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MARKETING DE CONTEÚDO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Aplicar as ferramentas próprias da produção de conteúdo para o marketing. > Apontar erros comuns no uso de ferramentas de marketing de conteúdo. > Identificar plataformas digitais que auxiliam na produção de conteúdo para o marketing. Introdução Produzir conteúdo relevante e de qualidade nem sempre é uma tarefa fácil, mas não precisa ser impossível. Existem ferramentas e plataformas digitais que au- xiliam nesse processo. O marketing de conteúdo é uma área muito ampla e que permite mesclar entretenimento, informação e marketing em um mesmo lugar. Para ampliar a audiência e se tornar especialista em um segmento de negócio, as marcas estão apostando cada vez mais na produção original de conteúdos voltados para o seu público-alvo. Neste capítulo, você vai conhecer algumas ferramentas que ajudam o profis- sional de marketing a produzir conteúdo relevante e de qualidade. Além disso, vai ver as ferramentas e técnicas utilizadas. Por fim, vai identificar os principais erros cometidos pelas marcas ao produzir conteúdo e ver como evitar estratégias ineficazes. Ferramentas de marketing de conteúdo Juliane do Rocio Juski Marketing de conteúdo O marketing de conteúdo faz parte da área de marketing e pode ser consi- derado uma estratégia focada na elaboração e disseminação de conteúdos relevantes que conectam o consumidor com a marca. Para atrair um público- -alvo, é indicado produzir conteúdos que tenham sentido e significado para esse público, auxiliando-os na jornada de compra de forma espontânea e com informações relevantes. Ou seja, o marketing de conteúdo não tem como objetivo vender explicitamente um produto ou serviço, mas sim oferecer diversas informações que instigam o público a conhecer mais sobre o produto ou serviço. Publicações nas redes sociais digitais, séries de vídeo na internet e a produção de material rico, como e-books ou infográficos que despertam a curiosidade do público em conhecer mais sobre um produto e/ou serviços, são exemplos de como o marketing de conteúdo funciona na prática. A preocupação com o conteúdo não é algo recente. Na verdade, é uma resposta às mudanças no comportamento do consumidor. De acordo com Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017), na concepção contemporânea de marke- ting, chamada pelos autores de marketing 4.0, há uma mudança do foco na divulgação dos produtos ou serviços para uma preocupação com a experiência do usuário com aquele produto ou serviço. Nesse contexto, a produção de conteúdo ganha um importante destaque, uma vez que o conteúdo se torna o novo anúncio. “Em poucas palavras, marketing de conteúdo é uma abordagem que envolve criar, selecionar, distribuir e ampliar conteúdo que seja interes- sante, relevante e útil para um público claramente definido com o objetivo de gerar conversas sobre o conteúdo” (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017, p. 147). Assim, em um mundo conectado, o conteúdo se transforma na ponte de relação entre usuário e marca. No entanto, o marketing de conteúdo não deve estar avesso ao plane- jamento estratégico do marketing. Vejamos a seguir como o marketing de conteúdo integra a área de marketing. Marketing de conteúdo: uma produção estratégica No mundo das sociedades em rede, a conexão é primordial. As diversas formas de conexão foram ainda mais importantes no contexto de distancia- mento físico necessitado para a contenção da pandemia de covid-19. Nesse contexto, o marketing digital, que já vinha ganhando espaço, mostrou-se uma estratégia vital para a sobrevivência de muitos negócios e marcas dos mais variados segmentos. Ferramentas de marketing de conteúdo2 A partir do isolamento social e dos longos períodos de quarentena, as pessoas e as marcas precisaram apoiar seu relacionamento quase que ex- clusivamente por intermédio de aparatos tecnológicos, como aplicativos e redes sociais digitais, um cenário que transformou qualquer pessoa em produtor de conteúdo. Como observado por Bueno (2015), essa mudança de postura do público já vinha sendo notada. Aquele que era visto como passivo, apenas consumidor das informações e dos conteúdos produzidos por marcas e organizações, passou a assumir um papel ativo e proativo, se tornando também produtor. Essa ruptura na linearidade de compreender o processo de consumo das informações e do conteúdo demonstrou que não basta uma empresa produzir qualquer conteúdo, pois ele é um instrumento