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<p>HISTÓRIA</p><p>DA</p><p>RADIOLOGIA</p><p>Profº Everton Mendes</p><p>Aula 02</p><p>TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA</p><p>Quando falamos em exames por imagem logo pensamos em</p><p>Röntgen(1845-1923), físico que, no final do século passado, deu a luz</p><p>aos Raios X.</p><p>Com a sua descoberta, a ciência médica entrou na era radiológica, e</p><p>passou a examinar o corpo humano sem a necessidade de abrir o</p><p>paciente, iniciando aí a medicina que tudo vê.</p><p>A partir deste advento e com o avanço tecnológico, muitas outras</p><p>formas de ‘ver por dentro’ foram desenvolvidas, e os raios X se</p><p>tornaram cada vez melhores.</p><p>Até que na década de 60, dois grandes nomes da radiologia:</p><p>Godfrey Newbold Hounsfield (1919-2004) e o Dr. James</p><p>Ambrose (1923-2006), baseados em estudos matemáticos do</p><p>físico Allan MacLeod Cormack (1924-1998), tiveram a ideia de</p><p>acoplar um computador a cristais sensíveis à radiação, que deu</p><p>início a primeira geração dos tomógrafos.</p><p>Dessa forma, o primeiro aparelho de TC foi desenvolvido em</p><p>1972, inicialmente, restrito a análise de encéfalo e</p><p>crânio. Segundo relatos históricos, o desenvolvimento da</p><p>pesquisa de Hounsfield – engenheiro da EMI Ltda – foi</p><p>patrocinado com verba obtida pela venda de aproximadamente</p><p>200 milhões de LPs da banda inglesa The Beatles em 1968,</p><p>produzido pela gravadora.</p><p>Nesse protótipo Hounsfield usou uma fonte de amerício-241,</p><p>emissora de raios gama, computador com programação para</p><p>reprodução bidimensional e detectores de cristal de iodeto de</p><p>sódio. Devido a baixa densidade da fonte de irradiação, o tempo</p><p>de aquisição da imagem foi de nove dias e o computador levou</p><p>150 minutos para processar uma simples imagem. Algo</p><p>revolucionário, mas ainda precisava ser melhorado. No início, as</p><p>imagens eram reproduzidas de forma borrada, mas hoje são</p><p>tridimensionais, nítidas e de alta resolução.</p><p>• Em 20 de abril de 1972, Housfield e Ambrose apresentam no</p><p>congresso anual de British Institute of Radiology, as primeiras</p><p>imagens obtidas por um novo método de utilização da radiação,</p><p>capaz de medir descontinuidade de densidades para construir</p><p>imagens do interior do corpo. Nasce aqui, a Tomografia Axial</p><p>Computadorizada.</p><p>A tomografia computadorizada passou por diversas inovações</p><p>sendo a principal a introdução do sistema computacional. Sua</p><p>trajetória se dá por diferentes gerações classificadas em:</p><p>Tomografia Linear ou Convencional – primeiro método de</p><p>aquisição de imagens, cuja principal característica é formação de</p><p>imagens diretamente em filmes radiográficos que resulta imagens</p><p>de baixa qualidade e muitos artefatos;</p><p>• Tomografia Helicoidal – caracterizada por realizar uma</p><p>hélice em torno do corpo ao invés de uma sucessão de círculos</p><p>que permite que as informações sejam captadas de maneira</p><p>contínua com a reconstrução de imagens de qualquer secção</p><p>analisada;</p><p>• A tomografia multislice ou multicorte – caracterizada por suas</p><p>múltiplas fileiras de detectores que permite baixíssimo tempo de</p><p>aquisição (0,5 s), baixa dose de radiação e redução no tempo do</p><p>exame. adquirir simultaneamente quatro cortes de imagens.</p><p>A principal vantagem da TC é que permite o estudo por ‘cortes’</p><p>do corpo humano vivo, além ainda de apresentar maior distinção</p><p>entre dois tecidos e densidade. Assim, é possível detectar ou</p><p>estudar anomalias que não seriam visualizadas em outros</p><p>exames ou de outra forma que não seja invasiva, sendo assim</p><p>um exame diagnóstico de grande funcionalidade.