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<p>SUMÁRIO</p><p>PATRIMÔNIO HISTÓRICO ..........................................................................................1</p><p>MEMÓRIA E HISTÓRIA ...............................................................................................7</p><p>O ´´DESCOBRIMENTO´´ DO BRASIL..........................................................................10</p><p>GRÉCIA ANTIGA.......................................................................................................23</p><p>ROMA ANTIGA.........................................................................................................36</p><p>COLONIZAÇÃO E OS PRIMEIROS GOVERNOS..........................................................48</p><p>IDADE MÉDIA...........................................................................................................62</p><p>RENASCIMENTO COMERCIAL...................................................................................83</p><p>O ESTADO NACIONAL ABSOLUTISTA.......................................................................90</p><p>REFORMAS RELIGIOSAS..........................................................................................107</p><p>REVOLUÇÕES BURGUESAS – PARTE 1: REVOLUÇÃO INGLESA.................................115</p><p>ILUMINISMO............................................................................................................126</p><p>REVOLUÇÕES BURGUESAS – PARTE 2: ESTADOS UNIDOS......................................135</p><p>REVOLUÇÃO FRANCESA........................................................................................144</p><p>FAMÍLIA REAL NO BRASIL E O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA...........................159</p><p>ERA NAPOLEÔNICA E O CONGRESSO DE VIENA...................................................168</p><p>PRIMEIRO REINADO: O GOVERNO DE DOM PEDRO I............................................177</p><p>PERÍODO REGENCIAL (1831 -1840) .........................................................................184</p><p>SEGUNDO REINADO (1840- 1889) ..........................................................................195</p><p>1</p><p>PATRIMÔNIO HISTÓRICO</p><p>O termo patrimônio, de origem latina (patrimonium), designa os bens recebidos por herança paterna, familiar, e, por</p><p>extensão, vem sendo utilizado para nomear o legado de uma geração a outra, não apenas no âmbito da família, como</p><p>também dos grupos sociais, dos Estados nacionais e mesmo da humanidade. A ideia de transmissão ao longo do</p><p>tempo é, portanto, constitutiva da noção de patrimônio.</p><p>O Patrimônio Histórico pode ser considerado como um dos pilares da discussão da área de História. Desde a</p><p>antiguidade o homem produziu obras com o intuito de que elas sobrevivessem a gerações, levando com elas ideias da</p><p>sociedade que a construiu e quem sabe ainda sendo no futuro fruto de inspiração para aqueles que dela se</p><p>beneficiarem.</p><p>Segundo Canini (2005), foi no período do governo Getúlio Vargas, no ano de 1936 que o escritor Mário de Andrade,</p><p>um dos integrantes da Semana de Arte Moderna de 1922, o responsável por redigir uma Lei a pedido do governo, onde</p><p>entendia que o Patrimônio estava relacionado a tudo que fosse, popular e erudito, nacional ou estrangeiro, de poder</p><p>público ou particular, que resida no Brasil.</p><p>Ou seja, o autor apesar de fazer parte de uma geração de pensadores que trouxeram a ideia de modernidade, buscando</p><p>uma nova era de produções artísticas que resgatassem as memórias locais também evidenciou a importância da</p><p>preservação e resgate das tradições e culturas já existentes no Brasil.</p><p>“A preocupação com a preservação de uma herança para as</p><p>futuras gerações, inicialmente delineada no projeto de Mário de</p><p>Andrade, tem originado uma série de leis, que, no seu conjunto,</p><p>se complementam. O decreto-lei no</p><p>25, de 30 de novembro de 1937, organizou o Serviço de</p><p>Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), que define o</p><p>patrimônio como sendo: “o conjunto dos bens móveis e imóveis</p><p>existentes no país e cuja conservação seja de interesse público,</p><p>quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil,</p><p>quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico,</p><p>bibliográfico ou artístico”. (CANINI, 2005, p. 170)</p><p>O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é</p><p>a designação atual da instituição brasileira de preservação do</p><p>patrimônio cultural criada em 1937 como Serviço do Patrimônio</p><p>Histórico e Artístico Nacional. Essa denominação foi utilizada pela</p><p>instituição em dois momentos: de 1970 a 1979; e a partir de 1994.</p><p>Ele é responsável pelo tombamento de tudo aquilo que possa ter</p><p>valor histórico atribuído, como um imóvel, evento, tradição, obras</p><p>de arte ou demonstre importância para a preservação de</p><p>tradições locais às gerações futuras.</p><p>A partir do tombamento de um imóvel, aspecto cultural, obra de arte, etc, fica assegurado a sua preservação e a</p><p>manutenção de suas características originais. Importante nos perguntarmos a importância de imóveis, objetos, locais,</p><p>que sofreram tombamento histórico sobre qual é a sua relação com a sociedade que convive com eles.</p><p>O Patrimônio e a Educação</p><p>O termo “educar” tem origem no latim (exducere), e significa “conduzir de dentro para fora”. O foco de qualquer processo</p><p>educativo deve ser, portanto, o educando, e esse processo será tanto mais eficaz quanto mais se identificar no</p><p>educando seu protagonista. O papel do educador será antes de indutor, orientador, estimulador, visando, sobretudo, a</p><p>formar pessoas e cidadãos comprometidos com o bem estar da coletividade.</p><p>2</p><p>Nesse sentido, não se trata de “ensinar sobre” o patrimônio, mas de considerar os bens culturais, sua fruição,</p><p>preservação e difusão, como um recurso precioso no processo educativo. Por esse motivo, considero o termo</p><p>“Educação Patrimonial” pouco adequado, pois remete à proposta de se criar uma disciplina no já tão sobrecarregado</p><p>currículo escolar, o que limitaria enormemente o papel do patrimônio na educação, formal ou informal. Trata-se antes</p><p>de buscar meios para que o educando se aproprie dessa temática, desenvolvendo um “sentido de patrimônio”</p><p>(CHASTEL & BABELON).</p><p>“O trabalho com o patrimônio não pode ser uma simples acumulação de conhecimentos. Ele deve ajudar à estruturação</p><p>do tempo e do espaço, a desenvolver a educação dos sentidos e, mais particularmente, a capacidade de ver, a</p><p>despertar a curiosidade, e partir para a descoberta do outro. Além desses, há objetivos muito ambiciosos, mas</p><p>estimulantes: tornar o aluno mais responsável, levá-lo a fazer escolhas, propor uma reflexão crítica, apropriar-se do</p><p>território em que vive...” (ICHER, 2008, p. 158).</p><p>A meta que se deve ter em vista, portanto, é de despertar no educando a curiosidade, o desejo e o prazer de conhecer</p><p>e de conviver com os bens culturais enquanto patrimônio coletivo, e de levá-lo a se apropriar desses bens enquanto</p><p>recursos que aprimoram sua qualidade de vida, e que contribuem para seu enriquecimento enquanto pessoa e cidadão,</p><p>em suas atividades profissionais, de lazer, de criação e de interrelação com os outros e com o mundo. Desse processo</p><p>é que decorre o compromisso com a preservação.</p><p>Patrimônio Material e Imaterial</p><p>Segundo o IPHAN, Patrimônio Material pode ser considerado como cidades históricas, sítios arqueológicos, bens</p><p>individuais, acervos museológicos, acervos documentais, fotográficos, etc. Já o Patrimônio Imaterial é tudo aquilo que</p><p>engloba os saberes tradicionais, celebrações, modos de fazer, etc.</p><p>Cultura Material</p><p>A cultura material é associada aos elementos concretos de uma sociedade, representando a cultura e história de sua</p><p>população. Os bens de natureza material podem ser móveis ou imóveis.</p><p>São considerados bens imóveis as estruturas físicas, como cidades históricas, sítios arqueológicos e paisagísticos, e</p><p>bens individuais. Já os móveis são os bens que podem ser transportados, como coleções arqueológicas, acervos</p><p>museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.</p><p>colonização com a implantação da Economia</p><p>Açucareira. Sobre este período da história econômica</p><p>do país, analise as afirmações a seguir:</p><p>I) Um dos fatores do êxito da economia açucareira foi</p><p>o fato dos portugueses possuírem experiência na</p><p>produção da cana de açúcar.</p><p>II) Portugal associou-se a Holanda para o</p><p>financiamento, o transporte e refino do açúcar.</p><p>III) Os espanhóis, já no século XVI, criaram uma</p><p>produção açucareira concorrente, que incentivou a</p><p>melhoria da qualidade do produto.</p><p>IV) A mão de obra veio da África no sistema de trabalho</p><p>escravo.</p><p>V) Os franceses ocuparam Pernambuco, no século</p><p>XVII, depois que foram expulsos do Rio de Janeiro,</p><p>onde tinham fundado a França Antártica.</p><p>É correto apenas o que se afirma em:</p><p>a) I, II e III.</p><p>b) I, II e IV.</p><p>c) II, III e V.</p><p>d) III, IV e V.</p><p>e) II, IV e V.</p><p>Questão-20)</p><p>A chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil foi</p><p>narrada na carta de Pero Vaz de Caminha, à qual se</p><p>seguiram as seguintes expressões culturais nos</p><p>primeiros momentos de nossa história:</p><p>a) Formação de academias literárias e propagação de</p><p>um ideário nacionalista.</p><p>b) Maturação de um autêntico sistema literário e</p><p>formação de grêmios republicanos.</p><p>c) Correspondência de viajantes e documentação das</p><p>riquezas naturais.</p><p>d) Abertura dos portos às nações amigas e</p><p>consolidação da imprensa.</p><p>e) Catequese promovida pelos jesuítas e consolidação</p><p>dos ideais emancipacionistas.</p><p>Questão-21)</p><p>Para responder à questão, considere as afirmações</p><p>sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral, que aportou</p><p>no litoral brasileiro em abril de 1500, dando origem ao</p><p>“descobrimento do Brasil”.</p><p>I. A expedição foi um empreendimento estatal</p><p>comandado e controlado pela Coroa Portuguesa, sem</p><p>que houvesse participação de investimentos privados</p><p>na sua montagem e execução.</p><p>II. A viagem de Cabral contou com o apoio da Igreja</p><p>Católica, que desejava expandir o cristianismo para</p><p>além da Europa; ademais, o reconhecimento oficial da</p><p>Igreja conferia legitimidade às novas conquistas.</p><p>III. A escolha do comandante da esquadra portuguesa</p><p>teve como principais critérios a competência e a</p><p>experiência profissional de Cabral, sinalizando o</p><p>rompimento do Estado português com os privilégios</p><p>aristocráticos na sua burocracia.</p><p>IV. A expedição tinha como objetivo final estabelecer</p><p>rotas comerciais de especiarias com o Oriente; a</p><p>“descoberta do Brasil”, porém, estava entre os</p><p>resultados possíveis, devido ao interesse português em</p><p>controlar a navegação no Atlântico Sul.</p><p>Estão corretas apenas as afirmativas:</p><p>a) I e II.</p><p>b) II e IV.</p><p>c) I, II e III.</p><p>d) I, III e IV.</p><p>e) II, III e IV.</p><p>Questão-22)</p><p>Analise a figura e o texto a seguir:</p><p>“Descoberta da América: chegada de Américo</p><p>Vespúcio”. Gravura em metal de Theodor Galle</p><p>baseada num desenho de Jan van der Straet (ca.</p><p>1575). Disponível em:</p><p><http://www.metmuseum.org/collection/thecollection-</p><p>online/search/343845>. Acesso em 22 de set. 2014, às</p><p>20h47.</p><p>A história canônica do Brasil começa com o</p><p>“Descobrimento”. Nesta cena Américo Vespúcio</p><p>desperta a América, representada por uma índia</p><p>Tupinambá, deitada na rede. Rede, tacape e cenas de</p><p>antropofagia, que se veem ao fundo, são emblemáticos</p><p>20</p><p>dos Tupinambás. Desenho de Jan van der Straet</p><p>(também chamado Stadanus), gravura de Theodor</p><p>Galle (1589).</p><p>(CUNHA, Manuela Carneiro. Introdução a uma história indígena. In:</p><p>CUNHA, Manuela Carneiro. História dos Índios no Brasil. SP:</p><p>Companhia das Letras, 1992. P. 09).</p><p>Sobre história Indígena do Brasil nos primeiros séculos</p><p>de colonização é correto afirmar:</p><p>a) a imagem revela o estranhamento dos europeus</p><p>sobre os indígenas e a visão celestial sobre os</p><p>mesmos atribuída ao longo da colonização.</p><p>b) a História do Brasil oficial começa com a chegada</p><p>dos portugueses, não sendo possível a</p><p>compreensão da história dos índios pela sua quase</p><p>extinção em tempos coloniais.</p><p>c) a visão tradicional sobre a História do Brasil narra,</p><p>comumente, a chegada dos europeus como um</p><p>“despertar” desta “Nova Terra”, menosprezando a</p><p>história dos indígenas.</p><p>d) os rituais de antropofagia, representados na</p><p>imagem, foram alguns dos costumes mais</p><p>abominados pelos europeus, contudo foram</p><p>posteriormente aceitos e adaptados à cultura</p><p>europeia.</p><p>e) a rede e o tacape, presentes na imagem, revelam o</p><p>atraso tecnológico dos indígenas e a superioridade</p><p>em todas as esferas - seja técnica e tecnológica,</p><p>seja também cultural e religiosa - do colonizador</p><p>europeu.</p><p>Questão-23)</p><p>Analise a imagem abaixo de Theodore de Bry, Grandes</p><p>Viagens, 1592.</p><p>Theodore de Bry utilizou desenhos de Hans Staden</p><p>para elaborar as suas representações das práticas dos</p><p>indígenas do Novo Mundo. Sobre o contato das culturas</p><p>europeia e indígena e as representações do olhar</p><p>europeu, considerando a imagem acima, é correto</p><p>afirmar, EXCETO:</p><p>a) Essa imagem é um exemplo de eurocentrismo, pois</p><p>apresenta representações baseadas em referências</p><p>culturais europeias.</p><p>b) A imagem representa a idealização do nativo com</p><p>base em crenças religiosas, visão mítica e em obras</p><p>literárias, entre outras referências.</p><p>c) Imaginário e crenças religiosas levaram a uma</p><p>demonização do nativo e de seus hábitos criando</p><p>uma visão preconceituosa do nativo e da natureza</p><p>brasileira permeada por crenças religiosas e por</p><p>valores morais.</p><p>d) A função da iconografia naquele período era difundir</p><p>a imagem do outro na Europa e construir, com base</p><p>no imaginário e em descrições de terceiros,</p><p>romantização e embelezamento da paisagem e dos</p><p>nativos.</p><p>e) Os viajantes, cronistas e artistas representavam os</p><p>nativos e suas práticas tendo consciência total da</p><p>distorção da imagem, visando demonizar o nativo</p><p>para justificar a sua exterminação sem qualquer</p><p>fundo moral.</p><p>Questão-24)</p><p>No início da colonização portuguesa na América o</p><p>produto de maior valor comercial era o paubrasil. Sobre</p><p>a extração e comércio do pau-brasil nesse período é</p><p>correto afirmar que</p><p>a) foi desenvolvida uma sofisticada forma de extração</p><p>que não afetava a floresta.</p><p>b) foi com a extração de pau-brasil que surgiram os</p><p>primeiros povoados no Brasil.</p><p>c) os portugueses foram os únicos a explorar o pau-</p><p>brasil.</p><p>d) só poderia dedicar-se à extração do pau- Brasil</p><p>quem tivesse uma concessão da Coroa Portuguesa.</p><p>Até 1504 o concessionário exclusivo para a</p><p>exploração do pau-brasil foi Fernão de Noronha.</p><p>e) as terras americanas forneceram pau-brasil até o</p><p>século XVII, quando o negócio foi substituído pela</p><p>lavoura de cana-de-açúcar, muito mais rentável.</p><p>Questão-25)</p><p>As primeiras décadas após a oficialização do</p><p>“achamento” do Brasil, em 1500 pela esquadra de</p><p>Cabral, foram marcadas por um escasso interesse da</p><p>parte dos portugueses em relação às novas terras.</p><p>Essa tendência permaneceu até a introdução do</p><p>sistema de Capitanias Hereditárias. Sobre esse período</p><p>de tempo inicial, é INCORRETO afirmar que:</p><p>a) as primeiras tentativas francesas de penetração no</p><p>território ocorreram nessa época pré-colonial,</p><p>inconformados com o estabelecimento do Tratado</p><p>de Tordesilhas, os franceses a muito custo foram</p><p>combatidos por Cristóvão Jacques e suas</p><p>expedições de guarda-costas.</p><p>b) houve a concessão real de um estanco de</p><p>exploração ao comerciante de origem judaica</p><p>Fernão de Noronha, que o usou com o objetivo de</p><p>extração de pau-brasil.</p><p>21</p><p>c) a penetração no interior foi de pequena intensidade,</p><p>havendo, primordialmente, o interesse de</p><p>construção de feitorias no litoral.</p><p>d) foi de muita importância o trabalho das populações</p><p>autóctones, especialmente o dos grupos tupi, para</p><p>tanto foi importante o sistema de escambo.</p><p>e) a sistemática derrubada das árvores de pau-brasil</p><p>somente foi introduzida como recurso, após a</p><p>observação da impossibilidade de exploração</p><p>alternativa, pela falta de riquezas minerais e pela</p><p>total infertilidade do solo para plantação de qualquer</p><p>tipo de produto relevante.</p><p>Questão-26)</p><p>É prática comum nos programas escolares a</p><p>delimitação de datas</p><p>que marcam o início e, muitas</p><p>vezes, o fim de processos históricos. No caso da</p><p>História do Brasil, o ano de 1500 recebe bastante</p><p>atenção.</p><p>A respeito do ano de 1500 como início oficial da História</p><p>do Brasil, analise as proposições.</p><p>I. A definição de datas como marcos históricos tem</p><p>implicações políticas, uma vez que elege certos</p><p>eventos como fundamentais. No caso da História do</p><p>Brasil, a ênfase no ano de 1500 ressalta a importância</p><p>atribuída à chegada dos europeus para a constituição</p><p>da história brasileira.</p><p>II. Ao definir o ano de 1500 como marco inicial para a</p><p>História do Brasil, corre-se o risco de desconsiderar a</p><p>importância da história, as características e os</p><p>costumes dos vários grupos indígenas que já</p><p>habitavam o território, que seria posteriormente</p><p>conhecido como Brasil.</p><p>III. A definição do ano de 1500, como marco para o</p><p>início oficial da História do Brasil, foi resultado de uma</p><p>série de demandas populares que reivindicavam a</p><p>possibilidade de opinar a respeito da oficialização da</p><p>História Nacional.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.</p><p>b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.</p><p>c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.</p><p>d) Somente a afirmativa I é verdadeira.</p><p>e) Somente a afirmativa II é verdadeira.</p><p>Questão-27)</p><p>Mil anos antes da “descoberta” do Brasil pelos</p><p>europeus, um grande movimento de migração parece</p><p>ter se iniciado no sul da floresta amazônica. Os povos</p><p>que se moviam falavam línguas aparentadas, de uma</p><p>grande família de línguas que denominamos tupi-</p><p>guarani. Praticavam a coivara e eram bons caçadores</p><p>e pescadores.</p><p>(Norberto Luiz Guarinello.</p><p>Os primeiros habitantes do Brasil, 2009.</p><p>Adaptado.)</p><p>A partir do texto e de seus conhecimentos, pode-se</p><p>afirmar que os referidos povos:</p><p>a) limitavam-se ao extrativismo e alimentavam-se</p><p>principalmente de moluscos, daí serem também</p><p>chamados de povos dos sambaquis.</p><p>b) eram pacíficos e estabeleceram relações amistosas</p><p>com outros grupos nativos e, posteriormente, com</p><p>os colonizadores portugueses.</p><p>c) eram originários da Ilha de Marajó e dominavam a</p><p>cerâmica, o que permitia a conservação de</p><p>mantimentos e a produção de urnas funerárias.</p><p>d) foram dizimados por grupos indígenas procedentes</p><p>do litoral pacífico do continente, daí sua cultura ter</p><p>sido extinta antes da conquista portuguesa.</p><p>e) praticavam a agricultura e tinham bom domínio da</p><p>navegação, o que contribuiu para sua expansão</p><p>pelas terras posteriormente chamadas de Brasil.</p><p>Questão-28)</p><p>Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou</p><p>os primeiros contatos entre os indígenas e os</p><p>portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão</p><p>estava com um colar de ouro muito grande ao pescoço.</p><p>Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer</p><p>acenos com a mão em direção à terra, e depois para o</p><p>colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na</p><p>terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e</p><p>acenava para a terra e novamente para as contas e</p><p>para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam</p><p>ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por</p><p>assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria</p><p>as contas e o colar, isto nós não queríamos entender,</p><p>porque não havíamos de dar-lhe!”</p><p>(Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha.</p><p>São Paulo:</p><p>Melhoramentos; Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.)</p><p>Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir</p><p>que o contato entre as culturas indígena e europeia foi</p><p>a) favorecido pelo interesse que ambas as partes</p><p>demonstravam em realizar transações comerciais:</p><p>os indígenas se integrariam ao sistema de</p><p>colonização, abastecendo as feitorias, voltadas ao</p><p>comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os</p><p>colonizadores.</p><p>b) guiado pelo interesse dos descobridores em</p><p>explorar a nova terra, principalmente por meio da</p><p>extração de riquezas, interesse que se colocava</p><p>acima da compreensão da cultura dos indígenas,</p><p>que seria quase dizimada junto com essa</p><p>população.</p><p>c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se</p><p>associaram aos descobridores na exploração da</p><p>nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja</p><p>base era a escravização dos povos nativos, o que</p><p>levaria à destruição da sua cultura.</p><p>22</p><p>d) marcado pela necessidade dos colonizadores de</p><p>obterem matéria-prima para suas indústrias e</p><p>ampliarem o mercado consumidor para sua</p><p>produção industrial, o que levou à busca por</p><p>colônias e à integração cultural das populações</p><p>nativas.</p><p>TEXTO: 2 - Comum à questão: 29</p><p>(...) plebe tão em extremo plebe, que só ela o pode ser</p><p>da que se repute e mais infame, e o é de todas as</p><p>plebes, por comporse de índios, de negros, criolos e</p><p>boçais de diferentes nações, de chineses, de mulatos,</p><p>de "zambaigos"*, e também de espanhóis que,</p><p>declarando-se "zaramullos" (que é o mesmo que</p><p>pícaros, grosseiros e "arrebatacapas") e degenerando</p><p>de suas obrigações, são os piores entre canalhas tão</p><p>ruins.</p><p>*Filho de mulato e ameríndia</p><p>(Carlos Sigüenza y Góngora. Relaciones históricas.</p><p>México: Biblioteca del Estudiante Universitário, UNAM,</p><p>1972, p. 133 Apud Angel Rama. A cidade das letras.</p><p>Trad. Emir Sader. SP: Brasiliense, 1984, p. 57)</p><p>Questão-29)</p><p>Como se vê nesse texto, preconceitos étnicos, de</p><p>classe ou de outro tipo podem habitar a cultura.</p><p>Tivemos exemplo disso em literatura com Gregório de</p><p>Matos, que em sua poesia satírica não poupou críticas</p><p>ferozes contra</p><p>a) as escravas que lutavam pela alforria dos filhos.</p><p>b) os zelosos membros da burocracia colonial.</p><p>c) os brancos que prosperavam no comércio.</p><p>d) os enriquecidos mestiços que encobriam sua</p><p>origem.</p><p>e) as índias que buscavam sustento na cidade.</p><p>Questão-30)</p><p>Leia o fragmento abaixo:</p><p>"em favor da Europa, África e Ásia, onde criou o</p><p>homem, formou o Paraíso e enviou os patriarcas, a</p><p>América permaneceu, até a chegada dos primeiros</p><p>enviados da igreja, sem a palavra revelada, sem luz,</p><p>sem fé, sem salvação".</p><p>RAMINELLI, R. As Imagens da Colonização: a</p><p>representação do índio de Caminha a Vieira: Rio de</p><p>Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1996, p.23.</p><p>O fragmento anterior é revelador da idéia que os</p><p>representantes da Igreja cultivavam acerca do indígena</p><p>brasileiro. Nesse sentido, assinale a afirmação</p><p>verdadeira.</p><p>a) A catequese passou a representar a possibilidade</p><p>de regeneração dos índios, sua humanização e a</p><p>posterior salvação de suas almas.</p><p>b) Nos anos iniciais da colonização, a imagem</p><p>construída pela maioria dos representantes da</p><p>catequese era a dos indígenas como seres</p><p>inocentes, puros, e desprovidos de pecados.</p><p>c) Os indígenas, desde o princípio da colonização, se</p><p>abriram à possibilidade de eliminação dos seus</p><p>costumes, entendidos pelos conquistadores como</p><p>vícios perniciosos.</p><p>d) Implantar nos indígenas a crença da necessidade da</p><p>salvação das suas almas e no reino dos céus foi</p><p>uma tarefa simples para os representantes do</p><p>catolicismo.</p><p>Questão-31)</p><p>Quando a esquadra de Cabral chegou ao território que</p><p>hoje chamamos de Brasil, o escrivão Pero Vaz de</p><p>Caminha registrou, em uma longa carta ao rei, os</p><p>principais acontecimentos. Entre eles, Caminha</p><p>destacou:</p><p>“Nesta terra, até agora, não pudemos saber que haja</p><p>ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro.</p><p>Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa</p><p>que, querendo aproveitar, dar-se-á nesta terra tudo, por</p><p>bem das águas que tem.”</p><p>Relacionando esse trecho da carta de Caminha aos</p><p>objetivos da colonização portuguesa na América, é</p><p>correto afirmar que essa colonização foi:</p><p>a) de povoamento, pois se encontraram ouro e prata</p><p>na primeira viagem às novas terras.</p><p>b) de povoamento, já que havia pouca possibilidade de</p><p>as terras serem produtivas ou férteis.</p><p>c) de exploração, pois se pretendiam utilizar as águas</p><p>dos rios para a produção de energia elétrica.</p><p>d) mercantilista, pois se demonstrava interesse em</p><p>metais preciosos</p><p>e exploração da agricultura.</p><p>e) mercantilista, já que a beleza do local era ideal para</p><p>a exploração do mercado turístico.</p><p>Questão-32)</p><p>Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) compara,</p><p>nos trechos, as guerras das sociedades Tupinambá</p><p>com as chamadas “guerras de religião” dos franceses</p><p>que, na segunda metade do século XVI, opunham</p><p>católicos e protestantes.</p><p>“(...) não vejo nada de bárbaro ou selvagem no que</p><p>dizem daqueles povos; e, na verdade, cada qual</p><p>considera bárbaro o que não se pratica em sua terra.</p><p>(...) Não me parece excessivo julgar bárbaros tais atos</p><p>de crueldade [o canibalismo] , mas que o fato de</p><p>condenar tais defeitos não nos leve à cegueira acerca</p><p>dos nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um</p><p>homem vivo do que o comer depois de morto; e é pior</p><p>esquartejar um homem entre suplícios e tormentos e o</p><p>queimar aos poucos, ou entregá-lo a cães e porcos, a</p><p>pretexto de devoção e fé, como não somente o lemos</p><p>mas vimos ocorrer entre vizinhos nossos conterrâneos;</p><p>e isso em verdade é bem mais grave do que assar e</p><p>comer um homem previamente executado. (...)</p><p>23</p><p>Podemos portanto qualificar esses povos como</p><p>bárbaros em dando apenas ouvidos à inteligência, mas</p><p>nunca se compararmos a nós mesmos, que os</p><p>excedemos em toda sorte de barbaridades..</p><p>MONTAIGNE, Michel Eyquem de, Ensaios,</p><p>São Paulo: Nova Cultural, 1984.</p><p>De acordo com o texto, pode-se afirmar que, para</p><p>Montaigne,</p><p>a) a idéia de relativismo cultural baseia-se na hipótese</p><p>da origem única do gênero humano e da sua</p><p>religião.</p><p>b) a diferença de costumes não constitui um critério</p><p>válido para julgar as diferentes sociedades.</p><p>c) os indígenas são mais bárbaros do que os europeus,</p><p>pois não conhecem a virtude cristã da piedade.</p><p>d) a barbárie é um comportamento social que</p><p>pressupõe a ausência de uma cultura civilizada e</p><p>racional.</p><p>e) a ingenuidade dos indígenas equivale à</p><p>racionalidade dos europeus, o que explica que os</p><p>seus costumes são similares.</p><p>GABARITO:</p><p>1) Gab: D 2) Gab: C 3) Gab: B 4) Gab: B</p><p>5) Gab: D 6) Gab: A 7) Gab: C 8) Gab: B</p><p>9) Gab: C 10) Gab: A 11) Gab: E 12) Gab: A</p><p>13) Gab: FFFF 14) Gab: E 15) Gab: D 16) Gab: E</p><p>17) Gab: C 18) Gab: B 19) Gab: B 20) Gab: C</p><p>21) Gab: B 22) Gab: C 23) Gab: E 24) Gab: D</p><p>25) Gab: E 26) Gab: A 27) Gab: E 28) Gab: B</p><p>29) Gab: D 30) Gab: A 31) Gab: E 32) Gab: B</p><p>GRÉCIA ANTIGA</p><p>Você vai conhecer uma importante sociedade da Antiguidade: a Grécia. A</p><p>cultura grega até hoje exerce influência em nossa sociedade. A Grécia antiga</p><p>localizava-se no sudeste da Europa, na bacia oriental do mar Mediterrâneo. O</p><p>relevo bastante acidentado dessa região dificultava as comunicações</p><p>terrestres na Antiguidade, fazendo com que a Grécia fosse constituída por</p><p>diversas cidades independentes. O litoral, por sua vez, salpicado de pequenas</p><p>ilhas e com. excelentes portos naturais, facilitava o intercâmbio marítimo.</p><p>Essas características geográficas contribuíram para a formação de uma</p><p>sociedade de navegadores e comerciantes. Para facilitar os estudos,</p><p>dividimos a história da Grécia antiga em cinco períodos, que você verá a</p><p>seguir.</p><p>PRÉ-HOMÉRICO (XX A.C. – XII A.C.)</p><p>Por volta de 2000 a.C., a Grécia começou a ser ocupada por diversos povos nômades vindos da Europa oriental:</p><p>aqueus, eólios, jônios e dórios. O último povo a chegar à Grécia foram os dórios. Sua chegada resultou na destruição</p><p>de muitas cidades e fez com que a população se espalhasse, dando origem a diversas comunidades organizadas em</p><p>torno de núcleos familiares - os clãs.</p><p>HOMÉRICO (XII A.C. - VIII A.C.)</p><p>Nessa época, a vida na Grécia tinha por base o clã, comandado por um chefe, o patriarca. A propriedade da terra era</p><p>coletiva e todos colaboravam nos trabalhos. O fim do período é marcado pelo crescimento da população e pela</p><p>escassez de terras férteis, o que ocasionou a desintegração dos clãs. As terras foram divididas entre seus membros;</p><p>os parentes mais próximos do patriarca ficaram com as maiores e melhores partes, dando origem a uma aristocracia</p><p>rural. Ao mesmo tempo surgiram conflitos entre os clãs. Para se proteger quando eram atacados, muitos clãs</p><p>começaram a erguer muralhas e construir fortalezas, estrutura que atraiu muitas pessoas, dando origem às cidades-</p><p>estados, ou pólis. Cada cidade tinha sua organização social própria, com seu governo, seus costumes e sua religião.</p><p>ARCAICO (VIII A.C. - V.1 A.C.)</p><p>O aumento populacional e a concentração de terras nas mãos da aristocracia fizeram com que inúmeros agricultores</p><p>buscassem novas terras fora da Grécia, estabelecendo colônias gregas em diversas regiões do Mediterrâneo e do mar</p><p>Negro. Essa expansão beneficiou as cidades gregas do litoral, que intensificaram a atividade comercial. Já as cidades</p><p>do interior, que dependiam da agricultura, mantiveram-se isoladas.</p><p>24</p><p>Os pequenos agricultores, com dificuldades para manter suas terras, contraíam dívidas com os grandes proprietários</p><p>(aristocratas). Quando não conseguiam saldá-Ias, tornavam-se escravos.</p><p>Durante esse processo, a aristocracia concentrou o poder em suas mãos. Assim, implantou-se nas cidades-estados</p><p>uma oligarquia, ou seja, o governo de poucos. Com o tempo, algumas cidades mantiveram-se oligárquicas, como</p><p>Esparta. Outras, porém, como Atenas, adotaram um sistema de governo diferente: a democracia. Nesse sistema, todos</p><p>os cidadãos participavam da elaboração das leis e das decisões políticas. Eram considerados cidadãos em Atenas:</p><p>aristocratas, comerciantes, artesãos e pequenos proprietários. Estavam excluídos os estrangeiros, as mulheres e os</p><p>escravos, que correspondiam a 90% da população.</p><p>Esparta e Atenas: Sempre houve muita rivalidade entre as cidades da Grécia, principalmente entre Esparta e Atenas.</p><p>As diferenças entre elas eram muito grandes. Atenas era uma cidade de navegadores, agricultores, estadistas, filósofos,</p><p>poetas e artistas. A educação ateniense tinha por objetivo a formação do cidadão. Esparta era uma cidade militarista e</p><p>aristocrática. A educação espartana tinha por objetivo formar bons e obedientes soldados, por isso eram valorizadas</p><p>as atividades físicas e a coragem.</p><p>CLÀSSICO (VI A.C. - IV A.C.)</p><p>Em 490 a.C., algumas cidades gregas uniram-se para enfrentar um inimigo externo: os persas. O conflito, conhecido</p><p>como Guerras Greco-Pérsicas, chegou ao fim em 449 a.C., com a derrota dos persas. Ao longo do conflito, Atenas</p><p>assumiu a liderança das cidades gregas e, ao final dele, era a cidade mais importante da Grécia antiga. Comandou,</p><p>então, a formação de uma liga de cidades - a Liga de Delos - com o objetivo de manter uma força naval permanente</p><p>para evitar novos ataques inimigos.</p><p>Com o tempo a liderança de Atenas foi contestada por outras cidades que a acusavam de usar a liga em favor de seus</p><p>próprios interesses. Houve um conflito entre as cidades gregas, que se dividiram: umas favoráveis à Atenas; outras, à</p><p>Esparta. Esparta saiu vitoriosa do conflito e passou a exercer domínio sobre as demais cidades.</p><p>HELENÍSTICO (IV A.C. - I A.C.)</p><p>O conflito entre as cidades gregas provocou o enfraquecimento da maioria delas. Filipe, rei da Macedônia (situada ao</p><p>norte da Grécia), aproveitou-se da situação e, em 338 a.C., dominou algumas cidades gregas. Com sua morte, seu</p><p>filho, Alexandre Magno, assumiu o governo, sufocou uma tentativa de revolta grega, derrotou os persas e estendeu</p><p>suas conquistas, formando um vasto império, que compreendia desde a Grécia até a índia, aglutinando diferentes</p><p>povos e culturas. Da fusão da cultura grega com a de outros povos dominados surgiu a cultura helenística. Após a</p><p>morte de Alexandre, em 323 a.C., seu império foi dividido entre seus generais.</p><p>A CULTURA GREGA</p><p>Dentre as contribuições dos gregos antigos para a cultura ocidental estão: a filosofia, o teatro, o desenvolvimento dos</p><p>primeiros relatos históricos, os jogos olímpicos, entre outras nos campos</p><p>da matemática, medicina, politica e</p><p>especialmente no modelo de DEMOCRÁCIA</p><p>O CONCEITO DE CIDADANIA</p><p>“Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos</p><p>civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos</p><p>não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza</p><p>coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranqüila. Exercer a cidadania plena</p><p>é ter direitos civis, políticos e sociais, fruto de um longo processo histórico que levou a sociedade ocidental a conquistar</p><p>parte desses direitos.</p><p>Cidadania não é uma definição estanque, mas um conceito histórico, o que significa que seu sentido varia no tempo</p><p>e no espaço. É muito diferente ser cidadão na Alemanha, nos Estados Unidos ou no Brasil (para não falar dos países</p><p>em que a palavra é tabu), não apenas pelas regras que definem quem é ou não titular da cidadania (por direito territorial</p><p>ou de sangue), mas também pelos direitos e deveres distintos que caracterizam o cidadão em cada um dos Estados-</p><p>nacionais contemporâneos. Mesmo dentro de cada Estado-nacional o conceito e a prática da cidadania vêm se</p><p>alterando ao longo dos últimos duzentos ou trezentos anos. Isso ocorre tanto em relação a uma abertura maior ou</p><p>menor do estatuto de cidadão para sua população (por exemplo, pela maior ou menor incorporação dos imigrantes à</p><p>25</p><p>cidadania), ao grau de participação política de diferentes grupos (o voto da mulher, do analfabeto), quanto aos direitos</p><p>sociais, à proteção social oferecida pelos Estados aos que dela necessitam.</p><p>A aceleração do tempo histórico nos últimos séculos e a conseqüente rapidez das mudanças faz com que aquilo</p><p>que num momento podia ser considerado subversão perigosa da ordem, no seguinte seja algo corriqueiro, “natural” (de</p><p>fato, não é nada natural, é perfeitamente social). Não há democracia ocidental em que a mulher não tenha, hoje, direito</p><p>ao voto, mas isso já foi considerado absurdo, até muito pouco tempo atràs, mesmo em países tão desenvolvidos da</p><p>Europa como a Suíça. Esse mesmo direito ao voto já esteve vinculado à propriedade de bens, à titularidade de cargos</p><p>ou funções, ao fato de se pertencer ou não a determinada etnia etc. Ainda há países em que os candidatos a presidente</p><p>devem pertencer a determinada religião (Carlos Menem se converteu ao catolicismo para poder governar a Argentina),</p><p>outros em que nem filho de imigrante tem direito a voto e por aí afora. A idéia de que o poder público deve garantir um</p><p>mínimo de renda a todos os cidadãos e o acesso a bens coletivos como saúde, educação e previdência deixa ainda</p><p>muita gente arrepiada, pois se confunde facilmente o simples assistencialismo com dever do Estado.</p><p>Não se pode, portanto, imaginar uma seqüência única, determinista e necessária para a evolução da cidadania em</p><p>todos os países (a grande nação alemã não instituiu o trabalho escravo, a partir de segregação racial do Estado, em</p><p>pleno século XX, na Europa?). Isso não nos permite, contudo, dizer que inexiste um processo de evolução que marcha</p><p>da ausência de direitos para sua ampliação, ao longo da história.</p><p>A cidadania instaura-se a partir dos processos de lutas que culminaram na Declaração dos Direitos Humanos, dos</p><p>Estados Unidos da América do Norte, e na Revolução Francesa. Esses dois eventos romperam o princípio de</p><p>legitimidade que vigia até então, baseado nos deveres dos súditos, e passaram a estruturá-lo a partir dos direitos do</p><p>cidadão. Desse momento em diante todos os tipos de luta foram travados para que se ampliasse o conceito e a prática</p><p>de cidadania e o mundo ocidental o estendesse para mulheres, crianças, minorias nacionais, étnicas, sexuais, etárias.</p><p>Nesse sentido pode-se afirmar que, na sua acepção mais ampla, cidadania é a expressão concreta do exercício da</p><p>democracia”.</p><p>(Fonte: Pinsky, Jaime. História da Cidadania – Introdução).</p><p>A CIDADANIA NA DEMOCRACIA GREGA (ATENAS)</p><p>Pensar a cidadania nos limites do Estado nacional brasileiro ou até mundialmente, é uma necessidade prioritária</p><p>nos dias atuais. Contudo essa cidadania de hoje não pode ser vista como uma repetição, continuidade ou até resultado</p><p>de um desenvolvimento progressivo da cidadania antiga. A experiência da nossa cidadania de direitos (civis, políticos</p><p>e sociais) é única na História humana e tem início no processo de dissolução das tiranias absolutistas e nas lutas por</p><p>direitos que foram travadas no interior do Estado liberal plenamente</p><p>consolidado no decorrer do século XIX.</p><p>Essa experiência histórica, portanto, difere integralmente das</p><p>experiências de democracia e cidadania da antiguidade, embora</p><p>muitos insistam em ver o mundo Greco-Romano como único berço da</p><p>civilização atual. Se existe algo que poderemos fazer, portanto, será</p><p>tentar aproximar dois mundos distintos, direcionando nosso olhar para</p><p>aquelas contribuições que as experiências cidadãs antigas podem</p><p>oferecer a nossa, ressaltando suas especificidades históricas.</p><p>Iniciemos essa discussão pela mais explicita de todas as</p><p>diferenças entre o mundo antigo e o atual. O mundo Greco-Romano</p><p>não estava estruturado como o mundo atual e seus Estados nacionais.</p><p>As cidades-Estado, “que conhecemos pela tradição escrita, pela</p><p>epigrafia ou pelas fontes arqueológicas, eram muito diferentes entre</p><p>si: nas dimensões territoriais, riquezas, em suas histórias particulares</p><p>e nas diferentes soluções obtidas, ao longo dos séculos, para os conflitos de interesses entre seus componentes. A</p><p>maioria delas nunca ultrapassou a dimensão de pequena unidade territorial, abrigando alguns milhares de habitantes</p><p>– não mais que cinco mil, quase todos envolvidos com o meio rural. Outras, de porte médio, chegaram a congregar</p><p>vinte mil pessoas. Algumas poucas, portos comerciais ou centros de grandes impérios, atingiram a dimensão de</p><p>verdadeiras metrópoles, com mais de cem mil habitantes – e, por vezes, como na Roma imperial, chegaram à escala</p><p>de um milhão de pessoas. (...) sob o termo cidade-estado abarcamos povos distintos, culturas diferentes, com seus</p><p>próprios costumes, hábitos cotidianos, leis, instituições, ritmos históricos e estruturas sociais, (...) cujo destino foi, ao</p><p>longo do tempo, marcado por imensa variedade de projetos e soluções”. (GUARINELLO, Norberto Luiz. Cidades-Estado na</p><p>antiguidade clàssica. In PINSK, Jaime (org.). História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2008. P.30).</p><p>Considerando, portanto, essa especificidade essencial, a da cidade-estado, nossa trajetória inicial será a de uma</p><p>história da cidadania na cidade-estado de Atenas, não sem antes situá-la no contexto histórico-social do mundo grego.</p><p>26</p><p>ATENAS</p><p>Atenas, fundada pelos jônios, localizava-se no centro da planície da Ática, próxima ao mar Egeu. A região,</p><p>circundada por montanhas, foi poupada da invasão dórica, fato que conferiu maior estabilidade ao desenvolvimento</p><p>inicial da cidade. A Ática, cujo solo era relativamente pouco fértil, conhecia, entretanto, uma boa reserva florestal que</p><p>fornecia abundante madeira para a construção naval, além de dispor de grandes reservas de prata e chumbo, muita</p><p>argila e grandes pedreiras de calcário e mármore. O ferro, por seu turno, era escasso. Todas essas condições naturais,</p><p>acrescidas ao fato de que próximo à Atenas estava situado o Porto de Pireu, foram as causas da vocação comercial</p><p>marítima da cidade. Desde seu início, Atenas desenvolveu o comércio no Mediterrâneo, tornando-se importante pólo</p><p>econômico da região. As navegações tiveram um decisivo impacto sobre a sociedade ateniense: ao contrário dos</p><p>espartanos, voltados as questões internas e culturalmente limitadas, os atenienses tornaram-se verdadeiros “cidadãos</p><p>do mundo”, recebendo influências de inúmeros povos. Isso, inegavelmente, contribuiu para que Atenas não só se</p><p>tornasse uma cidade economicamente próspera,</p><p>mas também culturalmente rica. Nas ruas da Polis eram ouvidas</p><p>inúmeras línguas estrangeiras, dando a cidade um caráter cosmopolita.</p><p>” A ocupação da Ática pelos indo-europeus (arianos) data do século X a.C., quando os Jônios, em penetração</p><p>pacifica, miscigenaram-se com os antigos habitantes, estabelecendo-se em aldeias fortificadas e vivendo sob o regime</p><p>gentílico. Mais tarde, algumas dessas cidadelas fundiram-se formando Atenas. O historiador grego Tucídides escreveu</p><p>que a fusão dos povoados da Ática para fundar Atenas e a criação do Estado deveu-se ao rei Teseu, que aboliu os</p><p>conselhos e magistraturas e reuniu todos os habitantes em uma cidade, onde instituiu um só conselho... a esse</p><p>processo denominamos sinecismo”. (AQUINO, Rubim Santos Leão de. História das sociedades: das comunidades</p><p>primitivas às sociedades medievais / Rubim Santos Leão de Aquino, Denize de Azevedo Franco, Oscar Guilherme Pahl</p><p>Campos Lopes. – Rio de Janeiro: Ao livro técnico, 2000, p.189.). Desta forma, Atenas se originou da concentração de</p><p>quatro tribos que, progressivamente, foram sendo unificadas em torno de um centro político instalado na Acrópole e</p><p>que teve no regime monárquico o seu marco político inicial.</p><p>A ATENAS OLIGÁRQUICA.</p><p>Como resultado político da decomposição da sociedade gentílica, através do processo conhecido como sinecismo,</p><p>Atenas, inicialmente, organizou-se sob o regime monárquico. O fortalecimento da aristocracia, composta por grandes</p><p>proprietários de terra e escravos, solapou as bases da monarquia que, pouco a pouco, foi suplantada por uma</p><p>oligarquia. Tal evolução ocorreu pacificamente, através do crescente esvaziamento das funções do Basileu (Rei), que</p><p>acabaria se tornando apenas um chefe religioso, com poder simbólico. Segundo AQUINO, “No século VIII a.C., a</p><p>realeza também já se encontrava em dissolução: a obediência ao rei era apenas nominal, por parte dos chefes das</p><p>famílias nobres ou clãs, reunidos no Areópago. Nos meados do século, a realeza cedeu lugar ao regime aristocrático:</p><p>o Arcontado, composto por nove Arcontes, substituiu o rei nas funções executivas. Os Arcontes, eleitos pela aristocracia</p><p>territorial que se tornava escravista, tiveram mandato, a principio, com duração de dez anos; depois, de apenas um</p><p>ano. O principal era o Arconte Epônimo, com funções administrativas; O Arconte Basileus, ficou com as funções</p><p>religiosas; as funções militares (TAMBÉM JURIDICAS SOBRE ESTRANGEIROS) couberam ao Arconte Polemarca e</p><p>os Arcontes Thesmothetas aplicavam a justiça sobre os atenienses que gozavam ou não dos benefícios da cidadania.</p><p>Através do Areópago, a aristocracia territorial estabelecia as diretrizes de atuação dos magistrados”. (AQUINO, Rubim</p><p>Santos Leão de. Op. Cit., p.190.). Todos esses magistrados eram eleitos pela Eclésia, assembléia que representava os cidadãos atenienses.</p><p>Nessas formas iniciais de estrutura política encontramos o sentido de cidadania entre proprietários de terra. Como</p><p>vimos, de inicio, a cidade-estado foi uma associação de proprietários de terra. Mas o fato é que no interior dessa</p><p>associação somente os grandes proprietários formulavam, decidiam e executavam políticas; eles eram, de fato, a</p><p>comunidade, a Polis no sentido do termo. A forma política inicial dessa associação foi uma monarquia que, porém, logo</p><p>foi substituída pela oligarquia. No regime oligárquico ateniense os grandes proprietários de terra (o grupo dos</p><p>eupátridas) detinha todo o poder político já que dominavam o Arcontado (responsável pelo poder executivo), o Areópago</p><p>(o conselho que de fato decidia) e a Eclésia (a assembléia dos proprietários que escolhiam os magistrados – Arcontes</p><p>e conselheiros). Contudo, o desenvolvimento sócio-economico de Atenas e os conflitos sócio-políticos subseqüentes,</p><p>mudariam essa configuração, gerando novas estruturas de poder e ampliando a própria abrangência da cidadania. A</p><p>democracia ateniense e seu sentido de cidadania foi o ponto culminante das transformações.</p><p>A DEMOCRACIA ESCRAVISTA ATENIENSE</p><p>O regime democrático foi estabelecido em Atenas na época do governo de Clístenes, ou seja, no final do século VI</p><p>a.C. Eleito Arconte em 506. a.C., Clístenes empreendeu uma série de reformas política e administrativas,</p><p>democratizando o regime ateniense.</p><p>As reformas de Clístenes instalaram em Atenas um novo regime político, cujas bases fundamentais eram a</p><p>igualdade política de todos os cidadãos e a participação direta dos mesmos na maquina governamental. O principal</p><p>aspecto de suas reformas foi à criação de uma nova estrutura de recrutamento para participação política. Os cidadãos</p><p>27</p><p>foram distribuídos em demos (unidades organizacionais de caráter local às quais todos os indivíduos eram obrigados</p><p>a pertencer formalmente). Os demos foram distribuídos em três grupos, num total de cem demos.</p><p>A divisão em demos veio a substituir a tradicional divisão em 04 tribos e as tribos tradicionais foram, para efeito de</p><p>recrutamento político, substituídas por novas. Nelas, haviam representantes de todos os setores sociais (exceto</p><p>escravos, estrangeiros e mulheres). Nessa nova organização social não havia chance de a antiga base aristocrática</p><p>prevalecer porque os representantes políticos escolhidos pelas tribos tinham que pertencer a todos os demos que delas</p><p>faziam parte, o que pluralizava a escolha. As tribos formavam a base para o recrutamento militar e político.</p><p>Ao mesmo tempo, foi realizada a reforma das instituições políticas.</p><p>Pode-se dizer que Clístenes ampliou e aprofundou as reformas de Sólon, democratizando o sistema. Aos</p><p>comerciantes, interessados em dirigir politicamente Atenas, era fundamental ampliar a sua base eleitoral que era</p><p>conquistada voto a voto. Contudo. “A massa da população permaneceu miserável e os cidadãos que dela se originavam</p><p>exerciam seu direito ao voto mediante compromissos com os que tinham posses. Como estes eram, agora,</p><p>majoritariamente comerciantes, o exercício do poder político foi consolidado nas mãos dessa classe”. (ROSTOVTZEFF, M.</p><p>História da Grécia. São Paulo, ZAHAR editores, 1991, p. 121).</p><p>A democracia ateniense era uma democracia escravista e excludente: o trabalho escravo era a base da vida</p><p>econômica da sociedade, e os escravos constituíam, senão a maioria, pelo menos uma parcela significativa da</p><p>população da Ática. Os escravos não tinham qualquer direito político. Os estrangeiros, em geral comerciantes, só</p><p>possuíam direitos civis e estavam excluídos da vida política. Já as mulheres não possuíam direitos políticos e tinham</p><p>seus direitos limitados pelo pai ou pelo marido. “Nestas condições, a democracia ateniense, quando confrontada com</p><p>as nossas modernas democracias, surge como uma oligarquia de fato, simplesmente menos restrita que uma oligarquia</p><p>de direito. Mas as concepções modernas não nos fornecem uma medida adequada. Sua inadaptação, salta aos olhos</p><p>no que diz respeito a escravidão, que todas as sociedades antigas admitiram como uma necessidade natural, uma</p><p>realidade fundamental. Por definição, o cidadão deve gozar de sua liberdade pessoal: como imaginar-se o escravo</p><p>tornando-se politicamente igual àquele que continuaria a ser seu senhor e como evitar esta monstruosidade (a</p><p>escravidão) sem prejudicar a organização social?”. (AYMARD, A. e AUBOYER, J. O oriente e a Grécia antiga. In História geral das</p><p>civilizações, Tomo I, 1º volume, São Paulo, DIFEL, 1955, p.124).</p><p>Em Atenas, a democracia era direta e não representativa. Noutros termos, as decisões políticas não eram tomadas</p><p>por delegados ou representantes do povo, mas sim pelos cidadãos reunidos na Ágora (praça). Deve-se lembrar que,</p><p>ao contrário do que ocorre nas atuais democracias ocidentais marcadas pelo conceito de “direitos dos cidadãos”, a</p><p>democracia ateniense consistia no dever da participação de todos na vida política. Em síntese: hoje, os indivíduos</p><p>reclamam seus direitos; na Atenas democrática, o indivíduo era obrigado a opinar sobre os assuntos da Polis. Daí o</p><p>termo Política: a arte de bem conduzir</p><p>a administração da cidade.</p><p>O AUGE DA DEMOCRACIA EM ATENAS</p><p>Do ponto de vista político, o período clàssico de Atenas foi marcado pelo apogeu da democracia, em parte devido a</p><p>liderança de Péricles, cujo governo – no século V a.C. – foi denominado de o “século de ouro”. Durante sua gestão</p><p>(461 a 429 a.C.), o regime democrático ateniense baseou-se em dois princípios fundamentais: o da isonomia (normas</p><p>iguais), que propunha a igualdade de todos perante a lei, e o da isocracia (poderes iguais), que consistia no direito da</p><p>participação de todos nas decisões políticas. Como abordamos no capitulo anterior, a democracia ateniense era direta,</p><p>enquanto hoje, nas sociedades ocidentais, prevalece a democracia exercida através de representantes. No tempo de</p><p>Péricles, os cidadãos se reuniam na Ágora (praça) para conduzir os assuntos da Polis. O governo era, dessa maneira,</p><p>“do cidadão e pelo cidadão”. As assembléias populares eram comícios ao ar livre que agrupavam todos os cidadãos</p><p>masculinos em idade militar e filhos de pais atenienses.</p><p>Péricles representava os interesses de amplas camadas do povo ateniense: comerciantes, artesãos, pequenos</p><p>proprietários e grandes cultivadores de vinha e oliveira, cujos produtos destinavam-se ao comercio externo. Como líder</p><p>do partido democrático ou popular, procurou realizar uma política que atendesse as reivindicações das camadas mais</p><p>populares da sociedade. Nesse sentido foi empreendida uma serie de reformas que não alteraram o caráter de classe</p><p>da sociedade: a democracia escravista saiu fortalecida. Essas reformas foram progressistas, na medida em que</p><p>concederam maior espaço de ação política as camadas populares. “Durante seu governo instituiu-se a mistoforia, ou</p><p>seja, a remuneração pelo desempenho de cargos públicos; além disso, soldados e marinheiros passaram a receber</p><p>salários. Com vistas a assegurar a participação democrática de todos os cidadãos na vida publica, todos os funcionários</p><p>(magistrados e outros), a exceção dos estrátegos, eram escolhidos por sorteio. Nessa época, o poder executivo era</p><p>exercido de fato pelos estratégos e, entre eles, se sobressaía a figura de Péricles”. (AQUINO, Rubim Santos Leão de. Op. Cit.</p><p>p.200.).</p><p>As decisões tomadas na Eclésia, representavam a palavra final nos tratados, na economia, no ordenamento jurídico,</p><p>nas obras públicas, na paz e na guerra, em suma, em todas as atividades administrativas. As assembléias eram</p><p>cotidianas e todos tinham o direito de fazer uso da palavra. Assim, a oratória tornou-se indispensável para o</p><p>convencimento das massas. Se a Ágora era o espaço geográfico do poder, nele imperava o Logos (a palavra). A</p><p>28</p><p>democracia ateniense, dessa maneira, gerou os demagogos (“demos”: povo; “gogos”: condutor), líderes que buscavam</p><p>persuadir e seduzir politicamente a população. Os demagogos tinham como mestres os sofistas, os primeiros</p><p>professores pagos na história da humanidade. A sofística, escola filosófica nascida em Atenas, defendia o relativismo</p><p>do conhecimento: a verdade é aquilo que é útil para tomada e manutenção do poder.