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<p>RESUMO DE AULA - DIREITO PENAL I</p><p>CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES</p><p>CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES – EXEMPLOS</p><p>QUANTO AO SUJEITO ATIVO:</p><p>Os crimes se classificam, quanto ao sujeito ativo, em comuns,</p><p>próprios e de mão própria:</p><p>Crime comum: é aquele que não exige nenhuma qualidade</p><p>específica do sujeito ativo para sua prática.</p><p>São exemplos os delitos de homicídio, de furto e de estupro.</p><p>Crime próprio: é aquele que exige determinada qualidade do</p><p>sujeito ativo para sua prática. A doutrina admite a autoria</p><p>mediata, a coautoria e a participação nos crimes próprios.</p><p>São exemplos o peculato, no qual se exige a qualidade de</p><p>funcionário público (crime funcional); o autoaborto, que só</p><p>pode ser praticado pela própria grávida; e o delito de entrega de</p><p>filho menor a pessoa inidônea, o qual só pode ser praticado</p><p>pelos genitores.</p><p>Crime de mão própria: é aquele que somente pode ser</p><p>praticado pela própria pessoa, por si mesma. Só se admite a</p><p>participação em crime de mão própria, ressalvado o caso de</p><p>perícia assinada por dois profissionais, caso em que a doutrina</p><p>entende excepcionalmente cabível a coautoria. Também</p><p>denominado de delito de conduta infungível.</p><p>São exemplos o falso testemunho e a falsa perícia.</p><p>QUANTO À NECESSIDADE DE RESULTADO NATURALÍSTICO</p><p>PARA A SUA CONSUMAÇÃO:</p><p>Este critério leva em conta a necessidade de resultado</p><p>naturalístico para a consumação, distinguindo os delitos em</p><p>materiais, formais e de mera conduta.</p><p>Crime material: é aquele que prevê um resultado naturalístico</p><p>como necessário para sua consumação. São exemplos o delito</p><p>de aborto e o crime de dano. Há quem o chame de crime de</p><p>resultado.</p><p>Crime formal: é aquele que descreve um resultado naturalístico,</p><p>cuja ocorrência é prescindível para a consumação do delito.</p><p>Também denominado de delito de tipo incongruente. É o caso</p><p>da extorsão mediante sequestro e o do descaminho.</p><p>Crime de mera conduta: é aquele cujo resultado naturalístico</p><p>não pode ocorrer, porque sequer há a sua descrição. Podemos</p><p>tomar como exemplo o crime de ato obsceno, assim como o</p><p>de violação de domicílio.</p><p>QUANTO À NECESSIDADE DE LESÃO AO BEM JURÍDICO PARA A</p><p>SUA CONSUMAÇÃO.</p><p>Se tomada como critério a necessidade ou não de efetiva lesão</p><p>ao bem jurídico, temos a classificação dos delitos em crimes de</p><p>dano e crimes de perigo. Esta forma de classificação toma</p><p>como base o resultado jurídico do delito.</p><p>Crime de dano: é aquele em que se exige, para sua</p><p>configuração, a efetiva ocorrência de lesão ou de dano ao</p><p>bem jurídico protegido pela norma penal.</p><p>São exemplos o crime de dano, o crime de vilipêndio a</p><p>cadáver, o próprio crime de dano e o infanticídio.</p><p>Crime de perigo: é aquele que, para que se considere</p><p>consumado, exige apenas que o bem seja exposto a perigo.</p><p>Portanto, a efetiva ocorrência de dano ao bem jurídico protegido</p><p>pela lei penal é desnecessária para que o crime se consume.</p><p>São exemplos os crimes de perigo de contágio venéreo, de</p><p>omissão de socorro e de tráfico ilícito de entorpecentes.</p><p>Os crimes de perigo podem ser subdivididos em:</p><p>De perigo concreto: é o crime de perigo cuja configuração</p><p>requer a demonstração de que o bem jurídico efetivamente</p><p>foi posto em perigo. É exemplo o crime de incêndio, em</p><p>que o perigo deve ser demonstrado.</p><p>De perigo abstrato (ou puro): é o crime de perigo em que a</p><p>sua consumação não depende da demonstração de que</p><p>tenha colocado o bem jurídico em risco. O risco é</p><p>presumido, de forma absoluta, pela lei. É o caso do crime</p><p>de associação criminosa e crime de posse irregular de</p><p>munição de uso permitido ou restrito, dos artigos 12 e 14</p><p>da Lei 10.826/2003.