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<p>CRESCIMENTO E</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>HUMANO E</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>MOTORA</p><p>Juliano Vieira da Silva</p><p>Desenvolvimento motor:</p><p>fases, características</p><p>e comportamentos</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Definir o desenvolvimento motor e suas características.</p><p>� Enumerar as fases e as características específicas do desenvolvimento</p><p>motor.</p><p>� Avaliar o estágio de desenvolvimento motor a partir de estudos de</p><p>caso.</p><p>Introdução</p><p>Desde sua concepção, no período embrionário, o ser humano está se</p><p>desenvolvendo. Desde esse período até o envelhecimento, cada pessoa</p><p>passa por inúmeras fases, relacionadas aos desenvolvimentos físico, motor,</p><p>social ou cognitivo.</p><p>O desenvolvimento motor é um processo que ocorre ao longo da</p><p>vida e remete ao comportamento motor de cada indivíduo, além de</p><p>apresentar ligação com movimentos e habilidades motoras adquiridas e</p><p>essenciais. Suas fases começam antes do nascimento, ganham destaque</p><p>na infância e na adolescência e seguem até o envelhecimento.</p><p>Neste capítulo, você compreenderá os conceitos e as características</p><p>do desenvolvimento motor, bem como enumerará as fases do desenvol-</p><p>vimento motor, suas características específicas e, ainda, avaliará o estágio</p><p>de desenvolvimento motor a partir de estudos de caso.</p><p>Desenvolvimento motor — conceitos e</p><p>características</p><p>Assim como o desenvolvimento cognitivo e social, o desenvolvimento motor</p><p>também é uma área vital para o estudo do comportamento humano. Esse campo</p><p>de desenvolvimento só foi apresentar estudos aprofundados recentemente,</p><p>pois apenas a partir da década de 1980 se buscou modelos teóricos e mais</p><p>aprofundados sobre o comportamento humano ao longo da vida (GALLAHUE;</p><p>OZMUN, 2005).</p><p>Desenvolvimento motor é definido como a alteração progressiva na capa-</p><p>cidade motora de um indivíduo ao longo da vida, principalmente durante os</p><p>primeiros anos. São alterações no comportamento motor, do bebê ao adulto,</p><p>e um envolvido no processo permanente de aprender a se mover de forma</p><p>eficiente (GALLAHUE; OZMUN, 2005).</p><p>As mudanças que ocorrem em um indivíduo desde sua concepção até a</p><p>morte são denominadas desenvolvimento humano. A palavra desenvolvimento</p><p>implica mudanças comportamentais e/ou estruturais dos seres vivos durante</p><p>a vida. Já o processo de desenvolvimento motor, revela-se por alterações no</p><p>comportamento motor (GALLAHUE; OZMUN, 2005).</p><p>Ainda sobre desenvolvimento motor, Clark e Whitall (1989 apud CORRÊA;</p><p>PEROTTI JUNIOR; PELLEGRINI, 1995, p. 94) conceituam sobre as mudanças</p><p>no comportamento motor durante o ciclo vital, e o processo ou processos que</p><p>embasam essas mudanças. De acordo com Caetano, Silveira e Gobbi (2005) o</p><p>desenvolvimento motor é um processo de alterações no nível de funcionamento</p><p>de um indivíduo, em que uma maior capacidade de controlar movimentos é</p><p>adquirida ao longo do tempo, por meio da interação entre as exigências da</p><p>tarefa, da biologia do indivíduo e o ambiente.</p><p>Haywood e Getchel (2004) sublinham que o desenvolvimento motor é um</p><p>dos pressupostos fundamentais para a integração corporal das pessoas ao</p><p>ambiente em que atuam. Ambos os autores definem o desenvolvimento motor</p><p>como um processo contínuo e sequencial, ligado à idade cronológica. Nele, o</p><p>indivíduo progride de um movimento simples, sem habilidade, até atingir o</p><p>ponto das habilidades motoras mais complexas e organizadas e, assim, chegar</p><p>ao ajuste dessas habilidades que irão acompanhá-lo até o envelhecimento.