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<p>Expressões criativas e suas representações</p><p>Profa. Adriana Sanajotti Nakamuta</p><p>Descrição</p><p>A partir da criatividade e representação, dois conceitos-chave deste estudo, entenderemos a relação entre</p><p>prática artística, linguagem e manifestação individual de sujeitos envolvidos em processos terapêuticos por</p><p>meio da arte.</p><p>Propósito</p><p>Expressão e criatividade são estratos importantes do campo artístico, pois possibilitam o conhecimento de</p><p>técnicas, materiais e experimentações que estimulam a criatividade e a criação para aplicação em</p><p>processos terapêuticos que utilizam as práticas do campo das artes plásticas e visuais, cênicas e musicais,</p><p>logo, essenciais para os profissionais atuantes no campo da arte, cultura, educação e saúde.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Arte, cultura e representações</p><p>Reconhecer a arte, a cultura e a representação como estratégias de desenvolvimento humano de</p><p>linguagens visuais e caminho para a abordagem terapêutica.</p><p>Módulo 2</p><p>Processos e práticas artísticas</p><p>Identificar diferentes materiais e técnicas para desenvolvimento de programas terapêuticos por meio da</p><p>arte.</p><p>Introdução</p><p>O ensino de artes visa à troca entre as culturas, promove um pensamento crítico sobre determinado objeto</p><p>ou obra, entende as semelhanças e respeita as diferenças. Além disso, os sujeitos envolvidos nessas</p><p>experiências artísticas podem alcançar, por meio da “aprendizagem em arte”, seu lugar de manifestação.</p><p>Isso ocorre devido à construção de uma linguagem e de um universo simbólico próprio, em diferentes</p><p>contextos e grupos sociais. Nesse processo, a arte, sem dúvida, torna-se instrumento importante de</p><p>referência cultural, interpretação dos sujeitos e construção de identidades, uma vez que pretende registrar e</p><p>desenvolver linguagens, além de materializar representações e imaginações por parte de todos os</p><p>envolvidos e participantes.</p><p>Diante disso, neste conteúdo, vamos compreender três motes importantes: a arte na perspectiva da cultura e</p><p>o entendimento das representações, a criatividade e, por fim, os processos e as práticas artísticas com base</p><p>em técnicas e materiais.</p><p></p><p>1 - Arte, cultura e representações</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a arte, a cultura e a representação como</p><p>estratégias de desenvolvimento humano de linguagens visuais e caminho para a abordagem</p><p>terapêutica.</p><p>Arte no contexto da cultura brasileira</p><p>Ao longo do nosso conteúdo, estudaremos as aproximações entre arte, cultura, processos artísticos e</p><p>desenvolvimento de linguagens para aplicação em contextos terapêuticos. Analisaremos a cultura e as</p><p>diferentes representações, aplicando técnicas e materiais para o desenvolvimento de linguagens.</p><p>Cultura é tradição e comportamento, como música, arte, comida, roupas, línguas de</p><p>diferentes grupos sociais em distintos contextos.</p><p>Para compreendermos a cultura, no nosso caso a brasileira, devemos considerar que existem símbolos,</p><p>valores, significados e sentidos que podem ser compartilhados entre grupos ou não; por isso, muitos são</p><p>desconhecidos e, por vezes, desvalorizados por todos nós.</p><p>De origem em latim colere, o termo cultura é também cuidar, expandir e cultivar. O compartilhamento com</p><p>membros de um grupo ou entre grupos nos ajuda a compreender a configuração e a construção de</p><p>identidades culturais.</p><p>Reconhecer os modos de uma agricultura local também está na esfera da cultura. Exemplo disso é o</p><p>Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, que se encontra no litoral Sul</p><p>do estado de São Paulo, reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em 2018.</p><p>Alimentos produzidos no âmbito do Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira.</p><p>Esse exemplo é importante para destacar a existência de uma política cultural consolidada no Brasil. O</p><p>processo de centralização de uma política voltada para a cultura foi inicialmente conduzido por Getúlio</p><p>Vargas durante os anos que se seguem à tomada do poder pela chamada Revolução de 1930 até o Estado</p><p>Novo, que promoveu uma enorme expansão do aparelho burocrático-administrativo do Estado.</p><p>Nesse intervalo de 15 anos, foram criados ministérios, secretarias, inspetorias, superintendências, agências</p><p>reguladoras e uma rede de autarquias, conselhos, departamentos e comissões especiais. No campo das</p><p>atividades artísticas e culturais, assistiu-se a um processo intenso de gerenciamento por parte do Estado,</p><p>regulamentando a produção, difusão e conservação do trabalho intelectual e artístico nos mais variados</p><p>setores.</p><p>Nesse período, foram criados, por iniciativa do Ministério da Educação e Saúde, capitaneado por Gustavo</p><p>Capanema alguns serviços e institutos. Vamos conferir!</p><p>Matéria em jornal noticiando a nomeação do jornalista Aldo Calvet para coordenar os trabalhos do Serviço Nacional de Teatro, 1951.</p><p>Serviço Nacional do Teatro (SNT)</p><p>Matéria em jornal noticiando a regulamentação do Instituto Nacional do Livro, 1938.