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<p>1</p><p>O CARÁTER DE CRISTO</p><p>EM NÓS</p><p>2</p><p>Aula 1 – O caráter de Cristo em nós</p><p>O caminho para o caráter de Cristo é o caminho da operação da cruz em nós. Não há outra maneira</p><p>das marcas do caráter de Cristo serem formadas, a não ser pela cruz. E a cruz é o quebrantamento da vontade</p><p>e força humana pela ação do Senhor. Deus prepara as circunstâncias e situações que tratam com nossas</p><p>vontades para que possamos ser quebrantados. É através da lei da cruz (Mt 16.24) que somos formados em</p><p>nosso caráter.</p><p>Esta lei opera em nós, moldando-nos e ensinando-nos a vida do Espírito.</p><p>Não há como conter o processo dos tratamentos do Senhor para formar o caráter</p><p>cristão. Como é bom vivermos e nos relacionarmos com pessoas quebrantadas e</p><p>doces, que foram tratadas por Deus. A cruz é que opera em nós a beleza do</p><p>Senhor. A cruz é o instrumento de Deus para moldar-nos à semelhança de Cristo.</p><p>A cruz é que nos capacita para termos o caráter que suporta o poder de Deus.</p><p>Antes de Jesus subir, Ele desceu (Ef.4:8-9). Este é o princípio de Deus. Antes de</p><p>conhecermos o poder e a glória temos que ser tratados pela cruz de Cristo. Quanto</p><p>mais alto Deus for nos levar, significa que mais tratamentos precisamos ter em</p><p>nosso caráter. Existe um princípio aqui: As pressões e tentações aumentam à</p><p>medida que subimos em Deus. Por isto, mais base de caráter uma pessoa precisa</p><p>ter na guerra contra o mundo espiritual e o pecado. Jesus passou tal pressão que</p><p>suou gotas de sangue (Lc 22.44; Hb 12.4). O caráter do obreiro precisa ter sido</p><p>formado pela cruz.</p><p>A maturidade emocional e espiritual vêm pelos tratamentos da cruz de</p><p>Cristo. Os homens de Deus precisam ser homens que vencem os ataques do</p><p>inimigo em suas mentes e emoções, e isto vem pelo quebrantamento. Não podem</p><p>ser pessoas frágeis que cedem às pressões malignas sobre a carne. O alicerce de</p><p>uma casa é a parte mais delicada da construção. Da mesma forma, na Igreja, ter</p><p>líderes fortes, tratados e preparados é a parte mais delicada e mais importante da</p><p>construção. As pressões não vêm somente pelos ataques do inimigo, mas também</p><p>pelos princípios que envolvem busca de Deus. Ás vezes, quanto mais buscamos ao</p><p>Senhor, parece que tanto mais os céus se fecham e se tornam de bronze. É um</p><p>princípio que precisamos saber: os que buscam ao Senhor, que muitas vezes oram</p><p>e jejuam sentem muita resistência e aparentemente nada acontece. Ou às vezes as</p><p>pressões e problemas aumentam. Este princípio está ligado ao fato de que nos</p><p>céus algo está sendo gerado e por isto estamos pagando o preço. Sempre, antes</p><p>da visitação de Deus e dos avivamentos, os homens usados sofrem, choram e</p><p>gemem, até que a mão do Senhor seja livre para operar. Portanto, como obreiros</p><p>de Deus necessitamos conhecer estes caminhos, e estarmos preparados para</p><p>enfrentá-los.</p><p>Definição de caráter</p><p>O caráter refletirá os traços da natureza pecaminosa (sendo influenciado pelo mundo),</p><p>ou os traços da natureza divina (sendo influenciado pela Palavra de Deus). Caráter é a soma</p><p>total de todas as influências positivas ou negativas, aprendidas na vida de uma pessoa, ele se</p><p>manifestará através dos seus valores, motivações, atitudes, sentimentos e ações.</p><p>Em Hb 1.3, o escritor afirma que Cristo é o próprio caráter de Deus. Caráter é como uma</p><p>marca impressa que distingue a pessoa. O caráter de Deus que foi impresso em Jesus Cristo</p><p>3</p><p>precisa ser impresso na Igreja para que, desta forma, o mundo creia em Deus. Nossa primeira</p><p>decisão é crer. Devemos ter uma decisão de seguir a Jesus tornando-nos seus discípulos e, por</p><p>fim, sermos feitos conforme Sua própria imagem (Rm 8.29 e 1Co 15.49); identificados, desta</p><p>forma como cristãos.</p><p>Caráter no grego significa IMAGEM.</p><p>Hb 1.3, Afirma que Cristo é o próprio Caráter de Deus, a própria estampa da natureza de</p><p>Deus, aquele em que Deus estampou ou imprimiu Seu ser.</p><p>Caráter é o sinal identificador da natureza de qualquer ser ou coisa</p><p>(dicionário de Psicologia- Cabral e Nick).É o conjunto de aspectos que</p><p>caracterizam o Ego. O caráter é formado pela aprendizagem. Todo ser humano a</p><p>partir do seu nascimento começa a receber influências do meio ambiente onde se</p><p>encontra. Estas influências são assimiladas e com o tempo passam a fazer parte</p><p>do caráter. Esse processo de aprendizagem é feito por identif icação, imitação,</p><p>punição, e recompensa. O propósito é que o homem se torne à imagem do seu</p><p>fi lho, o Senhor Jesus Cristo, Deus-homem. Este propósito não mudou. A queda do</p><p>homem não mudou este plano e o propósito de Deus. Desde Adão, passado por</p><p>Jesus e pela Igreja, o plano de Deus será sempre o mesmo - Hb 2.10 - “Porque</p><p>convinha que aquele, por cuja causa e por quem todas as cousas existem,</p><p>conduzindo muitos filhos à Glória, aperfeiçoasse por meio de sofrimentos o Autor</p><p>da salvação deles”. Se a igreja deve atingir esta meta, seus líderes devem mostrar</p><p>o caminho, devem ir à frente. O caráter e a personalidade do Senhor Jesus Cristo</p><p>devem ser desenvolvidos nos líderes da Igreja antes de ser formado no Seu povo.</p><p>Forma de pensar</p><p>A forma de pensar de uma pessoa é percebida pela maneira como ela constrói a sua</p><p>escala de valores. O meu caráter é determinado em primeiro lugar pelo aspecto moral, ou seja,</p><p>aquilo que eu considero correto, errado, permitido, proibido e assim por diante. Se eu aprovo</p><p>aquilo que definitivamente é errado então se pode dizer que o meu caráter é defeituoso , um</p><p>“Mal Caráter”.</p><p>Quando nos convertemos a primeira coisa que devemos fazer é renovar a nossa</p><p>mente . Renovar nesse caso significa mudar a minha maneira de perceber as coisas e também</p><p>a minha escala de valores. A vontade de Deus é que tenhamos o caráter de Cristo, a sua mente</p><p>(1Co 2.16).</p><p>Estilo de vida</p><p>O estilo de vida de uma pessoa é determinado pelos seus alvos, hábitos e costumes. Se</p><p>o meu grande alvo na vida é ganhar dinheiro, eu devo desenvolver um estilo de vida compatível</p><p>com esse alvo. Devo desenvolver os hábitos e costumes coerentes com o que quero alcançar.</p><p>Se eu quero ser atleta e não treino há algo errado. Se eu quero me desenvolver nos estudos,</p><p>mas não me aplico a ler em casa também há algo errado. O estilo de vida faz parte do nosso</p><p>caráter, a prova disso é que normalmente pessoas de uma mesma profissão apresentam</p><p>características de caráter semelhantes. Não é difícil percebermos isso em empresários,</p><p>caminhoneiros, programadores, etc.</p><p>Conduta</p><p>A conduta é o conjunto de comportamentos que aprendemos e que se firmam dentro de</p><p>nós. Conduta é tudo aquilo que fazemos, falamos, sentimos, esperamos e desejamos. A</p><p>conduta se manifesta na minha relação com outras pessoas. O meu comportamento diante de</p><p>4</p><p>outras pessoas manifesta o meu caráter, ou seja, a minha forma de pensar e os motivos que</p><p>vão dentro do coração.</p><p>Estes três elementos compõem o nosso caráter. Evidentemente eles não podem ser</p><p>observados separadamente. Em tudo aquilo que fazemos manifestamos estes três aspectos</p><p>simultaneamente.Todos nós ao nos convertermos já possuímos um caráter formado. Esse</p><p>caráter foi formado por tudo aquilo que recebemos de nosso meio ambiente. Muito daquilo que</p><p>aprendemos está correto, mas existem partes da nossa forma de pensar, do nosso estilo de</p><p>vida e da nossa conduta que devem ser transformados.</p><p>Todo o nosso crescimento espiritual é demonstrado pelo nosso caráter. Se com o</p><p>passar do tempo acumulamos muito conhecimento, mas não demonstramos nenhuma mudança</p><p>no caráter isso mostra que o conhecimento foi em vão. Deus está profundamente interessado</p><p>em nossa conduta. Jesus e os Apóstolos gastaram muito espaço para tratar de frutos, de</p><p>comportamento, de conduta e de coração, como vemos:</p><p>Mt 5. 48 – “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”.</p><p>2Co 13.9 – “Porque nos regozijamos quando nós estamos fracos, e vós, fortes, e isto é o</p><p>que pedimos, o vosso aperfeiçoamento”.</p><p>Gl 4.19 – “Meus filhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até</p><p>5. O fruto da bondade</p><p>Jesus era uma Pessoa muito boa e dócil! Este é um outro aspecto do caráter de Deus</p><p>que foi lindamente expresso na Sua vida terrena. Isto traz um caloroso sentimento de ternura à</p><p>benignidade moral de Deus. É uma característica divina que precisamos conhecer mais e</p><p>demonstrar nas nossas próprias vidas.</p><p>O falso fruto da bondade</p><p>O fruto da bondade não é uma atitude fraca e permissiva de alguém que está disposto a</p><p>ter a paz a qualquer custo. Não é uma característica que permite que os princípios sejam</p><p>facilmente transgredidos ou colocados de lado. A bondade ou docilidade também não deve ser</p><p>igualada a uma moleza sentimental onde o nosso coração domina a nossa cabeça. Há uma</p><p>força subjacente nesse fruto que é sustentada pelo poder e propósito do Próprio Deus.</p><p>25</p><p>O verdadeiro fruto da bondade</p><p>A palavra grega referente a “bondade” é “chrestotes”. Em oito das dezoito vezes em que</p><p>este termo (substantivo ou adjetivo) é usado no Novo Testamento, ele se refere a um aspecto</p><p>do caráter de Deus. A bondade é uma qualidade de coração que atrai as pessoas com cordéis</p><p>de amor. Ela retrata um cuidado pessoal e um interesse pelos outros. É uma atitude afável que</p><p>coloca as pessoas à vontade e as protege dos sofrimentos. Ela busca ajudar e curar os que</p><p>estão fracos e feridos.</p><p>Nas Escrituras, a bondade geralmente está relacionada com o perdão. É devido à</p><p>bondade e misericórdia de Deus que somos lavados ao arrependimento e recebemos o perdão:</p><p>“Vocês não percebem como ele tem sido paciente e bom com vocês? Ou vocês não se</p><p>importam? Vocês não compreendem que a bondade de Deus tem o objetivo de levá-los ao</p><p>arrependimento?” (Rm 2.4 simplificado)</p><p>Vemos isto na vida de Jesus quando Ele lidou com a mulher samaritana ao lado do poço</p><p>(Jo 4) e novamente quando Jesus defendeu a pecadora na casa de Simão, o fariseu (Lc 7).</p><p>Sermos semelhantes a Jesus significa sermos bons com os outros, solidários e</p><p>perdoadores. Paulo sumariza isto tudo nas seguintes palavras, simples, porém poderosas: “Não</p><p>tenham mais amarguras e iras. Deixem de lado todas as palavras ásperas e as brigas. Ao</p><p>invés, sejam benignos uns para com os outros. Sejam compassivos e perdoadores, assim como</p><p>Deus lhes perdoou em Cristo” (Ef 4.31,32).</p><p>O fruto podre da carne</p><p>Já vimos através de algumas das Escrituras acima, quais as características da carne</p><p>que querem se opor ao fruto da bondade. Estas características incluiriam as atitudes e ações</p><p>que são cruéis, rudes, grosseiras, ásperas, que não perdoam, e que são agressivas.</p><p>Não podemos ser bons e egocêntricos ao mesmo tempo. A bondade e a solidariedade</p><p>para com os outros, como já vimos na vida de Jesus, andam de mãos dadas.</p><p>Os líderes que são bons não impõem as suas idéias e desejos sobre os outros de uma</p><p>forma opressiva. Em Mt 11.30, Jesus diz: “O Meu jugo é suave”. A palavra grega</p><p>traduzida por “suave” é o termo “chrestos”. Neste versículo ela significa “fácil de se</p><p>colocar” e “que se encaixa bem”. Retrata a bondade, tanto no propósito como na</p><p>prática - no planejamento e na colocação.</p><p>Os líderes jovens, em seu zelo, podem às vezes ser desatenciosos para com</p><p>os outros. Em seus anseios de fazerem as coisas para Deus há o perigo de</p><p>surgirem palavras e ações ásperas. Um dos sinais da maturidade cristã é a</p><p>bondade.</p><p>O vinho que é envelhecido é suave e brando, ele perde a sua aspereza e amargor.</p><p>“Ninguém que tenha bebido vinho velho deseja o novo, pois dizem: O velho é melhor”</p><p>(Lc 5.39 simplificado). Que possamos nos esforçar para tornarmo-nos bons e dóceis como</p><p>Jesus, à medida em que amadurecemos n’Ele.</p><p>6. O fruto da benignidade</p><p>Jesus era um Homem verdadeiramente benigno! Era uma benignidade que revelava a</p><p>natureza do próprio caráter de Deus. Aliás, Jesus era a “benignidade” de Deus operando,</p><p>caminhando, e falando no meio dos homens.</p><p>26</p><p>“Certa vez, um jovem correu e ajoelhou-se diante de Jesus. Bom Mestre, disse ele: O</p><p>que preciso fazer para receber a vida eterna? Jesus replicou: Por que Me chamas de bom?</p><p>Ninguém é bom - exceto Deus” (Mc 10.17,18 simplificado).</p><p>A benignidade de Jesus mostrava para as pessoas a benignidade de Deus. Jesus veio</p><p>para a terra para fazer a boa vontade do Pai. Portanto, a sua vida, morte, e ressurreição</p><p>apresentam um perfeito quadro da benignidade divina - um exemplo para todos os cristãos. Se</p><p>quisermos seguir os Seus passos desejaremos estudar este fruto com muito cuidado e</p><p>interesse.</p><p>O falso fruto da benignidade</p><p>A benignidade não pode ser igualada aos atos de auto-retidão dos assim chamados</p><p>“fazedores de boas ações”. Isto se refere às pessoas que fazem bem aos outros para que</p><p>possam receber o louvor e a gratidão deles.