</p><p>O primeiro tomógrafo do Brasil foi instalado em São Paulo, no Hospital</p><p>Beneficência Portuguesa, em 1977. Pouco tempo depois, o primeiro</p><p>aparelho do Rio de Janeiro iniciou funcionamento, em julho de 1977, na</p><p>Santa Casa de Misericórdia.</p><p>APARELHO DE TOMOGRAFIA</p><p>COMPUTADORIZADA</p><p>Nikola Tesla sentado calmamente entre suas bobinas</p><p>com milhões de volts, no laboratório em Colorado</p><p>Springs.</p><p>RESSONÂNCIA MAGNÉTICA</p><p>Nikola Tesla descobriu o campo magnético rotativo, em 1882,</p><p>em Budapeste, Hungria. A imagem acima trata-se uma Bobina</p><p>de Tesla, um transformador capaz de gerar alta tensão,</p><p>inventado cerca de nove anos antes da imagem acima ter sido</p><p>feita.</p><p>• Em 1956, a “Unidade de Tesla” foi proclamada na Rathaus de</p><p>Munique, Alemanha, pelo International Electro-technical</p><p>Commission-Committee of Action. Todos os aparelhos de</p><p>ressonância magnética são calibrados em “Unidades de Tesla”.</p><p>A intensidade de um campo magnético é medido em Unidades</p><p>de Tesla ou Gauss. Quanto mais forte for o campo magnético,</p><p>maior será a quantidade de sinais de rádio que podem ser</p><p>induzidos a partir de átomos do corpo e, portanto, maior será a</p><p>qualidade das imagens de ressonância magnética.</p><p>• Em 1937, o Professor Isidor I. Rabi observou no Laboratório de</p><p>Física da Universidade de Columbia o fenômeno quântico</p><p>apelidado de ressonância magnética nuclear (RMN). Ele</p><p>reconheceu que os núcleos atômicos mostram sua presença</p><p>através da absorção ou emissão de ondas de rádio, quando</p><p>expostos a um campo magnético suficientemente forte.</p><p>• Como a Ressonância Magnética (MRI) funciona?</p><p>• Imagem por Ressonância Magnética é uma técnica de</p><p>diagnóstico médico que cria imagens do corpo humano,</p><p>usando o princípio da ressonância magnética nuclear. Ele</p><p>pode gerar imagens de seção fina de qualquer parte do corpo</p><p>humano – a partir de qualquer ângulo e direção. Na</p><p>ressonância magnética é possível fazer uma tal imagem do</p><p>corpo humano quando o corpo é exposto a um campo</p><p>eletromagnético.</p><p>Em primeiro lugar, a MRI cria um estado estacionário de</p><p>magnetismo no interior do corpo humano, colocando o corpo de</p><p>um campo magnético contínuo. Depois, em segundo lugar, a</p><p>ressonância magnética estimula o corpo com ondas de rádio</p><p>para mudar a orientação de estado estacionário de prótons. Em</p><p>terceiro lugar, a máquina de MRI para as ondas de rádio e</p><p>regista transmissão eletromagnética do corpo. Finalmente, em</p><p>quarto lugar, o sinal transmitido é usado para construir as</p><p>imagens internas do corpo pela tomografia axial computorizada.</p><p>Uma imagem de ressonância magnética não é uma fotografia. Na</p><p>verdade, é um mapa ou imagem computadorizada de sinais de</p><p>rádio emitidos pelo corpo humano. Devido a isso a ressonância</p><p>magnética é superior à tomografia porque a tomografia usa</p><p>radiação ionizante, enquanto a ressonância magnética utiliza</p><p>ondas de rádio inofensivas.</p><p>APARELHO DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA</p><p>MAMOGRAFIA</p><p>ERA DOS PIONEIROS</p><p>Em 1913, Albert Salomon, um cirurgião alemão, publicou sua</p><p>monografia sobre a utilidade dos estudos radiológicos dos</p><p>espécimes de mastectomia, demonstrando a possibilidade de</p><p>correlação anatomorradiológica e patológica das doenças da</p><p>mama com diferencial de afecções benignas e malignas.</p><p>A este, seguiram-se trabalhos de vulto com Kleinschmidt,</p><p>Warren, Vogel, Seabold, Gerson-Cohen, Leborgne, Egan,</p><p>Gallagher, Martin, Dodd, Strax, e seus colegas. O intrigante</p><p>trabalho desenvolvido pela renomada patologista Helen Ingleby,</p><p>em 1950, incluía avaliação da mama e suas variações de acordo</p><p>com a idade e estado menstrual, além da correlação radiológica</p><p>micro e macroscópica com técnica de cortes histológicos</p><p>seccionais da mama.