</p><p>Protágoras, o maior dos sofistas, resume essa postura ao afirmar que “o homem é a medida de todas as coisas,</p><p>das que são enquanto são e das que não são enquanto não são”. Esse pragmatismo, aparentemente nocivo ao</p><p>saber filosófico, tem a virtude política de defender a sociedade democrática, na qual prevalece a pluralidade de opiniões.</p><p>De fato, a crença numa verdade absoluta sempre traz consigo a proposta de um Estado autoritário que imponha essa</p><p>verdade.</p><p>A democracia ateniense, calcada na ação de todos, impossibilitava a criação de estruturas partidárias elitistas e</p><p>concentradoras da autoridade. Outro fato importante do regime democrático de Atenas era a inexistência de grandes</p><p>quadros burocráticos: poucos eram os funcionários públicos, limitados a alguns escriturários. Dessa forma, impedia-se</p><p>a burocratização da sociedade com seu inevitável tráfego de influências. Foi o próprio Péricles, governante do auge da</p><p>democracia ateniense, quem melhor ressaltou as virtudes do sistema: “Nossa constituição é chamada de democracia</p><p>porque o poder está nas mãos não de uma minoria, mas de todo o povo. Quando se trata de resolver questões privadas,</p><p>todos são iguais perante a lei, quando se trata de colocar uma pessoa diante de outra em posição de responsabilidade</p><p>pública, o que vale não é o fato de pertencer a determinada classe, mas a competência real que o homem possui”.</p><p>A CIDADANIA NA DEMOCRACIA ATENIENSE</p><p>Foi nos marcos da democracia ateniense que se elaborou a primeira visão de cidadania da história humana. Assim,</p><p>cidadania na democracia ateniense equivaleria aos direitos políticos do cidadão nos días atuais. O sentido da cidadania</p><p>era substancialmente diferente daquele que a palavra adquriu na contemporaneidade porque não incluia nem direitos</p><p>civis nem, tão pouco, direitos sociais.</p><p>Atenas é considerada o modelo de democracia do mundo grego clàssico. Todavia, sua cidadania não era universal.</p><p>Escravos, mulheres e estrangeiros não faziam parte do corpo de cidadãos. Só os individuos do sexo masculino, libres</p><p>e maiores de dezoitos anos que cumprissem determinados ritos, eram conhecidos como cidadãos. Tão logo atingisse</p><p>esse grau, o individuo “pode e, em principio deve participar da vida política. Como o regime corresponde a uma</p><p>democracia direta, todos os cidadãos são chamados a reunir-se periodicamente (cerca de 40 vezes por ano) no recinto</p><p>da assembléia do povo para deliberar e votar as proprostas que emanam de um magistrado ou de um conselho restrito</p><p>de cidadãos (o conselho dos quinhentos), escolhidos ao acaso entre os voluntarios e renovável todos os anos, ou ainda</p><p>de um simples cidadão. Em teoría, portanto, qualquer cidadão pode ter assento na assembléia, propor leis e emendas</p><p>às leis e, se tiver sorte, tornar-se temporariamente um responsável político na condição de bouleute (membro do Bulé</p><p>– conselho dos 500) ou de Prítane (um bouleute em função permanente durante um décimo do ano) ou epistate dos</p><p>Prítanes (presidente sorteado por 24 horas) ou ainda proedro (presidente) da Assembléia do povo (no século V). O</p><p>sorteio é considerado uma espécie de tradução da escolha dos deuses e, nesse sentido, a igualdade de oportunidades</p><p>é, em principio, total.</p><p>[…] Durante muito tempo, só aqueles que não precisam trabalhar para sobreviver concordam em perder dezenas de</p><p>días de trabalho no ano para exercer seus direitos cívicos e, aliàs, Aristóteles, ´a perfeição do cidadão só se encontra</p><p>no homem libre desobrigado de tarefas indispensáveis`. Para tentar remediar essa forte abstenção dos cidadãos mais</p><p>pobres, a democracia ateniense cria, a partir do início do século IV, uma indenização diária, o misthos, para compensar</p><p>– e encorajar – os cidadãos que sacrificam uma parte de seu tempo ao cumprimento do deber cívico. […]”.</p><p>Analisando a cidadania na democracia ateniense, Guarinello comenta: “Em primeiro lugar, uma ressalva: a cidadania</p><p>dizia respeito apenas aos cidadãos masculinos e excluía, de qualquer forma de participação política, as mulheres, os</p><p>imigrantes e os escravos. Em contrapartida, no ámbito restrito dos cidadãos, representou uma experiência notável de</p><p>participação direta no poder de todas as camadas sociais, independentemente da riqueza ou posição social. Criaram-</p><p>se mecanismos de indenização pecuniária que facilitavam, aos mais pobres, o acesso a participação na vida</p><p>comunitária, não apenas nas assembléias e tribunais, mas até mesmo nas festividades cívicas, como a assistência às</p><p>apresentações teatrais. Os ricos, que se acomodaram como puderam ao sistema democrático, foram obrigados a</p><p>contribuir com a comunidade de varias formas, construindo naves de guerra, financiando espetáculos e festas</p><p>religiosas. Grande parte do sucesso da democracia ateniense deveu-se, sem dúvida, ao Império constrído após a</p><p>guerra contra os persas, cujos beneficios, em tributos e terras cultiváveis, foram distribuídos para os mais pobres.</p><p>Mas</p><p>a democracia sobreviveu a derrocada do Império, em grande parte pela constituição, ao longo dos séculos V e IV a.C.,</p><p>de uma verdadeira cultura democrática em sua população”. (GUARINELLO, Norberto Luiz. Op. Cit. P.41).</p><p>AS RESISTÊNCIAS DOS ESCRAVOS AFRICANOS</p><p>Os ritos africanos, a cultura expressada nas várias religiões desse povo e em suas danças, foram algumas formas</p><p>que os negros africanos conseguiam de resistir aos domínios dos europeus. Sabotagens na produção, fugas,</p><p>29</p><p>assassinavam senhores e feitores, suicidavam-se e geravam revoltas nos plantations e povoados, eram outras</p><p>formas de resistência que os negros empregavam. As pressões dos negros e suas resistências foram provocando</p><p>ao longo do tempo direitos que começaram a ser cedidos pelos os seus senhores. O direito do casamento e de</p><p>constituir uma família, foram formas que os senhores de engenho conseguiam administrar as revoltas.</p><p>Toda resistência do negro nos preservou costumes que nos dias atuais conhecemos bem. A cidade de Salvador e o</p><p>Rio de Janeiro, por terem recebidos uma grande quantidade de negros, até os dias atuais preservam em seus</p><p>costumes adorações aos orixàs. Essas adorações que tanto se espalham pelo o país são vistas claramente nesses</p><p>dois estados brasileiros. A capoeira, comidas típicas da África, músicas com ritmo africano, são formas de</p><p>resistência dos negros que identificamos até os dias de hoje.</p><p>Os Quilombos foram a marca principal dessa resistência dos negros, que ao fugirem organizavam-se em</p><p>pequenos acampamentos em áreas despovoadas e de difícil acesso, que podiam abrigar desde pequenos grupos até</p><p>milhares de habitantes. Viviam de suas plantações de subsistência e faziam criação. Em alguns casos os quilombos</p><p>realizavam comércios com os povoados vizinhos e adquiriam produtos como munições e ferramentas.</p><p>O Quilombo dos Palmares é tido como o maior estabelecido na América portuguesa. Calcula-se que tenha</p><p>sido criado em 1629 e, reunido 20 mil habitantes. Em 1694, iniciou-se a campanha que levaria o reduto rebelde ao fim.</p><p>Em 1695, o chefe guerreiro Zumbi foi morto.</p><p>GRÉCIA ANTIGA</p><p>Questão-01)</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>A tradição continua a ser o único fundamento para</p><p>imaginarmos que houve a Guerra de Tróia, e os motivos</p><p>de uma expedição ultramarina tão complicada ainda</p><p>precisam ser explicados.</p><p>FINLEY, M. Aspectos da Antiguidade. São Paulo: Martins Fontes,</p><p>1991. p. 37.</p><p>De acordo com a tradição mítica, o episódio</p><p>responsável por fazer eclodir a Guerra de Tróia foi:</p><p>a) a disputa comercial entre as cidades-estados da Liga</p><p>de Delos e da Liga do Peloponeso.</p><p>b) a fuga do herói troiano Enéias para a península</p><p>itálica onde fundou Alba Longa.</p><p>c) a resistência de 300 espartanos impedindo o avanço</p><p>do império persa na Europa.</p><p>d) o descontentamento social gerado pelos sacrifícios</p><p>humanos feitos ao Minotauro.</p><p>e) o rapto da rainha espartana por um príncipe troiano,</p><p>ferindo as leis de hospitalidade.</p><p>Questão-02)</p><p>Na Grécia, o conceito de povo abrange tão somente</p><p>aqueles indivíduos considerados cidadãos. Assim é</p><p>possível perceber que o conceito de povo era muito</p><p>restritivo. Mesmo tendo isso em conta, a forma</p><p>democrática vivenciada e experimentada pelos gregos</p><p>atenienses nos séculos IV e V a.C. pode ser</p><p>caracterizada, fundamentalmente, como direta.</p><p>MANDUCO, A. Ciência política. São Paulo: Saraiva, 2011.</p><p>Naquele contexto, a emergência do sistema de governo</p><p>mencionado no excerto promoveu o(a)</p><p>a) competição para a escolha de representantes.</p><p>b) campanha pela revitalização das oligarquias.</p><p>c) estabelecimento de mandatos temporários.</p><p>d) declínio da sociedade civil organizada.</p><p>e) participação no exercício do poder.</p><p>Questão-03)</p><p>“[...] Descendo a montanha, os bárbaros e o soberano</p><p>aproximaram-se do ponto visado. Leônidas e os gregos,</p><p>marchando como para uma morte certa, avançaram</p><p>muito mais do que haviam feito antes, até o ponto mais</p><p>largo do desfiladeiro, já sem a proteção da muralha. Nos</p><p>encontros anteriores não haviam deixado os pontos</p><p>mais estreitos, combatendo sempre ali; mas, nesse dia,</p><p>a luta travou-se num trecho mais amplo, ali perecendo</p><p>grande número de bárbaros. Leônidas foi morto nesse</p><p>encontro, depois de haver praticado os mais prodigiosos</p><p>feitos”.</p><p>HERÓDOTO. História. São Paulo: Ediouro, 2001, p. 875-6.</p><p>O texto de Heródoto descreve um episódio na Batalha</p><p>de Termópilas, fato que marca o contexto da Segunda</p><p>Guerra Médica. Sobre esse evento histórico, é</p><p>CORRETO afirmar:</p><p>a) Foi uma aliança entre cidades gregas, liderada pelo</p><p>rei Leônidas de Esparta, com o objetivo de lutar</p><p>contra o exército persa.</p><p>b) Foi uma aliança entre as cidades-estado lideradas</p><p>por Atenas, que tinha como objetivo lutar contra os</p><p>exércitos considerados bárbaros. No evento</p><p>descrito, evidencia-se a superioridade tática e</p><p>numérica dos gregos.</p><p>c) Formou a Liga de Delos, sob a liderança de Esparta.</p><p>O evento descrito marca a expansão do Império</p><p>Grego ao conquistar trechos amplos das terras dos</p><p>bárbaros.</p><p>d) Formou a Liga do Peloponeso, sob a liderança de</p><p>Atenas. Tal união possibilitou que Leônidas tivesse</p><p>sucesso em suas conquistas de terras bárbaras,</p><p>avançando muito mais do que havia feito antes.</p><p>e) Lideradas por Leônidas, rei dos Persas, os gregos</p><p>de Atenas lutavam contra os exércitos macedônicos,</p><p>liderados por Alexandre, o Grande.</p><p>Questão-04)</p><p>A democracia na Grécia Antiga significou a chance de</p><p>os homens se entenderem no ambiente público e</p><p>resolverem suas diferenças em prol de interesses</p><p>30</p><p>coletivos. Isso se dava em reuniões e assembleias (na</p><p>ágora, praça pública grega) nas quais as decisões eram</p><p>tomadas após uma série de debates e</p><p>questionamentos. Em vez da força física, da violência e</p><p>dos privilégios, a palavra passou a representar um</p><p>instrumento poderoso para os cidadãos, que deveriam</p><p>entre si argumentar, questionar, refutar, esclarecer,</p><p>dialogar, persuadir etc., para, assim, chegar a um</p><p>consenso sobre o que era melhor para a sociedade.</p><p>Disponível em: http://educacao.globo.com. Acesso em: 14 nov. 2018.</p><p>Na Grécia Antiga, a adoção da democracia resultou na:</p><p>a) escravização dos indivíduos negros.</p><p>b) concessão do estatuto de cidadãs gregas às</p><p>mulheres.</p><p>c) garantia de representação política da população</p><p>como um todo.</p><p>d) inclusão irrestrita das camadas sociais na categoria</p><p>de cidadãos.</p><p>e) manutenção da exclusão de amplos grupos de</p><p>indivíduos não aceitos como cidadãos.</p><p>Questão-05)</p><p>Sólon, no século VI a.C., procurou estabelecer leis que</p><p>fossem justas e iguais para todos: redimensionou o</p><p>poder através de um sistema capaz de garantir a justiça</p><p>e diminuir o domínio dos aristocratas. Essa reforma não</p><p>foi bem-sucedida e Atenas foi palco de desordens</p><p>sociais, o que possibilitou a adoção da tirania de</p><p>a) Pisístrato.</p><p>b) Temístocles.</p><p>c) Péricles.</p><p>d) Aristóteles.</p><p>Questão-06)</p><p>A soberania dos cidadãos dotados de plenos direitos era</p><p>imprescindível para a existência da cidade-estado.</p><p>Segundo os regimes políticos, a proporção desses</p><p>cidadãos em relação à população total dos homens</p><p>livres podia variar muito, sendo bastante pequena nas</p><p>aristocracias e oligarquias e maior nas democracias.</p><p>CARDOSO, C. F. A cidade-estado clássica. São Paulo: Ática,</p><p>1985.</p><p>Nas cidades-estado da Antiguidade Clássica, a</p><p>proporção de cidadãos descrita no texto é explicada</p><p>pela adoção do seguinte critério para a participação</p><p>política:</p><p>a) Controle da terra.</p><p>b) Liberdade de culto.</p><p>c) Igualdade de gênero.</p><p>d) Exclusão dos militares.</p><p>e) Exigência da alfabetização.</p><p>Questão-07)</p><p>Leia o texto.</p><p>Aos 7 anos: deixava sua família para iniciar a educação</p><p>militar.</p><p>Aos 20: era admitido num grupo de outros guerreiros; a</p><p>participação era obrigatória.</p><p>Aos 30: ganhava poder de voto na Apela, assembleia</p><p>militar que indicava o conselho dos anciãos.</p><p>A partir dos 60: se fosse um membro da aristocracia,</p><p>podia ser indicado para o conselho de anciãos, a</p><p>Gerúsia.</p><p>(Flavio Campos e Regina Claro, Oficina</p><p>de História)</p><p>As informações fazem referência a um</p><p>a) meteco ateniense.</p><p>b) nobre troiano.</p><p>c) cidadão espartano.</p><p>d) escriba egípcio.</p><p>e) tribuno roman</p><p>Questão-08)</p><p>Quando se trata de competência nas construções e nas</p><p>artes, os atenienses acreditam que poucos sejam</p><p>capazes de dar conselhos. Quando, ao contrário, se</p><p>trata de uma deliberação política, toleram que qualquer</p><p>um fale, de outro modo não existiria a cidade.</p><p>BOBBIO, N. Teoria geral da política. Rio de Janeiro:</p><p>Elsevier, 2000 (adaptado).</p><p>De acordo com o texto, a atuação política dos cidadãos</p><p>atenienses na Antiguidade Clássica tinha como</p><p>característica fundamental o(a)</p><p>a) dedicação altruísta em ações coletivas.</p><p>b) participação direta em fóruns decisórios.</p><p>c) ativismo humanista em debates públicos.</p><p>d) discurso formalista em espaços acadêmicos.</p><p>e) representação igualitária em instâncias</p><p>parlamentares.</p><p>Questão-09)</p><p>No século V, integraram-se duas grandes ligas como</p><p>enérgicas tentativas para acabar com o isolamento.</p><p>Poderia cada uma delas, obedecendo,</p><p>respectivamente, a Lacedemônia e a Atenas, ter</p><p>efetuado um grande trabalho de unificação, não lhes</p><p>houvesse a rivalidade impelido ao conflito.</p><p>(GLOTZ, Gustave. A cidade grega. Rio de Janeiro: Bertrand, 1979.</p><p>p.223.)</p><p>No texto, o autor analisa uma característica da Grécia</p><p>Antiga que teve como fundamento a:</p><p>A negação de direito aos estrangeiros.</p><p>B organização política em cidades-Estado.</p><p>C centralidade da mão de obra escrava.</p><p>D diversidade religiosa dos povos da região.</p><p>E ausência de códigos jurídicos.</p><p>Questão-10)</p><p>No século V a.C., que se convencionou chamar de</p><p>época clássica (a que é simbolizada pelos monumentos</p><p>da Acrópole de Atenas), os homens costumavam ser</p><p>divididos em duas categorias: os gregos, chamados de</p><p>helenos – ainda hoje o nome que prevalece na Grécia –</p><p>e os bárbaros. A palavra “bárbaro” tem certamente uma</p><p>conotação pejorativa, mas o seu sentido inicial significa</p><p>31</p><p>simplesmente “aquele que não fala o grego e que</p><p>parece estar balbuciando”.</p><p>(Pierre Vidal-Naquet. O mundo de Homero, 2002.)</p><p>Internamente à pólis grega, essa divisão implicava, para</p><p>os estrangeiros,</p><p>a) a proibição da participação em cerimônias religiosas.</p><p>b) a obrigação da prestação de serviços militares.</p><p>c) a exclusão do direito de participação política.</p><p>d) a interdição do exercício de atividades comerciais.</p><p>e) a incorporação compulsória dos princípios da cultura</p><p>clássica.</p><p>Questão-11)</p><p>Leia o texto:</p><p>A corrupção nos costumes das mulheres é ainda uma</p><p>coisa prejudicial ao fim que se propõe o governo, e à</p><p>boa conservação das leis do Estado (...). É o que</p><p>aconteceu em Esparta (...).</p><p>Tais são as observações feitas entre os lacedemônios:</p><p>no tempo da sua dominação as mulheres resolviam</p><p>quase todas as questões. De resto, que diferença existe</p><p>em que as mulheres governem, ou que os magistrados</p><p>sejam governados por mulheres? (...) as mulheres dos</p><p>lacedemônios, mesmo no caso de perigo, fizeram-lhes</p><p>o maior mal possível.</p><p>(Aristóteles, A política. p. 79-80.)</p><p>É correto afirmar sobre as mulheres na Grécia Antiga:</p><p>a) Obtiveram direitos à educação e acesso às escolas</p><p>filosóficas da cidade-Estado de Atenas durante o</p><p>período Clássico.</p><p>b) Em Esparta, recebiam educação física na infância,</p><p>tinham direito à herança e administravam as</p><p>propriedades na ausência dos maridos.</p><p>c) Adquiriram poderes políticos como cidadãs apenas</p><p>com o estabelecimento do Império Macedônico, sob</p><p>a liderança de Alexandre Magno.</p><p>d) Em Atenas, podiam participar de algumas</p><p>discussões na Eclésia e possuíam direitos políticos</p><p>durante o período da democracia.</p><p>e) Tornaram-se legisladoras e integrantes do conselho</p><p>dos mais velhos na cidade-Estado de Tebas.</p><p>Questão-12)</p><p>Leia o trecho do poema da poetisa grega Safo acerca</p><p>da beleza de uma jovem chamada Anactória.</p><p>uns dizem que é uma hoste de cavalaria, outros de</p><p>infantaria;</p><p>outros dizem ser uma frota de naus, na terra negra, a</p><p>coisa mais bela: mas eu digo ser aquilo</p><p>que se ama.</p><p>(Adaptado de Luísa de Nazaré Ferreira, “Turismo e património na</p><p>antiguidade clássica: o texto atribuído a Fílon de Bizâncio sobre as</p><p>Sete Maravilhas”, em Espaços e Paisagens: Antiguidade Clássica e</p><p>heranças contemporâneas. 2012. V. 1. Coimbra: Imprensa da</p><p>Universidade de Coimbra e Annablume, p. 73.)</p><p>A partir da leitura do poema, assinale a alternativa</p><p>correta sobre o conceito de beleza na Grécia Antiga.</p><p>a) Safo reconhece a beleza como conceito universal e</p><p>destaca a sua independência em relação ao amor.</p><p>b) Safo exemplifica o conceito de belo e o define como</p><p>inerente às conquistas militares e territoriais.</p><p>c) Safo constata a diversidade dos gostos humanos e</p><p>evidencia o valor do amor para o conceito de beleza.</p><p>d) Safo exemplifica os gostos humanos a partir do</p><p>conceito de amor e o define como inerente às</p><p>conquistas militares.</p><p>Questão-13)</p><p>Leia o trecho a seguir e assinale a opção correta:</p><p>É sabido que a indagação acerca do problema da</p><p>democracia – seu valor, seu modo de funcionamento,</p><p>seus princípios – dispõe, no registro da filosofia política</p><p>desenvolvida por Platão, de um lugar teórico destacado</p><p>e privilegiado. Mais ainda, poderíamos dizer que Platão</p><p>é um dos primeiros autores da história do pensamento</p><p>ocidental a efetuar uma análise rigorosa, sistemática e</p><p>profunda da politeía democrática, submetendo o que se</p><p>convencionou chamar de “sistema de governo popular”</p><p>a uma abordagem filosófica radical e consistente, que,</p><p>não obstante os mais de dois mil anos que dela nos</p><p>separam, conserva até hoje seu vigor e sua atualidade.</p><p>OLIVEIRA, Richard Romeiro. Platão e a questão da democracia na</p><p>República. Revista Estudos Filosóficos, n. 12, 2017.</p><p>a) A frase “O preço a pagar pela tua não participação</p><p>na política é seres governado por quem é inferior”</p><p>pode ser atribuída a Platão, uma vez que ele</p><p>contestava o “sistema de governo popular”.</p><p>b) A abordagem filosófica radical e consistente de</p><p>Platão ao “sistema de governo popular” referida no</p><p>texto diz respeito ao apoio do Filósofo à democracia</p><p>ateniense.</p><p>c) O autor do trecho afirma que, não obstante os mais</p><p>de dois mil anos que nos separam da análise da</p><p>politeía democrática de Platão, esta conserva até</p><p>hoje seu vigor e sua atualidade, porque a</p><p>democracia brasileira não é passível de críticas.</p><p>d) O Brasil é um Estado Autocrático, destinado a</p><p>assegurar o exercício dos direitos sociais e</p><p>individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o</p><p>desenvolvimento e outros aspectos.</p><p>e) Para a Democracia, é saudável votar no candidato</p><p>que “rouba, mas faz”, pois não importam valores</p><p>éticos na política, se o governante faz ações para o</p><p>povo.</p><p>Questão-14)</p><p>Durante as guerras entre os Persas e os Gregos, no</p><p>mundo antigo, um conjunto de ações foi realizado, o que</p><p>levou à produção de narrativas sobre esses episódios,</p><p>com consequências também para os seus vizinhos</p><p>macedônicos. Com base nos conhecimentos sobre</p><p>esse processo histórico, considere as afirmativas a</p><p>seguir.</p><p>32</p><p>I. A Liga do Peloponeso, criada por Esparta, uniu-se à</p><p>Confederação de Delos, liderada por Atenas, e com</p><p>essa unificação as esquadras dos gregos tornaram-se</p><p>fortificadas com os grandes navios de combate.</p><p>II. A Confederação de Delos reuniu as cidades-estado</p><p>gregas contra a invasão persa e, no decorrer dos</p><p>conflitos, sua sede foi transferida para Atenas, com a</p><p>função de unificar os tributos e a frota.</p><p>III. Na obra História da Guerra do Peloponeso, escrita</p><p>pelo general ateniense Tucídides, foi descrito o flagelo</p><p>da peste natural, que se abateu sobre eles, expondo as</p><p>ilusões de seu mundo.</p><p>IV. Plutarco descreveu as habilidades de Alexandre</p><p>Magno na conquista e unificação dos povos envolvidos</p><p>no conflito, por meio da miscigenação e integração</p><p>cultural e do incentivo às artes e às ciências.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I e II são corretas.</p><p>b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.</p><p>c) Somente as afirmativas</p><p>III e IV são corretas.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.</p><p>e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.</p><p>Questão-15)</p><p>Leia o seguinte excerto:</p><p>Para nós, o ostracismo existe no sentido figurado, mas</p><p>para os atenienses era uma medida concreta que</p><p>marcava a vida do ostracizado. As escavações</p><p>arqueológicas permitiram que se descobrissem cacos</p><p>com diversos nomes [de ostracizados].</p><p>(FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002,</p><p>p. 34.)</p><p>Considerando os conhecimentos sobre Grécia Antiga, a</p><p>principal função pensada para a implantação do</p><p>ostracismo na sociedade de Atenas entre os séculos VI</p><p>e V a.C. foi a de impedir que:</p><p>a) micênicos tivessem poder político e ameaçassem a</p><p>aristocracia.</p><p>b) estrangeiros mobilizassem poder político e</p><p>ameaçassem a oligarquia.</p><p>c) cidadãos concentrassem poder político e</p><p>ameaçassem a democracia.</p><p>d) espartanos arregimentassem o poder político e</p><p>ameaçassem a república.</p><p>e) cretenses conseguissem poder político e</p><p>ameaçassem a tirania.</p><p>Questão-16)</p><p>Muitos vasos estão decorados com cenas relativas às</p><p>cerimônias do casamento. No entanto, estas cenas são</p><p>variadas e diferem entre si; certos elementos repetem-</p><p>se de umas imagens para outras, mas parece não existir</p><p>uma iconografia canônica do casamento (...) as</p><p>informações textuais que possuímos, elas próprias</p><p>incompletas, subjetivas e por vezes incertas, deixam</p><p>entrever um cerimonial que se decompõe em diversos</p><p>momentos. O casamento assenta num acordo formal,</p><p>engye, entre o noivo e o pai da noiva, acordo em que</p><p>está associada a entrega de um dote por parte desse</p><p>último. A jovem parece não ter direito a dizer uma</p><p>palavra de consentimento nesse acordo celebrado entre</p><p>sogro e genro. É a transferência propriamente dita da</p><p>noiva que constitui a realização do casamento, na qual</p><p>se efetiva a união, gamos, do casal. Por meio dessa</p><p>transferência a noiva muda de casa, oikos, e também</p><p>de senhor, kyrios</p><p>(Duby, Georges e Perrot, Michelle – História das Mulheres no</p><p>Ocidente - Vol. 1: A Antiguidade, sob a direção de Pantel, Pauline</p><p>Schmitt - Porto: Edições Afrontamento, p.206)</p><p>A partir do texto, referente ao cotidiano das mulheres na</p><p>Grécia Antiga, podemos afirmar que:</p><p>a) As mulheres da Antiguidade foram muito mais livres</p><p>do que se pode imaginar, pois, mesmo que em</p><p>estado de submissão aos homens, decidiam sobre a</p><p>vida política das cidades-estados.</p><p>b) Na sociedade grega o casamento seguia ritos</p><p>estritos, num cerimonial regido por religiosos que</p><p>organizavam a mesma simbologia em todos os</p><p>momentos de matrimônio.</p><p>c) As mulheres helênicas estavam inseridas em uma</p><p>sociedade patriarcal que, por mais que pudesse</p><p>tratá-las por vezes com alguma deferência, as</p><p>submetia ao controle do poder masculino.</p><p>d) A liberdade que as mulheres gregas, em especial as</p><p>atenienses, conquistaram ao longo da História, foi</p><p>notável. Em Atenas elas podiam participar dos jogos,</p><p>ir ao teatro, votar e participar das decisões políticas.</p><p>TEXTO: 1 - Comum à questão: 17</p><p>As cidades comerciais europeias eram o lugar da</p><p>riqueza acumulada na primeira fase do capitalismo. Já</p><p>se constituíam espaços de concentração de capitais</p><p>disponíveis acumulados com o mercantilismo, eram o</p><p>espaço do poder econômico e político (lugar de moradia</p><p>dos capitalistas e sede dos Estados modernos), e nelas</p><p>também se concentrava uma grande reserva de força</p><p>de trabalho. Além disto, o capitalismo comercial ajudou</p><p>a criar nas cidades uma infraestrutura muito importante</p><p>para o desenvolvimento industrial. Houve um grande</p><p>avanço técnico e científico, formou-se uma rede</p><p>bancária e um mercado urbano, pois na medida em que,</p><p>afastados de suas condições de produção no campo e</p><p>impedidos de continuar a realizar sua produção</p><p>artesanal, os trabalhadores tornaram-se consumidores</p><p>dos elementos necessários à sua sobrevivência.</p><p>As cidades comerciais já eram, de fato, o “bom” lugar</p><p>para o desenvolvimento industrial. E assim se deu.</p><p>Lefèbvre afirma que, rapidamente, as indústrias</p><p>aproximaram-se destas cidades, transformaram o seu</p><p>caráter, adaptando-se às novas necessidades. Este</p><p>movimento de absorção foi se dando à medida que</p><p>estas cidades encontravam-se em territórios/países que</p><p>estavam se industrializando, o que é possível ser</p><p>observado até os nossos dias. De fato, a indústria</p><p>apropriou-se até mesmo dos símbolos urbanos pré-</p><p>industriais, como Atenas e Veneza, criando espaços</p><p>dicotômicos: a Atenas antiga em acrópole e a Atenas</p><p>33</p><p>moderna − industrial − junto ao porto; a Veneza, símbolo</p><p>do renascimento urbano mercantil e a Veneza</p><p>continental − área de concentração de suas indústrias</p><p>atualmente.</p><p>(SPOSITO, Maria Encarnação B. Capitalismo e urbanização. São</p><p>Paulo: Contexto, 1988. p. 51)</p><p>Questão-17)</p><p>Na Grécia antiga, a acrópole, existente em Atenas, era:</p><p>a) exclusiva à mais poderosa cidade da Grécia, devido</p><p>ao seu desenvolvimento peculiar baseado na</p><p>democracia e em instituições que concentravam</p><p>funções políticas e religiosas integradas a esse</p><p>regime e propositalmente instaladas fora do</p><p>perímetro urbano.</p><p>b) estratégica, uma vez que sua construção em lugares</p><p>altos, também encontrada em outras cidades, como</p><p>Esparta, facilitava a defesa dos edifícios de grande</p><p>importância política, simbólica e religiosa, ali</p><p>construídos.</p><p>c) projetada em várias cidades-estados mediante uma</p><p>solução arquitetônica que favorecia a concentração</p><p>e o isolamento, distante do centro, de importantes</p><p>edifícios aos quais a população comum não tinha</p><p>acesso e que cumpriam a função de armazenar a</p><p>riqueza local.</p><p>d) sagrada, na medida em que simbolizava o Olimpo e</p><p>abrigava o Partenon, templo dedicado à deusa Atena</p><p>e que era uma edificação obrigatória em todas as</p><p>cidades da Grécia antiga, posteriormente copiada e</p><p>adaptada ao culto de Minerva, nas cidades do</p><p>Império Romano.</p><p>e) monumental, uma vez que abrigava o centro político,</p><p>cultural e religioso de Atenas, a maior cidade da</p><p>Grécia antiga, e que recebia peregrinações,</p><p>festividades como as Olimpíadas e concorridos</p><p>espetáculos dramatúrgicos em seus grandes teatros</p><p>de arena.</p><p>Questão-18)</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>Por mais que Helena desenvolva nas epopeias</p><p>atividades associadas pelos gregos às suas esposas</p><p>legítimas, como a tecelagem, o gerenciamento das</p><p>criadas, a vinculação à roca, e receba por isso</p><p>qualificações próprias do feminino, como “divina entre</p><p>as mulheres”, ela age, inclusive, assumindo a condição</p><p>de aedo, o que pode ser percebido no canto IV da</p><p>Odisseia e no III da Ilíada, quando tece uma tapeçaria</p><p>representativa dos conflitos entre helenos e troianos.</p><p>Quando se espera das mulheres gregas o silêncio,</p><p>Helena fala.</p><p>LESSA, Fábio de Souza; MACIEL, Felipe Marques. A Helena épica</p><p>sob a ótica do gênero. Hélade, Rio de Janeiro, v. 4, n. 1, out. 2018,</p><p>p. 105. (Adaptado).</p><p>De acordo com o texto, a personagem da obra de</p><p>Homero evidencia a possibilidade que as mulheres do</p><p>período arcaico tinham de</p><p>a) conquistar a salvaguarda familiar que garantia a elas</p><p>a liberdade e a cidadania.</p><p>b) romper as fronteiras culturais que impunham a elas</p><p>a passividade e a reclusão.</p><p>c) superar a barreira religiosa que dificultava a elas</p><p>alcançar a santidade e a sacralidade.</p><p>d) expandir as atividades domésticas que permitiam a</p><p>elas realizar o comércio e o artesanato.</p><p>Questão-19)</p><p>A imagem acima da escultura de Doríforo de Policleto é</p><p>uma das mais conhecidas obras da Antiguidade</p><p>Clássica, por traduzir o equilíbrio exato da proporção</p><p>harmônica nas medidas do corpo humano. A arte grega</p><p>livre de imposições ou normas estilísticas, valorizava o</p><p>homem, devido:</p><p>a) à cultura de Atenas, responsável pela produção</p><p>artística grega, que considerava o homem a medida</p><p>comum de todas as coisas, apesar desse princípio</p><p>não ser adotado por todas as cidades-estados, como</p><p>por exemplo, Esparta que valorizava as atividades</p><p>militares.</p><p>b) às suas crenças e práticas religiosas, por</p><p>acreditarem que os deuses</p><p>habitavam o corpo</p><p>humano e eram representados sob essa condição,</p><p>aproximando os fiéis do transcendental e divino.</p><p>c) ao mito religioso, cultivado e disseminado em todas</p><p>as classes sociais das diversas cidades-estados</p><p>gregas. Acreditava-se que um corpo são e perfeito é</p><p>sempre acompanhado por um espírito saudável e</p><p>sagaz.</p><p>d) ao pensamento helenístico, capaz de criar uma</p><p>unidade cultural em toda a Grécia, superando os</p><p>paradigmas religiosos de outras civilizações da</p><p>época e passando a valorizar o homem e sua</p><p>capacidade racional de entender o mundo.</p><p>e) ao pensamento aristocrático, que se utilizava da</p><p>expressão máxima da beleza humana para se impor</p><p>sob as demais classes sociais, já que o homem era</p><p>representado como um deus, garantindo a</p><p>submissão do restante da sociedade grega.</p><p>20. (Enem 2020)</p><p>Na Grécia, o conceito de povo abrange tão somente</p><p>aqueles indivíduos considerados cidadãos. Assim é</p><p>possível perceber que o conceito de povo era muito</p><p>34</p><p>restritivo. Mesmo tendo isso em conta, a forma</p><p>democrática vivenciada e experimentada pelos gregos</p><p>atenienses nos séculos IV e V a.C. pode ser</p><p>caracterizada, fundamentalmente, como direta.</p><p>MANDUCO, A. Ciência política. São Paulo: Saraiva. 2011.</p><p>Naquele contexto, a emergência do sistema de governo</p><p>mencionado no excerto promoveu o(a)</p><p>a) competição para a escolha de representantes.</p><p>b) campanha pela revitalização das oligarquias.</p><p>c) estabelecimento de mandatos temporários.</p><p>d) declínio da sociedade civil organizada.</p><p>e) participação no exercício do poder.</p><p>21. (Fuvest 2022)</p><p>A respeito da Guerra do Peloponeso no séc. V a.C., é</p><p>correto afirmar:</p><p>a) O conflito resultou das disputas comerciais e</p><p>militares entre a Liga de Delos, liderada pela cidade-</p><p>estado de Atenas, e os interesses assírios.</p><p>b) A guerra afetou a autonomia política e administrativa</p><p>das cidades-estados, dando lugar à organização</p><p>imperial.</p><p>c) A hegemonia ateniense foi dissolvida com o triunfo</p><p>da Liga do Peloponeso e as colônias na Ásia Menor</p><p>foram devolvidas aos persas.</p><p>d) A guerra marcou a decadência do militarismo</p><p>espartano frente aos exércitos atenienses, que</p><p>defendiam a democracia.</p><p>e) O desabastecimento de escravos e a</p><p>desorganização da produção agrícola contribuíram</p><p>para a perda da hegemonia grega no Mediterrâneo.</p><p>22. (Ufjf-pism 1 2021)</p><p>Leia os textos abaixo:</p><p>“Cada ateniense faz parte, ao mesmo tempo, de quatro</p><p>sociedades distintas: é membro de uma família, de uma</p><p>fratria, de uma tribo e de uma cidade. (...) A criança, a</p><p>princípio, é admitida na família, pela cerimônia religiosa</p><p>celebrada dez dias depois do nascimento. Alguns anos</p><p>depois, ingressa na fratria por nova cerimônia (...).</p><p>Enfim, na idade de dezesseis anos, ou de dezoito,</p><p>apresenta-se se para ser admitido na cidade. (...) A</p><p>partir desse instante está iniciado no culto público, e se</p><p>torna cidadão (...). O cidadão era reconhecido por sua</p><p>participação no culto da cidade, e dessa participação</p><p>provinham todos os seus direitos políticos e civis”.</p><p>COULANGES, Fustel de. A Cidade Antiga. 2ª ed. São</p><p>Paulo: Martins Fontes. p.113-170.</p><p>“Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os</p><p>direitos fundamentais inerentes à pessoa humana (...)</p><p>Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei</p><p>aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem</p><p>discriminação de nascimento, situação familiar, idade,</p><p>sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, (...), região</p><p>e local de moradia ou outra condição que diferencie as</p><p>pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem.”</p><p>BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).</p><p>Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.</p><p>A partir da leitura dos textos, responda à questão</p><p>CORRETA sobre a cidadania:</p><p>a) A cidadania é um direito fundamental e universal,</p><p>garantido a todas as crianças desde os primórdios</p><p>da formação da civilização grega na antiguidade.</p><p>b) A garantia de direitos universais à criança,</p><p>independentemente de sua região e local de origem,</p><p>é um princípio presente no ECA e originado na</p><p>democracia ateniense.</p><p>c) Cidadania é um princípio que tem assumido</p><p>diferentes significados ao longo da história, e sua</p><p>definição deve ser compreendida a partir das</p><p>particularidades de cada sociedade.</p><p>d) Enquanto no ECA os direitos são restritos às</p><p>crianças e adolescentes, na democracia ateniense</p><p>crianças, mulheres, homens e escravos eram</p><p>considerados cidadãos com plenos direitos.</p><p>e) Ainda que se refiram a contextos históricos distintos,</p><p>os dois textos se aproximam por defenderem a</p><p>restrição do exercício da cidadania e da garantia de</p><p>direitos às crianças e aos adolescentes.</p><p>23. (Uel 2021)</p><p>No Período Clássico, a expansão das fronteiras</p><p>geográficas das cidades gregas foi resultado de um</p><p>processo histórico envolvendo as condições culturais,</p><p>sociais, políticas e do conhecimento.</p><p>Com base na figura e nos conhecimentos sobre o</p><p>Período Clássico grego, assinale a alternativa correta:</p><p>a) No Período Clássico, a civilização grega teve seu</p><p>domínio hegemônico da região do Mediterrâneo e</p><p>Mar Negro, após vencerem o Império Macedônico.</p><p>b) A inauguração da democracia como regime político</p><p>espartano, somada à escolha do rei Péricles,</p><p>fortificou a união dos gregos.</p><p>c) Os socráticos criaram sua crença de domínio do</p><p>mundo amparados no pensamento mítico,</p><p>legitimando a autoridade do narrador e seu poder</p><p>religioso.</p><p>d) Os gregos denominavam de bárbaros os habitantes</p><p>das cidades-estados situadas na Magna Grécia, por</p><p>35</p><p>estarem distantes da Grécia Continental e</p><p>Peninsular.</p><p>e) A criação da pólis ateniense propiciou aos cidadãos</p><p>um espaço público para defenderem, por meio do</p><p>argumento oral, seus interesses, reforçando a</p><p>gestão de seus poderes.</p><p>24. (Fgv 2020)</p><p>Aqueles que compõem a cidade, tão diferentes entre si</p><p>por suas origens, condições e funções, de certa forma</p><p>parecem “semelhantes” uns aos outros. Essa similitude</p><p>funda a unidade da pólis, porque para os gregos</p><p>somente os semelhantes podem permanecer</p><p>mutuamente unidos pela Philia, associados a uma</p><p>mesma comunidade. Todos aqueles que participam do</p><p>Estado definem-se como Homoioi, semelhantes, depois</p><p>de maneira mais abstrata, como Isoi, iguais. Essa</p><p>imagem das relações humanas encontrará no século VI</p><p>a.C. a sua expressão rigorosa no conceito de isonomia:</p><p>igual participação de todos os cidadãos no exercício do</p><p>poder.</p><p>(Jean-Pierre Vernant. Les origines de la pensée grecque, 1995.</p><p>Adaptado.)</p><p>O autor argumenta que a organização da pólis grega</p><p>a) desconhecia as desigualdades reais entre os</p><p>cidadãos na esfera das decisões políticas coletivas.</p><p>b) fundava-se no sentimento recíproco de amizade</p><p>entre os cidadãos dos mesmos grupos econômicos.</p><p>c) abria-se à participação nas decisões públicas dos</p><p>aliados incondicionais da cidade nos períodos de</p><p>guerra.</p><p>d) enaltecia o exercício da racionalidade política em</p><p>prejuízo dos cultos das divindades do mundo grego.</p><p>e) distribuía o conjunto das tarefas públicas de acordo</p><p>com as aptidões políticas de cada um dos cidadãos.</p><p>25. (Ueg 2020)</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>A tradição continua a ser o único fundamento para</p><p>imaginarmos que houve a Guerra de Tróia, e os motivos</p><p>de uma expedição ultramarina tão complicada ainda</p><p>precisam ser explicados.</p><p>FINLEY, M. Aspectos da Antiguidade. São Paulo: Martins Fontes,</p><p>1991. p. 37.</p><p>De acordo com a tradição mítica, o episódio</p><p>responsável por fazer eclodir a Guerra de Tróia foi</p><p>a) a disputa comercial entre as cidades-estados da Liga</p><p>de Delos e da Liga do Peloponeso.</p><p>b) a fuga do herói troiano Enéias para a península</p><p>itálica onde fundou Alba Longa.</p><p>c) a resistência de 300 espartanos impedindo o avanço</p><p>do império persa na Europa.</p><p>d) o descontentamento social gerado pelos sacrifícios</p><p>humanos feitos ao Minotauro.</p><p>e) o rapto da rainha espartana por um príncipe troiano,</p><p>ferindo as leis de hospitalidade.</p><p>No Brasil, as formas de proteção dos bens de cultura material são o tombamento, o registro e o inventário.</p><p>PATRIMÔNIO MATERIAL BRASILEIRO</p><p>Alguns exemplos de bens da cultura material brasileira classificados pelo</p><p>Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) são:</p><p>• Centro Histórico de Ouro Preto (Ouro Preto/MG);</p><p>• Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro/ RJ);</p><p>• Conjunto Arquitetônico de Paraty (Paraty/RJ);</p><p>• Centro Histórico de Olinda (Olinda/PE);</p><p>• Pelourinho (Salvador/BA);</p><p>• Parque Nacional Serra da Capivara (São Raimundo Nonato/PI);</p><p>Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro</p><p>Preto/MG</p><p>CULTURA IMATERIAL</p><p>Os bens de cultura imaterial são os elementos abstratos que fazem parte de uma cultura, e dizem respeito às práticas</p><p>e domínios da vida social de determinado grupo. Esses bens podem ser ofícios, saberes, celebrações, formas de</p><p>expressão e também lugares, como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas.</p><p>https://nastramasdeclio.com.br/historia/morte-e-historia-aprendendo-historia-no-cemiterio/</p><p>3</p><p>A cultura imaterial é passada de geração a geração. Com isso, os bens</p><p>costumam ser recriados e modificados pelos grupos e comunidades de</p><p>acordo com o ambiente, através da interação com a natureza e com o</p><p>contexto histórico da sociedade.</p><p>PATRIMÔNIO IMATERIAL BRASILEIRO</p><p>No Brasil, o IPHAN tem registrado 47 bens imateriais, divididos em formas</p><p>de expressão, saberes, celebrações e lugar. Confira abaixo uma lista</p><p>completa do patrimônio imaterial do nosso país:</p><p>A capoeira é patrimônio imaterial brasileiro</p><p>FORMAS DE EXPRESSÃO</p><p>• Arte Kusiwa - Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajápi (AP)</p><p>• Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA)</p><p>• Jongo no Sudeste (SP, RJ, ES, MG)</p><p>• Frevo (PE)</p><p>• Tambor de Crioula do Maranhão (MA)</p><p>▪ Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de</p><p>terreiro e samba enredo (RJ)</p><p>Pintura corporal dos índios Wajápi (AP)</p><p>SABERES</p><p>• Ofício das Paneleiras de Goiabeiras (ES)</p><p>• Ofício das Baianas de Acarajé (BA)</p><p>• Modo artesanal de fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro,</p><p>da Serra da Canastra e Salitre/ Alto Paranaíba (MG)</p><p>• Ofício dos Mestres de Capoeira (todos os estados)</p><p>Paneleiras de Goiabeiras (ES)</p><p>CELEBRAÇÕES</p><p>• Círio de Nossa Senhora de Nazaré (PA)</p><p>• Ritual Yaokwa do povo indígena Enawenê Nawê (MT)</p><p>• Festa de Sant'Ana de Caicó (RN)</p><p>4</p><p>LUGARES</p><p>• Cachoeira de Iauaretê - Lugar Sagrado dos povos indígenas</p><p>dos Rios Uaupés e Papuri (AM)</p><p>• Feira de Caruaru (PE)</p><p>• Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani (RS)</p><p>• Feira de Campina Grande (PB)</p><p>Cachoeira de Iauaretê, considerada sagrada para os</p><p>povos indígenas dos Rios Uaupés e Papuri (AM)</p><p>QUESTÕES DE PATRIMÔNIO</p><p>CULTURAL E HISTÓRICO:</p><p>1.A carroça sem cavalo</p><p>Conta-se que, em noites frias de inverno, descia um</p><p>forte nevoeiro trazido pelo mar e, nessa noite, ouviam-</p><p>se muitos barulhos estranhos. Os moradores da cidade</p><p>de São Francisco, que é a cidade mais antiga de Santa</p><p>Catarina, eram acordados de madrugada com um</p><p>barulho perturbador. Ao abrirem a janela de casa, os</p><p>moradores assustavam-se com a cena: viam uma</p><p>carroça andando sem cavalo e sem ninguém puxando...</p><p>Andava sozinha! Na carroça, havia objetos barulhentos,</p><p>como panelas, bules, inclusive alguns objetos</p><p>amarrados do lado de fora da carroça. O medo dominou</p><p>a pequena cidade. Conta-se ainda que um carroceiro</p><p>foi morto a coices pelo seu cavalo, por maltratar o</p><p>animal. Nas noites de manifestação da assombração, a</p><p>carroça saía de um nevoeiro, assustava a população e,</p><p>depois de um tempo, voltava a desaparecer no</p><p>nevoeiro.Considerando-se que os diversos gêneros</p><p>que circulam na sociedade cumprem uma função social</p><p>específica, esse texto tem por função:</p><p>a) abordar histórias reais.</p><p>b) informar acontecimentos.</p><p>c) questionar crenças populares.</p><p>d) narrar histórias do imaginário social.</p><p>e) situar fatos de interesse da sociedade.</p><p>2. (Enem 2019)</p><p>Produzida no Chile, no final da década de 1970, a</p><p>imagem expressa um conflito entre culturas e sua</p><p>presença em museus decorrente da:</p><p>a) valorização do mercado das obras de arte.</p><p>b) definição dos critérios de criação de acervos.</p><p>c) ampliação da rede de instituições de memória.</p><p>d) burocratização do acesso dos espaços expositivos.</p><p>e) fragmentação dos territórios das comunidades</p><p>representadas.</p><p>3. (Enem 2016) “Participei de uma entrevista com o</p><p>músico Renato Teixeira. Certa hora, alguém pediu para</p><p>listar as diferenças entre a música sertaneja antiga e a</p><p>atual. A resposta dele surpreendeu a todos: “Não há</p><p>diferença alguma. A música caipira sempre foi a</p><p>mesma. É uma música que espelha a vida do homem</p><p>no campo, e a música não mente. O que mudou não foi</p><p>a música, mas a vida no campo”. Faz todo sentido: a</p><p>música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo</p><p>distanciamento do país “moderno”. Exigir o mesmo de</p><p>uma música feita hoje, num interior conectado,</p><p>globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para</p><p>o bem ou para o mal, a música reflete seu próprio</p><p>tempo.”</p><p>A questão cultural indicada no texto ressalta o seguinte</p><p>aspecto socioeconômico do atual campo brasileiro:</p><p>a) crescimento do sistema de produção extensiva.</p><p>b) expansão de atividades das novas ruralidades.</p><p>c) persistência de relações de trabalho compulsório.</p><p>d) contenção da política de subsídios agrícolas.</p><p>e) fortalecimento do modelo de organização</p><p>cooperativa.</p><p>4. (Enem 2016) “Hoje, a indústria cultural assumiu a</p><p>herança civilizatória da democracia de pioneiros e</p><p>empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza</p><p>de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres</p><p>para dançar e para se divertir, do mesmo modo que,</p><p>desde a neutralização histórica da religião, são livres</p><p>para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas</p><p>a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre</p><p>5</p><p>a coerção econômica, revela-se em todos os setores,</p><p>como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma</p><p>coisa.”</p><p>ADORNO, T HORKHEIMER, M. Dialética do</p><p>esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro:</p><p>Zahar, 1985.</p><p>A liberdade de escolha na civilização ocidental, de</p><p>acordo com a análise do texto, é um(a):</p><p>a) legado social.</p><p>b) patrimônio político.</p><p>c) produto da moralidade.</p><p>d) conquista da humanidade.</p><p>e) ilusão da contemporaneidade.</p><p>5. (Enem 2019) “O processamento da mandioca era</p><p>uma atividade já realizada pelos nativos que viviam no</p><p>Brasil antes da chegada de portugueses e africanos.</p><p>Entretanto, ao longo do processo de colonização</p><p>portuguesa, a produção da farinha foi aperfeiçoada e</p><p>ampliada, tornando-se lugar-comum em todo o território</p><p>da colônia portuguesa na América. Com a consolidação</p><p>do comércio atlântico em suas diferentes conexões, a</p><p>farinha atravessou os mares e chegou aos mercados</p><p>africanos.”</p><p>Considerando a formação do espaço atlântico, esse</p><p>produto exemplifica historicamente a:</p><p>a) difusão de hábitos alimentares.</p><p>b) disseminação de rituais festivos.</p><p>c) ampliação dos saberes autóctones.</p><p>d) apropriação de costumes guerreiros.</p><p>e) diversificação de oferendas religiosas.</p><p>6. (Enem 2018) “Outra importante manifestação das</p><p>crenças e tradições africanas na Colônia eram os</p><p>objetos conhecidos como “bolsas de mandinga”. A</p><p>insegurança tanto física como espiritual gerava uma</p><p>necessidade generalizada de proteção: das catástrofes</p><p>da natureza, das doenças, da má sorte, da violência</p><p>dos núcleos urbanos, dos roubos, das brigas, dos</p><p>malefícios de feiticeiros etc. Também para trazer sorte,</p><p>dinheiro e até atrair mulheres, o costume era corrente</p><p>nas primeiras décadas do século XVIII, envolvendo não</p><p>apenas escravos, mas também homens brancos.”</p><p>CALAINHO, D. B. Feitiços e feiticeiros. In: FIGUEIREDO, L. História</p><p>do Brasil para ocupados. Rio de</p><p>26. (Enem 2019)</p><p>A soberania dos cidadãos dotados de plenos direitos era</p><p>imprescindível para a existência da cidade-estado.</p><p>Segundo os regimes políticos, a proporção desses</p><p>cidadãos em relação à população total dos homens</p><p>livres podia variar muito, sendo bastante pequena nas</p><p>aristocracias e oligarquias e maior nas democracias.</p><p>CARDOSO, C. F. A cidade-estado clássica. São Paulo: Ática, 1985.</p><p>Nas cidades-estado da Antiguidade Clássica, a</p><p>proporção de cidadãos descrita no texto é explicada</p><p>pela adoção do seguinte critério para a participação</p><p>política:</p><p>a) Controle da terra.</p><p>b) Liberdade de culto.</p><p>c) Igualdade de gênero.</p><p>d) Exclusão dos militares.</p><p>e) Exigência da alfabetização.</p><p>27. (Unesp 2019)</p><p>São uma formosura os governantes que tu modelaste,</p><p>como se fosses um estatuário, ó Sócrates! [...]</p><p>– Ora pois! Concordais que não são inteiramente</p><p>utopias o que estivemos a dizer sobre a cidade e a</p><p>constituição; que, embora difíceis, eram de algum modo</p><p>possíveis, mas não de outra maneira que não seja a que</p><p>dissemos, quando os governantes, um ou vários, forem</p><p>filósofos verdadeiros, que desprezem as honrarias</p><p>atuais, por as considerarem impróprias de um homem</p><p>livre e destituídas de valor, mas, por outro lado, que</p><p>atribuem a máxima importância à retidão e às honrarias</p><p>que dela derivam, e consideram o mais alto e o mais</p><p>necessário dos bens a justiça, à qual servirão e farão</p><p>prosperar, organizando assim a sua cidade?</p><p>(Platão. A República, 1987.)</p><p>O texto, concluído na primeira metade do século IV a.C.,</p><p>caracteriza</p><p>a) a predominância das atividades econômicas rurais</p><p>sobre as urbanas e enfatiza o primado da</p><p>racionalidade.</p><p>b) a organização da pólis e sustenta a existência de um</p><p>governo baseado na justiça e na sabedoria.</p><p>c) o caráter aristocrático da pólis durante o período das</p><p>tiranias em Atenas e defende o princípio da</p><p>igualdade social.</p><p>d) a estruturação social da pólis e destaca a</p><p>importância da democracia, consolidada durante o</p><p>período de Clístenes.</p><p>e) a importância da ação de legisladores, como Drácon</p><p>e Sólon em Atenas, e apoia a consolidação da</p><p>militarização espartana.</p><p>Questão-28)</p><p>Quando tratamos da civilização grega na época</p><p>clássica, encontramos nomes que são considerados</p><p>expoentes no estudo da História. Sobre o assunto, leia</p><p>os trechos abaixo e depois identifique, respectivamente,</p><p>a quem devemos relacioná-los:</p><p>36</p><p>Considerado o ‘Pai da História’, foi bem mais um</p><p>agradável narrador do que um historiador, demasiado</p><p>inclinado a longas digressões, e aparentemente dócil às</p><p>narrativas fantasiosas de seus informadores, mas tratou</p><p>no seu conjunto do grande problema das Guerras</p><p>Médicas (relações entre gregos e bárbaros).</p><p>(Paul Petit. História Antiga.)</p><p>Estadista malogrado, exilado, consagrou-se à história</p><p>da Guerra do Peloponeso, cuja importância parece ter</p><p>percebido bem logo, o que não é pequeno mérito.</p><p>Criticando seus predecessores, elimina o maravilhoso e</p><p>o sobrenatural e coloca a psicologia humana no centro</p><p>do real, que torna inteligível mediante a demonstração</p><p>do encadeamento das causas e dos acontecimentos.</p><p>(Paul Petit. História Antiga.)</p><p>a) Xenofonte – Heródoto;</p><p>b) Xenofonte – Tucídides;</p><p>c) Tucídides – Heródoto;</p><p>d) Heródoto – Tucídides;</p><p>e) Heródoto – Xenofonte.</p><p>Questão-29)</p><p>Considerando o mundo grego do século V ao IV a.C,</p><p>assinale a opção que completa, correta e</p><p>respectivamente, as lacunas do seguinte enunciado:</p><p>“No mundo grego do século V a.C. ao século IV a.C., as</p><p>cidades Atenas e Esparta exerceram poder e liderança</p><p>sobre as demais cidades-Estados. Uniram-se para</p><p>vencer os _________1, porém, uma vez vitoriosas,</p><p>tornaram-se forças rivais. Esparta formou aliança com</p><p>várias cidades: essa aliança levou o nome de</p><p>_________2; e Atenas impôs seu domínio liderando a</p><p>união da _________3, através da qual se fortaleceu</p><p>militar e culturalmente, atraindo muitos pensadores e</p><p>artistas de vários pontos da Grécia. As duas</p><p>enfrentaram-se mutuamente, enfraqueceram-se e</p><p>permitiram o surgimento de outras lideranças, como a</p><p>da cidade de _________4, por um curto período”.