Dos crimes contra a honra

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policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente: 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. 
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. 
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.
Consumação e tentativa
O crime estará consumado a partir do momento em que terceiro toma conhecimento do fato. Quando a acusação é direcionada ao caluniado, não havendo conhecimento por terceiro, não há calúnia. Observe que a publicidade deve ser de responsabilidade do caluniador. Se a própria vítima passa a informação a terceiros, não há crime. 
Os crimes praticados de forma verbal não admitem tentativa, pois unissubsistentes, crime cuja execução não pode ser fracionada. Entretanto, é possível a calúnia ser realizada por escrito. Neste caso admite-se a tentativa. Por exemplo, a vítima intercepta a carta antes de chegar a conhecimento de terceiro. 
DIFAMAÇÃO – art. 139
Conceito e Bem Jurídico
Difamar é imputar fato ofensivo à reputação de alguém. O sujeito ativo, assim como na calúnia, aponta fato determinado à vítima, mas, neste caso, o fato é ofensivo, não criminoso.
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
Sujeitos
Crime de difamação, assim como a calúnia e a injúria, é crime comum. Qualquer pessoa física tem honra objetiva e pode ser difamada. Pessoa jurídica pode ser sujeito passivo de difamação? Sim. Diz a súmula 227 do STJ: a pessoa jurídica pode sofrer dano moral. A pessoa jurídica também tem honra objetiva a ser ofendida. É o que ocorre, por exemplo, ao afirmar que determinado refrigerante é cancerígeno. Menor também pode ser vítima de difamação. A difamação contra os mortos, entretanto, não é previsto pelo CP, logo não se admite. 
Tipo objetivo
A pena da calúnia é de seis meses a dois anos, enquanto que a de difamação é metade. Assim como na calúnia, na injúria há uma imputação de fato determinado contra pessoa determinada. A diferença, como já dito, é que este não é definido em lei como crime, é qualquer fato ofensivo à honra da vítima, que depende da reputação de cada um. O que é elogioso para um pode ser ofensivo para outro. Isto é aferido no caso concreto. 
A falsidade da acusação não integra o tipo de difamação. Ainda que a informação seja verdadeira, ninguém tem direito de invadir a privacidade ou intimidade de alguém. Logo, sendo verdadeira ou falsa a acusação, o crime de difamação pode ser configurado. 
Exceção da verdade
Há apenas uma hipótese de cabimento da exceção da verdade no crime de difamação. Pois se não importa ser falsa ou verdadeira a acusação, a regra é o não cabimento do instituto. 
Art. 139, parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. 
Um funcionário público, no exercício de suas funções, não pode exigir sigilo, pois ele representa o Estado. Inclusive, é um ilícito administrativo o comportamento de maneira escandalosa/vexatória de um funcionário público, pois naquele momento ele está ofendendo a toda administração. 
O art. 523 do CPC estabelece, entretanto, um outro tipo de exceção para a difamação. Não existe difamação à pessoa sobre fato pela qual ela se comportou de forma pública e notória. 
Tipo subjetivo
Consumação e tentativa
O tipo subjetivo da difamação, assim como a consumação e tentativa, se corresponde com a calúnia. Observe, entretanto, que a difamação não prevê a modalidade de divulgação do fato para terceiros, o que compõem o parágrafo único do artigo que prevê o crime de calúnia.
INJÚRIA – art. 140
Conceito e Bem Jurídico
Injúria é a ofensa à honra subjetiva da vítima. O conceito de injúria é a emissão de juízo depreciativo/vergonhoso/humilhante em relação a quem o recebe. Injuriar é a conduta de alguém que demonstra desprezo por aquilo que o outro é. Diferente dos tipos anteriores, não há imputação de fato, mas de característica, a pessoa é acusada de ser ou não alguma coisa. Na injúria há a exteriorização de um juízo negativo de alguém. Ocorre, por exemplo, quando uma pessoa diz que outra é ladra. 
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Sujeitos
O sujeito ativo é qualquer pessoa, pois crime comum. Sobre o sujeito passivo, é possível injuriar um morto? Não, a honra é subjetiva. Também não existe injúria de pessoa jurídica, que possui apenas honra objetiva, não subjetiva. Somente pode ser injuriada pessoa física, e mais do que isto, pessoa física capaz de entender a ofensa. Da mesma maneira, o inimputável também pode ser sujeito passivo da injúria, desde que seja capaz de entender a ofensa que lhe é feita.
22/03/13
Tipo objetivo
Ofender a dignidade ou decoro de outrem. Estes elementos correspondem ao conjunto das características físicas, morais e intelectuais de alguém. O crime de injúria pode ser feito por qualquer meio simbólico, por meio de palavras ou gestos, qualquer manifestação de desrespeito, humilhação ou ofensa. Agressão física pode consistir em injúria? Sim. Alguém que chicoteia uma pessoa em público incorre neste crime. Observe, porém, que: 
Art. 140, § 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
É o que se denomina de injúria real, aquela praticada com violência ou grave ameaça à pessoa, a injúria é qualificada, aumentando a pena, além de ocorrer concurso com o crime correspondente. 
Uma das discussões mais difíceis sobre a matéria é o limite da honra subjetiva de alguém. No crime de injúria o parâmetro deve ser a moralidade média social, de forma a analisar a situação à luz do caso concreto. A injúria não precisa ser cometida na presença da vítima, mas é indispensável que esta tome conhecimento da ofensa. 
Tipo subjetivo
O crime de injúria é doloso. Há intenção de ofender. 
Consumação e tentativa
O crime se consuma quando a injúria chega ao conhecimento do ofendido. É possível haver tentativa. Mas, na prática, ela é quase impossível de se configurar. Existe tentativa quando a injúria não chega ao conhecimento do ofendido. Logo, como a ação penal de injúria é privada, se a ofensa não chega ao ofendido, ele não tem como representar. Esta é a razão da difícil configuração da tentativa. 
Perdão judicial
Art. 140, § 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata – a retorsão deve ser imediatamente à consumação da injúria anterior, ou seja, logo após o conhecimento do ofendido –, que consista em outra injúria – ocorre quando o ofendido responde a injúria com outra injúria; observe que só tem direito ao perdão judicial quem respondeu, não quem ofendeu primeiro. 
Racismo vs. Injúria racista
A injúria é qualificada pelo preconceito quando:
§ 3º - Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: 
Pena - reclusão de um a três anos e multa.
Injúria preconceituosa não se confunde com racismo, previsto na Lei 7.716/1989. Racismo é recusar a alguém um direito que seria comum a todos em virtude de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Por exemplo, negar oferta de emprego. Se ocorrer ofensa, contudo, nestas mesmas situações, há injúria. Observe, porém, que a mera referência à cor não consiste ofensa, a não ser que haja intuito de ofender. 
DISPOSIÇÕES COMUNS AOS CRIMES CONTRA A HONRA (arts. 141 a 145)
Causa de aumento
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro