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<p>ANTROPOLOGIA</p><p>E SOCIOLOGIA FILOSÓFICA</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>DAIANY CRIS SILVA</p><p>• Mestre em Ciências Sociais – Universidade Estadual de Maringá (2020);</p><p>• Licenciada em Ciências Sociais – Universidade Estadual de Maringá (2018);</p><p>• Professora de Sociologia na rede de educação básica do estado do Mato Grosso/</p><p>SEDUC – MT (2021);</p><p>• Professora de Sociologia e Antropologia Jurídica e Filosofia do Direito na Faculdade de</p><p>Nova Mutum - MT/FAMUTUM (2021);</p><p>• Professora conteudista da UNICESUMAR EAD – Disciplina de “Fundamentos</p><p>sociológicos e antropológicos da educação” (2020);</p><p>• Professora conteudista da VG EDUCACIONAL – Disciplinas de “Introdução a Sociologia”</p><p>e “Projetos Sociais: conceitos, elaboração e operacionalização” (2020 – 2021);</p><p>• Diretora de Juventude – Gabinete do Prefeito da Prefeitura Municipal de Maringá</p><p>(2020);</p><p>• Professora de Sociologia na rede de educação básica do estado do Paraná/ SEED – PR</p><p>(2018-2020);</p><p>• Link do Currículo na Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/9836626816148868</p><p>Cientista Social e Professora de Sociologia. Possui licenciatura e mestrado em Ciências</p><p>Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Possui experiência no ensino de</p><p>sociologia e antropologia para o nível superior, médio regular e de jovens e adultos.</p><p>Desenvolve trabalhos como professora conteudista em diversas instituições na</p><p>modalidade EAD. Atuou na gestão de políticas públicas para a juventude na Prefeitura</p><p>Municipal de Maringá- PR. Os principais interesses de pesquisa são: geração, gênero,</p><p>juventude e velhice.</p><p>.</p><p>http://lattes.cnpq.br/9836626816148868</p><p>http://lattes.cnpq.br/9836626816148868</p><p>APRESENTAÇÃO DA APOSTILA</p><p>Olá, estudante!</p><p>Na disciplina de Antropologia e Sociologia Filosófica iremos conhecer os diversos</p><p>olhares sobre o entendimento do humano, como a ciência construiu metodologias e</p><p>teorias que pensam em nós, como sociedade que produz significados, contradições e</p><p>conhecimento. Você, estudante, terá como principal objetivo nesta disciplina se</p><p>desprender de concepções pré-concebidas e refletir sobre a sociedade em que vive.</p><p>Para alcançar esse objetivo você, estudante, terá que cumprir um caminho em</p><p>quatro etapas, relacionadas nas diferentes unidades da disciplina e que propõe debates</p><p>importantes para a consolidação da antropologia como ciência.</p><p>Na unidade I, vamos conhecer o conceito de sociedade pela perspectiva da</p><p>sociologia, teremos a dimensão de como esse campo científico se formou, o seu</p><p>contexto histórico de formação e duas diferentes metodologia e teorias. Nesta unidade,</p><p>perceberemos que a sociologia é muito importante para a compreensão do mundo que</p><p>vivemos.</p><p>Já na unidade II você saberá mais sobre o conceito de cultura e a sua relação com</p><p>a consolidação da antropologia com um campo científico, conheceremos, ainda, os</p><p>diferentes campos de estudos sobre cultura.</p><p>Na sequência, na unidade III falaremos a respeito da filosofia e os campos de</p><p>estudo dessa área do conhecimento. Ao conhecermos os estudos filosóficos,</p><p>tomaremos contato com questões como: existência, natureza, liberdade, amor e moral.</p><p>Em nossa unidade IV, vamos finalizar o conteúdo dessa disciplina discutindo</p><p>sobre as diversidades culturais, diferenças religiosas e os desafios impostos pela era</p><p>digital na sociedade moderna.</p><p>Esperamos que esta disciplina possa contribuir significativamente para a sua</p><p>formação profissional.</p><p>Bons estudos!</p><p>UNIDADE I</p><p>A HUMANIDADE E A VIDA EM SOCIEDADE</p><p>Professor Mestra Daiany Cris Silva</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Conceitos e Definições de sociedade;</p><p>• Campos de estudo das ciências sociais;</p><p>• Contextos históricos para o surgimento da sociologia;</p><p>• A imaginação sociológica.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Conceituar e contextualizar a definição de sociedade;</p><p>• Compreender os estudos sociológicos como ferramenta de entendimento humano;</p><p>• Estabelecer a importância da sociologia como ciência.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Olá, estudante!</p><p>Você já se perguntou o que é sociedade? O que caracteriza e faz possível a</p><p>formação de uma sociedade? Ou, ainda, pensou se é possível fazer da sociedade um</p><p>objeto de estudo? Nesta primeira unidade dos nossos estudos sobre antropologia e</p><p>sociologia filosófica, buscaremos responder essas perguntas, principalmente, no que se</p><p>refere à definição do conceito de sociedade.</p><p>Para conseguirmos responder questões como as citadas acima, precisamos</p><p>conhecer a ciência que se dedica a estudar as sociedades humanas, a sociologia.</p><p>Portanto, discutiremos sobre os diferentes campos de estudo nas ciências sociais e</p><p>traçaremos um breve histórico de surgimento dos estudos sobre a vida em sociedade,</p><p>ou seja, conheceremos o contexto que possibilitou a consolidação da sociologia como</p><p>uma ciência.</p><p>Diante da apresentação de todos esses temas, perceberemos, estudante, que a</p><p>sociologia é uma ciência que possibilita a compreensão da realidade social em que</p><p>vivemos, suas problemáticas e possibilidades. Ao conhecermos os estudos sociológicos</p><p>perceberemos as complexidades da vida em sociedade e, por meio desse conhecimento,</p><p>teremos a possibilidade de refletir sobre as nossas possibilidades de ação no meio social.</p><p>Espero que você, estudante, diante do material apresentado, tenha condições</p><p>de compreender a importância da sociologia.</p><p>Bons Estudos!</p><p>1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE SOCIEDADE</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/crowd-people-</p><p>walking-street-1379935829</p><p>Uma das grandes questões para quem desconhece a sociologia é: como seria</p><p>possível estudar a vida em sociedade? E para responder a essa questão, precisamos,</p><p>primeiramente, compreender o que é um objeto de estudo científico nessa área.</p><p>Todo conhecimento científico precisa de algo para concentrar seus estudos, um</p><p>objeto, aquilo que podemos manusear, provar e manipular para que novas descobertas</p><p>sobre determinado assunto surjam. Na biologia, por exemplo, o objeto científico é a</p><p>natureza, portanto, o estudo que os biólogos realizam buscam compreender todas as</p><p>complexidades da natureza, para isso, utiliza-se laboratórios, microscópios e muitos</p><p>outros instrumentos de manuseio desse objeto de estudo, que pode ser representado</p><p>por células, vegetais, animais, dentre outros. Já na Sociologia, os Sociólogos e Cientistas</p><p>Sociais, estudam a sociedade, ou seja, estudamos grupos de pessoas que se organizam</p><p>e se relacionam coletivamente de uma determinada maneira, desse modo, o nosso</p><p>ambiente de estudo é a vida humana em coletividade, as relações entre as pessoas, a</p><p>família, a escola, os hábitos e gostos de diferentes lugares, a política e muitos outros</p><p>temas que fazem parte da nossa vida cotidiana.</p><p>Sabe o que isso tudo significa na prática? Significa que a Sociologia é a Ciência</p><p>que se dedica a conhecer o mundo em que vivemos e possui como um dos seus</p><p>principais objetivos mostrar por meio dos seus estudos quais são as características da</p><p>nossa sociedade, quais são nossos maiores problemas e como podemos enfrentá-los.</p><p>Portanto, quando nos perguntam se é possível tornar a vida em sociedade em</p><p>um objeto de estudo científico, podemos responder com toda certeza que sim, pois,</p><p>para a Sociologia, a Sociedade é um objeto de estudo científico com métodos e técnicas</p><p>de análise próprias.</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/crowd-people-walking-street-1379935829</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/crowd-people-walking-street-1379935829</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Segundo uma definição prática de sociedade de GIDDENS E SUTTON (2017),</p><p>Sociedade é: “um conceito usado para descrever as instituições e relações sociais</p><p>estabelecidas entre uma grande comunidade de pessoas que não pode ser reduzida a</p><p>um mero acúmulo ou agregação de indivíduos” (GIDDENS e SUTTON, 2017, P.37). Isso</p><p>quer dizer, estudante, que não basta um grupo maior de três pessoas</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Conceitos e Definições do conhecimento filosófico;</p><p>• Breve histórico da formação do conhecimento filosófico;</p><p>• Períodos da filosofia grega;</p><p>• Questões filosóficas: a ética e a moral.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Conceituar e contextualizar a filosofia como campo de conhecimento;</p><p>• Compreender a formação histórica da filosofia;</p><p>• Estabelecer a importância da filosofia como ferramenta de entendimento humano.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Olá, estudante!</p><p>Nesta unidade, conheceremos as discussões sobre o ser humano na filosofia,</p><p>para isso teremos quatro tópicos para aprendermos o tema.</p><p>No tópico: conceitos e definições do conhecimento filosófico, discutiremos para</p><p>quê serve a filosofia? É isso mesmo, iniciaremos compreendendo a definição da filosofia,</p><p>essa área do conhecimento que é constituída pelo amor ao conhecimento sobre a</p><p>humanidade.</p><p>No tópico: breve histórico da formação do conhecimento filosófico, tomaremos</p><p>contato com as condições históricas que fizeram possível o surgimento da filosofia. Será</p><p>possível nesse momento reconhecer que a filosofia só foi possível, pois a humanidade</p><p>pôde desbravar o mundo em navegações que a mostrou que o mundo era muito maior</p><p>do que os mitos contavam.</p><p>No tópico a seguir: períodos da filosofia grega, reafirmamos a filosofia como um</p><p>fato grego e sistematizamos as principais características dos principais períodos dessa</p><p>área do conhecimento em seu início.</p><p>E, para finalizar, no tópico: questões filosóficas: a ética e a moral, conheceremos</p><p>os conceitos desses dois termos tão essenciais para a humanidade.</p><p>Esperamos que, nesta unidade, você, estudante, seja capaz de desenvolver uma</p><p>leitura mais atenta e reflexiva sobre a realidade que vive.</p><p>Bons estudos!</p><p>1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES DO CONHECIMENTO FILOSÓFICO</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/socrates-ancient-greek-</p><p>philosopher-1027476298</p><p>A compreensão da humanidade como ser é uma das grandes questões</p><p>da filosofia, área do conhecimento a qual nos dedicaremos nesta unidade. Uma</p><p>outra questão surge, ainda, para os estudantes que tomam contato com a</p><p>filosofia pela primeira vez é: para quê serve a Filosofia? E vamos tentar</p><p>responder isso.</p><p>Existem muitas coisas em que acreditamos apenas porque sabemos</p><p>desde sempre, porque acreditamos que é assim e ponto. Por exemplo, porque</p><p>o céu é azul? Geralmente respondemos que é assim porque sempre o vimos</p><p>dessa forma, sem mais considerações, não buscamos saber o porquê e o que</p><p>realmente isso significa. Essa maneira de acreditar é silenciosa, pois nós</p><p>acreditamos sem buscar saber mais, sem questionar. Da mesma forma,</p><p>lidamos com as nossas relações na família, no trabalho, com os amigos, ou</p><p>ainda, reproduzimos valores e pensamentos de cunho moral, político, religioso,</p><p>artístico, aceitamos regras de conduta, finalidades de vida, assim como elas</p><p>estão postas, sem nos perguntar para o quê elas servem.</p><p>Nesse sentido, podemos dizer que o entendimento de todos esses</p><p>porquês, seus significados e causalidades são objetos da Filosofia. Em</p><p>contrapartida, o ato de acreditar sem indagar, sem refletir é algo característico</p><p>do senso comum, portanto, não é objeto da Filosofia.</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/socrates-ancient-greek-philosopher-1027476298</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/socrates-ancient-greek-philosopher-1027476298</p><p>O Senso Comum é formado por nossas convenções e crenças coletivas</p><p>que são o principal elemento a ser questionado pela Filosofia. Expressões</p><p>rotineiras como: “se sair na chuva você irá se molhar”, são ditas no cotidiano e</p><p>apontam uma causa e um efeito, mas no dia a dia nós não nos questionamos</p><p>sobre isso, nem sequer nos interrogamos sobre muitas outras expressões e</p><p>conhecimentos de Senso Comum. A Filosofia se pergunta o que é a causa? O</p><p>que é efeito? Questões que não são rotineiras e até mesmo causam</p><p>estranhamento aos olhos de quem não se questiona sobre o mundo. Quando</p><p>perguntamos: que horas são? Partimos do pressuposto que existe um tempo</p><p>que contabiliza a nossa vida, mas alguém já se perguntou: o que é o tempo?</p><p>Essa questão possui um cunho filosófico (CHAUÍ, 2008).</p><p>Portanto, para fugir do senso comum a filósofa ou filósofo deve cultivar</p><p>a atitude filosófica.</p><p>Imagine situações em que no lugar de perguntarmos: “você sonhou?”,</p><p>perguntássemos: “o que é o sonho?”. Essa é uma atitude filosófica (CHAUÍ,</p><p>2008) . Decidir ter uma atitude filosófica é se distanciar do senso comum, da</p><p>maneira de pensar cotidiana e rotineira. Questionar a nossa existência, no que</p><p>cremos e porque cremos, nossos valores e costumes, é uma atitude filosófica,</p><p>ou seja, questionar no que cremos silenciosamente.</p><p>A atitude filosófica nos leva a uma atitude crítica sobre as coisas que</p><p>acontecem no nosso dia a dia. Primeiramente, existe uma postura negativa de</p><p>dizer não para o que o senso comum determina, nossas pré-noções e</p><p>preconceitos. Seguidamente, existe uma ação positiva em que interrogamos o</p><p>quê e para quê das nossas atitudes, ações e dizeres, desenvolvemos a partir</p><p>daqui um pensamento crítico (CHAUÍ, 2008). Segundo a autora:</p><p>A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso</p><p>comum e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que</p><p>imaginávamos saber; por isso, o patrono da Filosofia, o grego Sócrates,</p><p>afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei</p><p>que nada sei”. Para o discípulo de Sócrates, o filósofo grego Platão, a</p><p>Filosofia começa com a admiração; já o discípulo de Platão, o filósofo</p><p>Aristóteles, acreditava que a Filosofia começa com o espanto. “</p><p>(CHAUI, 2008, p.09)</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Compreendemos, portanto, que existem diferentes maneiras de exercer o</p><p>pensamento crítico. No trecho acima percebemos que para o filósofo Platão, a atitude</p><p>crítica vem da admiração, para Aristóteles do espanto, ambos sentimentos que podem</p><p>causar estranhamento e questionamentos. Essa admiração e espanto significam que</p><p>devemos tomar certa distância do nosso mundo, agir como se tivéssemos acabado de</p><p>nascer, como se fosse a primeira vez que víssemos ou ouvimos algo. De modo a</p><p>perguntar, o que somos e como somos.</p><p>Nesse sentido, quando nos perguntamos para quê serve a filosofia podemos</p><p>responder de um lado que para muitos filósofos existe preocupação em encontrar uma</p><p>utilidade para a filosofia, principalmente, se essa utilidade surgir para dar valor</p><p>econômico a esse conhecimento. Por outro lado, podemos dizer que as questões</p><p>filosóficas formulam um acúmulo de saberes que permitem às ciências e as artes</p><p>desenvolver teorias e práticas. Na Sociologia, por exemplo, utilizamos saberes filosóficos</p><p>sobre a democracia e, então, por meio dos saberes filosóficos, conseguimos desenvolver</p><p>métodos e técnicas, teorias e formulações sobre a democracia no nosso mundo. Em</p><p>outros temas como: justiça social; liberdade; igualdade e poder.</p><p>Dessa forma, é possível compreender que as formulações filosóficas servem para</p><p>conceituar métodos e teorias. Quem não sabe sobre a importância da filosofia para</p><p>todas as ciências pode pensar que filosofar é inútil. E a filosofia não é inútil porque é</p><p>uma atitude de questionamento sobre o mundo necessária. Pois, desenvolve</p><p>formulações que produzem conhecimento, utilizado pelas ciências e aplicado pela</p><p>tecnologia. A filosofia não ensina moral apenas, não é uma religião, um modo sábio de</p><p>ver a vida. Não possuímos filosofias de vida, apenas por apresentar posicionamentos</p><p>coerentes sobre a vida e por quê?</p><p>Podemos dizer que não existe filosofia de vida porque a atitude filosófica indaga</p><p>por meio de um pensamento sistemático e lógico. Realizando perguntas como: O quê?</p><p>Como? Por quê?</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A sistemática do pensamento filosófico se solidifica</p><p>por meio de três pilares: ANÁLISE,</p><p>REFLEXÃO e CRÍTICA. Análise para avaliar o que é e como é algo, reflexão para</p><p>descobrir possíveis significados e crítica para compreender.</p><p>Fonte: a autora.</p><p>#SAIBA MAIS#</p><p>Tendo em vista as características principais da Filosofia, vamos discutir um</p><p>pouco sobre o seu contexto de surgimento e seus campos de atuação.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>2 BREVE HISTÓRICO DA FORMAÇÃO DO CONHECIMENTO FILOSÓFICO</p><p>Imagem do tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/santorini-</p><p>greece-picturesq-view-traditional-cycladic-1040803156</p><p>A Filosofia é de fato grego. Pelo menos a Filosofia que conhecemos e que</p><p>repercutiu no ocidente sim. A filosofia com sistemática, características próprias e</p><p>formas de pensar e expressar pensamentos tipicamente grega. Isso não significa que</p><p>outros povos não desenvolveram conhecimentos sobre si e o mundo mas, por outra</p><p>lógica, que não a filosófica que buscamos compreender aqui.</p><p>Para os gregos entende-se a filosofia como um ato de amor à sabedoria. A</p><p>palavra filosofia, em sua origem do latim, significa: PHILO (amor fraterno/amizade) +</p><p>SOPHIA (saber/ sabedoria quem ama a sabedoria).