Prévia do material em texto
<p>46</p><p>Introdução ao pensamento geográfIco</p><p>CompetênCia: 6 Habilidade: 26</p><p>AULAS</p><p>1 e 2</p><p>1. CiênCia e GeoGrafia</p><p>“[...] a Geografia foi no início tanto uma filosofia como</p><p>uma ciência, filosofia de que os geógrafos alemães,</p><p>como os historiadores, se serviram com fins políticos. Ela</p><p>foi muitas vezes utilizada como um meio de propaganda</p><p>nacional ou internacional, uma arma de combate entre</p><p>Estados e Impérios, talvez mais ainda que a História.</p><p>Seja como for, ela ainda arca com as consequências de</p><p>sua juventude e das condições econômicas, sociais e po-</p><p>líticas nas quais se desenvolveu. Pelo fato de ter seus</p><p>próprios métodos, a geografia, mais que nenhuma outra</p><p>ciência, sofreu as influências ideológicas em curso [...]”</p><p>Jean Dresch</p><p>As Montanhas da lua</p><p>Mountains of the moon é um filme de 1990</p><p>que narra a verídica história da expedição</p><p>de dois oficiais britânicos – Richard Francis</p><p>Burton e John Hanning Speke – em busca da</p><p>fonte do Rio Nilo.</p><p>Fonte: Youtube</p><p>multimídia: vídeo</p><p>O homem, impulsionado por fins de sobrevivência, econô-</p><p>micos ou políticos e até por curiosidade, sempre se pre-</p><p>ocupou em conhecer o meio em que se desenvolve sua</p><p>vida. Uma ambição que está associada principalmente à</p><p>necessidade de sobrevivência, presente ao longo da histó-</p><p>ria da humanidade.</p><p>A primeira gênese da Geografia surgiu na Grécia antiga,</p><p>onde se desenvolveu como ciência e método de pensa-</p><p>mento filosófico. No início, era conhecida como História</p><p>Natural ou Filosofia Natural. Os maiores contribuintes do</p><p>início do desenvolvimento dessa disciplina foram Tales de</p><p>Mileto, Heródoto, Eratóstenes, Hiparco, Aristóteles, Estra-</p><p>bão e Ptolomeu. Com a expansão grega promovida por</p><p>Alexandre da Macedônia (Alexandre, o Grande), o interes-</p><p>se pelo estudo das novas terras colonizadas cresceu bas-</p><p>tante devido aos fatores práticos que o conhecimento da</p><p>matéria proporcionava, como o incremento das técnicas de</p><p>navegação, que contribuiriam para uma atividade comer-</p><p>cial mais intensa, bem como as melhorias que a Geografia</p><p>adicionava à agricultura, indicando épocas, climas e solos</p><p>ideais a um melhor cultivo.</p><p>No período do auge do Império Romano, a Geografia</p><p>contribuiu com mais uma série de conhecimentos, como o</p><p>“périplo”, ou seja, a descrição dos portos, rotas e escalas</p><p>que os navegantes da época dispunham para realizar o co-</p><p>mércio, tão necessário ao funcionamento do Império, e que</p><p>também lhes garantia uma proteção mililtar mais eficaz.</p><p>Durante a Idade Média, árabes como Edrisi, Ibn Battuta</p><p>e Ibn Khaldun aprofundaram e mantiveram os antigos</p><p>conhecimentos gregos. As viagens de Marco Polo espa-</p><p>lharam pela Europa o interesse pela Geografia. Durante a</p><p>Renascença e ao longo dos séculos XVI e XVII, as grandes</p><p>viagens de exploração reviveram o desejo de bases teóricas</p><p>mais sólidas e de informações mais detalhadas. A Geogra-</p><p>phia Generalis, de Bernardo Varenius, e o mapa-múndi, de</p><p>Gerard Mercator, são exemplos importantes disso.</p><p>A segunda gênese resultou da institucionalização da Geogra-</p><p>fia como ciência, e isso não se deu por acaso na Alemanha.</p><p>Algumas condições propiciaram o surgimento da Geografia</p><p>moderna na Alemanha: um território fragmentado em deze-</p><p>nas de pequenos reinos; o desejo de expansão imperialista,</p><p>constitutivo do capitalismo. A origem científica da Geografia</p><p>se deu na Alemanha do século XIX, à luz dos trabalhos de</p><p>Alexander Von Humboldt e Karl Ritter, que contribuíram para</p><p>que a Geografia se estabelecesse em bases científicas. Ape-</p><p>sar de Humboldt não ser geógrafo e tão pouco ter se pre-</p><p>ocupado em sistematizar seus conhecimentos geográficos,</p><p>por meio de escolas, sua contribuição foi importante para a</p><p>Geografia. Os alemães têm sua importância na consolidação</p><p>da Geografia enquanto ciência, especialmente por estabe-</p><p>47</p><p>lecerem fundamentos científicos autênticos, ou seja, a Geo-</p><p>grafia deixou de ser uma simples descrição do Planeta para</p><p>se transformar em uma ciência baseada na investigação das</p><p>relações entre natureza e sociedade.