</p><p> De perigo individual: é o delito que causa perigo a uma</p><p>pessoa ou a um grupo determinado de pessoas. Pode-se</p><p>apontar como exemplo o delito de perigo de contágio de</p><p>moléstia grave.</p><p> De perigo comum ou coletivo: é aquele cujo perigo de</p><p>dano atinge um número indeterminado de pessoas. Temos</p><p>como exemplos o crime de fabrico, fornecimento, aquisição</p><p>posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou</p><p>asfixiante (artigo 253 do CP) e o de incêndio (artigo 250 do</p><p>CP).</p><p> De perigo atual: é aquele cujo perigo causado é</p><p>contemporâneo à conduta do agente. O crime de</p><p>desabamento ou desmoronamento do artigo 256 do CP</p><p>tende a ser de perigo atual, pois o desabamento de um</p><p>prédio, no momento em que ocorre, já coloca em perigo a</p><p>vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem.</p><p> De perigo iminente: é aquele cujo perigo está prestes a</p><p>acontecer. O abandono de incapaz, do artigo 133 do CP,</p><p>na prática, pode se mostrar um crime de perigo iminente, já</p><p>que, ainda que a pessoa sob cuidado não fique em perigo</p><p>imediatamente, pode ficar depois de algum tempo sem</p><p>cuidado.</p><p> De Perigo futuro ou mediato: é aquele que produz um</p><p>risco futuro. Os exemplos são a associação criminosa ou</p><p>o porte de munição de uso permitido.</p><p>A doutrina mais consagrada se preocupa em classificar os</p><p>crimes de perigo do seguinte modo, sem misturar os critérios:</p><p> Crime de perigo abstrato;</p><p> Crime de perigo concreto;</p><p> Crime de perigo individual;</p><p> Crime de perigo comum.</p><p>QUANTO À FORMA DA CONDUTA.</p><p>Leva em conta a forma da conduta, se positiva ou negativa,</p><p>separando os crimes em comissivos e omissivos.</p><p>Crime comissivo: é aquele que é praticado por um</p><p>comportamento positivo do agente, isto é, um fazer. Exemplo:</p><p>os crimes de furto e de infanticídio.</p><p>Crime omissivo: é aquele que é praticado por meio de um</p><p>comportamento negativo, uma abstenção, um não fazer.</p><p>Os crimes omissivos se subdividem em:</p><p> Omissivos próprios: é aquele previsto em um tipo</p><p>mandamental, ou seja, um tipo que já descreve um</p><p>comportamento negativo no seu núcleo. O dever jurídico</p><p>de agir, naquela situação, decorre do próprio tipo penal,</p><p>que é chamado, então, de mandamental, por tornar</p><p>criminosa uma abstenção (ou omissão) em determinadas</p><p>circunstâncias. O agente, no caso, não tem o dever de</p><p>evitar um resultado, mas simplesmente o dever de agir</p><p>para não incorrer na prática do crime.</p><p>Exemplo é o crime de omissão de socorro (“Deixar de prestar</p><p>assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança</p><p>abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao</p><p>desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses</p><p>casos, o socorro da autoridade pública”), em que a própria</p><p>descrição do tipo penal é um não fazer (deixar de prestar</p><p>assistência ou não pedir o socorro da autoridade pública). É</p><p>também do caso dos crimes do artigo 168-A, caput, e do artigo</p><p>359-F, ambos do CP.</p><p>Omissivos impróprios: também chamado de comissivo por</p><p>omissão, é aquele cujo dever jurídico de agir decorre de uma</p><p>cláusula geral, que, no Código Penal Brasileiro, está previsto em</p><p>seu artigo 13, parágrafo segundo (NECESSITA DE UMA NORMA</p><p>DE EXTENSÃO). O dever jurídico abrange determinadas situações</p><p>jurídicas e se refere a qualquer crime comissivo. O sujeito tem o</p><p>dever de evitar o resultado naturalístico. Por isso, tais delitos</p><p>são chamados comissivos por omissão. A doutrina aponta que só</p><p>abrange crimes materiais, já que o agente deve ter o dever de evitar</p><p>o resultado.</p><p>São crimes naturalmente comissivos (praticados por um</p><p>comportamento positivo, uma ação), como é o caso do</p><p>homicídio, mas que podem ser praticados por uma conduta</p><p>omissiva, no caso de o sujeito ter o dever jurídico de agir</p><p>previsto na cláusula geral.