</p><p>Em 1949, Raul Leborgne revitaliza o interesse pela mamografia,</p><p>chamando a atenção sobre a necessidade de qualificação</p><p>técnica para o posicionamento e parâmetros radiológicos</p><p>utilizados. Ele foi o pioneiro na melhoria da qualidade da</p><p>imagem, além de dar ênfase especial ao diagnóstico diferencial</p><p>entre calcificações benignas e malignas.</p><p>Filmes especiais, desenvolvidos pela Kodak, e a técnica de alta</p><p>miliamperagem, com baixa quilovoltagem, padronizada por Robert Egan</p><p>conduzem a um novo patamar de qualificação técnica. Em 1962, esse</p><p>autor relata os primeiros 53 casos de câncer mamário ocultos,</p><p>detectados em 2.000 exames mamográficos.</p><p>Nesta mesma época,</p><p>John Martin e colegas demonstram que excelentes</p><p>estudos mamográficos poderiam ser feitos e padronizados em clínicas</p><p>privadas. Concomitantemente, o Colégio Americano de Radiologia (ACR)</p><p>estabelece comitês e centros de treinamento em âmbito nacional. Este</p><p>foi o embrião do Comitê de Mamografia do ACR.</p><p>ERA DO PROGRESSO TÉCNICO</p><p>A chamada Era do Progresso Técnico tem entre seus maiores</p><p>contribuintes Gould, Wolfe, Gross, e seus colaboradores. O</p><p>desenvolvimento da xeromamografia foi o resultado da</p><p>colaboração entre indústria e medicina. Em 1960, Howard e</p><p>Gould descrevem o aprimoramento de imagem obtido com a</p><p>técnica de xeromamografia, e em 1966, John Wolfe apresenta</p><p>sua grande experiência com o uso de xeromamografia na Quinta</p><p>Conferência sobre Mamografia, na Universidade de Emory, em</p><p>Atlanta.</p><p>Tamanho foi o interesse que o ACR solicitou à Xerox a instituição de</p><p>programas de pesquisas avançadas com o método, com novos ensaios</p><p>clínicos, e com a contribuição de Wolfe, Martin e Gloria Frankl. É</p><p>importante salientar que já naquela época Wolfe classificava os sinais</p><p>sutis de câncer mamário e sua relação com a densidade do parênquima</p><p>mamário.</p><p>Em 1965, Charles Gross, de Estrasburgo, França, desenvolve a</p><p>primeira unidade dedicada à mamografia. Engenhosamente,</p><p>este aparelho tinha um tubo de raios X de molibdênio com 0,7</p><p>mm de ponto focal, proporcionando elevado contraste diferencial</p><p>entre parênquima, gordura e microcalcificações, e um</p><p>apropriado sistema de compressão constituía complemento</p><p>importante. Gross trabalha com grande dedicação, sempre</p><p>chamando a atenção para o grande potencial da mamografia na</p><p>detecção de câncer oculto.</p><p>ERA MODERNA</p><p>A Era Moderna, como ficou conhecida, conta com a contribuição</p><p>de Price, Butler, Ostrum, Becker, Isard, Moskowitz, Sickles,</p><p>Kopans, Homer, Tabár, e seus colaboradores, entre outros.</p><p>Em 1970, Price e Butler, utilizando écrans de alta definição e</p><p>filmes industriais, obtêm grande sucesso na redução dos níveis</p><p>de radiação. Neste aspecto, as empresas Kodak e a Dupont são</p><p>responsáveis pela grande contribuição técnica.</p><p>Em 1974, Myron Moskowitz e seus colaboradores apresentam</p><p>resultados preliminares sobre rastreamento mamográfico e</p><p>chamam a atenção da comunidade médica a respeito da</p><p>capacidade da mamografia em diagnosticar câncer minimante</p><p>invasivo.</p><p>Em 1977, Sickles, Kunio Doi e Genant publicam os resultados</p><p>sobre magnificação mamográfica, enfatizando a necessidade de</p><p>adição permanente de novos dispositivos nos aparelhos de</p><p>mamografia, tamanha a sua importância. Sickles insiste na</p><p>capacitação técnica e no constante aprimoramento. Enfatiza a</p><p>necessidade de diagnosticar tumores malignos não só pelos</p><p>sinais clássicos, mas também por sinais indiretos e menos</p><p>evidentes. Já naquela época populariza o conceito da unidade</p><p>móvel de mamografia em vans.