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1- 1 - SUPERVISOR DA QUALIDADE FUNDAMENTOS E GESTÃO DA QUALIDADE 2 SUPERVISOR DA QUALIDADE FUNDAMENTOS E GESTÃO DA QUALIDADE 3 © PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S.A. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610, de 19.2.1998. É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, bem como a produção de apostilas, sem autorização prévia, por escrito, da Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRAS. Direitos exclusivos da PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S.A. BRUM, Dayse Orsida Fundamentos e Gestão da Qualidade / CEFET de Química de Nilóplis. Rio de Janeiro, 2007. 277 p.:il. PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S.A. Av. Almirante Barroso, 81 – 17º andar – Centro CEP: 20030-003 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil 4 INDICE CAPÍTULO I............................................................................................................................................ 12 INTRODUÇÃO À QUALIDADE .............................................................................................................. 12 1.1 Conceituando qualidade........................................................................................................ 12 1.2 Enfoques para definição da qualidade .................................................................................. 14 1.2.1 Abordagem Transcendental ......................................................................................... 14 1.2.2 Abordagem Baseada no Produto................................................................................. 15 1.2.3 Abordagem Baseada no Usuário ................................................................................. 15 1.2.4 Abordagem Baseada na Fabricação............................................................................ 15 1.2.5 Abordagem Baseada no Valor ..................................................................................... 16 1.3 Eras da qualidade ................................................................................................................. 16 1.3.1 Era da Inspeção – Foco no produto............................................................................. 17 1.3.2 Era do controle estatístico da qualidade ...................................................................... 18 1.3.3 Era da Garantia da qualidade ...................................................................................... 21 1.3.4 Era da gestão da qualidade ......................................................................................... 21 1.3.4.1 Toyotismo (produção enxuta).............................................................................. 22 1.4 Principais Gurus da Qualidade.............................................................................................. 24 1.4.1 Walter A. Shewhart ...................................................................................................... 24 1.4.2 William Edwards Deming ............................................................................................. 24 1.4.3 Joseph Moses Juran..................................................................................................... 29 1.4.4 Armand Vallin Feigenbaum .......................................................................................... 31 1.4.5 Philip B. Crosby ............................................................................................................ 31 1.4.6 Kaoru Ishikawa ............................................................................................................. 33 1.5 O fator humano na qualidade................................................................................................ 34 1.5.1 Frederick Winslow Taylor ............................................................................................. 34 1.5.2 Abraham Maslow.......................................................................................................... 35 1.5.3 Douglas McGregor ....................................................................................................... 36 1.5.4 Frederick Herzberg....................................................................................................... 37 1.6 As dimensões da qualidade total........................................................................................... 38 1.7 Explorando outros conceitos ................................................................................................. 43 1.7.1 Produtividade................................................................................................................ 43 1.7.2 Competitividade............................................................................................................ 43 1.7.3 Cliente .......................................................................................................................... 44 1.7.3.1 Cliente externo..................................................................................................... 44 1.7.3.2 Cliente interno...................................................................................................... 45 1.7.4 Organização ................................................................................................................. 45 1.7.5 Processo....................................................................................................................... 45 1.7.5.1 Problemas nos processos ................................................................................... 46 1.7.6 O Serviço também é um produto.................................................................................. 48 1.8 Custos da qualidade.............................................................................................................. 49 1.8.1 Custo da avaliação ....................................................................................................... 49 1.8.2 Custo da prevenção...................................................................................................... 50 1.8.3 Custo das falhas internas ............................................................................................. 50 1.8.4 Custo das falhas externas ............................................................................................ 50 1.8.5 Principais problemas relacionados à qualidade ........................................................... 50 1.9 A importância da satisfação do cliente .................................................................................. 51 1.10 Uma empresa de qualidade .................................................................................................. 52 1.11 Medição de desempenho...................................................................................................... 55 1.11.1 Benchmarck e benchmarking ....................................................................................... 55 1.11.2 Medindo a qualidade e a produtividade........................................................................ 55 1.12 A Gestão da qualidade.......................................................................................................... 60 1.12.1 Normalização técnica ................................................................................................... 60 1.12.2 Modelo para Gestão da Qualidade............................................................................... 61 5 CAPÍTULO II........................................................................................................................................... 62 Ferramentas para qualidade .................................................................................................................. 62 2.1 Diagrama de Pareto.............................................................................................................. 62 2.1.1 Diferentes usos do diagrama de Pareto ....................................................................... 63 2.2 Diagramas de dispersão ....................................................................................................... 63 2.2.1 Avaliação de diagramas de dispersão.......................................................................... 63 2.3 Histograma............................................................................................................................ 65 2.4 Listas de verificação.............................................................................................................. 67 2.4.1 Lista de verificação para distribuição do processo de produção .................................. 68 2.4.2 Lista de verificação para item defeituoso...................................................................... 68 2.4.3 Folha de verificação de localização de dados .............................................................. 69 2.5 Estratificação......................................................................................................................... 70 2.6 Diagrama de causa e efeito .................................................................................................. 70 2.6.1 Estrutura do diagrama de causa e efeito...................................................................... 71 2.6.2 Fatores críticos de sucesso do uso do diagrama: ........................................................ 72 2.6.3 Itens de controle (5W2H).............................................................................................. 72 2.7 Cartas de controle ................................................................................................................. 73 2.7.1 Tipos de Carta de Controle........................................................................................... 74 2.7.2 Processo Fora de Controle........................................................................................... 74 CAPÍTULO III.......................................................................................................................................... 76 ESTUDO E Interpretação da NBR ISO 9000 E 9001 ............................................................................ 76 3.1 As Normas ISO 9000 ............................................................................................................ 76 3.1.1 O Surgimento da Organização ISO.............................................................................. 76 3.1.2 Surgimento das Normas ISO Série 9000 ..................................................................... 77 3.2 O Papel da ABNT.................................................................................................................. 78 3.2.1 O Comitê Brasileiro da Qualidade - CB 25 ................................................................... 79 3.3 As revisões das normas ISO série 9000 ............................................................................... 81 3.3.1 A versão 2000 .............................................................................................................. 81 3.3.2 Outras normas aplicáveis aos Sistemas de Gestão ..................................................... 84 3.4 Princípios da gestão da qualidade ........................................................................................ 84 3.4.1 Foco no cliente ............................................................................................................. 85 3.4.2 Liderança...................................................................................................................... 85 3.4.3 Envolvimento das pessoas........................................................................................... 86 3.4.4 Abordagem de processos............................................................................................. 86 3.4.5 Abordagem sistêmica para a gestão ............................................................................ 87 3.4.6 Melhoria contínua ......................................................................................................... 88 3.4.7 Abordagem factual para a tomada de decisão ............................................................. 88 3.4.8 Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores ................................................ 89 3.5 Estudando a NBR ISO 9001:2000 ........................................................................................ 89 3.5.1 Seção 1: objetivo .......................................................................................................... 89 3.5.1.1 Item 1.1: Generalidades ...................................................................................... 90 3.5.1.2 Item 1.2: Aplicação .............................................................................................. 90 3.5.2 Seção 2: Referência normativa .................................................................................... 92 3.5.3 Seção 3: Termos e definições ...................................................................................... 93 3.5.4 Seção 4: Sistema de gestão da qualidade ................................................................... 95 3.5.4.1 Item 4.1: Requisitos gerais .................................................................................. 95 3.5.4.2 Item 4.2: Requisitos da documentação ............................................................. 100 3.5.5 Seção 5: Responsabilidade da direção ...................................................................... 109 3.5.5.1 Item 5.1: comprometimento da direção............................................................. 109 3.5.5.2 Item 5.2: Foco no cliente ................................................................................... 111 3.5.5.3 Item 5.3: Política da qualidade .......................................................................... 112 3.5.5.4 Item 5.4: Planejamento...................................................................................... 114 3.5.5.5 Item 5.5: Responsabilidade, autoridade e comunicação. ................................. 118 3.5.5.6 Item 5.6: Análise crítica pela direção ................................................................ 123 3.5.6 Seção 6 - Gestão de recursos .................................................................................... 127 3.5.6.1 Item 6.1: Provisão de recursos.......................................................................... 127 3.5.6.2 Item 6.2: Recursos humanos............................................................................. 128 6 3.5.6.3 Item 6.3: Infra-estrutura ..................................................................................... 131 3.5.6.4 Item 6.4: Ambiente de trabalho ......................................................................... 132 3.5.7 Seção 7 - Realização do produto ............................................................................... 134 3.5.7.1 Item 7.1: Planejamento da realização do produto............................................. 135 3.5.7.2 Item 7.2: Processos relacionados com o cliente ............................................... 136 3.5.7.3 Item 7.3: Projeto e desenvolvimento ................................................................. 141 3.5.7.4 Item 7.4: aquisição ............................................................................................ 149 3.5.7.5 Item 7.5: Produção e fornecimento do serviço.................................................. 152 3.5.7.6 Item 7.6:Controle de dispositivos de medição e monitoramento ...................... 161 3.5.8 Seção 8: medição, análise e melhoria........................................................................ 165 3.5.8.1Item 8.1: generalidades ..................................................................................... 166 3.5.8.2 Item 8.2: monitoramento e medição.................................................................. 168 3.5.8.3 Item 8.3: Controle de produto não-conforme .................................................... 177 3.5.8.4 Item 8.4: Análise de dados ................................................................................ 182 3.5.8.5 Item 8.5: Melhorias ............................................................................................ 184 Questões para revisão ..................................................................................................................... 192 CAPÍTULO IV ....................................................................................................................................... 204 Auditorias.............................................................................................................................................. 204 4.1 NBR ISO 19011................................................................................................................... 204 4.2 Princípios de auditoria......................................................................................................... 205 4.3 Tipos de Auditorias.............................................................................................................. 206 4.4 Gerenciando o programa de auditoria................................................................................. 206 4.4.1 Objetivos e Extensão do Programa de Auditoria........................................................ 207 4.4.2 Responsabilidade pela Gestão do Programa............................................................ 208 4.4.3 Recursos do Programa de Auditoria........................................................................... 208 4.4.4 Procedimentos do Programa de Auditoria.................................................................. 208 4.4.5 Implantação do Programa de Auditoria ...................................................................... 209 4.4.6 Registros do Programa de Auditoria........................................................................... 209 4.4.7 Análise Crítica e Melhoria do Programa de Auditoria ................................................. 210 4.5 Atividades de auditoria ........................................................................................................ 210 4.5.1 Início da Auditoria ....................................................................................................... 210 4.5.2 Realizando a Análise Crítica de Documentos ............................................................ 211 4.5.3 Preparando as Atividades da Auditoria ...................................................................... 211 4.5.4 As atividades de auditoria no local ............................................................................. 212 4.5.5 Preparo, aprovação e distribuição do relatório da auditoria ....................................... 214 4.6 Conclusão da auditoria........................................................................................................ 214 4.7 Ações de acompanhamento................................................................................................ 214 4.8 Competência e avaliação de auditores ............................................................................... 214 4.9 Auditorias internas............................................................................................................... 217 4.10 Pré-auditorias do sistema.................................................................................................... 217 4.11 Principais não conformidades ............................................................................................. 218 4.11.1 Não conformidades relacionadas ao ITEM 4: Sistema de gestão da qualidade ........ 218 4.11.2 Não conformidades relacionadas ao ITEM 5 : Responsabilidade da Administração . 219 4.11.3 Não conformidades relacionadas ao ITEM 6 : Gestão de Recursos.......................... 221 4.11.4 Não conformidades relacionadas ao ITEM 7 : Realização do Produto ...................... 221 4.11.5 Não conformidades relacionadas ao ITEM 8 : Medição, Análise e Melhoria.............. 223 4.12 Auditorias externas.............................................................................................................. 225 4.13 Implantação de ações corretivas condicionantes................................................................ 226 4.14 Emissão do certificado ........................................................................................................ 226 4.15 Manutenção da certificação ................................................................................................ 227 4.16 Exemplos de Organismos Certificação Credenciado.......................................................... 227 4.17 Certificação de produtos ..................................................................................................... 228 Glossário .............................................................................................................................................. 236 Apêndice............................................................................................................................................... 247 BIBLIOGRAFIA..................................................................................................................................... 274 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1.1 - Exemplo de gráficos de controle ........................................................................................ 20 Figura 1.2 - Ciclo de Shewhart-Deming – PDCA................................................................................... 25 Figura 1.3: Exemplo sobre a dependência da inspeção e suas conseqüências (Levine et al, 1998). .. 26 Figura 1.4 - Cadeia do impacto da qualidade segundo Deming (Tóquio – 1950) ................................. 29 Figura 1.5 - Diagrama da Trilogia Juran ................................................................................................ 30 Figura 1.6 - Hierarquia das necessidades de Maslow. .......................................................................... 35 Figura 1.7 - Conceito de produtividade. ................................................................................................. 43 Figura 1.8 - Diagrama de causa e efeito. ............................................................................................... 45 Figura 1.9 - Processo e seus produtos: intencionais e não intencionais. .............................................. 46 Figura 1.10 - Fatores que influenciam em um processo considerando as entradas e saídas de um processo. ................................................................................................................................................ 47 Figura 1.11 - Envolvimento do produto e serviço na aquisição, adaptado de Takashina e Flores (1999). .................................................................................................................................................... 48 Figura 1.12 - Custos do controle e custos das falhas ............................................................................ 49 Figura 2.1 - Gráfico de Pareto................................................................................................................ 62 Figura 2.2 - Exemplo de diagrama de dispersão ................................................................................... 63 Figura 2.3 - Pontos suspeitos em um diagrama de dispersão............................................................... 64 Figura 2.4 - Tipos de Correlação............................................................................................................64 Figura 2.5 - Exemplo de histograma típico obedecendo a uma distribuição normal ............................. 65 Figura 2.6 – Tipos de histograma........................................................................................................... 66 Figura 2.7 – Histogramas e limites de especificação............................................................................. 67 Figura 2.8 - Listas de verificação para distribuição do processo de produção...................................... 68 Figura 2.9 - Listas de verificação para itens defeituosos....................................................................... 69 Figura 2.10 - Lista de verificação para Localização de Dados – Não conformidades em placa de vidro. ................................................................................................................................................................ 69 Figura 2.11 - Analogia ao processo de estratificação............................................................................ 70 Figura 2.12 - Estrutura do Diagrama de Causa e Efeito........................................................................ 71 Figura 2.13 - Estrutura Típica de uma carta de controle. ...................................................................... 74 Figura 2.14 - Distribuição dos pontos num padrão normal de variação (Siqueira, 1997, p. 50) .......... 75 Figura 3.1 - Logomarca da Organização ISO ........................................................................................ 77 Figura 3.2 - Consolidação das normas existentes até 1987 nas normas ISO série 9000..................... 78 Figura 3.3 - Representações da ABNT .................................................................................................. 79 Figura 3.4 - Estrutura organizacional do ABNT/CB 25 .......................................................................... 80 Figura 3.5 - Partes interessadas em um negócio .................................................................................. 81 Figura 3.6 - Evolução das normas ISO até a versão 2000 .................................................................... 82 Figura 3.7 - Comparação entre os modelos NBR ISO 9001 e NBR ISO 14001.................................... 83 Figura 3.8 - Modelo de gestão estabelecido pela NBR ISO 9001:2000 ................................................ 87 Figura 3.9 - Cadeia de fornecimento...................................................................................................... 94 Figura 3.10 - Ciclo PDCA ....................................................................................................................... 97 Figura 3.11 - Interação entre os processos de uma organização genérica........................................... 98 Figura 3.12 - Hierarquia da documentação de um Sistema de Gestão da Qualidade ........................ 102 Figura 3.13 - Estrutura simplificada da documentação, baseada na “teoria das metades” ................ 103 Figura 3.14 - Requisitos associados ao controle de registro ............................................................... 107 Figura 3.15 - Conceitos de “envolvimento” e de “comprometimento”:................................................. 110 Figura 3.16 - Exemplo de política da qualidade de diferentes organizações ...................................... 113 Figura 3.17 - Exemplos de missão e visão de uma organização (ABNT). .......................................... 113 Figura 3.18 - Desdobramento de objetivos. ......................................................................................... 115 Figura 3.19 - Exemplo de um organograma de uma organização....................................................... 119 Figura 3.20 - Determinação de competências ..................................................................................... 130 Figura 3.21 - Analogia sobre a importância do entendimento dos requisitos de entrada na concepção de um produto. ..................................................................................................................................... 146 Figura 3.22 - Exemplo de validação: comprovação junto ao uso ........................................................ 147 8 Figura 3.23 - O papel da identificação e rastreabilidade em diferentes setores industriais ................ 156 Figura 3.24 - Exemplo de identificação de produto.............................................................................. 157 Figura 3.25 - Rastreabilidade das medições........................................................................................ 162 Figura 3.26 - Exemplo de calibração. .................................................................................................. 162 Figura 3.27 - Exemplo de pesquisas de satisfação de clientes. .......................................................... 170 Figura 3.28 - Exemplo de pesquisas de satisfação de clientes: Detalhamento das oportunidades de melhoria................................................................................................................................................ 170 Figura 3.29 - Exemplo de índice de capacidade do processo ............................................................. 174 Figura 3.30 - Comportamento de processos: a) processo estável; b) processo instável .................... 175 Figura 3.31 - Acompanhamento de recall ............................................................................................ 181 Figura 3.32 - Exemplo de algumas técnicas estatísticas que podem ser empregadas nos Sistema de Gestão da Qualidade ........................................................................................................................... 183 Figura 3.33 - Relação entre eficiência e eficácia ................................................................................. 186 Figura 5.1 - Exemplo de logomarca de acreditação ............................................................................ 228 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1.1 - Componentes da trilogia Juran (Marshal Jr, 2003)............................................................ 30 Tabela 1.2 - Lista de suposições sobre as teorias X e Y de McGregor, segundo (Hersey e Blanchard, 1982). ..................................................................................................................................................... 37 Tabela 1.3 - Fatores de motivação e de higiene segundo Hezberg (Hersey e Blanchard, 1982). ........ 38 Tabela 1.4 - Fatores que influenciam no processo e suas origens. ...................................................... 47 Tabela 1.5 - Exemplos de definições de indicadores segundo Takashina e Flores (1996) .................. 59 Tabela 1.6 - Indicadores para as áreas funcionais da empresa............................................................ 59 Tabela 2.1 - Tabela de itens de controle (5W2H) .................................................................................. 73 Tabela 3.1 - Normas para desenvolvimento e melhorias dos sistemas de gestão ............................... 84 Tabela 3.2 - Entradas e saídas que envolvem o planejamento de realização do produto .................. 136 Tabela 5.1: Produtos certificados compulsórios (Fonte: site Inmetro, 2006)....................................... 229 10 APRESENTAÇÃO O contexto econômico caracterizado pela competitividade, tem exigido profundas mudanças conceituais nas organizações. Na busca de maior lucratividade as empresas passaram a controlar desperdícios, diminuir a oferta de empregos, modificar as relações com seus fornecedores, otimizar a metodologia de trabalho, etc. Assistimos nos últimos vinte anos uma série de modificações no cenário mundial, tais como ascensão dos tigres asiáticos, abertura do mercado nacional, invasão de produtos chineses, fusões, privatizações, globalização. Mudançascomo essas, nos campos político, científico, econômico e social alteraram profundamente as relações de mercado entre fabricantes e consumidores, principalmente aqui no Brasil. Em função disso, as empresas brasileiras são obrigadas a melhorar, consideravelmente, a qualidade de produtos e serviços, de forma a atender ao mercado, interno e externo, cada vez mais exigente e seletivo, onde a principal preocupação é consumir produtos pelo menor custo. Em um passado não muito distante, a “simples” implantação de sistemas de gestão da qualidade poderia ser considerada uma vantagem para muitas organizações em relação a seus concorrentes. Hoje, porém, ela tornou-se apenas um dos requisitos base para a gestão do negócio e conseqüente perenidade da empresa no mercado. A necessidade de sobrevivência, nesse ambiente desprotegido, marcada pela acirrada concorrência, obriga a uma constante adaptação às novas necessidades apontadas pelo mercado, uma vez que os conceitos e modelos de qualidade vêm sofrendo consideráveis mudanças ao longo do tempo, sendo agora também influenciados por questões relativas à saúde, segurança e meio ambiente. Essa nova perspectiva decorre da crescente competição existente no ambiente global, principalmente onde atuam as grandes corporações, em um clima de adaptação sustentável. Nesse modelo, a sobrevivência depende fundamentalmente da capacidade de adaptação da empresa aos fatores críticos de sucesso existentes nos cenários de atuação da organização. A perspectiva estratégica da qualidade não apenas cria uma visão ampla da questão, mas, principalmente, atribui à gestão da qualidade um papel de extrema importância no negócio. Hoje a qualidade não tem sido apenas uma preocupação das grandes organizações, mas também das pequenas empresas. O reconhecimento de sua importância tornou a certificação de sistemas de gestão indispensável para várias delas. A certificação além de aumentar a satisfação e a confiança dos clientes, reduz custos, aumenta a produtividade, melhora a imagem e os processos da 11 organização, além de facilitar o acesso a novos mercados. Dentre os modelos de Sistemas da Qualidade existentes, destaca-se aquele fundamentado na ISO 9001. Essa norma é uma referência para a implantação de Sistemas de Gestão da Qualidade em qualquer negócio, independentemente do tipo ou tamanho da empresa. Os requisitos estabelecidos pela norma não fixam metas a serem atingidas pelas organizações. 12 CAPÍTULO I INTRODUÇÃO À QUALIDADE Os últimos vinte anos foram marcados por uma série de mudanças no cenário mundial, tais como ascensão dos tigres asiáticos, abertura do mercado nacional, invasão de produtos chineses, fusões, privatizações, globalização, desenvolvimento sustentável, etc. Essas modificações nos campos político, econômico e social alteraram profundamente as relações de mercado entre fabricantes e consumidores, principalmente aqui no Brasil. A cada dia as empresas brasileiras são obrigadas a elevar, consideravelmente, a qualidade de produtos e serviços, de forma a atender a um mercado, interno e externo, cada vez mais exigente e seletivo, onde a principal preocupação é consumir produtos pelo menor custo. Em um passado não muito distante, a “simples” implantação de sistemas de gestão da qualidade era considerada uma vantagem competitiva para muitas organizações. Hoje, porém, tornou-se apenas um dos requisitos base para a gestão do negócio e conseqüente perenidade das organizações. A necessidade de sobrevivência, nesse ambiente desprotegido, marcado pela acirrada concorrência, impõe as empresas a uma constante adaptação às novas necessidades apontadas pelo mercado. Conceitos e modelos de qualidade continuam sofrendo consideráveis mudanças, sendo agora também influenciados por questões relativas à saúde, segurança e meio ambiente. Essa nova perspectiva decorre da crescente e esmagadora competição existente no ambiente global, onde atuam as grandes corporações, em um clima de adaptação sustentável, onde a perenidade no mercado dependerá fundamentalmente da capacidade de adaptação aos fatores críticos existentes nos cenários de atuação dessas empresas (Cerqueira, 2006). Desse modo, a perspectiva estratégica da qualidade não apenas cria uma visão ampla da questão, mas, principalmente, atribui à qualidade um papel de extrema importância na gestão do negócio. 1.1 Conceituando qualidade Conceituar QUALIDADE é uma tarefa fácil? Sim e não! É um conceito de fácil visualização, porém, muitas vezes de difícil entendimento. Como podemos afirmar que um produto tem QUALIDADE? A palavra Qualidade vem do latim Qualitas. É utilizada em diversas situações, mas o seu significado nem sempre é claro e objetivo. Enquanto conceito é um valor conhecido por todos, mas definido de forma diferenciada por distintos grupos. Sob o ponto de vista de diferentes pessoas existem diferentes enfoques para qualidade, a percepção desses indivíduos pode ser diferente em 13 relação ao mesmo produto, em função de necessidades, experiências e expectativas. Diversos autores apresentam distintos enfoques para a qualidade, alguns exemplos serão apresentados a seguir: "A composição total das características de mercadol ogia, engenharia, fabricação e manutenção de um produto ou serviço, através das qu ais o mesmo produto ou serviço, em uso, atenderá às expectativas do consumidor". Feigenbaum "... o nível de satisfação alcançado por um determi nado produto no atendimento aos objetivos do usuário, durante o seu uso, é chamado de “adequação ao uso”, popularmente chamado por alguns nomes tais como "qu alidade", é um conceito universal, aplicável a qualquer tipo de bens e serv iços...". Juran A qualidade quando atribuída a um produto, depende da necessidade, da percepção e da cultura do usuário, logo, o conceito pode assumir diferentes definições. Ao decidirmos adquirir um produto, estamos movidos pela necessidade existente em nosso dia a dia. Geralmente, essa necessidade, vem acompanhada de informações que possibilitam a caracterização daquilo que esperamos do produto. Imaginemos que um cidadão deseja adquirir um automóvel. Ele tem duas opções, um modelo popular e um outro mais sofisticado. Dentre os requisitos do futuro usuário estão: espaço interno para quatro pessoas, porta-malas de pequena capacidade, baixo consumo, disponibilidade de peças de reposição no mercado nacional e baixo custo. Obviamente, se os parâmetros de escolha fossem baseados em itens tais como beleza, tecnologia, status, certamente a melhor opção seria o modelo mais sofisticado. Entretanto o conceito industrial e comercial de qualidade implica no atendimento aos requisitos pré-estabelecidos e na relação custo-benefício. Portanto, sob esta ótica, considerando-se os requisitos expostos, é fácil compreender que o modelo popular melhor atende às necessidades do futuro comprador, uma vez que em todos os requisitos ele alcança o grau máximo de adequação ao uso. O fato de um produto não atender aos requisitos de um cliente, não o isenta de qualidade, mas sim, torna-o inadequado ao uso pretendido. Bastaria modificarmos alguns itens que a percepção do cliente seria diferente. É importante observar que a adequação é entendida, como o conjunto das características que os clientes consideram valiosas (agregadoras de valor). Desse modo, diferentes consumidores possuirão distintos pontos de vista em relação à qualidade. Portanto, é fundamental a prévia e exata definição da necessidade do cliente, de modo a fornecermos o produto adequado ao uso pretendido. 14 No exemplo utilizado, escolha entre dois modelos de automóvel, a análise foi simples. Contudo, a situação torna-se muito mais complexa quando se trata de uma gama de produtos que integram um complexo industrial e se pretende que cada um deles atenda a um nívelde qualidade específico, por razões técnicas ou de custo. Percebemos que qualidade é um conceito incorporado intuitivamente ao nosso cotidiano. Conceito, popularmente associado ao melhor, ao mais caro, ao mais duradouro. Podemos até definir o que é qualidade, porém é mais fácil de compreender e identificar a sua ausência, prejuízos e conseqüências, causadas por erros, defeitos, inconsistência de informações, descumprimento de prazos, a redução nas vendas, etc. Quem nunca experimentou ou presenciou pelo menos uma dessas desagradáveis sensações1? 1.2 Enfoques para definição da qualidade Vimos que a qualidade é um termo usado em nosso cotidiano, no entanto, se argüirmos distintas pessoas, sobre o seu significado, receberemos diferentes respostas. Garvin (1992), após pesquisar inúmeras definições no ambiente empresarial e em distintas literaturas, apontou cinco abordagens para a definição da qualidade: abordagem transcendental, abordagem baseada no produto, abordagem baseada no usuário, abordagem baseada na fabricação e abordagem baseada no valor (Carvalho e Paladini, 2006): 1.2.1 Abordagem Transcendental "A qualidade não é nem matéria nem espírito, mas uma terceira entidade independente”. Mesmo porque a qualidade não pode ser definida: “Sabemos o que ela é". De acordo com esta visão, a qualidade é sinônimo de excelência, a qual se aprende a reconhecer somente através da experiência, pois a qualidade é absoluta e universalmente reconhecível, um elemento de padrões rígidos e de alto desempenho. 1 A página http://www.reclameaqui.net/ é especializada em consolidar reclamações de produtos, serviços e empresas. 15 1.2.2 Abordagem Baseada no Produto “As diferenças na qualidade resultam em diferenças na quantidade de certos ingredientes ou atributos”. Esta abordagem avalia a qualidade como uma variável precisa e mensurável. Segundo esse conceito, melhorar a qualidade do produto significa utilizar melhores materiais e processos produtivos sofisticados, refinar o projeto do produto com tolerâncias mais justas, e assim por diante. Nessa visão, uma melhor qualidade só pode ser obtida através da elevação dos custos, pois a qualidade reflete as características que um produto possui. Como, neste caso, as características são elementos associados ao aumento de valor na produção, os produtos com qualidade superior serão mais caros. Dessa forma, a qualidade reflete a presença ou ausência de atributos mensuráveis inerentes aos produtos, e não incorporados a eles, podendo ser avaliada objetivamente. 1.2.3 Abordagem Baseada no Usuário "A qualidade é a capacidade de satisfazer desejos". "Qualidade é adequação ao uso". Estas definições partem da premissa de que a qualidade está nos olhos do consumidor. Supõem que os consumidores possuem necessidades diferentes, portanto, os bens que melhor satisfazem suas preferências são considerados como de alta qualidade. Este enfoque é eminentemente subjetivo e, ao contrário do anterior, um produto que maximiza a satisfação certamente é preferível, entretanto, pode não ser tecnicamente o melhor. 1.2.4 Abordagem Baseada na Fabricação "Qualidade significa conformidade com as especificações”. “Qualidade é o grau em que determinado produto está de acordo com um projeto ou especificações”. Essas definições estão intimamente ligadas às técnicas de engenharia de fabricação. Embora o enfoque reconheça o interesse do consumidor - um produto que não atende às especificações sugere má fabricação, dando menos satisfação do que se fosse corretamente fabricado, sua abordagem inicial é interna. A melhoria da qualidade é equivalente à redução das não conformidades que leva a custos menores. Parte-se do pressuposto de que prevenir a ocorrência de defeitos é mais barato do que o retrabalho. 16 1.2.5 Abordagem Baseada no Valor A qualidade significa a obtenção do ótimo para certas condições de consumidores. Essas condições são: o uso real e o preço de venda do produto. Esta abordagem considera a qualidade em termos de custo e preço: um produto de qualidade deve apresentar um desempenho e uma conformidade a um preço e custos aceitáveis. Neste caso, a qualidade, considerada até então como uma medida de excelência, está sendo comparada com o valor, que é uma medida de mérito, dificultando a aplicação prática desta definição. Para Garvin (1992), essas abordagens explicam as formas de atuação de diferentes áreas dentro das empresas, e até mesmo as divergências que são observadas entre algumas delas, como as de controle de qualidade e vendas. A primeira preocupa-se em atender às especificações, enfoque baseado na fabricação. Já o segmento de vendas, pela natureza das suas funções, se interessa por atender às necessidades dos clientes, assumindo o enfoque do usuário. Torna-se útil cultivar enfoques distintos, pois a qualidade do produto é decorrente das atividades desenvolvidas no ciclo de produção. Inicialmente, são identificadas as necessidades do usuário. Em seguida, essas informações são traduzidas num projeto onde as necessidades do usuário são transformadas na linguagem técnica das especificações. E, finalmente, o processo produtivo é organizado de forma a assegurar a conformidade com as especificações. 1.3 Eras da qualidade Embora na pré-história a palavra qualidade ainda não existisse, seus requisitos são tão antigos quanto à existência do homem primitivo, que desde então sempre procurou o que mais se adequasse as suas necessidades. Práticas e conceitos2 evoluíram de forma lenta, porém contínua até a terceira década do século 20. A partir dessa época surgiram novas tendências e modelos para tratamento do tema qualidade, os quais sofreram profundas modificações após a segunda Guerra Mundial. Inúmeros autores fizeram marcações temporais entre as principais tendências e modelos, embora a intersecção e a complementaridade entre eles sejam grandes. Uma das classificações mais adotadas é a proposta por Garvin (1992), que tomou como referencial a Revolução Industrial e segunda Guerra Mundial, dividindo a evolução da qualidade em quatro eras: Inspeção, Controle Estatístico da Qualidade, Garantia da Qualidade e Gestão da Qualidade (Carvalho e Paladini, 2006). As principais características de cada uma dessas eras estão descritas a seguir. 2 Aristóteles (334 a.C) dizia: “qualidade não é um ato, é um hábito”. 17 1.3.1 Era da Inspeção – Foco no produto Até o final do século XIX, o controle da qualidade conhecido atualmente não existia. O processo de produção era realizado por artesãos e aprendizes. O volume de produção era pequeno; as peças eram montadas manualmente. A qualidade dos produtos era determinada pela perícia e experiência de cada empregado. A inspeção formal só passou a ser necessária com o surgimento da produção em massa e a necessidade de peças intercambiáveis. Com o aumento do volume de produção, as peças não podiam mais ser encaixadas umas nas outras manualmente. O processo exigia um grande grupo de mão de obra qualificada, era caro e demorado. Os preços eram quase sempre superiores ao poder aquisitivo do consumidor, especialmente no caso de máquinas e equipamentos (Garvin; 1992). Os baixos salários na época obrigaram novas invenções de modo a permitir aos fabricantes produzirem mais e assim conseguir reduzir os preços praticados. Tal necessidade impulsionou o processo de mecanização da produção. A partir da terceira década do século XVIII assistiu-se na Inglaterra a aurora da sociedade industrial. Passando-se, em ritmo acelerado, do sistema doméstico para o sistema fabril de produção. Marcando definitivamente a transição entre o feudalismo e o capitalismo. Essa ruptura histórica, denominada RevoluçãoIndustrial, promoveu a produção em grande escala, que conseqüentemente originou as primeiras idéias de controle da produção que tempos mais tarde foram denominadas Controle da Qualidade. A Revolução Industrial provocou um profundo impacto sobre a estrutura da sociedade, um processo contínuo e ininterrupto de transformações acompanhadas por notável evolução tecnológica. O aumento da expectativa de vida da população3 também contribuiu para o desenvolvimento da industrialização, uma vez que o mercado passou a mostrar maiores índices consumo. A ampliação do mercado impulsionou o aumento da produtividade das fábricas através da implantação de sistemas baseados na divisão do trabalho e na inspeção formal dos itens produzidos - fundamentada na separação dos bons dos maus produtos - inspeção 100%. Quadro 1 – Leitura complementar: Tempos e Movimentos O modelo de administração idealizado pelo americano Frederick Winslow Taylor provocou uma verdadeira revolução no pensamento administrativo e no mundo industrial de sua época. Sua preocupação foi eliminar desperdícios e perdas sofridas pelas indústrias americanas e aumentar os níveis de produtividade através da aplicação de métodos e técnicas da engenharia industrial. Segundo Taylor, o instrumento básico para aumentar a produtividade dos operários era o estudo de Tempos e Movimentos, ele percebeu que as tarefas poderiam ser executadas de uma forma mais econômica através da análise do trabalho, ou seja, da divisão e subdivisão de todos os movimentos 3 A diminuição de várias doenças através de medidas profiláticas contribuiu para a redução das taxas de mortalidade. 