</p><p>a) dórios1, Força Espartana2, Polis Ateniense3, Troia4</p><p>b) troianos1, Aliança de Salamina2, Coalizão de Delos3,</p><p>Plateia4</p><p>c) persas1, Liga do Peloponeso2, Confederação de</p><p>Delos3, Tebas4</p><p>d) macedônios1, União Espartíata2, Assembleia</p><p>Demos3, Micenas4</p><p>GABARITO:</p><p>1) Gab: E 2) Gab: E 3) Gab: A 4) Gab: E</p><p>5) Gab: A 6) Gab: A 7) Gab: C 8) Gab: B</p><p>9) Gab: B 10) Gab: C 11) Gab: B 12) Gab: C</p><p>13) Gab: A 14) Gab: E 15) Gab: C 16) Gab: C</p><p>17) Gab: B 18) Gab: B 19) Gab: D 20) Gab: E</p><p>21: Gab [C] 22: Gab [C] 23: Gab [E] 24:Gab [A]</p><p>25:Gab [E] 26:Gab [A] 27:Gab [B] 28) Gab: D</p><p>29) Gab: C</p><p>ROMA ANTIGA – MONARQUIA E REPÚBLICA</p><p>ROMA</p><p>A principal característica da história romana foi a sua expansão territorial. Roma foi o grande império da antigüidade.</p><p>A história romana tem a seguinte periodização:-Monarquia - de 753 a.C. à 509 a.C. -República - de 509 a.C. à 27 a.C.</p><p>-Império - de 27 a.C. à 476 d.C.</p><p>MONARQUIA</p><p>É um período caracterizado pelas lendas. A própria fundação da cidade no ano de 753 a.C. está ligada à uma</p><p>tradição: Enéias, que participou da guerra de Tróia, chega à Itália e funda uma cidade ALBA LONGA. Os gêmeos</p><p>Rômulo e Remo, descendentes de Enéias, foram abandonados no rio Tibre. Uma loba os amamenta. Foram recolhidos</p><p>por um pastor que os educa e, mais tarde fundaram a cidade de Roma. A história, porém, atesta que Roma</p><p>provavelmente surgiu como uma fortificação militar por volta do século VIII a.C. - para defender-se dos povos etruscos.</p><p>A economia no período era baseada na agricultura e no pastoreio. A estrutura social era formada pelos patrícios,</p><p>que eram os grandes proprietários; os clientes, que recebiam amparo e proteção dos patrícios e os plebeus, que</p><p>ocupavam a base da sociedade: artesãos, comerciantes e pequenos proprietários.</p><p>Segundo a tradição, houve em Roma sete reis, sendo que o último - Tarquínio, o Soberbo foi expulso do poder em</p><p>virtude de seu despotismo. Com sua expulsão, inicia-se o período republicano em Roma.</p><p>REPÚBLICA</p><p>A principal instituição de República romana será o Senado, responsável pela direção de toda política romana.</p><p>Formado por patrícios, que ocupavam a função de forma vitalícia, o Senado era o responsável pela condução da política</p><p>interna e da política externa. Escolhia os magistrados, que eram cargos executivos. Os magistrados eram indicados</p><p>37</p><p>anualmente e possuíam funções específicas de natureza judiciária e executiva. A seguir as principais magistraturas</p><p>de Roma:</p><p>- Consulado: magistratura mais importante, ocupado por dois militares. Um agia em Roma e outro fora de Roma. Em</p><p>casos de extrema gravidade interna ou externa, esta magistratura - como de resto, as outras também - era substituída</p><p>pela DITADURA uma magistratura legal com duração de seis meses.</p><p>- Tribunos da plebe: representantes da plebe junto ao Senado. Possuíam o poder de vetar as decisões do Senado</p><p>que afetassem os plebeus, assegurando assim seus direitos. -Questor: responsável pela arrecadação de impostos.</p><p>-Pretor: encarregado da justiça civil. -Censor: zelava pela moral pública (a censura) e realizava a contagem da</p><p>população (o censo).</p><p>- Edil: cuidava da manutenção pública -obras, festas, policiamento, abastecimento.</p><p>Para completar a organização política, restam as Assembléias que eram em número de três:</p><p>- Assembléia Centuriata: a mais importante da República. Responsável pela votação de todas as leis. Monopolizada</p><p>pelos patrícios.</p><p>- Assembléia Tribunícia: composta pelas tribos de Roma. Aqui a votação era coletiva, pela tribo. O número de tribos</p><p>de patrícios era maior do que de plebeus.</p><p>- Assembléia da Plebe: uma conquista dos plebeus. Tinha por finalidade escolher os tribunos da plebe.</p><p>As leis votadas nesta assembléia serão válidas a todos os cidadãos, trata-se do plebiscito.</p><p>A CRISE POLÍTICA E AS GUERRAS CIVIS</p><p>O período que vai de 133 a.C. a 27 a.C. é um doa mais conturbados da história romana: sucessivas guerras civis</p><p>conduziram à desintegração da República e à implantação do Império.</p><p>1. Tibério Graco e a distribuição de terras</p><p>⮚ Eleito tribuno da plebe em 133 a.C.</p><p>⮚ Propõe um limite para a posse de terras: 125 hectares</p><p>⮚ O que excedesse a esse limite voltaria para o Estado que as redistribuiria aos pobres do campo e da cidade, na</p><p>proporção de 7,5 hectare pata cada indivíduo</p><p>⮚ Como essa lei não interessava aos ricos ocupantes de terras publicas, eles subornaram o tribuno Otávio para vetar</p><p>a lei.</p><p>⮚ Tibério destitui o tribuno e logo em seguida aprova a lei</p><p>⮚ A Assembléia elege como tribunos o irmão de Tibério, Caio Graco e seu cunhado</p><p>⮚ Sem apoio e acusado de tirania, Tibério foi assassinado por senadores, nobres e seus clientes e escravos,</p><p>juntamente com seus partidários</p><p>2. Nova tentativa de reforma agrária</p><p>⮚ Em 125 a.C., foi aprovada uma lei que dava aos tribunos o direito de se reelegerem</p><p>⮚ Caio Graco foi reeleito e retomou os ideais do irmão</p><p>⮚ As suas primeiras medidas favoreceram os cavaleiros, que passaram a poder participar dos tribunais encarregados</p><p>de julgar a administração do dinheiro publico nas províncias</p><p>38</p><p>⮚ Propõe a concessão da cidadania completa aos latinos e a cidadania sem direito a voto aos demais povos da</p><p>Confederação itálica</p><p>⮚ Aplicou reformas no sistema de distribuição de terras em Cápua e Tarento</p><p>⮚ Reduziu o preço do trigo</p><p>⮚ E em 122 a.C. inicia a fundação de uma colônia em Cartago – considerada terra maldita</p><p>⮚ A concessão de cidadania aos aliados foi dificultada pelos patrícios, que contavam com o apoio da plebe</p><p>⮚ Caio é perseguido e junto com seus seguidores se refugia no monte Aventino, onde foram liquidados</p><p>⮚ Essas primeiras tentativas de democratizar a República romana fracassaram por causa dos interesses dos nobres,</p><p>mas também pela falta de apoio político da plebe urbana e dos camponeses, que satisfeitos com a política do pão e</p><p>circo mantiveram-se alheios a essas questões.</p><p>O IMPÉRIO ROMANO</p><p>Caio Otávio, em 31 a.C., tinha condições para assumir o controle de Roma. Todavia, preferiu esperar o desenrolar</p><p>dos acontecimentos, dado a instabilidade política, pois o longo período de guerras civis contribuiu para enfraquecer o</p><p>senado e fortalecer o exército. Com isso, Caio espera o momento certo em 27 a.C., assumindo o controle de Roma. Ao</p><p>ascender ao poder, Caio Otávio acumulou uma série de títulos, entre eles o de Augusto, honra apenas conferida</p><p>somente aos deuses; tribuno da pele vitalício e príncipe, tornando-se o primeiro cidadão do senado. Com isso, mudou</p><p>seu nome de Caio Otávio para Otávio Augusto, o primeiro imperador de Roma. O seu governo durou de 31 a.C. até 14</p><p>d.C. Foi durante seu governo que nasceu Jesus Cristo. Otávio Augusto queria transformar Roma em um império de</p><p>mármore e, para isso, iniciou uma série de reformas que contribuíram para ampliar a sua popularidade. Entre as</p><p>medidas adotadas, aumentou a distribuição gratuita de trigo para a plebe e de espaços para diversão pública. Incentivou</p><p>ainda mais a famosa política do pão e circo. E para acalmar os ânimos dos soldados veteranos, fez uma distribuição</p><p>de terras para eles. Também protegeu os artistas romanos. Foi durante o governo de Otávio Augusto que a Pax</p><p>Romana foi instaurada. Nesse período, foi fortalecido o exército, as tensões sociais foram amenizadas e as províncias</p><p>do império ficaram pacificadas.</p><p>Júlio-Claudiana (27 a.C a 68</p><p>d.c)</p><p>Augusto (27 a.C. – 14 a.C.);</p><p>Tibério (14 a.C. – 37);</p><p>Calígula (37 – 41);</p><p>Cláudio (41 – 54);</p><p>Nero (54 – 68);</p><p>Flávios (69-96)</p><p>Vespasiano (69 – 79);</p><p>Tito Flávio (79 – 81);</p><p>Domiciano (81 – 96);</p><p>Antoninos (96-192)</p><p>Nerva (96 – 98);</p><p>Trajano (98 – 117);</p><p>Adriano (117 – 138);</p><p>Antonino Pio (138 – 161);</p><p>Marco Aurélio (161 – 180);</p><p>Cômodo (180 – 192);</p><p>Severos (193-235)</p><p>Septímio Severo (193 –</p><p>211);</p><p>Caracala (198 – 217);</p><p>Geta (209 – 211);</p><p>Macrino (217 – 218);</p><p>Heliogábalo (222 – 235);</p><p>Alexandre Severo (222 –</p><p>235).</p><p>39</p><p>Após a morte de Otávio, vários imperadores assumiram o poder, mas foi no governo de Tibério que Jesus Cristo foi</p><p>executado. Jesus nasceu em Belém, uma província romana na Galileia. Com efeito, suas ideias contrariavam o poder</p><p>divino dos imperadores romanos e, em consequência, os cristãos passaram a ser perseguidos durante todo o império</p><p>romano. Muitos contemporâneos de Jesus afirmavam que ele era o Messias enviado pelo Deus o único, e que Deus</p><p>amava a todos sem distinção. Os líderes judeus não gostaram e passaram também a perseguir Jesus, pois afirmavam</p><p>que o verdadeiro Messias era um homem rico, destemido e pronto para enfrentar os inimigos. Jesus, ao contrário, era</p><p>pobre, filho de um carpinteiro. Jesus afirmava que todos poderiam ter acesso ao reino de Deus e obter a salvação</p><p>eterna, inclusive os pobres e escravos. Assim, a mensagem de Cristo era de esperança para os mais humildes e</p><p>oprimidos. Após a sua morte na cruz, os seus apóstolos se espalharam pelo Império Romano, conseguindo converter</p><p>várias pessoas ao cristianismo.</p><p>Como reação ao cristianismo, alguns imperadores começaram a perseguir os cristãos porque estes não</p><p>reconheciam a divindade romana na figura do imperador, bem como os cristãos praticavam a religião oficial do império.</p><p>Com isso, a morte de cristãos serviu de diversão para os romanos, que os jogavam nas arenas para servirem de</p><p>alimento aos animais selvagens. Com isso, a morte dos cristãos tornou-se um espetáculo atrativo para as pessoas.</p><p>Também é interessante salientar que ao invés de acabar com cristianismo esses atos fizeram o número de cristãos se</p><p>multiplicar.</p><p>O ALTO IMPÉRIO ROMANO FOI MARCADO POR QUATRO DINASTIAS. FORAM ELAS:</p><p>Alguns imperadores foram polêmicos, entre eles Calígula, que nomeou cônsul o seu próprio cavalo. Calígula ainda</p><p>foi acusado de manter relações incestuosas com as suas irmãs. Não obstante, seus gastos eram muito altos. Para</p><p>manter seu próprio luxo, cobrava impostos altíssimos. Era cruel com os presos e os escravos. Sua vida privada também</p><p>foi cheia de escândalos. Outro imperador polêmico foi Nero, cujo governo foi extravagante. Nero matou a esposa e deu</p><p>a cabeça de presente para nova mulher. Quando esta disse que estava grávida, Nero a matou sem piedade. Ele também</p><p>matou a própria mãe, fato este que o deixou louco. Para construir um palácio em Roma, provocou um incêndio, deixando</p><p>milhares de mortos. Sabe-se que enquanto a cidade de era incendiada, ele foi visto em uma torre, tocando sua lira e</p><p>fazendo exaltações à cidade de Troia. Para fugir das acusações, culpou os cristãos, tornando-se um perseguidor</p><p>implacável deles. No final do alto império, o Estado imperial romano arrecada cada vez menos e estava gastando</p><p>demais com as diversões públicas, o pagamento dos funcionários e a manutenção do exército. Diante desse estado de</p><p>desequilíbrio, o qual afetou a vida política e social romana, os romanos decidiram parar com as conquistas, uma vez</p><p>que, quanto mais terras conquistadas, mais difícil ficava administrá-las e, consequentemente, defendê-las.</p><p>A CRISE DO COLONATO E A FRAGMENTAÇÃO DO IMPÉRIO ROMANO</p><p>Para equilibrar as contas do Império Romano entre o que se arrecadava e gastava, a partir do ano de 235 os</p><p>imperadores romanos não colocaram como prioridade o pagamento dos funcionários, e a manutenção do próprio</p><p>exército deixou de ser prioridade. Diante disso, ocorreram várias revoltas nas províncias romanas, e para piorar a</p><p>situação, o imperador romano Caracala concedeu em 212 a todos os homens livres do império o direito de cidadania.</p><p>Não obstante, Diocleciano, no ano de 284, irá ocupar o trono do império e irá formar um governo de quatro chefes</p><p>militares chamado também de tetrarquia. Esses governantes</p><p>foram: Diocleciano, Maximiano Galério e Constâncio.</p><p>Quando Constâncio morreu seu filho Constantino ocupou o lugar dele e governou o império na primeira metade do</p><p>século IV. Será no seu governo que ele irá conceder a liberdade de culto aos cristãos através do Édito de Milão. Não</p><p>obstante, para fugir da crise pela qual o império passava, Constantino também irá construir a cidade de Constantinopla</p><p>(atual Istambul, na Turquia) fundada em 330. Isso se deveu devido ao local estratégico de Constantinopla, pois a cidade</p><p>construída em homenagem ao Imperador Constantino foi de extrema importância por conectar Oriente e ocidente.</p><p>Todavia, os problemas sociais do império cada vez mais aumentavam, pois entre os vários motivos desses</p><p>problemas estavam:</p><p>● A falta de escravos, a qual teve como consequência uma queda da produção agrícola. Vale salientar que a falta de</p><p>escravos era uma consequência da política de expansão de terras, pois à medida que o império romano avançava</p><p>conquistava os povos derrotados e, com isso, novos escravos. Com a falta da política de expansão de terras, como</p><p>consequência houve uma diminuição do número de escravos em prejuízo de toda uma produção agrícola;</p><p>● A falta de investimentos no exército romano obrigou o império a dialogar com os povos bárbaros que habitavam na</p><p>fronteira do império fazendo acordos para defender o território. Esses bárbaros, na visão dos romanos, viviam em um</p><p>estágio de civilização inferior e menor aos romanos, por isso eram vistos com certo preconceito e também por isso a</p><p>denominação de “bárbaros”. Todavia, apesar de serem considerados como uma cultura atrasada, os bárbaros eram</p><p>muito temidos e as principais tribos germânicas que se instalaram no Império Romano foram os visigodos, os</p><p>lombardos, os ostrogodos, os vândalos e os Francos.</p><p>40</p><p>● O desabastecimento causado pela pouca produção agrícola fez o Império Romano ter um aumento na inflação. Não</p><p>obstante, na falta de dinheiro, o Estado romano passou a exercer uma política de emissão de moedas, a qual provocou</p><p>uma desvalorização do dinheiro, dando gênese a fragmentação da crise do Império Romano;</p><p>● Outra consequência muito importante para a crise do Império Romano foi o êxodo urbano. A plebe passou a fugir</p><p>para o campo com medo das invasões bárbaras, como também migrou em virtude dos impostos, os quais aumentavam</p><p>cada vez mais. Essas pessoas se submetiam aos latifundiários, dando início ao regime de colonato, que será uma</p><p>das bases do feudalismo na Europa. Assim, o colono passou a ser um homem preso à terra e a economia se tornou</p><p>autossuficiente;</p><p>● Os constantes fluxos migratórios dos Bárbaros impediam que as fronteiras do Império Romano fossem respeitadas,</p><p>agravando com isso ainda mais a crise do Império;</p><p>A DIVISÃO DO IMPÉRIO ROMANO – CRISTIANISMO E INVASÕES BÁRBARAS</p><p>O cristianismo também foi um fator de extrema importância para acentuar a crise do Império Romano, visto que à</p><p>medida que o império romano se enfraquecia, o cristianismo, por sua vez, se fortalecia cada vez mais, pois os cristãos</p><p>não aceitavam as instituições romanas, não aceitavam a escravidão e não reconheciam a autoridade divina do</p><p>Imperador. Por conta disso, dos valores cristãos, muitos membros da própria elite romana irão se converter ao</p><p>cristianismo, minando ainda mais a própria figura do Imperador.</p><p>Os povos bárbaros, a partir do século IV exerceram uma enorme pressão sobre Império Romano. Dentre os povos</p><p>bárbaros que acentuaram a crise no império destacam-se os hunos. O medo provocou uma onda migratória sem</p><p>precedentes de tribos, iniciando uma desestabilização na parte ocidental do império o Imperador Romano. Teodósio,</p><p>percebendo que já não dava mais para ignorar a força do cristianismo, decidiu então, por meio do Édito de Tessalônica</p><p>que o cristianismo era a religião oficial do Império Romano. Não obstante, Teodósio dividiu também o Império Romano</p><p>em duas partes, entre Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital</p><p>em Constantinopla.</p><p>Em 476 d.C., Roma foi conquistada pelo hérulos, povo bárbaro, sobre o reinado de Odoacro I. A partir desse</p><p>momento, a cidade de Roma, por exemplo, que no seu auge chegou a ter cerca de um 1,5 milhão de pessoas, não</p><p>passava de 12 mil habitantes. Nos séculos seguintes, o ano de 476 d.C., para muitos historiadores, é considerado</p><p>ponto final da história Romana, uma vez que foi considerado o marco de passagem da Idade Antiga para Idade Média.</p><p>Também é interessante lembrar que o império romano do Ocidente caiu, mas Constantinopla permaneceu até o ano de</p><p>1453, quando os turcos-otomanos tomaram o Império Bizantino, marcando a passagem da Idade Média para Idade</p><p>Moderna.</p><p>O VASTO LEGADO ROMANO</p><p>Inicialmente, podemos dizer que a cultura romana foi influenciada por duas culturas bastante significativas: a</p><p>primeira a cultura etrusca popular, cuja arte retratava aspectos do cotidiano e a cultura da arte grega, orientada</p><p>para a expressão de um ideal de beleza.</p><p>O maior legado etrusco foi o uso do arco e da abóbada nas construções. Na arquitetura, foram construídos os</p><p>templos, entre os mais conhecidos, temos o templo de Júpiter, Saturno, Concórdia e o de César. O panteão, outra obra</p><p>espetacular da genialidade romana, foi construído durante o reinado do Imperador Adriano.</p><p>Os aquedutos proporcionaram comodidade e água potável para todos os habitantes de Roma. As termas, centro</p><p>social de Roma, também comprovam a preocupação com a higiene e o bem-estar. Entre as mais importantes, podemos</p><p>destacar o complexo de termas de Caracala, que tem nos ginàsios, piscinas, pórticos e jardins.</p><p>Para diversão, os romanos construíram os circos, que tinham corridas de biga. Os ginàsios, que eram centros</p><p>esportivos; os teatros, que tinham como referência os teatros gregos e os anfiteatros, onde ocorreram as lutas entre os</p><p>gladiadores. O Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros romanos, era capaz de simular batalhas navais e tinha</p><p>teto retrátil, sendo capaz de abrigar quase 70 mil pessoas, possuindo ainda sistema hidráulico e banheiros para os</p><p>espectadores.</p><p>A fusão da religião romana com a grega permitiu também uma nova concepção religiosa. Após o contato</p><p>estabelecido com Oriente, proporcionado principalmente pela ligação com a Magna Grécia e depois através da</p><p>expansão romana, os rituais romanos passaram a ser realizadas com cerimônias mais longas e sofisticadas.</p><p>As religiões grega e romana se misturaram e os deuses romanos passaram a ter características gregas. O principal</p><p>deus grego era Zeus, e o romano, Júpiter. Para os romanos, os deuses tinham aparência humana, eram imortais e</p><p>perfeitos. Essa religião romana foi, gradativamente, sendo substituída pelo cristianismo, que se incorporou a estrutura</p><p>do Estado, tornando-se a religião oficial. Outra contribuição dos romanos é o direito, o qual foi compilado e propagado</p><p>por Justiniano durante seu reinado no Império Bizantino. Ainda hoje o direito romano é estudado como pedra legislativa</p><p>41</p><p>fundamental, cuja importância chegou até o século XX. Não podemos nos esquecer do latim, que sofreu influências</p><p>regionais, transformando-se de língua oficial do Estado romano em latim vulgar, língua que deu origem às chamadas</p><p>línguas românicas, entre elas o galego, o português, o italiano, o francês e o espanhol.</p><p>ROMA ANTIGA – MONARQUIA E</p><p>REPÚBLICA</p><p>Questão-01)</p><p>No filme, “O Gladiador” de Ridley Scott, a trama se</p><p>desenrola durante o período de apogeu do Império</p><p>Romano. É neste cenário que uma das personagens,</p><p>um senador romano, a certa altura afirma: “Roma não é</p><p>a mármore fria do Senado, Roma é a areia quente do</p><p>Coliseu.” A afirmativa da personagem do filme refere-se</p><p>ao:</p><p>a) poderio dos gladiadores, que tinham uma força de</p><p>decisão considerável nas ações políticas de Roma.</p><p>b) controle das massas desocupadas de Roma,</p><p>através de grandes eventos que distraíam a plebe.</p><p>c) elo entre a política senatorial e aos espetáculos</p><p>enaltecedores do Império Romano.</p><p>d) confronto entre os senadores do poder legislativo e</p><p>o Imperador do poder executivo.</p><p>e) desprezo pelas tradições militares e expansionistas</p><p>do Império Romano.</p><p>Questão-02)</p><p>Roma antiga legou muitos aspectos culturais ao mundo</p><p>ocidental atual. Os romanos antigos chegaram a ter um</p><p>dos grandes impérios do mundo europeu. Acerca de</p><p>Roma antiga e suas características históricas, todas as</p><p>alternativas estão corretas, exceto a alternativa:</p><p>a) O cristianismo viveu duas fases distintas no mundo</p><p>romano: inicialmente foi alvo de intensas</p><p>perseguições e, posteriormente, no século IV</p><p>tornou-se a religião oficial do Estado romano.</p><p>b) O aumento do número de escravos, o aumento das</p><p>propriedades dos patrícios e o grande fluxo de</p><p>riquezas para Roma foram consequências das</p><p>conquistas militares romanas.</p><p>c) A partir do século III, o Império Romano começou a</p><p>vivenciar um período de crise. Entre as causas desta</p><p>crise podem-se citar: queda da produção de</p><p>alimentos, desorganização do Exército e queda da</p><p>arrecadação de impostos.</p><p>d) A primeira reforma agrária da história aconteceu em</p><p>Roma, com os irmãos Graco. Teve sucesso e contou</p><p>com o apoio dos patrícios e com grande distribuição</p><p>de terras para a plebe.</p><p>Questão-03)</p><p>“Como, ao tempo em que o Império se enfraquecia, a</p><p>Religião Cristã se afirmava, os Cristãos exprobavam</p><p>aquela decadência aos pagãos, e estes pediam contas</p><p>dela à Religião Cristã.</p><p>Diziam os Cristãos que Diocleciano perdera o Império</p><p>associando-se a três colegas, porque cada Imperador</p><p>queria fazer despesas tão grandes e manter exércitos</p><p>tão fortes como se ele fosse único.</p><p>Que, por isso, não sendo proporcional o número dos</p><p>que davam ao número dos que recebiam, os encargos</p><p>se tornaram tão grandes que os agricultores</p><p>abandonaram as terras e elas viraram florestas”</p><p>(Montesquieu, Charles de Secondat, Baron de, 1689-</p><p>1755 – Considerações sobre as causas da grandeza</p><p>dos roma-nos e da sua decadência/Montesquieu;</p><p>introdução, tradução e notas de Pedro Vieira Mota. –</p><p>São Paulo : Saraiva, 1997 – Páginas 304 e 305)</p><p>A partir do texto ao lado, pode-se entender que a crise</p><p>do Império Romano decorreu, dentre outros fatores:</p><p>a) Da entrada dos chamados “povos bárbaros”, que</p><p>intensificaram trocas comerciais na parte ocidental,</p><p>levando à desestruturação da vida rural.</p><p>b) Da ascensão do cristianismo, religião que negava a</p><p>divindade do Imperador, e dos altos custos militares,</p><p>levando à inevitável oneração dos tributos sobre os</p><p>agricultores.</p><p>c) Da expansão territorial constante, o que levou à</p><p>substituição de camponeses livres por escravos,</p><p>causando forte êxodo rural.</p><p>d) Das trocas culturais com outros povos, o que levou</p><p>a críticas internas ao poder central, já que permitiu a</p><p>penetração de ideais republicanos trazidos pelos</p><p>“povos bárbaros”.</p><p>TEXTO: 1 - Comum à questão: 4</p><p>Enquanto nas cidades o poder ficou nas mãos dos</p><p>bispos, nos campos, concentrou-se na dos grandes</p><p>proprietários. O governo romano perdeu força: já não</p><p>era capaz de cobrar os impostos de maneira eficiente,</p><p>nem mesmo de pagar os exércitos. Em 476, o último</p><p>imperador romano foi deposto. Era o fim do Império</p><p>Romano e do mundo antigo e o início de uma nova era,</p><p>a Idade Média.</p><p>(Carlos Augusto Ribeiro Machado. Roma e seu império,</p><p>2004. Adaptado.)</p><p>Questão-04)</p><p>A queda do Império Romano do Ocidente foi provocada,</p><p>entre outros fatores,</p><p>a) pela fragilização do poder central, que gradualmente</p><p>perdeu o controle das províncias que compunham o</p><p>Império.</p><p>b) pelo declínio econômico das colônias asiáticas, que</p><p>deixaram de fornecer matérias-primas à capital do</p><p>Império.</p><p>42</p><p>c) pela hegemonia econômico-financeira da Igreja, que</p><p>passou a combater militarmente os imperadores</p><p>pagãos.</p><p>d) pelo desenvolvimento militar dos impérios</p><p>macedônio e persa, que se tornaram rivais de Roma</p><p>e a derrotaram.</p><p>e) pelas invasões dos bárbaros, que saquearam o</p><p>Império Romano e, assim, facilitaram sua conquista</p><p>pelos hunos.</p><p>Questão-05)</p><p>Incorria em pena de morte quem batesse num escravo</p><p>ou mudasse de roupa perto da estátua do imperador de</p><p>Roma, quem entrasse nas latrinas ou no prostíbulo com</p><p>uma moeda ou um anel que tivesse a sua imagem.</p><p>SUETÔNIO. A vida dos doze césares. Rio de Janeiro:</p><p>Ediouro, 2003 (adaptado).</p><p>A punição descrita mostra que, nesse período da Roma</p><p>Antiga, dava-se grande importância para a</p><p>a) figura dos governantes.</p><p>b) atividade dos artistas.</p><p>c) educação dos cidadãos.</p><p>d) higiene da população.</p><p>Questão-06)</p><p>(http://recursostic.educacion.es.)</p><p>O mapa do Império Romano na época de Augusto (27</p><p>a.C. – 14 d.C.) demonstra</p><p>a) a dificuldade das tropas romanas de avançar sobre</p><p>territórios da África e a concentração dos domínios</p><p>imperiais no continente europeu.</p><p>b) a resistência do Egito e de Cartago, que</p><p>conseguiram impedir o avanço romano sobre seus</p><p>territórios.</p><p>c) a conformação do maior império da Antiguidade e a</p><p>imposição do poder romano sobre os chineses e</p><p>indianos.</p><p>d) a iminência de conflitos religiosos, resultantes da</p><p>tensão provocada pela conquista de Jerusalém</p><p>pelos cristãos.</p><p>e) a importância do Mar Mediterrâneo para a expansão</p><p>imperial e para a circulação entre as áreas de</p><p>hegemonia romana.</p><p>Questão-07)</p><p>Considere os textos abaixo.</p><p>“[...] Amúlio expulsa seu irmão e apodera-se do trono.</p><p>Depois deste crime, cometeu outro: ele extermina todos</p><p>os filhos varões do irmão e, sob o pretexto de honrar</p><p>sua sobrinha Réia Sílvia, colocando-a entre as vestais,</p><p>ele tira toda a esperança de se tornar mãe condenando-</p><p>a à virgindade perpétua.</p><p>Mas acredito que o destino estava encarregado da</p><p>fundação de uma cidade tão poderosa: era a ele que</p><p>cabia lançar os alicerces deste vasto império que iguala</p><p>o dos deuses. [...]”</p><p>Tito Livio – História de Roma, livro I, p.10. - Texto</p><p>traduzido e adaptado de TITO LÍVIO. Historia de</p><p>Roma desde su fundación. (Ab urbe condita). http:</p><p>//historicodigital.com/download/tito%20livio%20i.</p><p>pdf, acesso em 07/11/17</p><p>“Os romanos foram honrados em quase todas as</p><p>nações: impuseram as leis da sua hegemonia a muitos</p><p>povos: hoje, as letras e a história celebram-nos em</p><p>quase todas as raças. Não têm motivo para queixar-se</p><p>da justiça do Deus supremo e verdadeiro: eles</p><p>receberam sua recompensa...; os judeus, que tinham</p><p>morto Cristo, foram justamente entregues aos romanos,</p><p>para a glória destes. Aqueles, que pelas suas virtudes,</p><p>[...] procuraram e obtiveram a glória terrestre deviam</p><p>vencer aqueles que, com seus enormes vícios,</p><p>mataram e recusaram o dispensador da verdadeira</p><p>glória e da Cidade Eterna.”</p><p>Santo Agostinho – A Cidade de Deus – Livro V, cap. XVIII, p. 527. -</p><p>Texto adaptado: http: //charlezine.com.br/wp-content/uploads/Cidade</p><p>-de-Deus-Agostinho.pdf. Acesso em 07/11/17</p><p>Os textos foram escritos por cidadãos romanos, em</p><p>diferentes épocas, e tratam momentos distintos da</p><p>história de Roma. No entanto, eles concordam que</p><p>a) a dominação militar de Roma sobre outros povos</p><p>não seria duradoura.</p><p>b) o poder de Roma dependeu da conquista militar e</p><p>da aceitação das leis.</p><p>c) a explicação para o imenso poderio romano é de</p><p>ordem religiosa.</p><p>d) o crime e os vícios dos fundadores de Roma foram</p><p>os fundamentos do império.</p><p>Questão-08)</p><p>Durante o seu governo, Otávio apoiado pelos equestres</p><p>e conciliando com a aristocracia senatorial, enfeixou em</p><p>suas mãos imensos poderes.</p><p>No plano da organização militar criou-se uma guarda</p><p>especial, a Guarda Pretoriana.</p><p>(Rubim Santos Leão de Aquino. História das</p><p>Sociedades: das comunidades primitivas às sociedades</p><p>medievais)</p><p>A Guarda Pretoriana citada no texto era encarregada:</p><p>http://recursostic.educacion.es/</p><p>http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Cidade-de-Deus-Agostinho.pdf.%20Acesso%20em%2007/11/17</p><p>http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Cidade-de-Deus-Agostinho.pdf.%20Acesso%20em%2007/11/17</p><p>43</p><p>a) de defender as fronteiras e as províncias afastadas;</p><p>b) da segurança</p><p>pessoal do imperador e da vigilância</p><p>da capital;</p><p>c) da expansão territorial e da obtenção de mão de</p><p>obra escrava;</p><p>d) de garantir a reunião da Assembleia Curiata, da qual</p><p>participavam todos os patrícios;</p><p>e) de garantir a arrecadação dos tributos e proteger os</p><p>questores.</p><p>Questão-09)</p><p>Como decorrência das conquistas romanas no</p><p>Mediterrâneo, estendeu-se amplamente o território sob</p><p>o domínio de Roma. Graças às especulações com o</p><p>dinheiro (usura) e ao desenvolvimento das relações</p><p>comerciais com as províncias, de onde Roma importava</p><p>artigos de luxo (tecidos, objetos ornamentais), metais</p><p>preciosos (ouro e prata) e cereais, os grandes</p><p>comerciantes e usurários romanos concentraram</p><p>grandes fortunas nas suas mãos.</p><p>(Rubim Santos Leão de Aquino. História das</p><p>Sociedades: das comunidades primitivas às</p><p>sociedades medievais)</p><p>Os grandes comerciantes e usurários romanos, citados</p><p>no texto, compravam cargos públicos, votos,</p><p>influenciavam nas decisões políticas e constituíram</p><p>uma camada social conhecida como:</p><p>a) patrícios;</p><p>b) vilões;</p><p>c) clientes;</p><p>d) cavaleiros ou classe equestre;</p><p>e) metecos.</p><p>Questão-10)</p><p>Os aposentos comuns são aqueles aos quais o povo</p><p>pode ir, como os vestíbulos e pátios. Assim, magníficos</p><p>vestíbulos, aposentos e átrios não são necessários</p><p>para as pessoas de fortuna comum, pois visitam, mas</p><p>não são visitados. As casas de banqueiros deveriam ser</p><p>mais espaçosas e vistosas, protegidas contra ladrões.</p><p>Advogados e retóricos deveriam morar com elegância.</p><p>Para aqueles que ocupam cargos e magistraturas,</p><p>deveriam ser feitos vestíbulos reais, amplos e</p><p>devidamente decorados com grandeza.</p><p>(Adaptado de Vitrúvio, “Sobre a Arquitetura”, em Pedro</p><p>Paulo Funari, Antiguidade Clássica. Campinas: Editora</p><p>da Unicamp, 2003, p. 81.)</p><p>O arquiteto romano Vitrúvio expressa, em seu texto</p><p>clássico sobre os princípios da Arquitetura,</p><p>a) a naturalização das diferenças sociais impressas na</p><p>vida material, já que as habitações ditas comuns</p><p>deveriam ser simples e as dos enriquecidos</p><p>deveriam ser espaçosas e vistosas.</p><p>b) a resistência contra as diferenças sociais impressas</p><p>na vida material, já que as habitações de pessoas</p><p>de fortuna comum, magistrados e funcionários</p><p>públicos deveriam ser iguais.</p><p>c) a percepção das diferenças sociais durante todo o</p><p>Império Romano, materializadas nas habitações, e</p><p>a busca por moradias mais belas e espaçosas para</p><p>todos.</p><p>d) a determinação em conservar as diferenças sociais</p><p>no Império Romano, a partir de políticas públicas de</p><p>construção de moradias amplas para pessoas de</p><p>fortuna comum.</p><p>TEXTO: 2 - Comum à questão: 11</p><p>Atualmente, muitos estudiosos acreditam que é</p><p>possível identificar processos de globalização em</p><p>sociedades pré-modernas, em vista de fenômenos</p><p>como o encurtamento relativo das distâncias (através</p><p>de meios de transporte e comunicação mais eficazes),</p><p>maior conectividade entre regiões previamente isoladas</p><p>[...].</p><p>(Rafael Scopacasa. Revista de História, no 177, 2018.)</p><p>Questão-11)</p><p>A expansão romana pelo mar Mediterrâneo pode ser</p><p>considerada um exemplo de “globalização em</p><p>sociedades pré-modernas”, pois envolveu</p><p>a) eliminação da influência helenista e</p><p>homogeneização dos hábitos alimentares na zona</p><p>mediterrânica.</p><p>b) imposição do monoteísmo romano e unidade</p><p>monetária em todas as províncias controladas.</p><p>c) descaracterização cultural dos povos dominados e</p><p>interrupção da circulação marítima na região.</p><p>d) uniformização linguística no entorno do mar e</p><p>intercâmbios culturais entre os povos da região.</p><p>e) mobilidade intensa de bens e interdependência</p><p>entre regiões e povos distantes.</p><p>Questão-12)</p><p>A partir da Primeira Guerra Púnica o processo</p><p>imperialista acentuou seu caráter economicamente</p><p>voraz e militarmente implacável. Essa guerra abriu a</p><p>perspectiva de conquistas territoriais não mais apenas</p><p>restritas às cercanias de Roma. Mas foi a Segunda</p><p>Guerra Púnica que de fato transformou a urbs numa</p><p>potência imperialista.</p><p>(Breno Battistin Sebastiani. “Guerra Justa e</p><p>Imperialismo na Roma Republicana”. In: Revista de</p><p>História, n.º 148, 2003.)</p><p>O excerto trata da Roma republicana e faz referência</p><p>a) ao período de maior extensão territorial da república,</p><p>caracterizado pelo processo de “romanização” das</p><p>regiões dominadas.</p><p>b) à colonização das terras conquistadas como forma</p><p>de solucionar a demanda por reforma agrária dos</p><p>tribunos da plebe.</p><p>c) ao controle político das províncias pelos generais</p><p>romanos, no contexto da crise do Primeiro</p><p>Triunvirato.</p><p>44</p><p>d) à fase da expansão romana, marcada pela disputa</p><p>pela hegemonia comercial do Mediterrâneo.</p><p>e) à crescente expansão romana, consolidada com o</p><p>domínio de territórios do Império Macedônio.</p><p>Questão-13)</p><p>Depois que Roma expulsou os reis, ficou ao abrigo dos</p><p>perigos que germinavam em seu seio, e que a</p><p>ameaçariam se um príncipe fraco ou viciado subisse ao</p><p>trono. A autoridade suprema passou, de fato, para as</p><p>mãos dos cônsules, que não a recebiam por herança,</p><p>pela intriga ou pela violência, mas pelo livre sufrágio dos</p><p>cidadãos. Eram os homens de maior virtude: sua</p><p>virtude – e algumas vezes também sua boa sorte –</p><p>esteve sempre a serviço de Roma. Para chegar aos</p><p>limites extremos da glória, a cidade não precisou de</p><p>mais tempo do que aquele em que viveu sob a</p><p>monarquia.</p><p>(Machiavelli, Niccolò – Comentários sobre a Primeira Década de Tito</p><p>Lívio/ Tradução de Sérgio Bath – Brasília : Editora Universidade de</p><p>Brasília, 2000, 4ª ed. - p.81)</p><p>A partir da leitura atenta do texto, assinale a</p><p>alternativa que expressa o sentimento do autor</p><p>sobre o momento histórico retratado.</p><p>a) Maquiavel, por se tratar de um dos defensores do</p><p>poder absolutista, faz, neste texto, veemente crítica</p><p>ao golpe republicano que derrubou a Monarquia</p><p>Romana.</p><p>b) Nicolau Maquiavel sempre foi adepto da Monarquia</p><p>como forma mais bem-sucedida de governo.</p><p>c) Maquiavel expressa, neste texto, um apreço pelo</p><p>sistema republicano, tendo Roma como seu grande</p><p>exemplo.</p><p>d) Maquiavel deixa claro nesta, como em outras de</p><p>suas obras, seu desprezo pela participação popular</p><p>nas decisões políticas.</p><p>Questão-14)</p><p>A expansão da civilização romana e a conquista do</p><p>Mediterrâneo, se por um lado trouxeram riquezas e</p><p>poderio à Roma; por outro lado, provocou um conflito</p><p>entre as antigas instituições políticas, frente à nova</p><p>realidade social e econômica dos romanos. Isso se</p><p>deve:</p><p>a) às Guerras Púnicas que resultaram no predomínio</p><p>marítimo- mercantil romano sobre o Mediterrâneo,</p><p>onde Cartago teve que se render à Roma, porém os</p><p>cartaginenses não aceitaram submeter-se às leis</p><p>romanas.</p><p>b) à inadequação entre a estrutura política republicana</p><p>e a expansão do sistema escravista de produção,</p><p>cuja principal consequência foi a crise da República</p><p>Romana e o estabelecimento do Império.</p><p>c) à expansão externa de Roma que provocou a vinda</p><p>de imensos contingentes de prisioneiros de guerra</p><p>na condição de escravos, favorecendo os pequenos</p><p>e médios proprietários de terra.</p><p>d) à conquista do Mediterrâneo e à abertura de novos</p><p>mercados à economia romana que prejudicaram</p><p>fortemente o desenvolvimento da manufatura e dos</p><p>produtos romanos frente à concorrência das</p><p>mercadorias estrangeiras.</p><p>e) às vitórias advindas após as Guerras Púnicas, que</p><p>foram responsáveis pelo início de um período de</p><p>prosperidade econômica e, consequentemente, paz</p><p>social e estabilidade política.</p><p>Questão-15)</p><p>Leia o texto a seguir.</p><p>Assim como sucedeu nas artes plásticas, sobretudo na</p><p>arquitetura, os romanos dedicaram mais atenção à</p><p>acumulação de experiências práticas, no campo das</p><p>ciências [...]. Foram apoiados pelos imperadores os</p><p>estudos de Medicina, inclusive construindo-se hospitais</p><p>públicos e até uma escola de medicina, onde se</p><p>realizavam intervenções cirúrgicas.</p><p>AQUINO; DENIZE; OSCAR. História das Sociedades. Rio de</p><p>Janeiro: Ao livro técnico, 1980. p. 268-269.</p><p>Os saberes médicos romanos podem ser</p><p>exemplificados a partir da atuação de</p><p>a) Pedro Hispano, pioneiro da anatomia.</p><p>b) Galeno, com sua prática de vivissecção.</p><p>c) Hipocrátes, com sua teoria dos humores.</p><p>d) Avicena, que estudou o movimento linear.</p><p>e) Apolonio de Citio, estudioso das doenças</p><p>articulares.</p><p>16. (Unisc 2021)</p><p>Em 2001, a Publifolha lançou dois livros de história e</p><p>filosofia política, “A Democracia” e “A República”,</p><p>ambos do filósofo Renato Janine Ribeiro. Em que pese</p><p>serem duas publicações independentes, os dois</p><p>volumes estão estreitamente relacionados. Em “A</p><p>República”, Janine estabelece uma historicização do</p><p>conceito a partir da pintura abaixo:</p><p>O quadro é relacionado a um episódio da Roma Antiga.</p><p>Depois de expulso o último rei e proclamada a</p><p>República, Brutus exercia o poder executivo juntamente</p><p>com outro cônsul eleito. Seus filhos, porém,</p><p>conspiraram para restaurar a dinastia dos Tarquínios,</p><p>de origem etrusca e externa à cidade. Depois de</p><p>45</p><p>presos, o próprio pai os condena à morte. Na sua</p><p>função pública, não poderia agir de outro modo. No</p><p>quadro, vemos ao fundo os cadáveres com mulheres</p><p>agonizando em sofrimento pela morte dos jovens. “No</p><p>primeiro plano, o cônsul, em silêncio, meditando – e, na</p><p>sua forma discreta, máscula, condensada, sentindo</p><p>imensa dor”.</p><p>RIBEIRO, R. J. A República. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 8.</p><p>O que nos diz o quadro de Jacques Louis David em</p><p>relação ao conceito de República?</p><p>a) Que a família na Roma Antiga era patriarcal, ou seja,</p><p>toda a autoridade era delegada ao pater famíliae que</p><p>não poderia aceitar nenhum tipo de conspiração.</p><p>b) Que a conspiração era algo natural entre as famílias</p><p>de poder na Roma Antiga e a reação enérgica de</p><p>Brutus reflete a necessidade de líderes com “pulso</p><p>firme” para manterem suas funções no sistema</p><p>republicano.</p><p>c) Que o bem público se sobrepõe ao privado, uma vez</p><p>que por princípio deve-se levar ao sacrifício as</p><p>vantagens e até mesmo os afetos pessoais em prol</p><p>do bem comum.</p><p>d) Que Brutus, apesar de bom pai, tinha muito receio</p><p>em ser vítima de algum golpe de estado e agiu de</p><p>forma desproporcional ao retirar a vida dos próprios</p><p>filhos.</p><p>e) Que filhos, mulheres, parentes e amigos podem</p><p>participar do universo público e da tomada dc</p><p>decisões que constitui os princípios republicanos,</p><p>mas jamais devem conspirar contra o poder do pater</p><p>famíliae.</p><p>17. (Unesp 2022)</p><p>Roma não era apenas o parente mais violento da</p><p>Grécia Clássica, não estava apenas comprometida com</p><p>engenharia, eficiência militar e absolutismo, enquanto</p><p>os gregos haviam preferido a especulação intelectual, o</p><p>teatro e a democracia.</p><p>(Mary Beard. SPQR: uma história da Roma antiga. São</p><p>Paulo, 2017. Adaptado.)</p><p>O excerto critica os estereótipos de Roma e Grécia</p><p>antigas. Essa crítica justifica-se, pois</p><p>a) a experiência democrática ateniense foi uma</p><p>exceção, uma vez que a maioria das cidades-Estado</p><p>gregas desconhecia a democracia.</p><p>b) a filosofia grega derivou principalmente da tradição</p><p>do pensamento metafísico desenvolvido no Império</p><p>Romano.</p><p>c) o teatro dramático desenvolveu-se sobretudo no</p><p>Império Romano, uma vez que na Grécia</p><p>estimulava-se prioritariamente a comédia.</p><p>d) os direitos de cidadania no Império Romano eram</p><p>exercidos pelo conjunto da população, por meio de</p><p>ações políticas diretas.</p><p>e) o expansionismo imperialista romano foi</p><p>diretamente determinado pelo exemplo da</p><p>militarização do cotidiano imposta nas cidades</p><p>gregas.</p><p>18. (Fuvest 2022)</p><p>A noção de ditadura variou ao longo da História e</p><p>dependeu das características políticas de cada</p><p>sociedade.</p><p>A esse respeito, assinale a alternativa correta:</p><p>a) Na Roma Antiga, durante o período republicano, a</p><p>ditadura era uma magistratura de caráter</p><p>extraordinário, delimitada legalmente e estabelecida</p><p>por um período determinado, com uma finalidade</p><p>definida.</p><p>b) Com o golpe do 18 Brumário (1799), instaurou-se</p><p>uma ditadura parlamentar na França, sob o</p><p>comando de Napoleão Bonaparte, cujo objetivo</p><p>fundamental era reescrever a Constituição francesa.</p><p>c) A ditadura militar brasileira, estabelecida em 1964,</p><p>teve como característica o poder exclusivo das</p><p>Forças Armadas e o fechamento das instâncias</p><p>parlamentares durante toda a sua vigência.</p><p>d) O conceito da ditadura do proletariado foi elaborado</p><p>por Karl Marx, defendido por anarquistas e</p><p>comunistas, e previa a instauração permanente de</p><p>um regime autoritário, como o da antiga União</p><p>Soviética.</p><p>e) A ditadura nazista caracterizava-se por um</p><p>complexo arranjo institucional baseado na</p><p>articulação política entre o Poder Executivo, as</p><p>Forças Armadas, o Parlamento alemão e os poderes</p><p>legislativos municipais.</p><p>19. (Upf 2022)</p><p>Um dos doutores da Igreja Cristã escreveu:</p><p>“Neste momento, Roma foi destruída sob os golpes da</p><p>invasão dos godos que o rei Alarido conduzia (410): foi</p><p>um grande desastre. Os adoradores de uma multidão</p><p>de deuses falsos, que chamamos ordinariamente de</p><p>pagãos, esforçaram-se para atribuir esse desastre à</p><p>religião cristã e puseram-se a blasfemar contra o Deus</p><p>verdadeiro.”</p><p>(Santo Agostinho, Retratações, II, 1)</p><p>Lendo esse excerto, pode-se concluir que:</p><p>a) Na visão de muita gente, um dos motivos do</p><p>enfraquecimento do Império Romano foi a adoção</p><p>do cristianismo.</p><p>b) Os godos, um dos povos bárbaros que invadiram</p><p>Roma, impuseram o cristianismo.</p><p>c) C O cristianismo sofreu um forte abalo, pois foi</p><p>desprezado pelos invasores.</p><p>d) Com as invasões bárbaras, os deuses pagãos foram</p><p>impostos nas regiões que eram dominadas pelos</p><p>romanos.</p><p>e) Nas regiões do Império que foram ocupadas pelos</p><p>bárbaros, ocorreu um sincretismo religioso entre o</p><p>cristianismo e as religiões trazidas pelos invasores.</p><p>20. (Uece 2021)</p><p>“[...]os banhos públicos eram uma verdadeira instituição</p><p>na Roma antiga. Ruínas romanas espalhadas pela</p><p>46</p><p>Europa guardam ainda hoje resquícios das termas,</p><p>espécie embrionária de sauna. Por um período, havia</p><p>banhos separados para homens e mulheres. Na época</p><p>imperial, porém, surgiram os banhos mistos. [...] A</p><p>prática era condenada. Segundo o Código de</p><p>Justiniano, elaborado no século VI, bastava que uma</p><p>mulher casada frequentasse as termas para que</p><p>pudesse ser repudiada”.</p><p>BOLOGNE, Jean-Claude. A intimidade compartilhada. Revista</p><p>História Viva, Ano III, N. 27, São Paulo: Duetto.</p><p>A partir do excerto acima, é correto afirmar que</p><p>a) a nudez, a sexualidade e outros aspectos dos</p><p>valores morais romanos foram alterados com a</p><p>conversão ao cristianismo.</p><p>b) apesar de a moral cristã ser diferente da moral dos</p><p>povos cristianizados, como o romano, ela não</p><p>alterou traços característicos de suas culturas.</p><p>c) o cristianismo, ao chegar em Roma, transformou</p><p>apenas a religiosidade pagã, não tendo nenhuma</p><p>influência na moralidade romana.</p><p>d) a sociedade romana era muito moralista, proibia a</p><p>fruição dos prazeres, o que tornou fácil e rápida a</p><p>assimilação do cristianismo.</p><p>TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:</p><p>Atualmente, muitos estudiosos acreditam que é</p><p>possível identificar processos de globalização em</p><p>sociedades pré-modernas, em vista de fenômenos</p><p>como o encurtamento relativo das distâncias (através</p><p>de meios de transporte e comunicação mais eficazes),</p><p>maior conectividade entre regiões previamente isoladas</p><p>[...].</p><p>(Rafael Scopacasa. Revista de História, nº 177, 2018.)</p><p>21. (Unesp 2021)</p><p>A expansão romana pelo mar Mediterrâneo pode ser</p><p>considerada um exemplo de “globalização em</p><p>sociedades pré-modernas”, pois envolveu</p><p>a) eliminação da influência helenista e</p><p>homogeneização dos hábitos alimentares na zona</p><p>mediterrânica.</p><p>b) imposição do monoteísmo romano e unidade</p><p>monetária em todas as províncias controladas.</p><p>c) descaracterização cultural dos povos dominados e</p><p>interrupção da circulação marítima na região.</p><p>d) uniformização linguística no entorno do mar e</p><p>intercâmbios culturais entre os povos da região.</p><p>e) mobilidade intensa de bens e interdependência</p><p>entre regiões e povos distantes.</p><p>22. (Ufjf-pism 1 2020)</p><p>Ao analisar o conceito de “república”, o filósofo Renato</p><p>Janine Ribeiro afirma que:</p><p>“República é um conceito romano, como democracia é</p><p>um termo grego. Vem de res publica, coisa pública.</p><p>Surgiu em Roma substituindo a monarquia, mas</p><p>monarquia e república não se definem pelo mesmo</p><p>critério. Monarquia se define por quem manda: significa</p><p>o poder (arquia) de um (mono) só. Já a palavra</p><p>república não indica quem manda, e sim para que</p><p>manda. O poder aqui está a serviço do bem comum, da</p><p>coisa coletiva ou pública. Ao contrário de outros</p><p>regimes, e em especial da monarquia, na república não</p><p>se busca vantagem de um ou de poucos, mas a do</p><p>coletivo.”</p><p>RIBEIRO, Renato Janine. A república. São Paulo: Publifolha, 2001,</p><p>p. 18.</p><p>Sobre o conceito de república romana e o legado para</p><p>o Brasil, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) A base e estrutura do Direito Civil Brasileiro</p><p>republicano, com seus modelos, métodos e</p><p>conceitos são heranças eminentemente romanas.</p><p>b) Assim como na república brasileira, o poder político</p><p>em Roma era controlado democraticamente por um</p><p>presidente.</p><p>c) As causas das reformas políticas são as mesmas</p><p>desde a época do Império Romano e estabeleceram</p><p>as bases da monarquia brasileira.</p><p>d) A república romana abriu espaço para uma nova</p><p>forma de organização política, assim como no Brasil,</p><p>que viveu a passagem para a monarquia.</p><p>e) A mão de obra escravista deixou de ser aplicada,</p><p>assim como na república brasileira, que utilizou o</p><p>trabalho assalariado dos plebeus.</p><p>23. (Ufpr 2020) Para assegurar a ordem entre os</p><p>conquistados, os romanos tinham que manter postos</p><p>avançados e acampamentos militares espalhados pelo</p><p>território imperial. Era preciso alimentar e armar os</p><p>soldados onde estivessem.</p><p>(FUNARI, Pedro P. A. Grécia e Roma. São Paulo:</p><p>Editora Contexto, 2001, p. 91.)</p><p>Sobre o exército romano, no período imperial, é correto</p><p>afirmar:</p><p>a) Foi decisivo nas conquistas territoriais durante o</p><p>período republicano, perdendo seu prestígio durante</p><p>o período imperial.</p><p>b) Permaneceu distante das atividades de manutenção</p><p>das fronteiras dos territórios.</p><p>c) Deixou de exercer sua influência no governo após</p><p>as reformas de Augusto.</p><p>d) Desempenhou diferentes papéis administrativos e</p><p>econômicos na manutenção do poder imperial.</p><p>e) Era limitado em tamanho, o que refletiu num papel</p><p>político secundário.</p><p>24. (Enem 2020) Ao abrigo do teto, sua jornada de fé</p><p>começava na sala de jantar. Na pequena célula cristã,</p><p>dividia-se a refeição e durante elas os crentes</p><p>conversavam, rezavam e liam cartas de correligionários</p><p>residentes em locais diferentes do Império Romano</p><p>(século II da Era Cristã). Esse ambiente garantia</p><p>peculiar apoio emocional às experiências intensamente</p><p>individuais que abrigava.</p><p>SENNET, R. Carne e Pedra. Rio de Janeiro: Record,</p><p>2008.</p><p>47</p><p>Um motivo que explica a ambientação da prática</p><p>descrita no texto encontra-se no(a)</p><p>a) regra judaica, que pregava a superioridade espiritual</p><p>dos cultos das sinagogas.</p><p>b) moralismo da legislação, que dificultava as reuniões</p><p>abertas da juventude livre.</p><p>c) adesão do patriciado, que subvertia o conceito</p><p>original dos valores estrangeiros.</p><p>d) decisão política, que censurava as manifestações</p><p>públicas da doutrina dissidente.</p><p>e) violência senhorial, que impunha a desestruturação</p><p>forçada das famílias escravas.</p><p>Questão-25)</p><p>Leia o texto a seguir:</p><p>Foi a República Romana que primeiro uniu a grande</p><p>propriedade agrícola com a escravidão em grupos no</p><p>interior em maior escala. O advento da escravidão</p><p>como um modo de produção organizado inaugurou –</p><p>como na Grécia – a fase clássica que distinguia a</p><p>civilização romana, o apogeu de seu poder e de sua</p><p>cultura. Mas enquanto na Grécia isso havia coincidido</p><p>com a estabilização da pequena agricultura e de um</p><p>compacto corpo de cidadãos, em Roma foi</p><p>sistematizado por uma aristocracia urbana a qual já</p><p>gozava de um domínio social e econômico sobre a</p><p>cidade. O resultado foi a nova instituição rural do</p><p>latifundium escravo extensivo. A mão de obra para as</p><p>enormes explorações que emergiam do século III a.C.</p><p>em diante era abastecida pela espetacular série de</p><p>campanhas que deu a Roma o poder sobre o mundo</p><p>mediterrâneo.</p><p>(ANDERSON, Perry. Passagens da antiguidade ao feudalismo. São</p><p>Paulo: Brasiliense, 1995, p. 58.)</p><p>Tendo como alvo a República Romana, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>a) A desestruturação agrária em Roma, que</p><p>estabeleceu sistemas de latifúndios, beneficiou os</p><p>grupos empobrecidos, uma vez que estes podiam</p><p>abandonar o campo e se estabelecer em cidades.</p><p>b) As guerras constantes ajudaram as classes</p><p>dominantes da Roma republicana a desviar a</p><p>atenção dos problemas fundiários derivados do</p><p>latifundium nos séculos seguintes.</p><p>c) Foi por meio da intervenção dos irmãos Graco que</p><p>o problema da reforma agrária foi resolvido no</p><p>século II, pois os poderes políticos foram</p><p>transplantados ao senado e, assim, Roma viu mais</p><p>um século de paz.</p><p>d) Os tribunos da plebe tiveram um papel importante</p><p>no processo da reforma agrária romana,</p><p>possibilitando a transformação do modo de vida de</p><p>maneira a permitir que todo pequeno agricultor</p><p>transformasse sua propriedade em um Domus.</p><p>e) O domínio social e econômico das cidades provinha</p><p>de delicada relação entre a manutenção de sistemas</p><p>agrários em que a mão de obra escrava era</p><p>aproveitada de forma esporádica e a utilização</p><p>ocasional de grandes extensões de terra.</p><p>Questão-26)</p><p>A vida privada dos escravos romanos à época do</p><p>Império é um espetáculo pueril que se olha com</p><p>desdém. No entanto, esses homens tinham vida</p><p>própria; por exemplo, participavam da religião, e não</p><p>apenas da religião do lar que, afinal, era o seu: fora de</p><p>casa, um escravo podia perfeitamente ser aceito como</p><p>sacerdote pelos fiéis de alguma devoção coletiva; podia</p><p>também se tornar padre dessa Igreja cristã que nem por</p><p>um momento pensou em abolir a escravidão.