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<p>A EDUCAÇÃO DE ALUNOS</p><p>COM ALTAS HABILIDADES</p><p>OU SUPERDOTAÇÃO:</p><p>PERSPECTIVAS, PROCESSOS E PRÁTICAS</p><p>Aline Russo da Silva</p><p>Graciele Marjana Kraemer</p><p>Lexandra Gomes da Silva</p><p>Renata Vanin da Luz</p><p>Thiago da Silva e Silva</p><p>Ma</p><p>te</p><p>ri</p><p>al</p><p>D</p><p>id</p><p>át</p><p>ic</p><p>o</p><p>A EDUCAÇÃO DE ALUNOS</p><p>COM ALTAS HABILIDADES</p><p>OU SUPERDOTAÇÃO:</p><p>PERSPECTIVAS, PROCESSOS E PRÁTICAS</p><p>Aline Russo da Silva</p><p>Graciele Marjana Kraemer</p><p>Lexandra Gomes da Silva</p><p>Renata Vanin da Luz</p><p>Thiago da Silva e Silva</p><p>1a Edição</p><p>Diagramação e Layout por Augusto Führ Ribeiro •</p><p>Porto Alegre</p><p>Editora UFRGS</p><p>2023</p><p>DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)</p><p>Bibliotecária: Evelin Stahlhoefer Cotta CRB-10/1563</p><p>E24</p><p>A educação de alunos com altas habilidades ou superdotação :</p><p>perspectivas, processos e práticas / Aline Russo da Silva... [et</p><p>al.] - Porto Alegre: UFRGS, 2023.</p><p>67 p.</p><p>ISBN: 978-65-5973-273-9</p><p>1. Educação especial. 2. Superdotado. 3. Educação inclusiva.</p><p>I. Silva, Aline Russo da.</p><p>CDU: 376</p><p>Sumário</p><p>1. Sobre a Nomenclatura adotada 7</p><p>2. Altas Habilidades ou Superdotação: definição brasileira, mitos</p><p>existentes e breve síntese histórica 9</p><p>2.1. Os testes de QI 12</p><p>2.2. Os estudos de Terman e Hollingworth 14</p><p>2.3. A criatividade 15</p><p>3. As teorias de Howard Gardner, Joseph Renzulli e Françoys</p><p>Gagné 15</p><p>3.1. A teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner 15</p><p>3.2. A teoria de Joseph Renzulli 18</p><p>3.2.1. A concepção de superdotação da teoria dos Três Anéis 18</p><p>3.2.2. O modelo triádico de enriquecimento escolar 21</p><p>3.2.3. Operação Houndstooth 23</p><p>3.2.4. Funções executivas 24</p><p>3.3. O modelo diferencial de dotação e talento (DMGT) de Françoys Gagné 24</p><p>4. ASPECTOS AFETIVOS E SOCIOEMOCIONAIS DAS ALTAS HABILIDADES OU</p><p>SUPERDOTAÇÃO 30</p><p>4.1. As sobre-excitabilidades de Dabrowski 32</p><p>5. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) DE ESTUDANTES</p><p>AHSD 34</p><p>5.1. A aceleração: dos mitos e resistências 38</p><p>5.2. O AEE para Altas Habilidades ou superdotação e a construção do Plano</p><p>de Ensino Individualizado (PEI) 40</p><p>5.3. Práticas pedagógicas no AEE a partir dos Manuais de Identificação para</p><p>AHSD e as Inteligências Múltiplas 41</p><p>5.4. Ensino colaborativo e parcerias necessárias para suplementar 43</p><p>6. A DOCÊNCIA E O PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DE ALUNOS COM ALTAS</p><p>HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO 46</p><p>7. SUGESTÕES DE LITERATURA INFANTIL SOBRE A TEMÁTICA DAS ALTAS</p><p>HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO 48</p><p>8. Associação Gaúcha de Apoio às Altas Habilidades ou</p><p>Superdotação 51</p><p>8.1. Agosto Laranja 53</p><p>FILMOGRAFIA 54</p><p>Referências 62</p><p>Introdução</p><p>O presente material constitui um trabalho organizado e produzido</p><p>em parceria entre professores da educação básica e do ensino su-</p><p>perior, além de contar com a participação de pesquisadores que</p><p>tratam da educação de sujeitos com Altas Habilidades ou Superdotação.</p><p>Trata-se de um material pedagógico que busca, entre outros elementos,</p><p>apresentar alguns conceitos e concepções para a educação de alunos</p><p>com Altas Habilidades ou Superdotação, considerando que, em uma</p><p>política nacional de educação inclusiva, a invisibilização desses sujeitos</p><p>tem sido um processo recorrente na educação. Em vista da propos-</p><p>ta, não objetivamos esgotar as discussões que englobam perspectivas,</p><p>processos e práticas de educação dos alunos com Altas Habilidades ou</p><p>Superdotação, ao contrário disso, nos debruçamos em uma breve dis-</p><p>cussão acerca das terminologias utilizadas quando nos referimos aos</p><p>alunos com Altas Habilidades ou Superdotação, aspectos emocionais, in-</p><p>teligência, Atendimento Educacional Especializado, Associação Gaúcha</p><p>de apoio aos sujeitos com Altas Habilidades e uma indicação de filmo-</p><p>grafia. Trata-se de um convite para pensar aspectos que consideramos</p><p>relevantes na educação e no processo de inclusão escolar de sujeitos com</p><p>Altas Habilidades ou Superdotação.</p><p>Desejamos uma ótima leitura</p><p>Aline Russo da Silva</p><p>Graciele Marjana Kraemer</p><p>Lexandra Rodrigues</p><p>Renata Vanin da Luz</p><p>Thiago da Silva e Silva</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação7</p><p>1. Sobre a Nomenclatura adotada</p><p>Conforme explicita Sabatella (2013) a nomenclatura utilizada</p><p>para os alunos com Altas Habilidades ou Superdotação, tem sido</p><p>fonte de polêmica entre autores e especialistas. A definição da</p><p>terminologia vem se modificando no Brasil ao longo do tempo.</p><p>Historicamente muitas foram as terminologias utilizadas para</p><p>definir esses sujeitos e, sob este prisma, ponderamos que, as-</p><p>sim como não existe uma definição universal, um conceito único</p><p>que descreva aspectos sobre os sujeitos com Altas Habilidades ou</p><p>Superdotação, também não existe uma terminologia única que</p><p>define as características e as condições que englobam estes sujeitos.</p><p>Apesar da existência de políticas públicas que fazem referência</p><p>a terminologias utilizadas em determinado contexto e espaço,</p><p>a busca por um consenso em relação à nomenclatura também é</p><p>presente em outros países.</p><p>Segundo Sabatella (2013) a busca por um consenso em rela-</p><p>ção aos termos utilizados no que confere os alunos com Altas</p><p>Habilidades ou Superdotação está relacionado à perspectiva le-</p><p>xical superdotado e superdotação que trazem a possibilidade de</p><p>interpretação de superioridade em relação a outros sujeitos.</p><p>Assim, termos como bem-dotados, talentosos, altas habilida-</p><p>des foram utilizados em algum período histórico na educação dos</p><p>alunos com Altas Habilidades ou Superdotação em nosso país.</p><p>Entretanto, no contexto atual, a nomenclatura aqui adotada está</p><p>inscrita em práticas mobilizadas em vista da compreensão de que</p><p>as Altas Habilidades compreendem um fenômeno multidimen-</p><p>sional. Nesse sentido, para o presente material, optamos politi-</p><p>camente pela utilização da nomenclatura Altas Habilidades ou</p><p>Superdotação (AHSD), terminologia também prevista na atuali-</p><p>zação da Lei nº 9.394 de 1996 onde consta,</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para compreender a denominação dos alunos com Altas</p><p>Habilidades ou Superdotação nas diretrizes legais de</p><p>nosso país, consulte os seguintes documentos:</p><p>https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2013/lei-12796-</p><p>4-abril-2013-775628-publicacaooriginal-139375-pl.html</p><p>http://portal.mec.gov.br/docman/novembro-2022-pdf-</p><p>1/242301-diretriz-altas-habilidades-ou-superdotacao-1/file</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2013/lei-12796-4-abril-2013-775628-publicacaooriginal-139375-pl.html</p><p>https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2013/lei-12796-4-abril-2013-775628-publicacaooriginal-139375-pl.html</p><p>http://portal.mec.gov.br/docman/novembro-2022-pdf-1/242301-diretriz-altas-habilidades-ou-superdotacao-1/file</p><p>http://portal.mec.gov.br/docman/novembro-2022-pdf-1/242301-diretriz-altas-habilidades-ou-superdotacao-1/file</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 8</p><p>Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos</p><p>desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida prefe-</p><p>rencialmente na rede regular de ensino, para educandos com</p><p>deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas</p><p>habilidades ou superdotação. (Lei 12796/2013)</p><p>Essa opção política parte da compreensão de que as Altas</p><p>Habilidades ou a Superdotação são compreendidos como um</p><p>mesmo fenômeno. Destacada essa opção política em relação à</p><p>nomenclatura adotada, passamos na sequência a desdobrar ques-</p><p>tões históricas, definições nacionais e mitos acerca dos sujeitos</p><p>com Altas Habilidades ou Superdotação.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação9</p><p>2. Altas Habilidades ou Superdotação:</p><p>definição brasileira, mitos existentes</p><p>e breve síntese histórica</p><p>Você já ouviu falar sobre Altas Habilidades ou Superdotação?</p><p>Para quem busca compreender de forma mais específica do que</p><p>estamos tratando pode, em uma primeira impressão, entender</p><p>que se trata de uma situação quase inalcançável. Dito de outro</p><p>modo, compreende o nível de gênios como Albert Einstein, Marie</p><p>Curie e Mozart. Uma segunda impressão que pode se apresentar é</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 36</p><p>O AEE para AHSD caracteriza-se por um atendimento suple-</p><p>mentar. Esse atendimento suplementar contempla as ativida-</p><p>des que ocorrem fora da carga horária mínima escolar, visando</p><p>o enriquecimento extracurricular nas áreas de destaque dos es-</p><p>tudantes, bem como oportunizando diferentes aprendizagens e</p><p>conhecimentos que, em vista das especificidades do estudante,</p><p>o currículo escolar não contempla. Este atendimento pode ser</p><p>realizado individualmente ou em grupos, preferencialmente no</p><p>turno inverso ao escolar.</p><p>Já o enriquecimento intra-curricular ocorre dentro do currícu-</p><p>lo escolar do ano\série em que o estudante esteja cursando, consi-</p><p>derando as práticas dos professores que atuam com este estudante</p><p>e o grupo de alunos que compõem a turma. Para a sistematização</p><p>do trabalho do AEE para AHSD se faz necessário entender o Modelo</p><p>Triádico de Enriquecimento (Tipo I, Tipo II e Tipo III e o Modelo</p><p>de Enriquecimento para toda a Escola (SEM). Este último, com-</p><p>preende os seguintes aspectos:</p><p>O Modelo SEM apresenta três dimensões interativas, duas di-</p><p>mensões formadas pelos componentes organizacionais e de aten-</p><p>dimento e a terceira dimensão pelas estruturas escolares. Fazem</p><p>parte do componente organizacional os materiais, a capacitação da</p><p>equipe, o banco de dados, os processos de formação de equipes e</p><p>o envolvimento das famílias e da comunidade. Esses componentes</p><p>se cruzam com:</p><p>-Desenvolver o potencial de talento dos jovens, avaliando sistematicamente</p><p>seus pontos fortes, oferecendo oportunidades de enriquecimento, recursos e</p><p>atendimento para desenvolver os pontos fortes e utilizando uma abordagem</p><p>flexível para a diferenciação do currículo e o uso do tempo na escola;</p><p>-Melhorar o desempenho acadêmico de todos os alunos em todas as áreas</p><p>do currículo regular e misturar atividades do currículo padrão com uma</p><p>aprendizagem enriquecida significativa;</p><p>-Promover a reflexão profissional contínua, orientada para o crescimento do</p><p>pessoal da escola a ponto de muitos membros do corpo docente surgirem</p><p>como líderes no desenvolvimento do currículo, da equipe, do planejamento</p><p>do programa, etc;</p><p>-Criar uma comunidade de aprendizagem que honre a diversidade étnica, de</p><p>gênero e cultural e que promova o respeito mútuo, os princípios democráticos</p><p>e a preservação dos recursos da Terra; e</p><p>-Implementar uma cultura escolar cooperativa que inclua oportunidades</p><p>adequadas de tomada de decisão para os alunos, pais, professores e direção</p><p>da escola (Renzulli, 2004, p.109.)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação37</p><p>Quadro 6 - possibilidades de atividades práticas a partir do Modelo Triádico de Enriquecimento</p><p>Tipo I, Tipo II e Tipo III</p><p>Enriquecimento Tipo I Enriquecimento Tipo II Enriquecimento Tipo III</p><p>Visitas a museus,</p><p>parques, departamentos</p><p>municipais ou</p><p>estaduais de água,</p><p>esgoto, energia elétrica,</p><p>empresas, fábricas,</p><p>palestras sobre assuntos</p><p>específicos,oficinas,</p><p>vivências mediadas</p><p>por especialistas…</p><p>Tudo aquilo que fica</p><p>faz parte da realidade</p><p>daquela comunidade</p><p>e que os estudantes</p><p>podem acessar a partir</p><p>da intermediação</p><p>dos professores e</p><p>profissionais envolvidos.</p><p>Propostas educacionais como:</p><p>questionários, guias de visita ou</p><p>de leitura, listagem de dados ou</p><p>impressões, desenhos, esquemas</p><p>mentais, pastas ou cadernos de</p><p>informações, áudios, vídeos ou fotos,</p><p>tudo que possibilite ao estudante</p><p>o espaço para pensar sobre o que</p><p>vivenciou destacando aquilo que</p><p>achou curioso ou diferente, o que</p><p>o sensibilizou. Buscando por uma</p><p>resposta de como aprender sobre</p><p>aquilo que foi proposto, como é o</p><p>processo para se chegar naquela</p><p>aprendizagem, provocando assim a</p><p>pesquisa, a busca por aprofundamento</p><p>e uma referência teórica ou prática</p><p>para realizar determinada tarefa.</p><p>Escolher um problema social</p><p>real para aprofundar ideias,</p><p>hipóteses para solução ou um</p><p>produto que possa contribuir</p><p>social e culturalmente na vida das</p><p>pessoas. Para a sistematização</p><p>e concretização desses projetos</p><p>pessoais se faz importante a</p><p>utilização de calendários com</p><p>prazos e atividades pré-definidas,</p><p>manter atualizados os registros</p><p>de cada etapa da investigação ou</p><p>da produção, buscar o auxílio de</p><p>profissionais especialistas na área</p><p>e registrar suas contribuições</p><p>ao projeto. Autoavaliar-se no</p><p>processo na busca por uma</p><p>autoanálise novas motivações para</p><p>futuras pesquisas ou produtos.</p><p>Fonte: elaborado pelos autores, 2023</p><p>O trabalho desenvolvido no AEE com alunos com AHSD a partir</p><p>do Modelo Triádico de Enriquecimento Tipo I, Tipo II e Tipo III</p><p>compreende algumas possibilidades de atividades práticas para</p><p>cada Tipo, organizadas no Quadro 6.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quer saber mais sobre o trabalho do AEE para AHSD a partir do</p><p>Modelo Triádico de Enriquecimento Tipo I, Tipo II e Tipo III.</p><p>Acesse http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/altashab2.pdf</p><p>Portfólio Completo do Talento (TIP): constituído por um conjunto de infor-</p><p>mações que detalham os interesses, preferências e estilo de aprendizagem</p><p>dos alunos</p><p>Técnicas de Modificação do Currículo: levantamento de informações sobre o</p><p>nível de domínio do aluno com relação ao currículo escolar, visando ajustar</p><p>o ritmo e o nível de conteúdos através do enriquecimento e\ou aceleração</p><p>para os alunos que facilmente dominam ou aprendem o conteúdo previsto</p><p>para seu ano escolar.</p><p>Enriquecimento da Aprendizagem e do Ensino: compreende um conjunto</p><p>mais amplo de estratégias que visam engajar professores e alunos, indo na</p><p>contramão do ensino didático tradicional.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/altashab2.pdf</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 38</p><p>Cabe destacar que as propostas estão organizadas no quadro</p><p>em vista da adequada visualização didática de cada proposta.</p><p>Entretanto, cada proposta complementa a outra, a partir de uma</p><p>perspectiva de retroalimentação, não necessariamente seguindo a</p><p>sequência numérica. Importante ressaltar que nem toda a proposta</p><p>exploratória, do tipo 1 desencadeará propostas do tipo 2 e 3, isso</p><p>depende do envolvimento dos alunos com a temática.</p><p>Trataremos na sequência sobre mitos e resistências que envol-</p><p>vem o processo de aceleração de estudantes com Altas Habilidades</p><p>ou superdotação.</p><p>5.1. A aceleração: dos mitos e resistências</p><p>Muitos são os mitos com relação à aceleração de estudantes</p><p>com AHSD. Normalmente quando é apresentada esta possibilida-</p><p>de ao aluno, professores, familiares e profissionais que o acom-</p><p>panham, defendem a sua perma-</p><p>nência no ano\série em que se</p><p>encontra. Entre outros argumen-</p><p>tos, destaca-se a imaturidade ou a</p><p>inadequada condição emocional</p><p>do sujeito para acompanhar as</p><p>exigências do ano escolar poste-</p><p>rior. Assim, compreende-se que o</p><p>estudante com AHSD vai sempre</p><p>estar com alguma desvantagem</p><p>ou vantagem no seu desenvolvi-</p><p>mento perante os seus pares.</p><p>Em alguns casos o seu “prejuízo</p><p>emocional ou social” ocorre porque</p><p>a pessoa com AHSD não considera</p><p>interessantes os assuntos e/ou con-</p><p>teúdos que seus pares comparti-</p><p>lham, ficando isolado e restrito em</p><p>suas relações. Percebe-se que a au-</p><p>sência de desafios cognitivos pode</p><p>acarretar em um processo de des-</p><p>motivação até o ponto em que ele</p><p>pode combater os seus talentos, o</p><p>que prejudica o desenvolvimento e</p><p>impacta na construção da identida-</p><p>de da pessoa com AHSD. Este pro-</p><p>cesso pode também impactar a pró-</p><p>pria perspectiva de aprendizagem.</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>BURNS, Deborah E.</p><p>Altas habilidades\</p><p>superdotação: manual</p><p>para guiar o aluno</p><p>desde a definição de um</p><p>projeto até o produto</p><p>final. Coordenação e</p><p>revisão de Angela M.</p><p>Rodrigues Virgolin;</p><p>tradução de Danielle</p><p>Lossio de Araujo, Luiane</p><p>Daufenbach Amaral.</p><p>Curitiba:Juruá, 2014.</p><p>Sinopse: Este é um livro prático, que busca apresentar aos professores,</p><p>em dez lições, formas, sugestões e trajetórias para desenvolver a</p><p>capacidade de investigação em seus alunos, começando</p><p>na sala regular</p><p>e se estendendo à sala de recursos. Busca propiciar aos alunos com</p><p>Altas Habilidades ou Superdotação um melhor entendimento do que</p><p>se espera deles no seu próprio desenvolvimento. O manual se encontra</p><p>embasado no Modelo de Enriquecimento Escolar de Joseph Renzulli,</p><p>que foi adotado no Brasil pelo MEC em 2005, quando o Ministério da</p><p>Educação implantou os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades</p><p>ou Superdotação (NAAH/S) em todos os estados brasileiros. Desta</p><p>forma, as dez lições aqui apresentadas ajudam o professor da sala</p><p>de recursos a desenvolver passo a passo um caminho que perpassa</p><p>pelos interesses individuais do estudante, suas áreas fortes e áreas</p><p>de motivação, para chegar, então, ao delineamento de um projeto</p><p>de investigação, pautado em necessidades reais do mundo atual.</p><p>O estudante é levado a compreender o que significam projetos do</p><p>tipo I (Atividades Exploratórias Gerais), do Tipo II (Atividades de</p><p>Treinamento) e do Tipo III (Investigação de Problemas Reais).O livro</p><p>conta ainda com um link com fotos, pôsteres e formulários de</p><p>exercícios que auxiliarão o professor nessa tarefa inicial.