</p><p>Os crimes omissivos impróprios possuem as seguintes</p><p>modalidades:</p><p>Por dever legal: aquele que tenha por lei obrigação de cuidado,</p><p>proteção ou vigilância. É o caso dos pais em relação aos filhos</p><p>menores. Se deixarem de alimentá-los, podem responder pelo</p><p>homicídio, um delito, no caso, omissivo impróprio.</p><p>Por dever de garantidor: é o sujeito que, de outra forma,</p><p>assumiu a responsabilidade de impedir o resultado. É o salva-</p><p>vidas de um clube, que, por vínculo de trabalho, se obriga a</p><p>salvar uma criança que se afoga e pode responder pelo</p><p>resultado morte, caso se abstenha de agir.</p><p>Por ingerência na norma: é aquele que, com seu</p><p>comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do</p><p>resultado. O sujeito que pôs fogo na mata, que se alastrou e</p><p>não avisa os seus empregados rurais, que podem ser atingidos</p><p>pelo fogo, responderá por sua abstenção, no caso de sofrerem</p><p>lesão corporal.</p><p>Omissivos por comissão: parte da doutrina entende existir uma</p><p>terceira modalidade de delito omissivo, o omissivo por comissão.</p><p>Cuida-se de crime tipicamente omissivo, mas há uma ação, um</p><p>comportamento comissivo, que provoca a omissão. Daí decorre</p><p>a sua denominação (omissivo por comissão), de modo que</p><p>temos um delito naturalmente omissivo, mas que é praticado</p><p>em razão da conduta positiva de outrem.</p><p>Crime de conduta mista: é aquele cujo tipo prevê uma ação,</p><p>seguida de uma omissão, sendo que ambos os</p><p>comportamentos são necessários para a sua configuração.</p><p>Haveria, portanto, uma mistura entre o crime comissivo e o</p><p>omissivo. O exemplo é o crime de apropriação de coisa achada,</p><p>do artigo 162, inciso II, do CP. O tipo penal é o seguinte:</p><p>“quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou</p><p>parcialmente, (conduta comissiva) deixando de restituí-la ao</p><p>dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade</p><p>competente, dentro no prazo de quinze dias [conduta</p><p>omissiva].”</p><p>Crime de esquecimento ou de “olvido”: é o crime omissivo</p><p>culposo, sem representação. Em outras palavras, é o crime</p><p>omissivo praticado com culpa inconsciente, aquela em que o</p><p>agente sequer prevê o resultado, apesar de previsível. Imaginem</p><p>um pai que não cuida do filho de tão distraído que está em seus</p><p>vícios. Ele sequer se lembra de que o filho está com ele, pois era</p><p>o fim de semana em que ele cuidaria da criança. Deixa o som</p><p>alto, e a criança, sem supervisão, sofre uma queda, grita por</p><p>socorro e ele não ajuda, razão pela qual ela falece. Ele agiu com</p><p>culpa inconsciente, pois sequer previu o resultado, em um crime</p><p>omissivo. Os autores usam como exemplo os casos de alguém</p><p>que esquece a válvula do gás aberta ou que não faz um sinal de</p><p>trânsito que era necessário.</p><p>QUANTO AO TEMPO DA CONSUMAÇÃO</p><p>Considera o momento em que o crime se consuma: se de</p><p>forma imediata; se há o prolongamento no tempo desta fase do</p><p>iter criminis; se, ainda que imediata, a consumação produz</p><p>efeitos permanentes; ou, por fim, se há um prazo temporal para</p><p>sua consumação.</p><p>Crime instantâneo: é aquele que se consuma imediatamente,</p><p>em um instante definido. Podemos exemplificar com o furto.</p><p>Crime permanente: é aquele cuja consumação se protrai no</p><p>tempo, isto é, se prolonga. A fase da consumação</p><p>persiste enquanto desejar o agente. O sujeito ativo do delito</p><p>consegue prolongar no tempo a fase de consumação do delito. É</p><p>o caso da extorsão mediante sequestro.</p><p>Crime instantâneo de efeitos permanentes: é aquele que se</p><p>consuma imediatamente, em um momento determinado no</p><p>tempo, mas cujos efeitos se prolongam no tempo. É uma</p><p>subespécie do crime instantâneo. São exemplos o aborto e o</p><p>crime de parcelamento ilegal de solo.