p>à Legislação, para que assim, sendo executadas, diminuir ainda mais os números de</p><p>acidentes laborais.</p><p>2.1 Engenharia de Segurança do Trabalho</p><p>O exercício da engenharia, de uma forma geral, busca ajudar a sociedade</p><p>resolvendo problemas. Estes podem ser solucionados com técnicas específicas</p><p>advindas de conhecimentos adquiridos pela humanidade ao longo das eras.</p><p>A Engenharia de Segurança do Trabalho, então, pode ser definida como:</p><p>Ramo da Engenharia que se dedica a planejar, elaborar programas e a</p><p>desenvolver soluções que visam minimizar os acidentes de trabalho, doenças</p><p>ocupacionais, como também proteger a integridade e a capacidade de</p><p>trabalho, doenças ocupacionais, como também proteger a integridade e a</p><p>capacidade de trabalho do trabalhador. (LUDOVICE, 2014)</p><p>Desde a sua formalização em 1985, os profissionais da área contribuem para o</p><p>avanço das melhorias relacionadas à prevenção de acidentes de trabalho, saúde e</p><p>higiene ocupacional, o que também tem relação direta com as atribuições legais da</p><p>profissão, que é regulamentada a nível nacional pelo CONFEA (Conselho Federal de</p><p>Engenharia e Agronomia), e a nível estadual pelo CREA (Conselho Regional de</p><p>Engenhara e Agronomia), tendo cada estado sua regional.</p><p>Fonte: CONFEA / CREA, 2022.</p><p>Dessa forma, o Art. 4º do Decreto nº 92.530/86 de 31 de julho de 1991, veio para</p><p>definir quais as atividades que podem ser exercidas por este especialista, uma vez</p><p>este também que não deve excedê-las.</p><p>13</p><p>Assim, nele está especificado:</p><p>14</p><p>15</p><p>Fonte: CONFEA, 2022.</p><p>Já ao Técnico em Segurança do Trabalho, também com a atuação</p><p>regulamentada pelo CONFEA / CREA e classificado com o CBO 0-39.45, estão</p><p>atribuídas as seguintes funções de acordo com o mesmo Art. 4º:</p><p>Fonte: (CONFEA, 2022)</p><p>Fonte: CONFEA, 2022.</p><p> Informar aos trabalhadores e à comunidade, diretamente ou por meio</p><p>de seus representantes, as condições que possam trazer danos a sua</p><p>integridade e as medidas que eliminam ou atenuam estes riscos e que</p><p>deverão ser tomadas.</p><p> Inspecionar locais, instalações e equipamentos da empresa.</p><p> Inspecionar postos de combate a incêndios, examinando as mangueiras,</p><p>hidrantes, extintores.</p><p> Estabelecer normas e dispositivos de segurança para prevenir acidentes, com</p><p>relação à equipamentos e instalações.</p><p> Elaborar relatórios propondo reparação de equipamentos e instituição de</p><p>medidas de segurança, conforme a necessidade verificada em inspeções.</p><p> Investigar acidentes ocorridos, examinando as condições da ocorrência, para</p><p>identificar suas causas e propor as providências cabíveis.</p><p> Facilitar o atendimento a acidentados, mantendo contato com os serviços</p><p>médico e social.</p><p> Registrar irregularidades ocorridas e realizar estatísticas de acidentes, com a</p><p>finalidade de desenvolver estratégias de prevenção, apresentando sugestões e</p><p>analisando a viabilidade de medidas propostas.</p><p> Treinar funcionários, ensinando sobre normas de segurança, combate a</p><p>incêndios e demais medidas de prevenção de acidentes.</p><p> Divulgar hábitos de prevenção de acidentes, por meio de instruções em</p><p>cartazes, avisos, publicações, etc.</p><p>16</p><p>Com funções tão importantes, destaca-se o reconhecimento dado a estes</p><p>profissionais e, ainda de acordo com a fala do atual presidente do CREA-SE, Jorge</p><p>Roberto Silveira:</p><p>O profissional de Engenharia em Segurança do Trabalho tem um papel</p><p>fundamental na garantia de um ambiente profissional seguro e livre de</p><p>situações perigosas, evitando que acidentes ocupacionais ocorram na</p><p>empresa. Além do bem-estar dos trabalhadores sua atuação também é</p><p>significativa para a sustentabilidade das empresas ao reduzir custos de forma</p><p>técnica e coerente, ou seja, o papel dos Engenheiros de Segurança do</p><p>Trabalho dentro das organizações vai muito além de cobrar o uso dos</p><p>Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). (AZEVEDO, 2022)</p><p>Fonte: shre.ink/m5A3</p><p>3 SAÚDE E HIGIENE OCUPACIONAL</p><p>3.1 Saúde Ocupacional</p><p>A saúde em todos as suas vertentes - neste caso, no trabalho - é uma parte</p><p>inseparável da segurança ocupacional aqui já exemplificada. A OMS (Organização</p><p>Mundial de Saúde) criada em 1948, que tem como missão mundial a garantia do mais</p><p>alto nível de saúde a todas as pessoas, traz em sua Constituição a definição do termo</p><p>saúde como:</p><p>[...] um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a</p><p>ausência de doença ou enfermidade.</p><p>17</p><p>O gozo do melhor estado de saúde que lhe seja possível atingir, constitui um</p><p>dos direitos fundamentais de todo ser humano, sejam quais forem sua raça,</p><p>sua religião, suas opiniões políticas, sua condição econômica ou social.</p><p>A saúde de todos os povos é condição fundamental para a consecução da</p><p>paz e da segurança, e depende da mais estreita cooperação de indivíduos e</p><p>de Estados.</p><p>Os resultados obtidos por cada Estado ao melhoramento e na proteção da</p><p>saúde, são preciosos para todos. (DECRETO Nº 26.042, de 17 de dezembro</p><p>de 1948)</p><p>Em 2017, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) afirma</p><p>que, ao serem criados os dois órgãos mundiais (OIT e OMS) em 1919 e 1948</p><p>respectivamente, estes definiram, em 1950, que a existência da Saúde Ocupacional</p><p>deveria ter por objetivo “adaptar o trabalho ao homem</p><p>e cada homem à sua atividade.”