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação39</p><p>Cabe relembrar que, conforme estabelecido na Lei de Diretrizes e</p><p>Bases da Educação Nacional, podemos prever as seguintes formas</p><p>de aceleração:</p><p>• Ingresso antecipado no jardim de infância</p><p>• Ingresso antecipado no Ensino Fundamental</p><p>• Saltar séries ou anos</p><p>• Avanço contínuo</p><p>• Ensino segundo o ritmo do estudante</p><p>• Aceleração de matérias\ Aceleração parcial</p><p>• Classes combinadas</p><p>• Planos de Estudos compactados</p><p>• Planos de Estudos abreviado</p><p>• Mentores (previstos nos programas com orientação acadêmica</p><p>como a iniciação científica, PET e todas as demais bolsas)</p><p>• Programas extracurriculares (previstos nos Projetos Pedagógicos</p><p>dos cursos de Graduação, e nas bolsas de pesquisa e extensão)</p><p>• Cursos a distância</p><p>• Graduação Antecipada</p><p>• Curso simultâneo\ paralelo</p><p>• Colocação Avançada</p><p>• Créditos por provas</p><p>• Aceleração universitária</p><p>• Ingresso antecipado no Ensino Médio, pré-vestibular ou uni-</p><p>versidade (apenas comprovando documentação relativa aos</p><p>níveis de ensino anteriores)</p><p>Sugere-se que para todo e qualquer tipo de processo de acelera-</p><p>ção sejam realizados registros que assegurem e amparem o estudan-</p><p>te e as decisões que a instituição educacional venha a definir para</p><p>a escolarização do aluno com Altas Habilidades ou Superdotação.</p><p>Neste processo é importante organizar reuniões sistemáticas entre</p><p>a família, a instituição educacional, os profissionais que acom-</p><p>panham o aluno e o próprio estudante. Destaca-se a relevância</p><p>da elaboração de um documento que descreva a justificativa da</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 40</p><p>aceleração, qual o tipo sugerido, além de anexação de trabalhos,</p><p>provas agendadas antecipadamente, para formalizar o processo.</p><p>No decorrer da efetivação desta aceleração o estudante pode</p><p>necessitar de auxílio pedagógico e isso não é sinal de fracasso ou</p><p>de que a aceleração foi indevida, mas sim da necessidade de uma</p><p>adaptação à nova realidade deste estudante.</p><p>5.2. O AEE para Altas Habilidades ou</p><p>superdotação e a construção do Plano</p><p>de Ensino Individualizado (PEI)</p><p>Conforme orienta o artigo 9º da Resolução nº 4 de outubro de</p><p>2009, é garantido a todo aluno público-alvo da Educação Especial</p><p>a construção e efetivação de um Plano de Ensino Individualizado</p><p>(PEI) para o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Assim,</p><p>A elaboração e a execução do plano de AEE são de competência</p><p>dos professores que atuam na sala de recursos multifuncionais</p><p>ou centros de AEE, em articulação com os demais professores do</p><p>ensino regular, com a participação das famílias e em interface</p><p>com os demais serviços setoriais da saúde, da assistência social,</p><p>entre outros necessários ao atendimento. (BRASIL, 2009, p.2)</p><p>O plano deve ser organizado por informações básicas sobre o</p><p>estudante identificando suas necessidades educacionais específi-</p><p>cas, através de uma síntese das áreas de potencialidade e formas</p><p>de aprendizagem, bem como as disciplinas ou áreas do conheci-</p><p>mento que serão priorizadas. A partir desses dados, passam a ser</p><p>registrados os elementos curriculares como: objetivos, conteúdos,</p><p>metodologias, estratégias e avaliação. Na elaboração do Plano de</p><p>Desenvolvimento Individualizado, participam os professores da</p><p>escola, o professor do AEE, a família além de uma interface com</p><p>outros serviços, quando necessário. Trata-se assim de um traba-</p><p>lho colaborativo, desenvolvido juntamente com profissionais de</p><p>diferentes espaços e campos de saber.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quer saber mais sobre o atendimento Educacional</p><p>Especializado para o estudante AHSD.</p><p>Acesse: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/18762</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://repositorio.ufsm.br/handle/1/18762</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação41</p><p>No que se refere ao estudante com AHSD o PEI contribui para</p><p>o processo de suplementação do currículo, considerando que</p><p>ele pode apresentar o fenômeno das AHSD em áreas isoladas ou</p><p>combinadas e suas habilidades podem ser restritas a uma área</p><p>muito específica. Assim, a construção e efetivação do PEI é uma</p><p>responsabilidade coletiva, que em relação ao enriquecimento</p><p>intracurricular conforme destacado por Freitas e Pérez (2010,</p><p>p.65) compreende:</p><p>[...] estratégias propostas e orientadas pelo docente de sala de</p><p>aula ou das diferentes disciplinas, durante o período de aula ou</p><p>fora dele (tarefas adicionais, projetos individuais, monitorias e</p><p>mentorias), que podem ter como base o conteúdo que ele está</p><p>trabalhando num determinado momento e cuja proposta pode</p><p>ser elaborada conjuntamente com um professor itinerante,</p><p>quando for necessário.</p><p>Assim, segundo Renzulli (2004), pelo enriquecimento curri-</p><p>cular objetiva-se proporcionar o máximo de oportunidades para</p><p>autorrealização e desenvolvimento das potencialidades do estu-</p><p>dante. Além disso, objetiva-se promover o desenvolvimento de</p><p>sujeitos produtores de conhecimento e não apenas consumidores</p><p>de informações já existentes.</p><p>5.3. Práticas pedagógicas no AEE a partir</p><p>dos Manuais de Identificação para AHSD</p><p>e as Inteligências Múltiplas</p><p>O planejamento das propostas educacionais no AEE para AHSD</p><p>inicia com uma avaliação detalhada que parte do levantamento de</p><p>dados informados pela família, escola e outros profissionais que</p><p>já tenham atendido o estudante. Em um segundo momento, são</p><p>planejadas propostas formais e informais de avaliação que possi-</p><p>bilitam observar o estudante em diferentes situações de aprendiza-</p><p>gem, em específico, no estilo de aprendizagem, áreas de destaque,</p><p>dificuldades, quais indicadores</p><p>para AHSD estão presentes para</p><p>definir se o estudante é uma</p><p>AHSD do tipo produtivo-criati-</p><p>vo ou acadêmico.</p><p>A avaliação inicial possibi-</p><p>litará o planejamento de mo-</p><p>dalidades de atendimento in-</p><p>dividuais ou em grupos e o foco</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para compreender mais sobre a inteligência e a</p><p>compreensão social acerca deste conceito, sugerimos</p><p>assistir ao documentário: O que é inteligência?</p><p>Disponível em: https://youtu.be/x3U5AvM4JnE</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://youtu.be/x3U5AvM4JnE</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 42</p><p>de enriquecimento pensado para o estudante. Nesse processo de</p><p>avaliação e atendimento buscam-se recursos teóricos que favo-</p><p>reçam a sistematização de ideias e práticas que se aproximem da</p><p>realidade escolar. O Quadro 7 nos traz uma caracterização geral</p><p>das inteligências múltiplas e quais possibilidades educacionais</p><p>podem ser pensadas a partir de cada uma delas.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quer saber mais sobre o ensino colaborativo no</p><p>desenvolvimento de estudantes com AHSD.</p><p>Acesse: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/4137</p><p>Quadro 7 - Caracterização das inteligências múltiplas e possibilidades educacionais</p><p>Tipo de</p><p>Inteligência</p><p>Descrição</p><p>Escolhas,</p><p>Preferências ou</p><p>Potenciais</p><p>Tarefas Relativas,</p><p>Atividades</p><p>Estilo de</p><p>Aprendizagem</p><p>Favorita</p><p>Linguística</p><p>palavras e linguagem,</p><p>escrita e oral, retenção,</p><p>interpretação e explicação</p><p>de ideias e informações via</p><p>linguagem, relação entre</p><p>comunicação e significado</p><p>escritores, advogados,</p><p>jornalistas,</p><p>palestrantes,</p><p>redatores, poetas,</p><p>tradutores,</p><p>apresentadores, etc</p><p>escrever um conjunto</p><p>de instruções, falar</p><p>sobre um assunto,</p><p>editar uma peça</p><p>escrita ou trabalho,</p><p>escrever um discurso</p><p>palavras, linguagem</p><p>Lógico-matemática</p><p>pensamento lógico, a</p><p>detecção de padrões,</p><p>raciocínio científico</p><p>e dedução, analisar</p><p>problemas, realizar</p><p>cálculos matemáticos,</p><p>entende relação entre</p><p>causa e efeito para um</p><p>resultado tangível</p><p>cientistas,</p><p>engenheiros,</p><p>especialistas em</p><p>informática,</p><p>contadores,</p><p>estatísticos,</p><p>pesquisadores,</p><p>analistas,</p><p>comerciantes…</p><p>Realizar cálculos</p><p>aritiméticos mentais,</p><p>criar um processo</p><p>para medir algo</p><p>difícil, analisar como</p><p>a máquina funciona,</p><p>criar um processo</p><p>Números e lógica</p><p>Musical</p><p>Sons, ritmos, timbres.</p><p>Criar comunicar e</p><p>compreender significados</p><p>compostos por sons</p><p>Músicos,</p><p>compositores, DJs,</p><p>peritos em acústica,</p><p>maestros, cantores…</p><p>Compor músicas,</p><p>Tocar instrumentos,</p><p>processar e</p><p>diferenciar sons</p><p>músicas, sons</p><p>e ritmos</p><p>Corporal-cinestésica</p><p>Envolve o uso de todo o</p><p>corpo ou partes do corpo</p><p>para resolver problemas</p><p>Atletas, artesãos,</p><p>escultores,</p><p>malabaristas,</p><p>mecânicos,</p><p>cirurgiões…</p><p>Realizar movimentos</p><p>com o corpo, como por</p><p>exemplo coreografias,</p><p>explorar habilidades</p><p>motoras finas por</p><p>exemplo fazer uma</p><p>escultura ou incisão</p><p>experiência física</p><p>e movimento,</p><p>toque e sensações</p><p>Espacial-Visual</p><p>Capacidade de</p><p>perceber informações</p><p>visuais ou espaciais</p><p>Pintores, arquitetos,</p><p>escultores,jogadores</p><p>de xadrez,</p><p>navegadores.</p><p>Criar uma maquete,</p><p>desenhar com grande</p><p>detalhamento, projetar</p><p>jogadas e caminhos</p><p>imagens formas,</p><p>gravuras e espaço</p><p>tridimensional</p><p>Interpessoal</p><p>Compreender as outras</p><p>pessoas e interagir</p><p>efetivamente com elas</p><p>terapeutas,</p><p>professores,</p><p>atores, políticos</p><p>Estabelecer diálogos,</p><p>falar em público,</p><p>definir regras e</p><p>metas, organizar</p><p>um grupo, mediar</p><p>contato humano,</p><p>comunicação,</p><p>cooperação e</p><p>trabalho em equipe</p><p>Naturalista</p><p>Reconhecer e classificar</p><p>sistemas naturais, como</p><p>fauna e flora e sistemas</p><p>criados pelo homem</p><p>Biólogos, fazendeiros,</p><p>botânicos,</p><p>ecologistas,</p><p>paisagistas…</p><p>Investigar a natureza,</p><p>cuidar do planeta</p><p>a partir da</p><p>experiência e</p><p>contato com</p><p>a natureza</p><p>Intrapessoal</p><p>Reconhecer suas</p><p>necessidades, sentimentos</p><p>e objetivos</p><p>Teólogos, psicólogos,</p><p>filósofos</p><p>Escrever em diários,</p><p>tempo de reflexão,</p><p>projetos pessoais</p><p>auto-reflexão,</p><p>auto-descobrimento</p><p>Fonte: Tabela adaptada de Armstrong, T. (2001).</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/4137</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação43</p><p>5.4. Ensino colaborativo e parcerias</p><p>necessárias para suplementar</p><p>Como observamos, trabalhar com estudantes AHSD é uma tarefa</p><p>desafiadora, pois compreende um grupo heterogêneo e que pode</p><p>apresentar altas habilidades ou superdotação em relação a uma</p><p>ou mais áreas do conhecimento. Portanto, no sentido de estimu-</p><p>lar o potencial dos estudantes, o professor do AEE passa a ser um</p><p>articulador de recursos e parcerias, visto que, o estudante AHSD</p><p>requer o uso de recursos metodológicos diferenciados, além de</p><p>práticas pedagógicas que atendam suas necessidades e contribuam</p><p>no processo de desenvolvimento e de inclusão escolar.</p><p>Assim, o ensino colaborativo, conforme Costa (2018), constitui-</p><p>-se um importante investimento para o enriquecimento intracur-</p><p>ricular, pois a articulação entre o professor especialista do campo</p><p>da Educação Especial e o professor da classe regular, passam a ser</p><p>fundamentais para o desenvolvimento do estudante AHSD. No en-</p><p>sino colaborativo, prevê-se um planejamento e o desenvolvimento</p><p>de práticas pedagógicas correlacionadas. Ainda no que compreende</p><p>a suplementação curricular proposta para o estudante AHSD, cabe</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quer saber mais sobre como funciona a mente do superdotado.</p><p>Acesse https://youtu.be/EMnehHKkjPE</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>As professoras Aline</p><p>Russo da Silva e</p><p>Renata Vanin da Luz,</p><p>professoras que atuam</p><p>no AEE para AHSD do</p><p>municipio de Porto</p><p>Alegre, utilizam um</p><p>repositório virtual de</p><p>materiais teórico-prático</p><p>que pode ser acessado</p><p>pelo link https://padlet.</p><p>com/alinerussosir/sir-</p><p>ah-sd-e3l6zfs3se1c69tk.</p><p>Lá você encontrará</p><p>artigos, vídeos, jogos,</p><p>sugestões de filmes</p><p>e literatura sobre a</p><p>temática das AHSD.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><p></p><p>Aline Russo</p><p>� 1</p><p>� 7M</p><p>SR AH/SD</p><p>Material Para professores/pais/alunos</p><p>Canais interessantes</p><p></p><p>CienciaTodoDia</p><p></p><p>Youtube</p><p>��Ótimo canal para</p><p>Gurizada comAH/SD</p><p>Manual do Mundo</p><p></p><p>YouTube</p><p>Vídeos AH/SD</p><p></p><p>É possível medir a</p><p>Criatividade?</p><p>É possível medir a criatividade? (live</p><p>Tatiana Nakano & Solange Wechsler)</p><p></p><p></p><p>YouTube</p><p>Livro nfantil: Miguel</p><p>M i g u e l Tony Bradman / Tony Ross. -</p><p>ppt carregar</p><p>Autor: Tony Bradman lustrador:</p><p>Tony Ross</p><p></p><p>slideplayer.com.br</p><p></p><p></p><p>Filmes sobre AH/SD</p><p></p><p>Filme Green Book: o Guia</p><p>GREEN BOOK � O GUA �201� | Trailer</p><p>do aclamado filme com Mahershala Ali</p><p>História Real de um músico com</p><p>altas habilidades/superdotação.</p><p></p><p></p><p>YouTube</p><p>Filme indicados</p><p></p><p>vinculorevista.wordpress.c…</p><p>filmes</p><p>Alguns filmes sobre o tema</p><p></p><p>PPTX</p><p>Material de estudo</p><p></p><p>Vista do Formação de professores e</p><p>altas habilidades/superdotação: um</p><p>caminho ainda em construção</p><p></p><p>periodicos.fclar.unesp.br</p><p>Altas Habilidades/</p><p>Superdotação: políticas</p><p>visíveis na educação dos</p><p>invisíveis</p><p>Altas Habilidades/Superdotação:</p><p>políticas visíveis na educação dos</p><p>invisíveis | Faveri | Revista Educação</p><p>Especial</p><p></p><p>periodicos.ufsm.br</p><p>Gibis e Coleções Literárias</p><p></p><p>Jogos</p><p></p><p>Stop</p><p>StopotS � Jogo de stop (adedanha ou</p><p>adedonha) online!</p><p></p><p>stopots.com</p><p>PlayOK � Jogar Damas Online gratis</p><p></p><p>playok.com</p><p>Site Racha Cuca</p><p>R h C Q b b</p><p></p><p>rachacuca.com.br</p><p>Vídeos nclusão</p><p></p><p>Anuncio de Natal, ouriço cacheiro</p><p>gualdade e Amor</p><p></p><p></p><p>YouTube</p><p>Uma corrida inclusiva</p><p>Solidariedade, amor ao próximo, é tudo</p><p></p><p></p><p>Vídeo • 02�5</p><p>Música ou características</p><p>do Déficit de atenção?!</p><p></p><p></p><p>Teste</p><p>e para</p><p>conhe</p><p>ntelig</p><p>Teste das</p><p>idaam.ed</p><p>ntelig</p><p>Resultado</p><p>testeson</p><p></p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://youtu.be/EMnehHKkjPE</p><p>https://padlet.com/alinerussosir/sir-ah-sd-e3l6zfs3se1c69tk</p><p>https://padlet.com/alinerussosir/sir-ah-sd-e3l6zfs3se1c69tk</p><p>https://padlet.com/alinerussosir/sir-ah-sd-e3l6zfs3se1c69tk</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 44</p><p>destacar que o professor do AEE, mesmo com todo seu empenho,</p><p>não dará conta de suplementar em todas as áreas do conhecimento.</p><p>Em vista disso, ele precisará de parcerias, seja de outros profes-</p><p>sores, que podem ser do quadro profissional da própria escola ou</p><p>de outras instituições, como por exemplo de projetos de extensão</p><p>das Universidades. A busca de parcerias em diversas áreas enrique-</p><p>ce o processo de suplementação do currículo para os estudantes</p><p>AHSD nas mais diversas áreas do conhecimento.</p><p>Neste viés, cabe destacar que o fenômeno das AHSD pode coe-</p><p>xistir com outras condições, o que se caracteriza pela dupla con-</p><p>dição ou dupla excepcionalidade.</p><p>Entretanto, é de suma importância pontuar, desde já, que em</p><p>alguns casos extraordinários ocorrem a concomitância das</p><p>AHSD juntamente com alguma deficiência, TEA ou mesmo de</p><p>alguma Dificuldade de Aprendizagem (DA) ou Transtorno</p><p>específico como a dislexia, o Transtorno de Déficit de Atenção/</p><p>Hiperatividade – TDAH, entre outros). A qualquer uma das</p><p>condições supracitadas pode-se nomear como “dupla excep-</p><p>cionalidade”, “dupla condição”, “dupla necessidade educacional</p><p>especial”, entre outras. (BULHÕES 2018, p.187)</p><p>Sob esta condição, o sujeito que apresenta características tanto</p><p>das AHSD quanto de outra condição que coexiste, necessitarão que</p><p>o AEE atenda na intenção de</p><p>suplementar no que diz respeito à</p><p>condição das AHSD e de complementar no que diz respeito a sua</p><p>outra condição.</p><p>As pessoas que apresentam uma dupla condição constituem</p><p>um público extremamente complexo em relação ao atendimento</p><p>educacional, pois seu funcionamento pode ser exemplificado como</p><p>um cabo de guerra. O funcionamento é divergente, por meio das</p><p>condições discrepantes que englobam a dupla condição, o sujeito</p><p>parece funcionar como estando em um cabo de guerra, ou seja,</p><p>sendo puxado para os dois lados. Muitos sujeitos nesta condição</p><p>acabam ficando duplamente excluídos, pois não se identifica nem</p><p>a condição de Altas Habilidades ou Superdotação, muito menos</p><p>a outra condição específica.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quer saber mais sobre o ensino colaborativo no</p><p>desenvolvimento de estudantes com AHSD.</p><p>Acesse: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/4137</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação45</p><p>Nesses casos é de suma importância o olhar diferenciado atra-</p><p>vés da avaliação e atendimento multiprofissional, visto que muitas</p><p>vezes as áreas de potência de um estudante ficam minimizadas de-</p><p>vido a uma dificuldade de externalizar suas aprendizagens. Muitos</p><p>desses estudantes são atendidos pelo AEE de forma complementar</p><p>— por apresentar um funcionamento deficiênte ou com caracte-</p><p>rísticas do Transtorno do Espectro Autista — e do atendimento</p><p>suplementar — devido aos comportamentos de AHSD. Essa es-</p><p>pecificidade na condição de desenvolvimento do sujeito deve ser</p><p>trabalhada por uma equipe multiprofissional na instituição esco-</p><p>lar e claro, acompanhada de profissionais do campo clínico, que</p><p>podem contribuir em aspectos relacionados ao desenvolvimento</p><p>do estudante. Dentre os profissionais, destacam-se os psicólogos,</p><p>psiquiatras, fonoaudiólogos, pediatras, neurologistas, fisioterapeu-</p><p>tas e outros profissionais necessários ao desenvolvimento pleno</p><p>deste sujeito.