</p><p>Crime a prazo: é aquele que depende de determinado prazo</p><p>para sua consumação, como o de apropriação de coisa achada</p><p>(artigo 162, inciso II, do CP) e o de lesão corporal de natureza</p><p>grave com resultado de incapacidade para as ocupações</p><p>habituais, por mais de trinta dias (artigo 129, § 1º, inciso I, do</p><p>CP).</p><p>QUANTO À UNICIDADE OU NÃO DO TIPO PENAL</p><p>Este critério classificatório se fundamenta no fato de o tipo</p><p>penal ser único ou se ele resulta da fusão de mais de um tipo</p><p>penal:</p><p>Crime simples: é aquele que é formado por um único tipo</p><p>penal, não resultando da reunião de outros tipos. Exemplos:</p><p>infanticídio e furto.</p><p>Crime complexo: é aquele cujo tipo é resultante da junção ou</p><p>fusão de outros tipos penais, como o roubo, que decorre do</p><p>constrangimento ilegal, da ameaça ou do crime relativo à</p><p>violência e do furto. Temos, ainda, o latrocínio, resultante da</p><p>soma do furto e do homicídio. Por fim, podemos exemplificar</p><p>com a extorsão mediante sequestro, delito no qual se fundem os</p><p>tipos penais da extorsão e do sequestro.</p><p>QUANTO À DEPENDÊNCIA DE OUTRO CRIME PARA EXISTIR</p><p>Considera a relação entre os delitos, se há ou não a</p><p>dependência de outra infração para a sua configuração:</p><p>Crime principal: é aquele que existe independentemente da</p><p>ocorrência de outro delito. Se não possui ligação com outro</p><p>delito, pode ser chamado de independente. Exemplos: furto,</p><p>homicídio e estupro.</p><p>Crime acessório: é aquele cuja ocorrência depende de um</p><p>crime anterior. Exemplos: receptação, lavagem de capitais e</p><p>favorecimento real. No caso de lavagem de dinheiro, o próprio</p><p>agente pode ter cometido o crime anterior, pois se admite a</p><p>punição da chamada autolavagem.</p><p>QUANTO À FORMA DE UTILIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA</p><p>CONSUNÇÃO</p><p>Cuida-se de classificação que simplesmente diferencia as</p><p>modalidades de aplicação do princípio da consunção ou da</p><p>absorção, um dos incidentes no chamado concurso aparente de</p><p>normas:</p><p>Crime progressivo: é aquele em que o agente, para atingir o seu</p><p>objetivo, precisa praticar um crime menos grave que é o</p><p>caminho para a prática de outro. Cuida-se de</p><p>condutas necessárias para a prática do crime desejado. É o caso</p><p>do homicida que se utiliza de uma faca para a execução do</p><p>crime. Ele pratica várias lesões corporais para se atingir o</p><p>homicídio, respondendo apenas por este último crime (norma</p><p>consuntiva). Para o entendimento atual do STJ, não se deve</p><p>adotar a regra de o mais grave absorver o menos grave, mas</p><p>de o crime-fim absorver o crime-meio.</p><p>Progressão criminosa: é aquele em que há modificação do</p><p>elemento subjetivo do agente, que passa pela realização de</p><p>dois ou mais tipos penais, ocorrendo a absorção pelo crime-</p><p>fim. É o caso do sujeito que vai até a casa da ex-namorada</p><p>para lhe dar uns socos e, lá chegando, resolve matá-la. Neste</p><p>caso, há uma modificação do dolo, sendo que a prática das</p><p>lesões corporais, previstas na norma consunta, era o objetivo</p><p>inicial do agente. Ele, então, o modifica e, buscando a morte da</p><p>vítima, torna sua conduta, que inicialmente pretendia, mero</p><p>meio de execução de um resultado mais gravoso, a morte da</p><p>vítima. A consequência é que o crime de homicídio absorve o</p><p>crime-meio, o de lesões corporais.</p><p>QUANTO AO NÚMERO DE ATOS EXIGIDOS PARA A</p><p>CONSUMAÇÃO</p><p>Este critério leva em conta a realização de um só ato ou de uma</p><p>pluralidade de atos, pelo sujeito ativo, para a configuração do</p><p>crime. O critério, mais tecnicamente, é de fracionamento ou não</p><p>da conduta, não se aplicando uma diferenciação puramente</p><p>mecânica:</p><p>Crime unissubsistente: é aquele que se realiza com um único</p><p>ato, como o desacato ou a injúria, ambos praticados</p><p>verbalmente. A conduta não pode ser fracionada. A doutrina</p><p>majoritária não admite tentativa deste tipo de crime. É o</p><p>caso da injúria verbal e, para parte da doutrina, o do crime do</p><p>artigo 178 do CP.