</p><p>O intuito aqui não foi fazer um resgate profundo da histó-</p><p>ria do pensamento geográfico, mas apenas situá-lo sucin-</p><p>tamente no tempo e no espaço. Assim, é possível falar em</p><p>“Geografias” no plural, pois muitos estudantes aprende-</p><p>ram essa ciência sob diferentes perspectivas.</p><p>Entendendo a evolução das ciências sociais como resultado</p><p>das transformações da própria sociedade, fica fácil compre-</p><p>ender as mudanças conceituais que ocorreram na Geogra-</p><p>fia, que hoje pode ser hoje definida como uma ciência que</p><p>busca explicar o espaço como resultado da dinâmica social.</p><p>O espaço geográfico deve ser entendido como resultado</p><p>da relação entre homem, natureza e trabalho, elementos</p><p>considerados o tripé da Geografia.</p><p>A Geografia é definida por alguns autores como o estudo</p><p>das relações entre o homem e o meio, ou dito de outra</p><p>forma, entre a sociedade e a natureza. Dentro dessa con-</p><p>cepção, aparecem pelo menos três visões diferentes do</p><p>objeto: alguns autores vão apreendê-lo como sendo as</p><p>influências da natureza sobre o desenvolvimento da hu-</p><p>manidade; outros autores, mantendo a ideia da Geografia</p><p>como estudo da relação entre o homem e a natureza, vão</p><p>definir o objeto como a ação do homem na transformação</p><p>desse meio. E tem aqueles autores que concebem o objeto</p><p>como a relação em si, com os dados humanos e os naturais</p><p>possuindo o mesmo peso. Para esses, o estudo buscaria</p><p>compreender o estabelecimento, a manutenção e a ruptura</p><p>do equilíbrio entre o homem e a natureza. Isso mostra o</p><p>quanto é complexa a definição da Geografia.</p><p>A Geografia renovada não se prende a uma visão tão es-</p><p>tanque da visão das ciências, não coloca barreiras tão rígi-</p><p>das entre as disciplinas; logo, não possui uma necessidade</p><p>tão premente de formular uma definição formal de objeto.</p><p>A situação da Geografia tradicional é bem diferente, pois</p><p>ela se apoia totalmente nos fundamentos positivistas, que</p><p>pedem para legitimar a autoridade de uma ciência, uma</p><p>definição precisa do objeto. A Geografia Renovada busca</p><p>sua legitimidade na operacionalidade ou na relevância so-</p><p>cial de seus estudos.</p><p>1.1. Princípios da Geografia</p><p>Para a Geografia ser considerada como ciência, fez-se</p><p>necessária a fixação de princípios metodológicos que lhe</p><p>conferiram caráter científico. São eles:</p><p>§ Princípio da extensão: formulado por Friedrich Rat-</p><p>zel. Segundo ele, o geógrafo, ao estudar um fato ou área,</p><p>deve proceder a sua localização e delimitação, utilizando</p><p>os recursos da cartografia. Nesse princípio, o importante</p><p>é localizar fenômenos na superfície terrestre.</p><p>§ Princípio da analogia ou geografia geral: formu-</p><p>lado por Paul Vidal de La Blache e Karl Ritter. Segundo</p><p>eles, após a área ser observada e delimitada, o geó-</p><p>grafo deve compará-la com outras áreas buscando as</p><p>semelhanças e as diferenças existentes.</p><p>§ Princípio da causalidade: princípio formulado por</p><p>Alexander Von Humboldt, que propõe explicar as cau-</p><p>sas do fato observado.</p><p>alexanDer Von humbolDt</p><p>§ Princípio da conexão ou interação: formulado</p><p>pelo francês Jean Brunhes, esse princípio estabelece</p><p>que os fatos geográficos, físicos ou humanos nunca</p><p>aparecem isolados; estão sempre interligados por elos</p><p>de relacionamento. Seu objetivo é identificar e analisar</p><p>as relações existentes.</p><p>§ Princípio da atividade: também formulado por</p><p>Brunhes, o princípio da atividade estabelece o caráter</p><p>dinâmico do fato geográfico que deve ser estudado em</p><p>seu passado para poder ser compreendido no presente</p><p>e se ter uma imagem do seu futuro.