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<p>Indaial – 2018</p><p>EspEciais</p><p>Prof. Kleber Renan de Souza Santos</p><p>Profª. Ana Clarisse Alencar Barbosa</p><p>Prof. Arildo João de Souza</p><p>Prof. Fábio Roberto Tavares</p><p>Profª. Francieli Stano Torres</p><p>Profª. Graciela Márcia Fochi</p><p>Profª. Grazielle Jenske</p><p>Profª. Greisse Moser</p><p>Profª. Luciane da Luz</p><p>Prof. Lírio Ribeiro</p><p>Profª. Maquiel Duarte Vidal</p><p>Profª. Meike Schubert</p><p>Profª. Vânia Konell</p><p>Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz</p><p>1a Edição</p><p>Tópicos</p><p>Elaboração:</p><p>Prof. Kleber Renan de Souza Santos</p><p>Profª. Ana Clarisse Alencar Barbosa</p><p>Prof. Arildo João de Souza</p><p>Prof. Fábio Roberto Tavares</p><p>Profª. Francieli Stano Torres</p><p>Profª. Graciela Márcia Fochi</p><p>Profª. Grazielle Jenske</p><p>Profª. Greisse Moser</p><p>Profª. Luciane da Luz</p><p>Prof. Lírio Ribeiro</p><p>Profª. Maquiel Duarte Vidal</p><p>Profª. Meike Schubert</p><p>Profª. Vânia Konell</p><p>Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2018</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI</p><p>Impresso por:</p><p>657</p><p>S237t Santos, Kleber Renan</p><p>Tópicos Especiais / Kleber Renan Santos et al. Indaial:</p><p>UNIASSELVI, 2018.</p><p>304 p. : il</p><p>ISBN 978-85-515-0131-3</p><p>1. Tópicos Especiais.</p><p>I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.</p><p>Olá, acadêmico! Vamos iniciar os estudos do Livro Didático de Tópicos Especiais.</p><p>Este livro está dividido em três unidades e tem o intuito de apresentar e reforçar temas</p><p>no componente de Formação Geral, conforme orientação da Portaria Inep nº 239, de 10</p><p>de junho de 2015, art. 3º:</p><p>No componente de Formação Geral serão considerados os seguintes</p><p>elementos integrantes do perfil profissional: letramento crítico; atitude</p><p>ética; comprometimento e responsabilidades sociais; compreensão</p><p>de temas que transcendam ao ambiente próprio de sua formação,</p><p>relevantes para a realidade social; espírito científico, humanístico e</p><p>reflexivo; capacidade de análise crítica e integradora da realidade; e</p><p>aptidão para socializar conhecimentos com públicos diferenciados e</p><p>em vários contextos.</p><p>A partir dessa orientação, queremos que você compreenda que aprender</p><p>a questionar é tão importante quanto buscar o saber, e que ao final do estudo deste</p><p>livro você seja capaz de formular novas perguntas sobre a realidade humana e consiga</p><p>propor soluções responsáveis para os desafios profissionais que surgirem. Assim, este</p><p>livro traz conteúdos gerais para você estar bem preparado para o ENADE e também para</p><p>o que a vida lhe apresentar. São temas pertinentes, atuais, abrangentes e que fazem</p><p>parte da vida de todos nós. Vamos começar?!</p><p>Na primeira unidade, que vai tratar sobre cidadania e sociedade, seremos</p><p>conduzidos por um mundo intrínseco do comportamento humano em sociedade e suas</p><p>regras de conduta e participação social, política e econômica, na qual trabalharemos a</p><p>questão da formação dos princípios morais e éticos dos homens que vivem e convivem</p><p>em sociedade, além de abordarmos questões pertinentes à democracia, à ética e à</p><p>cidadania. Desta forma, abordaremos a compreensão dos significados dos princípios</p><p>norteadores da democracia, ética e cidadania, além de realizar uma reflexão e uma</p><p>discussão sobre as questões ético-morais na relação indivíduo e sociedade.</p><p>Ainda nessa unidade vamos apresentar algumas definições e conceitos a</p><p>respeito dos problemas sociais ocasionados pela diversidade que gera diferenças</p><p>entre coisas e seres, que por consequência geram os mais diversos preconceitos,</p><p>desigualdades e conflitos sociais. Vamos também identificar a necessidade e a</p><p>essencialidade da inclusão como uma forma de democratização das relações sociais,</p><p>principalmente na emancipação e na sutileza do trato com o outro, seja em relação aos</p><p>“iguais” ou entre iguais e diferentes, que de alguma forma ainda não foram incluídos no</p><p>contexto social. Relacionado à sociedade e suas relações, vamos trabalhar o conceito</p><p>de multiculturalismo, enfatizando as origens do surgimento do movimento e os campos</p><p>de conhecimento que acolhem os estudos multiculturais.</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Para finalizar a Unidade 1, estudaremos a cultura e a arte como áreas que</p><p>interagem entre si e com as demais áreas de conhecimento. Estudar, pesquisar e refletir</p><p>sobre as diferentes culturas e suas manifestações artísticas possibilita a compreensão</p><p>da vida e das relações entre os sujeitos no meio social. A cultura, assim como a arte,</p><p>é dinâmica, vai mudando conforme o tempo e o espaço. A cultura e a arte devem ser</p><p>estudadas a partir de três concepções: erudita, popular e de massa.</p><p>Começamos a segunda unidade adentrando nos assuntos relacionados à Ciência,</p><p>Tecnologia e Sociedade. Veremos como se faz necessário entendermos os fundamentos</p><p>da ciência sob diferentes óticas e também analisar definições e pensamentos acerca da</p><p>tecnologia e algumas formas de interpretar a sociedade.</p><p>Muito próximo dessa temática, avançaremos sobre as tecnologias da informação</p><p>e comunicação como fator determinante no advento da sociedade da informação, das</p><p>transformações resultantes do processo da globalização de mercados e dos avanços do</p><p>uso dos processos tecnológicos na vida cotidiana dos indivíduos.</p><p>Concluímos os estudos deste livro com a terceira unidade. Nela, vamos estudar</p><p>sobre as políticas públicas, sobre a vivência nos meios urbanos e rurais e a questão</p><p>ecológica, temas tão importantes para o desenvolvimento da sociedade como um todo.</p><p>Queremos evidenciar a importância das políticas públicas para a concretização</p><p>dos direitos e deveres do Estado em relação às pessoas que compõem a sociedade e,</p><p>assim como o Estado, gozam de seus direitos civis e políticos. Veremos que estamos</p><p>sujeitos ao conjunto de normas jurídicas e sociais, formando assim um marco regulatório</p><p>previamente fixado no que diz respeito à distribuição harmônica dos elementos que formam</p><p>os direitos, deveres e responsabilidades em prol do desenvolvimento educacional, político,</p><p>econômico e social. Nesta via de mão dupla vamos perceber que a vida em sociedade está</p><p>ligada à política e não há ação social sem ação política, quer seja promovida pelo Estado</p><p>ou pela sociedade. Vamos ainda tratar sobre a saúde e sua gestão, a habitação e moradia</p><p>como direitos constitucionais e a segurança em âmbito nacional.</p><p>Esperamos que este estudo possa auxiliá-lo na compreensão de tantos temas</p><p>que compõem este livro de estudos, preparar-se bem para o ENADE e levar para a vida</p><p>as abordagens aqui feitas.</p><p>Bons estudos!</p><p>Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e</p><p>dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes</p><p>completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você</p><p>acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar</p><p>essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só</p><p>aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.</p><p>GIO</p><p>QR CODE</p><p>Olá, eu sou a Gio!</p><p>No livro didático, você encontrará blocos com informações</p><p>adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento</p><p>acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender</p><p>melhor o que são essas informações adicionais e por que você</p><p>poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações</p><p>durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais</p><p>e outras fontes de conhecimento que complementam o</p><p>assunto estudado em questão.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos</p><p>os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina.</p><p>A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um</p><p>novo visual – com um formato mais prático, que cabe na</p><p>bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada</p><p>também digital, em que você pode acompanhar os recursos</p><p>adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo</p><p>deste livro. O conteúdo continua na</p><p>(Apartheid), que significa separação entre negros e</p><p>os brancos das classes dominantes.</p><p>Sugerimos que você assista ao filme Mandela, que fala sobre a vida do ex-</p><p>presidente da África do Sul e líder da luta contra o Apartheid. O filme tem</p><p>como diretor Justin Chadwick.</p><p>DICAS</p><p>Como podemos perceber, o preconceito, a discriminação e o descaso com</p><p>algumas pessoas têm ocasionado uma série de sofrimento e dor, principalmente para</p><p>aquelas que são rejeitadas por uma grande parte da sociedade, em que as mesmas são</p><p>julgadas e condenadas ao mesmo tempo, após serem classificadas como diferentes,</p><p>porém, diferentes no sentido tendencioso e pejorativo, e muitas vezes essas pessoas</p><p>são taxadas e rotuladas como pervertidas, no caso dos homossexuais, e frágeis, no caso</p><p>das mulheres. Vejamos:</p><p>Mulher: infelizmente, as estatísticas comprovam que apesar das várias leis</p><p>existentes, no caso específico da Lei Maria da Penha, instituída para a proteção da</p><p>integridade da mulher brasileira contra casos de violência doméstica, ainda existem</p><p>casos absurdos de desrespeito à dignidade humana, não discriminando raça, religião</p><p>ou posição social.</p><p>Homossexualidade: é o comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo,</p><p>e para alguns indivíduos esse tipo de comportamento fere as normas de conduta</p><p>universal. No entanto, já existem projetos no Congresso Nacional que criminalizam</p><p>certas atitudes discriminatórias contra essa parcela da sociedade, o que significa um</p><p>avanço na busca de um espaço alternativo, o que é perfeitamente compreensivo em</p><p>uma sociedade cultural democrática.</p><p>De acordo com Silva (2007, p. 133), “[...] os diferentes grupos sociais, situados em</p><p>posições diferenciadas de poder, lutam pela imposição de seus significados à sociedade</p><p>mais ampla”. Assim, é fundamental que percebamos as diferenças e desigualdades não</p><p>de forma natural, mas como uma construção histórica possível de ser desestabilizada</p><p>em sua forma rígida, para ser transformada em algo que possa ser identificado e</p><p>24</p><p>reconhecido como base para a construção de relações interpessoais mais democráticas</p><p>dentro da sociedade, isto é, devemos pensar e repensar o seu conceito histórico e a sua</p><p>trajetória futura, pois, de acordo com Gomes (2007, p. 22):</p><p>A diversidade cultural varia de contexto para contexto. Nem sempre aquilo</p><p>que julgamos como diferença social, histórica e culturalmente construída</p><p>recebe a mesma interpretação nas diferentes sociedades. Além disso, o</p><p>modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e diverso.</p><p>Por isso, a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva</p><p>relacional. Ou seja, as características, os atributos ou as formas</p><p>‘inventadas’ pela cultura para distinguir tanto o sujeito quanto o</p><p>grupo a que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na</p><p>sociedade e da relação que mantêm entre si e com os outros.</p><p>Portanto, o caráter multicultural de nossas sociedades revela-se hoje temática</p><p>quase obrigatória nas discussões sobre sociedade e sobre educação. Porém, refletir</p><p>sobre a diversidade exige um posicionamento crítico diante de uma realidade cultural</p><p>e racialmente miscigenada, assunto que, apesar de já ter sido discutido anteriormente,</p><p>achamos prudente e viável inserir neste parágrafo outra opinião, que confirma as</p><p>anteriores a respeito do processo de miscigenação.</p><p>“Não podemos esquecer que a sociedade é construída em contextos históricos,</p><p>socioeconômicos e políticos tensos, marcados por processos de colonização e dominação.</p><p>Estamos, portanto, no terreno das desigualdades, das identidades e das diferenças” (GOMES,</p><p>2007, p. 22). E ainda segundo Gomes (2003, p. 73):</p><p>O reconhecimento dos diversos recortes dentro da ampla temática</p><p>da diversidade cultural (negros, índios, mulheres, portadores de</p><p>necessidades especiais, homossexuais, entre outros) coloca-nos</p><p>frente a frente com a luta desses e outros grupos em prol do respeito</p><p>à diferença. Coloca-nos também diante do desafio de implementar</p><p>políticas públicas em que a história e a diferença de cada grupo</p><p>social e cultural sejam respeitadas dentro das suas especificidades,</p><p>sem perder o rumo do diálogo, da troca de experiências e da garantia</p><p>dos direitos sociais. A luta pelo direito e pelo reconhecimento das</p><p>diferenças não pode se dar de forma separada e isolada e nem resultar</p><p>em práticas culturais, políticas e pedagógicas solidárias e excludentes.</p><p>No entanto, a diversidade e a diferença dizem respeito não somente aos sinais</p><p>que podem ser vistos a olho nu, mas também àqueles que são construídos socialmente</p><p>ao longo de um processo histórico, tendo os seus pontos divergentes e convergentes,</p><p>que são construídos através das relações sociais e, principalmente, nas relações de</p><p>poder e de submissão, e para algumas pessoas, nem sempre esse posicionamento é</p><p>entendido dessa forma.</p><p>Como nos diz Carlos Rodrigues Brandão (1986 apud GOMES, 2007, p. 25), “por</p><p>diversas vezes, os grupos humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo”.</p><p>Aprofundando essa reflexão, tomamos como exemplo a Constituição Federal de 1988, que</p><p>trata no Artigo 5º dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos:</p><p>25</p><p>Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer</p><p>natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes</p><p>no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à</p><p>segurança e à propriedade, nos termos seguintes:</p><p>I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos</p><p>termos desta Constituição;</p><p>II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa</p><p>senão em virtude de lei;</p><p>III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano</p><p>ou degradante; [...] (BRASIL, 1988, s.p.).</p><p>Neste sentido, surgem algumas perguntas relacionadas à diversidade humana</p><p>e seus direitos: se “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”,</p><p>tendo reconhecidas suas individualidades de homem e mulher como cidadãos, por</p><p>que tanto se discute sobre as “questões de gênero”? Será que essa ideologia propõe</p><p>a valorização da pessoa humana? Ou está disposta a trazer divisão, confusão de ideias</p><p>ou até mesmo a negação da ordem natural? Ao privilegiar determinados grupos em</p><p>detrimento de outros, não estaria contrariando a própria Constituição?</p><p>Acadêmico, são muitos os questionamentos, e conforme destacado na</p><p>apresentação deste livro, “aprender a questionar é tão importante quanto buscar</p><p>o saber”. Por isso, nosso propósito é estimular o seu raciocínio crítico sobre a realidade</p><p>em que vivemos, em um tempo de profundas e rápidas mudanças culturais, um tempo</p><p>de aumento do individualismo, da comunicação quase que exclusivamente on-line,</p><p>em que pouco se ouve, vê, toca ou sente. O diálogo é o caminho que nos une, revela</p><p>nossa capacidade de aprender com o próximo e permite que as diferenças favoreçam a</p><p>complementariedade promotora da paz.</p><p>Pensar na diversidade cultural é pensar em sociedade, que envolve pensamento,</p><p>ideia, ação e mudanças, isto é, significa pensar não apenas no reconhecimento do outro,</p><p>mas pensar na relação entre o eu e o outro, pois, quando consideramos o outro estamos</p><p>também considerando a nossa história, o nosso grupo e o nosso povo, mas não apenas</p><p>como um simples padrão de comparação, e sim em sua totalidade.</p><p>FIGURA 5 – DIVERSIDADE CULTURAL</p><p>FONTE: Disponível em: <http://educacaobilingue.com/2010/01/17/indigena/>. Acesso em: 12 fev. 2014.</p><p>26</p><p>Nessa perspectiva, percebemos que “somos todos iguais como seres humanos.</p><p>Por isso devemos combater qualquer forma de discriminação e de arrogância, agindo</p><p>solidariamente uns com os outros” (AQUINO et al., 2002, p. 16). O ser humano veio ao</p><p>mundo não somente para compor ou contribuir para o povoamento da Terra, mas para</p><p>ser útil, participativo, democrático, ético, moral e solidário para com os seus semelhantes.</p><p>Essas são as diversas opções existentes, que além de motivadoras, também</p><p>servem como estímulo na adaptação do ser humano, bem como no seu processo de</p><p>desenvolvimento pessoal frente às diversidades</p><p>existentes no universo, que poderíamos</p><p>denominá-las como um conjunto de atos e fatos diferentes entre si que formam a</p><p>sociedade como um todo. Para Saji (2005, p. 13), “o tema diversidade é bastante amplo.</p><p>Sua abordagem vai desde definições restritas às questões de raça, etnia e gênero, até</p><p>as mais abrangentes, que consideram como diversidade qualquer diferença individual</p><p>entre as pessoas”.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>Chegou a sua vez!</p><p>Escreva o seu conceito para Diversidade.</p><p>Assim, a diversidade faz parte da natureza das coisas existenciais, sendo elas a</p><p>diversidade relacionada à situação socioeconômica, ou à diversidade cultural, em que as</p><p>mesmas foram se transformando em essência no decorrer dos tempos, principalmente</p><p>em se tratando das diferenças relacionadas às diferentes raças e suas manifestações</p><p>culturais, incluindo-se aí a sua descendência, que, por consequência, deixam de fazer</p><p>parte da cultura original e passam a fazer parte de outra cultura produzida para atender</p><p>a uma demanda econômica. Como foi o caso da cultura da cana-de-açúcar, explorada</p><p>pelos grandes latifundiários, gerando um longo período de uma relação conflitante e</p><p>tumultuada entre o poder daqueles grupos de exploradores e a submissão dos negros,</p><p>dos índios, das mulheres, das crianças e adolescentes.</p><p>27</p><p>Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida, através</p><p>de séculos, sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos</p><p>nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios</p><p>supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa</p><p>que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui</p><p>se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos</p><p>e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de</p><p>escravos e de senhores de escravos, seremos sempre servos da</p><p>malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento</p><p>da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo</p><p>exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre</p><p>crianças convertidas em pasto de nossa fúria (RIBEIRO, 1995, p. 120).</p><p>Então, caro acadêmico, existe uma diversidade de coisas diferentes e uma</p><p>diversidade de pessoas diferentes em todos os seus aspectos. A esse tipo de diversidade</p><p>denominamos de diversidade cultural, o que significa, na prática, o relacionamento</p><p>comunitário, ou melhor, o relacionamento em diferentes comunidades, podendo esse</p><p>relacionamento contribuir significativamente no sentido cooperativo ou na geração de</p><p>conflitos, que são chamados de conflitos sociais.</p><p>Portanto, são essas diferenças que geram o princípio da desigualdade social, que</p><p>vão além das características humanas, ultrapassando o bom senso, descaracterizando o</p><p>princípio da igualdade e do amor ao próximo, modificando ou alterando outros princípios</p><p>considerados de grande importância para as questões relacionadas com o respeito, a</p><p>dignidade, a reciprocidade e as boas práticas das relações humanas no contexto social.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>Qual o seu conceito para desigualdade social?</p><p>Acadêmicos! É preciso que haja um basta nesta triste trajetória de descaso</p><p>e discriminação entre os seres humanos, principalmente frear os impulsos daqueles</p><p>mais exaltados, que ferem com palavras e atos e cada vez mais maculam a imagem</p><p>e obscurecem a identidade do indivíduo como pessoa e como cidadão com direitos e</p><p>deveres. Dessa forma, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social. Isso é</p><p>cidadania, isso é respeito e é também uma forma de inclusão social.</p><p>28</p><p>Assim, a desigualdade significa não só a diferença existente entre pessoas ou</p><p>coisas que compõem o universo, mas significa também a diferença no tratamento e no</p><p>respeito para com o outro. Nesse caso, estamos nos referindo à desigualdade humana,</p><p>que na maioria das vezes está caracterizada pelo preconceito e pelos diversos tipos</p><p>de violências e pelas suas relações conflitantes dentro do contexto social. Exemplo: a</p><p>desigualdade socioeconômica, as desigualdades raciais, a falta de segurança, a falta</p><p>de acesso à moradia, ao saneamento básico, dentre outras formas de exclusão social.</p><p>Muitas vezes, essas diferenças são ocasionadas pela falta de oportunidade, excluindo</p><p>até o mais digno do ser humano, o que não deixa de ser uma forma preconceituosa de</p><p>relação e convivência social. Aquino et al. (2002, p. 34-35) afirmam que:</p><p>Toda vez que julgamos uma pessoa, um grupo ou mesmo um</p><p>povo sem conhecê-los, estamos usando de preconceito. [...]. O</p><p>termo preconceito significa o conjunto de opiniões formadas</p><p>antecipadamente sobre o outro, sem levar em conta suas qualidades</p><p>ou suas capacidades. Os preconceituosos têm atitudes intolerantes</p><p>com as pessoas que são diferentes deles. Julgam-se superiores e,</p><p>por isso, desvalorizam e desrespeitam outras pessoas. Preconceito e</p><p>intolerância andam sempre juntos.</p><p>São atitudes que acontecem no dia a dia, por meio de atos, gestos</p><p>ou palavras que tentam diminuir, rebaixar os modos de ser, agir e</p><p>sentir dos outros. E, algumas vezes, elas ocorrem sem que as</p><p>percebamos com clareza, até senti-las na própria pele – por exemplo,</p><p>quando não somos aceitos por alguém ou por um grupo. Neste caso,</p><p>somos vítimas de um preconceito aberto, direto e explícito. E isso já</p><p>aconteceu com todos nós, de um modo ou de outro. Mas há também</p><p>o preconceito indireto, implícito, como as piadas de mau gosto, que</p><p>ofendem as pessoas só por causa de sua raça, nacionalidade, sexo e</p><p>outras características.</p><p>Ainda com relação aos preconceitos, segundo a denominação de inclusão e</p><p>exclusão social, estas são pautadas e divididas em grupos ou classes sociais, que, por</p><p>sua vez, são classificadas hierarquicamente de acordo com o seu poder aquisitivo, sua</p><p>relação social, diferenças culturais, a cor da pele, sexualidade, etnia, deficiências físicas,</p><p>idade, crenças etc.</p><p>Portanto, a diversidade humana (pessoas diferentes) deveria ser um instrumento</p><p>de unificação dos seres, diferentemente das desigualdades sociais, que significam que</p><p>nem todos têm as mesmas oportunidades, o que em grande parte se deve às diversas</p><p>formas de preconceito. Alguns deles, no modo de ver do seu praticante, lhe soam como</p><p>se isso fosse uma espécie de elogio ao próximo. Exemplo: E aí, negão!? Essa expressão,</p><p>que parece simples, é uma forma disfarçada de discriminação. “Algumas expressões</p><p>corriqueiras que falamos sem pensar são carregadas de preconceito” (AQUINO et al.,</p><p>2002, p. 44).</p><p>Aquino et al. (2002, p.</p><p>44) trazem mais exemplos: “é o caso de determinadas</p><p>expressões preconceituosas, como: os negros que têm ‘almas brancas’, os homossexuais</p><p>que parecem ‘pessoas normais’, os idosos que parecem ‘jovens’, os obesos que são</p><p>‘engraçados’, as pessoas pobres que são ‘limpas’. E assim por diante”.</p><p>29</p><p>Como sabemos, o descaso e as práticas discriminatórias em relação a essas</p><p>pessoas, que fazem parte, assim como todos nós, de um mesmo espaço planetário,</p><p>não deveriam existir, mesmo porque a diferença existente entre os seres de todas as</p><p>espécies faz parte de um processo natural, ou melhor, da natureza das coisas existentes.</p><p>E os seres humanos vão além das diferenças, pois nós somos dotados de raciocínio e</p><p>discernimento para avaliar e distinguir o certo do errado, comportamento esse que deveria</p><p>ser institucionalizado pelas tradições, pelos valores éticos e morais, sem a necessidade de</p><p>uma imposição legal, como é o caso da Declaração Universal dos Direitos Humanos.</p><p>No entanto, parece que pouco têm efeito as leis que reprimem essas práticas</p><p>discriminatórias, preconceituosas e racistas, visto que, infelizmente, parece existir</p><p>uma autorrejeição por parte de algumas pessoas ou grupos que ainda mantêm certos</p><p>padrões de comportamento que não mais condizem com a realidade dos padrões</p><p>atuais e universais, dos direitos constituídos e com o processo democrático, com</p><p>as leis de proteção às crianças, aos idosos, aos negros, às mulheres, aos indígenas,</p><p>aos deficientes físicos, entre outros. São seres humanos que sofrem discriminação e</p><p>negação de direitos que estão incluídos na Declaração Universal dos Direitos Humanos,</p><p>conforme citado no parágrafo acima.</p><p>Nesta perspectiva, não se desconsidera que as diferenças existam</p><p>e estejam colocadas socialmente, porém, elas não significam,</p><p>necessariamente, exclusão social. Por exemplo, a condição de raça,</p><p>gênero, religião, entre outras, não seria elemento de exclusão, mas</p><p>de diferenciação entre as pessoas, não as tornando ‘desiguais’. As</p><p>pessoas são diferentes umas das outras e isto nada tem a ver com</p><p>privilégios. Assim, racismos e preconceitos se fundamentam no</p><p>entendimento da diferença/diversidade como desigualdade. Nestes</p><p>termos, as pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando</p><p>a diferença os inferioriza e o direito a ser diferentes quando a igualdade</p><p>os descaracteriza (SANTOS, 2003 apud MARQUES, 2009, p. 68).</p><p>Para que possamos entender e discursar sobre o conceito de diversidade não</p><p>é tão fácil como parece, pois é preciso nos aprofundarmos sobre o seu real significado</p><p>e a sua real importância no equilíbrio natural e social, na relação homem-natureza, e</p><p>principalmente na relação entre seres humanos, tanto no que diz respeito à tolerância</p><p>e ao respeito mútuo entre seres da mesma espécie, bem como a compreensão e o</p><p>sentimento solidário, que são a base do princípio da igualdade.</p><p>Sem diversidade não há estímulos para pensar diferente, não há estímulos para</p><p>pensar no princípio da igualdade. Portanto, pensar diferente é o caminho para viver</p><p>e compreender o sentimento solidário que devemos ter. Apesar de que, no dia a dia,</p><p>relacionar-se com as inúmeras diferenças humanas e sociais do mundo atual nem</p><p>sempre traz harmonia.</p><p>Assim, seguindo o raciocínio de Aquino et al. (2002), o problema é o seguinte:</p><p>se todas as pessoas são únicas e especiais a seu modo, quem haveria de ser “mais” ou</p><p>“melhor” do que o outro? Em outras palavras, somos únicos como indivíduos, e por isso</p><p>30</p><p>somos diferentes, somos iguais como seres humanos. A isso se dá o nome de equidade.</p><p>Convém lembrar que ser igual não é ser idêntico. Ao contrário, somos semelhantes,</p><p>embora diversos. Afi nal de contas, em que nos diferenciamos uns dos outros? A resposta</p><p>é óbvia: em praticamente tudo. A começar pela nossa história de vida, passando pelas</p><p>características biológicas (raça, cor, sexo), até as de cunho social (escolaridade, condição</p><p>econômica, opções políticas etc.). Mesmo sendo únicos, continuamos a pertencer à</p><p>mesma espécie, à raça humana. Por essa razão, não há seres humanos “superiores”</p><p>ou “inferiores”. Cada um é especial a seu modo. Só teremos um convívio democrático e</p><p>pacífi co se tratarmos o outro da mesma forma que gostaríamos de ser tratados.</p><p>Todos esses conceitos fazem parte de uma cultura geral, ou seja, da construção</p><p>e da desconstrução do processo de desenvolvimento humano, e da sua própria</p><p>sobrevivência. A cultura é, pois, “o conteúdo da construção histórica da humanidade</p><p>dos seres humanos, humanizando-os ou desumanizando-os” (SOUZA, 2002, p. 53). O</p><p>principal objetivo do nosso estudo é justamente conscientizar os nossos acadêmicos</p><p>rumo a uma refl exão mais humanista a respeito das nossas ações e na superação</p><p>defi nitiva da desigualdade social, o que diz respeito ao cidadão e à relação com o meio</p><p>em que ele vive, em que o respeito pelas diferenças forma o espírito da academia e a</p><p>humanização social.</p><p>Com base no que foi dito e analisado até aqui, nos parece que o ponto de</p><p>partida para a solução, pelo menos de parte dos problemas raciais, das diferenças, da</p><p>exclusão e da inclusão social, pode estar na educação de base, ou seja, se o aluno</p><p>tiver uma educação inicial que o motive a ultrapassar essas barreiras. A partir daí ele</p><p>poderia formar uma base sólida para ingressar na faculdade melhor preparado, o que</p><p>sem dúvida é parte integrante para o seu desenvolvimento profi ssional e pessoal.</p><p>Você quer descansar um pouco, sem deixar de refl etir sobre o conteúdo?</p><p>Assista ao fi lme “O Visitante”, ele contribuirá com seus estudos.</p><p>Sinopse: Walter, solitário professor universitário, tem 62 anos e já não</p><p>encontra prazer na vida. Ao viajar a Nova York para uma conferência,</p><p>encontra o casal Tarek e Zainab, imigrantes sem documentos,</p><p>morando em seu apartamento. Eles não têm para onde ir, e Walter</p><p>acaba deixando que fi quem. Para retribuir, o talentoso Tarek ensina</p><p>Walter a tocar o tambor africano e os dois fi cam</p><p>amigos. Quando a polícia prende o jovem e decide</p><p>deportá-lo, Walter faz de tudo para ajudá-lo, com</p><p>uma garra que há muito não sentia. Surge então a mãe de Tarek em busca</p><p>do fi lho e um improvável romance tem início.</p><p>FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=1aSoTQbewiI>.</p><p>Acesso em: 9 set. 2017.</p><p>DICAS</p><p>31</p><p>4 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE</p><p>Acadêmicos! Já compreendemos o caráter plural de nossas sociedades e as</p><p>complexas relações estabelecidas socialmente. Diante disso, percebemos que vivemos</p><p>em uma sociedade dividida em classes, em que a luta pela manutenção ou superação</p><p>das divisões sociais é constante.</p><p>Nesse sentido, lutamos em favor da inclusão escolar, em favor de currículos mais</p><p>inclusivos, abertos às diferenças sociais, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais</p><p>e ideológicas, no intuito de respeitar o caráter plural da nossa sociedade, contribuindo</p><p>para formar sujeitos autônomos, críticos e criativos, aptos a compreender como as</p><p>coisas são e por que são assim.</p><p>O principal objetivo é a possibilidade da mudança, da construção de uma</p><p>ordem social mais justa e menos excludente. Sendo isso um legado do presente para</p><p>as gerações futuras, o que pode ser uma prática aprendida e reproduzida a partir da</p><p>família e da escola, que são os agentes formadores de opinião, e que juntamente com a</p><p>sociedade esses agentes irão definir o sucesso ou o fracasso no contexto social.</p><p>5 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE</p><p>HUMANA</p><p>Acadêmico! A inclusão escolar tem sido mal interpretada tanto por parte da</p><p>escola, seja ela comum ou especial, quanto dos profissionais da educação. “O certo,</p><p>porém, é que os alunos jamais deverão ser desvalorizados e inferiorizados pelas suas</p><p>diferenças, seja nas escolas comuns, seja nas especiais” (MANTOAN, 2006, p. 190).</p><p>Ainda com base nesse raciocínio, “[...] a educação escolar não pode ser pensada</p><p>nem realizada senão a partir da ideia de uma formação integral do aluno – segundo</p><p>suas capacidades e seus talentos – e de um ensino participativo,</p><p>solidário, acolhedor”</p><p>(MANTOAN, 2006, p. 9). Reverter o que historicamente foi construído é difícil, implica</p><p>em construir alternativas que possibilitem a emancipação social dos diferentes sujeitos,</p><p>fazendo uma clara opção política por um compromisso contra as discriminações, as</p><p>desigualdades e o respeito à diversidade cultural.</p><p>O que, de acordo com Mantoan (2006, p. 9, grifo do original), trata-se de um</p><p>trabalho de “‘ressignificação’ do papel da escola com professores, pais e comunidades</p><p>interessadas, bem como de adoção de formas mais solidárias e plurais de convivência.</p><p>Para terem direito à escola, não são os alunos que devem mudar, mas a própria escola!”.</p><p>E a autora continua: “O direito à educação é natural e indisponível. Por isso, não faço</p><p>acordos quando me proponho a lutar por uma escola para todos, sem discriminações,</p><p>sem ensino à parte para os mais e para os menos privilegiados”.</p><p>32</p><p>Dessa forma, a escola pode fazer o anúncio da construção de novos tempos na</p><p>educação, contribuindo para formar alunos não conformistas, e sim, questionadores,</p><p>reagentes e competentes, aptos a rejeitar valores celebrados pela nova ordem mundial,</p><p>como o egoísmo e o individualismo. Mantoan (2006, p. 14) nos coloca que, seja ou</p><p>não “uma mudança radical, toda crise de paradigma é cercada de muita incerteza e</p><p>insegurança, mas também de muita liberdade e ousadia para buscar outras alternativas,</p><p>novas formas de interpretação e de conhecimento [...] para realizar a mudança”.</p><p>Mudança essa que é direito expresso na Constituição Federal de 1988. A</p><p>Constituição respalda em seu artigo 206, inciso I, que o ensino será ministrado em</p><p>“igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. Portanto, temos que</p><p>entender que:</p><p>Ao garantir a todos o direito à educação e ao acesso à escola, a</p><p>Constituição Federal não usa adjetivos. Por essa razão, toda escola deve</p><p>atender aos princípios constitucionais sem excluir nenhuma pessoa</p><p>em decorrência de sua origem, raça, sexo, cor, idade ou deficiência.</p><p>Apenas esses dispositivos já bastariam para que não se negasse a</p><p>qualquer pessoa, com ou sem deficiência, o acesso à mesma sala de</p><p>aula que qualquer outro aluno (MANTOAN, 2006, p. 26-27).</p><p>Percebe-se então que os discursos precisam ser revistos, compreendendo</p><p>a diversidade humana como algo positivo, liberto de olhares preconceituosos,</p><p>possibilitando a valorização pela cultura do outro. Portanto, a inclusão:</p><p>[...] exige uma mudança de mentalidade e de valores nos modos</p><p>de vida e é algo mais profundo do que simples recomendações</p><p>técnicas, como se fossem receitas. Requer complexas reflexões de</p><p>toda a comunidade escolar e humana para admitir que o princípio</p><p>fundamental da educação inclusiva é a valorização da diversidade,</p><p>presente numa comunidade humana (STRIEDER; ZIMMERMANN,</p><p>2011, p. 146).</p><p>E na sequência os autores continuam afirmando que a escola:</p><p>Foi e continua sendo um espaço de padronizações ao promover a</p><p>construção de conhecimentos com pouco significado, formalizado,</p><p>pronto, sem relação e sentido com a vida dos seres humanos que lá</p><p>estão, sejam alunos ou docentes. Ela é construtora de pensamentos,</p><p>ações e movimentos que denotam igualdade e repetição.</p><p>É importante a escola oportunizar vivências capazes de desconstruir</p><p>a realidade do igual, da repetição, para valorizar a diferença,</p><p>acreditando na diversidade da vida, das cores, sabores e movimentos</p><p>(STRIEDER; ZIMMERMANN, 2011, p. 148).</p><p>Assim, falar sobre inclusão escolar e/ou social é falar sobre a conscientização</p><p>humana na democratização das relações entre os povos e os demais indivíduos que</p><p>fazem parte do contexto social como um todo, independentemente de credo, raça,</p><p>poder aquisitivo ou posição social, visto que fazemos parte de uma mesma sociedade e</p><p>33</p><p>as diferenças fazem parte integrante do equilíbrio social e da própria espécie humana.</p><p>No entanto, fica aqui a indagação: quais as oportunidades que estão sendo oferecidas</p><p>pelos agentes sociais a essa massa de desamparados e excluídos do sistema social?</p><p>De acordo com texto publicado no livro “Ética e cidadania: construindo valores</p><p>na escola e na sociedade”, desenvolvido pelo Ministério da Educação, a escola pode e</p><p>deve ser um ponto de partida na formação de cidadão e cidadã comprometidos com a</p><p>construção dos valores éticos e morais, tanto no contexto escolar, como no âmbito das</p><p>relações sociais.</p><p>Aprender a ser cidadão e cidadã é, entre outras coisas, aprender</p><p>a agir com respeito, solidariedade, responsabilidade, justiça, não</p><p>violência; aprender a usar o diálogo nas mais diferentes situações</p><p>e comprometer-se com o que acontece na vida da comunidade e</p><p>do país. Esses valores e essas atitudes precisam ser aprendidos e</p><p>desenvolvidos pelos estudantes e, portanto, podem e devem ser</p><p>ensinados na escola.</p><p>Para que o(a)s estudantes possam assumir os princípios éticos, são</p><p>necessários pelo menos dois fatores:</p><p>- que os princípios se expressem em situações reais, nas quais o(a)</p><p>s estudantes possam ter experiências e conviver com a sua prática;</p><p>- que haja um desenvolvimento da sua capacidade de autonomia</p><p>moral, isto é, da capacidade de analisar e eleger valores para si,</p><p>consciente e livremente.</p><p>Outro aspecto importante desse processo é o papel ativo dos</p><p>sujeitos da aprendizagem, estudantes e docentes, que interpretam</p><p>e conferem sentido aos conteúdos com que convivem na escola, a</p><p>partir de seus valores previamente construídos e de seus sentimentos</p><p>e emoções (LODI; ARAÚJO, 2006, p. 69).</p><p>Com relação aos agentes citados nos parágrafos anteriores, também</p><p>concordamos que a partir da inclusão escolar, principalmente no tocante à educação</p><p>básica, ela deveria ser um espaço voltado para a harmonização da convivência social</p><p>e não simplesmente uma mera reprodução de saberes. Em que, na maioria das vezes,</p><p>esses saberes são direcionados apenas para produzir agentes econômicos, dando</p><p>pouca ou quase nenhuma ênfase às questões relacionadas à ética e às características</p><p>comportamentais do ser humano como uma forma de equilíbrio no convívio das</p><p>relações sociais, o que já é um processo discriminatório e de exclusão, ou, no mínimo,</p><p>uma forma de omissão do próprio sistema de ensino, principalmente com relação aos</p><p>índios e negros.</p><p>A luta travada em torno da educação do campo, indígena, do negro,</p><p>das comunidades remanescentes de quilombos, das pessoas com</p><p>deficiência, tem desencadeado mudanças na legislação e na política</p><p>educacional, revisão de propostas curriculares e dos processos</p><p>de formação de professores. Também tem indagado a relação</p><p>entre conhecimento escolar e o conhecimento produzido pelos</p><p>movimentos sociais (GOMES, 2007, p. 32).</p><p>E na continuação o autor chega às seguintes conclusões:</p><p>34</p><p>A diversidade é muito mais do que o conjunto das diferenças.</p><p>Ao entrarmos nesse campo, estamos lidando com a construção</p><p>histórica, social e cultural das diferenças, a qual está ligada às</p><p>relações de poder, aos processos de colonização e dominação.</p><p>Portanto, ao falarmos sobre a diversidade (biológica e cultural) não</p><p>podemos desconsiderar a construção das identidades, o contexto</p><p>das desigualdades e das lutas sociais.</p><p>A diversidade indaga o currículo, a escola, as suas lógicas, a sua</p><p>organização espacial e temporal. No entanto, é importante destacar</p><p>que as indagações aqui apresentadas e discutidas não são produtos</p><p>de uma discussão interna à escola. São frutos da inter-relação entre</p><p>escola, sociedade e cultura e, mais precisamente, da relação entre</p><p>escola e movimentos sociais. Assumir a diversidade é posicionar-se</p><p>contra as diversas formas de dominação, exclusão e discriminação. É</p><p>entender a educação como um direito social e o respeito à diversidade</p><p>no interior de um campo político (GOMES, 2007, p. 41).</p><p>Assim, é através dos movimentos sociais que podemos melhorar o sistema</p><p>educacional e corrigir as distorções sociais, que são frutos de um processo longo que</p><p>vem se arrastando através dos tempos, em que pouco ou quase nada tem sido feito como</p><p>forma de reparar</p><p>ou pelo menos minimizar os seus efeitos negativos e na reparação dos</p><p>erros cometidos. Portanto, é de extrema necessidade a inserção e a interação de todos</p><p>os seres humanos, independentemente de suas características ou condições sociais.</p><p>Para Stainback (1999), a total inclusão de todos os membros da</p><p>humanidade, de quaisquer raças, religiões, nacionalidades, classes</p><p>socioeconômicas, culturas ou capacidades, em ambientes de</p><p>aprendizagem e comunidade, pode facilitar o desenvolvimento</p><p>do respeito mútuo, do apoio mútuo e do aproveitamento dessas</p><p>diferenças para melhorar nossa sociedade. É durante seus anos de</p><p>formação que as crianças adquirem o entendimento das diferenças,</p><p>o respeito e o apoio mútuos em ambientes educacionais que</p><p>promovem e celebram a diversidade humana.</p><p>A construção de sociedades e escolas inclusivas, abertas às diferenças</p><p>e à igualdade de oportunidades para todas as pessoas, é um objetivo</p><p>prioritário da educação nos dias atuais. Nesse sentido, o trabalho</p><p>com as diversas formas de deficiências e uma ampla discussão sobre</p><p>as exclusões geradas pelas diferenças social, econômica, psíquica,</p><p>física, cultural, racial, de gênero e ideológica, devem ser foco de</p><p>ação das escolas. Buscar estratégias que se traduzam em melhores</p><p>condições de vida para a população, na igualdade de oportunidades</p><p>para todos os seres humanos e na construção de valores éticos</p><p>socialmente desejáveis por parte dos membros das comunidades</p><p>escolares é uma maneira de enfrentar essas exclusões e um bom</p><p>caminho para um trabalho que visa à democracia e à cidadania</p><p>(ARAÚJO, 2007, p. 16-17).</p><p>Portanto, as mudanças comportamentais e as inclusões sociais relacionadas</p><p>com todos os povos não podem e não devem ser somente responsabilidade da família</p><p>e das instituições de classes, mas também de responsabilidade das escolas inclusivas e</p><p>dos seus agentes sociais. Neste sentido, reafirmamos que a inclusão escolar:</p><p>35</p><p>Só será viável se o professor e toda a comunidade escolar mudarem</p><p>seu jeito de lidar com a diferença, via aceitação de formas relacionais</p><p>de afetividade, de escuta e de compreensão, suspendendo juízos</p><p>de valores como pena, repulsa e descrença. Uma mudança como</p><p>desejo interior, porque algo interior nos diz que vale a pena mudar</p><p>(STRIEDER; ZIMMERMANN, 2011, p. 148).</p><p>E quando falamos em mudanças, estamos nos referindo a uma mudança</p><p>estrutural, em que todas as partes se relacionam, interagem e se complementam para</p><p>a harmonização do todo, que por sua vez é parte de uma estrutura maior, que podemos</p><p>chamar de estrutura social, que é composta, dentre outras, pela escola, família, igreja,</p><p>governo com suas políticas públicas, instituições financeiras, jurídicas e organizações</p><p>sociais propriamente ditas, as ONGs. Como podemos perceber, tudo isso constitui um</p><p>grande desafio rumo a uma mudança significativa. E, por estas e outras razões, nos</p><p>parece que a sociedade está caminhando no rumo certo.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>Então, acadêmico, você acredita que ainda existe perspectiva e</p><p>esperança de dias melhores? Como podem ser superadas as barreiras</p><p>que afetam a harmonia entre os humanos?</p><p>Vejamos o que nos propõem os autores Assmann e Sung (2000, p. 103):</p><p>A esperança humana, da qual estamos falando, é um horizonte de</p><p>futuro tecido com desejo. Não o desejo de um único indivíduo, nem</p><p>o desejo de subir na ‘escada do sucesso’ segundo os parâmetros</p><p>da eficiência do mercado regendo todos os aspectos da nossa vida,</p><p>mas o desejo do reconhecimento mútuo e respeitoso entre pessoas</p><p>e grupos sociais, o desejo de uma vida mais digna e prazerosa para</p><p>todos\as. O desejo de um mundo onde caibam muitos e muitos</p><p>mundos.</p><p>E concluindo o seu pensamento:</p><p>É esse horizonte de esperança que nos mostra, nos revela, a</p><p>mesquinhez e a irracionalidade de uma sociedade centrada na</p><p>exclusão e insensibilidade, e a desumanidade de uma vida humana</p><p>voltada para negar a sua condição humana.</p><p>36</p><p>Horizonte de esperança não é algo que se toma dentre as ofertas</p><p>do mercado, nem pode ser produzido individualmente. Como</p><p>todo horizonte de compreensão, ele deve ser tecido no diálogo,</p><p>na construção de uma linguagem e esperanças comuns. Por isso,</p><p>um horizonte de esperança que nos abra e nos interpele para a</p><p>sensibilidade solidária só pode ser fruto de um desejo de dialogar</p><p>com os\as que estão dentro e fora da sociedade, do nosso mundo</p><p>(o mundo de cada um, o mundo de cada grupo social). Diálogo que</p><p>pressupõe o reconhecimento mútuo (ASSMANN; SUNG, 2000, p. 103).</p><p>O que Assmann e Sung (2000) nos esclarecem é que o ser humano precisa,</p><p>em primeiro lugar, conscientizar-se do seu papel na sociedade, e que isso não pode</p><p>ser uma ação única, mas sim uma ação conjunta, como um grande suporte em prol da</p><p>democratização solidária. Essa solidariedade deve trazer benefícios tanto para o indivíduo,</p><p>quando analisado separadamente, quanto na sua convivência em sociedade, ou seja, a</p><p>relação do indivíduo com ele mesmo ou no convívio social. E na sequência os autores</p><p>analisam com muita propriedade o resultado ocasionado por esse processo de interação:</p><p>Quando imergimos nesse horizonte, descobrimos algumas verdades</p><p>humanas básicas. A descoberta da minha condição humana não</p><p>se dá fora do reconhecimento da condição humana (da dignidade</p><p>humana) dos que estão ‘dentro e fora’ da sociedade. Eu não posso</p><p>me descobrir como pessoa humana se não ‘descobrir’ o\a outro\a,</p><p>o\a diferente, como participante da mesma condição humana. É o</p><p>reconhecimento do\a diferente como ‘igual’, isto é, coparticipante</p><p>da mesma condição humana, que me possibilita encontrar comigo</p><p>mesmo. Na década de 70 havia uma propaganda que mostrava um</p><p>menino e uma menina, cada um olhando dentro do short de banho</p><p>do\a outro\a. Acima do desenho, a frase: ‘Ah! Descobri a diferença!’</p><p>É a descoberta de que existe um sexo diferente na mesma espécie</p><p>humana, que me faz descobrir que eu sou um ser sexuado, masculino</p><p>ou feminino (ASSMANN; SUNG, 2000, p. 104).</p><p>E para finalizar, os autores fazem um breve resumo a respeito das relações de</p><p>convivência e de reciprocidade humana, principalmente para aqueles que possam ter</p><p>algumas dificuldades para entender a complexidade a respeito da inclusão social e</p><p>escolar da diversidade humana.</p><p>Em resumo, tentar encontrar-se consigo mesmo e realizar-se como</p><p>ser humano negando o\a outro\a que lhe revela e lhe lembra as suas</p><p>angústias e medos inerentes à sua condição humana é um caminho</p><p>trágico, no sentido grego desse conceito, isto é, não como destino,</p><p>mas como tomada de consciência de um desafio radical que parte da</p><p>nossa condição humana. A única forma de nos realizarmos como seres</p><p>humanos é reconhecendo e assumindo a nossa condição humana.</p><p>É isto que nos possibilita vivermos as alegrias da vida, mas também</p><p>os momentos tristes e angustiantes. Esse assumir a nossa condição</p><p>humana pressupõe o reconhecimento do(a) outro(a) que nos lembra</p><p>das nossas inseguranças. Este reconhecimento mútuo só é possível</p><p>se cultivarmos e vivermos a sensibilidade solidária e o horizonte de</p><p>esperança. Educar para a esperança é uma das chaves para educar</p><p>para a sensibilidade solidária (ASSMANN; SUNG, 2000, p. 104).</p><p>37</p><p>Estamos nos referindo ao processo de educação e aprendizagem,</p><p>e já ficou</p><p>evidente que esse é o caminho. No entanto, é preciso levantar algumas bandeiras e</p><p>eliminar algumas barreiras, principalmente as do descaso, da arrogância e da intolerância,</p><p>que são ações que principiam e dão origem ao preconceito e à desigualdade social, que,</p><p>pelo visto, parece povoar e circular por quase todas as fases da questão educacional.</p><p>A começar pelas dificuldades de acesso à educação de base, ou pela falta de espaço</p><p>adequado, não só em termos de locomoção e acesso, mas, principalmente, para aquelas</p><p>pessoas com certo grau de dificuldades.</p><p>Com relação às dificuldades de acesso, estas parecem não ser privilégio somente</p><p>daqueles com alguma deficiência física, mas de todos aqueles motivados por razões</p><p>circunstanciais, sejam elas pela distância, pelas condições de transporte ou, ainda, pelo</p><p>descaso das autoridades, que deveriam ser os mentores, incentivando e facilitando o</p><p>acesso às escolas da rede pública e privada, oferecendo escolas e ensino de qualidade,</p><p>com professores qualificados e comprometidos com o processo educacional. Isso</p><p>evitaria, pelo menos em parte, a desagregação, a degradação e o êxodo escolar, em que</p><p>o abandono ou o afastamento de alunos das salas de aulas podem ter diversos motivos,</p><p>muitos deles justificados pelas condições precárias de algumas escolas, bem como a</p><p>falta de compromisso e atitude das autoridades, a improbidade administrativa, o desvio</p><p>de verbas, dentre outras formas de descaso das autoridades públicas.</p><p>Observe, acadêmico, que ainda existe uma série de problemas a serem</p><p>resolvidos nas instituições escolares. De acordo com Prieto (2006, p. 33), “as instituições</p><p>escolares, ao reproduzirem constantemente o modelo tradicional, não têm demonstrado</p><p>condições de responder aos desafios da inclusão social e do acolhimento às diferenças,</p><p>nem de promover aprendizagens necessárias à vida em sociedade [...]”.</p><p>Acadêmicos, percebemos que os que mais sofrem com essa situação de penúria</p><p>são os menos afortunados, os que não possuem as mínimas condições de frequentar</p><p>uma escola particular, ou os deficientes físicos, que, muitas vezes, além das condições</p><p>financeiras, também lhes faltam as condições principais ao acesso e permanência no</p><p>âmbito escolar.</p><p>6 CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DO SABER APRENDIDO</p><p>Assim, de acordo com o que foi aprendido até agora, podemos afirmar que a</p><p>diversidade, as diferenças, a identidade, a exclusão e a inclusão, quando reparadas na</p><p>sua desarmonia social, representam partes integrantes da vida em comunidade, em</p><p>que são introduzidas as mudanças necessárias ao desenvolvimento social e, ao mesmo</p><p>tempo, produzidas outras formas de relacionamentos, outras formas de diversidade,</p><p>ou até mesmo outras maneiras e meios de abordagens no processo de interação do eu</p><p>com o outro. Isso faz parte da natureza humana, ou seja, um estado em movimento, de</p><p>renovação e de mudanças.</p><p>38</p><p>Dessa maneira, a sociedade continuará a produzir saberes e realidades relativas,</p><p>seja em relação à diversidade existente, seja em relação ao comportamento humano na</p><p>convivência social, ou na interação da pessoa com ela mesma, com os outros, bem</p><p>como as abordagens relacionadas aos contrastes da vida cotidiana, caracterizadas</p><p>pelas desigualdades sociais. Portanto, essas verdades continuarão a ser questionadas,</p><p>até que outras verdades as sobreponham.</p><p>Assim, a exclusão e a inclusão social das diferenças são formas de construção</p><p>e desconstrução de uma variedade de elementos históricos e atuais, distintos e</p><p>circunstanciais e que, muitas vezes, vão além da nossa compreensão.</p><p>Caros acadêmicos, de acordo com o que vimos, percebemos que uma das</p><p>verdades absolutas é que: sempre haverá o eu e o outro, e esse outro será sempre</p><p>diferente do eu, e essa diferença continuará sendo o fio condutor responsável pela</p><p>diversidade cultural e pelos diversos tipos de conflitos sociais, seja no sentido negativo</p><p>ou no sentido positivo.