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<p>. ,</p><p>GRUPO DE ENSINO LUNA CARRASCOSA</p><p>Apostila de Urinálise</p><p>Professora Emannuelle Tavares</p><p>SISTEMA URINÁRIO</p><p>A urina é uma rica fonte de informação, além de ser um material de coleta simples, não invasiva e indolor, e seu</p><p>exame fornece importantes informações tanto do sistema urinário como do metabolismo e de outras partes do corpo.</p><p>Além de ser um exame barato, serve para detectar doenças renais, mas também o início assintomático de doenças</p><p>como diabetes, doenças hepáticas, etc. Contudo, em laboratório deve-se ter muito cuidado para não permitir que a</p><p>simplicidade dos procedimentos provoque um relaxamento na análise, a ponto de emitir um laudo incorreto e assim,</p><p>um tratamento inadequado e ineficaz. O setor de urinálise é responsável pela análise física, química e microscópica de</p><p>amostra urinária.</p><p> Néfron – unidade funcional do rim;</p><p> Glomérulo – Filtração;</p><p> Túbulos – reabsorção e secreção;</p><p>Nós possuímos 2 rins e ficam localizados na região dorsal (costas). Tem a forma de um feijão. Os rins estão ligados ao</p><p>sistema circulatório e passam por ele cerca de 1 a1 litro e meio de sangue por minuto. O sangue chega aos rins pela</p><p>artéria renal. Todo o sangue do nosso corpo passa pelos rins. É um processo fisiológico.</p><p>Os rins tem a função de:</p><p> Eliminar os produtos finais do metabolismo</p><p> Regulação a quantidade de água e sais minerais do corpo.</p><p>FORMAÇÃO DA URINA</p><p>A urina é um ultrafiltrado do plasma sanguíneo, produzido continuamente pelos rins e excretado através das</p><p>vias urinárias, pelo qual são eliminadas substâncias desnecessárias ao organismo.</p><p>Os rins exercem estas funções através da filtração, reabsorção, secreção e excreção. Dentro de cada rim, temos</p><p>o córtex e a medula renal, que é onde o rim realiza suas funções e produz a urina. Esta urina produzida é direcionada à</p><p>pelve e aos cálices que funcionam como um funil que levam a urina ao ureter em direção à bexiga.</p><p>Os rins possuem milhares de unidades microscópicas chamadas de néfrons. Cada um tem ação independente,</p><p>filtrando, reabsorvendo e formando a urina. Cada néfron é formado por um glomérulo, uma cápsula de bowman ou</p><p>renal e um túbulo renal que desemboca no tubo coletor de urina. É no glomérulo que ocorre a primeira etapa, a</p><p>filtração. O sangue entra no glomérulo pela artéria aferente. O sangue filtrado neste percurso passa para a cápsula</p><p>renal para depois escoar para os túbulos.</p><p>A filtragem não é seletiva, ou seja, passam para a cápsula renal elementos que ainda servem para o</p><p>funcionamento do corpo. Sendo assim, muitos elementos importantes precisam ser reabsorvidos. Esta reabsorção de</p><p>água, aminoácidos, bicabornato, sódio entre outros ocorre nos túbulos renais. Temos também a reabsorção de ureia em</p><p>menor quantidade e a creatinina é totalmente eliminada, não é reabsorvida. Desta forma, o rim autorregula a</p><p>quantidade de sais e água que são eliminados do sangue.</p><p>No tubo coletor, que o filtrado glomerular ganha o nome de urina, que será enviado à bexiga para ser excretada</p><p>através da uretra.</p><p>Quando não há ingestão de água suficiente, o corpo fica desidratado.</p><p>A hipófise (glândula localizada na base do cérebro) libera o hormônio ADH (antidiurético) que libera sinais para</p><p>bebermos água, também libera sinais para os rins pararem de liberar água para a excreção através da urina, mantendo</p><p>o equilíbrio hídrico.</p><p>O hormônio ADH tem sua ação inibida da presença de álcool.</p><p>COMPOSIÇÃO DA URINA</p><p>A urina é constituída principalmente por água, além de substâncias como ácido úrico, uréia, creatinina e entre</p><p>outros.</p><p>A ureia, a creatinina e o ácido úrico são resíduos metabólicos da utilização de proteínas da alimentação. Pode</p><p>ocorrer variação de concentração dessas substâncias devido à influência da alimentação, atividade física e metabolismo.