</p><p>1.2. Espaço geográfico</p><p>O objeto de estudo da ciência geográfica nem sempre foi</p><p>fácil de ser definido. Essa disciplina de síntese, que reúne co-</p><p>nhecimento de diversas outras áreas, transitou, ao longo de</p><p>sua história, por diferentes leituras acerca de seu papel no</p><p>campo das ciências e na interpretação da realidade, fruto</p><p>de diferentes escolas filosóficas que a influenciaram. Como</p><p>vimos anteriormente, podemos encontrar desde abordagens</p><p>mais naturalistas e descritivas, herança do positivismo e do</p><p>determinismo alemão</p><p>do século XIX, até da escola francesa,</p><p>do estudo dos diferentes gêneros de vida, também do século</p><p>XIX, ambas fortemente marcadas pela perspectiva do impe-</p><p>rialismo e do neocolonialismo europeu da época.</p><p>48</p><p>Atualmente, sabe-se que há uma ciência geográfica que</p><p>se propõe a superar o descritivismo e o localizacionismo.</p><p>Seu arcabouço teórico e seu método de análise permitem</p><p>um leitura crítica do mundo, oferecendo elementos para o</p><p>entendimento da realidade mais ampla nas escalas local,</p><p>nacional e global. Seu objeto de estudo é o espaço geo-</p><p>gráfico, um produto social, fruto das interações sociais e</p><p>naturais da superfície terrestre.</p><p>Contudo, não há um consenso entre os geógrafos sobre o</p><p>que seria, exatamente, o espaço geográfico, haja vista que</p><p>muitos deles orientam-se a partir de diferentes correntes</p><p>de pensamento que apresentam perspectivas diversas.</p><p>Para a corrente da Nova Geografia, por exemplo, o espaço</p><p>geográfico corresponde à organização da sociedade e seus</p><p>elementos sobre o meio.</p><p>Certos autores, como Richard Hartshorne, defendem que</p><p>o espaço geográfico é apenas uma construção intelectual,</p><p>não existe de fato na sociedade. No caso, seria uma con-</p><p>cepção da forma como nós enxergamos a realidade, no</p><p>sentido de apreender como acontece a espacialização da</p><p>sociedade e tudo o que por ela foi construído.</p><p>Para Milton Santos, o espaço geográfico é um conjunto de</p><p>sistemas de objetos e ações, isto é, os itens e elementos</p><p>artificiais e as ações humanas que manejam tais instru-</p><p>mentos no sentido de construir e transformar o meio, seja</p><p>ele natural ou social.</p><p>Os geógrafos humanistas afirmam que o conceito de espaço</p><p>geográfico estaria atrelado à questão subjetiva, cultural e in-</p><p>dividual. Nesse sentido, o espaço é o local de morada dos se-</p><p>res humanos, o meio de vivência onde as pessoas imprimem</p><p>suas marcas diariamente, proporcionando novas leituras à</p><p>medida que a compreensão do mundo se modifica.</p><p>Podemos perceber, portanto, que dentro de algumas</p><p>definições existentes, esse conceito possui várias vi-</p><p>sões conflitantes entre si. No entanto, há um consen-</p><p>so: o espaço geográfico representa a intervenção do</p><p>homem sobre o meio, ou seja, um produto (que, de-</p><p>pendendo da abordagem, pode também ser um pro-</p><p>dutor) das relações humanas e suas práticas sobre o</p><p>substrato natural.</p><p>Se ao longo de um rio, por exemplo, constrói-se uma pon-</p><p>te, estamos provocando a alteração da paisagem local, o</p><p>que representa a expressão do espaço geográfico. Se em</p><p>uma cidade adotam-se medidas de revitalização de áreas</p><p>degradadas, temos aí a transformação do espaço. Desse</p><p>modo, tudo o que é construído pelo homem é, notada-</p><p>mente, geográfico: hidrelétricas, cidades, campos agrícolas,</p><p>sistemas de irrigação, entre outros elementos, que são as</p><p>construções mais visíveis do espaço geográfico.</p><p>milton santos</p><p>Para o geógrafo Milton Santos, estamos vivenciando um</p><p>período histórico de grandes avanços científicos e tecno-</p><p>lógicos, que teve início na década de 1950, chamado de</p><p>Terceira Revolução Industrial. Esse período é caracterizado</p><p>pela integração efetiva entre ciência, tecnologia e produ-</p><p>ção, ou seja, a descoberta científica passa a ter aplicação</p><p>imediata no processo produtivo. É a fase em que despon-</p><p>tam segmentos industriais de alta tecnologia, como os de</p><p>telecomunicação (telefonia, robótica e transmissão televia),</p><p>além do aeroespacial (criação de satélites artificiais e avi-</p><p>ões). O geógrafo definiu-o como período técnico-cien-</p><p>tífico-informacional.</p><p>A Natureza do Espaço – Milton Santos</p><p>Obra interdisciplinar que oferece um trata-</p><p>mento pioneiro às relações entre a técnica e</p><p>o espaço e entre o espaço e o tempo, bases</p><p>para a construção de um sistema de concei-</p><p>tos coerentemente formulado, objetivando</p><p>definir o espaço geográfico e seu papel ativo</p><p>na dinâmica social.