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<p>NOVO LIVRETO EXPLICATIVO</p><p>Livreto Explicativo do</p><p>Baralho da Maria Padilha by Eliane Arthman</p><p>O Significado das cartas</p><p>Vamos, agora, fazer essa viagem em torno do significado das cartas e sobre</p><p>as muitas probabilidades de caídas de jogo.</p><p>Gostaria, também, de frisar que, na abertura do jogo, não devemos perguntar</p><p>ao consulente o que o levou a consultar o Oráculo. Devemos pedir que</p><p>embaralhe, corte em dois, torne a juntar as cartas e que faça a Cruz Mística,</p><p>que são nove montes de cartas: cinco verticais e quatro horizontais. Vocês</p><p>poderão ver claramente os motivos que levaram o consulente até vocês!</p><p>Cruz Mística</p><p>[1 ]</p><p>[6 ] [7 ] [2 ] [8 ] [9 ]</p><p>[3 ]</p><p>[4 ]</p><p>[5 ]</p><p>Outro detalhe importante é de que as mesmas cartas tem significados</p><p>variados quando lidas em sequências diferentes. Na horizontal elas tem um</p><p>valor, na diagonal outro, assim como na vertical podem ser que tenham um</p><p>outro significado e no momento em que se cruzam com outras cartas na</p><p>finalização do jogo, elas podem ter, ainda, outro significado. As figuras 'O</p><p>Consulente', 'A Consulente', 'Pessoa Intermediária Homem' e 'Pessoa</p><p>Intermediária Mulher', também terão essa mesma variação. Exemplo: uma</p><p>carta que na horizontal tratava-se da mãe do consulente, na vertical pode ser</p><p>sua amante, na diagonal sua Pomba-Gira e na hora de cruzar, sua patroa, etc.</p><p>É muito importante que se observe as cartas circundantes de cada</p><p>jogada, sem se prender a signicados.</p><p>Como deitar as cartas do Baralho da Maria Padilha</p><p>01 02 03 04</p><p>05</p><p>06 07 08 09</p><p>10 11 12 13 14 15 16 17 18</p><p>19 20 21 22 23 24 25 26 27</p><p>28.</p><p>29 30 31 32 33 34 35</p><p>36</p><p>Embaralhe bem as cartas mentalizando a pergunta ou o seu propósito para a</p><p>consulta. Coloque sua mão por sobre todo o baralho arrumado em um só</p><p>grupo, corte em dois ou em três partes, junte tudo e, com todo o baralho</p><p>numa das mãos, vá deixando cair um monte de cartas (cuidado para não</p><p>deixar cair muitas cartas, para que não falte para completar os últimos</p><p>montes de cartas), em forma de cruz, com cinco montes de cartas na vertical</p><p>e quatro na horizontal, como se fosse uma cruz. Faça essa cruz de cima para</p><p>baixo, com cinco cartas no sentido vertical e quatro no horizontal.</p><p>Caso esteja deitando cartas para um consulente, peça que ele faça a cruz de</p><p>frente para ele.</p><p>As cartas da vertical são de leitura livre, conforme a posição e o significado</p><p>de cada uma.</p><p>As Cartas da Cruz Mística do lado esquerdo do consulente refere-se a</p><p>assuntos familiares, pessoais e amorosos.</p><p>O lado direito refere-se a assuntos de trabalho, de ordem financeira ou a</p><p>assuntos de fora de casa.</p><p>Com a prática constante a leitura fluirá cada vez melhor.</p><p>Deve-se fazer essa cruz três vezes antes da abertura do jogo.</p><p>Na Abertura do Jogo, deve-se dispor as cartas em quatro fileiras de nove</p><p>cartas:</p><p>Significado das cartas</p><p>Carta 01 – Os Cristais</p><p>Virtudes, Sabedoria.</p><p>Dependendo das cartas ao redor, pode significar a intercessão de um bom</p><p>conselheiro, um guia ou um Mestre em favor do consulente.</p><p>Essa é uma Carta que emite luz e positividade. Ela representa um mago ou</p><p>um Mestre Espiritual no qual o(a) Consulente crê. Significa, também, uma</p><p>Estrela que ilumina todo o jogo. Pode representar, também, a coroa de um</p><p>Orixá, quando ao lado das 'Cartas' 14, 25, 26, 27.</p><p>Ela transforma o negativo em bons augúrios.</p><p>Caso essa carta inicie a Cruz Mística, significa que o (a) Consulente possui</p><p>méritos espirituais, que o auxiliarão em sua jornada de vida.</p><p>Carta 02 - O Lápis</p><p>Notícias breves. Esta carta é neutra, coadjuvante, que além de pontuar</p><p>"Tempo", indica fatos que estão para acontecer em breve período de tempo.</p><p>Ela não se referencia somente ao cotidiano e aos fatos que estão ocorrendo,</p><p>mas, também, sinaliza, ao lado das que a circundam, o que pode estar para</p><p>acontecer. É o jogo da vida que nos faz ter o cuidado de pensar bem antes de</p><p>fazer qualquer movimento, pois, lá na frente, esse movimento pode fazer</p><p>toda a diferença. Caso ela inicie a Cruz Mística, indica fatos que ocorreram a</p><p>pouco tempo ou aqueles que não tardarão a acontecer. Por ser uma carta</p><p>coadjuvante, ela depende de outras cartas para ter seu verdadeiro</p><p>significado devidamente esclarecido e interpretado</p><p>Carta 03 – A Luva</p><p>Passado. Amor perdido.</p><p>Esta é uma carta neutra, quase romântica, que remete aos sonhos e</p><p>memórias do passado. Um amor mal resolvido, uma frustração pessoal, a</p><p>insatisfação com a rotina de um relacionamento monótono, uma profissão</p><p>mal escolhida... Ela mostra que é preciso trabalhar melhor a aceitação</p><p>daquilo que a vida nos dá. Todos os caminhos tem volta; todos os erros</p><p>podem ser contornados e os atos cometidos no furor das emoções, podem</p><p>ser perdoados e reanalisados.</p><p>É preciso dar importância ao que ficou pra trás de forma frustrante e abrupta.</p><p>E trabalhar essa aceitação pode trazer leveza e tranquilidade ao nosso dia a</p><p>dia. Quando essa carta inicia a Cruz Mística, significa que o sentimento e as</p><p>emoções que permeiam o(a) Consulente precisam ser revistos. E isso pode</p><p>envolver família, trabalho, sonhos profissionais não realizados ou até mesmo</p><p>um fato amoroso que não teve um final satisfatório.</p><p>É preciso observar as cartas que a circundam para analisar melhor a jogada.</p><p>Carta 04 – A Vela</p><p>Magia, Feitiço</p><p>A Vela é uma carta que aconselha atenção, quando numa jogada ela sair</p><p>sozinha.</p><p>Apesar de tensa, emite neutralidade e pontua Espiritualidade. Ela pode</p><p>representar os Ciganos em seu modo místico de lidar com os</p><p>acontecimentos e em resolver os problemas sérios com cantos e danças.</p><p>Mas ela pode ser, também, um canto de Sereia ou um mantra que exorciza e</p><p>remove as cargas pesadas após mostrá-las ao(a) Consulente. Caso essa</p><p>carta inicie a Cruz Mística, indica a forte presença de portadores de notícias</p><p>não tão amenas, mas que podem ser sanadas e resolvidas a contento com o</p><p>auxílio do Povo de Rua. É importante que se observe as cartas circundantes</p><p>na jogada. (Esta carta significa a presença e a intercessão dos que vivem nos</p><p>"bastidores" da vida). Precisamos verificar quais as verdadeiras intenções</p><p>dessas presenças, através das cartas circundantes. Essas presenças podem</p><p>ser das encruzilhadas, das matas, dos mares ou dos povos ciganos. Mas</p><p>também podem ser os "eguns", "encostos" ou mesmo obsessores.</p><p>Caso essa carta caia como a abertura da Cruz Mística, pode significar,</p><p>também, alguma perturbação do sono ou incômodo psicológico que entrava</p><p>a vida do (a) consulente.</p><p>Esta carta também refere-se à magia espiritual ou pode ser algo que envolve</p><p>o encanto ou o carisma pessoal.</p><p>Carta 05 – As Moedas</p><p>Moedas, Riquezas.</p><p>Essa carta diz respeito à prosperidade ou a sorte nos caminhos materiais.</p><p>Essa é uma Carta positiva, que sinaliza bons auspícios.</p><p>Ela pode pontuar a presença de Orixás como Obará, Ogun e Oxossi.</p><p>Em uma de suas variações ela pode transformar-se em uma lança de algum</p><p>Caboclo ou até mesmo num tridente. Pode ser, também, o escudo de São</p><p>Miguel Arcanjo ou pode, também, pontuar a presença da Oxum, que é</p><p>conhecida como a Mãe do Ouro.</p><p>Apesar de significar bons auspícios, ela pode transformar-se em penúria ou</p><p>prejuízos, quando ladeada por Cartas negativas.</p><p>Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica assuntos financeiros ligados a</p><p>vida do(a) Consulente.</p><p>É importante a observação das cartas que a permeiam.</p><p>Carta 06 – O Vaso de Flores</p><p>Boas Notícias – Boas Palavras – Boas Perspectivas – Bons Augúrios.</p><p>Essa carta minimiza a negatividade das cartas que a rodearem. Ela afirma</p><p>que as coisas tendem a melhorar.</p><p>Esta Carta é positiva e autoexplicativa. Ela sinaliza um período de esperança</p><p>e de muita proteção. Tudo será amenizado e as portas e caminhos estarão</p><p>mais "flexíveis" para o(a) Consulente. É uma Carta que representa uma</p><p>proteção espiritual capaz de permitir que o(a) Consulente respire novos ares</p><p>e que se recupere das lutas do dia a dia.</p><p>Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, significa que os caminhos do(a)</p><p>Consulente estarão</p><p>mas seus olhos, acostumados a ver o horizonte do deserto,</p><p>viam mais além dos complicados desenhos, nas geométricas mensagens</p><p>dos tapetes. Yadir teceu um para ele e naquela noite ao terminá-lo, um velho</p><p>mestre tapeceiro lhe deu uma rosa branca e estranha.</p><p>A partir dessa memorável noite, a vida de Yadir foi muito intensa. Cuidou e</p><p>respeitou seu corpo, modelou o barro, submeteu o cobre, escreveu com</p><p>bonitos traços, manejou a espada, desenhou jardins, até que certa vez, seus</p><p>olhos se fundiram à luz de uns olhos femininos... Yadir conheceu o amor .</p><p>Yadir criou um lar que durou muitos e felizes anos, até que um dia, "Ele", que</p><p>cria todos os desenhos, decidiu que Yadir ficaria sozinho. Yadir aprendeu a</p><p>chorar.</p><p>O amanhecer seguinte estranhou os joelhos de Yadir afundado nas areias.</p><p>Seu rosto não querendo buscar o caminho e seus lábios se esquecendo das</p><p>palavras de fé.</p><p>Abandonou a luz das mesquitas e freqüentou locais escuros. Suas pernas</p><p>acostumadas à dança esqueceram o rítmo. O tambor de seu coração não as</p><p>impulsionava. Também abandonou a habilidade de suas mãos. Sua</p><p>respiração não observava nada abaixo de seus cabelos brancos. Uma noite</p><p>pediu ao anjo da morte que apressasse sua partida. Quando os dedos do sol</p><p>acariciou seu rosto naquela manhã, em seu tapete havia uma branca e</p><p>estranha rosa. Yadir lembrou do "Dissipador de Todas as Dificuldades" e</p><p>sentiu sangrar novamente seu coração.</p><p>Curiosamente, os vizinhos de Yadir e aqueles que o conheciam pensavam</p><p>que ele era um homem bom, como todos os homens bons da terra, mas</p><p>somente uns poucos se aproximavam com humildade para ouvir suas belas</p><p>palestras na casa de chá que ele freqüentava. Ele falava sobre o vento e a</p><p>chuva, lhes contava histórias de velhos tecelões de tapetes e de velhos</p><p>jardineiros de rosas brancas, lhes descrevia as dunas do deserto e lhes</p><p>falava do sol e das palmeiras. Algumas pessoas temiam vê-lo pela frente, uns</p><p>poucos olhavam nos seus olhos, mas entre eles nenhum todavia resistiu à</p><p>luz de seu olhar. Não faltou quem dissesse que ele tinha estranhos poderes.</p><p>Quando o velho Yadir morreu, os vizinhos ficaram muito surpresos ao ver</p><p>sair, por uma das janelas da casa, um belo camelo, que voando, se perdeu no</p><p>infinito.</p><p>Autor Desconhecido</p><p>Ainda ontem, no pântano, uma linda flor nasceu... Viram? É a flor de lótus!</p><p>Logo, uma graciosa garça pousou à sua margem, pouco se importando com</p><p>a imundície que o assola...</p><p>Quão distraídas são a garça e a flor!</p><p>Nem repararam que um cenário tão infausto poderia macular sua tão</p><p>delicada imagem!</p><p>É que o Amor desconhece os opostos e permite</p><p>que a claridade que povoa o céu se debruce delicadamente sobre a</p><p>escuridão, sem que se possa definir de onde se origina tanta luz, se da Terra</p><p>ou do céu...</p><p>Por isso a natureza, despida de preconceitos, sempre convida a flor de lótus</p><p>e a garça a povoarem o pântano infecto, brindando com sua Luz e beleza o</p><p>cenário tão cinzento!</p><p>Revelação - Eliane Arthman</p><p>...o brilho de uma inteligência sobrenatural os envolvia, como se aquela</p><p>clareira que unia a terra ao céu tivesse sido aberta propositalmente para lhes</p><p>expandir a consciência e até a própria alma.</p><p>Todos pareciam estar mergulhados num líquido amniótico, que os tornara</p><p>irmãos, mesmo que nunca se tivessem visto.</p><p>Pareciam estar dentro do mesmo útero, da mesma vida, da mesma história,</p><p>num sentido único, fazendo parte de um mesmo contexto que os fazia</p><p>compreender que vieram a este mundo através do mesmo Pai e que para o</p><p>mesmo Pai voltariam!</p><p>E naquele sagrado momento, finalmente compreendiam o verdadeiro sentido</p><p>do amor, mesmo que jamais o tivessem vivenciado em seus corações,</p><p>temerosos em demonstrá-lo.</p><p>É que para eles, até aquela memorável noite, o amor sempre fora confundido</p><p>com fraqueza, assim como a compreensão sempre lhes parecera ser</p><p>covardia!</p><p>Antônimos - Eliane Arthman</p><p>Maria é o fogo que arde e transmuta as paisagens!</p><p>Ela era aquela que há milênios soltava os pássaros de suas gaiolas não</p><p>tolerando as correntes ou as prisões!</p><p>Maria perfumava a brisa matinal e cuidava para que o Mar jamais</p><p>transbordasse após os temporais!</p><p>Ela esculpia as montanhas e cobria de musgo macio as planícies, para que</p><p>os viajantes pudessem descansar sobre elas.</p><p>Maria era o rio, era as veredas cobertas de flores de todas as cores e era o</p><p>mavioso canto dos pássaros canoros que alegrava as matas nas manhãs</p><p>escuras!</p><p>Maria é a simplicidade da exuberância das coisas belas, é a energia das</p><p>ondas que quebram nas pedras e o vento forte que afasta a Tempestade!</p><p>Maria é como o belo vôo das aves migratórias que rumam em direção ao</p><p>desconhecido, para bem longe das mesmices!</p><p>O Nome de Maria – Eliane Arthman</p><p>Maria caminhava pelas veredas iluminadas por um sol primaveril, quando a</p><p>vi pela primeira vez!</p><p>Seus olhos refletiam a beleza do Universo e seu corpo continha o brilho das</p><p>estrelas...</p><p>Ela encantava a mata com o sussurro de sua voz doce e vibrante e coloria</p><p>suas próprias roupas com o tom de todas as flores, só para se parecer com</p><p>elas.</p><p>Um dia ela caminhou por sobre as mansas águas do rio e desapareceu na</p><p>linha do horizonte, quando o brilho amarelo da lua cheia pairava no céu.</p><p>Toda a mata prendeu a respiração! Para onde fora aquela que enchia de</p><p>graça e de luz toda a floresta?</p><p>Certo dia, quando o sol começava a se espraiar por sobre a Terra, Maria</p><p>pousou delicadamente no rio, enchendo todos os corações da mais completa</p><p>alegria!</p><p>Maria é Luz, é Raio, Estrela e Luar!</p><p>Ela é água doce iluminada pelo brilho da lua Cheia e é estrada permeada por</p><p>violetas azuis, mescladas pelo vermelho vivo dos roseirais!</p><p>O Nome de Maria</p><p>Eliane Arthman</p><p>Giotto</p><p>Certa vez, Sua Santidade, o Papa (1296), mandou buscar em toda Roma,</p><p>artistas que pudessem abrilhantar os já tão famosos afrescos da basílica de</p><p>São Pedro. Meses mais tarde os mensageiros voltaram, trazendo lindas</p><p>obras. Mas um deles, ao entregar sua mensagem, relatou que entrou numa</p><p>taberna cheia de homens rústicos e lá estava um homem chamado Giotto,</p><p>que era considerado um mestre da pintura naquela localidade. Esse tal de</p><p>Giotto, gargalhando ao saber tratar-se de um mensageiro do Papa em busca</p><p>de artistas talentosos, negligentemente desenhara aquele círculo vazio,</p><p>dobrado o papel de forma rápida e desrespeitosa, entregando-o ao</p><p>mensageiro. O Papa mandou analisar aquele círculo e foi informado de que</p><p>ele possuía formas assimétricas perfeitas, como se tivesse sido feito com o</p><p>auxílio de algum instrumento de precisão. O mensageiro arregalou os olhos</p><p>e esclareceu à Sua Santidade que o homem estava completamente</p><p>alcoolizado e gargalhando debochadamente quando fez aquele círculo à mão</p><p>livre! Todos ficaram em silêncio, enquanto ouviam o Papa sussurrar</p><p>admirado:</p><p>"A perfeição é a manifestação do poder!"