18 necessários à execução de cada tarefa de um trabalhador. De acordo com a observação de Taylor, as tarefas e operações poderiam ser feitas de uma forma ordenada de movimentos simples, então haveria uma economia de tempo e esforço do operário. O sistema Taylor obteve um êxito surpreendente quanto ao aumento da produtividade e foi adotado por muitas empresas americanas espalhando-se pelo mundo. O sistema taylorista teve, no entanto, efeitos indesejáveis ao alterar o equilíbrio entre qualidade e produtividade. A ênfase dada pela alta gerência à produtividade passou a ser imensa. Supervisores e operários priorizaram a produtividade e relegaram a qualidade ao segundo plano. Até então, cabia aos inspetores de qualidade a tarefa de identificar, quantificar e remover os produtos defeituosos da linha de produção sem qualquer preocupação formal quanto à prevenção de problemas e aos engenheiros cabia o planejamento da produção. O fordismo idealizado pelo empresário americano Henry Ford (1863-1947), fundador da Ford Motor Company, se caracteriza por ser um método de produção caracterizado pela produção em série, sendo um aperfeiçoamento do taylorismo. Ford introduziu em suas fábricas as chamadas linhas de montagem, nas quais os veículos a serem produzidos eram colocados em esteiras rolantes e cada operário realizava uma etapa da produção, fazendo com que a produção necessitasse de altos investimentos e grandes instalações. O método de produção fordista permitiu que Ford produzisse mais de dois milhões de carros por ano, durante a década de 1920. O veículo pioneiro de Ford no processo de produção fordista foi o mítico Ford Modelo T, mais conhecido no Brasil como "Ford Bigode". A partir da divisão do trabalho começaram a surgir problemas com a qualidade dos produtos. O fracionamento das tarefas fez sobressair às habilidades dos profissionais que atuavam na produção. Nessa época, o destino dos bens produzidos era o mercado se tivessem um nível aceitável de qualidade; retrabalho, caso apresentassem a possibilidade de recuperação; ou sucateamento, caso não existisse possibilidade de reaproveitamento, o que significava prejuízo. Paulatinamente, várias medidas foram tomadas com o intuito de reduzir os problemas da qualidade do processo produtivo, tanto que por volta de 1900 já haviam sido estabelecidas claramente etapas de inspeção no recebimento de materiais e durante o processo produtivo, além daquelas já realizadas no produto final. Nessa época, era raro uma empresa apresentar em seu organograma um departamento dirigido à qualidade. Havia inspetores específicos, mas eles estavam espalhados pelos diversos departamentos da produção. 1.3.2 Era do controle estatístico da qualidade A mecanização do sistema produtivo teve como principal objetivo colocar no mercado produtos com preços acessíveis, porém a onerosa e ineficiente inspeção 100% comprometia esse propósito, tanto pela quantidade de pessoas envolvidas na atividade, como pelo tempo necessário 19 para a sua realização. Á medida que a produção aumentava, o modelo de controle baseado na inspeção 100% tornava-se cada vez mais caro e ineficiente. Então, em 1924 na Bells Telephone Laboratories, Walter Shewhart, usou conceitos e técnicas estatísticas, no desenvolvimento de controle mediante o uso de gráficos de controle (Cerqueira, 2006). As técnicas estatísticas propostas por Shewhart denominadas Controle Estatístico do Processo (Siqueira, 1997) eram relativamente simples, baseavam-se na determinação de limites de controle e gráficos para controle do processo produtivo. Esse tipo de controle é apresentado na figura 1.1. Quadro 2: - Texto complementar: A teoria dos gráficos de controle O gráfico de controle é uma ferramenta para monitoramento das variações de um processo. Pode ser utilizado para estudar o desempenho passado, avaliar condições presentes, como prever comportamentos futuros. Os dados coletados, quando dispostos graficamente formam a base para a melhoria do processo. Essa ferramenta pode ser utilizada para controle de diferentes tipos de variáveis - variáveis categorizadas, como a proporção de vôos dos aviões de uma determinada empresa aérea que estejam com mais de 15 minutos de atraso em determinado período; para variáveis discretas, como a contagem do número de nódulos existentes na pintura de uma porta de um carro; e para variáveis contínuas, como a quantidade de óleo lubrificante contida em garrafas de 1 litro. O principal foco do gráfico é a separação das causas de variações especiais das causas de variações comuns, além de oferecer uma exposição visual dos dados que representam o processo. As causas especiais representam variações que não são inerentes ao processo. Flutuações, geralmente causadas por mudanças no sistema produtivo, que sinalizam para problemas que precisam ser identificados ou corrigidos. As causas de variações comuns representam a variabilidade inerente ao processo. Consistem em inúmeras fontes que ocorrem ao acaso (aleatoriamente). A distinção entre as duas causas de variação é vital, uma vez que as causas especiais são consideradas como aquelas que não fazem parte do processo e são passíveis de correção ou exploração sem modificá-lo, enquanto as causas comuns somente poderão ser reduzidas por meio de modificações no processo. A forma mais comum de um gráfico de controle fixa limites de controle que estão entre ± 3 desvios padrão (s) da medida estatística de interesse (geralmente a média.). De modo geral, isso pode ser representado por: X ± 3s. O limite superior de controle (LSC) = X + 3s e o limite inferior de controle (LIC) = X - 3s. Após a definição desses limites, o processo representado pelo gráfico é avaliado a partir da identificação de qualquer padrão de distribuição anormal que possa existir ao longo do tempo e da identificação de pontos que não atendam aos limites de controle pré-estabelecidos. A figura 1.1 exemplifica três situações de monitoração de processo: No Painel A, observamos um processo estável, que apresenta variações de causas comuns. Nele existem padrões de anormalidade ou tendências ao longo do tempo e não existem pontos que fora dos limites de controle20 Figura 1.1 - Exemplo de gráficos de controle Contrariamente, o Painel B apresenta dois pontos fora dos limites de controle. Cada um desses pontos precisa ser investigado para se determinar as causas especiais que levaram à sua ocorrência. O Painel C, embora não apresente quaisquer pontos fora dos limites de controle, tem uma série de pontos consecutivos que estão abaixo do valor médio. Se observa a necessidade de uma investigação para identificar a causa raiz desse padrão de variação, antes de serem iniciadas quaisquer alterações no processo (Levine et al, 1996). Ao publicar em 1931, o livro Economic Control of Quality of Manufactured Product, Shewhart apresentou ao “mundo industrial” um método preciso e muito mais eficaz para controle do processo de produção. Nesse estudo ele mostrou que a variabilidade era um fato concreto em todo processo produtivo e que ela seria explicada por princípios probabilísticos e estatísticos. Shewhart observou que era improvável que duas peças fossem fabricadas com as mesmas dimensões, até mesmo aquelas produzidas pelo mesmo empregado. Haveria sempre variações nas matérias-primas, na habilidade dos operários e nos equipamentos. Do ponto de vista administrativo, essa descoberta exigiu que o problema da qualidade fosse repensado. A questão agora não era a existência de variação, era certa a continuidade da sua existência independentemente das medidas de controle, mas sim distinguir as variações aceitáveis daquelas que indicasse problemas. Com o advento da segunda Guerra Mundial, os gráficos de controle de Shewhart e as tabelas para inspeção por amostragem, desenvolvidas por H. F. Dodge e H. G. Romig, tiveram grande importância na produção de material bélico (Marshall Jr, 2003). Segundo Cerqueira (2006) o desenvolvimento das técnicas de amostragem foi o marco para criação do Controle Estatístico da Qualidade, promovendo maior agilidade e redução do custo de inspeção, uma vez que a inspeção por amostragem oferecia resultados mais confiáveis do que a inspeção 100 %. 21 1.3.3 Era da Garantia da qualidade Durante a guerra, os produtos destinados ao uso militar tiveram prioridade no que dizia respeito a instalações, material, mão de obra capacitada e serviços de toda ordem. A produção de bens de consumo, incluindo automóveis e eletrodomésticos havia sido interrompida. Com o final da guerra a prioridade das empresas passou a ser o mercado civil, mediante o cumprimento de prazos de entregas. Como o foco era prazo, a qualidade ficou em segundo plano, se deteriorando de forma escandalosa – um fenômeno comum em tempos de escassez. A ausência de produtos atraiu para o mercado novos competidores, cuja inexperiência contribuiu ainda mais para o declínio da qualidade (Cerqueira, 2006). Entre 1950 e 1960, vários trabalhos foram publicados, buscando-se a melhoria da qualidade. A prevenção passou a ser enfatizada e as técnicas adotadas foram além das ferramentas estatísticas, incluindo conceitos e habilidades gerenciais. Nesta fase, desenvolveram-se os conceitos de Custos da Qualidade, Total Quality Control (TQC), Confiabilidade e Zero Defeito4. A era da garantia da qualidade caracterizou-se pela valorização do planejamento, pela coordenação das atividades entre os diversos departamentos e pelo estabelecimento de padrões da qualidade. Nesse mesmo período, o fordismo teve seu ápice, porém a crise sofrida pelos Estados Unidos na década de 1970 marcou o declínio do movimento fordista. A partir da década de 1980, esboçou-se um novo padrão baseado na tecnologia da informação e denominado toyotismo ou produção-flexível. 1.3.4 Era da gestão da qualidade No final da década de 70, diversas indústrias americanas e européias viram-se ameaçadas pelos produtos japoneses de notável qualidade e confiabilidade. Podemos citar como exemplo o caso Xerox, onde as ameaças externas desempenharam um papel importante no despertar da empresa para a qualidade. Alguns fabricantes japoneses se voltaram para o mercado de copiadoras de baixo custo. Vários deles introduziram modelos mais baratos e de fácil utilização. Historicamente, a Xerox ignorava esse segmento de mercado e no começo, dispensou a atenção aos concorrentes. Porém, as máquinas japonesas logo a obrigaram a mudar de opinião, uma vez que a participação da Xerox no mercado norte-americano de copiadoras caiu assustadoramente de 96% para 46% (GARVIN, 1992). Assim como a Xerox, outras empresas iniciaram esforços no sentido de recuperação de mercado, o que determinou a aplicação progressiva da qualidade em todos os aspectos do negócio. 4 O padrão desejável na organização deve ser o “Zero Defeito”. Este princípio deve ser incorporado à maneira de pensar dos gerentes e funcionários, na busca de perfeição em suas atividades. Desvios podem ocorrer e devem ser medidos (indicadores) para localizar a causa principal do problema e planejar ações corretivas. O custo de prevenir erros e sempre menor que o de corrigi-los. 22 O milagre japonês é um fato bastante conhecido. O que não é prontamente conhecido, principalmente pelos jovens, é o fato de que, antes dos anos 1950, esse país tinha uma reputação, nada invejável, de fabricar produtos copiados e de baixíssima qualidade (Moller, 2002). Nessa época o Japão era um país pobre, totalmente destruído. Dispunha apenas de um único recurso: um povo, liderado e motivado por um grupo de jovens empresários dispostos a reconstruir uma nação. E conseguiram; a ponto de hoje "Made in Japan" ser sinônimo de qualidade e respeito. Assim sendo, uma pergunta não pode deixar de ser formulada, o que aconteceu para a mudança dessa reputação? Parte da resposta está no fato de que, por volta de 1950, a alta-direção das empresas japonesas, em aliança com a JUSE (Japanese Union of Scientists and Engineers); reconheceu a qualidade como um elemento estratégico para reestruturação do país. Os trabalhos desenvolvidos pelos americanos Deming e Juran na reconstrução do parque industrial japonês reforçaram e agregaram valor ao conceito de qualidade. O êxito do Japão e a sua maciça divulgação foram decisivos para reforçar difundir os princípios essenciais da qualidade, disseminando no ocidente uma avalanche de transformações gerencias que culminaram no que chamamos hoje chamamos de Gestão da Qualidade. Sobre o que foi ensinado pelo Ocidente, os japoneses agregaram valor, desenvolvendo outras abordagens tais como: a) a participação dos funcionários em todos os níveis da empresa; b) o foco no cliente com uma cuidadosa atenção à sua definição de qualidade; c) o aprimoramento contínuo (KAISEN) como parte do trabaIho diário de todos os empregados; d) o programa 5S; dentre outros. Deming e Juran e foram os principais responsáveis pelo movimento da qualidade no Japão. Os japoneses os consideram a essência do milagre industrial do país. Contudo, seria injusto associar o movimento a apenas a esses dois estudiosos. Philip Crosby contribuiu muito com sua teoria do zero defeito e Armand Feigenbaun foi o impulsionador do conceito de controle de qualidade total. Do lado japonês, Kaoru Ishikawa foi o responsável pela adaptação da cultura japonesa aos ensinamentos de Deming e Juran, criando as sete ferramentas da qualidade, além de ser o inspirador dos Círculos de Controle da Qualidade (Marshall Jr, 2003). O sucesso japonês e a sua maciça divulgação foram decisivos para reforçar, generalizar e difundir ainda mais os princípios da qualidade pelo mundo afora. Não podemos esquecer que muitos desses princípios, que já existiam, e foram ensinados pelos próprios americanos ao japonês, e por incrível que pareça, até certo ponto ficaram "abandonados" pelas indústrias americanas. 1.3.4.1 Toyotismo (produção enxuta) O toyotismo nasceu no Japão após a segunda Guerra Mundial, porém somentea partir da crise capitalista na década de 1970 é que foi reconhecido como filosofia de produção O Japão foi o berço da automação flexível, pois apresentava um cenário bastante diferente da Europa e dos 23 Estados Unidos: um pequeno mercado consumidor, capital e matéria-prima escassos, e grande disponibilidade de mão-de-obra não-especializada, inviabilizavam a solução taylorista-fordista de produção em massa. A resposta foi o aumento na produtividade na fabricação de pequenas quantidades de numerosos modelos de produtos, voltados para o mercado externo, de modo a gerar divisas tanto para a obtenção de matérias-primas e alimentos, quanto para importar os equipamentos necessários para a reconstrução pós-guerra e para o desenvolvimento da industrialização. O sistema pode ser caracterizado por quatro aspectos básicos: 1. Mecanização flexível, uma dinâmica oposta à rígida automação fordista decorrente da inexistência de escalas que viabilizassem a rigidez. 2. Processo de multifuncionalização de mão-de-obra, uma vez que por se basear na mecanização flexível e na produção para mercados muito segmentados, a mão-de-obra não podia ser especializada em funções únicas e restritas como na fordista. Para atingir esse objetivo os japoneses investiram na educação e qualificação profissional, o toyotismo, em lugar de avançar na tradicional divisão do trabalho, seguiu também um caminho inverso, incentivando uma atuação voltada para o enriquecimento do trabalho. 3. Implantação de sistemas de controle de qualidade em todos os pontos processo. No sistema fordista de produção em massa, a qualidade era assegurada através de controles amostrais em apenas alguns pontos do processo produtivo. 4. Sistema just in time que se caracterizava pela minimização dos estoques necessários à produção de um extenso leque de produtos, através de um planejamento de produção dinâmico. Como indicado pelo próprio nome, o objetivo final seria produzir produtos no exato momento em que são demandados. Em meados de 1970, as empresas toyotistas assumiriam a supremacia produtiva e econômica, principalmente pela sua sistemática de produção que consistia em produzir bens pequenos, que consumissem pouca energia e matéria-prima, ao contrário do padrão norte-americano. Com a crise do petróleo e a conseqüente queda no padrão de consumo, os países passaram a demandar uma série de produtos que não tinham capacidade, e, a princípio, nem interesse em produzir, o que favoreceu o cenário para as empresas japonesas toyotistas. A razão para esse fato é que devido à crise, o aumento da produtividade, embora continuasse importante, perdeu espaço para fatores tais como a qualidade e a diversidade de produtos para melhor atendimento dos consumidores. 24 1.4 Principais Gurus da Qualidade 1.4.1 Walter A. Shewhart Walter Shewhart nasceu nos Estados Unidos em 1891. Formou-se em engenharia, com doutorado em Física pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Apesar de ter lecionado em algumas universidades ao longo de sua vida profissional foi como engenheiro, primeiro na Western Eletric (1918 a 1924) e depois na Bell Telephone Laboratories, onde sua maior contribuição para área da qualidade foi desenvolvida. Shewhart é considerado o pai do Controle Estatístico do Processo, o qual ainda hoje é usado no controle da qualidade de muitas organizações (Carvalho e Paladini, 2006). 1.4.2 William Edwards Deming Nascido em 1906, estudou na Universidade de Wyoming, tornando-se mestre na Universidade do Colorado e phD em Física em Yale em 1924. Durante a segunda Guerra Mundial foi professor de controle estatístico ligado à produção. Percorreu várias eras da qualidade, tendo sido discípulo de Shewhart, com quem compartilhou o interesse pelas ferramentas estatísticas aplicadas ao controle de processo e pelo método de análise e solução de problemas por meio do ciclo do PDCA (Carvalho e Paladini, 2006). Em 1947, foi indicado como consultor técnico pelo general MacArtthur, para prestar colaboração às forças americanas de ocupação do Japão. Foi o primeiro a levar a mensagem da qualidade ao povo japonês (1950), tendo sido o principal transformador5 da indústria japonesa em uma nova potência econômica. Durante sua estada no território japonês, proferiu uma série de palestras para líderes das indústrias locais, revolucionando os conceitos de qualidade no país (Damazio, 1998). O seu método era filosoficamente humanístico, tratava os trabalhadores como seres humanos e não como engrenagens. Segundo Deming, a administração era responsável por 85% dos problemas de uma organização. Através da sua experiência no Japão, ele desenvolveu um método de gerenciamento baseado em quatorze princípios, detalhados a seguir: 5 Em 1951, foi criado pelos japoneses o Prêmio Deming, em homenagem a Deming, que seria atribuído à empresa que mais se destacasse na área da qualidade a cada ano. Apenas no final da década de 1980 surgiu um prêmio similar nos Estados Unidos, o Premio Malcom Bridge (1987), e posteriormente na Europa, Prêmio Europeu da Qualidade (1991) e também no Brasil, Prêmio Nacional da Qualidade – PNQ (1992). 25 1. Criar constância de objetivos para melhorar os prod utos e serviços: Refere-se ao modo como uma organização lida com os problemas que surgem no presente e no futuro. A ênfase está no aperfeiçoamento constante de produtos ou serviços. O processo de aperfeiçoamento é ilustrado pelo ciclo de Shewhart-Deming. PLANPA DOCHECK ACT Definir Metas Definir Métodos Atuar Corretivamente Verificar Resultados Educar e Treinar Executar (Coletar dados) DC PLANPA DOCHECK ACT Definir Metas Definir Métodos Atuar Corretivamente Verificar Resultados Educar e Treinar Executar (Coletar dados) DC Figura 1.2 - Ciclo de Shewhart-Deming – PDCA Diferentemente do método de produção tradicional de "projetar, executar, testar e vender", o ciclo de Shewhart-Deming representa um ciclo contínuo de "planejar, fazer, verificar e atuar" (PDCA). A primeira etapa (planejar) representa a fase inicial do projeto para planejar uma mudança em um processo de produção. A segunda etapa (fazer) envolve a condução da mudança, de preferência em pequena escala. Para que isso aconteça, experiências planejadas podem ser um método particularmente valioso. A terceira etapa (verificar) envolve a análise dos resultados, utilizando instrumentos estatísticos para determinar o que foi aprendido. A quarta etapa (atuar) envolve a aceitação da mudança, sua rejeição, ou novos estudos sob diferentes condições. 2. Adotar a nova filosofia: Refere-se à urgência com que as empresas precisam chegar à conclusão de que estamos em uma nova era da economia, que difere radicalmente do período de domínio americano do pós-guerra. Em geral, se aceita como característica da natureza humana o fato que as pessoas só tomam uma atitude quando sobrevém uma crise, uma vez que preferem continuar fazendo as coisas pelos métodos que elas acreditam que tenham tido sucesso no passado. No entanto, nessa nova era econômica, a gerência de qualquer organização deve se preocupar com o que Deming chama de conjunto de "doenças fatais": a falta de constância de objetivos, a ênfase no lucro de curto prazo, o medo de uma direção não-amigável, avaliações de desempenho e sistemas de mérito e o excesso de rotatividade de gerentes. Finalmente, a filosofia de gerenciamento precisa aceitar a idéia de que um nível de qualidade mais elevado custa menos e não mais, mas que é necessário um investimento inicial para se obter a melhoria da qualidade. 26 3. Fazer com que a qualidade não dependa de inspeção: Implica no fato de que qualquer inspeção cujo objetivo seja a melhoria da qualidade está obsoleta. A qualidade já deve vir embutida no produto. Seria melhorconcentrar esforços no sentido de fazer a coisa certa desde o início. Entre as dificuldades envolvidas na inspeção em massa, além de custos elevados, estão à dificuldade dos inspetores em concordar com itens fora dos padrões de aceitação e o problema de separar os itens bons dos ruins. Tais dificuldades podem ser evidenciadas com o exemplo mostrado na figura 1.3. Suponha que sua tarefa envolva ler essa frase em inglês com o objetivo de contar o número de ocorrências da letra F. Cumpra essa tarefa e anote o número de ocorrências da letra F que você descobriu. FINESHED FILES ARE RESULT OF YEARS OS SCIENTIFIC STUDY COMBINED WITH THE EXPERIENCE OF MANY YEARS Figura 1.3: Exemplo sobre a dependência da inspeção e suas conseqüências (Levine et al, 1998). 4. Abandonar a prática de decidir sobre a lucratividad e de um negócio com base apenas no preço: Em vez disso, minimizar o custo total trabalhando com um único fornecedor: Abandonar a prática de negócios lucrativos com base apenas no preço, representa a antítese da meta de buscar o menor preço. Ele se concentra no fato de que não pode haver um significado real de longo prazo para o preço sem que seja conhecida a qualidade do produto. O método do menor preço ignora as vantagens da variação reduzida ao se adotar um único fornecedor, e deixa de considerar as vantagens de se desenvolver uma relação de longo prazo entre fornecedor e consumidor. Tal relação permitiria ao fornecedor tornar-se inovador e, em conseqüência, organização e consumidor tenderiam a tornarem-se parceiros na busca do sucesso. 5. Melhorar sempre de modo constante, cada processo de planejamento, produção e serviços: Melhorar sempre e de modo constante o sistema, reforça a importância do foco constante no ciclo de Shewhart-Deming. A convicção de que a qualidade precisa ser estabelecida no estágio de planejamento. A obtenção da qualidade é vista como um processo sem fim, na qual variações menores implicam redução de perdas financeiras. Esse método contrasta com outro cuja única preocupação seja somente cumprir as especificações. Este último método não associa qualquer perda financeira a produtos cujas características estejam dentro dos limites de especificação. 27 6. Instituir o treinamento no trabalho: O treinamento institucionalizado reflete as necessidades de todos os colaboradores, incluindo terceirizados, técnicos, engenheiros e gerentes, etc. É decisivamente importante para a gerência, entender as diferenças entre causas especiais e causas comuns de variações, de modo que se possa empreender a ação apropriada em cada circunstância. Em particular, o treinamento precisa concentrar-se em padrões de desenvolvimento para um trabalho aceitável que não se alterem diariamente. Além disso, a gerência precisa reconhecer que as pessoas aprendem de modos diferentes; algumas aprendem melhor com instruções escritas, outras, com instruções verbais. Somando-se a isso, a gerência precisa decidir quem deve ser treinado e em quê. 7. Adotar e instituir a liderança: Relaciona-se com a diferença entre liderança e supervisão. O objetivo da liderança deve ser aperfeiçoar o sistema e alcançar maior constância no desempenho. 8. Eliminar o medo: Um dos grandes problemas dentro das organizações é que as pessoas vivem amedrontadas. Tal postura é contraproducente, pois conduz a atitudes contrárias em busca da qualidade. O ser humano sem medo possui uma atitude pró-ativa perante o trabalho. 9. Romper barreiras entre os departamentos: Ao se buscar o objetivo comum de produzir dentro de uma nova filosofia voltada para a qualidade chega-se à conclusão de que os demais departamentos da organização não são concorrentes e sim aliados de um mesmo processo. Todos são clientes e fornecedores internos em algum momento, portanto, todos devem trabalhar em prol do mesmo objetivo. 10. Eliminar slogans, exortações e metas para a força d e trabalho: Exortações, slogans e coisas do gênero, na maioria das vezes, só servem para criar ansiedade e medo. Salvo quando tiverem algum significado que lhes dê respaldo, devem ser abandonados. 11. Eliminar cotas numéricas para a força de trabalho e metas quantitativas para a gerência: Ao invés de aumentar a produtividade, o trabalho por quotas pode apresentar o resultado inverso, pois cada trabalhador possui capacidade diferenciada. As quotas podem levar o trabalhador a acomodar-se ou intimidar-se. A liderança, ao contrário, busca o melhor que cada um é capaz de fazer. O trabalhador precisa ter a consciência da importância de seu trabalho. Por exemplo, o trabalhador que diz estar assentando uma parede de tijolos e o que diz estar construindo um hospital tem percepções diferentes quanto ao mesmo trabalho. O segundo tem orgulho daquilo que faz, enquanto o primeiro não sabe o que faz. O sistema de cotas tem um efeito negativo na qualidade do produto, uma vez que os supervisores estão 28 mais inclinados a deixar passar, ao longo do sistema, produtos de qualidade inferior quando precisam cumprir metas de trabalho. Esses padrões de trabalho mais flexíveis reduzem o orgulho quanto à capacidade de trabalho do indivíduo e perpetuam um sistema em que a pressão da equiparação sustenta a metade superior dos trabalhadores no limite da cota estabelecida. Além disso, a ênfase em metas e exortações pode colocar uma carga inapropriada sobre o trabalhador, uma vez que a meta da gerência é melhorar o sistema, e não esperar que os trabalhadores produzam além dos limites do sistema. 12. Eliminar barreiras que tira das pessoas o orgulho p elo seu trabalho: Eliminar a classificação anual ou o sistema de mérito: Um objetivo deve estar centrado em um contexto, se for algo isolado, corre o risco de se transformar em uma corrida de obstáculos. As pessoas devem sentir que seu trabalho faz parte de um objetivo global da organização e de longo prazo (Grifo, 1994). O sistema de classificação anual quanto ao desempenho pode tirar do trabalhador o seu orgulho próprio, uma vez que, muito freqüentemente, esse sistema de avaliação não fornece uma medida de desempenho significativa. Para muitos supervisores, o único cliente é o seu gerente. Isso pode gerar em numerosos casos de esforços concentrados no sentido de distorcer os dados ou distorcer o sistema a fim de produzir o conjunto de resultados desejados, em vez de se reunirem esforços para melhoraria da organização. Esse método desestimula o trabalho em equipe, uma vez que geralmente existem poucas recompensas tangíveis para o trabalho conjunto entre áreas funcionais. Finalmente, ele recompensa pessoas que trabalham com sucesso dentro do sistema, em vez das pessoas que trabalham no sentido de melhorar o sistema. 13. Instituir um sólido programa de educação e aprimora mento para todos: Instituir a educação e o aprimoramento pessoal para todos, reflete a noção de que o recurso mais importante de qualquer organização são as pessoas, infelizmente para maioria das empresas esse fato ainda não é verdadeiro. Esforços no sentido de melhorar o conhecimento das pessoas também servem para aumentar os ativos da organização. 14. Envolver todos na empresa para que trabalhem no sen tido de atingir a transformação: Agir no sentido de atingir a transformação, novamente reflete o método da gerência como um processo no qual investimos continuamente no aperfeiçoamento, em um ciclo constante. 29 Melhoria da Qualidade Menores custos devido a um menor retrabalho, menos erros, menos dificuldades e melhor uso do tempo, matérias-primas e insumos Melhoria da produtividade Captura de mercado devido a melhor qualidade e menores preços Permanência nos negócios Promoção de empregos Figura 1.4 - Cadeia do impacto da qualidade segundo Deming (Tóquio – 1950) Os princípios listados não possuem significado consistente, se forem vistosisoladamente, ou como uma mera receita. Eles constituem a base de uma filosofia administrativa orientada para a melhoria contínua em todos os sentidos. A filosofia Deming pretendia envolver a todos, desde a alta direção até o mais simples operário, mesmo aquele terceirizado, num processo ininterrupto de aprimoramento contínuo. Os princípios de Deming formam a base das normas ISO 9000:2000. 1.4.3 Joseph Moses Juran Nascido na Romênia em 1904, Juran emigrou para os EUA em 1912. Formou-se em engenharia pela Universidade de Minesota e ingressou no Departamento de Inspeção da Hawthorne Work, em 1924. Durante e após a segunda Guerra Mundial tornou-se consultor em qualidade (Damazio, 1998). Foi o pioneiro na aplicação dos conceitos de qualidade à estratégia empresarial, ao invés de associá-la à estatística ou a métodos de controle de qualidade (Marshall Jr, 2003). Em 1951, publicou o livro Quality Control Handbook, tornando-se a obra mais importante para o aperfeiçoamento da qualidade tanto no Japão como nos Estados Unidos. Para ele, qualidade é o desempenho do produto que resulta em satisfação do cliente, livre de deficiências. Cada etapa do processo afeta a próxima etapa e assim por diante. Quando produto passa de um empregado para outro, o receptor do serviço é um cliente neste relacionamento e o processo torna-se um encontro de necessidades. Para alcançar resultados satisfatórios, as organizações devem focar três processos gerenciais de gerenciamento da qualidade conhecidos como a trilogia Juran: planejamento da qualidade, controle da qualidade e melhoria da qualidade. 30 C us to da B ai xa Q ua lid ad e (R $) Tempo Nível histórico Nova Zona de Controle Zona Controle PICO ESPORÁDICO MELHORIA C us to da B ai xa Q ua lid ad e (R $) Tempo Nível histórico Nova Zona de Controle Zona Controle PICO ESPORÁDICO MELHORIA Figura 1.5 - Diagrama da Trilogia Juran • Planejamento da qualidade: é o processo de preparação para obtenção dos objetivos da qualidade. É um conjunto de atividades que visam desenvolver produtos e processos necessários para atender às necessidades dos clientes. • Controle da qualidade: é o processo para assegurar o cumprimento dos objetivos da qualidade durante as operações. • Melhoria da qualidade: é o processo para produzir com níveis superiores e inéditos de execução. Visa elevar a qualidade a novos níveis de desempenho, seja ele incremental (melhoria contínua) ou inovador (melhoria radical). Tabela 1.1 - Componentes da trilogia Juran (Marshal Jr, 2003) PLANEJAMENTO DA QUALIDADE CONTROLE DA QUALIDADE MELHORIA DA QUALIDADE • Determinar quem são os clientes • Determinar as necessidades dos clientes • Desenvolver características de produtos que atendam as necessidades dos clientes • Desenvolver processos capazes de reproduzir estas características • Capacitar colaboradores • Avaliar o desempenho da qualidade real • Comparar o desempenho real com as metas da qualidade • Atuar sobre as diferenças • Estabelecer a infra-estruturar para assegurar a constante melhoria • Identificar as necessidades específicas para a criação de projetos de melhoria • Definir para cada projeto uma equipe com a responsabilidade de torná-lo bem sucedido • Fornecer os recursos e treinamentos necessários às equipes para diagnosticar as causas, estimular o estabelecimento de uma solução e implantar controles para manter os resultados. 31 A trilogia Juran é representada por um gráfico com as variáveis “tempo” no eixo horizontal e “custo da não qualidade” (deficiências da qualidade) no eixo vertical. A atividade inicial é o planejamento da qualidade. Determina-se quem são os clientes e quais são as suas necessidades. Em seguida, são desenvolvidos projetos de produtos e processos capazes de atender essas necessidades identificadas. Finalmente os colaboradores são capacitados a implementar os planos e com os padrões estabelecidos, o controle de qualidade os executam para prevenir desperdício intrínseco. O controle incluiu a extinção de picos esporádicos e a diminuição da variabilidade. O gráfico mostra que, com o tempo, o desperdício é reduzido a um nível muito abaixo do valor original. Esse ganho é conseguido pelo terceiro processo da trilogia, denominada melhoria da qualidade (Marshall Jr, 2003). 1.4.4 Armand Vallin Feigenbaum Feigenbaum é considerado o pai do conceito de “controle da qualidade total” (total quality control – TQC). De acordo com sua abordagem, a qualidade é um instrumento estratégico pelo qual os trabalhadores devem ser responsáveis. Mais que uma técnica de eliminação de defeitos nas operações industriais, para ele a qualidade é uma filosofia de gestão e um compromisso com a excelência. Volta-se para fora da empresa e tem por base a orientação para o cliente (Marshall Jr, 2003). 1.4.5 Philip B. Crosby A Philip Crosby está associado o conceito de “zero defeito” e de “fazer certo da primeira vez”. Para ele, qualidade significava conformidade com especificações, que, por sua vez, variavam de acordo com as necessidades dos clientes. O objetivo era produzir, atendendo às especificações, o que encoraja as pessoas melhorar continuamente. Ele acreditava que a filosofia zero defeito não era um slogan, mas sim uma meta de melhoria a ser buscada continuamente. Afirmava também que os responsáveis pela falta de qualidade são os gestores, e não os trabalhadores. As iniciativas voltadas para qualidade deveriam vir de cima para baixo (efeito top-down) e ser ensinadas através do exemplo. Isso exigiria o empenho da Alta Direção e a formação dos empregados em técnicas de melhoraria da qualidade. Semelhante a Deming, Crosby também considerava as técnicas não-preventivas, como inspeção, testes de controle da qualidade pouco eficazes (Marshall Jr, 2003). 32 Quadro 3 – Leitura Complementar: Apelo aos nossos operários (Campos, 1992). APELO AOS NOSSOS OPERÁRIOS Monteiro Lobato Toda empresa industrial, que se respeita e pretende desenvolver-se cada vez mais, deve basear-se nos seguintes princípios: 1.º) O verdadeiro objetivo de uma indústria não é ganhar dinheiro e sim bem servir ao público, produzindo artigos de fabricação conscienciosa e vendendo-os pêlos preços mais moderados possíveis. A indústria que se norteia pôr estes princípios nunca pára de crescer, nem de desdobrar-se em benefícios para todos quantos nela cooperam. Torna-se uma obra de paciência, consciência e boa vontade — três elementos sem os quais nada se consegue no mundo. 2.º) Uma empresa industrial depende da cooperação de três elementos: os diretores, os operários e o consumidor. Sem o concurso destes três fatores a indústria não pode subsistir. Assim, os diretores, os operários e o consumidor funcionam como sócios da empresa e nessa qualidade têm direito à participação nos lucros. O sócio-consumidor participa dos lucros, recebendo artigos cada vez mais caprichados e pôr preços cada vez mais baixos. A indústria que procura lesar esse sócio, impingindo artigos malfeitos e caros, não é indústria, é pirataria. O sócio-operário participa dos lucros sob forma de- constantes aumentos de salários. A indústria, que não sabe ou não pode proporcionar este lucro ao sócio-operário, não cumpre a sua alta missão. O sócio-capitalista participa dos lucros sob forma de dividendos razoáveis. Ele forneceu o capital necessário à montagem da indústria e tem direito a uma remuneração proporcional. 3.º) Os diretores da empresa fazem parte do seu operariado, com a única diferença que lhes cabe o trabalho mental da organização e da coordenação. A eles incumbe promover, com inteligência e segurança, a venda dos produtos, de modo que nunca falte trabalho na fábrica e que, pela boa direção dos negócios, os três sócios aufiram os lucros a que têm direito. Masa todo direito corresponde um dever. O dever do sócio-capitalista é não desprezar os outros sócios, querendo tudo para si; é contentar-se com uma quota justa, que não sacrifique o sócio-consumidor nem o sócio-operário. O dever do sócio-operário é dar à empresa a soma de trabalho que, ao nela ser admitido, se comprometeu a dar. Tanto lesa a indústria e a aniquila o mau patrão como o mau operário. Pôr mau operário entende-se todo aquele que trabalha de má vontade, procurando nas horas de oficina "encher o tempo" em vez de produzir. O operário que assim procede prejudica a si próprio, a sua família e a sociedade em que vive. Se todos fizessem o mesmo, que sucederia? A empresa cessaria de dar lucros, teria de baixar os salários e, pôr fim, fechar as portas, privando de trabalho inúmeras criaturas humanas. Precisamos não nos esquecer nunca de que o trabalho é a lei da vida. Sem trabalho não se vive. Tudo que na Terra existe a mais da natureza é produto do trabalho humano. Só o trabalho pode melhorar as condições de vida dos homens. Se assim é, nada mais inteligente do que trabalhar com alegria, consciência e boa vontade. Nas empresas industriais de alto tipo, o salário é uma forma prática de dar ao sócio-operário a sua parte nos lucros da produção. Mas como há de uma empresa auferir-lucros suficientes para isso, se o operário produz pouco e de má vontade? Quem paga o salário não é o capital. Este apenas fornece as máquinas. 33 Quem paga o salário é a produção, o que vale dizer que o operário se paga a si próprio. Ora, se assim é, quanto maior, mais eficiente, mais econômica e rápida for a produção, mais os lucros avultam e maiores serão os salários. Como pode pretender melhoria de salário o operário que produz mal, se o salário é uma conseqüência da sua produção? A economia de tempo e material representa lucro e aumento de salário. Quem pode fazer um serviço em uma hora e o faz em duas; quem mata o tempo em vez de produzir; quem dá dez passos em vez dos oito necessários; quem espicha a sua tarefa; quem se esconde atrás de uma porta; quem maltrata uma máquina; quem estraga uma folha de papel; quem perde um minuto que seja de trabalho lesa a empresa e lesa, portanto, a si próprio. No fim do ano, a soma desses pequenos desperdícios representa muito. A empresa que consegue evitá-los habilita-se a beneficiar ao público com melhoria de preços e ao operário com melhoria de paga. Trabalharemos, pois, com amor e boa vontade, conscientes de que somos um organismo capaz de ir ao infinito, se todas as células cooperarem em harmonia para o fim comum. Podemos nos transformar numa empresa que nos orgulhe a todos - e a todos beneficie cada vez mais. Para isto, o meio é a preocupação constante de produzir com o mais alto rendimento em perfeição e presteza. Quem não pensar assim prestará um verdadeiro serviço à empresa, ao público e aos seus colegas, retirando-se. Nossa empresa saiu do nada, é filha de um modesto livrinho e tendo vencido mil obstáculos já faz honra a São Paulo. Mas devemos considerá-la apenas como um início do que poderá vir a ser. Está em nossas mãos torná-la um jequitibá majestoso a cuja sombra todos nós possamos nos abrigar - nós e mais tarde nossos filhos. Mas, se não trabalharmos com boa vontade e consciência do que estamos fazendo, o jequitibá não assumirá nunca a majestade que tem na floresta e não dará a sombra de que todos precisamos. Programa posposto por Monteiro Lobato aos operários da empresa editora que trazia o seu nome 1.4.6 Kaoru Ishikawa Kaoru Ishikawa esteve na vanguarda da revolução econômica japonesa, com o uso de técnicas de gestão no final dos anos quarenta. Foi professor de engenharia na Science University of Tokyo (Damazio, 1998). É conhecido como o pai do controle de qualidade japonês, enfatizando os aspectos humanos e a implantação dos Círculos de Controle de Qualidade (CCQ). Para ele, cada elemento dentro da empresa precisava estudar, praticar e participar do controle de qualidade: o TQC, com a participação de todos os colaboradores, incluindo a alta administração, enseja que qualquer empresa ofereça produtos melhores a um custo mais baixo, aumente a participação no mercado, melhores os lucros e se transforme em uma organização melhor (Marshall Jr, 2003). Além da memorável contribuição ao CCQ’s, Ishikawa foi responsável pela difusão das sete ferramentas da qualidade (Carvalho e Paladini, 2006). 34 Quadro 4: Leitura Complementar Círculos de Controle de Qualidade (Souza, 1996). O movimento dos Círculos de Controle da Qualidade (CCQ) teve início em 1962, com apoio da JUSE. Nas décadas seguintes, teve um crescimento muito grande e se difundiu pelo mundo. Consistem em pequenos grupos voluntários de empregados que praticam a qualidade em seu posto de trabalho. Através do trabalho em equipe, utilizam os métodos do controle da qualidade para solucionar problemas e garantir o cumprimento de padrões operacionais. Analisam problemas, sugerem, implantam e acompanham as soluções quando aprovadas, em sua própria área. São grupos que buscam constantemente a melhoria da qualidade, da produtividade, dos produtos, das matérias-primas, dos processos, das condições ambientais, da saúde e da segurança. Os CCQ’s têm como objetivo o aprimoramento contínuo, contribuído definitivamente para o crescimento pessoal de cada empregado e melhoria contínua da organização. 1.5 O fator humano na qualidade Hoje, uma das premissas básicas da qualidade é a valorização do ser humano dentro das empresas, seja pela oportunidade de crescimento, seja pelo ambiente de trabalho. Os quatorze Princípios de Deming foi fortemente influenciada pelos trabalhos de Maslow, que apresentava filosofia baseada no fato de que o homem tem uma natureza superior instintiva, com característica holística (Damazio, 1998). Paralelo a evolução dos conceitos de qualidade, a psicologia do trabalho levantou pontos importantes, tais como a vontade das pessoas serem produtivas, a necessidade da existência de supervisão, necessidade de incentivo para melhor desempenho profissional e a necessidade de criação de clima agradável e de confiança no ambiente de trabalho (Damazio, 1998). Segundo Hersey Blanchard (1982) a principal vantagem do estudo das atitudes no trabalho é o aumento da produtividade, a diminuição do absenteísmo e melhor relacionamento humano no trabalho. 1.5.1 Frederick Winslow Taylor O fundador da administração científica Frederick Winslow Taylor (1856-1915) desenvolveu seus princípios durante sua ascensão de operário a engenheiro-chefe na siderúrgica Midvale, Filadélfia. Tais princípios concentravam-se no aumento da eficiência da organização. O ponto mais importante do modelo taylorista foi a divisão do trabalho em tarefas menos complexas, possibilitando alocar operários na execução de tarefas específicas (Wagner III e Hollenbeck, 2003). O planejamento e a organização do trabalho passaram a ser feitos por um grupo de supervisores, especialistas que 35 fracionavam o trabalho em atividades simples, que mediam os tempos requeridos e estabeleciam padrões de desempenho que deveriam ser cumpridos pelos operários na linha de produção. Segundo Taylor, a produtividade de uma empresa seria garantida apenas pela “melhor maneira” de executar cada tarefa. Os supervisores e engenheiros ensinavam a técnica aos trabalhadores e utilizavam um sistema de recompensas e punições para obrigar a sua adoção. A aplicação desses princípios trouxe grande vantagem às organizações a ponto de ser criado o neologismo taylorismo para definição desse método de produção. O método tinha uma forte dependência do “líder”, agora chamado de supervisor. A função do supervisor era estabelecer e fazer cumprir critérios de desempenho para atender aos objetivos da organização. O líder concentrava-se nas necessidades da organização, e não nasdo ser humano (Hersey e Blanchard, 1982). Sucederam Taylor, outros estudiosos que realizaram experimentos e desenvolveram novas teorias, sempre objetivando a produtividade e o incremento financeiro. Em 1930, a tendência iniciada por Taylor começou a regredir, passando a ser substituída pelo movimento de relações humanas6, defendido por Elton Mayo e seus seguidores (Hersey e Blanchard, 1982). A Escola de Relações Humanas começou a questionar a alienação pelo trabalho e a importância da participação do trabalhador. Esse trabalho, pioneiro, sobre motivação humana, somado aos estudos de Maslow, McGregor e Hezberg teve grande influência e importância nos programas de qualidade no período pós-guerra, em especial na composição do modelo japonês (Marshall Jr, 2003). 1.5.2 Abraham Maslow Maslow desenvolveu uma teoria interessante para explicar a intensidade de certas necessidades do ser humano e classificou-as em cinco categorias: fisiológica, segurança, social, auto- estima e auto-realização. Essas necessidades seguem uma hierarquia de prioridades. Para passar para a necessidade seguinte, é necessário que a anterior tenha sido atendida, mesmo ainda que parcialmente. A.R. ESTIMA SOCIAL SEGURANÇA FISIOLÓGICA N E C E S S ID A D E S INTENSIDADE Figura 1.6 - Hierarquia das necessidades de Maslow. 6 Na teoria das relações humanas, a função do líder era a de facilitar a consecução cooperativa dos objetivos entre os liderados, dando oportunidades para o seu crescimento e desenvolvimento pessoal. O enfoque principal, ao contrário do taylorismo, eram as necessidades pessoais e não da organização. 36 • Fisiológica : refere-se às necessidades básicas do ser humano para garantir a sua sobrevivência: alimentação, moradia, saúde, educação, etc. Enquanto essas necessidades não forem atendidas, pelo menos a nível básico, as demais não são prioritárias. • Segurança : refere-se a segurança no emprego, segurança em manter o padrão de renda que permita suprir as necessidades fisiológicas. • Social : o homem precisa viver em comunidade, não só por questão de proteção como também por necessidade de comunicação e intercâmbio de experiências. • Auto-estima : o homem tem uma necessidade de ser respeitado pelos colegas, pela sociedade em que vive. • Auto-realização : o nível mais alto é obtido quando o homem se sente como um elemento que contribui para a sociedade através da criatividade. Partindo desse conhecimento, haveria necessidade de motivar o homem para o trabalho, fazendo com que o homem trabalhasse naturalmente, como uma forma de maximizar a satisfação de suas necessidades. A palavra chave é motivação. Para motivar o trabalhador era necessária uma série de mudanças no ambiente de trabalho. 