</p><p>Em 1976, Frank, Ferris e Steer descrevem sistema de marcação</p><p>pré-operatória com agulhamento metálico de lesões não</p><p>palpáveis na mamografia, e em 1980, Kopans e DeLuca</p><p>exemplificam o sistema aprimorado deste método. Atualmente,</p><p>as agulhas utilizadas recebem o nome de agulhas de Kopans.</p><p>Em 1985, László Tabár e colaboradores descrevem os resultados</p><p>obtidos com rastreamento de 134.867 mulheres entre 40 e 79</p><p>anos, a partir de uma única imagem obtida em posicionamento</p><p>oblíqua-mediolateral, verificando redução de 31% de</p><p>mortalidade.</p><p>Tabár desenvolve incansável operosidade científica, com</p><p>inúmeras publicações, conferências e cursos. Também promove</p><p>vários cursos na área de epidemiologia, rastreamento,</p><p>diagnóstico precoce e estabelece novos conceitos em</p><p>correlação clínico-radiológico-patológica, com avaliação</p><p>sistematizada de cortes seccionais de espécimes e achados</p><p>mamográficos(19). Além dele, numerosos outros radiologistas</p><p>devotam sua grande experiência ao ensino e divulgação da</p><p>mamografia. Nesse campo, podemos destacar Eklund, Feig,</p><p>Logan, Alcon, e Paulus.</p><p>MAMOGRAFIA DIGITAL</p><p>Em setembro de 1991, sob os auspícios do Instituto Nacional de</p><p>Saúde dos Estados Unidos, e atendendo ao consenso de</p><p>especialistas em diagnóstico mamário, fica estabelecida a</p><p>prioridade de investimentos para o desenvolvimento da</p><p>mamografia digital.</p><p>Já, naquela década, havia um excepcional desenvolvimento de</p><p>tecnologia digital, em todos os campos da radiologia, incluindo a</p><p>mamografia.</p><p>Em junho de 1996, a Food and Drug Administration (FDA) publica</p><p>instruções normativas para as empresas interessadas, com</p><p>orientação quanto aos ensaios clínicos, no sentido de obter</p><p>aprovação oficial para a comercialização de equipamentos de</p><p>mamografia digital. A FDA estima que a análise comparativa do</p><p>estudo de no mínimo 520 mulheres, sendo 260 com achados</p><p>normais e 260 com achados anormais, seriam suficientes para</p><p>atingir os parâmetros pré-estabelecidos de avaliação. Estudos</p><p>complementares são realizados e a análise detalhada do novo</p><p>sistema confirma sua excelência técnica, principalmente na</p><p>aquisição, equalização, apresentação e pós-processamento de</p><p>imagens</p><p>Primeiro equipamento digital</p><p>A partir de 2000, o Senographe 2000 D é aprovado pela FDA. O</p><p>equipamento de mamografia digital de aquisição direta é composto por</p><p>um gerador de raios X com características semelhantes ao do sistema</p><p>convencional. A grande inovação consiste na introdução de um</p><p>controlador computadorizado (com controle automatizado de</p><p>qualidade) e a substituição do sistema filme/écran por um detector</p><p>eletrônico altamente diferenciado e eficaz na absorção do feixe de</p><p>raios X.</p><p>Atualmente, várias empresas se dedicam ao desenvolvimento e</p><p>comercialização de mamógrafos digitais, sistemas auxiliares de</p><p>diagnóstico auxiliar por computação (CAD) e tomossíntese mamária,</p><p>esta aprovada em 2011 pela FDA.</p><p>MAMOGRAFO MODERNO</p><p>HEMODINÂMICA</p><p>Foi através de uma experiência em seu próprio corpo, em 1929,</p><p>que o cirurgião alemão Werner Forssmann revolucionou as</p><p>pesquisas sobre doenças cardíacas e desenvolveu o que serviria</p><p>de base para a Hemodinâmica moderna. Forssmann introduziu</p><p>um cateter na veia de seu braço e, com o controle de imagens de</p><p>radioscopia, levou o tubo até o átrio direito de seu coração.</p><p>De lá pra cá, o cateterismo cardíaco percorreu um longo caminho</p><p>até chegar aos dias atuais, com possibilidades diagnósticas e</p><p>terapêuticas. Hoje, muitos dos problemas que demandavam</p><p>cirurgias podem ser resolvidos através do cateterismo, reduzindo</p><p>drasticamente o tempo de internação do paciente e impactando</p><p>na queda dos índices de morbidade e mortalidade.