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Os mecanismos de defesa 04

Material sobre os mecanismos de defesa em Freud: origem e evolução do conceito (textos de 1893–1894), definição de recalque e divisão da consciência, relação entre defesas e formação de sintomas; inclui propósito, objetivos, preparação e Módulo 1.

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<p>DESCRIÇÃO</p><p>Criação do conceito de defesa em Freud; os mecanismos de defesa em Freud e seguidores; o papel da</p><p>defesa na formação do sintoma.</p><p>PROPÓSITO</p><p>Compreender o desenvolvimento dos conceitos e dos mecanismos de defesa, relacionando-os à formação do</p><p>sintoma, é fundamental para a prática clínica psicanalítica.</p><p>PREPARAÇÃO</p><p>Antes de iniciar o estudo deste conteúdo, tenha em mãos alguns dicionários de Psicanálise, tais como:</p><p>Vocabulário de Psicanálise, de Laplanche e Pontalis, publicado pela editora Martins Fontes.</p><p>Dicionário de Psicanálise, de Elizabeth Roudinesco e Michel Plon, publicado pela editora Zahar.</p><p>OBJETIVOS</p><p>MÓDULO 1</p><p>Reconhecer o conceito de defesa identificando os diferentes mecanismos de defesa</p><p>MÓDULO 2</p><p>Relacionar os mecanismos de defesa à formação de sintomas</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Todos os seres humanos vivem um conjunto de pressões no seu cotidiano que se originam tanto do mundo</p><p>interno quanto do mundo exterior. Tais pressões podem trazer certos impasses que causam angústia. A teoria</p><p>psicanalítica entende que, na tentativa de resolução desses conflitos, utilizamos mecanismos psíquicos</p><p>inconscientes chamados de mecanismos de defesa. Defender-se é uma tendência normal de todos os</p><p>indivíduos. Entretanto, podemos considerar que esses mecanismos podem ser bem-sucedidos ou não quanto</p><p>a suprimir sofrimento ou dor psíquica. Nesse sentido, os mecanismos de defesa podem trazer adoecimento de</p><p>acordo com sua rigidez, sua repetição e não flexibilidade, levando à criação de sintomas.</p><p>Nos próximos módulos, vamos reconhecer e diferenciar os mecanismos de defesa e</p><p>sua relação com a formação de sintomas. Tal estudo é fundamental para o</p><p>conhecimento de como se encontra o funcionamento da psique, saudável ou</p><p>patológica, colaborando para o trabalho na clínica psicanalítica.</p><p>MÓDULO 1</p><p> Reconhecer o conceito de defesa identificando os diferentes mecanismos de defesa</p><p>A ORIGEM DO CONCEITO DE DEFESA</p><p>O desenvolvimento da teoria psicanalítica teve seu fundamento na prática clínica. Freud, ao iniciar seu</p><p>trabalho clínico, no final do século XIX, realizou uma mudança de perspectiva – deixou de olhar o sintoma e</p><p>passou a escutar o drama de cada paciente, como esse sintoma se organizou. A partir desse ângulo, passou a</p><p>buscar a organização e funcionamento do psiquismo. Trabalhando com a histeria, suas primeiras experiências</p><p>clínicas o colocaram de frente com a questão do trauma. Na tentativa de compreensão do traumático, Freud</p><p>se depara com as origens do mecanismo defensivo.</p><p> VOCÊ SABIA</p><p>A primeira vez que Freud fez uso do termo defesa foi no seu texto Neuropsicoses de Defesa, de 1894.</p><p>Estamos falando do início do desenvolvimento da teoria psicanalítica. Veremos mudanças nessa conceituação</p><p>com o passar de seus estudos e com as novas concepções sobre o aparelho psíquico, mais precisamente a</p><p>apresentação da segunda tópica, referente ao surgimento das instâncias psíquicas Id, Ego e Superego.</p><p>Freud, no texto Sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos histéricos (1893), estabelece uma relação entre o</p><p>traumático e o adoecimento psíquico. Essa relação é encontrada no processo de “defesa”. E como Freud</p><p>descreve tal situação? A existência de uma incompatibilidade na vida mental, mais precisamente uma</p><p>experiência de caráter aflitivo, de desprazer, em uma contradição vivida entre uma ideia conflitante e o eu,</p><p>produz o ato voluntário na direção do esquecimento. Para tal, será necessária a “divisão da consciência”,</p><p>resultado da tentativa de livrar-se dessa lembrança tão aflitiva. Podemos perceber que, no final do século XIX,</p><p>havia uma ideia bem geral do conceito de recalcamento, que será melhor entendido posteriormente. Esse</p><p>recalque incidiria sobre a ideia ou lembrança e também sobre o afeto, expulsando-os da consciência e</p><p>fazendo surgir essa segunda consciência.</p><p>Prosseguindo nessas investigações e conclusões, veremos a ação do mecanismo de defesa sofrendo</p><p>importantes modificações. No texto, Neuropsicoses de Defesa, Freud (1975, p. 55) descreveu:</p><p>(...) HOUVE UMA OCORRÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE EM</p><p>SUA VIDA REPRESENTATIVA — ISTO É, ATÉ QUE SEU EU SE</p><p>CONFRONTOU COM UMA EXPERIÊNCIA, UMA</p><p>REPRESENTAÇÃO OU UM SENTIMENTO QUE SUSCITARAM UM</p><p>AFETO TÃO AFLITIVO QUE O SUJEITO DECIDIU ESQUECÊ-LO,</p><p>POIS NÃO CONFIAVA EM SUA CAPACIDADE DE RESOLVER A</p><p>CONTRADIÇÃO ENTRE A REPRESENTAÇÃO INCOMPATÍVEL E</p><p>SEU EU POR MEIO DA ATIVIDADE DE PENSAMENTO. A TAREFA</p><p>QUE O EU SE IMPÕE, EM SUA ATITUDE DEFENSIVA, DE</p><p>TRATAR A REPRESENTAÇÃO INCOMPATÍVEL COMO “NON-</p><p>ARRIVÉ”, SIMPLESMENTE NÃO PODE SER REALIZADA POR</p><p>ELE. TANTO O TRAÇO MNÊMICO COMO O AFETO LIGADO À</p><p>REPRESENTAÇÃO LÁ ESTÃO DE UMA VEZ POR TODAS E NÃO</p><p>PODEM SER ERRADICADOS.</p><p>Freud (1975, p. 55).</p><p> ATENÇÃO</p><p>Fica claro o comportamento de sujeito no sentido de se proteger da dor psíquica, mas também seu insucesso.</p><p>Continuando suas pesquisas, principalmente a partir de sua clínica, Freud passa a observar que, para além da</p><p>divisão da consciência, destinos múltiplos para o afeto rejeitado da consciência seriam encontrados. No</p><p>esforço de afastar a ideia irreconciliável, o afeto a ela ligado toma caminhos diversos. Esse afeto, ou “soma de</p><p>energia”, ou “soma de excitação sexual” é deslocada para outra ideia, ou para partes somáticas. Esse destino</p><p>dado à carga afetiva será responsável pelo surgimento dos sintomas e das patologias.</p><p>Em 1896, no texto Novas observações sobre as psiconeuroses de defesa, Freud identifica os mecanismos</p><p>defensivos mais característicos da histeria, da neurose obsessiva e da psicose.</p><p>É preciso compreender que o movimento defensivo do sujeito é absolutamente normal. Entretanto, por nem</p><p>sempre ser bem-sucedido, poderemos encontrar repercussões no funcionamento da mente significando</p><p>adoecimento ou estados patológicos.</p><p>No final do século XIX, período chamado pré-psicanalítico, já encontramos o esboço de alguns conceitos de</p><p>mecanismos defensivos utilizados por um “eu” que luta contra os impulsos internos, contra a pulsão que</p><p>deseja se satisfazer. Vislumbramos o recalque e o deslocamento que estudaremos aqui mais adiante.</p><p>A pergunta sobre o porquê esse “eu” coloca em jogo uma defesa contra a possibilidade de alcançar uma</p><p>satisfação pulsional ou obter prazer só seria mais bem respondida com o aprofundamento teórico-clínico de</p><p>conceitos elaborados nos anos e décadas seguintes. A proposição de um modelo do aparelho psíquico em</p><p>que existem sistemas com características e funções diferenciadas demonstra a complexidade do</p><p>funcionamento da psique. A ação defensiva localiza-se na relação e no surgimento do conflito entre os</p><p>diferentes sistemas.</p><p>Em um primeiro tempo, é descrita a conhecida primeira tópica: Inconsciente, Pré-consciente e Consciente</p><p>(1900); e posteriormente, a segunda tópica: Id, Ego e Superego (1923). Com a caracterização da segunda</p><p>tópica, uma nova perspectiva da personalidade, o Ego será apresentado como a instância central e o</p><p>responsável por inúmeras funções, incluindo a função de defesa.</p><p>O Ego é a via de contato direto com os mundos exterior e interior, servindo de intermediário entre esses dois</p><p>“lugares” e buscando regulação e estabilidade psíquica.</p><p>O Id é o reservatório da energia pulsional, fonte dessa energia inesgotável que procura ser descarregada,</p><p>obter prazer e, enfim, ser apaziguada.</p><p>O Superego representa a função crítica e se constitui a partir da interiorização das exigências e proibições</p><p>parentais e da cultura.