</p><p>Ferreira et al. (2006) apontam que, apesar de esse processo ser organizado e</p><p>apresentar uma sequência, podem ocorrer variações na velocidade do desen-</p><p>volvimento de um indivíduo para o outro.</p><p>Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos2</p><p>Gallahue e Ozmun (2005) apontam que essas variações ocorrem devido</p><p>a três aspectos que interagem entre si: a biologia do indivíduo, o ambiente e</p><p>as exigências da tarefa.</p><p>Segundo os autores, a biologia do indivíduo é marcada pelas características hereditárias</p><p>de cada pessoa. O ambiente com condições específicas como a oportunidade da</p><p>prática, o encorajamento e a instrução podem atuar de forma positiva ou negativa</p><p>sobre o indivíduo, e as exigências da tarefa vão determinar a qualidade e a extensão</p><p>das destrezas motoras (GALLAHUE; OZMUN, 2005).</p><p>Pellegrini e Barela (1998) destacam a importância do movimento para</p><p>o desenvolvimento, afinal, o deslocamento de parte do corpo ou do corpo</p><p>como um todo está presente em todas as nossas ações, incluindo aquelas mais</p><p>básicas, como as relativas à alimentação e à comunicação.</p><p>O movimento passa a existir da influência entre a conexão do indivíduo, do</p><p>ambiente e da tarefa, mas o sistema corporal não se desenvolve na mesma taxa,</p><p>podendo amadurecer em alguns casos de forma mais lenta e, em outros, mais</p><p>rápida. Como exemplo de desenvolvimento corporal mais lento, podemos citar</p><p>o desenvolvimento na forma de deslocamento, no qual a força muscular seria</p><p>um limitador de taxa ou um controlador para o caminhar, até que a criança</p><p>atingisse um nível de força suficiente para suportar seu corpo no rastejar,</p><p>engatinhar, rolar e caminhar, permitindo então o estudo do desenvolvimento ao</p><p>longo do ciclo da vida (HAYWOOD; GETCHELL, 20). Já o desenvolvimento</p><p>corporal de forma mais rápida ocorre por meio dos estímulos apresentados</p><p>desde a primeira infância, como exercícios envolvendo equilíbrio, coordenação</p><p>motora, esquema corporal, lateralidade.</p><p>Sendo assim, Gallahue e Ozmun (2005) afirmam que o período da infância</p><p>é o ideal para que a criança adquira e refine seu repertório motor por meio das</p><p>experiências vividas. Começando do movimento simples para o complexo. Os</p><p>autores classificam os movimentos em três categorias, conforme apresentado</p><p>a seguir.</p><p>1. Movimentos manipulativos: referem-se à manipulação motora rudi-</p><p>mentar ou refinada.</p><p>3Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos</p><p>2. Movimentos estabilizadores: são qualquer movimento que requeira</p><p>algum grau de equilíbrio.</p><p>3. Movimentos locomotores: envolvem mudança na localização do corpo</p><p>relativamente a um ponto fixo na superfície.</p><p>Como exemplo de movimento manipulativo temos a apreensão e a recepção e objetos;</p><p>já de movimento estabilizadores, o equilíbrio e a sustentação; e de movimentos</p><p>locomotores, os deslocamentos como a caminhada e a corrida.</p><p>Gallahue e Ozmun (2005) classificam o desenvolvimento motor em quatro</p><p>fases, como você pode observar na Figura 1.</p><p>Figura 1. Fases e estágios do desenvolvimento motor.</p><p>Fonte: Adaptada de Gallahue e Ozmun (2005, p.69).