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A partir de um tímido aumento no número de pesquisas empíricas sobre a relação</p><p>entre as Altas Habilidades e Superdotação e o TDAH, apresenta-se um recorte do</p><p>estudo piloto da dissertação de mestrado da primeira autora, caracterizada como um</p><p>estudo metodológico do tipo estudo de caso quanti-qualitativo. Foram participantes</p><p>um estudante precoce com comportamento superdotado e seus respectivos pais, tendo</p><p>por objetivo geral da pesquisa, identificar indicadores de Superdotação e TDAH. Os</p><p>específicos foram: identificar indicadores de Superdotação e de TDAH, pela avaliação dos</p><p>pais; avaliar o repertório de Habilidades Sociais, pela avaliação dos pais e do protocolo</p><p>de autoavaliação; realizar uma identificação preliminar de dupla excepcionalidade.</p><p>Acesse: https://doi.org/10.36311/2358-8845.2020.v7n1.p101</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://doi.org/10.36311/2358-8845.2020.v7n1.p101</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 46</p><p>6. A DOCÊNCIA E O PROCESSO DE</p><p>ESCOLARIZAÇÃO DE ALUNOS COM ALTAS</p><p>HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO</p><p>Afirmar a docência no Atendimento Educacional Especializado</p><p>de estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação mobiliza,</p><p>no senso comum, alguns questionamentos, entre eles:</p><p>• Então você tem superdotação também?</p><p>• Como você pensa a suplementação em tantas áreas diferentes?</p><p>• Você trabalha com os alunos TOP da escola!</p><p>Em vista de mobilizar o pensamento na contramão do senso</p><p>comum, tensionamos brevemente sobre o que é necessário para o</p><p>professor trabalhar com estudantes AHSD ou com dupla condição?</p><p>Segundo Martins e Alencar (2011, p. 33), a docência com alunos</p><p>com Altas Habilidades ou Superdotação requer que o profissional</p><p>mobilize de forma mais incisiva os atributos de personalidade e</p><p>motivação que propriamente as habilidades intelectuais. Neste</p><p>viés, indicamos alguns aspectos importantes para a docência jun-</p><p>to a estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação:</p><p>• Adotar uma postura de facilitador;</p><p>• Ser Flexível;</p><p>• Fomentar a pesquisa e a imaginação;</p><p>• Estar aberto à novas ideias;</p><p>• Divertir-se com seus alunos;</p><p>• Permitir que sejam apresentadas e exploradas ideias dife-</p><p>rentes das suas;</p><p>• Promover que os estudantes sejam protagonistas;</p><p>• Ser inovador;</p><p>• Ser um bom ouvinte;</p><p>• Priorizar elogios às críticas;</p><p>• Entender e trabalhar com o erro como um processo.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação47</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para compreender de forma mais aprofundada aspectos que contemplam a</p><p>docência na educação de alunos com Altas Habilidades ou Superdotação,</p><p>indicamos a leitura do artigo que aborda as Características desejáveis</p><p>em professores de alunos com altas habilidades/superdotação</p><p>MARTINS, Alexandra da Costa Souza; ALENCAR, Eunice Soriano de Alencar.</p><p>Características desejáveis em professores de alunos com altas habilidades/</p><p>superdotação. Revista Educação Especial, vol. 24, núm. 39, Janeiro-Abril, 2011,</p><p>p. 31-45 Universidade Federal de Santa Maria Santa Maria, Brasil.</p><p>Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/3131/313127401003.pdf</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 48</p><p>João feijão, o talentoso amigão: lidando com</p><p>a superdotação no ambiente escolar</p><p>João Feijão, o talentoso amigão é uma história fascinante sobre o</p><p>universo da superdotação. Com base em situações reais vivenciadas</p><p>por superdotados e observadas ao longo da trajetória profissional da</p><p>autora, a obra apresenta características e</p><p>desafios presentes na vida dos talentosos.</p><p>Desenvolvida para superdotados, colegas</p><p>de escola, pais, professores e clínicos, a</p><p>obra oferece anexos com atividades para</p><p>que os leitores possam aprender mais so-</p><p>bre a inteligência e mapear as habilidades</p><p>de indivíduos com superdotação. Este li-</p><p>vro dispõe de formulários digitais.</p><p>Karina Paludo, 2023.</p><p>A menina superdotada</p><p>Neste livro, o autor propõe que quem tem</p><p>dificuldade na escola sofre, mas é ajuda-</p><p>do. Quem tem facilidade na escola sofre</p><p>também. Só que ninguém ajuda. O aluno</p><p>inteligente demais não recebe atenção, é</p><p>posto de lado - pela professora, que não</p><p>deixa mais ele responder, já que sempre</p><p>acerta. Pelos colegas, que ficam com in-</p><p>veja de suas notas altas e rapidez de ra-</p><p>ciocínio. Pelos pais, que não acreditam</p><p>que o filho pode saber tanto. Conheça</p><p>as dificuldades de Cínthya, uma menina</p><p>superdotada, discriminada por não errar.</p><p>Fabrício Carpinejar, 2011</p><p>7. SUGESTÕES DE LITERATURA INFANTIL SOBRE A</p><p>TEMÁTICA DAS ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação49</p><p>Miguel</p><p>“Miguel” conta a história de um</p><p>menino diferente, que por ser dif-</p><p>erente é muito criticado. Até que um</p><p>dia... Miguel tem sucesso... e aí o que</p><p>as pessoas dizem?</p><p>Tony Bradman, 2000</p><p>Antônia e os cabelos que</p><p>carregavam os segredos</p><p>do universo</p><p>Na obra Antônia e os cabelos que</p><p>carregavam os segredos do Uni-</p><p>verso, uma criança negra chamada</p><p>Antônia, de origem afrodescenden-</p><p>te, que nasceu e mora na região nor-</p><p>destina do Brasil vive a perguntar</p><p>sobre o mundo que a cerca. Ela tem</p><p>em seu corpo e em sua mente todas</p><p>as marcas e as memórias dos seus</p><p>ancestrais negros africanos, além do</p><p>marcador linguístico, impresso por</p><p>meio do sotaque do povo nordes-</p><p>tino, indicando outros falares das</p><p>populações brasileiras.</p><p>Alan Alves Brito, 2022</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://www.google.com.br/search?hl=pt-PT&tbo=p&tbm=bks&q=inauthor:%22Tony+Bradman%22&source=gbs_metadata_r&cad=2</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 50</p><p>Antônia e a caça ao tesouro cósmico</p><p>O livro Antônia e a Caça ao Tesouro Cósmico traz, primeiro, dos escombros da invisibi-</p><p>lidade das escolas públicas, crianças e adolescentes com indicadores de altas habilidades</p><p>e superdotação. O livro lança um novo olhar à educação de ciências, principalmente no</p><p>que tange à discussão de conceitos de Física e Astronomia na adolescência e na educação</p><p>básica. Este livro apresenta</p><p>Antônia, uma garota do Brasil profundo e que apresenta indi-</p><p>cadores de Altas Habilidades. Antônia traz consigo muitas dúvidas acerca do Universo.</p><p>Ao longo do livro, sua família, escola, medos, sonhos e questionamentos são revelados de</p><p>forma arrebatadora. Utilizando de figuras de linguagem, arte e poesia, o livro aproxima-se</p><p>de abstrações e ponderações científicas de uma menina que, apesar de suas habilidades</p><p>intrínsecas, tem dúvidas sobre a vida e sobre a natureza. Em Urânia, uma astrônoma</p><p>profissional, Antônia encontra, talvez, o seu próprio espelho. O livro é um convite à re-</p><p>flexão e ao diálogo com a ciência do dia a dia. A leitura deste livro é indispensável para</p><p>todos aqueles e aquelas que, inde-</p><p>pendentemente da idade, desejam</p><p>se conectar às novas ideias, aos re-</p><p>sultados observacionais e experi-</p><p>mentais e aos desafios da ciência</p><p>moderna e contemporânea. Trata-</p><p>se de um livro essencialmente hu-</p><p>mano, em que seus personagens</p><p>são gente como a gente, de carne</p><p>e osso, dispostos a nos conduzir</p><p>em busca de preciosos tesouros do</p><p>Universo.</p><p>Alan Alves Brito, 2022</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação51</p><p>8. Associação Gaúcha de Apoio às Altas</p><p>Habilidades ou Superdotação</p><p>No que diz respeito à organização da sociedade civil, enquanto uma esfera</p><p>da vida humana, marcada pela associação de pessoas em prol de um objetivo</p><p>comum, busca-se, naquilo que diz respeito aos alunos com Altas Habilidades</p><p>ou Superdotação, defender causas de interesse público, influenciar políticas</p><p>públicas, atuar com grupos e comunidades, lutar pela efetivação de direitos</p><p>sociais. Entende-se, nesta perspectiva, que o contexto familiar pode levar ao</p><p>reconhecimento de comportamentos de superdotação ou, até mesmo, estimu-</p><p>lar determinadas áreas de habilidades em detrimento de outras. Para isso, a</p><p>estrutura familiar organizada e preparada para atender as demandas do sujeito</p><p>com Altas Habilidades ou Superdotação torna-se crucial.</p><p>Destaca-se que algumas atitudes familiares que ajudam no desenvolvimento</p><p>do sujeito com Altas Habilidades ou Superdotação compreendem o estímulo</p><p>à autoconfiança, à independência, ao encorajamento a novas experiências,</p><p>ao favorecimento de pensamento crítico no lugar do punitivo, entre outras.</p><p>Nenhuma destas ações está relacionada à condição econômica da família e</p><p>pode ser realizada por todos aqueles que estão engajados no desenvolvimento</p><p>do sujeito com Altas Habilidades ou Superdotação.</p><p>Em vista deste estímulo ao desenvolvimento do sujeito com Altas Habilidades</p><p>ou Superdotação, no mês de outubro do ano de 1981, durante o IV Seminário</p><p>Nacional Sobre Superdotados, realizado em Porto Alegre, foi constituída a</p><p>Associação Brasileira para Superdotados (ABSD-RS). Mais tarde, em 2004, seu</p><p>nome foi alterado para Associação Gaúcha de Apoio às Altas Habilidades/</p><p>Superdotação (AGAAHSD).</p><p>A AGAAHSD é uma Organização Não Governamental que tem por objetivo</p><p>mobilizar processos e práticas em prol da efetivação dos direitos das pessoas</p><p>com Altas Habilidades ou Superdotação. A Associação é constituída pelas</p><p>próprias pessoas AHSD, seus pais e familiares, profissionais da área da educa-</p><p>ção, pessoas interessadas no tema e pesquisadores. Ao longo de sua história,</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para conhecer melhor a Associação Gaúcha de Apoio às Altas</p><p>Habilidades/Superdotação (AGAAHSD) acesse suas redes sociais:</p><p>https://www.facebook.com/profile.php?id=100064421632795&mibextid=ZbWKwL</p><p>E-mail: agaahsdaltashabilidades@gmail.com</p><p>Ou ainda no seguinte endereço eletrônico:</p><p>http://www.agaahsd.com.br</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://www.facebook.com/profile.php?id=100064421632795&mibextid=ZbWKwL</p><p>mailto:agaahsdaltashabilidades@gmail.com</p><p>http://www.agaahsd.com.br</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 52</p><p>a AGAAHSD vem trabalhando na busca de melhorias nas políticas</p><p>públicas, acolhendo e procurando contribuir com as famílias, educa-</p><p>dores e com a sociedade para que os sujeitos com Altas Habilidades</p><p>ou Superdotação saiam da condição de invisibilidade.</p><p>Na busca de reivindicar direitos e difundir o tema, bem como</p><p>promover a integração das famílias, professores e população, a</p><p>AGAAHSD, juntamente com outras instituições parceiras, promove</p><p>palestras, oficinas, workshops, seminários, capacitações, fóruns mu-</p><p>nicipais e estaduais, audiências públicas, entre outros eventos que</p><p>abordem aspectos relacionados aos sujeitos com Altas Habilidades</p><p>ou Superdotação.</p><p>Em 1996, a AGAAHSD organizou o Encontro Estadual Repensando</p><p>a Inteligência, que ocorria bienalmente. No ano de 2000, organizou</p><p>o XIII Seminário Nacional da ABSD, o I Congresso Mercosul sobre</p><p>Altas Habilidades/Superdotação e também o I Congresso de Jovens</p><p>Portadores de Altas Habilidades/Superdotação5. A segunda edição</p><p>deste evento ocorreu em 2008, na cidade de Canela no estado do Rio</p><p>Grande do Sul.</p><p>Entre algumas conquistas, pode-se citar a realização do Curso</p><p>de Capacitação de Educação Especial na área de Altas Habilidades/</p><p>Superdotação, realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do</p><p>Sul (UFRGS) em 2002. A implantação da Política Educacional para</p><p>alunos com AHSD e das 28 salas de recursos para desenvolvimento</p><p>de potenciais no Estado do Rio Grande do Sul. Em 2001, a AGAAHSD</p><p>desenvolveu um Estudo de Prevalência de Alunos AHSD na região</p><p>metropolitana de Porto Alegre, que chegou à estimativa de 7,78% de</p><p>pessoas AHSD.</p><p>Tendo em mente a necessidade de discussão e criação de Políticas</p><p>Públicas para a identificação das AHSD, a ampliação e qualificação</p><p>do atendimento nos aspectos emocionais e pedagógicos desse pú-</p><p>blico, no dia 22 de novembro de 2019, foi instituída, junto à Câmara</p><p>Municipal de Porto Alegre, a Frente Parlamentar em Defesa dos</p><p>Direitos das Pessoas com Altas Habilidades ou Superdotação. Esta</p><p>Frente Parlamentar tem por objetivo ressaltar a importância do debate</p><p>e propor encaminhamentos ao desenvolvimento dos sujeitos com</p><p>Altas Habilidades ou Superdotação.</p><p>Em de 3 de março de 2021 foi aprovada a lei nº 12.815, que institui a</p><p>Política Municipal de Educação Especial na Perspectiva da Educação</p><p>Inclusiva e o atendimento especializado aos estudantes identificados</p><p>com altas habilidades e superdotação no Município de Porto Alegre.</p><p>5 O termo “portadores” não pode mais ser utilizado para definir uma pessoa com AHSD, sendo</p><p>usado no nome desse congresso por conta da época em que ocorreu.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação53</p><p>Também está em andamento o trabalho da Comissão, composta</p><p>por profissionais de diversas instituições na elaboração do Plano</p><p>Decenal dos Direitos Humanos das Pessoas com Altas Habilidades/</p><p>Superdotação, que tem por objetivo estabelecer uma política estadual</p><p>para 10 anos, visando a efetivação dos direitos das pessoas com Altas</p><p>Habilidades ou Superdotação e a melhoria de suas condições de vida.</p><p>Para tanto, estão sendo desenvolvidas diretrizes, ações e metas, com</p><p>a construção de indicadores de monitoramento das políticas públicas</p><p>a fim de que se verifique a execução e o resultado das propostas.</p><p>8.1. Agosto Laranja</p><p>Com o intuito de estimular o debate para a construção de um sis-</p><p>tema educacional que una o ensino regular na classe comum e a edu-</p><p>cação especial, tendo como foco os estudantes com Altas Habilidades</p><p>ou Superdotação, foi criado o mês comemorativo das AHSD. Assim, o</p><p>mês de Agosto, denominado Agosto Laranja, contempla um marco</p><p>anual de desenvolvimento de ações temáticas voltadas para a reflexão</p><p>e a realização de atividades relacionadas ao tema. A Lei entrou em</p><p>vigor no dia 25 de setembro de 2020.</p><p>Destaca-se que a escolha pela cor laranja foi realizada após estudo</p><p>das cores e de sua simbologia. Trata-se de uma cor quente associada</p><p>à criatividade, pois o seu uso desperta o cérebro e auxilia no processo</p><p>de assimilação de novas ideias, representando, assim, a inteligência.</p><p>Segundo especialistas do campo da neurociência, a cor laranja é a</p><p>melhor cor para estimular o aprendizado. Outros acreditam que ela</p><p>produz efeito revigorante, estimulando a atividade mental.</p><p>Além disso, a cor laranja também apresenta influência sobre a</p><p>psicologia humana, pois representa coragem, determinação e von-</p><p>tade. É um estimulante para a ação, sendo uma boa ferramenta para</p><p>despertar a atenção. Logo, se torna uma ótima opção usá-la para</p><p>transmitir mensagens, pois a probabilidade do receptor ser impac-</p><p>tado será maior.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para compreender de forma mais ampla a Política municipal</p><p>de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva e o</p><p>atendimento especializado aos estudantes identificados com altas</p><p>habilidades e superdotação no Município de Porto Alegre.</p><p>Acesse: Lei Ordinária 12815 2021 de Porto Alegre RS</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://leismunicipais.com.br/a/rs/p/porto-alegre/lei-ordinaria/2021/1282/12815/lei-ordinaria-n-12815-2021-institui-a-politica-municipal-de-educacao-especial-na-perspectiva-da-educacao-inclusiva-e-o-atendimento-especializado-aos-estudantes-identificados-com-altas-habilidades-e-superdotacao-no-municipio-de-porto-alegre</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 54</p><p>FILMOGRAFIA</p><p>Título: A Família do Futuro</p><p>Ano: 2007</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: Stephen J. Anderson</p><p>Sinopse: Lewis é um menino que adora fazer invenções, uma destas é uma máquina</p><p>do tempo com o intuito de ajudá-lo a encontrar sua mãe biológica, mas no desenrolar</p><p>da história muita coisa irá acontecer. Nesta animação é possível perceber a super-</p><p>dotação criadora do personagem principal que é estimulada por processos afetivos.</p><p>Título: Menina de Barro</p><p>Ano: 2017</p><p>Indicação: 12 anos</p><p>Diretor: Thays Elinne</p><p>Sinopse: Diana é uma menina de 12 anos superdotada que carrega consigo os es-</p><p>tigmas de ser assim, devido a viver esses estigmas, ela busca combater o Bullying</p><p>de sua escola, mas para isso terá que bater de frente com toda a estrutura de apatia</p><p>que tentará impedi-la de seguir seu coração.</p><p>Título: O Jeremias</p><p>Ano: 2015</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: Anwar Safa</p><p>Sinopse: Jeremias é uma criança de 8 anos extremamente inteligente. Quando des-</p><p>cobre que que é um gênio, com um Q.I. acima do normal, ele luta para ser bem</p><p>sucedido, apesar da ignorância e pobreza da sua família, cujo pai tenta lucrar com a</p><p>genialidade do filho. Aos 8 anos, ele precisa antecipar uma das mais difíceis questões</p><p>da vida e desvendar o que deseja ser quando crescer.</p><p>Título: Uma viagem extraordinária</p><p>Ano: 2014</p><p>Indicação: Não indicado para menores de 10 anos</p><p>Diretor: Jean-Pierre Jeunet</p><p>Sinopse: Aos doze anos de idade, T.S. Spivet é um garoto superdotado, apaixonado</p><p>por cartografia. Quando ele ganha um prêmio científico prestigioso, o garoto decide</p><p>abandonar sua família em Montana para atravessar sozinho aos Estados Unidos,</p><p>até chegar a Washington. O único problema é que o júri não sabe que o vencedor</p><p>ainda é uma criança.</p><p>Título: Joy: o nome do sucesso</p><p>Ano: 2016</p><p>Indicação: Não indicado para menores de 10 anos</p><p>Diretor: David O. Russel</p><p>Sinopse: Criativa desde a infância, Joy Mangano (Jennifer Lawrence) entrou na</p><p>vida adulta conciliando a jornada de mãe solteira com a de inventora e tanto fez</p><p>que tornou-se uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação55</p><p>Título: Um laço de amor (Gifted)</p><p>Ano: 2017</p><p>Indicação: 12 anos</p><p>Diretor: Marc Webb</p><p>Sinopse: Frank Adler cria sua sobrinha Mary, menina de 7 anos superdotada inte-</p><p>lectualmente, e planeja oferecer a ela uma vida escolar normal, porém as habilidades</p><p>matemáticas de Mary chamam a atenção da mãe de Frank, Evelyn, que elabora</p><p>outros planos para a neta, os quais podem separá-la do tio.