</p><p>Já em 1995, este objetivo foi revisto:</p><p>O principal foco da Saúde no Trabalho deve estar direcionado para três</p><p>objetivos:</p><p> A manutenção e promoção da saúde dos trabalhadores e de sua</p><p>capacidade de trabalho;</p><p> O melhoramento das condições de trabalho, para que elas sejam</p><p>compatíveis com a saúde e a segurança;</p><p> O desenvolvimento de culturas empresariais e de organizações de</p><p>trabalho que contribuam com a saúde e segurança e promovam um</p><p>clima social positivo, favorecendo a melhoria da produtividade das</p><p>empresas. O conceito de cultura empresarial, neste contexto, refere-</p><p>se a sistemas de valores adotados por uma empresa específica. Na</p><p>prática, ele se reflete pelos sistemas e métodos de gestão, nas</p><p>políticas de pessoal, nas políticas de participação, nas políticas de</p><p>capacitação e treinamento e na gestão da qualidade. (ANAMT, 2017)</p><p>O exercício de qualquer atividade laboral acaba por expor os trabalhadores a</p><p>riscos que podem desencadear doenças ocupacionais. Estas, por sua vez, não têm</p><p>como causa fundamental apenas o ambiente físico que o trabalhador está sujeito, mas</p><p>também aos aspectos comportamentais humanos e sociais. De acordo com Pinheiro</p><p>(2012), as doenças ditas “do trabalho” podem ser divididas e classificadas da seguinte</p><p>forma:</p><p>Doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo</p><p>exercício do trabalho peculiar a determinada atividade constante da</p><p>respectiva relação elaborada pelo Ministério da Previdência Social;</p><p>Doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em</p><p>função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se</p><p>relacione diretamente, constante da respectiva relação elaborada pelo</p><p>Ministério da Previdência Social. Não são consideradas como doença do</p><p>trabalho: a) doença degenerativa - b) a inerente a grupo etário - c) a que não</p><p>produza incapacidade laborativa e d) a doença endêmica adquirida por</p><p>segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação</p><p>de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza</p><p>do trabalho. (PINHEIRO, 2012. P. 15).</p><p>18</p><p>O Ministério da Saúde em 2001, também mapeou a origem dessas</p><p>enfermidades no trabalho. Pode-se perceber, então, que foram separadas em três</p><p>grupos, sendo o primeiro relativo às doenças originadas diretamente pelo exercício da</p><p>atividade laboral, como as intoxicações. Com o segundo grupo, as doenças em que o</p><p>trabalho é/ou pode ser um dos contribuintes para o aparecimento da patologia, porém,</p><p>não é a causa principal. E no terceiro grupo, ficaram exemplificadas as enfermidades</p><p>que são de fato geradas pelo trabalho exercido, pois este seria um agravante da</p><p>doença que o trabalhador já tem, por exemplo: disfunções respiratórias e mentais.</p><p>Veja o quadro exemplificado:</p><p>Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001.</p><p>Existem algumas patologias que já são consideradas comuns entre os</p><p>trabalhadores. Veja o exemplos com no quadro:</p><p>19</p><p>Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001.</p><p>Ainda segundo Santos et.al, 2019:</p><p>[...] pode-se dizer que as doenças relacionadas ao trabalho decorrem da</p><p>exposição a esses agentes de risco que agridem o organismo humano. Essa</p><p>simples conceituação permite imaginar a frequência e a gravidade que devem</p><p>revestir as doenças profissionais. Todo trabalhador que sofrer uma</p><p>intoxicação, afecção ou infecção causada por esses agentes foi acometido</p><p>por uma doença profissional. O agravante dessa temática é que as doenças</p><p>relacionadas ao trabalho se manifestam ao longo do tempo e, muitas vezes,</p><p>são evidenciadas no término do contrato de trabalho, fator que dificulta a</p><p>identificação de sua causa. O ideal seria a eliminação de qualquer agente ou</p><p>fator que possa afetar a saúde em ambientes de trabalho, no entanto, quando</p><p>isso não for possível, o objetivo para a segurança e saúde do trabalhador</p><p>deve ser a redução máxima do risco. (SANTOS et al. p 7. 2019)</p><p>Para completa promoção da saúde ocupacional, o Engenheiro (a) de</p><p>Segurança do Trabalho e o Técnico (a) em Segurança do Trabalho, irão atuar</p><p>juntamente com: o Médico (a) do Trabalho, Enfermeiro (a) do Trabalho, Técnico em</p><p>Enfermagem e/ou Auxiliar em Enfermagem do Trabalho.</p><p>Fonte: shre.ink/m5Ap</p><p>20</p><p>Esta equipe multidisciplinar forma o SESMT - Serviço Especializado em</p><p>Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, que deve ser mantido pela</p><p>empresa de acordo com a NR-4, dependendo do número de colaboradores e do risco</p><p>da atividade exercida pela empresa.</p><p>Fonte: Norma Regulamentadora nº 4 (NR-4) (Alterado pela Portaria SSMT n.º 34/1987).</p><p>21</p><p>3.2 Higiene Ocupacional</p><p>Fonte: shre.ink/m5IG</p><p>A higiene ocupacional, assim como a saúde ocupacional, é peça fundamental</p><p>na qualidade de vida do trabalhador. Ela, além de ser também conhecida como higiene</p><p>industrial, tem várias definições. Todas elas, resumem seu objetivo: “proteger e</p><p>promover a saúde, o bem-estar dos trabalhadores como também do meio ambiente</p><p>em geral, através de ações preventivas no ambiente de trabalho. ” (PEIXOTO e</p><p>FERREIRA, 2012).</p><p>No esquema abaixo, estão abordadas as mais importantes definições segundo</p><p>Peixoto e Ferreira (2012):</p><p>22</p><p>Fonte: Adaptado de Peixoto e Ferreira (2012).</p><p>A Higiene ocupacional tem ajudado os empresários e os colaboradores a terem</p><p>mais conhecimento acerca dos riscos laborativos. Ainda de acordo com a OHTA</p><p>(2022):</p><p>Hoje em dia, a gama de riscos para a saúde no local de trabalho é mais</p><p>variada do que nunca. Não só reconhecemos os perigos químicos, mas</p><p>também os perigos para a saúde decorrentes do ruído, calor ou frio, tensões</p><p>ergonómicas, radiação ionizante, micro-ondas, doenças infecciosas e stress</p><p>psicológico. Os higienistas profissionais têm de proteger os trabalhadores dos</p><p>perigos colocados por tecnologias avançadas, tais como o fabrico de</p><p>semicondutores e de produtos farmacêuticos altamente potentes. Temos de</p><p>antecipar os riscos das nanotecnologias, genes e outras tecnologias</p><p>emergentes. Temos de considerar o impacto da evolução demográfica e dos</p><p>padrões de emprego. A higiene ocupacional é um campo e uma profissão</p><p>constantemente desafiante. (OHTA, 2022)</p><p>O que chamamos de riscos ocupacionais são definidos normalmente de acordo</p><p>com a consequência à saúde e seus causadores, que podem ser: agentes biológicos,</p><p>físicos, químicos, acidentais ou ergonômicos. Todos classificados de acordo com a</p><p>NR 12, Portaria 25/1994 e pela NR 9, sendo:</p><p>23</p><p>Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1995.