</p><p>FAIXA ETÁRIA APROXIMADA NOS</p><p>PERÍODOS DO DESENVOLVIMENTO</p><p>Estágio de utilização ao longo da vida</p><p>Estágio de aplicação</p><p>Estágio de transição</p><p>Utilização na</p><p>rotina diária ao</p><p>longo da vida</p><p>Utilização</p><p>recreativa ao</p><p>longo da vida</p><p>Utilização</p><p>competitiva ao</p><p>longo da vida</p><p>Estágio de pro�ciência</p><p>Estágios elementares emergentes</p><p>Estágio inicial</p><p>Estágio pré-controle</p><p>Estágio de inibição do re�exo</p><p>Estágio de decodi�cação</p><p>de informações</p><p>Estágio de codi�cação</p><p>de informações</p><p>5 a 7 anos</p><p>3 a 5 anos</p><p>2 a 3 anos</p><p>14 anos ou mais</p><p>11 a 13 anos</p><p>7 a 10 anos</p><p>1 a 2 anos</p><p>Do nascimento a 1 ano</p><p>4 meses a 1 ano</p><p>Desde o útero</p><p>até 4 meses</p><p>ESTÁGIOS DO</p><p>DESENVOLVIMENTO MOTOR</p><p>FASE DO</p><p>MOVIMENTO ESPECIALIZADO</p><p>FASE DO</p><p>MOVIMENTO FUNDAMENTAL</p><p>FASE DO</p><p>MOVIMENTO RUDIMENTAR</p><p>FASE DO</p><p>MOVIMENTO REFLEXO</p><p>Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos4</p><p>Nesta seção, você conferiu as características e o conceito do desenvolvi-</p><p>mento motor, suas fases e a classificação dos movimentos. A seguir, vamos</p><p>aprofundar as fases que marcam este desenvolvimento.</p><p>Fases do desenvolvimento motor</p><p>Como foi visto no final do tópico anterior, Gallahue e Ozmun (2005) dividem</p><p>o desenvolvimento motor em quatro fases: fase do movimento reflexo, fase de</p><p>movimentos rudimentares, fase de movimentos fundamentais e fase de movi-</p><p>mentos especializados. Cada fase possui características e idades específicas.</p><p>Veja, agora, um pouco sobre cada uma dessas fases e conceitos.</p><p>Fase do movimento reflexo</p><p>Essa fase tem como característica os movimentos involuntários, controlados</p><p>subcorticalmente e que irão formar a base das fases posteriores do desenvol-</p><p>vimento motor (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Esses movimentos começam</p><p>ainda na vida intrauterina e duram, aproximadamente até o primeiro ano. Os</p><p>autores apontam que:</p><p>Por meio da atividade reflexa, o bebê consegue informações sobre o ambiente</p><p>imediato. As reações do bebê à luz, ao toque, a sons e mudanças de pressão</p><p>disparam a atividade do movimento involuntário. Esses movimentos invo-</p><p>luntários, combinados com a crescente sofisticação cortical nos primeiros</p><p>meses da vida pós-natal, desempenham papel importante na tarefa da criança</p><p>de aprender mais sobre o próprio corpo e o mundo externo (GALLAHUE;</p><p>OZMUN, 2005, p. 68)</p><p>Esta fase é subdividida em movimentos primitivos e posturais. Os reflexos</p><p>primitivos são aqueles que visam à proteção e à nutrição, temos como exemplo a</p><p>fixação — ligada à tentativa de proteção — e a sucção — estimulação dos lábios</p><p>ou da gengiva na tentativa de gerir o alimento —, que são considerados meios</p><p>de sobrevivências primitivos. Os reflexos posturais são movimentos também</p><p>involuntários, mas que possuem grande semelhança com os voluntários. São</p><p>movimentos relacionados à estabilização, à locomoção e à manipulação. Como</p><p>exemplo, temos o reflexo da marcha, que vai lembrar a caminhada quando o</p><p>bebê é colocado em posição ereta, com o peso do corpo depositado para frente</p><p>em superfície plana. Em resposta, o bebê “caminha” para frente, utilizando os</p><p>5Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos</p><p>membros inferiores) e se arrastar pelo chão (que parece o engatinhar, quando</p><p>o bebê é colocado em posição inclinada e aplica pressão na sola de um de seus</p><p>pés, expressando o reflexo de engatinhar, utilizando os membros superiores</p><p>e inferiores) (Figura 2).</p><p>Figura 2. Criança em movimento reflexo.</p><p>Fonte: Romanelli (2015, documento on-line).</p><p>Gallahue e Ozmun (2005) destacam que está fase possuem dois estágios.</p><p>� Estágio de codificação de informações: ocorre do período fetal</p><p>até o quarto mês de vida. Fase em que os bebês coletam e agrupam</p><p>informações.