</p><p>Elevações nos níveis sanguíneos de ureia e creatinina é um sinal de mau funcionamento dos rins. Geralmente dosamos</p><p>a ureia e a creatinina para avaliar a função renal, mas a creatinina é mais específica e confiável.</p><p>A urina também pode conter elementos que não fazem parte do filtrado glomerular, como ovos de vermes,</p><p>células, cristais, cilindros, muco, bactérias, que, em níveis elevados, podem ser indício de doença. A presença de glicose</p><p>pode ser indicativo de diabetes, pois esta só aparece na urina quando os níveis estão elevados no sangue.</p><p>ROTINAS BÁSICAS DO SETOR DE URINÁLISE</p><p>As análises de urina são realizadas em três etapas: exame físico, químico e microscópico. O setor realiza testes</p><p>químicos para todas as amostras e dispõe de microscópio para a avaliação do sedimento urinário, que irá auxiliar no</p><p>diagnóstico de doenças simples até doenças graves.</p><p>Dentre os exames mais comuns realizados na urina estão:</p><p> Exame de rotina de urina ou EAS (Elementos anormais do sedimento);</p><p> Urinocultura;</p><p> Teste de gravidez na urina;</p><p> Urina de 24 horas.</p><p>UROCULTURA</p><p>A urocultura (ou cultura de urina) é um exame utilizado na detecção e a identificação de bactérias presentes na</p><p>urina. As bactérias encontradas são submetidas a diferentes antibióticos, indicando a qual deles elas são sensíveis ou</p><p>resistentes, isso é feito no antibiograma.</p><p>O exame simples de urina já pode indicar a presença ou ausência de microrganismos, mas não é capaz de</p><p>identificá-los.</p><p>Normalmente, os rins e a bexiga são ambientes estéreis e por isso a presença de bactérias na cultura de urina é</p><p>fortemente indicativa de infecção urinária, mas pode haver contaminação externa.</p><p>A urina que se destina ao exame deve ser colhida em um frasco estéril e levada ao laboratório o mais rápido</p><p>possível. Pode ser colhido no mesmo frasco que o EAS, porém, no laboratório, o material para a urocultura deve ser</p><p>retirado primeiro para que não haja contaminação.</p><p>De preferência, deve ser colhida a primeira urina da manhã, por ser a que ficou mais tempo na bexiga e que</p><p>permite a maior multiplicação das bactérias.</p><p>Caso não seja possível, colhe-se a urina que permaneceu na bexiga por pelo menos duas horas.</p><p>A região genital deve ser bem higienizada (principalmente nas mulheres), e o primeiro jato de urina, que faz</p><p>uma lavagem da uretra, deve ser desprezado.</p><p>O paciente não deve tomar nenhum tipo de antibiótico antes de colher a urina, embora possa tomá-lo antes do</p><p>resultado do exame, que leva de 48 a 72 horas.</p><p>Se a urina contiver microrganismos, em 48 horas formam-se colônias de bactérias, permitindo assim a</p><p>identificação do tipo delas.</p><p>Pode haver um resultado falso positivo, quando há contaminação externa, ou um resultado falso negativo</p><p>quando o paciente esteja tomando um antimicrobiano.</p><p>ANTIBIOGRAMA</p><p>ela.</p><p>O resultado do antibiograma é obtido através da análise do efeito dos antibióticos no crescimento das bactérias.</p><p>O antibiótico que inibir o crescimento das bactérias é o indicado para tratar a infecção, mas caso as bactérias cresçam e</p><p>os antibióticos não tenham efeito, indica que a bactéria não é sensível àquele antibiótico e sim resistente.</p><p>A bactéria E. coli é uma das principais causas de infecção das vias urinárias, e na maior parte dos casos o</p><p>antibiograma identifica que esta bactéria é sensível a antibióticos como Amoxicilina com Clavulonato, Norfloxacino ou</p><p>Ciprofloxacino, por exemplo.</p><p>Por isso, muitas vezes, os médicos não necessitam do resultado deste exame para iniciar um tratamento. No</p><p>entanto, como as bactérias podem sofrer modificações, somente o antibiograma poderá confirmar os antibióticos mais</p><p>eficazes.</p><p>O uso de antibióticos que não são corretos para um microrganismo pode provocar problemas, pois pode tratar</p><p>parcialmente a infecção e causar uma infecção mais persistente e difícil de tratar.