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<p>INVESTIMENTOS,</p><p>ESTRATÉGIA E LUCROS</p><p>ECONÔMICOS</p><p>Fabiane Padilha da Silva</p><p>Política de dividendos</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Identificar os fundamentos de dividendos.</p><p>� Descrever fatores que afetam a política de dividendos.</p><p>� Apresentar as políticas de dividendos utilizadas no mercado de capitais.</p><p>Introdução</p><p>Todas as empresas privadas, sem exceção, estão, de alguma forma, em</p><p>busca de lucro. Desse modo, quando há perspectiva de crescimento</p><p>dos lucros de uma empresa organizada em sociedade anônima, existe</p><p>apenas uma possibilidade: a distribuição de dividendos, ou o aumento</p><p>do valor dos dividendos existentes.</p><p>Neste capítulo, você estudará os fundamentos em que se baseiam os</p><p>dividendos, bem como verá de que forma alguns fatores podem afetar</p><p>as políticas de dividendos. Por fim, conhecerá as políticas de dividendos</p><p>utilizadas no mercado de capitais.</p><p>Fundamentos de dividendos</p><p>As decisões relacionadas ao financiamento das empresas devem derivar de</p><p>análises que possuam como base o planejamento estratégico organizacional.</p><p>O orçamento de capital, voltado para decisões de longo prazo, na maioria dos</p><p>casos, envolve grandes montantes de recursos, o que se mostra como um grande</p><p>fator de risco, dado que a empresa pode se desestruturar financeiramente se as</p><p>decisões forem tomadas sem uma previsão consistente. Entretanto, não neces-</p><p>sariamente está se falando de apenas um investimento, pois “[...] a quantidade</p><p>acumulada de pequenos investimentos pode ser tão grande como a de eventuais</p><p>investimentos de grandes proporções [...]” (BREALEY; MYERS; ALLEN,</p><p>2018, p. 4). Assim, a questão que envolve a tomada de decisão assertiva está</p><p>relacionada a todos os tipos de investimentos, independentemente do tamanho.</p><p>Gitman (2010, p. 468) aponta que a estrutura de capital se refere à “[...]</p><p>combinação de capital de terceiros de longo prazo e capital próprio mantido por</p><p>uma empresa [...]”. Dessa forma, o financiamento de longo prazo aborda duas</p><p>fontes de recursos: capital de terceiros e capital próprio. A definição sobre a</p><p>combinação das duas fontes de capital refere-se às decisões sobre a estrutura</p><p>de capital, que, segundo Brealey, Myers e Allen (2018, p. 4), é a “[...] escolha</p><p>entre financiamento de capital próprio e de dívida [...]”. Tendo em vista a busca</p><p>pela opção mais benéfica, ou seja, a que proporcionará melhores resultados,</p><p>os tomadores de decisão escolherão a proporção capital próprio e de terceiros</p><p>na melhor combinação possível.</p><p>Nos financiamentos oriundos de capital de terceiros, os fluxos de caixa iniciam pela</p><p>captação e finalizam com a respectiva quitação da dívida. Já no capital próprio haverá</p><p>a entrada de caixa proveniente da venda das ações e saída de caixa nas situações de</p><p>recompra de ações ou pagamento de dividendos.</p><p>Uma dívida é algo que deve ser pago (portanto, não há direito de participa-</p><p>ção na empresa), sendo originada de empréstimos de credores, e o pagamento,</p><p>geralmente, possui como acréscimos juros sobre o valor do principal. Dessa</p><p>forma, uma dívida representa um passivo para a empresa, pois, se houver</p><p>inadimplência, o credor pode reivindicar ativos da não pagadora (ROSS et al.,</p><p>2015). O capital de terceiros, também chamado de dívida, advém dos credores,</p><p>para os quais as organizações pagam despesas financeiras, que possuem datas</p><p>de vencimento acertadas.