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<p>Direito</p><p>Sociologia e Antropologia Jurídica</p><p>Aula X</p><p>CONTROLE SOCIAL E DIREITO – CULTURA E NORMATIZAÇÃO:</p><p>CARACTERÍSTICAS DO CONTROLE SOCIAL POR MEIO DO DIREITO</p><p>Controle Social</p><p>Entende-se por controle social o conjunto de mecanismos de intervenção que cada sociedade possui para garantir e normatizar o comportamento do sujeito.</p><p>Trata-se de ferramentas de manutenção das normas estabelecidas que desestimulam comportamentos desviantes e estimulam positivamente aqueles que agem em conformidade com o sistema normativo vigente.</p><p>O estudo das finalidades, dos elementos e dos meios em que a sociedade pressiona os indivíduos a seguirem os valores sociais dominantes foi de grande interesse da Sociologia ao longo do século XX.</p><p>Formas de Controle Social</p><p>Existem duas formas de controle social:</p><p>a) formal (leis, normativas institucionalizadas… exemplo: ao furar o sinal, recebemos uma multa, que é uma forma de controle social);</p><p>b) informal (não fazem parte das legislações, mas que nós aprendemos e seguimos… exemplo: escola, igreja, mídia e demais dimensões que nos ensinam como agir e pensar);</p><p>Outra forma de observar o controle social é a partir da subdivisão:</p><p>a) interno (uma espécie de autocontrole, que ocorre por conta da existência de fatores externos – escola, igreja etc – que nos dizem como pensar e agir);</p><p>b) externo (dispositivos externos que controlam as ações dos indivíduos, como a polícia, por exemplo).</p><p>Características do Controle Social por meio do Direito</p><p>O Direito se caracteriza por ser uma forma de controle social formal, que determina normas de condutas que:</p><p>a) são interpretadas e aplicadas por agentes do Estado designados com esta função;</p><p>b) caracterizam-se por serem explicitas – indicando o que fazer ou não fazer;</p><p>c) cujo descumprimento implica na aplicação de sanções.</p><p>As sanções ditadas pelo Direito são formalizadas num código jurídico, delimitadas concretamente, circunscritas em procedimentos definidos e aplicada por instituições competentes específicas para sua aplicação.</p><p>Formas e Graus de Coerção no Sistema Jurídico</p><p>Normas de organização não associadas a sanções (processuais);</p><p>Normas que estabelecem uma obrigação sem impor uma sanção;</p><p>Ex.: condutas puníveis penalmente, mas cujos autores encontram-se em situações onde incide excludentes de culpabilidade, tipicidade ou ilicitude.</p><p>Normas de caráter promocional (de incentivo);</p><p>Ex.: legislações que admitem descontos no imposto de renda.</p><p>Normas constitucionais sem previsão de coação nem sanção (depende da pressão política);</p><p>Ex.: Todos são iguais perante a lei (art.5º, CF).</p><p>Normas de direito internacional (sem poder para impor sanção)</p><p>Tipos de Sanções Jurídicas</p><p>A sanção é a consequência do cumprimento ou não da norma</p><p>a) Positivas (promocionais)</p><p>b) Negativas (repressivas)</p><p>b.1) Preventivas – evitar a violação)</p><p>b.2) Reparatórias – contra o autor de um dano provocado por violação de norma jurídica</p><p>Categorias das Sanções Reparatórias</p><p>Constrangimento para forçar o cumprimento (SENTENÇA).</p><p>Condenação ao ressarcimento de um dano.</p><p>Imposição de uma obrigação que objetiva ressocializar o desviante:</p><p>a) Penas pecuniárias para o Estado;</p><p>b) Privação de liberdade;</p><p>c) Prestação de serviços á comunidade.</p><p>A Ótica Funcionalista e as Características do Controle Social - EAD</p><p>CERTEZA: clareza e publicidade na fixação da conduta;</p><p>EXIGIBILIDADE: o direito é “exigível” por quem vela seu respeito;</p><p>GENERALIDADE: cria modelos gerais de comportamento;</p><p>GARANTIA DO BEM COMUM: sua finalidade;</p><p>EXPANSÃO: juridicização de todas (ou quase todas) as esferas da vida;</p><p>UNIFORMIDADE: regras uniformes e explicáveis a todos os membros.</p><p>Abordagem Crítica do Controle Social por Meio do Direito</p><p>ILEGITIMIDADE DO PODER PUNITIVO: exprime mecanismos irracionais de expiação do crime; Pune para “limpar-se”; Está a serviço dos grupos de poder, que detém o poder de definição dos comportamentos desviantes.</p><p>INEXISTÊNCIAS DA DISTINÇÃO ENTRE O BEM E O MAL: “Normalidade do crime”; Não vê crimes “progressistas” que antecipam as mudanças; Como pode o Direito reivindicar para si o monopólio da verdade moral, quando ele mesmo se altera com o tempo?; A qualificação do crime.</p><p>INEXISTÊNCIA DA CULPABILIDADE PESSOAL: Pluralismo cultural; O comportamento é produto da socialização; As “subculturas” de grupos políticos ou socialmente marginais; “defasagem” do direito em relação aos valores.</p><p>Negação da Ideologia Funcionalista</p><p>IMPOSSIBILIDADE DE RESSOCIALIZAÇÃO: As sanções mais graves – “recuperação”; Prisão e estímulo às “carreiras marginais”; Os estigmas e os meios de comunicação de massas.</p><p>DESIGUALDADE NA APLICAÇÃO: Protege todas as pessoas e pune qualquer pessoa (generalidade); Indícios de seletividade na aplicação; Força da aparência (roupas, gestos, modos de falar); A imagem social do bandido.</p><p>O BRASIL: a população carcerária (censo 1993): 2/3 de negros ou mulatos; 76% de analfabetos ou semianalfabetos; 95% na faixa da pobreza.