</p><p>multimídia: Livros</p><p>A revolução tecnológica, que conectou pessoas e mercados</p><p>em todo o mundo, provocando impactos econômicos, so-</p><p>ciais, geográficos e culturais, também ampliou as desigual-</p><p>dades entre povos e territórios. A velocidade com que se tem</p><p>acesso às informações cria novas formas de produzir e agir</p><p>sobre o espaço, criando o que chamamos de ciberespaço.</p><p>49</p><p>Por uma Geografia Nova – Milton Santos</p><p>“Por uma Geografia nova: da crítica da Geografia</p><p>a uma Geografia Crítica”, escrito pelo Professor</p><p>Doutor em Geografia Milton Santos em 1978, é</p><p>uma das obras mais amplas e bem acabadas sobre</p><p>a geografia crítica no mundo! O livro se tornou</p><p>um clássico dentro da ciência, continuando atual</p><p>em nossos dias. O autor aponta os problemas</p><p>que impedem a construção de uma geografia</p><p>orientada para uma problemática social mais</p><p>ampla e construtiva.</p><p>multimídia: Livros</p><p>1.3. Determinismo geográfico</p><p>O Determinismo foi a escola que surgiu no final do século</p><p>XIX, no período de transição do capitalismo comercial para</p><p>a fase monopolista e imperialista. Para seus defensores, as</p><p>condições naturais, especialmente as climáticas e, dentro</p><p>delas, a variação de temperaturas ao longo das estações</p><p>do ano, determinam o comportamento do homem, interfe-</p><p>rindo na sua capacidade de progredir. E os países ou povos</p><p>que estivessem localizados em áreas meteorológicas mais</p><p>favoráveis cresceriam mais. O homem é considerado um</p><p>produto do meio, portanto, a natureza seria o fator deter-</p><p>minante do seu modo de vida.</p><p>Seu principal defensor e organizador foi o geógrafo alemão</p><p>Friedrich Ratzel. As ideias deterministas favoreceram as</p><p>diferentes formas de dominação política e econômica. As</p><p>teorias naturais de Lamarck, sobre hereditariedade dos</p><p>caracteres adquiridos, e as de Charles Darwin, sobre a so-</p><p>brevivência e adaptação dos indivíduos mais bem-dotados</p><p>face ao meio natural fortaleceram a base do Determinismo.</p><p>FrieDrich ratzel</p><p>Ratzel também elaborou o conceito de Espaço Vital, que</p><p>seria formado pelas condições espaciais e naturais para a</p><p>manutenção ou consolidação do poder do Estado sobre o</p><p>seu território. As condições naturais seriam para o fortaleci-</p><p>mento de uma dada sociedade ou povo, ou seja, aquelas po-</p><p>pulações que dispusessem de melhor espaço vital estariam</p><p>mais aptas a se desenvolver e a conquistar outros territórios.</p><p>Essa noção foi fundamental diante do contexto histórico da</p><p>Alemanha, que havia acabado de passar pelo seu processo</p><p>de reunificação e necessitava de uma base para se afirmar</p><p>enquanto Estado, com capacidade de crescimento, expan-</p><p>são e dominação.</p><p>Mesmo que alguns autores dissessem que o Determi-</p><p>nismo era uma ideologia criada pelas classes domi-</p><p>nantes europeias para justificar o colonialismo, a tese</p><p>de que as condições ambientais determinam em larga</p><p>medida os processos históricos era muito bem aceita</p><p>entre teóricos ligados à esquerda política. Esse foi o</p><p>exemplo de Karl Marx, segundo o qual o capitalismo</p><p>surgiu na Europa por causa das condições edáficas do</p><p>continente, conforme a seguinte passagem:</p><p>“Uma natureza pródiga demais ‘retém o ho-</p><p>mem pela mão como uma criança sob tutela’;</p><p>ela o impede de se desenvolver ao não fazer</p><p>com que seu desenvolvimento seja uma neces-</p><p>sidade de natureza. A pátria do capital não se</p><p>encontra sob o clima dos trópicos, em meio a</p><p>uma vegetação luxuriante, mas na zona tem-</p><p>perada. Não é a diversidade absoluta do solo,</p><p>mas sobretudo a diversidade de suas qualida-</p><p>des químicas, de sua composição geológica, de</p><p>sua configuração física, e a variedade de seus</p><p>produtos naturais que formam a base natural</p><p>da divisão social do trabalho e que excitam o</p><p>homem, em razão das condições multiformes</p><p>ao meio em que se encontra situado, a multi-</p><p>plicar suas necessidades, suas faculdades, seus</p><p>meios e modos de trabalho.”