</p><p>39</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A diversidade, no contexto cultural, significa uma grande quantidade de coisas,</p><p>ações, pensamentos, ideias e pessoas que se diferenciam entre si dentro de grupos</p><p>sociais ou dentro de uma mesma sociedade, e os mesmos são passíveis de discussão,</p><p>apelos, protestos, discórdia e geralmente acabam em conflitos, chegando até às</p><p>desigualdades sociais.</p><p>• É fundamental que percebamos as diferenças e desigualdades, não de forma natural,</p><p>mas como uma construção histórica possível de ser desestabilizada em sua forma</p><p>rígida, para ser transformada em algo que possa ser identificado e reconhecido</p><p>como base para a construção de relações interpessoais mais democráticas dentro</p><p>da sociedade, isto é, devemos pensar e repensar o seu conceito histórico e a sua</p><p>trajetória futura.</p><p>• A desigualdade significa não só a diferença existente entre pessoas ou coisas que</p><p>compõem o universo, mas significa também a diferença no tratamento e no respeito</p><p>para com o outro. Nesse caso, estamos nos referindo à desigualdade humana, que</p><p>na maioria das vezes está caracterizada pelo preconceito e pelos diversos tipos de</p><p>violência e pelas suas relações conflitantes dentro do contexto social.</p><p>• A diversidade humana (pessoas diferentes) deveria ser um instrumento de unificação</p><p>dos seres, diferentemente das desigualdades sociais, que significam que nem todos</p><p>têm as mesmas oportunidades, o que em grande parte se deve às diversas formas de</p><p>preconceito, algumas delas no modo de ver do seu praticante.</p><p>• Falar sobre inclusão escolar e/ou social é falar sobre a conscientização humana</p><p>na democratização das relações entre os povos e os demais indivíduos que fazem</p><p>parte do contexto social como um todo, independentemente de credo, raça, poder</p><p>aquisitivo ou posição social, visto que fazemos parte de uma mesma sociedade e as</p><p>diferenças fazem parte integrante do equilíbrio social e da própria espécie humana.</p><p>40</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (ENADE-2014, Pedagogia) Da visão dos direitos humanos e do</p><p>conceito da cidadania fundamentado no reconhecimento das</p><p>diferenças e na participação dos sujeitos decorre uma identificação</p><p>dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na</p><p>regulação e produção de desigualdades. Essa problematização explicita os</p><p>processos normativos de distinção dos alunos em razão de características</p><p>intelectuais, físicas, culturais, sociais e linguísticas, estruturantes do modelo</p><p>tradicional de educação escolar.</p><p>2 (IFC-2015) Sobre a Educação Inclusiva, marque V para as afirmativas</p><p>verdadeiras e F para as falsas:</p><p>FONTE: BRASIL, MEC: Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008, p.</p><p>6 (adaptado).</p><p>As questões sucintas no texto ratificam a necessidade de novas posturas docentes, de</p><p>modo a atender à diversidade humana presente na escola. Nesse sentido, no que diz</p><p>respeito ao seu fazer docente frente aos alunos, o professor deve:</p><p>I- Desenvolver atividades que valorizem o conhecimento historicamente elaborado</p><p>pela humanidade e aplicar avaliações criteriosas com o fim de aferir, em conceitos</p><p>ou notas, o desempenho dos alunos.</p><p>II- Instigar ou compartilhar as informações e a busca pelo conhecimento de forma</p><p>coletiva, por meio de relações respeitosas aceitas pelos diversos posicionamentos</p><p>dos alunos, promovendo o acesso às inovações tecnológicas.</p><p>III- Planejar ações pedagógicas extracurriculares, visando ao convívio com a</p><p>diversidade, selecionar e organizar os grupos, a fim de evitar conflitos.</p><p>IV- Realizar práticas avaliativas que evidenciem as habilidades e competências</p><p>dos alunos, instigando esforços individuais para que cada um possa melhorar o</p><p>desempenho escolar.</p><p>V- Utilizar recursos didáticos diversificados, que busquem atender às necessidades de</p><p>todos e de cada um dos alunos, valorizando o respeito individual e coletivo.</p><p>É CORRETO apenas o que se afirma em:</p><p>a) ( ) I e II.</p><p>b) ( ) II e V.</p><p>c) ( ) II, III e IV.</p><p>d) ( ) I, II, IV e V.</p><p>e) ( ) I, III, IV e V.</p><p>41</p><p>( ) Na Educação Inclusiva,</p><p>os alunos com deficiência têm a chance de se prepararem para</p><p>a vida em sociedade, os professores de melhorarem suas habilidades profissionais e</p><p>a sociedade passa a valorizar a igualdade para todos.</p><p>( ) Na Educação Inclusiva, o aluno com deficiência tem a facilidade de construir</p><p>conhecimento como os demais e de demonstrar a sua capacidade cognitiva,</p><p>principalmente nas escolas que mantêm um modelo conservador de atuação e uma</p><p>gestão autoritária e centralizadora.</p><p>( ) Na Educação Inclusiva, a escola se baseia na lógica do concreto e na repetição</p><p>alienante e descontextualizada das atividades.</p><p>( ) A Educação Inclusiva requer que os sistemas educacionais modifiquem não apenas</p><p>as suas atitudes e expectativas em relação aos alunos com deficiência, mas que</p><p>se organizem para construir uma real escola para todos, onde o currículo leve em</p><p>conta a diversidade e seja concebido com o objetivo de reduzir barreiras atitudinais</p><p>e conceituais e se pautar por uma ressignificação do processo de aprendizagem na</p><p>sua relação com o desenvolvimento humano.</p><p>Assinale a alternativa com a sequência correta.</p><p>a) ( ) V – F – F – V.</p><p>b) ( ) F – F – V – V.</p><p>c) ( ) V – V – F – V.</p><p>d) ( ) F – V – V – F.</p><p>42</p><p>43</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA,</p><p>TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E RELAÇÕES DE</p><p>GÊNERO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste tópico, vamos trabalhar o conceito de multiculturalismo, enfatizando as</p><p>origens do surgimento do movimento e os campos de conhecimento que acolhem os</p><p>estudos multiculturais. Nesse sentido, temos como objetivo situar o multiculturalismo do</p><p>ponto de vista político (movimentos sociais multiculturais e políticas públicas) e teórico</p><p>(ciências multiculturalistas), visando oferecer conteúdo de base para a interpretação</p><p>desse campo de estudos.</p><p>No desenvolvimento deste tópico, também será abordado os temas tolerância/</p><p>intolerância e relações de gênero, discutindo de modo reflexivo os conceitos de</p><p>feminismo e ideologia de gênero. O objetivo é apresentar diferentes pontos de vista</p><p>para os referidos conceitos, e conduzir o acadêmico a uma reflexão crítica da realidade,</p><p>de modo que possa – com embasamento crítico e sempre que possível científico –</p><p>compreender melhor esses temas.</p><p>2 CONCEITUANDO MULTICULTURALISMO</p><p>Como a própria etimologia da palavra nos sugere, o termo “multi” significa vários;</p><p>o termo “culturalismo” refere-se à cultura; e o sufixo “ismo” está associado às posições</p><p>assumidas ou ideias aceitas sobre a possibilidade do conhecimento, ou seja, no caso do</p><p>multiculturalismo significa uma posição assumida sobre as diferentes relações entre as</p><p>várias culturas.</p><p>O ‘multiculturalismo’ é um termo polissêmico e existem, pelo menos,</p><p>dois sentidos diferentes em que este pode ser utilizado. Um primeiro</p><p>sentido é descritivo e reporta a um fato da vida humana e social, que é</p><p>a diversidade cultural étnica, religiosa que se pode observar no tecido</p><p>social, ou seja, um certo cosmopolitismo que atualmente é fácil de</p><p>ver em qualquer grande cidade da Europa e da América do Norte.</p><p>Um segundo sentido é prescritivo e está associado às chamadas</p><p>políticas de reconhecimento da identidade e/ou da diferença que os</p><p>poderes públicos prosseguem, ou deveriam prosseguir, segundo os</p><p>seus defensores, em nome dos grupos minoritários e/ou ‘subalternos’</p><p>(FERNANDES, 2011, p. 2, grifos do original).</p><p>UNIDADE 1</p><p>44</p><p>Dito de outra forma, multiculturalismo significa a existência de grupos de</p><p>diversas culturas, assim como o embate político, econômico e social travado pelos</p><p>diferentes grupos sociais na luta pelo respeito à diversidade. Por isso, além de estudos</p><p>teóricos e empíricos, o termo implica na conquista de reivindicações das chamadas</p><p>minorias ou grupos marginalizados, como os negros, índios, mulheres, homossexuais e</p><p>outros tantos que buscam assegurar seus direitos sociais através de políticas públicas</p><p>de ação afirmativa.</p><p>FIGURA 6 – MULTICULTURALISMO, DIVERSIDADE E DESAFIO DO HOMEM PARA O SÉCULO XXI</p><p>FONTE: Disponível em: <http://fadivagrupo7.blogspot.com/>. Acesso em: 7 dez. 2017.</p><p>O multiculturalismo é pluralista, porque as diferenças coexistem em um mesmo</p><p>país ou região. Ali convivem diferentes culturas, valores e tradições. Há o diálogo e</p><p>convivência pacífica entre as culturas diversas. No entanto, esta coexistência pacífica</p><p>não significa negar as diferenças entre as culturas, nem homogeneizá-las, mas</p><p>compreendê-las a partir de uma visão dialética sobre os termos igualdade e diferença,</p><p>na medida em que não se pode falar em igualdade sem levar em conta as diferenças</p><p>culturais, e não se pode relacionar a diferença como medida de valor.</p><p>Nesse sentido, entendemos que igualdade e diferença não são termos opostos.</p><p>Na verdade, a igualdade opõe-se à desigualdade, enquanto diferença opõe-se à</p><p>padronização, à homogeneização, à produção em série. O que o multiculturalismo quer</p><p>é lutar pela igualdade e pelo reconhecimento das diferenças.</p><p>Por esse motivo, um dos temas centrais do multiculturalismo tem sido o Direito</p><p>à Diferença e à Diminuição das Desigualdades, bandeira de luta de vários movimentos</p><p>sociais contemporâneos espalhados pelo mundo inteiro.</p><p>45</p><p>3 SURGIMENTO DO MULTICULTURALISMO</p><p>O termo multiculturalismo é relativamente recente e sua utilização ocorreu pela</p><p>primeira vez na Inglaterra, entre as décadas de 1960 e 1970. De acordo com Fernandes</p><p>(2006), o multiculturalismo surgiu na linguagem oficial do Canadá e na Austrália, para</p><p>designar as políticas públicas com o objetivo de valorizar e/ou promover a diversidade</p><p>cultural. Ainda nesse período, o autor destaca que outros países anglo-saxônicos, como</p><p>o Reino Unido, a Nova Zelândia e os EUA, também iniciam políticas públicas qualificadas</p><p>como multiculturais.</p><p>Países anglo-saxônicos são países cujos descendentes são provenientes</p><p>de povos germânicos (anglos, saxões e jutos). Esta denominação é</p><p>resultado da fusão desses povos que se fixaram ao sul e leste da Grã-</p><p>Bretanha, no século V.</p><p>NOTA</p><p>Tomando como base o caso dos Estados Unidos, o multiculturalismo surge</p><p>como movimento organizado na década de 1960, a partir dos primeiros movimentos</p><p>sociais, como: o negro, feminista, hippie, ambientalista, entre outros. No entanto,</p><p>para entender o motivo pelo qual esses movimentos surgiram, devemos resgatar o</p><p>aspecto da constituição histórica dos Estados Unidos, marcada por um longo processo</p><p>de colonização, que teve como base a eliminação e a opressão das diversas tribos</p><p>indígenas que ali estavam. Além disso, prezado acadêmico, devemos levar em conta</p><p>o processo de escravidão que ocorreu no país, no qual os negros serviram como base</p><p>para o desenvolvimento da nação.</p><p>Essas posturas dos colonizadores norte-americanos foram influenciadas pelos</p><p>valores religiosos de igrejas protestantes, comuns à maioria dos colonos de origem</p><p>anglo-saxã. Esta influência permeou o pensamento e as atitudes dos colonizadores</p><p>norte-americanos em relação aos demais grupos, desencadeando, mais tarde, uma</p><p>série de movimentos pela busca de justiça social.</p><p>O que queremos destacar neste momento é que, a exemplo do caso dos EUA, o</p><p>movimento multiculturalista surgiu em grande escala nas sociedades nas quais o direito</p><p>à diversidade cultural foi historicamente negado.</p><p>46</p><p>Segundo Silva (2000), o multiculturalismo teve início em países em que a</p><p>diversidade cultural era vista como um problema para a construção da unidade nacional.</p><p>Muitas nações construíram suas identidades por intermédio de processos autoritários,</p><p>pela imposição de uma cultura, dita superior, a todos os membros da sociedade.</p><p>4 ÁREAS DE CONHECIMENTO QUE ABRIGAM O</p><p>MULTICULTURALISMO</p><p>Já entendemos que o multiculturalismo é, ao mesmo tempo, uma rede de</p><p>movimentos sociais em prol da afi rmação dos grupos minoritários, historicamente</p><p>excluídos pela sociedade. Neste sentido, podemos compreender que o multiculturalismo</p><p>é um campo de estudos que aborda a problemática dos grupos de forma multidisciplinar.</p><p>Portanto, vamos tratar agora de alguns aspectos sobre o caráter</p><p>científi co do</p><p>multiculturalismo, que são os estudos multiculturais.</p><p>Prezados acadêmicos, vocês sabiam que os estudos multiculturais são</p><p>provenientes de várias áreas do conhecimento?</p><p>Pois bem, entre as áreas de conhecimento podemos destacar os campos da</p><p>Antropologia Cultural, Psicologia Social, História e Sociologia, que abordam diferentes</p><p>problemas relativos ao multiculturalismo. Algumas áreas se ocupam do ponto de vista</p><p>histórico do movimento, outras se ocupam da genealogia dos mesmos, outras se ocupam</p><p>dos processos políticos e sociais que os movimentos promovem, e ainda, outras áreas</p><p>se ocupam de aspectos epistemológicos do estudo dos movimentos. Enfi m, há uma</p><p>variedade de estudos sobre o tema nas mais diferentes áreas disciplinares.</p><p>GENEALOGIA: estudo da origem das famílias.</p><p>EPISTEMOLOGIA: estudo do grau de certeza do conhecimento científi co</p><p>em seus diversos ramos.</p><p>NOTA</p><p>Portanto, o estudo do multiculturalismo requer uma compreensão interdisciplinar</p><p>do contexto histórico, socioeconômico e cultural desses diferentes grupos sociais e da</p><p>sua diversidade cultural construída conforme seu tempo e suas condições humanas e</p><p>geográfi cas.</p><p>47</p><p>Abordagem Interdisciplinar: refere-se ao trabalho e estudo de</p><p>profi ssionais de diversas áreas do conhecimento ou especialidades</p><p>sobre um determinado tema ou área de atuação, implicando</p><p>necessariamente na integração dos mesmos para uma compreensão</p><p>mais ampla do assunto.</p><p>NOTA</p><p>Daí a complexidade em se abordar a temática do multiculturalismo em todas</p><p>as regiões do planeta, levando em consideração a diversidade e a história dos seus</p><p>diversos povos em cada um dos cinco continentes e seus diferentes países. No entanto,</p><p>o multiculturalismo já alcançou um elevado nível na discussão acadêmica. De acordo</p><p>com Sidekum (2003, p. 9), “esse alcance é a marca principal das últimas décadas do</p><p>século XX, consolidando-se, especialmente, pelos estudos comparados da cultura,</p><p>desenvolvidos pela antropologia cultural e pela psicologia aplicada, também conhecida</p><p>por psicologia social intercultural”.</p><p>5 MOVIMENTO FEMINISTA</p><p>O surgimento dos estudos atuais sobre a condição feminina, o Estudo de</p><p>Gênero só foi possível porque, ao longo do tempo, o movimento social de mulheres “fez</p><p>muito barulho”, denunciando as situações de opressão, preconceito e dominação que</p><p>sofreram. A amplitude do movimento feminista não pode e não deve ser reconhecida</p><p>apenas como um dos movimentos de luta das mulheres, porque muitas mulheres com</p><p>perfi s e histórias diferentes participaram. Se hoje o gênero representa uma categoria</p><p>de análise tão importante para as ciências humanas e sociais, é porque se fez legítimo</p><p>pelas tantas batalhas dos movimentos feministas, tornando-se fundamental para a</p><p>compreensão das relações humanas.</p><p>5.1 FEMINISMO</p><p>O feminismo é um conceito múltiplo, ele possui uma dimensão política, que se</p><p>refere aos movimentos de luta por direitos, e uma dimensão acadêmica, que se refere</p><p>aos estudos da condição feminina. A dimensão acadêmica, ou seja, o campo de pesquisa</p><p>e de conhecimento sobre as mulheres, pode ser considerada multidisciplinar, porque</p><p>ocorre em diferentes campos disciplinares, como: Antropologia, História, Educação,</p><p>Sociologia, Direito e vários outros.</p><p>48</p><p>O principal objetivo do movimento feminista não foi alcançar a igualdade entre</p><p>homens e mulheres, mas sim a equidade entre eles. Para assegurar a igualdade não</p><p>deve ser necessário que as mulheres assumam posturas “masculinas”. Elas devem</p><p>preservar suas identidades. Por isso a ideia de “equidade” e não igualdade.</p><p>Com relação ao Movimento Feminista, ele surgiu no século XVIII, na Europa,</p><p>especialmente na Inglaterra e França, mas logo repercutiu em outros países e se</p><p>desenvolveu de diferentes formas e expressões até os dias atuais. Para dar uma ideia</p><p>de totalidade ao movimento, ele foi dividido em três grandes momentos, que explicam</p><p>as diferentes concepções e lutas do movimento.</p><p>5.2 A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://justificando.cartacapital.com.br/2017/09/14/historia-da-primeira-onda-fe-</p><p>minista/>. Acesso em: 19 set. 2017.</p><p>Esse primeiro momento do feminismo, chamado “Primeira Onda Feminista”,</p><p>refere-se a um período extenso de atividade feminista ocorrido durante o século</p><p>XIX e início do século XX, no Reino Unido, na França e Estados Unidos, que tinha</p><p>o foco originalmente na promoção da igualdade nos direitos contratuais e de</p><p>propriedade para homens e mulheres, e na oposição de casamentos arranjados e</p><p>da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus maridos. No entanto,</p><p>no fim do século XIX, o ativismo passou a se focar, principalmente, na conquista de</p><p>poder político, especialmente o direito ao sufrágio (voto) por parte das mulheres.</p><p>Ainda assim, muitas feministas já faziam campanhas pelos direitos sexuais,</p><p>reprodutivos e econômicos das mulheres.</p><p>Na França do século XVIII, envolvidas pelo ideal de “Liberdade, Igualdade e</p><p>Fraternidade” da Revolução Francesa, mulheres de todas as classes sociais juntaram-</p><p>se ao movimento revolucionário. Elas acreditavam que, uma vez estabelecida a</p><p>democracia, seus direitos ao voto, à vida pública, ao divórcio e à emancipação social (já</p><p>que eram subordinadas ao pai ou marido) seriam assegurados. Muitas mulheres lutaram</p><p>nos fronts de batalha na revolução, e algumas morreram guilhotinadas, por defenderem</p><p>suas convicções depois que a Revolução se consolidou e lhes negou, de forma desleal,</p><p>seus direitos.</p><p>49</p><p>FONTE: Disponível em: <http://igualdadedegeneroeraca.blogspot.com/2011/09/movimento-feminista>.</p><p>Acesso em: 20 out. 2011.</p><p>As ativistas femininas fizeram campanhas pelos direitos legais das</p><p>mulheres (direitos de contrato, direitos de propriedade, direitos ao voto), pelo direito</p><p>da mulher à sua autonomia e à integridade de seu corpo, pelos direitos ao aborto</p><p>e pelos direitos reprodutivos (incluindo o acesso à contracepção e a cuidados</p><p>pré-natais de qualidade), pela proteção de mulheres e garotas contra a violência</p><p>doméstica, o assédio sexual e o estupro, pelos direitos trabalhistas, incluindo a</p><p>licença-maternidade e salários iguais, e todas as outras formas de discriminação.</p><p>5.3 A SEGUNDA ONDA FEMINISTA</p><p>A Segunda Onda Feminista culminou com os movimentos sociais em andamento</p><p>nos Estados Unidos, e o país foi, desta vez, a referência do movimento para o restante</p><p>do mundo. A segunda onda se refere a um período da atividade feminista que teve início</p><p>na década de 60 e durou até o fim da década de 80.</p><p>Disponível em: <http://www.veracruz.edu.br/palavradeprofes sor/2010/cinema1.htm>.</p><p>No livro, Friedan levanta a hipótese de que as mulheres seriam vítimas</p><p>de um sistema falso de crenças, que exige que elas encontrem identidade e</p><p>significado em suas vidas através de seus maridos e filhos; esse sistema faz com</p><p>que a mulher perca completamente a sua identidade para a de sua família.</p><p>50</p><p>FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo>. Acesso em: 20 out. 2011.</p><p>Friedan, especificamente, localiza esse sistema nas comunidades</p><p>suburbanas de classe média pós-Segunda Guerra Mundial; ao mesmo tempo, o</p><p>boom econômico pós-guerra nos Estados Unidos levou ao desenvolvimento de</p><p>novas tecnologias que tornaram o trabalho das donas de casa menos difícil, mas</p><p>que frequentemente tinham o resultado de tornar o trabalho das mulheres menos</p><p>significante e menos valorizado.</p><p>5.4 A TERCEIRA ONDA FEMINISTA E O SURGIMENTO DOS</p><p>ESTUDOS DE GÊNERO</p><p>De acordo com Grossi (2010), o movimento feminista e o movimento gay</p><p>merecem destaque como aqueles que de fato questionaram as relações “afetivo-</p><p>sexuais” no espaço privado. A partir de então, esses questionamentos começaram a</p><p>adentrar o espaço universitário e pesquisas passaram a ser desenvolvidas no interior de</p><p>várias disciplinas.</p><p>No Brasil, a partir dos anos 1970/80 começam a se desenvolver estudos sobre a</p><p>condição feminina, em que basicamente se discutia a opressão das mulheres em uma</p><p>sociedade patriarcal. Já a partir dos anos 1980 surgem</p><p>os estudos sobre as mulheres,</p><p>pois: “[...] se percebe que não é possível falar de uma única condição feminina no Brasil,</p><p>uma vez que existem inúmeras diferenças, não apenas de classe, mas também regionais,</p><p>de classes etárias, de ethos, entre as mulheres brasileiras” (GROSSI, 2010, p. 3-4).</p><p>Nesse período, várias teses são desenvolvidas, porém, segundo Grossi (2010,</p><p>p. 4), a referência utilizada para o reconhecimento das mulheres enquanto grupo está</p><p>ainda associada a uma “unidade biológica (vagina, útero, seios)”.</p><p>6 CONCEITUANDO GÊNERO</p><p>O conceito de gênero surge no Brasil através de pesquisadoras norte-americanas,</p><p>que vão tratar as relações entre homens e mulheres de forma a negar as diferenças</p><p>biológicas como constituidoras das identidades dos seres humanos, e introduzir a</p><p>perspectiva de que somos construídos a partir de determinados mecanismos sociais.</p><p>Uma das pensadoras responsáveis por essa nova perspectiva é a autora Joan Scott. No</p><p>artigo intitulado “Gênero: uma categoria útil de análise histórica”, ela diz que:</p><p>51</p><p>O gênero torna-se uma maneira de indicar ‘construções sociais’ –</p><p>a criação inteiramente social de ideias sobre os papéis adequados</p><p>aos homens e às mulheres. É uma maneira de se referir às origens</p><p>exclusivamente sociais das identidades subjetivas dos homens e das</p><p>mulheres. O gênero é, segundo esta definição, uma categoria social</p><p>imposta sobre um corpo sexuado (SCOTT, 1990, p. 7).</p><p>Para a estudiosa Françoise Héritier (1996), o conceito de gênero é relacional,</p><p>ou seja, se constrói na relação entre homens e mulheres, haja visto que ninguém vive</p><p>só, pois todas as pessoas se relacionam desde que nascem, independente das regras</p><p>sociais e culturais.</p><p>Segundo Grossi (2010), papéis de gênero são as representações (tomadas</p><p>como representações de uma personagem no teatro) de cada sexo, ou seja, papéis</p><p>sexuais são as características atribuídas a cada sexo, de acordo com sua cultura. São</p><p>modelos do que é próprio e concernente a cada sexo. Sabe-se, através de relatos de</p><p>historiadores, que os papéis de gênero podem ser alterados dentro de uma mesma</p><p>sociedade, dependendo das situações.</p><p>Com relação à identidade de gênero, ela se forma, segundo Grossi (2010), a</p><p>partir da socialização de valores e comportamentos que são internalizados logo nas</p><p>primeiras fases da infância. Esses valores e comportamentos que são repassados são</p><p>diferentes para cada sexo e também variam de uma cultura para outra.</p><p>Um dos estudos da autora clássica de Antropologia, Margaret Mead (1979),</p><p>poderá ilustrar o que procuramos dizer até aqui. Essa autora procura nos fazer refletir</p><p>como, nas diferentes sociedades, são construídos padrões de conduta, comportamento,</p><p>culturas, atribuindo-se valores a algumas coisas e a outras não, como idade e sexo,</p><p>ritmo de nascimento, maturação e velhice, a estrutura do parentesco consanguíneo.</p><p>Em seu livro “Sexo e Temperamento”, essa antropóloga aborda três grupos</p><p>diferentes em uma ilha da Nova Guiné: os montanheses Arapesh, os canibais Mundugumor</p><p>e os caçadores de cabeças de Tchambuli. A autora faz o estudo com estes três grupos</p><p>porque as diferenças de sexo fazem parte da organização sociocultural dos mesmos,</p><p>ainda que estas diferenças sejam percebidas e dramatizadas de formas diferentes.</p><p>A partir dessa observação, a autora constata: ainda que, de uma forma geral, as</p><p>sociedades se organizem levando em conta as diferenças entre os sexos, não significa</p><p>dizer que essa organização esteja baseada em sistemas de oposição ou dominação.</p><p>Na visão do escritor argentino Jorge Scala, especialmente em seu livro intitulado</p><p>“Ideologia de Gênero: o neototalitarismo e a morte da família” (2011), bem como em uma</p><p>entrevista sobre o tema (2012), o termo gênero é associado a uma ideologia e não a uma</p><p>teoria ou hipótese, pelo seguinte motivo:</p><p>52</p><p>Uma teoria é uma hipótese verificada experimentalmente. Uma</p><p>ideologia é um corpo fechado de ideias, que parte de um pressuposto</p><p>básico falso – que por isto deve impor-se evitando toda análise racional</p><p>-, e então vão surgindo as consequências lógicas desse princípio</p><p>falso. As ideologias se impõem utilizando o sistema educacional</p><p>formal (escola e universidade) e não formal (meios de propaganda),</p><p>como fizeram os nazistas e os marxistas (SCALA, 2012, s.p.).</p><p>O autor argumenta ainda que o fundamento da ideologia de gênero é falso.</p><p>Seu fundamento principal e falso é este: o sexo seria o aspecto</p><p>biológico do ser humano, e o gênero seria a construção social ou</p><p>cultural do sexo. Ou seja, que cada um seria absolutamente livre, sem</p><p>condicionamento algum, nem sequer o biológico -, para determinar</p><p>seu próprio gênero, dando-lhe o conteúdo que quiser e mudando</p><p>de gênero quantas vezes quiser. Agora, se isso fosse verdade, não</p><p>haveria diferenças entre homem e mulher – exceto as biológicas</p><p>-; qualquer tipo de união entre os sexos seria social e moralmente</p><p>bom, e todas seriam matrimônio; cada tipo de matrimônio levaria a</p><p>um novo tipo de família; o aborto seria um direito humano inalienável</p><p>da mulher, já que somente ela é que fica grávida; etc. Tudo isso é</p><p>tão absurdo, que só pode ser imposto com uma espécie de “lavagem</p><p>cerebral” global (SCALA, 2012, s.p.).</p><p>Para concluir sua explicação, Scala responde à seguinte pergunta: quais são,</p><p>então, as consequências para nossos filhos, para a próxima geração, caso a ideologia de</p><p>gênero seja incentivada nas escolas infantis?</p><p>Eu respondo com um fato real. Dei uma palestra sobre esta ideologia,</p><p>a todos os professores de uma cidade de 7.000 habitantes, numa</p><p>área rural da minha província. Gente simples e trabalhadora. Ao</p><p>concluí-la, uma professora comentou em voz alta: ‘Agora eu entendo</p><p>porque há alguns dias meu filho de sete anos me perguntou: mamãe,</p><p>eu sou menino ou menina …? As pessoas formadas e maduras estão</p><p>imunes dessa ideologia, mas se a permitirmos penetrar nas crianças</p><p>desde tenra idade – cinema, rádio, TV, escola, revistas -, em muitos</p><p>casos, teremos que lamentar com o tempo tragédias de todo tipo</p><p>(SCALA, 2012, s.p.).</p><p>Vejamos o que nos apresenta o autor Dale O’Leary (1997, p. 1), em sua obra “A</p><p>agenda de gênero”.</p><p>Sem alarde ou debate, a palavra ‘sexo’ foi substituída pela palavra</p><p>‘gênero’. Nós costumávamos falar de ‘discriminação de sexo’, mas</p><p>agora é ‘discriminação de gênero’. Com certeza parece bastante</p><p>inocente. ‘Sexo’ possui um significado secundário, subentendendo</p><p>relação sexual ou atividade sexual. ‘Gênero’ parece mais delicado</p><p>e refinado. As militantes feministas aprenderam a partir de suas</p><p>derrotas. Quando elas não puderam vender sua ideologia radical para</p><p>as mulheres em geral, elas lhe deram uma nova roupagem. Agora</p><p>elas são bastante cuidadosas em revelar seus verdadeiros objetivos.</p><p>Elas pretendem alcançar seus fins não por uma confrontação direta,</p><p>mas através de uma mudança no significado das palavras.</p><p>53</p><p>No decorrer de seu texto, O’Leary (1997) faz menção à Conferência da ONU sobre</p><p>População, realizada no Cairo, em 1994, e a Conferência sobre as Mulheres, realizada</p><p>em Pequim, em 1995, em que foi incluída na plataforma de ação destas conferências a</p><p>“perspectiva de gênero”. Sobre este tema, o autor faz os seguintes questionamentos:</p><p>Qual é a relação entre a “perspectiva de gênero” e o fato de que os</p><p>seus proponentes possuem uma extrema aversão a palavras como</p><p>mãe, pai, marido e esposa? Por que os defensores da Agenda de</p><p>Gênero referem-se ao casamento e à família em termos negativos?</p><p>Por que um documento da ONU sobre as mulheres não tem quase</p><p>nada de positivo a dizer sobre as mulheres que são mães de tempo</p><p>integral? Por que a ONU não promove mais a “perspectiva da mulher”?</p><p>(O’LEARY, 1997, p. 2).</p><p>Caro acadêmico, agora é com você. Diante das discussões apresentadas até o</p><p>momento, como você define gênero? O que você pensa sobre o assunto? Você considera</p><p>que o objetivo da ideologia de gênero é promover a defesa da mulher? Promover a</p><p>defesa do homem? Defender a vida humana e as crianças? Lutar pela equidade entre</p><p>homens</p><p>e mulheres? São muitas as indagações que precisam ser feitas para elucidar</p><p>seu pensamento, e para que de modo crítico e racional você possa chegar às suas</p><p>próprias conclusões.</p><p>Para complementar nossa conversa, leia atentamente a introdução do livro de Marilena Chauí</p><p>sobre “O que é ideologia” e tire suas próprias conclusões sobre os fundamentos da “ideologia</p><p>de gênero”.</p><p>“Frequentemente, ouvimos expressões do tipo “partido político ideológico”, é preciso ter uma</p><p>“ideologia”, “falsidade ideológica”.</p><p>Essas expressões tomam a palavra ideologia para com ela significar “conjunto</p><p>sistemático e encadeado de ideias”. Ou seja, confundem ideologia com</p><p>ideário.</p><p>Nossa tarefa, aqui, será desfazer a suposição de que a ideologia é um</p><p>ideário qualquer ou qualquer conjunto encadeado de ideias e, ao contrário,</p><p>mostrar que a ideologia é um ideário histórico, social e político que oculta</p><p>a realidade, e que esse ocultamento é uma forma de assegurar e manter a</p><p>exploração econômica, a desigualdade social e a dominação política.</p><p>FONTE: Chauí, M. O Que é Ideologia. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2001.</p><p>Disponível em: <https://goo.gl/VMihTF>. Acesso em: 9 set. 2017.</p><p>DICAS</p><p>54</p><p>7 ESTUDOS DE GÊNERO</p><p>Especialmente nas três últimas décadas, os estudos de gênero passaram a</p><p>se preocupar com várias questões relativas ao universo das relações sociais. Observar</p><p>a realidade a partir da análise de gênero possibilitou novas interpretações sobre o</p><p>comportamento humano e a observação das desigualdades de gênero. Vejamos, a</p><p>seguir, alguns estudos de gênero e suas principais contribuições.</p><p>A construção social da desigualdade de Gênero (Educação Diferenciada):</p><p>Os estudos compreendem que há uma educação diferenciada para meninos e meninas</p><p>desde o seu nascimento. Nessa educação, reproduzem-se idealizações e modelos de</p><p>papéis destinados a homens e mulheres na sociedade. Por exemplo, os meninos brincam</p><p>de bola e carrinho, enquanto as meninas brincam de boneca e casinha, deixando claro o</p><p>espaço que cada um ocupará dentro da sociedade. Por este motivo é que se organizam</p><p>papéis diferenciados para homens e mulheres.</p><p>Papéis femininos ou Feminilidades: De acordo com os estudos, os modelos</p><p>de feminino em nossa sociedade são criados a partir de símbolos antagônicos: Eva</p><p>e Maria, bruxa e fada, mãe e madrasta. Sendo que essas definições propõem o que</p><p>é bom para as mulheres e culpam-nas quando não correspondem a este padrão. A</p><p>sociedade espera que as mulheres cuidem da casa, dos filhos e do marido, que sejam as</p><p>guardiãs da moral da família, que sejam meigas, atenciosas, maternais e frágeis. Outras</p><p>expressões de feminino são marginalizadas.</p><p>Papéis masculinos ou Masculinidades: Os estudos sobre masculinidade</p><p>tratam da construção da identidade masculina e das diferentes masculinidades.</p><p>Além disso, tratam do discurso sobre o masculino, a idealização dele e os padrões de</p><p>masculinidade. O que a sociedade espera do papel desempenhado pelos homens é</p><p>que sejam provedores, fortes e viris. Outras expressões de masculinidade também são</p><p>consideradas desviantes.</p><p>Violência de gênero: Os estudos apontam que a violência de gênero é</p><p>demonstrada no exercício de poder dos homens (na forma de espancamentos, insultos,</p><p>ameaças, estupros, assédio, assassinatos e outros) sobre as mulheres e demais</p><p>pessoas consideradas "inferiores" (homossexuais, crianças, idosos etc.). Esses estudos</p><p>demonstram uma série de situações em que as mulheres têm sido historicamente</p><p>violentadas em seus direitos, tanto no aspecto físico, quanto psicológico.</p><p>Famílias: Muitos estudos reconhecem que há uma visão tradicional de</p><p>família que não reconhece a existência de núcleos familiares chefiados somente por</p><p>mulheres ou a constituição de famílias compostas por "agrupamento". De igual forma,</p><p>são abordadas aqui as questões relativas aos papéis tradicionais desempenhados por</p><p>homens e mulheres dentro das estruturas familiares.</p><p>55</p><p>A imagem das mulheres nos meios de comunicação: Os estudos</p><p>demonstram que os meios de comunicação parecem dar às mulheres "visibilidade" e</p><p>"espaço para discussão", mas que reforçam constantemente o seu papel de "objeto de</p><p>consumo", de "utilidade pública" e "sexual". Por exemplo, nas propagandas de bebidas</p><p>alcoólicas.</p><p>A educação escolar: Os estudos reforçam que a educação escolar é</p><p>transmissora de valores, atitudes e preconceitos, reprodutora das desigualdades de</p><p>gênero e homofobia. Isso porque, no universo das instituições de ensino do nosso país,</p><p>assuntos como Gênero e Sexualidade têm sido tratados historicamente como tabus.</p><p>Quando se permite falar sobre esses temas, a escola tende a tratar a questão como uma</p><p>dimensão da vida adulta, ligada à constituição da família e da reprodução, através de</p><p>uma perspectiva biológica. Desta forma, tanto o exercício da sexualidade por si, quanto</p><p>as orientações homoafetivas, neste espaço disciplinar, são negados. A escola tem</p><p>assumido, entre outros, o papel de vigiar os limites entre as identidades e os papéis de</p><p>gênero. Nesta função, de acordo com Louro (1997), a norma a ser mantida e reafirmada</p><p>pela instituição valoriza, prioritariamente, o modelo tradicional dos papéis de gênero e o</p><p>comportamento heterossexual, reafirmando os padrões da moral dominante vigente na</p><p>sociedade, tomando por modelo as relações hierárquicas e desiguais entre os sexos e</p><p>o homem e a mulher branca heterossexual de classe média urbana e cristã. Os que são</p><p>diferentes deste modelo são considerados como tendo um comportamento "desviante".</p><p>Louro (1997, p. 36) destaca que “ninguém é essencialmente diferente, ninguém é</p><p>essencialmente o outro; a diferença é sempre constituída a partir de um dado lugar que</p><p>se toma como centro".</p><p>No Brasil, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a Secretaria de Educação</p><p>Continuada (SECAD/MEC) possuem a perspectiva de que os temas gênero, identidade</p><p>de gênero e orientação sexual devem ser considerados pela política educacional como</p><p>uma questão de direitos humanos. Por este motivo é que existe no Brasil uma agenda</p><p>de enfrentamento ao sexismo e homofobia através do Plano Nacional de Políticas para</p><p>as Mulheres (PNPM) e do Programa Brasil sem Homofobia (BSH).</p><p>Por outro lado, a questão tornou-se tão polêmica a ponto de gerar a elaboração</p><p>de um projeto de lei (Projeto de Lei 7382/2010), que prevê a penalização pela</p><p>discriminação contra heterossexuais e determina que as medidas e políticas públicas</p><p>antidiscriminatórias atentem para essa possibilidade, ou seja, pune a “heterofobia”. No</p><p>momento, o projeto encontra-se em pedido de vista pela Comissão de Direitos Humanos</p><p>e Minorias (CDHM).</p><p>Público e Privado: Os estudos demonstram que, a partir da consolidação do</p><p>capitalismo, consolida-se também a ideologia de que existe uma esfera pública e outra</p><p>privada. Esfera privada: Lugar próprio das mulheres, do doméstico, da subjetividade,</p><p>do cuidado, da honra. Esfera pública: Espaço dos homens, da objetividade, dos iguais,</p><p>da liberdade e do direito. Desta maneira, convencionou-se nas sociedades ocidentais</p><p>56</p><p>o espaço privado para a mulher, a casa, o cuidado com os filhos e marido; e o espaço</p><p>público ao homem, relações sociais, políticas e de trabalho. Essa “ordem” social criou</p><p>diferenças e justificou desigualdades sexuais ao longo da história, sendo que muitas</p><p>ainda permanecem nos dias de hoje.</p><p>A divisão sexual do trabalho: Os estudos demonstram que historicamente</p><p>a divisão sexual do trabalho enfatiza para os homens a produção e a subsistência da</p><p>família e para as mulheres a reprodução e a educação das crianças.</p><p>Acadêmico, sobre esses temas, reflita as seguintes perguntas: O que você</p><p>entende por viver sem preconceito de gênero? E sem preconceito de sexo? Existe</p><p>diferença entre essas perguntas? Como você responderia cada uma delas?</p><p>Você deve ter percebido que nos últimos cinco ou dez anos houve, no Brasil,</p><p>uma evidente tendência ao uso do termo gênero – em referência aos papéis masculinos</p><p>e femininos das pessoas – em substituição ao termo sexo – referente</p><p>íntegra, mas a estrutura</p><p>interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no</p><p>texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que</p><p>também contribui para diminuir a extração de árvores para</p><p>produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente,</p><p>apresentamos também este livro no formato digital. Portanto,</p><p>acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com</p><p>versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Preparamos também um novo layout. Diante disso, você</p><p>verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses</p><p>ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos</p><p>nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos,</p><p>para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os</p><p>seus estudos com um material atualizado e de qualidade.</p><p>ENADE</p><p>LEMBRETE</p><p>Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma</p><p>disciplina e com ela um novo conhecimento.</p><p>Com o objetivo de enriquecer seu conheci-</p><p>mento, construímos, além do livro que está em</p><p>suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem,</p><p>por meio dela você terá contato com o vídeo</p><p>da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-</p><p>res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de</p><p>auxiliar seu crescimento.</p><p>Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que</p><p>preparamos para seu estudo.</p><p>Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!</p><p>Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um</p><p>dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de</p><p>educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar</p><p>do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem</p><p>avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo</p><p>para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra,</p><p>acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1 - CIDADANIA E SOCIEDADE ............................................................................... 1</p><p>TÓPICO 1 - DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA ..................................................................3</p><p>1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3</p><p>2 A DEMOCRACIA EM PAUTA ................................................................................................4</p><p>3 A QUESTÃO DA ÉTICA .........................................................................................................8</p><p>4 O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CIDADANIA ............................................................14</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ......................................................................................................... 17</p><p>AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 19</p><p>TÓPICO 2 - SOCIEDADE E A DIVERSIDADE ........................................................................ 21</p><p>1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 21</p><p>2 CONCEITOS DE DIVERSIDADE CULTURAL E DESIGUALDADE SOCIAL ........................ 21</p><p>3 DIVERSIDADE CULTURAL E DESIGUALDADE SOCIAL .................................................. 22</p><p>4 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE ......................................................... 31</p><p>5 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE HUMANA ......................................... 31</p><p>6 CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DO SABER APRENDIDO .........................................37</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 39</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 40</p><p>TÓPICO 3 - MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E</p><p>RELAÇÕES DE GÊNERO ...................................................................................................... 43</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 43</p><p>2 CONCEITUANDO MULTICULTURALISMO ........................................................................ 43</p><p>3 SURGIMENTO DO MULTICULTURALISMO ....................................................................... 45</p><p>4 ÁREAS DE CONHECIMENTO QUE ABRIGAM O MULTICULTURALISMO ......................... 46</p><p>5 MOVIMENTO FEMINISTA ...................................................................................................47</p><p>5.1 FEMINISMO ............................................................................................................................................ 47</p><p>5.2 A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA ........................................................................................................ 48</p><p>5.3 A SEGUNDA ONDA FEMINISTA ........................................................................................................49</p><p>5.4 A TERCEIRA ONDA FEMINISTA E O SURGIMENTO DOS ESTUDOS DE GÊNERO ..................50</p><p>6 CONCEITUANDO GÊNERO ............................................................................................... 50</p><p>7 ESTUDOS DE GÊNERO ..................................................................................................... 54</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 58</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 60</p><p>TÓPICO 4 - RESPONSABILIDADE SOCIAL: SETOR PÚBLICO, SETOR PRIVADO E</p><p>TERCEIRO SETOR ............................................................................................................... 65</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 65</p><p>2 SETOR PRIVADO .............................................................................................................. 65</p><p>3 TERCEIRO SETOR ............................................................................................................ 66</p><p>3.1 HISTÓRICO ........................................................................................................................................... 67</p><p>3.2 REALIDADE DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL ...........................................................68</p><p>4 AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS ................................................................70</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4 .........................................................................................................73</p><p>AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................74</p><p>TÓPICO 5 - CULTURA E ARTE .............................................................................................. 77</p><p>1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 77</p><p>2 CULTURA ........................................................................................................................... 77</p><p>3 ARTE ..................................................................................................................................81</p><p>RESUMO DO TÓPICO 5 ........................................................................................................ 88</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 89</p><p>UNIDADE 2 — POLÍTICA, TECNOLOGIA E GLOBALIZAÇÃO: OS IMPACTOS SOBRE A</p><p>SOCIEDADE .......................................................................................................................... 91</p><p>TÓPICO 1 — CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE ....................................... 93</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 93</p><p>2 CIÊNCIA</p><p>ao sexo biológico</p><p>– em muitos sites governamentais e não governamentais, quando da necessidade de</p><p>informar dados pessoais para cadastros. Já se deparou com isso?</p><p>Apesar de serem conceitos diferentes (sexo e gênero), observe que são perguntas</p><p>semelhantes, que nos remetem ao reconhecimento das diferenças entre homens e</p><p>mulheres e ao respeito para com ambos. No entanto, até pouco tempo não se fazia</p><p>esse questionamento, mesmo reconhecendo que há manifestações de comportamento</p><p>afetivo ou sexual diferente do sexo de nascimento. Contudo, o momento delicado em</p><p>que a sociedade vivencia esse debate não pode motivar violência e intolerância e, muito</p><p>menos, a adoção do relativismo, teoria filosófica que admite que todo conhecimento é</p><p>relativo. Pois se assim o fosse, perguntas como “de onde vim?”, “o que sou?” e “para onde</p><p>vou?” não seriam tão intrigantes quanto são para a única espécie capaz de raciocinar</p><p>sobre si mesma, o Homo sapiens.</p><p>Assim, o modo como o termo gênero vem sendo utilizado nos diversos meios</p><p>de comunicação apresenta uma fragilidade. Por exemplo, se o gênero representa o</p><p>comportamento social da pessoa e o sexo a determinação biológica, as duas perguntas</p><p>deveriam ser feitas. Agora, se só existe uma espécie humana e nesta se manifestam</p><p>apenas dois sexos (ou dois gêneros), estaria coerente discutir relações de gênero?</p><p>O debate acerca do assunto é amplo, e para nós, brasileiros, a Constituição prevê,</p><p>no Art. 3º, inciso IV, que constituem objetivos fundamentais da República Federativa</p><p>do Brasil, dentre outros, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,</p><p>sexo, cor, religião, idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1988).</p><p>Portanto, já estaria respaldado o reconhecimento da diversidade humana e o combate</p><p>à discriminação de qualquer origem.</p><p>57</p><p>A produção foi sempre mais valorizada do que a reprodução, por este</p><p>motivo é que as atividades ditas reprodutivas, como as funções domésticas, são</p><p>desvalorizadas. De acordo com Faria (1997), referindo-se ao trabalho das mulheres</p><p>rurais no Brasil:</p><p>Carpir no sertão nordestino era uma tarefa dos homens e era</p><p>considerado um trabalho pesado. Carpir no brejo paraibano era</p><p>tarefa das mulheres e era considerado trabalho leve. Como se</p><p>vê, no cultivo da cana o que caracterizava um trabalho como</p><p>leve ou pesado não era a força física necessária para realizá-</p><p>lo, mas o valor social de quem o fazia (FARIA, 1997, p. 14).</p><p>Nesse sentido, a desigualdade sexual não é refletida como um problema de</p><p>gênero, ela é naturalizada. Essa postura é que mantém o padrão de desvalorização</p><p>do trabalho feminino, e é o que explica porque muitas mulheres ainda ganham</p><p>menos que os homens, mesmo ocupando cargos iguais.</p><p>Por outro lado, após a expansão do capitalismo, quando as mulheres entram</p><p>no mercado de trabalho permanecem ainda com as atividades domésticas, o cuidado</p><p>com a casa e com os filhos. De acordo com o IBGE (2005):</p><p>O IBGE mostra que a crescente participação das mulheres</p><p>no mercado de trabalho não reduziu a jornada delas com os</p><p>afazeres domésticos. Pelo contrário, na faixa etária de 25 a 49</p><p>anos de idade, onde a inserção das mulheres nas atividades</p><p>remuneradas é maior e que coincide com a presença de filhos</p><p>menores, o trabalho doméstico ocupa 94% das mulheres.</p><p>Aumentando o tempo de trabalho da mulher em função da</p><p>dupla jornada de trabalho.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.abed.org.br/congresso2012/anais/122f.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2015.</p><p>A partir da segunda metade do século XX, com a expansão do capitalismo,</p><p>as mulheres entraram definitivamente no mercado de trabalho. Fato que, por um</p><p>lado, possibilitou a inserção da mulher no mundo do trabalho “produtivo” e no</p><p>espaço público, e por outro, lhe manteve a condição de trabalhadora doméstica,</p><p>pois ela continuou com a integralidade das atividades do lar. Ocorre, assim, o</p><p>acúmulo de funções, chamado de dupla jornada de trabalho. Além disso, do</p><p>ponto de vista do desenvolvimento do capitalismo, a contratação de mulheres</p><p>foi estrategicamente conveniente, pois a remuneração do trabalho feminino era</p><p>mais baixa do que a masculina, dada a sua condição histórica de inferioridade.</p><p>Por esse motivo, ainda nos dias de hoje, em alguns setores, o trabalho feminino é</p><p>menos valorizado do que o masculino.</p><p>Dupla Jornada de Trabalho:</p><p>FONTE: Disponível em: <https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos14/20320175.pdf>. Acesso em: 7</p><p>dez. 2017.</p><p>58</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• O multiculturalismo significa a existência de grupos de diversas culturas, assim como:</p><p>o embate político, econômico e social travado pelos diferentes grupos sociais na luta</p><p>pelo respeito à diversidade.</p><p>• O termo “multiculturalismo” é recente, e sua utilização ocorreu pela primeira vez na</p><p>Inglaterra, entre as décadas de 1960 e 1970.</p><p>• A ideia de que os estudos multiculturais são multidisciplinares, na medida em que</p><p>são provenientes de diversos campos de conhecimento, como: Antropologia Cultural,</p><p>Psicologia Social, História, Sociologia, entre outros.</p><p>• O direito à diferença e a diminuição das desigualdades são temas centrais para o</p><p>multiculturalismo, bandeira de luta de vários movimentos sociais contemporâneos</p><p>espalhados pelo mundo inteiro.</p><p>• O conceito de cultura corresponde ao conjunto das regras sociais aceitas como</p><p>normas pela sociedade ou grupo que as compõe.</p><p>• O etnocentrismo é a maneira de ver os “outros” com base nos nossos padrões</p><p>culturais, com os nossos valores sociais, morais e éticos, e não os valores do outro.</p><p>• O relativismo cultural significa uma perspectiva mais ampla sobre o outro, uma</p><p>perspectiva que vê e compreende o outro a partir dos parâmetros e regras sociais do</p><p>outro.</p><p>• O feminismo como conceito múltiplo. Ele possui uma dimensão política, que se refere</p><p>aos movimentos de luta por direitos, e uma dimensão acadêmica, que se refere aos</p><p>estudos da condição feminina.</p><p>• O Movimento Feminista surgiu no século XVIII, na Europa, e foi dividido em três</p><p>grandes momentos, sendo a 1ª, a 2ª e a 3ª ondas feministas.</p><p>• A primeira onda feminista se refere a um período extenso de atividade feminista,</p><p>ocorrido durante o século XIX e início do século XX, na Europa. Sendo que o foco</p><p>original do movimento se concentrou na promoção da igualdade, nos direitos</p><p>contratuais e de propriedade para homens e mulheres.