1.5.3 Douglas McGregor Douglas McGregor chamou de Teoria X a forma de administrar a produção segundo os ensinamentos de Taylor, onde a ênfase era o controle e a produtividade. Essa teoria, fortemente baseada na autoridade, pode provocar contramedidas por parte dos empregados através da submissão formal de "fazer apenas o que for mandado", do baixo padrão de desempenho, do comportamento defensivo e da indiferença em relação aos grandes objetivos da organização. Em contrapartida estabeleceu a Teoria Y. Essa teoria propõe uma administração participativa, a descentralização e delegação de poderes, o enriquecimento do trabalho e a participação do empregado no estabelecimento de objetivos e a sua avaliação. 37 Tabela 1.2 - Lista de suposições sobre as teorias X e Y de McGregor, segundo (Hersey e Blanchard, 1982). TEORIA X TEORIA Y • O trabalho é intrinsecamente desagradável para a maioria das pessoas. • Poucas pessoas são ambiciosas, têm desejo de responsabilidades, a maioria prefere ser orientada pelos outros. • A maioria tem pouca capacidade para criatividade na solução de problemas da organização. • A motivação ocorre apenas nos níveis fisiológicos e de segurança. • Para realização de objetivos da organização, a maioria das pessoas precisa ser estritamente controlada e muitas vezes obrigada a buscar os objetivos da organização. • O trabalho é tão natural quanto o jogo, desde que as condições sejam favoráveis. • O autocontrole é freqüentemente indispensável para a realização de objetivos da organização. • A capacidade para criatividade na solução de problemas da organização está muito distribuída na população. • A motivação ocorre no nível social, de estima e auto-realização, bem como no nível fisiológico e de segurança. • As pessoas podem orientar-se e ser criativas no trabalho, desde que adequadamente motivadas. 1.5.4 Frederick Herzberg A teoria motivação-higiene Frederick Herzberg resultou de um estudo realizado por ele e seus colegas no serviço psicológico de Pittsburgh. Ele concluiu que as pessoas têm duas categorias de necessidades, essencialmente independentes entre si e que influenciavam no trabalho de maneiras distintas. Hezberg observou que, quando as pessoas se sentiam insatisfeitas com o seu trabalho, estavam preocupadas com o ambiente que trabalhavam. Por outro lado, quando se sentiam bem no trabalho, tratava-se do trabalho em si. Hezberg chamou a primeira categoria de necessidades de fatores de higiene ou de fatores de manutenção. Higiene porque descrevem o ambiente das pessoas e têm função primária de prevenir a insatisfação no trabalho; manutenção porque as pessoas nunca estão completamente satisfeitas, ou seja, precisam ser mantidas continuamente. A segunda categoria de necessidades chamou fatores motivadores, por que lhe pareciam eficazes, motivando as pessoas para um desempenho superior (Hersey e Blanchard, 1982). Os fatores de higiene estão no ambiente que rodeia as pessoas e estão fora do controle delas: salário, benefícios sociais, tipo de chefia ou supervisão, condições físicas e ambientais de trabalho, políticas da empresa, relacionamento empresa-empregado, valores da organização, regulamentos internos, etc. Para Herzberg quando os fatores higiênicos são ótimos, eles apenas 38 evitam a insatisfação dos empregados e se elevam às satisfações, pois não conseguem sustentá-la por muito tempo. Os fatores motivadores são relacionados com o conteúdo do cargo e a natureza das tarefas que a pessoa executa, estando sob o controle do individuo, pois estão ligados a seu papel dentro da organização. Envolvem sentimento e desenvolvimento pessoal, reconhecimento profissional e auto- realização. Quando são ótimos, provocam satisfação nas pessoas, porém quando precários, evitam satisfação. Tabela 1.3 - Fatores de motivação e de higiene segundo Hezberg (Hersey e Blanchard, 1982). FATORES DE HIGIENE FATORES MOTIVADORES Ambiente O trabalho em si • Política e administração • Supervisão • Condições de trabalho • Relações interpessoais • Dinheiro, status, segurança. • Realização • Reconhecimento do desempenho • Trabalho desafiante • Maior responsabilidade • Crescimento e desenvolvimento Para proporcionar a continua motivação no trabalho, Herzberg propõe o enriquecimento de tarefas ou enriquecimento do cargo. Substituir tarefas simples e elementares do cargo por tarefas mais complexas para acompanhar o crescimento individual, oferecendo condições de desafio e de satisfação profissional no cargo. 1.6 As dimensões da qualidade total A noção de Qualidade Total até então analisada, pode ser apresentada de uma maneira bastante objetiva e abrangente através de cinco dimensões básicas: • Q Qualidade Intrínseca • C Custo • A Atendimento • M Moral • S Segurança 39 Cada uma das dimensões é, por sua vez, subdividida em atributos, estes em número variável de acordo com o produto em questão. Por qualidade intrínsecaentende-se a qualidade propriamente dita, característica inerente ao produto. Dentre outras, podemos citar a durabilidade, aparência e ausência de defeitos. A dimensão custo é a dimensão econômica da qualidade, percebida como preço pelo cliente. O aumento da produtividade alcançado pela redução de desperdício, retrabalho e de atividades que não agregam valor, resultam em redução de custos de produção. Essa vantagem competitiva pode ser utilizada na forma de redução de preço ou aumento na margem de lucro, o que vai depender da estratégia de mercado adotada pela organização. Em atendimento encontram-se atributos relativos à cortesia, quantidade, prazo, local, formas de pagamento, garantia, assistência pós-venda, etc. O moral refere-se aos aspectos motivacionais das pessoas participantes dos processos. A inclusão de uma dimensão específica ao empregado (cliente interno) vem demonstrar a importância das pessoas para a concretização da qualidade total. A dimensão segurança abrange tanto clientes internos quanto externos. Refere-se à segurança do ambiente de trabalho, da utilização do produto pelo cliente, da comunidade externa e do meio-ambiente. A organização é responsável pelo impacto de todos os seus produtos, sejam eles intencionais (produto comercializado) ou não- intencionais (efluentes, poluição sonora, acidentes de trabalho, acidentes ambientais, etc.). Para exemplificar, vamos considerar os atributos das dimensões da Qualidade Total de duas classes de produtos: um automóvel e a prestação de serviço de limpeza. • AUTOMÓVEL Qualidade Intrínseca: Conforto, estilo, durabilidade, ausência de defeitos, disponibilidade de acessórios, opções de cores, potência do motor, economia de combustível, etc. Custo: Preço do automóvel. Atendimento: Facilidade de acesso à concessionária, conforto das instalações de atendimento ao cliente, cortesia, disponibilidade de informações, formas de pagamento adequadas, disponibilidade para entrega, garantia oferecida, quantidade de oficinas autorizadas para serviços, etc. Moral: Estado motivacional dos empregados. Segurança: Segurança do automóvel, abrangendo também os componentes e equipamentos que a afetam diretamente (freios, suspensão, barra de proteção, lataria com deformação programada, etc.). 40 • SERVIÇO DE LIMPEZA Qualidade Intrínseca: Ausência de detritos, aparência do ambiente, odor, etc. Custo: Valor mensal do contrato. Atendimento: Fornecimento, pela contratada, da quantidade necessária de pessoas e recursos para a realização do serviço, nos prazos e locais estabelecidos. Incluem-se também a facilidade de contato com a empresa contratada para reclamações ou solicitações extras e outros aspectos como cortesia, presteza, etc. Moral: Estado motivacional dos empregados da empresa contratada (executores do serviço ou não). Segurança: Eficiência dos produtos de limpeza (em termos de higienização), nível de toxicidade para os aplicadores e clientes, cuidados dos contratados em não danificar equipamentos e materiais do contratante, etc. Com esses exemplos, que abrangem produto (tangível) e serviço (produto intangível), percebe-se a diversidade de atributos possíveis para cada tipo de produto que podem ser ainda mais específicos se considerarmos as diferentes classes de um mesmo produto. No caso de automóveis, por exemplo, se estivermos tratando da classe de populares, em qualidade intrínseca será privilegiada a economia de combustível em detrimento da potência do motor. Para a classe de automóveis de luxo, estilo, conforto e potência serão certamente priorizados, ficando o consumo de combustível como um item de reduzido impacto na decisão de compra. Outro aspecto relevante é a inter-relação das dimensões. É naturalmente mais direta a relação entre a qualidade intrínseca e o preço no processo de decisão de compra. Na maioria dos casos, para produtos de uma mesma classe com qualidade intrínseca equivalente, a decisão de compra será pelo produto de menor custo. A decisão do cliente é, na verdade, multivariável. As variáveis (dimensões e atributos) têm pesos diferenciados para diferentes tipos de cliente. Exemplificando de modo simples, para determinado tipo de cliente a cortesia no atendimento ou a forma de pagamento podem ser mais importantes do que o preço, levando a uma opção pelo mais caro. Uns privilegiam a assistência pós- venda (assistência técnica) e a garantia oferecida. Outros, ainda, condicionam suas opções de escolha a aspectos de segurança. Cabe à organização buscar conhecer exatamente o perfil dos clientes, de forma a tomar decisões que sejam economicamente viáveis e efetivas em satisfazê-los. A dimensão moral aparentemente não impacta o processo decisório apenas aparentemente! Quais dimensões podem ser afetadas se as pessoas da organização estiverem insatisfeitas e desmotivadas? Todas! Sim, todas! Moral baixo leva a maior incidência de falha humana, retrabalho e 41 acidentes, afetando diretamente a qualidade intrínseca dos produtos, elevando os custos de produção e reduzindo a segurança em todos os seus aspectos. Não há dúvidas de que pessoas insatisfeitas estarão menos predispostas a fornecer um atendimento cortês e solícito a seu cliente. Podemos concluir que só podemos falar verdadeiramente em qualidade quando todas as cinco dimensões estiverem sendo adequadamente atendidas pela organização. Ainda que o cliente privilegie alguns aspectos, o descuido com os demais pode resultar em conseqüências desastrosas. Uma desatenção à segurança, por exemplo, em virtude da ênfase às dimensões custo e atendimento, pode eventualmente resultar num acidente envolvendo o seu produto. Os danos decorrentes poderão ser tão expressivos à imagem institucional que mesmo toda a excelência demonstrada nas outras dimensões seria insuficiente para manter a fidelidade da maioria de seus clientes (ver quadro 5). Quadro 5 - Texto para reflexão: O Caso Bridgestone-Firestone-Ford7. BRIDGESTONE PERDE 30% DO MERCADO NOS EUA TÓQUIO. Número de mortes sob investigação em acidentes com pneus da empresa aumentou para 62 . As ações da Bridgestone recuaram 5,5% ontem no mercado japonês, atingindo seu mínimo em quatro anos e meio, depois que o número de mortes sob investigação em acidentes envolvendo pneus de sua subsidiária Firestone subiu para 62. Com isso, segundo a “Bloomberg News”, ela perdeu 30% de sua fatia de mercado nos EUA só este mês, quando foi divulgada a ligação entre os problemas e uma série de acidentes fatais. Autoridades de segurança dos EUA informaram que agora investigam 800 casos envolvendo pneus ATX aro 15, ATX II e Wilderness AT. A Bridgestone lançou uma campanha de troca de 6,5 milhões de pneus na semana passada“. O Globo, 17/08/2000 CONGRESSO DOS EUA INVESTIGA FIRESTONE Chicago. Uma delegação do Congresso americano visitou ontem o quartel general da Bridgestone-Firestone em Nashville/USA para investigar se a empresa sabia dos graves defeitos de seus pneus, antes do recente e gigantesco recall. Foi a segunda parada do Comitê, que também foi à FORD em Detroit. A Firestone disse que cerca de 1 milhão de pneus foram trocados no fim de semana, a maior parte deles equipa veículos FORD, principalmente a Explorer. O Globo, 29/08/2000 7 A Bridgestone comprou a Firestone em 1988 quando ela se recuperava de perdas estimadas em cerca de 150 milhões de dólares. A retirada voluntária do mercado de 6,5 milhões de pneus defeituosos custou a Firestone pelo menos 350 milhões de dólares, segundo analistas do setor. A Firestone já havia enfrentado caso similar em 1978, que quase levou a empresa à falência. 42 Para uma empresa avaliar a evolução de seus esforços de implantação da Gestão da Qualidade Total, deve ser capaz de mensurar seudesempenho nos vários atributos das dimensões: Qualidade, Custo, Atendimento, Moral e Segurança. Todas elas, mesmo as aparentemente abstratas, podem ser quantificadas, através de indicadores de gestão e produtividade. A seguir apresentamos alguns exemplos. • Qualidade Intrínseca: Pode ser quantificada pelo número de defeitos por quantidade produzida (ou pelo número de reclamações). • Custo: É um atributo numérico, pode ser comparado com o da concorrência, com dados históricos próprios ou com parâmetros internacionais. • Atendimento: Pode ser quantificado pelos atrasos nas entregas dos bens ou da prestação do serviço, número de reclamações, freqüência em que não se pôde atender a alguma determinação contratual, etc. • Moral: Pode ser avaliada diretamente, via pesquisa de clima organizacional, ou indiretamente por fatores como absenteísmo, freqüência de licença médica, índice de acidentes, etc. • Segurança: Pode ser avaliada proativamente via verificação do cumprimento dos planos, normas e procedimentos que impactam a segurança, ou reativamente, via acompanhamento do número de acidentes. Qualquer que sejam os mecanismos de mensuração de desempenho é indispensável que se ouça a opinião do cliente. A satisfação do cliente é o critério final para se julgar o sucesso de uma organização na implantação da Gestão da Qualidade Total. A objetivação desse julgamento, via pesquisa de satisfação, deve ser realizada na forma e periodicidade adequadas a cada situação. Os indicadores de gestão e produtividade serão estudados posteriormente. 43 1.7 Explorando outros conceitos 1.7.1 Produtividade Os caminhos da qualidade implicam necessariamente na redução de custos: retrabalho, eliminação de atividades que não agreguem de valor e melhoria contínua de processos. Uma conseqüência direta destes fatores é o aumento da produtividade. A produtividade é o quociente da produção por um dos fatores da produção. Ela é, portanto, um índice. Os fatores da produção podem ser: o tempo, a matéria-prima, a energia, o custo. Aumentar a produtividade significa então produzir mais utilizando o mesmo fator de produção ou produzir o mesmo utilizando um menor fator de produção. Podemos dizer que a produtividade é uma relação entre o que se produz e o que se consome na produção e pode ser entendida como uma medida da eficiência no uso dos recursos em um processo produtivo. Figura 1.7 - Conceito de produtividade. 1.7.2 Competitividade A competitividade de uma empresa pode ser medida pela comparação de sua produtividade com a dos seus concorrentes. Havendo uma equivalência na qualidade, será mais competitiva a organização que apresentar maior produtividade. A vantagem representada pelos custos mais baixos, decorrentes da maior produtividade, pode ser utilizada na redução do preço praticado ao cliente (competição via preço, garantindo margem equivalente à concorrência) ou mantendo a paridade de preços e reinvestindo o lucro no próprio processo (competição via diferenciação). Nesse segundo caso, pode fazer parte da estratégia de marketing empresa a sua atuação numa faixa premium do mercado, com margens ainda mais elevadas. 44 Estrategicamente podemos afirmar que através da qualidade uma empresa pode incrementar sua produtividade, possibilitando o alcance da competitividade. A qualidade não é, certamente, a única resposta à perplexidade das empresas em busca da sobrevivência no mercado. Contudo, ela é um modelo consistente, fundamentado e aperfeiçoado há mais de seis décadas, que apresenta vantagens para todos os componentes do trinômio Cliente-Empregado-Empresário, proporcionando a cada parte o atendimento de suas necessidades e expectativas. A qualidade, longe de ser uma fórmula mágica de fácil aplicação e resultados imediatos, sob a forma de gestão requer comprometimento e persistência, a começar da Alta Administração, por se estruturar principalmente em uma profunda mudança da cultura organizacional. 1.7.3 Cliente A frase “o cliente em primeiro lugar” exprime uma postura indispensável para o êxito de qualquer organização. O objetivo comum a todas as empresas deveria ser fornecer soluções para as necessidades de seus clientes. Philip Crosby ensinou que qualidade significa o cumprimento de requisitos combinados com o cliente. Para fazer com que isso aconteça é necessário dispor de ferramentas que nos permitam, primeiramente, identificar quais são os requisitos desejados pelos clientes e em seguida, medir e monitorar como atendemos esses requisitos. Mas quem são nossos clientes? Um método simples para a identificação de clientes, consiste em seguir o produto para verificar quem é afetado por ele. Na verdade, o cliente será todo aquele que recebe um produto proveniente de um processo. O cliente poderá ser qualquer elemento dentro ou fora da organização Na verdade, todos que serão afetados pelo processo, direta ou indiretamente, são considerados clientes. Didaticamente os clientes podem ser classificados como clientes internos ou clientes externos . 1.7.3.1 Cliente externo Pessoa ou organização que recebe, compra, utiliza ou é afetada pelo produto, mesmo que indiretamente, e que não faz parte da equipe da organização responsável pela produção do produto. 45 1.7.3.2 Cliente interno É aquele que, participando do processo, utiliza-se da atividade da etapa anterior do processo ou por ele é afetado. 1.7.4 Organização Entendemos por organização8 um grupo de instalações e pessoas com um conjunto de responsabilidades, autoridades e relações. Por exemplo, companhia, corporação, firma, empresa, instituições, organização beneficente, comerciante, associação, ou parte ou combinação destes. 1.7.5 Processo Processo é um conjunto de causas e condições que, repetidamente, provocam um ou mais efeitos que pode ser convenientemente representado por uma ferramenta da qualidade denominada diagrama de causa e efeito9 (figura 1.8). Existem seis fatores que contribuem para variação de um processo, são eles: máquinas, métodos, materiais, meio ambiente, mão de obra e medida (SIQUEIRA, 1997), denominados causas de variação. Mão-de-Obra Método Máquina MaterialMedidaMeio Ambiente EFEITO Figura 1.8 - Diagrama de causa e efeito. 8 Uma organização pode ser pública ou privada. 9 Também conhecido como diagrama de Ishikawa ou 6 M ou espinha de peixe. 46 Os processos de uma organização podem ser divididos em processos menores que compõem o fluxo do processo principal, como por exemplo, o processo de compras, recebimentos de matérias primas etc. Mesmo processos menores podem ser subdivididos em processos ainda menores, de forma a facilitar o gerenciamento. O conceito de divisibilidade de um processo permite controlar sistematicamente cada um deles separadamente, podendo desta maneira conduzir a um controle mais eficaz sobre o processo como um todo. Controlando os processos menores é possível localizar mais facilmente os problemas e agir mais prontamente sobre as variações. MATÉRIAS-PRIMAS INSUMOS Produtos Intencionais Produtos não Intencionais PROCESSO MATÉRIAS-PRIMAS INSUMOS Produtos Intencionais Produtos não Intencionais PROCESSO Produtos Intencionais Produtos não Intencionais PROCESSO Figura 1.9 - Processo e seus produtos: intencionais e não intencionais. Uma empresa é um processo. Dentro dela existem outros processos. Não só processos de manufatura como também processos de serviços. Infere-se que o controle de processos é uma prática que se inicia com a Alta Direção empresa, pois o processo maior, a empresa, é de sua responsabilidade. 1.7.5.1 Problemas nos processos Mas afinal, o que é um problema? Um problema é o resultadoindesejável de um processo. Por exemplo, para transportar um produto, é preciso que um conjunto de causas produza este resultado ou efeito, deste modo, fala-se do processo de transporte, que é o conjunto de causas que resulta na entrega do produto a seu destino (tabela 1.4). Se não conseguimos entregar o produto no prazo, temos um problema: uma não conformidade. 47 Figura 1.10 - Fatores que influenciam em um processo considerando as entradas e saídas de um processo. Tabela 1.4 - Fatores que influenciam no processo e suas origens. Causa de variação Exemplos Máquina • Origem no equipamento • Deficiência na manutenção • Deterioração por deslizamento • Deterioração por rotação Matéria Prima • Origem no armazenamento • Origem no Transporte • Origem no fornecedor • Temperatura de armazenamento • Umidade no armazém • Prazo de validade vencido • Controle de qualidade • Carregamento • Embalagem Medida • Origem no instrumento • Origem no método • Origem nas condições locais • Calibração • Manutenção • Treinamento das pessoas Mão de Obra • Origem na condição mental • Origem na condição emocional • Origem na condição física • Doença ocupacional • Estresse • Doença, • Desconforto • Motivação Método • Origem no procedimento de operação • Origem na especificação ou desenho • Documento inexistente ou confuso • Desatualizado Meio Ambiente • Origem nas condições de trabalho • Origem no clima • Limpeza, umidade, temperatura, iluminação • Chuva, verão, inverno Quando os seis fatores de variação se apresentam nos processos de uma forma normal ou esperada, dizemos que um padrão de causas comuns está se desenvolvendo. Causas de variação comuns ou aleatórias são inevitáveis e difíceis de serem identificadas, pois são de pequena significância. As causas de variação de grande significância e, portanto, facilmente identificáveis, são classificadas como causas de variação especiais. Quando apenas causas comuns estão presentes no processo, dizemos que o mesmo está sob controle. Contudo, quando causas especiais de variação também estão presentes, a variação se torna excessiva, e o processo é classificado como fora de controle ou além da expectativa normal de variação (Siqueira, 1997). 48 1.7.6 O Serviço também é um produto Produto é o resultado de um processo. Freqüentemente o termo produto é utilizado, de forma genérica, tanto para produtos como para serviços. Segundo a norma NBR ISO 9000 (2000), os conceitos, princípios e elementos da gestão da qualidade são aplicáveis para todas as formas de produtos ou serviços e para qualquer tamanho de organização. Existem quatro categorias genéricas de produtos: serviços (ex. transportes, calibrações), software (ex. programas de computador), hardware (ex. componentes mecânicos de um motor) e materiais processados (ex. lubrificantes). PRODUTO Jantar em restaurante simples Jantar em restaurante médio Jantar em restaurante de luxo Baixo (Consultoria) SERVIÇO Alto (Automóvel) 100 % 0 % 50 % 75 % 25 %C us to d e A qu is iç ão PRODUTO Jantar em restaurante simples Jantar em restaurante médio Jantar em restaurante de luxo Baixo (Consultoria) SERVIÇO Alto (Automóvel) 100 % 0 % 50 % 75 % 25 %C us to d e A qu is iç ão Figura 1.11 - Envolvimento do produto e serviço na aquisição, adaptado de Takashina e Flores (1999). A figura 1.11 mostra que, em qualquer situação, sempre existe um produto envolvido em um serviço e vice-versa. Na aquisição de um automóvel, por exemplo, há um alto envolvimento do produto, predominando o valor do produto físico na composição, contrapondo a serviços de consultoria que apresenta um baixo envolvimento do produto; o produto tangível nessa situação é um simples documento que contém as recomendações (Takashina e Flores, 1999). Quadro 6 – Leitura complementar: Qualidade dos serviços. Até 1980, a maior parte da literatura sobre qualidade focalizava apenas o produto tangível (físico). A qualidade dos serviços era tratada, na literatura de marketing, como um subproduto, alguma coisa que ajudava o cliente adquir o produto ou usá-lo mais tarde. A palavra “serviço” era entendida como algo extra, relacionado às condições de pagamento, instruções para uso, garantias, reparos, manutenção e assim por diante. Freqüentemente, a palavra serviços era usada para definir os benefícios gratuitos ligados à aquisição de um produto. A literatura mais recente mostra claramente o conceito de serviços sob uma nova ótica. Existem várias razões para o crescente interesse nessa área. A qualidade de produtos similares e concorrentes está cada vez mais próxima. Deste modo, a 49 qualidade dos serviços prestados na compra ou no uso de um produto torna-se cada vez mais importante para o cliente, no momento da escolha de um fornecedor. Os serviços não são mais subprodutos eles são os próprios produtos. Durante as últimas décadas, o mercado tem se movido para uma “sociedade de serviços”. A elevação dos padrões de vida aumentou a demanda por diversas modalidades serviços. Muitas empresas experimentaram um crescimento vertiginoso como resultado dessa necessidade. A “indústria de serviços” inclui bancos, companhias de seguro, companhias aéreas, transportadoras, agências de viagem, hotéis, restaurantes, salões de beleza, oficinas, escritórios de advocacia, contadores, escolas, cinemas, academias de ginástica, etc. Hoje, em muitos países a indústria de serviços e a maior de todas empregando até dois terços da população. 1.8 Custos da qualidade Definimos como custos da qualidade, aqueles que a empresa incorre ao produzir seus produtos. Didaticamente custos da qualidade são divididos em dois grupos: custos do controle e custos das falhas . CUSTOS DA PREVENÇÃO CUSTOS DA AVALIAÇÃO CUSTOS DA FALHAS INTERNAS CUSTOS DA FALHAS EXTERNAS CUSTOS DO CONTROLE CUSTOS DAS FALHAS CUSTOS DA PREVENÇÃO CUSTOS DA AVALIAÇÃO CUSTOS DA FALHAS INTERNAS CUSTOS DA FALHAS EXTERNAS CUSTOS DO CONTROLE CUSTOS DAS FALHAS Figura 1.12 - Custos do controle e custos das falhas 1.8.1 Custo da avaliação Custos ocorridos durante o processo produtivo, cujo objetivo é garantir e assegurar a qualidade intrínseca do produto. O mais visível deles é o custo da folha de pagamento do departamento de controle de qualidade. Outros custos são os instrumentos de inspeção, custo do capital de giro decorrente do tempo que o material fica indisponível para venda devido à inspeção, etc. 50 1.8.2 Custo da prevenção Custos ligados à implantação de um Sistema de Gestão. São os custos relacionados a: treinamento de pessoal, avaliação e desenvolvimento de fornecedores, elaboração do manual da qualidade, de procedimentos, manutenção preventiva, calibração, auditorias da qualidade, etc. 1.8.3 Custo das falhas internas Custos decorrentes da produção com qualidade inferior à desejada, constatados enquanto o produto ainda não foi expedido para o cliente. São considerados custos de falhas internas a diferença de faturamento decorrente da venda por um preço menor de um produto sem a qualidade requerida, conhecido como a venda de produtos de segunda linha ou comercial. Esse é o elemento de custo mais visível nas empresas. Porém, existem outros que passam quase despercebidos como: reanálise, reprocessamento ou reparo do produto, tempo consumido na análise de falhas e nas mudanças dos procedimentos ou no projeto do produto, etc. 1.8.4 Custo das falhas externas São os custos dos defeitos que foram constatados pelo cliente após o recebimento do produto. O maior desses custos, e o mais difícil de ser apurado, é a perda da imagem da organização que, em casos extremos, pode significar a perda do cliente e do mercado. Uma estatística norte- americana diz que o custo de recuperação de um clienteé cinco vezes o custo da conquista de um novo cliente (Moller, 2002). Também são exemplos de custos de falhas externas: custos decorrentes da garantia do produto, descontos dados ao cliente nas próximas vendas, custo do retorno do material, custo das visitas adicionais da assistência técnica para solucionar o problema. 1.8.5 Principais problemas relacionados à qualidade • Perda de matéria-prima durante as fases de fabricação. • Refugos e defeitos criados por trabalho ou processo incorreto. • Desperdício: insumos, tempo da máquina, esforço humano. 51 • Quebras de equipamentos e tempos perdidos nas operações. • Retrabalho que aumenta os custos e consome tempo que poderia ser utilizado para produzir outros produtos. • Alto custo das assistências técnicas para corrigir defeitos. • Muitas inspeções de processos não confiáveis. • Reposição de peças e devoluções. • Burocracia onde a mesma atividade é feita duas ou mais vezes. • Perda de tempo no atendimento e atraso na entrega. • Falta de cortesia no atendimento ao cliente. • Pouca qualificação profissional para o atendimento. • Transporte inadequado provocando danos aos produtos. 1.9 A importância da satisfação do cliente Embora a insatisfação do cliente tenha maior repercussão que a satisfação, isso não significa necessariamente que sua insatisfação chegará até ao fornecedor do produto. As pesquisas de mercado confirmam essa situação. Um estudo publicado pela Harper’s Magazine em 1986, mostrou que se um consumidor ao adquirir um veículo ficar satisfeito com a compra, ele contará sua experiência positiva para 8 pessoas. Se ele estiver insatisfeito com o veículo contará isso para 22 pessoas. Produtos ruins lembram constantemente os consumidores para que mudem de marcas na próxima vez. Outro estudo, conduzido pela Technical Assistance Research Programs, revelou que de cada 27 clientes que experimentam um serviço ruim, 26 não reclamam, por acreditarem que a reclamação seria desgastante e uma perda de tempo. Daqueles que decidem reclamar, apenas um em cada dez retorna como cliente. (Moller, 2002). Quadro 7 - Leitura Complementar: Código de Defesa do Consumidor. No passado, não existia uma lei que protegesse as pessoas que comprassem um produto ou contratassem um serviço. Ao comprar um produto danificado, ficava por isso mesmo. Se o vendedor quisesse trocar, trocava, mas se não quisesse trocar, ficava-se no prejuízo e não tinha a quem recorrer. Depois de março de 1991, quando entrou em vigor a Lei nº 8078/90, que é mais conhecida como Código de Defesa do Consumidor, muita coisa mudou. Basicamente, ele é um conjunto de normas que regula as relações de consumo, protegendo o consumidor e colocando os órgãos e entidades de defesa do consumidor a seu serviço. Em linhas gerais, são dez os direitos básicos do consumidor: Proteção à vida e a saúde : Antes de comprar um produto ou utilizar um serviço o consumidor deve ser avisado, pelo fornecedor, dos possíveis riscos que podem oferecer a sua saúde ou segurança. Educação para o consumo : O cliente tem o direito de receber orientação sobre o 52 consumo adequado e correto dos produtos e serviços. Liberdade de Escolha : Ele tem todo o direito de escolher o produto ou serviço que achar melhor. Informação : Todo produto deve trazer informações claras sobres sua quantidade em massa ou volume, composição, preço, riscos que apresenta e o modo de utilização. Proteção contra publicidade enganosa e abusiva : O consumidor tem o direito de exigir que tudo o que for anunciado seja cumprido. Se o que foi prometido no anúncio não for cumprido, ele tem o direito de cancelar o contrato e receber a devolução da quantia que pagou. Proteção contratual : Quando duas ou mais pessoas assinam um acordo ou formulário com cláusulas pré-redigidas por uma delas, concluem um contrato assumindo obrigações. O código protege o consumidor quando as cláusulas do contrato não forem cumpridas ou quando forem prejudiciais ao consumidor. Nesse caso, as cláusulas podem ser anuladas ou modificadas por um juiz. Indenização : Quando for prejudicado, o consumidor tem o direito de ser indenizado por quem lhe vendeu o produto ou lhe prestou o serviço, inclusive por danos morais. Acesso à justiça : O consumidor que tiver seus direitos violados pode recorrer à justiça e pedir ao juiz que determine ao fornecedor que eles sejam respeitados. Facilitação da defesa dos seus direitos: O código facilitou a defesa dos direitos do consumidor, permitindo até mesmo que, em certos casos, seja invertido o ônus de provar os fatos. Qualidade dos serviços públicos : Existem normas no Código que asseguram a prestação de serviços públicos de qualidade, assim como o bom atendimento do consumidor pelos órgãos públicos ou empresas concessionárias desses serviços. 1.10 Uma empresa de qualidade A qualidade de uma organização pode ser definida pelo grau de atendimento das exigências e expectativas “técnicas” e “humanas”. Essas exigências e expectativas são fixadas tanto pelo mundo exterior como pelos próprios empregados da empresa. A qualidade da empresa é desenvolvida dirigindo-se esforços parar melhorar a qualidade do seu pessoal, seus departamentos e produtos. Segundo Moller (2002), os indicadores de qualidade de uma organização são: 1. Foco no desenvolvimento da qualidade: a qualidade é levada a sério. O desenvolvimento da qualidade faz parte da vida da empresa. 2. Participação da alta administração no processo de q ualidade: a alta administração participa de forma visível do processo de desenvolvimento da qualidade. Ela se esforça para atingir altos padrões de eficiência e alto grau de relacionamento humano. 3. Clientes satisfeitos: os clientes estão satisfeitos com os produtos e serviços da empresa e permanecem leais a ela. 53 4. Funcionários comprometidos: os funcionários prosperam e são comprometidos. O giro de pessoal e o absenteísmo estão muito abaixo da média. 5. Desenvolvimento da qualidade em longo prazo: a empresa investe mais no desenvolvimento da qualidade em longo prazo do que em reduções de custos e lucros em curto prazo. 6. Metas de qualidade claramente definidas: as metas de qualidade estão claramente definidas para todas as áreas. Os padrões de desempenho são elevados e os resultados são constantemente monitorados e divulgados para organização. 7. O desempenho de qualidade é premiado: o desempenho de qualidade é premiado de forma visível e é um pré-requisito para promoções. 8. O controle de qualidade é percebido de forma positi va: o controle de qualidade não é percebido como sinal de desconfiança, mas sim como um meio para desenvolver e manter a qualidade. Os desvios em relação às metas de qualidade não são aceitáveis, exigem investigações e conduzem a ações corretivas. 9. A pessoa seguinte no processo produtivo é um client e valioso dentro da empresa: nenhum membro da cadeia deve sofrer devido a erros cometidos por outros. Todos se comprometem em agir como fornecedores de qualidade aos seus clientes internos. 10. Investimentos em treinamento e desenvolvimento de p essoal: os empregados são os recursos mais importantes da empresa que investe no treinamento e desenvolvimento de todo o pessoal. 11. Prevenção e redução de erros: investimentos consideráveis são feitos para evitar e limitar os erros. A empresa faz distinção entre os erros aceitáveis e inaceitáveis. Erros aceitáveis são erros criativos que estimulam o desenvolvimento, testam novos conhecimentos e são sinais de experimentação. Erros inaceitáveis são erros "por descuido" que são desnecessários, dispendiosos e prejudiciais. 12. Nível de decisão adequado: o nível de tomada de decisões não está localizado mais alto que o necessário na organização. As decisões informadas são tomadas no nível em que as exigênciasde qualidade possam ser satisfeitas. 54 13. Caminho direto até os usuários finais: os produtos e serviços são produzidos e passados aos usuários finais pelo método mais direto e eficaz à disposição. 14. Ênfase tanto na qualidade técnica como na humana: a empresa enfatiza tanto a qualidade técnica como a humana. 15. Ações da empresa dirigidas às necessidades dos clientes: a satisfação das necessidades dos clientes ou usuários finais se reflete em todas as ações da empresa. As medições da qualidade têm lugar não só dentro da empresa, mas também junto aos clientes. 16. Análise de valor permanente: análises de valor permanentes são conduzidas para verificar se as coisas certas estão sendo feitas e verificar se os resultados valem o esforço despendido. As atividades que não agregam valor são eliminadas. 17. Reconhecimento, pela empresa, do seu papel na socie dade: a empresa reconhece sua responsabilidade global e assume seu papel ao contribuir para a sociedade. Quadro 8 – Leitura Complementar: Quem era o responsável? (Grifo, 1994). Havia um trabalho importante a ser feito na organização: TODOS assumiam que ALGUNS poderiam fazê-lo. ALGUÉM poderia ter feito mas NINGUÉM fez. ALGUNS ficaram aborrecidos por que o trabalho era de TODOS. TODOS pensaram que ALGUÉM faria o trabalho mas NINGUÉM percebeu que TODOS deveriam fazer. Finalmente, ALGUÉM culpou TODOS por não ajudarem NINGUÉM, e ALGUNS gravemente concluíram que NINGUÉM era a pessoa mais útil na organização. Qual a moral da história? 55 1.11 Medição de desempenho 1.11.1 Benchmarck e benchmarking Benchmarck (referencial de excelência) é o indicador de um líder reconhecido, usado para comparação, enquanto benchmarcking é a atividade de comparar um processo com os líderes reconhecidos, inclusive de outros ramos, para identificar as oportunidades de melhoria de Qualidade. O benchmarking (comparação com referências) pode também ser definido como a busca das melhores práticas na indústria que conduzem ao desempenho superior. O benchmarking contribui para a organização fixar uma meta de melhoria, superar as expectativas do cliente, reprojetar o processo e recuperar o atraso tecnológico. O resultado deve ser comparado com a meta e com resultados de períodos passados, além de referenciais de comparação como a média do ramo, o melhor concorrente, um concorrente potencial ou o referencial de excelência. Uma das maneiras de se coletarem informações externas é realizando visitas a organizações consideradas líderes em determinadas atividades (Takashina e Flores, 1996). 1.11.2 Medindo a qualidade e a produtividade Nosso organismo monitora nossos sentimentos, e em função dessa avaliação tomamos determinadas ações. Por exemplo: São 13h30min, desde que se levantou você não se alimentou, provavelmente você está faminto. O sentimento FOME funciona como SENSOR - que indica que sua reserva energética se esgotou. Para contornar esse problema você precisa ATUAR sobre esse problema, ou seja, se alimentar. De modo análogo aos seres vivos, às empresas necessitam de sensores, indicadores da qualidade e produtividade que demonstrem a situação da organização frente à qualidade requerida, ou seja, a real constatação dos seus pontos fortes, tais como: redução do número de não conformidades, satisfação dos empregados, redução de paradas de máquina, etc; como seus pontos vulneráveis, por exemplo: reclamação de clientes, retrabalho, insatisfação dos empregados, etc. Os indicadores são mecanismos que permitem a organização reagir tão logo perceba que algo não vai conforme o planejado. Um sistema de gestão é considerado eficiente quando atinge os resultados desejados através de uma utilização ótima dos processos e recursos disponíveis. Os indicadores devem ser organizados de modo a permitir uma fácil visualização dos resultados da empresa. Geralmente são formas de representação gráficas, quantificáveis das características de produtos e processos, utilizados para controlar e melhorar a qualidade e o 56 desempenho de produtos e processos. Os Indicadores da Qualidade estão associados às características da Qualidade do produto, julgadas pelo cliente: • Estão mais ligados às saídas do processo • Representam a eficácia com que o processo sob estudo atende às necessidades de seus clientes. • Indicam se seu processo está fazendo seus produtos/serviços certos. Total de não atendimentos (problemas, erros, desvios) Fórmula Geral = Quantidade total Os indicadores são parâmetros que comparam a situação desejada e a situação atual, com isso indicando a possível ocorrência de problemas. Eles permitem quantificar os processos. Os indicadores devem apresentar as seguintes propriedades: • Ser representativo; • Fácil de entender; • Testado no campo; • Econômico (não dar trabalho para ser calculado); • Disponível a tempo (dados atrasados não representam mais a situação atual); • Compatível (com os métodos de coleta disponíveis). Os indicadores de produtividade estão associados às características do produto e do processo, desdobradas pelo processador a partir das características da Qualidade. São considerados uma medida relativa e, portanto, devem ser comparados com o indicador do período anterior ou de um período base. O indicador pode ser calculado para cada um dos recursos ou insumos utilizados. Como exemplos de indicadores de produtividade, podemos citar: • Vendas por empregado • Testes por hora • Relatórios por profissional • Custo por unidade produzida ou vendida • Utilização do equipamento • Transações por hora • Tempo de processamento por unidade • Custo por unidade vendida ou produzida 57 Os indicadores de flexibilidade do processo, ou de adaptabilidade, medem a capacidade de um produto ou processo se adaptar aos requisitos individuais e especiais do cliente. São exemplos: • Percentuais de pedidos especiais recebidos • Percentuais de pedidos especiais recusados • Percentuais de pedidos especiais aceitos • Percentuais de pedidos especiais atendidos A apuração de resultados através dos indicadores permite uma avaliação do desempenho da organização no período, subsidiando as tomadas de decisão e o replanejamento. Para isso o acompanhamento do indicador deve demonstrar níveis, tendências e comparações: • O nível refere-se ao patamar em que os resultados se situam no período (p. ex.: custo de refugos e retrabalhos igual a 2% do custo total). • A tendência refere-se à variação do nível dos resultados em períodos consecutivos (p. ex.: redução de 10% no custo de refugos e retrabalhos para 2006 em relação a 2005). • A comparação pode ser feita em relação aos indicadores compatíveis de outros produtos ou processos da organização, aos indicadores de outras unidades de negócios ou de outras organizações. O valor pretendido para o indicador é chamado meta, que deve ser atingida em determinadas condições estabelecidas no planejamento. A meta deve ser fixada a partir das necessidades e expectativas do cliente (interno e externo), levando em conta os objetivos e estratégias da organização e os referenciais externos de comparação. Todo indicador deve ter um título que permita identificar sua aplicação. A seguir são apresentados exemplos de títulos, classificados por tipo-chave (Takashina e Flores, 1996). 1. Satisfação, retenção e insatisfação de clientes. • Percentual de clientes satisfeitos com o atendimento; • Razão entre número de queixas e de vendas realizadas; • Taxa de verificação do número de clientes; • Percentual de clientes que retornam; • Percentual de clientes satisfeitos com o atendimento prestado pela concorrência. 2. Participação no mercado e desenvolvimento de nov os mercados • Percentual de participação no mercado; • Percentual da participaçãode novos produtos nas vendas; • Percentual da participação da concorrência no mercado. 58 3. Desempenho de produtos • Taxa de falhas; • Percentual de entregas no prazo; • Custo unitário do produto. 4. Desempenho operacional • Proporção de desperdícios; • Energia gasta por unidade produzida; • Produção média diária; • Tempo médio de produção; • Taxa de utilização da capacidade instalada. • Percentual de erros na emissão de faturas. • Proporção de unidades recebidas com defeitos; • Percentual de produtos recebidos no prazo; • Variação do preço médio. 5. Desempenho de recursos humanos • Percentual de funcionários envolvidos em projetos de melhoria; • Número médio de sugestões recebidas e implementadas por funcionários; • Taxa de absenteísmo; • Taxa de rotatividade de pessoal; • Taxa de freqüência de acidentes; • Índice de satisfação dos funcionários. 6. Desempenho na responsabilidade pública e no espí rito comunitário • Índice de satisfação da comunidade com a organização; • Índice de agressão ao meio ambiente. A definição de um indicador está relacionada ao seu método de cálculo, geralmente traduzido para uma expressão matemática. A tabela 1.5 apresenta alguns exemplos de definições de indicadores, agrupados segundo as formas de apresentação dos resultados. 59 Tabela 1.5 - Exemplos de definições de indicadores segundo Takashina e Flores (1996) Título Definição Forma • Percentual de pacotes definidos • Margem de lucro • Percentual de clientes satisfeitos com o tempo de energia • (número de pacotes danificados / número total de encomendas despachadas no período) x 100 • (lucro / vendas no período) x 100 • (número de entrevistados satisfeitos com o tempo de entrega da encomenda / número de entrevistas no período) x 100 Proporção ou percentual • Entrega média diária • Pacotes danificados por dia • Consumo de combustível por encomenda • Número de pedidos entregues / número de dias do período • Número de pacotes danificados / número de dias do período • Combustível gasto / número de encomendas entregues no período Relação entre dois fatores distintos • Tempo médio de entrega • Número total de dias entre a postagem e a entrega das encomendas / número de encomendas entregues no período Tempo de ciclo • Variação de vendas • [(vendas no ano / vendas no ano anterior) x 100] - 100 Taxa de variação Os índices representam o padrão de medida ou unidade de medida dos indicadores, permitindo uniformidade, estabelecimento de metas e acompanhamento. Sempre que possível, devem ser usados valores relativos. Exemplos: • Satisfação do cliente: número de devoluções /número de clientes • Produtividade: toneladas/hora • Custo: tonelada/dólar Tabela 1.6 - Indicadores para as áreas funcionais da empresa Área Dados Indicadores Produção • Produção mês X = 140 000 Latas de óleo lubrificante • Operação da Envasadora: Teóricas = 168 horas; • Reais = 140 horas • Produção Planificada = 150.000 Latas • Disponibilidade da enchedeira = 140/168 = 0,83 (83%) • Média de produção = 140.000 x 140 = 1000 Latas/hora • Eficácia do desempenho = 140.000/150.000 = 0,93 (93%) Vendas • Vendas mês X = 10.000 Frascos de Lubricantes • Clientes visitados = 50 • Clientes que compraram = 35 • Meta do mês = 12.000 frascos • Pedidos urgentes = 7 • Pedidos urgentes despachados = 6 • Vendas por Cliente = 10.000/35 = 286 frascos/cliente • Eficácia das vendas = 10.000/12.000 = 0,83 (83%) • Eficácia das visitas = 35/50 = 0,70 (70%) • Adaptabilidade = 6 / 7 = 0,86 (86%) Administração • Faturas emitidas = 850 • Faturas cobradas = 750 • Eficácia de cobrança = 750/850 = 0,88 (88%) Manutenção • Motores recebidos = 150 • Motores reparados = 130 • Horas trabalhadas = 168 • Horas programadas = 145 • Eficácia = 130/150 = 0,87 (87%) • Eficiência = 145/168 = 0,86 (86%) • Capacidade = 130/168 = 0,77 motores por hora 60 1.12 A Gestão da qualidade 1.12.1 Normalização técnica Em cima da sua mesa, provavelmente, você possui folhas de papel. Repare cada folha dessa apostila. Qual é o tamanho que elas possuem? Carta? A4? A5? Talvez você não saiba a dimensão exata dessas folhas. Mas com certeza você tem a clara noção de que elas obedecem a dimensões normalizadas, reconhecidas em todo o mundo. Podemos definir rapidamente a normalização como sendo o processo de elaboração, aplicação e melhoria de normas que definem regras para uma aproximação ordenada de uma atividade específica com a cooperação de todos as partes interessadas nessa atividade. A normalização é o elemento em que se apóiam a industrialização e o desenvolvimento econômico. É uma atividade primordial para evolução econômica de qualquer nação. Em termos de qualidade o que particularmente interessa são os regulamentos normalizadores de produtos e serviços. Sob essa ótica, a normalização pode ser encarada como sendo a comunicação entre a organização e o cliente. Embora o conceito de normalização seja bastante antigo, a normalização técnica conta apenas com 100 anos. Somente em 1906, em Londres, foi criada a Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC), primeira organização de normalização que congregava esforços de vários países em dispor ao mundo normas de segurança para equipamentos elétricos. Não podemos negar à contribuição da segunda Guerra Mundial a atividade normalizadora. Os Estados Unidos, devido ao ataque japonês a Pearl Harbour, viram-se envolvidos num esforço de guerra para o qual eles não haviam se preparado. Repentinamente tiveram que adaptar seu parque industrial, especialmente as indústrias mecânicas e metalúrgicas, para produzir canhões, aviões, navios, fuzis, etc. Como trabalhavam contra o tempo, às etapas de fabricação foram divididas entre as empresas que tinham maior afinidade e experiência com a produção daquele item específico (terceirização). Os componentes eram produzidos em locais distantes e enviadas para um local onde era feita a montagem final dos armamentos. Para que isso funcionasse foi necessário investir em padronização de medidas e tolerâncias para que as diversas peças se encaixassem entre si - um notável esforço de normalização. Após a guerra, em 1946, reuniram-se em Londres delegados de 25 países, inclusive do Brasil, com o objetivo de criar uma nova organização de âmbito internacional, que iria facilitar a coordenação 61 e a unificação das normas industriais - International Standardization for Standardization - ISO10 (Organização Internacional para Normalização). 