</p><p>Para o filósofo Pitágoras, o filósofo é movido pelo desejo de observar a vida, as</p><p>ações humanas, ele possui o desejo por saber. Segundo Pitágoras (séc. V a.c): “a</p><p>sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas os homens podem desejá-la ou</p><p>amá-la, tornando-se filósofos ” (CHAUI, 2008, p.19).</p><p>Essa forma de construir e desenvolver o pensamento deixou um legado para o</p><p>ocidente, nos dando as bases para a compreensão atual de razão, racionalidade,</p><p>ciência, ética, política, técnica, método e, até mesmo, a noção de arte.</p><p>De acordo com a tradição grega, existem conhecimentos que são necessários e</p><p>universais que podem e devem ser conhecidos pelo pensamento. Um exemplo é a lei</p><p>da gravidade, independente de onde e como falamos sobre, a gravidade é um fato</p><p>imutável e necessário da natureza e conhecê-lo é necessário. A partir dessa</p><p>perspectiva, compreende-se que existem leis naturais que ordenam as nossas vidas e</p><p>por meio da análise filosófica podemos distinguir o que é verdadeiro ou falso,</p><p>desenvolvendo assim, a razão.</p><p>A ideia de razoabilidade implica no ato de distinguir o que é imutável e universal</p><p>da força de nossas ações e escolhas humanas. Ex: O fato da pedra cair é uma lei</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/santorini-greece-picturesq-view-traditional-cycladic-1040803156</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/santorini-greece-picturesq-view-traditional-cycladic-1040803156</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>necessária e natural (a gravidade) mas, se a pedra for jogada por alguém, de maneira</p><p>intencional isso é resultado da ação humana, nesse caso conseguimos distinguir o que</p><p>é necessário da situação ocasional ou eventual movida pela escolha humana.</p><p>Portanto, para a Filosofia, tanto as leis da natureza, quanto a razão humana,</p><p>podem ser conhecidas como um meio de nos conhecer e conhecer o mundo em que</p><p>vivemos. A própria razão possui a possibilidade de conhecer a si mesma. A sabedoria</p><p>é conquistada aqui pela razão, não por explicações naturais e divinas.</p><p>REFLITA</p><p>Compreende-se como razão como o que nos permite mobilizar conceitos, responder</p><p>problemas e avaliar a nossa experiência, é uma qualidade intrinsecamente humana.</p><p>Fonte: a autora.</p><p>#REFLITA#</p><p>Diante disso, considera-se que a Filosofia, em sua origem grega, possui uma</p><p>série de contextos para o seu surgimento, acontecimentos esses que proporcionaram</p><p>o desenvolvimento e valorização da razão humana como principal fonte de</p><p>conhecimento. São eles:</p><p>● A ruptura da narrativa dos mitos para explicação da origem das coisas e do</p><p>mundo;</p><p>● As viagens marítimas que provaram que nos lugares em que acreditavam haver</p><p>monstros, heróis, titãs e deuses, haviam outros seres humanos;</p><p>● A invenção do calendário que permitiu a compreensão do tempo e das estações</p><p>do ano como algo natural e não incompreensivelmente divino;</p><p>● A invenção da moeda, da vida urbana, da escrita alfabética e da política, como</p><p>produtos de civilização humana que modificaram a lógica da experiência social,</p><p>principalmente no que se refere à política, que proporcionou às pessoas a</p><p>capacidade discursiva por meio da razão, a criação das leis, do espaço público e</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>desenvolveu alternativas de comunicação e transmissão de ideias pelo</p><p>pensamento.</p><p>Assim como muitos outros campos científicos, a filosofia possui, além de</p><p>seus contextos de formação, princípios norteadores em sua origem. São eles:</p><p>● A racionalidade como principal forma de explicação do mundo;</p><p>● Comprovação da verdade por meio da razão;</p><p>● Sistemática do pensamento, é preciso apresentar os fundamentos e</p><p>justificativas para a comprovação da verdade;</p><p>● Recusa de predefinições;</p><p>● Generalização, buscar explicações universais para um mesmo pensamento.</p><p>Para alcançar esses princípios existem duas ações básicas: síntese e análises. A</p><p>síntese se refere à reunião de semelhanças, por meio da busca de um pensamento que</p><p>se generaliza por meio da abstração, isto é, a operação e junção de traços semelhantes.</p><p>No que se refere à análise, é o ato de diferenciar pelo pensamento situações diferentes</p><p>que apresentam ser semelhantes. Separação das diferenças e evidenciá-las.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>3 PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/pericles-funeral-</p><p>oration-on-old-greece-1598220667</p><p>Os campos de atuação na filosofia podem ser melhor compreendidos diante dos</p><p>diferentes períodos da filosofia grega. São eles: período pré – socrático ou cosmológico</p><p>(final do século VII ao final do séc. V a.C.); período socrático ou antropológico (final do</p><p>séc. V e todo o séc IV a.C); período sistemático (final do séc. IV ao final do séc. III a.C.) e</p><p>período helenístico (durante o império greco-romano no final do séc. III a.C até VI d.C).</p><p>Período pré – socrático ou cosmológico (final do século VII ao final do séc. V</p><p>a.C.)</p><p>Nesse período, a grande busca foi pela compreensão das origens da natureza e</p><p>do mundo e suas transformações. Em oposição ao criacionismo, a cosmologia buscava</p><p>conhecer a origem do mundo e da natureza por meio de uma sistemática racional,</p><p>portanto, acreditava-se que: nada vem do nada e nada volta ao nada. Contrariando a</p><p>cultura Judaico-Cristã. Dessa maneira, a natureza é entendida como infinita e eterna e</p><p>existe a compreensão de que tudo o que existe transforma-se sem desaparecer. Isso</p><p>tudo forma uma concepção de um mundo entendido em um movimento constante em</p><p>que estamos submetidos ao devir, de modo a estarmos em constante passagem que é</p><p>determinada pela natureza.</p><p>Período socrático ou antropológico (final do séc. V e todo o séc IV a.C)</p><p>Neste período, a busca se dava pelo entendimento das questões humanas como</p><p>ética, política e a arte. Desse modo, o período é considerado como antropológico porque</p><p>busca essencialmente o conhecimento sobre a humanidade e todas as transformações</p><p>e criações que advém dela, como a vida urbana.</p><p>A democracia da polis é um marco essencial nesse período, a experimentação de</p><p>uma organização política que advém do povo condiciona muitas formulações desse</p><p>período. Diante disso, compreende-se que a democracia grega afirmava igualdade de</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/pericles-funeral-oration-on-old-greece-1598220667</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/pericles-funeral-oration-on-old-greece-1598220667</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>todos os homens adultos perante as leis e garantia o direito</p><p>de todos a participação do</p><p>governo da cidade, a pólis. A partir daqui, surge a concepção de cidadão grego, uma</p><p>figura política deve opinar e construir posicionamentos sobre a vida em sociedade.</p><p>É importante destacar que o é cidadão apenas homens adultos, mulheres,</p><p>idosos, crianças, escravos e estrangeiros seriam seus dependentes. Destacava-se como</p><p>principal qualidade de um cidadão a persuasão e a oratória, momento em que surgem</p><p>os sofistas, que foram os primeiros filósofos desse período, pessoas que ofereciam</p><p>treinamentos de oratória e pregavam que independentemente da verdade, se o cidadão</p><p>puder persuadir com bons argumentos nas assembleias, teria a vitória sobre seus</p><p>posicionamentos.</p><p>O principal filósofo desse período é Sócrates, que foi um severo crítico da prática</p><p>dos sofistas e constituiu um entendimento que norteou a filosofia da época, de que é</p><p>possível pela consciência racional diferenciar o que é verdadeiro ou falso e isso nos traria</p><p>total compreensão das nossas questões. Sobre Sócrates, trataremos mais adiante.</p><p>Período sistemático (final do séc. IV ao final do séc. III a.C.).</p><p>Partindo do pressuposto de que tudo pode ser investigado desde que haja leis</p><p>bem estabelecidas, nesse período tanto os conhecimentos cosmológicos quanto</p><p>antropológicos foram investigados. O principal autor desse período é Aristóteles que fez</p><p>uma verdadeira enciclopédia dos conhecimentos adquiridos pela Filosofia grega desde</p><p>o seu surgimento.</p><p>Nesse período, houve a imposição de hierarquizações entre conhecimentos mais</p><p>complexos e superiores, de modo a constituir diferentes campos de conhecimento e os</p><p>separou em suas diferentes ciências.</p><p>Para Aristóteles havia um conjunto de campos científicos:</p><p>1) Ciências produtivas, que possuíam uma finalidade em si: arquitetura,</p><p>economia, medicina, farmacologia, engenharias… 2) Ciências práticas, que</p><p>produziram estudos sobre as práticas humanas: ciências sociais, psicologia…</p><p>3) Ciências teocráticas, desenvolvimento de teorias e complexos: física,</p><p>química, matemática, biologia… 4) Ontologia: o estudo da metafísica e da</p><p>teologia; e 5) Epistemologia: teorias sobre o conhecimento científico,</p><p>sistematização de técnicas (CHAUI, 2008, p. 48).</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Período helenístico (durante o império greco-romano no final do séc. III a.C até VI</p><p>d.C).</p><p>Neste período, a formação de sacerdotes da igreja foi essencial pois, a</p><p>religiosidade possuía um forte poder político e social. Dessa forma, as investigações se</p><p>concentraram nos conhecimentos sobre a ética e as relações humanas com a natureza</p><p>divina. É nesse período que temos a criação do Deus cristão.</p><p>Há, ainda, que se considerar o predomínio do império romano sua aproximação</p><p>dos conceitos orientais sobre as questões humanas, o que influenciou fortemente a</p><p>construção filosófica do período.</p><p>Como é possível observar até aqui, Sócrates é crucial para a formação da Filosofia</p><p>grega, mas o filósofo não possui escritos, tudo o que sabemos sobre ele é o que seu</p><p>discípulo, Platão, registrou, bem como os conhecimentos dos Sofistas, o que sabemos</p><p>são as críticas de Sócrates sobre eles.</p><p>Em discordância aos antigos filósofos e aos Sofistas, Sócrates propunha que,</p><p>antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um</p><p>deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conhece-te a</p><p>ti mesmo” que estava gravada no pórtico do templo de Apolo, patrono grego da</p><p>sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates (CHAUÍ, 2008, p. 43).</p><p>A maneira com que Sócrates ensinava a desenvolver o pensamento mostra-nos</p><p>a diferença entre opinião e conceito, pois admite na ignorância que não possuímos todo</p><p>o conhecimento sobre o mundo e que nossas opiniões, avaliações não sistemáticas não</p><p>podem ser consideradas como verdade absoluta.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>4 QUESTÕES FILOSÓFICAS: A ÉTICA E A MORAL</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/ethical-moral-symbol-</p><p>businessman-turns-wooden-1939402231</p><p>Diante da discussão que temos travado até aqui, percebe-se que compreender a</p><p>racionalidade humana é de extrema importância para a filosofia, portanto, entender de</p><p>que maneira a moral e a ética são desenvolvidas são questões que tocam diretamente</p><p>a maneira como a razão humana se constrói nas suas relações sociais. Torna-se</p><p>importante, portanto, diferenciar o que significam ética e moral para a filosofia. Para</p><p>isso, precisamos conceituar esse dois termos:</p><p>● MORAL: reflexo de valores sociais como justiça, liberdade, integridade, verdade,</p><p>dentre outros conceitos que carregam significados que são construídos</p><p>coletivamente, de acordo com costumes e hábitos culturais.</p><p>● ÉTICA: postura que busca garantir a dignidade humana, é um modo de ser e agir</p><p>que possui a característica de controlar nossos impulsos e paixões, como os que</p><p>levam a violência, a injustiça ou a exploração.</p><p>Nesse sentido, nem toda moral é ética, pois os construtos sociais que</p><p>condicionam a moralidade de uma sociedade podem ser antiéticos no sentido de ferir a</p><p>dignidade humana, principalmente, em sociedades tão violentas e desiguais como a que</p><p>vivemos.</p><p>Vamos desenvolver melhor esses conceitos, estudante? Vejamos as diferenças</p><p>entre o senso moral e a consciência moral.</p><p>No que se refere ao senso moral e à consciência moral caracterizam os nossos</p><p>sentimentos de solidariedade, justiça, piedade e a famosa empatia, que está muito em</p><p>voga na atualidade como significação do sentimento de se colocar no colocar no lugar</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/ethical-moral-symbol-businessman-turns-wooden-1939402231</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/ethical-moral-symbol-businessman-turns-wooden-1939402231</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>do outro ou de esperar que se coloquem no seu lugar para desenvolver atitudes mais</p><p>fraternas.</p><p>Pela adesão do senso moral, agimos em conformidade com a consciência moral</p><p>que desperta sentimentos de moralidade. E sabe de onde surge essa moralidade,</p><p>estudante? Das nossas construções culturais, costumes e hábitos cotidianos que</p><p>significam os nossos conceitos de justiça, liberdade, integridade, dignidade, coragem,</p><p>dentre muitas outras qualidades que podem ser consideradas virtuosas se forem</p><p>positivas ou se forem negativas, falhas morais.</p><p>Para o desenvolvimento dessas competências morais, criamos juízo de valor, que</p><p>se difere do juízo de fato. O juízo de fato diz respeito a acontecimentos irrefutáveis, de</p><p>força natural, por exemplo: “hoje choveu”, já o juízo de valor, expressa os valores que</p><p>construímos coletivamente: “ hoje choveu de maneira bonita”, a beleza que se encontra</p><p>na chuva é um valor.</p><p>Essas duas expressões, o juízo de fato e o juízo de valor, revelam as diferenças</p><p>que possuem a natureza e a cultura, pois, quando falamos da natureza, tratamos de</p><p>fatos determinados biologicamente ou naturalmente como a chuva, mas quando</p><p>tratamos da cultura, dos valores, tocamos em interpretações que a humanidade</p><p>constrói sobre si mesma e sobre o mundo, diante da sua relação com a natureza, por</p><p>isso a chuva passa a ser bela de acordo com os significados que a humanidade construiu</p><p>para esse fenômeno que é natural.</p><p>Diante disso, percebe-se que tanto a ética quanto a moral são construções</p><p>histórico-culturais, desenvolvidas de acordo com a necessidade do meio em que estão</p><p>inseridas.</p><p>Para evitar conflitos violentos, no sentido da força de coerção física e psicológica</p><p>em que obriga alguém a fazer algo contra a sua vontade, é que se institui padrões de</p><p>conduta e de comportamentos</p><p>sociais. A defesa da vida humana de maneira digna é</p><p>portanto, uma grande preocupação de debates éticos, por isso, temas como:</p><p>criminalidade, eutanásia, aborto, vício e drogadição, são discussões que nos impõem</p><p>dilemas éticos.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Um dos princípios fundamentais da ética considera que somos pessoas e não</p><p>podemos ser tratados como coisas (CHAUÍ, 2008). A ética é normativa exatamente por</p><p>isso, suas normas visam impor limites e controles ao risco da violência.</p><p>São constituintes do campo ético:</p><p>● Não se pode empregar meios imorais para alcançar fins morais, para a ética isso é</p><p>impossível;</p><p>● Apenas meios morais são justificáveis em uma ação que possui um fim moral;</p><p>● Só existe sujeito ético se: 1) houver consciência de si e dos outros, reconhecendo que</p><p>o outro é tão sujeito quanto você, por isso é igual e merece o mesmo senso de igualdade;</p><p>2) ser dotado de controle por suas decisões, impulsos e desejos; 3) ser responsável e</p><p>reconhecer suas próprias ações com capacidade de avaliar suas implicações sobre si e</p><p>sobre os outros e; 4) ser livre e agente ativo na tomada de decisões e não estar</p><p>submetido a poderes externos que impõe situações que são contra a sua vontade;</p><p>● A liberdade como poder de autodeterminar-se, dando a si regras e normas de conduta</p><p>que controlam seus impulsos e proporcionam uma escolha clara e autônoma sobre suas</p><p>atitudes.</p><p>Diante desses pontos, se constitui o agente moral e os valores morais, no sentido</p><p>de formar alguém que ao aderir valores morais também possui a capacidade de agir</p><p>diante de suas decisões e controle sobre seus impulsos.</p><p>A Ética é, portanto, uma expressão de como a cultura e a sociedade definem a si</p><p>mesmas, o que é visto como violento, ou não, bom ou mal, bom ou ruim, verdadeiro ou</p><p>falso.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Prezado (a), estudante!</p><p>Nesta unidade, conhecemos algumas contribuições da filosofia para a</p><p>compreensão da humanidade diante de diversas questões.</p><p>Primeiramente, conceituamos e contextualizamos a filosofia como campo de</p><p>conhecimento. A partir disso, compreendemos que a busca pela serventia da filosofia</p><p>não deve ter como horizonte resultados práticos, pois, esta é uma área do</p><p>conhecimento que não nos oferece nenhum milagre econômico ou lucros capitalista e,</p><p>sim, um acúmulo de saberes que possibilita o desenvolvimento de todas as ciências.</p><p>Seguidamente, tivemos o entendimento que a filosofia é um fato grego, pelo</p><p>menos a filosofia que influenciou o pensamento ocidental sim. Fruto de uma série de</p><p>acontecimentos históricos que proporcionaram a criação de cidades, da política e das</p><p>navegações, a filosofia surgiu no ensejo de períodos que revelaram a humanidade que</p><p>precisaríamos construir mais conhecimentos sobre nós mesmos.</p><p>Diante disso, a unidade mostrou-nos que a filosofia é uma importante</p><p>ferramenta de entendimento humano e a discussão sobre ética e moral nos abre os</p><p>olhos para isso pois, por meio dessa discussão, compreendemos que, até mesmo, os</p><p>valores que construímos para a resolução de conflitos ou para dar juízos de valor sobre</p><p>nossas relações são construtos coletivos que precisam de reflexão.