</p><p>Paganismo ou cristianismo, é possível que as coisas</p><p>religiosas os tenham atraído muito, pois bem poucos</p><p>outros setores estavam abertos para eles. Os escravos</p><p>também se apaixonavam pelos espetáculos públicos do</p><p>teatro, do circo e da arena, pois, nos dias de festa,</p><p>tinham folga, assim como os tribunais, as crianças das</p><p>escolas e... os burros de carga.</p><p>(Paul Veyne, O Império Romano. Em: Paul</p><p>Veyne (org.). História da vida privada v. 1: do</p><p>Império Romano ao ano mil, 2009. Adaptado)</p><p>A partir da discussão presente no trecho, é correto</p><p>afirmar:</p><p>a) a característica fundante do escravismo romano era</p><p>a origem étnica, o que fazia com que a escravização</p><p>dos povos conquistados e o tráfico nas fronteiras do</p><p>Império proporcionassem a grande maioria da mão</p><p>de obra servil, ao mesmo tempo em que a</p><p>escravidão entre os próprios romanos havia caído</p><p>em desuso desde a crise da República.</p><p>b) os escravos na sociedade romana não eram uma</p><p>coisa, mas seres humanos, na medida em que até</p><p>os senhores que os tratavam desumanamente</p><p>impunham-lhes o dever moral de ser bons escravos,</p><p>de servir com dedicação e fidelidade, características</p><p>necessariamente humanas; no entanto, esses seres</p><p>humanos eram igualmente um bem cuja</p><p>propriedade seu amo detinha.</p><p>c) a escravidão caracterizava as relações de produção</p><p>em Roma e os escravos, em sua inferioridade</p><p>jurídica, desempenhavam uma função produtiva,</p><p>marcados por um lugar social de pobreza, privação</p><p>e precariedade, estando associados às formas</p><p>braçais de trabalho e à produção de bens materiais</p><p>em uma sociedade altamente hierarquizada.</p><p>d) a justificativa moral da escravidão sofreu uma</p><p>intensa transformação ao longo dos séculos, de tal</p><p>forma que a própria sociedade romana passou a</p><p>questioná-la, tornando mais brandas as relações</p><p>escravistas em meio à transformação do</p><p>cristianismo em religião oficial do Império, o que</p><p>contribuiu para o aprofundamento da crise do</p><p>escravismo.</p><p>e) as relações escravistas caracterizaram os tempos</p><p>da República</p><p>romana, muito associadas ao poder</p><p>dos patrícios, pertencentes à aristocracia de</p><p>grandes proprietários, mas entraram em decadência</p><p>48</p><p>na passagem para o Império, pois os generais que</p><p>centralizaram o poder reconheciam na escravidão</p><p>um mecanismo de enfraquecimento do exército.</p><p>Questão-27)</p><p>Com relação às regiões do Império Romano</p><p>assinaladas no mapa, considere as afirmativas a seguir.</p><p>I. A região 1 era a que apresentava a maior</p><p>concentração populacional durante a pax romana,</p><p>período marcado pela edificação de obras</p><p>monumentais nas cidades.</p><p>II. A região 2 era dominada pelos pastores e</p><p>agricultores que constituíam os povos germanos, sendo</p><p>ainda hoje uma área de planície agricultável integrada,</p><p>desde 1992, pelo sistema Reno-Meno-Danúbio, que</p><p>liga o Mar Negro ao Mar do Norte.</p><p>III. A região 3, de clima mediterrâneo, corresponde ao</p><p>Magreb – que se estende da atual Líbia, a oeste, ao</p><p>Egito, a leste – e se caracterizou pela produção de</p><p>cereais, especialmente trigo, durante o Império</p><p>Romano, sendo que hoje se caracteriza pelo cultivo de</p><p>videiras e oliveiras.</p><p>IV. As regiões 1 e 3, por apresentarem grande</p><p>diversidade climática e de solo, favoreceram, durante</p><p>os séculos I e II dC, a obtenção de diversos insumos,</p><p>como metais e tecidos, que circulavam pelo Império</p><p>Romano por meio do comércio marítimo e terrestre.</p><p>Estão corretas apenas as afirmativas</p><p>a) I e III.</p><p>b) II e IV.</p><p>c) I, II e IV.</p><p>d) II, III e IV.</p><p>Questão-28)</p><p>Observe a linha do tempo abaixo:</p><p>A respeito da chamada Antiguidade Clássica, assinale</p><p>a alternativa que apresenta a correta ordem dos</p><p>eventos, segundo a linha do tempo apresentada.</p><p>a) Fundação de Roma pelos etruscos; Configuração do</p><p>modelo de democracia ateniense; Instauração do</p><p>Império Romano; Queda do Império Romano;</p><p>Instauração da República Romana.</p><p>b) Acontecimentos narrados por Homero em Ilíada e</p><p>Odisséia; Desenvolvimento das noções de</p><p>democracia e cidadania grega; Crise da República</p><p>Romana; Instauração do Império Romano;</p><p>Oficialização do cristianismo como religião do</p><p>Império Romano.</p><p>c) Expansão do Império Romano; Queda do Império</p><p>Romano; Estruturação do Sistema Feudal; Crise do</p><p>século XIV; Renascimento.</p><p>d) Queda do Império Romano; Oficialização do</p><p>cristianismo; Proclamação da República Romana;</p><p>Proclamação da República Grega; Expansão dos</p><p>etruscos para Atenas.</p><p>e) República Ateniense; Ascensão do Império</p><p>Espartano; Oficialização do cristianismo;</p><p>Proclamação da República Romana; Expansão do</p><p>Império Romano.</p><p>GABARITO:</p><p>1) Gab: B 2) Gab: D 3) Gab: B 4) Gab: A</p><p>5) Gab: A 6) Gab: E 7) Gab: C 8) Gab: B</p><p>9) Gab: D 10) Gab: A 11) Gab: E 12) Gab: D</p><p>13) Gab: C 14) Gab: B 15) Gab: B 16) Gab [C]</p><p>17) Gab [A] 18) Gab [A] 19) Gab [A] 20) Gab [A]</p><p>21) Gab [E] 22) Gab [A] 23) Gab [D] 24) Gab [D]</p><p>25) Gab: B 26) Gab: B 27) Gab: C 28) Gab: B</p><p>COLONIZAÇÃO E OS PRIMEIROS GOVERNOS</p><p>Com a criação do cargo de governador geral, em 1548, o Brasil continuaria a</p><p>política de colonização do território brasileiro. Analisaremos a seguir, os</p><p>governadores com suas principais medidas de ocupação das terras portuguesas na</p><p>América.</p><p>Governo Geral</p><p>Tomé de Sousa (1549 – 1553)</p><p>Sua verdadeira comitiva chegará à Bahia em 29 de março de 1549. O grupo que</p><p>desembarcou incluía soldados, artesãos, clérigos, demais colonos e degredados.</p><p>Foram dando logo início à construção de Salvador, a primeira cidade do Brasil e</p><p>capital da Colônia.</p><p>49</p><p>A fim de estimular as atividades econômicas, centradas na agro exportação açucareira, foram instalados</p><p>engenhos na Colônia. Além disso, foram trazidas as primeiras cabeças de gado, com a finalidade de complementar</p><p>a produção açucareira.</p><p>Como um dos aspectos fundamentais da colonização do Brasil era religioso, a vinda de Tomé de Sousa incluía a</p><p>chegada dos primeiros jesuítas, chefiados pelo Padre Manoel da Nóbrega, a fim de iniciar um sistemático processo</p><p>de catequese junto aos indígenas e evitar desvios de conduta por parte dos colonos que também chegavam à</p><p>Colônia. Além disso, foi criado em Salvador o primeiro bispado do Brasil, administrado pelo o bispo D. Pedro</p><p>Fernandes Sardinha.</p><p>Duarte Da Costa (1553 – 1558)</p><p>Foi designado para governar o Brasil, sucedendo a Tomé de Sousa. Chegou</p><p>ao Brasil em 1553 e trazia consigo cerca de 250 pessoas. Sua administração foi</p><p>das menos frutíferas.</p><p>Entre os maiores desafios enfrentados, estava a resistência de tribos</p><p>indígenas na região do Recôncavo Baiano. Os combates sangrentos</p><p>desferidos contra os indígenascolocaram o governador em atrito com D.</p><p>Sardinha.</p><p>Os jesuítas que foram trazidos fundaram o colégio de São Paulo, em 1554. Ali</p><p>estava a origem da cidade de São Paulo. Entre esses jesuítas, estava o afamado</p><p>José Anchieta.</p><p>Em 1555, os franceses ocuparam a Capitania do Rio de Janeiro, com o propósito de fundar uma colônia que</p><p>abrigasse os huguenotes, protestantes franceses. Duarte da Costa não conseguiria expulsar os franceses.</p><p>Mem de Sá (1558 – 1572)</p><p>O governo de Mem de Sá, ficou registrado pelos os desafios de</p><p>relacionamento com indígenas e a expulsão dos franceses da Capitania do Rio</p><p>de Janeiro. Entre o Rio de Janeiro e São Vicente, foi organizada uma liga indígena</p><p>conhecida como Confederação dos Tamoios, reunindo diversas tribos locais,</p><p>maior expressão de resistência indígena.</p><p>Confederação dos Tamoios: organização de diversas tribos locais, que</p><p>chegaram a apoiar a invasão francesa contra os portugueses.</p><p>Padre José Anchieta: jesuíta que conseguiu selar um tratado de paz dos</p><p>indígenas com os portugueses, o primeiro da América, ficando conhecido como a</p><p>Paz de Iperoig (1563).</p><p>Paz de Iperoig: não foi respeitado por traficantes, o que levou os conflitos até</p><p>1575, quando a confederação foi aniquilada pelo o governador Antônio Salema.</p><p>O principal problema enfrentado, porém, foi a presença invasora francesa no</p><p>Sudeste. Na luta pela expulsão dos franceses, o governador-geral contou com importante apoio de seu sobrinho,</p><p>Estácio de Sá, que comandava uma esquadra enviada pela Coroa e foi responsável pela fundação da segunda</p><p>cidade brasileira, São Sebastião do Rio de Janeiro (01 de março de 1565). Num dos combates travados contra os</p><p>franceses, estes apoiados por grupos indígenas contrários aos portugueses, o comandante Estácio de Sá morreu,</p><p>alvejado por uma flecha no rosto. Depois de uma série de investidas das tropas portuguesas, os franceses foram</p><p>finalmente expulsos em 1567.</p><p>DIVISÃO DO BRASIL</p><p>Com objetivo de colonizar a região Norte e impedir as invasões no SUL, a Coroa portuguesa optou em adotar um</p><p>modelo de divisão administrativa. Passaram a haver dois governos;</p><p>✔ Governo do Norte: Capital em Salvador, administrada por D. Luís de Brito Almeida. Enfrentou sérios</p><p>problemas com ataques de indígenas.</p><p>✔ Governo do Sul: Capital no Rio de Janeiro, administrada por D. Antônio Salema. Além da resistência</p><p>indígena, persistia a ameaça dos franceses.</p><p>Em 1578, houve reunificação. O novo governador-geral passava a D. Lourenço Veiga. Dois anos depois, Portugal</p><p>passava a ser governados por reis, espanhóis: tinha início a União Ibérica (1580-1640). Nesse período, aconteceu a</p><p>segunda divisão, em 1602 e 1612:</p><p>50</p><p>✔ Estado do Brasil: Capital em Salvador</p><p>✔ Estado do Sul: Capital no Rio de Janeiro.</p><p>Notaremos que ao longo da chamada União Ibérica, existirá no Brasil uma autonomia dos colonizadores que</p><p>fundarão Câmaras Municipais em suas regiões. Com a Restauração Portuguesa (1640), Portugal adota um modelo</p><p>político centralizador que sufoca a liberdade das Câmaras.</p><p>BRASIL COLONIAL: EXPLORAÇÃO INTERIORANA</p><p>Exploração em busca de riquezas</p><p>O propósito do processo de colonização, nunca havia deixado de ser a busca</p><p>de riquezas (ouro e prata), no território brasileiro. O processo de interiorização</p><p>realizado pelos bandeirantes possuía</p><p>o objetivo de povoar e buscar possíveis</p><p>riquezas no nosso território. Esse processo levara para um reconhecimento dos</p><p>colonizadores e o descobrimento das primeiras jazidas de ouro.</p><p>Lembremo-nos que o Brasil adotava um sistema de Governo Geral e depois</p><p>de 1640, os governadores gerais transformaram-se em vice-reis, evidentemente</p><p>que determinada titulação, só era concebida aos membros das famílias de alta</p><p>fidalguia. O primeiro vice-rei do Brasil foi D. Jorge de Mascarenhas, o uso do</p><p>título passou a ser concebido de forma natural depois de 1719. O Brasil</p><p>continuava a possuir o status de “Estado” e não de “vice-Reinado”.</p><p>O Século do ouro: século XVIII</p><p>Após a descoberta das primeiras minas de ouro, o rei de Portugal tratou de</p><p>organizar sua extração. Interessado nesta nova fonte de lucros, já que o</p><p>comércio de açúcar passava por uma fase de declínio, ele começou a cobrar o</p><p>quinto. O quinto nada mais era do que um imposto cobrado pela coroa</p><p>portuguesa e correspondia a 20% (1/5) de todo ouro encontrado na colônia. Este imposto era cobrado nas casas de</p><p>fundição.</p><p>A descoberta de ouro e o início da exploração das minas nas regiões auríferas (Minas Gerais, Mato Grosso e Goiàs)</p><p>provocaram uma verdadeira "corrida do ouro" para estas regiões. Procurando trabalho na região, desempregados de</p><p>várias regiões do país partiram em busca do sonho de ficar rico da noite para o dia. Cidades começaram a surgir e o</p><p>desenvolvimento urbano e cultural aumentou muito nestas regiões. Foi neste contexto que apareceu um dos mais</p><p>importantes artistas plásticos do Brasil: o Aleijadinho. Vários</p><p>empregos surgiram nestas regiões, diversificando o mercado</p><p>de trabalho na região aurífera. Para acompanhar o</p><p>desenvolvimento da região sudeste, a capital do país foi</p><p>transferida para o Rio de Janeiro.</p><p>As Regras da exploração</p><p>A partir de 1702, a Metrópole procurou regulamentar a</p><p>distribuição das áreas a serem exploradas pelos garimpeiros.</p><p>Para fazer valer às regras, impedir o contrabando e recolher</p><p>os impostos devidos, a Coroa montou seu aparelho</p><p>administrativo e fiscal, deslocando tropas de soldados da</p><p>Metrópole para a região das minas.</p><p>Descobertas por paulistas, as minas foram, no inicio, um</p><p>empreendimento de moradores da capitania de São Vicente</p><p>(São Paulo). A produção paulista, anteriormente ligada ao</p><p>consumo local, ampliava-se para atender os mineiros. Em</p><p>poucos anos, brotaram inúmeras vilas e cidades na região</p><p>mineradora. Os paulistas reivindicavam o direito único</p><p>exclusivo da exploração do ouro, porém, foram vencidos em</p><p>na chamada Guerra dos Emboabas (1710), e em 1721 cria-se</p><p>a capitania de Minas Gerais. Como uma forma de</p><p>compensação, à vila de São Paulo, em 1711 torna-se cidade.</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinto</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleijadinho</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Sudeste_do_Brasil</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro_%28cidade%29</p><p>51</p><p>A Sociedade dos mineradores e o comércio interno</p><p>A descoberta provocou o aquecimento do comércio interno colonial. O aparecimento de uma elite com poder de</p><p>adquirir manufaturas e artigos europeus, desenvolvendo atividades portuárias.</p><p>A Pequena vila de São Sebastião do Rio de Janeiro tornou-se porta de entrada de mercadorias estrangeiras. Em</p><p>1763, devido ao seu desenvolvimento urbano e à proximidade maior com a Capitania das Minas Gerais, tornou-se sede</p><p>do governo do Estado do Brasil. A Colônia, que nos primeiros séculos teve uma estrutura econômica voltada</p><p>principalmente para o mercado externo, vivia agora uma realidade mais complexa. Novos interesses surgiam e os</p><p>conflitos passaram a ser mais constantes.</p><p>Com a entrada do ouro e dos diamantes do Brasil, a economia portuguesa viveu algumas décadas de prosperidade,</p><p>superando a crise do século XVII, provocada pela concorrência de outros Estados europeus e pela Guerra da</p><p>Restauração.</p><p>O desenvolvimento da economia brasileira passou a ser celebrada pelos colonos portugueses, assim como os</p><p>ingleses, que atrelavam o Tratado de Methuen (1703), que iria oxigenar as atividades econômicas inglesas e promover</p><p>sua industrialização.</p><p>O crescimento interno e a produção de ouro geraram para Coroa um aumento dos impostos que durante á década</p><p>de 80 do século XVIII passava a gerar descontentamento da elite mineira. A produção das jazidas de ouro diminuiria e</p><p>o governo proibia as atividades fabris e artesanais. Sentindo-se pressionados e não querendo mais aceitar às atitudes</p><p>de cobrança da Coroa, organiza-se o movimento de “Liberdade Mineira” que tinha como objetivo transformar Minas</p><p>Gerais em um país. É importante notarmos que o movimento da Inconfidência Mineira não pode e nem deve ser ligado</p><p>ao sentimento nacionalista que ainda não existia no país.</p><p>O BRASIL HOLANDÊS</p><p>Numa certa noite de março de 1644, o conde Johann Mauritius van Nassau (ou João Maurício de Nassau) —</p><p>governador e mecenas do Brasil holandês — conclamou o povo de Recife a assistir a uma grande festa durante a qual,</p><p>garantiu ele, um boi iria voar. Houve quem logo duvidasse, é claro. Até os mais céticos, porém, devem ter pensado</p><p>duas vezes antes de rir na cara do conde. Afinal, não estavam eles na cidade mais cosmopolita e avançada da América?</p><p>Um jardim não floria onde antes fora charco? O porto não fervilhava repleto de navios e de mercadorias de todo o</p><p>mundo? Não produziam a pleno os engenhos? Oficiais ingleses e investidores judeus, aventureiros suecos, mascates</p><p>escoceses, negociantes alemães e franceses às centenas não percorriam ruas impecavelmente pavimentadas? Além</p><p>disso, naquela mesma tarde não fora inaugurada a maior ponte da América, um prodígio arquitetônico de 318 metros</p><p>de comprimento? Desde que assumira como. "governador, capitão e almirante-general das terras conquistadas ou por</p><p>conquistar pela companhia das índias Ocidentais no Brasil", Nassau tinha tirado a colônia do chão. No dia da</p><p>inauguração da ponte e da festa do boi voador, porém, ao "príncipe" só restavam dois meses de Brasil. Mesmo que um</p><p>boi voasse, a obra de Nassau logo iria por água abaixo.</p><p>Por 24 anos, os holandeses foram senhores de sete das dezenove capitanias em que se dividia o Brasil do século</p><p>XVII. Velhos parceiros comerciais de Portugal, atacaram a maior das colônias lusas, entre outras razões, porque</p><p>travavam com a Espanha a guerra por sua independência. Invadir o Brasil era unir o útil do lucro açucareiro ao agradável</p><p>da vingança contra um inimigo ancestral. A tomada da zona produtora de açúcar do Brasil foi plano minuciosamente</p><p>articulado pela Companhia das Índias Ocidentais — empresa de capital privado que obteve do governo holandês o</p><p>monopólio do comércio com a América e a África. A invasão de Salvador, em 1624, durou apenas um ano e deu prejuízo</p><p>à companhia. Mas, em março de 1630, os holandeses tomaram a cidade do Recife — e lá ficaram até a sua expulsão,</p><p>em janeiro de 1654. Ao longo desse quarto de século, os sete anos conhecidos como o "tempo de Nassau" (1637 a</p><p>1644) marcaram o apogeu do domínio holandês no Brasil, originando a tra dição segundo a qual o destino desse pa</p><p>seria mais nobre caso o projeto colonial da Companhia das índias Ocidental tivesse sido mantido. Mas o fato é que,</p><p>como o próprio Nassau previra, menos de um ano depois de sua partida antes da qual o conde fez voar "um cour de</p><p>boi cheio de palha preso por fios que noite escondia" —, azedou-se de vez doce Brasil holandês.</p><p>A INVASÃO DA BAHIA</p><p>No instante em que as primeiras velas holandesas apontaram em frente de Salvador, na manhã de 8 de maio de</p><p>1624, o que estava a ponto de se consumar era uma invasão anunciada. Meses antes, espiões a serviço da Espanha</p><p>sabiam que os holandeses estavam armando uma esquadra para atacar a Bahia. Ainda assim, o governador-geral</p><p>Diogo de Mendonça Furtado não pôde convencer o rei a fortificar a cidade, O bispo D. Marcos Teixeira persuadira o rei</p><p>a investir na construção da Sé, e não na de um forte. Salvador, “tesouro rico, porém mal seguro", continuou "uma</p><p>cidade</p><p>aberta, defendida por oitenta soldados pagos". Não foi, portanto, nada difícil para a esquadra de 26 navios, 3.300</p><p>homens e 450 bocas-de-fogo, chefiada por Jacob Willekens, tomar Salvador</p><p>52</p><p>Na verdade, bastaram 24 horas: o bombardeio começou na manhã de 9 de maio. Na noite do mesmo dia, o povo</p><p>abandonava a cidade às pressas. Na manhã do dia 10, ao entrarem na praça deserta, os holandeses depararam apenas</p><p>com o governador, "disposto a morrer de espada em punho". Mendonça Furtado foi preso e enviado para a Holanda,</p><p>junto com o butim da vitória: 3.900 caixas de açúcar e muito pau-brasil. E mais: a pilhagem foi tal que um oficial holandês</p><p>afirmou que os soldados "mediam prata e ouro nos chapéus cheios e apostavam 400 florins num lance de dados". A</p><p>orgia da soldadesca durou dois dias. 0 domínio holandês, apenas um ano.</p><p>Ao invadir a Bahia, os holandeses estavam concretizando o plano minuciosamente estabelecido por um documento</p><p>chamado Motivos por que a Companhia das Índias Ocidentais deve tentar tirar ao rei da Espanha a terra do Brasil e a</p><p>lista do que o Brasil pode produzir, estavam também atacando velhos parceiros comerciais.</p><p>Antes da União Ibérica, Portugal e Holanda mantinham intenso comércio. Em Lisboa, os batavos adquiriam vinho,</p><p>drogas do Oriente e principalmente o sal de Setúbal, fundamental para sua florescente indústria pesqueira. Em troca,</p><p>deixavam trigo, peixe, queijo, aparelhos náuticos, metais e tecidos. Com o início da lavoura de açúcar no Brasil, esses</p><p>laços comerciais se estreitaram ainda mais: praticamente todo o açúcar produzido no Brasil era refinado na Holanda e</p><p>dali distribuído para o resto da Europa. O primeiro engenho do Brasil fora de um banqueiro holandês — e a maioria dos</p><p>que vieram a seguir, financiada por eles. Por volta de 1621, só em Amsterdã havia 25 refinarias de açúcar.</p><p>Mas desde 1568 a Holanda estava em guerra com a Espanha — e obteve a independência nas sete colônias do</p><p>Norte em 1579, um ano antes de Portugal ser absorvido pelos espanhóis (a independência total só viria em 1648). Ao</p><p>capturar muitos navios holandeses em Lisboa, Filipe II acabou com as trocas entre lusos e batavos. Em 1609, espanhóis</p><p>e holandeses firmaram uma trégua de doze anos. Graças a essa circunstância, apenas nesse período, 50 mil caixas</p><p>de açúcar saíram do Brasil para a Holanda — cada caixa continha 525 quilos. Finda a trégua em 1621, os holandeses</p><p>se recusaram a abrir mão daquela extraordinária fonte de renda. O ataque ao Brasil foi, então, proposto pela recém-</p><p>fundada Companhia das índias Ocidentais. Mas o tiro saiu pela culatra.</p><p>Embora Salvador fosse tomada em 24 horas, os holandeses não puderam conquistar o interior da Bahia. A</p><p>resistência de lusos e brasileiros — liderada por Matias de Albuquerque — foi feroz na zona rural e se baseou nas</p><p>táticas da guerra brasílica, ou guerra de guerrilhas. Em 22 de março de 1625, os espanhóis enviaram a Salvador a</p><p>maior frota que já cruzara o Equador (52 navios com doze mil homens). Encurralados, os holandeses capitularam no</p><p>dia 1o de maio. Mas eles logo retornariam.</p><p>O TEMPO DE NASSAU</p><p>A invasão da Bahia só trouxe prejuízos para a nascente Companhia das Índias Ocidentais. Em 1628, porém, a</p><p>companhia capturou, ao largo de Cuba, a frota anual da prata espanhola e obteve um butim de 14 milhões de florins (o</p><p>dobro de seu capital inicial). Enriquecida, a WIC planejou nova invasão ao Brasil. O alvo escolhido desta vez foi a maior</p><p>e mais rica região produtora de açúcar do mundo. Além de possuir 130 engenhos (que produziam mil toneladas de</p><p>açúcar por ano), Pernambuco era uma capitania particular, e não real, sendo, portanto, mal-aparelhada na sua defesa.</p><p>No dia 15 de fevereiro de 1630, uma armada com 77 navios, sete mil homens e 170 peças de artilharia surgiu diante</p><p>de Marim — também chamada de Olinda. Embora a resistência do governador Matias de Albuquerque (neto do velho</p><p>donatário Duarte Coelho) fosse, mais uma vez, heróica — e, antes de partir, ele ainda conseguisse incendiar 24 navios</p><p>fundeados no porto —, o Recife foi rapidamente tomado. Desta vez, a ocupação iria durar mais de vinte anos. 0 domínio</p><p>holandês em Pernambuco (de onde se estendeu para sete das então dezenove capitanias que constituíam o Brasil)</p><p>divide-se em três fases. A primeira, de 1630 a 1637, seria marcada pela valorosa resistência dos luso-brasileiros no</p><p>interior. De 1637 a 1644, o Brasil holandês floresce em relativa paz: é o chamado "período nassoviano". De 1645 a</p><p>1654, trava-se a guerra que resultaria na expulsão dos invasores. Três séculos e meio depois, a experiência holandesa</p><p>no Brasil continua associada ao tempo de Nassau.</p><p>Johann Mauritius van Nassau-Siegen nasceu em 17 de agosto de 1604, em Dillenburg, na Alemanha. Era neto do</p><p>conde João VI, por sua vez irmão do príncipe Guilherme de Orange, fundador dos Países Baixos. Pelo lado da mãe,</p><p>seu bisavô foi Cristiano III, rei da Dinamarca. Embora ingressasse aos 14 anos na carreira militar, Nassau teve formação</p><p>humanista: na Universidade da Basileia, estudou teologia, filosofia, matemática, música, ciências de guerra, boas</p><p>maneiras, esgrima e equitação. Tornou-se coronel aos 25 anos, lutou contra a Espanha, encomendou quadros de</p><p>Rembrandt e iniciou a construção de uma mansão em Haia. Em agosto de 1636, foi convidado pela WIC para ser</p><p>governador-geral do Brasil holandês. Como o salário de 1.500 florins mensais (mais um adiantamento de 15 mil florins</p><p>e 2% sobre o total das presas de guerra) fosse atraente — e os gastos com sua nova casa, grandes —, Nassau aceitou.</p><p>Em 23 de janeiro de 1637, chegou ao Recife, com três mil soldados, oitocentos marinheiros e seiscentos indígenas e</p><p>negros.</p><p>Tolerante, competente, dedicado e ágil, Nassau fez um governo brilhante. Primeiro, tomou Porto Calvo, último foco</p><p>da resistência aos invasores. Depois, atraiu os plantadores luso-brasileiros concedendo-lhes empréstimos para</p><p>reerguer seus engenhos — e os defendeu da agiotagem dos negociantes holandeses e judeus, limitando os juros a</p><p>18% ao ano. Deu liberdade de culto, tratou bem os nativos, aumentou a produção de açúcar, urbanizou o Recife,</p><p>protegeu os artistas, apaziguou a colônia.</p><p>53</p><p>A Insurreição Pernambucana (1654)</p><p>Depois da saída de Mauricío de Nassau, a administração holandesa</p><p>tornou-se mais cruel e prepotente. Por isso, os colonos organizaram</p><p>um amplo movimento de combate aos holandeses, denominado</p><p>Insurreição Pernambucana. Nas lutas empreendidas contra os</p><p>holandeses destacam-se as vitórias nas Batalhas dos Guararapes. A</p><p>rendição final dos holandeses dá-se em 1654, quando os luso-</p><p>brasileiros conseguem cercá-los, com a ajuda de uma esquadra</p><p>comandada por Pedro Jacques de Magalhães. A rendição holandesa</p><p>só produziu efeitos plenos em 1661, com a assinatura da Paz de HAIA.</p><p>Motivos para a Insurreição</p><p>No contexto da Restauração portuguesa, o Estado do Brasil pronunciou-se em favor do Duque de Bragança (1640),</p><p>assinando-se uma trégua de dez anos entre Portugal e os Países Baixos. No nordeste do Brasil, os engenhos de cana-</p><p>de-açúcar viviam dificuldades num ano de pragas e seca. Pressionados pela Companhia das Índias Ocidentais (WIC),</p><p>que sem considerar o testamento político de Nassau, passou a cobrar a liquidação das dívidas aos inadimplentes. Essa</p><p>conjuntura levou à eclosão da Insurreição pernambucana, que culminou com a extinção do domínio neerlandês</p><p>(holandês) no Brasil.</p><p>De acordo com as correntes historiográficas tradicionais em História do Brasil, esse movimento assinala o início do</p><p>nacionalismo brasileiro, pois os elementos étnicos brancos, africanos e indígenas fundiram os seus interesses na luta</p><p>pelo Brasil e não por Portugal. Foi esse movimento que deu à população local a verdadeira compreensão de seu valor,</p><p>incutindo no povo o espírito de rebeldia contra qualquer tipo de opressão.</p><p>Guerra dos Emboabas (1708 - 1709)</p><p>Inúmeros portugueses, vindo da metrópole ou da própria</p><p>colônia, tão logo souberam da descoberta das jazidas</p><p>Janeiro: Casa da Palavra, 2013</p><p>(adaptado).</p><p>A prática histórico-cultural de matriz africana descrita no</p><p>texto representava um(a):</p><p>a) expressão do valor das festividades da população</p><p>pobre.</p><p>b) ferramenta para submeter os cativos ao trabalho</p><p>forçado.</p><p>c) estratégia de subversão do poder da monarquia</p><p>portuguesa.</p><p>d) elemento de conversão dos escravos ao catolicismo</p><p>romano.</p><p>e) instrumento para minimizar o sentimento de</p><p>desamparo social.</p><p>7. (Enem 2017) Art. 231. São reconhecidos aos índios</p><p>sua organização social, costumes, línguas, crenças e</p><p>tradições, e os direitos originários sobre as terras que</p><p>tradicionalmente ocupam, competindo à União</p><p>demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus</p><p>bens.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do</p><p>Brasil de 1988. Disponível em: www.planalto.gov. br.</p><p>Acesso em: 27 abr. 2017.</p><p>A persistência das reivindicações relativas à aplicação</p><p>desse preceito normativo tem em vista a vinculação</p><p>histórica fundamental entre:</p><p>a) etnia e miscigenação racial.</p><p>b) sociedade e igualdade jurídica.</p><p>c) espaço e sobrevivência cultural.</p><p>d) progresso e educação ambiental.</p><p>e) bem-estar e modernização econômica.</p><p>8. (Enem 2014)</p><p>Queijo de Minas vira patrimônio cultural brasileiro</p><p>O modo artesanal da fabricação do queijo em Minas</p><p>Gerais foi registrado nesta quinta-feira (15) como</p><p>patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Conselho</p><p>Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e</p><p>Artístico Nacional (Iphan). O veredicto foi dado em</p><p>reunião do conselho realizada no Museu de Artes e</p><p>Ofícios, em Belo Horizonte. O presidente do Iphan e do</p><p>conselho ressaltou que a técnica de fabricação</p><p>artesanal do queijo está “inserida na cultura do que é</p><p>ser mineiro”.</p><p>Folha de S. Paulo, 15 maio 2008.</p><p>Entre os bens que compõem o patrimônio nacional, o</p><p>que pertence à mesma categoria citada no texto está</p><p>representado em:</p><p>a)</p><p>b)</p><p>6</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>9. (Enem 2020) Um dos resquícios franceses na dança</p><p>são os comandos proferidos pelo marcador da</p><p>quadrilha. Seu papel é anunciar os próximos passos da</p><p>coreografia. O abrasileiramento de termos franceses</p><p>deu origem, por exemplo, ao sarué (soirée – reunião</p><p>social noturna, ordem para todos se juntarem no centro</p><p>do salão), anarriê (en arrière – para trás) e anavã (en</p><p>avant – para frente).</p><p>Disponível em: www.ebc.com.br. Acesso em: 06 jul.</p><p>2015.</p><p>A característica apresentada dessa manifestação</p><p>popular resulta do seguinte processo socio-histórico:</p><p>a) massificação da arte erudita.</p><p>b) rejeição de hábitos elitistas.</p><p>c) laicização dos rituais religiosos.</p><p>d) restauração dos costumes antigos.</p><p>e) apropriação de práticas estrangeiras.</p><p>10 (Enem Digital 2020) Na maior parte da América</p><p>Latina, os museus surgiram no século passado,</p><p>fundados com a intenção de "civilizar", ou seja, de</p><p>trazer para o Novo Mundo os padrões científicos e</p><p>culturais das nações colonizadoras. Os museus seriam,</p><p>dessa forma, instituições transplantadas, criadas dentro</p><p>dos ideais positivistas de progresso. Não por acaso,</p><p>ficaram, em sua maior parte, sujeitos aos moldes</p><p>clássicos, a partir da valorização de aspectos da cultura</p><p>erudita, fortemente associados à elite. Era necessário,</p><p>pois, assumir uma função social de maior alcance e</p><p>ocupar um espaço relevante, capaz de atrair grande</p><p>quantidade de público.</p><p>BARRETO, M. Turismo e legado cultural. Campinas:</p><p>Papirus, 2002 (adaptado).</p><p>A transformação de um número cada vez mais</p><p>expressivo de museus latino-americanos em espaços</p><p>destinados a atividades lúdicas e reflexivas está</p><p>associada ao rompimento com o(a):</p><p>a) ideal de educação tradicional.</p><p>b) utilização de novas tecnologias.</p><p>c) modelo de atrações segmentadas.</p><p>d) participação do setor empresarial.</p><p>e) resgate de sentimentos nacionalistas.</p><p>11. Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro</p><p>os bens de natureza material e imaterial, tomados</p><p>individualmente ou em conjunto, portadores de</p><p>referência à identidade, à ação, à memória dos</p><p>diferentes grupos formadores da sociedade brasileira,</p><p>nos quais se incluem:</p><p>I - as formas de expressão;</p><p>II - os modos de criar, fazer e viver;</p><p>III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;</p><p>IV - as obras, objetos, documentos, edificações e</p><p>demais espaços destinados às manifestações artístico-</p><p>culturais;</p><p>V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico,</p><p>paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico,</p><p>ecológico e científico.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do</p><p>Brasil de 1988. Disponível em: www.planalto.gov. br.</p><p>Acesso em: 27 julho de 2021.</p><p>O trecho da Constituição Federal de 1988 ressalta a</p><p>importância da defesa do patrimônio cultural brasileiro</p><p>ao considerar que:</p><p>a) sua preservação seja administrada e gerida pelo</p><p>poder público e por seus órgãos responsáveis.</p><p>b) seu reconhecimento como tal seja feito por um grupo</p><p>populacional considerável, em razão proporcional ao</p><p>tamanho do município no qual ele se insere.</p><p>c) seu tombamento confirme sua excepcionalidade ou</p><p>valor artístico incomum como bens materiais.</p><p>d) sua conservação seja de interesse privado para</p><p>garantir o crescimento econômico de diferentes grupos</p><p>que constituem a sociedade brasileira.</p><p>e) seu valor seja atestado por mais de uma geração e</p><p>confirmado por especialistas no assunto com</p><p>reconhecida trajetória acadêmica, bem como por um</p><p>júri internacional.</p><p>12. Considere o texto a seguir:</p><p>A Constituição Federal de 1988 revitalizou e ampliou o</p><p>conceito de patrimônio estabelecido pelo Decreto-lei nº</p><p>25, de 30 de novembro de 1937, substituindo a</p><p>7</p><p>nominação Patrimônio Histórico e</p><p>Artístico, por Patrimônio Cultural. Essa alteração</p><p>incorporou o conceito de referência cultural e significou</p><p>um aprimoramento importante na definição dos bens</p><p>passíveis de reconhecimento, sobretudo os de caráter</p><p>imaterial. A Constituição inova, ainda, quando</p><p>estabelece a parceria entre o poder público e as</p><p>comunidades para a promoção e proteção do</p><p>Patrimônio Cultural Brasileiro. Mas, mantém a gestão</p><p>do patrimônio e da documentação relativa aos bens sob</p><p>responsabilidade da administração pública.</p><p>O Decreto de 1937 estabeleceu como patrimônio “o</p><p>conjunto de bens móveis e imóveis existentes no País</p><p>e cuja conservação seja de interesse público, quer por</p><p>sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil,</p><p>quer por seu excepcional valor arqueológico ou</p><p>etnográfico, bibliográfico ou artístico”. Enquanto o artigo</p><p>216 da Constituição conceitua patrimônio cultural como</p><p>os bens “de natureza material e imaterial, tomados</p><p>individualmente ou em conjunto, portadores de</p><p>referência à identidade, à ação, à memória dos</p><p>diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.</p><p>IPHAN. Patrimônio Cultural.</p><p>Com base no texto, ao ampliar o conceito de patrimônio,</p><p>é possível inferir que esse processo buscou:</p><p>a) determinar a definição de cultura sob uma ótica</p><p>etnocêntrica.</p><p>b) estimular a produção artística no que tange às</p><p>culturas materiais.</p><p>c) fortalecer a proteção dos bens culturais em território</p><p>nacional.</p><p>d) incentivar a criação de patrimônios imateriais críticos</p><p>da tradição.</p><p>e) fomentar o processo de privatização dos patrimônios</p><p>regionais.</p><p>GABARITO:</p><p>1. D</p><p>2. B</p><p>3. B</p><p>4. E</p><p>5. A</p><p>6. E</p><p>7. C</p><p>8. C</p><p>9. E</p><p>10. A</p><p>11. A</p><p>12. C</p><p>MEMÓRIA E HISTÓRIA: INTERAÇÕES E DELINEAMENTOS</p><p>CONCEITUAIS</p><p>Como conceito significativo para os recentes desenvolvimentos das ciências humanas, a noção de Memória tem sofrido</p><p>ressignificações bastante importantes. Para entendê-las, partiremos de algumas considerações ainda sobre a Memória</p><p>Individual, buscando perceber como certos modos de conceber a memória do indivíduo contaminaram, em algum</p><p>momento, os modos de perceber a Memória Coletiva, que aqui será nosso principal foco de interesses. Mais adiante,</p><p>depois de pontuar estas relações, retornaremos aos momentos de fundação desse conceito, evocando reflexões</p><p>pioneiras como a de Maurice Halbwachs (1968).</p><p>Memória, na sua designação mais habitual, vulgar e cotidiana, corresponde</p><p>de ouro,</p><p>dirigiram-se imediatamente para o local, com a intenção de</p><p>apoderar-se delas. Os paulistas sentiam-se injustiçados com a</p><p>ambição portuguesa e isto provocou violentos conflitos entre os</p><p>dois grupos.</p><p>Os portugueses eram conhecidos como emboabas, palavra de</p><p>origem tupi que servia para designar os que não haviam nascido</p><p>na região, o forasteiro. O principal chefe dos emboabas foi Manuel</p><p>Nunes Viana, que liderou tropas contra os paulistas, vencendo-os</p><p>nas regiões de Sabará e Cachoeira do Campo. Em 1709, ocorreu</p><p>uma sangrenta matança de diversos paulistas, no chamado</p><p>Capão de Traição, por um exército emboaba de 1000 homens,</p><p>comandado por Bento do Amaral Coutinho. Procurando acabar com o conflito, a Coroa portuguesa interveio na região</p><p>e passou a exercer austero controle econômico das minas. Em julho de 1711, D. João V elevou São Paulo à categoria</p><p>de cidade, separando-a administrativamente da região das minas.</p><p>O final da guerra dos emboabas, foi desfavorável aos paulistas e fez com que se lançassem à procura de novas</p><p>jazidas de ouro em outras regiões do Brasil. Isto teve como</p><p>conseqüência a descoberta de ouro na Região Centro-Oeste,</p><p>em Goiàs e Mato Grosso</p><p>Inconfidência Mineira (1789)</p><p>A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma</p><p>tentativa de revolta de natureza separatista abortada pela Coroa</p><p>portuguesa em 1789, na então capitania de Minas Gerais, no</p><p>Estado do Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da</p><p>derrama e o domínio português.</p><p>Vamos sempre lembrar, que a Inconfidência Mineira não foi uma</p><p>revolta de caráter nacionalista. O processo de separação</p><p>observava somente uma visão das classes dominantes, sobre</p><p>os impostos cobrados, fazendo com que os republicanos, no final</p><p>do século XIX, transformassem a imagem de não delator de</p><p>companheiros de Tiradentes, em um herói nacional.</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Restaura%C3%A7%C3%A3o_da_independ%C3%AAncia</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_do_Brasil</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_IV_de_Portugal</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/1640</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_Baixos</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Cana-de-a%C3%A7%C3%BAcar</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Cana-de-a%C3%A7%C3%BAcar</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_das_%C3%8Dndias_Ocidentais</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Brasil</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Separatista</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_reis_de_Portugal</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_reis_de_Portugal</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/1789</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitania_de_Minas_Gerais</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_do_Brasil</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Derrama</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal</p><p>54</p><p>A Conjuração Carioca (1794)</p><p>Não passou de um movimento embrionário, sendo um mero sintoma da generalização do pensamento liberal, que</p><p>vai explodir na geração seguinte. A Academia Cientifica do Rio de Janeiro (1771), apesar de sua existência efêmera,</p><p>constituiu o primeiro núcleo de intelectuais fluminenses. Em 1786, organizou-se a Sociedade Literária, também de</p><p>caráter científico, acusada de organizar um movimento contra a coroa portuguesa. A denúncia oficial, feita contra “as</p><p>pessoas que se atreviam a envolver seus discursos matérias ofensivas à religião e a falar dos negócios públicos da</p><p>Europa”, partiu de José Bernardo da Silva Frade contra seus próprios companheiros da Sociedade Literária. A partir</p><p>daí, as denúncias se generalizaram. Observa-se pelos os mulatos livres, vivendo em núcleos urbanos (...), a revolução</p><p>continha a promessa de eliminar barreiras de cor e de realizar a igualdade econômica, e social, o que evidentemente</p><p>provoca horror aos brancos, aos homens de posses (...)”. Desarticulada a conjuração, ficou a raiz das aspirações de</p><p>independência, que renasceriam em Pernambuco em 1801 e 1817.</p><p>A Conjuração Baiana (1798)</p><p>"Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos</p><p>irmãos: o tempo em que todos seremos iguais." (in: RUY, Afonso. A primeira revolução social do Brasil. p. 68.)</p><p>O movimento envolveu indivíduos de setores urbanos e marginalizados na produção da riqueza colonial, que se</p><p>revoltaram contra o sistema que lhes impedia perspectivas de ascensão social. O seu descontentamento voltava-se</p><p>contra a elevada carga de impostos cobrada pela Coroa portuguesa e contra o sistema escravista colonial, o que</p><p>tornava as suas reivindicações particularmente perturbadoras para as elites. A revolta resultou em um dos projetos mais</p><p>radicais do período colonial, propondo idealmente uma nova sociedade igualitária e democrática. Foi barbaramente</p><p>punida pela Coroa de Portugal. Este movimento, entretanto, deixou profundas marcas na sociedade soteropolitana, a</p><p>ponto tal que o movimento emancipacionista eclodiu novamente, em 1821, culminando na guerra pela Independência</p><p>da Bahia, concretizada em 2 de julho de 1823, formando parte da nação que emancipara-se a 7 de setembro do ano</p><p>anterior, sob império de D. Pedro I.</p><p>Nota-se que o movimento foi realizado por uma classe popular, que reivindicava a diminuição dos impostos, a</p><p>proclamação da república, abertura dos portos, fim do preconceito e aumento salarial. Os seus líderes exerciam o ofício</p><p>de alfaiates, diferentemente dos interesses defendidos pela a elite mineira no processo de Inconfidência.</p><p>COLONIZAÇÃO E OS PRIMEIROS</p><p>GOVERNOS</p><p>REVISANDO E TREINANDO</p><p>Questão-01)</p><p>“Ouvi, ó Povos, o grito,</p><p>Que vamos livres erguer;</p><p>O Brasil sacode o jugo,</p><p>Independência ou Morrer.</p><p>Congresso opressor jurara</p><p>Nossos povos abater:</p><p>Em seu despeito amamos</p><p>Independência ou Morrer.</p><p>Depois de trezentos anos</p><p>Livre o Brasil vai viver:</p><p>Deve a Pedro a Liberdade,</p><p>Independência ou morrer.”</p><p>(“Independência ou morrer”. Poesia anônima, publicada</p><p>pela Tipografia do Diário no ano de 1822, Rio de Janeiro.</p><p>Apud: CARVALHO, José Murilo de, BASTOS, Lúcia &</p><p>BASILE, Marcelo (Orgs.). Guerra literária: panfletos da</p><p>Independência (1820-1823). Belo Horizonte:</p><p>Editora UFMG, 2014, 257-258. 4 v.)</p><p>No cenário político em que a poesia acima foi elaborada,</p><p>as relações entre Brasil e Portugal agravaram-se devido</p><p>à/ao</p><p>a) tentativa das Cortes portuguesas de recolonizar o</p><p>Brasil.</p><p>b) objetivo das elites brasileiras de expulsar o Príncipe</p><p>Regente.</p><p>c) expectativa dos liberais portugueses em fortalecer o</p><p>Absolutismo.</p><p>d) esforço dos deputados escravistas para criar a</p><p>Constituição cidadã.</p><p>Questão-02) A primeira vez que se mencionou o açúcar</p><p>e a intenção de implantar uma produção desse gênero no</p><p>Brasil foi em 1516, quando o rei D. Manuel ordenou que</p><p>se distribuíssem machados, enxadas e demais</p><p>ferramentas às pessoas que fossem povoar o Brasil e que</p><p>se procurasse um homem prático e capaz de ali dar</p><p>princípio a um engenho de açúcar.</p><p>Os primeiros engenhos começaram a funcionar em</p><p>Pernambuco no ano de 1535, sob a direção de Duarte</p><p>Coelho. A partir daí os registros não parariam de crescer:</p><p>quatro estabelecimentos em 1550; trinta em 1570, e 140</p><p>no fim do século XVI. A produção de cana alastrava-se</p><p>não só numericamente como espacialmente, chegando à</p><p>Paraíba, ao Rio Grande do Norte, à Bahia e até mesmo</p><p>ao Pará. Mas foi em Pernambuco e na Bahia, sobretudo</p><p>na região do recôncavo baiano, que a economia</p><p>açucareira de fato prosperou. Tiveram início, então, os</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Imposto</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Escravatura</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_%28Bahia%29</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/1821</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_da_Bahia</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_da_Bahia</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/2_de_julho</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/1823</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/7_de_setembro</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_I_do_Brasil</p><p>55</p><p>anos dourados do Brasil da cana, a produção alcançando</p><p>350 mil arrobas no final do século XVI.</p><p>(Lilia M. Schwarcz. Brasil: uma</p><p>Biografia)</p><p>A partir do texto e considerando a economia açucareira e</p><p>a civilização do açúcar, é correto assinalar:</p><p>a) a cana de açúcar era um produto autóctone, ou seja,</p><p>nativo do Brasil e gradativamente foi caindo no gosto</p><p>dos portugueses e dos europeus, a partir do século</p><p>XVI;</p><p>b) a produção e comercialização do açúcar ocorreram</p><p>sob a influência do livre-cambismo em que se baseou</p><p>o empreendimento colonial português;</p><p>c) a metrópole estabeleceu o monopólio real, porém a</p><p>comercialização do açúcar passou para os porões dos</p><p>navios holandeses, que acabaram por assumir parte</p><p>substancial do tráfego entre Brasil e Europa;</p><p>d) os portugueses mantiveram um rigoroso monopólio</p><p>sobre o processo de produção e refinação do açúcar,</p><p>só permitindo a participação de estrangeiros na</p><p>comercialização do produto;</p><p>e) para implantação da indústria canavieira no Brasil, o</p><p>projeto colonizador luso precisava contar com mão de</p><p>obra compulsória e abundante, dada a extensão do</p><p>território e por isso sempre privilegiou a utilização dos</p><p>nativos, cuja captura proporcionava grandes lucros</p><p>para a coroa.</p><p>Questão-03) As tentativas holandesas de conquista dos</p><p>territórios portugueses na América tinham por objetivo</p><p>central</p><p>a) a apropriação do complexo açucareiro escravista do</p><p>Atlântico Sul, então monopolizado pelos portugueses.</p><p>b) a formação de núcleos de povoamento para</p><p>absorverem a crescente população protestante dos</p><p>Países Baixos.</p><p>c) a exploração das minas de ouro recém‐descobertas no</p><p>interior, somente acessíveis pelo controle de portos no</p><p>Atlântico.</p><p>d) a ocupação de áreas até então pouco exploradas pelos</p><p>portugueses, como o Maranhão e o Vale Amazônico.</p><p>e) a criação de uma base para a ocupação definitiva das</p><p>áreas de mineração da América espanhola.</p><p>Questão-04) “É verdade que antes da união das</p><p>monarquias ibéricas, em 1580,ao manter uma boa relação</p><p>com os portugueses, os flamengos frequentavam os</p><p>portos brasileiros e a cidade de Lisboa carregando açúcar</p><p>em suas urcas, levando-o a refinar em Flandres e</p><p>distribuindo-o por via terrestre e fluvial por toda a Europa</p><p>central. De sua embarcação tão características, ficou a</p><p>lembrança na toponímia carioca, através do morro que</p><p>evoca a sua forma.”</p><p>PRIORI, Mary del. Histórias da gente bra- sileira: volume</p><p>1: colônia. São Paulo: Editora LeYa, 2016. Página 69.</p><p>Com base no texto e nos conhecimentos sobre o período</p><p>colonial da história do Brasil é correto afirmar, exceto:</p><p>a) Durante a União Ibérica, holandeses e espanhóis</p><p>formaram a Companhia das Índias Ocidentais e</p><p>dividiram os lucros da comercialização do açúcar</p><p>produzido no Brasil e levado para a Europa.</p><p>b) Com a União Ibérica acirraram-se os conflitos entre a</p><p>Espanha e a Holanda. Com a proibição espanhola da</p><p>parceria comercial entre holandeses e produtores de</p><p>açúcar no Brasil, os flamengos invadiram o nordeste.</p><p>c) Maurício de Nassau, administrador holandês em</p><p>Pernambuco, promoveu reformas urbanas e manteve</p><p>uma boa relação com os senhores de engenho.</p><p>d) A revolta conhecida como Insurreição Pernambucana</p><p>acabou determinando a saída dos holandeses do</p><p>nordeste brasileiro e teve como consequência uma</p><p>crise na empresa açucareira brasileira.</p><p>Questão-05) Se as especiarias dominaram o comércio</p><p>marítimo português durante o século XV, um século</p><p>depois esse papel foi ocupado, no Brasil, pela produção</p><p>açucareira, que abrangia a lavoura de cana propriamente</p><p>dita e a fabricação do açúcar nos engenhos. Muitos</p><p>historiadores denominam essa economia de plantation,</p><p>expressão emprestada dos ingleses para indicar as</p><p>lavouras tropicais. Assinale a alternativa que apresenta os</p><p>três elementos nos quais esse tipo de produção se</p><p>fundamentava.</p><p>a) Latifúndio, monocultura e mão de obra escrava.</p><p>b) Latifúndio, policultura e mão de obra escrava.</p><p>c) Latifúndio, monocultura e mão de obra livre.</p><p>d) Minifúndio, monocultura e mão de obra escrava.</p><p>e) Minifúndio, policultura e mão de obra livre.</p><p>Questão-06) No Brasil colônia, o responsável pela</p><p>produção açucareira – o senhor de engenho – tinha</p><p>enorme prestígio social. Era um tipo de “nobre da terra”,</p><p>um membro da “açucarocracia”, que produzia a partir de</p><p>um modelo centrado nos princípios capitalistas de</p><p>produção da época. A agricultura assentava-se sobre o</p><p>latifúndio monocultor, escravista e exportador.</p><p>VAINFAS, Ronaldo (Dir.). Dicionário do Brasil colonial.</p><p>Rio de Janeiro: Objetiva, 2000 (adaptado).</p><p>O modo de produção descrito no texto é conhecido como</p><p>a) roça.</p><p>b) plantation.</p><p>c) agrofeudal.</p><p>d) rotação de cultivo.</p><p>e) agricultura coletiva.</p><p>56</p><p>Questão-07)</p><p>Fonte: “Imagens de Brasil colonial engenhos”,</p><p>A IMAGEM ACIMA CARACTERIZA:</p><p>a) a estrutura socioeconômica que se destacou na</p><p>história do Nordeste brasileiro no período colonial;</p><p>b) a estrutura socioeconômica que se sobressaiu na</p><p>história do Brasil imperial;</p><p>c) a estrutura socioeconômica brasileira predominante</p><p>até a República Velha;</p><p>d) a estrutura socioeconômica brasileira que predominou</p><p>tanto na produção de açúcar no período colonial</p><p>quanto na produção do café no período Imperial;</p><p>e) a estrutura socioeconômica da primeira atividade</p><p>econômica realizada pelos portugueses em solo</p><p>brasileiro.</p><p>Questão-08) O consumo dos alimentos nas propriedades</p><p>de monocultura de cana-de-açúcar estava […] baseado</p><p>no que se podia produzir nas brechas de um grande</p><p>sistema subordinado ao mercado externo, resultando em</p><p>uma grande quantidade de farinha de mandioca, feijões</p><p>de diversos tipos, batata-doce, milho e cará comidos com</p><p>pouco rigor, além de uma cultura do doce, cristalizada na</p><p>mistura das frutas com açúcar refinado e simbolizada,</p><p>popularmente, pela rapadura.</p><p>(Paula Pinto e Silva. “Sabores da colônia”. In: Luciano Figueiredo</p><p>(org).História do Brasil para ocupados, 2013.)</p><p>O texto caracteriza formas de alimentação no Brasil</p><p>colonial e revela</p><p>a) o esforço metropolitano de diversificar a produção da</p><p>colônia, com o intuito de ampliar as vendas de</p><p>alimentos para outros países europeus.</p><p>b) a diferença entre a sofisticação da alimentação da</p><p>população colonial e o restrito conjunto de alimentos</p><p>disponíveis na metrópole.</p><p>c) a articulação entre um sistema de produção voltado ao</p><p>atendimento das necessidades e interesses da</p><p>metrópole e as estratégias de subsistência.</p><p>d) o interesse dos grandes proprietários de terras na</p><p>colônia de produzir para o mercado interno, rejeitando</p><p>a submissão ao domínio metropolitano.</p><p>e) a separação entre as lavouras voltadas ao</p><p>fornecimento de alimentos para os países vizinhos e</p><p>as plantações destinadas ao consumo interno.</p><p>Questão-09) A produção de açúcar no Brasil colonial era</p><p>parte de um conjunto de processos e relações que</p><p>ultrapassavam os limites da colônia e incluíam</p><p>a) a estruturação do engenho como unidade produtiva, a</p><p>disposição portuguesa de povoar a colônia e o</p><p>comércio sistemático com a América espanhola.</p><p>b) as técnicas de cultivo indígenas, as mudas de cana</p><p>procedentes do mundo árabe e a intermediação</p><p>britânica na comercialização.</p><p>c) a adaptação da cana à terra roxa do Nordeste, o</p><p>conhecimento técnico dos imigrantes e a atuação</p><p>holandesa no transporte marítimo.</p><p>d) a constituição da grande propriedade, o tráfico de</p><p>africanos escravizados e a existência de amplo</p><p>mercado consumidor na Europa.</p><p>e) o avanço da ocupação das áreas centrais da colônia,</p><p>o recurso à mão de obra nativa e o crescimento do</p><p>gosto pelos sabores doces na Europa.</p><p>TEXTO: 1 - Comuns às questões: 14, 16</p><p>Não só o algodão, o bicho-da-seda e a laranjeira</p><p>introduziram os árabes e mouros na Península:</p><p>desenvolveram a cultura da cana-de-açúcar que,</p><p>transportada depois da Ilha da Madeira para o Brasil,</p><p>condicionaria o desenvolvimento econômico e social da</p><p>colônia portuguesa na América, dando-lhe organização</p><p>agrária e possibilidades de permanência e fixidez. O</p><p>mouro forneceu ao colonizador do Brasil os elementos</p><p>técnicos de produção e utilização econômica da cana.