</p><p>Crime plurissubsistente: é aquele cuja prática exige mais de</p><p>uma conduta para sua configuração. Em outras palavras, a</p><p>conduta do agente pode ser fracionada, possibilitando a</p><p>interrupção da execução, por circunstâncias alheias à vontade</p><p>do agente, e, com isso, a punição do conatus (modalidade</p><p>tentada do crime). É o caso do homicídio, da extorsão</p><p>mediante sequestro e do estelionato.</p><p>QUANTO À NECESSIDADE DE MAIS DE UM SUJEITO ATIVO</p><p>Classificam-se os crimes quanto à necessidade ou não de mais</p><p>de um sujeito ativo para sua configuração:</p><p>Crime unissubjetivo, monossubjetivo ou de concurso</p><p>eventual: é aquele que pode ser praticado por apenas um</p><p>indivíduo. A doutrina aponta que este tipo de delito é que torna</p><p>importante o estudo do concurso de pessoas, por não ser</p><p>necessária a pluralidade de agentes para a própria configuração</p><p>do delito.</p><p>Crime plurissubjetivo ou de concurso necessário: é aquele</p><p>cuja realização típica exige mais de um agente.</p><p>O crime plurissubjetivo se subdivide em:</p><p>Crime plurissubjetivo de condutas convergentes ou</p><p>bilaterais: as condutas dos agentes devem se direcionar uma</p><p>em direção à outra. Exemplo é o delito de bigamia.</p><p>Crime plurissubjetivo de condutas paralelas:</p><p>as condutas dos</p><p>indivíduos devem atuar paralelamente, possibilitando a prática</p><p>delitiva. É o caso da associação criminosa.</p><p>Crime plurissubjetivo de condutas contrapostas – as</p><p>condutas dos agentes devem ir de encontro umas às outras, ou</p><p>seja, se contraporem. É assim classificado o crime de rixa.</p><p>QUANTO À EXIGÊNCIA DE FORMA ESPECÍFICA PARA A SUA</p><p>PRÁTICA</p><p>É o critério de a lei penal prever ou não uma forma determinada</p><p>para a prática da infração penal, sendo que só se configurará o</p><p>delito se o sujeito ativo agir daquele modo específico para a</p><p>realização típica:</p><p>Crime de forma livre: é aquele que não prevê uma forma</p><p>específica de realização do núcleo do tipo, como o furto e o</p><p>homicídio.</p><p>Crime de forma vinculada: é aquele que tem forma ou formas de</p><p>realização do núcleo do tipo especificamente previstas em lei. É o</p><p>caso do curandeirismo, que possui algumas formas previstas</p><p>nos incisos do artigo 284 em que o núcleo do tipo pode ser</p><p>realizado:</p><p>QUANTO AO LUGAR</p><p>Há a classificação dos crimes para denominar aqueles cujo iter</p><p>criminis perpassam mais de um local, abrangendo ou não mais</p><p>de uma soberania:</p><p>Crime à distância ou de espaço máximo: é a infração penal</p><p>cujo iter criminis (caminho do crime, com suas fases de cogitação,</p><p>preparação, execução, consumação e, ao final, eventual</p><p>exaurimento) abrange mais de um país. Ou seja, é aquela infração</p><p>penal que, em seu desenvolvimento, percorre mais de um território</p><p>soberano. Referido tipo de crime torna importante o estudo do local</p><p>do crime que, segundo o Código Penal, deve ser compreendido sob</p><p>a ótica da teoria da ubiquidade.</p><p>Crime plurilocal: é aquele que percorre, em sua prática, mais de</p><p>um lugar, mas dentro do mesmo território soberano. Sua</p><p>importância se volta ao processo penal, especialmente para</p><p>determinação da competência ratione loci, ou seja, a territorial.</p><p>QUANTO AOS VESTÍGIOS</p><p>De maior interesse para o Direito Processual Penal, há a</p><p>classificação dos crimes quanto a deixarem ou não vestígios:</p><p>Crime de fato transeunte (delicta facti transeuntis): é aquele que</p><p>não deixa vestígios, tornando desnecessária a realização do</p><p>exame de corpo de delito. É o caso da injúria verbal e do ato</p><p>obsceno.