</p><p>Ao término desta unidade desejamos a você, estudante, que esse seja um passo</p><p>inicial para que você desenvolva uma postura crítica sobre a realidade.</p><p>Bons estudos!</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>O MITO DA CAVERNA</p><p>Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após</p><p>geração, os seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão</p><p>algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a</p><p>olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados.</p><p>A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se</p><p>possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.</p><p>A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e</p><p>os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual</p><p>foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes.</p><p>Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com</p><p>figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.</p><p>Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros</p><p>enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas,</p><p>mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.</p><p>Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas</p><p>são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber</p><p>que são imagens (estatuetas de coisas), nem que existem outros seres humanos reais</p><p>fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz</p><p>no exterior e imaginam que toda luminosidade possível é a que reina na caverna.</p><p>O que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que</p><p>faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os</p><p>outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos</p><p>anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e,</p><p>deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.</p><p>Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na</p><p>verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-</p><p>se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no</p><p>caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não</p><p>vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da</p><p>caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.</p><p>Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria</p><p>desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.</p><p>Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele,</p><p>não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas</p><p>caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar</p><p>o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas,</p><p>quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também</p><p>decidiram sair da caverna rumo à realidade.</p><p>O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das</p><p>estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos. Quem é o prisioneiro que</p><p>se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade.</p><p>O que é o mundo exterior? O mundo das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade.</p><p>Qual o instrumento que liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros</p><p>prisioneiros? A dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia. Por que</p><p>os prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo (Platão está se referindo à</p><p>condenação de Sócrates à morte pela assembleia ateniense)? Porque imaginam que o</p><p>mundo sensível é o mundo real e o único verdadeiro.</p><p>Fonte: CHAUI, Marilena.Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2008.</p><p>LIVRO</p><p>• Título. O mundo de Sofia</p><p>• Autor. Jostein Gaarder</p><p>• Editora. Companhia das Letras</p><p>• Sinopse. Prestes a completar 15 anos de idade, Sofia Amundsen, começa a receber</p><p>bilhetes e cartões-postais bem esquisitos, com perguntas como: quem você é? De onde</p><p>vem o mundo? A partir das perguntas que recebia, Sofia faz uma viagem pelo</p><p>pensamento filosófico.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título. Sociedade dos poetas mortos.</p><p>• Ano. 1990.</p><p>• Sinopse. O filme trata de um professor de literatura que demonstra para os alunos</p><p>conceitos</p><p>como finitude, incentivados pelo lema Carpe diem, que pode ser traduzido</p><p>como “viva o dia”. As aulas desse professor incentivam uma série de reflexões filosóficas</p><p>interessantes.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CHAUI, Marilena.Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2008.</p><p>PLATÃO. A República. Introdução, tradução e notas de Maria Helena da Rocha</p><p>Pereira. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987.</p><p>UNIDADE IV</p><p>EU E O OUTRO: ALTERIDADE.</p><p>Professora Mestra Daiany Cris Silva</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• A alteridade e a compreensão do eu e o outro;</p><p>• Diversidade cultural;</p><p>• A religiosidade brasileira e suas múltiplas representatividades;</p><p>• As tecnologias de informação e comunicação na sociedade moderna.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Conceituar e contextualizar o tema das diversidades culturais;</p><p>• Compreender a questão das diferenças com relação a religiosidade;</p><p>• Estabelecer a importância das teorias das ciências humanas na era digital.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Olá, estudante!</p><p>Nesta unidade, iremos discutir as relações entre o eu e o outro diante do</p><p>conceito de alteridade. Para isso, vamos discutir sobre as diversidades culturais,</p><p>diferenças religiosas e os desafios impostos pela era digital na sociedade moderna.</p><p>Primeiramente, trataremos sobre o conceito de alteridade e a compreensão das</p><p>relações entre o eu e o outro. Compreendemos que por meio da alteridade é possível</p><p>desenvolver um olhar atento às diferenças.</p><p>Seguidamente, a diversidade cultural será o nosso debate principal em busca do</p><p>entendimento das diferentes alteridades da sociedade brasileira que pode ser</p><p>compreendida mediante a heterogeneidade ético- racial de formação do nosso país.</p><p>Ainda no ensejo do debate sobre diversidades e diferenças, discutimos a</p><p>religiosidade brasileira e suas múltiplas representatividades, de modo a compreender as</p><p>raízes africanas das religiões brasileiras.</p><p>Por fim, discutimos que ao considerar as transformações da sociedade</p><p>contemporânea devemos compreender que além das questões sobre diversidade</p><p>cultural e o respeito às diferenças temos um condicionante que pode facilitar o acesso</p><p>a novas histórias, este condicionante é o espaço virtual. Portanto apresentamos um</p><p>debate sobre as tecnologias de informação e comunicação na sociedade moderna.</p><p>Desejamos que esta unidade contribua para que você, estudante, perceba as</p><p>diversidades e as diferenças como algo que deve ser valorizado.</p><p>Bons estudos!</p><p>1 A ALTERIDADE E A COMPREENSÃO DO EU E O OUTRO</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/positive-dark-skinned-</p><p>young-woman-man-1673141401</p><p>Quando nos dedicamos a estudar a nossa vida em sociedade percebemos que</p><p>praticamente todas as nossas ações possuem uma origem na convivência coletiva.</p><p>Nossos gostos, hábitos e tradições são desenvolvidas em coletividade e transmitidas de</p><p>geração em geração como herança social. Portanto, nenhuma ação humana em</p><p>coletividade é estritamente natural, motivada pela biologia/natureza, mas é baseada</p><p>em construções sociais, desenvolvidas de maneira coletiva pela sociedade em que</p><p>vivemos.</p><p>Dessa forma, para compreender o significado da cultura para a ciência é</p><p>necessário conhecer o meio em que convivemos e prestar atenção nas nossas ações</p><p>coletivas.</p><p>Existe, ainda, uma confusão sobre o significado do termo cultura quando o</p><p>relacionamos com erudição, elegância ou, até mesmo, como “educação”, como se</p><p>existissem pessoas com mais ou menos cultura. Você caro, aluno, certamente já se</p><p>deparou com ocasiões em que pessoas dissessem que alguém é “sem cultura” por não</p><p>ouvir “boa música” com a música clássica instrumental e óperas, porém, se</p><p>considerarmos o sentido de cultura diante da perspectiva social, perceberemos que</p><p>todas as formas de arte, populares, ou não, são produto de cultura.</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/positive-dark-skinned-young-woman-man-1673141401</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/positive-dark-skinned-young-woman-man-1673141401</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Esse movimento de dizer que existem pessoas com mais ou menos cultura, acaba</p><p>por classificar e distanciar diferentes grupos de pessoas.</p><p>E a cultura não possui esse sentido diante do fazer científico.</p><p>Devemos considerar como cultura, portanto, todas as nossas criações coletivas</p><p>que possuem um sentido social, ou seja, ações e hábitos que são essenciais para a nossa</p><p>sociedade e criados pelos indivíduos desse meio. São exemplos de cultura, as comidas</p><p>típicas de cada região, sotaques, diferentes linguagens, modos de se vestir e se</p><p>comportar e, até mesmo, a maneira com que as pessoas se cumprimentam.</p><p>REFLITA</p><p>Cultura é, em Antropologia Social e Sociologia, um mapa, um receituário, um código</p><p>através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam</p><p>o mundo e a si mesmas. (DAMATTA, 1981, p. 02).</p><p>#REFLITA#</p><p>Diante da compreensão do conceito antropológico de cultura temos o incentivo</p><p>necessário para o reconhecimento de culturas no plural, considerando as diversidades</p><p>que compreendem a vida coletiva. No entanto, não é sempre que lidamos muito bem</p><p>com as diferenças. Por isso, esteriótipos e etnocentrismos estão tão presentes no nosso</p><p>dia a dia, reafirmando preconceitos e o desconhecimento sobre o outro.</p><p>Contudo, a antropologia criou um conceito que nos ajuda na compreensão do</p><p>outro, a alteridade. O conceito pode ser lido como um sinônimo sociológico de “outro”.</p><p>Este é um conceito utilizado para estudar a vida social e investigar como as interações</p><p>sociais entre pessoas de origens e expressões culturais distintas são estabelecidas</p><p>(JOHNSON, 1997). O olhar do outro, nesse sentido, proporciona uma perspectiva sobre</p><p>nós mesmos diante de outra lente.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Devemos admitir que a antropologia possui em sua gênese muitos equívocos,</p><p>que persistem na atualidade. Esses equívocos tangem: “as relações de poder desigual</p><p>entre pesquisadores e seus então “nativos” no início da disciplina, o suposto exotismo</p><p>dos “primitivos”, a fabricação dos “especialistas” regionais (africanistas, americanistas,</p><p>oceanistas etc), o financiamento politicamente direcionado”. (PEIRANO, 2004, p. 05).</p><p>Sobretudo, é preciso reconhecer que existem muitas vantagens na perspectiva</p><p>antropológica, também, principalmente, no que se refere ao reconhecimento da</p><p>diversidade cultural: “e, mais importante, o resultado fundamental da pesquisa de</p><p>campo: o despertar de realidades/agências desconhecidas no senso comum,</p><p>especialmente no senso comum acadêmico”. (PEIRANO, 2004, p. 05).</p><p>Os estudos antropológicos nos impele, desse modo, um despertar de novos</p><p>olhares sobre o mundo, redefinindo nossa atenção sobre como percebemos o outro.</p><p>Diante dessa perspectiva, o olhar do outro nos permite conhecer as diferenças</p><p>de modo a vê-las como algo construtivo e não segregador. Ao desenvolvermos a</p><p>alteridade, essa compreensão do olhar do outro, temos a possibilidade de construir</p><p>pontes entre diversas culturas. Para isso, segundo Peirano (1999, p.02): “o Brasil é um</p><p>caso etnográfico privilegiado” quando se trata de alteridade.</p><p>Durante a década de 1950, quando a antropologia brasileira se concentrou em</p><p>conhecer as diversas culturas indígenas no nosso país, desenvolvemos um tipo de</p><p>alteridade radical, que se propôs a investigar comunidades totalmente desconhecidas.</p><p>Posteriormente, a antropologia brasileira amenizou as alteridades e se deslocou para a</p><p>investigação nos espaços rurais e urbanos, avaliando as relações das populações</p><p>indígenas com os demais. Na década de 1980 a alteridade se torna mínima, no sentido</p><p>de buscar compreender um outro que estava mais próximo, do perímetro urbano diante</p><p>de suas temáticas específicas.</p><p>Compreende-se, portanto, que o exercício da alteridade é contínuo</p><p>e possui uma</p><p>série de nuances. Na antropologia brasileira, por exemplo: “a alteridade deslizou</p><p>territorial e ideologicamente, em um processo dominado pela incorporação de novas</p><p>temáticas e ampliação do universo pesquisado” (PEIRANO, 1999, p. 03). Essas as</p><p>diferentes formas em que os estudos antropológicos exerceram alteridade no Brasil</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>colaborou para a construção de uma antropologia plural.</p><p>O histórico de pesquisas da antropologia brasileira demonstra que a alteridade é</p><p>um elemento essencial para nós, antropólogas e antropólogos, e colabora no debate</p><p>sobre as diferenças no sentido de distanciar o debate que as define como um marcador</p><p>de distâncias e exclusões, demonstrando que o fundamento do estudo das diferenças é</p><p>conhecer o outro para que possamos reconhecer a nós mesmos e compreender as</p><p>pluralidades de vivências existentes.</p><p>Diante do exposto, é possível perceber que ao estabelecer relações de alteridade</p><p>damos um passo importante para construir vínculos democráticos entre pessoas e</p><p>grupos sociais de origens étnicas distintas, promovendo a inclusão e diversidade.</p><p>Seguindo essa perspectiva a alteridade não é falar de exotismos, características curiosas</p><p>sobre as diferentes culturas ou levantar costumes que aos nossos olhos externos parece</p><p>absurdo, ao contrário, é promover a compreensão dos sentidos constituídos</p><p>socialmente que dão racionalidade a todos os hábitos e costumes.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>2 DIVERSIDADE CULTURAL</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/mosaic-happy-successful-</p><p>people-on-bright-1477576958</p><p>A definição de alteridade mostra-nos que: “diferença ou o exotismo divergem:</p><p>se todo exotismo é um tipo de diferença, nem toda diferença é exótica. Por outro lado,</p><p>a ênfase na diferença tem como dimensão intrínseca a comparação; já a ênfase no</p><p>exotismo dispensa contrastes” (PEIRANO, 1999, p. 05). Isso significa que quando</p><p>percebemos o outro como diferente e não exótico temos a possibilidade de nos colocar</p><p>em diálogo, comparando experiências e trocando vivências. O lugar exótico estabelece</p><p>uma relação desigual de inferioridade ou de hierarquia que é questionada pelos estudos</p><p>antropológicos na atualidade.</p><p>Ao exercer a alteridade percebemos que não existem distâncias, segregações e</p><p>exclusões sociais justificáveis em uma sociedade como a brasileira, por exemplo, o que</p><p>existe é um desconhecimento sobre o outro pela simples inabilidade de construir uma</p><p>convivência social plural e verdadeiramente atenta.</p><p>Nesse sentido, segundo Peirano (1999, p. 02), “o Brasil é um caso etnográfico</p><p>privilegiado” quando falamos de alteridade pois, quando as antropólogas e</p><p>antropólogos do nosso país buscaram conhecer as comunidades indígenas, o que</p><p>ocorreu até a década de 1950, criamos uma forma de alteridade que pode ser chamada</p><p>de radical. Desenvolvida no estudo de povos indígenas totalmente desconhecidos.</p><p>Posteriormente, “amenizamos” as alteridades quando nos deslocamos para</p><p>espaços de pesquisas mais conhecidos, como o meio rural e urbano, avaliando as</p><p>relações de indígenas com outros grupos sociais. Na década de 1980, alteridade se torna</p><p>mínima na produção científica brasileira, já que nossos pesquisadores estavam</p><p>preocupados em construir uma perspectiva de alteridade que: “deslizou territorial e</p><p>ideologicamente, em um processo dominado pela incorporação de novas temáticas e</p><p>ampliação do universo pesquisado” (PEIRANO, 1999, p. 03), o que fez a antropologia</p><p>urbana.</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/mosaic-happy-successful-people-on-bright-1477576958</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/mosaic-happy-successful-people-on-bright-1477576958</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Diante dessa dinâmica de formação da antropologia brasileira, podemos</p><p>perceber que diferentes formas de alteridade foram exercidas e discutidas,</p><p>consolidando um campo antropológico muito plural no nosso país.</p><p>Nesse contexto, muitos pesquisadores se destacaram, no entanto, quando</p><p>falamos de diversidade cultural, principalmente, no Brasil, é imprescindível citar os</p><p>estudos do antropólogo e político brasileiro, Darcy Ribeiro. Sua principal publicação é</p><p>de 1995, intitulada “O Povo Brasileiro”. Resultado de 30 anos de estudo, nesta obra, o</p><p>antropólogo retrata a diversidade étnica e cultural brasileira. Segundo o autor, toda a</p><p>identidade brasileira tem em sua origem um processo cruel de colonização, com</p><p>características repressivas e de geneocídio das populações indígenas e africanas.</p><p>Em busca de compreender o processo de construção do povo brasileiro, Darcy</p><p>Ribeiro (1995) realiza o esforço de analisar a multiplicidade étnica brasileira de modo a</p><p>definir a diversidade cultural, regional e ecológica do nosso país. Compreende-se no</p><p>estudo do antropólogo que todas as particularidades e complexidades do processo de</p><p>formação da nação brasileira é o que nos torna singulares, bem como, é o que nos une</p><p>como nação. Nas palavras do antropólogo:</p><p>Mais que uma simples etnia, porém, o Brasil é uma etnia nacional, um</p><p>povo‐nação, assentado num território próprio e enquadrado dentro</p><p>de um mesmo Estado para nele viver seu destino. Ao contrário da</p><p>Espanha, na Europa, ou da Guatemala, na América, por exemplo, que</p><p>são sociedades multiétnicas regidas por Estados unitários e, por isso</p><p>mesmo, dilaceradas por conflitos interétnicos, os brasileiros se</p><p>integram em uma única etnia nacional, constituindo assim um só povo</p><p>incorporado em uma nação unificada, num Estado uni‐étnico. A única</p><p>exceção são as múltiplas micro etnias tribais, tão imponderáveis que</p><p>sua existência não afeta o destino nacional. (RIBEIRO, 1995, p. 22).