</p><p>Instituto Nacional do Livro (INL)</p><p>Equipe do Instituto Nacional de Cinema Educativo em filmagem na biblioteca da Casa de Rui Barbosa, 1940. Da esquerda para a direita: Humberto</p><p>Mauro, Mateus Colaço, Manoel Ribeiro e Maria Beatriz Roquette-Pinto Bojunga.</p><p>Instituto Nacional de Cinema Educativo (Ince)</p><p>Hilde Sinnek, professora austríaca, ministrando o curso de alemão do Colégio do Ar, programa precursor do rádio educativo, 1945.</p><p>Serviço de Radiodifusão Educativa, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional</p><p>(Iphan)</p><p>Nessa configuração histórico-social, o Estado passou a ser instância decisiva nos processos de regulação e</p><p>intervenção no campo da produção cultural.</p><p>No âmbito da organização e consolidação de uma política de preservação realizada pelo Iphan, por exemplo,</p><p>reconhecer o Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira é tornar público</p><p>e salvaguardar as práticas que remetem a séculos de existência e que estão associadas à diversidade das</p><p>espécies vegetais manejadas, aos métodos e à cultura material relacionada ao preparo dos alimentos, aos</p><p>arranjos produtivos locais, às redes de troca e comercialização, aos contextos de transmissão de</p><p>conhecimento e de consumo alimentar que envolvem expressões culturais (IPHAN, 2017).</p><p>Um segundo exemplo que vale destaque no âmbito da cultura brasileira é a pintura corporal e arte gráfica</p><p>wajãpi, conhecida como arte kusiwa, também reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil, desde 2002,</p><p>na categoria formas de expressão. Trata-se de uma “linguagem gráfica dos índios wajãpi do Amapá, que</p><p>sintetiza seu modo particular de conhecer, conceber e agir sobre o universo” (IPHAN, 2008, p. 81). Além</p><p>disso, esse sistema funciona como um “catalisador para a expressão de conhecimentos e de práticas que</p><p>envolvem desde relações sociais, crenças religiosas e tecnologias até valores estéticos e morais” (IPHAN,</p><p>2008, p. 81).</p><p>Arte kusiwa.</p><p>Esse exemplo nos ajuda a compreender que a criação de linguagens, nesse caso gráfico e corporal,</p><p>materializa a tradição desse povo, ao mesmo tempo que fomenta, pela oralidade e pelo grafismo, a</p><p>transmissão geracional da cultura dos wajãpi.</p><p>Arte e cultura na sociedade brasileira</p><p>Por que compreender a de�nição de cultura e a maneira como</p><p>ela passa a ser estruturada no país interessa no âmbito do</p><p>ensino de arte e da prática artística em situações terapêuticas?</p><p>Resposta</p><p>De maneira bem objetiva, é reconhecer que somos formadores e formados pela cultura em sua</p><p>diversidade e que, em maior ou menor grau, a criatividade e o desenvolvimento de linguagens a</p><p>partir da prática artística carregam símbolos e referências dessas experiências.</p><p></p><p></p><p>Arte e cultura na sociedade brasileira</p><p>Confira, neste vídeo, uma discussão sobre os elementos da cultura brasileira e os aspectos mais relevantes</p><p>relacionados à intencionalidade das artes.</p><p>Arte e sua intencionalidade</p><p>A arte, por meio da intencionalidade e da criatividade dos sujeitos que a praticam, conecta o universo</p><p>simbólico ao desenvolvimento de linguagens próprias e características</p><p>peculiares. Em resumo, a arte no</p><p>contexto da cultura nos mostra a possibilidade de analisá-la para além das questões técnicas e estéticas,</p><p>potencializando um repertório de compreensão que nos interessa aqui na perspectiva do sujeito envolvido,</p><p>ou seja, o que ele representa, quais símbolos carrega, em que cultura se insere e/ou qual sua vivência e o que</p><p>nos mostra/apresenta. Para materializar essa explicação, vamos para um terceiro exemplo. Veja a a obra</p><p>Supernanny Brasil, do artista Alberto Pereira:</p><p>Supernanny Brasil, lambe-lambe de Alberto Pereira, 2016.</p><p>A escolha por essa obra é proposital em nosso debate sobre a arte em contexto. A obra de Alberto Pereira é</p><p>uma clara crítica ao sistema escravocrata que perdurou séculos no Brasil e cujos efeitos ainda são vistos</p><p>nos dias atuais. Mulheres negras ocupam (muitas) posições serviçais, como babás de famílias brancas, às</p><p>vezes vestidas com uniformes, sem autonomia e/ou liberdade para se expressar.</p><p>O título da obra também é uma referência a um programa de televisão em que uma apresentadora reproduz</p><p>cenas do cotidiano de casas e dos conflitos ali existentes no âmbito da educação das crianças. Vejamos a</p><p>diferença entre as duas:</p><p>Supernanny da televisão</p><p>É uma mulher bem-sucedida, uma especialista em desenvolvimento infantil e atendimento às famílias.</p><p>Supernanny de Alberto Pereira</p><p>É a representação, por meio da arte urbana, de uma cultura machista e de um racismo estrutural, cuja</p><p>figura feminina negra não tem voz nem vez.</p><p>Pereira nos ajuda a compreender que o contexto tem duplo sentido: a cidade como suporte e espaço</p><p>importante para a apresentação pública de revisões e críticas sociais urgentes e necessárias. Ao mesmo</p><p>tempo, o lambe-lambe (colagem), como técnica, nasce desse desejo da arte de estar contida na sociedade e</p><p>vice-versa. Imortalizar uma cena opressora no cotidiano da cidade, que na prática existe e parece</p><p>despercebido aos olhos de muitos, é dar visibilidade e provocar as estruturas simbólicas, históricas e</p><p>culturais de uma geração.