</p><p>A benignidade não significa darmos para ganharmos de volta um galardão maior de</p><p>volta. Basicamente, uma atitude destas é egocêntrica e também serve os nossos próprios</p><p>propósitos.</p><p>A benignidade certamente não é uma maneira de merecermos a nossa salvação. As</p><p>nossas “boas obras” nunca poderiam chegar à altura do santo padrão da benignidade de Deus.</p><p>Ela nunca poderia tomar o lugar da obra de redenção de Cristo sobre a Cruz. Somos salvos</p><p>somente pela benignidade e misericórdia de Deus a nosso favor.</p><p>O verdadeiro fruto da benignidade</p><p>O termo grego referente a “benignidade” é “agathosune”. Ele é encontrado apenas</p><p>quatro vezes no Novo Testamento. A palavra “bom”, (agathos) no entanto, é usada cerca de</p><p>cento e duas vezes. É um termo genérico para a excelência ou alta qualidade.</p><p>A benignidade pessoal, da forma como é definida através do seu uso nas Escrituras, tem</p><p>duas partes importantes. Uma delas é o “caráter”, e a outra é a “conduta”, o que somos e o que</p><p>fazemos - as nossas atitudes e as nossas ações.</p><p>Como já dissemos anteriormente, Jesus é o verdadeiro padrão para uma vida de</p><p>benignidade. Ele é o Servo Modelo que era “bom e fiel” (Mt 25.21; Fp 2.7). Jesus é a</p><p>benignidade de Deus em pensamento, palavra, e ação - em atitude e ação. O estudo da Sua</p><p>vida significa compreendermos o significado da benignidade.</p><p>O uso de “agathosune” e “agathos” com relação a outras palavras também é útil para</p><p>compreendermos significados mais específicos destes termos. “Bom e fiel” é um exemplo disto.</p><p>Paulo diz aos Efésios que “o fruto do Espírito está em toda a bondade, retidão, e</p><p>verdade” (Ef 5.9). Nestas e em muitas outras passagens podemos compreender melhor o</p><p>conceito de Deus sobre a benignidade. Como já vimos, ela envolve tanto o caráter quanto a</p><p>conduta. No caráter, o homem “bom” é considerado como sendo um homem forte, sólido,</p><p>altamente, justo e moral. Ele é honesto, sincero, e inteiramente correto. Ao mesmo tempo, ele é</p><p>bondoso, misericordioso, e cheio de compaixão. Ele busca o melhor para os outros, tem um</p><p>coração e mãos generosas, e se dá pessoalmente, de coração. Verdadeiramente, ele é um</p><p>homem como Jesus, que não somente busca pregar as “Boas Novas”, mas que também vive de</p><p>acordo com elas: “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder. Ele andou</p><p>fazendo o bem e curando a todos os que estavam oprimidos pelo diabo pois Deus era com Ele”</p><p>(At 10.38 simplificado).</p><p>“Porque somos obra das Suas mãos. Fomos criados novamente em Cristo Jesus. Deus</p><p>fez isto para que pudéssemos fazer aquelas boas obras que Ele planejou para nós há muito</p><p>tempo atrás” (Ef 2.10 simplificado).</p><p>27</p><p>“Sim, Cristo Se entregou por nós para que Ele pudesse nos redimir de nossos maus</p><p>caminhos. ele morreu para nos tornar um povo puro e que pertence somente a Ele - um povo</p><p>que esteja apto para fazer coisas boas para os outros” (Tt 2.14 simplificado).</p><p>O fruto podre da carne</p><p>O contrário do bem é o mal, e da benignidade é a maldade. A Bíblia tem muito a dizer</p><p>sobre o mal e os homens maus. A pessoa mais maligna das Escrituras é Satanás, o próprio</p><p>“maligno”.</p><p>Pelo fato de o diabo ser maligno ele está sempre querendo roubar, matar, e destruir (Jo</p><p>10.10). Jesus veio, no entanto,</p><p>para destruir as obras do diabo e para nos dar uma vida plena e</p><p>abundante (1Jo 3.8). A Bíblia geralmente associa o mal com os homens que são cobiçosos e</p><p>ciumentos por natureza. Eles têm corações pequenos e avarentos e estão mais interessados</p><p>em obter do que em dar.</p><p>O homem maligno também é parcial, injusto, e imoral. Pela natureza do seu caráter, ele</p><p>não se interessa pelo bem-estar dos outros. Ele não se abstém de roubar e destruir para os</p><p>seus próprios propósitos egoísticos</p><p>Verdadeiramente o quadro que a Bíblia pinta sobre o mal não é algo lindo de</p><p>se ver. Infelizmente, até mesmo na qualidade de cristãos, vemos, às vezes, as</p><p>sementes destas características começando a crescer em nossas vidas, e as ervas</p><p>daninhas crescem rapidamente se não forem impedidas. As más atitudes podem</p><p>desenvolver-se em más palavras e ações antes de percebermos o que está</p><p>acontecendo. Podemos ficar gratos de que o Espírito Santo é rápido em nos avisar</p><p>quando estas características malignas aparecem primeiramente em nossos</p><p>pensamentos ou ações.</p><p>Há um grande poder na benignidade de Deus. Este fruto do Espírito é a resposta de</p><p>Deus ao problema do mal em nossas vidas, e nas vidas dos outros. É uma qualidade da vida de</p><p>Cristo que temos dentro de nossos corações. São recursos que podemos extrair e usar a</p><p>qualquer hora quer “estejamos sentindo que somos bons” ou não.</p><p>A benignidade não é um sentimento. É uma pessoa. E esta Pessoa é Jesus! Pela fé</p><p>sabemos que o Seu espírito está dentro de nós. E com o Seu Espírito está a Sua benignidade -</p><p>e o poder da mesma. Esta confissão de fé é a nossa chave para a vitória.</p><p>Concluiremos as nossas breves considerações sobre o fruto da benignidade com as</p><p>seguintes “boas palavras” do Apóstolo Paulo: “Que o amor de vocês seja verdadeiro. Odeiem o</p><p>mal, mas apeguem-se ao que é bom... Nunca retribuam o mal com o mal... Não sejam vencidos</p><p>pelo mal - mas vençam o mal com o bem!” (Rm 12.9, 17, 21 simplificado).</p><p>7. O fruto da fidelidade</p><p>Jesus era uma Pessoa muito fiel. Enquanto ainda estava aqui na terra, Ele foi muito fiel</p><p>ao Seu Pai Celestial:</p><p>“Queridos irmãos... pensem em Cristo Jesus. Ele é o Apóstolo e Sumo Sacerdote da</p><p>nossa fé. Vejam como Ele tem sido fiel a Deus, o Qual O designou...” (Hb 3.1,2 simplificado).</p><p>Ele também foi fiel para com os Seus seguidores: “Ele verdadeiramente foi feito</p><p>semelhante a nós, os Seus irmãos em todos os aspectos. Foi assim para que Ele pudesse ser o</p><p>nosso misericordioso e fiel Sumo Sacerdote diante de Deus - para que pudéssemos ser</p><p>reconciliados com Ele” (Hb 2.17 simplificado).</p><p>28</p><p>Vale a pena observarmos que Ele recebeu um glorioso título no Céu que se relaciona a</p><p>esta qualidade do Seu caráter: “Então vi o Céu aberto, e um cavalo branco apareceu. E o que</p><p>estava assentado sobre o cavalo é chamado Fiel e Verdadeiro - O que julga justamente e faz</p><p>guerras” (Ap 19.11 simplificado).</p><p>Evidentemente, sermos semelhantes a Jesus significa que seremos fiéis para com Deus</p><p>e para com os outros em todos os aspectos de nossas vidas. Mas o que de fato isto significa?</p><p>Assim como antes vamos iniciar considerando o que isto não significa.</p><p>O Falso fruto da fidelidade</p><p>Fidelidade não significa que devamos estar tão fixos em nossos caminhos que não</p><p>conseguimos mudar. Não significa que devamos estar tão estabelecidos em nossas mentes que</p><p>não conseguimos aprender coisas novas. Isto não é nada mais que orgulho e teimosia e</p><p>somente atrapalha a obra de Deus.</p><p>Deus está sempre operando de novas formas. E não devemos estar tão</p><p>amarrados aos antigos padrões do passado que não conseguimos nos relacionar</p><p>com o novo fluir de Seu Espírito.</p><p>Os fariseus achavam que estavam sendo “fiéis” à sua tradição. Estavam, no entanto,</p><p>amarrados a um rígido legalismo que os colocou numa oposição ao Próprio Senhor. Não é isto</p><p>que a Bíblia quer dizer com relação ao fruto da fidelidade. O que as Escrituras realmente dizem</p><p>sobre este fruto do Espírito?</p><p>O verdadeiro fruto da fidelidade</p><p>A palavra grega referente ao fruto da “fidelidade” é “pistis”. É o mesmo termo</p><p>de onde também obtemos a palavra “fé”. As duas palavras estão associadas.</p><p>Certamente, então, é preciso que estejamos “cheios de fé” para sermos “fiéis”. Há</p><p>algumas diferenças, no entanto, entre estas palavras, as quais são vistas através</p><p>do contexto ou cenário em que se encontram.</p><p>A “fé” é a mais comum destas duas palavras em nossas Bíblias. Refere-se à confiança e</p><p>crença em Deus, na Sua Palavra e Suas obras. Obviamente, isto é verdade, de uma maneira</p><p>especial com relação à nossa salvação e os seus benefícios.</p><p>A “fidelidade” é usada quando as Escrituras se referem ao fato de sermos</p><p>confiáveis, responsáveis, e acima de tudo mais, leais. Significa que somos dignos</p><p>de confiança. Verdadeiramente, isto é um sinal de um bom servo - em quem se</p><p>pode ter confiança com os bens dos outros. “Além disso, é necessário que os</p><p>servos sejam considerados f iéis” (1Co 4.2 simplificado).</p><p>Paulo, Pedro, e João, todos eles falam sobre os seus ajudantes como sendo</p><p>“fiéis” (1Co 4.17; 1Pe 5.12; 3Jo 5). O bem mais valioso que um líder pode ter são</p><p>ajudantes que sejam leais, honestos, e confiáveis, numa só palavra, f iéis! João fala</p><p>até mesmo sobre os servos do Senhor que seriam “fiéis até a morte” (Ap 2.10).</p><p>Percebemos uma força neste fruto do Espírito, o qual é muito necessário para que a</p><p>obra de Deus seja bem-sucedida. Não é de nos surpreender, portanto, o fato de encontrarmos o</p><p>inimigo tentando opor-se a esta qualidade do caráter de Cristo de todas as maneiras possíveis.</p><p>O fruto podre da carne</p><p>As características da carne que se opõem à fidelidade incluiriam algumas qualidades</p><p>negativas, como o fato de sermos indignos de confiança e desleais. Isto é o que era de se</p><p>esperar.</p><p>29</p><p>Outros defeitos do caráter, contudo, poderiam ser acrescentados: sermos atrasados ou</p><p>lentos, adiarmos as coisas, sermos negligentes com relação a pequenas coisas, e nunca</p><p>completarmos as tarefas que começamos. Estes são hábitos negativos, fortes, e duros de</p><p>serem quebrados. Há uma boa nova, no entanto, pois há um poder de vitória no fruto da</p><p>fidelidade. As correntes dos antigos hábitos podem ser quebradas, mas geralmente é um elo de</p><p>cada vez. Podemos começar com a próxima tarefa de responsabilidade que recebemos. No</p><p>poder do Espírito de Deus começamos e terminamos na hora marcada. Seguimos</p><p>minuciosamente cada detalhe, de uma maneira cuidadosa e responsável. Ao fazermos isto,</p><p>novas atitudes e hábitos são formados e passam a fazer parte de todas as áreas de nossas</p><p>vidas - incluindo-se a nossa obra para Deus.</p><p>Aí então, naquele dia, quando estivermos diante d’Ele, receberemos o nosso galardão</p><p>dos lábios do nosso Próprio Senhor: “Bem, está, bom e fiel servo. Você foi fiel sobre o pouco.</p><p>Portanto, farei de você um dirigente sobre muitas coisas. Entre na alegria do Seu Senhor” (Mt</p><p>25.23 simplificado).</p><p>8. O fruto da mansidão</p><p>Jesus era um Homem muito manso! Era também um Homem muito forte, pronto para</p><p>erguer a carga dos outros: “Venham a Mim, todos vocês que trabalham sob uma carga pesada</p><p>e Eu lhes darei descanso. Tomem o Meu jugo sobre vocês e aprendam de Mim. Eu sou manso</p><p>e humilde de coração. Aí então vocês encontrarão descanso para as suas almas” (Mt 11.28,29</p><p>simplificado).</p><p>Há algo de um mistério divino na mansidão e que merece o nosso estudo. A humildade</p><p>e a força estão associadas de maneira tal a formarem um aspecto especial do caráter de Cristo.</p><p>Como veremos adiante, muitas pessoas não possuem uma compreensão adequada sobre o</p><p>que de fato é o fruto da mansidão.</p><p>O falso fruto da mansidão</p><p>A mansidão não é uma fraqueza do caráter nem da conduta. A pessoa mansa não é um</p><p>“Maria-vai-com-as-outras”, influenciável e irresoluta, que cede sob as mínimas pressões. Um</p><p>homem de mansidão não é nem tímido nem envergonhado. Uma pessoa mansa não sofre de</p><p>sentimentos de inferioridade, nem subestima as suas capacidades. Não demonstra</p><p>uma falsa</p><p>modéstia diante dos outros. Em algumas ocasiões ela poderá ter a aparência externa de um</p><p>cordeiro, mas tem o coração de um leão. Há uma razão para o mistério da mansidão, como</p><p>veremos adiante.</p><p>O verdadeiro fruto da mansidão</p><p>A palavra grega referente ao fruto espiritual da “mansidão” é “prautes”. O substantivo é</p><p>usado onze vezes e o adjetivo quatro vezes no Novo Testamento. Não há nenhuma palavra na</p><p>nossa língua que traduza bem o seu significado completo. ela combina as qualidades da força e</p><p>da docilidade - mas muito mais.</p><p>Na literatura grega “prautes” era usada de algumas formas interessantes. Era um termo</p><p>usado para se descrever os animais que haviam sido domesticados e treinados. No entanto, é</p><p>mais do que uma simples obediência e controle, pois estas criaturas também demonstram uma</p><p>natureza dócil e leal. Um cão de guarda familiar é um bom exemplo. Ele é feroz para com os</p><p>estranhos, porém dócil e amigável com os membros da família.</p><p>Com relação às pessoas, a palavra “prautes” era usada para se descrever as pessoas</p><p>que eram benignas e dóceis na conduta, mas que se encontravam em posições de poder e</p><p>30</p><p>autoridade. Na Bíblia, Moisés era um destes homens: “E Moisés era um homem muito manso,</p><p>mais do que qualquer outra pessoa na face da terra” (Nm 12:3 simplificado).