essencialmente estratégico para o marketing e o branding da organização. Bueno (2015) destaca ainda que essas estratégias de comunicação e ma- rketing produzidas no cenário digital devem interagir e complementar todo o esforço de interação da marca com seus públicos estratégicos e com a sociedade e estar alinhada à cultura autêntica de comunicação. Portanto, não basta criar conteúdo; é preciso produzir conteúdo relevante que engaje o público e esteja estrategicamente atrelado aos objetivos institucionais e mercadológicos da organização. Para que o conteúdo seja um pilar estratégico, Bueno (2015) defende que a produção de conteúdo deve se constituir em um processo planejado e pro- fissional. Além disso, esse processo deve considerar não apenas os aspectos técnicos, mas também a adequação do conteúdo ao perfil do público e aos seus interesses, além de estar vinculado aos objetivos estratégicos da marca. O marketing de conteúdo é um instrumento do mix de marketing, portanto deve ser desenvolvido e gerenciado de acordo com os objetivos da empresa. Além de se atentar ao propósito, o conteúdo produzido deve ser relevante e de qualidade para a audiência. Assim, produzir conteúdo não é apenas publicar um texto no blog corporativo, mas sim oferecer informações úteis para a audiência e que sirvam de ponte para conectar marca e usuário. Passo a passo para a construção de um planejamento de conteúdo Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017) destacam que o marketing de conteúdo mudou o papel dos profissionais de marketing, que passaram a assumir as funções de contadores de histórias. Ou seja, os autores defendem que, para Ferramentas de marketing de conteúdo 3 se estabelecer uma conexão mais profunda entre marcas e consumidores, não basta apenas a divulgação de informações úteis e verdadeiras; deve-se oferecer ao consumidor o acesso a um conteúdo original, de alta qualidade e que conte histórias interessantes, conectando o consumidor com aquela história. O propósito e os valores da marca são reforçados por meio dos conteúdos elaborados. Essa visão é reforçada por Pulizzi (2016), que classifica o marketing de conteúdo como uma estratégia associada ao marketing tradicional que acres- centa relevância, significado e dimensão às abordagens tradicionais. Ou seja, o marketing de conteúdo atua como uma ferramenta que permite à empresa contar sobre sua história e sua existência. Ao estabelecer esse processo de aproximação, a empresa acaba por pré-qualificar os clientes. Imagine compartilhar em termos relevantes aos clientes a história por trás de como você ajuda os clientes. Visualize construir relações de confiança e significativas com eles antes de tentar a venda, antes que percebam que precisam de você. O resultado é uma relação comercial mais rica, profunda e satisfatória (PULIZZI, 2016, p. 70). De acordo com Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017), o marketing de conteúdo vem sendo usado desde os anos 1990, mas foi nos últimos anos que ganhou popularidade. Atualmente, vem sendo anunciado como o futuro da publicidade na economia digital. Isso porque, segundo os autores, essa ruptura do padrão de consumo dos usuários desencadeada pelos meios digitais fez com que o usuário tenha um controle maior de escolha sobre o tipo de informação que consome, incluindo publicidade. Tal ruptura também instigou um espaço de conectividade e interação que estabelece um diálogo mais próximo entre consumidor e marca. Ou seja, para instigar e engajar o público, não basta ser um comercial no estilode televisão aberta para o YouTube. O usuário tem o poder de silenciar aquele anúncio depois de 5 segundos ou até de cancelar aquele tipo de promoção. Para conquistar o interesse do público, é preciso ir além de informar ou entreter; é preciso estabelecer uma conexão profunda entre o que a marca oferece, seu propósito de existência e os princípios e valores do consumidor. Para construir essa estratégia de forma eficaz, Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017, p. 152) indicam um passo a passo composto por oito etapas; veja a seguir. Ferramentas de marketing de conteúdo4 1. Fixação de metas: ■ objetivo de desenvolvimento da marca; ■ objetivo de crescimento das vendas. 2. Mapeamento dos públicos: ■ perfis e personas de consumidores; ■ ansiedades e desejos dos consumidores. 3. Concepção e planejamento do conteúdo: ■ tema do conteúdo; ■ formatos e mix de conteúdo; ■ enredo e calendário do conteúdo. 4. Criação de conteúdo: ■ criadores de conteúdo: original ou terceirizado; ■ cronograma de produção de conteúdo. 