</p><p>Título: Amadeus</p><p>Ano: 1984</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: Milos Forman</p><p>Sinopse: Salieri, após tentar suicidar-se, confessa-se para um padre sobre o seu</p><p>repúdio à Mozart, nesta narrativa conta sobre sua trajetória de vida com ele. Nesta</p><p>narrativa, podemos observar a facilidade com a qual Mozart compunha suas bri-</p><p>lhantes obras.</p><p>Título: A Rede Social</p><p>Ano: 2010</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: David Fincher</p><p>Sinopse: Mark Zuckerberg é co-fundador da rede social Facebook e foi a partir desta</p><p>criação que ele se torna um dos magnatas mais conhecidos atualmente, está narrativa</p><p>traz a sua inteligência acadêmica e seus traços de lideranças nessa invenção, além</p><p>de aflorar discussões sobre questões de cunho social, afetivo e ético.</p><p>Título: O Auto da Compadecida</p><p>Ano: 2000</p><p>Indicação: 12 anos</p><p>Diretor: Guel Arraes</p><p>Sinopse: João Grilo e Chicó são dois homens nordestinos que diariamente lutam</p><p>pela sua sobrevivência, tudo muda quando os dois presenciam a aparição da Nossa</p><p>Senhora. Esta comédia ressalta a criatividade.</p><p>Título: Pelé Eterno</p><p>Ano: 2004</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: Anibal Massaíni Neto</p><p>Sinopse: Edison Arantes do Nascimento, conhecido mundialmente como “Pelé, o</p><p>rei do futebol” tem sua história contada neste documentário através de entrevistas,</p><p>depoimentos e narração de épocas marcantes na vida dele, neste pode-se observar a</p><p>trajetória de um gênio, o qual sua habilidade deixou marcas importantes no campo</p><p>psicomotor da superdotação.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 56</p><p>Título: Coco Antes de Chanel</p><p>Ano: 2009</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: Anne Fontaine; Camille Fontaine</p><p>Sinopse: Crescida em um orfanato, foi fazendo bainha nos fundos de uma alfaia-</p><p>taria, juntamente com uma cantora de cabaré e recusando-se a casar que Gabrielle</p><p>revoluciona o mundo da moda ao passar a se vestir com roupas masculinas. Este</p><p>filme conta um pouco da história da estilista Gabrielle Bonheur, mais conhecida</p><p>como “Coco Chanel”, o qual ajuda a pensar sobre a superdotação artística e cria-</p><p>dora dela.</p><p>Título: Como Estrelas na Terra</p><p>Ano: 2007</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: Aamir Khan</p><p>Sinopse: O garoto Ishaan é levado a um internato por seus pais após receberem</p><p>várias reclamações sobre a “falta de compromisso” nas tarefas que lhe eram enviadas</p><p>para serem feitas, neste orfanato ele tem casualidade de encontrar um professor</p><p>substituto, atento, que descobre que algo está acontecendo com Ishaan, assim co-</p><p>meça a desenvolver atividades inclusivas. Este filme é excelente para discutir sobre</p><p>a pedagogia do professor e também sobre os atritos nas relações sociais que uma</p><p>pessoa com dislexia e superdotação pode vir a enfrentar.</p><p>Título: Edward Mãos de Tesoura</p><p>Ano: 1991</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: Tim Burton</p><p>Sinopse: Vincent Price era um inventor que faleceu antes de colocar mãos na sua</p><p>invenção Edward, desta forma, obtendo lâminas nos lugares das mãos, Edward não</p><p>se aproxima da sociedade pois tem medo de ser rejeitado, desta forma ele expressa</p><p>seus sentimentos fazendo esculturas em árvores. certo dia, uma revendedora de</p><p>cosméticos vai até o castelo e conhece Edward, a partir de então tudo começa a</p><p>mudar para ambos. Este filme traz discussões muito interessantes, através dele é</p><p>possível discutir sobre preconceitos, diferenças, inadaptação social e como pode-se</p><p>expressar-se através da arte.</p><p>Título: Em Busca da Terra do Nunca</p><p>Ano: 2005</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: Marc Forster</p><p>Sinopse: O filme conta o recorte da vida de Sir James Matthew Barrie ou J.M.</p><p>Barrie, no qual passa pelo processo criativo da peça literária e teatral Peter Pan. É</p><p>uma excelente obra que possibilita além de conhecer a história da peça Peter Pan</p><p>também notar como aconteceu esse processo criativo.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação57</p><p>Título: Gênio Indomável</p><p>Ano: 1998</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: Gus Van Sant</p><p>Sinopse: Matt Damon é um jovem com o nome fichado na polícia que passa por</p><p>tratamentos terapêuticos, até que começa a trabalhar em uma universidade e des-</p><p>cobre-se um gênio matemático. É um filme que permite discutir sobre aceitação</p><p>social, oportunidade social e inteligência acadêmica.</p><p>Título: Gandhi</p><p>Ano: 1982</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: Richard Attenborough</p><p>Sinopse: Este filme conta a história de Mohandas Karamchand Gandhi, mais co-</p><p>nhecido como líder espiritual Mahatma Gandhi. Esta obra nos ajuda a pensar sobre</p><p>questões éticas e morais que envolvem a superdotação.</p><p>Título: Harry Potter</p><p>Ano: de 2001 até 2011</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: David Yates; Mike Newell; Alfonso Cuarón; Chris Columbus.</p><p>Sinopse: Esta saga é composta por oito filmes e livros que contam a história de um</p><p>menino órfão de 10 anos que vivia muito infeliz na casa de seus tios, um certo dia</p><p>ele é convidado. através de uma carta, á estudar em Hogwarts, uma escola de bru-</p><p>xos, lá ele começa a conhecer um mundo cheio de magia e aventuras. Nestas obras</p><p>podemos observar uma metáfora das habilidades superiores das crianças que em</p><p>um mundo sem magia não se pode notar. Podem ser discutidos diversos assuntos</p><p>sociais, éticos, de criatividade e também emocionais.</p><p>Título: Jimmy Neutron: O Menino Gênio</p><p>Ano: 2022</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: John A. Davis</p><p>Sinopse:Jimmy é um menino muito inteligente que tem dificuldades de se relacionar</p><p>com as outras pessoas, mas esse cenário muda quando os pais de todas as crianças são</p><p>sequestrados por alienígenas, situação que faz com que Jimmy mostre sua inteligência</p><p>e capacidade de liderança. Além de ser uma animação atual, traz a possibilidade de</p><p>discutir sobre muitas questões que transitam as altas habilidades e/ou superdotação.</p><p>Título: Lances Inocentes</p><p>Ano: 1993</p><p>Indicação: 10 anos</p><p>Diretor: Steven Zaillian</p><p>Sinopse: Esse filme retrata o dilema dos pais de um menino prodígio que é um</p><p>gênio no xadrez. Neste dilema os pais não sabem se ajudam o menino a desenvol-</p><p>ver suas habilidades ou deixam que ele se desenvolva como uma criança que não é</p><p>prodígio. Esta obra permite que possamos discutir sobre a inseguranças familiar e</p><p>seus aspectos afetivos e também sobre as habilidades acadêmicas do menino.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 58</p><p>Título: Menina de Ouro</p><p>Ano: 2005</p><p>Indicação: 12 anos</p><p>Diretor: Clint Eastwood</p><p>Sinopse: Maggie Fitzgerald é uma mulher determinada que quer lutar boxe, contudo ao</p><p>encontrar uma academia se depara com a negativa de Frankie Dunn, pois ele não treina</p><p>mulheres e julga Maggie estar velha demais para ir para o ringue, contudo, ela continua</p><p>a treinar na academia e ao ver as habilidades psicomotoras dela, Frankie passa por cima</p><p>de seus preconceitos e decide treina-lá. Este filme é muito interessante para discutir</p><p>sobre barreiras atitudinais, machismo e as questões socioemocionais da protagonista.</p><p>Título: Mentes que Brilham</p><p>Ano: 2020</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: Jodie Foster</p><p>Sinopse: Fred Tate é um menino precocemente inteligente em matemática e artes</p><p>e ele sabe disse, reconhecendo também as responsabilidades que estas habilidades</p><p>trazem para si, contudo, sua mãe é insegura quanto às implicações sociais e emo-</p><p>cionais estas habilidades pode gerar, de forma que ao tentar proteger seu filho, ela</p><p>limita seus potenciais. É uma excelente alternativa para refletir e discutir sobre as</p><p>questões que circundam a vida de uma pessoa com altas habilidades.</p><p>Título: O Som do Coração</p><p>Ano: 2008</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: Kirsten Sheridan</p><p>Sinopse: Crescido em um orfanato, August Rush, um jovem provido de um dom</p><p>musical fascinante, usa esse talento para reencontrar seus pais. A partir desta obra</p><p>é possível discutir sobre o quanto as implicações motivacionais e afetivas podem</p><p>mobilizar uma pessoa.</p><p>Título: Shine - Brilhante</p><p>Ano: 1996</p><p>Indicação: 18 anos</p><p>Diretor: Robert Scott Hicks</p><p>Sinopse: Um brilhante pianista anônimo entra em um bar completamente perdido</p><p>e é acolhido pela dona do mesmo que ao conhecê-lo um pouco melhor percebe</p><p>seu “dom”. Este filme traz a narrativa de uma pessoa superdotada com problemas</p><p>psiquiátricos, onde o personagem principal além de ter que atender as altas expec-</p><p>tativas do pai precisa se adequar às regras.</p><p>Título: Sociedade dos Poetas Mortos</p><p>Ano: 1990</p><p>Indicação: 12 anos</p><p>Diretor: Peter Weir</p><p>Sinopse: A tradicional escola preparatória Welton Academy leva um choque estru-</p><p>tural quando um ex-aluno retorna como professor e começa a incentivar os alunos</p><p>a pensar por si. Esta obra traz para discussão questões que envolvem a atuação do</p><p>professor e o impacto de sua afetividade para/com os alunos, além disso, pode-se</p><p>refletir sobre motivação, ética, criatividade e a importância da arte.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação59</p><p>Título: Uma Mente Brilhante</p><p>Ano: 2002</p><p>Indicação: 12 anos</p><p>Diretor: Ron Howard</p><p>Sinopse: O gênio matemático John Nash formula um teorema que o leva a ser</p><p>reconhecido. Contudo sua arrogância o torna um homem sofrido e atormentado,</p><p>levando-o a ser diagnosticado com esquizofrenia, porém tudo começa a mudar</p><p>quando ele consegue retornar à sociedade e acaba ganhando um prêmio Nobel. Esta</p><p>narrativa traz a história de vida de John Forbes Nash Jr. que apesar de ser diagnosti-</p><p>cado com esquizofrenia também era um homem superdotado, desta forma pode-se</p><p>ser discutidas várias questões sociais, emocionais e culturais.</p><p>Título: Chorão: Marginal Alado</p><p>Ano: 2021</p><p>Indicação: 14 anos</p><p>Diretor: Felipe Novaes</p><p>Sinopse: Chorão foi o líder da banda Charlie Brown Jr. é apresentado neste docu-</p><p>mentário que conta sua história de vida e seus momentos mais marcantes como</p><p>líder da banda. Aqui podemos observar a história de um dos maiores compositores</p><p>nacionais, fato que pode nos ajudar a discutir o quanto as artes influenciam para nos</p><p>ajudar a expressar nossas perspectivas de vida e outras inúmeras questões sociais</p><p>e culturais.</p><p>Título: O Corajoso Ratinho Despereaux</p><p>Ano: 2009</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: Sam Fell e Robert Stevenhagen</p><p>Sinopse: Nesta animação podemos ver Despereaux, um ratinho muito inteligente</p><p>que foi banido de sua comunidade por ser corajoso em uma organização social que</p><p>era obrigada a sentir medo de tudo que lhes eram tido como ameaça. Assim ele é</p><p>jogado para o mundo das ratazanas, lá ele precisa sobreviver e acaba fazendo coisas</p><p>incríveis dada a sua habilidade de criatividade e coragem. Esta animação pode nos</p><p>abrir a possibilidade de discutir várias questões socioemocionais que permeiam a</p><p>capacidade de pensar fora da caixa.</p><p>SÉRIES</p><p>Título: The Big Bang Theory</p><p>Ano: 2007-2019</p><p>Indicação: 12 anos</p><p>Diretor: Bill Prady e Chuck Lorre</p><p>Sinopse: A série conta a vida de Leonard e Sheldon que são dois brilhantes físicos</p><p>que moram juntos e trabalham no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Pelo fato</p><p>de Leonard vir de uma família de prodígios, ele precisa lidar com a alta expectativa</p><p>que seus parentes depositam em tudo que ele faz. Já Sheldon é um renomado Dr.</p><p>que veio do Texas e apesar de não ter tanta pressão familiar, tem muita dificuldade</p><p>em lidar com a vida social. É uma excelente opção de entretenimento que possibilita</p><p>discutir sobre relações sociais.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 60</p><p>Título: The Good Doctor</p><p>Ano: Desde 2017</p><p>Indicação: 12 anos</p><p>Diretor: David Shore</p><p>Sinopse: The Good Doctor é uma série em andamento que conta a história de</p><p>Shaun Murphy, um jovem doutor que tem um distúrbio psíquico raro chamado de</p><p>Savantismo, muito detalhista ele trabalha na ala pediátrica de um hospital renoma-</p><p>do, mas Murphy tem dificuldade de se relacionar com as pessoas, a questão que</p><p>permeia a série é o quanto isso pode ou não ser um problema para salvar as vidas.</p><p>Título: Uma Advogada Extraordinária</p><p>Ano: Desde 2022</p><p>Indicação: 16 anos</p><p>Diretor: Moon Ji Won</p><p>Sinopse: Woo Young Woo é uma mulher de 27 anos que tem um QI altíssimo, com</p><p>uma memória fotográfica muito aguçada e também TEA (Transtorno do Espectro</p><p>Autista), Woo se torna uma Advogada que atua em casos criminais incomuns. Pelo</p><p>fato de ela não ter uma boa interação social, passa por diversas situações que geram</p><p>consequências na sua vida e seu desenvolvimento. Dessa forma a série gira em torno</p><p>da vida de Woo e é uma ótima oportunidade de perceber as altas habilidades</p><p>e o TEA</p><p>por uma óptica de vida feminina, fator que gera diversas discussões sobre assuntos</p><p>vários assuntos que podem ir desde questões políticas à questões emocionais.</p><p>Título: This is Us</p><p>Ano: Desde 2016</p><p>Indicação: 14</p><p>Diretor: George Tillman Jr</p><p>Sinopse: This is Us, série dramática que acompanha o cotidiano da família Pearson</p><p>durante várias linhas do tempo diferentes. Depois da morte de um dos seus trigêmeos</p><p>durante o parte, o casal Rebecca e Jack decidem adotar um recém nascido que acabara</p><p>de ser resgatado pelos bombeiros. Durante os episódios, a série apresenta os problemas</p><p>e dilemas dos Pearsons enquanto uma família e também a vida particular de seus</p><p>filhos depois de adultos: Randall um advogado superdotado lidando com a volta de</p><p>seu pai biológico, Kevin , um belo ator de televisão buscando novas oportunidades no</p><p>teatro e Kate, uma mulher tentando lidar com seu peso e superar traumas da infância.</p><p>Título: Suits</p><p>Ano: 2011-2019</p><p>Indicação: 14</p><p>Diretor: James Whitmore Jr</p><p>Sinopse: Mike Ross é um garoto que abandonou a faculdade de direito mas, bri-</p><p>lhante como é, consegue uma entrevista com o respeitado Harvey Specter , um dos</p><p>melhores advogados de Manhattan. Quando percebe o talento nato e a memória</p><p>fotográfica do garoto, Harvey o contrata e, juntos, eles formam uma dupla imba-</p><p>tível. Mesmo sendo um gênio, Mike ainda tem muito a aprender sobre o Direito.</p><p>E mesmo sendo um advogado tão competente, Harvey irá aprender com sua nova</p><p>dupla a ver seus clientes de outra maneira. A princípio, ambos mentem para que</p><p>Mike possa trabalhar na firma Pearson Hardman, um escritório de advocacia com</p><p>uma política de aceitar apenas ex-alunos da Escola de Direito de Harvard. Além da</p><p>parceria no âmbito profissional, Harvey e Mike criam um forte laço de amizade um</p><p>com o outro à medida em que resolvem novos casos todos os dias.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação61</p><p>CURTA-METRAGEM</p><p>Título: Menina de Barro - Pela Educação e Pelo Cinema</p><p>Ano: 2014</p><p>Indicação: 10 anos</p><p>Diretor: Thays Elinne</p><p>Sinopse: Fazendo uma introdução ao filme Menina de Barro, esse curta explica o</p><p>que são as altas habilidades e/ou superdotação, sobre bullying e sobre a importância</p><p>da exibição deste filme nos ambientes escolares. É uma opção muito interessante</p><p>para trabalhar as altas habilidades e/ou superdotação, também o bullying nas escolas</p><p>e pelo fato de ser em uma linguagem atual, há a possibilidade de identificação dos</p><p>alunos para abrir margens para discussão de ambos assuntos e outros mais que</p><p>podem surgir ao longo do processo.</p><p>Título: Ex E.T</p><p>Ano: 2008</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: Benoit Bargeton, Nicolas Graça, Remy Froment e Yannick Lasfas</p><p>Sinopse: O curta de animação traz um E.T criança que desorganiza sua sociedade</p><p>devido a sua forma diferente de fazer as coisas. Através dele é possível discutir so-</p><p>bre nossos rituais, culturas e modo de ser, sobre a superproteção e frustração dos</p><p>pais em relação aos seus filhos e várias outras questões que podem ser trazidas ao</p><p>longo da discussão.</p><p>Título: Float (Flutuar)</p><p>Ano: 2019</p><p>Indicação: Livre</p><p>Diretor: Bobby Rubio</p><p>Sinopse: Este curta conta, sob uma perspectiva lúdica, a história de um pai que tem</p><p>um filho que flutua, devido a isso, ele esconde seu filho pois acredita que aquilo não</p><p>é algo dentro do padrão de normalidade, no entanto em dado momento o menino</p><p>consegue se soltar e começa a flutuar e todos vêm e ficam assustados. Diante dessa</p><p>situação o pai magoa o menino com suas palavras e ao ver o quanto o menino</p><p>sentiu aquilo ele deixa de esconder seu filho. Este é um curta lindo e emocionante</p><p>que permite falar sobre a pressão social sobre as pessoas com altas habilidades e/</p><p>ou superdotação e principalmente sobre o que é ser normal na nossa sociedade.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 62</p><p>Referências</p><p>ARMSTRONG, T. Inteligências múltiplas na sala de aula. Porto</p><p>Alegre: Penso, 2001.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação.Lei 9.394, de 20 de dezembro de</p><p>1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. dis-</p><p>ponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.</p><p>htm. Acesso em: 30 jul.2023.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação. Resolução CNE/CEB nº 2, de</p><p>11 de setembro de 2001. Institui Diretrizes Nacionais para a</p><p>Educação Especial na Educação Básica. Secretaria de Educação</p><p>Especial – MEC/SEESP, 2001. Disponível em: http://portal.</p><p>mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf. Acesso em: 05</p><p>jun. 2023.</p><p>BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de</p><p>Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.</p><p>Brasília, DF, jan. 2008. [Documento elaborado pelo Grupo</p><p>de Trabalho nomeado pela portaria n. 555/2007, prorrogada</p><p>pela portaria n. 948/2007, entregue ao ministro da Educação</p><p>em 7 de janeiro de 2008]. Disponível em: http://portal.mec.</p><p>gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso em: 30</p><p>jun. 2023.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação. Resolução CNE/CEB nº 4,</p><p>de 02 de outubro de 2009. Institui Diretrizes Operacionais</p><p>para o Atendimento Educacional Especializado na Educação</p><p>Básica, modalidade Educação Especial. Secretaria de Educação</p><p>Especial – MEC/SEESP, 2009. Disponível em: http://portal.</p><p>mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf . Acesso em: 05</p><p>jun. 2023.