</p><p>No Rio de Janeiro, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), na</p><p>Tijuca, Zona Norte do Rio, ocupa lugar de destaque na área. Em</p><p>1988, o hospital criou de forma pioneira no estado um serviço de</p><p>Hemodinâmica, na época grande novidade no país, que ajudou</p><p>a colocar a instituição na posição de referência em que se</p><p>encontra até hoje neste tipo de atendimento. Nessas três</p><p>décadas, a unidade contabiliza mais de 25,5 mil intervenções</p><p>diagnósticas e terapêuticas no serviço, que funciona 24 horas e</p><p>oferece procedimentos cardíacos, vasculares e neurológicos.</p><p>Há 30 anos, o estado do Rio contava somente com três</p><p>equipamentos de cateterismo e um deles era o nosso. Foi</p><p>comprada uma máquina digital que era top de linha no exterior.</p><p>De lá pra cá, foram adquiridos mais dois equipamentos; o atual</p><p>chegou em 2014. Os procedimentos e a tecnologia que</p><p>disponibilizamos no hospital, com suporte do setor de Imagem,</p><p>com exames de ressonância magnética e tomografia</p><p>computadorizada, não devem em nada ao que é oferecido nos</p><p>melhores hospitais de grande porte do mundo", conta o</p><p>cardiologista e coordenador do setor de Hemodinâmica</p><p>do HSVP,</p><p>Cyro Vargues, há 40 anos no hospital.</p><p>Primeiro stent</p><p>Em meio a esse processo, surgiram os stents cardíacos, uma</p><p>das grandes evoluções para quem necessita de desobstrução</p><p>das artérias coronarianas. A endoprótese, associada às técnicas</p><p>utilizadas pela Hemodinâmica, permite que doenças que antes</p><p>eram tratadas na mesa de cirurgia possam ser abordadas com</p><p>técnicas não invasivas. O HSVP detém um marco importante</p><p>nesta área: foi lá que, em 1998, foi feita a primeira angioplastia</p><p>com implante de stent do Rio de Janeiro.</p><p>Passamos a usar o cateterismo para tratamento da doença e</p><p>não somente para fim de diagnóstico; o paciente faz o exame e é</p><p>tratado dentro do mesmo processo na sala de Hemodinâmica.</p><p>Hoje, utilizamos a técnica de implante de stent, sem a</p><p>necessidade de abrir o peito, em cerca de 70% dos pacientes</p><p>que antes precisavam passar por cirurgia. O material também se</p><p>desenvolveu; agora usamos os stents farmacológicos que</p><p>contam com um medicamento que é liberado na parede da</p><p>artéria, impedindo que a lesão volte.</p><p>As arritmias agudas só eram tratadas de forma medicamentosa;</p><p>atualmente temos os cateteres de ablação e a maioria dos</p><p>casos tem indicação de uso deles, com cura efetiva. Sem contar</p><p>as obstruções de artérias cerebrais, abdominais e periféricas que</p><p>passaram a ser resolvidas via cateterismo. A qualidade das</p><p>imagens dos exames também melhorou muito, possibilitando</p><p>uma visualização bem mais precisa das lesões", explica Cyro.</p><p>Mais qualidade de vida</p><p>Em 2013, aos 58 anos, o engenheiro Josias Vasconcellos já não</p><p>tinha mais forças e fôlego para pequenas tarefas do dia a dia.</p><p>Não conseguia mais levantar da cama, tomar banho e se vestir</p><p>sozinho. Após passar por oito médicos diferentes, ele agendou</p><p>uma consulta no HSVP com o médico Cyro Vargues, depois de</p><p>sua esposa assistir a uma entrevista na televisão com o</p><p>profissional.</p><p>Nos últimos cinco anos, Josias se submeteu a dezenas de</p><p>procedimentos cardiovasculares no hospital, inclusive a uma cirurgia</p><p>para a troca da válvula aórtica, e viu sua saúde melhorar</p><p>exponencialmente.</p><p>Maiores ganhos</p><p>Para o paciente, além da redução do tempo de internação e de</p><p>recuperação que uma cirurgia exige, a maior segurança e menor</p><p>chance de complicações que envolvem os procedimentos</p><p>realizados pela Hemodinâmica são benefícios importantes.</p><p>"Todos os trabalhos científicos feitos nesses anos mostram que a</p><p>redução da morbidade, como complicações pós-operatórias, por</p><p>exemplo, e da mortalidade foi gigantesca.