</p><p>Eliane Arthman</p><p>RAMAKRISHNA</p><p>Após a iniciação e o abandono do simbólico de toda afeição terrena; após ter</p><p>vestido novamente a túnica vermelha de Sannyasin, que é um emblema da</p><p>vida nova...</p><p>"...O homem nu (Totapuri) recomendou que libertasse meu espírito de todos</p><p>os objetos, a fim de mergulhá-lo no seio de Atman. Mas apesar de todos os</p><p>meus esforços, não consegui a travessar o reino do "nome" e da "forma",</p><p>para conduzir a mente ao estado "incondicionado. Tive apenas uma</p><p>dificuldade: a de libertar-me da forma muito familiar da radiosa Mãe Bem-</p><p>Aventurada, essência da consciência pura, que aparecia diante de mim como</p><p>uma realidade viva!</p><p>Ela fechava-me o caminho do além.</p><p>Tentei diversas vezes concentrar a mente nos ensinamentos do Advaita,</p><p>mas, todas as vezes, a forma da Mãe interpunha-se. Tomado de desespero,</p><p>disse a Totapuri: "É impossível! Não consigo elevar o espírito ao estado</p><p>incondicionado, para encontrar-me face a face com Atman..."</p><p>Ele me respondeu severamente:</p><p>"Como não pode? É preciso!" Olhando em volta, avistou um pequeno vidro,</p><p>segurou-o na mão e me disse:</p><p>"Concentre a mente sobre este ponto!"</p><p>Concentrei-me com todas as minhas forças e, tão logo a graciosa forma da</p><p>Mãe divina apareceu, usei a minha discriminação como se fosse</p><p>uma espada</p><p>e a parti em dois pedaços. Não havia, então, mais nenhum obstáculo diante</p><p>da minha mente, que voou para além das coisas condicionadas. E me perdi</p><p>no êxtase...</p><p>Ramakrishna precisou de uma grande energia, de um sofrimento imenso,</p><p>para forçar a porta do inacessível.</p><p>Mas ao entrar, atingiu imediatamente a última etapa: o nirvikalpa samadhi,</p><p>onde desaparecem ao mesmo tempo o sujeito e o objeto.</p><p>"O Universo apagou-se. Nem mesmo o espaço existia. A princípio, idéias</p><p>sombrias flutuavam ainda sobre o fundo obscuro da mente. Somente a</p><p>consciência débil do 'eu' repetia-se... monotonamente. Depois, isto também</p><p>cessou. Havia apenas a existência. A alma perdeu-se no "Si".</p><p>Todo dualismo desapareceu. O espaço infinito e o espaço finito eram Um.</p><p>Além das palavras, além do pensamento, a união perfeita com Bhraman"</p><p>"Anos mais tarde, já completamente "absorvido" pelo "Um", uma radiosa Luz</p><p>brilhou em minha consciência. Fixei meus olhos e, além do fulgurante brilho</p><p>que envolvia o Universo, visualizei a amada figura da divina Mãe! Ela sorriu e</p><p>tocou-me delicadamente, enquanto sussurava em meu ouvido: Eu sou uma</p><p>das manifestações do "Si", meu filho!"</p><p>Salve a Senhora coroada pelas doze Estrelas!</p><p>Evangelho Segundo Ramakrishna</p><p>S I D H A R T A</p><p>O</p><p>ILUMINADO</p><p>Era uma vez um homem chamado Sidharta Gautama, que era um príncipe</p><p>muito rico, mas abdicara de todo o Seu poder e fortuna, para buscar ajuda na</p><p>libertação do sofrimento humano. Numerosos milagres anunciaram Sua</p><p>ascendência divina: quando foi apresentado num templo bramânico, as</p><p>imagens dos deuses, "levantando-se de seus lugares, caíram aos Seus pés e</p><p>cantaram um hino em Sua honra" e todos os adivinhos consultados</p><p>encontraram 32 sinais fundamentais e 80 sinais secundários, que O</p><p>identificavam como um "Soberano Universal". Um velho sábio voou desde</p><p>sua morada aos pés do Himalaia até Kapilavastu e, ao pegar o pequeno</p><p>Senhor no colo, chorou copiosamente por estar velho demais para segui-Lo.</p><p>Estando com 29 anos, Sidharta fugiu do Seu palácio logo após o nascimento</p><p>de Seu primeiro e único filho, Rahula.</p><p>Ele cavalgou ligeiro pelas estradas de Seu reino e, ao cruzar a fronteira,</p><p>arrancou as roupas e cortou os cabelos. Divindades se materializaram,</p><p>imediatamente, e guardaram os cabelos e as vestes daquele que seria o</p><p>primeiro e o único a se tornar Um junto ao Senhor do Universo.</p><p>Um anjo trouxe-Lhe roupas novas.</p><p>Sidharta andou por alguns dias até encontrar aqueles aos quais andara</p><p>buscando: cinco ascetas que viviam em constantes exercícios de</p><p>contemplação.</p><p>Durante seis anos, Ele assistiu todo tipo de imolação. Viu, silencioso,</p><p>homens mortos para a vida, que apesar de estarem na Terra, não se sentiam</p><p>filhos dela, negando, assim, a própria humanidade. Eles comiam e bebiam o</p><p>mínimo necessário e se abstinham de tudo quanto fosse possível.</p><p>Tudo faziam para se livrar de qualquer tentação que fosse, sem saber que</p><p>para que se vença o mal, se deve encará-lo de frente e não correr dele como</p><p>uma criança assustada.</p><p>O homem precisa conviver constantemente com a tentação, para fortalecer-</p><p>se em sua vontade e em sua fé.</p><p>Nesses seis anos, Sidharta emagrecera tanto, que mais parecia um cadáver</p><p>ambulante.</p><p>Certa vez assustara-se ao colocar um dedo no umbigo e sentir a sua coluna.</p><p>Numa tarde, depois de desmaiar à beira de um rio devido à fraqueza física,</p><p>Ele foi socorrido por uma linda jovem, chamada Sujata.</p><p>Ela havia ido fazer uma oferenda às divindades da floresta, por haver</p><p>conseguido engravidar. Ao ver aquele ser de aparência divina, caído ao lado</p><p>do rio, teve certeza de que se tratava de uma divindade.</p><p>Logo, ela colocou papa de arroz e água fresca em Sua boca, fazendo-O,</p><p>lentamente, voltar a si.</p><p>Ao abrir os olhos, Sidharta se deparou com os olhos da jovem que,</p><p>sussurrando de forma carinhosa, perguntou-Lhe o porquê de tanto sacrifício,</p><p>ao que Sidharta respondeu ser para buscar alívio e ungüento para a dor e</p><p>sofrimento humanos.</p><p>A moça sorriu e, achando tratar-se de uma prova da divindade, esclareceu:</p><p>"O Senhor está tão fraco que não conseguiria salvar nem a si mesmo, que</p><p>dirá salvar a toda humanidade!</p><p>Se Deus Lhe deu um corpo físico, foi para que o Senhor trabalhasse nele!</p><p>E o corpo físico precisa do alimento, do asseio e de cuidados comuns a</p><p>todos aqueles que caminham pela Terra.</p><p>Se o Senhor desdenha tanto do Seu corpo físico, vaso sagrado que Lhe foi</p><p>cedido por Graça divina, porque, então, não permaneceu como Anjo, na</p><p>forma etérea?".</p><p>Ele não conseguiu murmurar palavra alguma e a mocinha continuou:</p><p>"A alma é como a corda de um instrumento. Se muito esticada, ela arrebenta,</p><p>por não suportar a pressão. Se muito frouxa, não emite som algum. Ela</p><p>precisa estar com uma boa afinação, para emitir os sons exatos, que irá tocar</p><p>o coração de todos aqueles que a rodeiam, ávidos pelo aprendizado".</p><p>Apesar de enfraquecido, Sidharta ficou admirado com a sutil inteligência da</p><p>jovem, que tinha toda razão... Pena não tê-la encontrado anos antes!</p><p>Agradeceu o santo conselho que ela tão graciosamente lhe dera e tratou de</p><p>levantar-Se, tomar um banho e cuidar do seu asseio pessoal. Jamais</p><p>esqueceria de tão interessante lição: que ninguém é tão ignorante que não</p><p>possa esclarecer, nem tão sábio a ponto de não precisar aprender!</p><p>Por Sua ascendência divina, como ocorre com todo avatar, Sidharta pôde se</p><p>refazer rapidamente, sem passar pelas dificuldades comuns aos que se</p><p>recuperam das doenças graves.</p><p>Os cinco companheiros ascetas não O compreenderam e O expulsaram do</p><p>grupo, chamando-O de esfomeado, glutão e de fraco perante Deus.</p><p>Assim mesmo Sidharta, bem humorado, afastou-se sorrindo, determinado a</p><p>buscar outra forma de obter a libertação de toda a humanidade.</p><p>Depois de alguns dias, Ele resolveu sentar-se sob uma grande árvore para</p><p>obter a definitiva resposta de Deus.</p><p>Estava determinado e disse que mesmo que o Seu sangue secasse e os Seus</p><p>ossos virassem pó, só sairia dali depois de obter uma resposta para o alívio</p><p>da dor e o ungüento necessário para o sofrimento humano.</p><p>No momento em que Se sentou, um terremoto de proporções consideráveis</p><p>sacudiu a terra.</p><p>O Deus do Mal, Mara, que O perseguia desde o Seu nascimento, correu em</p><p>Seu encalço e esbravejou que tudo faria para derrotar ao Bem Aventurado</p><p>Sidharta, em seus divinos propósitos.</p><p>Todo o inferno mobilizou-se para impedi-Lo de obter qualquer vitória.</p><p>Sidharta tinha plena consciência de que não poderia contar com a ajuda de</p><p>Deus, pois o Senhor do UM jamais participa desses confrontos, deixando</p><p>que Seus filhos usem de seus próprios recursos, como sua inteligência,</p><p>sabedoria, merecimentos e sagacidade que lhes são comuns.</p><p>Todas as divindades se sentam para assistir o desenrolar de tal duelo entre a</p><p>treva e a luz, pois muitos ensinamentos que derivam dessa contenda, são</p><p>úteis para os que trabalham junto ao Trono de Deus.</p><p>Mara passou, então, a agir com toda a violência possível. Mandou seres de</p><p>aspecto horripilante ameaçarem Sidharta. Muitos monstros assustadores</p><p>urravam, enquanto a escuridão reinava. Sidharta via-se frente a um mar</p><p>tempestuoso, onde ondas muito altas se debruçavam sobre ele, provocando</p><p>um frio mortal, que Lhe fazia doer todos os ossos.</p><p>Outras vezes, ainda sob um barulho ensurdecedor, bolas de fogo caíam do</p><p>céu, explodindo a Seus pés, fazendo a terra tremer fortemente. O extremo</p><p>calor provocado por elas, queimava-Lhe a carne, causando-Lhe dores</p><p>agudas.</p><p>No entanto, Sidharta estava disposto a tudo suportar, pois Seu propósito era</p><p>divino e envolvia o futuro da humanidade! Seria capaz de tudo suportar em</p><p>prol dos sofredores, que ansiavam por um ungüento que lhes aliviasse a dor.</p><p>E também compreendia que Mara precisava justificar a sua própria maldade,</p><p>demonstrando o seu poder de todas as formas possíveis.</p><p>Sem saber, Mara estava provando a si mesmo e aos que o seguiam, sua</p><p>indisfarçável fraqueza. Depois de algum tempo, as bolas de fogo que caíam</p><p>do céu, transformavam-se em milhões de pétalas de lótus e o ensurdecedor</p><p>barulho era</p><p>transformado em melodias dulcíssimas, que encantavam os mais</p><p>duros corações.</p><p>Durante o desenrolar desses acontecimentos, todas as divindades que</p><p>haviam se sentado para assistir o memorável duelo, retiraram-se</p><p>horrorizadas, devido à violência usada pelo senhor dos infernos, que agredia</p><p>Sidharta com palavras odientas, urrando mais alto que o mais forte de todos</p><p>os leões. A força negativa era tanta que dela exalavam vibrações pegajosas,</p><p>grudentas e muito fétidas, capazes de se fixarem no espírito dos invigilantes</p><p>de tal forma que, para removê-las, seria preciso anos de sacrifício e devoção.</p><p>Os que estavam a assistir a contenda corriam riscos enormes caso não se</p><p>mantivessem em comunhão com a Verdade. Falanges envolvidas com a</p><p>sensualidade faziam convites carnais aos que ali estavam e suas armadilhas</p><p>eram tão perfeitas que envolveriam até os que estivessem convencidos</p><p>quanto à própria força divina.</p><p>Apesar disso, muitos demônios que estavam ali por ordens de Mara,</p><p>renderam-se ao Amor Divino emanado por Sidharta, que emitia eflúvios de</p><p>Luz, capazes de "envolver" aos que estivessem "tentados" a se render a</p><p>Deus.</p><p>Depois de sete semanas, Mara resolveu mandar três tentações, para se</p><p>insinuarem sobre Sidharta, mas elas fracassaram, sem conseguirem ser</p><p>"percebidas" por Ele, que estava em estado natural de "Graça".</p><p>Cheio de ódio, Mara resolveu atacar com um elefante de 150 léguas de altura,</p><p>que possuía mil braços, armados, cada um, com afiadas lanças. Ainda assim,</p><p>Sidharta permaneceu em Seu lugar, sem abalar-se com absolutamente nada.</p><p>O elefante, muito feroz, ao investir contra Sidharta curvou-se, humilde, diante</p><p>do Mestre, que ainda não havia atingido a Iluminação.</p><p>Novamente muitos demônios se renderam e afugentaram-se sob a árvore</p><p>onde Sidharta estava, sendo ocultos pelos Anjos do Senhor.</p><p>Mara urrou muito forte e exigiu que Sidharta abandonasse o Seu corpo físico,</p><p>ao que Sidharta respondeu que não faria, pois pretendia auxiliar muitos</p><p>humanos, que seguiriam a Sua doutrina de Libertação. Em algum momento</p><p>Ele pensara, sim, em desistir, pois talvez todo aquele confronto fosse inútil,</p><p>já que a lugar nenhum O levaria. Mas, nessa hora, o Senhor do Universo se</p><p>manifestara e dissera que os poucos que seguissem Sua doutrina naquele</p><p>momento, transformar-se-iam em muitos milhões no futuro.</p><p>Irritado, Mara sentou-se diante de Sidharta, travando com Ele estranho</p><p>diálogo:</p><p>- Como ousas desafiar-me assim, oh! Asceta?! – rosnou Mara</p><p>Sidharta permaneceu imóvel, enquanto continuava a "exalar" aromas</p><p>envolventes e relaxantes, que se espalhavam pelo vento.</p><p>- A carne não te pertence! Pertence a mim, que sou o soberano da matéria!</p><p>Novamente o silêncio. Não havia reação de nenhum músculo de Sidharta. Era</p><p>como se Mara estivesse a falar sozinho.</p><p>- Exijo que desistas e que deixes a matéria! – gritou Mara, tentando</p><p>desarticular as hierarquias de Paz, que mantinham a ascese espiritual do</p><p>lugar.</p><p>Sidharta não queria irritar o Seu opositor, o Senhor do Ego, e respondeu:</p><p>- Teu nome é ilusão! Tens a força d'uma criança e tenta vencer-me pelo</p><p>número, deixando, assim, transparecer a tua covardia!</p><p>- Covarde, eu?! – vociferou Mara- Sou mais forte que a própria Terra!</p><p>- Se assim fosse, não precisarias lançar mão de tantos recursos para fazer-</p><p>me desistir!</p><p>- Ah!, pobre de Ti, Sidharta, que não percebes que tudo que é da Terra a mim</p><p>pertence! O corpo que tens é patrimônio meu!</p><p>- Quando aportei na Terra, Mara, utilizei as substâncias comuns do Planeta</p><p>para constituir meu vaso físico. Minha mãe no mundo da forma, usou seu</p><p>mundo mental interior para receber-me em seu ventre, já estando distante do</p><p>mundo carnal há mais de vinte anos. Não vim a este Planeta para disputar</p><p>coisa alguma, Mara, pois o Amor não se disputa.</p><p>Apesar de estar na Terra, dela eu não faço parte, já que nela deixarei tudo</p><p>aquilo que dela precisei utilizar.</p><p>Exalando um odor pútrido, Mara retrucou:</p><p>- Queres convencer-me de uma santidade que não possuis, já que bem sei</p><p>que andaste a desfrutar de muito prazer carnal no harém de Teu pai,</p><p>participando de relações nada ortodoxas! Santo Tu não és não, Sidharta!</p><p>- Não estou no mundo da forma para mostrar santidade, pois dela eu não</p><p>preciso, já que minha alma permanece imaculada. Aqui estou por amor a</p><p>todos os que precisam usar a matéria como forma de aprendizado e</p><p>crescimento para um mundo melhor.</p><p>- Queres disfarçar e justificar a tua fraqueza, oh senhor do tudo! - ironizou</p><p>Mara, gargalhando histericamente.</p><p>- Não, Mara, quero apenas que saiba que o ego é uma ilusão. Que a alma que</p><p>tens é repositório puro e perfeito, que logo será capaz de se modificar. Digo</p><p>"logo", pois que o "logo" e o "depois" se confundem perante a eternidade,</p><p>Mara!</p><p>- Já que és tão santo, oh senhor da pureza, saia do mundo da forma e deixe a</p><p>ilusão do ego para mim. Chega de incomodar-me com a sua presença que</p><p>me é tão desagradável! A matéria me pertence!</p><p>- A matéria sem a alma para animá-la, não sustenta a vida, Mara. E a alma</p><p>pertence a Deus. Esta é uma Verdade contra a qual tu não podes lutar! Por</p><p>não possuíres sabedoria, vives a tentar justificar a própria ignorância,</p><p>fazendo uso de uma injustificada e brutal violência! Por não teres acesso à</p><p>benção do equilíbrio interior, não possuis arma alguma capaz de refrigerar o</p><p>fogo das paixões que provêm dos teus desencontrados atos! Por tudo isso,</p><p>não podes lutar contra a Virtude, pois Ela é etérea demais para ser maculada</p><p>por ti!