</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Em acordo com Freud, sabemos que a origem do Ego parece referir-se a camadas superficiais do Id que</p><p>entram em contato com a realidade e, observando todas as funções exercidas pelo Ego, identificamos partes</p><p>consciente e inconsciente nele. De posse desse entendimento, podemos afirmar que o processo de defesa é</p><p>inconsciente.</p><p>Agora vamos circunscrever alguns aspectos do trabalho do Ego nessa função tão essencial que é a</p><p>defesa.</p><p>O EGO E A FUNÇÃO DE DEFESA</p><p>A tarefa defensiva do Ego é motivada devido a algumas fontes internas ou externas: o papel do mundo</p><p>exterior, as</p><p>forças superegoicas, incluindo a culpa, e a experiência de angústia. Vejamos cada uma dessas</p><p>fontes:</p><p>O PAPEL DO MUNDO EXTERIOR</p><p>O mundo exterior auxilia na produção das defesas na medida em que pode oferecer algum estímulo que seria</p><p>sentido como traumático ou que teria a capacidade de reconectar outro estímulo anteriormente doloroso.</p><p>AS FORÇAS SUPEREGOICAS</p><p>Por meio de exigências e imposições, o Superego pressiona o Ego a respeito se “deve ou não” se permitir</p><p>satisfazer as solicitações do Id. Vale lembrar que o Superego é constituído pela incorporação de valores,</p><p>crenças e ideais herdados das figuras parentais e da cultura. Um impulso interno, um desejo que se mostre</p><p>diferente ou oposto a esses conteúdos, é sempre acompanhado de culpa. Sem dúvida, essa culpa interfere</p><p>fortemente no lidar egoico sobre o desejo.</p><p>A EXPERIÊNCIA DE ANGÚSTIA</p><p>A angústia é experimentada desde os primórdios da vida de um bebê. Mesmo com um Ego primitivo, o bebê</p><p>exibe comportamentos defensivos com a intenção de afastar situações consideradas traumáticas de dor e</p><p>desprazer. Podemos dizer que a experiência de angústia é a fonte básica que motiva o Ego a ativar seus</p><p>mecanismos de defesa.</p><p>Alguns autores, como Fenichel (1981), classificam as defesas do Ego como exitosas ou ineficazes.</p><p>Nas defesas consideradas exitosas, existe sucesso quanto a suprimir a ideia repulsiva e efetivamente mantê-</p><p>la afastada da consciência.</p><p></p><p>Já as defesas inoperantes são aquelas que precisam seguidamente repetir o movimento de expulsão da</p><p>ideia, com o objetivo que ela não ressurja no Ego. As defesas que levam ao adoecimento pertencem a esse</p><p>segundo grupo.</p><p>Antes de passarmos à descrição dos mecanismos de defesa, é importante dizer que, além de Freud, o estudo</p><p>sobre as defesas foi essencialmente aprofundado por sua filha, Anna Freud. Ela se dedicou a analisar como o</p><p>desenvolvimento infantil podia ser afetado pela forma como o Ego lidava com os afetos dolorosos, com a</p><p>ansiedade, e colocava em jogo os mecanismos defensivos. Outros autores também contribuíram para a</p><p>pesquisa e definição desses mecanismos. Poderíamos mencionar Melanie Klein, Ferenczi, Lacan e Vaillant,</p><p>este último é um autor mais contemporâneo.</p><p>Vamos conhecer agora os principais mecanismos de defesa: o recalcamento, a clivagem, a regressão, o</p><p>deslocamento, a formação reativa, o isolamento, a anulação, a projeção, a introjeção, a negação, a</p><p>sublimação.</p><p>RECALQUE</p><p>O recalque é um dos mais importantes mecanismos descritos por Freud, sendo fundamental para se entender</p><p>a dinâmica do funcionamento mental. Durante o início do desenvolvimento conceitual, foi empregado de</p><p>maneira comparável ao de defesa, ou seja, usados de forma quase equivalente. A partir de 1926, no texto</p><p>Inibição, sintoma e angústia, Freud estabelece uma diferenciação, tomando a defesa como uma forma geral</p><p>de atuação do Ego, e o recalque como uma ação mais específica.</p><p>O recalque consiste em um ato de eliminar do nível consciente, e manter no inconsciente, uma representação</p><p>psíquica (pensamento, ideia, imagens, lembranças) associada à pulsão, que seria passível de provocar</p><p>desprazer no aparelho psíquico, ou parte dele (alguma instância), sendo, portanto, inaceitável a sua</p><p>permanência na consciência. Devemos reparar que, para além de afastar da consciência a representação, tal</p><p>mecanismo pressupõe a necessidade de continuar mantendo-a afastada. Deduz-se daí que aquilo que foi</p><p>recalcado precisará de um esforço contínuo, um “plus”, para manter tal representação apartada. Apesar de o</p><p>representante estar fora da consciência, ele não deixa de estar “vivo” e com energia psíquica. Nesse sentido,</p><p>precisará do que Freud chamou de contrainvestimento, uma energia para manter esse conteúdo recalcado.</p><p>Um exemplo usado por Kusnetzoff (1982) tornará clara essa situação “(...) um homem que deseja manter</p><p>afundado na água um barril vazio deverá usar uma força constante e a interrupção da mesma permitiria que o</p><p>barril voltasse bruscamente à superfície”. Caso não haja esse gasto permanente de energia pelo Ego, o</p><p>representante psíquico buscará uma forma de escapar e tenderá a retornar para a consciência. Esse</p><p>fenômeno é chamado de retorno do recalcado, uma ação que consiste no reaparecimento desses elementos</p><p>recalcados. No retorno do recalcado, os conteúdos reaparecem, mas agora distorcidos.</p><p>Retomando o conhecimento do processo de recalque, testemunhamos que as representações expulsas</p><p>passam a constituir um “grupo psíquico separado”. Seria inaugurado um núcleo patogênico com capacidade</p><p>de atrair uma série de outros representantes assemelhados ou que se correlacionassem entre si – os</p><p>chamados derivativos. Observamos então que o mecanismo de recalque não se dá em uma única e</p><p>efetiva vez. Freud distingue basicamente dois momentos em relação ao processo de recalcamento:</p><p>RECALQUE ORIGINÁRIO OU PRIMÁRIO</p><p>RECALQUE SECUNDÁRIO</p><p>RECALQUE ORIGINÁRIO OU PRIMÁRIO</p><p>O recalque primário seria o primeiro tempo do recalque, ou aquele que inaugura o impedimento de que a</p><p>representação tenha acesso ao consciente. Logo, o recalque originário se relaciona às origens do</p><p>inconsciente.</p><p>RECALQUE SECUNDÁRIO</p><p>O recalque secundário refere-se à sucessão de derivativos associados à representação primária. Em outras</p><p>palavras, consiste na atração de uma série de outros conteúdos representantes assemelhados ou que se</p><p>correlacionam com o conteúdo recalcado original.</p><p>Um exemplo poderia dar a dimensão do que estamos descrevendo como recalque. Para que a civilização</p><p>pudesse existir, foi necessário que o ser humano recalcasse vários conteúdos destrutivos e agressivos,</p><p>privilegiando a construção e o amor. Vários outros exemplos podem ser encontrados nos casos clínicos de</p><p>Freud. Em um deles, o caso Lucy (1895), observa-se o recalcamento do amor da mulher pelo seu patrão. A</p><p>partir do momento que a ideia vem à tona durante o processo analítico e é aceito pela mulher, Freud pergunta</p><p>por que ela não tinha contado antes e recebe a seguinte resposta: “eu não sabia disso, ou melhor, eu não</p><p>queria saber, queria tirar da minha cabeça, nunca mais pensar nisso”. Na verdade, ela sempre soubera disso,</p><p>mas queria “tirar da cabeça”. Se colocarmos a questão em termos de instâncias, veremos aí a existência de</p><p>uma ação do consciente na direção do inconsciente; o Ego submetido ao Superego, não permitindo a</p><p>satisfação desse impulso do Id.</p><p>E como diferenciar o recalque da repressão? A primeira diferença encontra-se pelo caráter absolutamente</p><p>consciente e sua direção para o pré-consciente por parte da Repressão, no sentido de deslocar a</p><p>representação do consciente para o pré-consciente; assim, a representação tem maior facilidade de ser</p><p>acessada por um esforço consciente de trazê-la de volta. O recalcado, por outro lado, oferece uma resistência</p><p>por meio do contrainvestimento que o impede de vir à tona.</p><p>CLIVAGEM</p><p>A clivagem ou cisão pode ser descrita como um fenômeno de dividir-se internamente. Um mecanismo muito</p><p>particular em que é observada a coexistência, no interior do Ego, de condutas psíquicas diferentes na relação</p><p>com a realidade exterior, quando esta não tem possibilidades de atender a uma exigência da pulsão.</p><p>Importante perceber que encontramos aqui uma luta entre o Ego e a realidade externa. Segundo Laplanche</p><p>(1992), uma dessas condutas leva em conta a realidade e a outra nega essa mesma realidade, colocando em</p><p>seu lugar uma criação do desejo. Essas duas atitudes permanecem existindo paralelamente sem se</p><p>influenciarem, ou seja, o psiquismo parece estar desconectado entre si.