</p><p>Por este mesmo motivo, é muito importante não utilizar antibióticos sem a orientação do médico e de forma</p><p>desnecessária, pois isto pode acabar por selecionar</p><p>bactérias mais resistentes aos antibióticos, diminuindo as opções de</p><p>remédios para combater as infecções.</p><p>COLETA E MANIPULAÇÃO DA AMOSTRA</p><p>A amostra deve ser colhida em recipiente estéril para não haver contaminação. O recipiente deve ser</p><p>devidamente identificado.</p><p>A amostra deverá ser entregue no período de 1 hora. A amostra que não puder ser entregue neste período,</p><p>deverá ser refrigerada , pois só assim evitará a fermentação da urina. Pode ser armazenada por no máximo 12 horas e</p><p>não deve ser congelada.</p><p>Para urinas conservadas em geladeira no laboratório, deve-se deixar a amostra em temperatura ambiente antes</p><p>da análise química com fita reativa.</p><p>As amostras mantidas à temperatura ambiente por mais de 1 hora, podem apresentar algumas alterações,</p><p>conforme descrito abaixo:</p><p>1. Aumento do pH</p><p>2. Diminuição da glicose;</p><p>3. Diminuição das cetonas;</p><p>4. Diminuição da bilirrubina – por exposição à luz;</p><p>5. Diminuição do urobilinogênio;</p><p>6. Aumento do nitrito;</p><p>7. Aumento do número de bactérias;</p><p>8. Aumento da turvação – causada por proliferação bacteriana;</p><p>9. Desintegração dos cilindros e das hemácias;</p><p>10. Alteração da cor.</p><p>TIPOS DE AMOSTRAS</p><p>1. Amostras aleatórias. É feito em jato médio. A coleta é feita após higiene pessoal dos genitais externos. Desprezar o</p><p>primeiro jato e coletar o jato intermediário. É útil nos exames de triagem, para detectar anormalidades em</p><p>pacientes de pronto socorro e emergências. É utilizado para exames de EAS;</p><p>2. Primeira amostra da manhã – É feito em jato médio. A coleta é feita após higiene pessoal dos genitais externos.</p><p>Desprezar o primeiro jato e coletar o jato intermediário. É indicado nos testes de gravidez (devido à altas</p><p>concentrações de hormônio HCG). É utilizado para exames de EAS, Urinocultura e Antibiograma;</p><p>3. Amostra de 24 horas – as vezes é necessário medir a quantidade exata de determinadas substâncias na urina, ao</p><p>invés de registrar sua presença ou ausência, como é o caso do EAS;</p><p>A coleta da urina de 24 horas é feita da seguinte forma:</p><p>1º dia – 7h da manhã – o paciente descarta toda a primeira amostra. A partir daí colhe todas as amostras dentro de</p><p>uma garrafa própria estéril ou de água mineral (não utilizar garrafas de refrigerantes, pois estas poderão alterar o</p><p>exame). É importante manter refrigerada durante toda a coleta de 24h de urina.</p><p>2º dia – 7h da manhã – toda a urina deve ser acrescentada às outras e é encerrada a coleta, completando assim as 24h</p><p>de urina. Fechar bem a garrafa e levar imediatamente ao laboratório.</p><p>A primeira urina deve ser desprezada porque ela não foi produzida às 7h da manhã, e sim durante a noite.</p><p>Se houver qualquer perda, o ideal é desprezar o que foi colhido e reiniciar a coleta. Uma pequena quantidade</p><p>perdida pode causar erros no resultado.</p><p>No laboratório, a amostra deve ser homogeneizada e seu volume medido com precisão.</p><p>EXAME FÍSICO</p><p>No exame físico há avaliação da cor, volume e aspecto.</p><p>Cor: amarelo claro, amarelo citrino, amarelo escuro, avermelhada e medicamentosa.</p><p>Aspecto: límpida, semi turva e turva. A urina normal geralmente é transparente, porém, pode aparecer certa</p><p>opacidade causada pela precipitação de leucócito, hemácias, células epiteliais, bactérias, sêmen, muco e cristais.</p><p>COLORAÇÃO DA URINA</p><p>Sua coloração varia desde transparente até marrom. Essas variações podem ser devido à atividade física,</p><p>substâncias ingeridas ou doenças.</p><p>Sua cor amarela é devido à um pigmento denominado urocromo. Pode aumentar quando a urina fica à</p><p>temperatura ambiente.</p><p>A coloração anormal da urina pode variar. Muitas colorações da urina não são de origem patogênica, sim causadas</p><p>pela ingestão de alimentos, vitaminas e medicamentos.</p><p>Pacientes que fazem administração de derivados de piridina para tratar infecções urinárias, podem apresentar</p><p>urina alaranjada.