</p><p>Carioca, nascido em 1989, na cidade de Niterói, Alberto Pereira iniciou sua prática artística motivado pelo</p><p>Coletivo Gráfico, que utilizava o espaço urbano para colar cartazes com imagens e frases impactantes. Em</p><p>2011, o artista ficou conhecido por colar seus trabalhos dentro de estações e vagões do metrô do Rio de</p><p>Janeiro, o meio de transporte considerado mais caro do Brasil.</p><p>Alberto Pereira.</p><p>Cultura e criatividade: interações</p><p>Confira, neste vídeo, a arte e a intencionalidade em obras de artistas que usam a criatividade como forma de</p><p>expressão cultural.</p><p>Vamos agora fazer uma importante provocação: a dinâmica e os limites entre as influências sociais</p><p>recebidas por uma cultura e a criatividade. A manifestação da arte das primeiras academias buscava um</p><p>sentido fundamental da arte. Franceses e ingleses se digladiavam sobre se o domínio da arte era o apuro</p><p></p><p></p><p>técnico ou a capacidade cognitiva de seus produtores.</p><p>Winckelmann, historiador da arte do século XVIII, trouxe a questão da história, da produção do contexto na</p><p>interpretação e proposição da arte. Sem entrar nesse aspecto neste momento, vamos entender como essa</p><p>tradição mudou e hoje nos faz pensar sobre a criação artística e o papel dos contextos vividos.</p><p>Johann Winckelmann.</p><p>A história, campo em modificação desde o início do século XX, aprofundou sua proposição interdisciplinar e</p><p>o peso que a cultura exerce sobre as subjetividades. Esse processo, fortalecido em todas as ciências sociais,</p><p>levou ao diálogo com o campo da arte na percepção das vanguardas do século XX, marcadas pelo</p><p>modernismo no Brasil.</p><p>Para compreendermos, vamos comparar duas obras brasileiras.</p><p>Obra 1</p><p>A criação do autor brasileiro Victor Meirelles, que estudou nos modelos clássicos, com direito à proporção</p><p>áurea, exalta com as técnicas e os modelos aprendidos uma reprodução brasileira. Tem criação e técnica,</p><p>mas percebemos a motivação e os limites da criação pela cultura.</p><p>A primeira missa, de Victor Meirelles, 1861.</p><p>Obra 2</p><p>A releitura da obra de Meirelles, feita pelo artista Zerbini, nos traz outros compromissos, reproduzindo e</p><p>ganhando novos papéis, criatividade e contexto, assim como maneiras de interpretar.</p><p>A primeira missa, de Luiz Zerbini, 2014.</p><p>Arte e representação: expressões criativas</p><p>Por que imagens fortes, como a de Supernanny, de Alberto Pereira, aproximam e provocam tantas reflexões</p><p>sobre a representação na arte? Porque se inserem em um debate complexo e histórico das representações</p><p>no campo artístico.</p><p>Vamos tomar como exemplo a pintura de retrato, assunto que ocupa muitas e muitas páginas da história da</p><p>arte.</p><p>Ao lado das pinturas religiosas, os retratos constituem a parte mais numerosa do</p><p>patrimônio artístico brasileiro. Estão localizados, sobretudo, em conventos,</p><p>irmandades, retratando cenas domésticas, processos de trabalho, homens do poder,</p><p>móveis, objetos.</p><p>Existe um claro predomínio de retratos masculinos sobre os femininos, uma vez que esse gênero só</p><p>apareceria com mais frequência no século XIX. Já os retratos de crianças nunca foram cultivados, com</p><p>exceção, possivelmente, de alguns exemplares no segundo reinado.</p><p>E de quem eram esses retratados? Até o século XIX, esse privilégio era reservado, quase exclusivamente, a</p><p>duas categorias:</p><p>Retratos de burguês</p><p>Pessoas que ocupavam lugar de privilégio em irmandades, ordens, membros de mesas administrativas,</p><p>benfeitores.</p><p>Retratos de eruditos</p><p>Personalidades da administração civil e religiosa. Um grupo distinto, em que se enquadram todos os retratos</p><p>da família real portuguesa.</p><p>De acordo com Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo (1942), os retratos cumprem a função</p><p>de demonstrar aspectos da vida doméstica, cuja pequena porção da população teria ideia ou condições de</p><p>se fazer retratar. Logo, nem escravizados nem pequenos comerciantes teriam esse privilégio. Isso comprova</p><p>a possibilidade de encomendar retratos, e somente famílias das casas-grandes e dos engenhos dispunham</p><p>desse privilégio e recurso para tal encomenda.</p><p>Você conhece Frida Kahlo?</p><p>Frida Kahlo sofreu na infância com poliomielite, enfermidade que lhe deixou uma sequela nos pés. Aos 18</p><p>anos, Frida sofreu um terrível acidente que a deixou entre a vida e a morte. Filha de imigrantes europeus</p><p>residentes no México, a artista transformou sua dor em arte e pintura, recuperando em seu retrato uma</p><p>forma vívida de expressão.</p><p>Frida Kahlo.</p><p>Recuperada, casada com o pintor Diego Rivera, Frida transformou sua vida e metamorfoses em poderosa</p><p>expressão criativa. Mesmo o divórcio conturbado, o colete fruto de seu histórico médico e a amputação de</p><p>parte de sua perna não tiraram dela o desejo de pintar. Foi professora, ativista do partido comunista, expôs</p><p>nas principais galerias de arte e museus do mundo.