</p><p>Muito importante também assinalar que Freud, além de trabalhar a ideia da clivagem como referida a</p><p>processos patológicos (perversão, psicose), incluiu-a em uma perspectiva de estruturação da psique em</p><p>momentos primitivos do Ego. Melanie Klein é clara quanto a essa ideia na elaboração do desenvolvimento do</p><p>bebê quando da clivagem dos objetos e do Ego, tão demonstrada na chamada posição esquizoparanoide. O</p><p>termo esquizoparanoide é usado por Klein para</p><p>se referir a um estágio no desenvolvimento em que o bebê</p><p>passa por relações de objeto parciais e uma ansiedade persecutória sobre a sobrevivência do self. Nessa</p><p>etapa, o bebê não reconhece que aquela mãe que odeia em um momento e adora em outro trata-se da</p><p>mesma pessoa.</p><p>Para Klein, a clivagem é o mecanismo de defesa mais primitivo contra a angústia primordial. A divisão inicial é</p><p>fundamental para que, somente de forma gradativa, as experiências subjetivas de prazer e desprazer, do bom</p><p>e do mau, possam se integrar em Ego e objeto totais e plenos. Servirá para que se consiga diferenciar e</p><p>organizar a realidade, interna e externa, amparada na ocorrência de experiências passadas boas e/ou más. O</p><p>protótipo das relações vividas posteriormente no mundo adulto estará referido a essa construção dos</p><p>relacionamentos primordiais e a possibilidades de integração das tendências boas e más do objeto. O</p><p>mecanismo de clivagem pode ser ativado na vida adulta normal e utilizado para colocar em “suspensão”</p><p>determinados conteúdos ansiogênicos e realizar outras ações necessárias.</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Para exemplificar tal situação, podemos citar as vezes em que colocamos de lado um determinado problema</p><p>durante o tempo necessário para assistir a uma aula ou realizar um trabalho que precisa ser entregue. Nos</p><p>casos de psicose, podemos exemplificar a criação de um delírio ou substituição da realidade por um desejo.</p><p>Nesse sentido, verificamos a produção de uma nova realidade, mais satisfatória, entretanto nada factual. Para</p><p>finalizar, importante mencionar que Lacan nomeou esse processo de cisão como forclusão.</p><p>REGRESSÃO</p><p>A regressão, de modo mais geral, é um processo psíquico relacionado ao retorno em algum ponto do</p><p>desenvolvimento já ultrapassado. Seria um “retorno a formas anteriores do desenvolvimento do pensamento,</p><p>das relações de objeto e da estruturação do comportamento” (LAPLANCHE, 1992, p. 440)</p><p>Freud diferencia três tipos de regressão:</p><p>TÓPICA</p><p>Alternância e sucessão entre os sistemas psíquicos, processo responsável pelos sonhos.</p><p>TEMPORAL</p><p>Retorno a etapas transpostas, tais como fases libidinais ou identificações mais primárias em termos evolutivos.</p><p>FORMAL</p><p>Retorno a modos de conduta menos complexos, estruturados ou diferenciados.</p><p>Na verdade, esses três tipos de regressão constituem um só, e em geral ocorrem juntos.</p><p>É possível pensar que todo sintoma se encontra associado a uma regressão, a um outro momento do</p><p>desenvolvimento em que o “eu” supõe ter obtido uma satisfação pulsional, permanecendo assim agarrado a</p><p>uma antiga forma de satisfação, desprezando o presente.</p><p>Por exemplo, uma criança que já deixou de usar fraldas torna a fazer xixi na cama diante de uma situação</p><p>ameaçadora ou que lhe gera angústia, como o nascimento de um irmão que ameaça a lhe tirar o amor de sua</p><p>mãe.</p><p>DESLOCAMENTO</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>O deslocamento é um mecanismo de defesa reconhecidamente simples e o encontramos como usual nos</p><p>sonhos. Caracteriza-se pela “transposição” da energia psíquica vinculada a uma representação incômoda para</p><p>outra menos ou nada inoportuna, baseada em elementos associativos com representações entre si. A</p><p>independência entre os representantes psíquicos da pulsão (afetivo e ideativo) é demonstrada nesse</p><p>mecanismo.</p><p>Na análise dos sonhos ou no relato dos pacientes, encontramos vários exemplos de deslocamento. O caso de</p><p>fobia do Pequeno Hans (FREUD, 1909) deixa claro o deslocamento do afeto proibido de ódio/medo do pai</p><p>para medo de cavalos. Desse modo, durante esse deslocamento, transferimos a importância de uma ideia</p><p>para outra diferente.</p><p>O mecanismo do deslocamento está presente em inúmeros processos patológicos, mas é na fobia que</p><p>poderemos melhor visualizá-lo. O sujeito transfere (desloca) uma reação emocional a um objeto ou pessoa</p><p>para outro objeto ou pessoa.</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Por exemplo, deslocamos o medo que sentimos pelo nosso pai para outro objeto, por exemplo uma barata.</p><p>Claro, isso não quer dizer que o medo de baratas significa ter medo do pai, estamos apenas dando um</p><p>exemplo. Cada caso precisa ser analisado cuidadosamente.</p><p>FORMAÇÃO REATIVA</p><p>A formação reativa trata-se de um modo de garantir um recalque já pactuado. Diz respeito a uma oposição</p><p>total à realização de um desejo inadmissível inconsciente por meio de uma atitude ou de um investimento em</p><p>um impulso oposto. O Ego produz o aparecimento de uma disposição em direção totalmente oposta ao</p><p>impulso para tentar proteger o sujeito de algum perigo interno. Fenichel (1981) aponta a existência de formas</p><p>intermediárias de reatividade. Uma das configurações seria, por exemplo, a transformação de um ódio intenso</p><p>em relação ao namorado em um aparente carinho e cuidado extremo com ele, assegurando o recalque de seu</p><p>ódio. A transformação fica restrita a um aspecto ou um objeto.</p><p>Outra forma refere-se a uma total alteração da personalidade, como no caso de neurose obsessiva, onde a</p><p>bondade, a consideração e a justiça tornam-se características rígidas da personalidade tentando garantir a</p><p>ocultação da agressividade.</p><p>A FORMAÇÃO REATIVA E SUAS</p><p>PARTICULARIDADES</p><p>O especialista Luciano de Souza Dias apresentará algumas das clássicas configurações em que a formação</p><p>reativa pode aparecer e como esse mecanismo se relaciona com o recalque.</p><p>ISOLAMENTO</p><p>O isolamento é um mecanismo que se refere a isolar algum pensamento ou comportamento, desligando-o de</p><p>suas conexões e de seu sentido emocional. Realiza-se um bloqueio impossibilitando qualquer tipo de contato</p><p>com outros pensamentos relacionados ou até mesmo experiências de vida. Conseguimos perceber essa</p><p>tentativa de isolar um pensamento quando no relato o sujeito faz interrupções no seu discurso, ou intervalos</p><p>de tempo e espaço em suas ações, quebrando o elo associativo das ideias e dos atos.</p><p>“(...) QUANDO O NEURÓTICO ISOLA UMA IMPRESSÃO OU</p><p>ATIVIDADE POR PAUSA, DÁ-NOS SIMBOLICAMENTE A</p><p>ENTENDER QUE NÃO PERMITIRÁ QUE OS PENSAMENTOS</p><p>QUE LHES DIZEM RESPEITO ENTREM EM CONTATO</p><p>ASSOCIATIVO COM OUTROS”.</p><p>(LAPLANCHE, 1992, p. 259).</p><p>ANULAÇÃO</p><p>Se na formação reativa encontramos uma atitude oposta ao impulso primário recalcado, na anulação existe</p><p>dispêndio de energia para que pensamentos, discursos e até mesmo ações pregressas e já realizadas não</p><p>tenham acontecido. Freud entende que esse mecanismo parece utilizar-se de aspectos mágicos, executando</p><p>atos imaginários ou mesmo reais, contrários ao anteriormente já executado, com o objetivo de, nesse segundo</p><p>tempo, torná-los nulos.</p><p>Um paciente, todas as vezes que no seu discurso apresentava pensamentos ou relatos de acontecimentos</p><p>agressivos em relação ao seu pai, procurava rapidamente uma madeira para bater nela, dizendo que não</p><p>gostaria que nada disso ocorresse, aliviando sua ansiedade e tentando neutralizar seus desejos quanto a seu</p><p>pai. Ele agia assim como se, por meio desse movimento, magicamente conseguisse anular seu pensamento.</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>PROJEÇÃO</p><p>O mecanismo de projeção é considerado bastante primitivo e foi descrito por Freud pela primeira vez em um</p><p>caso de paranoia. Entretanto, sabemos que esse mecanismo se encontra a todo instante no cotidiano de</p><p>nossa vida, e não só em comportamentos patológicos.