</p><p>59</p><p>• A segunda onda feminista tem como cenário de surgimento os Estados Unidos já</p><p>no século XX, na década de 1960, na medida em que o processo de industrialização</p><p>se acelera. O movimento feminista, neste momento histórico, luta por melhores</p><p>condições de trabalho e renda, além de questionar as relações na família.</p><p>• Com a terceira onda feminista – a partir da década de 1980 –, vem a introdução da</p><p>discussão da desigualdade de gênero no meio acadêmico, momento em que surge o</p><p>conceito de gênero.</p><p>• O conceito de gênero surge no Brasil através de pesquisadoras norte-americanas,</p><p>que vão tratar as relações entre homens e mulheres de forma a negar as diferenças</p><p>biológicas como constituidoras das identidades dos seres humanos, e introduzir a</p><p>perspectiva de que somos construídos a partir de determinados mecanismos sociais.</p><p>• Existem pensamentos contrários à ideologia de gênero e outros favoráveis, a</p><p>depender do autor que se leva em consideração.</p><p>• Questionar é tão importante quanto buscar o saber, e que é preciso estimular o</p><p>pensamento crítico diante dos problemas cotidianos, de modo a desenvolver a</p><p>capacidade de propor soluções viáveis e sustentáveis.</p><p>• Avaliar criticamente a realidade à luz dos conhecimentos científicos, éticos e morais</p><p>contribui para o reconhecimento da diversidade e o respeito à dignidade humana.</p><p>60</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 As mulheres frequentam mais os bancos escolares que os homens,</p><p>dividem seu tempo entre o trabalho e os cuidados com a casa, geram</p><p>renda familiar, porém, continuam ganhando menos e trabalhando</p><p>mais que os homens.</p><p>As políticas de benefícios implementadas por</p><p>empresas preocupadas em facilitar a</p><p>vida das funcionárias que têm criança pequena em casa já estão chegando ao Brasil.</p><p>Acordos de horários flexíveis, programas como auxílio-creche, auxílio-babá e auxílio-</p><p>amamentação são alguns dos benefícios oferecidos.</p><p>FONTE: Adaptado de <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 30 jul. 2013.</p><p>JORNADA MÉDIA DE TRABALHO POR SEMANA</p><p>NO BRASIL - (EM HORAS)</p><p>FONTE: Disponível em: <http://ipea.gov.br>. Acesso em: 30 jul. 2013.</p><p>Considerando o texto e o gráfico, avalie as afirmações a seguir.</p><p>I- O somatório do tempo dedicado pelas mulheres aos afazeres domésticos e ao</p><p>trabalho remunerado é superior ao dedicado pelos homens, independentemente</p><p>do formato da família.</p><p>II- O fragmento do texto e dos dados do gráfico apontam para a necessidade de</p><p>criação de políticas que promovam a igualdade entre os gêneros no que concerne</p><p>a tempo médio dedicado ao trabalho e remuneração recebida.</p><p>61</p><p>2 O conceito de feminismo possui uma perspectiva política, que se</p><p>refere ao movimento social em prol de políticas de reconhecimento</p><p>e uma perspectiva acadêmica, que se refere aos estudos feministas.</p><p>Com relação ao conceito de feminismo e à atuação do movimento</p><p>feminista, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>3 O feminismo é um movimento social e um campo de estudos</p><p>cujo objetivo é defender a igualdade entre os sexos. Na história</p><p>do feminismo, convencionou-se dividir o movimento em três</p><p>momentos: primeira, segunda e terceira onda feminista. Classifique</p><p>V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>III- No fragmento de reportagem apresentado, ressalta-se a diferença entre o tempo</p><p>dedicado por mulheres e homens ao trabalho remunerado, sem alusão aos afazeres</p><p>domésticos.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) ( ) I, apenas.</p><p>b) ( ) III, apenas.</p><p>c) ( ) I e II, apenas.</p><p>d) ( ) II e III apenas.</p><p>e) ( ) I, II e III.</p><p>( ) O feminismo é um movimento social e um campo de conhecimento que tem como</p><p>objetivo defender a igualdade entre homens e mulheres, seja do ponto de vista</p><p>jurídico, político ou econômico.</p><p>( ) O movimento feminista está dividido historicamente em três "ondas", sendo que</p><p>a primeira onda refere-se ao feminismo do século XVIII, e tem como referências</p><p>países como França e Inglaterra.</p><p>( ) Os estudos feministas têm como objetivo denunciar as desigualdades biológicas</p><p>entre homens e mulheres, no sentido de garantir direitos apenas para as mulheres.</p><p>( ) Os estudos feministas podem ser classificados como multidisciplinares, pois são</p><p>desenvolvidos a partir de várias áreas de estudos.</p><p>Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – V – F – V.</p><p>b) ( ) F – V – F – F.</p><p>c) ( ) F – F – V – F.</p><p>d) ( ) F – V – F – V.</p><p>62</p><p>( ) Uma das autoras mais importantes da Segunda Onda Feminista é Betty Friedan. Ela</p><p>ficou conhecida por escrever o livro "A Mística Feminina". Nele, a autora enobrece a</p><p>vida vazia das donas de casa de classe média nos Estados Unidos, destacando que</p><p>a identidade da mulher deve ser exclusiva da família.</p><p>( ) Na Segunda Onda, a revolucionária Olímpia de Gouges, em 1791, escreveu uma</p><p>declaração muito importante, argumentando que as mulheres deveriam ter os</p><p>mesmos direitos que os homens, podendo participar da vida política, governando</p><p>e formulando leis.</p><p>( ) A Segunda Onda Feminista culminou com os movimentos sociais em andamento</p><p>nos Estados Unidos. Esse momento do feminismo começa na década de 1960 e</p><p>dura até o fim da década de 1980.</p><p>( ) A Terceira Onda Feminista inicia na década de 1990, com o objetivo de compreender</p><p>os problemas femininos de um ponto de vista mais amplo, e não apenas do ponto</p><p>de vista das "mulheres brancas de classe média-alta", como fez a segunda onda.</p><p>Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) F – F – V – V.</p><p>b) ( ) F – V – F – F.</p><p>c) ( ) V – F – V – F.</p><p>d) ( ) V – V – F – V.</p><p>4 (ENADE - 2017, FORMAÇÃO GERAL, questão 1).</p><p>TEXTO 1</p><p>Em 2001, a incidência da sífilis congênita – transmitida da mulher para o feto durante</p><p>a gravidez – era de um caso a cada mil bebês nascidos vivos. Havia uma meta da</p><p>Organização Pan-Americana de Saúde e da Unicef de essa ocorrência diminuir no Brasil,</p><p>chegando, em 2015, a cinco casos de sífilis congênita por 10 mil nascidos vivos. O país</p><p>não atingiu esse objetivo, tendo se distanciado ainda mais dele, embora o tratamento</p><p>para sífilis seja relativamente simples, à base de antibióticos. Trata-se de uma doença</p><p>para a qual a medicina já encontrou a solução, mas a sociedade ainda não.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 23 jul. 2017 (adaptado).</p><p>TEXTO 2</p><p>O Ministério da Saúde anunciou que há uma epidemia de sífilis no Brasil. Nos últimos</p><p>cinco anos, foram 230 mil novos casos, um aumento de 32% somente entre 2014 e</p><p>2015. Por que isso aconteceu?</p><p>Primeiro, ampliou-se o diagnóstico com o teste rápido para sífilis realizado na unidade</p><p>básica de saúde e cujo resultado sai em 30 minutos. Aí vem o segundo ponto, um dos</p><p>mais negativos, que foi o desabastecimento, no país, da matéria-prima para a penicilina.</p><p>63</p><p>O Ministério da Saúde importou essa penicilina, mas, por um bom tempo, não esteve</p><p>disponível, e isso fez com que mais pessoas se infectassem. O terceiro ponto é a</p><p>prevenção. Houve, nos últimos dez anos, uma redução do uso do preservativo, o que</p><p>aumentou, e muito, a transmissão.</p><p>A incidência de casos de sífilis, que, em 2010, era maior entre homens, hoje recai sobre</p><p>as mulheres. Por que a vulnerabilidade neste grupo está aumentando?</p><p>As mulheres ainda são as mais vulneráveis a doenças sexualmente transmissíveis</p><p>(DST), de uma forma geral. Elas têm dificuldade de negociar o preservativo com o</p><p>parceiro, por exemplo. Mas o acesso da mulher ao diagnóstico também é maior, por</p><p>isso, é mais fácil contabilizar essa população. Quando um homem faz exame para a</p><p>sífilis? Somente quando tem sintoma aparente ou outra doença. E a sífilis pode ser uma</p><p>doença silenciosa. A mulher, por outro lado, vai fazer o pré-natal e, automaticamente,</p><p>faz o teste para a sífilis. No Brasil, estima-se que apenas 12% dos parceiros sexuais</p><p>recebam tratamento para sífilis.</p><p>FONTE: Entrevista com Ana Gabriela Travassos, presidente da regional baiana da Sociedade</p><p>Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Disponível em: <http://www.agenciapatricia-</p><p>galvao.org.br>. Acesso em: 25 jul. 2017 (adaptado).</p><p>TEXTO 3</p><p>Vários estudos constatam que os homens, em geral, padecem mais de condições</p><p>severas e crônicas de saúde que as mulheres e morrem mais que elas em razão de</p><p>doenças que levam a óbito. Entretanto, apesar de as taxas de morbimortalidade</p><p>masculinas assumirem um peso significativo, observa-se que a presença de homens</p><p>nos serviços de atenção primária à saúde é muito menor que a de mulheres.</p><p>GOMES, R.; NASCIMENTO, E.; ARAUJO, F. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as</p><p>mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cad. Saúde</p><p>Pública [on-line], v. 23, n. 3, 2007 (adaptado).</p><p>A partir das informações apresentadas, redija um texto acerca do tema: Epidemia de</p><p>sífilis congênita no Brasil e relações de gênero</p><p>Em seu texto, aborde os seguintes aspectos:</p><p>• A vulnerabilidade das mulheres às DSTs e o papel social do homem em relação à</p><p>prevenção dessas doenças.</p><p>• Duas ações, especificamente voltadas para o público masculino, a serem adotadas</p><p>no âmbito das políticas públicas de saúde ou de educação, para reduzir o problema.</p><p>5 (ENADE – 2017, FORMAÇÃO GERAL, questão 2).</p><p>64</p><p>A pessoa trans precisa que alguém ateste, confirme e comprove que ela pode ser</p><p>reconhecida pelo nome que escolheu. Não aceita que se autodeclare mulher ou homem.</p><p>Exige que um profissional de saúde diga quem ela é. Sua declaração é o que menos</p><p>conta na hora de solicitar, judicialmente, a mudança dos documentos.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.ebc.com.br>. Acesso em: 31 ago. 2017 (adaptado).</p><p>No chão, a travesti morre</p><p>Ninguém</p><p>jamais saberá seu nome</p><p>Nos jornais, fala-se de outra morte</p><p>De tal homem que ninguém conheceu</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.aminoapps.com>. Acesso em 31 ago. 2017 (adaptado).</p><p>Usava meu nome oficial, feminino, no currículo porque diziam que eu estava cometendo</p><p>um crime, que era falsidade ideológica se eu usasse outro nome. Depois fui pesquisar</p><p>e descobri que não é assim. Infelizmente, ainda existe muita desinformação sobre os</p><p>direitos das pessoas trans.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.brasil.elpais.com>. Acesso em: 31 ago. 2017 (adaptado).</p><p>Uma vez o segurança da balada achou que eu tinha, por engano, mostrado o RG do</p><p>meu namorado. Isso quando insistem em não colocar meu nome social na minha ficha</p><p>de consumação.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.brasil.elpais.com>. Acesso em: 31 ago. 2017 (adaptado).</p><p>Com base nessas falas, discorra sobre a importância do nome para as pessoas</p><p>transgêneras e, nesse contexto, proponha uma medida, no âmbito das políticas públicas,</p><p>que tenha como objetivo facilitar o acesso dessas pessoas à cidadania.</p><p>65</p><p>TÓPICO 4 -</p><p>RESPONSABILIDADE SOCIAL: SETOR PÚBLICO,</p><p>SETOR PRIVADO E TERCEIRO SETOR</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Nosso tempo apresenta enormes desafios éticos que decorrem da diversidade</p><p>cultural das sociedades contemporâneas, do consumismo, do individualismo, do</p><p>hedonismo, do desprezo ao próximo e à natureza, gerando um quadro de crise que tem</p><p>sérias implicações sobre a ética, sobre os valores e sobre a responsabilidade social.</p><p>Podemos notar um triplo aspecto nesta crise: primeiro, o agravamento da</p><p>desigualdade social, com crescente pobreza e miséria de uma parte considerável da</p><p>população mundial. A desigualdade hoje se mostra tão grande que pode até levar à</p><p>desumanização de uma parte considerável das pessoas, com os laços de cooperação e</p><p>solidariedade atingindo níveis tão baixos como nunca vistos antes na história de nossa</p><p>espécie.</p><p>Em segundo lugar, vemos uma crise do sistema de trabalho, com o desemprego,</p><p>a perda dos postos de trabalho para a automação, e a exclusão social, que colocam o</p><p>problema ético de como construir uma sociedade que não gere destituídos dela.</p><p>Em terceiro lugar, vemos a crise ecológica, com os níveis de consumo atuais</p><p>esgotando os recursos naturais e degradando a natureza a ponto de comprometer a</p><p>sobrevivência dos seres vivos, o que nos chama a atenção para a necessidade de uma</p><p>nova ética em nossa relação com a natureza.</p><p>2 SETOR PRIVADO</p><p>Toda a realidade relatada anteriormente vem acompanhada do entendimento</p><p>de que cada setor da sociedade tem suas responsabilidades.</p><p>O setor privado, por mais óbvio que seja, não deveria ter participação do</p><p>setor público. Esse setor também é conhecido como ‘iniciativa privada’ e tem papel</p><p>preponderante na economia e desenvolvimento de um país.</p><p>UNIDADE 1</p><p>66</p><p>3 TERCEIRO SETOR</p><p>Tradicionalmente, as organizações são pensadas e divididas a partir de uma</p><p>lógica política administrativa que dirige a organização, partindo de dois pontos: de</p><p>ordem pública ou de ordem privada. As organizações que estão fora desses dois grupos,</p><p>que não apresentam objetivo meramente lucrativo ou não (apenas) desempenham</p><p>funções públicas, são as organizações sociais, ou seja, todas as organizações residuais</p><p>são definidas nesse guarda-chuva, o que abarca um conjunto muito heterogêneo</p><p>de tipos e práticas. Não podemos aqui confundir com o terceiro setor do ponto de</p><p>vista econômico, ou também conhecido como setor terciário, que se caracteriza por</p><p>desenvolver as atividades de comércio da produção industrial, e por serviços, como</p><p>transportes, telecomunicações e energia.</p><p>“A expressão ‘terceiro setor’ pode considerar-se também adequada na medida</p><p>em que sugere uma terceira forma de propriedade entre a privada e a estatal, mas se</p><p>limita ao não estatal enquanto produção, não incluindo o não estatal enquanto controle”</p><p>(BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999, p. 16).</p><p>Pode-se notar que existe um problema de definição conceitual sobre o que</p><p>abrange o terceiro setor. “[...] o conceito de terceiro setor descreve um espaço de</p><p>participação e experimentação de novos modos de pensar e fazer sobre a realidade</p><p>social. É um campo marcado por uma irredutível diversidade de atores e formas de</p><p>organização” (CARDOSO, 1997 apud BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999, p. 37).</p><p>É importante levar em conta que a Organização Social é um tipo específico de</p><p>ator dentro do terceiro setor. Apesar disso, algumas características podem ser apontadas</p><p>como típicas das Organizações Sociais (BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999), que aqui são</p><p>listadas:</p><p>• iniciativas privadas que buscam suprir uma utilidade de ordem pública, ou seja, seus</p><p>fins são públicos;</p><p>• constituído em grande parte por voluntários. Isso quer dizer que alguns membros</p><p>devem trabalhar sem remuneração;</p><p>• sem fins lucrativos (o que não quer dizer que não haverá salário para alguns membros,</p><p>mas sim que o objetivo não é enriquecer);</p><p>• deve ser formalmente constituída. Isso não significa que deve necessariamente ser</p><p>uma instituição legalizada, mas sim possuir regras, procedimentos que assegurem a</p><p>existência e atuação da organização;</p><p>• a gestão é própria, não deve ser realizada por grupos externos;</p><p>• passar por processo de regulamentação nesses últimos anos.</p><p>Assim, pode-se afirmar que o terceiro setor não é público nem privado. Ele se</p><p>situa num entremeio, preenchendo lacunas do Estado através de uma atuação na esfera</p><p>privada. Assim, as organizações visam prestar serviços com fins de atender demandas</p><p>67</p><p>sociais em áreas como saúde, educação, cultura etc. Seu formato típico não é da</p><p>Organização Não Governamental (ONG), e sim do setor estatal e do setor privado, que</p><p>visam suprir as falhas do Estado e do setor privado no atendimento às necessidades da</p><p>população, numa relação conjunta. Entretanto, algumas organizações estão evitando</p><p>tal denominação, motivos explicados por Fischer e Falconer (1998, p. 4):</p><p>Esta característica pode ser observada quando se analisa a</p><p>adoção do termo ONG – Organização Não Governamental – pelas</p><p>entidades brasileiras. O termo foi adotado mais por influência dos</p><p>financiadores internacionais do que por uma tendência espontânea</p><p>das organizações brasileiras. Até, pelo contrário, muitas entidades</p><p>atualmente não aceitam esta denominação por considerá-la</p><p>restritiva, ou mesmo porque ela omite princípios e valores que lhe</p><p>são mais caros do ponto de vista ideológico, ou que, na sua opinião,</p><p>expressam com mais clareza sua missão institucional.</p><p>De fato, a imagem das Organizações Sociais colou nas ONGs, mas elas são, na</p><p>verdade, múltiplas e assumem vários formatos. Uma das críticas a essas organizações</p><p>seria sobre uma atuação que serviria apenas a fins privados, não abrangendo a dimensão</p><p>social da questão. Outro ponto seria sobre o enriquecimento de algumas organizações,</p><p>que obtinham lucro irregularmente. Entretanto, as organizações sociais se apresentam</p><p>como uma alternativa que, quando considerados todos os seus preceitos, funcionam</p><p>efetivamente junto à população.</p><p>3.1 HISTÓRICO</p><p>O surgimento das Organizações Sociais acontece no contexto de crise do</p><p>último quarto do século XX, a partir da proposta de Estado mínimo nos anos 1980 pelo</p><p>neoliberalismo, que significa a maior redução possível do Estado na economia, o que</p><p>significou um corte nos programas destinados ao apoio da população. Na década de</p><p>1990 essa proposta começa a se mostrar irreal e se inicia um retorno do Estado a uma</p><p>posição mais atuante.</p><p>O contexto foi agravado pela abertura do capitalismo na década de 1990 e pela</p><p>globalização. O processo de globalização e o fortalecimento das estruturas capitalistas</p><p>no mundo, com o fracasso dos sistemas socialistas, aumentam a competitividade entre</p><p>as empresas, que a partir deste momento não concorrem apenas com as nacionais,</p><p>mas com aquelas situadas em outras partes do mundo.</p><p>Assim, o Estado nacional teve dificuldade em proteger as empresas nacionais e</p><p>os seus trabalhadores, o que levou à crise. “Esta crise levou o mundo a um generalizado</p><p>processo de concentração de renda e a um aumento da violência sem precedentes,</p><p>mas também incentivou a inovação social na resolução dos problemas coletivos e na</p><p>própria reforma do Estado” (BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999, p. 15).</p><p>68</p><p>Uma dessas inovações refere-se justamente ao fortalecimento do controle</p><p>social através do público não estatal. Isso a tal ponto que se pode afirmar que o século</p><p>XXI é o momento em que o público não estatal torna-se chave para a manutenção</p><p>da vida social. Outro ponto que fortalece é a visão dessas organizações como espaço</p><p>possível para a prática da cidadania, tornando efetiva a democracia participativa.</p><p>No Brasil, existem algumas particularidades sobre o histórico dessas</p><p>organizações. Na verdade, desde o período militar, em meados do século XX, o Estado</p><p>brasileiro realizou intervenção maciça na economia. Na década de 1990 esse modelo</p><p>começou a ser criticado, algumas críticas em direção do desvio da função do papel do</p><p>Estado, outras em direção do gasto gerado por essa atuação. Na década de 1990 surge,</p><p>de fato, uma reação a essa conjuntura: “Só em meados dos anos 90 surge uma resposta</p><p>consistente com o desafio de superação da crise: a ideia da reforma ou reconstrução do</p><p>Estado, de forma a resgatar sua autonomia financeira e sua capacidade de implementar</p><p>políticas públicas conjuntamente com a sociedade” (BRASIL, 1997a, p. 8).</p><p>Desta forma, o Estado inicia um processo de repensar o desenvolvimento. Ele</p><p>toma para si outros papéis, o de promotor e regulador do desenvolvimento, deixando</p><p>de se responsabilizar diretamente, como o fazia antigamente. Nesse sentido, por um</p><p>lado, ele deixa a função de prestador direto de serviços sociais, principalmente saúde e</p><p>educação, para assumir a sua regulação. Por outro lado, enquanto promotor, ele oferece</p><p>subsídios a esses novos atores que assumirão essa atuação direta (BRASIL, 1997b).</p><p>Nesse contexto, surgem as Organizações Sociais, figura fundamental para o</p><p>processo da reforma do Estado. O Estado, na verdade, fomenta esse novo ator. Ainda está</p><p>em curso essa troca de atores, da saída do Estado para a ocupação das Organizações</p><p>Sociais, que foi impulsionada pela regularização da sua atuação promovida na última</p><p>década.</p><p>3.2 REALIDADE DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL</p><p>Possuir um título de Organização Social no Brasil, atualmente, garante o</p><p>recebimento de benefícios do Estado, que abrangem dotações orçamentárias, isenções</p><p>fiscais, subsídios etc. Reiterando que as Organizações Sociais devem atender a uma</p><p>demanda específica da comunidade.</p><p>Elas se fazem presentes atualmente na gestão de hospitais, santas casas,</p><p>museus, institutos de fomento à pesquisa, de projetos voltados a algumas áreas</p><p>específicas (saúde e cultura, esporte, no caso de alguns estados), manutenção de</p><p>grupos (como a Fundação Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo).</p><p>69</p><p>FIGURA 7 – OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO – ODM</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.odmbrasil.gov.br/os-objetivos-de-desenvolvimento-do-milenio>.</p><p>Acesso em: 7 dez. 2017.</p><p>Essas Organizações Sociais realizam a gestão do espaço público e querem</p><p>melhorar a vida das pessoas, e, por consequência, a sociedade como um todo.</p><p>O espaço continua sendo público, ou seja, do Estado, mas quem administra os</p><p>recursos, os negócios e as pessoas? Isso significa dizer que a associação de um museu</p><p>faz desde a gestão dos funcionários que ali trabalham até o controle da bilheteria,</p><p>programação cultural, peças e curadoria das peças.</p><p>O Estado de São Paulo foi pioneiro na implantação do sistema na área de saúde.</p><p>A seleção envolve uma convocatória pública exigindo a experiência mínima na área de</p><p>gerenciamento. Esse método visa garantir que entidades sólidas assumam a frente das</p><p>instituições e o sucesso do modelo.</p><p>O trabalho e o estudo são compreendidos como essenciais para humanizar o</p><p>indivíduo. Além disso, o trabalho principal é aquele que provê os meios de vida. Já o estudo</p><p>é responsável pelo desenvolvimento humano. São eles que transformam as pessoas e</p><p>a sua realidade (SCHERER-WARREN, 2000). Nesse sentido, há um intenso investimento</p><p>na educação dentro dos acampamentos, não financeiro, mas de conhecimento humano</p><p>através de parcerias com universidades e capacitação constante dos professores.</p><p>Assim, o Movimento Sem-Terra amplia sua dimensão de atuação:</p><p>O objetivo material imediato (a terra) ‘não basta’, como dizem, deve</p><p>vir acompanhado de lutas pelos direitos sociais (a cidadania plena) e</p><p>em direção à construção de uma sociedade mais justa (a socialista).</p><p>Para atingir este objetivo é que a educação, considerada como um</p><p>direito essencial, deve se desenvolver como um processo que inclui</p><p>educação formal (ensino fundamental) e informal (participação</p><p>no movimento, nas mobilizações, em ações de solidariedade etc.),</p><p>incluindo neste processo todas as gerações e gêneros (SCHERER-</p><p>WARREN, 2000, p. 48).</p><p>70</p><p>Segundo avaliação da experiência de São Paulo pelo Banco Mundial em 2006</p><p>(apud CAMARGO et al., 2013), a solução gerou uma experiência de modernização</p><p>positiva em relação ao modelo anterior, mais produtiva e barata. Entretanto, há muitas</p><p>críticas na proposta, a primeira seria o desvio de função, com alta probabilidade de as</p><p>organizações passarem a atuar para fi ns privados; segundo, que há pouca transparência</p><p>na sua atuação em relação à disponibilidade de informações (CAMARGO et al., 2013).</p><p>Isso não apenas por parte das organizações, como também a postura do próprio Estado.</p><p>4 AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS</p><p>No Brasil, as Organizações Não Governamentais (as ONGs) surgem no país no</p><p>contexto da entrada da sociedade civil de forma orgânica, quer dizer, da sua participação</p><p>efetiva nos rumos do país através da política. Isso acontece nas últimas décadas do</p><p>século XX, ou seja, pouco mais de 20 anos.</p><p>Entretanto, qual seria de fato o espaço ocupado pelas ONGs em relação à</p><p>sociedade civil na atualidade? Elas atuam politicamente? “[...] no Brasil, temas como</p><p>direitos humanos, meio ambiente e fome têm tido como porta-voz, em grande parte,</p><p>um conjunto de ONGs, que toma a iniciativa diante do Estado, propondo políticas</p><p>diretamente ao Poder Executivo ou pressionando o Congresso Nacional para aprovações</p><p>de leis” (PINTO, 2006, p. 654).</p><p>Exercendo o papel de pressionar governantes, as ONGs tratam de temas</p><p>relativos a grupos e questões não trabalhadas sistematicamente, entre outras formas</p><p>de atuação política. Como exemplo, podemos citar a questão do meio ambiente. Dentro</p><p>das plataformas dos partidos, recentemente a discussão surgiu, e mesmo assim algo</p><p>ainda raso, que não compreende o problema de forma profunda.</p><p>É interessante pensar que quem começa com as discussões ambientais são as ONGs. Na</p><p>Amazônia, não se sabe ao certo o número de ONGs que atuam. As informações variam de</p><p>1.000 a 100.000. Abaixo, seguem os símbolos de algumas delas.</p><p>IMPORTANTE</p><p>71</p><p>Outros temas relativos a grupos minoritários no país, como sobre as mulheres,</p><p>direitos homoafetivos, indígenas, moradores de rua, são sistematicamente trabalhados</p><p>e elaborados pelas ONGs. É bom esclarecer que as vozes desses grupos não são</p><p>substituídas pelas ONGs, mas elas servem como intermediadoras na realização de</p><p>projetos e sistematização das demandas, já que possuem uma preocupação maior em</p><p>termos de organização que os movimentos sociais (PINTO, 2006). Dentro das ONGs</p><p>também atuam indivíduos pertencentes a essas minorias, não existe uma fronteira, mas</p><p>uma integração.</p><p>No que concerne às formas como as ONGs se movem no espaço</p><p>público, vale chamar a atenção para o potencial de construção</p><p>de redes, abrangendo os espaços locais, regionais e globais,</p><p>como também as potencialidades de incluir, nessas redes, desde</p><p>organizações internacionais, como as do sistema ONU e fundações</p><p>financiadoras, até grupos semimarginalizados em bairros da periferia</p><p>das grandes cidades. A noção de rede em relação às ONGs pode</p><p>ser pensada de duas formas: uma é a rede entre ONGs incluindo</p><p>também os movimentos sociais, na qual cada</p><p>organização é ponto</p><p>de transmissão para outras, maiores ou menores, locais ou globais.</p><p>Outra forma de pensar a rede é como um espaço tridimensional</p><p>onde as ONGs funcionam não apenas como pontos de transmissão,</p><p>mas como pontos nodais, que acumulam e distribuem informações,</p><p>acumulam poder, credenciam-se como representantes fazendo a</p><p>ligação entre o Estado e a sociedade em geral (PINTO, 2006, p. 658).</p><p>Dessa forma, as ONGs adquirem poder, conseguem estabelecer pontes entre</p><p>diferentes grupos. Por um lado, isso é positivo, pois elas conseguem fazer ressoar as</p><p>vozes daqueles que pouco seriam ouvidos e colocar suas demandas aos governos.</p><p>Por outro lado, esse poder pode ser perigoso, quando as populações apoiadas por</p><p>essas ONGs passam a depender de sua atuação, ou seja, as ONGs podem desenvolver</p><p>territórios de domínio, não estimulando a prática da cidadania e a busca dos direitos por</p><p>si mesmo, mas uma dependência de sua atuação.</p><p>O fato é que as ONGs possuem na realidade brasileira contemporânea uma</p><p>atuação política real e que conseguem pressionar o governo por uma atuação mais</p><p>social. O espaço significa uma atuação política potencial, mas não existem limites das</p><p>ações. Elas “não podem ser vistas de maneira simplista, como substitutas de partidos</p><p>políticos, do Estado ou mesmo dos movimentos sociais. Suas ações têm limites, entre</p><p>eles o fato de serem fragmentadas, atingirem o conjunto da sociedade de forma limitada</p><p>e dependerem de financiamentos pontuais” (PINTO, 2006, p. 667).</p><p>O diretor Sergio Bianchi desenvolve uma crítica sobre a atuação das ONGs</p><p>no Brasil. Busque e assista!</p><p>DICAS</p><p>72</p><p>O que se espera de uma sociedade que se vê desafiada pelos seus indivíduos é</p><p>que ela seja capaz de:</p><p>• orientar as pessoas e os recursos materiais e financeiros para a promoção humana;</p><p>• manter uma atitude crítica frente às propostas políticas vigentes;</p><p>• vivenciar o espírito de partilha e ajuda mútua na comunidade educativa;</p><p>• realizar campanhas comunitárias diante das situações emergentes.</p><p>A participação ativa e efetiva das pessoas na vida política e social é um grande</p><p>desafio, pois tem como objetivo externar a cidadania que todos almejam. O que ainda</p><p>vemos é que conceitos como cidadania, os direitos e deveres do cidadão, algo que</p><p>deveria estar entranhado em nossas vidas, não são tão conhecidos, muito menos</p><p>praticados em nossa sociedade. São só conceitos.</p><p>73</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Tradicionalmente, as organizações são pensadas e divididas a partir de uma lógica</p><p>política administrativa que dirige a organização, partindo de dois pontos: de ordem</p><p>pública, ou de ordem privada.</p><p>• O surgimento das Organizações Sociais acontece no contexto de crise do último</p><p>quarto do século XX.</p><p>• Exercendo um papel de pressão, as ONGs tratam de temas relativos a grupos e</p><p>questões não trabalhadas sistematicamente, entre outras formas de atuação política.</p><p>• A participação ativa e efetiva das pessoas na vida política e social é um grande</p><p>desafio, como forma de externar a cidadania que todos almejam.</p><p>74</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Os direitos humanos são compartilhados por todos os indivíduos,</p><p>contudo, a charge mostra a violação deles em um período específico</p><p>da história brasileira: a ditadura militar. A personagem, através de</p><p>uma fala irônica, narra fatos que aconteceram na época. A partir</p><p>desse contexto, analise as sentenças a seguir:</p><p>I- A charge mostra a violação do direito à vida por conta das perseguições e mortes</p><p>ocorridas.</p><p>II- Segundo a charge, os direitos humanos são respeitados universalmente em todos</p><p>os períodos da história.</p><p>III- A charge mostra um contexto histórico de grandes liberdades para o indivíduo se</p><p>expressar, apesar das perseguições narradas.</p><p>IV- A charge mostra a violação do direito à liberdade, tanto pela perseguição aos</p><p>indivíduos como pela censura da imprensa e intelectuais.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://historianovest.blogspot.com/2010/07/charges-declaracao-dos-direitos-hu-</p><p>manos.html>. Acesso em: 3 fev. 2014</p><p>75</p><p>2 Com os protestos de junho de 2013, veio à tona a insatisfação</p><p>popular quanto aos rumos como a política no Brasil está sendo</p><p>gestada. Entretanto, deve-se ter conhecimento dos espaços e</p><p>atores políticos para além do governo que aproximam a sociedade</p><p>civil de uma ação mais contundente. Sobre o tema, associe os itens, utilizando</p><p>o código a seguir:</p><p>Agora, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) Somente a sentença IV está correta.</p><p>b) ( ) As sentenças I e III estão corretas.</p><p>c) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.</p><p>d) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.</p><p>I- Conferências de Políticas Públicas.</p><p>II- Organização Social.</p><p>III- Organização Não Governamental (ONG).</p><p>( ) Cuidam de grande parte de temas referentes às minorias, ou seja, os indígenas, as</p><p>mulheres, os homoafetivos.</p><p>( ) Debatem políticas públicas, sendo imprescindível a participação popular.</p><p>( ) Realizam a gestão de espaços públicos, como hospitais, museus.</p><p>Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) III - I - II.</p><p>b) ( ) I - II - III.</p><p>c) ( ) II - III - I.</p><p>d) ( ) III - II - I.</p><p>76</p><p>77</p><p>CULTURA E ARTE</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>A cultura e a arte são áreas que interagem entre si e com as demais áreas</p><p>de conhecimento. Estudar, pesquisar e refletir sobre as diferentes culturas e suas</p><p>manifestações artísticas possibilita a compreensão da vida e das relações entre os</p><p>sujeitos no meio social. A cultura, assim como a arte, é dinâmica, vai mudando conforme</p><p>o tempo e o espaço. A cultura e a arte devem ser estudadas a partir de três concepções:</p><p>erudita, popular e de massa.</p><p>A cultura erudita é aquela proveniente de estudos, pesquisas e que geralmente</p><p>está associada às instituições acadêmicas, por se tratar de um processo de legitimação.</p><p>A arte está associada a esta área, pois envolve a compreensão de conhecimentos</p><p>artísticos, históricos, filosóficos e sociais. Assim, a arte erudita, também conhecida como</p><p>a de vanguarda, é concebida conhecendo lugares como galerias de arte, exposições e</p><p>museus, bem como toda a estrutura e dinâmica de mediação que ocorrem entre os</p><p>locais e o espectador, propondo humanização dos sentidos.</p><p>Já a cultura de massa surge com as novas tecnologias e com os meios de</p><p>comunicação, como: jornais, televisão, rádio, cinema, música, internet, entre outros.</p><p>A cultura de massa tem relação com o consumismo, devido à influência que a mídia</p><p>exerce. A arte está relacionada à cultura de massa, devido à tecnologia utilizada e à</p><p>grande quantidade de signos criados.</p><p>E, por último, a cultura popular, que está relacionada ao que pertence à maioria</p><p>do povo e que não é ensinada necessariamente em espaços formais de educação.</p><p>É a definição de várias áreas de conhecimento, como: folclore, dança, música, festa,</p><p>literatura, arte, artesanato etc. O conhecimento da cultura popular é passado de geração</p><p>a geração.</p><p>Desta forma, caro acadêmico, convidamos você para primeiramente compreender</p><p>a cultura e a arte e como essas áreas de conhecimento interagem com o meio social.</p><p>2 CULTURA</p><p>A cultura é um aspecto social mutante em constante questionamento, pois é</p><p>considerada por muitos pesquisadores como representação da intervenção da sociedade</p><p>nos ambientes, sendo por isso difícil de conceituar. Para José Luiz dos Santos (2006, p. 45):</p><p>UNIDADE 1 TÓPICO 5 -</p><p>78</p><p>Cultura é uma construção histórica, seja como concepção, seja como</p><p>dimensão do processo social. Ou seja, a cultura não é algo natural,</p><p>não é decorrência de leis físicas e biológicas. Ao contrário, a cultura</p><p>é produto coletivo da vida humana. Isso se aplica não apenas à</p><p>percepção da cultura, mas também à sua relevância, à importância</p><p>que passa a ter. Aplica-se ao conteúdo de cada cultura particular,</p><p>produto da história de cada sociedade. Cultura é um território bem</p><p>atual das lutas sociais por um destino melhor. É uma realidade e uma</p><p>concepção que precisam ser apropriadas em favor do progresso</p><p>social e da liberdade, em favor</p><p>da luta contra a exploração de uma</p><p>parte da sociedade por outra, em favor da superação da opressão e</p><p>da desigualdade.</p><p>Nesta perspectiva, a cultura é avaliada como um movimento humano que</p><p>acontece a partir da convivência em grupo e da interação social. Portanto, é necessário</p><p>percebermos as especificidades de cada grupo cultural, para assim observar e descobrir</p><p>os signos existentes em busca da identidade de cada povo.</p><p>São os valores culturais que identificam um povo, uma comunidade e cada</p><p>pessoa. É através da cultura que se pode observar e caracterizar a história de vida, os</p><p>costumes, as crenças e os hábitos de um determinado grupo social.</p><p>José Luiz dos Santos (2006, p. 7) descreve que a cultura é uma preocupação do</p><p>mundo atual, buscando “entender os caminhos que conduziram os grupos humanos às</p><p>suas relações presentes e suas perspectivas de futuro”. O autor, quando relata cultura e</p><p>diversidade, descreve que:</p><p>O desenvolvimento da humanidade está marcado por contatos</p><p>e conflitos entre modos diferentes de organizar a vida social, de</p><p>se apropriar dos recursos naturais e transformá-los, de conceber</p><p>a realidade e expressá-la. A história registra com abundância as</p><p>transformações por que passam as culturas, mais frequentemente</p><p>por ambos os motivos. Por isso, ao discutirmos sobre cultura,</p><p>temos sempre em mente a humanidade em toda a sua riqueza e</p><p>multiplicidade de formas de existência. São complexas as realidades</p><p>dos agrupamentos humanos e as características que os unem e</p><p>diferenciam, e a cultura as expressa.</p><p>Nesse sentido, Eduardo David de Oliveira (2006, p. 155) se manifesta dizendo</p><p>que “o homem é um ser cultural. A cultura é construída, forjada de acordo com os</p><p>acontecimentos da história e criada a partir das contingências, sempre muito singulares,</p><p>das comunidades humanas”.</p><p>A compreensão de cultura é extremamente complexa, pois recebe novas</p><p>definições com o passar do tempo, mas a partir da segunda metade do século XX cria-</p><p>se uma concepção ampliada de cultura, como descreve Marilena Chauí (2008, p. 57):</p><p>79</p><p>A partir de então, o termo cultura passa a ter uma abrangência que</p><p>não possuía antes, sendo agora entendida como produção e criação</p><p>da linguagem, da religião, da sexualidade, dos instrumentos e das</p><p>formas do trabalho, das formas da habitação, do vestuário e da</p><p>culinária, das expressões de lazer, da música, da dança, dos sistemas</p><p>de relações sociais, particularmente os sistemas de parentesco ou</p><p>a estrutura da família, das relações de poder, da guerra e da paz, da</p><p>noção de vida e morte. A cultura passa a ser compreendida como</p><p>o campo no qual os sujeitos humanos elaboram símbolos e signos,</p><p>instituem as práticas e os valores, definem para si próprios o possível</p><p>e o impossível, o sentido da linha do tempo (passado, presente e</p><p>futuro), as diferenças no interior do espaço (o sentido do próximo</p><p>e do distante, do grande e do pequeno, do visível e do invisível), os</p><p>valores como o verdadeiro e o falso, o belo e o feio, o justo e o injusto,</p><p>instauram a ideia de lei, e, portanto, do permitido e do proibido,</p><p>determinam o sentido da vida e da morte e das relações entre o</p><p>sagrado e o profano.</p><p>Na perspectiva de cultura como aprendizagem de saberes cotidianos é</p><p>fundamental que se traga a posição de Waldenyr Caldas (1986, p. 13), ao dizer que o</p><p>pensamento humano cria o modo de vida, os costumes e as regras, dizendo que a</p><p>cultura:</p><p>Quando aplicada ao nosso estilo de vida, ao convívio social, nada tem</p><p>a ver com a leitura de um livro ou aprender a tocar um instrumento,</p><p>por exemplo. Na realidade, o trabalho do antropólogo, estudioso da</p><p>cultura humana, começa pela investigação de culturas, ou seja, pelo</p><p>modo de vida, padrões de comportamento, sistema de crenças, que</p><p>são características de cada sociedade. Noutras palavras, pode-se</p><p>dizer que nenhuma sociedade, nenhum povo, seja ele atrasado ou</p><p>desenvolvido, primitivo ou civilizado, jamais agirá de forma idêntica</p><p>aos demais. Poderá haver, isto sim, algumas semelhanças.</p><p>A cultura pode ser entendida como importante agente para debater o estar</p><p>e ser no mundo, que é entendido como um movimento que está intimamente ligado</p><p>a tudo e a todos os aspectos sociais, culturais, históricos e filosóficos. Segundo José</p><p>Luiz dos Santos (2006, p. 8), “cada realidade cultural tem sua lógica interna, que</p><p>devemos conhecer para que façam sentido suas práticas, costumes, concepções e as</p><p>transformações pelas quais passam”.</p><p>80</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>Analise e responda esta questão da prova ENADE 2007:</p><p>Jornal do Brasil, 3 ago. 2005.</p><p>Tendo em vista a construção da ideia de nação no Brasil, o argumento da</p><p>personagem expressa:</p><p>a) ( ) A afirmação da identidade regional.</p><p>b) ( ) A fragilização do multiculturalismo global.</p><p>b) ( ) O ressurgimento do fundamentalismo local.</p><p>d) ( ) O esfacelamento da unidade do território nacional.</p><p>e) ( ) O fortalecimento do separatismo estadual.</p><p>Cada povo, cada região tem suas especificidades culturais que compreendem</p><p>a sua forma de pensar e de agir, evidenciando a diversidade cultural existente. A partir</p><p>da diversidade cultural compreende-se a identidade cultural de cada povo. Para Oliveira</p><p>(2006, p. 84): “a identidade se constrói com relação à alteridade. Com aquilo que não sou</p><p>eu. É diante da diferença do outro que a minha diferença aparece”. Diferentes nações,</p><p>etnias, identidades regionais, comunidades ou outros tipos de grupos sociais organizam</p><p>e dão sentido à sua existência.</p><p>O Brasil, por exemplo, apresenta uma diversidade cultural ampla, pois é resultado</p><p>de uma miscigenação étnica e cultural, principalmente dos povos indígenas, africanos e</p><p>europeus. Esta miscigenação se dá devido ao processo histórico que ocorreu no Brasil.</p><p>Assim, a educação no Brasil estabeleceu, nas diretrizes e bases da educação</p><p>nacional, a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena no</p><p>currículo escolar da educação básica. A lei tem como propósito o conhecimento desses</p><p>dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos</p><p>81</p><p>negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira, o negro e</p><p>o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas</p><p>social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.</p><p>Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), em seu documento, também</p><p>descrevem sobre Pluralidade Cultural, explicando que o estudo das diferentes</p><p>culturas deve contribuir para a formação de uma nova mentalidade, onde toda forma</p><p>de discriminação e exclusão seja superada, proporcionando ao povo brasileiro “uma</p><p>vivência plena de sua cidadania” (BRASIL, 1997, p. 13).</p><p>Tal perspectiva vem ao encontro da necessidade de ampliar o conhecimento</p><p>cultural, com o propósito de banir aspectos de enxergar apenas a sua cultura específica.</p><p>A partir da concepção de que o ser humano apenas considera o seu modo de vida como</p><p>o “mais correto” e “melhor”, assim, ele age em uma lógica do etnocentrismo. De acordo</p><p>com Meneses (1999, p. 13):</p><p>Etnocentrismo é um preconceito que cada sociedade ou cada</p><p>cultura produz, ao mesmo tempo em que procura incutir, em seus</p><p>membros, normas e valores peculiares. Se sua maneira de ser e</p><p>proceder é a certa, então as outras estão erradas, e as sociedades</p><p>que as adotam constituem ‘aberrações’. Assim, o etnocentrismo</p><p>julga os outros povos e culturas pelos padrões da própria sociedade,</p><p>que servem para aferir até que ponto são corretos e humanos os</p><p>costumes alheios. Desse modo, a identificação de um indivíduo com</p><p>sua sociedade induz à rejeição das outras.</p><p>Por meio do conhecimento da diversidade cultural é possível distanciar</p><p>pensamentos etnocêntricos que promovem o preconceito. Entende-se que conhecendo</p><p>a cultura do outro em um contexto de diversidade pode-se identificar e valorizar cada</p><p>movimento cultural de forma a promover uma vivência plena com respeito e ética social.</p><p>Entende-se que conhecendo a cultura do outro em um contexto de diversidade se pode</p><p>identificar e valorizar cada movimento cultural, de forma a distanciar preconceitos e</p><p>desigualdades.</p><p>3 ARTE</p><p>“A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas,</p><p>como se sente que são”. (Fernando Pessoa, 1986)</p><p>Desde a pré-história o ser humano está cercado de fenômenos artísticos, como</p><p>desenho, gravura, pintura, dança, escultura, música, literatura, entre outros. Atualmente,</p><p>percebe-se uma grande variedade de práticas artísticas que permeiam o universo</p><p>cultural, que circundam entre as várias linguagens artísticas, como: artes visuais, artes</p><p>cênicas, dança e música. Ao refletir sobre a arte, alguns questionamentos surgem: O</p><p>que é arte? Que tipo de arte conhecemos? A arte tem alguma função?</p><p>82</p><p>O homem primitivo, por exemplo, precisou criar objetos que correspondessem</p><p>às suas necessidades de sobrevivência, representando por meio de desenhos nas</p><p>cavernas os seus anseios para suas caçadas. A partir da concepção de arte primitiva,</p><p>Marilena Chauí (2008, p. 403) questiona sobre o “que dizem os desenhos nas paredes</p><p>da caverna”. A autora afirma que “o mundo é visível, e para ser visto é que o artista dá</p><p>a ver o mundo”. Com isso, a arte inicialmente teve aspecto de utilidade, mas com o</p><p>passar do tempo, os utensílios e as representações começaram a ser criados pelo prazer</p><p>em si, desvinculando da ideia unicamente de utilidade. Assim, a arte surge com novas</p><p>compreensões, como cita Marilena Chauí (2003, p. 406-407):</p><p>A distinção entre artes da utilidade e artes da beleza acarretou uma</p><p>separação entre técnica (o útil) e arte (o belo), levando à imagem da</p><p>arte como ação individual espontânea, vinda da sensibilidade e da</p><p>fantasia do artista como gênio criador. Enquanto o técnico é visto</p><p>como aplicador de regras e receitas vindas da tradição ou da ciência,</p><p>o artista é visto como dotado de inspiração, entendida como uma</p><p>espécie de iluminação interior e espiritual misteriosa, que leva o</p><p>gênio a criar a obra.</p><p>O belo para a arte passa a ser concebido pela experiência artística. A partir da</p><p>abordagem do belo ou juízo do gosto, a arte também é estudada por uma disciplina</p><p>filosófica que é conhecida como estética. A palavra estética é a tradução da palavra</p><p>grega aesthesis, que significa conhecimento sensorial, experiência e sensibilidade. A</p><p>estética estuda as sensações que a arte provoca no ser humano, desde sensações boas</p><p>até sensações que causam desconforto, inquietude, aflição etc.</p><p>A partir das manifestações artísticas criadas desde a pré-história até</p><p>a contemporaneidade, percebe-se que diferentes povos culturais criam suas</p><p>particularidades artísticas, como é o caso, por exemplo, das culturas indígenas. Os</p><p>povos indígenas, devido aos saberes ancestrais, se apropriam de elementos da sua</p><p>etnia para conceber o belo por meio das manifestações culturais. A pintura corporal dos</p><p>povos indígenas tem representação ritualística, desta forma, cada sociedade assume</p><p>um significado artístico diferente, como é o caso da pintura corporal na atualidade, que</p><p>é representada pela tatuagem, e esta tem apenas o significado de decorar.</p><p>A arte tem inúmeras possibilidades de definição, pois se compreende como uma</p><p>manifestação dinâmica, onde são atribuídos conceitos no tempo e espaço.</p><p>A arte é muitas coisas. Uma das coisas que a arte é, parece, é uma</p><p>transformação simbólica do mundo. Quer dizer: o artista cria um</p><p>mundo outro – mais bonito ou mais intenso ou mais significativo, ou</p><p>mais ordenado – por cima da realidade imediata [...]. Naturalmente,</p><p>esse mundo do outro que o artista cria ou inventa nasce de sua</p><p>cultura, de sua experiência de vida, das ideias que ele tem na cabeça,</p><p>enfim, de sua visão de mundo [...] (GULLAR, 1982 apud CHAUÍ, 2003,</p><p>p. 271).</p><p>83</p><p>A palavra arte deriva do latim ars, artis, que significa profissão ou habilidade</p><p>natural ou adquirida. Também corresponde ao termo grego tékhne, “técnica”, que</p><p>significa “toda atividade humana submetida a regras em vista da fabricação de alguma</p><p>coisa” (CHAUÍ, 2003, p. 275). Este conceito também se tem na cultura greco-romana,</p><p>que significava ofício. Assim, a primeira definição da arte estava ligada ao propósito de</p><p>fazer ou produzir. A segunda definição de arte é compreendida como conhecimento,</p><p>visão ou contemplação, isto significa que a obra pode retratar aspectos históricos,</p><p>sociais e educativos. Já a terceira definição está ligada à arte como expressão, que é</p><p>uma experiência com o sensível.</p><p>A partir dessas abordagens, percebe-se que é difícil um conceito definitivo para</p><p>responder o que é arte, pois a arte se transforma, se modifica de acordo com o contexto</p><p>cultural no qual está inserida.</p><p>A obra Mona Lisa, criada pelo artista do Renascimento Leonardo da Vinci, é</p><p>tida como um exemplo de obra de arte que é conhecida por grande parte da população</p><p>mundial. Seu misterioso sorriso é pesquisado e admirado por muitos.</p><p>FIGURA 8 – LEONARDO DA VINCI. MONA LISA. 1503–1507</p><p>Óleo sobre madeira de álamo, color. 77 cm x 53,5 cm. Museu do Louvre, Paris.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Mona_Lisa#/media/File:Mona_Lisa,_by_Leonardo_da_</p><p>Vinci,_from_C2RMF_retouched.jpg>. Acesso em: 20 maio 2015.</p><p>84</p><p>Séculos depois de Leonardo da Vinci, o artista do movimento artístico Dadaísmo,</p><p>Marcel Duchamp, atuou como um dos maiores expoentes da vanguarda artística</p><p>do século XX. Duchamp reproduziu a obra original Mona Lisa em cartões postais,</p><p>desenhando na imagem um bigode e escrevendo embaixo da mesma: L.H.O.O.Q. A obra</p><p>do artista Duchamp não se trata de uma ofensa à obra original, mas uma brincadeira</p><p>irônica com reverência aos antigos mestres da pintura.</p><p>FIGURA 9 – MARCEL DUCHAMP. MONA LISA (L.H.O.O.Q). 1919. READY-MADE CERTIFICADO</p><p>Lápis sobre produção fotográfica. Color; 17,8 cm x 12 cm. Coleção privada.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://museuhoje.com/app/v1/br/arte/55-marcelduchamp>. Acesso em: 20 maio 2015.</p><p>Foi com o princípio de repensar o sentido de arte do seu tempo que Duchamp</p><p>colocou em questão o que seria arte. Isso leva a pensar que conceituar arte não é</p><p>definitivo, uma vez que cada um pode conceber a obra de uma forma.</p><p>Chauí (2003, p. 403) descreve que “a obra de arte dá a ver, a ouvir, a sentir,</p><p>a pensar, a dizer. Nela e por ela, a realidade se revela como se jamais a tivéssemos</p><p>visto, ouvido, sentido, pensado ou dito”. Assim, para a autora (2003, p. 407), as artes na</p><p>atualidade tornam-se:</p><p>85</p><p>Trabalho da expressão e mostram que, desde que surgiram</p><p>pela primeira vez, foram inseparáveis da ciência e da técnica.</p><p>Assim, por exemplo, a pintura e a arquitetura da Renascença são</p><p>incompreensíveis sem a matemática e a teoria da harmonia e das</p><p>proporções; a pintura impressionista, incompreensível sem a física e</p><p>a óptica, isto é, sem a teoria das cores etc. A novidade está no fato</p><p>de que, agora, as artes não ocultam essas relações, os artistas se</p><p>referem explicitamente a elas e buscam nas ciências e nas técnicas</p><p>respostas e soluções para problemas artísticos.</p><p>Nesta abordagem, a arte parte para a construção de um sentido novo (a obra)</p><p>e o institui como parte da cultura. Segundo Chauí (2008, p. 329), “o artista é um ser</p><p>social que busca exprimir seu modo de estar no mundo na companhia dos outros seres</p><p>humanos, reflete sobre a sociedade, volta-se para ela, seja para criticá-la, seja para</p><p>afirmá-la, seja para superá-la”.