1.12.2 Modelo para Gestão da Qualidade Hoje, a qualidade tem sido uma das maiores preocupações estratégicas das empresas. A conscientização e o reconhecimento de sua importância e a necessidade das empresas comunicarem ao mercado a adequação de seu sistema da qualidade às normas de referência originou a atividade de certificação, transformando-a em uma ferramenta indispensável para várias organizações. A certificação é um conjunto de atividades desenvolvidas por um organismo independente, sem relação comercial, com o objetivo de atestar publica e formalmente, que determinado produto ou processo estão em conformidade com os requisitos especificados. A certificação da qualidade além de proporcionar o aumento da satisfação e a confiança dos clientes, reduz custos internos, aumenta a produtividade, melhora a imagem da organização, além de facilitar o acesso a novos mercados. Dentre modelos de sistema de gestão qualidade, destaca-se aquele fundamentado na norma NBR ISO 9001. Norma é aplicável a qualquer negócio, independentemente do seu tipo ou dimensão. As normas dessa série possuem requisitos básicos para a obtenção da qualidade dos processos empresariais. A verificação desses requisitos, feita através de auditorias externas, garante a continuidade e a melhoriado sistema de gestão da empresa. O processo de certificação11 é efetuado através de organismos certificadores, credenciados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), através de um processo conhecido como certificação de terceira parte, na qual uma entidade independente realiza a avaliação do sistema de gestão qualidade da empresa. Os requisitos exigidos pela ISO 9001 auxiliam numa maior capacitação dos colaboradores, melhoria dos processos internos, monitoramento do ambiente de trabalho, verificação da satisfação dos clientes, colaboradores, fornecedores dentre outros pontos, que proporcionam maior organização e produtividade que podem ser identificados facilmente pelos clientes. 10 O acrônimo "ISO" (prefixo grego "iso” que significa igualdade) independentemente do idioma associado a International Organization for Standardization. A ISO iniciou formalmente suas atividades em 23 de Fevereiro de 1947, estando assim próxima a celebrar o seu 60º aniversário. 11 A certificação não é uma ação isolada.. É um processo, paulatino, que se inicia com a conscientização da necessidade da qualidade para a manutenção da competitividade e conseqüente permanência no mercado, passando pela utilização de normas técnicas e pela difusão do conceito da qualidade por todos os setores da empresa, abrangendo seus aspectos operacionais internos e o relacionamento com a sociedade e o ambiente (Marshall Jr, 2003). 62 CAPÍTULO II FERRAMENTAS PARA QUALIDADE As ferramentas estatísticas utilizadas nos processo de gestão foram estruturadas a partir de 1950, com base em conceitos e práticas existentes (Marshall Jr, 2003). Essas técnicas compreendem um conjunto de sete ferramentas: a) Diagrama de Pareto; b) Diagrama de Causa e Efeito; c) Estratificação; d) Listas de Verificação; e Histograma; f) Diagrama de Dispersão; g) Cartas de Controle. Cada uma dessas ferramentas será apresentada sucintamente a seguir. 2.1 Diagrama de Pareto Problemas relativos à qualidade aparecem sob a forma de perdas (itens defeituosos, retrabalho, absenteísmo, etc). É extremamente importante esclarecer o modo de distribuição destas perdas. O diagrama de Pareto surge exatamente como ferramenta ideal para identificação de quais problemas são responsáveis pela maior parcela das perdas e qual a prioridade. O diagrama de Pareto, elaborado com base em uma folha de verificação ou em uma outra fonte de coleta de dados, nos ajuda a dirigir nossa atenção e esforços para problemas verdadeiramente importantes. Em geral, termos melhores resultados se aturamos na barra mais alta do gráfico (Brassard, 1996). Figura 2.1 - Gráfico de Pareto 63 2.1.1 Diferentes usos do diagrama de Pareto a) Para agrupar reclamação de clientes; b) Para agrupar número de defeitos; c) Para medir o impacto de mudanças (situação antes e depois); d) Para detalhar causas maiores em partes mais específicas. 2.2 Diagramas de dispersão Visa identificar a existência de tendências de variação conjunta (correlação), ou seja a relação de causa e efeito entre duas ou mais variáveis. Na prática, muitas vezes, essencial estudar a relação entre duas variáveis correspondentes. Por exemplo, como varia a dureza Rockwell C de peças produzidas com um aço de baixa liga após serem submetidas ao processo de têmpera? Variam com a mudança do banho de têmpera, água ou óleo? Para estudar a relação de duas variáveis tais a dureza das peças e a constituição do banho, pode-se utilizar o chamado “diagrama de dispersão”. Figura 2.2 - Exemplo de diagrama de dispersão O diagrama de dispersão ajuda a visualizar graficamente a alteração sofrida por uma variável quando outra se modifica (Marshall Jr et al, 2003). 2.2.1 Avaliação de diagramas de dispersão Pode-se conhecer diretamente o perfil da distribuição dos pares de dados a partir de sua leitura do seu gráfico. Para isso, a primeira coisa que se deve fazer é examinar se há ou não pontos 64 anômalos no diagrama. Pode-se presumir que, em geral, quaisquer destes pontos distantes do grupo principal são resultados de erros de medição, ou de registro de dados ou foram causados por alguma mudança nas condições de operação (Figura 3.3). Existem testes estatísticos para medir o exato grau de correlação entre as variáveis, mas que não serão tratados nessa publicação (Levine et al, 2000). Figura 2.3 - Pontos suspeitos em um diagrama de dispersão Contudo, ao invés de desprezar estes pontos por completo, deve-se prestar a devida atenção às causas de tais irregularidades, pois muitas vezes obtêm-se informações inesperadas porém úteis, descobrindo-se por que eles ocorrem. Existem muitos tipos de padrões de dispersão que são chamados de correlações. Alguns tipos representativos são dados abaixo (Brassard, 1996). a) Correlação Positiva b) Correlação Negativa c) Pode haver correlação Positiva d) Pode haver correlação negativa e) Não existe correlação f) Não existe correlação Figura 2.4 - Tipos de Correlação 65 2.3 Histograma O histograma é uma forma de descrição gráfica com barras verticais, as quais representam dados quantitativos agrupados em classes de freqüência (categorias). Quanto maior o tamanho da amostra mais informação temos sobre a população. Um histograma típico obedece a uma distribuição normal, apresentando a forma conhecida como “curva do sino”, também chamada de “curva de Gauss” (Marshall Jr et al, 2003). Figura 2.5 - Exemplo de histograma típico obedecendo a uma distribuição normal Quando organizamos muitos dados em um histograma, podemos conhecer a população de uma maneira objetiva. É possível obter informações úteis sobre ela através da análise do perfil do histograma. Os perfis seguintes são típicos, e podemos utilizá-los como modelos para análise de um processo (Brassard, 1996). 66 a) Tipo simétrico b) Tipo pente c) Tipo assimétrico positivo d) Tipo declive à direita e) Tipo platô f) Tipo picos duplos g) Tipo picos isolados Figura 2.6 – Tipos de histograma a) Tipo simétrico: O valor médio do histograma está no meio da faixa dos dados. A freqüência é mais alta no meio e torna-se gradualmente mais baixa na direção dos extremos. O perfil é simétrico. É o formato encontrado com mais freqüência. b) Tipo Pente: as classes possuem freqüências altas e baixas alternadamente.Este perfil ocorre quando a quantidade de dados incluídos na classe varia de classe para classe, ou quando existe uma tendência particular no modo como os dados são arredondados. c) Tipo assimétrico positivo (assimétrico negativo): o valor médio do histograma fica localizado à esquerda (direita) do centro da faixa da variação. A freqüência decresce um tanto abruptamente em direção à esquerda (direita), porém de forma suave à direita (esquerda). Isto ocorre quando o limite inferior (superior) é controlado, ou teoricamente, ou por um valor de especificação, ou quando valores mais baixos (mais altos) do que um certo valor não ocorrem. d) Tipo declive à direita (declive à esquerda): O valor médio do histograma fica localizado à esquerda (direita) do centro da faixa da variação. A freqüência decresce um tanto abruptamente na esquerda (direita), e lentamente em direção à direita (esquerda). Isto ocorre com freqüência quando uma triagem de 100% tiver sido feita por causa da baixa capacidade do processo, e também quando a assimetria positiva (negativa) se tornar ainda mais extrema. e) Tipo platô: a freqüência em cada classe forma um platô porque as classes possuem mais ou menos a mesma freqüência exceto aquelas das extremidades. Este formato ocorre quando há mistura de várias distribuições que têm diferentes médias. f) Tipo picos duplos: a freqüênciaé baixa próximo ao meio da faixa de dados e existe um pico em um e outro lado. Este formato ocorre quando duas distribuições com médias muito diferentes são misturadas. g) Tipo pico isolado: Existe um pequeno pico isolado em adição a um histograma do tipo geral. Este é um perfil que ocorre quando há uma pequena inclusão de dados de uma distribuição diferente, como no caso de anormalidade do processo, erro de medição, ou inclusão de dados de um processo diferente. 67 Figura 2.7 – Histogramas e limites de especificação. A distribuição representada pelo histograma poderá ser usada para compará-la com os limites de especificação: a) e b) Casos em que o histograma satisfaz a especificação; c), d), e) Casos em que o histograma não satisfaz a especificação. 2.4 Listas de verificação A lista de verificação é uma planilha ou formulário para o registro de dados, sendo este um formulário no qual os itens a serem verificados já estão definidos, de modo que as informações sejam coletadas de forma concisa e padronizadas. Essa ferramenta permite uma rápida percepção da realidade e uma imediata interpretação da situação. A coleta e o registro dos dados parecem ser fáceis, mas na realidade não são. Usualmente, quanto mais pessoas processam dados, maior a possibilidade de erros. Por tal motivo, a folha de verificação torna-se uma poderosa ferramenta de registro pelo fato dos dados serem imediatamente organizados sem a necessidade de rearranjo posterior. As listas de verificação são ferramentas que questionam o processo e são relevantes para alcançar a qualidade, atendendo a diversos propósitos como: • Facilitar a obtenção e uso de dados; • Dispor os dados de uma forma mais organizada; • Verificar o tipo de defeito e sua porcentagem; • Verificar a localização do defeito: mostrar o local e a forma de ocorrência dos defeitos; • Verificar as causas das não conformidades. A seguir exemplificaremos alguns exemplos de listas de verificação: 68 2.4.1 Lista de verificação para distribuição do pro cesso de produção Esse tipo de lista é utilizado para estudar a distribuição de valores contínuos, característicos de alguns tipos de processo. Neste caso, normalmente são usados histogramas. Porém, ao fazer um histograma é duplamente trabalhoso coletar uma grande quantidade de dados e, em seguida, fazer um gráfico mostrando a distribuição de freqüências. Um modo mais simples é classificar os dados no momento em que são coletados. No exemplo abaixo, podemos acompanhar a variação nas dimensões de um certo tipo de peça cuja especificação de fabricação é (8,300 ± 0,005) mm. Cada vez que uma medição é feita, um x é colocado no local apropriado, de forma a ter-se o histograma pronto quando as medições são completadas. Figura 2.8 - Listas de verificação para distribuição do processo de produção 2.4.2 Lista de verificação para item defeituoso Esse tipo de lista de verificação permite listar quantidades de defeito para cada item inspecionado, mostrando quais tipos de defeitos são freqüentes e quais não são, possibilitando uma estratificação dos dados para auxiliar nas ações corretivas. 69 Figura 2.9 - Listas de verificação para itens defeituosos 2.4.3 Folha de verificação de localização de dados A folha de verificação de localização de dados permite a identificação e o registro da localização física das não-conformidades, defeitos, acidentes ou outros tipos de observação, tendo um poderoso papel na solução deste tipo de problema. Geralmente possui um tipo de croqui ou uma vista ampliada em que são feitas marcas de modo a permitir a observação da distribuição da ocorrência do defeito, sendo indispensável no diagnóstico do processo. Figura 2.10 - Lista de verificação para Localização de Dados – Não conformidades em placa de vidro. 70 2.5 Estratificação A técnica de estratificação é muitas vezes utilizada para analisar dados e pesquisar oportunidades de melhoria. Ela ajuda na análise dos casos cujos dados mascaram os fatos reais. Isso geralmente ocorre quando ocorre quando os dados registrados provêm de diferentes fontes mas são tratados igualmente e sem distinção (Brassard, 1996). Estratificar significa agrupar elementos com as mesmas características, ou seja, itens iguais ou muito semelhantes, tendo causas e soluções comuns. Por exemplo, os dados sobre pequenos acidentes ocorridos em uma indústria podem ser registrados como um simples valor, estejam eles aumentando ou diminuindo. Mas este número é na realidade o somatório de todas as ocorrências (Brassard, 1996): • Por tipo: Corte, queimaduras, etc. • Por local afetado: Olhos, mãos, tronco, pés, etc. • Por setor: Laboratório, manutenção, produção, etc. • Turnos: Primeiro, segundo ou terceiro A estratificação consiste no desdobramento de dados, a partir de um levantamento ocorrido, em categorias, grupos ou, melhor dizendo, estratos, para determinar sua composição (Marshall Jr et al, 2003). Figura 2.11 - Analogia ao processo de estratificação 2.6 Diagrama de causa e efeito Técnica para análise das causas profundas, na transição entre a descrição do problema e a formulação de soluções. Constitui-se basicamente de um diagrama que mostra a relação entre uma característica da qualidade e os fatores que a influenciam, permitindo que seja identificada uma 71 relação significativa entre um efeito observado e suas possíveis causas.Ao serem listadas diversas causas raiz é necessário identificar aquelas de maior impacto sobre a eficiência e eficácia do todo. 2.6.1 Estrutura do diagrama de causa e efeito O diagrama de causa e efeito também é chamado de “diagrama de Ishikawa” ou “diagrama de espinha de peixe”. Uma alusão ao fato dele se parecer com o esqueleto de um peixe, conforme mostrado na Figura 3.12. O diagrama possibilita que se aprofunde a análise, e que se tenha uma visão macroscópica, de diversos fatores envolvidos no processo, facilitando a visualização das possíveis causas dos problemas, que se encontram agrupadas em seis fatores responsáveis pelas variações (Siqueira, 1996): • Mão-de-Obra ou pessoas; • Materiais ou componentes; • Máquinas ou equipamentos; • Métodos; • Meio Ambiente; • Medição. Mão-de-Obra Método Máquina MaterialMedidaMeio Ambiente EFEITO Figura 2.12 - Estrutura do Diagrama de Causa e Efeito Dependendo da complexidade do diagrama, podem-se desdobrar algumas das causas em um novo diagrama de causa e efeito, mais aprofundado e detalhado, a fim de permitir uma abordagem mais minuciosa (Marshall et al, 2003). 72 2.6.2 Fatores críticos de sucesso do uso do diagram a: a) Participação de todos os envolvidos; b) Não criticar nenhuma idéia; c) Visibilidade favorece a participação; d) Agrupar as causas conjuntamente; e) Não sobrecarregar demais o diagrama; f) Construir um diagrama separado para cada não conformidade; g) Imaginar as causas mais favoráveis; h) Entender claramente cada causa. 2.6.3 Itens de controle (5W2H) Uma das formas de controlar e solucionar problemas identificados a partir do diagrama de causa e efeito é desenvolvendo a tabela de itens de controle, também conhecida como 5W2H. Esses itens de controle são apresentados a seguir. A Tabela 3.1 exemplifica o uso de itens de controle em distintas situações. • WHAT (O quê?): Quais são os itens de controle em qualidade, custo, entrega, moral e segurança? Qual a unidade de medida? • WHEN (Quando?): Qual a freqüência que devem ser medidos ou verificados (diário, semanal, mensal, anual)? Quando atuar? • WHERE (Onde?): Onde serão conduzidas as ações de controle? • WHY (Por quê?): Em que circunstâncias o controle será exercido? • WHO (Quem?): Quem participará das açõesnecessárias ao controle? • HOW (Como?): Como exercer o controle? Indique o grau de prioridade para a ação de cada item. • HOW (Quanto custa?): Quanto custa exercer o controle? 73 Tabela 2.1 - Tabela de itens de controle (5W2H) WHAT O Quê? WHY Por quê? WHO Quem? WHERE Onde? WHEN Quando? HOW Como ? HOW Much? Falta de recursos em caixa Inadimplência Gerente Administrativo Setor de Administrativo 10/11/2006 Parcelamento das dívidas R$ 2000,00 Certificados de Análises Errados Falta de atenção dos funcionários Supervisor de Laboratório Setor de Controle de Qualidade 10/11/2006 Treinamentos e Conscientização R$ 800,00 Furtos no Interior da Fábrica Descuido com pertences pessoais Chefe de Segurança Empresa Prestadora de Serviços e setores 10/11/2006 Comunicação e Treinamento R$ 1800,00 2.7 Cartas de controle Já sabemos que Walter Shewhart foi o primeiro a formalizar a distinção entre variação controlada e não controlada, que corresponde ao que chamamos de causas comuns e causas especiais. Ele desenvolveu uma ferramenta simples, mas poderosa, para separar esses dois tipos de causas, que chamou de carta de controle. A experiência tem mostrado que as cartas de controle efetivamente evidenciam causas especiais de variação quando elas aparecem, e refletem a extensão da variação de causas comuns que devem ser reduzidas com a melhoria do processo. O uso dessa ferramenta na melhoria do processo é um procedimento interativo, em que as fases de coleta, controle e análise são repetidas. Primeiro, os dados são coletados de acordo com um plano; com base nesses dados são calculados os limites de controle que são a base da interpretação estatística. Para implementar melhorias no controle e na capacidade, causas comuns e especiais devem ser identificadas e o processo deve ser alterado para eliminá-las, quando possível. O ciclo, então, se reinicia, visto que mais dados serão coletados, interpretados e usados como base para a ação. Uma carta de controle é composta por: a) Um gráfico cartesiano, onde o eixo horizontal representa o tempo e, o vertical, o valor da característica; b) Um conjunto de valores (pontos) unidos por segmentos de reta; c) Três linhas horizontais: limite inferior de controle, limite controle e linha média. 74 Figura 2.13 - Estrutura Típica de uma carta de controle. A carta de controle é simplesmente um gráfico de acompanhamento com uma linha superior (limite superior de controle - LSC) e uma linha inferior (limite inferior de controle - LIC) em cada lado da linha média do processo, todos estatisticamente determinados. 2.7.1 Tipos de Carta de Controle a) Variáveis: • Média e Amplitude • Média e Desvio Padrão • Valores Móveis Individuais e Amplitude Móvel b) Atributos • Proporção Não-Conforme • Número de Itens Não-Conformes • Não-Conformidades 2.7.2 Processo Fora de Controle Quando um ponto, correspondente a um subgrupo, cai fora dos limites de controle, o processo está fora de controle, ou trata-se de um processo instável. Isto significa que urna causa especial de variação está presente. Outra maneira de visualizar a saída de controle de um processo é imaginar que o ponto fora dos limites de controle pertence a uma população diferente daquela para a qual os limites de controle foram estabelecidos. Segundo Siqueira (1997), uma regra prática para verificar se um processo esta sob controle é dividir o intervalo entre o limite superior e o limite inferior de controle, em 6 faixas, conforme mostrado na Figura 3.14, e verificar a distribuição dos pontos nestas faixas. Cerca de 34% dos pontos devem estar em cada faixa C, 13,5% dos pontos em cada faixa B e 2,5% dos pontos em cada faixa A. 75 Figura 2.14 - Distribuição dos pontos num padrão normal de variação (Siqueira, 1997, p. 50) Um processo também pode ser considerado fora de controle, mesmo quando todos os pontos caem dentro dos limites de controle. Esta situação ocorre quando um padrão de variação anormal está presente no processo. Não é normal que 9 ou mais pontos consecutivos se situem de um mesmo lado da linha media. Também não é normal quando 15 pontos consecutivos se situam dentro da faixa de ± 1s em torno do valor central. A probabilidade de ocorrência de um padrão anormal é aproximadamente igual à probabilidade de um ponto cair alem dos limites de ± 3s. Alguns destes padrões anormais estão descritos abaixo e ilustrados no Quadro 1: Quadro 1: Padrões de variação (Siqueira, 1997, p. 50). • Padrão 1: Um único ponto além da zona A, ou seja, acima do limite superior de controle ou abaixo do limite inferior de controle; • Padrão 2: Nove pontos consecutivos de um mesmo lado do valor central, ou seja, todos os nove pontos acima da linha média ou abaixo desta; • Padrão 3: Seis pontos consecutivos continuamente aumentando ou diminuindo, no gráfico; • Padrão 4: Quatorze pontos consecutivos alternando-se para cima e para baixo, no gráfico; • Padrão 5: Dois em três pontos consecutivos, situados na mesma zona A do gráfico; • Padrão 6: Quatro em cinco pontos consecutivos situados nas zonas A ou B de um mesmo lado do gráfico; • Padrão 7: Quinze pontos consecutivos situados nas zonas C, acima ou abaixo da linha media; • Padrão 8: Oito pontos consecutivos de ambos os lados da linha media, com nenhum situado na zona C. 76 CAPÍTULO III ESTUDO E INTERPRETAÇÃO DA NBR ISO 9000 E 9001 A partir de 1990, quando foi lançado o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, vivenciamos uma grande e profunda mudança na forma de gerenciamento das empresas. Várias técnicas, métodos e modelos de gestão ficam em evidência desde então (Lapa, 1998). Atualmente a qualidade tem sido uma das maiores preocupações das organizações e o reconhecimento de sua importância tornou a certificação de sistemas de gestão indispensável para várias delas. A certificação além de aumentar a satisfação e a confiança dos clientes, reduz custos, aumenta a produtividade, melhora a imagem e os processos da organização, além de facilitar o acesso a novos mercados. Dentre os modelos de Sistemas da Qualidade existentes, destaca-se aquele fundamentado na ISO 9001. Essa norma é uma referência para a implantação de Sistemas de Gestão da Qualidade em qualquer negócio, independentemente do tipo ou tamanho da empresa. Os requisitos estabelecidos pela norma não fixam metas a serem atingidas pelas organizações. 3.1 As Normas ISO 9000 3.1.1 O Surgimento da Organização ISO Em 1946 logo após a Segunda Guerra Mundial, reuniram-se em Londres delegados de 25 países, com o objetivo de criar uma organização de âmbito global, que tivesse como principal objetivo à coordenação e a unificação das normas industriais. Foi então criada a organização ISO - International Organization for Standardization12. A ISO é uma federação de organismos de normalização de aproximadamente 130 países, cuja missão é promover o desenvolvimento da normalização e atividades relacionadas, em todo o mundo. 12 Organização Internacional para a Normalização 77 Figura 3.1 - Logomarca da Organização ISO 3.1.2 Surgimento das Normas ISO Série 9000 A implantação dos sistemas da qualidade começou a partir do uso das normas para a avaliação de fornecedores. Uma conseqüência direta da era da Gestão da Qualidade, na qual as grandes organizações passaram a exigir garantias de que seus fornecedores atenderiam às suas necessidades, ou seja, um meio para selecionar fornecedores que tivessem reais condições de fornecimento, como também auxiliar, àqueles que não possuíam tais condições de atingir o nível aceitável de desempenho (Cerqueira, 2006). Nessaépoca, por exemplo, o departamento de defesa americano exigia que seus fornecedores documentassem seus Sistemas da Qualidade segundo normas específicas, tais como a MIL-Q9858A e MIL-145208A. Em 1979, no Reino Unido, foi desenvolvida a norma para Sistemas da Qualidade BS-5750. Diversas outras normas foram criadas para atender a campos específicos, como a NQA-1 Quality Assurance for Nuclear Power Plants; a CSA Z299 - no Canadá; e as AQAP13 1, 4 e 9 da OTAN14 (Cerqueira, 2006), dentre outras: 13 Allied Quality Assurance Publications 14 Organização do Tratado do Atlântico Norte 78 Figura 3.2 - Consolidação das normas existentes até 1987 nas normas ISO série 9000 Como pode ser observado, até o final dos anos 80 existiam diversas normas com o mesmo propósito, provenientes de diversas frentes de trabalho. Em 1979, vislumbrando controlar esse crescimento "desordenado", a ISO criou o Comitê Técnico ISO TC 176 para tratar das questões relacionadas à harmonização da qualidade. Esse comitê analisou as normas existentes na época (Figura 4.2), e em 1987 consolidou-as em um conjunto de normas denominado ISO série 9000 , composto por cinco normas: ISO 9000:1987, ISO 9001:1987, ISO 9002:1987, ISO 9003:1987 e ISO 9004:1987. Essas normas adotaram essencialmente a maioria dos requisitos da BS 5750:1979 e por tal motivo, ainda em 1987, a BS 5750 e a ISO série 9000 foram harmonizadas em documentos equivalentes e no mesmo ano, a Comunidade Européia adotou a ISO série 9000 com a designação série EN-29000. (Cerqueira, 2006). 3.2 O Papel da ABNT Fundada em 1940, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) é o órgão brasileiro responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico do Brasil. A ABNT tem como missão: 79 “Prover a sociedade brasileira de conhecimento sist ematizado, por meio de documentos normativos, que permita a produção, a co mercialização e uso de bens e serviços de forma competitiva e sustentável nos mer cados interno e externo, contribuindo para o desenvolvimento científico e te cnológico, proteção do meio ambiente e defesa do consumidor” (ABNT, 2006). A ABNT é uma entidade privada, sem fins lucrativos. Reconhecida como Fórum Nacional de Normalização - único, através da Resolução N.º07 do CONMETRO, de 24.08.1992. É um dos membros fundadores da ISO, da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN (Associação Mercosul de Normalização). A ABNT é o único representante do Brasil nas seguintes entidades internacionais e regionais, tais como IEC, COPANT, AMN, além da ISO (Site ABNT, 2006). ISO – International Organization for Standardization IEC – International Electrotechnical Comission COPANT – Comissão Panamericana de Normas Técnicas AMN – Associação Mercosul de Normalização Entidades de normalização internacional Entidades de normalização Figura 3.3 - Representações da ABNT Uma grande ênfase foi dada à participação do Brasil nos foros internacionais e regionais de normalização, através dos Grupos de Trabalho do ISO/TC 176 - Quality Management and Quality Assurance, no ISO/CASCO – Committee on Assessment Conformity, COPANT - Cooperação Panamericana de Normas Técnica e MERCOSUL. Fonte: ABNT 3.2.1 O Comitê Brasileiro da Qualidade - CB 25 O ABNT/CB 25 - Comitê Brasileiro da Qualidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas, criado em 1991, é o representante oficial da ABNT junto aos comitês ISO TC 176 e ISO CASCO (Conselho da ISO para Avaliação da Conformidade), tendo por missão: “Produzir e disseminar documentos normativos de Sis temas de Gestão da Qualidade e de avaliação da conformidade e defender os interess es do Brasil nos foros internacionais de normalização, contribuindo para o desempenho das organizações” (ABNT/CB 25, 2006). 80 Figura 3.4 - Estrutura organizacional do ABNT/CB 25 Fonte : ABNT/CB 25 O CB 25 tem como objetivo produzir e disseminar as normas de Sistemas de Gestão da Qualidade e de avaliação da conformidade, observando as condições atuais de integração econômica internacional, contribuindo para a capacitação tecnológica brasileira. A tradução das normas, relativas à qualidade e à avaliação da conformidade, equivalentes aos emitidos pela ISO, são publicadas no Brasil pela ABNT com o prefixo NBR ISO (Cerqueira, 2006). As Comissões de Estudo são as responsáveis técnicas na elaboração dos documentos normativos Presentemente existem as seguintes Comissões de Estudo: CE 1 - Terminologia, CE 2 - Sistemas da Qualidade; CE 3 - Tecnologias de Suporte; CE 4 - Avaliação da Conformidade; CE 5 - Documentos Auxiliares. Os Processos permitem, através da sua gestão, identificar as interfaces, e são a garantia de que os objetivos estratégicos do Comitê serão alcançados. 81 3.3 As revisões das normas ISO série 9000 Em julho de 1994, o CT 176 aprovou a primeira revisão das normas, passando a se referir à família ISO 9000, que englobou, além da série 9000, a série 10000 (referente às auditorias) e a norma ISO 8402 (relativa à terminologia). A estrutura original das normas foi praticamente mantida, poucos requisitos foram alterados, limitando-se àqueles que davam margens a dúvidas ou dupla interpretação. Na versão emitida em 1994, incorporou-se o conceito de stakeholders (partes interessadas no negócio), como também se estendeu a definição de produto, para incorporar explicitamente não só os bens tangíveis, mas também aqueles intangíveis - serviços, de modo a permitir um melhor entendimento na aplicação da norma (CERQUEIRA, 2006). Figura 3.5 - Partes interessadas em um negócio 3.3.1 A versão 2000 Os modelos preconizados pelas versões de 1987 e 1994 eram essencialmente prescritivos em termos documentais. Até então, o foco era satisfazer às necessidades dos clientes pela prevenção de não-conformidades. Não existia uma preocupação explícita com a melhoria contínua da organização, surgindo inúmeras críticas ao modelo. Muitas organizações afirmavam que as normas eram geradoras de burocracia. Além disso, a linguagem estava mais voltada às operações manufatureiras, havendo ainda grandes dificuldades na interpretação dos requisitos quando da aplicação nas operações de serviços. Por isso, no final do ano 2000, o ISO TC 176 publicou a segunda revisão dessas normas - a série ISO 9000:2000. 82 O novo modelo trouxe avanços na concepção dos Sistemas de Gestão da Qualidade para atender a qualquer tipo e tamanho de organização, passando a exigir o compromisso com a melhoria contínua. A norma tornou-se mais abrangente e menos prescritiva que as versões anteriores, no tocante aos procedimentos documentados (Cerqueira, 2006). FUNDAÇÃO DA ISSO EM GENEBRA NA SUIÇA CRIAÇÃO DO COMITÊ ISO/TC 176 PUBLICAÇÃO DA NORMA ISO 8402 PUBLICAÇÃO DA PRIMEIRA VERSÃO DAS NORMAS ISO 9000 PUBLICAÇÃO DA SEGUNDA VERSÃO DA SÉRIE ISO 9000 REVISÃO DA SÉRIE ISO 9000: 1994 REVISÃO DA SÉRIE ISO 9000: 2000 (PAR CONSISTENTE) 1946 1979 1986 1987 1994 2000 Figura 3.6 - Evolução das normas ISO até a versão 2000 O novo modelo normativo simplificou e tornou obsoletas as normas até então existentes: ISO 9001:1994, ISO 9002:1994, ISO 9003:1994, ISO 9004:1994 (partes 1, 2, 3 e 4), a ISO 9000:1994 (partes 1, 2, 3 e 4) e a norma de terminologia ISO 8402. Os novos documentos foram traduzidos pelo ABNT CB 25 e incorporados ao Sistema Brasileiro de Normalização sob a seguinte terminologia: a) ABNT NBR ISO 9000 : Sistemas de Gestão da Qualidade - Fundamentos e vocabulário O conhecimento dessa norma é vital para interpretação dos requisitos das demais normas da série. Nela são definidos os oito princípios de gestão, os fundamentos do sistema, os termos e definições utilizados pelasnormas NBR ISO 9001 e NBR ISO 9004. b) ABNT NBR ISO 9001 : Sistemas de Gestão da Qualidade - Requisitos A NBR ISO 9001:2000 é a única norma certificável da série. Nela estão contempladas as exigências mínimas para estruturação do Sistema de Gestão da Qualidade e incorpora em seu título a expressão "Sistemas de Gestão da Qualidade" em substituição ao termo "garantia da qualidade" que fora incluído nas versões anteriores. A Norma destaca que a organização deve não só se esforçar para fornecer produtos de acordo com os requisitos de seus clientes, mas também demonstrar a capacidade de 83 melhorar continuamente. Esse modelo normativo encontra-se dividido em oito seções15, descritas a seguir: • Seção 1 : Objetivos • Seção 2 : Referência normativa • Seção 3 : Termos e definições • Seção 4 : Sistema de Gestão da Qualidade • Seção 5 : Responsabilidade da direção • Seção 6 : Gestão de recursos • Seção 7 : Realização do produto • Seção 8 : Medição, análise e melhoria c) ABNT NBR ISO 9004 : Sistemas de Gestão da Qualidade - Diretrizes para melhorias Neste modelo são fixadas as orientações para melhoria contínua da organização. Essa norma não é um guia para aplicação da NBR ISO 9001 e tampouco pretende uniformizar os sistemas, seu propósito é superar as exigências da norma NBR ISO 9001, com objetivo de aumentar efetividade e eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade. Figura 3.7 - Comparação entre os modelos NBR ISO 9001 e NBR ISO 14001 As normas NBR ISO 9001 e NBR ISO 9004 formam um par consistente, tanto que podem ser utilizadas conjunta ou separadamente. Apresentam a mesma estrutura, porém distintos alcances são aplicáveis a qualquer produto o serviço. 15 Apesar da norma apresentar oito seções, os requisitos específicos sobre os quais a empresa precisa demonstrar conformidade (atendimento) estão contidos apenas nas seções 4 a 8. 84 3.3.2 Outras normas aplicáveis aos Sistemas de Gest ão Outras normas são utilizadas como suporte e no desenvolvimento dos sistemas de gestão (Tabela 4.1), dentre elas destaca-se a NBR ISO 19011:2002, cujo propósito é fornecer diretrizes para auditorias em Sistemas de Gestão da Qualidade (NBR ISO 9001) e gestão ambiental (NBR ISO 14001). Tabela 3.1 - Normas para desenvolvimento e melhorias dos sistemas de gestão ABNT NBR DESCRIÇÃO ISO 10005:1997 Gestão da qualidade - Diretriz para planos da qualidade ISO 10006:2000 Gestão da qualidade - Diretrizes para a qualidade no gerenciamento de projetos ISO 10012:2004 Sistemas de gestão de medição - Requisitos para o processo de medição e equipamento de medição ISO/TR 10013:2002 Diretrizes para a documentação de Sistema de Gestão da Qualidade ISO/TR 10014:2000 Diretrizes para gestão de aspectos econômicos da qualidade NBR ISO 10015:2001 Gestão da qualidade - Diretrizes para treinamento ISO/TR 10017:2005 Guias sobre técnicas estatísticas para a ABNT NBR ISO 9001:2000 ISO 19011:2002 Diretrizes para auditorias de Sistema de Gestão da Qualidade e/ou ambiental. ISO 10007:2005 Sistemas de gestão da qualidade - Diretrizes para a gestão de configuração ISO 10002:2005 Gestão da Qualidade - Satisfação de clientes - Diretrizes para o tratamento de reclamações nas organizações 3.4 Princípios da gestão da qualidade A atual filosofia da Gestão da Qualidade foi baseada em oito itens, denominados de Princípios de Gestão da Qualidade: a) Foco no cliente b) Liderança c) Envolvimento de pessoas 85 d) Abordagem de processo e) Abordagem sistêmica para a gestão f) Melhoria contínua g) Abordagem factual para tomada de decisão h) Benefícios mútuos nas relações com os fornecedor es Os princípios de gestão foram desenvolvimentos pelo ISO TC 176 em 1998, e serviram como base para elaboração da versão 2000. Os principais objetivos desses princípios são: a) Estabelecer uma base sólida para os novos referenciais normativos; b) Facilitar a definição de objetivos da qualidade, potencializar a sua utilização como elementos fundamentais para a melhoria do desempenho das organizações e c) Promover uma aproximação e um alinhamento dos referenciais normativos com a maioria dos modelos de excelência. 3.4.1 Foco no cliente As organizações dependem dos seus clientes e, conseqüentemente, convém que compreendam as suas necessidades, atuais e futuras, satisfaçam os seus requisitos e se esforcem para exceder as suas expectativas. O conceito de cliente deve ser entendido numa perspectiva abrangente, de acordo com a definição da NBR ISO 9000:2000, contemplando não apenas os clientes diretos, como também outras partes interessadas no negócio, tais como colaboradores, fornecedores, acionistas, Estado, comunidade. A aplicação desse princípio conduz as seguintes ações: • Compreender as necessidades e expectativas dos clientes. • Assegurar o equilíbrio entre as necessidades dos clientes e as outras partes interessadas. • Comunicar as necessidades e expectativas dos clientes a toda organização. • Medir a satisfação dos clientes e atuar sobre os resultados. 3.4.2 Liderança Segundo a NBR ISO 9000:2000 os líderes estabelecem a finalidade e a orientação da organização. Sendo assim, convém que os líderes mantenham um ambiente interno que permita o pleno desenvolvimento das pessoas. A aplicação desse princípio conduz as seguintes ações: 86 • Considerar as necessidades de todas as partes interessadas, incluindo clientes, proprietários, fornecedores, comunidade, sociedade, etc. • Estabelecer uma clara visão do futuro da organização. • Estabelecer objetivos e metas desafiadoras. • Desenvolver estratégias para o alcance dos objetivos e metas. • Criar e manter valores e modelos éticos de comportamento em todos os níveis da organização. • Proporcionar aos colaboradores os recursos e formação continuada. • Reconhecer as contribuições dos colaboradores. 3.4.3 Envolvimento das pessoas A essência de uma organização são as pessoas. De acordo com este princípio convém a criação e a manutenção de um ambiente interno que permita o envolvimento das pessoas para se atingir os objetivos da organização. A comunicação, a conscientização e a formação continuada são fatores fundamentais para que cada um compreenda o seu papel dentro do sistema de gestão. A aplicação desse princípio conduz as seguintes ações: • Identificar as limitações da equipe. • Buscar continuamente oportunidades para aumentar competências, conhecimentos e experiências. • Avaliar a atuação dos colaboradores segundo os objetivos e metas da organização. • Compartilhar conhecimentos e experiências (lições apreendidas). 3.4.4 Abordagem de processos O quarto princípio esclarece que um resultado desejado é atingido de forma mais eficiente quando as atividades e os recursos associados são geridos como um processo. Uma organização existe para transformar “inputs” (entradas), por exemplo, materiais, energia, informação, etc. em “outputs” (saídas), produtos e serviços que são fornecidos aos clientes, e ao fazê-lo, acrescentam valor. A aplicação desse princípio conduz as seguintes ações: • Definir o processo para atingir o resultado esperado. • Estabelecer claramente as responsabilidades. 87 • Compreender e medir a capacidade dos processos chave. • Identificar as interfaces do processo com as funções da organização. • Avaliar riscos, conseqüências e impactos nos clientes, fornecedores e outras partes interessadas. • Identificar os clientes internos, clientes externos, fornecedores dos processos. Figura 3.8 - Modelo de gestão estabelecido pela NBR ISO 9001:2000 No modelo, mostrado na Figura 4.8, podemos observar as interfaces da chamada cadeia de valor ao cliente, desde a interface em que este define e apresentaseus requisitos como entradas do processo, posteriormente "realização de produto", até o monitoramento final de sua satisfação pela avaliação das informações relativas à sua percepção (Cerqueira, 2006). 3.4.5 Abordagem sistêmica para a gestão Identificar, compreender e gerir os processos inter-relacionados como um sistema contribui para que a organização atinja seus objetivos com eficácia e eficiência. Esse propósito é atingido por meio de uma série de processos inter-relacionados. Estes processos devem ser controlados e geridos, mesmo que terceirizados, incluindo as subsidiárias da organização, parcerias ou filiais. A aplicação desse princípio conduz as seguintes ações: • Determinar um sistema estruturado voltado para o alcance dos objetivos da organização da forma mais eficaz. • Compreender as interdependências existentes entre os diferentes processos do sistema. • Melhorar continuamente o sistema através da medição e avaliação. 88 3.4.6 Melhoria contínua De acordo com o sexto princípio a melhoria contínua da organização é um objetivo permanente. Ela não pode ser baseada apenas na resolução de problemas, mas também na possibilidade de melhoria dos resultados da organização e antecipação das expectativas de mercado cada vez maiores. A aplicação desse princípio conduz as seguintes ações: • Orientar toda a organização para a melhoria contínua. • Fornecer ao pessoal da organização treinamento nos métodos e ferramentas para melhoria contínua. • Fazer com que a melhoria contínua de produtos, processos e sistemas seja um objetivo para cada colaborador da organização. • Definir critérios de melhoria e avaliá-los para detectar novas oportunidades. • Conhecer, reconhecer e divulgar as melhorias conquistadas. 3.4.7 Abordagem factual para a tomada de decisão Uma das máximas da qualidade é que não se sabe gerenciar o que não se sabe medir. Não se sabe medir o que não se sabe explicar e não se sabe explicar o que não se conhece. Medir é necessário, mas não sem critério. É importante saber determinar o que medir, quais os indicadores são mais relevantes, e quais fundamentos serão usados nessa mensuração. Recorrer a um excesso de medidas constitui um erro grave, pois se perde o foco na melhoria do desempenho. Segundo este princípio, as decisões eficazes são baseadas na análise de dados e informações. O estabelecimento de estratégias, políticas e objetivos deve ser suportado na análise de dados e informações relevantes, de origem interna ou externa à organização. A aplicação desse princípio conduz as seguintes ações: • Estabelecer quais serão as informações e os dados que serão utilizados. • Avaliar as informações relativas aos objetivos. • Tomar decisões e empreender ações com base nos resultados da análise dos dados, experiência, como também na intuição. 89 3.4.8 Benefícios mútuos nas relações com os fornece dores O oitavo princípio destaca que uma organização e os seus fornecedores são interdependentes e uma relação de benefício mútuo potencializa a aptidão de ambas as partes criar valor, orientado para o estabelecimento de relações de ganhos mútuos. A aplicação desse princípio conduz as seguintes ações: • Identificar e selecionar os principais fornecedores (parceiros). • Estabelecer relações que equilibrem os benefícios em curto prazo e longo prazo. • Criar mecanismos para comunicações claras e abertas. • Estabelecer atividades conjuntas de melhoria para compreender as necessidades dos clientes. 3.5 Estudando a NBR ISO 9001:2000 Como vimos, a NBR ISO 9001:2000 é um documento normativo, certificável, que forma um modelo de gestão da qualidade, voltado para qualquer organização. Ela representa um consenso internacional sobre as boas práticas que uma empresa pode adotar a fim de atender plenamente os requisitos do cliente. A Norma encontra-se dividida em oito seções, as quais serão estudadas individualmente a seguir; 3.5.1 Seção 1: objetivo O objetivo da NBR ISO 9001:2000 é especificar os requisitos de um Sistema de Gestão da Qualidade. Esses requisitos são utilizados para que qualquer organização demonstre sua capacidade de fornecer produtos ou serviços de acordo com os requisitos do cliente e quanto se pretende aumentar a satisfação do cliente (Marshall Jr, 2003). Essa seção é composta pelos seguintes itens: 1.1 Generalidades 1.2 Aplicação 90 3.5.1.1 Item 1.1: Generalidades Quadro 1 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000 1 Objetivo 1.1 Generalidades Esta Norma especifica requisitos para um Sistema de Gestão da Qualidade, quando uma organização: a) necessita demonstrar sua capacidade para fornecer de forma coerente produtos que atendam aos requisitos do cliente e requisitos regulamentares aplicáveis, e b) pretende aumentar a satisfação do cliente por meio da efetiva aplicação do sistema, incluindo processos para melhoria contínua do sistema e a garantia da conformidade com requisitos do cliente e requisitos regulamentares aplicáveis. NOTA - Nesta Norma, o termo "produto" aplica-se apenas para produto intencional ou requerido pelo cliente. O item 1.1 – Generalidades, embora não contenha requisitos, estabelece o propósito da NBR ISO 9001:2000, que é definir requisitos para o sistema da qualidade, no intuito de permitir a organização fornecer, de forma consistente, produtos que atendam às necessidades de seus clientes. � Interpretação do requisito A NBR ISO 9001:2000 não é uma norma de produto. A certificação do Sistema de Gestão da Qualidade não substitui a certificação de produtos. Assegurar a qualidade do produto final é o principal objetivo das organizações que buscam a implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade fundamentado nessa norma. 3.5.1.2 Item 1.2: Aplicação Quadro 2 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000 1.2 Aplicação Todos os requisitos desta Norma são genéricos e se pretende que sejam aplicáveis a todas as organizações, sem levar em consideração o tipo, tamanho e produto fornecido. Quando algum (ns) requisito(s) desta Norma não puder(em) ser aplicado(s), devido à natureza de uma organização e seus produtos, isso pode ser considerado para exclusão. Quando forem efetuadas exclusões, reivindicação de conformidade com esta Norma não será aceitável, a não ser que as exclusões fiquem limitadas aos requisitos contidos na seção 7 e que tais exclusões não afetem a capacidade ou responsabilidade da organização de fornecer produtos que atendam aos requisitos dos clientes e requisitos regulamentares aplicáveis para produto intencional ou requerido pelo cliente. 