</p><p>A marca de Frida era o autorretrato, realizando referência à sua beleza singular e uma afirmação contínua de</p><p>seu empoderamento. As cores, outra marca poderosa de Frida, variavam do berrante ao sombrio, ao</p><p>destaque, ao afirmativo. A perspectiva de olhar para a própria tela é um convite a perceber sua presença e</p><p>estrutura. Incrível, não é mesmo?</p><p>Memory (The Heart), de Frida Kahlo, 1937.</p><p>A construção da arte e de sua dinâmica como representação, envolve cores, materiais, formas,</p><p>comparações, intenções e interesses. Alberto Pereira na obra Jesus apela à construção plena desse</p><p>processo: o uso da autoimagem e sua posição frontal, a adoção de materiais conhecidos e reconhecidos,</p><p>uma imagem icônica, mas que se se coloca em oposição ao esperado.</p><p>Jesus, lambe-lambe e grafite de Alberto Pereira.</p><p>Arte e representação: Frida Kahlo e Alberto Pereira</p><p>Confira, neste vídeo, a relação entre arte, representações e criatividade a partir das obras de Frida Kahlo e</p><p>Alberto Pereira.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A obra Supernanny Brasil, de Alberto Pereira, é uma provocação entre as tendências modernas e a</p><p>tradição violenta brasileira. Como a criatividade</p><p>nos ajuda a compreender a relação da arte com o</p><p>contexto cultural e social?</p><p></p><p>A A obra é uma representação estética sem conexão com questões sociais e culturais.</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>A obra Supernanny Brasil é uma crítica social e cultural que aborda a posição de mulheres negras na</p><p>sociedade brasileira, em especial na ocupação de posições serviçais. A imagem escolhida por Alberto</p><p>Pereira é uma referência ao programa de televisão Supernanny , mas também apresenta uma conexão</p><p>direta com a realidade social e histórica brasileira. A técnica de lambe-lambe utilizada na obra é uma</p><p>forma de conectar a arte com a sociedade e vice-versa, mas não é a principal abordagem da obra em</p><p>questão.</p><p>Questão 2</p><p>Algumas abordagens defendem que a criatividade é uma característica inata de certos indivíduos,</p><p>enquanto outras acreditam que ela pode ser estimulada e desenvolvida por meio de diferentes</p><p>estratégias e práticas.</p><p>Contemporaneamente, devemos perceber a criatividade de que modo?</p><p>B</p><p>A obra é uma crítica direta ao programa de televisão Supernanny e não possui outras</p><p>camadas de significado.</p><p>C</p><p>A técnica de lambe-lambe utilizada na obra de Alberto Pereira é uma forma de conectar a</p><p>arte com a sociedade e vice-versa.</p><p>D</p><p>A imagem escolhida por Alberto é uma crítica ao sistema escravocrata brasileiro e à</p><p>posição de mulheres negras na sociedade.</p><p>E</p><p>A obra Supernanny Brasil não possui relevância na compreensão da relação da arte com</p><p>o contexto cultural e social.</p><p>A</p><p>A criatividade é uma habilidade que pode ser desenvolvida por meio de diferentes</p><p>estratégias e práticas.</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>A criatividade pode ser estimulada e desenvolvida por meio de diferentes estratégias e práticas. As</p><p>demais alternativas estão incorretas. A criatividade não é restrita apenas a áreas artísticas e</p><p>tecnológicas, nem é importante apenas para a autoexpressão e o autoconhecimento.</p><p>2 - Processos e práticas artísticas</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car diferentes materiais e técnicas para</p><p>B A criatividade é uma característica inata de certos indivíduos.</p><p>C A criatividade é uma habilidade que não pode ser desenvolvida.</p><p>D A criatividade é importante apenas para a autoexpressão e o autoconhecimento.</p><p>E A criatividade é uma habilidade restrita apenas a áreas artísticas e tecnológicas.</p><p>p p</p><p>desenvolvimento de programas terapêuticos por meio da arte.</p><p>Representação artística</p><p>O que é uma representação? Esse debate já foi feito algumas vezes, em diferentes momentos, por campos</p><p>diversos do conhecimento.</p><p>Carlo Ginzburg, em Olhos de madeira: nove reflexões sobre a distância, discorre sobre as formas de</p><p>representação em suas relações entre arte e história.  Seu argumento é como o processo de substituição,</p><p>rediscussão e formas de assumir o reconhecimento é fundamental. O autor também faz uma série de</p><p>exercícios sobre o entendimento das representações e que papéis elas podem assumir.</p><p>Carlo Ginzburg.</p><p>Vamos agora destacar, resumidamente, alguns conceitos dos ensaios contidos na obra de Ginzburg.</p><p>Estranhamento</p><p>Trata-se de observar o distante para perceber a si e ao próximo. Para esse conceito, o autor faz uma</p><p>referência ao cavalo de Tolstói, discutindo sobre como era dono de um humano.</p><p>No limite, o foco é estranhar aquilo que é mais íntimo, mais simples, “(...) antídoto eficaz contra um risco a</p><p>que todos nós estamos expostos: o de banalizar a realidade” (GINZBURG, 2001, p. 41).</p><p>O surrealismo é uma boa manifestação do estranhamento como princípio. As obras de Dalí, por exemplo,</p><p>visam levar o absurdo, reconhecível, à interpretação do sujeito.