</p><p>Em contrapartida, o capital próprio pode derivar de fontes internas — por</p><p>meio da retenção de lucros — ou externas — lançando ações (ordinárias ou</p><p>preferenciais) no mercado financeiro (GITMAN, 2010). Dessa forma, as em-</p><p>presas possuem duas alternativas (BREALEY; MYERS, S.; ALLEN, 2018):</p><p>ou emitem novas ações (nesse caso, os investidores que as compram colocam</p><p>dinheiro em troca de uma fração dos futuros fluxos de caixa e lucros da orga-</p><p>nização) ou reservam o fluxo de caixa gerado por seus ativos, reinvestindo-os</p><p>em novos ativos (assumindo, em nome de seus acionistas, o reinvestimento,</p><p>uma vez que este não emita novas ações).</p><p>Política de dividendos2</p><p>Assim, dentre as alternativas disponíveis, estão o reinvestimento ou a distri-</p><p>buição de lucros. O reinvestimento está relacionado a compra de imobilizado,</p><p>aquisição de concorrentes e outras possibilidades que fundamentem a ideia de</p><p>lucrar mais reinvestindo; sobre ele haverá juros sobre o capital próprio. Já a</p><p>distribuição de lucros está diretamente relacionada aos dividendos, que nada</p><p>mais são do que o lucro do acionista, a partir da divisão desse lucro pelo nú-</p><p>mero de ações de uma parcela da empresa disponibilizadas a esse proprietário.</p><p>No Quadro 1, a seguir, são apresentadas as características do capital pró-</p><p>prio e da dívida no que tange a rendimento, categoria tributária, controle e</p><p>inadimplência.</p><p>Característica Capital próprio Dívida</p><p>Rendimento Dividendos Juros sobre o</p><p>capital próprio</p><p>Juros</p><p>Categoria</p><p>tributária</p><p>� São isentos de</p><p>imposto de</p><p>renda para o</p><p>beneficiário</p><p>no Brasil.</p><p>� Nos Estados</p><p>Unidos, os</p><p>dividendos</p><p>são</p><p>tributados;</p><p>o limite de</p><p>tributação</p><p>atualmente é</p><p>de 15%.</p><p>� Os dividendos</p><p>pagos pela</p><p>empresa</p><p>não são uma</p><p>despesa</p><p>operacional.</p><p>� São tributados</p><p>como renda</p><p>para o</p><p>beneficiário</p><p>à alíquota de</p><p>15%.</p><p>� Constituem</p><p>uma despesa</p><p>operacional</p><p>e podem ser</p><p>deduzidos</p><p>da receita</p><p>tributável</p><p>da pessoa</p><p>jurídica</p><p>tributada pelo</p><p>lucro real.</p><p>� Os juros</p><p>recebidos são</p><p>tributados para</p><p>a pessoa física</p><p>com alíquotas</p><p>de 15 a 22,50%,</p><p>conforme</p><p>o prazo do</p><p>investimento.</p><p>� Integram a base</p><p>de cálculo do</p><p>imposto de</p><p>renda da pessoa</p><p>jurídica.</p><p>� Constituem</p><p>uma despesa</p><p>operacional</p><p>e podem ser</p><p>deduzidos</p><p>da receita</p><p>tributável da</p><p>pessoa jurídica</p><p>tributada pelo</p><p>lucro real.</p><p>Quadro 1. Características do capital próprio e da dívida</p><p>(Continua)</p><p>3Política de dividendos</p><p>Fonte: Adaptado de Ross et al. (2015).</p><p>Quadro 1. Características do capital próprio e da dívida</p><p>Característica Capital próprio Dívida</p><p>Controle Ações ordinárias têm direito a</p><p>voto, ao passo que preferenciais</p><p>geralmente não têm.</p><p>Não se aplica.</p><p>Inadimplência As empresas</p><p>não podem</p><p>ser forçadas à</p><p>falência por não</p><p>pagamento de</p><p>dividendos.</p><p>As empresas</p><p>não podem</p><p>ser forçadas à</p><p>falência por não</p><p>pagamento de</p><p>juros sobre o</p><p>capital próprio.</p><p>Uma dívida não</p><p>paga é uma</p><p>obrigação para</p><p>a empresa. O</p><p>não pagamento</p><p>pode resultar</p><p>em falência.