</p><p>O exemplo perfeito no Novo Testamento, obviamente, é Jesus. Paulo associa-se a</p><p>Jesus no seguinte aspecto: “Eu, Paulo, rogo-lhes agora, pessoalmente, com a mansidão e</p><p>docilidade de Jesus... contudo, com ousadia quando estou longe” (2Co 10.1 simplificado).</p><p>Dizem que um homem é conhecido pelos companheiros com quem anda. O mesmo se</p><p>aplica com relação às palavras. Outras qualidades que se harmonizam com o termo “mansidão”</p><p>são encontradas nas palavras com as quais ele se associa. Como já vimos, ele se relaciona à</p><p>docilidade e humildade. Ele também é encontrado em companhia de palavras que revelam as</p><p>qualidades do espírito tranqüilo, estável, e controlado - até mesmo em face da ira e violência.</p><p>É este fruto do Espírito que possibilita que alguém ensine, corrija, e até mesmo se</p><p>oponha aos outros - de uma maneira firme, porém afável. Talvez ainda mais importante esta é</p><p>uma qualidade que permite que alguém seja ensinado, corrigido, e disciplinado sem</p><p>ressentimentos ou rebeliões.</p><p>À medida que nos submetemos ao amor, autoridade, e sabedoria de Deus, podemos</p><p>estar em paz, pois sabemos que Ele está no controle.</p><p>Independentemente do que enfrentarmos ou com quem nos depararmos, Deus fará com</p><p>que todas as coisas contribuam juntamente para o nosso bem e para a Sua glória em Cristo</p><p>Jesus. Portanto, não temos que lutar pelos nossos direitos com temor ou ira.</p><p>Talvez haja ocasiões em que nos movamos ousada e diretamente para trazermos uma</p><p>correção necessária, mas isto virá de um espírito apropriado. Será uma ação em benefício dos</p><p>outros - e em nome do Senhor. Um bom exemplo disto é visto quando Jesus derrubou os</p><p>cambistas do Templo. Ele estava defendendo os que haviam sido maltratados e a honra da</p><p>Casa do Seu Pai. Não foi um ato de ira por Ele ter sido ofendido pessoalmente.</p><p>Vocês também se recordam que a resposta d’Ele às cruéis e injustas ações contra Ele</p><p>durante a crucificação foi a de um cordeiro que estava a ponto de ser tosquiado e morto. Ambos</p><p>os eventos demonstram o poder de Deus sob o controle do propósito de Deus.</p><p>A mansidão é primeiramente uma atitude interior de submissão e confiança para com</p><p>Deus. Através desta fonte de força, podemos encarar o mundo com paz, poder, e propósito.</p><p>Podemos falar e agir quando devemos e da maneira em que devemos. Poderemos também</p><p>permanecer em silêncio e esperarmos, quando isto estiver na vontade e no propósito de Deus.</p><p>O fruto podre da carne</p><p>Um fruto tão poderoso e importante quanto a mansidão teria algumas fortes oposições</p><p>da carne. E este é de fato o caso. As características negativas e opostas são encontradas nas</p><p>pessoas que são orgulhosas, que se promovem, e que servem a si próprias. São pessoas que</p><p>não são abertas ao ensino e que gostam muito de discutir as coisas. Elas têm muita dificuldade</p><p>em se submeterem às autoridades.</p><p>Quando estas pessoas são barradas, ou não conseguem o que querem, elas têm a</p><p>tendência de se tornarem amargas e de culparem os outros. Elas reagem e brigam, ou retraem-</p><p>se e fomentam as suas mágoas numa auto-comiseração. Como os filhos de Israel, elas</p><p>murmuram e reclamam quando qualquer coisa dá errada.</p><p>Não é de se admirar que Moisés tivesse sido escolhido por Deus para guiar o Seu povo</p><p>para fora do Egito. Somente um homem muito manso teria tido a força interior para vencer este</p><p>tipo de oposição. O fruto da mansidão havia amadurecido tanto na vida de Moisés que Deus</p><p>pôde usá-lo onde outros teriam fracassado.</p><p>31</p><p>Jesus disse que os mansos herdariam a terra (Mt 5.5). Que tremendo modelo Moisés é</p><p>para todos nós, à medida que buscamos em nossos dias levar o Evangelho de Jesus Cristo a</p><p>todos os povos, por toda a terra, a mansidão será a diferença entre o fracasso e o êxito!</p><p>9. O fruto do auto-controle</p><p>Jesus era de fato um Homem com auto-controle! Ele era totalmente submisso à Palavra</p><p>de Deus e fortalecido pela mesma e pelo Espírito de Deus. Consequentemente, Ele possuía um</p><p>poder interior e um propósito interno que O capacitavam a cumprir perfeitamente a vontade do</p><p>Seu Pai. É importante observarmos que a fonte da Sua força e direção era proveniente de</p><p>Deus.</p><p>O falso fruto do auto-controle</p><p>O auto-controle não é a renúncia das nossas personalidades únicas, da maneira que</p><p>nos foram dadas por Deus. Todos nós somos criações especiais, feitos para um lugar especial</p><p>no Seu plano.</p><p>Não é uma escravidão legalística através da qual as nossas vidas são limitadas pelas</p><p>regras de religião dos homens. O fato de sermos divinamente auto-controlados nos traz uma</p><p>liberdade espiritual, e não uma escravidão.</p><p>Tampouco é auto-controle o domínio de nossas vidas através de nossos próprios</p><p>esforços ou da nossa própria força de vontade. Não possuímos os recursos interiores de poder</p><p>ou de sabedoria para cumprirmos o perfeito propósito de Deus para as nossas vidas.</p><p>Separados da Palavra de Deus e do Espírito de Deus, somos como um barco sem</p><p>bússola, vela, ou leme. Os ventos deste mundo - o espírito desta era - sempre nos afastam do</p><p>curso do plano de Deus para as nossas vidas.</p><p>É verdade que podemos estabelecer e alcançar metas terrenas através dos nossos</p><p>próprios esforços, mas elas não servem para nenhum propósito celestial ou eterno. “O que</p><p>aproveitaria ao homem ganhar o mundo todo e perder a sua alma?” (Mc 8.36).</p><p>Além disso, há algumas influências e hábitos em nossas vidas que não conseguimos</p><p>quebrar, não importa o quanto tentemos. Simplesmente não conseguimos nos controlar com os</p><p>nossos próprios recursos. Qual é então a resposta?</p><p>O verdadeiro fruto do auto-controle</p><p>A palavra grega referente a “auto-controle” é “enkrateia”. “En” significa “em”, e kratos</p><p>significa “força”.</p><p>Os dois termos se referem a um “poder dominador” que procede de dentro, um controle</p><p>interior. A natureza deste controle será determinada pelo que ou por quem estiver no trono das</p><p>nossas vidas. Será que vai ser o mundo, a carne (o nosso ego) ou o diabo? Ou será que vai ser</p><p>o nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo? A resposta a esta pergunta é de muita importância. Ela</p><p>determinará a direção e curso de nossas vidas, tanto agora como doravante. Não podemos nos</p><p>dar ao luxo de cometermos um erro.</p><p>Qual é o significado bíblico da palavra “enkrateia”? Como se relaciona este fruto do</p><p>Espírito com a nossa vida em Cristo?</p><p>A forma de substantivo é encontrada apenas duas outras vezes no Novo Testamento,</p><p>além de Gl 5.22: “Paulo continuou a argumentar sobre a retidão, o auto-controle e o julgamento</p><p>vindouro. Félix, o governador, temeu e replicou: “Vá embora agora. Mandarei chamá-lo</p><p>novamente numa ocasião melhor” (At 24.25 simplificado); “Busquem diligentemente</p><p>acrescentar</p><p>32</p><p>estas coisas às suas vidas: fé, virtude, conhecimento, auto-controle, paciência, piedade, afeição</p><p>fraternal, e amor cristão” (2Pe 1.5-7 simplificado).</p><p>A forma verbal é encontrada duas vezes: “Se não conseguem controlar-se, que se</p><p>casem. É melhor que se casem do que se abrasarem com desejos sexuais” (1Co 7.9</p><p>simplificado); “Todo atleta que começa um treinamento controla-se em todas as coisas” (1Co</p><p>9.25 simplificado).</p><p>A forma adjetiva é encontrada uma vez: “Pois um presbítero precisa amar o que é</p><p>bom, ser sábio, ser justo, ser santo, e “auto-controlado” (Tt 1.7,8 simplificado).</p><p>Este fruto do auto-controle refere-se claramente ao controle, negação, e disciplina da</p><p>vida do nosso ego. Como foi dito anteriormente, não é a renúncia do nosso ego ou da nossa</p><p>personalidade, a qual nos foi dada por Deus. Cada um de nós é uma criação especial de Deus,</p><p>o que é de muito valor aos olhos d’Ele. A renúncia refere-se ao controle e disciplina do nosso</p><p>ego ou vida da nossa alma através da Palavra de Deus e do Seu espírito. A nossa alma é o</p><p>trono da nossa razão, vontade, e emoções. Estas funções devem ser governadas pelo Espírito</p><p>de Deus se quisermos nos tornar tudo e atingir todo o objetivo que Deus tinha ao nos criar.</p><p>Se a vida da nossa alma não estiver sendo divinamente controlada, estaremos vivendo</p><p>uma vida obstinada, que na verdade é controlada pelo mundo, pela carne, e pelo diabo.</p><p>Separados de Deus, não temos a sabedoria, nem o poder para cumprirmos o nosso chamado</p><p>divino.</p><p>Por mais estranho que pareça, a verdadeira liberdade entra em cena, permitindo que o</p><p>Espírito Santo de Deus Se torne um com o nosso espírito. Ele nos liberta para vivermos uma</p><p>vida plena, completa, e criativa. Isto é o que Jesus quis dizer quando falou:</p><p>“Se algum homem quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua</p><p>cruz e siga-Me. Pois qualquer que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Mas qualquer que perder</p><p>a sua vida por Mim achá-la-á” (Mt 16.24,25 simplificado).</p><p>A nossa cruz fala sobre a renúncia, controle, e disciplina da nossa alma ou a vida do</p><p>nosso ego. O resultado é uma vida de obediência e liberdade ao seguirmos a Jesus.</p><p>O Senhor não veio para destruir as nossas vidas, e sim para liberá-las e redimI-las: “Vim</p><p>para que vocês pudessem ter vida - uma vida plena, livre, e abundante” (Jo 10.10 simplificado).</p><p>A vida do ego controlada pelo Espírito é o único caminho para a verdadeira liberdade</p><p>para os que estão completamente envoltos em suas próprias “vidinhas”. Não conseguimos nos</p><p>libertar de nós mesmos com os nossos próprios recursos. São necessários a sabedoria e o</p><p>poder do Espírito Santo de Deus.</p><p>O fruto podre da carne</p><p>Não é difícil definirmos o fruto contrário da carne. É simplesmente isto: a “carne”, as</p><p>funções da alma separadas do controle de Deus. Elas são facilmente vistas nas vidas dos que</p><p>são indisciplinados, imorais, e rebeldes contra todas as autoridades. Estas pessoas são leis</p><p>para si próprias, muito semelhantemente aos israelitas durante a época dos juízes: “Naqueles</p><p>dias não havia lei em Israel. Cada qual fazia o que lhe parecia direito aos seus próprios olhos”</p><p>(Jz 17.6).</p><p>Em outras palavras, não havia nenhuma autoridade divinamente designada. Todos</p><p>faziam o que sentiam vontade de fazer. Não havia nenhum limite, regra, ou controle. Cada qual</p><p>era uma “lei” para si próprio. O povo logo se afastou e caiu em questionamentos,</p><p>desobediências, imoralidades, e idolatria. Deus estava longe de suas vidas em pensamentos,</p><p>palavras, e ações. Os resultados foram trágicos. Eles foram atacados por seus inimigos,</p><p>derrotados, levados cativos, ou mortos.</p><p>33</p><p>Qual foi o remédio de Deus? Ele levantaria um juiz que tiraria os olhos deles de si</p><p>próprios, retornando-os a Deus. Eles então se arrependeriam e voltariam para a lei, a ordem, e</p><p>a disciplina de Deus para as suas vidas. Quando se encontravam sob o domínio e controle</p><p>divinos, eles eram novamente restaurados a um lugar de liberdade e graça.</p><p>Os resultados da vida obstinada são os mesmos de hoje em dia: derrota e desespero. O</p><p>remédio também é o mesmo. Podemos nos arrepender e voltarmos ao benévolo domínio de</p><p>Deus para as nossas vidas.</p><p>A vida “dirigida” pelo “Espírito” é a verdadeira vida “por nós mesmos controlada”.</p><p>Somente o Espírito Santo pode nos libertar da escravidão da carne e introduzir-nos na liberdade</p><p>e plenitude do caráter de Cristo.</p><p>“O Senhor é o Espírito. E onde o Espírito do Senhor estiver, aí então haverá liberdade. Pois nós, os</p><p>cristãos, não temos nenhum véu sobre os nossos rostos, contemplamos e refletimos como num espelho a glória</p><p>do Senhor. Estamos sempre sendo transformados à Sua Própria imagem - de um grau de glória para outro. E</p><p>tudo isto é através do Espírito do Senhor” (2 Co 3.17,18 simplificado).</p><p>Algumas palavras finais do apóstolo Paulo</p><p>O Apóstolo Paulo sumariza e faz o seu esboço do fruto do Espírito, com as seguintes</p><p>palavras, que são muito significativas:</p><p>“Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e desejos. Já</p><p>que estamos vivendo pelo poder do Espírito de Cristo, sigamos a direção do Seu Espírito em</p><p>todos os aspectos das nossas vidas. Porque o que semeia à carne, da carne ceifará a morte e a</p><p>deterioração. mas o que semeia ao Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gl 5.24,25; 6.8</p><p>simplificado).</p><p>ser Cristo formado</p><p>em vós”.l</p><p>Ef 1.4 – “Assim como nos escolheu nEle antes da fundaçäo do mundo, para sermos</p><p>santos irrepreensíveis perante Ele”.</p><p>2Tm 3.17 – “ A fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado</p><p>para toda boa obra”.</p><p>2Pe 1.3 – “Visto como pelo seu Divino poder nos tem sido doadas todas as cousas que</p><p>conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para sua</p><p>própria glória e virtude”.