</p><p>1.4. Possibilismo geográfico</p><p>O Possibilismo surgiu na escola francesa, com o geógrafo</p><p>Paul Vidal de La Blache. Seus defensores acreditam na pos-</p><p>sibilidade de haver influências recíprocas entre o homem e</p><p>o meio natural, e que o homem se adapta ao meio natural.</p><p>Como ser racional, o homem é elemento ativo e, portanto,</p><p>tem condições de modificar o meio natural e adaptá-lo</p><p>às</p><p>suas necessidades.</p><p>50</p><p>Paul ViDal De la blache</p><p>O Possibilismo surgiu na França em oposição ao Determi-</p><p>nismo ambiental. Seu objetivo era desmascarar o expan-</p><p>sionismo alemão ao criticar o conceito de Espaço Vital e,</p><p>ao mesmo tempo, viabilizar o colonialismo francês. Além</p><p>disso, queria abolir qualquer forma de determinação da</p><p>natureza, adaptando a ideia de que a ação humana é</p><p>marcada pela contingência.</p><p>1.5. Método regional</p><p>Método que enfatiza a diferenciação de área não a partir</p><p>das relações entre o homem e a natureza, mas a partir</p><p>da integração de fenômenos heterogêneos em uma dada</p><p>porção da superfície da Terra. Valorizado apenas a partir de</p><p>1940, esse pensamento geográfico já era abordado pelo</p><p>filósofo Immanuel Kant e o geógrafo Karl Ritter no final do</p><p>século XVIII e na primeira metade do XIX, respectivamente.</p><p>A Geografia Regional procurava estudar as unidades com-</p><p>ponentes da diversidade areal da superfície terrestre. Em</p><p>cada lugar, área ou região a combinação e a interação das</p><p>diversas categorias de fenômenos refletiam-se na elabora-</p><p>ção de uma paisagem distinta, que surgia de modo objeti-</p><p>vo e concreto. O estudo das regiões e das áreas favoreceu a</p><p>expansão da perspectiva regional ou cronológica, que teve</p><p>como êmulo e padrão as clássicas monografias da escola</p><p>francesa. Preocupados em compreender as características</p><p>regionais, o geógrafo desenvolveu a habilidade descritiva,</p><p>exercendo a caracterização já estabelecida por La Blache,</p><p>em 1913. Defrontando-se com os casos, a explicação ba-</p><p>seava-se no destrinchar a evolução histórica e estabelecer</p><p>a sequência das fases que culminaram nas características</p><p>atuais da referida área ou região. Levando em conta as</p><p>concepções de que o globo era um organismo coeren-</p><p>te, com as suas partes funcionando de modo integrador,</p><p>admitia-se que muitas unidades areais executavam uma</p><p>“função” em termos do conjunto. A cultura canavieira no</p><p>Nordeste brasileiro era desenvolvida para abastecer o mer-</p><p>cado europeu; os países-colônias forneciam matérias-pri-</p><p>mas para os países imperialistas, e outras explicações simi-</p><p>lares podem ser arroladas para os mais diversos aspectos e</p><p>categorias de fenômenos.</p><p>Karl ritter</p><p>1.6. Nova Geografia</p><p>multimídia: sites</p><p>http://www.geografia.fflch.usp.br</p><p>A Nova Geografia, que surgia em meados da década de</p><p>1950, tentando superar as dicotomias e os procedimen-</p><p>tos metodológicos da Geografia Regional, desenvolveu-se</p><p>procurando incentivar e buscar um enquadramento maior</p><p>da Geografia no contexto científico global. O aparecimento</p><p>de novas perspectivas de abordagem estava integrado na</p><p>transformação profunda provocada pela Segunda Guerra</p><p>Mundial nos setores científico, tecnológico, social e econô-</p><p>mico. Essa transformação, que abrangia o aspecto filosófi-</p><p>co e metodológico, foi chamada de “revolução quantitati-</p><p>va e teorética da Geografia”. Algumas das metas básicas</p><p>propostas por essa Nova Geografia eram: maior rigor na</p><p>aplicação da metodologia científica, desenvolvimento de</p><p>teorias e principalmente uso de técnicas estatísticas e ma-</p><p>temáticas para analisar os dados coletados e as distribui-</p><p>ções espaciais dos fenômenos.</p><p>Com a Geografia Quantitativa, os indicadores socioeconô-</p><p>micos são suscetíveis de serem expressos em termos nu-</p><p>méricos, avaliando, assim, o grau de desenvolvimento entre</p><p>as nações, a análise de tabelas e de gráficos que explicam</p><p>a pobreza e a possibilidade de esconder a real causa do</p><p>subdesenvolvimento. A estagnação econômica do mundo</p><p>51</p><p>subdesenvolvido é tratada como uma etapa necessária,</p><p>que deve ser superada em curto prazo, desde que essas na-</p><p>ções adotem políticas que favoreçam a expansão do capi-</p><p>tal externo e ampliem as disparidades de desenvolvimento</p><p>entre nações e camadas sociais.