</p><p>� Estágio de decodificação de informações: a partir do quarto mês, em</p><p>que o bebê passa a processar as informações coletadas e há a inibição</p><p>de alguns reflexos, devido ao desenvolvimento dos centros cerebrais.</p><p>Gallahue e Ozmun (2005) afirmam que os reflexos são as primeiras formas de movimento</p><p>humano e, por não serem aprendidos, são considerados como “capacidades” e não</p><p>como “habilidades motoras”.</p><p>Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos6</p><p>Fase do movimento rudimentar</p><p>Esta fase se caracteriza pelo aparecimento dos movimentos voluntários e ocorre</p><p>desde o nascimento até os dois anos, geralmente. Gallahue e Ozmun (2005,</p><p>p. 70) sublinham que estes “movimentos são determinados pela maturação</p><p>e são caracterizados por uma sequência de surgimento bastante previsível”.</p><p>Gallahue e Ozmun (2005) dividem esta fase em dois estágios.</p><p>� Estágio de inibição do reflexo: começa no nascimento e, com o de-</p><p>senvolvimento do córtex, os movimentos reflexos (involuntários) são</p><p>substituídos pelos rudimentares (voluntários). No entanto, os movimen-</p><p>tos ainda são descontrolados e sem refinamento.</p><p>� Estágio de pré-controle: inicia-se por volta do primeiro ano, quando co-</p><p>meça a haver maior controle e precisão dos movimentos, devido ao rápido</p><p>desenvolvimento cognitivo e motor. Neste estágio, surge a manutenção</p><p>e a aquisição do equilíbrio, a locomoção e a manipulação dos objetos.</p><p>Entre os movimentos surgidos na fase rudimentar estão: estabilizadores</p><p>(controle da cabeça, do pescoço, do tronco, sentar e ficar em pé), locomotores</p><p>(arrastar-se, engatinhar e ficar em pé) e manipuladores (alcançar, segurar e soltar).</p><p>Fase do movimento fundamental</p><p>Esta fase se caracteriza por uma maior exploração da criança na capacidade</p><p>motora do seu corpo. Gallahue e Ozmun (2005) apontam que a fase do movi-</p><p>mento fundamental aporta padrões básicos de comportamentos observáveis.</p><p>No entanto, para chegar a esse padrão não é necessário somente a maturação,</p><p>mas também o estímulo e o ambiente.</p><p>Este período inicia-se aos dois anos e, geralmente, dura até os sete. Os</p><p>movimentos fundamentais, embora adquiridos na infância, tem utilidade</p><p>durante toda vida e são importantes no cotidiano e em movimentos básicos.</p><p>Gallahue e Ozmun (2005) classificam esta fase em três estágios, conforme</p><p>descrito a seguir.</p><p>� Estágio inicial: representa as primeiras tentativas da criança para realizar</p><p>a habilidade fundamental. O movimento é caracterizado pela ausência de</p><p>algumas partes ou por uma sequência inapropriada, sendo o uso do corpo</p><p>limitado ou exagerado. A integração espaço-tempo é insatisfatória. Esse</p><p>7Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos</p><p>estágio ocorre, geralmente, dos 2 aos 3 anos e, como exemplo, temos a</p><p>corrida. Nesse estágio, a criança apresenta passos largos e irregulares</p><p>com extensão incompleta da perna de apoio, o balanço da perna tende a</p><p>ser para fora do quadril e a fase de voo não é observada.</p><p>� Estágio elementar: há maior controle motor e coordenação rítmica do</p><p>movimento fundamental. Com isso, a sincronização e a coordenação</p><p>geral aumentam, embora ainda ocorra alguma limitação ou exagero.</p><p>Esse estágio dura, geralmente, até os 5 anos. Usando o mesmo exemplo</p><p>da corrida, a criança já apresenta uma fase de voo observável, embora</p><p>limitada. A perna de apoio, no impulso, apresenta uma extensão mais</p><p>completa. Há também um aumento na oscilação de braço e pé de trás,</p><p>cruzando a linha mediana da altura.