</p><p>Rm 8.9 – Podemos ver que o propósito eterno de Deus é ter muitos filhos, mas não</p><p>apenas isso, estes filhos devem ser semelhantes a Jesus. Deus quer filhos que manifestem o</p><p>caráter de Jesus. Quando o homem caiu o propósito de Deus foi apenas adiado, não foi</p><p>mudado. A Igreja do Senhor deve atingir esta meta e os seus líderes devem mostrar o</p><p>caminho, devem ir à frente do rebanho. O caráter de Senhor Jesus deve ser desenvolvido nos</p><p>líderes da Igreja antes de ser formado no seu povo.</p><p>Não são poucos os escândalos que têm surgido entre líderes investidos de autoridade</p><p>sem antes receberem aprovação no caráter. Um líder que apresenta deficiências sérias em seu</p><p>caráter constitui-se em um grande obstáculo para que Deus possa atuar.</p><p>As deficiências de caráter nas vidas dos membros da igreja se devem, em grande parte,</p><p>aos próprios líderes. Em certo sentido a igreja é o retrato da sua liderança. Líderes relapsos</p><p>geram um povo relapso. Líderes preguiçosos geram um povo igualmente preguiçoso. Se a</p><p>liderança é imatura inevitavelmente também o povo o será. Nunca será demais enfatizarmos o</p><p>caráter do obreiro, pois isto determina o sucesso no ministério. Somente um caráter formado e</p><p>aprovado pode suportar as pressões da obra e as dificuldades do ministério.</p><p>Caráter e dons</p><p>Existe uma distorção que tem assolado a Igreja do Senhor durante os séculos, a</p><p>valorização dos dons em detrimento do caráter. Um dom é uma dádiva de Deus. Deus</p><p>concede a todos indistintamente. Os dons podem ser: naturais ou espirituais. Os dons</p><p>naturais são aqueles com os quais nascemos como: inteligência, astúcia, memória, capacidade</p><p>do tocar, cantar, praticar determinados esportes, etc. Os dons espirituais nos são concedidos</p><p>5</p><p>pelo Espírito Santo como instrumentos na sua obra: 1Co 12.7-10. Os dons são muito úteis,</p><p>mas, são secundários. Deus coloca em primeiro lugar a vida e o caráter. Todos podem achar</p><p>que um determinado irmão que possui uma grande inteligência e capacidade extraordinária de</p><p>memorização deverá se tornar um grande pregador. Isto é um tremendo equívoco e não passa</p><p>de mentalidade mundana. A Igreja de Deus não é edificada com essas coisas. Se tal irmão</p><p>possuir vida de Deus e ainda não passou pelo processo da Cruz não será útil para Deus,</p><p>apesar do seu dom.</p><p>Outra pessoa pode ainda pensar que outro irmão, por ter um dom de cura e</p><p>discernimento de espíritos, venha a ser uma coluna na casa de Deus. Isto também é um</p><p>engano. Os dons são úteis, mas nunca podem ser a base da obra de edificação da Igreja.</p><p>Este é o motivo por que existem tantos escândalos: priorizamos mais o dom que o</p><p>caráter. Os dons sejam espirituais, ou naturais, devem passar pela Cruz antes de serem úteis.</p><p>O ministério é edificado sobre o caráter e não sobre os dons. Deus não vai enviar ninguém sem</p><p>antes tratar com o seu caráter. Os dons atraem os homens, mas o caráter atrai a Deus.</p><p>No livro de Êxodo encontramos um exemplo clássico do equívoco de se</p><p>priorizar os dons. A palavra do Senhor diz que o povo de Israel estava sendo</p><p>escravizado por Faraó. Moisés era o homem que Deus havia escolhido para levar</p><p>a cabo o seu propósito. Moisés havia sido criado no palácio de Faraó e recebeu a</p><p>melhor instrução da época, era um homem excepcionalmente talentoso. O próprio</p><p>Moisés tinha algum entendimento desse fato e em certo momento se dispôs ele</p><p>mesmo a l ibertar o seu povo da escravidão (ver Ex 2.11-15). Moisés se achava</p><p>capaz e perfeitamente habilitado porque possuía a instrução Egípcia. Deus,</p><p>porém, coloca Moisés de molho por quarenta anos no deserto de Midiã até que o</p><p>seu caráter pudesse ser aprovado por Ele. Do ponto de vista natural Moisés já</p><p>estava pronto aos quarenta anos quando matou o egípcio, mas do ponto de vista</p><p>de Deus precisa de outros quarenta anos até o ponto de não mais confiar na sua</p><p>força ou nos seus talentos. (Ver Ex 3.10).</p><p>Quanto mais um homem confiar em si mesmo, nos seus talentos naturais, menos</p><p>utilidade terá para Deus.</p><p>O critério de Deus sempre é escolher o que se acha frágil, incapaz e desqualificado. A</p><p>glória de Deus se torna manifesta quando pessoas a quem não reputávamos qualquer valor se</p><p>levantam em poder e autoridade. Fica patente que Deus é quem faz e não é um simples uso</p><p>de talentos especiais.</p><p>A formação do caráter</p><p>“Porque é Deus quem efetua em vós tanto o querer como o realizar...” (ver Fl 2.13).</p><p>Todos nós desejamos ter um caráter aprovado por Deus. Todos nós queremos agradar</p><p>a Deus e por isso ficamos apenas esperando saber as normas para começarmos a praticá-las.</p><p>A vida cristã não é um mero cumprimento de normas e preceitos, pois não estamos mais</p><p>debaixo de domínio da lei. A vida cristã se resume simplesmente em: "Cristo em vós" ou seja,</p><p>a vida cristã consiste, em poucas palavras, na dependência completa de Espírito Santo que</p><p>habita em nós. É Ele quem muda o nosso querer e também é Ele quem nos capacita a fazer a</p><p>sua vontade. Ele é tudo em todos. Jesus é a nossa bondade, a nossa mansidão, a nossa</p><p>justiça, Ele na verdade é tudo o que necessitamos. Tudo o que precisamos já está em nós na</p><p>pessoa do Espírito Santo. Seria muito fácil começarmos a nos esforçar para cumprir um</p><p>conjunto de qualidades, não é essa, porém, a nossa proposta. Desejamos que os irmãos</p><p>tenham revelação do pleno suprimento de Deus para nossas vidas, pois na medida em que</p><p>6</p><p>entendermos isso as qualidades de caráter naturalmente irão tomando forma. O pleno</p><p>suprimento de Deus para nós é Cristo Jesus que habita em nós. Seja Ele a nossa vida. Seja Ele</p><p>tudo em todos.</p><p>Não adianta falarmos de caráter e conduta se nós ainda não nos apropriamos do pleno</p><p>suprimento de Deus para nós: A libertação do velho homem, do poder do pecado, a nossa</p><p>justificação e regeneração em Cristo, a dependência completa do Espírito e o andar no Espírito.</p><p>Precisamos nos apropriar destas grandes realidades espirituais, mas não apenas isto,</p><p>precisamos aprender a perceber a direção de Deus em nosso espírito, fazermos separação</p><p>entre ALMA - ESPÍRITO , e conhecermos a prática da renúncia diária do EU no princípio da</p><p>Cruz. Todas essas experiências devem ser compreendidas no espírito.</p><p>Quando enfatizamos muito as qualidades recomendáveis, corremos o risco de</p><p>estabelecermos um amontoado de regrinhas que não estão na Bíblia. Tais como: cinco passos</p><p>para vencer a ira, dez passos para vencer a lascívia. Etc.</p><p>Estas coisas não funcionam e nos desviam do centro da vida cristã. CRISTO É A</p><p>NOSSA VIDA (ver Cl 3.4). A vida do cristão é Cristo. Muitos pensam que podem ser santos se</p><p>tão somente conseguirem vencer certos tipos de pecados. Outros pensam que sendo humildes</p><p>e gentis são vitoriosos. Ainda alguns imaginam que orando mais e lendo a Bíblia, tendo</p><p>cuidado para jejuar e vigiar então alcançarão um caráter Santo. Outros concebem a idéia de</p><p>que somente matando o Ego terão vitória. Todas estas fórmulas têm a aparência de piedade e</p><p>sinceridade, mas tudo isso é vão. Não podemos viver a vida cristã usando mil e umas fórmulas</p><p>para os mais variados problemas. Na prática não funciona. O que Deus deseja é que</p><p>entendamos que Cristo é a nossa vida, o perfeito suprimento de Deus para todas as nossas</p><p>necessidades.</p><p>Com este entendimento em vista vamos estudar alguns princípios fundamentais que</p><p>aumentarão a compreensão de que Cristo é de fato a nossa vida.</p><p>A formação do caráter através dos tratamentos de De us</p><p>2Pe 1.1-11 - É a graça de Deus que me capacita a fazer as coisas certas diante de</p><p>Deus. A leitura</p><p>deste texto nos ajuda na compreensão do processo que Deus usa para</p><p>desenvolver o caráter de um cristão. Deus, através de Jesus Cristo, nos provê a Sua própria</p><p>natureza. As promessas Divinas nos foram outorgadas (ver 2Pe 1.4), e o poder de Deus é a</p><p>nossa garantia de que Ele realizará em nós as mudanças necessárias. (ver 2Pe 1.3).</p><p>Somente através de uma atitude diligente podemos alcançar o aperfeiçoamento do</p><p>nosso caráter, precisamos ter a decisão de sermos semelhantes a Cristo, termos em nós a</p><p>natureza Divina amadurecida (ver 2Pe 1.10,11).</p><p>A vida cristã é um processo. Precisamos vencê-la passo a passo, cada degrau</p><p>corresponde a um novo nível alcançado, nova vitória em determinada área, até alcançarmos o</p><p>topo da escada.</p><p>A responsabilidade de Deus é prover a todo crente a própria natureza Divina através do</p><p>arrependimento do pecado e da fé em Jesus Cristo.</p><p>A responsabilidade do homem é aplicar e cumprir esta realidade em sua vida.</p><p>Deus tem dado por direito aos crentes, tudo o que é necessário para uma vida santa:</p><p>AUTORIDADE E PODER. O cristão tem o que precisa para desenvolver um caráter maduro,</p><p>seguindo o Senhor Jesus.</p><p>7</p><p>Descrevendo o processo</p><p>Todos nascemos em iniqüidades e fomos formados em pecado. Todos temos por</p><p>nascimento uma natureza caída, que nos acompanhará ou não por toda a vida (ver Rm 5.12). A</p><p>natureza caída do homem não está em harmonia com nenhuma das coisas do Senhor (ver Cl</p><p>5.17).</p><p>Deus colocou diante do cristão a meta da perfeição (ver 1Pe 1.15, Gn 17.1, Mt 5.48, Lc</p><p>6.40). Maturidade espiritual é a meta Bíblica para todos os que estão em Cristo Jesus.</p><p>Por vezes, a carnalidade do homem não permite que ele desenvolva seu caráter como</p><p>as Escrituras ordenam. Esta natureza humana é tratada definitivamente pelo Poder da Cruz,</p><p>mas o Ego é a principal razão pela qual o homem precisa do tratamento de Deus. Cada cristão</p><p>precisa do tratamento de Deus para motivá-lo a prosseguir em direção à perfeição espiritual</p><p>(ver Hb 6.1,3).</p><p>Aula 2 - O propósito de Deus no tratamento</p><p>O propósito do tratamento</p><p>O cristão necessita do tratamento de Deus em sua vida por que possui áreas</p><p>escondidas em sua vida que devem ser reveladas, (ver 1Jo 1.5-7). Deus deseja revelar estas</p><p>áreas escondidas de pecados em nós, de maneira a nos ajudar a crescer. As Escrituras</p><p>afirmam que é Deus quem revela tais segredos (ver 1Co 3.13 e Mt 10.26,27).</p><p>Deus revela os nossos pecados ocultos para que não sejamos destruídos, nem os</p><p>nossos ministérios. Deus revela estas áreas escuras, que estão presentes dentro de nós, para</p><p>que renunciemos a elas. Para que isto aconteça o cristão precisa da graça de Deus, por que</p><p>humanamente a tendência é cobrir suas próprias falhas e fraquezas. O homem deseja sempre</p><p>defender-se e esconder os motivos do coração ( ver Gn 3.8 ).</p><p>Deus deu ao cristão o Seu Espírito Santo. É o Espírito quem revela as necessidades</p><p>espirituais do homem, sondando o coração do cristão para revelar os pecados que devem ser</p><p>abandonados (ver Sl 139.23 e Pv 21.2).</p><p>A palavra “revelar” significa retirar a tampa, e a palavra “ocultar“ significa esconder,</p><p>cobrindo, cobrir a vista, ou encobrir o assunto. Deus tenta retirar a cobertura de cima do</p><p>homem, enquanto que o homem faz tudo para retê-la.</p><p>Há vários homens nas Escrituras que ilustram o fato de pecados ocultos. O começo de</p><p>suas vidas contrastou drasticamente com o fim delas. Começaram bem e acabaram</p><p>tragicamente.</p><p>Os homens podem começar bem, mas, se tiverem pecados ocultos em suas vidas, os</p><p>quais não confessam, mas alimentam-nos sem arrependimento, estarão destruindo suas vidas</p><p>e ministérios.</p><p>Em 2Sm 1.19, Davi lamentando a morte de Saul e Jônatas, chama três vezes: ”Como</p><p>caíram os valentes! “. Nesta lamentação, Davi descreve os “valentes” no início da vida</p><p>ministerial como:</p><p>• Formosos ( ver Vs. 19 )</p><p>• Poderosos ( ver vs. 19 )</p><p>• Amados e queridos ( ver Vs. 23 )</p><p>8</p><p>• Mais ligeiros do que as águas ( ver Vs. 23 )</p><p>• Mais fortes fortes do que leões ( ver Vs. 23 )</p><p>• Vestia como escarlata aos outros ( ver Vs 24 ).</p><p>• Capazes de colocar ornamentos de Deus nos outros (Vs.24). ( Segundo a versão</p><p>Almeida ).</p><p>Todo líder precisa lembrar que o propósito dos tratamentos de Deus é revelar seu</p><p>coração para que ele não caia.</p><p>1. Transformar o crente à imagem de Jesus Cristo</p><p>Este processo é relatado em 2Co 3.18. “E todos nós com o rosto desvendado,</p><p>contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória,</p><p>na sua própria imagem, como Senhor”.</p><p>A palavra “transforma’’ aqui, no Grego, “ metamorphos“, significa: Mudança completa de um</p><p>formato em outro. É a raiz da palavra científica usada para descrever o processo de transformação de uma</p><p>lagarta em borboleta. Este processo leva tempo e gasta energia. A lagarta muda de um formato para um outro</p><p>completamente diferente.</p><p>O cristão também precisa passar por uma metamorfose. a cada dia, o cristão que segue</p><p>ao Senhor e responde positivamente tem mais e mais, da sua natureza restaurada e</p><p>transformada à imagem do Senhor Jesus.