</p><p>No sentido psicanalítico do termo, entende-se como a atribuição a outrem, sujeito ou objeto,</p><p>peculiaridades ou características, sentimentos ou desejos, que se desconhece em si mesmo ou que</p><p>não sequer aceitar que possua.</p><p>Podemos afirmar que se dá uma operação de colocar para fora aquilo que recusamos em nós mesmos –</p><p>transposição do interno para o externo. Um alívio da tensão interna é encontrado nesse mecanismo. Assim</p><p>como diz uma famosa frase atribuída a Freud:</p><p>“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”.</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>Muitos são os exemplos que são encontrados no dia a dia, tais como o ciúme excessivo onde os desejos de</p><p>infidelidade são conferidos ao cônjuge; ou quando em uma briga com o colega do trabalho</p><p>você afirma que ele</p><p>está com raiva por perceber sua competência, sendo que ele acabou de ser promovido.</p><p>Não podemos deixar de lembrar que os mecanismos de projeção e os de introjeção são atuantes desde o</p><p>início da vida psíquica em bebês. Melanie Klein estudou os dois e os associou à ansiedade primitiva do bebê e</p><p>aos primórdios da diferenciação entre eu e não eu. Na tentativa de lidar com as ansiedades e frustrações, o</p><p>bebê expulsa para o mundo exterior aspectos maus, inaceitáveis, capazes de causar algum desprazer e dor.</p><p>Através de sucessivas operações de projeção e introjeção, o bebê irá construindo seu mundo interior.</p><p>INTROJEÇÃO</p><p>Foi Ferenczi quem propôs o conceito introjeção em analogia ao de projeção. Freud, posteriormente, o</p><p>contrapõe à projeção. Refere-se à apropriação, por parte de um sujeito, de qualidades ou traços de um outro</p><p>ou objeto exterior. A introjeção tem similitude com o conceito de incorporação e, no que diz respeito às</p><p>crianças, é o método mais natural para desenvolver seu Ego incipiente. Colocar para dentro (eu) cada vez</p><p>mais partes do mundo exterior, enriquecendo-o.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>O processo de identificação se concretiza paralelamente ao de introjeção, ou seja, ao introjetar-se, também se</p><p>identifica, tornando parte do mundo interno. O desenvolvimento do Ego e do Superego possui estreita</p><p>correlação com os mecanismos de introjeção e projeção. O Ego torna-se mais rico por meio do colocar para</p><p>dentro aspectos do mundo exterior. O Superego é constituído pelos aspectos provenientes tanto das</p><p>interdições parentais quanto da cultura. De um modo mais amplo, podemos afirmar que a personalidade se</p><p>constitui por meio de sucessivas identificações, introjeções e projeções.</p><p>NEGAÇÃO</p><p>A negação é um dos mecanismos visivelmente associados ao recalque. Ao mesmo tempo em que há uma</p><p>admissão de um desejo, pensamento ou sentimento incompatível, deparamo-nos com uma negação de que</p><p>lhe pertença (LAPLANCHE, 1992). Assim dizemos “você pode imaginar agora que deveria estar sentindo</p><p>medo pelo que me aconteceu, mas não era exatamente isso que iria mencionar”, ou “não, jamais pensei nisso”</p><p>como típicos exemplos de uma negação.</p><p>Freud, em alguns artigos, cita exemplos, especialmente em A Negação (1975, p. 11), onde faz a seguinte</p><p>afirmação: “(...) e o ‘não’ é seu sinal característico, um certificado de origem, algo como made in Germany”.</p><p>Cada vez que enfaticamente negamos algo, apontamos que é aí que se encontra a verdade, na afirmação</p><p>desse conteúdo. É característica da infância a negação de circunstâncias desagradáveis e a busca da</p><p>satisfação pela fantasia. Mas quando a vida adulta avança, e com ela o juízo de realidade, a capacidade de</p><p>julgamento e percepção interna, esse mecanismo vai reduzindo.</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>Em alguns casos, Freud apontou o que podemos traduzir como recusa. Esse é um mecanismo de defesa que</p><p>se diferencia da negação. Trata-se de negar ou recusar a realidade da percepção da representação ou do</p><p>conteúdo. Tal mecanismo é encontrado especialmente nas perversões e nas psicoses. Encontra-se associado</p><p>à castração, mais propriamente à recusa e ao reconhecimento da percepção da falta do pênis (por relação a</p><p>existência do mesmo em outro sujeito), e de não aceitação da diferença anatômica dos sexos. Tal operação de</p><p>rejeição radical é uma defesa primária pela necessidade de afastamento de uma realidade insuportável – a</p><p>falta. Nesse caso, o sujeito ao recusar acredita que aquilo que é recusado é falso. Em algumas traduções de</p><p>Freud, encontramos o termo denegação, fazendo referência ao sujeito que desmente o fato, não</p><p>reconhecendo o mesmo como verdade.</p><p>SUBLIMAÇÃO</p><p>A sublimação é reconhecidamente o mecanismo de defesa mais bem-sucedido. Apesar de ser um conceito</p><p>extremamente relevante, não foi tratado como tal, sendo, portanto, menos investigado do que poderíamos</p><p>imaginar. Encontra-se espalhado em toda a obra, mas sem uma organização e elaboração sintética. Sua</p><p>primeira conceituação aparece em 1905, nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, e traz como traço a</p><p>dessexualização. Portanto, falar em sublimação para a Psicanálise é apresentar um conjunto de condutas</p><p>humanas que, apoiadas na energia pulsional (sexual), não se referem à sexualidade, possuindo outros</p><p>objetivos.</p><p>O que é preciso entender é a ação de dessexualizar a pulsão e utilizar tal energia como força propulsora de</p><p>movimento criativo. Vale aqui trazer como Freud, em 1908, expõe o conceito:</p><p>A PULSÃO SEXUAL PÕE À DISPOSIÇÃO DO TRABALHO</p><p>CULTURAL QUANTIDADES DE FORÇA</p><p>EXTRAORDINARIAMENTE GRANDES (...) CHAMA-SE A ESTA</p><p>CAPACIDADE DE TROCAR A META SEXUAL ORIGINÁRIA POR</p><p>OUTRA META (...) A CAPACIDADE DE SUBLIMAÇÃO.</p><p>(FREUD apud LAPLANCHE, 1992, p. 495).</p><p>Algumas características se encontram vinculadas à noção de sublimação: a dessexualização; a estreita</p><p>relação com o âmbito da cultura; e a preservação quanto à intensidade do sexual na experiência humana.</p><p>A disposição assexual da sublimação foi a primeira marca de afastamento do aspecto sexual da pulsão, em</p><p>uma “deflexão da sexualidade”. A relação com a cultura aponta a possibilidade de formas alternativas de</p><p>satisfação da pulsão, tais como a construção da cultura. A preservação e a proteção quanto à força do sexual,</p><p>ao desejo de manifestar e satisfazer as excitações sexuais, se dariam pelo desvio da pulsão, tornando-nos</p><p>capazes de construções culturais ou, como descrito no “Caso Dora”, alcançar objetivos mais elevados e</p><p>valorizados.</p><p>Encontramos Freud, em toda a sua obra, descrevendo o criar artístico e a atividade intelectual e científica</p><p>como modelos de processos sublimatórios.</p><p>CASO DORA</p><p>Dora foi uma paciente de Freud que começou a apresentar sintomas neuróticos aos 8 anos de idade.</p><p>Esse caso foi de grande importância para ilustrar conceitos centrais na teoria psicanalítica, como o</p><p>conceito de transferência, a interpretação dos sonhos e outros.</p><p>javascript:void(0)</p><p>Acabamos de descrever importantes mecanismos de defesa. Conforme pudemos entender, eles são</p><p>colocados em ação pelo Ego para lidar com um conflito vivido pelo sujeito. Se as defesas não conseguirem ser</p><p>efetivas no bloqueio da ansiedade gerada por esses impulsos provenientes do Id, haverá a criação de</p><p>sintomas.</p><p>VEM QUE EU TE EXPLICO</p><p>As primeiras ideias sobre defesa de Freud</p><p>As primeiras ideias sobre defesa de Freud</p><p>Explicação do Recalque</p><p>Explicação do Recalque</p><p>Explicando a clivagem</p><p>Explicando a clivagem</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. LEIA AS AFIRMATIVAS ABAIXO:</p><p>( ) OS MECANISMOS DE DEFESA SÃO PROCESSOS QUE SE ESTABELECEM E SE</p><p>DESENVOLVEM EM CADA INDIVÍDUO PARA RESOLVER TANTO OS CONFLITOS</p><p>INTRAPSÍQUICOS QUANTO AQUELES QUE SURGEM ENTRE O ORGANISMO E O</p><p>MEIO AMBIENTE.</p><p>( ) OS MECANISMOS DE DEFESA NÃO SÃO ENCONTRADOS EM PESSOAS</p><p>SAUDÁVEIS.</p><p>( ) SÃO MECANISMOS ESSENCIALMENTE DEPENDENTES DA FUNÇÃO DA</p><p>MEMÓRIA.</p><p>EM RELAÇÃO AOS MECANISMOS DE DEFESA DO EGO, IDENTIFIQUE AS</p><p>AFIRMATIVAS COMO VERDADEIRA (V) OU FALSA (F) E, EM SEGUIDA, ASSINALE</p><p>ABAIXO A OPÇÃO CORRETA.