</p><p>Os autores Dias (2001) e Secco (2006) falam sobre os riscos psicossociais,</p><p>dizendo que “geralmente, esses riscos estão associados às tensões da vida diária,</p><p>dentre elas, as provenientes do trabalho. ” (DIAS, 2001; SECCO, 2006)</p><p>Várias pesquisas vêm sendo feitas sobre os efeitos que podem ser causados</p><p>aos profissionais no exercício da função, contudo não quer dizer que, estando</p><p>exposto, o colaborador contrairá alguma doença ou sofrerá um acidente por via de</p><p>regra.</p><p>24</p><p>O quadro abaixo, exemplifica o resultado de alguns desses estudos:</p><p>25</p><p>Com a empresa realmente implementando práticas de higiene industrial, é</p><p>possível que sejam eliminados certos riscos e outros sejam colocados sob controle,</p><p>visto que no Brasil ainda se têm padrões pouco elevados na execução do tema. Todos</p><p>os avanços tecnológicos deste século continuam servindo de incentivo para que sejam</p><p>feitos novos estudos a fim de desvendarmos e corrigirmos esses perigos antes que</p><p>os índices de doenças e mortalidade aumentem.</p><p>26</p><p>4 ACIDENTE DE TRABALHO</p><p>Para fins legais, o termo Acidente do Trabalho foi definido pelo Art. 19 da Lei nº</p><p>8.213, de 24 de julho de 1991, no governo de Fenando Collor. Mais tarde, no mandato</p><p>de Dilma Rousseff, a definição foi reformulada</p><p>pela redação da Lei Complementar nº</p><p>150 de 2015:</p><p>Art. 19 - Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a</p><p>serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício do</p><p>trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei,</p><p>provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a</p><p>perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o</p><p>trabalho. (BRASIL, 2015)</p><p>Nesta conceituação, ainda podemos observar que a Lei pondera a obrigação</p><p>do empregador em relação à prevenção:</p><p>§ 1º A empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais</p><p>de proteção e segurança da saúde do trabalhador.</p><p>§ 2º Constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as</p><p>normas de segurança e higiene do trabalho.</p><p>§ 3º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da</p><p>operação a executar e do produto a manipular.</p><p>§ 4º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social fiscalizará e os sindicatos e</p><p>entidades representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto</p><p>nos parágrafos anteriores, conforme dispuser o Regulamento.</p><p>Fonte: Art. 19 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. (Redação da Lei Comp. nº 150, de 2015)</p><p>27</p><p>Fonte: shre.ink/m5yQ</p><p>Um acidente de trabalho deve ser entendido como algo prejudicial não somente</p><p>ao colaborador que foi lesionado, devendo então ser lavado em consideração outros</p><p>aspectos que ele abrange: sociais, políticos e econômicos, seja no aspecto material</p><p>ou humano.</p><p>Para Rojas (2015), o efeito negativo atinge os seguintes níveis do aspecto</p><p>humano:</p><p>[...] o próprio acidentado, que perde a autoconfiança em virtude do fato em si,</p><p>do sofrimento físico e emocional e da diminuição de sua capacidade</p><p>produtiva;</p><p>[...] a família do acidentado, em razão do sofrimento a que é submetida</p><p>involuntariamente, da preocupação com sua vida e saúde e da insegurança</p><p>gerada com relação ao futuro;</p><p>[...] os colegas de trabalho, em razão do mal-estar sentido pelos colegas em</p><p>virtude do ocorrido, da inquietação proveniente de incertezas quanto à</p><p>segurança e do medo de se tornar a próxima vítima.</p><p>Ainda no aspecto humano, existem consequências relacionadas tanto à</p><p>empresa, uma vez que há uma variação negativa no clima motivacional e</p><p>psicológico e o mercado penaliza sua reputação, quanto ao país, pois cada</p><p>registro de acidente feito por meio da CAT diminui o potencial produtivo</p><p>estimado. (ROJAS, 2015. p.130)</p><p>28</p><p>Já para o aspecto material, o autor enumera que é possível a abrangência nos</p><p>pontos que afetam:</p><p>[...] ao próprio acidentado, refletindo-se na perda de salário, pois ele passa a</p><p>receber benefícios do INSS que, em geral, são valores menores do que os</p><p>pagos pela empresa, e perda de sua perspectiva profissional em virtude de</p><p>diminuição de seu potencial e capacidade física;</p><p>[...] à família do acidentado, pelo surgimento de dificuldades econômicas e</p><p>pela necessidade de mudança da forma de vida;</p><p>[...] aos colegas de trabalho, refletindo-se na queda de produtividade com a</p><p>consequente perda financeira de prêmios, aumento da carga de trabalho para</p><p>suprir a ausência do colega acidentado e incumbências de formação de um</p><p>substituto para o colega.</p><p>A empresa também sofre consequências no aspecto material, pois as linhas</p><p>de produção ficam paradas, as máquinas envolvidas com o acidente</p><p>precisam passar por manutenção, a produção atrasa e a empresa precisa</p><p>investir em substituição e treinamento do funcionário acidentado. Ocorrem</p><p>ainda, aumentos dos custos de produção e dos prêmios de seguros.</p><p>As consequências materiais para o país incluem a perda de produção, que</p><p>impacta na arrecadação de impostos e no cálculo do PIB. Além disso, o INSS</p><p>arca com as despesas hospitalares e de recuperação do acidentado,</p><p>gerando, além da perda do poder de compra do trabalhador e de sua família,</p><p>despesas com a fiscalização e reeducação sobre segurança do trabalho.