</p><p>BULHÕES, F. P. Altas Habilidades/Superdotação, deficiências e</p><p>transtornos de aprendizagem: interlocuções conceituais acerca</p><p>da concomitância desses fenômenos. Atendimento Educacional</p><p>Especializado. In: Atendimento Educacional Especializado para</p><p>as Altas habilidades/Superdotação. PAVÃO, A. C. O., PAVÃO,</p><p>S.M.O., NEGRINI, T. Santa Maria: FACOS-UFSM, 2018. p. 125-</p><p>156. Disponível em: http://repositorio.ufsm.br/handle/1/18762.</p><p>Acesso em: 14/07/2023.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm</p><p>http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf</p><p>http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf</p><p>http://repositorio.ufsm.br/handle/1/18762</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação63</p><p>BURNS, Deborah E. Altas habilidades/superdotação: manual para</p><p>guiar o aluno desde a definição de um projeto até o produto</p><p>final. Coordenação e revisão de Angela M. Rodrigues Virgolin;</p><p>tradução de Danielle Lossio de Araujo, Luiane Daufenbach</p><p>Amaral. Curitiba:Juruá, 2014.</p><p>COSTA, L. C. Alternativas de atendimento e estratégias de apoio</p><p>para os alunos com Altas habilidades/superdotação: rela-</p><p>ções entre o ensino comum e o Atendimento Educacional</p><p>Especializado. In: Atendimento Educacional Especializado para</p><p>as Altas habilidades/Superdotação. PAVÃO, A. C. O., PAVÃO,</p><p>S.M.O., NEGRINI, T. Santa Maria: FACOS-UFSM, 2018. p. 125-</p><p>156. Disponível em: http://repositorio.ufsm.br/handle/1/18762</p><p>Acesso em: 15/09/2022.</p><p>DAVIDSON, J. E. Contemporary Models of Giftedness. In:</p><p>SHAVININA, L. V. (Ed.). International Handbook on</p><p>Giftedness. Gatineau: Springer, 2009. p.81-97.</p><p>FREITAS, S. N; PÉREZ, S. G. P. B. Altas habilidades/superdotação:</p><p>atendimento especializado. Marília, SP: ABPEE, 2010.</p><p>GAGNÉ, Françoys. Construindo o talento a partir da dotação:</p><p>Breve visão do DMTG 2.0. Fev. 2009. Disponível em: https://</p><p>gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/portuguese. Acesso</p><p>em: 24 out. 2020.</p><p>GAGNÉ, Françoys. Building gifts into talents: Brief overview of the</p><p>DMGT. Out. 2020. Disponível em: https://gagnefrancoys.wixsite.</p><p>com/dmgt-mddt/the-dmgt-in-english. Acesso em: 25 jan. 2022.</p><p>GAGNÉ, Françoys. Differentiating Giftedness from Talent:</p><p>The DMGT Perspective on Talent Development. New York:</p><p>Routledge,</p><p>2021.</p><p>GARDNER, H. Estruturas da mente - a teoria das inteligências</p><p>múltiplas. Porto Alegre: Artmed, 1995.</p><p>MARTINS, Alexandra da Costa Souza; ALENCAR, Eunice Soriano</p><p>de. Características desejáveis em professores de alunos com al-</p><p>tas habilidades/ superdotação. Revista Educação Especial, vol.</p><p>24, núm. 39, Janeiro-abril, 2011, pp. 31-45. Universidade Federal</p><p>de Santa Maria. Santa Maria, Brasil.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>http://repositorio.ufsm.br/handle/1/18762</p><p>https://gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/portuguese</p><p>https://gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/portuguese</p><p>https://gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/portuguese</p><p>https://gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/the-dmgt-in-english</p><p>https://gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/the-dmgt-in-english</p><p>https://gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/the-dmgt-in-english</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 64</p><p>NEUMANN, Patrícia. Altas Habilidades/Superdotação e</p><p>Desenvolvimento Socioemocional. Revista Educação Especial</p><p>em Debate, v. 5 , n. 10, p. 15-36, jul./dez. 2020.</p><p>PÉREZ, S. G. P. B. Mitos e crenças sobre as pessoas com altas ha-</p><p>bilidades: alguns aspectos que dificultam o seu atendimento.</p><p>Revista Educação Especial, Santa Maria, v. 1, n. 1, p. 45-59, 2012.</p><p>Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/</p><p>article/view/5004. Acesso em: 20 mar. 2023.</p><p>RENZULLI, Joseph. O Que é Esta Coisa Chamada Superdotação</p><p>e Como a Desenvolvemos? Uma retrospectiva de vinte e cinco</p><p>anos. Educação, v. XXVII, n. 52, 2004, pp. 75-131. Disponível</p><p>em: https://www.marilia.unesp.br/Home/Extensao/papah/o-</p><p>-que-e-esta-coisa-chamada-superdotacao.pdf</p><p>RENZULLI, J. S. The Three-Ring Conception of Giftedness:</p><p>A Developmental Model for Promoting Creative Productivity.</p><p>In: STERNBERG, R. J.; DAVIDSON, J. E. (Ed.). Conceptions</p><p>of Giftedness. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press,</p><p>2005. p. 246-279.</p><p>RENZULLI, J. S. Reexaminando o papel da educação para superdota-</p><p>dos e o desenvolvimento de talentos para o século XXI: uma abor-</p><p>dagem teórica em quatro partes. In: VIRGOLIM, Ângela (org.).</p><p>Altas Habilidades/Superdotação: processos criativos, afetivos e</p><p>desenvolvimento de potenciais. Curitiba: Juruá, 2018. p. 19-42.</p><p>RENZULLI, J. S.; REIS, S. M. The Schoolwide Enrichment Model:</p><p>A How-to-Guide for Educational Excellence. 2. ed. Mansfield</p><p>Center: Creative Learning Press, 1997.</p><p>RENZULLI, Joseph; REIS, Sally M.; TOURÓN, Javier. El modelo</p><p>de enriquecimiento para toda la escuela: una guía práctica para</p><p>el desarrollo del talento. Logroño: Unir Editorial, 2021.</p><p>SABATELLA, M. L. P. Talento e Superdotação: problema ou so-</p><p>lução? Curitiba: Intersaberes, 2013.</p><p>SCHULER, P. Perfectionism in Gifted Children and Adolescents. In:</p><p>NEIHART, M. et al. (Ed.). The Social and Emotional Development</p><p>of Gifted Children: What do We Know? Washington: The</p><p>Nacional Association for Gifted Children, 2002. p. 71-79.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/5004</p><p>https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/5004</p><p>https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/5004</p><p>https://www.marilia.unesp.br/Home/Extensao/papah/o-que-e-esta-coisa-chamada-superdotacao.pdf</p><p>https://www.marilia.unesp.br/Home/Extensao/papah/o-que-e-esta-coisa-chamada-superdotacao.pdf</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação65</p><p>SILVERMAN, L. K. The Gifted Individual. In: SILVERMAN, L. K.</p><p>(Ed.). Counseling the Gifted and Talented. Denver, CO: Love</p><p>Publishing, 1993. p. 3-28</p><p>TILLIER, William. Personality Development through Positive</p><p>Disintegration. Anna Maria: Maurice Basset, 2018.</p><p>VIRGOLIM, Ângela. Altas habilidades/superdotação: encorajando</p><p>potenciais. Brasília: MEC/SEE, 2007.</p><p>VIRGOLIM, Ângela. Altas habilidades/superdotação: um diálogo</p><p>pedagógico urgente. Curitiba: Intersaberes, 2019.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>1. Sobre a Nomenclatura adotada</p><p>2. Altas Habilidades ou Superdotação: definição brasileira, mitos existentes e breve síntese histórica</p><p>2.1. Os testes de QI</p><p>2.2. Os estudos de Terman e Hollingworth</p><p>2.3. A criatividade</p><p>3. As teorias de Howard Gardner, Joseph Renzulli e Françoys Gagné</p><p>3.1. A teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner</p><p>3.2. A teoria de Joseph Renzulli</p><p>3.2.1. A concepção de superdotação da teoria dos Três Anéis</p><p>3.2.2. O modelo triádico de enriquecimento escolar</p><p>3.2.3. Operação Houndstooth</p><p>3.2.4. Funções executivas</p><p>3.3. O modelo diferencial de dotação e talento (DMGT) de Françoys Gagné</p><p>4. ASPECTOS AFETIVOS E SOCIOEMOCIONAIS DAS ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO</p><p>4.1. As sobre-excitabilidades de Dabrowski</p><p>5. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) DE ESTUDANTES AHSD</p><p>5.1. A aceleração: dos mitos e resistências</p><p>5.2. O AEE para Altas Habilidades ou superdotação e a construção do Plano de Ensino Individualizado (PEI)</p><p>5.3. Práticas pedagógicas no AEE a partir dos Manuais de Identificação para AHSD e as Inteligências Múltiplas</p><p>5.4. Ensino colaborativo e parcerias necessárias para suplementar</p><p>6. A DOCÊNCIA E O PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DE ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO</p><p>7. SUGESTÕES DE LITERATURA INFANTIL SOBRE A TEMÁTICA DAS ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO</p><p>8. Associação Gaúcha de Apoio às Altas Habilidades ou Superdotação</p><p>8.1. Agosto Laranja</p><p>FILMOGRAFIA</p><p>Referências</p><p>aquela proveniente de casos que as mídias jornalísticas, sociais e</p><p>televisivas exploram, seja por meio de programas como Pequenos</p><p>Gênios ou de matérias como “Superdotado, menino aprendeu</p><p>a ler antes dos dois anos1” ou “menino gênio termina faculdade</p><p>aos 9 anos de idade2”. Embora tais casos existam e façam parte</p><p>do universo das Altas Habilidades ou Superdotação, eles nem</p><p>de perto caracterizam a maioria das pessoas que compõem esse</p><p>grupo. Ainda uma terceira possibilidade é a crença de que pessoas</p><p>com altas habilidades ou superdotação são apenas aquelas cujo</p><p>quociente de inteligência (QI) é acima de 130, esquecendo-se de</p><p>que tais testes não medem aspectos relativos à liderança e criati-</p><p>vidade, por exemplo.</p><p>Sendo assim, antes de vermos o que significa ser uma pessoa</p><p>com Altas Habilidades ou Superdotação, julga-se importante saber</p><p>a diferença entre os termos gênio, precoce e prodígio:</p><p>1 https://www.osul.com.br/superdotado-menino-aprendeu-a-ler-antes-dos-2-anos-e-so-</p><p>freu-na-escola-por-suas-altas-habilidades/</p><p>2 https://www.band.uol.com.br/noticias/jornal-da-band/videos/menino-genio-termina-</p><p>-faculdade-aos-9-anos-de-idade-16724628</p><p>Gênio - Anteriormente foi muito usado, mas não é adequado para a superdotação. O gênio só</p><p>é reconhecido por uma produção ou contribuição que causa transformação em um campo do</p><p>conhecimento e pode mudar conceitos estabelecidos, permanecendo por gerações. A palavra é</p><p>mais adequada para pessoas como Einstein, Leonardo da Vinci, Marie Curie, Stephen Hawking.</p><p>Precoce - Geralmente se refere a uma criança que evidencia habilidade específica, prematuramente</p><p>desenvolvida, em qualquer área do conhecimento. É interessante lembrar que as palavras precoce ou</p><p>precocidade, do latim praecox - praecocis, têm o significado de maturação antes do tempo esperado.</p><p>Prodígio - Refere-se à criança que, em idade precoce, demonstra um nível avançado de habilidade,</p><p>semelhante ao de um profissional adulto, em algum campo específico. Pode ser usado, também,</p><p>quando a criança tem um estilo muito disciplinado de motivação. (SABATELLA, 2013, p.73)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://www.osul.com.br/superdotado-menino-aprendeu-a-ler-antes-dos-2-anos-e-sofreu-na-escola-por-suas-altas-habilidades/</p><p>https://www.osul.com.br/superdotado-menino-aprendeu-a-ler-antes-dos-2-anos-e-sofreu-na-escola-por-suas-altas-habilidades/</p><p>https://www.band.uol.com.br/noticias/jornal-da-band/videos/menino-genio-termina-faculdade-aos-9-anos-de-idade-16724628</p><p>https://www.band.uol.com.br/noticias/jornal-da-band/videos/menino-genio-termina-faculdade-aos-9-anos-de-idade-16724628</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 10</p><p>Virgolim (2007) indica que os termos “pessoa com altas habili-</p><p>dades” ou “pessoa superdotada” são mais apropriados para aqueles</p><p>indivíduos que apresentam sinais ou indícios de uma habilidade</p><p>superior em uma ou mais áreas do conhecimento, no comparati-</p><p>vo entre pares. Ainda complementa dizendo que não é necessária</p><p>que essa habilidade seja algo excepcional.</p><p>Uma vez esclarecidos tais mitos que carregamos e que por</p><p>diversas vezes são reforçados pelas mídias, faz-se importante</p><p>entender o que trazem nossos documentos legais. Mais especifi-</p><p>camente, existem algumas definições presentes em resoluções e</p><p>políticas sobre estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação</p><p>em vigor. A primeira, proveniente da resolução CNE/CEB n° 2,</p><p>de 11 de setembro de 2001, nos diz que estudantes com Altas</p><p>Habilidades ou Superdotação (AHSD) “são aqueles que apresen-</p><p>tam grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar</p><p>rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes”. Observa-se que</p><p>esse conceito destaca duas características marcantes: a rapidez</p><p>de aprendizagem de estudantes AHSD e a facilidade com que</p><p>esses alunos se dedicam a temas de seu interesse. (BRASIL, 2001,</p><p>p.2; VIRGOLIM, 2007)</p><p>As outras duas definições são muito parecidas. O conceito tra-</p><p>zido pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva</p><p>da Educação Inclusiva (PNEEPEI) de 2008 nos informa que estu-</p><p>dantes com AHSD</p><p>demonstram potencial elevado em qualquer das seguintes</p><p>áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, lide-</p><p>rança, psicomotricidade e artes. Também apresentam ele-</p><p>vada criatividade, grande envolvimento na aprendizagem</p><p>e realização de tarefas em áreas de seu interesse. (BRASIL,</p><p>2008, p. 15, grifo nosso)</p><p>Já o conceito proveniente da resolução CNE/CEB n° 4, de 2 de</p><p>outubro de 2009, legitima a PNEEPEI ao afirmar que estudantes</p><p>com AHSD são aqueles que “apresentam um potencial elevado e</p><p>grande envolvimento com as áreas do potencial humano, isoladas</p><p>ou combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criati-</p><p>vidade”. Percebe-se, portanto, uma sintetização dos componentes</p><p>acadêmicos e intelectuais num só componente, assim como a (re)</p><p>criação3 de uma área específica para a criatividade e a retirada da</p><p>descrição sobre realização de tarefas. (BRASIL, 2009, Art. 4° III,</p><p>3 Na Política Nacional de Educação Especial de 1994, existia a área “pensamento criativo</p><p>ou produtivo”.</p><p>leitura</p><p>Complementar</p><p>Para saber mais sobre</p><p>os mitos e estereótipos</p><p>existentes sobre</p><p>Altas Habilidades ou</p><p>Superdotação, acesse:</p><p>https://periodicos.ufsm.</p><p>br/educacaoespecial/</p><p>article/view/5004</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/5004</p><p>https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/5004</p><p>https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/5004</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação11</p><p>Quadro 1 – Áreas de potencial humano descritas nas definições de AHSD</p><p>Área de potencial Descrição da área</p><p>Intelectual Refere-se à rapidez de pensamento, compreensão e memória elevadas, capacidade</p><p>de pensamento abstrato, curiosidade intelectual, poder excepcional de observação.</p><p>Acadêmica</p><p>Diz respeito à atenção, concentração, motivação por disciplinas do</p><p>seu interesse, capacidade de produção acadêmica, alta pontuação</p><p>em testes acadêmicos e desempenho excepcional na escola.</p><p>Liderança</p><p>Relaciona-se à sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, capacidade de</p><p>resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no</p><p>grupo, habilidade de desenvolver uma interação produtiva com os demais.</p><p>Psicomotricidade Implica em desempenho superior em esportes e atividades físicas, velocidade, agilidade</p><p>de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora fina e grossa.</p><p>Artes</p><p>Diz respeito ao alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou</p><p>cênicas (por exemplo, facilidade para expressar ideias visualmente; sensibilidade ao</p><p>ritmo musical; facilidade em usar gestos e expressão facial para comunicar sentimentos.</p><p>Criatividade</p><p>Refere-se à originalidade de pensamento, imaginação, capacidade</p><p>de resolver problemas de forma diferente e inovadora, capacidade</p><p>de perceber um tópico de muitas formas diferentes.</p><p>Fonte: adaptado de VIRGOLIM, 2019, p.106-107</p><p>grifo nosso). Assim, no Quadro 1, são detalhadas as áreas de po-</p><p>tencial humano consideradas na PNEEPEI e na resolução CNE/CEB</p><p>n° 4 de 2009.</p><p>Ao analisar as definições presentes na PNEEPEI e na resolução</p><p>CNE/CEB nº 4 de 2009, observa-se uma grande influência de duas</p><p>teorias da área de Altas Habilidades ou Superdotação: A teoria</p><p>dos Três Anéis de Renzulli e a teoria das Inteligências Múltiplas</p><p>de Gardner, as quais explicitaremos no capítulo 3.</p><p>Para entendermos porque tais definições de AHSD são pautadas</p><p>nessas duas teorias, ou seja, a teoria dos Três Anéis de Renzulli e</p><p>a teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, torna-se relevante</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Existem quatro livros disponíveis no site do MEC sobre AHSD.</p><p>Todos eles estão disponíveis no site:</p><p>http://portal.mec.gov.br/component/content/article/192-</p><p>secretarias-112877938/seesp-esducacao-especial-</p><p>2091755988/12679-a-construcao-de-praticas-educacionais-</p><p>para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao</p><p>Acesse!</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>http://portal.mec.gov.br/component/content/article/192-secretarias-112877938/seesp-esducacao-especial-2091755988/12679-a-construcao-de-praticas-educacionais-para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao</p><p>http://portal.mec.gov.br/component/content/article/192-secretarias-112877938/seesp-esducacao-especial-2091755988/12679-a-construcao-de-praticas-educacionais-para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao</p><p>http://portal.mec.gov.br/component/content/article/192-secretarias-112877938/seesp-esducacao-especial-2091755988/12679-a-construcao-de-praticas-educacionais-para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao</p><p>http://portal.mec.gov.br/component/content/article/192-secretarias-112877938/seesp-esducacao-especial-2091755988/12679-a-construcao-de-praticas-educacionais-para-alunos-com-altas-habilidadessuperdotacao</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 12</p><p>fazer uma breve síntese histórica da inteligência e de como ela foi</p><p>pensada desde o início do século XX até a contemporaneidade.</p><p>Vamos começar nossa retrospectiva com o surgimento dos testes de</p><p>QI (Quociente de Inteligência).</p><p>2.1. Os testes de QI</p><p>Os testes mentais de Francis Galton (1822 - 1910) tiveram grande</p><p>influência e o mérito de seu trabalho esteve na busca de explicações</p><p>em dados psicométricos quantitativos em vez de uma abordagem</p><p>qualitativa que trabalhos anteriores utilizavam. Outro psicólogo</p><p>importante foi Alfred Binet (1857 - 1911), que apontou que os testes</p><p>sensoriais de Galton não tinham como acessar processos de ima-</p><p>ginação, memória, compreensão, atenção e julgamento. Em 1904,</p><p>num processo de universalização da educação em Paris, Binet teve</p><p>a oportunidade de comprovar seus dizeres por meio de sua parti-</p><p>cipação em observações diretas com estudantes, com vistas a iden-</p><p>tificar a capacidade de aprendizagem das crianças. O teste de Binet</p><p>era composto por 30 itens, em ordem crescente de dificuldade e</p><p>padronizado para crianças de 3 a 11 anos. Por exemplo, o item 1</p><p>media a coordenação visual simples (mover a cabeça e os olhos</p><p>enquanto segue um fósforo aceso); o item 5 pedia para o estudante</p><p>retirar a embalagem de um chocolate; o item 20 pedia à criança que</p><p>explicasse a semelhança entre dois objetos de um mesmo grupo; e</p><p>o item 30 pedia a diferença entre termos como gostar e respeitar.