</p><p>A) V, V, F</p><p>B) F, F, V</p><p>C) V, F, F</p><p>D) F, V, F</p><p>E) V, F, V</p><p>2. (IFAL, 2011, CONC. PÚBLICO PSICÓLOGO) COM BASE EM FREUD E NOS</p><p>MECANISMOS DE DEFESA, AVALIE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO: “UM PROFESSOR</p><p>QUE SOFREU PUNIÇÃO DE SEU SUPERIOR (DIRETOR, COORDENADOR) PODE</p><p>DESCARREGAR INCONSCIENTEMENTE TAL TENSÃO EM UM ALUNO QUE LHE PEDE</p><p>INFORMAÇÕES. UM PROFESSOR QUE CHEGA ESTRESSADO DO TRÂNSITO PODE</p><p>MALTRATAR UM FUNCIONÁRIO DA LIMPEZA QUE VARRE O CORREDOR”. COM</p><p>BASE NESSA AFIRMAÇÃO, ASSINALE O MECANISMO DE DEFESA</p><p>CORRESPONDENTE.</p><p>A) Repressão</p><p>B) Idealização</p><p>C) Projeção</p><p>D) Deslocamento</p><p>E) Compensação</p><p>GABARITO</p><p>1. Leia as afirmativas abaixo:</p><p>( ) Os mecanismos de defesa são processos que se estabelecem e se desenvolvem em cada indivíduo</p><p>para resolver tanto os conflitos intrapsíquicos quanto aqueles que surgem entre o organismo e o meio</p><p>ambiente.</p><p>( ) Os mecanismos de defesa não são encontrados em pessoas saudáveis.</p><p>( ) São mecanismos essencialmente</p><p>dependentes da função da memória.</p><p>Em relação aos mecanismos de defesa do Ego, identifique as afirmativas como verdadeira (V) ou falsa</p><p>(F) e, em seguida, assinale abaixo a opção correta.</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>Os mecanismos de defesa foram definidos por Freud como uma luta inconsciente empreendida pelo Ego</p><p>contra representações e afetos insuportáveis e dolorosos ao indivíduo, que se originam tanto do interior</p><p>quanto da realidade. O objetivo principal é evitar o conflito psíquico, tensões e perigos. Nesse sentido, a</p><p>utilização de mecanismos de defesa é frequente entre os indivíduos, e a utilização por si só não denota</p><p>patologia.</p><p>2. (IFAL, 2011, Conc. Público Psicólogo) Com base em Freud e nos mecanismos de defesa, avalie a</p><p>seguinte afirmação: “Um professor que sofreu punição de seu superior (diretor, coordenador) pode</p><p>descarregar inconscientemente tal tensão em um aluno que lhe pede informações. Um professor que</p><p>chega estressado do trânsito pode maltratar um funcionário da limpeza que varre o corredor”. Com</p><p>base nessa afirmação, assinale o mecanismo de defesa correspondente.</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>Na Física, deslocamento é definido como a variação na posição do objeto. Implica que um objeto se moveu ou</p><p>foi deslocado. Para a Psicanálise, podemos mencionar que o mecanismo de deslocamento se refere a uma</p><p>movimentação defensiva. Portanto, encontra-se associado a outros mecanismos de defesa. O processo de</p><p>deslocamento efetua-se quando há a transferência de ações, ideias, ou afetos para outro objeto. Geralmente,</p><p>essa transposição acontece por uma questão de economia para o aparelho psíquico, no sentido de ser menos</p><p>custoso emocional e energeticamente. A troca de representações ou o deslocamento ocorre por meio de uma</p><p>cadeia associativa, por proximidade ou semelhança. Os outros mecanismos mencionados nas demais</p><p>alternativas não correspondem ao objetivo e consignam mencionados na comanda da questão.</p><p>MÓDULO 2</p><p> Relacionar os mecanismos de defesa à formação de sintomas</p><p>CONCEITO DE SINTOMA E SUA ASSOCIAÇÃO</p><p>COM O CONFLITO PSÍQUICO</p><p>Antes de iniciar a temática da formação do sintoma, é necessário estabelecer a diferença desse conceito em</p><p>Psiquiatria e Psicanálise. Seguindo a investigação da clínica orgânica em Medicina, a Psiquiatria se utilizaria</p><p>da descrição de um conjunto de sinais e sintomas para, a partir da definição diagnóstica, realizar a medicação</p><p>e tentativa de eliminação dos referidos sintomas.</p><p> ATENÇÃO</p><p>O doente, em sua subjetividade, parece não ser alvo do olhar e atenção. A doença, enquanto uma coleção de</p><p>fenômenos, sintomas, são os procurados, reunidos e classificados em grandes manuais. A Psicanálise traz um</p><p>deslocamento nessa percepção.</p><p>Conforme mencionado, Freud passa a entender o sintoma de suas pacientes como referido às suas histórias,</p><p>às experiências vividas, cheias de sentido absolutamente particular. Essas histórias e o sentido delas só</p><p>poderiam ser alcançados pela escuta do discurso realizado sobre o sintoma. Discurso esse que só faz sentido</p><p>pela relação com quem o produziu.</p><p>Foi nessa escuta atenta que Freud encontrou o sintoma associado ao conflito psíquico.</p><p>Historicamente, desde o final do século XIX, Freud procurava as origens dos sintomas daqueles que</p><p>chegavam até ele reclamando de sofrimentos. Realizou investigações sobre a histeria e a neurose obsessiva,</p><p>chamadas de psiconeuroses, buscando a formação dos sintomas.</p><p>Em uma de suas publicações iniciais, apresenta a ideia de que as histéricas sofreriam de reminiscências,</p><p>lembranças de situações traumáticas que retornavam em forma de dores corporais. Essas situações se</p><p>ligavam a conteúdos de vergonha e baixa autoestima, impulsos sexuais inadmissíveis, tanto no âmbito</p><p>pessoal quanto no julgamento social. Encontra-se aí o conflito psíquico!</p><p>Foto: Anton_Ivanov/Shutterstock.com</p><p>Com base nisso, os representantes da pulsão, ideativo e afetivo, eram desligados entre si.</p><p>O ideativo era afastado da consciência, em uma tentativa de esquecimento.</p><p></p><p>O afetivo era transformado em sintoma corporal em formas diversas, tais como paralisias, mutismo, cegueira.</p><p>Nessa descrição, Freud menciona dois movimentos, recalque e conversão, como estruturadores do</p><p>sintoma histérico, e a existência de um sentido que remete a algo de que os pacientes não querem saber</p><p>nem falar, o componente sexual.</p><p>Exemplos de casos clínicos podem nos dar a dimensão do que se apresenta:</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Caso Elizabeth</p><p>O famoso “Caso Elizabeth”, descrito em 1895, fala de uma jovem atendida por Freud com dores e paralisias</p><p>nas pernas. Após um longo passeio no campo ao lado de seu cunhado, veio à sua mente que ele seria um</p><p>excelente marido. Um tempo depois, sua irmã, que já se encontrava adoecida na época do passeio, não</p><p>resiste à moléstia e vem a falecer. No momento da morte, ela tem o pensamento de que o cunhado agora</p><p>estaria livre para ser seu marido. Tal consideração foi imediatamente repudiada e arrastada para fora de sua</p><p>consciência. Em seguida, os sintomas de paralisia e dor aparecem e não produzem nenhum sentido a</p><p>Elizabeth. Ela parece não saber a que isso se encontra relacionado, nem como apareceu. Não tem o que dizer</p><p>ou evita dizê-lo.</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>Caso Maria</p><p>Um outro exemplo, mais atual, pode ser apresentado. Maria, 30 anos, vem à consulta com queixas de falta de</p><p>ar, dores de cabeça e tonturas. Não consegue manter relacionamentos duradouros e sempre se sente</p><p>humilhada pelos namorados, tendo crises de falta de ar quando é deixada por eles. Ao ser solicitada que fale</p><p>sobre sua história familiar, relata que sua mãe era um pouco distante, mas seu pai era amoroso. Ele viajava</p><p>muito a trabalho, e ela o esperava na janela de casa, ficando muito ansiosa quando ele demorava a retornar.</p><p>Quando ele aparecia, estava cansado e somente tinha olhos para sua mãe. Nesses momentos, ela desejava</p><p>que a mãe desaparecesse ou que algo acontecesse com seu pai. A paciente parecia não perceber nenhuma</p><p>conexão entre seus sintomas e sua experiência infantil. Não percebe a repercussão de sua experiência na sua</p><p>atualidade das relações.</p><p>Durante o atendimento das pacientes histéricas, Freud reconhece uma afirmativa sempre presente no discurso</p><p>dessas mulheres: uma experiência de sedução sexual sofrida por elas fruto de fantasia, mais precisamente de</p><p>um desejo de serem seduzidas e amadas pela figura parental.</p><p>A partir dessa descoberta, novos caminhos foram seguidos pela Psicanálise.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Ainda dando continuidade ao estudo dos sintomas, percebemos o estabelecimento de diferenças quanto à</p><p>neurose obsessiva e a histeria no artigo As Psiconeuroses de defesa, de Freud (1894).</p><p>O mecanismo defensivo, apesar de se iniciar com o recalcamento, passa a um segundo tempo diferente.</p><p>Distintamente da conversão, observa-se que é o afeto, associado à ideia incompatível de caráter sexual, que</p><p>irá ligar-se a outras representações ideativas que se impõem à consciência e assim se tornarão obsessivas.