91 � Objetivo A norma destina-se a uma aplicação de acordo com a natureza da organização, para cobertura de todas as atividades que afetam a qualidade do produto fornecido. Por exemplo, se uma organização for responsável pela transformação dos requisitos do cliente em um conjunto de especificações, essa atividade está relacionada ao projeto e desenvolvimento de produto. Se, por algum motivo, a organização não contemplar esse processo no escopo do sistema de gestão, existe a possibilidade, mesmo que o produto cumpra as especificações, que a satisfação do cliente possa não ser atingida, uma vez que as especificações poderão não refletir as necessidades e expectativas do cliente ou requisitos estatutários ou regulamentares. No entanto, caso seja constatada a não aplicabilidade de um ou mais requisitos da Norma, estes poderão ser excluídos do sistema, porém limitados a Seção 7, quando tais exclusões não afetarem a capacidade da organização fornecer produtos que atendam as necessidades do cliente, incluindo requisitos estatutários e regulamentares. Nesses casos, as exclusões, e as justificativas, deverão constar no Manual da Qualidade da organização. � Interpretação A extensão do Sistemade Gestão da Qualidade está baseada na natureza dos produtos da organização, nos respectivos processos de realização dos mesmos, nos requisitos contratuais, estatutários e regulamentares. Uma organização não é obrigada a incluir todos os produtos e serviços que fornece no Sistema de Gestão. Quando a empresa optar por implementar um sistema limitado, este deve ser claramente definido no Manual da Qualidade e em quaisquer documentos disponíveis ao público em geral, de modo a evitar confusão ao cliente. Os requisitos da NBR ISO 9001:2000 são genéricos e aplicáveis a quaisquer organizações, independentemente do tipo ou dimensão. As organizações podem, no entanto, justificar o não cumprimento de requisitos específicos, atendendo à natureza da sua atividade e dos seus produtos e ou serviços. As exclusões estão limitadas aos requisitos contidos na seção 7, desde que não prejudiquem ao cliente. A seguir são indicados os itens mais prováveis, embora não os únicos, que poderiam ser considerados como exclusões em Sistema de Gestão da Qualidade: • 7.3 Projeto e desenvolvimento Nos casos em que a organização não é responsável pelo projeto e desenvolvimento dos produtos fornecidos, a aplicação desse item não seria obrigatória, porém pode ser útil para a organização gerir o desenvolvimento dos seus processos. • 7.5.3 Identificação e rastreabilidade Este item seria parcialmente aplicável nos casos em que não existe requisito de rastreabilidade específico para os produtos da organização. 92 • 7.5.4 Propriedade do cliente Nos casos onde a organização não utiliza a propriedade do cliente para realização do produto. Porém, se o cliente fornecer uma especificação do produto, isso pode se constituir propriedade legal que deveria ser coberta pelo Sistema de Gestão. • 7.6 Controle de dispositivos de medição e monitor amento Nas situações onde a organização não necessita de dispositivos de monitoramento e medição para fornecer evidência da conformidade do seu produto. Por exemplo, pode ser o caso de algumas organizações prestadoras de serviço, tais como bancos, agências de viagens, locadoras, etc. ���� Evidências O Manual da Qualidade precisa incluir detalhes e justificativas que suportem as exclusões consideradas pela organização. Normalmente durante a auditoria, verifica-se se os requisitos excluídos realmente não afetam a capacidade da organização em cumprir os requisitos do cliente, estatutários ou regulamentares. ���� Não-Conformidades Geralmente, não são observadas não-conformidades relacionadas a este item, pelo fato da norma não incluir requisitos. A constatação da necessidade de aplicação de requisitos considerados como exclusões indevidamente justificadas no manual da qualidade são geralmente indexadas aos itens 4.1 ou 4.2.2. 3.5.2 Seção 2: Referência normativa Esta seção apenas faz referência a NBR ISO 9000:2000 (Fundamentos e vocabulário). Quadro 3 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. A norma relacionada a seguir contém disposição que, ao serem citadas neste texto, constituem prescrições para esta Norma. A edição indicada estava em vigor no momento desta publicação. Como toda norma está sujeita a revisão, recomenda-se àqueles que realizam acordos com base nesta que verifiquem a conveniência de se usar a edição mais recente da norma citada a seguir. A ABNT possui a informação das normas em vigor em um dado momento. NBR ISO 9000:2000, Sistemas de gestão da qualidade - Fundamentos e vocabulário. 93 Exercício de Fixação 1) Os requisitos do Sistema da Gestão da Qualidade apresentados pela norma NBR ISO 9001:2000 são uma alternativa para os requisitos especificados para os produtos? 2) Por quais partes a norma NBR ISO 9001:2000 pode ser utilizada e com que objetivos? 3) Quando se utiliza a abordagem de processo em um Sistema da Gestão da Qualidade, que aspectos devem ser enfatizados? 4) A NBR ISO 9001:2000 prevê requisitos específicos de Gestão Ambiental ou de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional? 5) Qual é o objetivo da NBR ISO 9001:2000? 6) A que tipo de organização ela se aplica? 7) Todos os requisitos da norma devem ser obrigatoriamente aplicados ao Sistema da Gestão da Qualidade da Organização? 8) Para efeitos da NBR ISO 9001:2000, como é descrita a cadeia de fornecimento? 3.5.3 Seção 3: Termos e definições Essa seção apresenta alguns termos e definições contempladas na NBR ISO 9000:2000, enfatizando que alguns termos empregados pela NBR ISO 9001 para descrever a cadeia de fornecimento, foram alterados, de modo a refletir o vocabulário usado atualmente. Por exemplo, o termo "organização" substituiu o termo "fornecedor" usado na versão de 1994 e refere-se à unidade para a qual a Norma se aplica. Igualmente, o termo "fornecedor" substituiu o termo "subcontratado" e conceito de produto, agora é mais abrangente e pode significar serviço. Quadro 4 - Texto da norma ISO 9001 Para os efeitos desta Norma, aplicam-se os termos e definições da NBR ISO 9000. Os seguintes termos, usados nesta NBR ISO 9001 para descrever a cadeia de fornecimento, foram alterados para refletir o vocabulário usado atualmente: Fornecedor → Organização → Cliente O termo "organização" substitui o termo "fornecedor" usado na NBR ISO 9001:1994 e refere-se à unidade para a qual esta Norma se aplica. Igualmente, o termo "fornecedor" agora substitui o termo "subcontratado". Ao longo do texto desta Norma, onde aparecer o termo “produto”, este também pode significar “serviço”. 94 Figura 3.9 - Cadeia de fornecimento Exercício de Fixação 1) Baseando-se no glossário dessa apostila compare com o menor número de palavras os termos a seguir: TERMO A TERMO B QUALIDADE CLASSE NÃO CONFORMIDADE DEFEITO CORREÇÃO AÇÃO CORRETIVA AÇÃO CORRETIVA AÇÃO PREVENTIVA REPARO RETRABALHO PERMISSÃO DE DESVIO CONCESSÃO VERIFICAÇÃO VALIDAÇÃO 95 DOCUMENTO REGISTRO CLIENTE FORNECEDOR REFUGO RETRABALHO 3.5.4 Seção 4: Sistema de gestão da qualidade A seção apresenta os requisitos gerais do Sistema de Gestão da Qualidade. Abrange todo o modelo de processo na sua integração horizontal e vertical. Os principais elementos da seção contemplam a elaboração do manual da qualidade, o controle de documentos e o controle de registros da qualidade (MARSHALL JR, 2003). A seção é composta pelos seguintes itens e sub-ítens: 4.1 Requisitos gerais 4.2 Requisitos de documentação 4.2.1 Manual da qualidade 4.2.2 Controle de documentos 4.2.3 Controle de registros 3.5.4.1 Item 4.1: Requisitos gerais Quadro 5 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 4.1 Requisitos gerais A organização deve estabelecer, documentar, implementar e manter um Sistema de Gestão da Qualidade e melhorar continuamente a sua eficácia de acordo com os requisitos desta Norma. A organização deve a) identificar os processos necessários para o Sistema de Gestão da Qualidade e sua aplicação por toda a organização (ver 1.2), b) determinar a seqüência e interação desses processos, c) determinar critérios e métodos necessários para assegurar que a operação e o controle desses processos sejam eficazes, 96 d) assegurar a disponibilidade de recursos e informações necessárias para apoiar a operação e o monitoramento desses processos, e) monitorar, medir e analisar esses processos, e f) implementar ações necessárias para atingir os resultados planejados e a melhoria contínua desses processos. Esses processos devem ser gerenciados pela organização de acordo com os requisitos desta Norma. Quando uma organização optar por adquirir externamente algum processo que afete a conformidade do produto em relação aos requisitos, a organização deve assegurar o controle desses processos. O controle de tais processos deve ser identificado no Sistema de Gestãoda Qualidade. NOTA - Convém que os processos necessários para o Sistema de Gestão da Qualidade acima referenciados incluam processos para atividades de gestão, provisão de recursos, realização do produto e medição. ���� Objetivo O propósito desse item é assegurar que as organizações identifiquem os processos necessários ao Sistema de Gestão da Qualidade, além de determinar os recursos, informações, critérios e métodos necessários para gestão, como por exemplo: planejamento, realização, monitoramento, medição e melhoria contínua, seguindo o ciclo do PDCA. ���� Interpretação A organização precisa identificar e gerir os seus processos. Alguns deles já estão claramente definidos pela Norma. Por exemplo, processos relacionados aos clientes, aquisições, projeto e desenvolvimento, etc, enquanto outros dependerão da natureza e complexidade organização. Espera-se que a organização aplique uma abordagem do tipo PDCA aos seus processos, avaliações de produto e indicadores da satisfação de clientes (Takashina e Flores, 1996; Jaramillo, 1998), a fim de determinar a necessidade de maior ou menor controle: O ciclo do PDCA opera reconhecendo problemas (oportunidades de melhoria) em um processo que são identificados pela diferença entre as necessidades do cliente (interno ou externo) e o desempenho do processo: “Uma grande diferença pode significar uma alta insa tisfação do cliente, porém uma grande oportunidade para a melhoria. Uma pequena di ferença pode significar baixa insatisfação do cliente, e conseqüentemente menor o portunidade de melhoria”. (Howard S. Gitlow ) 97 PA DOCHECK ACT Definir Metas Definir Métodos Atuar Corretivamente Verificar Resultados da Tarefa Executora Educar e Treinar Executar (Coletando dados) DC PA DOCHECK ACT Definir Metas Definir Métodos Atuar Corretivamente Verificar Resultados da Tarefa Executora Educar e Treinar Executar (Coletando dados) DC Figura 3.10 - Ciclo PDCA • Planejar (to plan): Envolve a coleta de dados para definição de um plano de ações para a redução da diferença entre as necessidades do cliente e o desempenho do processo. • Fazer (to do): Nesta etapa o plano é colocado em operação sendo conduzido no ambiente de trabalho ou em pequena escala. • Verificar (to check): Envolve o contínuo monitoramento do plano colocado em operação na segunda etapa, respondendo duas questões básicas: a) as variáveis manipuladas do processo estão reduzindo a diferença entre as necessidades do cliente e o desempenho do processo? b) Os efeitos resultantes do planejamento estando propiciando melhorias ou gerando problemas? • Atuar (to act) : Implementação das modificações do plano descobertas na etapa de verificação, estreitando-se ainda mais a diferença entre as necessidades do cliente e o desempenho do processo. A seguir são fornecidas orientações sobre como uma organização pode contemplar esses requisitos: a) Como identificar os processos necessários para o Sistema de Gestão da Qualidade e sua aplicação por toda a organização? • Atribuindo designações aos processos, incluindo aqueles obtidos externamente; • Definindo as entradas e saídas de cada processo. • Definindo clientes dos processos e respectivos requisitos (incluindo necessidades e expectativas); 98 • Definindo quem é o gestor ou “dono” do processo. b) Como determinar a seqüência e interação desses p rocessos? • Apresentando a rede de processos. • Definindo as interfaces entre processos. • Documentando os processos conforme necessário. A Figura 3.11 fornece uma idéia de como uma organização pode utilizar fluxos ou mapas de processo, de modo a compreender melhor a interação entre os vários processos que compõem o Sistema de Gestão da Qualidade: DIAGRAMA DE PROCESSOS: VENDAS, PRODUÇÃO E EXPEDIÇÃO Solicitação oferta VENDAS Elaboração oferta Entrega Cliente Aceita Oferta Revisão oferta PROCESSOS DE APOIO COMPRAS (P) GESTÃO DE RECURSOS (V, P e A) CONTROLE DE EQUIPAMENTOS (P) MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS (P e A) PROCESSOS DE GESTÃO NC/RC (SIGC) AC/AP (SIGC) AUDITORIAS INTERNAS (SIGC) REVISÃO PELA DIREÇÃO (SIGC) CONTROLE DE DOCUMENTAÇÃO (SIGC) CONTROLE DE REGISTROS (SIGC) Ordem produção Elaboração ordem produção Fase 1 Fase 2 Fase 3 Produto final Envasado Reciclar Retirado como amostra Análise Conforme Boletim de análise Aceitar sob desvio Descartar Revisão armazém ARMAZÉM Preparação expedição Rótulo de entrega PRODUÇÃO Cliente Dpto Comercial Dpto Produção Laboratório Armazém BD Comercial Figura 3.11 - Interação entre os processos de uma organização genérica 99 c) Como determinar critérios e métodos necessários para assegurar que a operação e o controle desses processos sejam eficazes? • Especificando características de resultados pretendidos e não pretendidos; • Especificando métodos de medição, monitoramento e análise de critérios (Planejamento da Qualidade); • Considerando questões econômicas (custos, tempo, perdas, etc). • Definindo métodos para recolhimento de dados. d) Como assegurar a disponibilidade de recursos e i nformações necessárias para apoiar a operação e o monitoramento desses processo s? • Alocando recursos para cada processo. • Estabelecendo canais de comunicação. • Disponibilizando informação externa e interna. • Obtendo retorno (resposta). • Recolhendo dados. • Mantendo registros. e) Como monitorar, medir e analisar esses processos ? • Medindo processos e monitorando o seu desempenho: capacidade do processo (Filho e Drumond, 1994; Siqueira, 1997), • Estabelecendo indicadores de desempenho (Takashina e Flores, 1996; Jaramillo, 1998), • Analisando informação recolhida (técnicas de estatística); • Avaliando resultados da análise. f) Como implementar ações necessárias para atingir os resultados planejados e a melhoria contínua desses processos? • Implementando ações corretivas e preventivas (melhoria do processo); • Verificando implementação e eficácia das ações corretivas e preventivas; • Promovendo melhorias. A obtenção de processos para realização do produto em outra organização, não é uma justificativa para sua exclusão do sistema de gestão. Pelo contrário, a organização necessita demonstrar que exerce controle suficiente para assegurá-los e que são realizados segundo os requisitos da Norma. A extensão do controle vai depender da natureza do processo e do risco envolvido. Pode-se incluir, por exemplo, a especificação ou validação desse processo como parte do contrato com o fornecedor ou auditorias no local de produção. Nesse contexto, é necessário que a organização inclua 100 esses processos obtidos externamente no escopo do sistema de gestão, explicitando sua condição no manual da qualidade, ou em outros documentos complementares, de modo a demonstrar que a gestão cobre as atividades terceirizadas. ���� Evidências • A organização necessita disponibilizar fluxos ou mapas demonstrando a inter-relação entre os processos chave e as interfaces com os fornecedores, incluindo a clara definição dos papéis e responsabilidades. • A organização poderá descrever seus processos através de outros meios, desde que alcancem o mesmo objetivo. Os processos chave precisam apresentar saídas claramente definidas, com critérios de aceitação e, pelo menos, uma forma de verificação ou medição. • A organização deve estar apta a demonstrar que gerenciam seus processos, utilizando, por exemplo, uma abordagem do tipo PDCA, com ênfase para atingir os resultados planejados. ���� Não-conformidades • Não serem identificados os processos terceirizados, tampouco determinada à seqüência e interação entre eles. • Não serem claramente identificados os processos do Sistema de Gestão da Qualidade e a identificação dos processos limitada à realização do produto.• As não-conformidades associadas à identificação, planejamento, realização, controle e melhoria dos processos suporte encontram-se, normalmente, indexadas a outros subitens. Uma não-conformidade associada ao item seria relacionada ao não cumprimento sistemático e generalizado dos requisitos da Norma. 3.5.4.2 Item 4.2: Requisitos da documentação 3.5.4.2.1 Subitem 4.2.1 - Generalidades Quadro 6 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 4.2 Requisitos de documentação 4.2.1 Generalidades A documentação do Sistema de Gestão da Qualidade deve incluir a) declarações documentadas da política da qualidade e dos objetivos da qualidade, b) manual da qualidade, 101 c) procedimentos documentados requeridos por esta Norma, d) documentos necessários à organização para assegurar o planejamento, a operação e o controle eficazes de seus processos, e e) registros requeridos por esta Norma (ver 4.2.4). NOTA 1 - Onde o termo “procedimento documentado“ aparecer nesta Norma, significa que o procedimento é estabelecido, documentado, implementado e mantido. NOTA 2 - A abrangência da documentação do Sistema de Gestão da Qualidade pode diferir de uma organização para outra devido: a) ao tamanho da organização e ao tipo de atividades, b) à complexidade dos processos e suas interações, e c) à competência do pessoal. NOTA 3 - A documentação pode estar em qualquer forma ou tipo de meio de comunicação. ���� Objetivo O principal objetivo desse item é assegurar o planejamento, realização, monitoramento, medição e melhoria dos processos através de um sistema documentado e não através um sistema de documentos. A documentação de suporte ao Sistema de Gestão da Qualidade inclui as políticas, objetivos, descrição dos principais processos, procedimentos documentados e quaisquer outros documentos considerados necessários ao sistema. ���� Interpretação Dentre os objetivos principais associados à documentação, podemos citar: a) comunicação da informação; b) evidência de conformidade; c) padronização de rotinas e manutenção de conhecimentos. A definição de documento, de acordo com a NBR ISO 9000:2000, é a informação e o respectivo meio no qual ela está contida. A Norma menciona que a extensão da documentação dependerá da dimensão, tipo de atividade, complexidade dos processos, requisitos regulamentares e competência do pessoal de cada organização. Sendo assim, é necessário estabelecer a estrutura da documentação, além de explicitar as interligações entre os diversos documentos constituintes do sistema. A organização pode estabelecer a documentação do sistema, incluindo os registros, em quaisquer meios: papel, magnético, eletrônico, fotográfico, etc. 102 Figura 3.12 - Hierarquia da documentação de um Sistema de Gestão da Qualidade Convém que a elaboração de documentos não seja um fim em si mesmo, mas sim uma atividade que agregue valor ao sistema, assim sendo diferentes tipos de documentos são usados em Sistemas de Gestão da Qualidade, dentre eles podemos citar: a) Documentos que fornecem informações consistentes, tanto interna como externamente, sobre o Sistema de Gestão da Qualidade da organização; tais documentos são geralmente referidos como manuais da qualidade; b) Documentos que descrevem como o Sistema de Gestão da Qualidade é aplicado em um projeto, contrato ou produto específico, etc., tais documentos são referidos como planos da qualidade; c) Documentos que estabelecem requisitos; tais documentos são referidos como especificações; d) Documentos que estabelecem recomendações ou sugestões; tais documentos são referidos como diretrizes ou políticas; e) Documentos que fornecem evidência objetiva das atividades realizadas ou de resultados alcançados; tais documentos são denominados registros. A norma aponta para a necessidade de 21 registros. f) Documentos que fornecem informações sobre como realizar atividades e processos de forma consistente; tais documentos podem incluir procedimentos, instruções de trabalho e desenhos: A Norma sinaliza para obrigatoriedade de seis16 desses procedimentos, os quais são citados a seguir: • No subitem 4.2.3: Procedimento para controle dos documentos. • No subitem 4.2.4: Procedimento para controle dos registros. • No subitem 8.2.2: Procedimento para auditoria interna. 16 Ressalta-se que a NBR ISO 9001:2001 não requer que as organizações elaborem apenas os seis documentos, mas sim tantos quantos sejam necessários, porém os seis procedimentos citados são obrigatórios. 103 • No item 8.3: Procedimento para controle de produto não-conforme. • No subitem 8.5.2: Procedimento para controle ações corretivas. • No subitem 8.5.3: Procedimento para controle ações preventivas. Figura 3.13 - Estrutura simplificada da documentação, baseada na “teoria das metades” A forma de cumprimento do item requisitos de documentação dependerá dos recursos de cada organização, porém de modo a proporcionar a documentação que suporte as necessidades e expectativas das partes interessadas, convém que sejam considerados: a) Requisitos do cliente; b) Normas internacionais, nacionais, regionais ou do setor de atividade; c) Requisitos estatutários e regulamentares relevantes; d) Estratégias, políticas, objetivos e cultura organizacional; e) Fonte de informação externa relevante e f) Informação sobre as necessidades dos colaboradores internos. O uso excessivo e abusivo de documentos não significa necessariamente em um maior controle sobre as atividades da organização. No entanto, a falta de documentação poderá comprometer a sistematização e eficácia do sistema. ���� Evidência Deve existir um Sistema de Gestão documentado que cubra todos os requisitos aplicáveis da norma de referência, incluindo documentação exigida pelo cliente, e para cumprimento dos requisitos estatutários e ou regulamentares relacionados com o produto. ���� Não-conformidades As não-conformidades relacionadas ao item estão associadas ao não cumprimento sistemático e generalizado dos requisitos de documentação. Os problemas mais comuns encontram- se geralmente indexados aos subitens 4.2.2, 4.2.3 e 4.2.4 ou a outros pontos da Norma onde exista a solicitação de um documento específico. 104 3.5.4.2.2 Subitem 4.2.2 - Manual da Qualidade Quadro 7 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 4.2.2 Manual da qualidade A organização deve estabelecer e manter um manual da qualidade que inclua a) o escopo do Sistema de Gestão da Qualidade, incluindo detalhes e justificativas para quaisquer exclusões (ver 1.2), b) os procedimentos documentados estabelecidos para o Sistema de Gestão da Qualidade, ou referência a eles, e c) a descrição da interação entre os processos do Sistema de Gestão da Qualidade ���� Objetivo O objetivo desse Subitem é apontar para a necessidade de documentos que descrevam os fundamentos do sistema de gestão da organização e suas interações. ���� Interpretação Cabe a organização decidir o melhor formato para o seu manual da qualidade. O documento pode ser concebido em qualquer estrutura. Não existe uma padronização. Para algumas empresas o manual é um documento que contempla apenas o resumo do sistema de gestão e seus princípios, fazendo referência à documentação de suporte. Para outras, pode ser um documento mais abrangente, que inclui todos os procedimentos e documentos pertencentes ao sistema. O manual precisa explicitar as eventuais exclusões dos itens que não sejam aplicáveis ao Sistema da organização, como também a justificativa fundamentada para esse fato. O escopo do sistema de gestão precisa ser declarado no manual, principalmente quando ele não contemplar a totalidade dos produtos, áreas ou locais de atividade da organização, além de apresentar a interação entre os processos do sistema. O manualda qualidade também pode contemplar: a) A política da qualidade; b) A estrutura organizacional; c) considerações sobre responsabilidades e autoridade; d) Apresentação da organização e dos seus principais produtos. ���� Evidência A organização deve apresentar um manual da qualidade que cumpra os requisitos desse subitem e evidenciar que ele é um documento controlado e reflete a real situação da organização. ���� Não-conformidades • O manual da qualidade não incluir o escopo do sistema e não apresentar uma justificativa fundamentada para as exclusões consideradas pela organização. 105 • O manual da qualidade não descrever adequadamente os principais processos da organização, e suas interações. 3.5.4.2.3 Subitem 4.2.3 - Controle de documentos Quadro 8 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 4.2.3 Controle de documentos Os documentos requeridos pelo Sistema de Gestão da Qualidade devem ser controlados. Registros são um tipo especial de documento e devem ser controlados de acordo com os requisitos apresentados em 4.2.4. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os controles necessários para a) aprovar documentos quanto à sua adequação, antes da sua emissão, b) analisar criticamente e atualizar, quando necessário, e reaprovar documentos, c) assegurar que alterações e a situação da revisão atual dos documentos sejam identificadas, d) assegurar que as versões pertinentes de documentos aplicáveis estejam disponíveis nos locais de uso, e) assegurar que os documentos permaneçam legíveis e prontamente identificáveis, f) assegurar que documentos de origem externa sejam identificados e que sua distribuição seja controlada, e g) evitar o uso não intencional de documentos obsoletos e aplicar identificação adequada nos casos em que forem retidos por qualquer propósito. ���� Objetivo Esse Subitem tem como objetivo assegurar o controle da documentação pertinente ao sistema, seja ela interna ou externa, de modo a garantir que versões atuais e aprovadas estejam disponíveis nos locais onde sejam necessárias. ���� Interpretação Como vimos no item 4.2, os documentos podem estar em quaisquer meios, sejam eles em: papel; eletrônico, fotografias, DVD, etc. É necessária a criação de um procedimento formal que sistematize o controle da documentação. Os documentos precisam ser univocamente identificados. Para esse propósito, normalmente utiliza-se um código e uma designação, apropriada ao tipo, extensão e características do documento. O gerenciamento de documentação eletrônica requer o estabelecimento de procedimentos de segurança da informação, backup, etc A distribuição da documentação deve garantir a disponibilidade de informações atualizadas. Os documentos modificados ou extintos (obsoletos) devem ser removidos dos locais de uso e 106 identificados apropriadamente, quando forem retidos para qualquer propósito, por exemplo: requisitos estatutários, histórico trabalhista, etc. O controle abrange tanto os documentos de origem interna como aqueles de origem externa, tais como: catálogos, desenhos de clientes, especificação de cliente, normas, métodos de ensaio, regulamentos, legislação, etc. Ele deve possibilitar saber, em qualquer momento, a situação da revisão dos documentos do sistema e localizar a matriz de cada documento, a partir da qual são feitas as reproduções necessárias. Periodicamente, a documentação, precisa ser avaliada, de modo a verificar a necessidade de atualização das informações. Não se recomenda alterações manuscritas nos documentos distribuídos, mesmo que efetuadas e aprovadas pelas funções autorizadas. ���� Evidência O método de controle precisa ser documentado, como também evidenciada a disponibilidade de documentos adequados, aprovados incluindo a indicação correta da sua revisão nos locais de trabalho. ���� Não-conformidades • Documentos obsoletos em utilização. • Documentos com alterações ou modificações não autorizadas. • Documentos de origem externa não controlados. 3.5.4.2.4 Subitem 4.2.4 - Controle de registros Quadro 9 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 4.2.4 Controle de registros Registros devem ser estabelecidos e mantidos para prover evidências da conformidade com requisitos e da operação eficaz do Sistema de Gestão da Qualidade. Registros devem ser mantidos legíveis, prontamente identificáveis e recuperáveis. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os controles necessários para identificação, armazenamento, proteção, recuperação, tempo de retenção e descarte dos registros. ���� Objetivo O propósito desse item é estabelecer um conjunto mínimo de registros associados ao Sistema de Gestão da Qualidade que proporcionem evidencias da conformidade com os requisitos especificados pela Norma. ���� Interpretação Os registros são necessários para demonstrar a conformidade dos processos. Um controle apropriado significa o estabelecimento de critérios e cuidados para: 107 • Armazenamento : Refere-se ao local, meio e condições de arquivamento. • Proteção : Refere-se aos cuidados para garantir a integridade. • Recuperação : Refere-se à consulta e utilização de cada registro da qualidade em função da confidencialidade. • Retenção : Refere-se ao tempo de retenção para cada registro da qualidade, em função da legislação aplicável, condições contratuais e ou rastreabilidade definida. Normalmente o tempo de retenção difere de registro para registro. • Descarte : Refere-se à forma de eliminação em função do grau de confidencialidade associado a cada registro. Figura 3.14 - Requisitos associados ao controle de registro Pode ser necessário que a organização mantenha outros registros, além daqueles que estiverem especificamente mencionados no seu texto. Exemplos incluem registros de reclamações de clientes e pesquisa de satisfação. Os registros formalmente requeridos encontram-se descritos a seguir: • 5.6.1: Análise crítica pela Alta Direção; • 6.2.2 (e): Educação, treinamento, habilidade e experiência; • 7.1 (d): Evidência de que os processos de realização e produtos resultantes atendem aos requisitos; • 7.2.2: Resultado da análise crítica dos requisitos relacionados ao produto; • 7.3.2: Entradas relativas a requisitos de produto; • 7.3.4: Análise crítica de projeto e desenvolvimento; • 7.3.5: Verificação de projeto e desenvolvimento; • 7.3.6: Validação de projeto e desenvolvimento; • 7.3.7: Controle de alterações de projeto e desenvolvimento; • 7.4.1: Resultados das avaliações de fornecedores; • 7.5.2 (d): Validação de processos de produção; 108 • 7.5.3: Identificação única do produto para rastreabilidade; • 7.5.4: Informação de propriedade do cliente perdida; • 7.6 (a): Resultados de calibração ou verificação; • 8.2.2: Auditoria interna; • 8.2.4: Medição e monitoramento de produto; • 8.3: Natureza das não-conformidades, ações e concessões; • 8.5.2: Resultados de ação corretiva executada; • 8.5.3: Resultados de ação preventiva executada. ���� Evidência • Procedimento documentado para controle dos registros. • Os registros específicos necessários a cada organização serão diferentes tanto em número, como em conteúdo, dependendo da sua dimensão e complexidade. ���� Não-conformidades • Tempos de retenção inadequados à natureza e utilização dos registros. • Inexistência de registros formalmente requeridos pela Norma. • As não-conformidades associadas ao controle dos registros podem estar relacionadas a outros itens e subitens da Norma. Exercício de Fixação 1) Conforme a NBR ISO 9001:2000, quais requisitos gerais devem ser considerados pelas organizações ao implementar o Sistema da Gestão da Qualidade? 2) O que a organização do Sistema da Gestão da Qualidade deve incluir? 3) A documentação do Sistema da Gestão da Qualidadede todas as organizações deve ser semelhante ou estruturada da mesma maneira? Explique 4) Em que meio a documentação do sistema pode estar elaborada? 5) É obrigatória a elaboração de um Manual da Qualidade? Em caso afirmativo, a ele deve conter? 6) Com qual finalidade deve ser documentado um procedimento para controle de documentos? 7) Com qual finalidade devem ser documentados procedimentos para controle de registros? 8) Com qual finalidade devem ser estabelecidos e mantidos os registros? 109 3.5.5 Seção 5: Responsabilidade da direção Nessa seção encontram-se descritas as ferramentas que permitem a organização analisar a funcionalidade do Sistema de Gestão da Qualidade, sua melhoria contínua, além de promover modificações na política, nos objetivos e metas da qualidade (Marshall Jr, 2003). A seção é composta pelos seguintes itens e subitens: 5.1 Comprometimento da Direção 5.2 Foco no Cliente 5.3 Política da Qualidade 5.4 Planejamento 5.4.1 Objetivos da qualidade 5.4.2 Planejamento do Sistema de Gestão da Qualidad e 5.5 Responsabilidade, autoridade e comunicação 5.5.1 Responsabilidade e autoridade 5.5.2 Representante da Direção 5.5.3 Comunicação Interna 5.6 Análise crítica pela Direção 5.6.1 Generalidades 5.6.2 Entradas para a análise crítica 5.6.3 Saídas da análise crítica 3.5.5.1 Item 5.1: comprometimento da direção Quadro 10 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.1 Comprometimento da direção A Alta Direção deve fornecer evidência do seu comprometimento com o desenvolvimento e com a implementação do Sistema de Gestão da Qualidade e com a melhoria contínua de sua eficácia mediante a) a comunicação à organização da importância em atender aos requisitos dos clientes, como também aos requisitos regulamentares e estatutários, b) o estabelecimento da política da qualidade, c) a garantia de que são estabelecidos os objetivos da qualidade, d) a condução de análises críticas pela Alta Direção, e) a garantia da disponibilidade de recursos. 110 ���� Objetivo Definir o papel, as responsabilidades e autoridade da Alta Direção reforçando a necessidade de liderança para o estabelecimento da manutenção de uma gestão da qualidade eficaz. ���� Interpretação A Alta Direção compreende os colaboradores que desempenham funções executivas nos níveis mais elevados da organização. A Alta Direção precisa evidenciar o seu comprometimento (Figura 3.15) no desenvolvimento, implantação e melhoria contínua da eficácia do sistema de gestão, preocupando-se, dentre outros, com os seguintes requisitos: • A comunicação dos requisitos; • O cumprimento da política da qualidade; • Estabelecimento dos objetivos da qualidade; • A análise crítica do sistema de gestão; • A disponibilidade dos recursos. Figura 3.15 - Conceitos de “envolvimento” e de “comprometimento”: Sendo que o primeiro é normalmente utilizado para enquadrar a participação de qualquer colaborador da organização no SGQ e seus processos, o segundo considera uma participação mais ativa e dinâmica, à qual está diretamente associada à implementação, adequação e desempenho do SGQ e seus processos. Fonte: Adaptado de Equipe GRIFO, 1996; p 56 ���� Evidência A Alta Direção demonstra o seu comprometimento através das seguintes atitudes: a) Divulgando a política da qualidade e seus objetivos, incluindo a importância da satisfação de clientes e da melhoria contínua. b) Demonstrando o conhecimento da situação do sistema de gestão, seus pontos fortes e áreas de melhoria. c) Assegurando que todas as funções dentro da organização têm objetivos definidos e consistentes com os objetivos organizacionais. 111 d) Demonstrando a compreensão do funcionamento do Sistema de Gestão da Qualidade e a abordagem por processos. ���� Não-conformidades As não-conformidades associadas ao não comprometimento da Alta Direção encontram-se, geralmente, indexadas aos demais itens das seções 5 e 6. Uma não-conformidade atribuída diretamente a esse item seria devida à ausência de qualquer evidência de comprometimento por parte da Alta Direção. 3.5.5.2 Item 5.2: Foco no cliente Quadro 11 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.2 Foco no cliente A Alta Direção deve assegurar que os requisitos do cliente são determinados e atendidos com o propósito de aumentar a satisfação do cliente (ver 7.2.1 e 8.2.1). ���� Objetivo Enfatizar o papel da Alta Direção na identificação e atendimento dos requisitos do cliente. ���� Interpretação Esse item concentra-se no primeiro princípio da gestão da qualidade (foco no cliente). A Norma espera que a organização tenha uma visão abrangente e concentrada na determinação dos requisitos do cliente, portanto devem ser considerados os requisitos aplicáveis ao produto fornecido, como também: • Requisitos estatutários e regulamentares; • Requisitos de grupo, quando a organização for uma unidade ou divisão incluída numa organização maior ou possuir vínculo contratual direto (franchising); • Requisitos do mercado (não apenas dos clientes diretos); • Requisitos da própria organização; • Requisitos normativos. ���� Evidência • Política da qualidade e objetivos da qualidade mensuráveis relacionados à satisfação de clientes. • Evidência do cumprimento dos requisitos estatutários e regulamentares relacionados com o produto. 112 • Requisitos e características do produto. • Conscientização dos colaboradores da organização, verificado através de entrevistas. ���� Não-conformidades As não-conformidades associadas a determinação de requisitos dos clientes e análise do seu cumprimento são, normalmente, indexadas a outros itens da norma, tais como: 5.6, 7.2.1 e 8.2.1. 3.5.5.3 Item 5.3: Política da qualidade Quadro 12 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.3 Política da qualidade A Alta Direção deve assegurar que a política da qualidade a) é apropriada ao propósito da organização, b) inclui um comprometimento com o atendimento aos requisitos e com a melhoria contínua da eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade, c) proporciona uma estrutura para estabelecimento e análise crítica dos objetivos da qualidade, d) é comunicada e entendida por toda a organização, e e) é analisada criticamente para manutenção de sua adequação. ���� Objetivo Assegurar o estabelecimento das orientações da Alta Direção para toda a organização, promovendo o alinhamento do Sistema de gestão da qualidade e seus processos como das atividades individuais de cada colaborador. A política da qualidade tem como propósito evidenciar o comprometimento da organização, em especial da Alta Direção, com o sistema de gestão e seus princípios. ���� Interpretação A política da qualidade é entendida como um conjunto de orientações estabelecidas pela Alta Direção para nortear o sistema de gestão e os processos que influenciam na qualidade dos produtos. Ela apresenta orientações de caráter permanente, embora mutáveis em decorrência do mercado, da concorrência, das exigências dos clientes, da estratégia da organização e da evolução do próprio sistema. A adequação da política da qualidade deve ser analisada periodicamente e sempre que necessário desencadeada a sua revisão (verificar 5.6). 113 Política da Qualidade Empresa A Política da Qualidade Empresa B Estamos comprometidos em nos tornar líderes de mercado, estabelecendo um padrão de produtos, serviços e negócios em função da utilização de nossos recursos com a maior eficiência possível. Nossa missão é gerar valor em benefício de nossos clientes, de nossos funcionários, de nossos fornecedores e da sociedade como um todo, através do desenvolvimento do potencial de nossos colaboradores, melhorando continuamente nossa qualidade e aproveitando oportunidades e vantagens para um crescimento contínuo. GerenteGeral Oferecer serviços de assessoria e treinamento que satisfaçam nossos clientes, sempre comprometidos com os prazos definidos, com a confidencialidade das informações, com os resultados esperados e com a alta competência de nossos colaboradores, de forma a melhorar continuamente a eficácia do nosso Sistema de Gestão da Qualidade. Diretor Presidente Rev 1: Mar 2006 Rev 2: Jan 2006 Figura 3.16 - Exemplo de política da qualidade de diferentes organizações A política da qualidade é um documento controlado (verificar 3.2.1), que precisa ser claro, conciso e exato, de modo a ser facilmente comunicada e compreendida por todos os colaboradores da organização. Em sua redação deve estar incluso o claro compromisso da Alta Direção cumprir os requisitos do cliente e buscar contínua a melhoria do sistema de gestão. Não existem regras para elaboração de uma política, considera-se que ela deva ser exclusiva a cada organização, porém seu texto deve permitir o estabelecimento dos objetivos da qualidade, podendo contemplar, suportar ou complementar a missão e a visão da organização. Resumidamente podemos dizer que a política de qualidade pode ser definida como sendo “as intenções e direcionamentos globais de uma organização com relação à qualidade, expressos formalmente pela Alta Administração”. Missão da ABNT Visão da ABNT “Prover a sociedade brasileira de conhecimento sistematizado, por meio de documentos normativos, que permita a produção, a comercialização e uso de bens e serviços de forma competitiva e sustentável nos mercados interno e externo, contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico, proteção do meio ambiente e defesa do consumidor” (site ABNT, 2006). “Uma ABNT ágil que responda com eficiência às demandas do mercado e da sociedade, comprometida com o desenvolvimento brasileiro, de forma sustentável, nas dimensões econômica, social e ambiental”. (site ABNT, 2006). Figura 3.17 - Exemplos de missão e visão de uma organização (ABNT). A missão refere-se ao que fazemos, ao nosso propósito em fornecer algo no mercado, a visão refere-se ao que queremos ser no futuro. 114 ���� Evidência • Deve existir uma declaração documentada da política da qualidade que inclua claramente o comprometimento da Alta Direção cumprir os requisitos e buscar a melhoria contínua da eficácia do sistema de gestão. • A política deve ser “apropriada ao objetivo da organização” e considerar a dimensão, complexidade, dispersão geográfica, principais produtos e mercados. • Os colaboradores devem evidenciar conhecimentos sobre o conteúdo da política da qualidade. • Espera-se que a política seja revisada com vista a uma contínua adequação durante as análises críticas. • O controle de documentos deve assegurar a aprovação e atualização da política em todos os pontos de utilização. ���� Não-conformidades • A política da qualidade não incluir um compromisso coma melhoria contínua. • Política da Qualidade muito complexa e não entendida por parte dos colaboradores, principalmente aqueles da área operacional. • Empregados com políticas da qualidade obsoletas. • A política da qualidade não é considerada um documento declarado. 3.5.5.4 Item 5.4: Planejamento 3.5.5.4.1 Subitem 5.4.1 - Objetivos da Qualidade Quadro 13 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.4 Planejamento 5.4.1 Objetivos da qualidade A Alta Direção deve assegurar que os objetivos da qualidade, incluindo aqueles necessários para atender aos requisitos do produto (ver 7.1 a), são estabelecidos nas funções e nos níveis pertinentes da organização. Os objetivos da qualidade devem ser mensuráveis e coerentes com a política da qualidade. 115 ���� Objetivo Assegurar a definição e desdobramento dos objetivos da qualidade mensuráveis, para os diversos níveis da organização. Esses objetivos precisam estar relacionados com a política da qualidade, levando-se em consideração todos os requisitos do item 4.1. ���� Interpretação Os objetivos da qualidade estão, geralmente, associados à eliminação ou redução de problemas e melhoria da eficácia. Precisam ser estabelecidos para todas as atividades e funções que sejam importantes para o sistema. A mensuração desses objetivos permite a avaliação do desempenho durante as atividades de análise crítica, permitindo a Alta Direção o planejamento das ações de melhoria. (Cerqueira, 2006). Objetivos consistentes e bem definidos precisam: • Ser mensuráveis; • Ser relevantes para o negócio; • Ser suportados pela política da qualidade; • Ser participados; • Ser ambiciosos, porém alcançáveis; • Estar no escopo, atuação e controle da organização. Figura 3.18 - Desdobramento de objetivos. A Norma requer que os objetivos da qualidade sejam mensuráveis. Quer isto dizer, que deve existir uma forma de determinar se foram ou não cumpridos, mas não necessariamente uma quantificação numérica. Pode acontecer que em alguns casos os objetivos sejam mensuráveis apenas por atributo, uma resposta do tipo “SIM/NÃO” para determinar se o objetivo foi ou não atingido. 116 Espera-se que para cada objetivo exista uma clara definição de como ele será atendido, uma estrutura de tempo e responsabilidades. A abordagem “5W2H” (who, what, when, where, why, how, how much) é um modo útil para gestão desses objetivos, definindo: • Quem é o responsável? • O que precisa ser feito? • Quando tem de ser feito? • Onde deve ser feito? • Porque deve ser feito? • Como fazer? • Quanto custa? • Quais os recursos necessários? ���� Evidência • Os objetivos devem ser definidos para cada área que contribua para o sistema, mas não necessariamente para cada um dos colaboradores individualmente. Também podem ser estabelecidos objetivos da qualidade para os processos da organização. • Os objetivos devem estar documentados e serem entendidos em todos os níveis e funções da organização. • Os objetivos devem ser realistas, isto é, fundamentados de forma racional relativamente aos resultados previstos e evidenciar a alocação de recursos adequados para atingi-los. ���� Não conformidades • Não terem sido estabelecidos objetivos para todas as funções e áreas importantes dentro da organização. • Os objetivos estabelecidos não serem mensuráveis. • Os objetivos da qualidade não serem consistentes com a política da qualidade. 3.5.5.4.2 Subitem 5.4.2 - Planejamento do Sistema d e Gestão da Qualidade Quadro 14 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.4.2 Planejamento do Sistema de Gestão da Qualidad e A Alta Direção deve assegurar que a) o planejamento do Sistema de Gestão da Qualidade é realizado de forma a satisfazer aos requisitos citados em 4.1, bem como aos objetivos da qualidade, e b) a integridade do Sistema de Gestão da Qualidade é mantida quando mudanças no Sistema de Gestão da Qualidade são planejadas e implementadas. 117 ���� Objetivo Assegurar que recursos e métodos necessários ao sistema de gestão se encontram disponíveis ou planejados. O planejamento deve ser natural, de modo a evitar que a qualidade seja afetada adversamente, antecipando mudanças, tais como alterações na força de trabalho, novas linhas de produto, manutenção de maior dimensão, fusões, aquisições, etc. ���� Interpretação A importância deste requisito é evidente, quer quando consideramos o ciclo PDCA, quer quando analisamos a realidade da organização. Os resultados e o desempenho da empresa dependem, em grande parte, da forma como o planejamento é efetuado, tanto ao nível da gestão como ao nível operacional (verificar 7.1). Na prática, verifica-se que algumas organizações limitam o planejamento da qualidade a algumas atividades ou processos, como por exemplo, formação, auditorias internas, calibração ou à elaboração de planos da qualidade. O planejamento precisa, no entanto,ser considerado numa perspectiva mais abrangente (nível estratégico), considerando sempre que aplicável: • Planejamento inicial do sistema de gestão associado à identificação dos processos, sua seqüência e interação e efetiva implantação, através da definição de entradas e saídas, de “donos” desses processos e outras responsabilidades e da avaliação do cumprimento dos requisitos aplicáveis, normativos ou não; • Planejamento dos processos do Sistema de Gestão, incluindo as atividades de realização (contemplando a identificação da necessidade de procedimentos documentados), controle e monitoramento desses processos: métodos, periodicidade, equipamentos e outros recursos necessários, etc; • Planejamento dos recursos necessários, para implementar e manter o Sistema de Gestão e seus processos; • Planejamento dos resultados a serem alcançados, incluindo as ações necessárias para assegurar o cumprimento dos objetivos da qualidade e dos requisitos do produto; • Planejamento das alterações organizacionais previstas, de modo a assegurar que o sistema seja atualizado continuamente, e implementado na prática. ���� Evidência • A organização deve estar apta a demonstrar o modo de como vai ao encontro da política e dos objetivos da qualidade. • Deve ser evidenciado que o planejamento é adequado ao tipo de produtos ou serviços fornecidos pela organização. 118 ���� Não-conformidades • O planejamento da qualidade limita-se ao planejamento de ações de realização periódicas, normalmente associadas ao cumprimento de outros requisitos normativos, por exemplo, formação, auditorias internas, calibrações. • Ausência de planejamento da qualidade associado às alterações organizacionais. 3.5.5.5 Item 5.5: Responsabilidade, autoridade e co municação. 