5. Distribuição do conteúdo: ■ canal próprio; ■ canal pago; ■ canal conquistado. 6. Ampliação do conteúdo: ■ criar conversa em torno do conteúdo; ■ uso de propaganda boca a boca e influenciadores. 7. Avaliação do marketing de conteúdo: ■ métricas de marketing de conteúdo; ■ realizações do objetivo geral. 8. Melhoria do marketing de conteúdo: ■ mudanças do tema; ■ melhoria do conteúdo; ■ melhoria da distribuição e ampliação do conteúdo. Conforme os passos indicados por Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017), o marketing de conteúdo, para ser uma estratégia eficaz, precisa ser planejado e elaborado com foco na construção de um conteúdo relevante e útil para o público e capaz de estabelecer uma conexão profunda entre usuário e marca por meio de histórias envolventes. Para transformar o marketing de conteúdo em um instrumento eficaz, contamos com diversas ferramentas de marketing de conteúdo. A seguir, vamos conhecer quais são essas ferramentas e como elas auxiliam no processo de produção de conteúdo para o marketing. Ferramentas de marketing de conteúdo 5 Marketing de conteúdo: ferramentas A estratégia de marketing de conteúdo pode ser entendida como um processo de planejamento, desenvolvimento e gestão de conteúdo. De acordo com Rez (2016, p. 110), “a estratégia de conteúdo é a prática de planejar, criar, entregar e gerenciar conteúdo útil e interessante a um público-alvo específico”. Esse conteúdo elaborado pode ser consumido on-line ou off-line. Portanto, o marketing de conteúdo não é um instrumento exclusivo do ambiente digital, embora seja nesse meio que tenha mais apreço e expansão. Para Rez (2016), a estratégia de conteúdo é normalmente associada ao formato e ao canal do conteúdo, mas seu processo envolve a criação, a en- trega e a gestão desse conteúdo. Nesse sentido, o autor defende que, para o conteúdo ser estratégico, é preciso amarrar todos os canais e as ferramentas aos objetivos dos negócios. Compreendido esse aspecto, Rez (2016) identifica algumas ferramentas que auxiliam no processo de criação, entrega e gestão do conteúdo; veja a seguir. Auditoria de conteúdo Segundo Rez (2016), o segredo para aumentar o tráfego nem sempre está em aumentar a quantidade de conteúdo ofertado. Antes de sair elaborando todo tipo de conteúdo, o autor reforça que a qualidade do conteúdo é primordial. Para reforçar esse argumento, Rez (2016) explica que o ranqueamento no Google, por exemplo, não está associado à quantidade, mas à qualidade do que está sendo ofertado ao usuário. Conteúdos de baixa qualidade, curtos, sem aprofundamento e de baixa relevância para os usuários são alvos de penalidades pelos buscadores e podem fazer com que um site caia ou nunca apareça entre as primeiras posições de busca. Para evitar esse erro, Rez (2016) indica a auditoria de conteúdo como solução. Pulizzi (2016) também defende que, para construir um conteúdo épico, a auditoria de conteúdo é o primeiro passo. “Antes mesmo de poder deter- minar qual o tipo de conteúdo que seria necessário, você precisa primeiro descobrir o que possui” (PULIZZI, 2016, p. 262). Além disso, de acordo com o autor, a auditoria permite realizar um processo de autoconhecimento para determinar se o que você tem é bom o suficiente ou, melhor ainda, se você possui algum conteúdo bruto que já foi desenvolvido e ainda pode ser valioso para aproveitar. Ferramentas de marketing de conteúdo6 Para Rez (2016), uma boa auditoria é a base para estabelecer uma es- tratégia eficaz de conteúdo, o que ajuda a evitar que o conteúdo elaborado fique perdido ou mal utilizado. A auditoria de conteúdo é a realização de um levantamento sobre todos os conteúdos produzidos pela marca e/ou organização até o momento, identificando a temática, o canal e o formato que o conteúdo foi disponibilizado. Segundo Rez (2016, p. 122): Posso afirmar que não há estratégia de conteúdo sem auditoria, porque se não sabe exatamente o conteúdo que tem hoje, você tem um problema. Antes mesmo de começar a pensar sobre qual conteúdo você precisa, é preciso entender o que exatamente você já tem. Ou seja, a auditoria é uma ferramenta que vai auxiliar o profissional de marketing a mapear os tipos de conteúdos que já foram produzidos, avaliar como foi a recepção desses conteúdos por parte do público e ser a base para a elaboração de conteúdos futuros. Da mesma forma, Pulizzi (2016) pontua que a auditoria de conteúdo não é apenas de materiais digitais. A auditoria deve incluir todos os tipos de