</p><p>(Gilberto</p><p>Freyre. Casa-Grande e Senzala, 1989.)</p><p>Questão-10) O excerto refere-se a trocas civilizacionais</p><p>ocorridas em Portugal, cujas origens históricas mais</p><p>remotas remontam</p><p>a) aos contatos entre cristãos e muçulmanos nas costas</p><p>africanas.</p><p>b) à expansão militar islâmica ocorrida na Idade Média.</p><p>c) à fundação de universidades sarracenas na Península</p><p>Ibérica.</p><p>d) à liberdade de culto instaurada em Portugal pelos</p><p>monarcas iluministas.</p><p>e) às Cruzadas cristãs em direção à Terra Santa.</p><p>Questão-11) Atualmente, o agronegócio figura como</p><p>importante atividade econômica brasileira, relacionada</p><p>aos latifúndios formados no Brasil. Todavia, essa</p><p>concentração de terras, voltadas para a agricultura em</p><p>larga escala, tem sua origem no período colonial</p><p>brasileiro, sobretudo com a introdução do plantio da cana-</p><p>de-açúcar. Sobre a economia açucareira colonial, é</p><p>CORRETO afirmar que:</p><p>57</p><p>a) a cana-de-açúcar foi introduzida pelos portugueses no</p><p>Brasil e visou, exclusivamente, o abastecimento do</p><p>mercado interno luso-americano, com derivados desse</p><p>produto agrícola como a aguardente, o melado, os</p><p>torrões de açúcar e a rapadura.</p><p>b) a produção açucareira não conseguiu superar a</p><p>importância econômica da extração do pau-brasil,</p><p>presente em toda extensão da Mata Atlântica e muito</p><p>rentável no mercado europeu.</p><p>c) a mão de obra indígena escravizada estava voltada,</p><p>prioritariamente, para a produção açucareira, pois os</p><p>africanos mostraram-se bastante resistentes e</p><p>avessos ao trabalho agrícola, preferindo as atividades</p><p>artesanais, comerciais e a extração do ouro.</p><p>d) a grande propriedade agrícola, monocultora,</p><p>escravocrata e exportadora – designada plantation -,</p><p>constituiu a forma básica da economia açucareira e da</p><p>colonização brasileira.</p><p>e) os proprietários dos engenhos eram exclusivamente</p><p>portugueses, pois, nessa atividade econômica, era</p><p>proibida a atuação de nascidos no Brasil.</p><p>Questão-12) Ilustra o argumento do autor sobre os efeitos</p><p>da economia da cana-de-açúcar na história da colônia do</p><p>Brasil a referência</p><p>a) à instalação de um complexo econômico constituído</p><p>pela grande exploração agrícola, aos maquinários para</p><p>a transformação da matéria-prima e à utilização de</p><p>trabalho compulsório.</p><p>b) à uniformização econômica do extenso território da</p><p>colônia, à expansão da catequese em meio às</p><p>populações indígenas e à produção em grande escala</p><p>do açúcar para o mercado interno.</p><p>c) à constituição de uma sociedade nobiliárquica de</p><p>origem europeia, à submissão da população nativa ao</p><p>trabalho extenuante da produção tropical e à economia</p><p>de coleta de produtos nativos.</p><p>d) à urbanização das sociedades litorâneas, à chegada</p><p>de mão de obra estrangeira especializada em</p><p>equipamentos industriais e ao predomínio da mão de</p><p>obra europeia imigrante nos trabalhos agrícolas.</p><p>e) à formação de governos autônomos no nordeste do</p><p>Brasil, à liberdade de venda no exterior da produção</p><p>colonial e aos investimentos de grandes somas de</p><p>capital em manufaturas têxteis.</p><p>Questão-13) No Brasil do século XVI, a sociedade tinha,</p><p>no engenho, o centro de sua organização.</p><p>Assinale a alternativa que NÃO atesta a importância do</p><p>engenho no período colonial.</p><p>a) A grande propriedade era monocultora e também</p><p>escravocrata, voltada para o mercado externo, sendo</p><p>a montagem da estrutura de produção açucareira, um</p><p>empreendimento de alto custo.</p><p>b) Os senhores de engenhos, por serem proprietários de</p><p>terras e escravos, detinham o poder político e</p><p>controlavam as Câmaras Municipais, sendo</p><p>denominados de “homens bons”, estendendo tal poder</p><p>para o interior de sua família.</p><p>c) Alguns engenhos funcionavam como unidades de</p><p>produção autossuficientes, pois além de oficinas para</p><p>reparos de suas instalações, produziam alimentos</p><p>necessários à sobrevivência de seus moradores.</p><p>d) No engenho também havia alguns tipos de</p><p>trabalhadores assalariados, como o feitor, o mestre de</p><p>açúcar, o capelão ou padre, que se sujeitavam ao</p><p>poder e à influência do grande proprietário de terras.</p><p>e) Os grandes engenhos contavam com toda a</p><p>infraestrutura não apenas para atender às</p><p>necessidades básicas de sobrevivência, mas voltadas</p><p>à atividade intelectual que tornava o engenho centro</p><p>de discussões comerciais.</p><p>Questão-14) A questão da consciência ou autopercepção</p><p>nacional nas colônias da América tem sido</p><p>frequentemente tratada de forma desligada do seu</p><p>contexto político e social. Podemos, todavia, pensar em</p><p>um sentimento de distinção e diferença, uma falta de</p><p>identificação com a Europa e uma consciência da</p><p>realidade colonial que teria existido entre populações</p><p>mestiças.</p><p>(Adaptado de Stuart B Schwartz, “A formação de uma identidade</p><p>colonial no Brasil”, em Da América Portuguesa ao Brasil. Lisboa: Difel,</p><p>2003, p. 218.)</p><p>Com base no texto acima sobre a formação da identidade</p><p>colonial, assinale a alternativa correta.</p><p>a) No continente ibero-americano, prevaleceu uma</p><p>percepção colonial de mestiços distinta daquela das</p><p>elites coloniais, nascidas ou não nessa região, pois</p><p>essas elites foram formadas nos cânones</p><p>universitários coloniais desde o século XVI.</p><p>b) Composta por imigrantes vindos da Europa e por seus</p><p>descendentes brancos nascidos no Brasil, a elite</p><p>colonial e os mestiços construíam suas identidades</p><p>calcadas nas tensões sociais e hierarquias</p><p>sóciopolíticas da realidade colonial.</p><p>c) Em função de experiências sociais distintas, a noção</p><p>de pertencimento era similar entre os sujeitos</p><p>envolvidos na realidade colonial ibero-americana. Por</p><p>exemplo, os quilombolas tinham a mesma identidade</p><p>nacional que os pardos livres.</p><p>d) Os brasileiros desenvolveram, desde o período</p><p>colonial ibero-americano, uma consciência nacional</p><p>homogênea, porque o modo como eram vistos</p><p>exteriormente e o modo como se viam influenciavam a</p><p>compreensão da relação liberal estabelecida entre a</p><p>colônia e a metrópole.</p><p>Questão-15) O sistema colonial havia engendrado um</p><p>grupo heterogêneo de regiões, com poucas ligações entre</p><p>si e nas quais prevalecia, no interior da elite branca, uma</p><p>identidade de dupla face: lusitana e regional.</p><p>(Miriam Dolhnikoff. “Elites regionais e a construção do Estado</p><p>Nacional”.In: István Jancsó (org.). Brasil: formação do Estado e da</p><p>Nação, 2003.)</p><p>O excerto alude a uma condição histórica</p><p>58</p><p>a) agravada com a permanência da escravidão em escala</p><p>nacional.</p><p>b) manipulada pelos interesses econômicos ingleses na</p><p>América.</p><p>c) debilitadora da política externa brasileira na América</p><p>do Sul.</p><p>d) enfrentada pela organização institucional do país</p><p>durante a Independência.</p><p>e) derivada de diferenças culturais das sociedades</p><p>indígenas brasileiras.</p><p>Questão-16) As pessoas do Rio de Janeiro se fazem</p><p>transportar em cadeirinhas bem douradas sustentadas</p><p>por negros. Esta cadeira é seguida por um ou dois negros</p><p>domésticos, trajados de librés mas com os pés nus. Se é</p><p>uma mulher que se transporta, ela tem frequentemente</p><p>quatro ou cinco negras indumentadas com asseio; elas</p><p>vão enfeitadas com muitos colares e brincos de ouro.</p><p>Outras são levadas em uma rede. Os que querem andar</p><p>a pé são acompanhados por um negro, que leva uma</p><p>sombrinha ou guarda-chuva, como se queira chamar.</p><p>LARA, S. H. Fragmentos setecentistas. São Paulo: Cia. das Letras,</p><p>2007 (adaptado).</p><p>Essas práticas, relatadas pelo capelão de um navio que</p><p>ancorou na cidade do Rio de Janeiro em dezembro de</p><p>1748, simbolizavam o seguinte aspecto da sociedade</p><p>colonial:</p><p>a) A devoção de criados aos proprietários, como</p><p>expressão da harmonia do elo patriarcal.</p><p>b) A utilização de escravos bem-vestidos em atividades</p><p>degradantes, como marca da hierarquia social.</p><p>c) A mobilização de séquitos nos passeios, como</p><p>evidência do medo da violência nos centros urbanos.</p><p>d) A inserção de cativos na prestação de serviços</p><p>pessoais, como fase de transição para o trabalho livre.</p><p>e) A concessão de vestes opulentas aos agregados,</p><p>como forma de amparo concedido pela elite senhorial.</p><p>Questão-17) Durante o século XVI, na</p><p>América</p><p>Portuguesa, além da agricultura voltada para os</p><p>engenhos, produziam-se cereais e criavam-se animais</p><p>para a manutenção dos colonos. No decorrer desse</p><p>século, os colonos integraram-se cada vez mais ao</p><p>processo mercantil interno, produzindo rapadura,</p><p>plantando algodão, feijão, milho e criando gado, entre</p><p>outros.</p><p>Nesse contexto, é CORRETO afirmar que essa integração</p><p>se deu:</p><p>a) em decorrência da necessidade do abastecimento do</p><p>mercado externo, em detrimento das exportações.</p><p>b) a fim de evitar crises alimentares, que poderiam</p><p>comprometer o projeto colonizador.</p><p>c) em razão da crise que se abateu sobre os engenhos</p><p>brasileiros quando o preço do açúcar caiu um terço.</p><p>d) em razão das facilidades em conseguir mão de obra</p><p>assalariada, a base econômica da sociedade</p><p>açucareira.</p><p>Questão-18) Sobre a transferência da Corte portuguesa</p><p>para o Brasil em 1808, é correto afirmar que</p><p>a) ocorreu sem nenhum transtorno para a população do</p><p>Rio de Janeiro, que recepcionou os nobres</p><p>portugueses de forma planejada, sem que fossem</p><p>necessárias grandes mudanças na cidade.</p><p>b) teve como causa direta a invasão das tropas francesas</p><p>ao território português como forma de forçar a adesão</p><p>do país luso ao bloqueio continental.</p><p>c) foi provocada pela ameaça inglesa de invasão ao</p><p>Brasil, caso Portugal aderisse ao Bloqueio Continental</p><p>ao comércio britânico, imposto por Napoleão</p><p>Bonaparte no decreto de Berlim, emitido em 1806.</p><p>d) somente foi realizada como forma de garantir o</p><p>cumprimento do tratado de Fontainebleau, assinado</p><p>com a França, que garantia a mudança para o Brasil</p><p>no caso de ameaça espanhola a Portugal.</p><p>Questão-19) No ano de 2008, comemorou-se os 200</p><p>anos da Chegada da Família Real ao Brasil. Tal evento,</p><p>ocorrido em 1808, pode ser considerado o embrião que</p><p>gerou o Estado brasileiro a partir da década de 1820.</p><p>Dentre os feitos ocorridos, assinale a alternativa que</p><p>apresenta um importante passo à emancipação política do</p><p>Brasil.</p><p>a) A Abertura dos Portos às Nações amigas, que permitiu</p><p>ao Brasil ter autonomia política frente a Portugal,</p><p>podendo a colônia celebrar contratos com qualquer</p><p>outra nação sem maiores ônus.</p><p>b) A elevação do Brasil à categoria de Reino Unido de</p><p>Portugal e Algarves, que colocou a antiga colônia</p><p>americana em pé de igualdade com a Metrópole</p><p>Europeia.</p><p>c) A Revolução Pernambucana, que foi um evento que</p><p>celebrou a emancipação econômica do Brasil diante da</p><p>Metrópole europeia e deu impulso à conquista da</p><p>independência, em 1822.</p><p>d) O dia do fico, celebrado em 9 de janeiro de 1822, que</p><p>foi a data em que d. João VI declarou às cortes</p><p>europeias que não tinha qualquer intenção de</p><p>abandonar o Brasil.</p><p>e) A Revolução Liberal do Porto, que foi um grande</p><p>incentivo à emancipação política brasileira, já que</p><p>defendeu a ideia de um mundo sem metrópoles e</p><p>colônias.</p><p>Questão-20) Sobre a atuação de D. João VI no Brasil,</p><p>período chamado por vários historiadores como Brasil</p><p>colônia, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as</p><p>alternativas.</p><p>a) Participou das expedições que demarcaram todas as</p><p>novas fronteiras do norte e oeste do Brasil.</p><p>b) Promoveu a vinda de artistas e da Real Biblioteca.</p><p>c) Liberou as atividades manufatureiras da colônia.</p><p>d) Abriu os portos ao comércio exterior.</p><p>59</p><p>Questão-21) A vinda da Família Real para o Brasil, em</p><p>1808, desencadeou o chamado processo de</p><p>independência do Brasil. Dos eventos abaixo, assinale</p><p>aquele que NÃO se relaciona a esse processo.</p><p>a) A criação da Imprensa Régia e a elevação do Brasil a</p><p>Reino Unido de Portal e Algarves.</p><p>b) A abertura dos portos e os tratados de 1810 com a</p><p>Inglaterra.</p><p>c) A Revolta de Felipe dos Santos e a Inconfidência</p><p>Mineira.</p><p>d) A fundação do Banco do Brasil e da Casa da Moeda.</p><p>Questão-22) Em 1808, o Jardim Botânico do Rio de</p><p>Janeiro foi criado com a finalidade de aclimatar espécies</p><p>vegetais provenientes de diversos lugares do mundo.</p><p>Com isso, esperava-se criar condições para produzir bens</p><p>apreciados na Europa. Hoje, essa instituição científica</p><p>desenvolve pesquisas sobre a flora de áreas protegidas,</p><p>contribuindo para a conservação ambiental.</p><p>Sobre o contexto de criação dessa instituição, é correto</p><p>mencionar</p><p>a) o reinado de D. Pedro II, responsável por diversas</p><p>iniciativas na área das ciências, sobretudo na capital</p><p>do país à época.</p><p>b) a transferência da Corte de Portugal para o Brasil,</p><p>quando o Rio de Janeiro se tornou a capital do império</p><p>português.</p><p>c) a Independência do Brasil, quando o Rio de Janeiro se</p><p>tornou a capital da República recém-criada.</p><p>d) a fundação da cidade do Rio de Janeiro, planejada</p><p>para ser a nova capital, em substituição a Salvador.</p><p>e) a proclamação da República, quando D. Pedro II foi</p><p>deposto e a capital brasileira foi transferida para</p><p>Brasília.</p><p>Questão-23) O bloqueio continental imposto pela França</p><p>e as relações entre Portugal e Inglaterra foram</p><p>fundamentais para a transferência da Corte portuguesa ao</p><p>Brasil em 1808, fazendo do Rio de Janeiro a nova sede</p><p>da coroa. A chegada da Corte e a instalação das</p><p>instituições políticas, administrativas e jurídicas do</p><p>governo português no Rio de Janeiro acarretaram</p><p>diversas mudanças na colônia. Essas mudanças deram</p><p>início a um processo que resultou na independência do</p><p>Brasil.</p><p>PELLEGRINI, Marco Cesar; DIAS, Adriana Machado; GRINBERG,</p><p>Keila. Contato história, 2o ano. 1a. ed. São Paulo: Quinteto Editorial,</p><p>2016, com adaptações.</p><p>A respeito das mudanças que conduziram o Brasil ao</p><p>processo de independência, assinale a alternativa correta.</p><p>a) Com a chegada da família real e da Corte portuguesa</p><p>ao Brasil em 1808, Portugal foi relegado à condição de</p><p>colônia.</p><p>b) Assim que desembarcou no Brasil em 1808, D. João</p><p>assinou o decreto que definiu o Pacto Colonial, dando</p><p>a Portugal exclusividade sobre o comércio colonial</p><p>brasileiro.</p><p>c) A elevação do Brasil à condição de Reino Unido a</p><p>Portugal, em 1815, seguiu a orientação do Congresso</p><p>de Viena na manutenção do absolutismo monárquico</p><p>e, ao mesmo tempo, contribuiu para o processo de</p><p>independência do País.</p><p>d) Com o retorno de D. João e sua Corte para Portugal,</p><p>em abril de 1821, o Brasil retorna à condição de colônia</p><p>de Portugal.</p><p>e) O partido político denominado “partido brasileiro”,</p><p>formado por proprietários rurais, liberais radicais e</p><p>republicanos, apoiava a separação de Portugal e</p><p>defendia a fragmentação do território brasileiro e a</p><p>criação de vários estados independentes.</p><p>Questão-24)</p><p>A charge satiriza um aspecto da situação socioeconômica</p><p>no Brasil pré-independente, resultante da</p><p>01. urbanização e do desenvolvimento manufatureiro, com</p><p>a abertura da exploração mineradora colonial ao capital</p><p>estrangeiro.</p><p>02. revogação, pelo governo de D. João VI, do Alvará de</p><p>1785, que proibia o desenvolvimento de manufaturas.</p><p>03. assinatura do Tratado de Comércio e Navegação de</p><p>1810, que estabelecia privilégios de importação para os</p><p>produtos ingleses.</p><p>04. violenta repressão aos líderes do movimento da</p><p>Revolução Farroupilha, que pretendia a abolição da</p><p>escravidão.</p><p>05. expansão da indústria brasileira, proveniente da</p><p>aliança entre os interesses britânicos e aqueles do</p><p>empreendedor Barão de Mauá.</p><p>Questão-25) Durante treze anos a família real portuguesa</p><p>esteve no Brasil, que foi sede do império ultramarino</p><p>português. Nesse período, diversas medidas tomadas</p><p>pela corte proporcionaram transformações profundas na</p><p>economia, na política e na cultura do Brasil. Assim, é</p><p>correto afirmar que, nesse período, ocorreu</p><p>a) a Confederação do Equador, em 1824, que foi uma</p><p>rebelião das províncias nordestinas contra o</p><p>autoritarismo, que pretendia a fundação de uma</p><p>república por estas partes do Brasil.</p><p>b) a Revolução Pernambucana, em 1817, contra a</p><p>opressão dos tributos para custear a corte no Rio de</p><p>Janeiro, que marcou a insatisfação dos brasileiros</p><p>contra a exploração portuguesa.</p><p>60</p><p>c) a Noite das Garrafadas, episódio que envolveu</p><p>apoiadores do rei e seus opositores,</p><p>logo antes de sua</p><p>abdicação e retorno para Portugal.</p><p>d) expulsão do rei português de terras brasileiras, por sua</p><p>resistência em aceitar a constituição elaborada pela</p><p>Assembleia Constituinte e a imposição de uma</p><p>constituição por ele outorgada.</p><p>Questão-26) Em relação à proposição “Deus repele a</p><p>escravidão”, sabe-se que os jesuítas</p><p>a) defenderam enfaticamente que essa forma de trabalho</p><p>fosse abolida na América hispânica uma vez que</p><p>consideravam que todos eram iguais perante Deus,</p><p>sendo, por essa razão, expulsos, primeiro pela Coroa</p><p>Portuguesa e, em seguida, pela Coroa Espanhola,</p><p>após décadas de trabalho missionário.</p><p>b) apresentaram, gradativamente, postura cada vez mais</p><p>complacente em relação aos indígenas, argumentando</p><p>que estes não deveriam ser submetidos ao regime da</p><p>agricultura nos moldes ocidentais, uma vez que,</p><p>diferentemente dos negros, eram frágeis fisicamente e</p><p>detinham suas próprias técnicas de subsistência,</p><p>como o extrativismo e a coivara.</p><p>c) dividiram-se em dois grupos com opiniões divergentes,</p><p>sendo um defensor do trabalho compulsório aos</p><p>indígenas e africanos, contanto que combinado à</p><p>catequese e a um tratamento humanista desses</p><p>cativos, e outro favorável ao estabelecimento de</p><p>missões que atraíssem espontaneamente índios e</p><p>negros que ali poderiam trabalhar em comunidade e</p><p>estudar.</p><p>d) discutiram efusivamente essa questão, desafiando as</p><p>orientações superiores em nome da piedade cristã aos</p><p>índios e negros, até o momento em que o trabalho</p><p>compulsório se mostrou indispensável para sua</p><p>fixação e sobrevivência nas colônias, etapas que</p><p>venceram com êxito, a ponto de se transformarem em</p><p>uma ameaça político-econômica à dominação das</p><p>coroas hispânicas.</p><p>e) consideravam a escravidão um mal necessário para a</p><p>colonização do novo mundo, sendo especialmente</p><p>admissível no caso da população africana, que já</p><p>adotara essa prática em suas próprias terras e se</p><p>mostrava arredia à adoção do cristianismo, bem como</p><p>nos casos de indígenas hostis, aos quais cabia a</p><p>aplicação dos princípios da “guerra justa”.</p><p>Questão-27)</p><p>Refiro-me à destruição que pudemos fazer da grande (20</p><p>x 40 metros) e velha maloca taracuá [...] Sabe V. Rvma.</p><p>que para o índio a maloca é cozinha, dormitório, refeitório,</p><p>tenda de trabalho, lugar de reunião na estação de chuvas</p><p>e sala de dança nas grandes solenidades. [...] A maloca é</p><p>também, como costumava dizer o zeloso dom Bazola, a</p><p>“casa do diabo”, pois que ali se fazem as orgias infernais,</p><p>maquinam-se as mais atrozes vinganças contra os</p><p>brancos e contra outros índios...</p><p>Monsenhor Pedro Massa, início século XX. In: ZENUN,</p><p>K. H. e ADISSI, V. M. A. Ser índio hoje: a tensão territorial. 2.ed. São</p><p>Paulo: Loyola, 1999, p. 70. (Adaptado).</p><p>Com a chegada dos europeus ao continente americano,</p><p>teve início a subjetivação da figura do índio, delineando-</p><p>se, gradativamente, a imagem do nativo ocioso,</p><p>preguiçoso, indisciplinado e desorganizado. Esse ponto</p><p>de vista atravessou séculos e sobrevive em nossos dias.</p><p>Dessa maneira, de acordo com a citação, derrubar a</p><p>maloca seria uma ação necessária, pois a moradia</p><p>indígena representava o(a)</p><p>a) tradição da cultura pagã que contrariava os planos de</p><p>conversão e domínio espiritual.</p><p>b) baluarte de expressão da organização tribal, influência</p><p>do contato com a cultura africana.</p><p>c) símbolo de superioridade da cultura indígena, quando</p><p>comparada à europeia.</p><p>d) obstáculo que impedia o trabalho de catequese no</p><p>espaço conhecido como reduções.</p><p>Questão-28) “...sobre se achar interrompido e suspenso</p><p>o comércio desta capitania com grave prejuízo dos meus</p><p>vassalos, e da minha Real Fazenda, em razão das críticas</p><p>e públicas circunstâncias da Europa, e querendo dar</p><p>sobre este importante objeto alguma providência pronta,</p><p>capaz de melhorar o progresso de tais danos, sou servido</p><p>ordenar interina e provisoriamente, enquanto não</p><p>consolido um sistema geral que efetivamente regule</p><p>semelhantes matérias, o seguinte: primeiro, que sejam</p><p>admissíveis nas Alfândegas do Brasil todos e quaisquer</p><p>gêneros, fazendas, e mercadorias transportadas, ou em</p><p>navios estrangeiros das potências que se conservam em</p><p>paz e harmonia com a minha Real Coroa, ou em navios</p><p>dos meus vassalos [...]; Segundo: Que não só os meus</p><p>vassalos, mas também os sobreditos estrangeiros</p><p>possam exportar para os portos que bem lhes parecer, a</p><p>benefício do comércio e da agricultura, que tanto desejo</p><p>promover, todos e quaisquer gêneros e produções</p><p>coloniais...”</p><p>Disponível em</p><p>http://www.historia.seed.pr.gov.br/arquivos/File/fontes%20historicas/abe</p><p>rtura_portos_1808.pdf.Acesso em: 4 out. 2017. Adaptado.</p><p>Desse modo, Dom João VI realizou a “abertura dos portos</p><p>às nações amigas”, ainda na primeira semana de sua</p><p>estadia no Brasil. Acerca das “críticas e públicas</p><p>circunstâncias da Europa”, afirmadas no documento,</p><p>avalie as afirmações a seguir:</p><p>I. O texto se refere às conquistas napoleônicas e à</p><p>invasão da Península Ibérica, que acabaram por</p><p>ocasionar a transferência da corte lusitana para a colônia</p><p>brasileira.</p><p>II. O texto se refere aos problemas gerados pelo</p><p>“Bloqueio Continental”, que alterou as relações comerciais</p><p>e políticas de vários países com a monarquia britânica.</p><p>III. O texto se refere às campanhas militares da Alemanha</p><p>que, ao adentrar com relativo atraso nas conquistas</p><p>coloniais, gerou o desequilíbrio das forças geopolíticas</p><p>61</p><p>europeias e a viagem do príncipe-regente Dom Joao VI ao</p><p>Brasil.</p><p>IV. O texto se refere às consequências desastrosas da</p><p>Revolução Industrial, que incluíam o trabalho operário</p><p>com jornadas de quase vinte horas, o emprego de</p><p>mulheres e de crianças, sem legislação que as</p><p>protegesse.</p><p>Assinale a alternativa que indica os itens que contêm</p><p>somente assertivas corretas:</p><p>a) I e II.</p><p>b) II e III.</p><p>c) II e IV.</p><p>d) I e IV.</p><p>Questão-29) Leia o relato de Tollenare, um viajante</p><p>europeu que esteve em Recife em fins de 1816.</p><p>“Entre eles (os escravos) veem-se homens cuja</p><p>fisionomia é ainda altiva ou feroz: dir-se-ia que, mordendo</p><p>o freio a tremer, cogitam os meios de se libertarem, mas</p><p>isto não passa, talvez, de uma ilusão, porquanto não se</p><p>percebe precaução alguma tomada contra as tentativas</p><p>que possam fazer; todos não têm este aspecto</p><p>inquietador. Vi negros muito calmos e muito submissos</p><p>[...]”.</p><p>Após a análise do trecho, assinale a alternativa correta.</p><p>a) O medo de uma possível revolta de escravos está</p><p>explícito no trecho, por isso a preocupação, das</p><p>autoridades, em reprimir os escravos “ferozes” e os</p><p>“inquietos”.</p><p>b) É demonstrada a preocupação, por parte dos</p><p>europeus, com o comércio de escravos realizado em</p><p>Recife, daí as medidas tomadas a favor da extinção da</p><p>escravidão no ano referido.</p><p>c) O viajante, impressionado com os maus-tratos sofridos</p><p>pelos escravos, relata sua preocupação com as</p><p>relações entre senhores e escravos, defendendo o fim</p><p>do tráfico.</p><p>d) Sob uma perspectiva geral, o trecho não guarda</p><p>relação com as impressões causadas, entre os</p><p>europeus, do comércio escravo no Brasil. Relatos</p><p>como esses são raros de encontrar.</p><p>e) A dicotomia “feroz” e “submissos” parte de uma ótica</p><p>senhorial da escravidão. O primeiro é, antes de tudo,</p><p>revoltado ou inquieto porque não aceita sua condição.</p><p>Questão-30)</p><p>No início do século XIX, a Corte de Portugal, fugindo das</p><p>guerras napoleônicas, chega ao Brasil. Instalada no Rio</p><p>de Janeiro, a Coroa realizou uma série de reformas e</p><p>promoveu a vinda de uma Missão Artística Francesa. A</p><p>esse respeito, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).</p><p>01. A Missão Artística Francesa desenvolveu o estilo</p><p>Neoclássico, abandonando os princípios barrocos.</p><p>02. A influência da Missão Artística Francesa sobre a</p><p>cultura brasileira foi efêmera e não teve grande</p><p>significado, pois se limitou à pintura.</p><p>04. O grupo de artistas que compunha a Missão Artística</p><p>Francesa organizou a Escola Real de Ciências, Artes e</p><p>Ofícios que, posteriormente, deu origem à Academia</p><p>Imperial de Belas Artes.</p><p>08. Na pintura,</p><p>o principal expoente foi Franz Prost que,</p><p>em seus trabalhos, retratou o cotidiano das principais</p><p>cidades do Nordeste brasileiro.</p><p>16. Além dos artistas da Missão Francesa, outros pintores</p><p>europeus vieram para o Brasil no século XIX.</p><p>Questão-31) É fato: os povos que formaram a</p><p>nacionalidade brasileira foram vítimas da intolerância</p><p>religiosa, inclusive os imigrantes europeus e asiáticos. Por</p><p>isso, o Brasil de hoje ainda mantém a herança de seu</p><p>colonizador, constituindo-se o país com o maior número</p><p>de católicos do mundo.</p><p>Apesar desse predomínio, os diferentes grupos sociais</p><p>conquistaram gradualmente a liberdade de escolher e</p><p>seguir inúmeras seitas e religiões, garantindo seu direito</p><p>à diversidade.</p><p>As religiões são responsáveis, dentre outros, pela</p><p>formação da identidade cultural de um povo, mas é</p><p>igualmente responsável pelas intolerâncias, por</p><p>perseguições e por conflitos.</p><p>Nesse contexto, no Brasil,</p><p>01. a catequização dos índios, imposta pelos jesuítas no</p><p>processo de colonização brasileira, se constituiu um</p><p>instrumento da Contrarreforma Católica contra a</p><p>expansão da Reforma Protestante.</p><p>02. o judaísmo foi a única religião não cristã respeitada</p><p>pelo Estado absolutista português e pela Igreja Católica,</p><p>em decorrência da importância econômica que os</p><p>comerciantes judeus adquiriram no sistema mercantilista</p><p>colonial.</p><p>03. os rituais bárbaros e primitivos praticados pelos</p><p>escravos africanos foram reprimidos pelo colonizador</p><p>português, objetivando civilizar o Novo Mundo e criar</p><p>condições mínimas de vida em sociedade.</p><p>04. o regime do Padroado, durante o Império Brasileiro,</p><p>estabeleceu o catolicismo como a religião oficial do Brasil,</p><p>submetendo o poder estatal ao controle e legitimação da</p><p>religião católica.</p><p>05. a proclamação da República instituiu o Estado laico,</p><p>eliminando, até a atualidade, a influência da religião no</p><p>processo político, o que limitou o alcance das religiões à</p><p>esfera pessoal.</p><p>GABARITO:</p><p>1) Gab: A 2) Gab: C 3) Gab: A 4) Gab:A 5) Gab: A</p><p>6) Gab: B 7) Gab: A 8) Gab: C 9) Gab: D 10)Gab:B</p><p>11) Gab: D 12) Gab: A 13) Gab: E 14) Gab: B 15) Gab: D</p><p>16) Gab: B 17) Gab: B 18) Gab: B 19) Gab: B 20) Gab: FVVV</p><p>21) Gab: C 22) Gab: B 23) Gab: A 24) Gab: 03 25) Gab: B</p><p>26) Gab: E 27) Gab: A 28) Gab: A 29) Gab: E 30) Gab: 21</p><p>31) Gab: 01</p><p>62</p><p>IDADE MÉDIA</p><p>1 - CIVILIZAÇÃO BIZANTINA</p><p>Enquanto se processavam as invasões bárbaras, com a consequente ruralização da sociedade, na Europa</p><p>Ocidental, a parte oriental do antigo Império Romano, passou por uma evolução histórica diferente e deu origem à</p><p>Civilização Bizantina.</p><p>Em 395, o imperador Teodósio dividiu o Império Romano em dois: o Império Romano do Ocidente, com a capital</p><p>instalada em Milão, e o Império Romano do Oriente, cuja capital era a cidade de Constantinopla. Esta fora fundada por</p><p>Constantino (312 - 337) no ano de 330 para se constituir numa “nova Roma” (sede de todo Império, devido ao declínio</p><p>do Ocidente e às invasões bárbaras). A partir de um núcleo original grego, chamado Bizâncio, próximo ao estreito de</p><p>Bósforo, na passagem do mar Egeu para o mar Negro, entre a Europa e a Àsia; essas condições geográficas</p><p>funcionavam como defesas naturais (complementadas por suas muralhas) e facilitou a sua resistência aos ataques</p><p>bárbaros, enquanto o lado ocidental do Império declinava.</p><p>Devido a sua posição geográfica, a cidade continuo sendo um importante centro mercantil, servindo de ligação entre</p><p>a Europa e a Àsia, com seus portos e rotas de comércio. Isto resultou num notável desenvolvimento urbano-artesanal,</p><p>com oficinas sob controle do Estado. Ao mesmo tempo, sua agricultura se feudalizava em mãos da nobreza de sangue</p><p>clerical.</p><p>Exercendo controle sobre a economia e concentrando esforços para resistir aos ataques das tribos bárbaras, o</p><p>Estado bizantino preservou a unidade política do Império Romano do Oriente, enquanto o Ocidente se desintegrava e</p><p>tornou-se fortemente centralizado nas mãos seus imperadores. Essa estrutura política ficou conhecida como</p><p>cesaropapismo, um modelo de teocracia, posto que seu governante tinha poderes políticos e religiosos.</p><p>A citada estrutura política atingiu seu apogeu durante o reinado de Justiniano (527-567), quando se iniciou uma</p><p>expansão militar numa tentativa de reconstruir o Império Romano: reconquistou territórios na África, Itália, Córsega,</p><p>Sardenha, Bálcãs e parte da Península Ibérica, sob pretexto de propagação da fé e, por isso, contou com o apoio da</p><p>Igreja de Roma. Justiniano também marcou seu reinado pela preocupação com as artes e com a estrutura</p><p>administrativa e jurídica do império: construiu a Catedral de Santa Sofia e mandou copilar todas as leis romanas no</p><p>Corpus Juris Civlis (Código de Direito Civil; o Código Justiniano), graças ao qual se preservou o Direito Romano.</p><p>Os custos com a expansão militar e com a construção de grandes obras públicas e religiosas provocaram aumento</p><p>de impostos e resultaram na Revolta de Nika, em 532, sob liderança de grupos aristocratas que se opunham a</p><p>Justiniano. Depois de várias tentativas de negociações, o imperador determinou o massacre dos sublevados.</p><p>Após a morte de Justiniano, a civilização bizantina entrou num longo processo de declínio. Vários fatores foram</p><p>responsáveis por esta decadência. Dentre estes, podemos destacar alguns:</p><p>✔ Os constantes conflitos com a Igreja Romana: as chamadas Questões Religiosas. Primeiro, o surgimento e</p><p>expansão de uma série de heresias, como o arianismo e o monofisismo, algumas delas influenciadas pelos resquícios</p><p>da Filosofia Clàssica que sobreviveram em Constantinopla. Depois, a Questão Iconoclasta quando o Estado Bizantino</p><p>determinou a destruição e o fim do culto às imagens (de Cristo, da Virgem Maria e dos santos), com o objetivo de</p><p>diminuir o crescente poder dos mosteiros (que controlavam a produção e o comércio dos ícones), sob justificativa de</p><p>que as constantes derrotas militares eram frutos da idolatria. Estes conflitos culminaram em meados do século XI no</p><p>chamado Cisma do Oriente (1054), o cristianismo se dividiu, então, em duas vertentes: a romana e a ortodoxa.</p><p>✔ As constantes guerras contra os persas, entre os séculos VI e VIII, e árabes, a partir do século VIII, quando estes</p><p>iniciaram sua expansão em torno do mar Mediterrâneo. Além disso, no século XIII, os mercadores venezianos</p><p>financiaram a Quarta Cruzada (1202-04), que atacaram e saquearam Constantinopla. Depois disso, o processo de</p><p>decadência se acelerou e, em 1453, após um longo cerco, os turcos otomanos tomaram a cidade: foi a “queda de</p><p>Constantinopla” - para a historiografia tradicional o “marco final da Idade Média”.</p><p>AS CONTRIBUIÇÕES BIZANTINAS</p><p>O Império Bizantino preservou a cultura greco-romana. Durante um período em que o aprendizado havia decaído</p><p>na Europa, os mestres bizantinos estudaram as artes e ciências das antigas Roma e Grécia. Apesar de terem feito</p><p>poucas contribuições originais, eles foram capazes de preservar os conhecimentos antigos que poderiam ter sido</p><p>perdidos. Isto também influenciou o ensino no mundo muçulmano e ajudou a reativar o aprendizado na Europa</p><p>Ocidental</p><p>63</p><p>Os bizantinos também ajudaram a proteger e a expandir o cristianismo. Missionários ortodoxos orientais</p><p>introduziram a cultura cristã e bizantina a muitos eslavos no sul e leste da Europa. Para tornar possível aos eslavos a</p><p>leitura da Bíblia, dois missionários bizantinos, Cirilo e Metódio, inventaram um alfabeto para escrever em língua</p><p>eslava.</p><p>Os artistas bizantinos foram influenciados pela arte clàssica greco-romana e a do Oriente Médio. Sua arte</p><p>combinava cores vivas e desenhos elaborados, que frequentemente traziam temas ou símbolos religiosos. Os artistas</p><p>bizantinos tornaram-se particularmente conhecidos por sua habilidade em fazer mosaicos que eram usados para</p><p>decorar as igrejas</p><p>bizantinas.</p><p>A arquitetura bizantina também era extraordinária. Após um incêndio ter destruído grande parte de Constantinopla</p><p>em 532 d.C., o imperador Justiniano iniciou um grande programa de construção de igrejas e mosteiros no Império. A</p><p>nova catedral da cidade, construída durante um período de cinco anos, foi chamada de Hagia Sofia - a “Igreja da</p><p>Sagrada Sabedoria”. Era a mais magnífica igreja do Mediterrâneo na época. Ao construí-la, os arquitetos bizantinos</p><p>desenvolveram uma forma de usar uma cúpula sobre uma construção retangular. As próximas igrejas ortodoxas</p><p>orientais a serem construídas frequentemente possuíam a mesma cúpula e mosaicos em suas paredes, chãos e</p><p>tetos. A arte e arquitetura bizantina espalharam-se por várias partes do Império, particularmente nas áreas da Europa</p><p>Oriental onde missionários levavam os ensinamentos das Igrejas Ortodoxas Orientais.</p><p>2 - CIVILIZAÇÃO ISLÂMICA</p><p>A Península Arábica se localiza entre o oceano Índico e o mar</p><p>Vermelho e é recoberta por regiões extremamente desérticas e</p><p>áridas, com alguns poucos vales férteis, os oàsis, que</p><p>apresentam fontes de água cercadas por uma vegetação</p><p>exuberante. Desde a Antiguidade, essa região foi ocupada por</p><p>várias tribos de origem semita.</p><p>Partes dela se instalaram nas proximidades dos oàsis, viviam</p><p>de uma pequena agricultura complementada pela criação de</p><p>animais resistentes à rudeza do clima (ovelhas, cabras e</p><p>camelos) e eram seminômades - os beduínos. Outras ocuparam</p><p>as regiões costeiras (especialmente, às margens do mar</p><p>Vermelho), construíram cidades (Meca, Yatreb, Áden, por</p><p>exemplo) que serviam como entrepostos comerciais entre a Àsia</p><p>e a África - os coraixitas.</p><p>Hagia Sofia - a “Igreja da Sagrada Sabedoria”.</p><p>Sem unidade política e em constante estado de guerra, essas tribos, entretanto, apresentavam traços culturais e</p><p>religiosos comuns: falavam o mesmo idioma e praticavam os mesmos rituais religiosos, adorando as forças da natureza</p><p>(animismo) e vários amuletos (fetichismo). Dentre estes, se destacava a - a “Pedra Negra”: provavelmente um</p><p>fragmento de meteorito, protegido por uma tenda negra em forma de cubo, localizado na cidade de Meca, desde então</p><p>principal centro religioso e comercial da Arábia.</p><p>MAOMÉ E O SURGIMENTO DO ISLAMISMO</p><p>Maomé nasceu na cidade de Meca, muito provavelmente por volta de 570, de uma família da tribo dos coraixitas.</p><p>Ainda criança ficou órfão e passou aos cuidados de um tio mercador; aos 15 anos, entrou para o comércio das</p><p>caravanas, através das quais conheceu as várias tribos que habitavam a Península Arábica. Por volta dos 25 anos,</p><p>casou com uma rica viúva, passando a administrar seus negócios.</p><p>Por esta época, conheceu alguns grupos religiosos judaico-cristãos que viviam em várias regiões da península e</p><p>familiarizou-se com seus cultos monoteístas; retornou à Meca e passou a pregar uma nova religião para os árabes,</p><p>cujos princípios bàsicos sintetizou no Corão, e podem ser assim resumidos:</p><p>✔ Monoteísmo e crença na imortalidade da alma;</p><p>✔ Total submissão (islão) a Deus (Alah), expresso na obrigatoriedade de se fazer cinco orações diárias (sempre virado</p><p>para Meca - cidade sagrada) e no respeito ao jejum do Ramadã;</p><p>✔ Fatalismo (predestinação) e crença no “juízo final”;</p><p>64</p><p>✔ Caridade e salvacionismo (propagação da fé islâmica, se necessário através da</p><p>guerra santa de conversão: a Jihad):</p><p>✔ Visita, pelo menos uma vez na vida, à Caaba - a Pedra Negra, em Meca</p><p>Além desses princípios religiosos fundamentais, a nova crença também aceitava</p><p>a poligamia masculina e a escravidão por guerra, sob justificação religiosa.</p><p>Quando Maomé começou a pregar em Meca, por volta do ano 613, os mercadores</p><p>da cidade, considerados os protetores da Caaba e temerosos de perderem seu poder</p><p>e privilégios, Iniciaram uma perseguição ao profeta e seus seguidores que foram</p><p>obrigados a fugir dessa cidade e se refugiarem na cidade de Yatreb (Medina), em</p><p>622. Este episódio ficou conhecido como “Hégira”, e marca o início do calendário</p><p>islâmico.</p><p>"Qur'an" – manuscrito árabe sobre papel,</p><p>meados do séc. XIX, Irã.</p><p>Entre 628 e 630 deu-se uma guerra civil entre os seguidores de Maomé e seus opositores, culminando com a vitória</p><p>dos primeiros que impuseram a unificação político-religiosa das tribos árabes, simbolizada pela destruição dos ídolos</p><p>da Caaba (exceto a Pedra Negra). Com a morte de Maomé, em</p><p>632, os árabes, sob governo dos “califas” (sucessores do</p><p>Profeta), deram início a uma notável expansão territorial.</p><p>Expansão árabe islâmica</p><p>A Expansão Islâmica pode ser explicada por vários fatores,</p><p>dentre estes, os mais destacáveis são:</p><p>✔ O crescimento demográfico que exigiu a ocupação de terras</p><p>cultiváveis, vez que o território da península era extremamente</p><p>árido;</p><p>✔ A debilidade dos impérios persa (oriente) e bizantino</p><p>(ocidente) por conta de suas contínuas guerras;</p><p>✔ A justificação religiosa expressa na Jihad - a guerra santa de</p><p>combate e conversão ao infiel;</p><p>✔ O apoio dos mercadores árabes que intentavam ampliar seus</p><p>mercados e dominar as várias rotas que ligavam o Mediterrâneo</p><p>ao Extremo Oriente; por fim,</p><p>✔ Os incentivos aos guerreiros através da prática da pilhagem</p><p>como fonte de riqueza.</p><p>Assim, “em menos de dois séculos, os árabes formaram um</p><p>poderoso império, que se estendia da Índia à Península Ibérica”</p><p>(RICARDO et alli, 1998). Esta foi conquistada em 711. Na</p><p>Europa, os árabes foram contidos, em 732 quando foram</p><p>derrotados por Carlos Martel, fundador da dinastia carolíngia, na</p><p>Batalha de Poitiers. Ainda assim, esta expansão consolidou o</p><p>processo de feudalização da Europa Ocidental ao resultar no</p><p>“fechamento do Mediterrâneo” ao comércio europeu, já</p><p>declinante desde a crise do escravismo romano.</p><p>No decorrer da Baixa Idade Média, o Império Islâmico entrou</p><p>em declínio. As razões desse processo de decadência foram:</p><p>✔ A heterogeneidade étnico-cultural de sua população, devido</p><p>a sua extensão territorial;</p><p>✔ Intensos conflitos dinàsticos (disputas pelo poder) e</p><p>religiosos. Os primeiros resultaram na fragmentação territorial</p><p>com o império se dividindo em três califados (Cairo, Bagdá e</p><p>65</p><p>Córdoba), a partir de fins do século VIII. O segundo, em uma cisma religiosa entre sunitas e xiitas que dura até os dias</p><p>atuais;</p><p>✔ As pressões militares, tanto a oriente (turcos e mongóis) como a ocidente (as Cruzadas - expedições militares</p><p>organizadas pela Cristandade, a partir de fins do século XI).</p><p>A CULTURA ISLÂMICA</p><p>Os árabes muito contribuíram para o desenvolvimento cultural do Ocidente Europeu a partir de pólos instalados na</p><p>Península Ibérica, especialmente Córdoba. Essas contribuições se deram principalmente nos campos da Medicina,</p><p>Matemática, Física, Astronomia e Filosofia (neste caso, foram grandes difusores dos filósofos clàssicos, destacando-</p><p>se as obras de Aristóteles), influenciando a renovação cultural da Europa dos séculos XIV a XVI - o chamado</p><p>Renascimento Cultural.</p><p>Nas artes, entretanto, suas influências foram bem menores. A religião islâmica interditava a reprodução de formas</p><p>vivas o que representou um limite ao desenvolvimento das Artes Plàsticas. A Arquitetura voltou-se para a exaltação</p><p>política-religiosa, com construção de mesquitas e palácios. Na Literatura sua mais notável obra foi a catalogação de</p><p>tradições orais de origem persa: “As mil e uma noite”.</p><p>3 - ALTA IDADE MÉDIA: ORIGENS DO FEUDALISMO NA EUROPA OCIDENTAL</p><p>Conforme já foi analisado anteriormente, desde o século III acelera-se a crise do escravismo romano,</p><p>particularmente no Ocidente, apontando para seu colapso final no século V. As migrações germânicas, relativamente</p><p>pacificas, até o século IV, tornam-se cada vez mais violentas, desestruturando as instituições políticas, econômicas,</p><p>sociais e jurídicas do Império. A partir de então, sucederá uma progressiva integração das poucas estruturas do mundo</p><p>romano que sobreviveram</p><p>com os costumes e instituições germânicas. O sistema feudal é, em grande parte,</p><p>decorrência deste processo de integração entre elementos romanos e germânicos, acrescidos de concepções</p><p>teológicas difundidas pela Igreja.</p><p>O período compreendido entre os séculos V e X se caracteriza, na Europa Ocidental, pelo lento processo de</p><p>formação e consolidação do feudalismo. As invasões normandas (vikings), magiares (húngaros) e sarracenas (árabes),</p><p>entre os séculos IX e X, contribuíram para um maior isolamento da sociedade europeia; o comércio mediterrâneo,</p><p>embora não tenham desaparecido de todo, declinou sensivelmente, levando a uma maior ruralização do mundo</p><p>medieval. A fragilidade político-militar dos vários reinos germânicos, que se formaram após a desintegração do Estado</p><p>romano, fez com que as populações ameaçadas buscassem proteção junto aos grandes proprietários de terras,</p><p>fortalecendo os laços de dependência pessoal entre os homens.</p><p>A SOCIEDADE FEUDAL</p><p>Os círculos sociais do período medieval podem ser compreendidos através de algumas características bàsicas. A</p><p>princípio, a sociedade feudal pode ser definida como uma organização rigidamente hierarquizada onde, praticamente,</p><p>não havia a possibilidade de mobilidade social – uma estrutura social estamental. Em meio a essa estrutura</p><p>hierarquizada, travavam-se relações sociais diversificadas: havia as relações servis (que envolviam os senhores</p><p>feudais e seus servos – exploração econômica e opressão social dos senhores feudais sobre os servos), existiam</p><p>relações de solidariedade que se desenvolviam entre os servos (servos de gleba e vilões) e desenvolveram-se as</p><p>chamadas relações feudo-vassálicas que estavam restritas ao grupo dos senhores feudais (nobreza e clero). Assim,</p><p>como se pode concluir, o aspecto essencial que define a sociedade feudal é a sua hierarquização a partir da distribuição</p><p>fundiária e os laços de obrigação mútua que esta distribuição acarreta. Como ressalta um importante estudioso do</p><p>feudalismo “Pode considerar-se o feudalismo como uma sociedade cujos caracteres dominantes são: um</p><p>desenvolvimento, levado até muito longe, dos laços de dependência de homem para homem; uma classe de guerreiros</p><p>especializados a ocuparem os escalões superiores dessa hierarquia; um parcelamento máximo do direito de</p><p>propriedade; uma hierarquia dos direitos sobre a terra proveniente desse parcelamento e correspondendo a hierarquias</p><p>dos laços de dependência pessoal a que se acaba de fazer referência; um parcelamento do poder público, criando em</p><p>cada região uma hierarquia de instancias autônomas, que exercem, no seu próprio interesse, poderes normalmente</p><p>atribuídos ao Estado e, em épocas anteriores, quase sempre de efetiva competência deste”.(GANSHOF, F. L., Que é</p><p>feudalismo?, coleção saber, publicações Europa-América, pp. 11 – 12).</p><p>É nesse contexto histórico que a sociedade feudal, definida por uma série de obrigações que recaíam sobre os</p><p>grupos sociais que a integravam, se desenvolve. A base de todo sistema eram as relações servis de produção, o que</p><p>implicava na subordinação jurídica da população rural aos senhores proprietários de terras, o que pode ser considerado</p><p>como legado do sistema de colonato, instituído durante a época da crise do escravismo romano. Considere-se, ainda,</p><p>66</p><p>que a existência de uma grande quantidade de mão-de-obra dependente decorria, em grande parte, das técnicas</p><p>agrícolas rudimentares herdadas da agricultura escravista romana. Assim, como a produtividade era muita pequena, a</p><p>única forma de aumentá-la era pela chamada “via horizontal”, ou seja, pela ampliação das áreas destinadas ao cultivo.</p><p>O professor Cyro Rezende, em relação a esta questão, observa: “Herdeiros dos latifundiários romanos trabalhados com</p><p>mão-de-obra escrava (as” villae”), independente de seu tamanho, o que caracterizava essencialmente os domínios era</p><p>sua divisão em duas partes. Uma, explorada diretamente pelos proprietários, denominada reserva senhorial,</p><p>compunha-se de várias construções (castelo fortificado, oficinas, celeiros, estábulos, moinhos), de pastagens, bosques</p><p>e uma área de terras cultiváveis, que representava até 50% do total disponível no domínio. A outra, chamada de área</p><p>dos mansos (área das glebas, reserva servil), dividia-se em pequenas parcelas exploradas pelos camponeses. O</p><p>manso ou gleba pode ser definido como uma unidade de exploração familiar, ou seja, uma parcela de terra suficiente</p><p>para garantir a sobrevivência de uma família camponesa. Bastante variável em extensão, o manso possuía, em média,</p><p>15 hectares, e continha, além de terras aráveis, uma casa e uma horta. O camponês adstrito ao manso completava sua</p><p>parca dieta com o usufruto das pastagens e dos bosques da reserva senhorial (alguns autores denominam, por razoes</p><p>didáticas, essas áreas como manso ou reserva comunal) (...).</p><p>Os camponeses deviam ao proprietário do domínio, em troca do usufruto hereditário do manso, dois tipos de</p><p>obrigações: parcelas da produção de seu manso e pagamentos in natura, prestação de serviços gratuitos na reserva</p><p>senhorial.</p><p>Essa dupla extração de excedente econômico, a que o camponês dependente estava sujeito parece ter sido muito</p><p>mais pesada na obrigatoriedade do trabalho não-remunerado que nos pagamentos em produtos. As fontes disponíveis</p><p>falam em alguns ovos, aves, porcos, lã, centeio e, muito raramente, dinheiro. O que equivale a dizer que a função</p><p>primordial do manso era garantir a sobrevivência do camponês, habilitando-o ao cumprimento da tarefa na qual ele se</p><p>tornara absolutamente indispensável, dada a exiguidade de mão-de-obra da época: o cultivo compulsório das áreas</p><p>agricultáveis, concentradas na reserva senhorial. Em outras palavras, o trabalhador rural conseguia a reprodução de</p><p>sua força de trabalho sem ônus para o proprietário da terra – e ainda lhe pagava por isso, capacitando-se para</p><p>desempenhar um trabalho do qual não colhia resultado algum: a totalidade da produção conseguida na reserva</p><p>senhorial era entregue ao proprietário da terra.”. (REZENDE FILHO, Cyro de Barros. História Econômica Geral. São Paulo: Contexto,</p><p>1991, p. 48-49).</p><p>De uma maneira geral, os camponeses trabalhavam, em média, três dias por semana nas reservas senhoriais,</p><p>perfazendo um total de 156 dias de trabalho compulsório e não remunerado por ano. Conforme a análise de Cyro</p><p>Rezende, é aí que se encontra o cerne do sistema. Quanto à outra forma de extração de excedente econômico a que</p><p>o camponês estava sujeito, o documento a seguir nos fornece uma interessante visão do grau de exploração de que</p><p>se revestia o cotidiano do camponês medieval: “Em São João (24 de junho), os camponeses de Verson, na Normandia</p><p>(França), devem ceifar os prados do senhor e levar os frutos ao castelo. Depois, devem cuidar dos fossos. Em agosto,</p><p>colheita de trigo, que devem levar à granja. Eles próprios não podem recolher os seus feixes senão depois que o senhor</p><p>tirou antecipadamente sua parte. Em setembro, devem a porcagem: um porco em oito e dos mais bonitos. Em São</p><p>Diniz (9 de outubro), pagam o censo (quantia fixa em dinheiro que o camponês devia ao senhor), depois o direito de</p><p>fechar seu campo. No começo do inverno a corvéia sobre a terra senhorial, para prepará-la, semear e passar a grade.</p><p>Em Santo André (30 de novembro), se paga uma espécie de bolo. Pelo Natal, galinhas boas e finas. Depois, uma certa</p><p>quantidade de cevada e trigo. No Domingo de Ramos, deve ele a carneiragem – um certo número de carneiros – e uma</p><p>nova corvéia de trabalho (trabalho não remunerado). Depois deve ir para a forja, ferrar os cavalos; ao bosque, cortar</p><p>árvores para o senhor e fazer a corvéia de carreto. Ainda mais: o moleiro do castelo, para moer o grão do camponês,</p><p>cobra o alqueire de grão e uma certa quantidade de farinha; no forno, é preciso pagar também, e o forneiro jura que,</p><p>se não tiver o seu pagamento, o pão do camponês ficará mal cozido e mal virado.” (Direitos</p><p>Senhoriais em Verson apud ISAAC,</p><p>J. & ALBA, A. História Universal – Idade Média. São Paulo: Mestre Jou, 1967, p. 33-34.)</p><p>Disso resultou a estrutura social bàsica do mundo feudal na qual privilégios e obrigações se completavam – a</p><p>existência de uma rígida divisão social: senhores feudais (membros do clero e da nobreza) num pólo, e dependentes</p><p>(servos e vilões) no outro. Os homens da época tiveram uma visão bastante nítida dessa ordenação e, pelos menos</p><p>aqueles que detinham o monopólio do “saber erudito”, geralmente clérigos, produziram inúmeros textos que enaltecem</p><p>ordem social que deveria ser representada como “natural” e fruto da vontade divina. Nessa sociedade a posse ou</p><p>propriedade da terra garantia poder, influência e autoridade, os senhores (leigos ou eclesiàsticos) proprietários</p><p>ocupavam o topo da hierarquia social. Na verdade, o acesso à posse ou propriedade da terra, expressão maior da</p><p>riqueza da época, estava restrito à aristocracia dominante. Como se tratava de uma sociedade na qual os grupos sociais</p><p>mantinham-se rigidamente estanques. Os dependentes estavam presos a terra, e sequer podiam abandoná-la sem a</p><p>67</p><p>permissão do senhor. Diferentemente dos escravos de Roma, no entanto, não vistos como mercadorias, posto que não</p><p>podiam ser vendidos, podiam constituir família e eram proprietários de seus instrumentos de trabalho.</p><p>Uma outra realidade da sociedade feudal europeia se constituía nas relações feudo-vassálicas ou relações de</p><p>suserania e vassalagem. A ausência de um genuíno governo central na Europa resultou na criação de uma nova forma</p><p>de poder político, descentralizada. No sistema feudal, senhores locais, proprietários de grandes terras, eram os donos</p><p>do poder. Estes nobres, na tentativa de ganhar mais poder, firmavam alianças com outros nobres menos poderosos:</p><p>em troca de assistência militar e prestação de outros serviços, um nobre</p><p>cedia terras a um nobre menos poderoso. O nobre que fornecia a terra</p><p>era chamado de suserano; aquele que recebia a terra era chamado de</p><p>vassalo. Essa relação era oficializada em uma cerimônia na qual o</p><p>vassalo prometia lealdade ao suserano</p><p>Em troca do uso das terras e por segurança, o vassalo concordava</p><p>em cumprir com certas obrigações para com o seu suserano. Sua</p><p>principal obrigação era ajudar o suserano durante batalhas, prestando serviço militar por 40 dias ao ano. O vassalo</p><p>também se comprometia financeiramente com o suserano; se o suserano fosse preso por um inimigo, o vassalo se</p><p>obrigava a pagar o resgate. Quando uma filha de um suserano se casava, o vassalo contribuía financeiramente. Além</p><p>disso, o vassalo era obrigado a participar de um tribunal de lei, onde disputas entre vassalos ou entre vassalos e</p><p>suseranos eram resolvidas.</p><p>O relacionamento entre o suserano e o vassalo era complexo. Um senhor feudal poderia ter vassalos e ao mesmo</p><p>tempo ser vassalo de outros senhores feudais. Se houvesse uma disputa entre esses senhores feudais, o vassalo teria</p><p>que escolher a quem apoiar. Poderia ocorrer também que um vassalo cedesse terra a um outro nobre, tornando-se</p><p>assim um suserano daquele. Segundo BURNS, “(...) por meio de um complicado e sutil processo de racionalização,</p><p>elaborou-se no decorrer dos séculos X e XI uma vaga teoria que procurava impor alguma ordem dentro do feudalismo.</p><p>Segundo essa teoria, os pequenos senhores feudais não detinham seus poderes de uma vez para sempre, mas só os</p><p>exerciam a título de feudos, os quais poderiam ser revogados no caso de não serem cumpridas certas obrigações. Na</p><p>teoria – e grande parte dessa teoria era ignorada, na pratica, durante longos períodos – o Rei ou os senhores mais</p><p>poderosos concediam feudos, isto é, direitos de governo sobre várias terras, a senhores menores e em troca de um</p><p>montante estipulado de serviço militar. Por sua vez, esses senhores menores poderiam conceder alguns feudos a</p><p>senhores ainda menores, em troca de serviços militares, até a cadeia deter-se ao nível mais baixo, o dos cavaleiros. O</p><p>detentor de um feudo era dito vassalo daquele que o concedia, mas essa expressão não tinha nenhumas das</p><p>conotações pejorativas que adquiriu hoje. A vassalagem – em tudo diferente da servidão – era uma condição puramente</p><p>honrosa, e todos os detentores de feudos eram nobres”. (BURNS, OP. CIT. P. 258)</p><p>UMA SOCIEDADE BELICOSA</p><p>A era dos senhores foi uma época marcada por guerras o que obrigava um senhor feudal a ser um guerreiro</p><p>habilidoso. Os nobres protegiam seus territórios por meios bélicos. Um jovem nobre era treinado para se tornar um</p><p>cavaleiro. Ele aprendia a usar uma armadura, montar a cavalo e lutar com espada e lança. Se o jovem provasse sua</p><p>coragem, ele era nomeado cavaleiro numa cerimônia bastante apreciada pela nobreza.</p><p>Os cavaleiros buscavam glória – o respeito de outros nobres e a admiração de mulheres. Eles freqüentemente</p><p>participavam de torneios com o intuito de ganhar prêmios e honra. Os torneios traziam entretenimento à platéia e</p><p>serviam como desafios e treinamentos de guerra em tempos</p><p>de paz.</p><p>Por volta do século XII, a nobreza feudal seguia um código</p><p>de lealdade chamado fidalguia (ideal cavalheiresco): um</p><p>verdadeiro cavaleiro deveria lutar bravamente, ser leal ao seu</p><p>senhor, tratar outros cavaleiros com respeito e cortesia, e</p><p>proteger sua mulher e filhos e os mais fracos também. Um</p><p>cavaleiro deveria ser um bom cristão, honrar a Igreja e defendê-</p><p>la de todos os seus inimigos.</p><p>A Igreja reconhecia que a luta entre os senhores resultava em desordem e tentava limitar este problema proibindo</p><p>lutas durante certos dias da semana e certas épocas do ano. Estas restrições, chamadas genericamente de trégua de</p><p>Deus, porém, nem sempre eram respeitadas.</p><p>68</p><p>Vivendo em épocas de muitas guerras, os senhores feudais</p><p>construíam casas que eram fortificadas para resistir a ataques. Os</p><p>castelos construídos nos anos 900 eram feitos de madeira. Dois</p><p>séculos depois, os castelos eram feitos de pedra e cercados por</p><p>muralhas e torres de guardas.</p><p>O castelo do senhor feudal costumava se localizar no alto de um</p><p>morro rochoso ou às curvas de um rio. O castelo era isolado de outros</p><p>prédios e árvores e arbustos eram derrubados para que os guardas pudessem avistar inimigos que se aproximassem.</p><p>Em volta do castelo havia um fosso: caso um inimigo se aproximasse, a ponte levadiça era erguida e os cavaleiros se</p><p>deslocavam para os pontos altos do castelo.</p><p>O castelo também servia de lar para o senhor feudal. Lá viviam todos os membros de sua família, cavaleiros e</p><p>serviçais. O castelo continha quartos, uma cozinha, depósitos e uma capela onde o senhor feudal e sua família</p><p>rezavam. O aposento mais importante do castelo era o grande salão, onde o casal fazia suas refeições, se relacionava</p><p>com seus servos e recebia convidados. Após o jantar - geralmente um banquete - a família e seus convidados eram</p><p>entretidos por artistas viajantes.</p><p>Durante a Idade Média, a mulher era considerada subordinada ao homem. A filha de um nobre normalmente se</p><p>casava aos 14 anos de idade, muitas vezes com um homem muito mais velho do que ela. Era o pai da noiva que</p><p>realizava a cerimônia.</p><p>A senhora do castelo supervisionava os afazeres domésticos, a preparação da comida e dos remédios. Quando seu</p><p>marido estava ausente, ela ordenava os servos e tomava decisões financeiras. Se seu marido fosse capturado por</p><p>inimigos, ela providenciaria o resgate ou lideraria uma batalha para resgatá-lo. Em algumas regiões da Europa,</p><p>mulheres herdavam terras, adquirindo poder.</p><p>A ECONOMIA FEUDAL</p><p>Do ponto de vista econômico, o</p><p>sistema feudal se caracterizava pela</p><p>tendência à autossuficiência e por ser</p><p>baseado nas atividades agropastoris: a</p><p>terra era a principal fonte de riqueza e a</p><p>produção, essencialmente, agrícola. A</p><p>produtividade era muito baixa e a</p><p>apropriação de excedentes pelos</p><p>senhores (através de impostos) era de tal</p><p>ordem que o campesinato ficava</p><p>com</p><p>apenas 1/6 do total da produção. Não foi</p><p>comum, pois, o interesse por parte dos camponeses em aumentar a produção, já que, fatalmente, novos tributos e</p><p>novas formas de expropriação seriam impostos pelos senhores. Para estes, a parte da produção a ser retida pelo</p><p>camponês deveria corresponder ao mínimo à sua sobrevivência e de sua família.</p><p>No modo de produção feudal, uma consideração especial deve ser feita ainda em relação ao seu baixo nível de</p><p>produtividade. Embora as técnicas de produção apresentassem algum progresso em relação à do modo de produção</p><p>escravista, o nível das forças produtivas era rudimentar, quer no processo de trabalho agrícola quer no processo de</p><p>trabalho artesanal. Além do mais, o sistema de trabalho comunitário não estimulava a renovação das técnicas, pois</p><p>qualquer inovação dependia da aprovação da comunidade aldeã; por conseguinte, prevaleceu à tendência à</p><p>estagnação técnica.</p><p>Uma observação a fazer diz respeito à produção que era fundamentalmente para consumo: destinava-se a satisfazer</p><p>as necessidades de consumo da família do camponês (produtor direto) e dos demais habitantes do feudo, e não as de</p><p>um mercado mais amplo. Embora proprietários de seus instrumentos de trabalho (arado, foice, ancinho etc.), o</p><p>camponês não era livre, estando sujeito a toda uma série de obrigações servis, já vistas anteriormente, assegurando a</p><p>renda do solo que garantia o sustento do senhor feudal.</p><p>A produção manufatureira também era praticada nos domínios feudais, aproveitando as matérias-primas de origem</p><p>rural, que eram transformadas por artesãos, muitos dos quais camponeses dependentes. Assim, o domínio feudal</p><p>tornava-se autossuficiente em vários produtos, tais como vinhos, cerveja, óleo, derivados de leite, utensílios de madeira,</p><p>metal e couro, armas, tecidos, etc. No entanto, é importante ressaltar que, em função das limitações técnicas, não se</p><p>pode afirmar que a economia feudal era totalmente autossuficiente. Inúmeros estudiosos admitem que sempre houve</p><p>69</p><p>uma significativa circulação comercial, suprindo os senhorios de produtos vindos de outras regiões, indispensáveis no</p><p>cotidiano da população. Mercadores sírios e judeus, mesmo que periodicamente, visitavam os domínios e eram</p><p>responsáveis pela comercialização de mercadorias de luxo (seda, papiro, marfim, especiarias, etc.) consumidos,</p><p>evidentemente, por uma parcela reduzida da população (os nobres).</p><p>Resumidamente poderíamos, em algumas palavras, sintetizarmos as características bàsicas da economia feudal:</p><p>Agrária, Rural, tendente a autossuficiência, de baixa circulação comercial e monetária e com baixíssimo índice de</p><p>produtividade.</p><p>A ESTRUTURA POLÍTICA FEUDAL</p><p>Outra característica do sistema feudal foi à</p><p>fragmentação do poder político. Conforme se</p><p>observou, o feudalismo encontra suas origens em</p><p>meio à decadência da autoridade do poder central, da</p><p>precariedade do Estado, de toda uma série de</p><p>invasões que ampliaram o quadro de insegurança</p><p>geral, de declínio do comércio e da vida urbana.</p><p>Acrescente-se, ainda, que o colapso das rendas</p><p>públicas se acentuou com a decadência do Império</p><p>Romano do Ocidente, tornando o poder central ainda</p><p>mais ineficiente. Diante desta ineficiência, afirmam-se</p><p>as relações de dependência pessoal, seja entre</p><p>senhores (Relações feudo-vassálicas), seja entre</p><p>senhores e servos (as relações servis de produção e</p><p>dominação). No quadro de desintegração do império</p><p>romano e, posteriormente, no contexto da</p><p>fragmentação do império carolíngio a busca de</p><p>proteção (na maioria das vezes ilusória) junto aos</p><p>grandes proprietários foi o elemento que sedimentou</p><p>uma estrutura política descentralizada. O feudo se</p><p>transformou na unidade fundamental de produção,</p><p>modo de vida e de poder soberano e era governado</p><p>pelos senhores feudais (clérigos ou leigos). As</p><p>relações de suserania e vassalagem garantiram aos</p><p>senhores (suseranos) aumentar continuamente sua</p><p>força militar, através do apoio armado que recebia de seus vassalos. Essas relações foram eficazes, em alguns casos,</p><p>para conter a agressividade das invasões estrangeiras e foi, ao longo da Alta Idade Média, que esse quadro político se</p><p>consolidou, afirmando-se o poder local, monopolizado pelo senhor feudal. O poder real transformou-se em poder</p><p>simbólico. Como bem notou Georges Duby, “o feudalismo é nada mais, nada menos, que o fracionamento da autoridade</p><p>em múltiplas células autônomas. Em cada uma destas, um senhor detém a título privado o poder de comandar e punir</p><p>e explora tal força como parte de seu patrimônio hereditário.” (ARIES, P., DUBY, G. & VEINE, P. (org.). História da vida</p><p>privada: do Império Romano ao Ano Mil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, v. I, p. 414.).</p><p>No sistema político feudal, a Igreja católica foi a instituição mais poderosa. As origens do poder temporal da igreja</p><p>remontam ao baixo império romano, quando esta instituição foi forjada como um poderoso aliado do próprio Estado</p><p>romano ocidental no sentido de conter a crise que o dilacerava. Na época das invasões germânicas, a igreja, mesmo</p><p>não conseguindo contê-las, conseguiu sobreviver como fonte de autoridade em meio a desordem que as guerras</p><p>provocavam. Assim, recebendo doações de terras em toda a Europa ocidental, monopolizando a preservação,</p><p>reprodução e elaboração do saber formal, eliminando adversários e difundindo uma visão teológica do mundo, a igreja</p><p>católica preservou e ampliou o seu poder na alta idade média.</p><p>Embora toda a estrutura de poder que a igreja representou seja analisada no próximo tema, cabem aqui duas</p><p>importantes considerações:</p><p>✔ A igreja católica teve como sustentáculo principal de seu poder medieval uma enorme propriedade de terras. Foi a</p><p>maior senhora feudal da Europa ocidental e, como tal, exerceu influência sobre a vida política de todos os seus países.</p><p>70</p><p>✔ Enquanto senhora feudal, a igreja foi beneficiaria e reprodutora da estrutura de opressão político-social e exploração</p><p>econômica que o feudalismo impunha a maior parcela da população, cumprindo o papel ideológico de justificar as</p><p>relações mantidas pelos círculos sociais feudais como criadas e desejadas por Deus. No próximo tema analisaremos</p><p>a estrutura da igreja, o exercício de seu poder temporal e o discurso através do qual ela cumpria seu papel ideológico.</p><p>O APOGEU DO FEUDALISMO</p><p>Com o declínio do Império Carolíngio, após a “partilha de Verdun”, a Europa assistiu uma nova onda de invasões</p><p>bárbaras: vikings a norte; magiares a leste; e sarracenos a sul. Este processo possibilitou a consolidação do feudalismo</p><p>entre os séculos IX e XI e seu posterior apogeu entre os séculos XI e XIII.</p><p>Nesta época, a sociedade feudal europeia assistiu a um sensível progresso técnico resultado dos contatos com as</p><p>populações mouras que ocupavam a Península Ibérica desde o século VIII: o rodízio trienal dos campos, a utilização</p><p>em larga escala da charrua (arado de ferro), o moinho hidráulico, foram algumas das inovações desse período.</p><p>Além disso, os anos que se sucederam às últimas invasões bárbaras foram marcados por uma relativa paz, que,</p><p>somada às inovações tecnológicas mencionadas, possibilitaram um notável crescimento demográfico e um amplo</p><p>processo de arroteamento, isto é, a ocupação e o cultivo de áreas até então incultiváveis: florestas foram devastadas;</p><p>pântanos, soterrados.</p><p>Apesar da ocupação de novas áreas, o aumento populacional forçou um progressivo êxodo rural, posto que nem</p><p>todos conseguissem inserção na economia feudal. Estes deserdados, gradativamente, abandonavam os feudos e se</p><p>instalavam nas pequenas vilas e burgos (fortalezas medievais) em torno de castelos, mosteiros e/ou igrejas dando</p><p>início à revitalização das cidades e de uma “nova “economia urbana.</p><p>O comércio, antes localizado e praticado em pequenas feiras</p><p>irregulares, se amplia e se regionaliza; o artesanato lhe acompanha,</p><p>seja para atender seu crescimento, seja</p><p>muito habitualmente a um processo parcial</p><p>e limitado de lembrar fatos passados, ou aquilo que um indivíduo representa como passado. Considera-se ainda – e</p><p>sempre é bom frisar que logo estaremos submetendo estas significações de Memória a uma crítica e a uma</p><p>problematização – que de um ponto de vista biológico a memória humana, seja a “memória recente” ou a chamada</p><p>“memória permanente” que se localiza no hipocampo, corresponderia a um processo que não permite precisão, uma</p><p>vez que envolve esquecimentos, distorções, reconstruções, omissões, parcialidades, hesitações. Há ainda uma</p><p>significação vulgar que remete à Memória a uma categoria estática relacionada à imagem de depósito de dados. A</p><p>Memória surge então como mera atualização mecânica de vestígios.</p><p>Vejamos esses elementos, por partes, de modo a problematizá-los. A Memória, um tanto ambiguamente, seria ao</p><p>mesmo tempo estática e imprecisa, parcial e distorcida, passiva e não-criadora. Significações vulgares como essas,</p><p>normalmente aplicadas à Memória Individual, cedo contaminaram a ideia de Memória Coletiva. Também essa teria</p><p>parecido a alguns dos profissionais que lidam com os registros humanos como uma expressão que deveria ser oposta</p><p>à noção de História (no sentido de Historiografia). De fato, se a Memória Coletiva era encarada como um “depósito de</p><p>informações”, de dados, de lembranças passivas, não problematizadas, era até certo modo natural que, diante de uma</p><p>significação como essa, a noção de Memória fosse contraposta assimetricamente à ideia de História, esta entendida</p><p>8</p><p>como um campo de conhecimento necessariamente problematizador. A Memória era o “lado pobre”, por assim dizer, e</p><p>quando muito poderia ser utilizada pela Historiografia como um canteiro de fontes historiográficas.</p><p>A questão, em termos não muito diferenciados desses, era já levantada por José Honório Rodrigues no seu livro</p><p>“Filosofia e História”, republicado em 1981. Afonso Carlos Marques dos Santos, em um artigo publicado na revista</p><p>Tempo Brasileiro de 1986, retoma criticamente a seguinte passagem de José Honório Rodrigues:</p><p>[...] a memória é depósito de dados, naturalmente estática, pois configura um princípio de conservação, uma simples</p><p>reprodução dos sucessos anteriores existentes na vida animal superior; a Tradição é o respeito à continuidade dos</p><p>hábitos, costumes e ideias, é também estática e contém contra si muitos aspectos negativos, ao lado de alguns</p><p>positivos; só a história é a análise crítica, dinâmica, dialética, julgadora do processo de mudanças e desenvolvimento</p><p>da sociedade (RODRIGUES, 1981, p. 48).</p><p>Uma tal concepção de Memória, como o depósito de dados ou a atualização dos vestígios, por vezes imprecisos, já</p><p>não mais resiste nos dias de hoje à operacionalização no seio das ciências humanas. Isso por vários motivos. Nem</p><p>mencionaremos já o fato de que há mesmo um campo de estudos, disciplinarmente aceito, e que se intitula “Memória</p><p>Social”, um campo que deve suas reflexões pioneiras ao ensaio Memórias Coletivas publicado por Maurice Halbwachs</p><p>em 1950, mas que só se institucionalizou academicamente nas últimas décadas. À parte disso, vamos nos concentrar</p><p>nos aspectos pertinentes aos processos de Memória que desautorizam a depreciação do âmbito da Memória como um</p><p>universo estático, passivo, e ao mesmo tempo impreciso, pouco útil para a História, a não ser como fontes a serem</p><p>tratadas com extremo cuidado.</p><p>Os fatores ideológicos e afetivos têm um peso decisivo nas memórias coletivas e são fonte de muitos preconceitos,</p><p>estereótipos e interpretações unilaterais dos factos históricos. O olhar centra-se, naturalmente, em nós e subalterniza</p><p>os outros. O passado é visto em função do presente e das expectativas em relação ao futuro. Os anacronismos são</p><p>comuns e o tempo aparece como uma categoria vaga, imprecisa, fluída, como um eterno presente. As noções fatalistas</p><p>sobre o destino e a tendência para recordar somente o que conforta e suscita uma identificação positiva dominam as</p><p>representações vulgares da história. As memórias coletivas são construídas de muitos esquecimentos.</p><p>Competiria, por isso, ao ensino da História contribuir para forjar uma memória fundada na razão, informada, crítica e</p><p>plural. Uma memória histórica que tenha quadros de referência suficientes para pensar sobre o mundo e a sociedade,</p><p>para continuar a informar-se e a ter interesse pela história. A memória não é um armazém de conhecimentos. É uma</p><p>faculdade dinâmica, construtiva e plástica, que requer treino e que é capaz de se adaptar. Coisas que memorizamos</p><p>em certas etapas da vida só mais tarde são utilizadas e acabam por fazer pleno sentido. Muitas outras são</p><p>esquecidas, mas quando o gosto foi despertado algo pode ser ainda recuperado. A memória histórica que seria</p><p>desejável construir não é um mero repositório de datas e nomes, mas um conjunto de conhecimentos,</p><p>representações e imagens que formem um saber com sentido e com instrumentos operatórios para poder refletir. No</p><p>século XXI, a consciência e a memória histórica têm de ser humanistas e partir das realidades próximas, locais,</p><p>nacionais e internacionais, com as quais nos identificamos, para a compreensão da diversidade humana e das</p><p>diferenças culturais.</p><p>QUESTÕES DE MEMÓRIA HISTÓRICA:</p><p>1. Diferentes civilizações elaboraram ao longo da</p><p>História formas distintas de organizar o Tempo. Esse</p><p>processo de elaboração de tempos cronológicos é</p><p>acompanhado da formação cultural e histórica de cada</p><p>uma dessas civilizações, envolvendo também os jogos</p><p>da Memória. No mundo ocidental, o nosso tempo</p><p>cronológico é demarcado</p><p>a) pela Hégira, fuga do profeta Maomé de Meca para</p><p>Medina, evento fundador do calendário Islâmico.</p><p>b) pela data de fundação de Roma, futura capital do</p><p>Império onde pregaram os apóstolos, como Pedro.</p><p>c) pela instituição do Império Romano no Ocidente,</p><p>marco da ruptura com o Império Romano do Oriente.</p><p>d) pela forte presença do Cristianismo, sendo o</p><p>nascimento de Jesus o marco de nosso calendário, o</p><p>ano 1.</p><p>2. O conceito de cultura histórica tem sido mobilizado</p><p>por historiadores e pesquisadores do ensino de História</p><p>para investigar as maneiras pelas quais certas</p><p>sociedades relacionam-se com o passado.</p><p>De acordo com Lima (in Magalhães [et al.], 2014), é</p><p>correto afirmar que o uso desse conceito pelo professor</p><p>de história</p><p>9</p><p>a) favorece a transposição didática da produção</p><p>historiográfica mais complexa.</p><p>b) exige uma reflexão sobre o aprendizado dos mais</p><p>diversos usos sociais do passado.</p><p>c) configura-se pela abordagem das dimensões</p><p>temporais de forma hermética entre o passado e o</p><p>futuro.</p><p>d) caracteriza-se como a única narrativa válida para</p><p>abordar como as sociedades lidam com o tempo.</p><p>3. Guardar</p><p>Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.</p><p>Em cofre não se guarda coisa alguma.</p><p>Em cofre perde-se a coisa à vista.</p><p>Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por</p><p>admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.</p><p>Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por</p><p>ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,</p><p>isto é, estar por ela ou ser por ela.</p><p>Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro</p><p>Do que um pássaro sem voos.</p><p>Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se</p><p>publica,</p><p>por isso se declara e declama um poema:</p><p>Para guardá-lo:</p><p>Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:</p><p>Guarde o que quer que guarda um poema:</p><p>Por isso o lance do poema:</p><p>Por guardar-se o que se quer guardar.</p><p>MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem</p><p>melhores poemas brasileiros do século. Rio de</p><p>Janeiro: Objetiva, 2001</p><p>A memória é um importante recurso do patrimônio</p><p>cultural de uma nação. Ela está presente nas</p><p>lembranças do passado e no acervo cultural de um</p><p>povo. Ao tratar o fazer poético como uma das maneiras</p><p>de se guardar o que se quer, o texto</p><p>a) ressalta a importância dos estudos históricos para a</p><p>construção da memória social de um povo.</p><p>b) valoriza as lembranças individuais em detrimento das</p><p>para assegurar o</p><p>abastecimento dos moradores das nascentes cidades.</p><p>Até mesmo a nobreza feudal sente os efeitos das</p><p>transformações que ocorreram nesse momento. Com o aumento do</p><p>número de nobres, devido ao crescimento vegetativo, e por conta</p><p>do direito de primogenitura, as disputas por terras se generalizam</p><p>e, já na segunda metade do século XI, guerras entre senhores (com</p><p>e/ou sem feudos) eclodem em toda a Europa, apesar dos esforços</p><p>olvidados pela Igreja no sentido de reduzi-las: a chamada “Trégua</p><p>de Deus” – quando o papado impôs pena de excomunhão para</p><p>quem realizasse combates durante a primavera, época reservada à</p><p>colheita.</p><p>4 - O PAPEL DA IGREJA NA SOCIEDADE FEUDAL</p><p>A Igreja teve papel importante na sociedade medieval, não somente no plano da espiritualidade, mas também no</p><p>domínio material. Com a ruralização da economia, que se estendeu por toda a Alta Idade Média, a Igreja, antes</p><p>concentrada nas cidades, foi obrigado a se deslocar para o campo, e os bispos e abades se tornaram verdadeiros</p><p>senhores feudais.</p><p>Nessa época, a Igreja praticamente controlava a produção do saber: o domínio da leitura e da escrita eram privilégios</p><p>quase exclusivos de bispos, padres, abades e monges. Os membros do clero eram, por isso, as pessoas mais aptas</p><p>para ocupar cargos públicos: a Igreja, que antes dependia dos reis, começou a entrar em conflito com a autoridade real</p><p>e com ela competir politicamente.</p><p>No princípio de sua história, a Igreja não possuía uma estrutura hierarquizada e centralizada. No entanto, à medida</p><p>que seu poder aumentou (tanto o político quanto econômico, resultado de doações de terras por parte dos fiéis), fez-</p><p>se necessário uma estruturação.</p><p>Em 325, o Concílio de Nicéia estabeleceu a igualdade entre os patriarcas (os chefes espirituais primitivos da Igreja)</p><p>de Jerusalém, Alexandria, Antioquia e Roma. Entretanto, já por essa época, se atribuía autoridade especial ao patriarca</p><p>de Roma. Essa autoridade começou a ser estendida a toda a cristandade quando o imperador Teodósio oficializou o</p><p>cristianismo como religião do Estado romano, em 391.</p><p>No século V, surgiram os mosteiros, onde viviam os monges, homens dedicados às orações, ao estudo e ao trabalho,</p><p>e privados do conforto da vida material. Esses mosteiros foram, durante séculos, os únicos centros conservadores da</p><p>cultura clàssica: possuíam bibliotecas próprias e os monges copistas eram responsáveis pela preservação de inúmeros</p><p>Feudalismo foi um modo de</p><p>organização social, político e</p><p>cultural baseado no regime de</p><p>servidão, onde o trabalhador rural</p><p>era o servo do grande proprietário</p><p>de terras, o senhor feudal.</p><p>O feudalismo predominou na</p><p>Europa durante toda a Idade</p><p>Média (entre os séculos V e XV)</p><p>71</p><p>textos da antiguidade greco-romana, embora, em geral, eram conservadas apenas as obras que servissem aos</p><p>propósitos da Igreja e que pudessem ser estudadas de acordo com os princípios cristãos.</p><p>Na passagem do século VI para o século VII, o papa Gregório I (590-604) se aproveitou da falência do poder imperial</p><p>e consolidou o poder temporal da Igreja, estabeleceu os direitos e obrigações do clero, iniciou a conversão dos povos</p><p>germânicos (trabalho levado adiante por seus sucessores – no século VIII grande parte da população da Europa se</p><p>encontrava cristianizada) e estimulou a fé através do “canto gregoriano” (música de exaltação religiosa em uníssono).</p><p>“Gregório Magno destacou-se também como estadista, além de teólogo e linguista. Na Itália ele garantiu a</p><p>sobrevivência física do papado em face da ameaça lombarda através de uma hábil diplomacia e de uma administração</p><p>sensata dos territórios católicos. Além disso, voltou a dar ênfase às antigas pretensões de primazia papal,</p><p>principalmente sobre os bispos do ocidente, que corriam perigo de ser esquecidas. Acima de tudo, protegeu a ordem</p><p>dos beneditinos (...). Em troca Gregório utilizava os beneditinos para a execução de projetos especiais. O mais</p><p>importante foi à conversão da Inglaterra anglo-saxônica ao cristianismo. Foi um projeto de longo prazo, que levou cerca</p><p>de um século para ser completado, mas sua grande consequência foi deixar um posto avançado cristão, inteiramente</p><p>leal ao papado e que em breve ajudaria a unificar o papado e o estado franco.”. (BURNS, EDWARD McNALL. OP. CIT.</p><p>P.229).</p><p>A consolidação do poder temporal e da organização interna da Igreja se deu com a formação e o declínio dos reinos</p><p>francos:</p><p>✔ Em 756, quando Pepino, o Breve, da dinastia Merovíngia, constituiu o “Patrimônio de São Pedro”, com as terras</p><p>conquistadas aos lombardos.</p><p>✔ Após a morte de Carlos Magno, da dinastia Carolíngia, em 814, quando a estrutura eclesiàstica do Império Carolíngio</p><p>foi submetida à autoridade papal.</p><p>✔ Quando se consolidou o movimento monàstico: este nascera no século III, através de São Basílio, que formulou as</p><p>regras cenobitas, determinando que os monges deveriam habitar os mosteiros e praticar os votos de pobreza,</p><p>castidade, caridade e obediência, dando origem ao chamado “clero regular”. Em 529, São Bento fundou a primeira</p><p>ordem monàstica – a Ordem Beneditina, dando-lhe regras próprias, além das anteriores: os monges deviam viver em</p><p>comunidades, dedicarem-se à oração e ao trabalho manual (artesanal ou agrícola) e intelectual (filosófico ou educativo),</p><p>assim como elegerem os abades (chefes espirituais e políticos dos mosteiros). Baseadas nos beneditinos, outras</p><p>ordens surgiram ao longo da Idade Média.</p><p>A PRIMEIRA GRANDE CRISE MORAL CATÓLICA</p><p>A fragmentação do Império Carolíngeo, oficializada pelo tratado de Verdum (843), levou a um período de</p><p>enfraquecimento do poder papal sobre a Igreja, pois grande parte da autoridade do Bispo de Roma fundamentava-se</p><p>em sua aliança com o Império expandido e consolidado no reinado de Carlos Magno. Desta forma, gradativamente,</p><p>Bispos e Abades fundiram seus interesses pessoais aos de poderosos senhores de terras, quando não passaram</p><p>diretamente a serem nomeados pelos mesmos. O poder católico, antes centralizado no Papa, enfraqueceu-se dando</p><p>lugar a problemas de natureza não somente políticas, mas, sobretudo, moral: “[...] a derrocada do império carolíngio, a</p><p>descentralização religiosa e consequente corrupção passaram a prevalecer na maior parte da Europa. A maioria das</p><p>Igrejas e mosteiros tornou-se propriedade `privada´ dos poderosos senhores locais, que dispunham de cargos</p><p>eclesiàsticos sobre o seu controle como bem desejavam, muitas vezes vendendo-os ou entregando-os a parentes</p><p>próximos. (...) Quanto aos Papas eram em geral incompetentes ou corruptos, filhos ou apaniguados de famílias</p><p>poderosas de Roma ou arredores. Alguns levavam uma vida espantosamente depravada. João XII, talvez, tenha sido</p><p>o pior deles. Foi eleito papa aos dezoito anos de idade, em 955, devido a influência de sua família no Sacro império.</p><p>Sabe-se, com certeza, que viveu em meio a uma completa libertinagem não se conhecendo, ao certo, a causa de sua</p><p>morte. Ou foi apanhado em flagrante por um marido ciumento e assassinado sumariamente, ou morreu em meio a um</p><p>ato sexual, de pura exaustão.” (Adaptado de BURNS, OP.CIT., P. 272).</p><p>A ação da igreja sobre a sociedade</p><p>A igreja constituiu-se na instituição mais poderosa da sociedade medieval sobre a qual exerceu influência marcante,</p><p>tendo o papa se tornado o dirigente supremo da cristandade ocidental.</p><p>Na economia, a ação da igreja se fez sentir de maneiras diversas, não só por suas concepções comunitárias,</p><p>mas também por dispor de rico patrimônio representado pelos feudos eclesiàsticos. A igreja formulou, igualmente,</p><p>diversos princípios de natureza econômica que deviam atender as necessidades da comunidade e não ao proveito</p><p>individual: condenou a usura e a especulação impondo o justo preço e, com ele, exercendo controle sobre as atividades</p><p>comercial e manufatureira.</p><p>72</p><p>No setor educacional,</p><p>a igreja controlou o ensino durante a maior parte da idade média, seja fixando diretrizes</p><p>pedagógicas, seja fundando escolas e preparando os alunos para seguir a carreira eclesiàstica.</p><p>A ação da igreja não se limitou apenas à economia e educação. Vimos, nos itens anteriores, como a instituição</p><p>consolidou o seu poder sobre os cristãos do ocidente se impondo, nos assuntos religiosos, a influência de senhores</p><p>feudais e monarcas. Além disso, sua jurisdição incidiu sobre outros componentes da sociedade, os quais se</p><p>subordinaram aos preceitos canônicos relativos à família, regulamentação do casamento, dotes, heranças, direitos e</p><p>deveres dos cônjuges e anulação do matrimonio devido a incesto, bigamia, etc. Eram as paróquias que registravam os</p><p>atos de batismo, casamento e falecimento, enquanto os tribunais eclesiàsticos julgavam questões que envolviam</p><p>testamentos, casamentos, etc. Igualmente importante foi sua ação na defesa dos fracos e oprimidos, através da</p><p>moderação da rudeza dos costumes feudais, da concessão do direito de asilo e de ativa assistência social: por sua</p><p>riqueza pode fundar e manter orfanatos, hospitais, leprosários e asilos; por seu poder impôs o asilo de Deus, que</p><p>colocava sobre sua proteção os que estivessem em domínios da Igreja, e a trégua de deus, que limitava as guerras</p><p>medievais.</p><p>Destarte, no campo ideológico, a ação da Igreja católica foi marcante. Como maior beneficiaria da exploração feudal,</p><p>estruturou um discurso que procurava justificar as desigualdades feudais. Através do teocentrismo, procurava</p><p>demonstrar que as desigualdades existentes, penalizadoras, sobretudo, dos servos, eram parte de uma ordem terreno-</p><p>espiritual que reservava a salvação para os oprimidos na vida eterna, o que atendia a uma determinação divina.</p><p>Segundo um religioso medieval: “Deus quis que, entre os homens, uns fossem senhores e outros servos, de tal maneira</p><p>que os senhores estejam obrigados a venerar e amar a Deus, e que os servos estejam obrigados a amar e venerar o</p><p>seu senhor...”. (ANGERS, St. Laud de. In: Freitas, Gustavo de. 900 textos e documentos de história. Lisboa: Plátano,</p><p>1975.). Por outro lado, esse mesmo discurso era completado pela idéia de que aos senhores, para expiar seus pecados,</p><p>restava reforçar “o patrimônio de Deus na terra”, através de doações.</p><p>A concepção teocentrica do mundo era complementada por um discurso que procurava apresentar a sociedade</p><p>feudal como desejada e determinada por Deus, onde</p><p>os interesses coletivos prevaleciam sobre os</p><p>interesses individuais: “(...) o domínio da fé é uno,</p><p>mas há um triplo estatuto na ordem. A lei humana</p><p>impõe duas condições: o nobre e o servo não estão</p><p>submetidos ao mesmo regime. Os guerreiros são</p><p>protetores das igrejas. Eles defendem os poderosos</p><p>e os fracos (...). Os servos, por sua vez, têm outra</p><p>condição. Esta roça de infelizes não tem nada sem</p><p>sofrimento. (...) fornecer a todos alimentos e</p><p>vestuário: eis a função dos servos. Nenhum homem</p><p>livre pode viver sem eles (...) A casa de deus que</p><p>parece una é, portanto, tripla: uns rezam, outros</p><p>combatem e outros trabalham. Todos os três formam</p><p>um conjunto e não se separam: a obra de uns</p><p>permite o trabalho dos outros dois e cada qual por</p><p>sua vez presta seu apoio aos outros”. (JÚNIOR,</p><p>Hilário Franco. O feudalismo. São Paulo: Brasiliense,</p><p>1983, p. 34).</p><p>OS MOVIMENTOS HERÉTICOS</p><p>Apesar de seu poder político, econômico e espiritual, e com a crescente corrupção do clero, a Igreja enfrentou</p><p>inúmeras contestações. Durante toda Idade Média, surgiram uma série de movimentos que se opunham aos seus</p><p>dogmas (verdades de fé): as heresias.</p><p>Dentre estas, podemos destacar dois tipos: as heresias teológicas (que contestavam os princípios filosófico-</p><p>religiosos da Igreja) e as heresias radicais (que se opunham ao poder temporal, a sua riqueza, à idolatria e à própria</p><p>estrutura interna da Igreja). Entre as primeiras, os movimentos mais importantes foram o arianismo (negava a divindade</p><p>de Cristo) e o monofisismo (reconhecia apenas a natureza divina de Cristo).</p><p>Entre as segundas, podemos destacar os valdenses (referência a Pierre Valdes – que negavam a necessidade de</p><p>intermediação sacerdotal entre Deus e os homens e pregava a pobreza do clero), os cátaros (“puros”) ou albigenses</p><p>(referência à cidade de Albi, no sul da França, principal foco de sua atuação – defensores de uma vida pobre e</p><p>73</p><p>comunitarista, inclusive promovendo ações violentas com membros do clero) e os mendicantes, dentre estes os</p><p>franciscanos (seguidores de São Francisco de Assis: praticantes da pobreza e da caridade e valorizadores da</p><p>educação). Estes, com atuação mais marcante na Baixa Idade Média, eram também radicais críticos das desigualdades</p><p>que marcava a sociedade feudal. Posteriormente ao seu surgimento, os franciscanos foram incluídos na estrutura da</p><p>própria Igreja, muito devido a sua grande influência popular, através da ordem dos franciscanos, fato que não eliminou</p><p>a perseguição individual contra muitos de seus membros.</p><p>Para combater esses movimentos e defender seus dogmas, a Igreja usou de vários métodos, inclusive violentos:</p><p>contra os cátaros, por exemplo, foram organizadas expedições militares. No século XIII, o papa Gregório IX criou o</p><p>Tribunal do Santo Ofício – a Santa Inquisição. Os métodos utilizados pela Inquisição ficaram marcados pela extrema</p><p>severidade, incluindo prisões, torturas e morte na fogueira.</p><p>5 - O MOVIMENTO DAS CRUZADAS</p><p>A generalização dos conflitos entre a nobreza feudal a partir da segunda metade do século XI se fez acompanhar</p><p>de crescentes problemas políticos e religiosos e de ameaças militares externas sobre a Europa. Já em princípios do</p><p>século XI, tribos turcas (de origem tártaro-mongol) islamizadas avançaram sobre as regiões do Oriente Próximo e da</p><p>Àsia Menor pressionando as fronteiras do Império Bizantino e, em 1071, invadiram e ocuparam Jerusalém,</p><p>obstacularizando a peregrinação cristã aos “lugares santos” (onde nascera, vivera, pregara e morrera Jesus de Nazaré).</p><p>Um pouco antes, em 1054, devido as crescentes diferenças de doutrinas e de práticas ritualísticas e às intensas</p><p>disputas políticas entre seus líderes, ocorrera a divisão da Igreja Católica em: apostólica romana (sob liderança política</p><p>e espiritual do papa) e ortodoxa grega (comandada politicamente pelo imperador bizantino; e espiritualmente pelo</p><p>patriarca de Constantinopla) – era o denominado Cisma do Oriente.</p><p>Foi nesse ambiente de rápidas transformações socioeconômicas e de grave crise militar e religiosa que, em 1095,</p><p>o papa Urbano II convocou o Concílio de Clermont (França) e, em seu discurso de abertura, conclamou a realização</p><p>das cruzadas: expedições militares contra os infiéis (povos não-cristãos, especialmente árabes e turcos) para a</p><p>reconquista da “Terra Santa” e pela reunificação dos cristãos ocidentais e orientais. No que foi incentivado por nobres</p><p>– que buscavam aventurar conquistas territoriais, riqueza e prestigio militar – e pelos mercadores italianos – que</p><p>objetivam ampliar seus mercados para o oriente, bem como forçar a reabertura comercial do Mediterrâneo que estava</p><p>sob domínio árabe dede o século VIII.</p><p>O trecho do discurso do papa Urbano II, que reproduzimos a seguir, serve para que possamos ter uma ideia do</p><p>clima de tensão social, econômica, política e militar por que passava a Europa naquele momento, assim como da forte</p><p>religiosidade que lhe marcava culturalmente:</p><p>“Deixai os que outrora estavam acostumados a se baterem, impiedosamente, contra os fiéis, em guerras</p><p>particulares, lutarem contra os infiéis (...). Deixai os que até aqui foram ladrões, tornarem-se soldados. Deixai aqueles,</p><p>que outrora se bateram contra seus irmãos e parentes, lutarem agora contra os bárbaros, como devem. Deixai os que</p><p>outrora foram mercenários, a baixos salários, receberem agora a recompensa eterna.</p><p>Uma vez que a terra que vós habitais, fechada de todos os</p><p>lados pelo mar e circundada por picos de montanhas, é</p><p>demasiado pequena à vossa grande população: sua riqueza não abunda, mal fornece alimento necessário aos seus</p><p>cultivadores (...) tomai o caminho do ‘Santo Sepulcro’; arrebatai aquela terra à raça perversa e submetei-a a vós</p><p>mesmos. (...) Jerusalém é o umbigo do mundo; a terra é mais que todas frutífera, como um novo paraíso de deleites.”</p><p>(Vicentino, Cláudio.História Geral. 17ª Ed. São Paulo, Scipione, 1999. p. 138.).</p><p>Os estudiosos em geral variam os números de cruzadas entre sete e doze realizadas a partir fins do século XI até</p><p>o século XV, quando os cristãos espanhóis tomaram Granada e expulsaram os mouros do território europeu. Para</p><p>facilitar nossos objetivos, podemos classificar as cruzadas em dois tipos. Num primeiro, se enquadram as cruzadas do</p><p>Oriente, que tentaram a retomada de Jerusalém e fracassaram. (Salvo a primeira, chamada de “Cruzada dos Nobres”:</p><p>Em 1099 conquistaram Jerusalém e conseguiram mantê-la sob domínio cristão por um curto período através dos</p><p>chamados Reinos Cristãos do Oriente e do apoio de ordens militar-religiosas, como foi o caso dos Templários, por</p><p>exemplo.). No segundo, estão as cruzadas do Ocidente que se deram em solo europeu para a “reconquista da</p><p>Península Ibérica” (episódio inicial para a formação dos reinos de Portugal e Espanha) e no combate aos movimentos</p><p>heréticos (cátaros, valdenses, entre outros); estas lograram êxito. Entre os dois extremos, ainda foi realizada uma</p><p>“cruzada comercial” – a Cruzada dos Mercadores (1202-1204): patrocinada pelos mercadores de Veneza, se desviou</p><p>de seu intuito oficial e se direcionou contra Constantinopla, que foi saqueada e mantida sob domínio veneziano até</p><p>1261, resultando na hegemonia da cidade italiana sobre o comércio mediterrânico europeu.</p><p>74</p><p>O Movimento das Cruzadas, embora fracassado em seus objetivos iniciais, tanto nos religiosos (reconquista da</p><p>Terra Santa e reunificação da cristandade) quanto econômicos (expansão territorial para pacificação da nobreza feudal</p><p>e ampliação da área cultivável), trouxe importantes consequências para a sociedade europeia medieval.</p><p>A reabertura comercial do Mediterrâneo para os mercadores europeus e o restabelecimento dos contatos com o</p><p>Oriente (Próximo: Àsia Menor, Península Arábica e Egito – e Extremo: Pérsia, Índia e China), resultante das Cruzadas,</p><p>ampliaram o comércio europeu, externo (no entorno do Mediterrâneo) e interno (por rotas terrestres e marítimas), tendo</p><p>como epicentro as cidades italianas, a partir de meados do século XII.</p><p>O desenvolvimento das atividades urbanas, intensificado pelo movimento cruzadista, e seu consequente fracasso</p><p>militar e religioso, deu início ao processo de desagregação do feudalismo e ao progressivo declínio socioeconômico de</p><p>suas camadas dominantes (clero e nobreza feudal). As cidades foram se revitalizando: funcionando como centros</p><p>mercantis, deram origem a novas camadas sociais e destas, novos padrões de relações entre elas e de comportamento</p><p>vinculados a uma economia crescentemente mercantil e monetarizada – era o renascimento comercial e urbano</p><p>europeu nos séculos XII a XIV.</p><p>IDADE MÉDIA</p><p>A Idade Média se estende do Século V até o Século XV quando ocorre a queda de Constantinopla na mão dos</p><p>Turcos Otomanos. A Idade Média é o período de desenvolvimento e dissolução do Modo de Produção Feudal. O</p><p>fenômeno feudal é característico da Europa Ocidental, sendo que os Impérios Árabes, Bizantino e Persa e outros povos</p><p>orientais não conheceram essa forma de organização.</p><p>Os Bárbaros ou Germânicos eram tribos nômades que viviam da pecuária e da caça e em alguns casos do saque</p><p>e da guerra. Portanto, os Bárbaros se encontravam em um estágio anterior de evolução em sua fase clânica (clãs,</p><p>famílias) e com modo de produção asiático, ou seja, propriedade coletiva dos meios de produção. As tribos bárbaras</p><p>se transformarão, após as invasões e gradativamente, em sociedades de classes, são os chamados Reinos Bárbaros.</p><p>Isso porque as tribos bárbaras passaram pelo mesmo processo evolutivo dos demais povos: sedentarização,</p><p>crescimento do clã, privatização dos meios de produção, divisão do trabalho, surgimento de aristocracia, escravidão...</p><p>FEUDALISMO</p><p>75</p><p>IDADE MÉDIA</p><p>Questão-01) A contribuição dos árabes para o mundo</p><p>moderno ocidental entre os séculos VII e XI é</p><p>significativa, especialmente porque alguns valores</p><p>culturais da Antiguidade clássica foram difundidos por</p><p>meio da</p><p>a) tradução e difusão, entre os europeus, de</p><p>importantes obras gregas.</p><p>b) distribuição de obras proféticas sobre o destino da</p><p>humanidade através das estrelas.</p><p>c) introdução de novas técnicas de cultivo e de</p><p>métodos inovadores da medicina.</p><p>d) valorização da ciência experimental não submetida</p><p>ao pensamento religioso.</p><p>Questão-02) A morte de Maomé gerou um vazio</p><p>político e religioso, durante forte conflito no mundo</p><p>islâmico. Como consequência, surgiu uma grande cisão</p><p>dividindo os islâmicos entre xiitas e sunitas, após 661.</p><p>BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História: Sociedade e</p><p>cidadania. Vol. 1. 2016.</p><p>Quais são as características que diferenciam sunitas e</p><p>xiitas?</p><p>a) Para os xiitas, somente parentes de Maomé</p><p>poderiam liderar os muçulmanos; para os sunitas,</p><p>quem seguisse os ensinamentos de Maomé poderia</p><p>liderá-los.</p><p>b) Para os xiitas, os omíadas eram os escolhidos de</p><p>Maomé para sucessão; mas, para os sunitas, os</p><p>líderes deveriam ser os abássidas, herdeiros diretos</p><p>de Maomé.</p><p>c) Entre os xiitas, a verdade não estaria em Maomé,</p><p>mas no Alcorão; diferentemente dos sunitas, que</p><p>seguiam a Suna, e, por isso, prestavam cega</p><p>obediência a Maomé.</p><p>d) Os xiitas acreditavam que jihad significava guerra</p><p>sangrenta contra cristãos; para os sunitas, jihad</p><p>significaria guerra sangrenta contra judeus nascidos</p><p>em Jerusalém.</p><p>e) Os xiitas acreditavam que Maomé pregava a paz</p><p>entre religiões; os sunitas acreditavam que Maomé</p><p>pregava guerra entre religiões não muçulmanas.</p><p>Questão-03) O acontecimento marcante a partir do</p><p>qual os muçulmanos passaram a contar o ano I do seu</p><p>calendário foi</p><p>a) o falecimento de Maomé em Medina no ano 632.</p><p>b) a saída de Maomé da cidade de Meca no ano 622.</p><p>c) o nascimento do profeta Maomé na tribo Coraixita</p><p>em 570.</p><p>d) a revelação divina recebida por Maomé em 580.</p><p>76</p><p>Questão-04) “Em 632, a grande discussão provocada</p><p>pela morte de Maomé era quem deveria sucedê-lo</p><p>como principal líder político da comunidade islâmica.</p><p>Embora Abu Bakr (sogro de Maomé) tenha sido</p><p>escolhido como primeiro califa, muitos defendiam que a</p><p>liderança deveria ser exercida por Ali, genro do profeta,</p><p>casado com sua única filha viva na época. Do</p><p>casamento nasceram dois filhos, herdeiros diretos de</p><p>Maomé. Para os seguidores de Ali, apenas os</p><p>descendentes em linhagem direta com o profeta</p><p>(portanto, as gerações nascidas de seus dois netos)</p><p>deveriam assumir o controle, uma vez que teriam sido</p><p>escolhidos por Alá”.</p><p>Michel Reeber. Religiões: mais de 400 termos, conceitos e ideias.</p><p>Rio de Janeiro: Ediouro, 2002, p.259</p><p>O texto aponta para a(o)</p><p>a) início de um conflito civil no Império Islâmico,</p><p>contribuindo para a perda de unidade política e</p><p>religiosa entre os seguidores do profeta Maomé.</p><p>b) divisão do mundo islâmico após a morte do profeta</p><p>Maomé, contribuindo para o surgimento de duas</p><p>importantes divisões do Islã: os xiitas e os sunitas.</p><p>c) formação do califado, com a dinastia Omíada,</p><p>governado pelos descendentes diretos do profeta</p><p>Maomé, o que, por sua vez, deu início à expansão</p><p>islâmica.</p><p>d) perda da unidade política, em virtude do início da</p><p>guerra civil entre as comunidades islâmicas, mas</p><p>com a manutenção da crença no Corão e na Suna.</p><p>e) imposição do poder centralizado em torno dos</p><p>descendentes diretos do profeta Maomé, com a</p><p>perseguição e eliminação de todos os grupos</p><p>opositores.</p><p>Questão-05) Um ano depois de terem saído das</p><p>fronteiras</p><p>da Arábia, em 633, os árabes já tinham</p><p>atravessado o deserto e derrotado o imperador</p><p>bizantino Heráclio, nas margens do rio Yarmuk; em três</p><p>anos tinham tomado Damasco; cinco anos mais,</p><p>Jerusalém; passados oito anos controlavam totalmente</p><p>a Síria, a Palestina e o Egito. Em 20 anos, todo o</p><p>Império Persa, até ao Oxus, tinha caído sob a espada</p><p>árabe; em 30 era o Afeganistão e a maior parte do</p><p>Punjab.</p><p>(Jaime Nogueira Pinto. O Islão e o Ocidente: a grande discórdia)</p><p>A impressionante velocidade da expansão islâmica,</p><p>tratada no texto, deve ser relacionada com:</p><p>a) a solidariedade entre os povos;</p><p>b) jejum do Ramadã;</p><p>c) Jihad e Guerra Santa;</p><p>d) rituais da Ashura;</p><p>e) peregrinação a Meca.</p><p>Questão-06) Leia o fragmento.</p><p>A civilização árabe foi o resultado da reunião de</p><p>elementos culturais de muitos povos: árabes, persas,</p><p>egípcios, bizantinos e ainda outros. Ela não é, assim,</p><p>puramente muçulmana, uma vez que entre seus</p><p>criadores contam-se muitos cristãos, judeus e outros</p><p>grupos religiosos. Apesar da diversidade das suas</p><p>origens, os muçulmanos não realizaram apenas uma</p><p>justaposição mecânica de culturas anteriores nem</p><p>foram unicamente transmissores de conhecimentos</p><p>antigos. Criaram conhecimentos novos, cujo meio de</p><p>divulgação foi a língua árabe, veículo do saber e da</p><p>ciência durante a Idade Média.</p><p>PEDRERO SÁNCHEZ, Maria Guadalupe. A Península Ibérica entre</p><p>o</p><p>Ocidente e o Oriente. São Paulo: Atual, 2002, p. 30.</p><p>De acordo com o exposto no fragmento, a cultura</p><p>muçulmana caracterizou-se, na Idade Média, pela:</p><p>a) agregação de elementos culturais diversos na</p><p>construção de saberes.</p><p>b) ausência de originalidade gerada pela apropriação</p><p>de outras culturas.</p><p>c) afirmação de um isolamento cultural provocado</p><p>pelas barreiras linguísticas.</p><p>d) negação das culturas de origem cristã e judaica</p><p>decorrente do seu caráter ortodoxo.</p><p>Questão-07) Atente para as seguintes afirmações</p><p>sobre a expansão do cristianismo, no norte da África,</p><p>entre os séculos I e VIII d.C.:</p><p>I. Começou, aproximadamente, no ano de 62 d.C. na</p><p>cidade de Alexandria e depois difundiu-se para a região</p><p>da Cirenaica e ao longo do rio Nilo, indo para Kush e</p><p>Núbia.</p><p>II. As invasões dos Vândalos, de 429 a 430 d.C., e a</p><p>expansão árabe, a partir do século VII d.C.,</p><p>contribuíram para o enfraquecimento e quase</p><p>desaparecimento do cristianismo.</p><p>III. A Etiópia foi o único local que, graças a sua profunda</p><p>tradição monástica, adotou a religião cristã e conseguiu</p><p>manter-se distante do proselitismo muçulmano.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) II e III apenas.</p><p>b) I, II e III.</p><p>c) I e III apenas.</p><p>d) I e II apenas.</p><p>Questão-08) Constantinopla, aquela cidade vasta e</p><p>esplêndida, com toda a sua riqueza, sua ativa</p><p>população de mercadores e artesãos, seus cortesãos</p><p>em seus mantos civis e as grandes damas ricamente</p><p>vestidas e adornadas, com seus séquitos de eunucos e</p><p>escravos, despertaram nos cruzados um grande</p><p>desdém, mesclado a um desconfortável sentimento de</p><p>inferioridade.</p><p>RUNCIMAN, S. A Primeira Cruzada e a fundação do Reino de</p><p>Jerusalém. Rio de Janeiro: Imago, 2003 (adaptado).</p><p>A reação dos europeus quando defrontados com essa</p><p>cidade ocorreu em função das diferenças entre Oriente</p><p>e Ocidente quanto aos(às)</p><p>a) modos de organização e participação política.</p><p>b) níveis de disciplina e poderio bélico do exército.</p><p>c) representações e práticas de devoção politeístas.</p><p>d) dinâmicas econômicas e culturais da vida urbana.</p><p>77</p><p>e) formas de individualização e desenvolvimento</p><p>pessoal.</p><p>Questão-09) O Saltério de Chludov, hoje na Rússia, é</p><p>um dos mais importantes documentos provenientes do</p><p>Império Bizantino. Essa iluminura, em especial, retrata</p><p>um importante movimento sociopolítico ocorrido nesse</p><p>Estado, denominado de</p><p>Iluminura do Saltério de Chludov. Bizantino, séc. IX. Disponível em:</p><p>https://en.wikipedia.org/wiki/File:</p><p>Clasm_Chludov.jpg. Acesso em: 10/07/2017.</p><p>a) Cesaropapismo, a aliança entre o Imperador e o</p><p>Patriarca.</p><p>b) Iconoclasmo, o movimento pela destruição dos</p><p>ícones religiosos.</p><p>c) Bizantinismo, a discussão interminável sobre temas</p><p>exotéricos.</p><p>d) Cisma, a excomunhão mútua entre as igrejas</p><p>Católica Romana e Ortodoxa Oriental.</p><p>e) Iluminismo, a política em prol da ilustração dos</p><p>manuscritos</p><p>Questão-10) O texto abaixo se refere ao Império</p><p>Bizantino. Leia-o atentamente e assinale o que estiver</p><p>correto.</p><p>“Desde o princípio, o mosaico foi visto como um reflexo</p><p>misterioso de um mundo sobrenatural no qual estava</p><p>incluído o imperador como representante de Deus na</p><p>terra. (...) Ocorre uma desproporção entre as figuras</p><p>humanas e os objetos, de modo que, com freqüência,</p><p>um personagem tem o mesmo tamanho de uma árvore,</p><p>uma casa etc. Está claro que se perdeu o gosto por</p><p>copiar fielmente a forma externa, como acontecia na</p><p>arte romana, e nestas representações, muito mais</p><p>conceituais, intelectualizadas, interessa sobretudo a</p><p>ideia, o valor simbólico e narrativo da cena, sublinhado</p><p>pela luz e pela cor” (ALMAZÁN, S. A.; MUÑOZ, S. A.</p><p>Historia de Arte. Madrid: UNED, 2002, p. 111).