</p><p>Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã um segundo antes de acordar, de Salvador Dalí, 1944.</p><p>Mito: distância e mentira</p><p>A leitura é sobre a percepção e a construção do mito. Em um amplo panorama, o autor demonstra como o</p><p>mito pode ser importante para construção de percepção, ideias de si, mas que, ao mesmo tempo o mito,</p><p>quando apropriado politicamente, muda de figura e passa a performar como mentira.</p><p>E como isso tem relação com a criação? Tudo! A arte pode reforçar essa percepção ao construir um martírio</p><p>que identifica sua própria vida em Jesus, ou quando Jesus faz parte de alguma corte humana e escolhe um</p><p>rei como seu representante.</p><p>O autor utiliza como exemplo as artes nazistas, que trabalharam com esse sentido de mito.</p><p>Exemplo de panfleto nazista.</p><p>Vale enfatizar que os cartazes ganham grande notoriedade como manifestação artística.</p><p>Representação: palavra, ideia ou coisa</p><p>A ideia é uma coisa que substitui outra, de forma direta. Como um teatro, em que todos sabem que aquela</p><p>não é a coisa em si, mas representação da própria coisa. A arte, quando visa retratar uma realidade, tenta</p><p>muitas vezes fazer exatamente esse papel.</p><p>Ginzburg privilegia uma configuração dos conceitos abordados por meio de uma problematização histórica.</p><p>O autor lembra que há muitos anos, nas ciências humanas, estuda-se o conceito de representação. Ele</p><p>propõe que, talvez, esse investimento se justifique pela ambiguidade do termo, já que pode ser</p><p>compreendido como uma realidade representada, desse modo evoca a ausência; ou como a visibilidade da</p><p>própria realidade representada e, nesse caso, sugere presença.</p><p>Exemplo</p><p>Uma imagem é ao mesmo tempo presença e substituição de algo que não existe.</p><p>Madonna dei Pellegrini, relacionada a Caravaggio e presente na Basílica de Santo Agostinho na Itália, nos dá</p><p>o exato tom do conceito de representação. A figura religiosa não está ali, mas a própria tentativa em não</p><p>proteger, verificar, é entendida com um ato muito mais intenso do que o próprio ataque à arte.</p><p>Madonna dei Pellegrini, de Caravaggio, 1604. Quadro em exposição na Basílica de Santo Agostinho.</p><p>Texto e visibilidade</p><p>Trata-se da construção do Ecce, a representação das raízes culturais. Em traduções, as palavras</p><p>foram carregadas de distintas interpretações que acabaram deturpando seus significados originais e, desse</p><p>modo, moldando uma iconografia cristã. É a representação como inversão, como uma tentativa de</p><p>reconfigurar o que não tinha sentido original.</p><p>Veja a imagem e procure os equívocos!</p><p>Ecce Homo, de Tizian ou Ticiano, 1543.</p><p>Será que o escudo da ordem germânica é um erro ou uma representação cuidadosa de uma mentira</p><p>representativa? Será que o autor foi só traído por seus contextos ou em sua criatividade quis fazer um</p><p>discurso? Cabem muitas interpretações.</p><p>Ídolos e imagens</p><p>Trata-se da representação das imagens e de ídolos como forma de manifestação da arte. Esse capítulo</p><p>configura-se em algo muito próximo de uma continuação/complementação da análise apresentada no</p><p>ensaio anterior. Isso porque, por meio de uma apreciação de circunstâncias históricas, Ginzburg compreende</p><p>a passagem de uma “atitude substancialmente hostil para com as imagens” para uma “atitude</p><p>substancialmente favorável” (2001, p. 122).</p><p>Ginzburg problematiza a diferença entre imagem e ídolo, apresentada pelo escritor cristão Orígenes, a partir</p><p>da teologia cristã.</p><p>A imagem se configura como a representação de uma coisa existente, enquanto o</p><p>ídolo é uma representação fantasiosa, resultante da imaginação humana.</p><p>Vejamos a imagem de Prometeu:</p><p></p><p>Prometeu em mármore.</p><p>Prometeu, o deus que dá o fogo ao homem na tradição grega, é símbolo do sofrimento humano diante dos</p><p>deuses. A imagem em mármore e o movimento dá o tom de algo absolutamente inatingível.</p><p>Estilo: inclusão e exclusão</p><p>De certo modo, ampliam-se as possibilidades de compreensão sobre a relação entre história e verdade, bem</p><p>como os limites e os riscos do relativismo. A discussão visa problematizar as seguintes questões:</p><p></p><p>O estilo é próprio do sujeito, entendido como expressão individual, ou deve haver uma expressão coletiva</p><p></p><p>relacionada à cultura?</p><p></p><p>O estilo é sensível à história, ou seja, pode variar no tempo, ou é permanente, incorporando-se às novas</p><p>gerações de uma mesma cultura?</p><p>Para essa problematização, algumas circunstâncias históricas são abordadas pelo</p><p>autor. Por exemplo, uma</p><p>tradição alemã que compreendia o estilo como algo unificador de determinado período e de determinada</p><p>civilização, fechada em si mesma por conta de suas particularidades. Assim, naturalmente, o conceito de</p><p>homogeneidade era o que caracterizava tal civilização e, consequentemente, o resultado foi a exclusão do</p><p>diferente.