</p><p>Mara ouvia atento, sem esboçar reação. A voz de Sidartha havia cortado</p><p>todas as correntes de ódio. Ele tentava manter a vibração do mal, mas</p><p>Sidharta o derrotava sem o menor esforço. Pensativo, Mara ouviu a pergunta</p><p>de Sidharta:</p><p>- Alegas estar eu fazendo uso indevido daquilo que te pertence, que é a</p><p>matéria, mas, e o teu espírito, Mara, a quem pertence? Se meu corpo, que é</p><p>matéria, a ti pertence, nada que venha do espírito pode pertencer a ti! Tudo</p><p>que provém do Espírito, provém de Deus. E o teu espírito, de onde vem,</p><p>senão de Deus?</p><p>Indignado, Mara não conseguia reagir, pois não estava sendo agredido.</p><p>Sidharta falava de maneira tal, que parecia mais estar a discutir com um</p><p>irmão, numa disputa banal, que envolvia a posse de um brinquedo qualquer.</p><p>- Deus é um covarde, Sidharta! – gritou Mara – Tão covarde, que não está</p><p>aqui a defender-te da ira do Senhor dos Infernos, que sou eu!</p><p>- Estás novamente iludido, Mara, já que os infernos não te pertencem, pois</p><p>Deus os criou! Ele permite que a treva, o ódio e todos os sentimentos</p><p>contrários à Verdade se lancem contra os que desejam obter força no</p><p>espírito! Na mesma intensidade que o ódio se desenvolve em teu espírito,</p><p>Mara, o Amor há de envolvê-lo! Tu precisas lutar a toda hora para impor o teu</p><p>ódio, enquanto que Deus jamais impõe o Seu infinito Amor a nenhum de</p><p>Seus filhos! Ama quem quer amar, assim como descobre a Verdade, quem</p><p>anseia por ela. Deus é a Verdade Absoluta, que jamais aprisiona ou coage</p><p>consciências para que O aceitem ou O compreendam!</p><p>Mara O observava de longe. Sabia que não poderia encarar a iluminada face</p><p>de Sidharta durante muito tempo, pois correria enorme risco de curvar-se</p><p>para adorá-Lo! Sua voz, cheia d'um Amor envolvente, teria a mesma</p><p>entonação da voz d'algum anjo, se Mara tivesse conhecido algum.</p><p>- Bem sabes, Mara, que Deus está a nos observar... Ele te abençoa muito</p><p>mais que a mim, para que sejas bem orientado nesse nosso embate. Teus</p><p>asseclas estão a te observar e ouvir os argumentos, que precisam estar</p><p>pautados num ódio lógico, sem hesitação que demonstre qualquer</p><p>fragilidade, capaz de desmoralizar os infernos dos quais tu mesmo te</p><p>intitulas dono!</p><p>Mara distraiu-se. A voz de Sidharta o hipnotizou e ele, poderia se dizer,</p><p>estava como que adormecido. As respostas de Sidharta não continham</p><p>vibrações contrárias àquilo que Ele desejava expor, pois eram carregadas de</p><p>Verdade. Eram palavras que vinham de forma tão natural, que nada se</p><p>opunha a elas. Elas faziam parte daquele cenário, das raízes de todos os</p><p>argumentos, do</p><p>fundamento de todas as coisas criadas... E a criação não se</p><p>dera para ofender a quem quer que fosse. A criação se dera naturalmente... E</p><p>as palavras de Sidharta eram naturais... Todo o inferno distraiu-se, pois Mara</p><p>estava "absorvendo" a Verdade.</p><p>Assim como o barulho havia sido ensurdecedor no começo da contenda, o</p><p>silêncio tornara-se potente na mesma intensidade.</p><p>Contra quem Mara iria investir, se aquele "alguém" perdera o "eu", o orgulho,</p><p>o desejo e toda a intenção que fosse?</p><p>Mara tentava "acordar" de seus devaneios filosóficos, enquanto estava</p><p>diante daquele ser sublimado, que não se defendia de forma alguma. Sentia-</p><p>se como a querer assaltar uma rica cidade, cheia de obras valiosas, mas que</p><p>não possuía segurança alguma que defendesse seu rico patrimônio! E</p><p>mesmo que se roubasse todas as obras de arte nela contidas, outras tão</p><p>lindas quanto as que foram roubadas, seriam colocadas no lugar.</p><p>- Mara, eu só perderia o que não fosse meu! Minhas palavras são as belas</p><p>flores em mim plantadas pela força do arado que pertence a Eternidade!</p><p>Como roubar a beleza de um lindo cenário? Como roubar o brilho do sol no</p><p>final da tarde ou mesmo o brilho das estrelas que enfeitam as madrugadas?</p><p>Roubaria-se toda essa beleza somente por uns dias, nas horas de</p><p>tempestade... Mas jamais se poderia evitar que o belo cenário fosse</p><p>novamente montado, para inspirar tanto aos poetas e sonhadores, quanto</p><p>aos apaixonados.</p><p>Mara continuava pensativo. Não conseguia contra-argumentar. Sidharta não</p><p>o incitava ao ódio, muito pelo contrário, Ele o convidava ao silêncio e à</p><p>meditação.</p><p>- Podes antever a tua rendição, Mara? Entendes que o sábio não se exalta e</p><p>nem se apressa em provar a própria sabedoria, pois o tempo não existe para</p><p>quem vive sob a tutela da Eternidade? Poderia eu te provar que foste o</p><p>escolhido para esse singular embate... Mas não o faço, pois, um dia, a ânsia</p><p>pela Verdade há de tomar conta do teu espírito, fazendo-te buscá-La e tirar as</p><p>tuas próprias conclusões.</p><p>Mara assustou-se. Olhou ao seu redor e viu os demônios sonolentos. Mas</p><p>não se incomodou com o que via. Estava muito preocupado em manter as</p><p>suas vibrações opostas às vibrações de Sidharta. Ficara muito preocupado</p><p>com o que acabara de ouvir...</p><p>Ele, O Senhor do Mal, fora criado por ninguém menos que Deus! O mesmo</p><p>Deus que inspirava o seu opositor!</p><p>- Não te preocupes com tão pequenas questões, Mara, pois não desdenho do</p><p>teu poder nem muito menos de tua força! Eu precisava de um opositor à</p><p>minha altura e tu és esse opositor! Na mesma intensidade que Eu Sou a Luz,</p><p>tu és a treva! Eu Sou a Verdade e tu a ilusão! Da mesma maneira que o</p><p>Soberano do Universo não impõe o Seu infinito Amor às Suas criaturas, tu</p><p>não podes impor o teu ódio aos que se negam a ele! Tanto o Amor quanto o</p><p>ódio são de livre escolha para todos os seres da Criação!</p><p>Mara rugiu fortemente. Seu clamor odiento fez tremer a terra. Sua agonia era</p><p>quase mortal, tão terrível era! Detestava aquela situação de não conseguir</p><p>odiar ou atacar o seu oponente!</p><p>Seu movimento fez acordar todos os demônios que povoavam a Terra. Todas</p><p>as legiões do mal e todas as manifestações das impurezas, vieram unir-se ao</p><p>seu senhor, para derrotar o ousado asceta que tentava impor-se ao inferno.</p><p>Mara encheu-se do sentimento da podridão.</p><p>- Quem pensas que és, homem inútil, que não defende seus brios e muito</p><p>menos a própria humanidade? Que fazes aqui na Terra, se te intitula Anjo</p><p>Divino? Tua bondade e filosofia te trouxeram até este momento em que te</p><p>expões ao próprio inferno, sem a ajuda daquele ao qual chamas de Pai... Pai</p><p>incompetente, ausente e distante! Tão distante, que não vem até aqui para</p><p>livrá-lo desta situação de execração!</p><p>Enquanto falava, Mara se exaltava cada vez mais. Suas vibrações odientas</p><p>mostraram uma rápida reação, trazendo-o de volta do "transe" sentimental</p><p>no qual estivera profundamente mergulhado.</p><p>- Teu pai deve estar jogando carteado e te esqueceu de vez! Eu trouxe</p><p>comigo os que me são comuns, que torcem por mim e que me cedem</p><p>energias nesse combate. Eles aqui estão para provar as minhas Verdades...</p><p>Essas Verdades das quais tu andaste a falar, feito uma pombinha branca...</p><p>Posso provar a veracidade da minha violência! Posso trazer aqui as vítimas</p><p>do horror que eu criei e que até hoje vibram no ódio, por todo o infortúnio</p><p>que lhes causei. Posso provar os assaltos que comandei, jamais recuando</p><p>nem mesmo diante das criancinhas inocentes, que pediam por seus pais e</p><p>que tombavam logo após vê-los ser mutilados a sangue frio! Trago aqui as</p><p>testemunhas do meu horror, enquanto tu aí permaneces desamparado e</p><p>esquecido por todos!</p><p>Ouviu-se, então, o ecoar de milhares de gargalhadas infernais. Um ronco</p><p>estridente invadiu o ar, causando intenso mal estar aos que ali estavam.</p><p>Imediatamente fez-se noite e um cheiro forte de enxofre se fez sentir. O frio</p><p>tornou-se tão intenso, que os ossos de Sidharta virariam pó se a</p><p>misericórdia Divina não o auxiliasse.</p><p>- Prove, ó Homem infeliz, tudo aquilo que você foi! Traga testemunhas que</p><p>provem que um dia você existiu! Será que você foi mesmo o bonzinho que</p><p>diz ser?</p><p>Nesse momento, singelo cenário formou-se numa tela que se ergueu diante</p><p>da árvore em que Sidharta estava. Nessa tela passaram-se as mais de um</p><p>milhão de encarnações que Sidharta tivera. Ele havia nascido príncipe várias</p><p>vezes e várias vezes havia abdicado do direito que tinha ao luxo, para</p><p>auxiliar seu próximo; havia sacrificado a própria vida para servir aos que</p><p>mais tarde o trairiam ferozmente; havia sido condenado a morte estando</p><p>inocente; havia sido uma montanha, um macaco... Sua infinita misericórdia</p><p>emocionava e tocava muitas consciências que ali se encontravam. Mas</p><p>Sidharta permanecia imóvel e silencioso, como se não quisesse usar</p><p>nenhum recurso que pudesse provar Sua Bondade.</p><p>Enquanto Mara gritava e esbravejava, Sidharta meditava no Seu iluminado</p><p>interior. Não queria desafiar o Seu opositor, pois a causa que defendia</p><p>auxiliaria também a ele, o próprio Mara, futuramente. Seus ensinamentos lhe</p><p>serviriam de guia bendito nos momentos de dor. Sidharta o amava, pelo</p><p>enorme esforço que fazia não desistindo de lutar, mesmo que diante de</p><p>alguém às portas da iluminação! Sidharta sabia do enorme respeito que Mara</p><p>nutria por Ele.</p><p>Antes d'Ele, seis homens haviam chegado à Iluminação, tornando-se Budas,</p><p>mas nenhum d'Eles havia pedido ajuda no momento crucial de suas</p><p>dificuldades. Pedir ajuda poderia significar fraqueza, mas Sidharta jamais se</p><p>envergonhou de precisar da ajuda dos seus comuns. Em Seu interior,</p><p>vislumbrou a inconfundível Luz do Pai Maior que jorrava sobre Ele. Aquela</p><p>sublime visão o emocionou profundamente. Pode ver todas as Hierarquias</p><p>Celestes a se movimentarem de forma respeitosa em Sua intenção. Viu que o</p><p>Universo vinha cumprimentá-Lo, como se até as estrelas tivessem</p><p>abandonado os seus postos no céu, para vir Lhe tocar a carne bendita!</p><p>Todos já estavam cientes do resultado daquela prova.</p><p>Deus havia permitido que todos os seres da Criação ali estivessem para</p><p>assistir o desenrolar dos fatos, para que jamais se esquecessem do</p><p>momento da Glorificação de um Ser da Criação!</p><p>Mara sentiu-se enfraquecer. Ele não poderia mais lutar contra argumentos</p><p>tão santificados! A Glória de Sidharta já o tocara também, pois ele mesmo,</p><p>Mara, pudera ver os Anjos das Hierarquias Celestes. Sidharta havia pedido</p><p>ao Pai que o Seu oponente pudesse vislumbrar as Luzes que emanavam</p><p>daquelas benditas hierarquias. Ele queria presentear o Seu opositor no</p><p>momento de Sua Glória. E o Pai, feliz por ver a humilde entrega daquele filho,</p><p>que devolvera ao Universo tudo aquilo que dele obtivera, não retendo nada</p><p>em Seu poder, mesmo o que poderia resultar em Seu próprio benefício; que</p><p>tudo entregara em prol do mundo; que tudo abdicara em nome do Amor,</p><p>permitiu que Mara recebesse a Benção especial de ser ungido pelo Divino</p><p>Espírito Santo, o que o faria encontrar a Verdade de forma mais serena e</p><p>segura.</p><p>Sidharta olhou o Tempo, agora tão</p><p>pequeno, humilde e serviçal... Fora</p><p>através daquela 'ilusão' chamada Tempo, que pudera desvendar a</p><p>"Eternidade". Estava profundamente agradecido a tudo que O auxiliara na</p><p>Sua trajetória em direção ao Pai. Emitiu, então, um forte facho de luz divina,</p><p>através do Seu terceiro olho, que além de iluminar dezoito mil mundos,</p><p>penetrou até o último dos infernos, libertando muitos que já estavam em</p><p>estado de profunda meditação em relação ao Criador.</p><p>Mara estava a aguardar uma posição de Sidharta, quanto ao desafio que</p><p>lançara. Quem testemunharia por Ele? Quem se ergueria em defesa de</p><p>Sidharta, sabendo que, se o fizesse, receberia a sua maldição de senhor dos</p><p>infernos?</p><p>Ainda vislumbrando as luzes divinas, que envolviam o mundo inteiro,</p><p>Sidharta tocou a terra, implorando sua ajuda. E, no mesmo instante em que o</p><p>fez, ouviu-se um forte rugido, que foi emitido pelos profundos veios da terra.</p><p>O País inteiro tremeu e a própria terra falou, de forma arrepiante, como se</p><p>quisesse ser ouvida por todo o Universo:</p><p>- Eu testemunho por vós!</p><p>Todos os demônios fugiram assustados, enquanto os louvores à Sidharta,</p><p>agora como o Buda da Compaixão, subiam aos Céus.</p><p>Deus fez-Se ouvir, do alto de Sua Bondade e Sabedoria:</p><p>- Chegaste ao grau máximo de Iluminação, meu filho. E daqui em diante,</p><p>quaisquer argumentos contrários à Tua bendita vontade, cairão por terra!</p><p>Cumprirás a minha Palavra, mostrando aos seres da Criação que tanto faz</p><p>que caminho seja cruzado: se o do Bem ou se o do mal; tanto faz que se seja</p><p>rico ou pobre, justo ou pecador, puro ou profano, e sim que a divina</p><p>consciência permaneça alerta em seu espírito. Não adianta exigir muito da</p><p>consciência humana, pois isso a faria se perder na dor. Mas também não se</p><p>deve afrouxar demais as rédeas da alma, fazendo-a perder-se de si mesma. O</p><p>certo e justo é o caminho do meio, onde o ser mantém a retidão, mas não</p><p>nega a si a própria humanidade. Criei o humano para que exercesse a sua</p><p>humanidade e não para que a execrasse e a maldissesse. O caminho do meio</p><p>será sempre um bom conselheiro, não permitindo que se deseje mais do que</p><p>se é permitido desejar; que quanto mais se deseja, mais se distrái no</p><p>caminho da libertação; que o desejo ensina o caminho da frouxidão que leva</p><p>ao despenhadeiro das paixões, onde se podem ouvir o ranger dos dentes e</p><p>os gemidos do arrependimento. Quanto menos se desejar, mais feliz se</p><p>poderá ser, podendo-se, assim, desfrutar da infinita paz que permeia os bons</p><p>de coração!</p><p>Fez-se, então, glorioso silêncio. Tudo desapareceu, da mesma maneira que</p><p>surgira. Buddha pode contemplar todos os horizontes da Terra e abençoá-</p><p>los, um a um. Poderia, a partir de então, transmutar as energias, conforme a</p><p>consciência de cada um, em prol de um grupo, de uma família, de uma</p><p>empresa, de uma cidade, de um país ou de todo o mundo. Através de Sua</p><p>jornada, pudera obter bastante sabedoria, capaz de transformar os</p><p>elementos comuns desta dimensão, já que fora o primeiro homem a atingir a</p><p>divindade.</p><p>Ele, já como Buddha, foi até seus cinco amigos, aqueles que o acusaram de</p><p>glutão e de esfomeado. Ao vê-Lo, ao longe, um deles gritou: "Olha lá quem</p><p>vem aí! É aquele que se foi, mas que já deve ter se arrependido de ter ido!".</p><p>Ao ouvir isso, um outro gritou: "Não devemos olhá-Lo, pois Ele não merece a</p><p>nossa consideração. Vamos deixá-Lo falando sozinho!"</p><p>Buddha aproximou-se, já sabendo do diálogo entre eles. Sorriu e os</p><p>abençoou. Um deles,(todos estavam sentados em círculo), O olhou e ficou</p><p>fascinado com o que viu: viu que a face d'Ele estava iluminada, como um sol</p><p>misterioso a emitir muita Luz, dentro de um corpo carnal, deixando escapar</p><p>claridade através dos poros e de outros orifícios da face. Imediatamente caiu</p><p>de joelhos, pediu perdão e deu glórias à Buddha, no que foi seguido por seus</p><p>outros companheiros.</p><p>Buddha os instruiria a escreverem sobre o 'caminho do meio', que deveria</p><p>ser seguido por todos aqueles que quisessem se libertar de si mesmos.</p><p>Amigos, essa postagem tem como objetivo, instruir e orientar. Durante uma</p><p>'Gira' muitos sofredores podem ser encaminhados e consolados em suas</p><p>dores. Por favor, não me interpretem mal, pois passei minha vida estudando</p><p>sobre isso, para que um dia pudesse contar ao mundo o que ocorre durante</p><p>o desdobramento de uma sessão espírita! ��</p><p>Aprendizado</p><p>Já era madrugada e a gira corria animada, com muitos sofredores sendo</p><p>atendidos de forma alegre e prazerosa.