</p><p>O uso das técnicas de análise deve ser evidentemente in-</p><p>centivado porque elas se constituem em ferramentas, em</p><p>meios para o geógrafo. O conhecimento dessas diversas</p><p>técnicas (as simples, as multivariadas e as relacionadas</p><p>com a análise seriada e espacial) é básico para o geógra-</p><p>fo. No entanto, usar técnicas estatísticas, por mais sofis-</p><p>ticadas que sejam, não é fazer Geografia. Se o geógrafo</p><p>coleta inúmeros dados e informações e os analisa através</p><p>do computador (por exemplo, usando a análise fatorial ou</p><p>a discriminante), sem ter noção clara do problema a pes-</p><p>quisar e se não dispuser de arsenal teórico e conceitual</p><p>que lhe permita adequadamente interpretar os resultados</p><p>obtidos, estará apenas fazendo trabalho de mecanização,</p><p>mas nunca um trabalho geográfico.</p><p>1.7. Geografia Crítica</p><p>A Geografia Crítica, de orientação marxista, manifestou-se</p><p>entre as décadas de 1960 e 1970, num ambiente contes-</p><p>tatório nos Estados Unidos por causa da Guerra do Vietnã,</p><p>da luta pelos direitos civis, do processo de descolonização</p><p>da África, da crise da poluição e da urbanização. Preocu-</p><p>pada em ser crítica e atuante, entendia que a produção</p><p>do espaço deriva do trabalho humano e assume formas</p><p>diferentes em função da diversidade de combinações dos</p><p>modos de produzir, circular e pensar.</p><p>Karl marx</p><p>A Geografia Crítica também visava ultrapassar e substituir a</p><p>Nova Geografia. Seus autores consideravam a Nova Geogra-</p><p>fia como sendo pragmática, alienada, objetivada no estudo</p><p>dos padrões espaciais e não nos processos e problemas so-</p><p>cioeconômicos e com grande função ideológica. Dessa ma-</p><p>neira, procurava analisar primeiramente os processos sociais,</p><p>e não os espaciais, o oposto do que se costumava praticar na</p><p>geografia teórica quantitativa. Nessa focalização, encontra-</p><p>-se implícito o esforço na tentativa de integrar os processos</p><p>sociais e os espaciais no estudo da realidade.</p><p>A Geografia Radical interessava-se pela análise dos</p><p>modos de produção e das formações socioeconômicas.</p><p>Isso porque o marxismo considera como fundamental os</p><p>modos de produção, enquanto as formações socioeco-</p><p>nômicas espaciais (ou formações econômicas e sociais)</p><p>são as resultantes. As atividades dos modos de produção</p><p>constroem e geram formações diversas. Cada modo de</p><p>produção, capitalista ou socialista, por exemplo, reflete-</p><p>-se em formações socioeconômicas espaciais distintas,</p><p>cujas características da paisagem geográfica devem ser</p><p>analisadas e compreendidas. Uma corrente que propu-</p><p>nha romper com a ideia de neutralidade científica para</p><p>fazer da Geografia uma ciência apta a elaborar uma críti-</p><p>ca radical à sociedade capitalista pelo estudo do espaço</p><p>e das formas de apropriação da natureza. Nesse sentido,</p><p>enfatizava a necessidade de engajamento político dos</p><p>geógrafos e defendia a diminuição das disparidades so-</p><p>cioeconômicas e regionais.</p><p>2. ConCeitos importantes</p><p>A linguagem geográfica, além dos princípios e das es-</p><p>colas geográficas, também necessita da formulação de</p><p>alguns conceitos-chave como pré-requisito para a análise</p><p>de seus fenômenos. Esses conceitos são ferramentas de</p><p>análise do espaço e carregam forte grau de parentesco</p><p>entre si, pois todos se referem às ações humanas que</p><p>transformam esse espaço.</p><p>2.1. Conceito de Lugar</p><p>“O homem não vê o universo a partir do universo, o ho-</p><p>mem vê o universo desde um lugar.”</p><p>milton santos</p><p>Para a Geografia, esse conceito está, nas principais abor-</p><p>dagens, vinculado a uma análise compreensiva e, portanto,</p><p>não objetiva e nem racionalista da realidade. Nesse senti-</p><p>do, ele se articula a partir da relação ou compreensão do</p><p>ser diante do espaço geográfico, ou seja, o lugar é o espaço</p><p>apropriado ou percebido pelas relações humanas.