</p><p>A obra de Darcy Ribeiro (1995) contribui para refletirmos como a diversidade é</p><p>produto de muitas violências, mas, nem por isso, é menos valorativa. Sobretudo, mesmo</p><p>compreendendo que existe uma uniformidade cultural, no sentido de formação da</p><p>identidade brasileira, ainda devemos considerar a presença de um grande</p><p>distanciamento social.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Compreende-se, nesse sentido, que a sociedade brasileira é resultado da</p><p>estratificação e segregação entre diferentes classes, etnias e raças, geradas pelo</p><p>processo de colonização violenta em que a nossa nação foi submetida.</p><p>Nesse sentido, a diversidade cultural surge principalmente pelo contato entre</p><p>diferentes culturas que proporcionam um processo de assimilação, também conhecido</p><p>como aculturação, que pode ocasionar uma imposição de uma cultura estrangeira sobre</p><p>um grupo de determinado local. Esse processo de contato cultural é a base para a</p><p>formação da diversidade cultural e do pluralismo, pois, é ele que possibilita a</p><p>coexistência de origens culturais distintas em uma sociedade. JOHNSON (1997, p. 52).</p><p>3 A RELIGIOSIDADE BRASILEIRA E SUAS MÚLTIPLAS REPRESENTATIVIDADES</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/bahia-brazil-july-02-2017-</p><p>civic-672786766</p><p>Entre alteridades e diversidades a sociedade brasileira pode ser vista diante de</p><p>manifestaçẽos culturas ricas em significados e simbolismos. Uma das manifestações</p><p>mais marcantes no Brasil é a religiosidade que é composta por múltiplas</p><p>representatividades sobre o povo brasileiro.</p><p>Embora a sociedade brasileira seja em grande maioria adepta a religiões cristãs,</p><p>principalmente, o catolicismo, existem inúmeras religiões e muitas são de origem</p><p>brasileira. Assim como discutimos anteriormente, sabe-se que o Brasil é formado por</p><p>uma mistura cultural muito rica, portanto, aqui temos povos indígenas, imigrantes da</p><p>europa e de todo mundo, especialmente, os imigrantes do continente africano. É essa</p><p>mistura que faz possível o surgimento de tantas expressões religiosas.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Tal como todas as instituições sociais, religião é definida sociologicamente pelas funções</p><p>que desempenha em sistemas sociais.</p><p>De modo geral, é um arranjo social construído</p><p>para prover uma maneira compartilhada, coletiva, de lidar com aspectos desconhecidos</p><p>e incognoscíveis da vida humana, com os mistérios da vida, morte e existência, e com</p><p>os dolorosos dilemas que surgem no processo de tomar decisões de natureza moral.</p><p>Fonte: JOHNSON, 1997, p.196.</p><p>#SAIBA MAIS#</p><p>Compreende-se que a religião é uma instituição central para toda sociedade</p><p>pois, é ela que em grande medida orienta os valores morais de seus grupos sociais de</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/bahia-brazil-july-02-2017-civic-672786766</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/bahia-brazil-july-02-2017-civic-672786766</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>origem. Pensando nisso, estudante, é que vamos conhecer um pouco sobre as religiões</p><p>de origem brasileira, mais especificamente, as religiões de matrizes africanas.</p><p>As religiões que possuem matrizes africanas são aquelas em que a base de sua</p><p>doutrina, ou seja, o conjunto de princípios e valores que forma o seu sistema religioso</p><p>possui influências de elementos da cultura africana. No Brasil a chamamos de religiões</p><p>afro-brasileiras, destacam-se, nesse sentido: a Umbanda e o Candomblé.</p><p>Uma das principais características dessas religiões é o sincretismo, o qual</p><p>podemos ler como a mistura de elementos religiosos de diversas religiões formando</p><p>uma terceira expressão religiosa. Essa mistura proporciona uma junção cultural de</p><p>valores e símbolos, que em muitos casos são símbolos disfarçados para possibilitar a</p><p>religiosidade de povos que seriam proibidos de praticar suas crenças e rituais. Nesse</p><p>sentido, o sincretismo pode ser visto como uma forma de sobrevivência nacional e</p><p>transnacional de povos africanos (ROMÃO, 2018) , já que esse não é um fenômeno</p><p>exclusivo de religiões afro-brasileiras.</p><p>No que se refere à Umbanda considera-se que esta seja a primeira religião que</p><p>propõe um: “sincretismo nacional a partir de matrizes negras (macumba, candomblé) e</p><p>ocidentais (catolicismo, kardecismo)” (NEGRÃO, 1994, p.113). A Umbanda é uma</p><p>religião que surgiu na história recente do nosso país, em meados do século XX nos anos</p><p>1940. Portanto, é uma manifestação cultural que possui forte relação com os processos</p><p>de modernização das cidades.</p><p>As interpretações sociológicas sobre o nascimento da umbanda</p><p>assentam-se, como não poderia deixar de ser, em sua tríplice condição</p><p>de religião nacional, surgida e consolidada no momento da expansão</p><p>do sistema urbano industrial do segundo quartel do século,</p><p>justamente nos centros urbanos mais importantes das regiões mais</p><p>desenvolvidas do país (NEGRÃO, 1994, p. 117).</p><p>Já o Candomblé é uma religião que há mais tempo está presente no nosso país,</p><p>datada ainda no século XIX, e possui em sua origem cultos tradicionais dos povos</p><p>africanos e entidades que representam as forças da natureza. A depender da origem</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>cultural do Candomblé, suas entidades podem receber diferentes denominações, são</p><p>elas: orixás, voduns ou inquices. Sobre isso, BASTIDE (2001) diz que:</p><p>Os candomblés pertencem a "nações" diversas e perpetuam,</p><p>portanto, tradições diferentes: Angola, Congo, Gêge (isto é, Ewe),</p><p>Nagô (têrmo com que os franceses designavam todos os negros de fala</p><p>yoruba, da Costa dos Escravos), Quê to ( ou Ketu), Ijêxa ( ou Ijesha). É</p><p>possível distinguir estas "nações" umas das outras pela maneira de</p><p>tocar o tambor ( seja com a mão, seja com varetas), pela música, pelo</p><p>idioma dos cânticos, pelas vestes litúrgicas, algumas vêzes pelos</p><p>nomes das divindades, e enfim por certos traços do ritual (BASTIDE,</p><p>2001, p.17).</p><p>De acordo com BASTIDE (2001), o Candomblé é diverso, por isso o autor fala de</p><p>candomblés no plural.</p><p>4 AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA SOCIEDADE MODERNA</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/back-view-female-</p><p>employee-speak-talk-1689338029</p><p>Ao considerar as transformações da sociedade contemporânea devemos</p><p>compreender que além das questões sobre diversidade cultural e o respeito às</p><p>diferenças, temos um condicionante que pode facilitar o acesso a novas histórias, este</p><p>condicionante é o espaço virtual.</p><p>É importante destacar que o ciberespaço deve ser considerado como um lugar</p><p>(POLIVANOV, 2013). Contudo, devemos considerar que esse lugar não é habitável, pelo</p><p>menos não concretamente, para todas as pessoas. Para iniciar essa discussão</p><p>precisamos fazer a distinção entre imigrantes digitais e nativos digitais.</p><p>Os imigrantes digitais são pessoas nascidas antes do advento das tecnologias de</p><p>informação e comunicação (TIC’S), que se viram obrigadas a utilizá-las, geralmente, no</p><p>campo laboral e mantém comportamentos e atitudes que revelam sua relação artificial</p><p>com as tecnologias (STENGEL; DOURADO; DIAS; SOARES; FRICHE; FRAGA; LOCATELLI e</p><p>SANTOS, 2018). A relação dos imigrantes digitais com as tecnologias, é utilitária.</p><p>Diferentemente, os nativos digitais já nasceram imersos nas facilidades proporcionadas</p><p>pelas TIC’S e demonstram uma maior intimidade no manuseio de suas ferramentas.</p><p>Nesse sentido, percebemos que a relação com o ambiente virtual é distinta para</p><p>diferentes gerações, o que não exclui o fato da internet ser considerada uma cultura ou</p><p>artefato cultural, como aponta POLIVANOV (2013), ou seja, a internet vista como um</p><p>espaço em que a cultura é constituída e reconstituída (HINE, 2000, p. 9 apud</p><p>POLIVANOV, 2013, p. 03).</p><p>Nesse sentido, seria possível perceber que há uma grande diferença entre a vida</p><p>on-line e a vida off-line, por outro lado, a perspectiva que considera a internet como um</p><p>artefato cultural, a coloca como um produto da cultura, uma tecnologia que media</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/back-view-female-employee-speak-talk-1689338029</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/back-view-female-employee-speak-talk-1689338029</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>relações, em que tem seu significado e a própria necessidade de manuseio produzida</p><p>por pessoas, com objetivos específicos da cultura em que vivemos (POLIVANOV, 2013).</p><p>Para os imigrantes digitais a relação com a internet se aproxima de uma</p><p>perspectiva que vê seu uso como um artefato cultural, pois essas pessoas precisam se</p><p>obrigar a aderir às tecnologias para fazer possível viver na sociedade moderna, mas isso</p><p>não significa que isso seja orgânico, levando uma vida on-line despretensiosa como</p><p>fazem o nativos digitais.</p><p>Nesse sentido, há de se considerar a relação que estabelecem com as TIC’S, ou</p><p>seja, se passaram ou não pela adaptação digital, mantendo uma familiaridade com elas</p><p>(STENGEL; DOURADO; DIAS; SOARES; FRICHE; FRAGA; LOCATELLI e SANTOS, 2018)</p><p>Diante dessa realidade atual, em que todos temos que nos relacionar, de alguma</p><p>maneira, com o ambiente virtual, os estudos antropológicos tiveram que se adaptar e</p><p>possibilitar seus estudos nesse ambiente. Para isso criamos a etnografia virtual.</p><p>Segundo DIAS (2007):</p><p>Etnografar no virtual é observar uma densa interconexão simbólica, e</p><p>para tanto é preciso problematizar a tradição etnográfica</p><p>fundamentada no trabalho de campo que se ergue fundamentada</p><p>sobre o vínculo entre povo e lugar, nos moldes do funcionalismo</p><p>malinowskiano: o desafio dos sites explicita, ainda, a necessidade de</p><p>observar conexões, paralelismos e contrastes aparente</p><p>incomensuráveis. (DIAS, 2007, p. 68).</p><p>Segundo BRAGA (2013), o processo de etnografia virtual funciona da seguinte</p><p>maneira:</p><p>A abordagem mais tradicional da etnografia costuma envolver uma</p><p>fase muito mais longa, mais intensiva e mais crítica destinada a</p><p>descobrir a que perguntas o/a pesquisador/a vai responder. Assim, o</p><p>primeiro aspecto da etnografia tradicional que acho muito útil para a</p><p>etnografia em meios digitais é dedicar bastante tempo ao processo de</p><p>familiarização, a olhar em</p><p>torno e explorar o fenômeno sob todos os</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>ângulos, tentando entender o que ele é, para quem existe e como é</p><p>vivenciado. Considero este processo muito importante para</p><p>desenvolver uma ideia das perguntas apropriadas a serem feitas e para</p><p>alinhar as perguntas que fazemos com nossa noção de o que é esse</p><p>fenômeno que estamos explorando. Começar diretamente a, por</p><p>exemplo, fazer uma etnografia de um grupo de discussão online</p><p>específico corre o risco de saltar esta importante fase de</p><p>desenvolvimento de uma pergunta apropriada para a qual essa</p><p>etnografia possa ser a resposta (e de pensar se de fato é prioridade</p><p>para alguém obter resposta a essa pergunta, em termos práticos ou</p><p>como parte do desenvolvimento de determinadas orientações</p><p>teóricas). O segundo aspecto fundamental da etnografia de que não</p><p>abro mão é a reflexividade. Os fenômenos digitais são muito</p><p>complexos. Existem em múltiplos espaços, são fragmentados e</p><p>costumam ser temporalmente complexos. Não podemos esperar ter</p><p>uma vivência de um fenômeno assim apenas “estando presentes ali”,</p><p>porque não sabemos automaticamente onde é “ali”, nem como “estar</p><p>presentes”. Mas podemos ajudar a entender os fenômenos digitais</p><p>tentando adquirir nossa própria experiência autêntica desses</p><p>fenômenos como etnógrafos inseridos, incorporados, e refletindo</p><p>constantemente sobre o que sabemos e como o sabemos. Penso que</p><p>este aspecto da reflexividade – refletir sobre como sabemos o que</p><p>sabemos sobre uma situação - provavelmente seja a parte mais</p><p>significativa da etnografia em ambientes digitais. É importante refletir</p><p>continuamente sobre a maneira como nosso entendimento é</p><p>plasmado por determinadas abordagens metodológicas, pelo</p><p>subconjunto de participantes com quem acontece de estarmos</p><p>interagindo e pelos meios que escolhemos para essas interações.</p><p>(BRAGA, 2013, p. 08).</p><p>Diante do exposto, compreendemos que assim como na vida cotidiana, em que</p><p>construímos cultura e somos construídos por ela, o espaço virtual colabora de maneira</p><p>significativa nesse processo. Dessa forma, o estudo cultural se faz possível também</p><p>nesse ambiente por meio da etnografia virtual.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Olá, estudante!</p><p>Nesta unidade, discutimos sobre as relações entre o eu e o outro na</p><p>antropologia, para tanto foi necessário o entendimento do conceito de alteridade.</p><p>A alteridade é, em antropologia, uma categoria essencial para a compreensão da</p><p>multiplicidade de vivências que existem quando nos dedicamos a estudar cultura. Por</p><p>isso, o exercício da alteridade é tão importante, principalmente, no sentido de</p><p>compreendermos que cultura não classifica e hierarquiza as relações, mas, sim,</p><p>representa os construtos coletivos de uma dada sociedade.</p><p>Diante do entendimento do conceito de alteridade, nos dedicamos a discutir</p><p>sobre as diversidade culturais, mais especificamente, no que se refere à sociedade</p><p>brasileira. De acordo com o desenvolvimento da antropologia no Brasil, percebemos que</p><p>existem muitas alteridades a serem conhecidas e estudadas no nosso país e pensando</p><p>nisso o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro se dedicou a nos mostrar como se deu a</p><p>gestação dessa sociedade tão plural que constitui o povo brasileiro.</p><p>Seguidamente, como característica marcante da nossa diversidade, estudamos</p><p>as manifestações religiosas como representante de todo o pluralismo cultural brasileiro.</p><p>E, por fim, compreendemos que a cultura se constrói nos mais diversos espaços</p><p>e a tecnologia não fica fora disso. Vimos, portanto, que assim como na vida cotidiana,</p><p>em que construímos cultura e somos construídos por ela, o espaço virtual colabora de</p><p>maneira significativa nesse processo. Dessa forma, o estudo cultural se faz possível</p><p>também nesse ambiente por meio da etnografia virtual.</p><p>Esperamos que ao conhecer as diversidades culturais e todas as possibilidades</p><p>que os estudos antropológicos podem trazer para a compreensão da realidade, você,</p><p>estudante, possa fazer desse material um ponto de partida para abrir ainda mais seus</p><p>horizontes sobre o estudo da cultura.</p><p>Bons estudos!</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>A quem interessa a onda de intolerância religiosa que sacode o Brasil?</p><p>O Brasil está destruindo um dos seus maiores valores, sua proverbial tolerância</p><p>religiosa e a coexistência pacífica entre as diferentes confissões. A quem interessa essa</p><p>onda iconoclasta que - como este jornal publicou - cresceu 4.960% em apenas cinco</p><p>anos, que registra uma denuncia de hostilidade ou profanação de locais de culto e</p><p>pessoas que os dirigem a cada 15 horas?</p><p>Os mais perseguidos são os locais de culto das religiões de matriz africana, mas</p><p>também atinge templos católicos e protestantes, igrejas evangélicas, centros espíritas e</p><p>sinagogas judaicas. Imagens de orixás são queimadas, uma imagem de Nossa Senhora</p><p>Aparecida é destruída a golpes de martelo, os sacrários das igrejas católicas são violados</p><p>e as hóstias consagradas são jogadas no chão e nem os cemitérios são respeitados.</p><p>Estamos diante de um fato novo e é urgente descobrir o que se esconde por trás</p><p>dessa nova guerra contra o sagrado. Que a um Brasil atravessado por uma perigosa</p><p>corrente de ódio político e social se queira acrescentar a intolerância e a agressão física</p><p>aos símbolos e pessoas religiosas poderia ser a última etapa da barbárie. A tolerância e</p><p>a riqueza de entidades religiosas convivendo em paz neste país foi resultado da feliz</p><p>conjunção histórica do encontro de três crenças trazidas pelos três povos que</p><p>engendraram o Brasil: a indígena, a cristã - contribuição dos europeus -, e a africana, dos</p><p>quatro milhões de escravos.</p><p>O longo e perigoso trabalho realizado pelas diferentes crenças religiosas para</p><p>defender seus deuses produziu o milagre do sincretismo pacífico. Não foi realizado sem</p><p>dor, mas o Brasil conseguiu manter a essência das três raízes espirituais caminhando</p><p>juntas e até misturadas, dando vida a uma riqueza religiosa e cultural, talvez única no</p><p>mundo.</p><p>Isso fez com que o Brasil fosse um dos países mais permeados pelo sagrado e, de</p><p>acordo com muitos estudiosos das religiões, com uma diferença significativa, pois</p><p>colocou o sagrado no coração da vida para libertá-la dos medos das religiões</p><p>monoteístas injetando doses de felicidade e amor pela Terra e pela vida, a de carne e</p><p>osso.</p><p>Foram as crenças africanas que ajudaram os brasileiros a ver, por exemplo, com</p><p>novos olhos, não só a vida, mas também o seu fim, pois nelas os mortos, como escreveu</p><p>o poeta senegalês Birago Diop, “não estão sob a terra, eles estão na árvore que geme”.</p><p>Eles continuam vivos e ao nosso lado para nos proteger.</p><p>Triste paradoxo o de que um Brasil fazendo terrorismo com as crenças religiosas</p><p>de origem africana quando elas começam a ser importadas pelo Ocidente racionalista.