</p><p>A representação como metáfora quer dizer a criatividade gerando o processo de reconhecimento e</p><p>observação do outro, pensar sobre como os autores lidam com o papel da metáfora para os seres humanos,</p><p>e como os pensadores fizeram os exercícios de tentar ofertar sentido a isso.</p><p>A Última Ceia, da Vinci, 1495-1498.</p><p>Imagine agora os seguintes modelos:</p><p>Adaptação</p><p>Derivado dos trabalhos do pensador cristão santo Agostinho, considerando a imutabilidade divina e as</p><p>mudanças históricas.</p><p>Con�ito</p><p>Desde Maquiavel e Da Vinci, no qual se tenta evidenciar que a realidade é o que é, de fato, e o</p><p>distanciamento é indispensável para a compreensão dessa realidade.</p><p>Multiplicidade</p><p>Desde Leibniz, caracterizado por uma valorização demarcada pela busca de uma coexistência harmoniosa</p><p>em uma pluralidade de pontos de vista.</p><p>As reflexões de Ginzburg não são acidentais, são construções de leitura possíveis, provocações de como a</p><p>representação permite pensar a própria criatividade e como o mundo dialoga com as escolhas que você</p><p>dimensiona.</p><p>Representação na prática</p><p>Confira, neste vídeo, como o processo de substituição, rediscussão e as formas de assumir o</p><p>reconhecimento são fundamentais nos processos de representação, conforme abordado por Ginzburg.</p><p></p><p>Técnicas e materiais e o caso da pop art</p><p>Agora, daremos alguns subsídios para que você elabore suas próprias práticas e formas de expressão.</p><p>Então, realize, faça, compartilhe com seus colegas e familiares, redes sociais e afins!</p><p>O primeiro passo é a escolha do material com que você vai trabalhar. Lembrando que o material é tudo</p><p>aquilo utilizado para se expressar, enquanto o suporte é toda e qualquer superfície em que possamos nos</p><p>expressar. Vamos lá, você tem algumas opções, faça sua escolha!</p><p>Material de origem mineral, basicamente dióxido de silício, dividido em grânulos.</p><p>Rocha sedimentar composta de grãos muito finos de silicatos de alumínio, associados a óxidos que</p><p>lhes dão tonalidades diversas.</p><p>Mineral aglomerante produzido a partir do aquecimento da gipsita, um mineral abundante na</p><p>natureza, e posterior redução a pó.</p><p>Material produzido a partir do tecido formado pelas plantas lenhosas com funções de sustentação</p><p>mecânica.</p><p>Areia </p><p>Argila </p><p>Gesso </p><p>Madeira </p><p>Guache </p><p>Mistura de aglutinante (goma arábica) com pigmento branco, que resulta em uma tinta opaca de</p><p>grande poder de cobertura. Constitui-se por pigmentos coloridos moídos em pó aglutinados com um</p><p>pigmento plástico e pigmento branco opaco.</p><p>Tinta de secagem lenta que consiste em uma mistura de partículas de pigmento em suspensão em</p><p>óleo secante.</p><p>Tinta sintética solúvel em água que pode ser usada em camadas espessas ou finas.</p><p>Material constituído por elementos fibrosos de origem vegetal, geralmente distribuído sob a forma de</p><p>folhas ou rolos. Pode ser definido como uma folha seca e fina feita com toda a espécie de</p><p>substâncias vegetais reduzidas à massa. É usado para escrever, pintar, imprimir, embrulhar, entre</p><p>outros.</p><p>Superfície esticada, feita com tecido, utilizada como suporte de uma imagem, pintura, e pode se</p><p>referir a diferentes objetos plásticos-visuais.</p><p>Guache </p><p>Tinta a óleo </p><p>Tinta acrílica </p><p>Papel </p><p>Tela </p><p>Plástico </p><p>Material formado pela união de grandes cadeias moleculares chamadas de polímeros, que, por sua</p><p>vez, são formadas por moléculas menores, chamadas de monômeros. Os plásticos são produzidos</p><p>pelo processo químico da polimerização, que proporciona a união química de monômeros para</p><p>formar polímeros. Podem ser usados como suporte ou como material para construção de uma</p><p>linguagem/narrativa plástico-visual.</p><p>Material produzido a partir de fibras vegetais, animais e sintéticas, que são fabricadas artificialmente.</p><p>É utilizado para confecção de roupas, mas também como suporte para pinturas, desenhos,</p><p>performance, entre outros.</p><p>Práticas e processos artísticos na aprendizagem</p><p>E aí, o que você vai fazer? Agora que você já escolheu seu material e suporte, vamos ajudá-lo com o</p><p>desenvolvimento de uma linguagem/narrativa do seu trabalho. Para isso, vamos tomar como exemplo a obra</p><p>Eggs (1982), de Andy Warhol.</p><p>Eggs, de Andy Warhol, 1982.</p><p>Warhol é considerado um dos grandes artistas do movimento pop ou pop art, surgido no Reino Unido na</p><p>década de 1950, tendo alcançado o seu auge nos anos de 1960, nos Estados Unidos. O termo, uma</p><p>abreviação de arte popular, ajuda-nos a compreender que a produção artística desse período se voltou para o</p><p>cotidiano, os objetos populares, as narrativas do dia a dia e/ou da “obviedade”. Desde a história e crítica de</p><p>arte, olhamos as obras do pop art e nos questionamos: isso é arte?</p><p>Andy Warhol.</p><p>Nomes como Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Claes Oldenburg, James Rosenquist e Tom Wesselman se</p><p>destacam como os principais representantes da pop art nos Estados Unidos.</p><p>Saiba mais</p><p>O momento de tornar os objetos comuns, o desenho simplificado e/ou as temáticas abordadas da vida</p><p>cotidiana no campo da arte já havia sido anunciado pelos dadaístas com a antiarte.