</p><p>É sabido que cada pessoa enxerga o mundo de uma</p><p>determinada forma, porque isso se relaciona com o con-</p><p>junto de experiências dos indivíduos ao longo do tempo,</p><p>suas concepções culturais e seus valores morais e até</p><p>religiosos. Assim sendo, as análises geográficas pauta-</p><p>das no conceito de lugar concebem o espaço analisado</p><p>não de uma maneira direta ou racional, mas por meio</p><p>da compreensão humana e, muitas vezes, com base em</p><p>valores afetivos ou de identidade. É um tipo de análise</p><p>mais comum no âmbito da Geografia Cultural e da Ge-</p><p>ografia da</p><p>Religião, mas pode envolver outras áreas do</p><p>saber em questão.</p><p>52</p><p>2.2. Conceito de Paisagem</p><p>“Tudo aquilo que nós vemos, que a nossa visão alcança,</p><p>é a paisagem [...]. Não apenas formada de volumes, mas</p><p>também de cores, odores, movimentos, sons, etc.”</p><p>milton santos</p><p>Em algumas análises, a paisagem é diretamente definida</p><p>como o “aquilo que a visão alcança” ou como o “mundo</p><p>conforme a sua aparência externa”. Portanto, a paisagem</p><p>costuma ser definida como formas que se revelam diante</p><p>dos nossos olhos na produção do espaço geográfico.</p><p>Outras concepções desse modelo são apresentadas a par-</p><p>tir da contestação desse conceito. Em muitas abordagens</p><p>acadêmicas, a paisagem é concebida não apenas a partir</p><p>da visão, mas da multissensorialidade, ou seja, da utiliza-</p><p>ção dos demais sentidos (tato, olfato, paladar e audição).</p><p>Além disso, a paisagem é, muitas vezes, reveladora de</p><p>experiências e atrelada a fatores da expressão humana e</p><p>pessoais, o que lhe dá uma dimensão cultural.</p><p>Paisagem natural</p><p>Paisagem moDiFicaDa</p><p>2.3. Conceito de Território</p><p>“[...] o território é um nome político para o espaço de um</p><p>país. Em outras palavras, a existência de um país supõe</p><p>um território. Mas a existência de uma nação nem sempre</p><p>é acompanhada da posse de um território e nem sempre</p><p>supõe a existência de um Estado. Pode-se falar, portanto,</p><p>de territorialidade sem Estado, mas é praticamente impos-</p><p>sível nos referirmos a um Estado sem território.”</p><p>SILVEIRA, maria laura; SANTOS, milton.</p><p>o brasil, território e socieDaDe no início Do século xxi.</p><p>O território, um termo muito empregado no âmbito da polí-</p><p>tica, é normalmente definido como uma área delimitada por</p><p>fronteiras. Entretanto, nem sempre essas fronteiras são visíveis</p><p>ou bem delineadas. Na maioria das abordagens geográficas,</p><p>o conceito de território está relacionado a uma configuração</p><p>de poder. É, por isso, uma área apropriada, uma porção do es-</p><p>paço geográfico onde uma relação hierárquica se estabelece.</p><p>O território possui uma característica importante, que é a sua</p><p>multiplicidade em termos de tipificações e de escala. Ele pode</p><p>abranger desde uma área muito restrita, como uma rua ou</p><p>um terreno qualquer, até uma coalizão internacional compos-</p><p>ta por forças militares de diversos países. Ao mesmo tempo,</p><p>seus tipos envolvem territorialidades militares, jurídicas (vin-</p><p>culadas ao Estado), naturais, culturais e até criminais, como</p><p>os territórios de tráfico de drogas ou de grupos mafiosos.</p><p>2.4 Conceito de Região</p><p>Faz referência a uma área ou espaço que foi dividido obede-</p><p>cendo a um critério específico. Trata-se de uma elaboração</p><p>racional humana para melhor compreender uma determina-</p><p>da área ou um aspecto dela. Portanto, as regiões podem ser</p><p>criadas para realizar estudos sobre as características gerais</p><p>de um território (as regiões brasileiras, por exemplo) ou para</p><p>entender determinados aspectos do espaço (as regiões geo-</p><p>econômicas do Brasil, para entender a economia brasileira).</p><p>Esse conceito, amplamente utilizado no senso comum, é</p><p>geralmente empregado para designar uma área do espaço</p><p>mais ou menos delimitada. Na Geografia, a região é defini-</p><p>da como uma porção superficial designada a partir de uma</p><p>característica que lhe é marcante ou que é escolhida por</p><p>aquele que concebe a região em questão. Assim, existem</p><p>regiões naturais, econômicas, políticas, entre muitas outras.