</p><p>A mãe de santo alemã Gabriela Highest confessou, por exemplo, à minha colega Carla</p><p>Jiménez, que os brasileiros “são espiritualmente mais desenvolvidos do que os</p><p>alemães”.</p><p>Hoje é possível ser crente, agnóstico ou ateu, mas queiramos, ou não, é</p><p>impossível evitar a pergunta de por que se morre, que segundo os especialistas foi a</p><p>origem de todas as religiões. O Nobel de Literatura, o ateu José Saramago, disse que se</p><p>os homens deixassem de morrer, as religiões acabariam. Mas continuamos morrendo,</p><p>e as crenças, todas elas, com suas luzes e sombras, com seus símbolos sagrados e credos</p><p>diferentes, nos lembram que a vida continuará atravessada pela dúvida, já que ninguém</p><p>ainda resolveu o enigma do além.</p><p>Existem símbolos e arquétipos como os da vida e da morte, da mãe terra ou do</p><p>sagrado, que, se não forem respeitados, deslizaremos para uma nova barbárie tão</p><p>perigosa, se cabe a expressão, quanto à política ou à social. Somente os animais não têm</p><p>cemitérios nem rendem cultos a seus mortos, embora pareça que os elefantes</p><p>se</p><p>afastem para morrer em um lugar especial para isso. Perseguir ou desprezar qualquer</p><p>tipo de busca espiritual é querer apagar com violência a curiosidade e, talvez, a</p><p>necessidade, que o homem continua tendo pelo mistério.</p><p>Fonte: ARIAS, Juan. A quem interessa a onda de intolerância religiosa que sacode o Brasil?. PORTAL EL</p><p>PAÍS BRASIL. Novembro de 2017. Disponível em:</p><p>https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/14/opinion/1510697413_063183.html, acesso em: 31 ago 2021.</p><p>LIVRO</p><p>• Título. Festas Populares no Brasil</p><p>• Autor. Lélia Gonzalez.</p><p>• Editora. Index.</p><p>• Sinopse. Publicado em 1987, a obra possui o registro de festas populares ao redor de</p><p>todas as regiões do Brasil, demonstrando a diversidade cultural do nosso país.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título. Gente de Toda Fé</p><p>• Ano. 2019.</p><p>• Sinopse. Gente de Toda Fé é um filme sobre pessoas reais que encontram na fé um</p><p>sentido para suas vidas, coragem para passar pelas dificuldades e consolo para seus</p><p>sofrimentos. Concepções de vida e morte são trazidas do ponto de vista de praticantes</p><p>de várias religiões, que adotam seus preceitos e os integram aos seus modos de pensar,</p><p>sentir e de estar no mundo.</p><p>• Link: https://www.youtube.com/watch?v=hC6gGE91mAE&t=2s</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ARIAS, Juan. A quem interessa a onda de intolerância religiosa que sacode o Brasil?.</p><p>PORTAL EL PAÍS BRASIL. Novembro de 2017. Disponível em:</p><p>https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/14/opinion/1510697413_063183.html,</p><p>acesso em:dia 31 ago 2021.</p><p>BASTIDE, R. O candomblé da Bahia Trad. Maria Isaura Pereira de Queiroz. São Paulo:</p><p>Companhia das Letras, 2001.</p><p>BRAGA, A. (2013). Etnografia segundo Christine Hine: abordagem naturalista para</p><p>ambientes digitais. E-Compós, 15(3). https://doi.org/10.30962/ec.856</p><p>DAMATTA, R. Você tem cultura? Jornal da Embratel, RJ, 1981.</p><p>DIAS, Adriana Abreu Magalhães. “Um Novo Mar”. In: DIAS,Adriana Abreu Magalhães.</p><p>Anacronautas do teutonismo virtual: uma etnografia do neonazismo na Internet.</p><p>Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e</p><p>Ciências Humanas, Campinas, SP: [s. n.], 2007.</p><p>JOHNSON, Allan G. Dicionário de Sociologia. Zahar: Rio de Janeiro, 1997.</p><p>NEGRÃO, Lísias Nogueira. Umbanda: entre a cruz e a encruzilhada. Tempo Social; Rev.</p><p>Sociol. USP, S. Paulo, 5(1-2): 113-122, 1993 (editado em nov. 1994). Disponível em:</p><p>https://www.scielo.br/j/ts/a/Vbmhsfmw4F5QTHpmfMMqwKG/?lang=pt&format=pdf.</p><p>Acesso em: 22 set. 2021.</p><p>PEIRANO, M. A Alteridade em contexto: a antropologia como ciência social no Brasil.</p><p>Série Antropológica, n. 255, Brasília, 1999.</p><p>PEIRANO, M. Pecados e virtudes da antropologia. Uma reação ao problema do</p><p>nacionalismo metodológico. Novos Estudos Cebrap, n. 69, p. 49-56, 2004.</p><p>POLIVANOV, Beatriz. Etnografia virtual, netnografia ou apenas etnografia?</p><p>Implicações dos conceitos. Esferas Ano 2, no 3, julho a dezembro de 2013.</p><p>RIBEIRO, D. O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. 2. ed. São Paulo:</p><p>Companhia das Letras, 1995.</p><p>ROMÃO, Tito Lívio Cruz. Sincretismo religioso como estratégia de sobrevivência</p><p>transnacional e translacional. Trab. Ling. Aplic., Campinas, n(57.1): 353-381, jan./abr.</p><p>2018. Disponível em:</p><p>https://www.scielo.br/j/tla/a/BYNWpsPRxzMYh4gGGCwH5Vk/?format=pdf&lang=pt.</p><p>Acesso em: 22 set. 2021.</p><p>STENGEL, Márcia Stengel; DOURADO, Simone Pereira da Costa; DIAS, Vanina Costa;</p><p>SOARES, Samara Sousa Diniz; FRICHE, Marilza de Lima; FRAGA, Jéssica Buthers Lima</p><p>Ferraz ; LOCATELLI, Renata Sartori; SANTOS, Luis Filipe. GERAÇÃO, FAMÍLIA E</p><p>JUVENTUDE NA ERA VIRTUAL. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 24, n. 2, p.</p><p>424- 441, ago. 2018</p><p>CONCLUSÃO GERAL</p><p>Olá, estudante!</p><p>Na disciplina de Antropologia e sociologia filosófica passamos por diversas</p><p>discussões importantes para as ciências humanas e suas construções teóricas.</p><p>Na unidade I discutimos o surgimento da sociologia como conhecimento</p><p>científico diante da compreensão do sistema capitalista com relação às suas influências</p><p>sobre a vida cotidiana das pessoas, possibilitando, assim, a tomada de consciência sobre</p><p>a realidade social de cada indivíduo.</p><p>Na unidade II apresentamos os estudos culturalistas e funcionalistas de modo a</p><p>perceber que a antropologia é uma disciplina que se consolida se posicionando</p><p>criticamente a teorias que tornam as diferenças culturais em exotismo, como em uma</p><p>coleção de curiosidades.</p><p>Nesta unidade III conhecemos algumas contribuições da filosofia para a</p><p>compreensão da humanidade diante de diversas questões. Nesse sentido, buscamos</p><p>mostrar que a filosofia é uma importante ferramenta de entendimento humano.</p><p>Na unidade IV encerramos a disciplina discutindo as relações entre o eu e o outro</p><p>diante do conceito de alteridade. Para isso, vamos discutir sobre as diversidades</p><p>culturais, diferenças religiosas e os desafios impostos pela era digital na sociedade</p><p>moderna.</p><p>Esperamos que depois de conhecer todas essas discussões tão importantes para</p><p>nós, profissionais das humanidades, você, estudante, tenha referencial teórico</p><p>suficiente para refletir sobre a realidade em que vive e perceber como as estruturas</p><p>sociais nos constrói como humanidade.</p><p>Bons estudos!</p><p>para haver</p><p>sociedade, o que constitui uma sociedade são um conjunto de regras comuns, costumes,</p><p>hábitos e um modo de organização social, bem como, pode haver mais de uma</p><p>sociedade dentro de um grupo maior, como podemos perceber aqui no Brasil. Embora</p><p>haja uma grande sociedade brasileira, sabemos da existẽncia de diversos grupos sociais,</p><p>principalmente, de populações indígenas, que possuem uma forma de organização</p><p>distinta do restante da sociedade brasileira, isso não as exclui da sociedade brasileira,</p><p>mas significa que existem diversas sociedades que compõem o nosso país.</p><p>Fonte: a autora.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Desse modo, considerando a diversidade existente na vida em sociedade, assim</p><p>como qualquer outra ciência, existe na Sociologia, diferentes especialidades. Sobre esse</p><p>tema que discutiremos a seguir.</p><p>2 CAMPOS DE ESTUDO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/businessman-studying-</p><p>crowd-people-magnifying-glass-1626913051</p><p>Esta ciência que se dedica a estudar a sociedade, a sociologia, faz parte de um campo</p><p>científico mais amplo que se chama ciências sociais. Além da Sociologia temos a Antropologia e</p><p>a Ciência Política como integrantes desse campo científico e agora vamos conhecer quais são as</p><p>especificidades de cada uma dessas áreas de conhecimento.</p><p>Vamos começar pela Sociologia, que é: “o estudo da vida e do comportamento social,</p><p>sobretudo em relação a sistemas sociais, como eles funcionam, como mudam, as consequências</p><p>que produzem e sua relação complexa com a vida” (JOHNSON, 1997, p. 217). A Sociologia é uma</p><p>ciência que analisa nossas relações interpessoais: a família, relacionamentos, grupos sociais, e</p><p>nossas relações com a vida pública: escola, trabalho, religião, estado, justiça, dentre outros meios</p><p>sociais que convivemos diariamente.</p><p>Já a Antropologia, definida, essencialmente, como o estudo da humanidade, se</p><p>concentrou, inicialmente, em investigar sociedades primitivas, com organização simples, restritas</p><p>a ilhas e localizações distantes, que tiveram pouco contato com sociedades ocidentais, e que por</p><p>serem: “qualificadas como "simples"; em consequência, elas irão permitir a compreensão, como</p><p>numa situação de laboratório, da organização "complexa" de nossas próprias sociedades”</p><p>(LAPLANTINE, 2003, p. 8). Desse modo, o estudo antropológico concentra-se no entendimento</p><p>da racionalidade humana em sua coletividade, como a humanidade produz significados e</p><p>simbolismos, ou seja, o que é cultura e como ela se constrói. O olhar antropológico mostra-nos</p><p>que, ao conhecermos o outro, sociedades distintas da nossa, é que conhecemos a nossa própria</p><p>realidade.</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/businessman-studying-crowd-people-magnifying-glass-1626913051</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/businessman-studying-crowd-people-magnifying-glass-1626913051</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>No que se refere à Ciência Política podemos compreendê-la mais amplamente como o</p><p>conjunto de “estudos sobre os fenômenos e as estruturas políticas, conduzido sistematicamente</p><p>e com rigor, apoiado num amplo e cuidadoso exame dos fatos expostos com argumentos</p><p>racionais” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 164). O que isso significa? Estudar os</p><p>fenômenos e estruturas políticas é verificar tendências de comportamento político, ou seja,</p><p>compreender como determinados grupos tendem a se identificar com quais posições políticas?</p><p>Realizar uma leitura orientada sobre dados eleitorais, fazer pesquisas de intenção de votos,</p><p>mapear as ações do estado ou avaliar políticas públicas. Esse é o âmbito das Ciências Sociais que</p><p>investiga nossas ações com relação às instâncias de poder, as estruturas políticas do estado e</p><p>suas instituições.</p><p>Com esta breve definição sobre as diferentes áreas das Ciências Sociais o que é possível</p><p>diagnosticar é que não há uma divisão bem clara entre uma área e outra, todos os temas se</p><p>entrelaçam. Isso é muito construtivo para a consolidação das Ciências Sociais como campo de</p><p>estudos, pois possibilita a produção de um conhecimento científico comprometido com a</p><p>realidade social que, por sua vez, é diversa e dinâmica e, por isso, não pode ser lida por meio de</p><p>uma única perspectiva.</p><p>Considerando, portanto, que as ciências sociais compõem um campo científico muito</p><p>plural, devemos compreender, ainda, que existem diferentes perspectivas e métodos de</p><p>pesquisa para compreender este amplo objeto de estudo que é a vida em sociedade. Dessa</p><p>maneira, precisamos conhecer as metodologias mais utilizadas na Sociologia e suas</p><p>possibilidades. São elas: as pesquisas qualitativas, quantitativas e a etnografia.</p><p>As pesquisas qualitativas consideram metodologias que buscam um maior contato com o</p><p>objeto de estudo, no caso da Sociologia pode ser algum grupo social. São características desse</p><p>modelo de pesquisa, as entrevistas de trajetórias de vida e grupos focais, grupos de discussão em</p><p>que, pelo menos, seis pessoas se encontram para opinar sobre o assunto estudado.</p><p>As pesquisas quantitativas fazem amostras de grupos sociais por meio de estatísticas, é</p><p>um tipo de pesquisa que considera dados numéricos. As pesquisas quantitativas são feitas por</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>meio de questionários fechados com questões de múltipla escolha para compreender as opiniões</p><p>e tendências de comportamento da sociedade.</p><p>Como parte dos estudos antropológicos, sobre as culturas humanas, a etnografia dedica-</p><p>se a estudar o comportamentos dos grupos sociais no seu dia a dia, para isso, a pesquisadora ou</p><p>pesquisador vão até o grupo estudado e convivem com eles até compreender as relações sociais</p><p>dessa população.</p><p>Esses diferentes métodos de se estudar a vida em sociedade compreendem as diversas</p><p>complexidades a que os cientistas sociais, sociólogos, antropólogos e cientistas políticos</p><p>precisam enfrentar no cotidiano de pesquisa, desse modo, temos como possibilidade técnicas de</p><p>pesquisa que se adaptam as mais diversas questões de investigação.</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>3 CONTEXTOS HISTÓRICOS PARA O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/vector-illustration-</p><p>production-line-workers-automation-1170064279</p><p>A formação de um campo de pesquisa tão amplo quanto as ciências sociais se deve,</p><p>especialmente, ao surgimento da sociologia, foi essa ciência que deu início aos principais</p><p>pressupostos teóricos e fundamentos metodológicos que repercutem até a atualidade. Portanto,</p><p>faz-se necessário o entendimento do contexto de formação da sociologia como ciência.</p><p>O surgimento da Sociologia ocorreu no século XIX, a princípio, por influência da teoria</p><p>positivista de Auguste Comte (1972), porém, muitos acontecimentos anteriores e concomitantes</p><p>ao surgimento dessa nova ciência humana contribuíram para a sua formação. Podemos retomar</p><p>os primeiros indícios de transformação da sociedade europeia que influenciaram a Sociologia</p><p>ainda no Renascimento, sendo possível a inclusão de marcos históricos como as revoluções</p><p>francesa e industrial e a revolução científica incentivada pelo Iluminismo. Todos esses</p><p>acontecimentos colaboraram para transformações profundas na organização social da sociedade</p><p>ocidental, principalmente, a europeia, o que reconfigurou a vida urbana, política e econômica.</p><p>Com o período renascentista, a burguesia passa a crescer e aquela concepção de</p><p>sociedade estamental medieval passa a ser alterada, visto que os burgueses não eram nobres,</p><p>mas tinham tanto ou mais dinheiro quanto os nobres. A reivindicação da classe burguesa por</p><p>seus direitos políticos ocorreu gradativamente de acordo com o crescimento dessa classe. Essas</p><p>alterações, na configuração social europeia causaram uma alteração tão grande</p><p>na ordem</p><p>política e social do continente que, em partes, contribuem até para a Revolução Francesa e para</p><p>os ideais de igualdade e liberdade propostos pelo Iluminismo.</p><p>A revolução industrial que começou na Inglaterra no século XVIII impôs muitas mudanças</p><p>na sociedade europeia. O modo de produção industrial por meio das máquinas a vapor</p><p>transformou as relações econômicas e sociais da população como um todo por meio do seu</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/vector-illustration-production-line-workers-automation-1170064279</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/vector-illustration-production-line-workers-automation-1170064279</p><p>modelo de produção em série e do trabalho assalariado. No entanto, junto da revolução</p><p>industrial ocorreu uma série de problemas sociais como o desemprego e o aprofundamento das</p><p>desigualdades sociais.</p><p>Anos mais tarde, percebendo todas as transformações sociais ocorridas em razão das</p><p>revoluções francesa e industrial, o filósofo francês Auguste Comte (1972) buscou formular um</p><p>conhecimento científico que pudesse explicar todas essas transformações. E com ele temos as</p><p>primeiras formulações sobre o que se tornaria a sociologia.</p><p>Auguste Comte (1972) foi um filósofo francês que viveu entre 1798 e 1857. O autor</p><p>desenvolveu a teoria positivista, corrente filosófica que considera a ciência como principal meio</p><p>de conhecimento humano. O autor criou um conceito que se chama física social (conhecida na</p><p>atualidade como sociologia), a física social seria um conhecimento científico que buscaria leis</p><p>universais sobre a vida em sociedade. Segundo Comte(1972):</p><p>Entendo por física social a ciência que tem por objeto próprio o estudo dos</p><p>fenômenos sociais, segundo o mesmo espírito com que são considerados os</p><p>fenômenos astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos, isto é, submetidos a</p><p>leis invariáveis, cuja descoberta é o objetivo de suas pesquisas. Assim, ela se</p><p>propõe diretamente a explicar, com a maior precisão possível, o grande</p><p>fenômeno do desenvolvimento da espécie humana, visto em todas as suas</p><p>partes essenciais (COMTE, 1972, p. 86).</p><p>Compreende-se, portanto, que a física social seria uma reprodução de métodos e técnicas</p><p>das ciências naturais para a compreensão e estudo da sociedade.</p><p>A teoria positivista de Comte (1972) defendia que a ordem e a disciplina eram elementos</p><p>essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade. Para o autor, apenas por meio da</p><p>compreensão da ordem presente em uma sociedade é que poderíamos alcançar o progresso</p><p>social.</p><p>Auguste Comte (1972) definiu ainda a lei dos três estados que constituía três diferentes</p><p>fases de formulação do conhecimento humano, são elas: teológica, metafísica e positiva. O</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>estado teológico considera que as explicações sobre os fenômenos sociais e naturais são</p><p>buscadas no sobrenatural, pela divindade de deuses, ou seja, seriam explicações distantes do uso</p><p>da razão. O estado metafísico se configura pela tentativa de superação do estado teológico em</p><p>busca do próximo estágio, o positivo, nesse estado, as explicações dos fenômenos sociais se</p><p>constitui pelo entendimento das forças da natureza. E, por fim, estaria o estágio de</p><p>conhecimento humano mais evoluído, o estado positivo, ou o estado científico, em que a</p><p>explicação dos fenômenos segue a lógica da ciẽncia, por meio da experiência e comprovação</p><p>metodológica.