</p><p>A obra Eggs de Warhol é um exemplo claro dessa simplicidade, com uma construção pictórica com formas</p><p>Tecido </p><p>coloridas em um fundo preto. Vemos a representação de formatos de ovos distribuídos em uma tela. Mas o</p><p>que exatamente Warhol nos faz refletir? Sobre a forma, a composição, o colorido e o jogo de cores! Tudo</p><p>isso nos induz a pensar se “o que vemos é o que vemos” e/ou se a intenção plástica do artista foi uma</p><p>composição abstrata em formato “elipsoide” ou “ovoide” de um alimento de origem animal muito consumido,</p><p>retratado em uma tela como obra de arte.</p><p>Criando sua pop art</p><p>Confira, neste vídeo, o famoso Andy Warhol e os fenômenos da cultura ou pop art no fim do século XX, e</p><p>observe o uso de materiais importantes para sua criação. Mãos à obra!</p><p>Colagem</p><p>Cogumelos e colagem? É possível uma criação com essa combinação? Como exemplo, vamos observar</p><p>agora a obra da artista japonesa Yayoi Kusama, na colagem Mushrooms, de 1995.</p><p>Mushrooms, de Yayoi Kusama, 1995.</p><p></p><p></p><p>Yayoi é uma artista plástica e escritora, considerada uma das mais importantes e originais do seu país.</p><p>Nascida em Matsumoto, em 1929, é conhecida pelo uso excessivo de bolinhas e formas coloridas,</p><p>conectando sua obra (no oriente) ao pop art e ao minimalismo.</p><p>Yayoi Kusama.</p><p>Sua obsessão por pontos e bolas a tornou conhecida mundialmente, já que suas obras ultrapassam os</p><p>limites da tela e/ou do suporte, ganhando o espaço com grandes instalações. Nos anos de 2013-2014, o</p><p>Centro Cultural Banco do Brasil em suas várias unidades e o Instituto Tomie Otake recepcionaram a</p><p>exposição individual Obsessão Infinita de Yayoi Kusama.</p><p>Um questionamento que podemos fazer a partir de suas obras e seu processo criativo é: em que medida a</p><p>obsessão por um tema, forma, cor, material colabora com a constituição de um trabalho plástico-visual?</p><p>Quantas obras conhecemos e o que podemos trazer, para a prática artística, do nosso gosto por coisas,</p><p>objetos e formas que se tornam/tornaram constitutivas da nossas identidade e memória?</p><p>Colagem como técnica educacional</p><p>Partindo da obra de Yayoi Kusama, confira, neste vídeo, como a colagem pode ser uma baita técnica</p><p>educacional, podendo ser utilizada em ambientes terapêuticos.</p><p>Guache</p><p>Desenho, pintura ou fotografia? Guache! Não é possível! Em suas obras, o artista Sidney Amaral nos mostra</p><p>as potencialidades visuais do guache. Observe:</p><p>Sem título, de Sidney Amaral, 2015. Guache sobre papel.</p><p></p><p>Formado em educação artística pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em 1998, Sidney também</p><p>estudou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, na Escola Pan-Americana de Artes e na ECOS Escola de</p><p>Fotografia. O artista</p><p>explora em suas pinturas e desenhos – por vezes associando várias técnicas – as</p><p>questões identitárias e o debate sobre a representação do homem negro contemporâneo no campo artístico</p><p>e/ou na pintura.</p><p>Sidney Amaral.</p><p>Na obra de Sidney aqui apresentada, podemos observar as questões da narrativa, mas também do uso do</p><p>guache e do suporte papel. Veja que o guache, por definição, é uma tinta cuja composição de água é maior</p><p>que as demais, portanto, o suporte papel é adequado, uma vez que ele é capaz de absorver o percentual de</p><p>água, deixando na superfície os pigmentos.</p><p>Dica</p><p>Faça exercícios de guache com papel e observe a potencialidade desse material de criar manchas aguadas,</p><p>claras e escuras, entre outras particularidades. Desafio: observe algo do seu cotidiano, uma imagem e/ou</p><p>objeto que o represente, e utilize o guache e o papel para sua obra.</p><p>Guache, papel e arte!</p><p>Confira, neste vídeo, diretamente das instalações do Parque Lage, a arte e criatividade em todo seu</p><p>potencial. Imperdível!</p><p>Arte como experimentação</p><p></p><p>Arte como experimentação</p><p>A arte é um campo de experimentação e por isso muitos materiais e suportes inusitados se apresentam aos</p><p>artistas. No campo da expressão criativa e das representações em âmbitos terapêuticos, abre caminho para</p><p>múltiplas possibilidades de expressão, além de poder ser empregada em diversos cotidianos.</p><p>Vamos imaginar que em uma escola não há tintas, lápis ou papéis. Será que é possível fazer arte com pratos,</p><p>materiais recicláveis de isopor e comida?</p><p>Agora exageraram! É possível fazer arte com comida?</p><p>Medusa Marinara, de Vik Muniz, 1998.</p><p>Vik Muniz, artista contemporâneo brasileiro, chega aqui, junto aos demais, para nos lembrar dos diferentes</p><p>suportes e materiais que podem ser utilizados para uma criação, para o exercício da criatividade e as</p><p>diferentes formas de representações.</p><p>Vik Muniz.</p><p>Vik é conhecido mundialmente por suas experimentações e obras inusitadas com alimentos, terra, arame,</p><p>materiais recicláveis, entre outros. Por sua atuação, problematizando, por meio de suas obras, a própria</p><p>matéria da arte, já ganhou inúmeros prêmios, como o Prêmio Cristal do Fórum Econômico Mundial, em</p><p>Davos, na Suíça, em 2013.