</p><p>� Estágio de proficiência: caracteriza-se por um movimento mecanica-</p><p>mente eficiente, coordenado e controlado. Geralmente, alcança-se esse</p><p>estágio entre 5 e 6 anos. Gallahue e Ozmun (2005) destacam, mais uma</p><p>vez, a importância da prática e do ambiente. Sem atingir esse estágio, é</p><p>muito difícil atingir a fase do movimento especializado. Nesse estágio,</p><p>a criança tem a fase de voo bem definida, apresenta a máxima extensão</p><p>da passada, a extensão completa da perna de apoio e a oscilação vertical</p><p>do braço em oposição às pernas (Figura 3).</p><p>Figura 3. Criança em movimento fundamental</p><p>Fonte: Robert Kneschke/Shutterstock.com.</p><p>Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos8</p><p>Entre os movimentos desta fase estão: estabilizadores (equilíbrio dinâmico</p><p>e estático), manipulativos (chutar, lançar e pegar) e locomotores (andar, correr</p><p>e saltar).</p><p>Fase do movimento especializado</p><p>Esta é a fase do refinamento das habilidades fundamentais, que se tornam</p><p>combinadas e elaboradas para serem utilizadas em situações de maior grau</p><p>de dificuldade, na vida diária, de forma recreativa ou em prática esportiva.</p><p>Geralmente, começam a ser dominadas a partir dos sete anos e duram até</p><p>aos 14 anos ou mais.</p><p>Gallahue e Ozmun (2005) dividem esta fase em três estágios.</p><p>� Estágio de transição: ocorre entre os sete e os 10 anos. É a fase em que</p><p>a criança começa a combinar as habilidades fundamentais para executar</p><p>em ambientes esportivos, e os movimentos apresentam maior controle</p><p>e precisão. São exemplos dessa fase andar em pontes de corda, pular</p><p>corda, em que são necessários usar uma combinação de movimentos</p><p>fundamentais como o equilíbrio (estabilizador), o salto e a caminhada</p><p>(locomotores).</p><p>� Estágio de aplicação: geralmente ocorre entre 11 e 13 anos. É a fase</p><p>de sofisticação do movimento e da tomada de decisões, ou seja, o</p><p>indivíduo decide de qual modalidade quer participar, sendo que sua</p><p>escolha se dará a partir de suas facilidades e dificuldades em realizar</p><p>determinada tarefa.</p><p>� Estágio de utilização ao longo da vida: começa em torno dos 14 anos</p><p>e segue por toda a vida adulta. É o ápice do desenvolvimento motor</p><p>e se caracteriza pelo uso do movimento ao longo da vida. O nível de</p><p>participação do indivíduo depende do talento,</p><p>da oportunidade, da</p><p>questão física e de sua motivação (Figura 4).</p><p>9Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos</p><p>Figura 4. Salto com vara é um movimento especializado.</p><p>Fonte: Gustavo Fadel/Shutterstock.com.</p><p>As idades de desenvolvimento podem variar conforme o indivíduo, pois cada um possui</p><p>sua individualidade, características pessoais, sente de diversas formas as influências</p><p>do ambiente — que podem colaborar ou dificultar — e é estimulado de formas</p><p>diferente ao longo da vida.</p><p>Nesta seção, você viu as fases do desenvolvimento motor divididas em fase</p><p>do movimento reflexo, fase do movimento rudimentar, fase do movimento</p><p>fundamental e fase do movimento especializado. Na sequência, acompanhe</p><p>os estudos de caso a partir do desenvolvimento motor.</p><p>Desenvolvimento motor a partir</p><p>de estudos de caso</p><p>Neste tópico você verá estudos de caso com crianças para que possa avaliar</p><p>o desenvolvimento motor. Cabe destacar que um estudo de caso investiga</p><p>Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos10</p><p>casos ou indivíduos específicos, que resultam em minuciosa observação e</p><p>interpretação do avaliado.</p><p>Para fazer a análise, será utilizado a Escala de Desenvolvimento Motor</p><p>(EDM) desenvolvida pelo professor Francisco Rosa Neto. A EDM é um con-</p><p>junto de provas motoras (prova de habilidade correspondente à idade motora</p><p>específica em que a criança executa o que é proposto) atrativas para as crianças,</p><p>diversificadas e com grau de dificuldade do mais fácil para o mais difícil (ROSA</p><p>NETO, 2002). As áreas observadas são: motricidade fina, motricidade global,</p><p>equilíbrio, esquema corporal, organização espacial e temporal e lateralidade.