</p><p>A força do afeto é transposta para uma nova ideia. O inconciliável foi apartado da consciência, mas o afeto,</p><p>experimentado pelo “eu”, associa-se a alguma representação conveniente para servir de suplente, criando</p><p>assim uma desconfiança e incompreensão quanto ao sentimento.</p><p> ATENÇÃO</p><p>É comum que os principais sentimentos experimentados se relacionem à culpa e a autoacusações por motivos</p><p>claramente inconsistentes, que encobrem a real razão. Parece não fazer sentido, mas é assim que deve ser,</p><p>só assim pode ser.</p><p>Todo esse processo acontece no campo mental, psíquico, não adentrando no corpo, como no caso da histeria.</p><p>O caso do Homem dos Ratos (1909), no qual Freud descreve um quadro de neurose obsessiva, revela várias</p><p>substituições de ideias insuportáveis, sintomas e rituais realizados no esforço de impedir o contato com a ideia</p><p>recalcada.</p><p> EXEMPLO</p><p>Na atualidade, encontramos muitos traços, correlatos</p><p>dos mecanismos defensivos, nos casos de transtornos</p><p>obsessivos, tais como necessidade de organização e perfeição, comportamentos controladores, excesso de</p><p>razão em detrimento do afeto e outros.</p><p>MECANISMOS DE DEFESA NAS PSICOSES</p><p>Continuando suas investigações, Freud elabora uma primeira compreensão (1894) sobre a etiologia das</p><p>psicoses. A partir de alguns atendimentos, ele percebe que, no caso das psicoses, um mecanismo de defesa</p><p>muito mais poderoso e severo entra em ação. Presente o repúdio a uma ideia incompatível, separando-a do</p><p>afeto, mas ocorrendo de forma tão violenta, que ambos são expulsos totalmente do eu que, agora, passa a</p><p>viver como se aquela ideia jamais tivesse acessado a consciência.</p><p>Desse modo o “eu” se desliga tanto do que era incompatível como também da realidade.</p><p>Assim se procede o afastamento da realidade, que acaba trazendo uma série de repercussões, tais como</p><p>delírios e alucinações, tentativas de remendar e restabelecer a realidade. Nesses momentos iniciais, Freud</p><p>ainda irá se utilizar do mecanismo de recalque, tal como nas neuroses. Posteriormente, ele atribuirá a esse</p><p>mecanismo o sentido de recusa ou rejeição.</p><p> EXEMPLO</p><p>O estudo clínico do famoso “Caso Schreber” (1911) é uma das grandes contribuições no campo da psicose. O</p><p>Caso Schreber representa uma análise de grande importância nos estudos de Freud que foi realizado partindo</p><p>da leitura das memórias escritas em 1903 por Daniel Paul Schreber. Schreber nasceu em Leipzig, Alemanha,</p><p>em 25 de julho de 1842. Jurista importante da época e escritor, relatou a sua condição mental descrevendo um</p><p>quadro complexo com delírios místicos e estupor alucinatório.</p><p>Em outros trabalhos posteriores (1924), Freud apontará diferenças fundamentais entre a psicose e a neurose.</p><p>Aqui, nos importa mencionar que o conflito essencial para a psicose se dará entre o Ego e a realidade, em um</p><p>movimento brusco e defensivo de fugir à realidade externa, de recusar como a realidade se apresenta. Em um</p><p>desses textos, Perda da realidade na neurose e na psicose (1924), Freud (1975, p. 196) afirma que</p><p>“A NEUROSE NÃO REPUDIA A REALIDADE, APENAS A</p><p>IGNORA; A PSICOSE A REPUDIA E TENTA SUBSTITUI-LA.”</p><p>Freud (1975, p. 196).</p><p> ATENÇÃO</p><p>Sempre temos o conflito e uma ação defensiva, mas, às vezes, de forma mais radical na psicose.</p><p>Frente à pulsão sexual demandando satisfação, mas sendo inaceitável a exigência desse tipo, uma ação</p><p>inconsciente de defesa se revela para evitar o sofrimento. Esse material, que foi excluído da consciência pelos</p><p>processos psíquicos de censura e defesa, pode não ser lembrado, mas não está perdido, permanecendo no</p><p>inconsciente.</p><p>Nessa perspectiva é importante entender que, apesar de retirado da consciência, o impulso ainda possui um</p><p>quantum de energia suficiente para buscar se manifestar, reaparecer. Assim as defesas podem não ser</p><p>capazes de evitar que os impulsos, que se encontram inconscientes pela ação da defesa, tentem abrir</p><p>caminho de volta ao consciente.</p><p>Como satisfazer a pulsão e ao mesmo tempo impedir que algo inadmissível se “concretize”?</p><p>A RUPTURA COM A REALIDADE NA PSICOSE</p><p>O especialista Luciano de Souza Dias apresentará as diferenças fundamentais entre a psicose e a neurose</p><p>segundo Freud, ilustrando, brevemente, com exemplos como o caso Schreber.</p><p>O SINTOMA E OS MECANISMOS DE DEFESA</p><p>É normal fazer uso das defesas. O que seria de nós se não nos defendêssemos? Como afirmava Freud, “é</p><p>impossível enfrentar a realidade o tempo todo sem nenhum mecanismo de fuga”. Mas teremos custos.</p><p>Na resolução de um conflito, temos a presença de uma luta incessante, muitas negociações e, muitas das</p><p>vezes, aparece o sintoma como produção do inconsciente. Assim, será do fracasso da defesa que surgirão os</p><p>sintomas. Também encontramos as formações substitutivas, equivalente aos sintomas, descritas por Freud</p><p>como formações sintomáticas que proporcionam prazer a partir da substituição do desejado inconsciente</p><p>através de algum tipo de proximidade com ele.</p><p>Imagem: Shutterstock.com</p><p>Por tanto, podemos traduzir o sintoma como um disfarce do desejo para alcançar alguma satisfação.</p><p>Trata-se de um evento elaborado pela operação de distorção do desejo. Dessa forma, os processos</p><p>inconscientes só conseguem acessar o consciente pela via dos derivativos, similares ao que foi expulso do</p><p>inconsciente.</p><p>Temos aqui dois conceitos muito importantes para a teoria psicanalítica que, relacionados ao que</p><p>estamos apresentando, precisam de explanação agora.</p><p>RETORNO DO RECALCADO</p><p>O primeiro deles é o retorno do recalcado, que se caracteriza por ser um processo em que conteúdos</p><p>recalcados, porém não destruídos no inconsciente, forçam passagem para o consciente para ressurgir e</p><p>tentarem obter satisfação. É claro que precisam de novos caminhos e inclusive outras feições. Esses</p><p>componentes inconscientes são capazes de se desfigurar infinitamente sempre com o objetivo de se</p><p>depararem com uma possibilidade de satisfação possível no consciente – por meio de sintomas.</p><p>FORMAÇÃO DE COMPROMISSO</p><p>Outro conceito estreitamente vinculado ao retorno do recalcado é o de formação de compromisso. Segundo</p><p>Laplanche (1992), é a fisionomia que o recalcado assume para conseguir ser aceito no consciente, enquanto</p><p>se faz sintoma ou qualquer outra produção do inconsciente (um sonho, por exemplo).</p><p>Fundamental perceber que, na formação de compromisso, encontram-se negociadas tanto as exigências</p><p>defensivas quanto o desejo inconsciente que demanda ser satisfeito. Podemos observar ambos sendo</p><p>atendidos. Existe um prazer associado a esse sintoma, mas, ao mesmo tempo, há um mal-estar, um</p><p>incômodo, por trazer sofrimento, já que não era exatamente esse o desejo que deveria ser atendido, o que é</p><p>oferecido pelo sintoma.</p><p> EXEMPLO</p><p>Vamos nos utilizar agora de um exemplo baseado no proposto por Freud. Imaginemos que uma grande festa</p><p>será realizada em uma mansão. Um homem sabe da festa e, apesar de não receber o convite, deseja ir ao</p><p>evento. Ao chegar lá, consegue entrar, mas inicia uma discussão com outra pessoa e é convidado a se retirar</p><p>pelo segurança, que o encaminha até o lado de fora da mansão. Inconformado, já que a festa tinha tudo para</p><p>ser boa, ele resolve tentar voltar. Troca de roupa e, chegando com outro convidado, consegue se infiltrar. Mas</p><p>em breve, no meio da dança, novo impasse se dá quando o chefe de segurança reconhece a semelhança e</p><p>torna a removê-lo do local, não sem gritaria.</p><p>A partir desse exemplo, conseguimos visualizar o sintoma, como uma formação substitutiva, tentando enganar</p><p>o Ego, retornando disfarçado. Ainda que tendo algum prazer, acaba causando confusão e desprazer/mal-estar.</p><p>Na formação do sintoma, duas forças encontram-se presentes: a exigência de satisfação da pulsão e a</p><p>exigência da censura ao elemento inconsciente inadmissível.