</p><p>Crime de fato permanente (delicta facti permanentis): é aquele</p><p>que deixa vestígios, tornando necessária a realização do exame de</p><p>corpo de delito. Classificam-se assim o delito de estupro, de</p><p>falsidade de documento público e o de lesão corporal.</p><p>QUANTO À CONDIÇÃO OBJETIVA DE PUNIBILIDADE</p><p>Classificação de acordo com a necessidade ou não de condição</p><p>objetiva de punibilidade:</p><p>Crime condicionado: é aquele que depende de uma condição</p><p>objetiva de punibilidade, como no caso dos crimes tributários do</p><p>artigo 1º da Lei 8.137/90 (dependem da constituição definitiva do</p><p>crédito tributário) e dos crimes falimentares (dependem da sentença</p><p>que decrete a falência, conceda a recuperação judicial ou</p><p>homologue o plano de recuperação extrajudicial).</p><p>Crime incondicionado: é aquele que não possui condições</p><p>objetiva de punibilidade para sua configuração e consumação. De</p><p>ordinário, é o que ocorre com o roubo e o descaminho.</p><p>QUANTO À NATUREZA DOS CRIMES MILITARES</p><p>Os crimes militares podem ser de dois tipos, os próprios e os</p><p>impróprios:</p><p>Crime militar próprio: é aquele que só possui tipificação no âmbito</p><p>militar, como é o caso de deserção, previsto no artigo 187 do</p><p>Código Penal Militar. Se um civil praticar referida conduta, haverá</p><p>fato penalmente atípico. A condenação anterior por crime militar</p><p>próprio não configura a reincidência, nos termos do artigo 64, II, do</p><p>Código Penal.</p><p>Crime militar impróprio: é aquele que está previsto na legislação</p><p>penal militar, mas possui tipificação também como crime não militar.</p><p>Se um cidadão civil praticar a conduta, há crime; se o agente for</p><p>militar, há crime previsto na legislação especial. São exemplos o</p><p>furto e o homicídio.</p><p>QUANTO AO SIJEITO PASSIVO</p><p>No tocante ao sujeito passivo, alguns delitos possuem algumas</p><p>peculiaridades e, por isso, possuem nomenclatura específica:</p><p>Crime vago: é aquele que possui sujeito passivo imediato um ente</p><p>sem personalidade jurídica, como a coletividade. É o crime de ato</p><p>obsceno e o de casa de prostituição.</p><p>Crime de dupla subjetividade passiva: é aquele que possui mais</p><p>de um sujeito passivo imediato. É o caso do aborto sem</p><p>consentimento da gestante (artigo 125 do CP) e de violação de</p><p>correspondência (artigo 151 do CP).</p><p>QUANTO AO NÚMERO DE BENS JURÍDICOS ATINGIDOS</p><p>Apesar de se tratar de classificação menos frequente na doutrina</p><p>criminalista, podemos dividir as infrações penais, ainda, no tocante</p><p>ao número de bens jurídicos ofendidos com a realização típica.</p><p>Seriam as espécies de crime, segundo tal critério:</p><p>Crime mono-ofensivo: é aquele que atinge apenas um bem</p><p>jurídico, como furto, que ofende o patrimônio.</p><p>Crime pluriofensivo: é aquele que viola a mais de um bem</p><p>jurídico. Podemos exemplificar com o latrocínio, que atinge o</p><p>patrimônio e a vida.</p><p>QUANTO AO TRATAMENTO DIFERENCIADO DA TENTATIVA:</p><p>Há alguns crimes que possuem um tratamento diferenciado quanto</p><p>à tentativa e consumação:</p><p>Crimes que só admitem a forma tentada: são os de lesa-pátria. É o</p><p>caso do crime de abolição violenta do Estado Democrático de</p><p>Direito está previsto no artigo 359-L do Código:</p><p>Art. 359-L. Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o</p><p>Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos</p><p>poderes constitucionais:</p><p>Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à</p><p>violência.</p><p>O próprio núcleo do tipo é “tentar abolir”, de modo que só a conduta tentada é</p><p>punida.</p><p>Crimes de atentado ou de empreendimento: é aquele em que o</p><p>legislador equipara a forma tentada à forma consumada do delito,</p><p>prevendo a mesma pena para ambas as modalidades. É exemplo o</p><p>artigo 352 do CP, bem como o do artigo 309 do Código</p><p>Eleitoral:</p><p>Art. 309. Votar ou tentar votar mais de uma vez, ou em lugar de outrem:</p><p>Pena – reclusão até três anos.