</p><p>Maria girava e girava, cantando, dançando e sacudindo as saias, mas sempre</p><p>prestando atenção no que ocorria ao seu redor. Lá pelas tantas da</p><p>madrugada, os maqueiros da espiritualidade colocaram aos pés dela uma</p><p>maca com o espírito de um jovem médico, que se encontrava encolhido,</p><p>devido ao medo que tinha de tudo. Ela o olhou afetuosamente e sentiu que</p><p>ele estava exausto de tanto lutar contra si mesmo. Maria abaixou-se, sentou-</p><p>se no chão e ficou a encarar aquela figura durante alguns segundos para, em</p><p>seguida, colocar uma de suas mãos sobre a cabeça dele.</p><p>Imediatamente, lúgubre cenário formou-se em sua tela mental.</p><p>Ela viu um hospital de campana, para onde feridos de guerra eram levados.</p><p>Ali, três jovens médicos, descendentes da nobreza Europeia, atendiam,</p><p>amorosa e confiantemente todos que ali chegavam. Mas algo estava</p><p>acontecendo, que muito os entristecia: não haviam mais recursos médicos</p><p>necessários, como antibióticos, gaze, algodão, corticoides e tantos outros</p><p>medicamentos, para atender a tantos doentes e mutilados. E, para manter</p><p>tudo bem organizado, eles resolveram passar a escolher quem iria ou não</p><p>viver. E assim foi feito. Mas aquilo tudo lhes envenenou a consciência</p><p>quando, mas tarde, depois de terem feito a passagem, passaram a recordar</p><p>aquele terrível episódio de suas vidas. Em consequência disso, aquele que</p><p>ali estava aos pés de Padilha, vinha sofrendo cada dia mais, destruindo</p><p>todas as oportunidades de vida que o grande Ser lhe proporcionara até</p><p>então. Seus outros dois companheiros não se perturbaram com isso, e,</p><p>apesar de abalados em suas consciências, seguiram renascendo, como</p><p>médicos de front de guerras, zelando por todos, sempre com desvelo e</p><p>desprendimento.</p><p>Maria retirou sua mão da cabeça do rapaz e o fez levantar. Na verdade ela</p><p>quase deu uma surra nele, para que se levantasse. Ao vê-lo de pé, ela o</p><p>atraiu para junto de si, num abraço tão apertado, que ele por mais que</p><p>tentasse, não conseguiu se livrar. Abraçada a ele, ela começou a falar em seu</p><p>ouvido:</p><p>- Eu estava lhe esperando aqui, moço! - falou ela, num sussurro - Quem lhe</p><p>condena, meu jovem, senão você mesmo? - perguntou ela - Olhe ao seu</p><p>redor! Ninguém aqui é santo!</p><p>Ela terminou a frase numa gostosa gargalhada, o que o fez estremecer e</p><p>quase despertar de seu torpor.</p><p>Parecendo estar bêbado ou drogado, ele tentava ver alguém ali que o</p><p>estivesse apontando, mas ali todos só riam, cantavam e dançavam.</p><p>Padilha tornou a sussurrar em seu ouvido:</p><p>- Ninguém lhe condena, doutor!</p><p>Ele estremeceu quando ela pronunciou a última palavra.</p><p>- Você deu o seu melhor para todos aos quais atendeu, mas parece não se</p><p>perdoar, e permanece nesse torpor, teimosamente, por quase dois séculos,</p><p>entre suicídios e reencarnações em corpos deformados, tentando se punir ao</p><p>máximo!</p><p>Enquanto ele chorava copiosamente, ela o apertava contra si delicadamente.</p><p>As entidades manifestadas em seus respectivos médiuns perceberam o que</p><p>ocorria e fizeram um círculo ao redor dos dois, permanecendo em silêncio,</p><p>passando energia para aquele jovem sofredor.</p><p>- Agora olhe e veja quem veio lhe ver! - ela disse sorrindo.</p><p>Seus antigos companheiros de front de guerra ali estavam, em</p><p>desdobramento astral, vindos de suas atuais encarnações. Foram levados</p><p>até ali para abraçá-lo e dar-lhe forças.</p><p>Durante algum tempo eles conversaram alegremente, enquanto os atabaques</p><p>tornavam a rufar.</p><p>Depois que os dois doutores foram embora, abriu-se um espaço na gira,</p><p>dando passagem à Seu Tranca-Ruas das Almas, que chegou com sua</p><p>ruidosa falange. Tranca-Ruas fez uma reverência diante</p><p>do antigo médico,</p><p>saudando-o respeitosamente:</p><p>- Vim aqui hoje, doutor, para convidá-lo a trabalhar como falangeiro meu, nos</p><p>fronts das guerras espirituais e mortais, que se travam todos os dias nesse</p><p>nosso Planeta. Tenho vários médicos em minha falange que, por seus</p><p>méritos, conseguem evitar suicídios, restauram o vaso físico de pessoas que</p><p>tiveram a saúde abalada devido à perseguições espirituais seculares e</p><p>outros tantos casos de intercessões familiares, que amenizam os males</p><p>causados pelos desequilíbrios morais. Preciso dos seus conhecimentos</p><p>quanto aos males que as culpas podem causar no corpo físico e astral de</p><p>cada um!</p><p>Mas não se constranja caso não queira aceitar, pois tudo tem sua hora de</p><p>acontecer, amigo! Padilha o atraiu para cá, para tirá-lo do círculo letárgico no</p><p>qual você se encontra há séculos!</p><p>Durante algum tempo, o antigo médico ficou a olhar aquele cenário, onde</p><p>várias entidades se manifestavam em corpos de médiuns e onde enorme</p><p>assembleia de aflitos aguardava sua vez de ser atendida. Pensou que ele</p><p>mesmo estava sendo privilegiado naquele momento, por receber um nome e</p><p>uma extensa 'família' voltada para o bem da coletividade!</p><p>- Sim, eu aceito! - respondeu o jovem já refeito.</p><p>Tranca-Ruas ergueu-se, e falou, colocando uma das mais no ombro do rapaz:</p><p>- Como Chefe de Falange, eu, Tranca-Ruas das Almas, batizo esse nosso</p><p>novo falangeiro, que trabalhará em nome do bem e da ordem, sob o nome de</p><p>Seu Tranca-Ruas das Almas das 7 Encruzilhadas!</p><p>Nesse mesmo instante todos aplaudiram e assobiaram ruidosamente,</p><p>transformando aquele acontecimento em festa!</p><p>Os Orixás, sentados em Seus tronos de luz, comemoraram a libertação</p><p>daquele tão sofrido jovem, que a partir dali dedicou-se amorosa e fielmente à</p><p>falange de Tranca-Ruas das Almas!</p><p>Laroyê!</p><p>O Nome de Maria</p><p>By Eliane Arthman</p><p>...a luz emitida pelo Senhor resvalava iluminando a noite escura de nossas</p><p>almas, cauterizando as feridas abertas por nossa própria invigilância.</p><p>Era como se todas as Leis do Universo estivessem sendo quebradas para</p><p>nos beneficiar, mesmo que tudo aquilo estivesse em desacordo com os</p><p>nossos parcos merecimentos.</p><p>Um único sentimento foi capaz de nos unir, apesar de sermos tão diferentes</p><p>uns dos outros e de termos trilhado estradas tão adversas. E esse</p><p>sentimento era o Amor!</p><p>E o Senhor falou:</p><p>- O que me leva a fazer esse bordado de contas tão diferentes umas das</p><p>outras? O que leva a claridade a debruçar-se sobre a escuridão,</p><p>confundindo-nos ao tentarmos saber de onde se origina tanta luz?</p><p>O que levou a flor de lótus e a garça a povoarem o pântano infecto enchendo</p><p>de beleza, frescor e graça um cenário tão cinzento?</p><p>Seria apenas um acaso o encontro de tão belas criações num cenário tão</p><p>infausto?</p><p>Silenciosamente, cada um de nós se perguntava onde estavam as</p><p>verdadeiras estrelas, se para quaisquer lugar para onde olhássemos</p><p>podíamos vê-las.</p><p>Se a claridade estava a colorir apenas o céu, o que seria aquilo que reluzia</p><p>no chão e vencia a escuridão que tanto nos assustara até então?</p><p>Era a luz que encontrava um meio de expandir-se pelo espaço entre aqueles</p><p>dois mundos tão distantes, refletindo-se graciosamente nas pequenas poças</p><p>d'água, fazendo-nos sorrir pelo privilégio de poder vislumbrar tanta beleza</p><p>num só instante!</p><p>(Do texto Revelação)</p><p>Eliane Arthman</p><p>No último degrau que me levava ao "sem segundo" deixei-me absorver por</p><p>seu suave Ser.</p><p>Todos os vitrais do meu Templo interior reluziram com as cores da Criação,</p><p>enquanto o suave rumor dos sons, semitons, semibreves, sustenidos,</p><p>bemóis e tons modais ecoava, alegremente, sendo absorvido pela matéria</p><p>fluídica de todo ambiente.</p><p>Eu buscava conceber a realidade fantasma, o mundo do sem nome, a</p><p>verdade absoluta!</p><p>O Tempo chegou na forma de Sete seres vestidos de negro, com seus</p><p>semblantes ocultos por enorme capuzes.</p><p>- O quê são vocês? - perguntei</p><p>- Somos o Tempo!</p><p>- E o que vieram fazer na Terra?</p><p>- Viemos impressionar os habitantes desse Planeta, de forma que sejamos</p><p>como uma prisão invisível!</p><p>Eu os olhei curiosa, analisando suas figuras bizarras. E antes que eu falasse</p><p>alguma coisa, eles me esclareceram:</p><p>- Teremos de 'pesar' sobre os seres, causando-lhes angústias, carências e</p><p>medos!</p><p>- E para quê isso?</p><p>- Para que o homem jamais consiga conceber a Eternidade e, assim, nunca</p><p>possa desfrutar de sua liberdade! A Eternidade só poderá ser concebida por</p><p>aqueles que perceberem as cegueira e ilusão causadas pelo Tempo!</p><p>- E depois que essa percepção chegar, o que acontecerá?</p><p>- O homem poderá ver todas as suas manifestações consciênciais no</p><p>Planeta, absorvendo tudo o que puderam apreender em suas mais de um</p><p>milhão de vidas!</p><p>- Mais de um milhão de vidas ao mesmo tempo? Difícil de se conceber isso...</p><p>- A Sabedoria anula o carma, pois o saber lhe afasta dos malefícios que a</p><p>ignorância pode causar! À partir do momento em que se sabe estar vivendo</p><p>em mais de um milhão de corpos ao mesmo tempo, essa Verdade começará</p><p>a expandir a alma de quem teve o privilégio de ouvir esse Ensinamento!</p><p>E, entenda de uma vez por todas:</p><p>tudo nessa vida é treino!</p><p>Pense sobre isso com cuidado e atenção, pois essa é a Verdade que envolve</p><p>a Criação!</p><p>Eliane Arthman</p><p>A P R E N D I Z A D O</p><p>Só o Venerável Buddha pode transmutar e transferir a nosso plano a energia</p><p>dos planos superiores. Sem a Sua mediação, esta energia não seria</p><p>aproveitável pois a vibração da mente de Deus é muito elevada e é</p><p>impossível percebê-la nos planos físicos, emocional e mental.</p><p>A primeira Pessoa da Santíssima Trindade é Deus, que É o começo, o meio e</p><p>o fim!</p><p>A Segunda Pessoa é o Verbo Divino que se fez homem e habitou entre nós.</p><p>Seu nome é Jesus.</p><p>Ele é o Amor, o Cordeiro, e diante d'Ele, todos se curvam, nos Céus, na Terra</p><p>e nos infernos.</p><p>Jesus nos trouxe a Palavra, os exemplos, as Virtudes da alma!</p><p>Ele é o Amor no qual todo o Universo se pauta!</p><p>A Terceira Pessoa é a Sabedoria.</p><p>É Aquele que pergunta: 'Você nasceu?' E que nos lembra que apenas o</p><p>corpo nasce e morre!</p><p>Ele é o que materializa as obras de Jesus e que traz a cura, que é realizada</p><p>no campo espiritual, para o campo físico.</p><p>Ele traz as memórias espirituais e, por isso, nos conecta com aquilo que já</p><p>realizamos.</p><p>E é através dessa memória que podemos obter os Dons.</p><p>E é no Divino Espírito Santo que a Sabedoria que envolve todo o Universo</p><p>está contida.</p><p>E são os Veneráveis Mestres compõem a Terceira Pessoa da Santíssima</p><p>Trindade.</p><p>Alguns d'Eles são:</p><p>Veneráveis Buddhas do passado, do presente e do futuro, Venerável Krishna,</p><p>Veneráveis Shantideva, Milarepa, Sócrates e muitos outros.</p><p>Assim o É!</p><p>NOVO LIVRETO EXPLICATIVO</p><p>mais suaves e que ele será recompensado pelo estudo,</p><p>pelos sacrifícios e pela coragem que teve. As compensações espirituais hão</p><p>de protegê-lo através dos méritos espirituais, por seus esforços e dedicação.</p><p>É importante que se observe as Cartas que a circundam.</p><p>Carta 07 – A Lua refletida no Mar</p><p>Melancolia, Depressão ou Lágrimas.</p><p>Essa carta significa um período de provas na vida do consulente e que pode,</p><p>também, indicar desequilíbrio emocional.</p><p>Caso ela inicie a Cruz Mística, indica que o (a Consulente talvez precise de</p><p>um acompanhamento psicológico ou de pessoas que o apoiem e estimulem</p><p>em sua vida diária. As cartas que a ladearempoderão esclarecer em qual</p><p>aspecto da vida isso se dá e quais as perspectivas que ele terá de se</p><p>recuperar emocionalmente.</p><p>Carta 08 – A Lâmpada Acesa</p><p>Surpresas.</p><p>Essa Carta tem um valor claro e positivo, indicando que algo inesperado vai</p><p>acontecer.</p><p>Pode indicar a luz espiritual, a bondade de alguém, a esperança de uma vida</p><p>melhor, as boas intuições e até mesmo uma gravidez.</p><p>Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, significa bons auspícios, boas notícias</p><p>chegando, uma cura física excepcional, paz de espírito ou de</p><p>reconhecimento na vida do(a) Consulente.</p><p>Deve-se observar as Cartas circundantes.</p><p>Carta 09 – A Poltrona Negra</p><p>Morte ou Alguém que foi embora.</p><p>Esta é uma Carta mística e tensa, que pontua espiritualidade, mediunidade,</p><p>doença, segredos, Magia e até problemas de ordem psiquiátrica. Nela estão</p><p>contidos tanto os amigos espirituais quanto aqueles que devem ser tratados</p><p>com cuidado e com parcimônia, pois podem ser "Eguns", "Encostos" ou</p><p>"Carregos". Essa carta indica problemas de várias ordens. É preciso prestar</p><p>a atenção e ter muito cuidado em sua análise. Vou citar alguns exemplos do</p><p>que ela pode significar: depressão, doença grave, segredos, magia negra,</p><p>fofocas, problemas psicológicos e angústia.</p><p>Tudo dependerá da sequência do jogo ou da jogada, que serão o termômetro</p><p>das energias circundantes. Não se pode dizer que essa carta seja ruim.</p><p>Absolutamente! Existem "demônios" que trabalham em nome de Deus e essa</p><p>Carta pode indicar a "condição" espiritual de alguma figura que a permeie,</p><p>como quando indica que a pessoa da qual se fala é alguém que está</p><p>encarnado. Pode, também, indicar um "Exú" ou uma "Pomba-Gira". Mas</p><p>como explico no começo desse Livreto Explicativo, todas as Cartas tem um</p><p>significado diferente em cada posição na qual for lida quando o jogo estiver</p><p>aberto: na horizontal, na diagonal, na vertical e na hora de cruzar as Cartas.</p><p>Portanto, caso a Cruz Mística inicie por esta Carta, significa que o(a)</p><p>Consulente está num momento "Carnal" de sua jornada, o que demanda em</p><p>responsabilidades espirituais que requerem muita atenção, cuidado e</p><p>empenho de sua parte.</p><p>Deve-se observar as Cartas circundantes para melhor interpretação da</p><p>jogada.</p><p>Carta 10 – Cordas com Nós Apertados</p><p>Embaraços e Dificuldades, Confusões, Mal Entendidos.</p><p>É uma Carta tensa e instigante, que requer atenção e observação.Esta Carta</p><p>pode significar, também, más intuições, más influências, dificuldades em</p><p>encontrar e compreender os sinais do destino, distorções do entendimento,</p><p>descaminhos e mal entendidos nas relações interpessoais.</p><p>Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, significa que o(a) Consulente precisa</p><p>prestar mais atenção em suas estratégias, buscando uma maior percepção e</p><p>superação dos obstáculos. É importante que se analise as Cartas</p><p>circundantes.</p><p>Carta 11 – O Menorah</p><p>Espiritualidade Maior.</p><p>Essa é uma Carta que emite luz e positividade. Ela representa Deus,</p><p>Orunmilá, um Mago ou um Mestre Espiritual no qual o(a) Consulente crê.</p><p>Pode significar, também, um grande Sol que ilumina todo o jogo. Em</p><p>algumas jogadas, ela pode representar a coroa de um Orixá. Deve-se prestar</p><p>a atenção em sua posição no jogo, pois pode ser que signifique a</p><p>manifestação do Anjo da Guarda do(a) Consulente, que deseja trazer um</p><p>recado ou dar um aviso.</p><p>Ela é o oposto exato da Carta 12, que significa Espiritualidade Menor. Essa</p><p>Carta traz bons augúrios amenizando, de uma certa forma, alguns dos</p><p>significados negativos das cartas que a rodeiam e mostra que o(a)</p><p>Consulente está sendo abençoado.</p><p>Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, significa que a Luz de Deus está</p><p>próxima do(a) Consulente e que ele pode crer na alegria do porvir!</p><p>(O Menorah, ou candelabro de sete braços é um dos símbolos mais</p><p>conhecidos mencionados na Bíblia. No Livro do Êxodo pode ser visto na</p><p>história de como Moisés teve uma revelação divina no monte Sinai relativo à</p><p>construção do Tabernáculo, com detalhes sobre o seu interior e exterior, e</p><p>como numa destas partesse encaixava este "candelabro": ou Menorah).