conteúdos visuais, impressos e digitais. Para o autor, essa ferramenta mostra aos profissionais que nenhuma empresa tem carência de matéria-prima para o marketing de conteúdo. O que geralmente acontece é uma dificuldade em transformar o conteúdo existente em narrativa ou extrair informações para a criação de um plano de marketing de conteúdo. Essa importância da auditoria levantada por Rez (2016) e Pulizzi (2016) demonstra como a auditoria de conteúdo permite que o profissional realize um levantamento completo do conteúdo organizacional. Embora esse processo possa ser encarado como complexo, demorado e até entediante, os resultados do levantamento permitem um maior controle do que realmente precisa ser publicado e de quais são as melhores formas para fazer isso. Rez (2016) também defende que esse levantamento inicial que inclui a listagem de páginas, links, infográficos, vídeos, PDFs e outros formatos de conteúdo já produzidos oferece uma visão clara sobre as falhas de estratégia. Esse passo precisa ser realizado antes de começar o trabalho de planeja- mento, e aí está sua importância. É por meio dos resultados e das análises da auditoria de conteúdo que teremos as informações para propor um novo planejamento de conteúdo. Rez (2016) classifica a auditoria de conteúdo em três tipos; veja a seguir. Ferramentas de marketing de conteúdo 7 � Auditoria quantitativa: se refere ao índice de tudo o que já foi elabo- rado de conteúdo. Assim como um mapa, a auditoria quantitativa vai produzir um estado atual dos conteúdos elaborados pela empresa, indicando quando ele foi criado, qual conteúdo foi divulgado, quem o criou e organizou, onde ele está armazenado e quais resultados vêm sendo gerados. A partir da auditoria quantitativa, é possível criar uma visão sobre o estado do conteúdo atual e o que se pre- tende alcançar. � Auditoria qualitativa: pode ser compreendida como a continuação do primeiro tipo. Contudo, ao listar todo o conteúdo, seus meios de classificação são focados na utilidade do conteúdo para o usuário, ou seja, se o conteúdo está sendo útil para a audiência. Essa análise visa a mostrar se o conteúdo elaborado é útil, atrativo, agradável e apreciável pelo público que o consome. � Auditoria especializada: é uma terceira opção de análise do con- teúdo produzido. Esse tipo é utilizado apenas por alguns tipos de negócios que precisam mergulhar mais fundo nos aspectos relacionados aoconteúdo. Assim, a auditoria especializada visa a reunir informações específicas que sejam fundamentais para os objetivos estratégicos empresariais. Para Rez (2016), esse tipo de auditoria normalmente é indicada para casos de search engine optimization (SEO, uma estratégia de otimização de ranqueamento nas plataformas de buscas) com o objetivo de saber se o conteúdo é encontrável, se as palavras-chaves estão sendo bem utilizadas e se o conteúdo gera audiência e vendas. Outra opção de auditoria especializada são os metadados, que reúnem informações sobre linguagem programática e podem verificar se os conteúdos se completam, se há links entre si e se geram ações por parte dos leads e dos clientes, por exemplo. A partir desse levantamento de informações com a auditoria de conteúdo, Rez (2016) indica que é possível começar a modificar as coisas, como remover ou arquivar os conteúdos ruins ou que não geram resultado algum, além de ser possível compartilhar esses resultados e o banco de informações com todos os envolvidos na produção de conteúdo, para que a elaboração das estratégias de conteúdo seja construída a partir dessas análises e dados. Ferramentas de marketing de conteúdo8 Inventário de conteúdo O inventário é indicado por Rez (2016) e Pulizzi (2016) como uma ferramenta essencial em auditoria que consiste em um controle global documentado sobre os conteúdos produzidos. Pulizzi (2016) ressalta que o inventário de conteúdo é o melhor método para rastrear o conteúdo produzido e é fundamental para fins de controle do planejamento. De acordo com o autor, uma planilha básica que identifique o tipo de conteúdo, o endereço da web, a data de publicação e a descrição sobre o que trata aquele item já é o começo. O inventário de conteúdo é, portanto, um documento ou uma planilha que reúne informações como títulos, URLs de cada página da empresa ou marca, descrição daquela página, tipo de conteúdo divulgado e temática. Rez (2016) também aponta que o inventário é uma forma inteligente de estruturar e organizar o conteúdo, listando seções e o que consta em cada página que você e/ou sua equipe