</p><p>2. Limpar toda sujeira</p><p>Deus quer nos tornar puros. Ele está constantemente levando seu povo ao fogo através</p><p>dos seus tratamentos. Em todo o mundo, está havendo muita pressão e calor sobre o povo de</p><p>Deus. Este calor está ordenado por Deus, para purgar seu povo. A palavra "purgar" significa</p><p>refinar, tornar puro, mudar pelo calor. O povo de Deus, como o metal, é preparado para uso.</p><p>Toda a sujeira e sobras extras são trazidas à superfície para serem lançadas fora. Escória é</p><p>aquilo que é lançado fora, matéria que dobra, a parte não aproveitável. Deus está nestes dias</p><p>removendo todo o excesso e escória dos seus líderes. Ele quer o desenvolvimento do caráter</p><p>em todos os seus líderes (Is 1.22-25, Ez 22.18-19, Mt 3.12, 2Tm 2.21).</p><p>3. Deus quer limpar as nossas vestes</p><p>O pisoeiro era um artesão que limpava todas as fibras de um pano, para que o material</p><p>pudesse se tornar um lindo traje. Freqüentemente, ele estabelecia seu negócio perto de</p><p>riachos, e depois de lavá-los várias vezes, os estendia sob pedras achatadas. Depois ele batia</p><p>os panos crus com um bastão de pisoeiro. Este bastão era enorme e tinha dentes de ferro que</p><p>serviam para extrair sujeira dos panos. Conforme ele batia nos panos crus, todos os fragmentos</p><p>e sujeira subiam a superfície e a água os varria. Por este processo, o material era limpo. Após</p><p>a limpeza, o material estava pronto para o artífice, para transformá-lo em um magnífico traje.</p><p>Ml 3.1-3 diz que Jesus é como “o fogo do ourives e como a potassa dos lavandeiros...” e</p><p>Ele sabe como nos bater sem machucar. Deus tem um bastão que usa para extrair toda a</p><p>sujeira da vida dos cristãos. Deus não usa seu bastão simplesmente para ostentar o poder,</p><p>mas usa-o para limpar as vestes dos seus filhos.</p><p>9</p><p>4. Deus quer produzir frutos em nossas vidas</p><p>Em João 15 temos a parábola da vinha e dos ramos. O agricultor que poda a vinha</p><p>deverá, às vezes, usar a tesoura de podar. Os galhos mortos devem ser cortados de maneira a</p><p>não extrair a seiva necessária dos galhos vivos. Os galhos que não dão frutos são cortados.</p><p>Mas as varas que dão frutos são podadas para dar mais frutos. Deus irá podar, purgar, refinar</p><p>e cortar as varas que dão frutos para produzirem mais frutos. O propósito de Deus é sempre</p><p>positivo e redentor. Aqueles que desejarem mais frutos serão os mais podados.</p><p>5. Preparar os vasos para servi-Lo</p><p>A partir do momento em que o vaso é formado do barro até o momento em que é retirado do forno, ele</p><p>e submetido a um processo definido de formação. A aplicação das mãos do oleiro sobre o vaso às vezes é dura</p><p>e firme. A roda do oleiro, o forno, tanto quanto as mãos do oleiro, são todas partes vitais na preparação do vaso.</p><p>O propósito de Deus nessa situação é ter o vaso para sua honra. (2Tm 2.19-20)</p><p>As criaturas indicam que Judas, o apóstolo caído e traidor</p><p>de Jesus Cristo, enforcou-se</p><p>no campo do oleiro (ver Mt 27.3-5). Neste campo foi encontrado um vaso humano, rejeitado,</p><p>corrompido e mutilado, vaso para desonra, como tantos outros.</p><p>6. Deus quer trazer crescimento às nossas vidas</p><p>Em Is 54.2 o profeta proclama: “amplia o espaço de tua tenda“. Figuradamente isto pode</p><p>significar que Deus quer ampliar a capacidade daqueles que estão se preparando para liderar</p><p>Sua Casa, a fim de que recebam mais do Senhor.</p><p>2Sm 22.37 declara que o Senhor pode alongar os passos dos líderes. Is 60.5 diz que o</p><p>coração da pessoa pode ser dilatado a fim de que seu “depósito espiritual“, também aumente.</p><p>O propósito do tratamento de Deus é nos alargar de muitas maneiras. Deus deseja</p><p>expandir o nosso ministério e a nossa função na casa do Senhor, assim como o nosso caráter.</p><p>Algumas áreas em nossas vidas que podemos dizer Deus quer alargar:</p><p>• Nossa Visão - 1Cr 4.10</p><p>• Nossos Passos - 1Sm 22.37</p><p>• Nossos Corações - Is 60.5; 2Co 6.11</p><p>• Nossas Fronteiras - Ex 34.24; 2Co 10.15-16</p><p>• Nossa Força - 1Sm 2.1</p><p>• Nossa Habitação - Pv 24.3-4, Is 54.2</p><p>• Nosso Ministério - 2Co 6.13</p><p>7. Nos levar a uma busca intensa da Sua pessoa</p><p>O Senhor trará as pressões e o calor sobre os líderes em períodos específicos, para</p><p>motivá-los a buscá-lo. A pressão não é para desviá-los de Deus, mas para colocá-los na</p><p>direção de Deus. Muitas vezes, os tempos difíceis, e as circunstâncias duras são mal</p><p>interpretadas pelo líder em preparação. Todos estes tratamentos são para motivar o homem a</p><p>se voltar para Deus como a sua única força. Um líder deve aprender a buscar a Deus em</p><p>10</p><p>tempos difíceis, para que aprenda a ajudar outros a fazer o mesmo. Jesus aprendeu pelo que</p><p>sofreu. É a experiência que nos capacita a conduzir outros.</p><p>8. Deus quer mais do seu Espírito fluindo em nossas vidas</p><p>As Escrituras retratam o vinho como indicativo do Espírito de regozijo (At 2.13-16; Ef</p><p>5.18). O tempo da colheita era um tempo de alegria para todo o povo. Após o longo período de</p><p>espera, era finalmente hora da colheita. Neste tempo, toda a família se envolvia na sega.</p><p>As mulheres e as crianças colocavam nas cabeças as uvas colhidas.Levavam estas</p><p>uvas para grandes tonéis de pedras onde os pisadores aguardavam descalços, as uvas a</p><p>serem esmagadas. Os pisadores então iniciavam o processo de andar por cima das uvas</p><p>maduras, apertando-as para a extração do suco. Enquanto o pisador fazia isto ele se segurava</p><p>na viga de madeira que estava ligada ao mastro no centro do tonel. A maior parte do seu peso,</p><p>descansava nesta viga, de maneira a não pisar com demasiada força sobre as uvas. Se ele</p><p>pisasse forte demais sobre as uvas, ele esmagaria a semente juntamente com a uva. Se isto</p><p>acontecesse o vinho se tornaria amargo, prestando somente para dar aos animais. A aplicação</p><p>é maravilhosa. Deus é o pisador das uvas que somos nós. Ele deseja que o vinho do Seu</p><p>Espírito flua das nossas vidas e ministério. Ele nos aperta. Este é um processo duro e</p><p>doloroso, mas Deus nunca esmagará nossos espíritos ( a semente da uva ) para não nos</p><p>tornar amargos. Uma vida amarga não é boa para ninguém. Deus não deseja líderes amargos.</p><p>Ele quer que o vinho novo e fresco do Seu Espírito flua através de nossas vidas.</p><p>9. Através dos tratamentos Deus quer nos dar nova v isão</p><p>Em 2Co 4.16-18, Paulo enfoca esta realidade. Todas as pressões, aflições e provas que</p><p>vêm sobre nós agora, são para operar algo eterno. Não devemos olhar apenas para o presente,</p><p>analisando aquele momento. Precisamos encarar o futuro, pensando no fruto eterno que será</p><p>em nós, e, através de nós, na vida de outros. Dons são dados, mas o caráter é desenvolvido.</p><p>O caráter tem valor eterno, irá conosco para a Eternidade (ver 1Co 13.8,13).</p><p>Nossa atitude diante do tratamento de Deus</p><p>Termos o caráter desenvolvido à semelhança do de Jesus Cristo é muito mais</p><p>importante do que as aflições que possamos viver nesta vida. Suportando estas aflições no</p><p>presente teremos o caráter de Jesus Cristo sendo desenvolvido em nós. Nossas atitudes ou</p><p>reações diante das circunstâncias que Deus usa para tratar conosco definem nossa aceitação</p><p>do tratamento, ou não. Algumas atitudes que devemos desenvolver quando passamos por</p><p>provas:</p><p>• Oração - (ver Tg 5.13).</p><p>• Contrição - (ver 1Pe 4.19)</p><p>• Reflexão - (ver Hb 12.3)</p><p>• Louvor - (ver Sl 74.21)</p><p>• Suportar as Circunstâncias - (ver Mt 10.22 e 1Co 10.13)</p><p>• Gozo - (Ver Mt 5.12 e Rm 5.3)</p><p>• Disposição para Mudança - (ver 2Sm 12.13)</p><p>11</p><p>Resistir geralmente quer dizer "se segurar ou ser indiferente durante os tratamentos".</p><p>Em Jacó vemos uma atitude certa em resposta aos tratamentos de Deus. Através das</p><p>Escrituras Deus se identifica com três homens. Muitas vezes Deus disse: “Eu sou o Deus de</p><p>Abraão, de Isaque e de Jacó“. Sendo o Deus de Abraão, nos fala que é um Deus que guarda o</p><p>conserto. Sendo o Deus de Isaque fala do Deus dos milagres, mas, quando a Escritura</p><p>proclama que Ele é o Deus de Jacó, fala de Deus como sendo Deus de mudanças, pois mudou</p><p>o nome de Jacó, e a sua natureza de suplantador, para Israel.</p><p>Nossa atitude como resposta</p><p>Devemos aceitar o tratamento de Deus em nossa vida, crendo que “Todas as coisas</p><p>cooperam para o nosso bem“, visando um fiel proveito: O aperfeiçoamento (maturidade) do</p><p>nosso caráter.</p><p>Todos aqueles poderosos homens de Deus que iniciaram seus ministérios com o</p><p>esplendor do sucesso e terminaram derrotados, possuíam qualidades positivas no início de</p><p>suas vidas e ministérios. Por exemplo: humildade, sabedoria, fé, conhecimento, unção, coração</p><p>pronto para Deus. Apesar de todas as qualidades sólidas e fortes que porventura possuamos</p><p>devemos ter sensibilidade e obediência ao Senhor, inclusive durante os tratamentos em nossas</p><p>vidas.</p><p>Aula 3 - O caráter cristão</p><p>O que queremos dizer com “caráter cristão?” O caráter de Cristo é ilustrado nas</p><p>Escrituras como sendo o fruto do Espírito:</p><p>“O fruto do Espírito é o amor, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade,</p><p>mansidão, e auto-controle... Já que vivemos pelo Espírito, andemos também no espírito” (Gl</p><p>5.22,25 simplificado).</p><p>Estas lindas qualidades da natureza de Cristo retratam o Seu caráter. Elas são aspectos</p><p>específicos da Sua vida ou ser. É assim que Jesus é. E devemos nos tornar semelhantes a Ele</p><p>em nossa vida e caminhar cristãos.</p><p>Onde quer que Jesus ia, o fruto da Sua vida era uma bênção. O fruto do Seu Espírito</p><p>será uma grande bênção para nós também - como para outras pessoas. E acima de tudo mais,</p><p>o fruto do Espírito será uma bênção para o nosso Próprio Pai Celestial.</p><p>Vamos rever uma vez mais o esboço dos frutos do Espírito:</p><p>A. Bênçãos internas</p><p>1. Amor - ser amoroso no interior</p><p>2. Alegria - ser alegre no interior</p><p>3. Paz - ser tranqüilo no interior</p><p>B. Bênçãos externas</p><p>1. Paciência - ser paciente com os outros</p><p>2. Bondade - ser bom para com os outros</p><p>3. Benignidade - ser benigno para com os outros</p><p>12</p><p>C. Bênçãos verticais</p><p>1. Fidelidade - ser fiel a Deus</p><p>2. Mansidão - ser humilde diante de Deus</p><p>3. Auto-controle - ser controlado por Deus</p><p>Podemos ver facilmente que estas “bênçãos” se entrelaçam entre si. Se formos cheios</p><p>de amor em nosso interior, seremos amorosos para com os outros, bem como para com o</p><p>Senhor. O fruto do Espírito geralmente se estende a todas as três direções, trazendo grandes</p><p>bênçãos.</p><p>A lista acima inclui muitas das características importantes da vida de Cristo, mas há</p><p>outras também. Paulo nos dá estes nove frutos como exemplo para estudarmos. Observe estas</p><p>outras passagens bíblicas que se referem a frutos espirituais: Rm 5.3-5, Cl 3.12-15; 1Tm 6.11;</p><p>2Pe 1.5-7.</p><p>Uma lição espiritual da vida natural</p><p>O fruto natural pode ser definido da seguinte forma:</p><p>1. É um produto da maturidade.</p><p>Uma árvore precisa ser bem cultivada para produzir frutos bons e maduros. Ela requer o</p><p>solo, o sol, e a água. Ela</p><p>precisa ser aparada e as ervas daninhas precisam ser removidas. A</p><p>maturidade é um processo que requer tempo e trabalho. Os frutos não aparecem</p><p>imediatamente. Eles são um produto do crescimento e do desenvolvimento.</p><p>A mesma coisa se aplica aos frutos espirituais. O fruto do Espírito não cresce da noite</p><p>para o dia. É necessário tempo e provações para crescer no Senhor. A nossa vida em Cristo</p><p>desenvolve-se à medida que aprendemos como confiar na Palavra de Deus e submetermo-nos</p><p>ao Espírito de Deus em todos os nossos afazeres diários. Este é o processo pelo qual o caráter</p><p>cristão é formado:</p><p>2. É um produto para o nosso prazer.</p><p>Os frutos frescos e maduros são aromáticos e muito saborosos. São algo lindo de se ver</p><p>e são doces ao paladar. São uma fonte de prazer e deleite na árvore e na mesa.</p><p>O nosso Pai Celestial encontrou grande alegria e prazer na amável vida do Seu Filho</p><p>aqui na terra.</p><p>“Este é o Meu Filho Amado, em Quem Me comprazo” (Mt 3.17; 17.5). À medida que nos</p><p>tornamos semelhantes a Jesus, nós também proporcionamos um deleite ao nosso Deus e Pai.</p><p>Foi para este propósito que fomos criados.</p><p>3. É um produto para a nossa alimentação diária.</p><p>Os frutos frescos são necessários na nossa dieta para desenvolvermos corpos fortes e</p><p>sadios. Os frutos contêm vitaminas e minerais necessários para o nosso desenvolvimento e</p><p>bem-estar. Quando estes fatores alimentares estão faltando, tornamo-nos doentes e podemos</p><p>até morrer. Nos primórdios da navegação, navios “fantasmas” eram às vezes encontrados no</p><p>mar. Toda a tripulação havia morrido devido a uma falha de certas vitaminas em suas dietas.</p><p>O fruto do Espírito também é tão importante assim para a nossa saúde e bem-estar</p><p>espiritual. Uma falta de amor, alegria, e paz pode produzir uma alma que é espiritualmente</p><p>13</p><p>enferma. Além disso, é uma enfermidade que pode espalhar-se a outras pessoas e</p><p>deploravelmente afetar as suas vidas também.