</p><p>(ROJAS, 2015. p.130)</p><p>Como está descrito ainda no Art. 21 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991,</p><p>são equivalentes a acidente de trabalho os seguintes casos:</p><p>I - O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja</p><p>contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua</p><p>capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a</p><p>sua recuperação;</p><p>II - O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em</p><p>consequência de:</p><p>a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro</p><p>de trabalho;</p><p>b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada</p><p>ao trabalho;</p><p>29</p><p>Fonte: BRASIL, 1991.</p><p>Pode-se observar que no inciso II (em sua alínea c), a Lei vem elucidando sobre</p><p>a ocorrência de um acidente de trabalho por falha humana, sendo esta a imprudência,</p><p>negligência ou imperícia, seja do colaborador ou de terceiros. Como exemplifica a</p><p>imagem, onde mesmo sem intenção expressa, um colaborador gerou o motivo do</p><p>acidente ao outro:</p><p>Fonte: shre.ink/m5a0</p><p>c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de</p><p>companheiro de trabalho;</p><p>d) ato de pessoa privada do uso da razão;</p><p>e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de</p><p>força maior;</p><p>III - a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício</p><p>de sua atividade;</p><p>30</p><p>4.1 Acidente de Trajeto</p><p>A partir do inciso IV, podemos observar as situações descritas nesta mesma</p><p>Lei, como acidente de trajeto. Quando mesmo sem estar no espaço corporativo ou</p><p>voltando para seu lar, o colaborador é surpreendido por um sinistro, estando ele em</p><p>veículo particular ou da empresa:</p><p>Fonte: shre.ink/m5aZ</p><p>Veja as disposições da Lei nº 8.213 a respeito:</p><p>31</p><p>Fonte: Brasil, 1991.</p><p>4.2 Incidente</p><p>Existe ainda outra modalidade, o incidente, onde o sinistro não é consumado,</p><p>gerando assim apenas o aumento do estado de atenção do trabalhador e da empresa.</p><p>Ou seja, não causa danos físicos ao empregado, como demonstrado:</p><p>Fonte: shre.ink/m5aD</p><p>32</p><p>De qualquer forma, estes eventos consumados (com vítimas ou não) devem</p><p>ser comunicados ao órgão competente. Primeiramente ao profissional de segurança</p><p>do trabalho de plantão, para que ele dê continuidade aos procedimentos legais.</p><p>De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência:</p><p>A empresa é obrigada a informar à Previdência Social todos os acidentes de</p><p>trabalho ocorridos com seus empregados, mesmo que não haja afastamento</p><p>das atividades, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência.</p><p>Em caso de morte, a comunicação deverá ser imediata.</p><p>A empresa que não informar o acidente de trabalho dentro do prazo legal</p><p>estará sujeita à aplicação de multa, conforme disposto nos artigos 286 e 336</p><p>do Decreto nº 3.048/1999.</p><p>Se a empresa não fizer o registro da CAT, o próprio trabalhador, o</p><p>dependente, a entidade sindical, o médico ou a autoridade pública</p><p>(magistrados, membros do Ministério Público e dos serviços jurídicos da</p><p>União e dos Estados ou do Distrito Federal e comandantes de unidades do</p><p>Exército, da Marinha, da Aeronáutica, do Corpo de Bombeiros e da Polícia</p><p>Militar) poderão efetivar a qualquer tempo o registro deste instrumento junto</p><p>à Previdência Social, o que não exclui a possibilidade da aplicação da multa</p><p>à empresa. (MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA, 2022)</p><p>Atualmente, o registro CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) é feito</p><p>somente de forma on-line e em no máximo 1 dia útil após o acidente ou imediatamente</p><p>em caso de óbito.</p><p>Deve ainda ser enviado em quatro vias (BRASIL, 2022): 1ª via ao INSS; 2ª via</p><p>ao segurado ou dependente; 3ª via ao sindicato de classe do trabalhador; 4ª via à</p><p>empresa.</p><p>Veja o plano de ações correspondente:</p><p>33</p><p>Fonte: Adaptado de Unioeste, 2020.</p><p>Somente de 2002 até o ano de 2021, de acordo com o Observatório de</p><p>Segurança e Saúde no Trabalho, foram notificados mais de 500 mil casos de AT</p><p>(Acidente de Trabalho) no Brasil. Estes dados referem-se à série histórica deste</p><p>intervalo de anos, que tem por objetivo:</p><p>[...] identificar, pelo exame da série histórica e da distribuição geográfica das</p><p>ocorrências, a evolução quantitativa dos registros em seus números</p><p>absolutos em diferentes intervalos de tempo. Consideradas as diferentes</p><p>fontes de dados analisadas, busca-se desenhar um panorama de</p><p>acidentalidade em diferentes unidades de análise, de acordo com a</p><p>organização da federação brasileira e com foco especial em municípios,</p><p>contexto político por excelência da implementação de políticas públicas.</p><p>(Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, 2022).</p><p>34</p><p>Veja o gráfico gerado pelas análises acima citadas:</p><p>Fonte: Adaptado de INSS 2000-2017, AEAT a partir de 2018, CATWEB 2022.</p><p>Sob esta ótica, é considerado de extrema importância a elaboração de um</p><p>plano de ação prevencionista. De acordo com cada AT, que é particularmente único</p><p>em grande parte dos aspectos, o Engenheiro de Segurança do Trabalho elabora</p><p>medidas capazes de mitigar ou até mesmo excluir as possibilidades de acidente.</p><p>Com todas as individualidades de um AT, ainda é possível adortar um ponto de</p><p>partida com uma visão abrangente para a investigação inicial, disposto da seguinte</p><p>forma:</p><p>35</p><p>Baseando-se na comparação através da gravidade, temos a constante de que</p><p>os ATs não são igualmente danosos, existindo, acidentes que não levam à perda de</p><p>vida do trabalhador, bem como os que geram apenas escoriações que podem ser de</p><p>fácil recuperação. Dessa forma, ambos seriam igualmente tratados, o que gera</p><p>discrepância do ponto de vista organizacional.