criam, editam e gerenciam. Pulizzi (2016) reforça que isso é muito importante, pois dezenas de empresas lançam e-books, documentos técnicos e até contratam editores e freelancers para esse desenvolvimento e, no meio do processo, descobrem que boa parte da iniciativa de conteúdo já existia. Assim, o inventário de conteúdo poupa tempo e dinheiro. Calendário editorial Para que o marketing de conteúdo assuma uma posição estratégica, é preciso planejamento. De acordo com Pulizzi (2016), se considerarmos o marketing de conteúdo não como uma campanha de curto prazo, mas sim como uma estratégia de longo prazo para atrair, converter e reter clientes, é absolu- tamente fundamental para qualquer programa de marketing bem-sucedido o desenvolvimento de um calendário editorial. “Você não consegue ter uma estratégia de conteúdo de longo prazo sem as ferramentas para gerenciá-la. E uma das ferramentas mais eficazes que você pode utilizar é o calendário editorial” (PULIZZI, 2016, p. 170). Assim, para assegurar a recorrência e a relevância dos conteúdos a serem elaborados, Pulizzi (2016) e Rez (2016) apontam a importância do calendário editorial como ferramenta de marketing de conteúdo. Com o calendário editorial, é possível definir com antecedência o que será produzido de con- teúdo, quem será o responsável, como estruturar formatos e canais e como indicar pontos fundamentais de uma ação de conteúdo, como frequência e métricas a serem observadas. Ferramentas de marketing de conteúdo 9 Rez (2016) destaca que o calendário editorial é uma forma de criar um crono- grama para definir quais conteúdos serão produzidos, elaborando um processo desde a concepção até a divulgação, ou seja, é a planificação de um planejamento de conteúdo. O documento tem como objetivo ajudar os profissionais de ma- rketing a obedecer datas estabelecidas de publicação e manter o compromisso com a audiência. Além disso, por meio do calendário editorial, é possível ter uma visão mais ampla sobre os conteúdos, controlando publicações, temáticas e equipe. Para Rez (2016), um calendário editorial de conteúdo inclui: � dias da semana em que o conteúdo será publicado; � público-alvo foco do conteúdo; � temática da postagem; � título da postagem; � detalhes da pauta; � links de referência; � palavras-chave com base nas métricas de ranqueamento (SEO); � categoria do conteúdo; � objetivo do conteúdo (jornada do cliente ou etapa do funil de vendas); � multimídia (imagens, vídeos, gráficos, recursos incluídos); � responsável pelo conteúdo; � prazos. Pulizzi (2016) lembra, ainda, que o calendário editorial não é apenas um calendário para atribuição de datas aos conteúdos, mas sim uma ferramenta importante de gestão. Um bom calendário editorial cumpre outras funções, como mapear a produção de conteúdo para as personas do público, esta- belecer o ciclo de envolvimento e identificar os vários canais de mídia que devem ser acionados para a divulgação do conteúdo. Lacunas de conteúdo De acordo com Ferreira (2020), as lacunas de conteúdo podem ser definidas como as diferenças entre o conteúdo ofertado pela marca e o que o público está buscando. Ou seja, seria o coeficiente entre as informações procuradas pelo público e o que a marca está ofertando em seus conteúdos. Nesse sentido, Ferreira (2020) indica que a lacuna de conteúdo é uma ferramenta importante dentro do marketing de conteúdo, pois indica potenciais proble- mas na estratégia de conteúdo utilizada pela organização e outras falhas que precisam ser ajustadas durante a execução. Ferramentas de marketing de conteúdo10 Pulizzi (2016) também defende que a lacuna de conteúdo é um resultado importante proveniente da auditoria de conteúdo. Para fazer um levanta- mento da lacuna de conteúdo, o primeiro passo é realizar uma auditoria de conteúdo e, em seguida, contrapor esses conteúdos produzidos com as informações obtidas a partir de análises de SEO e identificar as temáticas de maior relevância para a audiência. Para Ferreira (2020), a lacuna de conteúdo é uma ferramenta que demanda esforços contínuos para identificar e reduzir essas lacunas, utilizando essas informações para a elaboração de conteúdos futuros. O autor classifica, ainda, as lacunas de conteúdo em três tipos principais: palavra-chave, estágio do funil e distribuição de conteúdo. As lacunas de palavras-chave representam a escassez de conteúdo da marca em comparação ao índice de busca de determinada palavra-chave. Nesse sentido, as palavras-chave são os termos norteados para a construção do conteúdo e vão