</p><p>No entanto, à medida que compartilhamos o fruto do Espírito uns com os outros, podemos</p><p>vencer estas enfermidades e crescer juntos na gloriosa vida do nosso Senhor.</p><p>4. É um produto para reprodução.</p><p>Os frutos maduros contêm as sementes que fazem com que a árvore se reproduza</p><p>segundo a sua espécie. O propósito do fruto é aumentar e propagar a vida de onde ele veio.</p><p>Uma macieira pode produzir sementes suficientes para plantarmos um grande pomar de maçãs.</p><p>Quando ministramos o amor, a alegria, e a paz de Jesus aos outros, eles também se</p><p>tornam mais semelhantes a ele. Esta é a lei da vida natural, e também da vida espiritual. “A vida</p><p>gera a vida segundo a sua espécie”. As sementes de maçãs sempre produzem macieiras.</p><p>Dessa forma, o amor de Deus sempre produz a vida de Deus!</p><p>O propósito de Deus para as nossas vidas</p><p>O propósito divino para as nossas vidas, individualmente e como um Corpo, é tornarmo-</p><p>nos semelhantes a Jesus. Este é o nosso destino. Devemos ser moldados à Sua imagem.</p><p>O Próprio Deus fielmente trabalha e cultiva as nossas vidas para que possamos</p><p>reproduzir a vida do Seu Filho:</p><p>“Pois sabemos que Deus faz com que todas as coisas contribuam para o bem dos que O</p><p>amam. Eles foram chamados de acordo com o Seu propósito. Deus sabia quem eles eram</p><p>desde o princípio e os escolheu e os chamou para que se tornassem semelhantes ao Seu Filho.</p><p>Sim, o Senhor Jesus devia ser o Irmão mais velho numa família de muitos filhos” (Rm 8.28,29</p><p>simplificado).</p><p>Três tipos básicos de frutos:</p><p>O fruto do Espírito ilustra para nós como é a vida de Jesus. Se nosso propósito é</p><p>tornarmo-nos semelhantes a Ele em nossa vida, desejaremos estudar cuidadosamente a</p><p>natureza de todos os nove frutos. Cada um deles revela alguma qualidade ou característica</p><p>especial do Seu caráter.</p><p>Consideraremos cada um dos frutos, dispostos em três sub-títulos:</p><p>1. O fruto artificial ou falso do mundo</p><p>O fruto artificial ou fabricado pelo homem pode ser feito de plástico ou cera. Ele tem o</p><p>mesmo formato e cor de um fruto verdadeiro. No entanto, ele não se origina da vida, nem</p><p>tampouco pode produzir a vida, como uma mordida prontamente revelaria isto. O mundo define</p><p>o fruto do Espírito de uma maneira que difere das Escrituras. A princípio pode parecer correta,</p><p>contudo, ele não se origina na vida, nem pode produzir vida, vida espiritual. É um falso conceito,</p><p>e no final, causa somente a enfermidade e a morte espiritual. Por exemplo, o conceito do</p><p>mundo com relação ao amor é bem diferente do conceito encontrado nas Escrituras.</p><p>2. O fruto verdadeiro do Espírito</p><p>O fruto verdadeiro do Espírito está definido para nós nas Escrituras. São todas as</p><p>características da vida de Cristo que podemos ouvir e ver através das Suas Palavras e ações.</p><p>14</p><p>Se quisermos saber como o verdadeiro amor sente, pensa, fala, e age em qualquer momento</p><p>específico, podemos olhar para Jesus. Como Ele reagiu e respondeu em verdadeiras situações</p><p>da vida? Jesus exemplificou claramente o verdadeiro significado do amor de Deus através da</p><p>Sua vida e morte!</p><p>Encontramos também o significado espiritual para cada fruto do Espírito pela maneira</p><p>com que os termos são usados pelos escritores da Bíblia. As palavras são definidas pela</p><p>maneira como são usadas. As palavras das Escrituras foram inspiradas pelo Espírito Santo.</p><p>Assim sendo, as palavras cotidianas assumem um significado espiritual adicional a partir do</p><p>cenário em que se encontram.</p><p>3. O fruto podre da carne</p><p>O fruto da carne retrata a morte e a deterioração. Exatamente como a vida, assim</p><p>também a morte tem diferentes qualidades. As qualidades da vida são vistas no fruto do</p><p>Espírito. As qualidades da morte, portanto, seriam encontradas nas características que são</p><p>exatamente o oposto. Por exemplo, as características opostas do amor seriam o ódio, a ira, e a</p><p>amargura.</p><p>É útil estudarmos estas características negativas. Elas permitem que compreendamos e</p><p>apreciemos melhor os frutos positivos do Espírito. A luz sempre brilha mais intensamente</p><p>quando há um fundo escuro.</p><p>Além disso, as características negativas revelam uma alma que se encontra enferma e</p><p>moribunda. O fruto do Espírito é o remédio e da mente. Esta é a base para a verdadeira “cura</p><p>interior”.</p><p>Estudaremos agora os nove frutos do Espírito, de acordo com a lista que nos foi dada</p><p>em Gálatas 5:22,23.</p><p>Aula 4 – O fruto do Espírito</p><p>1. O fruto do amor</p><p>Jesus era uma Pessoa muito amável e amorosa! Em Cristo vemos amor de Deus em</p><p>ação, caminhando, conversando, perdoando, curando, libertando, e restaurando. Precisamos</p><p>conhecer mais sobre este tipo de amor.</p><p>O mundo conhece muito pouco sobre o amor de Jesus. O seu conceito de amor é</p><p>limitado e falho. Portanto, gostaríamos de estudar um pouco dos frutos falsos ou artificiais que o</p><p>mundo considera como sendo amor verdadeiro.</p><p>Precisamos compreender a diferença entre o verdadeiro e o falso. Isto é de fato uma</p><p>questão de vida ou morte. Com o amor de Deus segue-se a vida de Deus. Sem o Seu tipo de</p><p>amor não podemos ter o Seu tipo de vida.</p><p>O falso fruto do amor</p><p>O amor não é simplesmente uma atração física. Isto é apenas sensualismo. O mundo</p><p>valoriza muito a atração física ou sexual. É algo atraente ao aspecto sensual da nossa</p><p>natureza. O amor físico não deveria ser uma expressão do verdadeiro amor, porém não pode</p><p>substituí-lo. Por si próprio, não é nada mais que um desejo egoístico e sensual.</p><p>15</p><p>O amor não se limita a uma afeição familiar. Isso seria meramente um favoritismo. O</p><p>amor que se encontra confinado aos membros da nossa própria família é de fato um egoísmo.</p><p>O verdadeiro amor vai além destes limites descritos.</p><p>O amor não é um prazer sentimental. Isto é emocionalismo. O amor é mais do que um</p><p>caloroso sentimento de prazer. Caso contrário, quando este sentimento esmorece, também</p><p>esmorece o nosso amor. O verdadeiro amor vai mais fundo do que as nossas emoções. O amor</p><p>não é uma fantasia romântica, isto é um falso idealismo. O mundo muitas vezes imagina</p><p>que o</p><p>amor é um estilo de vida romântico, livre para sempre de problemas. Este tipo de ideal não</p><p>existe. A vida real exige um tipo verdadeiro de amor, que seja resistente, algo que perdure</p><p>durante dias difíceis.</p><p>O amor não é uma aceitação cega. Isto é uma forma de engano. Alguns dizem que o</p><p>amor é cego. Ele não consegue - ou não quer - ver as falhas do outro. A negligência em não</p><p>vermos as verdadeiras falhas, no entanto, não é amor verdadeiro, e sim engano. O verdadeiro</p><p>amor enxerga as falhas, porém continua amando - e procura redimi-las. Não conseguimos</p><p>resolver os problemas que não queremos enfrentar. Os olhos do amor estão sempre abertos.</p><p>O amor não é permissividade. Isto é indulgência. O amor não cede a todos os desejos</p><p>da outra pessoa. Ele não permite nem consente que alguém aja sem limitações. Isto é</p><p>indulgência. O verdadeiro amor traça uma linha demarcatória e não deixa de corrigir quando</p><p>esta linha demarcatória é ultrapassada.</p><p>O amor não é uma piedade passiva. Isto é um sinal de fraqueza interna. Sentirmos pena</p><p>de alguém de uma forma fraca e inativa não é amor. Este tipo de solidariedade pode somente</p><p>causar uma profunda cova de auto-comiseração. O verdadeiro amor procura produzir uma cura</p><p>honesta aos feridos através de palavras e ações sábias.</p><p>O que foi descrito acima são todos conceitos falsos que o mundo tem com relação ao</p><p>aor. O verdadeiro amor é algo muito maior, como veremos a seguir.</p><p>O verdadeiro fruto do amor</p><p>A Septuaginta é uma tradução para o grego, do Século III A.C., do Antigo Testamento</p><p>também foi escrito em grego. Podemos compreender melhor o significado de palavras chaves,</p><p>estudando como eram usadas nestas duas fontes. Como já foi dito anteriormente, as palavras</p><p>foram definidas através dos seus usos.</p><p>Há quatro palavras básicas referentes ao amor na língua grega:</p><p>EROS (sensual) – físico)</p><p>a) Afeição física - amor sexual.</p><p>b) Este termo não se encontra nas Escrituras.</p><p>STORGE (social) - familiar</p><p>a) Afeição familiar - amor social, como o amor pela nossa família, comunidade, ou país.</p><p>b) Somente o adjetivo - “amor fraternal” - é encontrado nas Escrituras (Rm 12.10).</p><p>PHILIA (emocional) - amizade</p><p>a) Afeição entre amigos - um amor emocional baseado no prazer recebido de um</p><p>relacionamento.</p><p>b) É comum no grego clássico, mas é encontrado somente 22 vezes nas Escrituras em</p><p>sua forma verbal.</p><p>ÁGAPE (racional, volitivo) - divino</p><p>16</p><p>a) Afeição nobre - o amor racional e volitivo baseado no caráter do sujeito que ama e no</p><p>valor do objeto amado.</p><p>b) Este termo não é comumente usado no grego clássico, mas é muito comum nas</p><p>Escrituras. O substantivo é encontrado 113 vezes e o verbo 135 vezes.</p><p>c) Este termo assume um significado muito mais profundo e divino pelo seu uso na</p><p>Bíblia. Origina-se com Deus e termina com o homem.</p><p>É o amor que envolve a razão, uma escolha, e um sacrifício altruístico. É incondicional,</p><p>universal, e eterno. É grátis para todos e para sempre. É algo que dá, perdoa, e redime.</p><p>A melhor e mais completa definição do amor “ágape” foi dada no Calvário - onde Jesus</p><p>morreu na Cruz pelos nossos pecados.</p><p>“Pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu único Filho. Todos que crerem</p><p>n’Ele não morrerão, mas terão a vida eterna” (Jo 3.16 simplificado).</p><p>Não há nada de fraco, frágil, superficial, ou sentimental com relação ao amor do</p><p>Calvário. É algo lindo, santo, benévolo, e misericordioso. Ao mesmo tempo, é algo espantoso,</p><p>terrível, e que parte os nossos corações ao vermos até que ponto ele chegou para nos redimir</p><p>de nossos pecados.</p><p>O amor de Deus é tão forte e resistente quanto um enorme prego de ferro. É tão</p><p>corajoso e visível quanto uma cruz de madeira com um céu obscuro no fundo. Ainda assim, é</p><p>também tão puro e submisso quanto um cordeirinho sacrificial.</p><p>Não é de se admirar que as Escrituras declarem que o nosso amor por Deus começa com o Seu</p><p>grande amor por nós: “Nós O amamos, porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). Um amor deste tipo provoca</p><p>uma resposta em nossos corações.</p><p>Tornarmo-nos semelhantes a Jesus significa que começaremos a alcançar os outros</p><p>com este tipo de amor cada vez mais. Escolheremos ministrar ao mundo porque as pessoas</p><p>são preciosas aos olhos de Deus.</p><p>O preço para a redenção delas custou a Deus a vida do Seu Filho. Ele valorizou as suas</p><p>vidas tanto assim - e as nossas também. Ele fez isto porque fomos criados à Sua imagem.</p><p>Deus ainda quer uma família que expresse a adorável vida de Jesus.</p><p>O fruto podre da carne</p><p>Como já dissemos anteriormente, o fruto da carne retrata a morte e a deterioração. As</p><p>características da morte estão em oposição às da vida.</p><p>As qualidades mortíferas que se opõem ao fruto do amor seriam o egoísmo, o ódio, a</p><p>ira, o temor, a hostilidade, os ressentimentos, a amargura, o ciúme, a falta de perdão, a</p><p>condenação, a desaprovação, as críticas, a rejeição, e muitas outras.</p><p>Estas características são venenos mortíferos e podem produzir todos os tipos de</p><p>enfermidades em nosso espírito, alma, e corpo. Todos nós já sofremos com estas atitudes e</p><p>características negativas, tristes e ruins. Às vezes isto aconteceu porque havia estas</p><p>enfermidades em nossas próprias vidas. Em outras ocasiões tivemos que sofrer nas mãos de</p><p>outros que estavam retendo estas atitudes venenosas em seus corações.</p><p>O fruto do Espírito é uma descrição ou ilustração da vida divina. É também uma receita</p><p>ou remédio para as enfermidades da alma. Assim como a luz dispersa as trevas e o bem vence</p><p>o mal, assim também o amor expulsa o temor, o ódio, e tudo o que se lhe opõe.</p><p>“Não há nenhum temor no amor. Na verdade, o perfeito amor lança fora todo temor” (1Jo</p><p>4.18 simplificado).</p><p>“ Nunca retribuam o mal com o mal... Pelo contrário, vençam o mal com o bem... pois o</p><p>amor cobre os muitos pecados uns dos outros” (Rm 12.17,21; 1Pe 4.8 simplificado). Em outras</p><p>17</p><p>palavras, o amor traz uma cura interior, não somente às nossas próprias vidas, mas também</p><p>aos outros. É isto o que significa ministrarmos uns aos outros.</p><p>É interessante observarmos que nas Escrituras, a pessoa cuja vida é dirigida e</p><p>revigorada pela Palavra e pelo Espírito de Deus, é retratada como sendo semelhante a uma</p><p>árvore:</p><p>“Bendito é o homem que confia no Senhor... O qual deleita-se na Sua Palavra... Pois ele</p><p>será como uma árvore que estende as suas raízes quando é plantada junto às águas. Ainda</p><p>que o sol escaldante brilhe e os fortes ventos assoprem, as suas folhas sempre ficarão verdes e</p><p>ela sempre será frutífera... trazendo cura e alimento aos feridos e famintos (Jr 17.7,8; Sl 1.1-3;</p><p>Ez 47.12; Ap 22.2).