</p><p>(Continuação)</p><p>Os lucros retidos tratam-se do financiamento interno, e a distribuição de</p><p>dividendos representa uma forma de financiamento externo. Nesse sentido,</p><p>Gitman (2010, p. 514) acrescenta que, “[...] quanto maiores os dividendos</p><p>pagos, maior o valor a ser levantado externamente por meio de empréstimos</p><p>ou venda de ações ordinárias e preferenciais [...]”. Assim, após apresentadas</p><p>as bases em relação à estrutura de capital, pode-se seguir com os fundamentos</p><p>dos dividendos.</p><p>O anúncio de um dividendo faz ele se tornar um passivo da empresa, visto</p><p>que, a partir de então, existirá a promessa de pagamento. Segundo Ross et al.</p><p>(2015, p. 620), “No Brasil o valor do dividendo é expresso em reais por ação</p><p>(dividendo por ação), como uma porcentagem do preço de mercado (retorno</p><p>em dividendos, ou, como também é utilizado no mercado brasileiro, yeld) ou</p><p>como uma porcentagem do lucro por ação (payout, ou taxa de distribuição) [...]”.</p><p>As modalidades pelas quais os dividendos podem ser distribuídos são,</p><p>basicamente: pagamentos em dinheiro (cash dividend), dividendos em ações</p><p>(stock dividend), desdobramento de ações (stock splits) e recompra de ações</p><p>(stock repurchases) (GITMAN, 2010). O Quadro 2, a seguir, apresenta um</p><p>resumo de cada uma dessas modalidades.</p><p>Política de dividendos4</p><p>Fonte: Adaptado de Gitman (2010).</p><p>Modalidade Características</p><p>Pagamentos em</p><p>dinheiro (cash</p><p>dividend)</p><p>Trata-se do pagamento de dividendos aos proprietários</p><p>atuais sob a forma de dinheiro.</p><p>Dividendos em</p><p>ações (stock</p><p>dividend)</p><p>Trata-se do pagamento de dividendos aos proprietários</p><p>atuais sob a forma de ações.</p><p>Desdobramento</p><p>de</p><p>ações (stock splits)</p><p>Visa à redução do preço de uma ação por meio do</p><p>aumento do número de ações pertencentes a cada</p><p>acionista.</p><p>Recompra de ações</p><p>(stock repurchases)</p><p>Aumenta o valor para o acionista, pois reduz o número</p><p>de ações existentes, aumentando o indicador de lucro</p><p>por ação; envia um sinal ao mercado, mostrando que as</p><p>ações estão subavaliadas; fornece um piso.</p><p>Quadro 2. Modalidades de distribuição de dividendos</p><p>Portanto, percebe-se que não é só em dinheiro que as empresas podem</p><p>distribuir dividendos. Entretanto, a modalidade de pagamentos em dinheiro</p><p>é a mais comum. Gitman (2010) aponta como fundamentos inerentes ao pa-</p><p>gamento em dinheiro: os procedimentos de pagamento, o tratamento fiscal e</p><p>o plano de reinvestimento de dividendos.</p><p>Quanto aos procedimentos de pagamento, a decisão da data na qual os</p><p>dividendos serão anunciados e pagos deve passar por reuniões, geralmente do</p><p>conselho de administração das empresas, que podem ser trimestrais ou anuais</p><p>(GITMAN, 2010). Ross et al. (2015, p. 620) aponta que “[...] um dividendo</p><p>pode ser distribuído aos acionistas registrados em uma determinada data</p><p>[...]”. O autor ainda salienta a diferença entre os Estados Unidos e o Brasil</p><p>nessa questão, pois, enquanto nos Estados Unidos a decisão é do conselho de</p><p>administração, no Brasil, essa decisão fica a cargo do conselho, desde que o</p><p>estatuto autorize tal deliberação. Entretanto, se o estatuto não dispuser de tal</p><p>previsão, caberá à assembleia de acionistas a decisão final. Cabe ressaltar que</p><p>é por meio de uma ata que estará registrada a decisão, a qual poderá, inclusive,</p><p>deliberar pela não distribuição de dividendos, assim como o montante que</p><p>será distribuído — tendo por base a política de distribuição de dividendos</p><p>5Política de dividendos</p><p>da empresa e os respectivos aumentos ou reduções significativas nos lucros</p><p>anuais (GITMAN, 2010).