3.5.5.5.1 Subitem 5.5.1 - Responsabilidade e autori dade Quadro 15 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.5.1 Responsabilidade e autoridade A Alta Direção deve assegurar que as responsabilidades e autoridades são definidas e comunicadas na organização. ���� Objetivo Esse item espera que cada pessoa dentro do Sistema de Gestão da Qualidade, reconheça suas responsabilidades e autoridades para tomada de ações sobre produtos, processos e sobre o próprio sistema. ���� Interpretação A organização precisa definir as responsabilidades e autoridades para as funções dos colaboradores que geram, executam e verificam resultados associados ao sistema de gestão e aos seus processos. As responsabilidades e autoridades atribuídas devem ser previamente comunicadas aos colaboradores envolvidos e por eles entendidas. Quando a norma menciona o termo autoridade ela refere-se a delegação para atuar sobre os processos, e quando cita o termo responsabilidade está se referindo a resposta pela conformidade dos resultados dos processos, das atividades e das tarefas. 119 Figura 3.19 - Exemplo de um organograma de uma organização Um organograma hierárquico, tal como o apresentado na figura acima, é uma das formas de apresentação da estrutura de uma organização e pode ser complementado com descrições das funções, responsabilidades e autoridades (Quadro 15). 120 Quadro 16 - Matriz de responsabilidades NBR ISO 9001:2000 D ire to ria E xe cu tiv a G er ên ci a da Q ua lid ad e e P la ne ja m en to G es tã o de P es so as G es tã o A dm . F in an ce ira G es tã o de S er vi ço s G es tã o C om er ci al G es tã o de E du ca çã o G es tã o da T I In te rn a 1. Escopo R P P P P P P P a) Apresentação da Fábrica R P P P P P P P 2. Referências Normativas P R P P P P P P 3. Termos e Definições P R P P P P P P 4. Sistema de gestão da qualidade P R P P P P P P 5. Responsabilidade da Direção R P P P P P P P 6. Gestão de Recursos R P P P P P P P 7. Realização do Produto P P R R R R R R a) Gestão da Qualidade P R P P P P P P b) Gestão de Pessoas P P R R P P P P c) Gestão Administrativa e P P P R P P P P d) Gestão de Serviços P P P P R P P P e) Gestão de Marketing P P P P P R R P 8. Medição, Análise e Melhoria R R P P P P P P R - Responsável pela definição, aprovação e execução; P - Participa do processo. ���� Evidência A organização deve evidenciar as responsabilidades e autoridades estabelecidas e a forma de divulgação dentro da organização. ���� Não-conformidades • Não terem sido formalmente atribuídas e comunicadas as responsabilidades e autoridades de auditores internos da qualidade. • As responsabilidades e autoridades atribuídas estão associadas as atividades de operação ou de realização do produto, não incluindo outras responsabilidades e autoridades relevantes para o sistema, tais como: análise crítica, participação em ações corretivas e preventivas, participação em projetos de melhoria, etc. 121 3.5.5.5.2 Subitem 5.5.2 - representante da direção Quadro 17 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.5.2 Representante da direção A Alta Direção deve indicar um membro da organização que, independente de outras responsabilidades, deve ter responsabilidade e autoridade para: a) assegurar que os processos necessários para o Sistema de Gestão da Qualidade sejam estabelecidos, implementados e mantidos, b) relatar à Alta Direção o desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade e qualquer necessidade de melhoria, e c) assegurar a promoção da conscientização sobre os requisitos do cliente em toda a organização. NOTA - A responsabilidade de um representante da direção pode incluir a ligação com partes externas em assuntos relativos ao Sistema de Gestão da Qualidade. ���� Objetivo Estabelecer as responsabilidades e autoridades de um dos membros da organização para atuar como representante da Alta Direção, para administrar, monitorar, avaliar e coordenar o Sistema de Gestão da Qualidade (Cerqueira, 2006). ���� Interpretação O representante da Alta Direção deve ser escolhido entre os membros da organização, que independentemente das atribuições de seu cargo, desempenhará, funções executivas na área da qualidade, ou seja, este elemento, além das outras funções, será o responsável pela coordenação do estabelecimento, implantação e manutenção do Sistema de Gestão da Qualidade. Ele tem autonomia para comandar os demais membros da organização para consecução dos objetivos do sistema, como também é o responsável por fornecer informações, à Alta Direção, sobre o desempenho do sistema para efeitos de análise crítica e ações de melhoria. ���� Evidência O representante da Alta Direção deve estar apto para relatar antecipadamente, e ter autoridade direta, mediante o apoio da Alta Direção, para resolver assuntos relacionados com a qualidade. ���� Principais não-conformidades • Não estar formalmente nomeado o representante da Alta Direção. • Deficiências nas informações relatadas à Alta Direção (verificar 5.6.2). 122 3.5.5.5.3 Subitem 5.5.3 - Comunicação Interna Quadro 18 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.5.3 Comunicação interna A Alta Direção deve assegurar que são estabelecidos na organização os processos de comunicação apropriados e que seja realizada comunicação relativa à eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade. ���� Objetivo Assegurar que todos os colaboradores tenham consciência das políticas e objetivos, bem como do progresso da organização e os resultados alcançados. ���� Interpretação A comunicação eficaz significa a diferença entre o sucesso e o insucesso de um negócio. A organização deverá dispor de meios para divulgar assuntos relativos a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade para todos níveis e funções. A análise de outros itens da Norma permitirá identificar claramente outros requisitos associados a comunicação. Alguns desses itens encontram-serelacionados a seguir: a) Assegurar a disponibilidade de informação necessária para suportar a operação e controle dos processos (verificar 4.1); b) Assegurar que as versões dos documentos estão disponíveis nos locais de utilização (verificar 4.2.3); c) Comunicar a importância e a necessidade de atendimento dos requisitos do cliente, como também os legais e estatutários (verificar 5.1); d) Comunicar a política da qualidade (verificar 5.3); e) Estabelecer de objetivos para as funções e níveis relevantes (verificar 5.4.1); f) Comunicar responsabilidades e autoridades (verificar 5.5.1); g) Relatar à Alta Direção o desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade (verificar 5.5.2); h) Disponibilizar entradas para a análise crítica pela Alta Direção (verificar 5.6.2); i) Assegurar a conscientização quanto à pertinência e importância de suas atividades e de como elas contribuem para atingir os objetivos da qualidade (verificar 6.2.2); j) Gerenciar as interfaces entre os diferentes grupos (verificar 7.3.1); k) Disponibilizar informações que descrevam as características do produto e a disponibilidade de instruções de trabalho, quando necessário (verificar 7.5.1). 123 ���� Evidência Evidência de que os colaboradores são informados sobre os assuntos referidos, pode ser sob a forma de jornais internos, quadros de informação, mapas, materiais de apresentação, dentre outros, ou ser obtida através de entrevistas aos colaboradores da organização. ���� Principais não-conformidades Não existir evidência da comunicação sobre a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade. 3.5.5.6 Item 5.6: Análise crítica pela direção 3.5.5.6.1 Subitem 5.6.1 - Generalidades Quadro 19 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.6 Análise Crítica Pela Direção 5.6.1 Generalidades A Alta Direção deve analisar criticamente o Sistema de Gestão da Qualidade da organização, a intervalos planejados, para assegurar sua contínua pertinência, adequação e eficácia. Essa análise crítica deve incluir a avaliação de oportunidades para melhoria e necessidade de mudanças no Sistema de Gestão da Qualidade, incluindo a política da qualidade e os objetivos da qualidade. Devem ser mantidos registros das análises críticas pela Alta Direção (ver 4.2.4). ���� Objetivo Para gerir eficazmente um negócio, a Alta Direção deve monitorar e discutir regularmente não apenas assuntos financeiros, mas também questões relativas à qualidade. As decisões estratégicas devem ser tomadas, implantadas e acompanhadas. ���� Interpretação A análise crítica não pode ser confundida como uma revisão do manual da qualidade e de outra documentação do sistema, apesar dessas serem consideradas na seqüência da análise crítica empreendida pela direção (verificar 5.6.3). O que se pretende nesse item é a definição de uma metodologia capaz de suportar uma análise profunda do desempenho, adequação e eficácia do sistema de gestão. A Alta Direção deverá realizar essas análises em intervalos previamente definidos. A NBR ISO 9001:2000 não estabelece uma freqüência para realização das análises críticas. Essa definição é de responsabilidade da Alta Direção, porém a atividade deve ser suficientemente freqüente, para assegurar o cumprimento da 124 política, consecução dos objetivos e tomada de ações apropriadas quando for necessário corrigir quaisquer problemas potenciais. É difícil imaginar que revisões realizadas anualmente consigam cumprir este objetivo, mas, por outro lado, é pouco provável que reuniões rotineiras (semanais ou mensais) tenham a profundidade necessária. Os fatores afetam a freqüência das análises críticas são: a) maturidade do sistema e b) problemas encontrados em revisões anteriores (verificar 5.6.2). ���� Evidência • A NBR ISO 9001:2000 não exige um procedimento escrito para a análise crítica pela Alta Direção, mas a através de registros adequados, demonstrar que planeja a atividade em intervalos definidos, e que estes são suficientes para assegurar a contínua eficácia do sistema de gestão. • A organização deverá evidenciar as ações tanto as planejadas como as concluídas que estejam relacionadas com a melhoria contínua da eficácia do sistema. ���� Não-conformidades • Não foi realizada análise crítica pela Alta Direção. • A análise crítica realizada pela Alta Direção não incluiu a avaliação de oportunidades de melhoria. 3.5.5.6.2 Subitem 5.6.2 - Entradas para a Análise C rítica Quadro 20 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.6.2 Entradas para a análise crítica As entradas para a análise crítica pela direção devem incluir informações sobre a) resultados de auditorias, b) realimentação de cliente, c) desempenho de processo e conformidade de produto, d) situação das ações preventivas e corretivas, e) acompanhamento das ações oriundas de análises críticas anteriores pela direção, f) mudanças que possam afetar o Sistema de Gestão da Qualidade, e g) recomendações para melhoria. ���� Objetivo Estabelecer as informações consideradas como essenciais, porém mínimas, para a realização de uma análise crítica pela Alta Direção da organização. 125 ���� Interpretação Os dados e informações requeridos nesse item são considerados mínimos (genéricos) para a realização da análise crítica. Cada organização precisa estabelecer de qual forma essas e outras informações serão trabalhadas. As informações de entrada deverão permitir uma visão abrangente do sistema, dos seus processos e resultados alcançados. A Alta Direção deverá ter planejado quais dados e informação pretende trabalhar (verificar 5.4.2). As recomendações de melhoria, as alterações que possam afetar o sistema e o acompanhamento de ações resultantes das análises críticas anteriores, deverão revistas no decurso da análise crítica em questão. ���� Evidência A organização deve ser capaz de evidenciar, através de registros apropriados, que informações (entradas) foram recolhidas e fornecidas à Alta Direção para efeitos da análise crítica pela Alta Direção. ���� Não-conformidades A informação de suporte à análise crítica pela Alta Direção não incluiu um ou mais elementos de entrada requeridos pelo item 5.6.2. 3.5.5.6.3 Subitem 5.6.3 - Saídas da análise crítica Quadro 21 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 5.6.3 Saídas da análise crítica As saídas da análise crítica pela direção devem incluir quaisquer decisões e ações relacionadas a a) melhoria da eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade e de seus processos, b) melhoria do produto em relação aos requisitos do cliente, e c) necessidade de recursos. ���� Objetivo Estabelecer o resultado da análise crítica pela Alta Direção e as ações necessárias. ���� Interpretação As ações resultantes da análise crítica pela direção deverão ser adequadamente planejadas (verificar 5.4.2). Elas constituirão, geralmente, entradas em outros processos do sistema, por exemplo aqueles associados à melhoria, projeto e desenvolvimento, formação e recrutamento, estabelecimento de políticas e objetivos, etc. Os requisitos da norma enfatizam situações que deverão 126 ser motivo de decisão e, eventualmente, ações associadas a melhoria da eficácia do sistema e seus processos; a melhoria dos produtos e a necessidades de recursos. Outros exemplos de saídas da análise crítica são apresentados, embora na essência, estejam incluídos nos anteriores: revisão de política e objetivos da qualidade; estratégias de marketing, elaboração e ou revisão de documentos para suporte do sistema de gestão. ���� Evidência Os registros da Análise Crítica pela Alta Direção deverão contemplar, inequivocamente, quais as decisões tomadas (saídas) e eventuais ações desencadeadas. ���� Não-conformidades As saídas da Análise Crítica pela Alta Direção, normalmente atas de reunião e planos de ação, não incluemum ou mais elementos requeridos pelo item 5.6.3. Exercício de Fixação 1) De qual forma a Alta Direção deve demonstrar o seu comprometimento com as práticas inerentes à gestão do Sistema da Qualidade? 2) O que a Alta Direção deve assegurar em relação à política da qualidade? 3) Como a Alta Direção deve demonstrar o requisito de foco no cliente? 4) No tocante ao planejamento, quais os requisitos relevantes que devem ser desenvolvidos pela Alta Direção? 5) O que é requerido no tocante à responsabilidade e autoridade? 6) Qual é o papel do representante da Alta Direção? 7) O que você esperaria ver como evidência de Alta Direção assegura os canais de comunicação intensa necessários? 8) Qual é a finalidade de analisar critica e periodicamente o sistema da gestão da qualidade? 9) Com qual freqüência deve ser realizada a análise crítica pela direção? O que deve ser incluído nessa análise? 10) Quais informações devem ser incluídas como entradas na análise crítica pela Alta Direção? 11) Quais as saídas esperadas nas atividades de análise crítica pela direção? 127 3.5.6 Seção 6 - Gestão de recursos Essa seção inclui, como principais elementos, a provisão de recursos materiais, recursos humanos, competência, conscientização, treinamento, infra-estrutura e ambiente de trabalho (MARSHALL JR, 2003). A seção é composta pelos seguintes itens e subitens: 6.1 Provisão de Recursos 6.2 Recursos Humanos 6.2.1 Generalidades 6.2.2 Competência, conscientização e treinamento 6.3 Infra Estrutura 6.4 Ambiente de Trabalho 3.5.6.1 Item 6.1: Provisão de recursos Quadro 22 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 6.1 Provisão de recursos A organização deve determinar e prover recursos necessários para a) implementar e manter o Sistema de Gestão da Qualidade e melhorar continuamente sua eficácia, e b) aumentar a satisfação de clientes mediante o atendimento aos seus requisitos. ���� Objetivo Disponibilizar recursos necessários para estabelecimento, manutenção, melhoria contínua da eficácia do sistema de gestão e aumento da satisfação dos clientes. ���� Interpretação Os recursos necessários para estabelecimento e manutenção do sistema de gestão fazem parte das atividades de planejamento (verificar 5.4.2 e 7.1), análise crítica pela alta Direção (verificar 5.6.3) e comprometimento da Alta Direção (verificar 5.1 e 7.5). Incluem todos os meios necessários para a implantação do sistema e para que os objetivos da organização sejam atingidos. Os recursos podem incluir recursos humanos, competências adequadas, tecnologia e recursos financeiros, associados não apenas à gestão dos processos, mas também à auditoria interna, ação corretiva, revisões do sistema, projetos de melhoria, dentre outros. 128 ���� Evidência A determinação dos recursos necessários foi efetivamente incluída no escopo das atividades de planejamento do sistema de gestão e dos seus processos, e os recursos foram disponibilizados de forma fundamentada, por exemplo, através de planos de investimento. ���� Não-conformidades Não-conformidades associadas à disponibilidade dos recursos encontram-se geralmente, indexadas aos itens 6.2, 6.3 e 6.4, e a outros itens da Norma onde é requerida a identificação ou disponibilidade dos mesmos. 3.5.6.2 Item 6.2: Recursos humanos 3.5.6.2.1 Subitem 6.2.1 - Generalidades Quadro 23 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 6.2.1 Generalidades O pessoal que executa atividades que afetam a qualidade do produto deve ser competente, com base em educação, treinamento, habilidade e experiência apropriadas. ���� Objetivo Os recursos humanos devem ser planejados e providenciados conforme necessário, de modo a cumprir os requisitos do sistema de gestão, o que inclui a identificação das necessidades, recrutamento, seleção, desenvolvimento de competências e avaliação. ���� Interpretação Em cada área funcional e ou atividade devem ser identificadas às competências requeridas, de modo que o pessoal apropriado possa ser providenciado. “Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lu gar mais maravilhoso do mundo. Mas é necessário Ter pessoas para transformar seu s onho em realidade...” Walt Disney A NBR ISO 9000:2000 define competência como a capacidade demonstrada de aplicar conhecimentos e saber fazer, de modo a atingir os resultados pretendidos numa determinada atividade. A competência deve ser definida em termos de escolaridade, formação, saber fazer e 129 experiência. Cada um destes elementos precisa ser avaliado e determinado atendendo às especificidades e complexidade de cada função e às responsabilidades e autoridade atribuídas. ���� Evidência Cada função que tenha influência na qualidade do produto deve ter os requisitos de competência identificados. Os registros de formação dos colaboradores devem refletir as competências necessárias ao cargo ou função. ���� Não-conformidades As não-conformidades associadas à competência do pessoal encontram-se, geralmente, indexadas ao subitem 6.2.2 e a outros itens da norma onde a competência é requerida (verificar 7.5.2). 3.5.6.2.2 Subitem 6.2.2 - Competência, conscientiza ção e treinamento 17 Quadro 24 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 6.2.2 Competência, conscientização e treinamento A organização deve a) determinar as competências necessárias para o pessoal que executa trabalhos que afetam a qualidade do produto, b) fornecer treinamento ou tomar outras ações para satisfazer essas necessidades de competência, c) avaliar a eficácia das ações executadas, d) assegurar que o seu pessoal está consciente quanto à pertinência e importância de suas atividades e de como elas contribuem para atingir os objetivos da qualidade, e e) manter registros apropriados de educação, treinamento, habilidade e experiência (ver 4.2.4). ���� Objetivo O objetivo desse item é permitir que a organização compare a competência dos colaboradores com as competências exigidas para o atendimento a política e alcance de objetivos. O desenvolvimento dessas competências deve ser planejado e implantado como resposta às necessidades identificadas, podendo ser alcançado por meio de formação apropriada, contratação, substituição de pessoal ou até mesmo pela simplificação ou modernização das atividades onde as pessoas estão envolvidas, por exemplo, mediante o uso de softwares. 17 Formação (inclusive formação continuada) 130 ���� Interpretação As necessidades de competência, conscientização e formação devem ser levantadas para toda a organização (verificar 6.2.1). Podem ser identificadas através de informações resultantes da realização dos processos do sistema de gestão qualidade (verificar 7.2.1, 7.5.2, 5.6, 8.5.2 e 8.5.3) ou através de atividades específicas, como por exemplo, entrevistas com os colaboradores e superiores hierárquicos, sistemas de avaliação de desempenho, etc. O estabelecimento de um programa de desenvolvimento de recursos humanos inclui um plano de formação que engloba treinamentos internos ou externos. Algumas atividades requerem qualificação especial. Nesses casos, a organização deverá selecionar entidades e ou promover ações que cumpram as exigências específicas determinadas, por exemplo, qualificação de soldadores, qualificação de eletricistas, qualificação de empilhadores. Além da formação, o programa de desenvolvimento de recursos humanos deve, ainda, considerar ações necessárias para assegurar que os colaboradores estão conscientes da importância das atividades que realizam e como as mesmas contribuem para que os objetivos da organização sejam atingidos, ou seja, os colaboradores devem estar conscientes da sua contribuição para o Sistema de Gestão da Qualidade. Na conscientização dos colaboradores, acomunicação assume um papel de suma relevância (verificar 5.1, 5.3, 5.5). Fonte: CERQUEIRA, J. P. Sistema de Gestão Integrados: ISO 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, SA 8000, NBR 16000 Conceitos e Aplicações. Figura 3.20 - Determinação de competências 131 ���� Evidência • Registros associados à identificação de necessidades de competência. • Registros associados ao treinamento (conteúdos, programa, número de horas, etc). • Registros associados ao histórico dos treinamentos colaborador. • Registros associados à avaliação da eficácia do treinamento. • Registros de avaliação da eficácia da formação. • Registros de conscientização realizada. ���� Principais não-conformidades • O planejamento de treinamento não é acompanhado periodicamente, tampouco apresenta sistemática de revisão. • Inexistência da avaliação do impacto da não realização de ações de capacitação planejadas. • Não existe avaliação da eficácia dos treinamentos. 3.5.6.3 Item 6.3: Infra-estrutura Quadro 25 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 6.3 Infra-estrutura A organização deve determinar, prover e manter a infra-estrutura necessária para alcançar a conformidade com os requisitos do produto. A infra-estrutura inclui, quando aplicável: a) edifícios, espaço de trabalho e instalações associadas, b) equipamentos de processo (tanto materiais e equipamentos quanto programas de computador), e c) serviços de apoio (tais como transporte e comunicação). ���� Objetivo Assegurar que existe uma infra-estrutura adequada para se atingir a qualidade do produto. ���� Interpretação A infra-estrutura necessária para atingir a qualidade do produto dependerá da natureza dos produtos oferecidos pela organização. A NBR ISO 9000:2000 define infra-estrutura como “sistema de instalações, equipamento e serviços necessários para a operação de uma organização”. Entre os fatores a serem considerados podem incluir-se: • Instalações fabris, de armazenagem e de apoio; • Meios de produção e auxiliares, e de emergência; • Laboratórios; 132 • Sistemas de informação; • Sistemas de segurança. A determinação da infra-estrutura é uma atividade de planejamento, a sua disponibilidade é uma responsabilidade da Alta Direção. A gestão da infra-estrutura é um exemplo onde uma análise baseada no ciclo PDCA pode ser bastante útil. ���� Evidência • Identificação dos equipamentos produtivos. • Atividades de planejamento. • Registros de realização das atividades planejadas (incluindo de manutenção). • Tratamento de dados dos registros elaborados. • Retorno de informação sobre o desempenho da organização, como por exemplo, identificação de deficiências da infra-estrutura detectadas durante a análise de não– conformidades. ���� Não-conformidades Falta de evidências face ao anteriormente estabelecido. 3.5.6.4 Item 6.4: Ambiente de trabalho Quadro 26 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 6.4 Ambiente de trabalho A organização deve determinar e gerenciar as condições do ambiente de trabalho necessárias para alcançar a conformidade com os requisitos do produto. ���� Objetivo Enfatizar que a organização precisa dispor de meios para identificar os aspectos do ambiente de trabalho que possam afetar a qualidade do produto e definir parâmetros apropriados para o controle dos mesmos. ���� Interpretação Entende-se como ambiente de trabalho como sendo o conjunto de condições sob as quais o trabalho é realizado. Incluem-se nestas condições fatores físicos, sociais, psicológicos, ambientais (umidade, temperatura, etc.), ergonômicos e a composição do ar atmosférico (SENAI, 1998). Os aspectos do ambiente de trabalho que podem afetar a qualidade do produto podem variar consideravelmente, dependendo da natureza das atividades da organização. Por exemplo, em uma situação de manufatura convencional, poderíamos incluir: 133 • Níveis de ruído; • Vibração; • Iluminação; • Temperatura; • Poeira; • Umidade; • Limpeza e arrumação A satisfação dos colaboradores e o ambiente psicológico no ambiente de trabalho têm um papel importante, em especial para organizações prestadoras de serviços. Espera-se que os fatores chave do ambiente de trabalho sejam identificados durante as atividades de planejamento da qualidade, e que sejam revistos continuamente do mesmo modo que a infra-estrutura, utilizando uma abordagem PDCA (verificar 6.3). ���� Evidência Que a organização analisou o ambiente de trabalho de modo a propiciar as condições adequadas, pelo menos segundo a legislação trabalhista, de modo a atender a conformidade do produto (verificar 5.6). ���� Não-conformidades Constatação de ambiente de trabalho não apropriado para atingir a conformidade do produto. Exercício de Fixação 1) Quais são os recursos que a organização deve promover para assegurar a eficácia do Sistema da Gestão da Qualidade? 2) Qual a base usada para se qualificar a competência do pessoal que executa tarefas que afetam a qualidade do produto? 3) Como a organização deve assegurar a competência, a conscientização e o treinamento desse pessoal? 4) Considerando que a organização deve determinar, prover e manter a infra-estrutura necessária para assegurar a conformidade com os requisitos do produto, o que ela deve incluir nessa infra-estrutura? 5) Considerando que a organização deve determinar e gerenciar as condições do ambiente de trabalho necessárias para alcançar a conformidade com os requisitos do produto, o que poderíamos entender por condições do ambiente de trabalho? 134 3.5.7 Seção 7 - Realização do produto A seção 7 engloba o planejamento, o desenvolvimento, a fabricação e os acompanhamentos necessários à adequada execução do produto. Ela é composta pelos seguintes itens e sub-ítens: 7.1 Planejamento da realização do produto 7.2 Processos relacionados a clientes 7.2.1 Determinação de requisitos relacionados ao pr oduto 7.2.2 Análise crítica dos requisitos relacionados a o produto 7.2.3 Comunicação com o cliente 7.3 Projeto e desenvolvimento 7.3.1 Planejamento do projeto e desenvolvimento 7.3.2 Entradas de projeto e desenvolvimento 7.3.3 Saídas de projeto e desenvolvimento 7.3.4 Análise crítica de projeto e desenvolvimento 7.3.5 Verificação de projeto e desenvolvimento 7.3.6 Validação de projeto e desenvolvimento 7.3.7 Controle de alteração de projeto 7.4 Aquisição 7.4.1 Processo de aquisição 7.4.2 Informações de aquisição 7.4.3 Verificação do produto adquirido 7.5 Produção e fornecimento de serviço 7.5.1 Controle de produção e fornecimento de serviç o 7.5.2 Validação dos processos de produção e forneci mento de serviço 7.5.3 Identificação e rastreabilidade 7.5.4 Propriedade do cliente 7.5.5 Preservação do produto 7.6 Controle de dispositivos de medição e monitoram ento 135 3.5.7.1 Item 7.1: Planejamento da realização do pro duto Quadro 27 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.1 Planejamento da realização do produto A organização deve planejar e desenvolver os processos necessários para a realização do produto. O planejamento da realização do produto deve ser coerente com os requisitos de outros processos do Sistema de Gestão da Qualidade (ver 4.1). Ao planejar a realização do produto, a organização deve determinar o seguinte, quando apropriado: a) objetivos da qualidade e requisitos para o produto; b) a necessidade de estabelecer processos e documentos e prover recursos específicos para o produto; c) verificação, validação, monitoramento, inspeção e atividades de ensaio requeridos, específicos para o produto, bem como os critérios para a aceitação do produto; d) registros necessários para fornecer evidência de que os processos de realização e o produto resultante atendem aos requisitos (ver 4.2.4). A saída deste planejamento deve ser de forma adequadaao método de operação da organização. NOTA 1 - Um documento que especifica os processos do Sistema de Gestão da Qualidade (incluindo os processos de realização do produto) e os recursos a serem aplicados a um produto, empreendimento ou contrato específico, pode ser referenciado como um plano da qualidade. NOTA 2 - A organização também pode aplicar os requisitos apresentados em 7.3 no desenvolvimento dos processos de realização do produto. ���� Objetivo Esse item considera os requisitos para o planejamento dos processos de realização do produto, o qual deverá estar alinhado com os requisitos de outros processos do sistema de gestão. ���� Interpretação Os recursos necessários, tais como infra-estrutura, ambiente de trabalho, informação, treinamento, etc. devem ser disponibilizados tal como planejado. A medição e o monitoramento dos processos registrados. Não-conformidades ou resultados que apresentem tendências desfavoráveis indicam a necessidade de ações para assegurar o cumprimento dos requisitos. Um planejamento inadequado poderá introduzir deficiências significativas no sistema de gestão e comprometer o cumprimento dos requisitos aplicáveis. Alguns exemplos de entradas e saídas de processo que envolvem planejamento de realização do produto são ilustrados na tabela a seguir: 136 Tabela 3.2 - Entradas e saídas que envolvem o planejamento de realização do produto ENTRADAS SAÍDAS • Política da qualidade; • Objetivos da qualidade; • Requisitos do Produto; • Recursos Disponíveis; • Requisitos regulamentares e estatutários; • Necessidades de projeto e desenvolvimento P LA N E JA M E N T O • Plano da qualidade do produto; • Documentos incluindo a identificação dos registros necessários; • Necessidades de recursos e competências; • Atribuição de responsabilidades ���� Evidência • Identificação das atividades e documentação associada ao planejamento. Essas atividades devem considerar os objetivos da qualidade, claramente definidos, e critérios de aceitação para a realização do produto. • Métodos definidos para a execução do processo, ciclo PDCA, com instruções de trabalho escritas, nos casos onde a ausência possa afetar a qualidade negativamente. ���� Não-conformidades • A não consideração de requisitos do produto e ou cliente nas atividades de planejamento. • A não identificação das atividades de planejamento. 3.5.7.2 Item 7.2: Processos relacionados com o clie nte 3.5.7.2.1 Subitem 7.2.1 - Determinação de requisito s relacionados ao produto Quadro 28 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.2 Processos relacionados a clientes 7.2.1 Determinação de requisitos relacionados ao pr oduto A organização deve determinar a) os requisitos especificados pelo cliente, incluindo os requisitos para entrega e para atividades de pós-entrega, b) os requisitos não declarados pelo cliente, mas necessários para o uso especificado ou intencional, onde conhecido, 137 c) requisitos estatutários e regulamentares relacionados ao produto, e d) qualquer requisito adicional determinado pela organização ���� Objetivo Assegurar que a organização compreende claramente os requisitos dos seus clientes e ou de outras partes interessadas no negócio, de modo a assegurar a satisfação de todos. Alguns desses requisitos podem estar implícitos e não declarados pelos clientes, incluindo, por exemplo, os requisitos estatutários ou regulamentares. ���� Interpretação Geralmente os requisitos estabelecidos para o produto poderão incluir elementos como preço, embalagem, condições de pagamento, prazo de entrega e outros requisitos contratuais. A determinação dos requisitos associados ao produto pode assumir várias formas, tais como: • Resultados do projeto e desenvolvimento, quando se tratar de novos produtos; • Informações obtidas mediante o contato com cliente, como por exemplo: visitas comerciais; • A percepção do cliente (satisfação ou insatisfação); • Estudos de mercado e benchmarking; • Legislação e regulamentação aplicáveis. É comum, o cliente não saber exatamente o que pedir na aquisição de um produto, contudo esperam que suas necessidades sejam atendidas. A identificação dos requisitos não declarados pode constituir um resultado do processo de projeto e desenvolvimento. Mesmo quando o cliente não possui um conjunto completo de requisitos, é responsabilidade da organização assegurar que as necessidades implícitas serão identificadas, como por exemplo, requisitos estatutários e regulamentares, desempenho, ciclo de vida e questões de assistência técnica. Quando a Norma cita “o uso especificado ou intencional, onde conhecido”, significa uma utilização acordada para a qual o produto é pretendido. O uso abusivo por parte do cliente está fora do controle da organização. De igual forma, o cumprimento de requisitos estatutários em mercados ou áreas geográficas que contemplados ou acordadas durante a fase de negociação, também estão fora do controle da organização. ���� Evidência • Devem ser disponibilizados os resultados da identificação dos requisitos do produto, sob forma de especificações. • A organização deve mostrar que tem conhecimento dos requisitos estatutários e ou regulamentares para os seus produtos nos respectivos mercados pretendidos. 138 ���� Não-conformidades • Não evidenciada a determinação de requisitos estatutários e ou regulamentares aplicáveis ao produto. • Não evidenciadas as atividades de entrega e posterior à entrega (7.2.1.a). 3.5.7.2.2 Subitem 7.2.2 - Análise crítica dos requi sitos relacionados ao produto Quadro 29 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.2.2 Análise crítica dos requisitos relacionados a o produto A organização deve analisar criticamente os requisitos relacionados ao produto. Esta análise crítica deve ser realizada antes da organização assumir o compromisso de fornecer um produto para o cliente (por exemplo, apresentação de propostas, aceitação de contratos ou pedidos, aceitação de alterações em contratos ou pedidos) e deve assegurar que: a) os requisitos do produto estão definidos, b) os requisitos de contrato ou de pedido que difiram daqueles previamente manifestados estão resolvidos, e c) a organização tem a capacidade para atender aos requisitos definidos. Devem ser mantidos registros dos resultados da análise crítica e das ações resultantes dessa análise (ver 4.2.4). Quando o cliente não fornecer uma declaração documentada dos requisitos, a organização deve confirmar os requisitos do cliente antes da aceitação. Quando os requisitos de produto forem alterados, a organização deve assegurar que os documentos pertinentes são complementados e que o pessoal pertinente é alertado sobre os requisitos alterados. NOTA - Em algumas situações, como vendas pela Internet, uma análise crítica formal para cada pedido é impraticável. Nesses casos, a análise crítica pode compreender as informações pertinentes ao produto, tais como catálogos ou material de propaganda. ���� Objetivo Reconhecer, antes da aceitação do pedido, a capacidade que a organização tem para cumprir com os requisitos do cliente, considerando todos os aspectos, como recursos, métodos e comunicação. ���� Interpretação A organização precisa desenvolver um conjunto de atividades, visando avaliar a sua capacidade de satisfazer as exigências apresentadas pelo cliente. Nesse sentido, é necessário avaliar internamente se organização tem capacidade para apresentar uma proposta ou aceitar uma 139 encomenda. Além dos requisitos técnicos de fornecimento a organização precisa considerar outros requisitos, como por exemplo prazos de entrega, garantias, condições de pagamento, assistência após venda e outras obrigações contratuais acordadas. A análise crítica poderá incluir os seguintes aspectos: verificação de estoque, elaboraçãode orçamentos; planejamento da produção, avaliação da necessidade de projeto, desenvolvimento ou reformulação de produtos; capacidade do cumprimento dos prazos de entrega. Essa análise deve ser feita, de forma que as alterações e suas implicações sejam comunicadas às partes envolvidas em tempo hábil, compatível com o atual estado de produção e fornecimento do produto. Nos casos onde não exista uma confirmação formal do cliente, a empresa deve registrar os dados relevantes para evidenciar que ficou claramente estabelecido o conteúdo do acordo, contrato, encomenda ou pedido, por exemplo: sites de venda na Internet. A organização deve evidenciar que, em caso de modificações, as alterações nos requisitos seguem os mesmos circuitos que foram estabelecidos para a sua determinação e análise (e eventual acordo formal pelo cliente), mantendo as respectivas responsabilidades das funções envolvidas, independentemente da origem da proposta de alteração (interna ou externa). ���� Evidência • Os registros devem demonstrar a efetiva revisão dos requisitos. • Para encomendas ou contratos de maior dimensão, pode ser necessário alteração da documentação da proposta antes da sua emissão. Para encomendas simples pode ser suficiente verificar os níveis de estoque. • As alterações dos pedidos devem ser comunicadas e registradas. ���� Não-conformidades • Ausência de acordo com clientes em face de alterações ou revisões nos requisitos anteriormente acordados. • Ausência de registros associados aos resultados das atividades de revisão e ações decorrentes. 140 3.5.7.2.3 Subitem 7.2.3 - Comunicação com o cliente Quadro 30 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.2.3 Comunicação com o cliente A organização deve determinar e tomar providências eficazes para se comunicar com os clientes em relação a a) informações sobre o produto, b) tratamento de consultas, contratos ou pedidos, incluindo emendas, e c) realimentação do cliente, incluindo suas reclamações. ���� Objetivo Devem existir mecanismos que facilitem a comunicação com os clientes em todas as fases, ou seja, antes, durante e depois da entrega do produto. ���� Interpretação A importância da comunicação com os clientes varia de organização para organização atendendo à sua estratégia de mercado, natureza dos produtos e tipo de clientes. Exemplos de canais de comunicação: • Catálogos ou manuais de produtos; • Publicações em revistas especializadas; • Venda pela Internet; • Visitas técnicas; • E-mail; • Linha 0800; • Balcões de apoio ao cliente; • Call centers. Alguns dos mecanismos referidos poderão ser utilizados, para o retorno de informação do cliente, sugestões, reclamações e insatisfações. ���� Evidência • A organização deve evidenciar os canais de comunicação para os diversos tipos de clientes e produtos fornecidos. • A análise de reclamações e devoluções de clientes pode demonstrar se esses canais fornecem a informação necessária e com o detalhamento apropriado. 141 ���� Não-conformidades • Informação obsoleta em documentos fornecidos ao cliente, por exemplo site desatualizado. • Canais e mecanismos de comunicação e informação ao cliente não incluídos no escopo do sistema de gestão. • Reclamações de clientes negligenciadas ou não respondidas 3.5.7.3 Item 7.3: Projeto e desenvolvimento 3.5.7.3.1 Subitem 7.3.1 - Planejamento do projeto e desenvolvimento Quadro 31 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.3 Projeto e desenvolvimento 7.3.1 Planejamento do projeto e desenvolvimento A organização deve planejar e controlar o projeto e desenvolvimento de produto. Durante o planejamento do projeto e desenvolvimento a organização deve determinar: a) os estágios do projeto e desenvolvimento, b) a análise crítica, verificação e validação que sejam apropriadas para cada fase do projeto e desenvolvimento, e c) as responsabilidades e autoridades para projeto e desenvolvimento. A organização deve gerenciar as interfaces entre diferentes grupos envolvidos no projeto e desenvolvimento, para assegurar a comunicação eficaz e a designação clara de responsabilidades. As saídas do planejamento devem ser atualizadas apropriadamente, na medida que o projeto e o desenvolvimento progredirem. ���� Objetivo Esse item refere-se ao projeto e desenvolvimento do produto e não necessariamente do processo. O projeto envolve diversas fases onde os requisitos do produto são avaliados e transformados em especificações técnicas18. Essa atividade trata-se muitas vezes de um processo multidisciplinar, que pode incluir como entradas, informações de diferentes áreas da organização, incluindo marketing, vendas, compras, produção, controle de qualidade, manutenção dentre outros. 18 Geralmente são características especificadas em forma de um número, com a respectiva tolerância, para que materiais, componentes e produtos apresentem uma determinada qualidade funcional, visando atender a um conjunto de requisitos estabelecidos pelo cliente. 142 ���� Interpretação As fases e atividades do projeto e desenvolvimento têm que ser adequadamente planejadas, definindo-se “o quê”, “quando” e “quem”, podendo ser relevante definir as “entradas” e “saídas” de cada uma. O planejamento deverá, explicitamente, indicar os momentos considerados para análise crítica19, verificação20 e validação21. Deverão estar definidos os mecanismos de atualização e desenvolvimento do planejamento, considerando outras atividades do sistema de gestão, em particular determinação e revisão dos requisitos relacionados com o produto. ���� Evidência Existência de documentação evidenciando as fases de projeto e desenvolvimento, revisões, verificações, validações e respectivas responsabilidades e autoridades. ���� Não-conformidades • Ausência de evidências do planejamento de projeto e desenvolvimento. • Não estarem determinadas as responsabilidades e autoridades dos intervenientes no projeto e desenvolvimento. 3.5.7.3.2 Subitem 7.3.2 - Entradas de projeto e des envolvimento Quadro 32 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.3.2 Entradas de projeto e desenvolvimento Entradas relativas a requisitos de produto devem ser determinadas e registros devem ser mantidos (ver 4.2.4). Essas entradas devem incluir a) requisitos de funcionamento e de desempenho, b) requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis, c) onde aplicável, informações originadas de projetos anteriores semelhantes, e d) outros requisitos essenciais para projeto e desenvolvimento. Essas entradas devem ser analisadas criticamente quanto à adequação. Requisitos devem ser completos, sem ambigüidades e não conflitantes entre si. 19 Atividade realizada para determinar a pertinência, a adequação e a eficácia do que está sendo examinado, para alcançar os objetivos estabelecidos. 20 Comprovação, através de fornecimento de evidência objetiva, de que requisitos especificados foram atendidos. 21 Comprovação, através do fornecimento de evidência objetiva de que os requisitos para uma aplicação ou uso específicos pretendidos foram atendidos. 143 ���� Objetivo As entradas (objetivos) do projeto e desenvolvimento devem ser definidas para assegurar que as fontes de informação não sejam omitidas, e que não existem conflitos ou ambigüidade nos requisitos e dados de partida. ���� Interpretação O projeto e desenvolvimento deverá ser iniciados com a identificação e análise dos seguintes aspectos: • Requisitos do produto ou mercado identificados pelo cliente e ou pela organização; • Exigências de validação do processo de produção; • Boas práticas e normas aplicáveis; • Requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis ao produto; • Exigênciasde certificação ou homologação do produto; • Requisitos funcionais, requisitos de desempenho; • Informações resultantes de projetos semelhantes desenvolvidos anteriormente. ���� Evidência Registros associados às entradas consideradas para desenvolvimento em cada projeto. ���� Não-conformidades Não ter sido evidenciada a consideração de todas as informações e dados relevantes para o projeto e desenvolvimento. 3.5.7.3.3 Subitem 7.3.3 - Saídas de Projeto e Desen volvimento Quadro 33 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.3.3 Saídas de projeto e desenvolvimento As saídas de projeto e desenvolvimento devem ser apresentadas de uma forma que possibilite a verificação em relação às entradas de projeto e desenvolvimento e devem ser aprovadas antes de serem liberadas. As saídas de projeto e desenvolvimento devem a) atender aos requisitos de entrada para projeto e desenvolvimento, b) fornecer informações apropriadas para aquisição, produção e para fornecimento de serviço, c) conter ou referenciar critérios de aceitação do produto, e d) especificar as características do produto que são essenciais para seu uso seguro e adequado. 144 ���� Objetivo As saídas (resultados) do projeto e desenvolvimento são necessários para verificar o cumprimento dos requisitos de entrada, a progressão do produto e para fornecer informação para as etapas subseqüentes de realização do produto. ���� Interpretação De forma a facilitar a revisão e verificação do projeto, é essencial que se defina os resultados esperados e em qual forma eles devem ser apresentados. Formas típicas para apresentação resultados de projeto e desenvolvimento são: • Especificações de matérias-primas; • Características funcionais e técnicas do produto (especificações); • Condições de funcionamento, instalação, manuseio, armazenamento, manutenção; • Evidência do cumprimento de obrigações legais; • Planos de controle para as características do processo e do produto, incluindo (ou fazendo referência) a critérios de aceitação. Os documentos que suportam a adequação dos resultados do projeto e desenvolvimento devem ser aprovados antes da sua emissão. ���� Evidência • A ligação entre requisitos de entrada e saída deve ser demonstrada. Deve ser disponibilizada a evidência de que os critérios de aceitação do produto foram cumpridos. • A organização deve estar apta a demonstrar que as saídas foram revisadas e aprovadas. As saídas não serão aprovadas caso permaneçam critérios de aceitação pendentes ou questões de verificação ou validação não solucionadas. ���� Não-conformidades Não terem sido consideradas as características do produto que são essenciais para o seu uso de forma correta e segura. 145 3.5.7.3.4 Subitem 7.3.4 - Análise crítica de projet o e desenvolvimento Quadro 34 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.3.4 Análise crítica de projeto e desenvolvimento Devem ser realizadas, em fases apropriadas, análises críticas sistemáticas de projeto e desenvolvimento, de acordo com disposições planejadas (ver 7.3.1): a) avaliar a capacidade dos resultados do projeto e desenvolvimento em atender aos requisitos, e b) identificar qualquer problema e propor as ações necessárias. Entre os participantes dessas análises críticas devem estar incluídos representantes de funções envolvidas com o(s) estágio(s) do projeto e desenvolvimento que está(ão) sendo analisado(s) criticamente. Devem ser mantidos registros dos resultados das análises críticas e de quaisquer ações necessárias (ver 4.2.4). ���� Objetivo As análises críticas devem ser realizadas para assegurar a pertinência, adequação e eficácia dos resultados oriundos das diversas fases do projeto e desenvolvimento. Os problemas identificados devem ser registrados para serem considerados e resolvidos em fases posteriores. ���� Interpretação Entende-se como análise crítica de projeto e desenvolvimento a atividade realizada para determinar a pertinência, a adequação e a eficácia do projeto, para alcançar os objetivos estabelecidos (entradas). Essa análise deve ser realizada conforme definido no planejamento. A atividade envolve análise de opções do projeto, oportunidades de melhorias, adequação dos meios, introdução e remoção de atividades e cumprimento de prazos. ���� Evidência Registros de revisão para a análise crítica de projeto e desenvolvimento, nas diferentes fases da realização em que essa revisão foi planejada. ���� Não-conformidades • Não terem sido realizadas ou evidenciadas as análises críticas de projeto e desenvolvimento planejadas. • Não terem sido envolvidas todas as partes interessadas relevantes na fase de desenvolvimento, por exemplo, compras; marketing; produção; e, quando necessário, o cliente. 