</p><p>Pensadores do tema também utilizam do método de irreversibilidade (ou seja,</p><p>da incapacidade orgânica de superar o trauma criado pelo acidente) a fim de entender</p><p>a gravidade. Deste ponto de partida, se uma empresa apresenta três tipos de</p><p>acidentes com vítima fatal, teria um quadro mais crítico que outra com cinco acidentes</p><p>com vítimas que perderam capacidade laborativa temporariamente.</p><p>De modo a mediar estes (esses) conceitos, usa-se normalmente os índices de</p><p>morbidade e mortalidade, sejam eles absolutos ou relativos (aos casos ocorridos ou à</p><p>36</p><p>exposição). São mais utilizados os índices “Taxa de gravidade” (G) e “Índice de</p><p>avaliação de gravidade” (IAG), calculados por:</p><p>Onde:</p><p> N e HH são a taxa de frequência;</p><p> DP nº correspondente à relação dias perdidos x acidentes registrados;</p><p>Que é igual à soma (i) dos dias de afastamento dos acidentados que ficaram</p><p>temporariamente incapacitados com (ii) os dias debitados em função de</p><p>incapacidades permanentes.</p><p>A tabela de dias debitados é regulamentada pela NR-05, referente à Portaria</p><p>3.214, e atribui o valor de 6.000 dias para cada caso fatal (o que equivale a cerca de</p><p>25 anos de trabalho).</p><p>Outra forma de encarar a gravidade é sob o prisma do impacto para a empresa,</p><p>medido através do custo dos acidentes. Afinal, sabe-se que, em cada acidente, não</p><p>apenas o acidentado é atingido, mas há também a perda de materiais, a absorção de</p><p>outras pessoas (seja para socorrer o acidentado, para comentar o evento, para</p><p>recolocar o sistema em funcionamento, etc.), o consumo de materiais/equipamentos</p><p>(no atendimento às vítimas), e outros gastos. A soma dos valores monetários destes</p><p>consumos pode ser empregada para se chegar a uma conclusão quanto aos pontos</p><p>críticos.</p><p>Em suma, o trabalho do profissional de segurança do trabalho, não se detém</p><p>apenas a cobrar o uso de EPI´s e palestras, o que seria teoria. Este na realidade está</p><p>lidando com as formas de manter o mais segura e produtiva possível ao seu</p><p>conhecimento técnico, a vida dos colaboradores, beneficiando estes e a empresa</p><p>diretamente, e indiretamente à sociedade.</p><p>37</p><p>5 NORMAS REGULAMENTADORAS</p><p>As Normas Regulamentadoras, mais conhecidas como NR´s, foram criadas em</p><p>1978, logo após o texto da Lei nº 6.514, que gerou a criação da Consolidação das Leis</p><p>Trabalhistas em 1977. O Ministério do Trabalho e Previdência então, vem defini-las</p><p>dizendo que: “obrigações, direitos e deveres a serem cumpridos por empregadores e</p><p>trabalhadores com o objetivo de garantir trabalho seguro e sadio, prevenindo a</p><p>ocorrência de doenças e acidentes de trabalho”. (MINISTÉRIO DO TRABALHO E</p><p>PREVIDÊNCIA, 2022)</p><p>Fonte: shre.ink/m5NQ</p><p>As NR´s são atualizadas constantemente, isso se deve ao fato de que o</p><p>mercado de trabalho está em constante mudança. Elas são classificadas pela Portaria</p><p>Nº 787, de 27 de Novembro de 2018, da seguinte maneira:</p><p>Fonte: BRASIL, 2018.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6514.htm</p><p>38</p><p>Cabe lembrar que os requisitos de segurança e saúde</p><p>ocupacional não ficam restritos às NR’s, estando presentes em outros</p><p>documentos, como: leis, decretos, decretos-lei, medidas provisórias,</p><p>portarias, instruções normativas da Fundação Jorge Duprat Figueiredo</p><p>de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), resoluções da</p><p>Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e agências do Governo,</p><p>ordens de serviço do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e</p><p>regulamentos técnicos do Instituto Nacional de Metrologia,</p><p>Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).</p><p>Todas as empresas que contratam um colaborador pelo regime celetista</p><p>devem, obrigatoriamente observar e cumprir o que regem às NR´s, pois elas podem</p><p>ser usadas como base para que a segurança do trabalho e a proteção aos</p><p>empregados mantenham a corporação segura perante a Lei.</p><p>Sejam estas:</p><p> Empresas privadas;</p><p> Empresas públicas;</p><p> Órgãos públicos da administração direta e indireta;</p><p> Órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário.</p><p>Fonte: Galleguillos, 2021.</p><p>Neste sentido, acordo com o autor Abitante (2021):</p><p>Fonte: ABITANTE, 2021.</p><p>39</p><p>Atualmente temos 37 normas regulamentadoras. Algumas já foram revogadas</p><p>e outras não, porém, para fins de conhecimento introdutório, veremos no decorrer</p><p>deste capítulo apenas os mais importantes tópicos das NR´s: 1, 2, 3, 4, 5, 27 e 28.</p><p>5.1 NR 1: Disposições gerais</p><p>Fonte: Midega, 2022.</p><p>O Ministério do Trabalho e Previdência explica como surgiu a NR 1:</p><p>[...] foi editada pela Portaria MTb nº 3214, em 8 de junho de 1978,</p><p>estabelecendo disposições gerais e regulando os artigos 154 a 159 da CLT,</p><p>conforme redação dada pela Lei n.º 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Para</p><p>esta norma nunca foi criada Comissão Nacional Temática Tripartite, tendo</p><p>seu texto sofrido quatro revisões (1983; 1988; 1993; e 2009) pontuais até</p><p>2019, sendo a última decidida no âmbito da 56ª reunião da CTPP.</p><p>(MINISTÉRIO DO TRABALHO, 2015).</p><p>Sua última modificação foi em 9 de março de 2020, com vigência a partir de 03</p><p>de janeiro de 2022. Para que fossem efetuadas as mudanças necessárias, o processo</p><p>de elaboração foi dividido em duas fases:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6514.