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<p>MARTELOTTA, M.E. Funções da linguagem. In: MARTELOTTA (Orgs.). Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, p. 31-36, 2011.</p><p>Função ??</p><p>Função como entendemos no dia a dia</p><p>Qual a função do apagador na sala de aula? - o objeto serve para apagar o quadro.</p><p>Qual a função do martelo? - pregar um prego.</p><p>Qual a função da chave de fenda? Apertar ou afrouxar parafusos…</p><p>A pregunta se torna um pouco mais difícil quando lidamos com objetos abstratos, como a linguagem.</p><p>Funções da linguagem</p><p>Funções da linguagem</p><p>Qual a função/quais as funções da linguagem?</p><p>Transmitir informações de um indivíduo ao outro → visão ingênua.</p><p>Ex: imaginem o diálogo entre duas pessoas que se encontram na rua – um deles pergunta: “Como vai? Tudo bem?”, o outro responde com a mesma pergunta “Como vai? Tudo bem?”</p><p>Não é possível dizer que houve transmissão de informação.</p><p>Funções da linguagem</p><p>Se a linguagem possui diferentes funções, associadas a comportamentos enraizados na vida social que transcendem a mera transmissão de informações, como delimitar essas funções?</p><p>Várias pesquisas: Karl Bühler (psicólogo alemão); Roman Jakobson (linguista); Halliday (linguista).</p><p>3</p><p>As funções da linguagem segundo Jakbson</p><p>A linguagem apresenta várias funções e cada uma delas está ligada a um dos elementos constitutivos do ato de comunicação.</p><p>Emissor/falante/locutor:</p><p>- aquele que transmite a mensagem;</p><p>- aquele que se manifesta por meio de um código escolhido por ele e envia a mensagem ao receptor.</p><p>- o código (verbal/não-verbal) deve ser reconhecido pelo receptor.</p><p>Receptor/destinatário/interlocutor/ouvinte:</p><p>- recebe e decodifica o código, caso ele o reconheça; um indivíduo ou um grupo.</p><p>Um contexto apreensível pelo destinatário - referente</p><p>Remete às informações que fazem referência à realidade biossocial que circunda nossa vida.</p><p>A interpretação adequada de uma frase pode depender de informações transmitidas em frases proferidas anteriormente (cotexto linguístico) ou de dados referentes ao local, ao momento da comunicação, ao assunto abordado ou mesmo ao tipo de relação entre os interlocutores (contexto - situação extralinguística).</p><p>Ex: João foi à casa de sua avó. Ela preparou para ele bolo de chocolate. (cotexto).</p><p>Um contexto apreensível pelo destinatário - referente</p><p>Para o destinatário compreender a mensagem, precisa ter também conhecimento do assunto em pauta (contexto extralinguístico).</p><p>Ex: Passei muitos exercícios na aula de hoje.</p><p>Mobilizamos um conjunto de conhecimentos referentes à estrutura de uma aula:</p><p>“ aula de hoje” – aulas são eventos diários.</p><p>Exercícios de fixação são comuns nas aulas.</p><p>Informações não expressas na frase, mas sem as quais não seria possível uma interpretação adequada.</p><p>Ex: quem fala (emissor) é professor de português/quem fala (emissor) é professor de educação física → a ideia de “exercícios” se transforma.</p><p>Um código que seja conhecido por remetente e destinatário</p><p>Código = conjunto de signos convencionados para promover a comunicação entre as pessoas.</p><p>O código usado na comunicação pelo emissor deve ser um código pré-estabelecido entre ele e o receptor, pois caso os dois não compartilhem do mesmo código, a comunicação será falha e não será estabelecida.</p><p>Ex: verbal (escrita ou oral) ou não verbal (sinais, gestos, desenhos, cores, língua portuguesa, língua alemã...).</p><p>Um canal físico e uma conexão psicológica entre remetente e destinatário que permita a troca</p><p>Canal = meio pelo qual é transmitida a mensagem.</p><p>Comunicação verbal em presença – considera-se o ar, através do qual as ondas sonoras se propagam.</p><p>Comunicação a distância: telefone, faixas de frequência de rádio, papel, e-mail etc..</p><p>A comunicação é uma atividade cooperativa: é fundamental algum interesse em comum que crie uma conexão psicológica, sem a qual a comunicação seria prejudicada.</p><p>As funções da linguagem</p><p>As funções da linguagem</p><p>Elas podem se misturar?? SIM! *Final da aula</p><p>A multiplicidade da linguagem é sintetizada em 6 funções:</p><p>Função emotiva/expressiva</p><p>Emissor</p><p>Consiste na exteriorização da emoção ou da opinião do emissor em relação àquilo que fala de modo que essa emoção transpareça no nível da mensagem. (Pode ser percebida na escolha vocabular, na entonação, nos gestos etc..).</p><p>verbos e pronomes em primeira pessoa;</p><p>presença comum de ponto de exclamação, interjeições, adjetivos...</p><p>expressão de estados de alma do emissor (subjetividade e pessoalidade); presença predominante em textos poemas, autobiografias, cartas pessoais, depoimentos, memórias.</p><p>Ex: jogo de futebol narrado com emoção;</p><p>Ex: Ele saiu de casa – o canalha abandonou o lar.