146 3.5.7.3.5 Subitem 7.3.5 - Verificação de projeto e desenvolvimento Quadro 35 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.3.5 Verificação de projeto e desenvolvimento A verificação deve ser executada conforme disposições planejadas (ver 7.3.1), para assegurar que as saídas do projeto e desenvolvimento estejam atendendo aos requisitos de entrada do projeto e desenvolvimento. Devem ser mantidos registros dos resultados da verificação e de quaisquer ações necessárias (ver 4.2.4). ���� Objetivo A verificação destina-se a demonstrar que a saída do projeto cumpre com os requisitos de entrada. ���� Interpretação A verificação envolve a confirmação, através de evidência objetiva, de que os requisitos especificados foram satisfeitos. Aplica-se à análise da adequação funcional e técnica das soluções encontradas, isto significa comparar os resultados obtidos com os requisitos de entrada. As atividades de verificação devem ser realizadas conforme definido no planejamento ou de acordo com o apropriado. Como o Depto. de Vendas pediu Como o Depto. de Marketing requisitou Como o Depto. de Engenharia projetou Como foi fabricado Como foi instalado O que o cliente queria Como o Depto. de Vendas pediu Como o Depto. de Marketing requisitou Como o Depto. de Engenharia projetou Como foi fabricado Como foi instalado O que o cliente queria Figura 3.21 - Analogia sobre a importância do entendimento dos requisitos de entrada na concepção de um produto. Fonte: Desconhecida ���� Evidência Registro das atividades de verificação do projeto e desenvolvimento. 147 ���� Não-conformidades Os resultados do projeto e desenvolvimento não estarem alinhados pelos requisitos iniciais estabelecidos, sem justificativa ou evidência de análise da situação. 3.5.7.3.6 Subitem 7.3.6 - Validação de projeto e de senvolvimento Quadro 36 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.3.6 Validação de projeto e desenvolvimento A validação do projeto e desenvolvimento deve ser executada conforme disposições planejadas (ver 7.3.1), para assegurar que o produto resultante é capaz de atender aos requisitos para aplicação especificada ou uso intencional, onde conhecido. Onde for praticável, a validação deve ser concluída antes da entrega ou implementação do produto. Devem ser mantidos registros dos resultados de validação e de quaisquer ações necessárias (ver 4.2.4). ���� Objetivo A validação do projeto e desenvolvimento é efetuada para assegurar que o produto é adequado para a utilização a que se destina, em condições de serviço reais ou simuladas. ���� Interpretação Entendemos como validação a confirmação, através de evidência objetiva, de que foram satisfeitos os requisitos para uma utilização ou aplicação específicas. A validação é normalmente efetuada no produto final, em condições normal ou mais severa de utilização. Figura 3.22 - Exemplo de validação: comprovação junto ao uso A validação é responsabilidade da organização, exceto quando contratualmente estabelecido com o clienteou requerido por outra parte interessada. A organização poderá recorrer a validação por meio de simulação, desempenho de réplicas em miniatura, uso em cobaias, etc. As atividades de validação devem ser realizadas conforme definido no planejamento do projeto e gerar registros. Caso não seja possível a validação do produto em condições normais, pode-se recorrer ao retorno de informação do cliente, ou validar partes do produto. 148 ���� Evidência • Registros de que as atividades de validação do projeto foram efetuadas e os resultados atingidos atendem ao uso pretendido. • Verificação de reclamações de garantia, reclamações sob garantia ou devoluções devido ao desempenho deficiente, que possam sugerir uma validação inadequada, devem ser investigadas. ���� Não-conformidades A validação do projeto e desenvolvimento realizada não assegura que o produto resultante é capaz de cumprir com os requisitos e utilização especificadas. 3.5.7.3.7 Subitem 7.3.7 - Controle de alterações de projeto e desenvolvimento Quadro 37 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.3.7 Controle de alterações de projeto e desenvolv imento As alterações de projeto e desenvolvimento devem ser identificadas e registros devem ser mantidos. As alterações devem ser analisadas criticamente, verificadas e validadas, como apropriado, e aprovadas antes da sua implementação. A análise crítica das alterações de projeto e desenvolvimento deve incluir a avaliação do efeito das alterações em partes componentes e no produto já entregue. Devem ser mantidos registros dos resultados da análise crítica de alterações e de quaisquer ações necessárias (ver 4.2.4). ���� Objetivo Identificar, registrar e controlar as alterações incorporadas ao projeto desenvolvimento. ���� Interpretação As modificações no projeto podem ser originadas pelas alterações demandadas pelas atividades de análise crítica, verificação e validação ou até mesmo na produção ou utilização do produto. No caso de desenvolvimento de programas de computador, uma alteração em um dos componentes pode ter grandes efeitos no projeto como um todo. O impacto de quaisquer alterações deve, portanto, ser cuidadosamente avaliado. ���� Evidência Os registros devem mostrar que as alterações efetuadas no projeto do produto foram revisadas, verificadas e validadas. 149 ���� Não-conformidades Alterações no projeto sem originar registros que evidenciem o impacto das alterações a sua análise crítica, verificação e validação. 3.5.7.4 Item 7.4: aquisição 3.5.7.4.1 Subitem 7.4.1 - Processo de Aquisição Quadro 38 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.4 Aquisição 7.4.1 Processo de aquisição A organização deve assegurar que o produto adquirido está conforme com os requisitos especificados de aquisição. O tipo e extensão do controle aplicado ao fornecedor e ao produto adquirido devem depender do efeito do produto adquirido na realização subseqüente do produto ou no produto final. A organização deve avaliar e selecionar fornecedores com base na sua capacidade em fornecer produtos de acordo com os requisitos da organização. Critérios para seleção, avaliação e reavaliação devem ser estabelecidos. Devem ser mantidos registros dos resultados das avaliações e de quaisquer ações necessárias, oriundas da avaliação (ver 4.2.4). ���� Objetivo Assegurar que o produto adquirido está conforme aos requisitos de compra especificados e que os fornecedores são avaliados e selecionados de acordo com a sua aptidão em fornecer produtos conforme a necessidade da organização. ���� Interpretação A extensão do controle sobre as aquisições e fornecedores deve ser apropriada ao impacto dos produtos e serviços adquiridos na qualidade dos produtos da organização e o risco de falha no cumprimento dos requisitos de fornecimento e dos processos de realização do produto. As aquisições incluem as atividades subcontratadas (verificar 4.1). A capacidade do fornecimento pode ser avaliada a partir de diversos meios, incluindo o histórico da relação com a organização, referências internas e externas, experiência, auditorias e ou diagnósticos financeiros. 150 ���� Evidência Espera-se que a organização tenha definido a importância dos produtos e serviços que ela adquire, e que tenha critérios claros para a seleção e avaliação progressiva dos seus fornecedores. Será necessário evidenciar que esses critérios foram cumpridos e que as ações apropriadas são conduzidas nos casos onde o desempenho do fornecedor não seja satisfatório. ���� Não-conformidades • Ausência de avaliação do desempenho de fornecedores relevantes para a organização. • Não cumprimento dos critérios e metodologias estabelecidas para controle dos produtos adquiridos. 3.5.7.4.2 Subitem 7.4.2 - Informações de aquisição Quadro 39 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.4.2 Informações de aquisição As informações de aquisição devem descrever o produto a ser adquirido e incluir, onde apropriado, requisitos para: a) aprovação de produto, procedimentos, processos e equipamento, b) qualificação de pessoal, e c) Sistema de Gestão da Qualidade. A organização deve assegurar a adequação dos requisitos de aquisição especificados antes da sua comunicação ao fornecedor. ���� Objetivo Assegurar que a organização descreve de forma adequada o produto a ser adquirido, comunicando ao fornecedor os requisitos relevantes, proporcionando-lhe dados suficientes para realização de uma análise crítica. ���� Interpretação A organização (verificar 5.5.1.) deve assegurar a adequação dos requisitos de compra especificando-os antes de serem comunicados ao fornecedor. A informação de aquisição precisa indicar, sem qualquer equívoco, a especificação ou requisitos para produto solicitado, tais como prazo; quantidade, preço; tipos de embalagem; referência a normas; características técnicas; etc. A pormenorização pode ser variável, dependendo da importância e complexidade dos produtos que se pretende adquirir e do relacionamento contratual regular, caso exista, entre as duas partes envolvidas. Porém especial atenção deve ser dada, em situações de subcontratação (verificar 4.1). 151 ���� Evidência As informações de aquisição são adequadas aos requisitos da Norma e contemplam todas as especificações e requisitos importantes para o sistema de gestão. ���� Não-conformidades Nem todos os requisitos e especificações estão estabelecidos entre as partes. 3.5.7.4.3 Subitem 7.4.3 - Verificação do produto ad quirido Quadro 40 – Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.4.3 Verificação do produto adquirido A organização deve estabelecer e implementar inspeção ou outras atividades necessárias para assegurar que o produto adquirido atende aos requisitos de aquisição especificados. Quando a organização ou seu cliente pretender executar a verificação nas instalações do fornecedor, a organização deve declarar, nas informações de aquisição, as providências de verificação pretendidas e o método de liberação de produto. ���� Objetivo Assegurar que a organização identifica e realiza inspeção, ou outras atividades necessárias, ao produto recebido, nas suas próprias instalações ou nas instalações do fornecedor. ���� Interpretação O tipo e extensão das atividades de inspeção, ou outras necessárias na recepção podem ser definidos considerando-se as evidências da conformidade do produto fornecido, através dos relatórios de ensaios, certificados de análise e outros meios (verificar 7.4.1). A severidade da inspeção dependerá da importância do produto envolvido e do grau de confiança no fornecedor. Quando a organização ou o seu cliente requererem a verificação do produto nas instalações do fornecedor, tal deve ser declarado na solicitação de compra (verificar 7.4.2). O fato de o cliente visitar as instalaçõesdo fornecedor e, eventualmente, verificar ou inspecionar os produtos que lhe são destinados, não isenta a organização da responsabilidade de assegurar o cumprimento de todos os requisitos especificados. ���� Evidência A organização deve demonstrar que os produtos ou serviços comprados foram inspecionados ou verificados conforme o estabelecido (verificar 7.5.3.) 152 ���� Principais não-conformidades Não verificação de características relevantes para assegurar o cumprimento dos requisitos aplicáveis ao produto comprado. 3.5.7.5 Item 7.5: Produção e fornecimento do serviç o 3.5.7.5.1 Subitem 7.5.1 – Controle de produção e fo rnecimento de serviço Quadro 41 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.5 Produção e fornecimento de serviço 7.5.1 Controle de produção e fornecimento de serviç o A organização deve planejar e realizar a produção e o fornecimento de serviço sob condições controladas. Condições controladas devem incluir, quando aplicável a) a disponibilidade de informações que descrevam as características do produto, b) a disponibilidade de instruções de trabalho, quando necessário, c) o uso de equipamento adequado, d) a disponibilidade e uso de dispositivos para monitoramento e medição, e) a implementação de medição e monitoramento, e f) a implementação da liberação, entrega e atividades pós-entrega. ���� Objetivo Assegurar que os processos de realização do produto e fornecimentos de serviços são efetuados de forma controlada (Filho e Drumond, 1994) e definir os parâmetros relevantes para garantir a capacidade de fornecimentos conformes. ���� Interpretação Os requisitos aplicáveis ao planejamento, realização da produção e fornecimento de servoços sob condições controladas devem, ainda, considerar também outros itens da Norma. Como por exemplo, na seção 6, nos itens 7.5 e 7.6, e nos subitens 8.2.3 e 8.2.4. Espera-se que a organização adote uma abordagem do tipo PDCA para controle da produção e do fornecimento do produto. A organização deverá analisar e definir: a) O conjunto de informações necessárias à realização da produção e fornecimento do serviço e o seu controle, por exemplo, características do produto, de acordo com a fase em que se encontra, seqüência das operações, parâmetros de processo, e condições de realização do produto ou serviço; 153 b) Critérios e métodos de operação e controle, por exemplo, instruções de trabalho documentadas, quando necessário; c) Utilização de equipamentos e outros meios, incluindo ferramentas, hardware e software, bem como o emprego de dispositivos de monitoramento e de medição aptos a garantir o cumprimento dos requisitos especificados (verificar 6.3. e 7.6.); d) Critérios, métodos e autoridades interna ou externa para implantação da atividade de liberação, por exemplo, emissão de evidências de conformidade técnica e legal, de entrega, por exemplo, montagem, local de prestação de serviço, instruções de utilização e transporte e posterior à entrega, por exemplo, assistência técnica e responsabilidade civil bem como garantias. ���� Evidência A organização deverá evidenciar um controle dos processos de produção e fornecimento do serviço, suas entradas e saídas, a fim de assegurar que os processos são capazes a cumprir os critérios de aceitação definidos, e que podem fornecer continuamente de acordo com os requisitos previamente estabelecidos. Quaisquer indicações contrárias, como não-conformidades de processo, de produto ou de serviço, reclamações de clientes, etc. devem gerar melhorias do processo, com vista a eliminar a causa-raiz do problema. Isso pode sinalizar, por exemplo, para a necessidade de uma instrução de trabalho documentada no caso em que inicialmente tenha sido considerada desnecessária; necessidade de monitoramento do processo, a alteração dos parâmetros do processo ou modificações nas atividades de manutenção ou calibração. ���� Não-conformidades • Processos de realização e ou fornecimento do produto não implantado conforme planejado. • As não-conformidades associadas ao não cumprimento dos requisitos deste item normativo poderão estar associadas a outros itens e subitens Norma. 3.5.7.5.2 Subitem 7.5.2 - Validação dos processos d e produção e fornecimento de serviço Quadro 42 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.5.2 Validação dos processos de produção e forneci mento de serviço A organização deve validar quaisquer processos de produção e fornecimento de serviço onde a saída resultante não possa ser verificada por monitoramento ou medição subseqüente. Isso inclui quaisquer processos onde as deficiências só fiquem aparentes depois que o produto esteja em uso ou o serviço tenha sido entregue. 154 A validação deve demonstrar a capacidade desses processos de alcançar os resultados planejados. A organização deve tomar as providências necessárias para esses processos, incluindo, quando aplicável a) critérios definidos para análise crítica e aprovação dos processos, b) aprovação de equipamento e qualificação de pessoal, c) uso de métodos e procedimentos específicos, d) requisitos para registros (ver 4.2.4) e e) revalidação. ���� Objetivo Definir critérios para a validação de processos nos casos onde a saída não pode ser verificada através de monitoramento ou medições subseqüentes. Esses são denominados como “processos especiais”. ���� Interpretação A validação dos processos especiais deverá demonstrar a capacidade do processo atingir os resultados planejados. O processo é considerado “especial” quando a qualidade do produto pode ser, efetivamente, verificada em condições de uso, como por exemplo, soldagens, limpeza de equipamentos na indústria alimentícia, esterilização, procedimentos de emergência, etc. A organização deve identificar os “processos especiais” e, estabelecer para cada um deles equipamentos, requisitos de validação e qualificação da mão de obra envolvida, bem como métodos específicos e registros de controle, acompanhamento e validação. Os “processos especiais” precisam ser analisados criticamente e aprovados com base em critérios e procedimentos. Processos anteriormente aprovados devem ser avaliados periodicamente e revistos em caso de alteração dos pressupostos que sustentaram a sua aprovação inicial. ���� Evidência • Que a organização tenha identificado quaisquer processos onde a saída resultante não possa ser verificada através de monitoramento ou medição subseqüentes. • A organização deve estar apta a fornecer evidência objetiva que dispõe de meios aplicáveis definidos para validação dos “processos especiais” e revalidação após qualquer alteração do processo. • As não-conformidades do produto ou serviço são analisadas, para verificar se podem ser atribuídas a problemas na validação e revalidação de processos especiais. 155 ���� Não-conformidades • Processos especiais não contemplados no escopo do Sistema de Gestão da Qualidade. • Ausências de evidências de validação de processos “especiais”. 3.5.7.5.3 Subitem 7.5.3 - Identificação e rastreabi lidade Quadro 43 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.5.3 Identificação e rastreabilidade Quando apropriado, a organização deve identificar o produto por meios adequados ao longo da realização do produto. A organização deve identificar a situação do produto no que se refere aos requisitos de monitoramento e de medição. Quando a rastreabilidade é um requisito, a organização deve controlar e registrar a identificação única do produto (ver 4.2.4). NOTA - Em alguns setores de atividade, a gestão de configuração é um meio pelo qual a identificação e rastreabilidade são mantidas. ���� Objetivo Assegurar a identificação e a rastreabilidade dos produtos ao longo de sua realização. ���� Interpretação Identificação é a capacidade conseguida por qualquer meioque permite distinguir um produto ao longo da sua realização, desde a recepção das matérias-primas até entrega no destino especificado. A identificação pode ser individual ou por lote, etc. 156 a) Indústria química e petroquímica: A identificação dos tambores com etiquetas de grandes dimensões para fácil identificação é uma exigência legal do setor e entende-se o porquê, devido a questões de segurança e controle. Além de tambores, muitos produtos químicos são armazenados em sacos de papelão por exemplo, exigindo etiquetas especiais para adesão a tal superfície. Além disso, estas etiquetas devem apresentar resistência à agressão de produtos químicos. b) Indústria automobilística, montadoras e setor de auto-Peças: O uso de etiquetas com código de barras no setor automobilístico tornou-se uma ferramenta imprescindível para o controle de entrada e expedição de peças e produtos, bem como nas áreas de apontamento de produção, controle estatístico e de processos, rastreabilidade e inventário. c) Indústria de Cosméticos e de Beleza As etiquetas são muito usadas no controle produtivo e de estoque. Pequenas e médias indústrias do setor utilizam embalagens padrão e etiquetas para diferenciação e redução de custos. Produtos como batons, esmaltes, perfumes, muitas vezes utilizam etiquetas a serem impressas sob demanda em impressoras de etiquetas com qualidade comparável a rótulos impressos em gráficas. Figura 3.23 - O papel da identificação e rastreabilidade em diferentes setores industriais Fonte: www.torres.ind.br A forma de identificação é estabelecida de acordo com a natureza do produto (Figura 4.23), do processo e das necessidades do sistema de gestão. Diversas formas podem ser utilizadas para identificação: • Inscrições, etiquetas com referências e designações apropriadas; • Códigos internos, de barras ou de cores; • Localização em espaços e áreas dedicadas; • Documentos de acompanhamento do produto associados aos requisitos de controle dos processos ou às atividades de inspeção e ensaio. Mesmo não constituindo um requisito do cliente, a identificação (Figura 4.24) pode ser necessária, para o uso pretendido ou especificado ou para apoiar na resolução problemas e ou melhorias. Alguns elementos integrantes da identificação de um produto podem ser motivo de requisitos estatutários e regulamentares, tais como prazos de validade, data de fabricação, número de lote, etc. 157 Figura 3.24 - Exemplo de identificação de produto Fonte: www.betaborrachas.com.br A rastreabilidade é a capacidade de conhecer o histórico, a utilização e a localização de um item ou lote através de registros. É obrigatória quando estabelecida contratualmente, sujeita a requisitos estatutários ou regulamentares ou quando a organização a especificar no sistema de gestão. Nesse último caso, a extensão da rastreabilidade está relacionada com o impacto que uma não-conformidade no produto pode originar. Ela não está somente relacionada à identificação das matérias-primas que compõem o produto, mas também ao processo de fabricação, à cadeia de distribuição, à utilização e à localização do produto. Para mantermos a rastreabilidade é preciso que sejam definidos claramente os registros, o seu conteúdo e a sua interligação, de modo a possibilitar o recolhimento da informação. Trata-se de uma importante ferramenta de gestão e de apoio à tomada de decisão, é conveniente que as organizações asseguram-na mesmo que não seja um requisito especificado. ���� Evidência • A efetiva identificação e rastreabilidade. • Registros da identificação do produto. ���� Não-conformidades • Produto não identificado de forma especificada. • Rastreabilidade não alcançada quando especificada. 158 3.5.7.5.4 Subitem 7.5.4 - Propriedade do Cliente Quadro 44 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.5.4 Propriedade do cliente A organização deve ter cuidado com a propriedade do cliente enquanto estiver sob o controle da organização ou sendo usada por ela. A organização deve identificar, verificar, proteger e salvaguardar a propriedade do cliente fornecida para uso ou incorporação no produto. Se qualquer propriedade do cliente for perdida, danificada ou considerada inadequada para uso, isso deve ser informado ao cliente e devem ser mantidos registros (ver 4.2.4). ���� Objetivo Assegurar o controle, incluindo a identificação, verificação, proteção e salvaguarda, de propriedade do cliente proporcionada para utilização ou incorporação no produto. ���� Interpretação Entende-se por propriedade do cliente qualquer item, matéria-prima ou componentes que serão incorporados ao produto final; como também qualquer dispositivo de medição e monitoramento, manuseio, transporte, armazenamento a ser agregado ao processo de produção e quaisquer outras informações que sejam utilizadas direta ou indiretamente nas atividades de realização do produto. A organização é responsável por identificar, verificar, proteger e salvaguardar a propriedade do cliente fornecida pelo cliente, como também comunicá-lo sobre quaisquer anomalias verificadas nas várias fases de utilização do produto fornecido. ���� Evidência Identificação e controle adequado de propriedade do cliente, incluindo registros de comunicação ao cliente quando a mesma se perder, danificar ou for considerada imprópria ao uso pretendido para utilização. ���� Não-conformidades • Propriedade do cliente não controlada de forma apropriada. • Ausência de evidências da comunicação e acordo com o cliente sobre o destino e tratamento a dar à sua propriedade, quando se constata a sua inadequação face à utilização ou incorporação. 159 3.5.7.5.5 Subitem 7.5.5 - Preservação do produto Quadro 45 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.5.5 Preservação do produto A organização deve preservar a conformidade do produto durante processo interno e entrega no destino pretendido. Esta preservação deve incluir identificação, manuseio, embalagem, armazenamento e proteção. A preservação também deve ser aplicada às partes constituintes de um produto. ���� Objetivo Assegurar a preservação da identificação e conformidade do produto em todas as fases dos processos de produção e fornecimento, ou seja, até a entrega ao cliente. ���� Interpretação a) Manuseio Devem ser estabelecidos métodos associados ao manuseio do produto, ao longo das diversas fases do processo, de forma a prevenir qualquer tipo de deterioração do produto e garantir a manutenção da identificação e conformidade com requisitos especificados. Particular atenção deverá ser atribuída quando estiver em questão, a segurança nas operações, por exemplo, manuseio de produtos inflamáveis, corrosivos, tóxicos e nocivos. Devem estar definidos e disponibilizados os meios apropriados ao manuseio em segurança dos produtos. b) Embalagem: Devem ser estabelecidos métodos associados à embalagem do produto, ao longo das diversas fases do processo, de forma a prevenir qualquer tipo de deterioração e garantir a manutenção da conformidade com requisitos especificados. Atendendo à crescente importância do papel da embalagem na qualidade dos produtos, os requisitos a ela associados devem ser considerados simultaneamente com a definição dos requisitos do produto (verificar 7.2.1 e 7.3). Este fato torna-se mais importante quando a embalagem precisar: cumprir normas e regulamentos ou legislação de mercados e requisitos de clientes ou conservar as características do produto, por exemplo acondicionamento do produto e empilhamento máximo permitido. c) Armazenamento: A gestão do armazenamento deve ser compatível com o planejamento das compras, produção e entregas. Matérias-primas, componentes e produto final perecíveis devem ser avaliados periodicamente, com o objetivo de verificar a manutençãoda conformidade. Nesses casos, aplicam- 160 se metodologias que garantam a rotatividade do produto armazenado, como por exemplo, mediante o uso do princípio do FIFO “First in - First out ”. As condições necessárias para que o armazenamento não deteriore as características do produto precisam considerar: acondicionamento deficiente em áreas cobertas, quando for o caso; condições ambientais, como por exemplo, umidade excessiva, temperatura, poeira; ou tempo de armazenagem , prazos de validade, corrosão, acúmulo de detritos. d) Proteção: Este requisito encontra-se diretamente relacionado ao manuseio, embalagem e armazenamento do produto. Pretende-se identificar as condições de preservação do produto, em qualquer fase, tendo sido individualizado devido à crescente complexidade e exigências do mercado, podendo, por exemplo, ser necessário realizar ações de manutenção dos produtos enquanto armazenados. e) Entrega: Se estiver especificada a responsabilidade da organização de entregar o produto num determinado local, por exemplo, instalações do cliente, a organização deve assegurar a preservação da conformidade do produto durante o processo de transporte até o destino final. Desta forma pode considerar, quando aplicável: • Seleção e qualificação de fornecedores de serviços de transporte (ver 7.4); • Procedimentos de carregamento (e descarga) e transporte; • Acondicionamentos especiais, como o caso de transporte de produtos perigosos • Cumprimento de regulamentação, legislação aplicável e requisitos contratuais; • Verificação das condições efetivas dos meios de transporte. ���� Evidência A organização deve evidenciar a identificação de todas as situações associadas a adequada preservação do produto e o estabelecimento de procedimentos apropriados a essa preservação. ���� Não-conformidades • Produto deficientemente armazenado, evidenciado pelo acondicionamento inadequado, sem identificação e condições ambientais adversas. • Meios de manuseio que não previnem o dano nos produtos. 161 3.5.7.6 Item 7.6:Controle de dispositivos de mediçã o e monitoramento Quadro 46 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 7.6 Controle de dispositivos de medição e monitoram ento A organização deve determinar as medições e monitoramentos a serem realizados e os dispositivos de medição e monitoramento necessários para evidenciar a conformidade do produto com os requisitos determinados (ver 7.2.1). A organização deve estabelecer processos para assegurar que medição e monitoramento podem ser realizados e são executados de uma maneira coerente com os requisitos de medição e monitoramento. Quando for necessário assegurar resultados válidos, o dispositivo de medição deve ser: a) calibrado ou verificado a intervalos especificados, ou antes, do uso, contra padrões de medição rastreáveis a padrões de medição internacionais ou nacionais; quando esse padrão não existir, a base usada para calibração ou verificação deve ser registrada, b) ajustado ou reajustado, quando necessário, c) identificado para possibilitar que a situação da calibração seja determinada, d) protegido contra ajustes que possam invalidar o resultado da medição, e e) protegido de dano e deterioração durante o manuseio, manutenção e armazenamento. Adicionalmente, a organização deve avaliar e registrar a validade dos resultados de medições anteriores quando constatar que o dispositivo não está conforme com os requisitos. A organização deve tomar ação apropriada no dispositivo e em qualquer produto afetado. Registros dos resultados de calibração e verificação devem ser mantidos (ver 4.2.4). Quando usado na medição e monitoramento de requisitos especificados, deve ser confirmada a capacidade do software de computador para satisfazer a aplicação pretendida. Isso deve ser feito antes do uso inicial e reconfirmado se necessário. NOTA - Ver NBR ISO 10012 para orientação. ���� Objetivo O objetivo deste item é apontar para a necessidade de que os dispositivos de medição e monitoramento22 (incluindo softwares) utilizados para monitorizar e ou medir a conformidade do produto estejam aptos a fornecer resultados válidos (Werkema, 1996). ���� Interpretação A metrologia sempre foi uma preocupação na Gestão da Qualidade. Não deixa de ser diferente na versão 2000 da Norma (Carvalho et al, 2005). Esse item não obriga que todos os dispositivos de medição e monitoramento sejam controlados. A organização deve analisar quais são 22 Em nosso texto vamos utilizar o termo equipamento para se referir aos dispositivos de medição e monitoramento. 162 os dispositivos utilizados para demonstrar a conformidade do processo ou produto com os requisitos especificados e que, portanto, exigem a garantia da confiabilidade dos resultados das medições (Cerqueira, 2006). Dentre os pontos mais importantes, desse item destacam-se a: a) rastreabilidade metrológica onde se procura ligar os padrões utilizados nas calibrações e verificações, aos padrões de medição internacionais e nacionais, b) identificação adequada, inclusive da situação da calibração, os ajustes necessários, c) proteção contra danos e ajustes indevidos (Carvalho et al, 2005) e d) validação de ensaios anteriores. Figura 3.25 - Rastreabilidade das medições As calibrações devem ser realizadas por pessoal de competência adequada (verificar 6.2.2), em condições ambientais apropriadas, cuja evidência é particularmente importante no caso de calibrações internas. As calibrações externas devem ser preferencialmente realizadas em laboratórios acreditados pela norma NBR ISO/IEC 17025 (verificar o subitem 7.4.1.). Figura 3.26 - Exemplo de calibração. Entende-se por calibração o conjunto de operações que estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento de medição ou sistema de medição ou valores representados por uma medida materializada ou um material de referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões (VIM, 1995). 163 Nas calibrações externas, os laboratórios acreditados que prestam o serviço de calibração devem emitir certificados de calibração conforme estabelecido pela NBR ISO /IEC 17025. Nas calibrações internas é necessária a emissão de documentos, não necessariamente certificados de calibração, que traduzam a atividade desenvolvida, bem como os valores obtidos, incluindo a incerteza de medição e a rastreabilidade das medições. Após as calibrações é necessário analisar os resultados para verificar se os erros indicados e as incertezas associadas são compatíveis com os requisitos de utilização. Para este propósito, devem ser definidos critérios de aceitação que suportem a decisão através de uma verificação, comparando o critério de aceitação com os erros encontrados23, devendo considerar a incerteza da medição24. O critério de aceitação pode referir-se: • A norma de equipamento; • A norma de ensaio; • A tolerância definida na concepção ou nos processos. Os erros identificados, quando aplicável, podem ser utilizados para introduzir correções nos valores medidos sendo nesse caso, as incertezas utilizadas para verificar a adequação do equipamento face aos requisitos de uso. A partir dessa análise, várias decisões são possíveis: • Utilizar o equipamento sem restrições; • Utilizar o equipamento somente na faixa de medição onde foi confirmado o atendimento do critério de aceitação; • Resclassificar o equipamento para utilizações de menor grau de exigência; • Reparar ou ajustar o equipamento e, em seguida, calibrá-lo e analisar de acordo com o definido anteriormente; • Retirar o equipamento de uso e efetuar a sua eventual substituição. Se após uma calibração ou mesmo em uso, se verificar que um equipamento não funciona adequadamente ou que os erros detectadosnão são aceitáveis para a sua utilização, é necessário colocar-lhe uma indicação que identifique o estado em que se encontra, ou segregá-lo, de forma a impedir a sua utilização indevida, até se tomar uma decisão sobre ele. Deve, neste caso, ser realizada uma investigação para verificar se a sua utilização (por exemplo, no período entre a calibração atual e a imediatamente anterior) deu origem a decisões incorretas no que se refere à aceitabilidade ou rejeição de produtos, de forma a desencadear correções e ações corretivas julgadas convenientes. Em alguns casos graves, pode até ser necessário efetuar a retirada de produto do mercado (recall). O fato dos equipamentos serem calibrados em intervalos especificados não invalida a sua verificação funcional entre calibrações, principalmente, para aqueles utilizados no controle de características de segurança. Eles precisam ser utilizados, manuseados e armazenados em 23 O resultado de uma calibração permite o estabelecimento dos valores do mensurando para as indicações, como a determinação das correções a serem aplicadas. 24 Parâmetro, associado ao resultado de uma medição, que caracteriza a dispersão dos valores que podem ser fundamentalmente atribuídos a um mensurando. 164 condições que garantam a sua preservação. As revisões dos intervalos entre calibrações podem ser efetuadas tendo em consideração os resultados obtidos em calibrações anteriores ou severidade de uso do dispositivo de medição e monitoramento dentre outros fatores. ���� Evidência Espera-se que a organização identifique e calibre ou verifique os dispositivos de medição e monitoramento utilizados para assegurar a conformidade do produto. Quaisquer reclamações de clientes ou não-conformidades do produto que possam ser atribuídas a problemas associados a esses equipamentos devem ser investigadas e devem ser tomadas ações corretivas apropriadas, tais como mudanças no critério de aceitação, aumento da freqüência de calibração, etc. ���� Não-conformidades • Equipamentos não controlados, utilizados para proporcionar evidência da conformidade do produto. • Critérios de aceitação dos equipamentos, face ao uso pretendido não adequados, conduzindo à utilização de equipamentos não-conformes com os requisitos. • Resultados anteriores não validados quando um equipamento for encontrado fora de calibração. • Desconhecimento dos conceitos de incerteza de medição e sua relação com os critérios de aceitação. Exercício de Fixação 1) Como interpretar o requisito 7.1 da norma, que determina a necessidade de planejamento e desenvolvimento dos processos necessários para a realização do produto? 2) De qual forma a organização pode apresentar e evidenciar o planejamento da realização do produto? 3) Quais são os requisitos relacionados ao produto que a organização deve determinar? 4) Qual é a finalidade da análise crítica dos requisitos relacionados ao produto? 5) Quais são as atividades requeridas pela norma para o projeto e o desenvolvimento do produto? 6) Qual é a diferença entre a análise crítica, a verificação e a validação de projeto e desenvolvimento de produto? Como essas atividades devem ser evidenciadas? 7) O que a organização deve assegurar na aquisição de produtos? 8) Do que depender o controle realizado sobre os fornecedores? 9) Quais os registros devem ser mantidos para evidenciar as avaliações dos fornecedores quanto a critérios previamente estabelecidos? 165 10) Quais são as informações que devem ser consideradas na aquisição de produtos? 11) O que a organização deve garantir em relação ao produto adquirido? 12) O que deve ser feito quando se pretende executar a verificação nas instalações do fornecedor? Quem pode realizar essa verificação? 13) De que forma a organização deve garantir o controle das operações de produção e serviço? 14) Em quais casos a organização deve validar o processo de produção, antes de realizá-lo? 15) A identificação e a rastreabilidade de produto são obrigatórios? Como você interpreta rastreabilidade? 16) Quais identificações devem ser mantidas por meios adequados? 17) Descrever resumidamente os cuidados que devem ser tomados com a propriedade do cliente? 18) Em que consiste a preservação do produto? O que deve ser incluído nela? 19) Qual é o objetivo de determinar as medições e os monitoramentos a serem realizados nos produtos? 20) Quais são os cuidados a serem tomados com os dispositivos de medição e monitoramento? 21) O que deve ser feito quando for constatado que determinado dispositivo de medição controlado não está em conformidade com os requisitos especificados? 22) Como evidenciar que os dispositivos de medição e monitoramento estão calibrados? 23) Qual é a exigência quanto à utilização de softwares para medição? 24) Quais são as atividades básicas de medição e monitoramento exigidas pela NBR ISO 9001:2000, e com que finalidade elas devem ser realizadas? 3.5.8 Seção 8: medição, análise e melhoria Essa seção tem como objetivo o acompanhamento dos resultados através de monitoramento interno, que engloba: auditorias internas, medição e acompanhamento dos processos, dos produtos e dos serviços realizados, controle das não-conformidades, análise de indicadores da qualidade e do desempenho (Takashina e Flores, 1996; Jaramillo, 1998) e planejamento da melhoria contínua. A seção é composta pelos seguintes itens e subitens: 8.1 Generalidades 8.2 Medição e monitoramento 8.2.1 Satisfação dos clientes 8.2.2 Auditoria interna 8.2.3 Medição e monitoramento de processos 8.2.4 Medição e monitoramento de produto 166 8.3 Controle de produto não-conforme 8.4 Análise de dados 8.5 Melhorias 8.5.1 Melhoria contínua 8.5.2 Ação corretiva 8.5.3 Ação preventiva 3.5.8.1 Item 8.1: generalidades Quadro 47 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.1 Generalidades A organização deve planejar e implementar os processos necessários de monitoramento, medição, análise e melhoria para: a) demonstrar a conformidade do produto, b) assegurar a conformidade do Sistema de Gestão da Qualidade, c) melhorar continuamente a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade, e Isso deve incluir a determinação dos métodos aplicáveis, incluindo técnicas estatísticas, e a extensão de seu uso. ���� Objetivo A organização deve planejar o monitoramento, medição, análise e melhorias dos seus processos. A ênfase é colocada na demonstração da conformidade do produto e na eficácia do sistema de gestão. Embora a eficiência do sistema seja importante para qualquer organização, é a sua eficácia que é principal foco da INBR SO 9001:200025. ���� Interpretação Esse item serve de introdução para toda seção 8, consolidando as fases verificação e ação (Check e Act) do ciclo PDCA. Quando conceituamos na teoria dos sistemas a componente administração do sistema, destacamos a atividade de controle. Para isso, é necessária a realimentação da informação sobre o desempenho dos subsistemas e processos, o que permite a tomada de ações para a correção de rumo, a prevenção e melhoria (Carvalho et al, 2005). Nesse sentido, a organização deve determinar a necessidade de utilização de métodos específicos como, por exemplo, técnicas estatísticas e demonstrar que possui pleno conhecimento 25 A NBR ISO 9004:2000 fornece orientações como um Sistema de gestão da qualidade pode ser eficaz e eficiente ao mesmo tempo. 167 sobre as metodologias e técnicas disponíveis, e também que selecionou aquelas que são aplicáveis as suas circunstâncias. Como exemplo dessas técnicas podemos citar: • FEMEA (análise do modo de falhas); • Métodos de amostragem; • Métodos para Análise de Solução de Problemas envolvendo histogramas, diagramas de Pareto, diagramas de dispersão,diagramas de causa e efeito e outros (Damazio, 1998); • Controle Estatístico do Processo - CEP (Siqueira, 1997); • Teste de hipóteses (Levini et al, 1998); • Planejamento de experimentos. O uso de técnicas estatísticas pode ajudar no entendimento da variabilidade e, desta forma, auxiliar as organizações a resolver os problemas e melhorar a sua eficácia e até mesmo a sua eficiência. Essas técnicas também facilitam o uso de dados disponíveis para orientar na tomada de decisões (ABNT ISO/TR 10017, 2005). A variabilidade pode ser observada no comportamento e nos resultados de muitas atividades, mesmo sob condições de estabilidade aparente. Ela pode ser observada nas características mensuráveis dos produtos e processos, e ser detectada em vários estágios, ao longo do ciclo de vida do produto, desde a pesquisa de mercado até o serviço ao cliente, incluindo-se o seu descarte. As técnicas estatísticas ajudam medir, descrever, analisar, interpretar e modelar tal variabilidade, mesmo com quantidades relativamente limitada de dados. A análise estatística de tais dados pode ajudar na avaliação de um melhor entendimento da natureza, extensão e causas da variabilidade. Isto pode ajudar na resolução e, até mesmo, na prevenção de problemas que possam resultar desta variabilidade, além de promover a melhoria contínua. ���� Evidência • A organização deve evidenciar o cumprimento dos itens 8.2.1, 8.2.2, 8.2.3 e 8.2.4 relativo ao monitoramento e, quando aplicável, medir a satisfação do cliente (Neto, 1995) e o desempenho do sistema. • A organização deve evidenciar a conformidade com os requisitos dos itens 8.2, 8.3 e 8.4 no que diz respeito à identificação de situações, informações e dados capazes de suportar decisões e tomada de ações para melhorias. • A organização deve evidenciar a consideração e avaliação da necessidade de uso de técnicas estatísticas ou outras metodologias. ���� Não-conformidades As não-conformidades associadas ao não cumprimento desses requisitos encontram-se, geralmente, indexadas aos demais itens da seção 8. Normalmente, uma não-conformidade associada a esse item implica na ausência de qualquer evidência de medição, monitoramento, análise e melhoria. 168 3.5.8.2 Item 8.2: monitoramento e medição 3.5.8.2.1 Subitem 8.2.1 - Satisfação do Cliente Quadro 48 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.2.1 Satisfação dos clientes Como uma das medições do desempenho do Sistema de Gestão da Qualidade, a organização deve monitorar informações relativas à percepção do cliente sobre se a organização atendeu aos requisitos do cliente. Os métodos para obtenção e uso dessas informações devem ser determinados. ���� Objetivo Entende-se como satisfação do cliente a percepção que este tem quanto ao grau de atendimento dos seus requisitos. O propósito desse item é encorajar a empresa a medir a percepção do cliente em relação aos produtos fornecidos, onde tendências desfavoráveis potencializarão ações de melhoria e resultados favoráveis poderão ser utilizados para promover melhorias ainda maiores na relação com o cliente. Quadro 49 - Leitura complementar: A lição do jovem jardineiro (Fonte: desconhecido). Nos Estados Unidos, a maioria das residências tem por tradição em sua frente um lindo gramado e, diversos jardineiros autônomos para fazer aparos nestes jardins. Um dia, um executivo de marketing de uma grande empresa dos Estados Unidos contratou um desses jardineiros. Chegando a sua casa, o executivo viu que estava contratando um garoto de apenas 13 anos de idade, mas como já estava contratado, ele pediu para que o garoto executasse o serviço. Quando já havia terminado, solicitou ao executivo a permissão para utilizar o telefone, no que foi prontamente atendido. Contudo, o executivo, muito curioso, não pôde deixar de ouvir a conversa na extensão. O garoto havia ligado para uma senhora e perguntara: - A Senhora está precisando de um jardineiro? - Não. Eu já tenho um, respondeu. - Mas além de aparar, eu também tiro o lixo. - Isso o meu jardineiro também faz. - Eu limpo e lubrifico todas as ferramentas no final do serviço, disse ele. - Mas o meu jardineiro também o faz, respondeu a senhora. - Eu faço a programação de atendimento o mais rápido possível. - Não, o meu jardineiro também me atende prontamente. - O meu preço é um dos melhores. - Não, muito obrigada! O preço do meu jardineiro também é muito bom. 169 Desligado o telefone, o executivo lhe disse: - Meu rapaz, você perdeu um cliente. - Não, respondeu o garoto. Eu sou o jardineiro dela. Eu apenas estava medindo o quanto ela estava satisfeita. ���� Interpretação A NBR ISO 9001:2000 requer que a organização estabeleça uma metodologia para monitorar as informações relativas à percepção do cliente quanto ao grau de satisfação dos seus requisitos. Isso necessariamente não obriga a organização realizar pesquisas de satisfação, embora essa atividade possa proporcionar importantes informações. Quatro aspectos precisam ser considerados no monitoramento da satisfação: • A liderança do processo para a busca da satisfação do cliente; • A obtenção de informações úteis e confiáveis; • A análise dos dados para que fundamentem a estratégia de melhoria da qualidade; • A adoção de ações que efetivamente aumente a satisfação dos clientes. As reclamações dos clientes são indicadores usuais de baixa satisfação, porém sua ausência não implica, necessariamente, alta satisfação. Mesmo que os requisitos acordados com o cliente tenham sido atendidos, isto não garante, necessariamente, a sua satisfação. “É um fato comprovado que custa 10 vezes mais obter um novo cliente que reter um cliente atual. A satisfação do cliente, junto com a melhoria continua, tornam-se a os objetivos mais importantes de qualquer Sistema de G estão da Qualidade”. (Site:Philipcrosby, 2006). Carlos Joos (Diretor da Philipcrosby Associates II no Brasil) As organizações possuem mais que um tipo de cliente. O termo cliente, tal como definido pela NBR ISO 9000:2000, não se refere exclusivamente ao cliente contratual; inclui também os clientes internos, como também outras partes interessadas. A obtenção de dados representativos e relevantes, através, por exemplo, de contatos periódicos com os clientes através da equipe de vendas, contatos telefônicos periódicos ou após a entrega de produto; pesquisas de satisfação, benchmarking e análise da concorrência são ferramentas empregadas no monitoramento da satisfação do cliente. 