</p><p>Carta 12 – O Punhal</p><p>Espiritualidade Menor.</p><p>Esta é uma Carta mística e tensa, que pontua espiritualidade. Nela estão</p><p>contidos tanto os amigos espirituais quanto aqueles que devem ser tratados</p><p>com cuidado e com parcimônia, pois podem ser "Eguns", "Encostos" ou</p><p>"Carregos". Tudo dependerá da sequência do jogo ou da jogada, que serão</p><p>os termômetros das energias circundantes. Não se pode dizer que essa carta</p><p>seja ruim. Absolutamente! Existem "demônios" que trabalham em nome de</p><p>Deus e essa Carta pode indicar a "condição" espiritual de alguma figura que</p><p>a permeie, como quando indica que a pessoa da qual se fala é alguém que</p><p>está encarnado. Pode, também, indicar um "Exú" ou uma "Pomba-Gira". Mas</p><p>como informo no começo desse Livreto Explicativo, todas as Cartas tem um</p><p>significado diferente em cada posição na qual for lida: na horizontal, na</p><p>diagonal, na vertical e na hora de cruzar as Cartas.</p><p>Portanto, caso a Cruz Mística inicie por esta Carta, significa que o(a)</p><p>Consulente está num momento "Carnal" de sua jornada, o que demanda em</p><p>responsabilidades espirituais que requerem muita atenção e empenho de sua</p><p>parte.</p><p>Deve-se observar as Cartas circundantes para melhor interpretação da</p><p>jogada.</p><p>(Esta carta refere-se aos espíritos intermediários que trabalham para a</p><p>dimensão em que vivemos. São os chamados povos de caminho. São eles</p><p>que materializam nesse plano as ordens das hierarquias da Luz).</p><p>Carta 13 – A Taça servida pela Mão que porta o anel de Cobra.</p><p>Traições.</p><p>Esta Carta emite fortes vibrações sensuais e carnais e, por isso, é uma Carta</p><p>que requer atenção em sua interpretação. Muitas vezes ela pode representar</p><p>um desejo não confesso ou sinalizar variadas formas de traições, como a de</p><p>um cônjuge, amigo, patrão, sócio, etc. Ela pode indicar, também, uma pessoa</p><p>racional. Alguém que, apesar de crer em Deus, vive com a cabeça e o</p><p>coração voltados para fatos materiais. Ela pode significar desejo ou atração</p><p>sexual.</p><p>Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, pode indicar uma traiçãoque ocorre,</p><p>ocorreu ou que está para ocorrer na vida do(a) Consulente ou, ainda, algum</p><p>dos vários significados a ela atribuídos.</p><p>É interessante que se analise as Cartas que a permeiam.</p><p>(Deve-se observar as cartas que a rodeiam, para identificar de onde vem</p><p>essas traições. Mas depois de uma certa experiência com o manuseio do</p><p>Baralho, verificamos que algumas entidades se manifestam através dela.</p><p>Dentre elas estão Exus e Pombas-Gira. Por isso, convém interpretar mais</p><p>profundamente o seu significado).</p><p>Carta 14 – A Pulseira de Ouro</p><p>Grande Amor</p><p>Essa é uma Carta de teor emotivo e/ou afetivo que, de certa forma, necessita</p><p>de outras cartas para ter seu significado esclarecido. Mas, de qualquer</p><p>forma, é uma carta que emite positividade, sendo capaz de neutralizar e</p><p>amenizar os significados que tentem lhe desestabilizar. Essa Carta indica</p><p>bondade, boas intenções e amor sincero. Ladeada por certas Cartas, pode</p><p>indicar a presença da Oxum. Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica a</p><p>chegada de uma nova amizade, de um amor sincero, de um emprego há</p><p>muito almejado ou de um acontecimento que alegrará a vida do(a)</p><p>Consulente. É interessante que se observe as cartas circundantes para que</p><p>seu significado possa ser melhor interpretado</p><p>(Essa carta refere-se a algum</p><p>acontecimento romântico. Depois de interpretar</p><p>as cartas que a rodeiam, você poderá entender a que fato se ela se refere</p><p>dentro do contesto da jogada. Muitas vezes ela pode significar uma</p><p>sociedade promissora ou uma profunda simpatia entre amigos).</p><p>Carta 15 – O Triângulo e o Ovo</p><p>Viagens, Mudanças de Vida</p><p>Esta é uma carta de valor neutro e que contém em si um significado claro.</p><p>Ela refere-se a mudança, viagem. Em outro significado pode denotar</p><p>inconstância, indecisão. Pode referir-se a um lugar distante, no estrangeiro</p><p>ou até mesmo a um gringo ou alguém que tenha uma profissão como</p><p>Comissário de Bordo ou a pessoas que trabalhem em navios ou que sejam</p><p>itinerantes. Seu significado varia conforme as cartas que a circundam. Numa</p><p>de suas variações, essa carta pode apontar os Orixás que regem o mar, a</p><p>variação psíquica e a inconstância de humor, como uma bipolaridade e até</p><p>mesmo uma gravidez. Por indicar mudança ela pode referir-se a qualquer</p><p>campo da vida do(a) Consulente, inclusive quanto a mudanças de opinião ou</p><p>de ideia. Seu significado principal é o de indicar mudanças e/ou</p><p>viagenstrabalho, residência, vida afetiva, religiosa, sociais, etc.</p><p>Caso essa carta inicie a Cruz Mística, indica mudanças na vida do(a)</p><p>Consulente e é importante que se observe as cartas circundantes para saber</p><p>ao que se referem essas mudanças.</p><p>Carta 16 – O Quadro de Palhacinho</p><p>Alegrias e Comemorações.</p><p>Esta Carta tem um "ar" alegre e descontraído, capaz de suavizar as cartas</p><p>que a circundam. Pode até anunciar a chegada de uma criança ou sinalizar a</p><p>breve realização de um sonho ou desejo.</p><p>Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, indica a chegada de notícias</p><p>surpreendentes. Mas para saber quais os tipos de surpresas, há necessidade</p><p>de se observar as cartas que envolvidas na jogada.</p><p>Essa carta refere-se a alegrias e realizações em certos aspectos da vida do</p><p>consulente.</p><p>Carta 17 – A Balança</p><p>Justiça ou Equilíbrio Emocional</p><p>Essa é uma carta neutra que pontua justiça e equilíbrio.</p><p>Pode significar barreiras e empecilhos ou indicar, também, um advogado, um</p><p>juiz, uma ação na justiça, um inventário ou o Orixá Xangô. Pode significar,</p><p>pasmem, um tumor, um aneurisma ou um abscesso ou a necessidade de</p><p>equilíbrio e de cabeça fria para resolver assuntos de difícil solução.</p><p>Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica questões legais, processos,</p><p>papéis de admissão de emprego, concursos públicos e tantos outros</p><p>significados que envolvam justiça. Deve-se observar as cartas circundantes</p><p>para melhor interpretação da jogada.</p><p>Carta 18 – A Rosa Vermelha</p><p>Notícias Distantes ou Caminhos demorados.</p><p>Esta é uma carta neutra, coadjuvante que, além de pontuar "Tempo",</p><p>aconselha que se trabalhe a aceitação das limitações e intempéries da vida.</p><p>Ela aponta tanto lentidão quanto fatos antigos que se interligam aos atuais</p><p>acontecimentos. Pode indicar o retorno, a presença ou a lembrança de</p><p>pessoas que já estiveram presentes na vida do(a) Consulente e que no</p><p>momento são lembradas ou reaparecem.</p><p>Indica, também, fatos antigos que marcaram a vida do(a) Consulente. Ex.:</p><p>caso ela saia ao lado da Carta 9, pode indicar uma doença ou depressão ou</p><p>problema de ordem mediúnica, etc, que ocorreu ou que marcou, há tempos, a</p><p>vida do(a) Consulente ou de alguém ligado a ele.</p><p>Caso essa carta inicie a Cruz Mística, indica a influência de fatos antigos no</p><p>momento atual da vida do(a) Consulente. É como se essa carta revolvesse o</p><p>íntimo do(a) Consulente, expondo seus problemas mal resolvidos, para que</p><p>estes fossem melhor analisados, revistos e trabalhados. Em algumas</p><p>jogadas, essa Carta 18 pode significar lentidão ou demora. Ela pode sinalizar</p><p>acontecimentos do passado, bons ou ruins, relacionados a diversos</p><p>assuntos, que podem estar interligados aos assuntos presentes. Pode ser</p><p>referente a Trabalho (com a Carta 22), Família (com a Carta 32), Justiça (com</p><p>a Carta 17) ou Afetivos (com as Cartas 14, 21 e 34). As cartas circundantes</p><p>devem ser analisadas, para melhor interpretação do jogo.</p><p>Carta 19 – O Cigarro Aceso</p><p>Vício ou Teimosia</p><p>Esta Carta é tensa e requer atenção. Ela pontua desvios de conduta,</p><p>compulsões e comportamentos não moderados ou fora dos padrões. Ela</p><p>aconselha uma revisão quanto a pensamentos e ações que podem estar</p><p>sendo doentios e mal direcionados. A carta pede que se tome cuidado com a</p><p>permissividade. Em uma outra interpretação, pode se referir a uma</p><p>necessidade de descarrego ou defumação da residência ou do(a) próprio(a)</p><p>Consulente, para que se exorcize as más influências astrais.</p><p>Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica que se deve ter cuidado com</p><p>suas próprias ações, para que se possa, assim, evitar reações indesejáveis.</p><p>Carta 20 – A Luz vermelha Acesa</p><p>Perigo ou dificuldade no caminho.</p><p>Esta é uma Carta tensa, que pode indicar perigo. Essa carta é umalerta para</p><p>situações de risco. Pode ser, também, que pensamentos negativos estejam</p><p>se insinuando para deter a vitória do(a) Consulente. Ela pede, também que o</p><p>consulente tome certos cuidados na área de segurança pessoal.</p><p>Caso a Cruz Mística abra com esta Carta, indica vulnerabilidade em algum</p><p>aspecto da vida do(a) Consulente, alertando-o para que esteja atento e</p><p>prevenido quanto aos perigos do seu dia a dia.</p><p>Carta 21 – O Véu de Noiva</p><p>Casamento.</p><p>Essa carta é neutra e auto explicativa. Ao lado de outras cartas, seu</p><p>significado pode se alterar, mas sem perder a sua essência original. Ao lado</p><p>da Carta 35, pode significar rompimento, separação, corte de uma amizade,</p><p>sociedade ou do caminho. Ao lado de outras cartas seu significado sofrerá</p><p>algumas alterações, mas sua característica se manterá. Caso essa carta</p><p>inicie a Cruz Mística, indica que assuntos que envolvem casamento, amizade,</p><p>sociedade de negócios e que girem em torno desse tema estarãopresentes</p><p>na vida do(a) Consulente. Deve-se observar as cartas circundantes para</p><p>melhor interpretação da jogada.</p><p>Essa carta pod referir-se, também, a uniões em vários aspectos da vida do(a)</p><p>Consulente. Pode ser uma sociedade que será proposta; um pedido de</p><p>namoro ou de casamento ou até mesmo uma surpresa na área financeira e</p><p>econômica do consulente.</p><p>Carta 22 – As Mãos em Cumprimento</p><p>União ou Negócios que chegam.</p><p>Essa Carta é neutra e coadjuvante, que pontua Negócios e Profissão.</p><p>Apesar de poder ter seu significado alterado quando circundada por cartas</p><p>negativas, ela sinaliza a chegada de novas oportunidades</p><p>financeiras/profissionais na vida do(a) Consulente. Precisa-se, também,</p><p>deixar claro que ela pode significar trabalho de cunho espiritual, filosófico,</p><p>holístico, etc. Em um outro sentido, pode significar consulta a médicos,</p><p>diagnósticos, uma especialização na faculdade, a chegada de um novo</p><p>funcionário, etc. Caso essa carta inicie a Cruz Mística, indica que assuntos</p><p>financeiros e profissionais envolverão a vida do(a) Consulente. É importante</p><p>que se observe as cartas que a permeiam, para melhor interpretação da</p><p>jogada</p><p>Essa carta pode, também, referir-se a novas oportunidades que surgirão na</p><p>vida do consulente. Uma nova sociedade, a extensão dos negócios ou até</p><p>mesmo a chegada de uma pessoa que será importante em sua vida.</p><p>Carta 23 – A Âncora</p><p>Confirma.</p><p>Esta Carta tem um cunho de neutralidade e é coadjuvante frente as Cartas</p><p>que a circundam.</p><p>Ela pode, também, representar algo que trava os caminhos do(a) Consulente,</p><p>conforme a jogada.</p><p>Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, significa uma confirmação n'algumas</p><p>questões que envolvem a vida do(a) Consulente. É importante que se</p><p>observe as cartas circundantes para melhorinterpretação da jogada. Essa</p><p>carta confirma as cartas ao seu redor.</p><p>Carta 24 – Uma Calça de Homem</p><p>Uma Pessoa Intermediária (homem).</p><p>Essa carta refere-se a um homem que as cartas ao redor podem indicar quem</p><p>seja ou até mesmo um Orixá, um protetor ou até mesmo um inimigo (Egun,</p><p>obsessor, perseguidor) que acompanhe o(a) Consulente.</p><p>Carta 25 – Uma Saia de Mulher</p><p>Pessoa Intermediária (mulher).</p><p>Essa carta refere-se a uma</p><p>mulher que as cartas ao redor podem indicar</p><p>quem seja ou até mesmo uma Orixá, uma protetora ou até mesmo um Egun</p><p>ou obsessor que acompanhe o(a) Consulente.</p><p>Carta 26 – O Perfil de uma Mulher</p><p>A Consulente.</p><p>Essa carta indica a consulente ou a mulher, noiva ou amante</p><p>da(o)consulente.</p><p>Carta 27 – O Perfil de um Homem</p><p>O Consulente.</p><p>Essa carta indica o consulente ou o esposo, noivo ou amante</p><p>do(a)consulente.</p><p>C</p><p>arta 28 – O Cão</p><p>Amigo Fiel ou Aliado.</p><p>Essa é uma Carta neutra e coadjuvante. Ela pode significar a ajuda de um</p><p>amigo fiel, carnal ou espiritual, como pode apontar um(a) bom(a) amigo(a).</p><p>Em algumas jogadas ela pode apontar a presença de um amigo(a) espiritual</p><p>junto ao(à) Consulente.</p><p>Carta 29 – A Estrela de Davi</p><p>Vitória.</p><p>Essa é uma Carta positiva e autoexplicativa. Ela indica Bênçãos e proteção</p><p>espirituais que atuam na vida do consulente. Ao lado de uma figura, pode</p><p>indicar a presença de um santo protetor ou mesmo de uma pessoa que pode</p><p>atuar positivamente em algum aspecto da vida do(a) Consulente. Junto a</p><p>uma carta negativa, seu significado poderá se alterar, mas nunca tornar-se</p><p>totalmenteprejudicial.</p><p>Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica uma vitória ou um grande</p><p>proteção que salvaguarda os caminhos do(a) Consulente, permitindo que</p><p>ele(a) atinja os seus objetivos em paz. É importante que se observe as Cartas</p><p>circundantes para melhor interpretação da jogada.</p><p>Carta 30 – A Ferradura</p><p>Boa Sorte.</p><p>Essa é uma Carta neutra e coadjuvante, que interage junto as Cartas que a</p><p>circundarem. Ela refere-se à sorte em algum aspecto da vida do consulente.</p><p>Caso ela inicie a Cruz Mística, significa que o(a) Consulente será bem</p><p>sucedido em algum aspecto de sua vida. Mas esse significado poderá variar</p><p>conforme as cartas que a circundarem e, também do tipo de jogada ou de</p><p>pergunta queporventura o(a) Consulente tenha feito.</p><p>Carta 31 – O Malandro</p><p>Roubo, Perdas, Desgaste ou Pessoa Perigosa.</p><p>Essa Carta tem um cunho tenso e, em certas jogadas, aponta para um</p><p>significado espiritual. Em algumas jogadas ela aconselha que o consulente</p><p>tenha cuidado nas transações em geral, como as de assinar contratos ou</p><p>finalizar negociações diversas que requeiram sua assinatura ou em papéis</p><p>de justiça. Noutras, ela pode sinalizar a interferência de entidades espirituais</p><p>ligadas tanto aos Povos Ciganos quanto aos Povos de Rua, como Zé Pelintra</p><p>e tantos outros traçados em várias linhas e falanges espirituais, que queiram</p><p>pontuar ajuda ou alertas para perigos.</p><p>Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, significa que o(a) Consulente deve</p><p>precaver-se quanto a assuntos que envolvam dinheiro, aquisição de imóveis,</p><p>segurança pessoal ou com os ditos "falsos amigos". Deve-se observar as</p><p>cartas que a circundam, para melhor interpretação de seu real significado.</p><p>Carta 32 – A Janela de Casa</p><p>Em Casa, Em Família, No Íntimo, Intimidade, Suas Próprias impressões</p><p>Esta carta é neutra e coadjuvante, que necessita da visualização das cartas</p><p>circundantes para que seja devidamente analisada. Ela se refere a assuntos</p><p>de família ou pessoais. Pode ser, também, algo que o(a) Consulente guarda</p><p>no íntimo, como suas próprias impressões ou, também, dependendo da</p><p>jogada, pode indicar o íntimo de outra pessoa, caso as Cartas 25 e 25 as</p><p>circunde. Pode se referenciar a um fato ligado a um familiar ou algo que</p><p>envolva a família, amigos ou íntimos da família. Seu valor variará conforme a</p><p>posição da leitura.