</p><p>Portanto, a região não existe diretamente, mas é uma cons-</p><p>trução intelectual humana. No âmbito da Literatura, essa no-</p><p>ção está vinculada ao conceito de regionalismo, que expres-</p><p>sa o conjunto de costumes, expressões linguísticas e outros</p><p>valores que apresentam variação entre uma região e outra,</p><p>dando uma identidade coletiva para os diferentes lugares.</p><p>Fonte: Youtube</p><p>multimídia: música</p><p>- Gente Humilde – Chico Buarque</p><p>53</p><p>Espaços públicos de convivência e lazer são frequentemente abordados e estudados pela Geografia a partir da ideia</p><p>de lugar. Em alguns casos, estudos geográficos com base nessas premissas foram responsáveis pela mudança na</p><p>arquitetura de praças e espaços de lazer, especialmente por adequar tais locais à compreensão e percepção das pes-</p><p>soas e à ideia que elas tinham de como deveria ser o seu lugar. Se possível, veja fotos e observe as transformações</p><p>desses lugares na atualidade.</p><p>VIVENCIANDO</p><p>54</p><p>Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.</p><p>ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM</p><p>26</p><p>Habilidade</p><p>A Geografia é uma ciência humana que estuda o espaço geográfico e suas composições, analisando a interação entre</p><p>sociedade e natureza. Essa área do conhecimento utiliza em suas abordagens uma série de conceitos que são con-</p><p>siderados básicos para a fundamentação de seus estudos. Em algumas análises, a paisagem é diretamente definida</p><p>como “aquilo que a visão alcança” ou o “mundo conforme a sua aparência externa”. Portanto, a paisagem costuma</p><p>ser definida como as formas que se revelam diante dos nossos olhos na produção do espaço geográfico.</p><p>Porém outras concepções desse modelo são apresentadas a partir da contestação desse conceito. Em muitas abor-</p><p>dagens acadêmicas, a paisagem é concebida não apenas a partir da visão, mas da multissensorialidade, ou seja, da</p><p>utilização dos demais sentidos (tato, olfato, paladar e audição). Além disso, a paisagem é, muitas vezes, reveladora de</p><p>experiências e atrelada a fatores da expressão humana e pessoais, o que lhe dá uma dimensão cultural.</p><p>Modelo</p><p>(Enem) Portadora de memória, a paisagem ajuda a construir os sentimentos de pertencimento; ela cria uma atmosfe-</p><p>ra que convém aos momentos fortes da vida, às festas, às comemorações.</p><p>claVal, P. terra Dos homens: a geograFia. são Paulo: contexto, 2010 (aDaPtaDo).</p><p>No texto é apresentada uma forma de integração da paisagem geográfica com a vida social. Nesse sentido, a paisa-</p><p>gem, além de existir como forma concreta, apresenta uma dimensão</p><p>a) política de apropriação efetiva do espaço.</p><p>b) econômica de uso de recursos do espaço.</p><p>c) privada de limitação sobre a utilização do espaço.</p><p>d) natural de composição por elementos físicos do espaço.</p><p>e) simbólica de relação subjetiva do indivíduo com o espaço.</p><p>Análise expositiva: Nesse exercício o Enem busca mostrar as relações da vida humana com a paisagem e</p><p>o quanto os elementos dessa paisagem estão carregados de uma dimensão simbólica, pois cada ser humano</p><p>entende e enxerga a mesma paisagem de maneiras diferentes.</p><p>A paisagem constitui a aparência do espaço, é o que se pode visualizar no horizonte, sendo composta por</p><p>elementos naturais e elementos artificiais produzidos pelo homem. Além da dimensão concreta, os elementos</p><p>da paisagem carregam uma dimensão simbólica e cultural, uma vez que a percepção da paisagem é individual</p><p>e carregada de elementos subjetivos. Duas pessoas que visualizam a mesma paisagem possivelmente não vão</p><p>descrevê-la da mesma maneira.</p><p>Alternativa E</p><p>E</p><p>55</p><p>PAISAGEM</p><p>CULTURAL</p><p>PAISAGEM</p><p>NATURAL</p><p>ESPAÇO</p><p>FÍSICO</p><p>LUGAR</p><p>REGIÕES</p><p>GEOECONÔMICAS REGIÕES</p><p>NATURAIS</p><p>ESPAÇO</p><p>GEOGRÁFICO</p><p>FLORESTAS, MATAS,</p><p>CAMPOS,</p><p>DESERTOS, ILHAS</p><p>DOMÍNIO</p><p>JURÍDICO DOMÍNIO</p><p>MORFOCLIMÁTICO</p><p>MONTANHAS</p><p>PLANALTOS</p><p>PLANÍCIES</p><p>DEPRESSÕES</p><p>TERRITÓRIO</p><p>PAÍSES</p><p>ESTADOS</p><p>OCEANOS</p><p>MARES</p><p>CONTINENTES</p><p>BACIAS</p><p>RURALURBANA</p><p>CIDADES</p><p>BAIRROS</p><p>TERRENOS</p><p>FAZENDAS</p><p>SÍTIOS</p><p>CHÁCARAS</p><p>HUMANIZADO</p><p>PLANETA TERRAPLANETA TERRA</p><p>DIAGRAMA DE IDEIAS</p>