</p><p>Amor: um remédio para os corações que sofrem</p><p>Muitas pessoas nunca experimentaram o que significa serem amadas e aceitas por</p><p>Deus ou por uma outra pessoa. Não importa o quanto tentassem agradar aos outros, nunca</p><p>tiveram amor, aceitação, nem o respeito que queriam e necessitavam. Consequentemente,</p><p>estas pessoas sentem que não são amadas, queridas, necessárias, e que não têm tido valor</p><p>algum em toda esta vida de solidão. Os seus corações foram feridos e as suas almas nunca se</p><p>desenvolveram como poderiam e deveriam ter se desenvolvido. A situação delas na vida é algo</p><p>muito triste de fato.</p><p>Mas há boas novas. O amor incondicional de Deus em Cristo Jesus pode perdoar os</p><p>nossos pecados, curar os nossos corações quebrantados, e restaurar as nossas almas. O</p><p>Calvário provou o quanto Deus nos quer em Sua amada família. Temos muito valor aos Seus</p><p>olhos e somos queridos e necessários no Corpo de Cristo. Há uma comunhão na família de</p><p>Deus que pode suprir as mais profundas necessidades de nossas vidas com relação ao amor, a</p><p>alegria, e a paz.</p><p>À medida que as nossas próprias vidas são restauradas, podemos nos tornar árvores</p><p>frutíferas de bênçãos para outras pessoas que estão em necessidade. Assim como Jesus</p><p>expressou o amor de Deus em Suas palavras, ações, e relacionamentos, assim também nós</p><p>podemos fazer o mesmo. Aliás, este é o nosso chamado do Próprio Senhor.</p><p>“... paz seja com vocês. Assim como o Pai Me enviou, assim também Eu vos envio” (Jo</p><p>20:21 simplificado).</p><p>Verdadeiramente, o fruto do amor é a característica básica das nossas vidas em Cristo.</p><p>É a razão para o nosso relacionamento com Deus, com a Sua família, e com o mundo pelo qual</p><p>Cristo morreu.</p><p>O amor de Deus é a fonte das nossas vidas em Cristo. E desta vida surgem todos os</p><p>frutos do Seu Espírito. O amor, a alegria, e a paz são lindas expressões da vida de Cristo. São</p><p>também respostas pessoais do amor de Deus. Sobre este prisma estudaremos agora o fruto da</p><p>alegria.</p><p>2. O fruto da alegria</p><p>Jesus era uma Pessoa alegre! Além disso, Ele queria compartilhar esta alegria com os</p><p>outros: “Disse-lhes estas coisas para que a Minha alegria pudesse estar em vocês e para que a</p><p>alegria de vocês pudesse ser completa” (Jo 15.11 simplificado).</p><p>Desde o início até o final da Sua vida aqui na terra, Jesus trouxe alegria às pessoas ao</p><p>Seu redor.</p><p>18</p><p>“E um anjo disse aos pastores: Não temam. Trago-lhes boas novas de uma grande</p><p>alegria que será para todo o povo. Hoje na cidade de Davi, um Salvador nasceu, o Qual é Cristo</p><p>o Senhor” (Lc 2.10,11 simplificado).</p><p>“Então Jesus levou os discípulos para fora até Betânia. Lá Ele levantou as Suas mãos e</p><p>os abençoou. Ao fazer isto, Ele começou a elevar-Se e foi recebido no Céu. Os discípulos, em</p><p>seguida, retornaram a Jerusalém com grande alegria. Lá eles continuaram no templo para</p><p>abençoar e louvar a Deus” (Lc 24.50-53 simplificado).</p><p>A alegria do Senhor é bem diferente da alegria do mundo. É, portanto, algo muito</p><p>valioso ao nosso estudo.</p><p>O falso fruto da alegria</p><p>O mundo tenta substituir a alegria do Senhor pela felicidade terrena. Um dos significados</p><p>de “felicidade” se refere ao sentimento que temos quando um evento casual nos traz prazer.</p><p>Um “caçador” de fortuna fica bem “feliz” se tiver bastante sorte para encontrar um</p><p>tesouro bem escondido. O seu sentimento de felicidade, no entanto, está vinculado ao tesouro.</p><p>Se ele não tivesse encontrado o tesouro, ou se o tivesse perdido novamente, ele ficaria bem</p><p>triste. O seu sentimento de alegria está ligado com o que “acontece” em sua vida. Se for algo</p><p>bom ele fica contente, se for algo ruim, ele fica triste. Sua sensação de bem-estar interno está</p><p>vinculada aos eventos da vida cotidiana. Assim sendo, ele está nas “nuvens” num dia, mas lá</p><p>na “fossa”, no dia seguinte. Até mesmo quando ele está contente há um temor inc6omodo de</p><p>que este sentimento não vai durar por muito tempo; obviamente, esta não é a verdadeira</p><p>alegria, e sim um sentimento temporário que pode desvanecer-se tão rapidamente quanto veio.</p><p>Algumas pessoas tentam evitar o aspecto sério da vida, e da morte, através de</p><p>conversas e comportamentos tolos. Elas encobrem os seus temores e inseguranças através de</p><p>suas constantes piadas e gozações com relação a tudo. Há um lugar importante para</p><p>brincadeiras e humor no caminhar cristão, mas há ocasiões em que devemos ser sérios ou</p><p>solidários.</p><p>Infelizmente, algumas pessoas são como palhaços de circo. Talvez estejam rindo por</p><p>fora, mas estão chorando por dentro. Esta tampouco é a verdadeira alegria, mas sim uma vida</p><p>falsa de simulação - como um ator no palco. O que é então a verdadeira alegria?</p><p>O verdadeiro fruto da alegria</p><p>A palavra grega referente a “alegria”, da forma encontrada em Gl 5.22, é “chara”. Ela</p><p>ocorre 60 vezes no Novo Testamento. A forma verbal “chairen”, significando “alegrar-se”, é</p><p>encontrada 72 vezes. É interessante observarmos que a palavra “chairen” era também usada</p><p>como uma saudação de uma só palavra. Às vezes, traduzida como “Salve!”. Significa</p><p>literalmente “Alegra-te!”, ou “Que a alegria esteja contigo!” (Lc 1.28; Mt 29.9; Tg 1.1).</p><p>A alegria, obviamente, refere-se a uma sensação de deleite interno ou de contentamento</p><p>de coração. A alegria cristã, no entanto, tem um significado muito mais profundo, como veremos</p><p>adiante.</p><p>A alegria verdadeira é mais do que um mero sentimento; é uma “Pessoa”. E esta Pessoa</p><p>é Jesus! Ele é a nossa alegria. A alegria do Senhor é o Senhor. O “sentimento” da alegria é a</p><p>nossa resposta emocional com relação à “realidade” da alegria. Jesus é esta realidade. A</p><p>alegria é um aspecto da Sua vida - uma qualidade do Seu Ser. Portanto, quando temos Jesus</p><p>em nossos corações, temos a verdadeira alegria do Senhor dentro de nós. Jesus disse que ele</p><p>nunca nos deixaria, nem nos abandonaria. Em outras palavras, a alegria do Senhor está</p><p>sempre conosco - independentemente de como nos “sintamos”. A fonte da nossa alegria está</p><p>dentro de nós. Ela não é alterada por aquilo que “acontece” conosco por fora. Este é o motivo</p><p>19</p><p>pelo qual Paulo podia afirmar veementemente: “alegrem-se no Senhor sempre; outra vez digo</p><p>alegrem-se” (Fp 4.4 simplificado).</p><p>Não nos alegramos em ocasiões de tristeza em tudo o que acontece. No entanto,</p><p>podemos nos alegrar no Senhor pela Sua presença, e pela Sua promessa em fazer com que</p><p>“tudo contribua para o bem”. Como um irmão na fé colocou, “a alegria do Senhor é um tipo</p><p>sólido de alegria”. Cristo é o sólido centro para as nossas vidas. Podemos sempre permanecer</p><p>na Sua alegria, e a Sua alegria sempre permanece conosco.</p><p>A certeza da Sua alegria no centro das nossas vidas é uma fonte de grande força</p><p>durante as nossas ocasiões de angústia e fraqueza pessoal.</p><p>As seguintes e benévolas palavras de consolo de Neemias vêm prontamente à mente:</p><p>“Não se entristeçam porque a alegria do Senhor é a força de vocês” (Ne 8.10 simplificado).</p><p>Os cristãos sem alegria são cristãos sem poder. E cristãos sem poder são cristãos sem</p><p>alegria. O lado positivo da moeda também se aplica. Os cristãos alegres são cristãos</p><p>poderosos. Os cristãos poderosos são cristãos alegres. A mensagem é clara! Sim, Jesus é a</p><p>fonte e o centro da nossa alegria.</p><p>1. Alegramo-nos em Jesus como nosso Salvador:</p><p>“A minha alma declara a grandeza do Senhor. e o meu espírito alegra-se em Deus meu</p><p>Salvador” (Lc 1.46,47 simplificado)</p><p>2. Alegramo-nos em Jesus como nosso “Batizador” no Espírito Santo:</p><p>“Que o Deus de esperança os encha com toda a alegria e paz à medida que vocês</p><p>confiam n’Ele. Aí então vocês transbordarão de esperança pelo poder do Espírito Santo. E os</p><p>discípulos foram cheios com alegria e com o Espírito Santo” (Rm 15.13; At 13.52 simplificado).</p><p>3. Alegramo-nos em Jesus como Aquele que nos cura:</p><p>“... Toda a multidão dos discípulos começou o louvor alegremente a Deus por todos os</p><p>milagres que haviam visto” (Lc 19.37 simplificado).</p><p>4. Alegramo-nos em Jesus como o nosso Rei Vindouro :</p><p>“Vocês estão entristecidos agora, mas Eu os verei novamente. Aí então vocês se</p><p>alegrarão e ninguém lhes tomará a sua alegria... Regozijem-se e alegrem-se, pois grande é o</p><p>galardão de vocês no Céu” (Jo 16.22; Mt 5.12 simplificado).</p><p>Pelo fato de Jesus ser a alegria das nossas vidas, temos um poderoso remédio para a</p><p>dor aguda da angústia e do veneno da auto-comiseração.</p><p>O fruto podre da carne</p><p>A alegria é uma qualidade da vida de Cristo. O fruto oposto da carne incluiria</p><p>características, tais como: angústia prolongada, tristeza, pesar, desânimo, auto-comiseração, e</p><p>um espírito que murmura ou reclama. Estas atitudes podem levar ao desespero, à depressão,</p><p>ao retraimento, ou até mesmo ao suicídio.</p><p>Todos nós já passamos por ocasiões de angústia e tristeza. Em Sua humanidade, Jesus</p><p>entrou nas profundezas dos nossos sofrimentos e dores internos. Isto é visto claramente nas</p><p>terríveis horas de agonia que Ele sofreu no Jardim do Getsêmani. Contudo, em tudo isto, Ele</p><p>tinha uma força interior que o carregou a uma grande vitória. Qual foi a fonte desta força interior</p><p>que O carregou durante as horas mais escuras da Sua vida? O escritor de Hebreus nos dá uma</p><p>importante revelação com relação a esta resposta: “Olhem para Jesus, o Qual é a fonte e</p><p>modelo da nossa fé. ele estava disposto a morrer e a</p><p>ser humilhado sobre a Cruz, por causa da</p><p>alegria que Deus havia colocado diante d’Ele” (Hb 12.2 simplificado).</p><p>20</p><p>Jesus olhou além da Cruz para a maravilhosa vida que seria d’ele, e nossa, na</p><p>resplandecente glória do Céu. Ele estava disposto a pagar este terrível preço para que</p><p>pudéssemos desfrutar com ele da eterna comunhão com o Pai. Verdadeiramente, esta foi a</p><p>alegria que foi colocada diante d’ele.</p><p>Que exemplo e consolo para todos nós! Sim, podemos passar por ocasiões de</p><p>angústias, dor, e grandes tristezas. Porém não nos entristecemos como os que não têm</p><p>esperança. Temos um forte apoio de alegria sólida no meio das nossas angústias. É a alegria</p><p>de sabermos que Jesus foi adiante de nós e obteve a vitória sobre a morte e o diabo. A Sua</p><p>vitória sobre a morte inclui as muitas qualidades da morte que podem nos afligir até mesmo</p><p>antes de morrermos. Como já foi citado anteriormente, estes são os frutos venenosos da carne.</p><p>Entretanto, temos agora um remédio para os ferimentos e enfermidades internos das nossas</p><p>almas.</p><p>Jesus está à mão direita do Pai numa posição de vitória e poder. Através do Seu</p><p>espírito, no entanto, Ele está presente nos nossos corações para ministrar o Seu amor, alegria,</p><p>e paz. Estas são as qualidades da Sua vida para a nossa saúde e cura divinas. E podemos</p><p>usufruir destas “primícias” agora - até mesmo enquanto esperamos pelo cumprimento final da</p><p>nossa grande salvação.</p><p>Estas é a esperança que inspirou as seguintes e maravilhosas palavras do profeta</p><p>Isaías:</p><p>“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim. Sim, o Senhor me designou e me enviou:</p><p>• Para pregar boas-novas aos pobres.</p><p>• Para curar os quebrantados de coração.</p><p>• Para libertar os cativos...</p><p>• Para consolar todos os que choram...</p><p>• Para dar-lhes beleza em lugar de cinzas,</p><p>• Para dar-lhes o óleo da alegria em lugar da lamentação,</p><p>• Para dar-lhes as vestes de louvor em lugar do espírito angustiado.</p><p>• Para que possam ser chamados árvores de retidão, plantação do Senhor, para que Ele</p><p>possa ser glorificado” (Is 61.1-3 simplificado).</p><p>Talvez tenhamos lágrimas em nossos olhos, mas ainda assim podemos ver o “Sol da</p><p>Retidão”, o Qual nasce a cada dia com cura em Suas asas (Ml 4.2). As névoas remanescentes</p><p>da escura noite logo se desvanecem com a luz da aurora do amor de Deus. Sempre há a</p><p>promessa de um novo dia no Senhor. Esta é a nossa esperança! Esta é a nossa alegria!</p><p>3. O fruto da paz</p><p>Jesus era uma pessoa muito tranqüila! Além disso, Ele quer compartilhar a Sua paz com</p><p>os outros: “Paz Eu lhes deixo. A Minha paz lhes dou. É uma paz que vai muito além de</p><p>qualquer coisa que o mundo pode lhes dar. Assim sendo, não fiquem perturbados nem</p><p>temerosos em seus corações” (Jo 14.27 simplificado).</p><p>Alguns túmulos têm a seguinte inscrição: “Descanse em Paz”. Isto é um lindo conceito,</p><p>mas a paz não é um estado de ser fraco e sem vida. Ela é de fato uma qualidade de vida muito</p><p>poderosa. Remova a paz das pessoas e dos lugares e observe o que acontece. A paz é uma</p><p>21</p><p>necessidade para uma ordem apropriada e para relacionamentos corretos. Somente então</p><p>poderá haver uma sensação de tranqüilo bem-estar.</p><p>Sim, a paz de Deus é um importante fruto do Espírito e merece de fato o nosso estudo.</p><p>Iniciaremos declarando o que ela não é. O mundo tem um conceito falho sobre a paz, como</p><p>veremos adiante.