indicar o que o público-alvo procura e espera encontrar. “A lacuna acontece justamente quando palavras-chaves úteis para atrair o público para sua empresa deixam de ser usadas e, pior ainda, estão sendo usadas por concorrentes” (FERREIRA, 2020, documento on-line). Para não cometer esses erros, deve-se utilizar a lacuna de conteúdo para elaborar conteúdos relevantes e com foco nas palavras-chave mais procuradas pelo público-alvo. A lacuna por estágio de funil está baseada na estrutura básica do funil de marketing, ou seja, nos estágios da jornada que um cliente realiza desde conhecer a marca até converter-se em cliente. No marketing de conteúdo, esses estágios são atrair, educar, converter e relacionar. Assim, Ferreira (2020) defende que é preciso construir conteúdos úteis e relevantes para cada estágio do funil. A lacuna de conteúdo aparece justamente quando a estratégia utilizada não é capaz de produzir conteúdos úteis e suficientes para alimentar todos os estágios do funil. A lacuna de distribuição de conteúdo, de acordo com Ferreira (2020), refere-se ao gap de entrega de conteúdo por meio de canais acessados pelo público-alvo. Um exemplo disso é a postagem de um conteúdo por meio de blog. A busca pode ser mais relevante pela temática em outroscanais, como redes sociais. Por isso, o autor esclarece a importância de adaptar e dispo- nibilizar o conteúdo em múltiplas plataformas ou em modo omnichannel. Assim, a lacuna de conteúdo é uma ferramenta importante para analisar as falhas e brechas deixadas pela marca e pela concorrência sobre determinadas temáticas. Ao utilizar essa ferramenta na gestão estratégica do conteúdo, a construção futura do conteúdo se torna mais relevante e eficiente. Ferramentas de marketing de conteúdo 11 Métricas de conteúdo Outro pilar importante na construção de conteúdos relevantes é entender quais são as métricas necessárias para analisar o desempenho do conteúdo e o que buscar ao procurar temáticas relevantes para a audiência. Petrova (2019) apresenta em O guia completo para a estratégia de marketing de conteúdo em 2019 quais são os indicadores que devem ser observados e mensurados no processo de construção de conteúdo. Para isso, a autora divide as métricas de conteúdo em quatro categorias: 1. comportamento do usuário; 2. engajamento; 3. resultados de SEO; 4. resultados obtidos. Em relação ao comportamento do usuário, Petrova (2019) destaca que as métricas do Google Analytics, como número de visitantes únicos, páginas por sessão e taxa de rejeição, são indicativos sobre quais tipos de conteúdo estão sendo mais aceitos pela audiência. Da mesma forma, Peçanha (2017) indica que, historicamente, a criação de conteúdos esteve atrelada às artes e à criatividade, mas no marketing de conteúdo o cenário é o oposto: a criatividade assume um papel secundário, pois quase todo o processo deve se basear em pesquisa e planejamento. Assim, o autor defende que a criação do conteúdo deve ser embasada na análise de dados, e esses dados são “colhidos” a partir das métricas e ferra- mentas de SEO. “É necessário saber, de fato, se existe alguma demanda pelo seu conteúdo antes mesmo de escrevê-lo, e, para isso, é preciso fazer uma pesquisa de palavras-chave, o que é fundamental para o sucesso de qualquer blog ou site” (PEÇANHA, 2017, p. 167). Para engajamento, as métricas como curtidas, compartilhamentos, co- mentários, menções e salvamentos são formas de avaliar a repercussão do conteúdo. Quanto mais relevante for o conteúdo, maior será a taxa de engajamento da audiência. Os resultados obtidos por meio de SEO também são uma forma de men- surar e avaliar o desempenho do conteúdo. Para isso, é indicado que as palavras-chave mais buscadas estejam presentes ao longo do conteúdo e que a elaboração do conteúdo seja SEO friendly, isto é, que a elaboração seja otimizada para os buscadores. Outras métricas de SEO são resultados de acessos por tráfego orgânico, tempo de permanência na página e backlinks. Ferramentas de marketing de conteúdo12 Por fim, Petrova (2019) indica os resultados de receita obtidos pela em- presa, como número de leads conquistados, taxa de leads envolvidos e taxa de conversão. Essas métricas são formas de mensurar quantitativamente o quanto o conteúdo está sendo relevante e convertendo pessoas em poten- ciais clientes. Marketing de conteúdo e inbound marketing podem parecer a mesma coisa, mas não são. Há diferenças sutis entre eles. O marketing de conteúdo é uma estratégia utilizada para ofertar conteúdo relevante e de qualidade, com