</p><p>Em referência às datas, são importantes os conceitos listados a seguir</p><p>(ROSS et al., 2015).</p><p>� Data da declaração do dividendo: é a data que anuncia a aprovação</p><p>da distribuição dos dividendos, anunciando o valor do dividendo a ser</p><p>distribuído, a data de pagamento e a data limite (data-base).</p><p>� Data do registro ou data-base: nessa data, todas as pessoas registradas</p><p>como acionistas (os titulares registrados) terão direito ao dividendo que</p><p>foi declarado, que será pago futuramente.</p><p>� Data do ex-dividendo: é o dia seguinte ao da data-base, o início do</p><p>novo ciclo. A expressão “ex” significa “sem direito a dividendo”.</p><p>A compreensão dessa data é essencial, dado que quem comprar a ação</p><p>antes dela receberá o dividendo corrente, ao passo que quem comprar</p><p>a ação depois dessa data, não receberá o dividendo. Outro detalhe</p><p>importante dessa data é o fato de que, nesse dia, haverá uma queda no</p><p>preço da ação, pois o valor da ação é direcionado à distribuição dos</p><p>dividendos.</p><p>� Data do pagamento: essa é a data em que os acionistas terão creditado</p><p>em suas respectivas contas correntes o valor dos seus dividendos.</p><p>Quanto ao tratamento fiscal, os dividendos são isentos de recolhimento de</p><p>imposto de renda, porém, ao recebê-los, o acionista deve informar da Decla-</p><p>ração de Ajuste do Imposto de Renda, ou seja, declarar à Receita Federal os</p><p>ganhos auferidos nessa modalidade. Ross et al. (2015) apontam que a legislação</p><p>societária brasileira, embasada na Lei das S.A. (sociedades anônimas), define</p><p>minuciosamente a distribuição de lucros na forma de dividendos, indicando que</p><p>o estatuto das empresas deve estabelecer o dividendo como porcentagem do</p><p>lucro ou do capital social ou, ainda, decidir-se pela adoção de outros critérios,</p><p>sendo que o mínimo, no Brasil, é de 25% sobre os lucros auferidos no ano</p><p>(desde que o estatuto da empresa não determine outro percentual). Entretanto,</p><p>as empresas podem decidir não pagar dividendos, mas essa decisão possui</p><p>repercussão, uma vez que faz os acionistas detentores de ações preferenciais</p><p>passarem a ter direito a voto se não houver, em três exercícios consecutivos,</p><p>a distribuição dos lucros. A outra possibilidade da não distribuição de lucros</p><p>por meio de dividendos é a não existência de lucros a distribuir.</p><p>Política de dividendos6</p><p>No que tange ao plano de reinvestimento de dividendos, Gitman (2010, p.</p><p>516) afirma que são “[...] planos que permitem aos acionistas usar os dividendos</p><p>recebidos para adquirir ações adicionais da empresa — e até mesmo ações</p><p>fracionárias — a um custo de transação baixo ou nulo [...]”. Essa redução no</p><p>valor da ação pode ser aproximadamente 5% menor que o preço do mercado.</p><p>Essa movimentação gera certa economia à empresa, pois não envolve os gastos</p><p>de lançamento em uma venda pública.</p><p>Assim, ao identificar os fundamentos nos quais os dividendos se embasam, é</p><p>possível compreender os motivos pelos quais se deve ter muita atenção às regras</p><p>de distribuição, pois são pequenos detalhes que podem fazer muita diferença.</p><p>Fatores que afetam a política de dividendos</p><p>A definição de políticas de dividendos é necessária para que se possa des-</p><p>crever os fatores que a afetam. Assim, de acordo com Gitman (2010, p. 521),</p><p>“[...] a política de dividendos representa um plano de ação a ser seguido sempre</p><p>que houver uma decisão a tomar a esse respeito e é desenvolvida de forma</p><p>condizente com suas metas [...]”