</p><p>“Ouvi dizer que você está estabilizado Que você encontrou uma garota E está casado agora Eu ouvi dizer que os seus sonhos se realizaram Acho que ela lhe deu coisas que não dei a você.” Adele</p><p>Função emotiva/expressiva</p><p>Emissor</p><p>Função conativa/apelativa/persuasiva</p><p>receptor</p><p>Consiste em influenciar o comportamento do destinatário, por meio de um apelo ou uma ordem, já que ele é o alvo da informação.</p><p>verbos no imperativo;</p><p>Vocativos, uso de tu e você, nome de pessoas...</p><p>tentativa de convencer o receptor a ter um determinado comportamento;</p><p>presença predominante em textos de publicidade e propaganda; propaganda política – votar em um político ou agir de determinada maneira; campanhas como doação de agasalho...</p><p>Função conativa</p><p>receptor</p><p>O destaque é dado ao referente, ou seja, ao contexto, ao assunto, ao conteúdo;</p><p>O principal objetivo do autor é transmitir uma informação;</p><p>Objetividade- linguagem direta, precisa, denotativa;</p><p>Clareza nas ideias;</p><p>finalidade é traduzir a realidade, tal como ela é;</p><p>Presença predominante em textos informativos, jornalísticos, textos didáticos, científicos; mapas, gráficos, legendas, receitas, previsão do tempo.</p><p>Função referencial/denotativa</p><p>contexto</p><p><número></p><p>Função referencial</p><p>contexto</p><p>Portinari: valorização do Brasil e da arte</p><p>Filho de imigrantes italianos, Cândido Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café nas proximidades de Brodósqui, em São Paulo. Com a vocação artística florescendo logo na infância, Portinari teve uma educação deficiente, não completando sequer o ensino primário. Aos 14 anos de idade, uma trupe de pintores e escultores italianos que atuava na restauração de igrejas passa pela região de Brodósqui e recruta Portinari como ajudante. Seria o primeiro grande indício do talento do pintor brasileiro.</p><p>Função fática</p><p>Canal</p><p>Consiste em iniciar, prolongar ou terminar um ato de comunicação.</p><p>Está centrada no canal, já que não visa propriamente à comunicação, mas ao estabelecimento ou ao fim do contato, refletindo também a preocupação de testar o contato, checar o recebimento da mensagem e, muitas vezes, tentar manter o contato.</p><p>Ex: alô, bom dia (saudações).</p><p>*redação: introdução (abertura), desenvolvimento (manutenção), conclusão (fechamento do canal).</p><p>Função metalinguística</p><p>Código</p><p>Usar à linguagem para se referir à própria linguagem, uma vez que os humanos utilizam a linguagem para se referir não apenas à realidade, mas também ao próprio código.</p><p>Ex: um linguista define a língua → para conceituar um termo do código, ele usou o próprio código; gramáticas, dicionários...</p><p>O poeta, num texto qualquer, reflete sobre a criação poética; quando um cineasta cria um filme tematizando o próprio cinema; quando um programa de televisão enfoca o papel da televisão no grupo social; quando um desenhista de quadrinhos elabora quadrinhos sobre o próprio meio de comunicação, verbetes de dicionário etc.</p><p>Função poética</p><p>Mensagem</p><p>Quando a mensagem é elaborada de forma inovadora e imprevista, utilizando combinações sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou de ideias, temos a manifestação da função poética da linguagem. A forma chama mais atenção que o conteúdo.</p><p>Centrada na mensagem.</p><p>Palavras com uma função estética.</p><p>• Utilização do sentido figurado ou conotativo.</p><p>• Presença das figuras de linguagem como a metáfora.</p><p>• São facilmente</p><p>encontradas na literatura, na poesia, na música e na publicidade.</p><p>Função poética</p><p>Mensagem</p><p>“Quem é vivo faz seguro de vida no fundo Itaú”.</p><p>Vivo = quem está vivo/quem é esperto</p><p><número></p><p>“ Uma mesma mensagem apresenta mais de uma dessas funções, de modo que a decisão referente a qual função caracteriza uma mensagem é mais uma questão de decidir a ordem hierárquica de funções do que de escolher apenas uma.”. p.8</p><p>Anuncie seu produto: a propaganda é a alma do negócio.</p><p>Metalinguística: o anúncio fala do anúncio;</p><p>Conativa: verbo no imperativo;</p><p>Poética: renovação de um clichê, conferindo-lhe efeito especial.</p><p>Existem 3 funções nesse anúncio. Qual função da linguagem que prevalece?</p><p>No anúncio apresentado, a função conativa ou apelativa da linguagem é a que prevalece. Ela se manifesta principalmente no uso do verbo no imperativo ("Anuncie seu produto"), cujo objetivo é persuadir o interlocutor a realizar uma ação, no caso, anunciar seu produto.</p><p>Embora as funções metalinguística (falar sobre o próprio ato de anunciar) e poética (uso criativo e estético da linguagem) estejam presentes, a ênfase está em convencer e direcionar o leitor para uma ação específica, o que caracteriza a predominância da função conativa.</p><p>image1.jpeg</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.jpeg</p><p>image4.jpeg</p><p>image5.png</p>