</p><p>A obra Guernica, pintada pelo artista do Cubismo, Pablo Picasso, propaga o</p><p>sentido da arte enquanto expressão, pois revela na obra o sentido da dor, do belo, do</p><p>terrível, do sublime, ou seja, mostra por meio da arte o sentido da cultura e da história na</p><p>vida em sociedade. Essa obra retratou o bombardeio que a cidade espanhola Guernica</p><p>sofreu por aviões alemães.</p><p>FIGURA 10 – PABLO PICASSO. GUERNICA. 1937</p><p>Pintura a óleo. 349 cm x 776 cm. Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Guernica_%28quadro%29#/media/File:Mural_del_Ger-</p><p>nika.jpg>. Acesso em: 20 maio 2015.</p><p>Nota-se que a arte é uma ciência do conhecimento</p><p>que representa um elo entre</p><p>o passado, o presente e o futuro, pois demonstra o pensar, o agir e todos os aspectos</p><p>culturais existentes desde o homem primitivo até o homem contemporâneo.</p><p>86</p><p>A arte pertence à cultura erudita, que são as artes desenvolvidas a partir de um</p><p>conhecimento acadêmico, são aquelas que estão dentro de lugares como galerias de</p><p>arte e museus, mas também, a arte faz parte da cultura popular, e este conhecimento</p><p>popular é reconhecido como patrimônio cultural. Para Suíse Monteiro Leon Bordest:</p><p>O patrimônio cultural de um povo é formado pelo conjunto dos</p><p>saberes, fazeres, expressões, práticas e seus produtos, que remetem</p><p>à história, à memória e à identidade de um povo. A preservação</p><p>do patrimônio cultural significa, principalmente, cuidar (reproduzir</p><p>sempre e os manter vivos) dos bens aos quais esses valores estão</p><p>associados, ou seja, cuidar de bens representativos da história</p><p>e da cultura de um lugar ou de um grupo social. A Constituição</p><p>brasileira de 1988, em seus artigos 215 e 216, ampliou a noção de</p><p>patrimônio cultural ao reconhecer a existência de bens culturais</p><p>de natureza material e imaterial e, também, ao estabelecer outras</p><p>formas de preservação – como o registro e o inventário – além do</p><p>tombamento, instituído pelo Decreto nº 25, de 30 de novembro</p><p>de 1937, que determina especialmente a proteção de edificações,</p><p>paisagens e conjuntos históricos urbanos. O patrimônio imaterial</p><p>cuida da preservação dos bens culturais de natureza imaterial, como</p><p>os ofícios e saberes artesanais, as maneiras de pescar, caçar, plantar,</p><p>cultivar e colher, de utilizar plantas como alimentos e remédios, de</p><p>construir moradias, mas também manifestos através das danças</p><p>e músicas, incluindo também os modos de vestir e falar, os rituais</p><p>e festas religiosas e populares, as relações religiosas, sociais e</p><p>familiares que revelam os múltiplos aspectos da cultura cotidiana de</p><p>uma comunidade (apud IPHAN/MinC, 2012).</p><p>Nos dias atuais a arte contemporânea está associada à indústria cultural,</p><p>apropriando-se da tecnologia e das interferências da mídia, fazendo parte da cultura</p><p>de massa. Os meios de comunicação, como a televisão, fotografia, cinema, internet,</p><p>rádio e redes sociais fazem com que o conhecimento artístico seja divulgado com maior</p><p>facilidade e rapidez, de forma acessível a grande parte da população.</p><p>A arte na atualidade ou arte contemporânea, que surgiu mais intensamente a</p><p>partir de 1960, busca romper com aspectos tradicionais da arte. A arte contemporânea</p><p>passa a ser pensada como integrante da vida e do mundo, em que é concebida em</p><p>lugares formais e informais, buscando a participação do público. Tem como característica</p><p>a apropriação de materiais e objetos encontrados no cotidiano. Neste sentido, a obra</p><p>tem um tempo de duração determinado.</p><p>A artista canadense Jana Sterbak fez uma exposição, em 1987, causando</p><p>polêmica por mostrar que o corpo humano, por mais bem vestido e arrumado que esteja,</p><p>não passa de carne e osso.</p><p>87</p><p>FIGURA 11 – JANA STERBAK, VANITAS. VESTIDO DE CARNE PARA ALBINO ANORÉXICO.1987</p><p>FONTE: Disponível em: <http://performatus.net/jana-sterbak/>. Acesso em: 20 maio 2015.</p><p>A arte contemporânea proporcionou aos artistas maior liberdade de criação,</p><p>sendo que ampliou o conceito das linguagens artísticas do que pode ou não ser</p><p>considerado como arte. Desta forma, podemos dizer que a arte contemporânea é uma</p><p>arte conceitual, pois a ideia proposta pelo artista é mais importante que o objeto em si,</p><p>valorizando a experiência que irá causar no público. Desta forma, pode-se pensar a arte</p><p>na atualidade como uma área do conhecimento em uma relação com a natureza, com</p><p>a realidade urbana e com o mundo tecnológico. Com isso surgem diferentes linguagens</p><p>contemporâneas que se articulam, como a pintura, gravura, escultura, desempenho,</p><p>happening, instalação, assemblage, ready-made, fotografia, literatura, video-art, body-</p><p>art, land-art etc.</p><p>88</p><p>RESUMO DO TÓPICO 5</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Estudar, pesquisar e refletir sobre as diferentes culturas e suas manifestações</p><p>artísticas possibilita a compreensão da vida e das relações entre os sujeitos no meio</p><p>social. A cultura e a arte devem ser estudadas a partir de três concepções: erudita,</p><p>popular e de massa.</p><p>• A cultura, assim como a arte, é dinâmica, vai mudando conforme o tempo e espaço,</p><p>e são duas áreas de conhecimento de difícil definição, porém elas interagem entre si</p><p>e com as demais áreas de conhecimento.</p><p>• A cultura é considerada como um movimento humano decorrente da convivência em</p><p>grupo e da interação social. Portanto, é necessária a percepção das especificidades</p><p>de cada grupo cultural, para com elas observar e descobrir os signos existentes em</p><p>busca da identidade de cada povo.</p><p>• É por meio do conhecimento e da valorização da cultura que se pode observar</p><p>e caracterizar a história de vida, os costumes, as crenças e os hábitos de um</p><p>determinado grupo social a fim de distanciar preconceitos e desigualdades.</p><p>• A arte tem sua definição a partir de três concepções: do fazer, do conhecimento e da</p><p>experiência com o sensível. A arte pode ser representada por meio das artes visuais,</p><p>artes cênicas, música e dança.</p><p>89</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (ENADE – 2008, questão 1) O filósofo alemão Friedrich Nietzsche</p><p>(1844-1900), talvez o pensador moderno mais incômodo e</p><p>provocativo, influenciou várias gerações e movimentos artísticos. O</p><p>Expressionismo, que teve forte influência desse filósofo, contribuiu</p><p>para o pensamento contrário ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico</p><p>através do embate entre a razão e a fantasia. As obras desse movimento deixam</p><p>de priorizar o padrão de beleza tradicional para enfocar a instabilidade da vida,</p><p>marcada por angústia, dor, inadequação do artista diante da realidade. Das</p><p>obras a seguir, a que reflete esse enfoque artístico é:</p><p>A B C</p><p>Homem idoso na poltrona. Rem-</p><p>brandt van Rijn – Louvre, Paris.</p><p>Disponível em: <http://www.</p><p>allposters.com>.</p><p>Figura e borboleta. Milton</p><p>Dacosta.</p><p>Disponível em: <http://www.</p><p>unesp.br>.</p><p>O grito. Edvard Munch, Oslo.</p><p>Disponível em: <http://members.</p><p>cox.net>.</p><p>C D</p><p>Menino mordido por um lagarto.</p><p>Michelangelo Merisi (Caravaggio),</p><p>National Gallery, Londres.</p><p>Disponível em: <http://vr.theatre.ntu.</p><p>edu.tw>.</p><p>Abaporu. Tarsila do Amaral.</p><p>Disponível em: <http://tarsilado</p><p>amaral.com.br>.</p><p>90</p><p>91</p><p>POLÍTICA, TECNOLOGIA</p><p>E GLOBALIZAÇÃO: OS</p><p>IMPACTOS SOBRE A</p><p>SOCIEDADE</p><p>UNIDADE 2 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• compreender os fundamentos e concepções sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade;</p><p>• ampliar a percepção acerca das relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade;</p><p>• conceber as tecnologias da informação e comunicação como fator determinante no</p><p>advento da sociedade da informação;</p><p>• contribuir para o debate sobre a sociedade da informação;</p><p>• compreender as práticas de inovação, as comunidades virtuais e seus impactos e</p><p>conhecer novidades tecnológicas existentes;</p><p>• compreender o processo político, social e histórico contemporâneo;</p><p>• refl etir sobre relações de trabalho.</p><p>Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoa-</p><p>tividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE</p><p>TÓPICO 2 – TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC)</p><p>TÓPICO 3 – AVANÇOS TECNOLÓGICOS</p><p>TÓPICO 4 – GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA INTERNACIONAL</p><p>TÓPICO 5 – RELAÇÕES DE TRABALHO</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>92</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 2!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>93</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E</p><p>AMBIENTE</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, para adentrarmos nos assuntos relacionados à Ciência,</p><p>Tecnologia e Sociedade é necessário entendermos os fundamentos de cada tema, e,</p><p>somente então,</p><p>relacionarmos com o todo. Desta forma, convidamos você a discutir</p><p>ciência sob diferentes óticas, analisar definições e pensamentos acerca da tecnologia e</p><p>interpretar a sociedade.</p><p>Abordaremos algumas relações sobre ciência e tecnologia, tratando do contrato</p><p>de neutralidade dessa parceria; trataremos ainda do processo de análise da evolução</p><p>da sociedade sob algumas perspectivas; para, assim, analisar a entrada da participação</p><p>da sociedade nas discussões da já vencida parceria ciência e tecnologia. Somente</p><p>então abordaremos a nova formatação da CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) com</p><p>embasamento nas discussões levantadas pelo trabalho dos pesquisadores Milton</p><p>Santos e Wiebe Bijker. E para finalizar, algumas considerações acerca de modernidade,</p><p>pós-modernidade e globalização.</p><p>2 CIÊNCIA</p><p>Entender eventos, situações ou fatos novos é sempre uma tarefa fácil para você?</p><p>Se fosse designado para a incrível tarefa de defender um determinado episódio, como</p><p>você procederia? Essas indagações fazem-se necessárias para que ampliemos nossos</p><p>horizontes sobre o fato de que as pessoas constroem formas próprias para compreender</p><p>a realidade, seja observando pelo viés cultural, histórico, geográfico, ambiental.</p><p>A mitologia, a arte, a religião e até mesmo a ciência são observadas quando o</p><p>foco é explicar as situações que cercam os seres humanos. Você, com certeza, já deve</p><p>ter ouvido sobre Isaac Newton! Não se recorda? E sobre Isaac Newton e a história da</p><p>maçã que caiu sobre a cabeça dele, originando assim a teoria da gravidade? Ficou mais</p><p>fácil, não? Pois bem, é desta forma que a sociedade explica situações do cotidiano:</p><p>apoiando-se em diferentes pensamentos para defender o que acontece ao seu redor.</p><p>Quando contrapomos a ciência natural à ciência humana podemos perceber</p><p>o jogo de conflitos, pois, conforme Omnés (1996), a ciência é capaz de explicar a</p><p>realidade, bastando para isso princípios, regulamentos e normas. De qualquer maneira,</p><p>94</p><p>tais conflitos são indissociáveis da epistemologia e da política, uma vez que ocorre</p><p>a tentativa de autoridade de uma ciência sobre a outra. Desta forma, a realidade é</p><p>comumente explicada pela ciência.</p><p>A ciência apresenta características que a fazem singular; é cumulativa, ou seja,</p><p>não se costuma descartar informações ou dados obtidos; é computável, permite o devido</p><p>registro de tais informações ou dados, e, apesar dessas características a ciência não é</p><p>irrevogável, o que significa que ela é contestável. Segundo Abbagnano (2000), além de</p><p>utilizar sua própria linguagem, é baseada em métodos e fundamentos epistemológicos,</p><p>o que faz com que seja clara e objetiva.</p><p>Diversos são os métodos utilizados para explicar o cotidiano através da ciência.</p><p>Severino (2007, p. 102) nos diz que um método científico pode ser “um conjunto de</p><p>procedimentos lógicos e de técnicas operacionais que permitem o acesso às relações</p><p>causais constantes entre os fenômenos”. Já para Omnés (1996, p. 272), é “um conjunto</p><p>de regras práticas que permitem garantir a qualidade da correspondência entre a</p><p>representação científica e a realidade”.</p><p>Nessa mesma perspectiva, Omnés (1996) também propõe que o método deve</p><p>cumprir ainda algumas etapas que visam diminuir a distância entre a cientificidade do</p><p>conhecimento e a proposta de explicação do mesmo, que seriam:</p><p>FIGURA 12 – ETAPAS PARA EXPLICAÇÃO DO COTIDIANO ATRAVÉS DA CIÊNCIA</p><p>FONTE: Adaptado de Omnés (1996)</p><p>• EMPÍRICA OU EXPLORATÓRIA</p><p>• análise dos fatos e determinação de regras baseadas na experiência.</p><p>Etapa 1</p><p>Etapa 2</p><p>Etapa 3</p><p>Etapa 4</p><p>• CONCEPÇÃO OU PERCEPÇÃO</p><p>• apropriação de conceitos e criação de princípios.</p><p>• ELABORAÇÃO</p><p>• indicação das consequências dos princípios.</p><p>• CONSTATAÇÃO OU COMPROVAÇÃO</p><p>• aprovação ou não das hipóteses propostas.</p><p>95</p><p>Faz-se de suma importância a compreensão sobre ciência e o conhecimento</p><p>gerado por ela. Porém, não se pode deixar de lembrar que o conhecimento científi co</p><p>avança pelo campo da prática e não só pelo patamar teórico.</p><p>3 TECNOLOGIA</p><p>O que surge no seu pensamento ao ouvir a palavra tecnologia? Porventura</p><p>seriam máquinas sofi sticadas, ou, quem sabe, computadores de última geração?</p><p>Exatamente, esses são sinônimos de tecnologia, mas convidamos você a aprofundar</p><p>seus conhecimentos ainda mais. Veja, pelo menos, outras três vertentes possíveis para</p><p>a utilização dessa palavra, segundo Ferreira (2004):</p><p>1. Linguagem peculiar a um ramo determinado do conhecimento, teórico ou prático.</p><p>2. Conjunto dos processos especiais relativos a uma determinada arte ou indústria.</p><p>3. Aplicação dos conhecimentos científi cos à produção em geral.</p><p>Por mais simplifi cadas que sejam estas três conceituações, elas permitem a</p><p>análise inicial acerca da discussão sobre tecnologia.</p><p>Vamos iniciar falando sobre o conjunto de processos utilizados em uma</p><p>determinada área, neste estamos falando de teoria e prática aliadas a fi m de atingir</p><p>um objetivo. Isso nos faz inferir que o conhecimento científi co não ocorre somente</p><p>na academia, mas também no ambiente de trabalho, ou seja, não só há produção de</p><p>conhecimento científi co no ambiente acadêmico, mas nas prestadoras de serviço, as</p><p>quais testam a teoria promovida pela ciência, agora no campo da prática.</p><p>Há de se destacar uma situação relevante nas questões tecnológicas, no</p><p>âmbito de país, a capacidade de produção de tecnologia também diferencia</p><p>os países desenvolvidos dos em desenvolvimento.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Você consegue perceber, nessa explanação inicial, a ação do ser humano em</p><p>tudo o que se refere à tecnologia? Normalmente, quando se fala nesse assunto, logo</p><p>se pensa em tecnologia de ponta, sondas espaciais, nanotecnologia, enfi m; porém, a</p><p>própria transformação das peles de animais em roupas, dos elementos da natureza em</p><p>utensílios domésticos, o uso do fogo, entre outros ao longo da história, são exemplos de</p><p>tecnologia. E, sim, a tecnologia está presente desde muito cedo na vida do ser humano.</p><p>96</p><p>Maior complexidade há quando analisamos a tecnologia do ponto de vista técnico,</p><p>pois incluímos o campo de atuação da atividade humana e aumentamos os dados acerca</p><p>do que vem a ser tecnologia. Como já exposto, a tecnologia está em todos os meios, seja</p><p>científico, cultural, social; com isso, ratificamos as colocações de que em todas as ações</p><p>humanas há técnica e, portanto, a tecnologia está amplamente disseminada, como</p><p>preconiza Abbagnano (2000). Outrossim, é relacionada às implicações sobre todo esse</p><p>conhecimento desenvolvido; segundo Dias e Silveira (2005), o uso, o aproveitamento e</p><p>os resultados são de acordo com o objetivo para o qual foi desenvolvida e o meio em</p><p>que está inserida.</p><p>FIGURA 13 - A PRIMEIRA RODA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://waz.com.br/blog/2013/08/26/cinco-tecno logias-que-mudaram-o-mundo/>.</p><p>Acesso em: 15 maio 2015.</p><p>Pode-se perceber que a técnica está tão enraizada entre a natureza e o ser</p><p>humano que, para Santos (2006), é quase impossível separá-la, pois o homem já não</p><p>se vê mais sem o uso de tecnologia, que facilita, medeia e auxilia em muitos processos.</p><p>Talvez possa surgir aí um fator de preocupação: substituição (em demasia) dos elementos</p><p>naturais por processos artificiais. Fica a deixa para você pesquisar e analisar o que se</p><p>apresenta de prós e contras nessas questões.</p><p>Agora, partimos para a análise do último item sobre tecnologia, esse pode ser</p><p>traduzido como tecnocracia, ou seja, o uso do conhecimento científico nos demais</p><p>meios, porém, com a divulgação exclusiva a partir do que a ciência e a técnica propõem</p><p>como resultado. Nesse último, tal ação elimina as demais análises feitas a partir da</p><p>concepção política, ideológica e social, o que, por sua vez, pode causar o determinismo</p><p>tecnológico. Não se esqueça, tais ações terão reflexo direto nas questões relacionadas</p><p>à sobreposição das ciências humanas e às ciências da natureza.</p><p>97</p><p>Pelo que foi apresentado nesta breve explanação, pode-se perceber que as ações</p><p>são interligadas e que agem como reação em cadeia. Nesse processo, faz-se necessário</p><p>entender a sociedade como agente integrante e mediador de todos os processos descritos.</p><p>4 SOCIEDADE</p><p>Ao entender a importância de discutir a sociedade como parte integrante de todo</p><p>o processo relacionado à tecnologia, se abre precedentes para muitas indagações. As</p><p>discussões seriam inúmeras, pois haveria necessidade de abrir alinhamentos no mais amplo</p><p>sentido a fim de ajustar as arestas para que se forme o conhecimento acerca do assunto.</p><p>Seja no âmbito político, econômico, social, cultural, ambiental, faz-se necessário apurar o</p><p>contexto em que ocorrem, a fim de compreender seu impacto. Lembrando que a ciência</p><p>humana apresenta grande diversidade de pressupostos metodológicos e epistemológicos,</p><p>e estes serão abordados, através de alguns autores e suas perspectivas, a seguir.</p><p>FIGURA 14 – PERSPECTIVAS DE TEORIAS E SEUS AUTORES SOBRE SOCIEDADE</p><p>• Auguste Comte (1898): teoria do positivismo. Cita três etapas para a evolução</p><p>da humanidade: teológica, metafísica e positiva.</p><p>• Lewis Henry Morgan (1978): mudança social através da integração com a</p><p>descoberta das forças motoras.</p><p>• Osvald Spengler (1932): propõe que as evoluções ocorrem de maneira cíclica</p><p>e que têm período para iniciar e para encerrar.</p><p>• Karl Marx (1867): a mudança na sociedade só ocorre impulsionada pelo</p><p>conflito entre as diferentes classes sociais.</p><p>• Edmund Husserl (1859): apregoava que a sociedade necessitava apenas</p><p>de análise no âmbito da consciência e que o mundo exterior poderia ser</p><p>desconsiderado nesta análise.</p><p>A Sociedade como Organismo.</p><p>A teoria dos ciclos históricos.</p><p>O materialismo histórico e a mudança social.</p><p>Fenomenologia</p><p>FONTE: Adaptado de Tello e Mainardes (2012)</p><p>• Heidegger e Jean-Paul Sartre (1905): apresentaram correntes filosóficas que</p><p>analisavam a relação entre o homem e o mundo, considerando homem um</p><p>ser independente e, portanto, capaz de definir suas próprias ações.</p><p>Existencialismo</p><p>98</p><p>Pode-se perceber que cada autor defende uma linha de pensamento, ora</p><p>específica, ora compartilhada por outro autor, porém, divergentes; no entanto, nas</p><p>propostas de conceituação sobre sociedade, cada um nas suas perspectivas defende</p><p>seus pontos de vista. Vejamos, por exemplo, Comte, em cuja teoria fez uso de leis e</p><p>métodos das ciências naturais, entendendo a sociedade como um grande organismo</p><p>vivo, interligado e interdependente. O principal conceito defendido por Comte era</p><p>de que a sociedade evoluía apenas em uma direção, ou seja, sua postura frente às</p><p>mudanças era conservadora. Com base nesta teoria surgiram outras, nesta mesma</p><p>linha de pensamento, denominadas como Neopositivismo.</p><p>Por outro lado, Spengler entendia que a sociedade evoluía em ciclos que se</p><p>encerravam em grandes períodos, citando como exemplos as sociedades babilônica,</p><p>egípcia, romana.</p><p>Marx, por sua vez, defendia a ideia de que a sociedade, como capitalista,</p><p>começara a dividir as classes sociais e tal divisão proporcionava observar a evolução da</p><p>sociedade num viés de produtividade e capitalismo.</p><p>Husserl tinha grande preocupação com a essência dos objetos e não com o</p><p>materialismo. Desta forma, considerava mais importante a experiência da consciência</p><p>do que os demais fatores materiais ou ideias.</p><p>Michel Foucault defendia a ideia de que o saber estava fortemente ligado ao</p><p>poder, e propunha uma genealogia para analisar a sociedade com a ideia de que o saber</p><p>estaria presente nas relações humanas e nas instituições disciplinadoras.</p><p>Assim, diversas são as teorias acerca da evolução da sociedade, que não se</p><p>encerram e tampouco foram todas apresentadas, mas que permitem dar-nos base para</p><p>analisar, no contexto da sociedade atual, a implicação da sociedade nas práticas atuais.</p><p>Acertadamente, podemos inferir que nenhum fator até aqui estudado age sozinho ou</p><p>de maneira isolada, é no conjunto da obra que a sociedade evolui, a ciência melhora e a</p><p>tecnologia se adapta (BAZZO, 2010).</p><p>5 SOCIEDADE ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA</p><p>Já vimos a definição de tecnocracia, pela qual a ciência passa a ter razão sobre</p><p>tudo e todos. Pois bem, esta visão apresenta um modelo de progresso linear, pelo qual</p><p>o desenvolvimento social é apenas consequência do desenvolvimento proposto pela</p><p>ciência, que, por sua vez, geraria o desenvolvimento tecnológico e, somente então,</p><p>chegaria no desenvolvimento social.</p><p>99</p><p>FIGURA 15 – O PROGRESSO DO PONTO DE VISTA DA TECNOCRACIA</p><p>FONTE: Adaptado de Auler e Delizoicov (2006)</p><p>Quando se trata do modelo linear apresentado, a perspectiva é de que tanto a</p><p>ciência quanto a tecnologia determinam as ações e melhorias, e a sociedade, por sua</p><p>vez, somente as recebe sem possibilidade de interação. Nesse modelo, a relação entre o</p><p>desenvolvimento científico e o social é casual, o que é fortemente criticado; outro fator</p><p>de desagrado nesse modelo, conforme Bourdieu (1983a), é da neutralidade da ciência.</p><p>Segundo ele, esse fator é tido como “utopia de interesses”, ou seja, coloca a ciência</p><p>como melhor explicação da real condição da sociedade.</p><p>Conforme pudemos observar, a tecnocracia, ou seja, a decisão de manter</p><p>apenas uma vertente entre ciência, tecnologia e sociedade não é neutra, pois age sobre</p><p>interesses políticos. O movimento ciência e tecnologia, ainda nos anos 1960 e 1970, foi</p><p>duramente criticado por promover, além do já exposto, problemas ambientais, além da</p><p>aplicação da tecnologia bélica, por exemplo, nas guerras mundiais.</p><p>Foi a partir das décadas de 1960 e 1970 que o movimento de neutralidade</p><p>da dupla ciência e tecnologia perdeu força e a sociedade passou a exercer seu papel</p><p>de analisar criticamente a parceria entre as duas frentes e participar das discussões</p><p>técnico-científicas propostas pelo, agora, grupo (ANGOTTI; AUTH, 2001, AULER; BAZZO,</p><p>2001). A partir desse movimento, outras frentes foram incorporadas às discussões sobre</p><p>o que seria conhecimento científico e tecnológico, bem como suas evoluções.</p><p>Como fora visto, mais precisamente após a II Guerra Mundial, a parceria entre</p><p>ciência e tecnologia passou por profundas mudanças, principalmente por começar a</p><p>levar em conta o bem-estar social. O primeiro avanço foi no sentindo de considerar o</p><p>desenvolvimento tecnológico um dos impulsionadores do progresso. A ciência, de certa</p><p>maneira, também passou por mudanças, ganhando a cada período maior importância.</p><p>Passemos, agora, a analisar algumas reações entre a parceria da ciência, da tecnologia</p><p>e da sociedade, que se deu após essas grandes adequações e modificações.</p><p>100</p><p>6 CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE (CTSA) –</p><p>INTERPRETAÇÕES SOBRE A NOVA FORMAÇÃO</p><p>Sob a nova ótica de formação, agora com o criticismo social, ciência e tecnologia</p><p>passam a ter uma conotação diferente e menos isolada. O ensino de Ciências com enfoque</p><p>ciência, tecnologia, sociedade e ambiente (CTSA) a partir de questões sociocientíficas</p><p>(QSC), “tem por objetivo a emancipação dos sujeitos ao fazer com que eles problematizem</p><p>a ciência e participem de seu questionamento público, engajando-se na construção de</p><p>novas formas de vida e de relacionamento coletivo” (MARTINEZ, 2012, p. 55).</p><p>Para o referido autor, as questões sociocientíficas e a perspectiva CTSA “têm</p><p>em comum o objetivo de focar o ensino de Ciências na formação para a cidadania dos</p><p>estudantes no ensino básico e superior, bem como nos processos de formação cidadã</p><p>mais amplos abrangidos na sociedade”.</p><p>Para contextualizar esta temática, convido-o para analisarmos, juntos, duas</p><p>interpretações, baseadas nos filósofos Wiebe Bijker e Milton Santos.</p><p>6.1 CTS SOB NOVAS ÓTICAS</p><p>Ao debater o tema CTS, procuramos trazer para a conversa a contribuição dos</p><p>seguintes pesquisadores: Wiebe Bijker e Milton Santos.</p><p>Wiebe Bijker (1951- ) é um construtivista social que trabalhou visando estabelecer</p><p>novas bases teóricas e metodológicas entre a CTS. O elo para esta nova parceria seria</p><p>a sociedade e, no momento em que assume este ponto de vista, começa a trabalhar</p><p>com o também construtivista social Trevor Pinch. Ambos envolvidos na divulgação de</p><p>documentos que debatem</p><p>............................................................................................................................ 93</p><p>3 TECNOLOGIA .....................................................................................................................95</p><p>4 SOCIEDADE ......................................................................................................................97</p><p>5 SOCIEDADE ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA ............................................................... 98</p><p>6 CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE (CTSA) – INTERPRETAÇÕES</p><p>SOBRE A NOVA FORMAÇÃO ..............................................................................................100</p><p>6.1 CTS SOB NOVAS ÓTICAS .................................................................................................................100</p><p>6.2 CTS SOB A ÓTICA DE MILTON SANTOS ......................................................................................100</p><p>6.3 CTSA SOB A ÓTICA DE WIEBE BIJKER ........................................................................................103</p><p>7 CARACTERIZANDO O MUNDO ATUAL ............................................................................105</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................107</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................108</p><p>TÓPICO 2 - TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) ............................111</p><p>1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................111</p><p>2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR</p><p>DETERMINANTE NO ADVENTO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO ..................................111</p><p>3 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TIC ............................................. 114</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 118</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 119</p><p>TÓPICO 3 - AVANÇOS TECNOLÓGICOS ............................................................................ 121</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 121</p><p>2 TENDÊNCIAS ORGANIZACIONAIS DO SÉCULO XXI ...................................................... 121</p><p>3 COMUNIDADES VIRTUAIS ..............................................................................................122</p><p>3.1 REDES SOCIAIS .................................................................................................................................. 126</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................... 127</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................128</p><p>TÓPICO 4 - GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA INTERNACIONAL ............................................ 131</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 131</p><p>2 GLOBALIZAÇÃO: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA ....................................................... 131</p><p>2.1 O TERCEIRO SETOR ........................................................................................................................... 134</p><p>3 GLOBALIZAÇÃO: UM BALANÇO .....................................................................................134</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................135</p><p>4 A POLÍTICA INTERNACIONAL ........................................................................................136</p><p>5 O ESTADO MODERNO E O LIBERALISMO .......................................................................136</p><p>6 O NEOLIBERALISMO E A TERCEIRA VIA ........................................................................ 137</p><p>7 TENDÊNCIAS AOS GOVERNOS E À POLÍTICA INTERNACIONAL ..................................138</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4 ...................................................................................................... 140</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 141</p><p>TÓPICO 5 - RELAÇÕES DE TRABALHO .............................................................................143</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................143</p><p>2 ORIGEM/SIGNIFICADO DA PALAVRA TRABALHO ........................................................143</p><p>3 AS MULHERES NO CONTEXTO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL .....................................148</p><p>4 O TRABALHO NOS TEMPOS CONTEMPORÂNEOS ........................................................149</p><p>4.1 AS POSSIBILIDADES DO TRABALHO INFORMAL .......................................................................150</p><p>4.2 RELAÇÕES DE TRABALHO E OS PROCESSOS LEGAIS NO BRASIL .......................................151</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................153</p><p>RESUMO DO TÓPICO 5 .......................................................................................................155</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................156</p><p>UNIDADE 3 — POLÍTICAS PÚBLICAS ................................................................................159</p><p>TÓPICO 1 — POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO .............................................................. 161</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 161</p><p>2 POLÍTICA PÚBLICA ATUAL ............................................................................................. 161</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................... 175</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................178</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 179</p><p>TÓPICO 2 - POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE ...................................................................... 181</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 181</p><p>2 CONCEITO DE SAÚDE .....................................................................................................183</p><p>3 SAÚDE: DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO .......................................................186</p><p>4 AS REDES DE ATENÇÃO EM SAÚDE ..............................................................................187</p><p>5 DIVERSOS ATENDIMENTOS EM SAÚDE ........................................................................190</p><p>5.1 POLÍTICAS DE SAÚDE E PROGRAMAS ESPECÍFICOS ..............................................................191</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................195</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................196</p><p>TÓPICO 3 - HABITAÇÃO E SANEAMENTO ........................................................................199</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................199</p><p>2 DIREITO À MORADIA .......................................................................................................199</p><p>3 SANEAMENTO ................................................................................................................</p><p>o relacionamento entre ciência e tecnologia, e destacando a</p><p>importância da essência social (BENAKOUCHE, 2005).</p><p>Outro pesquisador que traremos para a discussão é Milton Santos (1926-2001),</p><p>um geógrafo brasileiro que, por sua vez, tratou das questões relacionadas à CTS sob a</p><p>ótica da informação.</p><p>6.2 CTS SOB A ÓTICA DE MILTON SANTOS</p><p>Milton Santos traz à luz a discussão do meio ambiente e sua relação com CTS,</p><p>portanto, na visão desse pesquisador já poderíamos usar o conceito CTSA. Ele aborda</p><p>questões como o espaço e a sucessão de relacionamento entre o homem e a natureza,</p><p>bem como a da organização humana. Dessa forma, faz uma interessante análise sobre</p><p>a divisão do espaço geográfico. Para entender melhor, trazemos um trecho do texto</p><p>“A natureza do espaço”, que trata sobre as considerações do autor sobre meio natural,</p><p>meio técnico e meio técnico-científico-informacional.</p><p>101</p><p>O meio natural</p><p>Quando tudo era meio natural, o homem escolhia da natureza aquelas suas</p><p>partes ou aspectos considerados fundamentais ao exercício da vida, valorizando,</p><p>diferentemente, segundo os lugares e as culturas, essas condições naturais que</p><p>constituíam a base material da existência do grupo.</p><p>Esse meio natural generalizado era utilizado pelo homem sem grandes</p><p>transformações. As técnicas e o trabalho se casavam com as dádivas da natureza,</p><p>com a qual se relacionavam sem outra mediação.</p><p>O que alguns consideram como período pré-técnico exclui uma definição</p><p>restritiva. As transformações impostas às coisas naturais já eram técnicas, entre as</p><p>quais a domesticação de plantas e animais aparece como um momento marcante:</p><p>o homem mudando a Natureza, impondo-lhe leis. A isso também se chama técnica.</p><p>Nesse período, os sistemas técnicos não tinham existência autônoma. [...]. A</p><p>harmonia socioespacial assim estabelecida era, desse modo, respeitosa da natureza</p><p>herdada, no processo de criação de uma nova natureza. Produzindo-a, a sociedade</p><p>territorial produzia, também, uma série de comportamentos, cuja razão é a preservação</p><p>e a continuidade do meio de vida. Exemplo disso são, entre outros, o pousio, a rotação</p><p>de terras, a agricultura itinerante, que constituem, ao mesmo tempo, regras sociais e</p><p>regras territoriais, tendentes a conciliar o uso e a “conservação” da natureza: para que</p><p>ela possa ser outra vez utilizada. Esses sistemas técnicos sem objetos técnicos não</p><p>eram, pois, agressivos, pelo fato de serem indissolúveis em relação à Natureza que, em</p><p>sua operação, ajudavam a reconstituir.</p><p>O meio técnico</p><p>O período técnico vê a emergência do espaço mecanizado. Os objetos que</p><p>formam o meio não são, apenas, objetos culturais; eles são culturais e técnicos ao</p><p>mesmo tempo. Quanto ao espaço, o componente material é crescentemente formado</p><p>do “natural” e do “artificial”. Mas, o número e a qualidade de artefatos variam. As áreas,</p><p>os espaços, as regiões, os países passam a se distinguir em função da extensão e</p><p>da densidade da substituição, neles, dos objetos naturais e dos objetos culturais, por</p><p>objetos técnicos.</p><p>Os objetos técnicos, maquínicos, juntam à razão natural sua própria razão,</p><p>uma lógica instrumental que desafia as lógicas naturais, criando, nos lugares atingidos,</p><p>mistos ou híbridos conflitivos. Os objetos técnicos e o espaço maquinizado são lócus de</p><p>ações “superiores”, graças à sua superposição triunfante às forças naturais. Tais ações</p><p>são, também, consideradas superiores pela crença de que ao homem atribuem novos</p><p>poderes, o maior é a prerrogativa de enfrentar a Natureza, natural ou já socializada,</p><p>vinda do período anterior, com instrumentos que já não são prolongamento do seu</p><p>102</p><p>FONTE: Santos (2006, p. 157-161)</p><p>corpo, mas que representam prolongamentos do território, verdadeiras próteses.</p><p>Utilizando novos materiais e transgredindo a distância, o homem começa a fabricar</p><p>um tempo novo, no trabalho, no intercâmbio, no lar. Os tempos sociais tendem a se</p><p>superpor e contrapor aos tempos naturais. [...].</p><p>O meio técnico-científico-informacional</p><p>O terceiro período começa praticamente após a Segunda Guerra Mundial,</p><p>e sua firmação, incluindo os países de terceiro mundo, vai realmente dar-se nos</p><p>anos 70. É a fase a que R. Richta (1968) chamou de período técnico-científico,</p><p>e que se distingue dos anteriores pelo fato da profunda interação da ciência e da</p><p>técnica, a tal ponto que certos autores preferem falar de tecnociência para realçar a</p><p>inseparabilidade atual dos dois conceitos e das duas práticas.</p><p>Essa união entre técnica e ciência vai dar-se sob a égide do mercado. E o</p><p>mercado, graças exatamente à ciência e à técnica, torna-se um mercado global. A ideia</p><p>de ciência, a ideia de tecnologia e a ideia de mercado global devem ser encaradas</p><p>conjuntamente, e desse modo podem oferecer uma nova interpretação à questão</p><p>ecológica, já que as mudanças que ocorrem na natureza também se subordinam a</p><p>essa lógica.</p><p>Neste período, os objetos técnicos tendem a ser ao mesmo tempo técnicos</p><p>e informacionais, já que, graças à extrema intencionalidade de sua produção e de</p><p>sua localização, eles já surgem como informação; e, na verdade, a energia principal</p><p>de seu funcionamento é também a informação. Já hoje, quando nos referimos às</p><p>manifestações geográficas decorrentes dos novos progressos, não é mais de meio</p><p>técnico que se trata. Estamos diante da produção de algo novo, a que estamos</p><p>chamando de meio técnico-científico-informacional.</p><p>Da mesma forma como participam da criação de novos processos vitais e da</p><p>produção de novas espécies (animais e vegetais), a ciência e a tecnologia, junto com</p><p>a informação, estão na própria base da produção, da utilização e do funcionamento</p><p>do espaço e tendem a constituir o seu substrato. [...].</p><p>Podemos então falar de uma cientificização e de uma tecnicização da</p><p>paisagem. Por outro lado, a informação não apenas está presente nas coisas, nos</p><p>objetos técnicos, que formam o espaço, como ela é necessária à ação realizada sobre</p><p>essas coisas. A informação é o vetor fundamental do processo social e os territórios</p><p>são, desse modo, equipados para facilitar a sua circulação. [...].</p><p>Os espaços assim requalificados atendem, sobretudo, aos interesses dos atores</p><p>hegemônicos da economia, da cultura e da política e são incorporados plenamente às</p><p>novas correntes mundiais. O meio técnico-científico-informacional é a cara geográfica</p><p>da globalização.</p><p>103</p><p>Após esta leitura, você conseguiu identificar os aspectos importantes da relação</p><p>entre CTS(A) que Milton Santos aborda? Como você pôde ver, essa questão é analisada</p><p>na perspectiva de que as relações foram sendo estabelecidas ao longo do tempo e</p><p>de maneira dialética. O autor destaca questões que merecem ser reanalisadas, como:</p><p>a necessidade de determinar as características do mundo atual (como modernidade,</p><p>pós-modernidade e globalização), assim como a história das relações entre CTSA. Outro</p><p>ponto que merece ser revisitado são as relações entre CTSA em uma lógica de mercado,</p><p>ou seja, buscar reflexões sobre o sistema produtivo como um todo.</p><p>6.3 CTSA SOB A ÓTICA DE WIEBE BIJKER</p><p>Um dos principais incentivadores do movimento construtivista social foi Wiebe</p><p>Bijker. Para entendermos melhor suas ideias e ideais, compartilharemos um pequeno</p><p>trecho do artigo “Tecnologia é Sociedade: contra a noção de impacto tecnológico”, de</p><p>Benakouche (1999, p. 11-13), que aborda os principais vieses deste pesquisador.</p><p>Sustentando que os vários elementos envolvidos no processo de inovação</p><p>tecnológica constituem uma teia contínua (“seamless web”), Bijker pretende dar</p><p>conta dessa realidade através da elaboração de uma teoria que:</p><p>a) explique tanto a mudança quanto a estabilidade das técnicas;</p><p>b) seja simétrica, ou seja, possa ser aplicada tanto às técnicas que dão certo como</p><p>às que falham;</p><p>c) considere tanto as estratégias inovadoras dos atores como o caráter limitador das</p><p>estruturas; e, finalmente</p><p>d) evite distinções a priori entre o social, o técnico, o político ou o econômico.</p><p>Diante de tal agenda, propõe o uso de alguns</p><p>conceitos básicos e operacionais,</p><p>postos inclusive à prova nos vários estudos de caso que realizou, dentre os quais</p><p>se destacam os de grupos sociais relevantes, estrutura tecnológica (“technological</p><p>frame”), flexibilidade interpretativa (“interpretative flexibility”) e estabilização ou</p><p>fechamento (“closure”).</p><p>Os “grupos sociais relevantes” são aqueles mais diretamente relacionados</p><p>ao planejamento, desenvolvimento e difusão de um artefato dado; na verdade,</p><p>seria na interação entre os diferentes membros desses grupos que os artefatos são</p><p>constituídos. Nesse processo, os atores não agem aleatoriamente, mas segundo</p><p>padrões específicos, isto é, agem a partir das “estruturas tecnológicas” às quais</p><p>estão ligados; esta noção – central, neste quadro analítico-descritivo – é ampla o</p><p>suficiente para incluir teorias, conceitos, estratégias, objetivos ou práticas utilizadas</p><p>na resolução de problemas ou mesmo nas decisões sobre usos, pois não se aplica</p><p>104</p><p>apenas a grupos profissionais especializados, mas a diferentes tipos de grupos</p><p>sociais. Segundo Bijker, existiriam diferentes graus de inclusão nessas estruturas,</p><p>isto é, de envolvimento.</p><p>Na medida em que os grupos atribuem diferentes significados a um mesmo</p><p>artefato, sua construção supõe um exercício de negociações entre esses mesmos</p><p>grupos, onde o uso da retórica é um recurso poderoso, ou seja, é objeto de uma</p><p>“flexibilidade interpretativa”. Quando esta atividade de ajustes se estabiliza e um</p><p>significado é fixado ou aceito, diz-se que o artefato atingiu o estágio de “fechamento”.</p><p>É justamente a prática da flexibilidade interpretativa que retira dos artefatos sua</p><p>obturacidade; é ela que explica porque os mesmos não têm uma identidade ou</p><p>propriedades intrínsecas, as quais seriam responsáveis por seu sucesso ou o</p><p>seu fracasso, seus “impactos” positivos ou negativos. Em outras palavras, o não</p><p>reconhecimento da importância desse processo é que leva à crença equivocada</p><p>do determinismo da técnica. Assim é que tudo, numa tecnologia dada, do seu</p><p>planejamento a seu uso, estaria sujeito a variáveis sociais e, portanto, estaria aberto</p><p>à análise sociológica. No entanto, pode-se perguntar: ao se adotar essa perspectiva</p><p>não se corre o risco de se cair num reducionismo social? Não, respondem os</p><p>pesquisadores identificados com a mesma. O reconhecimento da existência de</p><p>estruturas tecnológicas evitaria esse risco: na medida em que as mesmas influenciam</p><p>a ação dos diferentes grupos sociais relevantes, essas estruturas seriam justamente</p><p>as pontes que ligam tecnologia e sociedade, levando à constituição de conjuntos</p><p>sociotécnicos (BIJKER, 1995).</p><p>Após esta leitura, você pode traçar os principais pontos elencados pelo autor?</p><p>Se você citou a questão da importância de debater as ações dos conceitos</p><p>CTSA em conjunto, com o enfoque nas ações sociais, fez uma excelente leitura. Wiebe</p><p>Bijker foi um dos grandes defensores da participação da sociedade nas discussões</p><p>relacionadas à ciência, e como consequência, demonstra em todos os seus discursos o</p><p>repúdio à parceria entre sociedade e tecnologia.</p><p>A partir das colocações proporcionadas pelos dois autores é possível elencar</p><p>pontos que merecem ser revistos, como a forma com que as comunicações de massa</p><p>são disponibilizadas e utilizadas pela sociedade, assim como a importância da tecnologia</p><p>no cotidiano e a dependência tecnológica.</p><p>105</p><p>7 CARACTERIZANDO O MUNDO ATUAL</p><p>Ao caracterizar o mundo atual, faz-se necessário observar três vertentes</p><p>singulares: modernidade, pós-modernidade e globalização. É importante analisar esses</p><p>três pontos para que se possa avançar nos estudos sobre CTSA. Vamos lá?</p><p>O que vem a ser a modernidade? Para muitos, o conceito de modernidade</p><p>refere-se a ideias bastante controversas, compreendendo desde pequenas práticas a</p><p>formas de perceber, conceber e viver o mundo. Para melhor situá-lo, relembramos três</p><p>grandes eventos: Revolução Industrial, Revolução Francesa e Revolução Científica.</p><p>A pós-modernidade ainda é complexa e a ideia não é amplamente aceita por</p><p>todos os cientistas e pensadores. As dúvidas e diferenças surgiram por volta de 1970</p><p>e 1990, mas ainda assim pode-se verificar duas linhas de discursos, quando o termo é</p><p>pós-modernidade: a da continuidade e a do rompimento.</p><p>FIGURA 16 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS CONCEITOS DE MODERNIDADE, PÓS-MODERNIDADE E</p><p>GLOBALIZAÇÃO</p><p>FONTE: Adaptado de David Harvey (2003)</p><p>Agora, quando o assunto é globalização, o termo é mais conhecido, tendo</p><p>em vista que é assunto atual e amplamente divulgado e trabalhado na mídia. Como</p><p>todo conceito, esse também apresenta seus prós e contras, pois está fortemente</p><p>ligado à maneira como foi apreendido pela sociedade. O marco inicial da globalização</p><p>é fracamente indicado, como no período da Revolução Tecnocientífica, porém, viu-</p><p>se nesse uma importante ferramenta de longo alcance, com ligações para diferentes</p><p>partes do mundo.</p><p>106</p><p>A globalização está amparada, principalmente, nos avanços tecnológicos,</p><p>assim como nas relações sociais e econômicas, no mercado da conectividade e da</p><p>virtualidade. A compressão da globalização, conhecida como compressão tempo-</p><p>espaço, é abordada como sendo a responsável por alterar a forma de comunicação</p><p>entre as pessoas, como a telefonia móvel (HARVEY, 2003). Porém, como tudo tem seu</p><p>outro lado, assim também é na globalização, podendo proporcionar tanto a inclusão</p><p>como a desigualdade social.</p><p>Uma importante observação precisa ser feita sobre esse ponto: deve-se cuidar</p><p>para que os avanços tecnológicos não venham a causar o determinismo tecnológico,</p><p>o que ocasionaria o mesmo pensamento de que a ciência e a tecnologia são neutras.</p><p>Nesse momento, o que se deve buscar é usar a tecnologia como ferramenta e não</p><p>como base.</p><p>107</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A ciência, como forma de explicar a realidade, apresenta as seguintes características:</p><p>linguagem própria; conhecimento acumulável, registrável e refutável; e articulação</p><p>entre procedimentos metodológicos e fundamentos epistemológicos.</p><p>• A tecnologia, como sinônimo de técnica, nos permite pensar das tecnologias mais</p><p>simples até as mais avançadas, como roupa, ferramentas e celulares; e, quando</p><p>falamos em tecnocracia, podemos entender como ideologização da técnica.</p><p>• A sociedade pode ser analisada e interpretada de diversas formas e são vários os</p><p>autores que apresentam algum parecer sobre o tema sociedade.</p><p>• A ciência e a tecnologia apresentam um modelo de crescimento e evolução linear.</p><p>• O movimento que engloba ciência, tecnologia e sociedade está baseado em uma</p><p>visão mais crítica sobre a parceria entre ciência e tecnologia, o que permitiu inserir</p><p>outros pontos para debate das questões sociais, políticas, culturais e econômicas</p><p>acerca da ciência e das tecnologias.</p><p>• Há várias interpretações acerca das relações CTS(A), e as de Milton Santos e Wiebe</p><p>Bijker são duas delas.</p><p>• Os conceitos de modernidade, pós-modernidade e globalização são importantes para</p><p>a discussão acerca de ciência, tecnologia e sociedade, mas apresentam concepções</p><p>e interpretações bastante controversas.</p><p>108</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Leia a charge a seguir:</p><p>2 Com referência à comunicação de massa, identifique a opção</p><p>correta.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www2.uol.com.br/laerte/tiras/>. Acesso em: maio 2015.</p><p>A análise da charge nos remete ao fenômeno da insegurança no emprego, vivido,</p><p>nos dias atuais, por muitas pessoas. Esta insegurança também está atrelada ao</p><p>desenvolvimento de novas tecnologias, o que, por sua vez, tornou-se mais evidente nos</p><p>últimos anos. Com base nos efeitos nocivos, é correto afirmar que:</p><p>a) ( ) Produz sensação de apreensão quanto à continuidade futura de um cargo e/ou</p><p>de um papel dentro do ambiente de trabalho.</p><p>b) ( ) O maior aumento da insegurança no trabalho ocorreu em meados dos anos de</p><p>1990, entre os trabalhadores que exercem atividades manuais.</p><p>c) ( ) Trata-se de um fenômeno recente causado por profundas alterações</p><p>no</p><p>contexto do mercado de trabalho.</p><p>d) ( ) Os estudos apontam que a insegurança no emprego é restrita ao ambiente de</p><p>trabalho, não afetando a saúde e a vida pessoal dos empregados.</p><p>a) ( ) A comunicação de massa engendra um tipo de comunicabilidade do “entre nós”,</p><p>que se reporta aos telespectadores, ouvintes e aos brasileiros, em geral, gerando</p><p>a ilusão de pertencerem a uma comunidade.</p><p>b) ( ) A comunicação de massa caracteriza-se pela divisão entre a figura do emissor</p><p>e a do receptor autorizado e pela negligência do monopólio comunicativo e do</p><p>cerceamento de práticas populares.</p><p>109</p><p>c) ( ) A comunicação de massa fundamenta-se na premissa de que tudo pode ser</p><p>mostrado e dito, não estabelecendo critérios sobre quem pode dizer e quem</p><p>pode ouvir.</p><p>d) ( ) O receptor autorizado tem um espaço da fala para opinar e contradizer, não</p><p>sendo necessário que suas funções sejam definidas na estrutura do campo</p><p>comunicativo.</p><p>e) ( ) Na comunicação de massa, o espaço social sui generis é transformado em</p><p>um espaço social heterogêneo, em que emissor e receptor têm papéis bem</p><p>definidos.</p><p>110</p><p>111</p><p>TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E</p><p>COMUNICAÇÃO (TIC)</p><p>UNIDADE 2 TÓPICO 2 -</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, ao falarmos das tecnologias da informação e comunicação</p><p>como fator determinante no advento da sociedade da informação, estamos a falar</p><p>das transformações resultantes do processo da globalização de mercados e dos</p><p>avanços do uso dos processos tecnológicos na vida cotidiana dos indivíduos. Desse</p><p>mosaico de transformações exercidas pelos meios tecnológicos na vida cotidiana dos</p><p>indivíduos emerge o conceito de sociedade da informação. Sob este prisma, o que</p><p>iremos apresentar nas próximas páginas busca assinalar as tecnologias da informação</p><p>e comunicação como fator determinante no advento da sociedade da informação.</p><p>Portanto, esperamos que este tópico possa contribuir, de certa forma, para inseri-lo no</p><p>debate sobre a sociedade da informação e que sirva de ferramenta para expandir o seu</p><p>horizonte pensante.