o objetivo de atrair novas pessoas e se relacionar com os clientes. Já o inbound marketing é uma estratégia que utiliza o conteúdo como “combustível” para auxiliar o consumidor em sua jornada de compra. Em uma comparação simples, o marketing de conteúdo é aquele material que, a princípio, não tem a intenção explícita de vender, mas sim de apresentar informações para o conhecimento de um usuário. Já o inbound marketing vai preparar um conteúdo direcionado para que o usuário tome sua decisão de compra. Assim, o inbound marketing seria os argumentos de venda, mas não a propaganda em si. Na prática, o marketing de conteúdo e o inbound marketing são estratégias que andam juntas e se complementam. Plataformas digitais como suporte na produção de conteúdo O marketing de conteúdo pode parecer bem simples para algumas pessoas, mas está recheado de desafios. Segundo Bueno (2015), a principal dificuldade do conteúdo estratégico é produzir algo relevante, padronizado e que atenda a uma diversidade de públicos. Para driblar isso, a chave do sucesso está em elaborar de forma particular os conteúdos para os diferentes públicos. Politi (2013), especialista em content marketing, chama a atenção para uma série de equívocos normalmente praticados pelos profissionais no processo de produção de conteúdo, como confundir informação com propaganda ou assumir um tom essencialmente vendedor na divulgação dos conteúdos. A geração e a divulgação de conteúdos não é uma tarefa fácil, pois é preciso conhecer o público, as características de cada canal e as preferências da au- diência, além de analisar quais lacunas de conteúdo são mais estratégicas de acordo com os objetivos da empresa. Contudo, para auxiliar os profissionais, Ferramentas de marketing de conteúdo 13 existe hoje no mercado uma ampla gama de plataformas digitais e aplicativos que ajudam na produção diária de conteúdo. Essas plataformas ajudam a medir os resultados de uma estratégia de conteúdo, realizam a automação de processos e auxiliam no aumento do volume de conteúdo criado e na divulgação do conteúdo de forma eficiente. Para conhecermos essas plataformas, vamos dividi-las em categorias de acordo com os canais de conteúdo e o objetivo: blog, SEO, mídias sociais digitais, e-mail marketing, automação e monitoramento. Plataformas digitais para blog A produção de conteúdo para blog exige conhecimentos de redação e gra- maticais, mas também conhecimentos específicos sobre formas de tornar o conteúdo mais agradável, com melhor estrutura de navegação e escaneabili- dade. Para isso, de acordo com Peçanha (2020), todo profissional que produz conteúdo para blog precisa de um conntent management system (CMS), ou um sistema de gerenciamento de conteúdo. Esse sistema inclui as plataformas de edição e publicação de conteúdo, como WordPress, Blogger, HubSpot e Wix. Para ajudar no processo de levantamento dos temas para produção de conteúdo, plataformas como Google Trends, AnswerThePublic, Spike e o gerador de ideias para blogs da HubSpot são muito interessantes. Essas plataformas indicam quais temas estão com maior interesse pelo público. Para auxiliar no calendário editorial, ferramentas como Trello, Google Calendar e Evernote são indicadas. Plataformas digitais para SEO De acordo com Peçanha (2020), para os profissionais que trabalham com SEO, os desafios diários são a pesquisa por palavras-chave e seu acompanhamento para encontrar oportunidades de otimizar o ranqueamento, melhorando o posicionamento do conteúdo nos buscadores. Para analisar as palavras-chave mais usadas e a qualidade do ranquea- mento, algumas ferramentas são muito úteis, como o SEMRush, uma plata- forma digital para gestão de visibilidade on-line, o Ahrefs, o BuzzSumo e o Keyword Planner do Google. Ferramentas de marketing de conteúdo14 Plataformas digitais para mídias sociais digitais A gestão das mídias sociais digitais exige uma atenção constante para pro- dução de conteúdo e relacionamento com os usuários. Conforme destaca Peçanha (2020), há ferramentas digitais que permitem auxiliar nesse processo, como o agendamento de postagens em várias redes sociais digitais, o mo- nitoramento do alcance e engajamento da audiência, além de uma análise detalhada dos resultados alcançados. Para o agendamento de publicações, as ferramentas mais utilizadas são o Business Suite, original do Facebook, o MLabs, o Buffer, o Hootsuite, o Simply Measured e o Quintly. Plataformas digitais para automação Entre as etapas do marketing digital está a função de nutrição dos