. Dessa forma, as metas organizacionais serão</p><p>as bases para a tomada de decisão a respeito da formatação das políticas de</p><p>distribuição dos lucros. Diante de uma decisão de distribuir lucros, a empresa</p><p>deve buscar elementos que venham a ser considerados como relevantes para</p><p>a continuidade do processo.</p><p>Gitman (2010) cita alguns fatores que afetam a política de dividendos,</p><p>listados a seguir.</p><p>� Restrições legais: existem impedimentos baseados na legislação que</p><p>visam à proteção dos direitos dos credores, de forma a evitar a erosão</p><p>do capital social da empresa.</p><p>� Restrições contratuais: nesse caso, as restrições sobre dividendos</p><p>atuam de forma a proteger os credores de possíveis prejuízos gerados</p><p>pela insolvência das empresas, limitando, por meio dos contratos, de-</p><p>terminadas ações.</p><p>� Perspectivas de crescimento: empresas em crescimento acelerado</p><p>possuem mais dificuldades de angariar recursos para seus projetos</p><p>de investimentos, ao passo que empresas grandes e maduras possuem</p><p>know-how e confiabilidade no mercado, de modo que é mais fácil suprir</p><p>suas necessidades financeiras.</p><p>7Política de dividendos</p><p>� Considerações sobre o mercado: o mercado e as reações advindas dele</p><p>devem ser monitorados, a título de perceber qual a postura do mercado</p><p>diante das decisões proferidas pela empresa. Existe uma preferência</p><p>pelo nível fixo ou crescente de dividendos em oposição a um valor</p><p>flutuante; a forma contínua de pagamento de dividendos também é a</p><p>predileta; e, por fim, o conteúdo informacional, que mostra, por meio</p><p>da distribuição de dividendos, que a empresa é saudável financeira-</p><p>mente, o que impede a dúvida e pode gerar incertezas para o mercado</p><p>e, consequentemente, para o acionista.</p><p>� Considerações sobre proprietários: deve-se buscar satisfazer a todos</p><p>os acionistas, ou, pelo menos, a grande maioria deles, mostrando que a</p><p>sua permanência na empresa se justifica pelos ganhos maiores do que</p><p>em outros investimentos.</p><p>� Restrições internas: dependendo da limitação dos ativos líquidos, que</p><p>correspondem aos valores em caixa e títulos negociáveis, os credores</p><p>rejeitam a ideia de tomar empréstimo para pagar dividendos, dada a</p><p>improbabilidade de benefícios tangíveis.</p><p>Ross et al. (2015) realizaram um estudo em que se perguntou a executivos</p><p>da área de finanças sobre os fatores que afetam as decisões da empresa sobre</p><p>dividendos. De acordo com as respostas, os três fatores mais relevantes para</p><p>esses gestores são: mostram-se avessos à redução do valor dos dividendos;</p><p>preferem manter a constância no valor dos dividendos; consideram períodos</p><p>anteriores para o pagamento futuro de dividendos.</p><p>O Quadro 3, a seguir, mostra os sete fatores elencados na pesquisa</p><p>e o</p><p>percentual relativo a cada um deles.</p><p>Portanto, pode-se perceber que, quando as empresas optam por distribuir</p><p>seus lucros por meio de dividendos, elas possuem determinados critérios que</p><p>embasarão a decisão de que quantidade será distribuída, qual o valor de cada</p><p>dividendo por ação e quais as datas dos acontecimentos. Assim, mantendo um</p><p>padrão em relação ao mercado, as empresas mostrarão que é válido para os</p><p>acionistas manterem seus investimentos. Dentre outros objetivos, a confiança</p><p>pode ser alcançada ao manter-se essa constância.