</p><p>Com essa avaliação, o professor passa a ter dados de seus alunos e passa a ter</p><p>um ponto inicial para seus planejamentos, sabendo, assim, quais situações</p><p>necessitam ser exploradas naquela turma.</p><p>Leia mais sobre a EDM acessando o link a seguir.</p><p>https://goo.gl/vdqfbu</p><p>Nessas provas, a criança realiza a atividade correspondente à sua idade.</p><p>Caso consiga realizar a prova, o aluno avança para a atividade da idade sub-</p><p>sequente; caso não, tenta realizar a prova da idade inferior à sua.</p><p>Estudo de caso 1</p><p>Idade do aluno: 4 anos.</p><p>Atividades propostas: motricidade fina.</p><p>� Prova de 4 anos: enfiar a linha em uma agulha em 9 segundos — tarefa realizada.</p><p>� Prova de 5 anos: fazer um nó com dois cordões em um lápis — tarefa realizada.</p><p>� Prova de 6 anos: traçar a linha de um labirinto até a saída com ambas as mãos —</p><p>tarefa realizada.</p><p>11Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos</p><p>https://goo.gl/vdqfbu</p><p>� Prova de 7 anos: fazer bolas de papel com uma das mãos com a palma para baixo —</p><p>tarefa realizada.</p><p>� Prova de 8 anos: utilizar a ponta do polegar para tocar rapidamente os dedos da</p><p>mão de um lado para outro (inicia-se do dedo menor em direção ao dedo pole-</p><p>gar) — tarefa não realizada.</p><p>Atividades propostas: equilíbrio</p><p>� Prova de 4 anos: equilíbrio com o tronco flexionado. A partir da posição inicial em</p><p>pé, com os braços estendidos nas costas, as mãos unidas e os pés juntos, a criança</p><p>deverá flexionar o tronco de modo a formar um ângulo de 90º. Deverá permanecer</p><p>nessa posição durante 10 segundos com os olhos abertos. Serão realizadas duas</p><p>tentativas de fazer bolas de papel com uma das mãos com a palma para baixo —</p><p>tarefa realizada.</p><p>� Prova de 3 anos: a partir da posição inicial em pé, com os braços ao longo do corpo</p><p>e pés juntos, a criança deverá apoiar um joelho no chão sem movimentar os braços</p><p>ou o outro pé. Deverá permanecer nessa posição durante 10 segundos com o</p><p>tronco ereto e sem sentar-se sobre seu calcanhar — tarefa realizada.</p><p>Neste estudo de caso relatado, a criança apresentou um desenvolvimento</p><p>motor acima de sua idade cronológica na prova de motricidade fina, pois teve</p><p>um resultado acima de sua idade ao realizar as provas de 4, 5, 6 e 7 anos.</p><p>Como na prova de 8 anos ela não atingiu a tarefa, sua idade motora para a</p><p>habilidade de motricidade fina é de 7 anos, ou 84 meses. No entanto, na prova</p><p>de equilíbrio ela apresentou um desempenho motor inferior à sua idade, pois</p><p>não realizou a prova de 4 anos, conseguindo realizar apenas a de 3 anos. Com</p><p>isso, sua idade motora na prova de equilíbrio é de 36 meses.</p><p>Estudo de caso 2</p><p>Idade do aluno: 7 anos</p><p>Atividades propostas: equilíbrio</p><p>� Prova de 7 anos: fazer um 4 a partir da posição inicial em pé, com os braços esten-</p><p>didos ao longo do corpo e os pés juntos, a criança deverá manter-se sobre uma</p><p>perna, pois a planta do pé elevado estará apoiada no joelho da perna de apoio.</p><p>Deverá permanecer durante 15 segundos nessa posição com os olhos abertos.</p><p>Serão realizadas duas tentativas para cada perna — tarefa realizada.</p><p>Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos12</p><p>� Prova de 8 anos: equilíbrio de cócoras a partir da posição inicial de cócoras e com</p><p>os olhos fechados, a criança deverá elevar os braços (movimento de abdução). Os</p><p>braços deverão estar estendidos lateralmente ao tronco e os pés e calcanhares</p><p>juntos — tarefa não realizada.