leads. Normalmente, essa etapa é feita por meio da automação do envio de e-mails. Para facilitar o processo de automação em marketing,de acordo com Peçanha (2020), há plataformas digitais muito reconhecidas no segmento de marketing digital, como Hubspot, RD Station e MailChimp. Outras formas de automação são relacionadas ao processo de resposta. Nesse sentido, são aplicativos ou robôs assistentes que realizam essa etapa, fazendo uma triagem inicial para auxiliar o cliente em um atendimento. O Messenger do Facebook, por exemplo, conta com opções de mensagens automáticas para ajudar na resposta das redes sociais Facebook e Instagram. Plataformas digitais para monitoramento Para realizar o monitoramento de desempenho da estratégia de conteúdo, é preciso conhecer as métricas pertinentes e saber como analisá-las. Para facilitar o monitoramento, há ferramentas digitais que reúnem todos os dados em um único local. De acordo com Pulizzi (2016), a principal delas é o Google Analytics, que traz números sobre o perfil dos visitantes de um link, o perfil do público que acessa, as origens do tráfego e o tempo de acesso, por exemplo. Outra ferramenta muito conhecida mencionada por Peçanha (2020) é o Power BI, que centraliza as métricas de marketing e permite uma visualização interativa dos dados de tráfego. O BuzzMonitor é outro exemplo de plataforma digital que auxilia no monitoramento da marca, muito conhecido como uma ferramenta de social listening. Ferramentas de marketing de conteúdo 15 Se você gosta de gastronomia ou culinária já deve ter ouvido falar no Guia Michelin ou nas estrelas Michelin. Você sabia que o nome do guia realmente foi criado pela marca de pneus Michelin? O Guia Michelin é um dos primeiros cases de sucesso do marketing de conteúdo. Criado nos anos 1900, o Guia Michelin surgiu como um catálogo impresso de 400 páginas que reunia uma rota de restaurantes e hotéis na França para conhecer e frequentar. O objetivo do guia era fazer com que as pessoas viajassem mais com seus automóveis. Dessa forma, elas trocariam mais pneus e, quando chegasse o momento de trocar os pneus, se lembrariam da marca Michelin. O guia se transformou em um fenômeno e, em sua primeira edição, 35 mil exemplares foram distribuídos de graça. O Guia Michelin foi um grande exemplo de como o marketing de conteúdo é uma importante estratégia para as marcas. Promover informações úteis e relevantes, sem o foco principal em vender, aproxima as pessoas e faz com que elas conheçam a marca. Assim, quando for o momento de decisão de compra, a relevância e a autoridade conquistada por meio das estratégias de conteúdo serão o grande diferencial (PULIZZI, 2016). O marketing de conteúdo é uma estratégia importante para o marketing, e sua elaboração deve ser estratégica e agregadora. Diferentemente do que muitos acreditam, produzir conteúdos em quantidade sem se atentar à qualidade das informações é um erro. Para que a estratégia de conteúdo seja eficiente, ela precisa ser elaborada de forma estratégica. Para fazer isso, é essencial conhecer ferramentas e técnicas que auxiliam nesse processo. Nesse sentido, a auditoria de conteúdo, os inventários de conteúdo, o calendário editorial, o conhecimento sobre SEO e as métricas de monitoramento são aspectos imprescindíveis para um bom planejamento de conteúdo. A partir das definições estratégicas, o profissional conta, atualmente, com diversas plataformas digitais que facilitam seu trabalho na hora de produzir, gerenciar e distribuir o conteúdo. Neste capítulo, você conheceu em detalhes essas ferramentas do marketing de conteúdo e viu como as plataformas digitais são importantes aliadas para evitar os erros comuns na produção de conteúdo. Referências BUENO, W. C. Estratégias de comunicação para as mídias sociais. In: BUENO, W. C. (org.). Estratégias de comunicação nas mídias sociais. Barueri: Manole, 2015. p. 123-144. FERREIRA, K. Lacunas de conteúdo: confira quais são os principais gargalos da sua estratégia e como solucioná-los. Rock Content, 1 out. 2020. Disponível em: https:// rockcontent.com/br/blog/lacunas-de-conteudo/. Acesso em: 27 out. 2021. KOTLER, P.; KARTAJAYA, H.; SETIAWAN, I. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. Rio de Janeiro: Sextante, 2017. Ferramentas de marketing de conteúdo16 PEÇANHA, V. Obrigado pelo marketing: um guia completo de como encantar pessoas e gerar negócios utilizando o marketing de conteúdo. São Paulo: Benvirá, 2017. PEÇANHA, V. O que é marketing de conteúdo? 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