</p><p>JÁ SABEMOS QUE OS SINTOMAS NEURÓTICOS SÃO</p><p>RESULTADO DE UM CONFLITO, E QUE ESTE SURGE EM</p><p>VIRTUDE DE UM NOVO MÉTODO DE SATISFAZER A LIBIDO. AS</p><p>DUAS FORÇAS QUE ENTRAM EM LUTA ENCONTRAM-SE</p><p>NOVAMENTE NO SINTOMA E SE RECONCILIAM, POR ASSIM</p><p>DIZER, POR MEIO DO ACORDO REPRESENTADO PELO</p><p>SINTOMA FORMADO. É POR ESSA RAZÃO, TAMBÉM, QUE O</p><p>SINTOMA É TÃO RESISTENTE: É APOIADO POR AMBAS AS</p><p>PARTES EM LUTA.</p><p>(FREUD, 1975, p. 420).</p><p>A FALHA DO PROCESSO DEFENSIVO E O</p><p>ADOECIMENTO</p><p>O sintoma tentará considerar esses dois lados do conflito psíquico, atendendo tanto ao Ego quanto ao Id, em</p><p>uma mescla de contenção e prazer. Mas a tentativa de conciliação acaba por não dar certo já que o prazer</p><p>experimentado é vivido com certo estranhamento pelo sujeito. Esse não era o prazer reivindicado.</p><p>O sintoma é apresentado como algo que incomoda e do qual queremos nos livrar. Sinal de que algo não vai</p><p>bem, mas do qual é difícil se desgarrar. Ao menos é a garantia de algum prazer.</p><p>Percebemos durante o trabalho clínico o quanto é difícil para o paciente se livrar de um sintoma que ele</p><p>mesmo afirma lhe causar desprazer. Assim, é muito difícil conseguir realizar mudanças em sua conduta. A</p><p>esse fenômeno é dado o nome</p><p>de resistência.</p><p>Tal como o provérbio português “se não tem tu, vai com tu mesmo”. Mas, como se conformar?</p><p>Adoecendo?</p><p>Na falha do processo defensivo, vemos surgir o curso do adoecimento.</p><p></p><p>No texto Conferências Introdutórias (1916/1917), Freud expõe uma série de argumentos importantes sobre a</p><p>formação do sintoma, tendo como resultado o adoecimento ou, mais precisamente, a estruturação da</p><p>enfermidade mental.</p><p>Na conferência O Sentido dos Sintomas, Freud apresenta algumas considerações que vão ao encontro do que</p><p>esboçamos acima: o sintoma se mostra como a manifestação distorcida de um elemento recalcado e</p><p>inconsciente. Assim, o sintoma tem um sentido passível de ser desvendado, que se encontra baseado nas</p><p>experiências vividas pelo paciente. Desse modo, o sintoma mantém conexão estreita com a vida sexual, ou</p><p>seja, refere-se a como se deu o desenvolvimento da sexualidade daquele indivíduo em particular.</p><p></p><p></p><p>Mais adiante, em uma outra conferência, Os Caminhos da Formação dos Sintomas, Freud reafirma que os</p><p>sintomas neuróticos são resultado de um conflito e da tentativa de uma possibilidade de satisfação da</p><p>pulsão, mesmo que um tanto desvantajosa. E, continuando suas colocações, apresenta o conceito de</p><p>fixação, o qual é muito importante para entendermos os caminhos feitos por um sintoma.</p><p>FIXAÇÃO E REGRESSÃO</p><p>Fixação e regressão são processos interdependentes. Ao longo da infância, toda criança vai experimentando</p><p>prazeres, desprazeres e traumas durante o desenvolvimento da sua sexualidade. Essas fases serão</p><p>superadas, mas jamais plenamente abandonadas ou perdidas, tornando-se sinais ou pistas passíveis de</p><p>identificação ou polos de atração.</p><p> VOCÊ SABIA</p><p>Em momentos posteriores, diante de uma frustração, quando a realidade não concede a satisfação</p><p>pretendida, a libido, energia da pulsão sexual, buscará se religar a essas fixações (sinais) localizadas no curso</p><p>de seu desenvolvimento.</p><p>A fixação trata-se de um fenômeno relativo à tendência de reconectar a libido a formas anteriores de modos</p><p>de satisfação, a tipos arcaicos de objeto ou de relação (LAPLANCHE, 1992), típicos das experiências infantis.</p><p>Zimerman (2001, p. 150) aponta que</p><p>OS PONTOS DE FIXAÇÃO SE FORMARIAM COM MAIS</p><p>FACILIDADE A PARTIR DE UMA EXAGERADA GRATIFICAÇÃO</p><p>OU FRUSTRAÇÃO DE DETERMINADA NECESSIDADE OU DE</p><p>UMA ZONA ERÓGENA E, CONFORME O PREDOMÍNIO DE UMA</p><p>DAS FORMAS, A MANIFESTAÇÃO CLÍNICA TERÁ</p><p>CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS.</p><p>Zimerman (2001, p. 150).</p><p>Já a regressão será o movimento de retornar até as “pistas” deixadas onde a libido possa obter satisfação.</p><p>Encontramos regressão e fixação se sucedendo no viver o mundo. Desse modo, podemos evidenciar a</p><p>presença do passado no presente em um movimento contínuo.</p><p>Foto: Shutterstock.com</p><p>Exemplos do cotidiano podem nos clarificar essa relação entre a fixação e a regressão. Diante de uma</p><p>chamada de atenção do chefe no trabalho, uma pessoa tende a reagir da mesma maneira que fazia com seu</p><p>pai quando se sentia rejeitada por ele.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Retomando a questão do sintoma, para o surgimento deste, podemos mencionar a existência de um</p><p>impedimento da satisfação de uma pulsão no cotidiano do indivíduo. Esse impedimento gera frustração,</p><p>seguida por um processo de regressão às organizações anteriores da libido sexual infantil que jamais foram</p><p>plenamente abandonadas – esses são os chamados pontos de fixação no desenvolvimento sexual.</p><p>FATORES CONSTITUCIONAIS E AMBIENTAIS</p><p>Caminhando um pouco mais, vale apresentar o que Freud entende como fatores responsáveis pela etiologia</p><p>das doenças. A formação de sintomas dependerá de fatores múltiplos:</p><p>CONSTITUCIONAIS</p><p>Aspectos inatos</p><p>AMBIENTAIS</p><p>Acaso</p><p>Para melhor explicar, mostraremos a seguir “série complementar”, descrita em seu texto O Caminho da</p><p>Formação dos Sintomas,(1975):</p><p> Série complementar de fatores associados a formação de sintomas segundo Freud.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>A constituição sexual é tudo aquilo que já trazemos em nós, o que nos compõe quando viemos à vida.</p><p>A experiência infantil refere-se ao vivido na infância, ao que foi adquirido nesse período na relação com o</p><p>mundo.</p><p>A conjugação dessa constituição com a experiência infantil acarretará uma predisposição (disposição) que</p><p>interagirá com experiências de frustração vivida pelo adulto na atualidade.</p><p>Essa combinação definirá, em algum nível, o destino do sujeito quanto à sua vida amorosa, suas satisfações</p><p>pulsionais, fixações, sintomas, enfim, a totalidade da sua vida.</p><p>Um esquema talvez possa trazer luz ao que vimos expondo até agora:</p><p>Resumo dos fatores constitucionais e ambientais dos sintomas:</p><p>Conflitos internos e sofrimento psíquico</p><p>Experiências infantis e os processos de fixação e regressão</p><p>Frustração</p><p>A Falha nos Mecanismos defensivos</p><p>Impossibilidade de satisfação da pulsão sexual/libido</p><p>Demandas e conflitos externos</p><p>Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal</p><p>Esse esquema pode dar uma dimensão a respeito das origens dos sintomas e do que está implicado no que</p><p>Freud chamou de “escolha da neurose”. Os sintomas são substitutos das frustrações e revelam os caminhos</p><p>realizados ou “escolhidos” para obtenção de uma pseudossatisfação mesclada de sofrimento.</p><p>Segundo Bergeret (2008), a estrutura da personalidade implica em determinados componentes psíquicos</p><p>essenciais:</p><p>Mecanismos de defesa</p><p>Grau de evolução da libido</p><p>Pontos de fixação da libido</p><p>Grau de desenvolvimento do Ego</p><p>Um modo seletivo de relação de objeto</p><p>OS MECANISMOS DE DEFESA NOS</p><p>TRANSTORNOS PSÍQUICOS</p><p>Os transtornos psíquicos apresentam um conjunto de mecanismos de defesa que se associam à exibição de</p><p>sintomas. Passaremos a enumerar alguns desses mecanismos que se apresentam como mais característicos,</p><p>mas não exclusivos, de determinadas patologias.</p><p>RECALQUE</p><p>O recalque é o mecanismo fundamental da estruturação da neurose. Logo, estará sempre presente.</p><p>PSICOSE</p><p>No caso da psicose, podemos verificar a cisão e recusa da realidade.</p><p>NEUROSE</p><p>Na neurose, podemos observar que a histeria se utiliza de mecanismos de deslocamento, isolamento.</p><p>NEUROSE OBSESSIVA</p><p>Já no caso da neurose obsessiva, encontram-se de forma muito efetiva os mecanismos de deslocamento,</p><p>isolamento, anulação e formação reativa.</p><p>Diríamos que, diante do conflito, a defesa age separando os representantes ideativos do afeto, tornando-os</p><p>inconscientes. Porém, é onde a libido encontra-se fixada que definirá os caminhos da formação do sintoma e,</p><p>assim, o quadro psicopatológico.</p><p>Repare na importância do entendimento dos mecanismos de defesa e também do conhecimento da história do</p><p>sintoma, contada pelo sujeito, pois nesse sentido poderemos realizar um melhor trabalho clínico.