</p><p>A Hemodinâmica é uma das especialidades da Medicina que</p><p>mais evoluiu no mundo inteiro. Hoje, quando o paciente faz</p><p>um cateterismo pela via radial, que engloba cerca de 90% dos</p><p>casos, ele recebe alta pouco tempo depois do procedimento. Se</p><p>for por via femoral, ele fica em torno de seis horas no hospital.</p><p>Nos casos de cirurgia, o tempo médio de internação é entre cinco</p><p>e sete dias. A agilidade do procedimento e da recuperação</p><p>impacta diretamente no melhor resultado para a saúde do</p><p>paciente. Acredito que as cirurgias invasivas vão acabar. A</p><p>tendência é aposentarmos o bisturi, que vai virar peça de</p><p>museu", ressalta o cardiologista.</p><p>Os Primeiros Passos da Ultrassonografia</p><p>A história da ultrassonografia remonta aos anos 1950, quando os</p><p>primeiros experimentos com ondas ultrassônicas foram</p><p>realizados para fins médicos. Naquela época, as imagens</p><p>geradas eram rudimentares e de baixa resolução, limitando a</p><p>aplicação clínica da técnica.</p><p>No entanto, à medida que a tecnologia de eletrônica e</p><p>transdutores avançou, os exames de ultrassom foram</p><p>aprimorados significativamente. A década de 1970 marcou um</p><p>ponto de virada, com a introdução dos primeiros scanners de</p><p>ultrassom, que permitiram a obtenção de imagens mais</p><p>detalhadas e precisas.</p><p>A Era Digital e a Medicina de Precisão</p><p>A chegada da era digital na medicina teve um impacto</p><p>transformador na ultrassonografia. A transição dos sistemas</p><p>analógicos para os digitais trouxe uma melhoria significativa na</p><p>qualidade das imagens, proporcionando maior nitidez, definição</p><p>de contraste e redução de artefatos, tornando a técnica ainda</p><p>mais confiável para diagnósticos precisos.</p><p>Com os avanços tecnológicos, também surgiram novas</p><p>modalidades de ultrassonografia, como o Doppler colorido, que</p><p>possibilita a visualização do fluxo sanguíneo em tempo real.</p><p>Essa capacidade permitiu que a ultrassonografia se tornasse</p><p>uma ferramenta valiosa para avaliar a circulação em órgãos</p><p>como o coração, o cérebro e os vasos sanguíneos periféricos.</p><p>Ultrassonografia 3D/4D e Medicina Fetal</p><p>Nos anos mais recentes, a ultrassonografia 3D e 4D trouxeram</p><p>uma dimensão totalmente nova para a medicina de precisão,</p><p>permitindo uma visão tridimensional dos órgãos e estruturas</p><p>internas do corpo. Essas tecnologias são especialmente</p><p>relevantes na medicina fetal, permitindo aos médicos visualizar o</p><p>desenvolvimento do feto com detalhes impressionantes.</p><p>As imagens tridimensionais oferecem informações essenciais</p><p>para o diagnóstico precoce de anomalias congênitas,</p><p>possibilitando a intervenção antes do nascimento e melhorando</p><p>a qualidade de vida dos recém-nascidos e suas famílias.</p><p>Ultrassonografia Contrastada</p><p>Outro avanço notável na ultrassonografia é a utilização de</p><p>agentes de contraste, que permitem aprimorar a visualização de</p><p>certas estruturas e realçar áreas de interesse. Esses agentes</p><p>consistem em microbolhas de gás encapsuladas em uma</p><p>membrana que, quando injetadas no corpo, refletem mais</p><p>ultrassons do que o sangue circundante.</p><p>Essa técnica é especialmente valiosa na identificação de lesões</p><p>hepáticas, no diagnóstico de tumores e no mapeamento de</p><p>vasos sanguíneos complexos, proporcionando informações</p><p>detalhadas para um tratamento mais preciso e individualizado.</p><p>Medicina de Precisão: Diagnóstico e Tratamento</p><p>Personalizado</p><p>A evolução da ultrassonografia tem contribuído de maneira</p><p>significativa para a medicina de precisão, que busca oferecer</p><p>diagnósticos mais acurados e tratamentos personalizados para</p><p>cada paciente. Com a obtenção de imagens mais nítidas e</p><p>detalhadas, os médicos podem identificar anomalias em estágios</p><p>iniciais, possibilitando intervenções precoces e aumentando as</p><p>chances de recuperação.