170 Figura 3.27 - Exemplo de pesquisas de satisfação de clientes. A pequena redução do nível de satisfação em 2000 se relaciona com o atendimento aos serviços bancários tradicionais, não alinhados com a missão do Banco neste período, e ensejou a criação de um novo serviço eletrônico na Internet chamado Nordeste Eletrônico. Fonte: Banco do Nordeste, http://www.bnb.gov.br Figura 3.28 - Exemplo de pesquisas de satisfação de clientes: Detalhamento das oportunidades de melhoria. Fonte: Banco do Nordeste, http://www.bnb.gov.br Não é realístico, nem expectável, a obtenção de 100% de satisfação dos clientes. A organização deve, no entanto, avaliar o impacto dessa situação e evidenciar quais ações foram planejadas ou realizadas no sentido de melhorar a situação. Neste sentido, é considerada uma boa prática a avaliação da importância que os clientes atribuem a cada elemento da pesquisa de satisfação e não apenas o grau de satisfação em cada elemento em avaliação. Em conclusão, importa: • Disponibilizar meios para comunicação (SAC, Fale conosco, linha 0800); • Utilizar métodos que maximizem a relevância dos dados; • Obter dados significativos e de valor estratégico; • Tratar as reclamações e insatisfações; • Coletar e analisar os dados obtidos; • Sistematizar a monitoramento. 171 ���� Evidência A organização deve evidenciaro mecanismo de monitoramento utilizado para avaliar a conformidade do produto do ponto vista do cliente, e a forma como esta informação é utilizada. A extensão do monitoramento irá depender do tamanho da organização, da complexidade de suas operações e diversidade do mercado. ���� Não-conformidades • A avaliação da percepção do cliente não é realizada periodicamente. • Os resultados da avaliação da percepção do cliente face ao desempenho da organização não incluem a prestação do serviço, mas apenas o produto. 3.5.8.2.2 Subitem 8.2.2 - Auditoria Interna Quadro 50 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.2.2 Auditoria interna A organização deve executar auditorias internas a intervalos planejados, para determinar se o Sistema de Gestão da Qualidade: a) está conforme com as disposições planejadas (ver 7.1), com os requisitos desta Norma e com os requisitos do Sistema de Gestão da Qualidade estabelecidos pela organização, e b) está mantido e implementado eficazmente. Um programa de auditoria deve ser planejado, levando em consideração a situação e a importância dos processos e áreas a serem auditadas, bem como os resultados de auditorias anteriores. Os critérios da auditoria, escopo, freqüência e métodos devem ser definidos. A seleção dos auditores e a execução das auditorias devem assegurar objetividade e imparcialidade do processo de auditoria. Os auditores não devem auditar o seu próprio trabalho. As responsabilidades e os requisitos para planejamento e para execução de auditorias e para relatar os resultados e manutenção dos registros (ver 4.2.4) devem ser definidos em um procedimento documentado. O responsável pela área a ser auditada deve assegurar que as ações sejam executadas, sem demora indevida, para eliminar não-conformidades detectadas e suas causas. As atividades de acompanhamento devem incluir a verificação das ações executadas e o relato dos resultados de verificação (ver 8.5.2). NOTA - Ver NBR ISO 19011 para orientação. 172 ���� Objetivo A Norma requer que a própria organização faça uma auto-avaliação, periódica, segundo regras específicas (ABNT NBR ISO 19011, 2002), como forma de evitar que o sistema se desvie dos propósitos originais. Não se deve confundir a auditoria interna com análise crítica pela administração. A auditoria interna fornece subsídios para a análise crítica. A análise crítica é quem vai avaliar se o sistema, na forma em que está implantado e mantido, atende aos objetivos da organização (Carvalho et al, 2005). Sendo assim, é vital que sejam realizadas por pessoal competente, utilizando-se metodologias claramente definidas de forma a tornar-se uma efetiva ferramenta de suporte à gestão (Cerqueira e Martins, 2004). ���� Interpretação Segundo a ABNT NBR ISO 9000 (2000), as auditorias são classificadas como: a) Auditorias de primeira parte - aquelas realizadas pela própria organização ou em seu nome, para propósitos internos; b) Auditorias de segunda parte - aquelas que são realizadas pelos clientes da organização, ou por outras pessoas em nome do cliente, c) Auditorias de terceira parte – aquelas que são realizadas por organizações externas independentes26. As auditorias internas, denominados auditorias de primeira parte, são usadas para determinar em que grau os requisitos do sistema de gestão foram atendidos. As constatações da auditoria são usadas para avaliar a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade e para identificar oportunidades de melhoria. É obrigatória a elaboração de um procedimento documentado para a condução das auditorias internas, que descreva as responsabilidades, requisitos para planejamento e condução do processo. As auditorias internas podem abranger a totalidade do sistema de gestão ou parte desse. No caso da organização optar por auditorias parciais, o programa deve permitir, em um período de tempo adequado, a completa avaliação do Sistema. Quando existirem processos ou atividades terceirizadas que tenham influência no sistema de gestão, considera-se a necessidade de inclusão destes no planejamento da auditoria. O programa de auditorias precisa ser flexível e dinâmico. Para se definir a freqüência das auditorias é preciso considerar a importância e a criticidade das atividades em relação aos riscos envolvidos com as eventuais não-conformidades, como também os resultados das auditorias anteriores (Cerqueira, 2006). As auditorias internas são conduzidas por pessoal diferente daqueles que realizam a atividade auditada, garantindo assim a independência e imparcialidade (Rebelo, 1999). Contundo, poderão ser realizadas por auditores externos à empresa (terceirizados27). Caso seja esta a escolha da organização, deverão ser assegurados o cumprimento dos procedimentos, critérios e requisitos 26 Organismos acreditados pelo INMETRO que certificam Sistemas de Gestão da Qualidade conforme NBR ISO 9001. Como exemplo podemos citar: ABS (American Bureau Shipping), BVQI (Bureau Veritas Quality), DNV (Det Norske Veritas), LRS (Lloyd’s Register of Shipping. 27 Em algumas situações, pode ser necessário terceirizar toda ou parte do processo de auditoria interna se, por exemplo, não existirem recursos apropriados na organização. 173 associados, como por exemplo, competência, atividades de planejamento, realização, bem como registro dos resultados e ações de acompanhamento. Os resultados das auditorias internas precisam ser registrados e analisados pelas funções pertinentes28, visando identificar as ações corretivas requeridas para atender as constatações da auditoria. Os resultados das auditorias internas são considerados como dados de entrada para atividades de Análise Crítica pela Direção (verificar item 5.6). Porém, para que a atividade contribua para a melhoria da organização, é importante que a Alta Direção assegure que sejam tomadas ações de melhorias em resposta aos resultados oriundos das auditorias internas. ���� Evidência Deve ser disponibilizado um procedimento documentado para descrever as responsabilidades e metodologias de realização auditorias internas. Um bom indicativo de que o programa de auditoria interna é eficaz, pode ser conseguido pela comparação entre os resultados obtidos em auditorias internas recentes com as observações da auditoria de segunda ou terceira parte. Espera-se que os processos ou áreas com um histórico de problemas em auditorias internas sejam sujeitos a uma maior freqüência de auditorias internas, do que aqueles com um bom desempenho. ���� Principais não-conformidades • Os auditores internos não possuírem as competências adequadas para a realização de auditorias. • O escopo das auditorias internas não contempla todo o Sistema de Gestão da Qualidade. • As ações corretivas desencadeadas na seqüência de auditorias internas não se encontrarem implementadas. • A freqüência das auditorias não ter considerado a importância e a situação atual da área ou processo auditados. 3.5.8.2.3 Subitem 8.2.3 - Medição e monitoramento d e processos Quadro 51 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.2.3 Medição e monitoramento de processos A organização deve aplicar métodos adequados para monitoramento e, quando aplicável, para medição dos processos do Sistema de Gestão da Qualidade. Esses métodos devem demonstrar a capacidade dos processos em alcançar os resultados planejados. Quando os resultados planejados 28 Os resultados devem ser levados ao conhecimento dos responsáveis pelas áreas auditadas. 174 não são alcançados, devem ser efetuadas as correções e executadas as ações corretivas, como apropriado, para assegurar a conformidade do produto. ���� Objetivo Assegurar que o processo de realização do produto está apto a produzi-lo conforme os requisitos especificados e que os processos,dentro do Sistema de Gestão da Qualidade, demonstram capacidade contínua para atingir os objetivos e resultados planejados. ���� Interpretação O monitoramento e medição dos processos29, quando aplicáveis, consubstanciam a fase verificação do ciclo PDCA com o propósito de avaliar se os processos estão implementados e mantidos de acordo com as disposições inicialmente planejadas, e se os resultados obtidos são os esperados. Devem estar claros quais os elementos de referência serão considerados para seu controle, tais como índices capabilidade (Cp e Cpk), tempos, controles de variáveis físicas, como a temperatura, pressão, umidade, etc (Filho e Drumond, 1994). Figura 3.29 - Exemplo de índice de capacidade do processo No monitoramento de processo30, o que se deseja é a coleta de dados que forneçam informações sobre a capacidade de realização do produto dentro dos requisitos especificados. Porém, nem sempre é fácil compreender a diferença entre o monitoramento do processo (8.2.3) e monitoramento do produto (8.2.4). Em certas operações industriais, o monitoramento do processo se 29 A medição e o monitoramento dos processos tem como objetivo demonstrar a capacidade dos processos em alcançar resultados planejados. 30 Segundo o estatístico William Edwards Deming, o entendimento da diferença entre as causas comuns de variação e as causas especiais é um elemento fundamental para o gerenciamento de processos. 175 dá por meio de resultados de ensaio ou de outro tipo de monitoramento do produto que está sendo realizado. Isso é muito comum, por exemplo, em processos contínuos em que amostras de produtos são retiradas e ensaiadas periodicamente, permitindo que o produto final possa estar dentro dos limites de especificação desejados (Cerqueira, 2006). a) Processo estável : causas comuns de variação presentes, o processo é previsível ao longo do tempo. b) Processo instável: causas especiais de variação presentes, o processo não é previsível ao longo do tempo. Figura 3.30 - Comportamento de processos: a) processo estável; b) processo instável Devem ser mantidos registros dos resultados do monitoramento e medições realizadas, na ausência de outra forma de evidência objetiva que as mesmas foram realizadas e quais os resultados. Ressalva-se, no entanto, a importância de ser assegurada a competência destes colaboradores (verificar item 6.2.2) e recursos (verificar item 6.3) para monitoramento e medição adequados. Caso não esteja assegurada a eficácia dos processos ou a aptidão dos processos atingirem os resultados planejados, devem ser identificadas as causas raiz e serem desencadeadas ações corretivas apropriadas, especialmente quando não for assegurada a conformidade do produto face aos requisitos especificados. ���� Evidência • Dado que não existe qualquer requisito na norma que obrigue a empresa possuir um procedimento documentado, ou a manter determinados registros, espera-se que a organização esteja apta a demonstrar os cumprimentos deste requisito através do foco na sua capacidade em atingir os resultados planejados. • Os registros de reclamações de clientes, indicadores dos processos, não- conformidades de produto e outras fontes de informação sobre o produto, bem como os resultados das auditorias internas e da análise crítica pela Direção podem, entre outros aspectos, ser utilizados como suporte e evidência a este item. 176 ���� Não-conformidades • Falta de evidência de aplicação das metodologias de monitoramento e medição dos processos, conforme planejado. • Os critérios e indicadores (resultados planejados) estabelecidos como suporte ao monitoramento e medição não são apropriados, por não serem representativos, para a demonstração da aptidão e conformidade dos processos. • O monitoramento e medição serem realizados por colaboradores sem a competência requerida pela própria organização. 3.5.8.2.4 Subitem 8.2.4 - Medição e monitoramento d e produto Quadro 52 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.2.4 Medição e monitoramento de produto A organização deve medir e monitorar as características do produto para verificar se os requisitos do produto têm sido atendidos. Isso deve ser realizado em estágios apropriados do processo de realização do produto, de acordo com as providências planejadas (ver 7.1). A evidência de conformidade com os critérios de aceitação deve ser mantida. Os registros devem indicar a(s) pessoa(s) autorizada(s) a liberar o produto (ver 4.2.4). A liberação do produto e a entrega do serviço não devem prosseguir até que todas as providências planejadas (ver 7.1) tenham sido satisfatoriamente concluídas, a menos que aprovado de outra maneira por uma autoridade pertinente e, quando aplicável, pelo cliente. ���� Objetivo O objetivo deste item é assegurar que o produto cumpre todos os requisitos, uma vez que a medição e o monitoramento são itens de destaque, pois falhas nesse processo atingem diretamente o cliente (Carvalho et al, 2005). ���� Interpretação Atividades de monitoramento e medição31 devem ser identificadas e abranger todo o ciclo de realização do produto, incluindo instalação quando aplicável, com o propósito de garantir o cumprimento dos requisitos especificados. O tipo e a natureza das atividades de monitoramento e medição devem considerar as conseqüências de uma não detecção de um produto defeituoso, legislação e normalização aplicável aos produtos e eventuais requisitos de segurança. 31 A medição e monitoramento do produto têm como objetivo verificar se os requisitos do produto estão sendo atendidos. 177 Os registros de monitoramento de produto devem ser mantidos pela organização, evidenciado não só que os produtos foram monitorados, como também os resultados obtidos, os critérios de aceitação adotados e as pessoas que atestaram sua conformidade e aceitação para liberação (Cerqueira, 2006). A monitoração e as medições do produto podem ser estabelecidas através de: • Um procedimento; • Uma instrução; • Um plano da qualidade; • Um plano de inspeção e ensaio (ICONTEC, 2001); • Um plano de amostragem32 (Viterbo Jr, 1994). ���� Evidência Tal como no item 8.2.3, não existe um requisito específico para um procedimento escrito, mas no caso de conformidade do produto, é necessário manter registros. Estes registros devem estar disponíveis para todos os produtos. Nos casos em que o produto tenha sido liberado antes da conclusão de todas as atividades de monitoramento e medição, a organização deve demonstrar as autorizações apropriadas, assim como a rastreabilidade adequada, de modo a facilitar, por exemplo, a retirada do produto do mercado (recall), se necessário (verificar item 8.3). ���� Não-conformidades • Os registros de monitoramento e ou medição do produto não evidenciarem a conformidade com os requisitos aplicáveis. • Não serem realizadas monitorações e medições nas fases relevantes do processo de realização. • Constatações de aprovação de produto sem que estivessem disponíveis resultados de monitorizações e ou medições, tampouco a evidencia de quem autorizou a sua liberação. 3.5.8.3 Item 8.3: Controle de produto não-conforme Quadro 53 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. A organização deve assegurar que produtos que não estejam conformes com os requisitos do produto sejam identificados e controlados para evitar seu uso ou entrega não intencional. Os controles e as responsabilidades e autoridades relacionadas para lidar com produtos não-conformes devem ser definidos em um procedimento documentado. 32 Caso seja utilizada a inspeção por amostragem a ferramenta deve ser identificada como técnica estatística aplicável (Viterbo Jr, 1996). 178A organização deve tratar os produtos não-conformes por uma ou mais das seguintes formas: a) execução de ações para eliminar a não-conformidade detectada; b) autorização do seu uso, liberação ou aceitação sob concessão por uma autoridade pertinente e, onde aplicável, pelo cliente; c) execução de ação para impedir o seu uso pretendido ou aplicações originais. Devem ser mantidos registros sobre a natureza das não-conformidades e quaisquer ações subseqüentes executadas, incluindo concessões obtidas (ver 4.2.4). Quando o produto não-conforme for corrigido, esse deve ser reverificado para demonstrar a conformidade com os requisitos. Quando a não-conformidade do produto for detectada após a entrega ou início de seu uso, a organização deve tomar as ações apropriadas em relação aos efeitos, ou potenciais efeitos, da não-conformidade. ���� Objetivo O propósito deste item é sinalizar para a necessidade de providências especiais de modo que produtos não-conformes não sejam indevidamente entregues (expedidos) ou utilizados. A norma estabelece as disposições para o produto não-conforme, que vão desde o uso sob concessão até a execução de ações para impedir o uso indevido do produto. ���� Interpretação A sistemática de controle de produtos não-conformes é formalizada em procedimento documentado (verificar 4.2.3). Sempre que aplicável, devem estar definidos e disponíveis os mecanismos necessários à segregação e à identificação (separação física dos produtos defeituosos). Na impossibilidade ou inviabilidade de segregação física, deve ser garantida a identificação inequívoca do produto como “não-conforme”. Segundo Cerqueira (2006) um produto considerado não-conforme pode necessitar de: a) Correção: Ação tomada para eliminar uma não-conformidade identificada. Uma correção pode ser feita em conjunto com uma ação corretiva. A correção pode ser, por exemplo, um retrabalho33 ou uma reclassificação34. b) Reparo: Ação tomada sobre um produto não-conforme, de modo a torná-lo aceitável para o uso pretendido; o reparo compreende ações tomadas sobre um produto previamente não-conforme, a fim de recuperá-lo para o uso, por exemplo, ou como parte de uma atividade de manutenção; ao contrário do retrabalho, o reparo pode afetar ou alterar partes do produto não-conforme. 33 Retrabalho: Ação implementada sobre um produto não-conforme de modo que atenda aos requisitos. 34 Reclassificação: Alteração da classe de um produto não conforme afim de torná-lo conforme a requisitos diferentes daqueles inicialmente especificados. 179 c) Refugo: Ação tomada sobre um produto não-conforme, para impedir a sua utilização prevista originalmente; exemplos: reciclagem ou destruição; em uma situação de serviço não-conforme, o uso é vetado por meio da interrupção de serviço. d) Concessão: Permissão para uso ou liberação35 de um produto que não atenda aos requisitos especificados; uma concessão é geralmente limitada à entrega de um produto que tem características de não-conformidade dentro de limites definidos, para um período de tempo ou quantidades acordados. e) Permissão de desvio: Permissão para desviar-se dos requisitos originalmente especificados de um produto, antes da sua execução; uma permissão de desvio é geralmente dada para uma quantidade limitada de produto ou para um período de tempo limitado e para um uso específico. Segundo a Norma as não-conformidades precisam ser registradas, bem como as ações desenvolvidas para a avaliação das suas causas raiz, assim como a decisão tomada para o seu tratamento (ver 8.5.2). A responsabilidade e autoridade associadas devem estar estabelecidas no que diz respeito às atividades de análise e a decisão sobre o que fazer com o produto não-conforme, como por exemplo: corrigir, reparar, refugar, permitir desvio, etc. Os produtos corrigidos têm que ser reverificados (reanalisados) de acordo com o definido nas especificações o produto. Nas situações em que seja é necessário liberar ou entregar produto não-conforme, essa decisão deve ser tomada por uma entidade interna, por exemplo: (administração, projetista, químico responsável) ou externa (cliente), em ambos os casos, que tenha autoridade e competência para tal. Os registros dessas decisões, incluindo os respectivos responsáveis, precisam ser mantidos conforme no subitem 4.2.4 da Norma. Quadro 54 - Leitura complementar - Recall (fonte: www.carsale.uol.com.br). O recall é um "chamado de volta" do produto à fábrica para reparação de defeitos, principalmente aqueles que envolvem itens de segurança. Geralmente as empresas fazem esse tipo de convocação quando detectam algum problema - como erro de projeto ou defeito de fabricação em componentes ou ainda falha na montagem do produto. Normalmente O recall costuma ser feito por meio de anúncios públicos - em rádios, TVs, jornais ou revistas - de forma a alertar aos clientes sobre a ocorrência. Em alguns casos, esses chamados são feitos por correspondência enviada diretamente ao cliente. No caso das indústrias automobilísticas, existem basicamente três tipos de recall. O mais simples deles, não chega a ser uma convocação: a fábrica aciona as revendas da rede, que fazem os reparos solicitados sem conhecimento do proprietário. Em geral a troca de peças ocorre quando o 35 Liberação: Permissão para prosseguir para o próximo estágio de um processo. 180 veículo é deixado na revenda para executar algum conserto em garantia. Outra forma de recall é quando o proprietário é convocado diretamente por correspondência. E, por fim, o recall público, quando o assunto envolve componentes de segurança do veículo. Nessas convocações são fornecidos o modelo e ano do carro, assim como a série de produção dos veículos sujeitos a defeitos, identificada pela numeração do chassi. Veja se o seu veículo figura entre os números de início e final dessas séries. Uma vez comunicado ou ciente da convocação, o dono do carro deve se dirigir o mais rápido possível a uma concessionária da marca para efetuar uma inspeção ou reparo no veículo. Antes, ele deve ligar para a revenda mais próxima de sua região e ver a necessidade de agendar o conserto. O reparo pode ser feito em qualquer revenda da marca, sem ônus para os clientes. Mão-de- obra e peças são fornecidas gratuitamente pela concessionária. Em geral, as fábricas de automóveis dão um prazo máximo de até seis meses para os proprietários realizarem os reparos em seus veículos, após a comunicação oficial do defeito. Em alguns casos, esses prazos podem ser prorrogados. Apesar do recall ser feito publicamente, nem todos os proprietários levam seus carros às revendas para ser reparado pela rede de serviços autorizados. Os proprietários que não tenham feito os reparos necessários devem entrar em contato com as centrais de atendimento de fabricantes ou importadores e se informar sobre como proceder ou agendar o serviço. Para as não-conformidades detectadas após entrega ou uso, as ações tomadas devem ser apropriadas à magnitude (abrangência e dimensão) da situação e impacto da não-conformidade nos clientes. Requisitos que envolvam não somente a qualidade, mas também aqueles que envolvam questões relativas à segurança e ao meio ambiente precisam ser considerados e não podem ser negligenciados. 181 Quadro 55 - Leitura complementar: O Caso Bridgestone-Firestone-Ford36. BRIDGESTONE PERDE 30% DO MERCADO NOS EUA TÓQUIO Número de mortes sob investigação em acidentes com pneus da empresa aumentou para 62.. As ações da Bridgestone recuaram 5,5% ontem no mercado japonês, atingindo seu mínimo em quatro anos e meio, depois que o número de mortes sob investigação em acidentes envolvendo pneus de sua subsidiária Firestone subiu para 62. Comisso, segundo a “Bloomberg News”, ela perdeu 30% de sua fatia de mercado nos EUA só este mês, quando foi divulgada a ligação entre os problemas e uma série de acidentes fatais. Autoridades de segurança dos EUA informaram que agora investigam 800 casos envolvendo pneus ATX aro 15, ATX II e Wilderness AT. A Bridgestone lançou uma campanha de troca de 6,5 milhões de pneus na semana passada“. CONGRESSO DOS EUA INVESTIGA FIRESTONE CHICAGO. Uma delegação do Congresso americano visitou ontem o quartel general da Bridgestone-Firestone em Nashville/USA para investigar se a empresa sabia dos graves defeitos de seus pneus, antes do recente e gigantesco recall. Foi a segunda parada do Comitê, que também foi à FORD em Detroit. A Firestone disse que cerca de 1 milhão de pneus foram trocados no fim de semana, a maior parte deles equipa veículos FORD, principalmente a Explorer. O Globo, 17/08/2000 O Globo, 29/08/2000 Figura 3.31 - Acompanhamento de recall Alguns dos direitos básicos dos consumidores, nos termos da Lei n° 8.078/90 (Código de Defesa do Consu midor), são o direito à informação e o direito à segurança. Assim, quando um produto ou serviço for considerado defeituoso, de acordo com a lei de consumo brasileira, uma vez que o fornecedor verifique essa condição após sua colocação no mercado, este deverá imediatamente apresentar todas as informações cabíveis acerca dos problemas identificados. O site www.mj.gov.br/recall/ possibilita conferir se um determinado veículo está sendo objeto de algum recall. 36 A Bridgestone comprou a Firestone em 1988 quando ela se recuperava de perdas estimadas em cerca de 150 milhões de dólares. A retirada voluntária do mercado de 6,5 milhões de pneus defeituosos que custou a Firestone pelo menos 350 milhões de dólares, segundo analistas do setor. A Firestone já havia enfrentado caso similar em 1978, que quase levou a empresa à falência. 182 ���� Evidência • Existência de procedimento documentado. • Práticas documentadas para o tratamento do produto não-conforme. • Registros da natureza das não-conformidades e ações tomadas, incluindo permissões e concessões obtidas. • Autorizações (aceitação, permissão, etc). • Registro de resultados de re-análise. • Meios para segregação e ou identificação. ���� Não-conformidades • Existência de produto não-conforme não sendo evidenciada a identificação e ou o correspondente registro. • Ausência de registros de não-conformidades detectadas, análise e ações tomadas e de reverificação de produto corrigido. 3.5.8.4 Item 8.4: Análise de dados Quadro 56 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.4 Análise de dados A organização deve determinar, coletar e analisar dados apropriados para demonstrar a adequação e eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade e para avaliar onde melhorias contínuas da eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade podem ser realizadas. Isso deve incluir dados gerados como resultado do monitoramento e das medições e de outras fontes pertinentes. A análise de dados deve fornecer informações relativas a a) satisfação de clientes (ver 8.2.1), b) conformidade com os requisitos do produto (ver 7.2.1), c) características e tendências dos processos e produtos, incluindo oportunidades para ações preventivas, e d) fornecedores. ���� Objetivo Proporcionar à organização a possibilidade de transformar os dados em informação apropriada à tomada de decisão, identificação de tendências e oportunidades de melhoria. 183 ���� Interpretação A coleta de dados, por si só, não tem significado prático se não forem objetos de avaliação e análise subseqüente Esses dados recolhidos permitem demonstrar a adequação e eficácia do sistema como, por exemplo: • Medições do desempenho do processo; • Avaliação da eficácia da formação; • Reclamações dos clientes; • Taxa de sucateamento e re-trabalho; • Medições financeiras; • Medições externas, tais como benchmarking, percepção de partes interessadas. A análise de dados é uma excelente oportunidade para a organização utilizar técnicas estatísticas e ferramentas da qualidade, proporcionando a possibilidade de identificar tendências e melhorar a eficácia do sistema (verificar 8.5). Podem incluir, por exemplo, o uso de: a) Histogramas b) Diagramas de Pareto c) Gráficos de Dispersão d) Cartas de Controle. Figura 3.32 - Exemplo de algumas técnicas estatísticas que podem ser empregadas nos Sistema de Gestão da Qualidade 184 As saídas do processo de recolhimento e tratamento de dados são consideradas como entradas para os processos: • Análise crítica pela Alta Direção; • Ações corretivas e ações preventivas; • Avaliação da satisfação do cliente; • Avaliação da conformidade com os requisitos do produto. ���� Evidência Espera-se que a organização evidencie a coleta e análise os dados, tal como referido no item 8.4 da NBR ISO 9001:2000, e tomada de decisões que demonstrem melhorias. ���� Não-conformidades • Existência de dados, relevantes para o sistema de gestão, recolhidos, mas não tratados e ou analisados. • Inexistência de dados tratados e analisados por se encontrar em curso a sua coleta. 3.5.8.5 Item 8.5: Melhorias 3.5.8.5.1 Subitem 8.5.1 – Melhoria Contínua Quadro 57 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.5 Melhorias 8.5.1 Melhoria contínua A organização deve continuamente melhorar a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade por meio do uso da política da qualidade, objetivos da qualidade, resultados de auditorias, análise de dados, ações corretivas e preventivas e análise crítica pela direção. ���� Objetivo Promover uma filosofia de melhoria contínua dentro da organização, que se traduza no aumento da sua capacidade para cumprir requisitos. ���� Interpretação De acordo a NBR ISO 9000:2000, o objetivo da melhoria contínua do Sistema de Gestão da Qualidade consiste em aumentar a probabilidade de atingir a satisfação dos clientes e de outras partes interessadas. Portanto, este requisito da norma baseia-se no princípio da melhoria contínua, 185 que consiste em uma abordagem sistemática da metodologia PDCA. A metodologia para o processo de melhoria inclui: a) Identificação, análise e avaliação de objetivos de melhoria; b) Estabelecimento de objetivos de melhoria; c) Busca de soluções para alcance os objetivos; d) Avaliação dessas soluções e seleção da mais adequada; e) Implementação da solução selecionada; f) Medição, verificação, análise e avaliação dos resultados da implementação para determinar se os objetivos foram atingidos. Para assegurar o futuro da organização e a satisfação das partes interessadas, convém que a gestão crie uma cultura que envolva as pessoas na busca constante de oportunidades de melhoria do desempenho nos processos, nas atividades e nos produtos. A melhoria contínua poderá ser implementada através do: a) Comprometimento da Alta Direção; b) Foco em todas as partes interessadas; c) Integração nos objetivos da organização e seu desdobramento para todas as funções e processos; d) Estabelecimento de uma cultura de melhoria e encorajamento da inovação e criatividade; e) Foco no trabalho de equipe; f) Análise crítica e planejamento do Sistema de Gestão da Qualidade; g) Formalização das mudanças. Segundo a NBR ISO 9004:2000, convém que um processo de melhoria contínua seja utilizado como uma ferramenta para aumentar a eficiência e a eficácia da organização. A melhoria contínua não pode, portanto, fundamentar-se apenas em problemas identificados, deve também contemplar as oportunidades de aperfeiçoamento do sistema, baseadas nos processos existentes e nas expectativas e necessidades de mercado. 186 Figura 3.33 - Relação entre eficiência e eficácia A melhoria pode ser alcançada atravésda inovação (melhoramentos drásticos, com grandes investimentos e tecnologia) ou através de atividades de melhoria contínua: Kaisen (Grifo, 1994) ou círculos de controle da qualidade (Souza, 1996). Nenhum destes elementos substitui os outros, complementam-se para o maior benefício da organização. Os programas de melhoria devem demonstrar: • O comprometimento da Alta Direção; • Que a filosofia está assumida e é garantido o envolvimento de todos os colaboradores; • Que as melhorias estão sendo alcançadas efetivamente. O fato de não alcançarmos as metas e ou objetivos planejados deve motivar uma análise e ações apropriadas, no sentido de promover uma alteração da situação. Embora não seja um requisito normativo, a utilização do modelo de auto-avaliação apresentado no anexo A da NBR ISO 9004:2000, é um excelente meio para identificação de áreas passíveis de melhoria. ���� Evidência A variação entre os resultados reais do Sistema de Gestão da Qualidade, os resultados anteriores e os objetivos definidos. Deve ser dada atenção especial aos parâmetros referidos nos itens 8.4 (a) até (d) e a relação destes parâmetros com: • A política da qualidade; • Os objetivos da qualidade; • Resultados da qualidade; • Análise crítica pela Alta Direção. ���� Não-conformidades • Inexistência de evidências objetivas de melhoria. • A Análise Crítica pela Direção não considera a análise de dados, nem a tomada de sugestões de ações de melhoria, em situações cuja aplicação é evidente. 187 • Não se verifica o estabelecimento de objetivos numa perspectiva de melhoria da eficácia do sistema de gestão e seus processos. 3.5.8.5.2 Subitem 8.5.2 - Ação Corretiva Quadro 58 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.5.2 Ação corretiva A organização deve executar ações corretivas para eliminar as causas de não-conformidades, de forma a evitar sua repetição. As ações corretivas devem ser apropriadas aos efeitos das não- conformidades encontradas. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os requisitos para: a) análise crítica de não-conformidades (incluindo reclamações de clientes), b) determinação das causas de não-conformidades, c) avaliação da necessidade de ações para assegurar que aquelas não-conformidades não ocorrerão novamente, d) determinação e implementação de ações necessárias, e) registro dos resultados de ações executadas (ver 4.2.4), e f) análise crítica de ações corretivas executadas. ���� Objetivo O propósito deste item é encorajar a tomada ações corretivas de forma a evitar a recorrência de não-conformidades e como ferramenta de melhoria. ���� Interpretação A necessidade de ações corretivas surge quando ocorrem não-conformidades em produtos (reparo, re-trabalho ou sucateamento), nos processos ou no sistema de gestão (relatórios de auditoria) ou reclamação de clientes. Constituem-se em uma das ferramentas para a melhoria contínua. É formalmente requerido um procedimento documentado. Sendo assim, a organização precisa desenvolver metodologias que lhe permitam evoluir e melhorar o desempenho do produto, dos processos e do sistema de gestão, a partir das não-conformidades identificadas. Consideram-se como ações corretivas todas as ações tomadas para eliminar as causas de não-conformidades detectadas, evitando que estas voltem a ocorrer. Em essência, são ações tipicamente reativas. Não podem ser confundidas com as ações de correção (verificar 8.3), embora possam ser efetuadas em conjunto com aquelas. Qualquer ação corretiva implica na determinação das causas raiz de um determinado problema e a correspondente tomada de ações para impedir a 188 sua recorrência. As fontes de informação, potencialmente associadas à tomada dessas ações podem ser, por exemplo: • Relatórios de não-conformidade; • Relatórios de auditorias internas ou externas; • Saídas da análise crítica pela Alta Direção; • Saídas da análise de dados; • Saídas de medições da satisfação; • Pessoas da organização. A tomada de ações corretivas pressupõe investigações e identificação das causas raiz dos problemas, atividade determinante na eficácia de todo o processo. Para a investigação e determinação das causas, podem ser utilizadas algumas técnicas e ferramentas da qualidade tais como: diagrama de espinha de peixe, matrizes de correlação, histogramas, etc. As ações corretivas devem ser registradas. Os prazos e responsabilidades pela sua implementação e controle do estado, por exemplo em análise, em implementação, fechada, definidos. Esse controle deve contemplar, não apenas a implementação, mas também os métodos para avaliar se as mesmas foram, ou não, eficazes (revisão). Os resultados das ações corretivas, sua eficácia e extensão de aplicação devem ser levados à Alta Direção para efeitos de análise crítica do sistema (verificar 5.6.2). Todos os colaboradores devem demonstrar conhecimento e envolvimento com as atividades associadas a ações corretivas da sua responsabilidade. A descentralização das atividades de desencadeamento, realização, controle e revisão de ações corretivas assume, ainda, particular importância em organizações de grande dimensão ou com múltiplos locais de atividade. ���� Evidência • Procedimento documentado que inclua a metodologia para identificação, implementação, controle e revisão de ações corretivas. • Registros dos resultados das ações corretivas empreendidas e outros eventualmente relevantes para demonstrar a conformidade da prática com os requisitos normativos. ���� Não-conformidades • Ações de correção consideradas como “ações corretivas”. • Desencadeamento de ações corretivas sem identificação da causa raiz das não- conformidades ou problemas. • Não realização da revisão das ações corretivas. • Recorrência de não-conformidades pelas mesmas causas que anteriormente motivaram uma ação corretiva, que foi considerada eficaz. 189 3.5.8.5.3 Subitem 8.5.3 - Ação Preventiva Quadro 59 - Texto da norma NBR ISO 9001:2000. 8.5.3 Ação preventiva A organização deve definir ações para eliminar as causas de não-conformidades potenciais, de forma a evitar sua ocorrência. As ações preventivas devem ser apropriadas aos efeitos dos problemas potenciais. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os requisitos para a) definição de não-conformidades potenciais e de suas causas, b) avaliação da necessidade de ações para evitar a ocorrência de não-conformidades, c) definição e implementação de ações necessárias, d) registros de resultados de ações executadas (ver 4.2.4), e e) análise crítica de ações preventivas executadas. ���� Objetivo O propósito deste subitem é encorajar a criação de meios para atuar preventivamente, aplicando metodologias adequadas à identificação de potenciais não-conformidades e desencadeando ações que evitem a ocorrência das mesmas. ���� Interpretação É, formalmente, requerida a existência de um procedimento documentado que descreva o modo como a organização concretiza as ações preventivas. Essas ações podem ser tomadas em relação ao produto, ao processo e ao Sistema de Gestão da Qualidade. É necessária a coleta e análise das informações, que permitam identificar circunstâncias que possam provocar uma não- conformidade no processo, no produto ou no sistema e desenvolver as ações antes da ocorrência não-conformidade. O processo de desencadeamento de ações preventivas compreende, normalmente, as seguintes etapas: a) Recolhimento e tratamento da informação que permita identificar potenciais não- conformidades, as respectivas causas e a sua probabilidade de ocorrência; b) Avaliação dos possíveis efeitos e conseqüências negativas, resultantes da não- conformidade; c) Decidir sobre a necessidade de ações preventivas; d) Definir ações preventivas adequadas à natureza e conseqüências dos problemas identificadose planejar a implementação das mesmas, definindo responsáveis, prazos e recursos necessários para implementação. e) Controlar a implementação das ações definidas, registrando os resultados dessas ações; 190 f) Avaliar os resultados das ações tomadas no sentido de determinar se estas foram eficazes. Os resultados das ações desencadeadas precisam estar registrados, e serem levados ao conhecimento da Alta Direção para efeitos de análise crítica do Sistema de Gestão da Qualidade (verificar 5.6). Toda a organização deve demonstrar conhecimento e estar envolvida com as atividades associadas a ações preventivas. É importante assegurar Alta Direção disponibiliza os recursos necessários à implementação das ações preventivas. A implementação e a extensão das ações preventivas a outras áreas da organização devem ser bem avaliadas e implementadas, de modo a não causar efeitos negativos nessas áreas. Alguns exemplos de dados que podem constituir fontes de informação, para a tomada de ações preventivas são: • Revisão das necessidades e expectativas do cliente; • Análise de tendências do mercado; • Análise de produtos concorrentes; • Análise de planos estratégicos da organização (ex. novas linhas de fabricação; mudanças organizacionais; aquisições, etc.); • Saídas da análise crítica pela Alta Direção (ver requisito 5.6); • Saídas da análise de dados (ver requisito 8.4); • Avaliações da satisfação do cliente (ver requisito 8.2.1); • Resultados de monitoramento dos processos e produtos; • Análise de dados referentes ao histórico de não-conformidade e reclamações ocorridas; • Análise de dados referentes a avarias de equipamentos produtivos; • Lições aprendidas através de experiências passadas; • Resultados de auto-avaliação. ���� Evidência • Procedimento documentado que inclua a metodologia para identificação, implementação, controle e revisão de ações preventivas. • Registros dos resultados das ações preventivas empreendidas e outros eventualmente relevantes, para demonstrar a conformidade da prática com os requisitos normativos associados à tomada, realização, controle e revisão de ações preventivas. ���� Não-conformidades • Não serem desencadeadas ações preventivas, existindo evidências de que estas são necessárias ou que poderiam ter sido tomadas antecipadamente para evitar não- conformidades, entretanto ocorridas. • A generalidade das ações classificadas como preventivas corresponder, na realidade, a ações corretivas. 191 • Não evidência de recolhimento e tratamento de informação, com a finalidade de desencadear ações preventivas. Exercício de Fixação 1) O que deve ser considerado em relação à satisfação do cliente? 2) Qual é a finalidade das auditorias internas? 3) O que a norma exige em relação às auditorias internas? 4) O que cabe ao responsável pela área auditada? 5) Diferencie medição e monitoramento de processo, de medição e monitoramento de produto. Em que estágios essas medições e monitoramentos devem ser realizados? 6) De acordo com a NBR ISO 9001:2000, que processos devem ser monitorados? 7) O que é exigido para um registro de medição e monitoramento de produto? 8) O que a organização deve assegurar em relação aos produtos não-conformes com os requisitos especificados? 9) Como podem ser tratados os produtos não-conformes? 10) O que a organização deve fazer quando a detecção do produto não-conforme for posterior à entrega ou ao início de seu uso? 11) Quais são as informações esperadas da análise dos dados do Sistema da Gestão da Qualidade? 12) A partir de que meios deve a organização continuamente melhorar a eficácia do Sistema da Gestão da Qualidade? 13) O que um procedimento de ações corretivas deve conter de importante? 14) O que um procedimento de ações preventivas deve conter de importante? 192 Questões para revisão A seguir, enunciam-se 26 questões de múltipla escolha, relacionadas com a interpretação de requisitos da NBR ISO 9001:2000. Selecione em cada questão a alternativa que lhe pareça ser a mais correta. Questão 1 As "entradas" de projeto e desenvolvimento, que são abordadas especificamente no requisito 7.3.2 da norma, referem-se a: (a) Especificações de características que o produto final a ser desenvolvido deve possuir, abrangendo, como apropriado, características de desempenho, de manutenção, de confiabilidade, de formas e dimensões, sensoriais etc., sejam elas definidas em função de necessidades de clientes e do mercado, de requisitos tecnológicos específicos detidos pela organização, de aprendizados com projetos e desenvolvimentos anteriores ou de requisitos legais ou estatutários. (b) Requisitos do projeto e desenvolvimento que obrigatoriamente devem sempre ser incluídos como critérios de aceitação do produto, abrangendo desempenho, manutenção, contabilidade, formas e dimensões, propriedades sensoriais etc., sejam elas definidas em função de necessidades de clientes e do mercado, de requisitos tecnológicos específicos detidos pela organização, de aprendizados com projetos e desenvolvimentos anteriores ou de requisitos legais ou estatutários. (c) Especificações de características que o produto a ser desenvolvido deve possuir, incluindo acessórios como embalagem e conexões, em todas os estágios pertinentes a serem verificados e validados durante o projeto e desenvolvimento, incluindo fases intermediárias do produto como protótipos e outras, até alcançar o seu estágio final, devendo estas características ser definidas, como apropriado, em função de necessidades de clientes e do mercado, de requisitos tecnológicos específicos detidos pela organização, de aprendizados com projetos e desenvolvimentos anteriores ou de requisitos legais ou estatutários. (d) Resultados de testes, simulações, ensaios, inspeções, provas etc, pertinentes à verificação e à validação do projeto e desenvolvimento, aos quais o produto é submetido durante estágios apropriados de projeto e desenvolvimento, comparados e justificados em relação a especificações, requisitos de aquisição e de produção e exigências de segurança do produto. (e) O conjunto de resultados de verificações, análises e validações aos quais o produto final é submetido ao término do projeto e desenvolvimento incluindo os testes de aceitação junto ao cliente. 193 Questão 2 As "saídas" de projeto e desenvolvimento que são abordadas especificamente no requisito 7.3.3 da norma, referem-se a: (a) Especificações de características que o produto final a ser desenvolvido deve possuir, abrangendo, como apropriado, características de desempenho, de manutenção, de confiabilidade, de formas e dimensões, sensoriais etc., sejam elas definidas em função das necessidades de clientes e do mercado, de requisitos tecnológicos específicos detidos pela organização, de aprendizados com projetos e desenvolvimentos anteriores ou de requisitos legais ou estatutários. (b) Requisitos do projeto e desenvolvimento que obrigatoriamente devem sempre ser incluídos como critérios de aceitação do produto, abrangendo desempenho, manutenção. confiabilidade, formas e dimensões, propriedades sensoriais etc., sejam elas definidas em função das necessidades de clientes e do mercado, de requisitos tecnológicos específicos detidos pela organização, de aprendizados com projetos e desenvolvimentos anteriores ou de requisitos legais ou estatutários. (c) Especificações de características que o produto a ser desenvolvido deve possuir, incluindo acessórios como embalagem e conexões, em todas as fases pertinentes a serem verificadas e validadas durante o projeto e desenvolvimento, incluindo fases intermediárias do produto como protótipos e outras, até alcançar o seu estágio final, devendo estas características ser definidas. como apropriado, em função de necessidades dos clientes e