</p><p>2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO</p><p>(TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA</p><p>SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO</p><p>Nos últimos anos do século XX o mundo vem adquirindo uma nova configuração,</p><p>fundamentada nas tecnologias da informação e da comunicação. A sociedade pós-</p><p>industrial vem sofrendo modificações de forma acelerada, reestruturando o capitalismo,</p><p>na medida em que todas as economias do planeta passam a interdepender umas das</p><p>outras, em escala global.</p><p>Diante disso, observa-se que as grandes organizações mundiais passam por um</p><p>processo de descentralização e interconexão das empresas, exemplos desse processo</p><p>são: o aumento do capital frente ao trabalho, com o declínio do sindicalismo e crescente</p><p>desemprego e a incorporação massiva da mulher no mundo do trabalho.</p><p>112</p><p>FIGURA 17 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://webquests.edufor.pt/webquest/soporte_horizontal_w.php?id_activida-</p><p>d=2826&id_pagina=1>. Acesso em: maio 2015.</p><p>Com o crescente aumento do uso das Tecnologias da Informação e de</p><p>Comunicação nos diversos setores da atividade humana, bem como a sua integração às</p><p>facilidades das telecomunicações, tornou-se evidente a possibilidade de ampliar cada</p><p>vez mais, tanto o acesso à informação, quanto o desenvolvimento de novos meios que</p><p>proporcionem de forma rápida sua distribuição no campo das pesquisas científicas. As</p><p>atividades tradicionais, como a leitura, a escrita, o correio, o comércio, a publicidade ou o</p><p>ensino, em atividades realizadas em ambientes virtuais, passam agora a ser capturadas</p><p>por esses novos dispositivos tecnológicos de informática, cada vez mais avançados.</p><p>Esse processo, que teve a sua origem no fim dos anos 1960 e início dos anos</p><p>1970, não foi, por si só, responsável pela nova forma de organização social. Centrado</p><p>na ideia de informação e comunicação, o uso das TIC resultou da interação de três</p><p>processos independentes: revolução da tecnologia da informação; da economia (crise</p><p>econômica do capitalismo e do estatismo e a consequente reestruturação de ambos);</p><p>e apogeu de movimentos sociais e culturais, tais como a afirmação das liberdades</p><p>individuais, dos direitos humanos, do feminismo e do ambientalismo (CASTELLS, 2001).</p><p>Na escala societária, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)</p><p>constituíam um limiar sobre o qual se sucediam os acontecimentos políticos, militares ou</p><p>científicos, tornando-se desta forma uma expressão de competição global, cuja lógica</p><p>encontrava-se inserida dentro de uma economia informacional/global; e uma nova</p><p>cultura, a cultura da virtualidade real, em que a sociedade e a cultura estão subjacentes</p><p>à ação e às instituições sociais em um mundo interdependente. A interação entre esses</p><p>processos e as reações por eles desencadeadas fez surgir uma nova estrutura social</p><p>dominante, a sociedade em rede.</p><p>Na época atual, as chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)</p><p>constituem ferramentas indispensáveis no processo de fortalecimento e integração das</p><p>nações na nova cadeia global. Segundo Castells (2001), esse processo foi de extrema</p><p>113</p><p>importância, pois seu papel conferiu uma dinâmica e formação de redes das diversas</p><p>esferas da atividade humana. Esta nova lógica preponderante de redes, sobre a qual a</p><p>nova sociedade se assenta, transformou todos os domínios de vida social e econômica.</p><p>Por intermédio da tecnologia, redes de capital, de trabalho, de</p><p>informação e de mercados conectaram funções, pessoas e locais</p><p>valiosos ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que desconectaram</p><p>as populações e territórios desprovidos de valor e interesse para</p><p>a dinâmica do capitalismo global. Seguiram-se exclusão social e</p><p>não pertinência econômica de segmentos de sociedades, de áreas</p><p>urbanas, de regiões e de países inteiros, constituindo o que chamo</p><p>de ‘o Quarto Mundo’. A tentativa desesperada de alguns desses</p><p>grupos sociais e territórios para conectar-se à economia global e</p><p>escapar da marginalidade levou a uma situação que chamo de ‘a</p><p>conexão perversa’, quando o crime organizado em todo o mundo</p><p>tirou vantagem de sua condição para promover o desenvolvimento</p><p>da economia do crime global. O objetivo é satisfazer o desejo proibido</p><p>e fornecer mercadorias ilegais à contínua demanda de sociedades e</p><p>indivíduos abastados (CASTELLS, 1999, p. 411).</p><p>A fim de compreender o surgimento das novas formas de organização social por</p><p>conta das tecnologias informacionais, devemos observar os resultados dessa “revolução</p><p>tecnológica na estrutura social”, a saber:</p><p>• informação e conhecimento estão profundamente inseridos na cultura das</p><p>sociedades;</p><p>• as novas tecnologias da informação agregam processos de produção, distribuição e</p><p>direção, permitindo diferentes tipos de atividades interligadas de acordo com o modo</p><p>organizativo que se ajusta melhor à estratégia da empresa ou à história da instituição.</p><p>Três conceitos surgem dessa transformação fundamental do modo em que o sistema</p><p>de produção opera e, juntos, formam as bases atuais da nova economia e forçarão a</p><p>redefinição da estrutura ocupacional, além do sistema de classes da nova sociedade:</p><p>articulações entre as atividades; redes que configuram as organizações; e fluxos de</p><p>fatores de produção e de mercadorias; flexibilidade e adaptabilidade são necessidades</p><p>fundamentais para a direção de organizações, pois complexidade e incerteza são</p><p>características essenciais do novo meio ambiente organizacional;</p><p>• as novas tecnologias de comunicação têm um impacto direto sobre os meios de</p><p>comunicação e sobre a formação de imagens, representações e opinião pública</p><p>em suas sociedades, resultando em uma tensão crescente entre globalização e</p><p>individualização no universo dos audiovisuais;</p><p>• as fontes de poder na sociedade e entre as sociedades são alteradas pelo caráter</p><p>estratégico das tecnologias e da informação na produtividade da economia e na</p><p>eficácia das instituições sociais. A habilidade de promover a mudança tecnológica</p><p>está relacionada</p><p>diretamente com a habilidade de uma sociedade para difundir e</p><p>intercambiar informações e relacioná-las com o restante do mundo.</p><p>114</p><p>3 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TIC</p><p>Desde os primórdios da humanidade, o homem sempre sentiu a necessidade de</p><p>se comunicar com os outros homens. As novas tecnologias vêm efetuando mudanças</p><p>sociais drásticas nos diversos segmentos da sociedade. As chamadas Tecnologias da</p><p>Informação e Comunicação (TIC) têm se apresentado como um fator decisivo na nova</p><p>organização social, sem precedentes na história.</p><p>O próprio capitalismo passa por um processo de profunda</p><p>restauração, caracterizado por maior flexibilidade de gerenciamento;</p><p>descentralização das empresas e sua organização em redes tanto</p><p>internamente quanto em suas relações com outras empresas;</p><p>considerável fortalecimento do papel do capital vis-à-vis o trabalho,</p><p>com o declínio concomitante da influência dos movimentos de</p><p>trabalho; incorporação maciça das mulheres na força de trabalho</p><p>remunerada, geralmente em condições discriminatórias; intervenção</p><p>estatal para desregular os mercados de forma seletiva e desfazer</p><p>o estado do bem-estar social com diferentes intensidades e</p><p>orientações, dependendo da natureza das forças e instituições</p><p>políticas de cada sociedade; aumento da concorrência econômica</p><p>global em um contexto de progressiva diferenciação dos cenários</p><p>geográficos e culturais para acumulação e a gestão de capital</p><p>(CASTELLS, 1999, p. 21).</p><p>Primeiramente, para melhor compreender o conceito de Tecnologias da</p><p>Informação e Comunicação - TIC e o seu papel nas sociedades atuais, de forma a dar</p><p>uma “robustez” mais ampla às nossas reflexões, faremos um pequeno aporte histórico</p><p>sobre o conceito de tecnologia em Manuel Castells. Neste sentido, segundo afirma o</p><p>autor (1999, p. 24):</p><p>Para dar os primeiros passos nessa direção, devemos levar a</p><p>tecnologia a sério, utilizando-a como ponto de partida desta</p><p>investigação; devemos localizar esse processo de transformação</p><p>tecnológica revolucionária no contexto social em que ele ocorre e</p><p>pelo qual está sendo moldado; e devemos lembrar que a busca pela</p><p>identidade é tão poderosa quanto a transformação econômica e</p><p>tecnológica no registro da nova história.</p><p>O termo tecnologia provém do verbo grego tictein, que significa "técnica, arte,</p><p>ofício", juntamente com o sufixo "logia", que significa "estudo", portanto, o conhecimento</p><p>prático que almeja alcançar um determinado fim concreto.</p><p>O Dicionário de Sociologia, de Alan Johnson (1997), indica a palavra “tecnologia”</p><p>como o repositório acumulado de conhecimento cultural sobre ambientes físicos e seus</p><p>recursos materiais, com vistas a satisfazer desejos e vontades. Contudo, segundo afirma</p><p>Johnson (1997), tecnologia não pode ser confundida com a ciência, na medida em que</p><p>ela consiste de conhecimentos práticos sobre como usar recursos materiais, ao passo</p><p>que a ciência consiste de conhecimento abstrato e teorias sobre como o processo do</p><p>conhecimento se constrói.</p><p>115</p><p>Na sociedade industrial, o conceito de tecnologia esteve associado à forma</p><p>de produto, passando, portanto, a não mais designar a forma de produção, ou seja,</p><p>concentra-se nos produtos, nos processos, nos equipamentos e nas operações.</p><p>Assim, na visão de Masi (1999), esta lógica, em que a tecnologia se torna uma</p><p>ferramenta indispensável nas relações de produção, obrigou o mundo da produção</p><p>industrial a sofrer grandes mudanças, tanto no processo de regulamentação da</p><p>empresa, como na organização do trabalho, de forma a responder aos imperativos que</p><p>a própria tecnologia trouxe para o aperfeiçoamento das condições de vida do homem.</p><p>Nesse sentido, para Masi (1999, p. 158), as principais transformações provocadas por</p><p>esses imperativos são as seguintes:</p><p>• Um intervalo de tempo mais curto exigido pelo processo produtivo</p><p>para levar até o fim a realização de um produto.</p><p>• Um aumento da necessidade de capital para a produção.</p><p>• Maior especialização e definição de funções, operações, processos</p><p>e materiais, com uma consequente rigidez que impede conversões</p><p>de uma operação para outra.</p><p>• Maior necessidade de mão de obra especializada.</p><p>•Maior exigência de organização de todas as atividades</p><p>especializadas envolvidas, o que resulta na posterior exigência de</p><p>outros especialistas: os especialistas em organizações.</p><p>• A necessidade de planejamento, em face do tempo e dos capitais</p><p>empregados, da rigidez dos processos, das exigências organizacionais</p><p>e da instabilidade do mercado em relação aos sistemas industriais</p><p>que utilizam tecnologias avançadas.</p><p>Já no século XX, a tecnologia passa a ser descrita como um campo</p><p>do conhecimento que, além de usar o método científico, cria e/ou transforma</p><p>processos materiais. Assim, segundo Masi (1999), a tecnologia passa a ser o motor</p><p>do desenvolvimento da sociedade, elevando o padrão de vida de uma determinada</p><p>sociedade, reduzindo desta forma as desigualdades. Nesse sentido, na visão de Masi</p><p>(1999, p. 159), a tecnologia passa a ser:</p><p>uma nova forma de racionalidade funcional que modifica os</p><p>modelos educacionais, ‘os sistemas de especulação, tradição e</p><p>razão’; revolucionando os transportes e as comunicações, cria</p><p>novos tipos de relações sociais (onde, por exemplo, as relações de</p><p>parentesco são substituídas por ligações de trabalho e profissionais)</p><p>e de interdependência econômica. A tecnologia, enfim, modifica</p><p>a percepção (também estética, como testemunham as novas</p><p>tendências das artes figurativas) do espaço e do tempo.</p><p>116</p><p>Na visão de Castells (2001, p. 49), a tecnologia corresponde:</p><p>(ao) uso de conhecimento científico para especificar as vias de se</p><p>fazer as coisas de uma maneira reproduzível. Entre as tecnologias</p><p>da informação incluo, como todo o conjunto convergente de</p><p>tecnologias em microeletrônica, computação (software e hardware),</p><p>telecomunicações/radiodifusão, e optoeletrônica. Além disso,</p><p>diferentemente de alguns analistas, também incluo nos domínios</p><p>da tecnologia da informação a engenharia genética e seu crescente</p><p>conjunto de desenvolvimento e aplicações.</p><p>Com base nessa citação, torna-se claro que a tecnologia não determina a</p><p>sociedade, nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica. Portanto,</p><p>para Castells (2001), a tecnologia e a sociedade são categorias interdependentes,</p><p>na medida em que a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas</p><p>“ferramentas tecnológicas”. Nesse sentido, para Castells (2001), a tecnologia é uma</p><p>condicionante, e não determinante, da sociedade.</p><p>Por conseguinte, a relação entre tecnologia e sociedade está marcada pela</p><p>presença do papel do Estado, podendo estimular ou constranger ambientes de inovação</p><p>tecnológica, organizando as forças sociais dominantes em determinado tempo e espaço.</p><p>Em grande medida, o grau de tecnologia existente numa sociedade é a representação</p><p>de sua capacidade coletiva de controle sobre o meio político, isto é, de determinação</p><p>sobre o formato das instituições, ou seja, do próprio Estado, no sentido de que este</p><p>permita o melhor desenvolvimento das iniciativas e o uso das tecnologias a favor dos</p><p>indivíduos. Desta feita, “o processo histórico em que esse desenvolvimento de forças</p><p>produtivas ocorre assinala as características da tecnologia e seus entrelaçamentos com</p><p>as relações sociais” (CASTELLS, 2001, p. 31).</p><p>Sob esta ótica, a tecnologia não pode ser vista como uma “ferramenta” que</p><p>busca resolver problemas imediatos que se apresentam numa determinada sociedade,</p><p>mas sim como um meio integrante e compatível com a sociedade em que está inserida.</p><p>Para o sociólogo espanhol Manuel Castells Oliván, o suposto dilema do determinismo</p><p>tecnológico é falso. Portanto, não se trata de perguntar se a tecnologia determina</p><p>comportamentos na sociedade ou se a sociedade é quem controla a tecnologia.</p><p>Como diz Castells (2001, p. 25), “a tecnologia é a sociedade e a sociedade não pode</p><p>ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas”. Isso não impede</p><p>de admitir que no começo é uma parte da sociedade</p><p>que dá o start, para depois os</p><p>outros se apropriarem das inovações. Foi o que aconteceu nos EUA, quando um setor</p><p>específico da sociedade introduziu essas novas formas de produção, comunicação,</p><p>gerenciamento e vida (CASTELLS, 2001).</p><p>Nessa medida, tanto a informação como o conhecimento criam um novo sistema</p><p>baseado num complexo integrado de rede global de interação, em que a produtividade</p><p>e a competitividade das suas unidades dependem basicamente de sua capacidade de</p><p>gerar, processar e aplicar de forma eficiente a informação baseada no conhecimento.</p><p>117</p><p>Sem dúvida, informação e conhecimento sempre foram elementos</p><p>cruciais no crescimento da economia, e a evolução da tecnologia</p><p>determinou em grande parte a capacidade produtiva da sociedade</p><p>e os padrões de vida, bem como formas sociais de organização</p><p>econômica [...]. A emergência de um novo paradigma tecnológico</p><p>organizado em torno de novas tecnologias da informação, mais</p><p>flexíveis e poderosas, possibilita que a própria informação se torne</p><p>o produto do processo produtivo. Sendo mais preciso: os produtos</p><p>das novas indústrias de tecnologia da informação são dispositivos de</p><p>processamento da informação. Ao transformarem os processos de</p><p>processamento da informação, as novas tecnologias da informação</p><p>agem sobre todos os domínios da atividade humana e possibilitam</p><p>o estabelecimento de conexões infinitas entre diferentes domínios,</p><p>assim como entre os elementos e agentes de tais atividades</p><p>(CASTELLS, 2001, p. 88).</p><p>Assim, para Castells (2001), o que caracteriza a atual revolução tecnológica não</p><p>é a centralização do conhecimento e da aplicação, senão o uso da informação para</p><p>a gestão de todo o processamento da informação e gerenciamento, num processo</p><p>de retroalimentação eterno, promovendo a passagem de três estágios das novas</p><p>tecnologias de telecomunicações nas últimas décadas, quais sejam: a automação das</p><p>tarefas, as experiências de usos e a reconfiguração das aplicações. “Nos dois primeiros</p><p>estágios, os avanços tecnológicos se caracterizam pelo learn by using, isto é, pelo</p><p>aprender usando. No último, são os usuários que aprenderam a tecnologia fazendo, o</p><p>que acabou resultando na configuração das redes e na descoberta de novas aplicações”</p><p>(CASTELLS, 2001, p. 51).</p><p>Desta feita, seria incorreto falar de uma Sociedade Informacional, implicando</p><p>uma inadequada “homogeneidade das formas sociais” em qualquer lugar do globo sob o</p><p>novo sistema. Não se trata de reduzir os povos da Terra ao novo paradigma informacional,</p><p>mas, segundo o pensador espanhol, poderíamos falar de uma sociedade informacional</p><p>assim como falamos da “sociedade urbano-industrial, cujas características são bem</p><p>definidas e algumas de suas principais estão difundidas mundialmente” (CASTELLS,</p><p>1999, p. 38).</p><p>118</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• As novas tecnologias da informação e comunicação têm um impacto direto na vida</p><p>social dos indivíduos.</p><p>• Os novos dispositivos de informação constituem verdadeiras fontes de poder nas</p><p>sociedades, e são alterados de acordo com o caráter estratégico da produtividade da</p><p>economia e na eficácia das instituições sociais.</p><p>• O termo tecnologia provém do verbo grego tictein, que significa criar, produzir,</p><p>significando, portanto, o conhecimento prático que almeja alcançar um determinado</p><p>fim concreto.</p><p>• O que caracteriza a renovação tecnológica não é a centralidade do conhecimento e</p><p>nem da informação.</p><p>• Tecnologia não pode ser confundida com ciência, na medida em que ela consiste</p><p>de conhecimentos práticos sobre como usar recursos materiais, ao passo que</p><p>a ciência consiste de conhecimento abstrato e teorias sobre como o processo do</p><p>conhecimento se constrói.</p><p>• A expressão Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC refere-se ao conjunto</p><p>de recursos tecnológicos capazes de produzir e disseminar informações, ou seja,</p><p>ferramentas que permitem arquivar e manipular informações em forma de textos,</p><p>imagens e sons, permitindo, desta forma, que nos comuniquemos uns com os outros.</p><p>• São cinco os elementos que caracterizam o novo paradigma das tecnologias da</p><p>informação e comunicação.</p><p>119</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (ENADE - 2011) Exclusão digital é um conceito que diz respeito às</p><p>extensas camadas sociais que ficaram à margem do fenômeno</p><p>da sociedade da informação e da extensão das redes digitais. O</p><p>problema da exclusão digital se apresenta como um dos maiores</p><p>desafios dos dias de hoje, com implicações diretas e indiretas sobre os mais</p><p>variados aspectos da sociedade contemporânea.</p><p>Nessa nova sociedade, o conhecimento é essencial para aumentar a produtividade e a</p><p>competição global. É fundamental para a invenção, para a inovação e para a geração</p><p>de riqueza. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) proveem uma fundação</p><p>para a construção e aplicação do conhecimento nos setores públicos e privados. É</p><p>nesse contexto que se aplica o termo exclusão digital, referente à falta de acesso às</p><p>vantagens e aos benefícios trazidos por essas novas tecnologias, por motivos sociais,</p><p>econômicos, políticos ou culturais.</p><p>Considerando as ideias do texto acima, avalie as afirmações a seguir.</p><p>I- Um mapeamento da exclusão digital no Brasil permite aos gestores de políticas</p><p>públicas escolherem o público-alvo de possíveis ações de inclusão digital.</p><p>II- O uso das TICs pode cumprir um papel social, ao prover informações àqueles que</p><p>tiveram esse direito negado ou negligenciado e, portanto, permitir maiores graus de</p><p>mobilidade social e econômica.</p><p>III- O direito à informação diferencia-se dos direitos sociais, uma vez que esses estão</p><p>focados nas relações entre os indivíduos e, aqueles, na relação entre o indivíduo e</p><p>o conhecimento.</p><p>IV- O maior problema de acesso digital no Brasil está na deficitária tecnologia existente</p><p>em território nacional, muito aquém da disponível na maior parte dos países de</p><p>primeiro mundo.</p><p>É correto apenas o que se afirma em:</p><p>a) ( ) II e IV.</p><p>b) ( ) I e II.</p><p>c) ( ) III e IV.</p><p>d) ( ) I, II e III.</p><p>e) ( ) I, III e IV.</p><p>120</p><p>[...] A cibercultura não seria pós-moderna, mas estaria inserida perfeitamente na</p><p>continuidade dos ideais revolucionários e republicanos de liberdade, igualdade e</p><p>fraternidade. A diferença é apenas que, na cibercultura, esses “valores” se encarnam em</p><p>dispositivos técnicos concretos. Na era das mídias eletrônicas, a igualdade se concretiza</p><p>na possibilidade de cada um transmitir a todos; a liberdade toma forma nos softwares</p><p>de codificação e no acesso a múltiplas comunidades virtuais, atravessando fronteiras,</p><p>enquanto a fraternidade, finalmente, se traduz em interconexão mundial.</p><p>O desenvolvimento de redes de relacionamento por meio de computadores e a expansão</p><p>da internet abriram novas perspectivas para a cultura, a comunicação e a educação. De</p><p>acordo com as ideias do texto acima, a cibercultura:</p><p>a) ( ) Representa uma modalidade de cultura pós-moderna de liberdade de comunicação</p><p>e ação.</p><p>b) ( ) Constituiu negação dos valores progressistas defendidos pelos filósofos do</p><p>Iluminismo.</p><p>c) ( ) Banalizou a ciência ao disseminar o conhecimento nas redes sociais.</p><p>d) ( ) Valorizou o isolamento dos indivíduos pela produ��ão de softwares de codificação.</p><p>e) ( ) Incorpora valores do Iluminismo ao favorecer o compartilhamento de informações</p><p>e conhecimentos.</p><p>2 (ENADE – 2011) A cibercultura pode ser vista como herdeira</p><p>legítima (embora distante) do projeto progressista dos filósofos</p><p>do século XVII. De fato, ela valoriza a participação das pessoas</p><p>em comunidades de debate e argumentação. Na linha reta das</p><p>morais da igualdade ela incentiva uma forma de reciprocidade essencial nas</p><p>relações humanas. Desenvolveu-se a partir de uma prática assídua de trocas de</p><p>informações e conhecimentos, coisa que os filósofos do Iluminismo viam como</p><p>principal motor do progresso.</p><p>121</p><p>TÓPICO 3 -</p><p>AVANÇOS TECNOLÓGICOS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, ao falarmos de avanços tecnológicos, se torna importante</p><p>compreendermos sobre as práticas de inovação,</p><p>compreender comunidades virtuais e</p><p>seus impactos e conhecer um pouco das novidades tecnológicas existentes.</p><p>A tecnologia faz parte do nosso dia a dia e vem se expandindo cada vez mais.</p><p>Neste tópico, queremos apenas trazer algo sobre as novas tecnologias, mas fique</p><p>antenado nos noticiários, todos os dias temos o lançamento de uma nova tecnologia.</p><p>2 TENDÊNCIAS ORGANIZACIONAIS DO SÉCULO XXI</p><p>Muitas pessoas não conseguem trabalhar sem seu laptop ou smartphone. Além</p><p>disso, para muitos é impossível imaginar o dia sem o Google ou, para outros, mensagens</p><p>de texto, WhatsApp ou Facebook para ficar em contato com uma grande rede de colegas.</p><p>Em apenas uma década a tecnologia mudou muito a forma como trabalhamos e nos</p><p>comunicamos. E na próxima década, com o aumento da velocidade das conexões da</p><p>internet, haverá mudanças mais profundas para o trabalho do que qualquer coisa vista</p><p>até o momento. Todas as informações serão mais fáceis de visualizar e analisar.</p><p>As empresas enfrentam mudanças mais abrangentes e com maior alcance em</p><p>suas implicações do que qualquer coisa desde a Revolução Industrial moderna, que</p><p>ocorreu no início de 1900 (BALTZAN; PHILLIPS, 2012). Para auxiliar na compreensão e</p><p>influência das tecnologias em nosso modo de vida, observe as informações das figuras</p><p>a seguir, nelas consta uma nova tecnologia que já vem sendo utilizada por empresas e</p><p>pela educação, chama-se: comunidades virtuais.</p><p>UNIDADE 2</p><p>122</p><p>FIGURA 18 – COISAS QUE VAMOS DIZER PARA NOSSOS NETOS</p><p>FONTE: Baltzan e Phillips (2012)</p><p>FIGURA 19 – COMO SEREMOS LEMBRADOS POR NOSSOS NETOS</p><p>FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/JJh21n> Acesso em: 13 dez. 2017.</p><p>3 COMUNIDADES VIRTUAIS</p><p>Você já ouviu falar em comunidade virtual? Também encontramos com o nome</p><p>de grupo virtual, mas perante a bibliografia vamos trabalhar com comunidade virtual.</p><p>123</p><p>As comunidades virtuais são redes virtuais de comunicação interativa,</p><p>organizadas em interesses compartilhados. Ao analisarmos o passado, na origem das</p><p>primeiras civilizações, o ser humano era nômade, vivia da caça, pesca e coleta de produtos</p><p>na natureza. Com o passar dos anos o ser humano aprendeu a se organizar em grupos,</p><p>assim nascendo as primeiras comunidades, as quais deram origem às civilizações. Esses</p><p>grupos humanos defi niram formas de expressar valor moral e cultural, de acordo com</p><p>cada época. Com as novas tecnologias constituíram-se grupos de sujeitos ligados por</p><p>vínculos não formalizados, com características comuns, formando-se as comunidades</p><p>virtuais (MUSSOI; FLORES; BEHAR, 2007).</p><p>As comunidades virtuais se constituem de grupos de pessoas interconectadas</p><p>em busca da inteligência coletiva.</p><p>NOTA</p><p>FIGURA 20 – PRINCÍPIOS DA CIBERCULTURA</p><p>FONTE: Os autores</p><p>124</p><p>Uma comunidade virtual é uma inteligência coletiva em potencial. Um grupo</p><p>humano se interessa em constituir-se como comunidade virtual para aproximar-se do</p><p>ideal do coletivo inteligente, mais imaginativo, mais capaz de aprender e inventar. A</p><p>virtualização ou desterritorialização das comunidades no ciberespaço são condições</p><p>para haver inteligência coletiva em grande escala. A inteligência coletiva é o terceiro</p><p>princípio da cibercultura. O ciberespaço é a ferramenta de organização de comunidades</p><p>de todos os tipos, o melhor uso do ciberespaço pode ser alcançado ao se colocar</p><p>em sinergia os saberes, as imaginações e as energias espirituais daqueles que estão</p><p>conectados a ele. A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um</p><p>laço social, fundado sobre a reunião em torno de centros de interesses comuns, no</p><p>compartilhamento de informações, na cooperação e nos processos de colaboração</p><p>(MUSSOI; FLORES; BEHAR, 2007).</p><p>Quer conhecer mais sobre a Cibercultura? Então leia o livro de Pierre Lévy.</p><p>Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.</p><p>DICAS</p><p>Para estimular sua leitura e aprofundar o conceito de cibercultura, trazemos</p><p>alguns trechos do livro de Pierre Lévy (1999, p. 11).</p><p>Pensar a cibercultura: esta é a proposta deste livro. Em geral me</p><p>consideram um otimista. Estão certos. Meu otimismo, contudo, não</p><p>promete que a Internet resolverá, em um passe de mágica, todos</p><p>os problemas culturais e sociais do planeta. Consiste apenas em</p><p>reconhecer dois fatos. Em primeiro lugar, que o crescimento do</p><p>ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens</p><p>ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação</p><p>diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Em</p><p>segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço</p><p>de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades</p><p>mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural</p><p>e humano.</p><p>O referido autor apresenta a contextualização dos princípios da cibercultura no</p><p>mundo atual, e conclui que o programa da cibercultura é o universal sem totalidade,</p><p>ou seja, possui uma relação profunda com a ideia de humanidade e se abastece da</p><p>diversidade cultural.</p><p>A interconexão para a interatividade é supostamente boa, quaisquer</p><p>que sejam os terminais, os indivíduos, os lugares e momentos que ela</p><p>coloca em contato. As comunidades virtuais parecem ser um excelente</p><p>meio (entre centenas de outros) para socializar, quer suas fi nalidades</p><p>sejam lúdicas, econômicas ou intelectuais, quer seus centros de</p><p>125</p><p>interesse sejam sérios, frívolos ou escandalosos. A inteligência coletiva,</p><p>enfim, seria o modo de realização da humanidade que a rede digital</p><p>universal felizmente favorece, sem que saibamos a priori em direção</p><p>a quais resultados tendem as organizações que colocam em sinergia</p><p>seus recursos intelectuais. Em resumo, o programa da cibercultura é o</p><p>universal sem totalidade (LÉVY, 1999, p. 132).</p><p>As comunidades virtuais podem ter diversidade de pessoas, como de assuntos.</p><p>Para educação, uma comunidade virtual cria uma relação de professor-aluno que</p><p>dialogam e estabelecem regras juntos. O professor, nesta situação, é o mediador,</p><p>orientador, instigador do processo.</p><p>Palloff e Pratt (2004) apresentam técnicas instrucionais centradas no aluno</p><p>para que o professor tenha sucesso nas interações das comunidades:</p><p>• Acesso e habilidade: o professor deve utilizar apenas tecnologias que sirvam aos</p><p>objetivos da aprendizagem; a tecnologia deve ser mantida em um nível simples, para</p><p>que seja transparente ao aluno; o professor deve se certificar de que o aluno tenha</p><p>habilidade necessária para usar a tecnologia.</p><p>• Abertura: sempre comece a atividade com apresentação; use atividades de</p><p>aprendizagem que levem em consideração a experiência e a resolução de problemas.</p><p>• Comunicação: deixe claro ao aluno as diretrizes para a comunicação, incluindo a net</p><p>etiqueta; exemplifique como realizar uma boa comunicação; estimule a participação;</p><p>acompanhe os alunos que não participam.</p><p>• Comprometimento: explique suas expectativas em relação à utilização do tempo;</p><p>explique a realização de trabalhos, prazos de entrega e meios pelos quais a</p><p>avaliação será elaborada; crie uma agenda de publicação junto aos alunos; apoie o</p><p>desenvolvimento de boas habilidades de gerenciamento de tempo.</p><p>• Colaboração: trabalhe com estudos de caso, trabalhos em pequenos grupos,</p><p>simulações e utilização do pensamento crítico; faça com que os alunos enviem seus</p><p>trabalhos para a comunidade, para maior interação com os demais colegas; faça</p><p>perguntas abertas para estimular a discussão.</p><p>• Reflexão: coloque regras quanto ao tempo de postagem da mensagem; estimule</p><p>os alunos a refletir, escrever off-line e depois transcrever para a comunidade; faça</p><p>perguntas abertas e estimule a reflexão sobre o material utilizado.</p><p>• Flexibilidade: varie as atividades para atender todos os estilos de aprendizagem e</p><p>oferecer um interesse adicional; negocie as diretrizes da atividade com os alunos,</p><p>assim promovendo maior engajamento; use a internet como uma ferramenta e um</p><p>recurso de ensino e estimule os alunos a buscar referências que possam compartilhar.</p><p>Analisando ao nosso redor, temos diversas formas de comunidades virtuais,</p><p>e você deve conhecer</p><p>muitas delas. Veremos no próximo subtópico essas formas,</p><p>conhecidas por redes sociais.</p><p>126</p><p>3.1 REDES SOCIAIS</p><p>As redes sociais podem ser vistas como uma tecnologia com menos seguidores</p><p>para a sua utilização como uma ferramenta de trabalho, mas não deve ser, devido ao</p><p>número de assinantes dessa tecnologia. Esses sites permitem que o usuário faça várias</p><p>atividades, tais como: postar um perfil, fotos, vídeos, chat, blog, e se conectar com seus</p><p>pares através de boletins individuais, grupos privados e fóruns.</p><p>Quais são os aspectos críticos que definem uma tecnologia de rede social?</p><p>Tradicionalmente, os traços dessas ferramentas incluem a criação de um login no site,</p><p>que fornece uma página de perfil, em que muitas vezes você pode adicionar fotos e</p><p>outros conteúdos. Você pode se conectar com outras pessoas que conhece ou pode</p><p>encontrar novas pessoas através do site, tornando-se o seu "amigo". Este título serve</p><p>para designar, no site, que duas pessoas estão ligadas de alguma forma. Isso proporciona</p><p>a capacidade de receber atualizações em suas páginas "de amigos", comunicar-se com</p><p>eles através de e-mail no local/comentários/chat, e criar grupos específicos no site em</p><p>torno de temas ou conteúdo. A seguir, veremos algumas novidades tecnológicas.</p><p>Alguns sites que você deve acessar para ficar dentro das atualidades</p><p>tecnológicas:</p><p><http://www.cienciahoje.pt/3445></p><p><http://olhardigital.uol.com.br/home></p><p><http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia></p><p><http://revistapesquisa.fapesp.br/></p><p><http://www2.uol.com.br/sciam/></p><p><http://www.abc.org.br/centenario/></p><p><http://www.scielo.org/php/index.php?lang=pt></p><p>DICAS</p><p>127</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• Algumas tendências para as empresas perante as tecnologias.</p><p>• O que são comunidades virtuais e para que servem.</p><p>• O que é cibercultura e seus princípios.</p><p>• O que são redes sociais.</p><p>128</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (ENADE – 2014) O trecho da música “Nos bailes da vida”, de Milton</p><p>Nascimento, “todo artista tem de ir aonde o povo está”, é antigo, e</p><p>a música, de tão tocada, acabou por se tornar um estereótipo de</p><p>tocadores de violões e de roda de amigos em Visconde de Mauá, nos</p><p>anos de 1970. Em tempos digitais, porém, ela ficou mais atual do que nunca. É</p><p>fácil entender o porquê: antigamente, quando a informação se concentrava em</p><p>centro de exposição, veículos de comunicação, editoras, museus e gravadoras,</p><p>era preciso passar por uma série de curadores, para garantir a publicação de</p><p>um artigo ou livro, a gravação de um disco ou a produção de uma exposição.</p><p>O mesmo funil, que poderia ser injusto e deixar grandes talentos de fora,</p><p>simplesmente porque não tinham acesso às ferramentas, às pessoas ou às</p><p>fontes de informação, também servia como filtro de qualidade. Tocar violão ou</p><p>encenar uma peça de teatro em um grande auditório costumava ter um peso</p><p>muito maior do que fazê-lo em um bar, um centro cultural ou uma calçada. Nas</p><p>raras ocasiões em que esse valor se invertia, era justamente porque, para uso</p><p>do espaço “alternativo”, havia mecanismos de seleção tão ou mais rígidos que</p><p>o espaço oficial.</p><p>A partir do texto acima, avalie as asserções a seguir e a relação entre elas.</p><p>I- O processo de evolução tecnológica da atualidade democratiza a produção e a</p><p>divulgação de obras artísticas, reduzindo a importância que os centros de exposição</p><p>tinham nos anos de 1970.</p><p>PORQUE</p><p>II- As novas tecnologias possibilitam que artistas sejam independentes, montem seus</p><p>próprios ambientes de produção e disponibilizem seus trabalhos, de forma simples,</p><p>para um grande número de pessoas.</p><p>A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.</p><p>a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.</p><p>b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa</p><p>correta da I.</p><p>c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.</p><p>d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.</p><p>e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas.</p><p>129</p><p>2 (ENADE – 2013) Uma revista lançou a seguinte pergunta em um</p><p>editorial: “Você pagaria um ladrão para invadir sua casa?”. As pessoas</p><p>mais espertas diriam provavelmente que não, mas companhias</p><p>inteligentes de tecnologia estão, cada vez mais, dizendo que</p><p>sim. Empresas como a Google oferecem recompensas para hackers que</p><p>consigam encontrar maneiras de entrar em seus softwares. Essas companhias</p><p>frequentemente pagam milhares de dólares pela descoberta de apenas um</p><p>bug, o suficiente para que a caça a bugs possa fornecer uma renda significativa.</p><p>As empresas envolvidas dizem que os programas de recompensa tornam seus</p><p>produtos mais seguros. “Nós recebemos mais relatos de bugs, o que significa</p><p>que temos mais correções, o que significa uma melhor experiência para nossos</p><p>usuários”, afirmou o gerente de programa de segurança de uma empresa. Mas</p><p>os programas não estão livres de controvérsias. Algumas empresas acreditam</p><p>que as recompensas devem apenas ser usadas para pegar cibercriminosos,</p><p>não para encorajar as pessoas a encontrar as falhas. E também há a questão</p><p>de double-dipping, a possibilidade de um hacker receber um prêmio por ter</p><p>achado a vulnerabilidade e, então, vender a informação sobre o mesmo bug</p><p>para compradores maliciosos.</p><p>Considerando o texto acima, infere-se que:</p><p>a) ( ) Os caçadores de falhas testam os softwares, checam os sistemas e previnem</p><p>os erros antes que eles aconteçam e, depois, revelam as falhas a compradores</p><p>criminosos.</p><p>b) ( ) Os caçadores de falhas agem de acordo com princípios éticos consagrados no</p><p>mundo empresarial, decorrentes do estímulo à livre concorrência comercial.</p><p>c) ( ) A maneira como as empresas de tecnologia lidam com a prevenção contra</p><p>ataques dos cibercriminosos é uma estratégia muito bem-sucedida.</p><p>d) ( ) O uso das tecnologias digitais de informação e das respectivas ferramentas</p><p>dinamiza os processos de comunicação entre os usuários de serviços das</p><p>empresas de tecnologia.</p><p>e) ( ) Os usuários de serviços de empresas de tecnologia são beneficiários diretos dos</p><p>trabalhos desenvolvidos pelos caçadores de falhas contratados e premiados</p><p>pelas empresas.</p><p>130</p><p>131</p><p>TÓPICO 4 -</p><p>GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA</p><p>INTERNACIONAL</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Os elementos que compõem o repertório da civilização ocidental em termos</p><p>de instituições, códigos jurídicos, leis, estatutos reguladores e pacificadores, por</p><p>muito tempo encontraram-se centrados em favorecer o poder político e os sistemas</p><p>econômicos, os quais, no momento presente, encontram-se em situação de crise e</p><p>mal-estar dos indivíduos, e a alternativa diante deste cenário tem sido a retomada das</p><p>formas de viver e fazer, dos costumes, valores, relações e vínculos de interdependência</p><p>e reciprocidade no interior das comunidades.</p><p>Vivemos em um momento de crises e impasses, isso encontra-se diretamente</p><p>relacionado com as matrizes e modelos teóricos que legitimavam o crescimento</p><p>econômico equilibrado (crença no mercado autorregulado), o modelo de organização</p><p>política (Estado neoliberal), o sistema monetário internacional (baseado no padrão-</p><p>ouro) e o equilíbrio de poder na geopolítica internacional (hegemonia norte-americana</p><p>e europeia).</p><p>Sem sombra de dúvidas, representamos uma civilização centrada no otimismo</p><p>do progresso e do trabalho capitalista, e cada vez mais é reconhecida a afirmação</p><p>do individualismo. À medida que avança o processo de conquista da propriedade e</p><p>da individualização dos sujeitos, faz-se necessário cada vez mais constituir normas</p><p>e um conjunto de outros valores éticos, sociais e de regulamentação que garantam</p><p>equidade e paz nas relações dos indivíduos. Bem, você deve estar se perguntando:</p><p>como chegamos a este estado?! Ao longo dos próximos dois subtópicos procuramos</p><p>apresentar elementos para que se compreenda o processo político, social e histórico</p><p>desse quadro.</p><p>2 GLOBALIZAÇÃO: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA</p><p>Trata-se de um fenômeno</p><p>de organização e circulação política, econômica,</p><p>comercial e cultural, que foi praticado pelas mais diversas sociedades e desde os mais</p><p>antigos mercadores (fenícios) da antiguidade, que se organizavam em caravanas por</p><p>terra e expedições de navegadores por mares e oceanos.</p><p>132</p><p>FIGURA 21 – GLOBALIZAÇÃO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://queconceito.com.br/wp-content/uploads/Globaliza ção.jpg>. Acesso em: 7</p><p>dez. 2017.</p><p>Alguns autores situam o fenômeno no final do século XV e ao longo do século</p><p>XVI, quando se dá início às grandes navegações que partiam do continente europeu em</p><p>direção a regiões como a América, África, Oceania e Ásia.</p><p>A globalização também é apresentada como sendo resultante das concepções e</p><p>direitos/deveres que existiam no interior da Revolução Francesa e da Revolução Industrial</p><p>inglesa do século XVIII, ao desenvolvimento do capitalismo em escala mundial, bem</p><p>como uma continuidade da lógica civilizacional que tem sido designada por modernidade</p><p>(concentração da população nas cidades, industrialização da produção, racionalização do</p><p>pensamento, laicidade do Estado), que se acentuará ao longo do século XIX.</p><p>As possibilidades de atuação da economia, em favor dos interesses de mercado,</p><p>foram potencializadas pelo espírito capitalista, que estava amparado na livre circulação</p><p>de mercadorias das doutrinas do “deixe ir, deixe vir e tudo se autorregulará”. Esta fórmula</p><p>e lei foram responsáveis por conferir ao sistema financeiro a dinâmica da “oferta e da</p><p>procura” de produtos, a transitoriedade e a flutuação de preços, de lucros e de taxas</p><p>de impostos, que por sua vez atribuíram ampla independência, liberdade nas relações</p><p>comerciais e na prestação de serviços.</p><p>O mercado preocupou-se, também, em perceber o potencial de consumo/</p><p>mercado, passando a intercambiar produtos entre as regiões que não eram capazes de</p><p>produzi-los. A esta prática pode-se exemplificar com os produtos ingleses e franceses,</p><p>que eram negociados com produtos e as populações dos países indianos, americanos,</p><p>africanos.</p><p>133</p><p>Resumidamente, o mercado atendia às demandas de economia (comércio,</p><p>circulação e consumo de produtos); o Estado, por sua vez, atendia a necessidades de</p><p>serviços junto à população (serviços educacionais, infraestrutura, habitação, saúde e lazer).</p><p>A globalização, que se apresenta ao nosso momento histórico, ganhou ênfase</p><p>no final dos anos de 1980, quando foi reconhecido o fim do cenário da Guerra Fria, com</p><p>as experiências da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e foi desfeito o</p><p>muro de Berlim, que separava a Alemanha Oriental (comunista/socialista) da Alemanha</p><p>Ocidental (capitalista).</p><p>Ocorreu também a formação da OMC: Organização Mundial do Comércio (que</p><p>conta com a adesão de mais de 150 países) e os blocos econômicos da UNIÃO EUROPEIA,</p><p>NAFTA, MERCOSUL, APEC, ASEAN, entre outros. Na América Latina estruturou-se a</p><p>CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão para pensar o</p><p>desenvolvimento econômico, social e sustentável. Esta articulação de países indica um</p><p>forte movimento de regionalização das relações econômicas e políticas, assim como das</p><p>relações sociais e culturais entre os mesmos, e por sua vez, dos conceitos de fronteira,</p><p>espaço, nação, Estado, entre outros.</p><p>Ianni (1994) foi categórico quando refletiu que a fábrica global é tanto metáfora</p><p>quanto realidade, altamente determinada pelas exigências da reprodução ampliada do</p><p>capital.</p><p>No âmbito da globalização, os interesses de mercado revelam-se ávidos por</p><p>processos que sejam capazes de promover cada vez mais a concentração e centralização</p><p>do capital, para tanto articulam em torno de si empresas, mercados, forças produtivas,</p><p>centros decisórios, alianças, estratégias e planejamentos de corporações, que se</p><p>estendem e ultrapassam províncias, nações e continentes, ilhas e arquipélagos, mares</p><p>e oceanos (IANNI, 1994).</p><p>Os Estados, em vez de desaparecer, adquirem uma nova lógica de operação,</p><p>em que seu poder é limitado frente à expansão das forças transnacionais que reduzem</p><p>a capacidade dos governos de controlar os contatos entre as sociedades e os</p><p>indivíduos, por sua vez são forçados a impulsionar as relações transfronteiriças. Nessa</p><p>perspectiva, os problemas políticos nem sempre são resolvidos de forma adequada e</p><p>satisfatoriamente, então, eis que se faz necessário buscar a cooperação com outras</p><p>nações e agentes não estatais a fim de atender tais demandas (KEOHANE; NYE, 1989).</p><p>134</p><p>2.1 O TERCEIRO SETOR</p><p>O terceiro setor ganhou espaço de constituição e atuação a partir dos anos</p><p>de 1990. E instalou-se como alternativa em meio ao setor público/estatal (primeiro</p><p>setor) e o setor privado/industrial/mercado (segundo setor), no sentido de intermediar,</p><p>gerenciar e prestar serviços de interesse público em situações e contextos que os dois</p><p>outros setores não atingem/alcançam.</p><p>Por meio dessa formulação e composição de setores, cria-se um vácuo de</p><p>poder e ação que favorece a constituição de organizações, coletividades internacionais</p><p>e transnacionais, governamentais e não governamentais, que se propõem a apresentar</p><p>decisões políticas e ações sociais.</p><p>O terceiro setor constitui uma espécie de sociedade civil de caráter jurídico. Os</p><p>órgãos que compõem o terceiro setor podem ser sociedades, associações, fundações,</p><p>institutos, ONGs (Organismos Não Governamentais), OSCIPs (Organização da Sociedade</p><p>Civil de Interesse Público). As ONGs que compõem uma associação civil de direito privado,</p><p>sem fins lucrativos ou econômicos, encontram-se pautadas nas normas e legislações da</p><p>Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição Federal. Essas associações</p><p>recebem doações de empresas e pessoas físicas que procuram deduzir impostos que</p><p>devem ser pagos ao governo federal, para tanto precisam atuar em atividades que se</p><p>caracterizam como: entidades de interesse público, como fundos de direitos da criança e</p><p>do adolescente; instituições de ensino e pesquisa; e atividades culturais e audiovisuais.</p><p>Entre as críticas que são feitas à modalidade, encontram-se as situações em</p><p>que se caracterizam espaços que favorecem a atuação de grupos que se utilizam de</p><p>verbas públicas em nome de grupos privilegiados.</p><p>3 GLOBALIZAÇÃO: UM BALANÇO</p><p>A globalização pode apresentar sua face mais bem-sucedida, que reside no</p><p>fato de que foi capaz de favorecer a intercomunicação entre povos e as pessoas das</p><p>mais diferentes e inusitadas regiões do planeta, diminuir as fronteiras no campo dos</p><p>transportes e promover intercâmbios nas atividades de comunicação e informações.</p><p>A formação dos grupos regionais é capaz de conferir aos seus membros uma</p><p>melhor possibilidade de negociação e barganhas no jogo das relações que se dão no</p><p>cenário mundial. Por outro lado, quando interpretadas nas relações internas, em especial</p><p>com os membros que compõem o grupo do qual fazem parte, evidenciam-se realidades</p><p>sociais, culturais, condições de produção e capacidade de consumo desigual, de forte</p><p>dependência tecnológica e vulnerabilidades política e econômica (a exemplo disso</p><p>pode-se considerar o grupo NAFTA, que é composto pelos países: Canadá, Estados</p><p>Unidos da América e México).</p><p>135</p><p>Todavia, acabou por prevalecer o caráter de fazer com que as relações políticas,</p><p>os governos, os grupos sociais e movimentos culturais fossem colocados a favor</p><p>dos interesses da economia. Acabou-se por padronizar cada vez mais os processos</p><p>de produção, os desejos de consumo, os estilos de vida e as culturas, anulando cada</p><p>vez mais as diferenças, identidades, as especificidades, as tradições locais e regionais,</p><p>qualquer tipo de fronteiras e valores morais tradicionais.</p><p>Os modelos ideais de globalização que foram postulados garantiam que os</p><p>indivíduos se abrissem a uma imensa variedade e riqueza de itens, tanto materiais</p><p>como imateriais. Munidos desses itens, a vida ganharia uma dinâmica e a criatividade</p><p>dos ares de liberdade, que por sua vez contagiariam com imensa alegria e colocariam</p><p>em movimento o ambiente cultural e intelectual</p><p>dos hábitos, dos costumes, das</p><p>mentalidades de todos e a todos em toda face da Terra (BERMAN, 1986).</p><p>A partir das formulações de produção, trabalho e economia postuladas pelos</p><p>teóricos do século XIX, gerou-se uma espécie de novo modelo antropológico de homem,</p><p>o Homo economicus, que tem como centro e modo de vida os princípios da economia,</p><p>que se revela pelos aspectos de um comportamento de individualismo exacerbado,</p><p>competição desenfreada e o consumismo sem sentido, numa espécie de busca pelo ter</p><p>e ter cada vez mais, e obtido a qualquer custo.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (ENADE – 2014) Com a globalização da economia social por meio das</p><p>organizações não governamentais, surgiu uma discussão do conceito</p><p>de empresa, de sua forma de concepção junto às organizações</p><p>brasileiras e de suas práticas. Cada vez mais é necessário combinar</p><p>as políticas que priorizam modernidade e competitividade com incorporação dos</p><p>setores atrasados mais intensivos de mão de obra. A respeito desta temática, avalie</p><p>as afirmações a seguir:</p><p>I- O terceiro setor é uma mistura dos dois setores clássicos da sociedade, o público</p><p>representado pelo Estado, e o privado representado pelo empresariado em geral.</p><p>II- É o terceiro setor que viabiliza o acesso da sociedade à educação e ao desenvolvimento</p><p>de técnicas industriais, econômicas, financeiras, políticas e ambientais.</p><p>III- A responsabilidade tem resultado na alteração do perfil corporativo e estratégico</p><p>das empresas, que têm reformulado a cultura e a filosofia que orientam as ações</p><p>institucionais.</p><p>136</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>a) ( ) I, apenas.</p><p>b) ( ) II, apenas.</p><p>c) ( ) I e III, apenas.</p><p>d) ( ) II e III, apenas.</p><p>e) ( ) I, II e III.</p><p>4 A POLÍTICA INTERNACIONAL</p><p>A política ganhou um caráter internacional a partir do século XVIII, quando do</p><p>surgimento do Estado Moderno, em que o sistema capitalista irá se instalar a fim de</p><p>obter condições e favorecimentos para expandir seus alcances em termos de matérias-</p><p>primas, frentes de investimento e mercado consumidor. Ela pode ser identificada</p><p>ainda quando da vigência do regime de Colonialismo, que vigorou na era das grandes</p><p>navegações, quando Espanha e Portugal estabeleciam e organizavam politicamente</p><p>suas colônias de exploração nos continentes americano e africano.</p><p>5 O ESTADO MODERNO E O LIBERALISMO</p><p>Surge no contexto em que ocorre o enfraquecimento do Antigo Regime</p><p>(marcado pelas monarquias), das aristocracias, do clero, da Igreja Católica como um</p><p>todo, diante do fortalecimento crescente do Estado moderno, da burguesia comercial,</p><p>do liberalismo e do capitalismo.</p><p>O Estado moderno possuía como principal intento reestruturar os governos de</p><p>forma laica/secular, de forma a estabelecer regulação política, jurídica e institucional</p><p>das relações entre religião e política, Igreja e Estado, ou seja, conferir emancipação do</p><p>Estado e do ensino público dos poderes eclesiásticos e de toda referência e legitimação</p><p>religiosa. Nesse contexto, caberia ao Estado garantir a neutralidade em matéria religiosa</p><p>(ou a concessão de tratamento estatal isonômico às diferentes agremiações religiosas),</p><p>a tolerância religiosa e as liberdades de consciência, de religião (incluindo a de escolher</p><p>não ter religião) e de culto (CASANOVA, 1994).