</p><p>Embora Comte (1972) tenha um papel essencial para a formação da sociologia, a sua</p><p>consolidação como conhecimento científico ocorreu com o trabalho de Émile Durkheim (1971),</p><p>que formulou o primeiro método preciso e específico da sociologia.</p><p>Para o sociólogo francês, Émile Durkheim (1971), a sociedade orienta boa parte da nossa</p><p>vida, nos faz agir, pensar e se comportar de uma maneira determinada pelo meio social. Portanto,</p><p>a Sociedade se impõe sobre o indivíduo, ou seja, faz com que nós sigamos suas normas.</p><p>A perspectiva de Durkheim (1971) sobre a sociedade considera que existem regras de</p><p>conduta que nos alinham socialmente, nos colocam em pleno funcionamento. Nesse sentido,</p><p>para que a sociedade funcione bem é preciso, para Durkheim (1971), haver coesão social, ou seja,</p><p>as regras e normas sociais precisam estar bem estabelecidas e serem cumpridas pelos membros</p><p>dessa sociedade, caso contrário nos encontraremos em estado de anomia social, em estado de</p><p>total desequilíbrio das normas sociais.</p><p>Para compreender o funcionamento da sociedade, Durkheim (1971)desenvolve um</p><p>método científico que é o fato social que, para Durkheim (1971): “é fato social toda maneira de</p><p>agir fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda,</p><p>que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria,</p><p>independente das manifestações individuais que possa ter.” (DURKHEIM, 1971, p. 11).</p><p>Portanto, o Fato Social possui três características: a coercitividade, a exterioridade e a</p><p>generalidade.</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>Durkheim (1971) buscava construir um método que reproduziria as técnicas e</p><p>metodologias das ciências naturais mas, destacando que a questão social seria um elemento a</p><p>ser considerado pela ciência, pensando nisso, o autor se dedicou a estudar o suicídio, em uma</p><p>obra de mesmo nome publicada em 1897. Nesta obra, Durkheim (1966) demonstra que existem</p><p>condições sociais em um fenômeno que inicialmente parece ser de origem patológica e natural.</p><p>O sociólogo francês elenca 3 tipos de suicídios que possuem como motivações causas sociais que</p><p>são exteriores aos indivíduos.</p><p>● Suicídio Egoísta: possui motivações pessoais, a pessoa se encontra tão desajustada</p><p>socialmente que não faz mais questão da própria vida. A eutanásia pode ser considerado</p><p>um tipo de suicídio dessa classe;</p><p>● Suicídio Altruísta: suas motivações são em razão de costumes, valores morais e hábitos</p><p>culturais. Um exemplo são os kamikazes japoneses ou os homens-bomba do oriente</p><p>médio, pessoas que acreditam tanto em suas crenças culturais que dão suas vidas por</p><p>causa de sua sociedade;</p><p>● Suicídio Anômico: em momentos de crise social, como a crise econômica de 1929, existem</p><p>pessoas que se sentem inconsoláveis pelo mal funcionamento social, se sentem</p><p>frustradas por não seguirem um ideal de sucesso, por exemplo, que não veem mais razão</p><p>para viver. Esse tipo de suicídio costuma acontecer em sociedades que se encontram em</p><p>estado de anomia social, ou seja, suas regras de conduta não estão mais em pleno</p><p>funcionamento.</p><p>Contudo, a Sociologia é uma ciência plural em perspectivas e métodos, assim como o seu</p><p>objeto de estudo, a vida em sociedade. Dessa maneira, diante das diversas transformações</p><p>sociais responsáveis pelo desenvolvimento da nossa sociedade moderna, muitos autores se</p><p>ocuparam de pensar o novo sistema que se originava, o capitalismo. Desse modo, além de Comte</p><p>(1972) e Durkheim (1971) consideramos como fundadores da sociologia os sociólogos Karl Marx</p><p>(2004) e Max Weber (2008).</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>No que se refere a Karl Marx (2004), que analisou os modos de produção da sociedade</p><p>capitalista e revelou as estruturas sociais provenientes dela, bem como os problemas sociais</p><p>característicos da divisão social entre os trabalhadores e os donos do poder econômico.</p><p>Segundo o sociólogo alemão (2004), conjuntamente ao surgimento capitalista originou-</p><p>se a luta de classes, que significa os problemas e contradições vivenciados pela classe de</p><p>trabalhadores por causa de sua condição de exploração no trabalho que</p><p>vendem aos empresários, donos de fábricas e grupos da elite econômica. De acordo com Marx</p><p>(2004) os trabalhadores (proletariado) são explorados pelos donos dos</p><p>meios de produção</p><p>(burguesia). São considerados meios de produção as fábricas, maquinários para a produção de</p><p>mercadorias, propriedade de terras e imóveis e grandes empresas.</p><p>Karl Marx (2004), mais conhecido como autor da proposta de uma sociedade comunista,</p><p>é uma grande referência sobre os estudos das relações de produção no sistema capitalista e foi</p><p>esse seu objeto de estudo em sua obra chamada “O Capital”, publicada entre 1867 e 1883.</p><p>Em “O Capital”, Marx (2004) desenvolve seu método científico, o Materialismo Histórico</p><p>Dialético, que é a concepção de que a sociedade transforma as nossas relações sociais, portanto,</p><p>molda as nossas maneiras de pensar, agir e se comportar, mas, nós como indivíduos, também,</p><p>temos o poder de transformar a sociedade que vivemos. Nessa perspectiva, a ciência, a</p><p>Sociologia, mais especificamente, deve buscar compreender os contextos históricos que</p><p>promovem mudanças nas relações sociais dos indivíduos, buscando compreender como</p><p>materialmente isso se coloca na vida em sociedade, além de compreender quais são os</p><p>movimentos coletivos que os indivíduos desenvolvem para transformar a sociedade que vivem.</p><p>Marx (2001), entendia que as pessoas tinham o poder de se organizar e mudar a sua</p><p>realidade social, por isso ele propôs o Comunismo, pois, nas suas palavras: “Os trabalhadores não</p><p>têm nada a perder em uma revolução comunista, a não ser suas correntes.” O que isso significa?</p><p>É a possibilidade de revolta popular que questiona o poder dos grandes proprietários, os donos</p><p>dos meios de produção, e busca acabar com a exploração do trabalho humano que constitui o</p><p>capitalismo. A revolução comunista seria os trabalhadores, tomando o poder da burguesia e</p><p>construindo um novo sistema social.</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>Em contrapartida, Max Weber (2008), outro sociólogo alemão essencial para o</p><p>surgimento da sociologia, propôs uma forma de investigação que buscou interpretar as ações</p><p>individuais de cada pessoa na sociedade, a Sociologia Compreensiva, buscou definir as relações</p><p>sociais por meio da ação social. Diferentemente de Durkheim (1971), Weber (2008) não defende</p><p>que existem leis gerais ou exteriores que se impõem sobre os seres humanos, pelo contrário,</p><p>para Weber (2008), todo fenômeno social tem uma causa, um comportamento individual que o</p><p>precede. Portanto, leis universais que influenciam o comportamento humano e o</p><p>desenvolvimento histórico são inexistentes, o que mantém o construto coletivo dado pelas</p><p>relações sociais estabelecidas no cotidiano.</p><p>A análise sociológica proposta por Weber (2008), diante da ação social como seu objeto</p><p>de estudo, presume um método que busca compreender as motivações individuais que</p><p>impulsionam determinadas ações sociais.</p><p>A ação social, como toda ação, pode ser:</p><p>1. racional com relação a fins: determinada por expectativas no comportamento tanto de</p><p>objetos do mundo exterior como de outros homens, e utilizando essas expectativas como</p><p>“condições” ou “meios” para o alcance de fins próprios racionalmente avaliados e</p><p>perseguidos;</p><p>2. racional com relação a valores: determinada pela crença consciente no valor interpretável</p><p>como ético, estético, religioso ou de qualquer outra forma - próprio e absoluto de uma</p><p>determinada conduta, considerada de per si e independente de êxito;</p><p>3. afetiva: especialmente emotiva, determinada por afetos e estados sentimentais atuais;</p><p>4. tradicional: determinada por um costume arraigado. (WEBER, 2008, p. 118, grifo do</p><p>autor).</p><p>Diante dessa perspectiva de Weber (2008), as interações dos indivíduos formam a</p><p>sociedade em que vivemos, e dentre as nossas diversas maneiras de nos relacionar existe a</p><p>dominação, forma de submissão e obediência entre os indivíduos. Existem três principais formas</p><p>de dominação:</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>1. Dominação Legal: depende dos interesses, vantagens e utilidades codificadas pelas</p><p>regras, leis e técnicas legais;</p><p>2. Dominação Tradicional: depende dos costumes, hábitos e valores morais;</p><p>3. Dominação Carismática: tem origem nos afetos, gostos e crenças pessoais de seus</p><p>comandados.</p><p>As diferentes formas de dominação formam lideranças políticas pois, na perspectiva de</p><p>Weber (1986), é o Estado que representa esse poder de submeter os indivíduos a um mandatário.</p><p>São líderes de dominação legal os tecnicistas, que usam nas normas, regras de conduta e leis para</p><p>exercer o seu poder. Os líderes de dominação tradicional, usam da moral e dos costumes para</p><p>prevalecer a sua autoridade. Já a liderança de dominação carismática utiliza os afetos e</p><p>sentimentos para conquistar seguidores, seja ódio, amor ou solidariedade.</p><p>4 A IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/great-idea-concept-young-</p><p>funny-african-1814497817</p><p>Considerando as diferentes abordagens no campo sociológico, devemos discutir agora</p><p>sobre o papel social da Sociologia como ciência. Para isso, vamos utilizar as reflexões do sociólogo</p><p>Wright Mills (1969). Esse autor nos incentiva a refletir sobre como a sociologia proporciona um</p><p>processo de conscientização sobre a nossa atuação na sociedade em que vivemos. Segundo o</p><p>sociólogo, o passo inicial para uma compreensão plena da realidade é estabelecer o</p><p>entendimento sobre a própria experiência neste mundo. Nas palavras de Mills:</p><p>O indivíduo só pode compreender sua própria experiência e avaliar o seu próprio</p><p>destino localizando-se dentro de seu período; só pode conhecer suas</p><p>possibilidades na vida tornando-se cônscio das possibilidades de todas as</p><p>pessoas, nas mesmas circunstâncias que ele. Sob muitos aspectos, é uma missão</p><p>terrível, sob muitos outros, magnífica (WRIGHT MILLS, 1969, p. 12).</p><p>Quando Mills (1969) nos diz que é preciso nos tornar cônscio de nossas possibilidades, o</p><p>autor nos incentiva a ter lucidez e consciência sobre o lugar que ocupamos socialmente,</p><p>principalmente, com relação às outras pessoas e grupos sociais. De certa forma, o sociólogo</p><p>apresenta a sociologia como uma forma de compreensão do mundo que nos desperta para tudo</p><p>que está ao nosso redor.</p><p>Nesse sentido, a compreensão de que existem condições pré-estabelecidas para a nossa</p><p>vivência social nos coloca o desafio de percebermos que existem muitas explicações para além</p><p>do que já nos acostumamos a acreditar. Diante disso, ao se tornar cônscio da sua realidade, você,</p><p>estudante, eu e todas as pessoas que se propõem a realizar o exercício proposto por Mills, nos</p><p>construímos como seres sociais com capacidade de atuação social ativa.</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/great-idea-concept-young-funny-african-1814497817</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/great-idea-concept-young-funny-african-1814497817</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>REFLITA</p><p>Vamos pensar na seguinte situação, estudante, como seria a nossa sociedade se as</p><p>pessoas deixassem de se conformar com o que está pré-estabelecido e começassem a produzir</p><p>reflexões e posicionamentos próprios sobre a realidade? Será que teríamos, então, a</p><p>possibilidade de construir uma sociedade melhor?</p><p>Fonte: autora.</p><p>#REFLITA#</p><p>O exercício proposto pelo sociólogo Wright Mills (1969) é o que o autor chama de</p><p>imaginação sociológica, que consiste nessa postura de observar a realidade em que vivemos para</p><p>compreender como ela nos condiciona e influencia as nossas vidas. A imaginação sociológica,</p><p>segundo Mills, não é exclusiva para sociólogos, mas, sim, possível para o entendimento de toda</p><p>e qualquer pessoa que tenha contato com o conhecimento sociológico.</p><p>A imaginação sociológica é uma possibilidade de desenvolvermos a razão, a fim de</p><p>perceber, com lucidez, o que está ocorrendo no mundo e o que pode estar acontecendo dentro</p><p>de si mesmo</p><p>(MILLS, 1969). A proposta de Wright Mills (1969) é demonstrar como a sociologia é</p><p>um conhecimento científico importante para a nossa sociedade é, justamente, por isso que esta</p><p>discussão está presente aqui, pois temos como intuito que você, estudante, compreenda as</p><p>possibilidades desse campo científico para sua concepção de mundo.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Prezado (a), estudante,</p><p>Nesta unidade, aprendemos o conceito de sociedade e contexto de formação da</p><p>ciência que se dedica a estudar esse tema: a sociologia. Apresentamos, ainda, que as</p><p>revoluções industrial e francesa foram marcos históricos que transformaram</p><p>significativamente a vida em sociedade, o que inaugurou a sociedade moderna tal como</p><p>conhecemos na atualidade. Esses acontecimentos proporcionaram o surgimento da</p><p>sociologia que, por sua vez, originou-se para construir algumas explicações sobre todas</p><p>as transformações provenientes do sistema capitalista.</p><p>A sociologia buscou, ainda, dedicar esforços na compreensão do sistema</p><p>capitalista com relação às suas influências sobre a vida cotidiana das pessoas,</p><p>possibilitando, assim, a tomada de consciência sobre a realidade social de cada</p><p>indivíduo.</p><p>Desse modo, podemos compreender a importância da sociologia para a</p><p>construção de seres sociais cada vez mais conscientes do seu lugar em sociedade e das</p><p>suas possibilidades. Essa postura pode ser construída por meio da compreensão da</p><p>realidade que torna possível um posicionamento mais crítico diante das desigualdades</p><p>sociais e problemáticas presentes em nossa sociedade.</p><p>Para conhecermos cada vez mais sobre as possibilidades da humanidade em sua</p><p>ação na sociedade, aguardo você, estudante, na próxima unidade.</p><p>Bons estudos!</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Sociologia e liberdade</p><p>Zygmunt Bauman e Tim May</p><p>A sociologia produz um sentido de entendimento que podemos chamar de</p><p>relacional-interpretativo. Ela não se satisfaz em ver as coisas de modo isolado, porque a</p><p>vida social não é assim. Por isso, ela não se encaixa bem nas reivindicações de</p><p>“encerramento das atividades” daquilo que não é nem poderia ser hermeticamente</p><p>selado como proteção contra influências externas. A sociologia é um comentário</p><p>permanente das experiências surgidas em relações sociais e uma interpretação dessas</p><p>experiências com referência aos outros e às circunstâncias sociais em que as pessoas se</p><p>encontram.</p><p>Isso não significa sugerir que ela detenha o monopólio da sabedoria no que diz</p><p>respeito àquelas experiências – muito embora sem dúvida as enriqueça nos ajudando a</p><p>compreender melhor com os outros e por meio dos outros. Na verdade, aprender a</p><p>pensar sociologicamente amplia nossos horizontes de compreensão porque essa ação</p><p>não se contenta com a exclusividade e a necessidade de ser definitiva – qualidades</p><p>exigidas de qualquer interpretação. Ela também enfatiza, antes de mais nada, o custo</p><p>das tentativas de acarretar essa situação. Isso está longe de sugerir que a sociologia não</p><p>seja “prática”. Ao ampliar o horizonte de nosso entendimento, ela é capaz de lançar luz</p><p>sobre o que de outra maneira poderia passar despercebido no curso normal dos</p><p>eventos. Isso inclui uma pluralidade de experiências e formas de vida, além do modo</p><p>como cada uma exibe e disponibiliza suas formas de entendimento, ao demonstrar</p><p>também como é impossível cada qual ser uma unidade independente e autossuficiente.</p><p>Muito simplesmente, todos somos vinculados uns aos outros, embora de maneiras</p><p>diferentes. Esse é o desafio de se pensar sociologicamente, porque esse pensamento</p><p>não refreia, mas facilita o fluxo e a troca de experiências.</p><p>aline</p><p>Realce</p><p>Para alguns, isso significa que a sociologia se pode somar à ambivalência porque</p><p>não se juntará àqueles que procuram “congelar o fluxo” na busca de objetivos</p><p>delimitados. Abordada dessa maneira, ela pode ser considerada parte do problema, e</p><p>não a solução. Entretanto, se uma sociedade é séria em seu desejo de aprender,</p><p>autorizará a forma de entendimento que melhor nos equipa para enfrentar o futuro. O</p><p>grande serviço que a sociologia está preparada para oferecer à vida humana e à</p><p>coabitação dos homens é a promoção do entendimento mútuo e da tolerância como</p><p>condição suprema da liberdade compartilhada. Graças à forma de entendimento que</p><p>disponibiliza, o pensamento sociológico promove, necessariamente, o entendimento</p><p>produtor de tolerância e a tolerância que viabiliza o entendimento.</p><p>Como sugerimos [...], a maneira como enxergamos os problemas influenciará o</p><p>que é considerado a solução apropriada. Entre nossas expectativas para o futuro e as</p><p>experiências obtidas do passado e do presente jaz um espaço que o pensar</p><p>sociologicamente ilumina e a partir do qual podemos aprender mais sobre nós mesmos,</p><p>os outros e as relações entre nossas aspirações, ações e as condições sociais que criamos</p><p>e nas quais vivemos. A sociologia é, assim, central para qualquer tentativa de nos</p><p>compreender melhor.</p><p>Fonte: BAUMAN, Zygmunt, MAY, Tim. Aprendendo a pensar com a sociologia. Editora, Zahar. Ano de</p><p>Edição, 2010.</p><p>LIVRO</p><p>• Título. Aprendendo a pensar com a sociologia</p><p>• Autor. Zygmunt Bauman e Tim May.</p><p>• Editora. Zahar.</p><p>• Sinopse. Por meio de uma escrita leve e contextualizada diante de temas cotidianos,</p><p>Bauman e May refletem nesse livro sobre as possibilidades que a sociologia pode</p><p>oferecer para a compreensão do mundo e das vivências que cada um possui no dia a dia</p><p>ao se relacionar em sociedade.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título. Tempos Modernos.</p><p>• Ano. 1936</p><p>• Sinopse. Neste filme Charles Chaplin interpreta um operário em uma linha de</p><p>produção que está descobrindo os desafios do novo modelo de produção capitalista. O</p><p>filme é um clássico das aulas de introdução à Sociologia e nos ajuda a compreender</p><p>como a revolução industrial foi um marco para o surgimento da sociedade moderna.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BAUMAN, Zygmunt, MAY, Tim. Aprendendo a pensar com a sociologia. Editora, Zahar.</p><p>Ano de Edição, 2010.</p><p>BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília: Editora UnB,</p><p>1998.</p><p>COMTE, A. “Cours de philosophie positive”. In: La science sociale. France: Gallimard,</p><p>1972.</p><p>DURKHEIM, É. As regras do método sociológico. São Paulo: Editora Nacional, 1971.</p><p>DURKHEIM, É. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Nacional; 1966.</p><p>GIDDENS, Anthony e SUTTON, Philip W. Conceitos essenciais da Sociologia. São Paulo,</p><p>Editora Unesp, 2017.</p><p>JOHNSON, Allan G. Dicionário de Sociologia. Zahar: Rio de Janeiro, 1997.</p><p>LAPLANTINE, François. Introdução: o campo e a abordagem antropológicos. In:</p><p>Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003.MILLS, Wright C. A imaginação</p><p>sociológica. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1969.</p><p>MARX, K. O capital: crítica da economia política. Tradução de Reginaldo Sant'anna. Rio</p><p>de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.</p><p>MARX, K.; ENGELS, F. O manifesto comunista. Porto Alegre: L&PM, 2001.</p><p>MILLS, Wright C. A imaginação sociológica. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Zahar Editores,</p><p>1969.</p><p>SILVA, D. C.; BELANÇON, Milena Cristina.. Fundamentos Sociológicos e Antropológicos</p><p>da Educação.1°. ed. Maringá: UniCesumar,, 2020. v. 1. 184p.</p><p>WEBER, M. “Ação social e relação social”. In: FORACCHI, M. M; MARTINS, J. de S.</p><p>Sociologia e sociedade: leituras de introdução à sociologia. Rio de Janeiro: Livros</p><p>Técnicos e Científicos – LTC, 2008. p. 117-121.</p><p>WEBER, Max. “Os três tipos puros de dominação llegítima”. In: COHN, Gabriel (org.).</p><p>Max Weber: Sociologia. 3a ed. São Paulo: Ática, 1986.</p><p>UNIDADE II</p><p>ANTROPOLOGIA OU ANTROPOLOGIAS?</p><p>Professor Mestra Daiany Cris Silva</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• Histórico de formação da antropologia como ciência;</p><p>• Antropologia Filosófica;</p><p>• Antropologia Social;</p><p>• Antropologia Cultural.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Conceituar e contextualizar</p><p>o surgimento da antropologia como ciência;</p><p>• Compreender os campos de estudos da antropologia;</p><p>• Estabelecer a importância da antropologia como conhecimento científico.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Olá, estudante!</p><p>As ciências das humanidades é formada por muitas teorias e perspectivas sobre</p><p>o que é ser humano, portanto, uma das grandes questões é compreender como a</p><p>humanidade se constrói coletivamente. A antropologia busca lançar luz a esta questão</p><p>diante dos estudos culturais e é sobre isso que iremos aprender nesta unidade.</p><p>Para conhecermos o campo dos estudos antropológicos percorreremos um</p><p>caminho em quatro etapas que irão apresentar diferentes correntes teóricas da</p><p>antropologia.</p><p>Primeiramente apresentaremos a formação da antropologia como ciência, nesse</p><p>momento, tomaremos contato com as primeiras formulações da antropologia,</p><p>representada pelo evolucionismo social.</p><p>Em seguida, conheceremos antropologia filosófica, esta corrente teórica é a que</p><p>se dedica à compreensão do que nos faz humanos, considerando as nossas construções</p><p>simbólicas, a linguagem e a nossa cultura como formadora de significados.</p><p>Apresentaremos, também, a antropologia social, representada pelo</p><p>funcionalismo de Bronislaw Malinowski, autor que inaugurou a metodologia moderna</p><p>da antropologia, a etnografia, por isso, conheceremos, neste tópico, o que é e como se</p><p>faz etnografia.</p><p>E, por fim, apresentamos a antropologia cultural e suas críticas sobre o</p><p>evolucionismo social, percebemos que, nesta corrente, teórica a relativização e o</p><p>conhecer o outro diante do próprio olhar é essencial.</p><p>Espero que você, estudante, diante do material apresentado, tenha condições</p><p>de compreender a importância da antropologia.</p><p>Bons Estudos!</p><p>1 HISTÓRICO DE FORMAÇÃO DA ANTROPOLOGIA COMO CIÊNCIA</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/human-evolution-natural-</p><p>selection-monkeys-modern-1715994928</p><p>A Antropologia é uma das grandes responsáveis nas Ciências Sociais pelos</p><p>estudos culturais, desenvolvendo metodologias e teorias próprias para isso. A</p><p>antropologia busca, especialmente, compreender a racionalidade humana com relação</p><p>à coletividade, ou seja, as antropólogas e os antropólogos buscam compreender como</p><p>as pessoas produzem significados e simbolismos sobre o mundo. A antropologia estuda,</p><p>portanto, o que é cultura e como ela se constrói.</p><p>É isso mesmo, estudar como a humanidade constrói significados para suas</p><p>relações coletivas é estudar cultura, dessa forma, a antropologia demonstra que toda e</p><p>qualquer pessoa possui cultura, Independentemente, da “sofisticação” individual, ou de</p><p>um determinado grupo social, diante de seus hábitos e costumes cotidianos.</p><p>Nesse campo de estudos, entende-se que a humanidade em geral é agente e</p><p>produtora de cultura, porque nós construímos simbolismos sobre a vida o tempo todo,</p><p>seja por meio da maneira como nos expressamos ou quando definimos o que é feio ou</p><p>bonito, o que é ou o que não são bons modos, dentre muitas outras práticas cotidianas.</p><p>Os primeiros estudos antropológicos datam em meados do século XIX e firmam-</p><p>se no debate de teóricos afetos ao evolucionismo social. Incentivados pelos estudos</p><p>sobre a evolução das espécies desenvolvido por Charles Darwin, autores como Lewis</p><p>Henry Morgan (1818-1881), Edward Burnett Tylor (1832-1917) e James George Frazer</p><p>(1854 – 1941), investigaram as, até então, chamadas sociedades primitivas em uma</p><p>perspectiva comparativa entre diferentes sociedades para mapear um caminho</p><p>evolutivo da humanidade.</p><p>Assim como afirma CASTRO (2016):</p><p>Como decorrẽncia da visão de um único caminho evolutivo humano, os povos</p><p>“não ocidentais”, “selvagens” ou “tradicionais” existentes no mundo</p><p>contemporâneo eram vistos como uma espécie de “museu vivo” da história</p><p>humana – representantes de etapas anteriores da trajetória universal de</p><p>homem rumo à condição dos povos mais “avançados”; como exemplos vivos</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/human-evolution-natural-selection-monkeys-modern-1715994928</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/human-evolution-natural-selection-monkeys-modern-1715994928</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>daquilo “que já fomos um dia”. Para preencher as “lacunas” do longo período</p><p>“primitivo” de evolução cultural humana a antropologia deveria utilizar o</p><p>método comparativo, aplicando-o ao grande número de sociedades</p><p>“selvagens” existentes contemporaneamente. (CASTRO, 2016, p. 11).</p><p>Nesse sentido, o principal objetivo dos autores do evolucionismo social,</p><p>considerados como os precursores da antropologia, era compreender o processo</p><p>histórico e cultural de desenvolvimento da humanidade por meio de determinações</p><p>biológicas, ou seja, a natureza era um elemento definidor para as teorias dessa corrente</p><p>intelectual.</p><p>Nesse momento, havia a compreensão de que “ao estudar as condições de tribos</p><p>e nações nesses diversos períodos étnicos, estaríamos lidando, substancialmente, com</p><p>a história antiga e com as antigas condições de nossos próprios remotos ancestrais”</p><p>(CASTRO, 2016, p. 24).</p><p>As teorias evolucionistas deram o passo inicial para a construção da antropologia</p><p>como uma disciplina científica. No entanto, nessa fase, o olhar antropológico estava</p><p>focado em relacionar os construtos coletivos e culturais a condições da natureza</p><p>humana. Diante disso, podemos chamar, também, o campo de estudos inaugurado</p><p>pelos teóricos evolucionistas de Antropologia Biológica ou Física, pois, existe o</p><p>estabelecimento de classificações da humanidade baseadas na biologia.</p><p>Roberto DaMatta (1987), define Antropologia Biológica ou Física da seguinte</p><p>maneira:</p><p>O estudo da Antropologia Biológica, situa a questão de uma consciência física</p><p>do estudo do Homem. Ela remete aos parâmetros biológicos de nossa</p><p>existência, revelando como estamos ligados ao mundo animal e aos</p><p>mecanismos básicos da vida no planeta (DAMATTA, 1987, p. 35).</p><p>Compreende-se, portanto, que em seus primeiros estudos a Antropologia</p><p>buscou investigar as relações da humanidade com a sua natureza, tema que é recorrente</p><p>nos estudos antropológicos até a atualidade que se pergunta: quais são os limites entre</p><p>o que é cultural e natural?</p><p>Para compreender melhor as classificações dos teóricos evolucionistas, observe</p><p>o quadro abaixo que descreve a escala de evolução das sociedades humanas de acordo</p><p>com os estudos de Lewis Henry Morgan, presente em sua obra “A sociedade antiga”</p><p>publicada em 1877.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Quadro 1: evolução da sociedade humana, segundo Morgan</p><p>Períodos</p><p>Condições</p><p>I. Período inicial da selvageria</p><p>Da infância da raça humana até o começo do próximo</p><p>período.</p><p>II. Período intermediário de</p><p>selvageria.</p><p>Da aquisição de uma dieta de subsistência à base de peixes</p><p>e de um conhecimento do uso do fogo até etc.</p><p>III. Período final de selvageria.</p><p>Da invenção do arco e flecha até etc.</p><p>IV. Período inicial de barbárie.</p><p>Da invenção do fogo da arte da cerâmica até etc.</p><p>V. Período intermediário de</p><p>barbárie.</p><p>Da dominação de animais no hemisfério oriental e, o</p><p>ocidental, do cultivo irrigado de milho e plantas, com o uso</p><p>de tijolos de adobe1e pedras, até etc.</p><p>VI. Período final de barbárie.</p><p>Da invenção do processo de fundir minério de ferro, como</p><p>o uso de ferramentas de ferro até etc.</p><p>1 O adobe é o antecessor histórico dos tijolos de barro, são feitos artesanalmente de terra, fibras</p><p>naturais e água.</p><p>VII. Status de civilização.</p><p>Da invenção do alfabeto fonético, com o uso da escrita, até</p><p>o tempo presente.</p><p>Fonte: CASTRO, 2016, P. 21-22. Adaptado pela autora.</p><p>No quadro acima é possível visualizar uma classificação de evolução social de</p><p>acordo com o desenvolvimento da inteligência humana por meio de suas invenções e</p><p>descobertas no decorrer da história. Essa perspectiva possui como regulador um ideal</p><p>de sociedade “civilizada” e "evoluída" que culmina nas sociedades ocidentais. O que</p><p>significa que os antropólogos que realizaram estudos evolucionistas tinham como</p><p>referência que haveria culturas mais civilizadas do que outras, ou seja, definiram</p><p>parâmetros de complexidade e desenvolvimento baseados em uma sociedade em</p><p>específico para classificar e compreender sociedades distintas, com formações culturais</p><p>e condições históricas distintas.</p><p>Você, estudante, se lembra daquela concepção inicial que discutimos no início</p><p>desta unidade? Que prega que existem pessoas com mais ou menos cultura? Pois é, esse</p><p>discurso não é exclusivo do senso comum, mas, se perpetuou durante algumas décadas</p><p>no desenvolvimento científico da antropologia, principalmente, no seu início.</p><p>Agora vamos nos questionar sobre as problemáticas da perspetiva evolucionista</p><p>para se pensar as diferentes culturas pelo mundo.</p><p>A grande questão para os críticos do evolucionismo social que consolidaram uma</p><p>vertente muito importante na antropologia, inclusive, que se chama culturalismo ou</p><p>relativismo cultural, o qual estudaremos na unidade seguinte - é que não seria possível</p><p>estabelecer um único parâmetro de evolução para diferentes culturas humanas, pois,</p><p>cada sociedade possui um processo histórico específico e características culturais</p><p>próprias. Portanto, o culturalismo, a corrente intelectual fundada pelas discussões do</p><p>antropólogo estadunidense Franz Boas, mostra-nos que não haveria como comparar de</p><p>maneira adequada culturas que possuem origens e desenvolvimentos diferentes por</p><p>meio de parâmetros universais.</p><p>Além disso, pensemos juntos, estudante, seria possível classificar diferentes</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>sociedades, com símbolos, tradições e costumes diversos de modo comparativo? Se</p><p>considerarmos que cada formação cultural possui um processo próprio de</p><p>desenvolvimento, a resposta para essa pergunta é: não. Dessa maneira, nenhum hábito,</p><p>costume ou tradição cultural pode ser considerada primitiva ou simples.</p><p>Essa lógica classificatória das culturas abriu espaço para uma série de discursos</p><p>racistas no curso da história. Diante da centralidade da perspectiva europeia como ideal</p><p>de civilização, as culturas não ocidentais e seus descendentes foram considerados como</p><p>não “evoluídos”, portanto, inferiores, ocasionando episódios trágicos como a</p><p>escravização de povos africanos e a colonização violenta das américas.</p><p>O evolucionismo social é responsável pela inauguração da antropologia como</p><p>ciência, no entanto, a seguir, veremos como a antropologia se constituiu de forma cada</p><p>vez mais plural durante o seu desenvolvimento.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>2 ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/satukunda-rock-paintings-</p><p>just-24-km-1776856127</p><p>Como uma das principais questões para antropologia é o entendimento do que</p><p>nos faz humanos e dos simbolismos e significados que construímos pela cultura, a</p><p>antropologia filosófica surge como um campo científico que busca investigar</p><p>atentamente essas questões, principalmente, no que se refere à noção de pessoa, ou</p><p>seja, o que nos faz humanos?</p><p>A antropologia filosófica se preocupa em conceituar o que é essencialmente</p><p>humano. Para isso busca discutir questões como civilização e diferenças entre o natural</p><p>e o cultural.</p><p>#REFLITA#</p><p>O que seria de nós sem nenhuma forma de linguagem? Seja por símbolos, sinais</p><p>ou a fala? A antropologia filosófica nos ensina que são os simbolismos que fazem de nós</p><p>humanos, ou seja, que possibilita a concretização de conceitos abstratos.</p><p>Fonte: a autora.</p><p>#REFLITA#</p><p>Um dos seus principais autores é Max Scheler, que possui como obra referencial</p><p>“A posição do homem no espaço”, publicada no século XX. A obra retrata a formação da</p><p>antropologia filosófica e discute Nele, ele enfatizou, a necessidade da formação da</p><p>antropologia filosófica diante da reflexão da essência do espírito humano.</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/satukunda-rock-paintings-just-24-km-1776856127</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/satukunda-rock-paintings-just-24-km-1776856127</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>A antropologia filosófica demonstra, ainda, que a humanidade desenvolve um</p><p>sistema simbólico, ou seja, por meio da linguagem nós nos expressamos e</p><p>concretizamos nossos pensamentos, hábitos e costumes.</p><p>Sem o simbolismo, a vida do homem seria como a dos prisioneiros na caverna</p><p>do famoso símile de Platão. A vida do homem ficaria confinada aos limites de</p><p>suas necessidades biológicas e seus interesses práticos; não teria acesso ao</p><p>“mundo ideal” que lhe é aberto em diferentes aspectos pela religião, pela</p><p>arte, pela filosofia e pela ciência. (CASSIRER, 1994, p. 10)</p><p>Desse modo, não são as coisas que fazem as pessoas humanas, mas opiniões,</p><p>maneiras de ser, pensar e agir.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>3 ANTROPOLOGIA SOCIAL</p><p>Imagem do Tópico: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/yang-sportive-indigenous-</p><p>tribal-boy-paddle-1172363122</p><p>A antropologia é uma ciência que possui muitas correntes teóricas que pensam</p><p>as culturas de maneiras distintas. Nesse momento, concentramos em conhecer a</p><p>antropologia social, melhor representada pela corrente funcionalista. A seguir teremos</p><p>a dimensão de que, para além de um campo científico que possui suas particularidades,</p><p>a antropologia diferencia-se fortemente pela sua metodologia também.</p><p>O funcionalismo na antropologia destaca-se por possuir influência das teorias de</p><p>um dos fundadores da sociologia, o sociólogo Émile Durkheim. Embora Durkheim nunca</p><p>tenha se apresentado como um antropólogo (CASTRO, 2016), ele foi o responsável por</p><p>um importante estudo sobre povos “primitivos” intitulado “As formas elementares da</p><p>vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália” de 1912. Em parceria com seu sobrinho</p><p>Marcel Mauss, Durkheim ofereceu a antropologia importantes descobertas no que se</p><p>refere a pensar teorias que buscam uma análise geral de toda a humanidade (CASTRO,</p><p>2016).