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6514.htm</p><p>https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/ctpp-normas-regulamentadoras</p><p>https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/1983/portaria_06_nrs_1_2_3_e_6_revogada.pdf</p><p>https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/1988/portaria_03_altera_nr_01_revogada.pdf</p><p>https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/1993/portaria_13_altera_nr_1_24_e_28_revogada.pdf</p><p>https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/2009/portaria_84_altera_nr_01_revogada.pdf</p><p>https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/atas-ctpp/56_reuniao_ordinaria_04_e_05_03_2009.pdf</p><p>40</p><p>Fonte: MINISTÉRIO DO TRABALHO, 2015.</p><p>Ainda (vírgula) de acordo com Yamakami (2013), ela:</p><p>Estabelece o campo de aplicação de todas as Normas Regulamentadoras de</p><p>Segurança e Medicina do Trabalho do Trabalho Urbano, bem como os</p><p>direitos e obrigações do Governo, dos empregadores e dos trabalhadores no</p><p>tocante a este tema específico. A fundamentação legal, ordinária e específica,</p><p>que dá embasamento jurídico à existência desta NR, são os artigos 154 a 159</p><p>da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. (YAMAKAMl, 2013)</p><p>41</p><p>De acordo com o Ministério do Trabalho (2022) os principais assuntos nela</p><p>tratados são:</p><p>Em suma, a NR 1 vem para estabelecer as disposições gerais no que diz</p><p>respeito à segurança e saúde no trabalho, as diretrizes e os requisitos para o</p><p>gerenciamento de riscos ocupacionais e as medidas de prevenção em Segurança e</p><p>Saúde no Trabalho – SST.</p><p>5.2 NR 2: Inspeção prévia</p><p>Fonte: shre.ink/m5Np</p><p>42</p><p>A NR 2, assim como a NR 1, também é regulada pelo Ministério do Trabalho.</p><p>Sobre sua criação o órgão diz:</p><p>A norma regulamentadora foi originalmente editada pela Portaria MTb nº</p><p>3.214, de 08 de junho de 1978, de maneira a regulamentar o artigo 160 da</p><p>Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), conforme redação dada pela Lei</p><p>n. º 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que alterou o Capítulo V (Da</p><p>Segurança e da Medicina do Trabalho) do Título II da CLT.</p><p>Caracterizada como Norma Geral pela Portaria SIT nº 787, de 28 de</p><p>novembro de 2018, a NR-02 estabelecia os procedimentos referentes à</p><p>inspeção prévia nas instalações de novos estabelecimentos. (MINISTÉRIO</p><p>DO TRABALHO, 2022)</p><p>Ela trata sobre os casos em que as instituições devem solicitar ao MTb a</p><p>inspeção de seus espaços corporativos e ainda, o procedimento para tanto. Porém,</p><p>as solicitações de vistorias feitas ao Ministério do Trabalho eram e ainda são grandes,</p><p>acima da quantidade de fiscais disponíveis para a averiguação que a norma pede.</p><p>Abitante (2021) pondera que se procedia da seguinte forma:</p><p>Pela norma, toda empresa deve comunicar e solicitar vistoria e aprovação da</p><p>DRT, órgão regional do MTb, antes de iniciar suas atividades e sempre que</p><p>ocorrerem modificações substanciais nas instalações e/ou nos equipamentos</p><p>de seu (s) estabelecimento (s). Estando tudo em conformidade, a empresa</p><p>recebe o CAI (Certificado de Aprovação de Instalações). (ABITANTE, 2021)</p><p>Logo, como passar dos anos e com a inviabilidade em atendê-la plenamente,</p><p>“as modificações decorrentes da Portaria SSMT nº 06/1983 permaneceram vigentes</p><p>até o ano de 2019, quando da publicação da Portaria SEPRT nº 915, de 30 de julho</p><p>de 2019, que revogou por completo a NR-02. ” (MINISTÉRIO DO TRABALHO E</p><p>PREVIDÊNCIA, 2022)</p><p>5.3 NR 3: Embargo ou Interdição</p><p>Fonte: shre.ink/m5mZ</p><p>43</p><p>A Norma Regulamentadora NR-3 foi criada pela Portaria MTb nº 3.214, de 8 de</p><p>junho de 1978. De acordo com Ministério do Trabalho (2022), ficam definidos:</p><p>Fonte: MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA, 2022.</p><p>Ainda de acordo com o Ministério do Trabalho, ela possui duas tabelas</p><p>determinantes para o excesso de risco aos trabalhadores. A primeira destina-se</p><p>somente ao que fere à exposição individual e com uma possibilidade menor de</p><p>vítimas; já a segunda nesta linha, se refere à exposição que causa lesão à várias</p><p>vítimas ao mesmo tempo.</p><p>Estas tabelas, por sua vez, separam o excesso de risco em: E-Extremo; S-</p><p>Substancial; M-Moderado; P-Pequeno; N- Nenhum. Sendo que, caso seja</p><p>considerado pela avaliação como S-Substancial ou E-Extremo, o empreendimento é</p><p>passível de interdição ou até mesmo embargo.</p><p>Os principais pontos tratados na norma são:</p><p>Fonte: MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA, 2022.</p><p>44</p><p>Por fim, como a NR 3 dá diretrizes plenas ao Auditor Fiscal para paralisar</p><p>completamente uma obra ou empresa, desse modo ela se torna uma das normas mais</p><p>eficazes para prevenção de acidentes trabalhistas, pois inibe diretamente o risco à</p><p>vida do colaborador. Teve sua última atualização pela Portaria SEPRT 1068 de</p><p>23/09/2019, e foi publicada no DOU em 24/09/2019.</p><p>Fonte: shre.ink/m5md</p><p>5.4 NR 4: Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em</p><p>Medicina do Trabalho</p><p>Fonte: shre.ink/m5J4</p><p>Esta norma regulamentadora foi elaborada pela redação da Portaria MTb nº</p><p>3.214, de 08 de junho de 1978, e levava por título originalmente como: “SERVIÇO</p><p>45</p><p>ESPECIALIZADO EM SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO – SESMT”. De acordo</p><p>com o Ministério do Trabalho, a NR 4 é considerada um norma geral, estabelecendo</p><p>assim:</p><p>[...] a obrigatoriedade de contratação de profissionais da área de segurança</p><p>e saúde do trabalho de acordo com o número de empregados e a natureza</p><p>do risco da atividade econômica da empresa. Os profissionais integrantes do</p><p>SESMT são os responsáveis pela elaboração, planejamento e aplicação dos</p><p>conhecimentos de engenharia de segurança e medicina do trabalho nos</p><p>ambientes laborais, visando garantir a integridade física e a saúde dos</p><p>trabalhadores. (MINISTÉRIO DO TRABALHO, 2022)</p><p>Em 1983, sua nomenclatura foi alterada: “SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM</p><p>ENGENHARIA DE SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO - SESMT”. Desde</p><p>então, ela sempre (assim como as outras NR´s) é revisada pela da Comissão Tripartite</p><p>Paritária Permanente (CTPP). Os principais assuntos tratados por ela são:</p><p>[...] a formação e o dimensionamento das equipes de profissionais de saúde</p><p>e segurança ocupacional que irão compor o serviço (baseado no número de</p><p>empregados total), definindo algumas das atividades que devem ser</p><p>apresentadas ao Ministério do Trabalho, assim como a periodicidade de</p><p>apresentação dessas informações. (ABITANTE, 2021)</p><p>É uma norma prevencionista, pois de acordo com a atuação diária dos</p><p>profissionais que compõem o SESMT, visa reduzir as doenças e acidentes</p><p>ocupacionais, trazendo por objetivo, a assistência direta aos colaboradores. Assim</p><p>como já descrito, temos os componentes desta equipe multidisciplinar:</p><p>46</p><p>5.5 NR 5: Comissão Interna de Prevenção de Acidentes</p><p>Fonte: shre.ink/m5J1</p><p>Para fins conceituais sobre esta norma, o Ministério do Trabalho diz:</p><p>[...] foi originalmente editada pela Portaria MTb nº 3.214, em 08 de junho de</p><p>1978, de maneira a regulamentar os artigos 163 a 165 da Consolidação das</p><p>Leis do Trabalho (CLT), conforme redação dada pela Lei n. º 6.514, de 22 de</p><p>dezembro de 1977, que alterou o Capítulo V (Da Segurança e da Medicina</p><p>do Trabalho) do Título II da CLT. Caracterizada como Norma Geral pela</p><p>Portaria SIT nº 787, de 28 de novembro de 2018, a Comissão Interna de</p><p>Prevenção de Acidentes (CIPA) tem como objetivo a prevenção de acidentes</p><p>e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível, de forma</p><p>permanente, o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde</p><p>do trabalhador. (BRASIL, 2022)</p><p>A CIPA é uma equipe semelhante ao SESMT, normalmente as duas estão em</p><p>constante comunicação. A difrença primordial é que ela não é composta por</p><p>especialistas da área de Segurança do Trabalho, e sim por representantes do</p><p>empregador e dos empregados.</p><p>Fonte: shre.ink/m5Jf</p><p>47</p><p>A NR 5 tem como objetivo, “[...] a prevenção de acidentes e doenças</p><p>relacionadas ao trabalho, de modo a tornar compatível, permanentemente, o trabalho</p><p>com a preservação da vida e promoção da saúde do trabalhador.” (MINISTÉRIO DO</p><p>TRABALHO, 2022)</p><p>Os principais tópicos desta norma (após o objetivo e campo de aplicação) são:</p><p>Fonte: Ministério do Trabalho, 2022.</p><p>Seu dimensiomanento é feito com base em quadro, que</p><p>de acordo com o</p><p>número de empregados e o grau de risco da atividade econômica da empresa,</p><p>determina a quantidade de integrantes da CIPA para aquela corporação:</p><p>48</p><p>Fonte: Ministério do Trabalho e Previdência- Portaria MTP n. º 422, 2022.</p><p>Dessa forma, a NR 5 norteia as diretrizes e todos os aspectos que devem ser</p><p>seguidos pelas organizações e colaboradores que compõem a CIPA, sendo junto com</p><p>o SESMT, uma importante ferramenta prevencionista diária.</p><p>49</p><p>5.6 NR 27: Registro Profissional do Técnico de Segurança do Trabalho</p><p>Fonte: Adaptado de Henrique, L. 2017.</p><p>Em relação à sua redação inicial, o Ministério do Trabalho e Previdência dispõe:</p><p>[...] foi originalmente editada pela Portaria MTb nº 3.214, de 08 de junho de</p><p>1978, estabelecendo os procedimentos para o registro profissional do</p><p>Técnico de Segurança do Trabalho. Sua publicação fundamentou-se no</p><p>artigo 200 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que conferiu</p><p>competência ao extinto Ministério do Trabalho para estabelecer normas</p><p>regulamentadoras em segurança e saúde no trabalho, conforme redação</p><p>dada pela Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que alterou o Capítulo</p><p>V (Da Segurança e da Medicina do Trabalho) do Título II da CLT.</p><p>A NR-27 não foi classificada pela Portaria SIT nº 787, de 28 de novembro de</p><p>2018, vez que sua revogação antecedeu a publicação desse ato normativo.</p><p>Da mesma forma, essa norma nunca foi discutida no âmbito da Comissão</p><p>Tripartite Paritária Permanente (CTPP). (MINISTÉRIO DO TRABALHO,</p><p>2022)</p><p>A norma em questão detém em seu teor, o formulário para preenchimento que</p><p>era a base para a solicitação do registro profissional do técnico e explica em poucos</p><p>termos o procedimento para efetivação do título.</p><p>Porém, ela foi revogada pela Portaria 262 de 30/05/2008, e atualmente o</p><p>registro é solicitado de forma obrigatória pelo Sistema de Registro Profissional –</p><p>SIRPWEB (on-line), subordinado à Secretaria de Trabalho, e de forma não obrigatória</p><p>pelo site do CONFEA/CREA (que é extremamente comum).</p><p>50</p><p>5.7 NR 28: Fiscalização e Penalidades.</p><p>Fonte: Ambipar, 2021.</p><p>Para a NR 28, o Ministério do Trabalho e Previdência elucida:</p><p>[...] foi originalmente editada pela Portaria MTb nº 3.214, de 08 de junho de</p><p>1978, de forma a regulamentar os artigos 161 e 201 da Consolidação das</p><p>Leis do Trabalho (CLT), conforme redação dada pela Lei nº 6.514, de 22 de</p><p>dezembro de 1977, estabelecendo os procedimentos de fiscalização quanto</p><p>ao cumprimento das disposições legais e/ou regulamentares sobre</p><p>segurança e saúde do trabalhador, bem como as penalidades a serem</p><p>aplicadas em caso de descumprimento da legislação.</p><p>Conforme classificação estabelecida na Portaria SIT n° 787, de 29 de</p><p>novembro de 2018, a NR-28 é norma geral, posto que regulamenta aspectos</p><p>decorrentes da relação jurídica prevista na Lei, especificamente no que tange</p><p>a procedimentos de fiscalização e de penalidades, sem estar condicionada a</p><p>outros requisitos, como atividades, instalações, equipamentos ou setores e</p><p>atividades econômicos específicos. Por se tratar de uma norma</p><p>regulamentadora de definição de procedimentos da atividade de fiscalização</p><p>e respectivas penalidades, nunca foi criada Comissão Nacional Tripartite</p><p>Temática para seu acompanhamento. (MINISTÉRIO DO TRABALHO, 2022.)