</p><p>Urina verde ocorre por medicamento, ingestão de corantes e alimentos.</p><p>Uma das mais comuns de coloração anormal é a presença de sangue, que deixa a urina avermelhada, dependendo da</p><p>quantidade de sangue. Também pode ocorrer por alimentação.</p><p>Urina âmbar ou marrom pode ser causada pela presença anormal de bilirrubina.</p><p>VOLUME</p><p>Depende da quantidade de água ingerida. A água é o principal constituinte do organismo, portanto, a</p><p>quantidade excretada é determinada pelo estado de hidratação do corpo. Quando há redução do volume diário, é</p><p>comum que o paciente esteja desidratado.</p><p>Mencionar o volume não tem significado clínico.</p><p> Oligúria - redução do volume diário normal.</p><p> Anúria - retenção do fluxo urinário;</p><p> Poliúria - aumento do volume diário.</p><p> Disúria - micção dolorosa.</p><p> Colúria – cor escura da urina.</p><p>EXAME QUÍMICO</p><p>O exame químico é feito através das tiras reativas, que são usadas na detecção de alguns elementos.</p><p>É um método qualitativo e semiquantitativo de monitorar vários aspectos químicos da urina.</p><p>Deve-se mergulhar a tira na amostra homogeneizada por aproximadamente 2 segundos e esperar reagir.</p><p>Se a tira ficar muito tempo na urina, pode ocorrer a lavagem dos reagentes.</p><p>Deve-se manter a tira na posição horizontal para não haver mistura dos reagentes.</p><p>Para cada reação, tem um tempo determinado.</p><p>Deve-se retirar o excesso de urina com papel absorvente.</p><p>Não deve-se realizar a leitura das tiras após 2 minutos.</p><p>As mudanças de cor dos quadradinhos deve ser comparada com a cor da escala fornecida na embalagem.</p><p>Embora se trate um procedimento simples, o uso incorreto da técnica pode levar ao erro do resultado.</p><p>REAÇÕES QUÍMICAS A SEREM OBSERVADAS</p><p> pH – é a medida do grau de acidez ou alcalinidade. Pode ser influenciado pela dieta, infecção bacteriana e tempo de</p><p>armazenamento. Um pH abaixo de 7,0 indica urina ácida. Acima disto indica urina alcalina.</p><p>Normalmente a urina é ácida. Seu conhecimento é importante na identificação de cristais observados durante o</p><p>exame microscópico do sedimento.</p><p> Leucócitos – quando presentes na urina, são chamados de piócitos. São os glóbulos brancos, nossas células de</p><p>defesa.</p><p>Sua presença indica uma possível infecção do trato urinário.</p><p>A tira reativa não tem o objetivo de quantificar e sim qualificar (informar se está presente ou ausente). A</p><p>quantificação deve ser feita na análise microscópica, onde se devem contar os leucócitos que aparecem no campo.</p><p>Resultado em cruzes</p><p>Negativo</p><p>Traços</p><p>+</p><p>++</p><p>+++</p><p> Bilirrubina – Quando a hemoglobina é degradada, uma porção é convertida em bilirrubina. Normalmente não</p><p>aparece na urina, sua presença indica hepatopatia. Só costuma aparecer na urina quando os seus níveis sanguíneos</p><p>ultrapassam 1,5 mg/dl. Ela é um composto estável, rapidamente destruído quando exposto à luz, dando um falso</p><p>negativo. A cor normalmente é âmbar. Podem conter o vírus da hepatite. Significado clínico: hepatite, cirrose ou</p><p>obstrução biliar.</p><p>Resultado em cruzes</p><p>Negativo</p><p>+</p><p>++</p><p>+++</p><p> Urobilinogênio – assim como a bilirrubina, ele é um pigmento biliar resultante da degradação da hemoglobina das</p><p>hemácias destruídas. Está presente na urina nos casos de hepatopatias.</p><p> Cetonas – quando um indivíduo está em jejum prolongado, ele começa a degradar gordura ao invés de glicose para</p><p>gerar energia, liberando corpos cetônicos. É chamada de cetonúria. Pode estar presente em pacientes diabéticos e</p><p>também desnutrição ou dieta;</p><p> Proteínas - As tiras reagentes produzem resultados semi quantitativos de proteínas. Existem pequenas</p><p>quantidades na urina, mas não costumam ser detectadas pelo teste da fita. Portanto, uma urina normal não possui</p><p>proteínas. O resultado da tira reagente deve ser interpretado juntamente com a densidade urinária, pois está</p><p>relacionado com a concentração da urina. Quando está aumentada é chamada de proteinúria e a urina fica</p><p>espumosa.