</p><p>Atividades propostas: motricidade fina</p><p>� Prova de 7 anos: fazer bolas de papel com uma das mãos com a palma para baixo —</p><p>tarefa não realizada.</p><p>� Prova de 6 anos: traçar a linha de um labirinto até a saída com ambas as mãos —</p><p>tarefa realizada.</p><p>Neste estudo de caso, a criança apresenta um desenvolvimento motor</p><p>conforme sua idade cronológica na prova de equilíbrio, pois conseguiu atingir</p><p>um resultado igual a sua idade, mas não conseguiu realizar a prova de 8 anos.</p><p>Sendo assim, sua idade motora é de 84 meses. Já na prova de motricidade</p><p>fina a criança não conseguiu realizar a prova referente à sua idade, tendo</p><p>conseguido fazer corretamente a prova de 6 anos. Com isso, sua idade motora</p><p>é de 72 meses, ou seja, abaixo de sua idade cronológica.</p><p>Para finalizar, cabe dizer que o professor pode realizar todas as provas</p><p>com seus alunos e aferir o quociente motor geral. Ao obter os resultados, basta</p><p>somar a idade motora geral (em meses), dividi-la pela idade cronológica e</p><p>multiplicar por 100. A partir disso, o professor deve explorar os dados e usá-</p><p>-los em suas aulas, pois ao identificar as dificuldades do aluno, deve trabalhar</p><p>essas questões em suas aulas, trazendo exercícios que as melhore.</p><p>CAETANO, M. J. D.; SILVEIRA, C. R. A.; GOBBI, L. T. B. Desenvolvimento motor de pré-</p><p>-escolares no intervalo de 13 meses. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho</p><p>Humano, Florianópolis, v 7, n. 2, p. 5-13, 2005. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.</p><p>br/index.php/rbcdh/article/view/3791>. Acesso em: 5 ago. 2018.</p><p>CORRÊA, U. C.; PEROTTI JUNIOR, A.; PELLEGRINI, A. M. Tendências dos estudos de apren-</p><p>dizagem e desenvolvimento motor na literatura brasileira em educação física. Motriz:</p><p>Revista de Educação Física - UNESP, Rio Claro, v. 1, n. 2, p. 92-101, 1995. Disponível em:</p><p><http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/922>.</p><p>Acesso em: 5 ago. 2018.</p><p>13Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos</p><p>https://periodicos.ufsc/</p><p>http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/922</p><p>FERREIRA, C. R. et al. Análise dos padrões fundamentais de movimento em crianças</p><p>de 3-8 anos de idade. Revista Motricidade, v. 2, n. 3, p. 134-142, 2006. Disponível em:</p><p><http://www.revistamotricidade.com/arquivo/2006_vol2_n3/v2n3a02.pdf>. Acesso</p><p>em: 5 ago. 2018.</p><p>GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças,</p><p>adolescentes e adultos. 3. ed. São Paulo: Editora Phorte, 2005. 585 p.</p><p>HAYWOOD, K.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. 3.ed. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2004. 344 p.</p><p>PELLEGRINI, A. M., BARELA, J. A. O que o professor deve saber sobre o desenvolvimento</p><p>motor de seus alunos. In: MICOTTI, M. C. (Org.). Alfabetização: assunto para pais e mestres.</p><p>Rio Claro: Instituto de Biociências, 1998, p. 69-80.</p><p>ROMANELLI, T. A importância do engatinhar para o desenvolvimento do bebê. Dicas</p><p>de Mulher, Maringá, 13 mar. 2015. Disponível em: <https://www.dicasdemulher.com.</p><p>br/a-importancia-do-engatinhar-para-o-desenvolvimento-do-bebe/>. Acesso em:</p><p>5 ago. 2018.</p><p>ROSA NETO, F. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed, 2002. 136 p.</p><p>Desenvolvimento motor: fases, características e comportamentos14</p><p>http://www.revistamotricidade.com/arquivo/2006_vol2_n3/v2n3a02.pdf</p><p>http://3.ed/</p><p>https://www.dicasdemulher.com/</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p>