</p><p>VOCÊ DEVE ESTAR SE PERGUNTANDO: TODAS AS</p><p>VEZES EM QUE TIVERMOS UM CONFLITO OU</p><p>FICARMOS FRUSTRADOS DESENVOLVEREMOS</p><p>SINTOMAS E, CONSEQUENTEMENTE, UMA DOENÇA?</p><p>RESPOSTA</p><p>RESPOSTA</p><p>javascript:void(0)</p><p>Na verdade, não. Se o Ego conseguir entrar em acordo com a pulsão para que um novo objeto, mais</p><p>acessível e propiciado pela realidade, seja aceito como possibilidade de prazer, não teremos um</p><p>impasse e, nesse sentido, não veremos um adoecimento.</p><p>Freud (1916/1917) aponta que muitas pessoas têm a capacidade de tolerar carências mais do que outras.</p><p>Além disso os impulsos parecem ter um tipo de “elasticidade” capaz de assumir o lugar de outro e inclusive</p><p>viabilizar satisfação a partir de outro objeto.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Repare que aquilo que desenvolve a doença refere-se à exclusividade no que diz respeito à satisfação. A</p><p>flexibilidade nos padrões de satisfação da libido será fundamental para o não adoecimento.</p><p>Talvez possibilitar a flexibilização seja uma das tarefas fundamentais de todo processo analítico.</p><p>VEM QUE EU TE EXPLICO</p><p>O mecanismo defensivo na neurose obsessiva</p><p>O mecanismo defensivo na neurose obsessiva</p><p>O sintoma como produto do inconsciente e as formações substitutivas</p><p>O sintoma como produto do inconsciente e as formações substitutivas</p><p>Fatores constitucionais e ambientais</p><p>responsáveis pela etiologia das doenças</p><p>Fatores constitucionais e ambientais responsáveis pela etiologia das doenças</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. (IFAL, 2011, CONC. PÚBLICO PSICÓLOGO) DE ACORDO COM A TEORIA</p><p>PSICANALÍTICA, O FATO DE UMA PESSOA NÃO PROGREDIR NORMALMENTE DE</p><p>UMA FASE PARA OUTRA, PERMANECENDO MUITO ENVOLVIDA EM UMA FASE</p><p>PARTICULAR, CARACTERIZA O FENÔMENO DE</p><p>A) sublimação.</p><p>B) regressão.</p><p>C) obsessão.</p><p>D) mecanismo de defesa.</p><p>E) fixação.</p><p>2. NA PRÁTICA DA PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA, OS SINTOMAS PODEM SER</p><p>ENTENDIDOS COMO ATOS, MUITAS VEZES INDESEJADOS, QUE CAUSAM</p><p>DESPRAZER E SOFRIMENTO. NA VERDADE, SABEMOS QUE TAMBÉM GERAM</p><p>ALGUM PRAZER. SEGUNDO ESSA PERSPECTIVA, ASSINALE A ALTERNATIVA</p><p>CORRETA.</p><p>A) Todo sintoma é uma formação de compromisso.</p><p>B) O sintoma é gerado por uma frustração, o que ocasionará um processo de luto.</p><p>C) O sintoma é o que se mostra não havendo nada mais a entender sobre ele.</p><p>D) Por ser doloroso, o sintoma tenderá a ser prontamente abandonado pelo paciente com ajuda médica.</p><p>E) O retorno do recalcado impede que se forme o sintoma, pois ele permite o aparecimento de novos afetos.</p><p>GABARITO</p><p>1. (IFAL, 2011, Conc. Público Psicólogo) De acordo com a teoria psicanalítica, o fato de uma pessoa</p><p>não progredir normalmente de uma fase para outra, permanecendo muito envolvida em uma fase</p><p>particular, caracteriza o fenômeno de</p><p>A alternativa "E " está correta.</p><p>A teoria psicanalítica apresenta o desenvolvimento psicossexual da criança a partir de diferentes fases</p><p>erógenas – oral, anal, fálica, latência e genital. Desde o início do desenvolvimento, a libido irá,</p><p>sucessivamente, investir em cada uma dessas zonas e progredir no desenvolvimento sem interrupção.</p><p>Durante esse desenvolvimento, a criança experimentará um conjunto de satisfações, angústias, desprazeres.</p><p>Algumas dessas vivências não serão totalmente superadas e deixarão vestígios chamados pontos de fixação.</p><p>Diante de uma frustração no futuro, durante a experiência adulta, observaremos um retorno da libido a esses</p><p>pontos de fixação. Os outros mecanismos mencionados nas demais alternativas não correspondem ao</p><p>objetivo e consigna mencionados na comanda da questão.</p><p>2. Na prática da psicoterapia psicanalítica, os sintomas podem ser entendidos como atos, muitas vezes</p><p>indesejados, que causam desprazer e sofrimento. Na verdade, sabemos que também geram algum</p><p>prazer. Segundo essa perspectiva, assinale a alternativa correta.</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>Diante de frustrações e conflitos, o mecanismo de defesa do recalque é um dos mais utilizados. A</p><p>representação psíquica é excluída para o inconsciente, dando ao afeto algum destino. Freud insistia na força</p><p>dos conteúdos inconscientes no sentido de retornar à consciência para alcançarem satisfação. Nessa</p><p>insistência dos conteúdos inconscientes – o retorno do recalcado -, a forma encontrada é a de um disfarce, de</p><p>uma camuflagem. Só será possível essa reentrada pela formação de compromisso. O conceito alude ao</p><p>compromisso entre a defesa e o representante pulsional bloqueado que obtém prazer disfarçado. As outras</p><p>condições mencionadas nas demais alternativas não correspondem ao objetivo e consigna mencionados na</p><p>comanda da questão.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Apresentamos a ideia de defesa como algo fundamental ao viver humano. Diante da vivência de conflitos e da</p><p>impossibilidade de satisfação da pulsão, ou dos desejos correlatos a ela, observamos que o Ego coloca em</p><p>jogo um conjunto de mecanismos de defesa, que são processos inconscientes.</p><p>O objetivo principal dos mecanismos de defesa é lidar com os conflitos internos e externos, vividos no</p><p>cotidiano como ameaçadores.</p><p>Discorremos sobre os principais mecanismos de defesa expostos principalmente por Freud e Anna Freud, tais</p><p>como recalque, regressão, clivagem, deslocamento, anulação isolamento, formação reativa, negação,</p><p>projeção e introjeção.</p><p>Após a descrição desses mecanismos, estabelecemos sua relação com a criação dos sintomas na história da</p><p>Psicanálise. Estabelecemos como fatores fundamentais para a etiologia dos sintomas: o conflito, a frustação e</p><p>os processos de fixação e regressão. De acordo com esses fatores, apontamos os diferentes processos de</p><p>adoecimento mental e seus mais característicos mecanismos defensivos.</p><p>Para finalizar, refletimos sobre a importância do reconhecimento dos processos defensivos e da escuta dos</p><p>sintomas como referência para a execução do trabalho analítico.</p><p>AVALIAÇÃO DO TEMA:</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BERGERET, J. A Personalidade Normal e Patológica. Porto Alegre: Artmed, 2008.</p><p>FENICHEL, O. Teoria Psicanalítica das Neuroses. São Paulo: Atheneu, 1981.</p><p>FREUD, A. O Ego e os mecanismos de defesa. Porto Alegre: Artmed, 2006.</p><p>FREUD, S. Obras Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1975.</p><p>GARCIA-ROZA, L. A. Freud e o inconsciente. Rio de Janeiro: Zahar, 1984.</p><p>KLEIN, M (Organiz.). Os progressos da psicanálise, Rio de Janeiro: Zahar, 1986</p><p>KUSNETZOFF, J. C. Introdução à Psicopatologia Psicanalítica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.</p><p>LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. B. Vocabulário de Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1992.</p><p>LATTANZIO, F. Por que criamos? Reflexões psicanalíticas sobre a gênese da arte, Mosaico. Estudos em</p><p>Psicologia, v. 3, n. 1, 2008.</p><p>MCWILLIAMS, N. Diagnóstico Psicanalítico. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p><p>MEZAN, R. A trama dos conceitos. São Paulo: Perspectiva, 1982.</p><p>NEVES, T. I.; LOPES, A. M.; MORAES, T. C. B. Reintroduzindo o sintoma: a psicanálise como obstáculo à</p><p>cientificização do tratamento psíquico. Revista de Psicologia UERJ, Rio de Janeiro, 2013.</p><p>ROUDINESCO, E.; PLON, M. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.</p><p>ZIMERMAN, D. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre: Artmed, 2001.</p><p>EXPLORE+</p><p>Para aprofundar os seus conhecimentos no assunto estudado:</p><p>Leia o artigo Casos Clínicos retratados no cinema: estudo de processos defensivos, de Tales Vilela</p><p>Santeiro, Leylane Franco Leal Barboza e Ludimila Faria Souza, publicado na Revista Brasileira de</p><p>Psicoterapia, volume 18, número 2, em 2016.</p><p>Acesse o canal do YouTube “Falando nIsso”, de Christian Dunker.</p><p>Assista ao vídeo Caso Homem dos Ratos Freud, encontrado no canal SOBRAPSICO, no YouTube.</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Teresinha Maria Nicolini da Fonseca Anciães</p>

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