</p><p>A Sociologia dos Tribunais e a Democratização da Justiça</p><p>A Sociologia dos Tribunais surge após a Segunda Guerra Mundial.</p><p>A sociologia do direito se ocupa de um fenômeno social – o DIREITO, sobre o qual incidem séculos de produção intelectual cristalizada na Idade Moderna em disciplinas como a filosofia do direito, a dogmática jurídica e a história do direito.</p><p>Década 50/60</p><p>Condições Teóricas</p><p>Sociologia das organizações</p><p>Ciência política e pelo interesse que esta revelou pelos tribunais enquanto instância de decisão e de poder políticos</p><p>Antropologia do Direito ou da etnologia jurídica</p><p>Década 50/60</p><p>Condições Sociais</p><p>Lutas sociais (negros, estudantes, pequena burguesia)</p><p>Aprofundar o conteúdo democráticos dos regimes do pós-guerra</p><p>Igualdade dos cidadãos perante a lei X Desigualdade da lei perante os cidadãos</p><p>Transformação do Estado Liberal em Estado-Providência</p><p>Expansão e integração dos direitos sociais da classe trabalhadora e da mulher</p><p>Crise da administração da justiça</p><p>Década 70</p><p>Explosão de litigiosidade</p><p>Final de uma expansão econômica e início de uma recessão</p><p>redução dos recursos financeiros de Estado</p><p>incapacidade do Estado cumprir com compromissos sociais</p><p>incapacidade de oferecer serviços de administração da justiça compatível com a demanda</p><p>Visibilidade social dada pelos meios de comunicação</p><p>Vulnerabilidade política</p><p>Estudos Sociológicos sobre a Administração da Justiça</p><p>Organização dos tribunais</p><p>Formação e recrutamento dos magistrados</p><p>Motivações das sentenças</p><p>Ideologias políticas e profissionais dos vários setores da administração da justiça</p><p>Custo da justiça</p><p>Bloqueamentos e ritmos do processo em suas várias fases</p><p>Acesso à Justiça</p><p>Processo civil X justiça social: expansão de novos direitos econômicos e sociais paralelo à expansão do Estado Providência</p><p>Igualdade jurídico-formal X desigualdade socioeconômica</p><p>Tramitação processual não pode ficar reduzida à dimensão técnica, socialmente neutra</p><p>O Acesso à Justiça</p><p>Refere-se à possibilidade dos indivíduos de reivindicarem direitos e buscarem resolução de conflitos no âmbito do Judiciário</p><p>Possibilidade das pessoas terem efetivo acesso a resultados justos para si e para o meio social.</p><p>O surgimento e a consolidação do acesso à justiça dependeram de modificações e transformações históricas a respeito do entendimento inicial, no sentido de que os cidadãos tinham a liberdade e o direito para litigar em defesa de seus interesses.</p><p>A positivação de direitos sociais e a regulamentação crescente das esferas da vida social por meio do Direito contribuiu para a intensificação do recurso aos tribunais para a obtenção de direitos conquistados (a judicialização das relações sociais).</p><p>Acesso à Justiça</p><p>Obstáculos econômicos</p><p>custos da litigação</p><p>inversamente proporcional em relação à classe social do demandante</p><p>duração média dos processos e a lentidão da justiça</p><p>Obstáculos sociais e culturais no acesso à justiça</p><p>quanto mais baixa a classe social, mais distante o cidadão se acha da administração da justiça</p><p>ignorância de seus direitos a reparar</p><p>discriminação social no acesso à justiça derivado de processos de socialização</p><p>e interiorização de valores dominantes difíceis de transformar</p><p>Conflitos sociais e mecanismos</p><p>de resolução</p><p>Análise do litígio</p><p>pluralismo jurídico por orientação teórica</p><p>análise de mecanismos de resolução jurídica informal de conflitos operando à margem do direito estatal e dos tribunais oficiais</p><p>direito não oficial</p><p>exercido por não profissionais</p><p>em locais que funcionam como instâncias de resolução de litígios entre vizinhos</p><p>matéria habitacional e da propriedade da terra</p><p>O Estado contemporâneo não tem o monopólio da produção e distribuição do direito</p><p>O modo de juridicidade estatal, embora dominante, coexiste com outros modos de juridicidade, outros direitos que com ele se articulam de modo diverso</p><p>Declínio da litigiosidade, não pela diminuição de conflitualidade, mas pelo desvio para meios de resolução de conflitos mais baratos e expeditos</p><p>Conclusão</p><p>Ainda que tenham sido observados avanços sensíveis no acesso à justiça às minorias sociais, o acesso à justiça permanece um desafio para o Judiciário e para o campo da Sociologia do direito.</p><p>A flexibilização e simplificação de procedimentos também podem promover e perpetuar assimetrias e desigualdades, o que exige continua analise e reflexão sobre novos meios para promover a garantia de direitos e a resolução adequada de conflitos sociais.</p><p>Avaliações</p><p>AV. 02 – Dia 20/06/2022 (segunda-feira) – 6 pts.</p><p>2ª Chamada – Dia 22/06/2022 (quarta-feira).</p><p>Prova final – Dia 27/06/2022 (segunda-feira).</p><p>Importante!</p><p>O conteúdo do ambiente virtual de aprendizagem faz parte da carga horária total obrigatória da disciplina e será cobrada nas Avaliações e na próxima aula.</p><p>Muito obrigada e até a próxima!</p><p>image5.png</p><p>image6.png</p><p>image7.jpeg</p><p>image8.png</p><p>image9.jpg</p><p>image3.png</p><p>image4.png</p>