</p><p>A proteinúria pode ser decorrente de glomerulonefropatia, defeitos de transporte tubular e inflamação</p><p>ou infecção do trato urinário, febre, convulsões, exercício muscular intenso, hipertensão e extremos de frio ou calor.</p><p>A área para determinação de proteínas nas tiras é uma das mais difíceis de interpretar.</p><p>Resultado em cruzes</p><p>Negativo</p><p>Traços</p><p>+</p><p>++</p><p>+++</p><p>++++</p><p> Densidade - A densidade indica a concentração das substâncias sólidas diluídas na urina, sais minerais na sua</p><p>maioria. Reflete a capacidade do rim em concentrar ou diluir a urina.</p><p>Quanto menos água houver na urina, maior será sua densidade. É importante interpretar a densidade juntamente</p><p>com a hidratação do paciente. A presença de uma urina concentrada frente a um paciente desidratado elimina a</p><p>possibilidade de falha renal como causa da desidratação. Não é apropriado que um paciente desidratado apresente</p><p>uma densidade urinária baixa. A densidade da água é igual a 1000, portanto, quanto mais próximo deste valor, mais</p><p>diluída está a urina. Os valores normais variam de 1005 a 1025. Urinas com densidade próximas de 1005 estão bem</p><p>diluídas, enquanto que, próximas de 1030 estão muito concentradas. O significado clínico pode ser a incapacidade</p><p>dos túbulos renais de reabsorver água ou o estado de hidratação do paciente;</p><p> Nitrito – é um método rápido para detectar infecção do trato urinário (ITU). O fundamento bioquímico da prova do</p><p>nitrito é a capacidade que certas bactérias têm de reduzir o nitrato, constituinte normal da urina e convertê-lo em</p><p>nitrito, que normalmente não aparece na urina.</p><p>Quando bactérias gram negativas (Escherichia coli, Klebsiella, Proteus Mirabilis, Acinetobacter sp e Pseudomonas</p><p>sp.) estão presentes, o nitrato é convertido em nitrito.</p><p>Nitrito negativo não exclui uma infecção urinária, pois se a infecção for causada por bactérias gram positivas</p><p>(Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus), não vai haver a transformação do nitrato em nitrito.</p><p>Uso de antibióticos pode resultar falso negativo, pois inibe o metabolismo bacteriano. Já os casos de falso positivos,</p><p>acontecem em amostras não foram recém colhidas, pois a multiplicação das bactérias logo produzirão nitrito.</p><p> Glicose – a glicose é filtrada pelos glomérulos e reabsorvida nos túbulos renais. Quando a concentração de glicose</p><p>no sangue alcança valores entre 180 e 220 mg/dl, a capacidade máxima de reabsorção dos túbulos é ultrapassada e</p><p>a glicose aparecerá na urina. Sua presença na urinam é chamada de glicosúria, o que significa que a glicose</p><p>ultrapassou o limiar renal. Ou seja, para que ela apareça na urina, é necessário que ela esteja aumentada também</p><p>no sangue. Glicosúria na ausência de hiperglicemia reflete um defeito de reabsorção tubular em que o rim falha em</p><p>reabsorver a glicose do filtrado glomerular.</p><p>Resultado em cruzes</p><p>Negativo</p><p>Traços</p><p>+++</p><p>+++</p><p>++++</p><p> Sangue – pode estar presente na urina em forma de hemácias íntegras (hematúria) ou de hemoglobina</p><p>(hemoglobinúria). A centrifugação de uma urina com coloração avermelhada pode diferenciar entre hematúria</p><p>verdadeira e hemoglobinúria, pois os eritrócitos íntegros sedimentam no fundo da amostra, evidenciando um</p><p>sobrenadante limpo.</p><p>O exame microscópico do sedimento mostrará a presença de hemácias íntegras, mas não de hemoglobina. Sendo</p><p>assim, pode haver a presença de sangue na fita, mas não encontrar hemácias no sedimento. Isso ocorre porque a</p><p>tira vai detectar a presença da hemoglobina (que está dentro da hemácia), mas para a análise microscópica, a</p><p>hemácia já está “desfeita”. Por este motivo, o método mais preciso é a análise química.</p><p>Seu achado é de grande importância clínica e deve ser acompanhado por outros exames para verificar se é de</p><p>origem patológica ou não.