</p><p>01. A arte pictórica da Roma antiga atingiu uma grande</p><p>qualidade técnica na representação das proporções,</p><p>pois foi beneficiada pelo descobrimento da perspectiva,</p><p>uma técnica que os artistas bizantinos não conseguiram</p><p>imitar.</p><p>02. Uma diferença essencial entre a arte bizantina e a</p><p>de seus ancestrais gregos estava na grande</p><p>importância que o Império Romano do Oriente dava à</p><p>representação precisa dos diversos deuses que</p><p>compunham sua religião.</p><p>04. A chamada Querela das Imagens foi um debate</p><p>teológico e político que dividiu os iconoclastas e os</p><p>iconófilos, sendo que os primeiros defendiam a</p><p>destruição das imagens, entre outras coisas, por</p><p>temerem que elas estimulassem a idolatria.</p><p>08. A técnica do mosaico, que atingiu um alto nível de</p><p>desenvolvimento em Bizâncio, também foi empregada</p><p>por outros povos, que a desenvolveram</p><p>independentemente do contato com o Império Romano</p><p>do Oriente.</p><p>16. A ruptura entre cristãos católicos e cristãos</p><p>ortodoxos na Baixa Idade Média foi provocada, em</p><p>grande medida, pelo repúdio dos orientais ao modo</p><p>irônico pelo qual os artistas ocidentais representavam o</p><p>sofrimento de Jesus Cristo.</p><p>Questão-11) O Império Bizantino, após a queda de</p><p>Roma, gradativamente se afastou da influência</p><p>ocidental e da autoridade exercida pelo papa. Em</p><p>meados do século XI, após uma série de discordâncias,</p><p>ocorreu o Cisma do Oriente que dividiu o cristianismo</p><p>em duas partes. No Ocidente, a Igreja Católica</p><p>Apostólica Romana se manteve, mas no Oriente, outra</p><p>Igreja Cristã foi formada. Assinale o nome que recebeu</p><p>a Igreja do Império Bizantino.</p><p>a) Igreja Protestante.</p><p>b) Igreja Renascentista.</p><p>c) Igreja Cristã Ortodoxa Grega.</p><p>d) Igreja Supra Oriental.</p><p>e) Igreja Moderna.</p><p>Questão-12) Observe a imagem.</p><p>A Catedral de Notre-Dame, em Paris, parcialmente</p><p>destruída por um incêndio em abril de 2019, é um</p><p>exemplo da arquitetura:</p><p>78</p><p>a) gótica, expressa na verticalidade e no emprego de</p><p>arcos e vitrais.</p><p>b) românica, expressa no desenho do teto e da</p><p>abóbada principal.</p><p>c) clássica, expressa na composição simétrica e na</p><p>presença de colunas dóricas.</p><p>d) art nouveau, expressa na utilização de elementos</p><p>geométricos decorativos.</p><p>e) eclética, expressa no pastiche entre elementos</p><p>barrocos e neoclássicos.</p><p>Questão-13) Houve duas razões principais para a</p><p>guerra. A primeira foi a pretensão de Eduardo III, rei da</p><p>Inglaterra, ao trono francês. Em 1337, intitulando-se rei</p><p>da França, iniciou a invasão a fim de fazer valer os seus</p><p>direitos. A segunda causa da guerra era de natureza</p><p>econômica. A Flandres, rica região produtora de</p><p>tecidos, servia de disputa entre franceses e ingleses.</p><p>Assinale a alternativa que aponta corretamente a</p><p>guerra ao qual o texto faz referência.</p><p>a) Guerra Santa.</p><p>b) Guerra dos Cem Anos.</p><p>c) Guerra das Duas Rosas.</p><p>d) Guerra Franco-Prussiana.</p><p>e) Guerra dos Reis.</p><p>Questão-14) Os estudiosos do período medieval</p><p>costumam</p><p>empregar a expressão Baixa Idade Média</p><p>para o período da história que vai do século XI ao</p><p>século XV. De maneira geral, podemos reconhecer</p><p>nesse período duas fases distintas: num primeiro</p><p>momento, de expansão (séculos XI, XII e XIII), num</p><p>segundo momento, uma crise profunda (séculos XIV e</p><p>XV). Podemos assinalar como características e</p><p>acontecimentos da Baixa Idade Média, exceto:</p><p>a) crise do feudalismo.</p><p>b) peste negra.</p><p>c) Cruzadas.</p><p>d) renascimento comercial.</p><p>e) decadência do metalismo mercantilista.</p><p>Questão-15) Leia o trecho a seguir e, posteriormente,</p><p>assinale a alternativa correta.</p><p>Fugir era o principal recurso que podiam. Os ricos</p><p>fugiam para suas casas de campo, como os jovens</p><p>patrícios de Florença de que fala Boccaccio, que se</p><p>instalaram num palácio no campo [...]. Os pobres das</p><p>cidades morriam em seus buracos [...]. O fato de serem</p><p>os pobres mais duramente atingidos do que os ricos foi</p><p>observado com clareza na época, tanto no norte quanto</p><p>no sul. Um cronista escocês, John de Fordun, afirmou</p><p>que a peste “ataca em especial os mais humildes e os</p><p>plebeus – raramente os magnatas”. Simon de Corvino,</p><p>de Montpellier, fez a mesma observação. Atribuiu isso à</p><p>miséria, à necessidade e às dificuldades [...]. Os</p><p>contatos íntimos e a falta de condições sanitárias era a</p><p>outra metade da verdade.</p><p>O trecho revela, essencialmente</p><p>a) os efeitos do crescimento urbano e populacional</p><p>pelos quais a Europa Ocidental passava durante a</p><p>expansão comercial na Baixa Idade Média e que</p><p>acabaram contribuindo para a disseminação da</p><p>peste negra.</p><p>b) a crescente diferenciação social entre burguesia e</p><p>proletariado nas décadas iniciais da Revolução</p><p>Industrial, o que propiciou o surto de cólera nos</p><p>bairros operários, nos quais os números de mortos</p><p>cresciam pela impossibilidade de acesso ao</p><p>tratamento médico.</p><p>c) os momentos decisivos que puseram fim ao Império</p><p>Romano do Ocidente com o surto de lepra, após as</p><p>invasões dos povos bárbaros que culminara com a</p><p>destituição do último imperador.</p><p>d) o resultado dos contatos entre europeus e</p><p>populações originárias da América durante período</p><p>das grandes navegações, que produziram uma</p><p>mortandade destes últimos por não disporem de</p><p>anticorpos para resistir aos microrganismos vindos</p><p>do Velho Mundo.</p><p>e) as condições impostas aos indivíduos cativos</p><p>originários do continente africano que, transportados</p><p>em navios de carga com destino ao Novo Continente</p><p>no intuito de servirem de mão de obra escrava,</p><p>estavam sujeitos a inúmeras infecções.</p><p>Questão-16) Entre o final do século XII e início do</p><p>próximo, com o fortalecimento do comércio e o</p><p>crescimento dos centros urbanos, os europeus</p><p>começaram a estreitar contatos com o Oriente. Através</p><p>de rotas comerciais, vinham especiarias e tecidos,</p><p>como a seda, que chegavam ao Mar Mediterrâneo pelo</p><p>Mar Vermelho, costeando o Egito, ou pelo Mar Negro,</p><p>atravessando os Estreitos de Bósforo e Dardanelos.</p><p>Esse período foi próspero na Península Itálica,</p><p>especialmente para os mercadores de:</p><p>a) Nova Déli e Calicute.</p><p>b) Pequim e Xangai.</p><p>c) Londres e Manchester.</p><p>d) Gênova e Veneza.</p><p>e) Paris e Lyon.</p><p>Questão-17) Mosteiro da Batalha. Batalha, Portugal.</p><p>O Mosteiro da Batalha, em Portugal, é uma construção</p><p>arquitetônica medieval. Entre as características da</p><p>Igreja Católica, no período dos séculos XI-XV, é correto</p><p>afirmar que se trata de uma instituição</p><p>79</p><p>a) estática, dominando toda a sociedade, por meio das</p><p>ordens mendicantes, como por exemplo, os</p><p>dominicanos, com S. Domingos em destaque na</p><p>parte educacional e ideológica, ditando os</p><p>comportamentos dos laicos.</p><p>b) diligente, predominando o pensamento papal, como</p><p>por exemplo, Alexandre IV, que defendia o direito</p><p>dos burgueses a enriquecer por meio da usura (o</p><p>lucro), afirmando que Cristo propalava bens</p><p>materiais.</p><p>c) dinâmica, procurando dar respostas às demandas</p><p>urbanas, como por exemplo S. Francisco, que</p><p>propunha uma nova religiosidade, baseada no</p><p>cristianismo das origens e na preocupação com os</p><p>mais humildes.</p><p>d) diversificada, unindo clero regular e secular no</p><p>propósito de dominação dos nobres, com</p><p>participação fundamental dos leigos que exerciam</p><p>cargos na Igreja, devido a interesses políticos e</p><p>econômicos.</p><p>e) eficiente, integrando religiosos que se tornaram</p><p>heréticos, os quais incentivavam a rebelião dos</p><p>camponeses contra o clero, como o caso de Thomas</p><p>Munzer, na Alemanha.</p><p>Questão-18) Observe o gráfico.</p><p>a) A leitura do gráfico permite concluir, corretamente,</p><p>que o período de queda demográfica mais</p><p>acentuada na Europa ocorreu</p><p>b) na primeira metade do século XI, devido ao período</p><p>de secas que comprometeu as colheitas e provocou</p><p>fome generalizada em toda a porção ocidental do</p><p>Continente.</p><p>c) na primeira metade do século XII, quando a</p><p>introdução de técnicas agrícolas não-sustentáveis</p><p>provocou o esgotamento dos pastos e a diminuição</p><p>pronunciada dos rebanhos bovinos.</p><p>d) na segunda metade do século XIII, devido à</p><p>perseguição promovida pela Igreja Católica contra</p><p>judeus, muçulmanos e praticantes de religiões</p><p>pagãs, acusados de bruxaria.</p><p>e) na primeira metade do século XIV, quando o número</p><p>de infectados pela peste negra atingiu seu ápice,</p><p>provocando a morte de pouco menos de um terço da</p><p>população europeia.</p><p>f) na segunda metade do século XV, devido à</p><p>migração de milhões de europeus em direção aos</p><p>continentes recém-descobertos no processo das</p><p>Grandes Navegações.</p><p>Questão-19) Afirmo, portanto, que tínhamos atingido</p><p>já o ano bem farto da Encarnação do Filho de Deus, de</p><p>1348, quando, na mui excelsa cidade de Florença, (...)</p><p>sobreveio a mortífera pestilência. (...) apareciam no</p><p>começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na</p><p>virilha ou na axila, algumas inchações (...) chamava‐as</p><p>o populacho de bubões (...).</p><p>Giovanni Boccaccio, Decamerão.</p><p>A respeito da Peste Negra do século XIV, é correto</p><p>afirmar:</p><p>a) Provocou gravíssima queda demográfica, que</p><p>afetou grande parte da produção econômica</p><p>europeia.</p><p>b) Originou‐se no Oriente, penetrou no continente</p><p>europeu pelos portos e manteve‐se restrita à</p><p>Península Itálica.</p><p>c) Foi provocada pela fome e pela desnutrição dos</p><p>camponeses e favoreceu o processo de</p><p>centralização política.</p><p>d) Foi contida pelo caráter de subsistência da</p><p>economia europeia, que dificultava o contato</p><p>humano e, assim, o contágio.</p><p>e) Estimulou as investidas contra os territórios</p><p>muçulmanos no movimento conhecido como</p><p>Segunda Cruzada.</p><p>Questão-20) O surgimento das primeiras</p><p>universidades, nos séculos XII e XIII, marca um</p><p>momento capital da história do Ocidente medieval. Em</p><p>relação à época anterior, esse momento comportou</p><p>elementos de continuidade e de ruptura. Os primeiros</p><p>devem ser buscados na localização urbana das</p><p>universidades, no conteúdo dos ensinamentos, no</p><p>papel social dos homens de saber. Já os elementos de</p><p>ruptura foram inicialmente de ordem institucional. No</p><p>âmbito das instituições educativas, este sistema era</p><p>novo e original. As comunidades autônomas dos</p><p>mestres e dos estudantes eram protegidas pelas mais</p><p>altas autoridades leigas e religiosas daquele tempo,</p><p>permitindo tanto progressos no domínio dos métodos</p><p>intelectuais e em sua difusão como uma inserção mais</p><p>eficiente das pessoas de saber na sociedade da época.</p><p>(Adaptado de J. Verger, Cultura, ensino e sociedade no ocidente nos</p><p>séculos XII e XIII. Bauru: EDUSC, 2001, p.189-190.)</p><p>Considerando o texto e seus conhecimentos sobre o</p><p>período medieval, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A Igreja Católica apoiava a estruturação das</p><p>universidades medievais, que representavam o</p><p>avanço das ciências e a superação de dogmas e das</p><p>teorias teocêntricas.</p><p>b) A organização institucional diferencia as</p><p>universidades medievais das corporações de</p><p>ofícios, visto que seu método de estudo estava</p><p>80</p><p>calcado na escolástica, caracterizando o atraso do</p><p>mundo medieval.</p><p>c) Uma ruptura trazida pelas universidades medievais</p><p>foi o início da atuação dos copistas nas</p><p>bibliotecas,</p><p>que copiavam sistematicamente a produção de</p><p>autores latinos críticos aos dogmas religiosos.</p><p>d) A institucionalização das universidades medievais</p><p>era um dado novo no período; essas instituições se</p><p>caracterizavam pelo apoio das autoridades de</p><p>dentro e de fora da Igreja, e pela maior autonomia e</p><p>inserção social de seus membros.</p><p>Questão-21) Uma zona fortificada constituía o burgo</p><p>(castelo fortificado) para assegurar a defesa do lugar.</p><p>Em breve, porém, o casario ultrapassava os limites da</p><p>fortaleza; e quando tinha sido construído perto do</p><p>castelo do senhor feudal, acabava por cercá-lo</p><p>completamente. Assim, o castelo ou palácio episcopal,</p><p>símbolos da sociedade feudal, começavam a estagnar,</p><p>enquanto as povoações cresciam, cheias de vida. Elas</p><p>já estavam integradas numa nova ordem econômica.</p><p>A Baixa Idade Média (séc. XII – séc. XV) foi marcada</p><p>pela crise do sistema feudal. Com base na leitura do</p><p>texto, é possível identificar</p><p>a) a preocupação da nobreza feudal em fortificar seus</p><p>castelos.</p><p>b) o fortalecimento das relações entre senhores</p><p>feudais e servos.</p><p>c) o renascimento das cidades associado a atividade</p><p>comercial.</p><p>d) a ação dos burgueses para evitar a crise do sistema</p><p>feudal.</p><p>e) o abandono dos castelos feudais pela nobreza.</p><p>Questão-22) Entre os séculos XI e XIII, a sociedade</p><p>feudal passou por acentuadas transformações tais</p><p>como: crescimento urbano, desenvolvimento das feiras,</p><p>significativo aumento do uso da moeda etc. Todavia, em</p><p>fins do século XIII, houve uma inversão da tendência</p><p>desse crescimento socioeconômico e demográfico.</p><p>Dentre os fatores que explicam a inversão acima</p><p>assinalada, é correto destacar, EXCETO, que:</p><p>a) o desflorestamento em larga escala acarretou</p><p>inclusive um desiquilíbrio climático no ocidente no</p><p>início do século XIV, gerando a devastação das</p><p>colheitas e pauperizando grande número de</p><p>camponeses.</p><p>b) o conflito entre a Igreja e os poderes temporais,</p><p>sobretudo a chamada “querela das investiduras”,</p><p>levou ao início de longas guerras que dizimaram</p><p>campos e pessoas, gerando uma grande crise no</p><p>sistema feudal.</p><p>c) a peste bubônica que, ao encontrar uma população</p><p>debilitada, eliminou um número elevado de pessoas.</p><p>Alguns historiadores calculam que cerca de 1/3 da</p><p>população europeia pereceu.</p><p>d) o aumento do cenário de morte e de miséria</p><p>produziu um quadro de instabilidade social, gerando</p><p>várias revoltas camponesas, destacando-se entre</p><p>elas as jacqueries, ocorridas na França no século</p><p>XIV.</p><p>Questão-23) Em 2017, pesquisadores das</p><p>Universidades de Uppsala e Estocolmo, ambas na</p><p>Suécia, refizeram pesquisas com fósseis vikings</p><p>encontrados há mais de cem anos. Os resultados</p><p>mostraram que o esqueleto, assim como as armas,</p><p>escudo, peças para jogos de guerra e dois cavalos</p><p>pertenceram a uma mulher, muito viajada, que morrera</p><p>por volta dos 30 anos de idade. Esta descoberta trouxe</p><p>à luz novas compreensões sobre o papel das mulheres</p><p>na Suécia do século X.</p><p>GALILEU. Mulheres vikings também eram guerreiras.</p><p>Disponível em www.revistagalileu.globo. com>. Acesso</p><p>em 01 Out 2018.</p><p>A partir do texto, é possível afirmar, sobre o papel das</p><p>mulheres na Europa medieval, que</p><p>A o exemplo acima descreve uma mulher que foi</p><p>casada com um homem de muitas posses, por isso ela</p><p>foi enterrada junto aos seus bens, demonstrando que</p><p>ela era muito importante.</p><p>B as mulheres vikings cumpriam funções míticas e</p><p>religiosas, pois em nome da pureza de seus corpos</p><p>eram lembradas como sinônimo de bondade, fé e vitória</p><p>frente aos inimigos.</p><p>C os registros encontrados são falsos, pois não é</p><p>possível dizer quem os colocou naquela cova, podendo</p><p>ser de um homem ou mulher que simplesmente foram</p><p>jogados ali.</p><p>D por meio de novas metodologias de análise, é</p><p>possível rever a forma como as mulheres são descritas</p><p>no passado, tendo papéis importantes e fortes na</p><p>sociedade medieval.</p><p>E a descoberta mostra que todas as mulheres vikings</p><p>eram fortes, não tinham trabalhos enfadonhos,</p><p>podendo ir para onde desejassem sem pedir</p><p>autorização aos seus líderes.</p><p>Questão-24)</p><p>Ser cristão passava a ter uma conotação de pertença</p><p>ao mundo civilizado. Por isso, as lideranças bárbaras</p><p>procuravam associar-se ao Cristianismo que, em</p><p>princípio, aproximá-los-ia dos grupos aristocráticos e</p><p>políticos do mundo imperial romano.</p><p>No contexto de fragmentação do Império Romano e sua</p><p>progressiva substituição por reinos bárbaros, o</p><p>Cristianismo desempenhou o papel de:</p><p>a) adaptar a Igreja ao contexto das heresias.</p><p>b) conservar a estrutura administrativa imperial.</p><p>c) padronizar a cultura dos povos bárbaros.</p><p>d) recuperar a hegemonia da península itálica.</p><p>e) legitimar os processos de unificação política.</p><p>81</p><p>Questão-25)</p><p>O mapa descreve uma série de processos migratórios</p><p>referentes às transformações ocorridas nas relações</p><p>internacionais e que estão associadas</p><p>a) ao processo de desagregação do mundo romano</p><p>acelerado com o fenômeno das migrações dos</p><p>povos germânicos, contribuindo para a ruralização</p><p>da sociedade do Antigo Império Romano do</p><p>Ocidente.</p><p>b) à fuga em massa da população do Oriente em busca</p><p>de proteção contra o surgimento do Império</p><p>Fundamentalista Muçulmano, no século VIII, e o</p><p>extermínio dos povos considerados infiéis.</p><p>c) à fuga da nobreza europeia para os países</p><p>absolutistas em decorrência da eliminação da</p><p>nobreza feudal e do clero, no processo</p><p>revolucionário das décadas de 20 e de 30 do século</p><p>XIX.</p><p>d) à expansão napoleônica que libertou os povos</p><p>oprimidos pelo Antigo Regime e impôs, no seu lugar,</p><p>um regime democrático baseado nos Princípios da</p><p>Revolução Francesa.</p><p>e) ao domínio militar nazista alemão sobre a Europa e</p><p>à fuga, em massa, da população judaica que</p><p>encontrou proteção da Igreja Católica e dos países</p><p>de maioria cristã.</p><p>Questão-26)O gênero épico medieval nasceu no norte</p><p>da Europa com o objetivo de cantar as gloriosas</p><p>aventuras de heróis populares. Frequentemente os</p><p>autores desse gênero transformavam episódios</p><p>históricos em estórias míticas. Relacione,</p><p>corretamente, os locais de criação dos épicos com as</p><p>respectivas obras, numerando a Coluna II de acordo</p><p>com a Coluna I.</p><p>Coluna I</p><p>1. Inglaterra</p><p>2. Escandinávia e Islândia</p><p>3. Alemanha</p><p>4. Rússia</p><p>Coluna II</p><p>( ) Cantos de Edda (séc. IX-XII)</p><p>( ) Conto da campanha de Igor (séc. XIII)</p><p>( ) Poema de Beowulf (séc. X)</p><p>( ) Canção dos Nibelungos (séc. XIII)</p><p>A sequência correta, de cima para baixo, é:</p><p>a) 2, 4, 1, 3.</p><p>b) 4, 3, 2, 1.</p><p>c) 1, 2, 4, 3.</p><p>d) 3, 1, 2, 4.</p><p>Questão-27)</p><p>Resultado das grandes mudanças ocorridas a partir da</p><p>desagregação do mundo medieval, os Estados</p><p>Nacionais Modernos expressam um novo momento</p><p>vivido pela humanidade e se estruturam a partir de uma</p><p>nova ordem econômica, política e social. A respeito</p><p>desse tema, assinale o que for correto.</p><p>01. A unificação das leis, da circulação monetária e da</p><p>justiça são algumas das características comuns aos</p><p>Estados Nacionais Modernos.</p><p>02. Nos Estados Nacionais Modernos, os reis tiveram</p><p>suas atuações limitadas por constituições elaboradas a</p><p>partir dos anseios populares, o que, de certa forma,</p><p>lançou as bases para os modelos de democracia</p><p>contemporâneos.</p><p>04. A montagem de um corpo burocrático, mantido por</p><p>meio de tributos cobrados pelos reis com intuito de</p><p>pagar as despesas públicas, tornou-se típico nos</p><p>Estados Nacionais Modernos.</p><p>08. Espanha e Portugal são exemplos de Estados</p><p>Nacionais Modernos que se estruturam sem qualquer</p><p>auxílio, vínculo ou suporte da Igreja Católica,</p><p>diferentemente do que ocorreu, por exemplo, com a</p><p>França.</p><p>Questão-28) Leia o enunciado abaixo.</p><p>No dia 15 de abril de 2019, um incêndio destruiu uma</p><p>parte importante da Catedral de Notre-Dame, em Paris,</p><p>um dos mais famosos edifícios medievais franceses.</p><p>Embora construções anteriores tenham existido no</p><p>mesmo local, foi a partir dos séculos XII e XIII que a</p><p>igreja passou a tomar sua forma mais conhecida,</p><p>período em que houve a</p><p>consolidação ........ na Europa.</p><p>Sua arquitetura é hoje uma das mais conhecidas</p><p>manifestações do estilo ........, predominantemente</p><p>......... e marcado pela grandiosidade para abrigar o</p><p>número crescente de fiéis. Trata-se de um modelo</p><p>arquitetônico que obedece a uma ........ e que mantém</p><p>relações de fundo com a filosofia escolástica.</p><p>Assinale a alternativa que preenche corretamente as</p><p>lacunas do enunciado acima.</p><p>a) do feudalismo – barroco – feudal – ordem capitalista</p><p>b) da cristandade – gótico – burguês – ordem</p><p>escolástica</p><p>c) do feudalismo – barroco – rural – ordem iluminista</p><p>d) do feudalismo – gótico – católico – ordem</p><p>protestante</p><p>e) da cristandade – gótico – urbano – ordem racional</p><p>82</p><p>Questão-29) Observe as imagens.</p><p>De meados do século XII até cerca de 1340, o</p><p>desenvolvimento da cristandade latina atinge o seu</p><p>apogeu. Nesse apogeu, a França ocupa o primeiro</p><p>lugar, e o grande movimento de urbanização está no</p><p>auge. As cidades são uma das principais manifestações</p><p>e um dos motores essenciais dessa culminação</p><p>medieval. A emigração do campo para as cidades,</p><p>ocorrida entre os séculos X e XIV, foi um dos</p><p>fenômenos maiores da cristandade. Dos diversos</p><p>elementos humanos por ela recebidos, a cidade criou</p><p>uma sociedade nova. Sem dúvida, essa sociedade</p><p>pertence também ao mundo feudal, que se costuma</p><p>imaginar como um ambiente quase exclusivamente</p><p>rural.</p><p>Segundo o historiador francês Jacques Le Goff, o</p><p>desenvolvimento das cidades medievais deve-se a um</p><p>conjunto complexo de estímulos. A partir do texto e das</p><p>imagens acima, identifique os fatores que levaram ao</p><p>movimento indicativo de um renascimento urbano</p><p>medieval e assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) As rotas comerciais que passaram a unir as cidades</p><p>da Rota da Seda, na Ásia, aos diferentes</p><p>entrepostos comerciais e a cidades portuárias na</p><p>Europa Oriental.</p><p>b) A especialização do trabalho, que resultou na</p><p>transição das antigas corporações de ofício para as</p><p>manufaturas, que, por sua vez, transformou os</p><p>artesãos em trabalhadores assalariados e</p><p>possibilitou a acumulação de capital pelos</p><p>burgueses.</p><p>c) A presença de novos grupos sociais fortemente</p><p>estratificados em uma sociedade agrária,</p><p>fragmentada politicamente e culturalmente</p><p>dominada pela Igreja, que negava aspectos</p><p>importantes da antiga civilização romana, como a</p><p>hierarquia social.</p><p>d) A presença de novos grupos sociais, como alguns</p><p>camponeses, que conseguiram romper os laços</p><p>servis e adquirir uma nova condição econômica,</p><p>resultando no aparecimento de um segmento</p><p>burguês.</p><p>e) As migrações habituais, como os deslocamentos de</p><p>população para arrotear novas áreas, as migrações</p><p>sazonais, como no inverno, que levavam à busca de</p><p>pastos ainda verdes, e as migrações temporárias,</p><p>quando vassalos se dirigiam à corte do seu senhor</p><p>feudal.</p><p>GABARITO:</p><p>1) Gab: A 2) Gab: A 3) Gab: B 4) Gab: B</p><p>5) Gab: C 6) Gab: A 7) Gab: B 8) Gab: D</p><p>9) Gab: B 10) Gab: 12 11) Gab: C 12) Gab: A</p><p>13) Gab: B 14) Gab: E 15) Gab: A 16) Gab: D</p><p>17) Gab: C 18) Gab: D 19) Gab: A 20) Gab: D</p><p>21) Gab: C 22) Gab: B 23) Gab: D 24) Gab: E</p><p>25) Gab: A 26) Gab: A 27) Gab:05 28) Gab: E</p><p>29) Gab: D</p><p>83</p><p>RENASCIMENTO COMERCIAL</p><p>A vida econômica e social entre os séculos V e</p><p>X, período de formação e apogeu do feudalismo</p><p>era essencialmente rural, às transformações após</p><p>este período que generalizaram o comércio damos</p><p>o nome de Renascimento comercial. Inicialmente</p><p>eram os bens de Luxo, seguiu-se a produção local</p><p>para o mercado, assim progressivamente se</p><p>substituiu o artesanato rural pelas oficinas</p><p>urbanas.</p><p>O PAPEL DAS CRUZADAS</p><p>As cruzadas tiveram um papel religioso, mas</p><p>muito mais expansivista e comercial.</p><p>Os feudos eram transmitidos apenas para o</p><p>filho mais velho os demais procuravam entrar nas</p><p>cruzadas para conseguir riquezas e terras. Os</p><p>senhores feudais endividados também buscavam</p><p>nas cruzadas obter saques e terras. Os servos</p><p>buscavam libertar-se da opressão feudal nas</p><p>cruzadas e talvez riquezas. Cidades como Gênova</p><p>e Veneza viam nas cruzadas excelentes</p><p>oportunidades de negócio com o oriente que, ao</p><p>final passar a dominar o comércio no</p><p>mediterrâneo.</p><p>OS PÓLOS COMERCIAIS</p><p>Diversas rotas comerciais surgiram entre os</p><p>dois principais pólos comerciais europeus:</p><p>Gênova e Veneza e Flandres (atual Holanda e</p><p>Bélgica). Nessas rotas surgiam Feiras de trocas</p><p>de produtos. Nessas feiras os senhores</p><p>feudais cobravam a Capitação para</p><p>dar proteção militar e judicial. Como</p><p>vinham mercadores de diversas partes,</p><p>com diversas moedas, surgiu a figura</p><p>do cambista especializado em trocar</p><p>moedas e emprestar dinheiro. Esse</p><p>sujeito sentava em um banco e</p><p>esperava seus fregueses, por isso ficou</p><p>conhecido como banqueiro.</p><p>AS CIDADES</p><p>Os homens livres (ex-servos, vilões,</p><p>comerciantes, artesãos) compravam</p><p>aqui e iam vender ali. No caminho se</p><p>abrigavam junto aos castelos. Logo</p><p>surgiram os comerciantes que proviam</p><p>os viajantes como ferreiros e</p><p>hospedeiros. Ao longo das estradas e</p><p>rios surgiam grupamentos que mais</p><p>tarde tornaram-se cidades. Exceção</p><p>feitas a lugares como Roma, Pádua,</p><p>Milão ou Veneza que nunca deixaram</p><p>de ser cidades, mesmo na alta idade</p><p>média.</p><p>84</p><p>Uma zona fortificada constituía o burgo. As casas do burgo logo cresciam para além dos muros. Ali se armavam as</p><p>tendas dos comerciantes e os artesãos fabricavam e vendiam seus produtos.</p><p>As cidades continuavam dependentes e ligadas aos senhores feudais, mas sem as relações servis do campo. Todos</p><p>os homens que habitavam a cidade eram livres. A maior parte da população urbana era de artesãos, mas os</p><p>mercadores também tinham papel importante. Nas grandes cidades, como Gênova e Veneza, tinham poderes militares</p><p>e políticos muito grandes, mas ainda sofriam com as normas feudais que impedia seu crescimento.</p><p>Para poder exercer suas atividades as cidades tinham de pagar taxas (Franquia) aos senhores feudais que, em</p><p>tese, eram proprietários do espaço físico ocupado. Para poder pagar a franquia os habitantes se reuniam em confrarias:</p><p>os artesãos se uniam nas Corporações de Oficio e os mercadores nas Guildas. As cidades que conseguiam suas</p><p>franquias eram chamadas de cidades Francas. Por vezes os burgueses se revoltavam e passavam a dominar eles</p><p>mesmos as cidades, então chamada de comuna ou municipalidade. As cidades medievais também podiam se</p><p>associar com vistas a proteger-se. Esses agrupamentos de cidades eram chamados de Hansas. Alguns comerciantes</p><p>tratavam de intervir diretamente na produção para aumentar seus ganhos. Tratavam de comprar matéria-prima mais</p><p>barata e pagar mais barato pela mão-de-obra. Isso era um anuncio das manufaturas da era moderna.</p><p>85</p><p>RENASCIMENTO COMERCIAL</p><p>Questão-01) Os estudiosos do período medieval</p><p>costumam empregar a expressão Baixa Idade Média</p><p>para o período da história que vai do século XI ao</p><p>século XV. De maneira geral, podemos reconhecer</p><p>nesse período duas fases distintas: num primeiro</p><p>momento, de expansão (séculos XI, XII e XIII), num</p><p>segundo momento, uma crise profunda (séculos XIV e</p><p>XV).Podemos assinalar como características e</p><p>acontecimentos da Baixa Idade Média, exceto:</p><p>a) crise do feudalismo.</p><p>b) peste negra.</p><p>c) Cruzadas.</p><p>d) renascimento comercial.</p><p>e) decadência do metalismo mercantilista.</p><p>Questão-02) Nos séculos finais da Baixa Idade Média</p><p>europeia, a economia de subsistência e de trocas</p><p>naturais tendia a ser suplantada pela economia</p><p>monetária, a influência das cidades passou a</p><p>prevalecer sobre os campos, e a dinâmica de comércio</p><p>levou à mudança e à ruptura das corporações de ofício</p><p>medievais.</p><p>(SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento. São Paulo: Atual, 1988,</p><p>p.5. Adaptado)</p><p>Analisando as transformações citadas, conclui-se,</p><p>corretamente, que elas</p><p>a) evidenciaram o surgimento da nova classe social</p><p>burguesa e a crise do sistema feudal.</p><p>b) fortaleceram a Igreja Católica,</p><p>que incentivava a</p><p>prática comercial no período medieval.</p><p>c) prejudicaram a burguesia comercial e favoreceram</p><p>os proprietários das terras feudais.</p><p>d) demonstraram a força do sistema feudal e dos</p><p>mecanismos de subsistência no campo.</p><p>e) enfraqueceram os reis absolutistas que dominaram</p><p>a Europa durante o período medieval.</p><p>Questão-03) [A crise] do feudalismo deriva não</p><p>propriamente do renascimento do comércio em si</p><p>mesmo, mas da maneira pela qual a estrutura feudal</p><p>reage ao impacto da economia de mercado. O</p><p>revivescimento do comércio (isto é, a instauração de</p><p>um setor mercantil na economia e o desenvolvimento</p><p>de um setor urbano na sociedade) pode promover, de</p><p>um lado, a lenta dissolução dos laços servis, e de outro</p><p>lado, o enrijecimento da servidão. (...) Nos dois setores,</p><p>abre-se pois a crise social.</p><p>(Fernando A. Novais, Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema</p><p>Colonial. p. 63-4)</p><p>Segundo o autor,</p><p>a) a crise foi provocada pelo impacto do</p><p>desenvolvimento comercial e urbano na sociedade,</p><p>pois, na medida em que reforça a servidão, origina</p><p>as insurreições camponesas e, quando fragiliza os</p><p>vínculos servis, provoca as insurreições urbanas.</p><p>b) a crise do feudalismo nada mais é do que o</p><p>marasmo econômico provocado pela queda da</p><p>produção, uma vez que há um número menor de</p><p>camponeses livres, o que leva à crise social do</p><p>campo, prejudicando também a nobreza.</p><p>c) a crise foi motivada por fatores externos ao</p><p>feudalismo, isto é, o alargamento do mercado</p><p>pressiona o aumento da produção no campo e na</p><p>cidade, o que leva à queda dos preços e às</p><p>insurreições camponesas e urbanas.</p><p>d) o desenvolvimento comercial e urbano em si não</p><p>leva à crise, pois o que deve ser levado em</p><p>consideração é a crise social provocada pelo</p><p>enfraquecimento dos laços servis, tanto no campo</p><p>como na cidade.</p><p>e) as insurreições camponesas e urbanas são as</p><p>respostas para a crise feudal, pois a servidão foi</p><p>reforçada tanto no campo como na cidade,</p><p>garantindo a sobrevivência da nobreza por meio do</p><p>pagamento de impostos.</p><p>TEXTO: 1 - Comum à questão: 4</p><p>Questão-04) O quadro descreve a situação que</p><p>caracterizou</p><p>01. o renascimento urbano e comercial na Baixa Idade</p><p>Média.</p><p>02. o imperialismo na África.</p><p>03. a Primeira Revolução Industrial inglesa.</p><p>04. a Crise de 1929.</p><p>05. o Plano Marshall.</p><p>86</p><p>Questão-05) Examine a foto que mostra arquitetura</p><p>com características da cultura holandesa em Recife,</p><p>Pernambuco, em 2004.</p><p>(Projeto Araribá: História, 2007.)</p><p>Tal legado na arquitetura de Recife pode ser explicado</p><p>a) pelo acordo firmado entre Portugal e Holanda, no</p><p>século XVI, que concedia às companhias mercantis</p><p>holandesas o monopólio do comércio do açúcar</p><p>produzido no Nordeste brasileiro desde o início da</p><p>colonização.</p><p>b) pelo intercâmbio técnico e comercial, estabelecido</p><p>no século XVII, entre colonos holandeses das</p><p>Antilhas e senhores de engenho do Nordeste</p><p>brasileiro, a fim de aumentar a produtividade da</p><p>economia açucareira.</p><p>c) pela atuação de judeus holandeses, descendentes</p><p>de portugueses, que fugiram das perseguições</p><p>religiosas e estabeleceram- se no Nordeste</p><p>brasileiro, onde começaram a financiar a instalação</p><p>dos engenhos.</p><p>d) pela invasão e domínio holandês do Nordeste</p><p>brasileiro, em meados do século XVII, em represália</p><p>à proibição imposta pela Espanha de os holandeses</p><p>participarem dos negócios com o açúcar, durante a</p><p>União Ibérica.</p><p>e) pela influência dos padrões da Antiguidade clássica,</p><p>retomados no Renascimento Cultural, que se</p><p>difundiram nos países da Europa e, posteriormente,</p><p>nas novas áreas coloniais, como o Nordeste</p><p>brasileiro e as Antilhas.</p><p>Questão-06)</p><p>A Literatura apresenta, de imediato, uma novidade, que</p><p>é a utilização das novas línguas nacionais, derivadas</p><p>do latim: o espanhol, o português, o italiano, o francês.</p><p>Tendo como tema central o Homem, os escritores, com</p><p>profundo senso crítico, buscaram elaborar um novo</p><p>conceito de vida e de homem. A época medieval foi</p><p>profundamente satirizada em seus valores essenciais:</p><p>a cavalaria, a Igreja, a nobreza. (FARIA et al, 1993, p.</p><p>51).</p><p>As características da literatura renascentista, descritas</p><p>no texto, estão associadas a um contexto histórico no</p><p>qual se destacava</p><p>a) o poder da nobreza feudal, responsável pelo</p><p>governo das cidades e pela cobrança dos impostos</p><p>das terras reais.</p><p>b) a desagregação da economia da Baixa Idade Média,</p><p>como resultado da atuação das Cruzadas no contato</p><p>com o Oriente.</p><p>c) a permanência do escravismo, paralelamente ao</p><p>trabalho dos servos, como base da produção da</p><p>riqueza na economia da Baixa Idade Média.</p><p>d) o processo de urbanização, de ascensão da</p><p>burguesia e da revolução comercial, que marcou a</p><p>Baixa Idade Média e o início da Idade Moderna.</p><p>e) a formação do Sacro Império Romano Germânico e</p><p>do Império Italiano, forças políticas controla doras da</p><p>Europa na Idade Moderna.</p><p>Questão-07) Leia o texto.</p><p>“Se todos os homens descendem de Noé, e se Noé teve</p><p>apenas 3 filhos, Cam, Jafet e Sem, de qual desses</p><p>filhos proviriam os Homens do Novo Mundo? Seriam</p><p>descendentes daqueles mercadores que ao tempo de</p><p>rei Salomão singravam o mar para trazerem ouro de</p><p>Ofir – que poderia ser o Peru – ou das dez tribos</p><p>perdidas de Israel que, reinando Salmanasar, se</p><p>afastaram dos assírios para resguardar em sua pureza</p><p>seus ritos e sua fé? E mais, admitindo tudo isso, restaria</p><p>descobrir por que meios teriam cruzado os oceanos</p><p>antes que os descobridores tivessem domesticado os</p><p>mares. Talvez as terras do Novo e do Antigo Mundo se</p><p>comunicassem ou tivessem comunicado em tempos</p><p>passados.”</p><p>No texto, a autora indica as polêmicas e os dilemas</p><p>humanísticos suscitados, na Europa, pela chegada de</p><p>seus navegadores a um novo continente (denominado</p><p>América em homenagem a Américo Vespúcio, o qual</p><p>percebeu que as terras encontradas por Colombo não</p><p>eram as Índias mas sim um Novo Mundo). A esse</p><p>respeito, é CORRETO afirmar que</p><p>a) o texto comprova a existência de um contato</p><p>comercial entre as antigas civilizações do Peru e o</p><p>Velho Mundo, que remonta a séculos antes de</p><p>Cristo.</p><p>b) os europeus projetavam sobre o Novo Mundo um</p><p>imaginário tipicamente medieval, o qual tendia a</p><p>buscar, para todos os fenômenos naturais e</p><p>humanos, explicações baseadas na bíblia ou</p><p>referendadas por autoridades eclesiásticas, tais</p><p>como Santo Agostinho e Tomás de Aquino.</p><p>c) o imaginário medieval era povoado por seres</p><p>fantásticos, tais como sereias, amazonas, ciclopes e</p><p>gigantes. Todavia a chegada de Colombo à América</p><p>marca a superação desse imaginário, uma vez que</p><p>o Renascimento cultural e científico, aliado às</p><p>descobertas ultramarinas, rompeu com a visão de</p><p>mundo medieval e provou a inexistência desses</p><p>seres.</p><p>d) a convicção de que seres humanos não poderiam</p><p>ter cruzado o Oceano Atlântico antes dos europeus,</p><p>pois não possuíam tecnologia náutica para tal, levou</p><p>os espanhóis a supor que os nativos da América não</p><p>faziam parte do gênero humano. A própria Igreja</p><p>87</p><p>Católica declarou que os índios eram criaturas sem</p><p>parentesco com a humanidade do Velho Mundo e,</p><p>como tal, não possuíam alma, o que justificou a</p><p>escravidão dos índios durante o período colonial.</p><p>e) embora o texto de Manuela C. da Cunha aponte uma</p><p>certa perplexidade em relação à descoberta da</p><p>América, sabe-se que os navegadores europeus,</p><p>muito antes de Colombo, tinham pleno</p><p>conhecimento da existência do continente</p><p>americano.</p><p>Questão-08) Uma zona fortificada constituía o burgo</p><p>(castelo fortificado) para assegurar a defesa do lugar.</p><p>Em breve, porém, o casario ultrapassava os limites da</p><p>fortaleza; e quando tinha sido construído perto do</p><p>castelo do senhor feudal, acabava por cercá-lo</p><p>completamente. Assim, o castelo ou palácio episcopal,</p><p>símbolos da sociedade feudal, começavam a estagnar,</p><p>enquanto as povoações cresciam, cheias de vida. Elas</p><p>já estavam integradas numa nova ordem econômica.</p><p>(José Jobson de A. Arruda, História Antiga e Medieval,</p><p>editora Ática, São</p><p>Paulo, 1977, p. 393)</p><p>A Baixa Idade Média (séc. XII – séc. XV) foi marcada</p><p>pela crise do sistema feudal. Com base na leitura do</p><p>texto, é possível identificar</p><p>a) a preocupação da nobreza feudal em fortificar seus</p><p>castelos.</p><p>b) o fortalecimento das relações entre senhores</p><p>feudais e servos.</p><p>c) o renascimento das cidades associado a atividade</p><p>comercial.</p><p>d) a ação dos burgueses para evitar a crise do sistema</p><p>feudal.</p><p>e) o abandono dos castelos feudais pela nobreza.</p><p>Questão-09) A partir do século XI, observa-se em</p><p>várias localidades da Europa Ocidental uma</p><p>intensificação das atividades comerciais. Dentre os</p><p>fatores que explicariam esse “renascimento comercial”,</p><p>analise as informações abaixo.</p><p>I. Uma forte diminuição demográfica, causada pela</p><p>chamada peste negra e pelas chamadas invasões</p><p>bárbaras.</p><p>II. O aumento do número de cidades e da</p><p>intensificação da divisão social do trabalho que ajudou</p><p>no desenvolvimento do artesanato.</p><p>III. O aumento da atividade bancária como atividade</p><p>cada vez mais significativa para expansão do comércio.</p><p>Em relação a essas informações, assinale a alternativa</p><p>que apresenta as afirmativas corretas.</p><p>a) II e III.</p><p>b) I e II.</p><p>c) I e III.</p><p>d) I, II e III.</p><p>TEXTO: 3 - Comum à questão: 10</p><p>A exploração da América foi uma condição essencial</p><p>para o nascimento do capitalismo, e, também, um</p><p>índice de sua expansão em escala mundial: “as</p><p>descobertas de ouro e de prata na América, o</p><p>extermínio, a escravização das populações indígenas,</p><p>forçadas a trabalhar no interior das minas, o início da</p><p>conquista e pilhagem das Índias Orientais e a</p><p>transformação da África num vasto campo de caçada</p><p>lucrativa são os acontecimentos que marcaram o</p><p>alvorecer da era da produção capitalista. Esses</p><p>processos idílicos são fatores fundamentais da</p><p>acumulação primitiva. Os métodos (de acumulação</p><p>primitiva) se baseiam, em parte, na violência mais</p><p>brutal, como é o caso do sistema colonial. Mas todos</p><p>eles utilizavam o poder do Estado, a força concentrada</p><p>e organizada da sociedade para ativar artificialmente o</p><p>processo de transformação do modo feudal de</p><p>produção no modo capitalista, abreviando assim as</p><p>etapas de transição.</p><p>A EXPLORAÇÃO da América foi uma condição</p><p>essencial para o nascimento do capitalismo....</p><p>Questão-10)</p><p>O processo de expansão marítima e comercial e o</p><p>estabelecimento do sistema colonial ocorreram dentro</p><p>de um contexto histórico mais amplo, que pode ser</p><p>identificado,</p><p>a) na centralização do poder político e no apoio</p><p>financeiro da burguesia comercial ao projeto</p><p>colonialista.</p><p>b) na expansão do movimento do Renascimento</p><p>Cultural, que aboliu o poder político da Igreja</p><p>Católica.</p><p>c) no surgimento e na consolidação do Humanismo e</p><p>na superação da sociedade estamental.</p><p>d) na Contrarreforma católica, que impediu a</p><p>superexploração da mão de obra servil escrava.</p><p>e) no liberalismo econômico, que incentivou a</p><p>concorrência comercial, provocando o</p><p>desenvolvimento manufatureiro.</p><p>Questão-11) Durante os séculos VIII e XI, na Europa</p><p>Ocidental, o enfraquecimento do poder real favorece o</p><p>fortalecimento dos grandes senhores feudais. Nesse</p><p>período, várias transformações ocorrem na vida</p><p>medieval remodelando a sociedade europeia. Assinale</p><p>V (verdadeiro) ou F (falso) para as alternativas.</p><p>a) A sociedade medieval adquire um ordenamento</p><p>hierárquico e linear, através dos laços de</p><p>vassalagem, nos quais a classe trabalhadora dos</p><p>vassalos submetia-se ao comando e à vigilância de</p><p>seus suseranos, que por sua vez executavam sem</p><p>questionar as decisões do rei.</p><p>b) O mundo feudal, centrado na atividade rural,</p><p>desenvolveu novas tecnologias agrárias, como a</p><p>substituição da charrua (arado manual) pelo arado</p><p>pesado (puxado por bois) e o sistema de rotação de</p><p>culturas, alternando a produção agrícola e</p><p>permitindo descanso à terra.</p><p>88</p><p>c) As novas tecnologias agrárias possibilitaram um</p><p>aumento populacional que mobilizou os</p><p>renascimentos comercial e urbano, mas foi</p><p>interrompido pelo grande surto da peste negra a</p><p>partir do século XIV.</p><p>d) As Cruzadas que começaram no final do período</p><p>foram um movimento exclusivamente religioso,</p><p>confrontando as civilizações cristã e muçulmana</p><p>pelo domínio de Jerusalém, exaurindo a economia</p><p>europeia e interrompendo o renascimento comercial</p><p>com o fim das rotas comerciais entre Oriente e</p><p>Ocidente.</p><p>Questão-12) A respeito do Renascimento Comercial e</p><p>Urbano na Europa dos séculos XII e XIII, considere as</p><p>afirmações a seguir.</p><p>I. As cidades situavam-se no cruzamento de rotas</p><p>comerciais ou à beira de rios, eram cercadas por</p><p>muralhas, e o crescimento populacional provocava a</p><p>ocupação de terrenos extramuros.</p><p>II. O processo de expansão urbana estava ligado ao</p><p>crescimento da produção agrícola e ao fortalecimento</p><p>de rotas comerciais terrestres entre as cidades</p><p>portuárias italianas, as feiras francesas e as cidades da</p><p>região de Flandres.</p><p>III. “O ar das cidades torna os homens livres” era um</p><p>ditado do período, referindo-se ao costume de</p><p>considerar livre o servo que trabalhasse por</p><p>determinado período de tempo no burgo.</p><p>IV. A autonomia administrativa e jurídica das cidades</p><p>era conquistada através do pagamento de franquias</p><p>aos senhores feudais ou da compra de cartas de</p><p>privilégios.</p><p>Estão corretas as afirmativas</p><p>a) I e II, apenas.</p><p>b) III e IV, apenas.</p><p>c) I, II e III apenas.</p><p>d) I, II, III e IV.</p><p>Questão-13) A partir do século XI, a Europa passou a</p><p>viver um período de relativa tranquilidade social e</p><p>crescimento populacional. A expansão econômica</p><p>tornou-se inevitável. Os limites impostos pelo sistema</p><p>feudal começaram a ser rompidos. A respeito do fim da</p><p>Idade Média e suas características, assinale V</p><p>(verdadeiro) ou F (falso) para as alternativas.</p><p>a) A primeira fase da Baixa Idade Média foi marcada</p><p>por um processo de depressão ou contração na</p><p>Europa Ocidental, decorrente das crises econômica,</p><p>política e religiosa. Enfraquecida pela fome, enorme</p><p>parcela da população europeia tornou-se vítima de</p><p>moléstias contagiosas, como a peste negra.</p><p>b) A segunda fase da Baixa Idade Média caracterizou-</p><p>se pelo processo de expansão de diversos setores</p><p>da vida da Europa Ocidental. Entre as</p><p>transformações que revelam essa expansão,</p><p>podemos citar: ampliação das culturas agrícolas,</p><p>renascimento comercial e urbano, surgimento e</p><p>fortalecimento da burguesia.</p><p>c) Organizando diversas revoltas, os servos</p><p>conseguiram aliviar o peso de algumas obrigações,</p><p>como a talha e a corveia. As relações servis</p><p>começaram a se modificar. Surgiram arrendamentos</p><p>de terra entre servos e senhores feudais.</p><p>d) O comércio ganhou significativo impulso com a</p><p>melhoria dos meios de transporte. A rota comercial</p><p>do sul, realizada principalmente no mar</p><p>Mediterrâneo, tinha como portos mais importantes</p><p>os de Barcelona, Marselha, Gênova, Veneza, Túnis,</p><p>Trípoli e Constantinopla. Os comerciantes mais</p><p>atuantes eram os de Gênova e Veneza, que se</p><p>dedicavam sobretudo à importação de especiarias e</p><p>artigos de luxo do Oriente.</p><p>Questão-14) A existência em Jerusalém de um hospital</p><p>voltado para o alojamento e o cuidado dos peregrinos,</p><p>assim como daqueles entre eles que estavam cansados</p><p>ou doentes, fortaleceu o elo entre a obra de assistência</p><p>e de caridade e a Terra Santa. Ao fazer, em 1113, do</p><p>Hospital de Jerusalém um estabelecimento central da</p><p>ordem, Pascoal II estimulava a filiação dos hospitalários</p><p>do Ocidente a ele, sobretudo daqueles que estavam</p><p>ligados à peregrinação na Terra Santa ou em outro</p><p>lugar. A militarização do Hospital de Jerusalém não</p><p>diminuiu a vocação caritativa primitiva, mas a</p><p>fortaleceu.</p><p>O acontecimento descrito vincula-se ao fenômeno</p><p>ocidental do(a)</p><p>a) surgimento do monasticismo guerreiro, ocasionado</p><p>pelas cruzadas.</p><p>b) descentralização do poder eclesiástico, produzida</p><p>pelo feudalismo.</p><p>c) alastramento da peste bubônica, provocado pela</p><p>expansão comercial.</p><p>d) afirmação da fraternidade mendicante, estimulada</p><p>pela reforma espiritual.</p><p>e) criação das faculdades de medicina,</p><p>promovida pelo</p><p>renascimento urbano.</p><p>15. (Fgv 2016) “Só para mim nasceu Dom Quixote, e</p><p>eu para ele: ele para praticar as ações e eu para as</p><p>escrever (...) a contar com pena de avestruz, grosseira</p><p>e mal aparada, as façanhas do meu valoroso cavaleiro,</p><p>porque não é carga para os seus ombros, nem assunto</p><p>para o seu frio engenho; e a esse advertirás, se acaso</p><p>chegares a conhecê-lo, que deixe descansar na</p><p>sepultura os cansados e já apodrecidos ossos de Dom</p><p>Quixote (...), pois não foi outro o meu intento, senão o</p><p>de tornar aborrecidas dos homens as fingidas e</p><p>disparatadas histórias dos livros de cavalarias, que vão</p><p>já tropeçando com as do meu verdadeiro Dom Quixote,</p><p>e ainda hão de cair de todo, sem dúvida.”</p><p>(Miguel de Cervantes Saavedra, Dom Quixote de la</p><p>Mancha, 1991)</p><p>Sobre a obra em questão, é correto afirmar que</p><p>89</p><p>a) Dom Quixote é um homem de valores de cavalaria,</p><p>instituição típica da modernidade ocidental, com</p><p>suas aventuras tragicômicas, fruto de suas leituras,</p><p>que vão do heroísmo à ingenuidade, caracterizando</p><p>a sensibilidade do homem moderno, mais ligado à</p><p>ciência e à experiência, em oposição ao primado da</p><p>fé.</p><p>b) o homem medieval, representado por Dom Quixote,</p><p>considera a cavalaria, instituição típica do período, o</p><p>símbolo dos valores cristãos, como a fé, a honra e a</p><p>justiça, e vê, na guerra santa, forma de propagar</p><p>esses valores, em defesa do mundo que crê nas</p><p>lições dos livros sagrados, sem duvidar das</p><p>verdades tradicionais.</p><p>c) a figura trágica de Dom Quixote é a representação</p><p>do homem do mundo antigo, ou seja, aquele que</p><p>considera a guerra como missão a fim de louvar os</p><p>deuses e transformar as ações em mitos,</p><p>condenando a injustiça e as civilizações frágeis, o</p><p>que possibilita localizar o texto no final da</p><p>Antiguidade.</p><p>d) Cervantes cria Dom Quixote, o cavaleiro andante,</p><p>um fidalgo cujas proezas o tornam inadequado à</p><p>época moderna, marcando o limite entre o heroísmo</p><p>e a fantasia, pois não só aspira a uma missão</p><p>purificadora do mundo como acredita nela, e revela</p><p>que, na passagem do homem medieval para o</p><p>moderno, a cavalaria era algo ultrapassado.</p><p>e) o texto de Cervantes nos conta a aventura de um</p><p>fidalgo que, por meio de leituras de livros de</p><p>cavalaria, torna-se um cavaleiro, uma personagem</p><p>identificada com os valores medievais, de guerra,</p><p>honra e justiça, mostrando como, na Idade Moderna,</p><p>esses valores são importantes, ainda têm lugar e</p><p>guiam a ação e a consciência do homem moderno.</p><p>16. (Ufrgs 2016) Em relação à história da Europa</p><p>moderna, assinale a alternativa correta.</p><p>a) Os humanistas eram indivíduos que, inspirados pela</p><p>escolástica, propagavam um saber centrado apenas</p><p>no Cristianismo.</p><p>b) O contato dos europeus com os ameríndios não</p><p>alterou as características do pensamento</p><p>renascentista, exclusivamente voltado para a</p><p>imitação dos autores gregos e romanos.</p><p>c) O deslocamento das rotas comerciais europeias</p><p>para os entrepostos localizados no Mar</p><p>Mediterrâneo ocorreu no século XVI.</p><p>d) A ascensão da burguesia, no século XIV, ocasionou</p><p>a fragmentação do poder monárquico e o</p><p>desenvolvimento de Estados capitalistas.</p><p>e) A difusão da imprensa, a partir do século XV, foi</p><p>importante para o desenvolvimento de novas</p><p>práticas culturais.</p><p>Questão-17) Considerando o Renascimento Comercial</p><p>e Urbano da Europa nos séculos XII e XIII, analise as</p><p>sentenças abaixo e preencha os parênteses com V</p><p>(verdadeiro) ou F (falso).</p><p>( ) A Itália, Flandres e a região da Champagne</p><p>eram os principais eixos econômicos da Europa</p><p>Ocidental no período.</p><p>( ) Os habitantes das cidades que se dedicavam</p><p>ao comércio constituíram uma nova classe social – a</p><p>burguesia.</p><p>( ) A economia urbana começava a se libertar do</p><p>domínio das corporações de ofício e a estabelecer o</p><p>livre comércio, provocando o fim dos privilégios da</p><p>nobreza e dos monopólios comerciais reais.</p><p>( ) As condições de higiene das cidades medievais</p><p>melhoraram com a implantação do urbanismo e de</p><p>serviços de esgoto e água encanada, dificultando a</p><p>disseminação de epidemias.</p><p>( ) As principais cidades comerciais queriam</p><p>mostrar sua riqueza e importância através da</p><p>construção de grandes catedrais góticas, o que se</p><p>tornou possível pela adoção de novas técnicas de</p><p>construção.</p><p>O correto preenchimento dos parênteses, de cima para</p><p>baixo, é</p><p>a) V – F – V – F – F</p><p>b) V – F – F – V – V</p><p>c) V – V – F – F – V</p><p>d) F – V – F – V – F</p><p>e) F – V – V – V – F</p><p>TEXTO: 4 - Comum à questão: 18</p><p>Os deuses são poderes misteriosos. São forças</p><p>personificadas e, por isso, são vontades. Misteriosos</p><p>porque suas decisões são imprevisíveis e, muitas</p><p>vezes, incompreensíveis para os critérios humanos de</p><p>avaliação. Vontades porque o que acontece no mundo</p><p>manifesta um querer pessoal, supremo e</p><p>inquestionável. A religião, ao estabelecer o laço entre o</p><p>humano e o divino, procura um caminho pelo qual a</p><p>vontade dos deuses seja benéfica e propícia aos seus</p><p>adoradores.</p><p>Avontade divina pode tornar-se parcialmente conhecida</p><p>dos humanos na forma de leis, decretos,</p><p>mandamentos, ordenamentos, comandos emanados</p><p>da divindade.</p><p>Assim como a ordem do mundo decorre dos decretos</p><p>divinos, também o mundo humano está submetido a</p><p>mandamentos divinos, dos quais os mais conhecidos,</p><p>na cultura ocidental, são os Dez Mandamentos, dados</p><p>por Jeová a Moisés.</p><p>Também são de origem divina as Doze Tábuas da Lei,</p><p>que fundaram a república romana e as leis gregas</p><p>explicitadas na Ilíada e na Odisseia, de Homero, bem</p><p>como nas tragédias.</p><p>O modo como a vontade divina se manifesta em leis</p><p>permite distinguir dois grandes tipos de religião. Há</p><p>religiões em que a divindade usa intermediários para</p><p>revelar a lei. É o caso da religião judaica, em que Jeová</p><p>se vale, por exemplo, de Noé, Moisés, Samuel, para dar</p><p>90</p><p>a conhecer a lei. Também nessa religião a divindade</p><p>não cessa de lembrar ao povo as leis, sobretudo</p><p>quando estão sendo transgredidas. Essa rememoração</p><p>da lei e das promessas de castigo e redenção nelas</p><p>contidas é a tarefa do profeta, arauto de Deus. (CHAUI;</p><p>OLIVEIRA, 2010, p. 63).