</p><p>(VIRGOLIM, 2019)</p><p>O resultado desses testes era um comparativo entre a idade mental</p><p>e a idade cronológica do estudante. Assim, estudantes cujo resultado</p><p>dos testes era menor em um ou dois anos do que o resultado esperado</p><p>para a idade eram ditas inferiores. Já aquelas cujos resultados eram</p><p>maiores em um ou dois anos além de sua idade cronológica eram</p><p>ditas superiores. Em 1911, William Stern (1871 - 1938) propôs o uso</p><p>do quociente mental como a razão entre a idade mental e a idade</p><p>cronológica, resultado este multiplicado por cem. O quociente de</p><p>inteligência (QI) que temos atualmente é proveniente dessa medida.</p><p>(VIRGOLIM, 2019)</p><p>Em 1908, Henry Goddard traduz os testes de Binet para o inglês</p><p>e em 1911 aplica em cerca de duas mil crianças de escolas públicas.</p><p>Pode-se dizer que Goddard foi o responsável pela popularização dos</p><p>testes de inteligência. Já Lewis Terman (1877 - 1956), professor da</p><p>universidade de Stanford, elaborou uma versão modificada do teste</p><p>de Binet, com um formato mais objetivo e científico de caracterizar a</p><p>inteligência e, portanto, a escala Stanford-Binet se tornou um padrão</p><p>para os testes posteriores. (VIRGOLIM, 2019)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação13</p><p>Em geral, os testes ganharam importância e popularidade, pas-</p><p>sando a serem utilizados desde a seleção de recrutas na 1ª Guerra</p><p>Mundial até como ferramenta para ser utilizada em escolas e em-</p><p>presas. Atualmente, tais testes levam a um debate sobre a natureza</p><p>da inteligência, o quanto dela é herdada e o quanto é adquirida pe-</p><p>las experiências do ambiente, o que motivam inúmeras pesquisas.</p><p>Segundo Virgolim (2019, p.43), os testes de QI se mostram como “uma</p><p>ferramenta útil para a identificação do nível de capacidade acadêmi-</p><p>ca do aluno em uma dada cultura, mas um recurso completamente</p><p>inadequado para medir o construto que chamamos de inteligência”.</p><p>Continuando nossa síntese, Charles Spearman (1863 - 1945) traz a</p><p>análise fatorial como uma técnica para investigar a inteligência. Divide</p><p>a inteligência em dois fatores: o fator g e o fator s. O fator g (fator de</p><p>inteligência geral) é associado a um tipo de energia relacionada a todas</p><p>as atividades intelectuais, enquanto o fator s (inteligência específica)</p><p>refere-se às habilidades únicas de uma pessoa quanto a um determi-</p><p>nado teste ou atividade. Já Louis Thurstone (1887 - 1955) observava a</p><p>inteligência como um produto de diversas capacidades intelectuais e</p><p>apontou sete fatores que estariam na base da inteligência, podendo</p><p>ser verificados por meio de testes, a saber: (1) Compreensão verbal;</p><p>(2) Fluência verbal; (3) Número; (4) Memória; (5) Velocidade percep-</p><p>tual; (6) Raciocínio intuitivo e (7) Visualização espacial. Vale ressaltar</p><p>que tais fatores encontram-se como base de grande parte dos testes de</p><p>QI atuais. Já relativo à teoria de Raymond Cattell (1905 - 1998), pode-se</p><p>dizer que o autor sugere a divisão do fator g de Spearman em dois</p><p>subfatores: a habilidade ou inteligência fluída (Gf) e a habilidade ou</p><p>inteligência cristalizada (Gc). A primeira é a parte correspondente</p><p>aos fatores genéticos, enquanto a segunda é aquela desenvolvida por</p><p>meio de atividades educacionais e culturais. (VIRGOLIM, 2019)</p><p>Portanto, muitos teóricos contribuíram para o que hoje enten-</p><p>demos como testes de QI. Mas o que eles medem, afinal? Podemos</p><p>dizer que testes de QI podem vir a medir capacidades de raciocínio,</p><p>julgamento e compreensão, porém não analisam aspectos como li-</p><p>derança e criatividade. Recomenda-se cautela no uso de tais testes e</p><p>sugere-se que sejam sempre acompanhados de outras fontes, como</p><p>observações, escalas de comportamento, análise de diferenças cul-</p><p>turais, socioeconômicas, linguísticas, etc, tendo em vista sempre a</p><p>inclusão do estudante em análise. Para exemplificar o que testes de QI</p><p>avaliam, considere os testes Wechsler de inteligência, a saber: o WAIS</p><p>(Wechsler Adult Intelligence Scale, para maiores de 16 anos) e o WISC</p><p>(Wechsler Intelligence Scale for Children, para crianças entre 6 e 11</p><p>anos). Esses testes possuem seis subtestes verbais e cinco subtestes</p><p>de desempenho, conforme o Quadro 2.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 14</p><p>2.2. Os estudos de Terman e Hollingworth</p><p>O estudo longitudinal de Terman foi realizado em torno de 1920</p><p>e é um dos estudos mais conhecidos e relevantes da área de AHSD,</p><p>com resultados publicados até hoje. Esse estudo testou cerca de 2500</p><p>crianças indicadas por docentes por meio do teste de Stanford-Binet.</p><p>Desse total, 1528 foram identificadas com QI 140 ou mais, em média</p><p>12 anos de idade e representando 1% da população. Os resultados</p><p>indicam que essas crianças apresentavam índices superiores relativos</p><p>à saúde, ajustamento social, atitudes morais e domínio de disciplinas</p><p>escolares. Como críticas ao estudo, são descritos alguns fatores: (1)</p><p>os estudantes eram indicados apenas por suas notas, sem levar em</p><p>conta aspectos como liderança e criatividade; (2) grupos minoritá-</p><p>rios eram discriminados ou por não ter um bom conhecimento da</p><p>língua (imigrantes) ou por fazerem parte da população mais pobre</p><p>e marginalizada; (3) estudantes avaliados eram de classe média-alta</p><p>branca; e (4) a inteligência ainda era vista como algo unimodular.</p><p>(VIRGOLIM, 2019)</p><p>Outro estudo relevante foi o da professora Leta Hollingworth (1886</p><p>- 1939). Os estudos de Leta frisam a necessidade da sociedade oferecer</p><p>oportunidades e condições apropriadas (psicológicas, sociológicas,</p><p>educacionais) para o desenvolvimento pleno do potencial do indiví-</p><p>duo. Ela estudou 12 estudantes com QI acima de 180 e constatou três</p><p>problemas nesse grupo: (1) falta de hábitos adequados no trabalho; (2)</p><p>Quadro 2 – Subtestes verbais e de desempenho no teste WAIS</p><p>Subtestes Verbais Subtestes de Desempenho</p><p>(com tempo cronometrado)</p><p>1. Informação: perguntas</p><p>que exploram campos</p><p>como literatura, história, ciência geral;</p><p>1. Cubos: com o uso de cubos com desenhos</p><p>geométricos em branco e vermelho, desenvolver</p><p>nove problemas com tempo cronometrado;</p><p>2. Compreensão: perguntas no âmbito do conhecimento</p><p>de costumes, interações sociais e bom senso;</p><p>2. Completar figuras: identificar a parte que falta</p><p>em 20 desenhos que representam objetos comuns.</p><p>3. Semelhanças: perguntas sobre a</p><p>semelhança entre duas palavras;</p><p>3. Arranjo de figuras: organizar cartões com</p><p>figuras de forma a contar uma história.</p><p>4. Vocabulário: perguntas sobre o significado de</p><p>palavras em ordem crescente de dificuldade.</p><p>4. Armar objetos: montar um quebra cabeças</p><p>que forme um item comum.</p><p>5. Aritmética: problemas de aritmética com tempo</p><p>cronometrado; alguns envolvem cubos;</p><p>5. Códigos: escrever o símbolo correspondente</p><p>aos números (de um a nove) abaixo de</p><p>cada um a cada vez que aparecem.</p><p>6. Números: repetição de uma série de números</p><p>na ordem dada ou em ordem inversa.</p><p>Fonte: Adaptado de Virgolim (2019, p.49-50)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação15</p><p>dificuldade nas relações sociais; e (3) certa vulnerabilidade emocio-</p><p>nal. Percebeu que depois de encaminhados a programas de estímulo</p><p>de suas habilidades tais indivíduos se comportavam como pessoas</p><p>socializadas e felizes, o que acaba por refletir nos educadores a neces-</p><p>sidade da existência de currículo diferenciado para tais estudantes.</p><p>(VIRGOLIM, 2019)</p><p>2.3. A criatividade</p><p>A criatividade surge como reivindicação da existência de poucos es-</p><p>tudos na área, através de um discurso de Guilford, psicólogo e presidente</p><p>da APA (Associação Psicológica Americana). Ele ressaltou a importância</p><p>de analisar o conceito e foi uma das pessoas pioneiras em discordar da</p><p>visão unimodular de inteligência. Elaborou um modelo chamado “A</p><p>estrutura do intelecto”, no qual identificou 150 fatores intelectuais no</p><p>ramo da criatividade. Com a existência de novos fatores que não são</p><p>abarcados pelos testes de QI, surgem novos testes tendo em vista a me-</p><p>dição da criatividade, entre os quais o teste de pensamento criativo de</p><p>Torrance (1966), utilizado até os dias atuais. (VIRGOLIM, 2019)</p><p>Em torno dos anos 1980, novas visões de inteligência aparecem e</p><p>procuram analisar não apenas os aspectos cognitivos, mas também</p><p>os contextuais como emoção, motivação, adaptação ao ambiente,</p><p>entre outros. Autores como Howard Gardner, Joseph Renzulli e</p><p>Françoys Gagné trabalham nessa perspectiva. Estas serão aborda-</p><p>das na sequência.</p><p>3. As teorias de Howard Gardner,</p><p>Joseph Renzulli e Françoys Gagné</p><p>Nesta seção abordaremos as teorias de Howard Gardner, Joseph</p><p>Renzulli e Françoys Gagné em relação às questões que englobam os</p><p>sujeitos com Altas Habilidades ou Superdotação. Entendemos que</p><p>esta retomada conceitual é fundamental pela relevância na previsão</p><p>política dos princípios que embasam a educação de alunos com Altas</p><p>Habilidades ou Superdotação.</p><p>3.1. A teoria das Inteligências</p><p>Múltiplas de Howard Gardner</p><p>Howard Gardner (Figura 1) é psicólogo, professor da Universidade</p><p>de Harvard e criador da teoria das Inteligências Múltiplas. Sua teoria</p><p>teve muita aceitação pelas escolas e professores brasileiros devido à sua</p><p>aplicação prática e por colocar foco nos potenciais humanos.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 16</p><p>Fonte: Armstrong, 2001, p. 14-15.</p><p>Conforme Davidson (2009), essa teoria entende</p><p>as Altas Habilidades ou Superdotação como capa-</p><p>cidade em domínios específicos ao invés de uma</p><p>capacidade geral. Portanto, um indivíduo pode</p><p>dominar exemplarmente um determinado campo</p><p>de conhecimento — por exemplo, a matemática e</p><p>apresentar baixo domínio em outro campo, como</p><p>a história, por exemplo. Este aspecto é crucial na</p><p>compreensão dos sujeitos com Altas Habilidades ou</p><p>Superdotação, ou seja, ela não precisa ser boa em</p><p>todos os campos do conhecimento. Mesmo assim,</p><p>ainda existem muitos docentes que esperam que</p><p>o(a) estudante AHSD seja bom em tudo, o que é</p><p>claramente um mito. (PÉREZ, 2012; VIRGOLIM, 2019)</p><p>Gardner (1995, p. 14) define inteligência como “a capacidade de</p><p>resolver problemas ou elaborar produtos que sejam valorizados</p><p>em um ou mais ambientes culturais ou comunitários”. Já a teoria</p><p>das Inteligências Múltiplas define que a nossa inteligência pode ser</p><p>descrita como um grupo de nove (ou mais) habilidades, conforme</p><p>repersentado na Figura 2 e sistematizado no Quadro 3.</p><p>Fonte: Jason Jones (2012).</p><p>Figura 1 - Howard Gardner</p><p>Figura 2 - Representação das Inteligências Múltiplas</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação17</p><p>Quadro 3 - As Inteligências Múltiplas de H. Gardner</p><p>Inteligência Descrição</p><p>Linguística</p><p>É a capacidade de criar produtos que envolvam material oral ou escrito.</p><p>No adulto, a capacidade linguística pode ser observada na figura do escritor,</p><p>novelista, poeta ou ensaísta; já na criança, pela habilidade em contar</p><p>histórias ricas e coerentes e relatar de forma acurada suas experiências.</p><p>Lógico-matemática</p><p>É a capacidade de lidar com números e equações, criar evidências e executar</p><p>cálculos complexos. Juntamente com a inteligência linguística, consiste na</p><p>principal base para os testes de QI. Esse tipo de inteligência está presente no</p><p>raciocínio lógico e na computação e em profissões como a do matemático,</p><p>técnico de computação ou físico. A criança demonstra essa inteligência pela</p><p>facilidade com que lida com contas, cálculos e notações matemáticas.</p><p>Espacial</p><p>Permite ao indivíduo entender mapas e informações gráficas e de representar</p><p>e manipular configurações espaciais. Engenheiro, mecânico, arquiteto,</p><p>desenhista, navegador e jogador de xadrez são exemplos de pessoas que</p><p>evidenciam a habilidade espacial de maneiras diferenciadas. Na criança,</p><p>percebemos essa habilidade por sua capacidade em lidar com quebra-cabeças,</p><p>LEGO, jogos de resolução de problemas espaciais, desenho e pintura.</p><p>Musical</p><p>Permite ao indivíduo criar e dar sentido a diferentes padrões de som e mostrar</p><p>sensibilidade ao ritmo, à textura e ao timbre. Tanto o adulto quanto a criança podem</p><p>demonstrar sua habilidade nessa área pela sensibilidade ao timbre e ao ritmo, pela</p><p>habilidade de ouvir temas na música ou pelo desempenho e composição musicais.</p><p>Corporal-cinestésica</p><p>Refere-se à capacidade do corpo ou de parte do corpo em desempenhar uma tarefa,</p><p>modelar um produto ou resolver problemas. Podemos ver essa inteligência em</p><p>pleno funcionamento no adulto dançarino, atleta, mímico, cirurgião. A criança</p><p>com inteligência corporal-cinestésica tem facilidade em se mover expressivamente</p><p>em resposta a diferentes estímulos musicais e verbais; ela também pode expressar</p><p>essa inteligência nos esportes, no atletismo e em atividades lúdicas.</p><p>Interpessoal</p><p>É uma inteligência que notamos naqueles indivíduos que mostram facilidade em</p><p>reconhecer seus próprios estados de ânimo, desejos, motivações e intenções, inclusive</p><p>em outras pessoas, mesmo que elas não os verbalizem. Em adultos, essa capacidade pode</p><p>aparecer em líderes religiosos ou políticos, professores, terapeutas e pais. Percebemos</p><p>crianças com boa capacidade interpessoal por sua capacidade de liderança e de</p><p>organização e por se mostrarem sensíveis às necessidades e aos sentimentos dos outros.</p><p>Intrapessoal</p><p>Inteligência voltada para o entendimento de si próprio e das próprias emoções; refere-</p><p>se à capacidade de discriminar emoções e utilizá-las para entender e orientar o próprio</p><p>comportamento. A música, a literatura e as artes visuais, por exemplo, são meios</p><p>bastante utilizados para a expressão da inteligência intrapessoal. Gardner acredita que</p><p>as inteligências pessoais — interpessoal e intrapessoal — representam o senso de eu do</p><p>indivíduo e estão se tornando cada vez mais relevantes para o indivíduo e a espécie.</p><p>Naturalista</p><p>Está relacionada à natureza em geral e é percebida pela facilidade com que</p><p>o indivíduo identifica</p><p>padrões na forma como as coisas são organizadas</p><p>ou como funcionam; por exemplo, distinguir vários tipos de plantas,</p><p>animais, condições atmosféricas e outros produtos do mundo natural.</p><p>Existencial</p><p>Ainda em fase de testes, a inteligência existencial se percebe pela habilidade da</p><p>pessoa em se envolver com questões relacionadas à vida, morte, amor, existência,</p><p>com preocupação referente a certos conteúdos cósmicos, aos estados de consciência</p><p>e aos efeitos que os indivíduos com essa inteligência exercem sobre os outros.</p><p>Fonte: Gardner, 1995; Virgolim, 2019, p. 75-77</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 18</p><p>Vale ressaltar que as Inteligências Múltiplas são independentes</p><p>e que uma pessoa pode ter alta capacidade em um tipo de inte-</p><p>ligência e baixa em outra. Além disso, pode combinar uma alta</p><p>capacidade em mais de um tipo ou não ser tão hábil em qualquer</p><p>uma das Inteligências Múltiplas e ainda assim se destacar no tra-</p><p>balho, na vida ou em sua comunidade. Para analisar essas inteli-</p><p>gências no trabalho escolar, é necessário observar o desempenho</p><p>real dos estudantes em diversas atividades com vistas a encontrar</p><p>o tipo de inteligência mais dominante. Por fim, também faz-se</p><p>necessário aprender sobre os estilos de aprendizagem e interesses</p><p>de cada pessoa (VIRGOLIM, 2019).</p><p>3.2. A teoria de Joseph Renzulli</p><p>Joseph Renzulli (Figura 3) é um psicólogo norte america-</p><p>no e professor da Universidade de Connecticut, nos Estados</p><p>Unidos, com mais de quatro décadas de estudos e pesquisas</p><p>sobre superdotação.</p><p>Sua teoria para a educação das pessoas AHSD é bastante pre-</p><p>sente nas políticas públicas brasileiras referentes à área de Altas</p><p>Habilidades ou Superdotação e divide-se em quatro subseções: a</p><p>primeira, chamada de teoria dos Três Anéis, procura responder</p><p>a pergunta “quem são as pessoas AHSD?” A segunda subseção —</p><p>denominada modelo triádico de enriquecimento escolar — é uma</p><p>teoria de aprendizagem na qual se apresentam condições educa-</p><p>cionais que estimulem a interação entre e dentro dos três anéis,</p><p>procurando responder à pergunta “como diferenciar o currículo de</p><p>estudantes AHSD?”. A terceira subseção — Operação Houndstooth</p><p>(xadrezinho) — aborda características pesso-</p><p>ais associadas com o compromisso das pesso-</p><p>as na produção de capital social, dito de outro</p><p>modo, no uso dos próprios talentos para me-</p><p>lhorar as condições humanas. A quarta subse-</p><p>ção — Funções Executivas — corresponde a</p><p>habilidades não cognitivas importantes para</p><p>“fazer acontecer” uma meta, projeto ou ativi-</p><p>dade. A seguir, abordaremos alguns detalhes de</p><p>cada uma das teorias de Renzulli. (RENZULLI,</p><p>2018; VIRGOLIM, 2019).</p><p>3.2.1. A concepção de superdotação da teoria dos Três Anéis</p><p>A teoria dos Três Anéis aborda o conceito de Altas Habilidades</p><p>ou Superdotação como a interação entre três características: (1)</p><p>Habilidade acima da média; (2) Comprometimento com a tarefa</p><p>leitura</p><p>Complementar</p><p>Para saber mais</p><p>sobre a relação entre</p><p>Altas Habilidades</p><p>ou Superdotação, as</p><p>Inteligências Múltiplas</p><p>e Linguagem leia a</p><p>pesquisa desenvolvida</p><p>por Renata Camargo, a</p><p>partir de uma entrevista</p><p>semiestruturada,</p><p>realizada com 24</p><p>estudantes com AHSD.</p><p>CAMARGO, Renata</p><p>Gomes. Altas</p><p>habilidades/</p><p>superdotação</p><p>inteligências múltiplas</p><p>e linguagem: qual a</p><p>sua relação? Revista</p><p>Diálogos e Perspectivas</p><p>em Educação Especial</p><p>, v.7, n.1, p. 53-70, Jan.-</p><p>Jun., 2020. Acesse:</p><p>https://revistas.marilia.