</p><p>Caso a Cruz Mística seja iniciada com esta carta, o jogo estará se referindo a</p><p>fatos ocorridos em família ou no próprio íntimo do(a) Consulente. É</p><p>importante a observação das cartas circundantes para melhor interpretação</p><p>da jogada.</p><p>Carta 33 – A Porta da Rua</p><p>Pela Porta da Rua</p><p>Esta Carta é neutra e autoexplicativa. Ela refere-se à questões que envolvam</p><p>fatos ocorridos no trabalho, nas ruas, nas relações fora de casa, nos fatos</p><p>com familiares que não residam com o(a) Consulente, mas que podem estar</p><p>ligados ao lar, como questões que acontecem, por exemplo, na escola onde</p><p>o(a) filho(a) estudam ou em seus locais de trabalho. Pode indicar que um</p><p>membro da família vai sair de casa para morar em uma outra residência ou</p><p>em um outro estado ou país.</p><p>Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, significa que o(a) Consulente lidará</p><p>com variadas situações fora de casa, que tanto podem envolver trabalho</p><p>quanto questões jurídicas, brigas, amores, paixões, etc, dependendo das</p><p>cartas que a circundem, que deverão ser cuidadosamente observadas.</p><p>Carta 34 – As Borboletas sobre a Flor</p><p>Casamento Feliz.</p><p>Essa é uma Carta de teor emotivo e/ou afetivo que, de certa forma, necessita</p><p>de outras cartas para ter seu significado esclarecido. Mas, de qualquer</p><p>forma, é uma Carta que emite positividade, sendo capaz de neutralizar e</p><p>amenizar os significados que tentem desestabilizar o(a) Consulente. Essa</p><p>Carta também pode indicar bondade, boas intenções, amor sincero e,</p><p>também, pode indicar a presença de alguém bem intencionado na vida do(a)</p><p>Consulente. Ao lado da Carta 25, pode, também,indicar a presença de Oxum.</p><p>Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica a chegada de uma nova</p><p>amizade, de um amor sincero, de um emprego há muito almejado ou de um</p><p>acontecimento que alegrará a vida do(a) Consulente. É interessante que se</p><p>observe as cartas circundantes para que seu significado possa ser melhor</p><p>interpretado.</p><p>Carta 35 – O Colar Arrebentado</p><p>Separação, Rompimento.</p><p>Esta é uma Carta neutra e autoexplicativa. Ela evoca separações, cortes,</p><p>rompimentos, uma operação, drenagem nalgum membro, a morte de alguma</p><p>pessoa ou o afastamento dela, o corte de uma doença ou a sua cura, corte de</p><p>um emprego ou extinção de um cargo. É interessante que se analise com</p><p>cuidado as cartas circundantes para que se chegue à conclusões. Numa</p><p>variante de significado, pode ser uma espada ou uma flecha d'algum Orixá, já</p><p>que pode representar, também, um instrumento de corte ou de guerra.</p><p>Caso essa carta inicie a Cruz Mística, significa que algo ou alguma coisa foi</p><p>cortada rompida ou extinta na vida do(a) Consulente, observando-se com</p><p>cuidado as cartas que a permeiam.</p><p>Carta 36 – Caminhos de Sol</p><p>Caminhos Abertos.</p><p>Esta carta tem teor positivo e auspicioso, que traz em si o crescimento e as</p><p>boas expectativas de vida. Significa que o(a) Consulente sentirá uma nova</p><p>força vital ou intelectual, que o(a) auxiliará em seus projetos, como se algo</p><p>no que ele(a) vinha trabalhando, deslanchasse, fluísse e expandisse,</p><p>estimulando-o(a) e incentivando emocionalmente. Pode indicar, também, o</p><p>começo de um aprendizado (de uma língua estrangeira) ou até mesmo de</p><p>uma expansão da consciência. Pode-se, inclusive, não descartar uma nova</p><p>descoberta espiritual ou uma mudança em suas crenças religiosas. É</p><p>importante que se observe as cartas que a circundam, para sua melhor</p><p>interpretação. Portanto, esta carta refere-se ao crescimento espiritual,</p><p>intelectual ou emocional do(a) Consulente.Algo chegará para mudar as</p><p>perspectivas da vida, estimulando alegria e fé.</p><p>Quando a Cruz Mística se inicia com esta carta, significa uma melhora nos</p><p>caminhos do conhecimento, da cultura e da vida emocional do(a)</p><p>Consulente. É imprescindível que se analise as cartas que a permeiam.</p><p>Informações Adicionais</p><p>Dona Maria Padilha sempre deixa claro que não devo interferir na</p><p>interpretação que os novos Instrutores dão às Cartas de Seu Baralho, mas</p><p>sempre que alguém me pede algum esclarecimento, Ela prontamente me</p><p>intui no momento da resposta.</p><p>Certa vez, um rapaz entrou em contato comigo através do Messenger, do</p><p>Facebook, dizendo ser um Oraculista muito intuitivo e que se dispunha a</p><p>deitar as cartas para mim, no intuito de me provar isso. Ele informou-me</p><p>trabalhar com vários Baralhos de várias linhas, mas que o da Padilha era o</p><p>seu preferido. Mas ele jamais conseguia responder quanto às questões de</p><p>saúde, pois não sabia quais eram as cartas que pontuavam isso.</p><p>Imediatamente Maria Padilha surgiu diante de mim e pôs-se a falar</p><p>alegremente, demonstrando</p><p>conhecer bem aquele com o qual eu me</p><p>comunicava. E parece que os dois se conectaram através daquilo que ela me</p><p>mandou falar para ele, a ponto dele na hora se sentir tocado por ela e me</p><p>dizer que já sabia como ver as questões que envolviam saúde, sem nem</p><p>mesmo eu acabar de falar.</p><p>Eis o que Ela me 'mandou' transmitir a ele:</p><p>'Caso a questão seja a saúde, faça uma Cruz Mística e pergunte.</p><p>A Carta 10 pode ser tanto os intestinos quanto o cérebro.</p><p>A Carta 18 pode ser uma obstrução, um trombo ou um aneurisma</p><p>A Carta 17 podem ser os rins</p><p>A Carta 34 podem ser os pulmões</p><p>A Carta 22 pode ser o coração</p><p>A Carta 13 pode ser o fígado</p><p>A Carta 6 pode ser o estômago.</p><p>Mas devo deixar bem claro que cada um deve interpretar conforme as</p><p>próprias intuições</p><p>Conclusões</p><p>Durante a colocação das cartas, deve-se analisar e observar a posição de</p><p>cada uma das cartas, pois o oráculo vai muito além daquilo que elas</p><p>anunciam.</p><p>A intuição fica afinada com as entidades benfazejas que rondam tanto o</p><p>consulente quanto o leitor, mostrando a Verdade e alertando para os</p><p>possíveis perigos que possam surgir em todos os aspectos de sua vida.</p><p>Quando um oráculo é criado, a força de uma entidade pode se manifestar</p><p>através dele, ainda mais quando essa entidade conhece e respeita a</p><p>majestade do grande Senhor de todas as coisas!</p><p>Nem um minuto se deve afastar das orações, pois elas trarão a firmeza</p><p>necessária a tudo o que surgir em cada jogada.</p><p>A oração tem um poder transformador, que neutraliza e acalma os perigos</p><p>que rondam o mundo.</p><p>Estou enviando energia positiva e boas vibrações a todos, para que haja luz</p><p>e paz em todos os seus caminhos!</p><p>Que o Axé da Padilha lhes proteja!</p><p>Eliane Arthman</p><p>Algumas Histórias</p><p>Maria trabalhava à beira do abismo, ensinando e instruindo aos que se</p><p>perdiam no caminho.</p><p>Após as consultas na mesa de jogo, ela convidava os perseguidores de seus</p><p>clientes para irem até o lugar onde a médium que lhe cedia o corpo físico</p><p>fazia as oferendas ao Povo de Rua.</p><p>Ali, Maria oferecia comida e bebida a todos esses sofredores, mantendo-os</p><p>envolvidos em sua conversa alegre e descontraída. Ela os conservava por</p><p>perto o máximo possível e, quando ganhava sua confiança, os convidava</p><p>para uma festa.</p><p>A festa era na verdade um certo centro de umbanda ou de candomblé, onde</p><p>os médiuns dançavam ao som de atabaques, fumando, bebendo e cantando.</p><p>Animados, esses obsessores entravam na roda e dançavam alegres,</p><p>completamente entregues à boa ambiência do lugar. Logo, eles</p><p>incorporavam nos corpos dos médiuns que ali estavam, que, ao terem seus</p><p>espíritos mesclados aos desses obsessores, se sacudiam violentamente e</p><p>caíam no chão em convulsão, inconscientes e vulneráveis. Nesse momento,</p><p>os enfermeiros da espiritualidade, manifestados ali como 'caboclos' e 'pretos</p><p>velhos' entravam em ação, retirando esses irmãos sofredores dos corpos</p><p>dos médiuns, levando-os para uma dimensão paralela, onde havia salas</p><p>limpas, iluminadas por pequenas lâmpadas azuis, e os colocavam em camas,</p><p>sedados e adormecidos.</p><p>Durante semanas eles ali ficavam internados, sendo tratados com todo</p><p>desvelo, desvinculando-se completamente do ódio e das perturbações que</p><p>lhes causavam tanto sofrimento.</p><p>E, assim, os que sofriam com as influências de suas baixas vibrações eram</p><p>liberados e até curados de males terríveis, podendo, então, desfrutar de uma</p><p>rápida renovação mental, sem a vampirização de seus antigos</p><p>perseguidores.</p><p>Maria sabia que esse era um exercício de caridade, onde várias falanges de</p><p>Exus e de Pombo-giras trabalhavam alegre e dedicadamente, no intuito de</p><p>fazer o bem e de semear amor!</p><p>Depois de alguns anos trabalhando sob esse arquétipo, essas entidades</p><p>ganhavam bônus espirituais e tornavam-se instrutores desvelados, com o</p><p>dom da paciência naturalmente desenvolvido!</p><p>Sorrindo, Maria Padilha sempre esclarecia aos que achavam que não</p><p>conseguiriam seguir esse ritmo:</p><p>'Meus queridos, não desanimem! Aprendam de vez que tudo nessa vida é</p><p>treino! Depois de algum tempo treinando, tudo se apreende e absorve!</p><p>Noventa e nove por cento do Universo é alegria e Amor e, por isso, devemos</p><p>sempre brincar e ser feliz! Tenham certeza de que Deus nos dá a</p><p>oportunidade de aprender, sem exigir de nós pressa, seriedade ou sisudez</p><p>que alguns de nós, certamente, não tem ainda para dar! Pensem sobre isso,</p><p>amores, pensem sobre isso!'</p><p>O Nome de Maria</p><p>Eliane Arthman</p><p>Maria caminhou através da noite escura até chegar num Terreiro.</p><p>Ali, designaram que ela incorporasse numa certa médium e que auxiliasse</p><p>aos sofredores, cedendo-lhes energia vital.</p><p>Isso foi u'a missão bem difícil, pois desacostumara de lidar com a dimensão</p><p>onde a humanidade habita, depois de milênios manifestada como "energia"!</p><p>Não poderia mais ficar impune, alegando ser ignorante, imunizada contra as</p><p>guerras que se travavam entre o certo e o errado, entre a razão e a loucura!</p><p>Maria sabia que submeter-se à vida e ao corpo era prova de coragem e de</p><p>obediência, num sagrado exercício de humildade!</p><p>Ela aceitou, feliz, sua atual condição energética, na qual trajava-se nas cores</p><p>vermelha e negra, sem obrigar-se a ser discreta e tímida!</p><p>Maria concordou em trabalhar como uma Pombo-Gira chamada Maria</p><p>Padilha, em nome do Senhor do Amor, que lhe inundava o ser de luz! A doce</p><p>presença d'Ele envolvia, de forma singela e sutil, a todos os que se</p><p>consultavam com ela, no Centro Espírita onde se manifestava como Pombo-</p><p>Gira Maria Padilha.</p><p>Felizes, seus consulentes sentiam que seus corações pulsavam na mesma</p><p>sintonia do grande Ser e que o Seu sagrado coração, que rege o Universo,</p><p>pulsava, delicadamente, no peito de todos eles!</p><p>Assim, anonimamente, sob o arquétipo de Maria Padilha, a luz do Mestre se</p><p>espalhava pelo mundo alegrando e consolando os corações, numa</p><p>fulgurante ciranda de Luz e de Amor!</p><p>O Nome de Maria</p><p>Eliane Arthman</p><p>LIÇÃO DO FILÓSOFO</p><p>Era uma vez um menino que nasceu numa importante cidade da Europa, por</p><p>volta do ano 1.000. Na verdade a sua cidade ficava num vale encantador,</p><p>cheio de lugares bucólicos, cachoeiras e cascatas exuberantes, com vasta</p><p>vegetação exótica.</p><p>Mas apesar de ser aquele um vale tão bem dotado pelas forças da natureza,</p><p>seus distraídos habitantes pouco se preocupavam com o equilíbrio e a</p><p>harmonia do lugar, achando ser toda aquela beleza obra de mero acaso e não</p><p>uma singela benção de Deus.</p><p>Jamais procuraram entender que Amor, Fé e Caridade, são adquiridos</p><p>através de exercício constante, que liberta o espírito das próprias limitações.</p><p>Não atentavam para o detalhe de que o amor liberta e a caridade redime,</p><p>quando unidos à força da fé.</p><p>Devido às más influências do lugar, que era conhecido em toda a Europa</p><p>como um vale de devassidão, onde a maioria das pessoas se entregava a</p><p>todo tipo de apelos inferiores, os pais do menino, que eram ricos</p><p>comerciantes no lugar, resolveram mandá-lo para casa de parentes na</p><p>Grécia, onde ele ingressaria na Escola de Medicina, mesmo estando ainda</p><p>com treze anos de idade.</p><p>E, assim, o menino cresceu envolto por boas inspirações, tornando-se</p><p>excelente cirurgião, professor catedrático, além de formar-se em Filosofia.</p><p>Apesar de sua religiosidade, ele jamais pudera compreender Deus que, para</p><p>ele, era a sua própria sabedoria, que lhe abria todas as portas e que lhe fazia</p><p>julgar-se acima do bem e do mal.</p><p>Tão logo aposentou-se, aos setenta anos de idade, o filósofo resolveu</p><p>retornar à sua bela casa, onde passara toda a infância, pois sentia-se</p><p>saudoso daquele lugar tão encantador, apesar da péssima reputação de seus</p><p>habitantes.</p><p>Bem instalado em sua confortável residência, o filósofo aprofundou-se em</p><p>assuntos que envolviam um certo misticismo, como vida após a morte,</p><p>reencarnação, fenômenos espirituais e todo tipo de ciência oculta. Jamais se</p><p>preocupara em cumprimentar qualquer pessoa do lugar, pois os considerava</p><p>gentalha ignorante demais para ouvir-lhe o verbo inspirado.</p><p>Todas as manhãs e fins de tarde, ele rezava com todo o fervor de sua alma,</p><p>para que sempre pudesse gozar</p><p>de boa saúde tanto física quanto mental,</p><p>pois detestava qualquer tipo de sofrimento, já que só conhecera o sucesso, a</p><p>fama e a sorte.</p><p>Com os olhos fixados nos suaves contornos das montanhas, ele pedia</p><p>bençãos a Jesus, para que pudesse estar a salvo de quaisquer influências</p><p>perniciosas das medíocres pessoas do lugar.</p><p>"Ah! Jesus, não permita que o erro dessa gente me possa induzir aos</p><p>pecados da carne e da luxúria!", rogava ele em todas as suas orações.</p><p>Aos cem anos de idade, sem nenhum sofrimento, o filósofo deixou o corpo,</p><p>consciente de sua morte física e, rapidamente em espírito, galgou o alto das</p><p>montanhas, onde sempre planejara instalar-se logo que desencarnasse.</p><p>E do alto das montanhas, mas não acima da sabedoria que achava possuir, o</p><p>filósofo passou a desfrutar de sua adorável vida espiritual, onde, sem saber,</p><p>limitava-se à própria ignorância, lamentando profundamente as trevas nas</p><p>quais estavam mergulhadas as pessoas daquele lugar.</p><p>Mas numa noite, quatro anos após sua morte, quando já dormia, o filósofo</p><p>assustou-se com um estranho barulho, que o fez despertar. Ergueu-se</p><p>sonolento e espantou-se ao ver o vale que até entao era só trevas, envolto</p><p>por fulgurante luz, que parecia rebrilhar no mundo inteiro. Era tanta luz e</p><p>tanta beleza, que seus joelhos se vergaram, fazendo-o ajoelhar-se e cair em</p><p>prantos. Vendo uma bela senhora aproximar-se, rogou que esta lhe</p><p>explicasse o que estava ocorrendo. "Será que enlouqueço sem me dar conta</p><p>disso?", perguntou ele. Sorrindo ela respondeu-lhe que Jesus estava lá no</p><p>vale, instruindo os seus rebeldes habitantes. Diante de sua admiração, a</p><p>senhora resolveu levá-lo até a principal praça do vale, para que ele mesmo</p><p>pudesse testemunhar o que ocorria. E assim, amparado por aquela bela</p><p>senhora, o filósofo adentrou a praça do vale, lotada por quase todos os seus</p><p>habitantes.</p><p>Curioso, tentou visualizar Jesus em meio a aglomeração, mas nada o</p><p>chamou a atenção. Distraído, percebeu que no palanque havia um homem</p><p>com ares de fidalgo descuidado, com uma garrafa de Whisky numa das</p><p>mãos. Trajado como um rico homem, ele usava blusa branca de mangas</p><p>bufantes, mas desabotoadas até à cintura, o que causou péssima impressão</p><p>no filósofo, que jamais aceitara certas demonstrações de indisciplina. Mas as</p><p>histórias que aquele homem estava a contar eram por demais interessantes</p><p>para que ele perdesse seu tempo em inúteis e veladas críticas aos seus</p><p>semelhantes. Depois de ouvir algumas histórias, o filósofo reparou na</p><p>platéia. Ninguém desviava os olhos daquele homem e ora riam, ora se</p><p>emocionavam profundamente. Enquanto ele falava, ninguém pronunciava</p><p>palavra alguma, como se todo universo tivesse conspirado para ouvi-lo falar.