</p><p>A hematúria tem relação com distúrbios de origem renal ou urogenital. O significado clínico pode indicar cálculos</p><p>renais, glomerulonefrite (inflamação do glomérulo renal), infecção urinária.</p><p>Resultado em cruzes</p><p>Negativo</p><p>Traços</p><p>+</p><p>++</p><p>+++</p><p>VALORES DE REFERÊNCIA NORMAL</p><p>Urobilinogênio: Ausente;</p><p>Leucócitos: Negativo</p><p>Proteinas: Ausente;</p><p>pH: 5.0 a 6.0;</p><p>Cetona: Ausente;</p><p>Bilirrubina: Ausente;</p><p>Glicose: Ausente;</p><p>Densidade: 1005 a 1025;</p><p>Nitrito: Ausente;</p><p>Sangue: Ausente.</p><p>EXAME DE SEDIMENTOSCOPIA (MICROSCÓPICO)</p><p>A terceira parte do exame de urina é a análise microscópica. Sua finalidade é detectar e identificar os elementos</p><p>do sedimento. Esses elementos são: hemácias, leucócitos, cilindros, células epiteliais, bactérias, leveduras, parasitas,</p><p>muco (principalmente em mulheres), espermatozoides e cristais.</p><p>O exame do sedimento urinário deve compreender tanto a identificação quanto a quantificação dos elementos</p><p>encontrados. Os valores normais podem variar: 0 a 2 hemácias por campo, 0 a 5 leucócitos por campo. Estes números</p><p>devem ser analisados em conjunto com outros fatores, como exercício físico, contaminação menstrual, etc.</p><p>METODOLOGIA</p><p>1) Homogeneizar a urina e colocar a quantidade de 10 ml em tubo cônico;</p><p>2) Centrifugar a amostra 1500 rpm por 5 minutos. Evitar centrifugação superior para não causar compactação dos</p><p>elementos, nem deformação dos cilindros;</p><p>3) Desprezar o sobrenadante e deixar no tubo apenas o sedimento no fundo;</p><p>4) Homogeneizar o sedimento e colocar uma gota na lâmina de vidro e cobrir com lamínula. As gotas devem ser de</p><p>tamanho uniforme, sendo suficientemente pequenas para não transbordar da lâmina;</p><p>5) Levar ao microscópio e percorrer toda a lâmina com objetiva de 10x até encontrar o foco;</p><p>6) Passar para a objetiva de 40x e efetuar a contagem por campo, anotando a média.</p><p>A terminologia usada no registro de resultados varia de um laboratório para outro.</p><p>As hemácias e os leucócitos são contados por campo. As células epiteliais, os cristais e outros elementos são registrados</p><p>com termos correspondentes (raros, moderado, alguns, numerosos). A expressão incontáveis pode ser usada quando</p><p>for observada uma quantidade excessivamente grande, de modo a ocupar todo o campo observado.</p><p>Também é preciso identificar os tipos de cilindros e os cristais.</p><p>Deve-se fazer a correlação dos resultados da microscopia com os exames físicos e químicos para assegurar a precisão</p><p>dos registros. As amostras cujos resultados não apresentarem correlação deverão ser reexaminadas para verificação</p><p>dos erros. O quadro abaixo mostra algumas correlações mais comuns.</p><p>ELEMENTOS MICROSCÓPICOS EXAME FÍSICO EXAME QUÍMICO</p><p>Hemácias Turvação / cor vermelha Sangue</p><p>Leucócitos Turvação Nitrito / Leucócito</p><p>Células epiteliais Turvação ---------------------------------</p><p>Cilindros ----------------------------- ----------------------------------</p><p>Cristais Turvação -----------------------------------</p><p>COMPONENTES DO SEDIMENTO</p><p>O sedimento urinário normal pode conter vários elementos figurados. Até mesmo a presença de pequeno</p><p>número de elementos considerados patológicos, como hemácias, leucócitos e cilindros, mas que podem ser normais,</p><p>além de raras células e filamentos de muco. Desse modo, as amostras normais podem apresentar estes elementos,</p><p>desde que, sejam em pequeno número.</p><p> Hemácias – aparecem na lâmina como discos. Sua presença tem relação com lesões nos vasos do sistema</p><p>urogenital. O seu úmero ajuda a determinar a extensão da lesão renal. O seu úmero ajuda a determinar a</p><p>extensão da lesão renal. Grande quantidade costuma decorrer de glomerulonefrite, mas também é observada em</p><p>outros casos como infecções agudas, neoplasias e distúrbios circulatórios que rompem os capilares renais.</p><p>A observação de hematúria pode ser essencial para o diagnóstico de cálculo renal.</p><p>Na urina concentrada, elas encolhem e se mostram crenadas. Isto acontece por que ela perde água para o meio.