</p><p>Questão-18) A interferência das questões religiosas</p><p>nos processos políticos ocorreu em diversas épocas e</p><p>de maneiras diferenciadas, como se pode perceber</p><p>01. na formação do Tribunal do Santo Ofício,</p><p>instrumento que manteve a unidade cultural, religiosa e</p><p>política do mundo cristão, ao longo da sua existência, e</p><p>evitou o surgimento de divergências político-religiosas</p><p>no Ocidente.</p><p>02. na expansão marítima e comercial do século XV,</p><p>quando os profetas anunciavam a circunferência da</p><p>Terra, abalando os pilares do Renascimento, que,</p><p>baseados nos conhecimentos gregos, defendiam a sua</p><p>planicidade.</p><p>03. no estabelecimento do Estado Nazista, processo em</p><p>que Hitler evitou as transgressões das leis divinas</p><p>através de um Estado autoritário, buscando justificar</p><p>seu poder como uma missão divina, revelada por</p><p>Jeová.</p><p>04. na formação do Estado de Israel e do Estado</p><p>Palestino, nos quais a delimitação territorial e política</p><p>respeitou a separação étnica e religiosa dos povos que</p><p>habitam a região.</p><p>05. na Revolução Islâmica, no Irã, liderada pelo Aiatolá</p><p>Khomeini, que, através da identificação religiosa,</p><p>derrubou o governo apoiado pelos Estados Unidos,</p><p>que, política e economicamente, interferia nas questões</p><p>internas do país.</p><p>GABARITO:</p><p>1) Gab: E 2) Gab: A 3) Gab: A 4) Gab: 04</p><p>5) Gab: D 6) Gab: D 7) Gab: B 8) Gab: C</p><p>9) Gab : A 10) Gab: A 11) Gab: FVVF 12) Gab: D</p><p>13) Gab: FFVV 14) Gab: A 15) [D] 16) [E]</p><p>27) Gab: C 18) Gab: 05</p><p>O ESTADO NACIONAL ABSOLUTISTA</p><p>Nos séculos XII a XV, diversas alterações geopolíticas puderam ser vistas na Europa Ocidental. Os particularismos</p><p>feudais e o universalismo da Igreja foram superados pela centralização monárquica e o consequente fortalecimento do</p><p>poder real. Esta centralização,</p><p>narrativas populares ou coletivas.</p><p>c) reforça a capacidade da literatura em promover a</p><p>subjetividade e os valores humanos.</p><p>d) destaca a importância de reservar o texto literário</p><p>àqueles que possuem maior repertório cultural.</p><p>e) revela a superioridade da escrita poética como forma</p><p>ideal de preservação da memória cultural.</p><p>4. Considere os itens abaixo sobre linguagem imagética</p><p>no ensino de história e, a seguir, assinale a alternativa</p><p>correta:</p><p>I. A pintura pode ser vista como fonte não apenas da</p><p>pesquisa – acadêmica –, mas também do ensino de</p><p>História, pois ela compõe um discurso sobre o seu</p><p>tempo.</p><p>II. A imagem não reproduz a realidade – ela a</p><p>representa a partir de uma linguagem própria ligada a</p><p>um determinado contexto histórico.</p><p>III. O acervo artístico museológico deve ser</p><p>compreendido como coisa estática e definida, pois a</p><p>sua razão de ser resume-se à sua antiguidade e à sua</p><p>preciosidade.</p><p>a) Apenas o Item I está correto.</p><p>b) Apenas o Item II está correto.</p><p>c) Apenas o Item III está correto.</p><p>d) Apenas os Itens I e II estão corretos.</p><p>e) Apenas os Itens II e III estão corretos.</p><p>5. Observe a imagem e responda a questão:</p><p>A cerimônia de um casamento é um momento</p><p>importante para nossa sociedade. Quando folheamos</p><p>um álbum de fotografia ativamos lembranças e</p><p>memórias que envolvem as nossas vidas e as de outras</p><p>pessoas com as quais compartilhamos aqueles</p><p>momentos. Nesse sentido, e de acordo com o texto e a</p><p>imagem, pode-se concluir que a memória é</p><p>a) o resultado de diversas experiências que envolvem</p><p>os indivíduos, um fato influenciado pelo que a</p><p>sociedade considera importante ser lembrado.</p><p>b) uma experiência biológica, o que significa que ela</p><p>não se relaciona com as identidades individuais e</p><p>coletivas, nem é por elas influenciada.</p><p>c) uma lembrança, ou seja, ideia de uma coisa ou de</p><p>determinada pessoa, que é conservada em nosso</p><p>cérebro, mas que tem importância individual.</p><p>d) uma faculdade psíquica através da qual se consegue</p><p>reter e (re)lembrar ações que vão ao encontro das</p><p>necessidades presentes.</p><p>GABARITO:</p><p>1. D</p><p>2. B</p><p>3. C</p><p>4. D</p><p>5. A</p><p>10</p><p>O “DESCOBRIMENTO” DO BRASIL</p><p>AS CAUSAS DA EXPANSÃO MARÍTIMA</p><p>A crise do século XIV despertara a consciência dos comerciantes e banqueiros europeus para o fato de que o mercado</p><p>no continente era instável e limitado e que se tornava necessário encontrar novos fornecedores. Além disso, os metais</p><p>preciosos com que se cunhavam as moedas escasseavam, impondo-se sua busca em outras regiões fora da Europa.</p><p>A expansão marítima dos séculos XV e XVI foi consequência direta dessa situação. Sua realização, entretanto, deveu-</p><p>se ao conjunto de alguns fatores:</p><p>O progresso tecnológico – O processo de acumulação de capital por parte dos comerciantes, além de criar a</p><p>necessidade de expansão dos mercados, estimulou o desenvolvimento técnico capaz de tornar possível essa</p><p>expansão.</p><p>O fascínio pelas Índias – Era estimulado pelas lendas sobre as exóticas terras orientais. Histórias fascinantes sobre as</p><p>Índias eram contadas nos portos europeus e estimulavam a imaginação dos aventureiros, que sonhavam conhecer</p><p>essas terras. As narrativas de Marco Polo descreviam-nas como abundantes em ouro, seda, especiarias e outras</p><p>riquezas. Além das lendas, a própria realidade impunha uma expansão de mercados. As caravanas árabes</p><p>transportavam por terra as mercadorias orientais até os entrepostos nas costas do Mediterrâneo, onde os produtos</p><p>eram vendidos aos comerciantes por preço muito altos. Os turcos – otomanos, entretanto, se não chegaram a liquidar,</p><p>pelo menos impuseram barreiras a esse tipo de intercâmbio. Diante disso, a burguesia comercial européia lançou-se à</p><p>procura de algum caminho marítimo para as Índias.</p><p>O monopólio das cidades italianas – Os mercadores de Gênova e Veneza buscavam na Síria, Egito e Constantinopla</p><p>os produtos trazidos pelas caravanas orientais, mantendo um rigoroso monopólio sobre esse rendoso negócio. Países</p><p>da Europa Ocidental, principalmente Portugal e Espanha, tentaram furar esse bloqueio, tornando-se pioneiros na busca</p><p>de um caminho marítimo para as Índias.</p><p>A centralização do poder nos Estados Modernos – Para obter as condições necessárias à expansão marítima, a</p><p>burguesia comercial precisava de apoio de um poder central forte e soberano. Só assim seria possível vencer os</p><p>recursos necessários ao empreendimento e garantir política e militarmente as conquistas coloniais. Foi somente com</p><p>as monarquias nacionais, precursoras dos Estados modernos, que os objetivos burgueses foram atingidos.</p><p>O PIONEIRISMO PORTUGUÊS</p><p>Portugal foi o primeiro país europeu a lançar-se às grandes navegações, o que não aconteceu por acaso. Inúmeras</p><p>razões concorreram para isso, entre elas a pouca quantidade de metais preciosos para a cunhagem de moedas, a falta</p><p>de produtos agrícolas e de mão-de-obra, o desejo de expandir a fé cristã e a necessidade de conseguir novos mercados.</p><p>Além disso, Portugal era um país privilegiado em relação aos outros países europeus, pois contava com fatores que</p><p>possibilitaram sua primazia nas grandes navegações:</p><p>Posição geográfica estratégica – Além de ser ponto de escala comercial, Portugal tinha caminho aberto pelo Atlântico.</p><p>Burguesia ávida de lucros - Apesar de não ser a mais forte da Europa, a burguesia portuguesa, como a de qualquer</p><p>outra região, visava exclusivamente ao lucro. Alimentada pelos constantes empréstimos das casas bancárias flamengas</p><p>e italianas e apoiada pelo poder real, essa burguesia foi o principal agente das grandes navegações.</p><p>Paz interna – Também foi fator decisivo, pois, enquanto parte da Europa ainda se via envolvida pela guerra dos Cem</p><p>Anos, Portugal mantinha uma situação pacífica em seu território.</p><p>Avançada arte náutica - Incentivados por D. Henrique, fundador da Escola de Sagres, os portugueses haviam se</p><p>aperfeiçoado na arte de navegar e aprimoraram os instrumentos de navegação.</p><p>Centralização monárquica – Com a revolução de Avis, Portugal conseguira, antes de outras nações européias,</p><p>centralizar o governo, criando um Estado moderno associado aos interesses mercantis. Este foi, sem dúvida, o fator</p><p>mais importante de sua expansão marítima.</p><p>11</p><p>À burguesia interessava um Estado forte, que estabelecesse uma estrutura administrativa propícia ao comércio e à</p><p>navegação. A nobreza, por sua vez, agora muito mais dependente do monarca, reorganizava-se após a revolução de</p><p>Avis; considerava útil um trono poderoso e bem armado, que apoiasse a expansão e a conquista de terras em outras</p><p>regiões. Glória e terras para a nobreza, lucros para a burguesia, poder para o rei; eis a síntese das perspectivas de</p><p>Portugal.</p><p>O PÉRIPLO AFRICANO</p><p>A aventura ultramarina portuguesa foi denominada périplo africano porque pretendia alcançar as Índias contornando a</p><p>África. Isso foi realizado no decorrer do século XV. À medida que se atingiam novas regiões, criavam-se feitorias, pontos</p><p>do litoral onde se construíam fortes, nos quais ficavam alguns homens para trocar mercadorias europeias por produtos</p><p>nativos. Com as feitorias, os portugueses não tencionavam colonizar nem organizar a produção. O objetivo era</p><p>unicamente obter lucros negociando os produtos próprios da região conquistada.</p><p>Na segunda década do século XV, as ilhas atlânticas dos arquipélagos dos Açores, Madeira e Cabo Verde foram</p><p>ocupadas por Portugal.</p><p>Em 1488 foi transposto o cabo da Boa Esperança. Comandados por</p><p>Bartolomeu Dias, os portugueses ultrapassaram o turbulento mar da</p><p>região, cruzaram o extremo sul africano e chegaram ao oceano índico.</p><p>Em 1498, Vasco da Gama completou a epopeia marítima portuguesa,</p><p>aportando em Calicute, nas Índias.</p><p>A partir do ano de 1500, os destinos das comunidades indígenas que</p><p>habitavam a América foram alterados e articulados à história dos</p><p>europeus. Os milhões de nativos que viviam no continente à época da</p><p>conquista (as estimativas são conflitantes e alguns estudiosos chegam a</p><p>estabelecer mais de 50 milhões para</p><p>ou, como é normalmente conhecida, a formação dos Estados Nacionais, acelera-se</p><p>bastante a partir da crise do século XIV, quando a nobreza, atemorizada pelas revoltas camponesas, falida pelas</p><p>guerras, compreende que é necessária uma mudança na forma de seu poder, para que ela possa continuar a ser o</p><p>grupo socialmente dominante. Paralelamente, a unificação política agrada também à nascente burguesia, visto que</p><p>abre espaço para a unificação do sistema de pesos e medidas, da moeda, o que proporciona facilidades para a atividade</p><p>comercial.</p><p>É importante salientar que surgimento dos Estados Nacionais não significou, em absoluto, a liquidação do modo de</p><p>produção feudal, uma vez que as relações sociais de produção permaneceram essencialmente feudais. O que</p><p>caracterizava os novos Estados, no plano nacional interno, fundamentalmente, era a centralização do poder político,</p><p>obtida graças à unificação dos sistemas legais; do surgimento de uma burocracia; da formação de um exército</p><p>comandado pelo rei; do enfraquecimento da justiça senhorial, em detrimento da justiça real; da arrecadação de</p><p>impostos, agora devidos ao rei; da unificação monetária; da eliminação da autonomia das cidades. Segundo o</p><p>historiador BURNS, o antigo regime (que ele chama de moderno sistema de Estados), no tocante a política externa,</p><p>apresentava uma configuração bem distinta do período medieval:</p><p>“Quaisquer que sejam as suas origens, pode-se considerar que o moderno sistema de Estados compreende os</p><p>seguintes elementos: (1) igualdade legal e independência de todos os Estados; (2) o direito de cada Estado a seguir</p><p>uma política externa própria de formar alianças e contra alianças , e fazer guerras visando sua própria vantagem; (3) a</p><p>utilização de diplomacia como sucedâneo para a guerra, com frequência envolvendo intriga e espionagem na medida</p><p>necessária para a vantagem política; (4) O equilíbrio de poder como expediente para evitar a guerra ou para garantir o</p><p>apoio de aliados se a guerra se tornar necessária. A maioria desses elementos do sistema de Estados persiste até</p><p>hoje. Mesmo a criação das nações unidas não acarretou mudanças substanciais, pois essa organização foi fundada</p><p>com base no princípio da igualdade soberana de estados independentes. Acreditam alguns observadores que não</p><p>haverá nenhuma perspectiva genuína de paz mundial antes que o sistema de Estados soberanos seja reconhecido</p><p>como obsoleto e substituído por uma comunidade mundial de nações, organizada segundo modelo federativo”.</p><p>(BURNS, EDWARD McNALL. História da Civilização ocidental: do homem das cavernas as naves espaciais / EDWARD</p><p>McNALL BURNS, ROBERT E. LERNER, STANDISH MEACHAM; São Paulo: Globo, 2003, p.451).</p><p>91</p><p>O processo de centralização política, em suas linhas gerais, não ocorreu ao mesmo tempo e do mesmo modo em</p><p>todos os lugares. Algumas regiões da Europa sequer conseguiram, nessa época, completar o processo de unificação:</p><p>é o caso da Alemanha e da Itália, que apenas o realizam no século XIX.</p><p>O poder monárquico, graças a uma série de fatores, torna-se absoluto. O absolutismo tem sido geralmente descrito</p><p>como um regime em que todos os poderes se concentram nas mãos dos reis, que se colocam acima da sociedade e</p><p>que a ninguém prestam contas de seus atos. Mas é discutível tal colocação, uma vez que não se pode compreender</p><p>como um governo, qualquer que seja ele, possa estar "acima" da sociedade. Normalmente, os governantes possuem</p><p>uma sólida base de apoio social, sem o que dificilmente poderiam governar. E, desta forma, assumem determinados</p><p>compromissos e recebem pressões, as quais não podem se furtar. Evidentemente que com o Absolutismo também foi</p><p>assim. A nobreza e o alto clero são os grupos sociais que asseguram o apoio ao rei; são também eles os grupos de</p><p>pressão e, que contribuem para limitar o poder real em determinados aspectos. Isso caracteriza o Estado Absolutista</p><p>como um estado ainda feudal, apesar de vários historiadores já terem proposto interpretações diferentes. Há aqueles</p><p>que o consideram um Estado tipicamente burguês e outros que consideram que ele poderia estar representando duas</p><p>classes ao mesmo tempo: a burguesia e a nobreza, atuando, portanto, como árbitro, ou como fator de equilíbrio de</p><p>classes. Segundo Francisco J. C. Falcon, estudioso da época mercantilista, “Seria inútil, além de errôneo, tentar definir</p><p>este tipo de Estado a partir de caracterizações mais ou menos unilaterais como ‘feudal, capitalista ou neutro´. A rigor</p><p>ele não é exatamente nenhuma dessas coisas. Trata-se do tipo de Estado que caracteriza a transição, impossível de</p><p>ser reduzido e mero epifenômeno da estrutura econômica, ou seja, do modo de produção dominante. Cremos que a</p><p>discussão deve ser encaminhada de outra maneira, menos simplista. O Estado absolutista é, antes de mais nada, um</p><p>Estado moderno, ou seja, um tipo de Estado que é resultante de vários séculos de transformações e de lutas, no final</p><p>da idade média, levadas a cabo contra os universalismos representados pelo papado e pelo sacro-império e também</p><p>contra as tendências localistas representadas pelos senhorios feudais e comunas urbanas. Afirmando-se como estado</p><p>territorial, governado por um príncipe ou por um rei, através de uma complexa política de concentração do poder e</p><p>centralização administrativa, o Estado define-se rapidamente como Estado monárquico absolutista, isto é, pelo fato de</p><p>que todo poder está nas mãos de um rei ou príncipe, que é, de fato e de direito, o seu soberano. Simultaneamente,</p><p>este estado pressupõe a existência de um aparelho burocrático e militar que não só execute as determinações do</p><p>soberano, mas dê na realidade uma forma visível e concreta a própria ideia de poder que o monarca personifica. O</p><p>estado é o rei, porém, este é na verdade o conjunto de instancias e agentes burocráticos que são os seus oficiais”.</p><p>(FALCON, Francisco. Mercantilismo e transição. São Paulo, Brasiliense, 1996, pp. 28-29).</p><p>AS ESTRUTURAS ECONÔMICAS</p><p>O fortalecimento dos Estados Nacionais levou-os progressivamente a adotarem uma política intervencionista na</p><p>economia: o Mercantilismo. Este não era um sistema econômico coerente; antes, constituía-se de um conjunto de ideias</p><p>e práticas utilizadas entre os séculos XV e XVIII, objetivando o fortalecimento do Estado Nacional. Pretendia-se a</p><p>acumulação de metais preciosos (metalismo), pois se acreditava que estes eram o elemento essencial de riqueza e</p><p>buscava-se manter uma balança de comércio favorável. Para atingir estas duas finalidades, era importante a exploração</p><p>colonial, uma vez que nas colônias é que se encontravam os metais preciosos e os produtos tropicais que poderiam</p><p>ser úteis na exportação efetuada pela metrópole. Além disso, o intervencionismo estatal muitas vezes assumia a forma</p><p>de protecionismo e de regulamentação da atividade econômica importadora, tanto para inibi-la como para proteger a</p><p>produção manufatureira nacional (isso ampliava a perspectiva de saldo positivo também nas relações comerciais</p><p>internas).</p><p>As nações europeias colocaram essas ideias gerais em prática em função de suas características. Assim,</p><p>encontramos diversos "modelos" de mercantilismo. A Inglaterra utilizou o "comercialismo", isto é, procurou-se</p><p>desenvolver o comércio externo, apoiado num amplo programa de ampliação da marinha mercante e no patrocínio a</p><p>pirataria. A Espanha utilizou uma forma conhecida como "bulionista" ou metalista, procurando através da intervenção</p><p>estatal, impedir a saída do ouro e da prata que ela recebia da América. A França ficou conhecida pela forma</p><p>“industrialista" ou "colbertista", cuja ênfase foi a promoção da atividade manufatureira em oficinas geralmente</p><p>financiadas pelo Estado. É também importante lembrar o “cameralismo”, colocado em prática pelos Estados alemães</p><p>(a Alemanha não era uma nação unificada) e cujo objetivo último seria exatamente a criação do Estado alemão.</p><p>“Em seu sentido mais amplo o mercantilismo pode ser definido como um sistema de intervenção governamental</p><p>toda a América e 5 milhões só para</p><p>a região amazônica) foram dizimados pelo maior genocídio já praticado</p><p>ao longo da história. Existiu para os povos nativos, uma verdadeira</p><p>imposição cultural, exterminando os seus valores, suas culturas e</p><p>esquecendo-se de colocar nas linhas escritas de nossa História o</p><p>passado decorrente de antes do “descobrimento” pelos europeus.</p><p>O BRASIL, PELOS OS CONQUISTADORES</p><p>Às primeiras notícias que atravessaram o oceano sobre às novas terras, reportavam a imagem de homens que se</p><p>assustaram ao ver a nudez daqueles que “não cobrem suas vergonhas” e mostravam-se surpresos com sua “preguiça”.</p><p>Os trechos da carta de Pero Vaz de Caminha, ainda iria enaltecer às grandezas e riquezas que á futura terra</p><p>chamada Brasil, possuía. Caminha insinuava, em sua carta, a semelhança com o Paraíso Terrestre: “a inocência desta</p><p>gente é tal que a de Adão não seria menor.”</p><p>Historiadores abordam que a necessidade de incentivar uma exploração das novas terras, foi demonstrada através de</p><p>duas construções de imagens que foram reportadas a Portugal.</p><p>1. A exploração de riquezas: construiu a imagem que na Terra de Vera Cruz existia inúmeras riquezas para serem</p><p>exploradas. “tudo que se planta, dá”</p><p>2. A salvação dos nativos: construiu-se nas novas terras á necessidade da Igreja e dos portugueses, encaminharem</p><p>e salvarem aquelas almas perdidas que viviam “sem fé, sem lei e sem rei.”</p><p>Os interesses pela exploração do território eliminavam que às novas terras possuíam donos e passado. A construção</p><p>de uma história eurocêntrica, nos fez esquecer a participação dos povos indígenas na formação de nossa sociedade,</p><p>sendo que estes só adquiriram seus primeiros direitos com a criação do Serviço de Proteção ao Indígena (criado em</p><p>1910, pelo o presidente Nilo Peçanha).</p><p>12</p><p>OS CONFLITOS COM OS NATIVOS E A ESCRAVIDÃO</p><p>Às novas terras conheciam novos donos, primeiramente batizada de ilha de Vera Cruz, depois de terra de Vera Cruz e</p><p>em 1811 finalmente de Brasil. A ocupação dos europeus intensificou os conflitos com os amerindígenas, que em muitos</p><p>locais resistiram às tentativas de exploração ou imposição de trabalhos manuais e da cultura européia.</p><p>A primeira forma de relação comercial com os povos nativos foi através do escambo (troca) de mercadorias, o qual o</p><p>português trocava os serviços prestados pelos os indígenaspor produtos como espelhos, pentes, ferramentas e outros</p><p>objetos. Através do escambo os portugueses retiraram do país toneladas de pau-brasil, árvore da qual se extraía um</p><p>pó avermelhado utilizado em tintura. No entanto, tal situação era precária e dependia da disposição do indígena de</p><p>submeter-se ao trabalho, tendo em vista que os indígenas não estavam acostumados a trabalhar sem ser para sua</p><p>subsistência e assim seriam definidos de “preguiçosos”. A guerra que era travada pelos os portugueses e os</p><p>indígenas resultaria em uma excelente alternativa para o problema da mão de obra que existia. Os prisioneiros</p><p>indígenas eram transformados em escravos e a chamada “guerra justa” legitimava a escravidão de todos os que se</p><p>mantivessem hostis aos portugueses e impedissem a propagação da doutrina cristã.</p><p>O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO</p><p>Até 1530, a América não foi prioridade da Coroa portuguesa. O Brasil não era uma opção atrativa aos colonizadores,</p><p>devido a sua falta de ouro e prata e a resistência indígena. A defesa do extenso litoral ficara a cargo de expedições</p><p>guarda-costas, ineficazes para deter o assédio de outros Estados europeus. A economia nas terras brasileiras era</p><p>baseada na extração de pau-brasil e em primeiras experiências de lavoura canavieira. Com preocupações em relação</p><p>aos seus domínios na América e com a crise do comércio com o Oriente, o tratamento mudaria em relação às terras</p><p>americanas e o governo português iniciaria sua política de povoamento. Martim Afonso de Sousa iniciaria o processo</p><p>de colonização, trazendo mudas de cana-de-açúcar e os primeiros colonos aptos no seu cultivo.</p><p>A PRIMEIRA VILA</p><p>Em 1532, foi fundada a primeira vila na América portuguesa, Vila de São Vicente. Essa vila, localizava-se próximo aos</p><p>domínios castelhanos, inibindo incursões nos territórios lusos e “ameaçando” o controle espanhol sobre a</p><p>região do Prata. Fica evidente que os interesses da coroa portuguesa pelo o Brasil, inicialmente, tratava-se da</p><p>exploração de recursos, como ouro e prata, que foram</p><p>fatores motivadores para o processo de exploração pelos</p><p>os países europeus. Lembramos que o ouro e a prata eram</p><p>utilizados como moedas na Europa. A sua escassez</p><p>juntamente com a necessidade de explorar novos</p><p>mercados consumidores, eclodiu em uma soma de</p><p>resultados que fez com que os burgueses financiassem às</p><p>navegações.</p><p>Em um segundo momento, notaremos que mesmo com a</p><p>descoberta do Brasil 30 anos antes, o interesse</p><p>português só seria concretizado após a crise do</p><p>mercado do Oriente e a possibilidade de perder o</p><p>recente território para outros Estados. Os primeiros 30</p><p>anos de exploração ficariam marcados pela a presença</p><p>da Igreja, que teria como objetivo “criar” uma</p><p>civilização perfeita.</p><p>PROCESSO DE OCUPAÇÃO CAPITANIAS</p><p>HEREDITÁRIAS</p><p>Com a política de ocupação em andamento, com a</p><p>instalação da primeira vila portuguesa, a Coroa em 1534,</p><p>coloca em ação o sistema de colonização que desenvolvia</p><p>nas ilhas dos Açores e da Madeira, denominado</p><p>capitanias hereditárias. As capitanias eram grandes</p><p>extensões de terras que eram doadas para particulares,</p><p>13</p><p>com o intuito de promover o povoamento, realizar exploração econômica e exercer o governo. Notaremos que o</p><p>processo das capitanias tornava-se viável a Coroa, que cederia a terra, pensando que rapidamente conseguiria povoar,</p><p>explorar, arrecadar impostos e não necessitaria realizar investimentos de imediato.</p><p>O grande problema das capitanias ficaria registrado pela a falta de interesse dos arrendatários, que estariam</p><p>cometidos á despesas altas, além de conflitos com os indígenas. Muitos dos donatários nunca nem</p><p>desembarcaram em suas terras.</p><p>NOVA ESTRATÉGIA DE OCUPAÇÃO</p><p>Se o processo da capitania não estava funcionando, a Coroa decidiu criar, em 1548, o governador-geral. Com isso, a</p><p>Coroa, limitou os poderes dos capitães donatários, submetidos à nova instância administrativa. O governador-geral,</p><p>ficaria incumbido da defesa militar, da justiça, da arrecadação de tributos, de estímulos às atividades econômicas</p><p>e das fundações de vilas e povoações.</p><p>O grande fator responsável pela atração dos portugueses foi a produção açucareira. A partir dessa produção, permitiu</p><p>a implantação dos primeiros núcleos populacionais, com a fundação de vilas e da cidade de Salvador, que seria sede</p><p>do governo até 1763. Com esse processo de ocupação, incentivado pela a produção da cana, as capitanias hereditárias</p><p>foram gradativamente incorporadas pela Coroa, recebendo o nome de capitanias reais.</p><p>O AÇÚCAR VIRA OURO NO BRASIL</p><p>Se os primeiros resultados da exploração não haviam mostrado ouro ou prata aos portugueses, o segundo resultado</p><p>demonstrou que o ouro do Brasil deveria ser o açúcar. A partir de 1530, a produção açucareira espalhou-se por todo o</p><p>litoral da América portuguesa, principalmente nas capitanias de Pernambuco e Bahia. A economia brasileira teria</p><p>encontrado o seu motor que foi permitido devido às facilidades encontradas, como às ótimas condições do clima, o</p><p>solo nordestino e a proximidade com a Europa em relação ao sul do país. A mão de obra com a utilização dos</p><p>escravos indígenas, até o final do século XVI, gradativamente foi substituído pela mão de obra negra. Os motivos</p><p>dessa substituição deveram-se a fatores como: inadequação do indígena ao trabalho, resistência e principalmente</p><p>a alta lucratividade do tráfico negreiro.</p><p>A produção do açúcar movia a economia brasileira e o engenho constituiu-se como a unidade econômica bàsica da</p><p>colonização portuguesa, nos séculos XVI e XVII. Sabe-se que o termo engenho, inicialmente, designava apenas as</p><p>edificações e instalações nas quais se realizava a produção do açúcar. Posteriormente, passou a designar também</p><p>o conjunto da propriedade açucareira, incluindo as lavouras, as terras não cultivadas, a capela, a casa grande,</p><p>na qual morava o senhor do engenho, e a senzala, o galpão que abrigava os negros.</p><p>O NEGRO NA SOCIEDADE COLONIAL</p><p>O tráfico negreiro foi uma ferramenta de controle da Coroa, pois os colonos ficariam mais dependentes à Metrópole,</p><p>além de ser lucrativo o seu comércio. Vejamos que durante o período colonial, escravizar os indígenas, era uma tarefa</p><p>difícil para os colonos. Primeiramente os indígenas possuíam costumes e uma cultura ainda pouco conhecida, devemos</p><p>levar em conta que existia uma facilidade maior ainda para que os nativos realizassem fugas, pois estes conheciam</p><p>bem as terras. A mão de obra era escassa, necessitando cada vez mais um número superior de escravos. Somando-</p><p>se a necessidade de uma maior mão de obra, mais a dificuldade de “educar” os indígenas para o trabalho, mais</p><p>a lucratividade do tráfico para a Metrópole, mais o apto dos colonizadores com os trabalhos dos negros e mais</p><p>às dificuldades naturais que os negros enfrentariam ao tentar realizar fugas, obtivemos uma soma perfeita para</p><p>que se realizasse a escravidão de negros no Brasil.</p><p>O país totalmente agrícola, que possuía nas suas plantações suas riquezas, necessitava cada vez mais de uma mão</p><p>de obra que os indígenas não supriam. Os escravos negros seriam a partir de agora os responsáveis pela força que</p><p>impulsionaria o comércio durante todo o período colonial até a abolição da escravidão em 1888.</p><p>Os trabalhos dos escravos eram terríveis, porém, os castigos e violências a que estavam submetidos eram ainda piores.</p><p>O escravo negro ao sair de seu continente, passava por péssimas condições de viajem nos porões dos navios, com</p><p>altos índices de mortalidade. Ao chegarem ao Brasil, o negro era muitas vezes separado de suas famílias. Esses</p><p>passavam por uma série de castigos, aplicados no seu geral, pelo feitor, que podia ser um homem livre, um indígena,</p><p>um negro alforriado ou até mesmo um escravo de confiança do senhor. Note que o negro era tratado como um</p><p>animal, de propriedade de alguém, que muitos deles apesar de serem livres eram os responsáveis pelo açoitamento</p><p>14</p><p>de outros negros. No século passado, se iniciou estudos que trabalham às relações sociais dos negros durante á</p><p>escravidão. Hoje sabemos que apesar da escravidão, existia uma espécie de “diferentes classes” de negros na</p><p>sociedade escravista. Podemos apontar os negros que tinham um convívio com a casa grande, os negros que eram</p><p>mais educados, os negros de aluguéis, os negros feitores e os negros trabalhadores das plantações.</p><p>Esse processo de colonização, que soma inicialmente o indígena, mais o europeu e mais o africano é o responsável</p><p>pelas misturas das raças, que produziu o mameluco, o mulato e o cafuso. Essa mistura étnica permitiu que a</p><p>sociedade originasse um membro que nem era branco, então não era membro da alta sociedade, e nem era negro,</p><p>não podendo também ser escravo. Para o mulato só restaria serviços esporádicos, dentro de uma sociedade que era</p><p>gerida por brancos, dependentes da força de trabalho dos negros. Economicamente nossa sociedade só era composta</p><p>por senhores de engenho ou escravos, ficando os mulatos, os homens livres e os pobres á margem da história.</p><p>Poucos eram os mulatos, muito menos negros, que conseguiam uma ascensão na sociedade. Estes quando</p><p>conseguiam eram tidos e tratados como homens brancos, como é o caso de Machado de Assis que era chamado de</p><p>mulato da alma branca. Sabem-se hoje, que as pirâmides da economia colonial eram compostas por negros</p><p>livres, profissionais liberais, que contribuíram para desenvolvimento econômico no período colonial.</p><p>O “DESCOBRIMENTO” DO BRASIL</p><p>RESOLVENDO E TREINANDO</p><p>Questão-01)</p><p>Dados demográficos da população indígena do</p><p>Brasil</p><p>Disponível em: www.funai.gov.br. Acesso em: 28 jul.</p><p>2014.</p><p>A explicação para a mudança na população indígena,</p><p>ocorrida entre os anos de 1500 e 1650, está na</p><p>a) política de extração mineral.</p><p>b) prática da dominação cultural.</p><p>c) forma de catequização oficial.</p><p>d) violência da ocupação territorial.</p><p>Questão-02)</p><p>O diálogo faz referência a qual atividade econômica</p><p>registrada pela história colonial do Brasil?</p><p>a) Extração do ouro.</p><p>b) Produção do café.</p><p>c) Corte do pau-brasil.</p><p>d) Cultivo da cana-de-açúcar.</p><p>Questão-03)</p><p>A ocupação da costa brasileira foi marcada pela</p><p>condição de área de defesa, com o estabelecimento de</p><p>fortes marcando as primeiras instalações, seguida das</p><p>atividades de extração do pau-brasil e da cultura de</p><p>cana-de-açúcar.</p><p>IBGE. Atlas das representações literárias de regiões</p><p>brasileiras. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.</p><p>Essas atividades contribuíram para qual aspecto do</p><p>povoamento do território brasileiro?</p><p>a) proteção da diversidade natural.</p><p>b) Fixação dos colonizadores europeus.</p><p>c) Valorização das populações nativas.</p><p>d) Consolidação da soberania nacional.</p><p>Questão-04)</p><p>Publicado em Veneza, em 1556, o mapa abaixo é um</p><p>dos primeiros a mostrar o Brasil individualmente. Raro,</p><p>ele faz parte de uma obra italiana, Atlas dele</p><p>navigazione e Viaggi (Atlas de navegação e Viagens),</p><p>de Giovanni Battista Ramusio.</p><p>15</p><p>Trata-se de uma pintura da época sobre o Brasil, a qual</p><p>revela pouca preocupação geográfica, mas que nos</p><p>mostra:</p><p>a) uma terra de riquezas: a exuberância das matas, a</p><p>fartura de peixes nos mares e a existência de</p><p>povoadores fortes, sadios e trabalhadores.</p><p>b) indígenas extraindo troncos de pau-brasil que,</p><p>depois, eram empilhados nas feitorias. Chegando os</p><p>portugueses, os nativos eram recompensados</p><p>através de um escambo com produtos europeus.</p><p>c) o início da colonização do Brasil: os indígenas estão</p><p>derrubando as árvores para formar os campos onde</p><p>seria feito o plantio da cana-de-açúcar e a</p><p>construção dos engenhos.</p><p>d) o medo dos nativos brasileiros com a chegada das</p><p>naus portuguesas: eles estão abatendo árvores para</p><p>construção de fortificações e defesa da ameaça</p><p>europeia.</p><p>e) homens nus, selvagens, que conviviam</p><p>pacificamente com animais de grande porte, o que</p><p>causava grande espanto e medo aos colonizadores.</p><p>Questão-05)</p><p>Quando a esquadra de Cabral chegou ao território que</p><p>hoje chamamos de Brasil, o escrivão Pero Vaz de</p><p>Caminha registrou, em uma longa carta ao rei, os</p><p>principais acontecimentos. Entre eles, Caminha</p><p>destacou:</p><p>“Nesta terra, até agora, não pudemos saber que haja</p><p>ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro.</p><p>Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa</p><p>que, querendo aproveitar, dar-se-á nesta terra tudo, por</p><p>bem das águas que tem.”</p><p>Relacionando esse trecho da carta de Caminha aos</p><p>objetivos da colonização portuguesa na América, é</p><p>correto afirmar que essa colonização foi</p><p>a) de povoamento, pois se encontraram ouro e prata</p><p>na primeira viagem às novas terras.</p><p>b) de povoamento, já que havia pouca possibilidade de</p><p>as terras serem produtivas ou férteis.</p><p>c) de exploração, pois se pretendiam utilizar as águas</p><p>dos rios para a produção de energia elétrica.</p><p>d) mercantilista, pois se demonstrava interesse em</p><p>metais preciosos e exploração da agricultura.</p><p>e) mercantilista, já que a beleza do local era ideal para</p><p>a exploração do mercado turístico.</p><p>Questão-06)</p><p>Nas primeiras décadas da chegada dos portugueses no</p><p>Brasil (1500 a 1530), o governo português limitou-se a</p><p>reconhecer a terra e preservar sua posse. É o chamado</p><p>período pré-colonial.</p><p>Sobre o início da colonização do Brasil, assinale a</p><p>alternativa CORRETA.</p><p>a) No primeiro momento, o governo português enviou</p><p>expedições guarda-costas e exploradoras, bem</p><p>como priorizou a construção de feitorias.</p><p>b) O rei de Portugal ordenou a utilização da mão-de-</p><p>obra africana na extração do pau-brasil.</p><p>c) A providência imediata após o descobrimento foi a</p><p>criação do governo geral, visando a descentralizar o</p><p>poder</p><p>político.</p><p>d) O Brasil foi colonizado primeiro por invasores</p><p>franceses, com o objetivo de dominar o comércio</p><p>açucareiro.</p><p>e) A fundação das atuais cidades do Rio de Janeiro e</p><p>São Paulo fez parte do primeiro plano de ocupação</p><p>elaborado em 1510.</p><p>Questão-07)</p><p>Considere as seguintes afirmações sobre o período da</p><p>história do Brasil, compreendido entre 1500 e 1530, no</p><p>que concerne ao seu entendimento pela historiografia</p><p>tradicional:</p><p>I. Período pré-colonial em virtude da ausência de</p><p>povoamento efetivo nas novas terras, em que Portugal</p><p>enviava, de vez em quando, expedições exploratórias</p><p>que também tinham o fim de expulsar invasores.</p><p>II. Período de colonização, visto que Portugal auferia</p><p>lucros exorbitantes e realizava grandes investimentos</p><p>nos negócios com o corte e a venda do pau-brasil,</p><p>exportando o produto para o oriente.</p><p>III. Período de pouco interesse de Portugal por essa</p><p>possessão de terras, posto que estava envolvido com o</p><p>comércio nas Índias e com a exploração do litoral</p><p>africano.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) II apenas.</p><p>b) II e III apenas.</p><p>c) I e III apenas.</p><p>d) I apenas.</p><p>Questão-08)</p><p>“Eu, El-Rei, faço saber aos que este meu regimento</p><p>virem, que sendo informado das muitas desordens que</p><p>há no sertão do pau-brasil, e na conservação dele, de</p><p>que se tem seguido haver hoje muita falta, cada vez</p><p>será o dano maior se não se atalhar e der nisso a ordem</p><p>conveniente (...): mando que nenhuma pessoa possa</p><p>cortar, nem mandar cortar o dito pau-brasil, por si ou</p><p>seus escravos, sem expressa licença do provedor-mor</p><p>da minha Fazenda (...); e quem o contrário fizer</p><p>incorrerá em pena de morte e confiscação de toda a sua</p><p>fazenda.”</p><p>Felipe III, Regimento do pau-brasil, 1605.</p><p>No contexto da colonização das terras do Brasil, o</p><p>regimento do rei Felipe III apresenta medidas</p><p>associadas:</p><p>a) à afirmação do poder da Coroa espanhola, em</p><p>detrimento dos comerciantes e colonos</p><p>portugueses.</p><p>16</p><p>b) ao caráter monopolista da extração do pau-brasil,</p><p>pois era necessária autorização expressa da Coroa</p><p>para atividade extrativista.</p><p>c) às preocupações da Coroa na preservação da Mata</p><p>Atlântica, que estava sendo devastada pelos</p><p>colonos.</p><p>d) à importância do pau-brasil no comércio colonial</p><p>como principal produto de exportação da América</p><p>Portuguesa, em inícios do século XVII.</p><p>e) à afirmação da política absolutista dos reinos</p><p>europeus cerceadora de todas as iniciativas dos</p><p>colonos nas Américas.</p><p>Questão-09)</p><p>Portugal temia que as invasões de potências</p><p>estrangeiras ocupassem sua colônia, Brasil. De</p><p>imediato, Portugal conseguiu:</p><p>a) ganhar recursos valiosos com a descoberta de</p><p>minas de ouro no Sudeste.</p><p>b) centralizar a administração com sedes bem</p><p>armadas nas regiões Norte e Nordeste.</p><p>c) explorar o pau-brasil com a ajuda de tribos indígenas</p><p>brasileiras.</p><p>d) fazer aliança política com a Espanha e fortalecer seu</p><p>exército nacional.</p><p>e) montar o sistema de capitanias hereditárias com</p><p>auxílio da burguesia holandesa.</p><p>Questão-10)</p><p>Na América Portuguesa do século XVI, a política</p><p>europeia para os indígenas pressupunha também a</p><p>existência de uma política indígena frente aos</p><p>europeus, já que os Tamoios e os Tupiniquins tinham</p><p>seus próprios motivos para se aliarem aos franceses ou</p><p>aos portugueses.</p><p>Com base no excerto e nos seus conhecimentos sobre</p><p>os primeiros contatos entre europeus e indígenas no</p><p>Brasil, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A população ameríndia era heterogênea e os</p><p>conflitos entre diferentes grupos étnicos ajudaram a</p><p>definir, de acordo com suas próprias lógicas e</p><p>interesses, a dinâmica dos seus contatos com os</p><p>europeus.</p><p>b) O fato de Tamoios e Tupiniquins serem grupos</p><p>aliados contribuiu para neutralizar as disputas entre</p><p>franceses e portugueses pelo controle do Brasil,</p><p>pelo papel mediador que os nativos exerciam.</p><p>c) Os indígenas, agentes de sua história, desde cedo</p><p>souberam explorar as rivalidades entre os europeus</p><p>e mantê-los afastados dos seus conflitos</p><p>interétnicos, anulando o impacto da presença</p><p>portuguesa.</p><p>d) As etnias indígenas viviam em harmonia umas com</p><p>as outras e em equilíbrio com a natureza. Esse</p><p>quadro foi alterado com a chegada dos europeus,</p><p>que passaram a incentivar os conflitos interétnicos</p><p>para estabelecer o domínio colonial.</p><p>Questão-11)</p><p>O dia em que o capitão-mor Pedro Álvares Cabral</p><p>levantou a cruz [...] era a 3 de maio, quando se celebra</p><p>a invenção da Santa Cruz em que Cristo Nosso</p><p>Redentor morreu por nós, e por esta causa pôs nome à</p><p>terra que se encontrava descoberta de Santa Cruz e por</p><p>este nome foi conhecida muitos anos. Porém, como o</p><p>demônio com o sinal da cruz perdeu todo o domínio que</p><p>tinha sobre os homens, receando perder também o</p><p>muito que tinha em os desta terra, trabalhou que se</p><p>esquecesse o primeiro nome e lhe ficasse o de Brasil,</p><p>por causa de um pau assim chamado de cor abrasada</p><p>e vermelha com que tingem panos [...].</p><p>(Frei Vicente do Salvador, 1627. Apud Laura de Mello e</p><p>Souza. O Diabo e a Terra de Santa Cruz, 1986.</p><p>Adaptado.)</p><p>O texto revela que</p><p>a) a Igreja católica defendeu a prática do extrativismo</p><p>durante o processo de conquista e colonização do</p><p>Brasil.</p><p>b) um esforço amplo de salvação dos povos nativos do</p><p>Brasil orientou as ações dos mercadores</p><p>portugueses.</p><p>c) os nomes atribuídos pelos colonizadores às terras</p><p>do Novo Mundo sempre respeitaram motivações e</p><p>princípios religiosos.</p><p>d) o objetivo primordial da colonização portuguesa do</p><p>Brasil foi impedir o avanço do protestantismo nas</p><p>terras do Novo Mundo.</p><p>e) uma visão mística da colonização acompanhou a</p><p>exploração dos recursos naturais existentes nas</p><p>terras conquistadas.</p><p>TEXTO: 1 - Comum à questão: 12</p><p>Embora crítico do “índio de lata de goiabada” do</p><p>romantismo brasileiro, Oswald de Andrade teve pouco</p><p>ou nenhum contato com a cultura ameríndia; seus</p><p>índios são frutos da leitura dos relatos de viajantes e</p><p>documentos da era colonial, além de antropólogos</p><p>europeus em voga na época. No conhecido epigrama</p><p>do Manifesto antropófago de 1928 − “Antes dos</p><p>portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha</p><p>descoberto a felicidade” − não é difícil detectar o eco do</p><p>relato feito pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, no qual</p><p>este atesta o caráter pacífico e receptivo dos nativos:</p><p>“certamente essa gente é boa e de bela simplicidade”.</p><p>(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos</p><p>utópicos.</p><p>São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p.155)</p><p>Questão-12)</p><p>No processo de descoberta e conquista com vistas à</p><p>ocupação do território brasileiro, os portugueses se</p><p>depararam com:</p><p>17</p><p>a) a diversidade indígena que se traduzia na existência</p><p>de diversas culturas, línguas e formas de</p><p>organização social, e na resistência à colonização e</p><p>à catequização, manifestadas no grande número de</p><p>conflitos e na necessidade de negociação e alianças</p><p>por parte de portugueses.</p><p>b) o predomínio de tribos caçadoras e coletoras,</p><p>nômades, que mudaram drasticamente seu modo</p><p>de vida para sedentário, logo após entrarem em</p><p>contato com as técnicas de agricultura trazidas</p><p>pelos colonizadores.</p><p>c) a cordialidade dos nativos, que reconheceram a</p><p>superioridade do homem branco ao constatarem a</p><p>tecnologia das embarcações e das armas de fogo,</p><p>assumindo uma postura amigável que facilitou a</p><p>instalação pacífica dos primeiros núcleos de</p><p>povoamento.</p><p>d) a presença de muitos brancos europeus,</p><p>desterrados ou náufragos, que haviam se convertido</p><p>em caciques indígenas ou autoridades locais,</p><p>promovendo práticas de escambo com piratas</p><p>espanhóis e ingleses, que precisaram ser toleradas</p><p>pela Coroa portuguesa.</p><p>e) a densidade populacional alta na faixa litorânea, em</p><p>função da farta exploração da pesca e da facilidade</p><p>das tribos do litoral em trocarem seus excedentes de</p><p>alimentos, por meio da navegação marítima, em</p><p>contraste com a população escassa e rarefeita no</p><p>interior do território.</p><p>Questão-13)</p><p>A oficialização da existência do território brasileiro em</p><p>1500 não deu início imediato</p><p>à colonização. O período</p><p>entre esse evento e o início da colonização efetiva na</p><p>década de 1530 é chamado de período Pré-Colonial. A</p><p>respeito desse período, assinale V (verdadeiro) ou F</p><p>(falso) para as alternativas:</p><p>a) Os conflitos entre portugueses e franceses</p><p>dominaram o período inicial do Brasil, que foi</p><p>tomado pelos portugueses dos colonizadores</p><p>franceses. O protagonismo francês na ocupação</p><p>brasileira foi fundamental para a resistência dos</p><p>nativos aos interesses portugueses.</p><p>b) O Tratado de Tordesilhas dividiu o mundo entre as</p><p>grandes potências católicas do mundo: França,</p><p>Portugal e Espanha. Na determinação do tratado, a</p><p>América cabia aos espanhóis, a África aos</p><p>franceses e Ásia aos portugueses. Porém os</p><p>portugueses invadiram o Brasil e a África,</p><p>desrespeitando o tratado para formar seu império.</p><p>c) A exploração do pau-brasil por portugueses e</p><p>franceses marcou todo o período colonial e gerou</p><p>um forte enfrentamento entre europeus e indígenas,</p><p>resultando no extermínio militar de várias tribos</p><p>indígenas para abrir espaço para a extração da</p><p>valiosa madeira.</p><p>d) O início efetivo da colonização adotou o sistema de</p><p>capitanias submissas a um governo geral. Essa</p><p>estrutura foi adotada na América Portuguesa a fim</p><p>que combater os indígenas que lutavam em defesa</p><p>das matrizes de pau-brasil, e só o permitiram após</p><p>muita morte e violência.</p><p>Questão-14)</p><p>“(...) Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de</p><p>terra! Primeiramente dum monte, mui alto e redondo; e</p><p>doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã,</p><p>com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs o</p><p>nome – o Monte Pascoal, e à terra – a Terra de Vera</p><p>Cruz.”</p><p>CAMINHA, Pero Vaz de. “Carta. In: Freitas a el -rei D.</p><p>Manuel”.In FREITAS, Gustavo de. 900 textos e</p><p>documentos de história. Lisboa: Plátano, 1986. V. II, p.</p><p>99-100.</p><p>O texto acima é parte da carta do escrivão, Pero Vaz de</p><p>Caminha, tripulante a bordo da armada de Pedro</p><p>Álvarez Cabral, ao rei português D. Manuel, narrando o</p><p>descobrimento do Brasil. Essa expedição marítima</p><p>pode ser entendida no contexto socioeconômico da</p><p>época, como uma</p><p>a) tentativa de obtenção de novas terras, no continente</p><p>europeu, para ceder aos nobres portugueses,</p><p>empobrecidos pelo declínio do feudalismo,</p><p>verificado durante todo o século XIV.</p><p>b) consolidação do poder da Igreja junto às</p><p>Monarquias ibéricas, interessada tanto em reprimir</p><p>o avanço mulçumano no Mediterrâneo, quanto em</p><p>cristianizar os indígenas do Novo Continente.</p><p>c) busca por ouro e prata no litoral americano, para</p><p>suprir a escassez de metais preciosos na Europa, o</p><p>que prejudicava a continuidade do comércio com o</p><p>Oriente.</p><p>d) conquista do litoral brasileiro e sua ocupação,</p><p>garantindo que a coroa portuguesa tomasse posse</p><p>dos territórios a ela concedidos, pelo Tratado de</p><p>Tordesilhas, em 1494.</p><p>e) tomada oficial das terras garantidas a Portugal, pelo</p><p>acordo de Tordesilhas, e o controle exclusivo</p><p>português da rota atlântica, dando-lhes acesso ao</p><p>lucrativo comércio de especiarias.</p><p>Questão-15)</p><p>No Brasil, os europeus adotaram diferentes estratégias</p><p>para tentar controlar os indígenas ao longo do período</p><p>colonial. Sobre essas estratégias são feitas as</p><p>seguintes afirmações:</p><p>I. A presença de missionários cristãos encarregados da</p><p>“conquista espiritual dos nativos” representou uma</p><p>importante estratégia neste processo.</p><p>II. O surgimento de uma disputa pela fé dos indígenas</p><p>foi observado entre os padres vindos da Europa e os</p><p>xamãs, líderes religiosos indígenas.</p><p>III. Nessa disputa, os missionários católicos levaram</p><p>vantagem e a Ordem Religiosa que mais obteve</p><p>18</p><p>sucesso na tarefa de catequizar os índios foi a Ordem</p><p>Franciscana.</p><p>É correto o que se afirma:</p><p>a) somente em II.</p><p>b) somente em I e III.</p><p>c) em I, II e III.</p><p>d) somente em I e II.</p><p>Questão-16)</p><p>Observe a charge da cartunista Laerte.</p><p>Disponível em:</p><p>https://imagohistoria.blogspot.com.br/2017/11/charges-</p><p>historicas-brasil-colonia.html</p><p>A partir da análise da charge, e levando em</p><p>consideração os seus conhecimentos sobre o</p><p>“descobrimento do Brasil”, escolha a alternativa</p><p>INCORRETA:</p><p>A charge faz referência ao desembarque da esquadra</p><p>portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral que</p><p>aportou em terras brasileiras em 1500.</p><p>a) A primeira menção documental sobre os grupos</p><p>nativos que habitavam o território brasileiro foi</p><p>escrita por Pero Vaz de Caminha, cronista que</p><p>acompanhou a viagem comandada por Cabral.</p><p>b) A charge apresenta um humor crítico ao antever que</p><p>uma das consequências da colonização portuguesa</p><p>foi a tomada da posse da terra dos nativos.</p><p>c) O contato com os europeus foi uma das causas do</p><p>genocídio de grupos indígenas que não tinham</p><p>imunidade contra a gripe, a tuberculose e a sífilis,</p><p>doenças que, antes da chegada dos europeus ao</p><p>Novo Mundo, não existiam na América.</p><p>d) A charge evidencia a raiva e indignação do indígena</p><p>diante da ocupação de seu território.</p><p>Questão-17)</p><p>lá fora e no alto</p><p>o céu fazia</p><p>todas as estrelas que podia</p><p>na cozinha</p><p>debaixo da lâmpada</p><p>minha mãe escolhia</p><p>feijão e arroz</p><p>andrômeda para cá</p><p>altair para lá</p><p>sirius para cá</p><p>estrela dalva para lá</p><p>(LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. 12. reimpr. São Paulo:</p><p>Companhia das Letras, 2013. p. 255.)</p><p>Estrelas, a exemplo das citadas no texto, serviam para</p><p>guiar os navegantes lusitanos que se aventuravam</p><p>pelos mares. Uma comprovação disso é a famosa</p><p>“Carta do Mestre João”, relacionada à viagem</p><p>comandada por Pedro Álvares Cabral, que localiza as</p><p>atuais terras brasileiras desenhando um céu estrelado.</p><p>Acerca desses primeiros contatos dos portugueses com</p><p>os povos e as terras ocidentais, assinale a alternativa</p><p>correta:</p><p>a) Os primeiros encontros foram marcados por grande</p><p>medo de ambos os lados, pois tanto os homens de</p><p>Portugal quanto os índios não sabiam se aqueles</p><p>“estranhos” seres eram humanos. Isso acabou</p><p>impedindo a comunicação entre os dois povos.</p><p>b) Os primeiros encontros foram marcados pela</p><p>resistência dos índios, que atacaram as naus</p><p>lusitanas com suas canoas, mas foram repelidos</p><p>facilmente com os canhões das caravelas. Essa</p><p>ação violenta foi “disfarçada” pelos relatos da</p><p>expedição do descobrimento, seja por Caminha,</p><p>seja pelo Mestre João.</p><p>c) Os primeiros encontros foram bem amistosos,</p><p>destacando-se, além da boa acolhida aos</p><p>navegantes por parte dos nativos, a reverência com</p><p>que estes participaram da celebração da missa,</p><p>conforme relatou Pero Vaz de Caminha.</p><p>d) Ansiosos por riquezas, os navegantes agiram com</p><p>violência sobre as populações nativas. Por não</p><p>possuírem ouro ou outra riqueza que eles</p><p>valorizavam, os índios tiveram suas aldeias</p><p>destruídas, fugiram para o interior, o que facilitou</p><p>enormemente a ocupação por Cabral e a celebração</p><p>da Primeira Missa.</p><p>Questão-18)</p><p>A respeito da imagem acima, que reproduz um quadro</p><p>de Victor Meirelles, é correto afirmar que ela representa</p><p>a) a descoberta do Brasil no século XV, em uma</p><p>concepção profundamente religiosa, típica da</p><p>Ditadura Militar.</p><p>b) os primórdios da presença europeia no Brasil, em</p><p>uma concepção romântica de exaltação da</p><p>nacionalidade, típica do século XIX.</p><p>19</p><p>c) a união entre brancos, negros e indígenas no Brasil,</p><p>em uma concepção modernista, típica das primeiras</p><p>décadas do século XX.</p><p>d) a destruição das populações indígenas a partir do</p><p>século XVI, em uma concepção crítica, típica de</p><p>finais do século XIX.</p><p>e) a união das populações brasileiras contra as</p><p>invasões holandesas do século XVII, em uma</p><p>concepção acadêmica, típica da segunda metade do</p><p>século XVIII.</p><p>Questão-19)</p><p>O Brasil foi conquistado pelos portugueses, como</p><p>consequência da política de expansão colonial</p><p>europeia. Os portugueses dominavam diversos</p><p>mercados pelo mundo e tinham grande interesse em</p><p>encontrar novas riquezas. No início, Portugal limitou-se</p><p>ao comércio do pau-brasil. Depois, com a ameaça de</p><p>outras nações, particularmente a França, iniciou a</p><p>etapa de</p>