</p><p>unesp.br/index.php/</p><p>dialogoseperspectivas/</p><p>article/view/9883</p><p>Fonte: Vídeo do Dr. Joseph Renzulli</p><p>Figura 3 - Joseph Renzulli</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/dialogoseperspectivas/article/view/9883</p><p>https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/dialogoseperspectivas/article/view/9883</p><p>https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/dialogoseperspectivas/article/view/9883</p><p>https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/dialogoseperspectivas/article/view/9883</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação19</p><p>em áreas de seu interesse e (3) Criatividade. A Figura 4 mostra a</p><p>representação gráfica dessa teoria.</p><p>A habilidade acima da média pode se apresentar de forma</p><p>geral ou específica. Por habilidades gerais, entende-se o raciocínio</p><p>verbal e numérico, a memória, as relações espaciais, assim como</p><p>traços que podem ser aplicados a todos os domínios. As habilida-</p><p>des gerais contemplam também a capacidade de processar novas</p><p>informações e do engajamento em pensamentos abstratos. Já as</p><p>habilidades específicas dizem respeito à capacidade de aquisição</p><p>de técnica ou conhecimento especializado, ou seja, uma habilidade</p><p>em domínio específico. Trata-se de aplicar diversas combinações</p><p>das habilidades gerais em áreas específicas do conhecimento como</p><p>química, balé, composição musical, matemática, liderança, admi-</p><p>nistração, etc. (RENZULLI, 2005; VIRGOLIM, 2019)</p><p>Fonte: Adaptado de Renzulli, 2018, p. 24</p><p>Figura 4 - A concepção de AHSD dos Três Anéis</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 20</p><p>O compromisso com a tarefa aborda um conjunto de traços que</p><p>refere-se a uma motivação com foco na tarefa. Os termos utilizados</p><p>pelo autor para referir-se a esse conjunto de traços são: perseverança,</p><p>determinação, força de vontade, energia positiva, resistência, traba-</p><p>lho árduo, autoconfiança, assim como a crença na própria habilidade</p><p>de desenvolver um trabalho importante e ação específica aplicada</p><p>à área de interesse. (RENZULLI, 2005; VIRGOLIM, 2019)</p><p>A criatividade compõe um conjunto de traços envolvendo a</p><p>curiosidade, originalidade, inventividade e uma disposição para de-</p><p>safiar o que está convencionado ou o que é tradicionalmente estabe-</p><p>lecido. Também entende-se criatividade pela fluidez, flexibilidade e</p><p>originalidade de pensamento. Trata-se do estudante curioso, audaz,</p><p>disposto a assumir riscos em pensamentos e ações, assim como pode</p><p>ser o estudante sensível aos detalhes e características estéticas das</p><p>ideias e objetos. (RENZULLI, 2018; RENZULLI; REIS; TOURÓN, 2021)</p><p>Estamos cientes que apenas apresentamos questões centrais, a</p><p>partir do enfoque do presente material, naquilo que compreende</p><p>os estudos e discussões desenvolvidos por Renzulli & Reis (1997)</p><p>e Virgolim (2019). Entretanto, entendemos ser necessário atentar</p><p>para os seguintes pontos:</p><p>1. Não é necessária a presença dos três anéis para que uma pes-</p><p>soa apresente comportamentos de superdotação; basta com</p><p>que apenas um deles apareça para que um estudante seja in-</p><p>dicado para programas de atendimento a estudantes AHSD;</p><p>2. Embora existam influências genéticas, ambientais e de per-</p><p>sonalidade que influenciam nas AHSD, experiências educa-</p><p>cionais bem planejadas podem influenciar e modificar tais</p><p>fatores positivamente.</p><p>3. O comprometimento com a tarefa e a criatividade são con-</p><p>textuais, situacionais e temporais. Ou seja, são traços va-</p><p>riáveis e não permanentes que podem estar presentes em</p><p>maior ou menor intensidade, dependendo justamente do</p><p>contexto, da situação ou do momento em análise.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para saber mais, a partir do próprio autor, sobre</p><p>a teoria dos Três Anéis, assista ao vídeo:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=qXIpydQbDYw&t=23s</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=qXIpydQbDYw&t=23s</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação21</p><p>3.2.2. O modelo triádico de enriquecimento escolar</p><p>Renzulli (2018) explica que a aprendizagem acontece num con-</p><p>tinuum entre uma abordagem mais dedutiva, didática e prescritiva</p><p>e outra mais indutiva, investigativa e construtiva. Ressalta que am-</p><p>bas abordagens são valiosas no processo geral da educação, assim</p><p>como afirma que um programa escolar bem definido deve fazer</p><p>uso das duas. No entanto, alerta que o modo dedutivo, embora</p><p>não possua nada de errado, acaba por se apoiar em uma concep-</p><p>ção limitada do papel do aprendente e também não considera as</p><p>variações de interesses e estilos de aprendizagem presentes. Além</p><p>disso, tal</p><p>modo acaba por colocar os estudantes sempre no papel</p><p>de aprendizes de lições e exercícios, ao contrário de uma posição</p><p>protagonista de pesquisadores autênticos.</p><p>Com vistas à promoção de uma aprendizagem mais intuitiva,</p><p>“do agora” e de um papel mais investigativo e criador do estudante,</p><p>Renzulli (2018) apresenta os três tipos de enriquecimento escolar,</p><p>conforme a Figura 5.</p><p>O enriquecimento do tipo I acontece por meio de ativida-</p><p>des gerais e exploratórias que exponham os estudantes a diversas</p><p>ideias, questões, noções, teorias, habilidades e problemas. Trata-se</p><p>Fonte: Adaptado de Renzulli, 2018, p. 24</p><p>Figura 5 - O modelo triádico de enriquecimento escolar</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 22</p><p>de proporcionar aos estudantes a arte de explorar novos interesses</p><p>e tópicos por meio de saídas de campos, visitas técnicas, palestras,</p><p>centros de interesses, vídeos, entrevistas, monitores, museus, mi-</p><p>nicursos, laboratórios, entre outros. Em outras palavras, trata-se</p><p>de proporcionar aos estudantes um estímulo externo, com vistas</p><p>a um comprometimento e propósito interno. Ressalta-se que essas</p><p>atividades não só podem como devem ser ofertadas a todos os</p><p>estudantes, promovendo assim um processo inclusivo. (RENZULLI,</p><p>2018; VIRGOLIM, 2019)</p><p>Já o enriquecimento do tipo II abrange o treinamento de di-</p><p>versas habilidades cognitivas, metacognitivas, afetivas e metodo-</p><p>lógicas. É pensado para ser trabalhado de forma individual ou</p><p>coletiva e visa ensinar aos estudantes como sair da inspiração para</p><p>a ação. Tratam-se de habilidades processuais que podem e devem</p><p>variar quanto à complexidade e sofisticação referentes ao nível</p><p>de desenvolvimento dos estudantes. As habilidades processuais</p><p>subdividem-se em cinco tipos:</p><p>1. Treinamento afetivo;</p><p>2. Treinamento de aprendizagem de como aprender;</p><p>3. Treinamento cognitivo;</p><p>4. Procedimentos de pesquisa e referência;</p><p>5. Procedimentos de comunicação oral, escrita e visual.</p><p>(RENZULLI, 2018)</p><p>Por fim, o enriquecimento do tipo III abrange investigações</p><p>sobre os problemas do mundo real. Estas investigações podem</p><p>ser trabalhadas de forma individual ou em pequenos grupos. Por</p><p>problemas do mundo real, entende-se problemas que sejam um</p><p>marco na vida pessoal dos estudantes, assim como problemas que</p><p>não possuem uma solução que exista ou que seja única ou ainda</p><p>problemas que impactam um certo público específico. Englobam</p><p>quatro objetivos, a saber:</p><p>(a) adquirir um entendimento em nível avançado do conhecimento e da metodologia usados em</p><p>disciplinas particulares, áreas da expressão artística e estudos interdisciplinares; (b) desenvolver</p><p>produtos ou serviços autênticos que sejam, sobretudo, orientados para que se chegue a um impacto</p><p>desejado em um ou mais públicos específicos; (c) desenvolver habilidades de aprendizagem auto-</p><p>dirigidas nas áreas de planejamento, busca e foco do problema, administração, cooperação, tomada</p><p>de decisão e autoavaliação; e (d) desenvolver o comprometimento com a tarefa, autoconfiança,</p><p>sentimentos de realização criativa e a habilidade de interagir efetivamente com outros estudantes</p><p>e adultos com quem compartilham metas e interesses comuns. (RENZULLI, 2018, p. 33)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação23</p><p>3.2.3. Operação Houndstooth</p><p>Essa subteoria tem por base pensar antecipadamente nos pa-</p><p>péis que pessoas altamente habilidosas (ou superdotadas) vão</p><p>exercer na sociedade. Pessoas altamente capazes assumem pa-</p><p>péis em diversas áreas: governo, ciência, religião, política, artes,</p><p>humanidades. As perguntas que ficam são: Que tipos de líderes</p><p>vão ser esses indivíduos? Por que alguns mobilizam suas questões</p><p>éticas, morais e interpessoais em prol das preocupações humanas</p><p>e outros em prol do materialismo e egocentrismo? Na procura por</p><p>respostas, a operação houndstooth aborda uma educação voltada</p><p>a desenvolver nas pessoas as características pessoais comprome-</p><p>tidas com o uso dos próprios talentos em prol da melhoria das</p><p>condições humanas — tanto para o indivíduo quanto para o co-</p><p>letivo — desenvolvendo um sentido de responsabilidade com a</p><p>sociedade em geral. (RENZULLI, 2018)</p><p>Dito de outra forma, os traços houndstooth, que compreendem</p><p>o xadrez por trás da figura dos Três Anéis, incluem características</p><p>como otimismo, coragem, romance com um tópico ou disciplina,</p><p>energia física e mental, visão e sentido de destino, assim como o</p><p>sentimento de poder para mudar as coisas. Isso pode ser verificado</p><p>na Figura 6.</p><p>Fonte: Adaptado de Renzulli, 2018, p. 24</p><p>Figura 6 - Operação Houndstooth</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 24</p><p>3.2.4. Funções executivas</p><p>Renzulli (2018) descreve essa última sub-</p><p>seção pela frase “faça acontecer”. Entende</p><p>as funções executivas como a capacidade</p><p>de engajamento em situações novas que</p><p>necessitem “planejamento, tomada de de-</p><p>cisão, resolução de problemas e liderança</p><p>compassiva e ética, que não seja dependente</p><p>de rotina ou respostas bem ensaiadas para</p><p>combinações de condições desafiadoras”.</p><p>(RENZULLI, 2018, p. 36)</p><p>Inspirado pelos traços de personalida-</p><p>de presentes no Modelo dos Cinco Fatores</p><p>(Big Five), Renzulli (2018) estabelece cinco</p><p>agrupamentos de características no campo</p><p>das funções executivas, conforme mostra a</p><p>Figura 7.</p><p>O primeiro agrupamento, Orientação para a Ação, abrange os</p><p>atributos que motivam uma pessoa a alcançar o êxito. O segundo</p><p>agrupamento, Interações Sociais, trata das características que</p><p>proporcionam uma pessoa a interagir com as outras de forma</p><p>eficaz. O terceiro, Liderança Altruísta, abarca fatores referentes à</p><p>empatia e à confiabilidade. O quarto agrupamento, Autoavaliação</p><p>Realista, aborda traços que ilustram a consciência das próprias</p><p>aptidões. O último agrupamento, Consciência das Necessidades</p><p>dos Outros, inclui características como sensibilidade, acessibi-</p><p>lidade e grande capacidade de comunicação. (RENZULLI, 2018)</p><p>3.3. O modelo diferencial de dotação e</p><p>talento (DMGT) de Françoys Gagné</p><p>Françoys Gagné é psicólogo e professor aposentado da</p><p>Universidade de Quebec, Canadá. É conhecido mundialmente</p><p>pelo seu modelo diferencial de dotação e talento (DMGT), criado</p><p>em sua primeira versão em 1985 e com última versão atualizada em</p><p>2020, conforme a Figura 8. O modelo surge em meio ao caos con-</p><p>ceitual e diversas definições existentes sobre o que é superdotação.</p><p>Em seu modelo, procura explorar e diferenciar as dicotomias exis-</p><p>tentes dentro da área de Altas Habilidades ou Superdotação entre</p><p>os termos potencial/realização, aptidão/competência e promissor/</p><p>completo. O autor explora a distinção entre uma “dotação” que</p><p>nasce cedo na vida, com raízes mais biológicas, e outra “dotação”</p><p>adulta e inteiramente desenvolvida. (GAGNÉ, 2009; 2020)</p><p>Fonte: Adaptado de Renzulli, 2018, p. 24</p><p>Figura 7 - Funções executivas</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação25</p><p>Fonte: Gagné (2021, p.10)</p><p>Figura 8 – Modelo diferencial de dotação e talento (2020)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 26</p><p>Na Figura 8, note que de um lado estão os domínios deno-</p><p>minados pelo autor por Aptidões e do outro, os domínios de-</p><p>nominados Competências. Tais fatores encontram-se separados</p><p>por fatores que influenciam na transformação das APTIDÕES em</p><p>COMPETÊNCIAS. Por APTIDÃO, entenda-se uma habilidade natural,</p><p>a qual foi aprendida de forma informal e razoavelmente fácil. Já a</p><p>COMPETÊNCIA é entendida como uma habilidade que foi sistemati-</p><p>camente desenvolvida. Embora o autor apresente preocupação em</p><p>diferenciar potencialidades (habilidades naturais) de realizações</p><p>(competências), o objetivo de seu modelo é na verdade “explicar</p><p>todos os fatores causais que facilitam ou bloqueiam o emergir dos</p><p>talentos”. (GAGNÉ, 2021, p. 13)</p><p>O DMGT é dividido em cinco grandes blocos, denominados</p><p>componentes do modelo:</p><p>à esquerda, temos as aptidões (G); à</p><p>direita, as competências (T); ao centro e abaixo, o processo de</p><p>desenvolvimento do talento (D); ao centro e acima, dois grupos</p><p>de catalisadores: individuais (I) e ambientais (E).</p><p>Antes de iniciarmos o detalhamento sobre cada componente,</p><p>faz-se necessário destacar o entendimento do autor sobre quem</p><p>é o público AHSD, por meio dos conceitos de dotação (gifts) e</p><p>talento (talents):</p><p>O primeiro componente, situado ao lado esquerdo do DMGT,</p><p>chama-se APTIDÕES (G) e é formado por habilidades naturais.</p><p>Subdivide-se em seis categorias: quatro relativas a domínios men-</p><p>tais — Intelectual, Criativo, Social e Perceptual — e duas relativas</p><p>a domínios físicos — Muscular e Controle Motor. Gagné nos diz</p><p>que aptidão “é uma habilidade natural que se desenvolve informal-</p><p>mente das raízes biológicas, e através da qual as potencialidades se</p><p>manifestam”. É diferente de algo inato, que vem ao nascer. Trata-se</p><p>de algo que foi aprendido de modo informal e sem processos sis-</p><p>tematizados, representando o fim de uma aprendizagem informal</p><p>e o início de uma aprendizagem sistematicamente desenvolvida</p><p>para a aquisição de competências (GAGNÉ, 2021, p.23).</p><p>Dotação – designa posse e uso de capacidades naturais notáveis chamadas</p><p>aptidões, em pelo menos um domínio de capacidade, a um grau que coloca</p><p>o indivíduo pelo menos entre os 10% mais altos no grupo de pares etários.</p><p>Talento – designa desempenho notável de habilidades sistematicamente de-</p><p>senvolvidas, em pelo menos um campo de atividade humana, a um grau que</p><p>coloca o indivíduo entre pelo menos os 10% mais altos no grupo de pares</p><p>etários que são ou já foram ativos naquele campo. (GAGNÉ, 2009, p.1; GAGNÉ,</p><p>2020, p.1)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação27</p><p>De acordo com Gagné (2021), COMPETÊNCIA (T) é uma habilidade de ordem</p><p>ocupacional e sistematicamente desenvolvida, enquanto que APTIDÃO (G) é</p><p>uma habilidade de ordem pessoal e naturalmente desenvolvida.</p><p>O segundo componente, situado ao lado direito do DMGT, de-</p><p>nomina-se COMPETÊNCIAS (T) e se subdivide em nove áreas —</p><p>Acadêmica, Técnica, Ciência e Tecnologia, Artes, Serviços Sociais,</p><p>Administração/Vendas, Operações Comerciais, Jogos e Desportos/</p><p>Atletismo. Ressalta-se que seis delas são relativas à classificação de</p><p>ocupações do mundo do trabalho da American College Testing</p><p>(Universidade Americana de Testes).</p><p>O terceiro componente é o PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO</p><p>(D) do talento. Gagné (2020, p.3) entende o desenvolvimento de</p><p>talento como “a sistemática perseguição dos talentees4, durante</p><p>um período de tempo significativo, de um programa estruturado</p><p>de atividades que conduzam a um objetivo de excelência especí-</p><p>fico”. Esse processo se divide em três subáreas: atividades (DA),</p><p>investimento (DI) e progresso (DP), conforme a figura do DMGT.</p><p>Um programa para desenvolver talentos inicia desde o acesso</p><p>do estudante ao programa até os objetos de conhecimento es-</p><p>pecíficos a serem aprendidos e o tipo adequado de ambiente de</p><p>aprendizagem, que pode ser estruturado (em escolas, centros es-</p><p>portivos, etc) ou desenvolvido de forma autodidata. Essas ações</p><p>fazem parte da subárea Atividades (DA). No que se refere à subárea</p><p>Investimento (DI), trata-se da mensuração da intensidade. Dito</p><p>em outras palavras, essa subárea mede a quantidade de tempo,</p><p>dinheiro e energias física e psicológica gastas no processo de de-</p><p>senvolvimento de talento. Já a subárea Progresso (DP) é destinada</p><p>a medir o avanço de desempenho dos talentees. Esse avanço pode</p><p>ser medido em diversos estágios, a saber: novato, avançado, profi-</p><p>ciente e expert. O que realmente importa avaliar aqui é o ritmo de</p><p>avanço em relação aos pares de aprendizagem, isto é, quão rápido o</p><p>talentee avança na busca de seu objetivo estipulado. (GAGNÉ, 2020)</p><p>Vejamos agora os componentes faltantes para completar a es-</p><p>trutura do DMGT: os catalisadores intrapessoais (I) e ambientais</p><p>(E). Na área de química, catalisadores são substâncias que facilitam</p><p>e aceleram uma reação química, retornando depois ao seu estágio</p><p>4 O vocábulo “talentee” é empregado pelo autor para “descrever de forma concisa qualquer</p><p>pessoa que participar de um programa de desenvolvimento de talento sistematizado”.</p><p>(GAGNÉ, 2020, p.3)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 28</p><p>inicial. Gagné (2021) emprega essa terminologia aos componentes</p><p>intrapessoais (I) e ambientais (E) por entender que cumprem essa</p><p>função metafórica no processo de desenvolvimento de talento. No</p><p>entanto, frisa que os catalisadores do DMGT (diferentemente dos</p><p>catalisadores habituais) podem:</p><p>1. diminuir e até bloquear o processo de desenvolvimento</p><p>de talento;</p><p>2. permanentemente mudar sua natureza; e</p><p>3. ser utilizados vários ao mesmo tempo ou em sequência.</p><p>Referente aos catalisadores intrapessoais (I), eles se dividem</p><p>em dois subgrupos: o grupo de características pessoais e o grupo</p><p>de gestão dos objetivos. Dentro do grupo de características pes-</p><p>soais, temos os componentes Físicos (IF) e Mentais/Psicológicos</p><p>(IP). Já no grupo de gestão dos objetivos, temos os componentes</p><p>Motivação (IM) e Volição (IV). Além desses quatro componentes</p><p>abordados, Gagné aborda a importância de outros elementos na</p><p>caminhada de desenvolvimento de talentos, como sentimentos</p><p>e emoções, virtudes, temperamento, autoconceito e autoestima.