</p><p>A ultrassonografia é amplamente utilizada em diversas</p><p>especialidades médicas, incluindo ginecologia, obstetrícia,</p><p>cardiologia, urologia, gastroenterologia e medicina interna. Sua</p><p>aplicação abrange desde o diagnóstico de doenças cardíacas e</p><p>acompanhamento de gestações até a detecção de tumores e</p><p>avaliação de órgãos internos.</p><p>A evolução da ultrassonografia tem sido notável ao longo dos</p><p>anos, transformando essa técnica em uma ferramenta essencial</p><p>para a medicina de precisão. Com imagens mais nítidas,</p><p>recursos tridimensionais, técnicas contrastadas e</p><p>monitoramento em tempo real, a ultrassonografia proporciona</p><p>diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e uma</p><p>melhor qualidade de vida para os pacientes.</p><p>A constante inovação tecnológica na ultrassonografia promete</p><p>continuar aprimorando essa técnica e ampliando suas aplicações</p><p>na medicina diagnóstica e terapêutica. A colaboração entre</p><p>especialistas, engenheiros e pesquisadores continua a</p><p>impulsionar a ultrassonografia rumo a novos horizontes na</p><p>medicina de precisão, beneficiando a saúde de milhões de</p><p>pessoas ao redor do mundo.</p><p>RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA</p><p>A primeira radiografia dental</p><p>Cerca de 20 dias após a descoberta de Röntgen, um cientista</p><p>conhecido como Dr. Giesel,</p><p>que vivia em Braunschweig, na</p><p>Alemanha, tentou fazer uma radiografia dos dentes do dentista</p><p>Otto Walkhoff.</p><p>Usando uma placa de vidro com emulsão fotográfica, envolvida</p><p>com papel preto e lenço de borracha, o cientista conseguiu</p><p>radiografar a boca do dentista, registrando assim a primeira</p><p>radiografia dental da história.</p><p>O dentista americano Edmund Kells foi o primeiro profissional</p><p>que se dedicou a estudar os raios-X como um elemento para</p><p>realizar exames clínicos em pacientes de odontologia.</p><p>Em abril de 1896, ele realizou a primeira radiografia dentária nos</p><p>Estados Unidos. Apesar de o exame já ter sido realizado</p><p>anteriormente, na Alemanha, foi quando a técnica foi realizada</p><p>em solo americano que teve um maior reconhecimento.</p><p>Na época, os exames eram feitos sem nenhuma proteção contra</p><p>a radiação. Por conta disso, Kells sofreu muitas consequências</p><p>físicas em nome da ciência e da história da radiologia</p><p>odontológica.</p><p>Ele literalmente deu a vida pela ciência! Inicialmente, perdeu um</p><p>dedo da mão esquerda. Posteriormente, todo o braço foi</p><p>amputado por conta das interferências da radiação.</p><p>Alguns anos depois, começou a ter problemas também com a mão</p><p>direita e todo o restante do corpo. Foram 20 anos de muitas dores e</p><p>efeitos agonizantes, que levaram o dentista a ter que se submeter a</p><p>mais de 42 cirurgias e enxertos de pele.</p><p>Por conta do sofrimento, Kells cometeu o suicídio, buscando terminar</p><p>de uma vez por todas com a agonia que as dores lhe causavam.</p><p>O surgimento da técnica da bissetriz</p><p>Um dos pontos mais relevantes da história da radiologia</p><p>odontológica é o surgimento da técnica da bissetriz, que ocorreu</p><p>em 1907. O cientista Cieszynski foi quem a desenvolveu.</p><p>A técnica da bissetriz é baseada em um teorema geométrico que</p><p>estabelece que dois triângulos são iguais quando eles têm dois</p><p>ângulos iguais e um lado comum.</p><p>A partir disso, Cieszynski idealizou a regra que diz: “O ângulo</p><p>formado pelo longo eixo do dente e o longo eixo do filme</p><p>resultará em uma bissetriz na qual o feixe de raios-X deverá</p><p>incidir perpendicularmente”.