</p><p>A busca por um novo/outro conjunto de valores morais, o exercício de métodos</p><p>sofisticados de pensar e sentir, a racionalidade desprendida de uma matriz religiosa</p><p>dogmática, o reconhecimento da subjetividade inerente às relações humanas, a defesa</p><p>da liberdade de pensar e agir conforme uma ética particular/interiorizada, tudo isto</p><p>vai reforçar a crítica aos resquícios que ainda persistiam do mundo feudal, do Antigo</p><p>Regime e dos sistemas monárquicos que perduraram ao longo dos séculos XVII e XVIII.</p><p>137</p><p>O Estado Moderno e o Liberalismo concatenam todo um processo histórico, com</p><p>múltiplas determinações: a ideia moderna de indivíduo (que não se restringe ao ideário</p><p>liberal) e que surgiu em meio a mudanças profundas e que abrangiam as mais diversas</p><p>relações humanas, tais como religião, política, economia, trabalho, família, ideias, artes:</p><p>tudo convergindo e reforçando mutuamente para produzi-la.</p><p>O Imperialismo que surgiu foi uma formação de governo e política, que se</p><p>praticou muito no século XIX, e foi exercido pelos países europeus para com os países</p><p>de regiões como a África, América e Ásia, de onde obtinham matérias-primas para</p><p>empreender sua produção industrial, consolidavam relações comerciais e mercados</p><p>consumidores e exerciam influência/dominação cultural.</p><p>6 O NEOLIBERALISMO E A TERCEIRA VIA</p><p>O neoliberalismo forjou-se a partir dos elementos já existentes no interior do</p><p>liberalismo clássico do século XVIII, porém, agora privilegiou os ideais econômicos, em</p><p>especial os princípios de liberdade de empreendimento, de propriedade e de lucro, em</p><p>detrimento das demandas/necessidades políticas e sociais (legitimidade, direitos e</p><p>serviços) dos indivíduos.</p><p>Dentre as críticas que são feitas ao neoliberalismo tem-se as políticas que</p><p>promovem a redução da interferência/regulação do Estado nas atividades econômicas/</p><p>financeiras, permitindo o livre funcionamento do mercado, inclusive na distribuição da</p><p>riqueza; assim como na promoção de bem-estar, em prol da privatização por grupos</p><p>privados na oferta de serviços de saúde, educação, cultura, pensões, entre outros.</p><p>No contexto de política econômica, os governos deveriam atuar no sentido de</p><p>favorecer mudanças tecnológicas e a rentabilidade das empresas, favorecendo cada</p><p>vez mais o mercado livre e a redução da taxa de acumulação.</p><p>As principais experiências de governos neoliberais podem ser identificadas</p><p>com o caso da Inglaterra, sob o governo da primeira ministra Margareth Thatcher, e</p><p>dos Estados Unidos, com o presidente Ronald Reagan; do ditador Augusto Pinochet, no</p><p>Chile; e em termos de bases teóricas, a Escola de Chicago, liderada pelos economistas</p><p>Milton Friedman e George Stigler.</p><p>A ‘terceira via’ foi apresentada como alternativa frente às crises que emergiam</p><p>das políticas neoliberais, que propõe uma espécie de humanização do capitalismo,</p><p>nos aspectos do malefício do Estado neoliberal e da sociedade de livre mercado. Na</p><p>qual estariam engajados tanto dirigentes políticos de países ricos e representantes de</p><p>empresas transnacionais, que em meio às crises econômicas se dedicariam a amenizar</p><p>os impactos sociais, as injustiças, revoluções e caos, no sentido de manter a paz e</p><p>coesão social.</p><p>138</p><p>Anthony Giddens (2001), um dos principais estudiosos e defensores da ‘terceira</p><p>via’, a explica como sendo uma estratégia de âmbito mais global, a fim de favorecer e</p><p>melhorar as sociedades burguesas e democráticas, uma perspectiva de que os Estados/</p><p>governos devem se reformar e a sociedade civil se qualificar/educar no sentido de os</p><p>indivíduos exercerem a cidadania para participar e decidir diante das demandas de</p><p>caráter coletivo.</p><p>Os defensores da ‘terceira via’ interpretam que grande parte dos problemas que</p><p>acometem os países pobres e subdesenvolvidos não são fruto da economia global ou</p><p>das práticas de exploração das nações ricas, e sim das condições internas das próprias</p><p>sociedades.</p><p>A terceira via pode ser observada quando partidos políticos de esquerda, ou</p><p>de cunho social, trabalhista e democrático, procuram ajustar suas políticas aos moldes</p><p>neoliberais e, por outro lado, criar modos particulares de amenizar os problemas sociais</p><p>e os riscos de degradação sociopolítica de seus países, em meio ao capitalismo que se</p><p>torna cada vez mais global e ao mercado que se faz cada vez mais onipresente, ambos</p><p>processos de pouca probabilidade de reversão.</p><p>7 TENDÊNCIAS AOS GOVERNOS E À POLÍTICA</p><p>INTERNACIONAL</p><p>Existem impasses que se abatem sobre as mais diversas nações e países do</p><p>globo, tais como governos e os sistemas políticos altamente burocratizados e quase</p><p>falidos, e incapazes de conseguirem proporcionar justiça e bem-estar social, envolvidos</p><p>em redes profundas de corrupção.</p><p>O estudioso Ladislau Dowbor procura</p><p>fazer uma síntese da trajetória e do perfil</p><p>do conceito de governo, levando em consideração o caráter que este apresentou em</p><p>termos de princípios na responsabilidade pela administração, na relação com os cidadãos</p><p>e no atributo que norteia os espaços, os processos e as instâncias que compõem um</p><p>governo.</p><p>Observe com atenção o quadro a seguir, que faz as devidas distinções e</p><p>estabelece comparações e reflexões.</p><p>139</p><p>QUADRO 6 – EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE GOVERNO - LADISLAU DOWBOR</p><p>FONTE: World Public Sector Report (2005, p. 7)</p><p>ADMINISTRAÇÃO</p><p>PÚBLICA</p><p>NOVA GESTÃO</p><p>PÚBLICA</p><p>GOVERNANÇA</p><p>PARTICIPATIVA</p><p>PRINCÍPIOS</p><p>ORIENTADORES</p><p>Cumprimento de</p><p>leis e regras</p><p>Eficiência e</p><p>resultados</p><p>Responsabilidade,</p><p>transparência e</p><p>participação</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>DA ADMINISTRAÇÃO</p><p>SUPERIOR</p><p>Políticos Clientes Cidadãos, atores</p><p>RELAÇÃO CIDADÃO-</p><p>ESTADO</p><p>Obediência Credenciamento Empoderamento</p><p>ATRIBUTO-CHAVE Imparcialidade Profissionalismo Participação</p><p>Estabelecendo relação com o quadro geral dos modelos econômicos que</p><p>influenciaram e configuraram os sistemas políticos, pode-se situar os modelos de liberalismo</p><p>à estrutura de governo denominada de ‘administração pública’, modelo de governo que</p><p>vigorou ao longo do neoliberalismo na categoria de ‘nova gestão pública’ como que sendo</p><p>pertencente à terceira via, identificado também como ‘governança participativa’.</p><p>Nesse contexto de mudanças de modelos de Estado/governo, cada vez mais o</p><p>Estado é chamado a ampliar os investimentos em recursos humanos e infraestrutura</p><p>local, sendo de responsabilidade do Estado proteger os grupos vulneráveis e o meio</p><p>ambiente, aproximar o Estado da população, criar meios e políticas que favoreçam a</p><p>inclusão e participação efetiva dos cidadãos, reduzir as oportunidades de corrupção,</p><p>garantir estabilidade macroeconômica, favorecer parcerias entre o setor público e o</p><p>privado, gerir os processos de privatização, fortalecer redes industriais em nível nacional,</p><p>regional e internacional; apoiar as exportações, entre outros.</p><p>Acesse a página do professor da Universidade de São Paulo/USP Ladislau</p><p>Dawbor. Aprofunde seus conhecimentos sobre política, governo, economia,</p><p>tecnologia e sociedade com as dicas e sugestões de livros, artigos e filmes lá</p><p>indicados. Disponível em: <http://dowbor.org/>. Acesso em: 4 jun. 2015.</p><p>DICAS</p><p>140</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A globalização consiste em um fenômeno antigo em meio às sociedades que</p><p>procuravam intercambiar produtos, tecnologias e informações, porém, ganhou forte</p><p>impulso ao final da década de 1980, quando ocorreu a queda do Muro de Berlim e do</p><p>fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).</p><p>• O fenômeno da mundialização das relações financeiras e da globalização favoreceu</p><p>alguns grupos regionais que buscam tanto favorecer como proteger os processos</p><p>industriais que existem no interior dos países membros, e neste contexto os governos</p><p>desempenham papel fundamental.</p><p>• Dentre os desafios que ocorrem no interior dos grupos econômicos está a</p><p>heterogeneidade das bases produtivas, a vulnerabilidade econômica, instabilidades</p><p>políticas e a diversidade sociocultural de cada país membro.</p><p>• A terceira via consiste em uma união de representantes de órgãos políticos e</p><p>financeiros que pretendem apresentar soluções no sentido de amenizar e humanizar</p><p>os impactos do sistema neoliberal em meio à sociedade e às populações.</p><p>• O perfil de Estado/governo que se faz necessário no cenário político atual é o de um</p><p>governo capaz de proteger os grupos vulneráveis e o meio ambiente, criar meios</p><p>e políticas que favoreçam a inclusão e participação efetiva dos cidadãos, reduzir a</p><p>corrupção, garantir estabilidade macroeconômica, gerir os processos de privatização,</p><p>fortalecer redes industriais em nível nacional, regional e internacional.</p><p>141</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 (ENADE – 2014) Ideais liberais e métodos democráticos vieram,</p><p>gradualmente, se combinando num modo tal que, se é verdade que</p><p>os direitos de liberdade deram início à condição necessária para</p><p>a direta aplicação das regras do jogo democrático, é igualmente</p><p>verdadeiro que, em seguida, o desenvolvimento da democracia se tornou o</p><p>principal instrumento para a defesa dos direitos de liberdade.</p><p>De acordo com a orientação teórica expressa no texto acima, avalie as afirmações a</p><p>seguir.</p><p>I- Liberalismo e democracia, doutrinas políticas distintas, exercem grande influência</p><p>no ordenamento político das sociedades atuais.</p><p>II- Liberalismo e democracia são doutrinas políticas que surgiram em momentos</p><p>diferentes e convergiram para dar origem à democracia liberal.</p><p>III- Liberalismo é uma doutrina política incongruente com o ideal igualitário, que</p><p>caracteriza a tradição democrática.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) ( ) I, apenas.</p><p>b) ( ) III, apenas.</p><p>c) ( ) I e II, apenas.</p><p>d) ( ) II e III, apenas.</p><p>e) ( ) I, II e III.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4</p><p>142</p><p>143</p><p>RELAÇÕES DE TRABALHO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Um indivíduo/trabalhador, consciente de si e de seu fazer profissional,</p><p>geralmente pergunta-se sobre aspectos inerentes ao ofício, tais como: saber fazer,</p><p>técnica, matéria-prima e energia, os meios de produção, o produto, custo, margem de</p><p>lucro, jornada de trabalho, remuneração, condições de trabalho, comércio, consumo,</p><p>categoria de trabalho, reconhecimento e valor/sentido social e a realização, a satisfação/</p><p>sentido pessoal, os âmbitos e as instituições que intermedeiam seu fazer profissional.</p><p>2 ORIGEM/SIGNIFICADO DA PALAVRA TRABALHO</p><p>Ao pensar e refletir sobre relações de trabalho, parece que se toca em uma</p><p>questão que é responsável por causar entusiasmo e resistência aos indivíduos, ao mesmo</p><p>tempo as pessoas se sentem dispostas e se dedicam a certa atividade e, por outro lado,</p><p>recuam diante das condições, regramentos e normatizações em que precisarão estar</p><p>alinhadas e adequadas. Percebe-se, também, uma espécie de um relutar diante do fato</p><p>da exploração do homem pelo próprio homem, no sentido de obter e gerar riqueza.</p><p>Conta-se com todo um processo e imaginário histórico para que isso ocorra,</p><p>no sentido de que as relações de trabalho se encontram forjadas em meio a elementos</p><p>religiosos, sociais, econômicos e políticos, e procura-se apresentar as principais</p><p>concepções e dinâmicas que o homem atribuiu ao trabalho ao longo de sua jornada</p><p>histórica, bem como as possibilidades do momento presente e vislumbrar tendências</p><p>que as relações de trabalho podem trilhar.</p><p>Albornoz (2008) apresenta que a expressão trabalho contém muitos significados,</p><p>tais como esforço, fadiga, sofrimento, labuta, castigo, realização, sacrifício; que existem</p><p>muitas expressões, nas mais diferentes línguas, como labor e operare no italiano,</p><p>travailler no francês, work no inglês; bem como comporta correlações entre as mesmas,</p><p>como no caso da palavra latina arvum, que significa terreno arável, que surgiu da noção</p><p>do alemão arbeit, que significa trabalho.</p><p>Na Grécia antiga, pode ser associada à noção de poiesis, que significava o fazer,</p><p>a fabricação, o que o ser humano produz tanto material: uma obra de arte executada</p><p>por um artista, escultor, ceramista; como não material: instituições sociais, referências</p><p>culturais etc.</p><p>UNIDADE 2 TÓPICO 5 -</p><p>144</p><p>A expressão trabalho, tal como é escrita e utilizada na língua portuguesa, deriva</p><p>da expressão latina tripalium, que ao longo da Idade Média era o nome dado a um</p><p>instrumento de tortura que apresentava três paus reunidos, utilizado pelos camponeses</p><p>e servos para bater o trigo, as espigas de milho, e para desfiar e esfiapar o linho; certa vez</p><p>foi adaptado e utilizado como instrumento de tortura (ALBORNOZ, 2008).</p><p>O missionário católico Raimundo Lélio (1232-1315), que atuou entre os povos</p><p>catalães no século XIII, foi o responsável por reabilitar a expressão e concepção</p><p>‘trabalho’, que foi amplamente difundida na sociedade moderna industrial e capitalista</p><p>(GANDILLAC, 1995). A concepção de trabalho também é identificada na denominação</p><p>de tripalium, que</p><p>207</p><p>4 SANEAMENTO BÁSICO .................................................................................................. 207</p><p>5 PRECARIZAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO .................................................................212</p><p>6 AVANÇOS NO SANEAMENTO ..........................................................................................214</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................216</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 217</p><p>TÓPICO 4 - TRANSPORTES E SEGURANÇA .....................................................................221</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................221</p><p>2 CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSPORTES ......................................................................... 223</p><p>2.1 TERRESTRES ..................................................................................................................................... 223</p><p>2.2 AQUAVIÁRIOS ................................................................................................................................... 225</p><p>2.3 AÉREO .................................................................................................................................................227</p><p>3 INFRAESTRUTURA ........................................................................................................ 228</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4 ...................................................................................................... 230</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................231</p><p>TÓPICO 5 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA EM ÂMBITO NACIONAL ............... 233</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 233</p><p>2 A SEGURANÇA PÚBLICA E AS CONTRIBUIÇÕES COMUNITÁRIAS ............................. 234</p><p>3 SEGURANÇA PÚBLICA E JUSTIÇA CRIMINAL ............................................................. 235</p><p>4 SEGURANÇA PÚBLICA E O PAPEL DO ESTADO ........................................................... 240</p><p>RESUMO DO TÓPICO 5 ...................................................................................................... 243</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 244</p><p>TÓPICO 6 - VIDA RURAL, URBANA E ECOLOGIA ............................................................. 247</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 247</p><p>2 VIDA URBANA ................................................................................................................ 247</p><p>3 VIDA RURAL ................................................................................................................... 249</p><p>4 SEMELHANÇAS OU DIFERENÇAS ................................................................................ 252</p><p>5 ECOLOGIA ....................................................................................................................... 255</p><p>6 ECOSSISTEMA ............................................................................................................... 256</p><p>6.1 ORGANIZAÇÃO DOS SERES VIVOS ...............................................................................................257</p><p>6.2 EXEMPLOS DE ECOSSISTEMAS ................................................................................................... 260</p><p>6.3 DIVERSIDADE DO ECOSSISTEMA ................................................................................................. 261</p><p>7 OS GRANDES BIOMAS ....................................................................................................261</p><p>7.1 FATORES QUE DETERMINAM OS BIOMAS .................................................................................... 261</p><p>RESUMO DO TÓPICO 6 ...................................................................................................... 264</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 265</p><p>TÓPICO 7 - MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ............................ 269</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 269</p><p>2 QUESTÕES AMBIENTAIS – UMA REFLEXÃO SOCIOAMBIENTAL ................................ 269</p><p>3 SUSTENTABILIDADE: SURGIMENTO ............................................................................ 271</p><p>3.1 RELATÓRIO BRUNDTLAND OU “NOSSO FUTURO COMUM” ....................................................273</p><p>3.2 AGENDA 21 .........................................................................................................................................273</p><p>3.3 CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL –</p><p>RIO+20 .................................................................................................................................................274</p><p>4 SUSTENTABILIDADE: CONCEITUAÇÃO ....................................................................... 274</p><p>4.1 OS PILARES DA SUSTENTABILIDADE...........................................................................................275</p><p>5 AS FERRAMENTAS PARA A GESTÃO SUSTENTÁVEL ....................................................277</p><p>5.1 PACTO GLOBAL .................................................................................................................................278</p><p>5.2 OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO - ODM ......................................................279</p><p>5.3 PROTOCOLO DE KYOTO ..................................................................................................................280</p><p>5.4 ABNT NBR 14064 – INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA .............281</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 282</p><p>RESUMO DO TÓPICO 7 ...................................................................................................... 286</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 287</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 290</p><p>1</p><p>UNIDADE 1 -</p><p>CIDADANIA</p><p>E SOCIEDADE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• compreender diferentes conceitos de democracia, ética, cidadania e sociodiversidade;</p><p>• verifi car os padrões de conduta moral ao longo do tempo e em diversas culturas;</p><p>• identifi car a importância da responsabilidade social e os três setores: público, privado</p><p>e terceiro setor para uma sociedade equânime;</p><p>• entender a importância da cultura e da arte no desenvolvimento da sociedade.</p><p>Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoa-</p><p>tividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA</p><p>TÓPICO 2 – SOCIODIVERSIDADE E INCLUSÃO</p><p>TÓPICO 3 – MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E</p><p>RELAÇÕES DE GÊNERO</p><p>TÓPICO 4 – RESPONSABILIDADE SOCIAL: SETOR PÚBLICO, SETOR PRIVADO E</p><p>TERCEIRO SETOR</p><p>TÓPICO 5 – CULTURA E ARTE</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>2</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 1!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>3</p><p>DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Entraremos no mundo do comportamento humano em sociedade e suas regras</p><p>de conduta e participação social, política e econômica, no qual trabalharemos a questão</p><p>da formação dos princípios</p><p>foi extraída do latim e designava um instrumento de tortura reservado</p><p>aos escravos. Lélio a substituiu pela expressão treballan, que é oriunda do idioma</p><p>catalão, que designa a habilidade em elaborar a matéria bruta, transformando-a em</p><p>obra, realização e propriedade humana, e dignificadora do próprio homem.</p><p>Labor e trabalho são expressões muito utilizadas e até sinônimos, porém Arendt</p><p>(2007) nos propõe que se faça distinção entre elas. Por labor a autora relaciona o ato de</p><p>trabalhar, que está na labuta, numa lógica de estar em curso, na disposição de verbo no</p><p>gerúndio, está ocorrendo, não comporta a noção de produto final. Por trabalho designa</p><p>as atividades feitas com as mãos, a noção de produto, trata-se de um trabalho que é</p><p>apresentado como acabado.</p><p>Os estudiosos são unânimes ao apresentar que a palavra trabalho deve ser</p><p>identificada e compreendida ainda nas sociedades ágrafas (sociedade sem escrita),</p><p>quando ocorreu a passagem das atividades de caça, coleta e pesca à prática da</p><p>agricultura e na domesticação dos animais.</p><p>Durante muitos séculos, a moral e a ética do “trabalho” e da “conquista”</p><p>permaneceram, em grande parte, como um fato circunscrito ao universo rural, ao lavrar e</p><p>semear a terra, colher e armazenar alimentos, domesticar e tratar animais, construir pontes,</p><p>moinhos, celeiros, castelos, palácios, igrejas, minerais, metais preciosos, entre outros.</p><p>As concepções foram alteradas, inclusive as mais antigas, quando reunidas nos</p><p>livros da Bíblia Sagrada, em que o trabalho não é mais visto como um indício da maldição</p><p>de Deus a Adão e Eva, com a expulsão do paraíso, sendo que teriam que ganhar o pão</p><p>com o suor do próprio rosto. Os gregos distinguiam entre esforço do trabalho na terra, a</p><p>fabricação do artesão que servia ao usuário, e a atividade livre do cidadão que discutia</p><p>os problemas da cidade. De modo muito semelhante na Idade Média, trabalhar com as</p><p>mãos era sinônimo de ser escravo ou servo, um indício de que o indivíduo pertencia aos</p><p>grupos inferiores da sociedade.</p><p>A partir da reforma protestante, empreendida pelo teólogo Martinho Lutero</p><p>(1483-1546), a concepção de trabalho foi profundamente reformulada no sentido de</p><p>que o trabalho, como vocação, conduziria os indivíduos à salvação da alma. João</p><p>Calvino (1509-1564), teólogo francês, apresentava a noção de que o trabalho, o êxito</p><p>145</p><p>e a prosperidade material em vida deveriam ser compreendidos como uma forma de</p><p>conquistar a benevolência de Deus. Ambas as teorias favoreceram o contexto no qual</p><p>implantavam-se políticas de mercantilismo e capitalismo.</p><p>O sociólogo Max Weber (1864-1920) defendeu, em seus estudos, que os valores</p><p>religiosos do protestantismo favoreceram e coincidiam com o espírito do capitalismo, no</p><p>sentido de que superavam a moral católica de renúncia ao mundo material, do acúmulo</p><p>de bens financeiros e ao lucro, na vida religiosa de devoção contemplativa e de renúncia</p><p>ao mundo material.</p><p>A noção de vocação para o trabalho foi associada também à ideia de amor</p><p>ao próximo, e quanto mais intensa a atividade profissional, maior a aproximação da</p><p>salvação. Por outro lado, a falta de vontade de trabalhar passou a ser compreendida</p><p>como ausência do estado de graça e do não merecimento da salvação de Deus. Assim,</p><p>estava autorizado que todo indivíduo empreendesse a busca pela riqueza material,</p><p>podendo realizar grandes ações e assim galgar sua própria salvação.</p><p>Uma das principais alterações que a modernidade realizou foi a de apropriar-se</p><p>da concepção positiva de trabalho e mudar o ambiente de realização do mesmo, que</p><p>do interior das casas ou no interior das corporações de ofício passou a ser realizado em</p><p>cidades, no interior dos espaços das fábricas.</p><p>Foi nesta época que surgiram as noções de divisão de trabalho, na qual cada</p><p>indivíduo, com a fração/parte que desempenha, na sua especialidade, contribui à soma</p><p>de trabalho coletivo, que por sua vez gera a riqueza de cada nação, o que se tornaria</p><p>uma espécie de consciência e interesse coletivo e comum a todo indivíduo. É nesse</p><p>momento que a mudança de percepção da noção de trabalho passa a ocorrer, no</p><p>sentido de que as pessoas passam a trabalhar para poder consumir, e não mais para</p><p>produzir algo.</p><p>A partir do século XVIII, os economistas Adam Smith (1723-1790) e David</p><p>Ricardo (1772-1823) reforçam os valores de atividades produtivas e de riqueza material,</p><p>e defendem que o trabalho é o grande responsável pela riqueza social, o que por sua</p><p>vez supervalorizou a ideia de homem operário, Homo economicus, que produz riqueza,</p><p>que contribui para que o sistema econômico continue a alcançar seus objetivos e</p><p>lançar novas possibilidades de investimentos e lucratividade. Foi nesse contexto que o</p><p>estudioso alemão Karl Marx (1818-1883) defendeu que a essência do homem é o trabalho</p><p>e não a sua vida espiritual. Passou a observar mais de perto a relação do homem e do</p><p>trabalho, ao ponto de analisar dimensões peculiares e subjetivas da relação do homem</p><p>com o trabalho e a mercadoria, e se engajar ativamente em fazer o processo de crítica</p><p>e denúncia das contradições que envolviam trabalhadores, proprietários dos meios de</p><p>produção e burgueses comerciantes, abrangendo o sistema capitalista como um todo.</p><p>146</p><p>No entanto, a perspectiva de Marx era a de que o exercício crítico, através</p><p>da intelectualidade, não era suficiente, para ele o mundo não se transforma com o</p><p>pensamento e leis, o mundo deveria ser transformado pela práxis, na organização</p><p>dos trabalhadores e na realização de atos revolucionários. A divisão do trabalho era</p><p>responsável pela alienação do homem na sociedade capitalista, que por sua vez se</p><p>revelava em face à perda da totalidade e da dignidade humana. Caberia ao proletariado a</p><p>responsabilidade pelo ato de fazer a revolução e transformar a sociedade, tomar o poder</p><p>e abolir a relação capitalista de produção. Em meio ao campo de luta e revoluções, os</p><p>trabalhadores deveriam estar conscientes de si e de sua classe/categoria e empreender</p><p>as revoluções que fossem necessárias a fim de desfazer o quadro de desigualdade,</p><p>injustiças e exploração que o trabalho favorecia. Marx defendia a superação do sistema</p><p>capitalista pelo comunismo, numa espécie de sociedade associativa em que o livre</p><p>desenvolvimento individual seria a condição do livre desenvolvimento de todos (MARX;</p><p>ENGELS, 2010).</p><p>Segundo Abbagnano (2000), a relação do trabalho com a existência humana</p><p>passa a ser lugar-comum na cultura contemporânea. Mesmo fora do âmbito marxista, o</p><p>caráter penoso atribuído ao trabalho não é atribuído ao trabalho em si, mas às condições</p><p>sociais em que ele é realizado nas sociedades industriais.</p><p>O trabalho passa a ser visto como parte fundamental da natureza humana. O</p><p>trabalho é ainda hoje visto como um valor social, sendo o trabalhador um personagem</p><p>social merecedor de respeito, admiração e dignidade pelas obras que faz a si, a seus</p><p>familiares e semelhantes.</p><p>A nova concepção que foi atribuída ao trabalho combina com os valores das</p><p>mudanças no interior da fabricação de produtos. O homem, reconhecendo que o trabalho</p><p>não era mais motivo de sofrimento e castigo, mas sim uma atividade que o tornaria</p><p>socialmente reconhecido, sentiu-se motivado e disposto a se dedicar e doar a fim de</p><p>preencher as oportunidades e a demanda da manufatura e indústria nascente, bem</p><p>como o campo das invenções de máquinas e técnicas e o próprio sistema capitalista,</p><p>que estavam exigindo.</p><p>Trabalho, geralmente, pode ser definido como atividade coordenada de caráter</p><p>físico ou intelectual, necessária a qualquer tarefa, serviço ou empreendimento, ocupação,</p><p>ofício, exercício de profissão. Um aspecto que distingue o trabalho humano do trabalho</p><p>dos outros animais está no fato de que o trabalho e esforço humanos são atribuídos</p><p>à intencionalidade, além da operação instintiva e programada que é reconhecida nas</p><p>atividades dos animais. No homem é percebido o grau de especialização, complexidade,</p><p>tanto das atividades, como dos meios dos quais ele se utiliza para</p><p>realizar o trabalho.</p><p>A produção artesanal, produção familiar em espaços domésticos ou pequenas</p><p>oficinas, como alfaiates, ceramistas, sapatarias, na qual importa fazer um bom trabalho,</p><p>um produto único, com maestria e arte de fazê-lo. O trabalhador encontrava-se livre para</p><p>147</p><p>organizar seu trabalho, a seleção de sua matéria-prima, o começo, a forma, a técnica, o</p><p>ritmo, os detalhes, o acabamento, a entrega. Não ocorre a distinção de trabalho e lazer,</p><p>divertimento e cultura, ambos se fundem.</p><p>A Europa viveu seu momento de desenvolvimento industrial ainda no século</p><p>XIX, na América Latina ocorreu somente na segunda metade do século XX, realidades</p><p>nas quais o processo de aprimoramento da produção acabou por se modificar, não</p><p>seguindo a lógica de fases e processos que ocorreram na Europa. O quadro industrial</p><p>dessa região apresenta-se ora como que ainda na segunda revolução industrial, e ora</p><p>na produção que se utiliza de tecnologia de ponta e robotização, em especial a migração</p><p>e empregabilidade no setor de serviços. Ao mesmo tempo, encontram-se inúmeros</p><p>desafios em termos de dependência em relação a tecnologias e desigualdades no que</p><p>diz respeito ao acesso ao emprego.</p><p>No século XIX, pode-se falar que a produção capitalista, que introduziu a máquina</p><p>a vapor e a modernização dos métodos de produção, desintegrou costumes e introduziu</p><p>novas formas de organização da vida social. A transição da produção artesanal para a</p><p>manufatureira e desta para a produção fabril, a migração do campo para a cidade; o fim</p><p>da servidão; o desmantelamento da família patriarcal; a introdução do trabalho feminino</p><p>e infantil.</p><p>A individualização da produção, a programação das atividades, linhas de</p><p>montagem, produção em série e o consumo em massa (fordismo e taylorismo) almejavam</p><p>articular o acesso a matérias-primas, à mão de obra, ao fácil escoamento da produção e</p><p>obter maiores margens de lucros entre os custos e a comercialização da produção, que</p><p>por sua vez acarretam deslocamentos que desperdiçavam tempo significativo na vida</p><p>dos trabalhadores, além da produção de poluição e impactos ao meio ambiente.</p><p>A maquinização e a mecanização da produção conferiram ao trabalhador</p><p>a percepção da perda do saber fazer, a perda da noção de produtor. Diante disso, o</p><p>trabalhador se sentiu pressionado a se adaptar para poder operar as máquinas</p><p>que estavam sendo introduzidas nos espaços de trabalho. A separação, divisão</p><p>e especialização da produção fizeram com que o produtor não conseguisse mais</p><p>reconhecer a totalidade do produto depois de pronto. Mudanças da concentração da</p><p>população em relação às atividades econômicas e oportunidades de trabalho, assim</p><p>como o trabalho na indústria, acabaram por concentrar a população em determinadas</p><p>regiões e cidades, tornando-as superpovoadas.</p><p>O que Marx procurou definir como ‘alienação’ encontrava-se nascente nesses</p><p>processos, e depois poderia ainda ser verificada em situações como a do consumo dos</p><p>produtos que estavam sendo produzidos/consumidos, no contexto industrial em que a</p><p>produção se dava em grande escala e para consumo em massa. Trabalhadores como</p><p>alfaiates, costureiras, sapateiros, eram os testemunhos mais expressivos desse processo.</p><p>148</p><p>Diante da reflexão de Arendt (2007), podemos afirmar que, desde o século XIX,</p><p>o Homo faber foi perdendo sua aura e passou a ser valorizado o “princípio da felicidade”.</p><p>De fato, o progresso da civilização não produziu uma sociedade de indivíduos políticos</p><p>ou de trabalhadores que amam seu ofício, e sim uma sociedade de consumidores, de</p><p>indivíduos isolados e desenraizados, uma cultura de massa imersa em futilidade. E a</p><p>construção da identidade deixou de ser pautada em atividades criativas e produtivas, à</p><p>medida que o trabalho se tornou apenas um meio de satisfazer necessidades ou desejos</p><p>de consumo.</p><p>3 AS MULHERES NO CONTEXTO DA REVOLUÇÃO</p><p>INDUSTRIAL</p><p>As mulheres participaram da produção de utensílios, alimentos e mercadorias</p><p>desde os tempos mais remotos, que envolviam desde as atividades no interior da casa,</p><p>família e comunidade. A alimentação, o artesanato e a educação das crianças foram</p><p>inseridos no interior dos espaços de trabalho com fortes projetos a partir da Revolução</p><p>Industrial. Os maiores problemas surgem quando as mulheres passam a ser empregadas</p><p>no interior das indústrias modernas, em meio a longas jornadas de trabalho, com a</p><p>presença de maquinários, em que os salários pagos às mulheres eram inferiores.</p><p>A gradual introdução das mulheres no campo de trabalho favoreceu a mudança</p><p>de hábitos e costumes por parte das mesmas. O fato de trabalhar no interior das fábricas</p><p>exigia novos comportamentos, posturas e até uma indumentária que favorecesse a</p><p>realização das atividades e evitasse possíveis acidentes de trabalho. Os vestidos longos</p><p>e rodados, os chapéus e demais acessórios ofereciam risco de acidentes se usados nos</p><p>espaços de trabalho em meio às máquinas.</p><p>As roupas que deveriam ser usadas no interior das indústrias precisavam ser</p><p>justas, retas e que cobrissem o corpo o máximo possível. A condição e imposição</p><p>do meio de trabalho foram responsáveis por depreciar a feminilidade, fragilidade e</p><p>sensibilidade da mulher e favorecer uma postura rígida, tenaz e ereta. Foi neste contexto</p><p>que a estilista francesa Coco Chanel (1883-1971) começa a projetar roupas com design</p><p>mais favorável às atividades no interior das fábricas e empresas, nas quais se destacam</p><p>cortes e precisão geométrica das roupas e modelos ajustados ao corpo, ausentes de</p><p>babados, volumes, acessórios, entre outros.</p><p>149</p><p>1º de Maio: Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho ou Dia Internacional</p><p>dos Trabalhadores</p><p>Esta data, que é comemorada em diversos países, como Brasil,</p><p>Portugal, Austrália, Angola, França, Suécia, Moçambique, é resultante</p><p>de uma greve geral de trabalhadores que ocorreu no ano de 1886,</p><p>no interior de Chicago, nos Estados Unidos da América. A paralisação</p><p>foi responsável por envolver diversos parques industriais da cidade.</p><p>Dentre as causas da paralisação encontrava-se a redução da jornada de</p><p>trabalho. A presença dos manifestantes na rua se estendeu por diversos</p><p>dias e acabou por ser reprimida com violência pelas tropas do governo,</p><p>causando inúmeras mortes.</p><p>ATENÇÃO</p><p>A partir dos anos de 1990 o toyotismo, idealizado pelo engenheiro-mecânico</p><p>Taiichi Ohno (1912-1990), tornou-se tendência no interior dos sistemas produtivos.</p><p>Esse rearranjo produtivo apresenta, como princípios, a otimização da produção em</p><p>todas as fases e a integração de todos os setores no interior dos espaços produtivos;</p><p>no campo deliberativo requer a descentralização da tomada de decisões; produção de</p><p>itens diferenciados; formação de alianças e redes de atividades empresariais; por parte</p><p>dos indivíduos requer trabalho em equipe, proporciona a participação nos resultados,</p><p>subcontratação e exige qualifi cação constante.</p><p>4 O TRABALHO NOS TEMPOS CONTEMPORÂNEOS</p><p>O homem contemporâneo possui uma relação com o trabalho, que foi instaurada</p><p>ainda no século XIX e que ganhou desenvolvimento e aprofundamento ao longo do século</p><p>XX. Trata-se da produção industrial, tecnológica e a prestação de serviços no interior de</p><p>grandes cidades. O espaço primordial de realização dos indivíduos torna-se o espaço no</p><p>interior das cidades, os espaços das indústrias e o âmbito público das relações.</p><p>A era industrial deixou de cumprir sua ‘grande promessa’: fabulosas realizações</p><p>materiais e intelectuais. O sonho de sermos senhores independentes de nossas vidas</p><p>terminou quando despertamos para o fato de que todos nos tornamos peças ínfi mas da</p><p>máquina burocrática, com nossos pensamentos, sentimentos e gostos manipulados pelo</p><p>governo, pela indústria e pelas comunicações de massa que controlam tudo (FROMM, 1987).</p><p>Uma das questões cruciais de tal processo diz respeito à passagem do regime</p><p>fordista (século XIX) ao regime chamado de produção toyotista. A técnica tornou cada</p><p>vez mais fragmentado o processo de trabalho e, consequentemente, independente dos</p><p>indivíduos,</p><p>bem como aleatório com quem o faz, em que já não importa como cada</p><p>um o faz; importa sim que cada indivíduo mantenha-se submetido ao todo, mantenha</p><p>os laços, as passagens, o fl uxo do processo, com o mínimo de interferência criativa,</p><p>inovação que possa tornar os fl uxos ainda mais efi cientes.</p><p>150</p><p>Trabalhar em uma mesma empresa por muitos anos, ser homenageado e receber</p><p>condecorações de três, cinco, dez, 15, 20 anos de empresa, faz parte da geração anterior</p><p>à qual nos encontramos e que tende a se tornar cada vez mais raro. Especialmente no</p><p>ramo do terceiro setor.</p><p>No interior das grandes organizações descortinam-se tendências à rotatividade,</p><p>à terceirização, cooperativas de trabalho, atividades autônomas, grupos de voluntariado,</p><p>economia solidária, entre outras. No panorama atual de sistemas de governos, grupos</p><p>empresariais e relações de trabalho, cadencia-se a internacionalização dos processos</p><p>de produção e comercialização e a mercantilização/financeirização das relações</p><p>econômicas e sociais, no sentido de que reforçam o sistema capitalista e o poder do</p><p>mercado, dimensões em que a noção de competição e propriedade prevalecem como</p><p>moral e finalidade última, o que por sua vez acaba por fragilizar as estruturas de Estado,</p><p>as relações sociais e culturais entre os indivíduos.</p><p>A tecnologia da informação, a descoberta e desenvolvimento de novos</p><p>materiais, as mudanças e oscilações nas estruturas de mercado e a capacidade de</p><p>competitividade e as relações intra e interpessoais parecem ser os elementos que mais</p><p>permeiam as relações de trabalho. No interior dessas novas tendências identifica-se a</p><p>busca dos indivíduos em vivenciar experiências que aliem trabalho, moradia, realização</p><p>de projetos pessoais, formação continuada, vivências familiares, sociais e de lazer.</p><p>4.1 AS POSSIBILIDADES DO TRABALHO INFORMAL</p><p>O trabalho informal é o que ocorre nas experiências de trabalho artesanal e</p><p>prestação de serviços, em que envolve intensa dedicação de mão de obra, de caráter</p><p>temporário, geralmente apresenta pouco montante de capital envolvido e acaba</p><p>apresentando acordos à parte das legislações trabalhistas; o que por sua vez acaba</p><p>não concorrendo como linhas de financiamentos, seja de bancos ou governos; como</p><p>exemplo, pode-se relacionar as práticas de trabalho no ramo do vestuário e alimentação.</p><p>Como economia solidária, pode-se entender as atividades que ocorrem de forma</p><p>coletiva e em estruturas suprafamiliares, articuladas em associações, cooperativas,</p><p>empresas autogestadas, grupos de produção, clubes de trocas etc., cujos participantes</p><p>tanto podem ser trabalhadores dos meios urbano e rural.</p><p>Os envolvidos nas atividades de economia solidária exercem forte controle e</p><p>gerenciamento das atividades e dos resultados. Realizam atividades econômicas de</p><p>produção de bens, de prestação de serviços, de fundos de crédito (cooperativas de</p><p>crédito e os fundos rotativos populares), de comercialização (compra, venda e troca de</p><p>insumos, produtos e serviços) e de consumo solidário. As atividades econômicas devem</p><p>ser permanentes ou principais, ou seja, a razão de ser da organização.</p><p>151</p><p>4.2 RELAÇÕES DE TRABALHO E OS PROCESSOS LEGAIS NO</p><p>BRASIL</p><p>O trabalho livre e assalariado ganhou espaço após a abolição da escravidão</p><p>aplicada aos trabalhadores negros no Brasil em 1888 e com a gradual vinda dos</p><p>imigrantes europeus. As condições impostas eram ruins, acabaram por gerar no interior</p><p>do país as primeiras discussões sobre leis trabalhistas. Os imigrantes traziam consigo a</p><p>experiência do movimento operário e sindical no interior dos países europeus, o que por</p><p>sua vez favoreceu a estruturação de organizações de trabalhadores, círculos operários,</p><p>sindicatos e demais frentes de representação.</p><p>No fi nal do século XIX surgem as primeiras normas trabalhistas, por meio do</p><p>Decreto nº 1.313, de 1891, que regulamentou o trabalho dos menores de 12 a 18 anos. Em</p><p>1912, foi fundada a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), durante o 4º Congresso</p><p>Operário Brasileiro. Dentre as causas defendidas pela Confederação estavam: a jornada</p><p>de trabalho de oito horas, fi xação do salário-mínimo, indenização para acidentes,</p><p>contratos coletivos ao invés de individuais.</p><p>No cenário internacional do pós-1ª Guerra Mundial, em 1919, surge a Organização</p><p>Internacional do Trabalho (OIT), órgão internacional que por sua vez impulsionou a formação</p><p>de um Direito do Trabalho. O surgimento deste órgão, naquele momento histórico, visava</p><p>intermediar o confl ito entre o capital e o trabalho, e que era visto como uma das principais</p><p>causas dos desajustes sociais e econômicos, inclusive motivadores de guerras.</p><p>Caro estudante, procure saber mais sobre a atuação da Organização</p><p>Internacional do Trabalho-OIT. Trata-se do órgão responsável pelas</p><p>convenções e recomendações que norteiam as questões relacionadas</p><p>ao trabalho em nível internacional.</p><p>Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br/content/apresenta%C3%A7%-</p><p>C3%A3o>. Acesso em: 3 jun. 2015.</p><p>DICAS</p><p>A política trabalhista brasileira se consolida, de fato, após a Revolução de 30,</p><p>quando Getúlio Vargas cria o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. A Constituição</p><p>de 1934 foi a primeira a tratar de Justiça do Trabalho e Direito do Trabalho, assegurando a</p><p>liberdade sindical, salário-mínimo, jornada de oito horas, repouso semanal, férias anuais</p><p>remuneradas, proteção do trabalho feminino e infantil e igualdade salarial.</p><p>152</p><p>Conheça o site do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. Lá você encontrará</p><p>resoluções sobre o funcionamento das centrais sindicais, leis e convenções ao</p><p>exercício das profissões, orientações sobre os trâmites contratuais e demissionais,</p><p>seguro-desemprego, trabalho temporário, políticas de microcrédito, trabalho de-</p><p>cente, entre outros.</p><p>MTE. Ministério do Trabalho e Emprego. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/</p><p>portal-mte/>. Acesso em: 3 jun. 2015.</p><p>DICAS</p><p>No Brasil de 1964, com o golpe militar e a instalação da ditadura, ocorreram fortes</p><p>medidas de repressão à classe trabalhadora, com o Decreto nº 4.330, as intervenções</p><p>atingiram sindicatos em todo o Brasil. Este decreto é conhecido como a lei antigreve,</p><p>que impôs tantas regras para realizar uma greve que, na prática, elas ficaram proibidas.</p><p>Depois de anos sofrendo cassações, prisões, torturas e assassinatos, em 1970</p><p>um novo movimento sindicalista se reestrutura no interior do Estado de São Paulo, no</p><p>chamado ABCD paulista. No ano de 1978 ocorre uma grande greve em São Bernardo do</p><p>Campo (SP) e que ganhou aderência de trabalhadores de todo o país.</p><p>Após o fim da ditadura militar, em 1985, e em meio às mudanças no cenário</p><p>econômico, com a promulgação da Constituição de 1988, as conquistas dos trabalhadores</p><p>foram restabelecidas; por exemplo, a Lei nº 7.783/89, que restabelecia o direito de greve</p><p>e a livre associação sindical e profissional, a aposentadoria rural; Fundo de Amparo ao</p><p>Trabalhador (FAT); Benefício de Prestação Continuada (BPC); Programa de Erradicação</p><p>do Trabalho Infantil (PETI); bolsa escola e, ulteriormente, bolsa família, entre outros.</p><p>153</p><p>A TERCEIRIZAÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO</p><p>Grupos de empresários e empregadores apresentam argumentos no sentido</p><p>de que a geração de emprego formal, e até a abertura de empresas, no Brasil, são</p><p>dificultadas diante dos custos que as leis trabalhistas acabam acarretando. Alegam que</p><p>em torno de 67% do salário consiste em tributos, que são pagos ao governo, que procura</p><p>atender a leis de descanso remunerado, 13º salário, FGTS, adicionais em casos de horas</p><p>extras, insalubridade e trabalho noturno. E diante deste cenário é que ganham espaço</p><p>as ideias de terceirização no interior dos postos de trabalho.</p><p>Terceirização é o processo pelo qual uma empresa deixa de executar uma ou</p><p>mais atividades realizadas por trabalhadores diretamente contratados e as transferem</p><p>para outra empresa. A terceirização se realiza de duas formas, não excludentes. Na</p><p>primeira, a empresa deixa de produzir bens ou serviços utilizados em sua produção</p><p>e passa a comprá-los de outra – ou outras empresas –, o que provoca a desativação,</p><p>parcial ou total, de setores que anteriormente funcionavam no interior da empresa.</p><p>A outra forma é a contratação de uma ou mais empresas para executar, dentro</p><p>da “empresa-mãe”, tarefas anteriormente realizadas por trabalhadores contratados</p><p>diretamente. Essa segunda forma de terceirização pode referir-se tanto a atividades-</p><p>fim como a atividades-meio. Entre as últimas podem estar, por exemplo, limpeza,</p><p>vigilância, alimentação. Tem-se observado também que vem ocorrendo o processo de</p><p>quarteirização, a contratação de uma empresa pela empresa-mãe, que deverá gerir as</p><p>relações com o conjunto das empresas terceiras contratadas no interior da mesma.</p><p>O processo de terceirização da produção e da prestação de serviços no Brasil, e</p><p>em quase todos os países capitalistas, desenvolveu-se como parte do rearranjo produtivo,</p><p>iniciado na década de 70 do século XX, a partir da terceira Revolução Industrial, e que se</p><p>prolonga até os dias de hoje. São mudanças importantes na organização da produção e</p><p>do trabalho e, no caso específico da terceirização, na relação entre empresas.</p><p>A adoção deste processo foi intensificada e disseminada no âmbito da</p><p>reestruturação produtiva que marcou os anos 90. A partir do ano 2000, a economia</p><p>brasileira iniciou um lento processo de recuperação, com taxas de crescimento positivas,</p><p>porém o cenário do mercado de trabalho já é o da difusão generalizada da terceirização da</p><p>mão de obra. Se, inicialmente, as empresas precisaram enxugar os custos para garantir</p><p>sua sobrevivência, o processo de terceirização não apresentou retrocesso diante da</p><p>melhora do cenário econômico, tendo permanecido como um elemento fundamental da</p><p>mudança do processo produtivo e do mercado de trabalho brasileiros.</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>154</p><p>RESUMO DO TÓPICO 5Em nível internacional destaca-se que as atividades mais atingidas pela</p><p>terceirização, em suas diferentes formas, são aquelas próprias da Tecnologia da</p><p>Informação (TI), o que inclui o trabalho de programadores, de processamento de dados</p><p>e de desenvolvimento de softwares. O avanço rápido e constante nesses processos</p><p>tecnológicos facilita a troca de dados, a execução de projetos e a entrega de produtos,</p><p>independentemente do local onde o trabalho é executado.</p><p>A maior preocupação constatada a partir das fontes de informação sobre os</p><p>Estados Unidos é a possibilidade de demissão em massa de trabalhadores americanos</p><p>qualificados em decorrência de processos de terceirização nos quais as contratantes são</p><p>empresas americanas. Nesse caso, o mais comum tem sido a adoção do international</p><p>outsourcing (compra do componente ou serviço em outro país), do offshoring (realocação</p><p>da empresa em outro país) ou ainda do on-site offshoring (contratação de trabalhadores</p><p>estrangeiros imigrantes ou de trabalhadores em seus países de origem). Os países</p><p>europeus, quando comparados com os Estados Unidos, demandam menos serviços</p><p>terceirizados e adotam algumas barreiras culturais que dificultam a transferência de</p><p>atividades de um país para outro.</p><p>Dentre os setores mais vulneráveis à terceirização no continente, tem-se que</p><p>a maioria está relacionada à área de TI, que atuam nos ramos de desenvolvimento</p><p>de softwares, processamento de dados, vendas, serviços de atendimento ao cliente,</p><p>pesquisa, desenvolvimento e designs, finanças, recursos humanos e gerenciamento.</p><p>Estima-se que os trabalhadores indianos da área de computação, por exemplo, recebam</p><p>entre 1/5 e 1/10 do que é pago a um americano pela mesma função.</p><p>No Brasil os ramos de atividades que mais registram processos de terceirização</p><p>são o setor público, no interior das unidades de governo, o setor financeiro, como bancos,</p><p>os setores elétrico, químico, de petróleo e petroquímico e da construção civil.</p><p>Diante das formas mais explícitas de precarização das condições de trabalho e de</p><p>vulnerabilidade da condição do trabalhador que resultam dos processos de privatização,</p><p>tem-se um novo relacionamento sindical entre empregador e empregado, que aponta</p><p>a desmobilização dos trabalhadores para reivindicações e greves, eliminação das ações</p><p>sindicais e trabalhistas que reclamam pelos direitos sociais.</p><p>Texto adaptado de DIEESE. Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos</p><p>Socioeconômicos. O processo de terceirização e seus efeitos sobre os trabalhadores no</p><p>Brasil. Convênio SE/MTE nº 04/2003, Processo nº 46010.001819/2003-27.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BA5F4B7012BAAF91A9E060F/</p><p>Prod03_2007.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2015.</p><p>155</p><p>RESUMO DO TÓPICO 5</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A palavra trabalho tem origem nas práticas e atividades das mais antigas sociedades,</p><p>comporta muitas diferenças de escrita, em especial na forma como as sociedades</p><p>concebiam e ao valor moral que atribuíram à mesma.</p><p>• No interior da forma de produção artesanal o trabalhador detém o conhecimento de</p><p>todas as fases de produção, pode atender à vontade pessoal de quem procura pelo</p><p>produto, o produto consiste em um exemplar único e o artesão acompanha também</p><p>o processo de comercialização do produto.</p><p>• No interior do processo de produção de forma manufaturada se dá a especialização</p><p>e divisão de funções, a produção passa a ocorrer fora do local de moradia dos</p><p>responsáveis pela produção, o que por sua vez favorece os primórdios das grandes</p><p>indústrias.</p><p>• No interior dos modos organização industrial do século XVIII e XIX prevaleceram os</p><p>modelos fordista e taylorista, que se caracterizam pelo perfil de produção organizada</p><p>em linhas de produções, em série e consumo em grande escala, e obedecem à</p><p>organização e administração científica.