</p><p>E ê í ó i d i d i ã</p><p></p><p>E você, o que tem aí próximo ou mesmo na sua casa que poderia ser usado em uma experimentação</p><p>artística? Mova sua criatividade e registre seu feito!</p><p>Estranheza e experimentação</p><p>Confira, neste vídeo, como o estranho pode ser reformador e proporcionar novos caminhos criativos para a</p><p>arte.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Qual é a proposta do autor Carlo Ginzburg em seu livro Olhos de madeira: nove reflexões sobre a</p><p>distância?</p><p></p><p>A Discutir as formas de representação na arte moderna.</p><p>B Explorar a relação entre história e mito na construção de percepções.</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>Ginzburg aborda em seu livro a complexidade do conceito de representação, destacando sua</p><p>ambiguidade e como pode ser compreendido como uma realidade representada, evocando a ausência,</p><p>ou como a visibilidade da própria realidade representada, sugerindo presença. O autor problematiza</p><p>essa questão histórica e discute diferentes formas de representação nas áreas da arte, história, mito e</p><p>cultura.</p><p>Questão 2</p><p>Qual é a função do estranhamento na reflexão de Carlo Ginzburg sobre as representações?</p><p>C Analisar a ambiguidade do conceito de representação nas ciências humanas.</p><p>D Exemplificar como a representação pode ser uma forma de estranhamento.</p><p>E Investigar as raízes culturais da iconografia cristã.</p><p>A Destacar a importância do absurdo na arte surrealista.</p><p>B Exemplificar como o distante pode ser observado para compreender o próximo.</p><p>C Reforçar a percepção de mitos como mentiras políticas.</p><p>D Explorar a relação entre palavra, ideia e coisa na representação.</p><p>E Questionar a construção de significados nas traduções de textos.</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>Ginzburg utiliza o estranhamento como um princípio para observar o distante e perceber a si mesmo e</p><p>ao próximo de forma mais profunda. Ele destaca como o processo de estranhar aquilo que é mais</p><p>íntimo e simples pode ser uma potência da criação, e exemplifica essa ideia com referências, como o</p><p>cavalo de Tolstói.</p><p>Considerações �nais</p><p>As artes sob as representações culturais e a criatividade são um rico recurso educacional e terapêutico. Com</p><p>este estudo, foi possível conhecer diferentes manifestações culturais artísticas e perceber como elas podem</p><p>gerar experiências significativas e mobilizar as pessoas e suas relações humanas.</p><p>Os diferentes materiais e suportes ampliam as possibilidades de aplicação da arteterapia. A partir de agora,</p><p>aproveite os exemplos estudados e coloque em prática suas próprias experimentações. É tempo de criar!</p><p>Explore +</p><p>Para aprimorar os seus conhecimentos no assunto estudado, veja as nossas indicações!</p><p>Visite o site do Museu Van Gogh e conheça o acervo do pintor e a sua história.</p><p>Saiba mais sobre arteterapia em crianças lendo o artigo Grupo arteterapêutico com crianças: reflexões, de</p><p>Maíra Bonafé SeiI e Luísa Angélica Vasconcellos Pereira.</p><p>Leia o artigo A arteterapia e a promoção do desenvolvimento infantil no contexto da hospitalização, de</p><p>Ana Cláudia Afonso Valladares e Mariana Teixeira da Silva.</p><p>Conheça a obra da Yayoi Kusama lendo o catálogo Yayoi Kusama - Obsessão infinita feito por ocasião da</p><p>exposição homônima realizada do CCBB em 2013.</p><p>Acesse o site da Enciclopédia Itaú Cultural, para conhecer biografias artísticas e termos e técnicas</p><p>específicos da área.</p><p>Referências</p><p>FURTADO, M. C. de C.; LIMA, R. A. G. Brincar no hospital: subsídios para o cuidado de enfermagem. Revista</p><p>da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 33, n. 4, p. 364-369, 1999.</p><p>GINZBURG, C. Olhos de madeira: nove reflexões sobre a distância. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.</p><p>INSTITUTO DO PATRIMONIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. IPHAN. Arte Kusiwa: pintura corporal e</p><p>arte gráfica Wajãpi. 2. ed. Brasília: Iphan, 2008.</p><p>INSTITUTO DO PATRIMONIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. IPHAN. Dossiê sistema agrícola</p><p>tradicional quilombola do Vale do Ribeira - SP. São Paulo: ISA, 2017.</p><p>LUZ, T. N. E. S. A arte da loucura: A constituição do saber médico-psiquiátrico no Piauí através do Sanatório</p><p>Meduna. Monografia de conclusão de curso de Licenciatura em História. Universidade Federal do Piauí.</p><p>Campus Senador Helvídio Nunes de Barros. Teresina, 2023.</p><p>MARTINS, D. de C. e S. Arteterapia e as potencialidades simbólicas e criativas dos mediadores artísticos.</p><p>Dissertação de Mestrado. Faculdade de Belas Artes – Universidade de Lisboa. Lisboa, 2012.</p><p>PRADO JR., C. A   formação   do   Brasil   contemporâneo. São Paulo: Companhia das letras, 2011.</p><p>VALLADARES, A. C. A. Arteterapia com crianças hospitalizadas. Dissertação (Mestrado). Escola de</p><p>Enfermagem de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, 2003.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>javascript:CriaPDF()</p>

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