</p><p>Nem sempre há correlação entre a presença ou ausência de hemácia no sedimento através da cor da urina. A</p><p>presença de hemoglobina produzirá urina vermelha e resultado positivo na análise</p><p>bioquímica para detecção de</p><p>sangue, sem que haja hematúria microscópica obrigatória. Do mesmo modo, uma amostra aparentemente normal</p><p>ao exame macroscópico, pode conter um número clinicamente significativo de hemácias quando examinadas ao</p><p>microscópio.</p><p> Leucócitos – Seu número elevado na urina é chamado de piúria e indica a presença de uma infecção ou inflamação</p><p>do sistema urogenital. Estas células são maiores que as hemácias. Os piócitos encontrados na urina, constituem os</p><p>neutrófilos resultante da luta contra a infecção bacteriana. Eles apresentam granulações em seu interior,</p><p>constituídos de bactérias fagocitadas. Devemos fazer sua contagem por campo. Caso a lâmina esteja tomada por</p><p>piócitos que não se dê para contar, deve-se anotar piúria intensa.</p><p> Células epiteliais – é comum encontrar células epiteliais na urina, pois elas são resultado da descamação dos tecidos</p><p>de revestimento do sistema urogenital. As mais frequentes são as células do epitélio vaginal e das porções</p><p>inferiores da uretra. Em geral, são registrados como raras, algumas e numerosas e não em número por campo. Sua</p><p>presença no sedimento urinário raramente tem significado clínico.</p><p> Leveduras – geralmente encontramos Candida albicans. Podem ser observadas em mulheres com candidíase</p><p>vaginal. Podemos observar outras espécies de leveduras.</p><p> Espermatozoides – São eventualmente encontrados na urina de homens após ejaculação e de mulheres após</p><p>relação sexual. Esporadicamente são de relevância clínica, salvo nos casos de infertilidade masculina ou</p><p>ejaculação retrógrada na qual o esperma é expulso para a bexiga em vez de ser para a uretra.</p><p> Muco – material proteico produzido por glândulas e células epiteliais do sistema urogenital. Não é considerado</p><p>patogênico e sua quantidade é maior quando há contaminação vaginal. É visto como estruturas filamentosas, deve-</p><p>se observar em baixa luminosidade.</p><p> Bactérias – normalmente a urina não tem bactérias, ou seja, é estéril. No entanto, se as amostras não forem</p><p>colhidas em condições favoráveis, podem ocorrer contaminação sem significado clínico. As amostras que ficam à</p><p>temperatura ambiente por muito tempo também podem conter quantidades detectáveis de bactéria que</p><p>representam apenas a multiplicação dos organismos contaminantes.</p><p> Parasitas – encontramos com mais frequência o protozoário Trichomonas vaginalis, devido à contaminação por</p><p>secreções vaginais. Este microorganismo é flagelado, sendo facilmente identificado por seu movimento rápido no</p><p>campo microscópico. Contudo, quando não se move, pode parecer um leucócito.</p><p> Cilindros – estes são os únicos elementos exclusivamente renais encontrados no sedimento urinário. Sua presença</p><p>na urina é chamado cilindrúria.</p><p>Formam-se no interior do túbulo renal. Sua aparência é influenciada pelos elementos presentes na urina no</p><p>momento de sua formação. Seu principal componente é uma glicoproteína excretada pelas células do túbulo renal.</p><p>Os cilindros são encontrados na urina normal e anormal, não é detectável pela tira reativa.</p><p>Os cilindros podem ser depositados na bexiga, podendo se desintegrar rapidamente em urinas velhas ou alcalinas.</p><p>Então, a ausência de cilindros não exclui uma doença tubular renal.</p><p> Cilindros hialinos – São os mais frequentes. Uma urina normal pode conter poucos cilindros hialinos. A presença de</p><p>0 a 2 por campo é considerado normal. São incolores e podem passar despercebidos se as amostras não forem</p><p>analisadas com pouca luz.