</p><p>Relativo aos catalisadores ambientais (E), eles se dividem em</p><p>três subcomponentes: social (ES), interpessoal (EI) e educacional</p><p>(EE). O primeiro (ES) atua em segundo plano no processo de de-</p><p>senvolvimento de talento. Subdivide-se em aspectos históricos,</p><p>geográficos, políticos, econômicos, culturais, ideológicos, estru-</p><p>turais e familiares. O segundo (EI) trata dos indivíduos que estão</p><p>próximos aos talentees e que possuem o potencial de influenciá-</p><p>-los. Gagné (2021) divide os principais influenciadores em três</p><p>grupos: pais, educadores e pares. O terceiro (EE) envolve desde a</p><p>identificação e seleção de estudantes para os programas de desen-</p><p>volvimento de talento, a escolha do programa adequado e outros</p><p>fatores, tais como infraestrutura e finanças. (GAGNÉ, 2021)</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para conhecer com mais detalhes os catalisadores</p><p>intrapessoais (I) e aprofundar seus conhecimentos</p><p>sobre o DMGT, acesse o site do próprio Gagné:</p><p>https://gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/the-dmgt-in-english</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://gagnefrancoys.wixsite.com/dmgt-mddt/the-dmgt-in-english</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação29</p><p>Finalizando esta seção, perceba que o componente ambiental</p><p>(E) aparece atrás do componente intrapessoal (I) na figura do</p><p>DMGT. Isso demonstra que sua atuação no desenvolvimento do</p><p>talento é restrita e que “os estímulos ambientais têm que passar</p><p>por uma peneira de necessidades individuais, interesses e traços</p><p>de personalidade”. Também observe na figura do DMGT que o fator</p><p>chance (C) aparece como fundo dos componentes aptidões (G),</p><p>processo de desenvolvimento (D), intrapessoal (I) e ambiental</p><p>(E). Trata-se de um fator de influência casual, atuando em ter-</p><p>mos de direção (positiva/negativa) e de intensidade (alta/baixa).</p><p>(GAGNÉ, 2020, p.4)</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 30</p><p>4. ASPECTOS AFETIVOS E SOCIOEMOCIONAIS</p><p>DAS ALTAS HABILIDADES OU SUPERDOTAÇÃO</p><p>A afetividade, entendida como a capacidade de cada pessoa</p><p>experimentar um conjunto de fenômenos afetivos, tais como emo-</p><p>ções, paixões, tendências e sentimentos, tem um papel efetivo e</p><p>crucial no processo de aprendizagem do indivíduo, de modo ge-</p><p>ral, e em específico no caso de estudantes AHSD. Apresentamos, a</p><p>seguir, as principais características afetivas das pessoas com Altas</p><p>Habilidades ou Superdotação, segundo Virgolim (2019):</p><p>Perfeccionismo: o perfeccionismo pode se apresentar de dife-</p><p>rentes formas, sendo algumas delas valorizadas pela sociedade</p><p>e outras não. Diferenciaremos</p><p>aqui o perfeccionismo saudável</p><p>do perfeccionismo disfuncional, conforme Schuler (2002). O</p><p>perfeccionismo saudável é caracterizado pela presença de uma</p><p>necessidade de ordem e organização intensas. Nesse caso, a pes-</p><p>soa consegue adotar bons modelos que enfatizam o fazer melhor</p><p>que se pode, com as condições que se tem, além de ter uma boa</p><p>aceitação tanto de seus erros quanto das expectativas muitas ve-</p><p>zes altas de seus pais. Já o perfeccionismo disfuncional, trata</p><p>da presença de um estado constante de ansiedade com relação</p><p>à possibilidade de cometer erros. Além disso, a pessoa com per-</p><p>feccionismo disfuncional pode criar padrões e objetivos irreais</p><p>para alcançar, assim como pode perceber as críticas alheias como</p><p>excessivas. Também pode demonstrar uma constante necessidade</p><p>de aprovação assim como, estratégias ineficazes para enfrentar as</p><p>exigências do ambiente em que se encontra.</p><p>Perceptividade: trata-se da habilidade de compreender diver-</p><p>sos fatores de uma situação de forma simultânea e rapidamente</p><p>entender os elementos importantes de um problema. De acordo</p><p>com Silverman (1993), pessoas perceptivas entendem as diferentes</p><p>camadas por trás de um sentimento e podem demonstrar isso por</p><p>meio da intuição, insight ou necessidade de verdade, podendo</p><p>inclusive ofender as outras pessoas. A manifestação da percepti-</p><p>vidade em estudantes AHSD pode aparecer na percepção de pa-</p><p>drões em materiais, no encontro de significados escondidos em</p><p>leituras ou áudios e na descoberta da realidade que subjaz o que</p><p>outras pessoas dizem, principalmente quando percebem a falta</p><p>da verdade e da justiça na fala e na forma com que certos adultos</p><p>lidam com esses estudantes.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação31</p><p>Lócus de controle interno/externo: refere-se ao grau no qual</p><p>uma pessoa percebe a relação entre seu próprio comportamento</p><p>e os resultados desse comportamento. Assim, um indivíduo com</p><p>lócus de controle interno assume controle ou responsabilidade</p><p>pelos acontecimentos da sua vida, enquanto um indivíduo com</p><p>lócus de controle externo percebe que sua vida não é controlada</p><p>por ela, mas pelos outros. Uma criança com AHSD que possui lócus</p><p>de controle interno pode se sentir responsável por todas as ações</p><p>de sua vida e é importante que ela saiba que certas áreas de sua</p><p>vida não são controláveis e, logo, não valem o esforço de mudar.</p><p>Já uma criança com AHSD que tem um lócus de controle externo</p><p>pode se sentir perdida sem o devido direcionamento das demais</p><p>pessoas e, logo, pode responsabilizar docentes, colegas e pais para</p><p>justificar um mau desempenho.</p><p>Introversão/Extroversão: enquanto pessoas extrovertidas conse-</p><p>guem energia por meio das pessoas e objetos do mundo exterior,</p><p>os indivíduos introvertidos obtêm energia dentro deles mesmos.</p><p>Segundo Silverman (1993), os introvertidos possuem um self pri-</p><p>vado e outro público, que é a sua persona; além disso, devem ser</p><p>respeitadas pela sua introversão e precisam de tempo para refletir</p><p>e para deixar com que suas emoções façam sentido para só depois</p><p>verbalizar isso. Em contraponto, os extrovertidos se organizam</p><p>pela verbalização. Vale ressaltar que pessoas AHSD formam um</p><p>grupo heterogêneo, no qual alguns indivíduos estarão mais pró-</p><p>ximos da introversão enquanto outros da extroversão.</p><p>Pensamento divergente: Refere-se a indivíduos que possuem</p><p>originalidade e que costumam se utilizar de respostas incomuns e</p><p>criativas. Além disso, costumam apresentar bom senso de humor</p><p>e frequentemente possuem dificuldades em questões relativas à</p><p>organização de pensamentos, sentimentos e materiais, tanto em</p><p>casa quanto na escola. Pensadores divergentes não tem uma for-</p><p>ma linear de pensar, assim como assimilam o todo ao invés das</p><p>partes de determinado assunto. Em ambientes tradicionais de sala</p><p>de aula, estudantes com pensamento divergente são punidos por</p><p>serem questionadores, por respostas diferentes de um determi-</p><p>nado padrão ou por não gostarem de trabalhos em grupo. Podem</p><p>também ter dificuldades de foco e atenção.</p><p>Senso de destino: diz respeito a pessoas altamente motivadas e que</p><p>fazem o seu próprio caminho e destino, apesar das dificuldades</p><p>que possam aparecer. Pessoas com senso de destino possuem uma</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 32</p><p>grande autodeterminação, uma força interna que dirige a vida e o</p><p>crescimento para se tornar tudo aquilo que alguém é capaz de ser,</p><p>além de serem capazes de atingir sua própria autorrealização. De</p><p>forma geral, são pessoas que acreditam em si, são determinadas</p><p>na busca de suas metas e demonstram grande força de vontade,</p><p>inclusive inspirando as demais pessoas do seu entorno a serem</p><p>melhores. Todavia nem tudo são flores: tais traços podem não ser</p><p>positivos para o estudante AHSD, considerando que ao colocar as</p><p>prioridades dos outros na frente das suas, isso pode lhe levar a</p><p>uma grande frustração e desapontamento consigo mesmo, além</p><p>de ter dificuldades no estabelecimento de sua identidade quando</p><p>separado das demais pessoas.</p><p>4.1. As sobre-excitabilidades de Dabrowski</p><p>Kazimierz Dabrowski (1902 - 1980) foi um psicólogo e psiquia-</p><p>tra polonês que sobreviveu às duas Guerras Mundiais. Sua Teoria</p><p>da Desintegração Positiva está muito presente na literatura da</p><p>área de Altas Habilidades ou Superdotação, principalmente no</p><p>que se refere aos aspectos sociais e afetivos. Uma parte de seus</p><p>estudos é proveniente da experiência em prática clínica e outra</p><p>parte de sua vivência em campos de concentração nazistas, além</p><p>de estudos com pessoas criativas e talentosas (VIRGOLIM, 2019).</p><p>Abordaremos aqui neste texto apenas um fragmento de sua</p><p>teoria: as sobre-excitabilidades. Trata-se de um fenômeno orgânico</p><p>e neurológico que gera uma reação biológica mais intensa que a</p><p>normalmente esperada em situações cotidianas — reação esta que</p><p>amplifica a atividade mental. A atividade mental ampliada leva a</p><p>comportamentos que podem soar desproporcionais ou exagerados.</p><p>Em outras palavras, refere-se a uma sensibilidade mais refinada</p><p>aos estímulos e se mostra presente nas áreas intelectual, imagina-</p><p>tiva, sensorial, psicomotora e emocional (TILLIER, 2018; NEUMANN,</p><p>2020). No Quadro 4, encontra-se a descrição de cada uma das</p><p>sobre-excitabilidades, conforme os estudos de Virgolim (2019).</p><p>Na sequência, passamos a destacar questões que englobam o</p><p>Atendimento Educacional Especializado de estudantes com Altas</p><p>Habilidades ou superdotação.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quer saber mais sobre aspectos sociais e afetivos</p><p>das Altas Habilidades ou Superdotação?</p><p>Acesse https://youtu.be/EMnehHKkjPE</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>https://youtu.be/EMnehHKkjPE</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação33</p><p>Quadro 4 - As sobre-excitabilidades</p><p>Sobre-excitabilidade (SE) Descrição da SE</p><p>SE PSICOMOTORA</p><p>Alta excitabilidade no sistema neuromuscular e inclui movimento, inquietude,</p><p>direcionamento e uma capacidade aumentada para ser ativo e cheio de</p><p>energia; pode também incluir, como expressão de tensão emocional, fala</p><p>compulsiva, ações impulsivas, hábitos nervosos e compulsão pelo trabalho.</p><p>SE SENSORIAL</p><p>Refinamento, vivacidade e presença da experiência sensorial, que engloba</p><p>todos os sentidos. O indivíduo percebe coisas com mais detalhes, texturas</p><p>e contrastes. Na tensão emocional, o indivíduo com alta sensibilidade</p><p>sensorial pode demonstrar alimentação compulsiva, compulsão para</p><p>compras [...] e necessidade de estar sempre em evidência.</p><p>SE INTELECTUAL</p><p>Sede de conhecimento, a descoberta, o questionamento, o amor pelas ideias e análises</p><p>teóricas, a busca da verdade. No entanto, emerge negativamente como crítica excessiva</p><p>(a si e aos outros) e como excesso de preocupação com a lógica e a verdade.</p><p>SE IMAGINATIVA</p><p>Corresponde à intensidade de imagens, à riqueza de associações, à facilidade</p><p>para sonhar, fantasiar e inventar, dotando brinquedos e objetos com</p><p>personalidade (animismo), à preferência pelo incomum e único.</p><p>Pode também</p><p>misturar ficção e realidade e ter baixa tolerância à rotina e a repetição.</p><p>SE EMOCIONAL</p><p>Diz respeito à grande profundidade e intensidade da vida emocional expressa</p><p>numa grande variedade de sentimentos, que vão desde uma imensa felicidade</p><p>a uma profunda tristeza ou desespero, compaixão, responsabilidade e</p><p>autocrítica. Uma vida emocional tensa pode levar a expressões somáticas</p><p>(dores de estômago, mãos suadas, rosto vermelho, palpitação), medos,</p><p>ansiedades, sentimento de culpa, solidão e ideias suicidas.</p><p>Fonte: Virgolim, 2019, p.200-201</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 34</p><p>5. ATENDIMENTO EDUCACIONAL</p><p>ESPECIALIZADO (AEE) DE ESTUDANTES AHSD</p><p>Ao identificar o aluno com Altas Habilidades ou Superdotação,</p><p>este terá direito a alternativas educacionais em vista da promoção</p><p>do desenvolvimento de suas especificidades. Conforme Sabatella</p><p>(2013), as perspectivas normalmente utilizadas são: aceleração,</p><p>enriquecimento e grupos de habilidade. Cabe destacar que essas</p><p>perspectivas podem ser utilizadas em consonância, dependendo</p><p>das especificidades de cada sujeito.</p><p>Para Costa (2018), o enriquecimento curricular pode ser di-</p><p>vidido em intracurricular ou extracurricular, e constitui-se em</p><p>alternativas significativas ao processo inclusivo do estudante</p><p>AHSD. O enriquecimento extracurricular pode ser desenvolvido</p><p>no Atendimento Educacional Especializado (AEE), seja nas salas</p><p>de recursos ou nos núcleos de atendimento às AHSD. O enrique-</p><p>cimento intracurricular é uma possibilidade para ser colocada em</p><p>prática dentro do espaço escolar, seja em sala de aula ou outros</p><p>espaços da escola, com a intenção de flexibilizar as formas de ensi-</p><p>nar e avaliar o estudante, de modo a respeitar suas potencialidades</p><p>e estilos de aprendizagem.</p><p>O AEE compreende uma das formas de enriquecimento extra-</p><p>curricular enquanto proposta propriamente dita de suplementa-</p><p>ção. Ao professor do AEE cabe ser o articulador de estratégias junto</p><p>à família, escola, e aos professores referência e de área para que</p><p>ocorra o enriquecimento intracurricular. Pelo viés da política de</p><p>inclusão escolar em curso em nosso país desde a primeira década</p><p>do século XXI, o Atendimento Educacional Especializado para</p><p>estudantes com AHSD está previsto enquanto direito por meio dos</p><p>documentos legais presentes no Quadro 5.</p><p>Para Costa (2018), embora se tenha uma gama de legislações</p><p>e políticas que buscam efetivar o direito de todos à educação,</p><p>em uma perspectiva inclusiva, verifica-se nas escolas, práticas</p><p>ainda alicerçadas em uma perspectiva de ensino homogêneo</p><p>que desconsidera as necessidades específicas dos alunos, prin-</p><p>cipalmente no que tange ao aluno AHSD. É de suma impor-</p><p>tância identificar e promover ao estudante AHSD um ambiente</p><p>educacional estimulador e desafiador, pois os estudantes nessa</p><p>condição precisam de apoio para desenvolver suas potencia-</p><p>lidades e para tal necessitam de oportunidades, que devem ser</p><p>organizadas no AEE ou dentro do currículo, com a orientação</p><p>do professor do AEE.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p><p>- 1</p><p>0/</p><p>08</p><p>/2</p><p>02</p><p>3</p><p>A Educação de Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação35</p><p>Quadro 5 - Disposições Legais sobre Direitos Educacionais aos alunos AHSD</p><p>Direitos Normativa Legal Disposição</p><p>Atendimento</p><p>Educacional</p><p>Especializado</p><p>(AEE)</p><p>Lei Nº 9.394, de</p><p>20 de dezembro</p><p>de 1996</p><p>Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública</p><p>será efetivado mediante a garantia de:</p><p>III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos</p><p>com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas</p><p>habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e</p><p>modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino.</p><p>Plano</p><p>Educacional</p><p>Individualizado</p><p>(PEI)</p><p>Resolução CNE/</p><p>CEB nº 4 de 2009</p><p>Art. 9º A elaboração e a execução do plano de AEE são de competência dos</p><p>professores que atuam na sala de recursos multifuncionais ou centros de</p><p>AEE, em articulação com os demais professores do ensino regular, com a</p><p>participação das famílias e em interface com os demais serviços setoriais da</p><p>saúde, da assistência social, entre outros necessários ao atendimento.</p><p>Enriquecimento</p><p>curricular</p><p>Resolução CNE/</p><p>CEB nº 4 de 2009</p><p>Art. 7º Os alunos com altas habilidades/superdotação terão suas atividades</p><p>de enriquecimento curricular desenvolvidas no âmbito de escolas públicas de</p><p>ensino regular em interface com os núcleos de atividades para altas habilidades/</p><p>superdotação e com as instituições de ensino superior e institutos voltados</p><p>ao desenvolvimento e promoção da pesquisa, das artes e dos esportes.</p><p>Aceleração</p><p>Lei Nº 9.394, de</p><p>20 de dezembro</p><p>de 1996</p><p>Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:</p><p>V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo</p><p>a capacidade de cada um;</p><p>Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos,</p><p>alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na</p><p>competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse</p><p>do processo de aprendizagem assim o recomendar.</p><p>§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive quando se tratar de transferências entre</p><p>estabelecimentos situados no País e no exterior, tendo como base as normas curriculares</p><p>gerais.</p><p>§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas</p><p>e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o número</p><p>de horas letivas previsto nesta Lei.</p><p>Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com</p><p>as seguintes regras comuns:</p><p>II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental,</p><p>pode ser feita:</p><p>c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que</p><p>defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição</p><p>na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino;</p><p>V - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries distintas, com níveis</p><p>equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou</p><p>outros componentes curriculares;</p><p>V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:</p><p>c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;</p><p>Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do ano civil, tem, no mínimo,</p><p>duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo reservado aos exames finais,</p><p>quando houver.</p><p>Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos</p><p>globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação:</p><p>I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender</p><p>às suas necessidades;</p><p>II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para</p><p>a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para</p><p>concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados.</p><p>Cadastro</p><p>Nacional de</p><p>pessoas com</p><p>AHSD</p><p>Lei Nº 13.234, de</p><p>29 de dezembro</p><p>de 2015</p><p>O poder público deverá instituir cadastro nacional de alunos com altas</p><p>habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na educação</p><p>superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas destinadas</p><p>ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse alunado.</p><p>Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou</p><p>superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referido</p><p>no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os</p><p>mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvimento das</p><p>potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos em regulamento.”</p><p>Fonte: elaborado pelos autores, 2023.</p><p>Pr</p><p>oo</p><p>f 0</p><p>3</p>