</p><p>Sofrendo várias alterações em seu texto base ao longo dos anos, sua última</p><p>alteração foi feita pela Portaria SEPRT n. º 9.384, de 06 de abril de 2020, e Portaria</p><p>MTP n. º 698, de 04 de abril de 2022.</p><p>Por conclusão, ela “descreve como serão calculadas as penalidades relativas</p><p>ao descumprimento das Normas Regulamentadoras, que serão constatados por meio</p><p>da fiscalização dos auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho. ”</p><p>(ABITANTE, 2021).</p><p>51</p><p>6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ABITANTE, A. L. Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional. Minha Biblioteca</p><p>Sagah, 2021.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HIGIENISTAS OCUPACIONAIS (ABHO). Um pouco</p><p>da história da ABHO. ABHO, 2021.</p><p>ABRÃO, M. E. G.; ANDRADE, S. J. FEIT: Intercursos: Revista Científica: Ciências</p><p>Exatas: Uma Análise Sobre a Evolução da Engenharia de Segurança do Trabalho à</p><p>Luz da Legislação Brasileira Vigente Ituiutaba, v11, n. 2, 2012.</p><p>ALBORNOZ, S. O que é trabalho. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1994.</p><p>ANAMT- Associação Nacional de Medicina do Trabalho. História da Medicina do</p><p>Trabalho. 2017.</p><p>ARAÚJO, E. M. Introdução à Higiene e Segurança do Trabalho. Editora</p><p>Intersaberes, 2021.</p><p>AZEVEDO, I. V. Assessoria de Comunicação Crea-SE: Crea-SE destaca</p><p>importância e papel da Engenharia de Segurança do Trabalho. 2022.</p><p>BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Segurança do Trabalho Guia Prático e</p><p>Didático. Editora Saraiva, 2018.</p><p>BASILIO, P. Brasil é 2º país do G20 em mortalidade por acidentes no trabalho.</p><p>2021.</p><p>BRASIL. Diário Oficial da União. PORTARIA Nº 787, DE 27 DE NOVEMBRO DE</p><p>2018. Dispõe sobre as regras de aplicação, interpretação e estruturação das Normas</p><p>Regulamentadoras.</p><p>BRASIL. DECRETO Nº 26.042, de 17 de dezembro de 1948. Diário Oficial da União -</p><p>Seção 1 - 25/1/1949, Página 1169. Coleção de Leis do Brasil - 1949, Página 381 Vol.</p><p>2</p><p>BRASIL. Portaria nº 3.214 de 08 de junho de 1978 NR – 5. Comissão Interna de</p><p>Prevenção de Acidentes. Aprova as Normas Regulamentadoras - NR do Capítulo V,</p><p>Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas a Segurança e Medicina do</p><p>Trabalho.</p><p>52</p><p>BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO. Portaria Nº 3.214. 1978. Aprova as Normas</p><p>Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do</p><p>Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho</p><p>BRASIL. Lei nº 8.213 de, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de</p><p>Benefícios da Previdência Social.</p><p>BRASIL. Norma regulamentadora nº 9: programa de prevenção de riscos</p><p>ambientais. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Normas Regulamentadoras – NR.</p><p>2022.</p><p>BRASIL. LEI COMPLEMENTAR Nº 150, de 1º de junho de 2015. Presidência da</p><p>República Casa Civil - Subchefia para Assuntos Jurídicos.</p><p>BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria nº. 25, de 29 de dezembro de</p><p>1994. Aprova a Norma Regulamentadora nº 9 - Riscos Ambientais. Brasília, DF, 1994.</p><p>BRISTOT, V. M. Introdução à engenharia de segurança do trabalho. Criciúma, SC</p><p>- UNESC, 2019.</p><p>CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) Ementas/Normativos:</p><p>RESOLUÇÃO Nº 359, DE 31 JUL 1991. Publicada no D.O.U. de 01 NOV 1991 - Seção</p><p>I - Pág. 24.564.</p><p>DIAS, E. C. (org.). Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos</p><p>para os serviços de saúde. Brasília, DF: MS; OPAS, 2001.</p><p>DIBARTOLOMEIS, M. J. Avaliação de risco para a saúde. In: LADOU, J.;</p><p>HARRISON, R. J. (org.). Current — medicina ocupacional e ambiental: diagnóstico e</p><p>tratamento. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016.</p><p>FILHO, A. N. B. Segurança do Trabalho e Gestão Ambiental, 5ª edição. Grupo</p><p>GEN, 2018.</p><p>LUDOVICE, H. Trabalho e Segurança: uma questão de cidadania. Revista do</p><p>CONFEA – Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia 2014.</p><p>OLIVEIRA, L. O. Gestão estratégica de recursos humanos – 2. ed. p. 127– Porto</p><p>Alegre, SAGAH, 2017.</p><p>53</p><p>PAOLESCHI, B. CIPA: Guia Prático de Segurança do Trabalho. Editora Saraiva,</p><p>2009.</p><p>PEIXOTO, N. H. Higiene ocupacional I / Neverton Hofstadler, Leandro Silveira</p><p>Ferreira. Santa Maria: UFSM, CTISM; Rede e-Tec Brasil, 2012.</p><p>PINHEIRO, C. S. Introdução à Segurança no Trabalho. Instituto Formação. p 15.</p><p>2012.</p><p>ROJAS, P. Técnico em segurança do trabalho. Porto Alegre: Bookman, 2015.</p><p>SANTOS, S. V. M.; GALLEGUILLOS, P. E. A.; TRAJANO, J. D. S. Saúde do</p><p>trabalhador. Porto Alegre: Sagah, 2019.</p><p>SARAIVA. Segurança e medicina do trabalho. Editora Saraiva, 2021.</p><p>SECCO, I. A. O. Acidentes e cargas de trabalho dos trabalhadores de</p><p>enfermagem de um hospital universitário do norte do Paraná.</p><p>2006. 291 f. Tese</p><p>(Doutorado em Enfermagem Fundamental) — Escola de Enfermagem de Ribeirão</p><p>Preto, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.</p><p>SILVA, N; TOLFO, S. R. Trabalho significativo e felicidade humana: explorando</p><p>aproximações. Rev. Psicol., Organ. Trab. Florianópolis, v. 12, n. 3, p. 341-354, dez.</p><p>2012.</p><p>SOUZA, A. N. et al. (org.). Saúde do trabalhador e da trabalhadora. Brasília:</p><p>Ministério da Saúde, 2018.</p><p>YAMAKAMI, Dr. W. J. Introdução à Engenharia de Segurança no Trabalho. Ilha</p><p>Solteira, 2013.</p><p>ZANELLI, J. C.; SILVA, N.; SOARES, D. H. P. Orientação para aposentadoria nas</p><p>organizações de trabalho: construção de projetos para o pós-carreira. Porto Alegre:</p><p>Artmed. 2010.</p><p>ZOCCHIO, A. Prática da prevenção de acidentes: ABC da segurança do trabalho.</p><p>7ª edição. Grupo GEN, 2002.</p>

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