</p><p>QUANTO AO NÚCLEO DO TIPO:</p><p>É possível, ainda, classificar o delito quanto ao número de núcleos</p><p>do tipo e a necessidade ou não se sua realização cumulativa para a</p><p>sua configuração:</p><p>Crime de ação simples: é o crime que possui apenas um núcleo</p><p>do tipo, consistente no verbo principal que descreve a conduta</p><p>típica. É o caso do homicídio:</p><p>Art. 121. Matar alguém:</p><p>Pena – reclusão, de seis a vinte anos.</p><p>Crime de ação múltipla, de ação plurinuclear, de conteúdo variado ou tipo</p><p>misto: é o crime que possui mais de um núcleo do tipo, podendo ser</p><p>dividido em alternativo ou cumulativo:</p><p>Crime de tipo misto alternativo: é o crime que possui mais de um núcleo</p><p>do tipo, sendo que a prática de apenas um deles é suficiente para a sua</p><p>consumação e a prática de mais de um deles, no mesmo contexto,</p><p>configura crime único. É o caso do artigo 33, caput, da Lei 11.343/06:</p><p>Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir,</p><p>vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer</p><p>consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer</p><p>drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com</p><p>determinação legal ou regulamentar:</p><p>Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500</p><p>(quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.</p><p>Crime de tipo misto cumulativo: é o crime que possui mais de um núcleo</p><p>do tipo, sendo que as condutas não são fungíveis entre si. Estão no</p><p>mesmo tipo penal por opção do legislador, mas poderiam estar em tipos</p><p>penais diversos. A prática de cada um deles configura um delito diverso. É</p><p>o caso do crime do artigo 242 do CP. Também se exemplifica com o</p><p>atentado contra a liberdade de trabalho e boicotagem violenta, previsto</p><p>no artigo 198 do CP:</p><p>Art. 198 – Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a</p><p>celebrar contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de</p><p>outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:</p><p>Pena – detenção, de um mês a um ano, e multa,</p><p>além da pena correspondente</p><p>à violência.</p><p>QUANTO À PENA PREVISTA</p><p>Em razão de benefícios previstos em lei para determinadas faixas</p><p>de pena previstas para os delitos, há a seguinte classificação:</p><p>Infrações penais de menor potencial ofensivo: é a infração penal</p><p>de competência dos Juizados Especiais Estaduais e Federais (salvo</p><p>regras de conexão), com pena máxima não superior a 2 anos,</p><p>cumulada ou não com multa. Para tais delitos, são cabíveis a</p><p>transação penal e a suspensão condicional do processo.</p><p>Infrações penais de médio potencial ofensivo: é a infração</p><p>penal com pena máxima superior a 2 anos, mas cuja pena</p><p>mínima seja igual ou inferior a um ano. Para tais delitos, é</p><p>cabível a suspensão condicional do processo, razão pela qual a</p><p>doutrina criou referida classificação.</p><p>Infrações penais de maior potencial ofensivo: é a infração</p><p>penal com pena máxima superior a 2 anos e pena mínima</p><p>superior a um ano. Em outras palavras, são os crimes para os</p><p>quais não são cabíveis a transação penal nem a suspensão</p><p>condicional do processo.</p><p>OUTRAS CLASSIFICAÇÕES</p><p>Neste tópico, seguem outras classificações efetuadas pela doutrina,</p><p>em que há algumas denominações utilizadas em relação às</p><p>infrações penais:</p><p>Crime subsidiário: um crime é subsidiário em relação a outro</p><p>quando descreve um grau menor de violação do bem jurídico. A</p><p>análise, este caso, é feita em concreto, relação de minus e de plus,</p><p>ou seja, de maior ou menor intensidade. Neste caso, havendo</p><p>conflito aparente de normas, é levada em conta a análise do fato.</p><p>O crime pode ser expressamente subsidiário, como ocorre com o</p><p>artigo 132 do Código Penal, que prevê o crime de perigo para a vida</p><p>ou a saúde de outrem:</p><p>Art. 132 – Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:</p><p>Pena – detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime</p><p>mais grave.