</p><p>Política de dividendos8</p><p>Fonte: Adaptado de Ross et al. (2015).</p><p>Afirmações sobre a política</p><p>Executivos que concordam ou</p><p>concordam fortemente (%)</p><p>Tentamos evitar a redução</p><p>de dividendos por ação.</p><p>93,8</p><p>Tentamos manter um dividendo</p><p>regular a cada ano.</p><p>89,6</p><p>Consideramos o nível de</p><p>dividendos por ação que pagamos</p><p>em trimestres recentes.</p><p>88,2</p><p>Relutamos em fazer alterações no</p><p>dividendo que talvez precisem</p><p>ser revertidas no futuro.</p><p>77,9</p><p>Consideramos a mudança ou o</p><p>crescimento nos dividendos por ação.</p><p>66,7</p><p>Consideramos que o custo da</p><p>obtenção de novos aportes</p><p>financeiros é menor que o custo</p><p>da redução dos dividendos.</p><p>42,8</p><p>Pagamos dividendos para atrair</p><p>investidores sujeitos às regras de</p><p>restrição para “investidores prudentes”.</p><p>41,7</p><p>Quadro 3. Fatores relevantes em políticas de dividendos</p><p>Políticas de dividendos no mercado de capitais</p><p>A tomada de decisão quanto ao valor que será distribuído aos acionistas via</p><p>dividendos é uma das principais decisões na esfera financeira. Ela pode ser</p><p>definida, em termos gerais, como a decisão que será tomada pelo conselho</p><p>de administração no que tange à escolha entre distribuir os lucros ou retê-los.</p><p>Dessa forma, as empresas, quando optam pela distribuição de dividendos, já</p><p>direcionaram suas estratégias para um caminho, preterindo outras alternativas.</p><p>9Política de dividendos</p><p>Gitman (2010, p. 521), ao apontar que “[...] a política de dividendos re-</p><p>presenta um plano de ação a ser seguido sempre que houver uma decisão a</p><p>tomar a esse respeito e é desenvolvida de forma condizente com suas metas</p><p>[...]”, refere-se ao fato de que existem várias subdecisões que irão compor a</p><p>política da empresa. Assim, a organização deve elaborar e divulgar a política</p><p>de destinação de lucros, definida pelo conselho de administração, decidindo</p><p>sobre a periodicidade de pagamentos de dividendos e o parâmetro de referência,</p><p>que será base para a definição do respectivo montante (percentuais de lucro</p><p>líquido ou outro).</p><p>As políticas de distribuição de dividendos assumem um papel central na</p><p>tomada de decisão dos acionistas, uma vez que eles analisarão o comporta-</p><p>mento das empresas e destinarão seus recursos àquela que apresentar a melhor</p><p>perspectiva de resultado. Assim, ao perceber a importância de se avaliarem</p><p>diversas variáveis, Holanda e Coelho (2012, p. 449) revela em seu artigo que</p><p>diferentes teorias buscaram explicar a política de dividendos, como: “[...] a</p><p>da Relevância dos Dividendos (LINTNER, 1956; GORDON, 1959), a da</p><p>Irrelevância dos Dividendos (MILLER e MODIGLIANI, 1961), a da Hipótese</p><p>da Sinalização (ROSS, 1977), a da Hipótese do Agenciamento (JENSEN e</p><p>MECKLING, 1976) e a do Efeito Clientela (MILLER e MODIGLIANI, 1961)</p><p>[...]”. Entretanto, nunca se conseguiu efetivamente encontrar uma teoria que</p><p>contemplasse todas as possíveis variáveis.</p><p>Viana Junior et al. (2017, p. 178) trazem uma contribuição a esse respeito,</p><p>desenvolvendo seu raciocínio sobre as duas principais correntes. Primei-</p><p>ramente, é abordada a teoria da relevância dos dividendos, em que “[...] os</p><p>acionistas preferem, dentro de um ambiente de incerteza, receber dividendos</p><p>correntes [...]”