</p><p>• O toyotismo consiste numa forma de organização no interior de empresas e processos</p><p>produtivos que contempla a descentralização do poder e formação de redes de</p><p>trabalho, a diferenciação da produção, forte controle da produção e qualificação</p><p>constante dos trabalhadores.</p><p>• A terceirização pode ocorrer de diferentes formas: pela contratação de uma empresa</p><p>que subcontrata trabalhadores para exercer funções no interior de uma empresa-</p><p>mãe, como também quando uma empresa passa a comprar parte dos processos e</p><p>dos produtos de outra empresa para compor o seu produto final.</p><p>156</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Karl Marx (1818-1883), pensador alemão que se dedicava a denunciar</p><p>as contradições no interior do sistema capitalista, ao longo de sua</p><p>vida precisou mudar-se por diversas vezes de país, pois o teor de</p><p>suas ideias acabava por lhe render inimigos de forte influência</p><p>e poder político. Além disso, também passou por problemas com renda, sendo</p><p>socorrido pelo amigo e colega/escritor F. Engels. Pergunta-se: no que consistiam</p><p>as principais ideias e teorias de Marx?</p><p>2 (ENADE – 2014) O debate sociológico acerca das novas relações de</p><p>trabalho e consumo no capitalismo se intensificou desde a segunda</p><p>metade do século XX, especialmente a partir de um novo modelo de</p><p>acumulação, marcado pela “flexibilização dos processos produtivos”.</p><p>Como aponta David Harvey a este respeito, a acumulação flexível “é marcada por</p><p>um confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apoia na flexibilidade dos</p><p>processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e dos padrões de</p><p>consumo”. E, ainda, mais importante do que isso é a redução aparente do emprego</p><p>regular, em favor do crescente uso do trabalho em tempo parcial, temporário ou</p><p>subcontratado.</p><p>I- A ideia principal estava em explicar, denunciar e combater as contradições que</p><p>estavam disfarçadas e camufladas no interior do regime comunista.</p><p>II- Argumentava que a divisão do trabalho era responsável por alienar o trabalhador,</p><p>assim como, por lhe extorquir a sua dignidade.</p><p>III- Defendia que estaria única e exclusivamente nas mãos do proletariado conduzir a</p><p>revolução que substituiria o capitalismo pelo comunismo.</p><p>IV- As teorias de Marx apresentavam que o proletariado deveria fazer a revolução e</p><p>transformar</p><p>a sociedade, tomar o poder e abolir a relação capitalista de produção.</p><p>Agora, assinale a alternativa correta:</p><p>a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>b) ( ) Somente as sentenças III e IV estão corretas.</p><p>c) ( ) Somente as sentenças II e III estão corretas.</p><p>d) ( ) As alternativas II, III e IV estão corretas.</p><p>FONTE: HARVEY, D. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1992.</p><p>157</p><p>De acordo com a afirmação acima, a acumulação flexível:</p><p>I- Gerou cada vez mais trabalho especializado, responsável pelo aumento da</p><p>racionalidade do processo produtivo.</p><p>II- Pode ser considerada uma expansão do princípio fordista de produção.</p><p>III- Aumentou a precarização das relações de trabalho no capitalismo contemporâneo.</p><p>IV- Implica crescente heterogeneidade dos mercados de trabalho e dos padrões de</p><p>consumo.</p><p>É correto apenas o que se afirma em:</p><p>a) ( ) I e II.</p><p>b) ( ) I e III.</p><p>c) ( ) II e III.</p><p>d) ( ) II e IV.</p><p>e) ( ) III e IV.</p><p>158</p><p>159</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS</p><p>UNIDADE 3 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• conhecer e analisar as principais características das políticas públicas do Brasil;</p><p>• refl etir sobre a organização do sistema educacional brasileiro;</p><p>• caracterizar os pilares de alicerce do desenvolvimento sustentável;</p><p>• refl etir sobre o contexto de desenvolvimento sustentável;</p><p>• retratar as ferramentas de gestão socioambiental para a sustentabilidade;</p><p>• conhecer as ações nacionais de segurança e defesa pública;</p><p>• refl etir sobre como o aumento populacional e o avanço tecnológico impactam sobre os ecos-</p><p>sistemas;</p><p>• perceber a importância do sistema de transportes no desenvolvimento econômico do país;</p><p>• conhecer as políticas nacionais para a habitação e o saneamento;</p><p>• identifi car os modos de vida urbano e rural, sua organização social, semelhanças e diferenças</p><p>e sua interdependência;</p><p>• destacar as características que identifi cam o meio urbano e o meio rural.</p><p>Esta unidade está dividida em sete tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoati-</p><p>vidades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO</p><p>TÓPICO 2 – POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE</p><p>TÓPICO 3 – HABITAÇÃO E SANEAMENTO</p><p>TÓPICO 4 – TRANSPORTES E SEGURANÇA</p><p>TÓPICO 5 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA EM ÂMBITO NACIONAL</p><p>TÓPICO 6 – VIDA RURAL, URBANA E ECOLOGIA</p><p>TÓPICO 7 – MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>160</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 3!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>161</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Quando falamos em políticas públicas, estamos nos referindo aos direitos e</p><p>deveres do Estado para com as pessoas que compõem a sociedade e, assim como o</p><p>Estado, gozam de seus direitos civis e políticos. Estamos também sujeitos ao conjunto</p><p>de normas jurídicas e sociais, formando assim um marco regulatório previamente fixado</p><p>no que diz respeito à distribuição harmônica dos elementos que formam os direitos,</p><p>deveres e responsabilidades em prol do desenvolvimento educacional, econômico e</p><p>social. A vida em sociedade está ligada à política e não há ação social sem ação política,</p><p>quer seja promovida pelo Estado ou pela sociedade (RAMOS, 2014).</p><p>2 POLÍTICA PÚBLICA ATUAL</p><p>O termo política possui várias definições, as quais denotam a organização e o</p><p>estudo das ações a serem realizadas para o bem-estar da população. Percebemos que</p><p>a política é algo complexo, mas que se bem administrado ou exercido, poderá ter efeitos</p><p>positivos junto à população.</p><p>As primeiras reflexões sobre o que é política surgiram na Grécia antiga,</p><p>com os filósofos, a quem eram atribuídos os dons do pensamento,</p><p>das ideias e, consequentemente, do conhecimento.</p><p>Pode-se citar Sócrates e dois de seus principais sucessores, Platão</p><p>e Aristóteles, como sendo os primeiros a tratarem das questões da</p><p>ética e da política. A Grécia era considerada o berço da democracia,</p><p>ainda que nem todos os seus iluminados viam no modelo democrático</p><p>a melhor maneira de conduzir o povo. Ao aproximar-se das leituras</p><p>sobre a vida e obra desses pensadores, percebe-se, por conclusão,</p><p>que para eles a solução para os problemas da sociedade deve</p><p>passar, necessariamente, pela educação. Passados mais de dois</p><p>mil anos, continua-se lutando pelos mesmos direitos à igualdade</p><p>e combatendo-se os mesmos problemas relacionados à ética e à</p><p>moral, sem as quais não se exercita a verdadeira política (RAMOS,</p><p>2014, p. 9).</p><p>Portanto, “o cotidiano (político) é construído por aqueles que interagem nesse</p><p>contexto. Fazer política é interagir nos acontecimentos e participar criticamente da sua</p><p>história” (RAMOS, 2014, p. 9).</p><p>“A política sempre está ligada ao exercício do poder em sociedade, seja em nível</p><p>individual, quando se trata das ações de comando, seja em nível coletivo, quando um grupo</p><p>(ou toda sociedade) exerce o controle das relações de poder em uma sociedade” (SANTOS,</p><p>162</p><p>2012, p. 2). Assim, as políticas públicas são de responsabilidade do Estado, com base em</p><p>organismos políticos e entidades da sociedade civil, que derivam de normatizações, ou</p><p>seja, se estabelece um processo de tomada de decisões – nossa legislação. Ao iniciarmos</p><p>nossos estudos sobre a organização da educação no Brasil, precisamos ter em mente</p><p>que a educação é intencional, principalmente no que diz respeito ao sistema escolar. Os</p><p>atores que permitem discussões sobre um determinado problema da sociedade são: a</p><p>sociedade civil organizada; os servidores públicos e os políticos.</p><p>As etapas ou fases do processo da política distinguem-se de acordo</p><p>com o entendimento de cada autor, mas comumente podem se</p><p>classificar como:</p><p>• Identificação do problema: é a primeira etapa e consiste na</p><p>identificação, ou levantamento do problema a ser considerado</p><p>como foco da política pública.</p><p>• Agenda: é a etapa em que se definem os focos de atuação do</p><p>governo. É o conjunto de problemas e demandas que comporão o</p><p>plano de ação. A formação da Agenda de Governo consiste numa</p><p>fase tumultuada e competitiva, com os envolvidos dedicados na</p><p>conquista de espaço para os interesses que defendem.</p><p>• Tomada de decisão: adoção da política, em consenso (de comum</p><p>acordo), as partes decidem sobre os diversos aspectos, ou focos,</p><p>que a política abrangerá.</p><p>• Implementação: é a etapa em que as decisões deixam de ser</p><p>intenções e passam a ser intervenções na realidade.</p><p>• Monitoramento, Avaliação, Ajustes: são etapas de acompanhamento</p><p>do processo de formulação/elaboração da política, oferecendo</p><p>informações para possíveis ajustes na direção dos resultados</p><p>esperados (RAMOS, 2014, p. 14-15).</p><p>Com base nesses argumentos, a educação no contexto brasileiro está prevista,</p><p>é regida (legislada) por normas jurídicas que compelem os cidadãos e o poder público a</p><p>cumpri-las. De acordo com Motta (1997, p. 75), a educação é a:</p><p>[...] manifestação cultural que, de maneira sistemática e intencional,</p><p>forma e desenvolve o ser humano. [...] A educação é a ação exercida</p><p>pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram</p><p>ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e</p><p>desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais</p><p>e morais reclamados pela sociedade política no seu conjunto e pelo</p><p>meio especial que a criança, particularmente, se destina.</p><p>Estes princípios e fins aparecem no texto da Constituição Federal de 1988 e</p><p>posteriormente são reafirmados na Lei de Diretrizes e Bases - LDB, Lei 9.394, de 20 de</p><p>dezembro de 1996, direcionando a educação brasileira, e que em seu Art. 2˚ trata “Dos</p><p>Princípios e Fins da Educação Nacional” (BRASIL, 1996).</p><p>Desta forma, a LDB 9.394/96 regulamentou o que foi tratado sobre educação</p><p>na Constituição Federal abordando a educação escolar. O Título V trata dos Níveis e</p><p>das Modalidades de Educação e Ensino; em seu Capítulo</p><p>I, demonstra a composição</p><p>dos níveis escolares, formada pela Educação Básica; Educação de Jovens e Adultos;</p><p>Educação Profissional; Educação Superior e Educação Especial.</p><p>163</p><p>Educação Básica é formada de três etapas: Educação Infantil, Ensino</p><p>Fundamental e Ensino Médio. Conforme a LDB, são finalidades</p><p>da Educação Básica ‘[...] desenvolver o educando, assegurar-lhe</p><p>a formação comum indispensável para o exercício da cidadania</p><p>e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos</p><p>posteriores’ (art. 22).</p><p>As modalidades importam em atendimentos afeitos a peculiaridades</p><p>que podem dizer respeito a uma população específica ou a objetivos</p><p>de formação mais especializada ou complementar. No primeiro caso,</p><p>encontramos a educação de jovens e adultos e a educação especial.</p><p>No segundo caso, a educação profissional.</p><p>A educação de jovens e adultos (EJA) enseja a escolarização</p><p>daqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no</p><p>Ensino Fundamental ou Médio. Contempla cursos de EJA e exames</p><p>supletivos. Os cursos e os exames são acessíveis para estudantes</p><p>maiores de 15 anos (Ensino Fundamental) e de 18 anos (Ensino</p><p>Médio).</p><p>A educação especial destina-se aos educandos portadores de</p><p>necessidades especiais e deve estar contemplada em todas as</p><p>etapas da educação. A legislação estabelece a sua oferta preferencial</p><p>na rede regular de ensino e em classes comuns, embora possibilite a</p><p>oferta desta modalidade em classes e escolas especiais.</p><p>Pode-se identificar a inserção da educação profissional na Educação</p><p>Básica de três modos: ensino técnico - concomitante, integrado</p><p>ou sequencial ao Ensino Médio, inclusive EJA; formação inicial e</p><p>continuada de trabalhadores articulada ao Ensino Fundamental ou</p><p>Médio, inclusive EJA; preparação básica para o trabalho no Ensino</p><p>Fundamental e Médio, inclusive EJA (FARENZENA, 2010).</p><p>Como podemos ver, a preocupação em fortalecer a educação como um direito,</p><p>um currículo integrado, é o ponto de partida para assegurar os direitos fundamentais da</p><p>sociedade. Para que essa proposta ocorresse na educação brasileira tivemos mudanças</p><p>significativas, principalmente a partir da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei</p><p>no 9.394, de 1996, que marcou a educação e fez com que gerasse muito investimento,</p><p>tanto no sentido intelectual, como financeiro. Um dos princípios da LDB é a valorização</p><p>do profissional da educação escolar, a qual defende que:</p><p>A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às</p><p>especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos</p><p>objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica,</p><p>terá como fundamentos:</p><p>I– a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento</p><p>dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de</p><p>trabalho;</p><p>II– a associação entre teorias e práticas, mediante estágios</p><p>supervisionados e capacitação em serviço;</p><p>III– o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em</p><p>instituições de ensino e em outras atividades (BRASIL, 1996, art. 61).</p><p>A partir daí, muitos acordos e reformas foram realizados na educação, priorizando</p><p>a qualidade da mesma. O Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 indica</p><p>algumas diretrizes que demonstram esse interesse, enfatizando a melhoria da qualidade</p><p>de ensino, a formação para o trabalho, a valorização dos profissionais da educação, entre</p><p>164</p><p>outras que indiretamente também enfocam a formação docente. Dentre as 20 metas</p><p>traçadas do PNE para até 2020, seis (da 13 até a 18) pretendem aumentar a qualidade do</p><p>ensino com base na formação inicial e principalmente continuada, em diferentes níveis.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>(IFRN – Concurso Público – Grupo Magistério – Políticas e Gestão Escolar</p><p>2012) A concepção curricular que articula o Ensino Médio à formação</p><p>técnica, além de estabelecer o diálogo entre os conhecimentos</p><p>científicos, tecnológicos, sociais, humanísticos, habilidades relacionadas</p><p>ao trabalho e de superar o conceito da escola dual e fragmentada, pode representar,</p><p>em essência, a quebra da hierarquização de saberes e colaborar, de forma efetiva,</p><p>para a educação brasileira como um todo, no desafio de construir uma nova</p><p>identidade para essa última etapa da educação básica. A proposta curricular a que</p><p>esse enunciado se refere é:</p><p>a) ( ) Currículo integrado.</p><p>b) ( ) Currículo tecnicista.</p><p>c) ( ) Currículo tradicional.</p><p>d) ( ) Currículo profissionalizante.</p><p>Para atualizar a temática da Educação em nosso país, a leitura a seguir trata dos</p><p>trâmites da implantação do Sistema Nacional de Educação (SNE). Assim, com o objetivo</p><p>de efetivar a implantação do SNE, o Decreto de 26 de abril de 2017, da Presidência da</p><p>República, convoca a 3ª Conferência Nacional de Educação, prevista para ocorrer em</p><p>Brasília no ano de 2018, conforme detalhes do texto a seguir.</p><p>[...] O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe</p><p>conferem o art. 84, caput, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição,</p><p>DECRETA:</p><p>Art. 1º Fica convocada a 3ª Conferência Nacional de Educação -</p><p>CONAE, a ser realizada na cidade de Brasília, Distrito Federal, com</p><p>o tema "A Consolidação do Sistema Nacional de Educação - SNE</p><p>e o Plano Nacional de Educação - PNE: monitoramento, avaliação</p><p>e proposição de políticas para a garantia do direito à educação de</p><p>qualidade social, pública, gratuita e laica".</p><p>§ 1º A União, sob a orientação do Ministério da Educação - MEC e</p><p>observado o disposto no art. 8º da Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014,</p><p>promoverá a realização da CONAE, a ser precedida de conferências</p><p>municipais, distrital e estaduais, articuladas e coordenadas pelo</p><p>Fórum Nacional de Educação - FNE, nos termos do art. 6º da Lei nº</p><p>13.005, de 2014.</p><p>165</p><p>§ 2º A etapa nacional da 3ª CONAE, a ser realizada em 2018, será</p><p>precedida pelos seguintes eventos:</p><p>I- conferências livres, a serem realizadas no ano de 2017;</p><p>II- conferências municipais ou intermunicipais, a serem realizadas</p><p>até o final do segundo semestre de 2017; e</p><p>III- conferências estaduais e distrital, a serem realizadas até o final do</p><p>segundo semestre de 2018.</p><p>Art. 2º As conferências nacionais de educação serão realizadas com</p><p>intervalo de até quatro anos entre elas, com o objetivo de avaliar a</p><p>execução do PNE vigente e subsidiar a elaboração do PNE para o</p><p>decênio subsequente.</p><p>Art. 3º São objetivos específicos da CONAE:</p><p>I- acompanhar e avaliar as deliberações da CONAE de 2014, verificar</p><p>seus impactos e proceder às atualizações necessárias;</p><p>II- avaliar a implementação do PNE, com destaque específico ao</p><p>cumprimento das metas e das estratégias intermediárias, sem</p><p>prescindir de uma análise global do plano e;</p><p>III- avaliar a implementação dos planos estaduais, distrital e</p><p>municipais de educação, os avanços e os desafios para as políticas</p><p>públicas educacionais.</p><p>Art. 4º O tema central da 3ª CONAE será dividido nos seguintes eixos</p><p>temáticos:</p><p>I- O PNE na articulação do SNE: instituição, democratização,</p><p>cooperação federativa, regime de colaboração, avaliação e regulação</p><p>da educação.</p><p>II- Planos decenais e SNE: qualidade, avaliação e regulação das</p><p>políticas educacionais.</p><p>III- Planos decenais, SNE e gestão democrática: participação popular</p><p>e controle social.</p><p>IV- Planos decenais, SNE e democratização da Educação: acesso,</p><p>permanência e gestão.</p><p>V- Planos decenais, SNE, Educação e diversidade: democratização,</p><p>direitos humanos, justiça social e inclusão.</p><p>VI- Planos decenais, SNE e políticas intersetoriais de desenvolvimento</p><p>e Educação: cultura, ciência, trabalho, meio ambiente, saúde,</p><p>tecnologia e inovação;</p><p>VII- Planos decenais, SNE e valorização dos profissionais da Educação:</p><p>formação, carreira, remuneração e condições de trabalho e saúde.</p><p>VIII- Planos decenais, SNE e financiamento da educação: gestão,</p><p>transparência e controle social.</p><p>Art. 5º As diretrizes gerais e organizativas para a realização da CONAE</p><p>serão elaboradas pelo MEC e coordenadas pelo FNE, observado o</p><p>disposto no art. 8º da Lei nº 13.005, de 2014 [...]</p><p>(Este texto não substitui o original</p><p>publicado no Diário Oficial da União</p><p>- Seção 1 - 27/04/2017, Página 19).</p><p>Conforme a leitura anterior, observa-se que em 2017 deveria ter ocorrido</p><p>Conferências Municipais e Intermunicipais com o tema: “A consolidação do Sistema</p><p>Nacional de Educação – SNE e o Plano Nacional de Educação – PNE, voltado para o</p><p>monitoramento, avaliação e proposição de políticas para a garantia do direito à educação</p><p>de qualidade social, pública, gratuita e laica”. Assim, as conferências municipais</p><p>166</p><p>deveriam discutir e fornecer subsídios sobre a efetivação da implantação SNE e do PNE,</p><p>em preparação às conferências estaduais e a Nacional, prevista para o ano de 2018.</p><p>No entanto, devido ao turbulento momento político enfrentado no Brasil, apenas duas</p><p>capitais (Belo Horizonte/MG e São Paulo/SP) realizaram o evento naquele ano, e dois</p><p>terços das capitais brasileiras não tem sequer a previsão de data para organizá-las.</p><p>Até a conclusão deste livro, em janeiro de 2018, a última atualização sobre a implantação do Plano</p><p>Nacional de Educação, prevista pelo Projeto de Lei Complementar PLP 413/2014, foi o Parecer do</p><p>Relator, Dep. Glauber Braga (PSOL-RJ), pela aprovação deste, e do PLP 448/2017, apensado, como</p><p>substitutivo. O parecer foi apresentado em 22/dez./2017 à Comissão de Educação. Portanto, o</p><p>projeto encontra-se ainda em tramitação no Congresso Nacional.</p><p>Para acompanhar a tramitação na íntegra, acesse: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/</p><p>fichadetramitacao?idProposicao=620859>. Maiores informações também estão disponíveis no site</p><p>do MEC: <http://pne.mec.gov.br/sistema-nacional-de-educacao>.</p><p>CNTE defende a instituição do SNE de forma articulada entre os entes federados</p><p>A Confederação Nacional dos Trabalhadores em</p><p>Educação (CNTE) divulgou em setembro (2017),</p><p>a nota pública:  Análise do documento da SASE/</p><p>MEC sobre Sistema Nacional de Educação. O</p><p>documento analisa o texto — Instituir um Sistema</p><p>Nacional de Educação: agenda obrigatória para o</p><p>país — disponibilizado pelo Ministério da Educação</p><p>(MEC), em junho para amplo debate nacional.</p><p>Na nota, a entidade posiciona-se em acordo com vários pontos do texto apresentado pelo MEC, pelo</p><p>fato do seu conteúdo exprimir conceitos referendados nas duas Conferências Nacionais de Educação</p><p>(CONAEs), e por absorver propostas das entidades educacionais, como a CNTE, apresentadas ao</p><p>longo do processo histórico do debate sobre o Sistema Nacional de Educação (SNE).</p><p>Para a Confederação, as graves fragilidades resultantes da ausência de um SNE estão em destaque</p><p>no documento, como: I) ausência de referenciais nacionais de qualidade, capazes de orientar a</p><p>ação supletiva para a busca da equidade; II) a descontinuidade de ações; III)</p><p>a fragmentação de programas; e IV) a falta de articulação entre as esferas</p><p>de governo são fatores que, de fato, não contribuem para a superação das</p><p>históricas desigualdades econômicas e sociais do país.</p><p>A CNTE entende que o texto do MEC reafirma a educação como</p><p>um direito inalienável e que realiza um diagnóstico dos avanços</p><p>e desafios para garantia desse direito, num contexto histórico e</p><p>político, apresentando uma proposta de instituição do SNE realizado</p><p>por um conjunto articulado de quatro dimensões, levando a uma</p><p>nova forma de organização da Educação Nacional: alterações na Lei</p><p>de Diretrizes e Bases; regulamentação do artigo 23 da Constituição</p><p>Federal (CF) ou a Lei de Responsabilidade Educacional; adequação</p><p>das regras de financiamento e dos sistemas de ensino às novas regras</p><p>nacionais instituição do SNE.</p><p>NOTA</p><p>167</p><p>Para o presidente da entidade, Roberto</p><p>Franklin de Leão, o Brasil possui leis que</p><p>estruturam o sistema, como a lei que estipula</p><p>o piso nacional salarial dos professores e a</p><p>própria LDB. Destaca que precisamos de mais</p><p>uma legislação nacional para organização da</p><p>educação nacional, a fim de que as políticas</p><p>sejam mais orgânicas, como é o SNE, que</p><p>"respeita a diversidade e as diferenças</p><p>do federalismo brasileiro, considerando a</p><p>qualidade e distanciando-se da centralização</p><p>da gestão da educação".</p><p>Entretanto, mesmo em consenso sobre vários pontos apresentados no documento do MEC, a CNTE</p><p>reafirma a necessidade de um olhar especial na regulamentação do Custo Aluno-Qualidade e do</p><p>piso salarial dos profissionais da educação, conjugada com as diretrizes nacionais de carreira; na</p><p>autonomia das escolas e de seus profissionais; no aperfeiçoamento e fortalecimento dos espaços de</p><p>participação; no estabelecimento de critérios para as ações distributivas e supletivas da União e dos</p><p>estados, via regulamentação do art. 23, V, da CF; na regulamentação das receitas para a educação e</p><p>na definição das normas vinculantes para a organização dos sistemas de ensino.</p><p>Redação SASE/MEC com informações da CNTE.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://pne.mec.gov.br/mais-destaques/410-cnte-defende-a-instituicao-do-</p><p>sne>. Acesso em: 7 dez. 2017.</p><p>Outro documento importante são os Parâmetros Curriculares Nacionais. Sua</p><p>história começa a partir da década de 1980, com as mudanças econômicas e sociais de</p><p>nível mundial e a abertura da política nacional. A partir desse momento, as discussões</p><p>políticas passaram a privilegiar o tema da democracia. Com base nesse tema, as reflexões</p><p>propiciaram a instauração e consolidação de um governo e de um regime democrático.</p><p>Em decorrência dos debates e dada a importância da democracia, a Assembleia</p><p>Nacional Constituinte, em 1988, institui o Estado Democrático de Direito, regulamentado</p><p>pela Constituição da República Federativa do Brasil, denominada Constituição Cidadã. Ela</p><p>estabelece como princípios fundamentais: “I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade</p><p>da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo</p><p>político” (BRASIL, 1988, Título 1).</p><p>168</p><p>FIGURA 22 – CONSTITUIÇÃO CIDADà DE 1988</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/upload/conteudo _legenda/8e426990caf-</p><p>5533da936acd858c65f32.jpg>. Acesso em: 7 dez. 2017.</p><p>O artigo 5º dispõe sobre os direitos e deveres individuais e coletivos, segundo</p><p>o qual “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” (BRASIL,</p><p>1988, Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais). Desse modo, no artigo 6º, são</p><p>indicados os direitos dos cidadãos; constam como “direitos sociais a educação, a saúde,</p><p>o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à</p><p>infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição” (BRASIL, 1988,</p><p>Capítulo II - Dos Direitos Sociais).</p><p>A defesa do exercício da cidadania na escolarização está deliberada no artigo</p><p>205: “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e</p><p>incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da</p><p>pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”</p><p>(BRASIL, 1988).</p><p>Para a disseminação da educação cidadã, outros documentos são produzidos a</p><p>partir de reuniões e pactos mundiais, como a Declaração Mundial sobre Educação para</p><p>Todos, ocorrida em Jomtien – Tailândia.</p><p>Em 1990, reuniram-se representantes dos seguintes países: Indonésia, China,</p><p>Bangladesh, Brasil, Egito, México, Nigéria, Paquistão e Índia, para discutir sobre a satisfação</p><p>das necessidades básicas de aprendizagem, considerando que todo cidadão tem direito</p><p>à educação, e ainda, que a educação favoreça “o progresso social, econômico e cultural,</p><p>a tolerância e cooperação internacional” (UNESCO, 1998, s.p.). Para suprimir os problemas</p><p>da educação, melhorar a qualidade e disponibilidade, a Declaração traça objetivos como</p><p>medidas necessárias à educação para todos. Assim, os países citados comprometeram-</p><p>se em cooperar e responsabilizar-se com as metas construídas. A partir desse documento,</p><p>cada país construiu planos e metas para alcançar os objetivos educacionais.</p><p>169</p><p>Você imagina quais foram as metas traçadas no encontro mundial que</p><p>resultou na Declaração Mundial sobre Educação para Todos?</p><p>As fi nalidades traçadas</p><p>são: 1 Satisfazer as necessidades básicas de</p><p>aprendizagem; 2 Expandir o enfoque; 3 Universalizar o acesso à educação</p><p>e promover a equidade; 4 Concentrar a atenção na aprendizagem; 5</p><p>Ampliar os meios de e o raio de ação da educação básica; 6 Propiciar</p><p>um ambiente adequado à aprendizagem; 7 Fortalecer as alianças; 8</p><p>Desenvolver uma política contextualizada de apoio; 9 Mobilizar os</p><p>recursos; e 10 Fortalecer a solidariedade internacional (UNESCO, 1998).</p><p>ATENÇÃO</p><p>Ao encontro desse documento, o governo brasileiro inicia discussões a respeito</p><p>da educação nacional e a construção de políticas de educação, que discorrem sobre a</p><p>atualização de processos formativos, processos de avaliação, a formação docente, a</p><p>relação aluno-professor, a gestão escolar, o currículo escolar e a criação de projetos,</p><p>de reformas e de planos. O PCN é um documento norteador formulado a partir dessas</p><p>políticas de educação.</p><p>Assim, em 1995, a elaboração dos PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais</p><p>é iniciada, sendo concluída somente em 1997, no governo do presidente Fernando</p><p>Henrique Cardoso. Fique atento, acadêmico, ao estudo desse documento, pois as</p><p>políticas de educação têm objetivos traçados, como toda a prática docente possui.</p><p>O objetivo dos PCN (BRASIL, 1997a) é estabelecer à equipe pedagógica uma</p><p>referência curricular e apoio na elaboração do currículo e do projeto pedagógico. Conforme</p><p>os PCN, esse documento é o resultado de um trabalho que contou com a participação de</p><p>um grupo de especialistas ligado ao Ministério da Educação (MEC), produzido a partir de</p><p>estudos e do contexto das discussões pedagógicas atuais, no decurso de seminários e</p><p>debates com professores que atuam em diferentes graus de ensino.</p><p>FIGURA 23 – CONSTRUÇÃO DOS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – PCN</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/bibliot eca/portugues/img/0056.jpg>.</p><p>Acesso em: 7 dez. 2017.</p><p>170</p><p>Caro acadêmico, a Educação Infantil também tem documentos norteadores do currículo,</p><p>que são: Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil – RECNEI e Parâmetros</p><p>Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil. O primeiro documento pretende orientar</p><p>o professor, além de discutir conceitos importantes como educar e cuidar, entre outros. O</p><p>RECNEI está dividido em unidades, que são: Introdução, Formação Pessoal</p><p>e Social e Conhecimento de Mundo, Identidade e Autonomia das crianças</p><p>e Movimento, Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza</p><p>e Sociedade e Matemática. Já o segundo documento está disponível em</p><p>dois volumes e apresenta recomendações para promover a igualdade de</p><p>oportunidades educacionais.</p><p>Para conhecer melhor os documentos, respectivamente, acesse:</p><p><http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rcnei_vol1.pdf>;</p><p><http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparqualvol1.</p><p>pdf>.</p><p>NOTA</p><p>O documento dos PCN consiste em uma referência nacional para o Ensino</p><p>Fundamental e Médio. Sua elaboração é de primeiro nível de concretização curricular,</p><p>seguido de propostas curriculares dos Estados e municípios, que poderão ser utilizadas</p><p>como recurso para adaptações ou elaborações curriculares realizadas pelas Secretarias</p><p>de Educação (BRASIL, 1997a).</p><p>O texto dos PCN tem função definidora do currículo mínimo, orienta práticas</p><p>pedagógicas e organiza a estrutura escolar. Estabelece o plano curricular indicando</p><p>conteúdos, objetivos, práticas educativas e sugestões de avaliação. Como é um</p><p>documento de nível nacional, tenta abranger e ter aplicabilidade em todo o território</p><p>nacional, de maneira homogênea (BARBOSA; FAVERE, 2013).</p><p>Os PCN do Ensino Fundamental, do primeiro ao nono ano, são compostos de</p><p>módulos divididos em: Volume 1: Introdução; Volume 2: Língua Portuguesa; Volume 3:</p><p>Matemática; Volume 4: Ciências Naturais; Volume 5: História e Geografia; Volume 6: Arte;</p><p>Volume 7: Educação Física; Volume 8: Apresentação dos Temas Transversais e Ética;</p><p>Volume 9: Meio Ambiente e Saúde; e Volume 10: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual.</p><p>Já os PCN do Ensino Médio são assim distribuídos: Bases legais; Linguagens,</p><p>Códigos e suas tecnologias; Ciências da natureza, Matemática e suas tecnologias;</p><p>Ciências humanas e suas tecnologias.</p><p>171</p><p>Uma das preocupações centrais dos PCN é o tema da cidadania, da formação</p><p>cidadã. Mais do que o ensino de conteúdos básicos, hoje, na escola, a aprendizagem</p><p>da cidadania é legitimada e indispensável. A disseminação dessa aprendizagem</p><p>transita em documentos oficiais, em autores que escrevem sobre educação e em</p><p>projetos pedagógicos das escolas. Os PCN defendem que o fundamento da sociedade</p><p>democrática é reconhecer o sujeito de direito (BRASIL, 1997b).</p><p>Com base na Constituição de 1988 e na LDB, os Parâmetros Curriculares</p><p>Nacionais propõem uma educação comprometida com a cidadania, sendo pautados</p><p>em princípios que devem orientar a educação escolar: dignidade da pessoa humana,</p><p>igualdade de direitos, participação e corresponsabilidade pela vida social. Conforme</p><p>os PCN, “a educação para a cidadania requer, portanto, que questões sociais sejam</p><p>apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos” (BRASIL, 1997b, p. 25). Os</p><p>conteúdos dos PCN, de acordo com Barbosa (2000, p. 71), partem:</p><p>do princípio de que os conteúdos de ordem cognitiva veiculados</p><p>pela escola – de forma fragmentada, em razão da especialização do</p><p>conhecimento de cada área – não seriam suficientes para atender às</p><p>demandas da atualidade em relação ao perfil ideal do novo homem,</p><p>para que este homem pudesse inserir-se no mundo do trabalho,</p><p>exercer a sua cidadania e participar na construção do bem comum.</p><p>A educação deveria voltar-se, a partir de então, para a formação</p><p>integral dos alunos. Foi, assim, proposta a ampliação da concepção</p><p>de conteúdo escolar, que deveria agora incorporar o ensino de</p><p>hábitos, atitudes, valores, normas e procedimentos que pudessem</p><p>contribuir para o desenvolvimento e socialização dos alunos.</p><p>A inclusão dos temas transversais é um assunto novo, possível na sociedade</p><p>atual, visando uma nova formação comparada a formações anteriores, trazendo assuntos</p><p>de fora, da sociedade, para dentro da escola. Assim, além de objetivos cognitivos, os</p><p>PCN traçam objetivos morais e atitudinais.</p><p>Os PCN foram elaborados com a contribuição de um professor espanhol, César</p><p>Coll. A proposta brasileira pretendeu implantar uma reforma curricular, dar direcionamento</p><p>ao trabalho do professor, bem como o que se deve esperar do aprendizado do aluno, ou</p><p>seja, o que deve conter no currículo escolar (BARBOSA; FAVERE, 2013).</p><p>Os PCN pretendem atender às deliberações da Constituição Federal de 1988</p><p>e assim fixar conteúdos mínimos para o ensino, construindo uma formação básica e</p><p>respeitando as especificidades regionais.</p><p>Citando Barreto (2000, p. 35), “o governo federal passa pela primeira vez, em</p><p>meados dos anos noventa, a fazer ele próprio prescrições sobre currículo, que vão muito</p><p>além das normas e orientações gerais que caracterizaram a atuação dos órgãos centrais</p><p>em períodos anteriores”.</p><p>172</p><p>A figura acima nos indica uma organização que atualmente deve ser planejada</p><p>em seu conjunto, ou seja, projetando essa prática para o trabalho do professor, em</p><p>que “esta é uma oportunidade preciosa para uma nova práxis dos educadores, sendo</p><p>primordial que ela aborde os saberes e seus tempos, bem como os métodos de trabalho,</p><p>na perspectiva das reflexões antes tecidas” (BRASIL, 2004, p. 18).</p><p>Com o intuito de transformar a realidade educacional, o documento defende</p><p>que “faz-se necessária uma proposta educacional que tenha em vista a qualidade da</p><p>formação a ser oferecida a todos os estudantes” (BRASIL, 1997a, p. 27).</p><p>A intenção dos PCN é que o professor tenha um auxílio em sua ação de reflexão</p><p>sobre o cotidiano da prática pedagógica, que continuamente esse cotidiano transforma-</p><p>se e exige novas competências docentes. Nesse sentido, com esse documento se prevê</p><p>que seja possível:</p><p>- rever objetivos, conteúdos, formas de encaminhamento das</p><p>atividades, expectativas</p><p>de aprendizagem e maneiras de avaliar;</p><p>- refletir sobre a prática pedagógica, tendo em vista uma coerência</p><p>com os objetivos propostos;</p><p>- preparar um planejamento que possa de fato orientar o trabalho em</p><p>sala de aula;</p><p>- discutir com a equipe de trabalho as razões que levam os alunos a</p><p>terem maior ou menor participação nas atividades escolares;</p><p>- identificar, produzir ou solicitar novos materiais que possibilitem</p><p>contextos mais significativos de aprendizagem;</p><p>- subsidiar as discussões de temas educacionais com os pais e</p><p>responsáveis (BRASIL, 1997a, p. 12).</p><p>A proposta apresentada pelos PCN não tem uma concepção rígida de currículo; é</p><p>flexível, com o objetivo de considerar a diversidade brasileira e respeitando a autonomia</p><p>do professor e equipe pedagógica.</p><p>Acadêmico, apresentamos aqui uma imagem disponibilizada em outro</p><p>documento importante do MEC, “Ensino Fundamental de Nove anos”, que contribui para</p><p>percebermos a organização desse nível de ensino:</p><p>FIGURA 24 – ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS</p><p>FONTE: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/noveanorienger.pdf>.</p><p>Acesso em: 5 dez. 2017.</p><p>Ensino Fundamental</p><p>Anos Iniciais Anos Finais</p><p>1º ano 2º ano 3º ano 4º ano 5º ano 6º ano 7º ano 8º ano 9º ano</p><p>173</p><p>Assim, temos que dar continuidade na definição e redefinição das práticas e das</p><p>ações, que devem ser realizadas com a mesma rapidez e complexidade com que ocorre</p><p>o processo de transformação, não só no Brasil, mas em escala mundial.</p><p>A importância que adquirem, nessa nova realidade mundial, a ciência</p><p>e inovação tecnológica tem levado os estudiosos a denominar</p><p>a sociedade atual de sociedade do conhecimento, sociedade</p><p>técnico-informacional ou sociedade tecnológica, o que significa</p><p>que o conhecimento, o saber e a ciência assumem papel muito</p><p>mais destacado do que anteriormente. Na atualidade, as pessoas</p><p>aprendem na fábrica, na televisão, na rua, nos centros de informação,</p><p>nos vídeos, no computador, e cada vez se ampliam os espaços de</p><p>aprendizagem (LIBÂNEO, 2012, p. 62-64, grifos do autor).</p><p>A instituição escolar já não é considerada o único meio ou o meio mais eficiente</p><p>e ágil de socialização dos conhecimentos técnico-científicos e de desenvolvimento de</p><p>habilidades cognitivas e competências sociais requeridas para a vida prática.</p><p>A tensão em que a escola se encontra não significa, no entanto, seu fim como</p><p>instituição socioeducativa ou o início de um processo de desescolarização da sociedade.</p><p>Indica, antes, o início de um processo de reestruturação dos sistemas educativos e da</p><p>instituição tal como a conhecemos. A escola, hoje, precisa não apenas conviver com</p><p>outras modalidades de educação não formal, informal e profissional, mas também,</p><p>articular-se e integrar-se a elas, a fim de formar cidadãos mais preparados e qualificados</p><p>para um novo tempo. Para isso, o ensino escolar deve contribuir para:</p><p>a) Formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente (capacitação</p><p>permanente) em um contexto de avanço das tecnologias de produção e de</p><p>modificação da organização do trabalho, das relações contratuais capital/trabalho e</p><p>dos tipos de empregos.</p><p>b) Prover formação global que constitua um patamar para atender à necessidade</p><p>de maior e melhor qualificação profissional, de preparação tecnológica e de</p><p>desenvolvimento de atitudes e disposições para a vida numa sociedade técnico-</p><p>informacional.</p><p>c) Formar cidadãos éticos e solidários.</p><p>Assim, pensar o papel da escola nos dias atuais sugere levar em conta questões</p><p>relevantes. A primeira, e talvez a mais importante, é que as transformações mencionadas</p><p>representam uma reavaliação que o sistema capitalista faz de seus objetivos.</p><p>No entanto, quando o autor Libâneo (2012) faz o alerta de que o ensino escolar</p><p>deve contribuir para formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente</p><p>dentro do contexto tecnológico e das relações capital/trabalho, poderia, aí, ser</p><p>acrescentado o termo “harmonização das relações trabalhistas”. O que quer dizer que a</p><p>educação pode e deve ter uma relação próxima e significativa com o capitalismo, uma</p><p>vez que o desenvolvimento educacional deixou de ser estável, isto é, com hora e local</p><p>predeterminados. Hoje, a informação e o conhecimento não têm fronteira, eles estão</p><p>174</p><p>em toda parte, principalmente nas organizações produtoras de bens e serviços. Ainda</p><p>segundo o autor, “a escola deixou de ser o único meio de socialização do conhecimento”.</p><p>Seguindo a mesma linha de raciocínio com relação ao capital/trabalho, Liedke (2002, p.</p><p>345-346) afirma que:</p><p>No limiar do século 21, os avanços da tecnologia microeletrônica e da</p><p>racionalização das técnicas organizacionais do processo de trabalho,</p><p>orientados por conceitos como produção flexível, produção enxuta</p><p>e especialização flexível, em um contexto de competição capitalista</p><p>global, colocam em xeque a centralidade do trabalho. Decorridos três</p><p>séculos de predomínio da sociedade industrial, o trabalho passa a</p><p>assumir um conteúdo crescentemente intelectual, em contraposição</p><p>ao conceito de trabalho físico, manual. Aumenta a importância da</p><p>informação, do trabalho imaterial, em contraposição ao conceito</p><p>convencional de trabalho, centrado na ideia de transformação da</p><p>natureza. Para alguns estudiosos, teria chegado o momento, na</p><p>história da humanidade, de separarem-se, novamente, os conceitos</p><p>de trabalho, emprego e identidade social e individual. Outras formas</p><p>de socialização, de construção das identidades sociais e individuais</p><p>deverão voltar-se para atividades de cunho comunitário, como</p><p>escolas, clínicas, clubes de bairro, manutenção de infraestrutura</p><p>nas cidades, envolvendo várias formas de trabalho voluntário</p><p>(KUMAR, 1985: CACCIAMALI, 1996). Estudos recentes apontam</p><p>para a importância de políticas voltadas ao estímulo das atividades</p><p>intensivas em mão de obra, ao mesmo tempo em que defendem</p><p>a necessidade de diminuição da jornada de trabalho semanal</p><p>(MATTOSO, 1996; ANTUNES, 1996). Mais do que simples especulação,</p><p>os desafios são amplos e incertas as alternativas. Porém, parece</p><p>certo que as formas precárias de ocupação da força de trabalho</p><p>(trabalho temporário, desregulamentação do trabalho, rebaixamento</p><p>dos salários) estão longe do conceito aristotélico de trabalho humano</p><p>como obra criativa, livre da esfera da necessidade.</p><p>No entanto, a Revolução Tecnológica vai além do fenômeno relacionado com a</p><p>dinâmica da informação e comunicação, pois ela é também o objeto de dinamização dos</p><p>saberes, conceitos e dos valores individuais e sociais. Sendo assim, essas tecnologias</p><p>têm se mostrado eficientes e flexíveis em todos os aspectos da vida cotidiana, seja</p><p>no âmbito das relações sociais, econômicas e educacionais, principalmente por</p><p>oferecerem uma gama de alternativas que podem e devem ser utilizadas na busca de</p><p>soluções e na melhoria dos métodos e das formas de ensinar e aprender. Isto porque,</p><p>como sabemos, não existe uma homogeneidade regional, isto é, as políticas públicas</p><p>não conseguem equacionar ou resolver os problemas relacionados à distribuição dos</p><p>meios e recursos necessários ao desenvolvimento do indivíduo, do processo educativo</p><p>e do desenvolvimento econômico, onde todos esses conceitos fazem parte da cadeia</p><p>produtiva como um todo, pois um país só se desenvolve com educação, emprego e</p><p>distribuição equitativa de renda, o que vai ao encontro dos princípios da igualdade.</p><p>175</p><p>Universidade pra quê? A força e o futuro da UERJ</p><p>Ana Karina Brenner, Bruno Deusdará,</p><p>Guilherme Leite Gonçalves e Lia Rocha</p><p>Como professor aposentado da UERJ somo-me a estes e estas colegas no</p><p>protesto, na reação e na esperança acerca do que o atual governo sem legitimidade</p><p>democrática está fazendo com esta universidade que se conta entre as melhores do</p><p>país. Na agenda do atual governo liderado pelo PMDB, ciência, pesquisa, formação e</p><p>inclusão social não fazem parte de sua agenda. Colocam a universidade no item de</p><p>gastos e encargos, quando deveria significar um alto investimento em favor das novas</p><p>gerações</p><p>e do futuro do país, portanto, merecer um tratamento prioritário. Uma nação</p><p>feita de ignorantes está condenada a se transformar num país pária, perder o passo da</p><p>história e sequestrar o futuro dos jovens. Mas tudo isso se inscreve dentro do programa</p><p>da dominação imperial que nos quer recolonizar e fazendo-os apenas exportadores de</p><p>commodities. Para isso não se precisa de ciência, de tecnologia, nem de um projeto</p><p>nacional, apenas de espírito subserviente e venal. Recusamos este destino funesto,</p><p>pois em termos de futuro, quando o que vai contar mesmo será uma economia e uma</p><p>tecno-ciência montada sobre o fator ecológico. Aí surgiremos como uma das potências</p><p>reitoras, não para dominar, mas para podermos, com os bens e serviços que a Mãe</p><p>Terra nos galardoou, ser a mesa posta para as fomes e as sedes do mundo inteiro. É o</p><p>sentido secreto e providencial de sermos geograficamente grandes e ecologicamente</p><p>ricos. Precisamos resgatar a UERJ, o hospital Pedro Ernesto e outras frentes de ensino</p><p>e pesquisa distribuídos pelo Estado do Rio de Janeiro, com seu protagonismo histórico</p><p>e com seu alto sentido social, especialmente, para os mais penalizados pela nossa</p><p>sociedade injusta e excludente. E vamos triunfar, porque nada resiste ao que é bom,</p><p>justo, digno e ecologicamente responsável. Parabéns aos autores e autoras deste</p><p>corajoso texto, urdido de sã indignação e de justa esperança. Leonardo Boff</p><p>[...]</p><p>A universidade moderna nasceu de um projeto destinado a desenvolver as</p><p>qualidades humanas e a cultura por meio de um programa de formação, que combinava</p><p>ensino e pesquisa com base no conhecimento científico. Esse projeto, no entanto, tinha</p><p>um vício de origem: era inacessível às classes populares; servia apenas à reprodução das</p><p>elites. Sofria, assim, de um mal-estar que, dentre outras, produziu as revoltas estudantis</p><p>de 1968. A partir desse momento, as políticas universitárias se voltaram para articular</p><p>formação e inclusão social, conhecimento científico e igualdade.</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>176</p><p>A UERJ é resultado de um amadurecimento histórico dessa nova universidade.</p><p>Criada em 1950, destaca-se pelo pioneirismo: primeira universidade pública do Brasil</p><p>a oferecer ensino superior noturno, permitindo a qualificação dos trabalhadores;</p><p>segunda instituição universitária a possuir um hospital das clínicas voltado para o</p><p>ensino; primeira a implantar o sistema de cotas para negros, indígenas e estudantes</p><p>oriundos de escolas públicas.</p><p>Nos últimos 10 anos, o número de cursos de doutorado quase dobrou, passando</p><p>de 23 para 43. Em 2016, a UERJ possuía 26.767 estudantes presenciais, dos quais 9.900</p><p>cotistas e ainda 7.266 alunos de Educação a Distância. Além do Hospital Universitário</p><p>Pedro Ernesto e da Policlínica Piquet Carneiro, ela conta com 714 projetos, 253 cursos</p><p>e 34 programas de extensão, que levam à sociedade conhecimento e tecnologias de</p><p>ponta, envolvendo cerca de 3 milhões de pessoas, entre profissionais, estudantes e</p><p>comunidade atendida.</p><p>Nos últimos anos, a UERJ conquistou o regime de trabalho de Dedicação</p><p>Exclusiva, assegurando um plano de carreira com capacidade de atrair os melhores</p><p>quadros acadêmicos. Tal regime é estruturante da carreira docente, garantidor da</p><p>qualidade da pesquisa, do compromisso com a formação de estudantes e pesquisadores,</p><p>e do desenvolvimento tecnológico a partir da fixação de docentes em uma única</p><p>instituição.</p><p>Hoje, no entanto, todo esse patrimônio corre risco.</p><p>Ciência, formação e igualdade social não fazem parte da agenda do PMDB. A</p><p>Universidade lhe é estranha. Em seu programa para o Brasil, “Uma ponte para o futuro”,</p><p>ela é tratada tão somente como encargo ou despesa, desconsiderando sua importância</p><p>como investimento na construção e preservação do patrimônio científico e tecnológico</p><p>de uma nação. Ao assim concebê-la, atribui à educação superior a responsabilidade de</p><p>produzir desajuste fiscal quando é, na verdade, potencial de desenvolvimento econômico</p><p>e de geração de emprego. Mas, então, qual é o projeto do PMDB para a Universidade?</p><p>Desde o golpe parlamentar, em 2016, o Governo Temer tem realizado significativos</p><p>cortes em políticas sociais, entre elas o ensino superior. Só o MEC sofreu corte de R$ 4,3</p><p>bilhões. Assim, 15% dos gastos de custeio e 40% das despesas de capital, aprovados pelo</p><p>Congresso para as universidades federais, ficaram congelados. No Rio de Janeiro ocorre</p><p>fato semelhante. Para dar apenas um exemplo, no final de 2016, o Governo Pezão reduziu</p><p>o orçamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro em mais de 30%.</p><p>Em agosto de 2017, professores e servidores técnico-administrativos da</p><p>UERJ encontram-se com quatro meses de salários atrasados (mesma situação das</p><p>outras universidades estaduais UEZO e UENF). Também atrasadas estão as bolsas de</p><p>estudantes e residentes. O confisco de salários e bolsas é um confisco do orçamento</p><p>da universidade, e mina as condições de reprodução das forças necessárias ao trabalho</p><p>e à continuidade do patrimônio intelectual, científico e democrático adquirido ao longo</p><p>177</p><p>das décadas. Um exemplo dos efeitos nefastos dessa crise é a saída forçada de alguns</p><p>docentes do regime de dedicação exclusiva. Obrigados a acumular atividades paralelas,</p><p>muitos desses profissionais não retornarão ao regime após esse período.</p><p>O resultado da política universitária de Pezão e Temer, cujo não pagamento</p><p>dos salários da UERJ é a expressão mais vil, são vários: evasão de estudantes, fuga de</p><p>cérebros, destruição da pesquisa de ponta, eliminação do legado intelectual, extermínio</p><p>da formação e da cultura. Em outras palavras, a depredação do resultado de décadas de</p><p>investimento material e humano.</p><p>Nós, da Universidade, entendemos que docência, pesquisa, cultura e formação</p><p>se relacionam com o futuro. Nossa resistência é a garantia de que o projeto de</p><p>universidade pública, de qualidade, gratuita, cada vez mais plural e inclusiva, permaneça.</p><p>UERJ Resiste!</p><p>FONTE: Disponível em: <https://leonardoboff.wordpress.com/2017/08/11/universidade-pra-que-a-forca-e-</p><p>-o-futuro-da-uerj/>. Acesso em: 9 set. 2017.</p><p>178</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A vida em sociedade está ligada à política e não há ação social sem ação política, quer</p><p>seja promovida pelo Estado ou pela sociedade.</p><p>• As políticas públicas são de responsabilidade do Estado, com base em organismos</p><p>políticos e entidades da sociedade civil, que derivam de normatizações, ou seja, se</p><p>estabelece um processo de tomada de decisões, nossa legislação.</p><p>• A criação de documentos nacionais norteadores foi possível a partir da década de</p><p>1980, com a abertura política e com a instituição de um Estado democrático, com a</p><p>Constituição Federal de 1988, como é o caso dos Parâmetros Curriculares Nacionais.</p><p>• A LDB 9.394/96 regulamentou o que foi tratado sobre educação na Constituição</p><p>Federal, abordando a educação escolar. O objetivo dos PCN é estabelecer à equipe</p><p>pedagógica uma referência curricular e apoio na elaboração do currículo e do projeto</p><p>pedagógico.</p><p>• Os PCN têm função definidora do currículo mínimo, orientam práticas pedagógicas e</p><p>organizam a estrutura escolar.</p><p>• Uma das preocupações centrais dos PCN é o tema da cidadania, que deve resultar</p><p>em uma formação cidadã.