</p><p>O falso fruto da paz</p><p>A paz não significa escaparmos dos deveres e responsabilidades da vida. Se pensarmos</p><p>que este é o caminho para a paz sempre estaremos fugindo e nunca chegaremos ao nosso</p><p>objetivo.</p><p>A paz não é “apatia”, uma falta de cuidado ou de interesse pelos outros. O fato de</p><p>sempre “virarmos as costas”, quando deveríamos estar envolvidos, nos leva a uma vida muito</p><p>egocêntrica. Mas a vida tem um jeitinho de nos tirar do nosso “centro de equilíbrio”. Quando isto</p><p>acontece, a pessoa egocêntrica perde a sua “paz”. A paz não é obtida com a aquisição de bens</p><p>materiais. As pessoas muito ricas geralmente têm muito pouca paz. A verdadeira paz não</p><p>depende do que temos no exterior, e sim do que temos dentro de nós.</p><p>A paz não é um alívio na tensão de tomarmos decisões. A tensão pode ser aliviada</p><p>evitando-se uma decisão, ou até mesmo tomando-se a decisão errada, mas isto não dura muito</p><p>tempo. Precisamos primeiramente ter paz dentro de nós, antes que possamos enfrentar, e</p><p>tomar as decisões corretas do lado de fora.</p><p>A paz nunca é alcançada tolerando-se os valores do mundo. Fluir com a correnteza</p><p>pode parecer tranqüilo a princípio, mas sempre atingiremos a cachoeira mais cedo ou mais</p><p>tarde.</p><p>Estas são algumas das falsas idéias que as pessoas do mundo têm com relação à paz.</p><p>Mas o que é a paz verdadeira! Examinemos a bíblia para encontrarmos a nossa resposta.</p><p>O verdadeiro fruto da paz</p><p>A palavra grega referente a “paz” em Gálatas 5:22 é “eirene”. É encontrada em todos os</p><p>livros do Novo Testamento e ocorre 88 vezes. Ela retrata a harmonia proveniente de</p><p>relacionamentos corretos. Estamos em paz quando estamos no relacionamento correto com</p><p>Deus, com os outros, e com a nossa própria vida. A idéia também inclui os relacionamentos</p><p>internos e entre famílias, igrejas, e nações - e até mesmo com todo o reino da natureza.</p><p>Quando Deus criou os céus e a terra e fez o homem, tudo estava na ordem divina. Havia</p><p>uma harmonia santa em toda a criação. Era um perfeito quadro de paz. E Deus o chamou de</p><p>muito bom. Quando o pecado entrou no mundo através da desobediência do homem, esta paz</p><p>foi perdida. Surgiram as tensões, pressões, e conflitos, coisas até então inimagináveis.</p><p>Começando com o homem, isto afetou todos os aspectos da criação.</p><p>Algum dia a paz e a harmonia deste primeiro paraíso serão restaurados. Haverá uma</p><p>vez mais um belo equilíbrio quando o Príncipe da Paz encontrar o Seu lugar nos corações dos</p><p>homens. A ordem natural da criação também fará parte desta nova e divina ordem. Tudo será</p><p>curado e restaurado. A paz prevalecerá!</p><p>O Apóstolo Paulo cita este novo dia de perfeita paz em sua carta aos Romanos: “Creio</p><p>que a dor deste tempo presente não é nada à luz do glorioso futuro que Deus planejou para</p><p>nós. Toda a criação está esperando ardentemente a maravilhosa manifestação dos filhos de</p><p>Deus, enquanto ela não pode ver esta realidade porque ela foi limitada por Deus devido ao</p><p>pecado do homem”.</p><p>Mas há esperança. Algum dia toda a criação será libertada do poder da deterioração, da</p><p>morte, e da desordem. Ela também compartilhará da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.</p><p>22</p><p>Sabemos que tudo o que Deus criou está esperando com dores, como uma mãe que</p><p>está esperando para dar à luz... Contudo, continuamos a esperar pacientemente na esperança</p><p>deste maravilhoso dia” (Rm 8.18-22,25 simplificado).</p><p>A realidade da paz de Deus não é somente para uma época futura. Ela pode começar</p><p>agora à medida que permitimos que o Senhor Jesus domine e reine em nossos próprios</p><p>corações. Ele veio para nos reconciliar com Deus para que pudéssemos estar em paz com ele.</p><p>À medida que recebemos o perdão de Deus, podemos perdoar os outros - e a nós próprios.</p><p>Uma nova e divina ordem vem às nossas vidas em Cristo Jesus. À medida que nos</p><p>submetermos ao Seu espírito e obedecemos a Sua Palavra, podemos sair em paz, sabendo</p><p>que estamos sendo restaurados. O Apóstolo Paulo cita esta verdade que é capaz de</p><p>transformar as nossas vidas numa das suas orações em benefício da Igreja de Tessalônica:</p><p>“Que o Próprio Deus de paz os restaure e os santifique. Oro a Deus para que todo o ser de</p><p>vocês, espírito, alma e corpo, sejam mantidos sãos, fortes, e irrepreensíveis até a vinda de</p><p>Jesus” (1Ts 5.23 simplificado).</p><p>É a paz de Deus em operação em nossas vidas que traz o equilíbrio e a ordem a todas</p><p>as áreas de nossas vidas. Sem a paz divina em nossos corações estamos abertos para todos</p><p>os contrários frutos da carne.</p><p>O fruto podre da carne</p><p>A paz é uma qualidade da vida de Cristo. O fruto oposto da carne incluiria características</p><p>venenosas,</p><p>tais como: a ansiedade, a preocupação, o temor, a culpa, tensões, pressões,</p><p>tumultos, lutas, conflitos, discórdias, e desordens. Todas estas coisas são claramente dirigidas</p><p>para a enfermidade e morte da alma.</p><p>Não é de se admirar que Paulo exortasse os Colossenses com as seguintes e</p><p>importantes palavras pessoais:</p><p>“Que a paz que Cristo traz domine e controle os seus corações e vidas. Este é um dever</p><p>e direito que lhes pertence como membros do Seu Corpo. Aí então vocês serão sempre</p><p>agradecidos” (Cl 3.15 simplificado).</p><p>Há muitas coisas em nossas vidas diárias que querem nos roubar a sensação de</p><p>termos a paz de Deus. Uma vez mais é bom relembrarmos que a paz é mais do que um simples</p><p>sentimento caloroso de um bem-estar interno. Basicamente, a paz é uma expressão da vida de</p><p>Cristo. Quando permanecemos em Jesus, permanecemos na Sua vida, e na Sua paz. Portanto,</p><p>temos paz, quer a “sintamos” ou não. A paz que Jesus dá não é como a “paz” do mundo, que</p><p>vem e vai com as pressões e tensões da vida.</p><p>Há um grande poder na paz de Deus. Ela é forte o suficiente para amarrar todas as</p><p>forças negativas do mundo, da carne, e do diabo. Jesus colocou esta verdade bem claramente</p><p>nas seguintes palavras aos Seus discípulos pouco antes da Sua morte: “Paz deixo com vocês.</p><p>A Minha Própria paz dou-lhes agora... Não permitam que os seus corações fiquem turbados,</p><p>nem permitam que eles fiquem temerosos. Não se permitam mais ficar agitados e perturbados.</p><p>Não se permitam ficar temerosos, transtornados, nem pressionados!” (Jo 14.27 simplificado).</p><p>É como se através da Sua Palavra Jesus nos tivesse dado um letreiro. Devemos erguer</p><p>este letreiro bem acima sempre que enfrentarmos problemas em nossas vidas. No lado que dá</p><p>para o mundo, a carne, e o diabo, o letreiro diz “Pare!” No lado que dá para o nosso lado, o</p><p>letreiro diz “Paz!”.</p><p>Esta verdade deveria consolar sempre as nossas atitudes e a tendência das nossas</p><p>mentes. Não somos vítimas desamparadas dos nossos afazeres diários, pois temos a</p><p>promessa de paz que nos foi dada pelo Príncipe da Paz. “E Ele certamente nos manterá em</p><p>perfeita paz, à medida que as nossas mentes estiverem fixas n’ele” (Is 26.3 simplificado).</p><p>23</p><p>4. O fruto da paciência</p><p>Jesus era uma Pessoa muito paciente! Ele permaneceu no centro da vontade de Deus</p><p>durante toda a Sua vida terrena. A fé, a esperança, e o amor capacitaram-No a ficar alinhado</p><p>com a Sua missão divina, não importando o que , ou quem, se deparasse com Ele em Seu</p><p>caminho.</p><p>Paulo orou para que este fruto possibilitasse os crentes de Tessalônica a permanecerem</p><p>firmes, enquanto os outros estavam caindo e se afastando:</p><p>“O Senhor é fiel. Ele os fortalecerá e os protegerá do maligno. Sabemos no Senhor que</p><p>vocês continuarão a fazer as coisas que lhes dissemos. Oramos, portanto, que o Senhor lhes</p><p>dirija ao amor de Deus e à paciência de Cristo” (2Ts 3.3-5 simplificado).</p><p>Tiago no diz que a paciência aperfeiçoa o caráter: “Meus irmãos, regozijem-se nas</p><p>tribulações e problemas. Estas coisas testarão e provarão a sua fé. Com isto surgirá a</p><p>paciência. Que a paciência faça a obra perfeita em suas vidas para que o caráter de vocês</p><p>possa ser forte e totalmente desenvolvido” (Tg 1.2-4 simplificado).</p><p>O falso fruto da paciência</p><p>A paciência não é uma atitude fatalística. O fatalismo nos diz que o que será, será, e não</p><p>há nada que possamos fazer a respeito. Não há nenhuma esperança ou senso de</p><p>responsabilidade neste tipo de atitude. A paciência não é uma resignação desesperançada,</p><p>onde desistimos e cedemos a tudo e a todos. A paciência não é uma atitude mental</p><p>passiva ou inativa, onde devemos “sorrir, engolir duro, e aguentar”. Uma atitude destas não</p><p>planeja de antemão, não busca corrigir o passado, nem alterar o presente. Estas são idéias</p><p>falsas sobre a paciência.</p><p>O verdadeiro fruto da paciência</p><p>A palavra grega referente a “paciência” e “macrothumia”. Significa literalmente</p><p>“temperamento longo”, onde temperamento refere-se a um estado de mente calmo e</p><p>controlado. Às vezes falamos que as pessoas são “temperamentais” ou que elas “perdem” ou</p><p>“mantêm” a calma.</p><p>Tanto na Septuaginta como no Novo Testamento, muito significado divino é</p><p>acrescentado a esta palavra através do seu uso. Ela se refere à paciência de Deus, o qual é</p><p>“tardio” em “irar-Se” e “cheio de misericórdia” para com a humanidade. No entanto, na Sua</p><p>paciência, Deus não fica simplesmente esperando. Ele também está buscando ativamente</p><p>trazer os pecadores ao arrependimento e os cristãos à perfeição em Cristo. Isto é paciência</p><p>com um propósito. Deus trabalha enquanto espera!</p><p>“O que digo é verdadeiro de fato e digno da confiança de vocês. Cristo Jesus veio ao</p><p>mundo para salvar os pecadores - dos quais sou o pior. Mas Deus teve muita misericórdia de</p><p>mim. Ele fez isto para que todos pudessem ver em mim a perfeita paciência de Jesus Cristo.</p><p>Deus usou-me como um exemplo. Os outros podem saber com certeza que eles também</p><p>podem ter a vida eterna” (1Tm 1.15,16 simplificado).</p><p>Jesus foi muito paciente com todos os Seus discípulos. Ele esperou em amor para que</p><p>respondessem à Sua mensagem de vida e verdade. Enquanto aguardava, no entanto, ele</p><p>também trabalhou com eles, cuidadosa, porém firmemente, em suas fraquezas.</p><p>E a paciência significa esperarmos com fé, esperança, e amor para que a vontade de</p><p>Deus seja realizada numa dada situação. Estas situações envolvem pessoas, lugares, e</p><p>24</p><p>eventos. Podemos ser pacientes, no entanto, pelo fato de sabermos que Deus está fazendo</p><p>com que tudo contribua para o cumprimento da Sua boa vontade em Cristo Jesus.</p><p>A paciência é a força para “ficarmos firmes” quando o chamado de Deus em nossas</p><p>vidas está sendo dolorosamente testado através dos problemas e dificuldades. Deus nunca</p><p>desiste com relação ao Seu propósito para as nossas vidas. Assim sendo, tampouco nós</p><p>deveríamos desistir! Sim, Precisamos que este fruto se desenvolva em nossas vidas se</p><p>quisermos que o nosso ministério para Deus tenha o máximo valor possível nestes importantes</p><p>dias vindouros. Precisamos ser pacientes com os tratamentos de Deus em nossas vidas.</p><p>Precisamos ser pacientes para com os outros. Precisamos até mesmo ser pacientes com as</p><p>nossas próprias vidas. A paciência, segundo Deus, produzirá no fim uma perfeição segundo</p><p>Deus.</p><p>Paulo sumariza isto tudo com as seguintes palavras: “Vocês foram escolhidos, amados,</p><p>e santificados por Deus. Assim sendo, revistam-se de misericórdia, benignidade, mansidão e</p><p>paciência. Sejam dóceis e prontos para perdoarem, assim como Cristo lhes perdoou” (Cl</p><p>3.12,13 simplificado).</p><p>O fruto podre da carne</p><p>É bom sabermos que Deus tem um remédio para a impaciência. Todos nós temos</p><p>reagiado para com as pessoas e as situações mais rápida e veementemente do que</p><p>deveríamos.</p><p>Isto acontece geralmente quando ficamos irritados e frustrados. Quando ficamos</p><p>irritadiços significa que estamos super-sensíveis ao que nos cerca. Qualquer coisinha</p><p>insignificante nos incomoda demais. Temos a tendência de exagerarmos na nossa reação e</p><p>agirmos de uma forma que não é característica de Cristo.</p><p>A frustração é o sentimento de desamparo que temos quando estamos numa situação</p><p>difícil e que não podemos mudar. A única mudança que pode ser feita está em nossa atitude. É</p><p>aí que Deus quer nos dar a grande graça da paciência.</p><p>Há poder no fruto da paciência. É o poder de esperarmos em Deus enquanto estamos</p><p>esperando nos homens. É o poder que pode nos elevar acima das irritações e frustrações da</p><p>vida. A paciência flui da nossa fé no poder, propósito, a promessa de Deus. Ele planejou e</p><p>prometeu produzir a vida do Seu Filho em todas as situações das nossas vidas diárias. Por esta</p><p>razão, não é necessário termos medo de orar pedindo paciência, ela é uma qualidade da vida</p><p>de Cristo que o Pai está pronto para suprir através do poder do Seu Espírito Santo. A sua</p><p>semente já está em nossos corações, pronta para crescer quando mais precisarmos dela.</p>