</p><p>A chegada dos aparelhos de radiografia no Brasil</p><p>A história da radiologia odontológica no Brasil teve início em</p><p>1898, três anos após a descoberta de Röntgen. Na época, um</p><p>médico e cientista chamado Dr. José Carlos Ferreira Pires</p><p>adquiriu um aparelho de raios-X.</p><p>O equipamento importado chegou no porto do Rio de Janeiro e</p><p>foi levado até a cidade de Formiga, em Minas Gerais, no lombo</p><p>de um burro. Atualmente, esse aparelho está no Museu de</p><p>Odontologia de Nova York.</p><p>https://brlaudos.com.br/equipamentos-para-clinicas-de-radiologia/</p><p>Algumas décadas depois, em 1932, o professor da Faculdade</p><p>de Farmácia e Odontologia de São Paulo, Dr. Cyro A. Silva</p><p>implantou a radiologia no currículo acadêmico.</p><p>Foi apenas nessa época que os estudantes de Odontologia</p><p>começaram a estudar os raios-X para diagnosticar problemas</p><p>bucais nos pacientes.</p><p>O surgimento da radiografia digital</p><p>Entre as décadas de 1980 e 2000, começaram e se</p><p>desenvolveram os estudos sobre a radiografia digital.</p><p>A principal inovação que essa técnica trouxe é a não</p><p>necessidade do uso de filme radiográfico para coletar as</p><p>imagens dos pacientes, tendo em vista que elas ficam</p><p>registradas em softwares computacionais.</p><p>https://brlaudos.com.br/escolher-filme-radiografico/</p><p>O pioneiro na área foi o dentista e inventor francês Francis</p><p>Moyen que, em 1987, demonstrou o primeiro sistema de</p><p>radiografia digital intraoral para odontologia.</p><p>EQUIPAMENTO RAIOS X ODONTOLÓGICO</p><p>DENSITOMETRIA ÓSSEA</p><p>A Densitometria Óssea (DO) é um método diagnóstico por</p><p>imagem simples e indolor, que analisa a densidade mineral</p><p>óssea a partir do teor de cálcio de um paciente, a partir de um</p><p>scanner de raio x com baixa quantidade de radiação ionizante,</p><p>onde é radiografado as vértebras lombares ou o colo do fêmur,</p><p>pois são nessas áreas ósseas que ocorrem as principais fraturas</p><p>por perda de massa óssea quando se atinge a terceira idade.</p><p>Exame padrão ouro para diagnosticar patologias como a</p><p>osteoporose e osteopenia, a DO foi desenvolvida por John</p><p>Cameron e James Sorenson em 1963. O primeiro equipamento</p><p>de Densitometria Óssea comercial da história foi desenvolvido na</p><p>Universidade de Wisconsin – Madison USA em 1972, sob a</p><p>tutela de Richard B. Mazess, Ph. D. fundador da Lunar</p><p>Corporation. O aparelho chegou ao Brasil em 1989 (BONNICK,</p><p>2012; FRAZÃO; NAVEIRA, 2006).</p><p>A osteoporose e a osteopenia são patologias que se</p><p>caracterizam pela deterioração do tecido ósseo ou seja, perda</p><p>da Densidade Mineral Óssea (DMO). São doenças similares,</p><p>uma em consequência da outra. (HOOLICK et al 2010). A</p><p>definição densitométrica de cada uma, ficou estabelecido em</p><p>1994 pela Organização Mundial da Saúde, onde ao nível de</p><p>lombar ou fêmur proximal o critério é de DMO -1,0 a -2,5DP para</p><p>osteopenia e para valores inferiores a -2,5DP para osteoporose</p><p>(VONDRACEK et al 2009).</p><p>Outra questão sobre a diferença entre as duas patologias</p><p>também é definido pela OMS, osteoporose caracteriza-se como</p><p>uma doença metabólica sistêmica, onde há perda da massa</p><p>óssea e da microarquitetura do tecido ósseo, a osteopenia por</p><p>sua vez, há perda de massa óssea porém não há perda da</p><p>microarquitetura do tecido ósseo (BEGHETTO et al 2014).</p><p>Geralmente silenciosas, essas doenças só são percebidas em</p><p>estágio avançado, quando há de 30 a 40% de perda óssea,</p><p>dessa forma ocorrendo fraturas, por exemplo no fêmur proximal,</p><p>onde prejudica a capacidade do paciente de se locomover. É</p><p>considerado um problema de saúde pública, com maior</p><p>incidência na população idosa, tendo um agravante em pessoas</p><p>acima de 50 anos, principalmente do sexo feminino de etnia</p><p>brancas e amarelas no período pós-menopausa (RODRIGUES;</p><p>PINHEIRO, 2010).</p>

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