</p><p>Também é expressamente subsidiário o crime de importunação sexual.</p><p>Crime multitudinário: é aquele cometido por uma reunião de</p><p>pessoas, no clima de tumulto ou histeria coletiva, que torna os</p><p>limites éticos dos indivíduos, temporariamente, menos rígidos. São,</p><p>por exemplo, os casos de linchamentos de pessoas acusadas</p><p>da prática de um crime que causa comoção na comunidade.</p><p>Crime de opinião (ou de palavra): é o crime que se configura com</p><p>o abuso da liberdade de expressão ou de pensamento, como o</p><p>caso da difamação.</p><p>É diferente do crime de expressão, analisado acima, que a conduta</p><p>delitiva deriva da expressão pelo autor, mas após o uso de sua</p><p>atividade intelectual. O exemplo é o falso testemunho.</p><p>Crime habitual: é o crime que exige uma reiteração de atos para</p><p>sua consumação, sendo que a doutrina aponta ser necessária a</p><p>demonstração do estilo de vida do agente. São exemplos o</p><p>rufianismo e a casa de prostituição.</p><p>Crime profissional: é o crime habitual, realizado com intuito de</p><p>lucro, para parte da doutrina. Para outra parcela, é o crime cometido</p><p>por meio da profissão lícita do agente, como meio para realizar uma</p><p>conduta criminosa.</p><p>Crime mercenário: é o crime cometido com intuito de lucro.</p><p>Crime de ímpeto: é aquele cometido no calor da emoção, sem</p><p>premeditação. É o que ocorre no caso de homicídio cometido</p><p>sob o domínio de violenta emoção, logo após injusta</p><p>provocação da vítima.</p><p>Crime funcional: é o que é cometido pelo funcionário público. Se</p><p>for funcional próprio, só pode ser cometido pelo funcionário</p><p>público, como a prevaricação. Por sua vez, o funcional</p><p>impróprio consiste em conduta tipificada tanto para o particular</p><p>(exemplo: apropriação indébita) quanto para o funcionário</p><p>público, de forma especial (por exemplo: peculato-apropriação).</p><p>Crime de ação violenta: é aquele praticado com emprego de força</p><p>física ou com grave ameaça. Os exemplos podem ser o estupro e o</p><p>crime de lesão corporal.</p><p>Crime de ação astuciosa: é o crime praticado por meio de astúcia,</p><p>de uma fraude ou um engodo. É o caso do estelionato.</p><p>Crime de circulação: é o crime praticado na condução de veículo</p><p>automotor.</p><p>Crime internacional ou mundial: é o crime que o Brasil se</p><p>obrigou a reprimir no Direito Internacional, por meio de tratado</p><p>ou convenção, como o tráfico internacional de entorpecentes e</p><p>o tráfico internacional de pessoas para fins de exploração</p><p>sexual. Entretanto, há quem utilize para se referir aos crimes de</p><p>lesa-humanidade, de competência do Tribunal Penal Internacional.</p><p>É usado, ainda, por alguns, para definir o crime à distância.</p><p>Crime obstáculo: é o que se antecipa para determinar a punição</p><p>do que seriam atos meramente preparatórios, trazendo punição</p><p>autônoma. Exemplos são os crimes de associação criminosa e de</p><p>petrechos para falsificação de moeda. Para Zaffaroni e Batista,</p><p>cuida-se de previsão de constitucionalidade duvidosa, por violação</p><p>do princípio da lesividade e por falta de legitimidade baseada em</p><p>evitar o risco ao bem jurídico tutelado. O STJ já usou o termo “tipo</p><p>penal preventivo” para um crime obstáculo, o de porte de arma de</p><p>fogo.</p><p>Crime remetido: é o delito cuja definição faz remissão ou</p><p>referência a outro tipo penal. É o caso do crime de uso de</p><p>documento falso:</p><p>Uso de documento falso - Art. 304 – Fazer uso de qualquer dos</p><p>papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a</p><p>302:</p><p>Pena – a cominada à falsificação ou à alteração.</p><p>Não confundir com norma penal em branco, que pede complemento</p><p>do tipo penal por outra norma, e não por outro tipo penal.</p>