</p><p>Marcel Mauss, por sua vez, considerado uma das principais referências da</p><p>antropologia, consolidou em “Ensaio sobre a dádiva”, publicação de 1925, a perspetiva</p><p>funcionalista ao buscar comprovar um lei geral que fundamenta toda as relações</p><p>humanas, defendendo que existem determinadas lógicas nas instituições sociais,</p><p>representadas por costumes e tradições específicas que são gerais em qualquer</p><p>sociedade. Nesse caso, o autor defendia que a vida social seria um constante “dar e</p><p>receber, fundamento de toda sociabilidade humana” (CASTRO, 2016, p. 82), fazendo</p><p>uma alusão a lógica de trocas de presentes recorrentes em rituais do noroeste</p><p>americano chamado potlach.</p><p>A obra escrita por Malinowski em 1922, além de inaugurar a etnografia moderna,</p><p>representa uma das correntes teóricas mais importantes da antropologia, o</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/yang-sportive-indigenous-tribal-boy-paddle-1172363122</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/yang-sportive-indigenous-tribal-boy-paddle-1172363122</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>funcionalismo. Ao analisar o kula, sistema de trocas intertribais da comunidade</p><p>Trobriandesa, localizada nas ilhas de Nova Guiné, e “Os Argonautas do Pacífico</p><p>Ocidental”, o autor mapeia como as instituições sociais são determinantes para se</p><p>estabelecer relações sociais, principalmente, no que se refere ao funcionamento da</p><p>própria sociedade como um todo.</p><p>Primeiramente, vamos entender o que é o Kula.</p><p>O Kula é um sistema de trocas de colares e braceletes entre tribos</p><p>possibilitada</p><p>por um ritual de navegação realizado por cada comunidade. Malinowski documentou</p><p>essa tradição da sociedade trobriandesa entre os anos de 1914 e 1918. O Kula</p><p>funcionava em dois sentidos, no sentido horário, presenteava-se as comunidades com</p><p>colares de conchas vermelhas chamados soulava, já no sentido anti-horário, circulavam</p><p>os braceletes feitos de conchas brancas, chamados mwali. Em um dado momento,</p><p>aquele que recebia um colar soulava, estava obrigado a corresponder com um</p><p>bracelete mwalli e vice-versa.</p><p>As trocas de colares realizadas por meio do ritual do kula estabelece alianças que</p><p>possibilitam relações de reciprocidade entre tribos, gerando hospitalidade, proteção e</p><p>ajuda mútua.</p><p>Sobre a contribuição de Malinowski para a constituição da etnografia moderna</p><p>devemos destacar as principais características apresentadas pelo autor para uma boa</p><p>etnografia.</p><p>A etnografia: “é uma explicação descritiva da vida social e da cultura de um dado</p><p>sistema social, baseado na observação detalhada do que as pessoas de fato fazem”</p><p>(JOHNSON, 1997, p.101). Essa metodologia foi desenvolvida por antropólogos para</p><p>investigar sociedades não ocidentais, de modo a descrever detalhadamente essas</p><p>culturas e possibilitando uma análise profunda sobre a organização e funcionamento</p><p>das mais variadas sociedades.</p><p>A etnografia possui pelo menos duas características principais: a observação e a</p><p>descrição. No que se refere à observação, ela não deve ser distanciada, como em uma</p><p>situação de laboratório. Não se pode colocar grupos de pessoas em uma sala fechada e</p><p>acreditar que elas agiriam da maneira com que agem no seu cotidiano. Por isso, a</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>observação na antropologia deve ser participante. A antropóloga ou antropólogo que se</p><p>dedica a estudar algum tema ou cultura, deve se deslocar até o local do grupo</p><p>pesquisado, participar e observar de perto tudo o que acontece no cotidiano daquelas</p><p>pessoas.</p><p>A observação participante proporciona uma aproximação do antropólogo ao</p><p>grupo pesquisado que não pode ser conquistado a distância. Alguns antropólogos</p><p>acreditam que seria possível, inclusive, que ao participar de uma outra cultura de</p><p>maneira aprofundada e contínua o pesquisador se tornaria parte daquela cultura, logo</p><p>a compreensão dos simbolismos e significados construídos ali seria mais completa.</p><p>A observação participante também é chamada de trabalho de campo. Ir a campo</p><p>é o mesmo que ir até o grupo pesquisado.</p><p>Contudo, para haver o registro científico dessa experiência, é necessário</p><p>descrever e detalhar tudo que se vivencia durante a observação participante. Esse</p><p>registro é chamado de diário de campo do pesquisador.</p><p>O diário de campo é o registro de todos os acontecimentos da observação</p><p>participante, uma descrição detalhada de todos os fatos relevantes. Registra-se, ainda,</p><p>impressões dos acontecimentos, pensamentos e reflexões que ocorrem ao pesquisador</p><p>durante o trabalho de campo.</p><p>As descrições que constituem o diário de campo são parte dos registros do</p><p>processo científico da investigação antropológica. Esse material compõe a etnografia em</p><p>um produto final de escrita acadêmica, que possui o modelo de uma monografia.</p><p>O diário de campo é a principal fonte de descobertas científicas na antropologia</p><p>e junto a revisões bibliográficas e análises teóricas, se transforma em uma pesquisa</p><p>científica detalhada que descreve uma determinada cultura por meio de um processo</p><p>de imersão do pesquisador.</p><p>Assim com o culturalismo, o funcionalismo na antropologia foi um dos marcos</p><p>de: “ruptura com a tradição evolucionista, tanto em seus aspectos teóricos quanto</p><p>práticos, foram as obras de Franz Boas (1858-1942) e de Bronislaw Malinowski (1884-</p><p>1942) (CASTRO, 2005, p. 14). Isso se deve à perspectiva de pesquisa que considera a</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>sociedade e a cultura como construtos coletivos que são constitutivos do</p><p>comportamento social.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>4 ANTROPOLOGIA CULTURAL</p><p>Imagem do Tópico:https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/indian-tribe-feather-</p><p>headdress-elderly-brazilian-1940396416</p><p>Outra corrente teórica na antropologia que é considerada um marco de ruptura</p><p>ao evolucionismo social e, essencialmente, o mais importante nesse sentido, é o</p><p>culturalismo que constitui a antropologia cultural.</p><p>Originado pelos estudos do antropólogo estadunidense Franz Boas, o relativismo</p><p>cultural contrapõe o evolucionismo social. Para Castro (2016):</p><p>[...] antes de supor que fenômenos aparentemente semelhantes</p><p>pudessem ser atribuídos às mesmas causas, como faziam os</p><p>evolucionistas, era preciso perguntar, para cada caso, se eles não</p><p>teriam se desenvolvido independentemente, ou se não teriam sido</p><p>transmitidos de um povo ao outro” (CASTRO, 2016, p. 32).</p><p>Franz Boas criou um novo método para o estudo antropológico, o “método</p><p>histórico” que contrapunha o método comparativo desenvolvido pelos teóricos</p><p>evolucionistas. Sua metodologia prevê que precisamos estudar cada sociedade de</p><p>maneira independente, analisar caso a caso e compreender quais são os contextos e</p><p>características específicas de cada grupo social, portanto, como cada cultura possui um</p><p>processo de formação próprio.</p><p>Boas é considerado um dos fundadores da antropologia moderna,</p><p>principalmente, pela sua perspectiva plural sobre cultura, o autor deixou de usar o</p><p>conceito no singular e estudou as culturas humanas de maneira contextualizada</p><p>(CASTRO, 2016), considerando as especificidades históricas de cada grupo social e</p><p>relevando que não há universalismos quando tratamos de manifestações culturais.</p><p>As antropólogas e antropólogos que se tornaram discipulos de Frans Boas</p><p>incentivaram muitos outros debates na antropologia, como as relações de gênero em</p><p>seu caráter de construto cultural, representado pela obra “Sexo e temperamento” de</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/indian-tribe-feather-headdress-elderly-brazilian-1940396416</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/indian-tribe-feather-headdress-elderly-brazilian-1940396416</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>Margareth Mead (1935), e a definição de padrões de cultura da antropóloga Ruth</p><p>Benedict (1983) que nos mostra que os costumes característicos de cada sociedade</p><p>moldam a conduta dos indivíduos e só podemos compreender esse fenômeno se o</p><p>analisarmos em sua totalidade (BENEDICT, 1983).</p><p>Vejamos o que pensa Ruth Benedict (1983) sobre o papel da antropologia:</p><p>A antropologia ocupa-se dos seres humanos como produtos da vida em</p><p>sociedade. Fixa a sua atenção nas características físicas e nas técnicas</p><p>industriais, nas convenções e valores que distinguem uma comunidade de</p><p>todas as outras que pertencem a uma tradição diferente. (BENEDICT, 1983, p.</p><p>13).</p><p>Nesse sentido, entende-se que para os antropólogos do relativismo cultural todo</p><p>o comportamento humano é produto da coletividade, no entanto, para que se possa ler</p><p>os comportamentos em distintas sociedades seria preciso olhar diante das lentes de</p><p>seus próprios componentes, ou seja, olhar a vida por meio do olhar do outro.</p><p>#SAIBA MAIS#</p><p>A relativização é essencial para os estudos antropológicos pois, é por meio da</p><p>relativização que conhecemos o outro diante do seu próprio olhar. Relativizar em</p><p>antropologia é manter a atenção às diversidades e peculiaridades que cada cultura</p><p>possui, quem relativiza consegue evitar pensamentos preconceituosos sobre as</p><p>diferentes culturas.</p><p>Fonte: a autora.</p><p>#SAIBA MAIS#</p><p>Os estudos culturalistas mostram-nos que existem padrões de cultura em cada</p><p>sociedade, porém, só conseguimos compreendê-los se nos propomos a visualizar o</p><p>outro em perspectiva própria. Portanto, relativizar é uma palavra muito importante para</p><p>a antropologia. Relativizar é o principal objetivo desses antropólogos culturalistas, pois</p><p>se caracteriza pela atitude, nos estudos antropológicos, de considerar os contextos em</p><p>que determinada cultura se constrói.</p><p>O movimento antropológico que incentiva a relativização é crucial para que haja</p><p>uma valorização genuína das mais diversas expressões culturais de acordo com as suas</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>especificidades. Desse modo, relativizar em antropologia é se atentar às diferenças e às</p><p>diversidades que cada cultura possui, o olhar antropológico da relativização impede a</p><p>existência de uma uniformização etnocêntrica de características culturais nas relações</p><p>humanas.</p><p>finan</p><p>Realce</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Prezado (a) estudante,</p><p>Nesta unidade, aprendemos que existem muitas controvérsias dentre as</p><p>diferentes correntes teóricas na antropologia, principalmente, no que se refere aos</p><p>equívocos do evolucionismo social.</p><p>Com o surgimento dos estudos culturalistas e funcionalistas, percebemos que a</p><p>antropologia é uma disciplina que se consolida posicionando-se criticamente a teorias</p><p>que tornam as diferentes culturas exóticas, como em uma coleção de curiosidades.</p><p>Aprendemos, ainda, que a antropologia proporciona um olhar atento às</p><p>diversidades culturais de diferentes culturas. Nesse sentido, diante dos conhecimentos</p><p>adquiridos sobre a antropologia, torna-se possível perceber que existem</p><p>hierarquizações que nos classificam, sim, mas que não precisam ser mais reproduzidas.</p><p>Para conhecermos cada vez mais sobre como as ciências das humanidades nos</p><p>ajudam a compreender a nós mesmos e a nossa ação em sociedade, aguardo você,</p><p>estudante, na próxima unidade.</p><p>Bons estudos!</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Antropologia Educacional: novo olhar sobre a prática educativa</p><p>Diante do atual debate a respeito das transformações sociais e da percepção da</p><p>crescente ênfase na centralidade da cultura como base para a análise deste momento</p><p>histórico, a antropologia adquire uma importância fundamental, devido à sua</p><p>contribuição na discussão sobre a contradição entre a função social da escola na</p><p>sociedade contemporânea, como formadora para a inserção em um mercado de</p><p>trabalho marcado pela preocupação com o imediatismo das respostas às demandas</p><p>provindas de diversos setores e obcecado pelo acúmulo de capital, e a formação dos</p><p>cidadãos voltada para uma inserção crítica na vida pública, de forma a contribuir com a</p><p>transformação das desigualdades que habitam esta sociedade democrática.</p><p>As atuais desigualdades caminham em direção a algo drástico: os seres humanos</p><p>estão cada vez menos semelhantes, não por conta da riqueza da sua multiplicidade</p><p>cultural, mas, sim, pela diferença no acesso aos bens e serviços engendrados na</p><p>modernidade.</p><p>Essas questões se ampliam quando se focaliza a formação de nossas crianças,</p><p>adolescentes e jovens. Sendo a escola um espaço de longa jornada de convivência, que</p><p>busca melhor compreender a realidade, formar para o presente e o futuro, questiona-</p><p>se qual contribuição vem auferindo para a caminhada histórica da humanidade.</p><p>Os diversos grupos culturais que até recentemente se encontravam alheados da</p><p>escola, ou não, eram nela reconhecidos, nela adentraram-se. Contribui, sobremaneira,</p><p>para ressignificar a educação e a escola, o reconhecimento da presença escolar de</p><p>outros grupos identitários historicamente sem poder, tais como: as mulheres (meninas),</p><p>as diversas sexualidades e diversidades de gênero, as minorias étnicas (negros e</p><p>indígenas) e religiosas (as religiões afro-brasileiras), os desfavorecidos</p><p>economicamente, sem falar nas subculturas que caracterizam a juventude (o</p><p>movimento hip-hop, por exemplo).</p><p>As diferenças culturais manifestam-se intensamente no interior da escola. Neste</p><p>contexto, a antropologia tem um papel inquestionável no processo de mudança</p><p>paradigmática, ganhando importância para os fundamentos da educação, ampliando o</p><p>campo a ser investigado, notadamente no diálogo entre cultura e educação.</p><p>O que objetivamos não é a realização de estudos etnográficos sobre a escola,</p><p>simplesmente, mas de uma mudança de olhar sobre ela, privilegiando os saberes locais,</p><p>a diversidade étnico-cultural, as complexidades e as subjetividades do cotidiano social,</p><p>portanto, trata-se de um novo olhar sobre a prática educativa.</p><p>Sendo a cultura este trajeto entre um “núcleo duro” e os diversos polos que</p><p>borbulham, este circuito dialético entre a repetição/diferença e o desejo/horizonte</p><p>histórico, as “histórias” (de cada pessoa, de cada escola) não serão as mesmas,</p><p>tampouco as reações ou entendimentos advindos do seu contexto não serão</p><p>semelhantes para os diferentes sujeitos.</p><p>Mas, nem sempre foi assim, nem sempre foi este o entendimento sobre cultura.</p><p>Por isso, destaco a importância de se conhecer as principais escolas da antropologia,</p><p>com seus principais pensadores e as interpretações dadas por eles à questão da</p><p>diversidade humana, nos aspectos biológico (diferenças genéticas) e social (as</p><p>organizações de parentesco, as instituições sociais e políticas, os sistemas simbólicos,</p><p>religiosos e de comportamento), o que nos possibilitará desenvolver uma educação com</p><p>respeito às diferenças étnicas e culturais e que promova a eliminação das diferenças</p><p>econômico-sociais e, com isso, possibilitar que nos tornemos, mais, humanos.</p><p>Fonte: OLIVEIRA, Julvan Moreira de. Antropologia Educacional: novo olhar sobre a prática educativa.</p><p>Portal Geledés, publicado em 16/01/2017. Disponível em: https://www.geledes.org.br/antropologia-</p><p>educacional-novo-olhar-sobre-pratica-educativa/. Acesso em: 16 ago. 2021.</p><p>LIVRO</p><p>• Título. Cultura: um conceito antropológico</p><p>• Autor. Roque De Barros Laraia.</p><p>• Editora. Zahar.</p><p>• Sinopse. Neste livro o antropólogo brasileiro nos apresenta o conceito antropológico</p><p>de cultura de uma maneira didática e objetiva, compreensível para todas as pessoas,</p><p>sejam elas antropólogas, ou não.</p><p>https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_book_1?ie=UTF8&field-author=Roque+De+Barros+Laraia&text=Roque+De+Barros+Laraia&sort=relevancerank&search-alias=stripbooks</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>• Título: O JARRO</p><p>• Ano: 1992.</p><p>• Sinopse. O Jarro é um filme iraniano que tem como trama principal o conserto do único</p><p>jarro de água de uma escola, neste filme, o professor estimula os alunos a encontrar</p><p>uma solução para o problema do jarro quebrado coletivamente. É um bom filme para</p><p>refletir sobre o trabalho educacional e ter contato com uma cultura diferente da nossa,</p><p>a de pessoas de uma vila isolada no deserto iraniano.</p><p>• Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=LC-S0fTMY-M</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=LC-S0fTMY-M</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CASSIRER, Ernst. Ensaio Sobre o Homem. Uma Introdução a uma Filosofia da Cultura</p><p>Humana. Ed: Martins Fontes, São Paulo. 1994.</p><p>BENEDICT, R. Padrões de Cultura. São Paulo: Ed. Livros do Brasil, 1983.</p><p>CASTRO, C. (org.). Evolucionismo Cultural/textos de Morgan, Taylor e Frazer. Rio de</p><p>Janeiro, Jorge Zahar, 2005.</p><p>CASTRO, C. (org.). Textos básicos de antropologia. Cem anos de tradição: Boas,</p><p>Malinowski, Lévi- Strauss e outros. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2016.</p><p>DAMATTA, R. Relativizando: uma introdução à antropologia social. Rio de Janeiro,</p><p>Rocco, 1987.</p><p>JOHNSON, Allan G. Dicionário de Sociologia. Zahar: Rio de Janeiro, 1997</p><p>MALINOWSKI, B. “Argonautas do Pacífico Ocidental”. Os Pensadores, São Paulo, Abril</p><p>Cultural, 1998.JOHNSON, Allan G. Dicionário de Sociologia. Zahar: Rio de Janeiro, 1997</p><p>OLIVEIRA, Julvan Moreira de. Antropologia Educacional: novo olhar sobre a prática</p><p>educativa. Portal Geledés, publicado em 16/01/2017. Disponível em:</p><p>https://www.geledes.org.br/antropologia-educacional-novo-olhar-sobre-pratica-</p><p>educativa/. Acesso em: 16 ago. 2021.</p><p>UNIDADE III</p><p>O SER HUMANO NA FILOSOFIA.</p><p>Professor Mestra Daiany Cris Silva</p>