</p><p>Reparou que as histórias, apesar de conterem profundos ensinamentos</p><p>filosóficos, eram tão inteligíveis, que até mesmo as crianças eram capazes</p><p>de compreendê-las. A emoção daquele homem era capaz de estender-se a</p><p>toda sua respeitosa platéia, que parecia compartilhar sentimentos jamais</p><p>vivenciados por nenhum deles.</p><p>Ao olhar o céu, o filósofo o viu aberto, como se uma clareira houvesse se</p><p>formado, para que os que estavam diante do trono de Deus, pudessem</p><p>também ouvir aquelas singelas histórias. Notou que no alto das montanhas</p><p>que circundavam o vale, espíritos de valentes guerreiros, chefes de Nações</p><p>indígenas, vestidos com seus trajes cerimoniais, deixavam suas lanças de</p><p>guerra cravadas na terra, como que para ceder forças ectoplásmicas a todos</p><p>os que se encontravam no lugar. Em torno da praça pode ver todas as</p><p>hierarquias celestes, como as Santas Potestades, Santos Tronos, Santas</p><p>Virtudes, Santos Principados e Santas Dominações, vibrando em cores tão</p><p>bonitas, que pareciam compor canções jamais ouvidas pelos restritos</p><p>sentidos humanos.</p><p>Quando voltou sua atenção para o homem do palanque, reparou que de seu</p><p>peito jorrava uma luz no tom rubi, que envolvia a todos os que ali estavam. E</p><p>no meio de tão maravilhosa luz, no peito do homem, o filósofo pode</p><p>visualizar um coração envolto por uma coroa de espinhos. A emoção</p><p>causada por aquela visão o fez cair de joelhos e vergar sua nevada cabeça.</p><p>Mas ele ainda pode ver o homem do palanque voltar seu carinhoso olhar em</p><p>sua direção, como que para incentivá-lo na percepção de verdades ainda</p><p>ocultas por suas próprias limitações.</p><p>Fez-se, então, um silêncio mágico em toda aquela humilde platéia, que intuía</p><p>profundo respeito por aquele homem que se encontrava no palanque. A</p><p>própria natureza pareceu prender a respiração, para que nenhuma palavra,</p><p>nenhum sentido e nenhuma lição fossem perdidos naquele momento. E o</p><p>homem falou:</p><p>- Não há vantagem em o pequeno buscar o grande. Sublime é quando o</p><p>grande vence todos os obstáculos para vir ao encontro do pequeno. E</p><p>somente o amor é capaz de vencer todos os obstáculos. O homem habituou-</p><p>se ao intelecto, a palavras bonitas e rebuscadas, à ciência avançada e</p><p>posturas diferenciadas, esquecendo-se das coisas simples. Simples é o</p><p>amor! Quem ama perdoa, procura, se interessa, tudo aceita e abraça mesmo</p><p>com as roupas sujas. Quem ama entra na casa de móveis empoeirados, de</p><p>chão de terra, mesa vazia e de bocas famintas, mesmo que seja só para levar</p><p>o consolo, o caminho, a verdade e a vida!</p><p>Devemos sempre fazer de nossa sabedoria uma escada por onde possamos</p><p>descer, só para levar a luz àqueles que procuram a Verdade!</p><p>Todos ali pareciam cheios d'uma inteligência sobrenatural. Era como se</p><p>aquela clareira que unia a terra ao céu, pudesse também lhes abrir o</p><p>raciocínio e até a própria alma. Era como se todos estivessem mergulhados</p><p>num líquido amniótico, que os tornasse irmãos, mesmo que nunca se</p><p>tivessem visto. Pareciam estar dentro do mesmo útero, da mesma vida, da</p><p>mesma história, com um sentido único, fazendo parte de um mesmo</p><p>contexto que os fazia compreender que vieram do mesmo Pai e que para o</p><p>mesmo Pai voltariam, através de um irmão mais sábio que viera somente</p><p>para uni-los. E naquele sagrado momento, finalmente compreendiam o</p><p>verdadeiro sentido do amor, mesmo que jamais o tivessem vivenciado em</p><p>seus corações, temerosos em demonstrá-lo, pois o amor sempre fora</p><p>confundido com fraqueza, assim como a compreensão sempre fora</p><p>confundida com a covardia.</p><p>O humilde homem tornou a falar:</p><p>-Diante do trono de Deus, sob a luz da sua infinita misericórdia, quem dentre</p><p>todos nós seria o mais sábio ou o mais ignorante? Quem seria o puro ou o</p><p>profano, o justo ou o pecador, se aconchegados em Seu divino regaço e sob</p><p>a proteção do Seu divino olhar, não conseguimos identificar as nossas</p><p>próprias limitações ou nossas mais nobres capacidades? Isso é o Amor que</p><p>Deus Pai nos ensinou.</p><p>Emocionado o homem do palanque baixou sua nobre face, que foi oculta,</p><p>então, por seus longos cabelos claros.</p><p>Profundamente tocado no espírito, o velho filósofo sentiu um suave toque</p><p>em seu ombro. Era aquela bela Senhora que o erguia do chão.</p><p>- Não se deve perder tempo na culpa, pois que o Pai celestial jamais condena</p><p>os erros dos seus filhos! O erro é a benção que nos permite apreender</p><p>melhor as lições!</p><p>E amparado por aquela majestosa Senhora, o espírito do velho filósofo</p><p>galgou o infinito, consolado pela eternidade que sempre nos ensina sua tão</p><p>sábia e singela lição:</p><p>"Jamais é tarde para aprender, quando se conhece a eternidade..."</p><p>Eliane Arthman</p><p>(Com o Mestre, aos 13 anos)</p><p>Maria Madalena</p><p>Maria Madalena caminhava ansiosa por seu jardim, beirando o muro que</p><p>dava para a rua de sua luxuosa casa. Há dias ela vinha escutando um homem</p><p>a falar sobre algo chamado de 'O Reino de Deus' e sua voz poderosa parecia</p><p>burilar todo o ser de Madalena, como nunca acontecera antes. Ela era uma</p><p>mulher muito culta e inteligente, além de possuir beleza arrebatadora e fora</p><p>do comum, mas nunca se apegara à religião alguma.</p><p>Em sua mansão na Galiléia, recebia artistas de várias áreas de atuação, que</p><p>sempre lhe traziam presentes belos e valiosos, como jóias, tecidos bordados</p><p>com pedrarias e óleo sobre tela de variados temas.</p><p>Muitas vezes ela e seus</p><p>convidados passavam noites conversando, trocando</p><p>ideias e instruindo-se uns aos outros, de forma alegre e pacífica. Madalena</p><p>jamais fora vulgar, mas era uma mulher visada por sua cultura e forma de</p><p>viver!</p><p>Mas naquela manhã, depois de passar dias curiosa sobre a identidade do</p><p>homem que falava para uma pequena multidão no lado de fora de sua casa,</p><p>resolvera mandar seu jardineiro procurá-lo. O jardineiro fora incumbido de</p><p>trazer o homem, convidando-o para um café da manhã junto a ela.</p><p>Já passava do meio-dia quando o jardineiro chegou e contou tudo o que</p><p>ouvira do homem. Madalena notou que o rapaz estava diferente, com um</p><p>certo brilho no olhar e com uma entonação na voz que causou nela uma</p><p>ligeira tontura.</p><p>Ele disse que o tal homem se chamava João Batista e que se intitulava</p><p>emissário de Deus. Quando o jardineiro finalmente conseguira chegar até</p><p>ele, para convidá-lo a ir até sua patroa, João Batista respondera que Deus</p><p>não ia até as pessoas, mas sim as pessoas que iam até Ele.</p><p>Apesar de ser uma mulher forte e equilibrada, Madalena não conseguiu deter</p><p>as lágrimas. Pela primeira vez na vida se sentira fraca e rejeitada!</p><p>No dia seguinte, após o dejejum, ela vestiu-se e saiu à rua, em busca de João</p><p>Batista.</p><p>Depois de algum tempo de intensa procura, descobriu que ele havia sido</p><p>preso por Herodes e que Salomé, sobrinha dele, havia pedido a sua cabeça</p><p>numa bandeja de prata.</p><p>Abalada, Madalena caminhou pela rua e ao ver uma pequena aglomeração,</p><p>aproximou-se.</p><p>Logo, ouviu uma voz que lhe abalou o coração. Era a voz de um homem, que</p><p>disseram chamar-se Jesus, falando tocantes palavras que lhe fizeram chorar,</p><p>com a mesma emoção com que chorara na tarde anterior. A maviosa voz,</p><p>que parecia ser a voz de um Anjo, falava mansamente:</p><p>"Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.</p><p>Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.</p><p>Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.</p><p>Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.</p><p>Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.</p><p>Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.</p><p>Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.</p><p>Bem-aventurados os que sofrem perseguição, por causa da justiça, porque</p><p>deles é o reino dos Céus.</p><p>Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo,</p><p>disserem todo o gênero de calúnias contra vós, por Minha causa.</p><p>Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa nos Céus;</p><p>porque também assim perseguiram os profetas que vos precederam".</p><p>A partir daquele dia, Madalena nunca mais foi a mesma. Ela seguia o Mestre</p><p>para onde quer que fosse e aprendeu tudo sobre o amor e a humildade com</p><p>Ele. E O ouvia sempre falar que somente o Pai poderia dar a ela o Dom de</p><p>aprender, já que esse Dom é um privilégio dado a poucos.</p><p>Mas, num certo dia, os homens maus e invejosos O perseguiram e pregaram</p><p>numa cruz.</p><p>E quando Ele fechou Seus divinos olhos para o mundo, Madalena sentiu-se</p><p>desfalecer.</p><p>Mas três dias depois, sentada à porta do Santo Sepulcro, ela pode ver,</p><p>admirada, seu divino Mestre ressuscitado, que voltara do reino da morte,</p><p>para continuar instruindo o seu amado rebanho!</p><p>'Cordeiro de Deus, que tirou os pecados do mundo, dai-nos a Paz, a Tua</p><p>infinita Paz!'</p><p>Obrigada, Jesus, por não desistir de nós!</p><p>Eliane Arthman</p><p>A DESTRUIÇÃO DE ATLÂNTIDA</p><p>Por volta de 11.600 antes de Cristo, Atlântida era uma grande Ilha.</p><p>Muitos de seus habitantes cultuavam Deus e frequentavam o Templo da</p><p>Fraternidade Branca, onde os sete Raios Sagrados e seus ascensionados</p><p>Mestres eram profundamente reverenciados.</p><p>Atlântida era muito desenvolvida e contava com muitos astrônomos e</p><p>meteorologistas renomados, que controlavam os ventos e as águas.</p><p>Com o suporte de engenheiros autodidatas, a cidade foi minuciosamente</p><p>planejada e construída.</p><p>Próximo ao continente no qual Atlântida estava localizada, ficava o</p><p>Continente da Lemúria. Mas lemúria não era tão avançada e seus habitantes</p><p>buscavam os Templos da Fraternidade Branca, com o objetivo de obter cura</p><p>para seus males, tanto físicos quanto espirituais. Os lemúrios não tinham</p><p>acesso à fé nem muito menos aos deuses. Por saberem ser os atlantes mais</p><p>avançados e privilegiados que eles, os lemúrios os invejavam</p><p>profundamente.</p><p>E devido a certos problemas advindos de situações geradas por esse ódio e</p><p>inveja inconfessos, os lemúrios começaram a praticar a magia contrária</p><p>àquela exercida pelos atlantes: a Magia Negra.</p><p>A princípio seus nocivos efeitos não foram sentidos.</p><p>Mas algo em torno de dez anos depois, os atlantes começaram a negligenciar</p><p>a religião e a adoecer mais facilmente. Os deuses tentaram alertá-los de</p><p>várias formas, para que se mantivessem vigilantes, mas foram</p><p>completamente ignorados.</p><p>Logo, armas começaram a ser fabricadas e os animais começaram a se</p><p>esconder, temerosos dos humanos.</p><p>Certa manhã, muitos habitantes notaram ventos estranhos e águas que</p><p>brotavam nas ruas. Os meteorologistas foram avisados, mas também não</p><p>conseguiram decifrar o enigma. Porque as águas não se mantinham dentre</p><p>as suas comportas, como sempre estiveram? Porque os ventos sopravam</p><p>com tanta força, vindos de uma direção completamente desconhecida até</p><p>então?</p><p>Esses fatos começaram a ocorrer e jamais pararam, causando sérios</p><p>transtornos em toda Ilha.</p><p>Numa reunião de emergência, os deuses notificaram aos anciãos dos</p><p>Templos, que Atlântida estava prestes a sofrer um sério cataclismo, que a</p><p>faria afundar no oceano, para nunca mais emergir!.</p><p>As sete Chamas Sagradas, que são as Chamas Azul, Amarela, Rosa, Branca,</p><p>Verde, Rubi e a Violeta, deveriam ser levadas para um outro continente.</p><p>E assim, muitas caravelas saíram de Atlântida, tomando um rumo traçado</p><p>pelos deuses. Chegando num lugar deserto, um rio foi criado (o Rio Nilo) e,</p><p>logo depois, uma esfinge, que começou a ser construída, com sua face</p><p>voltada para a Constelação de Leão.</p><p>(na época dos Faraós do Egito, os astrólogos se perguntavam porque foi</p><p>erigida uma esfinge com cara de Leão , voltada para a Constelação de Touro!</p><p>A datação feita pela NASA, prova que o topo da pirâmide principal é de 11.00</p><p>ac) Os maquinários que trouxeram, lhes permitiram edificar três pirâmides e</p><p>estabelecerem-se no lugar.</p><p>(Engenheiros não solucionaram até hoje os problemas logísticos implicados</p><p>no levantamento de pedras de tal magnitude. Teria sido impossível movê-las</p><p>manualmente e colocá-las com tal perfeição, cimentadas entre si, na pequena</p><p>área de trabalho)</p><p>Pouco tempo depois, Atlântida sofreu um terremoto devastador, que a fez</p><p>afundar no oceano para sempre!</p><p>Platão ainda pode ver alguns resquícios dessa Civilização que se perdeu.</p><p>..."Ocorreram impressionantes terremotos e inundações e sobrevieram um</p><p>dia e uma noite horríveis, quando a ilha de Atlântida foi tragada pelo mar e</p><p>desapareceu. Naquele local, o oceano tornou-se agora intransponível e</p><p>insondável.", escreveu Platão.</p><p>Interessante, não é?</p><p>Eliane Arthman</p><p>GIOTTO</p><p>Certa vez, Sua Santidade, o Papa (1296), mandou buscar em toda Roma,</p><p>artistas que pudessem abrilhantar os já tão famosos afrescos da basílica de</p><p>São Pedro.</p><p>Meses mais tarde os mensageiros voltaram, trazendo lindas obras.</p><p>Mas um deles, ao entregar sua mensagem, relatou que entrou numa taberna</p><p>cheia de homens rústicos e lá estava um homem chamado Giotto, que era</p><p>considerado um mestre na pintura na localidade.</p><p>Esse tal de Giotto, gargalhando ao saber tratar-se de um mensageiro do Papa</p><p>em busca de artistas talentosos, negligentemente desenhara aquele círculo</p><p>vazio e dobrara o papel de forma rápida e desrespeitosa, entregando-o ao</p><p>mensageiro.</p><p>O Papa mandou analisar aquele círculo e foi informado de que ele possuía</p><p>formas assimétricas perfeitas, como se tivesse sido feito com o auxílio de</p><p>algum instrumento de precisão, assim como fora dobrado de forma precisa.</p><p>O mensageiro arregalou os olhos e esclareceu à Sua Santidade que o homem</p><p>estava completamente alcoolizado e gargalhando</p><p>debochadamente quando</p><p>fez aquele círculo à mão livre!</p><p>Todos ficaram em silêncio, enquanto ouviam o Papa sussurrar admirado:</p><p>"A perfeição é a manifestação do poder!"</p><p>Eliane Arthman</p><p>OS FRUTOS DA OBEDIÊNCIA</p><p>Pai João se retirou para viver no deserto de Scete, ao lado de um outro</p><p>ancião de Tebas. Os dois viviam mergulhados em meditações e orações.</p><p>Muitas vezes, quando alguns discípulos os procuravam em busca de</p><p>conhecimento, eram carinhosa e eficientemente orientados pelos dois</p><p>eremitas.</p><p>Mas havia um que era especial: Alef. Ele chegara e nunca mais se fora, pois</p><p>tinha sede e fome de conhecimento.</p><p>Para onde pai João ia, Alef ia também, sempre servindo e prestando atenção</p><p>em tudo que seu mestre falava.</p><p>O deserto era quente e árido, castigando a pele, além de endurecer as mãos</p><p>e os pés de todos que ousavam enfrentar as suas duras leis naturais.</p><p>À noite o frio seco era resistente à qualquer agasalho que se colocasse e</p><p>durante o dia os olhos eram constantemente arranhados pela areia fina e</p><p>franzidos devido à luminosidade do sol.</p><p>Ano após ano havia a fome, a sede e o sacrifício diário de redenção e de</p><p>entrega.</p><p>Era um sublime exercício de resignação, que afrouxava os laços que os</p><p>prendiam à si mesmos!