</p><p>179</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 AUTOATIVIDADE</p><p>1 Para retomar o que aprendemos até o momento, aponte as</p><p>características principais e o contexto histórico no qual foram</p><p>construídos os PCN:</p><p>2 (IFRN – Concurso Público – Grupo Magistério – Políticas e Gestão</p><p>Escolar 2012)</p><p>A partir do que estabelece a Lei nº 9.394/1996, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I- A educação profissional técnica de nível médio articulada, segundo essa lei, será</p><p>desenvolvida nas formas integrada e concomitante.</p><p>II- A educação de jovens e adultos deverá ser oferecida, preferencialmente, articulada</p><p>à educação profissional.</p><p>III- As instituições de educação profissional e tecnológica oferecerão cursos regulares</p><p>e cursos especiais, abertos à comunidade.</p><p>IV-</p><p>morais e éticos dos homens que vivem e convivem em</p><p>sociedade, além de abordarmos questões pertinentes à democracia e à cidadania.</p><p>Esses conceitos estão previstos na Portaria INEP nº 493 de 6 de junho de 2017,</p><p>em seu Art. 1º, que destaca:</p><p>O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE),</p><p>parte integrante do Sistema Nacional de Avaliação da Educação</p><p>Superior (SINAES), tem como objetivo geral avaliar o desempenho</p><p>dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos</p><p>nas diretrizes curriculares, às habilidades e competências para</p><p>atuação profissional e aos conhecimentos sobre a realidade</p><p>brasileira e mundial, bem como sobre outras áreas do conhecimento</p><p>(BRASIL, 2017, grifos nossos).</p><p>A mesma portaria, em seu Art. 5º, indica como referência do perfil do concluinte,</p><p>no âmbito da Formação Geral, as seguintes características:</p><p>I. ético e comprometido com as questões sociais, culturais e</p><p>ambientais;</p><p>II. humanista e crítico, apoiado em conhecimentos científico, social e</p><p>cultural, historicamente construídos, que transcendam o ambiente</p><p>próprio de sua formação;</p><p>III. protagonista do saber, com visão do mundo em sua diversidade</p><p>para práticas de letramento, voltadas para o exercício pleno de</p><p>cidadania;</p><p>IV. proativo, solidário, autônomo e consciente na tomada de decisões</p><p>pautadas pela análise contextualizada das evidências disponíveis;</p><p>V. colaborativo e propositivo no trabalho em equipes, grupos e redes,</p><p>atuando com respeito, cooperação, iniciativa e responsabilidade</p><p>social.</p><p>E no Art. 6º é indicado que a prova ENADE avaliará se o concluinte desenvolveu,</p><p>no processo de formação, competências para:</p><p>I. fazer escolhas éticas, responsabilizando-se por suas consequências;</p><p>II. ler, interpretar e produzir textos com clareza e coerência;</p><p>III. compreender as linguagens como veículos de comunicação e</p><p>expressão, respeitando as diferentes manifestações étnico-culturais</p><p>e a variação linguística;</p><p>TÓPICO 1 - UNIDADE 1</p><p>4</p><p>IV. interpretar diferentes representações simbólicas, gráficas e</p><p>numéricas de um mesmo conceito;</p><p>V. formular e articular argumentos consistentes em situações</p><p>sociocomunicativas, expressando-se com clareza, coerência e</p><p>precisão;</p><p>VI. organizar, interpretar e sintetizar informações para tomada de</p><p>decisões;</p><p>VII. planejar e elaborar projetos de ação e intervenção a partir da</p><p>análise de necessidades, de forma coerente, em diferentes contextos;</p><p>VIII. buscar soluções viáveis e inovadoras na resolução de situações-</p><p>problema;</p><p>IX. trabalhar em equipe, promovendo a troca de informações e a</p><p>participação coletiva, com autocontrole e flexibilidade;</p><p>X. promover, em situações de conflito, diálogo e regras coletivas de</p><p>convivência, integrando saberes e conhecimentos, compartilhando</p><p>metas e objetivos coletivos.</p><p>Para tanto, abordaremos a compreensão dos significados dos princípios</p><p>norteadores da democracia, ética e cidadania, além de realizar uma reflexão e uma</p><p>discussão sobre as questões ético-morais, na relação indivíduo e sociedade.</p><p>2 A DEMOCRACIA EM PAUTA</p><p>Estamos vivendo em um país apresentado como democrático! Será que todos</p><p>nós compreendemos o sentido real da democracia e seus reflexos na sociedade</p><p>brasileira? Em outros termos, o que realmente é este Estado Democrático de Direito em</p><p>que vivemos?</p><p>Neste sentido, Moisés (2010, p. 277) expõe que “o significado mais usual da</p><p>democracia se refere aos procedimentos e aos mecanismos competitivos de escolha</p><p>de governos através de eleições”, ou seja, a democracia é compreendida habitualmente</p><p>somente como um processo de escolha dos nossos representantes legais em todas</p><p>as esferas, tanto local, municipal, estadual quanto federal, no qual a população dessas</p><p>esferas, por meio de seu voto, seleciona e elege o seu representante para legislar em</p><p>nome dessa mesma população. Assim, “podemos considerar que a democracia nada</p><p>mais é do que um sistema de governo, no qual o povo governa para sua própria</p><p>sociedade” (PIERITZ, 2013, p. 133, grifos do original).</p><p>Deste modo, pode-se observar que a democracia pode ser exercida de duas</p><p>formas distintas, pois ela pode ser direta ou indireta (Quadro 1). O conceito de democracia</p><p>é notoriamente o entendimento de toda massa populacional brasileira nos dias de hoje,</p><p>pois quando se indaga às pessoas com relação ao conceito de democracia, é este</p><p>conceito de escolha de nossos representantes legais, por intermédio do voto popular,</p><p>que aparece nos discursos da população de nosso país.</p><p>5</p><p>QUADRO 1 – FORMAS DE DEMOCRACIA</p><p>FONTE: Adaptado de Pieritz (2013, p. 133)</p><p>FORMAS DE DEMOCRACIA</p><p>Democracia</p><p>direta</p><p>Na qual o povo decide diretamente, por meio de referendo/plebiscito,</p><p>se aceita ou não determinadas questões políticas e administrativas de</p><p>sua localidade, Estado ou país.</p><p>Democracia</p><p>indireta</p><p>Nesta, o povo participa democraticamente, por meio do voto, elegendo</p><p>seu representante político, ou seja, uma pessoa que o represente nas</p><p>diversas esferas governamentais, para tomar decisões cabíveis em</p><p>nome do povo que o elegeu.</p><p>Cunha (2011, p. 105) expõe que a democracia pode ser compreendida como</p><p>“método de organização social e política tendente à maior realização da liberdade e</p><p>da igualdade. [é um] Sistema político em que o povo constitui e controla o governo, no</p><p>interesse de todos”.</p><p>Outro fator que não podemos esquecer é que, quando falamos em democracia,</p><p>também falamos de Estado Democrático de Direito. Segundo Cunha (2011, p. 138), o</p><p>“Estado de direito [é aquele] que se organiza e opera democraticamente”. Nossa Carta</p><p>Magna de 1988, já em seu preâmbulo, instituiu um Estado Democrático de Direito,</p><p>ou seja, a Constituição da República Federativa do Brasil se organizou e definiu suas</p><p>normativas em prol de um Estado Democrático, no qual a democracia deverá ser a</p><p>base fundamental da República Federativa do Brasil. Assim, segundo Pieritz (2013, p.</p><p>133), “este sistema de governo democrático possui formatos diferentes nas diversas</p><p>sociedades, pois em cada uma existem regras e normas diferentes, e isto acontece por</p><p>causa da constituição dos princípios ético-morais de cada localidade”.</p><p>Vale salientar que a democracia vai muito além desse discurso sintético de</p><p>representação e de voto, pois Moisés (2010, p. 277, grifos nossos) coloca-nos que:</p><p>existem outras perspectivas que ampliam a compreensão do conceito,</p><p>incluindo tanto as dimensões que se referem aos conteúdos da</p><p>democracia, como também os seus resultados práticos esperados no</p><p>terreno da economia e da sociedade. Por uma parte, acompanhando a</p><p>abordagem minimalista de Schumpeter (1950) e a procedimentalista</p><p>de Dahl (1971), vários autores definiram a democracia em termos de</p><p>competição, participação e contestação pacífica do poder.</p><p>Neste sentido, no que tange à conotação que a democracia tem de competição,</p><p>participação e contestação pacífica do poder, pode-se expor que falar de democracia</p><p>também está atrelado ao conceito do “jogo de poderes”, principalmente a disputa e</p><p>concorrência de cargos em todas as esferas governamentais ou não, além da competição</p><p>entre partidos políticos e outros grupos econômicos, políticos, culturais e sociais.</p><p>6</p><p>Além disso, não podemos esquecer um elemento fundamental da democracia,</p><p>que é a questão da “participação do povo”, em que cada cidadão brasileiro é</p><p>elemento fundamental no processo democrático do Brasil, pois direta ou indiretamente</p><p>é parte do processo democrático instaurado neste país. Ao proferir sua escolha,</p><p>independentemente do que for ou de que escolha fora feita, torna-se automaticamente</p><p>parte do Estado Democrático de Direito e integra-se ao sistema vigente de democracia</p><p>daquele determinado Estado.</p><p>Resumidamente, a Figura 1 apresenta o primeiro entendimento da definição e o</p><p>significado da democracia e o Estado Democrático de Direito.</p><p>FIGURA 1 – DEMOCRACIA E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO</p><p>FONTE: Os autores</p><p>Maciel (2012, p. 73, grifos do original) complementa expondo que a democracia</p><p>“tornou-se uma aspiração universal, por ser o regime de governo mais</p><p>Na educação profissional técnica de nível médio, a preparação geral para o trabalho</p><p>e, facultativamente, a habilitação profissional, poderão ser desenvolvidas nos</p><p>próprios estabelecimentos de Ensino Médio ou em cooperação com instituições</p><p>especializadas em educação profissional.</p><p>V- A educação profissional técnica de nível médio, por ter total autonomia pedagógica,</p><p>prescinde de organizar cursos seguindo as orientações contidas nas diretrizes</p><p>curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação.</p><p>Das afirmativas acima, estão corretas, apenas:</p><p>a) ( ) I, II, III e IV.</p><p>b) ( ) II, III, IV e V.</p><p>c) ( ) I e V.</p><p>d) ( ) II e IV.</p><p>180</p><p>181</p><p>POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao estudo que faremos sobre o Sistema de</p><p>Saúde brasileiro. Este tema levará você a refletir sobre a realidade da saúde pública</p><p>em nosso país e os seus desafios para assegurar o atendimento a todo cidadão com</p><p>dignidade e em igualdade de condições.</p><p>O acesso universal, integral e equânime à assistência em saúde é um</p><p>direito de todos e um dever do Estado, garantido pela Constituição.</p><p>Contudo, para além das obrigações do governo, a saúde também</p><p>é uma responsabilidade coletiva, que implica na participação da</p><p>população nos processos de melhoria e no progresso da qualidade</p><p>de serviços (SCHMIDT, 2015, p. 12).</p><p>A gestão do sistema nacional de saúde é bastante complexa, se pensarmos</p><p>em atingir de forma equânime todas as pessoas que dependem do serviço público</p><p>num contexto com desigualdades e desafios sociais aos governos. Concorda Zetzsche</p><p>(2014, p. 3) ao dizer que “Cuidar da saúde significa manter a nação em condições de</p><p>progresso e trabalho, com uma população saudável e menores índices de adoecimento</p><p>e transmissão de doenças”.</p><p>O sistema de saúde brasileiro engloba uma rede de serviços prestados por</p><p>instituições públicas e privadas aos cidadãos que se utilizam de uma multiplicidade</p><p>de atendimentos. Considerado exemplo de política pública pelo acesso universal à</p><p>população, demanda ainda maior participação da sociedade nos conselhos e conferências</p><p>municipais de saúde para o efetivo controle social na administração pública.</p><p>O fortalecimento da política pública de saúde depende, sobretudo, de</p><p>investimentos que assegurem as ações e programas que impulsionem os indicadores</p><p>de saúde a um nível favorável; é fundamental a melhora da infraestrutura, com a</p><p>ampliação e modernização dos locais de atendimento, qualidade dos serviços oferecidos</p><p>e capacidade técnica dos profissionais contratados para a gestão.</p><p>Competência administrativa, visão política e gerencial, profundo</p><p>conhecimento da história do país e de sua dinâmica social, visão</p><p>epidemiológica e crítica, e visão ontológica – visão de respeito e</p><p>reconhecimento do ser humano – (alvo dos programas e políticas de</p><p>saúde) são requisitos mais que necessários àquele ou àquela que vai</p><p>trabalhar em gestão de saúde, quer seja de caráter público ou privado</p><p>(ZETZSCHE, 2014, p. 4).</p><p>UNIDADE 3 TÓPICO 2 -</p><p>182</p><p>A saúde para os brasileiros, segundo a pesquisa do Instituto de Pesquisas</p><p>Datafolha (2014), é considerada o serviço público mais importante; mas diariamente</p><p>o usuário se depara com problemas, como a falta de médicos, filas de espera nas</p><p>emergências e nos hospitais, demora para realização de cirurgias e hospitais sem</p><p>recursos financeiros.</p><p>FIGURA 25 – IMPORTÂNCIA DA SAÚDE PÚBLICA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://portal.cfm.org.br/images/PDF/apresentao-integra-datafolha203.pdf>.</p><p>Acesso em: 6 jun. 2015.</p><p>15</p><p>Base: Total Brasil  2.418 entrevistas</p><p>P3. Dentre esses serviços que você considerou muito importantes, qual deve ser a primeira prioridade do governo federal, na sua opinião?</p><p>Área de maior importância – nível federal</p><p>(Estimulada e única)</p><p>59%</p><p>17%</p><p>8%</p><p>7%</p><p>5%</p><p>3%</p><p>1%</p><p>0,4%</p><p>0,3%</p><p>46%</p><p>25%</p><p>9%</p><p>11%</p><p>3%</p><p>3%</p><p>1%</p><p>1%</p><p>‐</p><p>Usuário</p><p>do SUS</p><p>Não</p><p>usuário</p><p>Na segunda etapa, entre as áreas que consideraram importantes, Saúde se destaca,</p><p>como prioridade. Educação fica em segundo lugar, porém bem mais à distância.</p><p> O usuário do SUS dá maior importância para a Saúde.</p><p>A partir dessa reflexão, podemos enfatizar a importância da política pública de</p><p>saúde no contexto social brasileiro e a necessidade de gestão técnica com profissionais</p><p>habilitados. A relevância do tema foi abordada no Exame Nacional do Estudante –</p><p>ENADE (2013) e propomos que você leia e responda.</p><p>A questão da saúde no Brasil é complexa e dependente da atuação</p><p>dos vários agentes que a compõem. Cada um desses agentes, governo,</p><p>organizações e sociedade, tem suas responsabilidades sobre a</p><p>qualidade da saúde no Brasil. Ao governo cabe desenvolver políticas e</p><p>realizar investimentos adequados, dentro de um planejamento ao longo do tempo;</p><p>às organizações compete executar essas políticas, como também prestar serviços</p><p>à população com qualidade; e a sociedade, por seu lado, deve aderir às ações</p><p>preventivas promovidas pelo governo e pelas organizações, assim como deve ter</p><p>uma postura ativa, autônoma e corresponsável, em relação à sua qualidade de vida.</p><p>FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/Win8/Desktop/16_TEC_GESTAO_HOSPITALAR.pdf>. Acesso em: 3</p><p>maio 2015.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>183</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.ivancabral.com>. Acesso em: 23 ago. 2013.</p><p>Considerando a figura e o trecho acima, redija um texto dissertativo sobre o</p><p>papel e (ou) funções do gestor hospitalar no contexto da qualidade da saúde no Brasil.</p><p>2 CONCEITO DE SAÚDE</p><p>Temos como conceito de saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde</p><p>(USP, 2015, s.p.): “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e</p><p>não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade”.</p><p>Essa concepção de saúde induz a novas condutas quanto à promoção de saúde</p><p>e prevenção de doenças. O indivíduo é inserido numa rede de cuidados permanentes,</p><p>visando maior qualidade de vida, mesmo que aconteça a doença. A vida mais saudável</p><p>demanda novos hábitos, que incluem a alimentação adequada, lazer, convívio social,</p><p>esportes e atividade física como práticas diárias.</p><p>Mesmo o doente crônico aprende a conviver melhor com a doença, tornando-se</p><p>menos dependente da assistência médica, adquirindo hábitos que ajudam na melhora</p><p>do estado de saúde. É o que Zetzsche (2014, p. 13) define como “comportamentos mais</p><p>saudáveis e que desenvolva o seu autocuidado, possibilitando que, desta forma, acabe</p><p>vivendo mais e melhor depois de seu adoecimento, por mais incrível que isto pareça, à</p><p>primeira vista”. Neste contexto, percebe-se que a população está adotando um estilo</p><p>de vida mais saudável, com atitudes de prevenção para a saúde física e mental; este</p><p>movimento se estende a outros ambientes, como exemplo, no trabalho e na educação,</p><p>visto que a qualidade de vida está diretamente relacionada ao modo como as pessoas</p><p>vivem.</p><p>184</p><p>As cidades devem oferecer espaços coletivos, parques, praças, centros de</p><p>convivência, para que a comunidade usufrua de qualidade de vida, o que comprovadamente</p><p>vem reduzindo os custos em serviços médicos e assistenciais nos municípios.</p><p>FIGURA 26 – SAÚDE PÚBLICA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://brubrinq.com.br/ckfinder/userfiles/images/pra%C3%A 7a_playground2.jpg>.</p><p>Acesso em: 12 jan. 2018.</p><p>Essa é uma realidade possível, de acordo com Zetzsche (2014, p. 9):</p><p>[...] a amplitude do escopo de ações em saúde vai abranger</p><p>intervenções e estratégias nos mais variáveis setores, como meio</p><p>ambiente, sustentabilidade, manejo agrícola, controle de endemias</p><p>e pandemias, definição dos níveis aceitáveis de desenvolvimento e</p><p>qualidade de vida, saneamento básico, manejo de recursos hídricos e</p><p>naturais, ambientes de trabalho, acesso ao lazer, educação, moradia,</p><p>entre tantos outros, pois é nestas boas condições de vida que a</p><p>saúde é mais fácil de se obter e de se conservar.</p><p>A transformação social, a partir da saúde, busca incutir nas pessoas atitudes</p><p>frente a fatores de influência negativa, por exemplo, a mídia com a demasiada</p><p>publicidade de produtos alimentícios industrializados,</p><p>propenso a</p><p>garantir os direitos individuais, porém não se resume simplesmente ao ato de votar,</p><p>sendo que o direito à participação tornou-se uma atividade importante diante da</p><p>constituição da cidadania”.</p><p>Por conseguinte, pode-se expor que democracia denota participação direta ou</p><p>indireta da população em todos os espaços que necessitem do veredito do povo em prol</p><p>de objetivos comuns a ele mesmo. Assim, Beethan (2003, p. 110 apud MACIEL, 2012, p.</p><p>73, grifos nossos) complementa expondo que:</p><p>7</p><p>O direito à participação pode ser tanto reativo quanto proativo. Em sua</p><p>forma reativa, a participação consiste na articulação coletiva de</p><p>respostas a políticas de desenvolvimento. Na forma proativa, ela invoca</p><p>a responsabilidade popular no desencadeamento da articulação de</p><p>políticas de desenvolvimento. No primeiro caso, os governos propõem e</p><p>os cidadãos reagem; no segundo, os cidadãos propõem e os governos</p><p>reagem. Em ambas as formas, o direito de participação assume</p><p>a lógica de colaborar com o desenvolvimento. “No coração da</p><p>democracia repousa, assim, o direito do cidadão de opinar nos assuntos</p><p>públicos e de exercer controle sobre o governo, em pé de igualdade com</p><p>os demais”.</p><p>Deste modo, pode-se expor que um dos elementos da democracia é a</p><p>articulação coletiva do povo em prol de uma determinada demanda social, política,</p><p>cultural ou econômica. Para que se possa debater coletivamente os prós e contras, no</p><p>que tange aos assuntos pertinentes ao interesse coletivo, dando assim respostas a esta</p><p>mesma demanda.</p><p>Vale salientar que a não participação e a omissão também são formas de</p><p>participação, pois retratam a sua alienação, indiferença, contestação ou o seu</p><p>descontentamento em relação ao sistema vigente. Então, isto não quer dizer que</p><p>aquele cidadão que se omitiu ou apenas não quis participar não fez parte do processo</p><p>democrático de um país, pelo contrário, todo cidadão tem o direito de participar ou não,</p><p>mesmo que o voto no Brasil seja obrigatório, pois ao votar ele exprime a sua vontade,</p><p>ou o seu desejo.</p><p>Aqui fica claro que a população, ao exercer seu direito de participação de forma</p><p>proativa, demonstra seus direitos e responsabilidades perante os efeitos da decisão</p><p>coletiva. Entretanto, também existem quatro condições necessárias para que se possa</p><p>instaurar um regime governamental pautado na democracia.</p><p>QUADRO 2 – CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O REGIME DEMOCRÁTICO</p><p>FONTE: Adaptado de Moisés (2010, p. 277)</p><p>Disponível em: <http://</p><p>rafaelsilva.over-blog.es/</p><p>article-objetivo-demo-</p><p>cracia-iv-124370354.</p><p>html>.</p><p>Direito dos cidadãos de ESCOLHEREM GOVERNOS por meio de</p><p>eleições com a participação de todos os membros adultos da</p><p>comunidade política. A isso se dá o nome de sufrágio universal</p><p>(direito ao voto).</p><p>ELEIÇÕES regulares, livres, competitivas, abertas e significativas.</p><p>GARANTIA DE DIREITOS de expressão, reunião e organização, em</p><p>especial, de partidos políticos para competir pelo poder.</p><p>Acesso a fontes alternativas de INFORMAÇÃO sobre a ação</p><p>de governos e a política em geral.</p><p>Essas quatro condições mínimas para implantar um regime democrático são de</p><p>fundamental importância para que haja a participação democrática de um povo em prol</p><p>dos objetivos comuns do próprio povo, uma vez que a democracia vai muito além da</p><p>simples representação e de voto, ela se efetiva e concretiza-se com a participação, com</p><p>a competição e a contestação dos processos pacíficos da busca do poder no Estado</p><p>Democrático de Direito.</p><p>8</p><p>Sucintamente, a Figura 2 apresenta a ampliação da compreensão do</p><p>entendimento do signifi cado da democracia, ou seja, o seu conceito ampliado:</p><p>FIGURA 2 – CONCEITO AMPLIADO DE DEMOCRACIA</p><p>FONTE: Os autores</p><p>Caro acadêmico, para colaborar com seus estudos, veja que a junção</p><p>das Figuras 1 e 2 proporciona o entendimento global do que é</p><p>democracia.</p><p>ATENÇÃO</p><p>3 A QUESTÃO DA ÉTICA</p><p>O tema que abordaremos neste momento é relativo à questão da ética, a qual</p><p>permeia constantemente nosso dia a dia, seja no âmbito familiar, social ou profi ssional.</p><p>Aparentemente, compreendemos o seu signifi cado e seus efeitos, mas será que</p><p>realmente compreendemos o seu sentido real? Será que sabemos o que é certo ou</p><p>errado para nós na sociedade em que vivemos?</p><p>Neste sentido, Tomelin e Tomelin (2002, p. 89) expõem que “a ética é uma das</p><p>áreas da fi losofi a que investiga sobre o agir humano na convivência com os outros [...]”.</p><p>Em outros termos, as nossas ações perante a sociedade em que vivemos são orientadas</p><p>9</p><p>por princípios éticos e morais, e esses princípios são norteadores de consciência moral</p><p>do certo e do errado, do bem e do mal.</p><p>De modo mais abrangente, a ética pode ser conceituada como a área da filosofia</p><p>que investiga o agir humano, tanto aqueles com repercussão social, quanto aqueles sem</p><p>maiores impactos na sociedade, ou seja, não somente os atos relativos à convivência</p><p>com os outros, mas também consigo mesmo.</p><p>Assim, no que tange a esta problemática relativa à ética, Pieritz (2013, p. 3)</p><p>expõe que “a ética não é facilmente explicável, mas todos nós sabemos o que é, pois</p><p>está diretamente relacionada aos nossos costumes e às ações em sociedade, ou seja,</p><p>ao nosso comportamento, ao nosso modo de vida e de convivência com os outros</p><p>integrantes da sociedade”. E que esses valores éticos são construídos historicamente</p><p>pelos povos, de geração em geração.</p><p>O que são valores? Pedro (2014, p. 490) faz um resgate etimológico da palavra</p><p>Axiologia, de origem grega, que significa estudo dos valores ou ciência do valor, e aponta</p><p>para um significado, o da vivência do valor, independentemente do valor que for, pois</p><p>este é experienciado como um fenômeno que se apresenta à consciência como tal e</p><p>como um acontecimento que nos é imediatamente dado.</p><p>Para a filósofa húngara Agnes Heller (1972, p. 4), “valor é tudo aquilo que faz</p><p>parte do ser genérico do homem e contribui, direta ou mediatamente para a explicação</p><p>desse ser genérico”. Vejamos no Quadro 3 quais são os atributos dos valores humanos</p><p>na perspectiva de Heller:</p><p>OBJETIVAÇÃO</p><p>- que se expressa prioritariamente por intermédio do trabalho;</p><p>- que proporciona sair do subjetivo e passar para o real e</p><p>concreto.</p><p>SOCIALIDADE</p><p>- que se expressa com a convivência com o outro, em grupo;</p><p>- aprendizagem com o outro;</p><p>- assimilação de normas sociais.</p><p>CONSCIÊNCIA</p><p>- tomar ciência dos fatos ou de alguma coisa;</p><p>- reconhecimento da realidade;</p><p>- descoberta de algo;</p><p>- capacidade de perceber as coisas.</p><p>UNIVERSALIDADE</p><p>- universal;</p><p>- o todo;</p><p>- fazer parte de um determinado grupo.</p><p>LIBERDADE - livre-arbítrio.</p><p>QUADRO 3 – ATRIBUTOS DOS VALORES HUMANOS</p><p>FONTE: Adaptado de Bonetti et al. (2010, p. 23)</p><p>10</p><p>FONTE: Os autores</p><p>QUADRO 4 – EXEMPLOS DOS VALORES E VIRTUDES HUMANOS</p><p>Portanto, os atributos dos valores humanos apresentados no Quadro 3 são</p><p>os elementos constitutivos do ser humano, do ser social, que formam os nossos</p><p>valores morais. Complementando, no Quadro 4 apresentamos mais exemplos</p><p>dos valores e virtudes do ser humano, que vive e convive em sociedade.</p><p>Amizade Justiça Obediência Respeito Simplicidade</p><p>Lealdade Compreensão Sinceridade Pudor Generosidade</p><p>Paciência Ordem Humildade Autoestima Liberdade</p><p>Deste modo, podemos expor que “todos nós possuímos princípios e valores que</p><p>foram e são constituídos por nossa sociedade. E, com relação a esses valores, cada um</p><p>de nós possui uma visão do que é certo e errado, do que é o bem e o mal” (PIERITZ,</p><p>2012, p. 57).</p><p>Não podemos nos esquecer de que “esta consciência moral é determinada por</p><p>um consenso coletivo e social, ou seja, o conjunto da sociedade é que formula e compõe</p><p>as normas de conduta que o regem. Como exemplo, temos a nossa Constituição Federal</p><p>e outras regras e normas de nossa sociedade” (PIERITZ, 2013, p. 4).</p><p>São estas regras e normativas jurídicas e sociais que determinam o nosso agir</p><p>em sociedade, e cada grupo social possui suas características, ou seja, não se pode</p><p>dizer que todos nós somos iguais, que todas as nações e Estados são iguais, porque não</p><p>somos, pois,</p><p>independentemente do Estado, do país ou grupo social, fomos moldando</p><p>nossos valores e princípios de forma diferente ao longo de nossa existência.</p><p>Agora, acadêmico, raciocine o seguinte: se é um fato que nossa consciência</p><p>moral é construída no seio de uma sociedade e com a influência do meio e das</p><p>pessoas com as quais convivemos, há ainda outros fatores que concorrem para</p><p>a constituição da consciência moral, e esse elemento é chamado de Lei natural</p><p>– pelos jusnaturalistas – e tem caráter universal, pois perpassa as sociedades</p><p>políticas, é algo mais profundo que elas, constitui-se na própria natureza humana em</p><p>sua universalidade (ROHLING, 2012). Segundo Valls (2003, p. 8):</p><p>costuma-se separar os problemas teóricos da ética em dois</p><p>campos: num, os problemas gerais e fundamentais (como liberdade,</p><p>consciência, bem, valor, lei e outros); e no segundo, os problemas</p><p>específicos, de aplicação concreta, como os problemas da ética</p><p>profissional, de ética política, de ética sexual, de ética matrimonial,</p><p>de bioética etc.</p><p>11</p><p>Em outros termos, os problemas éticos permeiam todas as nossas ações em</p><p>sociedade. Neste sentido, vale salientar que “cada sociedade possui suas normas de</p><p>conduta comportamental e seus princípios morais, ou seja, cada grupo social constitui o</p><p>que é certo e errado, o que é o bem e o mal para o seu povo, portanto, nem sempre o que é</p><p>certo para nós pode ser certo para um outro grupo social e vice-versa” (PIERITZ, 2013, p. 4).</p><p>Então, como desvelar esta situação? Como saber se estamos no caminho certo?</p><p>Se estamos fazendo certo ou errado? Ou se realmente estamos fazendo o bem ou o mal</p><p>a alguém? São muitas indagações!</p><p>Para auxiliar a reflexão sobre essas questões, Finnis (filósofo e jurista australiano)</p><p>identifica sete valores básicos, os quais são os seguintes:</p><p>I) vida; II) o conhecimento; III) o jogo; IV) a experiência estética; V)</p><p>a sociabilidade; VI) a razoabilidade prática; e, VII) a religião. Esses</p><p>valores, contudo, não são os únicos, pois existem, evidentemente,</p><p>muitos outros, os quais, segundo propõe o autor, são modos ou</p><p>combinações de modos de buscar – embora nem sempre com</p><p>sensatez – e de realizar – nem sempre exitosamente – uma das sete</p><p>formas básicas de bem, ou alguma combinação delas (ROHLING,</p><p>2012, p. 163).</p><p>Neste sentido, podemos observar ainda que:</p><p>os problemas éticos se distinguem da moral pela sua característica</p><p>genérica, enquanto que a moral se caracteriza pelos problemas</p><p>da vida cotidiana. O que há de comum entre elas é fazer o homem</p><p>pensar sobre a responsabilidade das consequências de suas ações.</p><p>A ética faz pensar sobre as consequências universais, sempre</p><p>priorizando a vida presente e futura, local e global. A moral faz pensar</p><p>as consequências grupais, adverte para normas culturalmente</p><p>formuladas ou pode estar fundamentada num princípio ético. A</p><p>ética pode, desta forma, pautar o comportamento moral (TOMELIN;</p><p>TOMELIN, 2002, p. 90).</p><p>Podemos expor que deste ponto de vista existem diferenças nítidas entre ética</p><p>e moral, sendo que a ética é generalista e a moral reflete o comportamento socialmente</p><p>construído e legitimado pelo seu povo. Enfim, Tomelin e Tomelin (2002, p. 89, grifos</p><p>do original) complementam expondo que “a palavra ética provém do grego ethos e</p><p>significa hábitos, costumes, e se refere à morada de um povo ou sociedade. A palavra</p><p>moral provém do latim moralis e significa costume, conduta”. Logo, conforme Pieritz</p><p>(2012, p. 58, grifos nosso):</p><p>A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento</p><p>que cada pessoa ou grupo social tem ou venha a ter. Indicando o que</p><p>é certo ou errado, o que é bom ou mal. Porém, este comportamento</p><p>sempre partirá do ponto de vista dos princípios morais de cada</p><p>sociedade, ou seja, seu grupo social. A ética auxilia no esclarecimento</p><p>e na explicação da realidade cotidiana de cada povo, procurando</p><p>sempre elaborar seus conceitos conforme o comportamento</p><p>correspondente de cada grupo social.</p><p>12</p><p>Por conseguinte, “o ético transforma-se assim numa espécie de legislador do</p><p>comportamento moral dos indivíduos ou da comunidade” (VÁZQUEZ, 2005, p. 20), ou</p><p>seja, a ética está para regular o nosso comportamento em sociedade.</p><p>Complementando, Vázquez (2005, p. 21) coloca-nos que “a ética é teoria,</p><p>investigação ou explicação de um tipo de experiência humana ou forma de</p><p>comportamento dos homens [...]”, ou seja, “o valor de ética está naquilo que ela explica</p><p>– o fato real daquilo que foi ou é –, e não no fato de recomendar uma ação ou uma</p><p>atitude moral” (PIERITZ, 2013, p. 7, grifo nosso).</p><p>Devemos compreender as diferenças conceituais de ética e moral, pois</p><p>“podemos afirmar que a ética estuda e investiga o comportamento moral dos seres</p><p>humanos. E esta moral é constituída pelos diferentes modos de viver e agir dos</p><p>homens em sociedade, que é formada por suas diretrizes morais da vida cotidiana,</p><p>transformando-se no decorrer dos tempos” (PIERITZ, 2013, p. 19).</p><p>Todavia, o que é a moral?</p><p>Segundo Aranha e Martins (2003, p. 301, grifos do original), “a MORAL vem do</p><p>latim mos, moris, que significa ‘costume’, ‘maneira de se comportar regulada pelo uso’, e</p><p>de moralis, morale, adjetivo referente ao que é ‘relativo aos costumes’”. Assim, a moral</p><p>é compreendida como um conjunto de regras de condutas socialmente admitidas em</p><p>determinadas épocas ou por um grupo de pessoas, ou seja, “a moralidade dos homens</p><p>é um reflexo direto do modo de ser e conviver em sociedade, no qual o caráter, os</p><p>sentimentos e os costumes determinam o seu comportamento individual e social, que</p><p>foi ou está sendo perpetuado num espaço de tempo” (PIERITZ, 2013, p. 35). Ainda de</p><p>acordo com Pieritz (2013, p. 38):</p><p>A moral sugere, constantemente, a valorização de nossas ações</p><p>e de nossos comportamentos em sociedade, mas é a moral que</p><p>determina quais são os nossos direitos e deveres perante a sociedade</p><p>em que vivemos. Estes deveres são conectados ao nosso modo de</p><p>ser e conviver em sociedade, gerando certas responsabilidades com</p><p>relação a si próprio e aos outros, tais como:</p><p>• sentimentos;</p><p>• escolhas;</p><p>• desejos;</p><p>• atitudes;</p><p>• posicionamentos diante da realidade;</p><p>• juízo de valor;</p><p>• senso moral;</p><p>• consciência moral.</p><p>Sob estas concepções de ética e moral, apresentamos as suas principais</p><p>diferenças na Figura 3:</p><p>13</p><p>FIGURA 3 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL</p><p>FIGURA 4 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL</p><p>FONTE: Adaptado de Tomelin e Tomelin (2002, p. 89-90)</p><p>FONTE: Adaptado de Paulo Netto (apud BONETTI et al., 2010, p. 23)</p><p>Assim, podemos observar que existem diferenças concretas entre estes dois</p><p>conceitos, no entanto, ainda devemos compreender que:</p><p>14</p><p>Assim, concluímos que a moral:</p><p>Vem se constituindo historicamente, mudando no decorrer da</p><p>própria evolução do homem em sociedade. Em que seus hábitos e</p><p>costumes são constituídos por esta relação social, em que a essência</p><p>humana é pautada por estes princípios morais. E estes, por sua vez,</p><p>constituem o ser social que somos. E a ética nesta questão chega</p><p>para simplesmente regular e analisar estes preceitos morais (PIERITZ,</p><p>2013, p. 21).</p><p>Por conseguinte, segundo Pieritz (2013, p. 21, grifo nosso), “a ética é precursora</p><p>da TRANSFORMAÇÃO SOCIAL dos diversos sistemas ou estruturas sociais. Sistemas</p><p>estes que imprimiam suas mudanças sociais, tais como: Capitalismo e Socialismo”.</p><p>Por fim, Pieritz (2013, p. 21) expõe que “quando é constituída uma nova estrutura</p><p>social, a ética, os valores e princípios morais são modificados para constituir assim esta</p><p>nova concepção de sociedade”. Ou seja, historicamente, com as transformações sociais,</p><p>políticas e econômicas de um povo, automaticamente o sistema de valores morais e</p><p>éticos se transforma, para que assim seja possível constituir um novo padrão sócio-</p><p>histórico daquele determinado grupo.</p><p>Salientando ainda que nesse processo de transformação social devemos</p><p>respeitar a permanência de alguns valores socialmente construídos, como a</p><p>solidariedade, a igualdade e a fraternidade, para que todos possamos</p><p>construir uma</p><p>sociedade mais justa, ética, democrática e cidadã.</p><p>4 O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CIDADANIA</p><p>No que tange às questões pertinentes à cidadania, partiremos de sua concepção</p><p>advinda do Título I – “Dos Princípios Fundamentais” da Constituição da República</p><p>Federativa do Brasil de 1988, a qual assim expressa:</p><p>Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união</p><p>indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-</p><p>se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos:</p><p>I - a soberania;</p><p>II - a cidadania;</p><p>III - a dignidade da pessoa humana;</p><p>IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;</p><p>V - o pluralismo político.</p><p>Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por</p><p>meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta</p><p>Constituição.</p><p>Neste sentido, podemos observar que um dos princípios fundamentais da Carta</p><p>Magna brasileira é a cidadania, mas você sabe o seu significado?</p><p>15</p><p>Vejamos: cidadania “é um conjunto de direitos e deveres que denotam e</p><p>fundamentam as condições do comportamento de cada indivíduo em relação à</p><p>sociedade, ou seja, a cidadania designa normas de conduta para o convívio social,</p><p>determinando nossas obrigações e direitos perante os outros integrantes da nossa</p><p>sociedade” (PIERITZ, 2013, p. 132). Neste sentido:</p><p>Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade, para</p><p>melhorar suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca</p><p>esquecer das pessoas que mais necessitam. A cidadania deve ser</p><p>divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação,</p><p>para o bem-estar e desenvolvimento da nação. A cidadania consiste</p><p>desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os muros,</p><p>respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como</p><p>todas as outras pessoas), não destruir telefones públicos, saber dizer</p><p>obrigado, desculpe, por favor e bom dia quando necessário [...], até</p><p>saber lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas,</p><p>o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que</p><p>enfrentamos em nosso país. ‘A revolta é o último dos direitos a</p><p>que deve um povo livre para garantir os interesses coletivos: mas</p><p>é também o mais imperioso dos deveres impostos aos cidadãos’.</p><p>Juarez Távora - Militar e político brasileiro (WEB CIÊNCIA, 2009 apud</p><p>PIERITZ, 2013, p. 132).</p><p>Portanto, podemos observar que a cidadania possui três dimensões.</p><p>QUADRO 5 – DIMENSÕES DA CIDADANIA</p><p>FONTE: Adaptado de Pieritz (2013, p. 132-133)</p><p>DIMENSÕES DA CIDADANIA</p><p>Cidadania</p><p>civil</p><p>São aqueles direitos advindos da LIBERDADE de cada indivíduo, por</p><p>exemplo:</p><p>• o livre-arbítrio para expressar nossos pensamentos;</p><p>• o direito de propriedade (venda e compra de um</p><p>imóvel, um bem ou serviço);</p><p>• entre outros.</p><p>Cidadania</p><p>política</p><p>Podemos considerar que a cidadania política se legitima quando os</p><p>homens exercem seu poder político de ELEGER e SER ELEITOS</p><p>para o exercício do poder político, independentemente da instituição</p><p>pública ou privada na qual venham exercer suas atribuições.</p><p>Cidadania</p><p>social</p><p>Compreendida como o conjunto de direitos concernentes ao</p><p>CONFORTO de cada cidadão, no que tange à sua vida econômica e</p><p>social, ou seja, do seu bem-estar social.</p><p>A cidadania expressa os direitos e deveres de todas as pessoas que vivem e</p><p>convivem em sociedade, seja na esfera social, política ou civil, no que tange ao respeito a</p><p>si, ao próximo e ao patrimônio público e privado. Além de que a cidadania é participação</p><p>nos espaços públicos de discussão, a qual permeia as questões de democracia e ética</p><p>de toda a população daquele determinado grupo social, político ou econômico.</p><p>16</p><p>Deste modo, Maciel (2012, p. 29) expõe que hoje em dia a cidadania é “sinônimo</p><p>de participação que remete ao exercício da democracia para além das eleições. Somos</p><p>‘controladores’ da política, do orçamento, ou seja, das ações do Estado como um todo”.</p><p>Cada cidadão tem o dever e o direito de participar de todos os espaços democráticos do</p><p>seu município, Estado ou Federação.</p><p>Nesse sentido, tem-se a participação como um mecanismo do exercício da</p><p>cidadania, ou seja, “O conceito contemporâneo de cidadania transcende a simples</p><p>lógica da garantia de direitos legais. Segundo a concepção de Dallari (2004), a cidadania</p><p>expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar da</p><p>vida e do governo de seu povo” (MACIEL, 2012, p. 31). Portanto, a palavra de ordem é</p><p>“participar”, fazer parte do processo democrático, pois, de acordo com Maciel (2012,</p><p>p. 32), quem não exerce sua cidadania “está excluído da vida social e da tomada de</p><p>decisões. A cidadania não significa apenas uma conquista legal de alguns direitos,</p><p>mas sim a realização destes direitos. Ela é construída e conquistada a partir da nossa</p><p>capacidade de organização, participação e intervenção social”.</p><p>Vale salientar que a cidadania é conquistada pela nossa participação nos</p><p>momentos das discussões e decisões coletivas, portanto a cidadania se dá pela</p><p>participação ativa de nossa vida em sociedade e na vida pública.</p><p>17</p><p>Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:</p><p>• A compreensão do significado mais usual da democracia denota que a democracia</p><p>é compreendida como um sistema de governo, no qual o povo governa para sua</p><p>própria sociedade.</p><p>• A democracia pode ser exercida de duas formas distintas, pois ela pode ser direta ou</p><p>indireta.</p><p>•   A democracia é compreendida popularmente como a escolha de nossos</p><p>representantes legais, por intermédio do voto popular.</p><p>• O Estado Democrático de direito, que é aquele Estado que se organiza e opera</p><p>democraticamente.</p><p>• A Constituição da República Federativa do Brasil se organizou e definiu suas</p><p>normativas em prol de um Estado Democrático, no qual a democracia deverá ser a</p><p>base fundamental da República Federativa do Brasil.</p><p>• A democracia também está atrelada ao conceito do “jogo de poderes”, principalmente</p><p>a disputa e concorrência de cargos em todas as esferas governamentais ou não.</p><p>• É importante relembrar que o elemento fundamental da democracia é a “participação</p><p>do povo”.</p><p>• A ética é uma das áreas da filosofia que investiga o agir humano na convivência com</p><p>os outros.</p><p>•  A ética está diretamente relacionada aos nossos costumes e às ações em sociedade,</p><p>ou seja, ao nosso comportamento, ao nosso modo de vida e de convivência com os</p><p>outros integrantes da sociedade.</p><p>• Todos nós possuímos princípios e valores que foram e são constituídos por nossa</p><p>sociedade. E, com relação a estes valores, cada um de nós possui uma visão do que</p><p>é certo e errado, do que é o bem e o mal.</p><p>• A consciência moral é determinada por um consenso coletivo e social, ou seja, o</p><p>conjunto da sociedade é que formula e compõe as normas de conduta que o regem.</p><p>• Os problemas éticos permeiam todas as nossas ações em sociedade.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>18</p><p>• Existem diferenças nítidas entre ética e moral, sendo que a ética regula a moral,</p><p>a ética é generalista e a moral reflete o comportamento socialmente construído e</p><p>legitimado pelo seu povo.</p><p>• A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento que cada pessoa</p><p>ou grupo social tem ou venha a ter. Indicando o que é certo ou errado, o que é bom</p><p>ou mal.</p><p>• O valor da ética está naquilo que ela explica, o fato real daquilo que foi ou é, e não no</p><p>fato de recomendar uma ação ou uma atitude moral.</p><p>• Um dos princípios fundamentais da Carta Magna brasileira é a cidadania.</p><p>• A cidadania designa normas de conduta para o convívio social, determinando nossas</p><p>obrigações e direitos perante os outros integrantes da nossa sociedade.</p><p>• A cidadania expressa os direitos e deveres de todas as pessoas que vivem e convivem</p><p>em sociedade, seja na esfera social, política ou civil, no que tange ao respeito a si, ao</p><p>próximo e ao patrimônio público e privado.</p><p>• Cada cidadão tem o dever e o direito de participar de todos os espaços democráticos</p><p>do seu município, Estado ou Federação. A participação é compreendida como um</p><p>mecanismo</p><p>do exercício da cidadania.</p><p>19</p><p>1 (ENADE-2010, Formação Geral, Questão 9) As seguintes acepções</p><p>dos termos democracia e ética foram extraídas do Dicionário Houaiss</p><p>da Língua Portuguesa.</p><p>2 (ENADE-2010, Formação Geral, Questão 2)</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>democracia. POL. 1 governo do povo; governo em que o povo exerce</p><p>a soberania 2 sistema político cujas ações atendem aos interesses</p><p>populares 3 governo no qual o povo toma as decisões importantes</p><p>a respeito das políticas públicas, não de forma ocasional ou</p><p>circunstancial, mas segundo princípios permanentes de legalidade 4</p><p>sistema político comprometido com a igualdade ou com a distribuição</p><p>equitativa de poder entre todos os cidadãos 5 governo que acata a</p><p>vontade da maioria da população, embora respeitando os direitos e a</p><p>livre expressão das minorias.</p><p>ética. 1 parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios</p><p>que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento</p><p>humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas,</p><p>valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade</p><p>social. 2 p.ext. conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa</p><p>e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.</p><p>Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.</p><p>Considerando as acepções acima, elabore um texto dissertativo, com até 15 linhas, acerca</p><p>do seguinte tema: Comportamento ético nas sociedades democráticas.</p><p>Em seu texto, aborde os seguintes aspectos:</p><p>a) conceito de sociedade democrática;</p><p>b) evidências de um comportamento não ético de um indivíduo;</p><p>c) exemplo de um comportamento ético de um futuro profissional comprometido com</p><p>a cidadania.</p><p>20</p><p>A charge acima representa um grupo de cidadãos pensando e agindo de modo</p><p>diferenciado, frente a uma decisão cujo caminho exige um percurso ético. Considerando</p><p>a imagem e as ideias que ela transmite, avalie as alternativas que seguem.</p><p>I- A ética não se impõe imperativamente nem universalmente a cada cidadão; cada um</p><p>terá que escolher por si mesmo os seus valores e ideias, isto é, praticar a autoética.</p><p>II- A ética política supõe sujeito responsável por suas ações e pelo seu modo de agir na</p><p>sociedade.</p><p>III- A ética pode se reduzir ao político, do mesmo modo que o político pode se reduzir à</p><p>ética, em um processo a serviço do sujeito responsável.</p><p>IV- A ética prescinde de condições históricas e sociais, pois é no homem que se situa a</p><p>decisão ética, quando ele escolhe os seus valores e as suas afinidades.</p><p>V- A ética se dá de fora para dentro, como compreensão do mundo, na perspectiva do</p><p>fortalecimento dos valores pessoais.</p><p>Estão corretas:</p><p>a) ( ) I e II.</p><p>b) ( ) I e V.</p><p>c) ( ) II e IV.</p><p>d) ( ) III e IV.</p><p>e) ( ) III e V.</p><p>21</p><p>SOCIEDADE E A DIVERSIDADE</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Vamos iniciar o nosso tópico apresentando algumas definições e conceitos</p><p>a respeito dos problemas sociais ocasionados pela diversidade que gera diferenças</p><p>entre coisas e seres, que por consequência geram os mais diversos preconceitos,</p><p>desigualdades e conflitos sociais.</p><p>Vamos reconhecer a necessidade e a essencialidade da inclusão como uma</p><p>forma de democratização das relações sociais, principalmente na emancipação e na</p><p>sutileza do trato com o outro, seja em relação aos “iguais” ou entre iguais e diferentes, o</p><p>que significa apenas uma concepção criada para diferenciar pessoas ou grupos sociais</p><p>que, de alguma forma, ainda não foram incluídos no contexto social.</p><p>2 CONCEITOS DE DIVERSIDADE CULTURAL E</p><p>DESIGUALDADE SOCIAL</p><p>A diversidade cultural e a desigualdade social, apesar de terem conceitos</p><p>distintos, desempenham uma ampla relação entre seus termos, isto é, quanto maior for</p><p>a diversidade cultural, maior será a desigualdade social.</p><p>Neste sentido, Gomes (2012, p. 678) afirma que “a diversidade, entendida como</p><p>construção histórica, social, cultural e política das diferenças, realiza-se em meio às</p><p>relações de poder e ao crescimento das desigualdades e da crise econômica que se</p><p>acentuam no contexto nacional e internacional”.</p><p>A diversidade cultural brasileira se deu pelo processo de miscigenação entre</p><p>brancos, índios e negros e foi marcada por uma série de crenças, hábitos, costumes e</p><p>conceitos contraditórios, alimentando assim uma discussão permanente a respeito dos</p><p>direitos e deveres dos seres humanos. Principalmente no combate aos preconceitos</p><p>remanescentes e oriundos dessa relação, que perdurou por séculos, trazendo sérias</p><p>consequências a uma imensa população de oprimidos, incluindo-se aí os negros, os</p><p>índios, os pobres, os portadores de algum tipo de deficiência, tipos de preferências,</p><p>relações e diferenças sexuais, doenças crônicas, dentre outras formas de relações</p><p>consideradas por uma boa parte da sociedade como algo fora da normalidade e, por</p><p>esse motivo, não aceitável.</p><p>UNIDADE 1 TÓPICO 2 -</p><p>22</p><p>3 DIVERSIDADE CULTURAL E DESIGUALDADE SOCIAL</p><p>A diversidade no contexto cultural significa uma grande quantidade de coisas,</p><p>ações, pensamentos, ideias e pessoas que se diferenciam entre si dentro de grupos</p><p>sociais ou dentro de uma mesma sociedade, e os mesmos são passíveis de discussão,</p><p>apelos, protestos, discórdia e geralmente acabam em conflitos, chegando até às</p><p>desigualdades sociais.</p><p>Por isso, a presença da diversidade no acontecer humano nem sempre</p><p>garante um trato positivo dessa diversidade. Os diferentes contextos</p><p>históricos, sociais e culturais, permeados por relações de poder e</p><p>dominação, são acompanhados de uma maneira tensa e, por vezes,</p><p>ambígua de lidar com o diverso. Nessa tensão, a diversidade pode ser</p><p>tratada de maneira desigual e naturalizada (GOMES, 2007, p. 19).</p><p>No entanto, existem pontos de vista convergentes e pontos de vista divergentes,</p><p>ambos discriminatórios, um no sentido positivo e outro no sentido negativo, isto é,</p><p>no primeiro caso, trata-se daquilo que já foi estipulado pela sociedade como regras</p><p>relacionadas com bom senso; já no segundo caso, são ações que não condizem com</p><p>a ordem preestabelecida através das leis, normas e regras que regulam e inibem o que</p><p>podemos definir como procedimentos absurdos. Portanto, a desigualdade social tem os</p><p>seus princípios pautados nas tendências e nas diferenças de cada indivíduo. Vejamos:</p><p>A pobreza: é uma condição que faz parte de um determinado grupo de pessoas</p><p>que vivem à margem da sociedade, que são carentes dos recursos existentes, como</p><p>moradia, alimentação, situação financeira etc. O que, na visão de alguns autores, é a</p><p>condição que mais degrada o ser humano e a que mais se aproxima e se identifica como</p><p>um fator ou um elemento causal do desequilíbrio econômico e da desigualdade social.</p><p>Raça: trata-se da discriminação social, o que é muito presente nos dias de</p><p>hoje por alguns grupos inescrupulosos que agridem com palavras ou pela violência</p><p>física pessoas que não são da mesma etnia, não têm a mesma cor da pele, ou são de</p><p>diferentes religiões ou, até mesmo, por causa de seu comportamento sexual.</p><p>A discriminação racial diz respeito à raça/cor/fenótipo, que é um fator inerente</p><p>à pessoa. Tal discriminação é abominável, assim como a discriminação a deficientes</p><p>físicos ou idosos, pois tratam-se de aspectos involuntários e que, ademais, revelam a</p><p>riqueza multifacetada da ordem criada, da diversidade natural.</p><p>Outro tipo de discriminação é a avaliação dos atos e comportamentos, seja na</p><p>escolha de uma religião e suas práticas ou nas ações que envolvem a sexualidade, entre</p><p>outros aspectos do comportamento humano, pois nesses casos não se trata de aspectos</p><p>inerentes ou involuntários, mas de opções sobre as quais podemos [e devemos] fazer</p><p>juízos morais. Do contrário, por que estaríamos discutindo isso? Será que o ser humano,</p><p>com toda capacidade de raciocínio e reflexão sobre si mesmo, reconhece a riqueza da</p><p>pessoa? Haveria alguma etnia “melhor” que outra?</p><p>23</p><p>Podemos citar como exemplo o que aconteceu com os judeus, conhecido</p><p>como o holocausto, ou o caso da África do Sul, que teve repercussão mundial, também</p><p>conhecido como segregação racial</p>

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