. Posteriormente, sobre a teoria da irrelevância dos dividendos,</p><p>afirma-se que: “[...] há irrelevância, em certas situações, na estrutura finan-</p><p>ceira utilizada pelas instituições empresariais, como forma de financiar seus</p><p>investimentos [...]”.</p><p>Tomando por base tais teorias, as organizações efetivam suas políticas, lis-</p><p>tadas a seguir, por meio da distribuição de dividendos de três formas diferentes.</p><p>Gitman (2010) apresenta as seguintes políticas que podem ser utilizadas com</p><p>mais frequência por determinadas empresas, sendo necessário que se avalie</p><p>o fluxo de caixa e a continuidade deste para que se possa prometer ganhos</p><p>futuros aos acionistas.</p><p>Política de dividendos10</p><p>� Política de dividendos com taxa de distribuição constante: nesse</p><p>caso, a taxa de distribuição de dividendos é dada por um percentual</p><p>que incidirá sobre cada unidade monetária de lucro que se distribui ao</p><p>acionista, de forma fixa. Dessa forma, a variação (para mais ou para</p><p>menos) nos lucros serve de base para a distribuição dos dividendos.</p><p>Não havendo lucros a distribuir, os dividendos poderão ser inexistentes.</p><p>� Política de dividendos regulares: nessa política, o valor é fixo, sendo</p><p>atribuído em moeda a cada período. Pode haver a adoção do que se</p><p>chama de taxa ideal de distribuição, na qual a empresa ajusta o valor do</p><p>dividendo pago em relação à meta de distribuição traçada anteriormente.</p><p>� Política de dividendos regulares baixos mais dividendos extraordi-</p><p>nários: nessa opção de política, a empresa oferece uma complementação</p><p>em forma de acréscimo aos dividendos pagos regularmente. Assim, esse</p><p>evento extraordinário só ocorrerá quando forem estabelecidos lucros</p><p>superiores ao normal.</p><p>Ao distribuir dividendos, as empresas sinalizam ao mercado que são confi-</p><p>áveis (até que se prove o contrário), atitude que resulta em maior valorização da</p><p>empresa e, consequentemente, dos resultados auferidos por ela. Atualmente, se</p><p>há o pagamento de dividendos, provavelmente está estabelecida uma política de</p><p>governança corporativa sólida, em que as projeções da empresa efetivamente</p><p>se realizam. Nesse sentido, os gestores buscarão, na maioria das vezes, elevar o</p><p>valor da empresa, e, assim, os dividendos serão distribuídos de forma contínua</p><p>e, na medida do possível, sempre serão elevados os valores distribuídos em</p><p>dividendos aos acionistas.</p><p>BREALEY, R. A.; MYERS, S.; ALLEN, F. Princípios de finanças corporativas. 12. ed. Porto</p><p>Alegre: AMGH, 2018.</p><p>GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010.</p><p>HOLANDA, A. P.; COELHO, A. C. D. Dividendos e efeito clientela: evidências no mer-</p><p>cado brasileiro. Revista Administração de Empresas, São Paulo, v. 52, n. 4, p. 448–463,</p><p>2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-</p><p>-75902012000400007&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 nov. 2019.</p><p>11Política de dividendos</p><p>Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>ROSS, S. et al. Fundamentos da administração financeira. 10. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015.</p><p>VIANA JUNIOR, D. B. C. et al. A influência da política de dividendos sobre o valor de</p><p>mercado: evidências em empresas brasileiras. Contabilidade, Gestão e Governança,</p><p>Brasília, v. 20, n. 2, p. 175–194, 2017.</p><p>Leitura recomendada</p><p>GITMAN, L. J.; ZUTTER, C. J. Princípios de administração financeira. 14. ed. São Paulo:</p><p>Pearson, 2017.</p><p>Política de dividendos12</p>

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