</p><p>Certo dia, pai João pediu que Alef plantasse um pedaço de pau seco e que o</p><p>regasse com água fresca todas as manhãs até que desse frutos.</p><p>Sem reagir ou questionar, com o coração puro em fé e humildade, Alef o</p><p>plantou, acatando as ordens do mestre, quanto a rega diária daquela</p><p>"semente".</p><p>A água ficava a duas horas de distância, numa perigosa caminhada por entre</p><p>o deserto repleto de serpentes venenosas, escorpiões e de tantos outros</p><p>animais peçonhentos.</p><p>Além disso, ocorriam terríveis tempestades de areia que começavam sem</p><p>nenhum aviso e que se prolongavam por horas intermináveis!</p><p>Mas Alef pouco se importava com isso e não se detinha de forma alguma,</p><p>mantendo seu passo firme, vencendo todas as adversidades do clima.</p><p>Três anos se passaram.</p><p>Numa certa manhã, quando Alef voltava de sua caminhada por entre o</p><p>deserto em busca de água reparou, ainda ao longe, uma frondosa árvore,</p><p>com densa copa, repleta de frutos.</p><p>Ele saíra nas primeiras horas da madrugada e notara que ali deixara apenas</p><p>um caule fino com parcos ramos e rala folhagem!</p><p>Aproximou-se devagar, surpreso com o que via, e jogou a água que trouxera</p><p>nas fortes raízes da árvore.</p><p>Então pai João pegou os frutos e levou-os à igreja, dizendo aos irmãos,</p><p>"peguem e comam os frutos da obediência!"</p><p>Padres do Deserto – By Eliane Arthman</p><p>Mahatma Gandhi</p><p>Depois de saber q fora condenado a mais três anos de prisão (ele já havia</p><p>cumprido seis anos anteriormente), Mahatma Gandhi, sempre humilde, falou</p><p>para todos os q assistiam àquele julgamento:</p><p>"Senhor Juiz, durante os seis anos q estive cativo, pude conviver tanto com</p><p>os soldados quanto com os prisioneiros.</p><p>Todos nós, tanto cativos quanto libertos, ríamos e cantávamos todas as</p><p>noites... Éramos realmente muito felizes!</p><p>Depois que deixei a prisão, o mundo me pareceu um grande barco a navegar</p><p>num mar tempestuoso, cheio de gente triste!</p><p>Observei q todos estavam presos a preconceitos, padrões e posições</p><p>sociais...</p><p>Logo, Meretíssimo, concluí que liberdade ou prisão são condições do</p><p>espírito de cada um!"</p><p>Anos depois ele resolveu ir à Inglaterra, pedir à Elizabeth II que libertasse a</p><p>Índia do jugo inglês. Sem nenhuma arma na mão, descalço e de cabeça</p><p>baixa, Gandhi, formado em direito em Harvard e filho único de um dos</p><p>homens mais ricos da Índia, conseguiu que a Rainha descesse do púlpito,</p><p>quebrasse o protocolo e devolvesse a Índia aos indianos!</p><p>Eliane Arthman</p><p>Sócrates</p><p>Sócrates (470 ou 469 a.C), sábio grego, soube que em Atenas, sua cidade</p><p>natal, vivia o homem mais inteligente do mundo.</p><p>Mas ao ouvir de um Oráculo q ele mesmo, Sócrates, era esse tal homem,</p><p>ficou profundamente decepcionado, pronunciando, assim, sua mais famosa</p><p>frase:</p><p>"Eu só sei q nada sei!"</p><p>E no momento de sorver a cicuta, veneno mortal que a sociedade o obrigou a</p><p>beber, uma "espetadela" em seus algozes:</p><p>"...gostariam de ouvir meu choro e meus lamentos, fazendo e dizendo todo o</p><p>tipo de coisas que eu considero indignas de mim, mas que vocês estão</p><p>habituados a ouvir de outras pessoas.</p><p>Mas eu não admito que devesse recorrer ao servilismo porque estava em</p><p>perigo, e não me arrependo agora de ter-me assim defendido.</p><p>Prefiro muito mais a morte como resultado desta defesa, do que viver por ter</p><p>agido da outra forma.</p><p>Quanto ao futuro, quero fazer uma previsão aos que me condenaram.</p><p>Eu afirmo a vocês, meus carrascos, que, tão pronto esteja morto, a vingança</p><p>fará tombar sobre vocês, uma punição bem mais dolorosa do que a minha</p><p>morte.</p><p>Vocês me condenaram à morte na crença de que, por meio dela, se livrarão</p><p>da crítica à sua conduta, mas eu afirmo, o resultado será exatamente o</p><p>oposto. (....)</p><p>Se vocês esperam que cesse a denúncia da sua maneira errada de viver,</p><p>condenando as pessoas à morte, existe algo de muito errado no seu</p><p>raciocínio. Esta forma de escapar à crítica não é nem possível nem honrosa.</p><p>Melhor forma, e a mais fácil não é calando a boca de outros, mas sim</p><p>tornando-se pessoas justas. Esta é a minha última mensagem aos que me</p><p>condenaram. (....)</p><p>Mas eis que chegou a hora de partir, eu para morrer, vós para viver!</p><p>Qual de nós terá melhor sorte? Ninguém o sabe, somente Deus!"</p><p>Sócrates e Jesus, foram as únicas figuras da história, que jamais escreveram</p><p>uma só linha a respeito de si mesmos e que, também, jamais se defenderam!</p><p>Eliane Arthman</p><p>ORUNMILÁ</p><p>O Senhor de todos os Oráculos</p><p>Toto Ibara foi quem adivinhou para Orunmilá quando ele lamentava sua falta</p><p>de sorte na vida. Ele consultou seu adivinho para saber se teria dinheiro para</p><p>poder ter um lar.</p><p>Por essa razão foi consultar o Ifá (Oráculo).</p><p>Seus adivinhos o aconselharam a fazer um ebó com cinco galinhas.</p><p>Fazendo esse ebó, no quinto dia, toda a riqueza desejada lhe chegaria às</p><p>mãos. Tudo deveria ser entregue a seu Eledá, diariamente, até completar</p><p>cinco dias.</p><p>O trabalho seria colocado em uma cabaça, coberta com azeite de dendê e</p><p>levada a uma encruzilhada.</p><p>A caminho da encruzilhada onde seria entregue a oferenda, deveria ir</p><p>cantando alto:</p><p>"Que a sorte venha a mim, que a sorte venha a mim!"</p><p>Esse ritual deveria se repetir por cinco dias.</p><p>Orunmilá fez conforme foi orientado. Imediatamente ele começou a fazer o</p><p>ebó.</p><p>Havia um mato em frente à encruzilhada onde Orunmilá entregava as</p><p>oferendas e, exatamente ali, vivia Igun, filho de Olodumare.</p><p>Assim que Orunmilá deixava os ebós e saía dali, Igun ia lá e comia a</p><p>oferenda.</p><p>Igun, filho de Olodumare, tinha cinco doenças:</p><p>a cabeça coberta de feridas, os braços mirrados, o peito estufado, corcunda</p><p>nas costas e era aleijado dos pés.</p><p>Na manhã do sexto dia, depois de ter comido as oferendas de Orunmilá, Igun</p><p>se viu curado de todos os males!</p><p>A sorte, antes de chegar a quem a pediu, chegou ao outro, que se alimentou</p><p>com a comida ofertada.</p><p>Impressionado com esses fatos Igun levantou-se e foi ao Orun para</p><p>encontrar-se com Olodumare.</p><p>Este, logo percebeu que o filho estava curado e lhe perguntou quem o</p><p>curara.</p><p>Igun disse-lhe que quem entregava as oferendas era Orunmilá, que sempre</p><p>entoava o refrão – "Que a sorte venha a mim, que a sorte venha a mim!"</p><p>Olodumare resolveu presentear quem havia proporcionado a cura e o alívio a</p><p>Igun e, assim, pegou quatro ados (dons, graças) e os deu a Igun para que os</p><p>levasse a Orunmilá, no aye.</p><p>Antes de Igun sair do Orun, Olodumare recomendou à Igun que Orunmilá</p><p>poderia escolher apenas um dos quatro ados e Igun deveria trazer de volta</p><p>os três restantes – o ado da riqueza, que incluía dinheiro e prosperidade, o</p><p>ado da fertilidade, o ado da longevidade e o ado da paciência.</p><p>Ao chegar, foi à casa de orunmilá e lá mostrou a ele os quatros ados.</p><p>Orunmilá se surpreendeu muito.</p><p>Em dúvida quanto ao que fazer, mandou chamar os filhos a fim de lhes pedir</p><p>conselho sobre qual dos quatro deveria escolher e eles recomendaram que</p><p>escolhesse o ado da longevidade.</p><p>Consultadas as esposas, elas o aconselharam a escolher o ado da</p><p>Fertilidade para que pudesse ter muitos filhos.</p><p>Orunmilá chamou seus irmãos a fim de lhes pedir conselho sobre qual dos</p><p>quatro deveria escolher.</p><p>Os irmãos o aconselharam a escolher o ado da prosperidade para que</p><p>pudesse ter muita riqueza e dinheiro.</p><p>Logo, Orunmilá mandou chamar seu melhor amigo que era Exu.</p><p>Quando Exu chegou a sua casa, Orunmilá relatou-lhe o ocorrido e lhe pediu</p><p>conselho quanto à escolha que deveria fazer.</p><p>Exu, homem hábil e prático, fez as seguintes perguntas à Orunmilá:</p><p>"Teus filhos te aconselharam a pedir que ado?"</p><p>Orunmilá respondeu: "O da Longevidade".</p><p>Exu lhe disse para não escolher esse ado porque não há uma única pessoa</p><p>que tenha vencido a morte e lembrou que, por mais tempo que se viva, se</p><p>morre um dia.</p><p>Exu perguntou então: "E tuas esposas te aconselharam a escolher qual</p><p>ado"?</p><p>Orunmilá respondeu: "A Fertilidade".</p><p>Exu lhe disse para não escolher esse ado porque Orunmilá já tivera filhos.</p><p>Perguntou de novo: "E teus irmãos? Aconselharam-te a escolher qual ado"?</p><p>Orunmilá respondeu: "O da Prosperidade".</p><p>Exu lhe disse para não escolher esse ado porque se ficasse rico eliminaria a</p><p>pobreza da família, acrescentando que se seus irmãos quisessem prosperar</p><p>deveriam ir trabalhar.</p><p>Orunmilá perguntou então a Exu qual dos ado deveria escolher.</p><p>E Exu lhe disse para escolher o ado da Paciência porque sua Paciência era</p><p>insuficiente pra permitir que chegasse onde desejava. Caso Orunmilá</p><p>seguisse esse conselho e escolhesse o ado da Paciência, todos os ados</p><p>restantes seriam seus.</p><p>Orunmilá aceitou a orientação de Exu e devolveu a Igun os três restantes.</p><p>Nem os filhos nem as esposas, nem os irmãos ficaram felizes com a escolha.</p><p>Igun partiu então, de volta, levando consigo os três ados restantes para</p><p>devolvê-los a Olodumare.</p><p>Mal andara um pouco com eles o ado da riqueza lhe perguntou:</p><p>"Onde está o ado da Paciência?"</p><p>Igun respondeu que ela ficara na casa de Orunmilá.</p><p>O ado da Riqueza disse a Igun que voltaria para ficar com o ado da Paciência</p><p>porque só ficaria no lugar onde a Paciência estivesse.</p><p>Igun lhe disse que isso era inaceitável e que Riqueza parasse de reclamar,</p><p>pois deveria retornar com ele ao Orun.</p><p>Riqueza insistiu que só ficaria onde há paciência e que, por isso, não tinha</p><p>porque retornar ao Orun.</p><p>Em pouco tempo Riqueza desapareceu da mão de Igun e foi juntar-se à</p><p>Paciência na casa de Orunmilá.</p><p>Igun foi levando os ados restantes para Olodumare.</p><p>Mas todos os outros ados desapareceram das mãos de Igun para juntar-se à</p><p>Paciência.</p><p>Quando Igun chegou ao Orun, Olodumare lhe perguntou onde estavam os</p><p>três ados restantes.</p><p>Igun lhe respondeu que todos os ados haviam querido ficar junto com</p><p>Paciência na casa de Orunmilá. E que pretendia retornar ao aye para buscá-</p><p>los e trazê-los de volta ao Orun.</p><p>Olodumare lhe disse que ele não precisava ir buscar os três ados, pois de</p><p>fato, todos pertencem a quem escolher Paciência.</p><p>Quem tiver Paciência terá longevidade, fertilidade, prosperidade e viverá bem</p><p>com o que procriar e terá, também, riqueza.</p><p>Assim tudo transcorreu bem com Orunmilá que, com essas graças, veio a</p><p>ser Rei de Ketu.</p><p>Procriou e viveu bastante com esses ados. Teve tanta riqueza que construiu</p><p>casas pelo mundo.</p><p>Feliz por suas conquistas, Orunmilá montou em seu cavalo e cantou:</p><p>"Recebi o ado da Riqueza! Recebi o ado Fertilidade! Recebi o ado da</p><p>Longevidade! Oh! Recebi o ado da Paciência!".</p><p>Dançou e alegrou-se.</p><p>Louvou seus adivinhos e louvou também a Exu, o seu grande amigo.</p><p>Essa é a história de Orunmilá, o Rei do Ketu!</p><p>Axé e muita Luz para todos!</p><p>Não é o máximo?!</p><p>Salve Orunmilá!</p><p>Hipátia</p><p>Hipátia era filha de Téon de Alexandria, um renomado filósofo, astrônomo,</p><p>matemático, autor de diversas obras e professor em Alexandria. Criada em</p><p>um ambiente de idéias e filosofia, tinha uma forte ligação com o pai, que lhe</p><p>transmitiu, além de conhecimentos, a forte paixão pela busca de respostas</p><p>para o desconhecido. Diz-se que ela, sob tutela e orientação paternas,</p><p>submetia-se a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helênico de</p><p>ter a mente sã em um corpo são.</p><p>Aos 30 anos já era diretora da Academia de Alexandria, sendo muitas as</p><p>obras que escreveu nesse período.</p><p>Um dos seus alunos foi o notável filósofo e bispo Sinésio de Cirene (370 -</p><p>413), que lhe escrevia freqüentemente, pedindo-lhe conselhos. Através</p><p>destas cartas, sabemos que Hipátia desenvolveu alguns instrumentos</p><p>usados na física e na Astronomia, entre os quais o Hidrômetro.</p><p>Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam</p><p>porque jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade!</p><p>O seu fim trágico se desenhou a partir de 412 dc, quando Cirilo foi nomeado</p><p>Arcebispo de Alexandria, título de dignidade eclesiástica, usado em</p><p>Constantinopla, Jerusalém e Alexandria. Ele odiava Hipátia, por sua</p><p>sabedoria e cultura que, para a igreja primitiva, representava o paganismo.</p><p>Apesar das ameaças de Cirilo, ela continuou seu trabalho, como diretora da</p><p>Biblioteca de Alexandria, até que no ano de 415 dc, foi cercada por monges,</p><p>paroquianos e seguidores de Cirilo, despida e esfolada até a morte, com</p><p>cacos de cerâmica. Seus restos foram queimados, suas obras</p><p>completamente destruídas e Cirilo canonizado!</p><p>Abaixo, uma de suas frases:</p><p>"Governar acorrentando a mente através do medo de punição em "outro</p><p>mundo" é tão baixo quanto usar a força!".</p><p>A MORDIDA DO CAMELO</p><p>Era uma vez, a menos de mil milhas daqui, uma criança que apesar de sua</p><p>pouca idade tinha uma grande experiência no cuidado de suas ovelhas. Suas</p><p>pernas eram finas, mas fortes. Os pés, que levava sem sapatos, foram</p><p>endurecidos, sem dúvida nenhuma, pelo trabalho, e em seu olhar havia mais</p><p>luz do que o ouro refletido nas areias do deserto, quando ao descer, o sol</p><p>avisa aos homens que a noite está próxima.</p><p>Yadir, era o nome do menino. E sempre, ao entardecer, descia das</p><p>montanhas com seus animais até sua pequena casa. A jornada do dia</p><p>sempre era difícil para ele.: Ele tinha procurado relva para o rebanho e, ao</p><p>contrário, no seu alforje de lã, havia apenas um pouco de pão – o necessário</p><p>para suprir a fome – e apenas a água essencial para refrescar os lábios.</p><p>Certa noite, numa reunião de cameleiros, Yadir escutou que o homem que</p><p>tem Deus em seu coração estava "mordido por um camelo", e que essa</p><p>mordida não cicatrizava nunca. A princípio era dolorosa, em seguida doce e,</p><p>ao final da vida, quando o corpo jazia abandonado no terreno, viajava com a</p><p>essência do homem para se fundir às estrelas. Yadir sonhou nesta noite que</p><p>cem camelos o perseguiam.</p><p>Passou um longo tempo, e em um entardecer, intuitivamente, Yadir ajoelhou-</p><p>se e beijou a areia. De seus lábios brotaram palavras de fé, e seu rosto de</p><p>adolescente, como uma bússola encontrou a sua direção. A mordida do</p><p>camelo estava em seu coração.</p><p>Desde esse dia, Yadir aprendeu muitas coisas com particular precisão.</p><p>Quando o vento soprava baixinho, sussurrando contos aos seus ouvidos.</p><p>Quando ao ser movidas pelo ar, as areia desenhavam estranhas geometrias.</p><p>Quando o aceno dos juncos lhe deu a música. E quando em um vermelho</p><p>entardecer, um forte vento levantou as areias, fazendo-as girar com</p><p>espantosos movimentos, Yadir aprendeu a dançar. Seu coração sangrava</p><p>mais a cada dia.</p><p>Quando Yadir deixou o deserto, o sol já não estava no horizonte. Um débil</p><p>brilho dourado o iluminou brevemente e a escuridão o acariciou por toda a</p><p>noite. No brilhante amanhecer, diante dos seus olhos assombrados apareceu</p><p>a cidade, cujas cúpulas mirabolantes encheram suas pupilas de reflexos.</p><p>Yadir sentiu medo, mas o vento que cantava levemente fortificou seu</p><p>espírito. Os altos e esbeltos minaretes suavizaram as batidas do seu</p><p>coração, e entrou na confusa cidade com olhos espantados.</p><p>Aquela mudança de vida foi de grande importância para Yadir. Ele logo</p><p>encontrou trabalho como tingidor de lã, e logo aprendeu a arte de tecer</p><p>tapetes. O início foi difícil. Suas mãos não eram tão hábeis como os de seus</p><p>companheiros,</p>