</p><p> Cilindros hemáticos – Enquanto o achado de hemácias na urina indica sangramento de alguma área do sistema</p><p>urogenital, a existência de cilindros hemáticos é muito mais específica, indicando que o sangramento provém do</p><p>interior do néfron. Relaciona-se principalmente com a glomerulonefrite, mas qualquer quadro clínico capaz de lesar</p><p>os glomérulos, os túbulos ou os capilares renais podem produzir cilindros hemáticos. São facilmente reconhecidos</p><p>por terem uma cor avermelhada. Podem conter células ligadas à matriz proteica. Devem ser registrados sua</p><p>quantidade por campo. Os sedimentos com este tipo de cilindro normalmente apresentam hemácias livres.</p><p> Cilindros leucocitários – seu aparecimento significa inflamação no interior dos néfrons. São observados com mais</p><p>frequência na pielonefrite, mas ocorrem em qualquer doença que cause inflamação dos néfrons, acompanhando os</p><p>cilindros hemáticos na glomerulonefrite. A observação de leucócitos no sedimento ajuda na identificação.</p><p> Cilindros céreos – Quando os cilindros envelhecem e/ou se deterioram e se solidificam nos túbulos, ocorre a</p><p>formação dos cilindros céreos. São grandes e com bordas irregulares. São frequentemente chamados cilindros da</p><p>insuficiência renal. Tratam-se de cilindros rígidos e por isso se fragmentam ao passar pelos túbulos. São</p><p>representativos de estase urinária extrema, que aponta insuficiência renal crônica grave.</p><p>1. Cristais – é comum encontrar cristais na urina, chamado de cristalúria. Embora, raramente tenha significado clínico,</p><p>deve-se identifica-lo para ter certeza que não representam alguma patologia. Os cristais são formados pela</p><p>precipitação de sais da urina submetidos a alterações de pH, temperatura ou concentração, o que afeta sua</p><p>solubilidade. O recurso mais útil na identificação dos cristais é o conhecimento do pH, pois ele determinará o tipo</p><p>de substâncias químicas precipitadas.</p><p>2. Cristais normais de urina ácida – os cristais normalmente encontrados são:</p><p>I. Uratos amorfos;</p><p>II. Ácido úrico;</p><p>III. Oxalato de cálcio.</p><p>Ácido úrico - A presença desses cristais não exibe importância clínica, visto que pode ser de ocorrência natural do</p><p>organismo. Porém, pode estar associado a cálculos renais à base de ácido úrico, na gota (tipo de artrite que ocorre</p><p>quando o ácido úrico se acumula no sangue e causa inflamação nas articulações).</p><p>Oxalato de cálcio - A presença desses cristais não exibe importância clínica, visto que pode ser de ocorrência natural do</p><p>organismo, principalmente depois da ingestão de alimentos ricos em oxalato, como tomate, laranja e alho. Porém, pode</p><p>estar associado a cálculos renais à base de oxalato de cálcio. São facilmente reconhecidos, pois parecem envelopes</p><p>brilhantes na lâmina.</p><p>Uratos amorfos – A presença desses cristais não exibe importância clínica, visto que pode ser de ocorrência natural do</p><p>organismo. São visualizados geralmente em amostras que tenham sido refrigeradas.</p><p>URATOS AMORFOS CRISTAIS DE ÁCIDO ÚRICO</p><p>CRISTAIS DE OXALATO DE CÁLCIO</p><p>3. Cristais normais de urina alcalina – os cristais normalmente encontrados na urina alcalina normal são:</p><p>I. Fosfatos amorfos;</p><p>II. Fosfato triplo;</p><p>III. Fosfato de cálcio;</p><p>IV. Carbonato de cálcio.</p><p>Fosfatos amorfos - A presença desses cristais não exibe importância clínica, visto que pode ser de ocorrência natural do</p><p>organismo. São visualizados geralmente em amostras que tenham sido refrigeradas.</p><p>Carbonato de cálcio - A presença desses cristais não exibe importância clínica. Tem formato esférico em de haltere.</p><p>Fosfato de cálcio – A presença desses cristais não exibe importância clínica, pouco comum, mas estes cristais podem</p><p>formar cálculos renais.</p><p>Fosfato triplo - A presença desses cristais não exibe importância clínica. São os facilmente identificáveis, pois</p><p>parecem “tampa de caixão”.</p><p>FOSFATOS AMORFOS</p><p>CRISTAL DE FOSFATO TRIPLO CRISTAL DE FOSFATO DE CÁLCIO</p><p>4. Cristais anormais – os mais importantes são:</p><p>I. Cistina;</p><p>II. Colesterol;</p><p>III. Leucina;</p><p>IV. Tirosina.</p><p>CRISTAIS DE LEUCINA CRISTAIS DE CISTINA CRISTAIS DE COLESTEROL AGULAS DE TIROSINA</p>

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